Acordei e olhei o relógio marcando sete horas da manhã de um domingo. Mas não um domingo qualquer, era o domingo! Eu ainda não acredito que isso está realmente acontecendo comigo. Eu irei pra Londres no dia seguinte e estava ansiosa demais para conseguir dormir. Resolvi ligar o computador, talvez tivesse algo que me distraísse.
Olhei o Orkut e vi um novo depoimento, era de , meu ex-namorado. Será que ele não vai desistir nunca? Eu sabia que ele odiava muitas coisas que eu gostava e tal - claro, eu também odiava muitas coisas que ele fazia, mas mesmo assim... Eu não era ridícula como ele era, mas tive que ser idiota e sempre pensar duas vezes antes de terminar com ele. Burra! Eu tenho que admitir, o problema foi namorá-lo por tanto tempo, é muito mais difícil pra terminar, principalmente quando você nunca terminou em dois anos de namoro! Por que terminar agora? Aff, como dizem os sábios: "Você está empurrando com a barriga". E era isso mesmo que eu estava fazendo. Mas o que ele fez comigo foi inexplicável!
Eu não vou perdoar o que ele me fez, mas não mesmo.
Flashback On:
- , amiga! – Fiz aquela voz de bebê que sempre dava certo.
- Que foi, criança? – Ela me olhou já desconfiada. Aí vem bomba!
- Vamos comigo pra Inglaterra?
Esse era meu maior sonho - não só pelo fato de a Inglaterra ser um país maravilhoso e tudo mais e porque eu queria estudar inglês em outro país, mas sim por um motivo especial. Estava sonhando com aquilo todos os dias e sabia bem de tudo isso. Eu sempre contava o sonho que tinha na noite passada pra ela quando chegava na escola. Era o McFly, todos os meus sonhos os incluíam. E eu amo isso! Ainda mais porque esse sonho me fez pensar seriamente por horas e tomar a decisão de ir pra lá... Só podia ser um sinal dos céus. Uma visão de que aqueles sonhos se realizariam!
- O que você sonhou dessa vez? – me olhou abismada. Claro que a ideia não era ruim, não mesmo, ela tinha amado, mas tinha que saber o que fez sua best ficar tão decidida.
- Ah, amiga... – Eu a abracei com os olhos brilhando e disse – Eu tinha me casado com o !
- Eu sabia! Tinha que ter o no meio, não é? – Ela começou a rir.
- Mas então, você vai? A gente consegue. Eu já olhei tudo, a gente trabalha por um ano, mais ou menos, e junta o dinheiro pra ir! – Olhei pra ela com cara de cachorro pidão.
- Antes de responder, tenho que te contar uma coisa. – Fez uma cara pensativa.
- Então fala! – Franzi a testa.
- Sonhei que tinha casado com o ! – abriu um largo sorriso e pareceu voltar pro seu sonho enquanto falava.
- Viu? É um sinal dos céus! A gente tem que ir pra lá achar nossos maridos!
- Claro! A gente vai depois de juntar o dinheiro! – Ela já estava elaborando um plano na cabecinha dela, tenho certeza. Ficamos em silêncio por um tempo, perdidas em pensamentos.
- Mas, ...
- O quê?
- Você vai contar pro ?
Parei um pouco pra pensar, isso seria difícil.
- Acho que não. Ele não me apoiaria, você sabe. – Ela assentiu com a cabeça. - Ele acha que eu jamais vou sair daqui sozinha pra fazer faculdade, quanto mais ir pra Inglaterra!
- É, eu também não vou contar pro meu irmão. Nesse sentido, ele e são idênticos. Uma dupla de egoístas e idiotas!
- Verdade! – Falei rindo da ideia genial que tive. Londres... Perdi-me em pensamentos novamente. Flashback Off
, por favor, a gente precisa conversar! Atende pelo menos o telefone.
Bjo.
- Ele acha mesmo que eu vou conversar com ele? Cara, que ilusão!
Desliguei o computador e voltei pra cama. Não ia dormir, eu sabia disso, mas também não ia ficar olhando nenhuma mensagem idiota do . Ele não vai estragar o meu dia. Não vai mesmo!
Cobri-me e enfiei um travesseiro no rosto. É o grande problema do meu quarto, ele é claro demais, mas vai ser só por mais um dia. Só de pensar nisso um sorriso se abriu em meu rosto. Eu estou indo pra Londres e todo esse passado terrível vai ficar para trás. Pra sempre!
Flashback On:
- Amiga, só falta um mês de trabalho agora! – pulava na minha cama como uma perereca.
- Você acha que eu não sei? – Disse, me juntando a ela na cama. Paramos de pular e sentamos exaustas. – Só tem um problema nisso tudo. – falei ainda ofegante.
- O quê? – me olhou preocupada.
- Eu tenho que contar pro . – Falei olhando pro chão.
- Amiga, não fica assim não. Se ele te ama de verdade, vai te entender e te apoiar, você vai ver!
- É, você tem razão, se ele não me apoiar é porque nunca me amou de verdade!
- Pronto, agora melhora essa cara porque nós estamos indo pra LONDRES!
Começamos a gritar como loucas até meu pai vir me chamar.
- , o está lá na porta, vai abrir pra ele!
Meu pai já sabia dessa história porque eu pedi pra ele não comentar nada sobre a viagem perto do , pois eu queria que ele soubesse por mim. E papai desconfiava que hoje eu falaria tudo.
- Entra, amor. – Disse dando um selinho nele. Depois de um ano de namoro, ele era tão indiferente às vezes, não era carinhoso e atencioso como no começo.
Sempre que a gente brigava, eu jogava isso na cara dele. Era como se ele tivesse usado uma máscara pra me conquistar e, depois de um ano, a deixasse cair e dissesse: “Aí, burra, esse é o seu verdadeiro namorado, agora aguenta!”
- Oi, amor. – Ele disse depois do selinho, já indo pra dentro de casa pra cumprimentar o pessoal. Eu fui atrás e logo apareceu.
- Ei, . Tudo bem?
- Tudo, . E você?
- Bem também. – Ela virou-se pra mim. – Já vou, amiga. Amanhã a gente conversa, tá?
- Pode deixar, eu te ligo. – Falei já sabendo o que queria conversar.
- Tchau, . – Ela disse, saindo pela porta.
Nós nos sentamos na calçada, o dia estava agradável pra ficar do lado de fora e o que eu quero conversar não é muito bom pra todo mundo lá de casa ficar escutando, mesmo porque eu não sei qual será a reação de .
- Amor, a gente precisa conversar. – Falei meio receosa.
- Então fala, o que você quer? – Ele franziu a testa e me encarou, coisa que ele não consegue por muito tempo.
- Lembra quando eu te disse ano passado que eu ia juntar dinheiro, por isso não entraria na faculdade ainda?
- Não sei, acho que sim, por quê? – Ah que saco! Ele nunca se lembra de nada que eu falo. E ter que lembrá-lo sempre é terrível!
- Eu vou te dizer o motivo de eu ter juntado o dinheiro. – Puxei o rosto dele pra eu poder olhar nos seus olhos. Eu amo fazer isso.
- Hey, não era pra sua faculdade? – Ele já estava desconfiado.
- Não exatamente...
- Anda, fala logo! – Disse, ficando irritado.
- Calma, amor, não precisa gritar! – Agora eu estou me irritando.
- Desculpe, amor. Continua.
- Bom, eu e juntamos dinheiro pra gente ir pra Inglaterra. Nós vamos morar lá e estudar inglês por um ano, e nosso maior objetivo depois disso é fazer faculdade lá. Pronto, falei!
- Você só pode estar brincando! – Cara, por essa eu não esperava. Ele riu, mas ao mesmo tempo me pareceu histérico, irado, uma mistura de sentimentos. Não consegui identificar todos.
- Não, eu não estou! – Falei séria e firme, encarando-o, e ele fazia o mesmo. Isso não deve ser bom, mas não mesmo.
- Você só pode estar louca! Seu pai deixou isso? – Pronto! Começou o ataque de fúria.
- Deixou. Na verdade, ele me ajudou e muito! – Ele se levantou e eu também.
- Você não vai! Não é possível isso! – parecia estar falando mais pra si mesmo do que pra mim.
- Acorda, , eu vou sim, meu avião sai mês que vem! Eu queria que você pelo menos fosse meu namorado agora e me apoiasse, já que você nunca fez isso! – Eu já estava chorando. Não queria chorar, mas a raiva foi mais forte que eu.
- Te apoiar? Você vai me deixar e ainda quer que eu te apoie? Nunca!
- Apesar de tudo, eu esperava que você fosse agir diferente dessa vez, mas não, você vai sempre ser assim, por mais que eu tenha tentado nesses quatro anos de namoro. VOCÊ NUNCA VAI MUDAR! – Eu não queria gritar, mas quando vi, já tinha feito isso.
- Sabe o que mais? Vai pra lá encontrar aqueles gays do Mc sei lá o quê! Tomara que essa merda de avião caia! – Falou, depois se virou e entrou no carro, saindo em disparada.
- Ca-Caia? – Eu já estava soluçando, não conseguia acreditar no que acabei de escutar. Ele queria que o avião em que eu e estaremos caísse! Ele só podia estar brincando. Mas não, ele não estava! Foi isso mesmo que eu escutei. Flashback Off.
Olhei o relógio pela décima vez, oito horas ainda é muito cedo, mas eu tenho que me distrair. Essas lembranças vão acabar me fazendo chorar se eu ficar aqui mais um segundo.
- Um banho, eu preciso de um longo banho!
Devo ter ficado meia hora no banheiro e só saí porque meu pai me chamou pra tomar café. Depois fui escovar os dentes e trocar de roupa, quando acabei, ouvi meu celular tocar. Achei que seria uma das meninas, então corri pra atender e qual não foi minha surpresa quando olhei o visor...
- Ai, que MERDA! Esse menino não cansa?!
Atendi ao telefone e nem dei tempo dele dizer nada.
- Acorda, , eu não quero falar com você ou ouvir a merda da sua voz. Me deixa em paz e não se preocupe, quem sabe a PORRA do avião não cai amanhã, do jeito que você me disse? Como você quer que aconteça!
Desliguei o celular com uma vontade louca de jogá-lo na parede, mas aí lembrei que ele foi muito caro pra eu fazer isso. Acalmei-me e terminei de me arrumar, quando o celular tocou de novo. Já comecei a me irritar achando que era , porém me acalmei novamente vendo que era , minha best.
- Oi, !
- Oi, . E aí, tá pronta?
- Lógico! Só um pouco irritada.
- Com o quê?
- .
- Ah! O que aquele menino fez dessa vez?
- Quando estiver todo mundo junto eu conto, pra economizar saliva! – Caí na risada e também.
- Tá bom. A gente passa aí daqui a pouco, viu, amiga?
- Tá legal, , beijo.
- Beijo.
Flashback On:
- .
- Meu Deus, . O que aconteceu com você, amiga? – quase caiu pra trás ao me ver.
- Eu conto só depois que as meninas chegarem, liga pra elas por mim?
- Está bem. Senta aí, amiga, eu vou pegar o telefone.
Depois do que escutei, resolvi não entrar em casa. Meu pai se desesperaria se me visse chorando daquele jeito, então fui pra casa de , minha best desde os meus três anos de idade. Ela morava do lado da minha casa e me entendia, ajudava principalmente em situações como essa. ligou pra e pra , não demorou muito e elas já estavam tocando a campainha da casa.
- Agora conta, amiga. O que aconteceu? – perguntou preocupada, mas também qualquer um ficaria se olhasse pra mim. Eu estava péssima!
Contei tudo o que conversei com , menos a última frase.
- , você sabia que essa seria a reação dele. – disse mais tranquila.
- É mesmo, amiga. Melhora essa cara, vai! – disse, limpando minhas lágrimas.
- Não é só isso, meninas, a pior parte eu vou contar agora.
- Então conta logo! – falou, já curiosa. Ela era assim, a mais meiga, mas também a mais curiosa de todas. Ela não era assim tão best como a , mas era minha amiga e eu a amo muito também. Antes de eu contar, já tinha controlado o choro. Estava mais calma, mas não sabia se ia durar muito.
- Ele disse “Sabe o que mais? Vai pra lá encontrar aqueles gays do Mc sei lá o quê! Tomara que essa merda de avião caia!” – Eu disse, começando a chorar de novo. Só que agora não estava mais prendendo, chorava com vontade, esperando que tudo acabasse logo.
- O quê? – falou completamente horrorizada pelo que tinha acabado de escutar. – O avião cair com a gente dentro? – Assenti com a cabeça.
- Eu não acredito nisso, foi assim mesmo que ele disse, ? – perguntou chocada.
- Ca-cada palavra. – Eu já não conseguia falar, soluçava muito e as palavras saíam como se eu fosse gaga.
- Ah, mas eu vou dizer umas poucas e boas pra ele agora! – levantou nervosa, caminhando até a porta, mas a puxou. Eu estava chocada, já que sempre é a mais meiga e inocente. Vê-la querendo me defender assim dá muita alegria, apesar do que aconteceu.
- , esquece isso, ele não merece nem que a gente esteja conversando sobre ele. – disse, fazendo sentar na cama.
- É. Vamos esquecer isso, amigas. – Falei mais controlada. – Já que ele quer que eu morra, então pra mim ele morreu hoje!
- Isso aí! – Disseram as outras três juntas. Flashback Off.
- Pai. Tô indo, tá? – Gritei logo que ouvi a buzina do carro do pai de .
- Está bem. E juízo, mocinha.
- Ok! Eu já nasci ajuizada, esqueceu? – Sorri.
- Ei, meninas. Preparadas para o dia de farra e despedida? – Perguntei entrando no carro.
- Claro! – Disseram juntas.
- Mas não esquece que você vai ter que nos contar o que o fez dessa vez. – falou, como sempre curiosa.
- Beleza, mas deixa pra depois.
- Ok. – Ela assentiu com um sorriso.
Contei para as meninas toda a história, desde eu ter acordado cedo até ter atendido ao telefone. É claro que elas amaram a parte em que eu o xinguei, mas se for parar pra pensar nisso, fico triste. Ainda amo o , apesar de tudo. Foram quatro anos de namoro e convivência, não é fácil se esquecer disso. Juro que se não fossem as meninas, eu estaria na fossa até agora!
~~
- , dorme e descansa, amiga. Amanhã é o nosso dia! – disse super animada.
- Nós também vamos descansar, a gente quer acordar cedo pra levar vocês à rodoviária. – disse mais pra do que pra ela.
- Hey, não me olha assim, eu vou conseguir acordar! – falou, percebendo a indireta.
- Ok, meninas, vamos todas dormir. E , se você não acordar, a gente vai à sua casa com um monte de panelas pra te despertar da pior maneira possível! – Eu disse fazendo cara de mãe mandona.
- Isso foi uma ameaça, mocinha? – falou, tentando prender a risada.
- Com certeza! – Dissemos.
- Ok, eu já disse que vou acordar, não quero ter uma experiência dessas na memória! – disse já não segurando o riso. Acho que ela estava imaginando a cena.
- Boa noite, best’s!
- Boa noite, !
Entrei em casa e fui direto pro banheiro, escovei os dentes e corri pra minha cama. É minha última noite com ela, eu tenho que aproveitar cada segundo, talvez seja a última vez que eu sonharei com os meninos, com o ... Eu não vejo a hora de chegar lá e ver que todos os meus sonhos vão se realizar, ou pelo menos o de conhecer os McGuys. Mergulhada em pensamentos, adormeci em menos de dez minutos.
~~
- , acorda. Anda!
Meu pai me sacudia enquanto eu lutava pra continuar dormindo e tendo esse sonho tão perfeito, mas não consegui. Em poucos segundos eu estava de pé, entrando no banheiro pra fazer minha higiene pessoal. Depois recebi a ligação de , só pra confirmar se eu já tinha levantado.
Terminei de tomar café e liguei pra , que já havia acordado. Então liguei pra que, para minha surpresa, também estava acordada. Combinei com as meninas da gente se encontrar aqui em casa pra irmos pra rodoviária.
- Bom dia, best’s.
- Bom dia, !
- Preparada? – perguntou com um largo sorriso.
- Eu nasci preparada pra esse momento, querida! – Falei com cara de “Dã, é óbvio!”
- Então vamos, meninas? – Meu pai disse e logo nós entramos no carro. Eu já tinha me despedido da família lá em casa e só meu pai ia com a gente, junto com o pai de .
Chegamos à rodoviária e logo estávamos esperando só o momento do ônibus sair.
- Eu odeio esse cheiro! É horrível! – Eu disse fazendo uma careta. – O aeroporto daqui bem que podia funcionar. Pegar um ônibus pra ir pra BH e ficar sei lá quantas horas dentro dele é um saco!
- Hey, amiga, para com isso. A gente está indo pra Londres, pensa nisso que você esquece tudo rapidinho! – falou tentando me animar.
- Meninas, o ônibus sai daqui a dez minutos. – papai disse, voltando da loja com água, refrigerante e quatro pacotes de Ruffles e entregando pra gente.
- Ai, pai. Obrigada. É capaz de a gente sentir fome mesmo. – Falei e entreguei pra as coisas dela.
Meu pai foi junto com o pai de levar nossas malas para o ônibus enquanto eu e as meninas estávamos começando a nos despedir.
- Eu vou sentir tanta falta de vocês. – falou enxugando as lágrimas que caíam no seu rosto.
- Nós também, amigas, vocês vão estar sempre nos nossos corações! – Falei chorando como uma condenada, devo admitir.
- É verdade, mas vai ser por pouco tempo, não é? Vocês vão pra Londres nos visitar qualquer dia desses. – falou, também não contendo as lágrimas.
- A gente vai tentar, não é, ? – disse quase aos soluços.
- Com certeza! – deu aquele sorriso e nós também. Apesar de estarmos indo embora, nós nunca nos esqueceríamos da nossa amizade.
Estávamos tão distraídas nos despedindo que nem percebemos a presença de um ser estranho ali, alguém que eu conhecia bem e era a última pessoa nesse mundo que eu queria ver.
- . – Eu conhecia essa voz e se for quem estou pensando, já vou começar a me controlar desde agora.
- O que você está fazendo aqui, idiota? – perguntou, irritada, quando olhamos pra trás e vimos que era que estava ali à nossa frente.
- Calma, eu só queria pedir desculpa pra você, . – Ele falou olhando pro chão. Com certeza ele estava tentando juntar forças para continuar ali. – E pra você também, , eu não devia ter dito aquilo. Falei sem pensar. – Nessa hora ele olhou pra mim – Me perdoa, ?
- Não! E mesmo porque isso não me importa mais. Pra mim você morreu naquele dia! – Eu disse e puxei as meninas para mais perto do ônibus. Queria sair dali, preferia ficar sentindo o fedor do ônibus do que olhar pra cara dele ou ouvir aquela voz.
- Por favor... – Parecia que ele ia chorar e eu também iria se não tivesse pensado em uma coisa. Peguei uma folha que estava na minha bagagem de mão. Parecia que eu tinha previsto aquilo, mas eu tinha sonhado com isso uma semana antes. É isso! Os sonhos irão mesmo se realizar e o primeiro deles acabou de acontecer. Entreguei o papel pra ele e cantei:
Since she left me Desde que ela me deixou She told me Ela me disse: Don't worry "Não se preocupe", You'll be ok, you don't need me "Você vai ficar bem", "Você não precisa de mim", Believe me, you'll be fine "Acredite, você vai melhorar" Then I knew what she meant Então eu soube o que ela queria dizer And it's not what she said E não era o que ela disse Now I can't believe that she's gone Agora eu não acredito que ela se foi
Depois de cantar, entrei no ônibus e me sentei no meu lugar.
- O que isso que dizer? – Ele perguntou para as meninas, um pouco confuso. Elas, pelo contrário, conheciam bem essa tradução e essa música. Era do McFly, She Left Me. , já imaginando o que tinha na mão dele, parou na porta do ônibus.
- Lê o papel que ela te deu, com certeza tem a tradução que você quer tanto descobrir. – Ela deu um beijo nas meninas e no seu pai e então entrou.
's Point Of View:
Eu fiquei mais confuso ainda, porém fiz como disse. Li o papel e como ela desconfiava, era a música com sua letra original e tradução. Passei meu olhar pelo ônibus mais uma vez e encontrei os olhos de na janela. Eu tinha quase certeza de que aquele era o nosso último olhar.
- Eu a perdi para sempre. – Disse mais para mim mesmo do que para qualquer outro que pudesse ouvir.
- Você pode ter certeza disso. – Virei para ver quem dizia isso. Era , e ela dizia com toda razão, eu fiz o que nenhum namorado faria. Praticamente roguei uma praga de morte pra uma das pessoas que eu mais amava nesse mundo e ainda amo.
e tiraram os olhos de mim e avistaram o ônibus. Ele estava partindo, levando dentro dele o amor da minha vida. Elas acenaram e depois que o ônibus se perdeu de vista, viraram-se e foram embora. E eu fiquei ali, olhando para o lugar onde eu tinha visto os olhos dela pela última vez.
- Agora é tarde demais. – Falei pra mim mesmo novamente e fui embora dali.
End of 's Point Of View.
Vi entrando no ônibus, ela estava radiante com o que eu tinha acabado de fazer. Sentou-se do meu lado e me deu um abraço.
- Agora a gente vai começar uma nova vida, vê se alegra essa cara! – Falou enquanto ajeitava suas coisas, tentando me animar.
- É, você está certa! Nova vida, novas pessoas, McFLY... – Abri aquele sorriso. Lembrar-me deles me deixa feliz, lembrar-me DELE me deixa feliz!
Nós acenamos para as meninas e nossos pais da janela. Eu sentiria falta dali, dos amigos, dos meus pais, mas agora uma nova vida me esperava em Londres. Sei que um dia vou voltar e quando esse dia chegar, quero estar com uma vida totalmente nova. Quero estar com uma pessoa em particular e ela vai me fazer feliz como nenhuma outra conseguiu fazer. Eu quero estar com ou somente .
- Pois é! Agora eu vou dormir. A gente acordou muito cedo hoje. – disse já fechando os olhos e colocando os fones de ouvido.
- É, vou dormir também, quem sabe eu não sonho com o ? – Ela não me ouviu. Os fones estavam muito altos e eu dei de ombros, coloquei meus fones e encostei-me à cadeira. – É uma nova vida... – falei baixinho antes de adormecer.
Capítulo 2
- Amiga, acorda! – me sacudia na cadeira do ônibus e eu, como sempre, quero continuar dormindo. Meu sonho está perfeito dessa vez e o aparece nele do começo até o bendito fim, quando me acorda pra fazer sei lá o que.
- Pronto, acordei, pode parar de me sacudir! – Eu disse esfregando os olhos e bocejando em seguida. – Quem morreu? – Perguntei debochada e com um largo sorriso logo em seguida ao ver o rosto dela que dizia: ‘Idiota’, para mim.
- Ninguém morreu não, , nós só chegamos em BH, anda logo que a gente tem que encontrar seu primo, ele deve estar esperando lá fora! – Ela falou já se levantando com sua bagagem de mão e eu tratei de pegar a minha também e ir.
Passei os olhos pela rodoviária, as capitais são sempre cheias de gente, mas enfim encontrei-o e saí correndo ao seu encontro.
- Thiago, amor da minha vida, que saudades! – Eu disse dando um longo abraço no meu priminho de quase dois metros de altura. Ele é um amor de pessoa e aceitou sem problemas levar eu e no aeroporto, claro também é pra ele poder se despedir de mim.
- Ei, como é que está a minha princesa? – Ele falou com um largo sorriso pra mim.
- Eu estou bem, Thi, você sabe, ônibus me cansa, mas fora isso eu estou super bem! – Falei empolgada aí vi chagando até nós, fui então apresentá-los.
- Thiago, essa é , minha amiga que vai comigo para Londres. – Falei apontando para que largava sua bagagem no chão do seu lado.
- Oi, , prazer em te conhecer. – Ele disse dando os famosos três beijinhos nela.
- Oi, Thiago, o prazer é meu. – Ela abriu um sorriso envergonhado e voltou a pegar suas coisas do chão.
- Vamos, Thi? Eu estou com uma vontade louca de tomar um banho! – Eu falei voltando a abraçá-lo.
- Vamos sim, me dá essas malas aqu. Vocês ficam só com as de carrinho. – Ele falou e pegou nossas bagagens e foi nos levando até o carro. Como sempre muito cavalheiro.
Chegamos ao apartamento de Thiago e organizamos as malas na sala, nós íamos ficar lá apenas uma hora. Eu fui tomar banho enquanto lanchava com Thiago. Quando eu acabei, fui lanchar e ela foi tomar o banho dela.
- Vocês já têm casa lá, ? – Thi me perguntou com cara de preocupado, ele já tinha ido pro Canadá uma vez, ele sabe como é. – Tudo está organizado? Eu posso ajudar vocês em qualquer coisa. – Ele falou me dando um beijo na testa.
- Já está tudo organizado, Thi, não preocupa não. Nós só não temos móveis na casa, o que a gente tem é básico, mas nos vamos chagar lá com um emprego garantido. Eu vou trabalhar em uma loja de roupas no Shopping e numa lanchonete do mesmo Shopping. – Terminei de dizer e enfiei um biscoito na boca, ele estava muito bom, de chocolate.
- Ei, viciada em chocolate, nós temos 20 minutos para chegar ao aeroporto. – falou já indo em direção as suas malas e colocando algumas coisas dentro.
- É mesmo, , nós temos que ir logo, porque nunca se sabe como está o transito dessa cidade! – Thi falou já guardando os biscoitos e deixando a louça suja na pia da cozinha.
- Ok, eu só vou ao banheiro escovar os dentes tá? – Falei com cara de cachorro pidão.
- Tá! – Disseram os dois juntos.
Depois de escovar os dentes eu me encontrei com Thi e , descemos as escadas do prédio com as malas e entramos no carro do Thi. Por incrível que pareça, teve pouco engarrafamento, nós chegamos ao aeroporto em 15 minutos e o voo saía em meia hora. Ficamos sentados conversando e esperando o embarque, Thi nos dava conselhos do que fazer quando chagássemos lá, algumas frases em inglês importantes para a gente se informar. Ele foi muito atencioso com o nosso nervosismo e tentava sempre acalmar a gente.
Ouvimos o aviso de que o avião ia partir, nos despedimos de Thiago e entramos no portão de embarque, eu e não dizíamos nada, nós só estávamos apreensivas. Começamos a conversar só depois que sentamos em nossas respectivas poltronas no avião, como Thi tinha aconselhado pedimos poltronas antes da asa do avião, pois daria menos enjoo ou sensação de incômodo.
- É agora, amiga. – Falei para quando escutei o aviso para que os passageiros apertassem os cintos. Ela assentiu com a cabeça e colocou seus fones de ouvido. Eu fiz o mesmo e em poucos segundos, estávamos voando além das nuvens do Brasil. A imagem era esplêndida! Era um céu tão azul e com as nuvens abaixo de nós. me olhou, também maravilhada com a beleza que nossos olhos estavam presenciando.
- Eu vou tentar dormir, por mais que seja lindo, ainda me deixa assustada. – me disse com um sorriso no rosto demonstrando uma pouco de felicidade e preocupação ao mesmo tempo.
- Eu também vou tentar dormir, quero sonhar com o . – Falei já me lembrando do ultimo sonho.
- Hey, eu quero sonhar com o também! Ensina-me sua técnica? – Ela disse caindo na gargalhada e alguns passageiros do avião pararam pra nos encarar. Eu bati no braço dela de leve com vergonha de tantos olhos estranhos nos encarando basicamente dizendo: “Quem são essas loucas? Alguém as interne!”
- Tá, parei. – Ela disse enxugando as lágrimas que caiam sempre que ela ria demais. – Vou dormir e talvez sonhar com o meu marido !
- Então, boa noite na tarde. – Falei rindo já que eram 2 horas da tarde.
- É, boa noite na tarde! – Ela disse fechando os olhos e aumentando o volume do mp3.
O voo foi muito tranquilo, fora uma pequena turbulência que me fez acordar assustada achando que o avião ia cair, também acordou assustada, mas logo nos acalmamos. A turbulência deve ter durado uns 5 segundos, mas, para mim, uma eternidade.
Meia hora depois, eu e conversávamos animadas até ouvirmos o piloto do avião dizer que estávamos sobrevoando Londres naquele momento. Eu enlouqueci, claro! Eu e nos debruçamos na janela vendo as luzes da cidade mais linda do mundo, é Londres mesmo e eu ainda não consigo acreditar que estou chegando à minha nova cidade, minha nova vida!
Depois de termos aterrissado, fomos organizar nossos documentos para mostrá-los a imigração. Depois de muitas perguntas fomos liberadas e nos encaminhamos para o saguão onde a amiga da mãe de nos aguardava. Ela é Brasileira e se chama Irís, foi morar na Inglaterra e se casou, sempre que ia ao Brasil visitava a família de e desde que nós resolvemos ir para a Inglaterra nosso porto seguro foi ela. Ela que conseguiu nossos empregos, ela que comprou nosso apartamento e nos íamos pagar pra ela as prestações todo mês já que viver de aluguel em Londres não seria nada barato. Ela fez nossas matriculas na escola de inglês perto de casa, para que nós não gastássemos muito com condução. Ela era nosso anjo da guarda em Londres! Ela mora em Bromsgrove, mas veio para Londres pra nos ajudar com a mudança, já que nossa vida começaria mesmo depois de um mês em Londres. Escola, trabalho, só começaria depois de um mês vivendo lá.
Iris achou melhor assim para que eu e nos acostumássemos com os horários, clima, entre outras coisas. Devo dizer que o clima vai ser o mais difícil, já que eu sou muito frienta. Nós chegamos no verão em Londres, dia 31 de Julho de 2012, Terça-feira. Deve estar fazendo uns 19°C aqui e eu já estou congelando.
- Hey, , já esta com frio? – Iris me perguntou quando entramos no carro dela. É ela veio no carro dela já que Bromsgrove ficava só a duas horas e 15 minutos de Londres. Eu assenti com a cabeça.
- É muito diferente o clima e o horário também. São o quê? 22 horas?
- São 22 horas e 20 minutos. – falou. Eu olhei com cara de interrogação.
- Calma, moça, eu já mudei o horário do celular só isso! – Ela riu da minha expressão.
- Haa, meninas, falando em celular, , pega aí no banco uma sacola. – pegou a sacola e tirou dois pacotes de lá com o meu nome e o dela.
- São os chips de vocês, o número está escrito na capa. Agora vocês têm um numero de Londres! – Ela riu só que ainda prestando atenção na rua. – Meninas, sejam bem vindas á Londres, nós vamos direto pra casa já que a viagem deve ter sido muito cansativa.
- Com certeza foi cansativa, Iris. – falou vidrada na janela.
- É... – Eu já falei mais nem prestava atenção no que elas conversavam, só no que estava passando pela janela do carro.
Londres é absolutamente linda à noite, como está no verão tem muita gente na rua mesmo sendo uma Segunda-feira, são muitas lojas, lanchonetes, pubs, fora a beleza da cidade. Cheia de árvores, muitas praças e lagos. Eu estou completamente encantada.
- Hey, meninas, chegamos! – Iris falou parando o carro.
Estávamos em um bairro tranquilo, mas pelo que Iris disse o centro não é muito longe daqui. É um prédio não muito grande, deve ter 6 andares, o nosso apartamento é no 5° andar, no quarto número 27. É um apartamento maior do que eu realmente esperava: tem três quartos. O meu com as paredes lilás e o teto roxo, uma porta de vidro que dá para uma varanda onde pode ver uma vista linda do lago Serpentine e do Hyde Park e logo ao lado os Jardins de Kensigton, tinha um banheiro espaçoso e lindo. O outro quarto era o de , com paredes num tom de rosa claro e um Pink no teto, uma banheiro também muito espaçoso e uma mesma porta de vidro que dava para a mesma visão deslumbrante que eu tive. O outro quarto seria para hóspedes, as paredes são todas brancas e já tinha uma cama de casal, um guarda roupa, um espelho grande na parede, abajur e televisão, tenho certeza que é nesse quarto que a Iris está dormindo, porque o resto da casa ainda está sem móveis. Depois dos quartos tem um banheiro, a sala, uma sala de estar grande que pode até receber uma festa, uma cozinha ao lado da sala e do banheiro, espaçosa, branca e preta, muito linda. Atrás da cozinha tem uma área de serviço com um espaço bom a céu aberto com pia e lugares para pendurar as roupas.
Depois deste tour pelo apartamento, fomos para o quarto de Iris, no caso o único com móveis da casa.
- E então, o que acharam? – Iris perguntou curiosa. Ela não tinha nos mandado fotos do apartamento para fazer uma surpresa.
- É absolutamente perfeito, Iris, obrigada! – Eu disse ainda colocando as malas no quarto dela.
- Você tem um excelente gosto, Iris! E eu que achei que o apartamento seria menor! – falou pulando na cama de Iris.
- Que bom que vocês gostaram! Olha aqui, tem dois colchões para vocês dormirem hoje, eu trouxe umas roupas de cama para vocês. – Ela disse já apontando para os colchões e pegando as roupas de cama no guarda roupa.
- Amanhã nós vamos comprar os móveis dessa casa! – Ela falou animada. Nós combinamos de comprar os móveis todas juntas, Iris queria que a casa tivesse o meu gosto e de e não o dela. Por isso só o quarto de hóspedes tinha móveis.
- E não se esqueçam que vocês têm que fazer compras de roupas, hein? – Ela falou mais animada ainda, essa historia de fazer compras anima toda mulher.
- Com certeza, mas nós combinamos de fazer as compras de roupas na semana que vem. Nós temos as poucas roupas do Brasil que dão para sobrevir uma semana. – falou e eu assenti com a cabeça.
- Tudo bem, mas os móveis serão comprados amanhã, então vamos à Starbucks fazer um lanche, vocês devem estar com fome. – Ela disse se levantando e pegando as chaves do carro.
- Iris, qual é o nome do nosso bairro mesmo? – Eu perguntei, tenho que saber, vai que eu me perco.
- É West Kensington!
- Tem Starbucks aqui perto de casa, Iris? – perguntou fechando a porta do apartamento.
- Tem 3 Starbucks só no nosso bairro, que é pequeno! – Ela falou enquanto nos descíamos de elevador.
- Uaau! – Eu disse abismada. Muita coisa ia mudar definitivamente para mim, não posso me surpreender agora. Tenho que acostumar.
Nós fomos à Starbucks e já sentimos o baque de todo mundo falar inglês e nós ainda não falarmos. A Iris teve que fazer nossos pedidos e ela nos mostrou algumas frases que precisaríamos sempre que fossemos comer lá. Terminamos o lanche e voltamos para casa, já com o intuito de não falar em português só se fosse em muita necessidade, Iris ia nos ajudar quando não soubéssemos como essa ou aquela frase fosse em inglês.
Acordei no dia seguinte muito feliz, eu tinha sonhado com o de novo e dessa vez todos os meninos apareceram: , , e, claro, . levantou super animada com as compras e logo nós estávamos prontas para ir às lojas, mas antes fomos à Starbucks tomar café da manhã e seguimos para nossa seção móveis.
Depois de tudo comprado, fomos para o apartamento esperar que as coisas chegassem no caminhão da loja. Quando tudo foi colocado dentro de seus respectivos cômodos, fomos organizá-los. Primeiro o meu quarto: a cama de casal é numa madeira pintada de preto com detalhes em branco e umas flores de metal entre as madeiras da cabeceira, tem dois criados mudos da mesma madeira pintada que a cama e em cima deles um telefone sem fio e um abajur, na parede da cama colocamos uma placa grande de fotos com fotos da minha família, amigos e McFly, na porta de vidro foi instalado uma cortina Roxa com uns babados de renda branco na parte de cima e que caia pelos lado da cortina, o guarda roupa é branco com os detalhes em preto e lilás bem grande e espaçoso, na parede ao lado um raque preto com o meu notebook, que foi presente dos meus tios, e ao lado um espelho enorme. Meu quarto está tão lindo e perfeito! Agora o quarto de : a cama de casal é parecida com a minha, mas é branca com detalhes rosa e estrelas de metal entre as madeiras da cabeceira, tem uma placa de fotos grandes do mesmo estilo da minha, um guarda roupa da mesma madeira pintada em branco e detalhes rosa, muito espaçoso, tem dois criados mudos brancos e estrelas de metal no lugar do “puche”, em cima dos criados mudos tem um telefone sem fio e um abajur, a cortina que está na porta de vidro é Pink com os babados de renda branco na parte de cima e caindo pelos lados da cortina, uma raque preta e rosa com o notebook dela e ao lado um espelho enorme.
A sala agora: nós colocamos uma estante de madeira num tom marfim e preto grande com a televisão de 42 polegadas, o Home Theater e alguns porta-retratos, têm dois sofás vermelhos com dois lugares e estão localizados nas laterais, no meio deles um sofá-cama preto que deve aconchegar umas quatro pessoas. No centro um tapete preto com algumas almofadas coloridas. Fomos então para a cozinha: lá tem agora uma geladeira branca, ao lado o armário de cozinha que ocupava duas paredes, tem uma pia embutido em granito, e tem tons de branco e verde, o fogão é branco e preto, tem um micro-ondas e nós compramos algumas panelas e talheres, pratos e copos. No centro da cozinha tem uma mesa com seis cadeiras nos tom de verde e branco. Por fim a área de serviço: resolvemos comprar a máquina de lavar roupa e a secadora, já que em Londres chove muito e o tempo é úmido, elas estão organizadas ao lado da pia e nós colocamos alguns varais para pendurar roupa.
- Até que enfim, acabamos! – disse se jogando no sofá completamente exausta.
- Cara, eu tô com fome demais! Vou fazer pipoca pra gente estrear nossa sala nova! – Falei animada, indo quase correndo para a cozinha.
- Não, , deixa que eu faço a pipoca, vocês escolhem o filme e testam o nosso Home Theater e a TV. – Ela falou já indo para a cozinha enquanto eu retornava para o meu lugar no sofá.
Uma semana depois...
Passamos aquela semana toda conhecendo Londres: indo às praças e claro à Starbucks, visitamos monumentos históricos como o Big Ben e o Palácio de Buckingham, só falta ir ao London Eye, a maior roda gigante que eu já vi. 135 metros de altura. Eu e combinamos de ir no Outono, quando a gente já tiver alguns amigos por aqui. Fomos conhecer a escola também, ela é praticamente o dobro da escola em que eu estudava, com dois prédios, um para a área de estudos e o outro a área de esportes e cultura. Eu pretendo entrar nas aulas de piano, sempre fui apaixonada, mas nunca tive condições de pagar as aulas.
Agora nós vamos ao Shopping onde nós vamos trabalhar e, claro, fazer compras porque o emprego só começa mesmo daqui duas semanas.
Iris parou o carro no estacionamento e começou a nos mostrar o lugar. É muito grande e bonito, com escadas rolantes e espelhos enormes. Tem várias lojas de roupas, calçados, acessórios e Starbucks espalhada por todos os andares. Iris foi dar uma volta enquanto eu e comprávamos nossas roupas. Eu nunca comprei tanta coisa assim de uma vez em uma hora, já tenho umas 10 sacolas. estava da mesma forma que eu. Rodamos o Shopping e enfim compramos tudo que precisávamos.
- Já são 5 horas da tarde, nós chegamos aqui 1 hora! – disse abismada enquanto olhava no relógio do celular com certa dificuldade por causa da quantidade de sacolas.
- Hey, vamos lá conhecer nossos empregos agora então? – Eu falei para ela enquanto ajeitava algumas sacolas na minha mão esquerda.
- Vamos fazer assim: você vai à loja de roupas que você vai trabalhar que eu vou para a lanchonete em que eu vou trabalhar, você me encontra lá para a gente aproveitar e fazer um lanche! Eu estou com fome! – Ela falou fazendo uma cara daqueles cachorros de rua quando estão com fome.
- Está bem, mas antes de lanchar a gente liga para Iris para ela encontrar a gente e levar essas sacolas para o carro. – Falei levantando os brancos no ar mostrando as sacolas.
- Ok, a gente se encontra daqui meia hora então? – Ela disse já se virando na direção oposta.
- Você me liga se eu demorar muito, pois eu posso querer comprar mais alguma coisa, você sabe... Loja de roupas! – Eu disse abrindo um sorriso e me virando também.
- Tudo bem, . Tchau!
Entrei na loja e fiquei maravilhada, é bastante grande e tem de tudo. Sapatos, roupas e acessórios, tudo no mesmo lugar. Conheci meu chefe e ele me apresentou todos os funcionários, me mostrou o setor onde eu iria trabalhar: a área de roupas, bem na recepção da loja. Eu particularmente adorei o lugar e os meus colegas de trabalho. Depois de conversar com o pessoal resolvi ir atrás de , eu estava realmente faminta, andar o dia inteiro abre o apetite de qualquer um.
Saindo da loja, comecei a me direcionar à lanchonete, mas quando eu ia passar em frente a uma loja de roupas um pouco mais a frente de onde eu vim alguém esbarrou em mim, fazendo com que eu derrubasse todas as minhas sacolas no chão. Virei-me para encarar a pessoa que tinha feito isso e tive uma grande surpresa: era um rapaz, ele usava touca que cobria os seus cabelos, tinha um celular em uma das mãos e com a outra pegava seus óculos escuros que caíram no chão com o choque.
- Desculpa, desculpa, eu estava distraído com o celular. Cara, que idiota que eu sou! – Ele dizia enquanto pegava as minhas sacolas do chão.
- Não, tudo bem, está desculpado. – Eu disse. Eu tenho a leve impressão de já conhecer essa voz.
Ele acabou de pegar as sacolas e se levantou e foi nesse momento que eu olhei em seus olhos e então eu percebi. São esses olhos que me fascinam todas as noites, é essa voz que faz meu coração bombear cada vez mais rápido quando eu a escuto. É ele mesmo! . Ai, meu Deus, me ajuda, se controla, !
- Desculpa de novo! Ele falou abrindo aquele sorriso que eu tanto sonhei em ver pessoalmente. Meu Deus, não me deixa desmaiar agora, não agora que ele está aqui na minha frente!
- Não preocupa não, eu já te desculpei. – Eu abri um sorriso também enquanto ele ajeitava as sacolas em uma mão só e com a outra colocou os óculos escuros no rosto. - Pode me entregar as sacolas. – Eu disse estendendo a mão ainda com o sorriso bobo no rosto.
- Não, que isso, eu levo pra você! Pra onde você está indo? – Ai, Jesus, ele quer levar as minhas sacolas? Ele quer me acompanhar? Caramba, se controla, . Eu faltei dar um tapa em mim na frente dele pra que eu pudesse me controlar, mas eu controlei esse desejo insano e vi ele começar a andar na direção que eu estava indo.
- Eu estou indo para a Starbucks logo ali na frente. – Eu falei apontando o lugar.
- Tudo bem então. – Ele deu um sorriso tão lindo que eu automaticamente retribui.
- Posso perguntar uma coisa? – Ele falou virando-se para me olhar.
- Sim.
- Escolhe uma das opções: turista ou consumista? – Ele falou fazendo um dois com os dedos e ainda com aquele sorriso perfeito.
- Nem um nem outro. – Eu disse sorrindo, ele deve estar assustado agora. Essas seriam basicamente os pensamentos de quem me visse com aquele tanto de sacolas na mão.
- É o que então? – Ele fez cara de desconfiado e confuso. Adorei isso!
- Sou nova na cidade, me mudei tem uma semana e resolvi comprar minhas roupas aqui.
- Bom, se você resolveu comprar as roupas aqui é por que você não é da Inglaterra também, acertei? – Ele falou com ar de vitorioso.
- É, acertou! – Sorri.
- E de que país você vem?
- Brasil. – Eu demorei um pouco pra dizer, não sei se ele vai se assustar e assim não vai se apresentar como mesmo, porque as fãs brasileiras são muito histéricas, tenho que admitir, e se ele está ali disfarçado é porque tem motivo pra fugir das fãs naquele momento.
- Uau, veio de longe! – Ele riu. Que alivio. - Veio fazer algo em especial em Londres? – Ele estava realmente curioso sobre mim. Que tudo!
- Estudar e trabalhar por um ano, mas eu pretendo fazer minha universidade aqui também.
- Boa escolha. Londres é um lugar bem legal pra se viver, você vai gostar daqui! – Ele abriu outro sorriso lindo e antes que eu pudesse responder meu celular toca:
#
Now let's party
Woahhhhhhhh woahhhhhhh
The clock hit 12, as she entered the room
But if looks could kill then we all would be doomed
With just one kiss you're not able to move
From her venomous lips and the poison perfume
Yeah!
#
Que vergonha! Quem deve estar me ligando logo agora? Olhei no visor do celular: ! Me esqueci, eu pedi para ela me ligar se eu demorasse muito. Dei uma olhada pra e ele estava com um sorriso ainda mais largo. Será que ele gostou de Party Girl estar tocando no meu celular e ainda super alto? Pedi licença e atendi o celular:
- Oi, amiga, que foi?
- Onde você está mocinha? Eu estou morrendo de fome aqui! Não me diz que você esta comprando mais roupas? - Não, foi outra coisa, eu te explico quando chegar ai. Já estou perto.
- Então anda logo! - Ok, só não se assusta, tá? – Eu falei já rindo silenciosamente.
- Assustar com o quê? – Ela perguntou curiosa
- Só promete que não vai gritar, tá?
- Está bem. - Beijo.
Desliguei o celular e encarei . Ele tirou os óculos e me mostrou aqueles olhos lindos que queria tanto ver de novo.
- Desculpe por isso. – Eu disse envergonhada.
- Você sabia desde o começo?
- Bom, se os óculos não tivessem caindo quando você esbarrou em mim, com certeza eu estaria na dúvida, só porque eu conheço a sua voz, mas ela poderia ser parecida com a de outra pessoa. Na verdade eu me acharia uma completa maluca.
- Então prazer, meu nome é , mas você pode me chamar de . – Ele riu falou com sarcasmo e depois riu enquanto estendia sua mão.
- Prazer em conhecê-lo, , eu sou a , ou pros íntimos . – Eu peguei na mão dele e sorri. Começou uma onda de sentimentos em mim e eu tinha certeza que minha mão ia tremer a qualquer momento então soltei nossas mãos e continuei andando. Ele sorriu e me acompanhou.
- É aqui. Você vai entrar? – Perguntei receosa, eu não quero que ele vá embora.
- Claro, mas sua amiga não vai me atacar não? – Ele falou com uma carinha de criança com medo de bicho papão. Eu ri.
- Se você fosse o com certeza ela te atacaria! – Falei rindo da cara que ele fez.
- Ele é o preferido dela?
- É.
- E o seu?
- O meu o quê?
- Seu preferido. – Cara que pergunta difícil! Eu acho que a minha cara vai explodir agora de tão vermelha que ela deve estar.
- Bom... – Eu fiz uma horinha e encarei os olhos dele. – É você.
Posso dizer que eu fiquei absurdamente feliz quando ele abriu o maior dos sorrisos que ele já tinha me dado e eu tive a certeza de que os olhos dele estavam brilhando como nunca. Eu devo estar louca, o tem namorada, , esquece isso.
Ele colocou os óculos e nós entramos na lanchonete.
- Ei, . Eu demorei?
- Demorou, eu estou definhando de fome aqui e é tudo culpa sua! – Ela fez bico e nem percebeu o entrando mesmo que disfarçado, segurando minhas sacolas.
- Eu também te amo, viu?! – Soltei uma gargalhada, e o riu disfarçadamente.
- Ele é o motivo para eu não assustar? – Ela perguntou quando ele se aproximou da mesa colocando as sacolas em um canto.
- É. , esse é o . – Eu disse o chamando pra mais perto.
- Oi, , eu sou a , prazer. – Ela falou normalmente, ainda não o reconheceu e eu dei uma risada.
- Viu que o disfarce está bom? – Eu disse pra ele enquanto fazia sinal pra ele abaixar os óculos enquanto não entendia o motivo da palavra disfarce na historia.
- , meu nome é , ou somente , como me chamam. – Ele disse abrindo um sorriso quando viu a cara dela espantada com a pessoa que estava na frente dela. Ele colocou os óculos de novo.
- Não acredito! – Ela disse sentando-se novamente. Eu e o sentamos também.
- Pois acredite. – Eu disse.
- Hey, o não está com você não? – Ela perguntou agora com os olhos brilhando só de pensar na possibilidade de conhecer o .
- Ele está com o , eles estão tentando achar um presente para a Mary, a namorado do . – Ele disse rindo do sorriso que abriu e da maneira que ela me olhou quase que implorando pra eu pedir ao pra chamar eles.
- , será que você poderia levar a gente pra conhecer eles? – Eu fiz uma carinha de pidona e abri um sorriso que sempre funcionava.
- Eu posso ligar pra eles virem aqui, é só falar de comida que eles enlouquecem. – Ele sorriu. – Só um minuto. Ele disse pegando o celular e discando pra alguém.
Ele ligou para o e depois nós fomos fazer nossos pedidos, dez minutos depois e entram na lanchonete, também disfarçados, se eles não tivessem indo para a nossa mesa eu não reconheceria mesmo.
- Hey, já fiz seus pedidos. – falou pra e .
- Que bom, eu estou mesmo com fome. – falou e abriu um largo sorriso e olhou pra mim, como se agradecesse. Coisa que ela não precisava, eu tinha que agradecer aos céus por ter feito o esbarrar em mim!
- , essas são e , brasileiras.
- Oi, eu sou , prazer. – Ele disse pegando em nossas mãos enquanto eu e sorriamos igual duas crianças que acabaram de ganhar presentes que pediram no Natal.
- E eu sou o , prazer em conhecer vocês, meninas. – Ele disse e repetiu os gestos do , só que seus olhos brilharam quando encontrou com os de .
Eles se sentaram e nossos lanches em pouco tempo chegaram. Nós conversamos sobre muitas coisas e o , e ficaram primeiramente muito curiosos pra saber como eu e o nos conhecemos. Contamos a historia e só se ouvia um “Tinha que ser ” de e , e um “Graças a Deus” em Português de pra que só eu escutasse e entendesse. Depois que acabamos de lanchar, eu ia me levantando para pagar a conta quando o me interrompeu.
- Deixa que eu pago. – Ele falou pegando em minha mão e me puxando para a cadeira de novo.
- Não, , eu não posso aceitar. – Falei muito envergonha e com as bochechas queimando.
- É pra compensar o esbarrão que eu te dei! – Ele disse e já foi se dirigindo ao caixa enquanto eu voltava e ia pegar minhas sacolas. Nós acabamos esquecendo de ligar pra Iris para guardar aquelas coisas.
- Meninas, vocês bem que podiam ajudar a gente. – falou e eu olhei pra ele sem entender.
- Em quê? – perguntou.
- Bom, é que eu estou querendo comprar um presente pra Mary, minha namorada, imaginem vocês três homens tentando achar um presente feminino! É um caos! – Ele falou sorrindo e assentiu com a cabeça. chegou logo em seguida.
- Nós podemos ajudar, não é, ? – Ela assentiu com a cabeça. – Mas vocês vão esperar a gente guardar essas sacolas no carro! – Eu falei levantando as sacolas.
- Tudo bem, nós esperamos. – disse bem feliz com a ideia da nossa companhia.
- Então vamos, , liga pra Iris aí. Fala pra ela encontrar a gente na loja onde eu vou trabalhar. – Ela assentiu com a cabeça.
Chegamos à loja de roupas onde eu vou trabalhar e deixei os meninos olhando algumas roupas enquanto eu e íamos ao estacionamento.
- Separem as roupas que vocês gostarem mais que, quando nós voltarmos, damos uma olhada. Eu disse já na porta da loja enquanto eles olhavam umas blusas que estavam nos cabides.
- Tudo bem, não demorem! Eu fico perdido no meio de tanta roupa! – falou já pegando uma blusa pra ver.
Fomos até o carro e deixamos as coisas lá enquanto contávamos pra Iris o que aconteceu. Ela disse que estava cansada então ia pra casa e quando nós quiséssemos ir embora era só ligar pra ela.
- E então, meninos? – Perguntei á eles que estavam literalmente perdidos no meio de tanta roupa.
- Nós gostamos dessas aqui. – apontou para uma pilha só de blusas em cima do sofá. Eu e caímos na risada.
Ficamos até às 7 e meia da noite e comprou uma blusa maravilhosa branca com uns apliques de Strass, uma jaqueta estilo bolero preta, uma calça skinny escura e uma sandália preta com detalhes em vermelho perfeita. Na verdade, ele escolheu o look que eu montei. Eu levo jeito pra isso e ele me elogiou muito pro gerente, que quando viu o nome dele ficou completamente assustado e feliz! , e na loja dele. Era uma honra, claro, e eu tinha ganhado a confiança do meu chefe.
- . – me chamou mais pro canto um pouco afastado do pessoal.
- Sim? – Eu perguntei curiosa.
- Posso pegar seu telefone? – Ele falou receoso da minha resposta. Que tudo, pedindo meu telefone. Não é pra qualquer uma não.
- Só se eu puder ter o seu. – Brinquei e sorri, ele retribuiu o sorriso e me deu o telefone e eu passei o meu.
Nós voltamos pra perto do pessoal e eu me despedi dos meninos. Dei um abraço no , depois no e por último no . Foi o abraço mais perfeito e cheio de sensações que eu já tive! Ele tem um cheiro de Margarida misturado com madeira molhada, um perfume que eu com certeza não vou esquecer nunca! Para com isso, , ele ainda tem namorada, garota! Haa, consciência, qual o problema de aproveitar um pouquinho? Nenhum problema, eu acho. Ele me deu um beijo na bochecha e se foi junto com o e o que, por sinal, não tirava os olhos da minha amiga .
Iris pegou a gente na porta do Shopping e, em alguns minutos, nós chegamos em casa. Eu e estávamos afobadas com o grande dia que tivemos. Nós gritávamos e contávamos o que tinha acontecido nesse dia agora com detalhes pra Iris que, por sinal, ficou muito feliz por nós termos feito amizade com o McFly, já que ela teria que ir embora dali uma semana e nós ficaríamos aqui sozinhas. Continuamos conversando e me disse que o pediu o telefone dela também.
- Pelo menos o não tem namorada, amiga. Falei meio desanimada por pensar nessa possibilidade: ver o com a Vivian.
- Nada que um simples “vamos terminar” não resolva. Ela disse como se aquilo fosse a coisa mais fácil do mundo. Quando eu ia começar a responde-la, o meu celular toca com a musica Just my Luck.
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You and I have got a lot in common
We share all the same problems
Luck, love and life aren't on our side
I'm in the wrong place at the wrong time
Always the last one in a long line
Waiting for something to turn out right, right
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- Eu coloquei essa musica pro número do , ! – Eu olhei pra ela com cara de que eu não estava acreditando.
- Então atende logo, ! E coloca no viva-voz pra eu ouvir! – Ela falou animada.
- Oi, .
- Oi, , chegaram bem em casa? - Sim, e vocês?
- Chegamos exaustos! Não sei como as mulheres conseguem fazer isso todos os dias! - Ele riu.
- Força do hábito, eu acho, ou então isso é um dom feminino! – Eu ri também.
- Aqui, você quer sair amanhã? Nós podemos ir comer uma pizza! O está convidando a e o quer conhecer vocês! Ele vai com a Rafaella, namorada dele, e o vai com a Mary. - Espera que eu vou perguntar a , tá?
- Ok. assentiu com a cabeça e eu fiz um pouco de hora pra ele achar que eu estava perguntando.
- Ela disse que tudo bem.
- E você? - Tudo bem também. Nós vamos!
- Então passa o endereço da casa de vocês que a gente pega vocês aí amanhã. Eu falei o endereço pra ele e esperei ele anotar e confirmar pra ver se escreveu tudo certo.
- Estejam prontas amanha às 7 horas, ok? - Ok, .
- Beijo, , até amanhã. - Beijo, até amanhã. Tchau.
- Tchau.
Eu e mal conseguimos dormir. Ela foi para o meu quarto e nós ficamos conversando até tarde. Acabamos pegando no sono e só fomos acordar agora: 11 horas da manhã. Iris já está preparando o almoço enquanto nos estamos tão empolgadas com o encontro hoje com os meninos que já estamos escolhendo as roupas.
- Essa aí está perfeita, ! – me disse olhando o quarto Look que eu visto.
- Tem certeza? – Perguntei enquanto me olhava no espelho.
- Sim, sua roupa vai ser essa! – Ela falou animada.
- Ei, essa sua também está linda, amiga. Eu só mudaria o sapato. Põe aquele ali. - Apontei pra um Scarpin Preto com um salto de 12 centímetros. Ela colocou e como eu tinha dito, ficou perfeito.
- Isso, excelente! Estamos prontas pra sair! – Eu disse animada e abrindo um enorme sorriso.
Passamos o dia inteiro nos preparando para o encontro. Quando já era seis e meia da noite, eu e estávamos praticamente prontas: unhas feitas, cabelos escovados e lisos, vestidas - as roupas que ficaram absolutamente perfeitas! Agora estamos nos maquiando e esperando a campainha tocar.
Quando nós estávamos completamente prontas às sete e cinco, a campainha toca. Eu corri para atender.
- Oi, ! – Eu disse dando um abraço nele. Ele estava perfeito! Lindíssimo e elegante. Vestia uma calça Jeans Preta, uma blusa três–quartos listrada em tons de azul céu e azul marinho e um All Star Branco e Preto.
- Oi, ! Você está absolutamente linda! – Ele disse isso me olhando dos pés á cabeça. Eu estava com uma calça Preta Skinny com detalhes de Strass nos bolsos, uma blusa Roxa justa e por cima um bolero que eu amo, todo cheio de babados da cor preta, e um Scarpin Preto com um laço lilás na lateral dando um charme e um toque romântico á roupa.
- Ei, ! – disse assim que chegou na porta.
- Entra, gente, venham conhecer a nossa humilde casa! – Eu disse para os meninos que estavam no corredor.
- Sentem-se aqui enquanto eu vou pegar minha bolsa. – Eu falei mostrando o sofá e conduziu todo mundo. foi o último a entrar e eu vi o abraço que os dois deram. Tomara que saia um namoro daí!
- O apartamento de vocês é bem legal, meninas! – falou já pensando nas festas que davam pra ser feitas ali.
- Hey, ninguém vai me apresentar o , a Mary e a Rafaella não? – Eu falei olhando para os meninos que esparramaram no sofá vendo um programa qualquer. assentiu com a cabeça e cruzou os braços.
- Cara, vocês são muito mal educados. – O disse se dirigindo a mim e a .
- Oi, eu sou o e você deve ser a . – Ele disse apontando pra mim.
- Sim, mas pode me chamar de , . Prazer em te conhecer! – Falei abrindo um sorriso.
- E você é a . – Ele disse apontando pra .
- É essa sou eu, mas me chama de , ! – Nós rimos.
- Essa é a Mary, namorada do . Essa é a Rafaella minha namorada.
- Muito prazer, meninas! – Eu e falamos juntas.
- Prazer é nosso. – Disseram elas.
- Feitas as apresentações, que tal irmos logo comer a bendita pizza? – falou, como sempre com fome. Todos caíram na risada.
- É, vamos. – Eu disse.
Depois que todos saíram, só ficamos eu e o , ele está me esperando apagar as luzes de casa, já que a Iris foi ver uns amigos daqui de Londres. Depois de tudo trancado nós saímos do apartamento e ficamos no corredor enquanto eu trancava a porta. Quando eu me virei para olhar nos olhos dele e pedir para a gente ir, ele estava tão próximo de mim que nós quase nos beijamos. Nossos narizes se tocaram e eu pude sentir aquele perfume maravilhoso dele. Ele já estava começando a se aproximar e nossas respirações já estavam ofegantes quando eu me lembrei da bendita namorada dele.
- É melhor a gente ir. – Eu disse quase como um sussurro, já que a essa hora as mãos dele estavam na minha cintura e as minhas mãos estavam no tórax dele, e que tórax! Ele me olhou profundamente como se eu tivesse com a razão, mas ao mesmo tempo implorando pra continuar o que quase aconteceu há pouco.
- Tudo bem, , vamos? – Ele me deu a mão dele e eu a peguei, só que logo me soltei e apenas passei o braço no dele.
- Vamos. – Entramos enfim no elevador.
Capítulo 3
’s Point Of View
A está tão linda hoje! Se eu não estivesse com a Vivian com certeza era com a que eu queria estar; ela é tão incrível, doce e carinhosa com todos! , se toca, você a conheceu ontem e já está assim, todo babão?
Que perfume é esse, meu Deus?
Eu já estou próximo demais dela, mas não consigo resistir.
Ela está trancando a porta do apartamento e eu estou aqui, olhando para ela. Cada detalhe do seu corpo, da sua roupa; Ela não parece desse mundo. É perfeita demais!
Ela se vira depois de trancar a porta do apartamento; Eu estou próximo demais e não dá para eu me afastar! Agora essa proximidade com o corpo dela está me enlouquecendo! Eu vou me aproximar mais.
Ajeitei minhas mãos em volta de sua cintura e ela continuou com seus braços onde estavam: no meu tórax. Nossos narizes se tocaram e eu comecei a sentir algo - não sei, é estranho, nunca senti isso por ninguém; Estávamos com nossas respirações já ofegantes e tudo o que eu mais queria naquele exato momento era beijar aqueles lábios tão lindos. Só que isso não durou muito.
- É melhor a gente ir. – Ela disse, me olhando com seu olhar penetrante. Eu adoro os olhos dela: são simples, mas, ao mesmo tempo, transmitem o que ela sente e, naquele momento, me mostravam que o que ela também mais queria era me beijar. Ao mesmo tempo mostravam que aquilo não estava certo. Resolvi concordar e desistir de beijá-la, por enquanto.
- Tudo bem, , vamos? – Eu disse, estendendo a mão para que ela a pegasse, coisa que ela fez, mas logo a soltou e passou seu braço sobre o meu.
- Vamos. – Ela respondeu e entramos no elevador.
Eu estou realmente curioso pra saber mais sobre a reação dela ontem no shopping. Foi realmente diferente de todas as meninas que já me conheceram; Ainda mais porque ela era uma fã do McFLY e, especialmente, de mim.
- , posso perguntar uma coisa? – Eu disse com receio da resposta que eu receberia.
- Pode. – Ela falou ainda sem me olhar.
- Por que você não me disse que sabia quem eu era quando me reconheceu?
- Por que você é uma pessoa normal também, e pessoas normais não têm reações escandalosas quando se conhecem! – Ela riu e me olhou, eu amei ver o seu sorriso.
- Mas você é fã do McFLY. Qualquer fã teria uma reação diferente da que você teve. Você teve um desejo diferente quando me reconheceu? – Eu a olhei e a vi franzir a testa, pensando, depois sorriu.
- Claro! Eu queria rasgar sua roupa toda ali mesmo! – O quê? Fiz uma careta e franzi a testa. Claro que rasgar minha roupa não é lá má ideia, mas só se for entre quatro paredes.
- Hey, eu estou brincando, ! Eu não sou dessas piradas não. – Soltei a respiração, mais tranqüilo. Achei que ela tinha virado uma psicopata de um dia para o outro.
- Então fala a verdade, . O que você realmente sentiu quando me reconheceu?
- Sinceramente, nem eu sei explicar a reação que eu tive; Quando eu reconheci você pelos olhos, eu tentei me controlar ao máximo para não gritar ou pedir um autógrafo, mas você estava ali, sendo um perfeito cavalheiro e querendo levar minhas sacolas e me acompanhar... Eu não queria ser mais uma garota a te deixar constrangido em um lugar público. Ainda mais porque você estava ali como qualquer um: em um shopping, provavelmente fazendo compras como eu! Na verdade, o fato de você ser do McFLY só me deixou mais orgulhosa por vocês serem tão normais quanto eu, e não esnobes como muitos que vemos por ai!
