Uma Tacada de Sorte
por Thata, Júh e Mima




Segunda-feira. Como sempre, chata, chuvosa e tediante. As garotas já não aguentavam mais aquela aula nem um pouco interessante. O professor de física não parava de falar em vetores e... ai, que chatice! , , e tentavam fazer com que o tempo passasse mais depressa. Bilhetes corriam pela sala. Risos abafados a levaram para diretoria. Quando estava saindo da sala com as outras, perguntou:
- Qual é o problema? Expulsas da sala? Mas, por quê?
- Simplesmente porque vocês não notaram este bilhete cair no chão, e esse desenho mal feito de mim GORDO? E peludo na barriga e essas zombações em volta? - as meninas então saíram rindo da sala, o que o professor não gostou nada, nada mesmo. Logo elas estavam na diretoria, mas estavam com medo do que poderiam levar, advertência? Chamada dos pais? Suspensão? O que seria dessa vez?
Logo quando o diretor abriu a porta, ele disse:
- Meninas, é a décima quinta vez que vocês vêm parar aqui! Qual é o problema? Por que nunca estão concentradas? Só há uma maneira para tirarem todos esses mal-feitos: todo os dias aqui! Detenção depois da escola! Ou melhor...
O diretor ficou pensando com uma cara nada boa.
- Prestarão serviços junto do zelador.
- O zelador? Ah, fala sério, prefiro levar uma suspensão! - falou e todas as outras concordaram. O diretor logo propôs:
- São serviços auxiliares ao zelador. Se não quiserem fazer, ótimo! Mas também não irão participar do concurso que haverá aqui na escola.
As meninas ficaram interessadas no assunto, menos , que resmungou dizendo:
- Tá, e o que esse concurso tem demais?
O diretor, com um olhar esperto, disse:
- O grupo ganhador irá cursar a faculdade em Londres com a universadade paga! - se surpreendeu:
- FALA SÉRIO! - ficaram todas paralisadas. Já era de se esperar.
Logo elas voltaram para a sala e estavam dispostas a limpar por longas três semanas para cursar a faculdade em Londres. MEU DEUS *-*, a terra dos McGuys, não podiam acreditar, estavam empolgadas!

Três semanas... Limpando chão, ouvindo o velho zelador reclamar, lavando banheiros, arrumando cadeiras... Isso tudo durante três longas e tediantes semanas. Seguindo quarta-feira, a professora permitiu que o diretor desse o aviso sobre o concurso. Fora deixado um papel para os alunos de cada sala dizendo o seguinte: Grupos de até cinco integrantes devem escrever um poema para o concurso. Oportunidade aberta, onde o poema vencedor levará os autores para Londres com direito a bolsas de estudos.

E lá se foram duas longas tardes de trabalho árduo, elas trabalhavam e trabalhavam, sem parar. O som do relógio soava como um sinal para acelerarem.
- Ai, apressaaaa, pelo amor de Deus! - dizia sem parar.
- Ah, fala sério, como vocês duas são lerdas! - reclamava .
- Eiii! O poema tá ficando bom, ok? E é tudo culpa de vocês que não ajudam! - diziam e , não suportavam mais o clima entre as amigas. E, quando perceberam, já estavam enviando a carta para a escola, melhor, o poema. , que colocava o envelope no correio do corredor do colégio, olhou para trás e disse:
- Tá, galera, todo mundo se estressou, todo mundo se matou, mas pensem... E se isso tudo que a gente passou valer a pena? E se nós ganharmos? Vamos parar de brigar e pensar positivo! - Todas se entreolharam, não podiam negar o poema estava realmente bom, quando viram, estavam se abraçando e gritando "AMIGAS FOREVER AND EVER AND EVER AND NEVER ENDS". Não paravam de gritar e toda a escola ouvia e fazia comentários maldosos das mesmas, só que elas não ligavam, eram loucas mesmo. Estariam ali para o que der e vier sem o mínimo medo de serem abadonadas, porque contavam umas com as outras.

