POV
Meu nome é , tenho 16 anos e moro com minha mãe e meu irmão, , de 15 anos. Nossa vida, apesar de nos mudarmos sempre, é muito boa, e eu até me acostumei com toda essa ideia de mudar direto. Meu pai faleceu há 10 anos, e confesso que não foi fácil pra ninguém. Atualmente moramos em Bolton, até minha mãe me arrumar mais uma.
E é exatamente no dia 02 de dezembro de 2009 que tudo começou a mudar.
Estava deitada em minha cama lendo O Pequeno Príncipe, um livro que eu adorava desde criança, quando minha mãe entrou no quarto.
- , arrume suas coisas, pois vamos nos mudar! Quero morar em Londres – ela dizia enquanto andava de um lado para o outro.
- Está bem, mãe. - Fechei o livro e encarei-a. - Quando vamos?
- Amanhã mesmo. Já encontrei a casa perfeita! - Ela abriu aquele sorriso - Arrume as suas coisas. Vou avisar seu irmão. – Deu-me um abraço e seguiu para o corredor.
Depois que papai faleceu, ela não para em lugar algum. Tanto que só falta o Rio e a Bahia para termos morado em todos os estados brasileiros. Mas se ela se sente bem assim, quem sou eu para discordar...?
A noite passou muito rápida. Devia ser a ansiedade. Logo minha mãe entrou no meu quarto dizendo que estava na hora de ir para Londres. Seguimos viagem por algum tempo, que passou quase despercebido por mim. Quando chegamos ao nosso destino, me impressionei com o tamanho da mansão que minha mãe comprou.
- Vamos, mana, vamos ver como é a casa por dentro! – meu irmão disse já adentrando a casa.
Conheci toda a casa por dentro, e confesso que gostei muito dela. Depois de tomar um bom banho, decidi ir correr um pouquinho para conhecer as redondezas. Corri um pouco distraída até que senti um baque e fui direto ao chão. É, eu tinha esbarrado em alguém.
- Está tudo bem? - o garoto me encarou, preocupado.
- Está sim - respondi o encarando.
- Desculpa. Eu estava distraído - ele disse me estendendo a mão para que eu levantasse.
- Não foi nada. Aliás, sou eu quem pede desculpas. - Segurei a mão dele para me levantar e foi como se uma corrente elétrica passasse por todo o meu corpo e uma manada de elefantes habitasse meu estômago.
- Como se chama?
- , e você?
- . Você é nova por aqui? Nunca te vi aqui no Leblon...
- Como sabe se nunca me viu por aqui...? O bairro é grande.
- Se tivesse te visto, teria me lembrado da garota mais linda que já vi... - Preciso dizer que corei? Acho que não...
- Mudei-me para cá hoje... Vim de Bolton...
- Então aceita um café de boas vindas? Adoraria saber mais sobre você... - ele disse se aproximando. Estava perigosamente perto.
- Não vejo nada de mal em um café... - disse me afastando. - Onde é a Starbucks?
POV
Meu Deus! Que garota era aquela? Aqueles olhos e cabelos escuros e brilhantes... E aquela boca que fiquei tentado a beijar... Calma, , é só uma garota!
- A sorveteria é ali na esquina. - Sorri. - Vamos?
- Vamos.
Fomos à sorveteria e conversamos bastante, até que olhou no relógio e se levantou num pulo.
- , tenho que ir! Minha mãe deve estar preocupada - disse se afastando da mesa. Levantei-me e a segurei.
- Espera! Eu te levo...
- Não precisa. Moro perto daqui...
- Faço questão! - falei baixo e só então me dei conta da nossa proximidade. Puxei-a num impulso e selei nossos lábios.
02 – I have to stay away, and do not even know why...
POV
Ainda não tinha me dado conta da nossa proximidade até ele me puxar e selar nossos lábios, fazendo com que meu coração batesse tão forte como se quisesse sair do peito. Sua língua pediu passagem, e eu cedi. Estávamos em perfeita sintonia, até que ouço alguém me chamar.
