Última atualização: 28/09/2019

Capítulo Único

“You’re on your own kid”


abriu os olhos naquela manhã sem imaginar tudo o que estava por vir. Vestiu sua roupa e penteou os cabelos. Já estava atrasada, portanto nem um café conseguiu tomar. Gastava cerca de duas horas para chegar em sua faculdade, então não viu o sol direito naquela manhã. Era dia de prova e ela mal sabia a matéria que cairia, pois estava ocupada demais com seu emprego, e, ao invés de tentar ler algo desesperadamente, conectou o fone de ouvido no celular e começou a ouvir Halsey, como era habitual.

“Don’t know why I can’t see the sun when young should be fun”


não fez uma boa prova e tinha plena consciência disso. Ela se sentia indiferente com a faculdade porque, na realidade, nem gostava do que estava cursando. Nem a garota sabia o porquê de insistir tanto em algo que não a agradava, mas imaginava que era para agradar os pais. Ela sabia e sentia que precisava se dedicar mais do seu tempo aos estudos, contudo, infelizmente não tinha muito tempo para isso, muito menos para amigos.
não tinha amigos. Sempre foi solitária por conta de seu temperamento explosivo, e sabia que isso era algo que deveria mudar em si mesma. Gostaria de ser como as outras garotas de sua turma, que sempre tinham algo novo a compartilhar com as amigas, porém tinha certeza de que não a aceitariam como ela é, e ela não tinha paciência alguma para tentar se adaptar a quem queriam que ela fosse. Preferia ser sozinha e autêntica do que ter que se adaptar para se encaixar em algum grupo de pessoas. E sabia que para “pertencer” a algum grupo deveria estar disposta a falar de tudo, desde o filme que acabara de entrar em cartaz, ou então das festas que combinariam de ir.

“Growing pains are keeping me up at night”


A garota ouviu as colegas de classe conversando sobre sexo… Sexo que era algo tão banal para , já que era como ela conseguia dinheiro para pagar pela faculdade que frequentava. Sim, ela era o que pode ser chamado de “acompanhante”, "profissional do sexo", ou no vocabulário mais popular: prostituta.
A condição financeira de sua família nunca fôra boa, e o dinheiro que seus pais mandavam a ela apenas bastava apenas para pagar o aluguel, alimentação e passagens de ônibus, sendo assim, a única forma de conseguir cursar a faculdade que seus pais tanto queriam, era trabalhando para pagá-la. Este foi o único emprego que conseguiu que tivesse um horário flexível e que se encaixasse com o horário de suas aulas em período integral. E para falar a verdade, você, caro leitor, ficaria assustado se soubesse a quantidade de garotas que prestam esse tipo de serviço para poder pagar por sua educação.
Voltando às colegas de classe que comentavam sobre sexo...
O assunto levou a gravidez. De repente se perguntou o que seria de sua vida se chegasse a ter uma gravidez não programada, e acabou tendo a conclusão que seria o fim da linha para ela, já que uma criança a impossibilitaria de estudar e nem continuar em seu emprego atual. Ela sabia que estava suscetível a isso a qualquer momento. Mesmo usando proteções e seu contraceptivo, tinha plena consciência de que não eram métodos 100% eficazes. Pensava que só uma pessoa completamente burra engravidaria no auge dos 22 anos, e, ao finalizar esse pensamento, lembrou que sua menstruação estava atrasada.

“I take on the stress of the mess that I’ve made”


A ideia de estar carregando uma criança dentro de seu corpo martelou em sua cabeça durante toda a manhã e parte da tarde. Não, não faziam muitos dias de atraso, mas ainda assim era algo preocupante, visto que tomava seu anticoncepcional regularmente. Tentou se lembrar de algum dia que possa ter vindo a esquecer de tomar a pílula, mas nenhuma data veio a sua memória.
Desistiu de ficar em sua aula, já que não faria diferença alguma estar ali ou não, e passou na primeira farmácia que viu ao deixar seu campus. Começou a andar entre as várias prateleiras até achar a que precisava: a que continha os testes de gravidez. Olhou as caixas com os produtos, mas se encontrava completamente desconfortável com a situação, afinal, sabia dos olhares julgadores que receberia, e sabia disso justamente por ser uma das pessoas que pensaria algo como “se soubesse se cuidar não estaria passando por esse desespero agora” caso viesse a ver alguém na exata posição em que se encontrava naquele momento.
Por fim, escolheu alguma caixinha aleatória e, para tentar disfarçar, pegou junto um pacote de absorventes. Se estivesse raciocinando direito jamais pegaria coisas tão opostas, e, por serem opostas, viu a moça do caixa soltar um risinho ao ver os dois produtos que estava comprando.

