Capítulo Um: “Quatro anos, seis meses e dois dias”
- Vou me despedir da senhora Jordan e já volto. – disse rapidamente, atravessou a rua praticamente deserta e bateu na porta da bela casa amarela. Esperou até que uma adorável velhinha aparecesse já com os olhos verdes cheios de lágrimas.
- Se você veio fazer o que eu acho que veio fazer, pode ir embora. – a senhora disse com a voz firme, mantendo a expressão severa. – Eu não vou te dar adeus, sua ingrata.
- Não fala assim, senhora Jordan. – choramingou, fazendo biquinho – A senhora sabe que se fosse por mim, nunca nos mudaríamos daqui.
- Eu não acredito em você, garota sem coração. – a velhinha limpou uma lágrima com as costas da mão. – Como você ousa ir embora assim?
- Me desculpa. – a garota passou os braços em torno da mulher, ambas deixando as lágrimas caírem livremente. – Nós precisamos ir, vai ser melhor pra minha família.
- Eu sei, meu bem, eu sei. – a senhora Jordan concordou, abraçando forte a menina. – É que eu amo tanto vocês que não sei o que será de mim a partir de agora.
- Nós viremos te visitar, já prometi isso! – se afastou para olhar a senhora nos olhos. – E a senhora vai passar as férias lá em casa, lembra?
- Eu vou sim! Já está na hora de arrumar outro marido! – ela disse, bem humorada, em meio às lágrimas.
- Sim, dizem que o terceiro é sempre melhor. – riu e abraçou a velhinha mais uma vez.
- Cadê aquela pestinha que não veio me dar um beijo? – a senhora olhou para os lados, procurando.
- Deve estar aprontando, como sempre. – revirou os olhos, rindo. – Penn! Vem cá! Venha se despedir da senhora Jordan! Penny!
- Qual a senha mágica? – uma vozinha infantil foi ouvida por perto, fazendo as duas mulheres rirem.
- Unicórnio verde. – disseram ao mesmo tempo e, em menos de dois segundos, a garotinha surgiu entre os arbustos muitíssimo bem cuidados da senhora Jordan.
- Ai, sua danadinha, como eu vou sentir saudade de você. – a velhinha disse ao pegar a criança no colo e abraçá-la apertado.
- Mas a senhora vai conhecer minha casa nova, né? – Penny perguntou, segurando o rosto da senhora com as duas mãozinhas.
- Vou sim, meu bem, claro que vou... Não vou conseguir ficar longe das minhas meninas por muito tempo. – ela olhou para ao falar. – Você sabe que eu amo vocês como se fossem da minha família, não é? Que, desde a morte do Howard, eu só tive alegria graças a essa pequenina aqui.
- A senhora é da família. – a abraçou de lado, sorrindo ao limpar uma lágrima do próprio rosto. As três se abraçaram uma última vez, então pegou a filha no colo e entrou no carro, saindo rapidamente do bairro que sempre estaria em seu coração.
***
- Chega de choro, por favor? – fez bico para o garoto sentado ao seu lado enquanto Penny rabiscava uma revistinha de colorir no chão do aeroporto.
- Você é quem está chorando, querida, não eu. – ele respondeu, sorrindo de lado.
- Grosso pra caramba. – a garota fez um bico maior ainda ao responder manhosa, fazendo o garoto rir e abraçá-la pelos ombros.
- É brincadeira, linda, todo mundo sabe que o bunda mole aqui sou eu. – ele disse rindo e beijou a bochecha de demoradamente.
- Isso eu não posso negar, eu sou o homem da história. – ela riu também, porém os olhos ainda ameaçavam marejar.
- Penn, levanta desse chão imundo. – ele imitou a voz de , fazendo a garotinha gargalhar.
- O tio Joe tem voz de mulherzinha. – ela disse rindo, fazendo a mãe acompanhá-la.
- Ei, mais respeito, sua anãzinha. – Joseph se fez de bravo, o que só serviu para fazer Penny rir ainda mais.
- Me desculpe, gigantão. – ela disse, forçando a voz para parecer mais grossa, fazendo a alegria dos adultos.
- Ai, meu Deus, preciso morder essa minha filha. – a pegou do chão e a encheu de beijos após morder sua bochecha rosada enquanto essa esperneava e ria. A criança, então, passou para o colo do rapaz e o olhou séria, ainda mantendo a voz grossa quando disse.
- Por que você não quer ir com a gente, tio Joe?
- Porque eu não posso. – ele respondeu do mesmo jeito.
- Pode me contar. – ela disse baixinho. – A sua namorada, a moça peladona, não quer deixar, né?
- Penny! Que história é essa? – olhou espantada para Joseph, que tentava tampar a boca da menininha, que fazia careta.
- Eu vi uma moça pelada na casa do tio Joe! – ela disse alto, tentando fugir da mão do rapaz.
- Sua traidora! – ele fingiu chorar, logo sendo abraçado pela garotinha. – Não, me larga... Eu vou morrer de tristeza.
- Me desculpa, tio. – Penn rodeou a cabeça do rapaz com seus bracinhos e distribuía beijos pelo cabelo dele, virando uma perfeita cópia da mãe ao falar. – Não chora, eu te amo.
- Há, eu também te amo, gatinha. – Joseph levantou a cabeça rapidamente, arrancando um gritinho da menina, e a abraçou apertado antes de falar sério. – Você sabe que se o tio Joe pudesse, ele ia pra Londres com vocês, não é? – ele, então, olhou para , que assistia toda a cena com um sorriso bobo nos lábios e lágrimas nos olhos, e completou. – Se eu pudesse escolher, eu não deixaria que vocês saíssem de Austin.
- Mas nós precisamos... – suspirou e amarrou o cadarço do tênis de Penny, como pretexto para desviar o olhar penetrante de Joe. – Não se recusa uma proposta dessas.
- Eu entendo, linda, não aceito, mas entendo. – ele se inclinou e beijou sua cabeça. Os três brincaram de diversas coisas até o voo das meninas ser chamado para embarque.
- Promete que não vai viver de comida congelada? – disse com a voz embargada, já de pé na fila. Joe assentiu tristonho, com Penny sonolenta em seu colo.
- Promete que vai filmar tudo o que a pequeninha fizer de novo lá na Inglaterra? – ele ajeitou a criança em seu colo e a apertou levemente em seus braços.
- Promete que não vai deixar que cada modelo que durma na sua casa leve uma camisa sua embora? – disse, rindo em meio às primeiras lágrimas que caíam de seus olhos. – Eu não estarei por perto pra te arranjar as que sobram das sessões de fotos.
- Promete que não vai me esquecer... – ele disse sério, abraçando-a de lado – Promete?
- Só se você prometer que não vai esquecer sua melhor amiga que te ama tanto. – chorou pra valer ao ver os olhos verdes do amigo se encheram de lágrimas ao concordar.
- Vou sentir falta das minhas meninas. – Joe disse baixinho, abraçando as duas apertado. se afastou e mexeu nos cabelos da filha, que cochilava com o rostinho apoiado no ombro de Joseph.
- Penny? Filha, acorda. – ela disse baixinho, limpando algumas lágrimas que ainda caíam por suas bochechas. – Princesa, acorda pra dar tchau pro tio Joe.
- Gatinha? – o rapaz sussurrou quando a pequena tirou a cabeça de seu ombro. – Me dá um abraço?
