Keep Yourself Alive
Autora: Lumaa
Beta-reader: Brille


’s POV:
Ser filha de um psiquiatra e uma psicóloga é uma merda. Minha escola é uma merda. As pessoas são uma merda. O mundo é uma merda. E eu... Eu sou uma merda. Foi esse tipo de pensamento que me fez ir ao quarto dos meus pais, pegar alguns antidepressivos bem pesados e ir até o porão da casa, onde me permiti alguns devaneios finais. Não me preocupei em trancar nenhuma das portas, até porque estava indo para o porão. Não me encontrariam lá rapidamente, ninguém sabia que lá era o meu lugar preferido da casa. Meus pais não chegariam tão cedo, não tínhamos empregada, meus irmãos estavam fora e a única pessoa que aparentemente se importava comigo, provavelmente estava comendo a puta da Lilly. "Lilly... Quem diria que um nome tão doce e meigo poderia pertencer a uma pessoa tão horrível, má, podre e ridícula quanto ela?" E, afinal, o que ela tem de tão perfeito e importante que faz cair aos pés dela, além das pernas abertas?
- ... O mundo é podre, é uma maldição viver nessa merda de mundo sem esperança. Não aguento mais só me foder na vida... Talvez na próxima eu seja menos miserável... Talvez nos encontremos numa próxima vida... Talvez dê certo na próxima vida e eu possa ficar com você como eu sempre quis... Você vai ficar melhor sem mim. Eu sou um peso morto para você. E eu não posso continuar a te ver com outras garotas melhores que eu. É demais para mim. Eu te amo. – Li uma última vez, tentando controlar as lágrimas e deixei o papel em cima da minha barriga.
Não me dei ao trabalho de escrever nada para os meus pais ou irmãos. Todos sabem que eu sou uma intrusa na família. Ou, pelo menos, é como eu me sinto. Eles provavelmente não vão perceber nunca que eu odeio essa merda de mundo, para eles eu sou feliz. Mas eu não sou. E eu cansei de procurar a felicidade ou me forçar a ser feliz. Não tenho motivo algum para viver então, para que viver? “Vivo num mundo podre. Uma merda de um mundo podre e sem esperança. Existe dor demais.”, pensei e ingeri todos os comprimidos do frasco, por volta de vinte deles, e deixei meu corpo amolecer e adormeci, com a lembrança dos lindos olhos e o sorriso de .

’s POV:
O corpo de Lilly estava encaixado no meu, mantendo movimentos sincronizados com os meus; eu já sentia o orgasmo chegar quando lembrei de . Não sei por que, mas me veio à mente, me fazendo broxar e um sentimento de urgência surgiu... “Minha pequena precisa de mim.”, pensando isso, afastei o corpo de Lilly e a deixei nua em sua cama, me ameaçando que todos saberiam que eu broxei e me xingando mais ainda quando eu não a respondi. Coloquei minhas roupas o mais rápido possível e corri para o carro. Os sinais vermelhos pareciam demorar uma eternidade para abrir de novo e, a menos de dois quilômetros da casa dela, havia um engarrafamento. Eu não podia esperar. Encostei o carro de qualquer jeito e saí correndo na direção da sua casa, onde ela provavelmente estaria sozinha.

A porta da casa estava aberta, como esperado, e subi as escadas correndo. Cheguei ao seu quarto e não tinha ninguém lá, olhei o banheiro e nada, fazendo meu desespero e agonia aumentarem ainda mais. Procurei nos outros cômodos da casa, na garagem, no parquinho e piscina onde costumávamos ficar, mas não encontrei ninguém. Parei no meio da cozinha, andando de um lado para o outro, e lembrei que ela comentou que um dos lugares preferidos da casa dela era o porão. Saí quase voando para o porão, onde encontrei o corpo desmaiado de . Meu coração gelou e um calafrio percorreu todo o meu corpo. - Não pode ser! – Disse e andei até ela.

