Fic by: Jés Cardoso | Beta: Flávia C.

Capítulo único


"VAI EMBORA!" Ela gritou e eu permaneci estático, sentindo meu sangue começar a ferver. "Você não tem o direito de arruinar a melhor noite da minha vida. Vai embora, !" Ela ordenou uma última vez.
"Se eu passar por essa porta eu não volto mais, !" Jurei por tudo que era mais sagrado, mais para mim mesmo do que para ela, que cumpriria aquelas palavras.
Ela engoliu seco, esperou alguns segundos. Na certa para tomar uma atitude que não era de toda sua vontade. Por fim, olhou-me nos olhos, com pulso forte, e manteve sua decisão inicial. queria que eu fosse para bem longe dela e assim eu o fiz. Abandonei-a em seu apartamento com aquele sujeito, , em uma noite tão aguardada por ela.
havia há pouco se tornado uma bailarina profissional, aquela seria a noite do seu espetáculo de formatura, o qual ela conseguira o papel principal. Ela era simplesmente fantástica e merecia aquela conquista. Meus olhos brilhavam a cada vez que eu a via dançar, fascinados. Eu não tinha a intenção de estragar a noite dela, mas provavelmente não o fiz. estava lá para colocar as coisas no lugar. Com certeza.

Same bed, but it feels just a little bit bigger now
A mesma cama, mas parece um pouco maior agora
Our song on the radio, but it don’t sound the same
Nossa canção no rádio, mas ela não soa como antes


Fui para casa, liguei o rádio e me joguei na cama querendo esquecer até da minha existência. De repente senti um aperto forte no peito e então me deparei com nossa música tocando e preenchendo todo o cômodo com frustração, tristeza e um toque de desespero. É impressionante como acontecimentos podem mudar completamente a maneira como você se sente ao escutar determinada música. "Because you loved me" nunca mais seria a mesma. Não que eu tenha o costume de escutar Celine Dion, passei a ouvir obrigado por ser uma das cantoras favoritas de .
"You gave me faith ´coz you believed. I'm everything I am Because you loved me (Você me deu fé, porque acreditou. Eu sou tudo o que eu sou porque você me amou)" Quando dei por mim já estava cantarolando e, ao prestar atenção na letra, meus olhos se encheram de lágrimas. Assim já era tortura.
Levantei-me rapidamente e dirigi para o bar onde estava marcado o esquenta antes da apresentação dela, porque precisava espairecer e ver gente amiga. Ela já tinha dito que não teria tempo de ir, pois havia o aquecimento e todo o preparo necessário antes da realização de qualquer espetáculo e ela, claro, não poderia faltar.
", o que faz aqui?" me recebeu logo na entrada, já que chegamos praticamente juntos. Ela pensava que eu estaria com , dando apoio a ela antes da grande performance.
Abracei-a forte e tive que respirar fundo para não deixar o choro escapar. Não me permitiria. Pelo menos não antes da sétima cerveja, no mínimo. Eu a olhei por poucos segundos e ela logo entendeu que depois conversaríamos. havia se tornado minha melhor amiga depois de um relacionamento conturbado no colégio, até hoje não sei como não nos matamos. Provavelmente estava escrito que seríamos bons amigos no futuro.

When our friends talk about you
Quando nossos amigos falam sobre você
All that it does is just tear me down
Tudo que isso faz é me arruinar
Cause my heart breaks a little
Porque meu coração se parte um pouco
When I hear your name
Quando ouço seu nome
And all just sounds like ooh
E tudo soa como uh