- Eu não quero ir. – sentindo que aquela realmente era a despedida dos dois, a menininha começou a chorar agarrada ao pescoço de Joseph. – Quero ficar com você.
- Mas você vai deixar sua mãe sozinha na Inglaterra?
- A tia tá lá. – o sono ajudava a deixar Penny ainda mais manhosa.
- Você vai morar comigo? E quando eu estiver tirando fotos? Quem vai cuidar de você? – o rapaz falava calmamente, mexendo nos cabelos da criança.
- A senhora Jordan!
- Mas ela é velhinha, Penn! E sua mãe vai morrer se saudade de você... Vamos combinar assim... Olha para o tio. – ele fez com que ela o olhasse nos olhos e disse. – Eu prometo ir te ver no primeiro dia de neve, o que acha?
- Pro nosso ritual? – a menininha fez bico, ficando a cópia fiel de .
- Pro nosso ritual. – Joe concordou e a abraçou apertado, passando a barba por fazer no pescoço dela, fazendo a criança rir alto. – Te vejo em Londres logo logo, gatinha.
***
- Tia ! – Penelope correu para o colo da garota de casaco roxo que a aguardava de braços abertos.
- Meu amorzinho! – abraçou a garotinha e a girou no ar. – Você não imagina a saudade que a titia estava de você!
- Eu também! Muita, muita! – Penn enfatizou a frase acenando a cabeça.
- E eu? Não ganho um abraço? – , que até então assistia a cena de longe, se aproximou e sorriu para a amiga.
- Ai, sua cretina, vem aqui. – abriu mais ainda o sorriso e abraçou . – Eu não sei se eu te beijo ou se eu te bato, sabia?
- Como é bom saber que você não mudou durante esse tempo. – riu e logo as três começaram a andar até o estacionamento do aeroporto.
- Eu nem acredito que vocês estão aqui. – comentou sorrindo ao entrarem em seu carro alguns minutos depois. retribuiu o sorriso antes de olhar Penny sentada na cadeirinha que fez questão de colocar no carro, afirmando que passaria muito tempo com a menina e por isso precisaria de um assento seguro.
- Estamos! – elas saíram do aeroporto e entraram no trânsito matinal no inverno de Londres. – Agora me conta as novidades!
- Hum, me deixa pensar no que aconteceu desde a última vez que nos falamos... Ah, já sei: minha mãe finalmente marcou a data do casamento!
- O quê? – deu um gritinho de alegria. – Que linda! Tia Joan vai casar! Estou tão feliz por ela...
- Todos estamos... Principalmente pelo coitado do Mark, que esperou pacientemente todo esse tempo pela maluca da minha mãe. – as meninas riram ao mesmo tempo. – E ela já disse que exige que Penn seja a daminha dela.
- Você ouviu, princesa? – virou para olhar a filha, que coloria uma revistinha e balançava os pezinhos no ritmo da musica que tocava na rádio. Ela levantou a cabecinha e arqueou as sobrancelhas. – Tia disse que a vovó quer que você seja dama de honra no casamento dela.
- Sério, titia? – a menininha abriu um sorrisão e esperou concordar com a cabeça. – E eu vou usar um vestido de girar?
- De girar? – olhou para sem entender.
- Vestido rodado e com saiote. – ela explicou rindo.
- Ah, tá! – continuou. – Sim, amorzinho, você vai usar um vestido de girar.
- Yay! – Penelope levantou os bracinhos no ar e fez uma dancinha engraçada, fazendo as garotas rirem.
- Minha mãe já te colocou na lista de madrinhas, junto com a Cathie e eu. – completou para a amiga.
- Ah, que amor! – ela sorriu. – Fico feliz por poder fazer parte... E falando na Cathie, cadê ela?
- Tá trabalhando. – responder rápido e de um jeito estranho.
- O que foi?
- Nada... – a garota desviou o olhar e ficou no trânsito à sua frente.
- , o que você está me escondendo? - fez cara feia e esperou.
- , não vou me meter! – deu de ombros. – Ela está no escritório, como sempre!
- E... – incentivou.
- E ela vai te contar as novidades dela! – uma troca de olhares rápida indicou o fim do assunto. – Agora posso contar sobre o meu novo, lindo, estrangeiro e rico namorado Luca?
- Deve! – disse animada.
***
- Cadê o amor da minha vida? – a voz da senhora foi ouvida da sala.
- Vovó! – Penn gritou e logo saiu correndo para os braços da mulher, que a esperava com os olhos marejados.
- Minha linda, que saudade! – Joan enchia a menininha de beijos e cócegas, sendo assistida por e , que sorriam. – A vovó te ama tanto!
- Eu também amo você, vovozinha linda! – Penny beijou a bochecha da senhora e logo descansou a cabeça em seu ombro.
- , minha filha postiça. – Joan esticou o braço que não segurava Penelope e abraçou . – Eu deveria te dar umas boas palmadas por ter demorado tanto, mas estou tão feliz em ter minha família finalmente completa, que vou deixar passar.
- Quanto tempo tem desde a última vez que vocês foram nos visitar? Seis meses? Sete? – ainda abraçava a senhora, observando Penny prestar atenção à conversa.
- Quase dez meses, sua desnaturada! – deu um tapa na bunda da amiga, que riu alto.
- Tudo isso? Passou muito rápido!
- Só se for pra você, mocinha. – a senhora colocou Penelope no chão e a segurou pela mão. – O que acha de irmos ver o presente que a vovó comprou pra você?
- Pra mim? – Penny, ainda um pouco tímida na casa desconhecida, começou a se soltar. – O que é?
- Vamos lá no quarto da vovó buscar. – Joan a guiou até a escada, perguntando sobre a viagem.
- Então... – virou para a amiga. – Nós temos uma festa hoje à noite.
- Nós? Mas eu acabei de chegar. – sentou no sofá da sala que ela considerava sua segunda casa. – Meu apartamento está uma zona... Até pensei em deixar a Penelope aqui com vocês, pra conseguir dar um jeito naquelas caixas...
- , é uma festa pra você! – soltou de uma vez. – Eu não deveria contar, mas você ia descobrir de todo jeito, então...
- Festa pra mim? – ela olhou desconfiada. – Como assim? Onde? Quem vem?
- Ai, ! Um jantar aqui em casa... Os meninos, as meninas, mamãe, Mark e Luca.
- “Os meninos, as meninas”, isso não é muito esclarecedor. – respirou fundo. – , eu to cansada, preciso arrumar meu apartamento, revisar as coisas pro primeiro dia de aula da Penny...
- , vai ser legal! Todos estão com saudade e desfaz essa cara agora!
***
- Meu Deus, eu tinha esquecido como as piadas do são ruins! – tentava recuperar o fôlego após a crise de risadas causadas por mais uma das histórias ridículas e hilárias de .
Penelope estava sentada no colo de , ensinado-a a brincar de adoleta, em português, causando ainda mais risos nas pessoas que jantavam.
- Penny, o padrinho já tentou falar em português e não deu certo... Cantar tá mais difícil ainda. – fez careta para o generalzinho que ele chamava de afilhada, que não o deixaria desistir até acertar os movimentos e a música toda.
- Não, padrinho, é “puxa o rabo do tatu” – ela segurava os pulsos de com suas mãozinhas e tentava movimentá-los no ritmo correto. – Tia , me ajuda! Ele tá fazendo tudo errado.
- Meu amor, seu padrinho não vai acertar isso nunca. – mal conseguia falar de tanto que ria da cena do noivo com a afilhada. Penelope abriu a boquinha para recomeçar a música, mas parou de repente, seu rosto se iluminando ao olhar para a porta.
