Escrita por: Márys
Betada por: That


Capítulo Dezessete


"A mudança é a lei da vida. E aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão com certeza perder o futuro" - John Kennedy

- Fusca! – Gritei antes de dar um soco no braço de ao ver um New Beetle amarelo na direção contraria a nossa na estrada de volta a Londres.
Só isso pra eu desviar a atenção do meu pacote de Gold Bears que havia comprado antes de sair do hotel.
Ai, como amo meus ursinhos! Ainda mais agora que finalmente poderia comer em paz, sem a vaca da Amber pra controlar tudo que eu como durante toda a semana. Tudo o que precisava no momento era um pouco de gordura trans e muitas calorias no meu corpo. Comeria por todos os dias que tive que comer um mísero prato de salada. Como que essas garotas vivem? É possível ser feliz sem McDonalds e Kit-Kat?
Estávamos finalmente voltando pra casa após o final do campeonato. Nem acredito que finalmente poderia dormir até mais tarde, porque apesar de termos vencido, ficar 7 dias acordando cedo, passando fome e no final ainda ter que mostrar os peitos não foi nada legal.
O resto do pessoal da escola estava voltando de ônibus junto com Amber, que decidiu não querer vim com a gente no carro para não ser estraga prazeres. Amber não querer ser estraga prazeres... Essa é nova, diz aí.
- Você é uma garota! Garotas não devem fazer brincadeirinhas tão estúpidas – Resmungava , enquanto eu fazia careta – E ainda brincadeirinhas que eu não posso revidar. Isso é injusto!
- Mas essa é a graça, cowboy, ou será que você não vê? – Sorri de orelha a orelha – Me diz que graça teria em te dar um soco, se sem mais nem menos poderia receber outro de volta? – E no mesmo momento que eu falei, um outro fusca passou por nós, e eu dei outro soco no braço de , antes de cair na gargalhada – Fusca, de novo!
- Acho que quando sua mãe ficou grávida, era tudo certo pra você ser um homem, mas no final não cresceu nenhum pinto e você veio mulher. Agora eu entendo porque todos os caras caem aos pés de , porque eles podem ter o melhor dos dois mundos – Disse , e eu mandei lhe mandei um dedo.
- Se você não fosse tão bonitinho, eu abriria a porta do carro e te jogava pra fora. Mas tudo bem, eu perdoou porque estou em um ótimo humor. E também porque você precisa se distrair um pouco, você fica tão sério dirigindo! – Tirei do seu rosto o RayBan aviador que ele usava, e coloquei em mim, fazendo uma cara séria o imitando dirigir.
Mas a verdade de tudo aquilo é que ninguém conseguia ficar tão sexy dirigindo um Mustang, como ficava. O cara já era gostoso pra cacete, dentro de um carro daqueles então... Vai pra merda, era até injusto. Eu, que além de estar comendo um pacote de Gold Bears como se não houvesse amanhã, também tentava arrumar meu cabelo que voava para todos os lados por causa do vento forte.
Resumindo: Eu estava tudo, menos sexy.
Juro que se a ideia de levantar o teto do carro antes de sair não tivesse sido minha, eu já havia matado um.
- Pega um cigarro pra mim dentro do porta luvas, por favor? – Pediu e eu fiz que sim com a cabeça abrindo o porta luvas, pegando um cigarro dentro do maço de Marlboro Light e acendendo pra ele com o isqueiro que levava na minha bolsa – Valeu – Agradeceu dando sua primeira tragada.
Mordi meu lábio inferior inconscientemente e tirei os óculos e coloquei novamente em .
- Agora sim – Fingi segurar uma câmera fotográfica – Tão sexy! – Suspirei.
- Bobona!
Deixando as brincadeiras um pouco de lado, comecei a viajar em pensamentos enquanto olhava a estrada quase deserta. Minha vida tinha virado de ponta cabeça em uma semana. Eu era a rainha em ter uma mudança de vida em tempo recorde. Como eu poderia imaginar que essa viagem a Brighton me traria tantos problemas e tantas soluções? Eu mal havia terminado meu namoro de quase um ano com o infeliz do Andrew, e já estava com uma pessoa incrível ao meu lado. Como seria se eu não tivesse entrado para a equipe?
- Você acha que se Amber não tivesse feito aquela merda toda junto com o Andrew pra me colocar no time nós teríamos feito as pazes? – Perguntei de repente, ainda perdida em pensamentos.
- Não sei... Talvez sim – Olhei para que prestava atenção na estrada – Eu acho que mesmo que nada disso tivesse acontecido, eu teria ido conversar com você de qualquer maneira. Já estava nos planos.
- Como assim? – Franzi o cenho.
- Lembra aquele jantar, que a Chloe apareceu e tudo mais? – Como eu poderia esquecer? – Quando eu cheguei em casa, conversei com , e meio que tinha decidido me aproximar de você. Tanto que no dia seguinte eu puxei assunto na primeira aula. Eu tava tão nervoso que contei até 3 umas 15 vezes até conseguir dizer alguma coisa – Soltou uma risada nasalada – Eu sabia que as chances de levar uma patada seriam grandes.
- Eu me lembro disso, foi no mesmo dia que o contou que vocês abririam o show do City & Colour!
- Sim, no mesmo dia que você me atacou depois do intervalo pensando que era eu que tinha te dedurado pro diretor.
- Agora eu entendo porque você disse que eu sempre estrago tudo – Dei uma risada fraca um pouco sem graça. Mas aquela era a verdade, eu sempre estragava tudo.
- Eu disse aquilo de boca pra fora – Senti a mão de em cima da minha coxa me fazendo um leve carinho – Você sabe como eu sou, eu tava com esperanças que a gente voltasse se falar. Aquilo tudo me pegou de surpresa, mas eu não desisti, você sabe – Olhei para ele, e sorri.
- E ... Faz algum tempo que queria te perguntar... Por que o Andrew partiu pra cima de você aquele dia no treino? – Era algo que eu sempre quis saber, mas nunca tive a oportunidade de perguntar – Nenhum de vocês nunca me falou o que aconteceu de verdade.
- O Collins tinha mania de se gabar sobre o que fazia com você, e pelo jeito até o que não fazia – Ele tirou as mãos da minha coxa e voltou a colocar no volante – Aquele dia ele estava irritado mais do que o normal por causa da gente, e falou que não se importava em nós sermos amigos, já que eu nunca te teria na forma que ele tinha.
Collins filho da puta.
- Ok, e por que ele te bateu?
- Porque eu disse que aquilo era uma questão de tempo – deu um sorrisinho cafajeste e eu balancei a cabeça – E pelo jeito eu estava certo, não é? Afinal eu consegui traçar a bonitinha.
- Vamos parar de se gabar, cowboy – Dei uma piscadela.
- Fusca! – Disse de repente, e enquanto eu esperava um soco, o saco de Gold Bears saiu do meio das minhas pernas e foi pra fora da janela. Como ele pode fazer isso? Sem reação, eu fiquei de boca aberta feito uma idiota – Eu não posso te dar socos, mas posso fazer ursinhos voarem.
- Meus ursinhos – Choraminguei – Como você teve coragem de fazer isso? Ainda tinham muitos! Isso foi desumano, !
- Desumano é aquela coisa ter mais atenção sua do que minha. Eles conseguiram estar no meio de suas pernas primeiro do que eu! – Semicerrei os olhos ao ouvir o que ele disse e comecei a dar tapas e mais tapas, enquanto ele tentava se proteger e dirigir ao mesmo tempo.
- Seu idiota!
- Ai, ai, bonitinhas, calma, eu também te amo, não precisa de tudo isso pra demonstrar seu amor por mim também! – Parei de dar tapas e cruzei meus braços olhando pra frente, sem querer conversar com aquele... Assassino de ursinhos – Ah, o que foi? Vai me ignorar agora? Ta bom, então.
Ao se instalar o silencio dentro do carro, percebi que não parava de me olhar. Eu podia sentir seus olhos sob mim, mesmo olhando pra frente. Aquilo já estava me dando nos nervos
- O que é que você ta olhando? – Perguntei mal humorada.
- Olha só, quando eu tento ser romântico e ficar admirando o quão linda você é, eu ainda recebo uma bronca – Eu juro, juro que tentei ficar séria depois dessa, mas não consegui – O que é isso ali do lado? – Apontou para o meu rosto – Espera só um pouquinho, isso é um sorriso? Agora sim, você consegue ficar mais linda ainda.
- Eu te odeio – Murmurei.
- Não diz isso, você sabe que não é verdade, e que é completamente o oposto, só que ainda é muito durona pra dizer – Voltei a encará-lo – Tudo bem, eu consigo esperar você dizer, eu sei que mais cedo ou mais tarde eu vou ouvir aquelas três palavrinhas.
Engoli seco e senti meu rosto começar a queimar. Odiava quando ele me deixava tão sem graça ao ponto de querer abrir a porta do carro em movimento e sair rolando pela estrada.
- Quais palavras? “Você”, "é", "idiota"? – Tentei não parecer tão envergonhada, e provoquei.
- Você sabe o que estou falando, baby – Levantou os óculos e piscou pra mim, me fazendo bufar – Não fica brava, bonitinha – Suas mãos saíram do volante novamente, mas dessa vez foram pra minha nuca, me fazendo arrepiar da cabeça aos pés – Prometo um pacote família dos seus ursinhos quando chegarmos em casa.
Olhei pra ele com uma cara meio suspeita e levantei a sobrancelha.
- Promete, mesmo? – Perguntei um pouco incerta – Um daqueles bem grandão?
- Um daqueles bem grandão.
- Yay! – Gargalhei e dei um beijo em sua bochecha e depois um selinho em seus lábios quando ele virou rapidamente pra mim.

Falávamos de tudo, futuro, passado, presente, sonhos, pensamentos, conversa vai, conversa vem e mal percebemos a hora passar. Quando notamos, já estava parado em frente a minha casa me ajudando com as malas. Home, sweet home. Eu sempre reclamava que minha vida se tornava mais chata com minha mãe e minha irmã, mas até que não era ruim estar de volta. No fundo eu não vivia sem essas duas, e sem Steve, claro, porque meu padrasto e eu éramos os mais normal dessa casa.
Ao abrir a porta um pouco atrapalhada com a mochila e a chave, notei o silencio e comecei a pensar se teria ou não alguém em casa. Logo ao jogar minhas coisas em um canto da sala, ouvimos uma movimentação no andar de cima e logo em seguida minha mãe descendo as escadas seguida de Steve, ambos maravilhosos, vestidos para alguma festa. Mamãe abriu um sorriso ao me ver, mas o mesmo se desmanchou ao ver .
- Aconteceu alguma coisa? – Perguntou séria, me abraçando logo em seguida e checando se nada havia acontecido comigo.
- Não, mãe, ta tudo certo, por quê? – Perguntei sem entender o que estava acontecendo.
- É só que... Eu não sei, me expliquem vocês. Não são todos os dias que aparece na minha casa – Disse aliviada dando um abraço forte em , que estava achando a cena no mínimo engraçada – Como está, querido?
- Tudo certo.
- De um crédito a sua mãe, . Digamos que não esperávamos ver essa cena tão cedo. O que aconteceu com vocês? – Steve beijou o topo de minha cabeça, cumprimentando logo depois com um aperto de mão.
- Nada... Quer dizer, a gente só se acertou – Me joguei no sofá exausta com a viagem e bati no braço do mesmo para que se sentasse.
- Não acredito! – Disse Lizzie, surpresa – Vocês juram mesmo que se acertaram? Eu sabia que essa viagem faria muito bem pra você – Segurou meu rosto e beijou delicadamente minha bochecha – Nem posso acreditar que essa briga ridícula entre vocês acabaram!
- Eu não vou entrar junto com aquele animal no seu casamento – Steve forjou uma voz feminina, me imitando quando falava de Ninguém nessa casa entende que eu nunca mais vou falar com aquele idiota? – Fuzilei meu padrasto com os olhos enquanto ele e gargalhavam – Brincadeirinha, meu amor! – Apertou meu nariz como se eu tivesse 10 anos – Mas então, como foi o campeonato?
- Ganhamos! – Disse animado – As garotas da torcida também fizeram um ótimo trabalho, principalmente a , que surpreendeu todo mundo – Eu sabia que ele estava falando o quão bem eu tinha ido às apresentações, e não da cena da qual tive que mostrar os peitos pra chamar alguma atenção daquela torcida, até por que ele queria esquecer daquilo, mas eu acharia legal zoar um pouquinho com a cara da minha mãe.
- Alguém tinha que fazer o trabalho sujo – Dei em ombros – E já que me fizeram estar ali, eu queria dar o melhor de mim.
- Como assim “trabalho sujo” ? – Perguntou Lizzie mesmo estando com medo da resposta
- Sabe como é que é, somos animadoras de torcida, mas já que um defunto conseguiria ser mais animado que aquelas pessoas, eu decidi entrar de cabeça no que eu estava fazendo eu decidi partir pro plano B – Minha mãe continuava a me olhar com medo e balançava a cabeça não acreditando que eu ia contar aquilo pra minha mãe.
- Plano B... – De repente minha mãe começou a ficar meio verde.
- É, aquele de levantar a blusa e levantar os peitos pra levantar a torcida.
- VOCÊ O QUE? – Gritou Lizzie
- Quem mostrou os peitos? – Olhei pra trás ao ouvir a voz da minha irmã, e vi Alison nas escadas vestida impecavelmente. Parecia que eu estava me vendo mais nova indo obrigada para festas junto com meus pais – ?
- Hey, tampinha! – levantou do sofá e olhou para minha irmã com um sorriso de orelha a orelha esperando ela descer correndo para se jogar em seus braços, como costumava a fazer.
Mas diferente do que todos imaginavam, Allie parou nos degraus da escada e ficou olhando para nós durante um tempo antes de subir as escadas e ir para seu quarto batendo a porta com toda força que tinha.
- Mas o que... – me olhou confuso, mas eu também não sabia dizer o que poderia ter acontecido.
- O que aconteceu com ela? – Perguntou Steve indo subir as escadas já que minha mãe ainda estava em estado de choque com o que tinha ouvido sobre mim.
- Não, deixa que eu vou – Me levantei indo para o quarto de Alison já tendo uma leve impressão que o problema poderia ser eu.

- Posso entrar? – Perguntei colocando a cabeça pra dentro do quarto, onde Alison estava sentada em sua escrivaninha desenhando alguma coisa.
Ela não disse nada, apenas fez que sim com a cabeça e eu entrei. Sem saber exatamente o que estava acontecendo, me ajoelhei ao seu lado e comecei a tentar tirar algumas palavras de Allie.
- Quer conversar sobre o que aconteceu lá embaixo? – Coloquei minhas mãos em seus braços e Alison deu de ombros continuando a ficar em silencio – Ok... Quer que eu fale pra mamãe que você quer ficar em casa comigo ao invés de sair?
- Por que você voltou a falar com ele, se ele te fez chorar? – Perguntou Alison de repente, ignorando completamente o que eu havia perguntado.
Então eu entendi o porquê de tudo aquilo.
- Allie... É meio complicado te explicar essas coisas, já que nem eu entendo muito bem o que acontece entre e eu, mas... Nós conversamos, e vimos que tudo aquilo que falamos durante aquela briga foi de boca pra fora – Alison finalmente tirou a atenção de seu desenho e me olhou – Aquele dia nós ainda não estávamos completamente bem, entende? O tinha brigado com o Andrew, ele tava bravo e aconteceram algumas coisas que acabou resultando em tudo aquilo, mas tudo ficou bem. A gente é amigo de novo, que nem antes, você lembra? – Allie fez que sim com a cabeça – Não pense que ele é ruim pra mim, porque por mais que a gente brigue, eu chore, ele fique triste, nós nunca vamos querer o mal um do outro, nem mesmo quando a gente esteve brigado. Mas eu fico feliz em saber que você se preocupa.
- Só não queria te ver daquele jeito de novo. Por mais que a gente brigue sempre, é ruim te ver daquele jeito – Tive vontade de chorar ao ouvir aquilo de Alison.
- Eu sei, eu também ficaria bem brava se alguém te fizesse chorar – Passei a mão pelos seus cabelos – Mas passou. E eu sei que você gosta muito do e não quer ficar nesse clima chato com ele – Allie sorriu fraco.
- Toc toc – Olhamos pra porta e estava com a cabeça pra dentro do quarto nos olhando. Provavelmente ele havia escutado tudo, e provavelmente ele estava esperando a hora certa para aparecer – Posso entrar?
- Não sei – Levantei minhas mãos em forma de rendimento – O quarto não é meu, pergunta pra dona dele.
- Ta bom, então. Será que a dona desse belo quarto permite minha entrada para que eu possa dar um abração nela porque to morrendo de saudades?
- Hmm – Allie fez uma cara sapeca enquanto fingia pensar na resposta – Pode! – Disse entre risadas se levantando da cadeira para abraçá-lo. a pegou no colo para que ficasse de sua altura e a abraçou forte.
Eu sorri com a cena, aliviada que Alison havia entendido o que havia acontecido. Como era cabeça de criança... Eu jamais imaginava que Alison ficaria receosa em relação ao por causa da nossa briga.
- Ok, Alison , qual vai ser? Vai sair com a mamãe e o Steve ou vai ficar em casa comigo e com o pra gente assistir um filme? – Perguntei me sentando em cima da escrivaninha, enquanto colocava Allie de volta ao chão.
- Será que a mamãe e o Steve não vão ficar bravos se eu ficar? – Disse preocupada.
- Quando que a mãe não fica brava com alguma coisa, me diz? – Allie gargalhou – E você acha mesmo que o Steve vai ficar bravo com você? Nem comigo ele fica!
- Mas eu deveria – Disse Steve ao entrar no quarto de Alison – Você deixou sua mãe um tanto quanto transtornada com o que disse lá embaixo – Ele tentava aparentar falar sério, mas não conseguia.
- Transtornada? – Então foi a vez de minha mãe aparecer – Você tem alguma ideia do que fez? Você... Ok, eu nunca imaginei que fosse dizer isso, mas aquela história de teste de DNA está passando a ser a melhor opção no momento – Todos gargalhavam, menos minha mãe que continuava séria. E mal ela sabia que o mais engraçado de tudo era ela estar falando sério – Aposto que Andrew ficou chocado com esse comportamento absurdo que você teve!
- Eu e o Andrew terminamos – Falei sem cerimônias e minha mãe, Steve e Alison me olharam espantados – A gente já não andava bem fazia tempo e acabamos brigando feio durante a viagem.
- Espero que não tenha sido por causa dessa sua ideia maluca. Ele era tão doce...
- Não, mãe – Rolei os olhos – Não foi por causa disso. O Collins é um idiota e você deveria dar graças a deus que eu finalmente terminei com ele.
- Eu nunca gostei dele – Disse Steve dando em ombros, fazendo rir – Bom, que seja, nós temos que ir Lizzie, já estamos atrasados.
- Tudo bem se eu ficar em casa, mamãe? – Perguntou Alison.
- Tanto faz – Minha mãe massageava suas têmporas como se tivesse com dor de cabeça – Essa é a última das minhas preocupações, provavelmente qualquer coisa que aconteça hoje não consiga ser pior do que minha filha ter... Ah, deixa pra lá antes que eu tenha um infarto fulminante.
O que seria minha mãe sem seus dramas?

Logo após minha mãe e Steve terem saído, eu, e Alison planejamos nossa noite. Tudo se resumia em filme, comer besteira, jogar alguma coisa, comer besteira, conversar e também comer besteira. Estava sendo divertido ter esse momento relaxante depois de uma semana de puro estresse. Passar esse tempo com estava me fazendo bem depois de tantos anos afastados. Às vezes parecia que aquilo tudo tinha sido um pesadelo e que eu estava com 14 anos de novo e que nada tinha mudado. Não lembrava quando havia sido a última vez que eu tinha feito programas como aqueles, principalmente com Allie. Para falar a verdade eu não sabia nem se eu tinha feito alguma vez um programa assim com ela. Estávamos sempre tão distantes que era praticamente impossível.
Depois de quase termos um infarto de tanto rir jogando um jogo de tabuleiro, e eu fomos pra cozinha fazer dois sacos de pipoca enquanto minha irmã escolhia um filme. Ao esperar as pipocas ficarem prontas, liguei o rádio da cozinha.
- O que você ta fazendo? – Perguntou como se eu fosse alguma louca.
- Vou colocar em alguma estação de radio alheia; independente da música nós vamos ter que dançar, fechado? – Eu costumava brincar daquilo com meu pai nas minhas férias de inverno em Nova York. Foi bizarro quando tivemos que dançar I Will Survive em pleno Central Park.
- Acho que esse lance de líder de torcida deu algum pane na sua cabeça.
Ao soltar o botão parando em alguma estação de rádio que eu não tinha a menor noção de qual era, percebi que não havia sido tão ruim. Tocava o inicio de Someday We'll Know. E eu... Bom, eu simplesmente surtei.

- 90 miles outside Chicago. Can't stop driving, I don't know why. So many questions, I need an answer – Cantava feito uma idiota com os olhos fechados e um microfone imaginário na minha mão – Two years later you're still on my mind – Abri os olhos e dei em ombros me deparando com sorrindo pra mim. Ele sabia que a última frase era pra ele.

- New Radicals … Não foi tão ruim quanto pensava – coçou o queijo de uma forma pensativa – Lady, me concede essa dança? – Ofereceu sua mão de uma forma elegante para dançarmos e eu comecei a rir.
- Claro que sim, jovem encantador – Forjei um sotaque Frances.

What even happened to Amelia Earhart?
(O que foi que aconteceu a Emilia Earhart?)
Who holds the stars up in the sky?
(Quem sustenta as estrelas no céu?)

- O que você acha que aconteceu com a Emilia Earhart? – Perguntou .
- Minha teoria é de ela ficou de saco cheio com todo mundo, com a fama, e pegou um avião e foi pra alguma ilha deserta pra não ser encontrada. Se eu fosse eu soubesse pilotar um avião como ela, com certeza isso passaria pela minha cabeça e não precisaria de muito para eu sumir.
- Então que bom que a única coisa que você sabe pilotar é um carro.

Is true love just do once in a lifetime?
(É verdade que amor verdadeiro só acontece uma vez na vida)
Did the captain of the Titanic cry?
(O capitão do Titanic chorou?)

Someday we'll know
(Algum dia nós saberemos)
If love can move a mountain
(Se o amor pode mover uma montanha)
Someday we'll know
(Algum dia nós saberemos)
Why the sky is blue
(Porque o céu é azul)
Someday we'll know
(Algum dia nós saberemos)
Why I wasn't meant for you
(Porque eu não fui destinado para você)

- Eu acho essa música fascinante – Falei, encostando minha cabeça no peito de enquanto dançávamos – Pra variar foi uma das muitas músicas que meu pai me apresentou. Eu lembro que quando ele se mudou pra Nova York ele me dia que um dia saberemos o porquê todas essas loucuras acontecem nas nossas vidas, e eu acho que essa música diz bem isso.
se distanciou um pouco, sem deixar de segurar a palma da minha mão, e me girou durante nossa “dança”.
- O que importa isso tudo, se estamos aqui? Fizemos muitas besteira, mas independente de qualquer coisa estamos bem, não estamos? – Olhei em seus olhos e afirmei com a cabeça – Então ta tudo certo.

Does anybody know the way to Atlantis
(Alguém sabe o caminho para Atlântida?)
Or what the wind says when she cries
(Ou o que o vento diz quando ela chora?)
I'm speeding by the place that I met you
(Estou passando pelo lugar onde te conheci)
For the 97th time..... tonight
(Pela 97ª vez... esta noite)

- Você lembra-se do dia que a gente se conheceu? – Perguntei, me lembrando daquela noite 13 anos atrás.
- Lembro. Foi naquele jantar na antiga casa do sua avó... O que era aquilo? Uma chácara?
- Mais ou menos. Você sabia que o casamento da minha mãe vai ser lá? – me olhou surpreso – É, minha avó não teve coragem de vender aquela casa, e minha mãe viveu lá por anos... Ela achou que seria o lugar perfeito pra se casar. Eu não vou lá desde que a gente se conheceu.

Someday we'll know
(Algum dia nós saberemos)
If love can move a mountain
(Se o amor pode mover uma montanha)
Someday we'll know
(Algum dia nós saberemos)
Why the sky is blue
(Porque o céu é azul)
Someday we'll know
(Algum dia nós saberemos)
Why I wasn't meant for you
(Porque eu não fui destinado para você)

Nessa hora, a pipoca já havia estourado, e mal ligávamos para o microondas que tinha acabado de apitar.
- Por quê?
- Sei lá, acho que falta de oportunidade. Nós só usamos aquela casa para alguma festa, e depois daquele jantar não teve mais nenhuma, pelo menos nenhum que a minha mãe estivesse envolvida. Ela vai de vez em quando com a minha avó, mas só pra resolver algumas coisas. Ninguém da família da minha mãe teve coragem de vender aquela casa depois que o vovô morreu, nem quando minha avó se mudou. A Lizzie disse que viveu os momentos mais felizes naquele lugar e não queria simplesmente vender.
- Você me conheceu lá, então aquele lugar é especial pra você também; até mesmo pra mim! – Olhei para que tocou levemente em minhas bochechas, me fazendo sorrir.

Someday we'll know
(Algum dia nós saberemos)
Why Samson loved Delilah
(Porque Sansão amou Dalila)
One day I'll go
(Um dia eu irei)
Dancing on the moon
(Dançar na lua)
Someday you'll know
(Algum dia você saberá)
That I was the one for you
(Que eu era o único para você)

I bought a ticket to the end of the rainbow
(Eu comprei uma passagem para o fim do arco-íris)
I watched the stars crash in the sea
(Eu observei as estrelas colidirem no mar)
If I could ask God just one question
(Se eu pudesse perguntar a Deus apenas uma questão)
Why aren't you here with me....tonight
(Por que você não está aqui comigo... esta noite?)

- Você ta muito ferrada, garota.
- Ferrada por quê?
- Por que agora que eu te tenho de volta, eu não vou deixar você fugir de mim de novo – Sem pensar muito no que fazia, pulei no pescoço de e me pendurei nele, literalmente. Fiquei em cima de seus pés para alcançar seu pescoço e o beijei – Tampinha!

Someday we'll know
(Algum dia nós saberemos)
If love can move a mountain
(Se o amor pode mover uma montanha)
Someday we'll know
(Algum dia nós saberemos)
Why the sky is blue
(Porque o céu é azul)
Someday we'll know
(Algum dia nós saberemos)
Why I wasn't meant for you
(Porque eu não fui destinado para você)

Someday we'll know
(Algum dia nós saberemos)
Why Samson loved Delilah
(Porque Sansão amou Dalila)
One day I'll go
(Um dia eu irei)
Dancing on the moon
(Dançar na lua)
Someday you'll know
(Algum dia você saberá)
That I was the one for you
(Que eu era o único para você)

Não lembro da ultima vez que ri tanto na vida. Alison havia escolhido A Era do Gelo 2 pra gente assistir, e isso era a morte. Tinha horas que eu não sabia se eu ria do filme ou se riamos um da risada do outro. com 18 anos, e eu com 17 parecíamos ter a mesma idade de Alison, ou se não mais novos.
Após muitas risadas, e de assistir mais um filme, era meio que obvio que minha irmã iria apagar. Era perto das 2 da manhã e achou melhor que ele levasse Allie para seu quarto quando percebemos que ela estava dormindo profundamente. E foi nesse meio tempo de carregar minha irmã pro seu quarto e ele voltar, que percebi que estava indo pelo mesmo caminho de Alison.
- Hey – Ouvi a voz de sussurrar em meu ouvido quando eu quase adormecia – Eu vou indo... Você precisa descansar, e eu também.
- Não... – Me seguirei em seu braço – Fica.
- Sua mãe não vai gostar muito de ter um cara que não dá as caras fazem 3 anos, dormindo na cama da filha dela.
- Shh – Disse praticamente quando já tinha me entregado ao sono – Quieto.

Provavelmente a pior coisa do mundo é você ser acordado por um celular. Tipo, de qualquer jeito sabe? Ou porque ele cai do seu criado-mudo, porque o despertador toca, ou porque ele simplesmente toca. Principalmente porque ele toca. Ainda de olhos fechados tateei o móvel ao meu lado procurando o aparelho, mas notei que aquele não era meu toque, aquele era o celular de tocando.
- Alô – Ouvi sua voz murmurar – Na casa da – Abri os olhos aos poucos por causa da claridade. Olhei no relógio e eram 10 da manhã. Pelo amor de deus, eram 10 da manhã de um domingo, isso não deveria estar acontecendo – É mãe, a ... Ta bom... Ta bom... Tchau – Desligou o celular e o jogou em qualquer lugar na cama.
- O que foi? – Perguntei notando minha voz rouca.
- Minha mãe. Avisar que sua mãe ligou, e que hoje preciso ir a loja provar o terno do casamento mais uma vez.
- Ta falando sério? – Gemi. Tinha que ser minha mãe pra marcar essas coisas justamente num domingo – Só pode ser brincadeira.
se levantou da cama e foi assim que eu notei que ele estava apenas de boxer. E essa não foi uma cena tão confortante pra mim. Não quando eu o sequei de cima a baixo sem um pingo de vergonha que eu achava que me restava na cara. Ele só pode estar tirando com a minha cara.
- Você fez isso de propósito, ou... – Perguntei sem querer, pegando de surpresa.
- Não era a intenção, mas se você... – coçou a cabeça e eu podia imaginar que ele imaginaria besteira.
- Não! Eu nada! Só... Coloca a droga da calça antes que minha mãe entre aqui e comece a imaginar coisas – Ele deu em ombros e colocou as calças. Como se eu tivesse um sexto sentido, minha mãe entrou no quarto exatamente no mesmo momento em que ele fechava o zíper.
A ideia era ele estar completamente vestido, e isso me incluía no pacote, já que eu estava só de camiseta e calcinha deitada na cama. Cara, isso não daria certo.
- Bom... dia – Disse minha mãe ao ficar sem graça quando viu colocando a camiseta logo após fechar as calças – Oi , não sabia que você tinha dormido aqui em casa com a... – Rolei os olhos e me levantei colocando meu shorts, podendo evitar outro momento estranho quando minha mãe me viu me trocando normalmente na frente de .
Digamos que isso não seria uma cena estranha, não se não fosse minha mãe a ter entrado no quarto. Mas que merda, ele é só o , independente de pegação ou não!
- Nem eu sabia que eu dormiria aqui, na verdade a gente acabou dormindo assistindo o filme – Eu podia ler o pensamento de minha mãe com o que havia dito: Dormiram tão de repente que deu tempo de tirar a calça e a blusa?
- Não, na verdade eu que capotei e acabei pedindo pra ele ficar porque tava tarde.
- Entendo... – Não, ela não havia entendido – Bom, se eu soubesse que você estava aqui eu não teria ligado pra sua mãe, teria avisado pra você mesmo sobre a prova do terno.
- Eu já to indo pra lá, minha mãe acabou de me ligar – Sorriu sem graça e pegou sua carteira em cima da mesa e colocou no bolso antes de me dar um beijo na bochecha para se despedir – A gente se vê mais tarde?
- Pode ser, vou só me arrumar, comer alguma coisa e te ligo pra ver o que a gente faz.
- Por que não almoça conosco? – Sugeriu minha mãe. Só não sabia se aquilo tinha sido uma boa ou má ideia – Você vai provar o terno, passa em casa, e depois volta para almoçarmos. Vou pedir pra fazerem uma comida especial pra gente.
me olhou me perguntando com os olhos se ele podia aceitar ou não o jantar e eu dei em ombros indiferente. Aquela era Lizzie, e mais cedo ou mais tarde teríamos que passar por coisas chatas como um simples almoço.
- Claro – Disse .

Ao fechar a porta da sala assim que havia ido embora, dei de cara com minha mãe de pé ao lado do sofá de braços cruzados. Olhei pra ela, e no mesmo momento que vi sua cara, abaixei a cabeça e fui em direção a escada.
Interrogatório agora não, interrogatório agora não, interrogatório agora nã...
- Será que podemos conversar? – Perguntou ela quando eu estava colocando o pé no primeiro degrau da escada.
Minha mãe não fazia o tipo da chata. Ela mal ligou quando comecei a namorar com Andrew, que por sinal foi meu primeiro namorado. Acho que o ponto era que Andrew mesmo estando comigo por meses, nunca dormiu aqui em casa e muito menos deu de cara com a minha mãe, semi nu, dentro do meu quarto. Meu medo nisso tudo é não saber responder algumas de suas perguntas, afinal, nem eu sabia o que estava realmente acontecendo.
- Acho que sim... – Voltei para sala e ela apontou pro sofá para que eu sentasse.
Respirei fundo.
- Minha primeira dúvida é: Por um acaso o término do seu namoro com Andrew foi por causa do ? – Bufei me jogando no sofá
- Mãe, coloca na sua cabeça uma coisa: Andrew Collins é um merda.
- Então ele virou um merda assim, de repente? Não que eu não goste do , muito pelo contrario, ele é quase da família, mas eu to tentando entender o porquê disso tudo ter acontecido e...
- Você sabe por que eu tive que entrar no time das líderes de torcida? Foi porque alguém me dedurou pro Sr. Grey que eu estava matando as aulas de Educação Física – Minha mãe me olhou espantada, já que a história que eu tinha inventado sobre o motivo deu entrar pro time era outra – Eu não te contei porque sabia que você iria surtar, mas isso não vem ao caso, a questão aqui é que foi o Andrew que me dedurou. – Lizzie parecia mais confusa do que nunca – E sabe por que ele fez isso? Para que eu fosse pra Brighton no campeonato e ele pudesse ter a chance dele de me levar pra cama, só por isso. Agora você acha mesmo que eu não tenho todos os motivos do mundo pra querer ficar bem longe daquele babaca?
Minha mãe ficou em silencio por alguns segundos tentando assimilar tudo que eu havia falado.
- Mas como ele... Como ele pode fazer isso? E... Eu sinto muito – Disse sincera me olhando nos olhos – Filha eu jamais poderia imaginar isso e... Como você está se sentindo? Está bem?
- Acho que sim – Sorri fraco – Eu nunca gostei do Andrew de verdade, e acho que isso nunca foi mistério pra ninguém. Só fiquei triste porque apesar de tudo ele ficou do meu lado quase um ano, sabe? E é meio... Ruim saber que acabou desse jeito, por esse motivo.
- E onde o entra nessa história toda? – Perguntou sorrindo com certa desconfiança.
- Bom, além de dar uns 3 socos na cara de Andrew, nós fizemos as pazes. E juro que não sei se eu estaria tão bem se não fosse por ele, depois de tudo que aconteceu comigo nessa viagem.
- Você gosta dele – Aquilo não foi uma pergunta – E sempre gostou. Nunca deixou de gostar na verdade, mesmo depois daquela briga de vocês dois.
Eu não consegui negar, lógico.
Aquela era a primeira vez na vida que eu conversava tão abertamente com minha mãe. Aquele tipo de conversa eu só tinha com meu pai, e só me sentia confortável em conversar dessas coisas com ele. O que na maioria das garotas eram normal terem as mães como confidentes, eu tinha meu pai como meu melhor amigo, então era um tanto quanto estranho ver Lizzie me perguntando esse tipo de coisa.
- Mas o que eu te chamei pra conversar não foi sobre isso. Eu sei que eu já deveria ter tido esse tipo de conversa com você faz algum tempo mas... Talvez eu achasse que ainda não fosse o momento certo – Agora quem começou a ficar confusa foi eu – Você e o estão namorando?
- Não, mãe, a gente não ta namorando.
- Então vocês estão o que?
- Não temos rótulos, ok? –Falei sem paciência, já de saco cheio daquela conversa, sem mesmo ela mal ter começado – Somos e a de sempre.
- Bom, levando em conta que ele dormiu no mesmo quarto que você essa noite, com vocês dois bem a vontade um com o outro, eu acho que não posso tratar vocês da mesma forma que eu tratava há 3 anos.
- A gente ta ficando, ta legal? Só isso.
- E dormir com o está dentro dessa história de “ficar”?
- Mãe! A gente só dormiu junto ta legal? Não aconteceu nada! – Me levantei nervosa do sofá – Pelo amor de deus! Eu namorei quase um ano com o Andrew e você não ficou nessa paranoia! Ele é o , ta legal?! É a pessoa que você deve menos se preocupar no mundo!
- Eu não me preocupo com ele, eu me preocupo com você! E se eu nunca conversei com você sobre esse assunto enquanto você namorava com Andrew é porque não achei que tivesse necessidade. Você é uma garota, e você sabe que tem que tomar cuidado com essas coisas.
Não... Lizzie não podia estar tentando ter uma conversa sobre...
- Você ta querendo conversar sobre sexo comigo, mãe? – Juro, juro de verdade que minha vontade era de rolar no chão pra rir, mas como eu não podia, eu só ri um pouquinho da cara dela – Por favor, essa conversa que você está tentando ter comigo, o papai já teve há anos.
- Mas eu sou sua mãe e me sinto no dever! Eu só quero que vocês tomem cuidado, sabe? Eu engravidei de você quando eu tinha 18 anos, e eu sou um exemplo vivo de que as coisas não precisam ser apressadas. Você é tão novinha que...
- Mãe, mãe, mãe, me escuta – Segurei ela pelos ombros para que me encarasse – Pode ser um absurdo, mas nos tempos em que vivemos, para os outros eu já estou bem atrasada nesse requisito, acredite. Eu tenho 17 anos, e você pode achar que eu sou a criatura mais cabeça de vento do mundo, e eu talvez seja, mas eu não sou nenhuma idiota e tenho meus princípios, ok? Você acha mesmo que se eu fosse uma destrambelhada o Andrew teria necessidade de fazer essa confusão toda pra transar comigo?
- Nunca aconteceu nada mais sério entre vocês?
- Nem com ele, e nem com ninguém – Fui forte nas palavras para que ela percebesse que dessa vez aquilo não era uma brincadeira – Eu nunca tive coragem! Eu não confiava nele e no fundo eu sabia o quão idiota ele era.
- Mas você confia no ...
- Confio. Mas isso não quer dizer que eu vou abusar sexualmente dele só por causa disso – Brinquei a fazendo rir um pouco – Relaxa, ok? Eu sei o que eu to fazendo. E não se preocupa com essas coisas porque isso vai te dar rugas, e você não quer rugas, certo?
- Você não leva nada do que eu digo a sério!
- Já disse pra você relaxar, mãe! Não vou fazer você ser avó tão cedo, eu sei me cuidar.
- Ok, sem essa palavras por favor, porque essa sim me da rugas.
- Tudo bem então, assunto encerrado, você vai se casar e não queremos uma noiva em plenos 35 anos com rugas certo?
- Certo! – Minha mãe se levantou do sofá e me abraçou – Sempre digo que é difícil de acreditar, mas eu te amo mais que tudo nesse mundo. E que por mais que eu e seu pai tenhamos feito tudo ao contrario, você foi o erro mais certo que aconteceu nas nossas vidas.
- Também te amo – A abracei forte, deixando todas as nossas desavenças de lado.

POV:

- Nessas horas que eu paro pra pensar que talvez não seja uma má ideia largar a carreira de músico pra ficar trancado dentro da empresa do meu pai. Cara, eu fico mais gostoso ainda dentro dessas roupas – Coloquei meus óculos escuros tentando parecer mais estiloso.
- Adorei isso aqui – Disse logo após que as costureiras terminaram de ajustar nossas roupas – Parecemos mafiosos, cara! – Eu e fizemos uma pose de pôster de filme de ação em frente ao espelho.
- Vocês estão dois jovens encantadores nessas roupas – Disse uma das costureiras quando terminava de juntar as suas coisas para sair da grande sala de espelho onde fazíamos a prova do smoking – Também posso garantir que suas damas de honra estão fabulosas em seus vestidos. E acho que uma delas, a filha da noiva, combina muito bem com você Sr. , vocês dois ficaram lindos entrando juntos no casamento.
- Ela é minha garota, sabia disso, Srta. Smith? – Disse orgulhoso.
- “Minha garota”? – Debochou – Se liga, , pra minha prima ser sua garota, você ainda tem que me provar muito que é o cara certo pra ela, entendeu? – E esse era o corno do meu melhor amigo, se passando por super protetor.
- É difícil de entender que ela sempre foi minha, seu puto? – Dei um tapa em sua cabeça – E eu sempre fui o cara certo pra ela.
- Ai o amor... – Suspirou Srta. Smith – Pelos olhos desse rapaz, Sr. , podemos ver que tudo o que ele fala é sincero. Ele gosta de sua prima, e você não precisa ser tão durão sobre isso – Ela deu uma piscadinha para ele, e depois saiu da sala junto a outra costureira.
- Se liga, ... Você é meu melhor amigo, e eu só quero o seu melhor. Mas eu também só quero o bem da , então... Não estraga tudo dessa vez, ok? Eu não quero vê-la daquele jeito de novo, e também não quero ter que brigar com um cara que é quase meu irmão por causa disso.
- Eu gosto dela, , de verdade, e eu sempre gostei. Mesmo depois da nossa briga sempre foi muito obvio que eu não consegui esquecer a , e agora que eu consegui ela de volta, eu não vou deixar que nada parecido com aquilo aconteça de novo. Eu sei que eu fui um filho da puta nos últimos 3 anos, com todas as garotas que eu já fiquei mas... Nenhuma era ela, entende?
- E você já disse isso a ela?
- Como se eu tivesse chance – Bufei enquanto começava a trocar de roupa – Parece que... Sei lá, parece que se um dia eu chegar e falar pra ela tudo que eu sinto ela vai sair correndo com medo.
- A é difícil, cara, e só se tornou pior depois da briga de vocês. Mas ela não deixa de ser uma garota, então se ela um dia sair correndo de você por você ter digo algo que a assustou, corre atrás dela e repita de novo até que ela caia na real e pare de ser tão boba em relação a essas coisas. Minha prima te ama, cara, mas não espera ouvir isso da boca dela tão facilmente assim.
- Ela é tão... Cabeça dura. Tudo nela me irrita, mas quando eu dou por mim, eu estou gostando até mesmo do que me tira do sério, será que da pra me entender? – me olhou assustado não entendendo uma palavra do que eu dizia – É sério... Me irrita o jeito mandona dela, ou como ela não tem um pingo de noção de como todos os caras olham pra ela, e ela mal percebe. Será que ela não vê que...
- Que o que? Que ela fica gostosa até vestindo o uniforme da escola com aquelas botas de combate?
- Isso! Mas ainda sim eu amo isso nela, porque a torna diferente de todas as garotas, entende? Eu sei que se um dia eu quiser ficar em casa jogando vídeo game, ela vai ficar ao meu lado, e ainda vai querer jogar contra o time adversário!
- Mas isso não deveria te irritar, cara.
- Me irrita, me irrita porque parece que eu não tenho o controle de mim, entende? Eu não gosto de gostar tanto de uma pessoa assim... Eu gosto de ter o controle das coisas.
- E aí está um problema. Bom, mas mudando de assunto... Vocês vão a festa de comemoração do campeonato na casa da Amber, né? – Eu havia escutado sobre essa festa, mas a verdade era que eu mal tinha pensado sobre isso. Principalmente porque era domingo, e só esses porras inventavam festas aos domingos.
- Não sei... Hoje a Lizzie me convidou pra almoçar na casa dela, e eu vejo se a está a fim de ir.
- Minha tia te convidou pra jantar na casa dela? Que absurdo, eu que sou sobrinho ninguém me chama pra almoçar! E pra piorar ainda mais, ta ficando com a minha prima!
- Encare os fatos, sou mais gostoso que você – Pisquei para , que me mandou um dedo no meio antes de começar a trocar de calça – E nem começa, não adianta querer se mostrar, porque seu pau não é maior que o meu.
- ... Vai tomar no cu

//POV:

Ao descer as escadas eu pude ver a mesa de jantar praticamente feita. Minha mãe não sabia fazer nada simples. Aquilo era um almoço normal, de domingo, e ela estava fazendo disso um almoço de Natal. Eu já poderia imaginar que isso aconteceria, afinal estávamos falando da minha mãe.
- Mãe, é só o que ta vindo almoçar, não a rainha da Inglaterra – Disse ao me jogar no sofá sentindo aquele cheiro de comida que fazia meu apetite apertar cada vez mais.
- Os pais de são nossos amigos e sempre nos receberam muito bem na casa deles, só estou retribuindo o favor fazendo um almoço agradável – Minha mãe andava de lá para cá, tentando fazer com que tudo saísse bem – E hoje vou conversar com para marcarmos um jantar com a Danna e o Christopher.
- Mãe, não força a barra, ok? – Minha mãe estava agindo como se eu estivesse ficado noiva de , e isso já estava me enlouquecendo – Da pra agir naturalmente, como antes?
- Não estou forçando a barra, só estou feliz que vocês dois tenham voltado, e aposto que Danna faria o mesmo – Rolei os olhos – Eu sei que vocês dois não tem nada sério, mas não acho que essa coisa de amizade com benefícios vai durar muito tempo. Não quando vocês dois se gostam.
- Wow, espera aí... Desde quando você sabe o que é uma amizade com benefícios? – Normalmente mães não sabem o que são essas coisas. Pelo menos não deveriam saber.
- Já tive sua idade – Deu em ombros – Eu tinha uma amizade com benefícios com seu pai antes da gente começar a namorar, e até mesmo com Steve, e se você quer saber...
- Grr, mãe! Não, eu não quero saber! – Tampei os ouvidos, fazendo uma cara de nojo pra tudo aquilo que havia escutado. Ok, eu não precisava saber da vida da minha mãe antes dela se tornar... Mãe.
- Posso ter engravidado cedo, mas aproveitei muito minha adolescência.
- Ta bom, mãe, já entendi, agora podemos mudar de assunto? – Praticamente implorei.
No mesmo instante a campainha tocou. Olhei no relógio e era a hora exata em que minha mãe havia marcado o almoço. conhecia Lizzie e sabia que ela detestava atrasos. E bem... Depois do que aconteceu hoje mais cedo era melhor não contrariar.
Corri até a porta para atender, e assim que abri, me deparei com sorridente, sendo impossível não sorrir junto. Seu cabelo estava úmido e bagunçado dando a entender que ele havia acabado de sair do banho e vindo direto pra minha casa. Estava lindo. O abracei dando um beijo em sua bochecha e senti meus pés saindo do chão quando ele me devolveu o abraço.
- E aí, tudo bem? – Perguntei ainda com minha cabeça escondida em seu pescoço.
- Tudo certo – me colocou de volta no chão, não deixando de tirar seu braço ao redor de minha cintura.
Gostei disso.
- Olá, ! – Disse minha mãe vindo cumprimentá-lo com um abraço – Como foi a prova do smoking hoje mais cedo, deu tudo certo?
- Deu sim, só mais alguns ajustes e vai estar perfeito.
- Que ótimo, fico feliz em saber! Agora, vem, vou chamar o Steve e a Alison porque o almoço já está pronto.

- Por que justo eu tenho que entrar com as alianças no seu casamento? – Perguntou Allie para minha mãe durante o almoço – Todos vão entrar com alguém, menos eu, que vou entrar sozinha, e ainda com as alianças.
Tava na cara que minha irmã estava nervosa em entrar sozinha.
- Você é a pirralha da família, e nada mais certo que você fazer esse papel – Alison me mostrou a língua e eu mostrei de volta – Só toma cuidado pra não cair e estragar tudo, porque sabe como que é... Vão ter centenas e pessoas, você vai estar com um vestido complicadíssimo de andar e ainda...
- , chega! – Minha mãe me cortou – Não escute sua irmã, ela só está querendo te assustar – Disse, tentando acalmar minha irmã.
- Pelo menos não era eu que estava tendo um ataque de pelancas um mês atrás porque ia entrar junto com o ! E pelo que eu me lembro, se você pudesse, você trocaria de lugar rapidinho comigo, só pra não ter que entrar com ele!
Todos da mesa riram, menos eu. Aquilo não tinha graça, eu estava realmente apavorada em ter que entrar de braços dados com o em um casamento.
- Era o nervoso de estar perto de mim – se gabou entrando na onda de Alison – É que ela sempre me amou e só de saber que entraria comigo no casamento da sua mãe, ela só faltou morrer – Fuzilei com os olhos – Brincadeira, bonitinha – Rolei os olhos e voltei a comer meu macarrão – Ou não...
- Juro, se vocês dois não existissem, teriam que ser inventados – Disse Steve observando a cena.
- Nunca me esqueço de quando vocês se conheceram – Minha mãe parecia pensativa ao falar naquilo – A nunca foi o tipo de garota de fazer amizades fácil, mas com o ... Eles se conheceram num dia, e no outro já pareciam se conhecer desde sempre – Sorri ao ouvir aquilo. Eu me lembrava perfeitamente daquele dia – Não me espantou na época ela se dar bem justo com um menino, porque ela nunca foi de ter amizade com meninas. Lógico, ela preferia jogar vídeo game com o Matt do que brincar com as barbies que eu dava de presente – Esse era o trauma da vida da minha mãe – Outro dia, procurando umas fotos antigas minha e do Steve, eu achei muitas fotos de vocês. Deixei tudo dentro de uma caixa dentro do meu armário e vou descer aqui pra sala depois do almoço.
- Minha mãe disse que também tem muita foto nossas e que queria te mostrar. Ela disse que do meu aniversário de 5 anos até o de 14 a estava sempre do meu lado em todos os parabéns.
- Hey, só queria te dar um apoio moral! – Falei brincando.
- Apoio moral enfiando minha cabeça no bolo? – Todos na mesa gargalharam ao lembrar da cena.
Foi no aniversário de 13 anos do , no jardim da casa dele. Me lembro que me desafiou a fazer aquilo, e eu não aceitava perder desafios. A sorte era que haviam mais um bolo na festa, porque aquele que eu havia colocado a cabeça de , havia desmoronado.
- Você não tem noção a bronca que minha mãe me deu naquele dia – Lembro de nunca ter visto minha mãe tão envergonhada em toda minha vida. Mas ainda sim foi uma cena engraçada, porque enquanto ela me dava uma bronca, todos ao redor tentavam não rir do que estava acontecendo.
- Mas é claro! Você me fez passar a maior vergonha de todas!
- Tudo culpa do ! – Levantei minhas mãos em forma de rendimento.
- Você e o deveriam ter sido mandados para um internato assim que aprenderam a falar! Eu e sua tia cometemos o mesmo erro da hora de fazer vocês, porque vocês dois não poderiam ser mais parecidos!
Eu já havia escutado muito isso, tanto da minha mãe, quanto da minha tia. Era engraçado como as duas reclamavam das mesmas coisas quando o assunto era filho. Eu e éramos realmente parecidos, e eu gostava disso. Eu sempre quis ter um irmão mais velho e ele conseguia fazer esse papel.

Logo após o almoço, como prometido, minha mãe desceu com uma caixa cheia de fotos antigas. Por um tempo eu evitei ver aquelas fotos, por isso nunca me atrevi a procurar, mas eu sempre soube que o que mais tinha aqui em casa eram evidencias de quão amigos eu e fomos durante todos esses anos.
- Já disse que essa foto é a minha preferida? – segurava uma das várias fotos que estavam ao nosso redor espalhadas no tapete da sala.
A foto de que falava era em nossa formatura antes de entrarmos no colegial. Estávamos em frente a nossa antiga escola, os dois usando uma beca azul marinho com amarelo, fazendo careta. Nós parecíamos felizes.
- Gostava do seu cabelo assim – Apontou para meu longo cabelo claro que eu tinha antes de tingir – Não que você tenha ficado feia de cabelo preto, muito pelo contrario, mas... Sei lá, eu sinto saudades.
Cruzei minhas pernas feito índio, e tirei a foto de sua mão para ver mais de perto. Também gostava do meu cabelo daquele jeito, mesmo que na época eu detestasse por ter a cor do cabelo da minha mãe, e não do meu pai. Eu pensava em voltar com a cor natural, tanto que eu não pintava meu cabelo faziam meses, mas daí eu lembrava que hoje eu era líder de torcida, e que talvez voltar a ser loira não fosse uma ideia tão boa. Não quando 95% daquele time tinham meninas com cabelo platinado. Não queria fugir tanto assim das minhas origens e aparentar ainda mais ser uma delas.
- É, eu também. E são nessas horas que eu lembro do surto que minha mãe me deu quando eu desci daquelas escadas com o cabelo completamente preto.
- Foi um dia depois da nossa briga, não foi? Eu lembro que quando... Bom, quando eu vim atrás de você, puto da vida por causa do boato com o Caleb eu levei um susto quando te vi morena. Por segundos eu pensei que tivesse entrado no quarto errado.
- Você quase me pegou pelada aquele dia. Você entrou feito um louco no meu quarto, só deu tempo de vestir a calcinha e a camiseta.
- Eu lembro das suas pernas – fez uma cara pensativa e eu dei um tapa em seu braço – Espera aí, você estava sem sutiã naquele dia? – Levantei uma sobrancelha já imaginando a merda que estava por vim – Que droga, bem que eu podia ter me adiantado alguns segundos.
- Babaca! – Joguei a foto nele, como se tivesse atacando um chinelo.
- Mas sabe o que essa foto me fez lembrar? – Aguardei sua resposta – Que daqui a pouco o baile de formatura ta chegando.
- To mais ansiosa pra me formar do que com a merda do baile – Rolei os olhos revirando outras fotos.
- Ah, fala sério, todo esperam pelo baile de formatura assim que entram no colegial!
- Todos, menos eu.
- Mas digamos que temos outra festa antes do baile – Franzi o cenho sem saber sobre qual festa ele estava falando – Seu aniversario! Ta chegando o grande dia, bonitinha!
- , falta mais de um mês.
- E daí, mas é antes do baile. A bonitinha vai fazer 18 anos! – Mordeu minha bochecha e eu me contorci sentindo cócegas
- Para de ser bobo, ! – O empurrei tentando não rir.
- Mas pensa, primeiro vai ser seu aniversário, depois a formatura, depois o show, e depois o casamento da sua mãe. Várias comemorações, uma atrás da outra!
- Ok, mas vamos com calma.
- Calma pra que? Falando nisso, hoje a gente tem uma festa pra ir.
- Festa? Hoje?
- Sim, a comemoração do final do campeonato! – Eu tinha ouvido falar dessa festa, mas não foi algo tão importante pra eu ter armazenado na minha memória – E nós vamos, e eu vou passar pra te pegar mais tarde – Disse enquanto se levantava e me puxava junto – E você vai dormir em casa, então já leva roupa.
- Você ta louco? Minha mãe mal aceitou o fato de você ter passado a noite comigo, e você que eu diga que hoje vou dormir na sua casa?
- Desde quando você se importa com o que sua mãe diz ou pensa?
- Desde quando ela sabe o que é uma amizade com benefícios.
- Ela o que? – Perguntou confuso – Olha, que seja, diz que você vai passar a noite na casa da e pronto – Me deu um selinho – Agora eu tenho que ir, combinei de encontrar com o pra gente decidir umas paradas da banda.
- Mas ... – Quando eu vi, ele já estava indo em direção a porta.
- Te vejo hoje a noite! – E então a porta se fechou sem antes eu poder dizer qualquer coisa que fosse.
Ótimo.
No mesmo instante que saiu de casa, notei meu celular vibrando entre as fotos espalhadas no chão. Corri até ele, e vi o nome do meu pai no visor. Fazia mais de três dias que eu não falava com aquele desnaturado que havia me colocado no mundo sem querer.
- Olá senhor , no que posso ajudar? – Forjei uma voz séria de atendente.
- Talvez você possa me ajudar a acalmar sua mãe. Primeiro, que história é essa de mostrar os peitos em pleno jogo de final de campeonato, e segundo, o que o tava fazendo na sua cama hoje mais cedo? Pode falar praquele moleque tomar cuidado antes que eu corte o pinto dele da mesma forma que quero fazer com o do Collins.
- Haha, muito engraçado – Como se meu pai conseguisse ficar bravo com alguma coisa que o fazia. Valeu a tentativa – Ok, vamos por partes – Me joguei no sofá – Primeiro, em minha defesa, eu quero dizer que estava apenas ajudando o time, e olha que deu muito certo.
- Você mostrou os peito, .
- Mostrei, e se eu soubesse que o efeito era esse, já tinha feito antes – Conseguia imaginar meu pai balançando a cabeça sem acreditar no que eu falava – E segundo... A mamãe tá noiada com esse lance do . Da pra acreditar que ela veio conversar sobre sexo comigo só porque soube que o dormiu aqui em casa hoje?
- Bom, ele é um garoto, e além de estar no seu quarto, ele estava na sua cama, e...
- Pai, ele é o .
- Mas ainda sim tem um pinto no meio das pernas – Gargalhei alto – Pelo menos tenta entender a sua mãe.
- Posso pelo menos tentar. Só que o estranho nisso tudo foi ela dando o surto que você deveria dar. Vamos lá, papai, de pelo menos uma bronca pra eu saber que somos uma família normal.
- Já disse, avise ao não enfiar nada no lugar onde não deve.
- Pai! – Praticamente gritei.
- Manda um oi pra ele e diz que ninguém ficou mais feliz do que eu quando soube que vocês finalmente se acertaram. E olha, super apoio esse namoro!
- A gente não ta namorando, pai – Cadê a almofada pra eu enfiar a cabeça?
- Ah ta, é aquela historinha do amigos com benefícios?
- Você ta de brincadeira, né? – Disse perplexa.
- Por quê? Eu meio que tinha isso com a sua mãe e...
- Ok, pai, eu já sei, ela já me deu o recado que sabe muito bem o que é isso – Meus pais eram as pessoas mais absurdas do mundo.
- Ta certo, ta certo, não falo mais nada.
- To com saudades – Reclamei – Você não vem pra cá já faz o maior tempão, e eu não posso ir te ver por causa do time que ta tomando quase todo meu tempo, e também não me liga há 3 dias! A Allie tem perguntado de você, sabia?
- Eu sei... Eu... To com alguns problemas...
- Que tipo de problemas? Aconteceu alguma coisa? – Comecei a ficar apavorada.
- Não, não é bem um problema, é que... Bom, algumas coisas aconteceram aqui... Não coisas ruins, coisas boas na verdade, pelo menos pra mim, mas... Ah, não vamos falar disso.
- Pai, o que aconteceu? – Eu o conhecia bem o suficiente pra saber que ele estava escondendo algo de mim.
- Nada, é sério. Avisa a Allie que eu vou ver vocês, e também ver a apresentação dela de dia dos pais. Agora eu tenho que desligar porque tenho uma reunião daqui 5 minutos.
- Matthew , fala agora o que você tem pra me falar.
- Filha, relaxa, não é nada demais. Mais tarde a gente se fala.
- Mas...
- Eu te amo, ouviu? E muito, minha princesa – Aquilo começou a me preocupar cada vez mais.
- Eu também, pai – Respondi angustiada.
Mas que droga! Ele não podia fazer isso, não podia me deixar tão curiosa. Pela sua voz eu sabia que ele estava feliz, mas também tinha a plena noção de quanto nervoso ele estava.
Que bom, agora isso não sairia mais da minha cabeça.
Valeu, pai.

Capítulo Dezoito


Não importa o quão diferente você é, você sempre vai encontrar alguém que a aceite” - Haley James (One Tree Hill)

Eu queria matar por ele ter me feito vim a essa festa. De uma “comemoraçãozinha” virou uma festa do ano. Aquela era a segunda vez que eu entrava na casa de Amber, e a única diferença era que dessa vez eu estava sóbria. O que de fato pioram as coisas, já que se eu tivesse bebido, eu ficaria mais em clima de festa. Sabe quando você está tão chata que você não precisa que ninguém te diga isso, porque você simplesmente sabe? Pois é, eu me sentia assim, chata. Eu estava preocupada com o que meu pai queria me contar, e irritada com essa festa e com . Irritada porque ele estava lindo, e chamava a atenção de todas as garotas, ou melhor dizendo, vagabundas, que passavam por ele praticamente com "me come" escrito na testa.
É o seguinte, eu sou uma garota, e eu sei o que as garotas falam sobre o , não só sobre ele, mas também sobre todos os caras da escola, então eu sei muito bem o que elas pensam. Não é ciúmes ou nada parecido, eu apenas sei o que elas pensam e acreditem, não é nada legal. Eu não sou dona dele, e ele pode fazer o que bem entender desde que não temos absolutamente nada sério.
Ok, talvez ele seja um pouco propriedade minha, e talvez eu fique muito, muito brava, caso ele de trela pra alguma baranga, mas ainda assim não temos nada sério.
- Vou pegar alguma coisa pra beber, você quer? – Perguntou um pouco mais alto que o normal para que eu conseguisse ouvir, devido a música alta que tocava.
- Qualquer coisa com mais de 35% de álcool, obrigada – levantou os braços em forma de rendimento, e foi até a cozinha procurar alguma coisa para beber.
Ou eu enchia a cara, ou eu ia embora dessa festa daqui a 5 minutos. Não que eu não curtisse esse tipo de festa, a questão aqui é que eu não costumava a frequentar festas com esses tipos de gente. Digamos que uma parte de mim era uma bela de uma antissocial que só era feliz saindo com meus amigos ou com pessoas tão loucas quanto eu. Time de futebol, líderes de torcida, pessoas descoladas não era o tipo de gente que eu curtia. Já bastou ter aguentado todos eles durante o campeonato.
- Nossa, mas como minha amiga está linda! – apareceu de repente me dando um beijo na bochecha – Não que você não fique linda de qualquer jeito, mas hoje... Meus parabéns, se você não estivesse com o , eu já tinha 7 convites de caras para você.
- Como?
- está solteira, e antes que qualquer cara tivesse a oportunidade de pensar em te chamar pra sair, chegou na frente e pescou a revoltada mais gata e popular da escola – Olhava para como se ela fosse um E.T. Se ela era um E.T, eu não podia ter certeza, mas que eu não entendia absolutamente nada do que ela dizia, isso era fato – Você mostrou os peitos, se você já não gostava da sua popularidade na nossa escola, fique triste em saber que você é indicada para rainha do baile no St. Peter.
- Mas eu nem estudo lá! – Respondi incrédula.
- Ahá, esse é o ponto! – que uma hora estava completamente entusiasmada falando comigo, fechou o sorriso e ficou séria de repente – Eu não acredito que ele ta vindo pra cá!
Quem?
Antes que eu pudesse me virar para saber de quem estava falando, Andrew apareceu na minha frente com as mãos dentro do bolso da calça e uma cara de cachorro que caiu da mudança. Mas que infernos ele estava ali, parado na minha frente? Eu não sabia o que esperar, não sabia se ele teria um ataque, me chamaria de vagabunda por estar com outro cara quando faziam dias que havíamos terminado, ou se tentaria concertar a besteira que ele havia feito. Se eu gostasse dele de verdade, eu poderia me sentir culpada pelo que havia acontecido, afinal de contas, eu não podia culpar ninguém, além de mim mesma por não ter coragem de dormir com ele. Andrew é homem, e eu sabia como essas coisas funcionavam. Só que eu não gostava dele, não de verdade, e hoje eu não me arrependia de ter feito o que não fiz.
- Oi – Disse sem graça.
Eu não sabia se eu o mandava se foder, ou se respondia seu “oi”. Ele havia me pego completamente de surpresa e eu não sabia o que fazer. Nunca que eu imaginei que Andrew falaria comigo outra vez. Pelo menos era isso que eu queria, ou que eu esperava.
- O que você quer? – Perguntei olhando para os lados para ver se alguém estava acompanhando aquela cena. Eu sabia que era errado falar com ele.
- Conversar com você.
- Não temos nada pra conversar.
- Por favor?
Encarei e ela deu em ombros, e mesmo sabendo que no fundo ela estava me dizendo para não ir, e mandar ele pastar, eu decidi ir. Era melhor terminar com aquilo logo antes que aparecesse e tudo aquilo se transformasse em um drama. Rolei os olhos sem paciência alguma, mas vencida pelo pedido de Andrew. Fui até a varanda da casa onde não tinha ninguém, eu não queria espectadores naquele momento.
- Anda, fala, não tenho todo tempo do mundo – Cruzei os braços e esperei que ele começasse a falar.
- Ao contrario do que você pensa, eu não vou virar o lobo mal e fazer da sua vida um inferno. Eu sei que o que eu fiz não foi nem um pouco certo, mas eu queria que você soubesse que mesmo que tudo isso tenha acontecido, eu gosto muito de você.
- Ta bom, próxima mentira.
- Não estou mentindo. Você, que sempre soube que eu nunca fui um santo, e que me conhece de verdade, deveria saber que independente do que eu tenha feito, eu nunca deixei de te achar a pessoa mais incrível do mundo.
- Qual é seu intuito em me falar essas coisas, porque sinceramente, Andrew, eu não te entendo.
- Queria que você me perdoasse – Deu em ombros – Tudo bem que você não queira voltar comigo, mas queria pelo menos que você fosse minha amiga.
- Sem chances, Andrew.
- Por quê? Por causa do ? – Notei pelo tom de sua voz que ele começava a se exaltar.
- Não, eu estou fazendo isso por amor próprio – Andrew me encarava sem dizer nada – Será que você não tem ideia do quanto você me fez de idiota? Se você não estava feliz comigo, ou se você queria tanto comer essas vagabundas que você foi pra cama enquanto a gente namorava, poderia ter pelo menos tido a coragem de chegar em mim pra terminar, ou pelo menos dizer a verdade. Mas não, você preferiu me fazer de otária e ainda me ferrar na escola, e tudo isso pra que? Pra que finalmente você pudesse ter o que tanto queria de mim.
- Eu errei, eu sei...
- Sim, errou, e errou feio, e pra piorar, errou com a última pessoa que você deveria ter errado. Você não percebe, não é? – Dei uma risada irônica – Você não vê o que as pessoas pensam sobre você? O mundo não gira em volta do seu umbigo, como você pensa, Collins. Muitas pessoas só andam com você por status, fazem de amigas na sua frente, mas quando você vira as costas elas estão pouco se fodendo pra quem você é. E adivinha só? A única pessoa que se importava de verdade com você, não quer te ver nem pintada de ouro nesse momento, porque você fez questão de magoá-la – Tentei engolir o choro, mas as lágrimas já estavam se acumulando em meus olhos – Eu não vou te culpar de tudo, Andrew, porque eu também não fui sincera com você. Eu nunca consegui gostar de você da maneira como eu deveria gostar, e quando eu percebi o quão errado isso era, eu não terminei com você, e sabe por quê? Porque não tive coragem. Não tive coragem de te deixar sozinho. E o que eu ganhei em tudo isso? Quase um ano de mentira presa do seu lado, e um belo par de chifres.
- Eu não queria que isso tivesse acontecido.
- Jura? Muito menos eu.
- ... – Senti Andrew pegar em minha mão, mas foi tarde demais quando puxei a minha de volta, como se ele tivesse algum tipo de doença contagiosa.
- Ta tudo bem aqui? – Mal percebi a presença de . Levei um susto quando ouvi sua voz, e surtava por dentro com medo que aquilo tudo terminasse em uma briga terrível com Collins. Eu não consegui responder sua pergunta, apenas balancei a cabeça dizendo que sim – Vem, vamos lá pra dentro.

