Fanfic finalizada

Capítulo 1

Desde os meus quatro anos de idade sofro com os meus pesadelos, eles tiram meu sono e fazem com que viva cercada por medo. E meus pais tentaram de tudo, desde as coisas mais simples até mesmo a atitudes bizarras. Compreendo que nenhum pai ou mãe gostaria de ter uma filha que sofre de insônia desde os quatro anos, ou que quando dorme acorda aos prantos, pedindo por socorro, porém percebo que o limite de ambos está mais próximo do que nunca.
Tentaram todos os tipos de terapeutas, psicólogos em busca de uma resposta, e muitas das vezes gritam pedindo que eu me esforce para me curar. E o que eles não sabem é que o que eu mais queria era poder viver uma vida tranquila ter ido para a escola como qualquer adolescente, ter tido um encontro, ter tido meu coração partido, queria saber o que é deitar em minha cama e dormir, mas eu não consigo.
Basicamente sou um grande problema na vida dos meus pais. Nunca pude dar a eles a alegria de ver a minha formatura, pois estudei em casa com professores particulares. Na vizinhança as pessoas me olham feio, algumas saem de perto por achar que sou maluca, mas eu não sou.
— Filha — minha mãe adentrou meu quarto com uma mala — precisamos conversar.
Minha mãe me analisou por alguns instantes e tentei esconder as olheiras, mais uma noite sem dormir. Odiava fazer com que ela se sentisse uma pessoa horrível ou como se tivesse falhado como mãe. Eu sei que por trás de cada tratamento ou meio de tentar me ajudar, tinha uma mãe desesperada, tinha um pai que não aguentava mais ver a filha sofrer. Eu sei que eles me amam e talvez, isso seja o que tenha me deixado um pouco forte para evitar dar fim a tudo isso com minhas próprias mãos.
— Mãe — apontei para a mala — pra onde eu vou?
— Eu e seu pai — suas lágrimas rolavam pelo seu rosto e sabia o quanto estava arrasada — é uma clínica… Não queríamos chegar a esse ponto…
— Mãe, por favor, não — chorava — eu não sou louca, mãe, acredita em mim.
Minha mãe levantou da cama e abriu meu guarda-roupa, separando minhas roupas preferidas, colocou alguns dos livros que costumo ler, um kit com meus objetos de higiene pessoal. Ouvia seu choro baixo e ele se misturava com o meu.
Já passava das duas da tarde quando uma ambulância parou em frente à minha casa, enfermeiros adentraram meu quarto e eu só chorava. Não queria ir para esse lugar, não suportaria a solidão nas noites de pesadelos, não suportaria.
— Mãe — gritei e senti minhas lágrimas rolando pelo meu rosto — não faz isso comigo, por favor.
Minha mãe abraçou meu pai, que tentava confortá-la, porém a tristeza era nítida em seu próprio rosto.
— Pai — um enfermeiro me segurava e a vontade de chorar só aumentava — eu não sou louca, não sou.
Um dos enfermeiros tirou uma seringa de sua maleta e ali eu tive a certeza que o pesadelo teria início, ser tratada como quem eu não sou. Eu não tenho culpa dos meus sonhos, meu medo não é invenção ou algo do tipo.
— Senhora, é apenas um remédio para acalmá-la. — O enfermeiro disse a minha mãe.
Tentei me desvencilhar dos braços do enfermeiro, mas em vão porque senti a agulhar furar minha pele e de repente, meu corpo não respondia mais. Aos poucos fui perdendo minhas forças e até que não vi mais nada a minha frente, mas conseguia ouvir o choro dos meus pais. E depois mais nada. Nada.

* *

Ao chegar na clínica a primeira coisa que fizeram foram amarrar meus cabelos, um rabo de cavalo alto e então, minhas roupas foram substituídas por uma dessas roupas de hospital na cor branca. Pegaram meu celular, meu ipod e meu computador o que me deixou aterrorizada, pois não teria quaisquer recursos quando a insônia decidisse me perturbar.
— Senhorita — a médica tentou sorrir, mas nada faria com que me sentisse melhor — não queremos seu mal, e sim ajudar com que vem te afligindo.
— Eu não sou louca — gritei — quer me ajudar me dando remédios pra apagar? Me trancando em um quarto horrível e me fazendo vestir essa roupa ridícula.
— Senhora ! — A médica alertou.
— Eu vou embora — me levantei, mas as pernas ainda estavam fracas pelo remédio — eu já tenho 20 anos e respondo por mim mesma.
— É para o seu bem. — A médica tentou se aproximar, mas a empurrei.
— Eu vou embora — chorava — eu vou embora.
Os enfermeiros me seguraram e a médica aplicou mais uma dose do remédio que me faria apagar por algumas horas. Seria assim, sempre que desse defeito, ela me colocaria para dormir. Assim seria até me definhar dia após dia.


Uma semana depois

Sete dias a base de remédio. Tentei fugir todos os dias e falhei em todas as vezes, ganhando doses e mais doses de remédios para me “controlar”. A comida não tem cor ou sabor como a da minha mãe. Nem ao menos meu banho posso tomar sozinha porque sempre tem a porcaria de uma enfermeira no banheiro e um enfermeiro na porta caso aconteça alguma coisa. Fiquei sabendo que só reverei meus pais depois de seis meses porque isso faz parte do processo de adaptação.
— Senhorita — a voz irritante da médica se fez presente na sala — o doutor , sobre quem conversei com você, veio para conversarem um pouco.
— Não quero falar com ninguém — gritei — pronto já podem mandar alguém me furar para me fazer dormir ou faz você mesma.
Ouvi uma conversa baixa e barulhos de passos, seguidos pelo barulho da porta batendo.
— Sem remédio dessa vez? — Debochei e escutei uma risada masculina.
— Ninguém quer o seu mal, senhorita — a voz masculina disse.
— Imagina se quisessem. — Sorri se humor.
— Sou psiquiatra — o homem disse — me chamo e acompanharei em sua estadia pela clínica e....
— Não vou e não quero falar. — Disse.
— Sem problemas — sorriu — sou paciente e virei todos os dias até que me encare e decida se abrir comigo, porque eu quero te ajudar a viver uma vida tranquila.
Não disse mais nenhuma palavra ou sequer me virei para encarar o homem que dizia que queria apenas me ajudar.