- Impressionante, você realmente é diferente de qualquer garota que eu conheci! – Eu disse, a vendo tentar disfarçar as bochechas rosadas.
- Vou considerar como elogio! – Ela gargalhou e o elevador se abriu; Eu estendi o braço para que ela entrelaçasse o dela com o meu e andamos até o encontro do pessoal.
- Vocês demoraram, hein? – falou com um sorriso sarcástico.
- O que estavam fazendo lá em cima? – disse, com certeza para me irritar, e antes que eu pudesse arranjar uma desculpa e responder a falou:
- Eu não me lembrava onde tinha colocado as chaves do apartamento, então fui procurar e aí descemos. – Ela falou, já encarando , que estava com um sorrisinho que dizia: “Amiga, você não sabe mentir!”; Eu ri disfarçadamente.
- , você vai dirigindo ou prefere ir com o pessoal no carro do ? – disse, apontando para o meu carro.
- Ah, cara, na volta eu dirijo! Vai lá com a Rafa que eu e a vamos com o e a Mary. – Na verdade, o maior motivo de eu querer ir com é que no banco do carro eu posso ficar pertinho da .
- Beleza então. , você vai com quem? – perguntou para um um tanto distraído com os olhos pregados na ; Se olhar arrancasse pedaço, com certeza não teria mais parte nenhuma do corpo pra contar história.
- Vou contigo, dude, não quero ficar tanto tempo longe de você, amor! – disse, correndo em direção ao , que o abraçou como bons gays que eles eram; fez cara de assustada, mas depois riu da cena; Ela já deve conhecer o muito bem para não se impressionar com as brincadeiras dele.
- Então vamos logo, pessoal. Eu estou com uma baita fome! – disse, já entrando no carro, e todos nós fizemos o mesmo. Já estamos à caminho da pizzaria.
End Of ’s Point Of View
- , liga o som aí. – disse, ainda tentando chegar mais perto de mim e pegar na minha mão -estou tentando evitar esse contato. O fato de ele ter namorada faz isso comigo. Eu sei como é ser traída, já tive essa terrível experiência e não gosto que ninguém passe por isso por minha causa. Então, se ele quer ficar comigo tem que terminar com ela primeiro. Falando nela, eu ainda não a vi com . Será que eles terminaram e eu não estou sabendo? Será que eu estou perdendo tempo com preocupações tolas em relação a isso? Eu tenho que descobrir.
O ligou o radio e mudou de canal algumas vezes ate parar em um que tocava uma musica especial, uma musica deles.
- POV, cara. Ela nunca sai da radio, não é? – falou muito feliz em lembrar que todas as vezes que ele ligava a rádio tocava essa música deles.
- Aí , aumenta mais. Eu amo demais essa musica! – Eu falei, já começando a cantar e vi um um tanto animado por isso; Ele deve ter esquecido que eu sou uma super fã apaixonada nas horas vagas.
- É, amor, aumenta o volume, vamos fazer com que os meninos escutem! – Mary disse, animada. Ela também parecia gostar muito da música dos meninos. Também, namorando um fofíssimo como o por tanto tempo!
Todos nós estávamos cantando a música e eu estava me divertindo muito, apesar de ela ser triste. O e o conseguem deixar ela animada e engraçada. toda hora se virava para me olhar enquanto eu fingia que não via e continuava olhando para frente, cantando a música baixo, com vergonha de eles acharem a minha voz feia (eu achava e sentia muita vergonha de cantar sozinha e na frente de outras pessoas).
- Ah, podia tocar outra de vocês, não é? Para chegar à pizzaria ainda vai demorar um pouco, olha esse engarrafamento ali na frente! – Mary falou, apontando para o engarrafamento, que parecia pequeno ao longe, mas agora de perto era grande mesmo.
- Espera, Mary. Deixa eu olhar na minha bolsa, devo ter trazido meu pen-drive ou meu Ipod por aqui. – Eu disse, já pegando a minha bolsa de mão linda que comprei quando cheguei aqui, preta com detalhes em strass na abertura.
- Você anda com seu Ipod na bolsa por todo lugar? – me perguntou, curioso. Será que ninguém faz isso não? Eu não acho algo estranho!
- Ando sim. Ah, está aqui! Toma, Mary, conecta o cabo aí. Eu coloco as músicas do McFLY. – Falei, entregando o cabo para a Mary, que logo o conectou ao som.
- Por que você anda com seu Ipod na bolsa, ? – Ele estava realmente curioso, chegou me encarar com os seus perfeitos e hipnotizantes olhos .
- Porque quando eu vou para um lugar qualquer, às vezes acontece de ficar chato e entediante; então eu coloco meu Ipod e me distraio! - Eu disse e encarei-o. Queria ver sua reação com o “chato e entediante”.
- Cara, isso é demais! Você ama musica mesmo, não é? - Ele me disse, sorrindo enquanto a primeira música começava a tocar; Logo ele chegou mais perto para me escutar, já que o som estava alto demais.
- É, eu amo música de todos os tipos! – Eu sorri também e comecei a cantar No Worries. Eu amo essa musica. Ele me observou cantar e depois de um tempo chegou os seus lábios bem perto do meu ouvido - algo que me fez arrepiar -, e então disse:
- Pode ter certeza que essa noite não será chata e nem um pouco entediante pra você. – Ele me fez arrepiar mais ainda e então eu sorri, depois continuei a cantar.
- , você tem todas as músicas dos meninos aqui. – Mary falou enquanto mexia no meu Ipod.
- Você não disse a ela que eu sou uma fã, ? – Eu perguntei pra ele, que logo depois caiu na risada.
- Sinceramente, , eu esqueci! Nós ficamos tão amigos em tão pouco tempo e você não me trata como o seu ídolo ou como se eu fosse do McFLY, mas como uma pessoa simples, normal. – disse e eu fiquei bem impressionada com a sinceridade dele; É bom saber que eles se sentem assim em relação a mim.
- Você e a nos trataram muito bem e, na maioria das vezes em que a gente conversou, fui eu que te lembrei que você era uma fã! – disse e Mary sorriu, ao mesmo tempo em que eu sorri.
- , você é fã do Westlife também? – Mary me perguntou depois que ela voltou a mexer no meu Ipod.
- Não como do McFLY, mas eu amo as musicas deles. – Eu disse, envergonhada. Não sabia como eles ficariam se soubessem as bandas que eu sou “fã”.
- É, as musicas deles são bem legais, eu tenho algumas no meu Ipod também, mas parece que você tem todas. – Ela disse e abriu um largo sorriso enquanto os meninos não disseram nada; Eles prestavam mais atenção na musica que passa agora: Friday Night.
- Tem Backstreet Boys aqui também! - Mary falou, mais maravilhada com as relíquias do meu Ipod. Ela deve ter o mesmo gosto que eu.
- É, tem também três pastas com musicas variadas; Algumas em português, outras em espanhol e, claro, em Inglês. Mas dos que eu tenho todas as músicas de todos os CDs são esses mesmo: Backstreet Boys, Westlife e McFLY!
- Você tem gosto muito bom para musica ; Depois me empresta o seu Ipod para eu pegar algumas musicas? – Mary disse, me olhando com cara de pidona. Eu ri.
- Claro, Mary, pode deixar ele aqui no carro do , já que eu não vou precisar dele porque alguém me prometeu uma noite nada chata e entediante. – Eu ri disfarçadamente e o entendeu a indireta. Ele riu também e depois chegou perto do meu ouvido de novo e disse:
- Você pode ter certeza disso. – Foi um sussurro que só eu ouvi e, depois de dizer, ele deu um leve beijinho na minha nuca sem eu poder reagir, já que o e a Mary poderiam ver. Ele só pode estar querendo me enlouquecer; Eu tenho que saber logo se ele ainda está namorando. Na verdade, acho que já sei a resposta, só não quero admitir.
- Chegamos, enfim! Cara, eu devo ter um buraco enorme dentro de mim, porque a fome que eu estou sentindo é terrível! Vamos logo pra mesa! – O estava pior que o de tanta vontade de comer, mas logo todos nós estávamos na mesa reservada para nós e com muita fome mesmo. Essa é uma vantagem de ser famoso, você é atendido com prioridade nos lugares e estar com os meninos fez a gente comer bem mais rápido do que seria com pessoas “normais”.
Nós nos divertimos muito na noite: com as porcarias que o fazia com a comida, com os tapas leves que ele levava da por causa disso, das coisas idiotas que o falava, com a incrível cara de envergonhado que ele fazia quando todos riam dele - claro que era só fachada! Enfim, a noite com os meninos foi perfeita e nós agora voltávamos para a casa do , para assistir filmes até a madrugada.
- Meninas, essa é minha humilde residência! – Ele disse, sarcástico, com a cara de espanto que eu e a fizemos ao entrar na luxuosa casa onde morava um homem sozinho (ou não).
- Humilde? , você só pode estar louco! – disse, ainda maravilhada.
- Humilde é a nossa casa, não é, amiga? – Eu disse, abraçando ela.
- Com certeza, ! – Ela falou, me abraçando também.
- Então, nós vamos assistir o que? – perguntou, puxando eu e para o sofá da sala do .
- Vocês que sabem, mas eu aposto que sei os prováveis filmes que vocês querem ver. – Eu falei, desafiando os meninos.
- Então manda ver, ! – O disse, me estendendo a mão.
- Mas não vale mentir, hein? – Eu falei, pegando na mão dele e balançando.
- O que eu ganho se você perder? – Ele me desafiou, levantando aquela famosa sobrancelha que eu tanto vi nas fotos.
- Me deixa pensar... – Fiz cara de pensativa e, nesse momento, estava todo mundo prestando atenção no que eu ia dizer. Principalmente o . - Você ganha um almoço feito por mim! – Eu ri e me sentei.
- , você tem sorte demais! A cozinha esplendidamente bem! – falou, puxando o saco. Mentira, ela ama minha comida mesmo. Eu ri.
- Serio, ? – Ele arqueou novamente a sobrancelha.
- É. Posso fazer minha especialidade, só não vou dizer o que é. – Eu falei, ainda sorridente.
- Ah cara, a especialidade, ? Eu também vou querer! – disse, sentando no sofá ao meu lado.
- É claro que você também vai comer, amiga! Todos vão; Mas o tem que ganhar primeiro, o que eu acho difícil! – Eu disse com cara de maldade.
- Então eu ganho de você em uma aposta! – O disse, sentando do meu outro lado no sofá.
- E nós vamos apostar o que? – Eu perguntei, curiosa.
- Hum... Eu aposto que você não pega nos lagartos do . – Ele disse, com cara de vitorioso. Cara isso é maldade! (n.a.Eu sei que eles já se foram, mas isso estava no meu sonho, não tive coragem de modificar. ;D)
- Assim não vale! Você deve saber que nenhuma mulher vai pegar nos lagartos do , só se ela for louca ou estiver completamente bêbada! – Eu disse, fazendo bico.
- É isso ou fazer de boa vontade o almoço. Você escolhe! – Ele disse, ainda mais vitorioso, claro que eu não ia recusar.
- Está bem, mas se eu ganhar o vai ter que me dar todos os DVDs e CDs do McFLY autografados por vocês! – Eu disse rindo.
- É isso que você quer? Cara, isso é moleza. A gente já ia te dar mesmo, não é, pessoal? – O disse, rindo pra mim.
- Com certeza! – Os meninos disseram juntos.
- Tudo bem, então agora eu vou adivinhar os filmes e a Mary e a Rafa vão dizer se são esses mesmo. – Eu falei me levantando, e abraçando a Mary e a Rafaella.
- Hey, você não confia que a gente vai dizer a verdade, não? – perguntou irônico.
- Lógico que não! Vocês devem roubar só pra não perder pra mim. – Eu disse sorrindo e todos me acompanharam.
- Então tá, fala logo, . Quais seriam os filmes? – me perguntou, curioso.
- Provavelmente seriam: De Volta Para o Futuro 1, 2 ou 3, Tartarugas Ninjas ou alguma coisa idiota que é a cara de vocês! – Eu disse e olhei para eles, vendo expressões de concordância.
- Cara, eu iria ver ‘De volta para o futuro 2’! – O falou, emburrado.
- Eu ia querer ver Tartarugas Ninja. – falou, fazendo bico.
- Eu tinha em mente ‘De volta para o futuro 1’. – falou, cruzando os braços, indignado.
- Você é boa, , eu me encaixaria nas coisas idiotas que são a nossa cara: Debi e Loide seria a minha escolha. – disse, me abraçando e fazendo bico.
- Vocês também não pensam não? – Rafaella falou para os meninos, morrendo de rir.
- Como assim, amor? – perguntou curioso.
- Nossa, meninos, a é fã de vocês! É obvio que ela iria saber os filmes preferidos de vocês! – Mary disse aquilo como se explicasse para crianças de cinco anos alguma coisa.
- Aposto que ela sabe muito mais! – Rafaella falou, abraçando o namorado.
- E sabe mesmo! – completou; Pra variar, eu já estava vermelha como um pimentão e agora ainda mais com os meninos olhando pra mim, principalmente o me olhando de um jeito estranho. Por que será? Lembrete: Matar a quando chegar em casa!
- Gente, ela está vermelha! Own, , você deve saber muita coisa mesmo, não é? – disse, me abraçando em seguida enquanto eu escondia meu rosto em seu peito. Eu estou muito envergonhada!
- Hey, , fica assim não, a gente está brincando com você. – falou, preocupado, quando viu uma pequena lágrima cair do meu rosto. Cara, por que eu estou chorando mesmo?
- Vem aqui, amiga. – me puxou para um canto da sala e pediu para os meninos não irem atrás. Eles estavam assustados por eu estar chorando, o então queria seguir a gente para saber o que era, mas a não deixou. - Coloquem o filme aí que a gente já volta. – Ela falou antes de me empurrar mais um pouco pra longe deles.
- Agora desembucha, . – Ela me encarou com preocupação.
- Não é nada amiga, serio! Só me deu vontade de chorar do nada! Uma sensação ruim...
- Eu odeio quando você tem isso, sempre acontece algo que te deixa muito triste. Melhora essa cara, vai, e esquece isso! – Ela falou, secando minhas lágrimas e me abraçando, conduzindo-me à sala.
Eu sentei no sofá de dois lugares onde o estava sentado e a sentou ao lado do , ainda me encarando, fazendo sinal para eu melhorar a cara. me abraçou de lado e perguntou bem baixinho:
- Foi algo que nós falamos que te deixou assim? – Só de ouvir a sua voz e sentir o seu perfume tão perto já abri um sorriso pequeno.
- Não, eu só tive uma sensação estranha, um sentimento ruim. Toda vez que eu sinto isso algo nada bom acontece na minha vida. – Eu disse, olhando-o nos olhos, e vi seu olhar de preocupação; Por que ele se preocupa tanto comigo? Eu o conheci há dois dias!
- Eu vou estar aqui então quando isso vier perturbar você! E eu vou te fazer esquecer essas coisas ruins! – Ele falou sorrindo de lado, sussurrando no meu ouvido, o que me causou longos arrepios.
- Você não pode. Ninguém pode. Essas coisas sempre acontecem! Essa sensação é mais um preparo que Deus me manda, falando que algo ruim está por vir! – Falei, olhando para minha mão direita, onde ainda tinha uma pequena marca de sol causada pela aliança usada por quatro anos e meio.
- Vem aqui comigo, eu vou te mostrar uma coisa. – Ele disse, mais alto dessa vez, e levantou, estendendo a mão para que eu a pegasse. Eu não entendi o porquê daquilo, mas não queria ver filme mesmo; Precisava me distrair, então peguei sua mão e o acompanhei.
Fomos até as escadas e subimos por um corredor com cinco portas; Ele abriu a segunda e fez sinal para que eu entrasse. Era o quarto dele. Lindo, com alguns pôsteres de bandas, as paredes em tons de azul e branco e móveis que me pareceram ser bem caros.
- Esse é o meu quarto. – Ele falou sorrindo enquanto eu observava o lugar.
- Você veio me mostrar o seu quarto? – Perguntei, duvidosa das verdadeiras intenções de ali.
- Também! Mas eu vim te mostrar mesmo isso aqui. – Ele apontou para um quartinho pequeno ao lado do banheiro, com coisas que me pareceram presentes de fãs.
- Uau! Nunca pensei que vocês pudessem guardar todos os presentes! – Eu disse, ainda obcecada, vendo tanta coisa ali.
- Isso não é nem o começo, Tem um quarto maior no corredor cheio de presentes dos fãs. – Ele disse, agora abrindo um enorme sorriso que eu retribui automaticamente.
- Mas o que você quer me mostrar exatamente? – Perguntei, curiosa.
- Na verdade, eu gosto de tocar aqui dentro e muitas vezes componho aqui! Me dá mais inspiração vendo a responsabilidade que eu tenho de agradar todas essas pessoas que se preocupam comigo, com o , o e o . – Ele falou, me guiando até uma mesinha pequena com quatro cadeiras no final do quartinho. Sentamos e, logo em seguida, pegou um violão. Eu ainda estava sem reação. Ele ia cantar pra mim? Cara, isso é tão perfeito, como eu posso ter sensações ruins quando a minha vida está tão maravilhosa? - Eu achei que você, sendo uma fã e principalmente uma fã minha, iria gostar de ouvir algumas musicas pessoalmente. – Ele disse, abrindo um largo sorriso, sentado na minha frente já com o violão a postos.
- Você vai ter que me lembrar sempre disso? Cara, eu não devia ter te contado que você era o meu preferido. – Eu fiz uma careta e coloquei as mãos no rosto em sinal de vergonha. Ele tirou-as do meu rosto e passou os dedos por minha bochecha, avermelhada pela vergonha; eu, claro, arrepiei toda!
- Tudo bem, pequena, eu não falo mais disso, tá? – Ele me olhou profundamente e foi nesse momento que eu senti: Eu estava me apaixonando pelo ; Não como amor de fã, não assim. Amor mesmo, verdadeiro e sincero. Mas eu sei que ele tem namorada e eu tenho que tirar esse amor de mim o mais rápido possível!
- Que musica você quer que eu cante? Olha o privilégio, hein? Nem toda fã tem, então aproveita! – Ele disse, brincalhão, me tirando da onda de pensamentos que corriam pela minha cabeça.
- Hum... Você escolhe, na próxima eu escolho!
- Ok, Que tal Walk In The Sun? – Eu assenti com a cabeça e ele começou a tocar. É estranho ele escolher essa música. Mas tudo bem, esse momento é mágico e eu não vou estragar ele, não mesmo!
I wonder what it's like to be loved by you Eu me pergunto como é ser amado por você I wonder what is like to be home Eu me pergunto como é estar em casa And I don't walk when there're stones in my shoe E eu não ando quando têm pedras em meu sapato All I know that in time I'll be fine Só o que eu sei é que com o tempo eu ficarei bem
O olhar dele enquanto canta é estranho, me causando arrepios só de ouvir as frases dele; Como se ele estivesse falando aquilo de dentro dele, como se os sentimentos dele fossem assim, como a musica diz, só que por mim.
I wonder what it's like to fly so high Eu me pergunto como é voar tão alto Or to breathe under the sea ou respirar embaixo d'água do mar I wonder if someday I'll be good with goodbyes Eu me pergunto se algum dia eu serei bom em despedidas But I'll be ok if you come along with me Mas eu ficarei bem se você vier comigo
Nesse momento ele sorriu, tinha algo mais em seu olhar, penetrante e profundo, e eu não conseguia deixar de sorrir em vê-lo cantar assim pra mim. Uma fã, que há pouco tempo sonhava com esse momento, agora via que ele não era mais um sonho. É real!
It's such a long long way to go É um longo, longo caminho para ir Where I'm going, I don't know Para onde eu estou indo, eu não sei Yeah, I'm just following the road Sim, apenas estou seguindo a estrada Through a walk in the sun Caminhando sob o sol Through a walk in the sun Caminhando sob o sol
I wonder how they put a man on the moon Eu me pergunto como eles colocaram um homem na lua I wonder what is like up there Eu me pergunto como é lá em cima I wonder if you'll ever sing this tune Eu me pergunto se você algum dia cantará essa melodia All I know is the answer is in the air tudo que eu sei é que a resposta está no ar
Eu assenti com a cabeça, respondendo à pergunta da música e ele sorriu... Um sorriso que me parecia apaixonado. Apaixonado? Quê isso, ? Você deve estar louca, apaixonado por você? Ah, para com isso, garota! Acorda!
Mas parece tão real...
Me livrei desses pensamentos e comecei a cantar baixinho a música junto dele; Eu não queria que a minha voz horrível estragasse a música que continha a voz tão maravilhosa dele.
It's such a long long way to go É um longo, longo caminho para ir Where I'm going, I don't know Para onde eu estou indo, eu não sei Yeah, I'm just following the road Sim, apenas estou seguindo a estrada Through a walk in the sun Caminhando sob o sol Through a walk in the sun Caminhando sob o sol
Sitting and watching the world going by Sentado e olhando o mundo passar Is it true when we die, we go up to the sky oooh É verdade que quando morremos nós vamos para o céu? so many things that I don't understand Tantas coisas que eu não entendo Put my feet in the sand when I'm walking in the sun oooooh Coloco meus pés na areia quando estou caminhando sob o sol Walking in the sun Caminhando sob o sol
It's such a long long way to go É um longo, longo caminho para ir Where I'm going, I don't know Para onde eu estou indo, eu não sei Yeah, I'm just following the road Sim, apenas estou seguindo a estrada Through a walk in the sun Caminhando sob o sol Through a walk in the sun Caminhando sob o sol
- Ê, muito bom! – Eu disse, batendo palmas. Ele retribuiu com um sorriso hipnotizante.
- Agora você vai escolher a musica. – Ele me disse, ao mesmo tempo em que tirava uma mecha do meu cabelo e colocava atrás da minha orelha, fazendo meu coração bater acelerado.
- Eu sempre quis ver você cantar Not Alone. – Eu disse, encarando-o com meu melhor sorriso.
- Tudo bem, mas eu só vou cantar se você cantar também! – Ele disse, sério.
- Eu, cantar? Não mesmo, . - Eu disse, balançando a cabeça negativamente.
- Por que não, ? Você tem uma voz tão bonita! Eu quero que você cante comigo, vai. – Ele fez cara de bebê pidão e me fez abrir um sorriso curto.
- Eu não gosto de cantar pra ninguém ver, minha voz não é bonita não! – Eu disse encostando o cotovelo na mesa e apoiando minha cabeça na mão.
- Claro que é pequena, eu já ouvi; Por mais que você tivesse tentado cantar baixo no carro, eu consegui escutar. – Ele disse, passando sua mão pelo meu rosto e me causando sensações que nem eu sei dizer o que eram.
- Ah, , canta logo, vai! Senão eu vou lá pra baixo ver o filme! – Fiz cara de chantagista e me levantei com as mãos na cintura, ele sorriu e se levantou também, deixando o violão na cadeira.
- Bom, se você não cantar também... – Ele correu para a porta do quartinho. – Eu não deixo você sair daqui! – Ele trancou a porta e pegou a chave, a balançando na mão. Eu cruzei os braços e comecei a bater os pés no chão.
- , isso é chantagem, mocinho! Me deixa sair! – Aproximei-me dele com a cara emburrada; ele, pelo contrário, começou a sorrir e se aproximou de mim até ficar a centímetros do meu corpo; eu paralisei com essa atitude dele.
- Se você não cantar comigo, não vai sair. Vai passar a noite aqui dentro comigo! – Ele disse com uma cara maliciosa, de um jeito que me deixou absolutamente arrepiada. Minha respiração começou a ficar fraca quando eu vi ele se aproximar mais até nossos corpos se tocarem. Ele colocou a chave no bolso da calça e, então, colocou uma das mãos em minha cintura, me puxando pra mais perto enquanto a outra mão ia pro meu rosto. - Diz, por favor, que não vai cantar. – Ele falou, sussurrando em meu ouvido, o que me fez fechar os olhos automaticamente.
Ele beijou de leve minha orelha e depois desceu até a minha nuca, o que me fez arrepiar mais, deixando nossas respirações ofegantes.
- Eu acho que não consigo cantar com você me deixando sem reação desse jeito. – Eu disse baixinho, mas ele escutou e virou para me encarar com aqueles olhos perfeitos e penetrantes, sorrindo como uma criança. Não pude deixar de sorrir, mas a lembrança da Vivian apareceu de repente, me tirando do transe. Ele tentou se aproximar para me beijar, mas eu me afastei. - Não é certo. Você tem namorada, . – Eu o encarei firme, esperando ouvir a resposta que eu tanto queria, mas não seria tão fácil assim, porque ele não me respondeu. Só colocou as duas mãos em meu rosto e beijou demoradamente a minha testa.
- Eu sei, pequena. Desculpa. – Era impressão minha, ou seus olhos ficaram marejados? Fiquei com vontade de perguntar o que estava acontecendo entre ele e a namorada, mas lembrei que isso não era da minha conta.
Ele pegou a chave e abriu a porta do quartinho e, eu saí, me direcionando à porta do quarto dele com o intuito de descer e ver os meninos, tentar esquecer o que acabou de acontecer; me puxou pelo braço de repente.
- Eu quero explicar pra você... – Antes que ele terminasse, eu rebati:
- Não precisa, não é da minha conta! – Puxei meu braço e saí do quarto; Não era mesmo da minha conta e ele não me devia satisfações, mas por que essa historia estava me abalando tanto? Porque vê-lo daquele jeito me deixou tão triste e com raiva; Raiva de saber que a Vivian fez alguma coisa, que ela não o está fazendo feliz.
Deixei de lado esses pensamentos e desci as escadas; não queria estar mais nem um segundo ali. Sentei-me ao lado de e no sofá e disse baixo pra ela:
- Amiga, não estou me sentindo muito bem, será que você pode pedir ao pra me levar embora?
- Cadê o , amiga? Ele fez alguma coisa? – Ela perguntou, assustada.
- Não foi nada, eu te conto depois, só não quero mais ficar aqui. – nem prestava atenção na nossa conversa. Estava focado no filme.
- Tudo bem, eu falo pra ele e vou junto com você.
- Não, quê isso, amiga, pode ficar aqui com o . Eu não quero atrapalhar você!
- Ah, para com isso, ! Você é mais importante. – Nós duas paramos por um instante e nos encaramos, em seguida caímos na risada; Os meninos até pararam para olhar e saber qual o motivo da graça.
- Mentira que você disse isso, amiga! – Eu disse em meio à gargalhada e vi um me encarando perto do sofá onde estavam o e a Mary, bem curiosos.
- Nem eu estou acreditando que falei isso, se fosse lá no Brasil tinha me matado! – Ela gargalhou também enquanto todo o pessoal olhava sem entender nada.
- Será que dava pra explicar o que foi isso? – Disse um meio chateado por não saber qual era a piada.
- Deixa pra lá, , nenhum de vocês entenderia. Sabe, é coisa de fã! – Eu disse, me levantando, e fez o mesmo. O bom disso tudo é que eu acabei me distraindo e esquecendo o que tinha acontecido lá em cima, por enquanto.
- , será que você pode levar a gente em casa? Estamos cansadas, não é, ? – falou, me abraçando e ainda rindo um pouco.
- Está bem, mas eu quero saber o motivo da graça. – Ele cruzou os braços, imitando uma criança birrenta.
- Não senhor, isso não é assunto pra você ouvir. – Eu disse e olhei novamente. Não conseguimos resistir e gargalhamos de novo, chegou a chorar como acontecia quando ela ria com vontade.
- Eu levo vocês, meninas. – falou, se levantando abraçado à Mary. – Nós estamos indo também, não é, amor? – Mary assentiu com a cabeça.
- Então tudo bem. – disse.
- Hey, , amor, posso dormir com você hoje, gatinho? – falou com o jeito mais gay que eu já o vi fazer. Todos sorrimos.
- Claro, princesa, eu estou sentindo falta mesmo de alguém na minha enorme cama de casal. – Ele disse, pegando o no colo e fingindo dar um beijo nele. Eca! Eles são bem convincentes quando querem.
- Eu vou embora também, não vou ficar aqui presenciando esse putaria. – disse, guiando a Rafa até a porta.
- Então tchau, meninos. – foi até o e o e os abraçou - o ela abraçou de um jeito que todo mundo percebeu, um jeito de casal apaixonado. O me encarou, esperando que eu não fosse me despedir dele. Claro que eu fui, senão ia ficar muito na cara.
- Tchau, , cuida bem do Tio , viu? E não abusa dele demais. – Eu disse, brincalhona e o sorriu a me ver indo em sua direção e o abraçando. Ele beijou minha testa, o que me fez corar levemente, já que todo o pessoal olhava pra gente; não pude deixar de sorrir e disser:
- Tchau, , boa noite. – Eu me soltei e ele sorriu. Cara, como eu amo esse sorriso.
- Tchau, pequena, bons sonhos. – Eu sorri e me virei, indo em direção à porta com o pessoal. Ele nos acompanhou até lá e se despediu do resto do povo. Antes de fechar a porta, ele me puxou pra mais um abraço, só que dessa vez ninguém estava olhando.
- Você vai me deixar explicar um dia desses? – Ele sussurrou no meu ouvido.
- Já falei que você não me deve explicações, . Esquece isso. – Eu disse e saí pela porta, mas ainda deu tempo de ouvi-lo dizer mais uma coisa, mesmo eu estando de costas.
- Eu devo sim, já que é com você que eu quero estar a partir de agora. – Virei-me rápido para ver se não havia sido loucura minha, mas a porta já havia se fechado.
- Vamos, amiga. – me gritou e eu apressei o passo para acompanhá-los.
- Você vai me contar tudo em casa, mocinha. – Ela me disse baixo para que só eu pudesse entender.
- Tá, mas só lá em casa, sua curiosa.
E assim o carro sumiu na curva, indo em direção à minha casa e se afastando do meu amor. Eu espero não estar ficando maluca.
Capítulo 4
’s Point Of View:
- , dude, eu preciso de ajuda! – eu disse após fechar a porta, indo em direção a , que se encontrava esparramado no meu sofá, terminando a caixa de pizza.
- Fala, dude, o que que é? – ele falou com a boca cheia de pizza, quase cuspindo um pedaço de queijo em mim.
- Que merda, dude, coloca a mão na boca antes de conversar com ela cheia de pizza caramba! – falei irritado, me desviando da baba do , enquanto ele ria da minha irritação. Ele adora me irritar; é um fato totalmente comprovado na minha vida.
- Tudo bem, cara, parei. Diz aí: o que está acontecendo?
- Cara, eu não sei mais o que fazer. Eu acho que me apaixonei pela .
- O quê, ? – ele me olhou assustado com a minha confissão.
- É, dude, e eu não sei o que fazer. Eu só conheço a há dois dias! – Coloquei minha cabeça entre as mãos e baguncei meu cabelo como sempre faço quando estou desesperado.
- Cara, você tem certeza? – ele me perguntou duvidoso.
- Tá, eu sei da minha fama, , mas é verdade, cara; eu não sei como aconteceu e você sabe muito bem como eu sempre fui louco pela Vivian. Até uns minutos antes de eu esbarrar na , eu estava me lembrando de como a Vivian me fazia ir ao shopping com ela pra comprar aquele tanto de besteiras típico dela. – ficou me encarado esperando que eu continuasse a história toda. - Mas foi só ver a pela primeira vez, . Meu coração já não se lembrou da Vivian, minha cabeça não pensava mais nela e sim na . Nos seus olhos simples e ao mesmo tempo hipnotizantes e profundos, no seu cheiro maravilhoso que me fazia ter sensações que nem eu sei explicar, na sua boca que me parece tão macia e é tão linda, a boca com a qual eu sonho desde então em beijar, a pele dela tão linda e cheirosa que quando toca em mim, eu praticamente perco a fala. Meu desejo é tê-la comigo , eu a quero do meu lado pra sempre, dude! – Fiquei sem ar por dizer tudo muito rápido.
- Cara, eu nunca te vi assim, . A está realmente mexendo com você! Mas diz aí, cara, qual é o problema em você se apaixonar pela ? – ele arqueou a sobrancelha.
- A Vivian, ! Hoje quando eu fiquei com a esperando ela fechar o apartamento, aconteceu uma coisa. Foi meio de repente, dude. Nós ficamos muito próximos, a centímetros um do outro, e o que eu mais queria naquele momento era beijá-la; só que quando eu me aproximei demais, ela se afastou, e nós descemos.
- Sério que ela se afastou, cara? Ela parece gostar de você. – falou sem acreditar.
- É, cara, e não foi só uma vez não, olha só: quando ela tava daquele jeito aqui na sala, depois que a conversou com ela, eu quis distraí-la e levei-a lá pro quartinho, onde eu escrevo as músicas.
- Ah! O quartinho que fica no seu quarto com as coisas das fãs. – ele me interrompeu se achando o gênio que descobriu a América.
- É, esse mesmo. A gente sentou nas cadeiras lá e eu toquei pra ela; ela estava muito feliz e eu estava também com isso, aí quando eu ia cantar a segunda música, eu disse pra ela escolher e ela escolheu Not Alone e eu dei uma condição pra eu cantar essa música... – Parei de contar, lembrando-me do ocorrido.
- Qual condição, safadinho? – ele disse com uma cara maliciosa. Não queria nem imaginar o que estava passando por aquela cabeça oca.
- Hey, dude, para de pensar besteira! O assunto é sério! – Falei um pouco irritado. Era minha vida em jogo ali... Ok, , não exagera!
- Calma aí, dude, eu to brincando, conta, vai! – Ele fez uma cara de criança, me arrancando um sorriso reto.
- Eu disse para ela cantar comigo, . Ela tem uma voz linda, cara, mas ela não admite isso. Ela não aceitou cantar comigo e eu pensei em fazer chantagem. – me olhou meio sem entender o que eu quis dizer. - Não me olha assim não, dude, escuta: ela se levantou da cadeira dizendo que não ia cantar e eu levantei também e disse que se ela não cantasse comigo não ia sair daquele quartinho. Eu tranquei a porta e fiquei com a chave.
- Cara, você é mal. – falou rindo da historia, eu dei um soco no braço dele pra ele parar de rir e escutei um “ai” abafado.
- Não parou aí não, cara. Ela cruzou os braços imitando uma criança birrenta e me disse para deixá-la sair. Eu me aproximei mais dela e fiquei a centímetros do corpo dela e disse que se ela não cantasse teria que passar a noite ali comigo.
- Opa! O que ela fez? – perguntou muito curioso.
- Ela ficou com raiva, é claro, só que eu já não estava pensando em mais nada, só no fato de que ela estava ali pertinho de mim e ninguém podia incomodar a gente naquele momento. Então, eu a peguei pela cintura e disse no ouvido dela pra que ela dissesse que não iria cantar. Eu beijei a orelha dela e desci até sua nuca beijando ali também...
- Hey, não precisa me contar esses detalhes não, cara. – falou com cara de nojo.
- Não, , escuta que você vai entender. Ela falou que não conseguiria cantar com eu a deixando daquele jeito. Depois que ela disse isso eu me aproximei mais, no intuito de beijá-la, . Só que ela me lembrou de uma coisa...
- O quê?
- Ela disse que não era certo, que eu tinha namorada. – Falei, abaixando a cabeça e balançando negativamente lembrando-me das palavras da .
- Cara, a é especial. Nenhuma garota que você já tentou ficar te deu um fora ou lembrou que você tinha namorada em toda a sua vida! Ela é impressionante. – falou impressionado.
- Eu sei que ela é, cara, mas eu não sei se consigo aguentar muito tempo longe dela. – Voltei a colocar as mãos no rosto.
- Então fala com a Vivian.
- Não é tão simples. Você sabe que a gente combinou nenhum contato até ela voltar e falta ainda uma semana pra isso acontecer.
- Você não devia ter escutado-a. Se você tivesse terminado com ela aquele dia, estaria com a agora.
- Eu sei disso. O que é que eu faço agora?
- Agora, você respeita a decisão da . Se ela não quer que você traia a Vivian com ela, não a force a isso. Ela não é como as garotas que a gente conheceu, . Você tem que se lembrar disso. – o pareceu até... Que palavra usar? Normal! Acho que é isso, com ele filosofando desse jeito.
- É, eu sei. Mas eu tenho mesmo é que me controlar. Ficar perto da é quase um imã pro corpo dela, pra boca dela, cara.
- Cara, meu amigo está apaixonado pela brasileira que conheceu no shopping há dois dias. Santa esbarrada, hein? – ele disse irônico.
- Ah, como se você também não agradecesse por isso, não é, ? – Revanche!
- Por quê? – ele ficou nervoso com a declaração, agora eu o peguei!
- Você está apaixonado pela . Eu te conheço, dude, confessa!
- Eu... Eu... É, acho que sim! Mas você não vai contar nada, não é? – ele fez uma cara de cachorro sem dono. Deu até vontade de rir.
- Claro que não, . Você que vai fazer isso! E ela também parece gostar muito de você. – ele sorriu igual um menino. Acho que estava lembrando-se da nesse momento.
- É, eu vou dizer no momento certo.
- Isso aí! Agora vamos dormir, porque a gente tem que ensaiar amanhã.
- Ok. Boa noite, dude. – ele disse, levantando-se em direção à escada.
- Boa noite, dude. Vou fechar a casa aqui e você nada de ir pra minha cama! Vai pro outro quarto.
- Ai, amor, isso tudo por causa daquela bruaca? – ele fez a cara de gay como de costume e começou a subir as escadas gargalhando alto.
- É, eu te troquei por ela, e ela não é bruaca! – Falei também, rindo alto.
Aquele dia foi cheio. End of 's Point Of View. Dias depois...
A semana passou normalmente. Os meninos ensaiavam e cuidavam dos negócios da banda pela manha e à tarde. À noite, nós nos encontrávamos, sempre revezando entre a casa do ), , e . Hoje, sexta-feira, o encontro é aqui em casa, já que eu vou fazer o jantar que eu prometi e o vai me dar os CDs e DVDs como ele me deve.
- Amiga, liga o forno pra mim. – eu disse para a enquanto terminava de formar a Lasanha Brasileira.
- Pronto, está ligado. Mais alguma coisa, flor? – disse me vendo acabar a lasanha e tampá-la com papel alumínio.
- Não, amiga, pode ir se arrumar. Eu só vou terminar o arroz aqui e vou também. – eu disse, colocando a lasanha no forno.
- Eu não vejo a hora dessa lasanha ficar pronta! Eu esperei o dia inteiro por isso e minha barriga já está roncando. – ela disse, levando as mãos a barriga.
- Calma, , ela fica pronta em meia hora. É o tempo de a gente se arrumar e dos meninos chegarem.
- Tá, eu vou lá. – ela disse apontando para o quarto dela enquanto eu voltava minha atenção para o arroz. Eu queria que tudo saísse perfeito já que a fez a maior propaganda da minha comida; não quero decepcionar.
Deixei o arroz pronto e fui até o meu quarto para me arrumar. Já tinha tomado banho antes de começar a fazer a comida, porque eu sabia que teria pouco tempo para me arrumar antes que os meninos chegassem. Coloquei uma roupa simples, mas ao mesmo tempo linda e provocante. Ok, não tão provocante, mas estava perfeito! Uma blusa bem justa vermelha com um colete preto por cima, uma calça jeans preta e uma rasteirinha vermelha com um coração de strass na lateral. Fiz uma maquiagem leve que realçava meus olhos e fui para a cozinha. Dois minutos depois, a campainha tocou.
- , vai abrir a porta, eu estou ocupada agora. – Falei enquanto dava uma olhada na lasanha e terminava de ajeitar a mesa.
- Estou indo. – ela disse para quem quer que estivesse na porta. Como se eu não soubesse.
- Ei, . Como você está? – Escutei o perguntar para ela.
- Eu estou bem, e você?
- Bem também. – Ficou um clima no ar. Até eu que estava de longe pude perceber.
- Ei também, . – disse o , o e o ) juntos. Eu ri baixo.
- Ah, oi meninos. Tudo bem? – ela falou sem jeito enquanto sorria envergonhado.
- É, tudo bem com a gente. – ) disse.
- Hum, que cheiro bom é esse, meu Deus? – falou sentindo o aroma da lasanha que eu estava tirando do forno nesse momento.
- É mesmo... – disse, também aparentava estar apurando o olfato.
- É a comida da , ? – ) perguntou e os meninos olharam para ela curiosos enquanto eu ria baixo na cozinha com a reação deles.
- É claro! Ela não disse que ia fazer o jantar hoje como prometeu? – ela falou como se fosse óbvio e eu ri um pouco alto porque era óbvio!
- Do que você está rindo, mocinha? – eu ouvi dizer enquanto andava na minha direção e os outros o seguiam.
- De vocês, é claro! O que vocês pensaram? Que eu não iria cozinhar? – eu disse colocando o arroz na mesa.
- Bom... – ) começou só que o interrompeu.
- Nós achamos que você ia compra a comida no supermercado, só o acreditou que você iria cozinhar.
- Cara, que imaginação de vocês. As mulheres daqui não cozinham não? – perguntou abismada enquanto eu caia na gargalhada.
- Na verdade, nós não conhecemos nenhuma da sua idade que cozinha. – disse.
- Nenhuma garota de dezenove anos cozinha em Londres? – eu perguntei surpresa.
- Que a gente conheça, não, , e não é em Londres, é na Inglaterra. – falou sentando-se à mesa.
- Own! Bom, então agora existe uma garota de dezenove anos que cozinha na Inglaterra! – eu falei triunfante.
- Ei, , vamos acabar com a conversa que eu estou com muita fome, amiga! – disse, sentando-se ao lado de que já estava sentado.
- Ok! Meninos, podem se sentar, já que os desesperados já estão sentados. – eu disse apontando para o e a que me olharam fazendo uma careta.
- Você tem só dezenove anos? – me perguntou baixo enquanto eu ia até a mármore ao lado da pia pegar a lasanha.
- É. Você achou que eu tinha quantos anos? – Não o olhei, continuei encarando a travessa na minha frente.
- Achei que você tinha uns vinte e três. – ele disse sorrindo. Como é que eu vou conseguir esquecer esse amor vendo esse sorriso lindo quase todos os dias? Vai ser difícil demais...
- Vai se sentar que eu vou servir a lasanha. - eu sorri para ele e apontei a mesa.
- Ok, pequena. – Eu amo quando ele me chama assim, é tão... Fofinho.
- Comida, comida! – o pessoal começou a gritar enquanto eu carregava a lasanha até a mesa.
- E o primeiro pedaço vai para... – eu brinquei enquanto eles me olhavam curiosos. - Para o , lógico. Desculpa, amiga, mas eu apostei com ele! – eu respondi a cara de decepção que fez. Sorri ao ver a cara de contente do e ao vê-lo balançando a cabeça em sinal de concordância.
- Você vai ter que ensinar a Mary. – falou comendo outro pedaço enquanto eu colocava a outra lasanha para assar.
- Se ela quiser, eu ensino sim, . Se ela não quiser eu faço pra você uma vez no mês, ok? – Falei, voltando a me sentar a mesa, do lado do .
- Eba. – disse satisfeito.
- Eu também vou querer que você ensine a Rafa. – disse pegando o último pedaço que sobrara dessa travessa.
- Eu vou fazer um curso de “como fazer uma lasanha” para as meninas. – eu disse sarcástica. sorriu.
- Você vai fazer um curso de “como cozinhar para os namorados”, isso sim! – disse vendo os meninos balançarem a cabeça concordando. Eu, e a caímos na risada.
Nós comemos a outra travessa de lasanha e depois fizemos um mutirão na cozinha: eu ensaboava, lavava, e secavam e a e o guardavam.
Foi uma loucura. O deixou um copo cair que, por muito milagre, não quebrou; molhou todo mundo e escorregou e caiu, já que o chão estava molhado. deu um soco no e acabou caindo também e puxando a . Logo estava todo mundo no chão da cozinha, ensopados e doloridos com as quedas, mas estávamos todos felizes rindo até fazer a barriga doer. Eu percebi, então, que esse era o meu lugar, por mais que eu sentisse falta da minha família, da e da . Essa agora era a vida que eu sempre quis ter e é ela que eu quero ter para o resto da vida, ao lado dos meninos e da .
Depois de limparmos a bagunça da cozinha, todo mundo se sentou à mesa da cozinha para descansar enquanto eu ia até a geladeira pegar a sobremesa.
- Surpresa! – eu disse colocando duas tigelas em cima da mesa.
- Eba! Eu tinha esquecido a sobremesa, ! – falou já pegando um pratinho.
- Tem até sobremesa? Cara, ela é prendada. – disse e piscou para o , coisa que eu percebi, mas fingi não ver.
- Obrigada, . Quem casar comigo pelo menos não vai morrer de fome! – eu disse brincando e todo mundo riu. riu olhando para mesa; pareceu-me que ele tinha gostado do meu comentário.
- DUDES! – gritou, assustando todo mundo. - Vamos jogar verdade ou consequência? – ele perguntou, olhando todo todos, e depois enfiando uma colherada enorme de pudim na boca.
- , você é viciado nisso, cara. – falou apontando para o , que deu de ombros.
- É verdade, e você inventa isso sempre que a gente conhece alguém diferente tipo a e . – falou balançando a cabeça negativamente como se lembrasse de outras experiências.
- Vai ser legal, gente. Nós vamos conhecer um pouco mais das meninas. – Eu e nos olhamos. O que será que ele queria saber? Não estava gostando disso.
- Ah, gente, vamos jogar isso logo! Vocês sabem que o não vai sossegar até jogar isso. – falou para o e o , que balançaram a cabeça positivamente.
- Eba! Onde tem uma garrafa aqui, meninas? – perguntou para mim e para a , já de pé.
- Na pia ali, , tem uma garrafa de refrigerante. – eu disse apontando na direção da garrafa.
- Então, quem começa? – ele perguntou todo empolgado com a brincadeira enquanto colocava a garrafa no meio da mesa. – Que tal você, ? Aí nós vamos na ordem da mesa: , , , Eu, e a . – ele disse antes que alguém pudesse responder a pergunta dele.
- Ok, sua criança feliz! – disse rodando a garrafa.
O suspense estava no ar para saber quem iria ser o primeiro a responder. Aos poucos a garrafa foi parando e quando eu vi quem seria a primeira pessoa? Eu, para variar! Que sorte a minha, ainda mais que era o Sr. empolgadinho que iria perguntar para mim. Ele abriu um largo sorriso como se esse fosse o seu maior objetivo naquele jogo: perguntar-me algo que, eu com certeza, não iria gostar de responder.
- Então eu pergunto pra ... Interessante... – ele falou com uma cara maliciosa. Ok, o estava me assustando assim.
- Pergunta logo, ! – eu falei angustiada.
- Ok. , com quem do McFly você namoraria? - Ah! Então é isso! Ele queria me encurralar.
- Bom... Nenhum dos McFlys! O , o e o , têm namoradas, então só sobra você, mas você já está predestinado a outra pessoa. Sendo assim, não namoraria nenhum de vocês! – eu respondi sorrindo por ter achado uma resposta que não me comprometesse e que, ainda assim, deixasse o nervoso e contra a parede.
- E desconsiderando as namoradas? – perguntou e todos me encararam curiosos. O me parecia o mais curioso de todos. Claro que eu não vou dar esse gostinho para o .
- Essa já é outra pergunta, . , roda a garrafa agora. – eu falei vitoriosa e o não podia reclamar. Eu estava certa!
A garrafa parou no e ele perguntava para a , uma pergunta simples que ela respondeu normalmente. A tensão ainda estava no ar, o me encarava esperando que a bendita garrafa que a rodou parasse nele de novo. Só que não parou, era o fazendo uma pergunta nojenta pro .
Depois da pergunta resolvida, era a vez do rodar a garrafa. Se não me engano ele parecia implorar para a garrafa parar nele de novo, ou então, eu estava ficando doida. A garrafa foi parando devagar e, a cada volta que ela dava na mesa, deixava mais suspense em todos.
Ela parou para que eu respondesse de novo, só que dessa vez não era o que iria perguntar, era o . Eu o encarei profundamente esperando que ele fizesse uma pergunta fácil de responder. Já ele, me encarava como se estivesse resolvendo se faria mesmo a pergunta que estava em sua cabeça; a pergunta que eu implorava pra que ele não fizesse. Mas como nada é simples na vida de ...
- Desconsiderando as namoradas, , com quem você namoraria? – ele perguntou olhando fixamente nos meus olhos e eu retribui o olhar dele com o meu cheio de raiva pela pergunta que ele fez. Acho que ele percebeu e abaixou o olhar com vergonha ou como um pedido de desculpas. O pessoal, pelo contrário, estavam absurdamente curiosos com a minha resposta, e sorria disfarçadamente enquanto a me encarava quase que dizendo para eu mentir. Bom, era só um jogo e eu não sou de mentir a toa.
- Responde, . – disse já impaciente com a demora. Eu o fuzilei com o olhar já que tudo aquilo era culpa dele e ele ainda queria colocar mais lenha na fogueira! Eu vou me vingar, ele que me aguarde!
- Ok. – eu disse passando as mãos pelo rosto. logo voltou a me encarar esperando a resposta.
- Você, . – eu disse olhando fixamente naqueles olhos . Ouvi alguns gritinhos do tipo: “Huhu!”, “Uau!” e “Deveria ser eu!”. Sarcasticamente, é claro. abriu um sorrisinho de contentamento.
- Eu já sabia, só queria confirmar. – eu o olhei incrédula. Todo mundo se calou na mesa e a levou as mãos a boca. Uma fúria enorme se apossou de mim. Eu queria avançar nele e dizer o tanto que ele era um idiota! Um completo ridículo que se acha demais! Só que eu controlei um pouco minha fúria, mas eu não iria deixar aquilo barato não.
- Você já sabia? Então por que você perguntou, idiota? Valeu viu, , pela bela brincadeira! – eu disse ironicamente enquanto me levantava e me dirigia ao corredor que dava acesso ao meu quarto. Todos me olharam sair enquanto eu xingava todos os palavrões possíveis em português. Só a entendeu o que eu estava falando e por isso ela sorriu. Os meninos a olharam sem entender e eu consegui escutar algo do tipo:
- O que ela está dizendo? – perguntou para a , que continuava a sorrir.
- Cara, ela está te xingando de tudo quanto é nome em português! Acho até que ela já usou todos os palavrões existentes! – ela falou não contendo a gargalhada, que me fez sorrir um pouco. Eu escutava tudo de dentro do quarto.
- O que você estava pensando, dude? Falando uma coisa daquelas? – perguntou, me parecendo sem acreditar.
- É mesmo, . Você vacilou, cara! Você imaginou o tanto que deve ter sido constrangedor pra ela? E você ainda brinca com isso! – falou com um toque de raiva na voz.
É por isso que eu sentia que o era meu melhor amigo ali. Ele me defendia sempre e me dizia que ia me proteger de todos que tentassem fazer algum mal pra mim. Ele e a formavam a dupla dos defensores de .
- Eu vou pedir desculpas para ela. – disse isso e eu escutei o barulho da cadeira sendo arrastada. Ajeitei-me na cama e coloquei meu iPod no ouvido, fingindo não ter escutado nada da conversa e não saber que ele estava indo até lá.
Ele bateu na porta e eu continuei fingindo não ouvir. Eu o vi a abrindo devagar. Enquanto olhava pela beirada da porta, eu continuei fingindo não perceber enquanto mexia no notebook que estava em cima das minhas pernas.
Aos poucos ele foi andando em minha direção, analisando o que eu estava fazendo até que eu resolvi encará-lo. Ele parou no mesmo instante em que nossos olhos se cruzaram e me observou enquanto eu lentamente tirava os fones de ouvido.
- Sai do meu quarto, ! –eu falei duramente voltando minhas atenções para o notebook. Ele começou a se aproximar até parar no meu lado da cama, me obrigando a encará-lo de novo com um olhar que até eu teria medo de ver no espelho. Eu sou muito boa nisso às vezes.
- Além de idiota, é surdo? Já falei para você sair! – eu praticamente gritei e ele puxou o notebook do meu colo e o levou até a raque. Eu levantei num salto e fui pegar meu notebook, só que ele me segurou e me impediu de avançar. Ele estava muito próximo de mim com os braços parecendo uma corrente. Apenas naquele momento que eu percebi o quanto ele era forte e... Para com isso, ! Ele é um idiota, não esquece.
Eu encarei os olhos dele com fúria e depois tentei me soltar. Ele não me deixou sair. Pelo contrário, me apertou mais até que nossos rostos ficaram tão próximos que eu podia sentir a respiração dele ficar mais acelerada à medida que ele analisava cada centímetro do meu rosto, passando pela minha boca e parando nos meus olhos. Eu podia sentir minha respiração falhar quando ele roçou seu nariz no meu, me provocando uma onda intensa de desejo. Eu o desejava, isso era fato, mas nada iria mudar as situações em que nós estávamos: ele namorava e eu estava sendo a outra nessa questão. Resolvi parar com essa palhaçada.
- Me larga, ! Agora! – eu disse séria, mas minha voz saiu como um sussurro diminuindo a intensidade da fúria que eu sentia.
- , por que você faz isso comigo? – ele me olhou com os olhos marejados e, aos poucos, ele foi desprendendo os braços, passando as mãos pelos meus braços, subindo até os ombros, alisando a minha nuca, me fazendo arrepiar e fechar os olhos automaticamente. Ele parou as mãos sobre minhas bochechas, alisando-as levemente, demonstrando carinho e lentamente encostou sua testa na minha, respirando fracamente, como se precisasse daquele momento como um peixe precisa de água.
- Eu não posso, ... – eu falei abrindo os olhos e vendo-o beijar minha testa com força e em seguida, me puxar para um abraço apertado, como se fôssemos um casal que estava se separando por nenhum motivo.
- Pequena... Eu queria que você soubesse... – ele hesitou por um momento parando para me olhar. Eu não queria aquilo! Ele sabia que essa situação é toda culpa dele. - Desculpa pelo que eu disse, . Eu estava brincando e não achei que iria te deixar chateada. Eu nunca diria nada se soubesse! – ele me olhou sinceramente e eu levei minha mão ao rosto dele sem perceber. Ele fechou os olhos ao meu toque e sorriu quando eu comecei a passar meus dedos em sua bochecha.
- Tudo bem, eu perdôo você. Vamos voltar a jogar? – eu perguntei me afastando dele, já que eu sabia que mais um segundo ali e eu não iria mais aguentar o amor e o desejo que eu sentia naquele momento, tão próxima dele.
- Você quer jogar ainda? – ele arqueou as sobrancelhas.
- Claro! Tenho uma coisinha pra resolver. – Pisquei um olho para ele que sorriu, compreendendo.
Deixamos o quarto e fomos ao encontro do pessoal que ainda estava em volta da mesa, bem curiosos com o que estava acontecendo no lugar ao lado.
- De quem é a vez agora? – eu perguntei para eles, que se assustaram ao me ver querendo jogar.
- Eu acho que é a minha vez. – disse enquanto eu e o sentávamos nos nossos respectivos lugares.
- Não! É a vez do . – falou.
- Então me dá a garrafa que eu vou rodar. – disse já sabendo que eu estava louca para me vingar do e ele, claro, queria ver isso de camarote!
voltou a se sentar meio indeciso e todos ficaram apreensivos à medida que a garrafa rodava. parecia rezar para que a garrafa não parasse em mim, e eu rezava para que ela parasse. Ironia ou não, ela parou para que eu perguntasse para o . Levantei meus olhos para encará-lo enquanto via um sorrindo disfarçadamente.
- Então, eu pergunto para o ... Interessante... – eu falei super irônica enquanto me fazia uma careta e gargalhava alto.
- , amor, o que você sente pela minha amiga ? E não pode mentir, hein? – eu perguntei gargalhando. me olhava furiosa. Eu disse um “Me desculpe” baixo para que ela ouvisse e voltei a encarar , que estava com as mãos no rosto.
- Anda logo, , responde cara! – falou ainda rindo da cara do amigo.
- Ah, tá bom! – disse meio irritado com aquilo tudo e, depois de coçar a cabeça, ele me encarou. - Eu... Eu... Eu gosto dela! Pronto, falei! – ele disse, batendo as mãos na mesa e se encolhendo na cadeira, evitando o olhar da , que estava impressionada.
- Uau. Esse jogo está sendo mais interessante do que eu imaginei. – falou e eu me levantei para rodar a garrafa.
A garrafa parou em mim para que eu fizesse uma pergunta para o . Eu perguntei quando que ele ia casar com a Mary e ele respondeu que por ele, eles já teriam casado, mas ela queria terminar a faculdade, que acaba no fim do ano. Depois da resposta, voltou a ser a vez do de rodar. A garrafa parou para que o perguntasse para .
- , o que você sente pelo meu amigo ? – Meu Deus, eu não acredito que o perguntou isso! A estava em choque e estava de boca aberta, juntamente com o , o e eu.
- Fala, amiga. – Eu incentivei, já que eu vi que a estava em transe e não ia responder tão cedo. Ela olhou para o de relance e, quando ele a encarou, ela virou o rosto rapidamente voltando sua atenção para as suas mãos em cima da mesa.
- Eu acho que gosto dele. – ela respondeu quase que em um sussurro, e eu vi o enorme sorriso do ao ouvir isso. A levantou os olhos e encontrou com os dele. Automaticamente ela sorriu.
Ficamos ainda na mesa, mas decidimos parar de jogar. Eu, o , a e o tivemos que aguentar e nos zuando por causa das declarações que aconteceram na noite e fez o jurar que nunca mais ele deixaria de fazer aquela brincadeira. Estava tudo indo muito bem até eu escutar um som nada estranho.
? She walked in and said she didn't wanna know? Anymore? Before I could ask why she was gone out the door
?I didn't know, what I did wrong
?But now I just can't move on
?
Eu encarei a no mesmo segundo e ela percebeu o que estava acontecendo. Os meninos ficaram felizes ao ver meu celular tocar a música deles, mas o percebeu que a minha expressão não era boa.
- Amiga, você vai atender? – disse depois de se levantar e pegar meu celular, que tocava incessantemente na bancada da cozinha.
- Você sabe que eu não quero falar com ele, . – eu respondi baixo, mas os meninos estavam prestando muita atenção ao que nós conversávamos. me encarou rapidamente depois de eu dizer a palavra “ele”.
- Eu posso atender, amiga, e o mandar ir a merda. Ele te liga a todo segundo e até hoje você não atendeu uma ligação. Eu já teria xingado esse desgraçado e...
- Calma, amiga, só atende e vê o que ele quer. Não fala mal de cara não, já que ele não merece nem isso da gente. – eu disse já com as mãos no rosto, a vontade de chorar vindo.
? Since she left me
?She told me
?Don't worry? You'll be ok you don't need me ? Believe me you'll be fine? Then I knew what she meant
?And it's not what she said
?Now I can't believe that she's gone
??
- Quem é, ? – me perguntou preocupado já me abraçando enquanto eu continuava com as mãos no rosto. Não consegui responder.
- O que você quer? – atendeu ao telefone e todos na cozinha ficaram em silencio para escutar. Eu tirei as mãos do rosto e me virei para olhá-la.
- Não, é a . – Ela respondeu para o telefone.
ficou muda por um momento, escutando o telefone. De repente, o rosto dela mudou para um pálido, e ninguém sabia o que ela estava escutando, mas não era nada bom. Ela disse algo do tipo: “Como?” e “Meu Deus” em português.
Os meninos não entendiam nada.
- Amiga, é melhor você atender. – ela me disse me entregando o telefone com uma cara nada legal. Eu me levantei e peguei o telefone com a mão tremendo. Eu não sabia o que era, mas meu coração me dizia que isso me deixaria bem abalada.
- Oi? – Eu falei como um sussurro saindo da cozinha e indo para a sala.
's Point Of View:
- Eu vou lá. – disse depois de escutar a chorar na sala.
- Não, , fica aqui, é melhor. – eu disse tentando parecer calma. Coisa que eu não estava.
- Mas, , ela está chorando! Com quem ela está falando no telefone? O que estão conversando? – já estava desesperado e levantou para abraçá-lo e fazê-lo se acalmar.
- , ela está conversando com o ex-namorado dela. Mas o que é você vai perguntar para ela. Se ela quiser eu conto! – eu falei me levantando já que eu ouvi a dizer “Tchau” no telefone. Fui até a sala e me sentei ao lado dela no sofá. Vi os meninos virem logo em seguida. Todos se sentaram, esperando que a parasse de chorar e se acalmasse, enquanto eu a abraçava, sabendo que nada que eu fizesse ia mudar o que ela estava sentindo.
- Eu... Vou... Sair. – ela disse em meio a soluços e se levantou indo correndo até o quarto, voltando depois com um casaco e suas chaves. Eu não queria deixá-la ir, mas ela precisava de um tempo.
- Amiga, os meninos estão querendo saber por que você está assim. – eu falei quase como uma pergunta para saber se eu podia contar.
- Conta pra eles, amiga. Pode contar desde o começo. – ela disse e, em seguida, bateu a porta do apartamento.
- Como assim desde o começo? – perguntou já se sentando ao meu lado.
- É uma longa história meninos, por isso prestem atenção.
Eu contei tudo o que tinha acontecid,o desde a decisão de vir para a Inglaterra, até a parte em que a viu o pela última vez.
- Esse desgraçado... – se contorcia de raiva, ainda sem acreditar pelo que a havia passado antes da vinda para Londres.
- Mas por que você deu o telefone pra ela atender hoje, já que ela estava ignorando ele? – perguntou já preocupado com a notícia que tinha abalado a .
- me contou que precisava dizer pra que a irmã dele estava em coma no hospital. Elas eram muito amigas e a teve muita força da Mariane na época em que ela terminou com o . Elas tinham uma relação de muita amizade e essa notícia eu não podia deixar a ficar sem saber.
- Como ela entrou em coma? – perguntou curioso.
- É isso que abalou mais a , meninos, ela foi atropelada! Um carro desgovernado invadiu a calçada e pegou em cheio a Mariane, que está muito machucada e desacordada desde então.
- Eu tenho que ir atrás da ! Está muito tarde e ela ainda não voltou! – falou já levantando e pegando a chave do carro.
- Calma, dude, nós vamos com você! – falou se levantando também.
- Não! Vocês ficam aqui caso ela volte. Eu vou aos lugares que ela costuma ir.
- Tá bem, , mas liga qualquer coisa! – eu pedi, acompanhando-o até a porta.
- Ok. – ele disse e saiu, ficamos todos muito concentrados. Era muita informação para uma noite só!
End of 's Point Of View.
's Point Of View:
- Onde ela deve estar? – Eu procurava perto do apartamento, para ver se ela estava lá. Achei melhor ligar para o celular dela, talvez ela atendesse.
? The world would be a lonely place
?Without the one that puts a smile on your face
?So hold me 'til the sun burns out? I won't be lonely when I'm down
?
- Essa música não está tocando tão longe assim.
Olhei para os lados procurando por ela. Não demorei a avistá-la. Deitada no banco da pracinha, olhando no visor do celular. Acho que estava resolvendo se ia atender ou não. Aproximei-me depressa ao vê-la chorar ainda mais.
Eu queria abraçá-la, reconfortá-la, dizer que eu sempre estarei ali com ela.
? 'Cause I've got you
?To make me feel stronger? When the days are rough? And an hour seems much longer
?
Eu apenas me aproximei dela sem dizer uma palavra. Eu sabia que ela não queria ouvir nada e eu não queria vê-la chorar mais. Levantei sua cabeça para que eu pudesse fazê-la deitar no meu colo. Ela não me impediu, apenas fechou os olhos chorando ainda mais. Aos poucos, seu choro foi cessando enquanto eu fazia carinho em sua cabeça, em seu cabelo, pouco a pouco, secando suas lágrimas.
Ela se levantou depois de um tempo, sentando ao meu lado e encostando a cabeça em meu ombro. Eu beijei sua testa com força.
- Essa tempestade vai passar. – sussurrei.