Depois de muitas cervejas, a maioria dos presentes na roda de amigos começara a pagar a conta, pois tinham de assistir um espetáculo com a mais sensacional de todas as bailarinas que já existiu na Terra. Pena que eu não estava disposto a fazer o mesmo.
" estará maravilhosa"
Escutei alguém comentar e concordei, balançando a cabeça afirmativamente, enquanto encarava meu copo. Meu copo meio vazio.
"Com certeza! Aposto que vai chover proposta de Companhia depois de hoje".
Repeti meu gesto anterior ainda sem reparar em quem era o dono da voz, e ainda encarando meu copo. Depois disso várias pessoas se despediram de mim, mas eu não cheguei a prestar atenção na formalidade. Olhei para o lado e Quinn ainda estava ali, encarando-me.
"Essa sua atitude quer dizer que por um segundo o senhor pensou em não ir?" assustadora, mais brava que qualquer mãe, presente. Tomar cuidado, anotado.
"Você não sabe o que aconteceu." Tentei mostrar a ela que eu tinha motivos para tomar aquela decisão.
Então chamou o garçom e pediu a saidera para nós dois.
"Isso quer dizer que você tem exatamente..." Ela olhou no relógio e fez uma conta rápida. "15 minutos para me contar".
Eu deixei escapar um meio sorriso, graças às bobeiras dela. Depois respirei fundo e bebi o resto de bebida que ainda havia naquele copo antes que o garçom trouxesse mais.

Flashback


Usei a chave, que me dera no nosso aniversário de dois anos de namoro, para entrar em seu apartamento. Agora já fazia quase quatro anos e eu não poderia amá-la mais. Eu só conseguia pensar em uma palavra há meses: casamento. Mas desde o início dos ensaios para a apresentação dela que eu a sentia distante. Querendo ou não isso me causara uma insegurança significativa que me atrapalhou a decidir o momento correto para dar esse próximo passo devido à tamanha importância dele.
Entrei, com um sorriso no rosto, pois estava entusiasmado pela realização de um sonho da mulher da minha vida. Mas logo meu sorriso desapareceu quando eu vi minha nos braços daquele , quase fundindo-se em um só. Ele estava com a boca no pescoço dela, uma mão no meio das suas costas e a outra na perna, que ele levantava a altura da cintura dele. Giraram os quadris 360 graus, então ela abaixou a perna e ele começou a descer a mão para os glúteos dela.
Eu não tinha conseguido reagir até aquele momento por estar muito chocado, mas havia chegado ao meu limite. Joguei a caixa de bombons em formato de coração, que eu trazia em mãos, na parede, com toda força que eu já tive algum dia. Fez um barulho muito alto; eles se assustaram, gritou. Eu estava sentindo meu coração bater na garganta. Um silêncio enlouquecedor se estabeleceu por alguns segundos até que eu decidi tomar outra atitude.
"Eu vou MATAR esse cara!" Bufei alto, apertei com força meus punhos e dei dois passos para frente, enquanto ele deu dois para trás, fugindo do meu ataque. Mas fui impedido no meio do caminho por .
"O que você pensa que está fazendo, ?" Ela me perguntou parecendo incrédula, mas quem não estava acreditando no que estava acontecendo era eu.
"Nunca pensei que você faria isso comigo".
"Eu estava ENSAIANDO , pelo amor de Deus! Seja sensato!" Ela mal deixou que eu terminasse de falar. "Estamos juntos há QUATRO anos, já esqueceu?".
Eu revirei os olhos, tentando, de verdade, manter a calma. Mas a expressão de satisfação de do outro lado da sala por ver-nos brigando estava me tirando do sério. estava de costas, claro, não podia ver.
"Isso pode ser apenas um ensaio pra você, , mas pra ele não é! Quando você vai deixar de ser tão ingênua?"
Ela ficou calada e séria me encarando, não tinha gostado nada do que eu tinha falado, pude ler em seus olhos. Mas eu não falei nenhuma mentira, ela tinha muita dificuldade para enxergar a malícia nas pessoas.
De repente escutei uma risada irônica vindo do outro lado do cômodo e o encarei já sentindo que boa coisa não sairia dali.
"Parece que alguém está precisando trabalhar um pouco mais a autoconfiança." Riu de novo e me olhou. "Vamos ver se a carapuça vai servir".
Naquele momento eu saí de mim. Desviei de e fui até bufando de ódio, ela não conseguiu me deter. Nem ninguém conseguiria.
"Serviu." Falei bem pertinho dele, com o rosto quase colado e então dei um soco nele. Um soco que eu estava esperando para dar há muito tempo, foi gratificante. Mas não satisfatório, então dei mais um e foi o tempo de se colocar na frente. Encarei-a com o maxilar tenso e a respiração ofegante.
"VAI EMBORA!" Ela gritou e eu permaneci estático, sentindo meu sangue começar a ferver.