E sem ao menos olhar para Andrew, ele tomou meu braço e voltou a me levar pra dentro da casa, só que dessa vez para o andar de cima. Em nenhum momento disse uma palavra, e eu começava a ficar tensa. Ele segurava tão forte a minha mão, que faltava pouco para começar a me machucar. estava bravo, muito bravo com o que tinha visto e não podia tirar a razão dele. Eu conseguia ver seu lado, e sabia que conversar com Andrew ali na festa foi a coisa mais estúpida que eu podia fazer naquele momento.
abriu uma porta, e entramos em um quarto que eu podia jurar ser de Amber. Lá dentro mal conseguíamos ouvir a barulheira que estava no andar de baixo, e eu não sabia se gostava disso ou não. Aquele silencio me dava nos nervos.
- Você ta bravo comigo – Aquilo não foi uma pergunta, era óbvio que ele estava puto da vida. Mordi meu lábio inferior, nervosa.
- Estou, e você não tem uma noção de quanto – Mesmo ele tendo dito com todas as palavras que estava bem bravo, foi um alivio ter ouvido sua voz. Pelo menos ele não me ignoraria.
- Ele só... Pediu pra gente conversar e...
- E o que? Você simplesmente foi? Pra que? Pra ouvir que ele não teve culpa alguma, e que ele quer voltar? Pelo amor de deus, você não é tão inocente a ponto de pensar que vale a pena ouvir o que aquele filho da puta tem a dizer.
- Do que você ta falando? Não foi nada disso! – O que ele pensava que eu era? Uma idiota que voltaria correndo para Andrew só porque ele queria conversar comigo? – Ele pediu pra conversar e eu só fui pra acabar logo com aquilo! Se eu não aceitasse, ele continuaria insistindo! Mas que merda, você me fez vim nessa droga de festa e ainda briga comigo só porque eu quero dar logo um basta nessa história com o Andrew?
- Eu só pensei que você já tivesse dado um basta!
- Não é porque eu fui conversar com ele, que eu vou voltar a namorar ele! Quantas vezes eu tenho que te dizer que eu nunca gostei do Andrew de verdade? Ele só queria me pedir desculpas, e não isso não quer dizer que eu o perdoei, eu só quero que você entenda que aquilo não foi nada! Eu só não aguento mais tudo isso, eu to de saco cheio, eu só quero que tudo volte ao normal, e quero que as coisas fiquem claras, e a primeira é que eu to detestando ficar nessa festa, e tudo que eu mais quero é ir embora.
me encarava com uma cara confusa.
- Por que não me falou que não queria vim? Eu não te obriguei a vim a essa merda de festa, só queria que a gente passasse mais tempo junto, isso é um crime? É um crime eu querer ficar perto da garota que eu passei 3 anos longe? Se você ta aqui, é porque você quis. E você ta falando sério que estamos brigando por causa dessa maldita festa?
- Foi você que começou! – Alterei meu tom de voz.
- Não foi eu que estava de papinho com o ex namorado – Disse ríspido.
- Eu não estava de papinho com ele!
- Eu não quero você conversando com aquele cara de novo – Disse autoritário, ignorando qualquer palavra que eu havia dito antes.
E você não tem uma noção de como aquilo me irritou.
- Você não manda em mim! – Eu estava indignada! Quem ele pensa que era pra me proibir de falar com alguém, mesmo que esse alguém era um idiota e meu ex namorado? – Eu falo com quem eu bem entender, e você não tem absolutamente nada a ver com isso, !

POV:

Sim, eu tinha absolutamente tudo a ver com isso. Ela podia estar certa, eu não podia simplesmente obrigá-la a parar de falar com quem eu bem entendesse, mas me dava um frio na espinha pensar que um dia ela poderia se apaixonar por qualquer cara que não fosse eu. Era obsessivo, era ridículo, mas eu a queria só pra mim, queria que ela fosse minha e só minha, mas eu se eu levasse isso a sério, provavelmente ela sairia correndo e nunca mais olharia na minha cara, porque a garota em questão era . Todos adoravam , todos queriam ser amiga dela, e todo os caras já sonharam em ficar com ela. Eu escolhi a pior garota da face da terra pra gostar. Teimosa e linda, arrogante quando queria e doce grande parte do tempo. Minha melhor amiga.
Sem pensar no que fazia, querendo demonstrar que eu não era qualquer pessoa, e que eu tinha sim a ver com aquilo e com tudo que tivesse relação a vida dela, que eu a empurrei na parede do quarto e a beijei. Eu sabia que no início ela havia ficado brava, mas eu amava quando ela ficava brava. Senti suas mãos baterem em meu peito para tentar me afastar, mas mesmo aquele esforço sendo inútil eu prendi suas mãos contra a parede a deixando completamente sem saber o que fazer, e foram só alguns segundos para que ela parasse de relutar e começasse a me beijar de verdade. Seu peito subia e descia com certa frequência, e conseguia sentir suas mãos tentando se desprender das minhas na parede. deu um gemido fraco, como um pedido para que eu a soltasse, e então a soltei, fazendo com que ela levasse as mesmas mãos que alguns segundos atrás tentavam me esmurrar, para minha nuca. Mordi seu lábio inferior, quebrando o beijo aos poucos, dando brecha para que ela começasse a falar.
- Eu te odeio – Disse com uma voz meio embriagada.
- Precisa parar de dizer que odeia as coisas que você ama, isso deixam as coisas um pouco confusas, bonitinha – Sorri um pouco canalha e a dei mais um selinho – Eu posso não mandar em você... – Comecei a dizer, aproveitando o momento que ela não tirava os olhos do meu – Mas de hoje em diante você é minha, garota. E como minha, eu tenho certo poder sob você.
- Aprenda uma coisa: Eu não sou de ninguém, cowboy – Balançou a cabeça negativamente com um sorriso sacana nos lábios.
- Não é?
fez uma falsa cara sentida e continuou a balançar a cabeça.
- Não sou um produto de supermercado pra ser de alguém.
- Então nem minha namorada você quer ser? – Perguntei pegando um pouco de surpresa – Sabe, eu não sou do tipo de cara que se ajoelha e faz aquele pedido todo formal, mas...
- Nem pense em fazer isso, ou eu te mato, – Me fuzilou.
- Só pensei que seu lado romântico havia aflorado, ou sei lá.
- Ser romântico é uma coisa, ridículo é outra completamente diferente.
- Então o que você faria se eu ajoelhasse na sua frente agora e te pedisse em namoro? Você recusaria? – Levantei uma de minhas sobrancelhas, curioso por sua resposta.
- Primeiro: Eu te daria um chute – Lógico, disso eu não duvidava – Segundo: Eu provavelmente ficaria com peso na consciência logo em seguida e te pediria desculpas. E terceiro... – fez uma cara pensativa pensando na resposta – Bom, acho que terceiro e último eu acabaria aceitando, afinal de contas não é sempre que a gente recebe esse tipo de proposta. Mas ainda sim iria ficar traumatizada com a forma do pedido.
- Tudo bem, acho que entendi o recado, . Não vou me ajoelhar, se eu tiver amor a vida.
- Certo.
- E isso quer dizer também, que você aceitou minha proposta... – Aquilo não foi uma pergunta.
- Qual proposta mesmo? – Fingiu não se lembrar e eu joguei a cabeça pra trás para rir – Ah sim, aquela proposta... É, talvez não seja tão ruim.
- Talvez...
- É, acho que podemos tentar – sorriu e eu levei minhas mãos até sua nuca – Afinal de contas, acho que demorou bastante tempo pra isso acontecer. É, gostei da ideia, namorado – me deu um selinho e eu continuava a rir de suas maluquices
- Quer sair daqui? – Perguntei já tendo certeza da resposta.
- É o que eu mais quero.
- Certo – Me afastei dela e peguei a chave no meu bolso – Vai indo pro carro, preciso confirmar uma coisa com os caras sobre o ensaio de amanhã, e já te encontro lá.
fez que sim com a cabeça e me deu um último selinho antes de pegar as chaves e sair do quarto. Não tinha ensaio amanhã, e eu não precisava falar com ninguém, apenas contas para acertar, e só com uma pessoa.

- Vocês viram o Collins por aqui? – Perguntei a , e que estavam jogados no sofá da sala, bebendo alguma coisa.
- Que cara é essa, aconteceu alguma coisa? – Perguntou .
- Aconteceu, e é bom que eu o encontre logo, antes que eu fiquei mais puto ainda e vá quebrar a cara dele de novo – Na mesma hora os 4 levantaram do sofá num pulo.
Saí da sala e os caras vieram atrás de mim a procura de Andrew, sem mesmo saber o que estava acontecendo, provavelmente só pra me segurar caso eu fosse fazer alguma merda. Eles me conheciam, e sabia o quão irritado eu estava.
- Hey, calma aí , vê se não vai fazer mais nenhuma merda – Alertou quando entramos na cozinha.
E lá estava ele, no meio das pernas de uma vagabunda qualquer, sentada em cima da pia da cozinha. Olha só o quão arrependido ele estava de ter dado tantas mancadas com a . Esse cara era um lixo. O puxei pelo colarinho da camiseta e o fiz olhar pra mim.
- Pensa em falar com ela de novo, e eu te dou mais meia dúzia de socos na cara, Collins.
- Ta com medo de perder a garota pra mim de novo, ? – Juro que se eu não estivesse sendo praticamente segurado por 4 marmanjos, eu quebraria ele ali mesmo – Eu não falei nada além da verdade pra ela. Pode ficar tranquilo, eu não vou atrapalhar o casinho de vocês, a também já sabe disso.
- Fica longe dela, entendeu? – Disse pausadamente – Esses meses de namoro já foram mais do que o suficiente pra ficar perto dela. A garota é minha agora, eu cuido dela, então se você pelo menos pensar em querer brincar com ela de novo, eu não vou nem pensar duas vezes antes de ir atrás de você.
- Se não for eu, vai ser outro, . Você não ta namorando qualquer menina, você ta namorando a , e isso quer dizer que não sou só eu que a quero. Eu já disse, batalha vencida, ponto pra você, mas eu quero que você saiba que outro vai vim, e vai querer tirar ela de você.
- Que tente. Não sendo você, vai ser divertido outro cara tentar tirar ela de mim – O soltei com certa violência.
- Vem cara, já deu, vamos embora – me puxou pra fora da cozinha.
Eu não sabia se estava mais nervoso pelo que ele havia me falado, ou porque eu não tinha dado um murro naquele otário. , e tentaram me acalmar antes que eu fosse pro carro encontrar com a , mas não deu muito certo, então decidi pelo menos fingir que tudo estava bem.

- Você está tão quieto – Disse assim que colocamos os pés dentro da minha casa – Você não disse nada o caminho todo, aconteceu alguma coisa?
- Não eu só... Meio que discuti um pouco com o antes de sair da casa da Amber, mas nada fora do comum – Forcei um sorriso e a abracei pela cintura, fazendo com que apoiasse a cabeça em meu peito.
Se ela soubesse que eu havia procurado Andrew, eu provavelmente ficaria sem meu fígado, e acreditem, eu estava muito bem com ele. Ver a brava comigo justo agora que estávamos tão bem, não era o que eu queria no momento. se afastou de mim e checou seu celular que estava dentro do seu bolso. Aquela era pelo menos a quinta vez que ela fazia isso.
- Por que você não para de olhar seu celular? Ta esperando alguma ligação? – Perguntei, me jogando no sofá e a puxando junto comigo.
- Mais ou menos... Meu pai me ligou hoje, depois de muitos dias, pra saber se estava tudo bem, mas ele parecia que tava me escondendo alguma coisa. Não acho que seja uma coisa ruim, mas mesmo assim... Será que ele não me conhece e não percebe que eu não vou sossegar enquanto eu não saber o que ele ta me escondendo? – Dava pra notar o quão apreensiva ela estava, e eu sabia o que estava acontecendo com Matt.
Ele havia me ligado quando ainda estávamos em Brighton pra pedir um conselho, e acabou me contando o que estava rolando. Me sentia mal de não poder dizer nada a , mas seria melhor assim. Matt confiava que eu não falaria nada, e era isso que eu faria.
- Mas se você acha que não é uma coisa ruim, pra que ficar tão surtada?
- Porque ele nunca me escondeu nada – Falou de uma forma óbvia.
- Então esquece isso, se ele nunca te escondeu nada, não vai ser agora que ele vai esconder. Foi uma semana estressante pra você, só isso.
- E pra melhorar, minha mãe decidiu surtar – sentou-se com pernas de índio, e começou e brincar com seus dedos. Ela estava parecendo estar nervosa – De repente ela decidiu virar minha melhor amiga! Da pra acreditar que ela veio com um papinho estranho sobre eu me cuidar já que estamos juntos? Ela simplesmente surtou porque você dormiu lá em casa e veio conversar comigo sobre, sabe... Aquelas coisas...
Eu tentei, juro que tentei não rir, mas foi difícil. Tanto que eu não consegui.
- Você ri porque não é com você! Pelo amor de deus, eu tenho 17 anos, e sei muito bem cuidar na minha vida, e outra, não é porque você dormiu junto comigo que ela tem que decidir ter esse tipo de conversa, não é como se tivéssemos fazendo sexo selvagem naquela droga de quarto!
- Não seria uma má ideia.
- Para de brincadeira, , eu to falando sério! Ela não pode bancar a louca, ela conhece você, e sabe que as coisas não funcionam assim.
- Espera aí, pelo visto o problema aqui não é sua mãe, e sim você – A maneira do qual falou, me incomodou um pouco. Era como se não fosse normal a gente ter algo mais sério só pelo fato deu ser o melhor amigo dela – Qual é o problema, só porque eu fui seu melhor amigo durante a vida toda, e agora a gente ta ficando, ou melhor, namorando, a gente não pode transar só porque o cara na história sou eu?
ficou estática sem saber o que responder, e eu sabia que ela odiava esses tipos de assunto. Ela sempre teve vergonha, então eu meio que não levei ao pé da letra tudo aquilo que ela estava dizendo. Achei melhor levar aquilo no humor, para que ela não quisesse me dar um tiro, ou algo do tipo.
Pra mim, melhor que um filme de comédia ou um stand up, era ver com vergonha. Sim, uma criatura como ela, louca, um tanto quanto inconsequente e extrovertida, que fica sem graça ao falar de algo tão simples como sexo. podia ser uma vagabunda, mas ainda sim sentiria vergonha de falar sobre isso comigo. Ela podia ser matura o quanto fosse, mas de uma forma ou de outra, ela sempre levaria esse lado criança com ela.
- O que tem de tão errado em a gente poder transar um dia? Essas coisas acontecem, sabia? – Disse achando graça quando ela cruzou os braços e abaixou a cabeça. De duas uma, ou ela estava me xingando mentalmente, ou ela estava pensando na música mais absurda do mundo pra não prestar atenção no que eu estava dizendo – É tão errado querer fazer isso comigo? – Ela continuou sem responder, então eu me aproximei dela e levantei seu rosto para que ela me olhasse – Porque eu sonho com isso todos os dias.
ficou vermelha, e furiosa deu um tapa na minha mão e se levantou do sofá.
Não posso rir, não posso rir. Vou fingir que não amava tirar ela do sério tendo esse tipo de conversa.
- ! – Falei rindo para descontrair e ela ver que aquilo não tinha nada de mais – Para com essa bobeira! – Voltei a me aproximar dela, e fiz ela olhar pra mim novamente. Ela não podia se afastar de mim assim quando ela bem entendesse, no primeiro ataque de raiva que ela tivesse – Você não tem que ter vergonha de mim, sou eu, o ! – Me levantei do sofá e voltei a me aproximar dela.
- Ta bom, mas você tem que falar mesmo sobre isso?
- E qual é o problema de falar sobre algo tão natural que homens e mulheres fazem?
voltou a ficar vermelha.
Não queria pensar que ela fosse insegura. Não conhecendo ela da maneira que eu conheço, e não com um puta corpo daquele, linda do jeito que ela é. Será que ela não percebe o quanto consegue deixar um cara louco?
- Escuta... – Respirei fundo – Agora é sério, eu não quero que você tenha vergonha de mim, nunca. E não é porque eu disse que sonho com isso todos os dias, que eu vou te apressar a nada. Eu sei esperar, ok? – fez que sim com a cabeça me olhando nos olhos – Você tem que parar de ser boba!
- Não é ser boba, eu só não... Argh, temos assuntos melhores pra falar!
- Eu sou bom na coisa, sabia? – Me gabei para tirar uma com a cara dela que começou a me dar tapas e mais tapas – É verdade, bonitinha, pode perguntar pra qualquer uma!
- Lógico que posso, já que você sempre transa qualquer uma, não é ? – Me olhou furiosa.
- Ciúmes, bonitinha?
- Não, só uso a lógica, cowboy.
- Certo, certo...
- Mas então, o que vamos fazer? – Perguntou mudando completamente o assunto.
Quando eu tirei daquela festa, eu podia jurar que ela estava de mau humor e que não queria fazer nada a mais do que deitar na cama e dormir para ir pra escola amanhã. Os surtos bipolares daquela garota me irritavam. Não só seus surtos, mas ela em si me irritava.
Não sabia o que ela tinha, mas tinha vezes que não a suportava. Eu não conseguia ficar longe dela, porém não aguentava suas mudanças repentinas de humor, eu queria gritar e brigar com ela. nunca sabia o que queria, nunca dizia o que sentia, e quando dizia o que queria ou o que sentia, tudo podia mudar em 5 minutos. Não, não era uma coisa de mulher, isso era uma coisa de .
- Não sei, o que você quer fazer? – Pra dizer a real, o que eu queria mesmo fazer naquele momento com ela eu ainda eu não podia, então acho que dar minha opinião nesse momento não seria a melhor escolha
- Me mostra sua casa!
- Mas você já conhece minha casa – Fiz uma cara óbvia.
- Conheço, mas faz tempo que não venho – Disse sem graça – Você não tinha esse sofá, nem essa televisão, e muito menos esse tapete quando eu frequentava sua casa. Não seja grosso e mal educado, eu sou visita e você não deveri...
- Ta bom, que seja, eu entendi! – Me levantei do sofá e fui fazer uma tour pela casa.
Minha mãe havia reformado tudo no ano passado, e realmente muitas coisas estavam diferentes. Mostrei todo o andar de baixo, jardim, piscina, churrasqueira, e o andar de cima mostrei o que pude, menos o quarto dos meus pais, que no momento eles estavam dormindo. Deixei o meu por último, e esse não havia mudado nada, a não ser pela varanda que havia sido feita. E foi justamente pra lá que ela foi quando entramos.
- Você tem uma varanda, agora! – Disse impressionada e foi correndo até lá assim que colocou os pés no meu quarto – Isso é bem mais legal do que ter uma janela que da pra casa do lado. Agora pelo menos você pode ver toda parte da piscina.
- Pois é... – Com as duas mãos no bolso, me encostei-me ao batente da porta da varanda e fiquei olhando pra que analisava toda a vista
Não era como se fosse uma grande vista para ela ficar pensando tanto. Só dava pra ver área de lazer da minha casa, e também um pedaço do quintal dos dois vizinhos ao lado.
- Você já pulou daqui de cima pra piscina? – Perguntou.
- Uma vez, muito bêbado.
- E... Quando você pulou seus pais estavam dormindo e eles acordaram?
- Na verdade eles nem estavam em casa, mas não da pra escutar nada lá de baixo pelo quarto del.... Espera, por que você ta me perguntando isso?
não respondeu, apenas virou o rosto pra mim e sorriu. Ainda de costas pude vê-la tirando seus sapatos e abrindo o zíper de seu vestido. Engoli seco, e podia sentir minhas mãos começando a suar ao ver o vestido de tecido leve cair ao chão, e apenas de calcinha e sutiã. Eu parecia um virgem de 13 anos.
Analisei toda sua silueta, sem acreditar que ela estava realmente fazendo aquilo. se virou para mim e pegou impulso na grade da varanda e se sentou.
- Você não vem? – Se essa pergunta fosse no sentido que eu queria que fosse, eu iria, e iria feito um animal pra cima dela. Mas sabia que não era isso que ela queria dizer, e eu muito menos estava em situação de responder.
Ela era perfeita. Nada, nenhum simples defeito. Seu corpo não negava ser de uma bailarina, era maravilhoso e tão meu que eu me segurava, como todas as minhas forças para não atacá-la.
sorria, e balançava as pernas enquanto o vento batia em seus cabelos que cobriam grande parte de seu sutiã, e foi aí que eu travei. Eu tentei não parar justo naquela parte tão visível, mas não deu. Seus seios eram de um tamanho tão ideal para o corpo dela, tão lindos e tão... Pegáveis, que foi simplesmente impossível não parar minha atenção ali por alguns segundos. Notei sua tatuagem logo abaixo do sutiã e sorri. All You Need is Love, aquilo nunca soou tão irônico na minha vida.
- O que foi, vai ficar aí me olhando ou vai pular junto comigo? – Será que ela não tinha notado a gravidade do problema? Ela estava semi nua na minha frente e agia como se fosse a coisa mais normal do mundo.
- O que?
- Vai ficar aí parado me olhando ou vai pular comigo? – Com a ajuda das mãos, subiu na grade, e quando percebi ela já havia saltado direto pra piscina.
E só nessa hora eu acordei, e percebi o que ela tinha feito.

Às vezes eu me perguntava se tinha algum problema na cabeça. Não de brincadeira ou algo assim, mas um problema de verdade, ou algum tipo de distúrbio que fazia ela agir desse jeito tão instável. Isso, instável era a palavra certa. Uma hora ela estava de um jeito, e um minuto depois ela estava de outro, uma hora ela queria conhecer minha casa, da qual ela já conhecia, e na outra pulava da minha sacada pra piscina.
Ou a palavra certa seria imprevisível? Pessoas normais eram imprevisíveis, não era normal, então não, imprevisível não era a palavra certa.
Alguém sabe as chances dela bater a cabeça em algum lugar ou cair de mau jeito na água pulando de uma altura daquelas? Deixei bem claro que eu fiz aquilo uma vez, quando estava bêbado. Bêbado, caralho!
Ainda indignado e perdido em pensamentos sobre qual era o real problema de , passei a mão em uma toalha limpa dentro do armário, e desci, passando ela cozinha e também pegando uma garrafa de whisky. Eu merecia uma bebida.

Notei um silencio quando cheguei perto da piscina. A água estava turva, mas não via . Por alguns instantes pensei que ela já tinha saído da piscina e se escondido em algum lugar, ou batido a cabeça e se afogado, até eu notar que ela estava sentada debaixo d'água. Não demorou mais de 5 segundos para ela subir a superfície e perceber que eu estava ali.
- Frio? – Era óbvio que ela estava com frio. Dias como aqueles você passava bem longe da piscina.
- Um pouco – Respondeu com os lábios um pouco arroxeados e com os braços em volta de si. Não era mais simples falar que estava congelando?
- Vamos, saí daí de dentro antes que você pegue uma gripe – Disse um pouco sem paciência e ela fez cara feia. Ela não sairia da piscina se eu mandasse, eu já deveria saber disso, claro. Ela congelaria ali a noite toda, mas não sairia – Bom... Aqui tem uma toalha, e uma garrafa de whisky. Acho que isso é o bastante pra você se esquentar um pouco.

- Por que você recebeu aquela suspensão de 5 dias no ano passado? Você deu mesmo um soco na cara do gato do professor de Biologia? – Perguntou curiosa, lembrando-se da antiga fofoca que até hoje não havia sido esclarecida.
- Não, na verdade foi quase – Entortei a boca. Bem que eu queria ter dado um soco naquele bosta – Aquele cuzão nunca foi com a minha cara, e ele me ferrou na matéria por causa disso. Eu fui tirar satisfação e começamos a discutir. Ele contou pro diretor e eu levei a suspensão.
- Mas daí depois de uma semana ele foi demitido... – Aquilo saiu mais como uma pergunta.
- Ninguém soube, mas foi porque a mãe da Morgan descobriu que eles estavam ficando. Mas pra resumir, depois que isso aconteceu, o Sr. Grey pediu minha versão da história, eu contei, e ele me liberou da suspensão já que não sabia se podia confiar ou não na palavra do professor.
- Wow, a Morgan? Você só pode estar de brincadeira! Aquela menina era a maior...
- Santa? Ok, só se for do pau oco.
- Tão estranho...
- Mas voltando ao assunto... E a história sobre a bebedeira no último andar?
- Verdade... Só porque eu e a estávamos comemorando nossa viagem a Itália! – Disse , fazendo careta – Romance secreto com a professora de artes?
- Mentira. Ela que tinha uma queda secreta por mim – semicerrou os olhos – É sério, ela ficava secando minha bunda toda hora que eu levantava da carteira!
Estávamos eu, e uma garrafa de Whisky. Ou seria uma garrafa de Whisky com apenas um dedo de conteúdo? Que seja, estávamos meio que bêbados, sentados na mesa ao lado da piscina conversando besteiras, como sempre. Eram 2 da manhã e não me importava que daqui 5 horas eu tinha que estar de pé para ir pra escola. Que se foda escola, formatura estava chegando, e não seria agora que eu me preocuparia em não chegar de ressaca na aula.
- Eu acho... Só acho que eu estou levemente sonolenta – Na verdade, mal conseguia abrir os olhos direito.
- E levemente alcoolizada também – Ela pensou em responder, mas pensou bem e viu que o melhor seria ficar quieta.
estava engraçada. Bochechas coradas por causa do álcool, cabelo bagunçado, uma toalha gigante ao redor de seu corpo, e claro, bêbada.
Linda.
- ... – Cochichou, e eu mal consegui entender que ela dizia meu nome – Eu estou com um problema. Um grave problema – Continuei olhando pra ela, sabendo que alguma besteira estava por vim – Eu não to conseguindo... – Choramingou.
- Não está conseguindo o que, ?
- Me levantar! – Não aguentei e comecei a gargalhar – E eu to com sono, muito sono, e queria muito dormir mas... Meu corpo ele ta... Pesado. Será que eu engordei?
- Não, , você não engordou, você só está bêbada.
- Estou? – Perguntou assustada.
- Bastante... – Lamentei.
- E o que eu faço agora?
Eu não era o que se podia chamar de sóbrio, e muito menos . Ajudá-la a entrar em casa e subir as escadas foi mais difícil do que eu imaginava. Não sabia se era ela que ajudava ou se eu que ajudava ela. Cena bizarra, nem tentem imaginar. Me joguei na cama enquanto foi ao banheiro se trocar e agora era eu que não conseguia me mover. Ouvi a porta se abrir, e de repente senti se jogando em cima de mim.
- Muito melhor que o colchão, muito melhor – Murmurou.
- Me sinto honrado – Ri alto e comecei a mexer em seus cabelos.
rolou o corpo para o lado, deixando só sua cabeça em meu peito.
- Você vai ficar bravo se eu dormir aqui mesmo?
- Não... – Mas não mesmo.
- Ok...

E então ela dormiu, e eu fiquei ali por um bom tempo acordado, parecendo um idiota por ter aquela garota dormindo tão perto de mim.
Ouvi um falatório e quando abri os olhos notei que o dia já havia amanhecido, porém meu relógio ainda não havia despertado. O que indicava que ainda era bem cedo, e que não estava mais ali ao meu lado, já que comecei a passar a mão na cama a sua procura e não havia nem sinal dela. Me levantei um pouco tonto e segui as vozes que me acordaram, e foi então que percebi que uma das vozes era dela. Sai do quarto e fiquei no topo da escada olhando a mesa de jantar que se encontravam meus pais e , rindo e comendo. Sorri com a cena.
- Obrigado família, me sinto lisonjeado por ter sido convidado para esse café da manhã – Minha voz estava rouca e desci as escadas esfregando os olhos que no momento gostariam de estar fechados.
- A gente achou que era melhor te deixar dormir mais um pouco – Disse .
Ela já vestia o uniforme da escola, e parecia feliz de estar ali com a minha família. Na verdade todos pareciam felizes, para meus pais era como ter algum membro da família de volta. Eles viram crescer dentro dessa casa, era uma reação normal eles estarem tão radiantes.
- , sobe e vai se vestir, isso é jeito de aparecer com visitas aqui? – Resmungou minha mãe, e eu mal havia notado que estava de boxer.
- Mãe... – Murmurei e me sentei ao lado de – Não é como se fosse uma visita estranha.
- Mas ainda sim!
- Relaxa, Danna, ele só está tentando me seduzir – me deu um chute de leve com suas botas.
Já disse o quanto eu achava sexy essas botas dela?
- Pois é, minha namorada é uma pessoa muito difícil...
- Namorada? – Minha mãe e meu pai perguntaram juntos.
- Isso foi ensaiado? – Perguntei e riu.
- Não, é só que... Fico tão feliz! – Danna deu um sorriso sincero para nós dois – Nem posso acreditar que vamos ter a de volta! – Minha mãe se levantou da cadeira e foi até , a abraçando por trás e dando um beijo em sua cabeça – Bom, agora eu tenho que ir que já estou atrasada. , vou ligar pra sua mãe para combinarmos um jantar aqui em casa, ok?
- Claro!
- E vê se não some, mocinha – Disse meu pai antes de se levantar e pegar suas coisas para sair de casa.
- Tchau meus amores – Minha mãe me deu um beijo na bochecha e depois outro em e ela e meu pai saíram para o trabalho.
Essa era mais ou menos a rotina daqui. Não era normal eu vê-los de manhã porque sempre que eu acordava eles já saíram, e quando os via, era só de noite. Eu sentia falta deles, principalmente do meu pai que nunca tinha horários certos, mas eu acabei me acostumando, desde pequeno sempre foi assim.
- Eu estou contente, sabe? – Disse quebrando o silencio – De poder estar de volta... Sei lá, é tudo tão estranho. Nunca imaginei que voltaria algum dia frequentar a sua casa, conversar com seus pais...
- Acho que deu pra perceber que eles também estão. Minha mãe sentiu sua falta, pra ela você sempre foi a filha mulher que ela nunca teve.
- Ela não tem vontade de ter outros filhos? Sua mãe é nova.
- Até tem, mas com esse ritmo que meus pais levam não seria tão fácil cuidar de uma criança. Acho que eles não querem colocar outro filho no mundo para ser cuidado por babás. Minha mãe é meio traumatizada com isso, ela acha que eu sou doido porque ela e meu pai nunca estiveram realmente presentes.
- Bom, minha mãe já acha que eu sou doida porque bati a cabeça quando ela criança – Gargalhei. Era bizarra a relação de com Lizzie, não sei se é por causa da idade, já que sua mãe é nova, mas as duas pareciam irmãs. Duas irmãs que brigam o tempo todo – Mas acho que minha mãe se sente do mesmo jeito que a sua, já que ela é bem mais presente na vida de Allie do que ela foi na minha. Pode ser que ela tenha engravidado de Alison pra reparar o erro dela, mesmo eu sabendo que Scarlett fez um bom trabalho com nós dois. Eu tenho muitas saudades dela. Scarlett vai surtar quando souber da gente.
- Pode ser, mas sabe que muita gente vai surtar com tudo isso não sabe?
- Ai, bateu levemente com a cabeça na mesa – Não vou aguentar ela ficar dizendo o tempo todo "eu disse! eu disse!"
- E sua mãe... Seu pai...
- Será que da pra parar? – Disse apavorada.
- Não ta mais aqui quem falou – Levantei as mãos em forma de rendimento me levantando da cadeira para terminar de dizer o que eu tinha pra dizer sem levar um chute na canela – Mas agora vou me arrumar, enquanto você fica pensando a maneira que você vai falar pro seu pai que ele estava certo o tempo todo, que você sempre se derreteu por mim, e que agora estamos juntos.
- Eu não sou derretida por você – Falou brava, parecendo uma criancinha de 5 anos – Você é muito babaca, .
- E você é tão bonitinha – Me aproximei rapidamente e peguei ela no colo para levá-la pra cima, ouvindo gritos, risadas e levando murros.
Não queria saber a reação das pessoas e muito menos a opinião. As únicas pessoas que tinham que achar alguma coisa era eu e ela, e no momento estávamos muito bem, obrigado. Foda-se o que as pessoas iriam pensar, foda-se os caras que ficariam irritados ao saber que aquela garota agora era minha e não deles. Tudo que eu precisava era aproveitar o momento e esquecer qualquer tipo de problema. Eu tinha conseguido, não tinha? Era isso que importava pra mim.


Capítulo Dezenove


Abraça o que te faz sorrir. Sonha que é de graça. Não espere. Promessas vão e vem. Planos, se desfazem. Regras, você as dita. Palavras, o vento leva” – Caio Fernando Abreu

Eu não era o tipo de pessoa que se dava muito bem com mudanças, mas podemos dizer que dessa vez as coisas eram diferentes. Após quase um mês ao lado de , me fez perceber que era daquilo que um verdadeiro namoro se tratava. Com Andrew as coisas sempre foram um pouco difíceis. Ele detestava as músicas que eu amava, nunca estava ao meu lado quando ficava perto dos meus amigos e jamais concordávamos com alguma coisa. Eu acredito que os opostos se atraem, mas nesse caso as coisas não funcionaram muito bem. O que me faz ter certeza de que nosso namoro era fachada. Eu podia dizer que com as coisas eram completamente diferentes e mais fáceis. Nunca fazíamos esforço para passarmos tempo juntos. Seus melhores amigos eram meus melhores amigos, estava namorando , sempre me deixava escolher qual música tocaria no som do seu carro e o último, porém não menos importante, cada dia eu estava mais certa de que eu amava aquele babaca.

- Quando que é aquela nossa reunião com os caras do festival? – Perguntou quando levávamos Alison para escola antes de irmos para nossa.
- Daqui alguns dias! – Falei animada e um pouco nervosa – Estou com um pouco de medo, sei lá... É meu primeiro trabalho e eu não conheço ninguém da produção sem ser o Bill. Tenho medo deles não gostarem de mim.
- Hey, não é você que vai abrir o show do Fall Out Boy, tendo chances de lavar tomates na cara caso o público não goste da gente – Rolei os olhos, mas não disse nada. Sabia que havia mais motivos para eles ficarem nervosos do que eu – Fica tranquila, é impossível eles não gostarem de você. Tirando que eu não conheço ninguém melhor para ajudar nesse festival, você ama música e é filha de Matt . Você ainda tem alguma dúvida de que eles não vão gostar de você?
- Não quero que eles me conheçam por “filha do Matt”.
- relaxa! – fez um leve carinho em minha coxa, tentando me acalmar – Vai dar tudo certo.
- É, tudo vai dar certo – Disse Alison e eu levantei uma de minhas sobrancelhas. Aquele tom sarcástico não me convenceu – Nenhum cabo de instrumento vai quebrar, o teto não vai cair e nenhum amplificador vai dar pane. E se der, é só colocar a culpa em alguém.
Fuzilei Allie com os olhos.
- Sorte sua que eu não estou de mau humor, pirralha – O carro parou em frente à escola – Agora vaza que eu estou atrasada para o treino e não estou a fim de ficar ouvindo a Amber berrar na minha orelha.
- Está entregue, tampinha – Disse – Te vejo mais tarde?
- Desculpa, – Allie colocou a mochila nas costas e abriu a porta do carro – Pode ser outro dia? Vou dormir na casa da Sam hoje, temos um trabalho de Biologia para terminar. Falando nisso, não esquece que hoje não precisam vim me buscar.
- Sem problemas! – sorriu e Alison entrou no meio dos dois bancos da frente para dar um beijo na bochecha dele antes de sair.
- Espera aí, só o ganha beijo? A melação entre vocês dois me comove! – Allie fez careta e eu a agarrei beijando sua bochecha várias vezes – Awn, irmãzinha linda! – Comecei a bagunçar com seus cabelos e Alison gritou
- Me solta sua maníaca! – A soltei e ela estava um verdadeiro caos – Vocês dois se merecem! – Falou e saiu do carro.
Eu e gargalhamos.

Desde que voltou a frequentar nossa casa, os dois não se desgrudavam. Alison tinha um carinho enorme por ele e vice-versa. Não me incomodava até o ponto dos dois me ignorarem por causa de um maldito videogame, daí sim eu ficava brava. Allie passou a ficar menos tempo sozinha, querendo ou não nos aproximamos e sempre a chamava para fazer alguma coisa com a gente. Eu não achava isso ruim, muito pelo contrario. Sempre tínhamos nossos momentos sozinhos e minha irmã não era tão chata ao ponto de nos perturbar, por isso que sempre que possível arrastávamos ela para tomar sorvete, ir ao cinema ou até mesmo assistir os ensaios dos meninos. Eu não queria que Alison se sentisse sozinha naquela casa enorme. Ela tinha muitos amigos, mas sempre foi bem mais reservada do que eu. Ela sempre preferiu ficar sozinha no quarto lendo livros e fazendo lições de casa, diferente de mim que sempre gostei dos meus amigos dentro da minha casa, fazendo a maior bagunça. Ela era mais tranquila nesse ponto.

Em poucos minutos já estávamos na escola. Saltei do carro com a minha mochila do treino, e logo estava ao meu lado entrelaçando suas mãos nas minhas. Sorri de lado e continuei a andar em direção ao ginásio imaginando a bronca que Amber me daria pelo atraso. Jenkins e eu poderíamos não ser mais inimigas mortais, mas isso não queria dizer que ela deixaria de ser a mesma patricinha chata de sempre.
O vento gelado batia em meu rosto e eu amaldiçoava Amber mentalmente por ter feito a gente ir com o uniforme da torcida para o treino. Aquela saia que mais parecia um cinto, pelo menos era que dizia, estava fazendo minhas pernas ficarem congeladas. Ao perceber, colocou seus braços em minha volta, esfregando suas mãos em meus braços descobertos.
- Esses caras me irritam – Disse com uma voz azeda.
- Quais caras? – Perguntei com o cenho franzido sem entender do que ele falava.
- Desses nerds loucos, ou desses merdinhas que ficam te comendo com os olhos – Levantei minha sobrancelha sem ter ideia do que ele estava falando – Se antes mesmo de você entrar para o time de torcida eles já tinham pensamentos sujos sobre você, eu consigo imaginar agora.
- , não viaja – Rolei os olhos.
- “Como ela pode ser tão gostosa?”, “Nossa, o Andrew é um cara de sorte”, “Porra, olha aqueles peitos”, “Nossa, olha aquele corpo” – Olhei incrédula pra ele, sem saber o que responder. De onde ele estava tirando aquelas coisas? – É bonitinha, eu já ouvi muito disso antes da gente voltar a se falar.
- Não fale besteiras – Murmurei.
Eu não me achava uma pessoa sexy, na verdade, eu estava bem longe de ser isso. Não passava pela minha cabeça que algum cara poderia se interessar por mim. Eu não sou como uma garota qualquer, não sou meiga, delicada e muito menos me comporto como uma menina. Por que alguém se interessaria por mim? Ou por que infernos alguém me acharia gostosa? Eu andava com botas de combate!
- Apesar de concordar com tudo, não gosto desses merdas falando sobre você – me deu um selinho assim que chegamos à porta do ginásio – A gente se vê mais tarde, bom treino.
E então ele saiu, me deixando sem resposta. Resolvi ignorar e respirar fundo antes de entrar lá dentro e começar a ouvir os berros de Amber.

- Vamos lá meninas 1, 2, 3... – Ouvi a contagem na voz de Jenkins assim que passei pela porta.
Aproveitei que ninguém havia notado minha presença e fui rápido deixar minhas coisas no primeiro degrau da arquibancada e tentar entrar na coreografia antes que começassem a me xingar. Ao me aproximar, Amber percebeu que eu havia chego e me olhou de uma forma estranha. Ela não parecia estar brava, mas sim preocupada. Todas as meninas pararam o que estavam fazendo e tudo ficou em silencio.
- Foi mal o atraso! – Levantei minhas mãos em forma de rendimento, já esperando o esporro.
- Tudo bem... – Tudo bem? Não, eu estava atrasada, nada estava tudo bem quando eu chegava atrasada – Na verdade eu queria falar com você antes que a gente começasse.
mordia seu lábio inferior e eu já estava começando a ficar preocupada com o que poderia vir. Amber se afastou um pouco do grupo e foi então que eu entendi o que tinha acontecido. Angie havia voltado. Ela estava se aquecendo bem ao lado de .
Angie estava de volta e não havia mais motivos para eu continuar no time, era isso que tinha acontecido. Por isso que Amber não estava brava e por isso todas as meninas estavam paradas me olhando, como se eu fosse a última pessoa que elas iriam pensar em ver por ali. Mas estava tudo certo, não estava? Era isso que eu queria e o que eu precisava. Ficar fora desse time era tudo o que eu quis desde o momento que eu fui obrigada a entrar. Meu castigo havia terminado, eu poderia arrancar esse uniforme ridículo e não precisaria mais acordar antes do sol nascer, vários dias da semana, para vim ensaiar. Finalmente eu poderia pular e gritar “Estou livre!”, mas não, por um motivo muito absurdo eu não estava feliz com isso.
- Wow, a Angie voltou – Comentei e ela me olhou – Bem vinda de volta – Dei um sorriso forçado e Angelina deu aceno animado com a mão pra mim.
- É sobre isso que a gente precisa falar com você – Começou Amber.
- Tudo bem, eu entendo, a Angie voltou, vocês não precisam mais de mim. É sério, eu entendo... – Falei, pensando que tivesse tirado as palavras da boca da Amber. Fui me afastando das meninas, pegando de volta minha mochila para ir embora.
- Não! Na verdade não é isso – Disse Amber e eu não entendi mais nada. Se Angelina estava de volta, qual seria a outra coisa que ela iria falar pra mim a não ser “Você está fora”? – A Angie está de volta, mas... Argh, que merda, eu não sou a pessoa mais apropriada pra isso, mas já que a insistiu que eu deveria te propor esse acordo, lá vai... A gente te quer no time, mesmo com a volta da Angelina – Arregalei os olhos – Nós vamos ter o campeonato estadual mês que vem antes das aulas acabarem, e precisamos começar os treinos pesados e você é uma patética, irresponsável, mas... Você é boa. E eu meio que me acostumei ter alguém pra sempre descontar minha raiva – Tentei segurar o sorriso – Então, aceita? – Amber Jenkins me pedindo pra continuar na equipe... Wow! – Nós sempre vamos precisar de alguém que mostre os peitos para animar a torcida concorrente.
me olhava apreensiva. É lógico que ela também queria que eu continuasse, e por mais difícil e bizarro que isso fosse, eu também queria
- Eu... – Não acreditava que Amber estava me convidando pra fazer parte da equipe e muito menos que eu queria isso – Aceito?
Gritos começaram. Senti o peso de em cima de mim. Eu aceitei? Na boa, o que estava acontecendo comigo ultimamente? Independente do que havia acontecido, eu sabia que tinha sido a decisão certa. Faltava pouco para as aulas acabarem e não é como se eu fosse passar mais um ano na equipe. Logo que nos formássemos haveria a votação para nova capitã, e novas meninas seriam chamadas para entrarem nos nossos lugares. No fim, tudo vai acabar. Eu não tinha nada a perder a não ser aproveitar esse curto tempo.

- Os boatos são falsos, ou você aceitou mesmo ficar pra valer com as lideres de torcida? – Perguntou durante o intervalo– Porque não sei o quais das partes da história que eu ouvi foi pior, a que a Amber te pediu pra ficar ou a que você aceitou.
- Pois fique sabendo que os dois são verdadeiros – Dei em ombros.
- , o que você fez com a minha prima? – colocou sua mão na minha testa como se estivesse checando se eu estava com febre – Você está bem?
- Parem de ser idiota, é lógico que eu estou bem! – Dei um tapa na mão de .
- Eu só tenho a melhor amiga do mundo – me abraçou de lado e deu um beijo em minha bochecha – Ela não podia ter me deixado mais feliz em aceitar ficar na equipe com a gente. Eu jurava que quando a Amber te fizesse a proposta de ficar, você começaria rir loucamente da cara dela. Nós vamos competir o estadual juntas, nem da pra acreditar nisso!
- Estadual, casamento da sua mãe, festival... Tem certeza que está preparada pra tudo isso? – Perguntou . E por um breve momento eu tinha esquecido o casamento da minha mãe e principalmente o festival.
- Sua festa de aniversário e também o baile! – bateu palminhas não se tocando ainda sobre tudo aquilo que estava dizendo.
- Não que eu não ache que você não vai conseguir, mas não é muita coisa junto pra você pensar? – Perguntou em um tom preocupado.
- Na verdade eu ainda não tinha parado pra pensar em tudo isso – Disse pensativa – Mas eu acho que consigo. Está quase tudo resolvido com o casamento da minha mãe, e acho que posso conciliar meu trabalho no festival com os ensaios do estadual.
- Eu e os meninos podemos ajudar na sua festa e você não tem o que se preocupar. E quanto ao baile, a única coisa que você precisa é de um vestido e de um par.
Será que eu era a única que não estava me preocupando com meu próprio aniversário ou com esse maldito baile? Esse era um dos meus últimos problemas no momento.
- Opa, um par ela já tem! – me abraçou e deu um beijo na minha testa – E é verdade, quanto a sua festa você não tem o que se preocupar.
- Pra que festa? Eu preciso diminuir meus problemas e vocês decidem colocar uma festa de aniversário e um baile no meio de tudo? Eu nem ia ao baile e muito menos iria comemorar meu aniversário.
gargalhou e logo depois ficou séria.
- Ok, isso foi engraçado por cinco minutos, agora acabou. Nós vamos comemorar seu aniversário e vamos ao baile. Por deus, não são todos os dias que você faz 18 anos e muito menos que se forma na escola! Você tem alguma noção que depois que as aulas terminarem, tudo isso vai acabar? Seremos adultos, teremos que estudar, que trabalhar e crescer. Temos que aproveitar, ! Se não fizermos nada disso, tenho certeza que daqui uns três anos você vai se arrepender completamente de não ter aproveitado tudo que tinha que aproveitar.

me deixou apavorada por alguns instantes. Eu já havia dito que eu simplesmente odiava pensar no futuro? Ele me assustava e eu preferia viver o presente. Fiquei pensando o que eu estaria fazendo daqui três anos. Será que estaria trabalhando? Estudando? Ainda morando com a minha mãe? E o melhor, será que eu ainda estarei com ? Me dava arrepios só de pensar. Futuro não é uma coisa que você pode controlar. Você pode fazer com que tudo de certo, mas aquela certeza de que tudo vai sair do jeito que você quer, você nunca vai ter.
Há três anos eu não poderia imaginar nessa reviravolta absurda que minha vida deu, então eu nem tento pensar como vai ser os próximos três anos da minha vida. Estou bem nos meus 17, quase 18 anos, tendo meus últimos dias na escola, meu primeiro trabalho, começando a ensaiar pro estadual, resolvendo os problemas do casamento da minha mãe, tentando fazer com que seus amigos não se empolguem tanto com seu aniversário e pensando qual será meu vestido no baile da escola.
Vocês estão ligados que fodeu, né?
Antes mesmo de tudo isso começar a minha cabeça já estava começando a doer.

No final da aula todos nós, menos que foi comprar alguma coisa no shopping, fomos almoçar juntos para depois irmos ao ensaio dos meninos que queriam me mostrar uma música nova que estavam pensando em lançar no dia do show. Ah, devo mencionar que eu também fiquei de ajudar os meninos com as escolhas das músicas? Pois é, isso também.

Estava tão frio, mais tão frio, que tudo que eu queria naquele momento era estar em casa, deitada na minha cama, debaixo de mil cobertas. A chuva era tão forte lá fora que nem os meninos ensaiando conseguiam esconder o barulho daquela água toda caindo no telhado. Cada vez mais eu me camuflava no sofá que tinha na garagem da casa do , me escondendo debaixo do cobertor que ele havia me dado assim que eu tinha chego. Tirando que eu ainda estava congelando, até que estava confortável ver os meninos ensaiando, enquanto eu quase dormia.
- Certo, vamos tocar Five Colours pra e ver o que ela acha. – Disse – A gente escreveu já faz um tempo, mas ainda não tocamos em lugar nenhum. Se você achar que está bom, pretendemos lançar no show do Fall Out Boy.
- Cara, ela está quase dormindo, nem os olhos ela consegue abrir! – Reclamou .
- Eu escuto pelos ouvidos, não pelos olhos. – Murmurei.
- Ok, vamos lá, 1, 2, 3 e...

She's got a lip ring and five colours in her hair,
Ela tem um piercing no lábio e cinco cores no cabelo
Not into fashion but I love the clothes she wears,
Não está na moda, mas eu amo as roupas que ela usa
Her tattoo's always hidden by her underwear.
A tatuagem dela está sempre escondida pela lingerie
She don't care.
Ela não liga

Her tattoo's always hidden by her underwear”? Como assim? Ouvi aquele trecho, e se soubesse que a música não havia mesmo sido feita pra mim, eu poderia suspeitar que soubesse sobre minha tatuagem e no momento estava tirando sarro da minha cara. Ele me encarou rapidamente, provavelmente tentando decifrar minha cara de espanto, e eu me escondi debaixo do cobertor começando a rir.

Everybody wants to know her name...
Todos querem saber o nome dela
...

- Espera aí! – Disse e todos pararam de tocar de repente – Isso é sério? – Perguntou e eu coloquei apena os olhos pra fora do cobertor – Debaixo da...
- Shh! – Fiz sinal para que ele ficasse quieto.
- Ok, da pra explicar o porquê a gente parou a música antes do primeiro refrão, e , por que você está tão vermelha? – estava tão confuso quanto os outros, e continuava a me olhar incrédulo.
- Eu não sei de nada. – Levantei as mãos em forma de rendimento.
- Você não sabe de nada? Você... Ok, isso não é assunto pra agora, conversaremos mais tarde.
- Alguém já disse que vocês dois são o casal mais esquisito do planeta?

Não era o que eu poderia chamar de hora certa para contar pra ele sobre a tatuagem. Desde o campeonato, há quase um mês, ele mal havia lembrado que eu tinha uma tatuagem escondida e que ninguém, além de , sabia. Eu podia ter disfarçado a coincidência, mas não consegui, me pegou completamente de surpresa. Agora o que eu esperava era que ele esquecesse de novo.
Doce ilusão.
Os meninos terminaram de cantar a música e eu achei simplesmente demais. A ideia de lançar no dia do show era perfeita, e tudo o que eles precisavam no momento era ensaiar, ensaiar e ensaiar. Pelo menos era isso que Bill havia pedido para que eles fizessem antes da primeira reunião que teríamos daqui alguns dias. Eu começava a ficar ansiosa com o festival. Meu primeiro trabalho e o primeiro show de verdade do McFly. Eu precisaria dar o melhor de mim, e não via a hora de começar a colocar a mão na massa.
O ensaio terminou, e enquanto os caras sumiram para atacar o armário da cozinha, chegou cheia de sacolas, praticamente se jogando em cima de mim. Droga, eu estava tão encaixada no sofá, e essa animal tinha que chegar logo agora pra tirar meu sossego.
- Não consegui, eu juro – Lamentou sobre alguma coisa que não tinha ideia – Eram lindas! Lindas! Lindas, porém vão valer o meu fígado, porque quando minha mãe souber que eu comprei essas botas, ela vai fritá-los com batatas.
- Você estava fazendo compra sozinha? – Me sentei no sofá para deixar mais espaço para e suas sacolas.
- O pediu para que eu comprasse um presente de aniversário para prima dele, e eu fui até o shopping, já que a criatura é uma negação pra comprar qualquer coisa até pra ele – O namoro dos dois já estava tão sério, que até presentes alheios já estava comprando por ele – E foi daí que eu vi essas belezinhas – Choramingou – Tão lindas...
- Ok, , já entendi que elas são lindas.
- Insensível. Mas então, como foi o ensaio?
- Tudo certo, eles me mostraram a música nova, é bem legal.
- Five Colours In Her Hair? – Perguntou e eu afirmei com a cabeça – Eu os ajudei a escrever – Disse com certo orgulho, e então a ficha caiu.
- Her tattoo's always hidden by her underwear – Fiquei de boca aberta sem acreditar – Foi você, sua vadia!
- É... Quem sabe... Talvez? – A fuzilei com os olhos – Poxa, eu me lembrei de você, daí eu pensei que ficaria super legal essa parte e então eu dei a ideia...
- Ah, você deu a ideia, sua obcecada por botas? – Joguei uma sacola em cima dela e se esquivou – Agora ele já sabe onde fica minha tatuagem, por sua causa!
- O que? Como assim ele sabe?
- Pelo simples motivo que essa maldita frase me pegou tão de surpresa que ele notou, e se ligou! Deus, como você é burra, !
- Você que não sabe disfarçar e a burra sou eu? Só escrevi a frase e ficou ótima. E , já está mais do que na hora de você mostrar essa droga pra ele! O é seu namorado, uma hora, querendo ou não, ele vai descobrir! E falando nisso, quando é que é que você vai deixar de maltratar a criança? Não é como se ele fosse um completo estranho, ...
- Ele te disse alguma coisa? – Me aproximei de para conseguir falar mais baixo e ninguém nos ouvir.
- Lógico que não, eu sou sua melhor amiga, se ele tivesse que falar alguma coisa não seria pra mim! Olha, eu te entendo, na verdade eu entendia e te apoiava completamente quando você estava com o Andrew, mas ... O não é nem de perto o Collins! Ele é a pessoa que você pode ter certeza que você nunca vai se arrepender de ter feito alguma coisa, e eu queria poder ter tido um cara como ele quando namorei o Brandon e fiz a burrada de ir pra cama com ele. Se eu soubesse que um dia eu ficaria com o , eu com toda certeza teria esperado.
- Eu sei, é só que... Eu tenho medo! – Mordi meu lábio inferior.
- Medo? Medo do que?
- Você tem uma noção de quantas meninas o já transou na vida? – Aquilo era tão óbvio! – Tipo, você tem alguma noção de quais meninas ele já levou pra cama? , eu sou só a ! Eu nunca fiz isso na minha vida, e me sinto até mesmo uma idiota falando sobre isso, e quem dirá na prática.
- Quem não tem noção de nada aqui é você, !- segurou meus pulsos com forças – O que mais me irrita é que você nem imagina o quão linda você é, e de quantas garotas queriam ser você. entende uma coisa, você pode ser a pessoa mais maravilhosa do mundo, porque sim, você é, mas isso não importa pra ele, o que importa é que você é a , deu pra entender?
Neguei com a cabeça. Ela falava em grego pra mim
- Eu sou sua melhor amiga, , eu sei o que as pessoas falam sobre você e por isso eu jamais vou entender essa sua insegurança toda! Vamos por partes... Você sabe mais ou menos quantos caras são afins de você, ou que sonham estar no lugar do ? – Continuava a encarar sem saber o que dizer, ela já estava me assustando – E as meninas? Você acha que elas não ficam irritadas por saber que você está pouco se lixando para essa atenção toda que você tem? , acorda e chega de se sentir um lixo! E daí que o já dormiu com várias garotas? No fundo todas elas têm inveja de você, porque sabem que a única garota que ele quis na vida foi você! E acredite, elas sabem.
- Eu não sei, eu...
- , o te ama, será que você não percebe isso? – Engoli seco.
- Não fala besteiras, – Me desprendi dela, e voltei a me sentar na ponta do sofá.
- É sério que você ainda duvida disso?
- Ele nunca disse nada – Dei em ombros.
- Claro que ele não disse nada – Rolou os olhos – Provavelmente ele tem medo de dizer e você sair correndo.
- Eu não sairia correndo...
- Mas te assustaria, não assustaria? Mesmo que você também o ame.
- Eu não preciso dizer que eu o amo, ele sabe disso!
- Então você confirma? – já estava me tirando do sério – Tá vendo? Pra você acreditar nele, você precisa o ouvir falar. Que tal começar a pensar que pode acontecer o contrario também?
- Da pra gente parar de falar nisso?
- Ok... Mas pensa no que eu te falei, em tudo!

Eu começava a acreditar que eu era a pessoa mais complicada do planeta. No ponto de vista da as coisas eram tão mais fáceis, e pra mim um bicho de sete cabeças que me atormentava todas as noites. Eu não achava que dizer a uma pessoa o que você sentia era a maior prova de amor que se podia existir. Pessoas mentem, e ficar calado na maioria das vezes era a melhor escolha, evitava machucar as pessoas. Eu não mentia, eu gostava de muito mais do que eu gostaria, mas não cabia na minha cabeça eu ter que dizer isso sendo que era tão óbvio. Era óbvio que eu o amava, mas dizer aquilo era difícil pra mim, porque uma coisa era eu me conformar que eu, justamente eu, havia me apaixonado, e outra coisa completamente diferente era eu dizer isso a pessoa. Guardando só pra mim evitava muitos problemas.
Isso é papo de louco, eu sei, mas era isso que se passava na minha cabeça.

Pensem comigo. Dizer que você ama uma pessoa não deveria ser algo tão banal como é hoje em dia. e eram dois exemplos vivos de que eu não precisava dizer que eu os amava, porque eles sabem disso, sabem que são uma das pessoas mais importantes na minha vida. era um caso a parte, com ele eu já não sabia se era preciso dizer para que ele acreditasse que eu realmente o amava. Um “eu te amo” pra mim era valioso demais para ficar espalhando por aí como se fosse um “boa tarde”. Deus, eu preciso dizer outra vez que era óbvio que amava ? Ele foi uma das pessoas mais presentes na minha vida, em que eu vivi momentos incríveis, meu melhor amigo, meu namorado, e uma das poucas pessoas que eu confio, como ele não poderia ser importante pra mim? Ele seria burro, burro demais em acreditar que eu não sentia nada por ele.
- Se você não quiser que eu toque no assunto da tatuagem, por mim tudo bem, mas não fica quieta desse jeito, que você já está começando a me deixar preocupado – Disse quando estávamos dentro do carro voltando pra minha casa.
- Eu não estou quieta por causa disso.
- Por que, então?
- , você sabe que eu gosto de você, não sabe? – Joguei a pergunta do nada.
- Eu sei?
- Sim, lógico que sabe, seu idiota! – Aquilo chegou a me ofender. Será que ele duvidava mesmo que isso fosse possível?
- Tudo bem, então, eu sei! Agora você quer me dizer o porquê desse papo estranho?
- Eu sou esquisita, ok? E eu não sei como que se fazem essas coisas, eu não sei o que eu tenho que dizer, o que eu tenho que fazer, meu namoro com Andrew não era assim tão complicado!
- Nosso namoro é complicado?
- , entenda, no momento em que eu gosto mesmo, de verdade da pessoa, a coisa fica muito complicada.
- Ok, você está querendo dizer então que você gosta mesmo de mim, tipo, que eu sou o único cara que você já gostou e por isso as coisas se tornam complicadas?
- Eu estou querendo dizer é que eu não quero que você nunca duvide do que eu sinto – O carro parou em frente a minha casa.
- , não vai te matar dizer aquelas três palavrinhas – Ao sentir que ele meio que zombou do que eu dizia, eu pulei do carro sem dizer mais uma palavra.
Por que ele sempre insistia em querer me tirar do sério?
Ao colocar as mãos na maçaneta da porta, senti meu corpo ser imprensado na parede, e as mãos de em meu rosto.
- Eu te amo, ok? E se eu não te disse até hoje foi com medo que você surtasse. E eu sei que você também sente o mesmo e eu não preciso que você me responda de volta pra eu saber disso.
Fiz que sim com a cabeça ficando aliviada que ele não exigisse aquilo de mim. me conhecia bem o suficiente pra saber que eu o amava e que não precisaria ficar dizendo aquilo em cada cinco minutos pra ele ter certeza.