Ela somente concordou com a cabeça e eu passei meu braço sobre o seu ombro.
Estava fazendo frio. Eu achei melhor levá-la para casa.
- Vamos, . A está preocupada com você. – eu disse colocando minhas mãos no rosto dela. Queria ver seus olhos, queria enxugar suas lágrimas e não vê-la mais chorar.
- Tudo bem. – Ela me olhou e deu um pequeno sorriso. Fiquei feliz e sorri também.
Nós andamos abraçados até a entrada do prédio. Eu dei uma desculpa de que estava frio e ela não contestou, apenas passou o braço em minha cintura e andou. Eu sabia que aquele não era o momento, mas eu estava muito feliz por ela estar assim do meu lado, e mais ainda por ela me deixar ficar ao lado dela. É impressionante como em tão pouco tempo eu posso ter me apaixonado por ela dessa maneira. Não eu, , que sempre foi de curtir com as mulheres, não de se apaixonar. Nem pela Vivian eu senti o que eu sentia pela .
End of 's Point Of View.
- Amiga, tudo bem? – veio correndo até mim, depois que eu e o entramos em casa.
- Tudo. Eu só quero ir pro meu quarto, tá?
- Ok. Boa noite, amiga. – Ela me pareceu preocupada.
- Boa noite. Tchau, meninos. – eu disse para , e o , que ainda estavam em casa, provavelmente me esperando.
- Boa noite, . – disseram todos, e eu me encaminhei ao meu quarto.
Eu só percebi que o estava do meu lado quando eu sentei na cama e ele ficou me olhando da porta, esperando um convite, talvez.
- Você está bem mesmo? – Ele me pareceu preocupado e eu não consegui prender mais o choro que tinha acumulado de novo na minha garganta, então coloquei minha cabeça entre as pernas e voltei a chorar. Eu não sei se ele correu, eu só sei que em um segundo ele já estava me abraçando na cama.
Ficamos abraçados por alguns longos segundos e, depois de eu me acalmar, ele me fez levantar o rosto. Ele limpou minhas lágrimas enquanto me encarava; não com olhar de pena e sim com olhar de preocupação. Ele puxou a coberta da cama e me cobriu, me fazendo deitar nos travesseiros que ele ajeitava para mim. Eu fechei meus olhos automaticamente. Estava exausta e só naquele momento que percebi isso. me deu um beijo na testa e se levantou da cama, me fazendo levantar também.
- Você vai embora? – Por que eu estou perguntando isso mesmo? Ah! É porque sem ele aqui eu vou voltar a chorar igual uma condenada e vou acabar não dormindo. Mas por que toda essa necessidade? Sinceramente, consciência, eu não sei. Fica quieta, vai!
- Você quer que eu fique? – Ele abriu um meio sorriso quando eu fiz que sim com a cabeça. Lentamente ele se sentou ao meu lado na cama e fez sinal para que eu deitasse novamente.
- Pode deitar também, eu não mordo. – Olha só, até brincadeirinha eu estou fazendo! Definitivamente ele me faz bem.
- Ok. Se é isso que você quer, mas a questão da mordida eu não tenho medo não! – Não pude segurar o riso e ele sorriu também ao mesmo tempo em que tirava o tênis e deitava do meu lado.
Ficamos em silêncio por longos segundos e, aos poucos, ele foi passando o braço em mim, me puxando para um abraço que eu não recusei. Eu precisava daquilo. Eu precisava dele comigo ali, naquele momento tão difícil!
Quando nos desfizemos do abraço, ele continuou com o seu braço nos meus ombros e eu me aninhei em seu peito, passando o braço por sua cintura. Eu o vi sorrir de lado ao sentir o meu toque e fingi não ter visto. Ele começou a fazer carinho em minha cabeça, nos meus cabelos. Mal sabia ele que isso me fazia dormir super rápido.
Aos poucos, meus olhos foram se fechando.
- Hey, pequena, dorme com Deus e sonha com os anjos. – Foi um sussurro que me fez sorrir de leve.
- Não vai embora não. Pelo menos não até eu dormir. – eu disse sussurrando também, apertando um pouco mais o corpo dele contra o meu.
- Eu não vou.
- Promete?
- Prometo! Eu nunca vou deixar você. – eu sorri, já sentindo o sono ficar mais forte.
- Que bom. Boa noite, . – suspirei.
- Boa noite minha pequena. – Sua pequena é basicamente como eu me senti naquele momento. Pena que não poderia dizer o mesmo, já que você não podia ser meu.
Ele me apertou contra seu corpo, mostrando que ele estava ali, me fazendo sentir que ele sempre estaria.
's Point Of View:
Ela parecia um anjo enquanto dormia e eu estava tão feliz por ela me querer perto dela, por ela me deixar presenciar esse momento tão belo. Dormindo, ela parece estar em um lugar mais tranquilo, longe de todos esses problemas da noite. E que problemas! Um namorado idiota que a fez sofrer tanto e que perseguia ela até quando ela estava a 8696 km de distância e com quatro horas de diferença! Se eu estivesse lá quando isso aconteceu... Eu teria quebrado a cara desse ridículo! Ainda bem que ela está aqui, longe desse cretino!
Decidi cantar Not Alone para ela dormir, talvez ela ainda me escutasse.
- , minha linda, eu disse que cantaria Not Alone pra você aquele dia, mas eu acabei não cantando. Então, eu vou cantar agora, pequena, para você dormir. – disse bem baixinho para não acordá-la.
? Life is getting harder day by day? And I, I don't know what to do what to say, yeah
?And my mind is growing weak every step I take? It's uncontrolable now they think I'm fake Yeah
??'Cause I'm not alone (no, no, no) ? But I'm not alone (no, no, no)
?I'm not alone And I, I get on the train on my own...
?
- Posso entrar? – Eu escutei dizer baixo perto da porta.
- Claro, . – sussurrei.
- Ela está melhor mesmo? – Ela sentou-se na beirada da cama.
- Na verdade, foi só entrar no quarto que ela começou a chorar de novo, mas eu a acalmei e a fiz dormir. – expliquei.
- É, estou vendo, ela está dormindo com uma carinha bem melhor! – ela disse irônica e eu olhei para novamente, a vendo suspirar fundo.
- Me diz, , você gosta da minha amiga?
- Eu... – Continuei olhando para , analisando suas feições. Com toda certeza eu gostava dela.
- Você? – me acordou dos meus pensamentos me fazendo encará-la.
- Eu amo ela, . Tenho certeza disso, só que a minha vida está mais complicada do que parece! Eu não posso ficar com ela agora por mais que eu queira. – Me abri com a . Ela precisava saber que meu sentimento pela não era mentira.
- Eu não consigo entender. Você tentou beijar a já duas vezes e agora vem com essa história, ? Se ela não tivesse a cabeça no lugar, você já teria traído a sua namoradinha. – Ela estava certa. Eu tinha que resolver isso, porque eu iria acabar fazendo uma burrada!
- Eu sei, , mas eu vou resolver isso o mais rápido possível! Sério.
- É bom mesmo, porque se você fizer a minha amiga sofrer, , você vai estar ferrado comigo. Pode ter certeza disso! Não é porque você é do McFly que eu não vá te matar! – ela me disse séria e depois sorriu. Acho que de ver minha cara de espanto.
- Ok! Agora acho melhor eu ir, ela já está dormindo mesmo. – disse tentando me soltar do abraço da , que ainda dormia tranquilamente em meu peito.
Eu imagino a minha cara de espanto quando a me abraçou ainda mais forte só por eu ter tentado me mover e tirar o braço dela de cima de mim. A riu de leve e eu a acompanhei, voltando para o meu lugar.
- Acho que ela não quer que você vá. – ela disse sarcástica.
- Eu não queria ir mesmo! – Dei de ombros e depois sorri, controlando a gargalhada que se formava na minha garganta.
- É, eu sei! – disse abafando uma risada alta.
- O que eu faço agora?
- Ah! Dorme aí com ela ou então espera mais um tempo e tenta sair de novo. – Ela disse simplesmente. Eu, claro, adorei a ideia.
- Ok. Vou tentar mais tarde. – disse olhando para novamente e passando minha mão pelos seus cabelos.
- Eu vou dormir então. Boa noite, . – Ela bocejou e me deu um beijo no rosto saindo pela porta e fechando a mesma em seguida.
Como eu me sinto bem perto dela! É impressionante como só a presença dela me faz feliz. Beijei sua testa de leve, me aconchegando melhor nos travesseiros, ficando agora completamente deitado. se aproximou ainda mais, me apertando como se eu fosse um ursinho de pelúcia. Eu a abracei com força também, não queria perder nenhum segundo desse momento.
O sono foi ficando mais pesado com o passar dos minutos. A se mexeu um pouco nesse tempo, mas não me soltou em nenhum segundo, impossibilitando a minha saída do quarto sem acordá-la e isso eu não queria.
Teria que dormir lá com ela, mas no dia seguinte eu acordaria antes dela, para que ela não se assuste por eu estar aqui, até porque no dia seguinte era a festa e eu tinha que ir para casa organizar as coisas.
Meus olhos foram se fechando lentamente e, em segundos, eu já tinha adormecido ao lado do amor da minha vida. Do lado da .
Acordei ainda meio sonolento, mas não abri meus olhos de imediato, pois senti um aroma muito conhecido por mim, um aroma que eu amava sentir havia alguns dias Era o cheiro dela; o cheiro da . Abri meus olhos devagar, percebendo que meus braços estavam em cima de um corpo muito desejado por mim e que ela estava me abraçando também. Lembrei-me do ocorrido na noite passada e me dei conta que tinha dormido ao lado dela. Um sorriso abriu em meu rosto quando eu a vi se virar ficando com o rosto colado ao meu. Eu podia escutar seu coração batendo, sentir sua respiração no meu rosto e podia ver seu tórax se movimentando na medida em que ela respirava. Eu queria estar com ela assim para sempre. Eu queria tê-la comigo pra sempre!
Olhei no relógio do celular: 10h. Tinha que me levantar logo se eu não quisesse que o James me matasse por eu não estar em casa ajudando na organização da festa. Não sei por que milagre ele ainda não tinha me ligado. Acho que Deus queria que eu estivesse com a sem nenhuma interrupção. Obrigada, meu Deus!
Dei um beijo na bochecha da , fazendo-a suspirar fundo. Levantei agora sem a dificuldade de ontem a noite, calçando meu tênis e saindo do quarto silenciosamente. Escutei um barulho vindo da cozinha e deduzi que a já devia ter acordado.
- Bom dia, . – A cumprimentei, indo em sua direção e a abraçando.
- Bom dia, , dormiu bem? – Ela abriu um sorriso largo, já sabendo a resposta.
- Foi a melhor noite da minha vida! – Sorri, me sentando a mesa da cozinha.
- É, eu imaginei. E a ? – ela disse colocando pães e biscoitos na mesa.
- Não acordou, mas ela me parece melhor. – eu disse coçando a cabeça.
- Ela me diz sempre que o melhor remédio dela é dormir. Café? – Ela me ofereceu uma xícara.
- Sim, obrigado. Por que ela diz que o melhor remédio dela é dormir? – perguntei bebendo um gole do café.
- Ah! O pai dela é farmacêutico, mas ela nunca gostou de remédios. Sempre que tinha dores, ela dormia. Se não passasse depois dela dormir, aí sim ela tomava medicamento. O pai dela achava bom, os remédios são muito prejudiciais às vezes.
- Bom saber. Eu tomo remédio demais para dor de cabeça. – falei pegando um pão que estava na cesta.
- Então você deve ser um viciado. – Eu me virei para a entrada da cozinha rapidamente ao ouvir aquela voz. Ela me parecia bem melhor agora. Estava com um lindo sorriso no rosto e os cabelos um pouco bagunçados. Linda como sempre, até quando acorda.
- Ouvindo conversa dos outros, mocinha? – perguntou enquanto a se sentava à mesa do meu lado.
- E você falando do meu segredo de beleza pro , mocinha? – Ela sorriu lindamente para mim e eu dei a língua para ela e sorri em seguida.
- Eu não posso saber não? – perguntei fingindo chateação.
- Você pode, mas pro seu governo, , eu não sabia que o ainda estava aqui, se não nem do quarto eu sairia desse jeito. – ela disse apontando para si mesma.
- Ah, amiga, eu sei. É um milagre você não ter saído correndo quando o viu. – gargalhou.
- É... – ela falou me olhando e desviando em seguida, depois do meu sorriso. Parecia que estava um pouco envergonhada. - Você dormiu aonde? – ela me perguntou depois de alguns minutos comendo.
- Hã... – Será que eu falaria que dormi com ela? Olhei para fazendo essa pergunta com os olhos, e ela entendeu.
- Você não o deixou ir embora, então depois de um tempo eu fui até o seu quarto e fiquei conversando com ele, depois eu o levei pro quarto de hóspedes. – explicou, me poupando disso. Eu gaguejaria se tivesse que mentir pra ela.
- Ah tá. – Ela deu de ombros e eu agradeci com o olhar. Ela me retribuiu com um sorriso.
Terminamos de tomar o café da manhã e eu ajudei as meninas com a louça suja, mas eu tinha que ir embora.
- Eu preciso ir, meninas, vocês sabem a festa lá em casa hoje. – eu disse entregando o pano de prato para .
- Ah, é verdade! A gente tem que ir para o shopping com a Mary e a Rafa. – disse abrindo um sorriso.
- Shopping? – perguntei curioso.
- É! Elas vão nos ajudar a escolher umas roupas. – Foi a vez de a dizer.
- Ok então. Alguém já vai vir buscar vocês? – eu disse enquanto caminhávamos até a porta.
- Já, o . – respondeu.
- Beleza. Espero vocês lá, meninas! – eu disse animado enquanto abria a porta.
- Estaremos lá. Tchau, . – disse me dando um abraço e saindo de perto de mim e da , deixando-nos sozinhos na sala.
- Obrigada por ontem. Foi muito importante para mim o seu apoio. – ela disse encarando o chão. Eu peguei seu rosto em minhas mãos.
- Eu já disse que eu vou sempre estar com você, para o que você precisar. Não precisa agradecer! – Dei um beijo em sua testa e ela sorriu. Puxei-a para um abraço bem apertado e logo depois, ela me deu um beijo na bochecha e sorriu. Um sorriso gigantesco abriu no meu rosto.
- Então, eu vou indo. – eu disse, apontando para a porta aberta.
- Até mais tarde, .
- Até mais tarde. – Eu saí e a porta se fechou lentamente atrás de mim. Eu mal posso esperar para vê-la novamente.
End of 's Point Of View.
- Amiga, você parece bem melhor hoje! – me disse depois que eu voltei a cozinha e sentei-me à mesa, suspirando.
- Pareço, é? – Nem a olhei. Minha mente vagava.
- É, parece! Acho que essa melhora tem nome, não é? – Ela sentou-se ao meu lado e me perguntou sorrindo.
- Para com isso, , você sabe bem que ele tem namorada.
- Mas quem ele ama é você, não ela!
- Como é que você sabe disso?
- Ah! Isso está na cara amiga. Também eu posso dizer que um passarinho andou assobiando no meu ouvido. – ela disse se levantando risonha, indo até a geladeira.
- Olha só quem fala! O ontem fez uma declaração de amor pra você e você pra ele! Foi tão lindo! – Eu ri vitoriosa com a cara de brava que a fez.
- É, isso tudo foi culpa sua! Eu mal consegui olhar pra ele a noite inteira! – ela disse cruzando os braços e fazendo bico.
- Opa, pode parar! Foi ele que me fez aquela pergunta idiota que começou com toda aquela historia! Reclama com ele, mocinha! – eu disse rindo no final. Ela assentiu com a cabeça.
- Outra coisa: vocês ainda vão agradecer a mim e ao pelas perguntas. – eu falei, me levantando e indo ao meu quarto enquanto a gritava algo do tipo “É bom mesmo!”. Eu sorri só de me lembrar desse jogo idiota que só o poderia inventar para a gente brincar.
Nós almoçamos e pouco tempo depois, estávamos a caminho do shopping com a Mary e a Rafa. Contamos o que os meninos tinham dito da noite anterior e, claro, queriam saber de tudo com detalhes.
Passamos a tarde inteira conversando sobre aquela noite enquanto a Mary e a Rafa caíam na risada ou, como na hora em que eu contei de , ficavam horrorizadas.
Escolhemos vestidos perfeitos e sapatos novos. Depois nos dirigimos até a minha casa e de .
- Amiga, eu simplesmente amei o seu vestido! É lindo! Ele foi mesmo feito pra você, . – Rafa dizia enquanto eu colocava as sacolas na minha cama. Estávamos todas no meu quarto.
- Hey, às ordens, Rafa! Quando você quiser usar é só pedir! – eu disse colocando o vestido no cabide e pendurando na porta do guarda roupa.
- Vocês vão com quem? – Mary perguntou.
- Com o . – eu disse sorrindo.
- Ah! Com o amor da . – Rafa falou sarcástica.
- Meu amor? – perguntou envergonhada.
- Claro, amiga! Vocês nasceram um pro outro! Tenho certeza que o vai ficar com você essa noite! – Mary disse e eu e a Rafa concordamos com a cabeça.
- Vocês acham mesmo? Quer dizer, parem com isso, meninas! O é só um amigo. – ela disse praticamente gaguejando. Eu e as meninas caímos na risada fazendo-a nos acompanhar.
- Amizade colorida, hein? – eu disse ainda gargalhando.
Continuamos conversando um pouco até dar a hora de arrumar para festa. Mary e Rafaella foram embora e eu e a fomos nos arrumar. Duas horas e meia depois, estávamos praticamente prontas e o já tinha ligado dizendo que ia chegar em dez minutos.
- Amiga, está bonito mesmo? – me perguntou pela milésima vez.
- Amiga, eu já disse! Você está absolutamente linda! Com certeza vai agradar uma certa pessoa. – eu disse, já me afastando dela que saiu correndo atrás de mim.
- Eu te mato, , vem aqui pra eu te bater! – ela gritou correndo e sorrindo atrás de mim pela sala.
- Eu sei que você me ama, amiga, mas eu não vou me arriscar não. É até capaz de você me matar mesmo! – eu disse correndo até a cozinha com ela atrás de mim. As duas de salto alto correndo pela casa. Arrumadas e brincando daquele jeito, acabaríamos saindo daquilo no mínimo descabeladas! Por sorte, a campainha tocou, fazendo a parar de correr atrás de mim.
- Vai lá atender o seu amado, amiga. – eu disse me escondendo atrás do sofá, desviando, por sorte, da almofada que ela jogou em mim.
- Oi, . – Ela disse afobada, arrumando o cabelo.
- Er... Oi. O que está acontecendo aqui? – Ele perguntou quando entrou no apartamento e me viu escondida atrás do sofá.
- Ah! Nada de mais. Só estava tentando esfolar a , mas ela corre muito mais rápido do que eu quando está de salto alto. Ela tem o dom! – ela respondeu, abrindo um sorriso sem graça para o , que retribuiu.
- Será que eu já posso sair daqui? – eu perguntei rindo.
- Pode, , eu protejo você. – disse vindo em minha direção.
- Olha que a não vai gostar nada disso, hein, mocinho! – eu falei saindo do sofá e indo abraçar o .
- Nada, ela não vai fazer mal pra mim não. – ele sorriu, olhando para , que estava perto da porta com os braços cruzados.
- Ok. Oi, , eu nem te cumprimentei quando você chegou. – eu disse depois de abraçá-lo.
- Oi, . Ainda com raiva de mim? – Ele me olhou sério.
- Não, , até porque eu já tive minha vingança ontem. – Saí da sala gargalhando, deixando o e a sozinhos.
's Point Of View:
- Ela está melhor? – eu perguntei depois que a saiu da sala.
- Sim, está.
- E você está bem?
- Antes eu estava, mas depois que você chegou... – Ela fez cara de emburrada e olhou para o chão. Não continuou, então eu sabia porque ela estava assim.
- Foi por que eu defendi a ? – eu perguntei pegando o rosto dela em minhas mãos. Ela não respondeu, só ficou me encarando. - , eu não sabia como a estava depois de ontem. Eu não queria que ela estivesse com raiva de mim e eu estava só brincando.
- Ok. – ela disse abrindo um meio sorriso.
- Ainda mais, eu tenho que agradecê-la, já que ontem ela acabou me fazendo um grande favor... Se é que você me entende. – eu disse sorrindo, passando os meus dedos pela bochecha dela. Ela estava tão linda que eu fiquei hipnotizado só de sentir o seu cheiro.
Tirei uma das minhas mãos e coloquei em sua cintura, puxando-a para mais perto de mim. Senti sua respiração ficar mais ofegante a medida em que eu passava a minha mão que estava em seu rosto sobre seus cabelos, depois por sua nuca e voltando para o seu rosto. Meus olhos analisavam cada traço do seu rosto perfeito, parando em sua boca para uma análise mais detalhada. Resolvi me aproximar mais e não a vi recuar. Pelo contrário, ela fechou os olhos levemente e eu fiz o mesmo quando a proximidade estava milimétrica. Nossos narizes se tocavam e a vontade de beijá-la estava naquele instante insuportável, até que nossos lábios se encontraram em um selinho demorado, mas com muita emoção. Aos poucos, o beijo foi se tornando mais intenso. Ela colocou os braços em volta do meu pescoço enquanto minhas mãos faziam carinho em suas costas. O melhor primeiro beijo que eu já tive na vida.
De repente, nós sentimos um flash em nossa direção;.Nos separamos lentamente e sorrindo mesmo sem saber que flash foi aquele. Quando eu vejo para onde a estava olhando, eu tenho uma surpresa.
- Eu não resisti. – dizia sorrindo, com uma câmera na mão.
- Você estava espionando a gente? – eu perguntei, abraçando a de lado, que sorriu.
- Não foi bem isso. Eu notei que ficou tudo muito calado. Então, eu vim conferir se vocês não tinham se matado. Aí eu cheguei aqui e encontrei vocês se beijando e corri pra pegar a câmera e tirar uma foto. Ficou tão linda, querem ver? – ela disse vindo em nossa direção sorridente. Ela me parecia muito feliz por mim e pela .
- Amiga, eu já disse que você tira foto muito bem? Além de ser super fotogênica. – falou abraçando a assim que viu a foto.
- É mesmo, , ficou linda! Mas o caso de ser fotogênica eu não posso dizer, já que eu só vi as fotos que nós tiramos na quarta, que, por sinal, você saiu muito bem nelas.
- Ah! , ela tem dois books de fotos que ela fez antes de vir pra Londres. - disse e isso me despertou curiosidade.
- Sério? – Encarei-a.
- É, ela fez um com 17 anos e o outro antes de vir para aqui, com 19 anos. – explicou e eu olhei para , que concordava com a cabeça.
- Não era para os meninos saberem disso, lembra, ? – falou abraçando a , que sorriu.
- Desculpa, amiga, eu esqueci. Ah! Mas não tem problema não. São os meninos! - disse como se agora nós fóssemos confiáveis.
- Eu acho que não são “os meninos” que ela não queria mostrar, e sim um em particular. – eu disse sorridente e sarcástico.
- É melhor a gente ir, não é? – falou indo até a porta e mudando de assunto.
- Claro, mas eu não me esqueci do book não. Você vai me mostrá-lo depois. – eu disse apontando para ela e andando com a de mãos dadas.
- É o jeito, não é? Tudo bem então. – ela falou convencida.
- Então vamos.
End of 's Point Of View.
Entramos no carro de e seguimos para a festa do . Eu fui no banco de trás e a foi na frente com . Os dois estavam felizes juntos! Pelo menos, para alguma coisa serviu aquele jogo de ontem.
Dei a meu iPod para que ela colocasse para tocar no som do carro.
- Qual música, amiga? – me perguntou.
- Coloca Westlife, faz um tempão que eu não escuto! E eu sei bem que você gosta mais das músicas deles que as do McFly.
- Como assim gosta mais deles? – perguntou ofendido e eu gargalhei alto, já esperando essa reação. me deu um tapa no ombro de leve.
- Ah! , não é bem assim. Eu gosto muito das músicas de vocês, mas o Westlife tem músicas que me agradam mais. – ela disse explicando para o , que fez bico.
- , fica assim não! Acho que agora a música de vocês vai ser bem mais atraente pra ela! – eu disse gargalhando e os dois ficaram com vergonha, mas depois riram comigo.
- Então coloca o Westlife pra tocar. Eu acho que só conheço uma música deles que passou muito na rádio, concorrendo com a nossa música na época.
- Ah! Deixa-me adivinhar a música: My Love? – eu sugeri.
- Isso aí! Como você sabe? – ele perguntou olhando para a estrada.
- Porque essa foi uma das mais tocadas deles, ora. – eu respondi, como se fosse óbvio.
- Ok, eu vou colocar I Cry pra tocar. – falou, colocando a música.
- Por que uma música tão triste, ? – disse depois de ouvir algumas frases da música e ver a mim e a cantando ela.
- Essa é a preferida dela! – eu disse e ela sorriu, concordando com a cabeça.
- Ah tá. – ele encerrou. Acho que os homens nunca vão entender as mulheres. No nosso caso, a gente preferia as músicas mais tristes e melosas.
Continuamos escutando música até chegarmos à casa do . Saindo do carro, fez a gente entrar pelos fundos, já que a frente da casa estava lotada de fotógrafos e curiosos. Adentramos a casa e encontramos e Mary, juntamente com o e a Rafaella. Nada do por enquanto.
- Gente, que bom que vocês chegaram! – falou abraçando a , depois o , e eu por último.
- Minha pequena está melhor hoje? – ele disse ainda abraçado comigo.
- Eu estou sim, Pooh. – eu disse.
- Pooh? ADOREI! – ele disse rindo e ficando de frente para mim.
- Pois é, agora você é o meu Ursinho Pooh!
- E você vai ser o meu Leitão, pequena e frágil! Dá certinho com a gente! Eu te protejo dos perigos, viu Leitão? – ele brincou, me abraçando de novo.
- Tudo bem, Pooh! Mas você também é frágil e quando isso acontecer, aí eu vou te proteger! – eu falei, me afastando dele sorrindo.
- Que cena linda, gente! – Mary disse abraçando a gente.
- ABRAÇÃO! – gritou e todo mundo abraçou eu e o . Nos espremendo e virando uma bola enorme, com todo mundo pulando e gritando. Loucos!
- O que eu perdi? – perguntou enquanto o pessoal se soltava, todos muito sorridentes.
- Ah! O virou o Ursinho Pooh da e ela virou o Leitão dele! Maior demonstração de amizade para o não tem! – Mary disse abraçando o .
- Está explicado então! O sonho da vida do era ser da Disney, acho que o personagem que ele sempre quis ser era o Pooh! Você acertou em cheio, . – Ele se virou para mim e parou. Ficou me encarando por um bom tempo e eu não tive reação. Será que tinha alguma coisa errada na minha roupa? Ou meus cabelos? Ai, que vergonha!
- Querem beber algo? – disse para quebrar o clima que se instalou ali.
- Sim, acho que todos querem, não é? – perguntou e o pessoal concordou. Eu continuei encarando o , que também me encarava. Nós não víamos mais ninguém ali; era só eu e ele, hipnotizados um com o outro.
- ? – me perguntou, me tirando do transe.
- O quê? – eu disse, olhando para ela e quebrando o contato visual com , que agora conversava algo com o .
- Vai querer beber algo? – ela sugeriu sorrindo.
- Vou. Refrigerante, você sabe. – eu sorri também.
- Você não bebe, ? – perguntou abismado. E todo mundo parou para prestar atenção na gente.
- Sabe, eu não perco meu tempo com isso não, . – eu respondi e sa andando no meio da Mary e do .
's Point Of View:
- Não entendi! – disse para a logo depois que a saiu.
- Eu também não! – eu falei e concordou com a cabeça.
- Gente, tem muitas coisas que vocês não conhecem da ! Ela teve muitos traumas na vida e a bebida é um deles! Ela odeia quem bebe exageradamente. Beber com moderação pra ela é algo suportável, mas ela conhece vocês e ela sabe o quanto vocês bebem. – ela explicou e acabou esclarecendo um pouco as coisas, mesmo eu achando besteira da essa história.
- E qual foi o trauma dela com bebida? – perguntou.
- Pergunta pra ela, ! Eu não vou dizer nada sem a deixar! E vamos logo beber algo porque eu estou com sede! – Ela foi andando e puxando o consigo.
- Ok. Vamos gente! – eu disse convencido de que a não iria nos dizer nada.
Fomos ao bar onde o , a Mary e a já estavam tomando suas bebidas. Ela estava absolutamente linda! Por isso eu não tive reação ao olhá-la pela primeira vez essa noite. Ela estava vestindo um vestido curto um pouco rodado de cor vermelha. Ela fica muito bem de vermelho. Uma sandália preta com muito brilho, eu acho que o nome é strass. O cabelo estava com a metade presa atrás e desciam em cachos que iam até sua cintura. Ela tinha acessórios de strass que a deixavam ainda mais deslumbrante. Resumindo: ela estava absolutamente perfeita, como ela sempre é! Mas hoje é mais visível a perfeição. Droga, por que eu tinha que estar com a Vivian? Isso não vai dar certo!
End of 's Point Of View.
Depois de beber meu refrigerante, eu comecei a ter vontade de dançar. Pensei em chamar os guys. Antes disso, uma pessoa apareceu.
- Ei, pessoal! Como vocês estão? – James Bourne perguntou para o grupo.
- James! Tudo bem, cara? A festa ficou muito legal, você e o capricharam dessa vez! – disse ainda abraçado em mim e na Mary.
- Eu estou bem e a festa ficou assim mais por causa do , acho que ele queria agradar alguém! Pelo que me parece, você está com duas namoradas! Não quer dividir comigo não? – James disse sorrindo para mim e eu encontrei o olhar maligno do enquanto o sorria e nos abraçava mais forte. Mary sorria também.
- Cara, eu posso te apresentar, mas eu não divido elas com ninguém assim não! O cara tem que ser muito bom, e tem que me conquistar pra namorar essa daqui! – ele disse e apontou pra mim;.James veio em minha direção e estendeu a mão.
- Eu sou o James e você é? – Ele fez uma cara de galã. Meu Deus, ele é lindo! Mais lindo pessoalmente.
- Sou a . – eu respondi um pouco tímida e peguei na mão dele, que me deu em seguida três beijinhos.
- Ah! A garota brasileira que esbarrou no ! Eu ouvi falar muito de você. – ele disse sorrindo e eu retribuí o sorriso, desviando meu olhar em seguida e encontrando os olhos do que me pareciam apreensivos com aquilo tudo.
- E a outra brasileira? – James perguntou se virando e vendo a ao lado do .
- Oi, eu sou a . – ela respondeu sorrindo.
- Eu sou o James, prazer. – ele disse sorridente e dando os três beijinhos em também, que ficou com vergonha. - Ela que é a famosa , hein, ? – ele perguntou e levou um murro do no braço, exclamando um “ai” sorridente.
- É ela mesmo, James! – disse gargalhando com a reação de .
- Hey! Vocês me parecem muito próximos hoje! – fez essa observação apontando para o e a .
- O jogo ontem fez efeito, Pooh! – eu disse piscando para o , que confirmou com a cabeça enquanto a escondia o rosto em seus ombros.
- Cara, é sério? Vocês ficaram? – perguntou e o pessoal só observou.
- Sim. – disse depois do a olhar como uma pergunta se podia dizer ou não. Eles abriram um largo sorriso. Uma coisa que dava para perceber era o tanto que eles estavam felizes um com o outro. Ouviram vários gritinhos de alegria por parte de todos e, a partir daí, o ficou abraçado com a . Acho que ele tinha medo dela fugir e abandoná-lo. Coisa que eu acho muito difícil!
Ficamos conversando mais um pouco e o James ficou do meu lado, querendo saber mais um pouco sobre mim. Na verdade, era só em mim que ele prestava atenção, algo que deixava o muito nervoso. Ele por sinal estava bebendo muito e para mim isso é terrível! Eu sou muito fã dos meninos, mas esse mau hábito de beber, que, também por sinal, o é o pior, é algo ridículo! É por isso que eu prefiro conversar com o James, que está bebendo moderadamente.
- Vamos dançar? – James me perguntou. E o nos encarou. Eu olhei bem para ele e vi suas feições um pouco raivosas.
- Tudo bem, eu estou querendo dançar desde o começo só que ninguém me convidou. – Nessa parte eu encarei o , basicamente dizendo o porquê de eu estar conversando com o James. Ele não tinha ido falar comigo a noite toda e isso era uma boa indireta.
- Então vamos. Quem mais vai vir dançar? – James perguntou para os casais.
- Nós vamos. – disseram o e a Mary, o e a Rafa.
- Vocês não vão? – eu perguntei para a , e .
- Ah, amiga, daqui a pouco, tá? – ela disse.
- Ok. ? – eu disse. A primeira vez que eu falo com ele depois da hora que eu cheguei.
- Acho melhor não. – ele respondeu um pouco duro. Eu apenas dei de ombros e me virei. James me abraçou. Eu fiquei um pouco sem graça, mas eu passei o meu braço pela cintura dele indo em direção ao centro da sala que tinha virado uma mega boate.
Eu estava me divertindo muito dançando com o pessoal. James era muito gentil comigo e eu não via nele uma segunda intenção, era só curiosidade mesmo. Às vezes eu olhava na direção do bar e via encarando a gente, bebendo muito. Eu não queria vê-lo beber. Isso para mim era o cúmulo, ainda mais porque eu sei o que a bebida faz nas pessoas, melhor do que ninguém!
- Eu vou beber água, quer alguma coisa? – eu perguntei ao James.
- Não, não quero nada. Você não quer que eu vá no seu lugar não? Pode ficar aqui com o pessoal. – ele me falou.
- Não precisa! Eu vou. – eu disse já me afastando um pouco.
me viu aproximar e desviou o rosto para o outro lado. Ele estava sentado no banco perto da bancada do bar. Eu me aproximei e sentei no banco ao lado dele. O Barman perguntou o que eu queria e eu fiz meu pedido, depois dele se retirar ficou um clima meio chato no ar, já que o não falou nada comigo e eu também não disse nada. Mas isso não durou muito.
- Está se divertindo com o James? – ele perguntou ainda me parecendo sóbrio.
- Sim, ele é uma pessoa bem legal. Um ótimo amigo! – Eu não olhei para ele, estava olhando para o pessoal dançando e acenei para o James, que tinha acenado para mim. Fiz questão de enfatizar a palavra “amigo” para ele saber que não poderia acontecer nada entre mim e o James. Não daria certo.
- Não é isso que parece. – ele falou agora mostrando um pouco de felicidade, melhorando o tom de voz para um tom doce.
- Pois pra mim é assim! – Peguei minha água e bebi, me levantando para ir ao encontro do pessoal.
- ? – ele falou e eu me virei para ver o que ele queria.
- Sim?
Ele se levantou e se aproximou de mim até nossos corpos ficarem bem próximos.
- Você está muito linda. – ele disse abrindo um enorme sorriso que me fez abrir um também.
- Obrigada. – eu agradeci e me afastei. Não conseguiria sair dali se não fosse naquele momento. Aproximar-me do naquele jeito era perigoso, eu podia acabar perdendo o controle.
Retornei ao centro da sala onde o pessoal me esperava e voltei a dançar. Estávamos todos bem animados e depois de um tempo, se juntou a nós com uma garrafa de vodka na mão.
Tentei ignorá-lo, já que agora ele já me parecia bêbado, mas era algo muito difícil. Todas as vezes que ele me olhava, eu não consiguia desviar o olhar e ficava encarando-o. Dessa vez também não foi diferente, já que o James foi cumprimentar uns amigos e restou só eu e o , com os casais, é claro.
- Você não me parece a vontade desde que o James saiu daqui. – ele me falou perto do meu ouvido, pois o som estava muito alto.
- Na verdade, eu estou só sobrando um pouco no meio de tantos casais. – eu disse olhando para o pessoal.
- Bom, se for isso, eu posso te fazer companhia. – ele falou com um sorriso maroto. Ele tinha que parar de brincar comigo daquele jeito.
Antes que eu pudesse responder, me chamou.
- , meu Leitão, vem aqui! – ele gritou e eu me afastei do sem responder. Ele ficou me olhando enquanto eu me direcionava onde se encontrava o e a Mary.
- Que foi, Pooh? – eu perguntei abraçando-o.
- Vamos comigo ali em cima, eu vou procurar um CD, mas a Mary não quer ir comigo! – ele me falou colocando língua para a Mary, que colocou língua para ele também. Eu apenas sorri.
- Tudo bem, Pooh, eu vou com você. – eu concordei.
Nós caminhamos até a escada, com certa dificuldade pela quantidade de gente que estava na casa. Subimos as escadas brincando e ele ficou falando besteiras do tipo: “O James está caidinho por você” , coisa que eu achei impossível, claro. Chegamos ao corredor e, para minha surpresa, o entrou no quarto do .
- O CD está aqui? – eu perguntei um pouco nervosa por estar naquele lugar.
- Sim, está aqui em algum lugar! – ele disse com o corpo dentro de uma parte do gigante guarda roupa do .
Aproximei-me para dar uma olhada e me deparei com um monte de CDs espalhados dentro do guarda roupa.
- Meu Deus, isso aqui está precisando de uma organização urgente! – disse e eu caí na risada. A situação estava caótica mesmo!
- Qual é o nome do CD, Pooh? – eu disse tentando ajudá-lo a encontrar.
- The Best Hits 2012.
- Ok. Deixa-me pegar a metade desses CDs aqui. – Eu disse pegando os CDs e colocando na cama do .
Ficamos procurando o CD e eu, com a minha parte, acabei organizando os CDs em ordem alfabética. Eu tenho essa mania de organização de vez em quando.
- Achei! – gritou dentro do guarda roupa do .
- Achou o CD? – eu perguntei.
- Não exatamente, achei o de 2010. – Eee disse sorridente.
- Então a gente para de procurar?
- Não, eu vou levar esse para tocar lá embaixo e volto para te ajudar a achar o outro! – ele falou e eu não gostei nada da ideia de ficar no quarto do sozinha.
- Pooh, você vai me deixar aqui sozinha? – Eu fiz cara de bebê chorão.
- Calma, Leitão! Eu disse que volto! Não vou demorar! – ele falou beijando minha testa e indo em direção à porta.
’s Point Of View:
- Hey, dude, cadê o ? – eu perguntei ao .
- Acho que ele foi para o seu quarto procurar um CD com a . – ele respondeu apontando para as escadas.
- Ok.
Encaminhei-me ao meu quarto, já que a estava lá. Talvez eu pudesse pedir desculpas pelo modo como que eu a tratei mais cedo. Longe dos olhos do pessoal e do James. Não queria que o meu amigo soubesse que eu estava com ciúmes dele com a , que não era nada minha. Por culpa minha, claro!
Passei com dificuldade pelas pessoas que estavam na sala e, enfim, consegui chegar às escadas. Subi os degraus e acabei me encontrando com o .
- Dude! Ainda bem que você está aqui! – me disse.
- Por quê? – eu perguntei.
- Vai lá ajudar a a achar o CD ‘The Best Hits 2012’ naquela bagunça do seu quarto! Eu só achei esse aqui e ela deve se perder lá no meio de tantos CDs! – ele falou sorridente, já descendo as escadas.
- Ok. – eu disse, terminando de subir as escadas e indo em direção à porta do meu quarto. Meio tonto, tinha que admitir. Talvez eu já tivesse bebido demais.
Eu a vi sentada na minha cama, parecendo organizar os meus CDs em vários montinhos. Ela continuava deslumbrante e, cada vez mais, eu me sentia completamente apaixonado por ela. Como eu iria resolver aquilo? Eu precisava dela mais do que tudo! Mas esperar até a Vivian voltar estava sendo torturante demais porque a todo segundo eu ficava amedrontrado achando que a podia se apaixonar por alguém e eu nunca teria dito para ela o que eu sinto.
- ? – ela disse me despertando dos meus pensamentos ao me ver parado na porta.
- Oi , quer ajuda aí? – eu perguntei já abrindo um enorme sorriso, que ela retribuiu.
- Seria bom! – ela respondeu ainda sorrindo e eu caminhei devagar sentado na cama ao lado dela.
Fique observando-a um pouco enquanto ela separava alguns CDs. Minha vontade naquele momento era de beijá-la; beijá-la como se não existisse mais nada que nos separasse. Como se não existisse mais ninguém nesse mundo, apenas eu e ela.
End of 's Point Of View.
- Você está colocando em ordem alfabética? – ele me perguntou.
- Estou, vai ser mais fácil pra você achar CDs aqui. – eu respondi.
- Eu posso ajudar em algo?
- Você pode procurar o CD que o quer ali, onde eu ainda não procurei. – eu falei dando de ombros e apontando para uma pilha de CDs.
- Tudo bem. – ele falou e foi até a pilha de CDs.
Ficamos arrumando os CDs calados, falando apenas quando precisávamos. O clima lá estava muito estranho, desagradável, como se eu soubesse que algo não estava certo ali. Escutei uma música diferente passando no som e percebi que o trocou o CD. Provavelmente ele voltaria pra cá e aí eu deixaria ele aqui com o .
não voltou e eu já estava quase acabando de arrumar todos os CDs, e nada do bendito CD que o queria!
- Achei! – disse levantando o CD no ar.
- Até que enfim! Parece até que o CD tinha criado pernas e se escondido! – eu falei sorrindo.
- É verdade! Você vai descer agora? – ele me perguntou entregando CD.
- Vou acabar de arrumar os seus CDs primeiro! Falta pouco mesmo. – eu disse pegando o CD e voltando a arrumar os CDs que faltavam.
- Eu vou esperar você então. – ele falou.
Continuei arrumando os CDs enquanto escutava as músicas do CD que o colocou para tocar. Tinha muitas músicas conhecidas, muitas que eu era apaixonada na época em que foram lançadas. Eu cantava junto com a música Somebody To Love do Justin Bieber, que estava passando na hora enquanto me observava.
Terminei de arrumar os CDs e comecei a pegar pilha por pilha para colocá-los no guarda roupa onde eles estavam. me viu fazendo isso e foi me ajudar, me entregando os CDs. Eu organizava-os nos seus devidos lugares.
- Acabou. – me disse depois de me entregar os últimos CDs.
- Ok. Agora eu vou descer. – eu falei indo até a cama e pegando o CD que o queria.
Quando eu estava abrindo a porta do quarto, de repente, fechou a porta de uma vez e me puxou, imprensando-me na parede ao lado da porta. O que ele estava pensando, eu não sabia. Eu só sabia que eu não iria deixá-lo brincar comigo daquele jeito.
- Me solta, . – Eu tentava manter o controle, mas estar daquele jeito tão próximo dele era complicado.
Ele não me soltou. Pelo contrário, colou seu corpo mais no meu, me fazendo recuar. Recuar para onde? Eu já estava pregada na parede, não tinha como recuar mais.
- Você me ouviu, , me solta agora!
- Não. – Ele colou os seus lábios dele nos meus, forçando-me a ficar com os meus lábios nos dele. Eu não tinha saída, eu estava encurralada, mas mesmo assim eu batia nele com todas as forças que eu encontrava para tentar sair do seu abraço, tentar sair do seu beijo. Ele não reagiu aos meus murros no seu tórax. Em vez disso, ele pegou uma das mãos e colocou no meu rosto, pressionando minha bochecha com força. Ele queria que eu o beijasse, mas eu não faria isso, não com ele naquele estado: bêbado!
- , você está me machucando! ME SOLTA! – Eu já estava gritando e, em vez dele me soltar, ele colocou a outra mão no meu rosto, ainda me imprensando na parede, mas de uma maneira mais leve e eu não estava mais conseguindo resistir aos meus sentimentos.
Aos poucos, eu fui dando espaço para a boca dele sem nem ao menos eu perceber isso. Só que ele percebeu e foi se aproveitando, passando a língua por toda a extensão da minha boca. Depois, mordeu meu lábio inferior. Isso foi o fim para mim.
Eu me entreguei ao beijo sem perceber. Estávamos nos beijando calmamente, mas, na minha cabeça, passou novamente a burrada que eu estava fazendo. Podia até ser forçado no começo, mas agora eu estava o beijando também.
Senti as mãos dele na minha cintura naquele momento com muita força, mais força do que precisava, e isso estava me assustando um pouco. Eu tinha razão em me assustar, já que, da minha cintura, ele desceu a mão parando em minha bunda e pressionando com força. Depois, ele desceu mais a mão, parando na barra do meu vestido, me fazendo ficar apavorada quando ele começou a levantá-lo. Por sorte minha, ele tinha se esquecido dos meus braços e eu consegui empurrá-lo. Com isso, a barra do meu vestido rasgou, porque ele não o soltou.
- Você tá maluco, ? – eu disse apavorada e ele simplesmente veio para perto de mim de novo. Eu tentei correr e abrir a porta antes, mas não consegui. Ele estava próximo demais para isso.
- ME LARGA AGORA! – eu gritava desesperada, mas ninguém me escutaria com a porta fechada e o som alto daquele jeito.
Em vez de me soltar, ele tentou me beijar de novo, mas dessa vez eu fui esperta, esperei só esse bêbado idiota dar uma brecha para eu poder me livrar dele e sumir dali. Concentrei todas as forças que eu tinha naquele momento e dei um chute no meio das pernas dele, ou seja, no membro dele.
caiu no chão, se contorcendo em dores, e eu aproveitei para ir embora, mas antes eu tinha que dizer:
- Nunca mais, , fale comigo ou venha me procurar! Esqueça que um dia me conheceu nessa vida miserável que você tem! NUNCA MAIS! – Bati a porta com força e desci as escadas com medo dele conseguir se recuperar e vir atrás de mim.
Capítulo 5
Saí correndo pelo corredor, chegando rapidamente à escada. Desci igual um foguete, desesperada. Queria sair dali o mais rápido possível. Queria nunca mais voltar àquela casa. Queria que toda a minha dor sumisse, a mesma dor que eu senti há uns anos, só que, daquela vez, eu não sabia me proteger como agora.
Tentei me livrar das lembranças e voltei minhas atenções em encontrar . Procurei-a com o olhar, mas meus olhos só viam borrões à frente. Passei as mãos rispidamente pelo meu rosto, pra ver se controlava o choro, pelo menos até eu achar a . Olhei por toda aquela gente e consegui localizá-la ao lado do , no bar, bebendo animados.
Não pensei em outra coisa. Teria que pedir ajuda aos dois, por mais que eu não quisesse atrapalhar a noite deles, mas eu não conseguiria ir pra casa sozinha.
Não no meu estado.
Andei apressada, esbarrando várias vezes nas pessoas ao meu redor. Até conseguir, enfim, chegar ao bar onde , que me olhou primeiro, levantou rapidamente, vendo o estado em que eu me encontrava.
- Ai, meu Deus, ! O que aconteceu com você? – disse apavorado e se virou pra ver o que estava nas suas costas. A me ver, ela veio aterrorizada em minha direção.
- , quem fez isso com você? – Ela me perguntou, já imaginando algo.
- Eu... Preciso... Ir... Embora. – Eu disse, gaguejando entre soluços e lágrimas, que insistiam em cair, como balas, dos meus olhos.
- , me conta agora! Seu vestido está rasgado e... – Ela parou de falar, depois ficou paralisada ao ver o descendo as escadas, completamente bêbado, apoiando uma das mãos no corrimão e a outra no membro onde eu chutei. seguiu seu olhar e passou as mãos nos cabelos, balançando a cabeça negativamente, enquanto eu encarava as escadas com uma vontade louca de fugir, sair correndo dali.
- Ele fez a... – começou, mas eu o interrompi.
- Eu conto no caminho pra casa! Por favor, vamos agora? – Eu disse com algumas lágrimas nos olhos, mas o soluço passava aos poucos. Não sei se devido ao susto de ver o de novo ou o fato de eu ter cansado de chorar. Acho que os dois.
- Tudo bem, mas você vai contar tudo! Absolutamente tudo! – disse, me olhando firme, andando do meu lado direito, enquanto o se posicionava ao meu lado esquerdo, concordando com a cabeça com o que tinha dito.
- Ok, eu só quero sair logo daqui. – Eu disse, andando ainda com as pernas moles, assustada.
Entramos no carro do e eles queriam que eu contasse a história ali, no carro. Eu argumentei que não teria possibilidade disso ali, já que o estava dirigindo e poderia se descontrolar.
Chegamos ao prédio e subimos em silêncio no elevador. Eu estava de cabeça baixa, mas podia perceber os olhares de e , provavelmente tentando imaginar o que aconteceu. abriu a porta do apartamento e nós entramos.
Depois que eu me sentei no sofá da sala, o sentou ao meu lado e, logo depois, se sentou do outro lado.
- Pode contar tudo agora, . – disse, tentando parecer calmo.
- Ai, gente, é... – Eu tentei começar, mas as lágrimas invadiram os meus olhos novamente, me fazendo levar as mãos ao rosto, tentando inutilmente parar de chorar e contar a história.
- Calma, amiga, por favor. Eu vou pegar um copo com água e açúcar pra você. – disse, já se levantando, enquanto o me abraçava, tentando me confortar. voltou com a água e eu bebi para não ter que vê-la me forçar a beber, se eu recusasse.
Respirei fundo, limpei as lágrimas e me preparei pra contar, agora sem choro.
- Vocês viram quando o me chamou pra ir achar um CD com ele? – Eles concordaram com a cabeça, apreensivos.
- Bom, ele me levou ao quarto do , por que os CDs ficam lá. Nós procuramos e não estávamos achando o tal CD, aí o achou outro lá e desceu, me deixando lá procurando o CD. Um tempo depois, o apareceu no quarto e começou a me ajudar a procurar. Tava tudo indo muito bem, mesmo ele estando bêbado, parecia até um pouco sóbrio, até ele encontrar o CD. Eu peguei o CD e me virei pra sair do quarto, só que ele fechou a porta de uma vez e me prensou na parede...
Dei uma pausa pra respirar, se não meu choro voltaria, só por lembrar a cena. olhou pra e ela retribui o olhar dele com um olhar muito preocupado que eu percebi.
- Aí eu pedi pra ele me soltar, só que ele em vez disso me agarrou, me beijando a força. Eu tentei bater nele e me soltar, mas nada adiantou e eu, aos poucos, fui cedendo ao beijo sem perceber. A merda do meu coração não escutava minha cabeça implorando pra ela não fazer isso! – Eu alterei o tom de voz, mas me controlei.
- Continua, amiga. – falou, me abraçando e fez o mesmo.
- O empolgou com o beijo, começou a me agarrar agora com mais violência. Ele começou a passar as mãos pelo meu corpo, se é que vocês me entendem. – Eu disse pausadamente, porque o estava ali.
- Ele não tentou... – falou, me olhando assustado, acho que já sabendo a resposta.
- Ele tentou, ! Foi por isso que meu vestido rasgou! Eu me concentrei em escapar dali e, quando ele abriu a guarda, eu acertei no “lugar onde dói”! – Eu disse já deixando as lágrimas voltarem. Mesmo a ideia de o chute ter sido engraçada senão fossem as circunstâncias.
- Eu mato aquele cretino! – disse furiosa.
- Amiga, não vale a pena. – Eu disse baixo.
- Não vale a pena? Amiga, depois de tudo que aconteceu com você antes! Eu te disse que se algum desgraçado tentasse a mesma coisa eu... – Ela dizia, mas o interrompeu.
- Aconteceu antes? – Ele disse, com cara de interrogação.
- Ai, meu Deus! Amiga, eu esqueci completamente do aqui... – Ela dizia, me olhando, tentando se desculpar por ter falado demais.
- Não, , tudo bem. Eu contaria de alguma forma, não é? – Eu falei, limpando as lágrimas e me preparando para contar o pesadelo que me assombrava todos os dias.
- Contar o quê? Eu já estou ficando preocupado. – disse, me fazendo olhar pra ele.
- , o assunto é de se preocupar. A nunca contou isso pra nenhum garoto. Nem o ex dela sabe disso. Acho que ela só contou para mim, e . – dizia baixo, medindo as palavras.
- Deixa, amiga, eu conto. – Eu disse pra e ela assentiu com a cabeça. me olhou com atenção, esperando eu começar a história.
's Point Of View:
- ! Você viu a ? Ela sumiu, eu estou procurando ela há horas! – James disse quando se aproximou de mim, da Mary, do e da Rafa. Estávamos no bar tomando nossas bebidas.
- Merda! Eu a deixei lá em cima procurando o CD pra mim. Esqueci-me de voltar lá e ajudar ela. - Eu disse com a mão na cabeça. Burro! Eu pedi ao pra ajudar ela. Será que aquele bêbado ainda está lá?
- Eu vou lá atrás dela. É em qual quarto? – James perguntou, apontando para as escadas. Acho melhor eu ir, vai que a e o se acertaram lá em cima? Eu que não quero deixar o James, quem me parece estar amarradão na , ir lá e presenciar uma cena dessas.
- Não, deixa que eu vou lá. Se eu não for ela me mata! Espera aqui que eu já desço. - Eu disse já me dirigindo às escadas.
Passei com dificuldade pelo pessoal bêbado que estava na sala e acabei esbarrando com o no meio do caminho.
- Cara, cadê a ? – Eu disse pra um meio machucado. Ele colocava as mãos no meio das pernas, como se algo o tivesse atingido ali. - Tudo bem, dude? – Eu perguntei pra ele, que não respondeu nada. - Vem aqui, vamos para o bar pra você sentar, ai você me diz onde a está. – Ele concordou com a cabeça e nós fomos, eu meio que carregando o , que cambaleava, acho que com o efeito da bebida e da dor. Se isso for dor!
Fomos barrados por um grupo de pessoas que eu mal me lembro de onde conheço, que começaram a falar várias coisas conosco, impedido eu e o de chegar ao bar.
End of 's Point Of View.
- , eu não sei o que dizer... – falava baixo, depois da história que eu contei.
- Tudo bem, . Acho que ninguém sabe o que dizer de uma coisa dessas. – Eu disse, esforçando um sorriso que não saiu. me abraçou forte, ficando comigo daquele jeito por longos segundos. - Foi melhor do que palavras. – Eu disse depois que ele me soltou, sorrindo, o que o fez sorrir também.
- Eu vou matar o ! – Ele falou recuperando a raiva e se levantando.
- Não, por favor, . Eu não queria ter feito vocês virem aqui comigo e não quero atrapalhar o resto da noite de vocês! Esquece isso, por favor! Volta pra lá e se diverte com a . – Eu falei, me levantando também, logo depois a se levantou.
- Você tá louca? Eu não vou te deixar aqui sozinha, não! – Ela disse com uma expressão extremamente nervosa no rosto.
- Ah! Você vai, sim! Eu não vou ficar acordada por muito tempo, não. Eu quero ficar sozinha, amiga. Se você ficar aqui, vai me deixar com culpa na consciência por ter estragado a primeira noite de vocês dois! Não mesmo. Você vai! – Eu disse, gesticulando com as mãos, vendo a cruzar os braços em sinal de indignação.
- Eu vou ficar bem, é serio! – Eu falei, abraçando os dois.
- Tem certeza? – Ela perguntou insegura, enquanto eu empurrava ela e o pra porta do apartamento.
- Eu tenho! – Eu disse, abrindo a porta.
- Tudo bem, mas você vai ficar com o celular do seu lado. Se eu ligar e você não atender, eu volto igual uma doida pra casa! – Ela falou, apontando o dedo indicador na minha direção.
- Provavelmente se eu não atender, eu vou estar dormindo. – Eu disse me encostando à beirada da porta.
- Então você desliga o celular quando for dormir. Aí a gente vai saber! – disse, sorrindo.
- Ele teve uma ideia que presta dessa vez! Você está evoluindo, não é, ? – Eu disse, rindo. Comecei a gargalhar depois da cara que ele fez, mostrando língua pra mim. também riu.
- Então fica combinado assim. Qualquer coisa, pelo amor de Deus, me liga! – Ela falou, andando com o até o elevador.
- Eu ligo, divirtam-se. – Eu disse, acenando e fechando a porta em seguida.
Corri até meu quarto e fechei a porta. Peguei meu edredom e fui para a varanda. Gostava de ficar ali, onde eu podia pensar e colocar a cabeça no lugar, sempre que precisava e eu precisava mais do que tudo naquela noite.
Por que tudo tinha que retornar logo agora? Por que toda essa dor tem que me fazer lembrar tudo que aconteceu? Por que o fez isso comigo?
- Meu Deus, me responde por quê?
As lágrimas já caiam pesadamente por meu rosto, eu não queria mais segurá-las. Eu tinha que jogar tudo para fora antes que toda essa dor me sufocasse como antes.
Encolhi-me no banco da varanda, acabei olhando para o céu e vi como ele estava lindo. Como eu queria poder ver esse céu feliz, mas não era assim que eu estava e olhar para o céu só me lembrava de que momentos de felicidade eram difíceis de continuar por muito tempo na minha vida.
- Por que quando tudo começa a dar tão certo, algo acontece pra fazer tudo desabar de novo? Deus, eu não sei mais se eu aguento tudo isso novamente! Dá-me forças, por favor!
Deus era meu único refúgio nesses momentos. Eu sabia que tudo teria um fim, tudo um dia acabaria bem e, por esse motivo, que eu me sentia bem conversando com Deus. Ele é alguém que nunca vai te fazer sofrer, que vai estar sempre do seu lado apesar de tudo, e é disso que eu necessito! É Ele que vai ajeitar tudo no final. Mas isso também não impedia que a dor invadisse o meu coração, como se fosse quebrá-lo em milhões de pedaços a cada segundo, também não impedia a minha louca vontade de sumir, de chorar até todas as lágrimas se esgotarem, até não haver mais nada. Nada que possa fazer essa dor retornar.
's Point Of View:
- É sério, . O pode ser o meu melhor amigo, mas o que ele fez me faz querer matá-lo! – E é isso que eu vou fazer quando chegar à festa! Eu dizia pra . Eu não conseguia me controlar de tanta raiva do , ainda mais porque eu disse pra ele não fazer nada com a .
- Eu vou matar ele primeiro! – Ela falou furiosa e não era pra menos. Depois que a me falou o que ela passou, com certeza a quer proteger a amiga, principalmente porque elas só têm uma a outra aqui em Londres.
- Vamos logo, antes que o desmaie de tão bêbado. – Ela falou, abrindo a porta do carro e entrando. Eu entrei logo depois e arranquei com o carro.
Mal paramos na frente da casa do e a já saiu que nem uma louca do carro. Eu tive que correr pra alcançá-la.
- Onde é que está aquele desgraçado? – Ela dizia, percorrendo o olhar pela casa.
- Ali! – Eu disse depois de avistar o sentado no bar com o e o James, me parecendo fazer perguntas à ele. foi com fúria ao local e eu a segui do mesmo modo. Ela tava puta de raiva com ele e eu também! Quando nos aproximamos, a primeira coisa que eu quis fazer foi quebrar a cara do , mas o me impediu.
- Me larga, ! Me deixa bater nesse idiota! – Eu gritava, mas o me empurrava para longe do , que mal conseguia ficar em pé de tão bêbado.
- Caralho, , por que essa raiva, dude? – me perguntou e eu parei, mas tive que agir rápido quando a avançou com tudo no .
- Desgraçado! Como você pode fazer isso com ela? – Ela falava aos gritos, enquanto eu a segurava, já que começava a chamar a atenção dos curiosos no bar.
- Fazer o quê com quem? – James perguntou e parou ao ouvir a voz dele, tentando ficar mais calma.
- Com a . – Ela falou e todos nos olharam nervosos, indo de nós ao várias vezes.
- O que ele fez com ela, ? ? – disse, me parecendo muito preocupado.
- Gente, é melhor a gente ir conversar em outro lugar. Está todo mundo olhando pra gente. – Eu disse já que era o certo a fazer.
- É gente, vamos para o quarto do . – disse já pegando o pelo braço e o fazendo andar até a escada, enquanto os curiosos analisavam cada movimento nosso.
Seguimos até o quarto do . Eu e muito nervosos ainda pelo que ele fez e o pessoal, nervosos pra saber o que aconteceu.
's Point Of View:
- Agora vocês podem contar. – Eu falei já impaciente para o e a , enquanto o pessoal se ajeitava pelo quarto. e Rafaella na cama ao lado do , e em pé perto da porta e eu, James e Mary na frente da cama, de olho no .
- O negocio é o seguinte, eu não vou contar muitos detalhes não e... – começou, mas a interrompeu.
- , é melhor a gente não contar ‘aquilo’ agora, eu prefiro esse ridículo ali sóbrio!
- Tudo bem, . – Ele disse, mas o que será ‘aquilo’?
- O que vocês não podem contar agora? – O perguntou. Tirou as palavras da minha boca.
- Vocês vão saber amanhã, quando o cretino do ficar sóbrio! – falou.
- Mais eu não to bêbado. – O disse, completamente bêbado, fica até engraçado ele dizer que não está.
- Cala a boca, retardado! – disse nervosa, deve ter sido algo muito grave pra ela estar assim.
- Parem os dois! – Mary falou, eu olhei pra ela, assustado com o nervosismo. - Fala logo, . O que o fez com a ? – Mary continuou com as mãos na cintura, o que confirma minha tese do nervosismo.
- Ok. A estava aqui procurando um CD pro , aí o veio aqui e até ajudou ela, pelo que ela disse que ele parecia sóbrio até achar o tal CD. Ela estava indo sair do quarto, mas o a impediu. Prensou ela na parede e... – parou de falar e me pareceu não conseguir dizer. O percebeu e continuou a história.
- Eu não acredito... – Eu disse depois do finalizar.
- Agora eu sei por que vocês queriam bater nele, esse idiota... – Mary disse, quase adivinhando meu pensamento. Eu queria bater no pelo que ele fez a minha amiga, mas acabei recordando de algo.
- É mais grave do que isso, não é? – Eu perguntei aos dois já sabendo que sim e vi que todos pensavam a mesma coisa.
- Muito mais grave, , mas a gente só vai contar amanhã pra esse idiota saber o tamanho da burrada que ele cometeu! – falou baixo.
- Onde a está, ? Tudo bem com ela? – perguntou, fazendo todos voltarem suas atenções pra .
- Ela está em casa, não quis que a gente ficasse lá... – Ela falou ainda baixo, me parecia preocupada.
- Ela disse que queria ficar sozinha, mas que ia ficar bem, coisa que eu duvido muito. – complementou.
- Eu tenho que falar com ela, eu vou lá! – Eu disse. Tinha que ir vê-la, não conseguiria dormir, de preocupação com ela. Eu prometi que cuidaria dela e é isso que eu vou fazer.
- Acho melhor não, , ela falou que não quer ver ninguém. – falou.
- Sou eu, , ela vai falar comigo. – Eu disse convicto.
- , eu aconselho você a mandar uma mensagem perguntando. Eu conheço a e sei que nesse momento ela não quer ver absolutamente ninguém. – Ela falou, olhando pra mim, sinceramente.
- Ok, vou mandar a mensagem. – Eu disse derrotado.
Afastei-me do pessoal, indo até a janela. Podia escutar as meninas xingando o , que não devia estar nem entendendo o que elas diziam. Peguei meu celular e digitei a mensagem, cliquei em enviar e fiquei olhando o céu da janela. Estava tão bonito para estar presenciando algo tão triste. E eu ainda nem sei o que aconteceu a mais com meu Leitão. Agora é só esperar pra ver o que ela responde.
End of 's Point Of View.
Acho melhor ir trocar de roupa, olhar pra esse vestido só piora a situação. Levantei-me e caminhei lentamente até o guarda roupa e peguei a primeira camisola que eu vi na frente. Para piorar a minha situação, é a camisola que eu comprei com as meninas no Brasil antes de vir pra Londres.
Flashback On:
- Meninas, olham só que linda essa roupa de dormir! – Eu disse, apaixonada com a camisola.
- É bem o gosto McFly, , compra ela! – disse.