Fim do flashback.


Eu estava a ponto de ver duas s, então me permiti chorar. Ainda não podia acreditar que minha história com acabaria daquela forma.
"Você tem que ir atrás dela, !".
Balancei a cabeça incansavelmente, negando. Por mais que eu quisesse com todas as minhas forças eu não podia fazer aquilo. Ou podia?
"Eu falei que não ia mais voltar! Não vou voltar atrás com minha palavra" Falei arrastado.
"Ah, deixe de besteira, homem! Vocês se amam!" Ela segurou a minha mão e eu a olhei. "Aposto que ela tá sofrendo mais que você, até." Meu peito doeu. "E como você fica quando a sofre?".
me conhecia o suficiente para tocar exatamente os pontos que me afetavam.
Soltei todo o ar dos pulmões e esfreguei meus olhos.
"Pior".

Too Young, too dumb to realize
Jovem demais, tolo demais para perceber
That I should’ve bought you flowers and held your hand
Que eu deveria ter lhe comprado flores e segurado sua mão


Se não existisse na minha vida eu com certeza pediria em casamento, porque não existia pessoa no planeta que me conhecesse melhor. Entrei no meu carro decidido a ir para a apresentação de , porque no final seria pior se eu não fosse. A gente precisava conversar depois, e iríamos; e quando isso acontecesse, eu não gostaria de ter perdido a grande noite dela.
Já estava na metade do caminho, quando começou a passar nossa música no som do carro. Era um CD que ela tinha feito para mim. Eu sorri. Sorri enquanto uma lágrima escorria pela minha face.
"For all the love I found in you I'll be forever thankful baby (Por todo amor que eu encontrei em você eu serei grato para sempre, babe)" Cantarolei sentindo cada palavra.
Mas de repente tudo o que enxerguei fora uma claridade absurda, então eu apaguei.

Should’ve give you all my hours when I had the chance
Deveria ter te dado as minhas horas quando tive chance
Take you to every party
Ter levado você a todas as festas
Cause all you wanted to do was dance
Porque tudo o que você queria era dançar
Now my baby is dancing, but she’s dancing
Agora minha garota está dançando, mas está dançando
With another man
Com outro homem


