You’ve Got A... Friend?
Fic por:
Cris Bartel
Beta-Reader: Benny Franciss


Fazia um tempo que não nos víamos, então quando soube que ele estava na cidade, assim como eu, decidi ligar para combinarmos algo. me disse que estava cansado e que preferia ir a algum lugar calmo de tarde, e não a um bar de noite, como costumamos fazer. Eu concordei e propus irmos a um parque perto da casa dele.
Ele não morava longe, então resolvi ir caminhando; o tempo também estava agradável, o que colaborou com tal decisão. Minutos depois estava passando direto pela portaria de seu prédio, já que era conhecida ali. Testei a maçaneta do apartamento dele e estava destrancada.

? – chamei da sala.
– Já estou indo! Só estou trocando de camiseta. – ouvi sua voz se aproximando. – Sujei a que estava antes. – ele explicou rindo quando chegou à sala.
– Algumas coisas nunca mudam. – eu ri de volta, enquanto o assistia pegar seus pertences.
– Com certeza, e uma delas é você entrando na minha casa sem ser convidada. Vamos?
– Quando você me conheceu eu já era folgada, mas mesmo assim aceitou ser meu amigo, agora aguente. – retruquei indo atrás dele.

***


Estávamos caminhando lado a lado até que ele sentou-se no chão e bateu no espaço entre suas pernas, me convidando a sentar entre elas. A princípio estranhei sua atitude, pois apesar de sermos amigos há uns cinco anos, nunca achei que tivéssemos esse tipo de intimidade, mas aceitei. Sentei e automaticamente me encostei em seu peito, enquanto suas mãos viajaram pelos meus braços até alcançarem as minhas. Ele apoiou o queixo em meu ombro e me disse que tudo ficaria bem.

– O quê? Do que está falando? – virei a cabeça para encará-lo.
– Eu não sei ao certo, mas sei que tem alguma coisa de errado rondando seus pensamentos e seja lá o que for eu te garanto que vai ficar tudo bem. - ele sorriu.
– Um dia, talvez um dia, eu consiga te entender.
– Apesar de você achar que eu não me importo com você, eu me importo sim.
– Eu sei que se importa.
– Mentira, você não acredita nisso de verdade, e digo mais, acha que me preocupo muito mais com as outras pessoas. – ele finalmente direcionou o olhar para mim.
– Você pode até estar certo, mas não concordo em tudo o que disse. – dei um beijo em sua bochecha. – Obrigada mesmo assim.

Me virei para frente e uma lembrança me atingiu. Há alguns anos, depois de eu ter brigado com uma pessoa importante para mim, ele não disse nada, apenas me abraçou, e só então disse que tudo ficaria bem. Nesse momento eu tive certeza que ele estaria do meu lado sempre que eu precisasse, mesmo que não estivesse comigo todos os dias. Suspirei com essa recordação.

– Eu estava com saudade. – falei depois de um tempo.
– É, eu também. Prometo tentar voltar com mais frequência. – ele me abraçou mais forte.
– Tudo bem, eu também não tenho vindo muito. – era incrível como me sentia bem ali.
– Tem certeza que não tem nada de errado com você, ? Estou te achando meio preocupada.
– Sinceramente, são só alguns problemas cotidianos como faculdade, trabalho, essas coisas. Nada sério mesmo. – olhei para ele e sorri.
– Bom, mas se precisar você sabe que pode me chamar quando quiser!

You just call out my name,
And you know wherever I am
I'll come running, oh yes I will
To see you again.
Winter, spring, summer or fall,
All you have to do is call
And I'll be there, yeah, yeah, yeah
You've got a friend.


Cantei olhando em seus olhos e ele riu baixinho. Eu não precisava de nada mais naquele momento. A nossa sintonia era tão perfeita, que até mesmo o que estava de fora se tornava imperceptível. Me afastei um pouco torcendo meu tronco de forma que pudéssemos nos encarar com facilidade, mas me mantendo entre as pernas dele.
acariciou meu rosto e, como em uma cena de um romance clichê, eu automaticamente fechei meus olhos, apenas sentindo seu toque e sua respiração batendo em meu rosto. Era a primeira vez que me sentia assim com ele, sempre fomos amigos, mas nunca tão íntimos. Quando abri meus olhos, automaticamente encarei seus lábios. Eu queria beijá-lo! E isso era praticamente absurdo, considerando que eu nunca tinha me sentido atraída por ele daquele jeito; o que se passava na minha cabeça não era nada inocente. Eu queria beijá-lo da forma mais ardente possível, puxar o cabelo da sua nuca enquanto mordia seu lábio inferior, e muito mais. Eu o queria na cama, no sofá, no chão, onde quer que fosse, eu o queria de qualquer forma.
Acho que o encarei por tanto tempo, com tanto desejo, que quando me dei conta ele estava com uma expressão que misturava estranhamento, desejo e dúvida. estava segurando meu braço de forma que a qualquer momento ele poderia me puxar para mais perto dele, e foi o que ele fez. Aos poucos nos aproximamos e acabei passando meu braço por seu ombro.