- Vai que você conhece os meninos lá e fazem uma festinha do pijama. – disse com uma carinha safada.
- Com certeza o iria gostar, é da Disney. – disse, sorrindo.
- Depois dessa propaganda o jeito é levar, não é? – Eu disse rindo e as meninas gargalharam em seguida.
Flashback Off
Eu sinto tanta falta delas, só falei com a e a pela internet, mas isso ainda me deixa com saudades delas. Eu queria tanto ter visto a reação delas quando nós contamos no MSN que conhecemos o McFly. Queria tanto que elas estivessem aqui, com certeza a iria me dizer coisas úteis como da última vez.
Meus pensamentos foram interrompidos pelo meu celular, avisando que uma mensagem havia chegado.
- Demorou até demais! Eu achei até que ela iria ligar.
Peguei o celular e, para minha surpresa, a mensagem era do .
Leitão,
Eu estou preocupado com você, posso ir te ver? Se você demorar pra responder eu vou ai. Se você preferir, me liga.
Te amo, Pooh.
O merece o apelido, ele é tão fofo! Eu abri um sorriso involuntário depois de ver o ‘Te amo, Pooh.’
Por mais que eu tentasse, receber alguém hoje não teria como. Nem mesmo o . Digitei a mensagem de resposta e voltei para a varanda, sentei no banco e voltei a chorar; Chorar por ser tão fraca, por não conseguir lidar com isso, por não conseguir lidar com a dor.
's Point Of View:
Pooh,
É difícil pra eu ver alguém agora. Eu estou bem, não precisa se preocupar. Não vou ligar porque, dizer o que não é?
Boa noite, meu pequeno Pooh.
Eu também amo você!
Beijo, Leitão.
Eu não acredito, nem a mim ela quer receber. Nem um telefonema. Com certeza esse ‘Eu estou bem’ é a mais pura mentira! Ela está mal, muito mal.
- Eu mato você, , e o que quer que seja que vocês vão contar amanhã, não é nada bom. – Eu disse furioso. O pessoal me olhou assustado, meio que perguntando o porquê da raiva repentina.
- Ela não quis te ver, não é, ? – Rafa disse, depois do longo silêncio.
- Ela não quis, Rafa, nem ao menos um telefonema ela aceitou. Disse que estava bem, que não era pra eu me preocupar, mas eu não acredito nisso. – Eu disse de cabeça baixa, com as mãos na cabeça. Sinônimo do quanto eu estava desesperado. Mary me abraçou, tentando me acalmar e confortar. Ela conseguiu depois de um tempo.
- Eu vou embora daqui pra não ter que quebrar a cara do . – disse e o concordou.
- Eu também vou. Só de olhar pra ele, um ódio bate dentro de mim, mas eu sei que amanhã ele vai sofrer mais do que qualquer um de nós aqui, pela burrada que ele fez. – Eu falei olhando pra um desmaiado na cama, ele já devia estar assim há muito tempo, eu que não percebi.
- Eu vou ficar e despachar os convidados, já que o não esta em condições. – falou e a Rafa concordou.
- Eu ajudo também, . - O James disse. Ele ficou calado durante toda a conversa, até me esqueci dele ali.
- Então até amanha pra vocês. – Eu disse pra eles.
End of 's Point Of View.
Cansei! Cansei de chorar, de sofrer. Amanhã vai ser um novo dia, uma nova ! Nada de me rebaixar ao , não, nada de me crucificar como da última vez! Amanhã eu vou acordar mais forte que nunca. Deus me ajude com isso! Ajude-me a ser forte!
Levantei-me do banco da varanda, fechei a porta e me dirigi à minha cama, deitei e me cobri. Os pensamentos ruins queriam voltar à minha mente, mas eu não vou deixar.
Meus olhos foram ficando pesados a cada segundo e, em pouco tempo, eu já tinha dormido.
's Point Of View:
- Será que ela dormiu? – me perguntou, assim que nós abrimos a porta do apartamento.
- Parece que sim, está tudo muito silencioso. – Eu disse.
- E escuro. – Ele falou, me abraçando.
- Você está com medo, ? – Eu disse, tentando conter uma risada.
- Eu tenho medo do escuro, você me protege? – Ele falou manhoso. Eu já estou sacando qual é a dele.
- Acho mais fácil acender a luz então. – Eu disse, indo até o interruptor e ligando a luz.
- Você é minha heroína! – Ele falou, me abraçando, enquanto eu ria baixo.
- Tudo bem, agora me solta que eu vou ver se a está dormindo mesmo.
- Ok, vai lá, mas não demora! Eu fico aterrorizado aqui sozinho. – Ele fez bico e eu dei um selinho nele. Com toda essa confusão, nós acabamos não aproveitando a noite mesmo. Se a souber ela me mata!
Tirei o salto e andei até o quarto da . Eu não queria acordá-la com o barulho dos sapatos. Abri a porta lentamente e olhei pela fresta da porta. Ela estava dormindo, então fechei a porta e andei até a sala mais tranquila. sorriu quando me viu chegar.
- Dormiu? – Ele perguntou, ainda rindo.
- Sim. Qual é a graça? – Eu perguntei, franzindo a testa.
- Eu só estou feliz porque finalmente a gente vai curtir a noite! – Ele mal acabou de dizer e já me puxou pela cintura, colando os lábios nos meus, começando um beijo apaixonado e ao mesmo tempo muito quente.
Coloquei meus braços em seu pescoço e ele percorria as minhas costas com as mãos, às vezes uma das mãos subia até minha nuca, parando em meus cabelos, fazendo carinho de leve em meu rosto enquanto nos beijávamos.
Ficamos juntos assim por muito tempo, mas estava ficando tarde e eu achei melhor pedir pra ele ir embora.
- . – Eu disse com certa dificuldade, por estar ofegando por causa do beijo.
- Hum? – Ele só gemeu, com sua testa encostada na minha, me fazendo carinho nas bochechas com as mãos.
- Acho melhor você ir, eu tenho que me preparar mentalmente pra encarar o amanhã de manhã. – Eu disse, olhando nos olhos dele, que concordou com a cabeça em seguida.
Andamos até a porta e eu a abri, ele veio por trás de mim, beijando meu pescoço de leve, me causando arrepios dos pés à cabeça. Eu continuei virada para a porta, enquanto ele passava as mãos em meus ombros, que desciam pelos meus braços, parando em minhas mãos. Ele as pegou e entrelaçou seus dedos nos meus, me abraçando apertado e, depois de um tempo, me virando para olhá-lo.
- Apesar de tudo que aconteceu, essa foi a melhor noite da minha vida ou pelo menos, parte dela. – Ele disse, olhando nos meus olhos, me fazendo sorrir.
- Foi a minha também, mas parte dela com certeza! – Eu disse e ele sorriu também.
Ele tirou uma mecha do meu cabelo e o colocou atrás da minha orelha, me fazendo fechar os olhos automaticamente só por sentir o toque da sua mão. Ele se aproximou devagar e me beijou, um beijo cheio de ternura. Eu nunca imaginaria o assim, nem em meus sonhos mais loucos. Ele se afastou e deu um beijinho na ponta do meu nariz, me fazendo sorrir.
- Boa noite, . – Ele falou, me abraçando.
- Boa noite, . – Eu disse perto do ouvido dele, que se contorceu um pouco.
- Não faz isso não, dá arrepios. – Ele falou no meu ouvido, me fazendo arrepiar.
- Então porque você está fazendo, hein? – Eu ri, me afastando dele.
- Tchau, até amanhã. – Ele disse, me dando um selinho.
- Tchau. – Eu falei e ele saiu. Fechei a porta em seguida e corri para o meu quarto.
Não iria dormir, sabia disso. Essa noite foi muito turbulenta e maravilhosa, só por parte de mim e mesmo. Amanhã, eu já estou vendo que vai ser uma barra. Só espero que a esteja melhor quando acordar.
End of 's Point Of View.
Acordei com uma puta dor de cabeça e com os olhos mais inchados que tudo. Ainda bem que eu coloquei o despertador pra tocar. Não queria ficar em casa, então eu vou à igreja onde a Iris levou eu e a quando nós chegamos em Londres.
Fiz minha higiene matinal, tomei meu café da manhã, troquei de roupa e saí de casa, sem celular. Tudo sem fazer nenhum barulho pra não acordar a . Não queria ninguém me perturbando logo agora de manhã. Se eu pudesse, evitaria todo mundo hoje, mas como nada é fácil e simples na minha vida, com certeza eu vou ter que aturar pelo menos muitas ligações.
A igreja não era muito longe de casa, então eu iria a pé sem problemas. O dia estava muito bonito, já tinha muitas pessoas na pracinha perto do prédio, aproveitando o sol que era muito raro em Londres. Eu vi um casal de namorados perto da fonte, que fez meu coração doer de novo. O maior problema é rever as lembranças a cada esquina que eu vou. Senti as lágrimas encherem meus olhos e as deixei cair, chegando à igreja.
Apenas me ajoelhei em um dos bancos e chorei, chorei com todas as forças, tirando de mim essa dor. Eu agora vou sair daqui renovada. Outra .
's Point Of View:
Cara, que bagunça ficou a casa do !
Eu e a Rafa passávamos pela sala desviando das garrafas no chão, entre outras coisas espalhadas pelo lugar. Subimos as escadas e nos deparamos com o da mesma forma que deixamos ontem.
- Acorda, dude. – Eu dizia, sacudindo o , que praticamente não se mexeu.
- ! – Rafa gritou e o acordou assustado pelo barulho.
- Merda, minha cabeça! – Ele dizia, se sentando com as mãos na cabeça, com certeza a ressaca ia ser brava.
- Ela vai doer ainda mais, pode acreditar. – Eu disse sério, o não deve nem lembrar o que aconteceu ontem.
- O quê vocês estão fazendo aqui? – Ele disse, agora parecendo reparar em mim e na Rafaella.
- Viemos te acordar, você tem que tomar um banho e vir com a gente pra casa do . – Eu falei, tentando fazê-lo levantar.
- Pra casa do ? Ah não, dude, minha cabeça está doendo. – Ela falou, deitando na cama de novo, o que fez a Rafa soltar um suspiro pesado. É, aquilo não ia ser fácil.
- Dude, você não tem noção do que fez ontem. Você está ferrado, cara! – Eu falei, teria que abrir o jogo pra ele antes da gente saber o que de mais grave aconteceu na vida da .
O levantou, meio que assustado, depois do que eu falei. Ficou olhando pra mim com uma cara de “não acredito”, que me deixou preocupado.
- O que foi, ? – Rafa perguntou, percebendo a tensão.
- Com quem, ? – Ele ainda olhava pra mim quando disse.
- . – Falei simplesmente, pra mim ele já sabia a resposta. Ele sentou na cama e abaixou a cabeça.
- Não foi um pesadelo então... – Parecia-me que ele falava pra si mesmo. A Rafa olhou pra mim com olhar de pena.
- Dude, eu não sei o que está na sua cabeça, mas o que eu sei é que você fez uma coisa terrível com a ... – Eu comecei a dizer, mas ele me interrompeu.
- A conversa no meu quarto, a dizendo que ainda tinha algo mais grave pra dizer?
- Sim. - Ele abaixou a cabeça de novo, me parecendo desesperado.
- , você tem que tomar um banho, comer algo pra gente poder ir lá pro . Já está todo mundo esperando a gente lá, menos a , que me parece não ter acordado ainda. – Rafa disse depois do longo silêncio.
- Ela vai contar o que aconteceu com a e que você a fez lembrar quando fez a burrada ontem. – Eu disse baixo. Por mais que ainda sentisse raiva do pelo que ele fez, eu entendo que ele não queria fazer nada daquilo. Ele estava bêbado e isso o fez perder a noção das coisas.
- Eu vou me arrumar. – Ele disse baixo, se levantando.
's Point Of View:
- Até que enfim vocês chegaram. – Escutei o dizer lá na sala.
Cheguei à sala e vi o , o e a Rafaella que tinham acabado de chegar. Todos estavam muito tensos e agora só faltava eu ligar pra .
- Eu vou ligar para a , pessoal. - Eu disse pegando o telefone e discando o numero da casa das meninas.
- Alô? – Uma voz sonolenta atendeu.
- Dormindo até agora, linda? – Eu disse e ela riu.
- É, você me acordou.
- Já está todo mundo aqui, só esperando você.
- Ok. Eu vou me arrumar e ligo pra você.
- E a ? – Eu perguntei e as atenções na sala se voltaram pra mim, principalmente o .
- Eu não sei, me parece estar dormindo ainda. Espera aí que eu vou ao quarto dela olhar.
- Ok. – Esperei na linha por um longo tempo enquanto o pessoal me olhava impaciente.
- Você está perto do pessoal? – Ela me perguntou, um pouco nervosa.
- Estou sim, por quê?
- Coloca no viva voz, . – Ela falou mais nervosa ainda, me deixando assim também.
- Gente, ela quer que eu coloque o telefone no viva voz, então fica todo mundo calado. – Eu falei para o pessoal na sala, que me olharam sem saber o porquê de tudo aquilo, na verdade nem eu sei.
- Oi gente. Diz aí quem está na sala, um de cada vez.
- . – disse rindo.
- . – falou, com a testa franzida e voz de galã de novela.
- Mary.
- Rafaella.
- . – Eu disse gargalhando.
- . – Ele falou baixo, nem sei se ela escutou.
- Tudo bem, agora me escutem. A não está em casa, eu olhei em todos os lugares, mas não estou vendo ela aqui.
- Como assim? Você não a viu dormindo ontem? – Eu disse perturbado.
- Eu vi, , tenho certeza que ela estava deitada, mas agora de manhã ela não está mais. – parecia desesperada ao telefone.
- Tentou o celular dela? – perguntou, também preocupado. só escutava tudo, mas parecia mais nervoso que todos ali.
- Ele está aqui, no quarto dela.
- Nenhum bilhete na geladeira? – Eu perguntei e o me olhou como quem me chamava de “Retardado” com os olhos.
- Não, , nenhum. Ai, meu Deus, onde a minha amiga está? – Ela parecia chorar ao telefone.
- Calma, , ela deve ter ido dar uma volta, talvez pra esfriar a cabeça. Vamos dar um tempo pra ela. Com certeza ela vai voltar pra casa. – falou, concluindo que aquela seria a única opção.
- Tudo bem, mas eu não vou sair de casa até ela voltar e... – estava falando quando ela ouviu um barulho na porta, que todos nós ouvimos também. Barulho de porta se fechando.
- Ai, meu Deus, onde é que você estava? – Ela gritou basicamente esquecendo-se do telefone, enquanto nós escutávamos tudo.
- Na igreja. Vou pro meu quarto, ok? Sem mais perguntas.
- Mas, , volta aqui! – Escutamos o barulho que, provavelmente, seria do quarto da se fechando bruscamente. Todos na sala se olhavam assustados, imaginando que, só pela voz da , ela não parecia bem. Parecia um robô falando.
- , eu vou matar você ouviu? E, , vem me buscar daqui 20 minutos. Eu quero contar essa história logo de uma vez! – Ela estava nervosa, acho que por estar vendo a amiga naquele estado.
- Tudo bem, , daqui há 20 minutos eu chego aí.
- Tchau. – Ela disse e nem esperou a minha resposta, desligando o telefone.
's Point Of View:
Cinco minutos para o chegar e eu já estou pronta. Tentei falar com a , mas ela não respondeu. Está trancada no quarto e eu nem sei se ela comeu hoje! Droga, me dá um ódio! Eu não posso fazer nada a não ser esperar ela ficar melhor.
A campainha tocou e eu fui abrir. O olhou pra mim, com um sorriso maravilhoso no rosto, que me fez sorrir apesar da raiva que eu ainda sentia.
- Oi, minha linda! Vamos? – Ele disse, quando eu o abracei.
- Vamos sim, . Eu só vou avisar a , mesmo que ela não esteja me respondendo nada desde que chegou, só está trancada no quarto.
- Ok. – Ele falou encostando-se à porta.
- ? – Eu falei, batendo na porta e recebendo o silêncio como resposta. - Eu vou sair com o . Pelo amor de Deus, me liga qualquer coisa, amiga! – De novo ela não disse nada. Nem percebi o se aproximar da porta.
- , pelo menos responde, vai! O silêncio que você está fazendo assusta a gente! – Ele falou perto da porta. Esperamos uns segundos pra ter uma surpresa.
Silence is a scary sound Silencio é um som assustador Funny feeling happened today Senti algo engraçado hoje Somewhere buried in the past Alguma coisa enterrada no passado Didn't mean much. that much anyway Não significa muito mais, de qualquer forma I know that love will never last Deveria saber que o amor não ia durar
Ela cantou a musica e se calou. Eu olhava do pra porta a todo instante, até ele me chamar.
- Isso é um bom sinal, não é? – Ele disse bem baixo, enquanto nós andávamos até a porta.
- Não sei, talvez sim. – Eu falei o que era a verdade. Eu não sabia se aquilo era bom ou ruim.
- Quem sabe, é só a gente analisar a letra. – Ele falou, enquanto a gente ia ao elevador.
- Pode ser, “Não significa muito mais, de qualquer forma”. – Eu falei abrindo aspas com os dedos.
's Point Of View:
Toda essa demora vai acabar me matando! Eu preciso saber logo o que aconteceu antes, o que vai piorar a minha situação com a . Todo mundo estava muito nervoso, ninguém falava nada, só o que às vezes falava algumas asneiras que ninguém estava dando muita atenção.
Fiquei pensando em como a estaria nesse momento. Quando a história do Ex dela veio à tona, eu que estava lá pra aconchegá-la e, agora, sou eu o causador de toda a tristeza dela! Eu não me conformo com isso! Como eu pude ser tão burro? Como eu pude tentar machucar a pessoa que eu mais amo? Não, não pode ser real. Eu vou acordar desse pesadelo a qualquer momento e...
- Oi, gente. – disse assim que abriu a porta. A feição dele e da não eram as melhores.
- Até que enfim! Eu estava quase indo lá atrás de vocês! – falou um pouco mais aliviado.
- Pessoal, eu quero acabar com isso logo. Será que vocês podem prestar bastante atenção nas nossas palavras? – falou, olhando pra todos na sala, até pra mim.
- Tudo bem. – Nós dissemos.
- Principalmente você, ! – Ela falou, apontando o dedo em minha direção.
- Eu acho que sou o mais interessado aqui, . – Eu disse baixo e só ouvi um “Que se dane” dela.
- Começando... – Ela começou se sentando no sofá e todos nós a olhávamos vidrados. - Quando a tinha 13 anos, ela conheceu um garoto chamado Filipe. Ele tinha 16 anos e parecia ser um garoto legal. Eles começaram a ficar e, depois de dois meses ficando, ele pediu ela em namoro. Ela nunca tinha namorado, na verdade, ele foi a primeira pessoa que ela beijou, então de cara ela aceitou o pedido. Eles namoravam escondidos porque os pais dela não a deixavam namorar. Viam-se pouco e, quando se viam, era junto com as amigas dela, no caso eu, e . Nós também gostávamos dele, ele fazia nossa amiga feliz e era isso que importava. Depois de uns cinco meses de namoro, não tenho certeza do tempo, nós combinamos de ir ao clube. Todos nós éramos sócios do mesmo clube onde a conheceu o Filipe. A casa do Filipe era próxima do clube, então estávamos todos indo juntos, até que o Filipe chama a pra ir à casa dele, disse que seria rápido, que era só pra ela conhecer a família dele. Ela claro, não contestou e foi com ele, enquanto eu e as meninas íamos ao clube. Depois de um longo tempo esperando a e o Filipe chegar, eu resolvi ligar para o celular da . Chamava, mas ninguém atendia. Fiquei preocupada, então convenci as meninas a irmos atrás deles. Nas proximidades do clube, em uma calçada, encontramos a agachada, chorando.
colocou as mãos no rosto, me parecia chorar. a abraçou, dizendo algo em seu ouvido. Ela respirou fundo, secou as lágrimas e continuou.
- Ela não conseguia falar, mas eu e as meninas percebemos marcas no corpo dela, roxas e vermelhas por todos os lados. A gente não sabia o que fazer e muito menos o que tinha acontecido com ela. A , como sempre, foi que pensou na solução. Nós fomos até a quadra do clube, que era bem afastada e quase ninguém entrava ali. Pedimos a pra contar o que tinha acontecido. Eu não acreditei quando a ouvi dizer: “Ele me estuprou” em meio a soluços. Eu olhava pras meninas e elas estavam mais chocadas que eu. Pedi a ela que explicasse melhor como foi que isso aconteceu. “A família dele não estava lá! Não tinha ninguém lá.” Aquele desgraçado tinha armado tudo desde o começo! “Ele me ameaçou, disse pra eu não contar a ninguém.” Ela falava cada vez mais baixo, como se sua voz estivesse sumindo pelo medo. tentou acalmá-la dizendo que nós iríamos denunciá-lo e que ele não poderia chegar perto dela, mas ela não quis. “Eu não quero me arriscar e arriscar vocês. Nada de denuncia!” tentou convencê-la do contrario, mas não conseguiu.
- Meu Deus. – Foi só o que eu consegui dizer. Eu estava desesperado! Nunca pensei que a pudesse ter passado por algo assim! Meus pensamentos foram interrompidos pela fala do .
- Ela não fez nada mesmo? – Ele dizia quase sem voz.
- Não. – Foi a vez de o dizer.
- Não acabou, gente! – falou, fazendo todos voltarem suas atenções a ela.
- Ela foi perseguida por ele durante meses, até chegar às férias de Julho. Quando as férias chegaram, ela viajou pra casa do primo em BH e ficou lá o mês inteiro. Ela rezava todos os segundos pra que Deus tirasse aquele maldito de perto dela e ele o fez! Filipe teve que ir embora com os pais pra São Paulo. Quando a voltou, ela não conseguiu acreditar que era verdade quando nós contamos. Foi basicamente a primeira vez que ela sorriu de verdade depois do que aconteceu. Um ano depois, ela começou a ficar com . Eles eram amigos há cinco anos, estudaram juntos por dois anos e, desde então, não se desgrudaram! Ele ajudou muito na volta da , na reabilitação dela. Um belo dia, nós combinamos de sair e fazer um piquenique. Eles estavam se divertindo e, de repente, aconteceu, eles se beijaram e namoraram por quatro anos e, bom, o resto vocês sabem!
- Dudes, a já sofreu demais nessa vida! – falou, impressionado.
- Aconteceram mais coisas na vida dela, gente, vocês não têm noção do tanto que ela já sofreu! – falou e todos olharam abismados pra ela. Ainda tinha mais coisa?
- Não me olhem assim não. Eu não vou contar! Essa história eu só contei porque ela deixou e, porque era necessário pra vocês verem o tanto que o ali está ferrado com ela! – Todos olharam pra mim e, parece que se lembraram do que eu fiz ontem. Eu queria não poder lembrar.
- Beleza, , eu estou mesmo ferrado com a , mas eu não tive tanta culpa no cartório sabe? – Eu falei baixo, tentando mesmo acreditar que o que eu disse era verdade.
- , você vai ter que me desculpar, mas a culpa é toda e completamente sua! – Ela falou, cruzando os braços e olhando pra mim com as feições duras.
- Eu tava bêbado!
- Porque VOCÊ quis beber! – Ela gritava.
- Se eu não estivesse bêbado, eu não teria feita nada daquilo com ela, ! ME ENTENDE, CARAMBA! – Eu gritei mais alto ainda, quase aos prantos.
- Não, ! Não tem como eu te entender agora! Você que escolheu enfiar a cara na bebida ontem à noite e fazer com que a vida da MINHA AMIGA VIRASSE UM TOTAL INFERNO! – Ela disse e eu me calei, chorando como uma criança. Desde que o me contou tudo o que aconteceu ontem e ainda mais depois do que eu ouvi agora, eu não conseguiria mais segurar o choro.
's Point Of View:
Tudo virou um completo silêncio. Só era possível ouvir o choro abafado do pelo abraço do . Eu até pensei em ir lá confortá-lo, eu entendi o lado dele porque eu já bebi pra caralho e sei como é não ter controle das coisas, mas a me mataria se eu fosse lá agora, então deixei quieto já que o já estava lá o abraçando.
Depois de alguns minutos, o levantou do sofá, pegando as chaves do carro, fazendo com que todos colocassem suas atenções nele.
- Eu vou vê-la. – Ele falou simplesmente pra .
- Não sei, , ela mal falou comigo e com o também não... – Ele a interrompeu.
- Comigo ela vai falar, .
- Ok. Leva a chave de casa então, ela deve estar no quarto até agora. – disse, entregando ao as chaves. Ela estava convencida que ele não iria desistir.
- Obrigada, . ? – Ele parou, esperando o olhar pra ele. - Espero que o estrago não seja tão grande, dude, espero mesmo. – Ele falou e o assentiu com a cabeça, depois continuou.
- Cuida dele gente, ele já vai sofrer muito por estar longe dela e pelo ódio que ela deve estar sentindo dele. Não sei se vocês perceberam, mas o ali está apaixonado pela . – Ele disse e o pessoal todo concordou, menos a , que bufou.
- Mary, você vai comigo?
- É melhor não, , se ela quiser conversar vai ser só com você! Eu espero você aqui. – Ela disse sorrindo e ele a abraçou, concordando com o que ela disse. Ele a beijou e, em seguida, saiu pela porta de casa.
End of 's Point Of View. NA. aconselho colocar You’ve Got a Friend pra tocar quando a música aparecer)
Tédio. Era isso que estava sendo resumido o meu Domingo. Era pra eu estar com o pessoal, brincado de alguma coisa retardada e rindo até falar chega, mas não, tinha que acontecer alguma coisa! Esquece, , esquece! Já passou.
Depois dessa briguinha com a minha consciência, escutei um barulho vindo da porta da frente. Pra variar, eu ainda estava trancada no quarto e não abriria tão cedo. Provavelmente era a , porque tudo ficou silencioso depois. Mas e se for um ladrão? Ou algum pervertido que sequestrou a minha amiga? Ah! Para com isso ! A está com o . Mas se não é a , seria quem?
- ? – Escutei o barulho vir da porta do meu quarto e quase dei um pulo ao ver que era uma voz masculina.
- , sou eu, o Pooh. – Ah! Que alívio! É só o fofo. - Por favor, , abre a porta pra mim, vai? – Ele pediu manhoso, não tinha como eu não aceitar, não é? Era o meu pequeno Pooh. Ele deve estar preocupado comigo.
- Você está com alguém aí? – Eu perguntei.
- Não, sou só eu, Leitão.
- Nem a ?
- Nem a . – Ele disse e depois abriu um enorme sorriso quando eu abri a porta. Tive que forçar pra não rir junto, indo correndo pra minha cama e pulando com tudo, ficando com a cara enfiada no travesseiro.
Ele não disse nada, apenas fechou a porta do quarto e sentou de leve na cama, deu um beijo na minha cabeça e me abraçou. Da maneira que eu estava, ele ficou me abraçando. Depois daquele dia, eu nunca havia me sentido tão confortável e segura. O tinha esse poder maravilhoso de me fazer ficar bem e é impressionante o fato de nós só nos conhecermos há uma semana. Quer dizer, ele me conhecer a uma semana já que eu sou fã, o conheço como ninguém!
Eu me virei para poder abraçá-lo melhor e fiz com que ele se deitasse. Aninhei-me em seu tórax, como uma criança indefesa, que eu era na verdade, e fechei meus olhos, tentando aproveitar ao máximo aquela sensação boa que ele causava em mim. Ele começou a alisar os meus cabelos, mais bagunçando do que alisando, mas eu nem ligava estava me fazendo bem mesmo! Ele fez carinho no meu rosto e começou a cantar pra mim.
When you're down and troubled Quando você estiver deprimido e confuso And you need a helping hand E precisar de uma ajuda, And nothing, nothing is going right E nada, nada estiver dando certo, Close your eyes and think of me Feche seus olhos e pense em mim And soon I will be there E logo eu estarei lá To brighten up even your darkest night Para iluminar até mesmo suas noites mais sombrias.
Foi só ele começar a cantar pra um enorme sorriso se abrir na minha boca. Porque era isso que se resumia a minha a amizade e a do . Essa musica dizia tudo!
Comecei cantar junto com ele, sem perceber, ainda abraçada a sua cintura, deitada em seu tórax.
You just call out my name Apenas chame meu nome And you know wherever I am E você sabe, onde quer que eu esteja, I'll come running to see you again Eu virei correndo para te encontrar novamente. Winter, spring, summer or fall Inverno, primavera, verão ou outono, All you've got to do is call Tudo que você tem de fazer é chamar. And I'll be there, yeah, yeah, yeah. E eu estarei lá, sim, sim, sim, You've got a friend Você tem um amigo.
If the sky above you Se o céu acima de você Should grow dark and full of clouds Tornar-se escuro e cheio de nuvens And that old north wind should begin to blow E aquele antigo vento norte começar a soprar, Keep your head together Mantenha sua cabeça em ordem And call my name out loud, yeah e chame meu nome em voz alta Soon I'll be knocking upon your door E logo eu estarei batendo na sua porta.
Ele me fez cócegas, enquanto cantava me fazendo ficar sentada ao lado dele, olhando para o seu rosto lindo. Eu amava o , isso era fato, mas não do jeito que eu amava o , era uma amizade verdadeira, mais verdadeira que qualquer outra.
You just call out my name Apenas chame meu nome And you know wherever I am E você sabe, onde quer que eu esteja, I'll come running, oh yes I will Eu virei correndo, sim eu virei. To see you again para te encontrar novamente. Winter, spring, summer or fall Inverno, primavera, verão ou outono, All you've got to do is call Tudo que você tem de fazer é chamar And I'll be there, yeah, yeah, yeah. E eu estarei lá.
Ele me abraçou de lado e eu voltei a cantar junto dele. Ele olhou no fundo dos meus olhos quando começou a cantar a próxima parte, eu nem consegui cantar junto, pois meus olhos se encheram de lágrimas que, aos poucos, caíram como balas dos meus olhos.
Ain't it good to know that you've got a friend Ei, não é bom saber que você tem um amigo? When people can be so cold As pessoas podem ser tão frias, They'll hurt you, and desert you Elas te magoarão e te abandonarão And take your soul if you let them E então elas tomarão sua alma, se você permitir Oh yeah, but don't you let them Oh, sim, mas não permita
You just call out my name Apenas chame meu nome And you know wherever I am E você sabe, onde quer que eu esteja, I'll come running to see you again (oh baby don't you know) Eu virei correndo para te encontrar novamente. (oh, querida você sabe) Winter, spring, summer or fall Inverno, primavera, verão ou outono, All you've got to do is call Tudo que você tem de fazer é chamar Lord, I'll be there yes I will. E eu estarei lá sim, eu estarei. You've got a friend Você tem um amigo.
- Hey, não era pra te fazer chorar, pequena! Desculpa. – Ele disse, secando minhas lágrimas, o que me fez rir.
- Não estou chorando de tristeza, Pooh. – Eu disse, ainda rindo e chorando, como é que pode? Eu sinceramente não sei.
- Ah, não? – Ele me olhou, assustado.
- Não, é de emoção, Pooh. Obrigada por tudo! – Eu disse abraçando ele novamente, enquanto ele sorria e me apertava com força contra seu corpo. Que sensação boa era essa, meu Deus? O só pode ser um anjo que veio me salvar.
Ficamos um bom tempo abraçados e voltamos a deitar, ficando na mesma posição que estávamos antes do começar a cantar.
- Acho melhor eu ir, pequena, a Mary está me esperando na casa do . – Ele disse, beijando minha testa.
- Ok, Pooh. – Eu disse, sorrindo e me sentando na cama.
- Eu quero que você me prometa duas coisas antes de eu ir. – Ele falou, sentando na minha frente, olhando firmemente em meus olhos.
- Diz aí, vamos ver se eu prometo.
- Primeiro: Quero que você me prometa ficar bem, eu sei que não é fácil, mas eu quero que você tente melhorar o mais rápido possível! Eu não gosto de ver você assim. – Ele disse, segurando minha mão e beijando-a logo em seguida.
- Tudo bem, isso eu posso prometer. E a outra?
- Bom, a outra eu acho mais difícil, mas vou tentar mesmo assim: Eu quero que você perdoe o . Ele está arrasado pelo que fez e, eu dou um pequeno desconto a ele por estar bêbado. – Eu abaixei minha cabeça, não podia prometer isso ao , por mais que eu quisesse não seria tão simples assim. - Pelo menos diz que vai tentar. – Ele disse, levantando meu rosto.
- Vou tentar. – Eu disse depois de um tempo e ele me abraçou.
- É para o seu bem, . Eu sei que você o ama e ele também ama você! Não é saudável ficar longe de quem a gente ama. – Ele falou, me olhando de uma maneira doce e meiga que me fez abrir um sorriso involuntário.
- , se ele me amasse, não estaria namorando outra pessoa e não teria feito o que fez comigo. – Eu disse calmamente, com o , tratar desse assunto é mais fácil.
- , eu não posso dizer o porquê dele estar com ela ainda, mas eu sei que amanhã você vai saber e vai ver que os motivos dele não ter terminado são convincentes. – Ele disse, abrindo um sorriso de lado.
- Convincentes... Tudo bem, mas não muda o que ele fez comigo.
- É não muda, mas com o tempo melhora a situação dele, não é?
- Eu não sei, . Não sei como eu vou reagir vendo ele depois disso, não sei se vou conseguir perdoá-lo, não posso dar certeza! Pode ser que melhore com o tempo.
- Posso perguntar uma coisa? – Eu assenti com a cabeça.
- Você viu o tal de Filipe depois que ele foi embora? – Ele falou bem baixo, com receio, eu acho.
- Vi. – Eu disse baixo também.
- O que aconteceu?
- Bom, eu vi ele depois de dois anos mais ou menos. Nós nos encontramos em uma festa lá na minha cidade, ele estava de férias e eu estava com o meu namorado. Imagina como eu fiquei depois que o vi! Apavorei-me achando que ele tinha voltado pra infernizar a minha vida novamente. estranhou minha atitude nervosa e eu somente disse que estava passando mal, ele foi atrás de um remédio pra mim e eu fiquei sozinha, sentada em uma cadeira. Fiquei morrendo de medo quando escutei a voz de Filipe no meu ouvido. Eu estava de cabeça baixa, então não o vi aproximar-se.
- O que ele fez, ? – me interrompeu, com uma voz muito preocupada.
- Calma, , escuta: Ele me disse “? É você mesmo?”, eu levantei a cabeça e disse “Ei Filipe”, tentando parecer o mais calma possível. Ele respondeu “, me desculpa por favor! Eu era imaturo, idiota e fui a pessoa mais horrível desse mundo pra você! Quando você viajou e eu fui embora, minha prima passou por uma situação parecida com a que eu fiz você passar. Nunca me senti tão culpado na minha vida inteira quando ela me contou o que ela estava sentindo, como foi traumatizante pra ela e eu comecei a pensar como teria sido traumatizante pra você”. Você pode imaginar que a minha cara caiu com aquilo não é?
- Uau, mas ele deveria ter visto isso antes, . Analisar só depois que aconteceu com a família dele... – ia dizendo, mas eu o interrompi.
- Isso não foi tudo não, Pooh. Escuta: Ele disse aquilo tudo e ainda complementou dizendo “Eu voltei aqui há um ano, mas não consegui falar com você. Fui à sua casa, mas você tinha se mudado, então voltei pra São Paulo pior do que cheguei aqui. Eu queria mesmo poder ter dito antes, sério, ! Me desculpa, por favor, não sei se eu aguento ficar mais tempo com isso dentro de mim. Está me matando por dentro, tudo que eu te fiz.” Eu não sabia o que dizer.
- Ele te pegou de surpresa com tudo isso. – concluiu. Eu ri.
- É... O mais engraçado foi que eu perdoei ele.
- VOCÊ O QUÊ? – gritou, assustado, me fazendo rir mais ainda.
- Foi, Pooh. Fica calmo. – Eu disse ainda rindo e ele acalmou, mas ainda com a testa franzida.
- Eu já tinha perdoado ele antes, sabe? Foi como uma das prioridades pra que eu conseguisse recomeçar a minha vida. Então ficou até mais fácil quando ele me pediu desculpas, entende?
- Ah! Agora eu entendo, , meu Leitão indefeso! – Ele disse, me abraçando e nós caímos na risada. O era mesmo o meu anjo, só ele pra me fazer rir depois desse fim de semana trágico.
- Você não tava indo embora, ? – Eu disse, ainda rindo e ele fez que sim com a cabeça, me deu um beijo na bochecha e levantou da minha cama, indo pra porta do quarto.
- ?
- Oi?
- Agora eu tenho uma boa notícia pro . – Ele disse isso e fechou a porta, rindo.
Como assim uma boa notícia? Ah, ele não se atreveria a fazer isso!
- POOH, eu vou ficar com muito ÓDIO de você, mocinho! – Eu só pude escutar um “EU SEI QUE VOCÊ NÃO VAI, É POR ISSO QUE EU TE AMO, LEITÃO!” e ouvi a batida da porta da minha casa.
- Tinha que ser o lado idiota !
Voltei a me deitar e acabei me perdendo em lembranças, lembranças não muito distantes, lembranças que por mais que eu as amasse, queria que elas sumissem da minha cabeça.
Flashback On:
- Oi, meninas lindas da minha vida! – falou quando viu eu e a entrando na casa dele junto com o .
- Isso me inclui, não é meu amor? – disse, correndo e pulando no , como sempre muito gay! Todos caímos na risada, até a , que às vezes não gosta da ‘viadagem’ dele!
- Claro, minha flor. Vem aqui me dá um beijinho! – disse agarrando o rosto do e colocando a mão na sua boca, beijando a mão e eles ficaram fazendo umas vozes de coisas eróticas (sem comentários a cena).
- Credo, seus gays, vocês vão assustar as meninas! – falou, vindo da cozinha, piscando pra mim, sorrindo, com uma feição maravilhosa no rosto. Eu sorri involuntariamente.
- Elas vão é vomitar, isso sim! – gritou da cozinha e eu gargalhei alto quando, em seguida, o e o caíram do nada no chão. Só via as gargalhadas de todos enquanto eu ia ajudar os meninos, que estava contorcendo no chão. Tadinhos!
- Tudo bem com vocês? – Eu perguntei preocupada. Só escutei os gemidos do em resposta.
- Ai, , me ajuda, meu cotovelo olha! – disse, mostrando o cotovelo sangrando e eu o ajudei a levantar.
- Vem aqui, . Tem álcool e algodão aqui? Tenho que fazer um curativo. – Eu disse, sentando no sofá com ele enquanto a ajudava o a se levantar, ainda rindo do tombo. voltou pra cozinha e o veio pra sala também. Parecia-me observar tudo com muita atenção.
- Eu tenho sim, vou pegar. – Ele disse e saiu. Eu o segui com os olhos e acabei encontrando com os olhos do , que sorriu, me deixando constrangida.
-Eu acho que vou cair também pra você cuidar de mim. – Ele falou, com uma carinha vergonhosa que me fez sorrir. Deus, como ele é lindo! Por que ele namora mesmo? Ah! Já sei, é porque a minha vida nunca é perfeita. Fazer o que não é?
- Não se atreva a fazer isso! Eu não gosto de vê vocês machucados. – Eu disse, sorrindo e ele cruzou os braços em sinal de indignação.
- Que foi?
- Ah! , ele tá assim porque você está atenciosa com o . – disse, entrando na sala com a . Eu continuei sem entender e vi o socar o no braço, nervoso com o que ele disse.
- , minha linda, ele está com ciúmes de você! Olha só a cara dele! – disse, rindo, apontando para o , quando também entrou na sala. Eu olhei para o e o vi ficar com as bochechas rosadas, dizendo algo baixo, acho que se arrependeu de fazer aquele comentário.
- Opa! O que está acontecendo aqui? – disse, quando entrou na sala com uma maleta de primeiros socorros em mãos.
- É que, pelo que os meninos disseram. O está com ciúmes porque a está cuidado de você e tal. – falou, rindo um pouco e, depois de olhar para o rosto do e ver como ele estava envergonhado, começou a gargalhar. Eu a encarei com um olhar de reprovação. - Ok, ok. Parei! – Ela disse, levantando as mãos para o alto, fazendo o e o rirem.
- Ah! Se for isso eu não ligo. Anda, , faz o meu curativo porque eu preciso de você, sabe? Eu sou muito carente! – Ele disse, se sentando ao meu lado no sofá e eu dei um tapa de leve no braço dele.
- Ai, , eu to dodói, esqueceu? Você tem que cuidar de mim e não me bater! – Ele fez bico e uma cara de bebê chorão.
- Cadê a Rafa pra cuidar de você hein, ? – Eu disse sarcasticamente enquanto pegava o algodão dentro da maleta.
- Ah, , a Rafa se esquece de mim quando está trabalhando! Ela só se lembra de mim à noite mesmo ou quando ela está de folga. – Ele disse, fazendo bico e exclamando um “ai” alto quando eu comecei a passar o algodão com álcool em seu cotovelo machucado.
- Ah, , eu também não ligaria se estivesse no trabalho! – disse e o a olhou com certa indignação.
- Que foi? Se eu tivesse um namorado, ele não receberia ligações de mim nem de manhã e nem à tarde. Só à noite mesmo, se eu não estivesse com vocês é claro! - Ela disse, fazendo os seus famosos gestos com as mãos e eu vi o ficar muito sem graça. Ele praticamente quase deu um ataque de ‘namorado’ na frente dela. To falando que esses dois vão ficar juntos?! Eu só pude cair na risada junto com o e o .
Eu terminei o curativo do depois de muitas demonstrações de frescura por causa do machucado. Depois de acabado, o me abraçou e pulou em cima de mim, fazendo um escândalo.
- Montinho na ! – Ele gritou e eu só vi aquele tanto de gente em cima de mim. Estavam me sufocando como sempre! Desde a primeira vez que eles fizeram montinho em mim, nunca mais pararam. Eles querem me matar, eu acho!
- Ai, gente! Eu to sufocando! , socorro! – Eu gritava e, aos poucos, eu via o tirar um por um de cima de mim, me levantando depois que todos já estavam de pé.
- Meu herói! Só o me ama aqui! Vocês todos querem mesmo é me matar! – Eu disse abraçando o , que também me abraçou, fingindo ser o Super-homem.
- Claro que não, , a gente ama você! – disse e todos concordaram com a cabeça.
- Vamos jogar, gente? – falou depois de um tempo que todo mundo ficou só sorrindo.
- Jogar o que, dude? – perguntou interessado.
- Ah! Não sei! Alguém tem uma ideia?
- Eu tenho! Eu e a jogávamos muito “Qual é a musica” no Brasil. Vamos jogar esse? – disse e eu já empolguei. Eu amo esse jogo muito e, agora vai ser interessante, porque a gente nunca jogou com musicas em inglês.
- Beleza! – falou e o resto do pessoal concordou.
Flashback Off
Essa foi a melhor quinta feira da minha vida! Os meninos não trabalharam a tarde e a gente combinou de antecipar a ida à casa do . Aquele jogo foi tão comédia! Saía cada musica que só de lembrar me faz gargalhar novamente. Eu vou sentir falta daquela felicidade toda que existia entre mim e o pessoal, que morreu nesse sábado.
- Acho melhor eu ir dormir, se não eu vou chorar de novo e eu prometi não chorar mais!
Capítulo 6
When everything is going wrong Quando tudo está dando errado And things are just a little strange E as coisas estão um pouco estranhas It's been so long now you've forgotten how to smile gora faz tanto tempo que você até esqueceu como sorrir And overhead the skies are clear but it still seems to rain on you E acima de você o céu está limpo, mas ainda parece chover em você And your only friends all have better things to do E todos os seus únicos amigos têm coisas melhores para fazer
- Mas que MERDA! – eu gritei, depois de acordar com o despertador do celular tocando I’ll Be Ok. Nada mais irônico que começar o dia ouvindo a voz do e escutar a música me dizer tudo que eu tinha certeza que teria que fazer, por mais difícil que fosse!
When you're down and lost Quando você estiver pra baixo e perdido And you need a helping hand E precisar de uma mão pra ajudar When you're down and lost along the way Quando você estiver pra baixo e perdido no caminho Oh just tell yourself Oh, é só falar pra você mesmo I'll, I'll be ok Eu vou, eu vou ficar bem
Desliguei o despertador e encarei a porta se abrir com uma cara assustada me encarando. não parecia entender o porquê do grito.
- Que foi? – eu disse coçando os olhos vendo ela ainda me encarar com as feições assustadas.
- Que foi? , você gritou em plena 7h da manhã depois que o seu despertador tocou! Isso não é normal. – ela falou colocando as mãos na cintura, provavelmente depois de ver a minha cara de “Você acha que eu estou ligando?”.
- , é sério! Por que você gritou, amiga? – ela perguntou, sentando-se ao meu lado na cama.
- Simplesmente porque eu me esqueci de trocar a porra da música do despertador! ACORDAR COM A MERDA DA MÚSICA DO MCFLY ME FEZ GRITAR. ENTENDEU AGORA?! – eu gritei, mas é claro que não precisava disso e eu vi a respirar fundo vendo que a minha declaração explicava tudo.
- Já entendi, mas você não precisa descontar em mim, tá? Nem descontar no resto dos meninos, que não têm nada a ver com isso! – eça disse me abraçando e eu retribui, quase demonstrando o meu pedido de desculpas.
- Desculpa, amiga. Eu vou trocar logo a música pra não ter próxima vez, ok?
- Faz isso e se arruma logo! – ela disse me soltando e indo para porta do quarto. - É O PRIMEIRO DIA DE AULA, ESQUECEU? – ela gritou depois que saiu.
- COMO EU PODERIA ESQUECER? FOI PRA ISSO QUE A GENTE VEIO PRA CÁ, LEMBRA? – eu gritei, já indo tomar meu banho.
No meu pensamento o que eu tinha acabado de dizer não fazia sentido algum e, provavelmente, a também estava pensando isso, pois os motivos maiores para que eu pudesse tomar a decisão de vir para aqui eram os meninos, o McFly, o ... PAROU! Pode parar aí, consciência, porque eu não estou a fim de chegar à minha escola nova com a mesma deprê de ontem não!
- Banho! Um banho bem quentinho vai livrar a minha cabeça desses pensamentos.
’s Point Of View:
Ah tá, ela finge que me engana! Tenho certeza de que nem ela acredita no que disse naquele momento para mim. Ai, por que a minha amiga tem que sofrer tanto? Ela é uma pessoa tão boa, quer sempre agradar todo mundo! Deus, eu possp estar enganada, mas acho que o Senhor é tão injusto com a . Eu espero mesmo estar enganada! Eu sei que o Senhor estava preparando algo bom para ela, algo definitivo, tenho certeza, pois eu confio em ti!
- É melhor eu preparar o café da manhã enquanto ela toma banho.
Parecia que eu tinha adivinhado, porque foi só eu acabar de preparar o café que a entrou na cozinha, sorrindo.
- Bom dia, flor do dia! Agora eu to mais calma! – ela disse me abraçando e me fazendo estranhar toda a alegria que ela me transpareceu. Parecia mais algo ensaiado, eu estava até um pouco assustada, mas fingi que estava acreditando nessa cena.
- Que ótimo, amiga! Parece mesmo que você está melhor, mas agora vamos tomar logo nosso café da manhã pra gente não se atrasar. – eu falei. Depois, me soltei dela e sentei-me a mesa.
- Tudo bem, mamãe! – ela disse e nós não aguentamos, caindo na risada.
Terminamos e fomos acabar de nos arrumar. Em mais ou menos 10 minutos, já estávamos prontas e saindo de casa.
O percurso até à escola era muito rápido, não demorava nem 10 minutos andando e eu e a fomos em silêncio, nenhuma palavra de ambos os lados. As palavras só surgiram quando nós avistamos a escola.
- Uau! Tem muita gente, ! – ela disse já agarrando meu braço, bem típico da .
- Tem mesmo, amiga, muita gente nova pra conhecer! – eu falei também animada.
- De todos os lugares! – Ela quase gritou e eu dei um tapa de leve no braço dela, que sorriu.
- É, de todos os lugares, mas você não precisa anunciar para o mundo a nossa chegada! – eu disse já rindo junto dela, que estava gargalhando.
- Ok, ok. Vamos entrar e pegar nosso horário? – ela perguntou já me puxando para dentro. Ela parecia mais querer ver os alunos, isso sim!
- Tá, vamos.
End of ’s Point Of View.
A escola é ainda mais linda cheia de gente! Tantas pessoas diferentes, várias nacionalidades que eu estou ficando cada vez mais impressionada a cada passo que eu e a damos.
Direcionamo-nos à secretaria e pegamos nossos horários. Os três primeiros seriam Literatura, Matemática e Inglês Geral.
- Eu pensei que aqui ficaria livre da Matemática! – eu disse desapontada.
- Calma amiga, aqui a gente estuda a Matemática base e você sabe que no inglês a gente acha tudo mais legal, não é? – falou tentando me animar, conseguindo como sempre.
Nós caminhamos pelo imenso prédio da escola subindo até o segundo andar. Olhamos os números das salas procurando o numero 223, a sala de Literatura.
- 221, 222... Ali! 223! – eu disse, encontrando a sala.
- Agora a pior parte... – disse fazendo uma careta.
- Vamos acabar logo com isso e entrar. – eu falei baixo, já encostada à porta. bufou, mas me seguiu.
- Com licença, podemos entrar? – eu perguntei após bater levemente na porta, abrindo-a em seguida.
- São as novas alunas? – Um homem bonito de cabelos bem loiros e olhos como o céu perguntou. Provavelmente ele é o professor, LINDO!
- Sim! – Foi a vez de a responder, muito alegrinha, por sinal. Para alguém que não queria entrar na sala, ela melhorou muito! Prendi o riso.
- Claro, podem entrar! e ? – ele disse trocando nossos nomes e dizendo com certo sotaque, acho que esforçando para dizer corretamente.
- Não! Eu sou a ! – disse sorrindo.
- E eu a . – eu disse um pouco mais quieta já que foi agora que eu percebi que todas as atenções da sala estavam em cima de mim e da .
- Tudo bem, desculpem, meninas. Podem se sentar! – ele disse muito carismático.
Eu e a olhamos pela sala para encontrar carteiras vazias, encontramos duas, mas o detalhe era: as cadeiras eram duplas e as que estavam vazias eram uma do lado de um menino e outra ao lado de uma menina uma carteira depois.
me encarou e sorriu, não sei por que, e começou a andar em direção as carteiras vazias, sentando ao lado da menina. Está explicado o porquê do sorriso! Eu bufei e me direcionei a carteira e sentei ao lado do menino.
O menino me olhou com aqueles olhos perfeitos! De um verde super claro! Melhor do que que me lembram uma certa pessoa que eu quero esquecer. O menino deu um sorriso discreto que eu retribuí meio envergonhada. Ouvi a conversar com a menina que estava ao seu lado e me lembrei: quando chegar a casa, afogá-la na privada!
A aula de Literatura havia começado há uns 15 minutos e eu só conseguia pensar nesse menino do meu lado. Ele me parece perdido, com um dicionário escondido que parecia ser do Brasil. Brasil? ELE É BRASILEIRO? Aff, agora eu vou ter que perguntar porque antes eu não queria, pois eu estava com vergonha e...
- Oi? – Escutei uma voz linda me interrompendo em um inglês com bastante sotaque.
- Oi! – respondi baixo e com vergonha. Ele sorriu envergonhado e leu algo no livro.
- Qual é o seu nome? – ele perguntou bem pausadamente, tentando pronunciar corretamente. Provavelmente ele deveria achar que eu já falava inglês e que não entendia o Português. Ele teria uma surpresa.
- Meu nome é , e o seu? – eu sussurrei em português e o vi abrir um pouco a boca, admirado. Sorri.
- Como você... ? – Ele não sabia o que dizer e eu sorri novamente.
- Sou brasileira e você ainda não respondeu a minha pergunta! – eu disse ainda baixo, mas feliz por ele ter sorrido depois da minha resposta.
- Uau! Ah! Desculpe, eu me chamo Carlos, prazer em te conhecer! – ele disse sorrindo e envergonhado.
- O prazer é meu, Carlos. – eu falei e abaixei a cabeça, voltando a olhar para o professor.
O professor bonitão que se chama Charlie continuou explicando a matéria enquanto eu e o Carlos não falamos mais nada. Prestamos atenção ao resto da aula de Literatura até o sinal soar.
- Qual é a sua próxima aula? – Carlos me perguntou depois que eu levantei com as minhas coisas em mãos.
- Matemática! – respondi fazendo careta. Quando ele ia responder, a nos interrompeu.
- Oi amiga, quem é ele? – Curiosa como sempre. Eu ri.
- , esse é o Carlos, ele é brasileiro também! – eu disse e a abriu um sorriso malicioso enquanto o Carlos também sorria, tentando entender o que estávamos dizendo.
- Carlos, esse é a , ou só . – eu disse em português para facilitar para ele. Ele sorriu e pegou na mão da .
- Prazer em conhecê-la. – ele disse rindo e depois se virou para mim. - Parece que as nossas aulas são as mesmas!
- Então vamos pra sala de matemática, mas você tem que tentar falar em inglês, se não, vai ser complicado você aprender. Eu sei que é difícil, mas eu vou ajudar você, ok? – eu disse já andando com o Carlos ao meu lado, a , e a menina que senta do lado dela que eu ainda não sabia o nome.
- Tudo bem, obrigado, ! – ele disse já em inglês. Eu sorri.
- Muito bem! Até que o seu inglês não é ruim, sabia? E até eu fico em dúvida com muita coisa! – eu falei e vi a prender o riso. Nem vou imaginar o que ela deve estar pesando.
- , eu me esqueci de te apresentar a Melissa! Melissa, essa é a e o Carlos.
- Oi, Melissa, desculpa a minha amiga, ela é meio lesada mesmo! – eu gargalhei depois disso e o Carlos e a Melissa me acompanharam. bufou.
- Oi, , Carlos. – Carlos acenou para ela, envergonhado também. Achava que ele estava com medo de errar a pronúncia.
- Ah! Pessoal, me chamem de , ok? – eu disse sorrindo enquanto nós descíamos as escadas.
- Ok! – disseram o Carlos e a Melissa juntos.
- Onde é a sala? – perguntou olhando para os lados no corredor do primeiro andar.
- É logo ali na frente! Número 142. – Melissa respondeu.
- Você é de onde, Melissa? – eu perguntei.
- Sou da Irlanda, mas me chamem de Mel. – ela disse sorridente. A Melissa era loirinha com os olhos super verdes, branca e seus cabelos eram enrolados nas pontas. Ela parecia mais uma boneca Barbie ou uma patricinha daquelas nojentas, mas ao contrário, ela era um amor de pessoa, super simpática! Ela me lembrava muito a .
- Tudo bem, Mel. Você sabia que o ‘mel’ no nosso país significa o doce que as abelhas produzem? – eu disse e a e o Carlos sorriram com a coincidência.
- É mesmo, Melissa! Você é uma pessoa tão doce que até seu nome diz isso no português! – disse sorridente abraçando a Melissa que ficou vermelha.
- Obrigada, pessoal, eu nem sabia disso! –ela disse ainda envergonhada, parando na frente de uma porta do corredor.
- Nossa sala? – Carlos perguntou.
- É sim! – ela respondeu.
- Então, vamos entrar e enfrentar a dura matemática! – eu disse sarcástica puxando todo mundo para dentro da sala, que entraram gargalhando.
A aula de matemática foi até muito legal. Tinha outro professor não tão bonitão como o Charlie de Literatura, mas era muito mais simpático e engraçado! O nome do professor de cabelos pretos, olhos cor de mel e uma boca maravilhosa era Kevin e ele vinha dos Estados Unidos da América! Literalmente havia uma grande diversidade de culturas nesse colégio!
Eu, a , o Carlos e a Mel, resolvemos fazer rodízio nas aulas. Já que eram as mesmas nos três primeiros horários, combinamos que: na aula de Literatura, iria ficar eu e o Carlos, e a Mel. Na aula de Matemática, ficaria eu e a Mel, e o Carlos. E, na aula de Inglês Geral, iria ficar eu e a , o Carlos e a Mel.
Veio o intervalo depois da interessante aula de inglês geral. Geral mesmo, pois só nessa aula a gente estudou Geografia, História e Física! Claro que foram somente as teorias principais. Fomos até a enorme cantina da escola e eu, a , o Carlos e a Mel, nos encaminhamos até a área da lanchonete. Minha boca abriu e eu não fui a única não! Só a Mel que não se impressionou porque ela já está na escola há uma semana.
- Caramba, quanta comida! – disse olhando a ‘vitrine’.
- É tudo de graça mesmo? – eu perguntei assustada.
- Tudinho! – Mel disse com um enorme sorriso.
- E é gostosa a comida, Mel? – Carlos perguntou já de olho em alguma coisa.
- Eu ainda não tive tempo de comer de tudo, mas as que eu comi... Vocês vão ver! Escolham! – Mel respondeu já pegando o seu prato.
- Ah, Mel, dá uma dica aí, vai? – Eu fiz a carinha de cachorro pidão.
- Ok! Esse aqui é uma delícia! E esse também... – Melissa foi apontando os que ela já havia comido e nós fomos escolhendo nossos pratos.
Depois da melhor hora do dia acabar, no caso, o lanche, restava agora saber qual seria a próxima aula.
- E aí, qual é? – me perguntou e eu olhei no papel que dizia: 4º e 5º horários, aulas de arte.
- Aqui diz aulas de arte. Como assim, Mel? – eu perguntei.
- Eu particularmente adoro essa parte! Bom, a gente vai ao segundo prédio e vocês vão se inscrever em aulas específicas. Tem de tudo, de esportes as aulas de teatro! – ela disse gesticulando e puxando a gente para o pátio que dava acesso ao segundo prédio.
- Ah! Então foi isso que a supervisora disse quando a gente chegou, ! – disse tentando acompanhar a Mel.
- É mesmo! Que bom, e são as duas últimas aulas! Eu vou fazer aulas de piano! – eu disse sorridente e dando pulinhos idiotas como eu sempre faço quando estou muito empolgada com algo.
- Podem ser feitas quantas aulas, Mel? – a perguntou.
- No máximo duas aulas diferentes, pois são somente dois horários. – ela disse sorridente, já entrando no segundo prédio.
- Eu vou fazer aula de dança e piano! – eu falei mais empolgada ainda.
- Eu vou fazer de dança e vôlei! Tem vôlei, não é, Mel? – perguntei.
- Tem sim, ! – Mel disse já entrando em uma sala que parecia a supervisão, onde se fazia as inscrições.
- Você vai fazer o que, Carlos? – eu perguntei para o Carlos que estava muito calado, tentando entender o que dizíamos.
- Eu? Ahn... Acho que vou fazer basquete e dança. – Esse último ele disse bem baixo.
- Que foi? Vergonha de dizer que vai fazer aula de dança? – eu perguntei e vi-o ficar vermelho, balançando a cabeça em sinal de confirmação.
- Deixa de besteira, Carlos! Não tem problema nenhum homem dançar! Esses preconceitos são só no Brasil! Ainda mais que você vai estar comigo e com a na aula. – eu disse sorrindo tentando fazê-lo melhorar as feições envergonhadas.
- E eu também! Meus cursos são dança e teatro! – Mel disse bem alegre.
- Oba, todo mundo junto em dança! GOSTEI! – como sempre escandalosa gritou dentro da sala da supervisão. Eu dei nela um tapa de leve e recebi um “Ai ” em resposta. Todos nós sorrimos.
- Oi, eles vieram fazer a inscrição para as aulas de arte. Alunos novos. – Melissa disse apontando pra gente que ainda conversávamos animados.
- Tudo bem! Quem vai ser o primeiro a se inscrever? – A moça simpática ruiva de olhos perguntou.
- EU! – já foi correndo para a mesa da moça gritando. Lado escandaloso atacando novamente. Melissa gargalhou com a cena e a olhou para mim. Eu cruzei meus braços.
- Que foi? – ela perguntou como se não soubesse.
- Nem comento essa cena sua, mocinha! Fazendo-me passar vergonha em público logo no primeiro dia de aula! OMG! – eu disse já gargalhando e todos no local me acompanharam.
- Ok, amiga, desculpe! Voltando as inscrições, eu quero vôlei e dança! – ela disse empolgada para a moça que sorriu.
- Já veio decidida, não é? – ela disse fazendo a inscrição da no PC.
- Lógico! – ela sorriu e saiu de perto da mesa.
- Eu vou agora. – eu disse, já imaginando que o Carlos ficaria com vergonha de ir. Ele me olhou e sorriu de leve.
- E você já sabe o que quer? – A moça me perguntou.
- Sim! Eu quero dança e piano! – eu disse sorridente.
- Tudo bem, o próximo! – ela falou e o Carlos se aproximou devagar, vergonhoso. Ele é fofo demais, mas brasileiros vergonhosos são os piores! Eu é que sei, conheci vários! Sorri de leve.
- Suponho que você também já sabe, não é? – ela perguntou sorrindo para o Carlos, que retribuiu concordando com a cabeça.
- Quero basquete e dança. – ele disse até melhor a palavra dança. Não me parecia ter mais vergonha ou disfarçou bem!
- Ok! Todos estão devidamente inscritos, podem se dirigir as aulas. – A moça falou apontando os corredores e a Mel se dirigiu até eles, enquanto nós a acompanhávamos.
Chegamos ao segundo andar do prédio onde já se podiam escutar barulhos variados de instrumentos, pessoas cantando, entre outras coisas. Melissa parou na frente de uma porta que dizia: ‘dança’.
- Essa é a nossa sala! Nós vamos fazê-la primeiro ou vamos fazer no último horário? – Melissa perguntou parada de frente para nós. Olhamos-nos, tentando achar uma resposta.
- Mel, que horário que você faz aula de dança? – perguntou.
- Eu faço geralmente no último. – ela respondeu.
- Então nós também vamos fazer no último! – eu disse sorridente e todos concordaram com a cabeça.
- Ok, então! Bom, Carlos e , vocês que vão fazer esportes, desçam aquelas escadas ali pra chegar até as quadras. , sua sala é logo ali na frente, está escrito ‘piano’ na porta! – Mel disse gesticulando e apontando com as mãos para os lugares que ela estava falando.
- Obrigada, Mel! – eu, e Carlos dissemos. Nos despedimos e cada um foi para a sua aula específica.
- De nada, gente! Nos vemos daqui a pouco! – ela disse indo até a sua sala e entrando.
Caminhei pelo corredor e localizei a porta da sala onde continha ‘piano’ escrito. Entrei um pouco nervosa, sem saber o que eu encontraria. Me impressionei quando vi a enorme sala. Como era grande aquele lugar. Pelo que eu tinha contado, eram nove pianos maravilhosos! Meu Deus, só podia ser um sonho mesmo!
- Oi, aluna nova? – Uma mocinha morena de olhos castanhos me perguntou.
- Sim. – eu disse sorridente.
- Me acompanhe que eu vou encaminhar você até o seu professor. – ela disse andando e eu acompanhei. Ela parou ao lado de um rapaz; rapaz mesmo, porque ele deveria ter uns 30 anos.
- Oi, Jared, essa é uma nova aluna que se chama... – ela disse apontando pra mim e eu me apressei em responder.
- Me chamo , . – disse simpática e ele estendeu a mão em minha direção que eu, claro, peguei.
- Fez uma excelente escolha, . Piano é algo fascinante, você verá! – ele disse com um sorriso maravilhoso no rosto, e quando eu digo maravilhoso, é porque é MUITO maravilhoso!
- Obrigada. – eu respondi simplesmente.
- Bom, agora que você já está com o seu professor, eu vou me retirar. – A moça disse.
- Hey, espera! Você não disse o seu nome! – eu falei, impedindo a ida dela.
- Ah sim! Desculpe-me. Me chamo Isabella, mas chama de Bella, ok? – ela respondeu, voltando e estendendo a mão para mim. Sorri.