Capítulo 2

No segundo dia, entrou em meu quarto logo após o café da manhã e o escutei falar, fazer perguntas, mas a minha mente só pensava na briga que havia presenciado no refeitório. Duas meninas comiam quando de repente, uma delas começou a bater na outra e gritar dizendo que ela era culpada por algo que não lembro. E a cena dos enfermeiros tendo que colocá-las em camisas de força me abalou completamente.
No terceiro dia, me visitou após o almoço e novamente sequer virei para encará-lo. E dessa vez ele decidiu me contar uma história que novamente não prestei atenção, pois na noite passada meus pesadelos vieram como uma bomba. Gritava, chorava e descontrolada, e novamente fui acalmada com um comprimido. Não sei explicar como me senti sendo acalmada por um “remédio”, por enfermeiras que diziam que tudo ficaria bem quando eu queria os abraços da minha mãe e do meu pai. Mas eu estava sozinha. Completamente sozinha.
No quarto dia o tal psiquiatra veio durante a noite e não sei qual era sua intenção, entretanto, seria em vão todas as suas tentativas, pois nem os melhores da área conseguiram arrancar uma palavra de mim pelo simples motivo de que ninguém acreditava em mim. Vão dizer que eu sou louca, que são apenas sonhos, mas deixam de ser sonhos quando impacta em sua vida. Não durmo. Não vivo sem sentir medo. Não consigo fazer nada como qualquer pessoa consegue.
No quinto dia, consegui despistar a enfermeira que me acompanhava, corri o mais rápido que pude, mas no caminho trombei em alguém. Reconheci o perfume que todos os dias adentrava meu quarto e me vi obrigada a encarar o homem pela primeira vez. era um homem muito alto e dono de olhos verdes que davam um charme ao seu rosto.
— Está com tanta pressa para me encontrar, Senhorita ? — O idiota tentou ser engraçado.
— Eu ia fugir desse lugar — o empurrei, mas ele me segurou — esse lugar não é pra mim.
A enfermeira correu desesperada em minha direção e um enfermeiro vinha junto dela. Mais remédios… Essa era minha vida pelos próximos seis meses.
— Enfermeira, não precisa — segurou em meu braço — me responsabilizo pela paciente e qualquer sinal de exaltação peço a ajuda de vocês.
— Tudo bem, doutor . — A mulher sorriu e se retirou, levando o enfermeiro com ela.
O tal do me levou para um jardim, e depois de muitos dias, foi a primeira vez que vi o sol, senti meus cabelos balançarem com os ventos das árvores e o canto dos passarinhos.
— Vamos começar novamente — o médico sorriu — Sou o doutor , mas pode me chamar apenas de .
— Tanto faz. — disse e me sentei no banco de madeira onde uma árvore fazia sombra.
— Qual o seu nome? — Ele perguntou.
— Olha na minha ficha. — Disse impaciente.
— Eu não quero seu mal — o médico repetiu a frase clichê desse lugar — quero te ajudar.
— Ajudar? — Gargalhei — não tem solução. Desiste.
! — O médico sorriu. — Belo nome.
O ignorei completamente e fechei meus olhos para aproveitar o momento que a qualquer segundo teria seu fim e me veria presa naquele quarto brando, deitada naquela cama e sendo perseguida por pesadelos e solidão.

— Eu não quero falar, Doutor — gritei — não quero falar.
E ele me entregou um caderno de desenho e um estojo com lápis e todas as outras coisas necessárias para dar acabamento e cores a desenhos. O que me assustou foi ele saber algo tão íntimo sobre mim sendo que nem meus pais sabiam da existência de meus desenhos ou, pelo menos, achava que não sabiam. Vejo que estava enganada quanto aos meus desenhos.
— Desenhe — o médico sorriu — daqui a dois dias irei visitá-la e conversaremos sobre seu desenho.
A enfermeira, juntamente do enfermeiro, me levou de volta para minha cela, deitaram-me na cama e ao se retirarem ouvi o barulho da tranca e cadeados. As lágrimas tomaram conta do meu rosto e sentia como se minha vida estivesse sendo jogada pelo ralo.


Capítulo 3

Durante os dias olhei para o material de desenho e jurei a mim mesma não tocar ou desenhar, mas mudei de ideia. E coloquei naquele papel algo que representa boa parte do que eu me tornei. Colori o desenho e o deixei em cima da mesa ao lado da cama.
— Vejo que alguém seguiu meu conselho. — O tal médico disse em tom de elogio.
Não me virei para encará-lo e permaneci de olhos fechados lembrando da origem do desenho e senti uma pontada no meu peito. Jamais admitiria que sentia medo de não aguentar e acaba cometendo uma besteira.
— Quatro anos — disse de olhos fechados — uma criança normal, porém com sonhos diferentes e eles se tornam cada vez mais frequentes. Vozes e mais vozes. E ela deitada na cama chorando sem entender o que estava acontecendo.
O silêncio se faz presente na sala e escuto o barulho da sua caneta riscar algo no papel, mas tudo é em vão.
— Começou leve, aumentando aos poucos, ou simplesmente aconteceu?
— Simplesmente aconteceu e de um dia pro outro as vozes se tonaram parte de mim — chorava baixo — agora me deixa em paz.

— Sai — gritei e meu rosto estava tomado pelas minhas lágrimas — sai daqui. Agora.
E ouvi o barulho da porta ser fechada e me permiti chorar com toda a minha dor. Tantas lembranças, tantas vezes assombrada pelas mesmas vozes e elas entravam em minha cabeça bagunçando tudo dentro de mim. Tudo.


Capítulo 4

Um mês se passou e sobrevivi. Não posso negar que Doutor tem me ajudado bastante e raras são as vezes que preciso tomar medicação. E tenho me sentido melhor e os pesadelos diminuíram bastante, e talvez não seja mais a mesma chorona que estou acostumada desde os meus quatro anos.
— Me dei a liberdade de olhar o seu ipod…
— Como fez isso? — fiquei com raiva — olhar o ipod de alguém é como ler seu diário.
E ele me mostrou meus fones de ouvidos e meu ipod em suas mãos. No visor identifiquei a única música que eu escutava, a música que dizia como eu me sentia e não conseguia dizer.
— Um pra você — me entregou um dos fones — outro pra mim.
Deu o play na música e fechei meus olhos permitindo-me apreciar o momento, escutar cada palavra que eu queria dizer e não conseguia e esse médico idiota tem feito um bom trabalho e isso sou obrigada a aceitar, porém jamais admitiria.
“Quando você tenta se o seu melhor, mas não tem sucesso…” — disse em voz alta — “Quando você se sente cansado, mas não consegue dormir”.
Pela primeira vez permiti a mim mesma mostrar-me de verdade a alguém. A pessoa ao meu lado conseguiu em um mês o que a vida inteira ninguém jamais conseguiu. Ele persistiu diariamente pela minha confiança e devo admitir que ele obteve sucesso em sua missão.
“Quando as lágrimas começavam a rolar pelo seu rosto” — e assim como na música, minhas lágrimas rolavam pelo meu rosto.
— “Mas se você nunca tentar, nunca vai saber o quanto você vale” completou e o olhei, entendendo seu recado.
Se eu nunca tentar jamais serei capaz de saber quanto sou valiosa para meus pais e para mim mesma. Em todos esses anos, não me permiti tentar por medo, insegurança e agora sinto a vontade de tentar e descobrir o meu valor.


