She Looks Like Me, but she's NOT Me Escrita por: Lumaa Betada por: Bih Hedegaard (até o capítulo 11) e Brille (a partir do capítulo 12)
~ Capítulo 1:
Harry's P.O.V:
Cara, como a minha vida pode estar tão perfeita? A minha banda, McFly, está estourando pelo colégio: todos querem que McFly toque nas festas, e somos uma boa pedida para o baile de formatura desse ano. Além disso, todas as gatas da Saint John High School babam por mim e por meus amigos. Não que eu ligue muito, já que eu tenho uma namorada; ela é muito hot, e faz um ano que nós estamos juntos... Lembro como se fosse hoje o dia em que nos conhecemos, eu gostei dela no primeiro segundo que a vi...
Flash back on:
Eu corria pelos corredores do colégio, o mais rápido que minhas pernas podiam aguentar. Eu tinha de ir logo, os caras me esperavam para o ensaio da banda que acabava de ter sido criada, a McFly. O nome era em homenagem ao Marty de “De volta para o Futuro”. E pressa era tão grande, que nem percebi quando uma garota saía do banheiro feminino e esbarrou em mim. Nós dois caímos, e como eu não sou mal-educado, fui ajudar a garota a pegar as coisas que haviam caído e levantá-la. Peguei suas sapatilhas de ponta e estendi a mão a ela.
- Você está bem? – perguntei, enquanto ela se levantava.
- Estou, desculpe-me. É que eu estou atrasada, e não te vi no caminho... – a garota ruiva sorriu para mim. Cara, que sorriso lindo era aquele?
- Não, a culpa foi minha... Eu também to atrasado. – eu sorri para ela.
Paramos alguns segundos sorrindo um para o outro, eu estava perdido naqueles olhos verdes, quando voltei à Terra. Os caras me esperavam.
- Bom... Eu tenho de ir, desculpe-me mais uma vez... – eu disse e me toquei que não sabia o nome dela - Desculpe, mas eu não sei o seu nome... – eu completei, coçando a nuca. COMO eu nunca tinha notado aquela garota?
- Chloé. E eu também tenho de ir, Harry. Foi bom falar com você.
‘Peraí, COMO ela sabia meu nome?
- Você me conhece? – eu arqueei a sobrancelha.
- Quem não te conhece, Harry Judd? – ela disse sarcasticamente.
- Hum... Talvez isso seja verdade. Mas, agora eu tenho de ir. A gente se vê por aí, Chloé. – eu sorri, e ela retribuiu.
Ela se virou para ir embora, e eu a analisei. Cara... Que bunda! As pernas é que são fraquinhas para uma dançarina de ballet. Eu me virei e fui atrás dos caras. Flash back off.
Depois daquele dia, eu a chamei pra sair. Nós ficamos, e agora faz exatamente um ano e uns dois meses que nós estamos juntos. Estamos no meio do semestre, o que é uma merda. Não vai haver nada de novo até pelo menos as férias.
- Amooor, como foi o seu fim de semana? – a minha garota me tirou do transe.
- Chato. E o seu? – eu disse, puxando-a para um longo selinho.
- Normal.
- HEEEY, DUUDES! – Dougie chegou justo na hora em que eu ia tirar o atraso do final de semana. Nota mental: Comer o cérebro do Dougie com areia e salada.
- Hey, Dougie. – eu e Chloé dissemos em coro.
- Bom diiia, flores do dia! – Danny chegou também.
- Que gay, Danny! – Tom reclamou, dando um pedala na cabeça dele – Bom dia, Harry. E bom dia, Chloé. –
- Bom dia. – ela disse, e eu acenei com a cabeça. Agora era que eu não ia ter tempo com ela. Merda.
- Gente, adivinha quem eu peguei esse final de semana? – Dougie fez cara de safado, e eu bufei.
- Quem, Dougie?
- Você não faz nem idéia, Harry?
- Lógico que ele faz! Ele mal sabe da vida dele, vai saber da sua. – Tom disse ironicamente. Eu acho que ele lê mentes, ou coisa parecida, porque era exatamente ISSO o que eu estava pensando.
- Caras, eu peguei a...
- Kelly Preston. - Danny interrompeu Dougie, fazendo cara de tédio.
- Como você sabia, Danny? – Dougie olhou para ele, com cara de interrogação.
- Porque, por um acaso, eu peguei a amiga dela, a Cindy Frenchy, e cara... Ela passou a noite TODA falando disso. – ele fez uma pausa, e completou – Isso, quando eu não tava comendo ela, lógico.
- Esse é meu garoooto! – eu ri, dando uma tapinha leve no ombro de Danny.
- E você, Tom? – Chloé perguntou, olhando o meu amigo.
- Eu assisti Star Wars. – ele deu de ombros.
- Cara, você é MUITO nerd! – Dougie riu.
- E você é muito primitivo pra entender que sair por aí transando com todas as que aparecem nada mais é do que uma fonte fácil de doenças sexualmente transmissíveis. – ele bufou. Ui, alguém amanheceu irritadinho hoje.
- Nossa, você é nerd MESMO, Tom! – Danny riu.
- Pode crer, o coitado do Dougie não entendeu metade das palavras que você acabou de dizer! – eu ri.
- Isso mesmo! – Dougie disse, fazendo todos rirem.
- Dougie, você é muito demente, mesmo. Acabou de concordar com uma coisa sem ao menos saber o que o Harry disse! – Tom bufou.
- Pelo menos, eu não sou um guitarrista de uma banda que parece um loser, que não sai de casa pra ver Star Wars. – Dougie deu de ombros.
- É, e um dia eu vou encontrar alguém que queira fazer isso também. – Tom disse asperamente.
- Ta bom, guys... Isso vai terminar dando em briga, e eu não quero isso. – Chloé se meteu.
- E por falar em briga... Camisa legal, Chloé. – Danny disse, apontando a blusa dela.
Eu a virei para ver, e entendi... “De volta para o futuro”? Desde quando ela usava blusas assim? Estranho... Hey, essa camisa parece MUITO com a minha.
- É... Realmente bonita, amor. – eu disse.
- Obrigada. Eu sabia que você ia gostar. – ela sorriu e me deu um selinho.
O resto do dia foi impressionantemente chato. Eu mal conseguia esperar a hora de sair do colégio, o que não demorou muito.
Eu andava na direção de Chloé, que estava de costas, mexendo no armário, quando ela se virou. Droga, a tentativa de susto já era. Mas o que me impressionou, não foi exatamente isso. Foram os óculos que ela usava. Eles eram exatamente iguais aos meus. Ela estava tentando me imitar? Não, não podia ser. Bom, não tem como... Nem que ela queira, vai conseguir parecer comigo, a não ser que ela praticamente raspe aqueles cabelos ruivos e cacheados, e use lentes de contato.
Narrador onisciente: Enquanto isso, no Brasil.
- DUUUUUDE, que saco de viida. Quero alguma coisa diferente. – reclamava para suas três amigas, , e .
- Por quê, ? Não gosta de Natal, não? – arqueou a sobrancelha, já conhecendo a resposta da menina. Que, por sinal, era a mesma de sempre.
- Ah, você sabe, . Aliás... Todos sabem que eu amo tudo aqui, amo vocês, amo meus pais, amo o colégio, amo tudo! Só que eu odeio quando me olham estranho quando eu digo que não gosto da música que escutam aqui.
- Ah, ... Vai dizer que Garota Safada é ruim? – riu.
- Quando eles não estão induzindo os pobres adolescentes que escutam aquelas músicas a virarem pequenos alcoólatras, nem pensarem que as mulheres são apenas objetos e que podem ser chamadas de rapariga a qualquer momento, eles até que são bons. - ela respondeu, dando de ombros.
- Ou seja, ... Quase nunca! – riu.
- ... Você é muito nerd, sabia disso? – a olhou.
- Por quê? – ela arqueou a sobrancelha e se sentou na cama de frente para e , ao lado de .
- Por que você gosta de coisas de nerd? – a olhou, como se aquilo fosse óbvio.
- Tipo o que, ? – ela a olhou.
- Tipo, você às vezes prefere ficar em casa pra ver uma temporada toda de True Blood a ir pra uma festa... – a amiga respondeu, e em seguida, olhou para .
- E gosta de Laranja Mecânica! – a amiga ajudou.
- Porque o filme é legal, ta? – tentou se defender.
- Aquele filme é coisa de louco, . – disse – Ah, e você também joga vídeo game!
- Por que Guitar Hero é legal...? – arregalou os olhos e levantou os ombros.
- Certo, . – desistiu de argumentar com a amiga.
Um silêncio se instalou entre elas, e algum tempo se passou.
- Sabe o que eu vi um dia desses? – se lembrou.
- O que? – , a mais curiosa de todas, perguntou.
- Intercâmbio. A gente podia tentar, né?
- Pra onde? – se interessou.
- Sei lá, Londres? – ela nem deu tanta importância assim. O que ela queria era um ano fora daquela cidade, (assim como ) só com as amigas.
- Londres? – perguntou, com os olhos brilhando.
- Eu só não queria ter de ficar muito longe de vocês, nem ficar com uma família que eu não conheço. – reclamou.
- É, mas quem sabe a gente não fique com famílias amigas? – disse.
- Isso é quase impossível, mas seria bem cool. – disse.
As quatro organizaram tudo para a viagem. Seus pais concordaram na hora. Não porque queriam se livrar de suas filhas, como muita gente na cidade achou, mas porque aquilo seria muito bom para o currículo delas. E com o dinheiro que os pais tinham, TUDO ficava mais rápido. Elas não sabiam ao certo em que família cada uma ficaria, só sabiam que ia ficar na casa dos Fletcher, , na dos Poynter, , na dos Jones e , na dos Judd.
Harry’s P.O.V.
- Você O QUE? – Tom só podia estar ficando louco de vez.
- Vou “abrigar” uma garota que vem fazer intercâmbio aqui. – ele fez aspas com a mão, na parte do “abrigar”.
- Dude, você ta lembrado de um pequeno detalhe?
- Qual?
- Você mora com o Danny e o Dougie.
- E daí? Essa casa tem uma cozinha, uma piscina, OITO – ele deu ênfase a essa palavra, e eu percebi que o número de quartos não era exatamente o problema – quartos, dez banheiros, duas salas, uma garagem e um porão que a gente usa pra ensaiar!
- Desculpa por ter nascido pobre, Fletcher! – eu bufei, jogando-me no sofá super confortável dele.
- Você sabe que a gente só mora nessa casa por causa da herança da Tia Mary. Então, eu não vi problema nenhum em oferecer a casa pra uma intercambista.
- É mesmo, se sua Tia Mary não tivesse morrido, você ainda estava com seus pais.
- Exatamente, e como eles não queriam deixar a casa sozinha...
- E eles não precisavam vender... – eu completei, eu conheço muito bem esse discurso dele.
- E ela é brasileira, dude! – ele disse, depois de algum tempo em silêncio.
- E eu sei o que falam sobre as brasileiras. – eu bufei, já sabia que ele ia dizer isso – Quando ela chega?
- Em uma semana.
- Quero só ver. – isso mesmo, quero só ver. Esse negócio vai dar um puta rolo. E vai sobrar pra quem? Pro Juddão gostoso aqui.
~ Capítulo 2:
’s P.O.V.
Duuuuude, nem acredito que eu vou passar um ano, UM ANO, longe daqui. Ta, eu não odeio morar em Natal, pelo contrário, a cidade é linda e as praias são perfeitas. A questão é que eu tenho um sério problema com o fato de aqui a maioria das pessoas escuta forró, sabe? Tipo, não gosto de forró nem de axé. A culpa não é minha, culpe a genética. Mas a cidade é um ovo, você faz qualquer coisinha, as pessoas já ficam te olhando. E, dude, isso é muito chato. Agora, eu estou aqui com as meninas, no aeroporto, despedindo-me do povo. Minha cabeça ainda dói por causa da ressaca da cana grande da festa de despedida que fizeram para a gente. Mainha ta chorando aqui e quase me matando sufocada. Tentei pedir ajuda para as minhas amigas, mas to vendo que elas estão na mesma situação que eu. Depois que ela me soltou do abraço, eu abracei meu pai demoradamente, e por fim olhei a minha irmã.
- Se algum menino tentar enfiar a língua na sua boca, bata nele. Ou então me avise, que eu venho matá-lo. – eu disse, enquanto a abraçava. A menina só tem 11 anos, mas nunca se sabe o que esses meninos de hoje podem fazer, e eu não to muito a fim de ver minha irmã perder a inocência dela tão cedo.
- Ta, . Só selinho! – ela riu, e eu revirei os olhos.
- Última chamada para o vôo com destino a Londres, Reino Unido. Embarque imediato. – nós ouvimos a mulherzinha que dá os avisos parecendo que vai ter um orgasmo dizer.
- Eu amo vocês. – eu disse para a minha família, quando recebi um abraço grupal dos três.
- Já sabe, né? Não beba, não se drogue, e não esqueça que esses ingleses não tem nada a perder! – Painho recomendou.
- Ta, pai.
- É, e não vá transar demais, viu? – Mainha, como boa mãe moderna, avisou.
Eu ri e assenti. Mais uma vez, olhei para minha irmã, e disse:
- Não esqueça... Nada de língua dentro da sua boca! – ela riu e me empurrou.
- Ta certo.
- Amo vocês. – eu repeti.
- Nós também.
Sabe o que eu odeio no “Nós também” depois de você dizer que ama alguém? É que você não sabe se eles SE amam, ou se eles TE amam. Ri do meu pensamento, e acenei para os pais das minhas amigas.
- Tchau, tios.
- Não se esqueçam de dar notícia de vida! – o pai de disse.
- É, qualquer coisa, mandem um sinal de fogo! – o pai de disse, fazendo-nos rir. Cara, o velho só pode ser louco de indiretamente agourar nosso vôo e dizer que o bixo vai cair, e nós vamos ficar presas numa ilha deserta, sem comida e bebida, e NÃO viaja, !
- E, meninas, cuidem de ! – Mainha disse.
- Pode deixar, tia! – elas responderam e nós entramos na sala de embarque rapidamente.
- Mainha acha que eu tenho merda na cabeça, só pode. – eu bufei, fazendo , que andava ao meu lado, rir.
- É só proteção dela, . Mainha disse pelo menos seis vezes para eu não fazer nada que ela não faria, lá. – ela disse, fazendo-me rir.
- É, mas o caso de é diferente. – começou, enquanto entregava a passagem ao carinha gostoso que tava fazendo alguma coisa com aquele laser, para conferir se a passagem é autêntica, não sei.
- Por quê? – Eu a olhei, também entregando minha passagem ao carinha gostoso.
- Porque você TEM merda na cabeça. – disse, quando nos juntamos a ela, fazendo todas rirem ali.
- Lógico. – eu bufei e andei em silêncio até o avião.
- Bom dia. – a aeromoça disse.
- Bom dia. – nós quatro respondemos animadamente e nos dirigimos até nossos assentos.
Liguei meu iPod na minha playlist, que tinha de tudo, e adormeci. Só acordei quando deu um tapa na minha cabeça.
- Bom dia pra você também, . Ou seja lá que horas forem. – eu reclamei, arrumando-me na cadeira, e agradeci mentalmente por estar na Primeira Classe. Bem mais confortável.
- To sem sono.
- E o que eu tenho a ver com isso?
- Tudo.
- Por quê?
- Porque eu não vou ficar acordada sozinha.
- Quanto tempo falta pra chegar?
- Umas quatro horas. Vamos ver filme?
- O que é que ta passando?
- Hannah Montana.
- Não.
- Piratas do Caribe.
- Você sabe que eu amo o Johnny Depp, mas quero ver Piratas, não.
- E eu não quero ver com VOCÊ.
- Por quê?
- Porque você vai ficar dizendo todas as falas do filme.
- Ta, me diz outro.
- Crepúsculo?
- Ta, só porque o Jackson Rathbone aparece.
- Você é estranha, . - disse, olhando-me como se eu fosse retardada, ou algo do tipo.
- Ah, vai dizer que você não pegaria algum carinha do elenco?
- Comeria o Emmett e o James!
- Então pronto, dude. Cala a boca, e vamos assistir.
- Educaaada. – ela disse, mas eu preferi ignorar.
Passamos o filme todo rindo, e comentando; o que acordou muita gente, e nos fez ganhar váários olhares irritados. Mas, quem ligava? Porque EU NÃO LIGAVA! EU TAVA INDO PARA LONDRES!
Tom’s P.O.V.
Eu tava estava saindo, quando encontrei Danny e Dougie jogando Guitar Hero na sala.
- Vai para onde tão cheiroso, amor? – Danny fez cara de gay.
- Ver a mamãe. – menti, eu queria fazer uma surpresa para os caras, com uma brasileira morando com a gente.
- A mamãe está aqui, papai. - Dougie brincou, olhando para Danny.
- Não essa mamãe, Dougie. A MINHA mãe. A verdadeira. – eu disse
- Ah, manda um beijo pra ela, cara. E pede torta de maçã, ta? – Dougie disse.
- Aham, se tiver torta de maçã, não faça cerimônia em trazer, viu? – Danny concordou.
- Ta certo. – eu ri dos dois, e saí.
Eu olhava aquelas várias pessoas, e não a via ali. Eu me sentia o cara mais idiota, retardado e demente do mundo com uma placa que dizia: “ ”. Droga, cadê aquela garota, hein? Aí eu vi uma garota sorrindo na minha direção. Bem bonita, para falar a verdade, mas não fazia meu tipo. É, essa vai ficar para um dos garotos. Ela usava um short jeans, all star vermelho e uma blusa básica preta. Será que ela pensou que tava saindo de um país tropical para vir para um país FRIO? Acho que não.
- Oi... Hum... Eu sou a . Mas, chama de , ta? – ela sorriu para mim.
- Eu sou Thomas Fletcher, mas chama só de Tom. – eu sorri de volta, e sabe o que ela fez? Não, você NÃO VAI adivinhar o que ela fez. Ela me abraçou. Eu fiquei sem reação, juro, mas abracei a menina de volta, para ela não ficar no vácuo. Bem que me disseram que brasileiro é um povo bem acolhedor.
- É um prazer, Tom. E obrigada por ter de me aguentar por um ano.
Eu ri, e respondi:
- Eu não acho que vá ser tão ruim assim...
Ela riu alto, e disse:
- Às vezes, eu posso ser beem chata. Principalmente quando estou de ressaca.
- Eu aguento. – eu ri, e vi que ela se esforçava com as malas – Hey, deixa eu te ajudar com isso. – eu disse, pegando uma mala dela.
- Um verdadeiro gentleman! – ela riu.
- Lógico que sim. – eu ri com ela.
’s P.O.V.
Cara, o Tom é beem gatinho, mas não faz meu tipo. Ele ta mais pra. É, ela vai gostar dele... All star verde limão, calça jeans, camisa azul, e coberto por um sobretudo azul... Gostei do estilo dele... Acho que ele vai ser um grande amigo meu. Quem sabe, não?
Agora, nós estamos andando em silêncio até a saída do aeroporto. Eu já disse que eu ODEIO silêncio com todas as minhas forças? Ele é tão... Ensurdecedor! A porta automática se abriu, e uma brisa gelada passou por mim, fazendo eu me encolher de frio. Brasileiro em clima inglês é foda. Nota mental: quando for viajar para um país frio, usar roupas de frio, e não pensar que é um país tropical.
- Hey, pega... – Tom disse, tirando o sobretudo azul, e dando para mim.
- Não, Tom... Não precisa. – precisa, sim! To com frio!
- Lógico que precisa, você ta morrendo de frio! – ele riu alto. E ainda leu meus pensamentos.
- Bom, a culpa é minha, não? Bem que mainha disse pra eu não vir de short, mas eu TINHA de ser teimosa...
- Eu imagino que lá também o clima não tava favorável pra usar roupa de frio, né? – ele estendeu ainda mais o sobre tudo. Muito fofo, ele.
- Não, tava muito quente. E eu assumo que não sou tãão fã de calça jeans. – eu disse, fazendo-o rir.
Dougie’s P.O.V.
Dude, os caras vão ADORAR quando virem minha idéia brilhante: trazer uma brasileira pra morar com a gente! Cara, isso vai ser MUITO bom! Mas, se ela for hot, só lamento para o Danny e para o Tom. Mas, cadê essa menina, dude? To quase pirando aqui, já saiu todo tipo de gente, até uma garota com cabelos pretos e cacheados usando um short e all star vermelho saiu. E por pensar nela... Será que ela come bosta? Veio para um país frio de SHORT? Ela vai congelar com aquelas roupas, isso se ela não chegar logo em um canto, porque ela tava chamando a atenção. Daqui a pouco, vem um cara loucão, tentar assediar a garota. Um maníaco da bicicleta, ou sei lá o que.
- Heey, eu sou a . – uma garota loira com olhos verdes, sorriu para mim.
- Hum... Eu sou o Dougie Poynter. – eu sorri de volta, estendendo a mão, que ela apertou.
- Me chama de . – ela disse enquanto nós andávamos até a saída do aeroporto. O que me fez lembrar de novo da garota de all star vermelho e short. Pelo menos, parecia ter cérebro, já que usava um sobretudo preto, um gorro vermelho, calça jeans e uma blusa branca.
Do nada, forças sobrenaturais começaram a agir sobre mim, e eu fiquei com a sensação de que esse ano com aquela garota lá em casa seria uma coisa muito louca.
’s P.O.V.
Esse Dougie me pareceu legal. Vai ser bom esse ano aqui, sem preocupações nem nada. Ele é bem bonito, mas, cara... Ele tem uma cara de pervertiido... Ele tem aquele jeito todo skatista de ser, tipo, tênis de skatista, bermuda jeans e uma camisa verde da Hurley. Cara, se a estivesse no meu lugar, eles já estariam no banheiro dando umazinha lá. E, por falar em , cadê as meninas? Depois de ter passado pela alfândega, eu nem as vi mais. Bom, elas devem estar bem, sei lá. Tomara que não tenham sido pegas por um serial Killer.
- Você ta com fome? – ele desviou o olhar da estrada, e olhou para mim rapidamente.
- Sei lá. – eu respondi, não sabia mesmo.
- Legal, como alguém não sabe se ta com fome? – ele me olhou como se eu fosse louca.
- Sei lá, por mim tanto faz.
- McDonald’s?
- Dougie, você me disse a palavra mágica, meu estômago está rugindo aqui dentro! – eu ri, levando a mão à barriga.
- Ótimo, porque eu to morrendo de fome! Esperar brasileiras no aeroporto cansa! – ele disse, fazendo-me rir.
- Vamos. – eu disse, e vi aquele monte de CDs ali – Dougie, sem querer ser abusada, mas já sendo...
- O quê?
- Posso escolher um CD? – eu perguntei, com os olhos brilhando.
- E qual seria? - ele perguntou, mas eu lembrei o que eu tinha dentro da minha bolsa.
- Mamonas assassinas!
- Mamo... O que?
- É uma banda brasileira que eu gosto muito. – eu respondi, colocando o CD.
- Legal, eu não vou entender nada! – ele reclamou, fazendo-me rir.
- Depois, eu te ensino a falar português, se você quiser.
- E se você me sacanear e ensinar tudo errado?
- Eu não vou.
- Mas, como eu vou ter certeza disso?
- Ah, aí você vai ter que correr o risco. – eu disse, ouvindo os arranjos de “Chopis Centis” começarem.
- HEEY, EU CONHEÇO ESSES ARRANJOS! – ele gritou, pulando animado, mas sem soltar o volante. Cara, esse Dougie é muito louco.
- Você conhece os arranjos dessa música porque essa é uma música bem ridícula com os arranjos de Should I Stay Or Should I Go.
- Aaaaah.
Danny’s P.O.V.
Ta, cadê essa garota? Como é o nome dela, mesmo? , né? Deixa eu ver aqui na placa. É, é isso mesmo. To ficando cansado aqui. Já vi uma louca usando short e all star vermelho, e uma garota hot usando um gorro vermelho passarem por aqui, mas nada dessa . To pensando seriamente em chamar a policia, ela só pode ser retardada e deve ter se perdido por aí. Bufei, e vi uma garota um tanto quanto alta, de cabelos lisos e pretos andar sorrindo na minha direção. Deve ser ela.
- Heey, você é a ? – eu perguntei a ela.
- .
- Ah, desculpa. Eu pensava que você era a garota do intercâmbio que ia ficar lá em casa...
- E eu sou. – ela sorriu.
- Mas seu nome não é ?
- Meu apelido é , meu nome é . , prazer! – ela sorriu.
- Ah... Faz sentido. – eu sorri – Eu sou o Danny Jones.
- Então... Vamos? – ela disse.
- Vamos, deixa eu te ajudar. – eu disse, pegando uma mala dela.
’s P.O.V.
Caraa, que sorriso é esse? Meu Deus, deixa a ver o sorriso desse bixinho, que ela morre. É, a louca pelo sorriso do povo é a , não eu... Ele tem a carinha angelical demais pra mim... Prefiro os que tem cara de pervertidos.. Mas ele tem jeito de ser legal... Acho que a gente vai se dar bem.
- Não, não coloca o Jack aí não! – eu disse para ele, que levou um susto, e soltou o Jack no chão. Se a visse isso, ele estava MORTO! É... O Jack é uma foquinha de pelúcia que nós demos a ela de presente de aniversário. O nome é por causa da fissura dela no Jack Sparrow.
- Quem é Jack? – ele me olhou como se eu fosse retardada.
- A foca, Danny. – eu ri dele, enquanto pegava Jack e o limpava.
- Você deu um nome à sua FOCA DE PELÚCIA?
- Eu não, o Jack é da , só que ela me deu ele pra dormir comigo.
- Ah... Entendo. Então a louca aqui é essa .
- Louca pra ela é pouco. – eu ri alto, e ele também.
’s P.O.V.
Home, se a não for retardada, eu cegue! Ela esqueceu o Bill! COMO ELA PÔDE ESQUEÇER O BILL? Bom, deixa eu explicar... O Bill é o violão de estimação dela, e o nome é por causa do Bill Contom de True Blood. Eu não sei o que ela acha de tão divertido em vampiros e essas bizarrices, mas, fazer o que, né? Minha amiga, e eu não posso mudar quem ela é.
Procurei por algum ser desse mundo que desse sinal de vida, mostrando-me aquelas plaquinhas ridículas com meu nome, mas não vi ninguém. Eu me enrolei muito com minha bagagem, mas consegui arrumar tudo, até que vi um garoto usando calça jeans pelo menos dois números maior que o necessário, uma camisa de “De volta para o futuro” – espera só a ver isso – all star vermelho e uma carranca de mau, andando rapidamente na minha direção, com uma folha de caderno na mão. Merda, odeio ter de lidar com os irritadinhos da vida. Mordi o lábio, e andei até ele.
- Oi... Eu sou a ... , se você preferir. - eu disse, numa tentativa de ser amigável.
- Harry Judd. – ele respondeu, ainda mal-humorado.
- Você não está muito feliz com a minha presença aqui, né?
- Não é isso. É só que, cara! Custava alguma coisa alguém ter me avisado? Já basta o Fletcher com uma intercambista, agora eu também.
- Ah... Eu acho que esse Fletcher é o que vai ficar com a .
- Quem é ?
- É uma das garotas que veio comigo. Mas a mais retardada de todas. – eu bufei, ainda estava com raiva por ela ser tão imbecil de esquecer o Bill, e ele riu alto.
- Por que a mais retardada?
- Ela esqueceu o Bill.
- Quem é Bill?
- O violão. – eu apontei o violão que estava no carrinho, junto com as malas.
- Ah, ela toca?
- Muito. Também toca guitarra, mas a mãe dela não deixou ela trazer.
- Ah, vocês tem uma banda ou coisa parecida?
- Ta mais pra “uma coisa parecida” – eu fiz aspas com as mãos – Sei lá, eu toco bateria, a toca guitarra, a também, e a toca baixo e canta junto com a . Mas a só cantas às vezes. E beem às vezes, porque ela não gosta da voz dela! – eu ri.
- Ah, eu quero conhecer as suas amigas. Eu também tenho uma banda... Acho que vai ser legal, uma troca de informações, sabe?
- Claro.
Bom, ao menos o clima estava mais agradável, ele parecia ter começado a aceitar a idéia de me ter na casa dele. Ou não...
Harry’s P.O.V.
Porra, por que TUDO comigo tem de ser diferente? Não custava NADA mamãe ter me avisado antes que uma brasileira vinha para cá. Agora, eu estou conversando com essa ... Cara, eu não devia ter descontado meu mal-humor nela. Não que eu tivesse feito isso com ela, mas sei lá... Fiquei com peso na consciência depois de ter feito cara feia pra ela. Ela é uma garota muito legal, pelo o que eu percebi até agora... Acho que nós vamos nos dar bem.
- Então... Como é viver no Brasil?
- Hum, legal. E antes que você pergunte, não. Nós não moramos em árvores. – ela riu.
- Eu acho que nunca pensei isso.
- É, mas nunca se sabe. A e a foram pra Disney, e perguntaram a elas se elas moravam em árvores, então, pra prevenir...
- Ah... E você disse que vocês tem uma banda... Vocês tocam o quê?
- Ah, de tudo um pouco... Dependendo do dia, a gente pode tocar músicas de AC/DC, ou então de Britney Spears. Depende muito, meesmo.
- Ah... – eu parei por um segundo, analisando a estrada – O assunto acabou. – eu disse, rindo.
- Naah, sobre o que você quer falar?
- Sei lá. – eu balancei os ombros.
- Você é engraçado, Harry.
- Vou encarar isso como um elogio.
- Ceerto. – ela riu de novo.
Alguns minutos se passaram, com nós dois em silêncio, até que “Cast No Shadow” do Oasis começou a tocar. Aí, nós começamos a conversar, e quando percebemos já tínhamos chegado em casa.
- , querida! Estou tão feliz que você tenha chegado! – mamãe disse, abraçando a garota.
- Obrigada, Srª Judd. Eu também estou feliz por ter chegado.
- Ah, eu acho que a viagem foi cansativa. Harry, ajude a levar as coisas ao quarto dela! – mamãe disse, olhando para mim – Você deve estar cansada, querida. Descanse, e amanhã nós conversaremos direito! – ela terminou, olhando para .
- Senhora Judd? A senhora poderia me chamar de ?
- Claro, querida. Agora, suba e descanse.
- Obrigada. – disse, beijando a bochecha da minha mãe, e subindo com o violão da famosa .
Tom’s P.O.V.
- Essa é a casa, . Você vai ficar no quarto ao lado do meu.
- Okay...
Nós subíamos as escadas em silêncio, até que ela resolveu falar.
- Tom, por que eu não fico aqui em baixo mesmo?
- Porque lá em cima tem os dois melhores quartos, e porque eu moro com mais dois trogloditas. E garanto que você não quer vê-los depois de uma noite de festa.
Ela riu alto, e disse:
- Se você diz que é melhor... Não vou duvidar de você.
- Não duvide mesmo. – eu ri.
Subimos mais escadas, até chegar a um corredor no segundo andar. Ali só havia dois quartos. O da tia Mary, e o que ela deixava para a mamãe dormir, quando vinha aqui. Claro que eu peguei o da tia Mary para mim, e deixei o da mamãe vazio. Bom, até agora...
- Você pode mudar o que quiser. – eu disse, não querendo que ela fizesse isso.
- Não, não. Está bom assim. – ela sorriu para mim – Hey, obrigada... Sério, você foi o melhor. As meninas vão te adorar! – ela disse me abraçando.
- Que é isso, . Parece loucura, mas eu sinto como se você fosse minha gêmea que foi separada de mim na maternindade. – e aquilo era bem verdade.
- Eu acho difícil. – ela riu – Mas não é loucura, Tom. Eu sinto o mesmo em relação a você. Obrigada por fazer me sentir tão em casa.
- Você quer descansar?
- Não.
- Desfazer as malas?
- Não.
- Comer?
- Não
- Ta, e o que você quer fazer?
- Sei lá.
- Você é estranha, . – eu ri dela.
- Incrível como até você acha isso.
- Por quê?
- Por que as meninas também pensam assim... – ela parou alguns segundos, até bater na própria testa - EITA, AS MENINAS!
- O que tem elas?
- Eu não sei.
- E qual o problema?
- Esse é o problema, Tom. Uma hora, eu estava ao lado delas, passando na alfândega. Um segundo depois, eu não via mais ninguém! Foi aí que eu decidi ir procurar você!
- Ah, mas relaxa... Elas devem estar indo pras casas delas, e daí, elas tem ligam!
Luh’s P.O.V. “I wanna do bad things with you...
When you came in the air went out.
And every shadow filled up with doubt.
I don't know who you think you are…”
Eu ouvi meu celular tocando, e virei a minha bolsa na cama, procurando-o. Li no visor: , e atendi.
- Caralho, ! VOCÊ QUER ME MATAR DE SUSTO, GAROTA? VOCÊ TEM NOÇÃO DO QUANTO EU ME DESESPEREI ATRÁS DE VOCÊS?
- , calma... A gente só foi fazer xixi, e aí você não estava mais lá... Então, nós pensamos que você já tinha ido procurar o carinha que foi te pegar.
- É, eu fiz isso mesmo. Como é o seu?
- Bem bonito, e com um sorriso muito lindo! vai enlouquecer quando o vir.
- Também é bonito, muito fofo e não ta entendendo nada do que eu to falando! – eu olhei para Tom, que me olhava com cara de interrogação - vai gostar dele!
- Eu imagino, porque o daqui também ta me olhando com cara de quem não ta entendendo porra nenhuma!
- E onde você ta agora?
- To indo pra casa dele, agora. Ele disse que mora com mais dois caras! Espero que eles sejam bonitos!
- Se um deles for bonitos, eu pego! – eu ri.
- Pode deixar, que eu separo um para você. Agora, eu vou indo, porque ele decidiu parar pra comer. E não se preocupe, já disse pras meninas que to ligando pra você, e a ta em casa, e a ta na McDonald’s. Beijo.
- Beijo. – eu disse, e desliguei o telefone.
- Eu não entendi NADA do que você falou. – ele riu.
- Foram só besteiras, primeiro eu quase bati nela por ter me perdido, e depois ela me disse que tava indo pra casa do carinha, mas antes ia passar na McDonald’s.
- Hum... E você gosta de True Blood, não?
- Como você sabe disso?
- O toque do seu celular... É a música de abertura!
- Ah, é mesmo. – eu ri, como eu posso ser tão imbecil?
- E aí, quer fazer o quê?
- Sei lá... Quer 'autistar' um pouco?
- Pode ser, vem.
Nós descemos e nos sentamos no sofá. Uma sensação de ter esquecido algo entrou no meu coração, mas nem liguei... Acho que não esqueci nada...
Tom’s P.O.V.
Cara, essa garota é MUITO legal, dude. Ela é minha irmã gêmea perdida, com certeza! Ta, e agora? Cansei de altistar aqui...
- Hum... Você joga Guitar Hero? – imbecil, qual a garota que vai querer jogar Guitar Hero? Quer dizer, qual delas vai ao menos SABER jogar?
- Você tem aí? – ela me olhou, com os olhinhos brilhando.
- Claro... Você sabe jogar?
- Ahaaam. Ninguém me veence! – ela estufou o peito.
- Veremos, . Veremos. – eu disse, pegando duas guitarras. Uma eu dei a ela. A outra ficou comigo.
E aí, ela me olhou com os olhos arregalados, como se tivesse descoberto alguma coisa.
- , o que foi?
- BILL! – ela gritou, e saiu correndo, subindo as escadas. Eu que não sou otário nem nada, e muito curioso, corri atrás dela. Quando eu cheguei ao quarto, ela procurava entre as malas alguma coisa.
- , o que foi? – ela murmurava só para ela alguma coisa em português, algo que eu não entendi.
- Tom, ainda tem alguma coisa no seu carro?
- Não, por quê?
- Tem certeza?
- Tenho. Mas, você quer ver de novo?
- Quero.
Nós descemos e fomos até o carro. Pelo o que eu vi, ela não conseguiu encontrar o tal de Bill. Nós voltamos à sala em silêncio, e ela caiu no chão. Literalmente.
- ? O que houve? – eu comecei a me desesperar, quando vi que os olhos dela estavam vermelhos e marejados.
- O Bill, Tom. Eu perdi o Bill. – ela disse, desabando no choro.
- Quem é Bill, ?
- É o meu violão de estimação. EU O QUERO DE VOLTA. – ela choramingou, enquanto eu a abraçava, tentando acalmá-la.
- Calma, . Vai dar tudo certo. Nós vamos encontrar ele. Você lembra onde foi a última vez que o viu?
- Quando eu tava fazendo o check-in, no Brasil. Eu nunca mais vou encontrar o meu bebê, Tom. – ela disse, afundando o rosto em meu peito, e soluçando ainda mais.
- Calma, . Vai dar tudo certo, eu prometo. – eu dizia, alisando seus cabelos.
Ela falava coisas em português que eu não entendia, e eu apenas repetia que ia dar tudo certo.
Danny’s P.O.V.
- Chegamos, . – eu disse, parando o carro na garagem.
- Vamos, então. – ela disse.
Ótima idéia a de usar o Drive Thru. Levou bem menos tempo até chegar em casa. Eu a ajudei com as malas, e andei mais na frente, para abrir a porta.
- Tom, eu tenho uma sur... – eu comecei a dizer, mas a voz não saiu, quando eu vi a cena que estava acontecendo ali na sala da MINHA CASA. Ta, a casa era da Tia Mary, mas agora eu também morava lá.
Tom abraçava uma garota que falava umas coisas estranhas e chorava. Muito. Digo, muito mesmo. E tudo isso, NO CHÃO.
- Hey, cara... Me ajuda aqui. – ele pediu.
- O que houve? – eu disse, andando até os dois.
- Ela perdeu o Bill.
- Quem é Bill? – eu perguntei, me abaixando até ela.
- É o meu violão de estimação. Meu bebê. – ela disse, e agora me abraçou. Que mina louca, dude.
- Danny... – entrava, quando viu a cena – MAS QUE PORRA É ESSA?
- ? – a garota olhou para ela, e eu pude ver seus olhos e nariz bem vermelhos e inchados.
- ? – ela disse, soltando tudo no chão, e correndo até a louca que me abraçou.
’s P.O.V.
CARALHOO, COMO EU PUDE PERDER O BILL? O MEU BEBÊZINHO, MEU COMPANHEIRO DE TODAS AS AVENTURAS? NÃO ME CONFORMO DE JEITO NENHUM! Sabe a dor de milhares de navalhas cortando seu peito? Não é NADA comparado ao que eu sentia.
- Danny... MAS QUE PORRA É ESSA? – hey, eu conheço essa voz.
Levantei a cabeça do peito do garoto que eu havia abraçado e que agora deve estar pensando que eu sou louca, e vi a ali. Graças a Deus. Ela TINHA que saber do Bill.
- ? – ela disse, soltou tudo no chão e correu até mim.
- , eu perdi, perdi, perdi o meu bebê. Perdi o Bill.
- VOCÊ PERDEU O QUE?
- O Bill, . Não briga comigo. – eu disse, chorando ainda mais.
Ela me abraçou, e disse com a voz embargada:
- , eu não acredito nisso.
- Cara, o que elas estão falando? – o garoto que eu supus ser Danny disse para Tom.
- Não sei, dude. Alguma coisa em português. Sei lá.
- Eu quero o Bill. – disse, agora chorando também.
- EU TAMBÉÉM. – eu disse, chorando.
- Calma, gente. Vai ficar tudo bem... - Tom disse, envolvendo seus braços no meu corpo.
- É, nós vamos dar um jeito. – Danny também tentou nos tranquilizar, abraçando .
Dougie’s P.O.V.
- Cara, o que aconteceu nessa casa? Tem malas até na porta! – eu reclamei para .
- Relaxa, Dougie. Vamos ver o que ta acontecendo.
- Vem.
Ta, isso era mais que estranho. A porta da casa tava aberta, e tinha malas no chão. Só podia estar acontecendo alguma coisa. MAS QUE MERDA É ESSA?
- MAS QUE MERDA É ESSA? – pensei alto, quando vi a cena mais estranha da minha vida.
Danny e Tom sentados no chão, abraçando duas garotas que choravam.
- O que foi, Dougie? – , que andava atrás de mim, entrou na casa.
- HEY, O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO AQUI? E CHORANDO, AINDA MAIS? – ela disse, e eu agradeci por ela não ter falado em português.
- O BILL DESAPARECEU! – a garota que estava abraçada a Tom disse.
- Quem é Bill? – eu perguntei.
- O VIOLÃO DE ESTIMAÇÃO DELA! – Tom e Danny super pacientes, gritaram para mim.
- Calma... Nós vamos dar um jeito. – eu disse, aproximando-me dela. Eu realmente tive pena da garota, cara... Ela tava acabada.
- Todo mundo me diz isso, mas ninguém vai dar um jeito. EU O QUERO AGORA! – ela chorou mais. Merda, ela já tava quase conformada quando eu cheguei, agora devo ter estragado tudo. O Tom e o Danny vão comer meu cérebro. Ta, agora, eu tenho certeza. Principalmente depois dos olhares super lasers malignos que eles me deram.
- O Bill SUMIU? – perguntou, e eu só ouvi um baque. Virei-me rapidamente, e vi que ela tinha caído no chão. Corri até ela, e perguntei:
- Você ta bem?
- Não, Dougie. O Bill sumiu! – ela disse, chorando.
Porra, três garotas chorando é pra foder um. E eu não posso ver gente chorando. É engraçado demais. Tratei de abraçá-la e dizer:
- Calma, nós vamos encontrá-lo.
As três soluçavam baixinho, quando eu percebi que a garota que estava abraçada a Tom, era, na verdade, a louca de short e all star. Bom, mas aquela não era a hora de pensar nas roupas dela... Ela olhou para todos ali, e pareceu ter tido uma idéia. Ela levou a mão até a bunda... Cara... PARE DE PENSAR PUTARIA! Ah, era um celular. Ela discou uns números, e esperou.
- ... O Bill sumiu. – ela começou a soluçar mais uma vez, e as outras a seguiram.
’s P.O.V.
- Eu sei. – ouvi dizer.
- Han?
- Búrguer! – ela parou um pouco, e completou – , o Bill ta aqui em casa.
- PORRA! E POR QUE VOCÊ NÃO ME AVISOU? TÁ TODO MUNDO AQUI CHORANDO, E VOCÊ COM O BILL?
- Nossa, . Desculpa... É que eu esqueci.
- Ta certo.. Onde você ta?
- Em casa?
- Sério, ? – eu disse ironicamente.
- Nem venha, . Vou descansar agora.
- MORGAADA!
- Eu sou.
- E depois, EU quem sou a nerd aqui.
- Mas você é. – ela disse e desligou na minha cara.
- Vadia. – eu disse, olhando o celular.
- Cara... Você também é chamada de nerd? – Tom me olhou, com os olhinhos brilhando.
- Aham. Ela é MUITO NEEERD! – disse.
- Gente... A puta da ta com o Bill! – eu disse, rindo.
- Graças a Deus. – eu ouvi todos ali dizerem.
- E o que vocês fazem aqui? – eu olhei para as meninas.
- É, o que vocês fazem aqui? – Tom olhou para elas também.
- Ela era minha surpresa pra vocês. – Danny e o outro, que foi chamado por Dougie, disseram juntos.
- Lógico... – Tom revirou os olhos, e seu rosto ficou vermelho – VOCÊS IAM HOSPEDAR DUAS GAROTAS DE INTERCÂMBIO NA MINHA CASA, SEM ME COMUNICAR?
- Na verdade... – Dougie começou.
- EU ia te comunicar, o Dougie, eu não sei... Nem sabia que ele tinha tido a mesma idéia que eu... – Danny deu de ombros.
- Ótimo. – Tom bufou, e olhou para os dois – Agora, arrumem os quartos para elas!
- Obrigada, Tom. – eu disse, estava feliz por ter minhas amigas por perto, e o abracei de novo.
Parecia que estávamos prevendo o futuro, quando estávamos no meu quarto, falando como seria bom se as nossas famílias do intercâmbio fossem amigas. Mas ficarmos na mesma casa, era praticamente um SONHO. Ficar na casa com esse povo ia ser melhor do que receber um convite dourado para visitar a fábrica de chocolates do Willy Wonka!
~ Capítulo 3:
's P.O.V
Agora estava tudo mais calmo, eu sabia onde o Bill estava, e o cansaço começou a pesar sobre meu corpo, enquanto eu ouvia a versão de sobre o que havia acontecido no aeroporto:
- E aí, a passou pela imigração, e nem esperou a gente! Quando ela terminou de pegar as malas, nós fomos ao banheiro, e ADIVINHEM? A puta – ela me olhou de forma incriminadora, e eu teria ficado com vergonha, se já não tivesse perdido toda ela – foi embora. Simples assim! – ela estralou o dedo.
- Aaah, vocês foram ao banheiro! Por isso que eu não encontrava vocês! – eu bati na testa. Aquilo fazia sentido... Ou não, quem vai saber, né?
- Você é retardada, sabia? – , que trocava olhares com Danny, me olhou.
- Vocês SEMPRE trocam gentilezas como essa? – Tom, que estava ao meu lado no sofá, me olhou.
- Aham. – eu sorri para ele.
- Vocês parecem com o Tom e o Danny! – Dougie riu.
- Por quê? – eu perguntei, e todos ali olharam para ele, que apenas deu um sorriso pervertido; o que fez dar uma puta secada nele. Por fim, ele disse:
- Vocês verão.
- Legal, agora... – eu bati com as mãos nas minhas coxas e fiz força para me levantar, dizendo - Eu não sei vocês, mas EU vou dormir. Boa noite, guys.
Ouvi um coro de boa noite.
- Ah, eu acho que vou também. – me acompanhou, e acenou com a cabeça, concordando.
- Ah, então vamos todos, né? - Danny disse, também se levantando.
Eu já tava no meu quarto, beem feliz, arrumando-me pra dormir, depois do melhor banho quente que eu já tomei na minha vida – acho que era porque eu tava realmente cansada – quando eu ouvi três batidas na porta. Quem me incomodava àquela hora? EU MATO.
- Hey, .
Aí eu vi quem era, não pude deixar de sorrir. Gosto tanto do Tom, nas poucas horas que nós passamos juntos, eu tive a certeza de que se eu tivesse um irmão, ele seria exatamente como ele. Sem tirar, nem pôr.
- Hey, Tom... Aconteceu alguma coisa?
- Na verdade, não... Só vim aqui pra saber como você tá. – ele disse, sentando na cama. Dude, ele é um doce, o candidato perfeito a namorado! FATO. Pena que ele não faz meu tipo...
- Nah, tudo bem. E com você – eu sorri.
- Tam... – ele ia responder, mas um celular (que não era o meu) começou a tocar: “Everything was going Just the way I planned The broccoli was done…”
Tentei reconhecer a música, mas não consegui. A voz me lembrava a de alguém, mas eu não sabia de quem era. Só sei que a música era legal.
- Fala, James. – ele disse, sorrindo.
Tom's P.O.V
Certo, ela tá me olhando com uma cara estranha, vou atender logo esse telefone e ver o que esse gambá quer.
- Fala, James.
- DUUUUUUUDE, EU TE LIGUEI O DIA TODO! ONDE VOCÊ TAVA?
- Eu fui pegar a . – senti os olhos dela em mim.
- Quem?
- É uma intercambista que ta aqui em casa.
- COMO VOCÊ TEVE A CORAGEM DE ME DIZER ISSO?
- Era surpresa, cara. Mas terminou que o Danny e o Dougie tiveram a mesma idéia...
- SÃO TRÊS INTERCAMBISTAS?
- Aham? – relaxa, Bourne.
- Elas são hot?
- Aham.
- Por que você só ta falando aham?
- A tá comigo.
- SAFADO!
- NÃO! Não é nada disso, James.
- Então eu posso pegar?
Caralho, esse Bourne não consegue aquietar o facho não?
- NÃO!
- Por quê? Se você não ta peg...
- O que você quer, Bourne? - dude, ele já ta torrando a minha paciência.
- FESTAAA!
- Legal, te vira, que aqui em casa, não mesmo.
Fletcher: 1 X Bourne: 0
- Sua mula, a festa é aqui em casa.
- Legal, e...?
Fletcher: 2 X Bourne: 0
- Amanhã, na hora de sempre. Venha com os caras e as intercambistas hots.
- Okay. Tchau, Bourne.
- Tchau, Fletcher.
Tá, agora deixa eu explicar porque não quero a metida com o James. Ele é meu amigo, mas eu o conheço... Ele só quer as garotas por uma noite, e depois, "aloha"; é sempre assim quando eu apresento uma amiga minha a ele. Mas com a , ela só vai ficar com ele, se ela quiser.
- Eu era uma surpresa? – riu, acordando-me do transe.
- Era, mas como você percebeu, todos aqui tiveram a mesma idéia.
- Ah... Deixa eu perguntar, antes que eu esqueça...
- O que?
- Que música é essa? A do seu toque?
- Broccoli.
- Não conheço.
- Claro que não conhece. – ela me fez rir – É da minha banda!
- Você tem uma banda? – ela me olhou, com os olhos brilhando.
- Aham.
- Qual o nome?
- McFly.
- Só falta você me dizer que é por causa do Marty de "Back To The Future" – ela revirou os olhos.
Eu ri de novo.
- Mas é.
- QUE LINDO! – ela disse, batendo palmas – Eu quero ouvir vocês. Ao vivo.
- Eu podia até fazer agora, mas falta um.
- Quem?
- Harry, ele é o baterista.
- Ah... – ela parou uns segundos, me olhando. E voltou a falar, pulando, ainda sentada, na cama – CARAMBA! VOCÊS TÊM UMA BANDA! – cara, essa menina é pirada, só pode.
- Calma, ... Ainda nem saiu da garagem! – dei de ombros.
- Ah, mas é cool do mesmo jeito!
- Aham. – eu sorri com ela.
- E por que te ligaram? – nossa, como ela é rápida pra mudar de assunto.
- Festa amanhã.
- Cool, - engraçado, o jeito como ela fala "cool", parece mais um "Cúlll" - Você vai?
- Nós vamos. – eu fiz questão de deixar o "nós" bem claro.
- Nós? – ela começou a apontar para mim e para ela – Tipo, eu, você e o resto?
- É.
- Vai ter bebida? – dude, eu to hospedando uma alcoólatra?
- Aham.
- Bixinhos? – ela é tarada, também?
- A começar por mim. – fiz cara de superior, e ela riu.
- VOU NESSA!
- Eu sei. – eu ri – Mesmo que você não quisesse, ia.
- Lógico! – ela parou de sorrir – Só tem um problema...
- Qual?
- Eu não tenho roupa.
- Dude, e essas cinquenta milhões de malas aí? – eu apontei as malas dela, que ainda estavam espalhadas pelo quarto.
- Nenhuma que me agrade! – ela riu, vai entender as mulheres.
- Impossível, . Mas se esse for o caso, compra uma nova!
- É, acho que vou ver com as meninas... – ela deu de ombros.
- Ok, agora dorme.
- Fiquei sem sono.
- Pois trate de arranjar, porque acordar depois de meio dia aqui é o mesmo que pedir pra ficar surda.
- Por quê?
- Você vai ver.
- Cara, vocês ingleses são tão misteriosos... – ela pareceu uma criancinha irritada, foi engraçado.
- Vai dormir, . Boa noite. – eu ri, e lhe beijei a testa.
- Boa noite, Tomzinho do meu coração. – ela respondeu, deitando.
's P.O.V
Cara, se o Danny sorrir para mim de novo amanhã, eu vou MORRER! Ele é TUDO o que eu pedi a Deus para um namorado! Ah, como a diz: "Um dia, eu pego!"
Danny's P.O.V
... Vou pegar fácil. Gostosa, bonita e legal. Nem preciso pedir mais, dude... Mas sei não...
- Puta que pariu! – reclamei. Aaah, Danny Jones, não brinque de tropeçar nos tênis! Dude, minha cama saiu andando e mudou de lugar, nunca a vi tão longe.
Andei até minha cama e me deitei nela. Ah, como é bom se deitar numa cama depois de um dia estressante... Mas, no que eu tava pensando antes disso?
's P.O.V
ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ *Dorme*
Dougie's P.O.V
Peito, sexo, bunda... Ah, mas peitos são bons; mas de que adianta ter peito, e não ter bunda? 'Tá, mas o melhor de tudo, com certeza, é o sexo.
*******
Harry's P.O.V “Everything was going Just the way I planned The broccoli was done…”
CARALHO, DUDE! QUEM É O FILHO DE UMA MÃE QUE VAI TER O CÉREBRO ARRANCADO?
- Alô? – eu atendi o telefone, com a voz arrastada. Seja lá quem for, eu quero que saiba que eu estava num longo, profundo e gostoso sono.
- Harry? Amor, eu preciso de você. – eu ouvi a voz semi-desesperada de Chloé.
- O que houve, Chloé?
- Eu tava dirigindo, aí eu vi a Gisele. Aí comecei a seguir ela, mas eu bati o carro... Harry, você ACREDITA nisso? A Gisele aqui?
- Quem é Gisele, Chloé? – eu me sentei na cama, os sentidos chegando aos poucos.
- Bündchen? A modelo?
- Ah... – eu fingi saber quem é essa tal de Gisele Bündchen – Onde você 'tá?
- Em frente ao colégio.
- Hum... – eu passei minha mão pelo meu rosto, já totalmente acordado – To indo aí.
PUTAQUEOPARIUDUDE! Eu só posso ter roubado doce de criança, sem condições. Corri para tomar um banho, coloquei qualquer roupa – jeans, all star e uma camisa vermelha – e saí. Antes disso, avisei a mamãe que eu tinha de ir, porque Chloé bateu no carro, e eu não ia poder levar para conhecer a cidade.
- AMOR, AINDA BEM QUE VOCÊ CHEGOU! – Chloé me abraçou assim que me viu.
Eu olhei em volta e pude ver o carro vermelho dela arrasado: a frente do carro estava totalmente destruída; eu me perguntei como ela não havia se machucado. Mais à frente, o ônibus azul. A polícia e os médicos já estavam ali. Pelo visto, ninguém tinha se machucado.
- Você ta bem? – levantei o rosto de Chloé, e pude ver um curativo na testa dela.
- Aham.
- Como isso aconteceu? – eu voltei a olhar o carro dela.
- Eu não sei... – a voz dela me fez a olhar de volta. Seus olhos verdes estavam cheios de lágrimas – Eu a vi, e quando eu percebi, já estava correndo atrás dela, e... E... E três segundos depois, eu havia batido! – ela afundou o rosto no meu peito, e começou a soluçar mais alto.
- Você já foi liberada? – eu a senti levantando e abaixando a cabeça afirmativamente em meu peito – Então, vamos embora daqui.
's P.O.V
- Bom dia, tia! – eu dei um beijo na bochecha da Srª Judd, que sorriu gentilmente para mim.
- Bom dia, querida. Panquecas? – ela disse, já colocando uma no meu prato.
Eu sorri sinceramente, ela acertou meus pensamentos. Eu estava morrendo de fome.
- Obrigada. – adivinha quem agradeceu? Pois é, EU agradeci.
- Como se sente? – ela tava pensando que eu to doente?
- Perfeitamente bem. – é a mais pura verdade.
- Ótimo. – ela sorriu de novo – Vai encontrar suas amigas?
- Vou sim! – ah, agora eu me animei DE VERDADE, com a idéia de ver minhas amigas – A ligou e disse que eles estão indo a uma sorveteria... Qual o nome mesmo? – adoro minha capacidade de lembrar das coisas – Hot N' Cold. [n.a: Uhuul, Katy Perry!]
Dude, quem é a pessoa, que em santa consciência, em plena capacidade física e psicológica, coloca esse nome numa sorveteria?
- Querida, acho que posso te deixar lá. O Harry não vai poder te levar, a namorada – opa, que ela fez uma careta – fez alguma besteira. De novo.
- Não, tia. Eu posso pegar um táxi, ou eu ligo pra . Não precisa se incomodar comigo. – eu sorri para ela.
- Essa vai pra festa hoje?
- Que festa?
- O Harry não te disse?
- Não... Na verdade, desde ontem que eu não o vejo.
- A festa do James. Fale com suas amigas e vá. Ele não vai se importar com vocês lá. Qualquer garota bonita é bem–vinda, lá. – ela piscou para mim, e eu fiquei vermelha, tenho certeza disso.
- Vou falar com elas. Pode deixar. – eu sorri, e terminei com as minhas panquecas.
's P.O.V
- Hey, bitch. – eu disse, assim que atendi o telefone.
- DUDE, I'M FUCKING LOST!
- NÃO! – dude, não aguentei. A , logo ela, 'tá perdida!
- O que foi? – me cutucou.
- Ela ta perdida. – eu disse, fazendo ela e rirem.
- Qual a graça em ter alguém perdido? – e Tom perguntaram ao mesmo tempo. Êta, povinho estranho, esse, meu.
- Onde ela tá? - Dougie perguntou.
- Onde você tá? – eu repeti a pergunta para ela.
- Em frente a um shopping... O nome é Pinheiros Gêmeos. Dude, o dono desse shopping só pode ser muito viciado em "Back to the future".
O comentário sobre o shopping me fez rir.
- No shopping Pinheiros gêmeos. – eu repassei a informação; Dougie pegou o celular e começou a digitar. Tom fez o mesmo.
- Vamos buscá-la. – Danny se levantou.
- A gente ta indo. – eu disse a .
- Ah, ! Eu te... – ela ia começar com os agradecimentos, e eu desliguei na cara dela. Provavelmente, agora ela deve estar me chamando de puta, mas eu não ia perder tempo. Não se o tempo fosse gasto com Danny Jones.
Ao sair da sorveteria, olhei para Danny.
- Só eu que percebi, ou eles – eu me referia a Tom e Dougie – não quiseram ir?
