I put a flower in your hair
You'll hear the music, feel the air...

Por Cah (Kerouls)



Essa é a música da fic, se quiserem ouvir, coloquem para tocar quando virem a letra.


O choro do bebê me despertou repentinamente pela segunda vez naquela noite. Demorei alguns segundos para perceber que não era um sonho e que realmente havia um bebê chorando em algum lugar do quarto. Uma movimentação na cama me despertou por completo e eu abri os olhos lentamente, percebendo que o sol começa a nascer do lado de fora.
- Shh... A mamãe tá aqui. – Ouvi a voz da sussurrar.
Sentei na cama e observei o bebê se acalmar um pouco, mas continuar a chorar. me olhou, daquela forma que demonstrava seu desespero e sua falta de experiência. Sorri e me levantei, caminhando até onde ela estava ninando o bebê.
- Por que eu nunca consigo fazê-lo parar? – Choramingou.
Peguei o bebê com um dos braços e a abracei com o outro, beijando carinhosamente sua testa.
Balancei o pequeno ser humano em meus braços levemente, caminhando um pouco pelo quarto e cantando uma música infantil calmamente.
me observava sentada na cama. Seus braços abraçavam seus joelhos, deixando suas lindas pernas a mostra, incapazes de serem cobertas pela blusa que ela usava. Seus cabelos estavam bagunçados e jogados para trás e seu rosto entregava seu cansaço. Mas mesmo assim ela estava linda.
Quando o choro cessou, coloquei o bebê de volta no berço e deitei novamente na cama.
- Como você consegue? – perguntou, deitando ao meu lado. A abracei, beijando suavemente seu pescoço.
- Consigo o quê? – Eu sabia o que ela queria dizer, não era a primeira vez que ela me perguntava aquilo.
- Você sabe do que eu to falando, .
Fiquei em silêncio, sentindo a respiração dela bater em meu peito. levantou a cabeça e tocou meu rosto com carinho.
- Você sempre consegue fazer com que se acalme. Por mais que eu tente, ele sempre continua chorando.
- Isso não é verdade. E todas as vezes que eu não estava em casa e você conseguiu acalmá-lo?
Dessa vez foi ela quem ficou em silêncio por alguns instantes. Nossos olhares estavam presos um no outro enquanto conseguíamos ler o que estávamos pensando.
- Eu acho que ele não gosta de mim. – Ela sussurrou, de forma quase inaudível. Como um segredo que há muito tempo ela vinha guardando.
A abracei mais forte, distribuindo beijos por sua bochecha e um selinho rápido em seus lábios.
- Não fala isso.
Ela se calou, mesmo que seu olhar entregasse que ela queria falar mais, ela se manteve quieta até que pegássemos no sono novamente.

***



O despertador no criado mudo tocou alto a música irritante que fazia meu dia já começar péssimo. Apertei o botão para desligá-lo e me espreguicei ao mesmo tempo em que estalava meus dedos. Velhos hábitos dificilmente morrem.
Virei meu rosto e me deparei com um rosto tranqüilo e apagado. ressonava baixo, seu peito subia e descia, ritmado com a sua respiração. Sorri sozinha, não só por adorar aquela cena, mas por lembrar que ela se repetia quase todo dia. E eu nunca me cansava.
Levantei-me preguiçosamente e ouvi começar a chorar no berço. Corri para pegá-lo antes que acordasse e entrei no banheiro para dar banho nele e trocar a fralda.
- Parabéns, meu amor! – Beijei sua testa enquanto tirava a fralda suja. – Um aninho de vida. – Falei, com a voz melosa que qualquer mãe sabe que é essencial.