"!? Acorde, !" Uma voz conhecida, que há muito eu não ouvia chamava meu nome. "Não tenha medo, abra seus olhos!".
Não queria mostrar que eu estava com medo, mas eu realmente estava muito assustado. Enfim tomei coragem e abri meus olhos com dificuldade devido a claridade.
"Isso, querido. Tudo vai ficar bem".
A senhora que estava a minha frente sorria para mim enquanto me ajudava a sentar. Senti uma felicidade plena invadir minha alma e a abracei com entusiasmo.
"VÓ!" Ela riu e me abraçou de volta. "Eu estava com tanta saudade da senhora!" Nos olhávamos matando a saudade um do outro e eu demorei um tempo, pelo visto mais tempo que o normal, para perceber o que estava acontecendo.
"Então isso quer dizer que... Eu!?" Senti o sangue parando de circular nas minhas veias, se é que eu ainda tinha sangue.
"Shhhh, uma coisa de cada vez." Ela me abraçou e eu me permiti chorar igualmente fazia na infância.
"Mas eu estava indo fazer as pazes com ela, vó. E eu precisava, porque eu precisava casar com ela! Eu amo tanto a " Afundei meu rosto no abraço da minha avó enquanto ela me confortava. "O que aconteceu, afinal?".
Ela respirou fundo, encarando-me com compaixão.
"Você sofreu um acidente de carro, . Se não estivesse tão triste eu puxaria sua orelha agora! Onde já se viu beber daquele tanto e dirigir? Você bateu de frente com uma van!"
Isso explicava aquela claridade, eram os faróis.
Nada tirava da minha cabeça, por mais que eu fosse sentir falta de várias pessoas, como a , eu sentia que tinha falhado com ela. Eu não concluí o que eu tinha que ter feito, sabia disso.
"Eu queria tanto ter visto a apresentação dela." Falei com pesar para a minha vó.
Ela me devolveu um sorrisinho animado e eu logo vi que aquilo seria algo bom.
"Por que não falou logo? Já deve estar começando!".
Antes que eu pudesse ao menos pensar em comemorar ou agradecer, já estávamos lá. Eu sentado ao lado de , lugar que ela provavelmente estava guardando para mim, de toda forma, e minha avó mais a frente. Observei minha amiga que não parava de olhar para trás em nenhum momento, nem de olhar no relógio, nem de checar o celular. Ela nem ao menos sabia ainda. Aquilo quebrou meu coração.
Fecharam as cortinas e anunciaram que o início da apresentação se daria em minutos. pegou seu celular e discou um número, eu chequei e era o meu. Parei de prestar atenção nela para não voltar a chorar. Nem sabia se ela podia me ouvir, minha vó não me explicou nada.
O espetáculo começou. estava deslumbrante! Nem o fato de estar dançando o tempo inteiro com o me incomodou, não queria nem pensar nisso. Apenas olhava para ela e pensava que nunca mais poderia abraçá-la outra vez, beijá-la, amá-la. Inevitavelmente lágrimas escorreram dos meus olhos. Não apenas dos meus. Logo ao meu lado recebia uma ligação. No mesmo instante ficou com cara de fantasma e o choro foi praticamente instantâneo. Assim que desligou saiu correndo do local. Não quis seguir, já fora ruim o bastante vê-la sofrer por mim aqueles segundos. Não prolongaria.
Voltei a olhar para no palco, maravilhosa. Quando o espetáculo acabou eu fui para o camarim, apenas para olhá-la de perto mais uma vez. Ela estava branca e passava a mão no rosto o tempo inteiro.
"Eu preciso de água, alguém traz água pra mim, por favor!" Ela se jogou na cadeira, estava, visivelmente, passando mal.
Eu fiz menção de ir buscar a água por força do costume e então minha vó sorriu fraco para mim de longe e eu notei minha tontaria.
"Onde está aquele tal , afinal? Serve pra alguma coisa?" Falei para a minha vó, irritado. Ela me repreendeu.
"Não devemos nos referir as pessoas com rancor".
Engoli. Mas só porque ela era minha vó.
Uma das bailarinas trouxe a água da e eu continuei a observá-la. Uma lágrima caiu de seu rosto. Doeu em mim.
"Eu preciso ligar pra ele, alguma coisa não está certa." Ela parecia desesperada e aquela situação foi aumentando o nó na minha garganta. "Por favor, alguém pega meu celular. Eu estou muito tonta!" As amigas dela começaram a ficar preocupadas e pegaram. Ela discava um número incessantemente e as chamadas não atendidas a deixavam mais frustrada. "Ele não está atendendo, POR QUE ELE NÃO ME ATENDE?" Gritou a última frase já com voz de choro.
"Calma, !" Uma das amigas dela tentara acalmá-la e eu assistia a tudo com a mão na boca, para impedir o coração de saltar. "Vocês não brigaram hoje? É normal que ele não queira atender".
Ela engoliu o quase choro e esfregou os olhos.
"Ele não é assim, . Ele não foge depois de briga! Ainda mais com tantas ligações assim, ele ia achar que eu estava morrendo e se brincar já ia tá aqui na porta perguntando o que tinha acontecido." Ela fungou o nariz. "Ele é assim, um príncipe encantado" Fez uma pausa para respirar profundamente. "Aconteceu alguma coisa, eu, infelizmente, tenho certeza". Deixou escapar um soluço do choro preso e eu me apoiei na minha vó. Estava ficando difícil.
De repente o celular dela começou a tocar, ela o pegou rapidamente e analisou o visor.
"". Respirou fundo. "Ai meu Deus, seja o que o Senhor quiser! Alô!" Logo depois de atender ao telefone, mudou sua expressão para choque total e não prendia mais o choro.
"Eu sabia, eu sabia!" Disse entre o choro. "O que, foi no caminho? Ele estava vindo pra cá? Não, não pode ser! É MINHA CULPA, !" perdeu o controle e eu o meu, fui correndo em sua direção para abraçá-la e dizer que eu jamais sairia de perto dela. Porém antes que eu pudesse ao menos tentar, já estava no local de antes outra vez. Um lindo jardim florido.
Respirei fundo várias vezes até me acalmar enquanto minha avó me abraçava com força.
Momentos depois, adormeci.