Capítulo 5

Um sábado por mês acontecia um baile para que todos os pacientes pudessem se divertir e interagir um pouco. Era um dia especial onde era permitido o uso de roupas normais e até mesmo um batom no rosto. E eu não conseguia entender o motivo de ter passado o dia ansiosa para chegar o horário do baile, afinal jamais me animei com coisas assim, porém algo em mim estava diferente nesses últimos quase dois meses. Os desenhos, a música, conversar com o doutor cada vez fazia com que me sentisse melhor e vontade de viver.
— A senhorita está linda — a enfermeira sorriu — e tenho certeza que logo, logo voltará pra sua casa.
Sorri para a mulher e me permiti olhar no espelho, gostando dos meus cabelos soltos, do vestido que minha mãe me deu há três anos e até mesmo do batom que ela colocou em minha mala. Tenho certeza que ela se orgulharia de mim e me permiti sorrir.
O tal baile acontecia no salão onde tínhamos algumas palestras e estava todo arrumado com mesas, a música alta tocando ao fundo e algumas pessoas dançando sem se importar com nada. Sentei em minha mesa e aproveitei para comer algumas coisas que eu sei que não teria no dia seguinte.
— Senhorita, — ouvi a voz do doutor — me concederia a honra desta dança?
— Não danço, doutor. — Sorri e ele me puxou pela mão.
vestia um terno preto e seus cabelos estavam um pouco bagunçados. Sua mão escorregou até minha cintura e as minhas pararam em seus ombros largos. Ele me conduzia pelo salão e era uma sensação que jamais havia sentido. Meu coração batia acelerado, sentia vontade de sorrir e não queria que esse momento acabasse.
— Com todo respeito — ele sorriu — você está linda, .
— Obrigada? — Sorri sem jeito. — Você não está nada mal, .
O cansaço chegou devido a minha tentativa de criar uma rotina para melhorar o meu sono e já tinha dois dias que senti meu corpo pedir por descanso e que eu conseguia dormir pelo menos até as 05:00 da manhã.
— Obrigada por me acompanhar, doutor. — Sorri e ele abriu a porta do meu quarto.
— Tenha uma boa noite, . — E então, ele se despediu com um beijo em minha bochecha.
Adentrei o quarto, sentindo minhas pernas bambas e um incomodo em minha barriga. E as mãos? Suavam como nunca antes. Troquei de roupa e me permiti descansar, estava dando o meu melhor e algo em mim dizia que daria certo. Vou conseguir descobrir o meu valor.


Capítulo 6

Há alguns dias minhas noites de sono, comparada a minha vida toda desde o início dos pesadelos, nunca foi tão boa como vem acontecendo. Durmo às dez da noite e acordo às cinco da manhã, ou seja, não tenho mais olheiras e não sinto a moleza que sentia todos os dias.
As caminhadas acompanhadas por enfermeiras têm me feito muito bem, e não posso deixar de esquecer que o Doutor tem me ajudado bastante com o seu tratamento. Cada vez mais me sinto mais confortável com sua presença e hoje posso dizer que ele conquistou a minha confiança. E até mesmo ele me conseguiu uma ligação para conversar com meus pais e pude sentir pelo tom de suas vozes o quanto a minha melhora significativa comparada a tudo até agora fez bem para ambos. Se um dia eu me curar por completo e entender o que vem acontecendo comigo, sinto que tirarei um peso de seus ombros.
— Senhora , hora do seu banho — a enfermeira sorriu e sorri de volta.
— Gosto quando é você que vem me acompanhar. — Sorri e a mulher sorriu, parecendo gostar do que eu disse. E era o mais perto de elogiar alguém que eu conseguia e ela parecia notar meu esforço.

A risada preenchia meu quarto e matinha meus olhos fechados por medo. Não conseguia encarar a pessoa que a qualquer momento faria algo contra a mim. Sentia quando sacudia meu corpo, estava próximo, sorrindo, me aterrorizando. Chamava pela minha mãe e pelo meu pai, porém eles pareciam não me escutar. Minhas lágrimas rolavam por todo meu rosto e meus gritos eram altos, mas, mesmo assim, ninguém parecia ouvir.

— Senhorita — ouvia uma voz me chamar — é apenas um sonho.
— Socorro — chorava e tentava me levantar da cama — eu preciso ir embora, querem me matar.
— Senhorita — A médica tentava me acalmar — foi apenas um sonho. Você está segura e nada de mal lhe acontecerá.
— Não — a empurrei — eu não posso ficar aqui, não posso ficar aqui.
Senti meu braço ser furado e bastou alguns segundos para sentir meu corpo amolecer e ser deitada na cama para dormir por horas seguidas.

* *


Ao efeito do remédio passar, não senti vontade de caminhar como vinha fazendo nos últimos dias, pulei o café da manhã e o almoço e permaneci deitada em minha cama. Não sentia vontade de fazer qualquer coisa além de chorar por medo, por raiva, por sentir que falhei mais uma vez em não conseguir controlar esses pesadelos que me fazem ficar fora de mim.
— Colega de quarto — Doutor disse ao adentrar meu quarto. Colocou seu travesseiro e cobertores em cima do sofá no canto do quarto.
— Não precisa se incomodar, depois de dois anos você entende que isso é “normal” em sua vida. — Digo enquanto pego um copo de água.
Doutor me observa e seus olhos permanecem focados em mim. Ele não está com seu jaleco e usa apenas uma camisa, que deixa evidente seus braços musculosos, e calça de moletom. Não entendo o que se passa dentro mim, pois mesmo no meio do caos que me encontro sinto meu coração acelerado e um frio na barriga como na noite do baile.
— É… é… — desligas as luzes e deita no sofá — melhor dormirmos, mas pode me chamar caso precise.
Quando deito em minha cama sinto meu coração acelerado e o frio na barriga por lembrar do olhar de direcionado a mim. Jamais me senti próxima de um homem como eu me sinto perto dele, não sei se é pelo fato de confiar nele e que tenha sido a primeira vez que isso aconteceu. Tem algo nele que me faz ter vontade de estar perto dele e não sei o que é isso, mas eu quero.

Gritos. Mais gritos que se aproximam de mim e tampo meus olhos com as mãos não me permitindo ver o rosto, pois seria mais algo para me dar medo e tirar o meu sono, entretanto dessa vez senti meus cabelos sendo puxados e batia minha cabeça na parede enquanto eu apenas chorava. E senti algo gelado em meu pescoço, porém a pessoa sussurrava, dizendo que daria fim a minha vida.


— Não aguento mais — chorava e minhas mãos tremiam — eu não aguento mais, .
Ele me entregou um copo de água, eu mal conseguia segurar o copo e ele me ajudou a beber a água, porém não conseguia parar de chorar, o medo estava correndo em minhas veias.
— Eu estou aqui com você — segurou minha mão — chega de remédios e vamos superar tudo isso.
— apertei sua mão — dorme comigo, por favor.
, não acho certo… — não deixei que terminasse.
— Por favor, ! — Apertei sua mão e ele pegou seu travesseiro, colocando na cama e deitou.
Por instinto me acomodei em seu peitoral e sua mão deslizou, parando em minha cintura. O abracei o mais forte que pude, tinha medo de ficar sozinha, medo que poderia me acontecer e ele conseguia me passar segurança. Do lado dele eu conseguia ficar tranquila, sentia paz e conseguia sentir vontade de tentar ser feliz.
— Não me deixa sozinha, — chorava baixo — aqui eu só tenho você, eu preciso de você.
— Eu estou aqui. — Ele disse enquanto fazia cafuné no meu cabelo.
E com os toques de suas mãos em meus cabelos, senti meus olhos se fechando pouco a pouco.