Ele sorriu levemente e disse:
- É, eu meio que percebi também.
- Por que essa revolta?
- O Pinheiros gêmeos é meio longe.
- Aah. – captei.
Harry's P.O.V
- DUUUUDE, onde você ta? – Dougie perguntou.
- Na Chloé.
- Ah... – decepcionado, pequeno Poynter?
- Por quê?
- Naah, só ia te chamar pra Hot N' Cold.
- Ah, nem dá... – eu olhei minha namorada deitada na cama, dormindo tranquilamente à base de narcóticos – Chloé bateu o carro, agora eu to cuidando dela.
- Cuidando? – uma pontada de ironia na voz de Dougie, eu pude sentir o gosto disso.
- É, né?
- Você vai no James?
- Nem sei, dude. Só se Chloé quiser ir.
- Manícaca.
- Fuck you, Poynter!
- Também te amo, amor. – cara, que voz de puta é essa?
- Vá tomar seu sorvete e me deixa em paz, Douglas.
- Meu nome é Dougie, Harold!
- E você sabe melhor que a minha mãe que meu nome é Harry, e não, Harold! HARRY, HARRY, HARRY!
- Dude, falta de sexo resulta em estresse, sabia?
- Tchau, Poynter. – e, sem esperar resposta, eu desliguei meu celular. Na cara dele.
James's P.O.V
- Rááááá! – wow, o Fletcher 'tá animado hoje.
- Por que a animação, Thomas?
- Onde você 'tá, dude?
- Casa... Por quê?
- Quer vir tomar sorvete? – é, ele tava realmente animado. Quase purpurinado.
- Só se tiver alguma intercambista hot aí com você. – nós dois rimos.
- Venha logo, a gente ta na Hot N' Cold.
- Deixa eu falar com ele. – ouvi Dougie pedir.
Depois de alguns segundos esperando os dois decidirem quem ia falar comigo, Dougie disse:
- Hey, Bourne.
- Hey, dude.
- Dude, eu já volto. – o Dougie fuma maconha estragada, só pode.
- É o que, dude? – eu perguntei, sem entender nada.
- Isso foi pro Tom e pras meninas. – ele disse depois de um tempo.
- Duuuude. Por falar nisso, como elas são?
- Hot. – o comentário me fez sorrir – Mas a é minha, dude.
- Sobrou alguma pra mim?
- Agradeça ao Harry por estar namorando. – ele riu – A parece que é do Danny... E o Tom me disse que com a é só amizade, então... – eu sorri mais ainda – E, dude... Você precisa ver o jeito como ela se veste!
- Ela 'tá solteira, tem namorado, como é o esquema? – é, eu preciso saber de tudo, antes de pegar. Já imaginou, ela com um garoto do time de luta, e ele querendo dar uma surra em mim? É, não rola.
- Parece que solteira... Ah, dude. Você quer saber?
- Claro, né?
- Então vem pra cá! – ele disse. "Tu tu tu tu..." – Era o que o telefone me dizia.
Dude, eu tenho que voar pra lá. Tomei um banho rápido, coloquei a boa e velha combinação – calça jeans, tênis skatista e camiseta – e saí, sem ao menos dizer onde eu tava indo ao Matt. O Willis vai surtar quando souber que eu vou conhecer umas intercambistas hot e não o chamei pra ir comigo.
's P.O.V Dougiezinho do meu coração, se você continuar dando esses sorrisos pervertidos, eu te agarro aqui mesmo. Para onde ele tanto olha, hein?" Eu pensava isso, e resolvi acompanhar o olhar dele... SAFADO, PÁRA DE SECAR AS COXAS DA MINHA AMIGA! É, eu quis gritar isso para ele, mas termina que a culpa nem é toda dele. A que é uma puta! Isso mesmo, PUTA! Tem as pernas bonitas, aí sai por aí desfilando, mostrando para quem quiser ver. E, dude, se o Tom pintasse os cabelos como os dela – metade loiro platinado, metade castanho natural – os dois iam ficar iguais.
Resolvi prestar atenção na sorveteria, tinha um toque divertido ali. Parecia uma sorveteria das antigas, até com sininho atrás da porta para indicar um novo cliente. E os bancos eram de um couro vinho, que combinavam com as mesas de mármore. Bem cool.
- Dude, se acontecer alguma coisa, qualquer coisa, com o Bill... Eu MATO a ! – disse, do nada.
- Relaxa, . – Dougie segurou as mãos de , que estavam descansando nas coxas dela. SAFADO! Tentando se aproveitar da minha amiga. Você só pode se aproveitar de mim, Dougie! – Qualquer coisa, você pega o violão do Tom...
- Ah, Dougie... Mas eu quero o meu. – ela disse, olhando pra ele.
Tom também pareceu não aprovar a idéia, porque disse:
- É, Poynter. Ela quer o Bill! – ele olhou o relógio, e completou - Dude, cadê o James?
- Quem é James? – eu não entendi nada.
- Aquele James? – olhou para Tom, e, dude, eu conheço esse olhar dela... Pervertida!
- É um amigo nosso, . – Dougie sorriu para mim – E que a já conhece, né? – ele riu alto, e eu entendi o duplo sentido ali.
- Não conhece. – Tom disse entre dentes.
- Eles se parecem. – Dougie deu de ombros, ainda com as mãos nas de .
- ! – levou as mãos à boca, fazendo a mão de Dougie ficar em suas coxas. E adivinha? Ele deixou lá. E como é retardada demais para sentir, aposto que vai ficar lá até alguém mandar ele tirar.
- O quê? – perguntei, tirando os olhos da mão de Dougie nas coxas dela, e os levando até seu rosto.
- Dude, eu preciso de uma roupa!
- Por quê?
- Festa. – Tom respondeu por ela.
- Onde? – eu e Dougie o olhamos. E o safado continua com a mão nas coxas da .
- No James. – os dois responderam em coro. Os dois, eu quero dizer Tom e .
- E eu preciso de uma roupa. – completou.
~ Capítulo 4:
's P.O.V
- Você tem aquele seu vestido listrado preto e branco que eu adoro, . – me disse.
- Ah, mas eu cab... – eu estava falando, quando o sininho da sorveteria me avisou que alguém chegou. E eu, como sou muito curiosa, virei o rosto pra ver quem era. E perdi a fala.
Dude, esse garoto é minha metade, só pode. Até a cor dos nossos cabelos é igual; a diferença é que em mim, o loiro é por baixo, e em cima é castanho. Nele é o contrário; mas fica lindo do mesmo jeito. Ah, e ele tem os olhos mais azuis e lindos e perfeitos do mundo, enquanto os meus? Ah, são só os meus... Isso sem contar com o jeito "Hotlacker" dele. "Hotlacker"? Isso mesmo, o jeito desleixado, preguiçoso junto com gostoso. Calças folgadas, camisa do meu filme preferido – Back To The future – e all star vermelho. All star vermelho é sexy, dude.
WTF? POR QUE ELE TÁ SORRINDO PARA CÁ? E por que ele ta andando na direção da nossa mesa? Olhei para Tom e Dougie, e eles sorriam de volta para o garoto. E, dude, tem um peso nas minhas pernas ou é só impressão minha? Olhei para baixo, e vi uma mão nas minhas coxas. Fiz o caminho da mão até o rosto e adivinha o que eu vi?
James's P.O.V
Será que eles ainda estão aqui? Eu entrei e os vi ali. Tom, Dougie e mais duas garotas. Tem uma, que, duuuude... Até os cabelos dela são iguais aos meus... Ah, mas o Dougie 'tá com a mão nas coxas dela; essa deve ser a , e ela 'tá usando short. O que essa tem de mais? Calça jeans, e 'tá comendo o Dougie com os olhos. Um triângulo amoroso, talvez? Eu vi o Sr. Oieunãopercotempo e Tom sorrindo para mim; retribuí o sorriso e andei até eles. Mas não consegui desviar o olhar dessa , e, dude, ela ta olhando de volta. Se ela der mole, o Poynter que me perdoe, mas eu pego! Enquanto eu andava, a vi abaixar a cabeça, e olhar meio assustada para Dougie. Eu já estava chegando à mesa, quando a ouvi dizer:
- Poynter seu saffffffado! – dude, eu adorei a voz dela. E o jeito como ela prolonga o "F" do "safado" – Você poderia fazer a gentileza de tirar a mão das minhas coxas? – ela apontou para as coxas, fazendo-o olhar do rosto dela para as pernas; ele fez isso três vezes, até ela dizer - Eu vou te processar por assédio sexual! – e Tom riam escandalosamente, quando Dougie, todo vermelho, tirou a mão das pernas dela, e disse:
- Foi mal, .
? Então ele tava com a mão nas coxas da minha garota? Eu vou matar esse Dougie, dude! Eu entendi tudo errado, pelo visto. é a garota hot de short. E é a outra. Sabe, não que a seja feia, pelo contrário, ela é linda, mas a ... Essa é para namorar!
- Hey, dude. – Tom fez sinal para eu me sentar com eles, enquanto ficava mais ao lado de Dougie, que ficou mais perto de .
- Douglas Poynter, vou logo avisando... – (a verdadeira) olhou para Dougie. E o chamou de Douglas. Ela já sabe que o nome dele não é Douglas, e que ele não gosta? Essa é minha garota! – Dude, se você pegar de novo nas minhas coxas, eu mando te matar!
- Ah, é? Quem vai me matar? – ele fez menção de pegar de novo nas coxas dela.
- O Tom. – ela sorriu, dando um tapa no ombro dele.
- Ah, gente... – Tom começou – Esse é o James. Jimmy, essas são e .
me deu um sorriso meio tímido, mas a ? Além de sorrir – um sorriso perfeito - se debruçou na mesa com a mão estendida; o que fez duas coisas acontecerem. Primeira: Os peitos dela ficaram mais à mostra no decote. E, dude, que peitos! Segunda: Dougie olhou para a bunda dela. E estendeu a mão para tocá-la. Mas não tocou, por que Tom o empurrou, e bateu com a frente da mão no ombro dele. Dude, ele não aprende, não? Que merda.
- Prazer, James. – ela disse, e, dude, é impossível não sorrir junto com ela – Você já deve me conhecer. – rla piscou para mim, provavelmente se referindo à noite passada, quando eu liguei para Tom, e ele disse que ela estava na casa dele – , mas pode me chamar de . – ela balançou nossas mãos para cima e baixo, depois, voltou a se sentar.
- Então, vocês vão para a festa hoje? – eu perguntei, mais para ela do que para qualquer outra pessoa ali.
- É... – ela começou, mas a interrompeu.
- Nós estávamos tentando decidir uma roupa pra ela. – ela apontou com a cabeça.
- Se você fosse nua, ia fazer sucesso, . – Dougie falou. Pura verdade.
- Vá você, Poynter.– ela riu dele, e eu acho sinceramente que ela não devia ter dado essa idéia a ele. Vai que ele decide seguir o conselho dela?
- Eu acho que você devia ir com o vestido preto e branco. – disse.
- Ah, não, ! – ela cruzou os braços e fez beicinho. Foi nessa hora que eu odiei ter Tom ao meu lado, eu quis beijá-la.
- Por quê? – Tom a olhou.
- Porque de preto e branco já basta meu cabelo!
- Nosso. – eu a corrigi, e ela sorriu para mim.
- É. Vou escolher outra coisa. – ela disse, olhando o cardápio.
Olhei para Dougie, e, por um milagre do destino, eu consegui fazer leitura labial:
"Eu não te disse, que ela era hot?". A voz dele não saiu propositalmente, e ele colocou as mãos na frente do corpo, para me indicar os peitos. Eu apenas assenti com a cabeça. "Fun things to fuck, Fun things to fuck, Fun things to fuck…"
's P.O.V
- Heeeey, !
- , a gente perdeu a !
- Mas, ela já não tava perdida? – eu perguntei em português. Como se pode perder alguém que já está perdido?
- Traduz pra gente, ! – James pediu, ela começou a falar.
E isso ia me atrapalhar, não consigo ouvir duas coisas ao mesmo tempo. Para mim, é o mesmo que pedirem para eu assobiar e chupar cana ao mesmo tempo. Não dá!
- Ela saiu de onde devia estar! Só isso!
- Ah... – entendi - E agora?
- Por que brasileiro é impaciente? – ouvi Danny reclamar.
- , manda o Danny calar a boca. – e ainda ta falando. Virei para ela e disse - , vai se foder, o negócio é sério.
- O que foi?
- A ... Ela sumiu.
- Ah, . Vai ver ela encontrou um inglês gostosão e ta correndo atrás dele... – ela deu de ombros, nós duas ainda falávamos em português.
's P.O.V
DUDE, se a souber disso, ela vai comer meu cérebro. Que filho duma puta, ele ta roubando o Bill! E adivinha o que eu to fazendo agora? Isso mesmo, correndo atrás de um cara, para salvar o Bill. E, indiretamente, salvar a minha vida!
Sabe qual a merda de pensar enquanto se corre? É não ver as pedras no meio do caminho, e seus cadarços desamarrados. E aí você cai. Eu olhei para o cara indo embora e suspirei. A vai me matar. Eu senti uma puta dor no tornozelo, e tentei me levantar. Mas eu caí. Para completar, isso. Merda.
's P.O.V
- A gente morreu de ligar, . E NADA!
- Fala em inglês, ! – Danny reclamou – Se ela tivesse ficado onde disse que ia ficar, nós já estaríamos lá com eles tomando sorvete.
- Ah, . Tenha calma. – tentou me acalmar.
Ouvi o bip avisando que tinha outra ligação em espera no telefone. Afastei o celular do ouvindo, deixando falar sozinha, e li "" no visor.
- É ELA, É ELA! – eu quase chorei de felicidade!
- Fale com ela, então. – disse e desligou.
- ... A vai me matar! – ela tava desesperada, dava pra sentir pela voz dela.
- , onde você 'tá?
- Um quarteirão e meio depois do Pinheiros Gêmeos. – ela parou, provavelmente, olhando em volta – Em frente a uma Starbucks.
- OK, estamos indo. – eu disse e desliguei.
- Ela está na Starbucks a um quarteirão e meio do Pinheiros Gêmeos. É longe? – eu voltei a falar em inglês, e Danny deu de ombros.
Quando chegamos à Starbucks, nós vimos no chão com cara de dor. Danny nem se importou se podíamos ou não parar ali.
Danny's P.O.V
- Você está bem? – eu perguntei à garota que estava no chão.
- Tirando o fato de que eu não posso andar, e minha amiga brasileira não me encontra... – ela sorriu, em meio às buzinas irritantes dos carros que estavam atrás do meu.
- Por um acaso o nome da sua amiga brasileira é ? – eu sorri para ela.
- Como você sabe disso?
- Ela ta no carro comigo, vem. – eu a peguei no colo, e ela passou os braços pelo meu pescoço.
Eu andei com ela e a coloquei no banco traseiro do carro. sorria para mim como uma criança que ganha doce; era impossível não sorrir de volta.
- Dudes, a vai comer meu fígado com areia e salada! – disse.
- Por quê? – se virou para ela.
- Porque um cara roubou o Bill.
- DUDE, ELE ROUBOU O BILL? – eu e dissemos juntos.
- É. – ela confirmou.
- Dude, ela vai te matar. – eu soltei, e me olhou feio.
- E você não fez nada? – perguntou, olhando a outra.
- Eu corri atrás dele, mas nada, né? Tropecei nas porcarias dos cadarços. – ela riu – E eu acho que torci o pé.
- Vamos ao médico. – Eu disse.
's P.O.V
Ah, dude! O Danny é um FOFO! Ele carregou a até uma cadeira de rodas, quando nós chegamos ao hospital, e agora ta ligando pro povo para dizer dela. Ah, desse jeito, eu CASO!
- Você vai tomar um anti inflamatório duas vezes ao dia: uma vez ao acordar e outra antes de dormir. – o médico apontava com a caneta o nome do remédio escrito na receita – E vai passar quinze dias com uma bota de gesso. – ele sorriu para a careta que ela fez.
Tom's P.O.V
- Fala.
- Hey, avisa ao povo que a gente ta no hospital.
- Ok. O que houve?
- Nada, a se machucou.
- Mas, ela 'tá bem?
- Aham.
- Ok, então. Bye.
- Beijo. – Jones, tu é gay, só pode.
- O que aconteceu? – , que parou de brincar com Dougie, me olhou.
- sofreu um acidente.
levou as mãos à boca, e o queixo de caiu.
- Como assim? – James me olhou.
- Não sei, mas eu não acho que seja grave... – eu olhei para , ela estava tensa, eu podia sentir – Relaxe, . Eles já estão vindo.
- Okay. – ela voltou a tomar o sorvete de menta com chocolate.
Meia hora se passou; nós já estávamos brincando de novo, James às vezes soltava umas indiretas bem diretas pra – que parecia não notar – e Dougie dava em cima de . Descaradamente. E ela ainda retribuía. O sorvete de já era um suco, e ela ainda tomava; eu estava ficando com agonia do James lamber os lábios, às vezes, vendo-a tomar o bendito caldo, quando Danny, e chegaram, e, dude... pegael! Ela mancava em nossa direção. ainda tomava seu caldo quando ela chegou à nossa mesa. levantou o olhar lentamente e a viu. Sorriu abertamente e atropelou Dougie e para abraçá-la.
- Dude, eu fiquei preocupada! – ela reclamou.
- Eu só torci o pé, . – ela se separou do abraço de e olhou para ela, mordendo o lábio. Sexy – ... Eu preciso te contar uma coisa...
- O que? – ainda sorria.
- O Bill, ... Ele foi... Roubado. Desculpa, é sério. Eu tentei ir atrás dele, mas eu caí e... – ela levantou um pouco a perna. O sorriso de sumiu.
- Não, ... A culpa não foi sua.... – ela abraçou a amiga, e, com os olhos marejados, me olhou – Tom, você pode me levar pra casa? – ela ia chorar, certeza.
Eu me levantei, mas Jimmy empurrou meu ombro, já se levantando.
- Deixa que eu vou.
- OK. – eu sabia que não ia se importar, ela só queria sair dali o mais rápido possível.
's P.O.V
Dude, agora é sério... O Bill não vai mais voltar. Agora, é certeza. Eu nunca fui muito apegada a bens materiais, não mesmo. Mas o Bill? Ele já era da família.
Depois de ver James dizer ao Tom que me levava para casa, eu apenas me virei e andei. Eu só queria sair dali o mais rápido possível. Senti a mão de James nas minhas costas, mas não o mandei tirá-la de lá. Já estávamos no carro quando James me olhou.
- Quem é Bill, ?
- Meu violão de estimação.
- Ah... – ele voltou a olhar para a rua – , eu também toco, e amo meu violão, mas... Tudo isso por um violão?
- James, o Bill era meu bebê. Eu ganhei ele aos dez anos. OITO, James! Ele não tinha nome até eu começar a ver True Blood. – eu sorri, lembrando-me do dia em que eu descobri o nome perfeito para ele, eu liguei para a gritando que seria Bill, ela achou que eu tinha me drogado, ou coisa parecida – E, agora, eu nunca mais vou poder tocar nele. As meninas que me deram ele quando eu cheguei com a idéia de tocar violão, quando a gente tinha nove anos. Faltavam uns dois meses pro meu aniversário, aí elas falaram com os pais e me deram ele de presente.
Eu não conseguia mais controlar as lágrimas. Jimmy ficou em silêncio até chegarmos à casa de Tom.
- Merda, eu ainda não tenho a chave. – reclamei, a única coisa que eu queria era a cama da casa do Tom. A "minha" cama.
- Tem uma aqui, vem. – ele andou comigo e pegou uma chave abaixo do vaso que ficava ao lado da porta da casa.
Dude, se eu não estivesse tão na fossa, eu casava com James. Ele é perfeito, dude. Ele abriu a porta, e apontou para dentro, dando-me passagem. Eu me virei para ele e disse:
- Quer entrar?
Ele sorriu, um sorriso pervertido e disse:
- Posso?
- É que eu não queria ficar sozinha... Mas se você não quiser, tudo bem. Ver uma garota chorando porque perdeu o violão não deve ser um dos seus programas preferidos...
James's P.O.V
Ah, mas se for por ela, eu perco até a festa. 'Tá, mentira; não chega a tanto. Eu apenas sorri, e nós entramos. Ela me levou até o quarto dela, e eu conheço esse quarto, ele vivia trancado.
- Tem certeza que Tom não tem nada com você? – eu a olhei.
- Tenho... Por quê? – ela ainda tinha os olhos cheios de lágrimas; pelo menos tinha parado de chorar.
- Ele nunca abre esse quarto... – eu apontei a porta do quarto dela.
- Ah... – ela sentou na cama – Ele disse alguma coisa sobre eu não querer ver os meninos bêbados. – ela sorriu levemente – Você vai ficar em pé?
Eu andei até ela e sentei ao seu lado. Ela pousou a cabeça no meu colo, e eu levei a mão até seus cabelos de gambá, enquanto chorava silenciosamente.
Não sei quanto tempo ficamos ali, mas eu realmente não me importei. Enquanto estávamos no quarto, eu pensei. Digo, pensei de verdade. E cheguei a uma conclusão: eu precisava de uma namorada. Outra: essa namorada seria . Quando eu olhei para baixo, vi que ela havia adormecido. Então, cuidadosamente, coloquei sua cabeça no travesseiro e saí. Mas não sem antes dar uma última olhada nela.
Harry's P.O.V
- Hey, amor. – Chloé me chamou, e eu me virei para olhá-la. A perseguição de Piu-piu e Frajola podia esperar, quando se tem a mulher dos seus sonhos no topo de uma escada, a menos de cinco metros de você.
- Hey, Chloé. – eu sorri e me levantei, andando até o pé da escada; ela já havia descido metade – Como você está?
- Melhor agora. – ela riu, mordendo o lábio inferior.
- Você quer ir à festa do James? – eu coloquei as mãos nos quadris dela, ao mesmo tempo em que ela colocava as mãos em meus ombros.
- Nah, eu acho que a gente pode ficar. – ela me deu um selinho demorado – E fazer coisas bem mais... Divertidas. – ela completou, com os lábios ainda nos meus.
E aí, ela fez uma coisa puta estranha. Ela passou a língua pelos meus lábios, pedindo passagem. E eu abri minha boca para nossas línguas se encontrarem. Quando eu menos percebi, ela estava me prensando contra a parede; 'tá, era estranho, mas era bom ao mesmo tempo... Ela não era assim. Passei minhas mãos por sua bunda, e parei na base, puxando-a para mim, fazendo-a enroscar as pernas em minha cintura. Andei daquele jeito com ela pendurada em mim, até chegar ao sofá preto de couro que tinha ali, e a deitei lá.
Joguei as roupas de Chloé em qualquer canto da sala; quando ela ficou por cima de mim. Ela tirou o sutiã e as minhas roupas, deixando-me só de boxer. Depois de tirar a calcinha, ela tirou minha boxer com os dentes e pegou uma camisinha escondida no sofá. Com a boca, ela colocou a camisinha e mim, e eu não agüentei mais: puxei-a para mim, e, em alguns minutos, havíamos chegado ao ápice.
's P.O.V
Bati três vezes na porta. Nada. Tom já estava preocupado. 'Tá, eu também, porque do jeito que ela gosta do Bill, não duvido nada dela. Ela pode até ter se matado. Espero que o Bourne não a tenha deixado sozinha... E por falar nisso, a não gostou dele. Estou rindo; HAHA. Bati de novo. Tom parece que tem um elefante no rabo, não pára quieto.
- ? – chamei minha melhor amiga, e nada.
Abri a porta lentamente, e a encontrei dormindo ali. Conhecendo-a como eu conheço, era melhor deixá-la ali. Ela não devia estar em clima de festa. Sorri para ela e fechei a porta. Ao me virar, juro que eu tive um susto, ao ver Tom parado a menos de 20 centímetros de mim. Ele parecia uma múmia. Eu me afastei com um passo para trás e a mão no peito. Meu coração batia rápido.
- Putz, Tom! Que susto, dude!
- Ah, foi mal, . – ele levou uma mão ao pescoço – É que eu fiquei preocupado com ela, sabe? – ele apontou a porta do quarto, onde minha amiga dormia.
Eu sorri para ele; Tom é o cara mais fofo do mundo. Se alguma amiga minha ficar com ele, eu aprovo!
- Ela vai ficar bem. Só não vai para a festa. – eu disse.
- Por quê?
- Bom, eu não sei você, mas eu não vou acordar ela.
- Ah...
- E ela tava bem tristinha, sabe? – ele assentiu – Eu não acho que ela ta a fim de ir pra festa hoje.
- É, então, vá se arrumar. Meia noite nós saímos daqui.
- E que horas são?
Ele olhou o relógio, e disse sorrindo:
- Onze e meia.
- To correndo!
~ Capítulo 5:
's P.O.V
Dude, que horas são? Tateei a cabeceira atrás de um relógio. 1:40 da madrugada. Merda. Bill foi roubado. Merda, merda. Dude, a festa do James. Merda, merda e merda. Levantei-me e fui até a mala. Ficar aqui triste pelo Bill não vai adiantar. Digo, putz. Eu amo o Bill, ele cresceu comigo. Mas na festa vai ter bebida, música boa e ingleses bixinhos. Peguei meu sutiã e calcinha brancos com bolinhas azuis – eu só gosto de me arrumar de calcinha e sutiã –, maquiagem e joguei em cima da cama. Voltei à mala e me encontrei num dilema...
- Agora, reiou tudo... Azul, ou vermelho?
Levantei os dois vestidos – os modelos eram iguais – dei de ombros e os coloquei perto da beirada da cama, perto dos meus scarpins pretos.
Entrei no banheiro e me olhei no espelho:
- , nem com Paul Mitchell vindo aqui ajeitar seu cabelo hoje, ele vai ficar bom. – olhei para a minha franja – Realize o estado deplorável da sua franja! – bufei e entrei no banho.
Coloquei meu sutiã e minha calcinha brancos com bolinhas azuis – ADORO eles – e desfiz o coque no meu cabelo. E aí, eu tive uma idéia. Rá, eu sou muito foda! Quando eu saí do quarto, vi alguém ali...
James' P.O.V
Duuuuude, a festa ta bombando. E sabe quem chegou agora? Isso mesmo, o Tom e o resto do povo. Fui lá falar com eles, mas a pessoa que tinha meu total interesse – , não estava ali.
- Hey, dudes.
- Hey, James. O Judd veio hoje? – Danny me perguntou.
- Danny, eu já te disse que ele não vem hoje! – deu um pedala nele.
- Não custa confirmar, né? – ele olhou para ela.
- Gente, é impressão minha, ou faltam três pessoas nesse grupo? – James, eu te amo, cara! De alguma forma, você consegue disfarçar seus verdadeiros interesses.
- Quem? – me olhou.
- O Harry com a Chlóe, e a , né? – eu a olhei, dude. Aquilo era óbvio.
- Ah, a não vem. – Tom deu de ombros.
COMO ASSIM ELA NÃO VEM?
- Por quê?
- Por causa do Bill. – respondeu.
- Ah... – balancei a cabeça para cima e para baixo; depois, eu olhei para eles – Gente, eu vou pegar mais cerveja. Divirtam-se, OK?
- Vai lá, dude. – Dougie parou de secar uma loira gostosa que dançava ali perto para me dizer isso. Eu me senti tão importante, agora (sarcasmo).
O problema, é que eu não quero loira, morena ou ruiva gostosa... Eu quero a . Agi por impulso, e no lugar de ir até a cozinha, corri até meu quarto, peguei meu violão, e corri até a casa do Tom.
Quando eu entrei no quarto dela, não havia ninguém ali. Tipo, ninguém mesmo. Mas tinha umas roupas ali em cima, então ela devia estar em casa. Eu me sentei entre dois vestidos e apoiei meu violão no joelho. A porta do banheiro se abriu.
Narrador onisciente:
- Jimmy? – a garota olhou o outro sentado em sua cama, surpresa. A única luz que permitia o quarto não ficar um breu total vinha do banheiro.
James podia vê-la perfeitamente bem, sua silhueta semi-nua iluminada pela luz que vinha do banheiro. Nenhum dos dois se importou com a garota vestida daquele jeito.
Ela não se importava, porque nunca teve vergonha; só achou estranho ele estar ali, e não na festa dele. James, por sua vez, gostou da visão. Teve pensamentos promíscuos, o corpo da garota encaixado ao seu... Balançou a cabeça. E recuperou a voz.
- , eu trouxe um presente pra você. – ele disse, ainda olhando as curvas da garota.
- O que é? – ela sorriu feito criança.
Ele se levantou em silêncio, andou até ela com o violão nas mãos, e o entregou a .
- É usado, mas é seu.
Ela olhou do violão para James duas vezes.
- James, não posso aceitar isso. – ela estendeu o violão, mas ele o empurrou, dizendo:
- Pode sim. É usado, mas é o meu preferido. Só cuide pra não perdê-lo, que você sempre vai ter um jeito de lembrar do seu gambá preferido.
Ela riu da piada dele e disse:
- Obrigada, Jimmy. – ela voltou a olhar o violão, e viu um adesivo – Busted. – ela leu em voz alta e voltou a olhar para James – Busted?
- Ah, isso é a banda que eu tenho com o Charlie e o Matt. Pode tirar. – ele fez menção de pegar o violão, mas o afastou.
- Não, vai ficar assim. Do jeito que você me deu. – ela sorriu – Ele já tem nome?
- Eu tava esperando que você tivesse alguma idéia... – ele olhou o violão, e ela acompanhou o olhar de James.
- Jimmy.
- Diz. – ele a olhou.
- Não, o violão... Ele é Jimmy. – ela sorriu, e colocou o violão na cama, onde James estava sentado antes.
- Ah, e eu sou o quê? – ele colocou as mãos na cintura dela.
- Você é um gambá! – ela riu feito criança, e o abraçou – Sério, Jimmy que não é o violão, muito obrigada.
- De nada, . – ele disse, dando um beijo no pescoço dela, e sentindo o cheiro de seus cabelos.
Ela se virou, olhando para a cama, e, como não houve repressão, James continuou com as mãos envolvendo a cintura dela, e apoixou o queixo no ombro da garota.
- De qual você mais gosta? – ela apontou os vestidos na cama.
- Eles são iguais, . – James riu.
- Não meesmo, James. Um é vermelho e outro é azul celeste. Muita diferença.
- Eu gosto de vermelho... – ele parou de olhar os vestidos, e olhou o perfil dela – Mas pra onde você vai?
- Eu vou pra sua festa, né?
- Posso saber como?
- Eu ia ligar pro Dougie. Ou pro Tom. Ou pro Danny. Ou o que viesse primeiro na minha cabeça.
- Pois vá se arrumar, que eu espero. – ele soltou a cintura dela.
- Não, Jimmy. Deixa o endereço aí, que eu pego um táxi.
- Eu odeio esperar, mas só saio daqui com você arrumada!
Ela suspirou, e disse:
- Ta, vou me arrumar.
conseguiu se arrumar em menos de meia-hora; ela prendeu a franja para trás com um tic-tac e deixou o resto dos cabelos soltos; passou pó, rímel, lápis de olho, blush, gloss rosa e perfume.
- Você 'tá ótima! – James sorriu, fazendo-a sorrir também.
- É, você também, gambá.
Quando os dois chegaram à festa, a primeira pessoa que encontraram foi Danny, mas ele estava se agarrando com uma loira, então eles procuraram por outra pessoa. Viram pegando Charlie, e pegando um cara do time de futebol.
- Essas duas não perdem tempo. – riu.
- O cara que a ta engolindo é o Charlie. – ele apontou os dois.
- Ah... – ela tirou os olhos do casal, e os levou até James - E cadê o resto do povo?
- Não sei, vem. – ele pegou a mão dela, e os dois saíram à procura dos outros.
Encontraram Tom, e Dougie conversando, e andaram até eles.
- Dude, que James sortudo! Olha a gostosa que ta com ele! – Dougie apontou os dois, e Tom abaixou a mão dele.
- Tua mãe não ensinou que é feio apontar não, Douglas Poynter?
- Ah, Thomas! Nem comece a me chamar de Douglas!
- Dudes, aquela é a... – começou, e, ao ver quem era, Tom completou a frase junto com a garota - !
James e chegaram juntos de mãos dadas, sorrindo para eles.
- Sai, dude. – Dougie empurrou James, rindo – E é minha!
- Não mesmo, ela é minha! – Tom entrou na brincadeira.
- Ah, gente... Da fruta que vocês gostam, eu como até o caroço! – ela disse séria e abraçou , que riu – Eu sou da !
As duas riram da cara de retardados que os três fizeram.
- Gente, a é hetero! – riu – Ela é a mais hetero dessa festa!
- É... Só tem uma coisa que eu amo mais que homem. – disse.
- O quê? – os outros três a olharam.
- TEQUILAAAA! – ela e responderam juntas.
- Eu tenho na cozinha, vamos. – James disse, e os quatro o seguiram.
Depois de três doses de tequila, já estava meio tonta, e saiu para conversar com Tom; Dougie foi atrás de uma garota qualquer com quem iria passar o resto da noite, e ficou a sós com James, quando "So What" – Pink começou a tocar.
- Eu adoro essa música. – sorriu.
- Então vamos dançar. – James a puxou, levando-a até a sala.
- Mas eu não sei dançar, Jimmy! – ela reclamou.
- Nem eu, mas... Quem liga? Eu sou o dono dessa festa, !
Quando ela menos percebeu, os dois dançavam na sala que havia sido feita de dance floor, inventando passos engraçados ou não e atraindo muitos olhares. A música mudou para uma coisa mais lenta, o que fez James colocar as mãos na cintura dela, e apoiou a cabeça no ombro dele.
- Jimmy, dude... – com pouco tempo de música, Matt interrompeu os dois, que o olharam.
- O que foi, Matt? – James estava puto, e deixou isso transparecer na voz. Mas apenas o amigo notou.
- O Pierre, dude.
- O francês?
- É.
- O que tem ele?
- Dude, ele ta mal! Muito mal.
- Cadê ele?
- Eu levei ele pra cozinha.
- Vamos lá.
Quando os três chegaram à cozinha, viram um garoto loiro e musculoso com cara de enjôo. olhou para Tom, e disse:
- Eu acho melhor vocês levarem ele pro jardim. Rápido.
Tom, Dougie e Matt arrastaram o garoto para fora, enquanto , Charlie, , o garoto que estava com ela, Danny e expulsavam o resto das pessoas que estavam no jardim. se virou para James, que estava cerrando os lábios com força, e os olhos cheios de preocupação direcionados para o jardim.
- Jimmy – ela o chamou, fazendo-o baixar o olhar até ela – Eu preciso de uma caneta, algum remédio pra enjôo, chocolate amargo e água.
- Vou pegar.
- Okay.
Ele saiu; ela tirou os scarpins, os deixou em qualquer lugar na cozinha e foi em direção a Pierre. O garoto estava sentado, com as costas apoiadas nas pernas de Tom, e os outros ao redor dele. se abaixou e o chamou:
- Pierre? – ele abriu os olhos levemente – Hey, levanta os braços. – ele tentou, mas eles não subiram muito, o que fez a garota olhar para Dougie - Dougie, me ajuda?
- Eu não, ele vai vomitar. – Dougie fez cara de nojo.
- Ótimo. – ela girou os olhos. – Dá pra alguém me ajudar?
Matt deu um passo à frente e segurou os braços do francês para o alto, e ela tirou a camisa azul do garoto, deixando à mostra um corpo bem definido.
- O que você vai fazer com ele? – Danny perguntou.
- Vou estuprá-lo na sua frente. – respondeu, e Charlie tirou a mão da cintura de e deu um tapa na cabeça de Danny, que o olhou feio.
- Charlie, tem alguma mangueira aqui?
- Tem, 'pera que eu vou pegar. – ele sorriu e saiu.
- Como você sabe o nome dele? – a olhou.
- Jimmy me mostrou, quando nós chegamos.
- Por falar nisso, nós precisamos conversar depois. – disse a .
- Depois. – confirmou e viu James e Charlie chegarem.
Ela pegou a caneta e prendeu os cabelos num coque.
- Obrigada, Jimmy. – ela agradeceu, pegando uma garrafa com água – Pierre, beba. – ela colocou a garrafa na boca dele, que começou a beber. Ele bebia, parava, bebia e parava.
Quando terminou de beber, ele virou o rosto para ela - seus olhos verdes totalmente fora de foco – que segurava-o pelo queixo, e vomitou. Todos fizeram cara de nojo, mas estava mais indignada do que com nojo.
- , ele acabou com seu vestido! – ela olhou para o garoto que estava com ela, e disse - Ele vai dar outro desse a ela!
- Eu vou dizer isso a ele. – o garoto não deixou de demonstrar que estava realmente se divertindo com aquilo.
- Não precisa, é só lavar. – deu de ombros e olhou para Charlie, levantando-se – Charlie, me dá um banho de mangueira? – ela abriu os braços, e ele abriu a torneira, fazendo o jato d'água molhá-la do pescoço para baixo.
A garota começou a tremer de frio, e James a chamou:
- Vamos, . Você precisa de um banho.
- Vou já, Jimmy. – ela se abaixou de novo – Me dê o remédio e o chocolate. – ela disse, sem olhar o garoto.
Ela pegou as duas coisas e levou os lábios ao ouvido de Pierre:
- Agora, você vai tomar um remédio, okay? Não me dê trabalho.
E ele obedeceu perfeitamente: ela pegou um pedaço de chocolate e misturou com o remédio.
- O que você ta fazendo? – Dougie olhou as costas da garota.
- Chocolate amargo é bom. – ela dizia, enquanto colocava o pedaço na boca dele – É bom para a ressaca; ele dá glicose aos poucos. – ela colocou água na boca dele.
- , se eu beber demais eu posso vomitar em você também? – Danny perguntou, sorrindo.
- Só se eu ganhar alguma coisa em troca. – ela piscou para ele.
fez Pierre comer metade da barra de chocolate, e, mais uma vez, ele fez cara de enjôo.
- Charlie, molha ele aqui. – ela empurrou a cabeça do garoto para baixo, e Charlie jogou a água ali.
Pierre agora dormia, e olhou o garoto que estava com .
- Leve ele pra casa, OK?
- Ta. – ele assentiu, e olhou para – Quer que eu te deixe em casa?
Ela olhou para Danny,que deu de ombros, e depois para Tom, que disse:
- Pode deixar, Bruce. Nós já estamos indo. – ele olhou para , que tremia de frio, e abraçava o próprio corpo, tentando conseguir calor – Você acha que pode aguentar até em casa?
Ela assentiu e deu um passo à frente, mas James a segurou.
- Eu a levo, Tom.
- Ok, então. Vamos? – ele olhou os outros.
- Calma, calmaa! – levantou as mãos, em sinal para que eles parassem – Bruce, você vai esperar o vestido de .
James levou até o quarto dele, e ela entrou no banho. colocou o vestido da amiga num saco e saiu. tomou um banho quente e pôs as roupas de James: uma boxer azul e uma camisa de "Back To The Future".
- Vamos? – ela o chamou.
- Vamos. – ele sorriu.
Passaram pela sala, onde algumas pessoas os olharam; ele havia arranjado um sobretudo para ela, e seguiram até a casa de Tom.
- Obrigada, Jimmy. – ela sorriu – Por tudo.
- Que é isso, . – ele sorriu de volta – Desculpa pelo seu vestido.
- Nada não. – ela riu.
- Eu tinha gostado dele... – ele abaixou a cabeça, fazendo beiçinho.
- Qualquer coisa, eu compro um novo! – ela sorriu para ele.
James beijou o canto da boca de – que não percebeu – e a deixou na porta da casa de Tom, onde todos já dormiam. Ela se deitou na cama, e dormiu do jeito que estava.
***********
- Dude, elas são muito gostosas! – Dougie comentou com Danny, que assentiu.
- Eu ainda vou pegar a . – Danny sussurrou, vendo as duas na cozinha de Tom.
- E eu, a . – Dougie sussurrou de volta.
Os dois não podiam falar alto; estavam escondidos atrás da porta, espiando as duas.
- Dude, se o Harry conhecesse a , eu aposto cinco contra um, que ele deixava a Chloé.
- Quem é Harry? – perguntou.
A pergunta fez os dois levarem um susto, e saltarem.
- ! Porra... – Danny disse, olhando a garota.
- Há quanto tempo você 'tá aqui? – Dougie a olhou.
- Desde quando você – ela apontou Dougie – disse que minhas amigas são gostosas. – ela sorriu, e os dois se entreolharam. Ela olhou pela porta, e viu as duas de short conversando e rindo – Ah. – ela voltou a olhar os dois, que estavam quase entrando em desepero. Ela resolveu brincar com eles. Sorriu maliciosamente, e disse - Vou contar a elas. – e antes que Danny ou Dougie pudesse fazer alguma coisa, ela entrou na cozinha.
[Diálogo em português.]
- Hey, gostosas. – foi pegar uma maçã na geladeira.
- Oi, amiga. – elas sorriram.
- O que é que vocês tão fazendo com essas facas? – ela se sentou na mesa. Literalmente.
- Comida? – respondeu.
- Não, imbecil. Qual o tipo de comida, né?
- Ah... O que é, ? – olhou a outra.
- Eu queria fazer brigadeiro, mas sei não... Acho que vou fazer lasanha.
- Gosteei! E pra sobremesa?
- Pra você... – apontou com a faca para – Eu tenho cartola de James Bourne!
fez uma careta ao ouvir o nome dele, e mostrou o dedo do meio para .
[Enquanto isso, Danny e Dougie ouviam à conversa sem entender nada]
- Danny, fica ouvindo aí, dude. Já saiu o nome do James.
- E...?
- E agente não entende tudo, mas já sabemos que elas falaram do gambá!
- Sim...
- A gente entende nossos nomes. Então, nós vamos saber se falar alguma coisa!
- Faz sentido...
[De volta à conversa...]
- Ah, ! Nem vem! Ele veio te deixar aqui ontem. Duas vezes! – disse, fazendo o número dois com os dedos.
- E por mais que eu não goste dele, ele foi super fofo com você! – completou.
- Naah, nem peguei ele. – retrucou.
- Porque não quis, né? Nós – apontava freneticamente com a faca para ela e , fazendo a outra se afastar um pouco, com cara de medo – Vimos o jeito que ele te olha.
- É, legal. Eu não vi nada de mais. – deu de ombros.
- E como você chegou na festa ontem? – a olhou, arqueando a sobrancelha.
- É, porque a gente te deixou dormindo. – ajudou.
- Nada, meus amores. Ele veio me buscar aqui.
- Quem? – não entendeu.
- Santa Claus, . – ironizou, revirando os olhos.
- O James, né? – deu um tapa na cabeça de .
- E ela ainda diz que ele não 'tá a fim... – bufou.
- Er... Posso continuar? – a olhou feio – Aí ele me deu um presente.
- Que presente? – a olhou.
- NÃO DIGO! – ela riu – Depois vocês vão saber!
- Vaaai, . – pediu.
- Home, façam comida pra mim aí, que eu tenho fome! [Fim do diálogo em português.]
se levantou e saiu, já via Dougie e Danny de novo, quando ouviu a voz em alto e bom som de :
- BITCH!
- THANKS! – respondeu rindo.
Virou-se para Danny e Dougie e disse:
- Relaxem, dudes. Vocês parecem tensos. – ela gargalhou alto, vendo os dois a olharem não muito amigavelmente – Eu não vou contar a elas, mas acho que vocês deviam correr atrás. – ela beijou a bochecha de cada um e saiu.
- , acorda! – Tom chamou, empurrando-a levemente.
- Não, Tom... Eu to com sono... – ela disse, com a voz arrastada e se virando para o outro lado.
- Você dormiu a que horas?
- Três. O fuso horário ta me matando. – ela sentou e abriu os olhos, depois de esfregar o rosto com as mãos – Que horas são?
- Sete.
- Dude. – ela deitou de novo – No Brasil são três da manhã.
- Wow, mas a gente precisa ir pra aula, então... – ele puxou o cobertor dela – Pode ir levantando.
- Okaay. – ela se levantou da cama e foi ao banheiro, dizendo - Tô com fome.
- Tem comida lá em baixo.
- Vou descer.
Ela prendeu os cabelos num coque, lavou o rosto, escovou os dentes e desceu. Encontrou e também do mesmo jeito, e com cara de sono. Danny e Dougie não tiravam os olhos das pernas das duas. tomava seu cereal matinal com leite, quando falou:
- Com que roupa vocês vão?
deu de ombros; ainda não tinha pensado em nada, e disse:
- Nem sei, o que vocês acham?
- Eu acho que vocês devem ir de calcinha e sutiã. – Dougie deu um sorriso tarado.
- Elas vão ser suspensas, seu retardado. – Danny o olhou – Eu acho melhor elas irem de saia!
- Lógico que não! – disse.
- Tá frio. – complementou – Eu acho que vou de vestido.
- Mas você acabou de dizer que tá frio, ! – Tom a olhou – Por que não vai de calça?
continuava a comer seu cereal tranquilamente, quando todos a olharam. Ela parou de mastigar, e disse:
- O quê?
- O que você acha? – perguntou.
- É, ! Acorde para a vida! – disse, estalando os dedos na frente do rosto da outra.
- Odeio falar quando eu acordo. – ela disse simplesmente, e levou uma colherada à boca. Depois de engolir, completou - Eu vou do jeito de sempre. – ela se levantou, enquanto ouvia e reclamarem, e lavou o que havia sujado.
decidiu ir de skinny escura, botas por baixo e um casaco rosa da Nike por cima de uma blusa preta. também vestiu uma skinny, botas, e uma baby look roxa da Pólo Rauph Lauren, por baixo de um casaco Abercrombie rosa. , como era a mais calorenta, não precisou de casaco, mas levou um preto na bolsa para prevenir, e foi até o quarto de Tom. Como ele não estava lá, ela pegou uma calça jeans qualquer dele, um cinto preto bem estiloso, pôs uma camisa dos Ramones e seus all stars vermelhos e desceu.
- Marginal. – disse, ao ver entrar no carro de Tom, fazendo Dougie e Danny rirem.
A outra mostrou o dedo do meio, e entrou no banco do passageiro.
- Por que vocês não vieram nos seus carros? – Tom olhou pelo retrovisor para Dougie e Danny, que se expremiam no banco de trás, junto com e .
- Preguiça de dirigir. – Danny disse.
- Eu sou um garoto ecologicamente correto, e vim com vocês pra não colocar mais um carro poluente no mundo! – Dougie estufou o peito.
- Lógico. – Tom gargalhou alto e revirou os olhos, para dar a partida logo em seguida.
Ao chegar à escola, todos os olhares correram até o grupo; estava gostando, estava um tanto quanto incomodada com os olhares insistentes, e apenas estava indiferente. Depois de passarem na secretaria, se dirigiram aos armários. Por sorte, as meninas ficaram com armários próximos aos dos garotos.
- Bom dia, Judd! – Danny disse, ao ver o amigo andando na direção deles.
- Bom dia. – ele sorriu, ao chegar ali com e Chloé.
- Hey, friends! – sorriu, fazendo Harry olhá-la.
- Você já os conhece? – ele apontou os amigos.
- Aham. Eles tão "hospedando" – ela fez aspas no ar – as minhas amigas. Elas são , e . – ela apontou as amigas, que sorriram ao ouvir os próprios nomes – Esses são Harry Judd e Chloé.
Os dois sorriram.
[Diálogo em português.]
- Então é ele... – pensou alto, fazendo todos ali a olharem, e ela agradeceu a Deus por ter dito aquilo em português.
- Você fumou maconha estragada, ? – perguntou.
Os ingleses ali as olhavam com cara de interrogação.
- Ontem, os meninos – ela apontou discretamente Dougie e Danny – tavam conversando, aí disseram que quando ele me visse, ia acabar com a namorada! – ela riu alto. [Fim do diálogo em português.]
- Eu ODEIO quando você faz isso! – Dougie reclamou e Danny concordou.
- ! – ao ouvir seu apelido, se virou, dando de cara com James – E aí, no que deu o vestido?
- Ah, Bruce disse que mandou o Pierre lavar, mas nada, ainda... – respondeu pela amiga, fazendo os outros ali rirem.
- Ah, então você é a dona do Bill... –Harry pensou alto.
- É, na verdade, eu era... – ela suspirou.
- Mas agora, ela tem o Jimmy! – James disse, colocando a mão na cintura dela.
- Exatamente. – ela sorriu.
- Quem é Jimmy? – a olhou.
- É meu filho com o James! – os dois riram.
- Cada doido com sua mania... – Tom olhou para o chão, e reconheceu a calça que estava usando – ... – ele olhou para ela – De quem é essa calça? – ele apontou as pernas dela.
- Sua! – ela riu – Desculpa, Tomzinho! – ela disse, ainda sorrindo e indo abraçá-la – Mas essa calça agora é nossa! As calças de homem são bem mais confortáveis. – ela completou, agora abraçada de lado com ele.
- Eu concordo! – Chloé sorriu.
- E como você sabe? – Harry olhou para a namorada.
- Porque eu to usando uma sua, agora! – ela sorriu para ele – E a blusa também é sua. – ela apontou a blusa do "The Police" que estava usando.
- Ah, ótimo. – Harry falou ironicamente; ironia essa, que apenas e Tom perceberam.
O sinal tocou, e eles foram para a aula. ficou na sala de James, Harry e Chloé; ficou na de Danny e Dougie, e e com Matt, Charlie e Tom.
O intervalo correu normalmente, assim como as três últimas aulas. A mesa às vezes era alvo de olhares e comentários, mas nada de anormal, que fizesse as meninas chegarem a perceber.
Harry's P.O.V
Graças a Deus, LIBERDADE! Eu quase me ajoelhei no chão, com os braços abertos, gritando: "Thanks, God! Thanks!" quando ouvi o sinal anunciando que as aulas do dia tinham acabado. Peguei meu material e saí quase correndo dali para encontrar Chloé no estacionamento da escola. Quando cheguei lá, dude. Pode ser que seu esteja precisando de tratamento psiquiátrico ou alguma coisa do tipo, mas eu juro, juro que ela parecia uma versão ruiva com os cabelos longos de mim. Ela usava meus Ray Ban aviador e as mesmas roupas.
- Oi, amor. – ela me deu um selinho.
- Hey... – aí eu percebi que ela tinha chuteiras amarradas pelos cadarços, jogadas no ombro dela – isso mesmo, chuteiras – Chloé... Cadê suas sapatilhas? – eu perguntei, ainda meio em choque.
- Eu saí do ballet. – ela respondeu, ascendendo um cigarro.
Dude, mas QUE PORRA É ESSA?
- O que você 'tá fazendo? – eu a olhei abismado.
- Ah, amor. Relaxa. – ela disse, e fez de novo. Ela fumou o cigarro com três tragadas e soltou o resto no chão no chão, o esmagou com o pé, e me prensou contra o carro, enquanto eu a beijava. Ou ela me beijava, não sei ainda.
~ Capítulo 6:
Danny's P.O.V
- E aí, dudes? – James chegou para falar com a gente. Agora que a tinha chegado, ele não desgrudava mais.
- Hey. – eu, Tom e Dougie respondemos sem ânimo.
Harry estava aéreo; desde que chegou, não disse nada.
- Cadê a ? – ele sentou ao lado de Tom, no sofá.
- Saiu com Chloé e as outras meninas. Uma tarde de compras no shopping. – Dougie fez careta.
- Ah... – ele olhou para Harry – Como vai a Chloé?
Harry não respondeu, seu olhar estava perdido. Aposto 50 contra 1 que ele não ouviu.
- Harry? – Dougie o chamou.
- Harry, acorda pra vida, cara! – eu dei um tapa nos braços dele.
- O que tá acontecendo, dude? – Tom olhou pra ele.
- Dudes... Tem alguma coisa errada! – eu senti desespero na voz do Judd, ou foi só impressão minha?
- Como assim? – eu realmente não tinha entendido nada, e acho que os outros caras também, porque eles fizeram caras estranhas.
- A Chloé... Ela tá... Estranha.
- Harry andou fumando maconha estragada. Fato! – Dougie disse.
- Não, dude... Pensem comigo, todos vocês. Ela tava usando roupas iguais às minhas e óculos iguais aos meus. – eu abri a boca para comentar, mas ele percebeu o que eu ia fazer e levantou a mão, fazendo sinal para eu continuar calado – E quando a gente tá transando, ela quer ter o controle. E hoje, ela apareceu com chuteiras, dizendo que saiu do ballet. Ela fumou, hoje. E dudes, ela me jogou contra a parede! Literalmente, OK? – é, ele estava desesperado.
- Dude, você devia procurar um analista. Sério. – Tom disse.
Quando as meninas chegaram, nós estávamos tocando.
- AH NÃO! UMA LES PAUL DO DARTH VADER? – olhou a guitarra de Tom, com os olhos brilhando.
a olhou incrédula e disse:
- , você é MUITO nerd! Além disso, é só um adesivo do Darth Vader. - ela apontou o mesmo.
- Sabe o que a gente podia fazer? – olhou as meninas.
- O quê? – a olhou de volta.
- Vamos tocar? – disse, com os olhos brilhando.
- Dude, olha a perna da , ! – apontou a perna de .
- Nah, mas ainda dá pra tocar. – ela abanou o ar – Eu acho.
- Vocês deixam? – olhou para Dougie com cara de cachorro pidão. Golpe baixo no Poynter,estou rindo. Haha.
Ele suspirou e entregou o baixo a . Nós o seguimos, e entregamos nossos instrumentos. correu até a bateria, pegou a tão sonhada Lês Paul do Darth Vader de Tom, e ficou com a minha preciosa guitarra.
Má idéia, má idéia. Elas começaram a tocar "40 Boys In 40 Nights" – The Donnas, e dude... Aquilo era melhor que um show de strip tease. Elas conseguiam ser sexy com os instrumentos: rebolava melhor que a Beyoncé, e a acompanhava. document.write(Deborah), mesmo com a bota de gesso, conseguiu tocar muito bem. Nem dava pra vê-la lá de trás, mas ela balançava a cabeça com o ritmo da música. Qualquer um ficaria excitado ao ver aquilo. Olhei para o meio das minhas pernas, e vi... Bom, eu vi um certo volume, ali. Virei para Dougie, e ele estava como eu, e o rosto todo suado. Tom e James também não estavam diferentes, e Chloé pegava nas coxas de Harry. Caso ela notasse, ele poderia dizer que era por causa dela. Lucky boy!
- Eu preciso de um banho. – eu disse, não aguentando mais ficar ali, e saí de lá.
Liguei o chuveiro, deixando o jato forte e gelado bater em meus cabelos e costas e tentei relaxar; a imagem de rebolando veio de novo na minha cabeça. Ah, Danny! Pense em coisas broxantes! Levantei a cabeça, e, de olhos fechados, deixei a água fria bater no meu rosto; ainda dava para ouvir "Searching The Streets" – The Donnas. trocava "Dark side" por "Dork side", o que deixou a música mais divertida, na minha humilde opinião, e eu me lembrei mais uma vez de . Ela me fazia coisas que nem eu mesmo entendia. Ela me faz me sentir um nerd que fica louco só de ver as patricinhas na escola. E eu decididamente não sou assim.
- Vamos, Jones. Lembre-se do documentário. É, Danny, o documentário que o cara tinha que pegar em pus, esperma e beber Martini com uma barata esterelizada dentro. – eu falei baixinho, para mim mesmo, e as imagens de foram sendo substituídas pelas imagens do documentário, e eu fui relaxando aos poucos.
Quando eu saí do banho, elas tocavam uma música que eu não conhecia, mas gostei. Supus que alguma delas tinha escrito. O refrão era tipo: "I can feel you all around me Thickening the air I'm breathing Holding on to what I'm feeling Savoring this heart that's healing"
E não sei como, mas consegui, com meus ouvidos biônicos, ouvir a campainha. Ainda de toalha, desci quase tropeçando e atendi a porta.
- Posso ajudar? – eu disse, ao ver um homem que parecia um motorista (dude, ele tinha até os bonezinhos gays que os motoristas usam!) com um buquê de flores e um vestido vermelho nas mãos. Com certeza, não são pra mim.
- A senhorita mora aqui?
- Sim.
- Me mandaram entregar isso.
- Quem mandou?
- Ele pediu que eu não dissesse, senhor. E disse que ela vai descobrir rapidamente.
- Hum... Okay. Pode me dar. – eu peguei o buquê e o vestido, agradeci e saí.
Quando cheguei ao nosso "estúdio", as meninas pararam de tocar; olhei para e a vi morder o lábio... Wow, isso foi para mim? Olhei o buquê e virei para .
- Isso é seu.
Ela olhou de mim para o buquê, e disse:
- Eu acho que não!
- Eu acho que sim! – eu a imitei, fazendo uma voz irritantemente afetada – Mandaram seu vestido.
- Deve ter sido do Pierre. – sorriu.
- Vamos ver... – andou até mim, pegou o buquê com 36 flores, é, TRINTA E SEIS flores, eu contei. E tirou um cartão que tinha sido encaixado entre duas delas.
De início, ela leu silenciosamente e sorriu para o papel. Olhei para James, e ele forçava a mandíbula e fechava as mãos com força. Ciúmes, Bourne?
- É, era do Pierre. – disse por fim.
- O que ele colocou? – perguntou.
- "Se não fosse por você, eu agora poderia estar num hospital. Posso te levar para jantar, sexta às oito para recompensar? Te vejo na escola. Amor, Pierre." – ao terminar de ler, ela sorriu olhando para , enquanto as meninas soltavam um "Oooooh" grupal e gay.
- Porra, ele é muito fofo! – Chloé disse.
- Eu pegaria! – soltou.
- Ah, se eu tivesse um assim, eu casava! – completou, e concordou com a cabeça.
- Legal, mas... O que eu faço? – ela mordeu o lábio, tirando os olhos das amigas e os levando às flores.
