Prólogo
Há muito tempo que uma lenda começou a existir, uma lenda que dizia que vampiros, criaturas que tomavam sangues humanos, eram inimigos mortais de lobisomens, humanos que podiam se transformar em lobo. As pessoas transcorriam sua vida passando essa lenda de pai para filho. No entanto, apenas eu, como uma das poucas pessoas, podia dizer com convicção que ela estava errada. Vampiros e Lobisomens não eram inimigos.
E vampiros tinham sim inimigos mortais, mas não eram os lobisomens, e sim outras criaturas, criaturas cuja existência era desconhecida até mesmo através de lendas. No nosso mundo existiam além dos vampiros, as criaturas chamadas Shinigami. Na mitologia isso seriam criaturas que levam a alma humana para o submundo. Mas, na verdade eles eram criaturas, que possuíam corpo humano normal, assim como os vampiros. Seus poderes resumiam basicamente em controlar a mente humana de modo que ele conseguisse entrar na mente da pessoa e fazê-la pensar e fazer o que ele queria. Eles podiam também entrar no corpo das pessoas de modo que estivessem com a aparência daquelas pessoas tomada.
Os vampiros, por outro lado eram criaturas que tomavam sangue humano e que de uma maneira diferente, poderiam fazer os humanos esquecer-se de determinados acontecimentos. Ambas as raças eram fortes e habilidosas, e imortais. E o que os diferenciava fisicamente quando se transformavam, eram que os vampiros tinham grandes presas, olhos escuros e veias no rosto. Shinigami faziam seus olhos que a princípio teriam a mesma aparência normal de um olho humano, tinha seus olhos ficando totalmente vermelhos.
E há muito tempo que essas duas raças haviam sido inimigas. Haviam dois criadores da raça, os irmãos e Henry . Ambos governantes das ruas raças, era um Shinigami e Henry era um vampiro. Os dois irmãos que quiseram coisas diferentes e acabaram ficando mortos. Sua mãe, uma druida poderosa os transformara nessas aberrações.
A guerra entre ambos iniciou-se quando os vampiros quiseram fazer dos Shinigami seus servos, como o líder deles lutou contra o próprio irmão o matando. E desde então nenhuma das raças teve mais paz.
Vampiros alimentavam-se de sangue humano, Shinigami alimentavam-se de energia vital de corpos humanos. Dorian impôs que seus seguidores deveriam apenas alimentar-se da energia que restava das pessoas recém mortas, tendo em vista que quando um Shinigami alimentava-se de uma pessoa viva deixava-a doida. Alucinada. Eles acabavam com as pessoas.
E assim chegamos à questão, qual era o meu envolvimento em tudo isso?
Há um ano atrás que eu conhecera . Sim, o líder dos Shinigami. Era uma época em que eu jamais sabia de nada, e fora com ele que eu aprenderá tudo. Eu ainda me lembro, eu encontrei aquele homem seminu na porta da minha casa, uma coisa que a principio me assustara bastante, mas quando ele abrira os olhos e implorara para eu os escondesses “deles”, eu não consegui negar.
Então assim eu havia conhecido ele. tivera de ficar escondido na minha casa pelo que pareceram dias, e nesses dias eu fui ficando cada vez mais curiosa sobre o que ele era, e sobre quem estava atrás dele. E foi no nosso primeiro beijo, que ele decidira me contar tudo. O meu primeiro gesto foi rir, sim, por que era tudo um absurdo.
Mas quando eu vi seus olhos tão vermelhos, eu recuei. Então acreditei e assim eu passara um ano e 3 meses com o homem dos meus sonhos, ou melhor dizendo, com o amor da minha vida.
Mas como tudo é que bom dura pouco, em um dia eu chegara da rua, e ele havia ido embora. Sem deixar nenhum bilhete.
Eu sofrera. Sim, eu o amava, como não sofreria? Haviam se passados 3 meses desde sua partida e mesmo assim eu não havia me acostumado que já não poderia tê-lo. Por que ele fora embora? Por que ele nem ao menos se despedira? E por que nesses três meses ele não tentara contato? Essa era minha pergunta todos os dias durante esses longos três meses.
E havia outra coisa que eu descobrira com ele. Eu era uma meio vampira. Desde pequena que minha mãe contava que meu pai havia morrido em um acidente de carro, mas conhecia nossa história. Meu pai havia morrido em uma luta com os Shinigami, pouco depois de ter sido transformado. Ele apenas tivera o tempo de engravidar minha mãe, e depois morrer. Pelo menos era essa a história que eu conhecia, e que me revelara. História essa que minha mãe jamais ousara me contar. Aliás, ela nunca me falava nada. Eu tinha algumas coisas de vampiros, eu era uma boa ouvinte, era mais ágil, e raramente ficava doente. E segundo , provavelmente viveria mais que um mero humano.
Enfim, eu estava nesse mundo, sendo diferente dos demais, e tendo de sofrer por um amor do passado. Essa é minha história, uma história que eu acreditava que estava em meu passado. Mas isso porque eu não esperava o que viria a seguir.
Capítulo 1
As coisas estavam estranhas naquela noite.
Minha audição aguçada me permitira dizer isso com convicção. Eu sentia como se alguma coisa muito estranha estivesse me rondando. Sem contar que Bichento estava na borda da janela miando sem parar como estivesse alguma coisa lá fora. Isso me deixava amedrontada. Por que Bichento apenas odiava criaturas estranhas, era engraçado por que eu era uma criatura assim, ao menos metade. E ele estava perturbado naquela noite.
Abaixei meu livro do Sidney Sheldon e encarei Bichento que miava sem parar. Seus pelos amarelos estavam eriçados.
- O que foi? – falei o encarando, enquanto ele continuava a miar, ele apenas me deu uma rápida olhada e voltou-se para o que quer que ele estivesse fazendo encarando lá fora. Respirei fundo acalmando meu coração acelerado e idiota, em épocas como essa eu ainda tinha a esperança que fosse . Mas eu não sabia dizer como eu sabia disso, mas não era ele. Por que o que eu sentia era uma presença estranha e ao mesmo tempo conhecida, e eu saberia dizer se fosse .
Mas o que poderia ser se não era ? Seriam outros Shinigamis? Ou vampiros?
- Você podia saber falar – murmurei para meu gato – Assim me diria o que esta sentindo – e assim eu saberia o que esta ai fora. Completei mentalmente.
Já cansada de Bichento ergui meu livro e voltei a minha leitura. Mas os miados de Bichento se intensificaram.