- Madrinha! – a garotinha pulou do colo de e correu para os braços de Cathie.
- Minha lindinha! – todos pararam para olhar Cathie quase chorar ao abraçar a afilhada. estava prestar a levantar da cadeira para falar com a amiga, quando apareceu atrás de Cathie, fazendo-a congelar no lugar.
Quando seus olhares se encontraram, foi como se o mundo tivesse parado. Os quase cinco anos separados vieram à tona na cabeça de . Tensão e desconforto praticamente irradiavam de . O coração da garota disparou como sempre acontecia na presença dele. Todos em volta da mesa captaram a tensão nos olhares de ambos, mas logo o contato foi quebrado pela vozinha de Penn.
- Quem é você?
- Eu sou o . – ele respondeu quando Cathie, com a Penny no colo, virou para que eles pudessem se falar.
- Oi, tio , eu sou a Penelope. – a menininha sorriu de um jeito meigo. – Você é o namorado da minha madrinha?
- Sim, eu sou. – a resposta foi dada olhando nos olhos.
Capítulo Dois: “A canção da despedida”
- Eu temia que algo do tipo acontecesse. – sussurrou para na cozinha. – Eu só achei que não era assunto meu, então não quis me intrometer...
- , relaxa. – disse baixo ao tirar o pote de sorvete do freezer. – Não é como se ele fosse me esperar pra sempre.
- Mas, ... – passou a mão pelos cabelos, olhando nervosamente para a porta.
- Baby, sem stress! – sorriu e segurou a mão da melhor amiga. – Não vou negar que foi um choque... e Cathie?!
- Eles começaram a sair há uns quatro meses... – o desconforto de era de dar pena. – Eu não achei que fosse dar em alguma coisa, mas agora...
- A minha chegada adiantou as coisas, eu imagino. – sorriu mais uma vez, ainda falando baixinho.
- Mamãe? – a voz de Penny preencheu o ambiente, assustando as meninas, que logo riram.
- Na cozinha, princesa. – disse alto e logo a menininha surgiu com um celular nas mãos. – O que o meu bebê quer?
- A madrinha tava me mostrando o parquinho que tem perto da casa dela... – Penn esticou o celular para a mãe ver as fotos do parque conhecido pelas meninas. – Ela disse que se eu dormir na casa dela, a gente pode ir lá amanhã.
- Dormir lá, Penny? – colocou a filha sentada na bancada para ficarem da mesma altura. – Não acho uma boa ideia...
- Por favooor. – a menininha juntou as mãozinhas em súplica e fez bico.
- Se você chorar ou não conseguir dormir... Como é que vai ser? – levantou a sobrancelha e esperou a resposta da filha. somente observava o incrível nível de entendimento que a amiga tinha com a pequena.
- Eu sou grande, não vou chorar... – Penn segurou o rosto da mãe entre suas mãozinhas e falou fazendo biquinho. – Eu vou dormir com a minha madriiiinha... Não vou chorar...
- Promete se comportar?
- Prometo! – o sorrisão que a menininha abriu fez e rirem. Quando a mãe a colocou no chão, Penny saiu correndo e logo esbarrou nas pernas de , que entrava na cozinha.
- Ai, desculpa, tio. – ela disse entre risinhos, olhando para cima, porém não retribuiu o olhar e nem respondeu, somente desviou da criança e foi até a geladeira.
- , mamãe pediu para você levar a mousse que está na geladeira. – ele disse sem desviar os olhos das garrafinhas de cerveja que tirava do freezer e logo saiu da cozinha.
- E acabamos de voltar uns oito anos no tempo. – narrou, fazendo graça, e logo completou ao ver a cara da amiga. – Na época em que ele me ignorava completamente.
- Vocês precisam conversar... – também se apoiou na bancada e abraçou pelos ombros.
- Nah, já é quase impossível que ele me olhe, até parece que vai falar comigo. – deu de ombros e riu.
- Não entendo como você consegue rir disso! – bateu o quadril contra o da amiga e riu junto. – Se fosse eu estaria num canto escuro, chorando e gritando... Ou então já teria puxado meu irmão pelos cabelos e o obrigado a resolver todas as merdas pendentes.
- Eu fiz uma escolha, baby, preciso arcar com as consequências... Se seu irmão quiser falar comigo, que bom... Se ele nunca mais quiser olhar na minha cara, é um direito dele... – ela deu de ombros e respirou fundo. – Agora deixa eu ver o que eu tenho de roupas da Penny no carro.
Depois de uma rápida e desconfortável conversa, entregou uma mochilinha com as coisas da filha aos cuidados de Cathie e o número de seu novo celular, com a promessa de que a amiga ligaria para ela caso Penny não conseguisse dormir ou estranhasse a casa.
Durante todo o tempo em que permaneceram sob o mesmo teto, conversou com os amigos e a mãe, porém evitou sequer olhar na direção de ou Penelope.
***
- The big, big bang... The reason I´m alive… When all the stars collide... - cantarolava por seu apartamento novo na manhã seguinte.
Na noite anterior, após se despedir da filha e dos amigos, voltou sozinha para seu novo lar, que estava um verdadeiro caos. Passou horas e mais horas desempacotando, organizando e arrumando. Quando o cansaço e o fuso horário falaram mais alto, ela finalmente foi dormir, por volta das quatro da manhã... Porém, às oito já estava de pé.
- Sometimes I feel so isolated, I wanna die... – a garota se sentia bem. Era uma típica manhã chuvosa londrina e se sentia em casa. Continuou cantando por mais algum tempo, imaginando se a filha já teria acordado, quando ouviu a campainha. Ao abrir a porta, se deparou com e a filha adormecida nos braços.
- ?! – ela nem ao menos tentou disfarçar o espanto ao dar espaço para que o rapaz entrasse na sala. – O quê...?
- Cathie teve uma emergência no escritório, então me pediu para te trazer a Penelope, já que não vai rolar parquinho com esse tempo. – segurava a menininha, ainda vestindo seu pijama rosa e amarelo, em um dos braços e carregava a pequena mochila roxa com estampa de coroas douradas na outra mão e, quando fez menção de pegar a filha, ele completou sem olhá-la nos olhos. – Eu a coloco na cama, só me mostra onde é.
- Por aqui... A segunda porta à esquerda. – apontou o corredor, mas logo baixou a mão ao perceber que tremia. caminhou até a porta lilás com inscrições em amarelo ouro “catch a falling star and put it in you pocket, never let if fade away...”, entrou e colocou a mochila sobre a pequena mesa no canto do quarto, então desvencilhou as mãozinhas que rodeavam seu pescoço e colocou a menina na cama. logo estava ao seu lado para cobrir a filha com o edredom colorido. Ambos pararam para observar Penelope dormir... As bochechas coradas pelo sono contrastavam ainda mais com sua pele branca, seu cabelo extremamente negro e liso, a boca que formava um constante biquinho avermelhado e, quando estava acordada, seus grandes e expressivos olhos de um tom que beirava o azul elétrico.
- Ela é a cara do pai. – disse com a mandíbula travada e logo saiu do cômodo.
- ... – foi atrás dele, após fechar a porta do quarto da filha, e o encontrou prestes a sair do apartamento. – Você... Você quer conversar?