O grande dia. O dia do anúncio do vencedor. A maior parte da escola havia se inscrito, os nervos estavam a flor da pele. Todos os alunos do terceiro ano se encontravam no ginásio para a premiação.
- Ficamos muito satisfeitos em ver que muitos alunos se interessaram em se inscrever no concurso e muita mais pela literatura brasileira. Recebemos muitos poemas maravilhosos, mas infelizmente tivemos que escolher apenas um... O resultado foi impressionante, e as vencedoras são: , , e .
- UHUUUUUUUUUUUUUUULLLLLLL!
- SOMOS DEMAAAAAIS!!
- AS MELHORESSS! THE BESTSSSS!!
- McFLYYYYYYYYYY QUE NOS AGUAARDE!!
- NÓISSSSSS É FOODAAAAAAAAA!
As quatro histéricas pulavam de alegria.
- DANNY!! DANNY!! DANNY!! – não conseguia falar outra coisa.
- DOUGIE, A FUTURA SRA. POYNTER ESTÁ INDO AO SEU ENCONTRO! – não se continha.
- JUDD ETERNAMENTE FOREVER! – se descabelava.
- UHUULLL, TOM FLETCHER! Fazer o quê? O Tom é o mais sortudo... Vai conhecer o que é mulher de verdade! – estava naquele entusiasmo.

E as quatro loucas estavam saindo do ginásio cantarolando IT’S ALL ABOUT YOU com as passagens nas mãos, quando o diretor tirou o barato:
- Aonde pensam que estão indo sem antes recitar o poema? – Ele batia os pés no chão.
- Foi mal aê, chefia! – se desculpou.
- Bom... O mais justo é a recitar, afinal, foi ela quem fez praticamente o poema inteiro! – Dizia .
- sempre muito democrática! – Dizia .

E lá foi a toda empolgada recitar seu lindo poema.

O amor...

Cheira feito flor
E sem rancor
Estou a por
O amor em questão
Abri meu coração
Agora estou a voar
Imaginar
Sonhar
Até, quem sabe...
Amar
Eu o quero pra mim
Sentimento sem fim
É, digo que sim
Fantasia que não acaba
Me leve e me traga de volta
Afinal o mundo dá voltas...
Bolas...
Estou amando...
No mínimo, sonhando
Algo longe
Que me torna perto...
Por favor, não me deixe
Só não se queixe
É dificil dizer:
Eu te amo!


Ouviram muitos aplausos e elas finalmente puderam sair do ginásio e terminar a música.
- IT’S ALL ABOUT... – Cantava a .
- YOUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU!! – E as quatro finalizaram a canção.


- Estão todas intimadas para dormir lá em casa hoje! Vamos comemorar! - Convidou .
- Eu levo o brigadeiro! - Disse .
- Eu o sorvete! - Falou .
- Eu dou o chocolate! - Era a vez da oferecer algo.
- Eu fico encarregada do filme, pipoca e refrigerante! - Disse .

E foram as quatro felizes e saltitantes para casa, contar a novidade.

Na casa da ...
- Mas eu estou tão orgulhosa dessa minha menina! - A mãe de a abraçava.
- E eu estou aliviado! Me sentindo mais leve! Quer dizer... Mais pesado, com mais dinheiro no bolso! Menos despesas! - Dizia o pão-duro do pai da , que escutava a conversa do escritório com uma calculadora nas mãos.

Na casa da ...
- Ô! O meu bebê está crescendo! Vai sair de casa, ficar longe da mamãe! - A mãe de chorava assoando o nariz. - Eu já estou sentindo a sua falta...
- Calma aí, mãe! Eu ainda nem saí de casa... - interrompeu a mãe, que tornou interrompê-la.
- Se comporte lá, ligue todos os dias pra mamãe, escove os dentes, arrume a cama...
fazia uma careta enquanto sua mãe sofria antecipadamente.

Na casa da ...
- Parabéns pra nossa filhota! Neste momento querido! Muitas felicidades e muito juízo! Vivaaa a ! - Cantarolavam os pais da .
- Gente! Que eu saiba hoje não é meu aniversário!
- Mas mesmo assim a nossa filhinha merece vários parabéns! A nossa poeta vai pra Londres!