- Ok, Bella, me chama de ! – eu disse pegando na mão dela.
- Ok, , agora eu vou mesmo. Tchau. – ela disse se afastando e acenando.
- Vamos à aula, então? – O professor lindo e com o sorriso mais maravilhoso do mundo todo me perguntou. Ele tinha o cabelo lisinho e arrepiado naturalmente. Seus olhos, dependendo da luz, podiam ser verdes ou . Além do sorriso maravilhoso!
- Tudo bem.
O sinal soou e eu estava até indo muito bem para uma iniciante. Não sou eu que estou dizendo, não, foi o professor lindo que disse isso! Despedi-me do professor e da Bella e fui me encontrar com o pessoal.
Avistei a Melissa vindo em minha direção, sorridente.
- E aí, ? A sua aula foi boa? Gostou? O professor é o bonitão, não é? – ela dizia tudo isso muito rápido e eu gargalhei.
- Calma, Mel, uma pergunta de cada vez. Sim, a aula foi boa, sim, eu gostei, e sim, o professor é MUITO bonitão. – eu disse em meio à gargalhada e a Mel me acompanhou rindo também.
- Vamos lá atrás do Carlos e da ? – ela me perguntou.
- Ir lá? Por quê?
- Bom, porque, obviamente, eles devem estar tomando uma ducha agora e se a gente não apressá-los, nós vamos nos atrasar para a aula! – ela dizia já me puxando pelo braço, indo em direção à escada que dava acesso às quadras.
- Ainda bem que têm os dez minutos a cada intervalo, se não a gente se atrasaria para todas as aulas! – ela disse ainda gargalhando quando nós chegamos às quadras.
- É verdade! – eu disse agora a acompanhando para o que seria o banheiro feminino.
- , você está aqui? – Mel disse, quer dizer, Mel gritou dentro do banheiro.
- Aqui, meninas! – gritou ao fundo e em seguida nós a vimos abrir a porta do box, enrolada em uma toalha.
- Amiga, arruma logo pra gente ir pra aula de dança! – eu disse meio que jogando as roupas dela em cima da cabeça dela.
- Tudo bem! Eu tenho ainda cinco minutos! Por que vocês não vão chamar o Carlos, hein? – ela disse ironicamente, vestindo as roupas.
- Ah, é claro! Olha eu lá entrando no banheiro masculino gritando: ‘Carlos, anda logo aí no banho’, você jura, né? – eu disse sarcasticamente e depois caí na risada, fazendo as meninas me acompanharem.
- Eu vou pra porta do banheiro masculino esperá-lo, tá? – Mel disse saindo do banheiro.
- Eu acho que a Melissa gosta do Carlos. – eu cochichei para a que sorriu de leve e fez que sim com a cabeça.
- Mas eu acho que o Carlos gosta de você! – ela falou apontando para mim, já penteando os cabelos.
- Tá maluca, ? Claro que não, ele não gosta de mim não! – ru disse mexendo a cabeça freneticamente, negando. Ela gargalhou.
- Então tá, senhora ‘arraso os corações no primeiro olhar’. Depois você me conta viu? – ela disse isso pegando a bolsa e me deixando sozinha no banheiro. Eu estou tentando assimilar a ideia. Será que o Carlos falou algo pra ela? Aff, chega consciência, nada de relacionamentos! Já bastava o tanto que eu já sofri!
Saí do banheiro e encontrei a vindo junto do Carlos e da Melissa. Eles sorriram e eu sorri junto acompanhando os passos em direção às escadas.
- Agora a melhor parte! – Mel disse saltitante já parada a porta da sala.
- Por que melhor parte? – Carlos perguntou.
- Porque a aula de dança é a melhor! Teatro nem chega aos pés! – ela disse abrindo a porta.
- Então vamos nessa! – disse entrando com a Mel. Carlos me encarou com um sorriso meio assustado que eu retribuí com um acolhedor.
- Você vai se sair bem! – eu disse baixo, perto do ouvido dele. Ele sorriu e concordou com a cabeça.
- Bom dia pessoal! – Uma mulher ruiva falou assim que eu e o Carlos entramos na sala. e a Melissa nos chamaram para onde elas estavam.
- Bom dia, Sra. Rodriguez. – Os alunos que estavam lá disseram, provavelmente já tinham aula com ela há algum tempo.
- Sra. Rodriguez? Ela é de onde? – eu cochichei para a Mel e a e o Carlos ficaram atentos a resposta também.
- Ela nasceu no México, mas ela mora aqui desde pequena. – Mel disse sorrindo e nós voltamos nossa atenção à professora.
- Novos alunos? – ela perguntou e a Mel fez sinal para que nós levantássemos as mãos. Levantamos em seguida com certa vergonha que acabou logo depois de ver tantos alunos novos na sala.
- Muito bem! Sejam bem vindos! Vamos às apresentações da aula passada, vocês que são novos só vão observar ao meu lado pra que eu possa mostrar a vocês um pouco dos passos e regras da dança da semana, no caso valsa. Tudo bem pra vocês? – ela perguntou se aproximando da gente e trazendo com ela os outros alunos novos.
- Tudo bem, professora. – dissemos todos juntos. Ela sorriu e nos colocou em um lugar apropriado para que nós pudéssemos assistir as apresentações de valsa. Eu queria tanto aprender a valsa! ara que ainda tenha aula.
Melissa se despediu da gente e levantou-se, indo em direção para o que seria o vestiário, mas ela nem falou para gente que ia apresentar! Vai ver ela estava com vergonha.
- A Mel nem disse que ia apresentar hoje. – disse meio indignada. Como sempre, ela pensou o mesmo que eu. Minha best parecia demais comigo, eu até estranhava às vezes.
- Eu pensei nisso agora, vai ver ela estava com vergonha. – eu falei meio que cochichando, porque a professora começou a dizer algo sobre a valsa.
Encerrou-se a apresentação que, por sinal, foi muito linda. Principalmente a Mel. Ela ficou muito graciosa no vestido de valsa.
Ficamos eu, a e o Carlos, esperando a Mel se trocar para a gente poder se despedir. Finalmente a gente ia para casa depois do primeiro dia de aula.
- Podemos ir, gente! – ela disse sorridente andando até a porta.
- Melissa, você dança muito bem! – Carlos disse deixando a Mel, que é branquinha, super vermelha de vergonha.
- É mesmo, Mel, e aquele vestido é maravilhoso! – disse e a Mel sorriu.
- Que nada, gente, obrigada! Mas o que vocês vão fazer agora? – ela perguntou tentando mudar de assunto.
- Eu e a temos que almoçar para ir trabalhar. – eu falei fazendo uma leve careta e a concordou com a cabeça.
- Eu vou trabalhar também, só que com o meu tio que mora aqui. – Carlos falou.
- Ah! Então a gente só vai se encontrar na escola? Seria tão legal a gente sair e fazer uma farrinha por Londres! – Mel disse bem animada. Nem parece que ela é festeira assim com aquela carinha angelical. Ela engana mesmo.
- Bom, vocês podem ir lá pra casa, quer dizer, pra república onde eu moro. Vai ter uma festa lá hoje a noite, aniversário do Paul. Ele é da nossa sala também e parece que a escola toda vai estar lá hoje!
- Oba! Mas onde você mora, Carlos? – eu perguntei. Estava interessada mesmo, porque provavelmente os meninos iriam lá para casa naquele dia e eu tinha que dar um jeito de não estar lá! Não estava preparada para aquilo ainda.
- Ah! Eu moro aqui perto da escola, duas quadras mais ou menos, e você? – ele me perguntou curioso.
- A gente mora bem perto! Nossa casa é mais ou menos uma quadra, né, ? – eu disse apontando pra ela, que estava distraída no pátio, vendo uns meninos maravilhosos passarem. Eu dei um tapa nela para ela poder voltar a realidade.
- Ai! Que foi? – ela perguntou franzindo a testa enquanto a Mel e o Carlos gargalhavam.
- Você não toma vergonha não? Fica aí olhando esses meninos lindos e nem me escuta falando com você! – eu disse gargalhando também. Achei melhor não citar o . Vai que a Mel é fã do McFly? A gente iria sofrer um monte de perguntas. Mas se o visse essa cena, ela com certeza apanharia dele! Mentira, ele não aguenta com ela.
- Ah, amiga, desculpa. O que você falou? – Ela fez aquela carinha de criança quando apronta e quer dar um calote na mãe.
- Que nós moramos a uma quadra daqui.
- É sim, não demora mais de dez minutos andando. – ela confirmou e eu concordei com a cabeça. - E você, Mel? – perguntou.
- Eu moro um pouquinho mais longe, mas meu pai me leva lá. – ela disse sorridente.
- Então todo mundo vai? – Carlos perguntou.
- A gente confirma mais tarde. Pega aí nossos telefones. – eu disse.
Depois de nós trocarmos os telefones, cada um foi para o seu lado.
Eu e a chegamos a casa e a primeira coisa que nós fizemos foi dividir as tarefas.
- Quem faz almoço hoje? – eu perguntei do meu quarto. (lê-se gritei)
- Pode ser você, eu arrumo a cozinha. – ela respondeu, entrando no meu quarto.
- Tá bom, ainda bem que a gente tem duas horas e meia. – eu disse pegando minha toalha.
- É mesmo. Me deixa tomar banho primeiro? – ela perguntou.
- Por quê? Você também tem seu banheiro, esqueceu?
- Eu tenho, mas alguém tem que atender telefone e atender a porta, né? – ela disse como se fosse óbvio.
- Você chamou alguém pra vir aqui? – eu perguntei assustada. Só me faltava ela ter chamado os meninos para vir almoçar.
- Não, mas acho que o vai me ligar. – ela disse sorridente.
- Tá bem então, mas eu acho que não quero falar com o . – eu disse fazendo careta e sentando na cama.
- Amiga, eu não vou demorar no banho! Talvez ele nem ligue agora, talvez ele ligue quando eu acabar. – Ela fez aquela cara meio que dizendo ‘você não pode pensar assim’ e eu resolvi não dizer mais nada.
- Ok, vai logo então. – eu falei sorrindo.
- Fica com o celular. Vai ver ele liga pra ele. – ela disse me dando o celular e saindo do quarto em seguida.
Olhei no visor do celular dela e vi uma foto nossa, a foto que a gente tirou na casa do . Estava na foto o , eu do lado dele, do meu lado o , o do lado dele, a do lado do e o ao lado da . Todos bem juntos, sorridentes, felizes. Senti meu olho encher de água ao ver como eu estava bem ao lado do , ele segurava a minha mão. Lembro-me bem desse momento.
Flashback On.
- Vamos tirar fotos, gente? – eu disse com a câmera do em mãos enquanto todo mundo atacava as pizzas que estavam na mesa da cozinha.
- Foto? Ah não! Eu nem arrumei o meu cabelo, ! – disse indignada com o meu comentário porque os meninos gostaram da ideia da foto.
- Que isso, , você está linda assim. – disse acho que sem perceber e a abriu um sorriso enorme toda envergonhada e todo mundo começou com as brincadeirinhas do tipo ‘Huu’,’Isso vai dar namoro, hein?’ e ‘Que fofura’.
- Então tá, gente. Vamos parar de zoar os dois e vamos tirar as fotos! – eu disse chamando todo mundo pra perto do lindo quintal da casa do .
- Isso! Vamos todo mundo pra perto das lindas flores! – disse com uma voz tão gay, mais tão gay que eu gargalhei alto. voltou a ser o gay de sempre e correu para o lado do , os dois pararam perto das flores e começaram a fazer declarações de amor um para o outro.
- Que nojo, seus viados! Dá pra parar? – disse rindo, entrando no meio dos dois.
- Ai, , ‘amoreco’, eu sei que você está com ciúmes! Vem aqui vem! – disse abraçando o e fazendo biquinho, já o fechou a cara, fingindo ciúmes dos dois. Eu novamente gargalhei alto e o veio para o meu lado gargalhando também.
- , amor da minha vida pacata, vem aqui também! Tem lugar para os dois no meu coraçãozinho! – falou abraçando os dois, que pularam em cima dele, caindo no gramado do quintal. Eu me aprontei em tirar fotos das cenas, que ficaram lindas, por sinal.
- , você tem talento pra fotos, sabia? – disse vendo as fotos que eu tinha tirado enquanto os meninos levantavam do chão, cheios de folhas e terra.
- Obrigada, , se você diz... – eu disse sorridente já pegando a máquina de volta para começar a sessão de fotos.
- Vamos tirar as fotos ou não? – eu gritei para o pessoal que concordaram com a cabeça.
- Oi gente, chegamos! – Escutei a voz da Mary vindo da porta que dava acesso ao quintal.
- Mary, Rafa! Chegaram na melhor hora, estamos indo tirar fotos! – eu falei para elas, apontando a máquina com as mãos. Elas sorriram, se dirigindo para perto das flores onde os meninos estavam.
- Guys, juntem aí que eu vou tirar as fotos! Nada de palhaçada, meninos! – Eles fizeram cara de ‘Claro, mamãe’ com o maior sarcasmo possível.
- , vem aqui tirar com eles, eu tiro a foto! – Mary disse pegando a câmera da minha mão e eu me dirigi pra perto dos meninos. se apressou, colocando-se ao meu lado e me abraçando, segurando minha mão. Como sempre, se aproveitando da situação!
- Ficou linda essa! – Rafa falou olhando na câmera.
End of Flashback
Foram tantas fotos lindas e engraçadas. E eu ainda as tinho no notebook, mas não consegui vê-las mais, depois do ocorrido.
Meus pensamentos como sempre são interrompidos por algo, e, nesse caso, o telefone de casa que estava chamando.
- Alô? – eu disse meio ofegante, pois eu corri pra atender na sala.
- ? – Escutei a vozinha do do outro lado da linha.
- Oi, !
’s Point Of View.
- Oi, ! – disse com pouca animação ao ouvir minha voz. Olhei para os guys, que pararam de jogar no X-Boxe começaram a prestar atenção na conversa. As feições do me diziam pra eu colocar no viva-voz, coisa que eu fiz imediatamente, fazendo sinal para eles não falarem nada.
- Tudo bem com você, pequena? – eu perguntei um pouco receoso.
- É, acho que to sim e você, pequeno ? – ela disse um pouco mais alegre e o sorriu com a reação dela.
- Eu to bem, , meu beê tá aí? – eu disse meio baixo, tentando fazer os meninos não escutarem o apelido carinhoso que eu dei a , mas não adiantou muito. Quando eu olhei para os guys, eles estavam olhando para mim com uma cara que dizia ‘O que foi isso?’ ou estavam prendendo o riso para não escutar.
- A sua ‘Beê’ está no banho, . Ela falou que liga pra você quando sair. – A estava gargalhando e disse o apelido com um sarcasmo enorme. Hunf.
- Até você, , tá rindo do apelido que eu dei pra ? – Eu fiz bico, como se ela pudesse ver. Os meninos gargalharam baixo, o enterrou a cara na almofada para abafar o riso e o parecia um bobo apaixonado quando ouviu a risada da .
- Eu? Que isso, , não to rindo não! – ela disse, tentando prender o riso. Essa pequena me pagaria mais tarde!
- Tá bem, vou fingir que acredito. – falei e desviei do assunto - ? Como foi a aula hoje? Eu to com saudade de você, pequena, e acho que os meninos também. Acho não, tenho certeza.
Ela ficou muda por um momento. O que será que estava passando naquela cabecinha? O rosto dos guys era apreensivo em relação ao silêncio dela.
- ?
- Haãn, desculpa, , me distraí! – ela disse meio nervosa.
- Vai responder?
- Sobre a escola é difícil falar pelo telefone, são muitos detalhes, mas resumindo, foi muito legal. Sobre a saudade de vocês, eu prefiro não responder. – eu olhei assustado para os meninos, que não entenderam a resposta dela. Na verdade, nem eu entendi.
- Não tá com saudade da gente, ?
- Eu to sim, . – ela respondeu meio receosa.
- Ah tá, você me deu um susto agora pequena! Achei que você tinha se esquecido da gente. – eu disse com voz de bebê chorão que ela adorava.
- Não, não me esqueci de vocês. – ela falou e se calou. Eu olhei para os meninos – já não sabia mais o que dizer para ela –, mas ela me interrompeu depois de um tempo.
- , eu vou desligar, ok? Tenho que fazer o almoço, se não a gente vai ter que comer comida congelada, de novo. – ela disse sorrindo um pouco na parte da comida congelada. Com certeza, nessa deprê dela, a que estava fazendo o almoço e, pelo que eu a conheço, era só comida congelada, quando não era pizza.
- Tudo bem, , bom trabalho pra você!
- Obrigado, pequeno . – ela falou.
- Fala pra não se esquecer de me ligar.
- Ok! ? – ela disse.- Manda um beijo pro meu Pooh, tá? Diz que eu amo ele muito. E pro também. – abriu um sorriso de orelha a orelha e o também, já o não mudou a expressão.
- Tudo bem. Pra mais alguém? – Eu tinha que perguntar, ela sabia bem de que ‘alguém’ eu estava falando e entendeu na hora.
- Não, se tivesse eu teria dito antes. – Nossa, essa eu não merecia! Mas também, vai perguntar coisa idiota, .
- Quer dizer, tem sim, ! Pra Mary e a Rafa, se você as vir, diz que eu estou com saudades das duas!
Pronto! Agora ela vai matar o do coração! Eu olhei para ele e o vi abaixar a cabeça com as mãos sobre os cabelos. Ele estava desesperado, isso era lógico! O e o sentaram ao lado dele no sofá tentando confortá-lo.
- Tudo bem, , eu digo. – eu falei simplesmente por não ter outra resposta. Quer dizer, eu tinha, mas claro que eu não vou chegar para ela e dizer: ’Manda um beijo pro também!’. Seria capaz de ela vir aqui só pra me bater e, de bônus, eu apanharia muito da também.
- Bom então eu vou lá. Beijo, pequeno . – O desânimo na voz dela era visível. Não tinha como ela disfarçar completamente a tristeza.
- Tchau, pequena.
End of ’s Point Of View.
Depois de desligar o telefone, eu escutei a gritar do quarto dela: ‘Era o , ?’ e eu respondi ‘Sim!’ sem muito ânimo. Não sei se o iria dizer ao que ele foi o único para quem eu não me interessei em lembrar que existe, mas eu sei que o queria muito que fosse o contrário.
Para todos eles, é fácil voltar a ficar de boa com o , mas para mim não é tão simples.
- Amiga, pode ir tomar seu banho, eu começo a fazer o almoço pra você! – disse, interrompendo meus pensamentos, como sempre, entrando no meu quarto.
- Ok, não se esquece de ligar para o pequeno ! – eu disse entrando no meu banheiro.
- Claro que não! Vou ligar agora! – ela falou animada.
- Ah! Ele te chama de ‘Beê’ agora, é? – Eu disse colocando a cabeça para fora da porta do banheiro em meio a muitas gargalhadas. fez careta, acho que por eu estar rindo do apelido.
- Chama sim e é muito fofo, viu, mocinha? Não ria do meu ! – ela disse fingindo raiva, colocando as mãos na cintura. Eu quase morri de tanto rir e ela acabou me acompanhando.
- Tá, sei, mas não se esquece de que vocês ainda não namoram, muito menos são casados. Você não pode afirmar que o pequeno seja seu! – eu falei, zoando com ela, que parou de rir na mesma hora, franzindo a testa. Segurei-me para não gargalhar mais.
- Eu posso sim! ELE É MEU! TODO MEU! – ela disse jogando o meu travesseiro em minha direção. Eu desviei e comecei a gargalhar junto com ela. Eu já não era certa da cabeça e ainda tenho uma amiga que é pior ainda. Não dava nada que presta, para variar!
- Ok! Você me assustou com essa voz de psicopata possessiva, vou dizer pro pra tomar cuidado com a sua pessoa! – eu disse em meio às gargalhadas que nós estávamos dando.
- Tá, vamos parar agora se não a gente se atrasa mulher! Vai pro banho! – ela falou pegando o travesseiro do chão e colocando no lugar, ainda rindo. Eu concordei com a cabeça e entrei no banheiro novamente.
’s Point Of View.
Peguei o telefone e disquei o número da casa do . Não tocou nem duas vezes.
- Ooooooi pra quem quer que seja! – atendeu ao telefone e eu gargalhei.
- Ooooooi, , meu beê tá aí? – eu perguntei cessando o riso.
- Vou chamar, , ele tá jogando no X-Box.
- Ok. – Eu escutei o gritar: ‘Cala a boca aí dudes’ e depois de xingamentos, ele disse: ‘É a no telefone, beê’ com a voz super gay. Eu ri.
- Oi, beê, tudo bem? – Meu lindo disse com a voz super fofa.
- Tudo, beê, e com você? – eu disse.
- Tudo também. Quer dizer, quase tudo. – ele falou, me deixando preocupada.
- O que aconteceu? – Minha voz pareceu até trêmula.
- Vou colocar no viva-voz. – ele disse simplesmente, me deixando ainda mais nervosa. Eu já era curiosa e ainda me fazem esse suspense todo.
- Diz ‘oi’ pros meninos, beê. – ele falou e eu ouvi gritinhos de ‘bêe’ ‘aiai’ com vozes gays como de costume. Eu sorri.
- Oi meninos, , e . – eu disse o último ainda com certa frieza na voz, pois não iria ser fácil de acostumar com o sofrimento que ele causou e ainda causava na minha amiga.
- Oi, . – disseram juntos.
- Agora conta, porque eu já to nervosa! – eu falei e os meninos riram do meu nervosismo, acho.
- Tá bem, beê, vou resumir pra você, é sobre a conversa que eu tive com a hoje. – Começou. Tinha que ter a no meio.
Eu ainda tentava controlar a louca vontade de rir que estava crescendo dentro de mim depois que o me contou à tirada que a deu no sem saber.
- Guys, ela nem sabia que vocês estavam aí, pois ela não comentou nada comigo.
- Eu imaginei isso , já que o não disse que a gente estava aqui. Na verdade, ele fingiu que estava conversando com ela no telefone normal. Ela nem percebeu o viva-voz. – falou e eu escutei um ‘verdade’ do .
- Mas você tem que admitir que foi estranho ela não querer comentar o dia dela, muito menos a saudade da gente. – falou meio indignado, pelo menos era o que parecia.
- Foi sim, mas... – Eu parei de falar na hora que eu escutei a porta do banheiro se abrir.
Eu estava na cozinha deixando o arroz pronto, já que era a única coisa que eu sabia fazer certinho, além da comida congelada, mas a já estava enjoada da comida congelada que eu fazia. Nem sei por que, eu achei tão boa e nem deixei queimar, mas tudo bem, não é?
Voltando... Eu estava bem lá conversando com o e escutei a porta do banheiro da se abrir, denunciando sua chegada a qualquer momento na cozinha, e eu tinha que encerrar a conversa antes que ela soubesse.
- , a saiu do banheiro e eu tenho que parar de falar dela, ok? – eu disse cochichando para que ela não escutasse.
- Ah, Beê, tudo bem. Vamos fazer assim: a gente continua a conversa a noite, quando a gente for pra aí! – ele falou como se tivesse tido a melhor ideia do século. Se a tivesse escutado aquilo, teria gargalhado como sempre.
- Tudo bem, beê! – eu disse sorrindo.
- EU VOU TAMBÉM! QUERO VER MEU LEITÃO! – gritou, acho que tentando fazer com que meus tímpanos se estourassem!
- Ok, , mas não precisa gritar pra fazer com que a escute! Por favor, fale baixo! – eu disse, cochichando novamente.
- Ops, desculpe, . – ele falou e eu podia jurar que ele estava vermelho nesse momento de vergonha, com aquele jeito fofo dele.
- Tudo bem e... – Parei um pouco nervosa quando vi a entrar na cozinha e ir direto para o meu lado no fogão.
- Desculpa interromper, amiga, pode ir pra lá conversar com o seu beê, eu vou terminar o seu... – Ela parou e abriu a panela fazendo uma pequena careta. – Arroz e fazer algo descente pra gente comer antes de ir trabalhar!
’s Point Of View:
- , credo! Você é uma ingrata, sabia? – falou fingindo estar chateada e eu escutei aquela gargalhada gostosa que só a sabia dar. Não pude conter um sorriso baixo.
- Eu também te amo, amiga! Agora vai logo, sai daqui e me deixa trabalhar! – Sua voz soava aos meus ouvidos como uma música, e eu não deixei de pensar em como eu fui idiota! Como eu pude fazer com que ela me odiasse?
- Bom, eu vou desligar, beê. Você vem mesmo a noite? – interrompeu meus pensamentos.
- Nós vamos! – ele corrigiu, olhando a gente confirmar com a cabeça.
- Ok! Beijo, beê, até mais tarde. – Começaram os momentos melosidades. E eu estava reclamando por que mesmo? Ah, sei, é porque eu não tinha momentos de melosidades com a .
- Beijo. – ele disse e depois desligou.
Como sempre, o ficou com cara de bobo apaixonado. Ele sempre ficava assim depois de falar com a ao telefone. Eu me levantei, lembrando que tinha que ir para casa. Era naquele dia que eu resolvia a minha vida!
- Vai aonde, dude? – perguntou, percebendo minha movimentação, enquanto e iam terminar a partida do FIFA no X-box.
- Vou pra casa, guys. - Dei um suspiro fundo – É hoje que a Vivian chega.
- Boa sorte, cara! – falou já sabendo bem do que se tratava e eu apenas assenti.
- Esteja aqui às 19h pra gente poder ir à casa das meninas, ou você não vai? – disse já erguendo a sobrancelha, mostrando sua dúvida. Antes que eu pudesse responder, interveio:
- A não quer vê-lo nem pintado de ouro, não se esqueçam. – Ele disse sério me encarando logo depois. Eu só pude suspirar.
- Eu vou sim, tenho que enfrentá-la algum dia, né? – falei, já andando até a porta. e deram de ombros.
- Hey, ? Me faz um favor? – perguntou e eu assenti com a cabeça.
- Você bem que podia esculachar com a Vivian pra mim! Tipo, ela é muito chata e enjoada e você vai terminar com ela mesmo, né? – Ele só podia estar brincado comigo! Serrei meus olhos, mostrando minha indignação com aquele absurdo e ele apenas sorriu. – Ah, , põe então uma câmera escondida pra eu poder ver tudo depois! Ela com certeza vai avançar pra cima de você, querendo te matar! – ele disse gargalhando e nós o acompanhamos. Ele era um grande idiota que fazia todo mundo rir, mesmo se não quisesse.
- Vai se fuder, , não me enche! – eu disse ainda não aguentando as risadas, e ele me mostrou o dedo do meio. - Eu vou mesmo agora. E , eu não vou gravar merda nenhuma! – falei saindo da casa e eu ainda pude escutar as gargalhadas dos guys.
Cheguei a casa e ainda a encontrei vazia. Morar com a Vivian teve lá seus momentos bons, mas de depois de um tempo, foram só brigas atrás de brigas por ciúmes desnecessários por causa das fãs. Um absurdo, na minha opinião, já que foi a primeira coisa que eu disse a ela quando nós começamos a morar juntos: que ela não poderia sentir ciúmes das minhas fãs, porque isso estragaria a nossa relação totalmente. E eu acabei acertando! A nossa relação acabou por causa daquele ciúme doentio.
Meus pensamentos foram interrompidos quando eu escutei o barulho de chaves na porta. Era naquela hora.
- Meu xuxuzinho! Que saudades de você. amor mais lindo de todo o mundo! – ela falou largando a bolsa na porta ao me ver, correndo em seguida pra pular em cima de mim. Eu bufei, tentado tirá-la de cima de mim.
- O que foi? – Ela me olhou sem entender quando eu consegui finalmente afastá-la de mim. Eu sentei no sofá suspirando fundo.
- Acabou, Vivian. Não adiantou esse mês distante para mudar a minha opinião em relação a isso. – eu disse pausadamente para que ela entendesse bem o que eu estava dizendo. Ela me olhou incrédula.
- VOCÊ SÓ PODE ESTAR BRINCANDO! – Como o disse, ela avançou para cima de mim, me estapeando. Eu não senti nada, claro, com a fraqueza da Vivian.
- Não, não estou. – Ela continuou me batendo e eu estressei, me levantando bruscamente. – PARA COM ISSO E ME ESCUTA AGORA, VIVIAN! – Ela me olhou com os olhos marejados, esbanjando fúria, ódio e tristeza ao me olhar.
- Você foi especial pra mim, mas como eu havia te avisado no começo do nosso namoro, o seu ciúme doentio acabou estragando a nossa relação. Estragando o que eu sentia por você.
- Mas você sempre voltava comigo, , depois de tantas brigas. Eu ainda não entendo! – Ela começou a chorar descontroladamente e eu não pude deixar de concordar mentalmente com o que ela disse. Se a não tivesse aparecido, eu jamais estaria terminando com a Vivian.
- Só que agora é diferente, Vivian, eu tomei minha decisão e ela não vai mudar dessa vez! – eu disse um pouco duro, para que ela finalmente percebesse que eu não estava brincando dessa vez. Ela abaixou a cabeça e fitou o chão por alguns segundos e depois me olhou com feições mais furiosas que antes.
- QUEM É A VADIA? – ela falou voltando a me bater.
- Você tá louca, mulher? Que vadia? – eu falei ainda sem entender.
- QUEM É A VADIA QUE VOCÊ TÁ FICANDO AGORA? ME DIZ, DESGRAÇADO! DIZ QUEM É, ANDA! – Será que ela ficou sabendo da ? Não, com certeza não! Ela deveria estar dando um chute.
- Eu não estou com ninguém, Vivian, deixa de ser paranoica e aceita de uma vez que eu não quero mais ficar com você! – falei tentando parecer calmo. Eu não estava mentindo, já que a não estava comigo mesmo.
- EU NÃO VOU ACEITAR COISA NENHUMA! – ela disse me empurrando em direção ao sofá. Eu agarrei os braços dela com uma força maior que o necessário.
- Sai da minha casa agora, Vivian. – falei com uma voz que até eu me assustaria. Ela me olhou ainda mais furiosa, soltou seus braços, foi em direção a porta e pegou suas malas. Antes de sair, ela virou-se pra mim.
- Isso não vai ficar assim, ! Você ainda vai se arrastar, pedindo pra que eu volte com você! – Ela virou e fechou a porta com força. Não pude conter um sorriso depois do que ela falou. se arrastar por uma mulher? Ela só podia ser muito iludida!
End of ’s Point Of View.
- Então, depois a gente se encontra pra ir embora, amiga! – disse se despedindo de mim enquanto eu entrava na loja.
- Tudo bem, amiga, você me liga pra gente lanchar juntas, tá? – eu disse apontando pra ela que sorriu.
- Claro, aí você vai comer no Starbucks depois de ‘séculos’! – ela disse gargalhando e se afastando enquanto eu entrava na loja.
O trabalho aqui era meio corrido, mas depois que os meninos compraram aqui, eu ganhei a confiança plena do meu chefe Marvin.
Quando eu acabei de atender uma senhora muito simpática, me assustei ao escutar uma voz conhecida.
- ? – Carlos me olhava com um sorriso enorme no rosto, me fazendo sorrir também.
- Carlos! Veio fazer compras? – eu disse animada, indo atendê-lo. Ele estava com cara de não estar entendendo nada.
- Sim! É aqui que você trabalha, então? – ele disse ainda sorridente.
- Isso mesmo, e eu vou te atender agora! – eu falei piscando para ele, que abriu ainda mais o sorriso, se fosse possível.
- Tudo bem então. Eu quero um presente para o Paul. – ele falou olhando as vitrines.
- Ah! Alguma preferência? Camisa, sapatos, calças... - Eu fui citando e andando com ele até a área masculina da loja.
- Pensei em uma camisa, mas eu sou muito ruim pra escolher. – ele falou fazendo uma leve careta.
- Tudo bem, eu ajudo você! Aproveito e escolho uma também. – eu disse já pegando algumas camisas.
- Escolhe uma? – ele me disse sem entender.
- Claro, ou você acha que eu vou à festa sem presente? – eu perguntei e ele sorriu. Eu não ia para a festa, mas quando a me disse que os meninos iam para casa hoje à noite, eu pensei logo em ir! Não ia arriscar de ver os meninos e perder o meu ‘bom humor’ que foi tão difícil de conseguir.
Ajudei Carlos a escolher uma camisa social muito linda, verde escuro com listras na vertical, também em tom de verde claro. A que eu escolhi foi uma camisa social três quartos vermelha, que o Carlos falou que ficaria bem no Paul, que é bem branquinho, mais branco até que a Mel.
- Bom, então passo pra te buscar às 19h, tudo bem? – ele disse já com o pacote em mãos, saindo da loja.
- Tudo bem, estarei pronta! – eu disse, forçando um sorriso.
- A vai? – ele disse parecendo se lembrar da só naquele momento.
- Não! Ela vai receber visita lá em casa.
- Então tá. – Ele deu de ombros e acenou, se despedindo.
’s Point Of View:
- Dudes, a Mary quer ir à sorveteria. Tenho que ir lá com ela, né? – eu disse sorrindo, me levantando do sofá e pegando as chaves do carro.
- Beleza, dude, não esquece: 19 horas! – disse me lembrando da ida à casa das meninas.
- Não vou me esquecer! Tchau, seus gays! – eu falei para o e o , que se abraçaram em seguida, muito gays para variar. Eu ri.
- Isso, vai mesmo! É bom que eu aproveito do meu pequeno aqui, sem vocês pra atrapalhar. – disse, pulando com o no sofá, fazendo gestos com a mão para que eu saísse logo. Se a visse isso, o e o já tinham apanhado ali. Eu gargalhei e saí pela porta.
Mary saboreava seu sorvete animadamente enquanto eu ia pagar a conta.
Me assustei quando vi o James ali no balcão pegando um sorvete para ele.
- E aí, dude? – eu disse batendo nas costas dele, que quase caiu da cadeira com o susto que tomou.
- Oi, , seria bom você não me matar do coração quando quiser me cumprimentar. – Ele falou, colocando a mão no peito, e logo depois, sorrindo.
- Como você tá, cara? – eu perguntei enquanto pagava a conta.
- Eu to legal, cara, mas to preocupado. – Ele fez uma expressão séria e eu franzi a testa.
- Com o quê? – perguntei, sentando ao lado dele no balcão.
- Com a ! Como ela está? – Estava explicado, sabia que tinha alguma coisa a ver com ela.
- Ah, dude, ela tá melhorando. – eu disse respirando fundo. Pelo menos, ela aparentava melhora.
- Eu fiquei preocupado com ela. Me conta o que aconteceu. – ele falou voltando suas atenções ao sorvete.
- Deixa eu só chamar a Mary ali, se não ela me mata se eu deixá-la lá sozinha. – Eu apontei para a mesa que a Mary estava.
- Vamos sentar lá com ela, então. – ele disse se levantando e indo em direção à mesa. Eu o segui.
Depois de contar tudo que aconteceu, James me pareceu nervoso com a situação.
- O vacilou e muito com a . – ele disse depois de um tempo calado.
- É sim. – eu disse.
- Bom, eu vou indo, tenho que ir a uma festa de aniversário mais tarde e ainda nem sei que roupa usar! – ele falou, forçando um sorriso.
- É, nós vamos também, a gente pretende ir mais tarde à casa das meninas. – eu disse e a Mary concordou com a cabeça.
- , você pode me passar o celular da ? Já que eu não vou vê-la, queria ao menos ligar pra ela. – ele pediu com uma expressão tímida no rosto.
- Claro, anota aí, Jimmy...
Passei o celular ao James e, logo em seguida, nós três saímos da sorveteria, indo para seus respectivos carros.
Imaginei se o James ia mesmo ter coragem de ligar para ela. Achava que sim, já que ele aparentou muita preocupação.
Esperava que a falasse com ele.
End of ’s Point Of View.
Escutei meu celular tocar embaixo do balcão. When Your Looking Like That do Westlife. Esse toque é para números desconhecidos. Quem será que estava ligando?
Ainda bem que eu tinha mudado todas as músicas dos toques do meu celular para o Westlife, pois se ainda estivesse com o McFly, eu tinha dado um grito histérico, xingando o telefone por me lembrar do . E, no meio do trabalho, aquilo não seria algo muito bom.
Olhei o visor do celular e confirmei que não conhecia o número. Atendi meio receosa.
- Oi?
- ? – Ouvi uma voz conhecida do outro lado, mas antes eu tinha que confirmar.
- Sim? – Falei fingindo não reconhecer a voz.
- É o James, . Tudo bem com você? – Dúvidas confirmadas! Sabia que conhecia essa vozinha meiga.
- Oi, Jimmy! Eu to bem e você? – Falei bem feliz por sinal, já que o James me deixou tão feliz na festa do . Ele me parece, vai dar muito certo comigo.
- Eu to bem também. Tava preocupado com você, sabia? – Pra variar, ele devia saber da história.
- Não precisa se preocupar, é sério, eu to legal! – Tentei parecer o mais convicta possível.
Depois de um bom tempo conversando com o James, vi uma cliente entrar na loja e resolvi encerrar o assunto.
- Jimmy, eu tenho que desligar. Entrou uma cliente aqui na loja.
- Tudo bem, ! Eu também tenho que ir resolver com que roupa ir ao aniversário desse amigo meu mais tarde. – Ele disse e eu podia jurar vê-lo sorrir.
- Então depois a gente se fala e combina de sair, Jimmy!
- Claro! Beijo, .
- Beijo, Jimmy. Tchau. – disse desligando e guardando meu celular no balcão, indo atender a cliente que chegou.
’s Point Of View:
- E foi isso que aconteceu! – mal acabou de contar como foi o término do namoro com a Vivian e eu já estava sem ar de tanto rir, imaginando a cena.
- Cara, bem que o disse que ela ia avançar em cima de você e avançou mesmo! – falou rindo comigo.
- Não é brincadeira, seus sem sentimentos! – fingiu chateação e depois gargalhou conosco, com o rindo em seguida.
- E aí, guys? – eu disse depois das crises de riso. – Vamos? – Falei, já me dirigindo a porta. , Mary, , e Rafa me seguiram depois que eu saí pela porta.
Entramos nos carros, que iam todos em uma só direção, a casa da e da .
's Point Of View.
- Tem certeza que você não vai esperar eles chegarem? – Eu tentava novamente convencer a para ver os meninos antes de sair. Como nas outras vezes, ela recusou.
- Não mesmo, amiga! – ela falou se olhando no espelho pela milésima vez. – Diz aí, eu to bonita mesmo? – Ela fez uma carinha de criança dando uma voltinha. Eu ri.
- Claro que tá, já te disse mais de mil vezes, amiga. Você está maravilhosa! – E ela estava mesmo com aquela saia de cintura alta preta bem justa, mostrando as belas curvas da cintura e do quadril dela. Com uma blusa rosa tomara-que-caia por baixo da saia. Seu cabelo preso na metade atrás, deixando cair uns cachos. Seu scarpan preto mega alto que a deixava ainda mais elegante. Sua bolsinha de mão preta com detalhes em strass que ela ama e, para finalizar, sua maquiagem arrebentando e seus acessórios, dando um charme a mais na roupa. Como não dizer para ela esperar os meninos? Eles tinham que vê-la assim, ver como ela estava melhor, e linda!
- Então eu vou indo, antes que os meninos cheguem, e o Carlos tá me esperando lá embaixo. – ela falou me dando um abraço e pegando a chave dela.
- Não se esqueça de se divertir, e qualquer coisa me liga, ok? – eu disse indo até a porta, por onde ela já havia passado e esperava o elevador.
- Tudo bem, amiga! – Ela acenou e entrou assim que o elevador abriu. End of 's Point Of View. 's Point Of View:
- Hey, gente, aquela ali não é a ? – Ouvi dizer do banco de trás onde ele estava com a Rafa. Olhei na direção em que ele apontava depois de estacionar o carro. Não é que era a mesmo?
- Quem é aquele cara com ela ali em frente ao carro? – Rafa disse chegando para frente, tentando enxergar melhor.
Senti o se contorcer no banco ao meu lado quando ele viu a cumprimentar o cara com um abraço e depois de ele dizer algo para ela e ela sorrir, ela dar a famosa ‘voltinha’ para ele ver como ela estava vestida. Em seguida, ele abriu a porta do carona para ela e ela, me pareceu, nos reconheceu. Adivinhe o que ela fez? Fazendo o fechar as mãos em punho, ela fingiu que não nos viu. Simples assim, fingindo que não nos conhecia, ela saiu com o cara.
- É bom a ter uma explicação pra isso. – disse entredentes, parecendo que ia explodir a qualquer momento.
- Vamos subir, com certeza ela vai explicar isso. – eu disse para acalmá-lo, que, depois de uns segundos, me pareceu se acalmar.
End of 's Point Of View.
Depois de descer do elevador, avistei o Carlos parado, encostado no carro dele, muito lindo, por sinal! Ele estava deslumbrante com aquela blusa social verde que realçava os olhos lindos que ele tem.
Ele sorriu lindamente para mim quando me viu.
- Oi, Carlos! – eu disse abraçando-o.
- Nossa, , você está maravilhosa. – Ele falou pausadamente como se tentasse não gaguejar e eu sorri. Em seguida, ele pegou em minha mão, me fazendo dar uma voltinha. Morri de vergonha com aquilo.
- Vamos? – eu perguntei, tentando disfarçar minha vergonha.
- Claro! – ele disse, dando um pulo em direção à porta do carona, abrindo-a em seguida para que eu entrasse.
Nesse momento, meu coração gelou.
Eu vi o carro do estacionado não muito longe, e percebi que eles olhavam para mim, que ELE olhava para mim. Pude sentir a tensão vinda do carro e acabei por deixar que minhas pernas bambeassem um pouco. Resolvi entrar logo - antes que eu caísse ali mesmo -, fingindo não ter visto nada.
- Já está cheio de gente lá, até a Mel já chegou! – Carlos disse animado, me tirando do transe em que meus olhos, corpo e pensamento se encontravam olhando aqueles olhos ao longe.
- Ótimo, vamos logo então, pois eu quero me divertir muito hoje! – eu disse e ele sorriu, arrancando com o carro. Dei graças a Deus por não ter gaguejado nenhuma vez e tomei minha decisão: aproveitaria ao máximo o AGORA, já que talvez o AMANHÃ nunca chegue!
's Point Of View:
Eu tentava controlar o meu ódio, mas tava meio impossível depois que a contou tudo que aconteceu no decorrer daquele dia. Como elas conheceram aquele cara, como ela achava que ele estava gostando dela, como ela estava dando a maior força para que a desse uma chance se ele pedir.
- Calma, . – sussurrou para que somente eu ouvisse. Eu suspirei fundo, tentando me acalmar.
- E agora eu espero que ela esteja se divertindo na festa! – disse animada pela amiga. Eu devia estar feliz por ela também, não é? Mas eu não conseguia tirar da cabeça que ela me parecia tão frágil nos primeiros dias e, só de ir um dia para a escola, modificou drasticamente ao ponto de ir a uma festa em plena segunda-feira com um cara que ela mal conhece! Enquanto nós estamos aqui, nós que a conhecemos há mais tempo. Ok, ok, estava parecendo um namorado largado, morrendo de ciúmes.
- Mas eu ainda juro que ela viu a gente! Tenho certeza, beê! – disse, ainda abraçado a no sofá. Ela o olhou e sorriu.
- Vai ver ela não reconheceu vocês quando olhou. Você sabe bem que ela é ceguinha! – ela falou dando um beijo no rosto dele.
- Agora eu tenho que dizer, aquele menino, Carlos, né? – confirmou com a cabeça a pergunta da Mary. – Ele é muito bonito! – Depois, ela se virou para o , que já estava com uma careta para ela. – Com todo respeito, amor, mas não tinha como não reparar! – ela falou apertando as bochechas dele e beijando o bico enorme que ele fez, fazendo todos gargalharem, menos eu, que ainda não estava com cabeça para isso.
- Bom, agora eu tenho que falar algo meio sério pra vocês! – Ela começou fazendo todos prestarem bastante atenção nas palavras dela e eu, mais ainda. Só podia ser algo com a .
- Fala, . É a ? – já tinha um ar mais preocupado.
- É, mas não precisam se preocupar tanto. – Nós a olhamos demonstrando a grande interrogação que nos rondava.
- Quinta feira é aniversário dela, é isso! – ela falou já rindo pela cara de aliviados que nós fizemos! Então, era aniversário dela. E ela iria fazer 20 anos. Dei um sorriso involuntário.
- Nessa quinta, ? – Rafa perguntou. Ela concordou balançando a cabeça alegremente.
- Eu pensei em fazer uma festa surpresa pra ela, mas vocês vão ter que me ajudar. – Pronto! Sabia que eu não iria poder participar, já que a me odiava. Como eu iria participar de uma festa para ela? Vontade não me faltava.
- Ótimo, ! Adorei a ideia! – disse sorridente. – Você já sabe como fazer pra despistá-la? – ele perguntou.
- Já! – ela disse e eu imaginei que já era hora de sair dali. Para que participar da conversa se eu não vou estar na festa dela?
- Eu vou pra casa, gente. – falei, me levantando e todo mundo me olhou com feições confusas.
- Por que, dude? – perguntou.
- Porque eu, provavelmente, não vou poder participar da festa da já que ela... Hm... Me odeia, né? – eu disse meio sem jeito só de me lembrar disso. , para minha surpresa, sorriu.
- Você faz parte do plano, ! Por mais que eu tenha pensado em não te colocar nele... – ela dizia até ver o olhar do quase pedindo para ela não falar assim. – Mas não teve jeito! Para o plano ser perfeito, ele tem que ter você no meio! – Eu sentei no sofá novamente, abrindo levemente minha boca em surpresa pelo que ela disse. O que será esse plano tão perfeito?
- Conta logo, , porque até eu to curioso pra saber desse plano! – disse, fingindo só estar curioso naquele momento. Tadinho, nem sabia mentir direito, até a sabia que ele era o mais curioso da gente.
- Ok, ok. Bom eu pensei da gente fazer...
End of 's Point Of View.
- Olha ela ali, ! – Carlos gritou por causa do som alto e apontou pra Mel, sentada no sofá da sala da república, que estava uma bagunça pela quantidade de gente, conversando com um rapaz bem mais branco que ela dos olhos muito . Com certeza era o aniversariante, Paul.
- ! – ela disse, depois de me ver se aproximar e levantou, me abraçando em seguida.
- Oi, Mel! – eu disse depois que ela me soltou. – Você está linda! – Ela sorriu envergonhada.
- Você também está! – Eu sorri e senti a mão do Carlos no meu ombro.
- , esse é o aniversariante, Paul. – ele disse, levantando o amigo que estava com uma cara meio boba olhando para mim. Cara, acho que estava começando a acreditar na . Eu deveria estar arrasando corações de alguma forma, porque eu não conseguia explicar tantos olhares abobados ou safados em cima de mim.
- Oi, Paul, feliz aniversário! Trouxe um presente pra você! – eu disse, entregando o presente e indo dar três beijinhos nele, que, para minha surpresa, me puxou para um abraço meio que tirando casquinha de mim.
Quando ele finalmente me soltou, o olhar do Carlos em cima dele não era um dos melhores não, mas eu acho que ele deveria estar já um pouco ‘alto’, então nem liguei. Nem mesmo quando ele deu aquele sorriso safado de novo para mim depois de se apresentar. Só continuei sorrindo, fingindo não perceber os olhos verdes do Carlos meio que em fúria naquele momento.
- Me deixa ir ali, tem um amigo meu chegando, mas não sumam não, pois eu já volto pra conversar com vocês, lindas! – ele disse todo galante e pegou no meu queixo, mandando um beijo para Mel em seguida. E saiu em direção à porta.
- Erm... Desculpe por isso, meninas! Ele já bebeu um pouco demais. – Carlos disse fingindo estar envergonhado pelo amigo, mas seus olhos mostravam mais raiva do que isso.
- Tudo bem, Carlos. – Mel falou (lê-se gritou).
- Vem, vamos para o bar pra vocês tomarem algo. – ele disse, puxando nós duas pelas mãos. Eu olhei para Mel, a vendo corar com o toque dele. Sorri baixo.
- Ele deve estar se achando agora, com todo mundo o vendo passar com duas meninas lindas iguais a nós. – eu cochichei no ouvido da Mel e ela gargalhou, concordando com a cabeça.
Depois de estarmos com nossas devidas bebidas, Paul se aproximou de nós com um amigo. Eu tinha a impressão de já conhecer esse amigo dele.
- ? – James parecia mais assustado do que eu quando eu finalmente o vi de perto, reconhecendo-o.
- Jimmy! – eu disse e ele veio me abraçar. - Então, essa é a festa que você ia vir? – falei depois que ele me soltou. Ele estava com um sorriso enorme.
- É, essa mesmo. Níver do meu amigo Paul! – ele falou apontando para o Paul e agora que a gente percebeu as caras estranhas deles, talvez porque a gente já se conhece.
- Erm... De onde vocês se conhecem mesmo? – Paul perguntou depois de se recuperar do conhecimento entre mim e o James.
Eu olhei para o James, pedindo com os olhos para que ele não dissesse que foi pelo McFly. Eu prendi a respiração quando ele foi responder, mas acho que ele entendeu o recado.
- Conheci a em uma festa na casa de um amigo! As festas nos perseguem, né, ? – Ele piscou para mim e eu soltei a respiração aliviada. Concordei com a cabeça.
's Point Of View:
- Eu amei a ideia! – Rafa gritou do meu lado, me assustando.
- Ela vai ficar louca quando souber que é tudo por causa da festa! – falou ainda sorrindo, provavelmente imaginando a cara da .
- Ela vai é matar a gente! – disse, me parecendo feliz por estar ajudando.
- Vai mesmo, ! Ela vai me afogar na privada na primeira oportunidade, mas eu nem me importo! O importante é a surpresa dar certo! – falou se levantando e pegando uma agenda.
- Beê, vai anotar tudo agora? – perguntou vendo ela se sentar ao seu lado com a agenda e uma caneta.
- Claro, Beê! A gente não tem muito tempo pra organizar, não. Tem tantas coisas pra ver, comprar, arrumar e... – ela falava sem respirar de tão agitada.
- Calma, , respira! – eu disse gargalhando e todos sorriram também.
- Vamos dividir as tarefas. – ela falou, começando.
End of 's Point Of View.
(N/A: Coloquem Reach Out da Hilary Duff feat The Prophet pra tocar)
- Vamos dançar, ? – James me perguntou fazendo uma carinha linda, com enormes segundas intenções. Quem disse que eu estava ligando? Não mesmo! Sorri e concordei com a cabeça.
- Vocês vêm? – eu perguntei à Mel e ao Carlos, que estavam no bar. A Mel o olhou, demonstrando o seu grande desejo que ele a convidasse.
- Se a Mel quiser dançar... – falou meio envergonhado e depois olhou para Mel, que sorriu concordando.
Então, seguimos todos para o meio da pista, onde começou a tocar, agitando a multidão. Reach Outuda Hilary Duff feat The Prophet.
- O DJ é foda! Eu amo essa música! – eu disse no ouvido do James enquanto a gente andava até o meio da pista.
- Bom saber, quero ver se você sabe dançá-la, mas tem que ser do jeitinho brasileiro. – ele disse muito safado, me fazendo olhá-lo com uma cara de falsa indignação, mas depois eu ri.
- Vamos ver se você aguenta a pressão do jeitinho brasileiro! – eu falei quando a gente parou, chegando bem pertinho da orelha dele, o vendo arrepiar.
Ele apenas gargalhou de um jeito mais safado ainda. Se era provocação que o pequeno James queria, era aquilo que eu vou daria a ele! De um jeito pior, claro! Muito pior.
James deu uma piscadinha para mim e comecei a dançar.
Let's go. So bring your passport, girl. Vamos lá. Então traz seu passaporte garota I'm trying to show you the world. Estou tentando te mostrar o mundo I know your ex did you bad, Eu sei seu ex te deixou má But I'm your new perfect man. Mas eu sou seu novo homem perfeito Dignity where you stand. Dignidade onde você está? With just a touch of my hand. Com apenas um toque de minha mão I'm trying to show you my plan. Estou tentando te mostrar meu plano You got me, girl. I'm a fan. Você me conquistou garota, sou seu fã.
Ele cantou a parte do rapaz me olhando, deixando a entender que o jogo só estava começando e eu estava adorando curtir aquilo e esquecer tudo. Absolutamente TUDO.
From the minute that you walked right through the door, Desde o minuto que você atravessou a porta Thoughts were racing in my mind, time to explore. Pensamentos corriam na minha mente, o tempo para explorar I tell my friends that I just gotta have him. Eu digo aos meus amigos que eu preciso tê-lo But don't look now, 'cuz I see you staring at him. Mas não olhe agora, porque eu vejo você de olhos nele Tunnel vision had him locked on in my sight. Na mesma hora minha visão o bloqueou na lateral On a mission for position by the end of the night. Uma missão para a situação até o fim da noite It's like a prey playing games with the hunter É como a caça brincando com o caçador Nowhere to run, boy, time to surrender. Não tem para onde correr garoto, é hora de se render
Ele pareceu amar a brincadeira das insinuações enquanto a música rola. Que musiquinha, viu? Tinha que ser uma tão... Tão picante?
And all I need is to feel you. E tudo que eu preciso é te sentir All I want is to feel you. Tudo que eu quero é te sentir
(Reach out and touch me) (Se aproxime e me toque) Before I go insane Antes que eu vá à loucura (Reach out and touch me) (Se aproxime e me toque) Boy don't you make me wait Garoto não me faça esperar I'm a diamond and you're so on the money. Eu sou um diamante e você gosta tanto de dinheiro (Reach out and touch me) (Se aproxime e me toque)
And all I need is to feel you. E tudo que eu preciso é te sentir (Reach Out and touch me) (Se aproxime e me toque)
Jimmy empolgou-se com o refrão da música, pois ele chegou mais perto de mim, até dançar colado em mim, sentindo a ‘pressão brasileira’. Suas mãos ainda eram um pouco respeitosas, parando apenas em minha cintura enquanto a gente dançava, mas os fungados no meu pescoço eram bem frequentes.
Like a prayer, your touch can take me there. Como uma oração, seu toque consegue me levar às alturas In my mind, you and me, in a secret affair. Na minha mente, você e eu em um romance secreto Oh, boy you're killing me and you don't even know it. Oh garoto você está me matando e nem percebe Tried to hold back, but I can't control it. Tentei me segurar, mas eu não consigo controlar So I'm stepping to ya. Então eu vou passo a passo até você Skip the "How ya doin'?" Pulo o "Oi, tudo bem?" Grab your hand, pull you closer to me, yea. Agarro sua mão e te puxo pra mais perto de mim yeah Out the door we're slipping. Para longe da porta vamos Then we start to kissing. Daí começamos a nos beijar Boy you're invited to my fanta-tasy. E garoto você está convidado para minha fan-ta-ta-sia
James "tava que tava", com um fogo alto demais! E a música o ajudava, e muito.
Ele chegou pertinho do meu ouvido, me fazendo arrepiar.
- Que tal a gente fazer como diz a música? – insinuou de um jeito muito sexy, mas eu só dei um sorrisinho, fingindo não ouvir, voltando a dançar. Ainda consegui escutar ele rir.
(Reach out and touch me) (Se aproxime e me toque) Before I go insane Antes que eu vá à loucura (Reach out and touch me) (Se aproxime e me toque) Boy don't you make me wait Garoto não me faça esperar I'm a diamond and you're so on the money. Eu sou um diamante e você gosta tanto de dinheiro (Reach out and touch me) (Se aproxime e me toque)
And all I need is to feel you. E tudo que eu preciso é te sentir (Reach Out and touch me) (Se aproxime e me toque)
Let's Go! Vamos lá! I'm here to play with fire. Estou aqui para brincar com fogo Your body's my desire. Seu corpo é meu desejo The time to flirt across the room doesn't expire O tempo para ela atravessar o quarto não termina 'Cuz you a superstar. Porque você é uma super estrela Get in my supercar. Entre no meu super carro The paparazzi watchin' us the t-t-tube is on. Os paparazzi nos assistindo, isso é tão estranho I know I took it far, but look how good you are. Eu sei, eu exagerei, mas olhe como você é excelente And look how good you look. E olhe como boa você é One touch, I'm supercharged. Um toque, eu estou super-carregado
Ele aproveitou a parte do homem e me fez ficar de frente para ele. Eu somente disse no ouvido dele bem devagar.
- Tem certeza que você está aqui pra brincar com fogo? – Ele sorriu de um jeito malicioso e me olhou.
- Você não tem noção do quanto! – Eu me virei depois dessa, continuando a dançar sensualmente. Eu poderia me arrepender depois se não aproveitasse o ‘agora’ daquela festa e meu intuito foi o de aproveitar ao máximo antes de ir para lá. Então, eu me perguntei: por que não?
Baby, can't you see how you're affecting me? Baby você não consegue perceber como você está me afetando? Baby, sensual, physical fantasy. Baby fantasia sensual, corporal. Maybe fate brought the two of us close and now, Talvez seja o destino que trouxe esse encontro Don't you wanna (4x) Você não quer?
Não conseguimos nos concentrar mais no nosso joguinho de sedução. James se aproximou ao ponto de eu poder sentir o nariz dele no meu. Olhou-me com um sorrisinho perverso e eu devolvi com um pior. Ficamos assim até a música acabar e podia ouvir somente os burburinhos das pessoas.
- Adorei a sua pressão brasileira, mas tá faltando um complemento pra ela ser ainda melhor. – Ele mordeu o lábio inferior e eu saquei logo do que ele estava falando, só que não tive tempo de responder. Fomos interrompidos.
- Desculpa, gente, mas agora eles vão fazer a ‘surpresa’ dos parabéns pro Paul, jogando o bolo nele e aquelas coisas bem sujas... – Carlos disse mais nervoso do que tudo. Não parecia ser por causa da ‘surpresa’ do Paul.
- Ah! Vamos pra lá então. – eu disse e vi o James olhar para mim com cara de quem não gostou da ideia, mas concordou depois que eu dei uma piscadinha básica para ele. Acho que assim ele entendeu que aquilo fazia parte do jogo, o fazer ficar morrendo de desejo de me beijar.
's Point Of View:
- Bom, agora que tudo tá ok e separado a gente vai embora, né, amor? – disse abraçando a Mary, que concordou com a cabeça. – Já tá tarde!
- A gente também vai. – falou, se levantando com a Rafa.
- Bom, eu que não vou ficar aqui velando o e a ! – levantou-se, coçando a cabeça e o gargalhou do meu lado.
- Na verdade, eu vou mandar o embora. – eu disse e ele me olhou fazendo careta. – A deve chegar por agora e eu acho melhor você não estar aqui, Beê.
- Por quê? – perguntou curioso.
- Porque eu quero saber tudo que aconteceu nessa festa e, se você estiver aqui, ela não vai querer contar. Ela vai fazer como tá fazendo desde aquela festa, vai entrar no quarto e fechar a porta sem me dizer nada! – Ele murchou a cara, mostrando sua indignação por eu estar certa, se levantou em direção à porta.
- Você vai contar tudo amanhã, beê, eu quero saber dessa festa! – ele disse quando eu o abracei em despedida.
- Tudo bem, eu vou contar pra todo mundo amanhã, mas se a souber, ela me mata! – Eu escondi meu rosto em seu pescoço, sentindo seu perfume que tanto me enlouquecia a cabeça.
- Ela não vai saber, ! – falou, me fazendo sair do meu estágio de enlouquecimento, olhando para ele. – E diz pra desnaturada da que eu quero conversar com ela sobre esse tal de Carlos! – Ele fez uma cara de irmão mais velho, fazendo todos sorrirem, menos o .
- Ok, amanha à noite a gente se encontra na casa de quem? – eu perguntei, me soltando do . Com certa dificuldade, tinha que admitir.
- Pode ser na minha! – falou e todos concordaram.
- Então boa noite, gente! – eu disse encostada na porta do apartamento.
End of 's Point Of View.
- Coitadinho do Paul, tá todo melado de bolo! – Mel dizia enquanto a gente se afastava da grande lambança que os meninos tavam fazendo na mesa de doces.
- Tá mesmo, Mel. Tadinho! – eu complementei, dando uma nova olhada na mesa, avistando o Jimmy vindo em nossa direção.
- Serviço completo, agora eu vou te chamar pra dançar de novo! – Ele se agachou como aqueles princípes de filmes, e eu pensei que só poderia ser porque a Mel estava perto, pois antes do bolo, ele estava todo safado.
- Não tem música, queridinho! – Eu coloquei as mãos na cintura, parecendo àquelas princesas chatas e exigentes
- Eu resolvo isso agora. – disse e saiu correndo em direção ao DJ.
- Ele tá super afim de você, ! – Mel fez esse comentário logo na hora que o Carlos chegou perto da gente, ainda limpando a sujeira do bolo.
- É mesmo? – Fingi de desentendida.
- Tá super na cara! – Carlos disse com certo tom irônico na voz. Eu apenas sorri, mas esse sorriso se desfez quando certa música começou a tocar.
- Agora a gente pode dançar. – James disse piscando para mim enquanto eu ainda estava estática, escutando I’ll Be Your Man ecoar pelos meus ouvidos.
- Ah sim! – Eu disfarcei e peguei na mão dele, que me levou até o centro da festa. Ele me abraçou de um jeito super carinhoso.
- Vou te mostrar agora o meu lado romântico, o lado que eu mais gosto. – ele falou no meu ouvido e eu sorri involuntariamente. A gente ainda estava no jogo. Não respodi ao que ele disse com palavras, respondi dando uma boa apertada no nosso abraço.
(N/A: Coloca pra tocar I’ll Be Your Man do McFLY)
Been all around the world Estive no mundo inteiro, I never met a girl Eu nunca encontrei uma garota That does the things you do que faz as coisas que você faz, And puts me in the mood e me deixa disposto a To love you and treat you right te amar e te tratar bem, So come here and close your eyes então venha aqui e feche os olhos Lie back, release your mind deite, liberte sua mente, and let the world fall down e deixe o mundo cair em pedaços while I’m by your side enquanto eu estou do seu lado.
Eu não podia negar a ironia do destino. James pediu logo para tocar uma música do McFly para a gente dançar. Para piorar tudo, essa música me faz lembrá-lo. Merda.
I’ll be your man through the fire Eu serei seu homem através do fogo, I’ll hold your hand through the flames Eu segurarei sua mão através das chamas, I’ll be the one you desire Eu serei aquele que você deseja, Honey cause I want you to understand Querida, porque eu quero que você entenda que I’ll be your man Eu serei seu homem, I’ll be your man Eu serei seu homem.
- ? – Jimmy se afastou de mim um pouco, me fazendo olhar em seus olhos.
- O quê? – eu respondi. Ele respirou fundo antes de falar.
- Me deixa fazer da sua noite perfeita? – Eu franzi a testa sem entender. – Eu sei que você sofreu muito esses dias e eu queria poder fazer com que você esquecesse tudo, pelo menos nessa noite. – Eu sorri ao escutar aquilo. James não sabia o quanto ele já tinha me ajudado aquela noite.
- Você já tá fazendo muito por mim, James. – Abracei-o novamente e pude senti-lo sorrir.
I can make it through the days Eu posso fazer isso através dos dias, The years can pass away Os anos podem passar, There’s lipstick on my face Tem marcas de batom no meu rosto, and I love the way you taste e eu amo o seu gosto, and I’m right here, so lock the door e eu estou bem aqui, então tranque a porta Cause you need me, but I need you more porque você precisa de mim, mas eu preciso de você mais, And I don’t care, about your mistakes E eu não ligo para seus erros, Cause they all went away when I found you, Katie Porque eles sumiram quando eu te achei, Katie
- Se eu te beijasse agora, o que você faria? – ele perguntou no meu ouvido e eu me afastei para olhá-lo.
