02. Come and Get It






Atravessei meus olhos por toda a festa no exato momento que uma música começara a tocar. Eu sabia bem que música era aquela, mas não fazia exatamente meu tipo. Naquela noite, eu queria dançar mais para mim do que para os outros. Eu queria entregar meu corpo a própria pista e fazer sexo selvagem comigo mesma. Minha intenção era ter bolhas nos pés, dor nas pernas e memórias de menos na próxima manhã. Mas você me pergunta: Qual o motivo disso, ?
Não é como se eu realmente fosse responder, não é nem de sua conta.
Olhei para meu corpo, eu trajava um curto vestido vermelho, solto em algumas partes e com as laterais cortadas, deixando minha cintura mais fina e valorizando meus quadris. Meus pés estavam calçados com uma sandália que o salto devia ter mais de quinze centímetros, já que eu parecia estar da altura de um dos seguranças da boate. Andei rapidamente até o bar e pedi algo com o nome engraçado e grande, eu precisava beber, tirar os flashes de problemas de meus devaneios e seguir o plano de esquecer o babaca do meu ex-namorado.
Ah, é aquele ditado... Vamos fazer o quê?
História clichê, todo mundo já ouviu.
Namorado certinho.
Namorada certinha.
Passam uma porrada de tempo juntos.
O namorado trai a namorada.
Ela fica numa tremenda bad.
Ela acha que superou e vai seguir em frente.
Ele aparece com outra e ela vai encher o rabo de cachaça.
Claro, não podemos esquecer de minha melhor amiga que passou três horas dizendo: “Eu te avisei.” E puta que me pariu, ela avisou sim!
! – Ouvi Anny me chamar e virei o rosto num susto, erguendo as sobrancelhas e fazendo uma careta – Eu estou falando contigo há alguns minutos, pirralha. Vê se me responde, sua mal-agradecida. Se não fosse por mim, você estaria...
– Atualizando minhas séries, obrigada, de nada. Você atrapalhou todo meu plano de um fim de semana perfeito fazendo vários nadas e enchendo meus quadris de gordura. Como você acha que eu vou chegar na segunda e falar para meu professor de MMA que eu não posso treinar por que sai para beber? Isso é vergonhoso.
– Olhe bem, se algum idiota passar a mão em você, pode treinar com a cara dele!
– Hm... – murmurei, passando os dedos pelo queixo e fazendo uma cara pensativa – Isso soa interessante para mim.
– Para mim também, e sabe o que soa ainda mais interessante? Tequila!
Antes que eu pudesse falar algo, Anny estava enfiando um shot de tequila bem na minha frente. Minha bebida havia acabado de chegar e eu vacilei meu olhar entre as duas, agradecendo ao garçom e colocando-a em cima do balcão. Peguei a tequila da mão de minha melhor amiga e recusei quando ela me ofereceu o limão. Olhei de forma sugestiva para Anny e no segundo seguinte, nós duas havíamos virado os shots de uma vez só. Lembro que no colegial fazíamos coisas assim nas festas, eram apostas continuas de quem viraria mais shots em menos tempo. Nunca ganhávamos, mas era bom competir entre si.
Antes que eu pudesse reclamar, mais bebidas foram enfiadas em minha frente e eu apenas aceitei. Precisava mesmo encher o rabo de cachaça. Meu Deus, aquilo era bom demais.
Se eu era uma pinguça?
Talvez.
Sóóóóóó talvez.
Anny começou um monólogo sobre o próprio cabelo, mas eu não prestei atenção, meus olhos estavam cravados na pista de dança. Eu queria dançar. Ah, Deus. Eu queria sim! Queria sarrar minha bunda em alguém e derramar bebida em mim.
Ah, isso ia ser bom.
– Miga, eu te amo, mas eu vou dançar. – Murmurei para ela, levantando nas pressas e correndo para a pista de dança. Com certeza eu ia cair antes da noite acabar. Espera, faltava muito para acabar? Anny gritava alguma coisa do outro lado e eu não dei atenção, meus pensamentos estavam nublados, acho que por causa da bebida misturada e... Espera! Eu bebi?
Só um pouquinho, né?
Alguma música de funk começou e eu incrivelmente sabia a coreografia, talvez pelas tardes limpando a casa e deixando a tevê ligada no FitDance. Não me culpe, essa era minha tentativa de ser fitness. Enfiei-me entre um grupinho que dançava e comecei a fazer os passos iguais aos dela, tudo bem que eu errava uma coisinha ou outra porque ninguém é Shakira, não é? Mas tentar não mata. Bati-me com uma colega de faculdade e não hesitei em começar a dançar com ela, antes da terceira música acabar, já havíamos marcado viagens e saídas juntas.
– Ei, ... – Ouvi minha voz ser chamada pela dita cuja e virei em sua direção. Ela apenas apontou para o outro lado do local, aonde eu vi meu namorado adentrar com alguma loira gostosa que tinha um balão em vez de uma bunda. Meu Deus, ela era muito gostosa. Ah, espera aí? Ex-namorado.
E então aconteceu o que eu queria que acontecesse, mas ao mesmo tempo não queria. Derramei bebida. Só que do pior jeito possível. Deixei a porra do copo cair no chão.
Vidro. Vocês sabem como é, não é?
Espatifa para todos lugares.
E faz um puta barulho.
Sabe quando todo mundo faz muito barulho e quando você diz algo constrangedor, um segundo antes a galera toda cala a boca? Então. Todos estavam virados para mim. Inclusive e a gostosinha que estava com ele. Ai, gente do céu, eu não merecia isso, merecia? Tanto lugar para essa peste vir e ele tinha que aparecer na mesma boate que eu. Karma, você é uma vadia.
