Última atualização: 30/10/2017

Capítulo Único

21 de junho, 10:00 AM – Apartamento de
abriu a porta do apartamento com cuidado. Ela tinha uma chave para emergências, e o fato de que não respondia nenhuma mensagem ou ligação desde as 19h da noite anterior era com certeza uma emergência.
As pesadas cortinas estavam fechadas, deixando pouquíssima luz entrar na sala. se dirigiu à janela para iluminar a sala e começar sua busca pela amiga desaparecida, mas acabou tropeçando em um montinho no meio da sala que com certeza não era parte permanente da decoração. E como se não bastasse, o montinho soltou um grito de dor com o chute da garota, emendando em um gemido de dor.
- Sério? Você conseguiu chegar em casa, mas depois disso não alcançou nem o sofá? – reclamou, enquanto abria as cortinas.
se sentou no chão com os olhos fechados e reclamou em um sussurro.
- Luz não.
- LUZ SIM! QUE DROGA É ESSA, HANNAH? EU TAVA SUPER PREOCUPADA.
Ainda com os olhos fechados, usou uma das mãos para proteger o rosto da claridade e a outra para apontar um dedo acusador para a amiga.
- Esse seu tom de voz. Não vai dar. Bem mais baixo, por favor.
respirou fundo, e respondeu com um sussurro irritado.
- Eu achei que você não tinha mais recaídas. Foram o quê? Três meses?
- A gente pode discutir isso mais tarde. – respondeu em um sussurro igualmente irritado. respirou fundo mais uma vez e foi até a cozinha, pegar um copo de água para a amiga.

21 de junho, 12:30 PM – Subway
e comiam em silêncio. ainda lançava olhares preocupados à amiga, mas esta apenas agia como se fosse uma artista de cinema disfarçada com seus óculos de sol.
- Por que ninguém veio me pedir um autógrafo ainda? Ninguém vem de óculos de sol ao SUBWAY, não é de se esperar que eu seja famosa?
- Não, está bem claro que você está apenas de ressaca. – respondeu com um grunhido, tirando os óculos (e se arrependendo imediatamente. Ok, vamos manter os óculos). – , sério, o que aconteceu? Eu achei que você já estivesse melhor.
- Eu estou! – Respondeu com um risinho sem graça. – Eu estou muito bem, na verdade. Eu me acostumei, é só que... às vezes parece que volta tudo de uma vez, sabe?
abaixou os olhos para seu lanche. Não devia ser fácil. Mas parecia recuperada nesses últimos três meses.
- Eu juro que estou bem. Eu vou seguir minha vida. Ontem foi uma recaída, e para ser sincera eu não sei te dizer se não vou ter outras. Mas vou tentar meu melhor para não te deixar preocupada, ok? Da próxima vez, te levo para beber comigo. – riu, e acabou rindo junto.