- Vá. – eu, , Chloé, , e Dougie dissemos juntos.
- Sei não, gente... Se eu for, vai ser só por educação, mesmo. O que você acha, Tom? – ela olhou para ele.
- Você não precisa ir só por educação, . Se você não quiser ir, não vá! – ele deu de ombros.
- ... Esse não é o seu vestido. – veio até mim, e pegou o famoso vestido – É um Armani! – ela pegou outro cartão que estava na ombreira do vestido – Leia! – ela ordenou, entregando o cartão a .
- "Não deu para salvar seu vestido. E você merece muito mais! Espero que goste, Pierre." – ela estreitou os olhos, e disse: - Ele é um fofo.
- E você não tem mais escolha: você vai sair com ele! – pôs um ponto final na questão.
- Eu acho que ele tá tentando te comprar. – James se expressou.
- Eu acho que tem alguém com ciúmes. – Dougie riu.
- Cadê a ? – disse, e nós subimos atrás dela.
Ela estava na cozinha, cortando as pontas dos caules das flores.
- Mas que porra você está fazendo? – Chloé a olhou, revoltada.
- Aumentando o tempo de vida das minhas flores. – ela sorriu para as 36 flores.
- Tá vendo, ? Eu disse que um dia nossas aulas de botânica iam servir pra alguma coisa! – disse.
- Finalmente serviram, né? – riu.
- É, mas eu ainda me pergunto em quê vai ajudar na minha vida saber os hormônios das plantas! – disse – Já conheço a testosterona! Quer coisa melhor? – todos rimos com aquilo.
Ela terminou de arrumar as flores, as colocou num vaso e saiu.
- Dude, ele deve ser o namorado perfeito! – exclamou.
- Por quê? – eu a olhei.
- Ah, qual é, Danny! Eu não sou interesseira, mas um Armani e flores? Derrete até o coração de pedra da ! – ela respondeu. E eu vi que ela não estava brincando quanto à parte do "coração de pedra da ".
- Embora ela prefira coisas mais simples. – falou.
- E não tenha o coração de pedra... – completou, e e a olharam ironicamente. Ela só levantou os ombros.
- Ah, vai ver ela não encontrou ninguém ainda. – Chloé disse.
- Eu prefiro acreditar nessa – James apontou para Chloé – opção.
- Eu estou prevendo uma competição, aqui? – Harry riu.
- Parece que sim. – Dougie disse.
- Eu só digo uma coisa, dudes. – Tom olhou para James – Quem fizer ela sofrer, eu mato!
- Ah, que medinha do Tom! – Harry zoou.
's P.O.V
- Ah, ! Vai se arrumar! – eu reclamei com ela.
Dude, ela é muito usuária! Tem um encontro hoje, e tá jogando Rock Band com Tom, e Danny? E ainda deixando Dougie secar a bunda dela?
- Calma, ! – ela me olhou rapidamente – I said, are you gonna be my girl? – ela acompanhou a música, embora quem estivesse cantando era o Tom.
Ah não! Medidas drásticas vão ser tomadas.
- , você só tem meia hora até ele chegar!
- Quem liga? – Tom disse, levantando a guitarra do jogo – O homem tem que esperar!
- Vou escrever isso, Fletcher! – cruzei os braços e olhei – Agora, ... Vamos que já tá esperando.
Ela apenas deu de ombros e continuou indo para frente e para trás, enquanto tocava o "baixo". Tá, agora é a hora na qual eu a arrasto pelos cabelos até o quarto? Mas eu tive outra idéia. E eles iam me odiar por isso. Andei até o PS3 de Tom e puxei a tomada. Eles demoraram um pouco até perceber que eu havia desligado o PS3, e, quando notaram o que eu fiz, soltaram um "ah" de insatisfação. ODEIO ser a vilã da história.
- Vamos, vocês duas! – olhei e – Nós precisamos deixá-la apresentável até a hora de Pierre chegar aqui!
- Obrigada por me chamar de feia! – revirou os olhos, e fez um "legal" com a mão.
- Eu acho que o francês ia gostar dela do jeito que ela ta vestida agora! – Danny apontou os shorts que ela usava.
- To com fome! – Dougie reclamou, e concordou.
- É, quer comer o que, Dougie?
- Ah, não, ! Você vai comer daqui a pouco! – bati o pé.
- Como se ela não fosse aguentar. – bufou.
- Ah, Tomzinho, eu quero comer alguma coisa diferente! Você tem chocolate, Love? – a vadia da me ignorou e olhou para Tom, que assentiu.
- Em algum dos armários.
- Vem, Dougie. – ela puxou a mão dele, e os dois foram para a cozinha.
Nós seguimos os dois, e podíamos ver mandando Dougie cortar o chocolate em pequenos pedaços, enquanto ela enchia uma panela com água, e a colocava no fogo. Quando os dois terminaram de cortar o chocolate, ela os derreteu. À medida que o cheiro bom ia se espalhando pela casa, nós íamos sentando na mesa, totalmente atraídos pelo cheiro de chocolate. Até desceu para saber de que era o cheiro bom que ela estava sentindo.
's P.O.V
- Thomas Fletcher! Pare! – eu reclamei, ao sentir chocolate derretido em minha bochecha.
- GUERRA DE COMIDA! – Danny anunciou, e o chocolate voou pela cozinha.
Eu devia estar muito suja, porque eu era o alvo principal, então, peguei um pano e limpei meu rosto. Peguei outra colherada de chocolate derretido, pronta para me vingar de Danny, que tinha melado minha blusa nova, e jogar bem nos cabelos dele – golpe baixo, é. – quando eu ouvi a campainha.
- Eu vou lá. – eu disse para a alma de Kurt Cobain, porque ninguém ouviu o que eu disse, e saí.
Agora segurando a colher de chocolate com a boca, eu abri a porta. A visão me fez gelar. Pierre, parado na minha frente; muito hot. E ele usava smoking. Merda, eu tinha me esquecido completamente dele. Meio sem jeito, eu tirei a colher da boca e disse:
- Ah... Erm... Oi, Pierre.
- Oi, ! – ele sorriu. Tentação, tentação!
- Pode chamar de . Ah.. E.. Hum.. Foi mal, Pierre. Eu fui comer chocolate com Dougie, e perdi a hora. – bem típico da minha pessoa, realmente.
- É... Eu percebi. – ele mordeu o lábio, me medindo. ODEIO quando as pessoas fazem isso comigo. Eu me sinto tão exposta, que dá vontade de tapar tudo com as mãos. Ele voltou a olhar meu rosto, e disse: - Deixa eu te ajudar a se limpar. – ele disse, já com a mão no meu pescoço.
E eu não fiz nada. Ele aproximou nossos rostos e passou a língua pelos meus lábios. Ele fez isso três vezes, até que eu mordi levemente a língua dele, o que o fez me beijar. Não foi o melhor de todos, mas nem de longe foi o pior. O beijo ia ficando intenso, e quando eu senti as mãos dele nas minhas coxas, decidi parar e ir me vestir. Me separei dele e o mandei entrar e esperar, né? Ia fazer mais o que se o cara tava ali ME esperando pra sair?
Enquanto eu me arrumava, reclamava que tínhamos deixado ele esperando; estava calada na dela e sorria abobadamente.
- E aí, vão fazer o que hoje? – perguntei, enquanto e arrumavam meu cabelo.
- Ah, nós vamos a um PUB. – deu de ombros.
- Cool.
- Hoje a pega o Dougie! – riu.
- E você, o Tom! – fez cara de superior – Ou você acha que eu não vejo as trocas de olhares entre vocês dois?
abriu a boca para responder, mas três batidas na minha porta a interromperam.
- Entre. – eu disse alto, para a outra pessoa poder ouvir. Tá, eu falo alto normalmente, mas isso não vem ao caso agora.
- ? – James colocou a cabeça para dentro – Posso conversar com você? – agora, todo o corpo dele estava dentro do quarto.
- Vamos. – fez sinal para e saírem junto com ela.
Ao ouvir a porta bater, ele andou até mim e colocou as mãos em meus ombros.
- , eu preciso te pedir uma coisa. – é, ele estava bem tenso.
- O que é? – eu o olhei, sem entender nada.
- Só me prometa uma coisa. Me prometa que se alguma coisa, qualquer coisa que você não goste, acontecer, e você quiser vir embora, você me liga, que eu vou, tá?
- Okay, mas... Eu não tenho o seu número.
- Cadê seu celular?
- Eu não vou levar. – olhei em volta, e vi o estojo de pintura de jogado na minha cama; peguei um hidrocor preto e mostrei-lhe o pulso.
- Coloca aí.
- vai te matar. – ele riu, anotando o número.
- Quem liga? – eu ri.
Ele tinha razão, as meninas iam me matar se vissem aquilo. FATO! O estranho era James estar daquele jeito. Quando ele terminou, li um: "6556-7247 Call me, Jimmy. ?", e eu o olhei:
- Tá acontecendo alguma coisa?
- Nada de mais. Eu acho. – ele mordeu o lábio – Só um mal pressentimento.
- Okay, Jimmy. Eu vou me cuidar. – eu o abracei, e ele beijou o canto da minha boca por acidente.
- Tom gosta de você. – Pierre disse, depois de um tempo em silêncio.
- Er... NÃO! – eu o olhei – Por que você acha isso?
- Porque ele ficou falando coisas, tipo "Ah, não traga ela tarde", essas coisas. – ele não tirou os olhos da rua.
- Ah, ele é super protetor. Só isso. Ele é um irmão pra mim.
- E também tem o James.
- Quem? O Jimmy? – é, com essa, eu tive que rir da cara dele – Pierre, você tá bem? O James é só meu amigo!
- Nem parece... Você precisava ver o jeito como ele entrou na casa! E o jeito como ele me olhou? – ele riu alto – Quase me assustou.
Não sei por que, mas Pierre estava começando a me irritar. Profundamente.
- Falta muito? – perguntei, tentando esconder a irritação.
- Não, estamos chegando.
Quando ele estacionou o carro, virou-se para mim. Os olhos verdes dele fizeram minha irritação ser substituída por... Bem, outra coisa. Me perguntei se era assim com todas as outras garotas. Aqueles olhos me fizeram agir de forma totalmente atípica. Não, eu não estava apaixonada por ele... Se eu tivesse que escolher entre isso e desejo incontrolável para definir o que eu sentia, eu optaria pelo segundo.
- Eu acho que o jantar pode esperar. – eu disse, sorrindo maliciosamente, quando ele aproximou nossos rostos.
Eu sou totalmente influenciável por homens, certeza! Ele parou de beijar a minha boca e desceu para meu pescoço, dando pequenos beijos lá. Eu abri os olhos e percebi que estava no colo dele, com cada perna em um lado do corpo dele; enquanto Pierre apertava minha cintura com as duas mãos. Depois da pegação no carro, fomos comer. Ele pediu um prato de carne que realmente parecia gostoso; mas, sério... Carne à noite? E eu fiquei com uma salada; eu não tava de dieta, nem nada. Só que a consciência não me permitiu comer nada pesado demais.
À medida que o jantar ia passando, eu só queria que acabasse logo. Olhei várias vezes para o pulso, cogitando a possibilidade de ir embora; mas desisti ao pensar que Jimmy poderia estar se divertindo, e acabar com a diversão dele só para eu acabar com meu tédio, não rolava. Então, eu ouvia o que Pierre falava sobre futebol. Dude, eu sou brasileira do Brasil, e até gosto de futebol, mas não o suficiente para passar a noite toda falando disso.
Eu dava graças a Deus, quando estava no carro voltando para casa. Mas quando ele parou o carro, eu vi que não estávamos em frente à casa de Tom. "Fantasy Land Motel", era o que dizia uma placa azul, com letras vermelhas. Pierre tava brincando com a minha cara? Passei um tempo digerindo a descoberta, o que deu tempo a ele de voltar balançando as chaves e sorrindo maliciosamente.
- Vamos?
- Pra onde? – eu o olhei.
- Pro nosso quarto... Suíte presidencial, baby!
- Ahm, Pierre... – tá, que merda eu faço, agora? – Eu não sei se.. Bom, isso não ta certo, Pierre.
Vi o rosto dele ficar vermelho, e seu sorriso fechar-se numa linha.
- O quê? Vai dizer que você nunca abriu as pernas pra um cara? – ele tentou levantar meu vestido, mas eu afastei a mão dele – Que você nunca deu essa vagina de puta para ninguém? – outch. Isso foi muito descortês.
Hora do plano "B". Merda, odeio isso. Vou ter que ser bem convincente. Sentei no colo dele, mordendo o lábio inferior, e disse, sentindo-o pegar na minha bunda.
- É que eu preciso de um tempo para me preparar pra você. – eu disse, passando meu indicador pela mandíbula dele. Me senti a puta-mor, agora.
- Que bom que você mudou de idéia. – ele sorriu e me deu um selinho – Vamos?
- É.
Ao entrarmos lá, eu o deixei num banho quente bem relaxante - ele não ia sair de lá tão cedo – eu disse para ele ficar lá, e que talvez eu demorasse um pouco. O cara tava tão alcoolizado graças às taças de vinho que ele tomou junto com a testosterona agindo, que nem pensou direito. Apenas ficou lá! Eu tirei os malditos scarpins que minhas Alices Cullens – vulgas e – haviam me obrigado a usar e que agora estava me incomodando mortalmente, e andei até encontrar um telefone público. Olhei o telefone no meu pulso, e suspirei.
's P.O.V
Dude, a saiu muito gostosa daqui! Se ela não pegar o Pierre, é por que um dos dois é retardado. Depois que eles saíram, fomos nos arrumar pra irmos ao PUB. Coloquei o vestido listrado preto e branco de – eu tinha certeza de que ela não ia se importar – e meus scarpins vermelhos. colocou uma skinny, scarpins roxos e uma baby look branca; para realçar, ela colocou uns quatro ou cinco colares. Dude, até com roupa simples, ela fica parecendo a Barbie! E , colocou uma blusa de frio listrada rosa e branca com gola alta, com uma saia jeans, e, por causa da bota de gesso, colocou só uma rasteira prateada. Quando descemos, James, Tom, Danny e Dougie já nos esperavam. Extremamente sexys, todos vestidos praticamente do mesmo jeito: James e Dougie usavam tênis de skatista e Danny e Tom, all stars. Todos usavam calças dois ou três números maiores e a única diferença entre as camisas deles eram as cores.
James' P.O.V
As meninas estavam lindas, e quando chegamos à "The House", elas atraíram geral. Vi pelo menos duas garotas que eu pegaria; mas o problema era que eu só pensava em . Ela estava bem? Meus pensamentos foram cortados por , que chegou com um copo de vodca para mim.
- Você gosta da ?
- Não sei. – eu disse, pegando o copo.
- Tomara que não, por que ela vai casar com o Pierre! – ela gargalhou, e saiu.
Dude, a menina já estava bêbada em meia hora que a gente tinha passado ali?
Depois de uns 20 minutos, olhei para os lados e não encontrei ninguém. Passei os olhos pela boate, até pará-los em , que dançava na pista, feito uma louca. Eu ri do jeito dela e ia desviar o olhar, até perceber Dougie dançando com o corpo colado ao dela, com a mão em volta da barriga dela; ele a estava pegando por trás. Três segundos depois, virou e o beijou. Nenhum dos dois vai se lembrar disso amanhã.
Procurei de novo e vi Danny e conversando, sentados numa outra mesa, e Tom em pé, semi-curvado em cima de uma garota, que depois eu reconheci pela bota de gesso. Era . Wow, pelo menos alguém tava se dando bem!
Danny's P.O.V
- Ah, não, Danny! – reclamou, rindo – Os orango-tangos são laranja! Logo, eles são mais bonitinhos que os chimpanzés.
Eu não conseguia controlar o meu desejo, e eu nem sabia se eu queria; eu não tirava os olhos dos lábios dela, e, decididamente, eu não controlava minhas ações. Não mais. Como, em tão pouco tempo, ela conseguiu fazer isso comigo?
- ... – eu a chamei, ainda olhando os lábios dela feito um imbecil.
- Oi? – ela tirou os olhos das mãos e os trouxe até mim.
- Eu... – dude, nem falar direito, eu consiguia? Engoli em seco e terminei a frase: - Eu quero te beijar.
E sabe o que ela fez? Ela começou a RIR! Isso seria broxante, cara. Se eu não estivesse com ela.
- É engraçado. – ela disse, quando parou de rir.
- O quê? – porque EU não via graça.
- Muitas pessoas agem, em vez de falar. – ela sorriu – Eu prefiro quem fala. É mais... Diferente. – ela ia falando, e, à medida que ia aproximando nossos rostos, ia fechando os olhos.
Eu cortei os poucos centímetros de distância que separava nossas bocas, e nós demos início ao melhor beijo da minha vida; só Flávia me fez sentir arrepios e impulsos elétricos. É, será que eu me... Apaixonei?
's P.O.V
Cool, o Tom não vai calar a boca e me beijar logo não? Tem um tempão aqui que eu nem escuto mais o que ele diz, só presto a atenção nos lábios dele. E eu nem sei se quero vê-los separados da minha boca por mais tempo...
- Tom, você vai me beijar, ou não? – merda, pensei alto.
- Eu... Posso? – ele sorriu abertamente, colocando os braços na parede atrás de mim e me fechando ali.
- Se eu perg... – eu nem pude concluir o pensamento, ele já estava me beijando.
É, eu fiz bem em escolher o Tom... Ele... Nah, ele beija bem!
Harry's P.O.V
Dude, eu amo a Chloé, mas qual a dificuldade em parar de beijar meu pescoço e prestar a atenção no filme? Eu amo sexo, mas agora eu quero ver o filme! Que saco, essa menina querendo sexo a cada minuto do dia!
- Chloé, presta a atenção do filme. – eu reclamei mesmo.
- Quem liga pra Leonardo DiCaprio em "A praia", quando se tem um Harry Judd? – ela disse, com a boca próxima ao meu pescoço.
Dude, ela quer que eu a foda? ÓTIMO!
Eu a beijei, e rapidamente nossas roupas estavam no chão. Eu a fiz ter três orgasmos, e logo ela saiu de cima de mim e ascendeu um cigarro.
- Porra, essa foi a melhor foda da minha vida! – ela sorriu e deu uma tragada.
Tirando a parte que ela falou DOIS palavrões na mesma frase e ficou PODRE, eu não pude deixar de sorrir com o comentário; sinal de que eu continuava fazendo meu trabalho direito. Senti os olhos dela em mim, e, ainda sorrindo, retribuí o olhar.
- Seu sorriso é lindo. – ela disse.
- Wow, obrigado, amor. O seu também é. – eu dei um selinho nela, e nós começamos a nos beijar, mas ela logo me afastou.
- Nah, eu preciso fazer xixi. – ela se levantou, e eu tive uma idéia.
- Chloé, o que vo.... – eu perdi a fala, ao ver uma coisa estranha. Chloé tava mijando. Em pé.
- O que era? – ela disse, quando terminou de fazer xixi.
- Nada. Esqueci.
Pois é. Broxei, depois dessa. O cara vai chamar a namorada para tomar banho junto com ele e vê a menina mijando em pé? Foda, mesmo.
James' P.O.V
Tá, tem duas loiras gostosas aqui comigo, e a única coisa que eu quero é saber de . Vou sair daqui. Dude, que merda está acontecendo comigo? Opa, VIBROU! É, o celular. Olhei no visor e não reconheci o número, devia ser de algum orelhão. Saí da boate – literalmente – e atendi o telefone, que ainda vibrava insistentemente em minha mão.
- James? – thanks, God! Thanks! É ela, dude!
- ? O que houve? Onde você está?
- No Fantasy Land Motel. Será que dá pra você vir? E se for rápido vai ser melhor ainda!
- Em cinco minutos eu chego aí.
- Obrigada.
Nem respondi, corri para o carro e fui o mais rápido possível até onde ela estava. QUE MERDA ela tava fazendo num motel?
's P.O.V
Dude, se eu não soubesse que sou viciada em adrenalina, eu ia começar a procurar um psicólogo. Eu estava com medo, realmente. Medo de Pierre sair do quarto e não me encontrar. Ele ia sair do quarto e ia me encontrar. Além disso, eu sabia que ele ia querer de qualquer jeito dormir comigo. Mas esses cinco minutos esperando James me fizeram ter mais adrenalina que o normal no sangue. Eu estava sorrindo, quando ele chegou. Mas ao ver a cara de preocupação dele, eu me toquei. Aquilo não era brincadeira, alguém poderia se machucar.
- O que ele fez com você? – ele perguntou, me olhando nos olhos.
- Nada. Mas ele tentou, ah... Você sabe! – ah, eu tenho um pouco de vergonha, né? – E como eu não quis, ele falou coisas... – eu parei um pouco, procurando a palavra certa - Chatas.
- Que coisas?
- Perguntou se eu nunca tinha dado "essa vagina de puta" – fiz aspas no ar – pra alguém.
- Cadê ele? – James perguntou, com os punhos cerrados – Eu vou matar aquele retardado!
- Não, Jimmy. – eu pedi, o segurando pela cintura, quando ele andou na minha direção – Me leva pra casa, por favor.
Ele relutou alguns instantes, mas suspirou e disse:
- Tá, vamos. – ele puxou minha mão, e nós andamos até o carro dele.
James abriu a porta pra mim, mas eu não entrei. Faltava uma coisa. Essa coisa qualquer um podia me dar, mas James havia se tornado muito especial em pouco tempo. Era dele que eu queria essa coisa.
- Jimmy, deixa eu te pedir uma coisa?
- O quê?
- Me abraça?
- Claro, .
E ele me deu um dos melhores abraços do mundo. Eu afundei meu rosto no pescoço dele, sentindo seu cheiro. Era bom, cheirava a homem, é. E esse era um dos meus cheiros preferidos. Senti meus olhos se encherem de lágrimas. Não sei o porquê, mas eu realmente senti vontade de chorar.
- James, eu sei que sou muito pidona, mas eu vou te pedir outra coisa. – eu avisei, mordendo o lábio, com medo dele recusar.
- Se estiver ao meu alcance, eu faço! – ele sorriu.
- Dorme comigo? Eu odeio ficar sozinha. – verdade.
- Tá. - ele me deu um dos sorrisos mais lindos e radiantes que eu já vi em toda a minha vida.
Ele estacionou o carro, e nós entramos em casa. Eu tinha virado mocinha, Tom me deu uma chave da casa. Fomos até meu quarto, e eu troquei de roupa, colocando meu pijama, enquanto ele me falava da pegação no PUB. Saí do banheiro com o vestido na mão, o dobrando; eu já tinha decidido o que fazer com ele.
- E aí? – ele apontou o vestido com o queixo.
- Vou devolver o mais rápido possível. – eu respondi.
Ele sorriu e olhou para Jimmy, O Violão.
- Hey, sabe o que você nunca fez? – ele me olhou.
- O quê? – eu perguntei, sentando na cama.
- Você nunca tocou pra mim. – ele se inclinou, e, passando o braço na frente da minha barriga, pegou Jimmy, O Violão.
- O que você quer que eu toque? – eu peguei o violão e o olhei.
- Qualquer coisa. – ele deu de ombros.
- Tá... – eu mordi o lábio, dedilhando a primeira coisa que veio na minha cabeça.
Logo eu percebi que a música era "Anything" – The Calling.
- Você não vai cantar? – ele perguntou, e eu fiz que não com a cabeça – Você é má. – o comentário dele me fez sorrir – Vai, ! Canta! – ele pediu.
Eu terminei com "Anything", e comecei com "Hero" – Nickelback. Dessa vez, só para deixá-lo feliz, eu cantei. E pelo visto ele gostou, porque não parou de sorrir meio segundo.
- Toca pra mim? – eu pedi.
- Ah, não, !
- Por favor, James? – eu o olhei, rezando para eu estar com o olhar do Gato de Botas do Shrek.
Passamos o resto da noite conversando, rindo e tocando. Até eu adormecer.
Tom's P.O.V
- , cala a boca! – reclamou, enquanto tentava levar a bêbada, que gritava e ria alto, para dentro da casa com a ajuda de Danny.
- LET'S RUN NAKED! – ela gritava, tentando levantar o vestido.
- LET'S BURN OUR HOUSE DOWN! – Dougie semi-alcóolatra também gritava, tentando se soltar de mim e de .
- Calem a boca, nós temos vizinhos! – eu os repreendi. Mas não adiantou nada, nós subimos as escadas carregando os dois, que continuaram gritando.
- Dude, o que ta acontecendo aqui? – vi com cara de sono ao pé da porta do quarto de Dougie.
- ... – Dougie se aproximou dela, colocando as mãos em sua cintura – Nossa, você tá hot, com essa roupa.
- Ah, Dougie! Vai dormir! – ela riu, e o empurrou levemente, porque se colocasse mais força, ele caía.
- É, dude. Você ta bêbado que nem um gambá! – James apareceu atrás de e colocou a mão na cintura dela. E ele estava só de boxer.
- Vai, Dougie. – disse, o colocando na cama – Vá dormir.
Depois de colocarmos os dois alcoólatras para dormir, nós descemos. foi pegar água na cozinha, mas voltou rápido e rindo pra caralho. Quando eu perguntei o que era, ela disse que Danny e estavam quase se comendo. Na minha cozinha.
- Tom... – me olhou – Será que você pode me levar pra casa?
- Ah, ! Dorme aqui! Você dorme com a gente no meu quarto! – pediu.
- Ah, não, ! – negou com a cabeça – A mãe do Harry vai ficar preocupada!
- Vamos, . – eu a chamei, me levantando.
- Beijo, amiga. – ela disse a Luma.
- Beijo. – ela sorriu, e olhou para James – Vem, James. – ela se levantou – Vamos dormir. – ele se levantou e a seguiu.
Ela passou por mim, e eu lhe lancei um olhar de: "depois nós conversaremos, mocinha!". Ela riu feito criança e subiu, com James a seu encalço.
No caminho até a casa de Harry, eu pensava no que poderia ter acontecido entre e o francês. Digo, era para ele estar no lugar de James... Ah, tá todo mundo enlouquecendo, dude!
- Então... er.. Boa noite. – me despertou, quando chegamos em frente à casa dos Judd; ela já estava se virando para abrir a porta do carro, quando eu a segurei.
- Hey... Você quer sair comigo amanhã? – eu perguntei, aproximando nossos rostos.
- É, pode ser... – ela disse, e eu a beijei.
Xxxxxx
- Êêê! BOM DIA! – disse, ao me ver na porta da cozinha.
- Eita, povo animado. – eu disse, sentando na mesa – A noite foi boa, hein?
Ela riu e pôs um prato com uma torrada na minha frente.
- Nem tão agradável assim.
- Qual foi a do James dormindo aqui? – eu dei uma mordida na torrada.
- Nah, ele me pegou no Fantasy Land, e como eu não queria ficar só, pedi pra ele dormir aqui. – ela deu de ombros, virando para o fogão.
- Peraí... Fantasy Land? O que você tava fazendo lá?
- Pierre achou que eu sou uma puta ou algo do tipo... Aí me levou pro motel.
- Ah, e... O que você fez? – minha voz saiu esganiçada, merda.
- Saí de lá, né? – ela se virou e arqueou a sobrancelha.
- Ah. E o Jimmy foi te pegar lá. - concluí - Por que não me ligou?
- Porque eu não queria estragar sua noite com a . E além disso – ela levantou o punho, onde algo escrito estava se apagando – o telefone dele foi o mais fácil.
- Ah... E cadê ele, agora?
- Jimmy? Tá dormindo.
- Não, o francês.
- Ah, deve estar na banheira até agora. – nós dois rimos.
- Dude, que noite louca. – Dougie entrou com a mão na cabeça e cara de ressaca. colocou café para ele.
- Wow, como foi a noite? – disse, me olhando com um sorriso sapeca nos lábios.
- Pegou alguém de conhecido? – eu a acompanhei.
- Ah, dudes. Só lembro de ter pego umas duas loiras hot. – ele deu de ombros.
- Então, você não lembra de ter acordado os vizinhos gritando: - começou a correr pela cozinha, em volta da mesa, com os braços levantados – LET'S BURN OUR HOUSE DOOWN! – Dougie a olhava como se ela fosse retardada.
Quando eu consegui parar de rir, eu fui até ela e coloquei a mão em sua cintura, dizendo:
- Luh, você ta hot com essa roupa!
Nós dois começamos a rir, e ele nos olhou irritado. Ia falar alguma coisa, mas o interrompeu, entrando na cozinha.
- E aí, ? – eu a olhei.
- Hangover. – ela gemeu, sentando na mesa.
- Vamos fazer uma "naked mile", Tom? – me olhou, colocando café para , e tentando segurar o riso.
- E "run naked"? – eu a olhei rindo.
- Exatamente. – ela olhou para a porta e correu para pular em James, que a segurou num abraço – BOM DIA, FLOR DO DIA!
- Wow, acordou animada, hoje! – ele disse, rindo.
- É por que você dormiu comigo, amor! – ela riu e piscou para ele.
e Dougie a olharam interrogativamente, enquanto ela ria e colocava café para James. Ele a acompanhou com o olhar, enquanto ela colocava duas torradas num prato, e o estendia para ele. É, revoltei, agora.
- Por que ele tem duas torradas e eu não? – perguntei a olhando.
Ela abriu a boca para responder, mas a interrompeu.
- E por que ele – apontou James, com cara de nojo – está aqui?
- É, era para o francês estar aqui, não essa baranga! – Dougie completou, rindo – E ainda mais só de calça!
- Posso responder? – ela nos olhou – Primeiro, você está só de cueca, Douglas! Então, nem fode! Segundo, Thomas, uma torrada é minha! E terceiro, vocês dois, – ela olhou Dougie e – não deu certo com o Pierre.
Eu vi James fechar as mãos com força.
- O que aconteceu? – a olhou.
- Ele queria transar. – ela deu de ombros.
- E falou da "vagina de puta" – James disse entre dentes, fazendo aspas no ar – dela.
- O que ele disse? – eu a olhei, incrédulo.
Ela suspirou, e respondeu:
- Vou contar a história toda. – ela olhou o prato, com as bochechas levemente coradas – Quando a gente saiu do jantar, ele me vevou ao Fantasy Land Motel, e pegou a suíte presidencial.
- Pelo menos foi a suíte presidencial, ! – Dougie disse.
- É, com minha amiga, não pode ser qualquer porcaria, não! – se manifestou.
- E quando eu disse a ele que não achava certo logo na preimeira saída, ele tentou levantar meu vestido, e disse: "Vai dizer que você nunca abriu as pernas para um cara? Que você nunca deu essa vagina de puta pra ninguém?" – ela imitou a voz grave dele.
Outch. Essa foi pegar pesado. Não se fala desse jeito com uma garota.
- E o que você fez? – Dougie a olhou.
- Fingi que tinha mudado de idéia, e disse que eu ia me preparar pra ele. Provavelmente, ele ainda tá dormindo na hidromassagem. – ela deu de ombros e mordeu a torrada.
- E foi aí que ela me ligou, e eu saí do PUB para buscá-la. – James completou, e agora fazia sentido.
- Por isso que você sumiu! – eu disse, o olhando.
- Você sumiu? – Dougie o olhou.
- Eu só saí logo, pra pegar – ele deu de ombros e olhou para – Você se lembra de alguma coisa?
- Só até quando eu fui falar com você. Mas o que eu falei, eu não lembro.
- Você disse que ia casar com o francês. – ele me fez rir.
- Ah... Mas fazia sentido! Um Armani? – ela deu de ombros.
- O qual vai ser devolvido hoje mesmo! – disse.
Sabe o que fez? Ela mandou crisântemos amarelos para ele, juntos com o vestido e um cartão, que dizia: "Obrigada pela noite; seu agradecimento foi pago. Espero que você não esteja muito enrugado.". O senso de humor dela me assusta, dude. E na segunda, ela encontrou uma flor vermelha no armário dela; com um cartão: "Desculpe se eu agi mal; não era a minha intenção. Verdade."
***********
Faziam três meses que as meninas estavam com a gente. Tudo ia andando, era minha melhor amiga – ela parecia minha irmã gêmea – e continuava recebendo flores de Pierre; James continuava em cima dela; Dougie e ainda não sabiam que tinham ficado – e nós decidimos não contar nada a eles; Danny continuava pegando ; Harry e Chloé estava cada vez mais estranhos, e ele estava ficando muito próximo de ; e eu estava na fossa. Por quê? do nada parou de falar e ficar comigo. Mas não me pergunte o motivo!
- E aí, vão sair hoje? – Matt chegou na nossa mesa; só estávamos eu e lá. Os outros ainda não tinham chegado.
- Não, a gente vai ficar em casa. – deu de ombros, e eu a olhei.
- A gente?
- É, eu e você com o Darth Vader e os guerreiros Jedi, na sua casa! – ela riu.
- Ah, não, ! Você vai sair com o povo! – eu reclamei.
- NO WAY! - ela parou de me olhar, e virou para Matt – Eu vou passar a noite com o meu irmão gêmeo e melhor amigo, Matt. E você?
- O povo tá querendo ir para um PUB... Acho que vou pegar geral lá!
- Hey, ... – uma voz com sotaque meio puxado disse atrás de nós, fazendo nós três virarmos.
- Oi, Pierre. – ela respondeu, sorrindo, mas sem emoção na voz.
- Olha, ... Sério, me desculpa! Eu faço qualquer coisa por isso! – ele disse, e ela me olhou.
- Tudo bem, Pierre. Não precisa fazer nada, OK? – ela sorriu amigavelmente.
- Tem certeza? – ele a olhou, e ela assentiu com a cabeça – Ok, então. – ele se aproximou para beijar a bochecha dela e disse baixo, mas alto o suficiente para eu ouvir: - Eu vou te conquistar. Você vai ver. – ele beijou a bochecha dela e saiu.
- Sem pressão, né? – ela disse, girando os olhos e olhando Pierre ir embora.
Depois de alguns segundos, Matt disse:
- MAS QUE PORRA É AQUELA? – ele apontou um tumulto que começou a se formar ali.
James' P.O.V
- Ah, foi mal, dude. – eu disse, ao esbarrar em alguém.
- Ah, oi, Bourne. – Pierre disse, sem esconder o desprezo na voz.
Antes, eu até que era amigo dele, mas não era mais. Não depois do que ele fez com .
- Você anda sumido, James... O que houve? – ele continuou.
- Nada, só não ando com caras que tentam transar à força com minhas amigas... – eu dei de ombros.
- Por falar nisso, a sua garota... A . Eu vou pegar ela de novo. E aí vou transar com ela, até a vagina gostosa dela sangrar!
Aí eu não aguentei mais! Ouvir um filho da puta dizendo essas coisas da garota que você gosta é foda! Parti para cima dele, e nós dois caímos no chão, é, briga de macho, dude. Nem sei quem separou a gente, só sei que eu bati e apanhei. Eu estava com o lábio sangrando, e ele tinha a maçã do rosto sangrando.
- O que foi, Bourne? Não aguenta concorrência? – ele provocou – Só porque vai preferir a mim?
- Corta essa, Pierre! – se meteu entre nós dois, e estapeava o peito dele com as mãos fechadas – NUNCA na minha vida, eu ficaria com você de novo! – dude, aquilo era música para os meus ouvidos.
- É o que nós veremos! – ele a desafiou, e o que ela fez me deixou mais impressionado ainda.
Dude, ela deu um soco no nariz dele, que começou a sangrar instantaneamente. Logo depois do contato, ela recolheu o braço, segurando-o. Se ela não tivsser quebrado, ia ser um milagre. Tom, Matt e Dougie nos levaram à enfermaria. não chorava, mas fazia cara de dor e mordia o lábio com tanta força, que eu pensei que fosse sangrar. A enfermeira me fez uns curativos e olhou o raio X do braço dela. Pois é, a nossa escola tem raio X.
- Você tem sorte. Você conseguiu fazer seu rádio ficar ao contrário sem quebrá-lo!
- Wow, a é quase o senhor fantástico! – Dougie riu e levou um pedala de Tom.
- Como ela fez isso, doutora?
- Não sei, querido. Mas podemos dizer que é como se ela tivesse "empenado" o osso.
- Mas e agora? Tá inchado, vermelho e dói muito! – reclamou.
- Eu vou arrumar e depois vou imobilizar. – ela sorriu.
- Dude, o soco que você deu nele deve ter doído pra caralho! – Matt disse, e ela sorriu.
- É, onde você aprendeu a dar um daqueles? – Tom a olhou.
- No Brasil, meu tio é policial; daí ele me ensinou defesa pessoal. – ela disse, vendo a mulher empurrar seu braço.
A dor dela parecia ser tão grande, que ela não aguentou, seus olhos começaram a lacrimejar.
- Tá perto? – ela disse, com a voz trêmula.
- Um pouco. – a enfermeira empurrou com força o braço dela, e a dor foi tanta, que ela desmaiou.
- Dude, isso tá certo? – Tom apontou desmaiada, com certo toque de desespero na voz.
Ouvimos um "Crec", que devia ter sido do braço dela.
- Ela vai acordar daqui a pouco. – a mulher fez pouco caso, colocando a tala de gesso nela.
O Sr. Springsteen chegou na enfermaria e começou a descer o cacete na gente. Tá, em mim, porque estava desmaiada e Pierre já tinha voltado para casa. Eu ainda tentei explicar a ele que não tinha nada a ver com aquilo, mas ele não quis saber: suspendeu a mim e a ela por uma semana. Uhul.
's P.O.V
- Ah, ! Vamos! – Danny pediu.
- Não, Danny! Darth Vader me espera!
- É, e ela tá de pijama! – apontou para mim.
- Aham, e eu não troco ele por nada nesse mundo! – eu me abracei.
- É, e , Thomas, Darth Vader, pijama, pipoca e brigadeiro? – Tom disse, sentando ao meu lado, no sofá – Não tem programa melhor! – ele sorriu para mim, e eu retribuí.
- Vocês são morga! – Dougie reclamou, e nós dois mostramos o dedo do meio para ele – E estranhos, também. Olha aí!
- Dude, o que ta faltando para vocês irem embora? – Tom o olhou.
- A dondoca da ! – disse.
- A dondoca da chegou. – disse, descendo as escadas – Vamos?
Danny se levantou rapidamente, dizendo:
- Já é!
- Tchau, guys! – eu e Tom dissemos juntos.
- Vocês são estranhos! – Dougie disse.
Nós ignoramos o comentário e fomos fazer pipoca, conversando merda. Depois de eu ter falado que minhas amigas eram muito hot para ele, fazendo-o rir, eu me lembrei de um assunto. Incômodo, mas necessário.
- E a , Tom? – eu perguntei, me virando pra ele.
- Ah, na mesma... Me ignorando. – ele suspirou.
- Own, brother. – eu andei até ele e o abracei – Ela vai perceber o que tá perdendo.
- Por que isso tinha que acontecer comigo?
- Ah, Tom... Acontece com todo mundo! – verdade – Ela prometeu que não ia se apaixonar por ninguém...
- Por quê?
- Porque a gente vai ter que voltar pro Brasil, e aí vai terminar todo mundo sofrendo. – eu me desvencilhei dos braços dele – Agora, vamos ver o filme, que Darth Vader não pode esperar! – eu tentei animá-lo.
Terminou que nós desligamos a luz e ficamos vendo "Star Wars" na sala.
~ Capítulo 7:
Harry's P.O.V
NUNCA MAIS eu tento ser romântico! Eu cheguei todo feliz para ter uma noite romântica com Chloé, mas quando eu entro no quarto dela, eu a encontro se masturbando no banheiro! Depois ela ainda reclama quando eu broxo?
- O que tá havendo com você? – Ela me olhou.
- Nada, Chloé... As coisas mudaram um pouco; eu ainda tô tentando me acostumar. "Black dress, with the tights underneath, I've got the breath of the last cigarette on my teeth. And she's an actress, but she ain't got no need. She's got money from her parents in a trust fund back east."
Ela olhou na tela, e suspirou alto:
- É o Jimmy. – Ela me deu o celular. – Ele deve estar querendo falar com você.
Antes de atender, vi rapidamente que o celular de James não estava gravado ali. Ela decorou minha lista telefônica?
- Jimmy, não é uma boa hora. – Eu disse.
- DUUUUDE, cadê seu celular?
- Ah, esqueci em casa. Fala rápido, tá?
- DUUUUDE, vem pra cá!
- Onde você tá?
- No cassino. - Ou puteiro, como você preferir.
- NO CASS... – Opa, repeti alto. – Eu não posso, Jimmy.
E aí ele começou a chorar.
- James, o que foi? – Eu estava começando a ficar preocupado.
- A , Harry... Ela brigou por mim hoje, m...
- Peraí, James! – Sou mal educado mesmo, o interrompi. – A brigou por você?
- Ela deu um soco na cara do francês! – James continuava chorando, e eu comecei achar que era efeito do álcool – Mas isso foi porque ele disse que ela ia escolher ele.
- Ah, não vai mesmo. – Deixei escapar e senti Chloé me olhar.
- E aí ela fodeu o braço, e agora tá vendo Star Wars com um dos meus melhores amigos na casa dele.
- Quem?
- Tom.
- Mas ela mora na casa dele, dude. Relaxa.
- E eu agora tô num puteiro, enchendo a cara e vendo uma mulher dançar entre as minhas pernas!
- Dude... Então aproveita! – O que mais eu poderia dizer? – E depois tente falar com ... Tenho certeza de que ela vai entender. Preciso desligar agora. Tchau, Bourne.
- Tchau, dude.
Depois de entregar o celular à Chloé, ela disse:
- Jimmy também quer pegar a ?
- Também? – Eu a olhei.
- É... Eu conheço muita gente que quer. – Ela me lançou um olhar incriminador.
Tá, tudo bem que quando eu a vi tocando guitarra eu fiquei bem excitado; e ela vem entrando em meus pensamentos à medida que nós nos aproximamos, mas... Querer pegar ela? Não, eu nunca a tinha visto desse jeito, eu acho. Ou dito alguma coisa do tipo à Chloé. Eu apenas encolhi os ombros e ela disse em meu ouvido:
- Vai dizer que você não ficou excitado quando a viu tocar guitarra daquele jeito? – Ela mordeu o lóbulo da minha orelha e passou a mão por minhas coxas, levando-a até Bráulio. Antes, se ela fizesse isso, eu não estaria mais respondendo pelos meus atos. Agora? Nada aconteceu. E ela me broxouquando disse: - Até eu fiquei excitada!
Ótimo, isso foi o bastante. Eu a olhei, incrédulo, e disse:
- Mas que porra está acontecendo com você?
- Porra nenhuma, Harold! – Ela disse; ela sabe que esse não é meu nome. Ela só me chama assim quando tá com raiva.
Ela foi para o quarto. Voltou dois minutos depois com uma Focus vermelha nas mãos. – Quer que eu toque pra você? – Ela sentou ao meu lado no sofá, tocando qualquer coisa. Eu me levantei rapidamente, eu precisava sair dali.
- Eu preciso pensar. – Wow, isso soou gay.
E eu saí de lá. Quando eu menos percebi, eu estava tocando a campainha de uma casa bem conhecida.
's P.O.V
Os créditos do filme ainda passavam quando eu acordei. Olhei para o lado, Tom estava com a cabeça em meu ombro, dormindo. Eu lembro que nós vimos o filme todo umas duas vezes; acho que a gente dormiu logo no início da terceira vez, realmente não lembro. Arrumei Tom no sofá e fui na cozinha. Olhei no relógio: 1:20 da madrugada. Peguei cookies para comer e voltei à sala para arrumar a bagunça que nós tínhamos feito, e então a campainha tocou. Andei até a porta e vi a última pessoa que eu pensaria em encontrar numa sexta à noite ali.
Narrador Onisciente:
- Harry? – Ela disse, ao vê-lo ali.
- Erm... Oi, . O Tom ta aí? – Ele perguntou.
- Ele ta dormindo... Mas o que houve? Você parece meio... – Ela procurou a palavra certa. - Diferente. - Ela disse, dando espaço para ele passar.
- Ah, minha vida está diferente.
- Hum... – Ela mordeu o lábio internamente. – Você quer conversar?
- A conversa envolve um café? – Ele sorriu.
- É. – Ela riu.
fez o café para Harrye o entregou a ele. Se encostou na bancada, o vendo tomar a bebida, analisando-o. Ele era realmente bonito, ela concluiu. Ao sentir o olhar dela, ele retribuiu. Viu que ela usava micro-shorts e uma blusinha como pijama, e não conseguiu não ter pensamentos promíscuos.
- Deixa eu adivinhar seu problema... – Ela fingiu pensar, olhando para o teto por alguns segundos. Depois, estreitou o olhar e disse com certeza na voz: - Chloé.
- Como você sabe? – Ele a olhou surpreso.
- Por qual outro motivo você estaria na casa do seu amigo, falando com outra garota que não é a sua namorada, se não fosse por isso? – Ela sorriu. – E outra, seu olhar diz tudo.
- Ah, é? – Ele arqueou a sobrancelha, sorrindo. – Algo mais?
- Ah, sei lá... Às vezes eu uso as roupas do Tom... Mas ela usa as suas roupas sempre.
- Ela mudou demais esse ano... – Ele suspirou, lembrando-se dos poucos minutos anteriores.
- Você já tentou conversar com ela?
- Ah, ... – Ele tentou fugir, mas ela cruzou os braços e arqueou a sobrancelha, como se estivesse o desafiando. - Ela não me dá descanso, ! Ela só quer sexo, sexo, sexo e mais sexo!
- Tente conversar com ela, Harry. – Ela sorriu. – Não é possível que ela queira sexo sempre. – ele abriu a boca para contestar, mas ela completou: - Vocês vão se entender de alguma forma.
- Eu vou. – Ele sorriu para ela, que sorriu de volta. – Mas o que foi isso? – Ele apontou o braço dela.
- O Pierre brigou com o James.
- Você sabe por quê? – Ele a interrompeu.
- Na verdade, não. – Ela fechou os lábios com força. – Eu só não aguentei ver os dois brigando ali. E aí o Pierre falou alguma coisa sobre eu escolher ele. Aí eu disse que não escolheria ele pra nada, e dei um soco no nariz dele.
- E você não tem a mínima ideia do motivo? – Ele arqueou a sobrancelha. Ao vê-la dar de ombros, ele completou: - Você, .
- Quem? Eu? – Ela apontou o próprio peito.
- É, James gosta de você, . – Com aquilo, o queixo da garota caiu. – Sério, . Você nunca percebeu às vezes que ele deixa de ficar com outras pessoas pra ficar com você, e os beijos no canto da sua boca que ele dá? Porque, sério, . Ele agora tá bebendo todas, porque acha que você não quer ele.
- Dude... – Ela sentou na mesa, de frente para Harry. – Isso é... – Ela procurou as palavras certas para definir o que achava. Terminou que apenas uma se encaixava no que ela queria: - Estranho. Eu nunca percebi nada...
- Pois devia... – Ele a viu bocejar. – Bom, como você tá praticamente dormindo em pé aí, eu vou indo. – Ele se levantou.
- Nah, fica aqui. Quanto mais amigos perto de Tom agora, melhor. – Ela abanou o vento.
- E por falar nisso, como ele tá?
- Indo, né? Depois eu vou falar com a Deby.
- Boa ideia.
James' P.O.V
É, hoje é um novo dia! Vou falar com e contar tudo o que eu sinto, é. Mas só depois que a ressaca passar. Olhei no relógio, 8:20 da manhã. Num sábado? Ela com certeza estaria dormindo. Virei para o lado e adormeci de novo. Acordei umas 11:00 e fui pra casa de Tom. Antes, passei numa Starbucks e comprei seis cafés. Quando cheguei lá, vi Tom e Harry dormindo na sala. Deixei os cafés na mesa da cozinha e subi. Fui direto ao quarto de Dougie.
- Dude, acorda. – Eu o cutuquei.
- Não, mãe... – Ele gemeu, virando para o outro lado. – Eu não vou pra aula, to com dor de cabeça.
- Dougie, você tá nu e todo mundo tá tirando foto! – Eu disse meio alto e ele pulou da cama, segurando o travesseiro no meio das pernas.
Ao perceber que apenas eu estava no quarto, ele disse:
- Porra, Bourne! O que você quer?
- Que alguém cuide de mim; tô com uma puta ressaca.
- Pede pra , dude.
- Ela tá dormindo. – Olhei em volta e vi um sutiã rosa em baixo de um papel branco, apontei para ele. – Noite boa, não?
- Sempre, meu caro amigo. – Ele fez cara de intelectual; pensa que me engana, esse Poynter. É o retardado-mor dessa casa e quer ser inteligente. – Mas vamos acordar o povo? – Ele me olhou, sorrindo maleficamente.
- Vamos.
Nós dois corremos até a cozinha, nos preocupando em não fazer barulho para não perdermos uma ou duas vítimas – vulgos Tom e Harry, que dormiam na sala – e pegamos panelas e colheres de pau. Fomos ao quarto de , e ficamos fazendo barulho ali com nossas "armas poderosas" até ela acordar. E até que demorou um pouquinho...
- GRANDE maneira de se acordar num sábado de manhã. – Ela se levantou, prendeu com um pouco de dificuldade os cabelos num coque, e entrou no banheiro.
Eu e Dougie a esperamos, e depois acordamos Danny, e os outros dois.
Depois do café da manhã, ficamos em dúvida no que fazer. Terminou que íamos ver filme. Mas... Qual?
- 101 dálmatas! – pediu, batendo palminhas, e aprovou a ideia com um aceno de cabeça.
- Ah, não! – Reclamei.
- Por que não? É a história da vida de vocês dois! – Dougie riu e nós o olhamos.
- É o que, Dougie? – Tom perguntou.
- Rá, o Dougie virou usuário, e esqueceu de nos contar! – riu também.
- Usuário de que, ? – Harry a olhou.
- De drogas, né? – arregalou os olhos e levantou os ombros, fazendo Harry parecer mais retardado do que já é. Foi impossível não rir.
- Não, gente... Faz sentido. Percebam: O James – Ele apontou pra mim. – É a Cruella DeVil, que vive correndo atrás dos dálmatas, que são a ! – Ele apontou , que o olhou como se ele fosse retardado. Depois, ele apontou nossos cabelos, dizendo: - Gente, até a cor dos cabelos é igual!
- Desisti de ver o filme. – disse, tirando os olhos de Harry e os levando até mim. – Quero sorvete, Jimmy!
E o que ela pede que eu não faço?
Levantei-me em silêncio e a vi sorrir e piscar para Harry. Dude, se ela queria dar mole pro Judd, por que não chamou ele pra ir tomar sorvete com ela? Como ela mesma diz: Povo usuário, dude.
Quando saímos da casa, a vi se encolher; devia ser de frio. Tirei meu casaco e dei para ela, que agradeceu. Ficou um vestido nela; em mim já era grande, nela cobriu o short.
- Qual foi a do Harry dormindo no Tom? – Essa pergunta estava me corrompendo.
- Problemas amorosos. – Ela deu de ombros.
- Ah... – Eu apontei o casaco. – E o frio, tá melhor?
- Aham... Tem seu cheiro. – Ela sorriu, enfiando as mãos nos bolsos do casaco.
- Você gosta do meu cheiro? – Eu sorri para ela, foi inevitável.
- Aham, um pouco. – Ela riu.
Andamos um tempo em silêncio, até que ela me chamou.
- Tá perto?
- Por quê? Já cansou, princesa? – Eu a olhei.
- Meus pés tão machucando. – Ela apontou os All Star (sexy) vermelhos.
- Então sobe aqui! – Eu dei as costas para ela, que subiu enquanto eu dizia: - Cuidado com o braço.
Andamos de cavalinho até chegar ao parque ali perto.
Comprei um sorvete de menta com chocolate para ela, e um só de chocolate para mim. Nos sentamos embaixo de uma árvore, e quando terminamos os sorvetes, ela me olhou.
- Jimmy, eu nem sei enrolar, então vou falar logo o porquê de ter pedido pra você vir tomar sorvete comigo. – Meu coração disparou, sério. E eu, como bom gay que sou, só conseguia olhar a grama. – É verdade que você gosta de mim?
Pronto, agora eu morro. Que gay.
- , dude... Eu não sei. Por quê? – Eu a olhei de volta.
- Nah, eu queria saber, também... Às vezes, eu acho que gosto de você... Mas outras, eu não sei. – Ela disse. Ela não aproximou nossos rostos, por que eles já estavam bem próximos. Mas eu percebi que ela alternava o olhar entre meus olhos e meus lábios. Coisas que eu que devia estar fazendo.
- É bom confirmar, né? – Eu disse com a voz falha, quase encostando nossos lábios.
Dude, foi a coisa mais indescritível do mundo! Eu não sei... Eu... Ah, foda-se! Eu estou apaixonado! E a é meu primeiro amor. Confirmei isso quando senti o gosto do sorvete de menta, que ainda estava na boca dela. Segurei o rosto dela, e ela levou uma mão até meus cabelos. A merda foi que acabou logo. Ou não, né? Eu queria era aproveitar o beijo, e não ficar contando o tempo que ele duraria. Eu abri os olhos, e a vi ainda de olhos fechados, com a testa encostada na minha e mordendo o lábio inferior.
- Suspeitas confirmadas? – Ela perguntou, sem sair da posição.
Eu só confirmei levemente com a cabeça, e disse:
- É. – E eu a beijei de novo.
E aí, os clichês começaram: eu senti as tão faladas borboletas no estômago, e posso jurar que se estivéssemos em pé, eu perderia a força nas pernas. É, que gay, não? Pois é. Eu a puxei para mais perto de mim, e ficamos ali por um bom tempo. Ou tempo o suficiente para ficarmos com os lábios vermelhos, inchados e doloridos.
Quando chegamos em casa, dava uma puta esculhambação em , que pelo o que eu entendi, foi dormir na casa de um cara que ela pegou ontem. Depois, ficou tudo bem de novo, e elas decidiram fazer compras. Dei um último selinho em e a deixei se arrumar.
's P.O.V.
- E aí? – Harry olhou , que estava no banco do carona, quando estávamos no carro.
- Você tinha razão. – Ela deu de ombros.
- RÁ! EU SABIA! – Ele alterou a voz. – Eu disse que ele gosta de você! , você é muito demente!
- Obrigada pela grande parte que me toca. – e suas ironias.
- Quem? O quê? Quando e onde? – Eu me apoiei, entre os bancos deles, olhando .
- O James. – Os dois responderam ao mesmo tempo.
- O que aconteceu? – também se interessou.
- Eu peguei ele hoje. – disse, simplesmente.
- E aí? – se meteu na conversa.
- Nada.
- Como assim, nada, ? – Eu disse, incrédula.
- Daquele jeito, né? Eu peguei ele hoje, mas e daí? A gente só ficou.
- Woow, ainda bem que foi só isso! – disse. – Não gosto dele.
- E de quem você gosta, ? – riu.
- É, quero ver se eles começarem a namorar, como você vai fazer! – Eu disse.
- Eu vou fingir que sou lésbica, e vou seduzir a , pra ela acabar com ele! – tem a capacidade de fazer todo mundo rir.
- Meninas, vocês já podem sair, - Harry disse, e eu percebi que o carro já estava parado no estacionamento.
- Hey... – o olhou. – Qualquer coisa, pode me ligar, viu? – Ela disse e beijou a bochecha dele.
- Se ela enlouquecer de novo, eu ligo mesmo! – ele sorriu.
Quando saímos do carro, eu, e a olhamos desconfiadas. Acho que eu perdi alguma coisa.
- "Qualquer coisa, pode me ligar"? – Eu a olhei.
- É. - , como sempre, fazendo pouco caso das coisas.
- Ligar pra quê? – perguntou.
- Não sei, ... O que as pessoas fazem quando ligam umas pras outras? – a olhou.
- Depende... Se você disser que tá ligando pra outra pessoa na Argentina... – sempre viaja.
- ! Realidade, por favor? LONDRES! – disse, estralando os dedos na frente do rosto dela.
- Pra se falar, né, ? – Eu disse, rindo.
- Ah... – Eu acho que ela captou a essência da coisa.
- Mas... – eu virei para . – Pra que conversar com você, se ele tem namorada? – Sério, esse povo é tão complicado! – E se você tá com o Jimmy?
- Por que é justamente sobre ela que ele quer conversar. – ela respondeu. – E eu não estou com o Jimmy.
- Ah... – É, faz sentido. Eu acho. – Mas eu aposto 50 pratas como ele vai te pedir em namoro!
- Certo, . – riu e eu a ouvi falar baixinho: - Usuária.
's P.O.V
e já foram comer, e eu e continuamos nossas compras. Eu estava comprando um par de scarpins L-I-N-D-O-S, e resolvi tocar num assunto que vinha me incomodando fazia um tempo; dude, ele também é meu amigo! E tá sofrendo!
- , eu vou te perguntar uma coisa... – Eu fui logo dizendo – E não quero que você fique com raiva de mim. – Eu olhei para ela, que amarrava as sandálias douradas, e assentiu levemente com a cabeça, permitindo que eu continuasse – O que houve entre você e Tom?
Ela suspirou e me olhou. E eu conheço esse olhar. Ela estava... Triste.
- Ah, ... Nada.
- Nem fode, ! Eu sei que vocês se pegaram no PUB! E que vocês foram no cinema no outro dia!
- É, mas... Lembra do nosso pacto?
- O de não se apaixonar?
- Esse mesmo. E eu não to afim de quebrar ele... – Ela parou alguns segundos. – E eu não quero... Sabe, voltar pro Brasil daqui a menos de nove meses sofrendo e pensando no Tom. Não é legal.
- É complicado, . Eu achava a mesma coisa. – Eu senti que estava corando. – Até conhecer o Dougie.
- Você está com ele? – Ela me olhou.
- Não, ele não me quer. – Dei de ombros, e antes que ela pudesse dizer qualquer outra coisa me levantei, e perguntei: - E aí?