Capítulo 7

Todos os dias pela manhã caminhava na companhia do doutor ou de alguma enfermeira. Exercícios físicos faziam com que me sentisse melhor e passava a dar razão aos artigos a respeito de manter uma vida ativa.
— Um presente. — Doutor me entregou um diário.
— Já não passei da idade de ter um diário? — Sorri.
— Uma das melhores formas de lidar com nossos sentimentos, medos e muitas outras coisas — ele abriu o diário — é escrevendo.
A semana foi passando e todos os dias eu escrevia no diário, muitas vezes chorava e em outras sentia raiva por finalmente lembrar coisas que eu não conseguia entender. E eu consegui ver que a cada vez que o diário se tornava mais íntimo de mim, conseguia ver o que estava nas entrelinhas. E o que era um borrão da lembrança pela primeira vez, começava a clarear e eu senti que estava perto de descobrir o que havia acontecido comigo há alguns anos.
— Tem certeza? — perguntou novamente.
— Sim — sorri — confio em você.
— Isso representa muito pra mim. — sorriu e começou a ler meus relatos do diário.

“Não sei como começar a escrever. Querido diário? Muito cafona pra mim. Lembro que os pesadelos começaram quando eu tinha quatro anos e eles eram leves, apenas algumas risadas estranhas e gritos. E depois de alguns meses os pesadelos eram diários, e foi aí que eu comecei a acordar desesperada aos gritos e chorando. Meus pais faziam de tudo, dormiam ao meu lado, me colocaram pra dormir no quarto deles, mas nada adiantava. E por algumas razões eu não brincava mais com meus brinquedos preferidos. Minha mãe teve que encaixotar todos porque era ver aqueles brinquedos para chorar. E com o passar dos anos foi se intensificando tudo. Não conseguia dormir porque tinha medo, as pessoas me olhavam de um jeito estranho e foi quando meus pais decidiram a educação com professores particulares. Meus pais tentaram todos os tipos de tratamentos. Fui a benzedeiras, rezadeiras, psicólogos, viajei e todo tratamento que falavam com meus pais, eu fazia, e nenhum deles com resultado. Uma semana antes de vir pra cá, eu tive a pior crise em todos esses anos. Meus pais foram viajar a trabalho pela primeira vez, eles têm uma empresa de alimentos. E no meio da noite tive uma crise tão forte que acabei agredindo a minha tia. E ouvi a conversa deles dizendo que eu não poderia continuar desse jeito e lembro como se fosse hoje quando fui obrigada a vir aqui e lutei contra até o último segundo, porém acabei sendo sedada. Chorava todos os dias por me sentir sozinha, o medo gritava dentro de mim por ser apenas eu, sem ninguém. Se eu tinha um pesadelo não era minha mãe que me abraçaria até me acalmar, mas sim remédios que me fariam dormir por horas e horas. E de repente, você, doutor , veio conquistando minha confiança, me mostrando muitas coisas e eu sentia que havia uma chance pra mim. Sinto-me hoje uma pessoa muito melhor do que fui a minha vida inteira. E eu sei que vou vencer meus medos e poder ser uma pessoa normal.”

— doutor se aproximou e olhou dentro dos meus olhos — como você se sente?
Caí em uma crise de choro e tudo que estava preso dentro de mim desmoronou com uma simples lembrança.


Flashback On

Os gritos da mulher eram acompanhados pelo seu choro. Enquanto o homem vociferava palavrões e ameaças a todo momento.
— Eu vou contar pra minha filha — a mulher gritava — contar que você é um verme, nojento que a traí todos os dias.
— Eu vou acabar com você antes disso — o homem bateu com algo na parede e, pelo grito da mulher, deveria bater nela — eu vou acabar com você e com quem mais souber disso.
O homem gritava e o barulho era alto demais, a mulher que antes gritava pouco a pouco se silenciava até que não pude mais escutá-la e o homem gargalhava.
Juntei meus brinquedos e caminhava para dentro da minha casa quando um homem alto, moreno e de olhos azuis me encarou e suas mãos estavam sujas de sangue.
— Se contar pra alguém — ele se aproximou — eu te mato.
E ele saiu me olhando e rindo.

Flashback off


Minhas mãos tremiam e eu não conseguia parar de chorar ao lembrar da cena, das risadas, de quantas vezes eu chorava quando via ele se aproximando de mim fingindo ser um bom vizinho, lembrava das suas palavras, das suas ameaças e só sentia vontade de chorar.
— Doutor me chamava — por favor, fala alguma coisa. Estou preocupado com você e…
Abaixei a cabeça e decidi contar tudo.
— Quando eu tinha quatro anos, estava brincando no quintal da minha casa, quando ouvi barulhos que eram gritos, choro e uma risada — minhas lágrimas rolavam por todo meu rosto — e um homem gritando com uma mulher e sendo totalmente rude com a mesma.
, se acalma um pouco… — o interrompi.
— E então um barulho muito forte começou e era como se ele batesse a cabeça dela na parede — tentava me acalmar — e então a mulher se calou, não chorava, não gritava, mas a risada continuava. E eu lembrei tudo que aconteceu, ... Tudo.
O abracei fortemente e sentei em seu colo. Precisava mais do que nunca de um abraço bem forte para me ajudar com o turbilhão de lembranças dentro de mim.
— O que você lembrou, ? — disse baixo.
— E eu fiquei com medo porque ele dizia que acabaria com ela e quem soubesse — minhas lágrimas não tinham mais controle — e eu juntei todos os meus brinquedos para entrar, mas na metade do caminho…
— O que houve na metade do caminho? — parecia preocupado.
— Eu não lembrava — chorava — mas agora eu lembro… tudo.
olhou em meus olhos — não vou deixar ninguém fazer mal a você… nunca.
— Eu encontrei um homem alto, moreno e de olhos azuis. E suas mãos estavam sujas de sangue — gritava — muito sangue e nunca senti tanto medo na minha vida. E ele se aproximou de mim e disse que se eu contasse pra alguém, ele me mataria.
me abraçou fortemente e afagava meus cabelos enquanto deixava toda minha dor ser colocada pra fora.
— E por isso, você nunca contou pra ninguém? — Ele perguntou e eu assenti — por isso os pesadelos, a insegurança, não conseguia confiar nas pessoas.
— E hoje eu consegui lembrar tudo… — Respirei fundo — do rosto dele, da voz, da risada e de tudo.
me carregou e deitou na cama, mas puxei seu braço para que deitasse ao meu lado. Eu não sabia explicar o que era essa vontade de estar perto dele, de abraçá-lo, de confiar tanto em uma pessoa ao ponto de me abrir por completo, mas eu sentia que entre nós não havia mais nada, nenhuma barreira e podia ser eu mesma. A verdadeira .
— Não sai do meu lado. — Pedi e sorriu enquanto me abraçava.
Fechei meus olhos e ouvi o som da sua respiração serena e devagar. E ao abrir meus olhos vi o homem que despertava coisas boas em mim e que eu queria manter sempre por perto. Movi meus lábios para perto dos dele e selei nossos lábios, mas senti sua boca corresponder ao meu simples beijo. Suas mãos apertavam minha cintura e enquanto nossos lábios chocavam-se em um ritmo lento, mas era algo que jamais havia sentido.
— Você foi muito importante — olhei dentro dos seus olhos — tudo isso só foi possível graças a você.
— Você me mudou pra sempre, pequena. — sorriu e beijou minha testa.
Então era assim que as pessoas se sentiam perto de alguém especial?