03 de outubro, 06:30 PM – Escola
- Onde pensa que vai, Brendon? Muitos planos para sexta a noite? A gente não acabou com o seu trote, vem cá. – Michael arrastava o pobre garoto pela sala dos professores, enquanto este se debatia e tentava fugir.
apenas girou os olhos. Ah, se os alunos soubessem que seus professores não tinham um pingo de maturidade a mais... O pobre Brendon era o novo professor de história, e Michael fazia seu melhor para aterrorizá-lo.
- Eu achei que a gente já tinha encerrado por hoje, são seis e meia, não temos mais aulas...
- Nada disso, meu caro. Ainda temos muito a discutir. Hoje é dia de reunião, mas não se preocupe, não deve passar muito da uma da manhã.
Brendon começou a arregalar os olhos, aterrorizado, quando decidiu ajudá-lo.
- Não vai durar nem uma hora, relaxe.
Samuel, outro dos professores, riu e a abraçou de lado.
- O trote com a que foi legal. A gente disse que a reunião ia durar até uma da manhã e ficamos inventando pauta para que a reunião REALMENTE durasse até uma da manhã. E claro, não avisamos nem ela nem o que no dia seguinte seria aniversário da escola e não haveriam aulas.
A garota se tencionou assim que Samuel pronunciou aquele nome, e o movimento não passou despercebido. Brendon franziu as sobrancelhas e perguntou, timidamente:
- Quem é ?
- Ah, era o namoradinho da ! – Michael respondeu, se aproximando do grupo. – Brendon, o que você está fazendo aqui? Eu não te mandei buscar café para todo mundo?
- Ahn, não?
- Agora mandei.
- Mas eu que perguntei quem... – Michael estreitou os olhos, e Brendon deixou escapar um suspiro. – Ok, estou indo.
- Eu gostei do moleque. Mas enfim, faz tempo que a gente não fala com o ! Desde que ele decidiu fazer aquele curso por tempo indeterminado em sei lá onde. Como ele anda, ?
- Não sei, eu não falo com ele desde que ele foi embora.
- Como assim? Vocês eram inseparáveis! Desde que chegaram aqui, os dois juntos... Era meio que um pacote, sabe?
respondeu com um sorriso amarelo. Aquela conversa não estava indo por um bom caminho.
- Eu falei com ele dia desses! – Samuel disse, soltando do abraço. – Mandei uma mensagem para perguntar se ele pretendia algum dia buscar as coisas que ele deixou no armário, ou se eu podia jogar tudo fora e liberar o espaço. Está tudo tão organizadinho, dá até dó...
- Sim, ele tinha uma coisa com organização... E como ele anda?
- Parece bem! Diz que vai tudo bem com o curso, parece que arranjou uma garota lá...
- O quê? Mas já?
- Pois é, eu também não esperava isso.
não ouviu mais nada dali em diante. Era tudo um eco. E ela só estava meio consciente de Brendon entregando seu café e perguntando se estava tudo bem.
Ela não tinha o direito de ficar brava, não é mesmo? Eles eram amigos que não se falavam há praticamente um ano. E ela queria estar feliz por ele. Ela realmente queria. Mas...
Não parecia justo que ele tivesse uma vida completa sem ela, quando ele continua sendo a vida dela.

03 de outubro, 08:00 PM – Caminho entre a escola e a casa de
dirigiu o carro até em casa de forma automática. Aguentar a reunião tinha sido quase insuportável, e ela mal saberia dizer o que havia sido discutido. Eram tantos pensamentos embaralhados, ela se sentia entorpecida. As palavras de Samuel se misturavam às memórias que ela tentava reprimir.

“Eu não queria ir embora assim.”

Foco na rua. Foco no trânsito.

“Você sabe que se você me pedisse para ficar, eu poderia até reconsiderar.”

Foco. FOCO.

“Não tenho nada a te dizer que eu já não tenha dito. Se você quer tanto ir, por mim ok.”

NÃO.
Ela não sabia dizer como tinha chegado na sua garagem, mas estava feliz por isso. Mal conseguia enxergar com as lágrimas que agora tomavam conta de sua visão. Essas memórias, essas MALDITAS memórias que por mais que ela tentasse, nunca sumiam.
Mas tinha uma forma de embaralhá-las o suficiente para não causar tantos problemas.
Ah, com certeza a mataria.

03 de outubro, 08:15 PM – Apartamento de
Ao entrar no apartamento, largou suas coisas no sofá da sala e pegou seu celular. atendeu logo no segundo toque.
- Oi, ! O que houve?
- Ahn.. Tudo certo por aí?
- Não muito. Eu tenho cinco relatórios para entregar até segunda. Cinco. CINCO, . Isso é impossível.
- Desculpa, eu não queria atrapalhar...
- Não atrapalha em nada, eu preciso de um descanso. O que foi?
- Nada demais... eu ia te chamar para almoçar amanhã de manhã, mas se você estiver muito ocupada...
- De jeito nenhum, eu vou precisar dar um tempo nessa loucura. Eu passo aí amanhã então?
- Ótimo! Até amanhã.
Perfeito, já tinha arranjado um despertador para amanhã. Agora só faltava encontrar a distração para a noite.
Abrindo seu armário de bebidas, pegou a primeira garrafa. Vodca. É, parece uma boa para começar.