POV:

Entramos em casa e subiu para trocar de roupa. Não havia ninguém, sua mãe e Steve estavam trabalhando, Alison fazendo trabalho da escola e Lurdes de folga. Segundas intenções começaram a surgir em minha cabeça. Eu era homem, e eu estava na casa da minha namorada que por uma obra do destino estava vazia, agora me diga como eu não vou pensar em algo desse tipo? Nesse quase um mês de namoro eu havia sido o melhor namorado e dado tempo a ela. Eu não havia tentado nada porque sabia que quando ela quisesse, ela iria dizer, não iria? Ok, estávamos falando de e eu posso estar completamente enganado sobre isso.
- Bom, eu tenho esses aqui pra hoje – Ao ouvir sua voz e passei a segui-la com olhos enquanto ela descia as escadas com uma pilha de DVD’s nas mãos – Piratas do Caribe, o que é muito bom porque estou precisando mesmo de uma dose de Johnny Depp – Sabe quando você de repente não escuta mais nada e apenas decide apreciar a cena? Era bem isso que estava acontecendo – Tem Aos Treze, que eu já enjoei de ver com a umas 47 vezes... – Ela estava apenas com uma blusa velha, larga e curta do Nirvana e um short jeans de nem um palmo de comprimento, que provavelmente eu jogaria no lixo se soubesse que ela saía de casa usando um pedaço de pano desses.
Ela continuava a falar, filme por filme, e eu não escutava nada. Tudo o que eu queria era pular em cima dela como um animal selvagem. Por que infernos ela prender aquele cabelo? Na boa, eu já havia dito o quanto ela me irritava? O quanto me irritava que ela insistia em andar assim para me provocar mesmo que sem querer? Para falar a verdade sobre o que estava acontecendo comigo era que eu parecia um virgem punheteiro de 13 anos de idade. Aqueles que ficam de pau duro só de olhar uma mulher de biquíni. Meu caso era um pouco pior porque a mulher em questão era uma garota e ela estava devidamente vestida.
- , você está me ouvindo? – Perguntou brava e finalmente eu acordei.
Bom seria se eu continuasse viajando.
Pulei do sofá e fui em direção a ela, que conforme eu me aproximava, ela dava passos para trás, sem entender absolutamente nada. Até que ela ficou entre a parede da sala e eu.
- Por que você está me olhando desse jeito? – fez uma cara suspeita – Sem ataque de cócegas ou guerras de travesseiro, eu não estou no humor agora.
Seu peito subia e descia e sua respiração estava ofegante, como se estivesse ansiosa para o que eu estava prestes a fazer. Mal ela sabia o que eu estava prestes a fazer estava longe de guerra de travesseiro ou cócegas. Foi então que eu a puxei para perto e a beijei. Ouvi o barulho de todos os DVD’s caírem no chão, mas não me abalei, e muito menos que estava mais preocupada com suas unhas fincando em minha nuca. Puxei suas pernas para cima, deixando-as em volta da minha cintura, e a imprensei mais na parede. Ela gemeu baixo e eu passei a apertar suas cochas para liberar a tensão e tentar me controlar um pouco. Oh, droga, aquilo deixaria marcas. passou a cortar o beijo e me encarou.
- O que...
- Eu sei, eu sei que eu disse que ia esperar, mas... Droga, ! – Dei um soco na parede ao seu lado – Me da uma chance? No momento que você quiser eu paro, mas vamos tentar, por favor! – Coloquei meus dedos embaixo de seus cabelos e puxei levemente – Eu quero tanto, mas tanto isso que você não tem uma ideia.
Ela continuava a me encarar, e suas unhas que antes quase me machucavam, agora faziam carinho em minha nuca.
- Você pode ter certeza que eu tenho a completa noção de quanto você quer isso – Ela movimentou sua pélvis na minha e gargalhou, me fazendo suar frio. Ela não podia fazer essas coisas, não quando estávamos tentando ter uma conversa séria aqui no recinto – E sim, eu acho justo tentar, e mais justo ainda você voltar a me beijar e me levar lá pra cima.
Sorri, e sem pensar suas vezes voltei a beijá-la. colocou seus braços em volta do meu pescoço e se prendeu ainda mais em mim com suas pernas. Subir as escadas com uma garota pendurada em você e te beijando não deveria ser tão fácil, mas no desespero tudo foi mais rápido do que eu imaginava. Abri a porta de seu quarto as cegas e depois a fechei com os pés. Joguei em cima de sua cama e ficamos nos encarando por um tempo.
- Você confia em mim? – Perguntei.
- Sim.
- Confia até mesmo para me mostrar finalmente sua tatuagem? – gargalhou e rolou os olhos – Sabe, eu estou bem ansioso pra isso. Quer dizer, não só pra isso, mas...
- , cala a boca e volta a fazer o que você estava fazendo, antes que eu que tenha que pular em cima de você – Mesmo que cena de em cima de mim seja no mínimo tentador, eu decidi fazer o que ela estava pedindo – Eu quero te mostrar a tatuagem, mas você que vai ter que achar.
- Como um jogo? – Ela fez que sim com a cabeça com uma cara de criança que havia acabado de aprontar alguma coisa – Mas eu acho que já sei onde está, isso não é trapacear?
- Tudo bem, eu deixo essa passar – Piscou com um olho só e me puxou para um beijo.
Em horas como essa eu não tinha a mínima noção de força, e eu fui me lembrar disso quando estava subindo sua blusa do Nirvana, enquanto apertava sua cintura e eu ouvi um gemido escapar de sua garganta. Droga, o apertão na coxa já havia deixado marcas o suficiente.
Puxei a camiseta pra cima, e logo a joguei em qualquer canto. A única coisa que eu me importava agora era ela, ela sem nenhum tipo de roupa para atrapalhar. Mais uma vez notei no All You Need is Love um pouco abaixo do sutiã e passei levemente o dedo sob a tatuagem, fazendo com que a pele de se arrepiasse.
- Minha favorita... Por enquanto – Disse. Mas eu falava a verdade, aquela era a tatuagem que eu mais gostava.
Sábias palavras, lugar sugestivo.
Desci minhas mãos até seu short e o abri. Aquela coisa parecia mais uma calcinha! Precisaremos conversar sobre ele mais tarde, preciso ter certeza de que ela não saía de casa usando aquela coisa. Ao tirá-lo eu tentei me segurar ao máximo para não rir quando notei sua calcinha do Muppets. Eu sabia que seria espancado, mas não consegui disfarçar minha surpresa.
- Não ri, seu babaca! – Senti o joelho de em minha barriga.
- Não, é bonitinho! – Eu falava sério. Só ela conseguia ficar extremamente sexy usando uma calcinha do Muppets – Tem até rendinha rosa! – Brinquei ao prestar atenção nos detalhes. E foi então que eu percebi algo estranho em sua pele do lado direito da sua pélvis coberto quase por completo pela calcinha.
Bingo!
Abaixei a lateral do tecido sem hesitar e não acreditei no que vi. Num formato pequeno, haviam dois números em preto.
23.
Sabe quando um turbilhão de perguntas invade sua cabeça de uma única vez? Era bem isso que estava acontecendo comigo. Eu sabia que 23 era seu número da sorte e sempre foi, mas será que aquilo tinha alguma coisa a ver comigo? Qual seria a outra razão para ela esconder isso de todo mundo se não fosse eu o motivo? Passei o dedo sob a tatuagem, sorrindo feito um bobo.
- Não me pergunta nada agora, por favor – Pediu , e eu podia sentir o desconforto em sua voz.
- Definitivamente minha favorita – Sorri e beijei a tatuagem
- Sabe o que eu acho? – Perguntou de repente e eu a encarei – Que isso é injusto – Franzi o cenho e só entendi quando me pegou pela gola da camisa me puxando pra cima e aproveitando para tirar.
me empurrou, me deixando sentado na cama e logo depois sentou em meu colo, com as pernas envoltas da minha cintura. Conseguia notar seu nervosismo, sua mão que segurava em meu ombro estava gelada. Ela me encarou por alguns segundos sem dizer nada, e aquilo já estava me fazendo ficar preocupado.
- Eu te amo – Ela disse.
Ela disse?
- Nunca duvide disso. Se eu não disser isso com muita frequência, saiba que não é porque nada mudou, mas sim porque eu acho que são palavras muito importantes para ficar falando em cada minuto – Eu ainda estava meio tonto com aquilo tudo. Meu cérebro ainda não tinha processado a informação muito bem – Eu sei que isso não é muito normal, mas sei que você me entende.
Fiz que sim com a cabeça. colocou sua cabeça no meu pescoço e começou a me beijar.
- Será que você me da à honra de ver o que toda a torcida da final do campeonato viu, menos eu? – levantou a cabeça e me olhou sem entender muito bem o que eu falava, até eu ir com a minha mão no fecho do sutiã.
- É, talvez você esteja um pouco no seu direito – Deu em ombros e riu em seguida.
Quando percebi, eu já havia jogado seu sutiã bem longe, e a deitava novamente na cama.

//POV:

Quando dei por mim, o fecho do meu sutiã tinha sido aberto da mesma forma inesperada que minha camiseta do Nirvana havia sido tirada. tinha certa habilidade, o que me deixava mais certa do quanto ele já tinha feito aquilo. Ok, aquele não era o tipo de momento pra pensar quantas meninas meu namorado já tinha levado pra cama.
Meu rosto esquentou quando peguei olhando para meus peitos como se nunca tivesse visto nada parecido na vida. Qual era o problema dele? Eu já estava sem graça o bastante com aquilo pra ele ficar me secando.
- Para, ! – Praticamente implorei.
Tampei meu rosto como um ato infantil. Só eu conseguia ser uma bobona até naquelas horas.
- Nem pense nisso, eu demorei muito para conseguir ver, mais que todo mundo, literalmente – Entendi o que quis dizer, quando percebi que meus braços estavam me cobrindo – Chega de vergonha, você é linda! – tirou as mãos de meu rosto e voltou a me beijar
Beijar de uma forma que ele nunca havia me beijado, talvez com uma intenção completamente diferente das outras. Nossas línguas se tocavam em sintonia, enquanto eu brigava com o cinto de sua calça, que após o problema resolvido, foi um tanto fácil de tirar. conseguia me fazer fica fora de mim a cada toque, principalmente quando soltava mais e mais seu peso sob mim, na intenção de diminuir qualquer espaço entre nós. Dois de seus dedos engancharam na minha calcinha e ele me encarou antes que pudesse tirá-la.
- Se algo te incomodar, você me fala que eu paro na hora, ok? – Fiz que sim com a cabeça.
Eu decidi não pensar muito. Eu acredito que nem tenha nada para pensar se aquilo era o que eu queria. era o cara certo e sempre foi, não me importava ter que ser hoje ou daqui um ano, pra mim só importava em ser com ele. E daí que haviam probabilidades de não dar certo? Pelo menos era com o cara certo e o futuro que se exploda. Pensar no hoje era minha nova meta. Cheguei à conclusão que um dos meus maiores defeitos era pensar no maldito amanhã. Nem a certeza que eu vou estar viva eu tenho, pra que vou ficar me preocupando? Viver o agora estava bom o suficiente pra mim.

O corpo de caiu sob o meu e eu segurava em seu pescoço como se minha vida dependesse daquilo. Seus cabelos estavam úmidos de suor, e meu corpo estava tremulo com o que eu acabara de sentir. Um cansaço me tomou, e eu sentia os dedos dos meus pés dormentes. Isso era normal?
- Isso... – Respirei fundo para conseguir falar – É incrível. Me lembre de nunca mais comparar essa sensação quando alguém aparecer com uma vodka de baunilha na minha frente.
- Eu faço questão de sempre te lembrar, bonitinha – Deu um selinho no meu ombro – E se vale de consolo Senhorita Insegura, você foi absurdamente demais – Beijou meu pescoço – Melhor do que qualquer uma com quem eu já fiz.
Apertei mais meus braços em volta em sua volta. sabia que aquilo tinha me deixado sem graça. Muito sem graça para falar a verdade.
- E por mais bonitinho que seja, para de ficar vermelha. Você está vermelha, não esta? – Ele não estava vendo meu rosto, sua cabeça ainda estava escondida entre meu pescoço e meu ombro
- Não estou nada – Menti e finalmente me encarou.
- Está sim! – E então, dei um merecido tapa no seu braço e ele começou a gargalhar – O que achou? Eu te machuquei, não machuquei? – Perguntou preocupado – Eu disse que era pra você me avisar que eu parava!
- Hey, hey, da pra parar de querer quebrar o clima com seu drama? Se você quer saber, eu me arrependo disso não ter acontecido antes entre a gente, de tão... Maravilhoso que foi – continuava a me encarar aflito – Ta ok, doeu um pouco, mas não é pra tanto! Foi só no começo, eu juro! É normal isso acontecer, não é? Na verdade eu esperava que fosse 10 vezes pior– Beijei sua bochecha.
- Odeio essa dor – Eu queria poder dizer que um “eu também”, mas sabia que ele ficaria mais neurótico do que já estava.
Continuamos abraçados por mais algum tempo, até começar a tatear a cama a procura de alguma coisa. Enrolei o lençol em volta do meu corpo e comecei a olhar ao redor tentando saber o que ele queria. O celular estava em cima do criado mudo e a carteira estava toda aberta no chão, já que cinco minutos antes de tudo acontecer, ele foi lembrar da droga da camisinha. Mas o que infernos ele queria?
- O que você está procurando? – Finalmente perguntei.
Ele olhou pra mim com uma cara suspeita, segurando o sorriso, como se estivesse aprontando alguma coisa
- Sua virgindade! – E então ele caiu na gargalhada.
Eu queria rir, porque no fundo foi engraçado, mas continuei a fuzilar com olhos até que eu começasse a esmurra-lo.
- Nossa, como você é engraçado, ! – Deu um ultimo tapa em seu braço – Seu ridículo!
- Brincadeirinha! – Disse antes de me roubar um selinho.
me abraçou de lado e fazia um leve carinho em meu braço enquanto não dizíamos absolutamente nada. O silencio era até que confortante. Eu tinha acabado de passar por um dos momentos mais marcantes da minha vida, e estava extremamente feliz. Acho que nada poderia estragar isso que eu sentia.
Pude sentir respirar fundo e olhei pra cima para encarar seu rosto.
- O que foi? – Perguntei.
- Você me deve uma explicação – Ele não precisava me dizer o que eu tinha que explicar, eu estava esperando que isso fosse acontecer na primeira oportunidade que tivéssemos – Sabe, sobre o 23... – Mordi o lábio. Sim, eu o devia uma explicação.
- Minha primeira tatuagem não foi o par de asas como todos pensam – escutava atentamente todas as palavras que eu dizia, sem tirar seus olhos de mim – Minha primeira tatuagem eu fiz com 14 anos, exatos três anos atrás
- Mas... A gente ainda se falava exatos três anos atrás, por que você não me contou? – Franziu o cenho um tanto quanto confuso.
- Eu ia te contar, ia te contar um dia depois que eu fiz, queria te fazer uma surpresa porque eu estava feliz que você tinha entrado pro time de futebol, e que o numero da sua camiseta seria 23, o meu numero da sorte – Sorri sem querer ao lembrar daquele dia – Mas... Esse dia foi o mesmo dia da briga – Olhei pra baixo e comecei a brincar com uma linha do lençol que estava enrolado ao meu corpo.
- Mesmo assim você deveria ter contado!
- Lógico que não! Como que depois de tudo aquilo que falamos um para o outro, ou depois de ter visto você na cama com babaca da Norah James eu poderia te mostrar essa tatuagem, que querendo ou não, tem um significado do qual você faz parte?
- Desculpa – Ele falou baixo, e brincou com os dedos da minha mão – Eu fui um idiota.
- E eu também. Não fica se culpando, nós dois fomos idiotas – Voltei a me aninhar aos seus braços – Eu acho que naquele dia eu mais me odiei do que te odiei. Minha vontade era de pegar uma faca e arrancar aquela tatuagem a sangue frio.
- Imagino – Ele respirou fundo outra vez – Quem sabe sobre ela?
- Só a e meu pai. Ai que droga – Coloquei a mão na testa quando lembrei de – Eu tinha esquecido completamente que eu tinha chamado a , os meninos e a Amber pra gente assistir um filme aqui mais tarde!
- Só porque eu pensei que você seria só minha pelo resto do dia? – Perguntou enquanto eu vestia minha calcinha por debaixo do lençol.
- Teremos bastante tempo pra isso, cowboy – Pisquei pra ele e logo depois comecei a olhar por todos os cantos a procura do meu sutiã – ... – Ele me olhou –Fecha os olhos... É rapidinho, prometo – Pedi sem graça, e mesmo sem entender ele fez o que eu pedi.
Para que ele não ficasse sem o lençol, peguei minha blusa no chão e sem vesti, eu apenas cobri meus seios, começando a olhar em volta a procura do resto das minhas roupas. Eu sei, eu estava agindo feito uma retardada
- Não! Você não está fazendo isso! – Droga, eu mandei ele ficar de olhos fechados – Você está mesmo se escondendo de mim? Eu já vi tudo que tem aí embaixo, !
- ! Eu to falando sério! – Bati a perna feito uma criança birrenta.
- E eu também! Você está mesmo com vergonha de mim? – Perguntou até mesmo um pouco ofendido.
- Não estou com vergonha eu só... Ah , chega! – gargalhou alto – Sério, cadê meu shorts? Ou melhor, cadê meu...
- Sutiã? – Olhei pra ele, que segurava meu sutiã rodando pelo seus dedos. O encarei com os olhos semicerrados.
Filho da puta!
- ...
- Da um beijo que eu te devolvo – Levantei minha sobrancelha – Eu to falando sério!
Com certa desconfiança andei até , voltei a me sentar na cama e dei um selinho nele.
- Ta vendo? – Sorri. Mas aquele sorriso acabou rápido
Aquele traidor ridículo, arrancou a blusa em que estava segurando. Escondi meus peitos com a mão no mesmo instante
- Seu viado, ridículo, retardado, mongoloide! – ria tanto que eu pensava que ia passar mal – Eu só não te do um soco, porque estou meio ocupada no momento, e me da isso aqui! Eu te odeio, infeliz – Disse e estapeei seu braço
- Odeia nada! Ai, ai, seu tapa é ardido! – Disse se defendendo de meus tapas.

Trancada dentro do banheiro tentava parar de sorrir que nem uma boba. Eu ainda não acreditava no que tinha feito e que havia sido tão perfeito. Eu parecia uma menininha ridícula e apaixonada. Me olhei no espelho por alguns minutos e mesmo não vendo diferença alguma, eu não me sentia a mesma pessoa. Minhas bochechas estavam coradas e meus olhos pareciam diferentes. Tirando o fato do meu cabelo completamente bagunçado e alguns roxos de leve na cintura, eu continuava a mesma . A mesma só que dessa vez mais feliz que nunca. Mordi meus lábios e balancei a cabeça. Eu só podia estar pirando.
Assim que havia acabado de colocar meu sutiã a campainha no andar de baixo tocou. Coloquei a blusa de qualquer jeito e abri a porta do banheiro rapidamente, pegando meu short no chão o vestindo. No mesmo instante me amaldiçoei por ter esquecido o compromisso com os meninos

Devidamente vestida, sai do meu quarto em um pulo e fui correndo para o andar de baixo para atender a porta que no momento já estava sendo esmurrada. Esse povo tinha o que? Nascido de cinco meses? Tentei arrumar meu cabelo o máximo que consegui e girei a maçaneta dando de cara com , Amber, , e . ficou um tempo me olhando antes de dizer qualquer coisa, e como uma idiota que tivesse cometido algum crime, olhei para baixo.
- Aconteceu alguma coisa? – Perguntou .
- Err, não. Entra gente, hoje a casa é nossa por um tempo – Dei espaço para que todos entrassem e ignorei os olhares de para mim – Deitem no sofá, façam guerra de almofada, pisem de tênis no tapete da minha mãe, só pelo amor de deus não encostem no projeto de Ciências da Alison que está em cima da mesa de jantar – Ao fechar a porta já estava na sala cumprimentando a todos.
- Por que você está com essa cara, ? – Perguntou .
- Que cara?
- De que acabou de dar uma, digo, de bobo – Senti meu rosto queimar e quis matar como eu nunca quis na vida. Todos os meninos gargalharam, menos e Amber que estavam deixando suas bolsas em cima da mesa de jantar e não escutaram nada.
- Bom, eu vou pegar algumas cervejas pra vocês, estourar pipocas e pegar um pacote de Gold Bears pra mim – Fingi não ter escutado a merda que havia dito, e arrastei as meninas junto comigo para a cozinha.
Eu sabia que no momento que estivesse sozinha com a , ela me interrogaria, mas eu preferia aguentar o interrogatório da minha melhor amiga, do que as besteiras que os meninos iriam começar a falar.
- Está tudo bem, mesmo? – Perguntou novamente enquanto eu pegava as pipocas no armário e colocava no microondas.
- Por que não estaria? Está tudo ótimo, prometo! – Era óbvio que eu contaria a ela o que tinha acabado de acontecer com , mas esse não era o momento.
- Ótima eu sei que você está, olha pra sua cara – Apontou pra mim e novamente abaixei a cabeça – Hey, seu short não está aberto? E... Por que sua blusa tá do avesso?
Ops. Fechei a braguilha do short e arrumei minha camiseta.
- Larga a mão de ser idiota, – Amber se pronunciou pela primeira desde que chegou, fazendo com que eu e olhássemos pra ela – O que? Só está na cara que ela acabou de transar e que nós interrompemos alguma coisa.
De repente um calor dos infernos bateu. Eu provavelmente estava roxa de tanta vergonha. Mas que droga, eu vou matar essa vaca-loira!
- Eu conheço bem o garoto em questão, eu sou a ex namorada, esqueceu? Sei bem como ele fica depois de...
- AMBER! – Gritei.
- Você... – mal conseguia falar – Meu deus! Vocês... Eu não acredito! – Ela gritou e me abraçou.
Amber olhava para nós como se fossemos dois ETs e não era pra menos.
- Não da pra acreditar que finalmente aconteceu! Por favor, você tem que me contar tudo!
- Que tal deixar essa conversa pra depois? – Sugeri.
- Não é por nada não, mas eu aposto 50 libras que os caras estão na sala nesse exato momento conversando sobre a mesma coisa que nós e eu duvido que o tenha deixado essa conversa pra depois.
No momento que passou pela minha cabeça o contando para todos, inclusive meu primo, tudo o que havia acontecido há alguns minutos eu já sentia meu estomago revirar. Ai que vergonha, que vergonha, que vergonha. O problema não era todos saberem que eu transei pela primeira vez, até porque nunca liguei pra isso, mas eu não queria ir lá pra sala e todos ficarem me olhando estranho ou querendo rir só porque finalmente eu havia ido pra cama com o .
Meninos... Verdadeiras velhinhas fofoqueiras. Ainda refletindo, ouvi a campainha novamente, e dessa vez eu não fazia a mínima ideia de quem era.
- Eu vou atender, cuidem da pipoca e levem as cervejas pros meninos.
Ao passar pela sala ouvi assovios e algumas almofadas sendo arremessadas em minha direção. Fingindo estar brava ataquei meu chinelo em algum deles e mandei o dedo do meio. Idiotas, aguentaria esse sarro por um bom tempo.
Ao abrir a porta levei um susto. Susto de verdade. Mas... Como assim?
- Pai? – E do nada meu pai, que morava no outro continente, estava na porta da minha casa sem ao menos me avisar que estava vindo para Londres. Ele sorriu e sem pensar muito sobre aquela surpresa eu pulei em cima dele – Pai!
Juro, se eu pudesse eu teria meu pai como meu bicho de pelúcia para abraçar a hora que eu quisesse e não desgrudar dele nem um segundo
- Minha princesa! Como você está?
- Eu estou bem, mas... O que você está fazendo aqui? Por que não me avisou que vinha? A Alison teria ficado em casa e nós poderíamos ter ido busca-lo no aeroporto! – Eu não estava entendo absolutamente nada daquela visita.
- Bom, eu tirei algumas folgas do trabalho e resolvi te visitar... – Levantei a sobrancelha e olhei pra ele sabendo que estava mentindo – E também conversar.
Conversar... Eu sabia que ele tinha alguma coisa pra me contar, eu sabia! Matt nunca, jamais, consegue esconder alguma coisa de mim!
- Matt? – Ouvi a voz de atrás de mim e logo depois já estava cumprimentando meu pai – Wow, que surpresa, sentimos sua falta! Entra!
Assim que meu pai entrou, foi uma festa. Todos os meninos adoravam meu pai, e surtou novamente. Todos estavam surpresos com sua chegada e quando percebi, uma roda tinha sido feita ao redor do meu pai enquanto todos contavam as novidades daqui. Amber fez uma cara safada e um sinal de positivo quando Matt virou de costas e eu mandei um dedo do meio. Do jeito que aquela miserável é, não duvidava ela dar em cima do meu próprio pai. Eu apenas observava a cena, tendo certeza que no fundo algo de errado estava acontecendo. Notei que me olhava em cada 30 segundos e sorria, e meu pai estava completamente aéreo, às vezes nem prestando atenção no que os caras diziam.
- E aí, que tal a gente fazer alguma coisa de verdade pra comer enquanto o Matt coloca a conversa em dia com a ? – Disse se levantando junto com os meninos que concordaram e foram para cozinha – Qualquer coisa que precisar, é só chamar – Ele piscou e me deu um beijo na testa antes de se juntar ao resto do pessoal.
- Vem, vamos ao escritório, do jeito que esse povo é, não vamos conseguir conversar em paz nem por um minuto – Fui para o escritório de Steve e meu pai me seguiu sem dizer uma palavra.
Fechei a porta e me sentei em cima da mesa, enquanto ele decidiu ficar em pé, com as mãos dentro do bolso da calça.
- Mas e então, quais são as novidades? – Perguntou e começou a andar pelo escritório, fingindo prestar atenção nos livros que Steve tinha na estante.
- Nenhuma – Eu não contaria sobre o que tinha acontecido entre eu e quando eu sabia que ele havia coisas muito mais importantes pra me contar – Só que essa semana é a primeira reunião do festival. Vou apresentar os meninos e vou conhecer todos os organizadores.
- Vai dar tudo certo – Disse sincero – E a escola, como vai? Já está acabando, daqui a pouco é o baile e eu nem acredito que finalmente você vai estar formada! – Ele engatou uma primeira que parecia que ele mal sabia da existência da vírgula – Mas antes vem seu aniversario! Já sabe o que vai...
- Pai desembucha! – Falei sem paciência e ele me olhou assustado.
- O que?
- Você está estranho desde a última vez que nos falamos no telefone. Tirando o fato que no ultimo mês você me ligou duas vezes, apenas duas vezes, e então do nada decide atravessar o oceano, sendo que eu tenho certeza que você tem milhares de coisas para fazer no estúdio, e me aparece aqui querendo saber das novidades. Bom, eu acho que o único aqui que tem uma novidade pra contar é você, então vai, fala o que está acontecendo!
Meu pai me olhava abismado. Sua boca abria diversas vezes e nada saía.
- E-eu... – Agora eu sabia de quem eu havia puxado a gagueira em momentos de nervoso – Eu realmente precisava falar com você. Nã-não é nada sério eu só não se-sei como você vai reagir, porque...
- Matt , fala logo e de preferência sem gaguejar – Cruzei os braços e esperei.
- Eu conheci uma pessoa – Começou a falar e minhas pernas começaram a balançar impacientes – Uma mulher. Fazem dois meses desde que nos conhecemos, ela é americana, de Nova York também – E então senti minha visão ficar turva com as lágrimas, eu só não sabia se as lágrimas eram de raiva ou de... Raiva – O nome dela é Tyra, Tyra McCarthy. Ela trabalha com o pai dela, mas também toca e canta em um bar em Manhattan e foi lá que nos conhecemos. Ela está aqui, veio comigo porque quer te conhecer. A Tyra é uma pessoa maravilhosa e acho que você vai adorar ela – Aquilo foi a gota d’água pra mim. Além de querer roubar meu pai de mim, ela vem pra minha cidade querer me conhecer? – Filha por favor, não... – Ele tentou se aproximar de mim e eu pulei da mesa indo até a porta do escritório.
- Não, não precisa dizer mais nada... Que bom que você encontrou outra pessoa. Só espero que você fique tempo o bastante para dar um oi a Alison – E então sem pensar, eu bati a porta do escritório e também da sala, quando sai de casa precisando espairecer um pouco.

Como assim ele conheceu uma pessoa? Ele vivia dizendo que eu e Alison éramos as únicas mulheres da vida dele e que ele não tinha tempo pra mais nada, além de ficar com algumas garotas aqui e ali. Mentiroso! Meu pai era meu, e só meu! A única pessoa que eu confiava e que mais precisei no meu mundo todo. Eu já o perdi uma vez na separação com a minha mãe e não estava preparada para perdê-lo de novo.
Ela está aqui, ela veio comigo porque quer te conhecer. A Tyra é uma pessoa maravilhosa e acho que você vai adorar ela. Patético!
Tyra.
Quem, em sã consciência se chama Tyra, pelo amor de santo cristo?
Andava pisando no chão com tanta força que estava vendo a hora de fazer um buraco no concreto. Minhas unhas estavam fechadas em um punho e minha vontade era de bater em alguém. Eu estava com raiva, decepcionada e com medo de perder a pessoa que eu mais amava no mundo todo. Sentei num banco que havia ao lado de um parque e tentei me acalmar. Como meu dia pode ter mudado tão repentinamente? De repente eu estava mais feliz que nunca e em menos de 30 minutos eu não via a hora de matar alguém.
Principalmente um alguém chamado Tyra.
Percebi que alguma pessoa havia sentado ao meu lado e eu já estava pronta para brigar, até perceber que era .
- Eu o odeio – Falei com a voz tremula, com as lagrimas escorrendo em meu rosto.
- Você tem essa mania de dizer que odeia as coisas que ama. Você sabe que o ama mais que tudo, e sabe o bem que essa mulher pode fazer a ele – Cruzei os braços, irritada.
- Ele já tem a mim e a Allie, não precisa de mais ninguém. Os rolinhos de uma noite dele já estão de bom tamanho – Disse e sequei as lágrimas em meu rosto.
- Eu sabia que você era ciumenta, mas nem tanto.
- Não é ciúmes! – Falei brava. Era óbvio que não era! – Ele começou a namorar essa daí e do nada parou de me ligar como me fazia sempre. O que vai ser a próxima coisa? Ele vai parar de me ver, ou ver a Alison? Tudo é culpa dela! Sabe o que ele me prometeu quando se separou da minha mãe? Que isso jamais iria atrapalhar a gente, mas olha só, ele acabou de quebrar essa promessa!
- Linda, para de falar bobagens! – fez um leve carinho em minhas bochechas – Ele só parou de te ligar com certa frequência porque não sabia como te contar isso. Você sabe que seu pai não sabe esconder as coisas de você. Uma hora ou outra você saberia da verdade e ele não queria que isso acontecesse por telefone.
- Você sabia disso, não sabia? – Perguntei em um tom triste e confirmou com a cabeça – Por que infernos você não me contou? Eu sou sua namorada!
- E ele é seu pai! Era óbvio que eu não iria te contar, ! Ele me ligou pedindo um conselho, perguntando o que eu achava e como ele poderia te contar. Isso no mínimo porque ele imaginaria sua reação.
- Homens não prestam – Irritada, virei a cabeça para o outro lado e começou a rir.
- E mulheres são ciumentas, principalmente com seus pais. Hey, olha pra mim – Ele me segurou pelo queixo e me fez voltar a olhar pra ele – Para de ser boba, ele é seu pai, e você e a Allie são as pessoas que ele mais ama no mundo. Ele pode se apaixonar pela mulher que for, mas nunca, nunca mesmo, vai deixar de amar vocês. Você não vê que ele está feliz? Que finalmente encontrou uma pessoa boa e que também possa ser boa pra vocês? Seu pai não podia ficar sozinho pra sempre, era óbvio que um dia acontecer. Ele não tem nem 35 anos de idade e mulheres caem matando em cima dele! – Rolei os olhos – Pensa que ele não vai mais ficar sozinho e que vai ter uma pessoa para cuidar dele, fazer companhia a ele.
- Eu posso cuidar dele – Dei em ombros e gargalhou e me deu um selinho.
- Você é linda até com ciúmes, sabia?
Talvez eu estivesse com ciúmes. E talvez tudo que falado era verdade. Só que era tão estranho pra eu ver meu pai com outra mulher que não fosse minha mãe. Eu sabia que ele foi apaixonado por ela até mesmo depois que o casamento acabou e que foi difícil ver minha mãe com outra pessoa, mas ele superou, e eu sabia que eles nunca voltariam a ficar juntos novamente; Até porque minha mãe amava Steve mais que tudo.
Será que eu estava sendo egoísta? No fundo eu não queria que meu pai ficasse sozinho para sempre. Eu encarei o novo relacionamento da minha mãe tão bem na época, por que eu não posso aceitar o do meu pai? Ok, eu tinha medo de perdê-lo, mas eu sempre tive certeza de que ele jamais me deixaria. Droga, eu estava sendo uma vadia egoísta justamente com a pessoa que eu mais amava no mundo inteiro.
- Eu... – Antes que pudesse terminar de falar, senti meu celular vibrar em minhas mãos e bufei antes de atender sem mesmo olhar o visor – Alo?
- Oi, ! É o Bill!
- Hey, Bill! – Respondi um pouco receosa.
- Desculpa te ligar assim do nada, mas... Você tem algum compromisso pra daqui meia hora? – Lembrei do pessoal na minha casa e olhei para , que não entendia o que estava acontecendo – Um dos colaboradores do show chegou em Londres e nós vamos nos encontrar na arena do festival para tomar alguma coisa e conversar sobre algumas ideias... Acharia legal se você fosse.
- Espera só um pouco – Tampei o celular com a mão para que Bill não escutasse – Você vai ficar muito bravo se eu sair agora? O Bill precisa de mim... Assuntos do show.
- Claro, sem problemas. Eu expliquei tudo pros caras, e eles não viram problema nenhum em ir pra casa do , e seu pai me disse que foi pro apartamento, e que quando quisesse você poderia ir até lá conversar com ele – Sorri agradecida.
- Onde nos encontramos? – Perguntei a Bill – Eu vou em casa tomar um banho rápido e já vou te encontrar.

Eu sabia que precisaria conversar com meu pai o quanto antes, mas decidi deixar isso pra amanhã, assim eu teria mais tempo de pensar nessa loucura toda. Acho que essa reunião com o Bill veio na hora certa.
Fui com até em casa tomar um banho e colocar uma roupa melhor para estar mais apresentável, já que conheceria algumas pessoas da organização do show. Peguei uma carona com ele até a arena onde Bill havia marcado de nos encontrarmos, já que eu estava sem carro. Conheceria pela primeira vez onde os meninos se apresentariam, e seria legal fazer um suspense mais tarde sobre isso. Pude perceber que havia ficado um pouco triste de não passarmos o resto do dia juntos, mas ele entendeu, afinal eu havia me comprometido com aquele trabalho. Pelo visto os preparativos começariam mais cedo do que eu imaginava. Ninguém tinha a mínima noção de quão ansiosa eu estava para começar a trabalha logo.

Ao chegarmos no lugar, me desejou boa sorte, e pediu que eu ligasse caso precisasse de uma carona de volta pra casa. Entrei pela entrada de funcionários e assim que dei meu nome eu recebi um tipo de credencial e logo eles liberaram minha entrada. Ao andar pelos corredores dei de cara com Bill, que segurava um tablete e fazia algumas anotações.
- Olá, mocinha!
- Oi, Bill! – Dei um rápido abraço – E então?
- Eu que pergunto, e então? Gostou daqui?
- Bom, ainda não vi lá fora. Nunca vim em nenhum evento aqui – Bill começou a andar e eu o segui.
- Na verdade esse lugar está fechado por um tempo. Foi difícil procurar um lugar que fosse bem legal para o show. É o primeiro evento que essa empresa está fazendo e nenhum dos organizadores queriam fazer nos mesmos lugares de sempre, onde todos os shows acontecem.
- Entendi, mas esse lugar não é um pouco grande? Eu sei que é Fall Out Boy, mas mesmo assim... – No mesmo instante pensei na cara dos meninos quando eles soubessem que iriam se apresentar em lugar desse tamanho. Eles surtariam.
- Não vai ser apenas o show. Na verdade queremos fazer como uma grande festa onde a banda será um bônus, entendeu?
- Não exatamente – Entortei a boca.
- Explicaremos isso melhor na reunião. Mas sim, esse lugar é imenso e antes de ouvir as ideias eu pensava que era negocio de louco fazer um show aqui.
- Bill nunca confiando em mim... – E de repente uma voz masculina surgiu atrás de nós.
Para Bill, não era surpresa. Na verdade não deveria ser surpresa nem para mim, porque eu sabia que a razão disso tudo é para que eu conhecesse um dos organizadores, mas eu imaginava os organizadores de um evento como esse um pouco mais... Velhos. O cara que estava a minha frente aparentava ter uns 25 anos e era extremamente gato. Seus cabelos escuros não havia direção certa, seus olhos esverdeados me fizeram ficar um pouco tonta e sua camisa do Strokes me fez pensar o gosto musical que ele deveria ter.
Era agora que eu falava pra mim mesma ter foco, certo?
- Seu pai não costumava ser tão ambicioso, não estou acostumado com isso. Vem cá, seu canalha – Bill o puxou para um abraço e sem tirar os olhos de mim, o homem sorriu – Que bom que chegou!
- Fico feliz em estar aqui.
- Bom, deixa eu te apresentar minha assistente. Acredite, o tamanho não diz nada – Ignorei a piadinha – É a pessoa perfeita para o cargo e confio plenamente nela, a conheço desde que o pai dela comprava instrumentos comigo quando ela tinha uns cinco anos de idade. Esta é .
O homem ficou me olhando por algum tempo, sorrindo sem dizer absolutamente nada. E acreditem, era impossível desviar o meu olhar do dele.
- Tenho certeza que ela é perfeita – Estendeu a mão pra mim – Prazer, sou Owen Lee.


Capítulo Vinte


"Sabe qual é o problema com este mundo? Todos querem uma solução mágica para seus problemas, mas se recusam a acreditar em magia" - Chapeleiro Maluco

Sabe o filme Free Willy? Bem, no momento eu me sentia Willy, a baleia. Se bem que ela era muito fofinha para se parecer comigo, então eu estava mais para Orca, A Baleia Assassina. O caso é que tinha tanto sorvete dentro de mim que sentia que ia vomitar. E ainda me sentindo assim, eu continuava comendo, comendo e comendo.
Ah, sorvete!
Oh, gordice!
Fui para a casa de após a minha primeira reunião de trabalho e agora estávamos curtindo a vida. O que no meu dicionário significa passar a noite acordada, comendo que nem duas loucas, falando mal dos outros e contando as novidades. Fazia algum tempo desde que não fazíamos isso, depois que minha vida virou completamente de cabeça para baixo com os acontecimentos dos últimos meses, a minha rotina também mudou, principalmente quando se tratava de vagabundear com a minha melhor amiga. e os caras estavam no mesmo esquema que a gente, só que a única diferença é que eles estavam bebendo que nem uns macacos, e nós estávamos comendo que nem duas porcas.
- Será que essa Tyra é bonita? – Perguntou com a boca cheia de pipoca – Sua mãe é maravilhosa, então se for pra ele namorar um alguém novo depois de tanto tempo, ela tem que ser no mínimo uma deusa.
- Não sei, mas do jeito que ele está, parece que sim. A única coisa que eu sei é que ela é americana e que trabalha com o pai dela fazendo não sei o que. E que também canta em um bar, onde meu pai a conheceu – Eu ainda estava triste com o que havia acontecido. Nunca tinha agido dessa forma com meu pai e ficar nessa situação com ele me deixava mal. Matt sempre havia me apoiado em qualquer tipo de decisão minha. Ele até aceitou Andrew, mesmo achando que ele era um tremendo canalha.
- Quando você pretende ir conversar com ele?
- Amanhã, talvez – Bufei, jogando a colher dentro do pote de sorvete – Sério, eu não sei o que deu na minha vida pra acontecer tantas coisas juntas ao mesmo tempo. Foi uma coisa atrás da outra!
- Pensa que pelo menos não há nada mais que possa acontecer – Deu em ombros, tentando ver pelo lado positivo.
- Eu nunca penso assim se tratando da minha vida.
E de repente a porta do quarto se abre e Amber Jenkins aparece feito uma assombração.
Mas que merda era essa?
- Eu falei... – Rolei os olhos e abaixei a cabeça.
- O que você está fazendo aqui? – Perguntou .
Amber olhava apenas para o pote de sorvete em minhas mãos de forma demoníaca. Ah não, hoje não, eu não sabia mais o que era doce fazia meses!
- Você não vai tirar esse sorvete de mim! – E abracei o pote como se estivesse protegendo um filho nos braços de alguma pessoa maligna que o queria fazer mal. Mas não adiantou. Amber veio em minha direção, o tomou das minhas mãos e como uma ogra, pegou uma quantidade na colher e enfiou tudo na boca.
Quem mandou a boca maldita da falar que mais nada podia acontecer? Amber Jenkins havia acabado de se apoderar do meu sorvete.
- Eu preciso disso mais do que você – Disse ela, se jogando na cama completamente derrotada.
- Apenas se seu pai estiver com uma nova namorada e escondeu isso de você por meses.
- O Andrew foi me procurar – Ok, talvez isso fosse um caso do mesmo nível.
- Como assim o Andrew foi te procurar? – cruzou as pernas e olhava para Amber como se estivesse assistindo um filme de ação, atacando o saco de pipoca – Quer dizer, eu sei que ele e a terminaram, e que vocês já ficaram durante um tempo, mas... Isso é estranho.
- Ele foi à minha casa. Eu cheguei da academia e ele estava simplesmente dentro da minha casa, sentado no meu sofá, conversando com a minha mãe – Franzi o cenho sem entender nada – Minha mãe adora o Andrew e quando ele foi lá falar comigo, ela não hesitou em pedir para ele entrar e me esperar. Eu sei, bizarro, mas fazer o que?
- E o que ele queria? – Eu estava curiosa, mesmo que aquela situação ainda fosse esquisita pra mim. Sei lá, eu estava conversando sobre Andrew e Amber, e não sobre Andrew e eu.
- Primeiro, pedir desculpas. Por ter me colocado nessa história toda sobre você, já que a ideia foi dele e blá, blá, blá – Gesticulava com as mãos – E depois veio com um papinho estranho de que sentia minha falta.
- Viado – Murmurei.
- Isso eu posso te garantir que ele não é – No primeiro momento que ela disse aquilo, eu logo imaginei o que poderia ter acontecido entre os dois, mas logo lembrei que antes dele namorar comigo, os dois já haviam ficado. E outra, eu era a última a poder falar alguma coisa se tivesse rolado algo entre os dois, afinal, no exato momento eu namorava o ex da própria Amber – Bom, mas que seja, o importante é que tentei não dar muita trela, e ele foi embora.
- Mas você ainda gosta dele – Afirmei.
- Mas ele não presta e você melhor do que eu sabe disso. Eu não quero mais ser feita de idiota. Argh, não vejo a hora das aulas acabarem e eu ir para faculdade, conhecer gente nova. Estou de saco cheio do colegial.
- Justo você falando isso? – riu.
- Eu vou sentir falta, sabe? Do time, das pessoas, dos meus amigos, da minha popularidade – Estava demorando pra ela falar alguma merda – Mas não dos garotos. Estou decidida, não vou ficar mais com nenhum cara da escola, estou fechada por tempo indeterminado. Literalmente falando.
Eca.
- Yay, uma vadia a menos no mundo – Fingi entusiasmo.
Levei uma cotovelada na perna.
- Essa história de faculdade me assusta – Comentou – Primeiro se vou fazer a escolha certa. Segundo que vou chegar num lugar que não conheço absolutamente ninguém.
- Posso ser sincera? – Amber deixou o pote de sorvete de lado e se sentou na cama – Eu quero essa mudança. Quero chegar um lugar que eu não conheça ninguém e que ninguém saiba quem eu sou. Começar uma nova pagina.
- Mesmo tendo chances de não ter a mesma fama do colegial? – Perguntei.
- Que seja – Deu de ombros – Estou saturada do colegial e derivados. Me inscrevi para uma faculdade em Nova York, sabia? Califórnia também, mas acho que Nova York é mais forte quando o assunto é moda.
Eu e olhamos surpresas para a loira a nossa frente, que parecia entusiasmada com os planos de faculdade. Amber nunca fez o tipo inteligente que um dia já pensou em fazer faculdade, então isso tinha me pego um pouco de surpresa. Para dizer a verdade, ela andava me surpreendendo bastante ultimamente. Vai ver que eu a julgava muito antes de conhecê-la. O erro de grande parte dos seres humanos.
- Está preparada para essa mudança tão grande? Não sabia que até de país você queria mudar – Disse .
- Não sei. Mas de qualquer jeito também me inscrevi pra moda em algumas universidades daqui, depois eu penso nisso. E você, ?
- Eu o que? – Levei um susto.
- Já sabe o que vai fazer?
- Meio obvio, não é? – me olhou e eu não sabia muito bem o que responder – Você ama música, e seu pai tem uma gravadora, nada mais certo do que isso. Tirando que com esse trabalho agora, você vai ter ótimas recomendações para a faculdade e poderá estudar e trabalhar com seu pai.
falava como se fosse minha mãe, como se tivesse planejado um futuro certo pra mim e aquilo me irritou um pouco. E se eu não quisesse trabalhar com meu pai? Bom, é lógico que eu queria, mas tinham outras opções, certo? Como eu odeio pensar no que está longe. Tudo bem que não tão longe assim, mas eu não suporto sofrer por antecedência.
- Não sei ainda – Falei baixo, sem ter muita coragem de dizer aquilo.
- Como não sabe? Você sempre sonhou em trabalhar com seu pai e desde que eu te conheço você fala que assim que se formar no colegial vai correndo pra Nova York! – começava a me deixar nervosa – Espera aí, isso não tem nada a ver com o , tem?
- Wow, o negócio está mais sério do que eu imaginava – Amber levantou as duas mãos em forma de rendimento.
- Eu não sei, ok? – Me levantei da cama – E eu não quero falar sobre isso agora.
- Não percebeu que está fazendo tudo de novo, cometendo os mesmos erros? – Ela me encarou por um tempo com uma expressão triste e eu não soube o que responder – Não percebe que só você que se sacrifica?
Rolei os olhos e peguei minha bolsa de cima da escrivaninha, perdendo a paciência. Eu estava brava com , brava por ela estar certa, brava por eu não saber o que eu iria fazer com minha própria vida. Por que tudo comigo tinha que ser tão complicado?
- Quando você decidir parar de ser chata e inconveniente, a gente volta a se falar – E foi a ultima coisa que eu disse antes de sair de seu quarto e ir pra casa.

Eu estava sem carro e preferi assim, até porque morava apenas algumas quadras da minha casa. Precisava caminhar um pouco pra pensar nessa coisa tão complicada que era a vida.
Sim, meus planos sempre haviam sido esses. Terminar o terceiro ano e me mudar para casa do meu pai. Desde que ele saiu de Londres nós havíamos combinado isso, só que quando fizemos esse trato eu era menor e eu não sabia que o tempo passaria tão rápido. Quer dizer, trabalhar com ele sempre foi o que eu sempre quis, mas agora que eu estava com , eu não tinha tanta certeza de que eu queria ficar longe, entende? Em Londres também haviam muitas faculdades boas ligadas a Fonografia e eu poderia continuar aqui, mas... Não seria a mesma coisa. Tirando que nem tudo girava em torno de . Também tinham minha mãe e Alison. Eu ficaria longe das três pessoas que convivi durante minha vida toda, isso não seria fácil. Uma coisa eu estava decidida, eu não pensaria nisso até o dia da formatura. Eu já tinha problemas demais na minha cabeça. Meu trabalho, o baile, casamento da minha mãe, campeonato e minha briga ridícula com meu pai já eram o bastante para uma cabeça complicada que nem a minha.
Ao chegar na esquina de casa, procurei as chaves dentro do buraco negro que eu chamava de bolsa. Demorei um pouco para achar, encontrando primeiro meu celular, me fazendo lembrar que precisava ligar para . Disquei o numero e segurei o celular na orelha com a ajuda do ombro, enquanto usava as mãos para encontrar as chaves, caminhando para a porta de casa. No mesmo instante que o celular chamou e Last Night do Strokes começou a tocar em algum lugar.
Espera aí, esse era o toque do telefone do .
Ao levantar a cabeça, me deparei com algo jogado na porta da minha casa. Para ser mais exata, com jogado na porta da minha casa. Mas que merda era essa? Desliguei o celular, o joguei de volta na bolsa e corri até ele com o coração na boca. Me ajoelhei a seu lado e coloquei sua cabeça em minhas pernas.
- ! O que aconteceu?
- ? – Ele me olhou confuso – ! – Sorriu. E na mesma hora eu entendi tudo. Porque assim que ele abriu a boca, pude sentir o cheiro de álcool.
Aquele filho da puta estava bêbado. E o pior de tudo, jogado na porta da minha casa.
Isso só pode ser brincadeira.
- O que aconteceu? – Perguntei brava, querendo bater naquele infeliz – Você está bêbado, seu puto!
- Não me xinga – Fez bico – É que... Eu e os caras a gente... A gente estava fazendo alguma coisa que eu não lembro ao certo, mas... Mas eu precisava me esconder!
- Esconder do que?
- O me pegar! – Disse apavorado e eu já não entendia mais nada.
- Ok, esquece o , me ajuda a te levantar pra ir lá pra dentro, porque se não quem vai querer nos pegar para matar, vai ser minha mãe.

Totalmente torto e desengonçado, tentou se levantar com minha ajuda. Coloquei seu braço em volta do meu pescoço e me segurei em sua cintura para que não caísse. Tateei dentro da bolsa finalmente encontrando a chave e abri a porta de casa.
- Lar, doce lar! – Praticamente gritou e eu tampei sua boca, quase que num tapa.
- Fala baixo, todos estão dormindo! – Cochichei. Percebi que ele precisava falar mais alguma coisa quando estava com a mão em sua boca – Eu vou tirar, mas você vai falar baixo, entendeu? – Fez que sim com a cabeça e ao tirar a mão, ele respirou fundo – O que foi?
- Eu não conseguia respirar.
Rolei os olhos, tentando não rir. Na verdade a graça passou bem rápido quando olhei para todos aqueles degraus. Uma coisa era eu chegar bêbada em casa e tentar subir as escadas, outra coisa completamente diferente era eu carregar um bêbado.
- Presta atenção, se você não me ajudar eu não vou conseguir, certo? – Ele olhou parar a escada e depois voltou a me olhar – Então vamos devagar, um degrau de cada vez.
- Certo capitão!

Subir aqueles degraus nunca foi tão difícil. Uma que além de estar bêbado e não conseguir dar um passo pra frente, jogava todo seu peso em cima de mim, tornando tudo aquilo mais difícil. Meu medo era minha mãe acordar e ver aquela cena, não sei quem morreria primeiro. Finalmente chegando ao andar de cima, tentei ser completamente silenciosa ao passar pelo quarto da minha mãe, indo direto para meu quarto quase que sem respirar, com medo de que ela acordasse. Soltando um suspiro aliviado, pensando que finalmente eu tinha conseguido, pensou ter superpoderes e tentou entrar no meu quarto, só que de porta fechada. Eu não sabia se dava um berro por ele ter feito outro barulho, ou se ria da cena que tinha acabado de ver. Ao entrar no quarto, agora de maneira correta, se jogou em cima da minha cama, pronto para dormir.
- Ah, claro, doce ilusão que você iria dormir sem um banho frio, anda, levante, já pro banheiro! - Com uma completa dificuldade, ele se levantou e com minha ajuda foi para o banheiro.
Tirei sua blusa e desabotoei sua calça, antes de ligar o chuveiro.
- Tarada - Resmungou.
- Sua namorada está tirando suas roupas e você corta o clima a chamando de tarada? - Dei corda à brincadeira.
- Você é má, você vai tirar minha roupa para me colocar debaixo dessa água gelada. Eu estou bêbado, não burro.
- No estado que você se encontra, a única coisa que vai conseguir fazer é dar um passo pra dentro do chuveiro, Cowboy. Agora anda - Disse quando ele já estava pronto para entrar na água.
- Você... - Apontou o dedo pra mim com apenas um dos olhos abertos, parecendo estar checando se estava apontando pra o lugar certo - Está duvidando de minhas capacidades sexuais?
- Nunca, jamais, agora entra - Abri a porta do box para que ele entrasse, e assim que o fez, coloquei sua cabeça debaixo da água.
- Isso está gelado, !
- É a intenção.
Certificando de que ele continuasse de pé, fiquei na porta do box durante uns 15 minutos enquanto a água gelada caía em sua cabeça com toda a força. Pensava o que ele poderia ter ido fazer em minha casa, completamente bêbado, se ele planejou ficar na casa dos meninos durante toda a noite.
O tirei de dentro do box, enrolado numa toalha enquanto ele tremia de frio.
- Consegue se trocar sozinho? Vou lá embaixo pegar alguma coisa quente pra você beber – Um pouco mais sóbrio, ele fez que sim com a cabeça e eu fui até a cozinha fazer um chocolate quente. Se eu queria vê-lo dormindo o quanto antes, café não poderia ajudar muito.

- Estou muito encrencado? – Sua voz ainda estava um pouco enrolada, apesar de estar um pouco mais sóbrio.
estava jogado em minha cama e poderia apostar 200 libras que nem a cabeça ele conseguia levantar do travesseiro.
- Mais do que você possa imaginar – Deixei o chocolate quente e alguns remédios para dor de cabeça e estômago em cima do criado-mudo – Mas não se preocupa comigo, sua ressaca vai castigá-lo o bastante pela manhã, e eu não vou precisar fazer o menor esforço pra querer te matar.
O escutei gemer antes de colocar os dois comprimidos na boca e dar um gole no chocolate.
Peguei a lata de lixo que ficava do lado da minha escrivaninha e coloquei bem ao seu lado, caso ele botasse pra fora os litros de álcool que havia ingerido naquela noite. Troquei de roupa, colocando uma camiseta velha e me deitei ao seu lado, debaixo das cobertas, para tentar dormir. Senti uma de suas mãos subirem das minhas coxas até a lateral de minha calcinha, e mal pude acreditar que ele estava mesmo pensando que algo daquilo podia acontecer.
- Você sabe que nós não vamos transar, não sabe? – Perguntei em um tom divertido.
- Não?
- Não – Respondi rindo.
- Droga – Resmungou e eu continuava rindo da sua cara.
Então ele subiu sua mão para minha cintura, e me puxou para mais perto. De tão cansada que eu estava, não demorei 5 minutos para dormir em um sono profundo.

Começou de fundo, e cada vez foi ficando mais e mais perto. Não era meu despertador e muito menos meu celular. Ao perceber que algo estava tocando, meus olhos se abriram e logo que a claridade bateu, eu os fechei no mesmo instante. O celular de estava tocando, mas eu mal conseguia me mexer, já que ele me abraçava como se eu fosse um bicho de pelúcia. Ele dormia tão pesado, que mal se moveu com o toque que estava tão alto, que parecia tocar dentro da cabeça. Com certa dificuldade, desprendi meus braços e passei a tatear a cama a procura do aparelho, o encontrando enrolado na fronha do travesseiro que ele dormia. Juro que se não tivesse notado em seu peito subindo e descendo, eu ficaria preocupada em saber se ele estava vivo. Ele dormia como uma pedra. Deslizei meu dedo na tela e atendi o celular se ao menos ver quem estava ligando.
- Alo – Forcei um pouco a voz para que ela pudesse sair.
- ? – Franzi o cenho e tirei o celular da orelha por alguns instantes para checar de quem era aquela voz.
.
- , você sabe que horas são?
- Desculpa, é que... Nossa! – Respirou fundo – Que susto eu levei. O está com você, certo?
- Me de uma boa explicação pra eu não querer matar nenhum de vocês quatro, , ou eu bato o telefone na sua cara e o primeiro a morrer é o – Senti o peso morto ao meu lado começar a se mexer.
- Bom... Nós bebemos ontem...
- Ah, jura? Quase não notei.
- E bom, nós decidimos brincar de esconde-esconde. Poxa, não fica brava, nós deixamos as regras bem claras e ninguém podia se esconder fora de casa – parecia uma criança que havia aprontado.
- Aparentemente seu amigo adora quebrar as regras, já que ele veio parar na porta da minha casa, completamente bêbado – Praticamente gritei, e escutei gemer ao meu lado, colocando o travesseiro em cima da sua cabeça.
- Ops...
Rolei os olhos, sabendo que dar um chilique por telefone não adiantaria em absolutamente nada.
- Que seja, ... Te vejo na escola – E desliguei.
Peguei o travesseiro que estava na cabeça de , ataquei longe. Escutei ele resmungar, mas não liguei. Olhei para o relógio e faltavam meia hora para começar a me arrumar.
- Anda, . Acorda! – Peguei meu travesseiro e dei na cabeça dele, tendo total consciência que aquilo deveria ter doido. Principalmente depois de um porre como aquele que ele havia tomado – Se você não quiser levar um esporro do treinador, é melhor você se levantar, porque ainda vamos ter que passar na sua casa pra você se arrumar pra ir pra escola.

Tomei um banho rápido, arrumei minha mochila do treino e me troquei. parecia um saco de batatas jogado na poltrona do quarto, já vestido. Ninguém havia acordado e a casa estava um completo silencio. Descemos as escadas e fomos para a garagem tentando fazer o mínimo de barulho. Não queria pensar no meu estômago, já que não haveria tempo, mas eu estava morrendo de fome e podia ter certeza que a qualquer momento tiraria sarro da minha cara pelos barulhos bizarros que minha barriga fazia. Por falar nele, bom... Quem já bebeu que nem um macaco algum dia, pode imaginar como uma pessoa se sente com ressaca. Só rezava mentalmente que ele avisasse caso quisesse vomitar, ou algo do tipo. Eu sabia o que ele estava sentindo, tinha completa consciência que era terrível, mas eu ainda sentia muito apreço pelo meu carro, principalmente pelos bancos de couro.
Em poucos minutos estávamos em sua casa e antes mesmo de colocar os pés dentro da sala, já pude escutar vozes animadas vindo da sala de estar. Diferente dos meus pais, os pais de já estavam bem acordados.
- Não acredito que você trouxe a para tomar café da manhã conosco e nem nos avisou! – A mãe de deu um pulo da cadeira assim que me viu.
- Bom dia! – Disse animada. Primeiro, porque sentia falta dos pais dele. Segundo, porque meu estômago implorava por aquela mesa cheia de comida.
- Bom dia, querida. Eu infelizmente já tenho que sair para uma reunião, mas, por favor, sente-se e tome café – Pai de se levantou e deu um beijo em minha testa.
- Fica aí. Enquanto você come, vou lá em cima me trocar – Disse .
O que seu pai tinha de cavalheiro, e sua mãe de uma completa dama, tinha de ogro.

- Seu aniversario está chegando! – Disse Danna animada, enquanto tomávamos café – Sei que sua mãe anda muito ocupada com o casamento, mas tenho certeza que ela não vai deixar de comemorar.
- Por incrível que pareça, ela não parece estar pensando em alguma coisa além do casamento. Claro que a e os meninos querem fazer alguma coisa, mas nada está certo. Também temos o baile, o campeonato, o show, então acho que todos estão com a cabeça bem ocupada.
- Tenho certeza que ninguém vai deixar seu aniversario passar em branco. Me lembro de suas festas quando criança. Você sempre parecendo uma princesa – Me dava até um embrulho no estômago pensar na época em que minha mãe ainda escolhia o que eu vestia. Eu parecia uma boneca em suas mãos.
- Eu me lembro bem. Mamãe e suas comemorações escandalosas...
- Olá meus amores – Após um banho e provavelmente alguns remédios, parecia uma nova pessoa. Primeiro ele deu um beijo em sua mãe e depois veio até mim me dar um selinho – Vamos? Já estamos atrasados.
- Você não vai comer nada? – Perguntou sua mãe e fez uma cara de nojo.
- Hoje não, estou bem de boa de ingerir qualquer coisa por hoje.
Mesmo sem ter entendido, Danna deixou pra lá e se despediu de nós dois.

- Aparentemente você é o melhor jogador de esconde-esconde do mundo – Comentei dentro do carro, indo para a escola. jogou a cabeça pra trás e começou a rir – O que vocês beberam ontem? Álcool Zulu?
- teve a inteligente ideia de fazer um drink. Ele pegou um pouco de todas as bebidas que o pai dele tinha em casa, e fez o Drink. Aquele negócio é uma bomba.
- Notei... Afinal, não são todos os dias que seu namorado aparece quase entrando em coma alcoólico na porta da sua casa. Você tem noção do escândalo que minha mãe ia fazer comigo se ela tivesse acordado? Porque claro, a culpa ia ser inteiramente minha, e você provavelmente seria cuidado como um rei.
- Sogrinha me ama, fazer o que? – Deu em ombros e eu lhe dei um tapa – Mas então, como foi à reunião ontem?
Os últimos acontecidos haviam sido tão emocionantes, que eu mal havia lembrado de contar tudo sobre ontem.
- Você não tem noção do tamanho daquele lugar, ! – Eu tentava prestar atenção no transido, mas eu estava muito empolgada em contar tudo o que tinha acontecido – E os planos que o Owen tem, são... Incríveis! Eu não tinha a mínima noção de como seria, até ontem!
- Espera, quem é Owen?
- Ele é meio que o presidente da empresa que está produzindo o evento. O dono de verdade é o pai dele, amigo do Bill. Sabia que ele conhece até meu pai?
- Legal...
- O Owen é supernovo, tipo, uns 25 anos, e já administra tudo aquilo... E fiquei empolgada em saber que, quem sabe, em pouco tempo, também vou ter um trabalho tão legal quanto aquele.
- Ok, mas me conta mais, como é o lugar e como vai ser todo o esquema?
- Na verdade eu soube das coisas um pouco por cima. Ontem foi mais pra eu conhecer o lugar, e saber mais ou menos como as coisas iriam funcionar. Bill ficou de me ligar pra confirmar a nossa reunião, nesse dia a gente vai ficar sabendo de tudo! Vocês vão ficar alucinados com tudo aquilo, se eu fiquei, imagino vocês!
- E você tem certeza que vai conseguir administrar tudo? Quer dizer, você tem o campeonato, o baile, o casamento da sua mãe... E tenho certeza que o festival vai tomar muito do seu tempo.
Eu já tinha parado pra pensar muito naquilo. Talvez eu tivesse me precipitado muito em aceitar todos aqueles compromissos, mas eu sabia que podia conseguir.
- Eu não estou preocupada com o casamento e nem com o baile. O casamento minha mãe está tomando conta de tudo e a única coisa que vou ter que fazer é entrar no altar junto com você. E o baile... Sinceramente, se não fosse me enchendo o saco com isso, nem passaria pela minha cabeça ir. Então, as únicas coisas que me restam são: Campeonato e festival. E acho que consigo segurar bem os dois.
- Como você pode estar nem aí pro baile? – Notei que ficou um pouco incomodado com o que eu havia dito – Sabe, é nossa formatura... E grande parte da escola entra no colegial pensando nisso. Pensando em que roupa vai usar, com que ir, qual o tema... Como você pode ser tão indiferente quanto a isso?
- Não sabia que era importante pra você.
- Não era, mas... A gente tá junto agora e isso me faz gostar da ideia. Mas se isso é uma obrigação pra você e acha que vai atrapalhar seus planos...
- Lógico que não... Eu só... Você entendeu o que eu quis dizer e me conhece bem o bastante pra saber que eu tenho pavor dessas coisas.
Estacionei o carro na vaga de sempre e ficamos mais alguns instantes no carro. Aquela conversa estava ficando meio tensa pra ser falada em publico.
- Acho que não caiu sua ficha que as aulas estão acabando, não é? Você pensa no que vai fazer depois que tudo isso acabar? Porque as aulas vão acabar, assim como o campeonato e o festival. Você pensa no que vai fazer depois disso?
Ah não, de novo essa conversa, não! Já não bastava eu ter discutido com ontem por causa disso, e agora tinha que ser ? Eu evitei tanto, mas tanto ter essa conversa, que agora eu mal sabia o que dizer.
- Eu não sei, tá legal? – Respondi confusa – Quer dizer, eu me inscrevi pra algumas faculdades daqui, com os créditos que eu tenho posso conseguir alguma coisa muito boa. E... Eu também tenho a gravadora do meu pai...
- Em Nova York... – Engoli seco – Eu não... Eu não quero destruir seus planos, muito pelo contrario, eu já me senti muito culpado por um dia eu ter sido uma das razões de você não ter ido morar com seu pai, mas... É Nova York, ! Você já parou pra pensar nisso? Eu sei que você odeia pensar no dia de amanhã, mas talvez esteja na hora.
- Mas eu tenho medo – Abaixei a cabeça.
- Eu sei que você vai fazer a escolha certa – Ele me abraçou de lado a beijou o topo da minha cabeça – Só aproveita tudo, ok?
Fiz que sim com a cabeça.
Saímos do carro e passei o resto da minha manhã pensando naquilo. Nas minhas escolhas. Me dava arrepios pensar em ficar longe dele, mas eu teria que tomar minha decisão uma hora. E se o McFly desse certo? Eu abriria mão de tudo pra entrar na estrada junto com eles? Será que também abriria mão dos seus sonhos pra ficar comigo? Argh, por que justo agora que tudo estava dando tão certo, essas coisas tinham que aparecer?
Eu sei que você vai fazer a escolha certa
Aquilo matutava na minha cabeça. Será mesmo que eu faria?

