01. We Own the Night

Última atualização: 20/01/2021

Capítulo Único

– Vamos, ! O pessoal já chegou. – chamou a namorada que parecia ter morrido do banheiro.
– Espera, inferno! – Ela reclamou e terminou de aplicar o batom que escolheu usar naquela noite. – Eles não vão fugir, fica tranquilo. Não podem ir embora antes do aniversariante chegar.
Ela saiu do banheiro pronta e ele soltou um assobio, erguendo a cerveja que tinha em mãos na direção dela. O sorriso que ela abriu com o elogio era daqueles que acertavam diretamente algum ponto dentro dele, que quase fez com que ele pensasse que mais alguns minutos atrasados não matariam ninguém.
– Agora podemos ir? – Ela disse com o celular no bolso da jaqueta com sua identidade e o cartão.
– Você quem nos atrasou! – Ele acusou, puxando-a pelo passador da calça. – Mas eu te dou um desconto pois você está maravilhosa.
– A pressa é inimiga da perfeição. – Ela respondeu com o rosto perto do dele e prendeu o lábio inferior para prender o sorriso que ameaçava formar-se enquanto ele retornava o olhar com as pupilas escurecidas. – Vamos, o pessoal já chegou.
se afastou poucos centímetros antes de ele lhe puxar de novo e roubar um beijo. Murmurou um “agora podemos ir” e só então saíram de casa.
O bar em que haviam marcado ficava perto o suficiente para que eles pudessem ir e voltar a pé porque a meta daquela noite era não se preocupar.
A noite estava fresca e, naquela hora, ainda haviam algumas pessoas perambulando pelas ruas. O céu tinha poucas nuvens, as poucas estrelas que resistiam à iluminação artificial pareciam invencíveis e intocáveis e a lua parecia respeitar o dia das estrelas brilharem, tendo apenas uma pequena faixa de sua extensão iluminada naquela noite.
– A lua parece um pedaço de unha cortada hoje. – comentou ao notar a mesma por entre os edificios.
– Esse é seu jeito de elogiar a noite?
– Eu poderia assobiar pra lua, o que acha? – Perguntou, pegando a cerveja dele, que ainda estava pela metade, e tomando um gole.
Ele gargalhou.
– Não acredito que ela vá ouvir. Mas você pode tentar.
Assim que chegaram no bar, localizaram os amigos numa das mesas do lado de fora e um “parabéns” foi cantado para o aniversariante, que passou pela vergonha de ter mais alguns clientes do bar se unindo ao coro com um sorriso no rosto.
Um garçom veio do lado de dentro com um bolo onde uma vela solitária brilhava no meio do mesmo, haviam desistido de lembrar quantos anos fariam e nem ele nem falaram.
– Pensei que você ia faltar no próprio aniversário, cara! – Benny falou enquanto abraçava o amigo.
– Nunca foi uma opção. – disse quando foi sua vez de receber o cumprimento.
– Vocês moram aqui do lado, por que demoraram tanto?
– Eu precisava estar à altura do aniversariante. – Ela respondeu com uma piscadela e o amigo riu enquanto negava com a cabeça.
– Você já é areia demais pro caminhãozinho dele de cara lavada e careca. – Ele falou e levou um soco de .
– Respeita o aniversariante, pô! Pelo menos, hoje.
A risada na mesa surgiu com a pequena interação e, um a um, os amigos foram cumprimentando os recém-chegados. foi liberada primeiro, visto que o namorado ainda recebia felicitações, e dirigiu-se para a bancada do bar.
Pediu uma comanda e bebida para os dois, tendo tempo de voltar para a mesa com as duas long necks antes que ao menos pudesse notar seu afastamento.
– Quem comprou a vela? – perguntou depois de entregar uma cerveja para o namorado e ser agradecida com um beijo na testa.
– Eu! – Lizzie respondeu com uma feição derrotada e a amiga abriu um sorriso complacente.
– Verde é a cor favorita dele. – Ela comentou, tentando melhorar a situação.
