Fanfic Finalizada em: 08/01/2022

Capítulo Único


O som do despertador nunca foi tão estressante quanto nessa quarta-feira de manhã. sentia vontade de pegar o pequeno aparelho que tinha ganhado e jogar pela janela. Estava estressada fazia alguns dias já, não sabia se era a rotina cansativa do escritório ou então alguma possível TPM, mas que estava irritadiça estava. Levantou de sua cama completamente contra aos pensamentos perigosos de não ir trabalhar e já fez seu rito matinal, se encontrando pronta para sair de casa pouco tempo depois. Estava sem fome então apenas tomou uma grande xícara de café e saiu de casa.
Essa era uma das semanas que gostaria de ficar enrolada em suas cobertas e deitada em sua cama por horas, apenas deixando o tempo passar. Ia para o escritório já pensando em voltar. Enquanto esperava o elevador parar no andar em que se encontrava, conferia em sua bolsa se estava tudo certo para começar mais um dia; nem se deu conta de quando a porta do mesmo se encontrava sendo segurada por alguém.
- Desculpa! Estou distraída demais essa semana. - disse rapidamente já entrando no elevador, enquanto fechava sua bolsa rapidamente. - Aliás, bom dia. Sou . - estendeu a mão para a pessoa enquanto finalmente levantava os olhos para observar quem era. Se deparou com o vizinho bonito, diga-se de passagem um gostoso, que morava a alguns andares do seu. Querendo ou não, ela era muito observadora e já havia o visto pelos arredores do prédio. Agora de perto, conseguia ver melhor o quão bonito ele realmente era. Tinha cabelos castanhos, olhos desse mesmo tom escuro e uma pequena barba, levemente rala, como se estivesse com os pelos querendo dar sinais de crescimento. Algumas pequenas pintas pelo seu rosto e o corpo levemente malhado o deixavam ainda mais charmoso.
- Bom dia! Não se preocupe com isso. Eu sou o ! - respondeu ele abrindo um leve sorriso e pegando na mão dela. Com isso, despertou de seus pensamentos. Deveria ter tomado mais uma xícara de café antes de sair, pensava ela. Torcia para que ele talvez não tivesse percebido os olhos dela passeando por seu rosto rapidamente, por mais que para ela parecesse apenas alguns segundos inocentes. - Estar em pé nesse horário também me deixa meio perdido às vezes. Sinto que meu corpo está aqui mas a alma mesmo ainda está embaixo da coberta quentinha.
- Exatamente! - concordou dando risada e encostando as costas na parede gelada do pequeno cubículo onde se encontravam. - Só de pensar na coberta quentinha, me dá vontade de saltar desse elevador e voltar correndo para casa. - continuou ela, fazendo com que ele desse uma leve risada agora. - Torcer para o dia passar rápido.
- Semana pesada?
- Você nem imagina! - ela soltou uma risada sem graça nasalada. Só de pensar na leve discussão que tinha tido com um de seus sócios, bem na segunda-feira, já a desanimava. - Tenha um bom dia , foi um prazer te conhecer. - assim que a porta se abriu, já se colocou para fora indo em direção ao estacionamento. Sentia que o elevador tinha descido muito mais rápido hoje, porém deveria ser culpa dela que ficou encarando o rosto do homem igual uma doida.
- Você também , vou torcer para o dia acabar logo e você voltar para suas cobertas. - respondeu ele, com um tom um pouco mais alto, pois se dirigia para a direção contrária a que estava indo. Ela sorriu com a pequena brincadeira que ele tinha feito e seguiu para seu carro.
O caminho até o escritório foi normal, com aquele trânsito rotineiro da parte da manhã em que ela já estava acostumada. Mal tinha entrado no ambiente quando veio a informação de que teria três reuniões e que já tinha alguns recados deixados de cliente para resolver. Parecia que quando ela não estava muito bem, tudo caía em suas mãos. E foi assim que o dia se alastrou. Quanto mais ela pensava em ir embora, mais as horas demoravam a passar, então ela se afundou em trabalho até dar seu horário.
Enquanto arrumava suas coisas para ir embora, fez uma pequena lista mental das coisas que precisava comprar. Fazia algum tempo já em que ela não ia ao mercado e seus armários já se encontravam praticamente vazios, porém hoje o cansaço já estava falando mais alto e a sua falta de paciência desde que tinha acordado também não ajudava, então decidiu fazer as compras em outro dia, iria comer qualquer coisa que tivesse ou pediria alguma refeição para entregar em casa mesmo.
Chegando em casa, mexia em seu celular procurando algum restaurante que tivesse algum prato que a agradasse, pensava em infinitas coisas para pedir e as diversas opções também não ajudava. Enquanto tentava decidir entre pizza ou algum prato de comida, nem percebeu que não havia apertado o botão do elevador quando tinha entrado no mesmo, estava lá parada a alguns bons minutos só olhando para seu celular, até que a porta se abriu, fazendo com que ela e a pessoa que estava entrando tomasse um susto.
- ? Ficou presa no elevador? - perguntou , assim que reconheceu a mulher de hoje mais cedo.
- Meu Deus, eu nem toquei os botões. - falou enquanto a porta do elevador fechava novamente. - Estou falando, hoje eu não deveria nem ter saído da cama. Que lerda! - ela terminou rindo e tapando o rosto com as mãos.
- Estava fazendo o que aqui, mulher? - olhava atentamente para ela.
- Tentando decidir alguma coisa para comer. Estava tão focada nisso que nem percebi que o elevador não estava se movendo. Aliás, se tiver alguma sugestão, eu aceito. - chacoalhou o celular enquanto falava. se aproximou um pouco e esticou a mão, fazendo com que ela deixasse o aparelho na mão dele.
- Olha, pede pizza desse lugar aqui! Juro que não vai se arrepender, é surreal de boa. - ele falou enquanto voltava a entregar o celular para ela depois de alguns segundos. - Se eu pudesse comer todo dia pizza, com certeza seria desse lugar. - abriu um sorriso lindo para ela, que foi inevitável não sorrir também.
- Muito obrigada. Se for ruim, eu vou bater na sua casa pedindo meu dinheiro de volta. - falou ela, percebendo que eles haviam parado no andar do apartamento dele. Ele deu risada e concordou, já ajeitando as coisas para sair do pequeno cubículo e se despedindo. - Boa noite .
Assim que ele saiu, apertou o botão de seu andar para o elevador voltar a se mexer. Hoje, além de estar super estressada, também estava mais lerda que o normal. Pelo menos tinha conseguido uma indicação de pizza e com a fome que estava começando a aparecer, torcia para que fosse muito boa assim como o vizinho havia indicado.

x


O dia mal havia começado e já se encontrava na correria. Felizmente, não acordou tão indisposta como ontem. Ter uma refeição gostosa com uma taça de vinho tinha conseguido melhorar pelo menos um pouco a sua noite. Ela tinha que agradecer ao por ter mencionado aquele lugar, a pizza realmente era muito boa e valia cada centavo. Já tinha anotado o nome do lugar para pedir novamente.
trabalhava em um escritório de advocacia já a algum tempo, quase dois anos no total e apesar de toda correria e sufoco que passava às vezes, era o trabalho que ela sempre quis. Futuramente, tinha planos para quem sabe estudar para algum concurso e mudar de profissão, mas no momento, ela apreciava cada segundo no escritório. Seus clientes, por mais que tivessem alguns de seus problemas a serem resolvidos por ela, a adoravam, principalmente mulheres que conseguiam finalmente se divorciar com sua ajuda; vez ou outra ganhava alguns presentes, que mesmo que fossem simples, eram guardados com muito carinho.
Enquanto respondia alguns emails, sentiu a bolsa vibrar repetidamente e assim que alcançou o que tanto vibrava, se deparou com diversas notificações de mensagens de sua melhor amiga, .

Oi linda! Vou passar na sua casa hoje, me aguarde.
Se quiser que eu compre alguma coisa, avisa para eu passar no mercado.
Eu já vou levar um vinho e alguns queijos. Também vou levar aquela torta que você gosta.
Talvez você esteja ocupada e eu aqui te atormentando. Vou trabalhar também.
Beijos! Te amo, até depois.