- Não, eu não quero, . – o rapaz parou antes de fechar a porta e olhou a garota nos olhos, pela primeira vez desde que ele pôs os pés de volta na Inglaterra, e ela pôde ver que toda a mágoa e raiva ainda estavam lá. – Ou melhor, eu não tenho nada para falar... E acredito que você não tenha se tornado estúpida, a ponto de achar que eu perderia meu tempo te ouvindo.
*Flashback On*
- Eu não aguento mais essa música. – choramingou ao abraçar a namorada por trás e esconder o rosto em seu pescoço.
- Eu também não, mas não tem nada que a gente possa fazer... – riu do garoto, deixando-se abraçar enquanto montava alguns sanduiches na bancada da cozinha.
A senhora estava namorando... O tal novo namorado havia dado um cd de um cantor italiano e, desde então, Joan não parava de ouvir a música que tocava no restaurante durante o primeiro beijo deles. Era uma espécie de ópera. Em italiano.
- Pelas minhas contas, essa é a décima oitava vez que ela escuta isso hoje. – o garoto ainda fazia manha, abraçando a namorada, enquanto a mãe trabalhava no computador, na sala. virou um pouco a cabeça e beijou os cabelos de , ele, então, virou o rosto para olhá-la e foi recompensado com um selinho.
- Ela tá apaixonada, baby! – a garota falou baixinho contra os lábios do namorado dramático. – Daqui a pouco ela desiste dessa música...
- Jura? – ele perguntou esperançoso e deu outro selinho em .
- Claro! Ela vai desistir dessa, afinal, a primeira vez deles tem que ter uma trilha sonora própria. – a garota terminou a frase rindo conforme via os olhos de se arregalando.
- Quê? Primeira... Ah, ! – ele fez cara de nojo. – É da minha mãe que estamos falando, cara!
- Eu sei, cara. – ela o imitou rindo. – Mas só porque ela é mãe não pode mais transar?
- Não fala transar e mãe na mesma frase, ! Me dá calafrios. – tremeu os ombros para ilustrar e a garota riu mais alto. – Fazer amor. Isso, fazer amor soa melhor...
- Ok, então sua mãe não pode mais fazer amor só por ser mãe? – ela reformulou e emendou. – Isso quer dizer que depois que o bebê nascer, você vai arrumar outra? Afinal, segundo a sua teoria, eu não poderei mais fazer amor.
- Não, besta. – o garoto disse rápido, mas consertou querendo rir ao ver as sobrancelhas da namorada arquearem. – Baby, nada de besta! Você poderá fazer amor, na verdade, você pode... E acho digno que faça muito, comigo!
- Há, espertinho. – riu e mordeu de leve o lábio inferior de . – Ainda não entendi por que sua mãe não pode... Isso é machismo.
- Não é machismo... É só que ela tá velha.
- Que horror! Não acredito que você disse isso. - ela se desvencilhou dos braços do namorado e ficou de frente para ele para estapeá-lo direito. – Preconceituoso!
- Não sou! – o garoto ria ao se esquivar dos tapas, até segurar os pulsos de e se inclinar para dar um selinho forte e barulhento em seus lábios. – Para de me provocar com esses tapinhas, baby, eu já avisei as consequências...
- Consequências? – ela se fez de inocente, os pulsos ainda presos. – Quais consequências? Não me lembro de nenhuma.
- Vamos lá pra cima e eu refresco sua memória. – sussurrou ao encará-la bem de perto e logo descer uma trilha de beijinhos rápidos por seu pescoço, fazendo se encolher e rir.
- Pode parar por aí, Don Juan. – ela soltou os pulsos e empurrou o , que se aproximava para um beijo, pelo ombro. – Não vamos fazer absolutamente nada na casa da sua mãe... Ainda mais com ela aqui.
- Então vamos pro nosso apartamento. – ele sorriu como se fosse óbvio e a puxou lentamente pela cintura, até estarem colados outra vez.
- Nosso apartamento? Desde quando eu moro lá? – riu e deixou que beijasse seu pescoço e segurasse seu quadril com as duas mãos.
- Ainda não mora, mas vai... Ou você prefere comprar uma casa? – ele a encarou, esperando uma resposta. A garota então percebeu que ele falava sério.
- Quê? ... Baby, como assim comprar uma casa?
- Só se você não achar o apartamento apropriado para o bebê.
- Mas... , e-eu não... Nós não estamos preparados pra morar juntos. – de repente, a garota sentiu calor, então se afastou do namorado, abanando-se com as duas mãos, feliz por seus cabelos estarem presos num coque.
- Preparados? , nós vamos ter um bebê. – franziu o cenho, como se falasse com uma criança. – Eu pensei... Eu pensei que isso estivesse claro... A gente não precisa casar agora, mas...
- Casar?! – a voz da garota saiu estridente. – Você não tá falando sério, tá?
- Você é quem só pode estar brincando, . – o garoto falou baixo, grato por sua mãe ainda estar ouvindo a tal ópera italiana e não escutar a discussão que se formava na cozinha. – Não vai me dizer que você pensou em continuar morando aqui e eu no meu apartamento...
- Eu não pensei nada, na verdade... Não fui tão longe assim.
- Pois deveria! Nosso filho nasce daqui seis meses! Seis meses, ! Esse tempo vai passar voando!
- Eu sei, ! – a garota respirou fundo e colocou uma das mãos na testa antes de continuar. – É só que... Nós somos tão novos, você tem a banda, eu tenho a faculdade... Acho que tudo está acontecendo rápido demais...
- Isso se chama vida, baby. – também respirou fundo e se aproximou devagar, segurou o rosto da namorada com as duas mãos e beijou sua testa. – Vem cá. Não se estressa, ok? A gente vai dar um jeito... Uma coisa de cada vez, combinado?
- Combinado. – foi a vez de fazer manha ao responder bem na hora que os acordes da música tema do primeiro beijo da senhora eram ouvidos pela décima nona vez, segundo as contas de .
*Flashback Off*
- Mamãe? – Penny entrou no ateliê de , coçando os olhinhos.
- Ah, finalmente minha princesa acordou. – a garota tirou os óculos e girou a cadeira para pegar a filha no colo. – Tudo bem? Como foi na casa da madrinha?
- Legal... – a menininha respondeu manhosa e se aninhou nos braços de , fechando os olhos. – O tio é seu amigo também?
- Hum... Já foi. – ela tentou ignorar seu coração disparando em ouvir a voz da filha falando aquele nome. passou o nariz de leve pelo de Penny, depois afastou a franja da pequena e beijou sua testa. – Por quê? Ele disse alguma coisa sobre a mamãe?
- Não... Mas ele ficou triste quando eu perguntei se ele era seu amigo. – a sonolência da menininha afetava até seu jeito de falar, fazendo sorrir e abraçá-la mais apertado.
- Ele ficou triste? Como assim? – a garota se sentia horrível por usar sua filha como fonte de informações sobre , mas era o único jeito de saber sobre ele sem causar problemas.
- É... Ele disse que não era seu amigo e que nem queria ser e daí ele não falou mais comigo. – Penny abriu seus grandes olhos azuis e encarou a mãe – Por que ele não quer ser mais seu amigo? Vocês brigaram?
- Mais ou menos... Mas faz bastante tempo, foi antes de você nascer...
- Hum... Se ele não quer ser seu amigo, eu não quero ser amiga dele. – Penn fez uma carinha de desdém, que todos diziam ser idêntica à de , fazendo a mãe rir e enchê-la de beijos.
