With You Forever
por Ana Carolina | betada por Isabel
revisada por Lelen


Mais um dia de trabalho duro e cansaço, colégio não é nem um pouco legal, ainda mais quando você tem aula tripla de biologia, e o pior é que sabe que vai ter que agüentar toda a reclamação de sua família ao chegar em casa. Ir ao colégio é horrível. Mas tinha um lado bom, o motivo de eu acordar feliz e sorrindo. O motivo que sentava do meu lado nas aulas de bioquímica e sempre me ajudava, mas era apenas isso, só nos falávamos em aulas e raramente no recreio, mas aquele garoto tinha um poder sobre mim, e eu acho que ele não sabia. O nome dele era , e ele era sim, o meu motivo de respirar.
Vamos ás apresentações, meu nome é , mas eu prefiro que me chamem de , estudo em um colégio feio e velho, mas pelo menos moro em Londres, a cidade dos sonhos de qualquer pessoa. Tenho uma família, na verdade defino como a família mais estranha desse mundo, minha mãe já se casou pela 4ª vez, e meu pai ainda mora em casa, minha irmã namora meu ex-padrasto, que agora é meu cunhado ex-padrasto, tenho um sobrinho, mas não é da minha irmã, é de uma amiga dela que minha mãe considera filha, e assim vai... Duvido que nesse mundo haja família mais confusa que a minha.
Mas agora chega de falar de casa, eu nesse momento, estou indo pra escola. Não é muito longe, fica apenas quatro quadras de minha casa, então eu sempre vou a pé, sempre ouvindo meu Ipod, com as musicas da banda de , sim ele tem uma banda, com mais três amigos. O som deles é muito bom, recomendo. A banda chama-se McFLY. Eu estava distraída cantando Obviously (essa musica me lembra muito ele) quando atravessei a rua sem olhar e ouvi uma buzina mais alta que meus fones de ouvido, então olhei aquele carro parando a centímetros de mim, quase cai no chão de susto, mas respirei fundo. Estava pronta pra xingar aquele motorista barbeiro, quando o garoto que eu sonho todas as noites sai do Porsche preto, estava vestindo uma jeans escura e o uniforme do colégio, um All Star preto e os cabelos bagunçados. Minhas pernas já não sustentavam o peso do meu corpo, então eu caí, fechei os olhos e só os abri quando senti uma mão segurando em minha nuca e me levantando. Meus olhos encontraram os dele e eu fiquei hipnotizada, nós dois nos encarávamos como se nunca tivéssemos nos visto antes, quando sai do meu transe com um homem gritando que o Porsche estava no meio da rua, ou algo assim. sorriu de lado e me ajudou a levantar.
- , tenta tomar mais cuidado, ok.
- Prometo que terei, ou tentarei – ele riu e segurou na minha mão – O-o que...
- Você acha que depois de eu ter quase te atropelado vou te deixar ir ao colégio a pé?
- Mas já ta pertinho , não precisa...
- Deixa eu te ajudar, por favor. Você é sempre tão legal comigo nas aulas que a gente senta juntos, então deixa eu tentar recompensar? – ele sorriu torto de novo, se ele soubesse...
- Ok, mas só hoje.
- Sim senhora.
Nós entramos no carro e ele nos guiou até a escola. Quis saber o que eu estava ouvindo pra ficar tão distraída e não prestar atenção no transito, eu disse que era Blink-182 e ele pareceu acreditar.
Chegamos no colégio, ele abriu a porta do carro pra mim e de repente todos os olhares se voltaram para nós, era popular demais pra falar comigo, nem amigos direito eu tinha. Na verdade eu tinha uma, , não sei como ela me agüenta por tanto tempo, acho que Deus faz milagres (e lavagem cerebral) em certas pessoas. Mas voltando ao assunto todo mundo me olhando com cara de “que porra é essa”, mas eu tentei ignorar, colocou o braço sobre meus ombros e me olhou, sorrindo, retribui e nós fomos pra aula, ele tinha aula de matemática e eu de literatura, então ele me deixou na porta da minha classe e depositou um beijo em minha testa, eu sorri bobamente e ele se foi. Entrei na sala e comecei a ouvir os cochichos de certas menininhas que me olhavam, nem me importei, joguei minha mochila em cima da carteira e me sentei. Em todas as aulas fiquei pensando como tinha sido maravilhosa minha manhã, e como eu amava aquele garoto, ele era perfeito, era diferente, mas infelizmente não era meu.