My pride, my ego
Meu orgulho, meu ego
My needs and my selfish ways
Minhas necessidades e meu jeito egoísta
Caused a good Strong woman like you
Fizeram uma mulher boa e forte como você
To walk out my life
Sair da minha vida
Now I never, never get to clean-up
Agora nunca, nunca conseguirei arrumar
The mess I made
A bagunça em que me meti
And it haunts me every time I close my eyes
E dói sempre que fecho meus olhos
It all just sounds like ooh
Tudo isso soa como uh


Acordei com minha avó fazendo um cafuné gostoso em meu cabelo. Espreguicei-me e olhei para ela, que me abriu o costumeiro sorriso acolhedor.
"Alguém estava bastante cansado, huh?"
Balancei a cabeça afirmativamente e observei os pássaros que cantavam nos galhos da árvore em que estávamos apoiados.
"Quer dar uma olhada em como as coisas estão lá embaixo?".
Não foi preciso resposta, pela minha expressão, vovó soube que eu queria mais que tudo. De preferência, e primeiramente. E foi exatamente para onde fomos, mas eu não estava reconhecendo o local. Avistei e sentadas em um sofá de um loft que nada se parecia com o apartamento de nenhuma das duas. E então saiu de um dos quartos, com um dvd na mão, colocou para que pudessem assisti-lo e se juntou a elas. Moulin Rouge. Encostei-me à parede e assisti a eles, enquanto eles assistiam ao filme.
estava diferente, com o cabelo mais comprido. E também havia mudado o seu, clareara as pontas. Não sabia exatamente o porquê de estar reparando naquilo, o que geralmente não acontecia e eu levava broncas feias. Deveria ser a saudade.
"Quanto tempo eu dormi, vó?".
"Nós estamos em outro plano, . Tudo acontece de forma diferente. Você teve a sensação de que dormiu uma noite perfeita, de sono tranquilo, enquanto aqui na Terra se passaram cinco meses".
Ouvi aquelas palavras abismado. A vida delas passaria por meus olhos em questões de poucos meses se continuasse assim.
Olhei para e e senti um embrulho no estômago.
"Eles estão juntos?".
Minha avó fez que não sabia, levantou os ombros e os deixou cair logo em seguida.
"Ele vem tentando incessantemente, mas ela estava relutando".
Senti um pequeno alívio, mas soube no mesmo instante o quanto egoísta estava sendo. Ela tinha o direito de ter uma vida, sabia disso. Mas também sentia que ela ainda era minha como eu ainda era completamente dela, e para sempre seria.
Como uma peça do destino, naquele momento, pegou na nuca de , ela olhou para ele por alguns segundos e prontamente se aproximaram até que eventualmente seus lábios se chocaram. Engoli seco. Quando se deu conta da situação em que estava, levantou de fininho e entrou em algum quarto, deixando os dois livres para aprofundarem cada vez mais os beijos e as carícias.
Fechei os olhos com pesar e senti uma lágrima cair. Quando os abri, eu não estava mais naquele loft. Ainda bem.
Sentei na beira de um rio, com os cotovelos apoiados nos joelhos, enquanto observava a água correr. Eu havia perdido a mulher da minha vida por ter sido um babaca ciumento e inseguro. Se eu tivesse confiado de verdade em todas as vezes que ela me dissera que não havia nada entre ela e , que ela me amava, eu ainda estaria lá e ela comigo. Agora é tarde demais, agora já não tenho o que fazer e isso me matava cada vez mais. Seria possível morrer duas vezes?