, eu preciso ser sincero com você antes de qualquer coisa.
– Claro. – disse ficando tensa. Eu estava com medo que me parasse justo agora que eu estava louca por ele.
– Eu não sei exatamente o motivo, mas eu preciso te beijar. Só que eu não quero que isso atrapalhe a relação que nós temos.
– Olha, eu quero o mesmo e também não estou entendendo. Então acho que o melhor que podemos fazer é tentar. , você é importante demais para mim para eu deixar um beijo quebrar o que nós temos.

Ele não disse mais nada, só me beijou. Nada e ninguém ia me tirar dos braços dele naquele momento, se eu disse que a nossa sintonia fazia tudo à volta parecer irrelevante, esse beijo fazia tudo desaparecer. A forma como sua língua explorava cada pedacinho da minha boca me deixava quente e me fazia querer mais dele, mais do seu gosto. Eu não ficava para trás, vasculhava os quatro cantos de sua boca quente, com resquícios de nicotina, herança do vício. Assim como eu pretendia, entrelacei meus dedos em seus cabelos para ficarmos, se possível, ainda mais próximos. Eu queria senti-lo por inteiro, mas aos pouco fomos diminuindo o ritmo, já que estávamos em um parque público em plena luz do dia.

– Você sabe que depois disso, eu não vou querer ficar muito mais tempo longe de você, né? – ele disse depois que sua respiração acalmou um pouco, como a minha.
! – falei meio manhosa.
– O quê? Você não quer? Tudo bem então, eu vou viajar e volto só Deus sabe quando, melhor assim?
– Óbvio que não, só não estou acostumada a te ver dessa forma, então bate aquela timidez, sabe? – o abracei encaixando meu rosto na curva de seu pescoço.
– Timidez? Você não é tímida! – ele riu – Não é muito diferente para mim também, mas foi você que começou a me encarar toda sexy, quase me comendo com os olhos. – ele riu quando eu bati em seu braço. – Me bater não vai mudar a expressão que tava no seu rosto.
– Eu já entendi e confesso que estava, de fato, te comendo com os olhos. O que estava se passando na minha mente não era nada cristão, mas nem adianta fazer essa cara de safado, porque eu não vou te contar! – dei um selinho nele.
– E me mostrar? – ele me deu outro.
– Um dia, quem sabe? Se você fizer por merecer...
– Nesses cinco anos de amizade eu fiz bastante coisa para merecer isso agora, você há de concordar.
– Por acaso você está me cobrando alguma coisa? – o olhei fingindo estar chocada.
– Longe de mim, linda, te cobrar alguma coisa. – ele me abraçou novamente, quando voltei a minha posição inicial. – , é sério agora, eu realmente quero levar isso a sério. Sem apressar nada, mas eu quero levar isso adiante.
– Eu também, . Aquela hora eu fiquei te encarando porque eu estava percebendo o quanto você mexe comigo. Tudo o que eu pensei em fazer com você, com certeza, não é o que amigos querem fazer, então isso só pode significar algo mais.
– Exatamente, algo que eu quero descobrir com você. Nossa, como isso soou meloso! Isso é tão não a gente! – ele começou a rir. – Vamos voltar a nos pegar, isso é bem mais a nossa cara.
– A sua capacidade de quebrar um clima é algo fenomenal! Mas eu concordo com você, romantismo não é muito a nossa cara. Vamos lá para a casa?
– Esse é o espírito da coisa! – se levantou, me puxando junto. – Vamos para a minha casa que é mais perto.

Quando saímos do parque o sol já estava se pondo. me abraçou e sorriu me fazendo sorrir junto. Mais uma vez eu tive a certeza que nós estaríamos na vida um do outro por muito, muito tempo. Agora mais do nunca, até porque nós estávamos só começando uma nova etapa da nossa história.

FIM



N/A: Oi meninas!! Obrigada por terem lido e espero que tenham gostado! Essa fic foi escrita a partir de um texto que eu criei e publique no meu tumblr, chama-se Foolish Desire (http://foolishdesire.tumblr.com). Confiram lá, tem outras criações minhas. Também queria agradecer especialmente às lindas Gabriele Vieira e Karlla Carvalho por terem me incentivado a transformar o texto em fic!!! Beijão à todas!

NOTA DA BETA: Qualquer erro de gramática/script/html na fic, deverá ser reportado a mim pelo email: bfranciss18@gmail.com; não use a caixa de comentários. Lembrando que eu não sou a autora da fic.

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