Depois de amamentá-lo, fui para a cozinha fazer meu café da manhã. Coloquei em sua cadeirinha especial que fica ao lado da mesa e deixei-o brincando com um boneco de plástico barulhento que ele adorava.
Preparei duas torradas e as coloquei na torradeira. Enquanto esperava preparei o suco de uva preferido de , ele sempre acordava procurando pelo suco. Quando as torradas ficaram prontas, as coloquei em um prato e sentei ao lado de vendo-o me olhar com atenção. Fiz careta e ele riu, como sempre, caretas nunca falham com ele.
Tomei café aproveitando o silêncio, sabendo que ele acabaria quando acordasse. Ele sempre ligava a tv em algum canal de clipes, dizia que o ajudava a acordar. A quietude era quebrada apenas por que balbuciava algumas coisas, ainda incapaz de falar.
Sempre que eu o olhava sentia uma sensação engraçada, uma sensação de plenitude, como se as coisas fizessem mais sentido, como se tudo ficasse mais completo. Eu sempre ouvi as mulheres falarem que só se descobre o que é amar alguém além da vida depois de ter um filho, e agora eu sabia disso.
Eu ainda não conseguira me acostumar com o fato de que aquele pequeno ser humano dependia completamente de mim. Eu apenas conseguia entender que eu dependia dele.
não for a um bebê planejado. Ele fora um descuido que passara despercebido e que fora ignorado. e eu não estávamos prontos para ser pais, nem casados éramos. Morar juntos era o suficiente para nós, compartilhávamos uma vida e aquilo bastava. Éramos amigos de infância e nos conhecíamos como ninguém. Olhares de gestos valiam muito mais do que palavras naquela relação. A chegada de um bebê nos amadureceu, nos fez perceber que ainda tínhamos muito a aprender um com o outro. O barulho do brinquedo de Patrick me despertou dos meus devaneios. Eu havia terminado de comer e nem tinha notado. Coloquei o prato e o copo vazios dentro da pia e suspirei, com muita preguiça para começar a lavá-los. Liguei a água e observei ela molhar a louça. Levei um susto ao sentir duas mãos em minha cintura.
- Bom dia. – A voz sonolenta de sussurrou em meu ouvido.
- Bom dia. – Respondi, encolhendo os ombros ao sentir seus lábios em meu pescoço. Depois ele se virou para e o pegou no colo, falando bobagens com uma voz infantil que só ele conseguia fazer.
Ainda com o filho no colo, foi até a sala ligou a televisão, como eu já esperava. Segundos depois ele entrou novamente na cozinha enquanto alguma música dançante tomava conta da casa. Com na cadeirinha de novo, ele começou a dançar e fazer palhaçadas para distraí-lo.
- Como você é bobo. – Comentei, olhando-o fazer danças esquisitas.
Ele se aproximou de mim e me agarrou pela cintura, levantando-me do chão. A risada alta de chamou nossa atenção e só então percebemos o quanto ele estava de divertindo.
- Agora você já sabe como fazê-lo parar de chorar. – comentou, me colocando de volta no chão. Ri, concordando.
Quando estava voltando minha atenção para a louça na pia, senti a mão de segurar em meu braço.
- Dança comigo.
- , preciso lavar isso e começar a arrumar a casa para a festa mais tarde.
- Só essa música. É a nossa música. – Ele ia dizendo enquanto já me abraçava e se balançava lentamente.

Do you hear me, I'm talking to you
Você consegue me escutar? Estou falando com você
Across the water across the deep blue ocean
Do outro lado da água, Do outro lado do profundo oceano azul
Under the open sky oh my, baby I'm trying
Sobre o céu aberto, oh nossa! Meu bem estou tentando

Boy I hear you in my dreams
Garoto eu te escuto, em meus sonhos
I feel you whisper across the sea
Eu sinto o seu sussurro do outro lado do mar
I keep you with me in my heart
Eu te guardo comigo em meu coração
You make it easier when life gets hard
Você faz as coisas fáceis quando a vida fica difícil

- A gente teve mesmo muita sorte, né? – Comentei.
me abraçou mais apertado, sem parar de se movimentar e beijou meu ombro suavemente.
- Você eu não sei. Mas eu tive muita sorte por me apaixonar pela minha melhor amiga.
- Já pensou se aquela brincadeira de verdade ou conseqüência nunca tivesse acontecido? A gente nunca teria se beijado e nunca saberíamos que gostávamos um do outro. Ainda seriamos melhores amigos de infância. – Ri.
- Não consigo imaginar o que teria sido de mim sem aquele beijo. Sem qualquer um dos seus beijos. – Ele segurou meu rosto com as duas mãos e selou os lábios nos meus.
Não posso falar em relação a ele, mas, para mim, a sensação ainda é a mesma desde o primeiro beijo.