- ! – Era meu irmão. Ele estava vermelho. - O que é isso?
- ... - Eu tremi. - O que faz aqui?
- É seu namorado? - perguntou, levando em conta o tamanho do meu irmão, que é mais alto que eu e é totalmente diferente de mim, fisicamente.
- Sou irmão dela. Se fosse namorado já tinha te socado. - Ele virou-se para mim - Vamos embora, mamãe tá te chamando.
- Tchau, ... Desculpe-me pelo . - Dei um beijo na bochecha dele.
- Tchau, ... A gente se vê... – disse com um meio sorriso.
- Dona não vai gostar nada disso... – meu irmão reclamou.
Chegando em casa, ele já foi direto ao quarto da nossa mãe, e eu o segui. Ele bateu na porta, e minha mãe abriu.
- Mãe, a estava beijando um cara lá na frente da sorveteria. - Ele foi entrando, e eu entrei logo atrás.
- , querida, você não pode sair beijando um rapaz que mal conhece... – mamãe disse compreensiva.
- Mas, mãe, eu não resisti... Aqueles olhos cativantes me prenderam e parece que um ímã me puxava a ele...
- Conte-me como conheceu esse rapaz. - A essa altura meu irmão já tinha saído do quarto.
Contei tudo à minha mãe e quando terminei, ela me olhou preocupada.
- Filha, não se deixe guiar apenas pelos seus sentimentos. Eles são traiçoeiros - disse e saiu.
POV
Cheguei em casa pensando na , e em quando veria aquele sorriso novamente, pois não sei onde ela mora e esqueci de pedir o número dela. Assim que abri a porta, reparei que a casa vizinha que estava à venda estava toda iluminada. Pelo visto, terei novos vizinhos.
Entrei em casa e dei de cara com meu pai.
- , onde você estava?
- Dando uma volta, pai. Aonde você vai?
- Reunião. Fique pronto às oito. Virei te buscar para ir jantar naquele restaurante que você gosta - disse saindo e fechando a porta.
O tempo passou rápido e logo eu e meu pai estávamos chegando ao restaurante. Quando entrei, tive a melhor visão que poderia ter. Era , estava linda com aquele vestido, estava com o irmão e uma senhora que julguei ser sua mãe, que se virou para nós e fechou a cara, levantando-se.
- ? - ela disse espantada.
- ? – meu pai também demonstrou surpresa.
POV
Eu não sabia o que estava acontecendo ali e me levantei, tendo uma vista maravilhosa.
- Oi, - cumprimentei-o, e minha mãe me olhou.
- Você conhece esse garoto, ?
Nesse momento, se levantou da mesa e se manifestou:
- É claro que ela conhece, mãe. Era ele quem ela estava beijando na sorveteria!
- Como é que é? Você beijou uma , ? – o pai de já estava vermelho.
- Beijei, pai. E não vejo problema algum. A é linda... - Ele sorriu para mim e eu retribuí, corada pelo "linda".
- , vamos embora! E você, garoto - minha mãe disse apontando para -, não se atreva a chegar perto da minha filha! - Ela foi me puxando, e eu já estava com os olhos marejados de confusão. Eu mal podia acreditar em toda essa desavença com o pai do , mas nesse momento preferi me manter calada.
POV
Eu não estava entendendo nada do que havia acontecido ali, e me despertei de meus devaneios quando escutei meu pai falando comigo, completamente irritado.
- Me diz que você só ficou com essa garota por diversão e que não vai mais procurá-la, - ele disse, tentando se acalmar. - Eu vou esquecer esse assunto se você me disser isso...
- É claro que não, pai - eu disse indignado. - A não é dessas que a gente pega e joga fora, eu realmente gosto dela. – Assustei-me ao admitir.
- Você enlouqueceu, só pode. Você sempre pegou qualquer garota sem se importar se ia ferir os sentimentos delas. Por que com ela tem que ser diferente? Logo com ela? - Ele bufou.