O sorriso no rosto de estava gigante. Ela adorava as visitas e a companhia da amiga, as duas eram só risadas. era praticamente um grude com , quase toda semana combinava de se encontrar com a amiga e mesmo quando não se viam pessoalmente, estavam conversando por mensagens. As duas se conheceram por acaso; em uma daquelas confraternizações de empresa, ambas se esbarraram dentro do banheiro e mulher quando se junta dentro de um cubículo com outras mulheres, a amizade simplesmente nascia. trabalhava nessa empresa antes de mudar totalmente de rumo e ir trabalhar em uma loja de roupas e lingeries e estava lá como convidada de uma prima, que era uma das gerentes dessa mesma empresa. O assunto entre as duas simplesmente rendeu a noite inteira e assim elas trocaram seus números, se tornando melhores amigas com o passar do tempo.
Apesar de ter tudo planejado, alguns dias simplesmente fugiam de seu controle e acabou ficando uma hora a mais do que sempre ficava no escritório. Surgiu uma reunião de emergência com um cliente que estava desesperado e o problema caiu justamente nas mãos da mulher e bem quando ela tinha compromisso. A sorte era que sabia onde ela escondia uma chave reserva, então a melhor amiga já devia estar devidamente aconchegada dentro da sala de , tomando o vinho que prometeu levar junto. Para se desculpar pelo atraso, a mulher passou na mesma pizzaria que o vizinho havia indicado ontem e comprou um tamanho pequeno, mas do sabor favorito de . Chegando em seu prédio, foi direto para o elevador e subiu para seu apartamento, avistando os sapatos de do lado de fora, ao lado de sua porta.
- Cheguei, cheguei! - a mulher pronunciou ao empurrar com um dos pé a porta de sua casa. estava em pé na cozinha, terminando de abrir uma garrafa de vinho. - Trouxe pizza para me desculpar pela demora! - ela ergueu a caixa com uma das mãos, olhando para a melhor amiga sugestiva.
- Eu cheguei há pouco tempo também, então não se preocupe. Mas pode passar essa pizza para cá. Portuguesa com adicional de catupiry? - falou pegando a caixa da mão de e suspirando ao ouvir a melhor amiga assentir. - Como foi seu dia? - perguntou, se aproximando novamente e agora cumprimentando com um beijo no rosto e um abraço.
- Uma correria sem fim. Apareceu um problemão no escritório bem na hora que eu estava saindo e logicamente que quem deveria resolver era eu. Por isso que me atrasei toda. - suspirou e tomou um longo gole de vinho da taça da amiga mesmo. - Eu vou tomar um banho rapidão e aí já venho para conversarmos, ok? - a mulher nem esperou a resposta da amiga e já estava se retirando da cozinha, indo em direção ao seu banheiro. Só deu para ouvir gritando um “Anda logo que eu quero assistir série!” antes de ligar o chuveiro.
A mulher tomou um banho relaxante mas rápido e ao sair, já estava vestida com uma roupa super confortável, aquelas bem soltinhas que não prendem e nem machucam nada. Voltando para a sala, encontrou sentada no sofá, comendo uma fatia da pizza e com duas taças servidas na mesa de centro.
- Eu estava faminta, desculpa! - falou assim que viu a amiga se aproximando.
- Boa né? Meu vizinho que me indicou a pizzaria. Não estava acreditando que era tão boa assim, mas paguei com a língua. - deu risada e se sentou ao lado da amiga. olhou para ela com os olhos arregalados e concordou, mordendo mais um pedaço da pizza em sua mão.
- Como assim foi seu vizinho que te indicou a pizzaria, mulher? - perguntou alguns minutos depois, parecendo ter acordado de um transe do sabor de sua pizza.
- Nós nos encontramos no elevador e eu já estava procurando alguma coisa para pedir mesmo, e aí ele me indicou essa pizzaria! Eu até preciso agradecer a ele, porque é maravilhosa demais. - tomou um gole do vinho. - Que vinho bom, estava com tanta vontade de tomar um banho que nem prestei atenção.
- Bom né, menina? Mas continuando, o vizinho é bonito? - arqueou a sobrancelha duas vezes, de forma sugestiva, rindo logo em seguida.
- Sua assanhada! - A amiga deu um empurrãozinho no ombro da outra, dando risada da cara que a mesma fez. - Mas sim, ele é bem bonito. Mora no andar de baixo e o nome dele é .
- Hum, bom saber. Tomara que amanhã eu esbarre no gatinho. - piscou um dos olhos e tentou dar um sorriso mais sensual, recebendo uma almofadada da amiga.
Enquanto terminavam de comer a pizza, as amigas colocaram na série favorita de e assim passaram o resto da noite. Conversavam às vezes sobre as coisas que aconteceram em seus dias e bebericavam o vinho, até a garrafa estar praticamente vazia sob a mesinha da sala e ambas caindo de sono no sofá; tanto pelo cansaço do dia corrido, quanto pela quantidade de vinho que dava mais um empurrãozinho na canseira das amigas.
Ao acordar na manhã seguinte, foi direto para a cozinha, passava um café preto sem adoçar e preparava algumas torradas com ovos sempre que a amiga dormia em sua casa. Gostava de agradar pela companhia.
- Bom dia, bela adormecida! - apareceu na cozinha e deu um beijo na bochecha da amiga, pegando uma xícara que tinha acabado de ser servida. - Adoro que você me mima sempre que estou aqui, eu deveria vir morar com você.
- Pois eu iria amar a companhia. - sorriu para a amiga. As duas viviam brincando ao dizer que iriam morar uma com a outra.
- Quais seus planos para hoje? Quer sair? - a mulher perguntou, comendo um pouco das suas torradas.
- Vou visitar meus pais hoje, amiga, desculpa. Vamos marcar para um outro dia, até porque vou sair correndo do escritório e já ir para lá.
- Tudo bem, nem se preocupe com isso. Aliás, eu já preciso ir saindo, vai ter uma entrega de umas peças que as clientes faltam pular no meu pescoço para repor e sabemos que você não vive sem a minha bela pessoa, então, pelo seu bem e amor a mim, preciso ir. - falou e deu risada, já se levantando e indo pegar suas coisas. só sabia rir da cara de pau da amiga, porém a acompanhou até a porta.
iria preparar um bolo para levar a casa de seus pais. Os dois amavam quando a filha cozinhava, então ela sempre se esforçava para criar alguma receitinha, mesmo que simples, para agradar a ambos também. Já havia avisado que chegaria mais tarde no escritório por conta disso, então felizmente, não teria que fazer nada às pressas e correr o perigo de seu bolo ficar mal assado. Ao começar a receita, foi pegando os ingredientes e já adicionando ao seu recipiente, para não deixar uma bagunça em sua bancada organizada, porém ao experimentar a massa praticamente pronta com um dedo, notou que o bolo estava praticamente sem gosto.
Indo conferir a receita que havia escolhido, a mulher notou que faltava um dos ingredientes. Açúcar. Com a correria da semana, nem havia lembrado que precisava fazer as compras justamente para isso e após dar umas cinco voltas por toda sua cozinha e não encontrar nenhum pacote de açúcar, a mulher entrou em desespero. Não sabia dizer se conseguiria ir até o mercado e voltar com um pacote de açúcar sem que sua massa estragasse, já que a mesma levava ovo cru e ela não correria o risco de levar algo que desse algum tipo de intoxicação alimentar em seus pais.
Sem pensar muito e com uma dor no coração de medo de ter que jogar uma grande quantidade de massa no lixo, a mulher se apressou para fora de casa, indo em busca do açúcar. Estava descendo, quando o elevador parou no andar de seu vizinho e o mesmo entrou.
- Bom dia, . Como vai? - o moreno perguntou sorridente, cumprimentando a mulher.
- Bom dia, estou bem e você? - sorriu de volta, porém lembrou de sua massa praticamente ferventando em sua bancada, então o desespero voltou. - Sabe se a conveniência da esquina vende açúcar? - a mulher perguntou, apertando o botão do térreo do prédio freneticamente, até a porta fechar.
- Açúcar? Eu duvido muito. Você está precisando? - olhou para a mulher e ajeitou sua roupa.
- Sim! Vou visitar meus pais hoje e eu sempre levo alguma coisa, mas com a correria da semana, eu esqueci de fazer as compras e está faltando justamente o açúcar, minha massa está com gosto de nada praticamente. - respondeu frustrada, olhando para o celular. - E para ajudar, não sei se até eu voltar, vai dar para usar a massa que já fiz. Medo de sei lá, dar um ruim com o ovo já misturado. Sou uma idiota, meu Deus. - A mesma se encostou na parede no elevador e respirou fundo.
- Eu te dou um pouco de açúcar, . - a mulher abriu os olhos na mesma hora e observou o moreno a encarando, com uma cara de preocupação. - Não entendo muito de bolos e ovos, mas odeio desperdiçar comida também, então, vamos até meu apartamento que eu te dou um pouco de açúcar, mulher! - deu um sorriso amigável para ela, que concordou sem pestanejar, suspirando aliviada. O homem apertou o botão de seu andar e o elevador desceu e subiu, parando novamente onde o mesmo tinha acabado de sair.
decidiu não entrar no apartamento de ; não achava que tinha intimidade suficiente para isso e já estava com vergonha de estar fazendo praticamente igual aqueles livros de romance ou aqueles pornos mais fajutos ao pedir um pouco de açúcar da casa do vizinho.
- Aqui está, madame. - apareceu novamente em sua porta, entregando para ela um pote pequeno com uma quantidade considerável de açúcar, que seria mais do que suficiente para seu bolo.
- Sei que isso aqui parece clichê, mas você não tem noção de como está me salvando de ter cinco crises nervosas, obrigada mesmo. - agradeceu segurando o potinho e dando um abraço de leve no vizinho, não sabia se o mesmo gostava desse tipo de interação, porém a mulher se comunicava assim muitas vezes.
- Só vou acreditar que isso não foi proposital se você me dar um pedaço do bolo depois! - falou assim que estava se dirigindo para a escadaria do prédio; como o homem iria descer, para não atrapalhar, ela voltaria para seu apartamento pelas escadas mesmo. O homem sorriu para ela e deu uma piscadinha.
- Pois vai ser o melhor bolo que você já comeu na vida. - ela deu risada, também piscou para ele e empurrou a porta da escadaria, subindo de volta para seu andar.
A mulher terminou de preparar o bolo rapidamente e deixou assando, enquanto ia para o banheiro tomar um banho; iria passar no escritório para ajeitar umas coisas que ficaram faltando antes de finalmente ir para a casa de seus pais. havia cortado o bolo, agora pronto e com sua melhor cobertura de brigadeiro, em quadrados, então ela pôde pegar alguns pedaços e separou em dois potinhos, um seria para a ponteira de seu prédio e outro para , que ela pediria para a mulher mais velha entregar junto de um bilhetinho, em que a mesma agradeceu pela indicação da pizza e pela ajuda com o açúcar.
conseguiu resolver todas as questões pendentes do escritório e logo seguiu para a casa de seus pais; os três nem sempre foram tão próximos, por questões naturais mesmo, não havia nada de conflito, porém nesses últimos meses a relação havia se tornado bem melhor, então sempre que podiam estavam passando um tempinho juntos. O resto do dia se passou de forma bem rápida e assim que chegou a noite, a mulher e seus pais jantaram, conversaram e resolveram assistir algum filme de comédia comendo o bolo salvo por , até o sono chegar a cada um deles.