- Ótima. – Ela se levantou também, e andou até o espelho. Admirou-se por alguns segundos, e depois, virou-se para mim: - E a minha?
- Também. – Eu mordi o lábio e esperei um pouco. – Mas eu acho que você devia dar uma chance a ele.
- Voltou a esse assunto de novo, ? – Ela tirou os olhos do espelho que refletia sua imagem e os direcionou a mim.
- É. Tipo, pelo menos tente conversar com ele, my love.
- Eu vou. – Ou não, né? Por que eu sinceramente acho que ela não vai.
Depois de comprarmos nossos sapatos divos e absolutos, fomos encontrar e . Só que a gente tava passando por uma loja de música, e eu vi uma guitarra rosa da Hello Kitty lá. E eu tinha que comprar. Arrastei até a loja, e um vendedor gatinho veio falar com a gente. Eu disse o que queria, e nós começamos a conversar. Mas me interrompeu. Ai, que ódio; minha vida é uma merda!
- O que foi, ? – Eu a olhei, irritada.
- Aquela ali não é a Chloé? – Ela apontou para três garotas ali.
Demorei um pouco, mas reconheci. Realmente era ela.
- O que ela está fazendo aqui? – Eu vi uma garota que estava com ela pegar uma guitarra verde limão.
- Não sei... Ah, deixa pra lá! – disse, e se virou para sair da loja e me esperar lá fora. – DUUUUUUUDE. – Ela disse, apontando para uma Les Paul preta – A vai enlouquecer quando vir essa guitarra!
- É. Me deixa pagar que nós vamos atrás dela e da .
Paguei e saímos. Encontramos as gordas da e da comendo McDonald's.Voltamos à loja de instrumentos, e se apaixonou de cara pela Les Paul. E , depois de vasculhar a loja inteira, encontrou um baixo roxo abandonado nos fundos da loja. não comprou nada, porque, bom... Uma bateria é bem mais difícil de comprar do que guitarras e baixos, né? E Tom a liberou pra usar a que tinha na casa dele, então não era necessário, ainda.
Quando estávamos saindo do shopping, vimos um cartaz falando de um concurso de bandas. A banda ganhadora assinaria um contrato com a Billie Jean Records. O segundo lugar, uma viagem para a Disney em Orlando na Flórida, e o terceiro, um show no PUB mais badalado de Londres. Nem gostei tanto do segundo prêmio, odeio os Estados Unidos. Mas os outros dois eram realmente muito bons. Mas o nosso sonho grupal, com certeza, era o primeiro lugar. Pegamos um táxi e fomos até o clube. Uma fila quilométrica nos esperava, mas se nós quiséssemos realizar nosso sonho, teríamos que entrar nela e esperar até podermos nos inscrever. Assim que chegamos, várias pessoas nos lançaram olhares reprovadores.
- É, estão nos matando com o olhar. – comentou em português.
- Qual é, dude? Não posso mais gostar de fazer compras? – Eu respondi, ainda em português.
- Pode crer. Só porque nós vamos tocar músicas de rock, não quer dizer que nós temos que usar roupas de couro, como aquelas garotas ali. – disse, também na nossa língua-mãe, apontando discretamente um grupo com seis garotas que usavam roupas pretas e jaquetas de couro.
- Vou nem comentar. Eu sei é que nós vamos vencer essa bodega. – comentou baixinho, na língua que quase ninguém ali poderia entender, a não ser nós mesmas.
Ficamos conversando, e quando menos percebemos, só faltava uma banda para se inscrever com uma garota (estranha) com cinco cores no cabelo e um piercing no lábio para chegar a nossa vez. "Piece Of Me" da Britney começou a tocar, e , que estava a meu lado, me olhou:
- Sabe o que eu realizei?
- Fala.
- Que se "you wanna a piece of me" – Ela ADORA fazer essas aspas com as mãos. – E se o "me" for a Britney, é melhor você dizer: "You want a piece of nothing." – Ela começou a rir com a própria piada, enquanto eu e a olhávamos como se ela fosse doente mental ou algo do tipo.
- Você é demente, . – riu.
- Próximo! - Ouvi a estranha com cinco cores no cabelo nos chamar.
Andamos até ela, e eu praticamente entrei em desespero eterno quando ela perguntou:
- Qual o nome da banda?
Eu olhei , que olhou , que olhou , que não olhou ninguém e pareceu pensar rápido:
- Piece Of Nothing.
A estranha com cinco cores no cabelo sorriu:
- Eu nem devia estar dizendo isso, mas esse realmente foi o nome mais criativo que eu vi até agora.
sorriu de volta, e disse:
- Obrigada. E agora?
- No dia 27 de abril é a primeira fase – Daqui a cinco meses, uhul – Se vocês passarem, no dia 27 de agosto, vocês vão tocar num festival que vai durar três dias. Na noite do quarto dia, as bandas vencedoras serão anunciadas e terão que tocar como comemoração. O resto das informações necessárias estão aqui. – Ela disse, empurrando um papel que tinha pelo menos duas folhas e que pegou.
Eu é que não vou ler isso, digo logo.
- Ah... Cool, quanto eu pago? – me despertou.
- 135 pratas.
- Okay. – tirou o dinheiro da carteira e pagou.
Pegamos o comprovante e voltamos para a casa de Tom. Ou nossa casa... Mas não tinha ninguém lá. continuava lendo o papel da inscrição, e foi sentar no sofá.
- Poxa, na primeira fase a gente vai ter que fazer três covers. E tocar duas músicas nossas.
- Eu queria tocar Maluco Beleza. – sentou ao lado dela, e eu sentei na poltrona que tinha ali perto.
- É, ! Eles não vão entender se a gente tocar em português! – Eu disse.
- Eu gosto de "Hair". – disse.
- Qual "Hair"? – eu a olhei.
- O de "Hair", né? – Ela respondeu.
- É o que, dude? – Eu não entendia mais nada.
- Sabe "Hair", o filme, ? – me olhou, e eu assenti levemente com a cabeça. – Pois é, tem uma música que também tem o nome de "Hair".
- Siiiiim! – Lembrei. – É, mas são três – mostrei três dedos da mão para elas – Pessoas que cantam.
É, eu acho que temos um problema. mordeu o lábio e continuou lendo o papel. me olhava, eu a olhava de volta, e estava perdida nos pensamentos dela.
- Já sei! – disse alto, fazendo estreitar o olhar. – Você – apontou para mim – Faz o Woof, faz o George, e faz o Laffayette!
- Eu gostei! – disse. – Por mais que eu odeie cantar, essa música ia ficar bem cool com um solo de guitarra.
- É... – Concordei.
- Mas... E o resto? – nos olhou.
- Tem que fazer um dos reis, né? – disse e parou alguns segundos. – YELLOW SUBMARIINE! – Ela começou a pular sentada no sofá, batendo palminhas e sorrindo feito uma criança retardada.
- No fucking way, ! – cortou. – Eu gosto de "I wanna Hold Your Hand".
- E eu de "Hey Jude". – levantou a mão.
- "Folsom Prision Blues". - Eu levantei a mão.
- , isso é Cash! – disse.
- É. – Eu sei disso.
- Então é melhor tocar "Please Please Me". – disse.
- É. Melhor. Todas de acordo? – olhou para mim e , e nós assentimos.
- Wow, e qual o último cover? – me olhou.
- Pink. – Eu dei de ombros; se não ia ter Johnny Cash, que tivesse pelo menos uma música que todas nós gostássemos.
- Do Aerosmith? – me olhou.
- Aham.
- Fechou, então! - e disseram juntas.
- E quanto às nossas... – começou. – A gente devia tocar "You're So Damn Hot" e "All Around Me".
- Eu prefiro "Troublemaker." – disse
- Por que a gente não toca "Troublemaker" na segunda fase, se a gente passar? – disse.
- É, eu acho que com "All Around Me" e "You're So Damn Hot" dá pra garantir a vaga na segunda fase! – Concordei.
- Tem razão, . Aí a gente ganha com "Troublemaker". – disse.
Quando os meninos chegaram em casa, nós descobrimos que McFly e Busted também estavam no concurso, e que Tom estava saindo com a garota com cinco cores no cabelo. Ah, e que ele havia escrito uma música para ela. E ficou tão arrasada que cancelou a saída com James, e queria cancelar a ida dela com Danny ao encontro surpresa que ele estava planejando fazia uma semana e ficar com a gente vendo "Bonequinha de Luxo". Mas depois de quase a espancarmos, ela aceitou ir. E ela foi porque eu sei que além de ela ser louca pelo Danny e vice-versa, ela sabia que nós bateríamos nela se ela não fosse pra esse encontro.
~ Capítulo 8:
's P.O.V
- Danny, vai logo! – eu reclamei; por mais que eu gostasse de Danny me tocando, as mãos dele tapando meus olhos estavam me matando de curiosidade.
- Calma, pequena.
Nós paramos de andar, e ele tirou as mãos dos meus olhos e as pousou em minha cintura. Pude ver um cinema antigo na nossa frente e me virei para ele.
- Hãn?
- Búrguer! – ele riu – Eu tenho uma surpresa, vem. – ele me puxou e eu pude ver que o cinema era mesmo uma coisa beem old, e devia estar abandonado havia algum tempo.
Quando entramos lá, pude ver uma toalha de pique-nique estirada pelo chão, e muitas comidas ali. Eu o vi se ajoelhar e pegar minha mão.
- , isso era pra ser no final, mas a dúvida tá quase me matando. – eu não respondi nada, e ele continuou – Você quer namorar comigo?
Como eu sou coração mole demais – sempre me diz isso – eu comecei a chorar. Ele se levantou e segurou meus ombros.
- ? Então...? – ele parou uns segundos, concentrado em limpar as lágrimas que escorriam pelo meu rosto. Nota mental: agradecer a Lois por me emprestar rímel à prova d'água. - Tipo, ah, qual é! Não vou mentir pra você, okay? – ele parou, e depois de um longo e pesado suspiro, disse: - É, eu estou apaixonado por você.
E aí eu não sabia o que fazer. Eu o abracei e o enchi de beijos pelo rosto, e antes de selar nossos lábios, ele disse, sorrindo:
- Vou considerar isso como um "sim".
Não sei o que aconteceu comigo; só sei que depois que nós comermos e ele tocou uma música que ele disse ter composto para mim e que ele chamou de "I Wanna Hold You", Danny disse, com um sorriso de criança feliz – meu preferido – estampado no rosto:
- Agora é oficial! – ele tirou uma caixinha de veludo do bolso e pegou minha mão direita.
- Danny... Eu te amo, sabia? – eu disse, vendo ele colocar o anel de prata no meu anelar direito.
- Eu sei. Também te amo, pequena.
Ele me beijou de novo, e eu me entreguei totalmente a meus instintos: sem partir o beijo, fui me deitando com ele, sentindo seu peso em cima do meu, e levei minhas mãos à bunda dele, enquanto ele apertava minhas coxas. Empurrei meus all stars dos pés e empurrei a calça dele para baixo, tirando-a por completo poucos segundos depois. A minha não passou muito tempo em meu corpo, também. Logo, estava jogada em qualquer lugar ali perto. Levantei os braços, ajudando-o a tirar minha blusa; fizemos o mesmo com ele, e Danny mordeu o lábio inferior, quando parou para analisar meu corpo por alguns segundos. Depois, ele voltou a me beijar. Lentamente, ele tirou minha calcinha e meu sutiã, e eu o ajudei a tirar as boxers. Minutos depois, ele caiu ao meu lado, nós dois ofegantes e muito suados.
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's P.O.V "Everybody's freaking out, and everything's getting harder." É assim que eu defino o que vem acontecendo com a gente. Tom e Dougie estavam meio ressentidos por causa do concurso, Harry estava em crise constante com Cholé – que não percebia nada, ou é idiota e cínica demais para perceber – e ele passava muito tempo comigo, o que fazia Jimmy ter ciúmes; ele e não param de brigar nem um quadragésimo de segundo, e ela ainda não evoluiu nem um passo com Dougie. Tom continuava saindo com a garota de cinco cores no cabelo, o que fazia ficar na fossa, por que além de ver o garoto que ela gostava com outra, ela sempre o via cantando "Five Colours In Her Hair", a música que ele compôs para a garota do concurso, lá. E pior, ele também estava sofrendo; ele mesmo me disse. Mas pelo menos ele tentava esquecer , já que ela o renegava. Só quem parecia estar bem eram Danny e .
- ! – é só pensar, que ela aparece! Incrível isso, dude! – Eu preciso conversar com você. – ela disse, sentando-se ao meu lado na piscina. O tom de voz dela me levou a olhá-la.
- O que houve?
Ela mordeu o lábio inferior e depositou as mãos no colo.
- Lembra um mês atrás, quando eu saí com o Danny e ele me pediu em namoro? – eu apenas assenti com a cabeça, e ela viu que poderia continuar falando – Pois é, eu transei com ele.
- E...? Dude, eu sei que você nunca tinha ido até o fim antes, mas... Um dia, você ia ter que ir, !
- Não, ! Eu não me arrependi, nem nada! O problema é que... – ela não continuou, e eu a olhei, meio que entendendo o que ela queria me dizer, mas tinha vergonha.
- ... Por Deus, me diga que vocês usaram camisinha.
- Er.... Não.
- E agora sua menstruação atrasou. – eu concluí.
- É.
- E você acha que está grávida.
- Acertou de novo.
Eu balancei a cabeça positivamente, olhando a piscina, pensando em algo para dizer a ela.
- Você já contou ao Danny? – eu voltei a olhá-la.
- Eu já dei a entender.
- E aí?
- Duas opções. "A": – ela levantou um dedo, indicando a letra "A" – ele não entendeu. Ou "B": – Ela levantou outro dedo, fazendo um número dois com a mão – ele se fez de louco.
- COMO É QUE É? – ouvimos Tom se alterar, e logo depois, a voz de Danny, um pouco mais baixo:
- Fala baixo, dude!
Eu e nos olhamos e. como se estivéssemos lendo os pensamentos uma da outra, nos levantamos rapidamente e praticamente corremos para dentro da casa. Assim que chegamos à cozinha, Tom olhou para :
- Vocês conhecem uma tecnologia avançadíssima chamada camisinha? – ele frisou a última palavra.
- Conhecemos, mas... – Danny ia explicar, mas eu o interrompi.
- Eu acho melhor ir à farmácia. – eu disse, olhando para Tom, nós dois meneando as cabeças.
- Fazer o que, lá? – Danny perguntou, quando eu já estava saindo da cozinha.
- Comprar um teste de gravidez! – eu disse um pouco mais alto, para que eles ouvissem, já que eu estava no outro cômodo, chamado sala.
Quando eu fechei a porta, bati num muro que estava atrás de mim. Eu me virei e vi que era James.
- Hey, Jimmy.
- Hey, . – ele me deu um selinho – Vai pra onde?
- Farmácia. Quer ir comigo?
- Vamos.
Quando chegamos lá, pedi à balconista o melhor teste de gravidez que ela tinha; a mulher lançou um olhar reprovador sob mim e James, e ele me olhou com curiosidade. Eu apenas dei de ombros, comprei um picolé e paguei.
- Tá, eu sei que isso não é nosso porque você ainda não quis consumar comigo. – ele riu e passou a mão em minha cintura, beijando minha bochecha.
- acha que está grávida. – eu dei de ombros – E quanto à consumação, Jimmy... – eu parei de andar, mas ele me interrompeu, ficando de frente para mim e passando a mão no meu rosto.
- Hey, sem pressão, okay? – ele sorriu e me beijou. Ao partir o beijo, ele disse: – Sabia que eu adoro beijo com gosto de chocolate?
- É uma pena, amor. Por que o resto derreteu agora. – eu ri, mostrando o palito e depois o chão melado com sorvete derretido.
Nós rimos e voltamos a andar.
Quando chegamos à casa de Tom, veio toda saltitante me abraçar.
- Eu menstruei! – ela riu.
- Puta, ! Eu andei até a farmácia, recebi um olhar reprovador e andei até aqui de volta, para nada? – reclamei.
- FODA-SE! LET'S PARTY! – Danny disse e entregou cervejas a mim e a James.
's P.O.V
Wow, isso aqui é mais que lindo, dude! Pois é, onde eu estou? Não sei; só sei que tem um campo de morangos lindo aqui, e agora eu estou vendo o pôr do sol de baixo de uma árvore com o garoto que tem meu coração. Antes, eu diria que isso é um puta clichê, mas com o Dougie ao meu lado, eu não quero nem saber.
Sinto uma mão no meu rosto, e me viro para olhar a face de Dougie. Não consego ler sua expressão, mas ele aproxima o rosto do meu e para a centímetros dele. Seu olhar vaga freneticamente entre meus olhos e meus lábios. Como eu não me movo e apenas prendo a respiração, ele diz:
- Segundo Hitch, o conselheiro amoroso. 90% da iniciativa é do homem. – eu senti seu hálito gostoso e quente bater em meus lábios.
- E 10% é da mulher. – eu completei e, entendendo o recado, o beijei.
Não sei quanto tempo ficamos ali, só sei que quando eu abri os olhos de novo, já estava tudo totalmente escuro.
Dougie retirou meu vestido tomara-que-caia, deixando-me apenas de calcinha. Eu o ajudei a tirar a calça e a camisa, e logo voltamos a nos beijar fervorosamente. Quando ele partiu o beijo, ele se esticou e pegou a calda de chocolate que estava jogada por algum lugar ali perto. Dougie me deu um sorriso malicioso e espalhou a calda marrom por entre meus seios. Ele me beijou mais uma vez, agora apertando minhas coxas, e depois desceu os beijos para meu pescoço, e, logo mais, para os meus seios melados com a calda. Ele ia lambendo onde podia, e fazia questão de dar leves mordidas nos bicos dos meus seios, fazendo-me soltar gemidos de prazer. Quando eu não aguentei mais, o puxei para mim, fazendo-o se lambuzar também com a calda de chocolate. Foi a minha vez de ficar por cima dele e lamber seu peito nu, causando nele os mesmos efeitos que ele havia provocado em mim poucos segundos antes.
Deixei que ele me penetrasse de uma vez, fazendo-nos virar um só.
's P.O.V
- Eu nunca transei! – Danny disse, e nós todos bebemos um gole da vodca.
- Hey, você já...? – James me olhou.
- Aham! – eu ri, acho que por causa dos efeitos do álcool – Mas só porque eu já transei, não quer dizer que eu vá sair por aí transando com o primeiro cara que me aparece! – eu disse e estranhei. Minha voz saiu completamente normal... Bom, pelo menos para mim, saiu normal, né?
- É! Tem que ter confiança! – concordou.
- Ah, então essa não valeu! – Tom disse e olhou para Danny, levantando o copo – Repete, Danny!
Narrador onisciente:
Como se pode perceber, o que os cinco jovens ali reunidos realmente queriam não era brincar de "Eu Nunca", e sim, encher a cara. Continuaram com a manguaça até não aguentarem mais e cairem ali pela sala, totalmente inconscientes, sem nem ao menos saber o que estava acontecendo.
s's P.O.V
Quando chegamos em casa, pude ver um das cenas mais divertidas da minha vida: James dormia com a boca aberta, com os braços abertos, um deles passando no pescoço de , que apoiava a cabeça no peito dele e tinha a bunda para cima, que Danny fazia de travesseiro; dormia com a cabeça na barriga de Tom, que era o único que parecia dormir normalmente e estava com as pernas nas costas de Danny, que quase babava na bunda de , porque sua cabeça estava de lado e ele tinha uma bochecha sob uma nádega dela. Eu e Dougie rimos, e ele tirou uma foto dos pequenos alcoólatras dormindo, murmurando:
- Essa, eu vou colocar no twitter!
*******
Harry's P.O.V
Dude, eu tô puta fodido! É, eu tô apaixonado pela . Não me pergunte como, okay? Só... Aconteceu! E eu sei, ela tem namorado! E eu tenho a Chloé, que hoje chegou na escola com lente de contato, cabelos pintados e cortados. É, ela estava exata e estritamente igual a Harry Judd. E o que eu fiz? Saí de lá e fui afogar minhas mágoas com o melhor amigo do homem. E não, não foi com um cachorro, sou contra pornografia animal. Álcool. Essa é a solução para os seus problemas.
Narrador onisciente:
Harry dirigia inconscientemente a 160km/h na rodovia e não viu um caminhão que vinha perpendicularmente a seu carro, e os dois automóveis colidiram. Harry bateu com a cabeça com força no volante e desmaiou, e o homem correu até ele. Ao constatar que o rapaz estava realmente desmaiado, ligou rapidamente para a emergência.
sentiu um aperto no coração, e uma bola seca formou-se em sua garganta, indicando que ela poderia chorar a qualquer segundo; lembrou-se de Harry e saiu dali, ligando para ele. Ela não queria admitir, mas com o tempo que os dois vinham passando juntos, ela havia se apaixonado por ele; mas a garota não acabou com James por ver Harry junto com Chloé.
- Harry? Olha, sou eu, . Me liga quando puder, okay? – ela deixou o recado na secretária eletrônica.
- Você gosta dele, né? – ela ouviu a voz de James e se virou, vendo o garoto sorrindo, enconstado de lado à parede e com os braços cruzados.
A verdade é que tudo o que havia entre James e era amizade, esse era o sentimento que havia florescido entre os dois. Anteriormente, o que os dois sentiam um pelo outro poderia ser nomeado como paixão – não era amor, como acontecia entre Danny e , Dougie e ou até mesmo entre Tom e – e com a convivência, a paixão foi dando lugar à amizade.
- Ah, Jimmy... – disse, escorregando nos armários, até chegar ao chão – Eu tô com um mal pressentimento, e ele não dá notícia de vida! Ele saiu quase correndo daqui... – ela disse, agora, colocando a cabeça apoiada nos joelhos, concentrando-se completamente em não chorar.
James andou até ela e se abaixou.
- Relaxa, ... Deve estar tudo bem...
- Aquela Chloé é uma louca!
- É... Eu acho que vocês deviam ficar juntos. – ele a abraçou e beijou o topo de sua cabeça.
- Eu também. – ela riu levemente – Então... – ela levantou o olhar até ele – É isso?
- Eu não vou te impedir de ficar com ele. – ele sorriu – E acredite em mim, eu te amo, mas não como eu percebi que o Harry ama. Você é minha amiga. – os dois sorriram e ouviram a porta que levava ao refeitório ser aberta bruscamente, e uma desesperada apareceu ali. Os dois se levantaram rapidamente, e olhou a amiga:
- , o que foi?
- A mãe do Harry acabou de ligar... Ele sofreu um acidente, e ela tá fora do país, e eu preciso ir pra lá AGORA! – ela vomitou as palavras.
James sentiu perder a força nas pernas e a segurou. Ela não sabia o que estava acontecendo, mas seus olhos se encheram de lágrimas, e ela se sentia... Quebrada.
- Ele está bem? – James disse, olhando para , mas ainda segurando .
- Não sei, mas ele está no hospital. Vão ver o que ele precisa, daí vão lugar para a mãe dele, e ela me liga dizendo. Se for muito grave, eu vou ter que dar um jeito de sair daqui e ir lá.
A aula se passou lentamente para eles. , fingia dormir; não controlava as lágrimas e chorava silenciosamente. James, Tom, Danny e a olhavam preocupados, e e Dougie conseguiram fugir – assim como Chloé – da aula e ir ao hospital.
[No hospital...]
Harry já estava no quarto do hospital, tomando soro; a perna esquerda enfaixada, cobrindo os cortes que haviam sido feitos pelos cacos do vidro de seu carro, por cima do lençol. O garoto via "As terríveis aventuras de Billy e Mandy“ e olhou para a porta ao ouvir três batidas ali. Uma enfermeira loira e gostosa entrou.
- Seu namorado está aqui para te ver. É verdade que ele tem uma banda?
- Eu não tenho namorado. – Harry disse.
- Tudo bem, Harry. – ela sorriu – Eu não sou contra os relacionamentos gays.
- Mas...
- Será que ele me daria um autógrafo? – a enfermeira o interrompeu, pensando alto.
- Pergunte a ela. – Harry deu ênfase à ultima palavra.
- Eu vou chamá-lo. – ela fazia questão em insistir que Chloé era homem, e Harry voltou os olhos à tradicional cena de Puro Osso sendo "desmontado".
Chloé continuou andando e, ao ver Harry, disse:
- Harry, como você fez isso com você mesmo?
Harry tirou os olhos preguiçosamente da televisão e os colocou na sua versão feminina.
- Eu acho que a pergunta foi direcionada à pessoa errada. – ele disse secamente – Chloé, como você fez isso com você mesma? – Harry a imitou.
Ela não respondeu, e ele revirou os olhos, já esperando aquela atitude. Harry tornou a olhar a televisão:
- Não dá mais certo, Chloé.
- Como é, Harry Judd?
- Pois é, Chloé. Não dá mais. Eu ia te dizer de outra forma, mas tudo terminou enlouque...
- Foi ela, não foi? – Chloé o interrompeu, nervosa – Eu sabia que se você ficasse muito amiguinho da , você ia acabar comigo!
- Não, Chloé. – ele olhou para ela – O problema é você, mesmo! Você mudou completamente! Olhe pra você! – ele se sentou na cama e apontou o corpo dela – Você está parecendo comigo, você está falando como eu e age como eu! Não dá mais!
Os olhos da garota marejaram e ela saiu do quarto do hospital que nem um furacão.
- Wow, o que foi isso, dude? – Dougie entrou no quarto, apontando a porta pela qual Chloé havia acabado de passar.
- Eu acabei com ela. – Harry disse.
- WOOOOOW, YOU'RE SINGLE AGAAAAIN! – Dougie cantou, levantando os braços e rodando-os em círculos, enquanto rebolava, fazendo Harry rir alto, e dar-lhe um tapa no peito com as costas da mão.
- Como se sente, Harry? – andou até ele.
- Não sinto, . Eu estava bêbado, o efeito do álcool começou a passar agora. – ele disse em tom de reclamação.
- Você se recupera. – ela sorriu.
- Mas você estava bebendo? A essa hora, dude? – Dougie o olhou, passando a mão na cintura de , que estava com os braços cruzados.
- Vocês viram o estado físico e psicológico da Chloé? – ele olhou os dois, projetando o rosto um pouco para a frente – Ela parece comigo! – ele suspirou e completou: – Mas ela não é eu.
- Ainda bem, não é mesmo? – Dougie riu.
- Mas te disseram alguma coisa, Harry? Tipo, quando você vai sair daqui, e o estrago do carro?
- Ah, nem me fale, ... – ele disse, cobrindo o rosto com as mãos, como se aquilo fosse aliviar o estresse – Se eu tiver sorte, saio daqui hoje, sem carteira de motorista e com o carro na oficina com um desconto bem cool.
- Mas o lado bom é que o que não faltam são pessoas pra dirigir pra você. – sorriu.
- Pelo menos isso, não? – ele sorriu sem mostrar os dentes.
- Ah, dude. Eu quero saber quando você vai sair daqui! – Dougie se manifestou.
- Relaxa, amor. – Harry fez uma voz afeminada – Quando eu sair daqui, nós vamos pra casa do Tom e vamos passar o final de semana com vocês, pra matarmos a saudade!
- Nós?
- Ele e a , né? – disse.
- Por que? – Dougie olhou para .
- Nossa, Poynter. Parece até que não gosta da minha companhia! – Harry disse – Mamãe está fora do país, e como eu estou assim... É melhor ficarmos com vocês.
- IDÉIA APROVADA! – disse alto, fazendo joinha com a mão.
A garota sentiu o celular vibrar e o tirou do bolso, para ler uma mensagem de Tom: "Como ele está? Dude, tô preocupado com . Eu acho que ela tá chorando. TODO MUNDO tá surtando, aqui. Tom." digitou: "Diga a ela que o amorzinho dela tá OK. Ele e vão passar o fim de semana com a gente." e enviou.
- Quem era? – Dougie a olhou.
- Tom. Disse que tão surtando, lá. – era melhor ela falar pouco, para não deixar escapar nada.
- sabe? – Harry perguntou.
- Sabe. E parece que tá chorando. – deixou escapar, e Harry sorriu com aquilo.
- Eita, tem gente que tá apaixonadinho! – Dougie zoou o amigo.
- Nem fode, Dougie! – Harry disse – Eu sei que você tem os quatro pneus e motor arreados pela !
corou, e Dougie teve uma idéia. Não era lá muito romântica, mas era criativa, e ele tinha certeza de que ela ia gostar. Olhou para ela sorrindo maliciosamente, e disse:
- O pior é que é verdade! – ele se ajoelhou, pegou a mão dela, e disse: - , are you gonna be my girl?
- Hãn? – ela achou que não havia entendido corretamente.
- BÚGUER! – Harry disse – , ele tá te pedindo em namoro!
- Sério? – ela olhou debilmente para Dougie.
- É, né? A não ser que exista outra nessa sala!
- Ah, eu quero, né? – ela disse, sorrindo.
Dougie levantou-se, e os dois se beijaram.
************
Quando chegaram à casa de Tom, os cinco amigos tiveram uma surpresa: Harry estava lá, conversando animadamente com e Dougie sobre Johnny Cash. estava com o rosto vermelho e inchado, e assim que seu olhar chocou-se com o de Harry, uma onda dos mais variados sentimentos a invadiu.
- Nós queríamos fazer uma surpresa. – a voz de ecoou na sala, mas não fez os dois desviarem o olhar, era uma espécie de transe mútuo, um perdido nos olhos do outro.
- ? Er... Tem como o Harry dormir no seu quarto? – Tom a olhou, mas a garota não tirou os olhos de Harry – É que os outros quartos estão uma bagunça, e...
- Tá. – ela cortou o amigo sem querer – Você está bem? – ela se dirigiu a Harry.
- É, tô morto de sono, mas tô indo. – ele sorriu, fazendo sorrir de volta.
- Ah, então suba! te leva pro quarto! – disse e se virou para a amiga – Não é, ?
- Aham. – a menina assentiu num movimento robótico e foi ajudar Harry a subir para o quarto.
~ Capítulo 9:
- I didn't like you, anyway... – cantava tocando violão, quando Harry saiu do banheiro.
- Espero que você não esteja se referindo a mim. – ele sorriu.
- Não... – ela balançou os ombros. – eu só tava querendo tocar alguma coisa.
- Quer fazer alguma coisa? – ele foi mancando se sentar ao lado dela.
- Por mim... Tô com preguiça até de falar. – ela disse e deitou-se na cama – Cadê o resto do povo?
- Saíram pra beber.
- Ah, adoro a consideração deles! Nem pra dizer que vão sair! – ela riu.
- Outch. Adoro saber que você gosta de ficar comigo! – ele gargalhou alto, deitando-se também – Você tava dormindo, quando Tom veio dizer que eles iam sair.
- Ah, faz sentido.
Os dois estavam deitados de lado na cama, um de frente para o outro; passaram alguns minutos se olhando e sorrindo abertamente, quando Harry decidiu tomar uma atitude. Ele se aproximou mais de , foi chegando perto dela, e ela dele. Os lábios dos dois estavam quase se encostando, quando: “Everything was going Just the way I planned The broccoli was done...”
Harry olhou o visor do telefone e viu o nome "Chloé", ali. Ele deu "end", mas logo o telefone começou a tocar. Ele deu "end" mais duas vezes, e ela tornou a ligar uma quarta vez. Na última vez, disse, sorrindo:
- Atende aí. Ela deve estar precisando de você. Vou lá pra sala jogar "Guitar Hero". Se quiser, desce lá depois.
Quando a garota estava fora do quarto, Harry atendeu ao telefone.
- Ah, Harry! – ela soluçava – Por favor, esqueça isso! Se você quiser, eu coloco mega hair! Ou uso peruca, o que você quiser! Só, por favor, me diga que você estava bêbado, que eu sou a sua Chloé, que você me ama! Que você só gostou da porque ela é novidade!
- Chloé, eu nunca te disse que eu gosto dela.
- Nem precisa, Harry! Eu sei disso.
- Isso não vem ao caso, Chloé. Não dá mais. Desculpe.
Eles passaram meio minuto em silêncio, até Chloé desistir e desligar o telefone na cara dele. Harry não aguentou mais, e para desabafar tudo o que ele tinha na garganta, pegou um papel e uma caneta que tinha na cabeceira e fez o que os músicos mais fazem quando estão com problemas. Mas antes de escrever qualquer coisa da letra da qual ele já tinha o início em mente, leu um "Harry Judd. ~ ♥" escrito no papel.
- Então, há esperança. – ele sorriu debilmente.
O Guitar Hero já não é tão legal quando, na mesma noite, você consegue bater cinco recordes no hard. sorriu para sua pontuação no último jogo e murmurou:
- Quero ver você passar de mim agora, Thomas!
Desligou o Play Station 3, passou na cozinha, bebeu água e subiu. Encontrou Harry dormindo, literalmente esparramado na sua cama. Ela sorriu, beijou a testa dele e tentando não pensar nas lembranças do quase beijo dos dois que vieram à tona, entrou no banho.
No outro dia, Dougie entrou no quarto de , já preparado; armado com uma panela e uma colher de pau na mão, e com Danny a seu encalço, segurando uma câmera, quando viram Harry e dormindo. Ele a abraçava por trás, e os dois estavam perigosamente próximos. Dougie fez sinal para Danny dar um close nos dois; Danny, tentando se controlar e rir silenciosamente, mostrou os dois dormindo e depois virou a câmera para Dougie, que com uma mão apertou a própria bochecha, indicando que aquilo era fofo.
- Uma, duas, meia, e... – eles contaram nos dedos sussurrando, com Danny mostrando Dougie – Já.
Danny apontou para Dougie, que começou a bater na panela, e os dois começaram a gritar:
- WAKE UP TIME!
olhou para os dois, ainda meio desnorteada, e viu a câmera. Ela se levantou, e no caminho até o banheiro, por onde Danny a seguia com a câmera, resmungou.
- Eu devia matar vocês. – dito isso, ela entrou no banheiro e deixou os dois ali tentando acordar Harry.
- Caralho, vão se foder e me deixem dormir, porra! – ele disse, virando-se para o outro lado.
Ao sair do banheiro e ver aquilo, não se controlou.
- MONTINHO! – ela gritou, correu para a cama e pulou em cima de Harry.
Dougie a seguiu, e Danny, depois de colocar a câmera na ponta da cama – para poder pegar a cena – pulou em Dougie. Tom, que havia ouvido o grito de , correu para o quarto vizinho, e ao presenciar a cena, acompanhou os outros, pulando em cima de Danny. E aí o peso fez o montinho desabar e os cinco caíram no chão, rindo. Depois que todos se sentaram, percebeu que Harry não falava nada. Ele sequer estava acordado! Danny foi pegar a câmera, e virou o corpo desacordado de Harry, para que ela pudesse ver seu rosto.
- Harry? – ela o chamou. Nada – Harry? – nada de novo – Harry Judd, isso não é nada engraçado! – nada. Ela começou a sacudi-lo, e nada de ele acordar. Os outros três viam a cena estáticos, ela sentia as lágrimas chegando, mas continuou sacudindo-o.
- BUUUU! – ele disse, abrindo os olhos e sentando, dando nela um susto e fazendo-a cair para trás.
Ela o olhou incrédula; então, foi tudo uma brincadeira? A preocupação foi substituída por raiva, e ela deu um tapa no peitoral dele.
- Muito engraçado, Harry Judd. – ela disse ironicamente – Da próxima vez, morra! – ela se levantou e, propositalmente, pisou na perna machucada dele, fazendo-o puxar a perna para um abraço como um jogador de futebol faz quando machuca a perna, e gemer de dor.
Danny desligou a câmera, Harry ainda abraçava a perna, Tom olhava pegar suas coisas, e Dougie olhava Harry com pena. Ela pegou seus all stars amarelos, uma calça jeans qualquer, calcinha, sutiã e uma blusa do Nirvana. Depois, virou-se para Tom:
- Vou sair, okay? Vou me arrumar no seu quarto.
- Para onde você vai? – ele perguntou, e ela virou-se de novo para ele.
- Não sei, ainda. Eu só preciso... Pensar.
Ela saiu, e Tom olhou feio para Harry, que já estava se recuperando da dor, e estava sentado.
- O quê? Ela não aceita brincadeira? – ele disse, numa tentativa de se proteger.
- Ela não gosta de ser feita de otária, Judd. – Tom respondeu.
estava na sexta garrafa de cerveja, e ainda eram 3 da tarde. Chamou o barman e comprou uma garrafa de Absolut e outra da tequila mais cara que havia no bar.
- A vida é uma merda, tio. – ela reclamou para o barman, que tinha a idade dela – O cara que você gosta – ela virou uma dose de tequila – tem namorada e só faz você de otária. – outra dose – Eu odeio minha vida. – o barman, por sua vez, queria ajudá-la, mas não estava entendendo uma palavra do que ela dizia, porque ela estava falando em português.
Ela terminou as duas garrafas e desceu mais uma e meia de Absolut, antes de pagar e sair do bar totalmente desnorteada.
Na casa de Tom, todos estavam quase surtando.
- Thomas, não está certo! – disse, andando de um lado para o outro da sala – Eu conheço desde quando ela tinha merda na cabeça!
- Não que ela ainda não tenha, hoje. – disse e levou um tapa na cabeça de .
- Se não vai ajudar, não piora, ! – ela sussurrou para a amiga.
- nunca saiu sem avisar para onde ia! Aconteceu alguma coisa que vocês não contaram a gente? – ela parou de andar, olhando os quatro garotos.
- Tirando que o Harry se fingiu de desmaiado. – ele jogou um olhar incriminador para Harry, que se encolheu – E depois deu um susto nela... Nada!
- Ah, então a culpa é sua, Judd! – disse furiosa, andando até ele. Quando parou na frente de Harry, ela pôs o dedo no rosto dele, fazendo-o se encolher de medo. O rapaz nunca a havia visto daquele jeito e realmente ficou assustado – Se alguma coisa acontecer com ela, eu vou arrancar seus testículos e depois vou fazer você comê-los crus!
- Vamos procurá-la que é melhor. – Danny sugeriu, agora, temendo tanto por , quanto por Harry e seus futuros filhos.
- Vamos em duplas. – Dougie disse – Eu e , Danny e e e Tom. Vamos nos cantos mais prováveis onde ela deve estar, em quatro direções diferentes.
- E o que eu faço? – Harry disse.
- Fica aí e reza pra ela estar bem. – Tom disse, pegando seu casaco.
As três duplas saíram e foram procurar pela desaparecida. Tom andava ao lado de quando uma brisa gelada passou pelos dois, eles se aproximaram mais, seus ombros se roçando levemente.
- Se alguma coisa acontecer com ela... Dude, eu nem sei o que eu faço! – ele disse.
- Por que você gosta tanto dela? – o olhou, mordendo o lábio, temerosa pela resposta que iria receber.
- Ah, Deby. Eu a amo. A sou eu de saia. – ele sorriu e a olhou de volta – Não literalmente, já que eu nunca a vi usar saia! – os dois riram – Mas eu sinto como se ela fosse minha irmã gêmea, sabe?
- Ah.
- Vai ser difícil quando vocês voltarem ao Brasil. Mas eu prefiro não pensar no futuro, e aproveitar ao máximo.
- É, vocês vão dar um jeito, de qualquer maneira. – ela suspirou e parou de andar, fazendo Tom também parar de frente para ela.
- O que foi ?
- Sabe, Tom. Eu fiz uma coisa errada. Eu me afastei de você sem ter motivos e me arrependo disso. – ele abriu a boca para falar, mas ela levantou o dedo em sinal que ia continuar – Eu quero ficar com você. Foi inevitável, Tom. Mas eu me apaixonei, e...
Ela não pôde continuar, pois Thomas a beijou. Os dois estavam tão felizes, que se entregaram completamente ao beijo e à onda de sentimentos que os invadiu, e por alguns minutos, esqueceram .
Harry estava entrando em desespero, colocou um sobretudo que estava jogado pela sala e saiu. Ele não sabia para onde estava indo; eram 22:00 e ele estava quase morrendo de preocupação com . Deixou seus pés o conduzirem e se viu parado em frente a um parque; a chuva começou a cair, mas ele não se moveu. Continuou olhando o "West Park" de metal que havia por cima dos portões, que estavam abertos. O rapaz estranhou os portões estarem abertos, mas não hesitou em entrar ali. Enquanto isso, os outros já voltavam para a casa de Tom. Andou até a sua árvore preferida, onde ele costumava ficar. Sentou-se lá e tentando – inutilmente – se secar, olhou para o rio.
- O que...? – ele disse, ao ver um corpo ali perto. Andou rapidamente até lá e logo reconheceu os all star – ? – ele afastou os cabelos molhados do rosto da garota e, ao ver que era mesmo ela, ele a abraçou, dizendo: - Deus, dude, obrigado! – ele desviou o olhar do céu e a olhou – Desculpa, . Eu te amo. – Harry selou os lábios nos de e percebeu que eles estavam frios. Levou a mão ao peito dela; o coração ainda batia. Suspirou semi-aliviado, a pegou no colo e a levou de volta à casa de Tom.
Quando entrou na casa do amigo, Harry nem respondeu à enxurrada de perguntas que o atingiu; apenas subiu quase correndo com em seus braços e a levou ao banheiro. Durante o caminho à casa de Tom, ele tentou, de todas as formas, acordá-la, mas nada acontecia. Ligou o chuveiro e entrou com ela lá. Agora, os dois estavam em pé, ele a segurava com um braço envolto na cintura da garota, impedindo-a de cair, e o outro fazia o rosto dela ficar ereto e receber água no rosto. Harry viu que as tentativas eram infrutíferas, então passou a dar leves tapas no rosto dela.
- , por favor. Acorde. Mesmo que você não queira nunca mais olhar na minha cara, por favor, acorde. – ele disse para a garota desacordada, ainda dando leves tapinhas no rosto dela.
- Que porra você está fazendo com ela, Judd? – Tom perguntou, vendo o momento de desespero de Harry.
- É culpa minha, Tom! Toda minha! E agora veja como ela está! – ele disse, desistindo e fechando o chuveiro.
- É, Harry. Se a gente dissesse que a culpa não é sua, nós estaríamos mentindo. – entrou no banheiro e pegou uma toalha.
moveu a cabeça para o lado, demonstrando que ainda estava viva, e os três ali agradeceram por isso.
- Agora, vá trocar de roupa e deixe a aqui, que nós vamos cuidar dela. – disse, segurando , envolvendo-a com a toalha.
e entraram logo em seguida no banheiro, e Harry saiu de lá e foi trocar de roupa no quarto de Tom.
- Eu acho que ela devia ficar só de calcinha e sutiã, mesmo. Harry ia gostar. – disse, enquanto segurava pelos ombros, que estava sentada no vaso sanitário.
e a olharam feio, e ela resolveu calar a boca. As três amigas retiraram as roupas molhadas do corpo de e as trocaram por um pijama – micro shorts e blusinha – dos Simpsons e deixaram a garota dormindo ali. Harry chegou pouco tempo depois. Deitou de lado, virado para , e ficou analisando o perfil da garota até adormecer.
acordou com dor de cabeça, pela primeira vez na vida, estava de ressaca. Geralmente, o efeito do álcool era apenas o mal humor. Olhou o relógio, que marcava 5 da tarde.
- Merda. – resmungou e se levantou lentamente. Andou até a porta e a trancou; se Harry quisesse entrar lá e pegar alguma coisa, que esperasse ou pegasse emprestado de algum dos outros meninos.
Abriu a torneira, fazendo a banheira se encher com água quente e jogou uns sais de banho ali. Ligou o iPod na caixa de som e deixou a 9ª Sinfonia de Beethoven entrar em seus ouvidos. Depois do banho, vestiu um short jeans e uma regata roxa com costas de nadador e desceu.
- Cadê e ? – ela perguntou, com a voz ainda um pouco arrastada, ao ver que as duas amigas não estavam ali. Ela teve vontade de perguntar por Harry, mas se controlou. Ainda estava com raiva dele.
- Foram fazer compras. – Tom disse.
- Elas não cansam. – ela disse e se jogou no sofá ao lado de Danny, colocando a cabeça no colo dele – ? – ela chamou a outra, que estava sentada no braço do sofá, acariciando os cabelos de Danny.
- Meu nome?
- Toca alguma coisa? – ela pediu, apontando um piano que ficava perto da escada.
se levantou e andou até o piano. Passou os dedos pelas teclas e se sentou. Respirou fundo, esperando alguma coisa vir em sua cabeça. Olhou para a porta da cozinha e sorriu para Dougie, que saía de lá com uma lata de cerveja na mão, seguido por Tom. Douglas foi se sentar no sofá, levantou as pernas de , sentou-se e as pôs no colo dele. Thomas sentou ao lado de , e todos a encararam, esperando alguma reação. Finalmente, a melodia chegou em sua cabeça, e as notas iam saindo, dando composição a uma música; Tom começou a acompanhá-la, e teve um flash, foi invadida por uma onda de inspiração.
- When everything is wrong I'll come talk to you. You make things alright when I'm feeling blue. You are such a blessing and I wont be messing. With the one thing that brings light to all of my darkness. – ela cantou, e Dougie e Danny a olharam boquiabertos. Tom apenas continuou:
- You are my best friend and I love you, and I love you Yes I do There is no other one that can take your place I feel happy inside when I see your face I hope you believe me Because I speak sincerely and I mean it when I tell you I need you.
- You are my best friend and I love you, and I love you Yes I do I'm here right beside you I will never leave you and I feel the pain you feel when you start crying. – Danny gostou de como aquilo estava soando.
- You are my best friend and I love you, and I love you Yes I do You are my best friend and I love you, and I love you Yes I do Yes I do... Yes I do. - terminou a música.
Depois disso, Dougie pediu para repetirem a música, e assim, ele poder anotar num papel para não esquecerem aquela letra que representava a amizade daqueles seres. Feito isso, os seis ali esperaram e chegarem.
- Jimmy? – disse, ao ouvir o "alô" de James.
- Oi, .
- Então, festa!
- Onde?
- Aqui. Chama o povo?
- Claro! A que horas?
- À noite, a hora de sempre.
- Okay, vou falar com o povo.
- Festa hoje? – a olhou.
- É.
- Nós vamos comemorar alguma coisa? – entrou na conversa.
- Primeira parceria Tom Fletcher, , e Danny Jones. – Dougie disse sorrindo.
- Cadê o Dougie Poynter na parceria? – o olhou.
- Estava ouvindo a música, né, ? – disse.
- Então, o primeiro brinde da noite vai ser para a música. – disse, e olhou para Tom – Qual o nome da música?
Tom olhou Danny, que olhou , que olhou .
- BOA PERGUNTA! – disse, com cara de propaganda: sorriso falso nos lábios e apontando para .
- É meio óbvio o nome... – Dougie começou, e mordeu o lábio. Vendo os rostos dos amigos virados para si, aguardando a sugestão, ele disse: - Que tal "My Best Friend"?
- Gostei. – Tom disse, e os outros concordaram.
Danny, Dougie e Tom também ligaram para os conhecidos, eles não se importavam se eram amigos deles ou não, só queriam a festa cheia. Os sete ainda se arrumavam, quando as pessoas começaram a chegar. Logo, Tom, Danny, Dougie e desceram e as outras três meninas continuaram se arrumando. Por volta das nove da noite, a festa começou a encher; a sala foi feita como dance floor, havia pessoas bebendo na piscina, no jardim, na varanda e em qualquer lugar que pudesse ser ocupado. Tom reuniu todos na cozinha, McFly e Piece Of Nothing, e subiu na mesa, dizendo:
- Vamos brindar a "My Best Friend", a nova música que nós escrevemos num momento de tédio. – ele desceu da mesa, ouvindo Dougie completar:
- Mas que ficou muito foda!
Depois de todos encostarem os copos como de costume, beberam suas tequilas.
sentia o olhar de Harry pesar sobre si, mas evitava olhá-lo de volta. Depois de Danny gritar um "LET'S PARTY!", os outros seis saíram da cozinha, deixando os dois a sós. Ele queria falar com ela, saber se ela estava melhor e o porquê de ela não ter falado com ele quando ele chegou à festa; mas ela apenas encheu outro copo com tequila e tomou. Ela parecia tão concentrada em seu limão, que nem levantou o olhar quando uma garota loira usando micro-short jeans, botas que iam até o joelho e uma blusa que mais parecia um top, entrou lá.
- Harry! Eu soube que você tá solteiro! É verdade? – ela falava, andando até ele, que havia desviado o olhar de ao ouvir seu nome.
Ele assentiu levemente, e a loira peituda continuou:
- Ótimo. – ela disse e começou a beijar o pescoço dele, que lançou um olhar desesperado para , esperando que a garota tomasse alguma atitude e o tirasse dali. Ele não iria aguentar por mais tempo; mas apenas deu de ombros e saiu do recinto.
A garota loira peituda subiu os beijos para a boca dele, e ele não resistiu, entrelaçou-se com ela e a beijou avidamente, numa tentativa clichê de fingir que era quem ele estava beijando, e não uma qualquer ali.
Danny, , Dougie e estavam perto do piano de Tom, três deles bebendo, e os olhando e pensando em quem iria cuidar dos bêbados; Tom e estavam se amassando perto da escada e havia acabado de sair da cozinha de Tom, sentindo-se relativamente tonta, já que havia tomado cinco shots de tequila e agora procurava algum conhecido com um copo de vodca, pois não ia voltar à cozinha de jeito nenhum. Ver Harry daquele jeito com a loirona peituda havia destruído seu coração, mas ela não iria dar o braço a torcer e falar com ele, ainda estava muito puta da vida. Encontrou Jimmy dançando com uma morena ali, os dois com as pernas encaixadas, meio agachados e ele erguendo o copo de vodca. nem pensou duas vezes, ao ver que eles começaram a se beijar, ela tomou o copo de vodca da mão dele e o garoto nem se moveu, apenas continuou a beijar a morena.
andou até as escadas com o péssimo pressentimento de que haviam pessoas fingindo que seu quarto era motel. Parou logo na base da escada, tonta; com o pensamento de pessoas usando sua cama para fazer coisas promíscuas, segurou-se no corrimão e subiu o primeiro degrau. Mas lembrou-se de que ele estava trancado, e a chave estava em seu bolso; mas lá havia um litro de vodca jogado por qualquer canto, então concentrou-se e tentou subir as escadas. Quando estava no topo, virou-se, para observar seu feito: ela havia conseguido subir todos os degraus sem cair. Ao se virar para o corredor, viu um garoto se amassando com uma ruiva.
- Você não vai precisar disso, amigão. – disse, mesmo sendo ignorada pelo casal, e pegou o copo de bebida que estava na mão dele.
Continuou a andar pelo corredor e se deparou com a outra escada, que dava para o segundo andar da casa, e consequentemente, seu quarto e o de Tom. Ao tentar subir, viu que não ia conseguir com o copo de álcool em sua mão. E não ia desperdiçar aquilo.
- Eu não vou destruir o mundo bebendo água, vou beber álcool. Muito mais ecologicamente correto. – ela falou sozinha, com um pouco de dificuldade, e virou o copo.
O líquido desceu tranquilamente em sua garganta, como se fosse água, mas com certeza estava muito mais forte do que ela havia bebido antes, e ela balançou a cabeça, piorando sua situação. O mundo girou, e ela sentiu como se estivesse flutuando. Riu feito uma bêbada e preparou-se para subir as escadas novamente, fazendo a mesma manobra que havia feito pouco tempo atrás. Depois de alguns minutos, ela ainda estava na metade da escada, quando ouviu uma risada abafada atrás de si. se virou lentamente e tentou inutilmente focalizar sua visão. Um par de olhos verdes a encaravam, e um sorriso francês a encarava.
- Pierre? – ela disse, fechando os olhos com força e os abrindo rapidamente, como se ela não acreditasse no que estava vendo.
- Hey, ... Precisa de uma ajudinha aí?
- Ah.. Hum.. Ah, sei lá, Pierre! – ela se enrolou com as palavras.
- Alguém aqui bebeu um pouco, não? – ele arqueou a sobrancelha e riu alto, jogando a cabeça para trás, de uma forma irritantemente atraente.
- Nah, - abanou o ar, fazendo pouco caso da bebida – Eu tô bem, só estou muito tonta. – ela sorriu – Cinco minutos quieta no meu quarto, eu melhoro. Se eu conseguir chegar lá. – a última frase foi um murmúrio, mas Pierre a ouviu.
- Quer ajuda para subir?
- Se você quiser... – ela ia dizer que se ele segurasse o braço dela e não a deixasse cair, estava bom; mas ele já a havia pegado no colo. Ela entrelaçou os braços ao pescoço dele, que sorriu.
Rapidamente, os dois estavam no corredor dos quartos de Tom e .
- Qual seu quarto? – ele perguntou no ouvido dela, fazendo a garota arrepiar-se.
- Aquele. – ela estendeu a mão, apontando o quarto com a porta de madeira.
- Certo. – ele disse e ela tentou pegar a chave, que estava no bolso de trás da sua calça. Riu da tentativa frustrada, mas como era brasileira e não desistia nunca, conseguiu pegar a chave. Ainda no colo de Pierre, abriu a porta, e ele cuidadosamente a colocou na cama.
Ela sorriu e bateu no espaço vazio ao seu lado, chamando-o silenciosamente para deitar-se ao seu lado. Ele correu para ficar ao seu lado, e ela o olhou; o mundo já não girava tanto quanto antes e sua visão estava um pouco (quase nada) menos embaçada. lembrou-se de que Harry guardava uma barra de chocolate na sua cabeceira. Ela se apoiou na barriga de Pierre, colocando o queixo em seu ombro, os dois rindo, e abriu a gaveta. Para sua tristeza, o chocolate não estava mais lá. Voltou à sua posição inicial na cama, massageando as têmporas, de olhos fechados, tentando fazer a tontura passar completamente e ver com um foco relativamente melhor.
- ... – Pierre a chamou, e ela o olhou – Sobre as imbecilidades que eu fiz nos outros dias... Dude, desculpa! Mas é que você não sabe o quanto é difícil para mim, poder te beijar, te tocar, mas não poder... É, avançar um pouco mais.
- Tudo bem.
- E é difícil pra mim, porque você é a única garota que me deixa excitado com apenas um selinho. E cara, me irrita muito ter você, mas ao mesmo tempo, não te ter... Completamente. Por isso que eu não me controlei naquele dia, e te disse aquelas coisas. Se fosse com outra garota...
o interrompeu:
- Ela teria dado pra você de primeira. E não precisaria ser na suíte presidencial, qualquer uma pegaria você até mesmo no carro, Pierre.
- É, mas com você foi diferente... Eu queria fazer uma coisa especial. Você foi diferente desde o início, você não cuidou de mim porque eu sou do time de futebol, popular e as garotas me acham gostoso. Na verdade, você nem sabia meu nome, eu acho.
- Verdade. – ela riu e olhou para o teto – Mas não importa, Pierre. Eu só quis ajudar.
- Deixa eu continuar, . – ele pediu – E eu sou mais que acostumado a dormir com as garotas no primeiro encontro. E quando você se recusou, eu enlouqueci. E enlouqueço todas as vezes que te vejo e sei que você não quer nada comigo além de uns beijinhos.
- Ah, Pierre. A culpa não é minha. – ela suspirou – Sério, se eu fosse uma garota normal, eu não pensaria duas vezes em dormir com você. A questão é que eu não... – ela tirou o olhar do teto, passando a encarar os olhos verdes dele – Eu não vou mentir para você e dizer que sou virgem. Mas a questão é que eu estou confusa agora, e não vou transar com o primeiro cara que eu vejo na minha frente. O que eu quero dizer é, tudo bem ficar – ela fez questão de frisar bem a palavra – com você, mas transar é muito forte para mim... Eu posso até repetir aquele papo de "virgem" – ela fez aspas no ar – e dizer que eu não estou preparada. Porque eu meio que me sinto assim.
- Ah, então uns beijinhos pode? – ele sorriu para ela, que sorriu de volta.
- Por quê não? – ela sorriu, vendo-o aproximar-se.
Os dois estavam com as línguas entrelaçadas, ela com uma mão no pescoço dele, e ele a segurava pela cintura, quando ela aproximou-se mais dele, que a puxou para si, fazendo-a ficar deitada em cima dele. sentiu a ereção dele e sorriu sem partir o beijo. "Por quê não?" ela pensou e se separou dele, que a olhou, confusão transbordando seus lindos olhos verdes. Ela andou até sua caixa de som e ligou junto com o iPod. Escolheu o álbum "Black Butterfly" – Buckcherry, e deixou tocar. Ao som de "Too Drunk (To Fuck)", ela andou até Pierre, sorrindo pervertidamente.
Ela voltou a deitar nele e o beijou ferozmente. Ela sentiu as mãos dele na base de suas costas, levantando discretamente sua blusa. Ela partiu o beijo e se levantou, ficando sentada em cima dele. As mãos de Pierre escorregaram para a cintura de , e ela tirou a blusa pólo roxa e a atirou em qualquer canto do quarto, deixando à mostra seu sutiã preto. Pierre mordeu o lábio ao ver os seios fartos da garota e depois a olhou.
- Mas você não havia dito que...
Ela o interrompeu, com o indicador na boca dele, dizendo:
- Não importa, vamos fazer diferente hoje.
se inclinou para o lado e pegou uma camisinha em sua cabeceira; guardou-a na alça da calcinha e voltou a beijá-lo. Em poucos minutos, os dois estavam se beijando, totalmente sem roupa; Pierre colocou apressadamente a camisinha, e ao som de "Talk To Me" os dois chegaram juntos ao orgasmo. adormeceu enquanto Pierre colocava as roupas para ir embora; os dois sabiam que aquilo era só por uma noite, ele ao menos ligaria no dia seguinte e ela não se importaria. E foi exatamente o que aconteceu.