- E por que eu não posso gostar dela? Porque a mãe dela faltou ter um treco quando te viu, e quase me matou com os olhos por causa de um beijo, hein, pai?
- Nós somos inimigos, , e essa desavença entre a e eu já tem mais de 20 anos. Portanto, não me amole e não tente me convencer de que vai ficar com essa garota, pois ela não vale a pena, assim como a mãe.
- Pelo menos me conte o motivo disso.
- Você saber da história toda não vai alterar em nada nossa realidade. E não insista, pois isso é uma coisa que não vou te contar tão cedo. - Dito isso, calei-me e nos sentamos para fazer nosso pedido.
03 – Things destination...
POV
Eu não sabia a razão de tudo aquilo, nunca vi minha mãe transtornada daquele jeito. Fiquei imaginando se veria de novo, e tentando adivinhar o motivo daquela cena do restaurante. Mal percebi que já estávamos chegando em casa. Minha mãe estacionou e nós entramos em casa.
- , que história é essa de beijar um ? - ela gritou, vermelha de raiva.
- O engraçado é que quando eu disse que tinha beijado um garoto a senhora não ficou assim, tão irritada. E que mal tem em beijar o ?
- Você só vai servir de brinquedo, e quando ele se cansar vai te chutar, . Pelo amor de Deus, você poderia ter se envolvido com qualquer um, mas por que logo ele? – Então minha mãe já conhecia os ?
- Me diz, mãe, por que essa desavença toda?
- É coisa do passado, e não é agora que você vai saber. Agora te digo: Não se envolva com ele, filha, não deixe ele te controlar... Agora vá dormir.
Decidi ir dormir, pois não conseguiria arrancar nada da minha mãe. Troquei-me e me deitei, mas não consegui dormir. Já estava apaixonada por , e ele pertencia a uma família inimiga... O que eu faria para conviver com isso? Eu tinha que vê-lo, e ia dar um jeito.
POV
Acordei cedo, se é que consegui dormir. Fiquei pensando na e no que meu pai disse sobre sermos inimigos. Levantei-me da cama e fui escovar os dentes e tomar um banho. Desci as escadas e nossa governanta, Carlota, estava desenfornando uma torta de chocolate.
- Hm... Mal vejo a hora de devorar essa torta - disse todo animado e sentindo aquele cheiro maravilhoso.
- E quem disse que é pra você? - ela perguntou divertida. - É para a nova vizinha, que se mudou ontem com os filhos.
- Você sabe que meu pai não gosta dessas coisas, né? Uma torta de boas vindas é como pedir pra ser amigo, e ele não gosta de ser amigo de vizinho.
- Deixe de besteira, menino , só fiz a torta para não parecer que os vizinhos dela são antipáticos. Agora leve a torta para lá, sim?
- Eu? Por... - Eu ia questionar, quando vi pela janela, na porta da casa da frente, a acenando para sua mãe que estava saindo de casa. Então ela era minha vizinha. As coisas aqui estão ficando interessantes... - É claro que eu vou, Carlota. Será melhor ainda se eu for, não é?
- Você vai, mas antes vai comer um pedaço de bolo de cenoura, você não comeu nada ainda. – Carlota era como uma mãe para mim, já que cuidou de mim desde que minha mãe faleceu.
Comi e fui à casa da com a torta na mão. Toquei a campainha e quase gargalhei da cara de espanto da ao me ver ali.
- Ai meu Deus... , o que você faz aqui? Como descobriu onde moro?
- Ia ser difícil morar em frente a sua casa e não saber onde mora - disse sorrindo para ela. - Trouxe até uma torta para demonstrar que você é muito bem vinda. - Coloquei a torta no banco que tinha na varanda, puxei-a pela cintura e selei nossos lábios com urgência. Ela entrelaçou seus braços em meu pescoço, mas logo partiu o beijo e se afastou, quando ouvimos o carro de sua mãe chegando.