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Quase duas semanas se passaram desde que ficou o fim de semana com seus pais. Praticamente uma ou duas vezes por mês, a mulher se encontrava na casa dos mesmos para que eles pudessem ficar um pouco juntos, nem que fosse apenas para um café da tarde. Esse tempo foi ótimo para que ela pudesse repor algumas energias e descansasse a sua mente da correria do dia a dia, porém tudo havia começado novamente. e agora sempre se encontravam no elevador ou no hall do prédio. Viviam se cumprimentando e conversavam pelos poucos minutos barra segundos em que ficavam juntos como se fossem super íntimos. Vez ou outra a mulher até sentia que ele flertava com ela, mas talvez fosse coisa da sua cabeça, já que sempre que se encontravam estava muito cansada, vai que sua mente estava lhe pregando algumas peças em relação ao rapaz.
estava desligando seu computador, arrumando a bagunça de sua mesa para enfim terminar seu dia de trabalho, até que seu celular começa a vibrar sem parar e ressoar uma música que aumentava aos poucos, alertando que estava recebendo uma ligação. O cansaço pesava seus ombros, havia sido um dia extremamente corrido e lotado de tarefas e ela só conseguia pensar em um banho bem quente, aqueles de sair com o banheiro cheio de vapor e o espelho totalmente embaçado por conta da temperatura da água e tudo o que menos queria era ter que atender ao telefone e ouvir algum cliente inconveniente ou grosseiro perguntando sobre os prazos do escritório. “Esse é seu trabalho, faça por onde mulher!” pensou enquanto esticava o braço para pegar o aparelho e suspirou aliviada ao ler o nome “” no visor.
- Achei que a bonita não iria me atender. - escutou a amiga falar no telefone assim que havia atendido. - Não faça planos para amanhã à noite! Nós vamos para um bar novo que abriu e eu não aceito suas recusas. Faz muito tempo que não nos vemos e eu estou com saudades. - basicamente atropelou com suas frases, não deixando a mulher nem raciocinar direito.
- Boa noite para você também, linda. Eu estou muito bem e você? Obrigada por perguntar. - começou e deu uma risada ao escutar sua amiga pronunciar um “idiota” bem baixinho. - Também estou com saudades , mas só de pensar em sair me dá preguiça. Ainda mais depois da última vez. - respondeu e se encostou na cadeira, terminando de guardar seus pertences em sua bolsa. Escutou a amiga bufar e riu com a imagem dela revirando os olhos em sua mente.
- , faz tanto tempo da última vez. Eu quero sair com você e não aceito não como resposta, por favor, por favor, por favor. - repetia dando risada. - Eu te pago um café depois.
- A última vez que saímos faz duas semanas, sua descarada. E semana passada você estava na minha casa. Você não cansa desse fogo todo não? - a mulher caminhava em direção a porta de seu escritório, apagando as luzes para sair. Suspirou e se deu por vencida. - Eu quero um café e um almoço. - terminou e ouviu a amiga soltar gritinhos animados através do aparelho. - Fico esperando sua mensagem do lugar e o horário okay? Agora eu preciso correr para casa, estou sonhando com um banho quentinho. - As amigas se despediram mandando beijos e rindo da empolgação intensa de .
Apesar da diferença de personalidades, elas se davam muito bem, conheciam uma à outra como a palma da mão. sabia que a amiga adorava sair e principalmente se fosse para beber, então imaginou que ela não iria recusar seu convite. dirigia pelas ruas, fazendo seu caminho de sempre em direção a sua casa, pensando em três coisas: que o dia de amanhã no escritório seria cheio então tentaria terminar alguns relatórios em casa, que precisava urgentemente fazer as compras do mês e na roupa que usaria para sair com sua amiga. Chegou em sua casa com duas escolhas de roupas e uma lista de compras gravada mentalmente. Deixou seus pertences em cima da pequena mesa que ficava do lado da sua porta de entrada e caminhou em direção ao seu quarto, já tirando as roupas e indo tomar seu tão desejado banho.
Deitou em sua cama, após colocar uma roupa confortável e comer alguma coisa que havia preparado em menos de 10 minutos, e já estava pronta para começar seus relatórios quando uma notificação em seu celular chamou sua atenção. Era enviando suas mensagens.

Espero que já esteja em casa e tenha decidido que roupa vai usar. Passo aí para irmos juntas! Vá bem linda como a gostosa que você é.”
"Aliás, boa noite! Te amo e estou com saudades.”
E me empresta sua bota amanhã? Se você não for usar, claro.”
Beijos, faltou os beijos.

riu das mensagens da amiga e já respondeu em seguida.

Pensei em duas escolhas para amanhã mas ainda estou confusa, preciso de sua ajuda. E pode usar a bota sim, vou deixar aqui para você pegar. Beijos gatinha, não esqueça que você está me devendo um café. Te amo.