~ Capítulo 10:
Harry havia ido dormir na casa de Tom, como de costume. Costume esse que havia voltado; antes de Chloé, Harry dormia na casa dos amigos todos os finais de semana, e agora com namorando Tom, isso era frequente durante a semana também. Ele geralmente dormia em qualquer lugar, e às vezes, num quarto que os quatro meninos finalmente haviam terminado de ajeitar para ele, já que o quarto no qual ele ficava agora estava sendo ocupado por .
Mas naquele final de semana seria diferente. O quarto dele estava desconfortável, e o sofá na sala parecia menos convidativo ainda; lembrou-se de e a saudade que estava sentindo dela. Ele queria ficar lá, perto dela; a noite estava fria, faziam três dias que chovia direto e ele queria se esquentar perto dela. Não se controlou e subiu silenciosamente até o quarto da moça. Ao vê-la ali, ela estava suando frio e se tremia.
- Harry. – ela suspirou.
- ? – ele andou até ela.
- Harry. Eu te amo, não vá, por favor. Eu não quero... Eu não... – ela disse e começou a chorar.
- Merda, ... – ele disse, olhando-a carinhosamente – Você está delirando. – ele disse e levou a mão até a testa suada dela, mas a tirou rapidamente – E está com febre.
Ele saiu do quarto e foi até o quarto de . Entrou lá e não a viu. Rapidamente, Harry lembrou-se de que ela namorava Danny. Andou até o quarto do amigo e encontrou os dois dormindo de conchinha.
- ? – ele a chamou, balançando levemente o ombro da garota, que acordou com um susto.
- Harry? – sua voz estava arrastada e estava um pouco desorientada – O que você tá fazendo aqui?
- , acho que tá com febre. O que eu faço?
- Eu disse a ela que ela não podia levar chuva. Brasileiro em clima inglês é horrível. – ela reclamou – No banheiro dela tem um termômetro na bancada da pia. Se ela estiver com 38 ou mais, dê um remédio chamado Novalgina a ela.
- Ok, obrigado.
- De nada, love. – ela disse e fechou os olhos para voltar a dormir.
Harry subiu as escadas pulando de dois em dois degraus e logo estava no quarto de . Andou até o banheiro e procurou pelo termômetro. Voltou lá e o colocou abaixo do braço da moça, para poder voltar ao banheiro e procurar pelo remédio.
- Novalgina, novalgina... – ele repetia baixinho, como se chamasse o remédio. Passou os olhos por várias caixas de remédio, até encontrar aquele que ele tanto queria – Achei você, safadão! – Harry sorriu para o frasco e voltou até .
Checou a temperatura da garota, o termômetro marcava 39,5°C. Olhou para o frasco de vidro e percebeu que não sabia a quantidade certa que deveria dar para ela tomar. Girou os olhos contrariado e se abaixou. O único jeito seria acordá-la, assim, ela pararia de delirar e por mais que estivesse com febre, o ajudaria.
- ? – ele disse, acariciando o ombro suado dela – , acorde.
Depois de sacudir levemente a garota, ela abriu os olhos.
- O que você quer, Judd? – ela perguntou, ao perceber quem a havia acordado.
- Que você tome remédio, você tá queimando em febre e estava delirando.
- Ah... Obrigada. – ela disse, pegando o remédio e colocando 10mL do xarope, a garota estava totalmente consciente, porém, suada e sentindo-se um lixo.
- Você estava suada, também. – ele completou, e ela levou a mão ao pescoço.
Depois de espirrar, ela disse:
- Bem que a sempre me disse pra não tomar chuva. Acho que gripei. Vou tomar um banho. – ela se levantou e foi até o banheiro.
Antes de ela entrar, Harry a chamou, e ela se virou.
- Posso ficar aqui com você hoje? – ele ia explicar o por quê, ele não sabia o que ia dizer, mas, para seu alívio, ela disse:
- Pode. – e entrou no banheiro.
Harry lembrou que havia escrito uma música, e que a letra estava escondida na cabeceira do lado dele, pegou o papel e ficou pensando em até adormecer, e ela, depois de cochilar de baixo do chuveiro, foi deitar, mas um papel que estava sob o peito de Harry chamou a atenção dela. Havia uma letra de música, a qual ela leu atentamente: "At first I told myself I need my head inspected I notice little things Same t-shirt and sun glasses Then it got weirder see She cut her hair like me She bought a red guitar Kept driving round in my car
I'm kissing her and she She slams me against the wall She crashed into a bus Chasing some super model She's analysed my smile She's memorised my phone book She always wears my clothes Her favourite words are WOOOHOO!(F**k Off) She looks like, does like, sounds like me She's stealing my identity And I'm begging you
Somebody notice me somebody notice I'm fading away here What have I got to do to make you see My girlfriend is a wannabe And she wants to be me
I'm saying something's wrong She's out back playing soccer Now she's a heavy smoker She's so obsessed with me That she stands up to pee And now her stupid games Have started taking over Don't need no special help Don't need to see a doctor I know you're worried but I'm telling you just watch her It's like she's cracked my code Knows things I've never spoke of She wants sex all the time and still find time to **** off
She looks like, does like, sounds like me She's stealing my identity And I'm begging you!
Somebody notice me somebody notice I'm fading away here What have I got to do to make you see My girlfriend is a wannabe And she wants to be me
I'm not joking She won't stop provoking me I'm going under What have I got to do to make you see My girlfriend is a wannabe And she wants to be me
I'm in the loony bin Wearing a pale pink nighty The nurse comes through the door And whispers so politely "You're boyfriends here to see you Look pretty and take a bath I love his silly band Can I get his autograph?"
She looks like, does like, sounds like me She's stealing my identity And I'm begging you!
Somebody notice me somebody notice I'm fading away here What have I got to do to make you see My girlfriend is a wannabe And she wants to be me
I'm not joking She won't stop provoking me I'm going under What have I got to do to make you see My girlfriend is a wannabe And she wants to be me She wants to be She wants to be me"
Ao fim da página, havia uma frase: "Thanks for noticing me, . ♥". Ela sorriu para o papel e olhou para Harry, que parecia um anjo, dormindo serenamente. Ela beijou levemente os lábios dele, num selinho, e foi dormir.
*************
- And she Wants to be ME! – e ouviram Tom e Danny cantando.
Largaram seus instrumentos no sofá e foram até o porão da casa da Tia Mary, onde McFly ensaiava.
- Essa tá boa, dude! – Dougie disse.
- É, eu também acho. – disse, sentando-se no sofá.
- Tudo isso aconteceu de verdade, Harry? – olhava para ele.
- Aham. Eu só fiz umas pequenas modificações, para soar melhor... – ele disse, coçando o pescoço.
- Eu acho que a música tá boa pra a gente tocar no concurso. – Danny disse.
- Quais os covers que vocês vão fazer? – perguntou, andando até Tom e pegando a Les Paul do Darth Vader das mãos dele.
- A gente pensou em "You're The One That I Want", "Don't Stop Me Now" e "Pimball Wizard". – Tom sorriu e olhou para Flávia, que agora se sentava no sofá de couro vermelho que estava ali – E as suas?
- Hair, Pink e qual a outra, ? – olhou a amiga.
- Ah, nem lembro. – ela deu de ombros, vendo Danny se sentar ao seu lado.
- Vocês estão precisando comer mais sushi. – Danny disse, e todos o olharam interrogativamente – O quê? – ele levantou os ombros – Salmão dá mais memória.
- Legal, e...? – Dougie perguntou, sentando-se ao lado de Danny no sofá e sendo seguido por Tom, que se sentou ao seu lado.
- Dude, se elas estavam ensaiando há pouco tempo pro concurso e não lembram os covers que vão fazer... – ele balançou os ombros.
- Faz sentido... – Harry disse e apoiou apenas uma perna no sofá, fazendo força com a outra, que o segurava em pé.
conectou o cabo da caixa de som à guitarra, enquanto dizia:
- Eu acordei com algumas coisas na minha cabeça... – ela andou até o microfone que ficava no meio do porão. Ela tocou o início de uma música e começou a cantar: - LISTEN! We've got a situation there always putting us down we are the generation can't keep us underground. Is it my imagination? Or do you feel good? – ao terminar, ela olhou para os outros que estavam no sofá. Mordeu o lábio, insegura, e perguntou: – E aí?
Tom foi atingido por uma súbita onda de criatividade e andou até ela, dizendo:
- Continue. – ela fez o que ele pediu, apenas tocando a guitarra, e ele cantou: - Were on a one way mission we can take it all night we are the sunshine nation can't take the satalites is it my imagination? Or do you feel good?
- What a day, what a day, what a day! What a day, what a day, what a day! What a day, what a day, what a day! What a day, these are the days! – cantou.
E Tom completou:
- Running the world its the time of our lives baby we will never die. Cos! we're the young we're alright.
- We've gotta stop this feeling cos i don't wanna live twice we better start believing before we run out of time. Is it my imagination? Or do you feel good? – e Tom tinham "química na música".
- What a day, what a day, what a day! What a day, what a day, what a day! What a day, what a day, what a day! What a day, these are the days! – os dois cantaram juntos, dividindo o microfone.
- Running the world its the time of our lives baby we will never die! COS! We're the young we're alright! Alright! Hey! – Tom deixou fazer um solo de guitarra - Running the world it's the time of our lives baby we will never die.
- Fight 'till we fall Standing tall Cos time is on our side. Cos we're the young we're alright! – completou.
Tom cantava:
- What a day, what a day, what a day!
Enquanto fazia os back vocals:
- Yeah, we're allright!
Repetiram aquilo três vezes, até mudar:
- Is it my imagination?
Tom respondeu:
- No!
A esse ponto, e Tom estavam bem empolgados, e os dois dançavam de um jeito ridiculamente engraçado, enquanto ela cantava:
- I said is it my imagination?
- No no no no. – foi o que Tom respondeu.
- IS IT MY IMAGINATION? WE'RE THE YOUNG, WE'RE ALL RIGHT! YEAH! – os dois terminaram a música juntos, sorrindo.
Alguns poucos segundos se passaram com os outro quatro que estavam no sofá olhando-os boquiabertos.
- Como vocês fizeram isso? – Dougie quebrou o silêncio.
e Tom se entreolharam sorrindo e levaram a mão ao pescoço, em sinal de vergonha, em perfeita sincronia.
- Eu não sei... – ele respondeu.
- Foi só... – tentou explicar.
- Ah, Dougie! – Tom disse, e ele e completaram a frase: - Não faça perguntas difíceis! – eles se olharam e explodiram em risos.
- Vocês são estranhos. – Dougie voltou a dizer, e os dois mostraram o dedo do meio para ele ao mesmo tempo – Parecem gêmeos, mesmo.
- Vocês lêem os pensamentos um do outro? – Danny perguntou, empolgando-se.
- Não, mas... – tentou explicar – Sei lá, na hora que nós cantamos a música...
- Foi como se eu soubesse o que ela ia cantar, e aí eu conseguia formular alguma coisa... – Tom completou.
- Exatamente. – disse e mordeu o lábio.
- Eu acho que a gente devia colocar um piano no início da música, para dar um toque mais feliz! – Danny disse.
- Mais feliz do que já é, dude? – Harry olhou para o amigo.
- Lógico, dude! Essa música parece que foi feita pra descrever a gente! – Danny disse, e Dougie concordou com a cabeça.
- Eu acho que antes do último arranjo, devia ter uma bateria... E aí quando ela parasse, tinha o arranjo final. Dá mais impacto! – disse.
- Ô, de casa! – reconheceu instantaneamente a voz, e depois de praticamente jogar a guitarra para na pressa, pulou nos braços do dono da voz, dizendo:
- JIMMY! QUE SAUDADE! – como não deu tempo de James segurá-la, os dois caíram no chão.
- Hey, . – ele disse, levantando-se – Vim rapidão aqui. Só pra ver vocês, mesmo. – James completou e levou um soquinho no ombro, de .
- Esse é meu garoto! Pensei que tinha esquecido de mim! – ela fez beicinho e ele a abraçou, sorrindo. Harry fez uma careta ao ver aquilo.
- Lógico que não!
- Ah, certo! Porque por um segundo, eu cheguei a pensar que você preferia suas peguetes à sua amiga aqui!
- Amiga? – e Tom olharam os dois.
- É. – deu de ombros.
- Peguetes? – Danny perguntou.
- Isso mesmo. – eles confirmaram.
- A gente perdeu alguma coisa? – Dougie perguntou.
- Não... – disse.
- Vocês ainda estão juntos? – olhou para .
- Não. – disse, e James confirmou com a cabeça.
- Por quê? – Danny perguntou com a voz arrastada e cara de quem estava surpreso.
- E por que ninguém me contou? – Dougie perguntou indignado.
- E por que você não me contou, ? – estava mais revoltada do que Dougie.
- Ah, gente. – revirou os olhos – A gente acabou! Felizes agora?
- Essa vida de garoto politicamente correto não dá para mim. – James gargalhou alto.
- Mas e aí, dude? Como anda a vida? – Tom perguntou, sentando-se no chão, junto com .
- Indo. – James sorriu – Busted tá trabalhando duro pro concurso! – seu sorriso se alargou, cheio de orgulho.
- McFly também! – disse.
- É, e Piece Of Nothing não, né? – Tom riu alto, empurrando-a de leve – Vocês parecem que trabalham na CIA, porque até um estúdio alugaram para ensaiar...
- Ah, Tomzinho! – disse – Só questão de comodidade, mesmo.
- Tomzinho? – Danny a olhou – Que intimidade é essa, dona ?
- Ah, Danny! – reclamou – Me poupe da melação, okay?
Danny chegou a abrir a boca para responder, mas não o fez, pois James disse:
- Pois como eu tô vendo que vai terminar em briga, vou indo.
- Mas já? – o olhou, segurando a calça dele, impedindo-o de sair.
- É, ... Eu tenho que ir mesmo. – ele se abaixou para beijar o topo da cabeça dela, depois fez o mesmo com .
Harry estava imerso em seus pensamentos. Se e James acabaram o namoro, por que ela continuava querendo ficar perto dele? Levantou-se bruscamente e saiu de lá, deixando todos olhando confusos para a porta por onde ele tinha acabado de passar.
Harry's P.O.V
CANSEI! Não vou mais tentar entender essa menina não, dude! Ela me enlouquece. Literalmente, é. A culpa é do filho duma puta do Fletcher! Se ele não tivesse inventado essa filhaputagem de trazer intercambistas pra cá, eu não teria conhecido a , e agora não estaria deitado na cadeira de sol na piscina da casa do meu "melhor" amigo – vulgo sacana-mor – pensando sobre isso.
- Harry... – ouvi uma voz conhecida - porém não a que teria soado feito música aos meus ouvidos - me chamar – Tudo bem? Você saiu feito um foguete do porão... – ela se sentou na ponta da cadeira onde eu estava.
E eu não sei como, nem por quê, mas comecei a falar, desencostando-me da cadeira.
- É a sua – eu a apontei com o indicador, incriminando-a de uma coisa em que ela nem ao menos sabia que estava envolvida – amiga! Ela me deixa louco, ! E eu nem sei o motivo de ela estar me ignorando! – depois de descarregar minha frustração com essas poucas palavras, deixei meu corpo cair contra a cadeira, que segurou meu peso.
Ela mordia o lábio e olhava o chão, enquanto eu falava. Depois de meu curto e grosso monólogo, ela me olhou.
- Quando foi a última vez que vocês se falaram de verdade?
- Antes de eu fingir que desmaiei pra ela... Por quê?
- Harry, ela tem trauma dessas brincadeiras, sabia? – ela me olhou como se aquilo fosse óbvio.
Valeu, como eu ia saber disso?
- Por quê? – foi o que eu consegui dizer.
- Eu não posso contar, Harry. – eu sabia que ela ia dizer alguma coisa assim.
- Ah, ! Please! – eu insisti, olhando-a como o gato do Shrek faz.
suspirou, vencida, e começou a me dizer:
- Ela tinha 11 anos, e tinha um irmão de 16. Bruno, era o nome dele. E ele sempre fazia brincadeiras parecidas com a que você fez – o olhar incriminador que ela me lançou me fez encolher na cadeira – com ela. Até que um dia, ele não acordou mais. Tipo, do nada, uma veia super importante se rompeu no cérebro dele e aí ele morreu.
- Não pode ser, ... – as palavras não estavam conseguindo se ajustar. A , a minha , perdeu o irmão aos 11 anos de idade? Eu estava realmente impressionado – Ela é tão... Feliz!
- As pessoas terminam se acostumando por mais que não queiram, né, Harry? E quando ela foi crescendo e foi entendendo, ela sentia que ele não queria que ela ficasse triste, por ele... Por isso que ela é assim.
- Alguém mais sabe? – eu a olhei.
- Com você, agora, todos sabem. – ela deu de ombros.
- Porra, e por que ninguém me contou? Que bando de sacanas, dude!
- Eu contei para eles no dia que ela desapareceu, Harry. Você não estava, então, não soube a história.
- Quando foi isso?
- Quando começou a chover, e a gente voltou pra casa. Quando nós percebemos que você não estava em casa, Dougie supôs que você tinha saído para pensar... Daí, surgiu o assunto, e eu e as meninas contamos a eles. Agora, faz todo o sentido do mundo!
- Eu tenho que me desculpar com ela. – pensei alto.
- É, mas isso agora é entre vocês dois. – ela se levantou, deu dois tapinhas em meu ombro e saiu.
's P.O.V
Pois é, estou me sentindo a loser-mor, aqui. Por quê? Cinco palavras: sexta à noite em casa. É, Dougie e , no mínimo, estão num motel, já que eles devem ter se cansado de revezar entre a cama dela e a dele para se comerem. Ah, sem contar com a tentativa frustrada de se comer na minha cama; agradeço até agora pelo Tom estar procurando pela nossa calça jeans e ter entrado no meu quarto bem em cima da hora!
e Tom foram ver "Casablanca" num drive-in praticamente fora da cidade, se eu não conhecesse os dois como eu conheço, diria que eles estavam fugindo para um motel. Danny levou para alguma exposição de telas, que eu agradeço por ela não ter de me arrastar até lá, porque eu acho até bonito, mas ela começa a falar coisas – que parecem aramaico para mim – sobre as telas, e eu tinha de me esforçar para não fazer cara de tédio e fingir que eu realmente estava ouvindo alguma coisa.
Harry? Não sei onde ele está, e nem me interessa, porque eu ainda estou muito puta com ele! O que importa é que eu estou aqui, no sofá da sala de Tom, com um pote de sorvete de flocos nas mãos, derretendo-me pelo sotaque extremamente britânico do Hugh Grant em "O Diário de Bridget Jones".
É, decadência, não é mesmo? E quem liga se eu vou ficar gorda? EU NÃO! Nem namorado eu tenho, mesmo... Não tenho nem a capacidade física e psicológica de arrumar um macho para ficar vendo filmes água com açúcar numa sexta à noite... Então, eu só lamento! Tá, eu poderia ter saído com o Pierre, mas depois da nossa pequena pegação aqui em casa, ele não deu mais notícia. É, os homens não prestam, só querem sexo, depois, tchau! E por mais que eu tenha feito aquilo com ele, só fiz porque eu estava semi-consciente; eu ainda não esqueci sobre o que ele falou da minha vagina! E ele sabe muito bem que sóbria eu não vou transar com ele. Logo, eu suponho que ele não vá mais me procurar.
Melhor ficar all alone, mesmo. Vai que ligo para ele, e quando ele vier aqui, eu não resista? Eu me conheço perfeitamente bem para saber que a carne é fraca e eu não conseguiria "resistir" a um francês. Até porque só quem ganha dos franceses são os ingleses...
Ouço a campainha tocar e me arrasto até a porta. Eu sei que não é ninguém que morava ali ou um agregado, todos têm a chave, ou sabem que há uma escondida no vaso; então, seja lá quem esteja parado do lado de fora da casa, pode esperar. Ao abrir a porta, meu queixo cai instantaneamente, ao ver a forma máscula à minha frente. Que porra ele estava fazendo ali?
- Pierre? O que... – é, nem deu para terminar, os lábios dele estavam contra os meus.
Puta que o pariu, ODEIO não resistir a um francês. Ele fechou a porta com o pé, e levou as mãos até a base da minha bunda, puxando-me para si e me fazendo entrelaçar minhas pernas em sua cintura. Ele andou até o sofá, onde ele se deitou por cima de mim e continuou a me beijar. Tá, ele não havia parado de fazer isso, mesmo. Senti o volume em suas calças meu corpo, e logo em seguida senti sua mão em minha coxa. Ela foi passeando até a base da blusa do meu pijama, que começou a ser levantada. E aí eu descobri onde aquilo ia terminar. E eu não queria aquilo. De novo. Parti o beijo e o chamei:
- Pierre? – tentei empurrá-lo, mas qual é, ele é homem, né? Ou seja, mais forte que eu. Ele murmurou algo incompreensível, e eu comecei a empurrá-lo com mais força – Você já pode parar. – ele me ignorou, e enquanto beijava meu pescoço, sua mão subia até o meu seio. Eu a retirei de lá e disse com a voz mais severa possível – Pierre, pare com isso agora! – mais uma vez, fui ignorada – Eu não vou pedir de novo, Pierre! – eu mantinha a voz firme e já me preparava para chutar aquele canto, quando eu senti o peso dele sair bruscamente de cima de mim, e aquela voz que me faz derreter disse:
- Você a ouviu! Saia daqui!
Pierre já estava em pé, com ele o segurando pela camisa.
- Mais um para te proteger, ? Não achei que você precisasse de tantos seguranças.
Eu abri a boca para responder, sentando-me no sofá, mas ele foi mais rápido:
- E ela não precisa! Mas é sempre bom prevenir. Agora... – ele andou até a porta e a abriu, apontando para fora – Saia daqui!
- Você é uma puta, garota! – o rosto de Pierre estava a dois centímetros do meu, e ele tinha o indicador apontado para mim. Os olhos dele transbordavam ódio.
E eu nem tirava a razão dele. É, tipo... A culpa não é totalmente minha se eu não consigo resistir a caras franceses. Mas, tipo, transar de novo com ele, eu NÃO ia. Ele foi um puta sacana comigo; o que custava me olhar na aula? Eu não queria nada com ele, lógico, mas mesmo assim! Não foram uns beijinhos que a gente trocou!
Pierre saiu da casa de Tom, e ele andou até mim. Parou e se ajoelhou na minha frente.
- Hey, você está bem? – eu apenas movi minha cabeça afirmativamente – Olha, eu... – ele procurou as palavras e visivelmente não as encontrou. Passou as mãos nervosamente nos cabelos, demonstrando que estava estressado com alguma coisa. Eu sorri com o ato dele; era um dos meus preferidos.
A raiva que eu sentia por causa da brincadeirinha infantil e sem graça dele foi embora naquele mesmo segundo.
- Eles saíram com as meninas. – foi o que eu consegui dizer, vendo-o se sentar ao meu lado. Ele riu, uma risada gostosa, o que me fez sorrir um pouco.
- Bando de sacanas! E eu tinha pedido a eles que me avisassem se eles fossem sair com elas.
E aí, eu realizei uma coisa simples... Sentei-me como índio no sofá, e puxei Jack – que havia caído no chão, quando Pierre me jogou no sofá - para o meu colo.
- Como você entrou?
- Tom me deu uma cópia da chave para emergências. Quando eu cheguei aqui, pensei que... – ele parou uns segundos, coçando o pescoço – Ah, sei lá o que eu pensei! Só sei que senti que precisava entrar. – ele sorriu levemente.
- Bom, pelo visto, sentiu certo. – eu sorri de lado – Mais alguns segundos, e eu teria cometido um assassinato.
- Ah, é? – ele arqueou a sobrancelha – E como?
- Eu ia chutar a "máquina de filhos" – fiz aspas com as mãos – dele.
- Outch. – ele fez careta, mas poucos segundos depois, ele ficou sério. – , agora que a gente tá sozinho aqui, eu preciso te pedir desculpas. – ele viu minha cara de interrogação e continuou: - Sabe, a brincadeira sem graça do outro dia... – ah, isso – Eu não sabia do seu irmão. Porque se eu soubesse, eu juro, eu juro que nunca faria algo parecido! – ele parou, tomando fôlego e me dando liberdade para falar.
- Tudo bem, Harry. Só não faça de novo, tá? Eu não sei se eu suportaria perder outra pessoa importante e... – opa, falei merda. O vi procurar meus olhos, mas eu os desviei para a televisão, onde "O Diário de Bridget Jones" estava pausado.
- Então... – ele procurou meu olhar de novo, mas dessa vez eu o deixei olhar em meus olhos – Um novo começo?
- É, pode ser, mas... – eu mordi o lábio, fixando o olhar em sua mão estendida na minha direção – Que tal apagarmos só aquele dia?
- Eu aceito! – ele sorriu abertamente. Quase desmaiei.
- Quer ver filme? – eu disse, ajeitando-me no sofá numa posição confortável e que desse para ver a televisão.
- Qual é?
- Bridget Jones.
- Gay! – ele fez uma voz afetada.
- Ah, mas é divertido, Harry! – eu ri – Você já viu?
- Machos não vêem esse tipo de filme! – ele cruzou os braços e fez beiçinho, eu ri mais ainda.
- Você não pode dizer que uma coisa é ruim sem experimentar, Harry! Como eu sou cool, vou colocar do início, para você entender tudo. – eu disse, escolhendo no DVD a opção para reiniciar o filme.
Harry passou, no mínimo, 80% do tempo do filme malhando de alguma coisa que eles falavam ou faziam e eu ria mais das piadas dele do que do filme em si. Eu até me esqueci de como o sotaque do Hugh Grant me faz sentir.
- "O cacete que não beijam." – ele imitou Mr. Darcy, com uma voz afeminada, fazendo-me rir – Os músicos são bem melhores!
- Harry, você já beijou um músico e um advogado? – fingi espanto, e ele riu.
- Não, né, ? Mas eu sou músico. Logo, digo que os músicos são melhores! – ele estufou o peito, e eu revirei os olhos.
- Essa teoria não me convence. – eu sorri de lado – Apresente-me outras!
- Nah, ! É instinto masculino, pô! Os advogados perdem a graça antes mesmo de terminar a faculdade! Como eles podem beijar bem?
- Hey, Harold! – eu sei como ele odeia ser chamado pelo não-nome dele – Eu ia fazer direito, tá? – eu arqueei a sobrancelha direita e cruzei os braços.
- E ia ser uma ótima advogada. – ele disse ironicamente e ainda teve a audácia de revirar os olhos. Eu dei um soquinho no ombro dele e disse:
- Ia sim, tá? Mas música é melhor!
- Tá vendo? Música rules! – ele disse, fazendo uma dançinha ridiculamente engraçada, que se resumia em girar as mãos juntas em círculos na frente do corpo dele, enquanto ele tentava inutilmente rebolar sentado.
- Você é louco. – eu disse, olhando-o como se ele fosse usuário de drogas, ou algo do tipo. Senti meu estômago roncar – Fome, Harry!
- Ih, se vira! – ele riu.
- Então eu vou fazer brigadeiro e nem vou te dar! – mostrei a língua para ele e me levantei.
Quando estava na porta da cozinha o ouvi dizer alto:
- Eu não queria, mesmo! – a voz dele, que deveria soar indiferente, me fez rir.
Eu estava inalando o cheiro de brigadeiro que saía da panela, quando ouvi alguém limpar a garganta. Virei-me, ainda com atenção na panela, para ver um Harry que se encolhia encostado na parede e me olhava que nem o Gato de Botas do Shrek. Fofo.
- Pensando bem... – ele andou até a mesa e sentiu – Eu acho que vou querer essa coisa aí. – ele apontou com o queixo a panela.
Eu ri e arqueei a sobrancelha:
- Mas já, ninja? – e voltei minha atenção para a panela.
- Aham! Tá cheirando bem...
Revirei os olhos e continuei meu trabalho com o brigadeiro. Alguns segundos depois, Harry perguntou:
- Tá perto?
- Aham.
Menos de um minuto e cinquenta e dois segundos depois, ele fala:
- Vai, ! Tem um tempão que você disse que tava perto!
- Calma Harry! Tá parecendo o Dougie, cem por cento paciente! – reclamei.
- Desculpa.
Alguns segundos depois, o brigadeiro havia chegado ao ponto certo.
- Pronto, Judd! – eu disse, colocando o brigadeiro no prato – Cuidado, que tá quente.
- OK.
Depois de comermos o brigadeiro, voltamos para a sala e ficamos vendo alguns programas inúteis que passavam na MTV. Eu provavelmente devo ter dormido antes dele, porque acordei em meu quarto, com ele na minha cama. Olhei no relógio: duas da tarde.
- Merda, tô atrasada! – eu disse e caí da cama.
Levantei-me correndo, tomei o banho mais rápido de minha vida e corri para o estúdio. Quando cheguei lá, as meninas desceram os cachorros em cima de mim porque eu estava atrasada, e ninguém conseguia falar comigo por telefone. Ora, por que não me acordaram, então? Mas eu não falaria isso, a não ser que eu não amasse meu fígado. E eu ainda preciso dele.
~ Capítulo 11:
- Tudo pronto, ? – me perguntou.
Eu fiz que sim com a cabeça.
- Depois dessa banda, Piece Of Nothing entra! – veio nos avisar.
- Então vamos nos preparar. – eu disse.
- Dude... – chegou até nós, mas não completou a frase.
- Você tá nervosa? – a olhou.
- E você não? – ela arqueou a sobrancelha, como se aquilo fosse óbvio.
- Eu não... – deu de ombros e começou a arrumar a alça da guitarra. E como não conseguiu, ela se irritou: bufou, bateu o pé no chão com força três vezes, fez cara de choro e olhou para o céu – Por que você está contra mim, hoje?
Eu me aproximei dela, sorrindo e negando com a cabeça, para ajudá-la.
- Relaxem. E finjam que a gente está ensaiando no estúdio. – , a mais calma de todas nós, disse.
- É, e ignorem os olhares tarados e reprovadores que vocês estão recebendo! – eu ri.
- Valeu, dude! – reclamou – Só porque a gente gosta de rock, tem sempre que se vestir de preto?
- Ah, por falar em rock... – eu disse, virando-me para ver e – Eu acho melhor tocar "Pinhead" no lugar de "Please Please Me".
- Você está se drogando, ? – me olhou como se eu fosse anormal.
- Não... Por quê?
- Trocar uma música agora? – ela disse, meio desesperada.
- Ah, . Relaxa. A gente ensaiou ela também. Só deixa a música te levar. E é até melhor, porque assim, a pode cantar também. – disse, aprovando minha idéia.
- Fechou, então. – disse.
Uma mulher com uma prancheta e fones de ouvido nos levou até o lugar por onde entraríamos para o palco, e encontramos os caras da banda "Anal Mucosa" saindo, com suas roupas de couro; a banda tocava músicas que eram tentativas frustradas de covers do Black Sabbath.
- PIECE OF NOTHING! – ouvimos o apresentador do concurso e palmas.
Abraçamo-nos, as quatro de uma vez só, e depois de nos separarmos, subimos no palco.
- Hey, guys! – eu disse no microfone, olhando para as meninas, que ainda se ajeitavam em suas posições.
Harry's P.O.V:
- Espero que estejam tendo um lindo fim de tarde! – disse, passando os olhos pelo público. Até que se encontraram com os meus. Ela sorriu para mim, e disse, de seu microfone:
- Como não especificaram a sequência que deveríamos seguir, nós vamos fazer os covers primeiro.
Minha atenção foi para . Como alguém pode ser tão perfeita cantando desse jeito? E como all-stars vermelhos ficam tão bem contrastados com a calça do Tom, como ficam nela? começou a cantar, logo depois que a bateria começou:
Gabba gabba we accept you we accept you one of us (Gabba Gabba nós aceitamos você, nós aceitamos você um de nós) Gabba gabba we accept you we accept you one of us (Gabba Gabba nós aceitamos você, nós aceitamos você um de nós) I don't wanna be a pinhead no more (Eu não quero mais ser um cabeça de prego) I just met a nurse that I could go for (Eu acabei de conhecer uma enfermeira que eu poderia gostar) I don't wanna be a pinhead no more
(Eu não quero mais ser um cabeça de prego) I just met a nurse that I could go for (Eu acabei de conhecer uma enfermeira que eu poderia gostar) I don't wanna be a pinhead no more (Eu não quero mais ser um cabeça de prego) I just met a nurse that I could go for (Eu acabei de conhecer uma enfermeira que eu poderia gostar) I don't wanna be a pinhead no more (Eu não quero mais ser um cabeça de prego) I just met a nurse that I could go for. (Eu acabei de conhecer uma enfermeira que eu poderia gostar)
Ela era o ponto de equilíbrio; ficava quieta na dela, tocando o baixo e fazendo a segunda voz com , que não parava de pular e ficava na bateria, de onde só a víamos balançar a cabeça loucamente. estava fazendo caretas engraçadas enquanto cantava, e uma vontade súbita de estar ali em cima me invadiu. Depois de Piece Of Nothing, duas bandas iam tocar, e aí, McFly entrava. E eu mal podia esperar.
D-U-M-B (T-O-L-O) Everyone's accusin' me (Todo mundo está me acusando) D-U-M-B (T-O-L-O) Everyone's accusin' me (Todo mundo está me acusando) I don't wanna be a pinhead no more (Eu não quero mais ser um cabeça de prego) I just met a nurse that I could go for (Eu acabei de conhecer uma enfermeira que eu poderia gostar) I don't wanna be a pinhead no more (Eu não quero mais ser um cabeça de prego) I just met a nurse that I could go for (Eu acabei de conhecer uma enfermeira que eu poderia gostar) Gabba gabba hey
Gabba gabba hey
Gabba gabba hey
Gabba gabba hey
Gabba gabba hey
Quando a música acabou, ouvimos as ovações; e o grande sorriso radiante estampado no rosto de me fez sorrir também.
Dougie's P.O.V:
DUDE! Piece Of Nothing ROCKS! E a minha estava tão linda tocando! Mas mesmo assim, não justificava o fato de que ela estava usando uma micro saia! "Daqui a pouco, eu vejo a calcinha dela!" pensei. Não que isso fosse ruim, mas só quem pode ver a calcinha dela sou eu!
- She asks me why I'm just a hairy guy. I'm hairy noon and night Hair that's a fright I'm hairy high and low... - olhou sorrindo para , que sorriu de volta - Don't ask me why.
- Don't know! – , e cantaram juntas.
- It's not for lack of bread Like the Grateful Dead, Darling. – fez uma pausa, e deu um pulo: - Gimme a head with hair Long beautiful hair Shining, gleaming, Steaming, flaxen, waxen Give me down to there hair Shoulder-length or longer Here baby, there mama Everywhere daddy daddy.
As quatro cantaram juntas:
- Hair, hair, hair, hair, hair, hair, hair Flow it, show it Long as God can grow it My hair.
cantou:
- Let it fly in the breeze And get caught in the trees Give a home to the fleas in my hair.
Ela e cantaram:
- A home for fleas A hive for the buzz and bees A nest for birds There ain't no words For the beauty, the splendor, the wonder Of my... – rebolava de um jeito, que, DEUS DO CÉU, me acuda! Ela ia seduzir toda a platéia se continuasse a se movimentar assim.
As quarto voltaram a cantar:
- Hair Flow it, show it Long as God can grow it My hair.
- I want it long, straight, curly, fuzzy Snaggy, shaggy, ratty, matty Oily, greasy, fleecy Shining, gleaming, streaming Flaxen, waxen Knotted, polka-dotted Twisted, beaded, braided Powdered, flowered, and confettied Bangled, tangled, spangled, and spaghettied! – cantou e pareceu se soltar mais, já que ela começou a balançar a cabeça e o corpo de um lado para o outro, de acordo com o ritmo da música.
deixou assumir a guitarra e marchou, batendo continência até o microfone de , enquanto cantava:
- Oh say can you see my eyes? If you can. – tempo o suficiente para conseguir atravessar o palco e chegar ao microfone de , para as três cantarem juntas: - Then my hair's too short!
e cantavam:
- Down to here Down to there Down to where It stops by itself They'll be ga ga at the go go When they see me in my toga My toga made of blond Brilliantined Biblical hair.
cantou:
- My hair like Jesus wore it Hallelujah I adore it Hallelujah Mary loved her son Why don't my mother love me?
As quarto terminaram a música cantando juntas:
- Hair, Flow it, show it Long as God can grow it My hair Flow it, show it Long as God can grow it My hair Flow it, show it Long as God can grow it My hair!
Só tenho um comentário a fazer: wow, minha namorada é foda!
Danny's P.O.V:
Eu não sei o que dizer! Elas são realmente muito boas, e eu posso ouvir e sentir a galera aqui enlouquecendo com elas. E eu imagino que estejam enlouquecendo mesmo os espectadores masculinos porque eu, que sou namorado de uma delas, estou me controlando aqui para não ter pensamentos promíscuos com todas elas, imagina os caras que não sabem nada sobre elas... Antes de o terceiro cover começar, Dougie nos chama:
- Dudes... – ele dá aquele sorriso que ele só dá quando fala de sexo, e apontou para mim – O JONÃO TÁ ARMADO! – os três sacanas começam a rir, e levantam os braços para o alto.
Quando eu vou dar um corte neles, ouvimos os arranjos de Pink, do Aerosmith.
Dessa vez, e cantam, e elas alternam os versos. que começou a música:
- Pink it's my new obsession Pink it's not even a question Pink on the lips of your lover, 'cause Pink is the love you discover.
- Pink as the bing on your cherry Pink 'cause you are so very Pink it's the color of passion 'Cause today it just goes with the fashion Pink it was love at first sight, yeah Pink when I turn out the light, and Pink gets me high as a kite And I think everything is going to be all right No matter what we do tonight. – é a vez de cantar, ela sorri e balança a perna. toca guitarra no seu lugar, sorrindo para a guitarra.
- You could be my flamingo. – canta sorrindo e apontando para mim. Wow. Eu sou o que ela quiser! - 'Coz pink is the new kinda lingo Pink like a deco umbrella It's kink - but you don't ever tell her Pink it was love at first sight Pink when I turn out the light Pink gets me high as a kite And I think everything is going to be all right No matter what we do tonight!
E aí entra na brincadeira, e canta:
- I want to be your lover. – ela aponta para um cara na frente dela, que pula, grita e a chama de gostosa. Olho para Harry, e sua cara é de poucos amigos - I wanna wrap you in rubber As pink as the sheets that we lay on 'Cause pink is my favorite crayon, yeah!
volta a cantar, agora completamente desinibida, dançando de um jeito extremamente sexy, e ainda cantando:
- Pink it was love at first sight Pink when I turn out the light Pink it´s like red but not quite And I think everything is going to be all right.
- No matter what we do tonight! – ela e terminam a música dividindo o microfone que usa, sorrindo uma para a outra.
[N.A: http://www.youtube.com/watch?v=hlYMoSubtHc Coloca aí pra carregar, e quando eu disser: "JÁ!", você dá "Play", 'tá?]
Tom's P.O.V:
Caralho... Ah, dude! Eu não sei nem o que falar! Elas são fodas demais. Ponto. Precisa dizer mais alguma coisa? Acho que não, né?
- Hey, guys! – disse – Agora, nós vamos tocar as nossas músicas. Essa foi composta por mim, pela . – ela apontou , que ficava no meio, separando-a de .
Antes que pudesse continuar, disse:
- E pela baterista mais gostosa! – apontou , que levantou e girou a baqueta que ela segurava com a mão direita. Se eu a conheço bem, ela agora está morrendo de vergonha.
- E eu não ajudei a compor! – disse.
- Dez pontos a mais no QI deles, . – disse e ela deveria estar girando os olhos agora.
mostrou o dedo do meio para ela e olhando para o público, disse:
- Vamos logo com isso!
que começou cantando novamente:
- My hands are searching for you My arms are outstretched towards you I feel you on my fingertips My tongue dances behind my lips for you. This fire rising through my being Burning I'm not used to seeing you I'm alive, I'm alive.
Elas já tinham tocado essa música lá em casa, mas elas disseram que ainda estavam aprimorando; desde o início, eu havia gostado. E agora, melhorada? Estava muito boa, mesmo.
's P.O.V:
Sabe qual a melhor sensação do mundo? Olhar para um parque de diversões cheio de gente e ver pelo menos 80% das pessoas ali se divertindo e cantando ao som das suas músicas!
's P.O.V:
É, I wanna be a rockstar e fazer milhares de shows incríveis pelo mundo todo, com as minhas melhores amigas!
Ouvi cantar:
- I can feel you all around me. – e a acompanhei - Thickening the air I'm breathing Holding on to what I'm feeling Savoring this heart that's healing.
Eu estava menos tensa, até arriscava algumas dançinhas ridículas ao mesmo tempo que tocava e cantava:
- My hands float up above me And you whisper you love me And I begin to fade Into our secret place.
não precisa ver um "mar de gente" gostando de nossas músicas para ser loucona e exibida como ela é, mas ela estava comportada nessa música, acho que era a letra. Ela apenas tocava a guitarra e cantava:
- The music makes me sway The angels singing say we are alone with you I am alone and they are too with you I'm alive, I'm alive.
Nós duas cantamos juntas o refrão, sentindo a intensidade da música e nos lembrando do momento em que escrevemos a música. Foi a primeira música da nossa banda.
- I can feel you all around me Thickening the air I'm breathing Holding on to what I'm feeling Savoring this heart that's healing.
continuou:
- And so I cry The light is white And I see you I'm alive, I'm alive, I'm alive. – eu a deixei cantar esse refrão sozinha, provavelmente, ela também se lembrava do dia em que a escrevemos, e o modo como estávamos loucamente apaixonadas por dois garotos que depois só serviram para nos machucar. Eu sabia que ela não sentia mais nada pelo Artur, mas era o momento dela - I can feel you all around me Thickening the air I'm breathing Holding on to what I'm feeling Savoring this heart that's healing.
Eu cantei:
- Take my hand I give it to you Now you owe me All I am You said you would never leave me I believe you I believe.
Quem terminou a música fui eu, cantando mais uma vez o refrão:
- I can feel you all around me Thickening the air I'm breathing Holding on to what I'm feeling Savoring this heart that's healed.
Olhei para as pessoas na platéia e vi várias pessoas sorrindo. Inclusive o meu namorado. A sensação que eu sentia era impagável.
's P.O.V:
Ao fim de "All Around Me", olhei para e . As duas sorriam feito imbecis, e eu podia imaginar o motivo, pois eu não estava muito diferente e tinha a certeza de que sentia-se como todas nós; a sensação de felicidade, esse tipo de felicidade, era incrível!
- Guys! – disse às pessoas ali, que, modéstia à parte, estavam surtando com as nossas músicas – Essa última música foi escrita pela nossa querida guitarrista, - ela apontou para mim, e eu levantei a mão, fazendo o símbolo do rock – ! – o que significava que eu ia cantar sozinha de novo. Merda.
Os gritos aumentaram mais ainda, e eu sorri e disse no microfone: [N.A: JÁ!!! Erm, já pode dar "play" na música, OK?]
- Essa não é romântica. – começamos a tocar, e eu comecei a cantar: - I saw you sliding out the bar. I saw you slipping out the back door, baby. Don't even try and find a line this time, it's fine. Darling, you're still divine.
A sensação que eu tinha, tocando uma música composta por mim, era milhões de vezes maior do que eu senti tocando a música que e compuseram. Era, no mínimo, surreal! Era como uma droga, que te faz agir inconscientemente.
's P.O.V:
Legal, minha amiga enlouqueceu. Por que eu estou dizendo isso? Porque eu simplesmente nunca a vi como ela está agora. Tá, ela não elouqueceu literalmente, parece mais que ela está drogada. E eu sei que ela não está, porque eu estive o tempo todo com ela hoje.
Enquanto canta:
- You don't love me at all, but don't think that it bothers me at all. You're a bad-hearted boy-trap, babydoll. – ela rebola, de um jeito que vai seduzir 99,9% dos espectadores masculinos (os 0,01% são o McFly; nem os Busted's estão a salvo) - But you're so damn hot you're so damn hot you're so damn hot you're so damn hot. Wow. – nessa parte, ela joga a cabeça para o lado - So now you're headed to your car. You say it's dinner with your sister, sweetie. But darling look at how you're dressed. Your best suggests another kind of guest. You don't love me at all, but don't think that it bothers me at all. You're a bad-hearted boy-trap, babydoll, but you're so damn hot you're so damn hot you're so damn hot you're so damn hot. – no solo, ela se senta no chão e toca. Depois se levanta e continua a cantar e a balançar o corpo de um lado para o outro: - So who's this other guy you've got? Which other rubes are riding hot-shot, sugar? I could have swore you said before; No more, What'd I believe you for? You don't love me at all, but don't think that it bothers me at all. You're a bad-hearted boy-trap, babydoll, but you're so damn hot you're so damn hot you're so damn hot!
Quando terminamos de tocar a música, sorri debilmente, contagiada não só pela música, mas também pela energia do público; ela está toda suada e ainda está tão empolgada, que grita:
- OBRIGADA! VOCÊS SÃO FODA! – só que ela grita em português, e como quase ninguém entende, todos a olham confusos. Até nós três – Sorry, guys! THANK YOU, YOU ROCK! – ela se corrige, e a platéia explode em palmas, assobios e gritos e nós saímos do palco.
Eu não sei por quê, mas eu tenho a leve impressão de que nós passaríamos para a segunda fase. Assim que saímos do palco, recebemos água. Bebo a minha rapidamente e começamos a conversar animadamente sobre o nosso primeiro "show"; não vemos o tempo passar, e quando menos percebemos, anunciam a banda que ia tocar antes de McFly. Quando estamos saindo da tenda onde os músicos concorrentes ficam, uma mulher ruiva segurando um microfone, seguida por um cameraman, vem falar conosco.
- Meninas! Vocês podem falar com a gente?
- Claro. – concorda.
- Então, o que vocês acharam de sua apresentação?
- Eu acho que Piece Of Nothing foi muito bem hoje. – respondeu.
- O que vocês esperam deste concurso?
- Esperamos passar para a segunda fase, e mostrar às pessoas do mundo a nossa música. – responde.
- E vocês são a primeira, de três bandas femininas, a tocarem hoje. Além disso, vocês se vestem diferentemente de todas as outras garotas aqui. Isso influi na música de vocês? – a mulher se dirige a mim.
- Isso prova que a mulher vem ganhando espaço no mundo contemporâneo. Ainda há muitos outros campos que nós precisamos conquistar. E quanto às roupas... – eu sorri – Elas não dizem nada sobre a música que tocamos. – olho para e ela complementa:
- É, só porque nos vestimos bem, ou não - ela olha para , que está bem concentrada em beber a água que recebemos e dá de ombros – não quer dizer que nós tocamos pop ou só músicas românticas. E ser a primeira banda feminina a tocar hoje é incrível! – ela sorri.
- Eu ouvi uns comentários quentes sobre vocês, e preciso perguntar como anda o estado civil de vocês.
- Namorando. – diz.
- Namorando. – também diz.
- Namorando. – eu sou a terceira a falar.
- Solteira! – sorri empolgada.
- Por quê? Falta de opção que não é, não é mesmo? – a mulher se dirige a ela.
- Alguém aqui precisa ser o ponto de equilíbrio e pegar os britânicos gostosões, não é mesmo? – ela gargalhou alto.
- Entendo... – a mulher ri e se volta para nós – E quem são os felizardos que namoram vocês?
- Os caras do McFly, eles vão tocar daqui a pouco. – responde.
- Na verdade, eles já estão tocando. – a mulher disse.
- Merda. – murmura em português.
- Só mais uma pergunta, e nós a deixamos vê-los. Como foi que compôs essa música que enlouqueceu a todos, "You're So Damn Hot"? Foi uma declaração a alguém?
- Ela tinha acabado de chegar de uma noite daquelas! – diz, sorrindo.
- Aí ela estava com um papel, nesse papel tinha um telefone e essa frase! – eu me empolgo, adoro essa história.
- E você ligou para o dono do telefone? – a mulher olha para .
- Na verdade... Não! – ela riu – Eu nem lembro como cheguei em casa naquele dia!
- Obrigada, garotas. – a mulher sorri para nós, que sorrimos de volta e assentimos. Ela vira-se para a câmera e diz: - Essa foi Piece Of Nothing, direto do concurso Lolapalooza!
Nós deixamos a mulher e, quase correndo, vamos até a parte onde os músicos que queriam ver os shows ficavam. Como eu sou desconfiada e está traumatizada com o que aconteceu com o Bill, nós levamos nossas guitarras nas capas, penduradas nas costas. só leva o baixo porque nós levamos. E , sortuda, não precisa levar a bateria, já que a bateria era da organização do concurso.
- Bom, gente... Nós escrevemos essa música semana passada. – Tom diz – Nossas garotas que nos inspiraram e o certo seria chamá-la "These Girls".
- Mas "That Girl" ficou mais legal! – Dougie o interrompe.
's P.O.V:
- Mas isso não vem ao caso, porque a música foi inspirada nas quatro garotas que agora fazem parte de nossas vidas. – Danny apontou para nós.
As meninas começaram a pular batendo palminhas e sorrindo feito imbecis. Eu não consegui pular; eu tinha uma guitarra pesada em meu ombro, mas não pude evitar sorrir até os cantos dos meus lábios doerem, e bati palmas.
1,2,3,4 Went out with the guys And before my eyes There was this girl she looked so fine And she blew my mind And I wish that she was mine And I said 'hey wait up cos I'm off to speak to her' And my friends said (you'll never get her, you never gonna get that girl) But I didn't care (you'll never get her, you never gonna get that girl) Cos I loved her long blond hair (you'll never get her, you never gonna get that girl) And love was in the air (you'll never get her, you never gonna get that girl) And she looked at me (you'll never get her, you never gonna get that girl) And the rest was history (you'll never get her, you never gonna get that girl) Dude you're being silly cos you're never gonna get that girl And you're never gonna get the girl We spoke for hours (she) took off my trousers (they)Spent the day laughing in the sun We had fun And my friends they all looked stunned yeah yeah Dude she's amazing and I can't believe you've got that girl My friends said (she's amazin' I can't believe you got that girl) She gave me more street cred (she's amazin' I can't believe you got that girl) I dug the books she read (she's amazin' I can't believe you got that girl) And how could I forget She rocks my world (she's amazin' I can't believe you got that girl) More than any other girl (she's amazin' I can't believe you got that girl) (yeah yeah) Dude she's amazing and I can't believe you've got that girl And I can't believe you got that girl She looked incredible just turned 17 I guess my friends were right She's out of my league So what am I to do? She's too good to be true 1,2,3,4 But 3 days later Went round to see her But she was with another guy And I said 'fine' But I never asked her why But since then loneliness has been a friend of mine My friend's said (such a pity I'm sorry that you lost that girl) I let her slip away (such a pity I'm sorry that you lost that girl) They tell me everyday (such a pity I'm sorry that you lost that girl) That it will be ok (yeah) (such a pity I'm sorry that you lost that girl) She rocks my world (such a pity I'm sorry that you lost that girl) More than any other girl (such a pity I'm sorry that you lost that girl) Dude its such a pity And I'm sorry that you lost that girl... And I'm sorry that you lost that girl...
Eu não podia ver muito bem o rosto de nenhum deles, mas eu imagino como deviam estar: Harry estava mordendo o lábio; Tom sorria e deixava sua covinha à mostra; Danny com aquele sorriso que mata a e Dougie totalmente concentrado em não fazer merda. Quando a música acabou, dei um alto assobio e ouvi Dougie dizer:
- Nossa última música se chama "Five Colours In Her Hair".
Os arranjos daquela música já conhecida começaram, e no refrão, eu cantei junto com eles: Everybody wants to know her name, I threw a house party and she came Everyone asked me Who the hell is she? That weirdo with five colours in her hair.
Eu ouvia as pessoas atrás de nós irem à loucura, e fiquei realmente feliz, esperando sinceramente que tanto nós quanto eles conseguíssemos passar para a segunda fase. A música terminou, e eles começaram a sair. Harry ia por último. Ele andou até o microfone do meio, e, levantando o braço com a mão fechada, em sinal de vitória, disse:
- OBRIGADO, DUDES! – os gritos, palmas e assobios aumentaram ainda mais.
Ele correu atrás dos outros, e alguns minutos depois, numa pausa estratégica para não ficar cansativo demais para os músicos e para o público, eles nos encontraram no estacionamento, perto dos carros de Tom e Danny.
- Busted vai ser a última banda a tocar. Depois eles vão dizer quem passou para a segunda fase... – Danny disse depois de dar um selinho em e abrir a porta do carro.
- Vamos fazer alguma coisa enquanto isso, né? – disse.
- Eu quero ver o pôr do sol da roda gigante! – eu disse toda empolgada, colocando a minha guitarra no carro de Tom.
- A gente vai pro bate-bate! – Dougie disse e olhou – Né, ?
Ela abriu a boca para dizer algo, mas acabou concordando.
- Eu quero maçã do amor! – Danny disse e olhou a namorada: - Vamos, ?
Ela assentiu e deu a mão para Danny. Olhei suplicante para Tom e , meio que já sabendo que eles não iriam comigo, e ele disse:
- A quer um ursinho de pelúcia, e eu prometi pegar um pra ela.
- Eu quero? – ela o olhou e eu vi que ele apertou a mão dela – É, eu quero! – ela disse sorrindo forçadamente.
- O Harry vai com você! – Tom disse e olhou para ele – Não é, Judd?
- É. – Harry concordou e veio ficar ao meu lado.
Era impressão minha ou eles estavam tentando me jogar para cima do Harry?
- Então nós nos encontramos depois do pôr do sol da ? – Danny disse.
- No trem fantasma, pode ser? – eu perguntei com os olhos brilhando.
- No trem fantasma a pé, não? – Tom gargalhou alto.
- Na casa dos horrores, feliz agora? – disse.
- Que seja. – Tom deu de ombros.
- Vamos, então. – Danny disse, e cada casal foi para o seu lado. Não que eu e Harry fôssemos um casal...
Harry andava em silêncio ao meu lado, com as mãos nos bolsos. Estava acontecendo alguma coisa, disso eu tinha certeza! Paramos para comprar um algodão doce para mim, e quando chegamos à roda gigante, eu tirei os olhos do meu tão adorado pedaço de nuvem rosa e os coloquei na visão de Harry olhando o nada.
- O que aconteceu, Harry? – ele me olhou por alguns segundos ao ouvir seu nome.
- Nada... – ele deu de ombros e voltou seu olhar para o espaço.
- Lógico que aconteceu, Harry! Você tava todo feliz e retardado tocando com os meninos e três segundos depois, você tá todo sério?
Ele suspirou e me olhou.
- A Chloé vai tocar hoje. E ela estava usando uma blusa do Garfield igual à minha.
- Harry... – eu fiquei de lado para poder vê-lo melhor, já que ele estava sentado ao meu lado – Ela parece com você, ok? E não é porque a Chloé quer ser o Harry, que ele vai ter que deixar de viver e se zangar para sempre.
- Tem razão! Ela parece comigo, mas ela não é eu. – ele sorriu de lado e me olhou – Como você sempre sabe o que dizer, ?
- Eu não sei. – voltei à minha posição inicial e apoiei os pés no banquinho da frente – Só falo o que eu penso.
- E se alguém dissesse que está apaixonado por você? – ele continuava a me olhar, mas, com certeza, seu olhar era muito mais intenso do que antes.
Harry Judd, não me olhe assim ou eu não respondo por mim! Eu parei alguns segundos, tentando pensar em alguma resposta para a pergunta dele. Mas nada me veio à cabeça.
- Não sei... – eu disse agora olhando o pôr do sol – Acho que ia depender do momento.
- Como seria sua resposta se você tivesse sentada ao lado dele, vendo o pôr do sol, numa mini London Eye? – senti seus olhos em mim, mas não consegui retornar o olhar, não sei se foi por falta de coragem, vergonha ou qualquer outra coisa... - Eu sei que é lindo, . – ele disse, apoiando o braço atrás de mim e se aproximando – Mas você não pode me enlouquecer desse jeito. Tipo... hãn?
- Te enlouquecer? – eu o olhei, realmente confusa.
- Ah, ! Vai dizer que você nunca percebeu o jeito como eu te olho? Ou o cuidado diferente que eu tenho só com você? As caras que eu fazia quando você estava com o James? Ou como eu fiquei quando você ficou muito puta comigo e não queria mais olhar na minha cara? – ele falava rápido demais para que eu pudesse absorver essas informações repentinas.
Cada palavra que ele dizia me soava melhor do que a 9ª Sinfonia de Beethowen. Afoguei-me na tsunami de felicidade que me invadiu e me fez dizer:
- Eu te amo, Harry.
Ele continuou falando situações que provavam a tese de que ele é apaixonado por mim, agora olhando o crepúsculo, quando, passados quarenta segundos, ele me olhou surpreso:
- O quê?
- É, Harry. Eu não sei como isso aconteceu, só... Aconteceu. E aí eu me encontrei te amando. – eu disse, já olhando para o pôr do sol, mas não aguentei e tornei a olhá-lo – Não é paixão, Harry. É amor... Amor não se acaba. É para sempre.
Harry's P.O.V:
- E não me pergunte como eu sei isso. Eu só sei. Porque se fosse preciso, - ela disse com a voz embargada – eu morreria por você. – ela não aguentou e começou a chorar.
- Isso é bom... – foi o que eu consegui dizer. O pior era que enquanto ela soluçava escondendo o rosto com as mãos, eu sorria feito um retardado. Hesitei um pouco, mas me aproximei dela mais ainda e toquei seu pescoço como se pedisse para ela levantar a cabeça - Porque ter um amor não correspondido é uma merda.
Ela levantou a cabeça, e eu limpei as lágrimas que escorriam pelo seu rosto.
- Não chora, ... Nós dois vamos ficar juntos se você quiser.