Capítulo 8

6 meses depois…

Se alguém me fizesse a pergunta de “como estaria a alguns meses”, jamais responderia como estou me sentindo nesses últimos meses. Dormir não era mais um pesadelo literalmente e sim, algo maravilhoso em poder deitar em minha cama e descansar. Consigo sentir vontade de me cuidar, praticar exercícios, pentear os cabelos, usar batom e sinto vontade de estudar, de ir ao cinema, de ser feliz. Pensei que esse lugar sugaria as poucas coisas boas que ainda existiam dentro de mim, mas foi o contrário. Tive de volta todas as coisas que perdi, e não sabia o motivo e sabendo o que foi que realmente aconteceu consigo levar uma vida normal.
— Senhorita , esse é o seu remédio — a enfermeira me entregou uma caixa — doutor , pediu para que tomasse um pela manhã e quando a cartela acabar não é preciso repor, pois você já chegou ao fim do tratamento.
— Eles vão me dar sono? — Perguntei meio receosa.
— Não, senhorita — ela sorriu — é apenas para concluir seu tratamento já que ganhou alta uma semana antes. Os médicos não viram necessidade em te manter aqui então, só tomar a medicação até a cartela acabar e você terá a alta oficial.
— Obrigada. — Sorri.
Todos os meus objetos haviam sido entregues e guardados na mala, mas depois de um tempo eles deixaram de fazer falta pois eu preenchia o meu tempo com tantas outras coisas. O lugar não era como eu pensava, se preocupavam em incentivar a prática a exercícios físicos, tinham todo cuidado nas refeições sendo as mais saudáveis, também se preocupavam em organizar algumas festas para divertir as pessoas e eu entendi que, assim como eu, as pessoas que estavam ali não queriam estar, mas precisavam. E jamais esse lugar, pois foi com a ajuda de todos os profissionais que pude recuperar a minha vida novamente.
Pude agradecer a todos que cuidaram de mim, pela paciência e pelo carinho. Abracei cada pessoa fortemente porque ambos teriam minha gratidão para sempre. Pois fizeram parte de um momento que eu renasci.
— E você — abracei o enfermeiro — mesmo me dando aquelas injeções, eu gosto de você. — Arranquei uma gargalhada coletiva.
Acenaram com as mãos e andavam em sentido oposto ao meu. Segurei firme minha mala e respirei fundo antes começar a andar. No final do corredor havia uma porta e, ao passar daquela porta, deixaria todas aquelas pessoas para trás encontrando meus pais me esperando com todo amor do mundo, mas dentro de mim tinha algo me incomodando, pois não veria doutor , como acontecia em todos os dias. E ele não quis se despedir de mim porque achou melhor assim, concordei, mas, talvez, esteja discordando nesse exato momento.
! — Sua voz rouca era inconfundível e sem pensar duas vezes virei-me para encará-lo.
Não consegui enxergar o médico… Vi alguém que diariamente lutou pela minha confiança, perdeu algumas lutas, porém jamais desistiu de mim. Nunca. Um filme passou em minha cabeça desde a primeira vez que o vi até esse momento. O brilho dos seus olhos azuis todas as vezes que me encarava, como seus abraços eram sempre quentes e acolhedores fazendo-me querer morar ali, do seu beijo doce e eu não entendia muito sobre o “amor”, mas algo me dizia que esse misto de sensações que sentia por ele, ao lembrar de tudo e pela pontada no peito que sinto ao me despedir dele é um sentimento e um bem forte.
— sorri — não odeia despedidas?
Ele dava passos em minha direção ficando cada vez mais perto, e ao sentir seus braços me envolvendo em um abraço, o apertei ainda mais contra meu corpo, seu perfume ficaria em minha roupa e queria congelar o momento para sempre.
— Odeio muito mais a ideia de te deixar ir sem te abraçar. — Disse próximo ao meu ouvido.
— Vou sentir sua falta — admiti — muito.
— Por isso — me entregou um urso pequeno e fofo — vai levar um pedaço de mim com você.
— Obrigada — as lágrimas rolavam pelo meu rosto — muito obrigada.
— Você merece tudo isso, ! — O abracei forte e ele nos separou.
— Hora de ir — sorriu fraco — seus pais estão te esperando.
Olhei em seus olhos e vi que, assim como eu, não estava sendo fácil para ele. Via em seus olhos como eu me sentia e ele poderia ver nos meus como ele se sentia. Segurei firme a minha mala e olhei para ele pela última vez antes de seguir meu caminho. Ao passar pela porta respirei fundo e tentei entender a sensação de vazio dentro mim.
— Filha! — Ouvi minha mãe me chamar e seus olhos estavam repletos de lágrimas.
Corri ao encontro dos meus pais e fui envolvida em um abraço acolhedor. Como eu sentia falta dos meus pais, das pessoas que sempre se preocuparam comigo, que deixaram de lado muitos sonhos para cuidar integralmente de mim.
— Minha princesa! — Meu pai chorava. — Como é bom ver você assim…
— Eu amo vocês. — Os abracei novamente e chorávamos juntos, pois a vitória era nossa.
Na volta para casa conversamos sobre os últimos seis meses, gostei de saber que os negócios estavam indo bem, que tinham viajado no feriado para descansar, e contei todas as coisas que aconteceu na clínica, ambos ficaram felizes por ver que eu havia conseguido superar esse obstáculo.
Almoçamos na casa da minha tia, outra que se emocionou bastante ao me ver e acabei contando como descobri o que estava causando os pesadelos e ambos ficaram com raiva. Mas consegui convencer ambos de não insistir em procurar pelo homem que já não morava ao nosso lado há muitos anos. Queria deixar tudo isso no passado e focar em meu presente e no futuro.
— Princesa, tenha uma boa noite. — Meu pai disse ao apagar a luz do quarto, junto com minha mãe.
Abracei o urso que havia me dado hoje cedo e senti seu perfume. A saudade bateu em cheio, já sentia falta das nossas conversas, do som da sua risada, de sentir seus braços envolvendo meu corpo, porém eu sabia que nossa relação seria apenas o psiquiatra e a paciente. Apenas isso.