***
- Se comporta, ok? – ajeitou o cinto de segurança da cadeirinha da filha e deu um beijo na testa da pequena.
- Okay, mamãe. – Penny riu e revirou os olhinhos, recebendo cosquinhas em retorno.
- Obedece à tia e fica longe de champignons! – deu um beijo na testa de Penn e fechou a porta. – Sim, dona , a pequenininha aqui tem alergia a champignons.
- Mais alguma coisa, mãe coruja? – a garota riu quando a amiga parou ao lado da sua porta e fez careta. – , eu já cuidei a Penny antes, lembra? Quem ficou com ela quando você estava trabalhando no seu projeto final da faculdade? Eu aprendi a cuidar dessa pestinha numa cidade cheia de caipiras.
- Ah, me faça rir, ! – estava com os braços apoiados na janela do carro, sentindo o conhecido vento frio de Londres sacudir seu casaco. – Até parece que você não adorou cada segundo que passou em Houston e em Austin nesses últimos anos!
- Ok, não vou mentir... Os caipiras até que davam pro gasto.
- Tia , meu tio Joe é caipira? – a pergunta de Penny fez as garotas rirem.
- Meu amorzinho, o seu tio fotógrafo bonitão pode ser e fazer o que ele quiser. – fez cara de safada e deu-lhe um tapa de brincadeira.
- Não fala essas coisas perto dela, depois eu que tenho que me virar pra responder as perguntas. – sibilou ainda rindo. Nesse momento, outro carro estacionou atrás do de e sorriu. – A Cathie chegou... Vocês duas divirtam-se, mas juízo.
- Tchau, mamãe. – Penny jogou um beijinho no ar e teve o ato repetido por .
- Tchau, mamãe. – imitou a menininha, fazendo mostrar-lhe a língua.
- Tchau, minhas crias. – a garota respondeu rindo e logo o carro se afastou. Cathie ainda estava dentro do seu próprio carro, falando ao telefone. se aproximou e percebeu que ela estava no meio de uma discussão.
- ... Eu já disse o que você tem que fazer. – a voz de Cathie podia ser ouvida mesmo através do vidro fechado. – Não quer? Ok, depois não diga que eu não avisei... Não... Isso só vai piorar as coisas... – foi quando a garota viu a amiga a esperando na calçada e forçou um sorriso. – Eu preciso deligar. Nos falamos depois. Um beijo.
- Olá, senhora advogada. – sorriu quando Cathie saiu do carro e a abraçou.
- Olá, senhora designer de sapatos de madames. – as duas ficaram abraçadas por um longo tempo, sem dizer nada, só curtindo o reencontro.
- Vem, vamos entrar, está frio aqui fora. – puxou a amiga pela mão, em direção ao prédio onde seu apartamento ficava. – Está tudo bem? Eu meio que ouvi sua conversa ao telefone.
- Tá tudo bem... – Cathie virou o rosto quando uma rajada de vento bagunçou seus cabelos – Eram só... Problemas do escritório... E falando nisso, sinto muito não ter podido levar a Penny ao parque ontem... Aconteceu um imprevisto num caso importante e...
- Relaxa, Richardson! – sorriu ao entrarem no elevador que as levaria até o oitavo andar. – A sua miniatura de fã número um ainda te ama. Nunca vi alguém idolatrar a madrinha tanto quanto a Penn.
- Ela tem bom gosto, vamos combinar. – Cathie fez charme e recebeu um tapa na bunda, causando o riso de ambas as garotas. Ao entrarem no apartamento, a garota olhou ao redor e soltou um assovio. – Uau! Você veio com tudo, hein, amiga?
- Eu dei sorte, Cath... – sorriu sem jeito enquanto iam até a cozinha. – Tudo isso estava incluso no pacote pra quem ficasse com a vaga na empresa.
- Sorte? Que mané sorte, ! – Cathie sentou em um dos bancos da bancada enquanto a amiga começava a preparar chocolate quente. – Você tem talento, garota! Realmente acha que eles te trariam lá do Texas pra trabalhar diretamente com as clientes mais importantes do Roger Vivier se você não fosse especial?
- Cathie, eu dei sorte pelo caça talentos gostar de ankle boots. – riu ao servir bolo de laranja para a amiga. – É sério, não faz essa cara. E acho que ele tava meio desesperado... Ouvi dizer que ele já tinha procurado um novo designer aqui em Londres, Paris e em Nova York... Nós éramos a última esperança da Vivier.
- Ele não encontrou ninguém antes porque tinha de ser você! – Cathie apertou a bochecha de e fez bico ao falar. – Minha menina criativa e talentosa! Sempre soube que sua obsessão por sapatos não era em vão.
- Quem diria... Eu trabalhando com algo tão alternativo e você aí, toda elegante, trabalhando pra um dos melhores escritórios de advocacia do Reino Unido. – sentou ao lado da amiga e elas começaram a comer e tomar o chocolate quente, aquecendo-se naquele final de inverno. – Eu não acreditaria se me dissessem isso há cinco anos. Era pra você estar estudando Gastronomia na Itália e eu Relações Internacionais aqui em Cambridge...
- E casada com o . – Cathie completou de um jeito sério, fazendo arregalar os olhos e fazer menção de falar. – Não, não, . Eu preciso falar sobre isso de uma vez... Está me sufocando.
- Cathie, você não precisa dizer nada...
- , eu preciso sim. – Cathie a cortou mais uma vez. – Me perdoa! Ele era seu! Eu o tomei e... Quando eu parei pra pensar, eu não conseguia mais... Eu...
- Cathie, ninguém é de ninguém. – tentou sorrir e ignorar o nó que se formava em sua garganta. – Você não tem que me pedir desculpas... Eu não sei o que aconteceu entre vocês, mas a partir do momento que eu decidi ir pro Texas, grávida de quase quatro meses e deixar o meu... Deixar tudo pra trás...
- , eu fiz tudo errado. – os olhos de Cathie estavam cheios de lágrimas, fazendo a vontade de chorar de só aumentar. – Eu fiz merda, eu sei! Me perdoa, por favor... Eu não imaginei que você fosse voltar, se eu soubesse... Eu nunca teria sequer me aproximado dele... Mas agora... – e então ela começou a chorar de verdade, escondendo o rosto entre as mãos.
- Ei, ei... Vem cá. – levantou e foi abraçar a amiga, tentando evitar que suas próprias lagrimas caíssem. – Não chora... Tá tudo bem.
- Se você... Se você quiser, eu termino com ele. – as palavras de Cathie saíram abafadas pelo abraço que ainda compartilhava com , mas o peso que elas continham foi esmagador para ambas. – Amigas acima de tudo... Se você ainda tiver sentimentos por ele... Eu me afasto... Ele é seu...
- Ele era meu, baby... Agora ele é... – tentou fazer com que a palavra “seu” saísse, mas foi impossível... Sua garganta travou e ela teve de respirar fundo antes de continuar. – Se você está feliz com ele, eu estou feliz por você... Eu não serei responsável pelo término de vocês, nunca.
- Mas, ...
- Amigas acima de tudo, lembra? – se afastou para olhar a amiga nos olhos e forçou um sorriso, logo recebendo um meio choroso em troca.
Por dentro, a garota pensava que poderia ganhar um Oscar pela atuação.
Capítulo Três: “O que não se pode esquecer”
era a mais nova designer de sapatos do famoso ateliê da grife Roger Vivier. Ela havia passado por uma seleção e foi escolhida dentre as oitos meninas e cinco meninos da sua classe na faculdade.