“But still the growing pains, they’re keeping me up at night”


Ao chegar em casa, foi direto para o banheiro e se trancou lá dentro. Não, não chegaria em casa para bater na porta do banheiro e a apressar, porque ela estava em aula. E então restava ainda mais solidão. Só restava ali e a caixinha com o teste de gravidez.
Respirou fundo umas três vezes para tomar coragem antes de, finalmente, fazer o tão famoso “xixi no palitinho”. A instrução era esperar de dez a quinze minutos antes de conferir o resultado, e esses seriam os quinze minutos mais longos da vida da garota.
Destrancou a porta e foi até seu quarto, deitou em sua cama e começou a pensar em qual dos caras que servia de acompanhante poderia ser o pai dessa possível criança, que não sabia nem se estava, de fato, carregando ou não. No momento ela estava com três caras, mas pôde descartar um deles, pois havia começado a sair com ele no dia anterior. Restavam apenas Alex e Gregory.
Gregory, o típico cara bonito e bem sucedido que pode ter tudo o que quiser, exceto uma namorada, já que viajava o mundo constantemente a trabalho e não tinha condições psicológicas de lidar com um relacionamento, e por isso procurava pelo menos uma vez por semana. Alex também tinha uma vida bastante boa, porém, ao contrário de Gregory, ele era um cara infiel, e por mais que isso corroesse a garota por dentro, ela precisava do dinheiro mais do que tudo, independentemente de isso ferir seu caráter ou não. No fundo ela desejava que, se estivesse realmente grávida, fosse de Gregory e não de Alex.

“I cry more than I want to admit”


A garota voltou ao banheiro após o tempo de espera, se trancou novamente e encarou o teste, procurando alguma coragem para ler o resultado que ali estava.
Dois minutos se passaram e finalmente pegou o tal “palitinho” para conferir se estava realmente gerando uma vida, e ao virar o local onde estaria indicando o resultado, pôde constatar que sim, estava grávida. A jovem não acreditava no que estava acontecendo consigo. Pegou o celular para conversar com alguém... Mas com quem?
não tinha amigos. Sempre foi solitária por conta de seu temperamento explosivo, mas nunca, em toda a sua vida, desejou tanto ter uma pessoa com quem pudesse conversar e desabafar, ou ao menos chorar no ombro. Chorar... Foi exatamente o que a jovem acabou fazendo. Ela se acabava em lágrimas quando chegou em casa, mas estava tão desesperada e concentrada em sua própria dor que não ouviu o barulho da porta de entrada se abrindo e fechando, mesmo que com força. A única coisa que passava por sua cabeça era o fato de estar grávida e não ter uma clínica autorizada para executar um aborto. Não, o aborto não era algo legalizado onde vivia e ela sabia muito bem os riscos que corria caso fosse procurar uma clínica clandestina para realizar o procedimento completamente invasivo e agressivo ao corpo de uma mulher, sendo assim estaria fadada a ter uma criança não planejada de um pai que provavelmente não assumiria a responsabilidade e a deixaria criar sozinha, e talvez, sem nem ajuda financeira.
Seus pensamentos foram interrompidos quando ouviu três batidas fortes na porta e seu nome sendo chamado.

“I can’t lie to myself, to anyone, ’cause phoning it in isn’t any fun”


- , abre a porta por favor. – a garota ouviu a colega que dividia apartamento chamar. Por algum impulso abriu a porta, encarando que a olhou e ficou sem reação ao ver o quanto a garota chorava.
a puxou para um longo abraço antes de perguntar o que estava acontecendo. Estudava psicologia, então sabia que antes de perguntar a causa do desespero da pessoa, precisava mostrar que estava ali por ela, e com ela.
Assim que as coisas deram uma leve acalmada, soltou do abraço, olhou nos olhos e, sem nem precisar dizer uma só palavra, ouviu a frase “Eu estou grávida e não tenho ninguém”. Um aperto começou a se instalar no coração de , e com tamanha compaixão se pôs no lugar da colega. E se fosse com ela? A abraçou outra vez, mais forte dessa vez.
- Você não está sozinha, eu estou aqui contigo. – disse ao afagar os cabelos de , e pela primeira vez na vida a jovem se sentiu acolhida, sentiu pertencer a algum lugar. Ela não era sozinha como imaginava ser.
E então teve forças para seguir com seu “problema”. Com a ajuda de quem ela nem imaginaria que pudesse estar ali para estender a mão quando ela mais precisou. Ela teria que lidar com as dores do crescimento de forma precoce, e, contanto que ela tivesse ao menos uma pessoa para contar, ela tinha certeza de que conseguiria superar aquela nova fase desconhecida de sua vida.

"No band-aids for the growing pains"


Fim.



Nota da autora: Oi gente, tudo bom? Passei pelo menos um mês pensando em como poderia escrever algo que pudesse ficar relacionado com a musica, quando a ideia desse plot me veio a cabeça. Não, não é uma fanfic convencional, mas acho que pode ser considerado como um tópico bastante presente no mundo, certo? Eu juro que espero ter atingido as expectativas de vocês, porque dei meu maximo na criação dessa história.
Vou ficando por aqui... Fiquem a vontade para ler qualquer das minhas fics publicadas aqui <3 beijoss!





Outras Fanfics:
Em andamento:
Oxford University [Bandas, One Direction, Restrita]
Falling In Love Again [Cantores, Shawn Mendes, Restrita]


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