Capítulo 9

“Achei que gostaria de ter essa foto.” -

Ao abrir a sua mensagem, me deparei com a foto que tiramos no dia do primeiro baile que fui na clínica. Foi a primeira vez em que usei um vestido e lembro que me elogiou a noite inteira fazendo com que me sentisse especial, algo que nunca me aconteceu.
Não pensei duas vezes apenas liguei para que, para minha surpresa, atendeu.
Gostou da foto? — a rouquidão da sua voz preencheu o silêncio.
— Usar como papel de parede responde sua pergunta? — Ouvi a sua risada do outro lado da linha.
Por que eu não pensei nisso antes? — Sorriu.
— Como está, doutor?
Com saudade. — Foi direto.
— Para com isso — sorri — já disse que não gosto de mentiras.
E quem disse que eu estou mentindo? — Gelei com a possibilidade de ser verdade. — Quer tomar um café comigo?
, não precisa. Você é muito ocupado… — não consegui terminar a frase, pois ele me interrompeu.
Me manda o endereço da sua casa e às seis irei buscá-la. — Se despediu, não me deixando outra opção.
Relutei um pouco, porém a quem eu queria enganar? Eu queria rever , poder abraça-lo novamente e se fosse possível sentiria novamente seus lábios de encontro aos meus.
Acabei derrubando todo meu guarda-roupa em cima da cama, porém não conseguia achar nenhuma roupa que me sentisse confortável. Nunca me preocupei com isso antes talvez, esse seja o motivo de não gostar das minhas roupas.
— Filha? — Minha mãe adentrou meu quarto e me olhava sem entender.
— Não tenho roupa, mãe — remexia nas roupas em busca de algo — dei um jeito no cabelo, porém esqueci das roupas.
Minha mãe gargalhava e eu não conseguia entender o motivo. Não era engraçado, estava surtando. Meu primeiro encontro e não tinha o que vestir.
— Vou cancelar. — Peguei o celular na mão e minha mãe saiu do quarto e voltou com uma caixa.
— Não vai cancelar, não — minha mãe me entregou a caixa — já tem vinte anos e está um pouquinho atrasada pro seu primeiro encontro.
— Mãe — olhava para o vestido e ficava ainda mais encantada — muito obrigada.
Minha mãe me abraçou fortemente e me ajudou com a maquiagem, cabelo e todas as coisas que precisava aprender, porém eu conseguia ver o quanto tudo a deixava feliz. Esperamos por momentos como esse por toda nossa vida e agora poderíamos ter todos esses momentos sempre juntas.
Pontualmente no horário combinado, me enviou uma mensagem, ele havia chegado e estaria me esperando em frente minha casa. Aproveitei para borrifar um pouco mais de perfume e checar todos os detalhes. Guardei meu celular dentro da bolsa e agradeci por meus pais terem ido ao mercado, pois fariam um verdadeiro interrogatório com .
Ao abrir o portão tive a melhor visão de toda minha vida. segurava um buquê de rosas vermelhas e tinha em seu rosto um sorriso tão lindo quanto ele. Meu coração parecia que a qualquer momento sairia do meu peito, fui invadida por uma felicidade que jamais pensei sentir. E conforme me aproximava dele sentia a respiração falhar, um frio na barriga e a vontade de dar muitos beijos em sua boca.
! — Sorri e ele me entregou o buquê de flores.
! — Beijou a minha bochecha e fechei meus olhos apenas sentindo o toque da sua mão em meu rosto.
abriu a porta do carro e esperou eu entrar para fechar a mesma. E sem as suas roupas habituais de trabalho ele ficava ainda mais bonito. falava a respeito de algo, mas não conseguia prestar atenção em nada além dos seus olhos, da sua boca.
— Gostei do corte de cabelo. — Me elogiou e sorri.
— Obrigada. — Agradeci um pouco envergonhada.
estacionou em frente a uma cafeteria bem pequena, mas a simplicidade do lugar me deixou totalmente encantada. E ele fez questão de abrir a porta para que saísse, e segurou firme em minha mão enquanto caminhávamos e nossas mãos se encaixavam tão perfeitamente que cogitei a ideia de terem sido feitas uma para a outra. Ao adentrar a cafeteria, fiquei ainda mais encantada, poucas mesas espalhadas entre estantes com livros.
— Que lugar lindo! — Sorri, observando tudo com calma.
Seus olhos estavam focados em mim. Observava-me com calma sem perder o contato visual em nenhum momento. Não sabia o que era tudo isso, mas só tinha certeza que não queria mais ficar sem isso em minha vida.
— Seu sorriso é lindo. — Sua voz rouca quebrou o silêncio e sorri fraco, porém sem quebrar nosso contato visual.
— Não mais que o seu. — Afirmei.
— Então — debruçou na mesa aproximando nossos rostos — acha meu sorriso bonito?
Meu coração acelerava ainda mais, cada vez que nossos rostos ficavam mais próximos.
— Acho — sorri — não apenas o sorriso.
segurou meu rosto e fechei meus olhos, sentindo suas mãos acariciarem meu rosto, minha respiração falhou ao sentir tocar meus lábios com suas mãos. Podia sentir nossos rostos colados e bastava apenas um passo para nossos lábios se chocarem, mas a garçonete chegou com nossos pedidos e ele voltou para seu lugar.
— Um livro? — parecia interessado em saber tudo ao meu respeito e eu achava bem fofo da parte dele.
— Orgulho e preconceito. — Dei um gole em minha segunda xícara de café. — E o seu?
— Vou contar meu maior segredo — sorriu — não gosto de ler.
— Tinha que ter algum defeito — brinquei — me diz com você conseguiu sobreviver ao cursar psiquiatria?
— Não sei — sorria — de verdade, eu não sei como aguentei ler os incontáveis livros obrigatórios.
— Vou te dar um livro de presente — sorri — será que consigo fazer com que mude de ideia a respeito dos livros?
— É diferente — segurou minha mão — se você me desse sua lista do supermercado eu faria questão de ler, reler, por ser sua.
— Bobo demais. — Era tão bom sorrir sendo acompanhada por um sorriso tão lindo.
Já tinha perdido a conta de quantas horas ou quantas xícaras de café havíamos tomado. Era tão bom conversar com que não fazia questão de ver as horas, só queria escutá-lo falar da sua vida, falar sobre mim e jamais imaginei que meu primeiro encontro seria tão divertido, tão especial.
— Eu to falando sério — gargalhávamos — o cara disse pro juiz que eu que era o louco e que deveria me tratar porque… — não conseguiu concluir pois fomos interrompidos.
— Meu amor — uma loira chegou beijando e notei um lindo anel de noivado em sua mão — por que não me avisou que viria aqui?
Minhas mãos gelaram e sentia um nó na garganta. Enquanto me olhava e parecia bastante desconfortável, mas garanto que não mais que eu porque sentia que eu estava sobrando naquela mesa.
— Ficaram mudos? — A loira de voz irritante perguntou.
— Desculpe — levantei e peguei minha bolsa — preciso ir.
Respirei fundo e caminhava o mais rápido possível, não aguentaria mais um segundo naquele lugar, com a presença daquela mulher.
me chamou — eu sinto muito…
— Você sente muito, ? — Gritei. — Você é noivo!
, deixa eu te explicar. — Tentava se aproximar, mas dava passos pra trás.
— Desculpa, mas não se esconde de alguém o fato de estar em um relacionamento.
— Vou levar você em casa — disse, pegando a chave do carro — vamos.
— Vou de táxi. — Soltei sua mão que insistia segurar meu braço e agradeci por ter um táxi deixando uma passageira.
Não olhei para trás e dentro do carro dei liberdade as minhas lágrimas que vieram com força. Sentia meu coração bem pequeno, como se tivesse sido quebrado em vários pedaços. Não conseguia tirar da minha cabeça a imagem da mulher beijando , pareciam tão íntimos, não era pra menos, afinal, eram noivos. E eu definitivamente estava sobrando entre eles dois. Na verdade, não deveria nem estar onde estava, sentindo tudo que estava sentindo.