O único tempo que eu esfriei minha cabeça foi no ensaio. Aquele dia eu agradeci por Amber ter pego tão pesado com a gente, me fazendo esquecer um pouco dos problemas. tinha me pedido desculpas pela discussão de ontem e tudo estava bem novamente. Eu sabia que no final das contas ela só queria meu bem, assim como . Ambos queriam que eu tomasse a decisão que fosse melhor pra mim.
Antes que eu voltasse a pensar em tudo aquilo outra vez, me concentrei em dar um duplo mortal de costas no meio da coreografia, quando escutei a voz de Amber me chamar.
- ... Aquele não é seu pai?
Atrás das grades do campo, pude ver meu pai apoiado em seu carro acompanhando o ensaio. Olhei pra ele com o cenho franzido, e ele sorriu pra mim de longe. Mas o que ele fazia ali? veio ao meu lado e colocou uma de suas mãos em meu ombro. Sem que ela dissesse nada, eu sabia o que eu tinha que fazer.
Olhei pra Amber e ela fez sinal para que eu saísse, então peguei minha mochila na arquibancada e sai do campo indo para o estacionamento, onde meu pai estava. Eu não sabia o que dizer a ele, só sabia que me sentia uma completa idiota por tudo o que tinha feito. Fiquei em sua frente e nos encaramos por um tempo.
- me contou que estava com seu carro, então fiquei me perguntando se você não queria uma carona pra casa, ou quem sabe, um almoço no lugar que você escolher – Respirei aliviada sabendo que haviam chances deu concertar tudo aquilo.
- Vestida assim?
- Você fica linda de qualquer jeito, principalmente com uniforme de líder de torcida.
Sem pensar duas vezes, pulei em seu pescoço e o abracei com todas as forças que eu tinha. E tentei, mas não consegui segurar as lagrimas. Odiava brigar com ele, principalmente por puro egoísmo meu. Eu o amava tanto que chegava a doer.

- Tenho tantas lembranças nesse lugar – Disse papai.
Nós havíamos acabado de chegar ao Ary's, um antigo restaurante que costumávamos vim quando meus pais ainda eram casados. Tenho vagas lembranças de quando eu vinha aqui, com a mamadeira em uma mão e a chupeta na outra. Ainda mais de quando meus pés passaram a alcançar o chão e quem tomou meu lugar no cadeirão foi Alison. Tivemos momentos muito felizes aqui. Vários aniversários familiares e almoços de domingo.
- Acho que a maior lembrança que tenho aqui foi no dia que a Allie nasceu. A gente veio almoçar, enquanto a mamãe estava no hospital, lembra? – O que mais eu gostava nesse lugar eram as musicas que tocavam de fundo. Já tiveram vezes deu querer parar um pouco pra pensar, ou até mesmo pra ficar sozinha e vim até aqui só pra ouvir as musicas. Sempre pensava em perguntar quem era que fazia a playlist, mas tinha medo de me apaixonar pela pessoa e querer me casar no dia seguinte. Eu e meu tropeço por pessoas com grande gosto musical. Triste realidade.
Fizemos nosso pedido, e enquanto aguardávamos eu tentava encontrar as palavras pra dizer o quanto eu sentia muito por ter me comportado daquele jeito quando ele disse sobre sua nova namorada.
- Pensando no que? – Matt perguntou.
- Se tem algum jeito de você me perdoar por ontem...
- Filha...
- Não, eu preciso falar... Eu não sei a razão de ter me comportado daquele jeito, eu só... Me assustei. Fiquei triste por você ter escondido de mim, triste porque você se afastou de mim por causa disso. Você fez tudo àquilo por medo da minha reação e acabei fazendo exatamente o que você estava morrendo de medo que acontecesse. Não sei, minha cabeça estava a mil e juro que não sei por que te trarei daquele jeito, te dizendo aquelas coisas. A única coisa que eu sei, é que alguns minutos depois eu já estava me sentindo um lixo. Primeiro, porque odeio brigar com você. Segundo, porque fui injusta. Talvez um pouco de ciúmes também – Odiava afirmar aquilo, mas era verdade. Papai deu uma risada baixa – E também certo medo enorme de te perder...
- Você nunca vai me perder, entendeu? – Ele segurou em minhas mãos em cima da mesa – , você é minha filha e nada no mundo é mais importante na minha vida do que você e a Alison. Eu posso namorar quantas mulheres que forem e posso até me casar com alguma delas, mas vocês duas ainda vão estar em primeiro lugar, sempre – Senti uma bola na minha garganta e não queria ser ridícula o bastante para chorar feito uma boba no meio de um restaurante – Vem, senta aqui... – Ele bateu na cadeira ao seu lado e me levantei rapidamente, me sentando perto de Matt, com seus braços em minha volta – Eu te amo, minha linda.
- Eu também, muito – Me aninhei em seus braços e seguei algumas lagrimas teimosas que resolveram sair – Seria bom começar de novo tudo isso, não acha?
- Claro! – Papai pigarreou, como se tivesse limpando a garganta – Filha, preciso te contar uma coisa.
- Sério? – Rolei os olhos e comecei a rir. Decidi entrar no jogo e me fingi de curiosa. Me levantei, e voltei a me sentar a sua frente – O que é?
- Tenho uma namorada!
- Ótimo, então quero conhecê-la. Já!

Logo após o almoço decidimos deixar o carro em sua casa e caminhar um pouco pelo parque bem em frente a seu apartamento. Papai tentou evitar um pouco o assunto sobre Tyra, e eu também fiquei com medo de perguntar, então mesmo que sem dizer um ao outro, preferimos deixar essa conversa pra mais tarde.
Quando minha mãe conheceu Steve, eu era novinha. Claro que de certa forma aquilo me incomodou no começo, afinal, era um novo homem da casa, mas o que foi pior pra mim era saber que meu pai ainda não tinha esquecido minha mãe. Digamos que o verdadeiro problema daquela época foi ele e seus próprios conflitos. Ele não gostou do fato da minha mãe ter seguido em frente tão rápido e muito menos que um "estranho" estaria cuidando de suas filhas enquanto ele estava longe. Lembro que até evitava comentar sobre o Steve no inicio, mas isso não queria dizer que eu conseguia segurar a língua grande de Alison, com apenas alguns anos de idade. Meu padrasto sempre foi uma pessoa incrível, que conquistou a todos, principalmente a Allie, que se apegou a Steve como uma figura paterna enquanto meu pai não estava por perto.
- Você gostou muito da mamãe, não é? – Meu pai me olhou de uma forma estranha e colocou as mãos no bolso da calça Jeans.
- Que tipo de pergunta é essa?
- Sei lá, estava pensando quando ela começou a namorar com Steve. Mesmo sendo bem nova, aquilo de certa forma te incomodou – Dei de ombros.
- Foi estranho pra mim. Bom, querendo ou não, apesar da sua mãe e eu já estarmos tendo alguns problemas, foi eu que tive que ir embora. Não sei te dizer se nós ainda estaríamos juntos se eu não tivesse que ir pra Nova York, mas o divorcio partiu de mim, então posso dizer que não imaginava que ela fosse seguir em frente tão rápido. Mas fico feliz que tenha sido o Steve, ele cuida bem de vocês, isso é que importa.
- Você ainda não respondeu minha pergunta.
- Lizzie é incrível e não é uma pessoa que possa se esquecer rápido. Lógico que eu gostei muito dela, por muito tempo se você quer saber...
- Prefiro vocês separados. Vocês casados significaria aguentar a Lizzie o tempo todo, sem fuga – Matt gargalhou.
- Sabe qual o problema de vocês duas? – Aguardei a resposta – Vocês tem exatamente o mesmo gênio e por isso batem tanto de frente.
- Pelo menos isso eu não sou parecida com você, afinal – Sorri, e Matt me abraçou de lado.
Com uma certeza distancia de nós, vi uma garota que podia dizer ser Alison. Ela estava acompanhada de uma mulher que era nova demais para ser sua mãe, com uma aparência ideal de irmã mais velha, uns 27 anos, talvez. Forcei um pouco mais a vista e pude ter certeza que aquela criança era minha irmã. Olhei confusa para meu pai e entendi mais ou menos o que estava acontecendo. Aquela ao lado de minha irmã era Tyra e se eu não fosse birrenta o bastante, poderia dizer que meu pai era um cara de sorte. Ela era linda. Seus cabelos claros e lisos batiam em sua cintura e seus olhos eram tão claros quanto a cor da blusa que vestia. Nada roupa de marca, ou bolsa cara, Tyra vestia simplesmente uma calça rasgada e um All Star sujo.
Meu pai pegou em minhas mãos e me encorajou a aproximar delas, que estavam engajadas em uma conversa, enquanto tomavam sorvete. Quando me viu, Allie ajeitou seus óculos para ter certeza de que era eu mesma que ela estava vendo e sorriu, fazendo com que Tyra olhasse para nossa direção um pouco curiosa para saber o que havia chamado atenção de minha irmã. Alison deu um pulo e veio correndo a nosso encontro.
- Eu não sabia que você viria! – Disse surpresa e tomou minha mão – Vem, você vai gostar dela, prometo!
Olhei para meu pai antes de dar os primeiros passos até sua nova namorada.
Ela era mais bonita ainda de perto. Um pouco mais alta do que eu, do tamanho perfeito para meu pai. Tyra tinha um ar inocente, completamente encantador. Droga, se eu a tivesse conhecido antes, talvez fosse impossível odiá-la.
- Tyra, essa é minha irmã. , essa é a Tyra – Alison nos apresentou.
- Quando seu pai me disse sobre ter duas filhas lindas, eu não sabia que ele estava sendo tão modesto – Disse, e então estendeu sua mão. Linda? Modesta estava sendo ela, falando de mim quando se tinha aquela aparência – Fico muito feliz em te conhecer, .
Repeti o gesto e sorri.
- Também fico feliz em te conhecer!
- Agora sim estou completo – Disse Matt com um sorriso de orelha a orelha.

Eu era boa com esse negócio de idade. Tyra tinha 28 anos, era formada em Marketing, trabalhava com seu pai e algumas noites cantava em pubs de Nova York. Hoje, ela era a mais nova contratada para a área de Marketing da gravadora e estava mais feliz do que nunca trabalhando na área que mais amava. Musica.
Nós conversamos bastante e ela parecia ter minha idade. Tinha tanta paciência com Alison, que comecei a pensar que o problema era eu, não minha irmã. Meu pai tinha acertado na mosca.
- Fico aliviada por finalmente sair debaixo das asas do meu pai. A empresa dele é enorme, mas estava ali apenas por ser filha dele e aquilo não tem absolutamente nada a ver comigo. Acho que ele ganhou alguns cabelos brancos a mais agora que estou tomando minha vida de verdade, sabe? Ele se sentia mais seguro quando eu estava 24 horas por dia ao lado dele – Tyra terminava de contar como era o relacionamento com seu pai, enquanto íamos caminhando para casa.
Sua mãe havia morrido quando ela tinha 15 anos e desde então havia sido criada pelo pai, que ela amava de paixão. Os dois pareciam se dar muito bem, apesar da relação deles ser muito parecida com a minha e de minha mãe.
- Sei bem como é, minha mãe é exatamente igual. Ela morre de medo que eu termine num ônibus de turnê cheio de músicos com hormônios a flor da pele. Mas esse é meu sonho!
- Você está quase lá. Levando em consideração que seu namorado toca numa banda
- Sim, ele toca – Tentei não parecer tão ridícula quando disse aquilo, mas não me contive e sorri como uma boba. No mesmo instante senti meu celular vibrando em meu bolso, que por um acaso, era o próprio esta me ligando. Peguei o celular e atendi – Você está convocado a vim até a casa do meu pai.
- Também estou bem, bonitinha e você? Como foi seu dia?
- Foi bom, mas pode melhorar – Disse com uma voz sugestiva.
- Você sabe o quão sexy isso soou, não sabe?
- Não que isso seja da sua conta, mas... – Encostei mais o celular perto da boca para evitar que alguém ouvisse o absurdo que iria falar – Ainda estou usando o uniforme de torcida – Cochichei, tentando não rir.
- ... Nós vamos estar na casa do sei pai, será que não vai ser meio esquisito...
- , larga a mão de ser ridículo e vem logo pra cá? Quero te apresentar para uma pessoa e não te seduzir na frente do Matt – Rolei os olhos.
Ai, ai... Homens...
- Como sempre, jogando um balde de água fria. Isso não é justo sabia, ? – Gargalhei
- Então... Você vem?
- Estou saindo de casa
- Ok! Até daqui a pouco, cowboy.
- Até daqui a pouco, bonitinha.
Desliguei o celular e o guardei no bolso.
- Você gosta muito dele, não é? – Perguntou Tyra, e senti meu rosto esquentar – Você sorri o tempo todo que fala com ele. Meio que deduzi.
- É, acho que é difícil esconder essas coisas – Respondi sem graça.
Tinha vezes que eu detestava o . Já disse que odiava não ter controle de mim mesma? Pois é, odeio. E é assim que me sinto quando ele está por perto e é como uma retardada que começo a agir. Não interessava a ninguém meus sentimentos, eles eram meus e só eu precisava saber o que estava sentindo. Agora Tyra deveria estar pensando que eu sou uma boboca.
Refletindo sobre eu ser uma ridícula quando o assunto era , escutei a voz animada de Matt cumprimentar alguém assim que esperávamos o porteiro se certificar quem era que estava tocando a campainha para abrir o portão do prédio. Olhei pra cima e dei de cara com Owen Gostoso Lee.
- Como você aparece do nada em Londres e não me diz absolutamente nada? – Matt parecia intimo a Owen. Eu sabia que eles se conheciam, mas não que eram amigos.
- Porque pra mim, você tem muito trabalho para tirar os pés de Manhattan! Já que quando estou na cidade, você prefere ficar enfiado naquele estúdio do que sair para tomar alguma coisa. Tão absurdo que não te encontro quando estamos em um mesmo país, mas nos encontramos na Inglaterra e eu descubro que sua filha está trabalhando comigo – Sorri sem graça. Acho que era normal ele deixar meninas sem graça. O Gostoso ali intimidava as pessoas, principalmente do sexo oposto – E que também é líder de torcida? – Me olhou de cima a baixo, e então tive certeza que no momento eu me encontrava roxa de vergonha.
- Vocês se conhecem? – Papai perguntou confuso.
- Conheço , apaixonada por música com um super entusiasmo em produzir um festival, não essa líder de torcida – Deu um sorriso sacana, e continuou a me secar fervorosamente. Eu estava prestes a me esconder atrás do meu pai – Acho que você ainda não contou a novidade para seu pai...
- Oi, Owen – O cumprimentei querendo cavar um buraco no chão para nunca mais sair.
- Espera aí, não me diga que você está por trás desse festival? – Matt perguntou surpreso – Essa é a coincidência mais bizarra da minha vida.
- Bizarro é você ter duas filhas lindas e nunca ter me apresentado – Sorriu para Allie, que não entendia muito bem o que estava acontecendo.
- Nunca tive a oportunidade. Bom, essa é Alison, minha filha mais nova. Tyra, minha namorada e bom, essa é a , minha filha mais velha, que pelo visto você já conhece – Matt nos apresentou e Owen nos cumprimentou com um aperto de mão – E para sua segurança, fique longe da mais velha, Sr. Encrenca.
Como assim Sr. Encrenca? Será que eu precisava saber de alguma coisa?
Owen levantou as mãos em forma de rendimento.
- Atrapalho? – Ouvi uma voz bem familiar atrás de nós, e sem que precisasse me virar para ter certeza de quem era, suspirei aliviada. Tinha esperanças que com meu namorado presente, Owen parasse de ficar me olhando daquele jeito.
- ! – Allie correu em sua direção e pulou em seu colo.
Ele se aproximou de nós com minha irmã no colo, colocando seu braço livre ao redor de minha cintura
- , , só faltava você aqui, garotão – Disse meu pai, dando um soco em seu ombro – Tyra, esse é o , que já falei algumas vezes pra você. Vi esse moleque crescer e é quase que um filho pra mim.
colocou Alison no chão e foi até Tyra a cumprimentar com um abraço. Notei que Owen encarava com o mesmo sorriso sacana que ele estava desde que havia aparecido.
- E acho que é uma ótima oportunidade de te apresentar a uma pessoa – Segurei nas mãos de e coloquei os dois frente a frente – Owen, esse é , meu namorado, um dos integrantes da banda que vai abrir o festival.
- McFly, certo?
- Isso mesmo – respondeu em um tom seco. O que de fato me deixou preocupada, já que Owen era quem mandava e desmandava no festival do qual o McFly ia se apresentar. Tudo o que eu menos precisava era que ele criasse algum tipo de antipatia por algum integrante da banda.
- Owen é o presidente da empresa que está produzindo os festivais – Minha voz saiu um pouco fraca com a tensão que surgiu entre os dois. Qual era o problema do ? Será que havia perdido a noção do perigo?
- Ouvi a música da banda e vocês são incríveis – Aquele comentário me deixou um pouco mais aliviada, mas ainda conseguia sentir tenso ao meu lado – Não vejo a hora de ver vocês tocando ao vivo.
- A gente faz o que pode. Não queremos desapontar ninguém nesse show.
- Pai, será que não é melhor a gente subir? Não vou poder ficar muito tempo, eu e o vamos sair daqui a pouco – Inventei a primeira desculpa que veio em minha cabeça.
- Também tenho que ir. Muitos problemas para resolver. Nos vemos essa semana? Temos muito trabalho a fazer antes do festival.
Sorri fraco, e tudo que eu pensava no momento era que eu queria sair dali, antes que soltasse alguma gracinha.

- O que foi aquilo? Só faltou sair raio laser dos seus olhos, ! Você tem alguma noção de quem ele é? – Surtei assim que colocamos os pés dentro do apartamento.
- E você tem a noção de como ele ficava te olhando? Você queria o que? Que eu babasse o ovo do cara só porque ele é o fodão de sei lá onde? Aquele cara é um babaca, já ouvi sobre ele antes!
- Isso ele tem razão – Será possível que meu pai só abre a boca pra falar merda? – O que eu posso fazer se é verdade? Quando eu chamei o Owen de Sr. Encrenca eu não estava brincando. Ele é exatamente igual ao pai e acha que o mundo gira em volta do próprio umbigo.
- Bom, pelo menos ele tentou ser educado – Comentou Tyra.
- Ao contrario do ogro do meu namorado – Rolei os olhos e me joguei no sofá, puxando , O Mal Humorado, junto comigo.
- E ele é lindo – Suspirou Alison e todos olharam pra ela – Mas é verdade!
Todos gargalharam, menos .
- Era só o que me faltava – Disse .
- É o seguinte, você vai ter que viver com isso até o final do show, então se controla, ok? – Segurei em suas mãos e dei um selinho rápido – Num estalar de dedos ele pode ferrar com vocês.
- E pra isso eu tenho que aguentar ele dando em cima da minha namorada?
- Ele não deu em cima de mim, ele só achou estranho o fato deu ser uma líder de torcida, para de ser noiado! Ah, , na boa, eu não vou discutir com você sobre isso. Esquece, tá legal? – Mordi seu nariz.
- Que seja.

Depois de um final de dia mais do que agradável, meu pai levou Alison pra casa, e eu fui para casa de . Tudo bem que eu estava prestes a fazer 17 anos, que eu sempre fui bem louca, nunca dei muita importância para que minha mãe dizia, mas eu ainda era infantil o bastante para falar que eu ia passar a noite na casa de . Minha mãe era neurótica. Na cabeça dela eu apareceria grávida a qualquer momento se me deixasse passar a noite na casa de um menino. Às vezes eu achava que meus pais tinham almas trocadas ou alguma coisa assim. Meu pai agia como uma mãe deveria agir, e minha mãe ao contrario. Para falar a verdade, o grande problema de Lizzie era o que os outros fossem pensar, e eu queria morrer com isso. Pior ainda era saber que ela não confiava em mim. Acho que por isso as coisas eram tão complicadas quando o assunto era minha mãe.

Estar com ele me fazia tão bem e tão ridiculamente feliz, que mentir pra minha mãe se tornava um dos menores problemas. Ele me fazia rir, querer mata-lo e não querer sair nunca mais do seu lado. E apesar de ainda me sentir meio insegura quando o assunto era sexo, ele me fazia sentir mais segura que nunca. sabia o que fazia e fazia muito bem. Agora entendia perfeitamente o que Amber dizia.
- O que você vai querer fazer no seu aniversário? – Perguntou assim que saímos do banho.
- Nada.
- Ok, vou desconsiderar essa resposta.
- Eu estou quase entrando em pânico. Primeiro porque não sei como me saí nas provas finais e estou até o talo de coisas pra fazer! A única coisa que eu menos preciso agora é ter que me preocupar com meu aniversário.
- Você é uma nerd, então é praticamente impossível você ter se dado mal nas provas finais e é lógico que você vai conseguir dar conta de tudo, para de pensar sempre negativo – De repente era minha mãe – Mas ok, não está mais aqui quem falou, se você quiser ser uma chata e passar seu aniversário trancada em casa, isso é um problema seu.
- Muito obrigada – Mandei um dedo do meio.

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Foi exatamente como eu imaginava: Loucura.
Não tinha tempo nem pra mim mesma e mal via o tempo passar. Era da escola para o treino, do treino para a Arena do show, da Arena pra casa. Isso quando minha mãe não inventava alguma coisa pra eu fazer em relação ao casamento.
Isso quando eu não chegava atrasada e até mesmo perdia treinos do campeonato.
Isso quando eu não tinha que aguentar me enchendo o saco sobre o vestido do baile.
Isso quando não tinha que aguentar dizendo que nem mais tempo para ele eu tinha.
Se eu dormia 5 horas por noite, era muito. Me pegava treinando os passos da coreografia durante o trabalho e me pegava pensando em trabalho durante os treinos. me ajudava quando tinha algum tempo vago, o que eram poucos, já que deixava todo o meu tempo vago para .
O McFly ensaiava todos os dias acompanhados de um produtor musical do próprio festival para que tudo se saísse bem. Desde que eu não tive mais tempo para ir aos ensaios, essa foi a melhor ideia que Bill pode ter na vida.

Meu pai havia tirado umas férias e ido para Itália com Tyra. Deixando minha mãe fula da vida, porque durante todos os anos que ficaram juntos, ela sempre quis ir a Itália, e meu pai nunca a levou. Claro, era só o que me faltava. Minha mãe com ciúmes de Matt depois de anos separados e com casamento marcado.

Eu comecei a passar mais tempo com Owen do que Bill quando o assunto era Festival. Para falar a verdade, eu passava mais tempo com o Owen do que com qualquer pessoa nos últimos dias. O que deixava transtornado. E tudo o que menos precisava no momento era brigar com a pessoa que mais me apoiava no mundo.
- Problemas? – Perguntou Owen assim que chegou no escritório da arena, me encontrando com a cabeça abaixada, apoiada em meus braços.
- Parece que estou carregando o mundo nas minhas costas, mas tudo bem – Dei em ombros.
Eu estava tão casada que sentia meus olhos pesarem.
- Amanhã é seu aniversário, certo? – Perguntou e eu afirmei com a cabeça – Te dou de presente um dia de folga. Aproveite. Você anda passando muito tempo aqui, mais do que deveria. Não que eu não goste disso, muito pelo contrario – Owen galanteador ataca novamente – Mas não quero te ver com esses dois pares de olheiras.
- Tem certeza?
- Claro, amanhã é seu aniversário e você merece. Tirando que não quero deixar pistas para seu namorado pensar que estou querendo roubar você. Porque eu bem que queria.
Aquela frase me pegou de surpresa. Fiquei parada como uma pedra, olhando para cara dele, sem saber ao certo o que dizer. Eu já havia me acostumado com suas investidas, mas todas eram leves e eu conseguia relevar. Mas essa foi a pior de todas.
- Owen... – Tentei dizer alguma coisa, mas ele me interrompeu.
- Você já pode ir, está dispensada.
Sem dizer uma palavra, peguei minhas coisas e saí da sala. Eu nem sabia o que pensar, ele nunca havia sido tão direto comigo, apesar de sempre sacar algumas “brincadeirinhas”. Nunca levei nada a sério vindo dele, afinal, essa era uma parte da personalidade dele, ser galanteador, ou sei lá a palavra pra isso. Meu pai havia me avisado muito bem sobre o tipo de cara que ele era. O tipo de várias mulheres, bebedeiras, festas, mulheres, sexo, drogas e rock n’ roll. Se bem que poderia levar em consideração que minha cabeça estava uma bagunça e cheia de coisas e que eu pude ter interpretado de forma errada.
Eu estava era querendo bancar a idiota e fingir que ele não havia soltado aquela gracinha.
Meu telefone tocou no meu bolso e franzi o cenho ao ver o nome de Owen na tela. Mas que infernos ele estava me ligando se mal havia colocado os pés pra fora do escritório? Será que ele queria se explicar sobre a brincadeirinha?
- Alo?
- Mudei de ideia, pare onde está e volta pra cá – Ele só podia estar de brincadeira comigo – Temos que aproveitar o que resta do dia e comemorar seu aniversário e não aceito um “não” como resposta, sou seu chefe.
Eu estava ferrada.

- Da pra você mudar essa cara e beber um pouco? – Disse Owen impaciente ao me ver com o celular tentando ligar para pela décima vez.
Nós estávamos em um pub bebendo com alguns amigos de trabalho, incluindo Bill. Eu estava um tanto quanto desconfortável sabendo que não era certo eu estar ali, gastando o pouco de tempo livre que eu tinha, longe de quem eu deveria estar. Mas talvez ele tivesse razão, e eu precisava mesmo de uma bebida para poder relaxar um pouco e esquecer tudo o que me preocupava.
Olhei a dose de Jägermeister na minha frente e virei.
Virei ela e mais algumas até o fim daquela noite.

- Você gosta mesmo dele, não é? – Owen, que já estava pior do que qualquer um naquela mesa, perguntou e tomou o celular de minhas mãos quando finalmente retornou uma de minhas ligações.
- Devolve meu celular! – Tentei roubar o celular de volta de suas mãos. Tentativa fracassada. Talvez eu conseguisse, se eu não tivesse com uma quantidade elevada de álcool no sangue.
- Nem bebendo você conseguiu se desligar um pouquinho desse cara, eu acho que nem preciso da resposta. Eu diria que você tem uma queda por bad boys – O que? Levantei uma sobrancelha sem entender sobre o que aquilo se tratava – Você gosta do seu namorado e tem uma queda por mim. E pelo que ando percebendo, o é um tanto parecido comigo quando mais novo. Você está namorando uma versão mais nova minha. O que quer dizer que você tem um certo tombo por caras como eu.
- E prepotente é seu segundo nome – Disse ríspida.
- Você não negou – Cantarolou aquelas palavras e deu um gole de sua cerveja.
- nunca vai ser como você – Eu sabia que não deveria falar daquele jeito com ele, mas o jeito convencido do qual ele falava, me tirava do sério.
O mesmo jeito de .
Argh!
- Você não nega mesmo!
- O que você quer que eu negue? – Disse brava e quase chamo a atenção de toda a mesa.
- Que tem uma queda por mim – Por que infernos ele olhava pra minha boca e não para meus olhos? Se a intenção dele era me tirar do sério, tudo bem, ele conseguiu, agora me seduzir? Pelo amor de deus – Tudo é lindo e maravilhoso agora, mas é só a banda crescer um pouco que tudo muda. Já ouviu dizer que você só descobre como é uma pessoa quando da o poder a ela?
- E quem é você pra dizer como é meu namorado se você mal o conhece? Nem todo mundo é igual a você.
- Se você diz...
- Quer saber? – Me levantei e peguei minha bolsa – Já chega dessa palhaçada.
Saí andando com todos me olhando, pensando que infernos havia acontecido. E o que mais me irritou foi o sorrisinho irônico que carregava os lábios de Owen.

Eu fui para casa funcionando no piloto automático. Um pouco bêbada, com raiva, querendo matar um, querendo meu namorado. No meio do caminho tentei voltar a ligar para , mas esqueci que a merda do meu celular havia ficado com o idiota do Owen, e me amaldiçoei por isso. Se aquele babaca atendesse meu celular, eu juro, juro de verdade que eu o mataria, porque só do fato de não atender o celular, já deixaria puto o bastante. Pensei em ir para casa dele e explicar o que havia acontecido, mas nem sabia onde ele estava, então decidi ir pra minha casa, tomar um banho e dormir cedo, de mal do mundo, abraçada com o Fred, meu porquinho de pelúcia. Estacionei o carro de qualquer jeito na garagem e entrei em casa sem enxergar um palmo na frente da minha mão. Mas que merda era essa?
- SURPRESA! – Ouvi um coro de no mínimo umas 20 pessoas gritarem e um flash de câmera quase me cegar.
Amigos, balões, bolo, aniversário surpresa, pulando em meu pescoço, e um namorado aparentemente bravo, de braços cruzados, sentado no sofá me aguardavam em casa.

Capítulo Vinte e um


You have one chance, one life, and what you do with it is up to you” - Peyton Sawyer, One Tree Hill

Parecia que todo o álcool em meu sangue havia evaporado em tempo recorde. Como se a sobriedade tivesse voltado a mim como um passe de magica com o susto que tinha acabado de tomar. Isso só havia acontecido uma vez, quando, escondida do meu pai, eu fui a uma festa em Nova York, de uma menina que eu acabara de conhecer. Ele me esperou voltar na porta de casa. Nunca o vi tão bravo na minha vida. Aquele dia eu fiquei sóbria em 2 segundos. Era uma pena ele me conhecer bem o bastante e saber que não estava em meu estado normal.

Hoje era um pouco diferente. Hoje era um pouco mais complicado. Hoje eu precisava comprovar para, no mínimo, 30 pessoas de que eu estava completamente bem e que havia acabado de voltar de um dia conturbado no trabalho. Hoje eu tinha um namorado que estava sentado no sofá, de braços cruzados e uma cara nada feliz.

Era tanta gente, que eu estava ficando tonta. Nunca havia visto minha casa tão lotada. Nem tinha ideia de como minha mãe havia permitido colocar tantas pessoas dentro de casa, ao invés de fazer algo no jardim. Para falar a verdade, eu ainda não entendia nada do que estava acontecendo. De repente tinha uma festa pra mim na minha casa, com várias pessoas e eu não sabia de nada. Uma festa surpresa pra mim, e eu não havia desconfiado de absolutamente nada.
Você imaginava?
Como não percebeu?
Tá vendo? Você está tão sobrecarregada de coisas para fazer, que nem ao menos percebeu que estávamos armando uma festa pra você!
Oras, se a festa era surpresa, não fazia parte da história eu não desconfiar de nada?
Bom, eu havia perdido as contas de quantas vezes tinha escutado isso.
Cumprimentava a grande maioria que aparecia na minha frente. Desde que coloquei os pés dentro de casa, era tudo o que eu havia feito. Aos poucos fui entendendo tudo aquilo e aos poucos comecei a ficar contente com o que haviam feito. Eu nunca tive uma festa surpresa antes e sempre quis ter. Passei a cumprimentar a todos com certa gratidão por terem feito aquilo pra mim, afinal, eu estava precisando. Muitos amigos da minha mãe, muitos amigos meus, meninas do time, meu pai.
Espera, mas que merda meu pai estava fazendo aqui?
- Será que da pra me explicar o que está acontecendo? – Perguntei surpresa, antes de abraça-lo.
- e Amber planejaram tudo – Deu em ombro – Não espere que eu te de parabéns, não antes da meia noite, tampinha – Deu um peteleco no meu nariz – Tyra pediu desculpas. Ela queria muito estar aqui, mas não achou muito boa a ideia de aparecer na casa da sua mãe. Ficaria um clima estranho, sabe?
- Tudo bem, eu entendo.
O que me chateava de verdade no momento, era meu próprio namorado ainda não ter se levantado para falar comigo ou me desejar parabéns. continuava sentado no sofá, na mesma posição, sem expressar nenhuma emoção. Meu pai seguiu meu olhar, e não precisou de uma palavra para dizer o que eu pensava.
- Ele só está um pouco bravo, já vai passar. Por que vocês dois não sobem para conversar?
- E trocar de roupa! – Minha mãe entrou de repente na conversa – Um dos seus presentes de aniversário está dentro do seu closet. Tome um banho e se troque, não quero minha filha de calça jeans em sua própria festa de aniversário.
Respirei fundo contando até dez e não contrariei minha mãe para evitar confusão. Parecia que nada havia mudado desde que eu era criança. No meu aniversário de 12 anos, quando pensei que aquele seria o último ano que minha mãe escolheria a roupa que eu usaria no meu aniversário, estava muito enganada.
Meu pai deu uma piscada pra mim, me encorajando a fazer o que minha mãe, sem gentileza alguma, me pediu pra fazer. Dei em ombros e olhei para , que continuava exatamente do mesmo jeito, sentado no sofá. Sorri fraco e apontei para a escada. Ele finalmente descruzou os braços e se levantou, vindo atrás de mim.
Menos mal, pelo menos não havia sido ignorada.

Primeira coisa que fiz ao entrar no quarto foi tirar aquela calça que tanto me incomodava. Parecia que usava um jeans 2 números menores de tão incomoda que estava me sentindo. Joguei a calça em qualquer canto do quarto e me sentei na cadeira da minha escrivaninha, deixando que se jogasse na cama, em cima dos meus bichos de pelúcia. Pela cara dele, tudo o que ele menos queria no momento era eu em um mesmo ambiente que ele, quem dirá deitada ao seu lado.
- Como eu não desconfiei de nada disso? – Perguntei, tentando descontrair o clima pesado entre nós e deu uma risada fraca.
- Não sei, me diga você – Respondeu seco – Você foi buscar seu próprio bolo de aniversário com a e caiu na história que era pra festa da mãe dela. E bom, a mãe da fez aniversário semana retrasada e nós estávamos lá – Engoli seco.
- E você está me culpando de não desconfiar de absolutamente nada do meu aniversário surpresa? Não era esse o objetivo?
- O ponto não é esse, ! – Ferrou, ele havia me chamado pelo nome – Sabe, eu fui o primeiro a dizer que você conseguiria assumir todas suas responsabilidades, mas agora não tenho certeza disso. Você foi pra escola, trabalhou o dia inteiro e depois resolveu sumir. E aqui estou eu, muito curioso pra saber onde você se enfiou, já que pelo visto você bebeu o suficiente pra tropeçar quatro vezes no próprio pé desde que chegou em casa.
Nem eu havia notado isso.
- Eu fui dispensada mais cedo do escritório... E o pessoal decidiu ir para um pub e comemorar meu aniversário. Eu tentei te ligar, eu juro, mas você não atendeu! – Comecei a ficar apavorada.
- Desculpa se eu estava que nem louco ajudando a a preparar uma festa – Disse irônico.
- Me desculpa, eu não sabia! – Estava prestes a chorar – Por favor, não fica bravo comigo. Não hoje! Esse é meu primeiro aniversário que você está comigo depois de anos. Não estraga isso!
- Que seja – Disse indiferente – Vai tomar um banho, eu vou descer pra avisar que você vai demorar um pouco e já volto.
Se levantou e me deixou ali sozinha, com cara de idiota.

Deixei a água mais fria que aguentei caindo forte sobre minha cabeça. Durante o banho fiquei pensando se existia alguém mais ridícula do que eu. Depois de todas as mancadas durante esses dias, eu aceitei sair com Owen e ferrei com tudo. Eu merecia um soco na cara. E ele também. tem todos os motivos do mundo para detestá-lo. Se uma vadia ficasse dando em cima dele, e se ele passasse mais tempo com ela do que comigo, eu iria querer colocar a cabeça da fulana dentro de um moedor de carne. Não tiro a razão dele. Mas como podia passar pela cabeça dele de que eu me renderia às investidas de Owen? Não era ele quem eu queria.
Fechei o registro e me enrolei na toalha, indo direto pro quarto. Abri a porta do banheiro e dei de cara com na janela fumando um cigarro, olhando pro nada. Eu parei. Parei para admirar a cena. Ninguém na face da Terra ficava tão sexy com um cigarro nas mãos. E ele era meu. Só meu. De ninguém mais. Como que podia passar naquela cabeça oca que eu o trocaria por alguém? Não existia mais ninguém quando se tinha ele. Pigarrei para ele notar que eu estava li, de toalha na sua frente.
continuou a olhar pra janela. Eu me senti um lixo.
- Tá tudo bem? – Perguntei e ele finalmente parecia ter acordado de algum transe, finalmente me olhando. Fez que sim com a cabeça, deu em ombros e voltou a olhar pro nada.
Voltei a me sentir um lixo de novo.

POV:

Já chegaram a odiar ou até mesmo querer matar alguém que você ama? Eu tinha esse sentimento no momento. Sabia que era errado, mas tinha. Tudo nela me irritava, tudo nela me intrigava, me fazia querer brigar com ela, gritar, mandar calar a boca e parar de falar besteiras. Mas eu ainda a amava. E isso me deixava puto. Não sabia quantos cigarros já havia fumado, mas meu maço já estava bem mais vazio que 1 hora atrás. O clima na festa estava bom, mas no fundo sabiam que nós dois não estávamos em nossos melhores dias. Com toda certeza eles não sabiam que eu queria mata-la, mas tinham uma leve impressão que eu estava bem puto da vida com ela.
Como ela podia ser tão idiota a ponto de não entender o que se passava bem a sua frente?
- Tá tudo bem? – Ouvi sua voz e ela estava parada de frente pra mim, segurando a toalha como uma criança. Uma criança linda. E se eu não estivesse tão irado, eu mandaria ela largar aquela porra de toalha e ir pra cama comigo.
, você não vai deixar tudo de lado e transar com a sua namorada, por mais que isso seja o que você mais queira no exato momento.
Não respondi, só dei de ombros e voltei a olhar pro nada, pra não me render. Ela tinha entrado no closet, e eu joguei meu cigarro pra fora da janela.
Será que eu estava depositando a raiva na pessoa errada? Eu odiava tanto aquele maldito que estava tentando tirá-la de mim, que minha vontade era de ir atrás dele e dar uma surra que não dei, desde a primeira vez quando notei ele olhando pra ela de todas as formas que ele não deveria olhar. Dar uma surra por ele querer tirar ela de mim desde o momento que a conheceu. Por mantê-la ocupado pra ele. Cuzão.
Olhei para o relógio e já faziam meia hora desde que havíamos subido. estava demorando mais tempo do que o normal para se trocar, então decidi pedir para ela se apressar antes que sua mãe subisse para dar um surto por sua demora. Ao entrar no closet não encontrei ninguém. Até olhar pra baixo. estava sentada no chão, encolhida no canto do closet, debaixo de algumas roupas penduradas. Ela chorava.
Que merda eu havia feito?
Fui até ela e sentei em sua frente. Sua cabeça estava abaixada, apoiada nos braços e chorava baixo. Levei minhas mãos até suas pernas e ela se afastou.
- Sai – Disse entre o choro.
- Não faz assim, por favor – Praticamente implorava. Queria me ver agonizando, era colocar aquela garota chorando na minha frente.
Ela levantou a cabeça e pude ver seus olhos inchados e seu rosto molhado pelas lagrimas. Já havia dito isso e sabia que era doentio, mas ela ficava linda quando chorava.
- Você não gosta mais de mim – Aquilo me matou.
- Cala sua boca! Larga mão de ser babaca! Como você pode dizer uma coisa dessas? – Disse irritado. Por isso ela me irritava, por isso que às vezes eu tinha vontade de... Argh! – Se você não sabe o que fala, então não fala!
- Você me tratou como um lixo desde que eu cheguei! – Naquela hora eu vi que eu também era burro, tão burro quanto ela – Você nunca me tratou assim, nem mesmo quando a gente era brigado! – Falava e enxugava as lágrimas ao mesmo tempo – Eu sei que não ando tendo tempo pra você e que não estou tão presente como você gostaria, mas sempre quando eu tento fazer uma coisa certa, eu faço duas erradas. Eu sei que não deveria ter aceitado sair com o Owen e o pessoal, mas eu não vi nada de mau! E eu não sabia que vocês estavam fazendo uma festa!
Mas ele sabia.
- Eu sei, eu sei! – Eu precisava desesperadamente fazer com que ela parasse de chorar. Não aguentava vê-la desse jeito – Mas por que você tem que pensar que eu não gosto mais de você? Namorados brigam, não brigam? – Enxuguei algumas lágrimas em seu rosto – E não é porque eu estou bravo que vou deixar de gostar de você, pára de ser idiota!
- Idiota é você – Disse com a voz tremula e eu gargalhei.
- É, talvez sim. Agora chega de chorar ou você vai me fazer sentir três vezes pior do que já estou! – Me levantei e estendi a mão pra ela – Vem, levanta.
Ela pegou minha mão e se levantou do chão, segurando a toalha e se cobrindo com as mãos como se fosse alguma coisa de errado ela estar vestida daquele jeito na minha frente. Franzi o cenho e não entendi muito bem porque ela fazia aquilo.
- Você tá com vergonha de mim? – Perguntei, achando aquilo um tanto quanto engraçado.
- Eu passei por você de toalha e você me olhou como se fosse a última pessoa do mundo a querer ver daquele jeito na sua frente – Ela estava realmente chateada comigo e com o que eu tinha feito. E agora, ninguém merecia mais uma surra do que eu.
- Desculpa se te fiz sentir assim – Coloquei uma mecha de seu cabelo atrás da orelha e a beijei – Você não tem uma noção de quanto me segurei pra não te agarrar naquele exato momento e esquecer tudo o que tinha acontecido – Ela sorriu – Foi por muito pouco.
- Droga, sabia que eu tinha que ter deixado a toalha cair no chão – Gargalhei e a beijei de novo.
- E o que te impede de fazer isso agora? – Dei um sorriso sugestivo a ela.
- Nah, acho que agora estou não muito afim – Se fez de difícil – Tem uma festa me esperando lá embaixo...
- Ah sim... – Fingi compreender e a empurrei contra parede, levantando suas pernas em volta da minha cintura, desatando o nó da sua toalha – Acho que os convidados podem esperar um pouquinho.
Ela gargalhou e eu fiz tudo o que quis fazer nos últimos cinco minutos.

//POV:

Não sei quanto tempo demoramos e não queria saber o quão mal educado era deixar os convidados da minha própria festa me esperando, mas eu havia comemorado meu aniversario antecipadamente da melhor forma possível. Se não fossem meus pais me esperando e me ligando freneticamente, as chances da gente ficar a noite inteira trancados no quarto seriam bem grande. estava jogado na cama, enquanto eu fui, finalmente, me arrumar. Coloquei uma calcinha e fui ver qual era a arte da minha mãe em relação ao meu “presente de aniversário” que estava pendurado bem de frente ao espelho. Me surpreendi ao ver o vestido. Para falar a verdade, cheguei a duvidar de que tivesse sido minha mãe a escolher. Não haviam babados, flores ou algo parecido. Era simplesmente um vestido.
Levei um susto com alguém esmurrando a porta e coloquei a primeira camiseta que vi pela frente. O que me tranquilizou foi ouvir a voz de .
- Porra, casal! Eu sei que sexo de reconciliação é bom, mas tem uma festa pra gente aproveitar e seria bem legal se a aniversariante não sumisse! – Eu e gargalhamos.
- Estou terminando de me arrumar! – Gritei com um rosto na porta, para que ele pudesse me escutar.
- Aposto que você ainda está de calcinha e que o está pelado na sua cama! – Dessa vez eu segurei a risada, ou eu confirmaria as suspeitas. Esse sim conhecia o amigo que tinha.
- Cala a boca, ! Agora vaza, que já vamos descer! – passava mal na cama de tanto rir e eu dei com o travesseiro nele – Vai, se veste e desce antes que eu para acalmar os nervos. Diz que a gente estava conversando e que perdemos a hora. Termino de me arrumar em 15 minutos!
- Você sabe que ninguém vai cair nesse papo de "conversa", né? – deu um sorriso canalha ao abrir a porta e eu mandei um dedo do meio antes dele sair.

Voltando quase por completo a minha sobriedade e devidamente maquiada, eu terminava de colocar o vestido, quando ouvi alguém bater na porta e logo em seguida a voz de minha mãe. Hora exata para me ajudar a fechar o zíper, do qual estava apanhando para conseguir.
- Aqui no closet! – Disse alto para que ela me escutasse e fosse até meu encontro. Assim que colocou os olhos em mim, ela sorriu – Me da uma ajuda aqui? – Me virei para que ela fechasse o zíper e ao mesmo tempo senti uma fisgada perto da costela.
Ah, lógico que eu ia descer para minha festa de aniversário usando um vestido com etiqueta. Levantei o vestido até a altura da costela, onde estava etiqueta e me contorci um pouco para tentar arranca-la. Percebendo minha dificuldade minha mãe foi me ajudar e então ela gritou.
E eu levei um baita de um susto sem entender nada.
- O que é isso? – Perguntou horrorizada.
Arranquei a etiqueta no mesmo instante e abaixei o vestido, correndo para o quarto.
Minha mãe tinha visto minha tatuagem.
- , me explica isso se você não quiser transformar seus 15 anos de castigo em 30! – Ela gritava como uma cabra louca.
- É uma tatuagem, mãe! – Rolei os olhos.
Me sentei para colocar meus sapatos enquanto ela surtava. Mais cedo ou mais tarde ela descobriria. Só não queria que fosse justo hoje, quando meu dia não tinha sido um dos melhores.
- Ah, uma tatuagem... OUTRA TATUAGEM! OUTRA TATUAGEM ESCONDIDA DE MIM! É tão difícil pedir minha autorização ou pe menos opinião de vez em quando? – Disse, esperneando na minha frente.
- Pra que? Pra te ver surtando que nem você está fazendo agora? Não, obrigada. Vamos fazer assim, finge que essa tatuagem não existe e pronto! – Me levantei devidamente pronta – Agora chega de drama pelo amor de deus, porque eu preciso descer antes que pensem que eu morri.
- Mas o que tá acontecendo aqui? Estou conseguindo ouvir o grito de vocês de lá da escada! – Meu pai entrou no quarto sem entender nada – Hey, não deveria ter algo aí no meio? – Perguntou olhando para o meu decote e eu simplesmente ignorei o fato da primeira vez na vida meu pai ter questionado algo sobre alguma roupa minha.
- Você sabia disso? – Perguntou minha mãe.
- Disso o que?
- Ela viu a tatuagem – Falei em um tom entediado.
- Só hoje?
- Então você sabia! – Eu estava tendo dejavu no momento. Minha mãe querendo matar meu pai – É por isso que ela é desse jeito, não tem limite algum! Você deixa ela fazer o que bem entende e ainda apoia!
- Mas isso faz tanto tempo que...
- Que ela era mais nova do que já é e você permitiu que ela fizesse mais uma tatuagem e acha isso normal, claro! Vocês dois são tão parecidos que me irritam! – Agora quem estava levando esporro não era só eu. Eu e meu pai estávamos apoiado na minha escrivaninha olhando pra baixo, como se fossemos duas crianças levando bronca por ter aprontado.
- Quer saber? Eu desisto, vou descer. E você – Apontou pra mim – Está de castigo até o fim da história – Bateu a porta e saiu.
- Acho que a gente tá encrencado – Meu pai disse assustado.
- Acho que vou ter que passar uma temporada na sua casa, se eu quiser tão cedo ver a cara da rua – Gargalhamos.

- Não tá faltando alguma coisa nesse vestido? Cadê seu sutiã? – Essa foi a primeira pergunta de assim que ele me viu.
- Qual é o problema de vocês? Isso se chama decote, – Bufei.
- Não, isso se chama peitos da minha namorada a mostra – Disse indignado e eu rolei os olhos. se aproximou mais de mim e começou a cochichar – Não me leve a mal, você tá gostosa pra caralho e você não tem noção de como estou te segurando pra não te levar lá pra cima de novo, só que... Isso não é justo.
- Como já disse uma vez, a vida não é justa. Agora vamos, tenho que terminar de cumprimentar os convidados – Entrelacei nossos braços e ignorei sua cara de rabugento por causa do meu vestido.
Ah, homens...

Dessa vez eu cumprimentei devidamente todos os convidados da forma que deveria e ao lado de . Todos pareciam estar se divertindo e eu nunca imaginei que minha mãe apoiaria fazer uma festa desse jeito dentro de casa. Esse era o lado bom da sua melhor amiga se dar melhor com sua mãe do que você. Depois de ter falado com todos, me sentei na mesa da sala junto com os meninos, que se divertiam com alguma piada que acabara de contar. se juntou com os caras e eu me sentei entre e Amber.
- Não sei se te odeio ou se te amo pelo que você fez hoje – Falei, abraçando com todas as forças que eu tinha. E logo em seguida abracei Amber – Também te amo, vadia loira.
- Argh, sem demonstrações de carinho em publico, . Principalmente comigo.
- Temos que conversar sobre o que aconteceu mais cedo – Disse Amber – Eu não entendi absolutamente nada!
- O que você não entendeu? – Falei em um volume que apenas as duas conseguiriam ouvir – O Owen me chamou pra sair com o pessoal do escritório pra comemorar meu aniversário e eu fui, porque não tinha ideia do que vocês estavam fazendo.
- Mas... – fez uma cara confusa – Como ele te chamou pra sair? Você não sabia sobre a festa, mas ele sim!
- O que? – Pergunte perplexa – Como assim ele sabia?
- Sabendo – Respondeu Amber – E a prova disso está bem aqui, olha pra porta – Amber apontou para a porta da frente e eu vi a cena da minha mãe recebendo Owen.
Eu me levantei tendo em mente que esganaria Owen assim que chegasse até ele. Trombei em diversas pessoas até chegar na porta, onde minha mãe estava alegremente conversando com aquele crápula.
- Então você trabalha com a ? – Disse Lizzie, esbanjando simpatia. Ela só fazia isso com quem não deveria.
- Exato. Vejo que alguém não costuma a falar muito sobre mim.
- Será que posso conversar com você? – Cruzei os braços e não dei a mínima para o que ele disse.
- , isso são modos? – Lizzie me repreendeu.
Rolei os olhos.
- Não, tudo bem, Lizzie – Sorriu para minha mãe e senti vontade de vomitar – Claro que podemos.
Fomos para um canto da sala onde eu tive certeza que ninguém nos notasse. Principalmente .
- Você sabia! – Quase gritei aquilo que estava engasgado.
- Sabia o que? – Sabe aquele olhar de quem pensa que você é louca, mesmo sabendo do que você está falando? Pronto, aí está a exata forma com que Owen me olhava.
- Você sabia da festa e mesmo assim fez que eu saísse com você!
- Quanto drama, , eu só queria dar um tempo para que você não viesse pra cá tão cedo, só isso! – Fez cara de pouco caso – Só que acabei perdendo a hora e por isso se atrasou!
- Mentiroso! Você viu que eu estava aflita, viu que eu estava a todo momento tentando falar com o , é obvio que você não esqueceu!
- E se eu tiver mesmo mentindo? – Owen ficou sério e eu engoli seco – E se eu tivesse mesmo querendo que você não viesse? – Colocou seu braço direito na parede ao meu lado, me encurralando. De repente ele havia ficado mais perto do que deveria e mais alto do que era. Eu o encarava quase com toda minha cabeça para cima.
- Por que?
- Vem comigo – Ele disse e não entendi absolutamente nada – Não precisa me olhar assustada. Vem comigo aqui fora, não vou levar mais de 10 minutos – Não respondi. Na verdade, eu não sabia o que responder. Eu queria dizer que não iria, mas simplesmente não conseguia. Owen era um monstro e eu não podia confiar nele – Ok, 5 minutos, 5 minutos e se você quiser me mandar pro inferno, você manda.
Eu fui.

Abraçando a mim mesma por causa do frio o segui até lá fora, onde seu carro estava estacionado. O vento estava forte e meu cabelo voava para todos os lados. Olhei para trás, checando se ninguém havia me visto saindo de casa e graças a deus, nada. Owen tirou a chave do caro do bolso, desativou o alarme e abriu a porta do passageiro. E até eu ver o que tinha no banco do carona, eu não tinha a mínima noção de quão louco ele era.
Perplexa. Esse era meu estado.
Sobre o banco carona do seu carro, havia uma Zac, a guitarra dos meus sonhos, a minha primeira aquisição assim que juntasse dinheiro suficiente com meu trabalho. Algo que eu sempre quis ganhar. Algo que sempre quis ganhar, mas não dele.
- O que...
- Eu não tinha noção do que te dar de aniversário e então perguntei pro Bill. Ele me contou que você baba por essa guitarra faz anos e que sua mãe nunca quis te dar, então achei uma boa ideia. Era a última.
Não sei por quanto tempo eu fiquei ali parada, sem conseguir dizer nada.
- Eu gosto de você mais do que eu imaginava.
- Owen...
- Você queria saber a razão de não querer que você viesse, não queria? Então vou falar. Essa é a razão! Não quero que você fique com ele, quero que você fique comigo! Eu não sei como essas coisas funcionam, eu nunca gostei de nenhuma garota assim, não sei o que é certo ou o que é errado, mas a única coisa que eu sei é que quero você comigo, !
- Isso não é errado, isso é absurdo! – Disse ainda um pouco abobada com tudo aquilo – O que... O que você pensa? Você simplesmente aparece na minha vida, chega a conclusão que gosta de mim e quer me afastar do meus amigos e principalmente do meu namorado? Não passou pela sua cabeça que eu amo o ?
- Pelo amor de deus, ele é um pirralho! O que ele pode te oferecer?
- O que você pode me oferecer, Owen? Uma guitarra que eu sempre sonhei em ganhar? – Sorri debochadamente.
- Não, eu posso te oferecer muito mais. Uma vida que você sempre sonhou, com um emprego que você sempre quis e com um cara que gosta e faria qualquer coisa para que tivesse uma chance.
- Em qual parte que eu disse que amo o , você não entendeu? Nada disso me importa, Owen, nada! Eu não quero seu dinheiro, emprego, nada disso! Se você gosta de mim, poderia ter simplesmente falado ou agido como uma pessoa normal, não me comprando uma guitarra! Não ter tentado me afastar do meu namorado! – Eu tinha vontade de rir naquela hora, só não sabia se era de desespero ou de indignação – Quer saber? Esquece – Me virei e sai.
- Você não vai pelo menos aceitar meu presente?
- Eu não quero seu presente. Não quero o emprego. Não quero nada que venha de você – Cuspi aquelas palavras e fui lá pra dentro.

Deletei Owen da minha vida, pelo menos durante aquela noite. Decidi que todos que fizeram aquela surpresa pra mim mereciam me ver no mínimo feliz. Então, apesar de todas aquelas palavras ditas por Owen não saírem da minha cabeça, tentei pelo menos aproveitar a festa, meus amigos, familiares e especialmente meu namorado, da maneira que deveria ser.
Ao dar meia noite cantamos parabéns e aos poucos os muitos convidados foram embora, deixando apenas a mim, os meninos, e Amber. Owen me ligou por volta de cinco vezes. Quando percebi que estava prestes a me perguntar o que estava acontecendo, joguei o celular em qualquer canto da sala para evitar qualquer tipo de pergunta que não saberia responder. Mesmo não estando completamente presente e um tanto quanto aérea com tudo que havia acontecido, me divertia com meus amigos, que falavam alguma besteira enquanto estávamos jogados no sofá da sala bebendo as últimas cervejas da noite.
- Que festa, bonitinha – colocou a cabeça no meu ombro – Estou orgulhoso da gente – Disse olhando para e Amber.
- E eu estou orgulhosa de vocês – Dei um beijo no topo da cabeça de – Ganhei tanto presente, que estou prestes a vomitar arco-íris! – me olhou com um olhar suspeito e eu sabia o que estava por vir. Faltava o presente dele.
- Você pode agradecer amanhã no ensaio – Disse Amber, sorrindo como uma hiena.
- Sério? Sério mesmo? É meu aniversário, Amber! Não mereço um descanso? – Só de pensar que ela queria me fazer acordar antes das 6 da manhã pra ensaiar no meu próprio aniversário, eu já sentia vontade de chorar.
- Por algum acaso só porque amanhã é seu aniversário, você não vai trabalhar, não vai à escola? O campeonato começa nesse final de semana, ! E você perdeu vários ensaios por conta desse seu trabalho.
- Não, não vou a escola e também não vou trabalhar.
- Como assim? – Perguntou .
- Owen me deu folga, mas de qualquer forma eu não iria – De alguma forma eu teria que contar aquilo – Eu me demiti, eu acho.
- Como assim você se demitiu? – praticamente gritou.
- A situação entre Owen e eu estava simplesmente insuportável – Resolvi tirar o fato de que ele havia se declarado pra mim – E aquele trabalho estava sugando minhas últimas energias. Então desisti, simples – Sabia que todos engoliram aquela história, exceto por , que me olhava com uma sobrancelha levantada. Sabia que teria que dar algumas explicações mais tarde.
- Eu acho isso ótimo! – estava mais contente do que imaginava – E isso não quer dizer que você não possa nos ajudar com o show. Sua presença nos ensaios, ajudando a gente é essencial – Sorri fazendo que sim com a cabeça.
- Bom, partiu casa e dormir, que amanhã não é meu aniversário e eu vou a escola e tenho ensaio com uma capitã carrasca – se levantou e em seguida os meninos, com Amber a fuzilando com os olhos – Tá olhando o que? Você é uma vaca como capitã, desculpa.
E então ela me olhou também.
- Que foi? É a mais pura verdade – Levantei as mãos em forma de rendimento.
- Me recuso a responder. E você – Apontou pra mim – Esquece a folga no treino que eu estava pensando em te dar amanhã.
- Amber! – Choraminguei. Ela levantou, pegou sua bolsa e fingiu não me ouvir, indo em direção a porta de saída, junto com o resto dos meninos – Por favor, é meu aniversário! Ok, você não é tão vadia assim – Saltei do sofá e fui ao seu encontro, me pendurando em seu pescoço – É só um pouquinho. Só às vezes. Juro, palavra de escoteiro.
- Você nem é escoteiro – Resmungou.
- Por favor – Fiz bico e dei um beijinho de leve em sua bochecha.
- Que seja – Rolou os olhos – Fica dormindo, engordando mais tudo o que você comeu hoje. Mas você tem que ir a reunião depois da aula! Vamos ter que decidir algumas coisas importantes sobre as coreografia e também temos que decidir algumas coisas sobre a escolha da nova equipe e da nova capitã. Você como parte da equipe tem que ir! Não vou aturar mais suas faltas e eu to falando sério – Bufei e dei em ombros. Sabia que precisaria ir – E uniformizada, por favor – Fiz careta – Não adianta fazer careta, você já está atrás por falta da perda de ensaios, então pelo menos compareça a reunião.
Não que eu amasse perder ensaios, mas trabalhar no festival, fazer as últimas provas e ainda por cima ensaiar feito uma louca, estava me matando. E eu sabia que podia fazer tudo, eu queria ser capaz de fazer tudo aquilo. Ainda mais agora, que havia me demitido e teria o tempo apropriado para dedicar aos ensaios.

Todos foram embora, exceto por , que me olhava com uma cara suspeita, sentado no sofá. Me joguei ao seu lado e o abracei. Respirei fundo e nem acreditei que aquele dia havia acabado, finalmente. Não pela festa, mas eu estava realmente cansada. Tanto mentalmente, quanto fisicamente.
- Pensou que a noite acabou? – Perguntou e eu ri.
- Lógico que não, ainda falta seu presente – Olhei pra ele com uma cara de criança e se levantou, me puxando junto com ele.
Subindo para o meu quarto, eu não tinha a mínima ideia do que seria o presente dele. Levando em consideração que até uma guitarra eu havia “ganho” naquele dia, eu não duvidaria de ganhar mais nada. Entramos no meu quarto e me sentei na cama. foi até meu closet e voltou segurando uma caixa de papelão nas mãos.
Mas que infernos era aquilo?
- Eu não tinha ideia do que te dar. Só sabia que queria poder te dar um presente que você realmente queria. Quase matei sua mãe quando contei o que queria te dar e foi preciso mais de um mês pra ela aceitar a ideia – Um pouco assustada com o que aquilo poderia ser, arregalei os olhos e esperei com que ele se aproximasse – Mas então, consegui.
- Afinal, o que você não consegue convencer a minha mãe.
se aproximou e colocou a caixa na minha frente. Eu quase chorei. Na verdade, eu chorei. Meus olhos encheram de lágrima e eu queria gritar e pular nele e nunca mais largar. Dentro da caixa havia uma coisa bem pequenininha que dormia. Um cachorro.
havia me dado um cachorro!
Minha mãe nunca tinha me deixado ter um cachorro!
convenceu minha mãe a deixar eu ter um cachorro!
Demorei cerca de uns 10 segundos até sair do estado que estava, até pegar aquela coisa pequena em minhas mãos, onde cabia perfeitamente. Um pug bege, muito lindo, que dava vontade de morder. Ao colocar ele no meu colo, ele só abriu levemente de forma sonolenta e voltou a dormir. E eu vomitei arco-íris novamente.
- Você tá chorando? – Perguntou , achando aquilo um tanto quanto engraçado.
- Estou! – Chorei mais – Ele é lindo! – gargalhou mais ainda e se sentou ao meu lado.
- Que bom que você gostou.
- É um cachorro, ! Como eu não vou gostar? – Tirei um pouco os olhos do meu mais novo presente e comecei a dar milhares de selinhos em – Te amo, te amo, te amo, te amo!
- Nossa, depois dessa, vou trazer um cachorro por dia!
- São por todas as vezes que eu quero dizer isso e nunca digo. Mas você sabe que mesmo que não diga isso sempre, eu amo de verdade, não é? – Disse um pouco culpada. Eu não era uma das pessoas mais transparentes quando o assunto era sentimentos. E não achava legal uma pessoa dizer que ama a outra toda hora. Aquelas palavras eram importantes demais para ser ditas assim... Tão fácil.
- Lógico que sim. E eu também te amo, bonitinha. Muito! – Ele me deu um beijo e então eu abandonei meu namorado para apreciar mais o meu cachorrinho lindo.
- Hey – O coloquei na cama e ele continuava dormindo – Hey, gordinho – Fiz carinho na lateral de sua barriga e lentamente ele foi se virando, até ficar de barriga pra cima. Quase chorei de novo, de tanto que achei aquilo lindo – Não dorme, quero você acordado!
Ao passar o dedo por sua barriga, sua patinha traseira começou a dar leves chutinhos. Eu achei aquilo tão demais, que quase mordi ele.
- Olha que lindo! – Parava de mexer na barriga, a patinha parava, voltava a mexer, a patinha voltava a mexer.
- Qual vai ser o nome dele?
- Ele tem cara de Alfredo!
- Alfredo, ?
- Sim!
- Não!
- Mas o cachorro é meu! – Bati os pés como uma criança de 9 anos que não tem o que quer – Ele é gordinho e tem a cara toda amaçada, olha! – Admirei meu mais novo filho. Tão lindo!
- Certo. Vamos pensar em mais alguns nomes, se nenhum vencer, ele se chama Alfredo, ok? – Quase ignorei aquele acordo, levando em consideração que não existiria nome melhor do que aquele – Que tal o nome de uma pessoa muito foda?
- Tipo... Bowie? Ou... Ringo Starr? Ringo! Ringo seria um nome legal!
- Argh, ! Pelo amor de deus, não entendo essa sua paixão louca pelo Ringo!
- Ele é meu Beatle favorito! – Me senti ofendida.
- Eu sei disso. Ringo foi o nome do seu primeiro hamster – Disse bufando.
- E daí? Seria uma grande homenagem!
- Tirando o fato que ele já foi homenageado. Você deu o mesmo nome para os seus dois próximos hamsters! E levando em conta que os três não viveram muito tempo pra contar história, não é uma boa ideia.
- Eles só não tiveram sorte – Dei em ombros.
- Não tiveram sorte? Você esqueceu todos eles do lado de fora debaixo de um sol de 40 graus, o que você queria? – Sim. Mais pura verdade.
Eu tinha 10 anos quando ganhei meu primeiro hamster do meu pai. O Ringo Numero 1. E todos esses bichinhos precisam tomar um pouco de sol, então todos os dias colocava ele do lado de fora da janela pra tomar um pouco de ar fresco. O problema é que um certo dia eu esqueci o Ringo Numero 1 do lado de fora da janela durante o dia inteiro. Foi o primeiro animalzinho que eu perdi. Como meu pai viu minha tristeza, ele decidiu tentar mais uma vez, só que ao invés de um, ele me deu dois hamsters. O Ringo Numero 2 e o Ringo Numero 3. Minha mãe não ficou muito feliz, lógico, mas como eles não saiam de dentro do meu quarto e ela mal os via, acabou aceitando. Mas os dois também não duraram muito, porque mais uma vez, eu fiz questão de esquecer os dois torrando debaixo do sol. Se eu me senti mal? Lógico que sim! Eu era considerada uma assassina de hamsters e depois deles, minha mãe deu como desculpas que eu não era responsável o bastante para ter um bichinho de estimação. Nem um peixinho dourado eu pude mais ter, até hoje.
- É, melhor deixar o Ringo em paz.
- Que tal um lugar? – Sugeriu e eu não entendi nada – Um lugar que você goste muito. Ou que você sonhe em conhecer. Tipo, Dallas.
- Mas eu nem tenho vontade de conhecer Dallas! E Dallas é nome de menina, não de menino!
- Foi só um exemplo.
- Não vou colocar o nome do meu cachorro de Manhattan – Por mais que eu amasse aquele lugar e ela fosse minha segunda casa, meu filho era muito bonitinho pra se chamar assim – Mas que tal Yankees? – Meu time de baseball favorito em todo o planeta.
- Pode ser...
- Ou... Vegas! – Gritei. Fazendo com que o filhotinho abrisse os olhos por alguns segundos, até voltar a dormir – Não há lugar melhor no mundo pra se divertir do que Las Vegas. E meu sonho é fazer 21 anos e ir pra lá ficar tão bêbada a ponto de me casar. Isso, Vegas!
- É, gostei da ideia.