Too Young, too dumb to realize
Jovem demais, tolo demais para perceber
That I should’ve bought you flowers and held your hand
Que eu deveria ter lhe comprado flores e segurado sua mão
Should’ve give you all my hours when I had the chance
Deveria ter te dado as minhas horas quando tive chance
Take you to every party
Ter levado você a todas as festas
Cause all you wanted to do was dance
Porque tudo o que você queria era dançar
Now my baby is dancing, but she’s dancing
Agora minha garota está dançando, mas está dançando
With another man
Com outro homem


Abri meus olhos e espreguicei-me. Droga. Adormeci. Quanto tempo havia se passado na Terra? Olhei ao redor procurando certa senhora, muito simpática, e a encontrei colhendo maçãs há algumas árvores de distância de mim. Caminhei arrastado até ela.
"Quero vê-la, vó! Quanto tempo se passou? Já estou há dez meses aqui?" Disparei.
Ela me olhou simpática, pegou uma maçã e me ofereceu. Ignorando-me por completo.
"Oh, , não quer uma maçã?" Neguei com a cabeça e ela respirou fundo com pesar. "Bom, não custava nada tentar. Ainda sou sua avó!"
Ri de leve e em um piscar de olhos estávamos em um parque, que eu pude notar depois ser o Central Park. Logo avistei minha baixinha sentada em um banco, sozinha. Ela estava com os olhos tristes e com as mãos entre as pernas. Eu conhecia com precisão todas as expressões de , até quando ela fingia estar de um jeito, mas estava de outro. Naquele momento ela estava distante. Seu corpo estava sentado naquele banquinho do Central Park, mas sua mente estava a quilômetros dali. Daria tudo para poder perguntar o que a deixara assim, tudo para dar colo, para mimá-la até que esquecesse, seja lá o que fosse, que estivesse a perturbando tanto.
"Três meses". A voz de minha avó me chamou atenção e eu olhei para ela.
"O quê?".
"Dessa vez só se passaram três meses. Você dormiu menos, querido".
Talvez o melhor fosse passar rápido, mas algo em mim não gostava dessa falta de sincronia temporal.
Sentei ao lado de e sussurei em seu ouvido "Eu te amo! Não se esqueça disso nunca, tá?".
Ela se arrepiou e engoliu seco. Provavelmente não tinha me escutado, mas algo ela sentiu. Segundos depois tirou de dentro de sua blusa um colar com meu nome. Ela o segurou firme enquanto respirava fundo. Eu a analisava e sabia que ela sentia a minha falta. Senti aquele conforto egoísta outra vez.
Com rapidez ela guardou o colar dentro da blusa como estava antes e pintou um sorriso esforçado enquanto olhava para alguém que se aproximava. Não precisava olhar para saber de quem se tratava, mas o fiz da mesma forma. . Eles se abraçaram, se beijaram e caminharam de mãos dadas pelo parque.
Mas tarde naquele dia eles foram a um pub, frequentado geralmente por dançarinos, e dançaram juntos a noite inteira.
Ali minha estava feliz, eu sabia disso. Ela conseguira sorrir verdadeiramente e me deixar para trás, mesmo que por poucas horas. Eu tive ciúmes, mas já estava na hora de deixar de ser egoísta.