– A gente se conhece há anos e ninguém sabe ao certo quantos anos você vai fazer.
– Quantos vocês quiserem. – respondeu brincando e uma bolinha de guardanapo o acertou.
A conversa mudou e a primeira cerveja foi seguida de mais e mais rodadas. Em algumas horas, todos já estavam bêbados, exceto pelos escolhidos como motoristas da rodada. Em algum momento, Benny se levantou e chamou a atenção dos amigos, ele mal conseguia manter-se sério, mas a ideia parecia boa demais em sua cabeça para não ser feita.
– Hoje, comemoramos mais um aniversário do nosso amigo milenar, . – As palavras saíam arrastadas mas ainda era um discurso compreensível. – E como em todos os anos, a gente vai voltar para casa trocando as pernas. Porque, se tem uma coisa que ninguém pode discordar, é de que é o cara.
riu com as palavras emboladas do amigo. Em todos os anos, havia uma tentativa de discurso de Benny para o melhor amigo e, em todos os anos, o vídeo que chegava no grupo dos amigos era a coisa mais hilária da qual lembrariam da noite anterior.
, por favor. – Chamou o amigo com as mãos e foi atendido, se juntou a ele e eles se abraçaram de lado.
– Se você morrer antes de mim... – Ele começou e uma gargalhada foi ouvida em algum lugar da mesa.
– Que papo mórbido, cara! – A mesma pessoa que riu comentou.
– Espera, espera. – Ele pediu e, só então, continuou. – Eu prometo escrever no seu túmulo que você foi uma lenda do nosso tempo, porque você, sim, sabia festejar e curtir sua vida.
– Você vai morrer antes de mim, cara. Eu não vou colocar nada na sua lápide não. No máximo, que você era o maior bêbado da história.
– Todo mundo tem um sonho, ok?
– O seu é morrer depois do ? – Outro amigo perguntou, risonho.
– Eu desisto de vocês. – Benny disse, emburrado, e largou o amigo. – A gente tenta falar um negócio legal, mas vocês sempre estragam.
– A gente sabe que é de coração, pode ficar tranquilo. – garantiu quando se sentou de novo ao seu lado.
A noite não durou muito depois disso, o bar precisava fechar e todos se prepararam para irem para casa. Mas tinha planos diferentes para a namorada. Enquanto fechavam suas comandas, ele pediu mais duas cervejas e despediu-se dos amigos.
Logo, o casal ganhava as ruas, cada um com uma cerveja na mão e sorrisos abobados no rosto enquanto caminhavam quase em zigue-zague pela calçada.
– Eu ainda estou com aquela música na cabeça. – Ela comentou.
– Qual?
– Eu não sei o nome, tocou quando a gente ainda estava em casa.
– Canta.
– Não.
– Vamos lá, a rua está vazia, só tem a gente aqui. Coloque a culpa na garrafa em sua mão.
Dando-se por vencida, ela murmurou uma parte da música, a que estava grudada em sua mente. E ele riu, sinalizando que não tinha ouvido, fazendo-a repetir mais alto, esquecendo que era madrugada.
– Calem a boca, malucos! – Alguém gritou da janela e eles correram gargalhando até a próxima esquina.
Pararam no cruzamento da avenida, esperando pelo fraco movimento de carros parar junto ao semáforo para que pudessem atravessar, nenhum dos dois confiando em arriscar mesmo com o fluxo mais leve.
Quando estavam quase em casa, a cerveja acabou e descartaram as garrafas vazias na lixeira de um vizinho. Entraram em casa sorrateiros e, quando a porta foi trancada atrás de si, riram como crianças que acabaram de aprontar.
– O que a gente faz agora? – perguntou, tirando os sapatos.
– O que você quiser. Hoje, a noite é nossa.



Fim.



Nota da autora: "Quatro tentativas de plots depois, FINALMENTE esse conto saiu e eu estou boiolinha pelo meu casal.
Sofri, mas saiu e eu gostei desse pequeno momento fofo entre meus queridinhos de outros carnavais, espero que vocês gostem também.
BRB."



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