Voltei pra casa pra enfrentar minha família normal, mas não queria ouvir as mesmas historias de sempre, então subi pro meu quarto e tentei dormir, apesar de que, com aquelas lembranças vagando pela minha cabeça ia ser bem difícil, mas felizmente eu consegui.

Acordei ouvindo um barulho, acendi o abajur do lado da minha cama, olhei pro relógio: 05h30min da tarde, foi quando percebi que o barulhinho vinha da janela, então acendi a luz e me deparei com um escalando minha janela. Belisquei-me duas vezes pra ter certeza que eu não tava sonhando, e eu felizmente não estava! Ele estava parado na minha frente, encostado na janela, usava uma bermuda xadrez escura, com um moletom branco da Hurley e um Nike.
- , ta acordada?– ele disse com aquela voz rouca – se tiver levanta daí, vamos lá fora. Quero te mostrar uma coisa.
- Dude, eu acabei de acordar! Meu cabelo tá armado e eu to de uniforme.
- Então se arruma, vou te esperar aqui.
- Aqui não – rimos – você vai pra sala e me espera lá, vou ter que tomar banho e me vestir. Daqui a pouco eu desço.
Ele sorriu e saiu do quarto, fechei a porta e fui direto pro banheiro, onde tomei o banho mais rápido da história dos banhos, me enxuguei e fui me trocar, coloquei uma skinny escura, uma blusa branca escrito em preto “I Love Beatles” e meu inseparável All Star roxo e surrado. Voltei ao banheiro, escovei os dentes e arrumei o cabelo em um rabo alto. Desci as escadas correndo e gritei pra minha mãe que não voltava tarde, ela assentiu com a cabeça e eu fui ao encontro de .
- Você ta linda – ele conseguia ser extremamente fofo, senti minhas bochechas queimarem – então, vamos?
Concordei e nós saímos, ele segurou na minha mão e fomos andando pelas ruas de Londres, ás vezes eu o fitava, mas não conseguia dizer nada e eu sentia que ele me olhava também.

Ele nos levou até um parque, onde bem no meio tinha um pequeno lago, ele se sentou um pouco longe da borda e fez sinal com a mão para que eu me sentasse junto dele, e eu o fiz, ele envolveu um braço em minha cintura e me puxou pra mais perto dele, não falamos nada, só ficamos ali, olhando o lago, o sol se por. Eu encostei minha cabeça em seu ombro, ele sorriu e começou a mexer em meu cabelo, estava tudo perfeito, até demais. Eu senti suas mãos em meu rosto, eu o encarei e ele sorriu, aproximou nossos rostos e me beijou. Ficamos lá por algum (lê-se muito) tempo, até alguém nos avistar e dizer que o parque já ia fechar, eu ri e me olhou, e em seguida riu também, olhei no relógio em meu pulso: 08h35min da noite. Nem percebi o tempo passar, foi tão surreal, aquele tarde, aquele beijo... Cheguei em casa com todas as imagens que consegui guardar daquele dia, subi para o meu quarto, liguei meu Ipod e o conectei nas caixinhas de som, deixei tocar e fui pro banho, a musica era do Nickelback – Never Gonna Be Alone. Tomei um banho demorado, me sequei e coloquei um pijama. Desliguei meu Ipod e fui a cozinha, ás vezes a fome fala mais alto. Abri a geladeira, peguei uma pêra (maçã é clichê demais) e dei uma mordida. Voltei ao quarto, cansada demais pra fazer algo, joguei o restante da pêra no lixo e fui dormir, implorando pra sonhar com .