Deixou o celular apoiado na cama mesmo e voltou sua atenção para o notebook. Queria deixar as coisas pelo menos começadas, para não ficar além do seu horário no escritório e atrasar o encontro com a amiga. Ficou por pelo menos umas duas horas ali, terminando alguns relatórios e começando outros, até que o cansaço e o sono a venceram.
O dia seguinte havia se arrastado, logo como imaginava. Sexta-feira normalmente era um dia calmo para o escritório, mas hoje em específico estava uma completa loucura por se tratar do fechamento de diversos contratos e parecia que essas coisas aconteciam bem quando ela combinava compromissos. Às 18h00 já estava arrumando sua mesa, sentindo o cansaço chegar aos poucos. já havia mandado outras diversas mensagens, contando que estava em dúvida sobre suas roupas também, se passaria frio ou calor usando mais ou menos peças, o que elas iriam comer após voltar, sendo que não tinham nem começado a se arrumar para sair. As mensagens pelo menos transmitiam uma animação para , fazendo com que a canseira da semana extensa fosse deixada de lado.
Assim que terminou seu horário, foi direto para casa. Chegando, a primeira coisa que fez foi comer; se conhecendo, ir beber sem comer nada não era a melhor coisa a se fazer. O interfone de sua casa tocou, avisando que tinha acabado de chegar e enquanto a amiga entrava, ela foi tomar banho. Depois de longos minutos embaixo da água quentinha fazendo o resto do cansaço ir embora junto com os resquícios de sabonete, a mulher saiu já pegando suas duas opções de roupa para ajudar na decisão.
Uma hora e meia depois, as duas estavam prontas. Depois de mais alguns retoques, mais uma borrifada de perfume, ambas estavam indo para o lugar escolhido pela amiga.
- Dia de colocar as fofocas em dia enquanto meus bons drinks estão sendo servidos, tudo para mim! - disse assim que as duas se sentaram em uma mesa. - E vai que eu ainda arranjo uma boca para dar umas bitoquinhas. - Fez um bico e com a mão fez o formato de “coxinha”, dando um beijo em seus próprios dedos.
- Você não presta, mulher. Já está bêbada é? Foi para minha casa bebendo? - riu da encenação da amiga. - Pode contar a fofoca da vez então, já que a minha vida não tem nada de emocionante.
- Como não tem nada de emocionante? E aquele moreno de olho claro? Qual o nome dele mesmo? Yuri? - abriu um grande sorriso vendo as bebidas sendo servidas à mesa. - Não vai me dizer que você já dispensou aquele lindo! - continuou após tomar um gole.
- Aquele lindo que você nem lembra o nome né? Era Josh. Foi apenas uma coisa de alguns dias, nada demais, você sabe como é. Não quero e nem tenho tempo para essas coisas. - respondeu sem ânimo mexendo no enfeite de seu copo. - Se quiser o número dele, fique à vontade. Só não vai errar o nome dele em!
- Para garota, que isso. - a amiga empurrou , dando risada. - A fofoca da vez é que, pausa dramática, fui promovida! Agora você está conversando com a mais nova gerente da loja Maria Pitanga. - fez uma pose enquanto fechava os olhos. abraçou a amiga.
- Que incrível! Fico muito feliz por você e espero que essa nova etapa seja ótima. - As duas se olharam sorrindo e propôs um brinde para comemorar a realização da amiga e logo em seguida já pediu algumas doses de tequila. Maria Pitanga era loja que havia se encontrado profissionalmente, não era um comércio muito grande, mas que do nada havia ficado super conhecida e ganhou muita fama com o tempo, se tornando uma das lojas mais requisitadas e favoritas da cidade. Ambas pegaram os copinhos com as bebidas dentro assim que foram servidos, brindaram novamente e viraram, acompanhando o limão e o sal também.
- É hoje que eu saio carregada e levo minha amiga junto. - falou alto até demais e deu uma piscadinha para , que arregalou os olhos rindo.
- Juízo, mulher! Agora você é super importante para a Maria Pitanga, já pensou se algum cliente da loja te vê sendo carregada? - ficou alguns segundos olhando para o copinho em sua mão, pensativa. Abriu um grande sorriso e respondeu:
- Eu chamo para beber junto comigo e a pessoa ainda ganha desconto de 10% no final da compra. - as duas caíram na risada.
As amigas voltaram a conversar empolgadamente bebericando as bebidas que pediram. contava sobre a correria que havia sido a semana passada, quando percebeu pelo canto de olho alguns rapazes conversando e olhando em direção a elas; talvez já tivesse bebido um pouco a mais, então nem deu tanta atenção para isso e nem comentou com . Logo já estava distraída com outro assunto da amiga, sobre uma viagem que ela faria no final de ano, e com outro drink em mãos. Depois de colocar mais alguns assuntos em dia e mais bebida para dentro, as duas foram dançar animadas.
Já haviam dançado algumas músicas, o corpo de começava a esquentar com o calor daquela pista de dança e já estava se abanando com as mãos. As duas estavam muito felizes por estarem ali juntas e em um momento muito bom de suas vidas, então dançavam, riam, se abraçavam e até conversavam sem parar ali no meio, mesmo com a música alta estalando em seus ouvidos; Até perceber que estava olhando demais em uma direção, mais precisamente para a esquerda da pista de dança. A mulher seguiu com o olhar e no canto, viu um dos rapazes que tinha visto mais cedo e ele estava claramente flertando com a amiga. “E essa safada respondendo!” pensou ela, enquanto via a amiga dançar e olhar para o homem diversas vezes. Avisou a que iria no bar pegar mais uma bebida, dando uma deixa para a amiga e também para o homem, vai que eles só estivessem esperando ela dar uma volta para se aproximarem.
Voltando com a bebida em mãos, percebeu de longe que os dois já estavam juntos e conversavam animadamente no meio da pista. Deu risada da cara de pau de , porém pensou que a amiga tinha que aproveitar mesmo, então ficou por ali mesmo perto de uma pequena mesinha. Sentiu um pouco do cansaço voltar a pesar suas costas, mas dançava de leve balançando o corpo. Varreu os olhos pelo bar barra balada, pensando em como havia gostado daquele lugar e com certeza frequentaria mais vezes, e quando voltou os olhos para a amiga, se encontrava beijando o rapaz.
- Esse não é nada bobo. - escutou uma voz grossa falar ao seu lado e virou o rosto para olhar quem era. Seus olhos encontraram um rapaz alto, que estava olhando para onde sua amiga e o homem se beijavam. Seu rosto era um tanto quanto conhecido. - Eles só podiam sair do meio da pista, né? Se bem que ninguém parece estar ligando.
- Realmente. Talvez esse encosta e desencosta dos outros dançando não seja confortável, mas eles parecem bem distraídos. - respondeu ao homem e deu risada olhando para a amiga. Voltou sua atenção para o rosto dele tentando o reconhecer. Olhou por alguns segundos, talvez longos até demais, mas aos poucos conseguiu identificar quem era o rapaz ali. - ? Meu Deus! Faz uns dias que não te vejo. - disse finalmente se aproximando para cumprimentá-lo com um beijo no rosto. A mulher estava surpresa e feliz em ter encontrado seu vizinho ali no meio. - Como que você está?
- Eu estou bem e você? Muita correria na semana? - perguntou sorrindo para ela novamente.
- Nossa, você não tem noção. Até estamos nos desencontrando por conta disso, estou entrando mais cedo e ficando até mais tarde no escritório. - revirou os olhos ao falar, mas ainda assim sorria para o homem à sua frente. - Mas e você? E como conhece a pessoa que está beijando minha amiga?
- Eu e somos praticamente irmãos. Ele já estava olhando para ela há algum tempo, porém eu não tinha reconhecido que a pessoa junto era você. - o rapaz arqueou a sobrancelha e sorriu charmoso; talvez a bebida já estivesse dando suas caras, pensou ela. - Nos conhecemos desde adolescentes.
- Eu e a somos iguais. Não nos conhecemos a tanto tempo, mas também vivemos grudadas uma na outra. - tomou um gole de sua bebida e voltou a olhar para o rapaz, que não tirava os olhos dela. - Vocês já tinham vindo aqui?
- O já, eu vim pela primeira vez hoje. E vocês duas?
- Primeira vez também. encontrou alguma divulgação que estava tendo e cá estamos. - ela respondeu, agora olhando em volta do bar novamente.
e começaram a conversar brevemente, poucas coisas sobre a semana que tinha passado, sobre sua amizade com e a amizade dele com . Apesar de serem vizinhos, nada tão íntimo já que sabia que se fosse rolar alguma coisa entre os dois, não passaria daquela noite. Não era do seu feitio dar continuidade a essas pequenas relações pois sabia como terminava e se poupava de tanto drama, até porque quase não tinha tempo para isso com sua rotina corrida. Normalmente, seus pequenos casos amorosos eram de duas, três semanas, estourando um mês já que a partir disso, as coisas ficavam cada vez mais íntimas com tanto contato. basicamente fugia dessas situações e vivia bem assim, estava acostumada com isso.
A mulher já tinha plena noção do quanto era bonito, mas parecia que naquela noite em especial ele estava duas vezes mais atraente e charmoso, fazendo com que a mesma quase não tirasse os olhos dele. E como eles já estavam a um tempo conversando e se conheciam do elevador, se deixou levar e aproveitou a conversa com ele. Quem sabe sua noite não acabasse como estava sendo a de , certo? Depois de alguns minutos, algumas risadas, papo jogado fora e alguns copos de bebida, os dois já estavam mais soltos e seus corpos estavam bem mais próximos. se aproximava sorrateiramente para perto de a cada risada que ela soltava.
- Mas e você ? Não vai aproveitar a noite como sua amiga ? - perguntou, tomando um gole de sua bebida mas sem tirar os olhos de . Desde que começaram a conversar, ele também não parava de olhá-la. Analisava todos os seus detalhes de forma discreta, aproveitando a baixa luminosidade do local para que ela não percebesse.
- Talvez, pode ser que eu tenha outros planos. - respondeu levantando a sobrancelha de forma sugestiva, deixando seu copo na pequena mesa que servia como apoio para ambos e voltando a olhar para ele. Seu olhar a deixava um pouco desnorteada, então sentia suas pernas com aquela sensação de estarem amortecidas e cada vez que ele se aproximava, seu perfume invadia mais suas narinas. - E você? Como vai terminar a noite?
- Primeiro, eu preciso encontrar e lhe agradecer por me deixar sozinho com a vizinha mais bonita e simpática que já tive. - Ele sorriu e se aproximou um pouco mais. retribuiu o sorriso e foi um pouco para trás, se afastando minimamente do corpo dele. Suas costas encontraram a parede do local e ali ela encontrou seu apoio. colocou as mãos em sua cintura apertando levemente e chegou um pouco mais perto. - E se tudo der certo, vou estar incluído dentro dos seus planos também.
sentiu que uma das mãos dele subiu por suas costas, indo de encontro com sua nuca, fazendo com que ela sentisse leves arrepios. Essa região era bem sensível para ela. aproximou o seu rosto e deixou pequenos beijos por sua bochecha, já descendo por sua mandíbula e chegando ao pescoço, a deixando um pouco mais arrepiada por sentir as pontas de sua barba roçarem ali. Os dois voltaram a se olhar por alguns segundos até que ele acabou com a distância de suas bocas.
O beijo era calmo mas forte, ambos transmitiam a atração que estavam sentindo pela intensidade ali. Uma das mãos de foi de encontro com os cabelos de e puxou alguns fios de sua nuca, enquanto a outra ia para sua cintura, segurando a camiseta dele. Já percorria praticamente todo o tronco de ; suas mãos não se decidiam se ficavam na cintura dela ou se iam de encontro para seu rosto, às vezes segurava sua nuca ou então desciam até o começo de seu quadril. Com o lugar escuro, não estavam muito preocupados com alguém que passasse por ali e só se afastaram pois a falta de ar se tornou urgente. desceu os lábios para o pescoço de novamente, escutando a soltar leves suspiros e tentando recuperar um pouco do fôlego.
- Você quer sair daqui? Podemos ir para a minha casa, tomar mais alguma coisa e ficar por lá. - Ele levantou o rosto e olhou em seus olhos, torcendo para que a mulher não negasse seu convite. suspirou e lhe deu mais um beijo rápido, concordando com a cabeça.
- Eu deveria avisar . Será que ela ainda está por aqui? - Disse assim que pegou em sua mão para a guiar até a saída. Percorreu o lugar rapidamente com os olhos, não encontrando a amiga. Após uma rápida olhada pelo local também, pegou o celular e o estendeu para a , que leu a mensagem de avisando que teria ido embora com . - Nem estou surpresa. Mas a linda poderia ter vindo me avisar, ou sei lá, ter mandado uma mensagem. Quem sabe um sinal de fumaça, não é mesmo? - deu risada mas revirou os olhos. Conhecia essas atitudes da amiga mas não deixava de se preocupar.
Os dois caminharam para fora do bar, indo em direção ao carro de . Não demoraram muito para chegar até o prédio de ambos. Subiram no elevador apenas flertando com seus olhos. Como naquele dia não havia entrado dentro do apartamento de , não conseguiu ver praticamente nada, porém agora, mesmo dando uma olhada rápida, era um apartamento bem aconchegante e arrumado, era de se notar que ele era um homem caprichoso e cuidadoso. Ela entrou após ele dar passagem e caminhou até a sala, enquanto ele se dirigia até a cozinha e em minutos já estava voltando segurando dois copos com o que ela imaginava ser algum destilado com fruta ou pelo menos um xarope de fruta por conta de sua cor forte.
estava sentada no sofá checando para ver se não tinha nenhuma mensagem de . se sentou ao seu lado, lhe entregando o copo. Com a luminosidade da sala, ela confirmou mentalmente, umas três vezes seguidas alias, o quão bonito ele era realmente e conseguiu identificar algumas tatuagens em seu braço. Conversaram brevemente sobre uma das artes permanentes de seu antebraço que lhe chamaram a atenção, até o assunto voltar ao , já que ambos tinham tatuagens iguais.
- Fizemos a tatuagem há pouco menos de um ano, foi uma ideia bem repentina, nós ficamos muito animados e aqui está. - ele passou os dedos pela mistura de desenhos tatuados em sua pele. - sempre tem essas ideias aleatórias, algumas nem tão boas mas outras são ótimas. - Os dois estavam bem próximos, já que tinha se aproximado mais enquanto ela prestava atenção nas tatuagens de seu braço.
- Será mesmo? - não conseguiu pensar em mais para se dizer quando sentiu o homem lhe dando alguns beijos em sua mandíbula, perto de sua orelha. O roçar da barba a deixava arrepiada demais.
- Acho que só tem um jeito de descobrir. - ele sussurrou, voltando a olhar em seus olhos por alguns segundos e depois para seus lábios, acabando com a pequena distância de suas bocas.
O beijo agora mais urgente. levou uma das mãos para o rosto de , sentindo as pontas da barba pinicarem seus dedos e depois para seus cabelos, o puxando fortemente sentindo a língua dele se enroscar cada vez mais na sua. Com um dos braços em sua cintura, puxou para seu colo. A mesma se apoiava com força nos ombros dele, vez ou outra passando as unhas por sua nuca, o deixando arrepiado. pressionava o corpo de contra o seu. Os dedos esguios foram de encontro com a barra da saia que ela usava, levantando-a ao mesmo tempo em que uma das mãos dava apertões em sua coxa e a outra em sua bunda. Levemente, começou um vai e vem no colo do homem, sentindo ele apertar sua cintura firmemente e deixar escapar um suspiro de seus lábios. As mãos dela encontraram a barra da camiseta dele, arranhando levemente a lateral de seu tronco ao puxar para cima tentando arrancá-la. Sentindo que estava lhe faltando ar, levou sua boca de encontro com o colo de , deixando alguns beijos molhados pela região e pelo pescoço da mulher, enquanto uma de suas mãos apertava a cintura dela lhe dando impulso para continuar mexendo o quadril daquele jeito e a outra puxava as alças de sua blusinha para baixo, fazendo com que as rendas da lingerie preta aparecessem.