Na casa da ...
- O QUÊÊÊÊÊ?!? - Esgoelou o pai da , que deu pro mundo inteiro ouvir sua ira.
- Já pro seu quarto! Está de castigo!
- Pai, eu não fiz nada de errado! Ou a partir de agora vai me colocar de castigo toda vez que não me deixa ir a alguma festa também?
- Me empolguei! Não, mas deveria!
- Mas, pai...
- Nem mais, nem menos! Você não vai e ponto!
- Eu te odeio! Ou pior... VOCÊ ME ODEIA! - pegou umas mudas de roupas e quando estava de saída...
- Aonde pensa que vai, mocinha?
- Afogar minhas mágoas na bebida! O meu futuro alcoolico fracassado será culpa exclusivamente sua!
- Tem trintão de baixo do vaso! Pode pegar pra comprar sorvete, chocolate... E afogar seus faniquitos nas celulites e pneuzinhos!
- Arghh! - pegou o dinheiro e foi se encontrar com as amigas.

- Meninas, vocês não vão acreditar! - mal chegou e já foi desabafando.
- Apareceu a margarida! Olê, Olê, Olá! - cantava.
- Já era sem tempo de chegar! - Disse .
- O que foi, florzinha? Por que essa carinha triste? - foi a única atenciosa.
- Meu pai não me deixou ir com vocês!
- Pára com isso! - não acreditava no que ouvia.
- O que eu faço, garotas? Me ajudem, please!
- A única solução é um rapto! - Sugeriu .
- Abraço coletivo na ! - deu um grito de guerra e todas caíram no chão em cima da .
- Tá certo que era pra ser um abraço e não um esmagamento coletivo... Mas o que vale é a intenção! - Brincou .
- Vamos fazer o seguinte... Assistimos pela vigésima sétima vez Just My Luck para nos recuperarmos do baque e depois pensamos em uma solução! - era sempre a que falava sério.

No meio do filme...
- Eu não entendo isso! Por que eu que tenho que ficar com o Fletcher? - Resmungava .
- Porque ele é o que sobrou! E o Jones já tem dona! - Respondeu .
- Porque você não é exigente! E o Judd é meu! - Justificou .
- Porque você ama ele por espontânea livre pressão! E eu vi o Poynter primeiro! - Sorriu .

No final do filme, elas terminam de assistir com um suspiro na hora do último e tão esperado beijo.
- AAAAAAAAAAAAHHHH!

- Pessoas! Eu tive uma idéia! - deu um pulo.
- Preparem os ouvidos, porque vem absurdo por aí... - Zombou .
- Por que nós não hipnotizamos o pai da ?
- Aiiiiii! Essa doeu! - e davam gargalhadas.
- É sério, gente! Deu certo comigo!
- Eu ainda prefiro um seqüestro!
- Apoiadaaaaa! - , e ergueram as mãos.

No dia seguinte, depois de muita maquiagem, uns borrões aqui, um teatro ali...
- Missão CUMPRIDA: vai a Londres! Em ação! - Berrou .
- E depois eu sou a lesada do grupo. - Resmungou .
- Que isso? Nós nem começamos o plano e você já afirma que deu certo? - Disse .
- É esse o ponto! Mentalizarmos energia gracinha para que se realize!
- E se fracassarmos, eu acabo com seus gnomos e duendes com as próprias mãos! - dava risada.
- Retire imediatamente o que disse e mentalize comigo! Essa sua energia não gracinha pode interferir no plano.
- Vou falar com a tia pra proibir você de assistir MALHAÇÃO! Isso está afetando seriamente a cabeça da turma... Aí estamos perdidas! - zuava.

E de volta para a casa da mais uma vez...
entrou chorando com os olhos manchados de lápis, alguns arranhões nos braços e no rosto, sendo carregada pelas amigas.
- O que está havendo aqui? - O pai de foi à sala atraído pelos choramingos.
- A quase foi atropelada! - Informou .
- Mas como? Deixa eu ver se ela se machucou. - Ele ia abraçar a filha, quando o empurrou pro sofá.
- Senta aí, tio! E fica muito tenso e preocupado que a a vai fazer uma palestra do ocorrido.

estava sentada na poltrona em frente ao seu pai, segurava um cartaz ao lado de que estava vestida com um jaleco branco e óculos, segurando uma régua e vigiava o pai da .