Ouvi meu despertador, levantei muito rápido, acho que nunca acordei tão feliz em toda minha vida. Fiz o que sempre faço em todas as manhãs, fui a cozinha e dei bom dia pra minha pequena família, tomei um gole do suco de laranja que minha mãe havia colocado na mesa e me dirigi á porta.
- Filha? – a voz de minha mãe interrompeu meus pensamentos.
- Diga.
- É meio cedo ainda, não quer ficar mais um pouco?
- Não posso mãe, ontem eu me esqueci de fazer a tarefa de literatura e preciso correr pra dar tempo de terminá-la.
- Ok, venha cá então.
Minha mãe me deu um beijo na bochecha, e eu sorri. Raramente ela fazia isso, mas quando fazia me deixava feliz, e me lembrava que por mais estranha e anormal que seja minha família, eu amo todos e cada um deles.
Peguei meu material na sala e sai de casa, correndo para chegar cedo... Sim, hoje tinha aula de bioquímica, e eu queria vê-lo, eu precisava dele, como se eu tivesse viciada no seu perfume, ou em seu rosto milimetricamente perfeito.
Era muito cedo ainda, por isso não havia muitos alunos no colégio, aproveitei pra ir ao banheiro checar minha aparência. Tudo normal. Voltei a sala e me sentei na mesa de sempre, esperando meu se sentar do meu lado e abrir aquele sorriso que eu tanto amo. Mas isso não aconteceu, eu esperei até o sinal tocar, e ele não apareceu. Tentei ligar em seu celular, mas ninguém atendia, então deixei pra lá.
Isso aconteceu à semana toda, ele não apareceu na aula nenhum dia, eu pensei que o que ele havia me dito era mentira, ou brincadeira, então decidi parar de pensar nele e me preocupar menos.
Já era sábado e eu não tinha notícias dele, eu fiquei na cama o dia todo, esperando por um milagre. Eu tava sem fome, sem sono e sem vontade de fazer nada, apenas pensando na vida que eu levava. Até que minha mãe interrompeu meus pensamentos.
- Filha! – gritou do andar de baixo.
- Diga mãe.
- Tem alguém aqui que quer te ver.
Pensei que fosse , ela sempre vem do nada, então nem me preocupei com o estado deplorável que eu estava, short curto, uma regata branca e minhas pantufas do Mickey. Desci as escadas e procurei minha mãe e a pessoa com ela, e levei um susto ao ver que não era , era , e ele sorria pra mim, eu fiquei sem graça, e minha mãe nos deixou á sós.
- Hey, - ele se aproximou de mim e me fez olhá-lo – não vai falar comigo?
- Porque você sumiu?
- Bom, é meio complicado... Você já vai saber. Mas vem aqui, quero te levar pra um lugar.
- Posso trocar de roupa? – apontei pro meu corpo e ele riu.
- Vai lá, não demore.
Subi correndo pro quarto, coloquei minha skinny, meu Nike SB e uma camiseta roxa que eu encontrei na gaveta. Arrumei meu cabelo em um coque frouxo e desci, ele estava na escada e me olhou de cima a baixo, o que me fez corar. Ele estendeu a mão e eu a segurei. Saímos de casa e ele me guiou até seu carro, abriu a porta pra mim e eu entrei. Ele entrou em seguida, ligou o carro e saímos. Eu liguei o rádio, tava tocando Someday, do Nickelback. Ele me olhou e sorriu, senti minhas bochechas queimarem e olhei pro vidro, não sabia exatamente onde estávamos e nem me importei em saber. parou o carro, foi quando me dei conta de que estávamos próximos a uma montanha, onde o sol estava se pondo. Era o lugar mais perfeito que eu já havia ido, estava extasiada com aquela vista misturada com o perfume de . Ele desceu do carro e abriu a porta pra mim, pegou na minha mão e sentou-se no chão, eu repeti o que ele fez, e ficamos lá, olhando pro sol. Foi quando ele interrompeu o silêncio.