- Depende... – Ele franziu um pouco a testa e sorriu. - Talvez eu batesse em você ou saísse correndo, ou correspondesse ao beijo... – Ele fingiu pensar nas opções. - Não sei.
- De três opções, uma é boa! – Eu ergui a sobrancelha, tentando entender. – Acho que eu vou arriscar. – Ele se aproximou de mim, olhando profundamente nos meus olhos.
I’ll be your man through the fire Eu serei seu homem através do fogo, I’ll hold your hand through the flames Eu segurarei sua mão através das chamas, I’ll be the one you desire Eu serei aquele que você deseja, Honey cause I want you to understand Querida, porque eu quero que você entenda que I’ll be your man Eu serei seu homem, I’ll be your man Eu serei seu homem.
Eu senti os lábios dele nos meus. Depois disso, eu não me lembrei de mais nada.
Nem da pessoa que a música insistia em me fazer lembrar.
Era só eu e o Jimmy naquele instante e eu nunca pensei que um beijo sem compromisso pudesse ser tão mágico como o nosso estava sendo.
A música acabou e eu e o James só paramos de nos beijar quando percebemos isso, percebendo que estávamos sem ar também.
- Isso foi... – ele começou com a testa encostada na minha, ainda de olhos fechados.
- Perfeito! – eu disse sorrindo, completando a frase dele. Ele sorriu e abriu os olhos, mas logo os fechou, voltando a me beijar.
Ouvimos um pigarro alto perto da gente e paramos de nos beijar para ver o que era. Era o Carlos e a Mel.
- , o Carlos tá indo me levar agora, você já quer ir? – ela falou meio receosa, vendo que eu estava meio ocupada.
- Quantas horas já são? – perguntei meio confusa. Tinha esquecido completamente que tinha aula no dia seguinte.
- 23h46min. – Carlos disse depois de olhar no relógio do celular.
- Eu acho que vou junto sim, tem aula amanhã. – eu disse olhando para o James, que me abraçou pela cintura.
- Eu posso levar você se você quiser. – ele falou no meu ouvido e eu vi o Carlos virar o rosto para o lado. Será que a estava certa em relação a ele gostar de mim? Não, não podia ser.
- Não precisa, Jimmy, pode ficar na festa. – Eu sorri. Ele franziu a testa.
- Não vai ter mais graça agora. Eu prefiro ir embora também. – ele falou e eu sorri.
- Vai com ele, , tenho certeza que o Carlos não se importa. – Mel disse, mostrando o tanto que ela queria ajudar para que eu tivesse mais tempo com o James. Carlos voltou a nos olhar na hora e não disse nada. - Não é, Carlos? – Mel disse depois de perceber o silêncio dele.
- Ahn... Não, eu não me importo. – Ele não parecia tão seguro dizendo isso.
- Então eu vou com o James, mas a gente vai agora, mocinho! – eu falei piscando para o Jimmy que sorriu, batendo continência.
- Então vamos! – Carlos disse, já andando com a Mel seguindo-o e, logo atrás, eu e o James.
Demos tchau ao Paul, que estava todo sujo ainda de bolo, fazendo tentativas em vão de se limpar. Quando o Carlos disse que a gente estava indo embora, ele começou a correr atrás da gente dizendo: ‘Não antes de eu sujar vocês!’
Foi uma loucura, a gente correu gritando. Eu e a Mel estávamos apavoradas com a ideia de nos sujar com o Paul. Ele não nos alcançou e logo estávamos todos do lado de fora da república, tentando nos recuperar das crises de riso.
- Foi a saída mais turbulenta de uma festa que eu já tive! – James começou em meio às gargalhadas da gente.
- A minha também. – Carlos falou ainda rindo. Parecia que agora ele estava melhor em relação ao James. Talvez fosse coisa da minha cabeça. Essa história dele gostar de mim e ser grosso com o Jimmy. Talvez eu só tenha que matar a por colocar coisas na minha cabeça.
- Vamos então, Jimmy? Eu tenho mesmo que dormir. – eu falei depois que me recuperei dos risos.
- Claro, . Tchau, gente! – Jimmy se despediu do Carlos e da Mel e andou até o carro dele. Eu ainda fiquei para me despedir deles.
- Bom, então nos vemos na escola, né? – eu disse, sorrindo para os dois. que concordaram com a cabeça. Fui dar um abraço na Melissa que cochichou.
- Aproveita essa carona bem, hein, amiga? Amanhã eu quero saber tudo! – Eu me soltei do abraço dela e pisquei em resposta.
- Te encontro na aula de Matemática, Carlos. – eu falei abraçando ele. Para minha surpresa, ele me deu um beijo no pescoço, que me fez arrepiar e ficou abraçado comigo por um bom tempo.
- ? – Ouvi o James gritar perto do carro fazendo o Carlos me soltar.
- To indo! – Gritei de volta. – Agora eu vou, boa noite, gente. – Saí em encontro ao James, que abriu a porta do carona na hora em que eu me aproximei.
- Entre, querida dama! – Ele fez uma reverência, me arrancando uma gargalhada.
- Obrigado, querido cavalheiro! – eu falei assim que me sentei e ele fechou a porta do carro, entrando em seguida pelo outro lado.
~~
- Então, aqui é a sua casa? – ele falou abrindo a porta do carro para mim.
- É sim, eu disse que era pertinho! – eu falei apontando para a entrada do prédio.
- Vem, eu vou te acompanhar até o seu apartamento. – ele disse, pegando em minha mão.
- Não, James, não precisa! – eu neguei com a cabeça, e ele parou de andar.
- Lógico que precisa, eu vim te levar em casa e vou te deixar na porta da sua casa! – Ele fez cara de mandão e me puxou pela cintura, me fazendo rir. Depois, ele me abraçou por trás, depositando vários beijinhos no meu pescoço. Desse jeito, eu só pude obedecer.
Peguei a chave dentro da bolsa para abrir a porta do apartamento, mas James não deixou.
- Vamos repetir o acontecimento do elevador. – ele cochichou e piscou. Eu mordi meu lábio inferior, fingindo pensar na proposta.
- Você tá achando que eu vou deixar aquele beijo do elevador acontecer de novo? – eu falei usando um tom irônico e frisando o ‘aquele’, que o fez sorrir maliciosamente ao lembrar.
- Eu acho que você deveria. – Ele me abraçou e mordeu o lábio inferior. Eu passei meus braços, enrolando-os em seu pescoço.
- James, eu tenho que te falar uma coisa antes. – eu disse meio receosa e ele balançou a cabeça, confirmação para que eu continuasse.
- Você sabe que não é sério, né? – As palavras não me pareciam audíveis, mas o James escutou.
- Sei sim, .
- Então, eu não queria que... – Ele tampou meus lábios com o dedo e sorriu.
- Você não precisa dizer nada disso. – Ele colocou a mão no meu rosto, fazendo carinho de leve. – Eu quero que você se sinta bem comigo, apenas isso. Quero fazer você feliz quando está comigo. E, se você não quiser ficar comigo mais depois de hoje, eu não me importo, de verdade, . – Não pude deixar de sorrir com esse gesto maravilhoso de humildade dele, mostrando o tanto que ele era maduro.
- Mas eu sinto como se estivesse, sei lá, iludindo você. Eu odeio fazer isso com quem não merece. – Eu o abracei. Não consegui olhá-lo e falar aquilo ao mesmo tempo.
- Você não deveria se sentir assim. – Ele me fez olhá-lo. – Nós somos amigos, , e se você quiser ‘jogar’ comigo toda vez que me ver em uma festa, eu vou ficar bem feliz! – Ele fez uma carinha safada, arrancando de mim uma gargalhada abafada.
- Isso é ótimo! Quando eu sentir falta desses joguinhos, eu vou procurar você! – Eu entrei na brincadeira como sempre. Falar desse jeito com o James era bem mais fácil do que seria com outra pessoa.
- Claro! Você já tem meu celular. É só ligar e eu venho correndo. – Eu gargalhei e ele gargalhou junto.
- Ficou parecendo àqueles carinhas de aluguel! – Eu zuei e ele franziu a testa.
- Pra você eu posso ser, se você quiser. – Ele fez voz de galã de novela, me fazendo rir mais.
- Ok, galã, agora eu tenho que entrar! – Eu me soltei dele, tentando ir abrir a porta novamente. Para variar, foi inútil de novo.
- Não sem antes me dar um bom beijo de despedida. – Eu sorri e ele franziu a testa. – Um não! Melhor, dois, três, quatro... – Ele começou a me dar vários selinhos até parar e me beijar de verdade.
- Posso abrir a porta agora? – falei depois que ele finalmente me soltou, rindo igual uma criança.
- Claro, linda! Mas não pense que eu acabei com você, hein?! – Eu gargalhei e girei a chave na porta abrindo em seguida. Escutei o barulho da televisão e rezei para só estar a em casa.
's Point Of View:
Escutei um barulho vindo da porta seguido de uma risada, deveria ser a com o Carlos. ara que eles tenham ficado para minha amiga sair dessa fossa que o criou.
- Para, Jimmy! A tá acordada. – ela cochicou depois que a porta se abriu. Como assim Jimmy? Será que eraa...
- ? – ela falou entrando em casa, me viu e sorriu.
- Achei que você não ia voltar mais! Tá com quem aí? – Perguntei para que quem quer que fosse entrasse. Eu tinha que tirar as minhas dúvidas.
- Eu to com o... – Ela não conseguiu terminar, James a abraçou por trás, surpreendendo-a.
- James? – Não pude deixar de sorrir e ela balançou a cabeça confirmando e fechando a porta em seguida.
- Tudo bem, ? – ele disse depois que ela o puxou pra sala, sentando no sofá com ele.
- Tudo sim! Como vocês...? – Eu não terminei, pois a me interrompeu.
- Longa história! – ela falou e o James piscou para ela com uma cara safada. Eu ri da cena.
- Eu acho melhor eu ir pra você contar, né, linda? – Ele se levantou, puxando a pela mão, sorrindo como uma criança travessa. – Me empresta ela um pouquinho? – Ele se virou pra mim e a gargalhou.
- Tem que pedir permissão agora, Jimmy? – ela falou e ele a abraçou, concordando com a cabeça.
- Eu deixo, James, mas não demora muito! – eu falei com ar de mãe exigente. Eles gargalharam, ficando perto da porta. Eu ainda consigo vê-los daqui.
End of 's Point Of View.
- Você é hilário, sabia? – eu falei beijando o rosto dele, que sorriu.
- Não mais que você! Você é perfeita. – Pude sentir as bochechas pegarem fogo depois disso.
- Ninguém é perfeito, Jimmy. – eu falei baixo.
- Pra mim você é com todos os defeitos! – Legal, eu acho mesmo que estava iludindo-o. – Não fica com essa carinha, ok? Só to falando o que eu acho. – Ele levantou meu rosto, que estava abaixado, e eu nem percebi. Sorri só de ver o sorriso dele.
- Ok! Você que é perfeito, Jimmy. – Pisquei para ele, que fez uma cara superior.
- Eu sei disso! – Gargalhou, me fazendo gargalhar também.
- Convencido nem um pouco! – disse depois que consegui respirar, com a barriga doendo de tanto rir.
- Sabe por que eu sou convencido? – Ele fez aquela carinha safada, diminuindo o espaço que havia entre nós. Eu fiz que não com a cabeça. – Porque hoje eu fiquei com a menina mais linda do mundo! – Eu sorri fraco, abaixando a cabeça, morrendo de vergonha. – E sei que ela vai ser uma ótima amiga pra mim. – Levantei meu rosto com a sobrancelha arqueada. Ele tinha dito aquilo mesmo?
- James... – Tentei começar, mas ele me interrompeu.
- Eu sei que você não gosta de mim, gosta do . – Eu neguei com a cabeça várias vezes. Será que era tão óbvio? – , tá escrito nos seus olhos, princesa, mas eu não me importo com isso. Ficar com você hoje foi perfeito e já é o bastante pra mim.
- Como você pode ser tão fofo, Jimmy? – eu disse já sentindo meus olhos se encherem de lágrimas e percebi que nós já estávamos do lado de fora do apartamento. Ele sorriu.
- Não precisa chorar... – Nem senti as lágrimas descerem. James passou o dedo por onde elas insistiam em cair, limpando-as. – Você não merece sofrer mais do que já sofreu, .
- Eu sei, só que é difícil... – Ele me deu um selinho demorado.
- Promete uma coisa pra mim? – ele perguntou, mexendo no meu cabelo. Confirmei com a cabeça. - Nunca se abale por causa dessas coisas, e sempre que você precisar sorrir, me liga que eu venho correndo! – Eu sorri agradecida e confirmei com a cabeça novamente, o abraçando em seguida. - Agora entre, princesa, a deve tá muito curiosa. – Eu gargalhei e ele me acompanhou.
- Boa noite, James. – Eu disse saindo do abraço dele. Ele sorriu.
- Boa noite, . – Ele se virou em direção ao elevador, mas parou do nada.
- Posso te beijar uma última vez? – ele perguntou ainda de costas para mim, não sei se por vergonha. Eu sorri.
- Adoraria, Jimmy.
Ele se aproximou de mim sorrindo e grudou seus lábios nos meus com certa urgência. O beijo parecia mais calmo do que o normal, mas logo ele começou a ser mais rápido. Eu podia sentir no beijo que o James queria passar tudo que ele sentia e o sentimento que predominava era o de apoio.
Eu sabia que, a partir daquele beijo, eu sempre teria o James comigo quando eu precisasse.
Ele se afastou bem lentamente e sorriu.
- Você sentiu isso? – ele falou com os olhos fechados ainda. Eu sorri ainda com meu nariz encostado no dele.
- Sim, e obrigado. – Ele abriu os olhos e me encarou.
- Não precisa agradecer. Eu sempre estarei aqui. – Ele me deu um beijo na testa e virou-se novamente em direção ao elevador.
Quando a porta se abriu, ele me deu uma última olhada.
- Me ligue se precisar. – Eu concordei com a cabeça. – Eu sempre estarei com você, não importa a hora ou lugar. – Ele entrou no elevador e eu fiquei parada na porta, tentando assimilar tudo aquilo.
Capítulo 7
- O que aconteceu? – me perguntou assim que eu sentei no sofá, ainda estática depois de tudo que aconteceu naquela noite. Eu ainda não acreditava como eu estava ficando com sorte, uma sorte imensa por ter pessoas como o , e e eu havia ganhado mais uma pessoa perfeita: o James.
- Ele é perfeito, , perfeito... – Eu ainda estava imersa em meus pensamentos e percebi que ela me olhava espantada.
- Você está gostando do James, ? – ela falou, de boca aberta.
- NÃO, MULHER! – Tirei-a do transe daqueles pensamentos sobre eu gostar do James e as feições dela voltaram ao normal, mas mudaram depois para a extrema curiosidade.
- Conta tudo agora, ! – ela falou e eu assenti.
- Bom, o que aconteceu foi que...
's Point Of View:
- OMG! OMG! – Eu ainda não acreditava em tudo que ela me dizia, ficar com o James e ele ser tão fofo assim. Ela só podia ser louca se não ficasse com ele de novo.
- Calma, menina! – Ela ria da minha reação. Como ela poderia rir disso?
- , você não vai ficar com o fofo do Bourne mais? – eu perguntei indignada. Ela fez que não com a cabeça.
- ! Você tá desperdiçando a oportunidade de ficar com alguém que presta!
- , o também parecia prestar, lembra? – É, isso era verdade, ele parecia ser uma pessoa boa mesmo. Eu achava que ainda era, só que não mudava o que ele fez com a minha best.
- Tá ok, mas você sabe que o James presta. – Apontei para ela e ela levantou os braços ao ar. Eu não aguentei e ri, junto dela.
- Eu sei, mas eu não posso iludi-lo, . Você sabe que eu não sou disso. – Era verdade, ela não era mesmo.
- Pelo menos você ganhou um novo melhor amigo. – eu falei e ela sorriu. – Falando em melhor amigo... – Ela me olhou com a sobrancelha arqueada. – O tá querendo conversar com você, sobre o Carlos. – Ela abriu a boca e depois fechou, cruzando os braços.
- Você contou pra eles? – ela disse emburrada.
- Você queria o quê? Eles te viram saindo com ele hoje, você tinha que ver a cara de ódio do , principalmente depois que eu falei que achava que o Carlos gostava de você.
- VOCÊ O QUÊ? – Ela pôs as mãos no sofá e se inclinou na minha direção. Eu peguei a almofada e coloquei na minha frente, com medo dela, é claro.
- Eles iam saber mesmo, , olha pelo lado bom, eu te poupei do trabalho de contar. – Ela fez mais cara de emburrada.
- , você está encrencada comigo, mocinha. Corta aqui! – Ela fez um bico de todo o tamanho e estendeu os dedos, fazendo a famosa ‘cordinha’ para que eu cortasse.
- Não, amiga, você sabe que essa brincadeirinha não é válida pra estragar a nossa amizade! – eu falei e ela bufou, mas depois pulou em cima de mim, me esmagando no sofá.
- AAAHHH, você tá me matando, AMIGA! – eu gritei e ela levantou gargalhando. Eu me ajeitei e ela sentou no meu colo.
- Sabe o que a gente vai fazer agora? – ela perguntou e eu arqueei a minha sobrancelha, em dúvida. – Nós vamos ligar para as meninas! – Ela levantou gritando e pulando e eu a segui.
- AAAAHHHH, que saudade daquelas duas! – eu gritei também enquanto ela pegava o telefone.
- Ligação internacional, mas você sabe, naquele esquema... – ela disse, eu a interrompi.
- Para fazê-las entrarem no Skype! – Ela gargalhou.
- BINGO! Nós só podemos ser gêmeas, amiga! – Eu gargalhei e ela discou o número.
End of 's Point Of View.
's Point Of View:
- O telefone, ! - Minha mãe gritou de dentro do banheiro, como se eu fosse deixar o telefone tocando para o resto da vida enquanto eu via tevê.
- Alô? – Atendiao telefone e escutei uma gritaria louca.
- AMIGAA, AMIGAA, SAUDAAAADES! – Duas vozes muito conhecidas faziam algazarra do outro lado da linha.
- Dá pra vocês duas pararem de gritar? Londres tá deixando vocês meio malucas. – eu disse gargalhando e elas me acompanharam.
- Credo, , nem tava com saudade, sua feia! – falou depois que as risadas cessaram.
- Eu não tava, eu estou com saudades de vocês, minhas doidinhas prediletas! – eu falei ouvindo um ‘mentirosa’ da .
- Amiga, a gente tem muita coisa pra falar, liga pra e pede ela pra entrar no Skype. – falou com uma voz para deixar qualquer um curioso. Também, depois que elas contaram que conheceram o McFly, eu sabia que deveria ter muita coisa mesmo.
- Já to ligando pra ela e entrado no Skype. – eu falei, indo para o computador.
- Então a gente vai desligar. Manda um beijo pra todo mundo aí, amiga! – falou e a gritou um ‘É, manda um beijo’. Eu ri.
- Ok! Beijos, minhas Londrinas! – disse e desliguei o telefone, já começando a ligar para casa da .
End of 's Point Of View.
- Eu quero só ver a cara delas quando a gente contar tudo que aconteceu nesses últimos quatro dias. – falou, ligando as luzes do meu quarto e sentando na cama enquanto eu pegava o notebook e sentava ao lado dela.
- Eu já to até imaginando. – eu disse rindo e a levantou.
- Vou pegar o brigadeiro que eu fiz ontem. – disse e saiu pela porta.
- Oi, ! – disse assim que entrou no Skype. – Como você está? E a ? Me conta tudo! – ela falou já endoidando do outro lado da tela do PC. Eu gargalhei.
- Calma, amiga, uma pergunta de cada vez, OK? – Ela assentiu com a cabeça e a entrou na conversa.
- Eu to bem, a tá bem e eu vou contar tudo! – Elas gargalharam e a entrou no quarto.
- O que eu perdi? – disse com a boca cheia de brigadeiro.
- AMIGAAA! – falou toda escandalosa quando viu a . Ela riu e acenou.
- Querem brigadeiro, meninas? – Eu disse e elas gargalharam.
- Eu já to com o meu aqui! – disse pegando o prato e colocando na frente da webcam.
- Eu sabia que vocês iam comer brigadeiro, como sempre quando falam com a gente, e já fiz o meu também. Só que eu ainda não posso comer. Tá quente! – Como sempre, , a fresca, ataca novamente. Todas nós gargalhamos.
Era bom poder matar as saudades das meninas, estarmos todas juntas, nem que fosse pelo PC.
- Agora chega de papo e vamos ao que interessa! Conta tudo logo! – disse me parecendo mais curiosa que a .
- Tudo bem, tudo bem! Fiquem caladas até eu acabar, ok? Ai depois vocês comentam e gritam e blá, blá, blá. – Elas gargalharam, com certeza, da minha representação com as mãos. Elas concordaram e se calaram para eu começar.
~~
- EU NÃO ACREDITO! – me assustou depois que eu falei ‘acabou’, gritando.
- NEM EU! – complementou de boca aberta.
- O quê? Qual parte? – perguntou rindo das duas.
- Ela ficou com o BOURNE? OMG! – disse e eu gargalhei. Achei que ela ia falar da história do .
- É, e ainda por cima disse que não vai ficar mais com AQUELE DEUS? – disse colocando as mãos na cabeça e balançando freneticamente em sinal de decepção.
- Gente, eu não quero iludi-lo! E por que as senhoras estão assim hein? Sra. e Sra. ? – Eu falei e a gargalhou gritando ‘é verdade!’.
- Ah, , querida, você sabe que eu tenho uma ‘tara’ por meninos fofos como o , e o James é desse jeito! Isso é desperdício seu! – apontou pra mim, acusando.
- E eu uma ‘tara’ por homens lindos! Claro que o é mais HOT, mas o James é solteiro! – disse com uma cara safada. E eu pensava que eu era a tarada depois de hoje, mas a ainda me superava com todo aquele rostinho angelical.
- Mas agora falando sério, como assim o fez isso com você? – falou como a amiga preocupada como ela sempre foi. Eu franzi a testa depois que ela disse o apelido do sujeito.
- Ele fez, amiga, mas a tá se vingando bem! – falou e eu me virei para ela com uma cara brava. As meninas gargalharam.
- Nem faz essa cara, . Agora diz pra gente, você não vai falar com ele mais? – disse e eu abaixei a minha cabeça.
- Não posso dizer que nunca, mas dizer que vou também não é valido. – Elas olharam sem entender, tudo lerdas. – Resumindo: eu não sei! – Elas me olharam com as feições tristes e eu não entendi o porquê. – Que foi? – perguntei, já que nenhuma das duas queria dizer nada.
- Erm... ... – gaguejava, sem saber o que dizer e a intrometeu.
- É que a gente não queria isso pra você, amiga. – Eu ainda não entendia e ela suspirou, continuando. – Todas nós fizemos uma espécie de ‘pacto’ quando aquilo aconteceu com você... – me abraçou.
- Nós prometemos umas as outras que nunca deixaríamos algo assim te acontecer... – disse e eu as olhava já com os olhos cheios de lágrimas.
- Mas acabou que foi inútil! Você passou por esse sofrimento novamente. – enfim disse e eu já sentia as lágrimas caírem de tanta emoção.
- Vocês são um máximo, sabiam? – Eu fui amparada pela , que enxugava minhas lágrimas.
- Claro que a gente sabia! – disse para me fazer rir.
- Você não seria nada sem a gente, ok? – falou para complementar e eu não aguentei, gargalhando.
- Convencidas! Só falta a falar agora! – eu disse saindo do abraço dela e ela sorriu.
- Eu nem preciso, é só eu me olhar no espelho todos os dias e ver o tanto que eu sou FODA! – Ficamos todas estáticas, olhando umas pras outras, para cair na gargalhada, segundos depois daquele comentário terrível da .
- FODA? – falei ainda rindo, tentando voltar a respirar.
- FODÁSTICA! – ela respondeu ainda gargalhando e nós voltamos a dar crises terríveis de riso, até a barriga doer.
Conversamos mais coisas sem importância como: ‘O James beija bem?’, ‘E ele tem a pegada?’, minha cara variava a cada pergunta idiota daquelas crianças felizes, até eu notar a hora e alertar de que a gente tinha que estudar.
- Então, boa noite pra vocês, amigas, e qualquer coisa, nós conversamos pelo Skype novamente. – disse mandando beijinhos para as duas.
- Boa noite pra vocês também e não se esqueçam da gente! – falou manhosa.
- E quaisquer novidades nos digam! A gente quer saber de todos os ‘bafões’ que acontecerem! – disse e nós concordamos com a cabeça.
- BEIJOOOOS! – gritando iguais duas retardadas, e nós desligamos o Skype.
- Vou dormir, se não eu não acordo amanhã mais! – eu disse indo ao banheiro fazer a minha higiene.
- Então boa noite, amiga! – disse e depois eu escutei o barulho da minha porta se fechando.
Será que o ficou assim tão irritado? Os olhos dele quando me viu entrando no carro não negaria a isso, mas... Ei? Dá para parar, consciência? não mereceria que eu ficasse lá, deitada na cama, perdendo meu sono, por culpa dele!
Que droga, por que eu era tão idiota? Se eu não tivesse me deixado levar por ele, pelo momento, talvez a gente estivesse, pelo menos, conversando.
Hunf. Era melhor eu dormir.
~~
(N/A: Coloque Hit You With The Real Thing – Westlife, . Faz diferença se tiver a música)
It's 99 degrees and the temperature is creeping up Faz 37 graus e a temperatura continua subindo I felt your foundation vibrate Eu senti seu pulso vibrar A mountain might erupt Uma montanha pode desmoronar I've almost got you there Quase te levei lá So let me take you all the way Então me deixa conduzir todo o caminho A taste is stimulating keep you hot like Uma prova é estimulante, mantém você quente como
O som do despertador me fez abrir um sorriso maléfico no rosto. Era mesmo muito irônico o fato de que essa música, e principalmente a letra, me lembrava o James?
Acho que não.
What (take it till you're high and low) O que (continuar até você ficar alta e baixa) Like how (system overload) Tipo como (sistema sobrecarregado) Like who (sure you wanna rock the boat) Tipo quem (claro que você quer arrasar) And hit you with the real thing E te atingir com a realidade
What (rock you from the left to right) O que (chacoalhar você de um lado para o outro) Like how (electro paradise) Tipo como (paraíso elétrico) Like who (if you wanna up your line) Tipo quem (se você quiser aumentar seus parâmetros) And hit you with the real thing E te atingir com a realidade
- Own, amiga! Isso que é acordar bem de manhã! – entrou no meu quarto sorrindo, com os cabelos todos bagunçados. Como sempre, ela acordou com o meu despertador. Não sei como ela consegue escutá-lo do quarto dela.
- Para de falar e vem dançar comigo essa música nem um pouco contagiante! – eu disse e gargalhei pelo pulinho retardado que ela deu, subindo em minha cama e dançando comigo.
Taste the infinity and mysteries surrounding you Experimente o infinito e os mistérios que te cercam Erotic stereo kicks in the bass and trebble too O som erótico está nos baixos e nos agudos também Come hold your hands above your head and let them levitate Coloque suas mãos sobre a cabeça e deixe que levitem And be hypnotic and the trip won't stop E fique hipnotizado que esta viagem não vai parar What (take it till you're high and low) O que (continuar até você ficar alta e baixa) Like how (system overload) Tipo como (sistema sobrecarregado) Like who (sure you wanna rock the boat) Tipo quem (claro que você quer arrasar) And hit you with the real thing E te atingir com a realidade
What (rock you from the left to right) O que (chacoalhar você de um lado para o outro) Like how (electro paradise) Tipo como (paraíso elétrico) Like who (if you wanna up your line) Tipo quem (se você quiser aumentar seus parâmetros) And hit you with the real thing E te atingir com a realidade
- James abençoado! – ela disse enquanto eu dançava uns passinhos e ela tentava me acompanhar, rindo. Para variar, eu ia perguntar o óbvio, já sabendo a resposta.
- Por quê? – ela gargalhou.
- Porque ele conseguiu um milagre! – Eu arqueei a sobrancelha. – Ele fez você, VOCÊ, acordar de bom humor, amiga! – Ela apontou para mim e depois piscou. – Ainda mais com uma música que a letra não te faz lembrar nem um pouco da festinha de ontem, né? – Eu coloquei as mãos na cintura e cerrei os olhos na direção dela.
- Eu escolhi essa música antes de ficar com o James, mocinha. Lembrar dele? Bom, isso ela lembra, tenho que admitir. – Eu ri depois da cara de “Eu sabia!” que ela fez. Continuamos dançando igual loucas, mas no chão agora.
Need you more than enough Preciso de você mais que o suficiente Ectasy till you're insane, yeah Êxtase até você ficar louca Find adrenaline rush Achar o choque de adrenalina Feel the power through your veins Sentir o poder pelas veias And hit you with the real thing E te atingir com a realidade
Cantávamos a musica (lê-se gritávamos), imitando cenas patéticas e retardadas sobre o que os trechos diziam.
fazia uma cara de mulher possuída no “Êxtase até você ficar louca”, que me fez ter medo dela. Mentira, me fez rir da cara dela, que gargalhou comigo.
(Bring it till you're high and low) (Continuar até você ficar alta e baixa) (System overload) (Sistema sobrecarregado) I'm gonna show you how I'm rocking the boat Vou te mostrar como eu arraso (Rock you from the left to right) (chacoalhar você de um lado para o outro) (Electro paradise) (Paraíso elétrico) I'm gonna hit you with the real thing Eu vou te atingir com a realidade
It's 99 degrees and the temperature is creeping up Faz 37 graus e a temperatura continua subindo I felt your foundation vibrate Eu senti seu pulso vibrar A mountain might erupt Uma montanha pode desmoronar Come hold your hands above your head and let them levitate Coloque suas mãos sobre a cabeça e deixe que levitem And be hypnotic and the trip won't stop E fique hipnotizado que esta viagem não vai parar
O refrão ecoava pelo quarto com o som ‘mega’ potente do meu celular e eu já me sentia exausta, desabando na cama, sem conseguir acabar com a música.
Misture acordar, dançar, cantar e rir, que você entende o que eu estava dizendo.
- A gente deve ter acordado o prédio com essa loucura em plena 7h da manhã de uma terça-feira. – deitou ao meu lado na cama, gargalhando assim que a música acabou.
- Que se danem! A minha amiga tá feliz e isso que importa! – Ela pulou em cima de mim, tirando o pouco ar que eu tinha conseguido recuperar.
- To feliz e sufocada! SAAAAI! – gritei rindo e tirando-a de cima de mim com cócegas.
- Vamos arrumar, pois a escola nos espera! – Ela me bateu com o bendito travesseiro e saiu correndo. Hunf, medrosa.
- A TRAVESSEIRADA VAI TER TROCO, MOCINHA. – Escutei-a gargalhar.
Quarta-feira, 22 de Agosto de 2012.
's Point Of View:
- A ficou em casa? – me perguntou assim que todos estavam acomodados no sofá do .
- Na verdade, não. – Eles fizeram uma cara de interrogação e eu me preparei para a reação do a minha próxima frase. – Ela saiu com o James e um pessoal, eu aproveitei e contei ao James sobre a festa, ele disse que ajudaria no que precisássemos e compareceria com certeza. – Me dei por satisfeita ao ver o ódio se formando no rosto do .
Minha maior vontade era de complementar: ‘a, distraído. Por burrada sua, o James tá se dando bem’, mas eu fiquei quieta, como sempre, porque no fundo, bem no fundo, eu tinha dó do , ainda mais depois de ontem. Para variar, eu ficava dividida entre o ‘provocar a raiva’ e o ‘sentir pena’.
- Que legal! – começou, mas logo engoliu o que ia dizer quando viu o olhar indignado do . – Quer dizer... Eles foram aonde, ? – Claro que ele mudou de assunto por causa do amigo, só que nos olhos do estavam escritos: ‘ara que a fique com o Bourne de novo, seria bom pra ela’. Coitado do , estava dividido entre o e a . - Eles foram levá-la pra conhecer o Kensington Gardens. – Sorri e vi se levantar rápido, indo na direção da cozinha. – O que deu nele? – Cochichei com sarcasmo para o .
- Foi demais pra ele, né, Beê? Ele soube que a ficou com o James na festa quando você contou ontem, e hoje você aparece com essa que eles foram ao parque? – Eu rolei os olhos e bufei ao mesmo tempo. – Ele deve tá morrendo de ódio. Qualquer um estaria no lugar dele. – O olhar do seguiu o indo atrás do na cozinha.
Coitado do . Mentira, ele mereceria. Sou má.
Flashback On.
- O que ela disse sobre a tal festa? – perguntou, morrendo de curiosidade e me abraçando no sofá. Eu ri.
- Vocês não vão acreditar. – Todos me olharam demonstrando curiosidade total. Quer dizer, nem todos. O olhar do era de preocupação total, isso sim!
Contei a história e fiz questão dos detalhes. Da dança, do beijo, da despedida lá em casa... Tudo.
- Puta que pariu! O James e a ? – soltou essa do meu lado e eu bati nele.
- Olha o palavrão, mocinho, já me basta a . – Ele sorriu, me beijando a bochecha em sinal de desculpas.
- Ela vai ficar com ele? Quer dizer... – gaguejava de ódio e eu lutava para não rir. – Ficar depois dessa festa? – fez cara de ‘tenha dó do rapaz’ para que eu respondesse sem grosseria, já que todo mundo sabia o que se passava na minha cabeça a seguinte frase para o : ‘Isso não te interessa, querido’, mas não soltei essa pelos meninos e resolvi mentir, quer dizer, omitir esse fato.
- Não sei! Ela não deu certeza de nada. – Como o estava com raiva, ele não reparou que, na minha voz, demonstrava que faltava algo, mas o reparou nisso e franziu a testa. Eu franzi de volta e movi os lábios dizendo: ‘ Te conto os detalhes depois’, ele assentiu, relaxando a testa.
- Hey, dude, se acalma. – disse depois que o clima da sala tinha ficado pesado por causa do ódio aparente do .
- Acalmar, ? Como eu posso me acalmar se o Bourne ficou com ela? – Ele levantou o rosto que até então estava abaixado e olhou para o , chorando. Uma mistura de ódio com tristeza. – O BOURNE FICOU COM ELA COM UMA MÚSICA NOSSA COMO TEMA?! – o abraçou e até eu que achei que o merecia aquilo, senti um aperto no coração ao vê-lo chorar. – Ele ficou com a , , a minha . – Ele chorava descontroladamente no abraço do amigo, que não sabia o que fazer. Fiquei indignada em ouvi-lo dizer ‘minha ’, só que não comentei por causa das circunstâncias.
Ninguém disse mais nada sobre o assunto. As atenções voltaram para o aniversário da quando o se acalmou.
Flashback Off.
- A culpa é dele, beê. Quem procurou isso foi ele! – me olhou meio que concordando, mas ele estava mesmo preocupado com o amigo.
- Agora ninguém sabe o que fazer. Ou fica feliz pela estar melhor, ou fica triste, pois a melhora da causa dores profundas no . – pensou alto com os olhos perdidos na cozinha, tentando saber o que acontecia lá dentro.
End of 's Point Of View.
's Point Of View:
- Dude, erm... – Eu não sabia o que dizer. Como eu chegaria para ele e dizer: ‘, você fez a sofrer antes e agora tá aí se lamentando por ela estar ficando melhor’? Não posso dizer isso a ele. Eu sou amigo dos dois e sei que o certo seria os dois juntos, não daquele jeito: enquanto um fica bem, o outro fica péssimo!
- , eu só estou tentando me acalmar. Não é muito por causa da , é mais por causa do... – Seu rosto virou puro ódio naquele momento e eu vi suas mãos se fechando em punhos em cima da mesa. – Bourne. – Eu respirei fundo. Esse ódio pelo James era uma das piores partes. Mais um amigo envolvido nisso.
- Dude, você sabe que... – Tentei achar as melhores palavras e ele me encarou. – O James e a se conheceram na festa e você e ela não tinham nada. Você não pode agir assim, como se o James tivesse roubado a sua namorada, entende? – Ele levou às mãos a cabeça e a balançou, negando.
- Acho que pareceu bem claro naquela festa que eu só tinha olhos pra ela. – ele disse, se esforçando para não gritar.
- Sim, , mas pra nós que já tínhamos visto vocês dois juntos. Na festa, a não quis ficar muito perto de você por motivos óbvios e de quem ela se aproximou? – Ele voltou a me olhar, acho que começando a compreender.
- O Bourne, eu sei. Mas , pelo que eu sei, ele ficou sabendo do ocorrido na festa, não é? – Concordei com a cabeça. – A que conclusão ele chegaria depois disso? – Eu sei que o James chegou a conclusão de que o era louco pela , mas eu tinha que amenizar as coisas ali.
- Você teria que perguntar a ele, . Mas o que eu quero que você entenda é que você não pode ficar assim, você tem que tentar se desculpar com ela, não ficar depressivo e com raiva porque ela saiu com outra pessoa. Esse não é o que eu conheço! – Brinquei com ele e ele forçou um sorriso reto.
- O que eu mais quero é me desculpar com ela. O problema é que ela não quer! Ela me odeia, . – Ele bateu as mãos na mesa.
- Não é isso que eu acho. – Ele arqueou a sobrancelha para mim. – Eu acho que ela te evita pelo que você fez, evitando assim o que ela sente por você, mas isso não quer dizer que ela te odeie de verdade. – Ele sorriu. Depois de dois dias, ele sorriu de verdade.
- Tudo bem, mas eu ainda não engoli o Bourne, e minha raiva dele não vai passar tão cedo. – Eu balancei a cabeça em sinal de decepção, mas entendi o lado dele.
- Vamos pra sala, então? A gente tem que ver se já tá tudo pronto pra amanhã. – Ele concordou com a cabeça e levantou-se. Eu o segui.
, e James Bourne em um mesmo lugar.
É, aquela festa surpresa para a prometia!
End of 's Point Of View.
's Point Of View:
- Vamos repassar as coisas da festa agora. – disse, entrando com ao seu lado.
- Ok então. O presente de vocês? – começou com seu caderno de anotações em mãos.
- Comprado! – eu respondi.
- E como ele é? – ela perguntou curiosa.
- Bom, foi o... - Eu comecei a explicar, mas fui interrompido.
- Vocês deveriam ver, pois assim, se você acharem que ela não vai gostar, a gente vai ter tempo de trocar. – disse para as meninas, que se entreolharam, concordando em seguida.
- Mas vai estragar a embalagem! – eu disse.
- É uma caixa, , e o laço elas conseguem deixar bonito de novo, né? – complementou e elas sorriram. Eu dei de ombros.
- Pega lá, Beê, tá no quarto do . – disse e a foi correndo pegar o presente.
- OMG! É lindo, meninos! Ela vai amar com certeza! – Mary disse assim que a tirou o vestido da caixa. Rafa olhava de boca aberta e analisava os acessórios dentro das pequenas caixas.
- Quem escolheu? – perguntou e o se encolheu no sofá.
- O escolheu tudo. A gente ia ajudar, mas ele já tinha pegado tudo e perguntou se a gente tinha gostado... – começou a dizer e as meninas o encararam.
- Aí a gente gostou, e ele combinou com a gente de dizer que ele só escolheu o vestido. – interrompeu a fala do para completar.
- , ela vai amar tudo. Tenho certeza! – falou começando a guardar os presentes na caixa. sorriu.
- Tudo bem, agora vamos ver o plano... – começou depois que o presente estava na caixa. – Beê, você sabe que não pode dar na cara, né? – Ela falou e o concordou com a cabeça. – , Mary, Rafa e . Comes e bebes? – Nós concordamos com a cabeça. – Ok então... , a foto? – Ela marcou no caderno e olhou para o .
- Já mandei fazer, vai estar aqui amanhã de manhã. Mas eu ainda acho que ela não vai gostar... – Ele olhou para o chão.
- Claro que ela vai. – interrompeu. – Você continua sendo do McFly e ela não vai se importar, principalmente porque quando nós tiramos aquela foto, vocês ainda estavam conversando. – deu de ombros, desistindo. Ele achava que a iria odiar tê-lo na foto. Eu já achava o contrário, como todo mundo.
- Então, tá tudo ok. Falta só falar com o James, o Carlos e a Melissa, mas isso eu resolvo lá em casa.
- E o presente de vocês? – eu perguntei para as meninas, que sorriram.
- É segredo, vocês não vão nem saber na festa. – Rafa disse.
- Só se a quiser que vocês saibam. – Mary completou.
- Eu acho que ela não vai querer, por enquanto. – disse e elas sorriram, com certeza, com a cara que nós fizemos. O que será esse presente secreto?
- Bom, eu vou dar outro presente além desse. – falou e eu arqueei a sobrancelha. Todo mundo com segredinhos agora?
- Eu também. – disse e, no mesmo instante, todos nós o olhamos com caras curiosas e algumas, assustadas.
- Então a gente só vai saber na festa? – Eu disse. Eles concordaram com a cabeça.
End of 's Point Of View.
- Me diverti muito hoje, gente! – eu disse assim que desci do carro do James, indo ao carro ao lado onde o Carlos, Mel, Paul, Clark e Annie estavam.
- A gente também, ! – Mel falou sorridente.
- Nos vemos amanha na escola, né? – Carlos perguntou.
- Claro! – respondi.
- Gente, tem uma cultura lá no Brasil de jogar ovo nos aniversariantes... – Carlos começou a dizer com uma cara maléfica e o pessoal todo sorriu da mesma forma, maleficamente. Senti o James chegar atrás de mim.
- Jogar ovo? – Ele o interrompeu.
- Isso aí! Mas não se preocupa, , a gente não vai fazer isso com você! – Respirei aliviada. E o pessoal gargalhou da minha cara.
- Ainda bem! Eu tava quase indo aí dentro bater em você! – Eu apontei para ele, que se encolheu no banco do carro com as mãos levantadas.
- Mas amanhã a gente tem uma surpresa pra você! Presente de aniversário. – Paul falou assim que as nossas gargalhadas pararam e eu encarei todos com uma cara de pura curiosidade. O que será que eles estão aprontando?
- Nem pergunte! Vai pra casa dormir, que amanhã a sua curiosidade passa! – Annie falou. Annie fazia dança junto com a gente e era amiga da Melissa. Acabou virando amiga minha e da .
- Isso mesmo! Tchau, ! – Clark foi nem um pouco irônico. Ele era amigo do Paul e estuda na mesma sala que a gente. Minha amizade com esse pessoal foi crescendo muito rápido. Claro que o fato de eu estar com raiva do ajudou muito, pois eu acabei me afastando dos meninos.
- Tá me expulsando, Clark? – Ele concordou com a cabeça e todo mundo gargalhou, até eu. – Pois fique sabendo que eu só vou porque eu sei que você é o Super-Homem, vulgo Clark Kent. – Eles gargalharam mais e eu saí de perto do carro, acenando. James veio logo atrás.
- Como se você não desse conta do Super-Homem ali. – ele disse no meu ouvido, me arrancando uma risada. Ele passou o braço por meus ombros e nós fomos para o elevador.
's Point Of View:
- Amiga? – A voz da ecoou pelo apartamento e eu saí do meu quarto indo na sala para vê-la, e ver o James, que prometeu estar lá pqra conversar comigo.
- Oi, amiga! Oi, James! – eu disse assim que os vi na sala.
- , pega pra mim o livro que você ia me emprestar, pra eu já levar pra casa. – James disse de prontidão. Oportunidade certa para a gente conversar.
- Ok, Jimmy, só um minuto. – Ela saiu saltitante indo até seu quarto.
- Literalmente a gente tem um minuto pra conversar antes dela chegar. – eu cochichei e ele concordou com a cabeça. Sentamos no sofá. - Amanhã ela vai ter a surpresa na escola. Depois, ela vai trabalhar e quando voltar, eu não vou mais estar aqui. Vou sair daqui bem cedo pra arrumar tudo na casa do e você tem que estar lá às 19h. – Terminei olhando para o lugar de onde a viria. Por enquanto, nada dela.
- Eu quero ajudar na organização. – ele disse e eu balancei a cabeça, negando.
- Você e o iam acabar brigando. Ele tá com muita raiva de você. Isso só iria atrapalhar. – Ele concordou com a cabeça, derrotado.
- Isso vai acabar atrapalhando o aniversário dela. Eu não devia ir. – Franzi a testa.
- Tá louco? Você e o vão se comportar na festa. Além do mais, ele não quer que a fique com mais raiva dele e, brigando com você na frente dela, ela jamais aceitaria isso. – Ele respirou fundo e eu me consertei no sofá, vendo a retornar.
- Então eu vou comprar isso! – James disse para disfarçar e a sentou do lado dele, com uma interrogação enorme em cima da cabeça.
- Comprar o quê? – Curiosa. Eu ri.
- O seu presente. – Ela arqueou a sobrancelha e olhou para mim. Concordei com a cabeça.
- Não se atreva... – Ela começou, ele deu um beijo na bochecha dela, a fazendo parar de falar.
- Não se atreva você a me dizer que eu não posso te dar um presente no seu aniversário! Vai estar me ofendendo. – James fez bico e a soltou o ar indignada.
- Só você mesmo, Bourne. – Ele sorriu e eu sorri também, me levantando.
- Eu vou dormir. Vocês fiquem a vontade, ok? – Dei meu melhor sorriso safado e a fez careta. Já o James sorriu concordando.
End of 's Point Of View.
- Esse complô de você com a me irrita! – eu disse repentinamente e o James me olhou sem entender nada.
- Complô? – Ele fez uma carinha confusa que deu vontade de morder.
- É! Vocês dois estão aprontando contra mim. Ela sai da sala do nada dizendo que vai dormir? Ah tá, você jura, né? – Ironia sarcástica (existe isso?). O James gargalhou.
- Então, é isso. – Concordei com a cabeça. – , ela só acha que o melhor pra você é ficar comigo. Só que isso não importa se não for o que você quer. – Rolei os olhos e depois o encarei. Ele estava com um sorriso tão lindo... Amigo, . Amigo! Nada de pensar coisas maliciosas pelo Jimmy.
Ok, consciência, mas é difícil para caralho. Ele é lindo, gentil, carismático e... E te lembra o mais do que tudo, né, ?
Mas que merda. Por que eles tinham que se parecer tanto, até no físico? Beleza, consciência, mas acabamos com essa discussãozinha, já que o James estava me olhando com uma cara de ‘não to entendendo o seu silêncio’. Aff.
- Jimmy, você sabe que se fosse por mim... – Ele sorriu mais.
- Se fosse por você, era comigo que você estaria? – Tirou as palavras da minha boca, Bourne. Sorri e concordei com a cabeça. Por que é tão fácil falar dessas coisas com ele? – Fico feliz em saber disso, . – Ele passou a mão por minha bochecha. Legal, agora ele está me tentando. – Posso pedir uma coisa? Eu to com vontade de pedir desde que eu te vi hoje... – Fiquei curiosa agora. O que será?
- Pode pedir. – Ele sorriu.
- , eu quero... – Ele consertou-se no sofá e eu continuei o encarando, realmente curiosa. – Eu quero um beijo. – Arqueei a sobrancelha. – Mas é o último! Beijo de amizade! – ele disse meio apavorado, acho que com a cara que eu fiz. Existia beijo de amizade?
- Jimmy, a gente conversou segunda... – Ele colocou os dedos no meu lábio, concordando com a cabeça.
- Eu sei, eu sei. Mas não custa nada, ! Eu quero e prometo ser o último. Quer dizer, se você quiser me beijar mais depois disso... – Ele deu um sorriso safado e eu dei um tapa no ombro dele, não aguentando e rindo junto.
- Você é chato e eu te odeio. – Ele fez um bico de indignação. – Mas, ainda assim, é lindo. – Beijei a bochecha dele e ele voltou a me olhar com uma carinha de criança sapeca que quer aprontar com as coisas da irmã. Ok, nem tanto.
- Isso é um sim? – Seus olhos brilhavam contra a luz da sala, ou não. Suspirei.
- James Bourne, eu vou achar que to te iludindo cedendo a esse beijo. – falei firme. Ele pegou o meu rosto com as mãos e sorriu.
- , eu sei o que eu to fazendo. Você, desde o começo, deixou claro que não quer nada comigo, mas do mesmo jeito eu quero te beijar, deu pra entender? – Beleza, ele tem um ótimo meio de persuasão. Respirei fundo, derrotada com aquele argumento.
Eu queria beijar ele por que... Na verdade, eu nem sabia por quê. Concordei, enfim, com a cabeça. Ele sorriu (para variar).
Ele não disse mais nada, muito menos eu, com ele se aproximando de mim daquele jeito. Eu não sabia se eu sentia tudo aquilo pelo James por causa da convivência nesses últimos dias ou se era porque eu não via o , , e (pensando nele again, ? OMG) nesses dias. James estava sendo paciente, fofo comigo, atencioso. Ele estava sendo tudo que eu preciso nos momentos de aflição. E recompensá-lo por isso me parecia o mínimo, por mais que eu ainda achasse que iriamachucá-lo em algum momento. Mesmo ele jurando que não.
Ok, estava realmente difícil me concentrar naqueles pensamentos com ele roçando os lábios nos meus. Arrepios... Por que eles existem?
Jimmy colocou suas mãos no meu rosto e sorriu, vendo que nem ele, nem eu, aguentaríamos essa brincadeira de roçar os lábios. Ele me deu um selinho demorado, começando depois a aprofundar o beijo.
- Posso confessar uma coisa? – ele disse ainda respirando com dificuldade depois do nosso longo beijo. Eu concordei com a cabeça. Não estava muito diferente dele e seria meio impossível falar algo naquele momento. – Beijar você me faz sentir algo mágico. Por que será, ? – Encarei aqueles olhos que me olhavam realmente confusos. Os meus não deviam estar diferentes.
- Eu também me pergunto isso. – Ele me deu um selinho demorado e depois sorriu.
- Acho que é porque você gosta de mim, mas é pura amizade. Eu só não tenho certeza que comigo seja igual. – Arqueei a sobrancelha. Ele beijou a ponta do meu nariz e eu acabei rindo.
- Pode ser, mas quer saber o que eu acho? – Ele concordou com a cabeça. – Nós dois nos aproximamos rápido demais e a forma como isso aconteceu não deixou que os nossos sentimentos se aflorassem como deveria ser. – Ele arqueou a sobrancelha. Não entendeu. – O que eu quero dizer é que você ainda tá com tudo misturado aí dentro. Vai ver é amizade, mas a nossa proximidade te faz sentir outras coisas. – Ele fez cara de ‘ah, agora entendi’ e eu sorri.
- Homens são complicados, , em relação aos sentimentos. Alguns como eu – Ele apontou para si. –, como você disse, não sabem identificar o que sentem quando conhecem uma garota incrível. – Sorri encabulada. – Mas há outros tipos que fazem coisas pelo impulso, sem pensar nas consequências. – Não! Ele não poderia estar se referindo ao... – Como o , por exemplo. – Fechei a cara para ele e cruzei os braços. Ele me abraçou sorrindo, dando um beijo em minha bochecha. – Você pode não entendê-lo, ele também errou feio com você, mas nada vai mudar o que está aqui – Ele apontou para o meu peito, onde fica o coração. – E com ele da mesma forma. , eu sou o tipo de cara que lida bem com os erros e as perdas que esses erros podem causar, mas o não. – Bufei, saindo do abraço dele.
- Claro que não! O é mimado, egoísta, ridículo! Nunca amou ninguém de verdade na vida! – Eu olhei para o teto emburrada e podia sentir o olhar do James em mim.
- Tudo bem, já vi que você não quer falar dele nem pra mim. – Olhei-o incrédula. Ele estava dando de vítima. – Não me olha assim, . Eu sei que pra mim e pro as coisas pra você são mais fáceis quando o assunto é o .
- Como você sabe disso? – Minha cara emburrada já tinha sido desfeita para uma de surpresa.
- Eu conheço você, não sei como, mas conheço nesses últimos dias. – Acabei sorrindo. – Você é uma garota fácil de decifrar se a pessoa tiver o cuidado de olhar com atenção pra esses lindos olhos. – Ele se aproximou de mim e deixou nossos narizes se tocarem, olhando para mim com um carinho intenso. Deu-me um selinho rápido, me arrancando uma gargalhada abafada.
- Chega, Jimmy. Acabou o seu estoque de beijos por hoje! – Ele colocou a mão na boca para abafar a risada.
- Sim, senhora! Eu vou embora agora, por mais que eu quisesse ficar aqui até a meia-noite só pra ser o primeiro a desejar um feliz aniversário pra você, mas você tem que estudar. – Ele se levantou, estendendo a mão para mim. Eu peguei rindo e concordando com o que ele disse.
- Boa noite, então, Jimmy. – disse quando ele me abraçou na porta do apartamento.
- Boa noite, . – Ele roubou um selinho de mim e eu dei um tapa no braço dele, gargalhando.
- Seu abusado! Sabe, eu vou arrumar uma namorada pra você! Assim você me deixa em paz. – eu disse irônica, menos na parte do arranjar a namorada. Isso, eu faria com certeza.
- Se ela for bonita que nem você, eu posso pensar no caso! – Ele me roubou outro selinho. E eu abri a boca, surpresa.
- James!
- Tá, parei! – Ele levantou as mãos no ar. – , eu vou ser o primeiro a te dar feliz aniversário.
- É mesmo? Como? – Como se eu não soubesse.
- Mensagem pro seu celular, claro! – Eu ri, concordando.
- Sabia. Vou amar, James, mas eu acho que o vai concorrer com você. – eu disse e ele me abraçou pela cintura.
- Ele disse algo pra você? – perguntou sorrindo.
- Na verdade, não. Faz um tempinho que eu não falo com ele, mas eu tenho a leve impressão de que vai ter no mínimo uma mensagem dele no meu celular.
- Com certeza. – Ele beijou minha bochecha.
- Jimmy. Sabe a Annie, né? – Ele concordou com a cabeça. – Ela que vai ser sua futura namorada. – Ele arqueou a sobrancelha e se afastou um pouco para me encarar.
- A Annie? Por quê? – Agora estava beirando a curiosidade, a testa levemente franzida.
- Porque ela gostou de você, oras. E também porque eu quero que seja a Annie! – Ele riu. – Ela é bonita, legal, solteira e te achou um Deus grego. – Ele voltou a me abraçar.
- Tá, ela tem mesmo essas qualidades, mas eu não senti nada por ela, . Quando o Carlos apresentou, ela pra mim não passou de amiga.
- Será que é porque eu tava do seu lado, queridinho? – Ele gargalhou, concordando.
- Pode ser... Mas , eu não quero ficar com ela! – Ele fez cara de criança, falando como se tivesse certeza. Eu ri.
- Tudo bem, pode não ser agora, mas eu vou conseguir juntar vocês dois! Eu sou um excelente cupido, sabia? – Ele concordou com a cabeça, ironicamente.
- Agora eu vou mesmo. – Ele se virou e eu estava indo entrar quando senti-o me puxar pela mão. – Mas antes deixa eu te perguntar outra coisa. – Olhei-o, dando liberdade p-ra ele falar. – Posso te ver amanhã depois da aula?
- Ficou doido, Jimmy? Imagina você aparecendo lá e alguém te ver! Não mesmo. – Ele emburrou a cara.
- Mas , eu vou disfarçado ou me escondo no banco do carro com um pano na cabeça. Ninguém vai me ver. – Eu sorri e me aproximei dele, dando um beijo em sua bochecha e olhando aqueles olhinhos.
- James, você não vai e ponto! De noite você vem aqui e me vê, tá? – Ele fez um bico enorme e eu dei um selinho nele. Deu um selinho, ?
Dei sim. Ele fez um bico fofo demais e desse jeito ele não encrencaria com o que eu disse. Ai, ai, sei não viu...
Cala a boca, consciência, é melhor para você!
- Desse jeito eu só posso obedecer, né? – Ele falou com a cara mais linda do mundo, sorrindo.
Viu? Eu disse que daria certo. Sei, sei. Depois, não reclama que vai iludir o coitado.
Céus! Como é que pode? Sua própria consciência te enchendo o saco?!
- Então obedece mesmo! E vai agora, porque se não eu vou desmaiar na escola amanhã com sono e por culpa sua! – Apontei, acusando-o. Ele sorriu e me beijou a testa, acenando e entrando no elevador em seguida.
Quinta-feira 23 de Agosto de 2012
“Hoje vai ter uma festa,
Bolo e guaraná, muitos doces pra você.
É o seu aniversário,
Vamos festejar, os amigos receber.”
?
Estranho. Não me lembro de ter mudado o despertador do meu celular para o toque da Xuxa. Na verdade, nem música da Xuxa eu tenho, arg! Só poderia ser coisa da . Por falar em , porque será que ela não veio toda saltitante me dar os parabéns? Achei que ela iria acordar antes só para ter o prazer de ver a minha cara quando eu acordasse com essa músiquinha chata. Você adorava a Xuxa quando era pequena e agora tá aí reclamando?
Meu Deus! Até no meu aniversário, consciência? Sim, eu gostava da Xuxa, mas agora não gosto mais. Tenho vinte anos! Não cinco. Essa desculpa eu aceito, mas só porque é o seu aniversário!
Nosso aniversário, dã! Isso mesmo! Nosso aniversário. Parabéns pra gente!
Sinceramente, eu achava que estava enlouquecendo. Aquelas conversinhas com você, consciência, estavam ficando frequentes demais. Teria que fazer uma consulta ao psicólogo. Que nada! Você só tá solitária. Agora Tá com medo de se abrir de verdade até pra sua melhor amiga. Claro que eu não te culpo, a culpa é do , que tá nos confundindo.
Não respondi a esse pensamento. Era melhor ver se a estava bem. Aquela reação de ‘ficar na cama no dia do aniversário da amiga’ não rolava com ela.
's Point Of View:
Era naquele momento, plano em ação!
- Amiga! Acorda! – me sacudiu e eu demorei um pouco pra abrir meus olhos, fingindo dormir. Ela sorriu para mim e eu sorri de volta.
- Amiga! Feliz aniversário! – Eu fiz careta. – Droga! Não escutei o despertador! – Ela gargalhou e eu me levantei sentando na cama e colocando as mãos na cabeça, fazendo cara de dor.
- Que foi? – Ela sentou na beirada da cama.
- Ain, minha cabeça tá explodindo. OMG, como dói! – Fiz cara de criança e ela sorriu.
- Isso é peso na consciência por ter colocado aquela músiquinha chata pra despertar! – Eu fiz careta de novo e forcei um sorriso, abraçando-a.
- Eu queria ter visto a sua cara. Merda de dor de cabeça! – Ela sorriu, saindo do meu abraço.
- Vamos pra escola? – ela perguntou, se levantando.
- Acho que não, amiga. Eu queria tanto ir, mas tá doendo muito. – Coloquei as mãos na cabeça novamente e ela fez uma carinha de pena.
- Ai, amiga, tudo bem. Vou fazer o café e trago pra você, tá? – Ela foi andando e eu voltei a deitar.
- Olha só, você que tinha que estar recebendo regalias aqui! Mas como você já tá indo trazer o café, trás o remédio pra dor de cabeça pra mim? – Ela sorriu e concordou com a cabeça, saindo do quarto.
Ela caiu, era o que importava.
End of 's Point Of View.
Que dó. Tadinha da minha amiga.
Sabia que tinha algo errado. Ela não perderia por nada me ver acordando com a música da Xuxa.
Meu Deus! Lembrando do celular! Eu me esqueci de ver as mensagens!
Peguei o celular, que apontava quatorze novas mensagens.
QUATORZE? Quem será que mandou primeiro?
Hora: 00h00min
, minha princesa.
Espero ter sido o primeiro como eu disse antes de sair daí. Na verdade, nem dormi depois que cheguei. Fiquei pensando em você e assistindo Supernatural. Bem que você falou que o seriado é bom. Tô gostando! Comecei a ler o livro também, mas cansei rápido, acho que vou demorar pra te entregar.
Voltando ao real assunto da mensagem... haha.
Feliz aniversário! Rezo pra que Deus possa tirar todas essas coisas ruins da sua vida. Você merece mais do que ninguém ser feliz, , merece tudo de bom!
Eu Te Amo. (segunda vez que digo isso né?)
Conta comigo sempre!
Xxx James
O James ganhou realmente do . Ele não vai gostar de saber disso.
Verdade! Era a segunda vez que ele dizia que me ama. A primeira foi quando ele me ligou no dia seguinte depois da festa. O problema era que eu não sabia se acreditava se era amor de amizade, como ele disse, ou amor de amor. Ele é mesmo fofo, mereceu os beijos ontem.
Sabia que uma hora você ia concordar comigo, consciência. Vamos ver a outra mensagem.
Hora: 00h01min
, meu Leitão!
O que dizer desse dia especial, hun?
Acho que só mesmo que eu desejo tudo de bom pra você, , que Deus possa trazer muitas felicidades de hoje em diante!
Você sabe que é muito especial pra mim, né? E que eu te amo demais? E que fico triste com você se afastando de mim (da gente) desse jeito. Mas eu entendo você. Precisa de um tempo pra voltar ao normal. :)
OBS: é bom eu ter sido o primeiro a te mandar um feliz aniversário porque se não for eu... Eu mato quem foi! Esse privilégio é só do Pooh aqui!
Xxx
Meu Deus! O vai matar o James. Estava até vendo a cara dele quando eu disser que ele não foi o primeiro.
Hm... A outra mensagem é de... de novo?
Hora: 00h03min
,
Algo sério e, por favor, não me mate quando me vir!
Sabe o ? Ele tava com tanta vontade de te desejar um feliz aniversário, mas o medo e a falta de coragem o impediram, então, eu resolvi mandar por ele.
Tenho certeza de que as únicas palavras que estariam na mensagem se ele te mandasse eram: “Feliz aniversario. Desculpe-me, por favor.”
Sabe, , eu tava pensando esses dias… Você podia amenizar a situação dele mesmo. Ele não tinha nem ideia de que você tinha um trauma ou algo do gênero. Acho que, por mais que ele estivesse bêbado, ele não faria nada sabendo do que aconteceu antes com você! Pensa nisso, tá?
Xxx Seu Pooh
Se o soubesse que eu já pensei nisso várias vezes... Mas, do mesmo jeito, meu trauma com bebida ele meio que sabia. disse que comentou com ele na festa mesmo. Eles só não sabiam o que aconteceu. Se o soubesse... Você disse que nunca contaria para ninguém. Sentiriam pena!
Eu sei disso, já me bastava às meninas com todo aquele cuidado e atenção comigo por causa de tudo. Então não adianta ficar pensando nas possibilidades do . Ele te fez lembrar tudo de uma vez!
É... Ele fez mesmo. Me fez relembrar todas aquelas cenas com força total. E eu que pensei que havia as apagado da minha memória. Nós não podemos apagar. Se pudéssemos, eu já teria feito isso por nós!
Eu sei, consciência. Obrigado por me lembrar disso.
Suspirei. Comecei a ir até a cozinha. Tinha que fazer o café e levar pra , junto com o remédio. Acho que dava para ler as mensagens ao mesmo tempo.
Hora: 00h20min
!
Mas que droga! Eu sou um lerdo que não consegue nunca acordar na hora certa! Desculpa por essa mensagem não estar chegando meia-noite, ok?
Bom, eu vim aqui pra desejar você toda a felicidade do mundo nesse dia especial!
Muita paz, saúde, dinheiro (é bom, né?) e amor ( tá aí pra isso).
Não me bate pelo parêntese, ok? Mas o dude tá todo arrasado por tudo. Ele queria ter te desejado feliz aniversário, mas o medo da sua reação não deixou.
Pode contar sempre comigo porque eu ainda tenho uma dívida com você! (Por causa da sua pergunta, eu to com a hoje) :D
Amo você e amo a sua lasanha também! Haha.
Xxx
Own, esse chato do me deixou emocionada. Se ele souber disso, vai te zoar para o resto da vida!