Although it hurts
Apesar de doer
I’ll be the first to say that I was wrong
Serei o primeiro a dizer que eu estava errado
Oh, I know I’m probably much too late
Oh, sei que provavelmente estou muito atrasado
To try and apologize for my mistakes
Para tentar me desculpar pelos meus erros
But I just want you to know
Mas eu só quero que você saiba
I hope he buys you flowers, I hope he holds your hand
Espero que ele lhe compre flores, que ele segure sua mão
Give you all his hours when he has the chance
Que lhe dê todas suas horas quando tiver a chance
Take you to every party cause I remember
Que leve você a todas as festas porque eu me lembro
How much you loved to dance
De quanto você amava dançar
Do all the things I should’ve done
Que faça todas as coisas que eu deveria ter feito
When I was your man
Quando eu era o seu homem


Anoiteceu no paraíso, ainda não tinha visto isso acontecer. Era sempre ensolarado, com cheiro de primavera. Naquele momento uma noite chuvosa se formava.
Minha vó nos abrigou em um chalé e nos preparou um chá bem quente. Tomei o chá em silêncio e por um momento a perdi de vista, porque estava mergulhado nos meus próprios pensamentos.
Se minha insegurança, de certa forma, havia me tirado da Terra, eu não mais poderia me permitir pensar qualquer coisa que não fosse o bem de . Não tinha como me desculpar pela nossa briga, mas poderia, de onde estivesse, desejar tudo de melhor que pudesse vir a ela. E se a felicidade dela estivesse ao lado de , que assim fosse. Que ficassem juntos! Eu, de coração, torceria para que ele fosse o melhor parceiro que existisse no mundo, porque era o que ela merecia. Se necessário sussurraria no ouvido dele dicas de como surpreendê-la. Falaria de seus gostos, de seus desgostos, deixaria dicas de presentes, de saídas. Ensinaria como tratá-la da forma correta e tudo o que fosse necessário.
Tomara minha decisão, minha missão a partir daquele momento seria protegê-la e ajudá-la em tudo que estivesse ao meu alcance e nunca de forma egoísta.
Respirei com alívio. Com muito alívio. Um alívio puro e genuíno, bem diferente de todos os que eu já havia sentido. De repente me senti muito feliz, praticamente querendo pular de felicidade! Tive a certeza de que havia tomado à decisão certa e então senti uma necessidade assustadora de procurar minha avó. Olhei todo o chalé e ela não estava lá.
Abri a porta e o tempo estava uma loucura do lado de fora, uma ventania insana. Havia uma luz forte e minha avó me chamava do centro dela, fui correndo sem pensar.
"Qual é a desse tempo?" Gritei para conseguir ser ouvido.
"Você tomou a decisão correta, querido!" Ela sorria para mim.
"Apoiar e ?" Indaguei, um pouco confuso.
"Não! A decisão de não mais ser egoísta".
Nós dois sorrimos, eu estava me sentindo extremamente bem quanto aquilo.
"É hora de voltar!" Ela se aproximou de mim e colocou a mão em meus olhos, fechando-os.
"Quê?" Não consegui entender o que ela quis dizer com aquilo.
"É hora de voltar." Ela apenas repetiu e tirou a mão dos meus olhos.
Um barulho ensurdecedor de aparelhos apitando invadiu meu ouvido. Tentei enxergar, porém minhas pálpebras estavam pesadas. O barulho tocava cada vez mais alto dentro da minha cabeça, de uma forma dolorosa. Eu continuava confuso, não sabia ao certo o que estava acontecendo comigo, ou onde eu estava.
Senti uma mão segurando a minha e outra acariciando meus cabelos. Esforcei-me um pouco mais para abrir os olhos, mas ainda estava difícil. Queria me concentrar aos toques, porém não conseguia devido ao apitar de aparelhos. Que barulho insuportável!
De repente escutei uma voz, com timbre choroso, falando bem perto do meu ouvido: "Volta pra mim, por favor!".
Depois daquilo a barulheira ficou mais irritante e se fundiu com outros sons a mais. Presumo que tenha sido meu coração, pois eu reconheceria aquela voz de qualquer maneira, em qualquer momento.
Finalmente consegui aos poucos abrir meus olhos lentamente, enquanto apertava de leve a mão que estava segurando a minha. E então eu a vi, bem ali, pertinho de mim. colocou uma mão na boca para segurar a surpresa. Eu queria sorrir, queria agarrá-la sem pensar duas vezes, mas comecei a sentir uma falta de ar que estava me engasgando e não consegui reagir. percebeu que deveria fazer algo e foi correndo chamar uma enfermeira, que logo colocou algo em meu soro e eu adormeci mais uma vez.
Não sei exatamente quanto tempo depois, acordei novamente. Abri meus olhos com dificuldade. Eu estava com uma dor de cabeça extremamente forte. Recebi mais um carinho na cabeça. Quando consegui finalmente desembaçar minha visão e focar em algo, enxerguei . Ela me abriu um de seus sorrisos mais bonitos e sinceros. Eu consegui retribuir com muita dificuldade e ela me abraçou com cuidado.
"..." Sussurrei e entendeu o recado. Afastou-se e a próxima figura que aproximou-se de mim era mais baixinha, tinha os cabelos e fazia meu coração bater descompassado.
Ela estava com os olhos cheios de lágrimas. Chegou mais perto e beijou-me a testa.
"Eu te amo!" Falei quase sem voz, enquanto respirava pesadamente.
Ela sorriu e uma lágrima rolou por seu rosto, depois segurou o meu em suas mãos e depositou um selinho em meu lábios. Continuou com seu rosto bem próximo ao meu.
"Eu também te amo".
Sorri abertamente, ainda tendo que fazer um esforço enorme.
Eu a olhava e meu corpo quase explodia de alegria por eu poder tocá-la novamente. Não desperdiçaria essa segunda chance. Tinha certeza de poucas coisas na vida e uma delas era de que era a mulher da minha vida. Que eu a amava sem limites, que eu faria tudo para vê-la feliz. E foi aí que me deu um estalo. Não sei bem da onde surgiu a coragem, mas, depois de sete meses em coma, fiz a pergunta que há muito estava ansioso para fazer:
"Casa comigo?"