- Será que dá para você ficar quieto? – perguntei o encarando com raiva. Ele continuou miando ainda na soleira da janela. Bufei me levantando e caminhei até ele, então fechei a cortina e o tirei de lá. Mas ele começou a arranhar a parede. Então cansada, o deixei lá abandonando meu livro e caminhando pelo corredor de minha casa indo para meu quarto. Mas bastou que eu fechasse a porta para que aquela presença se intensificasse. Caminhei até a janela de meu quarto e a abri. Encarando o jardim, ele estava vazio. Eu ainda ouvia os miados de Bichento lá da sala.
“Mas que infernos” falei mentalmente fechando a janela.
Decidida a ignorar isso. Caminhei até minha cama e tirei o roupão verde, ficando apenas com a camisola preta de algodão então ergui as cobertas me enfiando debaixo delas em cima da cama.
Os miados de Bichento ainda eram ouvidos. Eu ainda lembrava-me que a ultima vez que ele ficara tão alterado fora quando estava jogado na porta de minha sala seminu. Respirei fundo tirando as lembranças de minha cabeça, lembrar-me de implicava sofrer e fazer milhares de perguntas como “Por que ele me deixou?”, e eu não queria isso.
Então apenas limitei-me a fechar meus olhos e tentar ignorar os miados insistentes de Bichento. Mas eu não conseguira isso por muito tempo, por na hora seguinte ouvira um estrondo e um miado assustado dele.
- Gato idiota – falei erguendo as cobertas e vestindo meu roupão. Saí de meu quarto caminhando até a sala. Bichento havia derrubado um vaso que estava numa mesinha perto da janela, com certeza na tentativa de se enfiar entre a cortina e a janela.
- Idiota – praguejei encarando seus estragos. Então, determinada, saí porta a fora de minha casa. Encarei o pequeno jardim de minha propriedade enquanto procurava qualquer sinal do que estava rondando. Bichento se enroscou entre minhas pernas miando para alguma coisa a minha frente. Encarei a frente. Havia apenas uma árvore, e nela um corvo que há dias estava ali.
- E nisso que esta miando seu idiota? – falei irritada a Bichento. Ele apenas me ignorou continuando a miar – Ótimo – falei lhe dando as costas – Fique aí – disse determinada a deixá-lo ali quando o corvo passou pela minha frente me assustando. Pulei o vendo voar. Ele pousou sobre a cerca que separava meu jardim do vizinho.
Fiquei encarando-o, analisando-o, esperando alguma coisa a mais, mas ele nada fez, então apenas dei-lhe as costas e continuei seguindo meu caminho. Mas antes que entrasse para minha casa, algo me fez parar, e não era Bichento.
- Espere – ouvi alguém falar. Virei para trás. Onde antes estava o corvo agora estava um homem.
- Quem é você? – murmurei o encarando.
- Eu...Vim para conversar com você. Meu nome é . E eu sou um vampiro – ele disse me encarando. Na verdade eu já havia percebido isso mesmo antes dele me dizer, talvez fosse sua pele pálida, ou aquela ligação estranha que eu sentia, talvez pelo fato de eu ser uma meia vampira.
- O que quer aqui? – falei, encarando-o, hesitante.
- Já disse. Falar com você. – falou ele.
- Falar sobre o que? – falei.
- Sobre seu pai. – disse ele. Senti uma pontada em meu coração. Meu pai.
- Os Shinigami começaram uma guerra sem fim, precisamos ir atrás deles. E seu pai é quem está governando o mundo dos vampiros agora – ele disse me encarando. Bufei.
- Meu pai está morto. Morreu em uma luta contra os Shinigami – lhe expliquei.
- Isso era o que os Shinigami acreditavam antes de seu pai assumir o reinado – disse ele.
- E como pode me provar isso? – falei.
- Talvez lhe apresentando a ele? – falou ele, me encarando hesitante.
- Eu não vou ajudar ninguém a acabar com ninguém – falei, duramente.
- Você só vai ajudar-nos a encontrá-los.
- Como? – perguntei.
- Encontrando o líder deles. . – ele disse. Arfei. Se o que esse homem falava estivesse certo, meu pai queria minha ajuda, minha ajuda para encontrar , e matá-lo. O homem que eu amava.
Capítulo 2 – Incertezas
Recuperei-me rapidamente do que ele havia dito. Então pigarreei, encarando-o, evitando demonstrar emoções.
- Não sei onde está – falei. O que não era mentira. me abandonara sem me dizer ao menos um adeus.
- Mas pode trazê-lo até nós – disse me encarando.
- Não vejo como. – falei irônica.
- Seu pai apenas acredita que você pode trazê-lo. – disse ele. Eu me obriguei a dar uma alta risada sarcástica.
- Meu pai acha? Ele que não ache que pode voltar aqui depois de anos se fingindo de morto, depois de anos de ter se quer ligado para mim ou minha mãe, e exigir que eu o ajude nisso. Por que não vou fazer isso – disse eu com voz melancólica. O olhar de falhou e eu vi alguma coisa passar nele.
Mas foi rápido demais, logo ele estava em sua pose vampiresca de novo.
- Eu acho que seu pai teve motivos para isso – disse ele.
- Oh, teve? E você poderia me dizer quais são eles? – falei cruzando os braços.
- Eu acho que essa é uma conversa que deve ser tida com o seu pai – falou .
- Pois eu não quero falar com ele – falei, me virando.
- Por favor – falou ele. Parei, evitando encará-lo. – Eu sei que é complicado e tudo o mais, mas apenas dê uma chance – falou ele.
- Onde está ele? – falei, me voltando para encará-lo. – Onde está meu pai?
- Se você aceitar em partir comigo. A levarei até ele – disse ele me encarando. Respirei fundo enquanto o encarava e pensava sobre o que eu deveria fazer. Eu poderia ir encontrar meu pai e conversar com ele, mas isso implicaria ajudá-lo a ir atrás de . Mas porque eu não me permitir apenas em ouvir a história? Apenas ouvir, . Disse a mim mesma. Eu apenas ouviria e então me decidiria depois.
- Eu aceito isso – murmurei.
[...]
Na outra manhã, eu ligara para minha mãe avisando que teria de passar uns dias fora da cidade. Avisei minha secretária, que tinha um paciente doente que exigia que eu fosse visitá-lo. Eu era uma médica. Minha mãe, depois que meu pai “morreu”, casou-se novamente, eu tinha pouco mais de 4 anos, o homem com quem ela se casara me dera seu nome, e a partir daí eu o passara a chamar de pai, e ele me cuidou como tal. Minha mãe e Ben tiveram apenas mais um filho. Josh que era 10 anos mais novo que eu. Tendo em vista que eu tinha 25 anos, ele tinha seus 15 anos agora.