Com certeza! Nem vou comentar com a , se não ela conta para ele. Não se esquece de bater nele por causa dos parênteses!
Não me esquecerei.
Gargalhei com os meus pensamentos idiotas, e, também, pelas minhas conversas e comentários da minha consciência. Nem parecia que era eu mesma que estava pensando pelos dois lados. Estranho aquilo.
Voltei a olhar as mensagens no celular. Eram seguidos de Mary, Carlos, , Paul, Clark, Melissa, Rafaella, Annie, meu pai e uma em especial que eu tinha que reler.
Hora: 00h30min
Amiga fofa e linda da gente!
Nós, ( e ) estamos aqui pra poder desejar um feliz aniversário pra você! Era pra gente ter mandado oito horas (no caso, meia-noite aí), mas a tinha que inventar de fazer uma mini comemoração pra você aqui em casa. Sem a sua presença, só pra constar. :D
Nós estamos tirando várias fotos da decoração e do seu presente (sim, nós compramos um) e vamos te ligar na hora do almoço, meio-dia aí, pra falar com você, tá? Aí a gente manda as fotos e tals.
Ah! A gente até fez um bolo! Ficou do jeitinho que você me ensinou a fazer, da forma como você gosta. (e sim, é todo de chocolate, com muita cobertura).
Te amamos muito, sua chocólatra mais linda e idosa! Manda um beijo pra e diz pra ela não ter ciúmes, pois nós a amamos também!
Sentimos a falta de vocês.
Xxx e
Peguei a bandeja com o café da manhã e o remédio da e fui para o quarto dela, chorando de emoção por causa das mensagens. Você é muito emotiva, ! Chora por qualquer coisa.
Ótimo, era emotiva mesmo. Fazer o quê? Até com propaganda da tevê eu chorava, por que eu não choraria com as mensagens de aniversário, hein?
Hm... Deu até vontade de comer o bolo. Todo de chocolate, com cobertura de chocolate, granulados de chocolate, balinhas de chocolate...
's Point Of View:
- Aqui, amiga, seu café e seu remédio. – me disse, colocando uma bandeja bem na minha frente. Ela estava chorando.
- Que foi, amiga? Por que tá chorando? – eu perguntei me sentando na cama, preocupada.
- Lê isso. – Ela me deu o celular e eu comecei a ler. A cada palavra, minha boca se abria mais em um sorriso.
Comecei a chorar também.
- Eu sinto tanta falta das duas. – eu disse assim que acabei de ler, entregando para ela o celular. Ela concordou com a cabeça. Sentia a mesma coisa, com certeza.
- Bom, eu vou me arrumar, se não me atraso. – Ela foi afastando-se até a porta do meu quarto, saindo em seguida.
Peguei meu celular em cima da cômoda e digitei uma mensagem rápida para o Carlos e outra para o .
End of 's Point Of View.
Carlos' Point Of View:
Meu celular apitou em cima da mesa da cozinha. Olhei no visor e vi uma nova mensagem na tela.
Carlos,
Ela caiu na história da doença. Tá indo pra escola daqui a pouco. Como combinado, um pouco antes dela sair da escola, você me liga, pra eu poder voltar pra casa e continuar fingindo estar passando mal.
Se acontecer qualquer imprevisto ou algo do gênero, me liga de imediato!
Tudo tem que dar certo hoje. ;D
Xxx .
Ótimo! Até aquele momento, tudo estava saindo como previsto. Agora era só avisar para o pessoal não dar na cara assim que eu chegar à escola.
End of Carlos' Point Of View.
- Eu to indo e você, mocinha – Olhei para , que sorria pqra mim. –, me liga se precisar, ok? – Ela concordou com a cabeça e jogou um beijo para mim no ar.
- Tchau, amiga. Boa aula. – Pude escutá-la dizer antes de sair do quarto dela.
~~
- Olha quem vem ali! – Carlos disse sorrindo para mim. – A aniversariante do dia! – Todos do grupo olharam para mim nesse momento. Clark, Annie, Melissa e Paul.
- Que tal um abraço grupal de aniversário na ? – Annie disse assim que eu pisei o pé na calçada da escola. Eles sorriram maliciosos e eu já me preparei para correr.
- Nem vem, gente! – Eles continuaram com a cara maliciosa e eu corri, começando a gargalhar quando eles vieram atrás de mim, gritando que iam me pegar.
- Volta aqui, ! – Clark disse, conseguindo me alcançar, rindo, e eu me desequilibrei. Caímos os dois no gramado da escola. – Eu sou mesmo o Super-homem! Consegui parar a ! – ele dizia ainda gargalhando e eu consegui ver o pessoal se aproximar, respirando com dificuldade por causa da corrida.
- Agora o abração na ! – Mel gritou pulando em mim e no Clark. Céus, eu iria morrer sufocada!
- Sai, sai, SAAAAI! TÔ SUFOCANDO, GENTE! – Eles rolaram para o lado, deitando todo mundo no gramado, sem respiração de tanto gritar e gargalhar ao mesmo tempo.
O sinal da escola tocou, fazendo com que nós tentássemos - inutilmente - nos levantar do chão. Carlos foi o primeiro a conseguir levantar e começou a puxar, um por um, pela mão, até todos nós estarmos de pé.
- Agora de verdade, , feliz aniversário. – Carlos sorriu e me abraçou. Eu sorri agradecida.
- Vem aqui, brasileirinha! – Mel disse saltitante quando finalmente o Carlos me soltou. Ela me abraçou (lê-se apertou), me deixando praticamente sem ar.
Todos vieram me dar um abraço parecido ou pior do que a Mel tinha me dado. Depois, saímos correndo até ir para as nossas salas, chegando atrasados na aula de Literatura.
O Charlie disse que só nos deixaria entrar na sala se tivesse um motivo convincente. Para variar, o Clark abriu o bocão dizendo que era meu aniversário e que eles estavam me dando parabéns. Charlie achou aquilo ótimo e fez a sala inteira cantar parabéns para mim. Se a tivesse aqui teria adorado isso, adorado me ver completamente envergonhada.
Jurava que eu ainda matava o Clark.
Só não foi de tudo ruim porque eu ganhei um mega abraço do professor mais lindo da escola. No caso, o meu professor de literatura, chamado Charlie.
~~
Intervalo, até que enfim! Por mais que as aulas não tivessem sido tão ruins, eu estava louca para comer o bolo de chocolate da lanchonete.
Andei até a lanchonete com o Carlos e a Melissa ao meu lado. Às vezes, aparecia um e outro para me desejar feliz aniversário. Pessoas conhecidas, não muito próximas.
- , no final da aula você espera a gente, nós temos uma surpresa pra você. – Carlos disse assim que eu dei uma enorme mordida no bolo que eu acabara de pegar. Quando eu digo enorme mordida, era enorme mesmo, pois nem responder o Carlos eu consegui, quase engasguei por tentar, matando os dois de risos.
- Que surpresa é essa, hein? – perguntei quando finalmente consegui engolir o bolo. Carlos e Mel se entreolharam com uma cara misteriosa, sorrindo em seguida.
- Você vai descobrir no final da aula, mocinha. – Mel disse e eu fiz careta. Odeiava quando escondiam as coisas de mim. Ficava curiosa além do estremo.
I’ll Be Your Man começou a tocar insistentemente no meu bolso. Sorri como sempre acontecia quando ele me ligava.
- Oi, Jimmy! – disse depois que pedi licença ao Carlos e a Melissa, me afastando da cantina.
- , feliz aniversário, princesa! Tava doido pra dizer isso pessoalmente, mas você me proibiu de ir aí. – Eu podiar jurar ter visto o grande bico fofo que ele sempre fazia e que já ganhou vários selinhos no dia anterior de tão fofo que era.
- Brigada, Jimmyzinho. Eu sei que você tá doido pra me ver, mas aqui na escola não dá mesmo! – Sorri.
- E então? Eu fui o primeiro ou não? – Ele iria se gabar disso para o resto da vida, aposto.
- Foi, Bourne, parabéns pra você! – Ele começou a gritar que nem um retardado, me causando gargalhadas escândalosas.
- Eu sabia! Eu sou o melhor! – Ele se convencia, me arrancando mais gargalhadas.
- Eu tenho dó de você quando o ficar sabendo. Ele deixou bem claro na mensagem que mataria quem tivesse sido o primeiro. – Ele riu.
- Sério? – Eu fiz um ‘Uhum’ e ele gargalhou mais. – Quero só ver o que o vai fazer comigo! – O sinal tocou, acabando com a minha alegria.
- Me diz quando você vai vê-lo, porque eu não quero perder esse assassinato por nada! – Falei irônica.
- Credo, , você quer me ver morrer, é? – Com certeza, ele estava fazendo bico de novo.
- Claro que não, James, to zuando você. – Ele soltou um ‘ah bom’ e eu sorri. Vi o Carlos e a Mel me chamarem de longe. – Jimmy, tenho que ir pra sala agora, tá? Mais tarde eu falo com você. – Ouvi um ‘Ahhh’ que me deu vontade de gargalhar.
- Já que não tem jeito, né? Mais tarde eu te vejo, princesa. Beijos. – Fofo, fofo, fofo. Jurava que se ele estivesse na minha frente, eu tinha apertado aquelas bochechas.
- Ok, beijos, Jimmy. – Eu já estava bem perto da Mel e do Carlos.
- ? – Ele disse quando eu tinha intenção de desligar.
- Diz.
- Eu te amo. – Céus. OMG. Puta que pariu. Senti até um frio passar por minha espinha. Achava que não ia me acostumar com aquilo.
- Também te amo, Jimmy. – Beleza, a Mel e o Carlos estavam me encarando. A Melissa estava com cara de ‘quero saber de tudo’ e o Carlos com cara de ‘você disse mesmo isso?’.
- Que bom saber disso. Tchau, princesa. – ele disse e desligou o telefone. Guardei o celular no bolso novamente, andando sem olhar para Mel e para o Carlos e sorrindo que nem uma idiota. Não queria interrogatórios logo naquele instante, ainda mais porque eles não sabiam que ontem eu fiquei com o James, de novo.
- Pode contar tudo agora, . – Melissa, para variar, ‘cortou o meu barato’. Rolei os olhos e comecei a contar o que aconteceu ontem à noite.
's Point Of View:
- Eu já posso ligar pra ela? – Pela milésima vez, me fez essa mesma pergunta.
- Já disse pra você que só quando estiver no final da aula. Essa hora ela tá na sala, . – Ele fez careta de novo e voltou a colocar as balas nos papeizinhos.
A festa da estava com cara de festa de criança. Docinhos, balas, balões, um mega bolo de chocolate, do jeito que ela gosta. Tinha certeza que ela amaria tudo aquilo.
- Dá pra alguém abrir a porta? – Um grito abafado pela porta tirou minha atenção da mesa de doces.
- É o , , abre lá. – Mary falou com as mãos sujas por estar enrolando os brigadeiros. Corri até a porta para abri-la e ver o com os nossos ‘quadros’ em mãos.
- Eles são pesados, eu devia ter deixado a porta aberta. – disse colocando os ‘quadros’ no sofá. Todo mundo parou o que tava fazendo pra admirá-los.
- Eles ficaram perfeitos, . - eu disse, me aproximando para observar melhor.
- Ela vai enlouquecer quando vê-los. – disse enquanto lambia a panela de brigadeiro. Todos nós concordamos com a cabeça, voltando às nossas tarefas.
End of 's Point Of View.
- Oi, , fiquei sabendo que hoje é o seu aniversário! – Bella me recebeu sorridente e eu confirmei com a cabeça. – Meus parabéns! – Sorri agradecida. – Jared já está te aguardando. Boa aula. – Ela acenou.
- Obrigada, Bella. – disse, acenado de volta e andando até o ‘meu’ piano.
- Então, , feliz aniversário! – Jared e seu sorriso perfeito vieram me dar os parabéns enquanto eu me derretia por aquele rostinho encantador.
- Brigada, Jared. – Ele deu de ombros e me fez sentar no piano.
- Então, você já sabe qual música vai aprender pra sua primeira apresentação avaliativa? – Ele pegava as partituras enquanto eu já sentia o frio passar por minha espinha. Só de pensar em ter que me apresentar para todos que faziam piano e ainda valendo pontos, já me deixava nervosa.
- Pode ser qualquer uma, Jared? – Ele concordou com a cabeça com aquele sorriso desgraçado que me arrancava suspiros. - Me deixa pensar um pouco. – Ele concordou e eu fitei a janela por um segundo.
Eu não queria, mas as únicas músicas que me vieram a cabeça eram as dos meninos. Do McFLY. Bubble Wrap? POV? The Heart Never Lies? Little Joanna? Meu Deus, quantas músicas. Foda era ter que escolher uma delas.
- Pra facilitar pra você, você pode escolher uma que só tenha melodia, já que você também vai ter que cantar a música. – Jared interrompeu meus pensamentos.
- Cantar? – Eu o encarei assustada e ele riu da minha cara. – Como assim cantar?
- Calma, , não precisa ficar assim, mas alguém vai ter que cantar a música que você vai tocar. – Continuei com a testa franzida sem acreditar. Eu não consiguia cantar, não mesmo. – Eu tava pensando em fazer esse ano uma parceria com a equipe de canto. Ficaria legal. – Isso, professor! Boa ideia.
- Seria ótimo, Jared, assim me poupava o trabalho de achar uma música só de melodia, sem letra. – Ele gargalhou com o meu comentário desesperado.
- Vou conversar com a professora Liz e já volto, enquanto isso, você escolhe a música. – Ele deu uma piscadinha e saiu andando em direção à porta. Tenho que dizer que quase perdi o ar depois daquela piscadinha? Acho que não.
~~
- Então, , tá curiosa? – Mel perguntou enquanto a gente andava até o pátio da escola, onde ela disse que o pessoal estaria com a minha surpresa.
- To imaginando o que deve ser e sim, eu to curiosa. – Ela deu uma risadinha e começou a andar mais rápido.
Eu já conseguia avistar o corredor que dava acesso ao pátio e a Mel pegou em minha mão, me parando no meio do corredor.
- Você não vai ver nada, por enquanto. – Ela pegou uma espécie de venda improvisada e tapou meus olhos.
Odiava escuridão. Odiava ser curiosa. Mas adorava surpresas de aniversário.
Melissa me guiava para o que eu achava ser à entrada do pátio, o gramado. Eu sorria abobalhada, imaginando as loucuras e bobagens que aquele povo estava aprontando. Lembra da sua festa surpresa de quatorze anos?
Ô se lembro. Eu estava em crise e as meninas fizeram a festa mais linda do mundo para mim. Fiquei tão feliz aquele dia como não ficava em meses.
- Pronto, , eu vou tirar a venda. – Mel disse quando ela me parou em algum lugar, atrapalhando minha conversa com a consciência. Sorri concordando, já que eu estava doida para ver que surpresa era aquela.
Capítulo 8
- SURPRESA! – Abri meus olhos devagar depois da Mel tirar a minha venda e eu escutar gritos escandalosos do pessoal.
- Meu Deus... – Não consegui dizer mais nada.
Meus olhos passeavam pelo local. O gramado do colégio tinha sido cercado de balões de ar, de todas as cores, que flutuavam. Tinham estudantes curiosos parados, observando o que acontecia. Carlos segurava um bolo enorme (de chocolate!) e o Paul tinha um chapeuzinho nas mãos, que logo foi parar em minha cabeça. No bolo, duas velas (20) estavam acesas e a Annie já se aprontou a começar.
- Parabéns pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida! – Todos que estavam observando começaram a cantar junto com eles. O Paul animava o pessoal me arrancando risadas envergonhadas por todos aqueles olhares depositados em mim.
- ÊÊ! Feliz aniversário ! – O coro e aplausos me deixavam ainda mais envergonhada.
Cheguei próxima ao bolo para assoprar as velas. Qual o pedido que você vai fazer?
Vou pedir, consciência, para que, quem sabe um dia, eu tenha o meu ‘felizes pra sempre’.
Assoprei as velas com a máxima intuição pra que isso se realizasse. Espero que não demore muito tempo.
- Vêm aqui, , deixa eu te dar um presente. – O Carlos tinha entregado o bolo pra Melissa, que sorria. Ele tinha as mãos para trás e, pra variar, eu não tinha o visto pegar nada.
Aproximei-me dele, morta de curiosidade. Ele sorria de um jeito perverso com aqueles olhos verdes mais claros do que nunca.
, você está mesmo acreditando que o seu amigo Carlos fez isso com você?
Não, definitivamente não.
Carlos teve a audácia de jogar uma torta na minha cara! E ainda ficou rindo igual a um retardado. Ele só não, todo mundo tá rindo de mim agora. Tá, se fosse outra pessoa eu estaria morrendo de rir também.
Claro que eu vou me vingar, por isso eu procurei algo além do meu bolo de chocolate que eu não quero desperdiçar. Ótimo! Têm tortas no gramado. Como eu não vi isso antes? Você tava vendada quando veio pra cá.
Ah sim! Obrigada por lembrar, consciência. Que tal darmos uma boa torta na cara do Sr. Carlos Andrade? Ah, mais eu vou adorar isso, com certeza!
- Carlos Andrade, você vai se arrepender por isso. – Enquanto falava, eu andei até onde as tortas estavam no gramado perto da Melissa que segurava o bolo.
Mel, acho que com medo de eu jogar torta nela, deixou o bolo em cima de um pano forrado no gramado e saiu correndo gargalhando. Eu peguei duas tortas nas mãos e o Carlos fez cara de estar com medo de mim. Os curiosos gritavam: “Joga, joga” enquanto eu ia em direção ao Carlos que parecia se preparar pra correr.
- Tem certeza que você vai fugir, Carlos? – Ele gargalhou.
- Claro que sim, não vou deixar você me melar com essa torta!
- Mesmo? Que pena – Balancei a cabeça negativamente – Sua fama de frouxo com medo de mulher vai se espalhar por aqui. – Ele abriu a boca devagar.
Chamar um brasileiro de frouxo ou veado não é algo muito bom. É a mesma coisa de estar pedindo pro cara provar se ele é homem de verdade; E não podia haver maneira melhor de provocar o Carlos do que essa. Sem contar o pessoal que observava começar a o chamar de “frouxo, frouxo, tem medo de mulher” só pra provocar mais.
Ele se aproximou com uma cara nada boa e ficou perto de mim. Tão perto que nossos corpos se tocaram.
- To aqui, , mas você pode ter certeza de que quando isso acabar eu vou mostrar pra você quem é frouxo. – Eu ouvi os gritinhos do pessoal mais nem me importei já que esse era um lado do Carlos que eu ainda não conheci. Quero ver mais desse lado. Safadinha!
Não é nada disso consciência, cala a boca!
- É mesmo? Tenho certeza de que você não é de nada, querido Carlos. – Oh, My God, eu disse mesmo isso?
Carlos me olhou de um jeito como se não acreditasse. Eu olhei, tentando mostrar que no fundo era tudo brincadeira. Acho que ele percebeu. Minha cara ainda tava toda suja de torta porque eu não consegui limpar tudo, mas tenho certeza que o Carlos viu meu sorrisinho malicioso.
- Quer pagar pra ver, ? Posso te dar uma prova agora mesmo. – Ele nem esperou minha resposta e lambeu (sim, isso mesmo) um pouco de torta que tinha no meu pescoço. Jesus, isso vai acabar virando uma putaria explicita. Tá, nem tanto.
Os gritos aumentaram e mais pessoas começaram a se aglomerar em volta de nós. Eles estavam esquecendo até que era o fim da aula e que todo mundo tinha que ir embora.
- Quer saber mesmo o que eu quero ver agora? – Perguntei do jeitinho mais safado possível. Ele concordou sorridente. O silêncio se tornou total no lugar; Todos estão curiosos pra saber o que eu ‘quero ver agora’. – Isso! – Eu disse e joguei as duas tortas que eu tinha em mãos no Carlos. Uma eu esfreguei bem na cara dele e a outra ficou pelo cabelo todo.
Carlos afastou se limpando e espalhando bolo em todos os lugares. Paul, Mel, Clark e Annie não se aguentavam de tanto rir. Os curiosos aos poucos foram se afastando, mas ainda gargalhando do Carlos.
's Point Of View:
- , acho que agora você pode ligar pra . – sentou do meu lado do sofá sorridente.
- E por que agora pode? – Já disse pegando o meu celular.
- Porque agora ela deve estar toda melada. – Ela gargalhou em seguida fazendo com que sua fala chamasse a atenção de todos na sala do .
- Melada? – perguntou, desconfiado.
- Liga aí, , vocês vão ver. – Ela levantou e se sentou ao lado do .
- Ta bom, vou ligar. – Eu disquei os números que já sabia de cabeça.
O celular tocou algumas vezes e eu já estava achando que ela não iria atender até que...
- Pooh! – parecia gargalhar ao mesmo tempo em que dizia.
- Oi meu leitão! Feliz aniversário! – coloquei no viva-voz depois de ver a cara suplicante dos meninos. – , tá no viva-voz aqui, os meninos também querem te dar parabéns.
- , meu amor, muito obrigado! Obrigada a quem estiver aí. – Ela disse ainda gargalhando. O barulho do outro lado da linha estava incrível; Quase não dava pra escutar ela falando.
- , eu fui o primeiro a te dar parabéns, né? Com a mensagem. – me olhou com uma cara estranha. Os meninos ficaram curiosos com a resposta.
- Ah, Pooh! Desculpa te dizer isso, mas não foi você. – O quê? Como assim não fui eu? – Foi o James que mandou primeiro. – O fechou os punhos com raiva.
- O Bourne? – Ela disse um ‘sim’ quase cochichado. – , você pode ter certeza que hoje ele vai pro hospital. – Eu disse na brincadeira, claro, mas o adorou essa ideia e disse silenciosamente que me apoiava. Quase gargalhei com isso.
- Não, Pooh, nem brinca com isso, tá? – Alguém disse do outro lado um ‘, vem cortar o bolo’ e todos nós olhamos a , perguntando quem era. Ela mexeu os lábios deixando um ‘Carlos’ sair.
- , como assim cortar o bolo? Eu também quero! – gritou e a gargalhou na mesma hora.
- Vocês acreditam que o pessoal aqui fez uma festa surpresa pra mim? – Ficamos meio nervosos ao ouvir isso, já que a festa surpresa dela deveria ser a nossa. – Não é bem uma festa, são só balões de ar e um bolo bem no gramado da escola, mas eu estou achando um máximo! – Ela parecia super feliz com isso.
- Que ótimo, . Eu também vou querer um pedaço do bolo! – disse.
- Se sobrar eu levo pra vocês. – De novo, a voz chamou a e ela disse um ‘só um minuto gente!’ – Vocês não vão acreditar no que o Carlos fez comigo. Gente, tenho certeza que a escola inteira vai comentar. – Curiosidade a mil agora com a gente.
- Conta, ! – A cutucou o pra ele dizer isso por ela. Ela tava louca pra gritar um ‘conta amiga’. Eu ri.
- Bom, o Carlos jogou uma torta na minha cara. Eu to aqui toda melada de torta. – As gargalhadas começaram. – Hey! Não riam de mim, ok? Eu fiz pior que ele.
- O que você fez, Leitão? – Perguntei já parando de rir.
- Eu provoquei o coitado, depois que ele mostrou que fugiria quando eu peguei duas tortas pra jogar nele. Eu disse que ele era frouxo na frente da escola toda e isso pra um brasileiro é a mesma coisa de mandá-lo provar que é homem. – A quase caiu do sofá com isso. Provavelmente ela sabe bem o efeito dessa palavra num brasileiro.
- O que ele fez? – perguntou deixando o angustiado com a resposta que viria.
- Ele... Er... – Ela gaguejou depois riu. – Me deixa dizer as falas até o final antes de vocês comentarem, tá? – Nós todos concordamos com um ‘ok’. – Ele disse: “To aqui, , mas você pode ter certeza de que quando isso acabar eu vou mostrar pra você quem é frouxo”, eu acho que nunca vou me esquecer disso. Ai eu respondi: “É mesmo? Tenho certeza de que você não é de nada, querido Carlos”, eu sei, eu sou louca por dizer isso. Bom, aí ele respondeu assim: “Quer pagar pra ver, ? Posso te dar uma prova agora mesmo”, adivinhem só o que ele fez? Acho que nem a saberia. – Nós olhamos na mesma hora pra que estava abismada assim como nós. Acho que ela não esperava isso.
- Ele te beijou? – Chutei.
- Não, ele lambeu um pouco de torta que tinha no meu pescoço. – Ela cochichou a última parte acho que com vergonha. – Na frente da escola inteira, dudes. – e começaram a gritar e eu, Mary e Rafa estávamos surpresos. teve que tampar a cara com uma almofada pra não falar nada com a amiga. Ela ainda tá fingindo estar doente.
- E o que você fez? – Nós nos calamos na mesma hora. A voz do saiu cuspida. Nem quero imaginar o que ele deve tá sentindo agora ainda mais pra ter a coragem de falar com ela.
O telefone ficou mudo. não devia estar esperando que o dissesse algo.
Ouvimos uma respiração mais pesada do outro lado da linha. Eu podia jurar que ela iria chorar.
- Não é da sua conta, . – Ela também cuspiu as palavras, só que a voz dela parecia ter nojo de pronunciar o sobrenome dele. se encolheu no sofá, respirando fundo também e o clima não ficou nada legal na sala com o silêncio que se instalou logo depois.
- Er... ... Você pode contar o que fez pra gente, né? Nós estamos curiosos. – O disse isso pra quebrar o silêncio, conseguindo fazer a soltar uma risada.
- Ok! Bom, eu fiz a maior cara de safada do mundo e disse pra ele: “Quer saber mesmo o que eu quero ver agora?” e ele concordou. Tadinho... Acho que ele nunca imaginou que eu jogaria duas tortas de uma vez na cara dele. – A gargalhada foi geral aqui na sala depois disso. Até o sorriu com esse final. – Gente, eu vou pra casa agora porque a tava passando mal hoje de manhã. Tenho que ver como ela está. E ainda tenho que cortar o bendito bolo aqui! – A fez uma cara de ‘Own, minha amiga é tão fofa’. Ela cutucou o pra ele fingir que tava preocupado.
- Como assim a tá passando mal?
- Pois é , ela nem veio à aula. Achei que ela ia te ligar, mas do jeito que ela é com certeza não queria atrapalhar você no trabalho.
- Então você pede pra ela me ligar. Quero saber como ela está. – A fez um ‘joinha’ com a atuação do e eu sorri.
- Claro, pequeno . Beijos pra vocês, amores da minha vida.
- Tchau, . – Dissemos em uníssono.
- , eu tenho que ir pra casa agora! Ela não pode chegar lá e não me achar. – disse, já pegando seu celular de dentro da bolsa. concordou com a cabeça. – Eu volto assim que ela for embora pra gente começar a parte dois do plano, meninos. – Ela mandou um beijo no ar e saiu puxando o pela mão.
- E aí, dude? Qual vai ser o rango de hoje? – disse, abraçando o que ainda estava encolhido no sofá.
's Point Of View:
- BEST! CHEGUEI! – disse assim que eu desliguei o telefone onde Carlos me contava o que aconteceu de manhã e perguntava se eu já estava em casa. – Amiga? Tá melhor? – Escutei ela dizer já dentro do meu quarto e continuei fingindo dormir. – . – Ela me sacudiu e eu abri os olhos devagar, levando as mãos na cabeça.
- Oi, amiga! Como foi a escola? – Eu tentei fazer a voz mais embargada do mundo. Ela me deu um sorriso sapeca, com os olhinhos brilhando.
- Fizeram uma surpresa pra mim. Tenho certeza que tem dedo seu nisso, mocinha. – Ela apontou, acusando. Eu sorri concordando. – E aconteceram umas coisas comigo e o Carlos... – Ela disse como quem não quer nada.
- Ah, me conta tudo agora! Quero saber os detalhes! – Ela negou com a cabeça, sorrindo.
- Não! Eu tenho que fazer almoço. – Eu sorri, negando também.
- Hoje é seu aniversário e eu pedi comida do restaurante do tio do Carlos. Entregaram há cinco minutos. – Ela me deu um mega abraço sorridente. – Hey! Eu ainda estou doente, mulher. – Ela fez uma carinha de desculpas.
- Ops, esqueci amiga, desculpa. Mas diz aí, o que você pediu? – Os olhinhos dela brilhavam.
- Adivinha só o que eu pedi? O preferido da minha melhor amiga. – Ela começou a gritar e pular na frente da cama.
- Vem, vamos comer que eu te conto o que aconteceu lá. Tenho que te contar uma coisa da aula de piano de hoje. E você perdeu a aula de dança! Foi um máximo dançar Salsa. E o me ligou e eu tenho que te contar sobre isso também. – Ela dizia tudo muito rápido toda empolgada enquanto eu me levantava da cama.
End od Point Of View.
- Quer dizer que você não vai mesmo pro trabalho. – Eu disse à que tinha voltado a se deitar.
- Não amiga. Como eu disse, o chefão me liberou. – Eu sorri com a brincadeirinha dela e mandei um beijo no ar.
- Eu vou indo e você mocinha, liga pro se piorar, tá? E pede pra ele me avisar. Tenho certeza que ele fica aqui com você. – Pisquei o olho com uma cara safada e ela concordou.
- Sua safadinha! Mas pode deixar que eu ligo pra ele sim. – Eu concordei e saí do quarto dela.
's Point Of View:
A porta do apartamento tá abrindo. É agora, , mostre o seu lado ator.
- Ah, oi, ! Ainda bem que você chegou. – Ela olhou pra mim muito surpresa.
- , que foi? – Ela disse, me dando um beijo no rosto.
- A ... – Ela ficou com uma cara nada boa e me interrompeu.
- O que tem ela, ? Cadê a minha amiga? – Ela saiu correndo indo até o quarto da .
- Ela tá no hospital, . – Ela voltou no mesmo segundo. – Senta aqui que eu vou explicar pra você. – Ela sentou no sofá, parecendo estar desesperada.
- Ela me ligou mais cedo e eu vim pra cá ficar com ela, mas há uma meia hora eu percebi que ela estava com febre. Como ela tinha dito que já tinha se medicado eu achei melhor levá-la pra lá. – As feições dela relaxaram um pouco. – Só que você sabe como eu sou desmiolado, né? – Ela concordou sem entender. – Eu me esqueci de levar roupas e os documentos dela. Só quando eu cheguei ao hospital que a enfermeira me lembrou. Aí eu liguei pro e ele foi pra lá junto com o pra ficar com a enquanto eu voltava pra cá e pegava as coisas dela.
- E você já pegou tudo? – Ela perguntou, se levantando. Eu levantei também.
- Peguei as roupas e essas coisas. O problema é que ela disse que os documentos estão dentro da bolsa dela e ela esqueceu essa bolsa na casa do . – Ela franziu a testa com a ideia da bolsa estar lá, provavelmente. – O me deu a chave pra eu ir lá buscar.
- Então vamos logo, porque eu quero ver a minha amiga. – Ela correu até a porta do apartamento e eu peguei a bolsa que estava em cima do outro sofá.
Pelo o que parece, ela caiu na história. Tenho que me gabar depois do meu talento de ator.
End of Point Of View.
- Espera , me deixa pegar a chave aqui. – Eu olhei pro com uma cara angustiada.
Primeiro: Minha amiga está no hospital; Segundo: Eu estou voltando à casa que eu disse nunca mais por os pés; Terceiro: Eu estou com muita fome. Isso lá é hora de pensar em comida?
O que eu posso fazer? Eu acabei de chegar do trabalho!
- Pronto, . – abriu a porta do bendito apartamento. – Me deixa acender a luz aqui. – Faz isso, , porque eu não estou vendo absolutamente nada aqui dentro. Nunca pensei que o apartamento do fosse tão escuro a...
- SURPRESA! – Não acredito que eu to vendo todo mundo aqui. A tá aqui.
- Gostou, amiga? – Ela veio com a maior cara de pau do mundo.
- , eu não acredito que você inventou uma doença pra fazer uma festa surpresa pra mim. Você tem noção do quanto eu tava preocupada com você? – Ela fez uma cara manhosa e eu emburrei a cara.
- Se não fosse assim você nunca cairia na surpresa. – Eu bufei. veio pra perto de mim.
- Leitão, deixa de bobagem e vem curtir a sua festa de aniversário! – Ele me abraçou e começou a me puxar pra mais perto das pessoas que estavam na sala. Não é muita gente, só os conhecidos mesmo. Eu parei no mesmo segundo.
- Pooh, olha o meu estado! Eu acabei de chegar do trabalho e vocês tão todos arrumados e cheirosos. – Todo mundo sorriu.
- , você acha que tinha o quê naquela bolsa de roupas que a gente ia levar pro hospital? Tem coisas suas que a arrumou. – falou, abraçado a , que concordou com a cabeça.
- Você vai subir ali agora pra tomar o seu banho Leitão e o vai pegar a bolsa no carro. – Concordei com a cabeça e voltei meu olhar pra sala. – a leva lá. – Olhei pro , meio desesperada.
- , ele não, por favor. – Cochichei. Ele sorriu e me abraçou.
- Fica tranquila, tá? Aquele dia não vai se repetir. – Eu o olhei ainda desesperada, aquilo não me acalmava nem um pouco. – O mudou em muitas coisas desde aquele dia. Ele não bebe mais. – Dessa vez eu fiquei surpresa. Como assim ele não bebe mais? Como assim eu to me importando com isso? NÃO! Eu não posso me importar com ele.
- Tá bom. Mas eu vou gritar se acontecer alguma coisa. – Ele concordou com a cabeça e eu me soltei dele.
Quase voltei correndo pro lado do quando eu vi o . Céus, como ele tá lindo.
- Er... É lá em cima. – Ele coçou a cabeça sem jeito e eu continuei estática olhando aquele ser lindo na minha frente. – Tudo bem, ? Eu posso chamar o e...
- Não! Eu to bem. – Ele me olhou estranho. – Vamos? – Ele concordou com a cabeça e começou a andar até a escada. Querer que fosse o ali é claro que eu queria, mas eu não vou dar esse gostinho pro ; Não vou o deixar sentir que ainda me abala de alguma forma. Eu o superei, ele não pode me abalar. (Ou pode?)
- Hey, ! – Olhei pra trás e vi o com a minha mala. Ele foi rápido. – a suas coisas. – Peguei a bolsa e vi que o e o estavam chegando perto com uma caixa em mãos.
- , a gente quer que você use isso. – disse me entregando o pacote.
- É um presente de nós quatro. – explicou.
- Vou abrir lá em cima meninos! Muito obrigada. – Dei um beijo estalado na bochecha dos três. Voltei pra escada e vi o com uma carinha desolada que eu achei fofa. Merda! Eu não posso achar fofo.
- , o que escolheu tudo, sabia? Acho que ele merece um beijo na bochecha também. – Fiz meu olhar matador pro , que correu pra trás do , com medo de mim. Por mais que eu não queira admitir, ele tem razão. Se foi o que escolheu tudo ele merece, afinal, ele também é do McFly e... Quê que isso que eu to pensando? OMG. Eu to amolecendo só de ver o desgraçado do .
- Cala a boca, , não força ela a uma coisa que ela não quer. – Olha só! O virou gente e disse isso mesmo? Ganhou um ponto comigo. Então o beija na bochecha.
Meu Deus, consciência, até você quer ajudar ele? Arg, eu vou beijar.
Olhei o e dei um sorrisinho pequeno. Ele não parecia saber o porquê de eu estar sorrindo pra ele. Na verdade nem eu sei o porquê. Claro que você sabe.
Cala a boca!
Aproximei-me dele devagar e beijei sua bochecha. Tentei fazer isso o mais rápido possível, mas eu acho que demorei até demais.
- Satisfeito, ? – Ele fez um joinha todo sorridente e o me olhou com uma cara de interrogação. – Vamos, . – Olhei pra ele que estava com o sorriso maior que o mundo. Só falta ele estar achando que tudo mudou por causa de um beijo na bochecha.
- Vamos sim. – Ele começou a subir as escadas junto comigo.
Paramos no corredor, em frente à porta do quarto dele.
- Se você preferir tem o banheiro de hóspedes lá no fim do corredor, mas o meu banheiro já está arrumado pra você. – Eu olhei do corredor pro quarto e assim sucessivamente. As lembranças daquela festa vieram com força total. Respirei fundo. Eu disse que não ia me mostrar abalada.
- Não, o seu está ótimo. – Ele concordou com a cabeça e entrou no quarto. Eu o segui.
O quarto continuava o mesmo, a diferença eram dois porta-retratos com fotos conhecidas por mim no criado-mudo ao lado da cama dele. Sentei na cama sem nem ligar com a presença dele e peguei um dos porta-retratos em mãos. Uma foto minha e do . Nós tiramos aquele dia na casa do . Meus olhos ameaçaram se encher de lágrimas e eu não podia deixar isso acontecer.
Levantei meu olhar e encontrei o encostado na parede, me observando.
- Por que essa foto tá aqui? – Eu tinha que perguntar, eu explodiria se não perguntasse. Ele respirou fundo e olhou pro chão.
- Eu olho ela toda vez que acordo e quando vou dormir, pra me lembrar de quando a gente era feliz junto e de como eu fui burro por ter feito você se afastar de mim. – Ele levantou o olhar e me encarou.
Ficamos bons minutos nos encarando até eu sentir uma lágrima escorrer. Malditos sentimentos.
- Eu preciso tomar meu banho. – Ele assentiu e se desencostou da parede.
- A banheira tá pronta se você quiser tomar seu banho nela. – Banho de banheira? Eu cheguei perto dele dentro do banheiro. – Tem toalha, sabonete, sais de banho, shampoo, condicionador. Eu acho que me lembrei de tudo. – Ele se lembrou? Que dedicação pra preparar um banho.
- Obrigada, mas eu não vou usar a banheira não. Eu nunca tomei banho em uma. – Eu disse sem graça, o fazendo sorrir.
- É fácil! É só você ligar essa torneira de água quente e essa de águas fria, aí depois que encher você desliga e coloca os sais de banho e a espuma. – Ele mostrou tudo e eu sorri só de me imaginar dentro daquela banheira maravilhosa.
- Se eu inundar o seu banheiro a culpa vai ser sua. – Ele sorriu e se aproximou de mim, aproximou até demais.
- Eu não vou me importar. – Será que ele percebeu o tanto que ele estava próximo de mim? Droga, mais que cheiro é esse?
- Er... . – Ele se afastou assustado quando percebeu que estava indo me beijar.
- Desculpa, desculpa. – Eu concordei com a cabeça ainda intoxicada pelo perfume dele e a vibração daqueles olhos . – Eu vou descer. Qualquer coisa você grita ou dá um toque no meu celular, se você ainda tiver o número, porque lá embaixo está muito barulhento. – Ele dizia já saindo do banheiro e indo até a porta do quarto. Eu concordei com a cabeça de novo. – Então eu vou lá. – Ele apontou pra fora do quarto e saiu fechando a porta.
Respirei fundo e me sentei na cama dele. Acho que eu não tava respirando com ele perto, só pode. Olhei a caixa que os meninos me deram e peguei pra abri-la.
- Que lindo! – Um vestido preto com uma faixa vermelha na cintura, tomara-que-caia que me parece ir até um palmo acima dos meus joelhos, foi a primeira coisa que saiu da caixa. Coloquei o vestido na cama e peguei uma sandália maravilhosa, vermelha estilo meia-pata. Coloquei a sandália no chão e peguei agora um conjunto de colar, brincos e pulseira. O colar era prata, com um coração de pingente. O mesmo coração estava nos brincos e a pulseira era prata e tinha um ‘’ feito de strass, pelo menos eu acho que é strass. Do jeito que eles são, podem ter colocado alguma pedra cara aqui.
's Point Of View:
- Vocês se mataram lá em cima? – perguntou, zoando com a minha cara. – Acho que não, pelo sorriso dele. – Ele disse pro que me encarou.
- As coisas tão melhorando? – Ele me perguntou assim que eu me juntei ao grupo. , , Mary, Rafaella, , e (Arg) James me encaravam, curiosos.
- Não sei, acho que ela está só atuando. Mas isso não muda o fato de ela pelo menos estar falando comigo. Por mais que eu saiba que ela ainda me odeia, eu fico feliz. – Eles concordaram.
- , tem que colocar uma música aqui, dude. Isso tá muito parado! – disse batendo nas minhas costas.
- Cara, eu vou ter que atrapalhar o banho da ? – Ele concordou sorridente e piscando pra mim. – Deixa pra depois, . – Ele negou com a cabeça.
- Vai lá, dude, ela tá no seu banheiro, né? – Concordei com a cabeça. – Com certeza a porta tá fechada, você pede licença e avisa que só tá indo pegar uns CDs lá.
- Tá bom, , mas é só pra você parar de encher o meu saco! – Saí em direção à escada novamente enquanto o comemorava.
Subi bem devagar as escadas, rezando pra que a já tivesse saído do banho ou estivesse mesmo com a porta do banheiro fechada. Nem quero pensar o que ela vai achar se me pegar lá no quarto. Vai achar que eu sou um tarado pervertido que tentou agarrá-la antes e agora tá indo terminar o que começou. Credo , não é pra tanto.
Parei em frente à porta do quarto e fiz mais uma hora pra demorar um pouco mais.
End of Point Of View.
Eu preciso urgentemente de uma banheira dessas! Tenho certeza que se eu não soubesse que o pessoal está me esperando lá em baixo eu tinha ficado aqui por, no mínimo, meia hora. Mas como eu sou a aniversariante e tenho que ficar lá, eu vou me arrumar logo.
- Hey, . Tá me ouvindo? – Dei um pulo pra trás quando escutei a porta bater e aquela voz me chamar.
- To sim! – Sentei na cama pra não desmaiar ali mesmo.
- Er... Será que eu posso pegar uns CDs aí? O tá me enchendo o saco lá embaixo pra eu colocar música no som. – Ele me parecia nervoso. Até imagino porque o tava enchendo o saco dele.
Olhei pra mim de toalha, sentada na cama. Eu posso correr pro banheiro enquanto ele pega os CDs, né? Isso!
- Tudo bem. – Corri pro banheiro e fiquei só com a cabeça do lado de fora da porta. O abriu a porta do quarto e, assim que me viu, sorriu de leve.
- Desculpa por isso. Vou tentar não demorar. – Assenti com a cabeça e ele andou até o guarda-roupa.
Não aguentei ficar escondida na porta, por isso, encostei-me ao batente da mesma observando-o.
- Você ainda deixa os CDs aí? – Perguntei. Ele virou pra me olhar e quase deixou o CD que estava em sua mão cair no chão. Será que o fato de eu estar de toalha o influencia?
- Er... Sim. – Ele enterrou o rosto pra dentro do guarda-roupa, todo sem graça. – Estão do mesmo jeito que você deixou. – Do jeito que eu deixei no dia que você trouxe o Céu e o Inferno ao mesmo tempo pra minha vida, .
- Ah, tá. – Dei de ombros e ele fechou o guarda-roupa com alguns CDs em mãos.
- Eu vou indo. – Ele apontou pra porta e eu assenti com a cabeça. – Gostou dos presentes? – Perguntou sem olhar pra mim, olhando pros presente na cama.
- Gostei, são lindos. – Ele sorriu.
- Que bom que gostou. – Ele voltou a andar pra porta.
- ! – Ele me encarou – Er... Já que é meu aniversário hoje e eu não quero que nada me aborreça e tals, eu vou fazer uma trégua com você. – Ele me encarou sem entender. – Eu odeio você, vou deixar claro isso; Pelo que você me fez, mas hoje eu vou tentar esquecer aquele dia e tentar te ver como o que eu conheci. – Ele mostrou um pequeno sorriso.
- Você sabe que a gente tem que conversar... – Ele tentou.
- Não. Eu não quero falar disso hoje. – Fitei o chão. – Nem sei se vou querer falar algum dia. – Ele respirou fundo e eu também.
- Eu acho que mereço pelo menos uma chance de te fazer entender. De tentar amenizar minha situação. – Olhei agora pro teto, tentando controlar a vontade de chorar que estava surgindo.
- É. Todo mundo merece uma segunda chance. Até você. – O encarei e ele me encarou também.
O silêncio se instalou no quarto. Eu podia ouvir o coração dele bater. Na verdade, não sei se é o coração dele ou o meu.
- Eu vou descer. Te espero lá em baixo. – Ele sorriu cortando o silêncio e eu forcei um sorriso.
- , coloca o Above The Noise? – Ele olhou o CD e sorriu.
- Tem certeza? A disse que você não tá escutando nossas músicas mais. – Ele disse baixo, olhando pro CD ainda. , eu ainda vou matar ela por contar coisas que não devem.
- Tenho. – Ele me encarou sorrindo ainda. – Eu sou fã de vocês ainda. Isso nunca vai mudar. – Ele concordou com a cabeça e saiu do quarto, me dando uma última olhada profunda com seus imensos globos antes de fechar a porta.
's Point Of View:
- Pronto, seu mala! Coloca o Above The Noise, porque a pediu. – Todo mundo me encarou, principalmente a .
- A ? Sério? – Concordei com a cabeça e o pegou os CDs das minhas mãos. – Tem milagre acontecendo aqui. – Eu a encarei sem entender. Na verdade, todo mundo. – Vou explicar. A tá conversando com o e tá ouvindo McFly em um só dia?! Só pode ser milagre. – O Bourne começou a rir e o o acompanhou. Minha cara ficou fechada só de ver que o Bourne acha graça disso.
Quem ele pensa que é? Nem aqui ele deveria estar. Nem sei por que a o chamou. Mentira, eu sei sim.
- Então, dude, ela vai demorar? – me perguntou.
- Ah! Acho que não, ela tava indo trocar de roupa. – Eu disse, dançando ao som de This Song. Pelo que parece, colocou o CD no Shuffle.
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- Ela tá demorando, , tem certeza que ela tava indo trocar de roupa? – me perguntou, gritando por causa do som alto que tocava Take Me There.
- Tenho, vai ver ela tá se maquiando ou sei lá o quê que vocês mulheres fazem pra se arrumar. – Ela riu concordando com a cabeça e voltou a conversar com o Bourne, que por sinal, tava infernizando a minha vida por eu ter que olhar pra cara dele e lembrar a todo segundo que ele beijou a , que ele pode tocá-la e eu não.
- Você ainda não falou com ele. – cochichou pra mim apontando discretamente para o Bourne. Bufei com isso e ele me olhou meio duro. – Nós sempre fomos amigos, , você sempre gostou muito do James. Porque ficar com raiva agora? – Puxei o mais afastado do pessoal onde eles não poderiam escutar a nossa conversa.
- , droga, você sabe bem que ele ficou com a . Ele foi um grande desgraçado comigo!
- Pelo amor de Deus, ! Eu já te disse que você tava namorando e não podia reivindicar nada como se a fosse propriedade sua. – e seus sermões que sempre me deixam com culpa.
- Eu não consigo, , não o vejo mais como meu amigo. Não consigo. – Balancei a cabeça negativamente, olhando pro chão.
- Você faria a feliz se pelo menos não olhasse torto pra ele como se quisesse matá-lo. – Olhei pro e vi sua cara fechada me encarando.
- O problema, , é que eu quero matá-lo! – Ele sorriu. – É sério. – Complementei e ele parou de sorrir.
- De verdade, dude, eu nunca te vi assim por garota alguma. Como você ficou desse jeito em tão pouco tempo, cara? Ao ponto de ficar com raiva do Jimmy, o cara que você mais ‘compartilhou’ mulher?! – Ele tá certo, eu nunca fiquei assim por ninguém nesse mundo. Só que também nunca encontrei alguém como ela.
- Nem eu sei a resposta pra essa pergunta, .
- Vamos voltar pro grupo, pois conversar com você sobre o James é perda de tempo. – Concordei com a cabeça.
- Ainda bem que você viu isso! – Disse e ele começou a andar.
- Um dia você vai me dizer que eu estava certo. – Sorri. Eu nunca vou achar isso certo, o James vacilou comigo.
- O que você dois estavam falando, hein? – perguntou todo curioso depois que nos juntamos ao grupo.
- Nada, eu só tava dando uns conselhos sexuais pro nosso amigo aqui. – disse antes que eu pudesse dizer algo. – Ele não tá dormindo muito bem á noite e acorda molhado de manhã. – Me virei já com o intuito de socar o , que ria do que acabara de dizer. Todos acompanhavam sua risada, menos eu, claro!
- Vem aqui, , eu vou matar você por dizer asneiras! – Ele saiu correndo e eu fui atrás.
Depois de muito correr, quase derrubar a mesa de doces, esbarrar na Rafa e tropeçar no , eu e o paramos com a brincadeirinha de pique-e-pega e voltamos ao grupo completamente exaustos. O pessoal ainda ria da brincadeira quando eu percebi que o James olhava completamente vidrado (vale ressaltar) para a escada que dava acesso ao segundo andar da minha casa. também percebeu, virou seu olhar para onde o Bourne olhava e esboçou um sorriso enorme.
Será que é ela?
(N.A – Coloque End Of The World do McFly)
Parecendo uma deusa, descia as escadas quando meu olhar pousou sobre ela.
Os presentes caíram perfeitamente bem, como eu imaginei. Parecia estar tudo em câmera lenta pra que minha mente pudesse gravar cada movimento dela.
O movimento dos cabelos, o sorriso, o olhar, a respiração, tudo estava sendo perfeitamente gravado na minha memória. Eu nunca a vi tão linda e radiante.
- ! Você tá linda! – se aprontou em falar quebrando toda a sensação de câmera lenta.
tinha acabado de descer as escadas e parecia envergonhada. Do nada ela abriu a boca e gritou.
- Jimmy! Você tá aqui! – Aquele desgraçado, filho da puta, sorriu e foi até o encontro da , abraçando-a e rodando-a no ar.
- Claro que eu estou aqui! Você acha mesmo que eu não iria ver você hoje, é ? – Ela sorriu ainda abraçada a ele. Por que ela fica assim com ele? Será que ela não gosta mais de mim, me odeia ao ponto de gostar dele agora? Não, não pode ser.
- Eu não te vi quando cheguei. – Ela fez um bico fofo e o idiota do Bourne beijou a bochecha dela.
, você tá morrendo de ciúmes. Isso é fato.
End of Point Of View.
- Ah princesa, queria ver a sua reação quando não me visse. – Eu fiz uma carinha de dúvida e me soltei do abraço dele.
- E você gostou da minha reação, Bourne? – Ele fez que sim com a cabeça sorridente. Sorri junto.
- , você vai matar o de ciúmes, sabia? – chegou me abraçando e dizendo isso no meu ouvido.
- Que ele morra, . – Ele sorriu.
- Como se você não se importasse. – Ele se afastou do abraço e me olhou nos olhos. Assim é difícil mentir.
- E não me importo mesmo. – Ele riu ainda mais, balançando a cabeça em negativa.
- Você não consegue mentir pra mim, Leitão.
- Ah, Pooh, cala a boca! – Ele gargalhou e eu fui abraçar o resto do pessoal.
- Então, , o que achou dos nossos presentes? – perguntou, ainda abraçado a mim. Eu sorri.
- Amei, meninos, tudo ficou perfeito em mim. – abraçou o e sorriu.
- Olha só, , você escolheu bem. – O deu um soco no peito do , que gemeu.
Parei de prestar atenção na conversa deles pra reparar na decoração. Eu entrei tão distraída e com raiva porque a fingiu estar doente que nem vi o quanto tudo estava lindo.
Há balões por todos os lados nos tons prata, vermelho e preto. Uma mesa de doces perto da escada com brigadeiros e outros docinhos. Há também outra mesa com o bolo de chocolate e balas enfeitadas. Tudo parece uma festa de criança em relação á comida.
Sorri ao ver uma espécie de quadro. Na verdade são dois que mais me lembram fotos gigantes e devem ser isso mesmo. Na primeira estava à foto que eu vi no celular da uns dias atrás e na segunda estávamos nós todos: , Rafaella, Mary, , , , e eu. É engraçado como eu e o parecemos um casal nessa foto. Um casal apaixonado que nós nunca seremos. Pelo menos não um pelo outro.
- Aquele ali é seu, de presente. – A voz dele cortou meus pensamentos, me deixando toda arrepiada.
- Meu? – Ele concordou com a cabeça depois que eu apontei pro primeiro quadro. Os quatro, eu e a sorriamos na foto que eu agora encarava como sendo minha. – E o outro? Vai ficar aqui? – Disse ainda olhando o quadro.
- Sim. – Dei de ombros.
- , vem aqui pra eu te dar o seu presente! – me chamou (lê-se gritou) perto do sofá. Olhei pro que sorriu e me acompanhou até onde ele estava.
- Finalmente eu vou saber o que é! – disse chegando perto da gente também junto da Rafa. Eu cruzei os braços.
- Você não sabe? – Ele fez que não com a cabeça e o riu.
- O Sr , o , a junto das duas ali – Ele apontou pra Mary e Rafa. – Não me contaram os presentes que eles dariam por si sós. Todos com segredinhos. – Ele fez bico e eu abracei o , lindo.
- Own, , eles te deixaram curiosos, foi? – Ele continuou manhoso e me apertou mais. – Então vamos acabar com a sua curiosidade. Quem vai começar? – Eu olhei pra eles que estavam juntos no sofá. As meninas apontaram pro .
- Ok, ok, vou pegar meu presente, . Só um minuto. – Ele correu para o que eu achei ser a área de serviço da casa do . – Fecha os olhos! – Ele gritou de lá e eu fechei meus olhos no peito do .
- Como você guardou isso aí e a gente não viu? – praticamente gritou, me fazendo abrir os olhos.
- Ai meu Deus , ele é LINDO! – Corri ao encontro do pra pegar no meu colo o enorme Ursinho Pooh. – Ele bate na minha cintura , e eu to de salto! – Eu tava impressionada. – E ele é tão fofinho, bom de apertar. – Eu abracei o urso com força e o pessoal gargalhou. – Tem o seu perfume nele, ! – O veio me abraçar sorrindo.
- Eu o coloquei pra você sempre se lembrar de mim. Cada vez que você quiser conversar e eu não estiver perto ou algo do tipo, você conversa com ele. – Eu entreguei o Urso pra , que tava louca pra pegar ele e dei um mega abraço no meu melhor amigo. Meu anjo chamado .
- E aquele ali? No canto da sala? – A Rafa falou, me fazendo sair do abraço do e olhar pra onde ela apontava. Apontava pra um Leitão também gigante. Corri até o Leitão e o peguei no colo.
- Esse aqui é meu. O nome dela é e eu trouxe mesmo pra mostrar você que todo Ursinho Pooh tem um melhor amigo Leitão. – Meu sorriso não cabia na boca e eu tava quase no ponto de chorar.
- Então o nome dele vai ser , o melhor amigo dela, porque ela é mulher, , você tem que dizer ‘melhor amiga’! – Ele gargalhou concordando.
- E agora as moças vão dizer qual é o presente? – perguntou, me fazendo sentar no sofá com o meu Urso. Vale observar que ele quase me abraça como uma pessoa do tanto que ele é grande.
- Não, nem a vai saber agora. – Eu franzi a testa estranhando o porquê de todo o mistério. – Vem aqui , pra gente te dizer uma coisa. – Eu me sentei entre a e a Mary.
- Você vai ver seu presente em casa. – A Mary cochichou no meu ouvido enquanto a Rafa batia no por tentar escutar.
- Está embaixo da sua cama, e lá eu te explico porque eles não estão sabendo do presente. – Concordei com a cabeça depois de a concluir.
- Acabaram, suas chatas? – perguntou, emburrado. Nós rimos da cara que ele fez e concordamos. – Então o aqui vai dar o presente dele. – Eu olhei incrédula pro , que sorriu pra mim, mostrando ser verdade mesmo que ele ia me dar outro presente. – Anda logo, dude! – deu um tapa nas costas do , que revidou com um soco, fazendo todo mundo sorrir menos eu, que não estou acreditando ainda que ele vá me dar um presente. O que será?
- Tá bom! – Ele começou sem jeito e eu me levantei do sofá, ficando de frente pra ele. – Er... Eu conversei com o Fletch e o pedi uma ajuda. – Ele apontou o Fletch no canto da sala e eu olhei pra ele, que sorriu e acenou. – Pra poder entrar em contato com um certo empresário. – Ótimo, eu não to entendendo nada e parece que o resto também não está. – e consegui isto aqui. – Ele retirou do bolso um envelope branco com uma fita vermelha e me entregou. – São entradas para o camarote exclusivo pro show do Westlife em Manchester pra todos nós irmos. – Nem tive coragem de abrir o envelope. Minhas mãos tremiam tanto que seria impossível se eu tentasse. – Eu conversei com o Shane Filan e ele fez questão de nos conseguir o melhor camarote do lugar. – Tive que sentar pra não cair pra trás. Ele conversou com o Shane? O meu preferido do Westlife. Ele ainda conseguiu o melhor camarote? Fez questão disso? Céus! Isso é demais pra minha cabecinha.
- , tudo bem? – me perguntou depois que eu me sentei. Acho que o fato de eu estar pálida, suando frio e com as mãos tremendo, terem o feito chegar à conclusão de que eu não estou bem. Erro do , eu to ótima!
- To muito bem, Pooh. – Ele sorriu entendendo. – , eu não acredito nisso. – Ele sorriu e se abaixou perto do sofá onde eu tava sentada.
- Por que você não abre o envelope então? – Eu olhei o envelope e respirei fundo; Puxei a fita vermelha e o abri. Oito tickets azuis apareceram, cada um tinha o nome específico. Olhei o ticket onde continha o meu nome e parei, encarando já com os olhos marejados. Eu vou ao show do Westlife e de camarote exclusivo, ainda não dá pra acreditar.
- Amiga, nós vamos ver o Westlife! – me abraçou, também emocionada. Acho que ela deveria estar se sentindo como eu. Eu concordei com a cabeça sorridente e voltei meus olhos pro , abaixado na minha frente. Ele sorriu a me ver sorrir.
- Desculpe se o show vai demorar tanto tempo, mas eles fizeram show em Londres no mês passado e Manchester era o último lugar da Inglaterra que eles iriam fazer o show. Se não fosse lá, a gente teria que ir pra Portugal. – Me deu vontade de bater nesse retardado do .
- Deixa de ser idiota, , eu to indo no show do Westlife de camarote! Não posso reclamar de data, nem de local, de nada! – Ele sorriu com isso e se levantou.
- Na verdade, tem mais uma coisa. Só que você só vai saber lá no show. – Olhei pra ele, morrendo de curiosidade. – Nem adianta, é surpresa e eu não vou contar! – Cruzei os braços mostrando indignação e o pessoal sorriu.
- Parece que o deu o presente pra que agradou á todos! – Mary disse também empolgada.
- É, agora nós vamos nos preparar pra ir ao show do WESTLIFE! – pulou em cima do agradecendo e quase fazendo os dois caírem no chão.
James' Point Of View:
- Não, Jimmy! Droga! – fazia a maior cara de choro do mundo quando eu disse que ia embora.
- Princesa, eu te disse que amanhã eu tenho que acordar cedo. Essa história de turnê me ocupa demais e você sabe disso! – Ela fez bico.
- Ah Jimmy, eu queria que você ficasse mais! Você ficou tão pouquinho aqui. – Ela me abraçou forte e eu aproveitei pra sentir o perfume dela enterrando meu rosto em seu pescoço.
- Pelo menos eu fiquei, né? Além do mais, é difícil ficar assim com você e não ter vontade de te agarrar. – Ela me largou, me dando um tapa no braço. – Ai, ! – Eu gargalhei com a reação dela.
- Cala a boca, Bourne. O assunto aqui é sério! – Eu sorri e passei meus braços por sua cintura.
- Eu também disse isso sério, princesa. – Ela bufou e depois sorriu.
Nós dois estávamos afastados do pessoal, perto da porta de saída da casa do . Ele, por sinal, não tirava os olhos de mim e da nem por um segundo sequer. Parece que estava com muito ciúme.
- James Bourne. Eu já to ficando triste só com a ideia de você ficar longe de mim por duas semanas. Quem vai me fazer rir nesse tempo, hun? – Eu dei um beijo estalado na testa dela.
- , o seu medo não é esse. Você só não quer ter que voltar a andar com os dudes. – Ela me abraçou, parecendo não querer encarar os meus olhos. – E eu já te disse que isso não vai adiantar de nada! – Peguei o rosto dela pra que ela me olhasse. – Você os ama . Os quatro.
- Os três você quer dizer.
- Não, você ama todos eles e vai te fazer mal ficar longe deles assim. – Ela suspirou, concordando. – Olha só o que eles fizeram pra você! Essa festa linda! Você não pode negar o tanto que eles gostam de você e devem sentir sua falta. – Os olhos dela se encheram de lágrimas. – Hey, não é pra você chorar, viu? É o seu aniversário! – Ela sorriu olhando pro teto pra ‘parar’ as lágrimas.
- Eu já disse que você é incrível, Jimmy? – Ela olhou pra mim ainda com os olhos um pouco vermelhos.
- Todos os dias você diz isso, mas hoje você não disse não! – Ela gargalhou e beijou minha bochecha fazendo meu coração disparar.
- Você é incrível, Bourne! E convencido também! – Eu sorri, concordando. – Eu te amo, seu chato! – Olha só! Ela disse que me amava! Sempre sou eu que digo isso pra ela primeiro.
- Que bom. Eu também te amo demais, princesa. E agora eu vou embora. – Dei um beijo na testa dela e fui até a porta. – Tchau, pessoal! A gente se vê. – O pessoal acenou pra mim e eu mandei um beijo no ar pra , que sorriu, me mandando outro.
End of Point Of View.
- Agora que só ficou nosso grupo, nós vamos jogar! – se levantou, me abraçando.
- Jogar o quê Pooh? – Perguntei. Ele sorriu e chamou a e disse algo no ouvido dela. Ela imediatamente correu pra cozinha e voltou com um saco pequeno em mãos.
- Da pra alguém explicar? – disse curioso.
- Nós vamos brincar de Karaokê, mas de uma forma diferente. – começou e eu me sentei ao lado da Mary e do no único espaço vago do sofá, só pra constar.
- O Karaokê vai ser feito em duplas que serão sorteadas. – falou.
- E eu e a fizemos uma seleção de músicas tanto em inglês como em português, e elas também serão sorteadas. – continuou a fala da .
- Então vamos começar com isso logo porque essa festa ta precisando ser mais animada! – Eu disse já indo até a e pegando o saco. – Quem vai pegar os papeizinhos de nome? – Todos levantaram a mão. – Hum vejamos... Difícil escolher. – começou a balançar o braço freneticamente. – Tá bem, , vem você! – Ele deu um salto do sofá e me abraçou. – Você adora ser o primeiro a tentar avacalhar com os outros né, ? – Ele gargalhou concordando com a cabeça.
- Então se preparem que eu vou pegar o primeiro nome.
- Espera, ! – Ele me olhou sem entender. – Rafa, vem aqui pra você escolher as músicas. – Ela levantou sorridente e o se emburrou.
- Hey, tinha que ser eu e não a Rafaella. – A Rafa mandou um beijo no ar pro namorado.
- Pronto, agora eu vou pegar o primeiro nome que é... – Ele sacudiu a mão dentro do saco e puxou de lá um papelzinho, desdobrou e leu. – ! – sorriu. – Agora vamos ver o seu par... – Ele pegou outro papelzinho de lá e fez uma cara emburrada. Aposto que é a . – Bêe, você é o par dele. Não gostei! – Ele cruzou os braços e o gritou ‘Ta com ciúminhos’ fazendo todo mundo gargalhar do . A deu um selinho nele e disse algo no ouvido dele que sorriu. Nota mental: Lembrar de perguntar o que ela disse.