Acordei com Vegas deitado de barriga pra cima entre e eu. Dizem que muitos cachorros choram em suas primeiras noites em um novo lar. Bom, o meu roncou. Enquanto nos arrumávamos ele apenas observava o movimento entre umas cochiladas e outras. Era tanto amor que tinha vontade de ficar o dia inteiro em casa deitado na cama com ele e apertando até que seus olhos saltassem para fora.
Ok, não é pra tanto.
Minha manhã de aniversário se resumiu em minha mãe me dando recomendações sobre meu cachorro. Ela pode ter aceitado a ideia, mas isso não significaria que ela não seria uma chata quando o assunto era um animal de estimação na casa dela. Mas pelo menos uma coisa isso tudo serviu: Ela ignorou completamente o fato de ter dormido em casa. Não que isso seja mais um assunto polêmico, mas né... Estamos falando da Lizzie.
- Queria conseguir a manhã inteira de folga pra conseguir almoçar com vocês – Disse minha mãe, triste por não conseguir passar meu aniversario comigo.
- Tudo bem, papai está na cidade ainda. E de qualquer forma, eu tinha combinado em almoçar com ele hoje.
- Só vocês? – Era impressão minha ou minha mãe estava curiosa para saber sobre Tyra? Olhei suspeita para , que tentava segurar a risada – O que foi?
- Nada... Bom, sim, só a gente... E a Tyra.
- Tyra... Certo, a namorada nova.
- Algum problema com isso? – Perguntei sem parecer que havia algo de errado.
- Nenhum. Só é um pouco estranho... Quer dizer, não estranho. Seu pai sempre foi... Extremamente lindo, inteligente, bem sucedido e não havia uma alma feminina que não pensava o quão sortuda eu era por estar com ele. E depois que nos separamos, eu pensava que ele seria o primeiro a ter uma pessoa nova na vida dele e não foi bem assim. Só que depois de tanto tempo, eu não esperava mais por isso, então me pegou de surpresa saber disso tudo.
Eu tinha completa certeza que minha mãe amava Steve, esse não era o problema, mas do mesmo jeito que meu pai, minha mãe também não esqueceu da relação deles tão fácil. Eles foram muito felizes enquanto durou. Qual casal continua junto depois de uma gravidez não planejada aos 18 anos? Os dois sempre foram diferentes. Quando eles se separaram, não foi porque deixaram de se amar e sim porque meu pai teve que tomar outro caminho do qual minha mãe não quis seguir. Lizzie tratou de arrumar uma nova vida para esquecer meu pai. Matt não conseguiu ter uma nova vida antes de esquecer minha mãe.
- Ela é bem legal – Sorri – Espero que um dia você tenha a oportunidade de conhecê-la.
- Eu também. Quero muito conhecer a mulher que vai passar a conviver com minhas duas filhas – Minha mãe se levantou e foi até a gaveta da estante ao lado da televisão e tirou algo de lá de dentro. Era um convite do casamento – Não sei se isso é muito certo, mas queria que você entregasse isso à seu pai. E tudo bem se ele quiser levar Tyra. Gostaria de conhecê-la.
- Claro – Aquilo me pegou tanto de surpresa, que não consegui tirar os olhos do convite destinado a “Matt e Família”. Senti os braços de em minha volta e o olhei. Ele parecia tão surpreso quanto eu.
Jamais imaginaria minha mãe dizendo o que ela sentia, principalmente pra mim. Eu sei, ela é minha mãe, mas nós batíamos muito de frente, era muito difícil ela se abrir comigo, justamente por eu sempre discordar de tudo que ela dizia. Isso eu admitia ser muito parecida com ela. Dizer o que eu sentia era um belo de um problema.

Logo em seguida que minha mãe saiu para o trabalho, eu, Vegas e fomos buscar Alison na escola e fomos para o apartamento do meu pai, já que Tyra tinha prometido fazer meu almoço de aniversário. Não sabia como eles reagiriam ao convite para o casamento da minha mãe, mas eu gostei da ideia deles irem. Mesmo com a separação, meus pais continuaram a se dar bem, pelo menos na medida do possível. Não havia razão para uma briga, até porque isso não faria bem a ninguém, principalmente para Alison e eu.

Ao sair do elevador do apartamento de Matt, já consegui sentir o cheiro da comida. Meu estômago resmungou no mesmo instante. Abri a porta com a minha chave e Alison entrou primeiro carregando Vegas no colo, atropelando eu e , para mostrar meu novo bichinho de estimação para meu pai, que estava com um violão na mão tocando alguma coisa.
- Olá, minha linda. Hey, quem é esse? – Matt deixou o violão de lado para poder segurar o cachorro.
- O Vegas, cachorrinho novo da – Respondeu Alison animada – Quer dizer, acho que posso dizer que ele é meu também, não é? – Olhou para mim.
- Se isso incluir você me ajudar com ele, é... Pode dizer que ele também seja seu. Mas só um pouquinho.
- Todo mundo paparicando esse cachorro já tá me fazendo ficar com ciúmes – Disse , sentando-se ao lado do meu pai.
- Isso é bom pra você saber como me sinto quando minha própria filha me troca pelo namorado – Meu pai resmungou e eu rolei os olhos – Acho que ainda não cumprimentei a aniversariante, certo? – Ele se levantou, dando Vegas para segurar e me abraçou forte, dando um beijo na minha testa – Uma hora dessas você já tinha nascido, agora você é oficialmente mais velha.
- É, eu sei – Larguei minha mochila com a roupa do treino.
- Treino hoje? – Perguntou Matt.
- Não. Reunião – Fiz careta – Amber tinha que inventar isso justo no dia do meu aniversário. Só porque andei perdendo alguns treinos por causa do trabalho. Ela tá uma fera comigo.
- Olá, gente! – Tyra apareceu na sala vestindo um avental – ! Parabéns! – Veio de encontro até mim e me deu um abraço forte – Tudo de bom, saúde, felicidade e sucesso!
- Obrigada, Tyra!
- Ai, meu deus! – Praticamente gritou ao ver o Vegas – É esse o cachorrinho? Que coisa mais linda!
Enquanto todos se distraiam com Vegas, papai veio até meu lado e colocou seus braços ao meu redor, enquanto observávamos a cena. Eu estava longe. Aquela conversa completamente bizarra com Owen na noite anterior ainda estava fazendo um nó na minha cabeça. Eu não sabia o que pensar ou como agir. Sabia que havia sido dura com ele, mas Owen havia jogado sujo comigo.
- Se não te conhecesse tão bem, poderia achar que você está triste por estar ficando mais velha – Sorri de lado, sem tirar os olhos de onde estavam – Aconteceu alguma coisa de errado?
- Owen – Essa foi minha única palavra.
- Aquele idiota te fez alguma coisa?
- Não! Quer dizer, sim... Sei lá – Balancei a cabeça confusa e me virei de frente pra ele, para não haver chances de adivinhar sobre o que estava falando – Ele sabia da festa de ontem e mesmo assim me pediu pra sair com ele para que tudo desse errado, mas... O problema não é esse – A expressão do meu pai mudou completamente após eu ter começado a falar – Ele meio que se declarou pra mim ontem.
- Se declarou? – Gritou e eu arregalei os olhos para que ele falasse mais baixo – Como assim se declarou? – Cochichou.
- Disse que gostava de mim e que não queria que eu ficasse com o . E então ele se achou no direito de me dar uma Zac – Meu pai me olhou assustado – Bill contou que era meu sonho e ele achou que seria uma ótima ideia me dar uma – Cruzei os braços e bufei – Eu não aceitei, claro. E depois mandei ele embora, mas... Querendo ou não são os sentimentos dele. Eu não queria ter sido tão dura.
- , presta atenção, Owen não tem sentimentos. Ele só quer que você fique com ele, porque sabe que é a única mulher que ele vai estalar os dedos e não vai estar na cama dele. Isso é um desafio pra ele! Eu já vi milhares de mulheres saírem enxotadas daquela gravadora na época que trabalhávamos juntos.
- Eu não preciso saber nada disso pra entender o que é certo ou errado! Eu não quero nada com ele e pronto!
- Ótimo! – Pela cara do meu pai eu já podia imaginar que Owen não sairia limpo dessa. Talvez tivesse sido melhor eu ter ficado quieta.
Tentando mudar um pouco o clima chato que a havia ficado entre nós, fui até minha bolsa e retirei o convite de casamento da minha mãe com Steve.

- Bom, antes da gente almoçar, eu queria falar uma coisa pra você – Olhei para meu pai – E para Tyra – Os dois olhavam pra mim sem entender muito bem o que estava acontecendo. Entreguei o convite ao meu pai e os dois encararam o envelope espantados – Minha mãe pediu pra entregar isso a vocês. E gostaria muito que estivessem presentes.
Houve um minuto de silêncio. Pela primeira vez Allie havia tirado a atenção de Vegas, nem ela acreditou.
- Wow – Matt pegou o convite de minhas mãos e olhou para Tyra – Acho que podemos conversar sobre o assunto, certo? – Tyra deu um leve sorriso e afirmou que sim com a cabeça.
Não seria fácil. Eles não namoravam nem há 3 meses e já estava sendo convidada para a festa de casamento da ex mulher do meu pai. Eu entenderia se ela dissesse não. Eu pelo menos não sei se teria a mínima vontade de ir.
- Claro. Conversaremos sobre o assunto.

O silêncio se instalou durante alguns segundos, até Tyra ir para cozinha e gritar animadamente que a comida estava pronta. Tudo ocorreu tranquilamente. Logo após o almoço meu pai e Tyra saíram da cozinha com um bolo cantando parabéns pra mim. O que de fato fez Vegas acordar, levando um susto com todas as palmas e gritos. Pelo menos ali eu tive certeza de que ele não estava morto no colo de Alison. Ele só dormia!
teve que ir embora para o treino do time de futebol, aproveitando para levar Alison e Vegas para casa, enquanto eu fiquei com meu pai, esperando que desse a hora para eu ir até a reunião das meninas. Me troquei, colocando a roupa de animadora e junto vesti o moletom de , que eu havia dominado. Meia hora antes do horário marcado eu peguei minhas coisas e saí do apartamento indo para escola.
- ? – Ouvi alguém chamar meu nome assim que coloquei os pés pra fora da portaria.
Era Owen.
Automaticamente olhei para os lados para ver se não havia ninguém conhecido, principalmente . Ou meu pai, que não estava nem um pouco feliz com os últimos acontecimentos envolvendo seu velho amigo.
- O que você quer? – Continuei andando, sem olhar por um segundo para a cara dele.
- Conversar com você – Ele começou a me seguir. Eu dei uma risada baixa e irônica, balançando a cabeça negativamente, sem acreditar que ele tinha tido coragem de vim falar comigo – Te pedir desculpas – Alcançando meus passos, ele ficou em minha frente me impedindo de continuar andando – Não foi certo o que eu fiz, eu sei. Quer dizer, não a parte que eu disse meus sentimentos, porque isso é a mais pura verdade e eu não sou o tipo de cara que consegue esconder – Engoli seco – Mas sim pela parte de... Querer entrar na sua vida da forma mais errada do mundo.
- Se eu te desculpar, você some da minha vida? – Coloquei as mãos dentro do bolso do moletom me protegendo do vento.
- Não – Bufei e tentei desviar de seu caminho, mas novamente ele parou na minha frente – Quer dizer, eu quero que você volte a trabalhar comigo e não posso sair da sua vida sendo seu chefe. Eu sei que trabalhar nesse festival é tudo que você mais quer, então por favor, não desista disso por minha causa.
Realmente era tudo que eu mais queria.
Mas nem sempre podemos ter o que queremos.
- Eu juro ficar longe de você. Nossa relação será somente profissional.
- Depois de tudo que você disse sentir por mim, você realmente acha que é possível uma relação profissional da sua parte? Você é louco!
- Eu faço isso por você. Porque sei que é seu sonho estar nesse projeto e eu não quero ser o filho da puta que destruiu seus sonhos sendo completamente egoísta. Eu sei que consigo, ! – Mordi meu lábio inferior sem saber o que iria fazer – Deixa eu te dar pelo menos esse presente de aniversário, seu trabalho de volta. Eu tenho uma reunião agora mesmo com os patrocinadores e queria muito te apresentar a todos eles.
- Eu não tenho tempo, tenho que encontrar as meninas na escola em meia hora.
- Ok, a reunião tá começando agora, eu to um pouco atrasado. Você vai até lá comigo, se apresenta e pronto, tá liberada – Olhei no relógio mais uma vez. Sabia que Amber ficaria uma fera se eu atrasasse, mas hoje era meu aniversario e atrasar pelo menos uns 15 minutos não seria um problema, se fosse realmente preciso.
E sendo uma sem noção nenhuma, aceitei a proposta de Owen.

A reunião foi um sucesso. Me senti em casa outra vez. Tudo estava correndo como planejado e até mesmo uma carta de recomendação para a faculdade eu havia conseguido. Além de todos os patrocinadores, fui apresentada a crew do Fall Out Boy que pediu toda minha assistência ao analisar o local onde seria o show. Os caras chegariam na cidade no mês que vem e tudo já estava sendo providenciado.
- , esse é Richard Blenk – Owen apareceu novamente acompanhado a uma pessoa que não conhecia – Diretor do curso de Produção Fonográfica na UCLA, uma das faculdades que você disse estar interessada.
Juro que se olhos brilhassem, o meu estaria brilhando como os de um desenho animado no momento. Richard Blenk! Vocês tem uma ideia de quem seja ele? Um dos caras mais incríveis na indústria musical.
- Prazer! .
- ? O sobrenome não é estranho – Estendeu sua mão e eu o cumprimentei.
- Filha de Matt , conhece? – Disse Owen.
- Claro, já nos encontramos uma vez em Los Angeles. Grande profissional. Então quer dizer que você pretende seguir o mesmo caminho de seu pai?
- Sim, senhor. Quer dizer, pelo menos são os planos. Me formo em algumas semanas e já estou começando a me inscrever em faculdades – Eu estava parecendo uma daquelas pessoas entrevistadas para primeiro emprego e nem havia razões para ficar desse jeito, levando em consideração que L.A nem é minha primeira opção.
Nem eu sei qual é minha primeira opção.
- UCLA está no seu plano?
- Claro!
- Me mande sua inscrição por e-mail, o Owen pode te ajudar em relação a isso. Adoraríamos ter uma aluna disposta a seguir no mercado, como você – Não sei por quanto tempo eu fiquei ali parada olhando pra ele feito uma idiota.
- Wow, quer dizer... Obrigada! E sim, claro, vou mandar!
- Imagina. Bom, tenho que ir. Boa sorte com o festival, será um grande evento, Owen! – Os dois se despediram e eu ainda continuava com a minha cara de idiota.
Eu havia sido convidada pelo Richard Blenk a enviar uma inscrição para UCLA! Dá pra acreditar nisso? Essa era uma das faculdades mais conceituadas dos Estados Unidos!
- Tá feliz? – Perguntou Owen. Ele me olhava de uma forma diferente, ele estava diferente. Por um breve momento vi o verdadeiro Owen parado em minha frente. Sem toda aquela pose de galã, rico e bem sucedido. Aquele era apenas um cara com a esperança que tinha feito uma coisa certa pelo menos uma vez na vida.
- É claro que eu estou! – E sem pensar muito, o abracei – Muito obrigada, isso foi incrível!
- Viu como valeu a pena vim comigo?
Meu estômago revirou no mesmo instante que ele disse aquilo, meu deus, eu havia esquecido. Senti meu rosto queimar e meu coração acelerar ao que veio na minha cabeça. A reunião das meninas. Olhei no relógio e haviam se passado quase duas horas. Tateei pelo bolso e encontrei meu celular desligado devido a falta de bateria. Juro que tudo o que eu mais queria naquele momento era chorar. Amber me mataria. me mataria.
- Eu preciso ir! – Disse correndo para o estacionamento sem nem mesmo olhar para trás.

Cheguei na sala de reuniões quase sem ar de tanto subir as escadas. O pavor me tomou mais ainda ao ver que não havia mais ninguém lá dentro. Merda, eu estava tão ferrada! Eu havia prometido melhorar e tinha feito o contrario. Reparei melhor e percebi que toda a sala estava enfeitada. Haviam bexigas por todos os lados, uma faixa de “Feliz aniversário”, incluindo um bolo em cima da mesa de reuniões. Aquilo havia feito eu ficar pelo menos 15 vezes pior do que eu estava me sentindo. Olhei pela janela da sala e vi todas as meninas sentadas no campo junto com o pessoal do futebol. Suspirei mais aliviada e desci correndo até lá. Alguns meninos do time, menos o , estavam dentro do campo junto com todas as meninas da torcida, usando um chapéu de aniversário. Irônico, claro.
- Um pouco tarde, a festa acabou – Disse Amber.
Olhei para e ela me deu um sorriso triste. Aquilo quase me fez chorar. nunca havia me olhado daquele jeito. Ela estava triste.
- Me desculpa! Eu... Ok, não adianta me explicar, porque sei que vou estar errada, mas... Eu não sabia. Eu não ia demorar, mas eu acabei indo com o Owen conhecer uns patrocinadores, porque...
- Você não tinha desistido do trabalho? Por que você foi com o Owen conhecer os patrocinadores? – A voz de veio atrás de mim. Ele estava segurando o celular, encerrando a ligação, que provavelmente seria pra mim – Você tem a mínima ideia de como deixou todos nós preocupados pensando que realmente havia acontecido alguma coisa séria?
- Ele me chamou de volta e eu aceitei. Só que acabei perdendo a hora, por favor, me desculpem! – Minha visão passou a ficar turva devido as lagrimas.
- Quando você vai entender que isso não vai funcionar? – Amber se levantou e ficou na minha frente – Não foi por falta de aviso, , não foi! Eu, , , todos nós avisamos que continuar na equipe seria muito trabalho!
- Mas eu consigo!
- Você sabe que dia vai ser o festival? – Perguntou Amber.
- Dia 30 de Maio – Respondi sem entender muito bem a razão daquela pergunta.
- E você sabe qual é o dia da final do nosso campeonato? – Droga! Hoje quando Owen havia finalmente me dado a data, eu não havia percebido que era justamente no dia da final.
- Eu posso fazer os dois!
- Não, você não pode! Precisamos de alguém que trabalhe 100% até lá e você é a última pessoa que pode se dedicar a isso – Eu sabia o que estava por vir – Nosso acordo era que você ficasse no time até a volta da Angie e ela já voltou. Nós podemos ficar sem você, pelo menos nessa dedicação que você pode dar a nós.
- Por favor, Amber – Lágrimas já inundavam meu rosto.
- Desculpa. Vamos, pessoal, temos muito trabalho a fazer – Amber tirou o chapéu da cabeça – Feliz aniversario – Então todas as meninas, menos a seguiram.
Nunca na minha vida eu pensei implorar para poder ficar no time das líderes de torcida. Nunca na minha vida eu imaginei querer tanto uma coisa na vida como aquela. Mas eu não podia ter tudo, sabia disso. Mesmo sabendo que eu estava errada, eu sabia que aquela decisão não era certa. Eu podia, eu queria! Eu sabia todas as coreografias e estava preparada para a final e tudo isso por havia trabalhado duro. Só que simplesmente tudo foi por água abaixo. Me virei para e ele apenas balançou a cabeça negativamente.
- Por favor, você não – Disse entre soluços.
- Agora não dá – Abaixou a cabeça e saiu do campo
Mais uma vez em menos de 24hrs eu havia feito besteira. Ele, mais do que ninguém, havia motivos para me odiar. Na verdade, todos naquele mesmo ambiente podiam me odiar sem problema algum, menos ele.
Aquela sensação voltou. A sensação de estar perdendo ele novamente. No meu aniversário. Seria aquilo algum tipo de karma?
Senti os braços de ao meu redor e foi ali que eu desmoronei de vez.

Capítulo Vinte e dois


"Podem escolher culpar o destino, a má sorte, as escolhas erradas. Ou podem lutar.” - One Tree Hill

Carma.
Só isso explicava tudo aquilo que acontecia na minha vida. Nem sabia se acreditava nisso, mas no momento era a única explicação. Única explicação tirando o fato de que eu era um verdadeiro caos e que tudo que tocava virava lixo. A partir do momento que fiz parte da equipe das líderes de torcida, eu entrei pra ganhar, mas acabei desapontando a todos. Namorava com meu melhor amigo e o cara mais incrível do mundo e simplesmente só fazia besteira, fazendo com que eu não fosse sua pessoa favorita no momento. Tinha o emprego que queria, conseguindo alcançar todo meus objetivos profissionais, mas toda minha vida pessoal estava uma merda. Quem precisava de uma vida profissional com a minha idade? Nem o colegial eu havia terminado. Tudo o que eu precisava era estar com meu time, meu namorado e me preocupando somente com o baile e o casamento da minha mãe. O problema é que quando se tratava de mim, coisas simples se tornavam um completo estrago.

Eu desistia de mim mesma. Eu não tinha jeito, não tinha concerto. Quanto mais certo eu tentava tornar as coisas, mais erradas e absurdas elas ficavam. E acreditem, eu passei por isso minha vida inteira.
Então eu passo a clicar na mesma tecla: Será isso um carma?
Enfim, eu não aguentava mais pensar em qual momento eu havia errado e se tudo algum dia ficaria bem. A única coisa que eu queria no momento era que atendesse minhas ligações para, pelo menos, poder me explicar.

Mesmo com toda a revolta das lideres de torcida, ficou do meu lado.
Mais uma vez.
Como sempre.
e Vegas passaram a noite em claro comigo, enquanto eu chorava, pensando em toda merda que eu tinha feito. Peguei no sono às 5 da manhã, mas não durou muito. Acordei as 7 da manhã com o celular da despertando. Vegas estava deitado em minha barriga e ele me olhava quando abri os olhos.
- Eu to bem, prometo – Fiz carinho em seu focinho e logo ele foi fechando os olhos até cair no sono.
Tirei ele de cima de mim e coloquei ele ao lado do meu travesseiro. estava acordada me olhando sem dizer nada. Levantei da cama e fui até a janela. Para ajudar o tempo estava horrível, chuva fraca e um frio gigantesco. Vontade zero de ter que ir a escola, mas sabia que minha mãe me obrigaria a ir por ter faltado no dia anterior por causa do meu aniversário. Voltar a bolar aula parecia uma boa opção.
- Você vai? – Perguntou e eu dei em ombros – Hoje eles vão entregar as becas para a colação de grau, seria bom que você fosse.
- Provas finais, preciso ir.
Por um momento esqueci que nossa colação seria no fim da semana, em quatro dias. Grande clima para ter que participar da colação de grau.
Com poucas trocas de palavras, nos trocamos e fomos direto para escola, mesmo minha vontade sendo ficar deitada com Vegas até morrer.
Chequei o visor do celular e não havia nenhuma ligação ou mensagem de .
E continuou assim pelo resto da semana.

Bom, além de me evitar pelo telefone, também fez um belo trabalho em me evitar pessoalmente. Na última semana de provas finais antes da colação eu mal o vi na escola, e devido ao grande trabalho no festival, não tive tempo de acompanhar os ensaios. me ligou e disse que ele estava uma merda, mas ainda achava melhor dar esse tempo para ele pensar. Isso me fez sentir 3 vezes pior, claro. Eu não queria tempo, odiava tempo, eu sentia saudades e queria que tudo voltasse ao normal. Amber mal me olhava na cara quando cruzávamos pelos corredores e parecia que estava tendo um deja vu do que nós éramos antes. Por eu tinha notícias do time e como previsto, nós tínhamos ido para a final com a apresentação que elas tinham feito dois dias depois do meu aniversário. Quer dizer, elas tinham ido para final.

Sem sabe o que tinha acontecido, Owen cumpriu sua promessa e estava agindo apenas na forma que deveria agir. Até que um bom amigo, também. O trabalho fez bem pra mim nos últimos dias, eu tive menos tempo para ficar pensando besteiras, ou correndo atrás de feito uma louca, enquanto ele precisava de espaço.
- Então quer dizer que amanhã você se forma oficialmente? – Perguntou enquanto eu arrumava minhas coisas para ir embora.
- Sim, finalmente – Disse um pouco animada – Quer dizer, ainda tem o baile, mas as aulas já acabaram. Quem diria eu ficaria triste por sair da escola. Até o começo do ano letivo eu estava comemorando freneticamente meu último primeiro dia de aula.
- No final a gente sempre acaba ficando triste – Owen parecia pensativo, como se quisesse dizer alguma coisa – Ah, esqueci de falar que enviei a sua inscrição para o Richard no mesmo dia em que ele pediu.
- Dedos cruzados – Nem sei porque queria tanto aquilo, se eu nem sabia o que faria da minha vida.
- Tenho uma proposta pra te fazer – Owen e suas propostas – Se você for aceita, você vai comigo para Los Angeles trabalhar comigo produzindo alguns shows que tenho previstos e um estagio pra trabalhar junto com meu pai – Fiquei olhando pra ele sem reação – Você disse não ter opções, então... Bom, eu estou te dando uma.
- Por que você tá fazendo isso? – Perguntei sem demonstrar nenhum tipo de reação.
- Porque sei que você tem potencial e sei que quer novas experiências. E também porque não quero te largar tão fácil – E ele havia acabado de estragar tudo – Mas, como eu tenho uma promessa a cumprir, eu só quero que você vá porque precisamos de bons funcionários e sei que meu pai vai amar trabalhar com uma aprendiz. Não briga comigo, pelo menos fui sincero.
Sim, eu estava tendo a oportunidade da minha vida.
- Mas eu nem sei se vou ser aceita!
- Mas e se for?
- Daí eu paro pra pensar... – Meu celular tocou e o nome de apareceu no visor – Hey, !
- Tá ocupada? Estamos na reta final dos ensaios e queria que você viesse assistir – Tudo o que me veio na cabeça era . estaria lá.
- Não! Quer dizer, eu to saindo agora daqui e ia pra casa. Claro que eu vou! Onde encontro vocês?
Os ensaios estavam sendo em um estúdio não muito longe de onde eu estava. Sem nem ao menos me despedir de Owen, sai desesperada até meu carro. Eu parecia uma idiota.
Fui com o coração saindo pela boca até chegar ao tal estúdio. Do lado de fora da sala que eles estavam, eu conseguia ouvir um pouco da música. Abri a porta e entrei sem que eles percebessem e me sentei no sofá, ao lado de Fletch, que estava cuidando da carreira musical dos meninos até o final do festival.
Fiquei admirando por alguns minutos, que tocava de cabeça baixa. Sua franja estava um pouco úmida por causa do suar e suas bochechas estavam rosadas. Será que ele sabia que eu apareceria ali?
Ao levantar a cabeça e notar minha presença, ele sorriu fraco pra mim. Eu suspirei um tanto quanto aliviada quando aquilo aconteceu, devolvendo o sorriso.

O clima estava estranho. Bem estranho para falar a verdade. Eu não abri minha boca durante o ensaio, eles estavam perfeitos, mas eu estava com medo de manifestar e até mesmo, pela primeira vez na vida, com vergonha de . A verdade é que eles não precisavam mais de mim e só havia dado um empurrãozinho para que eu e pudéssemos nos reaproximar. Logo após o fim do ensaio dos meninos todos foram para casa de beber umas cervejas e colocar o papo em dia. Fui convidada pelo dono da casa e aquela foi a primeira vez que ele falou comigo desde o ocorrido.

Estávamos todos sentados em volta da piscina. Apenas eu de menina, como sempre. estava sentado ao meu lado, mas não nos encostávamos, era como se eu tivesse algum tipo de doença contagiosa. Os outros garotos riam de alguma piada escrota do , enquanto eu prestava atenção nos meus pés se movendo dentro da água da piscina.
- Tem alguma coisa de errado com a cerveja? – Perguntou e eu levei um susto.
Percebi que só havia dado um gole da garrafa que eu estava na mão já fazia uma meia hora.
- Não! – Sorri sem graça – Acho que não estou muito no clima para beber, só isso.
- Você tá legal? – Percebi que mesmo não estando muito à vontade com a conversa, ele parecia realmente interessado em saber como eu andava.
- Na medida do possível. Você?
- Na medida do possível – Sorriu imitando minha resposta – Como que está o Vegas?
- Ótimo. Ele é um grande companheiro...
E aquele silêncio constrangedor se fez. Eu não sabia lidar com aquilo. Eu e nunca ficávamos sem assunto. Respirei fundo durante algumas vezes e finalmente consegui falar.
- Não me odeia – Disse segurando o choro – Por favor. Eu sei que eu sou uma baita de uma idiota, mas não fica com raiva de mim.
- Sim, você é uma baita de uma idiota. Mas eu não te odeio, estou bem longe disso. E também não estou com raiva de você. Bom, eu estava, com muita até. Queria te esganar, para falar a verdade, mas já passou.
- Que bom – Disse um pouco assustada – Eu sei que você quer um tempo de mim e entendo completamente. Só não queria mesmo que você me abominasse tanto.
- Eu não quero um tempo de você, nunca quis. Eu só preciso de um tempo de você, é diferente.
- Eu entendo – Abaixei a cabeça voltando a olhar para os meus pés.
- As aulas vão terminar, o festival vai passar... Não estaremos mais tão sobrecarregados. Quem sabe esse não é nosso problema.
- O festival pode passar, mas a banda eu tenho toda certeza que vai continuar e vocês vão finalmente dar certo.
- Você sempre acreditou na gente, mesmo antes de voltarmos a nos falar. E espero que você esteja certa.
- Eu estou sempre certa – Me gabei – Quer dizer, quase sempre – Nós gargalhamos – Acho que já está na hora de ir. Amanhã eu acordo cedo pra arrumar tudo pra colação.
- Sim. Vamos, te acompanho até a porta.
Nos levantamos, me despedi dos meninos e me seguiu até a porta de sua casa. Senti suas mãos nas minhas costas e senti um frio na espinha. Não esperava por aquilo. Não esperava por nada que havia acontecido naquele dia.
Ele abriu a porta e fiquei de frente pra ele.
- Te vejo amanhã na colação?
- Claro. Vou ser uma estranha com uma beca horrível – Gargalhamos.
- Duvido. Concordo que a beca seja horrível, mas estranha você nunca vai ser – Suas palavras me deixaram tão sem graça, que senti meu rosto queimar e simplesmente não respondi nada. Apenas sorri e fui para meu carro antes que não conseguisse mais me segurar e o agarrasse ali mesmo.

- Mãe, eu deveria estar me preocupando com a roupa de hoje, não com o vestido do seu casamento! – Disse de frente ao espelho da costureira dando os últimos ajustes para o vestido do casamento da minha mãe.
Hoje, que seria um dia perfeito para eu dormir até tarde para aproveitar a minha noite de colação, minha mãe havia me arrancado pra fora da cama para ir na última prova do vestido antes do casamento. Eu não aguentava mais isso, mas estava grata de já estar no fim. Eu dava graças a Deus de já ter comprado meu vestido de formatura junto com a .
Não sei pra que me preocupar tanto com o vestido do baile se eu ao menos tinha um par para ir comigo. Eu não iria sozinha com para ser vela dela e do , que apesar da negação, sabia que os dois estavam no maior love. E eu tinha completa certeza que, apesar do nosso pseudoentendimento, não iria ao baile, pelo menos não comigo.
Ai, galera... Pra que tanta festa? Pra que tanta comemoração? Pra que um casamento tão grande se minha mãe e Steve já estavam juntos há séculos? Eu estava na merda e era egoísta o bastante pra querer que todos acompanhassem meu ritmo. Foda-se, e dai?
- Dá pra você não reclamar pelo menos uma vez quando a gente vem aqui? Você é a única que ainda tem pendência no vestido, ninguém mandou deixar tudo para a última hora. Seu humor deveria estar pelo menos um pouquinho melhor, levando em conta que hoje é sua colação de grau e no final de semana será seu baile – Sabe quando você respira fundo para não mandar sua mãe tomar no cu? – Quando eu tinha sua idade e estava prestes a me formar, estava mais feliz que nunca. E olha que já estava grávida de você e tinha motivos o bastante de não querer sair do meu quarto. Minha barriga ainda não aparecia, mas meu emocional estava nas alturas.
Blá, blá, blá, onde tira a pilha dessa mulher?
- Por falar nisso, seu pai ainda está em Londres? – Balancei a cabeça fazendo que sim, enquanto tirava o vestido – Nunca o vi ficar tanto tempo por aqui. Você sabe se eles decidiram algo sobre ir ao casamento?
- A Tyra estava um pouco doente e eles acharam melhor esperar ela melhorar para voltar. Não é nada demais, mas parece que o papai também queria estar aqui pra hoje. E sobre o casamento ele ainda não disse nada. Talvez comente alguma coisa hoje quando sairmos pra jantar.
- A namorada dele vai hoje? – Perguntou como se não quisesse nada.
- Não, parece que ela está com algum tipo de virose, não sei, e o médico pediu para que ela ficasse em casa por uns 3 dias. Não é nada de grave, mas se eles decidirem ficar aqui para o casamento, seria melhor que ela descansasse agora.

Finalmente o assunto “vestido do casamento da minha mãe” já estava resolvido. Tudo que eu queria no momento era que a relação entre e eu melhorasse ou continuasse do jeito que estava. Entrar no altar ao lado de uma pessoa que não quer te ver pintada nem de ouro, não deveria ser uma das situações mais agradáveis da vida.

Sabe quando tudo que você mais quer é ficar trancada dentro do quarto pelos próximos 10 dias? Pois é, eu estava me sentindo assim ultimamente. Vegas era minha melhor companhia no momento e se pudesse, literalmente me trancaria no quarto e jogaria a chave fora. Mas isso infelizmente não era possível. Hoje era oficialmente a minha formatura. Eu havia esperado por esse momento nos meus últimos anos e agora eu não me sentia tão feliz da forma que eu imaginava. A partir do momento que eu recebesse aquele canudo, eu não teria nem um vínculo mais com aquela escola. A não ser que eu ainda estivesse na equipe das lideres de torcida, eu ainda teria a final do campeonato, mas nem isso eu tinha mais. Eu era quase que oficialmente uma adulta, mas não tinha ideia do meu futuro. Quer dizer, ideia eu tinha, planos eu tinha, porém tudo que eu buscava não estava aqui, se eu quisesse realmente seguir meu sonho, eu teria de afastar das pessoas que eu mais amava e só em pensar ficar mais afastada de do que eu já estava, me dava calafrios.
Minha angustia não cabia mais em mim.
Meu celular vibrou na minha escrivaninha e na tela tinha uma mensagem de
"Hoje festa na casa da Mandy"
Aquela mensagem parecia ter sido enviada do céu. Alguém lá em cima estava dando um recado que eu precisava sair dessa merda que eu estava. Amém, senhor.
Uma festa seria tudo o que precisava.

O dia estava lindo, tão lindo que era difícil de acreditar que aquela era a mesma cidade que havia morado minha vida toda. O céu estava laranja e as nuvens rosa, o final de tarde mais lindo que já tinha visto. Muitos carros paravam no estacionamento da escola e os alunos saíram do carro vestindo suas becas, acompanhado de seus pais e outros familiares. Mesmo vestindo aquela roupa ridícula e aquele chapéu esquisito, começava a ficar um pouquinho mais animada com aquela situação. Saímos do carro eu, Alison, minha mãe e Steve. Logo em frente meu pai estava apoiado em seu carro segurando um buquê de flores.
- Flores para uma flor – Entregou o buquê pra mim, e eu o abracei o mais forte que conseguia – Minha princesa está virando gente grande. Não parece que foi ontem que descobrimos que ela seria uma menina, Lizzie? – Engatou a pergunta enquanto cumprimentava minha mãe e meu padrasto, antes de abraçar minha irmã.
- Evito pensar, me sinto velha – Todos gargalharam.
- Melhor irmos nos sentar para encontrar um bom lugar – Disse Steve.
- Sim, é melhor – Concordei – Vou encontrar o resto do pessoal.
Me despedi de todos, e fui a procura de . Minha mãe seguiu de mãos dadas com Steve e meu pai de mãos dadas com a Alison, uma cena até que bonitinha. Olhei ao redor a procura de algum rosto conhecido, mas talvez estivesse um pouco cedo pra alguém ter chego.
- Afinal você mentiu e a beca não está tão horrível assim – Ouvi sua voz e sorri no mesmo instante.
estava acompanhado de seus pais. Realmente, qualquer um podia parecer um babaca com aquela roupa, menos ele. Continuei sorrindo feito uma idiota e abracei seus pais, antes de fazer o mais difícil, cumprimentar . Sem saber exatamente o que faria, não o beijei nem no rosto, apenas o abracei.
- Você está tão linda, meu amor! – Disse sua mãe – Nem dá pra acreditar, vocês dois se formando. Parece que foi ontem que vim deixar vocês dois no primeiro dia de aula da escola!
- Melhor você parar, antes que comece a chorar, querida – Pai de colocou os braços ao redor de sua mãe e sorriu – Onde estão seus pais?
- Todos foram procurar um lugar para sentar antes que os melhores fossem ocupados – Respondi.
- Melhor fazermos o mesmo – Disse sua mãe – Por favor querido, sem nenhuma brincadeirinha lá em cima com aqueles animais que você chama de amigos – Gargalhei alto. Mães, quase sempre iguais.
- Pode deixar, mãe. Não temos nenhum plano em mente.
Os dois seguiram para o campo de futebol, onde aconteceria a cerimonia de colação e nós começamos a dar uma volta pela escola a procura de alguém.
Nós não abrimos a boca em momento algum, mas não era difícil imaginar o que cada um estava pensando. Quem diria que estaríamos aqui hoje, depois de tantos anos. Cada lugar daquela escola representava um momento diferente. O campo de futebol, o qual agora ocupavam um grande número de cadeiras e um palco montado para a cerimonia, onde aconteciam todos os treinos e jogos dos meninos. Perdia as contas de quantas vezes parava sem querer para olhar o treino quando eu e ainda estávamos brigados.
Todo aquele jardim em frente ao portão principal da escola, onde ficávamos antes de começar a aula. Lembro até o exato local onde disse pela primeira vez que gostava de mim.
A árvore que subia para poder sair da escola e bolar aula, o refeitório, as salas de aula, tudo. Todos os cantos tinham algum tipo de significado, por menor que fosse. Nunca me esqueço a entrada do quartinho onde é guardado todos os materiais de educação física. Uma vez encontrei aos prantos lá dentro por causa do babaca do seu ex-namorado. Lembro até mesmo onde dei o primeiro beijo em Drew, antes de começarmos a namorar. Aquela escola era um poço de boas lembranças.

Aos poucos todos foram chegando. Os meninos e chegaram e logo o diretor foi nos organizando nas cadeiras da plateia, onde ficaríamos antes de sermos chamados pelos nomes na cerimonia. Amber estava com seus discurso em mãos, alheia de todos ao seu redor, e podia imaginar o quão nervosa ela estaria, porém com o clima que estava, nem boa sorte me sentia a vontade de dizer.
O diretor começou apresentando os professores que estavam na bancada, dizendo algumas palavras bonitas antes de começar a chamar cada aluno do último ano para pegar o diploma. Amber abriu o nome de alunos da lista, subindo um tanto quanto sorridente, tentando transparecer o máximo de simpatia, não tão verdadeira assim. O primeiro dos meninos foi , que estava um tanto quanto confiante em subir lá em cima, já que havia conseguido passar de ano, finalmente depois de tanta dor de cabeça. beijou o canudo e apontou pra sua mãe na plateia.
gritou em alto e bom som "EU CONSEGUI, PORRA!" fazendo seus pais abaixarem a cabeça de vergonha. caminhou tímida quando seu nome foi chamado e além de todas as palmas, eu tive que dar meu surto psicótico para envergonhar minha melhor amiga.
Logo depois eu fui chamada. Recebi mais aplausos do que imaginava e pude ouvir alguém na plateia gritando “ALL YOU NEED IS LOVE, BABY”;, ri, colocando a mão na cara evitando olhar para minha mãe ou alguma outra pessoa com olhar de reprovação pra mim. Em seguida foi chamado para receber o diploma, seguido de muitas palmas e gritos femininos.
Tudo puta.
Suas bochechas estavam coradas e ao pegar o diploma fez reverência para a plateia, em seguida sentando-se ao meu lado. Alguns nomes estavam sendo chamados e podia ver o rosto dos meus pais lá embaixo, sorriso de orelha a orelha como se estivessem sentindo o maior orgulho de mim. Foi então que ao fundo de todas as cadeiras, sorrindo, apoiado na grade que separava o campo da arquibancada, estava Owen.
Espera, o que infernos ele estava fazendo aqui?
O último nome foi chamado pelo diretor, e tudo o que fazia no momento era rezar mentalmente para que não percebesse sua presença.
- Queria agora chamar a frente a aluna Amber Jenny Jenkins, capitã das lideres de torcida e futura estudante de Moda em Nova York no Fashion Institute of Technology – Amber havia sido aceita e iria pra Nova York estudar? Mas como eu não estava sabendo disso?
- Boa tarde pais, família e formandos do terceiro ano – Disse Amber no microfone, colocando o papel do discurso no púlpito a sua frente – Gostaria primeiramente de agradecer a todos pela presença nesse momento tão importante de nossas vidas – Podia notar Amber apertando o papel a sua mão na tentativa de controlar o nervosismo – Quem diria que a capita das líderes de torcida estaria tão nervosa ao apresentar um discurso na sua própria escola? Digo isso porque quantas vezes eu e as meninas ensaiamos nesse mesmo lugar onde estamos agora? Errando os passos, os gritos de guerra, caindo de pirâmides mal calculadas e de acrobacias muito mal treinadas. Mas qual era o problema de errar se estávamos na nossa própria casa? Sim, casa. Escola pode ser um porre, um saco que for, mas nenhum de nós pode negar o quão inesquecível essa experiência foi. Como esquecer do cara da banda, artilheiro do time de futebol que namorava com a patricinha líder de torcida? – Algumas meninas soltaram gritinhos e os meninos que estavam sentado por perto davam tapas nas costas de – Ou da revoltada problemática, que namorava com o capitão do time de futebol e que se tornou uma das melhores líderes de torcida da equipe? Isso faz algum sentido? – Mordi o lábio tentando segurar o sorriso e me deu uma ombrada de leve, com um sorriso no rosto – Nada faz sentido! As fórmulas de física, o primeiro amor, o primeiro pé na bunda, aquele jogo que perdemos ou os amigos que fizemos. Isso sim é colegial! Que graça seria se tudo fosse normal em seus devidos conformes? Por isso não entendo meu nervosismo. Qualquer um que subisse aqui representando todos esses formandos não teria razão alguma para travar ou surtar de nervosismo. Essa foi nossa casa por três anos, vivemos tantas coisas juntos, momentos bons e momentos ruins, por que logo agora que estamos nós despedimos devemos ficar inseguros? Para dizer a verdade o único pavor que deveria estarmos sentindo no momento é de não estar mais aqui. Começaremos uma nova vida. A capita das líderes de torcida não será mais a capita das líderes de torcida, o nerd poderá ter a chance de viver uma nova vida sem rótulos, a revoltada problemática não vai ter mais o mesmo apelido e o gostosão da escola não vai ser o mais bonito. Começaremos do zero e poderemos ser o que quisermos, sem limite algum. Se o colegial não foi uma experiência boa, você terá outra chance, mas se o colegial foi algo inesquecível, você pode fazer seu futuro ser melhor ainda. Não tenha medo de arriscar, não tenha medo de se apaixonar, de ser feliz, de crescer. Esse é nosso momento de cometer erros, de escolher uma faculdade absolutamente nada a ver, namorar com um babaca, morar dentro de um carro na procura da independência. Relaxa mãe, não vou fazer nenhuma dessas opções – Escutamos a gargalhada de todos em volta – Mas e se eu fizesse? Somos jovens, temos tempo, erramos e aprendemos, ou as vezes nem aprendemos e erramos de novo, de novo e de novo. Somos humanos e temos o mesmo ideal, de sermos felizes – Amber olhou para todos nós e sorriu – Muito obrigada e até o baile pessoal! - Finalizou gritando feliz e empolgada.

Deixávamos qualquer desavença de lado e batíamos palma e gritávamos sem medo do amanhã. Mães choravam na plateia e pais assoviavam logo após o discurso de Amber. Pronto, agora era o fim. Adeus colegial.
Talvez Amber não fosse tão burra assim e pela primeira vez havia falado uma coisa com sentido. O meu problema não era muito bem o futuro, meu problema era sair da minha zona de conforto, sair de um lugar onde eu conhecia todo mundo, tinha meus amigos, minha escola onde estudava por 3 anos, minha família, meu namorado (não tão namorado assim no exato momento). Mas é o que dizem por aí, a vida só começa a partir do momento que você sai da sua zona de conforto, e eu precisava começar minha vida.

Não posso negar, eu havia me segurado o máximo que conseguia para não demonstrar nenhum tipo de emoção ao ouvir as palavras de Amber. Eu sabia que no fundo toda aquela briga estava sendo ruim para nós duas e que no final de tudo o colegial valeu apena e cada minuto, não importavam os momentos bons ou ruins. Se eu pudesse voltar no começo do ano letivo e olhar para mim mesma e contar tudo o que aconteceria durante o ano e como tudo terminaria, eu provavelmente gargalharia até morrer. Minha vida deu uma volta enorme e absurda e não posso dizer que foi ruim, apesar do final não ter sido tão bom quanto eu imaginava. Eu poderia estar feliz com meu namorado e ainda estar dentro da equipe das lideres de torcida, mas daí estamos falando da minha vida, e quando falamos da minha vida, sabemos que nada vai ser fácil ou normal, sempre vai ter aquela pedrinha no meio do caminho, ou uma montanha, melhor dizendo.
No final da cerimonia todos estavam concentrados na porta da escola, desejando parabéns e boa sorte nessa nova etapa da vida. Alguns aproveitavam o que restava da luz do dia para tirar algumas fotos, e outros, assim como eu, implorava para que seus pais parassem de pedir foto de qualquer ângulo que eles achassem magnífico. Minha mãe não parava de me abraçar e dizer o quão feliz estava de finalmente eu ter passado pelo conturbado colegial. Fez questão de cumprimentar Amber e dizer o quão maravilhoso havia sido seu discurso e também aproveitar para dar um “olá” para seus pais. Bom, nós duas não trocamos mais do que sorrisos forçados uma para a outra.

- Como poderíamos esquecer? – Ouvi minha mãe gritar ao encontrar os pais de e o próprio vindo em nossa direção.
Tudo que eu queria no momento era um buraco, um buraco para poder jogar minha mãe lá dentro e não tirar nos próximos 20 anos. A festa ao ver minha família foi a mesma, os pais de pareciam muito felizes de ter reencontrado meus pais e Steve. Eles conversavam como grandes amigos de infância enquanto eu e estávamos lado a lado. Ele provavelmente estava pensando na mesma ideia do buraco para também jogar sua família.
- Vem, vocês dois. Só falta uma foto do casal para terminar o dia de hoje – Casal? Minha mãe sabia de toda a briga e ainda tinha feito a proeza de chamar a gente de casal?
Cadê essa porra de buraco logo, antes que eu tenha que dar um tiro?
Sentindo meu rosto queimar, fiquei mais perto de para poder tirar a maldita foto, antes que minha mãe tivesse alguma ideia pior do que essa.
- Vamos lá, não faça disso um martírio – Disse baixinho para que só eu escutasse – Você conhece nossas mães – Ele cutucou minha barriga – Cadê o sorriso? Se você tirar uma foto comigo com cara de bunda, vou ficar triste, bonitinha.
- Para de me cutucar seu idiota! – Gargalhei e tentei me concentrar na pose pra foto.
- Então me abraça direito! Parece que até que sou um desconhecido – Um desconhecido, poderia não ser, mas que a atitude dele tinha me pego de total surpresa, isso tinha.
colocou os braços em volta do meu pescoço e eu, timidamente, abracei ele, me aninhando em seu peito para a foto. Eu poderia nessa posição por uma semana, sem problema algum. Assim que o flash bateu, eu me afastei, por mais triste que aquilo fosse.
- Você vai na festa na casa da Mandy? – Perguntou.
- Sim, só que antes vou sair com meu pai e com a Alison para jantar.
- Te vejo lá, então? – Perguntou e eu fiz que sim com a cabeça, um pouco boba ainda com tudo. saiu com seus pais e eu continuava que nem uma babaca, parada no meio do nada, vendo ele se afastar.
Será que a gente iria se acertar, finalmente?
Então me deu um estalo e lembrei de Owen.
Eu havia visto ele naquela hora e ele, pela graça de Deus, havia sumido. Olhei ao redor e não encontrei ninguém.
- Me procurando?

- Para dizer a verdade você não era a pessoa que eu mais desejava ver por aqui hoje, sem ofensas – Estávamos na lateral da escola onde não haviam muitas pessoas. Não queria que aquilo se tornasse uma cena. Todo o caos que Owen já tinha causado era o suficiente.
Ele prometeu uma relação apenas profissional, e eu esperava que essa promessa fosse cumprida.
- Namorado ciumento, saquei – Disse com desdém e eu rolei os olhos – O fato é que eu ia esperar até segunda feira para te dar o presente de formatura, mas achei que hoje seria mais oportuno, já que é o dia da sua formatura– Eu tinha medo sempre que o Owen falava a palavra “presente”. Ele estendeu a mão, onde segurava uma folha– Isso veio para meu e-mail hoje de manhã.
Me entregou e eu abri o envelope no qual havia um papel com o símbolo da UCLA.

Parabéns Sra. ! Você foi aceita em um de nossos cursos. Ficamos felizes em ter a Srta. como uma de nossas alunas no curso de Produção Fonográfica em nossa Universidade e gostaríamos de oferecer nossa bolsa de estudos

A carta era simplesmente imensa, mas tudo que conseguia ler era aquela breve introdução do qual estava escrito “Parabéns Sra. ! Você foi aceita em um de nossos cursos”. Eu, , havia sido aceita na nada mais nada menos que na UCLA. Eu tinha a chance de morar na Califórnia, com os estudos pagos. Sabia que mesmo depois de tudo aquilo, eu não tinha certeza se Califórnia seria meu destino, mas só do fato de ser aceita em uma das faculdades mais conhecidas pela indústria da música, isso já era o suficiente pra mim, mesmo que a NYU ainda não tivesse dado a resposta. Não sei por quanto tempo eu li e reli aquela simples frase, mas foi tempo suficiente para não pensar em mais nada, além de pular no pescoço de Owen para agradecer por aquela oportunidade.
- Meu deus, obrigada! – Estava com os braços ao redor de seu pescoço, quando vi , parado observando a cena sem dizer uma palavra. No mesmo instante me afastei e esqueci de tudo que acontecia ao meu redor.
- Eu já tinha essa resposta há alguns dias, mas achei melhor esperar um dia especial para poder te dar – Disse Owen entusiasmado, mas eu continuava parada, encarando .
Owen seguiu meu olhar e finalmente notou a presença do garoto atrás dele.
- Olha cara, não leva a mal, eu só precisava entregar uma coisa pra ela.
- Cala a boca – disse ríspido, mas sem tirar os olhos de mim.
- , isso não foi nada demais, eu só estava agradecendo a ele por isso – Mostrei a folha na intenção que ele fosse me perguntar o que era aquilo. Doce ilusão.
- É, só queria entregar isso e ir embora – Completou.
Eu não sei quantos segundos foram, mas a única coisa que posso dizer é que eu pisquei, apenas pisquei e vi dando um murro no meio da cara do Owen. Coloquei a mão no rosto indignada com a cena, e da mesma forma que aquele soco veio, meu pai apareceu e segurou pelos dois braços.
- Calma aí, garotão, não vale a pena – Meu pai tentava tranquilizá-lo, mas parecia um verdadeiro louco tentando se soltar dos braços do meu pai, enquanto Owen limpava a fina linha de sangue que saia de seu nariz – , para!
- Fica longe dela, seu filho da puta! Tudo o que você sempre quis desde que nos conheceu foi tirar ela de mim! – Gritou . Tudo que pensava naquele momento era que havia dado um soco da cara de uma pessoa por minha causa, e a pessoa em questão era o boss de todo aquele festival do qual a banda deles tocariam. Deus, ele levaria tudo a perder – Você é um merda! Um merda porque sempre soube que ela estava comigo, e era a única mulher que você não iria conseguir levar pra cama com um simples all access ou um emprego!
- Não vou ficar ouvindo palhaçadas de uma criança.
- Cala a porra da boca Owen, não piora as coisas! – Meu pai berrou, ainda tentando segurar – Sai logo daqui antes que eu tenha que te dar um murro no meio da cara, também.
Owen sorriu irônico.
- Me liga se precisar de alguma coisa e espero que você tome a decisão certa – Disse e se foi, finalmente.
Meu pai soltou , que estava vermelho de raiva. Me aproximei dele, mas ele se afastou de mim no mesmo instante.
- Sai de perto de mim – Cuspiu as palavras como se estivesse com nojo de mim e saiu.

Não sabia se sentia raiva de mim, de Owen ou de . Sabia que ele tinha o total direito de ficar daquele jeito, mas eu não havia feito absolutamente nada, além de abraçar Owen como uma forma de agradecimento. Eu estava com raiva de todo mundo para falar a verdade, mas especialmente de mim. Por que tudo se tornava tão difícil quando a pessoa em questão era eu? Minha mãe e Steve haviam ido embora antes de toda a confusão e só restavam Allie e meu pai para me acalmar na merda que me encontrava.
- Tem certeza que tá tudo bem cancelar o jantar? Eu sei que você queria conversar com a gente.
- Certeza absoluta. Você não está com cabeça pra isso. Vou te deixar na casa da e sei que ela vai te distrair, será melhor pra você desabafar com ela. A gente combina de almoçar amanhã, ok? – Meu pai me olhava pelo retrovisor do carro. Alison sentava no banco da frente e se manteve calada quase o percurso inteiro, assustada com toda a situação – Allie vai dormir em casa hoje e amanhã, caso decidir dormir na , te pego na casa dela para irmos almoçar, tudo bem assim? – Concordei fazendo que sim com a cabeça.
Sim, eu iria para casa da , mas não seria para chorar e afogar as mágoas no seu ombro sujando toda sua blusa de rímel. Afogaria as mágoas sim, porém não me acabando como estava fazendo nos últimos dias. Tudo que pensava era na festa de Mandy, da qual me levaria arrastada de volta para casa.

1 Tequila.
2 Tequilas.
3 Terquilas.
4 Trecrilas.
6 Tejndlas
7 Dinossauros
8 Fadas
9 Ornitorrincos amarelos voadores do espaço.
10 ou será que seria 11? Ou talvez 12...
14 Fodeu perdi as contas.
A verdade é que havia muito tempo que eu não sabia o que era diversão. A verdadeira havia sumido e se tornado uma babaca da qual seu mundo girava em torno de . O amor é uma bosta, o amor é um lixo. Nunca amem ninguém, você só vai se foder e se foder. E se foder de novo, e mais uma vez. Ou talvez várias vezes. Resumindo: Não amem, porque é um caralho. O fato era que a verdadeira estava de volta ao jogo e foda-se tudo. Foda-se namorado, ou seria ex-namorado? Foda-se Owen, foda-se trabalho, foda-se faculdade, foda-se futuro, foda-se tudo! Não queria pensar em mais nada hoje que não fosse meu amigo José. José Cuervo. Meu novo namorado, pronto!
- Estou de volta, caralho! – Virei mais um shot de tequila, sem limão ou sal, porque já estava num ponto que nem sabia a utilidade daquilo.
Ouvi vários gritos ao meu redor, mas não conhecia ninguém além de ao meu lado, tentando se manter sóbria só porque estava preocupada com que eu fosse fazer alguma merda. Que merda mais eu podia fazer, me fala?
- Se o te ver aqui, no meio de um monte de caras da faculdade do qual não temos nem ideia de quem são, quem vai ganhar um soco na cara é você dessa vez. E olha que não vou segurar ninguém, porque bem que você tá merecendo.
- ? Quem é ? No comprendo señora – Gargalhei que nem uma retardada – Quem se importa com o , se temos o Jeffrey, não é Jeffrey? – Coloquei os braços em volta do cara ao meu lado que nunca tinha visto na vida.
- É Brian, gata.
- Pois essa noite você vai ser o Jeffrey, ok? Quem se chama Ryan hoje em dia? Muito complicado esse nome aí.
- É Brian, cochichou.
- Não me importo – Tirei os braços ao redor do Ryan, ou Brian, ou Jeffrey – Sabe gente, eu não tenho motivos para ficar triste hoje. Acabei de me formar na escola e fui aceita na nada mais nada menos que a UCLA! – Todos ao redor gritaram e bateram palmas – O que não quer dizer que eu vá realmente para Califórnia, já que sou muito idiota e bem, isso não vem ao caso.
- Nada vem ao caso, gata – Jeffrey colocou os braços em volta na minha cintura – Você será uma caloura, uma caloura bem gostosa diga-se de passagem, então que tal comemorar do jeito certo? – Levantei uma sobrancelha e esperei o resto da conversa – Eu e meus amigos moramos numa república perto daqui e eles também estão dando uma festa, só que um pouco mais privada. Que tal terminarmos a comemoração lá com a gente?
Não respondi nada, apenas peguei um copinho de shot vazio e enchi o mesmo com tequila.
- Jeffrey... Não sei o que seria de mim sem você essa noite – Levantei o copo de tequila para o alto fazendo um brinde – Um brinde ao Jeffrey e suas ideias mais geniais que já ouvi na vida!
E antes que pudesse ao menos beber o conteúdo do copo, alguém puxou meu braço bruscamente me tirando da roda dos meus novos amigos.

- Ai, ai, ai, , você tá me machucando! – Resmunguei sem ao menos saber onde estava indo. Quando olhei para o braço em minhas mãos, não entendi absolutamente nada. Mas esse não era o braço da . Ao olhar pra cima, deparei com e uma cara furiosa.
Quer dizer, eu esqueci que não sei quem é .
Vamos lá reformular a frase: Ao olhar pra cima, deparei com um cara extremamente gostoso, que fazia minhas pernas tremerem e meu coração sair pela boca, e uma cara furiosa.
Droga, isso não deu muito certo. Ele me jogou como uma boneca de pano num sofá fora da cara.
- Se não fosse a me chamar apavorada porque você estava indo longe demais com aqueles babacas que você nem conhece, terminaria a noite estuprada na porra de um alojamento estudantil. Eu estou de saco cheio de ser sua babá! – Gritou.
- Eu não pedi pra você ser minha babá! – Me levantei, tentando me manter reta – Não pedi pra você me tirar dali, não pedi pra você se preocupar comigo, então foda-se seus argumentos ridículos de que está realmente preocupado comigo, porque tudo que você pensa é em você!
- Eu só penso em mim? – Gargalhou – Eu só penso em mim?
- Ninguém é mais idiota por você como eu sou – Sabia que não conseguiria terminar aquela discussão sem chorar – Eu quase larguei meu trabalho pra te agradar, eu fiquei que nem um cachorrinho atrás de você quando estava puto comigo por causa do Owen... Eu nunca, nunquinha mesmo pensei no Owen além de um colega de trabalho e você me culpa simplesmente porque o cara quer me agradar.
- Pelo amor de Deus, , que mané agradar, o cara quer te comer!
- Deveria ter deixado ele me comer, pelo menos assim você teria um motivo convincente pra essa palhaçada toda!
Igual ele me jogou como uma boneca de pano no sofá, ele me jogou contra a parede, ficando frente a frente a mim.
- Você é a porra da minha namora, tá entendendo? – Ele deu um soco na parede bem do meu lado e deduzi que ele estava fazendo aquilo, pra não ter que dar um na minha cara – Minha! – E então lá se foi outro soco na parede – Não daquele babaca, e de mais ninguém!
- Só sou sua namorada quando lhe convém, . Só que agora chega de bancar a namorada babaca. Acabou!
- O que? – Gargalhou – Você tá terminando comigo?
- Por quê? Esperava a iniciativa vinda de você só porque você acha que tem motivos suficientes pra isso?
- Esse é seu maior problema! – Se afastou um pouco e começou a gesticular – Você paga de revoltada, faz essa imagem de “foda-se todo mundo e todos” mas não passa de uma garotinha mimada, uma filhinha de papai que tudo tem que ser do seu jeito. Tudo sempre tem que ser do seu jeito, sua ridícula! Você é patética, .
- Eu te odeio, !
- Aé? Pois eu também te odeio! Não te suporto! – Gritava.
- ÓTIMO!
- ÓTIMO! Já que você me odeia, eu vou embora. E boa viagem pra Califórnia com seu novo namorado!
Ele havia escutado sobre a Califórnia, droga! seguiu até a rua, onde entrou em seu carro e saiu feito louco.
- Eu avisei que isso ia dar merda – A voz de surgiu e eu me joguei no sofá novamente com as mãos na cabeça – Parece até que estou vendo o mesmo filme de alguns meses atrás outra vez.
- Talvez porque tudo esteja se repetindo – Disse aos prantos.

Capítulo Vinte e Três


"Amazing still it seems. I'll be 23. I won't always love what Ill never have, I won't always live in my regrets" - 23 (Jimmy Eat World)

Eu me encontrava praticamente jogada na mesa do restaurante que havíamos decidido almoçar, para compensar a falta do jantar na noite passada. O gosto ruim na minha boca não saía nem depois de ter escovado os dentes pelo menos três vezes antes de sair de casa. Meu estômago reclamava, mas não sabia se era de tanto álcool que tinha ingerido na noite anterior, ou se eram as horas que tinha passado sem comer nada. Minha cabeça pesava uns 37 quilos e nada fazia aquilo parar. Também não sabia se era da quantidade de álcool da noite anterior, ou só a consciência pesada mesmo.
Aqui vai um aviso muito importante sobre ressaca: Você pode todos os analgésicos possíveis, mas quando sua dor de cabeça é causada pela ressaca, nada no mundo vai fazer ela parar.
E aqui vai mais uma lição muito importante sobre ressaca: Ela não é legal, então se possível, não beba em um dia o que você não bebeu nos últimos meses, vai por mim. O conselho é de amiga.

Meu pai fazia os pedidos, enquanto tudo que eu fazia era uma massagem na cabeça na esperança que aquela maldita dor fosse passar. Eu não lembrava de tudo da noite passada, apenas o suficiente. Mas o suficiente era o necessário para saber que eu e já era.