Meu pai adotivo, Ben, pagara a minha faculdade de Medicina, e sim, eu era uma médica.
Enfim, na outra manhã eu ajeitaria tudo. havia cuidado para vir me buscar ao entardecer, ainda lembro-me de mim perguntando por que ele viria tão tarde, ele apenas respondeu “Não conhece as lendas de vampiros? Nem tudo é falso” ele disse. É claro que eu conhecia, estava apenas distraída. E não conhecia tanto pelas lendas. Conhecia por mim mesma. Sempre trabalhara em um escritório fechado, e minha casa também sempre estava fechada, principalmente durante o dia.
Minha mãe, que sabia da existência de vampiros, inventara qualquer desculpa a ele. Eu me queixava apenas a isso por eu ser vampira, por que fora o fato de seu uma meia vampira que me ajudara a me decidir pela minha profissão. Eu não sabia como, mas o cheiro de sangue me ajudava a distinguir sobre qual era o real estado de meus pacientes. E não, eu não sentia fome por sangue, embora gostasse de vê-los. Eu me sentia apenas feliz em cuidar dos meus pacientes pela minha habilidade extra.
Assim ao entardecer eu vi um mesmo corvo preto na minha janela batendo com um bico na janela. Eu terminei de arrumar minhas coisas e rapidamente fui para sala onde Bichento já miava.
Quando abri a porta, lá estava aquela figura parada me encarando.
- Olá - falei, ele apenas acenou com a cabeça.
- Você poderia me convidar para entrar? – ele disse. Outro detalhe dos vampiros, ele precisavam ser convidados a entrar em uma casa onde viviam humanos.
- Ou você poderia me esperar aí – falei, pegando Bichento.
- Por que tem esses bichos? Eles são irritantes – falou , encarando Bichento.
- Justamente por causa disso, eles me ajudam a distinguir quando se tem algum tipo de ser sobrenatural rodando minha casa – falei. Isso fora uma ideia de , antes disso jamais sonhara em ter algum bicho.
Coloquei Bichento lá fora na lavanderia me certificando que ele sairia pelo espaço aberto. Deixei bastante comida. E então fechei toda a casa. Para só então seguir . Ele abriu a porta de um volvo para mim.
- Achei que íamos voando – falei, quando ele entrou no lado do motorista. Ele ligou o carro e deu partida.
- Suponho que não consiga se transformar em nada? – ele disse, me encarando.
- Não sou uma imortal morta viva – falei.
- Mas é metade – ele disse, dirigindo.
- Podem se transformar em corvo – comentei.
- Temos esse poder extra. – ele disse me encarando. Assenti.
- E quantos anos você tem? - perguntei o encarando. Ele deu de ombros.
- Quinhentos. Equivale a cinco séculos de idade – ele disse, me encarando.
- Uou... Agora tem uma coisa, meu pai não é tão velho, por que ele foi escolhido para ser o chefe? Por que não você? – perguntei.
- Ele é esperto – respondeu , encarando a estrada. Ergui uma sobrancelha.
- E você não é esperto?
- Ele tem algumas regalias, como você. Faz muito tempo desde que algum vampiro teve uma filha – disse ele.
- Que ótimo – falei, sarcástica.
- Sente-se magoada por isso – ele disse me encarando.
- Acho que quando se vê abandonada pelo seu pai, é isso que tem a sentir não? – falei, encarando-o. Ele apenas deu de ombros.
- A minha vida inteira me vi sendo diferente, ele poderia ter me ajudado nisso – falei, rancorosa.
- Como eu já lhe disse, ele teve seus motivos. – falou . Apenas revirei meus olhos.
- Como conheceu o ? – perguntou ele, de repente.
- Eu... Ele queria minha ajuda – falei.
- Sua ajuda? – disse ele, me dando uma rápida olhada.
- Sim. Para escondê-lo.
- Bem típico dele – disse , notei o tom de repulsa que ele tinha ao falar de .
- O que sabe de ? – perguntei.
- Sei que ele é um verme. – falou . Quis brigar com ele, mas lembrei-me que havia me abandonado.
- Por que acha que posso trazer ele de volta? – perguntei de repente.
- Faz muito tempo desde que os vampiros tiveram alguma notícias dele. Então, seu pai acha que você pode ajudar. – disse ele. Não lhe respondi, pensava apenas em como eles achavam que poderiam encontrar através de mim. havia ido embora sem me dizer nada, eu nunca mais tivera noticias de nesses três meses que sucederam a sua partida. E aliás, eu não gostava nem de pensar nele, por isso fazia com que meu coração doesse. E eu achava que jamais pudesse esquecê-lo.
Capítulo 3 - Harrison Plutoch
Houve muitas coisas que me perguntava durante minha existência, e uma delas era por que eu nunca pudera conhecer meu pai. Porque tantas crianças tinham seus pais, e eu nunca tivera o meu. Eu sei, eu tinha Ben, mas ele não era bem meu pai. Pelo menos não de verdade, e fora apenas por isso que mesmo tendo ele fazendo esse papel, eu sempre quisera que meu pai de verdade estivesse comigo. Principalmente quando Josh nascera, eu tinha 11 anos na época, e de repente via que estava perdendo a atenção de meus pais, e de um filho que biológico dos dois, mesmo que eles estivessem me dizendo que amariam Josh como me amavam, eu sentira uma certa dor.
E agora, no entanto, ali estava, prestes a conhecer meu pai biológico. E não era de uma maneira como eu sempre sonhara, era de uma maneira estranha. Por que eu estava com medo, porque agora, diferente das vezes em que eu era pequena, eu era adulta e sabia que ele era um vampiro, um vampiro que queria apenas que eu o ajudasse a encontrar o amor de minha vida.
- Está calada – comentou de repente.
- Apenas pensando – sussurrei.
- Hum – resmungou .
- Qual o seu papel em tudo isso? – falei de repente. ergueu uma sobrancelha e então se voltou me olhando em interrogação.
- Papel? – disse parecendo confuso.
- Sim, papel. Você ajuda meu pai de alguma forma? – falei. Ele apenas deu de ombros.
- Eu apenas ajudo a proteger o nosso mundo dos Shinigami como qualquer outro vampiro. E sendo tão velho, tenho que dizer que tenho uma arma sobre outros. – falou ele indiferente.