- Agora vamos ver a música de vocês. – Rafa disse, pegando um papelzinho do outro saco. – It’s My Life do Bon Jovi! – faltou dar um mega beijo na Rafaella por ela ter pegado essa música. Uma coisa que o pessoal não sabe é que a é louca, obcecada, retardada, apaixonada pelo Bon Jovi. Paixão de longas datas, desde que ela se entende por gente.
- Vamos à próxima dupla! – tava se sentindo o apresentador de televisão. – Rafaella! E seu par será... Mary! Lá se vai duas garotas, agora eu só posso fazer par com a . – Gargalhei com esse comentário bobo do e prestei atenção na música que a Rafa ia tirar. - Hot N' Cold da Katy Perry, adorei Mary! – Elas comemoraram com vários pulinhos retardados me fazendo gargalhar alto.
Agora sobrou eu, , e pra escolher quem vai ser par de quem.
- Então vamos lá! Agora o nome que eu vou pegar aqui é... ! – Sorri. – Seu par vai ser... – O ta demorando um século pra tirar o papel do saquinho e eu to no ponto de desmaiar aqui só de imaginar que eu posso ser o par do... – O é o seu par, ! – me olhou preocupado e eu olhava do pra a todo segundo. O começou a andar na minha direção com passos cautelosos e parou bem na minha frente.
- Você não precisa fazer isso. – Ele disse baixo. Eu concordei com a cabeça.
- Eu sei, mas foi um sorteio, então eu vou cantar com você. – Ele não conseguiu esconder a alegria que teve quando eu não quis trocar de par e ficou sorridente do meu lado. – Rafa tira aí a nossa música! – Tentei demonstrar animação.
Rafaella concordou com a cabeça e sacudiu o saquinho. Tirou o papel de lá e leu a música. Ela fez uma cara estranha que eu não entendi.
- Apologize do Timbaland com o One Republic. – Entendi a cara que ela fez. É muita coincidência eu ter saído com o e ainda por cima com uma música dessas.
- Então eu sobrei com o ! – disse fingindo decepção. – Tira nossa música Rafa! – Ela concordou com a cabeça e tirou o papel.
- ara que seja Brasileira! – meio que gritou antes da Rafaella ler a música.
- E você acertou ! Robocop Gay dos Mamonas Assassinas. É assim que pronuncia? – Ela falou com um sotaque engraçado fazendo todo mundo rir.
- Você falou até bem Rafa. É quase assim que se diz.
- Eu conheço essa música! – disse.
- Eu também! – Eu e a rimos.
- Que peninha. – disse abraçando o . – Eu queria ver vocês improvisando pra cantar essa música, mas já que vocês conhecem vai ficar sem graça. – Ela fez bico.
- Ta louca amiga? Nunca que vai ser sem graça o e o cantando Robocop Gay com sotaque londrino! – Ela concordou gargalhando como os outros.
- A gente devia gravar e pôr no Super City pros fãs brasileiros verem. – deu a sugestão que me agradou muito.
- Oba! Eu gravo! – Eu já peguei a mega câmera digital do pra gravar aquilo. – Vou adorar ter meus créditos nesse vídeo lá no Super City. – Nós começamos a ir até o Karaokê.
- To até vendo todos os comentários que você vai ter no seu perfil, . – disse me abraçando. Eu concordei com a cabeça.
- Você tem conta no Super City, ? – perguntou, surpreso. , e estavam da mesma forma.
- Tenho sim. – Eu disse dando de ombros.
- Por que você nunca disse? – Foi a vez de o perguntar.
- Porque vocês nunca perguntaram, der! – Eles resolveram deixar pra lá e pararam de falar no Super City.
- Então vamos por ordem de sorteados, no caso, eu e o começamos. – falou, já pegando os microfones e dando um ao .
's Point Of View:
- você é um gênio! – cochichou depois que o pessoal sentou pra ver a ‘apresentação’.
- Quem poderia imaginar que aqueles dois ficariam juntos do jeito que a gente pensou? – Eu comentei no mesmo de voz enquanto procurava a nossa música na lista do Karaokê.
- Sem contar que a música que a gente queria também saiu pra eles. – Eu concordei com a cabeça.
- Mas sairia de qualquer forma com aquele tanto de músicas parecidas com Apologize que nós colocamos lá; Eles iam ficar com alguma delas. – Ela concordou e nós nos preparamos pra cantar.
End of Point Of View.
It's my life É a minha vidaIt's now or never É agora ou nuncaI ain't gonna live forever Eu não vou viver para sempreI just want to live while I'm alive Quero apenas viver enquanto estiver vivo (It's my life) (É a minha vida) My heart is like an open highway Meu coração é como uma estrada livreLike Frankie said Como Frankie disseI did it my way Eu tracei meu caminhoI just wanna live while I'm alive Quero apenas viver enquanto estiver vivoIt's my lifeÉ a minha vida
Não posso negar que está muito engraçado o e a cantando. A vai me matar de rir se continuar soltando aqueles agudos no refrão da música e o vai me matar de rir se não parar de tentar parecer um cantor mexicano dançando daquele jeito!
- Huhuuu! – Batemos palmas e gritamos feitos loucos quando eles acabaram de cantar.
- Calados! Vamos ver quanto nós tiramos. – disse fazendo todo mundo prestar atenção na TV.
- 87? Por que 87? Nós cantamos tão bem! – ficou indignado com o numero na tela. Eu gargalhei. – Para de rir, , isso é sério! – Gargalhei mais alto. – Eu sou um cantor renomado que vendeu milhares de discos e tiro nessa porcaria de Karaokê um 87?! – Eu não consigo nem rir mais do tanto que a minha barriga ta doendo. Eu to até sem respiração. Parece que todo mundo me acompanhou pra rir da reação do . Até a ta rindo do que ele disse.
- Hey, , para de drama, ok? Agora eu e a Rafa vamos cantar! – Mary tirou um indignado de perto do Karaokê e se aprontou juntamente com a Rafaella pra começarem a ‘animar’ o lugar com uma dose de Katy Perry.
's Point Of View:
- Acho que agora é a nossa vez. – me olhou sorrindo, ainda por causa da interpretação das meninas com a música da Katy Perry e concordou, se levantando.
- Arrasa aí, casal! – soltou essa idiotice, mas eu não deixei de lado não, ele levou um belo soco no braço por causa disso. – Ai, estressadinho! – Mandei o dedo do meio pra ele que botou aquela língua enorme e nojenta pra fora, balançando de um jeito retardado como só o é capaz de fazer.
- Como a gente vai cantar? – Ela me perguntou, parecendo nervosa.
- É só você cantar quando se sentir à vontade. Escute o seu coração, . – Que coisa gay foi essa que eu disse? Tá, , você já sabe que quando o assunto é as coisas ficam estranhamente melosas na sua cabeça.
Ela respirou fundo e concordou mostrando um sorriso lindo, me fazendo desviar desses pensamentos estranhos.
I'm holding on your rope, Eu estou me segurando na sua cordaGot me ten feet off the ground Estou a 10 pés do soloAnd I'm hearing what you say, but I just can't make a sound E eu estou ouvindo o que você diz, mas simplesmente não consigo emitir um somYou tell me that you need me Você diz que precisa de mimThen you go and cut me down, but wait Depois você me derruba, mas esperaYou tell me that you're sorry Você diz que sente muito. Didn't think I'd turn around, and say... Não imaginava que eu me viraria e diria..
Ela ta levando á sério a história de ‘escutar o coração’ já que, desde aquele dia, ela nunca me olhou com tanta tristeza no olhar. Parece que ela quer me mostrar o que ela sente por meio da música.
That it's too late to apologize, it's too late Que é tarde demais para se desculpar, é tarde demaisI said it's too late to apologize, it's too lateEu disse que é tarde demais para se desculpar, é tarde demais
POV.
- Acho que Apologize não foi uma boa ideia, . – cochichou pra mim sem tirar os olhos da e do cantando.
- Por que, ? Eles estão tão bem cantando juntos! – Ela me encarou.
- Você não percebeu, ? Olha só as feições da ! O mau tá cantando a música. – Ela voltou a olhar os dois e eu fiz o mesmo. – É só a dizendo ao que é tarde demais pra se desculpar, , por isso a música não foi uma boa ideia. Em vez de ajudar nós dois atrapalhamos!
A tem razão. Do jeito que a tava olhando para o era exatamente isso que ela queria dizer e o parece estar entendendo perfeitamente, já que nem cantar mais ele estava conseguindo, só por estar encarando os olhares duros da .
I'd take another chance, take a fall Eu me arriscaria outra vez, levaria a culpa, Take a shot for you Levaria um tiro por vocêAnd I need you like a heart needs a beat E eu preciso de você como um coração precisa de uma batidaBut it's nothing new – yeah Mas não é novidade - yeahI loved you with a fire red Eu te amei com um vermelho fogoNow it's turning blue, and you say... Agora está se tornando azul, e você diz... I'm sorry like an angel "Eu sinto muito" como um anjoHeaven let me think was you O céu me fez pensar que era vocêBut I'm afraid... Mas eu receio...
End of Point Of View.
I said it's too late to apologize, yeah Eu disse que é tarde demais para se desculpar, yeahI'm holding on your rope, got me ten feet off... Eu estou me segurando na sua corda, estou a 10 pés... the grounddo solo
As palmas do pessoal me fizeram cortar o forte contato visual entre mim e o . Não sei se ele percebeu, mas praticamente cada palavra dessa música foi com um sentido maior que eu cantei pra ele. Por mais que ele não tenha cantado muito (não sei por que), só de olhar os seus olhos que transbordavam confusão e tristeza quase como os meus que transbordavam tristeza e raiva, eu sentia que se fosse em outro momento eu poderia desmaiar por ter aquele olhar sobre mim. E pensar que um dia eu sonhei em olhar naqueles olhos todos os dias; Hoje, eu os quero bem longe de mim, pra não me lembrarem mais das minhas dores.
- Vocês tiraram 94! Parabéns casal! – O tá merecendo uns bons tapas por ficar chamando eu e o de ‘casal’ a todo segundo!
- Valeu, , agora para de falar merda, ok? – me olhou assustado; Não só ele, mas todos.
- Er... Vamos logo, . Agora é a nossa vez! – tentou cortar o clima chato que tinha ficado no ar por causa do meu pequeno ‘chilique’, conseguindo com sucesso. – Bêe, vem me ajudar aqui com essa música! – A sorriu se levantando.
- Você que vai cantar querido, eu vou só rir da sua cara aqui de camarote! – O arqueou a sobrancelha, não acreditando no que a disse. – To brincando, bêe! Mais que eu vou rir, eu vou! – Gargalhamos com a cena do e da .
Sentei-me em um puff branco, perto da janela que dava pra uma Londres muito bem iluminada e movimentada. Acho melhor ficar um pouco isolada do pessoal enquanto eles se distraem com a apresentação dos meninos. Vou aproveitar e filmar essa apresentação daqui.
- É pra ganhar 100, , amor! – Baixou o veado no , acho que ele tá se identificando com a música antes até dela começar a tocar.
- Eu canto uma parte e você outra! – concordou com o que o disse e preparou o seu lado ‘gay’.
Só de a música começar a tocar eu já comecei a rir, mas tenho que me controlar já que o video vai pro Super City; Imagina só, o povo só ia escutar as minhas risadas.
Um tanto quanto másculo
Ai com M maiúsculo
Vejam só os meus músculos
Que com amor cultivei
Minha pistola é de plástico
em formato cilíndrico
sempre me chamam de cínico
mas o porquê eu não sei
Não é que eles sabem mesmo a música? Eles tão até fazendo interpretações ridiculamente gays sobre cada palavrinha com muito talento! Se eu não soubesse que eles são machos por terem duas namoradas tão lindas, eu diria que eles são realmente gays. E isso seria um baita desperdício pra sociedade feminina!
O meu bumbum era flácido
mas esse assunto é tão místico
devido a um ato cirúrgico
hoje eu me transformei
O meu andar é erótico
com movimentos atômicos
sou um amante robótico
com direito a replay
Vai ficar difícil aguentar as risadas aqui com o e o fazendo suas interpretações de ‘Andar erótico’ e ‘Bumbum flácido’, sem contar o sotaque deles cantando! O melhor é quando eles não sabem falar a palavra e fazem como aquelas pessoas que só cantam o finalzinho do ritmo. Tipo: místico = ...co. De verdade, eu nunca imaginei o McFly sabendo cantar música dos Mamonas. Se eles ainda estivessem vivos, as duas bandas tinham que se encontrar com toda a certeza! Seria o encontro do século.
Um ser humano fantástico
com poderes titânicos
foi um moreno simpático
por quem me apaixonei
e hoje estou tão eufórico
com mil pedaços biônicos
ontem eu era católico
Ai, hoje eu sou um GAY!!!!!
Abra sua mente
Gay também é gente
baiano fala oxente
e come vatapá
Você pode ser gótico
ser punk ou skinhead
tem gay que é Mohamed
tentando camuflar
(Allah meu bom Allah)
Faça bem a barba
arranque seu bigode
gaúcho também pode
não tem que disfarçar
Faça uma plástica
aí entre na ginástica
boneca cibernética
um robocop gay...
Um RoboCop Gay,um robocop gay, ah eu sei, eu sei, um Robocop Gay...
Ai como dói!
- Muito bom! – Palmas e gargalhadas tomaram conta da sala. Desliguei a câmera e me levantei pra ver o resultado do Karaokê.
- Bêe, se eu não soubesse que você é homem, você já seria um gay assumido em minha opinião depois dessa! – Gargalhei alto depois dessa. Só a mesmo pra dizer isso pro próprio ‘quase namorado’. Ainda bem que esse ‘quase namorado’ é o , um quase gay assumido.
- Ah, ! É por isso que você ainda não pediu pra namorar com a , né? Você ainda tá pensando se vai ser gay ou homem. – Não acredito que o disse isso!
pensou a mesma coisa que eu e saiu correndo atrás do , gritando coisas do tipo ‘eu vou te matar’ ou ‘deixa eu por minhas mãos em você’ e o , pra variar, respondia: ‘credo, seu gay, sai de mim que eu sou macho!’ matando todo mundo de risadas.
Voltei a me sentar no puff e me perdi olhando as lindas luzes de Londres pela janela.
's Point Of View:
- Já faz meia hora que ela tá olhando pra aquela janela, guys. – olhou novamente para o mesmo lugar que eu encarava há muito tempo. sentada no puff e encarando a janela praticamente sem piscar. O que será que ela está pensando?
- Eu vou lá ver o que é. – Levantei do sofá.
- Você? – Encarei a assim que ela disse isso. – Não toque naquele assunto ou você vai acabar piorando as coisas, . – Olhei pra novamente. Já tá na hora de eu me esclarecer com ela. Já adiei isso por tempo demais.
Andei lentamente até onde ela estava. Acho que ela percebeu minha presença, já que, no mesmo instante, ela respirou fundo; Talvez pra se controlar.
- Tudo bem com você? – Perguntei. Ela nem me olhou, apenas concordou com a cabeça. – Eu queria conversar com você. – Falei com certo receio da reação que ela teria. Ela apenas concordou com a cabeça novamente, pra minha surpresa. – Er... Eu queria pedir desculpas por aquele dia. Não foi minha intenção fazer nada com você, mas confesso que eu tava descontrolado naquele momento. – Respirei fundo, não vendo nenhuma mudança na expressão do rosto dela. – Eu nunca imaginei que você pudesse ter passado por algo tão ruim como aquilo. – Ela continuou do mesmo jeito. – Fala alguma coisa! – Ela me olhou com os olhos amargurados.
- Você que queria conversar comigo, já eu não tenho nada pra falar com você. Vou apenas escutar o que você tem a dizer. – Ela voltou a encarar a janela, me deixando atordoado com o que ela disse. Eu achei que as coisas tinham melhorado depois de hoje, mas acho que me enganei.
- Tudo bem, se você quer assim. – Ela bufou. – Eu queria primeiramente te explicar o porquê de não ter terminado com a Vivian antes. Nós dois estávamos em crise já tinha um tempo e eu tinha decidido terminar com ela antes mesmo de te conhecer, mas era muito fraco em relação a ela; Era só vê-la chorar que eu logo mudava de ideia, só que dessa última vez foi diferente, eu tava decidido, mas ela conseguiu me convencer pra que nós déssemos um tempo, sem contato algum por um mês. Ela achava que se eu ficasse longe dela, sentiria falta e me arrependeria. E ela estava certa. – Cocei os cabelos sem jeito. – Não houve um dia que eu não tenha me lembrado dela e, pra ser sincero, exatamente no dia que eu te conheci naquele shopping as lembranças estavam mais fortes. Eu tava mandando uma mensagem pro celular dela quando nós nos esbarramos. – Ela me olhou confusa. – E foi quando eu te vi que eu esqueci completamente da Vivian. – Ela voltou a olhar a janela dando um risinho de ‘que mentira’. – Eu tive de cumprir a promessa de não entrar em contato com ela, além de que, terminar por celular um namoro de dois anos não seria legal, mas ficar perto de você tava praticamente impossível resistir. – Ela fechou os olhos com força quando eu me aproximei do corpo dela. – Então, depois de toda aquela burrada que eu fiz, na segunda eu terminei com a Vivian no instante em que ela pisou os pés aqui em casa.
- Bom pra você. – Foi isso que ela disse? Foi isso mesmo que eu ouvi? Como assim bom pra você?
- , eu terminei com ela por sua causa. – Ela olhou pra mim me deixando mais confuso do que eu já estava. Ela parecia ter achado o que eu falei um absurdo.
- Você terminou porque quis!
- O que? Meu Deus, eu to tentando ficar de bem com você e olha só o que você fala pra mim! – Me irritei e ela se levantou do puff, ficando de frente pra mim.
- Ficar de bem comigo? O que você tem na cabeça, ? Você acha mesmo que eu vou ficar de bem com você depois de tudo o que aconteceu? Depois de tudo que você me fez passar esses dias? Você tem noção do quanto me machucou? Do quanto eu quero você bem longe de mim?
- Eu não errei tanto assim! Eu bebi demais e me descontrolei! Por fatalidade do destino você tinha um trauma que eu te fiz lembrar por ter te agarrado à força! Só que eu te pedi desculpas por isso! O que mais você quer que eu faça?
- NADA! Não quero que você faça absolutamente nada! Eu só quero que você fique longe de mim.
- Por que eu ficaria longe de você? – Eu já sentia as lágrimas escorrerem por meu rosto. Lá vai chorar de novo por essa mulher. – , é tão simples a gente resolver isso. Você só precisa me perdoar. Não me parece tão difícil! – Ela gargalhou irônica.
- Porque não foi com você, não é mesmo, ? Por isso você acha tudo tão simples! Você tem tudo! Nunca deve ter passado por algo parecido ao que eu já passei nesses míseros vinte anos de vida! – Ela virou o rosto pra janela, pra não me encarar. – Você não sabe o tamanho do inferno que eu tive que enfrentar e, agora, to tendo que enfrentar de novo. – Ela voltou a ficar de frente pra mim. – E TUDO POR CULPA SUA!
- Saah, você já contou o que aconteceu com aquele tal de Filipe. Eu sei pelo que você passou e já pedi desculpas por te lembrar disso. – Falei baixo, tentando amenizar os ânimos. Ela negou com a cabeça.
- Não. Vocês só sabem de uma parte. – Ela olhou pro chão com o olhar vazio, mas logo levantou o rosto com o mesmo olhar amargurado. – E você, não finja que não sabia que eu tinha traumas, pois na festa você sabia muito bem. – Olhei confuso pra ela. Como assim eu sabia?
- Gente, parem com isso. – chegou, tirando a atenção da sobre mim.
- NÃO! Vocês fiquem quietos por que nós dois temos que esclarecer essa história de uma vez! – se afastou, vendo a minha determinação. Agora que eu percebi que o pessoal estava todo ao nosso redor, observando o que estava acontecendo. Olhei pra novamente. – Eu não sabia, !
- Não se faça de idiota, ! A disse pra vocês que eu tinha um trauma de bebida lá na festa! Ela só não disse qual.
Flashback On.
- Não entendi! – disse para a logo depois que a saiu.
- Eu também não! – Eu disse e o concordou com a cabeça.
- Gente, tem muitas coisas que vocês não conhecem da ! Ela teve muitos traumas na vida e a bebida é um deles! Ela odeia quem bebe exageradamente. Beber com moderação pra ela é algo suportável, mas ela conhece vocês e ela sabe o quanto vocês bebem. – Ela explicou e acabou esclarecendo um pouco as coisas, mesmo eu achando besteira da essa historia.
- E qual foi o trauma dela com bebida? – perguntou.
- Pergunta pra ela, ! Eu não vou dizer nada sem a deixar! E vamos logo beber algo porque eu estou com sede!
Flashback Off.
- Eu me lembro. – Respirei fundo, derrotado. – Mas eu nem sei do que se trata! Na verdade, achei uma grande bobagem sua ter um trauma de bebida. – Eu não devia ter dito isso.
- Bobagem minha... – Ela olhava pro teto, parecendo tentar se controlar. – BOBAGEM MINHA? VOCÊ DIZ ISSO PORQUE NÃO VIU A SUA FAMILIA SE DESMANCHAR POR CAUSA DELA! – Ela apontou o dedo na minha cara, me assustando com a frase que ela acabara de dizer.
- , você não precisa... – disse.
- NÃO! , eu to cansada de escutar ESSE CRETINO dizendo que é fácil perdoá-lo! Agora ele vai saber por que eu o odeio tanto depois do que ele me fez. – disse algo no ouvido dela e a concordou com a cabeça, apertando tanto os dentes no lábio que parecia que ela ia os fazer sangrar a qualquer momento.
- Então diz, amiga. – disse se afastando da que me olhou com os olhos transbordando raiva.
- Meus pais sempre foram pessoas muito boas, pelas quais eu sempre tive um carinho enorme. Mas tinham defeitos que podem estragar a vida de qualquer família, ou seja, eles bebiam demais. Quando eu fui estuprada, com treze anos, eu estava numa época difícil na minha família. Meu pai era do tipo que bebia muito com a galera da faculdade; Por ter engravidado minha mãe cedo demais, não teve a oportunidade de cursar uma faculdade, só quando eu fiz doze anos que ele entrou em uma. Além de ele ser novo demais e, provavelmente, queria viver e aproveitar tudo que perdeu. Minha mãe era uma adolescente aos meus olhos; Tinha crises terríveis de ciúme do meu pai, provocando brigas e mais brigas, principalmente quando ela bebia; Ela falava merda atrás de merda quando tava bêbada e meu pai escutava tudo controlando a calma, até um certo ponto. – Ela fez uma pausa pra respirar já me dando a impressão de que o que viria não seria algo bom. – Quando meu pai perdia a cabeça ele batia na minha mãe; Não posso dizer que fosse só ele porque não, minha mãe jogava tudo que via pela frente em cima dele. Até a mesa de jantar ela já tentou jogar nele uma vez. Outra vez ela quebrou todos os vidros do banheiro e se trancou lá dentro e eu, apenas uma criança, achei que ela tinha se suicidado aquele dia. Fora a vez que ela se cortou toda com um Gilette e meu pai, que estava sóbrio esse dia, teve que levá-la às pressas para o hospital. Eu sempre apoiei mais a minha mãe, sempre achei que a culpa dela beber era do meu pai que a tinha ensinado. Na verdade, eu odiava o meu pai, com todas as minhas forças. Só que as coisas mudaram quando eu fiz onze anos. Meu pai tinha um melhor amigo, que era muito legal comigo, casado com dois filhos com os quais eu brincava sempre que saíamos juntos pra algum lugar. Em um sábado á noite, meu pai estava de plantão na farmácia onde trabalhava. Eu estava com a minha mãe em casa e a campainha tocou; Eu abri a porta e vi o melhor amigo de meu pai ali. Bom, era normal ele ir lá quase todos os dias e aos sábados principalmente. Quando eu disse que meu pai não estava lá ele disse que ia entrar e conversar um pouco com a minha mãe e ficou lá duas horas com ela na varando lá de casa. Por uma triste ironia do destino, eu tinha esquecido alguns brinquedos na varanda onde eu costumava brincar. Entrei pelo pequeno corredor que dava acesso à mesma e percebi a luz apagada, andei bem devagar e quando cheguei à extremidade olhei só com a ponta da cabeça. Eu os vi. Estavam se agarrando ali, sem nem respeitar que eu estava na sala, sem pensar no meu pai! Como a minha mãe pode? Sinceramente eu não sei. A partir dali eu fiquei calada, mas passei a observar cada passo dos dois, cada telefonema estranho que minha mãe recebia. Então dois anos se passaram e eu fui estuprada. Eu precisava de uma mãe, de um pai, de uma família estruturada; E eu a tinha? Não! Um dia eu não agüentei e explodi! Eu queria acabar com aquilo então contei tudo pro meu pai na frente dela. Ela se assustou no mesmo instante e meu pai começou a fazer milhares de perguntas e tudo mais. Ele acreditou em mim e ligou para o ex melhor amigo dizendo que eles precisavam conversar. Enquanto ele fazia isso, minha mãe olhava pra mim como se quisesse me matar, coisa que eu acho que ela faria se meu pai não tivesse voltado pra sala. Quando o cara chegou, meu pai me pediu pra dizer tudo o que eu tinha dito a ele na frente do outro; E eu disse, com toda a firmeza que eu pude encontrar e aquele desgraçado me chamou de mentirosa, disse que eu tava louca. Eu enfiei o dedo na cara daquele filho da puta e disse: “Mentiroso é você, seu vagabundo desgraçado”. Meu pai mandou o cara ir embora. Agora dessa parte eu nunca vou me esquecer; A parte que a minha mãe vira pra mim e diz: “Você não é mais a minha filha, você morreu hoje!” deixando essas palavras marcadas pra sempre em mim. – se sentou no puff, olhando pra janela novamente. Ninguém sabia dizer nada, muito menos eu que era o culpado por tudo aquilo ter retornado pra vida dela. – Desde então, eu nunca mais falei com ela. Ela já me procurou várias vezes, pediu desculpas, mas pra mim ela morreu aquele dia como eu morri pra ela. Ainda mais que ela não mudou nada, continua a mesma irresponsável e continua bebendo. Já meu pai, graças a Deus, tomou rumo na vida e parou de beber. Hoje eu tenho uma madastra muito legal e posso encher a boca pra dizer que tenho uma família de verdade.
Eu, , , , Rafa e Mary estamos emocionados. Chorando por tudo que nós acabamos de ouvir. Nunca pensei que alguém pudesse passar por tanto em tão pouco tempo. E eu que achava que já tinha sofrido muito na vida.
- Agora você entende, ? Entende por que você é um desgraçado que eu tenho que odiar? – Ela se levantou – Você pode até ter terminado com a Vivian achando que ia ficar comigo ou algo assim, mas não, ! Eu não quero alguém como você. Você tem os defeitos que eu mais odeio nessa vida e eu prometi a mim mesma que não ficaria com merda de homem algum que me lembrasse a porra do meu passado! – Olhei pra ela com o olhar suplicante. – Eu posso suportar a sua presença por causa dos meus amigos, mas não fale comigo, não olhe pra mim, não chegue perto de mim! Se mantenha bem longe! – Ela olhou pra todos no local e saiu correndo.
- Eu disse que você pioraria tudo, . – disse com uma cara desapontada e saiu por onde a passou.
- É melhor eu ir levá-las pra casa. – disse, batendo em meu ombro e saindo.
- De verdade, dude, acho melhor você não forçar a barra, já que dessa vez a parece decidida a te ignorar. – me abraçou de lado e foi agora que eu percebi que eu tava mais ferrado do que nunca com a .
O que eu vou fazer agora?
End of Point Of View.
Capítulo 9
- Amiga, você tá mesmo melhor? – era a milésima vez que a me perguntava isso.
- Já disse que sim!
- Certeza? – foi a vez de perguntar.
- Deus! Se vocês dois não pararem com isso, eu os expulso daqui de casa! – gargalhou do que eu disse e fechou a porta de casa.
- Você não pode me expulsar, eu sou uma das donas! – sorri concordando. – Ainda mais que você ainda tem um presente para abrir! – disse despertando minha curiosidade novamente, sobre o que seria esse presente.
- Oba, eu vou ver o que é? – bateu palmas, animado.
- Claro que não! Você vai embora e vai pegar as coisas da lá na casa do . – fechou a cara e cruzou os braços. Eu sentei no sofá para ver a ceninha do e da . Esses dois juntos fazem a minha alegria.
- Isso não é justo! – ele parecia mais uma criança de cinco anos. Eu ri.
- Calma, pequeno , dependendo do presente vocês vão ficar sabendo. – ele forçou um sorriso e concordou com a cabeça.
- Agora vai lá, beê, eu tenho que conversar um pouco com a minha amiga. – ela se aproximou dele, que roubou um beijo dela.
's Point Of View:
- Eu vou lá pro meu quarto para deixar os pombinhos a sós. – me soltei do abraço do e fitei a sorridente, levantando do sofá.
- Quem é você e o que fez com a minha melhor amiga?
- Por que você diz isso? – ela cruzou os braços, curiosa. Eu sorri me soltando do abraço do . Ele ficou me abraçando por trás.
- Porque depois de tudo que aconteceu, você está com esse sorriso nada falso no rosto! Estou orgulhosa de você. – ela sorriu concordando com a cabeça. concordou também com a minha frase, encostando o seu queixo em meu ombro. Por mais que estivesse ali, eu não pude deixar de sentir os arrepios daquele toque.
- Eu também to orgulhosa de mim mesma, amiga. – ela se virou. – Vou indo. Tchau, pequeno ! – ela fez um tchau com a mão.
- Tchau pra você, . Boa noite! – ela fez um joinha e sumiu pelo corredor. Escutamos a porta bater indicando que ela estava dentro do quarto.
- Então, nosso bebê tá crescendo? – soltou essa depois de uns minutos calado na mesma posição, com o queixo em meu ombro e fungando na minha nuca. Não pude deixar de rir.
- Não sabia que a gente já tinha filhos. Além do mais, – ele me virou de frente pra ele. – parece que o é o pai e não você. – ele franziu a testa.
- Claro que não!
- Mas ele cuida mais dela, se preocupa mais. Se fosse pra ter pai e mãe, seria eu e o . – ele fez cara de bravo e cruzou os braços.
- Eu sou o padrasto. Vocês são separados e ponto! Então, consequentemente, eu sou o pai. – coisa do . Vai lá saber por que essa birra toda. Concordei com a cabeça.
- Sim, sim, você é o pai, beê. – ele sorriu e fez cara de ‘eu te disse que era’ que me deu vontade de gargalhar, mas me contive.
- Sabe o que eu to querendo fazer agora? – neguei com a cabeça. – Brincar de mamãe e papai, aproveitando que a nossa filha foi dormir. – saí de perto dele com a boca aberta de surpresa.
- , seu tarado! – ele gargalhou quando eu bati no braço dele.
- Mas mesmo assim você me ama. – ele me abraçou novamente e beijou o meu pescoço, me deixando toda mole.
- Fazer o quê? Meu coração é muito bobinho e te ama mesmo. – dei de ombros fingindo não me importar com o que acabei de dizer. Primeira vez que digo isso tão claramente.
- Bobo ele não é, pois o meu te ama da mesma forma. – ele pegou meu rosto em suas mãos e encarou os meus olhos. – E se isso é ser bobo, por mim eu vou ser a minha vida inteira, se tiver você comigo. – sorri igual uma retardada. Não sei por que, mas esse seria o melhor momento para ele me pedir em namoro. Nós dois parecemos um casal de namorados, mas o não oficializou o pedido.
- Digo o mesmo pra você então. – ele sorriu e se aproximou de mim, roçando os seus lábios nos meus. Não me contive em ficar só no joguinho de ‘beija, não beija’ então acabei com espaço entre nós e o beijei com vontade.
Pude sentir sorrir enquanto me beijava. Imagino que ele queria fazer com que eu ficasse impaciente com a demora dele me beijar.
End of 's Point Of View.
- Que demora hein, mocinha? – disse pra que entrava sorridente no meu quarto. – Ainda bem que eu saí de lá, se não, eu teria ficado um bom tempo de vela naquele sofá. – ela pegou o travesseiro da minha cama e jogou em mim. Eu gargalhei.
- Cala a boca, ! – gargalhei ainda mais e ela se sentou na cama, ao meu lado. – Você não abriu o presente ainda? – depois de olhar o quarto todo, ela perguntou isso. Acho que estava conferindo se eu já tinha aberto o presente misterioso.
- Não. Resolvi esperar você. – ela deu de ombros e sorriu largamente.
- Então vamos abri-lo agora! – estava tão empolgada que me dava até medo não saber que presente era esse. Vindo da com a ajuda da Mary e da Rafaella, só pode ser algo grande ou que eu vá ficar horas encarando. Com certeza.
se abaixou, ajoelhada na frente da minha cama me deixando extremamente curiosa. Ela deu um sorrisinho antes de puxar lá de baixo uma enorme caixa retangular. Enorme mesmo, já que ela deveria ter um metro de altura mais ou menos.
Encarei a caixa, com um laço enorme no centro, deitada no chão.
- ajuda aqui, né? Eu não sou o incrível Hulk! – balancei a cabeça um pouco, rindo da que fazia um pouco de força pra levantar a caixa.
A caixa era grande e pesada. Retangular.
Eu não acredito que pode ser o que eu estou pensando...
- Vai abrir sozinha ou quer que eu ajude? – quebrou o meu insistente contato visual com a caixa. Encarei-a por um momento e depois voltei meu olhar para o presente.
- Acho melhor você abrir pra mim. Se for o que eu to pensando eu não vou conseguir abrir nunca! – senti que ela sorria. Eu ainda encarava a caixa com um papel de presente todo azul brilhante.
- Quer dizer que você já tem um palpite? – ela começou a abrir a caixa, arrancando o papel de presente com cuidado.
- Eu to tentando não achar que vocês três foram loucas ao ponto de me comprarem o que eu estou pensando. – parou no mesmo minuto e me encarou. Tentei decifrar o que aquele sorriso queria dizer.
Acho que ele só confirmava as minhas dúvidas.
's Point Of View:
encarava o teclado deslumbrada. Não disse nenhuma palavra depois que eu retirei todo o embrulho. Nem ao menos se moveu.
- Diz alguma coisa, ! – ela continuou estática. – Qualquer coisa!
- Vocês são loucas. – ela se virou bem devagar e me encarou. – E EU AMO VOCÊS POR ISSO! – ela me agarrou em um mega abraço, que quase nos jogou no chão do quarto.
- Isso quer dizer que você gostou? – falei tentando controlar minha gargalhada, pela reação que a teve.
- Lógico, ! Eu nem acredito nisso. – ela me soltou e voltou a ficar sentada olhando o teclado.
Passaram-se alguns minutos em que a ficou perdida analisando o presente de aniversário. Resolvi não interromper, afinal, esse era o momento dela. Por isso, me levantei com o intuito de sair do quarto para ela poder ficar mais a vontade.
- Vai aonde? – ela perguntou antes mesmo que eu pudesse sair.
- Te deixar a sós com seu mais novo brinquedinho! – ela balançou a cabeça sorrindo, em sinal de negação pelo que eu disse. – Aproveite amiga! – saí do quarto e fechei a porta com certo alívio. Parece que a se tornou mais forte do que eu imaginei que ela poderia ser.
End of 's Point Of View.
No dia seguinte...
- Amiga, o que você pretende fazer em relação ao , hein? – perguntou, acho que depois de muito pensar no que dizer, ou a maneira de perguntar isso. Aff, sei lá.
- O mesmo que eu disse ontem amiga. – continuei comendo meu pãozinho. respirou fundo.
- Ignorá-lo? – eu concordei com a cabeça. – E você acha que isso vai dar certo? – eu a encarei por um momento, mas voltei a comer meu pãozinho dando de ombros. – , você tem que admitir que o ama. Não vai adiantar nada ficar longe ou fingir que ele não existe! – por mais que a estivesse certa, eu nunca vou deixar ninguém saber o que eu sinto pelo . Ele não me merece, e eu não posso ter alguém como ele. Nunca daria certo. Na verdade, nunca chegou a dar certo.
- , eu não amo o . O que eu sentia era amor de fã, empolgação, sei lá! Mas seja o que for, não era amor. E ele também nunca me amou! Só quis curtir com a Brasileira que ele conheceu em um shopping. Nada demais. Isso tudo que ele tá fazendo é drama por não ter conseguido o que ele queria. Um moleque mimado é o que ele é! – olhava pra mim, tentando decifrar se aquilo tudo era verdade. No fundo ela sabia que não, mas acho que resolveu acreditar em mim, ou fingir que acreditava.
- Se você diz. – deu de ombros. – Vamos acabar logo o café, que a gente tem muito que estudar hoje. – ela se levantou com a mão na cabeça. Eu ri.
- Nem me fale, amiga. Eu to morrendo de sono aqui! – ela olhou pra mim rindo.
- Também, você ficou a noite inteira tocando!
- OMG! Estava muito alto? – me desesperei achando que tinha atrapalhado o sono dela.
- Claro que não bobona, eu dormi como um anjinho escutando você tocar. Já disse que você tá tocando muito bem, amiga? – ela me abraçou e eu dei um tapinha na testa dela.
- Para , você vai me deixar com vergonha. – ela gargalhou.
- Tem certeza que você consegue sentir vergonha de mim? – eu neguei com a cabeça, sorrindo. – SABIA! – ela gritou e saiu correndo. – Anda logo se não a gente vai se atrasar, mulher.
's Point Of View:
- Oi, guys. – cumprimentei os rapazes, bem desanimado. Não to com nenhuma vontade de ensaiar depois da noite de ontem.
- Dude, como você tá? – Harry foi o primeiro a perguntar. Todos já estavam em seus devidos instrumentos.
- Nem preciso dizer, não é? – eles concordaram. – Alguém tem notícia dela? – eles se entreolharam, com caras nada agradáveis. Pareciam pensar no que dizer.
- Você quer a verdade ou algo mais leve? – levou um grande soco do Harry depois de dizer isso.
- Pode ser a verdade mesmo.
- Então o conta. – apontou o . Ele respirou fundo e começou a estalar os dedos.
- Pelo que parece ela está agindo como se não conhecesse você. Nem como fã. – arqueei minha sobrancelha e me sentei ao lado do . – A me contou que quando ela fala de você, a pergunta ‘quem é ?’ ou algo do gênero. A tá quase acreditando, pois nunca viu a fingir tão bem. Ela tá achando que é verdade. – respirei fundo pra tentar me acalmar. Ela não pode ter me esquecido tão rápido. Eu sei que aquela garota me ama! Eu vi nos olhos dela. Pra mim ela nunca vai conseguir fingir.
- , ela me ama. Não acredito que ela consiga ficar longe de mim assim, por causa de toda aquela história. Ela nem ao menos tentou estar comigo! Eu não vou desistir dela assim tão fácil, só porque ela consegue fingir bem que não me quer. – eles se entreolharam depois que eu disse isso.
- Quem é você e o que fez com o que eu conheço? – me abraçou rindo e eu sorri também.
- A é uma garota milagreira. nunca correu atrás de mulher alguma, muito menos disse que não desistia dela! – Harry completou e os guys gargalharam em concordância.
- Sim, a é um anjo. O problema, meus caros, é que o pequeno , sempre que encontra com ela, piora as coisas. – disse me fazendo respirar fundo e os guys pararem de rir. Sim, aquilo era a mais pura verdade. Eu sempre estrago tudo em relação à .
- Mas eu ainda acho que nem tudo está perdido . É só você dar um jeito de mudar; De mostrar para ela que você é outro cara. – falou e os dudes concordaram.
- Coisa que eu acho já estar acontecendo, porque faz um bom tempo que você não bebe, não é? – Harry perguntou.
- Desde a festa lá em casa. Desde o dia em que eu estraguei tudo. – eles concordaram novamente.
- Então é só você continuar assim! Nós sabemos bem que o que mais atrapalha ela é o fato dos traumas que ela passou. Que por sinal não foram pequenos... – disse sentando no chão em minha frente, parecendo animado em achar uma solução.
- E o maior problema... – Harry disse, mas eu interrompi.
- Foi eu ter feito ela se lembrar de tudo. Foi ela achar que eu seria a versão perfeita de todos os traumas dela juntos e que com uma pessoa assim ela jamais ficaria.
- Sim, é exatamente isso. – depois de Harry dizer, o lugar ficou em um grande silêncio. Ninguém dizia nada. Os guys pareciam pensar em uma solução.
Eu acho bem difícil eles acharem alguma solução para mim. Solução para as burradas que eu fiz.
- Não custa nada tentar. – falou dando de ombros e ganhando a nossa atenção. – você vai fazer o seguinte...
End of 's Point Of View.
- , será que eu posso te perguntar uma coisa? – Mel me perguntou no meio da aula de Matemática, que por sinal, tava um saco hoje!
Ou você não ta com saco pra estudo depois de ontem, não é ?
Pronto! Demorou, mas apareceu, não é consciência? Cala a boca aí que eu vou prestar atenção na pergunta da Melissa.
- Pode Mel. – encostei meu cotovelo na mesa e apoiei meu rosto no mesmo, olhando a Mel que parecia um pouco nervosa. Ela olhou para trás, pelo que parece, pra e o Carlos e depois voltou a olhar pra mim respirando fundo.
- Você já percebeu que o Carlos gosta de você? – ela cochichou e eu me assustei um pouco.
- O Carlos? – ela concordou com a cabeça depois do meu – também – cochicho. – Mel, isso só pode ser impressão sua. É claro que não tem nada a ver. – acho que eu falei bem mais baixo e me aproximei mais dela pra e o Carlos não escutarem nada na carteira atrás.
- , parece que só você não vê. Ele só fala em você o tempo todo. Fica preocupado quando você tá triste e quer fazer de tudo pra te ver sorrir! – soltei um suspiro pesado. – Sem contar naquele aniversário do Paul, em que ele morreu de ciúmes de você e do James. Morreu não, ainda morre sempre que ele sai com a gente! – esfreguei meus olhos com as mãos e prendi meu cabelo negando com a cabeça a tudo que a Melissa disse. Só pode ser complô dela e da .
Só pode ser isso.
- Mel me escuta. – ela me encarou vidrada. – Eu não consigo acreditar nisso. Eu só vejo o Carlos como um grande amigo e só. Se há algo a mais da parte dele, eu nunca percebi. – ela deu um meio sorriso e parecia um pouco contente com a minha resposta. Ficou muito claro agora que a Melissa tá realmente gostando do Carlos.
Que merda! Por que sempre eu tenho que ficar no meio de algum fogo cruzado? AFF.
- Tem certeza, ? – ela perguntou ainda em dúvida.
- Claro, né Mel? Eu não diria se não tivesse! – ela sorriu agora com gosto, mas tentou disfarçar quando viu que eu percebi.
Sim, Melissa você vai ser mais uma vítima da minha “operação cúpido”. Ah se vai!
- Mel? – ela me encarou novamente. – Você gosta do Carlos, não é? Diz a verdade! – ela ficou tão vermelha, mas tão vermelha, que eu achei que ela podia explodir a qualquer momento.
- ... eu... eu... – ela começou a gaguejar e eu quase gargalhei do nervosismo dela.
- Tá, Melissa nem precisa dizer, tá escrito na sua cara! – ela tampou o rosto com as mãos e eu sorri tirando elas de lá e fazendo ela me encarar. – Presta atenção em uma coisa, Mel. Você é uma garota incrível, linda, inteligente e super gente boa! E, é por tudo isso que eu digo que você pode ter o Carlos na mão quando você resolver que vai fazer isso! – ela me olhou meio sem entender, mas não disse nada. – Então, eu vou ajudar você! – agora sim ela estava com cara de que perdeu alguma coisa na conversa.
- Não , é de você que ele gosta e eu não acho que isso vai mudar tão fácil! – concordei com a cabeça.
- Não, não vai. Só vai mudar mesmo se você decidir que quer ele pra você! Se você tiver certeza disso, ele vai deixar de gostar de mim, Melissa. Escuta o que eu to te dizendo! – o sinal tocou assustando a nós duas que ainda estávamos conversando em cochichos.
Mel me deu um olhar significativo quase como um “eu quero que ele seja meu” e o Carlos e a se juntaram a nós, atrapalhando nossa conversa.
- O que vocês tanto cochichavam, hein? – curiosa, como sempre.
- Nada demais, não. – Mel disse um pouco nervosa, mas eu fiz sinal pra ela deixar comigo. Chamei os três pra chegarem mais perto e cochichei.
- A gente tava comentando das roupas do grupinho da Ashley. Nunca vi uma saia daquele tamanho! Tá quase uma calcinha nela! – eles gargalharam e a Melissa concordou com a cabeça e entrou na história também.
- Sem contar o decote daquela mini blusa. – nós começamos a andar para aula de Inglês Geral. – Elas nem parecem estar vindo estudar. Parecem mesmo querer fisgar algum dos riquinhos e bad boys dessa escola! – Sim, ela tinha mesmo entrado na história e deu uma piscadinha pra mim, vendo que a e o Carlos caíram na mesma.
25 de Agosto de 2012
- , por favor, por favor, por favor. Pelo seu Pooh aqui! – Deus! Como o pode ser insistente quando quer.
- Tudo bem, Pooh. – escutei ele gritar do outro lado da linha. – Mas eu já digo que nada vai mudar em relação ao seu amiguinho, entendeu? – ele fez um ‘hun hun’ com a boca. - Se você quer mesmo que eu vá pra aí, você já vai ficar avisado que ele, pra mim, vai ser um fantasma na sua casa, . – me olhei no espelho enquanto dizia, tentando ver se eu conseguiria convencer alguém do que eu estava dizendo. Acho que to ficando melhor nisso. Melhor em fingir algo que não é verdade.
Fingir que não o amo.
- Então você vem com o , ele vai pegar a aí daqui meia hora.
- Ok, Pooh. Beijo. – me despedi.
- Beijo Leitão, até daqui a pouco! – ele desligou todo animado. Só espero que o não esteja tramando nada pra mim e o .
- Então, o conseguiu te convencer, hein? – começou com a ladainha como sempre. Eu bufei enquanto me arrumava. – Eu ainda acho que você deveria ficar com o , vocês dois se completam tanto... – a encarei abismada enquanto ela parecia viajar olhando para o teto e com cara de princesa derretida. Deus do céu dê-me paciência!
- o que você comeu hoje? - ela olhou sem entender.
- Batata da Starbucks. – deu de ombros.
- Tava estragada, não é? Porque pra você falar uma coisa dessas, só pode! – ela me bateria se estivesse perto. – Eu e o , ? Meu melhor amigo que é praticamente casado com a Mary? – ela concordou com a cabeça. – Sim, a batata tava estragada. – bufei e voltei minha atenção ao espelho enquanto ela gargalhava de mim.
- É sério , você só escuta ele. Ele diz toda hora que te ama, te dá um monte de presentes e ainda é o seu segundo favorito no McFly. Diz aí que você não ficaria com ele, que eu te dou um tiro agora mesmo! – eu a olhava pelo espelho mesmo, me apontando como se eu fosse uma fugitiva da policia com milhares de acusações.
O porquê disso agora? Nem eu sei dizer.
- Ok, você venceu! Sim, eu ficaria com o , mas se eu ainda morasse no Brasil e fosse uma fã maluca. Agora? Não mesmo. Principalmente porque eu tenho muito respeito pela Mary. Você também deveria ter, mocinha! – ela fez um ‘Ah’ e balançou as mãos no ar.
- Eu tenho respeito é por quem cuida bem da minha amiga, ok? – eu bufei. – Além do mais, tenho certeza que se você ficasse com o , esqueceria o desgraçado...
- Nem pronuncie esse nome, . – interrompi sua fala me virando e apontando o dedo indicador pra ela. Ela fez cara de assustada.
- Ok, ok! Não está mais aqui quem teve o intuito de falar esse nome! – ela levantou as mãos e as colocou perto do peito, na defensiva. Eu apenas neguei com a cabeça voltando a me arrumar. – Eu vou sair pra você acabar. – concordei com a fala dela. – Mas se eu fosse você, pensava no que eu te disse! – dei um olhar mortal pra ela que saiu correndo do meu quarto.
Eu já to com pouco tempo pra me arrumar e odeio ter que me arrumar rápido, aí vem a falando esse bando de besteiras! Agora de onde ela tirou isso eu não faço a mínima ideia. Parece até que ela não tava pensando no que tava falando, pois cada palavra que ela disse não tinha o mínimo de sentido! Eu e . Deus, ela tá maluca!
E essa bobagem do “Diz toda hora que te ama”? Como se dois melhores amigos não pudessem dizer isso um pro outro, por que né? Aff.
A me estressou com isso, mas é melhor eu esquecer tudo que ela disse.
's Point Of View:
- , eu não acho isso uma boa ideia! – o parecia uma criança indo ajudar o melhor amigo numa travessura. Na verdade, não mudava muita coisa.
- Confia em mim, dude. No final das contas ela nem vai saber que você tava metido nessa. Você vai ser só mais uma vítima! – Harry entrou no jardim com uma caixa de cerveja em mãos. Colocou todas as cervejas no freezer da área de churrasco e se juntou a nós.
- E se vocês dois saírem de lá mais brigados um com o outro, você pode ter certeza, você que é o grande problema! – Harry zoou com a minha cara e eu mandei o dedo do meio pra ele. Ele voltou pra perto da churrasqueira já preparando tudo.
A campainha de casa tocou.
- É bom você se preparar dude, pois devem ser eles que estão chegando. – ele respirou fundo e se sentou em uma cadeira perto da piscina. Colocou os óculos escuros e ficou lá tomando sol. Ou, talvez, tomando coragem. É acho que a segunda opção é mais válida!
End of 's Point Of View.
Entramos na casa do e fomos direto para o Jardim e a área de churrasco. Eu tinha trago meu biquíni como a tinha dito, mas não pretendo, nem um pouco, entrar na piscina.
Não com ele aqui. E por falar dele...
Merda, merda, merda consciência! Eu não devia ter vindo, não devia!
O ‘fantasma’ estava estirado em uma cadeira na beira da piscina, com óculos escuros que o deixavam ainda mais lindo e com os cabelos levemente bagunçados. Seu corpo escultural estava descoberto, pra variar, e ele estava com uma bermuda bem simples de cor azul marinho. E como ele fica lindo de azul...
DROGA.
Eu to fudida, eu sou fudida por ter vindo aqui hoje!
A cada bendito passo que eu dava até onde os meninos e o ‘fantasma’ estavam, me deixava com uma falta de ar do cacete! Ele deveria ser feio. Ele TINHA que ser feio. Essa manhã vai ser bem difícil se meus olhos não me obedecerem e se pousarem em cima dele como agora. E o pior, não quererem sair de cima dele como agora! Óculos, , coloca os seus óculos de sol, AGORA!
Boa ideia, consciência! Porque ‘eu’ não pensei nisso antes? Porque você tá muito ocupada encarando o ! Quer dizer... O ‘Fantasma’!
's Point Of View:
Eu tenho certeza que ela sabe que eu a estou encarando, da mesma forma que eu sei que os óculos escuros são pra ela fingir que não me vê. , eu te conheço ainda melhor do que você imagina e hoje eu vou mostrar pra você que você tem que ficar comigo! De uma forma ou de outra esse seu pensamento bobo vai mudar. Você não vai resistir por muito tempo a ficar longe de mim. Não vai!
- Leitão, como você tá linda! – a rodou no ar e beijou sua bochecha. Ela retribuiu o beijo.
- Você também não tá nada mal, Pooh! Andou malhando? – o pessoal caiu na risada enquanto o fingia não ter achado graça. – É sério , to te achando mais fortinho... – eles gargalharam alto e nem o conseguiu resistir. Na verdade, nem eu.
- Fica quieta aí, ô sua pentelha! – ele ainda gargalhava enquanto fez uma tentativa frustrada de bagunçar o cabelo da . – Trouxe o biquíni pra entrar na piscina? O sol hoje até fez a boa vontade de sair. – ele sorriu abraçando ela de lado.
- Eu a fiz trazer, . Se não fosse por mim ela nem teria trago. – disse com a cabeça dentro do freezer. Saiu de lá com uma garrafa de refrigerante em mãos. Encheu um copo e o entregou a .
- Obrigada amiga. E sim, eu trouxe , mas e se eu não tivesse trago, hun? – o piscou pro Harry e pro .
- Você iria entrar do mesmo jeito, pois eu mesmo faria questão de te jogar nessa piscina, antes mesmo de ligar o aquecedor da água, que deve tá trincando de gelada! – ela fez uma cara tão engraçada que eu tive que rir e me levantar pra ver o desfecho daquilo tudo. Tá, como se eu já não soubesse.
- , eu tenho certeza que você nunca faria isso comigo! – ele negou com a cabeça sorrindo e a expressão dela passou de indignação para desafio.
Muito bom , você tá fazendo com que o plano saía como combinado.
- Eu duvido que você tenha coragem, ! – OPA, ela não disse isso! Ou disse?
Harry e colocavam pilha no enquanto a , Mary e Rafaella cochichavam algo em meio a risinhos, sem desgrudarem os olhos do e da , claro. E eu, só observava, esperando o sinal do .
- Eu não achei que você fosse corajosa o bastante pra me desafiar, . – ela praticamente se deu por satisfeita achando que o tinha amolecido.
- Eu sabia que você não teria coragem, Pooh. – ela sorriu olhando as meninas e se distraiu com isso. me olhou e piscou o olho. Meu sinal!
's Point Of View:
O entendeu o recado e saiu do jardim, pegando sua camisa. Aproveitei que a estava mesmo distraída e me preparei. Ela pode querer me matar por isso!
Segurei-a pela cintura e a levantei no ar, colocando ela em meus ombros. Ela soltou um grito e começou a me esmurrar. E que murrinho mais forte ela tem!
- Me solta agora, ! SOLTA! – eu podia sentir a raiva dela enquanto eu me aproximava da beira da piscina. E acho que o fato da galera toda estar gargalhando e zoando com tudo, a deixava ainda mais furiosa com a situação.
- Sabe , ninguém desafia o aqui e fica sem a sua prova. – a joguei com tudo dentro da piscina. Depois de alguns segundos ela emergiu com uma cara nada boa. Forjei a minha melhor cara de santo e fui ajudá-la a sair dali. – Pra você ver como eu sou bonzinho eu até já tinha ligado o aquecedor! A água deve estar quentinha aí! – estiquei minha mão e ela nadou até a borda da piscina.
End of 's Point Of View.
– Pra você ver como eu sou bonzinho eu até já tinha ligado o aquecedor! A água deve estar quentinha aí! – esse desgraçado ainda diz que é meu amigo. Fica aí com essa cara cínica e essa mão esticada. Se ele acha que eu - - vou deixar isso barato só porque ele tem essa carinha fofa, ele está muito enganado!
Dei meu melhor sorriso falso e estiquei minha mão para pegar a dele. Assim que consegui agarrar a mão dele senti ele me puxar pra fora da piscina, mas apoiei meus pés na parede da mesma e puxei o com toda a força, o fazendo cair com tudo na piscina.
Com poucos segundos embaixo da água, levantou com cara de “Por que você fez isso?” e eu fiquei com cara de “você ainda pergunta?”.
- Hey! Vocês dois vão ficar ai se matando pelos olhos ou vão sair dessa piscina? – Mary disse ainda gargalhando. Eu nadei até o e parei bem perto dele, que ficou com uma cara assustada. Deve tá achando que eu vou afogar ele agora. Não seria má ideia depois do que ele fez.
- Quites, ? – estendi minha mão pra ele que soltou uma risada aliviada. Ele me abraçou.
- Estamos, meu pequeno Leitão nem um pouco indefeso. – eu dei um sorriso baixo e saí do abraço dele.
- Ainda bem que agora você sabe que eu consigo me vingar à altura, então não faça isso de novo! – ele levantou a mão em sinal de juramento e concordou com a cabeça.
Mary's Point Of View:
e a saíram da piscina e vieram tentar molhar a gente, pra variar, isso é bem a cara deles dois, depois da cena de provocações.
Vendo a distraída, o me deu o sinal de que estava na minha hora.
Ele tinha que me meter nessa roubada.
- ? – ela me encarou. – Vem comigo que eu vou te mostrar o quarto onde você vai poder tirar essa roupa molhada. – ela concordou com a cabeça.
- Pera aí! E eu como fico, amor? – fez a maior cara de birrento, quase me fazendo voar nele e beijar aquele bico. Sorri.
- Você vai ficar quietinho aí perto da churrasqueira que eu já volto com a sua toalha tá, amor? – ele sorriu e concordou e a veio para o meu lado, me acompanhando até a saída do jardim.
- Você pode seguir ali, é no final desse corredor e tem um banheiro lá dentro. Eu tenho algumas roupas na cômoda lá, e tem uma toalha no banheiro. Fica a vontade, viu ? – ela sorriu concordando e foi ainda sem graça por estar completamente molhada dentro de casa. Nem adiantou dizer pra ela que não tinha problema, porque a culpa era do .
Coitada, tenho certeza que isso não vai ser nada bom pra ela. Ou talvez vá. Quem sabe?
End of Mary's Point Of View.
Ai Deus, a Mary também é louca! Era mais fácil ter pegado a toalha pra mim!
Vou dar um jeito de me trocar rápido pra limpar esse rastro de bagunça que eu deixei pelo caminho.
Resolvi me concentrar no quarto no fim do corredor. É estranho eu estar achando que alguma coisa está errada aqui. Pressentimento bobo esse meu! Com certeza nada tá errado aqui.
A porta estava encostada, mas eu a empurrei com cuidado. Olhei dentro do quarto e vi que não tinha nada de estranho; tudo normal. Paranoias da minha cabeça, como sempre! Talvez o fato do estar aqui na casa do , que me deixou assim.
Fechei a porta do quarto e me olhei no espelho. Eu to horrível! Essa maquiagem toda borrada de preto, e o cabelo nem se fala! Aff, , que ódio de você!
Escutei um barulho vindo do banheiro e quase caí pra trás. Fui passo a passo pra perto da porta que estava fechada. A maçaneta da porta estava se mexendo... Será que tem alguém no banheiro?
's Point Of View:
Abri a porta tendo a certeza que a já estava no quarto, mas me assustei ao vê-la tão próxima da porta do banheiro. Só pra constar, eu estou de toalha, apenas de toalha.
- O quê... Que você...? – ela começou a gaguejar e virou o rosto para o lado. As bochechas dela devem estar todas vermelhinhas de vergonha.
- Eu que te pergunto. Porque você tá toda molhada? – ela me encarou, mas depois voltou a encarar um canto qualquer do quarto menos eu.
- O me jogou na piscina. – eu soltei um riso baixo e me sentei na cama. Ela andou até o espelho e ficou por lá.
- Eu só tava tomando um banho mesmo pra me refrescar. Pode ficar tranquila que eu vou trocar de roupa em outro quarto. – ela nem se moveu, então peguei minha roupas de cima da cama e fui em direção à porta do quarto.
Girei a maçaneta, mas não consegui abrir a porta. Fiz cara de surpreso quando ela me olhou assustada pelo mesmo motivo. A porta estava trancada.
Tentei novamente com mais força, mas foi inútil. Comecei a socar a porta.
- Hei, guys! Não tem graça! Abre a porta aí! – olhei pra e vi que ela se aproximava da porta com medo. Com certeza a última coisa que ela queria era ficar presa comigo em um sábado de manhã.
- Desculpa gente, mas parece que a porta tá travada. – a voz do fez a dar um pulo.
- O quê? , pelo amor de Deus, arromba essa porta! – eu posso jurar que ela vai chorar aqui dentro. Eu não devia ter concordado com isso.
- Não dá, . E sabe o que mais? Acho que isso vai ser muito bom para vocês dois. – ela se afastou da porta e sentou na cama, abaixou a cabeça e colocou o rosto nas mãos.
- Gente é sério, abre aqui. – eu disse quase implorando para eles deixarem esse plano bobo de lado. Eu não queria ver a chorar mais uma vez por minha causa. Não mesmo!
- Que tal a gente ir à Starbucks depois do almoço? – a voz do me fez ver que eles ignoraram completamente o que eu falei.
– Pessoal? – silêncio, foi a minha resposta dessa vez, eles já haviam saído de perto.
Encostei minha cabeça na porta sem acreditar no que eu havia feito. Agora não tinha como voltar atrás. Eu estava obrigando a a ficar trancada dentro de um quarto comigo e ainda me fingindo de vítima.
End of 's Point Of View.
Ele ficou estático. O único som que eu escutei foi o da sua respiração e da minha.
Eu não acredito que eu estou trancada em um quarto com ele, .
- Pra mim, vocês dois deveriam aproveitar essa situação e resolver todos esses problemas entre vocês. Vocês não vão poder fugir disso pra sempre. Você não vai poder, . – a voz da me fez crer que tinha algo errado aqui.
Como eu fiquei ‘milagrosamente’ presa com o ? Quais as chances de isso acontecer?
Nenhuma, na verdade.
- Vocês armaram isso tudo, não foi? – senti meus olhos arderem. Não importava o que ele fosse responder, eu sabia que era verdade. Uma armação.
- Não... er... – ele coçou a cabeça, sinal claro de nervosismo.
- Eu sabia. – disse baixo, mais pra mim mesma.
- Não, ! Você viu, eu tentei sair daqui e...
- Ah! Cala essa boca, ! Você não acha que tem muita cara de pau por estar falando comigo depois dessa armação toda? – ele me olhou confuso. Deu meia volta e encostou-se a parede, ao lado da porta.
- Eu acho melhor você ir tomar um banho e tirar essa roupa molhada. – fiquei pasma por ele ter mudado de assunto assim. Ainda mais um assunto que não deveria lhe interessar. – Enquanto você faz isso eu troco de roupa aqui. – é verdade, ele ainda estava de toalha na minha frente. Tinha como ficar pior isso tudo?
- Você me dá nojo. Cada vez mais eu vejo que você não presta. – levantei-me da cama e fui até a cômoda. Peguei uma muda de roupa qualquer que tinha ali e me dirigi ao banheiro.
- Eu não sei por que você tá falando comigo desse jeito. Eu não tenho nada a ver com isso! Você não vê? – parei de andar e só virei o suficiente pra encarar o filho da mãe.
- O que eu vejo é que nada que você tá falando é verdade. – senti uma lágrima escorrer. – E eu te peço pra não falar mais comigo.
- Nós dois estamos nesse quarto! Você vai ter que conversar comigo em algum momento! Você só tem a mim aqui. – ele cruzou os braços na altura do peito e ficou com um meio sorriso no rosto.
- Eu prefiro morrer a ter que conversar com você, ou pior, ter que pensar que “eu só tenho você aqui”. – fiz aspas com os dedos. – Que você fique satisfeito em estar sozinho nesse quarto, porque é isso que vai acontecer! – entrei no banheiro e bati a porta com força, trancando em seguida. Só vou sair daqui quando a porta desse quarto for aberta!
's Point Of View:
Tirei a toalha e peguei minha cueca. Vesti e coloquei a bermuda em seguida.
Eu sabia que isso não ia prestar. Agora ela vai querer ficar dentro daquele banheiro até a gente sair daqui. O problema é: Quando que nós vamos sair daqui?
To vendo que esse sábado vai ser bem longo!
End of 's Point Of View.
Continua.
nota da autora: Hey babys da minha vidinha pacata! Como estão?
Nus, demorei muito pra atualizar? Não? Certo, não me matem ok? Tenho certeza que valeu a pena esperar pelo capitulo 9. :D
Bom, nem vou falar muito; só o que eu vou pedir é os meus lindos comentários!
Digam o que acharam desse cap.
Obrigada meu povo lindo pelo carinho! Divulguem a fic. ;D
BzoÔ e até o capitulo 10!
@SahDiias nota da beta: Opa, opa, galerinha do mal!
Gente, que lindo, uma fanfic em Londres é sempre mara :)
Enfim, erros? Avisem-me pelo email ou pelo twitter e eu corrijo. Ok? Beijinhos, Paah Souza.