Ajoelhei-me a seu lado: estava branca feito papel, com os lábios roxos. Toquei seu pulso. Gelado e sem pulsação. Meus olhos encheram de lágrimas, mas algo me dizia que ela ainda podia estar viva. Percebi um papel branco em sua barriga, o peguei e coloquei no bolso, a prioridade era salvá-la. Levantei e saí do porão com ela, mas correr as escadas do porão e da sala me fizeram perder a força, então a deixei cair. Mas eu não desistiria. Eu não podia desistir. Sentindo sua vida se esvaindo em minhas mãos, eu já não controlava mais o choro e saí puxando o corpo semi-morto de pelo braço em direção ao quarto dela:
- Não morra nas minhas mãos, ! Não morra nas minhas mãos! Você não pode morrer, tá me entendendo? Não pode! Eu não vou deixar! – Gritei e a puxei para a banheira, onde abri o chuveiro, sem me importar se eu estava me molhando ou não. Eu continuava a chorar: - Não morra! Não posso ficar sem você! Não dá! – se mexeu levemente, mas ainda não acordou, então tomei uma decisão: coloquei meu dedo em sua garganta, forçando seu vômito.

inclinou seu corpo, expulsando de seu sistema todos aqueles comprimidos que ela havia ingerido, enquanto eu segurava seus cabelos molhados para trás e tentava controlar as lágrimas que caíam insistentemente. Subitamente, ela me olhou desesperada, com os olhos ficando vermelhos e um brilho triste, que se agravava com as lágrimas que iam se formando. Perceber que eu estava chorando foi só o fator que fez as lágrimas realmente escorrerem pelo rosto dela. Enquanto eu beijava seu pescoço carinhosamente e a água fria caía em nós dois, soluçava desesperadamente.
- Por que, ? – Continuei chorando, sem ter resposta.
Alguns minutos se passaram enquanto chorávamos e ela começou a tremer. Hipotermia. Eu já estava mais aliviado, ela já não corria tanto perigo assim. Comecei a fazer atrito em seus braços, alisando-os forte e rapidamente, depois de mudar a temperatura da água para morna. Ela ainda tremeu e chorou por muito tempo, enquanto eu a esquentava e deixava que as lágrimas escorressem pelo meu rosto. Lentamente, ela foi parando de tremer e também de chorar, assim como eu.
- Me desculpe, . – Ela sussurrou fracamente.
- Você está melhor? – Perguntei, ainda fazendo atrito em seus braços.
Ela balançou a cabeça leve e afirmativamente, então me levantei para pegar uma toalha e enxugá-la. Ajudei-a a levantar-se e a enrolei com a toalha, abraçando-a mais uma vez e fazendo mais atrito em seu corpo, já que ela voltou a tremer levemente. Retirei da banheira e a levei até a pia, onde escovei seus dentes.

Ajudei para que sentasse no vaso sanitário e fui até seu guarda-roupa e, como já conhecia tudo na casa dela, principalmente em seu quarto, peguei o pijama mais quente que ela tinha, além disso, peguei uma calcinha e sutiã para ela, sem me dar ao luxo de sentir vergonha, tesão ou qualquer outro tipo de sentimento por isso. Tirei sua blusa e sua calça e, deixando-a só de calcinha de sutiã, saí do banheiro, para que ela pudesse se vestir. Eu estava tão desesperado e preocupado que não reparei em seu corpo, como teria feito normalmente. Ora, a situação era de extremo caos e qualquer segundo era crucial para salvá-la. Só então percebi que eu estava pingando, então fui pegar minha calça e camisa que sempre ficavam lá, por prevenção. Joguei minhas roupas secas em cima da cama dela e, antes de me trocar, bati na porta do banheiro e entrei, onde me esperava, já pronta.