- Mas e quando eu voltar para o Brasil?
- Esqueça o Brasil, . Por enquanto, sua vida é em Londres.
- Me abraça? – ela podia ter pedido um beijo também, né?
Eu me aproximei mais ainda dela, que colocou as pernas em cima das minhas e me puxou levemente para si. Ela se sentou em meu colo, envolveu meu pescoço com seus braços e afundou o resto em meu pescoço, enquanto eu a envolvia pela cintura e sentia o cheiro cítrico de seus cabelos.
- Obrigada, Harry. – ela disse e beijou meu pescoço. Eu beijei seu pescoço de volta, e ela mordeu o meu levemente.
- Não me provoque, mocinha... – eu disse e ela me olhou.
- Desculpa. – ela saiu do meu colo.
se sentou no banco da minha frente e de costas para o fim do pôr do sol que ela tanto amava.
- Você não quer ver seu pôr do sol?
- Perdi a vontade. – ela deu de ombros.
- Ah, ! Deixe de besteira e sente aqui. – eu a puxei de volta, fazendo-a se sentar novamente em meu colo – E me deixe te beijar logo!
- Não! – ela riu e apoiou a cabeça no meu pescoço.
- Casais normais se beijam depois de dizerem que estão apaixonados, sabia?
- Nós não somos um casal normal, sabia?
Contentei-me em já tê-la ali e brinquei com seu cabelo. Mal percebemos que o tempo havia passado. Na verdade, só percebemos isso quando o carinha responsável pela roda gigante estava nos expulsando.
Ela apenas saiu do meu colo em silêncio. E por mais que ela tivesse rejeitado o meu beijo, eu não conseguia parar de sorrir; a idéia de que ela também me amava me deixava tão feliz que eu poderia saltar de bungee jumping do alto da verdadeira London Eye. Por isso, eu me arrisquei e entrelacei meus dedos nos dela, que olhou das nossas mãos para mim, sorriu e encostou a cabeça em meu ombro.
Eu nunca fui do tipo romântico, nem acho que ela realmente quisesse que eu fosse. Mas não custa nada tentar. Eu a estava levando para uma barraca de tiro ao alvo para dar a ela um panda de pelúcia quando ela viu uma barraca de lona azul escuro estrelada, onde havia uma placa com os dizeres: "Madame Lou".
- Ah, Harry! Vamos, por favor? – ela me olhou como o gato do Shrek.
- Ah, ... Você acredita mesmo nisso? – eu perguntei apontando a barraca.
- Não... Mas deu vontade. Vamos, Harry! É divertido! - vou pedir para ela não me olhar desse jeito de novo.
- Tá. – cedi.
Entramos na barraca da caloteira, digo, "Madame Lou", e vimos tudo o que uma boa cartomante fajuta tem: a bola de cristal que não serve para porra nenhuma sobre uma mesa redonda coberta por uma toalha azul, o baralho que eu nunca entendi e uma mulher que não podia ter mais de 50 anos usando aquelas roupas ridículas.
- Eu estava esperando por vocês, meus queridos! Sentem-se por favor. – ela apontou duas cadeiras de frente para ela e nós fizemos o que ela pediu enquanto eu pensava quantas vezes ela já havia repetido aquilo – Vocês vão se separar logo em breve. – ela levantou o dedo indicador para , como se pedisse para continuar falando, mas não havia se movido um centímetro – Não me pergunte quando, querida. O motivo fará bem para os dois, embora vocês sofram um pouco. Mas quando vocês se reencontrarem, estarão seguindo caminhos opostos e terão que superar alguns obstáculos, mas irão ficar juntos no final. Porque ela - a caloteira me olhou, apontando para – será seu único verdadeiro amor além da música. E ele – agora ela olhou e me apontou – também, senhorita. Agora, vão. Seus amigos estão esperando vocês no trem fantasma "a pé" – ela fez aspas no ar – como um amigo de vocês costuma dizer.
's P.O.V:
Saí da barraca de Madame Lou um tanto quanto... Assustada. Harry ia ser meu único amor verdadeiro? Não, esse decididamente não era o problema... O problema estava em saber que nós íamos nos separar. Nós continuamos andando até que percebi que meu celular não estava no bolso da minha calça. Devia ter caído por lá. Pedi a Harry que esperasse e voltei à barraca de Madame Lou.
- , - como ela sabia o meu nome? – aproveite o seu tempo com Harry. E tome cuidado com os palhaços por aí...
Um arrepio passou por minha espinha e eu respondi:
- Odeio palhaços.
- Eu sei. – ela sorriu maternalmente – Não esqueça: cuidado com eles. E aqui está seu celular. – ela me entregou o telefone – E por favor, vá logo e o beije. Ele está se corrompendo por dentro.
Harry's P.O.V:
me pediu para esperá-la enquanto ela voltava até a barraca da Madame – caloteira – Lou.ca, e eu fiquei pensando no que a velha disse. Cara, eu ia me separar dela... E depois, nós íamos nos reencontrar. Tá, que gay! É óbvio que ela era uma falastrona! Sorri ao ver sorrindo e andando até mim.
Os lábios dela se encostaram aos meus e seus braços foram ao meu pescoço. Levei um pouco de tempo para perceber o que estava acontecendo, mas quando me toquei, pousei uma mão na base de suas costas e a outra segurava o pescoço dela. Com a língua, pedi passagem para a boca dela e procurei pela sua. Gosto de morte, era o sabor dela. Por quê? É o que ela me faz sentir... Calafrios, borboletas no estômago, esses clichês todos. Eu não queria que acabasse. Quando nos separamos, ela ficou nas pontas dos pés e me abraçou. A banda que estava se apresentando tocava um cover do Nirvana. Eles tocavam Aneurysm.
- Love you so much it makes me sick. – ela cantou no meu ouvido, fazendo os pêlos da minha nuca se eriçarem.
- Chega a doer no peito. – eu completei.
Juntei nossos lábios rapidamente uma segunda vez e andamos até o "trem fantasma a pé", onde encontramos o resto dos fellas.
's P.O.V:
Enquanto andávamos até o resto do povo, uma sensação diferente e estranha fez eu me sentir um pouco má. Porém, eu estava tão feliz por finalmente ficar com Harry, que se me dissessem que conseguiram acabar com toda a floresta amazônica, eu nem ligaria.
- HEY, CASAL! – Danny gritou ao nos ver a três metros e vinte e sete centímetros de distância deles.
- Oi. – Harry disse sorrindo com a mão em minha cintura.
- E aí? – Tom disse também sorrindo.
- Vamos entrar? – Dougie nos olhou com os olhos brilhando.
- Tinha gente agoniada aqui, não? – eu o olhei, rindo.
- Você nem imagina o quanto! – gargalhou.
- Parecia que o Dougie tinha um parafuso no cú! Não parou quieto um segundo! – Danny zoou.
- Ah, vamos logo! – disse.
~ Capítulo 12: 's P.O.V
Andamos até a porta do “trem fantasma a pé” conversando besteira, quando eu travei. Uma sensação horrível me invadiu, não era medo, era como se eu sentisse que, ao entrar ali, algo mudaria. Como se, ao entrar ali, algo ruim fosse acontecer. Apertei a mão de Harry e ele virou-se:
- O que foi?
- Nada, é só que... – engoli em seco – Sei lá, não estou com uma sensação boa. Só isso.
- Ah, ! Vamos! Por favor?
Pensei por alguns segundos, murmurei um “vamos” baixinho e me forcei a andar de novo.
Logo estávamos numa sala cheia daqueles espelhos que nos deformam. Olhei para a frente e vi Dougie rindo da imagem de um Tom magricela, com o cabeção. Danny e sumiram, “devem ter ido dar uns amassos por aí”, pensei.
- Ei, vocês dois! – se virou para ver a mim e a Harry. – Deixem de ser antissociais e venham aqui! – Quando nos aproximamos, ela me perguntou em português: - O que está acontecendo com você?
- Nada, . Só uma sensação... Diferente. – Respondi em português e, seguindo o fluxo, rumei para a próxima sala, ainda segurando a mão de Harry.
Entramos numa sala totalmente escura e ouvimos a porta atrás de nós se fechar bruscamente, causando um barulho alto. As três luzes que pouco iluminavam a sala se apagaram, deixando tudo completamente escuro. Se eu me concentrasse, poderia ouvir tremendo, porque sei que ela caga de medo do escuro. Então, alguém pegou no meu ponto fraco ao colocar aquele tipo de risada no som.
Harry’s POV
- Harry. – apertou minha mão com mais força. – P-p-por favor, me di-diga que isso não foi uma risada de palhaço. – A voz dela era horror puro, e percebi que sua mão suava frio.
’s POV
- Calma, . – Harry disse, passando o braço no meu pescoço e beijando minha cabeça.
Uma luz que eu nem sabia existir foi ligada, iluminando uma mesa de madeira e uma cadeira. Aquilo parecia ter saído de uma cena de filme com interrogatório, tornando o clima mais assustador ainda. E, para completar, quem estava sentado na mesa, com um sorriso debochado, era o motivo para meus maiores pesadelos. É, um palhaço. Ele era a coisa mais aterrorizante do mundo, especialmente com aquela maquiagem que parecia ser sangue na boca dele e aquelas roupas demoníacas. Para completar, ele segurava uma arma. Que estava apontada para mim.
Pânico. Foi isso o que me atingiu em cheio. Eu tinha a certeza de que era só uma brincadeira. Até eu me lembrar das palavras da misteriosa Madame Lou. “Aproveite seu tempo com Harry. E tome cuidado com palhaços.”, foi o que ela me disse, e agora eu sabia, eu sentia que tudo o que ela havia me falado era verdade. Era tão óbvio o tempo todo, aquela mulher tentou me ajudar o tempo todo e eu pensei que ela era uma enganadora fajuta. E eu não conseguia acreditar que eu tive tanto pouco tempo com Harry.
Analisei o palhaço, tentando descobrir quem era por baixo daquelas roupas e maquiagem terríveis. Meu olhar foi parar na mão que estava repousando na mesa e, não sei como, vi um “HJ” tatuado nele. Um choque percorreu todo o meu corpo: era Chloé. Ela mantinha os olhos verdes fixos em mim e sorriu insanamente, com a arma ainda apontada para mim.
Harry’s POV
Demorei um pouco até perceber o que estava acontecendo, caiu no chão, fazendo todos a olharem. Por impulso, me ajoelhei e, quando virei sua cabeça, percebi que seu pescoço sangrava e sua blusa começava a ficar ensopada. Levantei a blusa e vi que ela estava sangrando na altura das costelas. Olhei confuso para o palhaço, e ele deu uma risada que eu já conhecia:
- Chloé. – Sussurrei, atônito.
- Isso mesmo. E um silenciador, por isso você não ouviu o barulho do tiro. – Ela disse, deixando a arma em cima da mesa e andando até mim.
Eu me levantei de sobressalto, enquanto absorvia o que estava acontecendo.
- Agora, podemos ficar juntos, meu amor! – Ela disse, andando em minha direção, com os braços abertos.
Dei um passo para trás e olhei rapidamente para Tom, que, junto com , pegava no colo para tirá-la daquele lugar. Levei um choque de realidade quando vi sentada em cima de Chloé, puxando os cabelos dela e a arranhando. Foi quando eu percebi o que estava acontecendo, quando eu fiquei puto. De verdade. Dougie andou até as duas e, depois de alguma luta, conseguiu tirar de cima de Chloé.
- SUA PUTA! EU QUERO MINHA AMIGA DE VOLTA! – gritava esbravejando ao mesmo tempo que eu andava até Chloé.
Eu estava sendo totalmente controlado pelo ódio. Sem dó nem piedade, peguei os cabelos de Chloé – que já haviam crescido um pouco depois do surto – a arrastei até a parede mais próxima, e a joguei lá com força. Ela bateu contra a parede e caiu.
- VOCÊ ANDOU COMENDO MERDA, CHLOÉ? – Eu gritei. – SERÁ QUE VOCÊ NÃO ENTENDE QUE FOI VOCÊ QUEM CAUSOU TUDO ISSO? QUE É POR SUA CULPA QUE EU NÃO TE AMO MAIS?
Ela soluçava, e a vontade que eu tinha de matá-la só crescia mais e mais.
- Agradeça a Deus por eu ser homem e não bater em mulher. – Eu disse, com a voz um pouco controlada. – Por mais desprezível que ela seja.
- Você não entende, Harry? Você nasceu para mim e eu, para você.
Perdi completamente o controle e, depois de gritar mandando-a calar a boca, bati sua cabeça com força na parede.
- Dude. – Dougie tocou meu ombro, tentando me ajudar a me acalmar. – A polícia está vindo.
- Eu quero que você vá para o inferno! – Eu disse, cuspi na cara dela e saí de lá com Dougie.
Quando saí de lá, a polícia já havia chegado, acho que eram os guardas que estavam lá no parque, não sei. Pude ver que tudo ainda estava normal, cada um metido com sua própria vidinha idiota e a garota que eu amo numa ambulância, correndo risco de vida. e Dougie estavam ao meu lado, ela falava em português ao telefone e ele tentava ligar para Danny.
- Hey, dude... – Danny provavelmente estava reclamando com ele por ter interrompido algo, porque Dougie apenas ouviu em silêncio e depois falou: - Eu sei, dude. Mas a se machucou. – Pausa. – Em frente ao trem fantasma. – Ele parou pra ouvir. – OK, venha logo.
Segundos depois, o celular de Dougie tocou de novo:
- Fala, Tom. – Ele disse e esperou para ouvir o que Tom falava. – Certo. – Tom o interrompeu. – Vamos com o Danny ou pegaremos um táxi. Para onde vocês estão indo? – Dougie me olhou enquanto ouvia. – Ele tá bem. Não sei. – Ele parou de novo para ouvir o que Tom dizia: - Royal Portuguese? É perto daqui. – Ele desligou e me olhou. – Como você está, dude?
Apenas encolhi os ombros em resposta.
- Ela está indo pro hospital, não sei nem como ela está agora, por minha causa, Doug.
- Vai dar tudo certo. – Ele me disse e me abraçou.
- O pai dela surtou. – disse depois de desligar o telefone.
- E aí? – Dougie perguntou.
- Eles vão pegar o próximo vôo pra cá, mas não podem ficar muito tempo, têm que ir a Taiwan em três dias.
- O que houve, dudes? – Danny perguntou quando chegou junto com .
- levou um tiro. – A voz de Dougie ecoou em meus ouvidos; os queixos de e Danny caíram ao mesmo tempo e senti meu coração apertar.
- Cadê ela? – perguntou, com a voz já embargada.
- Indo pro Royal Portuguese Hospital, com Tom e . – Dougie respondeu.
- Vamos pra lá. – Danny disse.
~ Capítulo 13:
Dougie e Danny andavam na frente, quase correndo; andava ao lado de , abraçando-a de lado e a consolando, e eu estava atrás. Sozinho. Anestesiado. É... Acho que é essa a melhor palavra para definir o que eu sentia na hora. Senti uma mão no meu ombro e me virei, completamente desnorteado.
- Harry, você sabe o que houve aqui? – Não consegui reconhecer quem estava falando comigo, o rosto me era estranho, assim como a voz.
- levou um tiro. – Respondi, tentando me situar e reconhecer aquele que me falava.
- Como assim? Cadê ela? – Reconheci James quando ele se desesperou.
- Tom e estão com ela no Royal Portuguese. – Aquelas palavras me faziam sentir como se eu estivesse ingerindo ácido. Doloroso. Desesperador. Se eu não tivesse pedido para ela ir comigo... – Vocês já tocaram?
- Acabamos de tocar. Vou seguindo vocês no carro.
Dei de ombros, murmurei um “ok” e fui andando roboticamente para o carro de Danny.
Não lembro o que se passou durante o caminho até o hospital, além de ficar olhando para a chuva que caía na janela. Minha mente? Parecia que havia sofrido um blackout ou algo do tipo. Quando menos percebi, já estava numa daquelas salas de espera que você só vê em filme e nunca imagina que vai para lá um dia. Eu nunca havia estado numa sala daquela antes. E nunca tinha pensado em ir lá. Tom e já nos esperavam quando chegamos lá.
- Ela foi levada para a sala de cirurgia. – Tom disse. – Vão retirar as balas, fazer transfusões de sangue, essas coisas.
Andei até a cadeira mais próxima e deixei meu corpo cair nela. Eu estava semi-acordado e totalmente alheio ao que estava acontecendo ao meu redor. Eu só conseguia ficar parado, olhando pro nada, com a mente vagando, pensando nela, nos sorrisos dela, nos poucos momentos que tivemos juntos. E, mesmo assim, eu não conseguia sentir mais nada. Nem raiva, nem tristeza, nem nada. Dizem que é assim que você se sente quando está incontrolável e profundamente triste, você fica anestesiado. Literalmente.
- Harry... – James tocou meu ombro, chamando minha atenção. – Ela vai ficar bem, dude. Ela é uma garota forte, nós sabemos disso. É a , dude! – Assenti com a cabeça em resposta.
O telefone de tocou e eu a observei sem muito interesse. Ela falava rápido em português ao telefone, devia ser com os pais dela, mordia o lábio quando estava ouvindo e assentia com a cabeça. Ao terminar a ligação, ela me olhou e disse:
- Os pais dela estão no aeroporto. O vôo sai em meia hora.
- Que horas são? – perguntou.
- Uma e meia. – Dougie respondeu.
Bati com a cabeça na parede atrás de mim e voltei a me desligar do mundo, até que um homem com uma prancheta, vestido de branco, entrou na sala e perguntou pelo irmão dela. Tom se levantou num sobressalto e, enquanto analisava o resto de nós na sala, perguntou:
- Tem mais alguém aqui com alguma ligação familiar?
- Sou o namorado dela. Conta? – Eu disse, olhando o médico com esperança.
- Não muito quando se tem mais familiares por perto. Me acompanhe, senhor...? – Ele me olhou, estendendo a mão e esperando que eu dissesse meu nome.
- Harry Judd. – Eu disse e apertei a mão dele.
Nós saímos da sala de espera e, quando estávamos a um metro de distância da porta, o médico se virou para nós.
- Senhores, devido às circunstâncias de a paciente ser uma intercambista, os médicos que a estão operando agora pediram para informar que ela está bem até agora, já temos por volta de três horas de cirurgia, já removeram as balas, entretanto, estão fazendo uma pequena reconstrução da traquéia e do pulmão, que foi perfurado por duas costelas quebradas, e uma transfusão de sangue. Sugiro que vão para casa, tomem banho, durmam, descansem e voltem mais tarde.
- Nós vamos... Todos precisamos de um descanso depois do dia de hoje. – Tom disse, pegando meu ombro e me puxando de volta à sala, depois de agradecer ao médico.
- Não... Vocês vão. Eu vou ficar. Só saio daqui quando ela estiver acordada. – Eu disse, firme.
- Eu fico com você. – Tom disse.
- Não... – Eu respondi. – Vá, durma, e volte amanhã. Eu fico.
Depois de relutar um pouco, garanti não só a Tom, mas também aos outros que eu ficaria bem. Quando fiquei só, voltei a me anestesiar. Saí do planeta Terra, eu estava dormindo de olhos abertos. Não sei quanto tempo se passou até que o mesmo médico de antes viesse até mim:
- Você devia ter ido para casa. Ela saiu da sala de cirurgia, - quando ouvi isso, me levantei rapidamente, enquanto o ouvia completar: - mas houveram certas complicações durante a cirurgia... – Ele parou para me analisar.
- E...?
- E ela entrou em coma. – Abri a boca para perguntar o que aquilo significava, se ele estava brincando com a minha cara ou algo do tipo, mas ele foi muito mais rápido: - Ela vai ficar bem. É uma garota forte. Nós achamos que não durará muito.
- Posso vê-la? – Foi a única coisa que saiu da minha boca e, ao vê-lo confirmar, o segui.
Quando entrei no quarto, lá estava ela... Deitada numa cama, ligada a um monte de aparelhos. A minha . E eu não podia fazer nada. O médico disse que ia me deixar lá com ela e, assim que ele saiu, eu andei até ela. À medida que eu andava, meus olhos se enchiam de lágrimas. Era culpa minha ela estar assim. O pescoço dela estava todo envolto numa faixa, que tinha um pouco de sangue. A mão dela estava gelada e eu não consegui me impedir de falar:
- ... Eu vi nos filmes que, quando uma pessoa tá assim como você, ela pode ouvir o que os outros dizem a ela. Me desculpa, tá? – Eu dizia em meio a soluços. – Se eu soubesse em algum momento, por um segundo, que você ia ficar assim por minha causa, eu preferia te amar de longe. Eu preferia nunca ter me aproximado de você, por mais que isso doesse. Mas agora eu já não consigo mais. Eu preciso de você, eu preciso que você acorde pra ficar comigo, tá? Por favor, não me deixa, meu amor. – Depois de dizer isso, uma sensação de tranqUilidade me invadiu, eu comecei a sentir que tudo ia dar certo, que ela ia ficar bem.
Andei até o sofá que havia ali no quarto e joguei meu peso nele. Fiquei olhando aquele monitor com a luzinha verde que fica marcando os batimentos cardíacos dela até que adormeci.
Acordei de sobressalto com um barulho, pensava que ela tinha acordado, mas era Tom. O médico o encarava e ele estava estático, enquanto um copo de café jazia no chão.
- Como assim ela está em coma?
- Houveram certas complicações na cirurgia de reconstrução da traquéia e ela não respondeu muito bem.
- E agora? – Tom perguntou, olhando para o médico, e, depois, para mim.
- Agora, iremos esperar. Ela é uma garota forte, acreditamos que em pouco tempo ela estará acordada de novo. – O médico disse, fazendo com que eu e Tom nos encarássemos e, depois de alguns minutos, estávamos sozinhos ainda nos encarando, um de cada lado daquele quarto, sem dizer nada. Ele deixou-se cair na poltrona que estava atrás dele e eu me sentei.
O único barulho que ouvíamos era o que media os batimentos cardíacos dela, e isso demorou mais alguns minutos. Eu já tinha minha cabeça entre as mãos e os cotovelos apoiados nos joelhos quando ouvi a voz de Tom:
- Dizem que, quando você conversa com quem está assim, quando você lê, canta e toca pra ela, ela melhora mais rápido.
Levantei minha cabeça, olhando-o de forma interrogativa, e ele deu de ombros: - Só acho uma boa ideia.
- É uma ótima ideia, Tom. Ela não ia querer tudo tão parado assim... Simplesmente não combina com ela. – Eu disse, suspirando.
- Não mesmo. – Tom deu um sorriso triste. – Olha como ela parece frágil, Hazz. Ela simplesmente não é assim. Ela precisa melhorar logo. Não aguento vê-la assim. É demais pra mim. – Ele terminou o desabafo com um muxoxo.
- Nem eu... E o pior é saber que ela está aqui por minha culpa.
- Cara, vai tomar um banho, descansar um pouco, eu fico aqui com ela. Sério. Você tá acabado, dude. E já está pensando besteira também. Não foi sua culpa, foi simplesmente o que tinha que acontecer. – Ele tentou, infrutiferamente, me confortar.
Hesitei por alguns segundos, mas percebi que minha roupa ainda estava cheia de sangue e disse: - OK, eu vou, durmo um pouco e trago algumas roupas. Vou ficar aqui com ela.
- Nós podemos sempre revezar, você sabe... – Tom disse.
- Não... Eu vou ficar aqui com ela, Tom... Isso aconteceu por minha culpa.
- Você sabe que não, Hazz.
- Eu estou falando sério. Eu me culpo. E vou ficar com essa culpa até ela acordar e dizer que me perdoa.
- Vá para casa, descanse... Você precisa disso. – Tom disse, me vendo andar até a porta. Murmurei um “tchau, cara” e fui embora sem ao menos esperar resposta.
Cheguei em casa sem ao menos dar notícia para a minha mãe: já devia ter feito isso. Fui até o quarto, entrei no banho e deixei que a água quente fizesse com que o cansaço pesasse mais ainda. Joguei-me na cama e adormeci.
Acordei quando já era noite. Olhei no relógio, eram 20:00. Peguei algumas roupas, as enfiei numa mochila, peguei o carro e voltei para o hospital. Ao chegar no corredor do quarto de , pude ouvir as vozes de Danny e Tom cantando “That Girl” numa versão acústica, com apenas dois violões. Sorri e continuei andando. Ao entrar no quarto, eles pararam de cantar e sorriram pra mim. Sorri de volta, joguei minha mochila perto do sofá e disse:
- Vocês podem ir, devem estar cansados.
- Tá tudo bem. – Tom disse e sorriu.
- Eu trouxe pra você o livro que ela estava lendo, Hazz. – Danny disse, andando até mim e me entregando um exemplar de “Havier than Heaven”.
- Ela ama esse cara, né? – Eu ri sem graça, mostrando Kurt Cobain na capa para eles.
- Demais. Quero ver o que ele tem que eu não tenho. – Danny disse, rindo. Era bom tê-lo ali para amenizar a situação.
- Obrigada, dudes. – Eu disse e eles apenas sorriram para mim.
Dougie chegou logo depois com baralho para jogarmos enquanto o sono não chegava. Eles decidiram que dormiriam lá clandestinamente. Eu tenho os melhores amigos do mundo. Percebi que Tom evitava olhar para naquele estado. E eu o entendia, eu sei como é ter quem você ama naquele estado. Afinal, eu também a amo.
Os dias estavam se passando lentamente, porém, mais rápido do que eu imaginava que seriam. Os caras estavam quase sempre lá conosco, Tom dormiu todas as noites lá, e, antes de dormirmos, ou ele ou eu líamos alguma parte do livro para ela. Eles sempre tocavam alguma coisa e Dougie sempre estava lá comigo. As meninas sempre passavam por lá, mas não ficavam muito porque não conseguiam vê-la naquele estado. Os pais dela tiveram problemas desde que chegaram ao aeroporto, perderam o vôo e, por isso, passaram pouquíssimo tempo lá, depois de se certificarem de que Chloé seria indiciada, e, para isso, eles estavam pagando aos melhores advogados criminais de Londres e se assegurando de que a melhor equipe de médicos estaria a acompanhando. Já havia se passado uma semana e meia desde que entramos naquele quarto pela primeira vez e eu estava lendo para ela:
- “Quando a caixa perfumada chegou em Olympia, era a coisa de melhor cheiro no apartamento da rua Pear, embora esta distinção não fosse difícil de alcançar. Kurt... – Ouvi o aparelho que mede os batimentos cardíacos parar de apitar e fazer um barulho contínuo, indicando que o coração dela tinha parado. Meu coração apertou e parou junto ao dela, e, ao levantar rapidamente, deixei o livro cair no chão.
Debrucei-me sobre a cama, em estado de desespero, e a vi. Ela acordou. Era o que eu repetia mentalmente, ao vê-la olhando para o teto e com o dispositivo que a ligava à máquina dos batimentos na mão. E ela sorria.
- ? – Eu disse, sem conseguir controlar um sorriso, enquanto seus olhos se focavam em mim e ela sorria mais ainda. – Eu fiquei tão preocupado, nunca mais faça isso comigo, tá? – Eu disse, chorando e acariciando o rosto dela.
- Não chora, Hazz. Eu tô bem. – A voz dela saiu parecida com a do Pato Donald e ela me olhou com uma cara estranha: - Por que eu estou com essa voz? Que voz ridícula. Quero minha voz de travesti fanho de volta. – Ela reclamou, me fazendo rir.
- Você não muda nunca? Estando neste estado e ainda faz piadas? – Eu disse, ainda com os olhos cheios de lágrimas, passando a mão em seus cabelos.
- Se você calar a boca, sua voz vai voltar, né, burra? – disse rindo e andando na nossa direção, enquanto sorria. – Estou feliz que tenha acordado. Você deu um susto escroto na gente, ok? Você está proibida de fazer isso!
- Desculpa. – fez a cara do gato de botas do Shrek e deu um beijo na testa dela.
- Ela acordou? – Danny colocou a cabeça para dentro do quarto e, quando viu levantar a mão com um sinal de “legal”, ele entrou todo saltitante com os outros.
mudou o vaso de tulipas que ela mantinha lá, porque as antigas já estavam murchando, e depois deu um beijo em . Tom e Dougie estavam bem agitados, assim como todos nós.
Alguns minutos depois, o médico chegou e foi bombardeado por perguntas e resmungos de : “Quando eu posso me levantar?”, “Posso ir pra casa?”, “Minha voz? Que coisa horrível é essa?”, “Eu quero andar, não consigo ficar parada, doutor...”. Ele sorriu, e disse:
- Calma. Uma resposta por vez. Primeiro, você precisa se alimentar direito e, quando tiver força o suficiente, vai poder se levantar. Segundo, você vai poder ir para casa assim que tivermos certeza de que já está tudo bem, depois de alguns exames de rotina acho que sábado, no máximo, você estará em casa. E, terceiro, sua voz...
- A voz dela está RIDÍCULA! – interrompeu o médico e começou a rir. Em resposta, mostrou o dedo do meio para ela.
- Ah, doutor, ela canta na nossa banda, como faremos se ela não puder mais cantar? – perguntou, preocupada.
- A voz dela vai continuar o que era antes. – O médico disse. – Ela só está assim por causa de uma leve reconstrução de traquéia. – Ele virou-se para ela e perguntou: - Você quer saber o que aconteceu com você?
- Não... – Ela respondeu. – Eu quero saber se posso me sentar, não aguento ficar assim, doutor!
Ele respondeu que sim e eu a ajudei a sentar enquanto ele dizia que, mais tarde, enfermeiras iriam trocar os curativos dela. O dia se passou desse modo, tentava não falar, o que era extremamente difícil para ela, Danny e Dougie faziam graça o tempo todo e Tom e as meninas perguntavam se ela estava bem a cada cinco minutos.
James chegou à noite, quando ela estava quase dormindo com a cabeça encostada no meu ombro:
- DUUUUUUUUDES! QUASE QUE NÃO CHEGAVA AQUI HOJE! – Ele gritou, sem ao menos ver que estava dormindo.
- Jimmy! – disse e abriu os braços. – Chegue, meu abraçinho!
Ele a abraçou, tirou o cabelo de trás da orelha dela e disse: - Nunca mais me dê um susto desses, mocinha!
Ela deu uma risada fraca, mas pela primeira vez não consegui rir junto com ela. Sinto que James ainda é apaixonado por ela. Eu sei que ele é.
- Hoje é o dia do resultado do Lolapalooza! – Ele disse sentando, enquanto Dougie ligava a TV no noticiário local.
As meninas davam uma entrevista:
- Namorando. – disse.
- Solteira. – Foi a resposta de . Olhei-a e ela deu de ombros.
Quando a entrevista terminou, a repórter disse:
- Ao fim dos shows, trinta bandas foram classificadas para a segunda fase. Entre elas está Piece Of Nothing, a banda cuja entrevista vocês acabaram de ver, McFly, Busted, 4 Monkeys, Atlanta Eagles... – A mulher continuou a dizer as bandas que haviam passado para a segunda fase, mas já não ligávamos mais. As três bandas mais importantes passaram! As meninas riam, pulavam, gritavam e se abraçavam, assim como os caras. Até eu entrei na onda! Mas só sorriu e abaixou a cabeça. Voltei a me sentar ao lado dela e perguntei o que ela tinha.
- Se minha voz não voltar, Hazz? Eu vou ter que sair da banda, e... – Os olhos dela se encheram de lágrimas e eu a abracei.
- Não, ... Você ouviu o médico, vai dar tudo certo, amor.
Depois, todos saíram para comemorar e quase me expulsou de lá para ir comemorar com os caras. Não estava no clima e, depois de reclamar com ela, consegui com que ela se acalmasse mais.
~ Capítulo 14:
Dois dias depois de ter acordado, ela foi liberada do hospital, mesmo que precisasse voltar lá todos os dias por uma semana para trocar os curativos. havia criado um Myspace e Twitter para Piece Of Nothing, que passou para os cuidados de , que ainda precisava ficar de repouso. Ela se viciou tanto no Twitter que conseguiu fazer com que todos nós fizéssemos também. Passado um mês desde que ela acordou, ela já estava recuperada quase que 100%, até tinha voltado a ensaiar com as meninas, mas ainda continuávamos indo a sessões de terapia juntos, que os pais dela tinham insistido que fizéssemos juntos. Estamos a dois dias do julgamento de Chloé e a três semanas do fim do concurso.
- Você não faz ideia de como me senti quando a vi daquele jeito. – Eu disse para a psicóloga. só ouvia. – Eu não sei como descrever... Foi uma sensação horrível, como se o mundo tivesse desabando. Eu achava que ela tinha morrido.
- E é por isso que vocês ainda não fizeram sexo? – Ah, é... Esqueci de comentar que a psicóloga também deveria tratar do nosso relacionamento. Olhei para , desesperado, esperando que ela me ajudasse, e ela apenas abaixou a cabeça, rindo.
- Entendam... Vocês duas. Eu tenho medo de machucá-la – abriu a boca para responder, mas eu levantei a mão, pedindo para que ela permanecesse calada: - Ela ainda me parece frágil, sei lá...
- Eu não sou frágil! – disse, indignada, cruzando os braços feito uma criança.
- Eu sei que não, ... – Eu disse a olhando. – Mas mesmo assim. Não foi você que esteve no meu lugar. Você está mais forte e isso é fato. Eu só preciso me acostumar com isso, ok? – Ela sorriu pra mim e aquiesceu com a cabeça.
- E como vocês se sentem em relação ao julgamento de amanhã?
- Eu só a quero longe de mim. – disse. – Ela estragou minha voz por quase um mês. Eu achava que ia ter que sair da banda, passei por cirurgias... Assim... Não quero matá-la, mas quero que ela morra. – Ela disse e começou a rir, enquanto eu e a nossa psicóloga a olhávamos. – Ah, qual é, ela tentou me matar. Não sou Madre Tereza pra perdoar essas coisas todas, ok?
- E você, Harry? Como se sente? – A psicóloga perguntou.
Refleti por alguns segundos e disse: - Acho que da mesma forma que . Quero Chloé o mais longe possível de todos nós. Quero ter um pouco de paz, se não for pedir muito. Já não basta o período perturbador que tivemos antes disso...
A sessão terminou e fomos para casa. No caminho, quando parei num sinal vermelho, reclamei com por ela ter respondido que ainda não tínhamos “consumado nosso relacionamento” quando a psicóloga perguntou.
- E você queria que eu dissesse o quê? Que eu mentisse? – Ela disse, levantando as mãos, encolhendo os ombros, arregalando os olhos e me fazendo rir.
- Você não vale nada, sabia? – Eu disse, ainda rindo.
- Eu sei. – Ela disse e começou a rir.
Simplesmente não sei como ela passou por esse trauma todo e ainda é uma pessoa tão feliz e divertida. Não sei como eu estaria se estivesse no lugar dela.
******
O dia do julgamento chegou e, com ele, os pais de também. Era óbvio que eles estariam aqui para ver a derrota esmagadora de Chloé. Afinal, os ricos eram eles. Foram eles que pagaram pelos melhores advogados que eles poderiam ter conseguido. Quando Chloé entrou na sala, lançou um olhar desafiador para , e, ainda, um sorrisinho sarcástico. Os advogados de Chloé eram defensores públicos, seus pais tinham uma boa situação financeira, mas sabiam que ela era culpada e que devia ser punida. A mãe dela chorava copiosamente e o pai estava sério.
- Ela não é mais a mesma pessoa que amei um dia. – Sussurrei para Tom.
- Claro que não. – Ele respondeu. – Ela parece mais uma maluca psicopata. Olhe o cabelo dela.
O cabelo dela estava metade ruivo e metade castanho, curto e desgrenhado. Seu rosto, sem nenhuma maquiagem e cada vez mais cadavérico. Provavelmente estava passando fome na prisão.
Não preciso dizer que, em relação aos defensores públicos, os advogados de estavam muito mais bem preparados. Apresentaram fotos da cena do crime, de se recuperando no hospital, fotos que eu nem imaginava que eles tinham. Além disso, a oralidade deles foi impecável. E eu acho que os advogados de Chloé já encaravam tudo como um caso perdido. Não senti neles a mínima tentativa de livrá-la da prisão, como se eles já soubessem qual seria a sentença dela e tudo. A sentença foi 125 anos de prisão por várias infrações. Ou seja: prisão perpétua. Além disso, os pais de Chloé deveriam indenizar com todos os gastos que foram necessários com hospital e essas coisas. Não que ela precisasse disso, mas foi o determinado. O julgamento não durou mais que uma manhã. Quando estava indo embora, vi nossa psicóloga lá, sorrindo com o resultado.
Os pais de fizeram questão que fôssemos todos jantar, para comemorar a “vitória”. Eles provaram de quem ela recebeu sua educação impecável, assim como ela deu aulas de etiqueta. Foi agradável com todos, principalmente com os advogados dos pais:
- Vocês hoje me inspiraram a ser advogada. Se meus planos não derem muito certo, o mais provável é que siga essa carreira.
- Aposto que você seria uma ótima advogada, senhorita Medeiros. – O mais velho deles disse.
- Inteligente e bonita, você tem tudo para ter qualquer júri na sua mão. – O mais novo disse, dando um sorriso que, na minha opinião, foi muito safado. Ele devia ter uns 25 anos e senti como se ele estivesse dando em cima dela algumas vezes durante o jantar. Felizmente, ela pareceu não notar. Ou, se notou, fingiu muito bem que não.
Eles ficaram por Londres apenas mais dois dias e eu me ofereci para levá-los ao aeroporto com . Ela e a mãe se abraçaram, chorando, enquanto eu e o pai dela as encarávamos divertidos. Enquanto Luma abraçava o pai, a mãe me abraçou também e disse:
- Harry, cuide da minha menina.
- Pode deixar. – Eu disse e sorri para ela.
O pai de me deu um aperto de mão e disse:
- Cuide do meu pudinzinho, Harry.
Eu e rimos com o “pudinzinho” e ela o abraçou mais uma vez, enquanto a mãe dela disse que eu seria bem-vindo na casa deles no Brasil sempre que quisesse e que a irmã de estava louca para me conhecer. Minhas bochechas coraram quando soube que até a irmã dela queria me conhecer.
Voltando para o carro, um cara qualquer a parou e perguntou se poderia tirar uma foto com ela.
- Claro! – Ela disse, empolgada.
- Você é muito gata, como está solteira? – Ele perguntou.
- Na verdade, eu não estou mais solteira... – Ela disse, andando até mim e me abraçando. – Estou com ele. Ele toca bateria pro McFly, eles também tocaram no Lolapalooza.
- Ah, sim... – O cara disse, me medindo. – Eu lembro. Bem... Quando acabar o namoro, pode me chamar.
Segurei-me pra não espancá-lo ali mesmo.
riu e disse: - Pode deixar... Qual seu nome mesmo?
- Oliver Twisp.
- OK, Oliver. Vou atrás de você se acabar o namoro. Agora preciso ir... – Ela se despediu dele dando um beijinho na bochecha dele e viemos embora.
- What a jerk! – Ela comentou comigo.
- Ele tava pedindo pra apanhar. – Eu disse.
- Relaxa, Judd. – Ela disse, sorrindo e empurrando meu ombro levemente. – Você sabe que tem a garota.
- Sei, é? – Perguntei, colocando minhas mãos na cintura dela e me inclinando para beijá-la.
- Sabe sim, besta. – Ela riu e me beijou.
’s POV:
Hoje nós decidiremos como ficará nossa vida. Hoje é o dia do show, o dia que saberemos se eu me tornarei advogada ou se continuarei no ramo musical. Como fui a primeira a acordar, decidi fazer café-da-manhã para todos. Fiz muitas panquecas e ovos com bacon. Quando estava terminando, senti mãos na minha cintura e um beijo na nuca:
- Bom dia, doçura.
- Doçura, Harry? – Me virei pra ele, rindo. – Breguinha você, hein... – Ri e dei um selinho nele. – Vai acordar o povo, o café tá pronto.
- Ok. – Ele disse e se abaixou e abriu o armário das panelas. Depois, pegou uma colher de pau e saiu batucando com ela pela casa e gritando: - fez comida!
Em menos de dez minutos, estavam todos à mesa, comendo felizes. Falamos sobre as músicas que escolhemos para tocar:
- Acho digno tocarmos “I Am The Walrus” no lugar de “Ain’t Talking About Love” – eu disse e e concordaram comigo.
- Por que você sempre sugere que mudemos o repertório faltando, tipo... VINTE MINUTOS para tocarmos? – , como sempre, reclamou.
- Não faltam vinte minutos, . – Eu disse. – E, além disso, nós mudamos da última vez e deu certo. – Completei e ela deu de ombros.
- E quais os outros covers? – Tom perguntou.
- “London’s Burning”, do The Clash; “In Bloom”, do Nirvana – eu sabia que estava fazendo cara de orgulhosa por fazer o cover de uma das minhas músicas preferidas – e “Pump It Up”, do Buckcherry. E vocês?
- “Black Or White”, do Michael Jackson. – Danny respondeu.
- “My Generation” e “Pimball Wizard” do The Who. – Harry respondeu, com os olhos brilhando.
- E “Help”, dos Beatles. – Dougie disse. – Clássico, né? Não podia faltar Beatles!
- E as composições originais? – Perguntei.
- “Broccoli”, “Obviously”, “Hypnotised”, “Saturday Night” e “Five Colours In Her Hair.” – Tom respondeu e vi abaixar a cabeça. Ela não é lá muito fã dessa música…
- Gosto de “Saturday Night”. – Eu disse, com os olhos brilhando.
- E eu, de “Broccoli”. – comentou, sorrindo.
- A melhor, com certeza, é “Obviously”. – falou e eu a empurrei com o ombro:
- Ah, qual é, você só fala isso porque Danny e Tom compuseram pra você e para !
apenas soltou um muxoxo e deu um sorriso fraco. Percebendo o clima, Dougie perguntou quais músicas iríamos tocar.
- “Troublemaker” e “Cinnamon Lips”. – Eu respondi, orgulhosa por saber que duas músicas eram de composição unicamente minha.
- “Bye Bye Baby”. – disse.
- “A Good Idea At The Time”. – completou.
- E “Crash The Party”. – terminou.
- Não conheço “Troublemaker” nem “Crash The Party”. – Tom disse.
- “Troublemaker” é minha, Tommy. E “Crash The Party” é da estraga prazeres da . – Eu disse, rindo, enquanto ela me socava o ombro.
Tom e ficaram lavando a louça, enquanto eu e Tom fomos ver desenho, um jogado por cima do outro. Harry, Dougie e Danny foram ver algo nos instrumentos e e foram fazer compras. James chegou pouco depois e também se jogou em cima de mim, ficamos assim por um bom tempo até que fui tomar banho e tocar um pouco de violão, o que é bom pra espantar um pouco do nervosismo.
Depois do almoço, decidi que já era hora de começar a me arrumar, porque os organizadores nos queriam lá no parque uma hora antes de as bandas começarem a tocar; o clima de Londres estava agradável, então peguei meu all star amarelo gema, minha blusa de “O Poderoso Chefão” por baixo de um cardigã roxo e um short jeans. Sorri para a minha roupa e entrei no banho. A água quente caía (lê-se: queimava) no meu pescoço e eu senti mãos na minha cintura e um beijo no pescoço, me encolhi e me virei, colocando as mãos nos ombros dele.
- Posso saber a quê devo a honra de um banho com o Sr. Judd? – Disse, mordendo o lábio e arqueando a sobrancelha.
- A ser minha namorada? – Ele disse antes de se aproximar mais ainda de mim e me beijar.
Desci a mão do seu ombro até sua ereção e comecei a movimentar minha mão para cima e para baixo, fazendo Harry gemer. Enquanto ele me beijava, desceu as mãos para a base da minha bunda e me puxou para cima, fazendo-me envolver minhas pernas em sua cintura. Levei meus lábios até seu pescoço, mordi-o e depois o lambi, sorrindo entre os dois quando ouvi Harry suspirar alto. Dei um sorriso safado que ele não pôde ver, levei meus lábios a seu ouvido e, antes de morder o lóbulo de sua orelha, disse:
- Quem é frágil agora?
Ele deu uma gargalhada, jogando a cabeça pra trás e me soltando levemente:
- Você não.
Harry se inclinou e mordeu meu lábio, dando um sorriso safado quando me ouviu suspirar. Soltei-me dele e, antes que ele pudesse pensar no que eu ia fazer, dei um meio sorriso e arqueei a sobrancelha, mantendo contato visual com ele enquanto me abaixava. Não demorei muito por ali, passei minha língua por toda a extensão de seu membro e, em seguida, o acariciei com a mão, fazendo Harry ficar com a respiração pesada e dizer em tom ameaçador:
- Não me provoque, .
- E se eu quiser provocar? – Perguntei enquanto me levantava, ainda fazendo movimentos de “vai-e-vem” nele.
- Aí você vai ter que aguentar as consequências. – Ele disse mordendo o lábio e me puxando mais ainda para si.
Arranhei levemente sua nuca e rocei levemente meus mamilos em seu peito enquanto ele me beijava. Depois, ele desceu os beijos para o meu queixo, dando uma mordida forte e fazendo com que eu sentisse como se minha intimidade fosse explodir a cada segundo. Parecendo adivinhar, ele desceu os beijos e mordidas para meu pescoço, alternando chupões com mordidas no final ou apenas mordidas e enfiou dois dedos na minha vagina, me fazendo gemer.
- Eu disse que você ia ter de aguentar as consequências. – Ele disse em meu ouvido e me beijou.
- E quem disse que estou reclamando? – Respondi contra os lábios dele e depois o mordi.
Lambi seu pescoço e mordi seu ombro enquanto ele voltava as mãos para a base da minha bunda, então, mais uma vez, envolvi sua cintura com minhas pernas e o deixei que, dessa vez, ele me penetrasse. Ele alternava mordidas no meu queixo e no meu ombro, e me levou ao orgasmo duas vezes antes de ele próprio atingir o ápice do prazer.
Depois do banho, Harry vestiu uma calça jeans qualquer e ficou deitado na cama, me observando enquanto eu me arrumava. Quando terminei e perguntei o que ele achava, ele disse:
- Não gostei.
- Por que, meu amor? – Perguntei carinhosamente.
- Porque esse short é muito curto e todos os caras vão olhar para as suas pernas.
- Deixe olharem. – Eu disse, andando até ele e sentando em sua barriga, com uma perna de cada lado dele, e levei as mãos dele até minhas coxas. – Eles só podem olhar. – Eu disse e dei um selinho nele. – Mas só você que pode tê-las. – Completei, vendo-o se inclinar para morder minha coxa esquerda. Passamos alguns segundos nos encarando, até que não resisti e o beijei. Ele estava com a mão na minha bunda, quase me levando a ficar nua de novo, quando Dougie (impertinente), entrou sem nem ao menos bater na porta e disse:
- Ei, prostitutos! Vamos embora?
- Já? – Harry perguntou. Tínhamos perdido a noção do tempo com aquela “brincadeirinha infantil” no banheiro.
- Já? – A voz de Dougs saiu esganiçada. – Só falta vocês! Estavam todos nos carros quando perceberam que vocês não estavam lá. Desçam logo, se não e Tom vão vir aqui arrastar os dois pelos cabelos! – Ele disse e fechou a porta.
Nos demos conta de que eu ainda estava sentada em cima de Harry e que ele ainda com a mão na minha bunda. Foi o tempo de Dougie voltar e dizer, rindo:
- E deixem de fazer safadeza aí, casal viril.
Dei uma gargalhada, enquanto saía de cima de Harry e ele mostrava o dedo do meio pra Dougie. Peguei minha guitarra e minha palheta do John Lennon que Harry havia me dado um dia desses e descemos juntos. Apenas ri das piadas e caras pervertidas que as meninas faziam, enquanto via Harry esmurrar Danny de brincadeira no outro carro. Quando vi que era a única que tinha se habilitado para dirigir, disse que eu iria dirigindo:
- Me recuso a aceitar uma insanidade dessas! Sai, ! – Eu disse, saindo do banco traseiro e andando até a porta do motorista e a abrindo: - Eu dirijo! – Ela saiu de bom grado e eu assumi seu lugar.
Quando chegamos ao parque, descobrimos que nem McFly, nem Piece Of Nothing e nem Busted tocariam no primeiro dia. McFly tocaria no segundo, assim como Busted, e Piece Of Nothing tocaria no último dia.
- Bem... Se não vamos tocar hoje, acho que devíamos ir pra casa descansar. – disse e Dougie concordou.
- Aham... Sei bem o “descansar” – fiz aspas com as mãos – de vocês dois. – Eu disse e todos riram.
- Você quer ficar, ? – Harry perguntou.
- Ah, quero...
- Então, vamos fazer assim. – Tom, “o líder”, disse. – Quem vai agora, vai no carro do Danny.
- Por que no meu, dude? Eu quero ficar! – Danny disse.
- E eu também! – Tom disse, como se aquilo fosse óbvio.
- Acho melhor ficarmos pra ver as bandas e o desempenho delas... – disse e Deby concordou.
- Ah, dude. – Danny disse, jogando as chaves do carro pra Dougs. – Vai no meu mesmo.
Dougie e foram embora, Tom e foram a um túnel do amor, Danny e foram ver as bandas e eu e Harry fomos ver o pôr do sol da mini London Eye. No caminho, passamos pelo “trem fantasma a pé” e foi como se uma força me atraísse para lá. Eu não entrei, estava interditado, mas fiquei lá parada olhando para a entrada, enquanto as lembranças que eu tinha do momento de loucura da Chloé me vinham à mente e meus olhos se enchiam de lágrimas. Harry me abraçou, beijou o topo da minha cabeça e disse:
- São só lembranças, . Faça como nossa psicóloga disse, pense que foi tudo um pesadelo.
- Um pesadelo horrível do qual acordei há muito tempo. – Eu disse, ainda hipnotizada pelo lugar. Virei-me para Harry subitamente e disse: - Eu te amo, Hazz. Nunca me deixe.
- Não vou, prometo. – Ele respondeu e me deu um selinho, me tirando da hipnose e me guiando até a roda gigante.
Quando estávamos lá em cima, abraçados e vendo o pôr do sol, refleti um pouco sobre como tudo, de certa forma, tinha começado ali, numa ocasião parecidíssima com aquela.
- É engraçado pensar que há um tempo estávamos aqui, eu me recusando a ficar com você. Não sabíamos o nosso futuro, que estaríamos aqui, de novo, juntos...
- Eu sabia. – Harry falou, decidido.
- Como assim, você sabia? – Eu perguntei, me virando para poder encará-lo.
- Eu sabia que você ia ser minha se me amasse de volta.
Não tive palavras pra responder, apenas fiquei encarando-o e sorrindo feito boba. Depois, encostei a cabeça no ombro dele, enquanto ele brincava com meus cabelos.
Quando a roda gigante desceu, ficamos passeando pelo parque e Harry me ganhou um pinguim de pelúcia que, carinhosamente, chamamos de Bill, em memória ao meu violão roubado, e encontramos a barraca de Madame Lou. Harry franziu as sobrancelhas e disse:
- Você não acredita no que ela disse, né? Pense, ! Pense! – Parecendo o Biff, de “De volta para o futuro” - Você é inteligente, como acredita nela?
- Acreditando, Hazz. Você pode ficar aqui fora. Mas eu preciso falar com ela. – Dei um selinho nele e o deixei esperando junto com Bill.
- , minha criança! – Ela disse, num tom maternal.
- Madame Lou... Você tinha razão. – Eu disse, sentindo um nó horrível na garganta e minha visão embaçar.
- Eu sei, minha menina... Graças aos deuses está tudo bem com você.
- Está... – Eu disse, e, quando abri a boca para falar, ela respondeu:
- Alguns meses. Aproveitem o tempo juntos. Você vai saber quando chegar a hora.
Levantei-me, sussurrei um “muito obrigada” desanimado e saí. Dei um beijinho em Harry, peguei Bill e fomos ver a última banda que se apresentava. Depois, voltamos para casa e capotamos.
~ Capítulo 15: ’s POV
Quando chegamos à frente do palco, o Busted já tocava há algum tempo. Segundo o cara ao lado de , só faltavam duas músicas para que eles acabassem de tocar. Aliás, uma música e meia, porque quando conseguimos parar num lugar, em frente ao James, eles já cantavam a parte do “That uniform you're wearing; So hot I can't stop staring; You're putting on an awesome show...” cantava empolgadíssima a música junto com James e deu gritinhos histéricos quando ele piscou para ela.
- Groupie. – Eu disse, rindo.
- Bitch. – Ela respondeu, rindo, pulando e gritando mais ainda. “Semester's coming soon So I would like to mention I woke up in my room”, James cantou e ouvi , pulando, gritar a música junto com ele. Lembro que, quando eles acabaram, ela saiu um dia com ele e falou que ele tinha tocado uma nova música “incrível”, cujo nome é “Falling For You”.
- I, I’m really falling for you... – James cantou, sorrindo e apontando para .
Pergunto-me o que esses dois tem. Sei que nunca trairia Harry, mas, mesmo assim, vejo um carinho tão grande entre ela e James. James é louco por ela, isso é fato notório. Mas o que será que ela sente? Quando a música terminou, saiu da frente do palco e deve ter ido tentar falar com os meninos, e nós ficamos esperando a próxima banda, já que McFly já estava no backstage e não poderia sair de lá até depois de tocar.
’s POV
- Awn, moço, deixa eu entrar, vai... – Eu disse, me aproximando dele. – Eu posso te recompensar por este favorzinho...
- Não.
- Ah, qual é! – Me afastei dele e bati com o pé no chão. – Eu aqui, te prometendo sexo selvagem e você recusa? Qual o seu problema? – Não esperei resposta. – Aliás, qual o meu problema pra você? Eu aqui, podia te dar uma surra, fazer várias coisas para entrar, mas tô aqui feito uma menina honesta que sou, te pedindo, implorando, - me ajoelhei aos pés dele, com as mãos juntas – pra que você me deixe entrar, e você nada? Por favor? – Olhei-o com os olhos do gato do Shrek e ele suspirou, derrotado:
- Se te pegarem aqui, eu não sei quem é você e você entrou escondida. Se vire para inventar uma história.
- AH! Obrigada, Mike! – Eu disse, com os olhos brilhando. Não sei nem se o nome dele é Mike, mas ele tem cara de Mike. – Você é um lindo! – Eu disse, o abracei, dei um beijo em sua bochecha e entrei.
Andei pelo backstage até encontrar o Busted, ainda não tinha visto McFly, iria atrás deles depois, eu precisava ser a primeira a dar parabéns a eles, e, principalmente, ao James. Ele, para minha sorte, estava de costas, então tive a ideia brilhante de pular nas costas dele. E foi exatamente o que eu fiz, enquanto gritava:
- JIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIMMY!
- Oi, ! – Ele disse, rindo, enquanto eu descia das costas dele.
- Vocês foram ótimos! – Eu disse, super empolgada e dando o que eu esperava que fosse um sorriso fofo.
- Você gostou mesmo, mesmo? – Charlie perguntou.
Levantei a mão direita e disse:
- Palavra de escoteira!
- Mas você não é escoteira, ! – Matt disse, rindo.
- E daí? O que vale é a intenção, ok? – Fiz todos rirem e senti uma mão na minha bunda.
Quando me virei, um imbecil com roupa de couro, cabelo grande e óculos de lentes roxas e circulares estava sorrindo pra mim. O idiota acha que é o Ozzy.
- Oi, belezinha...
- Além de tarado é pedreiro, colega? – Respondi.
- Ah, qual é, vem ficar comigo hoje depois que eu tocar, gata... – Ele falou, me puxando para si. – Posso tocar uma pra você.
- Nem em um milhão de anos! – Respondi e o empurrei.
- Vamos, doçura, eu te deixo tocar nas minhas baquetas. – Ele disse se reaproximando de mim e me puxando pelo braço.
James e os outros meninos observavam estáticos, quando eu dei um soco com a mão esquerda no nariz dele, fazendo-o dar dois passos pra trás segurando o nariz. Não quebrou, mas pelo menos ele se afastou de mim.
- Ninguém me chama de “doçura”, idiota. – Eu disse e dei as costas pra ele, enquanto James, Charlie e Matt me olhavam boquiabertos. – Ah, qual, é, não é a primeira vez que eu faço isso na frente de vocês. – Eu disse e saí rindo, indo atrás do McFly.
Não andei muito, Harry já estava vindo na nossa direção. Quando chegamos a uma distância decente para conversarmos, ele disse que viu uma menina de short, camisa do Superman e all star roxo dar um soco num cara vestido como se fosse um motoqueiro.
- Eu sabia que era você – ele disse quando eu perguntei que era ele. – E o soco só confirmou tudo. Nunca vi uma menininha tão forte. – Ele disse, dando um soquinho no meu ombro, parecendo mais meu melhor amigo que meu namorado.
Eu ri e disse:
- Acho que a menininha forte merece um beijo.
- Acho que a menininha forte é quem devia dar um beijo no namorado que vai tocar daqui a pouco. – Ele disse, se aproximando de mim e colocando as mãos em minha cintura.
- Fair enough. – Eu sussurrei, antes de beijá-lo.
Desejei boa sorte pros meninos, abracei e dei um beijinho em cada um deles e voltei para a frente do palco, mas não sem antes agradecer a Marvin de novo e rir do comentário dele sobre eu ser durona e quase ter quebrado o nariz do maluco lá. Com a adrenalina passando, percebi que minha mão doía, mas não disse nada às meninas. “Quando chegar em casa, faço uma compressa de gelo.”, pensei.