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Mais uma semana havia começado e já se encontrava em reunião com alguns sócios da empresa, conversando sobre a resolução de alguns casos, em plena quarta-feira novamente. Um deles passava alguns slides demonstrando o aumento de popularidade do escritório com o uso de alguns gráficos quando a mente dela começou a vagar pelos acontecimentos do fim de semana. apareceu no outro dia se desculpando pelo sumiço e contando da noite boa que teve com , do quanto ele era bonito e engraçado e que já estavam conversando. também contou um pouco da noite com , escutando a amiga falar que haviam nascido com as bundas viradas para a lua por terem ficado com os amigos gostosos e melhor ainda, um deles ser vizinho da mulher.
Diferente de , não estava trocando mensagens com , até porque no dia seguinte, a mesma acordou e precisou de alguns segundos para reconhecer o quarto em que estava e por que tinha um braço ao redor da sua cintura que lhe puxava um pouco mais para perto toda vez que se mexia. A mulher normalmente não ficava na casa da pessoa depois de ter uma noite com ela, mas estava tão exausta que só se deu conta que ainda estava na cama de quando abriu os olhos. E o rapaz dormia de forma tão serena que não queria acordá-lo, então ela tentou calmamente tirar o braço do mesmo de sua cintura. Ao conseguir levantar, ela observou o quarto calmamente e encontrou um bloquinho de notas em cima de uma pequena cômoda ao lado da cama e escreveu um recado para ele.