Penteei seus cabelos e a conduzi para sua cama, onde a deitei e pedi para que ela esperasse. Troquei-me numa velocidade como nunca tinha me trocado antes e só então lembrei do papel que encontrei em sua barriga. ... O mundo é podre, é uma maldição viver nessa merda de mundo sem esperança. Não aguento mais só me foder na vida... Talvez na próxima eu seja menos miserável... Talvez nos encontremos numa próxima vida... Talvez dê certo na próxima vida e eu possa ficar com você como eu sempre quis... Você vai ficar melhor sem mim. Eu sou um peso morto para você. E eu não posso continuar a te ver com outras garotas melhores que eu. É demais para mim. Eu te amo.” Eu não sabia se ficava feliz, triste, revoltado... “Eu fui um idiota! Esse tempo todo fiquei com outras garotas para tentar esquecê-la e ela também me amava!”

Saí do banheiro e andei até a cama, onde sentei ao lado dela, que me encarou. Passei a mão em seu rosto e alisei sua bochecha, vendo-a fechar os olhos sob meu toque, e sorri... “Como eu pude deixar isso acontecer?”
- ... Por que você fez isso comigo? Me perdoe. – Eu disse, atraindo seu olhar: - Nenhuma outra garota no mundo é melhor do que você. Nenhuma. Nunca foi e nunca vai ser. Eu ficava com as outras meninas porque eu queria te esquecer. Eu sempre fui e sempre vou ser apaixonado por você. Eu sempre te amei mais do que qualquer coisa nesse mundo. Me desculpe por ter sido um imbecil. Eu nunca vou me perdoar por isso.
- ... – Ela me chamou levemente e tentou se levantar, mas não conseguiu sozinha, então, ajudei a se sentar. – Eu te amo.
- Eu sei, . Eu sei. Nunca mais faça isso comigo. Por favor. Eu não vou aguentar te perder. – Disse, tocando seu rosto e, mais uma vez, acariciando sua bochecha.
- Você vai ficar comigo?
- Eu nunca vou sair do seu lado. – Eu disse e a beijei.


“Desde aquele dia, eu nunca mais saí do lado dela.”, pensei quando a repetição daquela cena de onze anos atrás que me veio à mente acabou. Eu tinha dezessete anos quando a salvei. Ela tinha dezesseis. precisou tentar suicídio para eu perceber que não conseguiria viver sem ela. Perceber não... Descobrir. Ela era minha melhor amiga desde que ela tinha oito anos de idade e, por incrível que pareça, eu já era apaixonado por ela, mas, por nunca demonstrar nada, preferi ficar ao seu lado como melhor amigo. Pelo menos eu a teria de alguma forma, não é mesmo? Por oito anos ela escondeu o que sentia por mim... Até aquele dia. Onze anos depois, estamos na igreja, acompanhados pelos nossos familiares e amigos, fazendo os votos. está a mulher mais linda que já vi na minha vida e radiante. Ela está feliz. E eu estou feliz. - Pode beijar a noiva. – O padre disse.

Inclinei-me para , que sorria de modo que podia iluminar e encher a Igreja de felicidade e também sorri antes de dar-lhe um selinho carinhoso. Depois que saímos da Igreja e entramos na limousine que nos levaria para o lugar da festa, ela me olhou e disse, sorrindo:
- Você cumpriu sua promessa.
- Eu não ia sair de perto de você por nada nesse mundo... Não poderia te perder. Eu te amo, .
- Eu também te amo, . – Ela sorriu e mordeu o lábio, refletindo. - Como é meu nome?
- . – Eu sorri.
- Soa bem... Você não acha? Senhora ... – Ela sorriu e me puxou para um beijo apaixonado.

FIM.


N/A: Bem, garotas... ~EXISTE FIC MAIS CLICHÊ QUE ESSA, PELO AMOUR????~ Sou uma fã ávida de "American Horror Story", acho que fui uma das primeiras brasileiras a assistir a série e sou completamente apaixonada pela série e pelo casal Violet Harmon e Tate Langdon. Enfim, essa cena foi escrita com base numa cena deles, então, não estranhem se vocês perceberem a semelhança. Bem... Acho que é isso, gente! Espero que vocês gostem! E acho digno vocês me fazerem feliz e deixarem uma esculhambação (ou elogio, VOCÊS DECIDEM) nos comentários, beleza, brotos?

Xx

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