Fim.

Nota da Autora: Olá, gente linda! Eu sei que a fic é interativa, cada um lê com o personagem que quiser, mas queria contar a vocês (o que talvez tenha ficado óbvio né rs) que eu escrevi com o Finn. E assim, escrevi essa fic em um momento muito delicado, estava completando um mês da partida do Cory, então eu estava mais sensível do que o normal, do que estou agora. Eu senti a necessidade de escrever algo em homenagem a ele, como tributo mesmo; e também, aproveitar que na nossa realidade paralela quem manda é a gente, e trazê-lo de volta nem que fosse na ficção, porque é tudo o que eu queria e precisava. Ainda é um assunto muito instável para mim, às vezes eu fico bem, às vezes péssima, mas a vida tem de seguir, querendo ou não, e escrever ajuda. Afinal de contas the show must go all over the places, or somenthing rs Enfim, só queria compartilhar com vocês o que estava sentindo enquanto escrevia. Nem escrever foi fácil, mas gostei bastante do resultado e espero que vocês também *-* Me sigam no twitter para mais informações sobre minhas futuras, não tão futuras assim, fics: @monchelis (tá bebêzinho ainda meu tt rs). E se, por acaso, alguém quiser a continuação dessa aqui, eu já fiz. Peça nos comentários que eu prometo que agilizo na revisão. Bom, é isso. Obrigada de coração por ter lido! Beijo.


Nota da Beta: Qualquer erro de português e/ou html/script, me informe pelo e-mail.

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