- Será que você é surdo, moleque? Eu disse que não queria você atrás da minha filha! E você, , não quero mais que o veja – ela gritou enraivecida.
- Será difícil, já que somos vizinhos... - eu disse com um ar de deboche. - Seja bem vinda, vizinha - disse entregando a torta na mão da dona e saindo dali.
04 – Hard to resist the “enemy”...
POV
Até me deu vontade de rir do deboche do com minha mãe, mas minha vontade esvaiu-se quando ela se virou para mim com a cara fechada e apenas apontou para a porta, e eu entrei, com medo do que ela diria do flagra que deu na gente.
- Muito bonito, dona ... Deu pra me desobedecer agora? - Ela estava muito vermelha, parecia que explodiria a qualquer momento.
- Mãe, eu gosto dele. A senhora não pode mandar no meu coração. - Nesse momento ela arregalou os olhos e seu rosto passou de vermelho para branco. - Mãe, calma, pelo amor de Deus...
- Calma? Você estava se agarrando com aquele moleque na porta de casa e me pede calma? Ah, o que eu vou fazer com você? - ela dizia num tom alto e andando em círculos pela sala. - Se eu te pegar com esse garoto mais uma vez eu não respondo por mim... E pensar que eu só voltei porque esqueci um documento importante...
POV
Eu precisava ver a , e esperei anoitecer para pôr meu plano em prática. Fui ao quintal da frente, onde tudo estava apagado, menos em um quarto, o da . Como eu sabia? Há eu sei de tudo... Mas voltando, subi no pé de manga que tinha ao lado da janela dela e quando apontei na janela, ela só não gritou porque eu a segurei a tempo.
- Posso te soltar? Você não vai gritar, né? - perguntei e ela negou. Então a soltei.
- O que faz aqui? Você só pode estar malu... - Nem deixei ela terminar e já parti para o beijo. Ah, como eu amava o beijo da ... Ela agarrou meu pescoço com seus braços e eu a agarrei pela cintura. Ficamos assim por um tempo, até que o ar faltou e nos separamos.
- , a gente tem que fazer alguma coisa. Eu gosto muito de você pra desistir assim...
- E o que a gente pode fazer, ? Namorar escondido? Não dá, porque você é filho único, mas eu tenho meu irmão na minha cola.
- Vamos fazer o seguinte: Todos os dias, nesse mesmo horário, eu venho te buscar, ficamos uma ou duas horas fora e voltamos. Quando a gente se encontrar na rua na frente dos outros, nos ignoramos.
- Pode ser... Vou te passar meu celular, e você me passa o seu pra te avisar caso não puder ir.
- Então tá. Amanhã, nesse mesmo horário, esteja pronta. – Beijei-a calmamente antes de caminhar em direção à janela. - Boa noite, meu anjo.
- Boa noite. POV
Hoje fazia três meses que eu e estávamos saindo escondidos, e ele me disse que iria me levar a um lugar muito especial. Já dei boa noite a minha mãe e ela dormiu há algum tempo. De repente, escuto um barulho. É ele.
- Você está linda, meu amor.
- Hm... Seu amor?
- , você ainda duvida que EU TE AMO?
- É claro que não... Eu também te amo muito.
- Então, vamos?
- Vamos.
Chegamos a um lugar lindo, com uma árvore muito alta. Nessa árvore tinha uma casa de madeira, e a gente subiu. Impressionei-me com a decoração do lugar. Eram pétalas e mais pétalas de rosas por todo o lugar e um colchão cercado de velas no centro.
- Gostou?
- Eu amei, - disse enquanto ele depositava alguns beijos em meu pescoço.
- Eu quero que seja especial... - ele sussurrou e me puxou para mais perto.
- Só o fato de ser com você já faz desse momento o mais especial. - Dito isso, ele me agarrou pela cintura e me beijou com vontade, como se pudéssemos nos tornar um só.
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