Bom dia, precisei ir embora mas obrigada pela noite. Foram boas risadas. Precisando de qualquer coisa, sabe onde me encontrar! Beijos.

Como a mulher havia saído sorrateira da casa dele no domingo, quando estava para ir ao seu trabalho, ela torcia para não ter que encontrar com ele e ficar aquele clima constrangedor no meio do elevador. era muito bem resolvida com suas atitudes, mas tentava evitar essas situações, ainda mais quando o homem era seu vizinho e mais cedo ou mais tarde, eles iriam se encontrar por acaso, só que não precisava ser exatamente naquela mesma semana.
O dia passou de forma muito lenta, olhava para o relógio pendurado na parede a cada dez minutos, torcendo para que já tivesse se passado trinta minutos, mas o ponteiro do relógio parecia rir da sua cara. Já era meio da semana e a mulher ainda precisava fazer algumas compras para sua casa, a geladeira estava praticamente vazia e seus armários se encontravam do mesmo jeito. Quase no fim de seu expediente, aproveitou que os sócios e as ligações deram uma pausa e então fez uma pequena lista no celular mesmo das coisas que precisava e assim que deu seu horário, ela seguiu para o mercado.
Após ter feito toda a compra, ela já se encontrava em casa. Entre um pacote e outro sendo guardados no armário, a mulher colocou uma música para tocar e dar um ânimo nessa pequena organização da cozinha. As coisas estavam quase todas guardadas em seus devidos lugares, quando a campainha da casa da mulher ressoou mais alto que a música que tocava, chamando a atenção dela. Abrindo a porta, tomou um leve susto ao ver que era que estava ali.
- ! Tudo bem? - a mulher abriu seu melhor sorriso, tentando disfarçar o pequeno sobressalto que teve.
- Oi ! Como vai? Escuta, vai parecer meio bobo, mas hoje eu que estou precisando de um pouco de café. Não consigo trabalhar sem e estou em home office hoje. - deu um sorriso amarelo, meio envergonhado do pedido.
- Claro homem, eu pego para você! Entra aí. - a mulher convidou, indo para o lado e dando passagem para entrar. - Não consigo ficar sem café também, te entendo.
- Pois é, meu dia fica incompleto sem café e foi acabar logo hoje que fico em casa o dia todo praticamente. - seguiu para a cozinha e foi atrás, se encostando na bancada entregando dois potes para ela. - Trouxe seu pote também, acabei esquecendo de te entregar… Aliás, posso te fazer uma pergunta? - o rapaz proferiu receoso.
- Lógico, fale. - pegou um dos potinhos e seu vidrinho de café, começando a enchê-lo aos poucos.
- Por que você foi embora aquele dia? Eu fiz alguma coisa de errado? - perguntou coçando a cabeça, demonstrando estar um pouco desconfortável em perguntar isso.
- Claro que não, , meu Deus! - parou sua ação e olhou para ele, com os olhos arregalados. - Não tenho costume de ficar para dormir na casa dos outros e eu precisava resolver alguns assuntos aqui em casa também. Você me tratou super bem. - ele agora olhava para ela com as bochechas um pouco coradas.
- Tudo bem. Eu precisava perguntar porque acordei assustado e só vi aquele recado no travesseiro, enfim… - o homem deixou a frase ir morrendo aos poucos para não ter que continuar. Ele ainda demonstrava estar um pouco desconfortável e percebeu.
- Sério, a noite foi boa. E eu não queria te acordar depois, você estava dormindo tão bem que eu não quis incomodar. - foi sincera. - Olha, eu te faço um jantar pra me desculpar, o que você acha? Com sobremesa e tudo. - agora era ela que olhava para ele de forma envergonhada.
- Não precisa, . Você não precisa se desculpar por nada, que isso. - falou, já se arrumando para sair da casa da mulher, mesmo ela ainda não tendo devolvido seu pequeno pote com o café.
- Eu insisto, sério. Não quis te passar essa impressão errada sobre mim. - se apressou a dizer. - Às 20h30 aqui em casa, pode ser? - ela saiu atrás dele após notar que o mesmo já estava praticamente na porta de sua casa.
- Tudo bem, mas só porque eu quero comer bolo de chocolate de novo. - o rapaz sorriu de forma brincalhona e piscou para ela, ainda estando com as bochechas levemente avermelhadas.
Os dois se olharam por mais alguns segundos antes de entrar no elevador e fechar a porta. Ela não tinha esse tipo de ação normalmente, ainda mais por ter tido somente uma noite com ele, mas não queria perder a pequena amizade que havia criado com o homem por um hábito seu, então o jantar seria para que eles continuassem com esses encontros repentinos no elevador sem precisar fingir que não se conhecem.
Como a mulher já tinha ido ao mercado, ela só precisou decidir qual receita iria fazer para servir e em seguida já começou a separar os ingredientes para cozinhar porque o horário que havia falado para se aproximava e ela ainda precisava tomar banho e escolher uma roupa para receber o vizinho em sua casa. Após deixar alguns vegetais cozinhando em água no fogão e a carne escolhida no forno, foi para o banheiro tomar um banho rápido e decidir uma roupa que fosse bonita e ainda sim confortável. Assim que terminou de se arrumar, a mulher correu para a cozinha conferindo como estavam os alimentos cozinhando e terminou de dar alguns retoques e começou a preparar a massa do bolo que havia falado que também teria de sobremesa. Com isso pronto, juntou os vegetais junto da carne no forno e esperou apenas chegar, que assim ela colocaria o bolo para assar em seguida. Em alguns minutos, a campainha tocou, anunciando a chegada do rapaz.
- Oi, quanto tempo! - falou assim que a mulher abriu a porta. Os olhos do mesmo correram rapidamente por todo o corpo dela. vestia um vestido azul, quase preto de tão escuro e simples, mas que ainda assim não passava um ar de “peguei qualquer roupa que vi pela frente” e também era confortável. - Trouxe vinho para a gente.
- Ai que bom! - ela deu passagem para ele entrar. O cheiro do perfume dele invadiu suas narinas quando o mesmo passou, fazendo com que certas memórias do fim de semana aparecesse em sua mente. - Espero que goste do que eu preparei. Mas se caso não, podemos pedir uma pizza também, ok? - mudou de assunto rapidamente, antes que ele percebesse sua cara ao estar relembrando da noite que passaram juntos.
- Deixa de ser boba, mulher. - deu risada da ideia da pizza e entregou a garrafa de vinho para ela. A mesma seguiu para a cozinha e o rapaz foi atrás novamente.
- Consegue alcançar aquelas taças ali para mim? Vou colocar o bolo no forno para assar. - a mulher pediu e indicou o armário onde estavam suas taças prontas para serem usadas. - Obrigada!
agradeceu a e ficou alguns segundos olhando para o homem e ele sustentando o olhar, até que ela mesma se forçou a pegar a garrafa de vinho e abrir, servindo as duas taças com o líquido escuro; enquanto isso, ela conseguia sentir as bochechas esquentando e provavelmente adquirindo uma cor avermelhada.
- Você fica bonita assim.
- Assim como? - levou a taça até a boca, voltando a olhar para os olhos chamativos de .
- Envergonhada, tímida e com essas bochechas coradas. - o rapaz respondeu, levando também a sua taça até a altura de seu rosto, esperando a reação de , que só sentiu as bochechas e o corpo inteiro ficando mais quentes. Ele deu uma risada nasalada e bebericou o líquido roxo, saindo em direção a sala da mulher. deixou sua taça em cima da mesa onde o jantar seria servido e voltou em direção a cozinha, agora indo buscar os utensílios para ajudar.
estava bem na frente do balcão e os pratos estavam exatamente atrás de seu corpo. A mulher quase soltou seu copo no chão ao perceber que caminhava em sua direção e pegou em sua cintura firmemente, praticamente colando seus corpos, para alcançar as peças. Ela se sentia inebriada com o cheiro do perfume dele tão perto assim e se ele continuasse ali por mais alguns segundos, a taça voaria direto para o chão e suas mãos direto para os fios de cabelo dele. Felizmente, ou infelizmente, se afastou a tempo e levou os pratos para a mesa de jantar, arrumando-os.
O jantar se deu de forma leve. Os dois conversaram e riram bastante durante a refeição e acabaram se conhecendo um pouco mais, já que sabiam apenas o mínimo um sobre o outro. era dono de seu próprio negócio e estava prestes a abrir mais um estabelecimento na cidade; e era justamente uma franquia de perfumes que mais adorava, ela e sempre pediam para experimentar algum perfume da marca quando encontravam nas lojas.
- Isso aqui estava maravilhoso, . Sério. - elogiou novamente a comida da mulher, a deixando levemente envergonhada mas feliz. Ela adorava quando elogiavam as coisas que ela preparava.
- Obrigada. Fiquei receosa de você não gostar. - ela respondeu, terminando de tomar o vinho da taça.
- Que isso, estava ótimo. Obrigada pelo convite. - o rapaz tocou a mão dela em cima da mesa e sorriu. sentiu um leve formigamento entre as suas pernas, mas pensou que fosse por conta do vinho. - Quer mais vinho? - a mulher concordou com a cabeça e serviu as taças com um pouco mais da bebida alcoólica. O homem mudou de assunto em seguida e eles ficaram alguns bons minutos entretidos com esse papo, até que novamente o silêncio se fez presente entre os dois e alguns pensamentos da noite deles juntos começaram a invadir a cabeça de ; maldito vinho. - O que foi que você está tão quieta? Quer que eu vá embora?
- Não! Imagina. Eu… Nada, esquece. Quer assistir alguma coisa? - começou a dizer, porém se embolou entre os pensamentos e as palavras. Ela se levantou da mesa e apenas foi para a frente do sofá, indo pegar o controle para ligar a TV.
- … Pode falar. O que foi? - a mulher nem percebeu que ele estava logo atrás dela e segurava de leve a sua mão, chamando sua atenção antes mesmo dela alcançar o objeto preto.
- Eu.. Eu quero fazer uma coisa, mas não sei, não sei se dev… -
- Faz! Não se prive de fazer alguma coisa que você quer, . - interrompeu antes mesmo que ela terminasse.
ficou olhando para o rosto dele durante algum tempo, estava tentando tomar coragem e em segundos, ela se aproximou, acabando com o espaço que havia entre seus corpos e principalmente seus lábios. Com o susto pelo ato dela, demorou alguns segundos até se tocar do que realmente estava acontecendo e abriu os lábios, dando passagem para ela. O beijo dos dois era calmo, porém transmitia muito querer, muita atração, isso de ambas as partes; talvez os dois estivessem se segurando para não agarrar um ao outro durante toda a noite. Uma das mãos de estava no braço de , arranhando de leve e a outra apoiada no peito do mesmo, enquanto as duas mãos dele seguravam firmemente a cintura dela, apertando aos poucos. Do nada, interrompeu o beijo de forma abrupta.
- O bolo! - ela falou baixo, ainda de olhos fechados e com o rosto bem perto do de , seus lábios praticamente ainda se encostava. O mesmo já estava quase selando seus lábios novamente, porém ela saiu em direção a cozinha.
O homem foi atrás dela e ficou olhando encostado no batente da passagem para a cozinha. desligou o forno e retirou o bolo ainda quente de dentro, apoiando a forma em cima da pia. Notando que ela estava indo pegar algumas coisas no armário e longe da forma quente, chegou perto dela, mesmo que ela estivesse de costas, afastou os cabelos dela para o lado e começou a beijar entre sua clavícula e sua mandíbula. arfava levemente com os arrepios que sentia com a trilha de beijos molhados que ele deixava nela e segurava com força na ponta no balcão, como se aquilo fosse seu único apoio. Não aguentando mais, a mulher se virou para ele e grudou seus lábios novamente, iniciando outro beijo, porém agora muito mais quente e não tão calmo quanto antes.