- É o seguinte, tio! A sua filha foi apenas mais uma vítima dos milhares de casos que já aconteceram, acontecem e estão para acontecer no caos que é o nosso país. Ela, agora, é mais um mísero número na estatísca da violência e imprudência no trânsito. - apontava para os gráficos que segurava.
- Isso é pro senhor sentir como a Cidade Maravilhosa é um perigo! - disse séria.
- Nós não moramos em São Paulo? , você foi assaltada no Rio e não nos contou? - como sempre tirava sarro.
- Ah! Você não entendeu o que quis dizer!
- Minha filha não tinha sido atropelada? Que história é essa de assalto? - O pai se desesperou.
- É isso o que estamos querendo dizer! Está muito perigoso morar aqui, é muita violência, balas perdidas, acidentes de carro, assaltos, sem contar no péssimo policiamento que temos no Brasil. - Falava , segurando para não rir e ser mais séria possível.
- E além de ter sido atropelada, assaltada, não poder ir pra Londres, que é uma cidade mais segura, cursar numa das melhores faculdades do mundo de graça... Ela foi largada pelo traste do namorado dela! - A bocona da acrescentou um pouco na intenção de dar um pouco mais de drama.
- A senhora estava namorando? - O pai da fez uma cara de pouquíssimos amigos e chorava mais ainda.
- Ô! Comentário infeliz! Mas se concentra no que interessa, tio! A não terminou a palestra! - fez sinal para continuar.
- Nós não temos dinheiro suficiente para bancar uma universidade paga. Por esse e outros motivos, nós pedimos encarecidademente que reflita melhor na sua decisão de não deixar a estudar em Londres. - finalizou a palestra e aplaudia.
- Bye, amiga! Depois que nós nos formarmos, viremos aqui te contratar para nossas empresas, te tirar de baixo da ponte, te nutrir, pagar uma faculdade e te internar numa clínica para desintoxicação de dogras, reabilitação e te encaixar de volta à sociedade. - abraçava .
- Tá bom! Eu me rendo! Você pode ir pra Londres, ! Com uma condição...
- Lá vem bomba! Nada é de graça nesse capitalismo selvagem! - quase comprovou que felicidade de pobre dura pouco.
- Beijo na boca, namoro, ficar ou qualquer coisa do tipo com o sexo oposto é só depois do casamento e com minha permissão!
- Sim senhor! - As três fizeram cara de malícia.
- Boa tio! Agora como diz a nossa querida Marta... Relaxa e Goza! - disse e todo mundo deu risadas.

- Europa! - .
- Inglaterra! - .
- Londres! - .
- McFLY! - .
- Aí vamos nós! - As quatro gritaram juntas.

- Tava escrito nas estrelas que nós iríamos juntas para Londres! - Dizia .
- Como não iríamos? Nossos futuros maridos moram lá! Minha cartomante preveu isso! - Falou .
- Aquela mesmo que preveu que você iria tropeçar naquele buraco em frente em casa? - Disse .
- Aquele buraco que a cai todo santo dia? - Concluiu .
Agora só faltava a arrumação de malas, a expectativa dessa viagem era grande. Todas sabiam que ir para Londres era algo inesquecível, e esperar mais duas semanas era uma tortura para aquelas garotas.

A ansiedade estava atacando todas, as mães neuróticas com a partida de suas queridas filhas, os pais orgulhosos de suas menininhas, agora tão crescidinhas! Tudo brilhava e a empolgação só faltava explodir. Seria a melhor temporada de suas vidas, e nada, absolutamente NADA, estragaria aquele momento.
Todas carregavam a suas malas com o maior prazer. Quando ouviram a chamada:
Atenção vôo 1452, com destino a Londres. Embarque portão 07.
As loucas gritaram e pularam, cantando Just My Luck enquanto andavam em direção ao portão. Viram os pais se derreterem em lágrimas, a despedida já estava feita. Viraram pela última vez antes de entrar no portão. Londres, aí vamos nós!


- Então quer dizer que vamos ter que ficar em um hotel por uma semana até nosso apartamento sair da reforma? - perguntava às meninas deitadas na poltrona do avião vendo filme.
- Sim, foi o que os instrutores me disseram - falou.
- Como será o hotel que a gente vai ficar? Será que vai ser aqueles que as celebridades ficam hospedadas para fazer shows? - perguntou sonhando acordada.
- Tomara que sim! Quem sabe a gente encontra a Madonna ou J.Lo! Já pensou? - falou, se juntando a sonhar acordada com .
A viagem toda, se tratou de conversas sobre celebridades, shows e McFly. As garotas nem perceberam o tempo passar. O