- E por que chegar a ? – perguntei.
- matou nosso criador há muito anos atrás – falou .
- Apenas por que ele quis fazer dos Shinigami seus escravos – defendi.
- Isso foi o que aquele idiota lhe contou – falou .
- Esta insinuando que não foi Henry quem começou a guerra? – falei irritada. Eu não poderia defender de tudo, por que estava com raiva do que ele fez comigo, mas fora ele que me apresentara a esse mundo, não poderia deixar que ninguém o chegasse acusando também.
- Bem, Henry apenas quis que eles lutassem juntos. acreditava que as raças deveriam ficar longes uma das outras – disse .
- Não acredito em você – murmurei.
- Faça como quiser. Mas é a verdade, . - era a primeira vez que ele dizia meu nome, e foi por isso que eu não pude evitar que um calafrio percorresse minha espinha quando ouvi. Pare com isso, , me repreendi.
- Qual era seu envolvimento com ? – disse de repente. Não lhe respondi, apenas virei-me para encarar a janela. – Por favor não me diga que você transava com ele – disse ele parecendo enojado.
- Há algum problema em dormir comigo? – perguntei ofendida.
- É claro que não. Mas com ele há – disse .
- Eu hã.... Não vejo problema – falei.
- Céus, esse era envolvimento de vocês? Seu pai ficaria doido se soubesse – disse ele me olhando. Apenas dei de ombros.
- Não é como se ele tivesse alguma autoridade sobre quem eu convido para minha cama – falei sarcástica.
- Eu jamais iria para cama com você – disse ele. Olhei-o com raiva.
- E quem disse que quero isso? - lhe perguntei.
- Isso não é com você. É com o fato de já ter dormido com aquilo – falou ele.
- Posso dizer que não vejo diferença alguma nele com outros homens – disse eu o encarando.
- Nunca dormiu com um vampiro para dizer isso – falou ele.
- Nem quero. Quero que meu pescoço continue intacto. – falei irônica.
- O que te faz pensar que não entrou em sua mente e fez você interessar-se por ele? – disse me olhando rapidamente.
- Ele não o fez. Ele não pode. Ainda sou metade vampira – disse eu.
- Ainda me pergunto qual era a dele indo para a cama com você. – disse .
- Qual o problema nisso afinal? – falei entre dentes já irritada com suas insinuações.
- Shinigamis também tem aversão a vampiros, e você é descendente de um – disse ele me encarando. Então pensei será que teria ido para cama comigo apenas para saber algo sobre os planos de vampiros, pesando que eu soubesse de algo? Será que fora isso?
- Eu não sei se sabe, mas meias vampiras são as comidas prediletas de Shinigami, por que elas não ficam debilitadas quando eles sugam você. Diferentes de humanos – disse topher. Naquele instante eu senti que meu mundo tinha desabado. Enquanto eu me perdia em lembranças.
Por que, como pude ser tão estúpida? Ao ponto de me deixar iludir por ele?
Era claro que ele se alimentava de mim, por que estranhamente eu não me sentia fraca, ficava louca ou qualquer humano, e por que estava escondido em minha casa, sendo assim ele não poderia sair para se alimentar de outra pessoa. Era claro que for apenas por isso que ele me quisera, para ficar forte o suficiente para fugir de novo e retornar para seu povo. Agora eu finalmente tinha a resposta que tanto quisera e eu não gostava nenhum pouco dela.
[...]
Só percebi que havíamos chegado quando a velocidade do carro foi diminuindo, entrou em uma estrada deserta e logo estávamos frente e um imenso portão. Alguém apareceu em meio a escuridão da noite e o abriu, adentrou e eu me assustei com a quantidade de pessoas que havia para dentro daqueles portões, estacionou seu carro frente a uma imensa casa e me encarou.
- Pronta para conhecer seu pai? – ele disse me encarando com seus olhos azuis, foi naquele instante encarando-o que eu percebi o quão bonito ele era. Ele tinha olhos azuis, era alto e forte, seus cabelos eram curtos e meio loiros. Ele era absurdamente atraente. Desviei meu olhar dele, e então apenas assenti me reprimindo por tais pensamentos.
saiu do carro e logo estava abrindo a minha porta, peguei sua mão fria e desci, ele fechou a porta e seguiu para a entrada da casa.
- – disse alguém, virei-me encarado um sujeito alto e moreno.
- Ei Stuart – disse o encarando. – Sabe me dizer se Harrison está? – disse , o tal Stuart estreitou seus olhos escuros me encarando com a sobrancelha erguida.
- Você é a meia vampira? – disse ele me encarando. Ah, sim, eu acho que esqueci de mencionar, meu pai chamava-se Harrison Plutoch.
- É ela sim – disse antes que eu tivesse a chance de responder – Ele está ou não?
- Está sim. – disse Stuart ainda me analisando melhor, vi cobiça em seu olhar. Senti uma mão fria tocar a minha e me voltei para .
- Obrigada. Vamos, – ele disse me puxando com ele – Não se afaste de mim.
- O que são eles? – murmurei.
- Precisa perguntar? – ele disse me encarando. É claro que não, eu já estava desconfiada, eu estava em uma propriedade de vampiros. E quando adentramos aquela casa, e eu vi as paredes antigas e ilustradas, eu tive mais certeza, varias pessoas vestidas de preta conversavam ou tomavam algo vermelho, que com certeza era sangue, alguns se beijavam e se tocavam sem decência alguma.
- Eles são nojentos – sussurrei ainda segurando a mãe de enquanto ele caminhava corredor adentro. Era como se eu estivesse em uma festinha particular do Drácula.
- Não os deixe ouvir você falar isso, bem ou mal, você ainda é uma humana – disse ele. Engoli em seco diante de suas palavras. Então apenas calei-me ainda o seguindo, em cada corredor que passávamos havia uma pessoa diferente dentro dos cômodos. Quando enfim chegamos ao fim daquele corredor, começamos a subir uma densa escada redonda, soltou minha mão, mas eu me mantive ao seu lado. Então logo estávamos frente a uma grande porta, um homem estava parado perto dela.
- George – falou .
- Ei – falou George dando um singelo sorriso. George era um vampiro com feições mais velhas, ele tinha cabelos brancos, algumas rugas no rosto, e seus olhos eram num azul pálido.
- Eu gostaria de falar com Harrison. Eu trouxe – disse apontando para mim. George me olhou com olhos interessados, mas não malicioso como Stuart o fizera. Então por fim assentiu.