03 de outubro, 10:30 PM – Apartamento de
precisa ser justa, ela tentou intercalar a vodca com alguns chocolates para não dar um PT nos primeiros goles. Fazia um certo tempo que não bebia assim, afinal. E a ideia de beber em casa tinha sido muito boa, inicialmente. Porém começava a se sentir sufocada. Decidiu passar o conteúdo restante da garrafa de vodca para uma garrafa menos chamativa e dar uma volta. Havia um lago perto de sua casa, e a área não costumava ficar muito cheia de sexta-feira à noite.
Passear pela beira do lago quando você está tão bêbada que não é capaz de andar em linha reta? O que poderia dar errado?
Mas, para ser justa, ela tinha conseguido trocar a vodca de garrafa. Talvez ela ainda estivesse sóbria demais.
Saiu do apartamento em direção ao lago, andando calmamente pelas ruas. A vodca tinha feito um bom trabalho de embaralhar seus pensamentos, mas algumas coisas ainda pareciam claras de vez em quando. Bebeu mais um pouco de sua garrafa, se perguntando o quanto mais seria necessário.
Talvez se ela focasse em algo específico, as memórias fossem embora. Algo que exigisse muita concentração. Como talvez andar em linha reta. A garota tentou seguir o meio fio, mas acabou tropeçando em uma elevação estranha no final da rua. Mas espera, talvez ela já tivesse tropeçado ali hoje?
Quantas vezes já tinha descido e subido essa porcaria de rua?
Decidiu dar um tempo no banco com vista para o lago (quando exatamente ela tinha chegado no lago?) enquanto pensava sobre esse enigma. Assim que se sentou, sentindo o frio da noite em seu rosto, sentiu mais uma vez seus olhos encherem de lágrimas e afundou o rosto nas mãos, enquanto repetia um mantra que a seguia constantemente no último ano:
- Eu só queria esquecer de você. Por favor. Por favor. – A garota repetia incontáveis vezes, até que se tornasse verdade.
Nesse momento, escutou uma voz muito familiar.
Uma voz que a bebida DEVERIA ter apagado de sua mente.
- ?
Se virou em direção a voz e, claro, estava lá.
Claro.
Encarou o garoto por um tempo, depois voltou o olhar para o lago. Encarou o garoto de novo. E de novo o lago. Repetiu o movimento mais algumas vezes até se certificar que seja lá que droga a mente dela estava fazendo, não pretendia parar.
- Ah, mas pelo amor de Deus, eu bebo justamente para você sumir, não para você aparecer do meu lado. Vodca estúpida. – Dirigiu essa última frase à garrafa em suas mãos, dando um peteleco na mesma e se arrependendo logo em seguida.
- Você... Você está bem?
parou de balançar as mãos freneticamente para se livrar da dor do peteleco e encarou a assombração ao seu lado.
- Você é o que, minha consciência? Ou eu estou tendo visões, agora?
riu, enquanto se sentava ao lado da garota.
- Claro, sua consciência. Oi. Já que você insiste em me ignorar, eu decidi aparecer aqui para discutir a relação.
- Eu me viro muito bem sem você, obrigada.
- Desculpa, quem seria o “você” dessa frase? Você se vira muito bem sem sua consciência ou sem o ?
ficou pensativa por alguns segundos.
- Os dois.
- E é por isso que você decidiu que seria uma ótima ideia sair para beber sozinha?
- Eu tentei chamar a , mas ela estava ocupada. – Respondeu, chorosa. – E inclusive, onde você estava nas outras vezes que eu saí para beber sozinha?
- Claramente não estava sendo ouvido. – A consciência em formato de encarou o lago, com o maxilar tensionado. – Mas enfim, o que deu em você?
- A culpa é sua!
- Como assim, a culpa é minha?
Voltando seu olhar para frente, respirou fundo antes de continuar sua linha de pensamento.
- Eu estou me virando muito bem sem você aqui. Muito bem, na verdade, mas só porque eu ignoro tudo que aconteceu. E as vezes eu não consigo ignorar, e todas as memórias voltam. Hoje o Samuel decidiu que ia ser uma ideia fantástica contar para todo mundo que ficou sabendo de você, e que você estava super feliz, namorando, tendo sucesso na carreira, tudo de maravilhoso. E isso me irrita, porque é muito injusto você estar bem e eu estar um caos.
- Mas você não disse que está muito bem sem mim?
- Sim, estou. Mas tem muita coisa que eu bloqueio. Eu estou sobrevivendo muito bem, mas eu não posso dizer que estou feliz. Porque a única forma que eu encontrei para sobreviver era não sentir nada.
encarou a garota com um olhar indecifrável.
- Foi uma escolha sua. Eu perguntei se eu deveria ir. Você só precisava ter dito que não.
- Não OUSE jogar isso na minha cara. – se levantou do banco, apontando o dedo na cara da consciência em forma de . Ah, isso devia ser uma cena maravilhosa para quem passasse na rua. – Era uma decisão importante demais para você jogar em cima de mim. Eu não mando na sua vida e nunca mandei, e você queria que EU fosse responsável por te impedir de ir atrás de uma nova oportunidade? De mudar de emprego, de cidade, como você sempre quis? Para depois você jogar seus arrependimentos em mim? Não, muito obrigada. Eu sei que eu fiz a coisa certa, mas eu já vivo com o arrependimento que quase me mata. E eu com certeza não preciso de você jogando isso na minha cara.