- Vem cá - ele me puxou e me colocou mais perto dele, apenas sorri – você sabe, pessoas dizem que a vida é curta. Dizem que nós iremos acordar um dia, e nesse dia, todos os seus sonhos e tudo o que você desejava e queria, acaba, simplesmente acaba. As pessoas ficam velhas e mudam, as situações mudam. E tudo o que eu quero, é só esse momento do jeito que está, esse dia. –eu estava abrindo a boca pra falar, mas ele prosseguiu - meus sentimentos por você, do jeito que você está agora e do jeito que eu olho pra você... Bem, eu quero que isso dure pra sempre, sabe?
- E durará, porque apesar de tudo, nós sempre teremos um ao outro. Nada vai mudar isso. Só quero que você saiba que não importa o que aconteça, você sempre terá alguém aqui pra você, sempre. Eu nunca vou deixá-lo, nunca. Eu te amo.
- Eu sei, eu sei – ele se virou pra mim e me envolveu em um abraço – eu te amo.
- Não me deixe, por favor.
- Não irei minha pequena, nunca.
E, por uma ação involuntária, comecei a chorar, e ele também, o que me surpreendeu. As palavras dele ficaram martelando na minha mente, mas eu não queria pensar em nada, só naquele abraço e naquele momento, aquele único momento que eu estava vivendo.

Ficamos ali até o sol se por completamente, foi quando se levantou e me estendeu a mão. Nos guiou ao carro e, me levou de volta. No caminho todo ele não disse uma palavra, eu apenas o fitava, e as vezes ele me olhava e sorria, o que me fazia corar.

Chegamos na minha casa, e eu estava descendo do carro, quando ouvi sua voz me chamando.
- ...
- Diga. – voltei a me sentar.
- Eu... Eu queria te dar isso. – ele me entregou um caderno, bem velho por sinal, eu já tinha visto aquele caderno, mas não lembrava aonde. – é, você deve se lembrar dele, foi o primeiro caderno que usei nas aulas de bioquímica, aquele que você sempre anotava as coisas pra mim, não deixava eu me perder na matéria. Sabe, eu sempre leio e releio esse caderno, e sempre me vem a lembrança de...
- De?
- De todo o tempo que perdi, porque eu sempre te amei, mas não conseguia falar.
Meus olhos se encheram de lágrimas e eu o abracei, ele retribuiu e depois me beijou, eu senti aquelas famosas borboletas no estomago, típico dos momentos clichês, mas não me importei, apenas fiquei quieta, o beijando e me sentindo a garota mais feliz e sortuda do mundo. partiu o beijo e me encarou, eu sorri e sai do carro. Ele foi embora.
Entrei em casa e corri para o quarto. Coloquei o caderno sob a escrivaninha, iria lê-lo depois. Precisava urgentemente de um banho, não, eu não tava fedendo ou algo do tipo, mas era pra espairecer um pouco as idéias, entrei em baixo do chuveiro e fiquei lá, acho que por mais ou menos uma hora, pensando naquele sorriso, naquela voz, naquele cabelo, naquele garoto que conseguiu mudar completamente minha vida. Saí do banho, coloquei um pijama qualquer e me deitei, ia ler o caderno mais tarde.
Acordei com a claridade batendo na minha cara, então olhei no relógio, eram 11h30min, me espreguicei, me troquei, coloquei um short, uma blusa do AC/DC e minhas rasteirinhas. Fiz minha higiene matinal e arrumei meu cabelo em um rabo alto. Desci, dei bom dia pra minha linda e normal família, e fui pra cozinha. Senti cheiro de panquecas e fui ver se eu estava certa.
- Panquecas mamãe?
- São sim, eu fiz porque vi que você não anda comendo direito.
- Ah, sabe, escola, trabalhos e essas coisas.