Depois de todo o espetáculo sendo protagonizado por mim e por , fez o favor de me levar pra casa, digo, pra casa do meu pai. A cena do meu pai abrindo a porta sem acreditar no meu estado, foi bizarra. Minhas únicas palavras da noite foram “Fui aceita na UCLA” e “ me odeia”. Nunca agradeci tanto por ele ser mais flexível que a minha mãe. Papai me ajudou a tomar banho sem que eu levasse um tombo tentando fazer isso e me colocou na cama. Digamos que eu chorei mais um pouco quando deitei, e ele cantarolou alguma canção que não sabia qual era, mas me lembrou muito minha infância e quando só ele conseguia fazer com que eu dormisse sem tirar ninguém do sério. Ele dizia repetidas vezes que tudo ia ficar bem e eu dormi tentando acreditar naquilo.
Tentando.
O garçom que mal havia anotado os pedidos já tinha voltado com um suco cor indefinida. Se tivesse que adivinhar o que tinha la dentro, provavelmente passaria horas tentando descobrir.
- Beba isso – Meu pai colocou o copo na minha frente – Você vai se sentir melhor, vai por mim. E não pergunta o que tem aí dentro.
- Fica tranquilo, parte da dor de cabeça é pelo que eu fiz ontem – Nem ao menos pensei, eu apenas tampei o nariz com uma das mãos e com a outra levei o copo com o líquido nojento até a boca, bebendo de uma vez só.
O gosto do final veio quando destampei o nariz e por pouco não corri pro banheiro colocar tudo pra fora. Ao invés disso, soltei um arroto que o restaurante inteiro escutou. Desculpa, ou era isso ou o vómito. Pelo menos aquele arroto monstro fez eu me sentir melhor.
- Você só faz besteira quando bebe e fica péssima no dia seguinte. Qual o fundamento de alguém beber, sabendo que besteiras vão acontecer e a ressaca vai aparecer? – Aquela era uma ótima oportunidade de Alison não filosofar e ficar quieta. A fuzilei com os olhos.
- Por favor, irmãzinha querida, hoje não.
- Sem briga, garotas.
- Como está a Tyra? Espero eu não tenha dado trabalho o suficiente para incomodá-la hoje de madrugada – Tyra aparentava estar perfeitamente bem, mas não achava que existia uma razão para eles mentirem em relação a isso. Alguma coisa estava acontecendo, só acredito que nada tão ruim em relação a saúde dela.
- Não, na verdade ela nem acordou, estava dormindo que nem pedra – Sorriu sem graça.
- E ela está bem? – Perguntei preocupada. Alguma coisa estava acontecendo com ela, eu só não tinha ideia do que – Os exames dela saíram?
- Sim, saíram – Papai respirou fundo – Essa é uma das razões que eu queria conversar com vocês – Eu e Alison ficamos atenta a cada palavra que ele dizia – A primeira coisa é que decidimos ficar para o casamento da sua mãe. Seria muito rude ficar todo esse tempo e não esperar mais algumas semanas para estar presente. A Tyra se sentiu à vontade, então decidimos que ir era a melhor opção.
- Lógico que é! Mamãe vai ficar super feliz! – Eu disse empolgada – Mas e o que mais você quer contar?
- A outra coisa... Bem, é meio complicado de falar assim de repente, mas... – Sempre que meu pai enrolava, era uma bomba que vinha – Vocês sabem que eu namoro a Tyra já tem algum tempo e que eu gosto demais dela. Na verdade foi a primeira mulher que consegui gostar de verdade depois da sua mãe – Eu e Alison continuávamos sem piscar – É uma notícia bem inusitada, e acredito que vai mudar muito nossas vidas. Principalmente a minha.
- Ah não! – Me joguei novamente na mesa do restaurante – Não, por favor, não! Eu não vou aguentar outro casamento nos próximos 35 anos, pai! O da mamãe já está me deixando de cabelo em pé, e olha que estou o mais afastada que posso disso tudo e...
- Não, ! – Me interrompeu – Não vou me casar com a Tyra! Quer dizer, não agora. Não vemos motivos para acelerar as coisas quando elas estão certas desse jeito, eu não estou falando de casamento! Deus, pensei que fosse ser mais fácil! – Matt mexeu nos cabelos, nervoso.
- A Tyra tá grávida! – Alison abriu a boca pela primeira vez desde o começo do discurso do meu pai. Eu franzi o cenho e olhei pra cara dela sem entender de onde ela tinha tirado aquele absurdo e meu pai... Bom, meu pai estava branco. Talvez meio verde. Parecido com a cor do negócio que eu havia acabado de tomar.
- Mas como que...
- MEU DEUS, A TYRA TÁ GRÁVIDA? – Praticamente gritei e coloquei as mãos na boca, sem acreditar que aquilo pudesse ser verdade – E MEU DEUS, COMO A ALISON SABIA E EU NÃO?
- Sim, ela está, mas não, a Alison não sabia. Como infernos você descobriu isso? Esperava isso vindo da sua irmã – Continuávamos a olha para minha irmã mais nova como se ela fosse um ET ou algo assim.
- Você esqueceu que sou mais inteligente que ela? Meu deus, eu só sabia porque era óbvio. Ela estava passando mal várias vezes, eu vi que ela fez alguns exames e você tava parecendo um boboca para conseguir falar com a gente.
- Minha filha é um alien – Disse meu pai, incrédulo e Allie gargalhou.
- E EU VOU TER UM IRMÃOZINHO! – Dessa vez eu gritei de verdade, gritei e pulei em cima do meu pai – Não acredito, pai! Um irmão! Allie, você não vai ser mais a irmã mais nova!
- Amém! – Alison também foi abraçar meu pai, mas não surtando loucamente como eu. Ao contrário de mim, minha irmã sabia se comportar e sempre conseguia guardar melhor as emoções do que eu. Talvez Alison tivesse muito o que me ensinar – Parabéns, papai!!!
- Obrigado, minhas princesas. Mas não podemos esquecer que também pode ser uma irmãzinha!
- Vai ser um irmão, tenho certeza! – Disse convicta. Não tinha razão, mas eu simplesmente achava. Sempre imaginei meu pai tendo um filho. Durante toda a gestação de Alison, mesmo sabendo que eu ganharia uma irmãzinha, eu sempre imaginava meu pai brincando com um garotinho. Talvez porque ele fosse homem e querendo ou não, no fundo, um homem sempre deseja ter um filho homem pelo menos.
- Tudo bem, então, vamos esperar pra ver – Disse meu pai, se entregando a minha aposta sobre o sexo do meu futuro irmão.

Eu e Alison chegamos em casa surtando. Minha ressaca havia melhorado como um passe de mágica, só não sabia se aquilo havia sido por causa daquela bebida abominável ou por causa da notícia que eu teria um irmão. Ao encontrar minha mãe na sala, eu e Allie gritávamos tentando falar uma mais alta que a outra e ao mesmo tempo, deixando minha mãe e Steve um tanto quanto confusos, sem entender absolutamente nada do que estava acontecendo.
- Dá pra uma falar de cada vez, por favor? - Pediu Steve educadamente.
- O papai vai ter um filho! - Gritei.
- Sim, a Tyra está grávida! - Gritou Alison.
Minha mãe arregalou os olhos, incrédula com a notícia.
Desde que Lizzie e Steve começaram a namorar, eles sempre deixaram claro que não pensavam em ter filhos. Minha mãe teve duas gestações muito turbulentas. Ambas foram de risco e durante quase os 9 meses ela teve que fazer repouso absoluto, tendo uma alimentação superbalanceada para que nada de ruim acontecesse com ela ou com a gente. Levando isso em conta, ela decidiu que já estava muito feliz com nós duas e não precisava ter outro filho com Steve para que eles fossem felizes. Steve considera a mim e a Alison como filhas e também não se importou com a decisão da minha mãe. Meu padrasto já era pai, tinha dois filhos alguns anos mais velhos que eu, do primeiro casamento, que moravam na Nova Zelândia e pouco os via. Eu os conheci uma única vez em uma viagem em família que fizemos para a Austrália quando eu tinha 13 anos, mas pouco lembro deles. Os dois ligavam em datas comemorativas e sempre mandavam presentes de Natal para mim, minha irmã e minha mãe.
- Wow! Isso é... Quer dizer, eu fico muito feliz por eles – Lizzie deixou a revista de noiva que estava lendo de lado – Seu pai sempre quis ter, pelo menos, mais um filho.
- Imagino como ele não deve estar feliz com a notícia – Disse Steve.
- Sim, está. E eles decidiram ir ao casamento! – Alison contou a outra parte da notícia e minha mãe deu um sorriso sincero.
- Eu fico muito feliz em saber que seu pai está feliz. Ele é uma pessoa muito importante e já estava ficando preocupada em ele ser tão sozinho e viver tanto para o trabalho. Essa criança veio em boa hora, tenho certeza. Fico muito contente em saber que ele e a namorada vão à cerimonia. Vou ter a chance de desejar muita sorte pra eles e até dar um presente para o bebê.
Sabia que minha mãe era sincera em relação a tudo isso. Como já disse, os dois se amaram muito durante o tempo que viveram juntos e a separação foi difícil para ambos. Apesar de gostar muito da minha mãe, meu pai ficou feliz quando ela conheceu Steve, e agora sabia que minha mãe sentia a mesma coisa em relação a ele, sobre seu namoro com Tyra e seu futuro filho.
- Bom, agora quem tem uma surpresa sou eu! – Minha mãe se levantou do sofá animada e pegou a bolsa em cima da mesa – Vamos, mocinha – Olhou pra mim – Temos um compromisso importante hoje.

Eu não tinha a mínima noção de onde estava indo, minha mãe fez suspense o tempo inteirinho, até pararmos em frente a casa onde aconteceria o casamento. Não entendi porque ela havia me levado até lá, mas também havia desistido de perguntar. Entramos no lugar e alguns preparativos já estavam sendo feito. O altar estava sendo montado, os suportes para as flores já estavam em seus lugares e todas as cadeiras para os convidados também. O casamento seria em duas semanas e até que tudo estava muito bem adiantado. Lizzie tomou algumas notas com a mulher da organização e logo entramos dentro da casa. Algumas pessoas andavam de um lado para o outro e eu ainda não entendia o que estava acontecendo. Até que de repente, na minha frente aparece , sorridente ao lado de sua mãe. Não entendia a razão deles estarem ali e muito menos aquele sorriso que estava na cara, que me irritava até o último fio de cabelo.
- Olá, meu amor, como você está? – A mãe de veio me cumprimentar, e nem olhei para o lado pra não ter que fingir de educada e ter que cumprimentar o filho.
- Estou bem, só não estou entendendo muita coisa. O que tá acontecendo, mãe? – Perguntei confusa.
E aquele merda que um dia chamei de namorado me olhava com aquele sorrisinho irritante, me fazendo querer mais do que tudo dar um soco no meio daquele rostinho bonitinho para deformar de uma vez e nunca mais ser um problema pra mim.
- Eu tenho uma convidada especial para meu casamento. Decidi nos encontrarmos aqui para poder revelar a surpresa. já viu e sei que amou.
Minha mãe tinha fumado, só pode!
Foi então que pelo vão de e sua mãe, eu vi uma mulher. Ela era um pouco mais baixa que eu, cabelos presos em um coque bem preso no alto da cabeça e um pouco mais bronzeada do que eu lembrava e com os mesmos olhos que jamais esqueci.
Meu deus, aquela era Scarlett! Minha babá e a babá de quando éramos pequenos. Aquela que quando foi embora eu jamais acreditava que poderia viver sem. Aquela que tenho um carinho tão grande que pode se comparar ao carinho de mãe e filha.
- Scar? - Disse com a voz trêmula e com os olhos cheios de lágrimas.
Atravessei por e sua mãe e corri para abraçá-la. Faziam anos e anos desde que tinha feito aquilo pela última vez. Se ela soubesse de tudo que tinha acontecido... Se ela soubesse que um dia eu e nos separamos, que voltamos a ser amigos, que namoramos e que agora estávamos separados de novo, ela jamais acreditaria na reviravolta que tinha dado em nossas vidas.

Estava apenas eu e Scarlett naquele grande espaço na área externa da casa. Ela estava sentada em uma das cadeiras para os convidados do casamento, e eu estava sentada no chão, com a cabeça em seu colo, limpando as lágrimas que insistiam em sair. Scar fazia carinho na minha cabeça me acalmando enquanto contava tudo que havia acontecido desde sua partida para Porto Rico, um pouco antes da briga entre e eu.
- Eu sei que prometemos tomar conta um do outro, mas daí a vida pregou essa pra cima da gente – Expliquei.
- Tenho certeza que mesmo longe, vocês nunca deixaram de tomar conta um do outro. Como posso dizer? – Pensou por alguns instantes – Como uma liberdade vigiada. Vai dizer que mesmo longe você não sabia de tudo que estava acontecendo na vida dele?
- Sim, mas...
- Isso que quero dizer. Vocês podiam dizer não serem mais amigos e fingir que se odiavam – Eu ia intrometer naquilo, mas ela colocou seu dedo em minha boca – Não adianta, vocês se amam, jamais se odiariam de verdade, . Vocês sempre se amaram e eu sempre tive certeza que um dia ficariam juntos. Lembro até hoje quando ele pegou aquela carta de um amiguinho seu se declarando perdidamente apaixonado por você – Gargalhamos juntas lembrando daquilo. Eu era tão pequena, que não imaginava que ela lembraria daquilo.
- Oliver Sanders! - E eu ainda lembrava o nome – Ele até que era bonitinho. Sabia que deveria ter investido!
- Vocês dois são quase dois adultos, mas parece que estacionaram no tempo e estão com a mesma idade que deixei vocês aqui, incrível!
- Ele que é um idiota.
- Ele te ama, meu amor! Ele te ama e morre de medo de te perder de novo. Você tem que compreender o lado dele, você é linda, tenho certeza que tem vários rapazes atrás de você. Imagina como não deve ser a concorrência?
- Como se não tivesse um monte de piranha atrás dele. Tudo puta! – Tampei a boca logo em seguida, fazendo o mesmo gesto que teria feito anos atrás se tivesse falado um palavrão em sua frente – Desculpa! – Ela riu e me senti um pouco melhor, pelo menos não tinha levado uma bronca como antes.
- Vocês dois não tem jeito!
- Quem não tem jeito é ele! Ele é tão irritante que tenho vontade de matar, passar por cima sabe? E ainda dar ré depois e passar de novo. Onde na vida eu trocaria ele por um cara que tudo que temos em comum é a área profissional? Ele é um idiota, um tremendo de um retardado mental, que só naquela cabeça louca ele pode pensar pelo menos por um segundo que algum dia eu vou gostar de alguém que não seja ele. Quer saber? Isso seria uma benção na minha vida. Gostar de outro cara eliminaria pelo menos 90% dos meus problemas. Por quê? Por que infernos ele tem que ser o causador dos meus problemas e ao mesmo tempo a solução de tudo? Isso é tão absurdo que nem sentido faz!
Eu sabia que não estava fazendo sentido algum no que eu falava, eu só falava e confiava que Scarlett entenderia tudo.
- Se coloca no lugar dele. Imagina uma bonitona trabalhando junto com ele, bonitona que além de tudo gosta dele... , ele pode estar completamente errado em perder o controle desse jeito, mas você tem que entender o lado dele também. Não deve ser fácil.
- Por que você sempre tem que defender esse bobão?
- Acredita que ele me fez a mesma pergunta?

POV:

- Por que você tem que defender tanto essa garota?
- Não to defendendo ela, o ponto aqui é que vocês dois estão nesse pé de guerra por um motivo absurdo! – Eu e Scar caminhávamos por aquela casa enorme onde aconteceria o casamento da mãe da , conversando enquanto mãe e filha não chegavam.
- Mas ela é a culpada! Eu não to dizendo que odeio ela, ou algo parecido. Quer dizer, eu até odeio às vezes, tenho vontade de estrangular ela, mas eu a amo tanto que me irrita! Eu me sinto fraco, idiota, um babaca, porque não é algo que consigo controlar. Por mais que minha vontade seja de colocar a cabeça dela no triturador de carne, eu quero que ela volte de novo pra mim. Mas ela é tão teimosa, tão mimada, que dai eu esqueço de tudo isso e quero esganar ela de novo.
- Certo, . Agora entende uma coisa, que culpa ela tem se o tal moço se apaixonou por ela? Isso tem alguma coisa a ver com os sentimentos dela?
- Não... Quer dizer, tem! – Balancei a cabeça confuso. Precisava de um gole de whisky – Ah, Scarlett, não sei! Por que ela tem que ser assim? Talvez se ela fosse realmente o que ela quer mostrar o que é, não seria tantos caras assim em cima dela.
- Assim como?
- A não é como qualquer menina da idade dela. Ela pouco se preocupa com que roupa vai vestir, com quanto tá pesando, ela tem mania de pedir a sobremesa antes de comer a comida, dá pra acreditar? Apesar de demonstrar ser uma ogra ela é a pessoa mais sensível e carinhosa que eu conheço. Ela se preocupa com as pessoas de verdade, entende? Eu tenho certeza que ela se preocupa com os sentimentos daquele idiota, mesmo ele sendo um idiota, entende?
Por que todo mundo tem que se apaixonar por ela? Essa é a pergunta principal. Será que era tão difícil entender que eu queria ela só pra mim e não queria que nenhum babaca sentisse o que eu estava sentido? Durante os anos que ficamos separados eu tive que aguentar amigos próximos dizendo as maiores merdas da vida ao explicar o efeito que causava neles sem nem ao menos fazer nada. Tive que aguentar parte da população masculina daquela escola dizendo o quanto ela era gostosa e tudo o que fariam para levá-la pra cama. Isso era frustrante e minha vontade era de esfregar a cara de cada um no asfalto. Não posso dizer que não amei ver a cara daqueles mesmos babacas e de muitos outros ao nos verem andando de mãos nadas pela escola quando começamos a namorar, porque eu havia ganhado, ela estava comigo e ela era minha, não deles. Ela me amava e era pra mim que ela sorria feito boba por qualquer coisa que eu dizia.
- Mas por que você quer que ela mude se foi por causa disso que se apaixonou por ela?
- Eu sei, não faz sentido! – Eu sei que é doentio, mas tudo seria mais fácil se eu trancasse ela dentro de um quarto pra nenhum imbecil se quer olhar pra ela. Achei melhor só deixar isso em pensamento para não assustar Scar – Aposto que tem vários merdinhas pensando em convidá-la para o baile, sabendo que não estamos mais juntos.
- E você acha realmente que ela vai aceitar ir com algum deles? Eu posso ter ficado muito tempo longe, mas conheço vocês dois como a palma da minha mão e posso afirmar que odeia essas coisas e ela só iria se fosse pra ir com você. Então para de colocar minhocas na sua cabeça, antes que você enlouqueça.
- Parece que ela vai com a – Dei em ombros.
- Faz sentido, elas são melhores amigas.
- Mas eu sou o namorado! Independente de qualquer coisa, ela deveria ir só comigo!
- Não seria ex-namorado? , chega. Não adianta você exigir uma coisa da qual aparentemente abriu mão. Vocês não estão mais juntos, não é isso que me disse? – Fiz que sim com a cabeça – Então qualquer coisa que ela decida fazer agora, você não tem mais absolutamente nada ver. A não ser que você queira mudar isso.
- Entende uma coisa, Scar, quando se trata da , as coisas não funcionam tão fáceis assim.
Como negar que eu amava irritar de todas as formas possíveis? Eu também não era fácil e lógico que amava aquela situação de quem irritar mais ganha. Então era óbvio que não podia de repente virar o Romeu da história.
- Mas quando se trata de você é o que mais sabe contornar a situação – Piscou pra mim – Eu sei que você consegue.

//POV:

Logo depois molhar muito o joelho de Scarlett com meu choro incontrolável, todos nós conversávamos numa mesa no jardim da casa que minha mãe havia alugado para seu casamento. Minha mãe, mãe de e Scarlett tomavam uma chá, enquanto eu me concentrava para não atacar meus sapatos e jogar em cima de que insistia em ficar me encarando com aquela merda de sorriso sínico que ele carregava na cara.
- E seus filhos, Scar? - Perguntei, tentando me entreter em alguma conversa para esquecer o estrupício sentado ao meu lado.
- Estão ótimos, entraram na faculdade de Michigan em Detroit depois de conseguirem uma bolsa de estudos. Eu não quis ficar em Porto Rico sozinha, já que eu e meu marido nos separamos assim que deixei Londres. Então decidi voltar.
- Alison vai ficar tão feliz em saber que a babá dela voltou! - Disse animada – Meu pai, então! Dá pra acreditar que ele...
- Babá de Alison? Não é como se a Scarlett tivesse voltado pra ficar na sua casa – me interrompeu – Já está tudo certo, não está? Você vai ficar em casa, trabalhando e cuidando da gente.
- Cala a boca, . Eu sei que você é mais criança do que um menininho de 8 anos, mas não quer dizer que você precise de uma babá. Scar vai vir morar em casa para cuidar da Alison, não vai?
- Dá pra vocês dois pararem de discutir pelo menos por dois minutos? – Disse minha mãe tentando amenizar a briga – Isso não é hora pra conversar sobre isso!
- Não, tudo bem – Scarlett disse sem graça – Mas não, meu amor... – Olhou para – Acho que já cuidei bastante de vocês dois para que precisem de mim de novo. E também acho que Alison já está bem grandinha para precisar de mim. Eu vim pra Londres para resolver problemas de trabalho, mas não vai ser aqui que eu vou ficar.
Todos na mesa encaravam Scarlett com um ponto de interrogação no meio da testa. Como assim ela mal havia chego e já ia embora? Quem era o maldito que ia tirar de novo minha babá de mim? Sabe, eu precisava dela mais do que qualquer criança birrenta!
- Vou para Nova York logo após o casamento da sua mãe, para cuidar do seu novo irmãozinho ou irmãzinha, – Scarlett sorriu.
- O que? – Praticamente gritei.
- A Tyra tá grávida? – perguntou e eu simplesmente ignorei.
- Logo que meus filhos entraram na faculdade eu e seu pai nos falamos e ele ficou a par de tudo que estava acontecendo na minha vida. Assim que descobriu da gravidez da namorada, ele entrou em contato comigo de novo, oferecendo a proposta. Disse que confiava demais em mim e pediu para que eu me mudasse para Nova York com ele quando ele voltasse, assim podia pelo menos ficar no mesmo país que meus filhos estão estudando, trabalhando e tendo onde morar e trabalhar.
Não vou admitir que senti uma pitada de ciúmes, mas tudo bem, senti a mesma coisa antes da Alison nascer. Quando minha irmã mais nova era um bebê meus pais fizeram eu entender que, mesmo que Scarlett ainda cuidasse de mim, a atenção dela seria mais focada a Allie, porque ela era muito pequena. Talvez agora o bicho verde do ciúme tenha sido um pouquinho maior, porque quando ela cuidou de Alison, ela estava perto de mim, pelo menos. Cuidando do meu novo irmãozinho, ela estaria longe de mim.
Foi então que eu parei para pensar que eu também ficaria longe do meu irmão e não acompanharia seu crescimento da mesma forma que acompanhei da Alison.
Por que a vida tinha que ser tão injusta comigo? Mas que droga! Seria demais eu ter uma família normal onde todos moravam perto?
Lógico que não vou ser egoísta. Meu irmão precisaria muito mais de Scarlett do que de mim, mas meu irmão também precisaria de mim e eu não estaria ao seu lado o tempo todo. Após meu momento de reflexão pedi licença dizendo que ia ao banheiro e fui dar uma caminhada. Eu estava tão feliz com a nova notícia do meu pai, que não havia parado para pensar como tudo isso seria. Não acompanharia toda a gravidez de Tyra, não acompanharia todo o crescimento do meu irmão, simplesmente nada. Eu sei que a distância não é absolutamente nada, e que apesar da saudade eu e meu pai sabemos lidar com isso muito bem, mas eu não queria ser estranha para meu próprio irmão.

- Ou o banheiro mudou de lugar ou você decidiu aderir uma nova técnica de fazer xixi – apareceu ao meu lado do nada, me dando um susto.
- Agora não, tá?
- Tá tudo bem? – Perguntou, parecendo realmente preocupado.
Respirei fundo antes de responder.
- Não sei... Quer dizer, eu não tinha parado pra pensar em tudo isso... – Respondi e ficou olhando pra mim sem entender nada – O filho que a Tyra está esperando. Não vai ser como foi com a Alison, eu não estarei por perto.
- Bom, você foi aceita na UCLA, pelo menos estará no mesmo país que eles, isso diminui um pouco do problema – Não sabia se aquela resposta havia sido irônica ou não, mas de qualquer forma tinha me irritado.
- Eu fui aceita na UCLA, eu não disse em nenhum momento que eu vou para UCLA. É tão difícil de entender isso? – Cruzei os braços.
- Talvez isso seja mais um empurrãozinho.
- Tá ok, , desembucha. Qual seu problema em relação a isso? E se eu aceitar? Que mal eu farei em aceitar uma proposta de estudar numa das melhores faculdades dos Estados Unidos? – Eu parei de andar e me coloquei de frente pra mim – Esquece tudo isso que está acontecendo, esquece que terminamos e finge que ainda temos alguma coisa. Se eu aceitasse ir pra Los Angeles, o que eu estaria fazendo de errado? – Joguei a pergunta e balançou a cabeça, sorrindo de leve.
- Você não entende que o problema não é esse? Independente de qualquer coisa, eu ficaria extremamente orgulhoso por você ter conseguido isso, mas não foi algo planejado, não foi algo que você quis. Foi algo que ele quis, aquele idiota do Owen. Eu sei muito bem pra quais faculdades você se inscreveu e Los Angeles nunca esteve nos seus planos. Ele fez isso pra te afastar daqui, tirar você de mim! Será que você é tão burra ao ponto de não ver isso?
- Eu nunca me inscrevi porque pra mim seria impossível!
- Larga a mão de ser mentirosa! Você é a filha de Matt , um dos maiores produtores musicais, você cresceu nesse meio, você é inteligente, esforçada, como isso seria impossível? Você se inscreveu pra NYU! Se inscrever pra UCLA não seria nada demais se fosse algo que você já tivesse pensado.
- Eu não sou burra, eu sei das intenções do Owen, sei que ele diz gostar de mim, mas eu já deixei claro pra ele que não sinto o mesmo! Não é ele que eu quero, !
- Filha? – Escutei a voz da minha mãe atrás de mim e fechei os olhos respirando fundo. Obrigada, mãe! Chegou numa hora certinha – Atrapalho alguma coisa? É que temos que ir embora, preciso fazer algumas ligações de trabalho.
- Não, tudo bem. Você chegou na hora certa – Respondi e me virei para – Tchau, a gente se vê.
E o prêmio de covarde do ano vai para: .

Não tinha ideia do que faria em relação a . Para dizer a verdade, eu não tinha ideia sobre muitas coisas na minha vida. O fato é que não queria pensar nisso agora ou passaria o resto do meu final de semana na merda.
A primeira coisa que eu fiz quando tive um tempo foi ir ao apartamento do meu pai abraçar Tyra infinitamente, agradecendo por esse presente em nossas vidas. Scar já estava hospedada no apartamento também e pareceu gostar muito da namorada do meu pai, e vice-versa. Para dizer a verdade, eu fiquei grudada a Tyra e Scarlett o domingo inteiro fazendo planos e pensando em diversos nomes para o bebê. Lógico que a chance “irmã” não estava nula e Tyra tinha o desejo desde pequena em ter uma menina chamada Donatella, então pelo menos isso já estava decidido, já que eu e meu pai estávamos de acordo. Agora quando o assunto foi um nome masculino, foi um problema. Na verdade não chegamos em consenso algum. Por mais que minha vontade de ter um irmão seja enorme, eu nunca parei pra pensar em qual nome daria caso tivesse um. Eu tive problemas pra colocar um nome no meu cachorro, quem dirá a um irmão.

Passei o resto do meu domingo na cama, com Vegas deitado em minha barriga, pensando sobre algumas infinitas coisas. Era bizarro o fato deu ainda olhar pro celular em cada 5 minutos tenho a esperança que poderia ter, pelo menos, alguma mensagem dele, nem que seja me zoando ou tirando uma com a minha cara. Queria saber quando essa falta chegaria ao fim. Seria tão mais fácil se as coisas fossem como meu término de namoro com o Andrew. Essa coisa de gostar de verdade de uma pessoa era entrar num beco sem saída.
- Toc toc – Alguém disse. Olhei para porta e estava com a cabeça pra dentro do meu quarto.
- Olá, primo favorito, entra! – Tirei Vegas da minha barriga e me sentei. Bati na cama para que ele se juntasse a mim – O que devo a honra de sua presença?
- Primeiro vim dar um abraço na minha prima favorita que não vejo faz décadas – se jogou em cima de mim e eu comecei a gargalhar, acordando Vegas – Olá, Vegas – Fez carinho no cachorro ao meu lado, que nem deu trela e simplesmente virou pro lado e voltou a dormir – Não podia ser tão igual à dona – Rolei os olhos.
- , nós nos vimos ontem na colação.
- Isso já é tempo demais pra mim. E então, como vai a mais nova, de novo, irmã mais velha do pedaço? Nem acreditei quando soube da notícia, muito menos quando fui até a casa do Matt e dei de cara com a Scarlett. O que infernos está acontecendo nesse mundo? Seu pai, pai de novo, Scarlett de volta, você e terminando namoro.
- Por favor, não vamos entrar no assunto , pelo menos não por hoje – levantou as mãos em forma de rendimento – Sim, Scar está de volta, mas não por muito tempo. Ela vai cuidar do bebê, então vai se mudar pra Nova York com meu pai. Só veio até aqui pra me ver e ir ao casamento da minha mãe.
- Que mundo louco esse.
- Nem me fale. Mas e você?
- Eu andei pegando a Amber...
- Como é que é? – Comecei a rir – Desde quando você faz o perfil da Jenkins?
- Eu faço o perfil de todas as garotas, amor – Piscou pra mim – Enfim, a gente tava ficando e eu chamei ela para ir ao baile, só que adivinha só? Ela já havia sido convidada.
- Não fica triste – Abracei ele de lado e beijei sua bochecha – Estou na mesma.
- Na mesma não, né. Conheço pelo menos 7 caras que querem te chamar pro baile, mas que tem medo de levar um pau do – Ah tá, era só o que me faltava agora – Mas levando em consideração que sou seu primo e um dos melhores amigos do seu ex, acredito que não estou tão em perigo assim, e é por isso que estou aqui – Se levantou e fez uma pose de super herói – Para nós dois não sermos os empata foda do e do , e já que você não vai mais com o , será que a senhorita me dá a honra de ser seu par no baile? – segurou minha mão e a beijou como um cavalheiro.
- Bom... Já que não tenho como fugir disso, será uma honra, Sr. .

e eu conversamos até quase meia-noite naquele domingo. Falamos sobre tudo, inclusive sobre , mesmo que indiretamente, já que eu supostamente não queria tocar no assunto. me entendia e eu agradecia sempre por ter uma pessoa tão maravilhosa como ele e na minha vida, para aguentar meus surtos e minhas ideias malucas sobre a vida.
- Por que eu sou tão complicada? – Perguntei.
- Você é uma garota, garotas são complicadas – Respondeu prontamente e eu o fuzilei com os olhos – Mas é verdade!
- Olhando tudo isso de fora, parece que sou uma pessoa fria e calculista que só pensa em si mesma. Eu não penso em mim mesma, na verdade eu acho que meu problema é esse. Antes eu pensasse mais em mim. Provavelmente eu seria menos complicada.
- Você é a última pessoa fria e calculista do mundo, . Vocês não deram certo agora, porque simplesmente não tinha que ser. não conseguiu acompanhar seu ritmo de vida, ele também tem que entender que sua vida, e a vida de ninguém agora vai só ser resumida em ir a escola ou a jogos. Somos quase adultos, as responsabilidades vão chegando. As suas chegaram antes, agora faz parte ele entender isso.
- Você sabe que o problema não é esse, . O problema dele é o Owen, sempre foi e sempre vai ser. Muito mais agora que ele me ajudou nisso da faculdade. Às vezes eu penso que acelerei demais as coisas. Eu entrei tão de cabeça nesse trabalho que fui expulsa da equipe das lideres de torcida e perdi meu namorado.
- Foi sua primeira oportunidade de trabalho e era um sonho pra você, é normal ter feito isso, você não queria desapontar ninguém. O Owen é um babaca e ele é o problema de todo mundo, se você quer saber.
- Eu queria tanto, mas tanto participar da final do campeonato, que você não tem uma noção. Por que infernos eu fui aceitar esse trabalho de volta?
- Por que você não conversa com a Amber? Às vezes ela...
- A final do campeonato é no dia do festival, não vou conseguir fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Tirando que com a Amber não tem conversa, esqueceu?
- Você é tão negativa.
- E você viaja tanto. O campeonato e o festival são nessa semana, dá pra entender?
- E?
- Porra, e? E que eu não vou conseguir resolver uma merda gigantesca eu levei meses pra fazer, em menos de uma semana!
- Você quer concertar as coisas, não quer? – Fiz que sim com a cabeça – Então sei que você vai fazer a coisa certa.
E enfim, cheguei a uma incrível conclusão depois de passar horas e horas refletindo sobre minha patética vida no exato momento com meu primo: Eu sou uma mula! Sim, uma mula! Tudo que estava acontecendo agora era por causa da minha idiotice e falta de noção. Eu havia colocado prioridades coisas absurdas na minha vida, quando eu deveria aproveitar o final da minha adolescência da forma certa.

- Eu quero pedir demissão – Disse em frente a mesa de Owen, que parou tudo que estava fazendo para ficar olhando pra minha cara.
- Como assim você quer pedir demissão, ? – Owen se levantou da cadeira e abandonou todos os papéis que estavam tomando sua atenção – Essa é a sua última semana de trabalho.
- Justamente a semana que tenho vários compromissos, como a final do campeonato.
- Não foi você mesma que disse que te tiraram do time? , por um acaso foi a briga que tive com o ? Só quero que saiba que...
- Owen, tudo que esse trabalho me trouxe foram decepções e prejuízos. Eu agradeço do fundo do meu coração tudo que você fez por mim, mas essa é a única chance que tenho de concertar tudo que eu fiz a proeza de destruir.
- E você simplesmente vai jogar toda sua carreira pro alto por causa de uma besteira qualquer – Atravessou a mesa e veio pra perto.
- Besteira? Owen, isso que você chama de besteira, é minha droga de vida e se eu não tentar concertar ela nesse exato momento, eu nunca vou me perdoar.
- Vamos entrar em um acordo, pelo menos. Você termina essa semana e...
- Owen, não – Fechei os olhos e respirei fundo – Já disse, agradeço infinitamente a você, eu tive uma experiência maravilhosa, mas infelizmente destruiu minha vida particular. Me desculpa.
- Você também vai desistir de Los Angeles? – Perguntou de cabeça baixa.
- Eu não parei pra pensar sobre isso ainda. Estou esperando respostas de outras faculdades antes de tomar minha decisão. Mas prometo pensar. Eu sou idiota, mas não sou burra, sei que vai ser uma oportunidade e tanto.
- Certo – Disse baixinho – Posso pelo menos te dar um abraço?
Não tinha como negar, mesmo que eu não tivesse muito confortável com aquela situação, eu devia muito a Owen, mesmo que por causa dele toda minha vida tivesse virado de cabeça para baixo. Eu sorri de leve e fiz que sim com a cabeça. Ele se aproximou de mim e colocou seus braços em minha volta.
Aquilo era estranho, mas confortante. Passei meus braços por sua cintura, me encaixando e me sentindo um pouco menor do que já era, por Owen ser bem mais alto que eu. Aquilo durou alguns segundos.
- Por favor, fica – Implorou.
- Desculpa, não posso.
- Então pelo menos aparece no festival – Ele foi até sua mesa e tirou de la de dentro uma credencial “All Access” com a minha foto e meu nome – Com isso você não vai ter menores problemas pra conseguir entrar – Estendeu a mão pra mim com a credencial e me entregou.
- Dependendo de como tudo ocorrer, eu vou. Não quero perder o show dos meninos.
- Obrigado por querer ir pra ver um velho amigo.
- Owen...
- Brincadeira. Te vejo lá, então?
- Vou tentar.
Owen saiu novamente de trás de sua mesa, vindo em minha direção. Ele voltou a se aproximar de mim, passo a passo, lentamente, sem tirar os olhos dos meus. Aquilo já estava me dando calafrios. Quando parou em minha frente, levou as mãos até meu rosto e fez um leve carinho em minha bochecha.
- Já que você não trabalha mais aqui, eu não tenho que cumprir minha promessa. Não sou mais seu chefe, não temos mais nenhuma ligação profissional – Pela primeira vez na vida, Owen me dava medo. Eu fiquei sem reação em sua frente – Só quero que você saiba que você não é mais uma. Nunca gostei de ninguém assim, não sabia nem o que era isso – Ele continuou a fazer um leve carinho em minha bochecha, olhando cada detalhe de meu rosto – E justamente a garota que decidi me apaixonar, não me quer. Primeira pessoa que me apaixonei e a primeira pessoa que não me quis. Não sou um cara de muita sorte – Ele aproximou seu rosto ainda mais do meu, e quando entendi o que estava acontecendo, consegui finalmente despertar.
- Por favor, não faz isso, Owen – Disse calmamente, sem me mover – Ou quem vai ter que te dar um soco na cara vai ser eu.
Ele fechou os olhos e riu baixo, se afastando, finalmente, de mim.
- Sinto muito não corresponder. E mesmo que algumas pessoas falem sobre você, quero que você saiba que eu tenho minha própria opinião. Eu sei que você é uma pessoa boa, e eu gosto de você, só que não do jeito que você gosta de mim. Você tem que entender que...
- Você ama o .
- E acho que sempre vou amar – Dei de ombros, conformada com aquilo.
- Não se você nunca der a chance pra mais ninguém. Vocês nem estão mais juntos!
- Eu não me sinto à vontade de dar chances a ninguém... Me desculpa – Abaixei a cabeça e sai de sua sala sem nem ao menos dar tchau.

Mesmo que não tivesse acontecido nada, o fato dele ter tentado algo, me deixou nervosa. Owen podia ser um canalha e um idiota com qualquer pessoa, mas comigo ele sempre foi um cavalheiro e querendo ou não isso acabou me conquistando um pouco. Sem saber muito meu rumo, fui à casa de pra combinar algumas coisas que havíamos combinado apenas por telefone. Eu queria sair dessa maré de azar que eu andava e sei que ela poderia me ajudar e muito.

POV : (6 meses atrás)

Por um algum milagre eu havia acordado antes mesmo do meu relógio despertar. Minha casa parecia uma loucura desde as 6 e meia da manhã com meu pai no celular, óbvio, falando de trabalho e minha mãe estava no sofá com, no mínimo, 7 tipos de tecidos diferentes para mandar fazer o vestido que ela usaria no casamento de Lizzie . Bufei ao lembrar que além dela, eu também faria parte daquela palhaçada toda. A cerca de uma semana, Lizzie veio em casa para fazer o pedido pessoalmente para que eu entrasse com alguma das damas de honra que entrariam em seu casamento, para ser mais exato, com . Resumindo a história toda, a minha mãe deu gritinhos histéricos, não deixou eu nem ao menos me manifestar e aceitou o convite. Não que haveria alguma maneira de não aceitar aquilo por algumas razões.

Primeira razão que não pude dizer não à Lizzie : Aquela mulher me conhecia desde que eu tinha 4 anos de idade. Frequentei a casa dela por anos e ela era como família pra mim.
Segunda razão que não pude dizer não à Lizzie : Minha mãe jamais me perdoaria se recusasse um pedido desses, afinal, as duas sempre foram amigas e mulher é uma bosta pra essas coisas.
E a terceira e última razão que não pude dizer não: Fazer desse momento um inferno para .

Pensar na cena em que eu entraria de braços dados com no altar era a mais irônica, assustadora e engraçada da vida. A situação era o seguinte, meus caros: A garota me odiava e eu... Bom, eu não a odeio, eu apenas amo tirar ela do sério. Deixar ela puta da vida, batendo os pés e com carinha de brava era meu passatempo favorito.

Enfim, a razão da minha casa estar uma loucura em plena manhã foi a que me fez acordar e vim direto para a escola. Ao chegar no estacionamento, poucos alunos haviam chego. Estacionei o carro numa vaga perto da entrada da escola e sai para fumar um cigarro enquanto os caras e nem minha namorada chegava. Essa tranquilidade era pouco vista por aqui, nem parecia o mesmo lugar quando as pessoas ainda chegavam, era até meio silencioso demais.
- Fala, ! – Silêncio que durou até chegar com alguns outros caras que vinham de carona com ele na mini van de sua mãe.
- De onde vem toda essa empolgação, ? São... – Olhei para o relógio – 7:16 da manhã ainda. Guarde um pouco de energia para o resto do dia, ainda temos ensaio.
- Tenho toda a energia do mundo, meu amigo.
- Alguém por favor me explica como aquela mina consegue ser tão gostosa sendo completamente diferente de todas as garotas desse caralho de colégio? – Disse Jimmy, algum amigo alheio de que estava junto com a gente.
Parei para olhar sobre quem ele estava falando e só foi uma confirmação para quem imaginava quem era.
, lógico.
Ela saía de seu carro e tudo parecia como um comercial de televisão. Seu cabelo bagunçado e escuro deixava sua pele mais branca do que ela já era. Apesar de maravilhosa, eu sempre preferi ela com seu cabelo original, loiro. Ela usava uma jaqueta de couro por cima do uniforme da escola e botas, como de costume. Só ela conseguia transformar aquele uniforme da escola em um estilo completamente rock and roll e extremamente sexy, principalmente com aquele óculos de coração que chamava a atenção de todo mundo. Não havia uma alma masculina naquele lugar que não ficava atrapalhado das ideias quando via aquela maldita. Sim, ela era uma maldita. Acendi até outro cigarro.
Amber, sem notar minha presença passou por nós sem olhar para os lados, e eu como não estava com espírito para aguentar ela em cima de mim a essa hora da manhã, só observei ela se aproximando de e Vêronia. Já podia imaginar a merda que daria. e Amber não se suportavam.
- Não posso negar que a Amber também é uma gata, mas a , cara... A é quase que covardia – Continuou Jimmy, com seus comentários escrotos que me faziam querer quebrar a cara dele – Com todo respeito, , como você deixou essa gata passar?
- E além de linda, ela é uma das meninas mais legais dessa escola. Ela e a , as duas que consigo realmente conversar sobre algum assunto que não seja produto pra cabelo – Completou .
- Ela tem cara de ser uma puta na cama. Vou perguntar pro Drew, com certeza ele vai saber me responder.
- Por que você não cala essa borra de boca, Jimmy? – Me segurei até o fim para não esmurrar a cara daquele filho da puta desgraçado.
- Qual é ? Tá com ciúmes da ex namorada? Claro, esqueci, nem namorados vocês foram!
- É, mas uma pena que não esqueci o fora que ela te deu na festa dos calouros, seu merda – Coloquei a mochila das costas e fechei o carro – Vai pro banheiro resolver seu problema sozinho, porque é o máximo que você vai conseguir.

Já perdi as contas de quantas vezes eu me segurei para não quebrar a cara de ninguém dessa escola que vinha com comentários escrotos sobre . Eu sabia que não havia razão alguma para eu ficar desse jeito, mas algumas coisas nunca mudam e nem o passado consegue apagar isso. Eu só precisava continuar tentando colocar na cabeça que minha vida e a vida dela já não tinham mais nada a ver uma com a outra. Ela tinha se tornado uma estanha pra mim e eu um estranho para ela.
Isso pode soar um tanto quanto gay, mas não havia como negar, era linda, mas tão linda que parecia um anjo. Nenhuma garota daquela escola chegava pelo menos aos pés dela. Existiam garotas muito gostosas, claro, como minha namorada, mas gostosa e linda como ela, infelizmente aquele posto era apenas dela. Era difícil de acreditar que uma menina como aquela, namorava um babaca como Andrew. O quão irônico era, uma pessoa toda revoltadinha como ela, namorar com o capitão do time de futebol?
Comentários como esses do babaca do Jimmy eram todos os dias, já estava acostumado, ou tentando me acostumar. Mas nada melhor do que me acalmar do que torrar um pouquinho a paciência de . Vi que Amber já não estava mais por perto e a vi conversando com e me aproximei sem que ela percebesse minha presença. me olhou assustada e fiz sinal para que ela não falasse nada. Me aproximei um pouco mais e dei um tapa na bunda de , que por alguns instantes ficou sem reação.
- Bom dia, ladies – Disse educado, tirando o cigarro da boca para brincar com a língua de uma forma obscena, tirando sarro da cara dela.
- Filho da puta! – Ela girou, roxa de vergonha. Tá vendo? Uma beleza tão linda e delicada, e um espírito tão revoltado e ogro. Nem isso fazia sentido naquela menina.
Mas oh, Deus! Aquilo fez meu dia! Deu até vontade de apertar as bochechas dela. E depois encher ela de beijos e levá-la até debaixo da arquibancada do campo de futebol, mas isso não precisava nem ser mencionado. Gargalhei e fiz um coração com a mão para finalizar.
Aquilo já tinha sido o suficiente para me fazer ignorar o episódio com a merda do Jimmy e fazer o dia inteiro um belo de um dia.

// POV: (6 meses atrás)

O dia havia chego.
Final do campeonato das líderes de torcida.
Show dos meninos no festival.
Um belo dia pra tudo dar certo, mas que um passo em falso, meus planos de conseguir concertar toda merda que eu tinha feito escorreria pelo ralo. Um belo dia pra minha mãe não ficar em cima de mim feito uma louca enchendo minha paciência com assuntos do casamento e do meu baile. Respirei fundo pela décima vez nos últimos cinco minutos e me olhei no espelho. Meus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo bem preso e minha maquiagem estava de acordo com as cores da escola e com muito glitter. Minha tatuagem da nuca estava devidamente escondida com maquiagem e meu tênis esportivo estava tão branco como nunca esteve. Me olhar com aquele uniforme das animadoras e gostar de estar vestindo aquilo era uma sensação nova pra mim, mas uma pena que aquela seria a última vez que o vestiria e não aproveitei o quanto deveria. Eu sabia que tudo podia dar errado e tudo que planejei com poderia ir por água abaixo, mas eu não desistiria.
Antes que chegasse, mandei uma mensagem para desejando boa sorte. Se meu plano desse certo, as chances de perder o show dos meninos eram grandes. sabia disso e compreendia completamente. E bom, se meu plano der errado o máximo que pode acontecer é eu ir correndo aos prantos para o show para que meu primo me consolasse e, por fim, me animar no show deles e em seguida no do Fall Out Boy.
Escutei a buzina de e desci as escadas correndo, gritando para minha mãe que não me esperasse acordada.

Aquela arena estava uma verdadeira loucura. Cada equipe estava com seu grupo se concentrando e terminando os últimos ajustes. Aquela arena tinha cheiro de salão de cabeleireiro. Fazia sentido já que muitos profissionais estavam ali justamente para arrumar os cabelos de algumas meninas. Pude ver nosso time de longe e senti um frio na barriga. Algumas meninas estavam se aquecendo, outras retocando a maquiagem. Amber mexia no celular quando aparecemos na sua frente, e ela tirou os olhos do visor, me olhando sem entender absolutamente nada.
- Tá perdida, ? – Perguntou me olhando de cima abaixo – O que infernos você tá fazendo vestida com o uniforme? Você andou bebendo de novo?
- Amber – E lá fui eu de novo respirar fundo mais uma vez – Eu sei todos os erros que cometi e entendo completamente sua posição. Você é a capitã e quer o melhor pro seu time – Dei uma pausa e ela esperou que eu completasse – Mas por favor, não tem mais nada que eu mais queira nesse mundo do que corrigir meu erro. Por favor, deixa eu competir com vocês hoje.
- Você realmente andou bebendo – Disse, ignorando praticamente tudo o que eu dizia.
- Eu sei que não sou sua pessoa favorita no mundo, e sei que não tenho moral alguma pra pedir isso, mas por favor! Eu me demiti pra poder estar aqui, eu provavelmente vou perder o show dos meus melhores amigos pra poder fazer isso – Eu estava praticamente me ajoelhando aos pés dela.
- , é o seguinte. Mesmo que eu quisesse, você é louca? Tem noção dos riscos que a gente correria deixando você participar? Você não participou dos ensaios das últimas semanas! E outra, a Angie está de volta, a coreografia foi feita para o número exato de garotas que estão aqui.
- Angie não está aqui – Respondi e Amber olhou ao redor se dando conta que Angie realmente não estava lá.
- Em que infernos se meteu a Angie? Que merda você fez, ? Pelo amor de deus, me diz que você...
- Angelina não participou nem da metade dos ensaios que eu participei. Você sabe que sei essa coreografia de trás pra frente, Jenkins, e mesmo que não tenha estado presente nas últimas semanas, eu consigo fazer isso!
- Cade a Angelina? – Amber perguntou pausadamente.
- A Angie não vem – Ela ouviu minha resposta com os olhos arregalados – Eu conversei com ela, expliquei tudo e ela aceitou dar o lugar dela pra mim.
- Qual é o a porra do seu problema, garota? – Gritou, chamando a atenção de algumas pessoas que estavam por perto. Olhou ao redor e percebendo que estava chamando atenção, se encolheu – Você tem algum problema mental? – Cochichou extremamente irritada.
- Ela sabe o quão difícil foi pra mim entrar nessa equipe desde o começo, ou melhor, todas vocês sabem como foi difícil. Só que por incrível que pareça, eu gostei de passar esse tempo com vocês. A única amiga mulher que tive na vida foi a , e infelizmente não foi tão fácil saber conviver com vocês. Mas eu acabei aprendendo e eu gostei disso, eu acabei gostando de ficar por perto, nos ensaios, falando coisas de garotas, eu acabei me divertindo. Sei que meti os pés pelas mãos quando disse que poderia administrar tanta coisa, mas não foi por querer. Eu só fiquei deslumbrada com a oportunidade de poder trabalhar em alguma coisa que eu realmente gostava. Achei alguma coisa que eu realmente era boa, entende? Só que depois de todo esse tempo longe, eu percebi que eu também era realmente boa nisso, e por mais que ser líder de torcida não seja algo muito a ver comigo...
- Nada a ver com você – Corrigiu Amber e eu rolei os olhos.
- E por mais que ser líder de torcida seja algo nada a ver comigo – Reformulei a frase para continuar – Eu gostava, sabia que era boa e que podia ajudar. De alguma forma até me sentia mais bonita com todo esse glamour que querendo ou não isso traz.
- Você é uma das garotas mais populares da escola. Roubou meu namorado, e o cara que era extremamente louca, era caidinho por você. Na verdade parte masculina daquela escola é caidinha por você. Outra parte por mim, claro – Dei uma risada fraca com o comentário de Amber – No exato momento você está sendo disputada por dois caras e você ainda não se acha bonita?
- Não é que eu me ache feia, mas estou longe de me achar tudo isso. Nada disso que você disse alguma vez fez sentido na minha vida, Amber. Será que você não percebe que eu simplesmente detesto esse negócio de popularidade? Não nasci pra isso, esse não é meu mundo.
- Isso eu sei, . Você veio de Marte e todo mundo sabe disso.
- Enfim. Eu só queria uma chance. Uma chance e eu prometo que vamos ganhar essa merda.
Amber ficou me encarando por alguns instantes antes de me responder. Eu tentava demonstrar que estava calma, mas por dentro estava uma pilha de nervos.
- Você não sequestrou a Angelina e nem nada parecido pra conseguir isso, não é? – Me olhou assustada.
- Amber...
- Você é maluca, , preciso ter certeza que não está mantendo minha amiga presa em algum cativeiro.
- Não, Amber, eu não sequestrei a Angelina – Rolei os olhos.
- Certo – Olhou ao redor para todas as garotas do time que também esperavam apreensiva por sua decisão – Vai logo se aquecer, , antes que eu mude de ideia.
As garotas gritaram e bateram palma logo após sua decisão e eu voei diretamente para o pescoço de Amber, beijando suas bochechas infinitas vezes.
- Eca, sai de mim, ! – Reclamou e eu me afastei.
- Desculpa – Disse tentando me conter, mas não aguentei e de novo pulei em cima dela – É que eu to muito feliz, obrigada!
- Argh, tudo bem. Só deixa esses peitos bem guardados e nada de sair por aí mostrando. Aqui há juízes e tenho certeza que eles não querem nenhum tipo de nudez durante a apresentação. Guarde isso pro seu namorado. Ou ex. Futuro. Ah sei la, você entendeu!
- Ok, certo – Me afastei dela, tentando me acalmar – Peitos pra dentro do uniforme.
- Agora, vai! Daqui alguns minutos é a nossa vez.
- Preciso só avisar meu pai que deu tudo certo.
- Seu pai tá aqui? – Perguntou confusa.
- Sim, ele e a Tyra vieram me ver – Respondi, tirando meu celular de dentro da bolsa.
- Como você falou pra eles vierem, se nem sabia se eu ia te aceitar de volta?
- Na verdade eu sabia que de alguma forma eu ia te convencer – Dei uma piscada pra ela – E porque sei que no fundo você não é uma vadia tão má assim. Talvez só uma vadia, mas não má.
Amber semicerrou os olhos e me mandou o dedo do meio, me fazendo gargalhar.

Não vou descrever como que foi a apresentação, porque estava simplesmente nervosa demais para poder me lembrar de alguma coisa. Eu mal conseguia pensar, além dos meus movimentos milimetricamente calculados para que nada de errado acontecesse. A plateia estava incrível e muitos alunos da nossa escola vieram prestigiar nossa apresentação. Foi simplesmente perfeito. Tudo! Nada, nenhum erro, nenhuma queda, nenhum passo fora do lugar. Eu tentava imaginar que ali era nosso ginásio, na nossa escola, onde ninguém julgaria se estávamos fazendo algo de errado ou não. No final de tudo, eu parecia uma criancinha se apresentando na escola, procurando os pais na plateia. Só me senti bem quando vi o sorriso do meu pai vindo em minha direção. Era uma pena eu não ter chamado minha mãe, mas sabia que ela acabaria me deixando mais nervosa com essa situação toda. Tirando que ela já estava com problemas o suficiente, resolvendo tudo para seu casamento.

Indo para os bastidores, nós não fazíamos nada além de gritar e nos abraçar, dizendo o quão mágico e lindo havia sido nossa apresentação. Como eu queria que estivesse ali me vendo. Talvez se não estivéssemos em pé de guerra, ele sentiria um pouquinho de orgulho de mim.
Independente do resultado, todas estavam tão felizes que só isso já tinha valido a pena. Era nossos últimos momentos vivendo aquele clima escolar e para alguma de nós que estavam se formando, a emoção era até dez vezes maior.
Por favor, todos os times sigam direto para o palco principal. Daqui 10 minutos anunciaremos o vencedor
Ao ouvir aquilo, todas nós nos voltamos para onde tínhamos acabado de sair. Eu levei um susto, porque não sabia que seria tão rápido. Então lembrei do festival e olhei para o relógio. Haviam muitas chances de sair correndo dali e ainda conseguir ver o show dos meninos.
Os troféus estavam expostos em mesas na parte lateral do palco principal e todos os jurados estavam pé do lado dele. A apresentadora do campeonato já estava com o microfone em mãos e começou dizendo a terceira colocação.
O terceiro lugar havia sido para Lerry High School.
Eu não havia visto a apresentação deles, mas pelo jeito nós tínhamos sido melhores que elas. E seus uniformes eram horríveis.
O segundo lugar iria ser anunciado e a partir dali, nós saberíamos se tínhamos vencido em primeiro lugar ou não. Meu coração batia tão forte, que podia jurar que estava tendo um ataque cardíaco. A apresentadora dava um discurso interminável, do qual eu não conseguia prestar nem um pouco de atenção, mas tudo que ouvi foi Beechwood School. E definitivamente aquele não era o nome da nossa escola. E nós não tínhamos pego o segundo lugar. Nós éramos os vencedores!
Não sei por quantos segundos demoramos para começar a surtar, mas foi tempo suficiente para olharmos uma para cara da outra sem acreditar que aquilo estava realmente acontecendo. Mal ouvimos anunciarmos nossa escola como primeiro lugar, nós estávamos mais preocupadas em comemorar do que qualquer outra coisa. Nós só paramos quando tivemos que pegar nosso troféu, do qual Amber fez sua última tarefa como capitã. Gritamos, tiramos foto, nos abraçamos, gritamos mais um pouco. Meu pai estava tão feliz quanto a gente, quando apareceu com um buquê enorme de flores para todo o time. Cara, jamais imaginei sentir essa felicidade nesse momento tão turbulento da minha vida.

- Até que não foi tão ruim te aceitar de volta. Você, pelo menos, cumpriu com o que prometeu, somos campeãs! – Agora quem pulou no meu pescoço foi a Amber.
- Te disse – Devolvi o abraço e sem querer olhei no grande relógio digital na parede lateral do ginásio – O show dos meninos!
- Você vai?
- Lógico que vou – Disse puxando seu braço indo atrás de que tinha ido ao banheiro – E você vem junto, vamos.
- Mas vestidas assim?
- Quer algo melhor do que ir vestida de animadora de torcida num festival cheio de gente gata?
- É... Um bom ponto, – Gargalhei e esperamos sair de dentro do banheiro para sair correndo para o festival.

Não posso negar que amei entrar com aquela credencial, não pegar fila alguma para entrar no festival e ainda ter total acesso ao backstage. As meninas entraram comigo sem problema algum, já que grande parte do pessoal que trabalhava na organização me conhecia. Não havia uma alma naquele lugar que não olhava para as três malucas vestidas de lideres de torcida com uma medalha no pescoço. O show dos meninos infelizmente já havia começado e corremos para o palco para poder assistir de lá de cima. Eu me sentia tão orgulhosa deles, que não conseguia parar de sorrir ao vê-los se apresentando para tantas pessoas, que passariam a conhecer a banda depois daquele dia. Nós estávamos na lateral do palco e e Amber pulavam feito três macacas, enquanto eu só estava parada que nem uma idiota olhando para enquanto tocava. Queria poder ter desejado boa sorte. Sabia que ele estava muito nervoso e queria poder dizer que eu estava ali, torcendo por ele. No mesmo instante que estava perdida em pensamentos, ele olhou para ajustar alguma coisa no amplificador e notou minha presença. Me olhou de cima a baixo e fez uma cara de sacana tão absurda, que se eu não tivesse tão feliz, talvez me irritaria. Apontei para medalha e fiz uma cara convencida e ele apenas sorriu, voltando a tocar. No intervalo entre uma música e outra, me assustou vindo em minha direção. Olhei para os lados me perguntando que infernos ele estava indo fazer ali, até que ele parou em minha frente.
- Por algum acaso você é uma das garotas que está na minha lista de pedidos daqui do show? Não tinha especificado que queria elas vestidas de animadoras de torcidas, mas até que gostei da ideia.
- Não sabia que você tinha fantasia por animadoras, cowboy – Disse irônica – Podia ter falado isso antes, tornariam as coisas bem interessantes.
- Nah, não ligo pra essas coisas. Sempre preferi você sem roupa, então não faz diferença pra mim.
Sua resposta me pegou tão de surpresa e me deixou tão sem graça que tudo que fiz foi rir indignada, enquanto ele voltava pro palco. E então eu mandei um dedo do meio pra ele, lógico.
Balançava a cabeça sem acreditar que tinha tido a coragem de me falar uma merda daquelas. Aquele moleque era um retardado mental. Retardado mental que me fazia tremer as pernas, mas ainda sim um retardado mental.

- Eles são muito bons, não posso negar – Owen apareceu de repente do meu lado falando alto e perto para que eu o ouvisse – E também não posso negar que... Wow... Adorei essa roupa.
- É, cansei das minhas roupas antigas, essas são muito melhores, chamam menos atenção – Brinquei.
- Espero que você não saia correndo hoje de novo. Você quase deixou o sapatinho de cristal na última vez que nos vimos.
A última vez que nos vimos, o quase beijo, certo.
- Não foi bem assim – Falei sem graça.
- Eu sei, só to brincando – Fiz uma careta e voltei a prestar atenção no show – Está vendo aqueles caras do outro lado do palco? – Perguntou. Olhei mais a fundo e vi uns 3 ou 4 caras vestido de preto assistindo ao show. Fiz que sim com a cabeça – Eles são de uma gravadora e estão interessados em assinar com a banda dos seus amigos. Provavelmente vão conversar com eles depois do show para marcarem uma reunião.
Olhei para Owen espantada. Como assim uma gravadora queria assinar com eles? Eu sabia que esse show traria muitas oportunidades, mas não imaginava que seria tão rápido. Eu estava sem reação, sério. Voltei a olhar os meninos e milhões de coisas começaram a passar pela minha cabeça. Eu conseguia imaginar eles enchendo estádios com a banda, eu conseguia imaginar eles em programas de TV e de rádio e cheio de fãs em volta. Deus, será? Será que tudo daria certo pra eles?
Eram tantas coisas que passavam pela minha cabeça, que cheguei a ficar assustada.
- Esses caras são gênios, nunca dão um ponto sem nó. Se eles assinarem mesmo com a banda, você pode ter certeza que eles vão fazer dos seus amigos os melhores – Continuava sem dizer nada – Eles vão alcançar o objetivo deles e vão realizar um sonho. E você?
- Eu o que?
- Você vai atrás dos seus objetivos e vai realizar seus sonhos?
- Bom, eu não tenho uma gravadora atrás de mim no momento querendo assinar comigo – Brinquei, prestando atenção no show, continuando com a minha avalanche de pensamentos sobre essa notícia que Owen tinha acabado de me dar.
- Mas tem uma pessoa bem na sua frente disposta a mudar sua vida e fazer dela um sonho – Eu não sabia se tinha entendido muito bem o que ele havia dito, mas tirei a atenção do show e acordei do meu transe para olhar pra ele – Eu vou embora de Londres amanhã pra voltar pra Califórnia. Eu estou te oferecendo uma vida – Colocou a mão na jaqueta e tirou um papel de lá de dentro – Aqui está uma passagem de ida pra Califórnia, data logo depois do casamento da sua mãe. Você vai estudar, vai ter seu emprego. Você pode morar no dormitório da faculdade, mas saiba que tem um convite de morar comigo, sem despesa alguma. Meu apartamento é enorme e ninguém precisa de tanto espaço assim – Pegou em minhas mãos e colocou a passagem nela. Eu estava tendo um ataque de pânico no momento. Nem minha própria saliva eu conseguia engolir – Eu to te oferecendo uma nova vida e um futuro extremamente promissor, fazendo o que você ama.
- Como...
- Eu te amo, tá legal? – Meu deus do céu, alguém cala a boca desse cara antes que eu caia dura, estatelada no chão? – Eu sei que não sou a melhor pessoa do mundo, . Como sei também que nunca senti isso que to sentindo agora. Eu nem sabia que sabia dizer essas palavras. Mas é o que eu sinto. Eu sei que você não sente o mesmo e sei que... Sei que você gosta dele – Olhou para enquanto tocava – Mas ele vai viver a vida dele a partir do momento que assinar com aqueles caras. E então ou você vai ter que deixar ele ir, ou abrir mão do seu sonho pra ficar junto com ele, pra onde ele for. Não to te pedindo em namoro, muito menos em casamento, só quero que você saiba dos meus sentimentos e saiba que eu estou disposto a te conquistar. Não precisa dar a resposta agora, você vai ter alguns dias até lá – Se aproximou de mim e beijou minha testa – Você sabe como me encontrar. Fica bem, se cuida.
E então ele se afastou, descendo do palco e indo em direção a saída. Eu fiquei ali parada sem entender absolutamente nada. Olhei novamente pra passagem em minhas mãos e continuei sem entender nada. Amber e que ouviram a conversa, me olhavam atônitas sem dizer nada.
O que infernos tinha acabado de acontecer?