Primeiramente, ela havia sido convidada a trabalhar para Christian Louboutin, porém a vaga era em Paris... Mesmo aquele sendo o lugar dos sonhos para começar sua carreira, teve que pensar na filha. Penn tinha apenas quatro anos e já falava duas línguas, não seria ideal impor o francês a uma criança tão pequena. Além do fato da Vivier prover aquele apartamento ótimo, a mensalidade de Penny em uma escola incrível, um bom carro e a mordomia de apenas ter que ir até o ateliê duas ou três vezes por semana ou quando alguma cliente importante resolvesse fazer uma visita.
A garota podia facilmente dizer que tinha o emprego dos sonhos, havia voltado para a cidade que adorava, tinha uma filha maravilhosa, sua relação com a família no Brasil nunca esteve melhor, finalmente tinha Jazzie e a senhora de volta em sua vida, era ótimo poder ter os garotos da banda e suas namoradas por perto de novo e, por mais conturbado que tenha sido o reencontro com Cathie, as coisas tinham se ajeitado naquele primeiro mês de readaptação em Londres... A única ponta solta em sua vida era . Sua pendência. Seu assunto inacabado... Seu eterno amor não correspondido. Essa era a verdade, aos olhos de , ela sempre seria a garotinha apaixonada por do McFLY e nunca teriam o felizes para sempre. Por culpa dela.
***
- Penelope! – entrou no quarto de Giovanna de repente, assustando a filha, que mudou de canal num piscar de olhos. – Eu não acredito que você me desobedeceu outra vez!
- Não, mamãe! – Penny soltou o controle remoto como se o objeto a tivesse queimado. – Eu não...
- Você estava assistindo Living On The Edge! – ela passou a mão pelos cabelos e tentou se acalmar. Sua filha de quatro anos não tinha culpa do dia horrível que uma cliente havia lhe proporcionado. – Quantas vezes a mamãe já explicou que esse programa não foi feito para crianças? Penn, isso é pra gente grande.
- Mas, mamãe... Aquele primo da tia Giovanna fica me cutucando! – a pequena fez um biquinho e cruzou os braços.
- É só você ficar longe dele! E você me desobedeceu! Não é porque não estamos em casa que você pode assistir o que quiser... – a voz da garota ameaçou subir um tom e ela se esforçou para não perder a paciência. – Vem, nós conversamos em casa. Vamos descer, que já está quase na hora de cantar parabéns pra tia Giovanna.
A garota desligou a televisão, pegou a filha pela mão e saiu do quarto, porém, antes de descer as escadas, ouviu a voz de Cathie vindo do fim do corredor.
- Eu acabei de chegar! Não vou embora agora. – hesitou no topo da escada e logo ouviu a resposta da pessoa que estava com Cathie.
- E eu estou aqui há horas! Não tenho culpa se você está sempre atrasada. – a voz de parecia irritada. – Pode ficar, se quiser... Eu já estou indo.
- Fica só mais um pouco! Assim que cantarmos parabéns, nós vamos embora, eu prometo.
- Não quero mais ficar aqui...
- E nós dois sabemos o motivo! – Cathie cortou a frase do namorado de modo abrupto, assustando , que nunca tinha ouvido a amiga falar daquele jeito. – Você sabia que ela estaria aqui... Que ela estaria em todos os lugares, sempre!
- Fala baixo, Catherine. – ele praticamente rosnou e, antes de fechar a porta, pôde ouvir. – Eu já te disse que ela e nada é a mesma coisa.
- A madrinha tá brigando com o tio ? – Penny, que até então estava bem calada, perguntou enquanto descia as escadas com a mãe.
- Namorados brigam, baby... É normal. – respondeu distraída, sentindo as palavras de ecoar dentro de si.
- Ei, Penelope! – Josh, primo de Giovanna, veio correndo e segurou a mão da menininha. – Vamos brincar com o Spock?
- Pra você dar as minhas pulseirinhas pra ele morder de novo? – Penn levantou as sobrancelhas, tornando-se a cópia perfeita da mãe, e fez cara de desinteresse.
- Não, eu prometo não fazer isso. – Josh cruzou os dedinhos e os beijou, selando a promessa. sorriu para a cena e deu um empurrãozinho na filha.
- Okay, mas se você fizer algo mau de novo, eu vou contar pra minha mãe. – a pequena saiu correndo com o garotinho para encontrar o filhote de Golden Retriever.
- Sou só eu que vejo um futuro casal ali? – Harry abraçou pelos ombros, sorrindo para as crianças que perseguiam o cachorrinho no gramado.
- Meu Deus, eu me sinto uma idosa só de pensar nisso. – ela respondeu rindo.
- Parece que foi ontem que ela nasceu, . – Harry sorria de um jeito bobo, ainda olhando a afilhada jogar a cabecinha para trás e gargalhar de Josh sendo atacado por lambidas de Spock. – É surreal vê-la desse tamanho, falando pelos cotovelos e cada dia mais esperta.
- Esperta até demais! Ela estava vendo Living On The Edge, acredita? – riu da audácia da filha.
- De novo? Mesmo depois de ficar de castigo por isso? – o garoto riu quando a comadre confirmou com a cabeça. – Ela é genial, sério... Sua filha é maravilhosa, .
- Modéstia à parte, ela é mesmo. – riu e encostou a cabeça no ombro do amigo. – Mas ela não seria assim sem o padrinho incrível que ela tem!
- Ah, isso eu não posso negar! Mesmo não tendo estado perto dela tanto quanto eu queria...
- Me desculpe por isso...
- Ei, ! Não estou te culpando! Você fez o que era melhor pra sua família...
*Flashback on*
- Fletch, me escuta! Eu sei... – encostou a testa na parede e fechou os olhos enquanto o empresário falava. – Mas, Fletch, a não tá bem... Eu não posso deixá-la aqui! Minha mãe teve que viajar...
- . – chamou baixinho e o namorado a olhou. – Pede um minuto pro Fletch.
- Fletch, espera aí. – o garoto falou rápido e se aproximou do sofá onde a namorada estava deitada, afastando a franja do rosto da garota de modo carinhoso. – Que foi, amor? Tá com vontade de vomitar de novo?
- Não, eu to bem... – segurou a mão do garoto e a pressionou contra sua bochecha. – Me escuta: eu to bem, lindo. Essa reunião é importante demais pra você perder...
- Não, nem precisa terminar! – ele soou decidido e, quando fez menção de se afastar, foi mais rápida e tomou o celular de sua mão.
- Oi, Fletch. – ela deu um sorriso cansado e logo prosseguiu. – Eu to melhor, obrigada... Essa menininha aqui dentro tá começando a se acalmar... Então, pode confirmar a presença do para os americanos. Aham, ele vai. Eu tenho certeza, vou ficar bem... Isso, nossa empregada vai me fazer companhia e liga pra vocês se for preciso... Prometo! Okay, ele liga sim... Imagina, o McFLY é importante pra mim também... Beijo.
- , eu não vou. – disse assim que a namorada desligou o celular. Sentou na beirada do sofá e segurou o rosto da garota com as duas mãos. – Isso não está aberto a negociações.
- Não mesmo, porque já está decidido. – ela tentou sentar ereta, porém isso só fez com que a náusea voltasse. – Eu to bem! Quantas vezes eu preciso te falar isso? , esse mal estar é normal! Minha mãe disse que ficou assim quando estava grávida de mim! Eu não admito que você perca outra reunião, apresentação ou entrevista significativa para a banda por minha culpa!