- Sei, sei – minha mãe colocou uma panqueca em meu prato, pequei o mel e despejei em cima – e aquele menino que veio aqui ontem?
- O ? – coloquei um pedaço da panqueca em minha boca.
- É, acho que era esse o nome dele.
- Meu amigo, mãe – menti – ele queria que eu ajudasse ele em uma tarefa de bioquímica.
- Entendi. Bom, eu vou sair, vou ao mercado. Se quiser algo é só me ligar.
- OK mãe, tchau.
Terminei de comer a panqueca, coloquei meu prato na pia e sai pela casa caçando meu celular, fui ligar pro , eu precisava vê-lo. Chamou e ninguém atendeu, caiu na caixa postal.
Hey, você ligou para o meu celular, óbvio. Se eu não atendi é porque eu o perdi em algum canto da minha casa, mas deixa recado que eu retorno. E se for o : VÁ A MERDA!
Resolvi deixar mensagem, quem sabe ele acha o celular.
Hey, é a aqui, tomara que você ache seu celular. Queria te ver hoje, vê se passa aqui ok? Te amo demais.
E desliguei. Fui ao meu quarto e CÉUS! Que baderna! Fui arrumar antes que mamãe voltasse e visse a zona que estava aquilo. Liguei meu Ipod e começou a tocar Remembering Sunday, All Time Low. Eu amava aquela musica, me lembrava certa pessoa... Mas enfim, terminei de arrumar minha bagunça e olhei novamente pro relógio, 01h30min da tarde. Já que ele não retornou minha ligação, decidi me ocupar com alguma coisa. Fiz toda a minha tarefa acumulada e passei o resto da tarde na frente ta TV, assistindo filmes depressivos.
Quando meu estoque de lágrimas havia se esgotado decidi ir pra cama, afinal não tinha nada pra fazer. Todos saíram, foram ao boliche e eu disse que não queria ir, porque eu tinha esperanças de que ainda aparecesse. Mas não, nem me retornou. Decidi ir me deitar, apesar de que não estava com sono. Mas com certeza se eu ouvisse alguma música eu dormiria, é típico eu ouvir músicas pra dormir, elas me acalmam. Então fui até meu quarto, me ajeitei na cama e liguei novamente o Ipod, tocava When We Die, Bowling For Soup. E eu tava certa em relação ao sono, adormeci pouco depois.

Segunda - feira, eu já mencionei o tamanho do meu ódio por esse dia? É, eu odeio muito!
Ouvi meu despertador e, sem a mínima vontade de acordar, rolei na cama umas quinhentas vezes, até o desgraçado apitar de novo. Então acordei, repeti meus atos matinais e fui ao colégio, o que me animava um pouco, iria vê-lo e é isso que importava.
Cheguei ao colégio, o procurei, mas não o vi em canto algum. Decidi ir pra sala e esperar o intervalo. Recebi alguns olhares, não sabia o porquê de tantos ao mesmo tempo, mas ignorei como sempre fazia.
Estava na aula de matemática, quando vi a diretora entrando na sala e dizendo:
- , por favor, na minha sala.
Não disse nada, apenas me levantei e a segui, senti de novo olhares sobre mim e dessa vez corei.
Chegando à diretoria, percebi que a diretora me fitava e não falava nada e lá se encontravam um casal, eu não sabia quem era.
- Bom, , te chamei aqui porque os pais de vieram falar com você.
- O-os pais? Mas o que eu fiz? E cadê o ? - Calma querida – a mulher chorava – ele está, está...
- ESTÁ AONDE?
- Ele está no hospital da cidade – o homem falava agora – precisou fazer um transplante urgente de medula, sua leucemia estava em um grau muito avançado e...