No mesmo instante, eu pude ouvir encerrando o show, agradecendo ao publico, que estava aos berros. Eles saíram do palco e foram em nossa direção. Os quatro pareciam crianças que haviam acabado de ganhar o presente que tanto queriam na manhã de Natal. Eles se abraçaram, aos berros, formando uma roda e eu e as meninas ficamos observando a cena. Eu na verdade só estava perdida em pensamentos, perdida com tudo aquilo que Owen havia me falado.
- – Senti alguém pegando no meu braço. Aquele era Trish, também da equipe do festival – Aqueles caras estão querendo falar com a banda – Apontou para os mesmos caras que Owen tinha acabado de falar – Mesmo você não estando mais trabalhando aqui, achei melhor perguntar antes pra você, já que você os conhece melhor e pode dizer o que posso fazer.
Acordei um pouco dos pensamentos que estavam cada vez mais tentando me abduzir.
- Ahmm – Fiquei meio confusa – Me empresta sua camiseta.
- O que? – Perguntou com os olhos arregalados.
- Ninguém vai me levar a sério eu vestida desse jeito, Trish. Me empresta sua camiseta, pelo menos, é oficial do festival e é um pouco melhor do que isso daqui que to vestindo.
- Você já tem a credencial!
- A camiseta, Trish! – Insisti sem paciência.
Trish bufou, largou algumas pastas em cima de um amplificador e me passou sua camiseta. No mesmo instante coloquei e ela cobria pelo menos até a um pouco acima da barra da minha saia. Soltei os cabelos e tentei dar uma ajeitada.
- Você me deve sua vida – Disse. Ele tinha vindo até mim para resolver um problema e acabou perdendo a camiseta.
- Valeu, Trish. Dois minutos e já te devolvo – Dei um beijo em sua bochecha e fui até os caras engravatados com caras de mal.

- Olá, boa noite – Respirei fundo e tentei ser o mais profissional que eu conseguia. Nunca desejei tanto que meu pai aparecesse ali do nada pra me ajudar – Sou – Estendi minha mão e cumprimentei aos 4 que estavam a minha frente – Cuido de alguns assuntos da banda. O Trish me disse que os senhores estão querendo conversar com eles.
- Sim, claro. Mas antes... ? Você tem algum parentesco com Matthew ? – Bingo! Aquela seria a primeira vez usaria os benefícios de ser filha do meu pai.
- Matt é meu pai – Sorri de orelha a orelha – Vocês o conhecem?
- Oh, claro. é um grande profissional. Vejo que a senhorita vai seguir os mesmos passos que ele.
- São os planos.
- Mas então, gostaríamos de conversar brevemente com a banda. Nada muito sério, por enquanto. Apenas uma conversa para conhecê-los melhor. Não posso negar que eles são músicos espetaculares para tão pouca idade. Você quem cuida deles?
- No momento, não. Eu trabalhei muito no festival com o Owen, como vocês devem conhecer, e acabei me afastando um pouco dos projetos da banda. Mas como sou muito próxima aos meninos, o é meu primo e o ... - Pigarrei umas duas vezes antes de completar – é meu namorado, – Essa eu peguei pesado, mas era preciso – eu acabo nunca me afastando por completo.
- Ah, claro, entendo. Será que poderíamos encontrar com eles em algum lugar privado para trocar apenas algumas palavras?
- Sim, sem problemas. Trish, vem aqui – Chamei Trish, que veio envergonhado até nós e eu tirei minha camiseta para devolvê-lo, sem nem ao menos me preocupar com a cara que os 4 homens fizeram ao ver a cena do garoto ao meu lado sem camisa, e logo em seguida me ver devolvendo a ele, aparecendo com uma roupa de animadora de torcida – Desculpem por isso, final de campeonato e esse festival me pegaram de surpresa – Eles apenas afirmaram com a cabeça sem entender muita coisa – Leve esses senhores para a sala de reuniões do escritório, logo em seguida vou mandar os meninos pra lá, junto ao Fletch para cuidarem que eles não falem e nem façam nenhuma besteira – Trish fez que sim com a cabeça – Fletch é a pessoa que cuidou da apresentação dos meninos aqui no festival, e acredito que ele é uma ótima pessoa para cuidar deles daqui em diante. Só vim aqui para dizer aos senhores que, estão prestes a conhecer as melhores pessoas do mundo. Eles são talentosos, e mesmo que com a pouca idade, eles são responsáveis, e dão o sangue quando precisam fazer algo certo. São melhores amigos e merecem tudo de melhor que possa estar por vir. Independente do que os senhores estão pensando, não vão se arrepender, confiem em mim. Deem apenas uma chance a eles que eu tenho certeza que tudo vai dar certo.
- Ótimas palavras, senhorita . Espero que esteja certa.
- Tenho certeza que estou. Agora se me dão licença preciso ir. Boa sorte com a conversa.

Os meninos continuavam a conversar feito loucos sobre o show e vi a bizarra cena de aos beijos com , me deixando um pouco incrédula, por ser a primeira vez a ter visto aquilo. Voltei um pouco a mim e entrei no meio deles.
- Vem, ! Vamos comemorar – Gritou , me abraçando de lado.
- Não agora, pessoal – Disse séria e tomei a atenção de todos, inclusive de e , e especialmente de , que me encarava sério – Saiam daqui agora e vão até a sala de reuniões no escritório lá no fundo, Fletch provavelmente já está lá esperando por vocês junto com algumas pessoas que querem conversar com a incrível banda que acabou de se apresentar – Não consegui não sorrir para , que provavelmente já imaginava que era algo grande – Não me perguntem o que é, só vão e não façam nenhuma besteira, por favor.
- Você tá me deixando com medo, – Disse – Você não vem com a gente?
- Não, desculpa. Preciso resolver um outro problema agora. Boa sorte.
- Espera! – Amber me segurou antes que eu saísse – Você não vai esperar nem para assistir ao Fall Out Boy?
- Infelizmente o que eu tenho pra fazer é mais importante. Falo com vocês depois. , empresta seu carro? Acho que agora você já tem uma carona... – Todos riram e não respondeu, apenas jogou as chaves pra mim.

A única coisa que sabia sobre onde Owen morava, era que ele estava hospedado em um hotel luxuoso no centro de Londres, do qual tive que pedir o nome ao meu pai, prometendo a ele que não faria nenhuma besteira que eu iria me arrepender. Na verdade, depois de muito tempo, eu tinha certeza que aquela era a coisa mais certa que eu poderia fazer, e não era algo para ser resolvido por telefone, teria que ser cara a cara. Eu devia uma resposta a ele, e não precisei de muito tempo para saber que estava fazendo a coisa certa. Eu tenho plena consciência que muitos não entendiam porque eu ainda tratava Owen como se ele merecesse algum tipo de respeito. Eu simplesmente gostava dele e não achava que ele era essa pessoa ruim que todos pensavam. Ele era apenas uma pessoa sozinha, que tinha tudo na vida, e que, por uma loucura da vida que não fazia o menor sentido, acabou se apaixonando por mim. Ou melhor, acabou pensando que estava apaixonado por mim.

Ao chegar no hotel, encontrei por volta de 30 meninas paradas na porta e foi então que tudo fez sentido, o Fall Out Boy também estava hospedado nesse hotel, claro. Obrigada, Owen, por sempre tornar as coisas mais fáceis, só que ao contrário. Todas aquelas 30 meninas me encararam ao tentar entrar no hotel, normalmente, vestindo um moletom por cima daquela roupa de animadora de torcida. E claro, que fui parada por um segurança do hotel de no mínimo uns 2 metros.
- Onde a senhorita pensa que vai?
- Falar com um amigo que está hospedado?
Pude notar o silêncio vindo das garotas que estavam provavelmente me odiando tentar na frente de todas para conseguir o que elas não conseguiam.
- Acho que não.
- Espera aí cara, eu lá tenho cara de que vim aqui ficar na porta de hotel, vestida de animadora de torcida, atrás de uma banda, que no exato momento está em cima do palco, enquanto eu estou aqui morrendo de frio com essa roupa? Só quero resolver um problema e ir embora.
- Isso não me convenceu.
Rolei os olhos e pensei em ligar para Owen liberar minha entrada sem precisar daquela papagaiada toda, até que lembrei da credencial. Coloquei a mão dentro do moletom e a tirei de lá de dentro.
- Isso te convence, grandão? Eu faço parte da equipe do festival, trabalho com Owen Lee, que tá aí dentro e preciso resolver esse assunto mais rápido possível – Ele pegou minha credencial e olhou por alguns instantes – Sou pirralha, mas já trabalho e tenho muito problema na minha vida. Quer minha carteira de motorista?
- Entra – Só respondeu isso e liberou minha entrada, fazendo com que todas aquelas fãs rolassem os olhos pra mim.
Que sonho seria minha vida se minha única preocupação fosse conhecer minha banda favorita na porta do hotel.

- Boa noite, eu não sei o quarto, mas tenho um amigo hospedado nesse hotel, o nome dele é Owen Lee – Disse a atendente da recepção.
- Ok, só um instante – Esperei alguns segundos ela verificar no computador – Sim, ele está hospedado aqui, mas infelizmente não posso te deixar subir sem autorização.
- Claro, entendo. Será que você avisar que está aqui embaixo e que preciso dar uma breve palavra com ele?
- Ok, um minuto – A recepcionista digitou alguns números no telefone, que brevemente foi atendido – Sr. Lee, desculpa o incomodo. está aqui embaixo e... Ok, sem problemas – Desligou o telefone – Pode subir, 17º andar, quarto 174.

Fui até o elevador que não demorou segundos para chegar até o décimo sétimo andar do hotel. Tudo lá era tão chique, que dava até medo de tocar. Encontrei com algumas fãs no meio do caminho que também estavam hospedadas e pensei que não tive essa fase, mas tive a fase do qual menininhas escrotas vinham até mim quando alguma banda estava em Londres, para que eu as ajudassem a conhecer, já que meu pai tinha todos os contatos possíveis. Bando de interesseiras.
Parei em frente a porta do quarto e assim que bati, Owen abriu a porta com um sorriso de orelha a orelha e um pouco incrédulo em me ver ali.
- – Me abraçou – Que surpresa, aconteceu alguma coisa? Entra, por favor!
- Não, Owen! É rápido o que eu tenho pra falar – Owen franzio o cenho um pouco confuso – Não sei porque razão, mas eu não te acho esse cara mal que todos dizem. E apesar de tudo que aconteceu, eu não consigo te odiar. Você fez muito por mim e eu só tenho a agradecer.
- E posso fazer ainda mais, você sabe.
- Eu sei – Respondi baixo. Coloquei minhas mãos dentro do bolso do boletom e tirei de lá a passagem para Los Angeles que ele havia me dado alguns minutos atrás – Me desculpa, mas eu não posso – Entreguei a passagem para ele – Eu sei o que eu quero e ficar perto de você só me traria mais problemas.
- Problemas por causa daquele cara? – Ele alterou a voz – Você vai desistir da UCLA, com um trabalho magnífico, com uma vida completa, por um namoradinho que assim que tiver a primeira oportunidade de fama, vai entrar em turnê e te deixar de lado? Está vendo aquele monte de adolescente lá embaixo? Vai ser igualzinho com eles. E sabe onde você vai estar? Em casa. Em casa enquanto seu namorado está com milhares de menininhas atrás dele. E olha que essas na porta de hotel são as mais inocentes, que querem no máximo uma foto. Você nem imagina aquelas que querem ir bem mais além que uma simples foto
- Não, você está errado – Disse calma, mesmo querendo cuspir na cara dele por estar sendo um idiota comigo – Estou fazendo isso por mim. E agora, mais do que nunca, tenho certeza de que estou fazendo a coisa certa. Califórnia nunca fez parte dos meus planos, só apareceu para me assombrar, assim como você. Eu não preciso de uma vida ganha, quando eu posso batalhar por uma. Apesar de todas as brigas, maioria delas causadas por você, e mesmo que a gente não esteja mais juntos, eu amo o e sempre amei. Não sou egoísta como você, eu quero mais que tenha um mar de fãs atrás deles, e até mesmo que tenha algumas vadiazinhas pelo caminho, porque sorte dele, se estiver sem mim, vai ser cada dia uma. Agora, se ele estiver comigo, você pode ter certeza, que ele vai ser mais sortudo ainda, porque me garanto muito mais do que qualquer vaca que queira abrir as pernas por causa de um backstage. Mas isso vai ser uma coisa que você nunca vai saber, sabe por que? Porque você é a última pessoa na minha vida que vou permitir que saiba isso. Agora eu quero que você suma da minha vida, porque no meio desse mar de problemas que eu ando, você foi uma das maiores decepções. Me deixa em paz, Owen!

Capítulo Vinte e Quatro


It's amazing how much time love saves you at first. When you rediscover your reason to work and your aimless dreaming has found a targeting. You normalize and greet all function return” – Nada Surf

Fazia exatamente 37 minutos que eu estava em frente ao espelho do meu closet, ajeitando o vestido e me olhando de todos os ângulos possíveis, já pronta para o baile de formatura. Aquele reflexo era tão diferente do que eu estava acostumada a ver, que me assustava. Meu cabelo estava solto e a única coisa que meu cabeleireiro fez foi reforçar a parte ondulada das pontas, fazendo mais alguns cachos. Eu estava com o cabelo tão mais cumprido desde a última vez que notei, que só parei para reparar quando estava no salão. Sem dizer a cor, já que a tintura do preto estava perdendo a força, fazendo o loiro natural aparecer cada vez mais. Pensei em tingir novamente, mas achei melhor aceitar o pedido da minha mãe em não escurecer meu cabelo até o casamento. Minhas unhas estavam escuras, assim como minha maquiagem, já que isso fiz questão de pedir para que fizessem do meu jeito. A sombra escura junto com uma camada de glitter por cima realçava ainda mais a cor dos meus olhos. Eu não estava tão ruim assim, eu só estava fugindo um pouco da minha zona de conforto, que era o bom e velho shorts surrado, com minha bota preta e blusa de banda. Não lembrava a última vez que eu havia me arrumado desse jeito. Eu até que estava bonitinha, mas mesmo assim, às vezes batia aquela ansiedade e eu sentia que não conseguiria sair do meu quarto vestida daquele jeito. Eu já havia pensado em pelo menos 3 desculpas que poderia dar a de que eu não iria ao baile, mas nenhuma delas convenceria meu primo de não sair me arrastando de casa até a escola. Eu não fazia o tipo de garota brilho. Eu era o tipo de garota rock and roll, revoltada com a vida, que era completamente contra a bailes de formatura. Será que se eu jogasse uma jaqueta de couro por cima daquele vestido, comeria minha alma? Já que não tinha ninguém em casa, além de Alison, a minha única preocupação seria ; Alison não comeria minha alma por causa de uma jaqueta.
Ouvir minha mãe dizendo que tinha um jantar super importante da empresa de Steve e que não poderia me ver saindo para o baile, soou como música para meus ouvidos. Seria até mais fácil de escapar sem ela aqui. Esquecer o baile e tomar um porre junto com o Robertão, nunca pareceu uma ideia tão boa. Robertão o morador da rua 20 que tomava “Fogo no Chão”, lembram? Fogo no Chão parecia ótimo pra mim naquele momento.
- Wow! – Ouvi a voz de Alison e me virei, encontrando minha irmã me olhando pasma de cima a baixo – Você tá linda!
- Verdade? – Perguntei insegura – Eu não estou parecendo a árvore de Natal do Rockefeller Center, estou?
- Tudo menos árvore de Natal do Rockefeller Center – Alison andou em minha volta, pegando cada detalhe do que estava vestindo – Não sou de fazer elogios pra você, então se eu estou dizendo que você tá linda, é porque realmente está. Você está parecendo uma princesa!
- Obrigada, então. Me sinto um pouquinho melhor – Voltei a me olhar no espelho – Quem sabe agora eu pare de pensar em fugir daqui – Disse a última frase a mim mesma, sem que Alison escutasse.
- Só subi para avisar que o papai deu uma passada rápida aqui antes de ir naquela reunião com aquele monte de gente importante – Meu pai havia passado aqui? – Ele deixou algum papel pra você e coloquei dentro da sua bolsa de festa.
- Que papel?
- Não sei – Deu em ombros.
- Ok, talvez seja uma lista de e-mails que pedi para que ele fizesse com todos os contatos que eu poderia mandar meu currículo.
- Por que você quer mandar seu currículo pra alguém, se pode muito bem trabalhar com ele em Nova York? – Aquilo não fazia o mínimo de sentido pra ela. E nem pra ninguém.
- Porque esse é o problema, é em Nova York – Sai do closet, pegando meu celular em cima da cama e me preparando para descer – A NYU não me respondeu até agora, então preciso me preparar para caso eu tenha que fazer faculdade aqui, o que significa que vou precisar também de um trabalho aqui.
- Mas você não foi aceita numa faculdade na Califórnia?
- Fui, mas esse é um assunto meio complicado – Respirei fundo tentando não lembrar aquele momento da proposta de Owen.
Escutei uma buzina diferente e logo imaginei que seria passando para me buscar. Senti um frio na barriga, mas respirei fundo.
Eu consigo.

Desci as escadas tomando cuidado para não cair de cara no chão. Puxei um pouco o vestido para cima e tomei cuidado com o salto do meu sapato. Um degrau de cada vez. Dei tchau para Alison, avisando que ela poderia me ligar se precisasse de alguma coisa, mas fui informada de que Tyra a buscaria para passar a noite com ela e Scarlett, já que não haveria ninguém em casa e meu pai tinha essa tal reunião. Peguei a bolsa em cima da estante e abri a porta. Levei um susto quando me deparei com uma limousine preta e enorme parada em frente da minha casa. Mas que...
- Achei que deveria fazer como a tradição manda.
Minha respiração parou e por alguns instantes eu pude ter certeza que minhas pernas não aguentariam e eu desmaiaria.
estava parado na minha frente, com seu velho cabelo bagunçado, vestindo um smoking, com uma rosa no bolso direito, exatamente da mesma cor do meu vestido. E eu nunca, nunca mesmo, pude imaginar na minha vida que aquele cara conseguiria ficar mais maravilhoso do que ele já era. Por alguns instantes eu simplesmente não quis saber o que ele estava fazendo ali, ou o porquê dele estar ali segurando uma caixinha azul transparente com uma flor dentro, junto com uma limousine estacionada em frente a minha garagem.
A única coisa que eu precisava era me concentrar para não agarrar meu ex namorado.

Caralho, como ela estava linda.
Só isso que eu pensava. Tão linda que parecia uma boneca em tamanho real. Não havia absolutamente nada de imperfeito nela. O cabelo caindo perfeitamente sobre frente do vestido, a cor dos seus olhos se destacando no meio daquela maquiagem escura. Seu peito subia e descia com um certo desespero quando ela me viu, o que me fez, obvio, prestar a atenção no volume de deus seios um pouco à mostra em seu vestido tomara que caia.
Ela estava simplesmente perfeita.
Tudo que eu menos queria ver naquele momento, era ela com aquele vestido. Se não fosse meu autocontrole, faria questão de arrancar ele fora e esquecer qualquer merda de baile. Apenas ficar com ela, sozinho, sem ninguém para atrapalhar.
- Você tá incrível – Disse meio bobo. Ela ainda não havia dito uma palavra.
Seus olhos estavam arregalados e sua expressão era de completa indignação.
- O que você está fazendo aqui, ? – Perguntou com a voz meio falha.
- Amber decidiu aceitar o pedido de e disse que você estava devendo uma pra ela. Então, sem nenhum peso na consciência, decidiu roubar seu par. E bom, como eu estou sem par para o baile e pelo visto alguém roubou o seu, nada faz mais sentido do que irmos juntos.
- Não, , espera aí um pouquinho. Absolutamente nada do que você acabou de dizer faz o mínimo de sentido. Eu não vou ao baile com você.
- Bom, você tem duas opções: A primeira é entrar de livre e espontânea vontade naquela limousine bonitona parada ali – Apontei para o carro parado alguns metros da gente – E a segunda é te levar a força. E você sabe que se for preciso, eu vou fazer isso – Ela me olhou com tanto ódio, que chegou até ser sexy – Mas sabemos que você não quer uma cena, então vai ser uma boa menina e vai comigo até o carro para nos divertir a noite inteira.
continuava a me olhar como se eu fosse a última pessoa que ela desejaria ver em sua frente, e eu abri a caixa em minhas mãos, tirando de lá uma flor para colocar em seu pulso, como todos os caras faziam com seu par em bailes de formatura. Segurei sua mão e mesmo ela tentando puxar, eu insisti, colocando a flor em seu pulso.
- Boa garota – E a mesma mão que usei para colocar a flor, ela me mandou um dedo do meio – Se serve de incentivo pra você, tem uma garrafa de vodka de baunilha lá dentro.
bateu a porta atrás dela e foi batendo os pés até a limousine. Bom, isso não foi tão difícil, tirando o fato que estava correndo risco de vida depois de contrariado a pessoa mais turrinha do planeta.

- Sabe, para uma pessoa que vai ter que entrar comigo de braços dados daqui poucos dias, você está fazendo disso uma tortura – Falei, observando dar um belo de um gole na o gargalo da garrafa de vodka – Não adianta você ficar com essa cara de brava, porque só piora a situação, levando em consideração que te acho ainda mais sexy fazendo biquinho, Bonitinha.
rolou os olhos e fechou a garrafa de vodka, deixando-a de lado.
- To começando a sentir saudade de quando você me evitava – Ela finalmente disse alguma coisa, desde que entramos no carro.
- Aquele merda já foi embora, não tem porque eu ficar mais bravo com você – Falei sorrindo, me referindo ao bostão do Owen.
- Antes ele estivesse aqui, quem sabe eu não teria um par para o baile – Disse em um tom provocativo e minha vontade era de esganá-la por isso, mas não demonstrei.
- Ele não ficaria tão bem de smoking como eu – Pisquei.
- Duvido – Provocou novamente.
- Você não aceitaria ir ao baile com ele – Falei sério, não conseguindo controlar minha irritação.
- Ah, não? E como você pode ter tanta certeza, senhor bola de cristal? – Levantou uma sobrancelha.
- Porque você me ama – Disse convicto – Porque mesmo que seu passatempo favorito seja me tirar do sério, você ainda me ama. Aceite os fatos, dói menos.
- Cala a boca – Deixou de olhar pra mim, para olhar pro vidro do carro.
- Olha pra mim – Pedi, segurando seu queixo, virando seu rosto para mim outra vez – Olha pra mim e diz que não me ama mais.
me olhava assustada, mas não abria a boca para dizer nada. O carro parou e estávamos na frente à escola, então ela simplesmente se jogou para fora do carro, não respondendo minha pergunta. Eu sorri vitorioso e sai logo em seguida. Parei ao seu lado e estendi meu braço.
- Vamos pelo menos fingir ser um casal novamente, pelo menos para as câmeras.
Ela não me olhou. Apenas cruzou seu braço ao meu e entramos.
Eram fotógrafos para todos os lados, me senti até uma celebridade por alguns instantes. olhava ao redor como se tudo aquilo não fosse familiar pra ela. Mas realmente não era. Desde sempre ela foi o tipo de garota que fazia caretas quando alguém entrava no assunto “baile de formatura”. Ela não participou de nenhum que a escola havia promovido, desde que entrou no colegial. nunca ligou para essas coisas, mas sabia que seu baile de formatura não era algo que se podia recusar.
Pessoas olhavam para nós sem entender absolutamente nada. Todos os caras que um dia pensaram em entrar nesse lugar de braços dados com ela, apenas a olhavam de boca aberta, admirando o que era meu. E foda-se que não estávamos mais juntos, ela é minha e pronto.
- Quanta gente – Comentou , um pouco nervosa no meio de toda aquela gente – E por que tá todo mundo te olhando?
- Me olhando? – Gargalhei – Você não tem a mínima noção de como está incrível, não é?
Paramos ao lado de uma mesa e ela me encarou por alguns instantes.
- Não precisa querer me agradar, não estou mais brava com você.
- Ah, não?
- Não – Deu em ombros.
- Ok. Mas não estou falando isso porque quero te agradar. Você está incrível, de verdade – O lugar estava um pouco escuro, mas pude ver seu rosto ficar vermelho – Dá pra pelo menos uma vez na vida você realmente acreditar o quão linda você é? Parte dos caras desse lugar pensaram em te chamar pro baile quando terminamos.
- Isso é sério? – Perguntou incrédula.
- Eu tive que ameaçar a quebrar a cara de, pelo menos, uns três. E esses foram o que fiquei sabendo – Brinquei. Sim, era brincadeira. Mas vontade não faltou
-Idiota – Disse sorrindo. Foi a primeira vez que ela sorriu aquela noite.
- Como você está gata! – Aquela era Amber, aparecendo de repente, com seu vestido azul com brilho. Muito brilho.
Elas se abraçaram e aquela foi uma cena estranha de se ver, pra quem está acostumado em sempre ver as duas em pé de guerra. que estava com ela me cumprimentou com um toque de mão e ficamos ali, observando a cena.
- Então, você e a Amber...
- Sei lá, cara... Nem eu sei. Não entendi até agora para te falar a verdade.
- Só não me desaponte. Não me faça concordar com o quando ele disse que ela era muita areia pro seu humilde caminhãozinho.
- Vai se foder, ! – Me deu um soco e eu comecei a rir.
- , vou roubar a um pouquinho de você. A acabou de chegar e vamos juntar todas as meninas da torcida para tirar algumas fotos.
- Sem problema. Vou tentar burlar alguma bebida alcoólica nesse lugar com o .

- E então, o que ela disse? Ficou muito surpresa? – Perguntou .
- Não contei ainda, não tive a oportunidade – Respondi. Eu, , e estávamos sentados numa mesa, bebendo a cerveja que conseguimos com o barman, que por uma obra divina, era tio do . Só tivemos que prometer não cair de bêbados, que ele liberou escondido em um copo plástico.
- Por que? Ela ficou muito brava quando apareceu do nada na porta da casa dela vestido de James Bond?
- No primeiro instante achei que ela ia pegar a primeira coisa na sua frente pra jogar em mim, depois percebi que no máximo ela ia fechar a porta na minha cara. Já que isso não aconteceu, eu saí no lucro. Mas ela abaixou a guarda quando chegamos aqui.
Olhava ao redor tentando encontrar , perdida naquela multidão de vestidos brilhosos, mas nenhum sinal. Não ter ela do meu lado no evento que a maior parte dos caras queriam terminar a noite dentro de um hotel, me incomodava. E por mais que já tivesse marcado muito bem meu território ao entrar com ao meu lado, sabia a quantidade de bostinhas que sonhariam estar em meu lugar.
Amber vinha em direção a nossa mesa, puxando que gargalhava sobre alguma coisa. cumprimentou a todos e ela estava incrivelmente linda. era um cara de sorte, não posso negar. Além de linda, era uma das garotas mais legal que já conheci.
- Ok, vocês vão mesmo ficar aqui sentados enquanto tá rolando nosso baile de formatura? – Perguntou Amber, se abanando porque simplesmente não parava quieta – E você, ? Não vai me chamar pra dançar? Alguém disse que faria minha noite uma das melhores da minha vida – E também não havia como negar que Amber conseguia ser extremamente sexy quando queria.
- Uhhh, chupa essa, ! - Disse e todos gargalhamos.
- Só estava esperando você dizer, babe – piscou e se levantou da mesa, se pondo ao lado de Amber, com as mãos em sua cintura.
- Amber, você viu a ? – Perguntei.
- Ela ficou lá fora, no jardim. Disse que queria ficar um pouco sozinha.
- Chupa essa, – Foi a vez de dizer.
Mandei um dedo do meio e me levantei, indo até o jardim.

Haviam alguns casais no jardim, alguns sentados no gramado conversando entre si, outros se amassando debaixo de alguma árvore. Também haviam alguns grupos de amigos sentados, rindo e tirando algumas fotos. Não tinha muita gente. E havia , a única sozinha, sentada na mureta que separava o jardim do estacionamento da escola.
Aquela cena estava tão errada! era a mais linda de todo aquele baile e eu não digo isso porque sou um bobo apaixonado, eu digo isso porque é a realidade. Uma pessoa tão linda como aquela não deveria estar sozinha. Será que ela se sentia triste? Comecei a me sentir culpado por tudo aquilo. Ela estava ali contra sua vontade. nunca fez questão alguma de participar de um baile de formatura. nunca quis vim comigo. Eu forcei essa situação toda. Chegando mais perto, percebi que ela estava com um com papel em suas mãos, do qual não tirava seus olhos. Parei em sua frente um pouco preocupado com o que estava acontecendo.
- Tá tudo bem? Aconteceu alguma coisa? – Perguntei e ela levantou os olhos pra mim e pude notar que estavam cheios de lágrimas.
- Acho que sim... – Disse confusa e com a voz trêmula. Então me mostrou o papel em suas mãos – NYU, ! Eu fui aceita na Universidade de Nova York!
pulou em meu pescoço e me abraçou.
Eu não havia digerido aquilo muito bem. Na verdade foram muitos sentimentos de uma vez só.
- Hey... Não há motivos para chorar, amor. Não era seu sonho? – A encorajei e se afastou, voltando se sentar, enxugando suas lágrimas.
- Sim... É que eu já tinha perdido as esperanças. Isso é tão... Não sei explicar. Acho que eu nunca acreditei que isso poderia realmente acontecer e agora que aconteceu, eu não sei como vai ser ou como vou fazer.
- Como não sabe? Lógico que sabe!
- Sei? – Ela sorriu e senti uma sensação de alívio. Fiz que sim com a cabeça – Ok, então!
Ela não tinha mesmo a mínima ideia do quão boa ela era no que fazia. Ela nasceu pra música, era uma versão mais nova do seu pai, sem sombra de dúvidas e apenas ela não acreditava nisso. Se ela já era boa sem uma faculdade, imagina dentro de uma ou depois de se formar.
- Sabe... Tem vezes que eu acho que você só pode estar brincando quando você diz não se achar boa o bastante para alguma coisa. Você não tem noção de quão especial você é, e tem vezes que eu tenho vontade de te matar por isso.
me encarou por alguns instantes, abrindo a boca algumas vezes para tentar dizer alguma coisa, mas não conseguia dizer nada.
- Eu queria aproveitar esse momento para te pedir desculpas – Senti como se minha voz saísse sozinha, sem que eu pensasse no que estava falando. Só sabia que ela a coisa certa a fazer. me olhou confusa, enquanto guardava o papel de aceitação na bolsa – Sabe, de te fazer passar por isso tudo. Eu sei que você não queria estar aqui e muito menos comigo. Me desculpa se de alguma forma eu te forcei a alguma coisa.
Ela sorriu de cabeça baixa e não disse nada. Mordeu seu lábio inferior e voltou a me olhar.
- Aquela garrafa de vodka de baunilha ainda está na limousine? – Eu havia acabado de me desculpar e ela queria saber da vodka de baunilha? – Que tal darmos uma volta e acabar com aquela garrafa? Precisamos comemorar.

- , o cara te deu uma guitarra! – Disse , gargalhando absurdamente, como se aquela tivesse sido a piada do ano – Tem algo mais esquisito do que um cara que nem te conhece direito, simplesmente te dar um presente desses?
- Mas eu não aceitei! – Me defendi.
- Eu sei e confia em mim, isso torna a história mais hilária ainda!
Nós estávamos em algum lugar de Londres, dando uma volta dentro de uma limousine e nossa garrafa de vodka estava menos da metade. Eu me sentia tão completa, que parecia que estava sonhando.
- Só fico decepcionado de não ter presenciado essa cena. Enfiaria aquela guitarra goela abaixo com o maior orgulho.
- Obrigada, , mas minha vida já estava problemática o bastante para mais uma cena.
deu mais um gole na garrafa e ficou olhando para a janela por mais alguns instantes, parecendo meio perdido. Deus, ele estava tão lindo com aquela roupa, que minha maior vontade era de simplesmente jogar tudo pro alto e agarrar ele dentro daquele carro. Eu estava passando por um momento tão feliz, que nem podia acreditar que aquela podia ser mesmo a minha vida.
- Tenho que te contar uma coisa – Disse – Não te contei ainda porque aconteceu ontem e achamos que seria melhor você ser a primeira a saber – Aqueles foram momentos de tensão. Por alguns instantes fiquei arrependida de ter falado o quão feliz eu estava. Eu morri de medo de ouvir uma bomba – Aqueles caras da gravadora que estavam no show... Eles gostaram muito de nós, muito mesmo. Conversamos naquele dia e marcaram uma reunião com a gente ontem – Foram segundos de suspense, até que ele concluísse – Nós assinamos com eles, ! Nós temos uma gravadora!
Eu fiquei parada olhando para pelo menos uns 20 segundos, tentando digerir tudo aquilo que ele havia falado. O McFly tinha uma gravadora agora. Meus amigos tinham conseguido, finalmente! Eu tentava dizer alguma coisa, mas nada saia. Aquilo parecia até mesmo um sonho.
- Ele quer gravar um álbum nosso e colocar a gente em turnê, abrindo para alguma banda para que a gente possa divulgar nosso trabalho pelo Reino Unido durante o verão. E disse que se depois dessa turnê der certo, nós vamos conseguir realizar tudo o que nós sempre sonhamos. O Fletch se disponibilizou para cuidar da gente e vai sair da empresa do Owen.
Pela segunda vez naquela noite eu pulei no pescoço do pretendendo não largar nunca mais. Eu não tinha palavras para expressar o quão feliz eu estava por eles. E como eu estava feliz de ter sido aceita na NYU e como estava feliz de estar ali dividindo aquele momento com ele.
- Parabéns! – Era tudo o que conseguia dizer – Eu sempre soube que vocês conseguiriam um dia! Nunca duvidei disso!
- Eu sei. Por isso que queria que você fosse a primeira a saber – Senti suas mãos em minha cintura e tirei meu rosto escondido em seu pescoço para olhar pra ele.
- Só quero que você saiba que se tudo ficou um pouquinho melhor hoje, foi por causa de você – Disse sem pensar, mas sem nenhum arrependimento.
levou sua mão até meu rosto e fez um leve carinho em minhas bochechas.
- Não fala assim, que eu acabo me sentindo importante.
- Você é importante. O mais importante. Sempre.
não tirava seus olhos dos meus. E eu não sabia se era a vodka ou o que, mas tudo o que eu mais queria era beijá-lo. Percebi que a vontade era recíproca quando ele aproximou mais seu rosto do meu. Continuando não acreditar que toda aquela cena estava acontecendo, que eu estava praticamente no colo de e estávamos prestes a nos beijar, seu celular começa a tocar feito louco e eu dei um pulo, acordando para a realidade. bufou antes de tirar o celular do bolso para atender e eu me afastei um pouco, sentando devidamente no banco da limousine, como deveria ser. Ou não.
- Fala, – Atendeu com uma voz nada agradável – Sim, está aqui comigo – Ele me olhou. Provavelmente meu primo havia perguntado sobre mim – Ok, eu falo com ela, se ela topar, chegaremos em alguns minutos – E sem se despedir, ele desligou – Parece que o baile só tem autorização para ficar com música alta até as 10 da noite, então grande parte saiu de lá e foi pra casa da Angie, que está dando uma after party. Estão todos lá e perguntaram se queremos ir.
- Parece boa ideia – Na verdade, era uma ótima ideia depois desse clima esquisito que ficou após nosso quase beijo.
- Ok – abaixou a janela que havia entre a parte traseira da limousine e o motorista e deu as coordenadas para que chegássemos a casa de Angie.
Nenhuma palavra foi dita até chegarmos lá.

Haviam carros e mais carros parados ao redor de toda a vizinhança. Algumas limousines como a nossa e alguns carros normais. Pelo visto o baile inteiro havia sido transferido para a casa de Angelina. Dava para se escutar a música da esquina e podia imaginar os vizinhos surtando daqui algumas horas. saiu do carro segurando a garrafa de vodka e me esperou sair para a fechar a porta. Pelo menos ele não havia dado com a porta na minha cara, o que queria dizer que ele não estava tão bravo pelo silêncio mórbido lá dentro. Nós seguíamos em direção a casa até que precisávamos andar desviando de copos de plásticos e garrafas de cervejas que cobriam o jardim da entrada da casa.
- Tenho a leve impressão de que aqui está um pouquinho mais animado – Comentou , pisando em cima de um copo, sem querer.
- Aparentemente animado até demais – Falei, subindo um pouco meu vestido para que não sujasse com toda aquela nojeira.
Tocamos a campainha por um gesto educado, mas sabíamos que ninguém nos escutaria, então após alguns instantes nós mesmos abrimos a porta. Não sei os pais de Angie, mas a minha mãe me internaria numa clínica psiquiátrica se algum dia eu desse uma festa dessa em casa e ela descobrisse. Não sem antes me dar uma surra com cabo de vassoura.
- Olha só se não é o casal mais lindo da nossa escola inteira! – Disse uma garota que eu nem mesmo imaginava qual era o nome e muito menos que estudava na mesma escola que a gente – Digam xis para a foto – E de repente veio um flash no meio da minha cara e eu continuei sem entender nada – É só conferir as fotos amanhã no meu facebook!
E então a garota estranha sumiu. Eu e o nos olhamos e então começamos a gargalhar. Mas que infernos tinha acabado de acontecer?
Depois de muito procurar pelos caras, ou Amber, encontramos todos eles sentados em uma mesa ao lado da piscina, jogando algum tipo de jogo de cartas, do qual pude perceber que envolvia bebidas.
- Olha só quem resolveu aparecer! – veio ao meu encontro, um pouco bêbada – Vem, senta aqui com a gente – Me puxou e me sentei ao seu lado.
- Hey, – Escutei uma voz irritante berrar perto da gente e foi então que um grupo de garotas, que nunca tinha visto na vida, brotou entre nós, pulando em cima de .
Eu perdi alguma coisa?
- Você pode tirar uma foto com a gente? Bem que queríamos ter um artilheiro de futebol como você na nossa escola, mas você sabe, nosso time é um horror – Disse a cara de boneca inflável número 1.
- E nunca tivemos a oportunidade de tirar uma foto com você, mesmo indo a seus shows. Vocês arrasaram no festival, sabia? – Disse a cara de boneca inflável número 2.
- Já tiramos foto com o , e , então só falta você – Disse a cara de boneca inflável número 3.
- E eu já não disse pra vocês vazarem daqui? Se a festa de formatura de vocês não foi tão boa quanto a nossa está sendo, então eu sinto muito – Amber se levantou impaciente da mesa.
Isso, Amber! Quebra a cara desses projetos de puta, que você ganha meu respeito pelo resto da vida.
- Calma aí, Amber – Disse e eu levantei minha sobrancelha – Elas só querem uma foto, não é garotas? – Ele não tinha dito isso. Ele não tinha dito isso. Ele não tinha dito isso.
- Na verdade a gente quer muito mais que uma foto – E então, a puta numero 1 deu uma lambida, e sim, vocês entenderam muito bem, uma lambida na bochecha de .
De repente eu senti um monstro dentro de mim, parecia que estava sendo possuída pelo pai do capeta e minha vontade era dar um tiro de metralhadora nessas três. , me conhecendo como nunca, cochichou um “calma” no meu ouvido e eu sorri. Sim, eu me controlei, respirei fundo e sorri. Me levantei da minha cadeira e fui até onde eles estavam.
- Posso tirar a foto pra vocês, se quiserem – Falei sorridente e no tom mais simpático que podia existir.
me olhou mais assustado que uma criancinha no dia das bruxas. Eu o ignorei.
- Por favor – Uma das meninas me deu sua câmera rosa e eu continuei sorrindo.
- Você não vai querer sair com isso na foto, não é? – Perguntei a , me referindo à garrafa de vodka que ele segurava e sem dizer nada, a tomei de suas mãos.
E foi esperando eles decidirem a pose da foto, que dei um gole da vodka de baunilha, sorri novamente e ataquei a câmera rosa dentro da piscina.
- Ops – Fingi uma cara triste.
Foi uma gritaria como nunca havia visto antes. Os caras não sabiam se riam ou se ficavam pasmo e todo mundo que está ao redor, principalmente e Amber, se jogavam no chão de tanto rir. me olhava em estado de choque e as três vadias apenas gritavam.
- Você tem problema, sua vaca? – Disse uma delas, quase chorando e se jogando na piscina para buscar a câmera.
- Eu dou 1 minuto pra vocês três sumirem de dentro da minha casa – Angelina apareceu do nada, surtando com as 3 meninas – Ou a gente acaba com vocês. Anda, vazem daqui!
As três saíram andando tropeçando entre si e todos continuavam a rir. E eu, por mais que tivesse descontado minha raiva, sai andando sem nem querer olhar para a cara de . Por que aquilo tinha que ter acontecido justo quando parte do seu sangue estava dominada pelo álcool? Eu não deveria estar tão brava.
Estava andando acelerado pela lateral da casa, onde não havia ninguém, até que senti alguém puxar meu braço bruscamente e me jogaram contra a parede, fazendo até mesmo com que eu batesse a cabeça.
- Qual é o caralho do seu problema, garota? – estava bravo, bem bravo. Eu só apenas não entendia o porquê – E é melhor você dizer logo, porque eu simplesmente não aguento mais adivinhar e quebrar a porra da cara!
- Então você dá um soco no meio da cara de uma pessoa que era apaixonada por mim e eu não posso jogar a câmera de uma vadia na piscina, que lambeu sua bochecha no desejo de lamber seu pau? Opa, , realmente tem alguma coisa de errado aí, me explica porque EU TAMBÉM NÃO ESTOU ENTENDO!
- A gente nem está junto!
- Tá bom! Foda-se, então, não estamos mesmo! Então corre atrás daquelas três vadias e fode com as três de uma vez! – Tentei sair de onde estava, mas seus braços continuavam me prendendo e ele me empurrou de volta para a parede. Eu só queria sair dali pra não começar a chorar que nem uma criancinha na frente dele.
- Você não vai a lugar nenhum!– Disse rangendo os dentes e com a respiração ofegante.
aproximou seu rosto do meu e estava milímetros de encostar sua boca da minha. Levou sua mão até minha nuca e puxou meu cabelo. Tentei empurrá-lo mais uma vez e isso só piorou, fazendo com que ele só imprensasse seu corpo mais ainda do meu.
Deus, ele ia me deixar louca.
- Você sabe que é só você pedir – Ele cochichou – Pede pra sair, que eu deixo você ir.
Filho da puta!
Vai lá, ... Só diga as palavras que ele te deixa ir. Tentei controlar minha respiração, tentei me concentrar em dizer, mas simplesmente não conseguia. Eu não queria sair dali.
- Você sabe que você não quer ir. Deus, você ficou tão extremamente sexy tendo ataque de ciúmes.
Foi então que joguei tudo pro alto e só encurtei o espaço entre nós, finalmente o beijando.
Foi um beijo desesperado, cheio de saudade. Nem acreditava que lá estava eu, novamente em seus braços, derretendo que nem uma idiota. levantou meu vestido até minhas coxas e me levantou para colocar minhas pernas ao redor de sua cintura, enquanto nos beijávamos. Eu sabia que o risco de alguém nos encontrar naquele estado ali era grande, mas juro que no momento essa era minha menor preocupação. Ao me imprensar ainda mais seu corpo ao meu soltei um leve gemido e sabia que teria que parar por ali, ou se não, não conseguiria mais.
- – Cortei o beijo, tentando respirar normalmente para poder falar – Aqui não.
- Ok – Ele colocou a testa em meu ombro e começou a respirar fundo – Só me dá um minuto pra sair daqui.
Eu achei aquela situação meio engraçada, levando em conta que ficamos nos beijando por não mais de 5 minutos.
- Não é melhor você me por no chã...
- Não! Não sai daqui, fica do jeito que está! – Continuou com a testa apoiado no meu ombro, acalmando a respiração.
- Ok – Tentei não rir, mas era difícil.
- Você acha engraçado porque a situação com você é fácil.
- Como assim?
- Digamos que você não tem um pau e consequentemente não há possibilidades de ter uma...
- Tá bom! Chega, não preciso ouvir!
- Vai me dizer que você está com vergonha de ouvir que eu estou no meio de uma ereção, depois disso que quase acabou de acontecer.
- Cala a boca, ! – Dei um tapa em seu braço.
- Você não precisa ficar sem graça, bonitinha. Você também fica assim, mas é de um jeito diferente...
- EU JÁ ENTENDI E SEI MUITO BEM COMO É QUE TUDO FUNCIONA E COMO QUE TUDO FICA, OK? Você não precisa me dizer.
começou a gargalhar e finalmente me colocou de volta ao chão, não sem antes me dar um selinho.
- Vem, vamos sair logo daqui.

- Você vai ficar aí, sentada um quilômetro de mim ou vai se aproximar para podermos voltar ao assunto? – Perguntou , sentado na poltrona a minha frente na limousine. Da mesma forma que estávamos sentados antes de ir ao baile, antes de tudo “se resolver”.
Antes de quase transarmos no jardim da casa de Angie.
- Eu não sei se vou conseguir parar outra vez, então é melhor assim – Disse, sentada com as mãos em meu colo, como se fosse uma estátua.
- E quem disse que você vai precisar parar? – Me olhou com uma sobrancelha levantada e com seu sorriso mais canalha.
- , a gente pode não conseguir ver, mas o motorista está logo ali na frente, você tá maluco?
continuou a sorrir e levantando-se do banco, indo para o meu, sentando do meu lado.
- É só não fazemos barulho – Cochichou em meu ouvido ao subir suas mãos pelas minhas pernas – Você está junto com um futuro rockstar, precisa aprender fazer essas coisas em limousines, hotéis... Aviões, ônibus de turnê...
- Ônibus de turnê... Tá aí uma fantasia – Disse sem pensar, completamente entregue ao momento.
- Terei o prazer em realizar.
Pode ter sido a bebida ou apenas a vontade de estar com ele, mas eu ignorei absolutamente o motorista da limousine que estava atrás daquela janela fechada, dirigindo pelas ruas de Londres e finalmente, voltei a beijá-lo.

Não era possível que ela poderia estar com vergonha depois de quase tudo que havia rolado na casa de Angie. Qual era o problema dela? Bom, essa é uma resposta que provavelmente eu nunca vou saber. Sempre o que eu tentava entender aquela cabeça maluca, só piorava, então chegou em um momento que eu desisti.
Como que uma pessoa que até hoje mais cedo queria me matar, minutos atrás tinha tido um ataque de ciúmes (lindo, por sinal) daqueles?
Já falei, desisto.
Puxei para mais perto durante o beijo e me pegando de surpresa, ela sentou-se em meu colo, subindo a barra de seu vestido para que conseguisse colocar suas pernas ao meu redor. Ainda bem que a fase “vergonha sem necessidade” havia passado, essa era a que conhecia. Senti suas unhas arranharem minha nuca e como resposta, mordi seu lábio inferior com um pouco mais de força do que eu deveria. Escutei ela reclamar, mas não liguei. Me sentindo um pouco preso, naquele espaço nada confortável e com aquelas roupas menos ainda, tirei meu smoking e imediatamente me ajudou com a gravata borboleta, jogando em qualquer lugar do carro, junto a minha camisa. Aquela menina estava insana.
Obrigado vodka de baunilha!
- Eu acho que não precisamos mais disso – Disse quando finalmente encontrei o zíper daquele vestido maldito. Lindo, porém maldito – E posso dizer que estou em desvantagem. Não gosto de ficar em desvantagem.
não disse nada, apenas sorriu entre o beijo, enquanto abria seu vestido. Ao abrir completamente o zíper, abaixei o vestido, finalmente encontrando aquela parte tão querida por mim em seu corpo. Um das minhas favoritas, quem sabe.
Bendito sejam vestidos tomara que caia! E bendito sejam aquelas que não usavam nada por baixo deles!
Cortei o beijo por alguns instantes para dar a devida atenção a seus seios e senti sua pele se arrepiar e escutei um suspiro.
- Não sabia que eles eram tão sensíveis – Comentei em um tom de brincadeira e colocou seu braço na frente, se cobrindo.
- Hey, não fala deles!
- Não estou falando nada, só estou comentando que nunca havia reparado como eles eram sensíveis.
Vi suas bochechas corarem.
- É que bom... Talvez meus hormônios estejam um pouco malucos – Disse sem graça, de cabeça baixa.
Hormônios malucos? Mas o que?
- O que?
- Sabe... Ficamos algum tempo separados... – Entortou a boca e me olhou para ver se eu captava a mensagem.
Eu tentei, juro que tentei me segurar para não rir, mas não consegui! Aquele era um tipo de coisa que certamente não falaria se não tivesse bebido. Ela havia mesmo tentado dizer que estava daquele jeito por falta de sexo? Não sabia que ela sentia tantas saudades de mim assim.
- Para! Por que você está rindo? – Choramingou, de braços cruzados, tampando seus seios.
- É que é engraçado. Você poderia ter me dito antes, amor. Você resolveria meu problema e eu resolveria o seu, sem nenhum tipo de drama, porque acredite... Ficar sem sexo para homem é 3 vezes pior. Esse tempo foi meu recorde, pode acreditar.
- Idiota! – Tentou segurar o riso mas não conseguiu.
- Agora quer fazer a porra do favor de parar de tampar seus peitos? Que mania! – Disse bravo.
- Para de dizer o que eu tenho que fazer ou não com meu próprio corpo!
Antes que eu respondesse e aquilo virasse uma briguinha ridícula sobre eu querer que ela parasse de se esconder para que eu continuasse o que eu estava fazendo, segurei em sua nuca e a puxei para que ela voltasse a me beijar. E como num passe de mágica, suas mãos já nãos estavam mais se cobrindo.
Tirei do meu colo, deitando-a no banco e finalmente arrancando aquele vestido infernal. Olhei para baixo e abaixei um pouco sua calcinha para que conseguisse ver minha tatuagem favorita. Sorri, como sempre fazia quando via aqueles dois números naquele lugar tão sugestivo e depois beijei a tatuagem, dando uma completa atenção a mais naquela região. Ouvi gemer um pouco mais alto e gargalhei.
- Shh... Mais baixo, bonitinha, não estamos sozinhos – Subi e cochichei em seus ouvidos e de olhos fechados, ela sorriu, colocando o dedo perto dos lábios fazendo um gesto de silêncio.
- ?
- Sim?
- Quanto tempo nós temos?
- Acho que Londres é bem grande, bonitinha.

Quando chegamos na casa , o dia já começava a clarear. Sai de dentro do carro sem nem ao menos olhar para os lados. Esperava nunca mais encontrar com aquele motorista na minha frente. Sabe-se lá o que ele havia escutado. Desculpa galera experiente, eu havia acabado de fazer a maior loucura da minha vida sexual. se despediu do cara, dizendo alguma coisa que não consegui ouvir e então ele deu uma buzinada de leve, saindo com o carro. veio até mim, com seu smoking nas mãos e sua gravata borboleta toda desfeita no pescoço.
- Você tem mesmo que ir pra casa? Sabe que pode dormir aqui em casa, certo? Te levo depois que descansar.
- Se eu dormir na sua casa sua mãe vai querer explicações e a minha também. Não quero ficar atualizando ninguém sobre o que anda acontecendo entre a gente, não por enquanto.
- Então isso tudo que aconteceu foi a mesma coisa que nada?
- Não começa! Não foi isso que eu quis dizer – Rolei os olhos – Só acho que ninguém precisa saber por enquanto o que anda acontecendo. Você sabe que nossas famílias fariam magia negra pra nos ver casados e saber que há chances de estarmos juntos de novo já seria um carnaval.
- Ok, vou pegar a chave do carro lá dentro – Deu em ombros e entrou em casa, enquanto eu esperava.
Era obvio que ele não havia entendido absolutamente nada do que tinha dito.

Em nenhum momento eu disse que não queria estar com ele ou que não queria espalhar para todo mundo que estávamos voltando a dar certo. Nada disso. Mas ter uma família como a nossa, podia ser complicado. Ambas torciam fielmente para que ficássemos juntos e sempre tivemos essa pressão, desde sempre, principalmente pela minha mãe e a mãe dele, então pra que dar motivo para interrogatório? Tudo o que eu menos queria no momento era ficar dando explicações. Dizer que eu tinha ido ao baile com , já seria surto o suficiente.

O caminho da casa de até a minha foi silenciosa. Eu não falava mais nada com medo de piorar as coisas e acredito que ele também. Sem pensar muito, liguei o rádio e uma melodia familiar começou. Nem acreditei quando comecei a escutar “All I Have to Do is Dream” do Everly Brothers. Toda a tensão que estava com o silêncio desapareceu no momento que a música começou. Essa música me lembrava vovô. Meu avô, pai da minha mãe, morava na França desde que se casou novamente e não nos víamos com frequência. Era pra ele que eu sempre corria quando tudo ficava insuportável com minha mãe depois da separação dela e do meu pai. Ele sempre cantava essa música pra mim, desde que eu era um bebê. Ele diz que, além do som do violão do papai, era uma das únicas coisas que me acalmava quando eu não parava de chorar. E mesmo depois de grande, eu sempre deitava em seu colo quando tudo estava ruim e ele começava a cantar e parecia que tudo ficava bem novamente. O engraçado disso tudo é que ele lembrava mais o meu pai do que meu avô por parte de pai. O que mais queria era que chegasse logo o casamento para que eu pudesse abraçá-lo infinitamente.
- I need you so, that i could die, I love you so. And that is why whenever I want you all I have to do is dream... – Fechei os olhos e cantei baixinho.
Senti o carro parar e abri os olhos novamente. Notei que estávamos na frente da minha casa. Olhei para com a cabeça apoiada no banco do carro e ele continuava a olhar para frente.
- Por favor, não fica bravo comigo. Eu tive uma noite incrível com você e estou extremamente feliz porque finalmente as coisas estão dando certo e não quero terminar a noite sabendo que demos um passo pra frente e dois para trás.
- É só que... Eu pensei que voltaríamos a ser como éramos – Ele finalmente olhou pra mim.
- E quem disse que não vamos? – Eu sorri – Eu só não queria espalhar isso aos quatro ventos, não por enquanto, não quando eu primeiro preciso dizer à minha mãe que vou ter que me mudar pra Nova York. Vamos dar um passo de cada vez, vamos com calma. Você conhece sua mãe e a minha. Quando souberem vão querer dar uma festa de comemoração – Falei rindo e riu junto, provavelmente concordando com a possibilidade.
- Ok – Ele disse, mas no fundo eu sabia que nada estava ok.
Segurei levemente seu rosto e o beijei calmamente.
- Obrigada pela noite.
- Sempre as ordens – Sorriu fraco e eu sai do carro.

Entrei em casa e tudo estava quieto. Deixei a chave e minha bolsa no móvel ao lado da porta e segui até as escadas segurando a barra do vestido em uma mão e o envelope com a aceitação da faculdade em outra. Chegando no quarto a primeira coisa que fiz foi arrancar o vestido e tomar um banho. Passei uns 15 minutos dentro do chuveiro sorrindo, pensando em cada momento daquela noite.
Por que eu tenho que ser tão medrosa?
Eu podia muito bem dormir e acordar ao lado dele e não fiz isso porque sou uma covarde ridícula que tinha medo dos meus próprios sentimentos. Era assustador a forma que me sentia quando estava com ele e não gostava disso. Eu gostava de estar no controle na maior parte do tempo e quando eu estava com ele, eu não me sentia no controle. Não de mim mesma.
E então eu pensei em Nova York. Mais medo do que não estar no controle de mim mesma, era estar longe dele e seria isso que aconteceria quando eu fosse pra faculdade. E foi pensando nisso, que sai do banho e vesti a primeira roupa que encontrei no armário para concertar a besteira que tinha feito.

Eu estava tão atordoado que não conseguia pregar os olhos. Onde eu imaginaria que a noite terminaria em eu transando com dentro de uma limousine? Nem nos meus sonhos isso acontecia. Não numa limousine. Não tão absurdamente maravilhoso como foi. E olha que eu sonhava com aquele inferno de garota quase todas as noites.
Escutei baterem na porta e bufei, sabendo que era minha mãe querendo saber como tinha sido meu baile de formatura. Decidi fingir que estava dormindo para que ela desistisse, já que a porta estava trancada. Alguns segundos depois escutei baterem na porta de novo e me irritei. Eram 7 horas da manhã e minha mãe sabia que só conseguiria sair da cama depois de umas 3 da tarde. Me levantei da cama e fui até a porta para abrir, mas não dei de cara com a minha mãe.
estava na porta do meu quarto, de cabelo molhado, vestindo uma camiseta surrada do Offspring. Eu esperava que houvesse um shorts debaixo daquela camisa, ou ficaria puto por ela sair de casa vestindo só aquilo.
- Desculpa, eu peguei a chave extra dentro vaso de flores, não queria tocar a campainha pra acordar seus pais.
- Você podia ter ligado.
- Fiquei com medo de você não me atender. Se eu te ligasse e você não me atendesse, provavelmente eu não teria coragem de vir até aqui – parecia um cachorro que acabara de cair da mudança. Chegava a ser engraçado.
- , eu não estou bravo com você – Ela deu em ombros – Vem, vamos deitar, talvez você me ajude a dormir.
Finalmente ela tirou aquela cara e sorriu. Me deu um beijo e entrou no quarto.
Fechei mais a cortina do quarto escurecendo o quarto e coloquei um travesseiro ao lado do meu. Suspirei aliviado quando se sentou na cama e pude ver que ela estava usando um shorts jeans e não somente aquela camisa dos infernos que deixava ela gostosa pra caralho.
- Tira isso, vai te incomodar – Disse a ela sobre o shorts.
- Tenho medo da sua mãe entrar aqui e me encontrar dormindo com você usando só um pedaço de pano.
- , para.
- Você por algum acaso dorme só de cueca na minha casa?
- Não, mas no caso você está usando uma camiseta e há lençóis nessa cama. Para de frescura, além disso a porta tá trancada.
Sem discutir, abriu o shorts e tirou antes de deitar. Ela me esperou para me juntar a ela, para que se aninhasse em mim. Me deu um selinho e fechou os olhos, sem dizer nada. Podia sentir sua respiração no meu peito. Levei minhas mãos até suas costas, por debaixo da camiseta e comecei a fazer um leve carinho naquela região, até sentir falta de uma coisa.
- Cadê seu sutiã? – Caralho, ela não estava usando sutiã. Caralho!
- Na bolsa, por que?
- Você quer me matar, garota – Levei meus dedos levemente até a lateral de seu seio e voltei para as costas, fazendo com que ela se arrepiasse – Eu pensei que finalmente ia conseguir dormir quando você chegou, mas estou vendo que vai ser mais difícil.
Ela riu.
- Desculpa, não foi a intenção.
- Vou tirar minha cueca e também dizer que não foi a intenção.
- Eu não vou reclamar...
Ela havia mesmo dito isso? Ela subiu a cabeça e olhou pra mim rindo. Filha da puta!
É, pelo visto não dormiríamos. Não no exato momento.

Abri os olhos ouvindo uma melodia vindo de longe. Não entendi ao certo o que era, mas mesmo tendo me acordado, me relaxava ouvir. Eu não conseguia me mover, minha respiração era calma e demorei alguns segundos para lembrar que eu não estava em casa. Despertei um pouco mais e então percebi que a melodia vinha de um violão. Olhei para o pé da cama e encontrei , usando apenas uma cueca samba canção com seu violão nos braços, tocando algo que nunca tinha escutado antes.
- Captivated by the way you look tonight, the light is dancing in your eyes, your sweet eyes. Times like these we'll never forget... - percebeu que eu havia acordado e sorriu – Bom dia, linda.
- Bom dia – Seu sorriso era tão radiante que era impossível não devolver na mesma intensidade – Eu conheço essa música? – Perguntei, me sentando na cama.
- Não, eu acabei de escrever – pegou a folha de papel em seu lado, dobrou e colocou dentro da gaveta – Nada demais, só que veio de repente junto com a melodia e tive que escrever. Desculpa se eu te acordei.
- Eu quero ouvir – Disse, ignorando todo o resto do que ele havia falado.
- Não está pronta, .
- E daí? Toca o pouco que você preparou.
respirou fundo e dedilhou as cordas do violão
- Só uma parte, ok? – Concordei com a cabeça e mordi o lábio – And then I'll swing you girl until you fall asleep. And when you wake up you'll be lying next to me. We'll go to Hollywood make you a movie star. I want the world to know how beautiful you are.
Eu senti uma leve sensação de pânico quando pensei na possibilidade daquela música ser sobre mim. Eu olhava pra ele maravilhada, maravilhada com sua voz, com o jeito que ele tocava o violão balançando uma de suas pernas de acordo com a música. Maravilhada de como ele cantava olhando pra mim.
- Captivated by the way you look tonight the light is dancing in your eyes, your sweet eyes. Times like these we'll never forget, staying out to watch the sunset. I'm glad I shared this with you. You set me free, showed me how good my life could be. How did you happen to me?
E então ele parou e ficou me olhando por alguns instantes, enquanto tentava dizer alguma coisa para que não abrisse o berreiro ali mesmo.
- A noite passada me inspirou. Você me inspirou – Ele colocou o violão no chão, apoiado na parede e se aproximou de mim.
- É pra mim? – Perguntei e ele afirmou com a cabeça – Mas... Uau... Nunca ninguém escreveu nada pra mim.
- Nunca ninguém escreveu nada pra você? Eu sei que por enquanto não tocamos nenhuma música de nossa autoria, mas você precisa ver a quantidade de letras que temos. E amor, acredite ou não, praticamente são todas sobre você.
Ele jogou essa frase assim, sem medo, sem medo de me fazer surtar, sem medo que eu tivesse um treco ali, bem na sua frente.
Música é meu ponto fraco e sempre foi. também é meu ponto fraco, por mais que eu tente negar isso a mim mesma. Ele dizer pra mim, sem medo ou vergonha alguma que haviam mais músicas sobre mim, me fez querer chorar, abraçar e nunca mais querer largar ele na minha vida. Realmente, eram poucas as músicas próprias que eles sempre tocavam em show e levando em consideração que eu só comecei a acompanhar o McFly a partir desse ano, eu não conhecia praticamente nada deles.
- É tudo sobre você, sempre foi.
Eu acho que preciso de um saco tamanho família de Gold Bears.
- Eu te amo. Eu te amo tanto que tenho vontade de te matar.
Pulei em cima dele e o abracei. Abracei tão forte que se tivesse certeza que minha força não fosse a metade da dele, jurava que poderia estar machucando-o.
- Você faz a bagunça da minha vida valer tanto a pena, que chega me assustar – Sussurrei.
- Porra... Como é bom ouvir isso – Ele me beijou – Também te amo, bonitinha. Pra caralho.
- Sem músicas secretas, ok? – Disse limpando as lágrimas que insistiram em sair.
- Como elas vão ser secretas se o Fletch veio com a notícia de que teríamos que ter, pelo menos, umas 15 músicas prontas pra gente poder gravar antes da turnê?
- Quinze? - Praticamente gritei – E como vocês vão fazer isso?
- Bom, como já disse, nós temos um estoque de músicas escritas. Agora só precisamos escolher qual queremos que esteja no nosso primeiro álbum. Nosso primeiro álbum, ! Dá pra acreditar que estou dizendo isso?- Não – Ri junto com ele – E de certa forma isso me assusta um pouco, não te assusta?
- Lógico que sim, o medo da gente ser um fracasso passa pela minha cabeça todo santo dia.
- Quem infernos disse em fracasso? – Mas que merda ele estava falando? Parecia até eu ali com a minha insegurança andando de braços dados, como sempre – Digo, o que me assusta é o fato de vocês serem conhecidos. Já pensou no dia que isso tudo fugir do controle? Vocês são ótimos e eu não vejo nada além de um sucesso assustador pra vocês!
olhava fundo para algum ponto do quarto, processando tudo aquilo que eu dizia. Será que ele realmente não tinha parado pra pensar nas porcentagens que isso tudo tinha de dar certo?
- Vocês tem um contrato com uma gravadora, ! Você cumpriu com o que disse antes, você disse que ia conseguir sem a ajuda de ninguém, sem a minha ajuda. Vocês não precisaram de mim e nem do meu pai, vocês conseguiram tudo sozinhos, por puro talento, porque estavam lá, no lugar certo, na hora certa, fazendo o que sabem fazer de melhor.
- Com sua ajuda sim. Se não fosse por você, não teríamos conhecido o Bill e ele não teria escalado a gente pra abrir o festival. Sem você, nós não seriamos tão bom na apresentação, você nos ajudou demais, . Não diga que foi todo mérito nosso, você é o nosso anjo da guarda. Você também é realmente boa e mal posso imaginar como você vai ser depois que se formar.
- Vou ser foda – Disse com uma falsa postura elegante.
- Foda você já é – Gargalhamos juntos – Você só vai ser uma foda experiente.
- Está tudo dando tão certo pra gente, que chega a me dar medo.
- Shhh, não diga isso – Ele colocou seu dedo em meus lábios – Para com essa conversa de que sua vida é uma bagunça.
- Mas ela é.
- Então vamos arrumar essa bagunça. Vamos manter ela organizada, longe de problemas, certo?
- Certo – Sorri de orelha a orelha e o beijei – Mas como vai ser, ? Eu vou morar em Nova York. Estados Unidos!
- , independente de qualquer coisa, a gente sabia que isso ia acontecer. Eu jamais permitiria que você fizesse a faculdade aqui por minha causa, sendo que agora com a banda eu nem sei mais como vai ser minha rotina. E mesmo se não houvesse nada disso... Já passamos por tanta coisa. São só 4 anos. Quatro anos eu indo pra Nova York sempre que não estiver trabalhando e você ao meu lado sempre que tiver um tempo entre as aulas. No final vai acabar sendo a mesma coisa que se você estivesse aqui. Depois da turnê nós vamos gravar o álbum e depois sabe lá o que vai acontecer.
- Uma turnê só de vocês – Disse convicta.
- Deus te ouça. E assim que puder, você vai estar trabalhando com a gente. Eu quero que você junto com o Fletch possam cuidar da banda. Vocês são as pessoas mais certas pra isso.
- Você está falando sério?
- Lógico que estou! E não só trabalhando, eu quero você ao meu lado em todas as oportunidades que tiver. Quero que todo mundo saiba quem é você e que você é minha namorada.
Então lembrei sobre que Owen me disse uma vez, sobre como era ter um namorado em uma banda. Eu estava tão convicta que eles dariam certo, que isso já passava na minha cabeça. Não seria fácil, eu sei, mas teria que aprender lidar.
- Eu juro que se algum dia eu ver uma vagabunda de uma groupie atrás de você eu mato a vadia e não respondo por mim.
gargalhou, segurou meu rosto e me beijou.
- Mal posso esperar pra ver essa cena.
Dei um soco em seu braço e ele riu.