- Eu vou avisá-lo – disse ele se virando, ele abriu a porta e entrou a fechando.
- Eu achava que so tinham vampiros novatos – comentei.
- Não se engane. George é um dos mais velhos aqui, mil séculos de idade equivale a muita força e garra. Todos o temem – disse me deixando surpresa, eu não daria nada para aquele homem. Logo George voltou nos encarando.
- Vocês podem entrar – disse ele.
- Obrigada, George – disse andando até a porta aberta. O segui entrando naquela aposento, era um local meio escuro assustador, e eu não sei se já mencionara era todo iluminado com velas, assim como toda a casa. Além do mais, vampiros odiavam claridade demais. A única que eles ainda aceitavam um pouco mais era a de velas, ou aquelas lâmpadas que não eram tão claras.
Era como se eu estivesse na festa particular do Drácula.
- – disse uma voz dura e autoritária. Nos viramos rapidamente, num canto afastado da parede tinha uma sombra sobre o que parecia ser uma poltrona.
- Harrison! – disse , encarei melhor aquela figura me perguntando se eu teria algum envolvimento com ele. Céus, ali estava meu pai. Eu não conseguia ver absolutamente nada dele.
- Aqui está ela. – disse apontando para mim. Harrison se moveu em sua poltrona e então se levantou caminhando graciosamente até mim, quando as luzes das velas acesas iluminaram seu rosto que eu pude vê-lo.
Nunca entenderá como podia ser tão diferente de minha mãe ou meu pai adotivo, mas agora olhando para o rosto de Harrison eu via o quão parecida com ele eu era. Seus olhos eram castanhos escuros e assim como os meus eles eram miúdos, ele possuía um rosto pequeno e redondo com bochechas grande, lembrava-me perfeitamente a mim. Seus lábios eram grossos, e seus olhos estreitavam-se enquanto me encaravam. Seus cabelos eram castanhos e estavam puxados num penteado para trás. E é claro, que diferente de minha mãe ou meu pai adotivo, Harrison não havia envelhecido em nada. O que tornava estranho para eu vê-lo como pai, por que ele continuava com a mesma aparência de 32 anos, que fora idade com que fora transformado, e pela minha contagem, ele teria por volta de 50 anos hoje.
- . Minha filha – ele disse com voz rouca me analisando, então percebi que ele me analisava da mesma maneira que eu o fazia. Eu não falei nada, e duvidava muito que conseguiria. Então apenas me mantive calada.
- Obrigada por trazê-la, . Acho que pode ir já – disse Harrison.
- Sim. Com licença – disse a nós saindo pela porta e a fechando. Harrison voltou-se para mim me encarando.
- Como você cresceu – disse ele me encarando. – É claro que isso é normal, tendo em vista que da ultima vez que a vi você tinha um pouco mais de um ano de idade. – ele disse, eu ainda não falei nada. Simplesmente não sabia o que falar – Como você está? – ele disse me encarando.
- Confusa – sussurrei dando de ombros. Harrison respirou fundo.
- Há muitas coisas que eu tenho a te explicar. E eu não sei como começar, então acho que você poderia fazê-lo com perguntas – ele disse. Assenti, então suspirei antes de começar.
- Por que se fez de morto? – perguntei.
- Quando eu fui transformado em vampiro, um pouco depois de ter me casado com sua mãe. Eu não sabia ao certo o que tinha acontecido comigo, . Tanto que na mesma noite em que fui transformado, voltei para casa, e agi normalmente, naquela noite você foi concebida com o pouco humanismo que ainda havia em mim – disse ele. Assenti – E na mesma noite eu ataquei sua mãe, foi um grande susto para nós dois. Depois eu apenas queria saber como me livrar daquilo, sua mãe aceitava em conviver comigo embora eu visse o medo nos olhos dela.
“Foi então que eu conheci George, e ele me ajudou. Mas George já estava nessa luta contra os shinigamis e bem ou mal eu fique envolvido em tudo isso. Então, eles começaram a ameaçar vocês, e eu não pude com isso – disse ele.
- Ameaçar com o quê?
- Eles queriam que eu os ajudasse a acabar com os vampiros, mas eu não poderia, não quando George era tão amigo meu. Então George me deu a ideia de fingir-me de morto, assim, o líder deles iria deixar você e sua mãe em paz – disse ele. Agradeci mentalmente por ele não ter mencionado o nome de . Eu ainda achava estranho ver um lado assim dele, um lado que eu desconhecia.
- E então, eu forjei minha morte. E depois desapareci, só retornando há alguns meses para ajudar a encontrar o líder dos shinigami – disse ele.
- Como você acha que posso encontrar o líder deles? – perguntei.
- Por que você é a última pessoa que teve contato com eles. Não há bruxas ou criaturas fora os próprios Shinigamis que tenham sequer ouvido falar dele há muito tempo.
- Mas isso não faz com que eu saiba onde ele está – falei.
- Você esteve frente a frente com ele, foi tomada por ele. Temos uma ideia de onde ele foi visto pela ultima vez há alguns meses. Poderá ser mais fácil – disse Harrison. Suspirei fundo. me enganara e me iludira, e agora eu era a única encarregada de ir atrás dele, e eu sabia que fosse atrás dele, ajudasse meu pai e os outros, seria para matá-lo. Mas e se no fim, eu não conseguisse matá-lo? Bem, eu estava envolvida nessa história, muito mais do que eu mesma queria,e fora apenas por isso que eu decidira aceitar.
Capitulo 4 – Os Anciões
Eu sempre fora o tipo de pessoa que sempre adorava ver filmes de terror, ou ler livros de terror como Anne Rice ou Stephen King. Muitos julgavam-me anormal, no entanto, eu me sentia a pessoa mais normal desse mundo, sentia-me satisfeita ao fazer esse tipo de coisa, e eu não sabia o porquê, mas se tinha uma coisa que eu adorava, era sangue. Eu adorava ver os filmes de terror e ver os sangues jorrando do pescoço das pessoas, e eu não sabia o porquê, até então. Às vezes eu, simplesmente, tinha medo de mim mesma. Tinha vezes que eu me sentia o pior monstro de todo o universo e talvez fosse apenas por isso que eu me afastara de tudo e de todos. As pessoas mais próximas a mim era unicamente minha família, e o único momento que eu me tornei mais social fora quando eu me tornei médica. Seria ultrajante para mulher hoje em dia dizer que eu perdi minha virgindade com 20 anos, quando estava quase me formando, e comecei a sair com Diego Boldinho. Um cara alto, moreno e com corpo escultural. Mas fora algo que também não durara muito. E então teve o momento em que eu senti mais normal, senti como se finalmente estivesse encontrado meu lugar, e ele fora com . Um shinigami que me revelou toda a verdade e todo o porquê de eu ter sido tão diferente durante minha vida inteira.