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e passaram aquela noite juntos e ao acordar no dia seguinte, ela não se sentia sufocada ou em desespero por ter deixado o rapaz ficar para dormir, estava até se sentindo bem e feliz, pois as horas em que passaram juntos (com e sem roupas) foram ótimas. Durante a madrugada mesmo, ela terminou o bolo, adicionou cobertura e ajudou, mesmo que a cada cinco minutos a atenção dela se perdesse com a presença do mesmo ali. Como ainda era dia de semana e os dois passaram a madrugada acordados, ambos se atrasaram para o trabalho no dia seguinte, e mesmo com a correria e aquela loucura de sair com pressa, os dois se trataram da melhor forma e até trocaram alguns beijos antes de cada um ir para seu compromisso. Naquele mesmo dia, mas à noite, os dois jantaram juntos novamente, porém agora com o convite feito por e com direito a comida japonesa feita por um amigo chef do rapaz.
Com o tempo, os dois passaram a se ver frequentemente com a desculpa de que deviam jantares um para o outro. E sem nem mesmo perceberem, em um desses encontros na casa de , nenhum dos dois fez questão de comer, apenas se sentaram no sofá e conversaram e assistiram a um filme; ambos apenas queriam a companhia um do outro. Apesar de se encontrarem pelo menos uma vez na semana, fazia questão de dizer para si mesma e para os outros também, de que ela e não passariam daquilo, de que ela não estava se apegando no homem e que os dois apenas tinham uma amizade coloridíssima.
O que não sabia era que estava mentindo tanto para si mesma que acabou ficando doente. Por conta do trabalho, ela e acabaram se perdendo nos horários, então não conseguiram se ver, mesmo morando a menos de 30 segundos um do outro. Foram quase duas semanas sem conseguir ter algum contato um com o outro e começou a se sentir mal, fisicamente. O corpo estava pesado, estava com um mal estar desde que tinha acordado em um outro dia e o nariz começando a escorrer, se sentia levemente resfriada.
- Estou bem, . É apenas alguma gripe, devo ter tomado muito vento esses dias. - estava chegando em casa e falava ao telefone com . A cabeça começava a doer levemente também; os típicos sintomas gripais. - Não precisa se preocupar. Pode deixar que eu faço uma sopa, sim. Vou te avisando, pode relaxar. Te amo, até mais!
Já fazia alguns dias que ela se sentia assim. Foi só desligar o telefone que parecia ter piorado. O peso de seu corpo parecia ter triplicado e doía para se mexer, então a mulher apenas tirou a roupa que estava, colocando um short e uma camiseta soltinha e se jogou em seu sofá. Apagou instantaneamente. apenas acordou pois escutou a campainha de sua casa e seu telefone tocar sem parar. Lendo o visor, era uma chamada de .
- Oi . - a mulher respondeu praticamente dormindo ainda, mas se forçando a levantar do sofá pois sua campainha não parava.
- Abre a porta. - escutou antes do rapaz desligar a ligação sem mais nem menos. Demorando alguns segundos para raciocinar, a mulher se levantou e foi abrir a porta. - , você está branca! Meu Deus! Vem aqui, linda. - entrou no apartamento da mulher, a segurando pela mão e a levando diretamente para o sofá novamente. O rapaz tentava ver a temperatura dela com as costas de sua mão, vendo que ela estava levemente quente e suas bochechas começavam a corar; ele só não precisava saber que esse último fato foi por conta do jeito que a chamou.
Apesar de estar se sentindo com o corpo pesado, observava o rapaz pertinho e sendo todo cuidadoso. Enquanto a mulher tomava o remédio que ele havia pego, o mesmo trocava mensagens com alguém e ao ouvir um áudio dessa conversa, conseguiu reconhecer a voz de . Como desde a primeira vez que haviam ficado e não pararam de manter o contato e muito menos de ficar, então todos se tornaram muito próximos, já que praticamente as amigas se reuniam toda semana e eles também. No áudio, pedia para fazer um pouco de sopa para a amiga tomar e quem sabe melhorar um pouco. tinha que agradecer a amiga depois.
Enquanto ia para a cozinha começar a pegar os ingredientes para fazer um caldo para a mulher, começava a se sentir um pouco melhor. Talvez fosse o remédio começando a fazer efeito. A mulher levantou e foi atrás de . O rapaz estava virado para a pequena ilha mexendo em alguns vegetais, então ela o abraçou por trás, encostando o rosto nas costas dele.
- Oi linda, está se sentindo melhor? - segurou em um dos braços dela que davam a volta em sua cintura e fez um leve carinho com seus dedos.
- Sim. - a mulher apertou um pouco mais o abraço e deixou um leve beijo nas costas do mesmo. - Com você aqui cuidando de mim, não tinha como não ficar bem. - essa frase ela fez questão de falar bem baixinho.
- O que? - por estar concentrado cortando algumas coisas na tábua, não prestou atenção na frase que ela havia dito, apenas conseguiu ouvir um sussurro.
- Nada! Vou sair daqui para não te atrapalhar. - deixou um beijo agora no ombro dele e saiu da cozinha, estava um pouco envergonhada com medo dele ter ouvido o que ela havia dito.
Com medo de que piorasse, passou o resto da noite com ela. O rapaz ainda queria beijar ela, e por mais que a mesma estivesse se sentindo melhor, ela não deixava ele se aproximar tanto com medo de que passasse algum vírus para o mesmo e também o deixasse doente.
No dia seguinte, ao acordar para ir trabalhar, a mulher já se sentia melhor; os sintomas de gripe que antes estavam bem fortes, praticamente haviam sumido. Ela e conseguiram ficar juntos apenas por uns quinze minutinhos antes de ambos precisarem sair, mas ele estava aliviado que ela se sentia melhor e ela se sentia feliz por ele ter vindo cuidar dela, mesmo com toda a correria do seu serviço. já estava no escritório quando ligou para perguntar como a mulher estava se sentindo nessa manhã.
- Bom dia, amiga. Estou me sentindo bem, parece que nem tive nada. - respondeu.
- , como você melhorou tão repentinamente, mulher? Que sopa foi essa que o fez?
- Não sei, minhas células são saudáveis po, estou firme e forte. - deu risada da frase da amiga mas ficou em silêncio logo em seguida. - O que foi?
- Amiga, você não acha estranho ficar doente praticamente na mesma semana que você e não se viram e que você passou o dia anterior jurando que o que vocês têm não é nada? E se você estiver realmente gostando de ? - falou de forma receosa. Não queria deixar a amiga irritada, mas ainda sim, tinha que falar a verdade para ela.
- Deixa de ser boba, , claro que não. Eu apenas, sei lá, tomei muito vento final de semana e acabou que fiquei doente. - não aceitaria tão facilmente que poderia estar apaixonada e não gostou que tivesse dito aquilo. - Eu gosto de , mas como amigo.
- Não sei não, . Se eu fosse você, pensava melhor nisso. Nosso corpo sente também. Vou trabalhar agora, até depois. - desligou rapidamente, não gostava de discutir e nem brigar com alguém que tanto amava.
Por mais que estivesse levemente irritada com o que a amiga falou, ficou pensativa. Nosso corpo realmente sente, mas como que ela estaria apaixonada por ? A mulher sempre fugiu disso, justamente para evitar dor de cabeça e os dois estavam se dando tão bem, sem ter complicações e não queria entregar seu coração para alguém e acabar se machucando. Querendo ou não, a mulher passou a tarde inteira de trabalho com aquilo na cabeça, às vezes se distraindo até demais com seus pensamentos ecoando em sua mente e uma coisa em seu celular fez ela ter uma confirmação que ela não queria. Sua tela do telefone piscou, anunciando a chegada de uma mensagem e ao ler o nome da pessoa que lhe enviava aquilo, seu coração disparou. .
Quando acabou seu expediente, seguiu para sua casa, praticamente ignorando o seu celular para não ter que responder a mensagem dele. Todo o trajeto serviu de grande discussão da mente da mulher com seu coração. Ela se sentia extremamente confusa com tudo isso e toda vez que ela sequer pensava nele, na sua pessoa com , suas mãos suavam na mesma hora e seu coração parecia que ia saltar para fora. Chegando em casa, a primeira coisa que fez foi ligar para sua amiga e assim que a outra atendeu, falou:
- , eu acho que estou apaixonada!