Capítulo 10

As semanas passaram e não recebi nenhuma mensagem de . Sei que deveria agradecer, afinal ele era noivo e não deveria querer estar perto dele. Porém eu sentia que nossa ligação era especial e pensei que também era pra ele, mas não era. Tinha focado toda minha atenção das matérias do vestibular e havia dado o meu melhor todos os dias.
! — Minha mãe adentrou gritando no meu quarto — !
— O que houve, mãe? — Perguntei preocupada, mas ela sorria e sacudia algo que parecia um envelope.
— Meu amor, eu sei que não deveria, mas eu fiz — nunca tinha visto minha mãe desse jeito — você passou, filha!
— Passei? — Perguntei e minha mãe assentiu que sim.
Minhas lágrimas rolavam pelo meu rosto e minha mãe me abraçou fortemente. Não conseguia acreditar que eu havia sido aprovada no vestibular, há alguns meses não pensava em estudar, em construir uma carreira e eu tinha tudo isso de volta. Não conseguiria expressar com nenhuma palavra como me sentia e relação ao resultado dessa prova.

* *


Ao descer do táxi pensei duas vezes antes de entrar na clínica, mas eu precisava agradecer a quem havia me devolvido a vontade de ser feliz, de ter sonhos e ser a que sempre quis ser.
Me identifiquei na recepção e após receber um crachá de visitante, o vigilante me informou o caminho para a sala do e caminhei até encontrar a porta marrom com uma placa de vidro, “Doutor ”. Bati na porta e ouvi sua voz avisando que podia entrar. Minhas mãos estavam trêmulas ao tocar a maçaneta e abrir a porta, o encontrando concentrado em sua mesa. Parecia analisar alguns papéis e meu coração parecia ter acordado ao vê-lo, entretanto, o motivo da minha visita não era esse.
— Bom dia! — Sorri e ele me olhava surpreso.
— seu olhar permanecia em mim e tentou se aproximar, mas entreguei a caixa de bombons em sua mão — obrigado!
— Vim agradecer por me ajudar a enxergar o impossível. — E ele se ajoelhou ao lado cadeira que estava sentada.
— Faria tudo novamente — segurou minha mão — apenas tirei do armário a pessoa maravilhosa que sempre esteve ali.
Suas palavras me emocionam e as lágrimas são inevitáveis, afinal, ele me ajudou a enxergar a vida que eu estava deixando de viver e ninguém jamais seria capaz de tirar isso de mim.
— Fui aprovada no vestibular — sorriu e vi a felicidade em seus olhos — vou cursar a profissão que você fez com que me apaixonasse… Psiquiatria.
Nossos olhares se encontram e vejo um brilho que nunca vi nos olhos de outra pessoa. De uma forma eu sinto o quanto tudo é tão especial pra ele quanto é pra mim. Nossa relação ultrapassou a relação “médico e paciente”. me tocou sem ao menos encostar em mim. Despertou a minha confiança assim, como sentimentos até então desconhecidos.
Levantei-me e respirei fundo sentindo minhas pernas bambas, meu coração acelerado e a respiração falhando por tamanha proximidade de nossos rostos, pelo encontro dos nossos dedos enquanto segurava minha mão. E quebrei o contato de nossas mãos, o deixei parado e caminhei em direção a porta, porém senti suas mãos puxando-me para si. Nossos corpos estavam colados, nossos rostos se aproximavam cada vez mais e ao sentir seus lábios chocando-se contra os meus, não consegui resistir e me entreguei ao seu beijo. Jamais havia provado algo tão doce quanto seus beijos ou o toque das suas mãos segurando firme meus cabelos, apertando minha cintura.
— Não posso — sussurrei — não posso, ! — Separei nossos lábios e corri o mais rápido que eu pude, porém senti alguém puxar meu braço e vi que era a noiva de .
A mulher me segurou pelo braço e me arrastou para o final do corredor e meu coração estava gelado. A culpa gritava dentro de mim por mais que não gostasse de sua arrogância, do seu modo de falar, não deveria ter beijado o noivo dela.
? — A mulher tinha um olhar carregado de coisas negativas. — Eu vou dizer uma vez e espero que entenda. Sabe o homem dentro daquela sala? Ele é o meu noivo e em breve iremos nos casar.
— Já entendi — disse, tentando soltar sua mão do meu braço — preciso ir.
— Não terminei ainda — a mulher apertou ainda mais meu braço — nada e muito menos uma doentinha como você vai atrapalhar meus planos, entendeu?
Puxei meu braço e empurrei a mulher. Já havia passado dos limites e não iria me sujeitar a essa situação.
— Você é apenas uma garota, chorona, cheia de problemas — a mulher fazia questão de ser o mais rude possível — não consegue entender que pro , você sempre será a esquisita que até ontem estava presa em um hospício? Entenda que seus sentimentos são diferentes um pelo outro. O seu pode ser amor, mas o dele é pena.
Suas palavras foram como socos em meu estômago e eu não conseguia parar de chorar, pois tudo dentro de mim doía. Não deveria ter ido procurar, . E o pior de tudo era que ela tinha razão, eu não quis enxergar que sempre fui apenas uma paciente para ele, digna de pena e acabei confundindo tudo, criando um sentimento por alguém que jamais olharia pra mim como olha para a sua noiva, pois se conheceram como pessoas normais. Eu o conheci quando meus pais já não sabiam mais o que fazer comigo e recorreram a clínica. Seria sempre a garota chorona que ele ajudou. Nada mais, na menos que isso.


Capítulo 11

A campainha não parava de tocar e xingava a pessoa atrás da porta, já tinha gritado umas cinco vezes avisando que estava indo. Porém ao abrir a porta encontrei , e ele me encarava sem piscar. Imediatamente fechei a porta, porém ele colocou o pé, impedindo e adentrando minha casa.
— Você não atendeu minhas ligações — sua voz rouca quebrou o silêncio — nenhuma das duzentas ligações.
O empurrei até a porta para que saísse da minha casa, porém ele permaneceu parado no meio da sala da minha casa.
— Não quis atender — digo — assim, como não quero você na minha casa.
me encara e tenta se aproximar, porém dou um passo para trás. Não tenho passado por dias fáceis, não foi fácil ouvir todas aquelas coisas da noiva que ele escondeu que tinha.
— Posso ir embora, mas antes vou fazer o que vim determinado a fazer — segurou minha mão — quero pedir desculpa por tudo.
— Só isso? — Solto nossas mãos — não precisava ter se dado o trabalho de vir na minha casa pra isso.
, por favor. — pede, porém desvio nossos olhares. Não quero que ele veja o quanto está doendo toda essa situação.
— Vai viver a sua vida, — o empurro — vai ser feliz, com sua noiva perfeita e que não tem problemas com o passado como eu tenho.
se aproxima de mim e fica próximo o suficiente para sentir seu perfume e minhas pernas ficarem bambas, as mãos geladas e sentir meu coração bater acelerado. — Sabe o porquê de nunca ter me casado mesmo estando com 32 anos? — Ele pergunta e não quero ouvir suas palavras.
— Por que, senhor certinho? — Grito. — Já sei… Pra quê ter apenas uma quando se pode ter várias né?
— Porque a minha vida inteira estive esperando por você — suas palavras são duras — pois sabia que estava em algum lugar a pessoa certa para minha vida, não digo em questão de ser perfeita porque não acredito nessas coisas, porém acredito que você foi feita para estar na minha vida. E eu descobri isso ao te olhar pela primeira vez e tive certeza do que senti ao te abraçar, ao te beijar, ao conviver todos os dias com você.
— Sou apenas uma problemática. — Digo.
— Pare com isso — cola nossos corpos — você é uma mulher maravilhosa por quem estou perdidamente apaixonado. E quem eu quero o clichê de “para sempre”. — Sou um problema. — As lágrimas rolam pelo meu rosto e as enxuga com a ponta do seu dedo.
— Você é a solução, !
— Para com isso, — olho dentro dos seus olhos — não precisa mentir.
— Eu amo você. — Suas palavram me atingem como uma bomba dentro de mim. Jamais alguém disse me amar, tirando meus pais.
….
— Eu senti medo por você ser a minha paciente e eu não poderia jamais ter me sentido atraído por conta da ética, por não ser certo, porém cada dia eu sentia que precisava de você em minha vida — sinto sinceridade em suas palavras — quando você foi embora…. Levou meu coração com você. E percebi que jamais senti o que eu sentia ao te abraçar, nenhum olhar mexia comigo como o seu e quando eu te beijei, eu compreendi o que faltava na minha vida.
— O que você quer dizer com tudo isso? — Implorei para que suas palavras fossem sinceras porque tudo que eu mais queria era estar com ele.
— Não me importo com a ética, não tenho noiva desde de que te conheci, porém ela nunca aceitou o fim do relacionamento — Nossos olhares não se desgrudam — eu quero você na minha vida e você?
Nenhuma palavra conseguiria explicar exatamente o que eu queria dizer. Aproximei-me de passeando com minhas mãos por seu rosto, desviei nossos olhares e viajei em sua boca não conseguindo mais conter-me então, o beijei como se dissesse que o amava, que queria estar com ele todos os dias da minha vida, construir uma vida ao seu lado e todo o clichê de “para sempre”.
— Amo você, ! — Sussurrei próximo ao seu ouvido e ouvi sua risada antes de sentir nossos lábios se chocando novamente.
O abracei e senti a felicidade transbordando em nossos corações. Sorríamos, nos beijávamos, sorríamos novamente e ele me beijava, e o ciclo se repetia incontáveis vezes.
Uma vida ainda seria pouco para viver todos os momentos que eu quero passar ao seu lado. E hoje posso dizer que sou uma pessoa feliz e disposta a ser todos os dias da minha vida.