E, provavelmente, há três meses atrás, se alguém me falasse que eu estaria em um complô para matá-lo, eu provavelmente teria duvidado. Mas agora eu estava em um complô onde meu pai estava liderando. Um complô que só queria a morte daquele que eu amava, daquele que fora o único com quem eu me sentira segura. Daquele que eu amava.
Suspirei cansada. A quem eu queria enganar? Era claro que eu não conseguiria matar .
Mexi minha cabeça tirando esses pensamentos, e logo ouvi um barulho. Virei-me encarando , que entrava na sala onde eu estava.
- Harrison pediu para eu ver se precisa de alguma coisa – disse ele caminhando até mim. Ah, sim, desde que eu aceitara a proposta de meu pai, que ele sairá decidido a coversa com outros vampiros.
- Não. Obrigado – falei o encarando, ele assentiu, mas não se moveu – O que hã... Harrison está fazendo? – eu não iria chamá-lo de pai, não quando ele parecia ser somente um pouco mais velho que eu.
- Ele esta conversando com os anciões. – disse dando de ombros. Ele adiantou e sentou-se ao meu lado em um sofá pequeno de dois lugares, tendo em vista que eu estava em uma poltrona.
- Anciões? – falei.
- Os descendentes mais diretos de Henry. – disse ele, assenti.
- Você não é um? – perguntei.
- Eu tenho apenas cinco séculos de existência – ele disse. Apenas? Ele tinha tudo isso e dizia que era “apenas”.
- Se você que tem essa idade, considera-se novo. Não quero nem pensar quantos anos tem os anciões – falei, ele riu. – Eu não entendo por que os anciões não estão governando tudo ao invés de Harrison.
- Já disse: ele tem você; e outra que os anciões sempre gostam de ter um gerente para tudo, mas no fim é eles quem mandão. O último chefe, antes de seu pai começou a se achar demais porque estava no poder, e começou a achar que os meros vampiros que o seguiam seriam capazes de defendê-lo dos anciões. Achou errado, ele acabou morto.
- Então, na verdade, quem manda são os anciões? – perguntei o encarando. Ele assentiu.
- E os anciões sempre gostam de estar por dentro de tudo – falou .
- Quantos anciãos são? – perguntei.
- Exatamente seis – disse . – Eles meio que são colocados no grupo quando os outros acham que aquela determinada pessoa está digna de entrar no grupo. Um que esta sujeito a entrar no grupo é o George – disse . O encarei surpresa, aquele cara velho combinava com a palavra ancião, mas não com a palavra forte e tudo o mais, então lembrei do que havia me dito antes:
“Não se engane. George é um dos mais velhos aqui, Mil séculos de idade equivale a muita força e garra. Todos o temem”
- Eles já é temido, então não duvido que entre mesmo – falei, assentiu. De repente a porta foi aberta, Harrison entrou nos encarando.
- . – ele disse de uma maneira afetuosa. – Os anciões, eles querem lhe conhecer – ele disse. Tremi. Como eu deveria reagir em uma sala com seis vampiros de milhares de idade mais velha do que eu?
- Eu hã... Tudo bem – murmurei, de repente, sentindo-me tremer. Levantei-me caminhando até ele e notei que me seguiu. Nós três saímos, meu pai se encaminhou mais para o fundo do corredor onde ficava a sala onde estávamos, então Harrison abriu uma outra porta de madeira antiga. Entrei. ficou fora, então meu pai apenas fechou a porta. Seis pares de olhos me olhavam com curiosidade.
- Oi – sussurrei envergonhada.
- Essa é minha filha, . – disse Harrison encarando todos – , esses são os vampiros mais velhos da terra, e os nossos anciãos. – falou ele se voltando para me olhar – Esse é Julian. – disse apontando para um homem à minha esquerda, virei–me o encarando. Ele era alto e assustador. Seus cabelos pretos eram compridos e iam até suas costas, seus olhos eram num azul profundo. Ele, assim como todos os demais, trajava de uma roupa preta. Ele me deu um leve sorriso – Este outro é Marcon – disse meu pai apontando para outro que estava ao lado de Julian; este, por outro lado, tinha cabelos vermelhos fogo e espetados e era um pouco mais baixo que Julian. Seus olhos eram castanhos claros – Ginevra - a mulher ao lado de Marcon era a mulher mais linda que eu já vira sem, nenhuma dúvida. Alta, com um belo corpo escultural, seus cabelos eram iguais aos de Marcon, vermelhos fogo, mas eram compridos e lisos. – Brigithe – a outra mulher que estava um pouco atrás de Ginevra era alta também, tinha aparência mais velha, parecia ter uns 40 e poucos anos. Seus cabelos eram loiros claros, e seus olhos eram azuis pálidos, mas mesmo assim ela era linda – Louis – o cara que estava perto de Brigithe tinha aparência de ter uns 30 e poucos anos assim como meu pai. Ele tinha longos cabelos loiros escuros, seus olhos eram verdes, ele era alto – E por fim, Carl – disse meu pai para o último que estava mais próximo a nós. Ele era alto, e parecia ter um pouco mais de dezoito anos, tinha olhos azul claro, seus cabelos estavam puxados para trás, eles eram pretos. Todos absurdamente lindos e assustadores.
- E, em breve, se seguirmos como nosso plano... George – disse a mulher que eu sabia que se chamava Brigithe, ela sorria para mim. Sua voz era fina e melodiosa.
- Vamos ir devagar, Brigithe. Esqueceu–se que não podemos sair por ai espalhando isso para qualquer um – disse Louis totalmente sério e ranzinza.
- Garanto que nem eu ou contaremos isso a ninguém – falou meu pai encarando Louis.
- É claro! Louis é que um pouco paranoico demais – falou o ruivo que se chamava Marcom.
- Eu sou responsável, Marcon. É diferente – devolveu Louis o encarando.
- Chega! – disse Julian autoritário, todos se calaram. Julian virou-se para mim – Agora sim, temos a nossa isca. A única meia vampira viva – disse ele.
- Única? – sussurrei.
- Faz muito tempo desde alguma meia vampira habitou. E as poucos que existiram foram mortas, mortas pelos shinigamis – falou Louis repulsivo.