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Com a conclusão que não queria ter, estava praticamente anestesiada. E desde aquele dia, ela havia passado a ignorar . Seu coração doía de não ver o rapaz todas as vezes em que queria, mas estava com tanto medo de ter que se abrir e compartilhar esses sentimentos com ele, que preferia sumir. Ela sempre foi tão cuidadosa em não se apegar nas pessoas, em não criar esse sentimento de afeto, mas com ele as coisas fluíram de forma rápida e tão bem que ela não se privou de sentir algo e nem ao menos queria, todos os momentos em que estavam juntos ela apreciava e pareciam aquecer seu coração que a tanto tempo estava sozinho. Já que ela havia ignorado a mensagem dele, ele acabou enviando mais algumas, na esperança dela responder, nem que fosse apenas um emoji. Porém praticamente fugia das mensagens também.
Na sexta-feira à noite, havia acabado de sair do banho e colocado o pijama mais quentinho de seu guarda-roupa, quando a campainha de seu apartamento tocou, a fazendo tomar um leve susto. A mesma se dirigiu rapidamente para a porta.
- ! - ela proferiu sem reação. Seu coração parecia estar ouvindo o batuque de uma escola de samba de tanto que batia de forma descompassada.
- Oi. Como você estava me ignorando, resolvi vir aqui. - ele falou de forma triste. - Trouxe pizza para a gente, daquela pizzaria boa que você gostou. - o tom de voz dele demonstrava o quão cabisbaixo ele estava, mesmo com o sorriso amarelo que havia dado. nem respondeu nada, apenas foi para o lado, deixando com que ele entrasse em seu apartamento.
Os dois foram para a sala direto. A caixa de pizza estava em cima da mesinha e voltava da cozinha com dois copos e uma pequena garrafa de refrigerante. estava sentado no chão, então ela se sentou ao seu lado. Ambos estavam quietos e o rapaz estava de cabeça baixa, mexendo em seus próprios dedos.
- Pode me dizer o que aconteceu? - ele preferiu após mais alguns minutos em completo silêncio.
- Não aconteceu nada. - respondeu sem olhar para ele de primeira.
- Como não? Você me ignorou por dias. E totalmente sem motivo porque não consigo imaginar algo que eu tenha feito para fingir que eu não existo. - ele continuava mexendo em seus dedos, demonstrando estar totalmente inquieto.
- Não foi nada com você, . - a mulher colocou uma das mãos na perna dele, chamando a atenção dele. - Eu realmente não devia ter te ignorado, mas eu precisava colocar algumas coisas em ordem na minha cabeça. - ele olhava para o rosto dela ainda sem entender absolutamente nada.
- Olha , eu vim até aqui par… - foi interrompido por , que começou a falar.
- Eu gosto de você, . Gosto muito. Mais do que eu realmente pretendia. Nunca foi do meu feitio fazer algo assim, justamente por isso que naquele dia em que ficamos juntos, eu fui embora da sua casa. - o rosto dele era um misto de confusão. - Eu pensava que esse meu sentimento fosse apenas um amor de amigo, um amor pela nossa conexão na amizade colorida, nesse nosso jeito. Mas depois daquele dia que você veio até aqui para cuidar de mim e deixou tudo de lado para estar aqui comigo, eu me toquei. Na verdade, no dia mesmo eu já sabia, tanto que você chegou aqui e eu me senti bem, praticamente aquela gripe havia sumido. Porém eu não queria assumir. E não por causa de você, você é uma pessoa incrível - pegou na mão dele e apertou levemente. - mas por minha causa, por medo de me machucar, por medo de me sentir idiota. E eu não espero que você sinta o mesmo que eu, nem que seja uma obrigação para você corresponder esse sentimento, ainda mais depois que eu te ignorei. Mas eu precisava te falar essas coisas, mesmo que sei lá, você não queira nem olhar na minha cara agor… - foi interrompida agora por , na verdade, pelos lábios de . O rapaz estava extasiado com as palavras da mulher e sua única reação foi beijá-la, ainda mais agora que ela estava começando a dizer que talvez ele não sentisse o mesmo.
- Você é demais. - o rapaz deixou diversos beijos pelo rosto e boca da mulher, a fazendo rir.
- Você não está bravo comigo? - perguntou receosa, mas sorrindo após cessarem os beijos.
- Eu não estava bravo, , eu estava triste. Você não me respondia, pensei que tivesse feito algo errado ou que sei lá, você só não quisesse mais nada comigo, mas não pense que é só você que sente essas coisas. Eu também gosto muito de você, muito mesmo e te ouvir falar que também sente o mesmo que eu, é ótimo. - se aproximou novamente e deixou diversos beijos nos lábios e em volta da boca dela. - Obrigada por se abrir e compartilhar isso comigo, não deve ter sido fácil.
- Não foi, mas com você as coisas valem a pena. - sorriu para ele e o beijou de volta.
Os dois terminaram a noite desse jeitinho. Colados um no outro, se declarando com muito beijo e com a pizza incrivelmente boa que praticamente fez os dois se conhecerem.







Fim



Nota da autora: Sem nota.

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