Lucky I'm in love with my best friend
Sortudo, pois estou apaixonada pelo meu melhor amigo
Lucky to have been where I have been
Sortudo por ter estado onde estive
Lucky to be coming home again
Sortudo por estar voltando pra casa novamente

They don't know how long it takes
Eles não sabem como demora
Waiting for a love like this
Esperar por um amor como esse
Every time we say goodbye, I wish we had one more kiss
Toda vez que dizemos adeus, queria que tivéssemos mais um beijo
I wait for you I promise you, I will
Vou esperar você, eu juro que vou esperar

***


Os choques que percorriam meu corpo desde a primeira vez em que os lábios dela encostaram-se aos meus ainda me deixavam sem reação. Quase cinco anos haviam se passado desde a primeira vez em que nossos lábios se tocaram e eu ainda conseguia sentir as mesmas sensações, o mesmo frio na barriga.

And so I'm sailing through the sea
E então estou velejando pelo mar
To an island where we'll meet
Para uma ilha aonde vamos nos encontrar
You'll hear the music, feel the air
Você ouvirá a música preencher o ar
I put a flower in your hair
Vou colocar uma flor em seu cabelo

And though the breeze is through trees
Apesar da brisa das árvores
Move so pretty, you're all I see
Se moverem tão graciosamente, você é tudo que vejo
As the world keep spinning round
Enquanto o mundo continua girando
You hold me right here right now
Você me abraça forte aqui, nesse instante

- , a música já acabou. – comentou em meu ouvido.
Concordei em silêncio, sem a menor vontade de soltá-la. Meu corpo permanecia eletrizado quando entrava em contato com o dela e aquela era a melhor sensação do mundo.
- Já disse o quanto eu te amo? – Sussurrei.
- Você diz isso sem precisar das palavras. – Ela se afastou um pouco de mim e sorriu, me dando um selinho demorado. – O que quer pro café? – Perguntou, dessa vez afastando o corpo do meu e indo em direção a geladeira.
- Suco de uva. – Respondi, quase automaticamente. riu, balançando a cabeça.
- Isso eu sei. Estava me referindo a parte sólida.
- Pão e Nutella...
- Como sempre. – Respondemos juntos e rimos.


No final do dia já estávamos exaustos por ficar indo e voltando, revolvendo os últimos detalhes da festa de . estava histérica porque queria que tudo ficasse perfeito, então fiz o que pude para manter a mim e a um pouco afastados, dando-a espaço suficiente para surtar o quanto quisesse.
Claro que toda a histeria dela sempre valia a pena, dessa vez não poderia ser diferente. A casa estava toda enfeitada com balões verdes e brancos, além de ter comida para uma semana.
- Não tem comida demais, não? – Comentei mais cedo.
- É melhor sobrar do que faltar. – Ela respondeu simplesmente.

Estava abotoando a camisa quando vi sair do banheiro com um vestido azul comprido. Seus cabelos ainda estavam presos no habitual coque mal feito que ela sempre fazia na hora do banho. Seu rosto estava limpo e sem maquiagem e seus pés ainda estava descalços.
Ela sorriu para mim, segurando o vestido e dando uma voltinha para que eu a admirasse. O enorme decote em suas costas me pegou de surpresa.
- O que achou? – Perguntou, se aproximando de mim e afastando minhas mãos para que terminasse de abotoar minha camisa.
- Eu acho que vou te prender nesse quarto e deixar que as pessoas aproveitem a festa enquanto eu me aproveito de você. – Brinquei, beijando seu pescoço suavemente.
riu, terminando o trabalho com os botões e partindo para a gola.
- Estamos combinando. – Ela comentou, me fazendo perceber que a camisa que eu estava vestindo era praticamente o mesmo tom de azul do vestido dela.
- Somos tão brega. – Ri.
- Enquanto eu termino de me arrumar, por que você não vai lá pra fora ficar com seus pais e ? Tenho certeza que ele não está facilitando a vida dos seus velhos.
Antes que eu conseguisse concordar, ouvimos o choro de vindo da sala. me olhou como se dissesse “eu avisei”.
- Já estou indo. – A beijei rapidamente e fui ajudar meus pais.