- Mas agora temos – disse Julian.
- E justamente a mesma que teve contato com líder deles. Merveilleux – disse Ginevra me encarando sorridente, ela tinha um leve sotaque Francês na voz.
- Você, realmente, está diposta a ajudar-nos como disse seu pai ? – falou Julian me olhando. Notei que ele era o mais porta-voz ali de todos; talvez fosse o mais velho de todos, pensei.
- Eu... Sim – falei hesitante, o que fez com que Julian arqueasse sua sobrancelha.
- Ela só está assustada, Julian – disse Harrison.
- Seria interessante transformar você. – disse Marcon, me encarando fascinado – Ver no que você se transformaria.
- Isso está fora de cogitação – falou meu pai, autoritário.
- Qual é, Harrison? Sabe que tenho razão – disse Marcon.
- Não falamos nisso, por enquanto. – disse Carl, se pronunciando pela primeira vez – Vamos apenas seguir a ideia de Julian.
- Como ela vai ajudar-nos a chegar até ? – falou Ginevra com seu sotaque.
- Ela vai conseguir senti-lo. Ela foi tomada por ele – disse Harrison. Eu corei com as palavras de meu pai, embora 'tomada' ele quisesse dizer que alimentou-se de minha energia.
- Isso é perfeito. Mas precisamos de um bom exercito – disse Brigithe.
- Eu pensei em levá-la até a cidade onde se tem notícias de , e depois outros podem rodear a cidade, para o caso deles terem notícias – falou Harrison.
- George e Carl fazem isso. – falou Julian. Carl assentiu. – Ginevra fica e ajuda Harrison por aqui – ele continuou mandando.
- Precisamos terminar, Julian. Precisamos pegar aqueles vermes que estão tentando invadir o nosso castelo – disse Louis em tom reprovador diante da decisão de Julian.
- Podemos lidar com isso – disse Julian.
- Por que não manda Marcon no lugar de Ginevra ou Carl ? – disse Louis. Uma coisa era notada: Louis não gostava de Marcon.
- Por que ele vai conosco e lidar com isso. E ponto final, Louis – disse Julian.
- Pode ir agora, querida. Terminamos aqui com você – disse Brigithe me encarando. Provavelmente não querendo que eu participasse de outras discuções deles. Harrison abriu a porta.
- – ele disse a que estava perto da porta – Leve-a até a minha sala de novo – disse ele. assentiu, então sai junto com . Seguimos para a sala onde eu já estive antes. entrou comigo e então trancou a porta. Joguei-me no sofá mais próximo.
- Eles são assustadores – comentei encarando o chão, pensativa.
- Essa é a ideia. – comentou ele, sentando–se ao meu lado. - E são eles quem mandão no nosso mundo – continuou . Assenti.
- Louis... Ele parece ser tão ranzinza e não gostar de certas decisões dos outros – comentei, encarando que apenas deu de ombros.
- Louis e Julian são os mais velhos ali. Eles são os mais autoritários e mandões – disse .
- Louis parece ter um certo respeito por Julian – comentei.
- Mas não se engane. Louis apenas não gosta de ser o porta-voz e tudo o mais – ele disse.
- E sobre eles mandarem meu pai gorvenar tudo. Por que eles não o fazem ? – perguntei o encarando em interrogação.
- Eles não gostam de muita incomodações, gostam de participar apenas de decisões importantes, por causa disso. – ele disse, assenti compreensiva.
- Você sabe, nós vamos te levar até onde você possa ajudar-nos a encontrá-lo, e voce sabe o que irá acontecer depois, não é ? – ele disse me encarando. O olhei sem responder. – Contou a Harrison sobre você e... Hum... Ele ? – disse . Neguei com a cabeça.
- Mas acho que ele suspeita – sussurrei.
- Na verdade não, ele acha que te forçou a isso – disse . O olhei surpresa.
- Mas eu sou metade vampira, isso não pode... – comecei.
- Eles não sabem disso – disse .
- Você vai contar a eles ? – sussurrei medrosa, o analisando.
- Só se eu achar que é necessario – ele disse me encarando de volta. Eu sabia o que ele queria dizer, ele só contaria se eu os tentasse trair por causa de .
- Os anciãos não vão te matar por isso ? – perguntei.
- É um risco que eu quero correr – ele disse dando de ombros. Assenti.
- Eu estou com sono – falei de repente. se virou encarando a janela.
- Está quase amanhecendo – ele disse;
- Eu devo estar pior que uma zumbi, afinal, não dormi a noite toda – falei, franziu a testa.
- É estranho estar com alguém que dorme durante a noite – ele disse.
- Então onde vocês dormem ? – perguntei curiosa.
- Achei que soubesse de tudo.
- Nem tudo. Não sabia que podiam se transformar em corvo. – falei o encarando.
- Se eu te contar, você pode se assustar – ele disse, ergui uma sobrancelha.
- O que...? Vocês dormem em caixões ? – falei assustada. riu.
- É o melhor lugar para se esconder de qualquer vestigio de claridade – ele disse dando de ombros. O encarei ainda asusstada;
- Céus, isso é aterrorizante! Quero dizer, é para lá que vamos quando morremos.
- É para lá que humanos vão. Vampiros quando morrem queimam, até virarem cinzas – ele disse. Engoli em seco.
Eu estava num mundo horrendo, um mundo onde eu não sabia se era certo ou não. Um mundo de demônios e criaturas horríveis. Será que eu estava certa em insistir em participar disso? Eu não sabia o porquê, mas eu estava começando a me assustar com tudo isso.
[...]
Algum tempo mais tarde, algumas horas faltando apenas para o amanhecer. Harrison entrou naquela sala pequenina, avisando que estava no toque de recolher. Ginevra estava ao seu lado.
- , você poderia arranjar um lugar para Ginevra dormir? – perguntou Harrison. adiantou-se e assentiu, guiando Ginevra para fora do quarto. Harrison se virou para mim:
- Você pode ficar aqui – disse ele apontando para a sala. O sofá no qual estava sentada parecia agradável; além do mais, estava cansasa demais para me decidir sobre qual seria o lugar ideal para domir.
Assim que deitei-me, senti-me ficando tonta. E então, aos poucos, fui caindo na insconsciência.
Capítulo 5 – Partindo
A casa já estava movimentada quando acordei naquele entardecer. Levantei-me e olhei para os pés do sofá, notando um bilhete, que dizia que era para eu usar aquelas roupas. Roupas que estavam dentro de uma imensa mala, que estava em cima do outro sofá. Vesti-me rapidamente, e então segui para fora daquela sala.