Não esperei ele terminar de falar e sai correndo, eu precisava vê-lo, não iria deixar nada o acontecer, eu não podia deixar, eu o amava, eu precisava dele comigo. Todos esses pensamentos me deixaram tonta, pois eu estava correndo demais e só parei quando avistei o prédio branco, minhas pernas não me obedeciam, eu precisava correr, eu não queria chegar tarde demais e... PARA DE PENSAR ASSIM! Ele vai ficar bem, ele vai voltar pra mim e vai repetir as coisas que ele sempre diz, que nesse momento, faziam sentido. Entrei no hospital, perguntei sobre ele na recepção e me disseram que ele aguardava pelo transplante. Eu sai correndo em direção ao quarto, ah como eu odiava hospitais grandes, só serviam pra acabar com a minha vida.
Cheguei no quarto, entrei sem bater e vi a pior imagem que eu já poderia ter imaginado, era ele, o meu , deitado em uma maca coberto por fios e cobertores. As lágrimas caiam involuntariamente e eu fui até ele. Segurei em sua mão e o senti apertar a minha, quando vi que ele abriu os olhos e disse.
- E-eu sabia que você viria.
- Shiu, meu amor – coloquei meu dedo em seus lábios – vai ficar tudo bem, eu prometo que vai.
Ele beijou meu dedo e guiou minha mão ate seu coração.
- Ele sempre vai ser seu.
- , eu...
Nesse instante uns médicos entraram no quarto e levaram a maca para outro lugar, um me segurou e me impediu de ir junto, mas eu consegui chutar um certo ponto masculino e ele ficou por lá. Acompanhei a maca e ouvi dizer:
- Eu te amo .
- Eu nunca vou deixar você, nunca.
E então outros médicos apareceram, eles me seguraram com força, eu estava completamente vulnerável, chorando muito e lembrando das últimas palavras que ele me disse. Os médicos me levaram a uma sala e me deram um comprimido e um copo de água, eu o engoli e fui pra casa, revirando sempre a lembrança que insistia em voltar. Chegando em casa, me afundei na minha cama e chorei, chorei demais, sempre rezando pra que tudo desse certo, e que eu pudesse ter meu de volta em meus braços. Eu não vi o tempo passar, e quando dei por mim, já era 21h26min da noite, eu estava acabada, e muito cansada. Apenas peguei no sono.
Não sei quanto tempo eu dormi, só vi que, quando acordei, o sol já estava bem no meio do céu, acho que meu despertador pifou. Me lembrei do acontecido e uma lágrima caiu de meu rosto. Pensei positivo, para que tudo tivesse dado certo. Fui até a sala, procurar algum ser nessa casa, fiquei estática quando vi que o mesmo casal que estava na diretoria ontem estava em minha casa, junto de minha mãe e meu pai, eles me olharam e sorriram, mas não era felicidade, a mulher correu até mim e me abraçou. Acho que eu havia entendido o que havia acontecido e comecei a chorar de novo. Não, não pode ser, ele não podia ter me deixado! Não assim, eu o amava, eu o queria por perto, como? Eu sentei no sofá, e minha mãe nos deixou a sós.
- Sabe , nos falava de você e do caderno que ele sempre guardou...
- O caderno! Ai meu Deus, eu não li ainda! Vou pegá-lo.
Subi correndo para o meu quarto, onde achei o caderno no mesmo lugar que o havia deixado. O levei pra sala e me sentei, o casal me encarava sorrindo, então abri o caderno, quando percebi que um envelope caiu, a moça me olhou, como se quisesse que eu abrisse, o fiz, encontrei uma carta em seu interior, abri e comecei a ler.