***


Sentei no sofá da sala, já cansada de andar pela casa e cumprimentar todos os convidados. As músicas infantis já vaziam minha cabeça girar e meus ouvidos zuniam sem parar.
se divertia como nunca. Por algum milagre ele estava quieto e aceitando ficar no colo de todos sem reclamar. estava sempre por perto para acalmá-lo caso fosse necessário. Eu sempre disse que ele levaria jeito para ser pai, mas ele sempre negava, agora ele tinha a prova viva disso.
Era impossível negar a conexão que ele tinha com . Não podia negar que sentia ciúmes às vezes, queria conseguir tranqüiliza-lo da mesma forma que fazia, sem nem precisar de palavras, apenas sua presença era o suficiente.
- Cansada? – Ele sentou ao meu lado, segurando a minha mão.
- Um pouco. – Encostei minha cabeça em seu ombro. – Mas acho que o esforço valeu a pena, certo?
- Claro que valeu, , olha só essa festa. – Ele olhou ao redor da sala. – Está incrível, de verdade. O tem muita sorte de ter você como mãe.
- Nah, ele tem mais sorte de ter você como pai.
- Ainda com esse papo de que ele não gosta de você? – me olhou. Dei de ombros, sem saber direito o que dizer. – Não sai daqui. – Ele pediu.
Permaneci sentada no sofá, sem entender o que ele queria. Algumas pessoas passavam por mim e sorriam, outras paravam para trocar algumas palavras.
Cinco minutos depois estava de volta com no colo.
Observei enquanto ele sussurrava algumas palavras no ouvido do filho que eu não conseguia compreender. Não demorou muito para eu conseguir ouvir balbuciar “mamã” e sorrir pra mim.
Olhei em êxtase para meu filho, sentindo as lágrimas em meus olhos e a dorzinha agradável no coração.
- Viu como ele te ama? – sussurrou em meu ouvido.
- C-como? – Gaguejei.
- Eu estava tentando fazê-lo falar hoje mais cedo. Fiquei repetindo algumas palavras até que ele conseguiu dizer essa.
Deixei que as lágrimas corressem por minhas bochechas enquanto os braços de me confortavam e as mãozinhas de tocavam meu rosto com delicadeza. Beijei sua palma pequena e macia e o vi sorrir pra mim.
- , eu acho que ele me ama. – Fiz uma voz infantil.
deu risada, beijando minha testa e me apertando contra si.
- Claro que ele te ama. Mas assim como eu, ele não precisa de palavras para dizer isso.

***


A casa estava novamente silenciosa. Sem música, sem choro de criança, sem vozes.
caminhava da sala até a cozinha e vice versa, guardando algumas coisas e tentando arrumar a casa para que no dia seguinte não precisasse ter tanto trabalho.
estava sonolento em meu colo. Em poucos minutos ele apagaria completamente e só acordaria dali a algumas horas, provavelmente chorando, num pedido mudo por leite ou pela troca de fralda.
Caminhei até o quarto e o coloquei com cuidado no berço. Fiquei o observando e notei seus olhos mexerem por trás de suas pálpebras e seus dedinhos se fechando e se abrindo constantemente.
Voltei para a sala quando tive certeza de que ele dificilmente acordaria e encontrei ainda arrumando algumas coisas.
- Os bebês sonham? – Perguntei, curioso.
riu me olhando.
- Claro que sonham, . Se você observar dormir, vai perceber facilmente quando ele estiver sonhando.
- É, acabei de ver.
- É lindo, não é? – Ela sorriu, tirando alguns pratos da mesa.
- Ei, vem cá. – Segurei seu braço. Peguei uma flor amarela que estava quase solta do arranjo em cima da mesa e a prendo nos cabelos dela. – Tá na hora de ir pra cama. Chega de arrumação por hoje.
- Mas ... – Selei meus lábios nos dela antes que ela pudesse reclamar. Tirei os pratos de sua mão e os coloquei de volta na mesa.
- Será que agora que todos já aproveitaram a festa, eu posso me aproveitar de você? – Perguntei, malicioso.
- Hm, se eu puder me aproveitar de você também, então está ótimo.
Concordei, sem precisar usar palavras e deixei que as velhas sensações dominassem meu corpo.
Sorte a minha eu ter me apaixonada pela minha melhor amiga...

fim.


n/a: Nota rapidinha porque o tempo pra enviar tá acabando.
Essa fic tá rápida e sem sentido, ela era pra ser uma extensão da Closer, mas infelizmente isso não deu certo e eu não quis conectá-la à Closer de forma alguma. Peguem leve com ela, ok? HAHA
Parabéns pro FFOBS pelo primeiro aniversário e que depois desse venham muitos. xx

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