Tom’s POV:
Subimos ao palco, claramente nervosos, mas relaxamos quando vimos as meninas ali na frente, pulando e gritando. De algum modo, quando as vi ali, sabia que tudo ia dar certo, é como se elas me dessem uma força invisível, uma confiança que eu não poderia ter nem se eu tomasse um caldeirão inteiro de Felix Felicis. Para mim, a força invisível irradiava, principalmente, de , mas tenho certeza de que não sou o único a sentir isso. Claro que as fontes de força mudavam com os caras: a de Danny, com certeza, é , a de Dougie, , e a de Harry, .
estava soltando gritos de “uhul” e batendo palmas, acompanhada por , que assobiava, e , que pulava. , para variar, era a mais histérica de todas, pulava, batia palmas e assobiava ou gritava: “LINDOS!”, “ME DÊEM SEUS TELEFONES!” e coisas do tipo. Virei-me pra olhar pra Harry, que ria dela, e quando me viu, encolheu os ombros. Danny piscou para , Dougie apontou para e eu mandei um beijo para .
’s POV:
- HELP! – Tom cantou. – I need somebody! HELP! Not just anybody! – Ele sorriu vendo que todos cantavam junto com ele.
Eu apenas sorria e batia palmas, vendo-os tocar. É incrível pensar em como resisti tanto para poder ficar com Tom, mas a força dos sentimentos foi muito maior, eu simplesmente não poderia me recusar a viver um amor como o nosso. Um nó se formou na minha garganta quando lembrei que faltava muito pouco para irmos embora. Como ficaríamos depois? Não podia apenas ir embora como se nada tivesse acontecido, afinal, era o Tom Fletcher. Mas não sei se vamos poder ter um relacionamento à distância, eles são difíceis e geralmente não acabam bem. Mas eu simplesmente não posso deixá-lo. Suspirei e tentei afastar esses pensamentos confusos da minha cabeça, eu não poderia deixar que ele me visse triste e, assim, estragar a noite dele.
- Won’t you please, please, help me? – Danny cantou deixando de tocar a guitarra para apontar para , que pulou e gritou mais ainda.
Vi Dougie piscar e mandar um beijinho pra , que retribuiu mandando beijos pelo ar. e Harry, os que tinham a história mais difícil e sofrida, não demonstraram nenhuma forma de afeto enquanto eles tocavam, além de uma vez que ele apontou para ela com a baqueta e sorriu. também não parecia se importar, talvez até não tivesse notado que só ele não tinha mandado um beijo pra ela. Ou talvez isso seja só nóia da minha cabeça, até porque ele tá sentado na bateria lá atrás. E, bem... É difícil de ser visto ali de trás. Principalmente por , que é cega e usa óculos.
- Everything was going Just the way I planned... – Essa música é a cara deles, não poderia faltar.
estava tão empolgada com “Broccoli” que dançava rebolando um rebolado muito estranho por sinal e batia os quadris nos meus. Olhei para ela revoltada e ela nem se importou, estava dançando ridiculamente com os olhos fechados, como se ninguém mais existisse.
’s POV
- Essa música foi composta por mim e pelo Dougie lindo – Danny parou para rir do “lindo” – para as nossas namoradas. E, como elas adoraram a música, nada melhor do que tocá-la hoje, não?
Olhei para e ela olhava sorrindo para Danny, com os olhos cheios de lágrimas. Quando percebeu que eu a olhava, ela virou pra mim e segurou minha mão. deu um daqueles assobios extremamente irritantes que ela consegue dar com a mão, mas ao invés de socá-la como eu faria normalmente, apenas continuei segurando a mão de e me movimentando para os lados em sincronia com ela, enquanto a música começava.
Eu e Dougie nos olhávamos, partilhando o momento, um momento só nosso que ninguém mais poderia tirar. Supus que Danny e também estavam do mesmo jeito, mas não consegui desviar o olhar do de Dougie para me certificar disso. Minha vontade era a de subir no palco, dizer para ele “I’m not out of your league.” e beijá-lo em seguida. Meus olhos se enchiam de lágrimas à medida que a voz de Tom e Danny entravam em meus ouvidos.
“Obviously” terminou e o ar se encheu com o barulho dos aplausos. As lágrimas ainda insistiam em cair dos meus olhos e não me preocupei em limpá-las ou evitá-las. “Hypnotised” começou, assim como “Broccoli”, sem uma apresentação. Não parei de chorar, mesmo depois de “Obviously” ter terminado. Apenas fiquei parada no meu lugar, ainda segurando a mão de e me movendo para a esquerda e para a direita e encarando Dougie. Acho que lembrar que vamos nos separar logo não ajuda. Mal percebi quando a música acabou, porque estava pensando no que faria: se eu voltaria mesmo pro Brasil ou ficaria por aqui.
Quando “Saturday Night” começou, senti uma cotovelada no meu ombro e, quando virei para o indivíduo que me acotovelou para dar um soco, vi pulando ao meu lado, gritando a música junto com Tom. Apenas fiquei encarando-a revoltada, até que ela parou de pular e me olhou:
- O quê?
- Você quase arrancou o meu ombro com uma cotovelada. – Eu disse séria.
- Ah, desculpe, meu amor. – Ela me mandou um beijo e continuou a pular e gritar a música feito louca.
“Saturday Night” acabou e Danny abriu a boca para “apresentar” a próxima música, mas Tom o interrompeu:
- Eu compus essa. – Foi o que ele disse, não lembrou da menina que estava na bancada de inscrições nem nada. Olhei para o lado e a vi perto de onde estávamos, balançando a cabeça enquanto o baixo da música começava.
Olhei para , que estava forçando um sorriso que mais parecia uma careta. Acho que ela estava se controlando pra não chorar. Eu sei que ela não gosta dessa música, e sei que ela não gosta porque o Tom a escreveu quando eles não estavam juntos, para a tal menina com as cinco cores no cabelo que estava ali perto da gente. A música me fez pensar se eles tiveram algo a mais do que apenas beijos, por causa da parte do “her tattoo’s always hidden by her underwear”, e acho que também se pergunta isso. Vi segurar a mão dela, apoiando-a, e ela apenas sorriu, agradecendo com o olhar. , como sempre, estava totalmente alheia a isso, pulando e gritando a música.
- Essa música é incrível! Vai ser um puta hit! – Ela me disse, sem se preocupar se ouviria ou não.
Quando a música acabou, suspirou, triste, e depois que os meninos agradeçeram a todos, saímos para nos encontrarmos com eles e voltarmos para casa, estávamos todos cansados e o dia seguinte seria o grande dia de Piece Of Nothing.
- Podem ir, vou só comprar um algodão doce e me encontro com vocês daqui a pouco, é rápido. – disse, se afastando de nós.
’s POV
Andei rápido em direção à única barraca de algodão doce que tinha no parque, passei pela mini-London Eye, pela barraca de Madame Lou e, só depois de andar o que eu diria ser uma maratona, cheguei a tal barraca. Pedi um algodão doce azul e fiquei esperando que a mulher o fizesse. Quando eu ia pagar à tia lá, uma mão masculina segurando uma nota de 5 libras se estendeu e a voz de quem eu supus ser o dono da mão disse:
- Eu pago esse. “Que voz.”, pensei e me virei, dando de cara com um rapaz da minha idade, com profundos olhos verdes musgo, um belo sorriso e cabelos escuros.
- Obrigada, mas não posso aceitar. Minha mãe disse pra não aceitar nada de estranhos. – Eu disse, rindo e vendo-o dar uma gargalhada gostosa jogando a cabeça para trás. “Mesmo que eles sejam gatos”, completei mentalmente.
- Mas eu não estou te dando nada. Estou pagando o que fizeram.
- Mesmo assim não posso aceitar. – Eu sorri, pagando a mulher e pegando meu algodão doce.
- Você não tem sotaque daqui.
- Eu não sou daqui. – Eu sorri. – Sou brasileira.
- Sempre ouvi dizer que as brasileiras são lindas. Agora tenho certeza. – Ele disse, me fazendo sorrir e comer um pouco do algodão doce. – Olha, se você não me deixa pagar um algodão doce, ao menos me diga seu nome...
- . E o seu?
- Harry.
- Ah, é o nome do meu namorado. – Ao ver a mão dele estendida, disse: - Desculpe, mas no Brasil não é assim que se faz quando conhecemos gente nova. – Eu disse, abrindo meus braços e o abraçando.
- Já gostei do Brasil. – Ele disse, rindo.
A esse ponto, já havíamos saído andando, de volta para as tendas onde eu encontraria o resto do pessoal.
- Seu namorado costuma deixar meninas bonitas andando sozinhas por aí?
- Nem deixa. – Eu respondi e ri.
- Então... Quem é ele?
- Harry Judd, toca bateria pro McFly.
- Ah, sim... – Ele parou refletindo e colocando as mãos no bolso. – E você só veio vê-lo?
- Na verdade, vim ver os caras do Busted também, nossa banda só toca amanhã...
- Você tem uma banda? Qual o nome?
- Piece Of Nothing.
- Interessante... A minha banda também vai tocar amanhã.
- Qual o nome da sua banda? – Eu disse, olhando pra ele.
- White Lies.
- Gostei do nome. – Eu disse, sorrindo e comendo mais algodão doce.
- Então, boa sorte pra você amanhã. Quem sabe não dividiremos o palco amanhã na hora de sermos premiados?
- Obrigada, boa sorte também. Desde que você não roube meu primeiro lugar, podemos sim dividir o palco. – Eu disse, rindo.
Andamos mais um pouco conversando besteira sobre como o Brasil é lindo e sobre nossas bandas enquanto eu comia o algodão doce e chegamos perto de onde meus drugues estavam. Harry veio andando sério até mim e passou a mão na minha cintura, enquanto eu os apresentava.
- Amor, esse é o Harry... – Eu disse, percebendo que não sabia o sobrenome dele.
- McVeigh. – O Harry que não é meu namorado completou, estendendo a mão pro Judd.
- E ele é meu namorado, Harry Judd. – Harry da White Lies sorriu abertamente, enquanto o meu Harry só deu um sorriso sem ao menos mostrar os dentes. – Amor, McVeigh toca para a White Lies.
- Ah, cara, ouvi falar da sua banda, disseram que é muito boa. – Meu namorado, um fofo, não esqueceu a cortesia, ainda bem. – Boa sorte amanhã.
- Obrigado. – McVeigh sorriu, me beijou a bochecha e, antes de sair, disse: - Da próxima, você pode me deixar pagar um algodão doce pra você, o Judd é legal e não se importará, não é, cara? – Ele se virou e saiu, deixando Harry com um olhar sombrio no rosto.
- Te pagar algodão doce? – Ele perguntou, me fazendo virar pra olhá-lo.
- É, mas eu não deixei. – Eu disse, orgulhosa.
- O cara te cantou e você ainda fica de conversinha com ele, ? – Ele estava putíssimo comigo.
- Eu só tava sendo simpática com ele, Judd. Você sabe que eu sou assim. – Eu disse, também séria.
- Então seja menos simpática. – Ele disse, me fazendo me desvencilhar dos braços dele.
- Me desculpe, Harry, mas você não tem o direito de me pedir isso! Não posso mudar simplesmente porque você ficou putinho aí comigo porque eu fui simpática com um cara. Foi por essa – apontei para mim mesma – que você se apaixonou. E, quer saber? Gosto muito dela. – Eu disse e saí.
Pedi à Luisa para trocar de carro comigo, não queria nem olhar na cara de Harry e, quando ela me perguntou o que aconteceu, eu apenas respondi:
- O Judd é um imbecil quando quer. – Isso bastou para que ela trocasse de carro comigo quando fomos embora.
Percebendo que eu estava puta demais com ele para ficar no mesmo carro que ele, Harry pediu para que Danny o deixasse na casa da mãe e, como ele ia dormir lá, deve ter achado melhor ficar também, porque disse ao Tom que dormiria por lá. Afinal, era a casa onde ela estava fazendo intercâmbio, né... Quando chegamos em casa, eu estava quase dormindo quando alguém bateu na porta.
- Entre. – Eu disse e vi a cabeça de Tom na porta.
- Você tá vestida?
- Claro que tô, idiota! – Eu disse rindo e jogando Jack em direção à porta. – Não te mandaria entrar se não estivesse, né!
Ele entrou, pegou Jack e sentou na cama, enquanto eu me sentava.
- O que aconteceu entre você e o Judd hoje?
- O menino chegou, disse que ia pagar meu algodão doce, eu disse que não, a gente começou a conversar e depois o Judd ficou todo ranzinza dizendo que ele tava me paquerando e me mandou ser menos simpática.
- Awn, … – Tom disse, me abraçando enquanto eu me aconchegava apoiando a cabeça no seu ombro. – O Judd não quis dizer por mal. Ele só tava com medo de te perder.
- Mas eu fiquei revoltada na hora, né. E ele foi imbecil.
- Isso foi. Mas é coisa dele, não seja tão dura com ele... E não seja tão explosiva, mocinha! – Ele disse, rindo.
Passamos algum tempo calados enquanto Tom fazia cafuné em mim, até que eu o chamei:
- Tom...
- Diga, Little.
- Tô com medo.
- De quê? – Ele parou para pensar alguns segundos e disse: - De amanhã? Relaxa, . Você é durona. E é uma artista nata. Vai passar por isso direitinho.
- Não é só o show, Tommy. - Eu disse, saindo do abraço dele. – Aquele parque me lembra muita coisa... Eu tento não pensar nisso, mas às vezes não dá. Olha. – Eu disse, levantando a blusa e mostrando pra ele a cicatriz à altura das costelas. – Essa foi a que ficou mais feia. – Eu disse, enquanto ele passava o dedo na marca que ficou na garganta.
- Os pesadelos pararam?
Acenei com a cabeça, afirmando. Não havia mencionado isso, mas depois que saí do hospital, estava tendo pesadelos horríveis com aquela noite. E nem Harry, nem a nossa psicóloga sabia disso. Só Tom.
- Dorme aqui comigo? Não gosto de ficar sozinha. – Pedi, vendo-o sorrir.
- Eu sei que não. Você é minha irmã gêmea, lembra? Fico sim.
Abracei-o mais uma vez e coloquei Jack à altura do seu queixo.
- O quê? – Ele perguntou.
- Jack quer beijinho de boa noite. – Eu disse, parecendo uma criançinha e fazendo-o rir.
- Você é incrível, sabia? – Ele disse, ainda rindo antes de dar um beijo em Jack.
- Se eu não fosse, não seria sua gêmea. – Dei um sorriso fofo para ele, que retribuiu com um sorriso mais fofo ainda.
Deitamos-nos e puxei a mão de Tom para que dormíssemos abraçados, era uma coisa normal para nós dois e e Harry sabem disso, então eles não teriam motivos pra ficar loucos da vida conosco. Todos sabem que às vezes eu e Tom dormimos juntos. É incrível como nos parecemos tanto e como somos tão ligados. Eu sou louca pelo Tom, assim como ele é por mim, é um amor fraternal e isso é óbvio para todos.
- Tommy... – O chamei, me virando para ele. – Obrigada por tudo. Vou sentir saudades de você. – Eu disse, beijando a ponta do nariz dele.
- Eu também, Little . – Ele disse. – Prometa que você vai sempre estar em contato comigo, que sempre vamos nos ver e que você nunca vai me esquecer ou mudar comigo?
- Claro que eu prometo. Você promete o mesmo? – Eu disse, com os olhos cheios de lágrimas.
- Claro que sim. – Ele selou a promessa com um beijo em minha testa. – Não chore. – Ele disse, com os olhos cheios de lágrimas.
- Não chore também. – Eu disse e nós dois começamos a rir, limpando os olhos e evitando que as lágrimas caíssem.
Adormecemos abraçados, como dois irmãos gêmeos siameses.
~ Capítulo 16:
Abri os olhos e senti um braço pesado em minha cintura, Tom ainda estava dormindo. Saí dos braços dele com cuidado e fui escovar os dentes. Depois de fazer minha higiene matinal, voltei para o quarto e ele estava sorrindo, apoiado nos cotovelos.
- O que foi? – Perguntei, andando até a cama.
- Sonhei que McFly ganhava o concurso, vocês ficavam com a viagem e o Busted em terceiro lugar.
- Uma viagem seria ótima, né? – Disse, deitando ao lado dele.
- Depois do baile de formatura. Ainda mais para a Disney? Se vocês ganharem mesmo, vamos dar nosso jeito de ir também.
- Gostei, gostei. – Sorri.
Ficamos algum tempo, não sei quanto, olhando para o teto em silêncio. Não era um silêncio desconfortável, não precisávamos de palavras o tempo todo para nos comunicarmos. Só saímos daquela posição quando entrou no quarto pra dizer que o café-da-manhã estava pronto. Depois do café, subi e fiquei tocando Jimmy até que desse a hora de me arrumar.
Coloquei um short de cetim preto, all-star verde e uma blusa preta dos Ghostbusters. Fiquei em dúvida se prendia o cabelo ou não, mas decidi que eu fico mais bonita de cabelos soltos. Não tive notícias de Harry e ainda estava com um pouco de raiva dele. Além disso, meu orgulho não permitia que eu fosse falar com ele. Simplesmente não consigo.
- Tá gatinha, Little. – Tom disse, me fazendo sorrir.
- Você parece uma versão feminina do nerdão aí. – disse, com cara de tédio, apontando com o controle da televisão para Tom.
Eu ri e dei um beijo na cabeça dele, enquanto via Tom jogar uma almofada nele e depois mostrar o dedo do meio. Joguei-me no sofá, colocando as pernas nas coxas de Tom e perguntei das meninas.
- Ainda estão se arrumando. – Danny disse descendo as escadas.
Seu cheiro invadiu a sala (que não é pequena).
- Adoro cheiro de homem. – Eu disse, fazendo os três meninos me encararem com cara de espanto para, depois, começarmos a rir.
- Então vou me perfumar sempre pra você, gata. – Danny disse com cara de safado, andando até o sofá e me empurrando, me fazendo ficar entre ele e Tom.
Dougie parou de procurar os canais, quando encontrou um canal qualquer exibindo o clipe do Fall Out Boy fazendo cover de “Beat It”. Nós quatro começamos a cantar a música, até que eu me levantei e comecei a rebolar. Rindo, puxei Dougie para dançar comigo, que mexia a cabeça em círculos com os olhos fechados. Em seguida, puxei Danny e Tom. Danny fazia uma dançinha ridícula com os braços, me fazendo rir mais ainda, e Tom tocava uma guitarra imaginária. Estávamos todos suados quando as meninas desceram e viram os quatro loucos da casa dançando ao som de Fall Out Boy.
Harry ligou para Tom para avisar que ele iria no carro dele e levaria , então fomos para o parque sem eles. Entrei logo na tenda, não queria falar com o Judd, e, antes de a primeira banda ser anunciada, um dos promotores do concurso subiu ao palco e, depois de agradecer a todos pela presença, disse:
- Fizemos uma pequena modificação de última hora... As bandas que vencerem deverão tocar três covers que ainda não tocaram nesse concurso e três músicas próprias inéditas. “Puta merda.”
Fiquei impaciente esperando as meninas e já imaginando o que tocaríamos. Porque, se depender delas, ninguém decide nada. Passou-se uma hora e nada de ninguém aparecer. Eu já estava putíssima, com os braços cruzados e batendo o pé feito uma patricinha mimada que não consegue o que quer do pai, quando alguém chegou para, pelo menos, conversar comigo. Harry McVeigh.
- Oi, . – Ele disse, me beijando a bochecha.
- . - O corrigi. – Quando me chamam pelo nome, parece que estão brigando comigo. – Disse séria.
- Aconteceu alguma coisa? – Ele perguntou, me analisando. – Você parece diferente de ontem...
- Ah, perdão, Harry. Me deixaram sozinha aqui com todos os instrumentos da banda – apontei para os instrumentos que as meninas tinham largado comigo antes de sair – e foram embora. Aí aparecem dizendo esse negócio dos covers e as músicas inéditas, preciso falar com elas, né...
- Já percebeu que, em menos de 24 horas que te conheço, já te salvei da solidão duas vezes? Acho que é o destino.
Ri do seu jeito galanteador e disse:
- Não acredito em destino.
- Então, em que você acredita?
- Nas escolhas que uma pessoa faz. A única coisa que não pode ser evitada é a morte. – Disse, sombria, lembrando do que havia ocorrido naquele mesmo parque. Estremeci.
- Cadê o seu Judd?
- Ainda não o vi.
- Ele não devia deixar uma menina linda como você sozinha sempre.
- Eu sei me cuidar. – Dei de ombros.
- Nem acho. – Ele deu de ombros e olhei para a esquerda de relance e vi o cara que eu tinha socado na tarde anterior. Ele tinha uma atadura no nariz.
– Tá vendo aquele cara ali? – Apontei, vendo-o assentir com a cabeça. – Vê o nariz? Pois é, fui eu.
- Não acredito que uma menininha como você pode ter tanta força. – Ele me desafiou.
- Duvida? Pergunta a ele. – Cruzei os braços e arqueei a sobrancelha. – Aproveite e pergunte como foi que ele conseguiu entrar aqui.
Fiquei observando enquanto McVeigh se dirigia ao cara que eu havia socado e apontava para mim. Quando o cara se virou para me ver, dei um sorrisinho sarcástico e acenei para ele, enquanto ele virava rapidamente com uma expressão que era um misto de medo e raiva. Ele disse algo para McVeigh que saiu logo de lá e voltou para a minha companhia.
- E aí? – Perguntei, quando ele chegou perto de mim.
- Me lembre de nunca te irritar. – Ele disse, rindo.
- Se lembre de nunca ser arrogante comigo. – Eu respondi, também rindo.
- Nervosa?
- Eu estava... Mas o Tom me acalmou, não sei o que seria de mim sem ele.
- E ele é seu...?
- Host brother. Gêmeo siamês. Minha versão masculina, como você preferir. – Ri.
- E o Judd não se importa com vocês dois juntos?
- Ele não tem motivo. Tom é realmente meu irmão gêmeo. Nos separaram na maternidade. Eu o amo como amaria a um irmão, ele também me ama assim e pronto, somos todos felizes. Além disso, antes mesmo de eu conhecer Harry, eu já tinha o Tom, e já éramos ligados assim. E Harry só pode agradecer ao Tom, porque se eles não fossem amigos e se eu não estivesse na casa dele, nós nunca teríamos nos conhecido.
- Então, espera aí, vou ali dar um abraço na mulher do algodão doce. – Ele disse, rindo.
Falamos mais uma meia hora, até que as meninas chegaram e Harry voltou para a companhia da banda dele.
- Quem é o gato? – perguntou.
- Harry McVeigh, cantor e guitarrista do White Lies. Eles vão tocar antes da gente.
- Por falar em tocar... – disse – vocês tem alguma ideia de qual músicas iremos tocar se vencermos?
As meninas ficaram em silêncio e eu aproveitei a deixa para expor meus pensamentos:
- Enquanto vocês estavam namorando, eu estava aqui pensando em quais músicas deveríamos tocar se vencermos. Pensei em “Dance, Dance”, do Fall Out Boy; “I Can’t Get No Satisfaction”, dos Stones e “Highway To Hell”, do AC/DC. O que vocês acham?
- Perfeito. – disse.
- Ótimo. – concordou.
- Ensaiamos muito com essas, então tá tranquilo. – respondeu.
- E as nossas inéditas? – perguntou.
- “Surf Hell”. – Eu disse.
- “WTF?”? – perguntou.
- Você canta essa? Não tô com clima pra ela hoje. – Eu disse.
- Então vamos trocar, porque não tô afim hoje. – Ela respondeu.
- “I Want You So Bad I Can’t Breath”? – sugeriu.
- Topo. – Concordei, vendo assentir com a cabeça.
- E “Do What You Want”, ? Sei que você gosta dela… - disse.
- E não é só porque eu a compus não, ok? – Ri.
- Combinado, então? – quis ter certeza.
- Combinadíssimo. – Eu e dissemos ao mesmo tempo.
- Mudando de assunto agora, ... – disse, fazendo todas virarem sérias para me analisarem, com os braços cruzados.
- O que eu fiz dessa vez? – Perguntei, já aborrecida.
- Harry Judd. Esse nome te parece familiar? – respondeu, ainda séria.
- O que tem ele?
- Estava lá fora, parecendo um cachorrinho sem dono, querendo saber de você. – disse, num tom leve, mas, mesmo assim, acusatório.
- Ele procurou assim. Ele ficou com ciuminho besta do cara, pô! Nada a ver. Não quero falar sobre isso. – Eu disse, mostrando minha vontade de colocar um ponto final na história.
Mudamos de assunto e, passado algum tempo, vi McVeigh acenar pra mim, antes de subir ao palco. Seríamos as próximas a tocar, mas, de uma forma sobrenatural, eu não estava apreensiva, com medo, nem nada. Pelo contrário, eu estava calma como um lago, como se eu soubesse que ia dar tudo certo e que ninguém poderia impedir isso. Fiquei pensando em como seria se ganhássemos o concurso, se viéssemos a ficar famosas e essas coisas. Acordei dos meus sonhos quando as meninas me chamaram, já dizendo que era hora de entrar. Sob o argumento de que eu era a mais extrovertida e simpática de todas, as meninas me obrigaram a ser a primeira a entrar.
Quando estávamos entrando no palco, os caras de White Lies estavam saindo e, antes de passar por mim, McVeigh me desejou boa sorte e me deu um beijo no canto do lábio, ao qual não dei a mínima importância. O sol estava se pondo e, assim que entrei, consegui localizar Danny, Tom, Harry, Dougie e James. A formação foi a mesma, fiquei na ponta da esquerda, no meio, do lado direito dela e atrás.
- HELLO, GUYS! – Gritei, enquanto e arrumavam os instrumentos, e ouvi o público gritar de volta. Sorri e vi os olhos profundos de Harry me analisando. “Me desculpe.”, li em seus lábios. Eu não poderia ficar com raiva dele por muito mais tempo. Sorri e pisquei para ele. me olhou e acenou com a cabeça, indicando que poderíamos começar a tocar. Sorri antes de gritar:
- LONDON’S BURNING! – A música começou e gritou em sincronia comigo: - LONDON’S BURNING!
- All across the town, all across the night. Everybody's driving with full headlights. Black or white turn it on, face the new religion. Everybody's sitting 'round watching television! – cantou, engrossando a voz, já que a dela é muito fina e meiga para esse cover. Ela mexia a cabeça e tocava o baixo.
mexia a cabeça para os lados, cantando a música silenciosamente e arrasava na bateria. Eu dançava rebolando e sorrindo feito retardada.
No refrão, eu cantava “London's burning” e , e completavam com “with boredom now!”. Eu cantava o “London’s burning” de novo e elas completavam, dessa vez com um “dial 99999!”, enquanto eu, na parte do “99999”, balançava a cabeça rapidamente, de um lado para o outro.
- I'm up and down the Westway, in an' out the lights. What a great traffic system - it's so bright. I can't think of a better way to spend the night. Then speeding around underneath the yellow lights. – Eu cantei a segunda parte da música, ainda rebolando, e essa foi seguida do refrão.
- Now I'm in the subway and I'm looking for the flat. This one leads to this block, this one leads to that. The wind howls through the empty blocks looking for a home. I run through the empty stone because I'm all alone. – cantou a terceira parte e repetimos o refrão antes de terminarmos a música.
Quando a música acabou, não esperei as pessoas se acalmarem e puxei a introdução de “In Bloom”. Assim que perceberam qual era a música que tocaríamos, as pessoas começaram a pular e gritar feito loucas. Sorri e cantei:
- Sell the kids for food; Weather changes moods; Spring is here again; Reproductive glands…
As meninas sabiam como Nirvana é importante para mim e o quanto sou fã, não só da banda, mas também de Kurt Cobain, então, ficou decidido que eu cantaria a música inteira sozinha (coisa que elas devem ter adorado, porque eu sei como elas têm preguiça de cantar) e faria apenas uma segunda voz nos refrões. Eu deixava as palavras da música saírem pela minha boca, havia assumido a guitarra e agora eu cantava com os olhos fechados e segurando o microfone com as duas mãos. Era uma das melhores sensações da minha vida, cantar uma das minhas músicas preferidas da minha banda preferida para, pelo menos, duas mil pessoas, e, que, ainda por cima, pareciam gostar. Só percebi que a música havia acabado quando não havia mais letra para cantar, só a parte instrumental. Abri os olhos, sorri para e bati palmas, ainda vendo o público enlouquecendo por causa da música.
cantaria “Pump It Up” inteira e eu ficaria com a guitarra e os solos. Comecei a tocar a guitarra, rebolando novamente e sorrindo. Flávia faria a segunda voz.
Harry’s POV:
- I've been on tenterhooks, endin' in dirty looks, listenin' to the muzak, thinkin' 'bout this 'n' that, she said that's that, I don't wanna chitterchat, turn it down a little bit or turn it down flat. – cantou.
- Pump it up! When you don't really need it! Pump it up! Until you can feel it! – e cantaram em sincronia, mas, pela cara que fez quando virou para olhar , diria que isso não estava nos planos e foi mais uma mudança de planos de última hora. Ela adora fazer isso e eu não entendo por quê. apenas deu de ombros, enquanto continuava cantando:
- Down in the pleasure centre, hell bent or heaven sent, listen to the propaganda, listen to the latest slander, there's nothing underhand, that she wouldn't understand.
- Pump it up! Until you can feel it! Pump it up! When you don't really need it! - As duas cantaram juntas.
fez um puta solo de guitarra e , apontando para , que encolheu os ombros, fez cara de desentendida e continuou a música:
- She's been a bad girl, she's like a chemical. Though you try to stop it, she's hard to knock out, you wanna torture her, you wanna talk to her, all the things you bought for her, putting up her temperature!
deu uma gargalhada antes de as duas cantarem mais uma vez:
- Pump it up! Until you can feel it! Pump it up! When you don't really need it! – Eu podia ouvir o som da sua risada. Senti tanta saudade do corpo quente dela ao lado do meu na cama que prometi a mim mesmo que nunca mais seria escroto com ela a ponto de querer que ela mude.
- Out in the fashion show, down in the bargain bin, you put your passion on, under the pressure pin, fall into submission, hit-and-run transmission, no use wishin' now for any other sin. – cantou a última parte da música.
- Pump it up! When you don't really need it! Pump it up! Until you can feel it! Pump it up! Until you can feel it! Pump it up! When you don't really need it! Pump it up! When you don't really need it! Pump it up! Until you can feel it! – As duas cantaram juntas uma última vez e finalizou a música com um solo de guitarra.
Os acordes iniciais de “I Am The Walrus” começaram e estava lá, sorrindo feito uma boba. É uma das músicas preferidas dela, lembro dela uma vez me contando como ficou fascinada com a interpretação do Bono em “Across The Universe”, os olhos dela brilhavam, parecia que ela estava descrevendo a coisa mais incrível que ela já viu na vida inteira.
- I am he, as you are he, as you are me. – Ela disse, apontando para si, depois para , então apontou para mim e, em seguida, para , depois me olhou nos olhos, me apontando, e depois apontou para si mesma. – And we are all together... – Ela cantou, fazendo círculos com o indicador.
- See how they run like pigs from a gun, see how they fly... I’m crying… - cantou.
Quando não estava cantando, jogava o corpo de um lado para o outro lentamente, prendendo mais ainda minha atenção. Minha namorada é perfeita. É o que eu tenho a dizer sobre ela. Não há mais nada.
- Sitting on a cornflake, waiting for the van to come! Corporation T-shirt, stupid bloody Tuesday, man you've been a naughty boy, you let your face grow long… - cantou, fazendo cara de sermão e apontando para Danny, que riu ao meu lado. – I am the eggman. – Ela cantou, apontando para si mesma. – They are the eggmen. – Ela apontou para toda a platéia, olhando para como se estivesse conversando com ela, que a olhava de volta. – I am the walrus. – Ela apontou para si novamente. – Goo goo g’joob.
- Mr. City, policemen sitting, pretty little policemen in a row, see how they fly like Lucy in the sky, see how they run, I'm crying. – cantou.
- I'm crying… Cry… - completou.
- Yellow matter custard, dripping from a dead, dog's eye, crabalocker fishwife, pornographic priestess, boy, you've been a naughty girl, you let your knickers down. – Dessa vez, fez a mesma cara de sermão, mas apontou para James, que também riu. - I am the eggman. – Ela cantou, apontando para si mesma. – They are the eggmen. – Ela apontou para toda a platéia, olhando para Tom, como se estivesse conversando com ele. – I am the walrus. – Ela apontou para si novamente. – Goo goo g’joob.
- Sitting in an English garden, waiting for the sun, if the sun don't come you get a tan, from standing in the English rain. – cantou.
- I am the eggman. – completou, repetindo o gesto de antes e apontando para si. – They are the eggmen. – Dessa vez, ela apontou para a platéia, olhando para um cara que eu não reconheci rapidamente: Harry McVeigh. – I am the walrus. – Ela tornou a se apontar. – Goo goo g’joob.
- Expert, texpert choking smokers, don't you think the joker laughs at you? See how they smile like pigs in a sty; see how they snide, I'm crying… - cantou. - Semolina Pilchard climbing up the Eiffel tower, elementary penguin singing Hare Krishna.
- Man, you should have seen them kicking Edgar Allan Poe. – completou e, de novo, se apontou: - I am the eggman. – Dessa vez, ela olhou para o céu e apontou para a platéia, encolhendo os ombros: - They are the eggmen. – Ela tornou a apontar para si mesma: - I am the walrus.
- Goo goo g' joob, g-goo goo g' joob, goo goo g' goo, g-goo goo g' joob goo! – continuou.
- Juba juba juba, juba juba juba, juba juba, juba juba, juba juba. – e terminaram a música.
Quando “I Am The Walrus” acabou, me peguei pulando e batendo palmas, enquanto Danny deu um daqueles assobios que a pessoa leva a mão à boca. Tom e Dougie gritavam “YEAH!” e James pulava e batia palmas também. Rezei para não estar parecendo gay. Meus olhos se encontraram com os de e ela piscou para mim e me mandou um beijo. Mandei um de volta para ela e vi Danny e Tom fazerem o mesmo para e , respectivamente. Estávamos, literalmente, no pé do palco, e vi que Dougie deu dois passos e colocou as mãos no palco. Ele iria subir se eu não o tivesse puxado.
- Tá louco, cara? Quer estragar a apresentação das meninas? – Perguntei.
- Eu não aguento, dude... tá me deixando louco. – Ele disse, apontando para a calça. Estava bem... Digamos... Inchado?
- Todos estamos assim, Dougs. – Danny disse, apontando para si mesmo. – Até o frígido do Tom está! – Ele disse e Tom socou o ombro dele.
- Mas não é porque estamos morrendo de tesão aqui que vamos estragar tudo para elas. – Tom completou.
- É, vocês tem razão... Perdão. – Dougie se desculpou.
- Essa música que vamos tocar foi composta pela nossa linda . – disse, apontando para , que fez uma reverência sorrindo, se abaixando um pouco e segurando um vestido ou saia imaginários.
- Sou uma linda, mesmo. – Ela disse e deu uma gargalhada, jogando a cabeça para trás.
As meninas se prepararam para começar a música, fez a contagem com as baquetas e a música começou:
- Put me in a special school, 'cos I am such a fool and I don't need a single book to teach me how to read. – cantou, tirando a mão da guitarra para fazer um não com a mão. - Who needs stupid books? – Ela encolheu os ombros, levantando as mãos e arqueando as sobrancelhas. - They are for petty crooks, and I will learn by studying the lesson in my dreams. – Ela levou o indicador à cabeça.
- So turn off the TV 'cos that's what others see, and movies are as bad as Eating chocolate ice cream. They only sicken me, don't let me play football. – cantou, negando com a cabeça, enquanto tocava parada dando um meio sorriso e jogava os quadris de um lado para o outro, mordendo o lábio de modo extremamente sexy. - I'll sack the quarterback and jack da brother of the ball.
- I'm a troublemaker, - cantou, apontando para si, ainda jogando os quadris de um lado para o outro. também apontava para ela.- Never been a faker. – Ela negou com a cabeça. - Doing things my own way, and never giving up! I'm a troublemaker, - ela apontou novamente para si mesma, sem nunca parar de dançar, me deixando louco. - Not a double taker, I don't have the patience to keep it on the up!
- I picked up a guitar, what does that signify? – olhou para , que fez cara de dúvida e deu de ombros. - I'm gonna play some heavy metal riffs and you will die. – olhou para e riu, debochando. - You wanted arts and crafts, how's this for arts and crafts.
- Wananana, That's right! – e cantaram juntas, enquanto apoiava um joelho no chão, tocando a guitarra.
- I'm growing out my hair, I'm movin' out to Cherokee, I'm gonna be a rock star, and you will go to bed with me. 'Cos I can't work a job like any other slob. Punch it in and punch it out and suckin' up to Bob. – cantou.
- Marrying a bitch, having 7 kids, giving up and growing old and hoping there's a God. – Pela primeira vez na apresentação, ouvi a voz de , que, depois de cantar sua parte, sorriu.
- I'm a troublemaker, - cantou, fez um não com o indicador e apontou para . - Never been a faker, doing things my own way and never giving up! I'm a troublemaker, - cantou, apontando para si mesma dessa vez. - Not a double taker I don't have the patience to keep it on the up.
- I'm gonna be a star and people Will crane necks, to get a glimpse of me and see if I am having a sex in studying and my moves, they try to understand why I am so unlike the singers in the other bands. – cantou.
- I'm such a mystery as anyone can see there isn't anybody else exactly quite like me. – cantou e riu quando percebi como essa parte se identifica com ela. - And when it's party time like 1999, I party by myself because I'm such a special guy!
- I'm a troublemaker, never been a faker! Doing things my own way And never giving up. I'm a troublemaker, not a double taker! I don't have the patience to keep it on the up! – cantou, sem nenhuma performance além de balançar a cabeça, enquanto ria para ela e balançava os quadris.
- Keep it on the up. – cantou.
- I’m a troublemaker. – respondeu.
Cantaram assim até que se levantou de sua bateria, correu até o microfone de , que saiu do caminho, e disse:
- Never giving up.
As palmas e gritos invadiram meus ouvidos e vi colocar a guitarra para trás, enquanto ela andava até e a beijava na bochecha. Então, pegou o microfone com a haste, andou até e ficou perto dela. Elas começaram a tocar a música e cantou primeiro:
- C-C-C-Cinnamon lips and candy kisses, on my tongue. Fun!
- B-B-B-Buttery eyes, if only cries could come from those eyes. Oh! – foi a segunda.
- Have you landed yet and, if so, would you let me know? I'm tired of looking up into those starry eyes. – cantou.
- Does it rain where you are? Does it snow? And, if so, remind me not to go there, the weather affects my knee. – completou, olhando para , que só tocava a guitarra.
- I've never felt this way before! – cantou no microfone de , que sorria.
- C-C-C-Cinnamon Lips, go powder your cheeks and meet your
new beau, oh... C-C-C-Counting sheep, if only sheep could put me to sleep, oh... – cantou.
respondeu:
- I've never felt this way before.
- Some day, one day, you'll miss me. Mundane Sundays, when I'm gone. – cantou.
- One day, some day, you'll miss me. One day when I'm gone. – cantou, apontando para alguém, mas eu senti como se ela estivesse me dizendo isso. Não em tom de ameaça, mas sim como um aviso. Como se ela pedisse para aproveitarmos nosso tempo juntos.
- Adieu and so long! – cantou.
- One day when I'm gone! – completou.
- No, no, no, no, no, no, no. – … Negou?
fechou os olhos e fez um solo. Ela se empolgou tanto que caiu de joelhos no chão, sob o olhar atento e desconfiado de , que depois veio a dar de ombros e terminar a música:
- Have you landed yet and, if so, would you let me know?
Essa música pareceu não agradar tanto quanto as outras, mas, ainda assim, agradou o suficiente para eu quase ficar surdo com os gritos e assobios do povo. Danny batia palmas junto com Tom e Dougie, já James ia arrumando briga com um cara duas vezes maior que ele e nós tivemos de separá-los. Por isso, mal prestamos atenção em “Bye Bye Baby”. Quando as coisas se acalmaram, a música já havia acabado e me olhava preocupada, assim como as outras meninas olhavam para seus respectivos namorados. Ela desviou o olhar para James, para se certificar que estava tudo bem, e sorriu. Não sei se posso confiar nesses dois sozinhos. Não é que eu não me garanta, duvide do amor dela por mim, ou da amizade de James, mas é que parece que ainda rola alguma coisa entre os dois e eu não quero perdê-la por um deslize, nem nada do tipo. Sei que ele não faria nada por mal, muito menos ela, mas a tentação pode ser grande e a carne é fraca. Falo porque eu sei como é.
Apenas fiquei analisando minha garota ali naquele palco, sorrindo e feliz como raras vezes havia visto, correndo de um lado para o outro e pulando descontroladamente ao som de “A Good Idea At The Time”, que mal analisei quem cantava ou não. Eu sou apaixonado por ela e esse é um daqueles momentos de comédia romântica adolescente americana, quando o mundo e o tempo param e parece que só há você e a pessoa que você ama no mundo, você fica observando os movimentos dela em câmera lenta, o modo como os cabelos dela se movimentam quando ela pula e corre, como a franja cai no seu rosto e ela balança a cabeça para que ela pare de impedir sua visão, o modo como os músculos da coxa se movem quando ela pula ou corre, o movimento dos seus lábios quando ela está cantando... Passei tanto tempo a olhando abobalhado que, quando voltei à realidade depois que Danny bateu com o ombro em mim, estava cantando:
- I'm not so good with subtlety, you wouldn't say that I'm the picture of urbanity, never put much stock in suavity, courtesy, chivalry, gallantry, all that useless jewelry, but while the rest of the girls still sigh for the night he was smiling politely, and while the rest of the guys are all trying, all trying so hard…
- Oh girl, let's crash the party! – cantou, sorrindo.
- El Dorado on the lawn. – completou.
- Hey, hey, hey! – fez a segunda voz. - Let's burn holes in the carpets. – Ela cantou, sorrindo, se obrigando a não rir ao olhar para Tom, que ria e batia palmas.
- Kicking, shouting, dancing on the tables all night long. – cantou.
- Oh girl, let's crash the party. – repetiu. All night. Let's burn holes in the carpet. – sorria e Tom ria, os dois segredavam algo que parecia diverti-los. Dei de ombros e a vi terminar a música: - All night long.
Elas agradeceram e saíram do palco, com o público inteiro gritando, batendo palmas, ovacionando-as. Rapidamente nos dirigimos para a saída da tenda para esperar as meninas. foi a primeira a sair, veio em nossa direção sorrindo e abraçou Tom. veio em seguida, fazendo uma dançinha ridícula e deu um selinho em Dougie. Alguns minutos depois, apareceu com atrás dela. , assim como , apenas sorriam; veio pulando, rindo e batendo palmas. Então ela, para a minha surpresa, se jogou em meus braços, me abraçando. Eu jurava que ia ter que passar horas me desculpando com ela, já tinha até pensado num discurso...
- Como sempre, você é a que mais aparece, né? – Dougie brincou e ela virou e mostrou o dedo do meio para ele, que riu.
*****
Estávamos bebendo cerveja perto de uma barraquinha de tiro ao alvo, quando anunciaram que os resultados haviam saído e que iriam divulgá-los em meia hora, ficamos conversando e terminando a cerveja até que se passaram vinte minutos e decidimos voltar para o palco. Tom e Danny eram os mais tensos de nós quatro, eu estava um pouco nervoso, mas me controlava, e Dougie só dava alguns sorrisos nervosos de vez em quando, enquanto os dois gays da nossa banda passavam a mão nos cabelos toda hora e quase não calaram a boca durante o caminho todo, e ainda falavam rápido. Quanto às meninas, bem... , e estavam incrivelmente nervosas, até mais do que Tom e Danny, falando demais, rápido demais, misturando português com inglês e dando patadas em todos. , como sempre, era a única que estava visivelmente relaxada. Ainda segurava seu copo de cerveja com os braços cruzados, enquanto eu apoiava uma mão em sua cintura.
Assim que os organizadores e jurados entraram, todo o parque se calou. Poderíamos ouvir um alfinete cair no Japão, a tensão era palpável. ainda estava relaxada e descontraída. Perguntei-me como ela conseguia. McVeigh e sua banda pararam exatamente ao lado dela, que sorriu para ele, enquanto ele retribuía com um sorriso nervoso que mais parecia uma careta. James, Charlie e Matt estavam do nosso lado esquerdo, também tensos.
- Primeiramente, parabéns a todas as bandas. Vocês tocaram excepcionalmente bem. É incrível como existem tantas bandas iniciantes com tanto poder, presença de palco e, o principal, músicas boas. Gostaríamos de poder premiar todos, mas não podemos. Em 16 anos de Lollapalooza, esse ano foi o mais difícil de escolher apenas três bandas e, o principal: só dar o primeiro lugar a uma delas. – Aquele bom e velho discurso clicherizado, né... - Contudo, todos os que conseguiram passar na primeira fase, já são vencedores. É uma pena não poder recebê-los ano que vem, tendo em vista que os “perdedores” – ele fez aspas com a mão, assim como adora fazer – não poderão se inscrever novamente. Desejamos muita sorte a todos aqueles que não serão premiados, mas temos certeza de que, se vocês continuarem, vão conseguir êxito. Como diria Walt Disney, “Todos os seus sonhos podem se tornar realidade se você tiver a coragem de persegui-los”. Tenham isso em mente todos os dias, porque uma hora será o momento de vocês. Bem... – ele fez uma pausa de três segundos – como discursos demorados são chatos e dão sono – ele riu, tentando quebrar a tensão, poucos riram junto com ele. Eu apenas dei um sorriso amarelo. – vamos logo anunciar quem vai fechar esse concurso épico. – Ele sorriu e estendeu a mão para pegar o envelope. – Em terceiro lugar, temos... – Ele olhou para o público, fazendo suspense.
~ Capítulo 17:
– BUSTED!
James, Charlie e Matt estavam estáticos, olhando o nada, e só caíram na real quando chegou pulando em cima deles e abraçando a todos, que começaram a bater palmas e gritar. O público também batia palmas, assoviava e gritava, parabenizando-os.
- Em segundo lugar... PIECE OF NOTHING!
começou a chorar, emocionada, sendo abraçada por Tom, bateu palmas com os olhos cheios de lágrimas, gritou e também bateu palmas e pulou, gritou e bateu palmas. Seus olhos não tinham uma gota sequer. Elas deram um abraço grupal ouvindo as ovações e também vários “Gostosas!” que alguns filhos da puta estavam gritando. McVeigh abraçou e a parabenizou, dando um sorriso meio derrotado e meio esperançoso.
- Em primeiro lugar... – O organizador fez uma pausa maior, causando uma tensão e suspense maiores ainda.
- FALA LOGO! – Luma gritou, rindo, e ele sorriu para ela.
- MCFLY!
As meninas começaram a gritar e pular e nós simplesmente não acreditávamos.
- VAMOS GRAVAR UM CD! FUCK YEAH! – Danny comemorou.
Juntos, McFly, Piece Of Nothing e Busted, demos um abraço grupal, parabenizando a todos. me deu um abraço apertado depois e sorriu para mim.
- Eu sabia que vocês iam ficar em primeiro lugar.
- Eu ainda não acredito. – Disse, sorrindo.
- As bandas vencedoras podem se apresentar no palco agora.
’s POV:
- Vão na frente, quero ver os meninos tocarem. – Eu disse às meninas, que saíram e me deixaram em frente ao palco, esperando por James, Charlie e Matt, que tocariam logo a seguir.
Eles entraram no palco e James, como sempre, ficou logo na minha frente. Matt assumiu a bateria e Charlie ficou perto de James. Ele sorriu e piscou para mim e eu sorri de volta, enquanto batia palmas e gritava. Uma menina com jeito de groupie chegou perto de mim e disse:
- Eles são lindos, né? Principalmente o de cabelo loiro e preto.
- Eles são incríveis. – Respondi, vendo-os se prepararem pra começar a tocar.
Quando “Where’s The Love” começou, foi impossível não cantar junto com eles, foi impossível conter um sorriso orgulhoso. O meu Jimmy estava ali em cima, tocando, sorrindo, feliz. Acho que nunca o vi tão feliz. De certo modo, ele é o meu Jimmy. Sou louca por ele e todos sabem, não como sou louca pelo Judd, mas, de alguma forma, o amor que sinto por ele se mistura, é um pouco fraternal, mas também é um pouco como o amor de homem e mulher. Não tenho dúvidas de que o certo é ficar com Harry, mas, sei lá... James é o James. Ponto final. Eles também tocaram “Thriller”, o que não poderia nunca faltar, porque esse gambá é apaixonado pelo Michael Jackson. Ele até fez o moonwalk no palco, o que me divertiu muito. E, para finalizar, eles tocaram “I Wanna Hold Your Hand”, Beatles já é clássico, não poderia faltar nunca. James cantava olhando para mim e eu simplesmente não conseguia desviar o olhar dele. Queria saber o que se passava na cabeça dele naquele momento.
Jimmy’s POV:
Ela foi a única pessoa que ficou para nos ver tocar, mesmo que estivesse meio que “quebrando” as regras. Ela sorria para mim, dava para ver o orgulho dela, a felicidade dela em me ver feliz. Eu não conseguia parar de encará-la, não conseguia desviar o olhar dos lindos olhos dela, o modo como eles me cativam e capturam... Não há nada igual. É isso. É foda vê-la com um grande amigo, saber que eu estava desistindo dela para vê-la feliz com outro, tendo momentos que deveriam ser comigo. Mas eu sei que não sou o cara certo para ela, sei que ela pertence ao Harry. Não sei como eu sei disso, eu só... Sei. Não foi fácil desistir dela daquele modo, mas eu passei a me sentir um intruso e eu não quero isso. Quero que ela me ame do mesmo jeito que ela o ama, mas sei que não posso fazer nada a respeito, sei que ela vai me amar quando e se ela estiver preparada e se permitir a isso, mas, com certeza, não quero vê-la triste, então prefiro que ela seja feliz com o meu amigo a vê-la triste. Mas eu sempre estarei aqui.
Ver ali na minha frente, cantando as minhas músicas comigo, sorrindo para mim e sem desviar o olhar do meu, me fez acreditar que ela ainda sente algo por mim, uma pequena chama no coração dela que poderá se tornar um incêndio no futuro, eu só preciso lutar para que essa chama nunca se acabe. Por algum milagre divino eu pude ver nos olhos dela que ela ainda é apaixonada por mim, pode ser muito pouco, mas, mesmo assim, é muito para mim em comparação ao que ela parece sentir pelo Harry. Pergunto-me se ela sabe que eu ainda gosto dela, que eu ainda a amo, e o que ela faria se soubesse. Parece ser óbvio que ela pediria desculpas para mim e diria que não tem como retribuir este sentimento, mas, sinceramente, em se tratando de , não há como ter certeza de nada.
Quando terminamos de tocar, ela sorria, batia palmas e gritava por nós. Tive certa impressão de que ela sabe (não sei como) que disfarcei algumas palavras para ela em “3AM” e “Better Than This”, músicas que tocamos hoje. De “That Thing You Do”, ela parecia apenas gostar muito. Uma menina com aparência de groupie falava com ela sorrindo, até que ela fez um gesto como se pedisse licença, andou até mim, o que foram, basicamente, três passos, e me chamou, me fazendo abaixar para falar com ela.
- Me ajuda a subir, Jimmy. As meninas vão entrar agora e não vou andar até a tenda. – Ela pediu, estendendo a mão para que a puxasse para o palco. Ela deu um impulso e subiu, mas, quando ficou de pé, ia cair para trás se eu não a tivesse puxado pela cintura. Nossos rostos ficaram a menos de 10 centímetros um do outro e minha vontade foi de beijá-la. Ela ficou com as mãos em meus ombros e eu em sua cintura e nos encaramos por alguns segundos, quase nos beijando. Mas eu não poderia fazer isso com o namoro dela com Harry. Soltei-a e ela agradeceu.
- Me empresta sua guitarra? A minha está lá dentro e as meninas provavelmente não vão trazê-la...
Apenas entreguei a guitarra para ela, que me beijou a bochecha, e saí para vê-la tocar.
Quando a bateria de “Dance, Dance” começou, ouvi alguns caras gritarem “Gostosas!” para elas, riu de um deles e fez sinal de legal com a mão pra ele, que gritou mais ainda. Ela alternou os versos com e e, enquanto uma delas cantava, ela rebolava, dançava, mexia a cabeça e rodava, me fazendo rir. Não foi muito diferente em “Highway To Hell”, tirando que ela cantou a música toda. Antes de começar, disse, olhando para ela:
- Escreveram essa música para você, .
deu uma gargalhada, jogando a cabeça para trás, e começaram a tocar. Antes de começar o último cover, olhou pro cara que estava perto do palco e que a havia chamado de gostosa, o de quem ela riu, e disse com cara de safada.
- You know... I can’t get no satisfaction.
O cara gritou e assobiou enquanto eu tinha uma pequena crise de ciúmes dela. Enquanto tocavam os primeiros arranjos de “(I Can’t Get No) Satisfaction”, ela sorria mordendo o lábio e jogava a cabeça de um lado para o outro. Ela parecia estar se divertindo, fazendo caras e bocas sexy, com a voz mais sexy ainda, excitando e empolgando todos. Agradeci quando elas terminaram a música, porque eu não aguentaria muito mais vendo-a daquele jeito, cantando e dançando de um jeito tão provocativo como nunca vi antes.
Ela estava perfeita tocando “Surf Hell”. Não conhecia a música, mas era boa, batida boa, letra divertida. Balancei com a música enquanto cantava, também batia palmas e exibia um sorriso orgulhoso, o que não poderia faltar, porque eu realmente estava orgulhoso dela e das meninas. Ela às vezes olhava pra mim e sorria, às vezes piscava, linda e perfeita. Quando não estava tocando, ela pulava ou corria pelo palco, divertindo não só a mim, mas também a todos que a viam. Também não conhecia a segunda música que elas tocaram, “I Want You So Bad I Can’t Breath”, mas realmente gostei dela, acho que é porque me lembra um pouco de como ela me faz sentir. E a terceira, “Do What You Want”, eu conhecia, adorava cantá-la. A energia que emana dela é incrível e contagiante, algo que nunca vi antes. Elas, com certeza, arrumariam um belo contrato e vários fãs.
’s POV:
Terminamos de tocar e James estava sorrindo e batendo palmas, agradecemos e saímos do palco, dando lugar ao McFly, mas não sem antes darmos selinhos em nossos respectivos namorados. Fomos nos juntar ao Busted no pé do palco, mas antes eu precisava beber água. Parei numa barraquinha e fui comprar água, quando a mesma mão do algodão doce se estendeu para pagar a minha água. Virei-me, já sorrindo por saber quem era.
- Nem vem que não tem, McVeigh. O Judd não vai gostar disso.
- E desde quando você faz ou deixa de fazer o que quer pra fazer o que ele manda? – Ele arqueou a sobrancelha, me desafiando.
- Desde quando eu não quero que façam comigo o que eu não faria com os outros.
- Ele não iria saber. E tenho certeza de que você não se importaria se uma menina pagasse algo para ele.
- É questão de consciência, Harry. – Respondi. – E tenho certeza de que ficaria meio desconfortável se ele pagasse qualquer coisa para outra garota. Geralmente, quando isso acontece, é porque o cara está tentando paquerar a menina.
- Me pegou nessa. – Ele gargalhou alto. - Não posso te paquerar nem um pouquinho?
- Não, pode ser meu amigo. É pegar ou largar. – Ele já estava me irritando...
- Por que você é uma menina tão difícil?
- Não é questão de ser difícil ou não, é questão de ser fiel.
- E quem garante que ele está sendo fiel a você?
- Isso é problema dele. Ele não fez nada, até onde eu sei.
- Seu moralismo me encanta. – Ele deu um sorriso sarcástico.
Preferi ignorar o comentário e me virei para voltar ao palco, quando ele segurou meu braço e fechei a mão para socá-lo se ele não me soltasse.
- Harry... Lembra quando eu te disse que eu te socaria se você fosse arrogante comigo? – Disse, olhando nos olhos dele, vendo-o assentir com a cabeça. – Então. Eu vou fazer isso se você não me deixar em paz.
Ele me soltou e disse:
- Perdão, ... Não queria te tratar assim, você não é como as outras meninas.
- Eu sei que não. – Respondi, evidentemente seca.
- É incrível, porque não te conheço há mais de um dia, mas sinto como se te conhecesse a vida toda. Posso dizer que estou apaixonado por você? – O comentário me fez rir.
- Harry, dude... – Eu disse e dei um gole d’água. – Eu diria que você está louco. Sério. – Dei as costas para ele e fui andando.
- Não, é sério! – Ele correu, parou na minha frente e segurou meus ombros. – Eu não paro de pensar em você, eu quero você, quero te beijar, quero me divertir com você, andar de mãos dadas com você, tirar seu cabelo do rosto e colocá-lo atrás da orelha, - ele disse isso, realizando a ação descrita – quero envelhecer com você... Eu quero só você, . – Ele disse, olhando nos meus olhos.
- Harry, me desculpe, mas, se esse sentimento não é uma loucura da sua cabeça ou do seu pipi, não posso retribuir. – Falei séria. – Eu estou realmente apaixonada pelo meu namorado, sempre fui e agora conseguimos ficar no nosso canto sem que ninguém perturbasse. Não posso te oferecer nada além da minha amizade e cabe a você decidir se vai aceitá-la ou não.
Ele mordeu o lábio, olhando para o nada por alguns segundos, decidindo. Por fim, seus olhos se focaram em mim:
- É o único modo que tenho de ficar perto de você?
- Sim.
- Será que eu vou ter chance com você algum dia?
- Harry... Não me faça perguntas difíceis. Não é nada com você. Você é lindo, talentoso, tem uma voz incrível e, provavelmente, é o cara que toda garota pediu a Papai Noel. – Disse, colocando a mão em seu ombro. – O problema é que eu já estou envolvida com outra pessoa, já encontrei meu presente de Natal. Me desculpe.