Meu início de férias não foi muito bem o que eu imaginava. Se não fosse ao meu lado o tempo todo, mesmo ocupado com assuntos a serem resolvidos sobre a turnê e passando horas dentro do estúdio, eu já teria surtado. Toda a papelada da faculdade já havia sido entregue. O casamento da minha mãe seria dois dias e minha casa estava de pernas pro ar. Tentava passar o maior tempo no estúdio com os meninos, para que não enlouquecesse com a minha mãe preocupada com: O casamento, me deixar sozinha com Alison enquanto viajava em lua de mel por uma semana e sua insegurança sobre eu morar com meu pai em Nova York.
Minha mãe quase teve um troço quando contei sobre Nova York. O medo dela sempre foi que eu escolhesse morar com meu pai, mas não foi bem uma escolha. Eu estava escolhendo meu futuro e não podia simplesmente estudar em Londres para que pudesse continuar morando junto com ela. Não foi fácil pra mim, nem um pouco.
Já tinha dito que e estavam namorando? Pois é. Por mais bizarro que isso fosse, eu já não conseguia lembrar como era um sem o outro. Ela havia sido aceita numa faculdade de Londres, mas não estava muito certa sobre que o faria. Pensava em Arquitetura, mas não tinha certeza sobre isso, por isso decidiu tirar um ano de folga para ter certeza da sua escolha.

Hoje era dia de despedida de solteira da minha mãe. Não encarem isso como uma coisa legal, porque não era. Não haveriam stripers gostosões e nem álcool a rodo. Ela apenas juntou algumas amigas e suas damas de honra para ter um momento agradável antes de seu casamento. E lá estava eu, entediada, esperando poder finalmente ligar para para que ele me sequestrasse daquela chatice.
estava lá embaixo, sendo uma dama como sempre, enquanto eu tinha subido com Amber para que ela pudesse retocar a maquiagem no meu banheiro. Me joguei na cama, com aquele vestido sem graça que minha mãe havia escolhido pra mim, tomando minha terceira taça de champanhe da noite.
- Ambiente com muitas mulheres me sufoca. Principalmente amigas da minha mãe.
- Eu ouvi sua mãe falando com a mãe do . Elas estão felizes que vocês voltaram. Sua mãe tinha esperanças que vocês quando voltassem, você tiraria a ideia de se mudar pra Nova York.
- E a mãe do na esperança de que ele decida fazer faculdade e não dependa só da banda – Bufei – Acho que elas entram em pânico só de pensar que não vão estar mais controle da gente.
- Queria que minha mãe se preocupasse assim – Amber saiu do banheiro e sentou-se na cama junto comigo. Eu sabia que Amber e a mãe dela não se davam tão bem, mas nunca quis perguntar a razão – Mas enfim, eu te chamei aqui em cima porque tenho uma proposta pra te fazer.
Franzi o cenho sem ter a mínima noção sobre o que Amber queria.
- Você sabe que fui aceita em Moda em Nova York, não sabe?
E então eu senti um alívio. Sim, eu sabia disso, mas também sabia que ela não tinha certeza sobre o que faria. E então uma esperança tomou meu peito, de que possivelmente ela teria aceito a vaga.
- Me diz por favor que você aceitou e eu não vou ser a única novata naquela cidade maluca!
- Se você aceitar ser minha colega de quarto... Olha, por mais que seu pai seja muito gato, eu não quero me mudar e ter que morar de favor. E também acho que agora com o seu irmão chegando, tudo que seu pai e a Tyra precisam é de sossego. Como minha mãe quer mais do que tudo que eu aceite essa vaga, ela alugou um apartamento lá pra mim. Com dois quartos.
- Meus deus, sim! – Pulei em Amber – Sim! Sim! Sim – Aquilo soava como sinos pra mim – Minha mãe vai surtar sobre eu morar sozinha, mas não importa, eu topo. Topo, contanto que possa ficar lá, quando for me visitar.
- Ok... Mas se eu ver alguém transando no sofá...
- Cala a boca, Amber – Disse gargalhando.
Onde na minha vida eu imaginei ficando feliz em dividir um apartamento com Amber? Como eu queria que pudesse se mudar junto... Seria perfeito ter minha melhor amiga ao meu lado.
Ouvi uma buzina e olhei pela janela. Era . Olhei no relógio e eram meia-noite. Sabia que isso duraria até de madrugada, mas a promessa que tinha feito a minha mãe é que ficaria pelo menos algumas horas para que pudesse tirar algumas fotos com ela e conversasse um pouco com suas amigas. E levando em consideração que já tinha feito sala mais do que deveria e tirado tantas fotos que minha bochecha não aguentava mais sorrir, meu dever já estava cumprido.
- Vai lá, sai pelos fundos. Eu falo pra ela que você estava com dor de cabeça e caiu no sono pra estar bem descansada pra manhã
.Agradeci e abracei Amber mais uma vez. Desci as escadas e corri direto pra cozinha sem que ninguém notasse minha presença. Roubei uma garrafa de champanhe da geladeira e corri para o carro de .

- Eu gostei. Você fica sexy quando sua mãe te fantasia de menininha – Disse , quando chegamos em sua casa. Ele segurou minha cintura por trás e beijou meu pescoço – Hoje a casa é só nossa.
Os pais de seriam padrinhos do casamento. Minha mãe havia organizado para que as damas de honra e madrinhas dormissem em casa depois da despedida de solteiro, para que na manhã seguinte toda a equipe fosse desde cedo pra casa, arrumá-las para o casamento. O mesmo aconteceu com Steve, que havia reservado um hotel para que os padrinhos e alguns convidados se juntassem para sua despedida. A mãe de estava com a minha mãe e o pai dele com meu padrasto. E meu pai também.
Sim, meu pai estava na despedida de solteiro do meu padrasto. Que iria se casar com a minha mãe. Não faz sentido algum, mas ok.
- Só nossa? – Fiz uma cara surpresa.
- Toda nossa – Ele me segurou pela minha cintura e me aproximou, mordendo meu lábio inferior – O que você quer fazer primeiro?
- Temos uma garrafa de champanhe caro para detonar – Levantei a mão que segurava a bebida.
- Vou pegar as taças, vai indo pra piscina.
O companheirismo nas bebedeiras era uma parte legal em nosso relacionamento. Eu sempre topava a maioria das maluquices dele e ele das minhas. Acho que por isso a gente sempre se deu tão bem. era minha versão de saia.

caminhava na borda da piscina de casa, tentando se equilibrar, enquanto segurava uma garrafa de champanhe nas mãos. Pra quem estava levemente bêbada e em cima de um salto alto, ela fazia aquilo muito bem.
Ela parecia feliz, automaticamente me deixando feliz.
- Se você cair teremos o prejuízo de uma garrafa de champanhe caríssima e muitas roupas molhadas, Bonitinha – Avisei, deitado em uma cadeira ao lado da piscina, mesmo sabendo que seria uma cena que valeria a pena ver.
não disse uma palavra, apenas me mandou um sorriso sacana e abaixou o zíper lateral de seu vestido, fazendo com que ele escorregasse pelo seu corpo, parando em seu pé, sendo chutado para longe. estava em minha frente, seminua, usando um caralho de um salto alto segurando a porra de uma garrafa de champanhe.
Engoli seco tentando controlar.
- Parte do problema resolvido, Bonitinho – Piscou, me provocando.
Como um ser humano podia ser tão lindo? Eu jurava estar vendo um anjo na minha frente. Um anjo diabólico com aquela falta de roupa e uma garrafa na mão, mas ainda um anjo.
Me levantei da cadeira e me aproximei dela, tirando a garrafa de suas mãos, colocando no chão, não sem antes dar um gole.
- Pois não? – colocou seus braços em volta do meu pescoço e estávamos quase na mesma altura por causa do salto.
No momento eu pensava se eu preferia transar com ela de salto alto fora da piscina, ou dentro da piscina sem o salto alto. Mas achei melhor não dizer nada.
- Acho que alguém está levemente alcoolizada – Disse baixo, com meus lábios quase grudados nos dela – E aparentemente muito feliz. Posso saber o motivo?
- Bom, além do óbvio... – Precisaria saber o que era esse "além do óbvio" mais tarde, só para ter certeza – Amber decidiu aceitar a vaga para cursar Moda em Nova York e me convidou para dividir o apartamento com ela.
Eu não sabia como eu recebia aquela notícia. Eu estava feliz, de verdade, mas aquilo estava se tornando tão concreto, que minha ficha sobre ficar longe dela estava começando a cair agora. Tirando o fato que jamais, nunca na minha vida, imaginei que Amber e se tornariam tão amigas a ponto de morarem juntas.
- Isso é sério? Que bom! Quer dizer, morar sozinha é um grande passo. Fico feliz, mesmo - Dei um selinho nela.
- É, eu também, mas temos um problema – fingiu uma cara preocupada – Amber proibiu sexo no sofá.
Comecei a gargalhar.
- Isso realmente vai ser um problema. Adoro transar no sofá, que droga – Forjei uma cara de decepção – Mas ela não especificou mais nenhum outro cômodo? – Perguntei e balançou a cabeça com um sorriso de orelha a orelha – Quer dizer que podemos transar na cozinha, no banheiro e no tapete da sala?
- Bom, se você tem amor pelo que tem no meio das pernas, acho melhor nos privarmos só ao meu futuro quarto. Mas enquanto isso... – Me mandou um olhar sugestivo e de repente me deu um empurrão, fazendo com que eu caísse de roupa e tudo na piscina – Ops...
- Maldita! – Gritei de dentro da água, enquanto gargalhava. Em poucos segundos ela havia se juntado a mim na piscina.
Gargalhamos, brincamos, nos pegamos, brigamos, beijamos e nos pegamos de novo.

- Está insuportável conviver com meu pai – desabafou.
Estávamos dentro da piscina, vestindo só roupas íntimas e nossa garrafa de champanhe já tinha terminado. A noite estava quente, o verão estava chegando e nada mais combinava do que isso.
- Ele simplesmente não aceita que eu não queira estudar pra cuidar da empresa. Quando eu disse sobre a turnê ele riu da minha cara. Por mais que ele saiba que eu posso ganhar muito dinheiro com a banda, ele quer que eu cuide dos negócios da família. Não vejo a hora de sair logo daqui – O pai de era frustrado desde sempre por não ter um filho interessado em seus negócios. Dá até para entender um pouquinho levando em conta todo o trabalho que ele teve em construir tudo o que tem hoje e não ter um filho que toque a empresa a diante.
Mas nada justifica a maneira com que ele anda tratando ultimamente. Não é sendo um babaca que fará com que ele decida mudar sua vida de rumo. Principalmente agora, que a banda finalmente vai pra frente.
- Por que você não mora comigo um tempo depois da turnê? Por mais que tenha a gravação do álbum, acho que vocês conseguem tirar umas férias curtas depois da turnê.
- Você tá falando sério?
- Lógico que estou! – Coloquei meus braços ao redor de seu pescoço e do mesmo jeito enrosquei minhas pernas em sua cintura – Nada melhor do que passar um tempo juntos antes que você volte pra Londres.
- Será que Amber não vai se importar? – Perguntou apreensivo – Você vai dividir um apartamento com uma chata, agora. Não se esqueça disso.
- Já disse, não transando no sofá, está tudo certo – Pisquei pra ele e mordi o lábio.
- Droga, esqueci disso – Fez uma cara triste – Mas supero, faremos outros lugares valerem a pena – Me deu um selinho.
- Seu tarado! Para de pensar só nisso! – Dei um tapa em seu braço, rindo.
- Eu tento, mas não dá pra esquecer que vou passar um tempo morando com a minha namorada em Nova York, longe de todo mundo e não pensar na melhor parte!
- Longe de todo mundo, não, temos a Amber.
- Essa a gente tranca no banheiro – Gargalhamos.
É, até que isso não seria uma má ideia.

Quando minha mãe deu por falta de mim já eram 10 horas da manhã e ela me ligou surtada, dando o limite de 10 minutos para chegar em casa para não comer meus rins cozidos a vapor. Eu, que estava com uma leve ressaca e morrendo de sono, nem sabia ao certo onde estava até ver meu namorado esparramado ao meu lado. Acordei as presas, que colocou a primeira roupa em sua frente para me levar em casa.
Saímos em um pulo e em menos de 5 minutos estávamos na porta da minha casa.
- Acho que te vejo no altar – Ele disse. Aquela frase soou tão esquisita que a mínima ideia de me ver vestida de noiva, fez meu estômago revirar – Que cara é essa? Tudo isso é medo de me encontrar no altar?
- Isso depende do seu ponto de vista – Disse sem graça.
- Espera só até eu te pedir em casamento.
- Não! – Falei completamente apavorada e ele gargalhou.
Eu podia ter certeza que eu tinha ficado verde com aquela palavrinha que começava com “c”, quando envolvia eu e . O problema não era ele, eu que simplesmente tinha adotado uma filosofia de vida que casamentos não eram mais necessários na vida de uma pessoa. Pra que casar se quanto menos a gente imagina tudo acaba e depois tudo só se torna problema por causa do maldito casamento? Vai só morar junto e pronto!
- Sua cara de horror fez meu dia, Bonitinha. Mas não vai ser hoje que vou te dar o prazer de ser minha noiva.
- Fico feliz em saber disso – Respirei aliviada – Bom, te vejo no altar, então. Mas eu te garanto que não serei a de vestido branco!
- Me lembrarei disso – Ele sorriu e então me beijou.

Abri a porta da minha casa e me deparei com um hospício. Eram mulheres de roupão andando para um lado, pessoas da equipe do cabeleireiro do outro e Vegas ali, perdido no meio de tanta gente, que quando me viu, correu ao meu encontro com seu rabo abanando.
- Que loucura é essa, amigão? – Disse pegando-o no colo – Cadê a , Amber ou a Allie?
- Por algum acaso você é a filha fugitiva da noiva? – Me virei e me deparei com um homem alto de pele morena, com uma voz mais afeminada que a minha. Ele era careca e tinha suas sobrancelhas perfeitamente desenhada.
Fiz que sim com a cabeça. Aparentemente eu era a fugitiva.
- Sua mãe está parindo lá em cima e só vai sossegar quando ver você pronta na frente dela – Continuei sem entender nada – Meu nome é Elliot e vou ser seu cabeleireiro e maquiador hoje. Também vou te ajudar a se trocar – Ah ok, então eu tinha uma babá hoje – Anda, garota! Sobe logo e toma um banho, que seu cabelo está uma desgraça.
Fiquei alguns instantes processando tudo aquilo. Minha casa estava parecendo um spa das loucas e uma bicha maluca, que nunca tinha visto na vida, estava me mandando para o banho.
- Água de piscina – Me expliquei, não levando o comentário sobre meu cabelo pro lado pessoal. Eu realmente estava uma desgraça – Estou subindo, já.
- Te dou 15 minutos e já subo atrás de você.
Sorri rapidamente e achando aquilo tudo uma maluquice, subi para meu quarto com Vegas em meus braços, indo tomar um banho para finalmente me arrumar.

Sai do banheiro vestindo um roupão e com meus cabelos molhados, mas pelo menos penteados. Uma cadeira de cabeleireiro havia sido colocada em frente ao espelho da minha escrivaninha. Elliot terminava de tirar seus equipamentos de dentro de uma maleta quando me viu. Me sentei na cama observando ele terminar de fazer suas coisas, esperando para que pudesse começar a me arrumar.
- Não há como negar, garota – Disse, enquanto terminava de colocar suas coisas em cima da minha escrivaninha – Meu trabalho vai ser bem fácil hoje. São poucas as mulheres que conseguem doer de tão lindas sem um pingo de maquiagem na cara e de cabelos molhados.
- Obrigada? – Agradeci, me olhando no espelho e não vendo nada demais em mim, como sempre.
- Quando vi sua mãe surtada, dizendo sobre o grau da sua irresponsabilidade, que você provavelmente passou a madrugada enchendo a cara em algum lugar, pensei que fosse encontrar uma doidinha de cabelo azul, cheia de piercings e tatuagens – Imaginar minha mãe surtando atrás de mim não era uma cena tão difícil de se imaginar.
- Errado sobre o cabelo azul e os piercings. As tatuagens já são o suficiente pra matar minha mãe do coração.
- Você é linda demais para se encher cheia de piercings ou destruir seu cabelo parecendo um Smurf. Venha – Me chamou para me sentar na cadeira.
Ficamos em silêncio por alguns instantes até que ele secasse todo meu cabelo.
- Wow, wow, wow! – Gritou Elliot, antes de desligar o secador, olhando para meu mural de fotos – Mas quem é esse deus grego? – Apontou para uma foto minha com , que tiramos quando viajamos para o campeonato – Espera aí, você é animadora de torcida ou isso era em uma festa fantasia?
- Eu sei, estranho, mas sim, eu era animadora de torcida no colegial, acabei de me formar. E meu namorado que está comigo na foto.
- Por favor, guarda meu número pra quando vocês tiverem um filho, porque olha...
Pela primeira vez pensei em como seria ter um filho com . Não que isso estivesse nos meus planos, porque não, definitivamente não estava. Não pelo menos agora, mas quem sabe em um futuro muito distante. Me peguei imaginando um bebê com a cara dele e me derreti.
- Sim, ele é lindo – Disse feito boba – E ele tem uma banda, sabia? Muito breve você vai ouvir sobre eles – Eu parecia uma mãe orgulhosa por seus filhos.
- Você parece gostar muito dele...
- Até demais – Respirei fundo.
Eu não falava dos meus sentimentos nem pro meu próprio namorado, mas estava me desabafando com um total estranho, vai entender.
Depois de muito conversar com meu mais novo amigo, Elliot, ele terminou de secar meu cabelo e deixou as pontas do meu cabelo enrolado por um grampo. Enquanto eu esperava até dar o tempo certo para solta-los, desci e fui até a cozinha comer alguma coisa. Deus, eu estava faminta. Como sabia do banquete que teria depois da cerimônia, comi uma tigela de cereal com um pouco de leite, só para enganar a fome; foi quando entrou feito uma maluca pela porta da cozinha, me abraçando.
- Meu deus, o que aconteceu, ? – Perguntei assustada, deixando minha tigela de cereais de lado.
- O !
- O que tem o ?
- Ele me chamou pra sair em turnê com eles! Disse que era pra eu ficar ao lado dele esse ano que estivesse decidindo o que farei na faculdade!
Senti uma pontinha de inveja de . Ela acompanharia os meninos, estaria ao lado deles nesse primeiro ano de estrada, enquanto eu estaria em Nova York longe de . Se eu reclamasse da vida nesse exato momento, eu seria uma vadia, considerando tudo de bom que anda acontecendo, mas não posso negar que tudo seria perfeito se meu namorado estivesse ao meu lado.
- Wow... Quer dizer, nossa! Isso é incrível, ! – A abracei de volta.
- Aposto que também vai te convidar!
- Duvido... Bom, você sabe, com essa história de Nova York vai ficar complicado e ele sabe disso.
- Entendo – Disse desapontada – Amber me contou sobre vocês morarem juntas. Fiquei feliz mas não posso negar que fiquei com um pouco de ciúmes – Disse de cabeça baixa.
- Ciúmes? – Disse sorrindo.
- Esse eram os nossos planos. Ir pra faculdade, morar juntas... E de repente eu não tenho ideia do que fazer e vou sair em turnê com meu namorado. Enquanto a Amber vai estar vivendo tudo o que eu queria viver com você.
Senti uma pontada no peito ao ouvir aquilo. O que ela falava era verdade, desde que nos tornamos melhores amigas, sempre sonhávamos em um dia morar juntas depois de terminarmos a escola. E agora eu viveria isso com outra pessoa.
- Eu me sinto insegura entrando nessa aventura com , mas eu gosto tanto dele, que sinto que estou fazendo a coisa certa.
- A vida pregou uma peça enorme na gente esse ano. De repente você namora o , eu o e estou indo morar com a Amber em Nova York. A gente não imaginava que isso iria acontecer, mas agora que aconteceu, temos que embarcar nesse desconhecido, fazer aquilo que nunca planejamos. É normal sentir medo, eu acho. Eu sinto medo.
- Medo do que?
- Não sei, medo de não me adaptar, medo de sentir muita falta de Londres. Medo de perder o , de novo.
- Vocês não vão se separar de novo – colocou suas mãos em meus ombros e olhou nos meus olhos – Nada é mais certo que vocês dois.
- E nada é mais errado do que a gente – Eu ri baixo – Não errado a relação que nós temos, mas... Nós somos errados, entende? Quando se trata de nós dois eu nunca tenho certeza de nada. Você sabe como eu sou, como ele é. Nós somos dois inconsequentes, nunca medimos as palavras ou nossas atitudes. Sempre fazemos antes de pensar e quando vamos ver, boom! O estrago já está feito.
- Talvez seja por isso que vocês se gostem tanto. Talvez se algum de vocês fossem um pouco normal, isso não daria certo – Pensei um pouco sobre aquilo.
Como seria viver com um que não fosse exatamente como ele é? O rabugento que vivia com cara de bravo e sempre pensava que é o dono da razão. O que sempre aumenta a voz, o que nunca pensa antes de falar e o que quase sempre faz merda. Eu gostava disso. Eu era apaixonada até mesmo pelos defeitos dele.
- Acho que você está certa.
- Então para de pensar besteiras – Sorriu e me abraçou – Agora sobe lá no quarto da sua mãe, ela está quase pronta. Acho que já está na hora de você e a Allie se trocarem.
- Já estou indo – Segurei suas mãos – Obrigada. Obrigada por tudo, . Você é um anjo na minha vida e não tenho palavras pra dizer o quanto eu te amo e quanto quero você sempre comigo.
- Eu também te amo – Disse com lágrimas no olhos – E obrigada você por me aceitar na sua vida, mesmo sendo o oposto do que você é.
- Espero que o próximo casamento seja o seu. Com o , claro – Ela riu, secando seus olhos.
- Num futuro muito distante, espero.
Gargalhamos e antes de subir, dei mais um abraço em minha melhor amiga.
Voltei para o quarto e Elliot terminou seu trabalho. Eu já estava devidamente pronta. Meu cabelo estava preso por uma trança que caia na lateral de meu ombro, com alguns brilhos em sua volta, combinando com algumas pedrinhas que havia em meu vestido. Assim como todas as damas de honra, eu estava com um vestido nude, que jamais imaginei que cairia bem em mim. Eu não estava me sentindo completamente à vontade, mas era a vontade da minha mãe. E sendo filha da noiva eu deveria estar muito bem apresentável.
- Você está parecendo uma princesa de um conto de fadas – Disse Elliot – Nunca vi um ser humano tão lindo como você.
- Obrigada, Elliot – O abracei – Você fez um trabalho incrível.
- Sua beleza ajuda, flor – Piscou pra mim – Foi um prazer ter te conhecido e olha... – Ele tirou algo do bolso – Esse é meu número, o que precisar, é só me chamar.
- Pode deixar – Dei outro abraço nele e sai do quarto, a caminho do quarto da minha mãe.

Abri a porta do quarto e encontrei minha mãe de frente a um espelho enorme que haviam colocado encostado na parede, já vestida. Havia 3 pessoas em sua volta, arrumando os últimos detalhes e eu fiquei parada ali na porta durante alguns instantes, admirando-a. Ela estava linda, tão linda como eu jamais poderia acreditar que ela poderia ficar, ainda mais do que já era. Eu nunca havia visto uma noiva tão linda como minha mãe. Ela parecia uma modelo de capa de revista. Ao me ver pelo espelho, ela sorriu.
- Olá, princesa – Disse ela – Você está linda, filha!
- E eu não tenho nem palavras para te descrever – Me aproximei – Você está tão, mas tão linda, mamãe... Seu vestido, seu cabelo, você, tudo! Está perfeita! – Ela estava tão incrivelmente linda, que me deu vontade de chorar.
- Mesmo?
- Com toda certeza – Eu sorri e me aproximei.
- Com licença, senhoritas. Posso tirar uma foto? – A fotografa chata que me perseguia o dia inteiro pela casa para conseguir alguma foto minha, havia finalmente conseguido.
Segurei a cintura de minha mãe e ela a minha e tiramos a foto.
- Chega a ser bizarro como vocês suas se parecem – Disse a fotografa, vindo mostrar a foto.
Ela tinha razão. Eu devidamente vestida e maquiada e com o cabelo quase da minha cor natural, ficava a cara da minha mãe. Uma cópia mais nova. Nossos olhos, o formato do rosto, tudo. Eu só era um pouco mais baixa.
- Bom, pelo menos isso, não é? Só faltava eu ter uma filha que além de ter o temperamento igualzinho do pai, também ser parecida fisicamente com ele.
- Você se salvou nessa, mãe.
- Lizzie, Alison e as meninas já estão devidamente arrumadas – Disse uma mulher que estava no quarto – Já está pronta para ir? Os convidados já chegaram e o noivo também.
- E meu pai? Sabe se ele conseguiu pegar o voo anterior ao dele? Eu pedi para que ele fosse direto... – Disse minha mãe preocupada com o vovô.
- Procurando por mim?
Ao ouvir aquela voz tão familiar eu olhei para a porta sem acreditar ao ver aquele homem elegante de cabelos brancos, parado de frente a nós. Corri em direção ao meu avô e o abracei por infinitos minutos, podendo ficar em seus braços por horas.

- Isso tudo são saudades do seu velho? – Nós estávamos no carro indo para a cerimônia de casamento, e eu estava com a cabeça deitada em seu ombro.
- Fazem 3 anos que não te vejo, vovô. Só desgrudo de você para deixar que entre com a minha mãe no altar.
- Oh, minha lindinha, também senti sua falta – Beijou o topo da minha cabeça – Não vejo a hora que você e Alison possam passar uma temporada comigo na França. Aquele lugar é encantador.
- Qualquer lugar com você se torna mais encantador ainda.
- Podemos passar o Natal com o vovô – Disse Alison – A França deve ser linda no inverno.
- A França é linda em qualquer época do ano, meu amor. E ficarei muito feliz em recebê-las. Judith, também – Judith era nova mulher do meu avô. Eles haviam se casado há aproximadamente 5 anos.
- Por falar nisso, por que ela não veio?
- Problema com uma das filhas, nada de importante, mas não era algo que ela pudesse dizer não. Mas pediu que eu mandasse lembranças. E tirasse muitas fotos de sua mãe vestida de noiva.
- Isso ela pode ter certeza que não vai faltar – Disse a minha mãe, um pouco nervosa por estarmos chegando perto do local da cerimônia.
Se aquela casa já era maravilhosa sem nenhum tipo de decoração, toda decorada para o casamento parecia um castelo de princesa. Tudo foi montado em seus mínimos detalhes, desde a fachada, até dentro de casa, onde os convidados nem mesmo poderiam ver. Eu estava encantada e nunca me imaginei gostando tanto de tudo aquilo. Minha mãe parecia estar vivendo um conto de fadas e eu entrei junto, compartilhando de sua felicidade. Todas as madrinhas e damas de honra já estavam na sala à espera dos padrinhos. Eu não via a hora de ver todo vestido. Fui perguntar para minha mãe quando que seria a hora de entrar no altar e simplesmente não a encontrei. Olhei ao redor, no meio de todas aquelas mulheres e nada dela. Vi meu avô vindo de um corredor e ele me olhou com uma cara suspeita, balançando o pescoço em direção aos quartos. Não entendi muito bem, mas passei por ele, indo na direção da qual ele tinha indicado. Um pouco antes de chegar no primeiro quarto, comecei a escutar duas vozes familiares.
- Você está incrível – Aquela era a voz de meu pai – Não que normalmente não seja, mas você é a noiva mais linda que já vi. Mais bonita até do que quando nos casamos.
Eu sabia que era feio escutar atrás da porta, mas queria entender porque diabos os dois estavam conversando.
- Acho que um casamento aos 18 anos não favorecia muito as coisas – A voz da minha mãe era sem graça.
- Lizz... – Meu pai chamou minha mãe pelo apelido que somente ele chamava. Fazia tempo que não o escutava chamando assim – Só queria que soubesse que estou muito, muito feliz mesmo por você. Steve é um homem de muita sorte.
Fui um pouco mais para frente, tentando ver aquela cena e bem no canto da porta, vendo pelo reflexo do espelho, consegui ver os dois. Eu me sentia a pessoa mais intrometida do planeta.
- Eu também estou feliz, feliz que nós dois apesar da separação, conseguimos seguir nossas vidas. Você é um pai maravilhoso, Matt e não há nada melhor do que saber que mesmo separados, você é uma das pessoas mais presentes na vida das meninas. Estou feliz por você, pelo bebê e por ter finalmente encontrado uma pessoa. Você já estava me deixando preocupada ficando tanto tempo sozinho.
- Tyra é uma mulher incrível.
- Eu sei que é. Se ela conquistou seu coração e trata minhas filhas como dela, isso já é o suficiente pra saber que ela é incrível.
- Sim, finalmente alguém conquistou meu coração. Depois de você demorou um pouquinho.
Foi um silencio meio constrangedor, mas minha mãe não parecia incomodada, muito menos meu pai.
- Só quero que você saiba que mesmo que Steve tenha entrado rápido na minha vida, eu te amei muito, Matt. Acho que amo até hoje, pelo homem maravilhoso que você é. Você me deu duas filhas lindas e me fez feliz enquanto durou.
- Mesmo te engravidando na adolescência?
Os dois gargalharam e eu ri baixo, junto com eles.
- Mesmo me engravidando na adolescência – Afirmou e depois de alguns segundos ela continuou – Obrigada por ter vindo, significou muito pra mim.
- Obrigado pelo convite, também significou muito pra mim.
- Promete cuidar dela quando for pra Nova York? – Ela falava sobre mim – Eu estou morrendo em saber que ela vai ficar longe de mim. Às vezes eu não consigo acreditar que ela tenha crescido, pra mim ela sempre vai ser minha pequenininha birrenta. Deus... – A voz da minha mãe começou a ficar tremula e sentia as lagrimas se formando em meus olhos – Eu a amo tanto, Matt...
Vi meus pais se abraçando pela primeira vez em anos. Meu pai não disse nada, apenas a abraçou e eu tentava fazer com que minhas lagrimas não estragassem minha maquiagem.
- Vou cuidar dela mais que minha própria vida, sempre, tanto ela quanto Alison, prometo – Ele segurou seu rosto e secou suas lagrimas.
- Droga, nem entrei no altar e já estou chorando! – Eles riram e então ficaram sérios.
Um frio tomou minha barriga quando vi meu pai se aproximando de minha mãe e dando um selinho em seus lábios. Meus olhos arregalaram e mais rápido que pude imaginar, eles se separaram. Os dois sorriram um para o outro por alguns segundos e eu sorri junto. Não havia sido um beijo com segundas intenções, meu pai amava Tyra e minha mãe amava Steve. Aquilo havia sido um beijo de despedida, do qual apenas os dois saberiam que tinha acontecido. Os dois e eu.
- É hora de ir – Disse meu pai – Te encontro no altar, mas prometo que não sou o noivo.
- Bom você ter avisado – Eles riram pela última vez e eu sai da porta do quarto, voltando para a sala, antes que eles soubessem que eu estava ali.

- Recapitulando – Disse a organizadora da cerimonia – Alison entrará segurando as alianças e em seguida vocês meninas entram junto com seus respectivos pares – Que no caso era Amber com , com o filho de Steve e eu com – E logo em seguida, a vez da Lizzie.
Os meninos entraram pela sala com o mesmo estilo de smoking. Sorri de orelha a orelha ao encontrar , com um sorriso faceiro no rosto e seu cabelo bagunçado, o deixando mais lindo do que nunca.
ficou parado em minha frente me encarando por alguns instantes. Percebi que diversas vezes ele tentou dizer alguma coisa, mas nada saía de sua boca.
- Quando pensei que nunca poderia te ver mais linda do que você estava no baile, você me apronta isso – Disse quando chegou perto o bastante para que pudesse ouvi-lo sem ele falar alto – Você tá incrível, bonitinha.
- Digo o mesmo, cowboy – Subi meu rosto e dei um selinho de leve – Você está tão lindo que minha vontade é te esmagar! – Segurei o rosto dele com as duas mãos e o beijei de novo.
- Selvagem, gostei – Sacaneou.
- Quem diria... – Minha mãe apareceu atrás de nós dois – Menos de um ano atrás eu escutei uma pessoa dizendo que se ela tivesse que entrar no altar com , ela não iria ao meu casamento, e agora olha só isso – Disse minha mãe ao pegar o buque de flores.
- Ninguém resiste aos meus encantos, Lizzie – piscou para minha mãe e eu rolei os olhos.
- Posso saber quem é esse elegante cavaleiro que estava aos beijos com minha neta? – Vovô se aproximou e eu cai na gargalhada.
- Esse é o , acho que você se lembra dele.
- Claro que sim, o mocinho que sempre arrastou as asas para minha neta. Como não esquecer?
- Olá, senhor – estendeu a mão e meu avô repetiu o gesto – Bom, sabe como que é, precisei investir cedo. Sua neta pode ser bem difícil quando ela quer. Foram anos até conseguir um beijo.
- Então aproveite, porque isso é de família. Ê família para ter mulheres complicadas – Os dois riram enquanto eu e minha mãe fingíamos uma cara surpresa.
- Chegou a hora. Alison, por favor, venha até aqui – A organizadora a chamou e colocou de frente para a porta que dava para a área externa – Damas de honra e seus acompanhantes, por favor, atrás dela.
Amber chegou perto de mim antes que pudéssemos nos organizar.
- Se o não estivesse extremamente encantador essa noite, eu faria uma chantagem emocional com para ela trocar de par comigo.
- Esquece, ele é noivo – Cochichei, falando sobre o filho de Steve.
- Droga!
Atrás de Alison, ficamos eu e . Ele me deu o braço, da forma que nós entraríamos e eu achei aquela cena um pouco bizarra.
- Por que essa cara? – perguntou – É tão estranho assim subir no altar comigo?
- Estranho, não. Assustador, talvez.
- Então quer dizer que se um dia te pedir em casamento isso vai ser assustador?
Sério mesmo? De novo isso?
- Totalmente – Respondi sem nem ao menos olhar para ele.
- Então você nunca vai se casar comigo? – Fez a pergunta olhando diretamente pra mim, achando um pouco engraçado minha reação ao assunto – Me senti um pouco ofendido.
- Meio cedo pra isso, não acha?
- Só achei interessante a ideia de te ver vestida de noiva – Encarei ele de volta um pouco impaciente sobre aquele assunto – Calma, bonitinha! É brincadeira.
- Ótimo.
- Queria ver sua cara no dia que te pedir em casamento.
- Não vou me casar com você, – Rolei os olhos, voltando a atenção a porta que estava prestes a abrir.
- Ah, mas vai sim.

A porta se abriu e Alison deu os primeiros passos pelo corredor dentre os convidados. Haviam muitas flores brancas pelo caminho e pude ver Steve, mais nervoso do que nunca. Reconheci alguns rostos pelos convidados que conseguia ver pelo caminho e sorri encantada quando vi meu pai e Tyra. e estavam perto deles, fazendo algumas palhaçadas pra gente ao passarmos. Allie ficou de canto segurando as alianças e , antes de ir para o lado de Steve, pegou minha mão e a beijou delicadamente, me pegando de surpresa e quase me fazendo ir para o caminho errado. Foi tão amor, que não consegui parar de sorrir.
Só consegui tirar meus olhos dele, quando foi a hora de minha mãe entrar. O silêncio se fez e a famosa música de casamento finalmente começou a tocar. Eu não fazia o tipo de que se emocionava em casamentos, mas quando vi minha mãe entrando, eu tentei segurar, mas não consegui. Me debulhei em lágrimas de uma forma, que jamais pensei que fosse acontecer. Ela estava tão linda, mas tão linda, que não dava para não chorar. Tudo estava perfeito! A decoração, o lugar, Steve, os convidados, meu pai, meu avô, ao meu lado, tudo. Eu e Alison nos olhamos e percebi que ao me ver chorar, foi o ponto de partida para que ela também começasse a se derramar em lágrimas.
A cerimonia não foi longa. Alison no final foi até os dois entregar as alianças e deu um abraço demorado, tanto em minha mãe, como em Steve.
Depois de serem declarados oficialmente casados, os dois se beijaram e foi toda aquela comemoração. Eles saíram e logo em seguida fizemos o caminho de volta, da mesma forma que entramos. segurou novamente em meus braços e voltamos.
A parte mais chata foram as fotos e ter que cumprimentar convidado por convidado junto a minha mãe. Fui alugada por quase uma hora, até que não aguentasse mais meus pés e meu estômago já estivesse prestes a comer meus rins de tanta fome que eu estava. A última mesa que faltava cumprimentar e tirar fotos era a do meu pai. Fomos até ele e me pendurei em seu pescoço e logo depois no de Tyra.
- Olá, Matt – Disse minha mãe abraçando meu pai e logo em seguira, Tyra – Fiquei muito feliz que você tenha vindo, Tyra. E mais feliz ainda em saber sobre a gravidez.
- Eu que agradeço pelo convite. E você está a noiva mais linda que já vi – Tyra era um poço de simpatia e sabia que minha mãe ia adorá-la.
- Você é uma mulher de sorte, Matt é um pai e tanto para as meninas e tenho certeza que vai ser o mesmo para seu filho ou sua filha.
- Sim, eu vejo o carinho que ele tem pelas duas e elas por ele. E espero poder estar sempre do lado delas, mesmo que não sendo a mãe. Eu adorei suas filhas e você também fez um ótimo trabalho com elas. Alison e são incríveis.
- Deu trabalho, mas acho que deu certo. Enfim, esse é meu marido, Steve – Apresentou os dois e a conversa durou alguns bons minutos.
Fiquei aliviada por não ter rolado nenhum clima entranho entre eles, mas sabia que nem minha mãe e muito menos Tyra causariam problemas.

Quando finalmente sentamos pra comer, eu quase chorei de emoção de novo, só que dessa vez, foi por estar entrando alguma comida no meu sistema. Deus, que comida deliciosa! Eu poderia comer mais três pratos daquele com a fome que eu estava. Alguns minutos depois, Steve se levantou e propôs um brinde ao casamento. Todos levantaram suas taças junto a ele e brindaram, cada um com sua mesa.
Eu não havia planejado nada, prometo. Muito pelo contrário, tudo que eu tinha na cabeça antes era sair daquele altar, comer e beber até o dia amanhecer. Porém, as palavras de minha mãe sobre mim na conversa com meu pai me tocaram de uma tal forma, que eu queria também dizer algumas palavras pra ela, mesmo que ela não soubesse que eu tinha escutado. Com um pouco de vergonha, peguei uma faca e bati na minha taça de champanhe para chamar a atenção dos convidados e me levantei. Minha mãe me encarou com uma cara assustada, provavelmente pensando que eu estivesse bêbada e daria um show. Vi sorrindo pra mim e aquilo bastava para tomar a coragem de vez. Respirei fundo e me levantei.
- Bom... Eu não sei muito bem como começar essas coisas, eu juro que não planejei nada e nem sei muito bem o que eu tenho que falar, mas eu só sei que devo dizer algumas coisas – Mordi o lábio, nervosa com a situação – Também queria propor um brinde aos noivos, mas em especial a minha mãe. É que... Eu sei que posso ser uma filha muito difícil quando eu quero e acho que isso acontece na maioria do tempo, desde que nasci – Ouvi risos de todos os convidados – Não é qualquer um que aguenta uma gravidez na adolescência e ela aguentou. Aguentou e me amou a cada momento, mesmo sacrificando algumas coisas na sua vida, depois que eu nasci. Mas eu quero que ela saiba que mesmo brigando com ela todos os dias, mesmo que sejamos tão diferentes e na maioria das vezes ela queira me matar, eu estou muito, muito feliz por ela. Só quero dizer que eu e Alison temos sorte em te ter como mãe. – Disse olhando em seus olhos e percebi que ela chorava mais do que chorou em cima do altar – E que estou muito feliz que você está se casando com alguém como Steve, que sempre cuidou de mim e da Alison como um pai de verdade cuidaria, como o papai cuida da gente. Te amamos Steve, você é demais – Ele sorriu pra mim e cochichou um “eu também amo vocês” – E mãe, eu só embromei esse discurso tudo pra te dizer que mesmo que você não acredite, eu te amo – Disse sorrindo e com a voz tremula, aquilo que sempre falávamos uma para a outra – Te amo muito, demais.
Os aplausos vieram e minha mãe se levantou para me abraçar. Percebi que várias pessoas choravam emocionadas com meu discurso, inclusive Alison. Achei tão fofo!
- Eu te amo, meu amor – Ela disse – E por mais que você não acredite, mais que minha própria vida.
Sorri para minha mãe e voltamos a mesa, de mãos dadas e ficamos assim por um bom tempo.

O resto do jantar não durou muito tempo, porque logo fomos chamados para a valsa. Eu só sabia de uma coisa, eu não era a noiva, eu era apenas a filha da noiva, portanto, eu não tinha absolutamente nada a ver com isso.
Uma roda foi feita no salão e Steve e minha mãe estavam no meio. A música começou e os dois começaram a dançar pelo meio do salão, enquanto os fotógrafos filmavam e tiravam foto do momento. Depois da primeira música, minha mãe dançou com meu avô e Steve pegou alguma de suas sobrinhas para dançar, até que uma mão apareceu na minha frente.
- O que é isso? – Perguntei a .
- Ah, qual é... Uma dança só – Disse e eu comecei a rir de sua cara.
Tipo, não.
- Vamos lá, você é bailarina, animadora de torcida, da pirueta de costas, fica em topo de pirâmides enormes e dança dando gritinhos...
- Isso é completamente diferente.
- Ah, cala a boca e vem logo – Então ele me puxou para o meio da roda e começamos a dançar. Ou tentar.
- Sabe, eu tive uma ideia durante esses dias – Disse , enquanto dançávamos.
- O que? - Tirei a cabeça de seu peito e olhei para ele, esperando a resposta.
Ele soltou uma das mãos de minha cintura e pegou algo no bolso entregando pra mim. Era uma credencial da turnê que eles fariam, escrito all access. Olhei para aquela credencial sem entender absolutamente nada. Mas o que...
- Eu quero que você venha na turnê junto comigo – De repente eu parei.
- Mas, ...
- Suas aulas começam depois das férias de verão, em Setembro. Você vai ficar quase 3 meses sem aula. São um pouco menos de 3 meses de turnê.
- Mas a mudança, o apartamento, como que vou fazer tudo isso estando em turnê com você?
- A Amber está cuidando tudo em relação ao apartamento e a mudança você pode ir arrumando as coisas agora e um pouco quando voltarmos.
Fiquei um minuto processando todas aquelas informações.
- Eu já conversei com a Amber, ela vai te ajudar no que for preciso. Tirando que você vai viver a experiência de sair em uma turnê! Imagina você entrar numa faculdade como a sua, já tendo vivenciado isso. Tenho certeza que o Fletch vai precisar muito da sua ajuda com tudo. Seria como um estágio voluntário. Você não vai ganhar por ser minha convidada, mas vai poder ajudar em tudo que precisarem. E tirando o fato mais importante...
- O que?
- 3 meses comigo.
Mordi o lábio tentando esconder meu sorriso. Meu deus, que loucura! Três meses dentro de um ônibus, correndo a Inglaterra inteira, um show em cada cidade... Isso é insano!
- Você é maluco. E eu mais ainda por aceitar essa ideia absurda!
Antes que pudesse terminar ele me abraçou, tirando meus pés do chão.
- Caralho, como eu te amo – Eu fechei os olhos ao ouvir aquilo.
- Eu também – Dei um selinho rápido nele – E obrigada. Obrigada por fazer minha vida valer tanto a pena, por fazer com que eu faça todas essas maluquices e... Wow, eu vou sair de turnê com uma banda! Vou poder acompanhar vocês nessa fase tão importante, Deus... Isso é tão insano que me deixa só mais empolgada!
- Eu sei, eu também.
- Acho que minha vida está começando a partir de agora, sabia?
- A nossa está – Disse certa que aquilo estava realmente acontecendo.

Um mês se passou até que embarquei na turnê junto com os meninos. Eu vivi os melhores 3 meses de toda a minha vida. Foram três meses conhecendo pessoas do ramo, aprendendo de tudo um pouco, vendo o McFly crescer e me assustar com a forma que isso estava indo tão rápido. Quanto mais shows iam passando, mais as pessoas passavam a conhecer mais a banda. Ao entrar nas arenas ou nas casas de show, seus nomes eram berrados por todos os lados por fãs pedindo autógrafos ou fotos. Eu jamais pensei que poderia ver isso um dia. Eu sabia que aconteceria, só não imaginava o dia que acontecesse. Eu primeiro era a namorada do , depois passei a ser conhecida como . Pessoas desconhecidas sabiam meu nome. Exatamente o mesmo aconteceu com . O ápice foi quando pediram para tirar uma foto comigo e com ela, foi então que comecei a ficar um pouco assustada. Algumas não gostavam de mim, me olhavam torto. Mas eu também não gostava das namoradas dos meus ídolos. Tentava relevar.
Músicas novas eram feitas e o público aceitava cada uma delas quando eram cantadas em shows. Passaram a cantar menos covers e mais músicas próprias.
Queria saber seu segredo para enfeitiçar tanto . Quem sabe algum dia ele também comece a escrever músicas sobre mim. Ou quem sabe um álbum inteiro” achei maldoso esse comentário vindo de uma fã pra mim. Mas sabia que cedo ou tarde teria que passar por isso.
, e também escreviam e pode ter certeza que meu primo não escrevia sobre me achar gostosa ou algo assim. E não compunha apenas músicas para mim, isso seria maluco. Então, definitivamente as músicas do McFly não giravam em torno de mim, porém não acho que fãs desse tipo mereçam minha atenção, para eu dar alguma resposta do tipo.
Na verdade acho que fã alguma quer atenção minha. Eu só sou a namorada do , mais nada. Não me importo que elas o abracem, tirem foto, digam o quanto acham ele gostoso. Isso não afeta meu relacionamento com ele. Não afetando meu relacionamento, eu estou okay. Então posso dizer que isso não me incomoda.
Foi então que eu pensei que aquilo era só o começo. Não posso dizer que eles eram famosos, eles eram apenas conhecidos por um público específico, mas sabia que faltava pouco para isso sair um do controle.
Foi então que eu vi o desespero da gravadora em terminar logo esse álbum, para finalmente a banda chegar no lugar que sempre pertenceu. Pessoas procuravam por Fletch para saber sobre mais shows da banda depois do final da turnê e foi então que percebemos que esses três meses de trabalho intenso, no final valeram apena. Três meses para a vida de todos mudarem da água para o vinho.
- Acho que os planos da gente ficar um tempo junto em Nova York vão água abaixo depois dessa nova data para a entrega do álbum – Disse .
Estávamos deitado em uma cama de Hotel, passando dois dias de folga antes que ocorressem os últimos shows.
- Tudo bem, eu já imaginava – O beijei e levei minhas mãos até seu cabelo, fazendo cafuné – Não posso te culpar, ninguém imaginava que vocês cresceriam tanto em três meses, o álbum precisa ficar pronto o quanto antes.
- Você vai conseguir finalizar o álbum com a gente? – perguntou já imaginando minha resposta. Infelizmente, mesmo a turnê sendo incrível, mais do que imaginávamos, nem todos nossos planos conseguiram ser concluídos.
- Acho difícil... Vou ter que ir logo pra Nova York, a Amber precisa de mim – Me sentia triste em dar aquela resposta a ele.
não respondeu, apenas respirou fundo.
- Não quero te deixar – Me aninhou mais em seus braços, como se não quisesse me largar nunca mais
- Nem eu – Beijei a ponta do seu nariz – Mas a gente sabia que seria assim.
- Quem diria que estaríamos tristes de ficar um longe do outro, porque eu estaria finalizando um álbum e planejando outra turnê e você indo pra faculdade – Eu sorri meio boba. Realmente, nunca na minha vida eu imaginei algo assim, muito menos coisas tão boas acontecendo na vida de nós dois ao mesmo tempo.
- Sim, no final a gente conseguiu o que queria.
- Nem tudo. Eu queria você comigo o tempo todo – foi sincero, mais sincero que eu imaginei que seria.
- Acho que precisamos desse tempinho. Você precisa de um pouco de espaço de mim, suas fãs já estão começando a me odiar – Nós rimos.
- Quero ver quando você tiver os seus fãs – Ficou emburrado de repente.
- Meus fãs? – Franzi o cenho sem entender.
- Você tinha fãs na escola, nada impede de você ter fãs na faculdade também – Eu tinha fãs na escola? Sério mesmo que ele estava falando isso?
Era isso mesmo ou estava com ciúmes de mim, sendo que o rockstar da vez era ele?
- Você jura mesmo que está com ciúmes de mim, enquanto você tem uma banda e uma tonelada de fãzinhas com fogo atrás de você? Acho que quem deveria estar preocupada aqui sou eu, não você – Sim, eu sentia ciúmes. Não era nada fácil agüentar tantas meninas em cima do meu namorado, porque mesmo que existissem as fãs fofinhas que só queriam uma foto ou um autografo e no máximo um abraço, também existiam aquelas que queriam muito mais que isso. As malditas vadias que tinham uma nota musical no lugar da piriquita.
- Vai se foder! Não é como se eu fosse comer alguma fã minha – Disse ofendido.
- O e o já comeram, o que te impede de fazer isso?
- Porque eu tenho namorada e só quero comer ela – Sutil, bem sutil.
- Bom saber que você gosta um pouquinho de mim, mesmo que seja de uma maneira ogra de dizer.
- Desculpa. Eu te amo, bonitinha. E também amo te comer.
- Vai tomar no cú, seu idiota – Gargalhava enquanto distribuía alguns tapas em seu braço.
Cansei e deitei de novo na cama.
- ?
- O que?
- Eu não queria que você fosse pra faculdade. Queria você comigo – Doeu um pouco ouvir aquilo. Na verdade, eu não esperava que ele fosse dizer isso tão abertamente.
- Mas eu tenho que ir – Choraminguei.
- Eu sei...
O silêncio se instalou no quarto por alguns minutos. olhava para o nada e eu pensava no que ele havia acabado de dizer. Queria saber o que ele estava pensando, mas achei que não deveria perguntar, se ele quisesse, ele falaria.
- Eu odeio isso – Ele disse impaciente.
- Isso o que?
- Isso! Você, quieta em dizer nada!
- O que você acha que eu devo dizer? Que tudo vai ficar bem, que vamos passar por isso, que não vamos brigar, xingar um ao outro durante esse tempo e que no final tudo vai ficar bem? Eu não posso dizer isso, porque não sei se vai ficar tudo bem!
- Eu não estou dizendo pra você dizer que tudo vai ficar bem – Aumentou a voz – Só quero que você diga o que está pensando. Eu não sei te interpretar, eu sou um bosta nisso. Eu nunca sei o que se passa pela sua cabeça, porque você é doida!
- Eu sou doida? Você do nada começa a gritar comigo e eu que sou doida? – Fui me levantar da cama e ele me puxou
- Não se atreva a sair de perto de mim, eu estou falando com você!
- Você não manda em mim! – Gritei e ele não disse nada. Puxei meu braço e entrei dentro do banheiro.
Escutei ele esmurrar a porta.
- Abre essa porra!
- Pelo amor de deus, será que eu não posso ter 2 minutos de privacidade? Para de gritar, você vai acordar a merda do hotel inteiro.
Não ouvi ele dizer mais nada. Respirei fundo e joguei uma água no rosto. Eu sabia que cedo ou tarde brigaríamos por isso, mas não sabia que ele ficaria tão puto com essa situação toda. Tentei relevar ao máximo o fato que ficaríamos separados o bastante para ter essa briga agora, mas ainda estava muito brava com seu surto. Esperei mais alguns minutos e voltei pro quarto. Ele estava sentado na cama e me encarou ao me ver saindo do banheiro, mas não disse nada. Me sentei na cama, apoiei meus braços em minhas coxas e coloquei a mão na cabeça. Percebi que ele se movimentou e imaginei que ele fosse no banheiro, mas então notei que ele estava em minha frente. Ele se abaixou para ficar em minha altura e tirou meus braços de frente do meu rosto.
- Por Deus, não faz mais isso.
- Isso o que?
- Sair do nada de perto de mim. Eu sei que estourei, desculpa, mas não sai de perto de mim assim, eu nunca sei o que você tá pensando eu nunca sei quando você vai pegar suas coisas e sumir. A gente já brigou por razões absurdas e você já me repeliu por muito tempo, não me faz ter a sensação que a gente vai ficar longe de novo.
- Mas nós vamos ficar longe, !
- Você entendeu o que eu quis dizer.
- Eu só precisava de um tempo pra pensar. , você já sabia que isso ia acontecer e você sempre soube como eu pensava sobre isso. Eu posso ser a pessoa mais imprevisível da face da terra, mas eu não vou deixar de te amar de uma hora para outra. Antes fosse tão fácil desse jeito.
- Você me assusta, só isso.
- Eu assusto muita gente – Sorri fraco e segurei em seu cabelo – Desculpa também por ter gritado com você, mas é que você sempre me tira tão do sério que minha vontade é de te matar. Eu tenho vontade de te matar pelo menos umas 3 vezes por semana.
- É, eu também... Precisamos trabalhar mais nisso.
- Com certeza
- Vem cá – Ele me puxou e me beijou – Me irrita até o quanto eu gosto de você.
- Eu sei como é que é. Um dia você estava tão lindo antes de entrar no palco que eu fiquei irritada.
- O que? - Perguntou rindo.
- É sério, você estava tão lindo que me irritou. Eu fico com vontade de te beijar o tempo todo. Mas eu não sou assim, mas você me faz sentir coisas estranhas, então eu me irrito.
- Que complexo – Ele fez uma cara assustada.
- Nem me fale.
- Então pra facilitar você deveria me beijar sempre que quisesse. Eu pelo menos quando tenho vontade de alguma coisa eu faço, e acredite, eu sempre tenho vontade de fazer muito mais do que só te beijar o tempo todo.
- Ok, eu não preciso saber disso.
- É brincadeira, bonitinha. Mentira, não é tão brincadeira, mas enfim...
E então eu estava com vontade de beijá-lo e beijei. De novo, de novo e de novo, antes que não pudesse fazer isso quando bem entendesse. Eu já ficaria longe tempo o bastante.

Epílogo

O vento gelado, apesar de cinquenta mil casacos, fazia minha pele se arrepiar. Eu estava sentada em um banco no Bryand Park segurando meu café quentinho e alguns livros esperando uma colega de sala me encontrasse para que fossemos na biblioteca estudar. Já era Março, aquele frio já deveria ter melhorado um pouquinho. Ajeitei minha toca para que ela não voasse com o vento e dei mais um gole no café. Apesar do frio, o dia estava tão lindo, que eu poderia encontrar um lugar do parque onde o Sol estivesse batendo e ficar lá o dia inteiro. Olhei o celular pela quarta vez desde que tinha saído de casa, mas não havia nenhuma de . Os meninos tinham pego um voo para Dublin ontem de noite e não haviam dado mais notícias. Logo após deixar meu celular de lado, ouvi ele vibrar e meu coração foi na boca.
“Desculpa o sumiço, linda. O voo foi bem cansativo. Acabei de chegar”
Como assim acabou de chegar? Dublin era na Irlanda, do lado da Inglaterra! Um voo durava um pouco mais de uma hora e meia.
“Vocês foram pra Irlanda ou para a Austrália?” enviei a mensagem, puta da vida com medo que estivesse acontecendo alguma coisa que ele não tinha me contado.
“Na verdade, para Estados Unidos, mais precisamente, para Nova York”
Eu fiquei um bom tempo olhando para a tela do celular sem entender absolutamente nada. estava brincando comigo ou estava bêbado, mas eu não via graça em nenhuma das opções. Antes que eu pensasse em algo para escrever, outra mensagem chega.
“Você está uma gracinha com esse gorro amarelo”
Meu coração foi na boca de novo. No mesmo instante olhei pra frente e o encontrei ali, parado me olhando com o celular nas mãos. Se eu não estivesse no meio de um parque, eu começaria a procurar alguma câmera por perto, porque aquilo só podia ser uma pegadinha pra ver minha reação ao encontrar com meu namorado que já não via desde o Natal.
- A sua cara foi impagável, bonitnha – não se moveu de onde estava e aumentou a voz para que eu pudesse ouvir.
E eu continuava sentada naquele maldito banco tentando entender alguma coisa do que estava acontecendo. Eu mal podia acreditar que ele estava ali na minha frente, lindo como sempre. Quando eu não podia imaginar que ele ficaria mais bonito que já era, mais maravilhoso ele ficava. Dei um pulo do banco e corri em sua direção. Encostei em seus lábios e meu Deus... Não acreditava que eu finalmente estava beijando-o, finalmente, depois de tanto tempo.
- Meu deus! O que infernos você está fazendo aqui – Perguntei, sem antes beijá-lo de novo e de novo e de novo.
- Vim te ver – Apesar dos casacos e mais casacos, podia sentir sua mão fazendo um leve carinho em minha cintura – Não aguentaria esperar até o próximo mês. Achei que seria engraçado te fazer uma surpresa.
- Você quase me matou do coração, seu infeliz! – Dei um tapa.
- Eu sei, desculpa. O Fletch veio resolver alguns assuntos da banda por aqui, então resolvi vir junto ele pra te ver. E conhecer a cidade.
- Quantos dias temos?
- Quatro – Hoje e só mais três dias? Fiquei um pouco decepcionada pensando que seria pelo menos uma semana. Mas o importante era que ele estava aqui e tentei não demonstrar muito minha decepção.
- E por onde quer começar? – Perguntei com meus braços ainda ao redor de seu pescoço.
- Pelo seu quarto – Gargalhei ao ouvir aquilo e me arrepiei ou sentir seus lábios em meu pescoço – E depois sou todo seu, a cidade é sua, você tem que me mostrar tudo em tempo recorde.
- Você é meu nas duas ocasiões, bonitinho – Pisquei pra ele.
- Bom, mas daí se tratando da primeira ocasião temos um equilíbrio – Disse dando risada – Mas se você faz tanta questão, eu sou todo seu, bonitinha.
Eu tentava registrar todo aquele momento em minha mente para não esquecer nenhum detalhe se quer. Sua roupa, seu sorriso sacana olhando pra mim, seu cheiro, como sua barba estava começando a aparecer, tudo. O tempo podia parar ali, que eu não me importaria. Por alguns instantes tentei fingir que morava comigo e que nunca uma despedida era necessária pra gente. Que nossa vida era essa e que ninguém precisava ir embora.
- Eu sei que é, cowboy.

Fim



Nota da autora: Desculpem o palavras, mas caralho, nem sei como começar isso aqui.
Mesmo tendo em mente de que eu nunca abandonaria Wacko, eu nunca pensei como seria quando finalmente finalizasse essa fanfic. Talvez porque eu nunca imaginei que alguém fosse ler e eu ficaria frustrada o bastante para nem passar do terceiro capítulo. Mas então uma leitora apareceu, depois quatro, depois dezesseis, depois cento e vinte e seis e depois eu perdi as contas e falei "Mas por que infernos essas malucas leem e gostam do que eu escrevo?". E só pra deixar claro, até hoje eu não entendo porque vocês gostam tanto das maluquices que eu escrevo.
Acho que as primeiras pessoas a agradecer são aquelas que ajudaram a eu nunca abandonar essa fanfic, minhas leitoras maravilhosas, minhas xuxuzinhas, maluquinhas e um bando de sem noção que independente de quantos séculos eu demorasse pra postar, elas sempre estavam lá, de braços abertos, surtando loucamente à espera de mais uma atualização. Porra, vocês não têm uma noção do quão foda vocês são pra mim. Não tenho palavras para agradecer todo amor e paciência que vocês tiveram comigo e com Wacko. Eu me surpreendo com o fato que uma fanfic que foi escrita como McFly é lida como outras bandas, por algumas leitoras que nem ao menos conheciam a McFly. Boy bands estão dominando o mundo, agora! Na verdade, acho que One Direction está dominando o mundo hahahahaha

E em segundo e não menos importante, agradeço a ela por me aguentar todos esses anos, ler minhas asneiras e me ajudar sempre que preciso, minha beta That. That, quando soube que você saiu do FFOBS entrei em pânico. Como ela sairia do FFOBS logo quando, finalmente, eu finalizaria Wacko? Mas daí você voltou pra staff e decidiu betar o ultimo capítulo e eu fiquei "UFFA! DEUS É MAIS!". Enfim, obrigada por tudo, de verdade! Você foi incrível durante todos esses anos e Wacko não poderia ter uma beta melhor. Quem sabe não continuamos nossa parceria, hein? hahahaha :X

Apesar de ter enviado Wacko em 2010 pro site, eu comecei a escrever a fanfic quando tinha 17 anos. DEZESSETE ANOS! Tanta coisa se passou, tanta coisa aconteceu e tanta coisa mudou, que o fato de ter continuado essa história, surpreende a mim mesma. Acho que a história de Wacko cresceu junto comigo durante esses anos.
Desculpem todos os meses sem atualização, os sumiços, meus surtos, meus bloqueios ou por alguns capítulos que deixaram a desejar, enfim, desculpem qualquer coisa.
Bom, eu acho que é isso.

E sobre Wacko II, bom... Há muitas ideias fritando na minha cabeça, ando escrevendo algumas coisas, então... Quem sabe? :P Quem quiser se manter informado, entrem no grupo do facebook!
E ah, antes de encerrar, pra quem não é fã do McFly e quer ouvir a musica que o principal fez na cena do quarto, só jogar No Worries no youtube, é linda.

Muito obrigada novamente. Amo vocês.
Beijos, beijos.

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Nota da beta: Foi um prazer ABSURDO betar essa fic e ficar todo esse tempo com você. Wacko é maravilhosa demais, assim como você. <3
Qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.



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