Bônus

O dia estava tão bonito, o céu azul e limpo e podia ver os convidados sentados pela janela do quarto onde estava me arrumando. Depois de cinco anos, enfim conseguiu me levar para o altar, porém precisávamos desse tempo para nos conhecermos e tinham tantas outras coisas antes desse passo tão importante. Não queria colocar um pé na frente do outro e me sentia muito feliz por isso. Minha mãe me ajudou com os últimos detalhes e colocou o arco de flores em meus cabelos. Olhávamos nossos reflexos no espelho e a emoção tomou conta de nós duas, por todos esses anos aprendemos valorizar todos os momentos que um dia chegamos a pensar ser impossível e esse é o mais especial posso ver isso nos olhos da minha mãe e por ver meu pai emocionado parado na porta.
— A minha princesa — meu pai me olhava emocionado — tão linda.
O abracei forte e chorávamos juntos, apreciando um momento único entre pai e filha. Mas fomos interrompidos pela minha mãe que retocava minha maquiagem e ajeitava meus cabelos, deixando-os perfeitos. Antes de sairmos do quarto, o fotógrafo pediu para tirarmos uma foto em família.
Minhas pernas pareciam duas gelatinas a cada passo que dava e me aproximava da passarela que me levaria até , por sorte tinha o braço do meu pai e o apertava forte enquanto ouvia os cliques de um dos fotógrafos.
E, ao olhar pra frente e encontrar me esperando, foi o momento mais emocionante de toda minha vida. Parei na ponta da passarela e o analisei por alguns segundos, vi um misto de felicidade com emoção em seus olhos e ele podia ver o mesmo em mim porque nunca estive tão realizada em toda minha vida. Casamento pra mim foi uma das coisas que jamais me imaginei, mas que descobri que tinha que fazer no segundo que vi o meu amor, ajoelhado, pedindo para passar todo os dias do meu lado. A cada passo meu coração se enchia ainda mais de felicidade e as lágrimas já rolavam por todo meu rosto e não fazia questão de escondê-las. Queria que todas as pessoas vissem como é bom amar, esperar e viver um momento tão especial com a pessoa certa, que se encaixa perfeitamente dentro do seu coração.
— Cuide para que ela seja muito feliz — Meu pai colocou minha mão sobre a mão de — cuide para que ele seja muito feliz. — Meu pai beijou a minha testa e se juntou a minha mãe ao lado do altar.
Olhei nos olhos que eu mais amo e não desviei meus olhos do seu por nenhum momento sequer.
estava visivelmente emocionado, o que o deixava ainda mais lindo — eu vejo o casamento como um caminho onde, independe do que aconteça, vamos seguir juntos e na mesma direção. Se você for pra direita eu segurarei sua mão e eu sei que se eu for pra esquerda você estará ao meu lado segurando a minha mão. E saber disso só me faz te amar ainda mais e mais. Porque amor de verdade é sobreviver a todos os ventos, tempestades e crises que vão surgir, porém juntos passaremos por tudo. Eu amo você, minha menina linda.
— tentei conter minhas lágrimas, mas não conseguia, não hoje — Amor não é apenas uma palavra para ser explicado em textos no facebook, em mensagens de texto “te amo” ou pra ser dito em palavras bonitas. Amor é o dia a dia, o carinho com quem se ama, o respeito com o outro em se importar o que deixa confortável e feliz. O amor faz você arrumar tempo uma semana conturbada, cheia, mas você arruma porque ver, abraçar e o simples fato de olhar pra quem se ama é uma das sensações mais maravilhosas do mundo. O amor lhe faz ser forte em meio a um momento difícil, onde muitas pessoas vão te dizer para abandonar o barco porque você não merece, mas se o sentimento for verdadeiro, for recíproco vão descobrir juntos como passar por esse momento. O amor vai fazer você vibrar com a conquista do outro e você sabe que suas conquistas também causaram felicidade na pessoa amada. O amor não é perfeito como nos livros e eu não gostaria que fosse pois seria tudo tão fácil perdendo toda a essência do que é amar. E eu descobri que amar é pra quem está disposto a mergulhar no amor e não pra quem só quer molhar os pés e depois sair. E há exatos cinco anos decidimos mergulhar no oceano amor, tiveram tempestades, pensamos que não sobreviveríamos, mas um foi a força do outro e, diante de todas as pessoas, quero te dizer que eu amo você hoje, amanhã, depois de amanhã e todos os outros dias.
O beijo mais doce do mundo eu encontrei em e tínhamos vivido o momento mais aguardado de nossas vidas. Caminhávamos em direção a saída do altar e rumo a uma vida juntos.
— Senhora . — sorriu.
— Senhor . — Sorri para ele, que selou nossos lábios.




Fim



Nota da autora: Quando comecei a escrever essa história imaginei tanta coisa e no final mudei tantas outras até chegar ao ponto que eu queria. A felicidade não bate em nossa porta, nós temos que levantar todos os dias e correr atrás dela por isso, não tenha vergonha de procurar ajuda se sentir que precisa porque sua felicidade é uma das coisas mais importantes em sua vida.
Agradeço ao convite em poder participar, agradeço a beta pelo carinho em corrigir os erros dessa autora que é cheia de manias e por você que deu uma chance a história. Até o próximo ficstape.





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Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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