- Você e o bebê são mais importantes! Você pode até tentar disfarçar que não está tão ruim, mas, , eu sei a gravidade desse seu suposto mal estar. – levantou e passou a mão pelos cabelos. – O doutor Stanton me disse! A sua gravidez é de risco, caramba! Você acha que eu vou conseguir me concentrar em alguma entrevista idiota sabendo que você pode estar passando mal? Que você pode perder nosso bebê a qualquer momento?
- Eu não vou perder esse bebê, ! Eu te prometo isso! – praticamente gritou e com isso sentiu uma pontada na barriga, que ela se esforçou ao máximo para passar despercebida por . – Eu to cansada de me sentir culpada por ser a ruína do McFLY! De tentar desesperadamente me esconder da mídia... Eu não quero que essa menininha aqui na minha barriga nasça sabendo que foi culpada pelo fim da banda mais incrível que o Reino Unido viu desde os Beatles!
- Vocês não estão destruindo a banda! Eu já mandei você parar de falar isso!
- Estamos! – a garota mudou de posição no sofá, ficando sentada com as pernas cruzadas e assim evidenciando a barriguinha de quatro meses de gestação. – E já que estamos sendo sinceros agora... Eu não engoli essa história machista de que eu terei que ficar em casa pra cuidar do bebê e não poderei ir pra faculdade! Você acha que manda em mim assim? É desse jeito que você acha que devemos casar?
- Eu não sou a favor da ideia do bebê ser criado por uma babá!
- Ela não vai ser criada pela babá! Eu só ficarei fora por algumas horas e a Meredith estará aqui!
- Então, eu vou levá-la comigo quando você não estiver aqui!
- Vai sonhando que a minha filha vai ser criada em bastidores de shows!
- Nossa filha, ! Nossa filha! – gritou com as mãos no rosto. – Que mania de falar como se ela fosse só sua! Eu sou a porra do suposto pai dela, tá lembrada? Ou você já se arrependeu de deixar seu precioso Nicholas ir embora?
- Eu não acredito que você disse isso, . – a garota praticamente sussurrou e seus olhos rapidamente se encheram de lágrimas.
- E-eu... , desculpa! Eu não pensei. – disse baixo e se ajoelhou em frente à namorada. – Me perdoa.
- A gente só fala o que realmente pensa quando está bravo, , não precisa se desculpar por ser honesto. – se esquivou das mãos do namorado, que tentavam segurar as suas. Ela respirou fundo e levantou do sofá, ignorando a vertigem que a atingiu, andou até a escada e, antes de subir, completou. – Obrigada por deixar as coisas bem claras. Era disso que eu precisava.
- , volta aqui! – seguiu a namorada, mas essa foi mais rápida e conseguiu entrar no quarto e trancar a porta antes que o garoto a alcançasse. – Abre a porta.
- Vai para a porra da sua reunião! – gritou de volta.
- Eu já disse que não vou! Agora abre essa porta!
- , se você perder esse contrato pra turnê em Los Angeles, eu juro que nunca vou te perdoar.
- Foda-se o que você vai fazer ou não! Eu simplesmente não vou pra essa reunião do mesmo jeito que não vou para os Estados Unidos com você assim!
- Por favor, não faz isso! Vai pra reunião... AGORA!
- ABRE ESSA PORRA DE PORTA! – respondeu aos berros também, porém ficou quieta. Alguns minutos se passaram e ela continuou em silêncio. – ? , abre a porta!
- Não dá mais. – ele ouviu seu sussurro vindo do outro lado.
- Você tá bem? Fala comigo... Abre a porta, por favor. – tentou a maçaneta mais uma vez, porém a porta permaneceu fechada.
- Eu não aguento mais brigar com você... A gente não concorda em nada... Chega, , chega...
- O que você quer dizer com isso? – sussurrou e apoiou a testa contra a porta.
- Você sabe o que eu quero dizer...
- Não, você não vai pro Texas! Para de graça!
- Não é graça, ... Você sabe que...
- EU NÃO QUERO FALAR COM VOCÊ ATRAVÉS DESSA PORTA! – deu um murro contra a porta e essa logo foi aberta, revelando uma de olhos inchados e marejados.
- O que vai ser de nós se você continuar faltando aos compromissos da banda com tanta frequência assim? Você tem lido o que as suas fãs têm escrito na internet?
- Isso não tem nada a ver com a gente. – entrou no quarto e tentou se aproximar da namorada.
- Claro que tem! Pra sua informação, elas estão falando que você não é mais o mesmo... Que você está sempre distraído! , elas não são idiotas... Elas sabem que eu existo e elas sabem que tem algo muito importante rolando! – a palidez da garota se acentuou de repente e ela se apoiou na cadeira e respirou fundo antes de prosseguir. - Não dá pra continuar assim!
- Você tá arrumando desculpas pra me deixar, é isso. – o garoto riu sem humor antes de se aproximar e segurar o rosto da namorada com as duas mãos. – , casais brigam, se desentendem... É normal! Você tá fugindo disso como se fosse o fim do mundo!
- , meu amor. – a garota falou bem devagar, como se o namorado fosse uma criança. – Você reparou que nos últimos tempos você tem agido como se fosse meu pai? Você só manda em mim e eu só grito com você. Imagina quando o bebê nascer? A gente vai brigar assim na frente dele?
- Você tá sendo infantil e medrosa, meu amor. – respondeu da mesma forma. O garoto se esforçava ao máximo para parecer forte, mas a verdade é que estava prestes a chorar, pois há dias sentia que aquele momento se aproximava. – Não faz isso. Não vai embora.
- Você vai parar de faltar nos compromissos da banda? De ser relapso com as suas fãs? Você vai pra Los Angeles no mês que vem? Você vai parar de implicar com a minha ida à faculdade?
- Enquanto você não melhorar, eu vou ficar do seu lado! E se minhas fãs gostam de mim mesmo terão que me dar um tempo! Eu não vou pra Los Angeles e você não vai deixar a nossa filha com uma desconhecida!
- Em que século você vive, cara? – se soltou das mãos de e despejou as palavras seguintes num fôlego só. – Você tá me sufocando, ! Esse seu machismo, esse jeito autoritário... Não dá! Eu não consigo mais!
- Então, você simplesmente vai embora? - ele riu mais uma vez daquela maneira sem humor algum. – Quer saber? Vai! Pode ir... Eu to de saco cheio de implorar pra você ficar! De ter que tomar conta de você quando você mesma não dá a mínima pra sua saúde e do bebê.
- Que bom! Você acaba de se livrar desse peso nas costas!
- Aposto que o Hoult vai adorar saber que você tá disponível no mercado!
- Vai à merda, seu idiota! Sai do meu quarto! Some daqui!
*Flashback Off*
- Mamãe, o Josh puxou meu cabelo!
- E é ele quem tá chorando por quê?
- Porque eu mordi ele! – Penny confessou a contra gosto.
- Já pediu desculpas? – estava sentada no sofá da casa de Giovanna somente esperando o momento de cantar parabéns para poder ir embora. Estava exausta. A modelo Agyness Deyn era a nova garota propaganda da Vivier e vinha atormentando a vida de durante toda a semana. – Vem, vamos lá se desculpar.
- Ah mamãe... – a pequena resmungou ao ser levada pela mãe até o garotinho, que estava parando de chorar, ouvindo a própria mãe falar baixinho com ele.