Harrison e Ginevra estavam parados no final do corredor, conversando.
- Bom dia. – falei, encarando-os.
- Querida. – falou meu pai, encarando-me sorridente.
- Como já está levantada, acho que podem partir. – disse Ginevra. Assenti, e então eles começaram a andar. Supus que deveria segui-los. Fomos ao andar de baixo, onde Stuart estava parado em frente à porta.
- Stuart – disse Harrison. –, encontre . Diga que já está na hora de partir. – disse ele, encarando Stuart, que apenas assentiu e saiu.
- Para onde, exatamente, vamos? – perguntei, encarando-os.
- Chicago. Foi a última vez que tivemos notícias de . – explicou Ginevra.
- E se tivermos sorte, vamos, enfim, matá-lo. – disse Harrison, extasiado. Tremi.
[...]
Já haviamos saído da casa dos vampiros há uma hora. dirigia em silêncio, enquanto eu pensava sobre o que eu faria quando estivesse frente a frente com . Suspirei.
- Você sabe, não precisa ficar tão nervosa quanto a se encontrar com ele. – disse . Encarei-o, e então apenas limitei-me a assentir. Ele parou o carro de repente, em frente a um restaurante.
- Acho que você precisa comer. – ele disse. Apenas assenti. desceu do carro, pedindo para eu esperá-lo, e então voltou, instantes depois, com um pote de sanduíche. Comi, sentindo-me totalmente aliviada depois de matar minha fome.
- Uau, ficar tanto tempo sem comer é péssimo. – falei quando terminei.
- Acabamos esquecendo de comprar comida humana. – falou .
- Não faz mal. – falei, sorrindo para ele. Ele me encarou curioso e então ergueu sua mão, tocando em meu rosto. Seus dedos eram frios.
- Gosto de humanos, são sempre tão quentes. – ele disse contra o meu rosto. Em outros momentos, eu o afastaria, com medo de virar sua comida, mas naquele instante, eu gostei do seu toque.
- E você é frio. – sussurrei, encarando-o. Ele me olhou com seus profundos olhos verdes e então aproximou-se mais, tocando seus lábios nos meus. Não me mexi, apenas manti-me quieta, enquanto esperava seu próximo movimento. Ele passou seus dedos em meu cabelo e moveu seus lábios contra os meus. Fechei meus olhos. Iniciamos um beijo calmo, gostoso e provocativo. Ele moveu sua língua sobre os meus lábios, pedindo pasagem, e eu a cedi, colocando minhas mãos sobre seus ombros, enquanto correspondia aos seus beijos.
Então nos afastamos.
- Seu beijo também é quente. – ele murmurou contra os meus lábios.
- Achei que jamais quisesse me beijar. – falei irônica.
- Você me fez mudar de ideia. – ele murmurou. Então, assim como iniciou, ele se afastou, ligando o carro. Virei-me e encarei a janela. Talvez não estivesse na hora de deixa a fila andar, pensei.
[...]
Chegamos à cidade bem tarde. havia dito que Harrison cuidaria para que Geroge e Carl viessem. Descemos em um restaurante, onde eu comi. E então, enquanto pagava a conta, meu celular tocou. Era a minha mãe.
- Alô?
- , onde está? - perguntou ela, preocupada.
- Mãe, eu... Hã... Estou cuidando de um paciente. É um caso complicado. - falei. saiu de dentro do restaurante e me encarou.
- Mas volta quando? - ela perguntou.
- Volto logo, ok, mãe?
- Ah, , estou com saudades de você. Tente voltar logo, querida. - disse ela. Revirei meus olhos.
- Ok, mamãe. – falei.
- Eu te amo. - ela disse.
- Eu também. – falei, desligando.
- Sua mãe é bastante preocupada. – disse , encarando-me.
- Ela é apenas mãe. – falei, olhando-o. Ele assentiu.
- Acho que devemos ir. – ele disse. Assenti, e então começamos a andar em direção ao carro.
- Para! – gritou , assustando-me. Virei, encarando-o assustada.
- O quê? – sussurrei.
- Droga! – ele disse, virando-se e encarando algo atrás de nós. Virei-me a tempo de ver uma pessoa próxima a nós.
- Maldito Shinigami! – disse . Olhei-o e notei sua face mudando. Agora, seus olhos, antes verdes, estavam negros. E ele tinha presas. Antes que eu pudesse pensar em algo, o Shinigami voou em .
Então ambos começaram uma luta. foi por cima, tentando capturar a cabeça do demônio com as mãos, enquanto ele tentava acertá-lo com chutes. Era uma luta graciosa e densa. Alguém me agarrou por trás. Virei-me assustada, e então reconheci Carl.
- Vamos embora daqui. – ele disse.
- Mas ... – eu falei, virando-me e notando George em um canto afastado.
- Eles dão um jeito. Vamos. – ele disse. Entrei no carro junto com ele e nos mandamos. Chegamos a um hotel.
- Não podemos correr o risco de saber sobre você. Ele pode fugir antes que saibamos. – disse Carl. Eu apenas me mantive quieta.
Pegamos um quarto. Carl me deu a chave e me mandou descansar, mas isso serviu apenas para eu andar desesperada de um lado para o outro. Eu queria saber sobre , sobre o que tinha acontecido com ele. Queria saber se ele estava bem ou não.
Apenas mais tarde foi que eu ouvi uma leve batida em meu quarto.
- Entre. – gritei. entrou, fechando a porta.
- Oh, , você está bem? – perguntei preocupada.
- Estou. George é muito habilidoso, você sabe. – disse ele.
- Você também é. Eu estive tão preocupada. – murmurei. Ele sorriu carinhosamente.
- Obrigado. – ele disse. – Pela preocupação. – completou.
- Vai ser isso sempre? – perguntei, encarando-o. Ele suspirou, ficando sério.
- É isso sempre, . – ele disse, encarando-me.
- Céus! Que loucura. – falei, pondo as mãos na cabeça. assentiu.
- Eu acho melhor você descansar agora. Pelo entardecer, iremos vagar pela cidade. Você sabe, para encontrar . – disse ele. Assenti.
- Boa noite, . – ele disse, indo até a porta.
- Bom dia. – falei sarcástica. Ele sorriu antes de sair.
Nota da Beta: Qualquer erro, avise aqui. Informações sobre atualizações de outras fanfics, aqui. xx