se largou no banco novamente, dando mais um gole bem generoso em sua garrafa de vodca. observou com o cenho franzido, mas não disse nada. Depois de alguns minutos, a garota voltou a falar:
- Sabe, eu achei que não fosse durar um dia sem você. Mas eu sobrevivi aos primeiros dias. Sobrevivi, nada além disso. – respirou fundo e fechou os olhos. - Houve uma época na qual eu me apeguei às memórias. Nossas memórias. Eu achei que se eu me apegasse a elas, você sempre estaria aqui comigo. E assim eu deixei que essas mesmas memórias me afogassem. Hoje eu só queria esquecer. Se precisar de uma lobotomia ou de uma garrafa de vodca, eu não me importo muito. Eu faria qualquer coisa para não me afogar.
encarou a garota com uma expressão séria.
- Claro que, aparentemente, a vodca não ajuda mais. Já que você tá aqui. – A garota gargalhou por cinco segundos, antes de encará-lo com uma expressão decidida. – Sugestões?
- Minha primeira sugestão vai ser largar a garrafa. – Disse, enquanto tentava arrancar a garrafa das mãos dela.
- Isso seria contrapronicente! – Ela gritou de volta.
- ...Contraproducente?
- Isso!
- Posso saber por quê?
- Primeiramente, largar a garrafa não vai me ajudar a te esquecer. Segundo, caramba eu tinha esquecido que você tinha essa cara bonita. E segundo (de novo?!), essa garrafa já está vazia. – riu enquanto bufava.
- Ok, então minha próxima sugestão é conversar.
Foi difícil para ele segurar o riso ao observar a garota franzir o cenho e relaxar a expressão algumas vezes enquanto o encarava.
- Como é que ISSO vai ajudar?
- Claro que ajuda! Se você disser o que exatamente te incomoda. Vai lá. – se virou de frente para a menina e deu tapinhas encorajadores no joelho dela. Sim, tapinhas encorajadores.
continuou encarando como se a sugestão dele não fizesse o menor sentido.
- Eu já te disse o que me incomoda! E como você espera que eu organize minhas ideias o suficiente para ter uma conversa com você depois de acabar a porcaria da garrafa?
- Eu sou sua consciência, lembra? Eu vou entender o que você diz. E aliás, não é nem sobre eu entender. É sobre você falar. Então vai.
A garota respondeu com um grunhido. Após alguns segundos sem dizer nada, continuou falando.
- Eu não ia jogar na sua cara que você me impediu de fazer o que eu queria. Se eu te perguntei, é porque eu realmente queria saber sua opinião.
Quando voltou o olhar para ele, sua expressão estava bem mais sóbria do que alguns momentos atrás.
- E o que você queria que eu dissesse? Nós erámos amigos, mas nada além disso. Sim, ok, nós éramos bem próximos, mas e daí? Quem sou eu para opinar em algo tão importante para você?
- Fácil, você era uma das pessoas mais importantes para mim. E se nós éramos só amigos e nada além disso como você diz, por que você não respondeu nenhuma das minhas mensagens? E por que você está tão determinada em me esquecer?
respirou fundo e afundou o rosto nas mãos. Era por isso que ela nunca ouvia a própria consciência: ela era quase insuportável.
- Eu não te via apenas como um amigo, mas isso não altera o que existia entre a gente, de fato. E um belo dia você me diz que vai embora? E na hora de se despedir de mim você me pergunta se deve mesmo ir? Você percebe que não me deu uma chance, não é? Eu não podia te contar tudo naqueles cinco minutos antes de você ir embora, muito menos te pedir para ficar quando você já tinha tudo decidido. Então eu fiquei quieta. E tudo o que eu não disse me machuca, apesar de eu não me arrepender. E por isso eu quero tanto esquecer de você.
- Você diz que eu não te dei uma chance, mas por que você nunca disse nada antes? – agora soava irritado. - A gente era inseparável, como você mesma disse, e você não encontrou uma oportunidade se quer para me contar que você me via como mais do que amigo?
A garota afundou mais ainda o rosto nas mãos, tentando não chorar. Era exatamente por isso que ela não queria ter essa conversa.
Em algum lugar em uma rua paralela, o sino de uma igreja badalava. verificou seu relógio e percebeu que já era meia noite. Que horas ela havia saído de casa?
respirou fundo e passou o braço pelas costas de .
- E se eu voltasse? Você diria isso estando sóbria?
- Para ser sincera, não sei. Você acha que eu tenho chance de ter os sentimentos correspondidos, consciência? – A garota levantou o olhar, dando um leve sorriso e fazendo o garoto rir.
- Acho que tem ótimas chances.
Os dois se encararam por um tempo, sorrindo. Até desviar o olhar.
- Isso é uma preocupação para o caso de voltar.
Olhou mais uma vez para o garoto com um sorriso triste.
- Mas você parece tão real... Mas pode ser só o cansaço falando mais alto. – Completou a frase com um bocejo, como se confirmasse o que acabara de dizer. se levantou, puxando a garota do banco.
-Acho que está na hora de te levar para a casa.