- Oi, Charlotte. – cumprimentou a jovem tia de Giovanna com um sorriso. – Acho que a minha menina aqui tem algo pra falar pro seu filho. Vai lá, Penny.
- Ô Josh... – Penn começou relutante, mas quando o menininho secou os olhos e a o olhou sério, ela disparou de uma vez. – Desculpa ter te mordido. Mas é que você riu quando o Spock lambeu meu olho e depois puxou meu cabelo e...
- Mas você me mordeu primeiro! – o garotinho acusou.
- Porque você riu de mim! Isso é feio! – Penny rebateu.
- Ok, ok... Já chega, vocês dois. – Charlotte interferiu. – Joshua, a Penelope te pediu desculpas, agora é sua vez.
- Me desculpa. – o garoto resmungou, cruzando os braços.
- Ei, Penn, sabe de uma coisa... – teve uma ideia para aliviar a tensão entre as crianças. – Lembrei-me de quando você tava na barriga da mamãe... O Josh sempre falava com você.
- Falava? – os dois pequenos falaram quase ao mesmo tempo, assombrados com a informação.
- Sim, falava. – Charlotte sorriu, lembrando-se da época. – Ele era bem pequenininho e ficava perguntando quando você ia chegar pra brincar com ele.
- Não falava nada! – o menino protestou horrorizado com a ideia de um dia ter gostado de Penny.
- Uma das primeiras palavras que você falou foi Pê. – contou e logo riu ao ver as bochechas da filha ficarem mais rosadas do que já eram.
- Olha, o Spock achou o frisbee dele! – Josh apontou para o jardim, interrompendo a história. – Vem, Penelope!
- Acho que concordo com a teoria do Harry. – disse entre risos para Charlotte quando as crianças saíram correndo. – Eles vão mesmo namorar um dia.
- Ah, se o pobre Josh soubesse onde está se metendo... – um de voz pastosa comentou ao passar pelas mulheres. – Uma garota só vai foder com a vida dele.
- Vem, mocinha. – ria da filha sonolenta em seus braços. – Um banho rapidinho.
- Não, mamãe... Me deixa dormir. – Penny resmungava baixinho sem abrir os olhos enquanto a mãe tirava sua roupa, já no banheiro de casa.
- Eca, você tá com o cheiro do Spock e quer deitar assim? Que porquinha. – ainda ria enquanto dava banho na filha, que se recusou a abrir os olhos por um minuto sequer. , então, levou a pequena no colo até o quarto, vestiu o pijama verde de estrelinhas rosa e a colocou na cama. Quando estava no corredor, indo para o próprio quarto, ouviu a campainha tocar e resmungou baixinho, sem acreditar no fato de o porteiro ter deixado alguém subir sem ser anunciado a uma da manhã. Ao olhar pelo olho mágico da porta, a garota pôde dizer que fazia muito tempo que não sentia o coração disparar daquele jeito.
- ... – ela abriu a porta e se deparou com o garoto apoiado contra o batente, encarando-a sério.
- ... – ele sussurrou e logo fechou os olhos com força, como se doesse falar o apelido dela depois de anos.
- Tá tudo bem? Você precisa de alguma coisa? – a garota agradeceu mentalmente por não ter tido tempo de tomar banho e assim correr o risco de encontrar apenas de camisola.
- Eu... Eu preciso... – ele ainda parecia alcoolizado quando entrou no apartamento e fechou a porta atrás de si.
- O que aconteceu, ? – começou a se preocupar de verdade, mas seus medos se esvaíram ao ouvir aquela voz dizendo de um jeito tão sofrido o que ela sonhou ouvir nos últimos quatro anos.
- Aconteceu que eu preciso de você! – ao terminar o sussurro, o garoto se aproximou de e a abraçou forte pela cintura, escondendo o rosto em seu pescoço. sentiu como se seu coração inchasse em instantes e logo ficou na ponta dos pés para passar os braços pelo pescoço de e retribuir o abraço apertado, ambos respirando fundo.
Ficaram grudados um no outro durante vários minutos, até o corpo de começar a ter alguns espasmos e sua respiração se tornar entrecortada.
- Shh, calma, calma... Eu to aqui. – mexia nos cabelos da nuca do garoto enquanto sussurrava palavras de consolo, sentindo os próprios olhos se encherem de lágrimas de alívio e felicidade.
- ... – segurou a cintura da garota com as duas mãos e se afastou para olhá-la nos olhos. ainda o conhecia suficientemente bem para saber que ele estava ligeiramente bêbado, mas se aquele era o preço a pagar por tê-lo tão perto e sem odiá-la: que seja!
Após alguns segundos se olhando, como se estivessem redecorando o rosto um do outro, respirou fundo e deu dois passos à frente, deixando encostada contra a porta.
- O que você... – a frase de morreu quando a beijou. Não foi nada romântico, lento e cheio de saudade como ela sonhou que seria. O beijo dele era urgente, rápido e desesperado. a prensou contra a porta e desceu as mãos até seu quadril enquanto puxava os cabelos de sua nuca... Em poucos minutos, ambos estavam ofegantes e, por isso, ele desceu os beijos até o pescoço de enquanto apertava sua bunda e assim pressionava contra ela o volume frontal em sua calça. Quando as mãos de chegaram aos seios de , a garota percebeu que aquilo tinha ido longe demais.
- ... – ela tentou empurrá-lo pelos ombros, mas o garoto estava concentrado demais em levar os beijos até onde suas mãos estavam que mal percebeu a tentativa da de afastá-lo de si. – , para!
- Não... Não... – ele sussurrava enquanto subia os beijos até a boca de outra vez. – Se eu parar agora, eu não...
- Você não o quê? – ela o incitou a terminar a frase, por isso deixou que ele segurasse seu rosto com as duas mãos e a beijasse de um jeito profundo.
- Eu não terei coragem de fazer de novo. – ele completou e a respiração de ficou presa na garganta.
- Vai embora. – ela disse calma e dessa vez foi quem ficou paralisado.
- O que você disse? – o garoto se afastou e a olhou nos olhos.
- Vai embora... Eu não posso fazer isso com a Cathie. – ao sentir os olhos encherem de lágrimas rapidamente, empurrou e correu até seu quarto, trancou a porta e deixou que o choro guardado há muito tempo viesse à tona.
Continua...
Nota da Autora:
Oi babies, como estão?
Eu prometi consertar as coisas em breve, não? Tá ai o começo. Ok, seu guy estava meio bêbado, mas já é alguma coisa!
Os próximos mostrarão mais flashbacks, pra vocês entenderem tudo o que rolou nesse quase 5 anos em que o casal ficou separado.
Gente, eu tô CHOCADA com esses 260 comentários em 2 capítulos. Vocês são lindas. E eu fico toooooooda boba com as maluquices que vocês escrevem <3
E ah, obrigada por terem dado uma chance á minha Next Chapter, fico mega feliz com cada elogiozinho.
Beijinhos...
@dugrey ou facebook.com/dugrey ou orangeoxygen.tumblr.com
Minhas outras fanfics:- A Garota da Porta Vermelha (McFly/Finalizadas: fictions/a/agarotadaporta.htm) - When Love Comes To Town (Especial de Natal: fictions/w/whenlovecomestotown.html) - Enjoy The Silence (Short Fic/Restritas/Finalizadas: fictions/e/enjoythesilence.html) - Next Chapter (Restritas/Em Andamento: fanfics/n/nextchapter.html)