Um sorriso venenoso apareceu em seu rosto e meu corpo todo pegou fogo. Ah, vingança não era um prato que se comia frio, não naquela noite. No segundo seguinte, para os sinos de aleluia tocarem em alguma igreja, o destino decidiu me foder menos. Depois de me desculpar milhões de vezes com a faxineira e oferecer minha ajuda para limpar o estrago, uma música começou a tocar.
Não, não foi Bang da Anitta.
Come and Get It. Não sei vocês, mas se eu tivesse um ex-namorado e quisesse esfregar algo na cara dele, dançaria essa música.
E olha lá! Eu tenho!
se sentou perto de Anny, cumprimentou minha amiga com uma careta feia e se virou para mim, sorrindo como quem mostra quem é o gostosão. Com uma coragem que talvez tenha sido enviada do inferno, eu puxei um pouco mais meu vestido e puxei as meninas de antes para dançar.
Fechei os olhos e comecei a mover meu quadril de forma lenta, dançando para mim mesma como havia prometido. A única diferença era que tinha um espectador diferente do meu plano inicial. Abri os olhos de forma fraca, enxergando tudo por um feixe pequeno e percebi que ele estava com os olhos vidrados em mim. O chamei com o dedo e cantarolei o começo com a voz bem baixa. Quando ele estivesse pronto, que venha e pegue.
Passei as mãos no corpo, sentindo uma das meninas se encaixar logo atrás de mim. Ela passou as mãos pelo meu quadril e apertou com força, me fazendo soltar um gemido baixinho. Meu corpo começava a reagir e eu voltei a fechar meus olhos, acompanhando seu rebolado e fazendo o mesmo com ela, passando as mãos em suas costas e apertando sua bunda. Ah, ela tinha uma bunda gostosa. Uma menina parou em minha frente, nunca tinha a visto na vida, mas decidi que era uma boa deixar ela dançar também. A puxei, encaixando meu corpo no seu.
Deixei a boca entreaberta e as minhas mãos deslizaram por toda extensão coberta e descoberta do meu corpo, causando arrepios e lugares aleatórios. Virei minha cabeça em direção a , que já estava mais próximo de mim, com um sorriso altamente malicioso no canto dos lábios. Entreabri as pernas empurrando um pouco a garota que estava em minha frente. Comecei a mexer a bunda no ritmo da música e deixei meu corpo ser levado pela vontade insaciável de descer até o chão.
Quando eu levantei na segunda parte, meu corpo parecia não ser mais do meu domínio. Uma corrente elétrica passava por toda minha pele e eu sentia o suor escorrer pelo vestido, eu deveria estar brilhando.
Ah, deve estar bem duro agora.
Olhei em sua direção para me certificar que estava fazendo um bom trabalho e percebi que sim, a panicat falava algo e... Coitada, estava sendo muito bem ignorada. Suas mãos estavam pousadas no meio das pernas e sem ao menos disfarçar, ele me comia com os olhos. O chamei mais uma vez com o dedo e dessa vez ele levantou, sorrindo sacana e vindo em minha direção. Desvencilhei-me das garotas e fui até ele, mal chegando perto e já sentindo seus braços ao redor de mim. me apertou e veio me beijar, antes que ele o fizesse, neguei com a cabeça e virei de costas, esfregando minha bunda no volume nada discreto que estava no meio de suas pernas, deixando ele passar a mão em mim e ficando ainda mais excitada.
Sua respiração estava forte em meu pescoço e eu sentia uma mordida ou duas, mas não dava muito ibope. Eu queria que ele me desejasse como nunca. Peguei suas mãos e comecei a acariciar meu corpo com elas, demorando um bom tempo em minhas coxas e subindo pela barriga. Minha calcinha já estava pedindo arrego.
Quando percebi que a música estava perto do fim, sorri e virei em sua direção, passando os braços pelo seu pescoço e dançando mais colada a ele.
– Você vai me deixar maluco aparecendo gostosa assim.
– Eu deixei, não? – Perguntei, passando a língua pelos seus lábios e mordiscando de leve o canto de sua boca.
– Deixou sim. – E só para deixar seu ponto ainda mais evidente. Nojento do caralho.
avançou para me beijar e eu parei seu rosto, apontando para a loira gostosa do outro lado. Uma perfeita cara de joelho estava no seu rosto.
– Ela não importa... Você, pelo contrário.
– Sabe, meu amor... Não sei se prestou atenção, mas eu dancei aquela música só para você... – Falei em seu ouvido, lambendo o lóbulo e sugando em seguida – Você percebeu isso? – assentiu com a cabeça – Mas tem só um problema pequeno.... Você deve ter prestado atenção na letra. Você prestou? – Negou, bobo do jeito que era – O refrão dizia: “Quando estiver pronto, venha e pegue.”
sorriu do jeito mais malicioso possível, dessa vez eu percebi que todos na festa estavam prestando atenção no nosso showzinho. Ah, isso é demais!
Quando estiver pronto, venha e pegue. Mas você, meu amor, não está pronto, portanto, não pode pegar. Sinto muito.
Soltei-me dele e fui em direção a Anny, que conversava com a loira gostosa, que até me ofereceu uma bebida.
É aquele ditado né... Se me atacar eu vou atacar.
Dessa vez, não era um convite aberto.



FIM



Nota da autora: Sem nota.




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