04 de outubro, 12:30 AM – Corredor do prédio de
- Quem te permitiu entrar no meu prédio comigo, afinal? – perguntou pela terceira vez desde que passaram os portões.
- Fique feliz que você tem uma consciência legal que te ajuda até quando você está assim bêbada.
- Ungh, mas minha consciência tinha que ter sua cara? Mesmo?
- Ei, achei que você tinha dito que eu tinha uma cara bonita!
- Eu nunca disse isso. – balançava a cabeça de um lado para o outro. – Olha, meu apartamento!
- Cadê suas chaves? – perguntou, segurando a garota com mais firmeza pela cintura e soltando o braço que contornava seus ombros. Ela enfiou a mão no bolso de trás da calça, pegando um molho de chaves e soltando no ar. Ainda bem que ele conseguiu pegar antes que perdesse o equilíbrio.
- Ótimo reflexo, consciência! – deu tapinhas na cabeça de , que agradeceu.
Ao abrir a porta, encontrou o apartamento como imaginava: um caos. Várias coisas jogadas no sofá, algumas espalhadas pelo chão.
Claro.
colocou sentada no sofá e pegou todas as coisas que estavam jogadas no mesmo, organizando tudo em cima da mesa. A garota se jogou no sofá, e ele se sentou no chão perto da cabeça dela.
- Obrigada por ter me trazido até em casa.
Ele sorriu, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha dela e acariciando sua bochecha.
- Era o mínimo que eu podia fazer.
- É tão bom te ter aqui de novo, . – fechou os olhos, apreciando o toque delicado em sua bochecha.
- É bom estar de volta, .
Um sorriso triste tomou conta de seu rosto quando completou seu pensamento.
- Mas não é você. É só tontura. É só escuridão.
se lembraria vagamente de ter adormecido com a sensação da mão dele em seu rosto.

04 de outubro, 12:00 PM – Apartamento de
- Eu sabia. SABIA. Tinha algo errado, eu percebi na sua voz, mas pensei “nããão, ela está tão bem, ela não vai fazer nenhuma besteira”! – reclamava, enquanto tentava acordar.
- Esse seu tom de voz. Não vai dar. Bem mais baixo, por favor.
girou os olhos.
- Bom, fico feliz de ver que dessa vez você pelo menos chegou no sofá.
abriu os olhos e percebeu que realmente, estava no sofá. Como ela tinha chegado no sofá? Ela voltou da escola, largou as coisas no sofá e...
Olhou para a mesa, onde todas as suas coisas estavam organizadas. Organizadas DEMAIS.
Flashes da noite anterior passaram pela sua cabeça. Mas aquilo não tinha sido real... Tinha?
- ? Você está com um sorriso meio estranho. Tudo certo aí?
- Talvez eu ainda esteja um pouco bêbada de ontem. Você não quer me trazer um copo d’água e uns comprimidos? Afinal, eu prometi te levar para almoçar.
girou os olhos mais uma vez e foi até a cozinha. encarou sua mesa mais um pouco, rindo baixinho, e voltou deitar no sofá.


Fim.



Nota da autora: Sem nota.



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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