- A culpa não é sua, . Eu é que cheguei tarde demais. – Ele disse, triste.
- Nem me venha com essa. Não é culpa de ninguém.
- Nem do destino, né, já que você não acredita...
- Você pode acreditar no que quiser, Harry. Isso é coisa minha. – Fiz uma leve pausa e continuei: - Então... Amigos? – Estendi a mão para que ele a apertasse.
- Não é assim que se faz no Brasil, lembra? – Nós dois rimos, enquanto ele me puxava pela mão para um abraço.
- Ótimo. – Eu disse, sorrindo, enquanto me soltava dele.
- Eu ainda não posso te pagar um sorvete, né? – Ele perguntou, esperançoso.
- Não... A primeira regra de paquera, lembra? Não quero que digam por aí que eu tenho um namorado e paquero com o primeiro cara que aparece.
- Outch. Obrigada pela parte que me toca. – Ele riu.
- O que eu fiz? – Perguntei, sorrindo.
- O primeiro cara que aparece? – Ele arqueou a sobrancelha.
- Você entendeu, seu besta. – Dei um soquinho no ombro dele, sorrindo.
Estava feliz por ter resolvido aquilo, não queria mais brigar com Harry por causa de caras com o mesmo nome que ele, incrivelmente sedutores e que acreditam estar apaixonados por mim. Já não bastam minhas supostas dúvidas quanto ao que sinto quanto pelo James, me aparece esse louco também... Não que ele seja inteiramente maluco, mas não acho que ele esteja apaixonado por mim, ele só deve querer me pegar. O que já é suficientemente perigoso, porque, bem, se eu ficar sozinha com McVeigh, bêbada, não me responsabilizo pelos meus atos. Não vou mentir e negar que o cara sensualiza, porque aí eu estaria sendo mentirosa e hipócrita.
Voltamos juntos para perto das meninas, que estavam perto do palco, e, assim que me aproximei, disse baixinho em português:
- Por que você demorou tanto? Harry já olhou pra cá umas vinte vezes e nada de você aparecer e, quando aparece, ainda está com esse cara aí. E eles já estão terminando!
- Eu fui comprar água, como planejado, mas aí ele apareceu e eu tive que me resolver com ele. – Respondi, sussurrando, ainda em português.
Eles terminaram “Surfer Babe” e, depois de Danny e Tom agradecerem, saíram do palco. Harry ficaria puto comigo, e a culpa era realmente minha. Pressenti outra briga chegando, e dessa vez eu não tinha motivo nenhum para ficar com raiva dele. Não ficaria surpresa se ele não quisesse olhar na minha cara pelo resto da noite. Decidimos ir comemorar num bar, Harry não falou nada quando me viu, ficou calado, mas eu sabia que ele estava putíssimo - e com razão. Ele não dirigiu a palavra a mim o caminho todo; apenas quando eu estava no balcão, pedindo uma dose de tequila, ele tocou no assunto.
- Então... Você gostou da nossa apresentação? – Ele estava com os cotovelos apoiados no balcão, me encarando com aqueles olhos azuis profundos. Ele estava triste e decepcionado.
- Hazz, amor... Me desculpe. De verdade.
- O pior de tudo foi te ver chegando com aquele cara, . Não foi você não estar lá, foi você chegar com ele.
- Eu sei que eu devia estar lá para te apoiar e te mostrar o quanto estou orgulhosa de vocês... – Eu ia continuar, mas ele me interrompeu.
- É, você estava mostrando ao Busted o quanto está orgulhosa deles, principalmente do James, né?
Fiquei calada alguns segundos e depois disse:
- Não posso fazer nada além de pedir desculpas. Eu sei que uma boa namorada estaria lá para te apoiar, cantar com você, dividir o momento com você. É o que toda namorada deveria fazer. E eu não fiz, não tenho um DeLorean voador para voltar no tempo, então, como disse, só o que posso fazer é pedir desculpas.
- Você está falando feito uma advogada. – Ele observou, sem humor algum. - Por favor, me diga que você não está ficando com aquele cara por minhas costas. “Outch, essa ofendeu.”
- Você ficaria com alguma garota pelas minhas costas, Harry? Como você acha que eu me sentiria se você fizesse isso?
- Não sei como você se sentiria, mas eu nunca faria isso com você.
- Então considere sua pergunta respondida. – Respondi, me controlando ao máximo para não dar continuidade à briga, agora com mais motivos.
- Eu não gosto daquele cara. – Ele disse, finalmente.
- Ele não vai nos perturbar, tenha certeza disso. – Disse, segura.
- Me desculpe por ser tão grosso, infantil e irritante com você.
- Não seja dramático, se eu fizer algo que você não goste, eu quero que você me diga. Você não foi grosso, infantil, nem irritante. Você falou o que te incomodou, só isso. – Disse, tocando o rosto dele.
- Por que você é tão incrível e sabe o que dizer na hora certa? – Ele disse, se aproximando de mim, colocando as mãos em minha cintura.
- Talento, babe. – Respondi, colocando as mãos em seus ombros. – Entenda que eu nunca vou te trocar por ninguém.
Já estávamos a centímetros um do outro quando o barman colocou minha dose de tequila no balcão. Sorri e me desvencilhei de Harry, parecendo uma criança feliz, e virei minha dose enquanto ele ria e dizia:
- Nunca vai me trocar por ninguém que não seja José, né?
- Ah, meu amor, você vai ter que aprender a viver com ele, nossa história de amor é antiga. – Eu disse, rindo e fazendo sinal para que o barman me trouxesse mais tequila.
- Acho que consigo sobreviver te dividindo com ele. – Harry sorriu, me puxando para si e beijando meu pescoço.
- Já disse que te amo hoje? – Eu disse, dando um sorriso que eu esperava que fosse fofo.
- Não... – Ele disse e me deu um selinho. – Se você não lembra, você não queria ver minha cara hoje de manhã.
- Ah, é mesmo... – Eu disse, apoiando minhas mãos em seus ombros. – Mas o que importa agora é que está tudo bem. – Disse, antes de beijá-lo.
Tomamos uma dose de tequila juntos, cada um tomou a sua, sou egoísta com meu álcool, e nos juntamos aos outros numa mesa. A banda que estava tocando era agradável e Tom decidiu pagar uma rodada de tequila para todos. Já havia perdido as contas de quantas doses havia bebido quando Danny me desafiou:
- Vamos ver quem bebe mais, ?
- Vamos! – Disse, empolgada.
- Eu aposto em Danny! – Dougie disse, colocando uma nota de dez libras na mesa.
- Eu também! – Harry concordou.
Virei boquiaberta e fingindo indignação para Harry, que gargalhou alto, aumentando mais ainda minha revolta:
- Você está apostando contra a sua namorada? É isso mesmo, Mr. Judd? – A resposta que ele me deu foi uma risada mais alta e mais gostosa que a anterior.
- E eu! – disse, já com a voz enrolada.
- Vadia, só aposta nele porque é seu namorado! – Eu disse, mostrando a língua para ela.
- Pois eu aposto no meu casal! – disse empolgada, e, repetindo o gesto de Dougie, colocou uma nota de dez libras na mesa.
- Em mim? – Dougie perguntou, olhando pra ela.
- Não, né. Em ! – Ela respondeu e eu agradeci.
também apostou em Danny, enquanto Tom apostou em mim. Charlie e Matt também apostaram em Danny, enquanto James apostava em mim:
- Aposto cinquenta pratas que consegue beber mais do que ele. – Ele colocou a nota de 50 libras na mesa.
Todos os encaramos, já que os outros apostavam até, no máximo, dez libras, enquanto ele encolhia os ombros:
- A menina bebe que nem um homem, dudes.
- Obrigada pela grande parte que me toca, James Bourne. – Eu disse, fazendo sinal de legal para ele e rindo.
- Só tem o problema... – Tom disse, com dificuldade. – Estamos todos alcoolizados, quem vai ver quem ganha e quem perde?
- O barman, óbvio! – James disse, chamando-o.
Depois de explicar que perdia quem vomitasse ou desmaiasse primeiro, o barman nos serviu um shot de tequila. Nossos expectadores tiravam fotos de nós dois bebendo, Tom até postou algumas no Twitter, nos incentivavam ou tentavam nos agourar, todos se divertindo. Não lembro ao certo de quantos shots bebi, mas Danny começou a falar feito bêbado bem antes de mim.
- Ah, já está falando enrolado! – Eu ri, alegre.
- Você é uma mutante. – Ele reclamou e tomou mais um shot, enquanto os outros o incentivavam.
Depois do que eu diria muitos shots, Danny pediu arrego jogando um guardanapo de papel na mesa. Ele não vomitou, mas ficou louquíssimo. e James comemoraram horrores por terem ganho a aposta; o que importava não era o dinheiro que eles estavam ganhando, e sim GANHAR! Eu apenas continuei bebendo, até que decidiram ir embora. A esse ponto eu já estava bêbada, mas não enjoada. Pegamos táxis, porque não seríamos irresponsáveis para irmos dirigindo para casa, e, chegando lá, eu ainda queria beber mais, para comemorar, mas me deixaram só e mandaram dormir, então me dirigi aos meus aposentos. Apenas quando me deitei na cama fiquei tonta. Sempre foi assim. Senti o calor de Harry ao meu lado e adormeci.
~Capítulo 18:
A partida estava próxima, mas evitávamos ao máximo falar nisso. Resolvemos ficar em Londres mais algumas semanas, tempo o suficiente para programarmos direito nossa viagem, e Tom nos surpreendeu, dizendo que o McFly também iria viajar conosco e, assim como nós, pegaram dois quartos duplos, então cada casal poderia ficar com um quarto. Também ficamos em Londres para o nosso baile de formatura. Eu e Harry ainda não havíamos decidido como ficaríamos depois que eu voltasse para o Brasil, mesmo achando que a opinião dele seria a mesma que a minha: um namoro à distância desgastaria o sentimento e é completamente masoquista.
O dia do nosso baile de formatura havia chegado e, depois de séculos e horas se preparando para isso, as meninas me ajudavam a ficar pronta, e, como sempre, fui a primeira a terminar de me arrumar. Usava uma maquiagem preta com prata, bem escura, do jeito que gosto, batom rosa e um vestido longo vermelho, colado, estilo sereia, com um leve decote na frente, compensado pelas costas nuas, que iam até a base das minhas costas, e sandálias prateadas. Meu penteado era meio estilo Amy Winehouse, mas nada tão extravagante, meio preso, mostrando as costas e a tatuagem que eu tinha nelas, um flower power preto. Entretanto, eu gostei muito dele. Me sentia uma princesa indo para sua coroação. Desci as escadas, observada pelos quatro caras da minha vida e causando um burburinho entre eles. Tom veio ao pé das escadas e estendeu o braço, dizendo:
- Como seu irmão gêmeo, tenho que te entregar ao jerk do seu namorado. – ele disse, rindo, e, depois, me beijando a bochecha. – Você está linda, Little.
- Obrigada, Tommy. – Sorri, enquanto Danny tirava várias fotos de nós dois juntos.
- Você está linda. – Harry disse, me dando um selinho, momento também registrado por Danny.
Danny e Dougie, as duas crianças que conseguimos educar, também me deram beijinhos e me elogiaram, ora me zoando, ora sendo zoados. Tirei fotos com todos os meninos, algumas fazendo caretas, outras “normais”, sempre rindo com eles.
A segunda a descer foi , usando um vestido longo, azul klein, de um ombro só. A cor do vestido realçava sua cor, que era muito branca. Lembro de rir dela, dizendo que ela não parecia morar numa cidade com algumas das praias mais bonitas que eu já havia visto. Sua maquiagem também era azul, sendo realçada pelos lábios vermelhos. Seu cabelo estava preso num coque e ela usava brincos e sandálias dourados. Dougie fez com ela o mesmo que Tom fez comigo anteriormente e, enquanto esperávamos as outras meninas, rimos muito e tiramos várias fotos.
Enquanto Tom postava uma foto minha e dele no Twitter, desceu e ele quase derrubou o celular no chão: ela usava um vestido preto, tomara que caia, drapeado no busto, com um colar prateado com uma borboleta, os cabelos lisos e apenas a franja presa, brincos e sandálias também prateados. Sua maquiagem era marrom, prateada e preta, com um batom laranja. Assim como Tom e Dougie haviam feito comigo e com anteriormente, Harry andou até ela, beijando sua bochecha e dizendo que ela estava linda e a entregou para Tom, que sorria abobado, feito um menininho apaixonado.
, como sempre, foi a última a descer, porque ela adora querer ser a diva do grupo, e ainda fala que eu é quem gosta de aparecer. Ela usava um vestido amarelo, que realçava sua pele bronzeada. O vestido me lembrava vagamente o da Belle, de “A Bela e a Fera”, e o cabelo dela parecia com o da Belle, me perguntei se ela tinha feito aquilo de propósito. Sua maquiagem dourada com marrom dava um destaque especial aos olhos e seus brincos pretos realçavam o penteado, enquanto os sapatos brancos davam o toque final no visual. Danny repetiu o que havia sido feito antes, entregando-a para Dougie.
Com todos lindos e arrumados, nos dirigimos para o local do baile. Chegando lá, uma banda de alguns dos meninos da escola tocava uma música que não era nem calma, romântica, nem agitada, acho que nunca ouvi, mas diria que deve ser um rock anos 80. Entramos, falamos com algumas pessoas que estavam ali perto e nos encontramos com James.
- ! Você está linda! – Ele disse, me abraçando.
- Por que a surpresa, mocinho? – Cruzei os braços e arqueei a sobrancelha, fazendo-o rir. – Cadê o seu par?
- Eu não tenho par.
- Como assim você não tem par? – Perguntei, revoltada.
- Não tendo, . – Ele riu.
- Então, depois, você vai me conceder uma dança!
- Ah, ... Acho melhor não. Harry pode não gostar.
- De jeito nenhum! – Harry respondeu. – Ela vai dançar sim com você! Depois de dançar comigo, claro! – Ele riu.
- Tem certeza deque você não se importa, cara?
- Não mesmo! – Ele sorriu.
Continuamos andando pelo salão até chegarmos à nossa mesa e, ao lado, estava Pierre na mesa dele. Dei um meio sorriso e acenei com a cabeça, enquanto ele fazia o mesmo. Finalmente ele havia me deixado em paz.
Harry disse que ia ao banheiro e eu estava pegando um pouco de ponche, quando Josh, um garoto com alargadores, piercing no lábio e jaqueta de couro, veio falar comigo. Perguntou se eu estava bem, como eu me sentia tendo ganho o segundo prêmio do Lollapalooza e, finalmente, chegou aonde queria:
- Um amigo disse que você tem uma voz incrível.
- Quem?
- Harry McVeigh.
- Ah, sim... Eu discordo, não gosto muito da minha voz.
- Eu queria que você cantasse uma música com a banda, mesmo não gostando muito da sua voz... – Ele mordeu o lábio e completou: - Aceita?
- Ah, nem sei, Josh... Não quero estragar a sua noite...
- Não mesmo! Confio plenamente no julgamento do McVeigh pra saber que você vai fazer bem! Então...?
- Claro! – Sorri, empolgada. – Que música cantaremos?
- Você vai cantar. – Ele disse. – Stutter, do Maroon 5. Topa?
- Topadíssimo! Quando eu for a hora, você me chama?
A esse ponto, Harry já havia chegado e colocado a mão em minha cintura.
- Chamo sim! – Ele disse, deu um tapinha amigável no ombro de Harry e saiu.
Me virei para Harry e espalmei minhas mãos em seu peito, enquanto ele brincava:
- Vai me trair, mocinha?
- Com certeza! – Respondi, rindo. – Ele me chamou pra cantar uma música com eles, eu não podia recusar, né?
Ele me deu um selinho e, antes que pudéssemos aprofundar o beijo, o diretor chamou a atenção de todos para divulgar o rei e rainha do baile. Ao som dos aplausos, vimos Pierre subir ao palco, para ser coroado.
- E a rainha do baile é... – O diretor disse e parou, fazendo suspense.
- Acho isso tão fútil e ridículo, todas as meninas que estão aqui são lin... – Fui interrompida pelo diretor, que disse o nome da rainha do baile:
- !
Olhei para Harry, com a boca aberta e sem entender nada. Nem campanha eu havia feito! Ele apenas sorriu e me empurrou, me encorajando. Subi ao palco dando um sorriso que me deu a impressão de ser uma careta e fui coroada. “Dancing Queen” começou a tocar e eu tive que dançar com Pierre. Coloquei as mãos em seus ombros e ele, em minha cintura:
- Nós devíamos ser namorados também. Todos acham que somos o casal perfeito.
- Poderíamos ter sido, Pierre. - Fiz uma pausa. – Se você não tivesse feito o favor de estragar tudo. Duas vezes.
- Eu já pedi desculpas por isso. – Ele reclamou.
- Eu sei que pediu. Mas não apaga o que você fez. O modo como você falou comigo foi... – Parei, pensando numa palavra: - horrível. Deplorável. Você não deveria falar assim nem com um animal.
- Você sabe que eu estava fora de mim. E, se não fosse pelo seu namoradinho Bourne, eu poderia ter mostrado a você como é que um homem de verdade age.
- Para o seu governo, Pierre, eu não estou mais com James, estou com Harry e estamos muito felizes juntos. – Reclamei, irritada.
- Eu era apaixonado por você, sabia? – Ele disse, me olhando profundamente. ”Ah, pronto, agora todos resolveram se apaixonar por mim? É isso?”
- Não, não sabia, Pierre. Mas, se algum dia, você realmente foi apaixonado por mim, deixe que eu e Harry sejamos felizes no nosso canto. Estamos indo embora em pouco tempo, tenho pouco tempo com ele, não estrague tudo. E depois que eu for embora, você nunca mais vai ouvir falar de mim.
- Eu vou deixar vocês no canto de vocês. Mas tenho certeza de que eu ainda vou ouvir falar de você. E muito. Você não nasceu para passar despercebida, .
- Isso é o que veremos com o tempo. – Eu disse e terminamos nossa dança em paz.
Depois que dancei com Pierre, foi a vez de dançar com Harry. Não conversamos sobre nada, apenas apoiei a cabeça no peito dele, enquanto ele apoiava o queixo nela. Coloquei as mãos em seu pescoço, enquanto ele me envolvia pela cintura com as mãos. Aproveitamos o momento, como se nos despedíssemos. Eu queria poder congelar aquele momento, ficar ali nos braços dele para sempre, saber que o teria todos os dias, queria não ter que voltar ao Brasil. Eu queria Harry. Só Harry. Para sempre. Mal percebemos a música terminar e James me pediu a dança. Soltei Harry, que foi beber, e coloquei as mãos no pescoço de James, que colocou as mãos em minha cintura.
- Eu vou sentir sua falta, . – Ele disse.
- Também vou sentir a sua, Jimmy. – Dei um meio sorriso para ele, o qual eu tinha certeza de ter um leve toque de saudade adiantada, tristeza e encorajamento.
- Eu não vou aguentar.
- Você vai, Jimmy. E quando você for bem famoso, vai ao Brasil me visitar. E eu vou vir sempre e nunca vou te esquecer. Nunca. – Eu disse, ficando mais próxima dele.
- Eu te amo, sabia?
- Eu também, Jimmy. – Respondi .
- Não, ... Não do jeito como eu te amo. A maior merda da minha vida foi ter desistido de você. – Ele fez uma breve pausa, sua voz expressava uma mistura de tristeza com arrependimento e saudade. – OK, não foi. Porque você estava e está feliz. E é isso o que me importa. – Ele disse, dando um sorriso triste e segurando meu queixo. – Cara, como eu queria poder te beijar, como eu queria que você fosse minha, ...
- Jimmy... – Eu ia começar a tentar confortá-lo, mas ele fez um “shhh”, colocando o indicador nos meus lábios, me interrompendo:
- Eu nunca pude querer muito de você, eu podia ver no seu olhar que você estava apaixonada por Harry. Por favor, por favor, ... Só me iluda um pouco, finja que é completamente minha. Só por essa música.
Eu simplesmente não poderia negar isso a ele. Não ao James. Poderia negar a Pierre, mas não ao meu Jimmy. Seria a coisa mais injusta do mundo com ele. E comigo mesma, que ainda sinto algo por ele. Estou tão confusa! Amo Harry, mas sou apaixonada por James... Como Harry reagiria a nos ver dançando com uma testa na outra, como se fôssemos um casal apaixonado? Na verdade, não me importei. Aquele momento era único e exclusivamente nosso, meu e dele e ninguém poderia nos roubar isso. Ficamos lá, dançando bem juntinhos, como um verdadeiro casal, de olhos fechados e, muito possivelmente, aos olhos de todos da escola.
- Jimmy... – O chamei, sem abrir os olhos. – Eu ainda sou apaixonada por você. Eu sei que não devia dizer isso, eu sei que estou com Harry, eu sei muitas coisas. Mas eu ainda sou apaixonada por você. Só não podemos ficar juntos.
- Eu sei, ... – Ele disse, colocando a mão no meu pescoço. – Eu queria que tudo fosse mais fácil.
- Um dia talvez seja, James. Mas não esqueça que eu ainda sou apaixonada por você.
- Seria uma das últimas coisas que eu esqueceria.
A esse ponto, a música já havia acabado e, antes de sair, meio atordoado com o que havia acontecido ali, no calor da situação, com a emoção à flor da pele, James beijou o canto de minha boca, me deixando mais agoniada, confusa e envolvida com o que havia acontecido ali. Ouvi Josh dizer que eu cantaria uma música com eles e me dirigi ao palco, enquanto ele começava cantando:
- I really, I really, I really need to know! Or else, ya gotta let me go, oh oooh.
Foi o tempo que eu subi ao palco e assumi o lugar do baixista no microfone:
- This time I really need to do things right, shivers that ya give me keep me freezing all night, you make me shudder, oooh yeah! – Cantei, rebolando, sorrindo e olhando para Josh, que também sorria e tocava a guitarra.
- I can't believe it, I'm not myself, suddenly I'm thinkin' of no one else. You make me shudder. – Ele cantou, apontando para mim, enquanto eu rebolava e sorria, segurando a haste do microfone. Em seguida, completei, enquanto ele andava na minha direção:
- Oh I really need to know oohh! Or else you gotta let me go.
- You’re just a fantasy girl, It's an impossible world. All I want is to be with you always! I give you everything, pay some attention to me! All I want is just you and me always! – Ele cantou no meu microfone enquanto eu fazia caras e bocas divertidas.
- Give me affection! I need your perfection, ‘cause you feel so good, you make me Stutter, stutter. – Cantei, rebolando, sorrindo e olhando para cima, fazendo uma cara de safada.
- If I could touch you – ele colocou a mão em minha cintura, enquanto eu rebolava e mordia o lábio, sorrindo: - I'd never let go.
- Now ya got me screaming and I cannot shut up, shut up. – Cantei. - Now I am lying on the bedroom floor, barely even speaking and I cannot get up.
- Oh I really, I really, I really need to know. Or else you gotta let me go… - O baixista da banda cantou no microfone que era de Josh.
- You’re just a fantasy girl, It's an impossible world. All I want is to be with you always! I give you everything, pay some attention to me! All I want is just you and me always! – Ele cantou, enquanto eu colocava a mão na cabeça, mexendo no cabelo, mordendo o lábio e sorrindo. Harry provavelmente me mataria quando eu descesse dali. - Give me affection! I need your perfection, ‘cause you feel so good, you make me Stutter, stutter.
- You knock me down. I can't get up, I'm stuck. Gotta stop shaking me up. I can't eat, Can't sleep. Can't think... Sinking under, I'm sinking under. – Cantei, fazendo cara de safada.
- You’re just a fantasy girl, It's an impossible world. All I want is to be with you always! I give you everything, pay some attention to me! All I want is just you and me always! – Ele voltou a cantar, e eu, para acompanhar, fazia uma cara de esnobe e safada, empurrando-o levemente. - Give me affection! I need your perfection, ‘cause you feel so good, you make me Stutter, stutter.
- You make me stutter. You. Make. Me. Stutter. – Cantamos juntos e ouvimos todos batendo palmas. Procurei por Harry e o encontrei perto do ponche, sem dar muita importância ao que aconteceu.
Agradeci a todos, aos meninos, dei um beijo na bochecha de Josh e saí para encontrar Harry.
Voltamos para a mesa, onde todos me parabenizaram pela voz e performance e Harry não comentou nada, provavelmente nem viu. Ficamos lá bebendo por um bom tempo e, quando percebi, já estava sendo deitada na cama por Harry, só de calcinha.
******
Faltando quatro dias para a nossa viagem para a Disney, eu estava no shopping, vendo umas cordas novas para a minha guitarra, quando um homem que aparentava ter no máximo 40 anos e com sotaque americano veio falar comigo. Ele se apresentou como Tywin e disse que viu Piece Of Nothing tocar no Lollapalooza.
- Fiquei impressionado, na verdade. Não achei que meninas tão bonitas pudessem ser tão talentosas. Nós dois sabemos que, geralmente, é um ou outro. Vocês têm um futuro promissor.
Ri e agradeci o gracejo:
- Mas não temos empresário, não temos onde tocar e, em três dias, vamos viajar e depois voltaremos à Inglaterra apenas por tempo o suficiente para pegarmos nossas coisas e voltarmos ao Brasil.
- E se eu me habilitasse para ser seu empresário, arrumasse onde tocar e organizasse tudo? – Ele sugeriu e, como não consegui responder nada, ele continuou: - , você conhece o Universal Studios?
- Sim, eu adoro o Universal Studios. – Respondi, sorrindo.
- E se eu te dissesse que eles querem que vocês façam shows por lá e que querem gravar seus CD’s? – À medida que ele ia falando, meu sorriso ia crescendo.
- Eu diria que seria incrível! Mesmo tendo que falar com as meninas sobre isso, mas não vejo por que elas iriam ser contra.
- Poderíamos marcar um almoço para organizar tudo, o que você acha?
- Eu acho perfeito! Quando?
- Você acha que elas podem hoje? Quanto mais rápido resolvermos tudo, melhor.
- Bem... Posso ligar para elas.
Liguei para as meninas e marquei com elas num restaurante chiquérrimo que havia no quarto andar do shopping: o almoço seria bancado pela Universal. Uma hora depois estávamos sentados numa mesa, discutindo os termos do contrato dos shows, os royalties e a porra toda. Estávamos tão empolgadas como nunca antes. Em nenhum segundo sequer conseguimos pensar nos meninos. Estávamos realizando nosso maior sonho, não podíamos abrir mão dele por causa dos meninos, mesmo que eles fossem os amores de nossas vidas. O nosso contrato cobria apenas um show, mas Tywin disse que, a partir desse show, viriam outros contratos e essas outras coisas. Depois da tarde mais decisiva de nossas vidas, voltamos para casa, ainda super empolgadas, e contamos aos meninos. Cada um teve uma reação diferente: Tom ficou extremamente feliz, mesmo falando que estava com um pouquinho de ciúmes; Danny ficou feliz e triste: feliz por termos conseguido um contrato e triste por saber que aquilo significava que seria ainda mais difícil voltarmos a Londres e que, provavelmente, ficaríamos por lá mais um mês depois de eles voltarem, para resolver as coisas, e, só assim, haveria a possibilidade de continuarmos morando juntos; Dougie ficou inteiramente feliz, porque sabia que estávamos realizando um sonho e a nossa felicidade era o que realmente importava para ele. Já Harry, bem... Harry não reagiu muito bem. Ficou calado enquanto contávamos a história e, quando subimos para meu quarto, ele começou a reclamar:
- Não acredito que você vai preferir sua carreira a mim, !
- Harry... Você está sendo egoísta. – Falei, calma.
- Não estou! Você prefere dinheiro ao amor? É isso?
- Eu estou correndo atrás de um sonho, Harry. Assim como você está correndo atrás do seu! E, além de tudo, ainda podemos morar aqui em Londres. Eles só querem um show para ver a reação do público americano, não é nada garantido, eles podem nos odiar ou, ainda assim, podemos, sei lá, vir morar aqui. – Andei até ele, colocando minhas mãos em seu rosto: - Apenas não me peça para escolher entre você e um sonho. Já é difícil demais lembrar que, se nada der certo, eu vou ter que voltar para o Brasil. Não torne as coisas piores do que já são. – Pedi.
Ele colocou as mãos em cima da minha e suspirou, derrotado:
- Tem razão. Me desculpe. – Ele disse e me deu um selinho.
Apenas dormimos juntos naquela noite, apesar de nossa pseudo-briga ter acabado rápido, fiquei muito triste com a reação dele. Porra, ele podia ter ao menos fingido ficar feliz, não? Lágrimas silenciosas cujo significado era o mix de emoções que me consumiam, como raiva, tristeza, decepção e angústia rolavam pelo meu rosto, até que adormeci desse jeito.
~ Capítulo 19:
Chegamos ao All Star Movies por volta das duas e meia da madrugada e, antes de capotar, fui andar pelo hotel, pela piscina, com as memórias mais importantes das inúmeras vezes que me hospedei ali vindo à tona. Harry já estava no quarto, provavelmente dormindo, quando me sentei à beira da piscina e comecei a pensar em tudo. Lembrei do dia em que o conheci, da vez que ele apareceu na casa do Tom depois de brigar com Chloé, a vez que ele se declarou para mim... Todos os momentos importantes, na verdade. Eu estava em meio a um colapso: Tywin comentou que era muito possível que, se fizéssemos bem, a Universal Studios quisesse assinar um contrato mais longo conosco e, dessa forma, teríamos de nos mudar para Los Angeles, já que teríamos mais chances lá. E tem Harry... Eu não quero deixá-lo, mas sei que não podemos namorar à distância, é complicado e eu estaria o impedindo de aproveitar a vida. Esses pensamentos invadiam minha cabeça antes de dormir, quando eu tomava banho, quando estava sozinha sem algo que me distraísse.
Senti alguém do meu lado, mas não me virei, ainda estava muito concentrada em ver meus pés na água da piscina e perdida em meus pensamentos. Ouvi o barulho da água, indicando que a pessoa também havia colocado os pés na piscina, mas nem isso me fez virar para ele. Mesmo assim, de alguma forma, mesmo que a pessoa não falasse, eu sabia quem era: Tom. Não sei como eu sabia que era ele ali, mas eu sabia, como se eu conseguisse sentir a presença dele, como se ele realmente fosse meu irmão gêmeo e tivéssemos alguma ligação que só gêmeos têm.
- Têm sido difícil, né? – Ele disse, como se estivesse lendo meus pensamentos.
- Nem me fale. Por que não podemos fazer tudo na Inglaterra? Por que não podemos ficar com vocês lá? – Suspirei e apoiei a cabeça em seu ombro. – Eu não quero ir embora, Tom. Não quero ficar longe do meu gêmeo. – Reclamei, enquanto ele colocava a mão no meu ombro, me abraçando. – Não quero ficar longe do meu amor, do retardado do Danny e do louco do Dougs. Nem do James...
- Eu também não quero ficar longe de você. Por mim, teríamos nascido colados um no outro, sabia? Porque assim, eu te teria sempre por perto e nunca te deixaria ser louca demais. – Nós dois rimos juntos.
- O que eu vou fazer, Tom? Não posso desistir de um sonho. – Disse levantando uma mão. – Mas também não quero abdicar do Harry, de vocês. – Disse, levantando a outra mão, como se as estivesse pesando, numa balança.
- Eu e decidimos namorar à distância, assim como Danny e . – Ele anunciou. – Mas Harry não vai querer isso, por mais que ele te ame. Assim como você também não vai querer...
- Tem razão, nem eu quero, Tommy. É difícil demais, sabe...
- Eu sei, ... Eu sei. – Ele beijou minha cabeça.
- Por que tem que ser tão difícil, Tommy? – Levantei a cabeça e o olhei: - O que você faria no meu lugar?
- Eu escolheria meu sonho. – Ele respondeu, sério, olhando para o Mickey que tinha ali na frente.
- Eu também. É o que eu vou escolher, na verdade. E acho que Harry já sabe disso. Só não sei como vamos ficar.
- Vocês vão se resolver, de um jeito ou de outro.
- Meu medo é que o modo como iremos resolver isso... Tenho medo de machucá-lo, afinal, é a última coisa que eu quero, você sabe.
- Assim como ele sabe. Ele sabe que, se você fizer algo que o machuque, será para protegê-lo de uma dor maior. E também sabe que você não fará isso só pra sacaneá-lo.
- Obrigada, Tommy. Promete que você vai sempre vir me ver? – Pedi.
- Claro que prometo, Little.
Ficamos por mais um tempo calados, depois, começamos a falar sobre os parques, sobre a Disney, estávamos empolgados. Acho que, juntos, eu e Tom, somos os maiores fãs que a Disney tem. Sério. Ficamos tão empolgados que só percebemos que deveríamos dormir quando estava amanhecendo. O que seria, bem... OITO DA MANHÃ? Não daria tempo de dormir, já que havíamos combinado com os outros de sair do hotel, no máximo, às 9:30. Decidimos tomar café da manhã enquanto os outros acordavam e se arrumavam. Quando estávamos voltando, nos encontramos com e :
- Já estão acordados? – perguntou.
- Nem dormimos, pra falar a verdade. – Eu disse.
- E como é que você nunca fica com olheiras, sua puta? – Ela perguntou, indignada.
- Sei lá... – Encolhi os ombros.
riu e, como estava morrendo de fome, puxou , enquanto eu e Tom voltávamos para a parte do Toy Story.
Quando entrei no quarto, Harry já estava quase pronto: usava a calça jeans e procurava uma camisa na mala. Ele apenas desviou o olhar da mala por alguns segundos e, quando viu que era eu, deu de ombros e continuou a sua procura. Ele estava frio, sabia o que se aproximava e fazia questão de estragar tudo. Simples assim. Também não disse nada, apenas me dirigi ao banheiro e tomei um relaxante banho quente que não me deu sono.
Como o primeiro dia era o que estávamos mais cansados devido à viagem, decidimos ir ao parque mais bestinha: o Animal Kingdom, que também tinha sua magia. Assim que chegamos lá, conseguimos tirar foto com o macaco de “O Rei Leão” e eu e Tom no Safari parecíamos duas criancinhas felizes que ganharam doces. Fizemos questão de ir juntos na última fileira da Everest, uma montanha-russa que vai “de costas”. A viagem parecia mais que foi dada a nós dois de aniversário ou qualquer outra coisa do tipo. Chegamos logo antes do anoitecer e decidimos ir ver o pôr do sol da piscina, tomando um banho antes de capotarmos. Harry passou o dia distante, quando eu me aproximava ele saía de perto, e não foi diferente enquanto estávamos na piscina. Enquanto andávamos de volta para o quarto éramos os últimos da fila, e eu resolvi falar com ele:
- Por que você passou o dia todo afastado de mim e quando eu chegava perto, você saía?
- Eu não fiz isso. – Ele respondeu, dando de ombros e colocando as mãos nos bolsos.
- Nós dois sabemos que você fez e que agora está mentindo para mim. – Disse séria.
- Você parecia estar tendo um momento com o Tom. Parecia que o parque era só de vocês, vocês estavam empolgados demais.
- E você não pensou, em nenhum minuto que, se eu estava indo atrás de você, era porque eu queria compartilhar esse momento com você também, Harry? – Perguntei, irritada, cruzando os braços, enquanto os dois parávamos de andar.
- Na verdade, não.
- Você mudou, sabia? Você está estranho desde que chegamos aqui.
- Como você queria que eu me sentisse, ? Como você quer que eu me sinta sabendo que daqui a um mês não vai ser a mesma coisa? Que, quando essa viagem acabar, eu vou voltar para Londres sem você? Depois de tudo o que passamos para ficarmos juntos? Como? – Ele terminou de falar, segurando meus ombros.
- Você acha que eu não penso sobre isso sempre, Harry? Por que você acha que eu passei a madrugada inteira acordada? Você não acha que eu queria voltar para Londres com você e fazer tudo de lá? – Meu tom de voz era duro. – Me responda, Harry. Com toda a sua sinceridade... O que você escolheria? Eu ou o seu sonho? O sonho que você tem com seus melhores amigos desde, tipo... ? – Esperei uma resposta que não veio e, por isso, continuei: - A coisa que eu mais quero nesse mundo é poder estar nos dois lugares ao mesmo tempo. Mas eu simplesmente não posso. E nós dois sabemos disso. Então, por favor, pare de estragar tudo e finja que eu vou morrer. Aproveite ao máximo comigo. Eu nunca vou te esquecer, Harry. Eu vou te amar para sempre. – Eu disse, segurando o rosto dele e o olhando nos olhos. – Mas, se não podemos ficar juntos agora, mesmo sabendo que vamos nos reencontrar - assim como Madame Lou profetizou -, eu quero ter boas lembranças de você. Você pode me dar isso?
- Posso, ... – Ele me deu um selinho e colou sua testa na minha. – Me desculpe por ser um imbecil quando quero.
- Você é o imbecil mais lindo que eu já vi, então, você pode ser imbecil às vezes. – Eu ri e andamos de volta para o nosso quarto.
Tomamos banho juntos, apenas tomamos banho, um banho quente, relaxante e com sabor de reconciliação.
- Dizem que o sexo depois de uma briga é o melhor. – Eu disse, enquanto ele ensaboava minhas costas.
- Quer tentar? – Ele perguntou, me fazendo virar para ele. Ele apenas arqueou a sobrancelha, com jeito de safado, e me deu espaço para que eu me molhasse.
- Você é muito safado, sabia? – Eu ri e dei um tapinha em seu ombro.
- Ah, claro, fui eu que comecei com o assunto, né, gata? – Ele riu, sarcástico, e me beijou.
Aos beijos, quase caindo e quebrando os pescoços e sofrendo traumatismos cranianos, tropeçamos na borda da banheira e fomos para a cama que, evidentemente, ficou toda molhada, já que não nos demos ao trabalho de nos enxugarmos. Depois de algum tempo brincando de provocá-lo, decidi me render a seu poder de sedução e deixei que Harry me penetrasse. Quando ele estava perto do ápice, diminuiu um pouco a velocidade para que chegássemos ao ápice juntos. Adormecemos na cama molhada, nus e de conchinha.
O dia do Magic Kingdom foi o mais empolgante de todos. Algumas pessoas nos reconheceram e pediram para tirar fotos e disseram que mal podiam esperar pelo show da noite seguinte. Fiquei mais empolgada ainda, as meninas estavam visivelmente nervosas, mas eu estava louca para abalar as estruturas do Universal Studios. Além disso, eu e Tom estávamos no auge de nossa felicidade, falávamos empolgados sobre todos os brinquedos, não reclamávamos das filas, fizemos piadas, fizemos amizade na fila, enfim... Fizemos tudo o que gostávamos. Até fizemos duetos enquanto esperávamos nas filas de alguns brinquedos! Harry estava mais presente, não se afastava de mim, andava de mãos dadas comigo, era o amor de sempre, o que me deixou mais feliz ainda. Com certeza, um dia que eu lembrarei pelo resto da minha vida, com todos os mínimos detalhes. Até quando Dougie foi comprar um sorvete e, quando estava voltando, todo feliz, a bola do sorvete caiu no chão, fazendo-nos rir de um Dougie segurando uma casquinha e com cara de otário.
Como tocaríamos à noite, fomos ao Mall At Millenia almoçar com Tywin para combinarmos os detalhes finais do show enquanto os meninos foram andar pelo shopping, vendo preços de instrumentos, videogames, eletrônicos, essas coisas.
- Como vocês já sabem, o show deve durar por volta de duas horas. Vocês já têm um set?
- Sim. – Eu disse. – Até colocamos no Twitter e no Myspace para as pessoas verem.
- Fizeram muito bem. – Ele disse, aprovando.
- E como ficará nossa situação de vida depois disso, Tywin? – Luisa perguntou, preocupada.
- Vocês se mudarão para LA, já tenho as passagens pra vocês. Vocês voltarão a Londres, pegarão suas coisas e voltarão. Lá, temos uma casa já mobiliada pra vocês, com piscina e, ainda, uma mini sala onde vocês podem ensaiar.
Não conseguimos conter os sorrisos e as comemorações devido à grande notícia. Conversamos por mais algum tempo e combinamos que Tywin nos pegaria lá no hotel para nos levar ao Universal Studios uma hora antes do show começar. Desse modo, só tínhamos mais três horas daqui para termos que nos encontrar com ele. Nos despedimos e fomos à procura dos meninos. Quando os encontramos, pedimos para voltarmos para o hotel, porque precisávamos nos arrumar e também ver se os instrumentos estavam corretamente afinados.
Tomei um banho relaxante e coloquei uma saia de couro vermelha, que combinava com meus All-Stars amarelos e minha blusa dos Ramones, cor de mostarda com vermelho. Fiz um gargarejo de água morna com sal e peguei minha guitarra para ver se ela estava afinada. Depois, fiz o mesmo com Jimmy, sendo observada por Harry, que estava deitado na cama, sorrindo.
- Vou cantar pra você. – Eu disse, vendo-o sorrir ainda mais.
- Adoro quando você canta para mim.
- He’s a real Nowhere man, sitting in his Nowhere Land...
Harry me acompanhava às vezes, sorrindo feito besta e me fazendo sorrir para ele.
- Você tá linda, vai ser ótima hoje. – Ele disse, me fazendo sorrir e andar até ele.
- Obrigada. – Disse, deitando ao lado dele e beijando sua bochecha.
Ele retribuiu o beijo e, antes de aprofundarmos qualquer coisa, alguém bateu na porta. Me levantei de má vontade e abri a porta, era .
- Estou nervosa demais, ! – Ela entrou no quarto, reclamando e sentando na cama, levando Harry a se levantar e pegar uma camisa.
- Ih, relaxa, . Vai dar certo. – Eu disse, pegando Jimmy e entregando a guitarra a ela. – Que tal um dueto para aquecer e acalmar?
- Qual música? – Ela perguntou, empolgada.
- Você escolhe.
- Folsom Prison Blues?
- Só se você me deixar cantar a parte da arma! Você sabe que eu amo aquela parte! – Eu ri.
- Fechado!
Cantamos “Folsom Prison Blues”, “Like A Rolling Stone”, “Girl” e, quando estávamos na metade de “Crazy”, e apareceram no quarto, nos chamando. A ida até o Universal Studios foi uma bagunça só. Tywin apareceu num micro-ônibus e ficamos lá, descontraindo o clima e zoando uns aos outros, até Tywin foi zoado. Bem... Ele passaria muito tempo conosco, já que era nosso novo empresário, então, deveria se acostumar. Mas, ignorando o esperado, ele riu e nos zoou de volta, deixando um clima leve.
Quando chegamos ao City Hall, não pudemos acreditar que aquela quantidade de gente estava lá exclusivamente para nos ver. Olhamos boquiabertas e agradecidas para Tywin, que apenas levantou a mão, dispensando os agradecimentos. Subir naquele palco foi a coisa mais surreal que me aconteceu: a platéia nos passava uma energia incrível e a minha vontade era de pirar junto com eles, retribuindo energias tão boas. Me senti leve assim que parei em frente ao microfone e dei boa noite a todos, que gritaram.
Iniciamos o show com “All Around Me”, claro. Depois, tocamos “Cinnamon Lips”, “Get Over It”, “Bye Bye Baby” e “Crash The Party”. tocava muito loucamente bateria, tocava seu baixo, quieta na dela, às vezes pulava e, quando não estava tocando, batia palmas. pulava muito e muitas vezes andou até meu microfone para dividi-lo comigo, além disso fez algumas brincadeiras comigo, me chamando de linda ou me dando beijinhos na bochecha. Já eu, corria pelo palco, pulava, fazia piadas, beijava as meninas, dançava, mexia a cabeça, dava tapas nas bundas das meninas, fazia tudo o que podia.
- Cara, vocês tem uma energia incrível, sabiam disso? – Eu disse e ouvi todos gritarem.
Começamos a tocar um cover do Buckcherry, “Too Drunk To Fuck”, eu adorava essa música e as pessoas que estavam lá pareciam gostar também. A vibe que eles me passaram era perfeita, eu estava viciada no público, eu queria cada vez mais. Mal percebi que já tínhamos tocado todo o repertório e eu já havia dito:
- OBRIGADA, VOCÊS SÃO FODA! – Frase que se tornou minha marca registrada.
Quando o público pediu mais uma música, eu estava tão inebriada com o efeito que eles tinham sobre mim que, por instinto, comecei com os arranjos de “Corrupted”, que era, digamos... Uma homenagem de despedida para os nossos namorados. Nós já a havíamos ensaiado então achei que não fôssemos ter problemas com ela.
- Essa daqui é um cover do McFly, a banda dos nossos namorados. – Eu disse, poucos segundos antes de começar a cantar:
- Crashing into walls, banging on your door, so why'd you let me in…
- Falling through the floor, diving in too deep… Underneath your skin. – completou.
- So good you've got to abuse it! – Cantei, olhando para , que apontava para mim, me fazendo sorrir. - So fast that sometimes you lose it! It chews you up when you feed it, but everyone needs to eat! Am I too much for you? – Cantei, ainda olhando para e a apontando, como se estivesse falando para ela. - 'Cause you're too much for me. Still wanna be…. Corrupted.
- Let's convince ourselves… It's all under control… It's all that we can break… But is this what we want? 'Cause we might miss-behave. And we know it feels so good. To make the same mistake, mistake, mistake, mistake, mistake, mistake! – cantou enquanto eu fazia uma segunda voz no final da estrofe.
- So good you've got to abuse it! – Dessa vez, não olhei para e apontei para um cara que estava bem à minha frente. - So fast that sometimes you lose it! It chews you up when you feed it, but everyone needs to eat! Am I too much for you? – Apontei para uma menina ao lado dele, que pulou mais ainda e gritou. - 'Cause you're too much for me! Still wanna be…. Corrupted!
- Do you remember how it started? Fairytale got twisted and decayed… The innocence has all been broken! How did we get this way? – cantou enquanto eu pulava até ela para cantar:
- So good you've got to abuse it! So fast that sometimes you lose it! It chews you up when you feed it, but everyone needs to eat!
- So good you've got to abuse it! So fast that sometimes you lose it! It chews you up when you feed it, but everyone needs to eat! Am I too much for you? 'Cause you're too much for me. – cantou, deixando o último verso para mim, que cantei como se fosse o último verso da minha carreira musical:
- Still wanna be, still wanna be, corrupted!
Quando terminamos essa, agradecemos mais uma vez e fomos embora. Os meninos estavam fascinados e extremamente felizes, porque fizemos uma ótima performance e ainda terminamos o show com uma música deles. Tywin nos parabenizou, disse que fomos incríveis e disse que teria uma after party na casa de um amigo dele.
Eu estava morta, assim como as meninas, então decidimos passar lá só para não fazer uma desfeita, falar com todos e depois iríamos embora. A casa do cara era simplesmente uma M-A-N-S-Ã-O! Algumas pessoas tomavam banho de piscina, em sua maioria mulheres e, dentro da casa, uma boate, com um DJ incrível, que veio de LA só para tocar nessa after party. Fui fazer um social com ele, me apresentei, mas ele já sabia quem eu era. O nome dele é Robert, mas era conhecido por Inferno. Tirei uma foto com ele e depois fui pegar vodca. Encontrei com Harry, mas, antes que pudesse dar atenção a ele, Tywin apareceu querendo me apresentar a algumas pessoas importantes do meio musical. Não lembrei do nome de nenhum deles, sou péssima com nomes, mas, com certeza, os reconheceria na rua. Só depois que conheci todas as pessoas a quem Tywin queria me apresentar foi que ele me deixou em paz e foi atrás de alguma das outras meninas para apresentá-las a esses caras e suas esposas. Andei um pouco pela festa à procura de Harry e, antes de encontrá-lo, algumas pessoas me pararam para dizer que tocamos muito bem, que eu tinha muita presença de palco e uma energia contagiante:
- Não, não... – Levantei as mãos, uma delas segurando um copo de vodca: - Pelo contrário. A platéia que estava me passando a energia. Tudo veio deles! – Eu disse sorrindo a um cara que devia ter minha idade.
Ele me pediu uma foto e eu não pude recusar. Foi assim com pelo menos mais dez pessoas naquela festa. Depois disso, me encontrei com Harry e as pessoas pareceram entender que deviam nos deixar em paz no nosso canto. Dançamos, nos beijamos, ficamos abraçados, conversamos pouquíssimo, não havia nada para ser dito, quase não fomos interrompidos, mas quando isso acontecia, ele se separava de mim de bom grado, mesmo me dando a impressão de que ele não queria me soltar, assim como eu não queria soltá-lo. Passadas algumas horas, decidimos voltar para o hotel e Tywin insistiu em nos levar de volta.
O resto da viagem foi como o início, eu e Tom nos divertíamos infinitamente mais do que os outros, já estávamos tão familiarizados com o lugar que parecia nossa segunda casa. Aproveitamos como se fossem nossos últimos dias de vida, como se nada mais importasse do que nossa felicidade. Foi a melhor viagem da minha vida! E então, chegou o último dia. Voaríamos de volta para Londres e, depois de pegarmos nossas coisas, voltaríamos para LA, como planejado com Tywin. Entretanto, o Judd me fez mudar de ideia:
- Por que você é sempre assim, ? Por que, uma vez na vida, você não pode me colocar em primeiro lugar?
Pois é, estávamos discutindo porque ele me pediu para ficar em Londres com ele. De novo.
- Eu não posso, Harry. – Eu disse, ainda séria.
- Você sabe que eu vou poder te sustentar, nos casamos, moramos juntos e pronto! Você não precisa tocar para ter dinheiro! Meu dinheiro será o seu!
- Harry, você está ouvindo o que você está dizendo? – Perguntei, com a voz esganiçada. – Isso é insanidade! Eu não vou e nem quero depender de você pelo resto da vida!
- Então é assim, ? Então você não devia nem voltar para Londres! Por que não vai logo para a sua tão amada mansãozinha em Los Angeles e já fica por lá?
- Quer saber, Harry? – Disse, tentando controlar as lágrimas. – Eu vou mesmo! Tenha uma boa vida em Londres. E veja se fica menos imbecil com o passar do tempo.
Saí do quarto e liguei para Tywin, perguntando se poderia alterar meus planos e voar direto para LA. Pegaria um vôo em duas horas. Fui ao quarto de Dougie e e me despedi dele, dando um abraço demorado nele e recebendo um beijinho na bochecha. Ele me deu uma das faixinhas que ele gostava de usar na cabeça, me dizendo que era para dar sorte, e eu dei uma das minhas pulseiras com contas de olho grego, dizendo que era para afastar dele as groupies feias e gordas, fazendo-o rir sonoramente. Quando ele perguntou por que eu não iria voltar para Londres com eles, apenas respondi:
- Foi melhor... Eu e Harry decidimos assim.
Antes de sair do quarto dele, dei um beijo na testa dele e coloquei a faixinha. Andei até o quarto de Danny e , ela não estava lá. Me despedi dele dizendo a mesma coisa que disse para Dougie, mas eu sabia que ia vê-lo frequentemente, então só dei um abraço nele, dizendo “até logo, Dan.”
Estava andando até o quarto de Tom e , quando o vi no fim do corredor. Eu não disse nada, apenas andei até ele, com os olhos cheios de lágrimas, e o abracei. Foi uma despedida silenciosa, não sei quanto tempo passamos abraçados até que ele me perguntasse se eu havia brigado com Harry. Apenas afirmei com a cabeça ainda enfiada em seu peito.
- Você vai ficar bem. – Ele disse, me soltando.
- Eu vou. – Respondi, limpando as lágrimas e sendo ajudada por ele.
- Vou sentir tanto a sua falta, sabia? – Ele disse, com os olhos cheios de lágrimas, me fazendo chorar mais ainda.
- Nunca pensei que fosse tão difícil dizer adeus pra você. – Nós dois dissemos juntos e depois rimos, por sermos tão iguais.
- Mas, depois de tudo, não é um adeus de verdade. – Ele disse, parafraseando Harry Potter.
- Quem vai ver filmes nerds comigo? – Eu disse, me agarrando à sua blusa e chorando ainda mais.
- Sempre que você assistir a esses filmes, lembre de mim. – Ele disse, fungando.
- Eu vou lembrar, Tommy. Não precisava nem dizer.
- Você não vai voltar com a gente pra Londres. – Ele afirmou. – Vai para LA?
- Sim... A casa já está pronta. O vôo sai daqui a pouco.
- Ele foi tão imbecil assim com você?
- Não foi nada de mais... Só que juntou tudo, foi como uma bola de neve.
- Entendo... Vou falar com ele depois.
- Tudo bem... Não precisa.
- Precisa sim. Quer que eu vá ao aeroporto com você?
- Quero.
Desse modo, foi o próprio Tom que entrou no quarto para pegar as minhas malas e guitarra, porque eu não queria nem olhar na cara do Judd. No caminho até o aeroporto descontraímos o clima rindo um do outro, nos divertindo. Foi assim até que eu fosse à sala de embarque, na última chamada. Chorando, nos abraçamos:
- Se cuida, Little .
- Você também, Tommyzinho do meu coração.
Desvencilhei-me dele e, com minha nova guitarra nas costas, corri pelo aeroporto para não perder o vôo. Mas, no meio do caminho, senti que eu precisava de mais um abraço dele. Voltei, correndo, e, quando nos separamos, eu disse:
- Não demore muito a ir nos visitar. Te amo.
- Eu também, Little. – Ele respondeu, ainda chorando.
*****
’s POV:
Mesmo sabendo que eu veria Danny em um mês, a partida foi difícil. Pensei em e em como deve ter sido difícil para ela se despedir, principalmente do Tom. De Harry nem tanto, porque ele comentou que eles brigaram e que, por isso, ela não voltou para Londres com a gente, então ela devia estar putíssima com ele. Harry não foi nos deixar no aeroporto, mas eu não o culpava. Ele estava irritado demais nesses últimos dias.
Já havia abraçado Tom e Dougs e agora estava chorando, assim como Danny, enquanto ele segurava meu pescoço com suas mãos quentes, com a testa colada na minha.
- Só mais trinta dias, meu amor. E eu estarei lá com você. Só trinta dias. – Ele disse e me deu um selinho demorado. – Eu te amo mais do que tudo nesse mundo.
- Eu também te amo. – Respondi e o beijei.
Nosso beijo tinha paixão, um sentimento saudoso e uma tristeza e felicidade impossíveis de evitar. Me separei de má vontade dele quando ouvi que era a última chamada do vôo.
’s POV:
Não é fácil deixar alguém assim. Principalmente quando esse alguém é o amor da sua vida. O meu é Dougie, não importa quantas pessoas apareçam em minha vida. Ele vai ser sempre meu, assim como eu serei sempre dele. Decidimos acabar o namoro de modo amigável, ao contrário do que aconteceu a Harry e . Mas se o destino quis assim, quem sou eu para questionar, não?
- Não importa quantas mulheres eu conheça na minha vida, ... Eu te amarei para sempre. – Dougie disse, com os olhos cheios de lágrimas, me fazendo chorar.
- Você sabe que comigo será o mesmo, né? Eu te amo, Dougie Poynter.
- E eu te amo, . – Ele me beijou, um beijo calmo, de despedida. Me perdi no beijo dele, o tempo havia parado, só havia nós dois lá. e me chamaram, dizendo que já era a última chamada para o embarque. Dei um último selinho em Dougie e fui embora. Dar as costas a ele foi a coisa mais difícil que eu já fiz em toda a minha vida.
Tom’s POV:
Já não foi o suficiente ter que me despedir da minha irmã gêmea perdida, agora eu também estava me despedindo da minha namorada. Eu queria morrer, na verdade. Sem drama. Meu coração simplesmente não aguentava mais se lascar. Meu alívio era que eu as veria em um mês, já que iria para lá junto com Danny. Dei um selinho em e não dissemos nada um ao outro, o que sentíamos não tinha palavras para definir. A pior sensação do mundo é ter um amor e não poder vê-lo todo dia, não poder tocá-lo, beijá-lo e dar o carinho que lhe é merecido. Pode parecer gay, mas eu estava devastado e, assim que chegasse, tomaria um mata-leão para adormecer logo. Dei um último beijo em e me soltei dela quando ouvimos a última chamada do vôo. Demorei a soltar sua mão, mas depois que ela deu uns cinco passos, ela voltou até mim e me deu um selinho rápido e, ao mesmo tempo, demorado. Então, elas entraram na sala de embarque, levando nossos corações com elas.
O caminho para casa foi tão triste quanto naquela noite em que foi baleada e todos pensamos que ela iria morrer. Ninguém falava nada, além dos Rolling Stones, que tocavam “(I Can’t Get No) Satisfaction”. Dougie disse:
- Essa música me faz lembrar delas.
- De , principalmente. – Comentei.
- Merda de música, merda de saudades, merda de distância! – Danny disse, irritado, mudando de rádio e socando o painel do carro.
Assim que chegamos em casa, fui dormir no quarto de , o lugar ainda tinha o cheiro dela. O lugar me lembrava não só ela, me lembrava todas as meninas, inclusive , mas é inegável que aquele seja o lugar da minha Little Sister. E fazia mais tempo ainda que eu não a via, então, a saudade e o aperto no coração eram maiores. Tomei um mata-leão e, como planejado, tive um sono sem sonhos.
~ FIM.
N/A: Bem, meninas... Chegamos ao final da minha tão amada fic! Depois de DOIS ANOS escrevendo e enviando a fic, finalmente chegamos ao final dela. Como vocês puderam perceber, o final foi meio óbvio (pelo menos, pra MIM, sempre ia acabar desse jeito)... A boa notícia é que eu já comecei a escrever a continuação da fic e, bem... TUDO PODE ACONTECER! Eu espero que vocês tenham gostado e, se sim, espero que leiam a continuação. Não sei mais o que dizer, além de agradecer pela espera paciente de vocês, pelos comentários, por tudo!!! Luma Medeiros.