“ Bom dia meu amor, espero que você esteja bem... Cheguei agora pouco do colégio, e vim aqui te escrever essa carta, espero que você leia. Então, eu parei pra pensar em tudo o que a gente passou quando tava indo pro colégio, sabe, e o bom disso é que eu percebi que a gente só viveu momentos bons, como naquele dia que conseguimos tirar a maior nota na prova, você me abraçou tão forte e eu fiquei mole, parecia um idiota feliz. Lembro também do seu aniversário, eu estava feliz por você, fiquei pensando em você o tempo todo, no que você tava fazendo, com quem estava, eu queria muito que você estivesse comigo, e sim, aquele presente que apareceu no seu armário era meu, o ursinho. Não sei se você gostou, mas eu comprei pensando em ti e antes de lhe entregar, eu dormi com ele, fiquei pensando se você faria o mesmo. Eu nunca quis te magoar e me desculpa se alguma vez fui estúpido com você, ou te ignorei, não era minha intenção, esses últimos dias pra mim estão sendo perfeitos, eu não me vejo mais sem você sabe, ontem eu fiquei triste por olhar alguns exames que eu havia feito, e o resultado não era muito bom, mas foi só lembrar de você, do seu sorriso que tudo já melhorou. Em todo esse tempo que a gente estudou juntos, a minha maior vontade era de ir ate você, te abraçar, olhar nos seus olhos e dizer: eu te amo , eu sempre te amei. E em nenhum minuto eu deixei de pensar em você. Bom, eu não sei se eu ainda vou estar contigo quando você ler isso, talvez Deus seja generoso comigo e me deixe viver pra estar do seu lado, pra te fazer muito feliz a cada dia que passa. Mas se isso não acontecer, eu quero que você sempre guarde lembranças boas de nós, e que sempre que você pensar em mim, não chore meu amor, pense que eu fui apenas mais um garoto que te amou e que faria qualquer coisa mesmo pra te ter só pra ele.
Enfim, acho que já te enchi demais. , eu te amo mais do que amo a minha própria vida, você é meu vicio, meu inicio, meio e fim, minha vida depende da sua, e todas mais essas frases clichês que uma pessoa que está amando diz para a outra. É isso meu amor, você é absurdamente importante e essencial pra mim e pode ter certeza que eu, estando onde estiver, sempre vou pensar em você, meu coração pertence a você, assim como todos os meus outros sentimentos.

Te Amo Minha Pequena.
xx”


Eu já não tinha mais controle de meus atos, eu chorava freneticamente. Nada iria me ajudar naquele momento, eu peguei o caderno e a carta e perguntei a mulher sentada ali.
- Aonde ele está?
- Não sei bem, pelo horário já devem estar levando o corpo para o crematório.
- E onde fica? – eu chorava e estava difícil falar algo.
- No centro da cidade, eles já...
Saí correndo, junto com o caderno e a carta em minhas mãos. O centro não era muito longe de minha casa, então cheguei rápido ao local, vi um carro preto bem grande, parado na frente de uma “casa”, era lá mesmo. Corri pra dentro e vi uma pequena quantidade de pessoas ali, elas estavam esperando algo acontecer e eu infelizmente sabia o que era, entrei na frente de todos, mas acho que cheguei tarde demais, ali só havia pessoas olhando outra mexendo em uma espécie de forno gigante. Aquela dor veio a tona de novo e sai daquele lugar, não agüentava ver mais nada, ele estava lá. Era ele.
A minha maior vontade nesse momento era de estar junto a ele, o sentir de novo, o ouvir ele sussurrar em meu ouvido. Mas agora sei que isso não vai se repetir, irei ter que aprender a conviver com a dor de nunca mais tê-lo pra mim, nunca mais senti-lo aqui. A primeira coisa que me passou pela cabeça enquanto eu andava pelas ruas vazias de Londres, foi aquele dia, o dia em que ele me levou no parque, pra ver o sol se por. Eu caminhei até lá, não segurando as lágrimas que ainda insistiam e cair e molhar toda a minha face.
Chegando ao parque, me sentei naquele lugar onde ele ficou abraçado comigo durante um longo tempo, olhando pro lago, com o caderno em meu colo. Olhei para o céu, imaginando seu rosto, doía demais. Em um momento que eu não estava mais pensando nas coisas que eu falava, pronunciei:
- Não importa o que você fez, onde você está, sempre terá alguém aqui pra você, eu te amo, não irei te deixar, nunca.

Fim


comments powered by Disqus