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Capítulo Único


,eu estou apaixonada por outro.”
Já fazia uma semana desde que ela me deixou, mas aquela maldita frase ainda ecoava em minha mente. Como ela podia estar apaixonada por outro cara? Como ela podia simplesmente esquecer aqueles dois anos que passamos juntos?
Senti meu celular vibrar em meu bolso e revirei os olhos enquanto o tirava de lá, eu nem precisava olhar a tela pra saber que eram meus amigos me mandando milhares de mensagens dizendo que eu deveria sair pra me divertir, que devia superar isso, que tinha que sair e conhecer outras garotas e todos esses bla bla bla’s. Ignorei as milhares de mensagens deles e abri o instagram, com a esperança de me distrair, fui passando pelas fotos de meus amigos até que algo me chamou a atenção, uma foto de – minha ex namorada – toda sorridente de biquíni ao lado de suas duas melhores amigas, uau parece que ela está bem abalada com tudo isso não? Continuei passando pelas fotos até que vi uma foto dela beijando um cara moreno, acompanhada de uma legenda melosa. Senti meu sangue ferver, fechei o aplicativo e larguei o celular em cima da mesinha de centro antes que eu acabasse jogando ele na parede. Eu estava aqui feito um otário magoado com tudo isso, enquanto ela estava se divertindo com as amigas na praia e beijando o novo namorado.
Sai andando até a varanda, cruzei meus dedos atrás de minha cabeça e fiquei ali observando o céu, tentando me acalmar.
Depois de um tempo fui até a sala e me sentei novamente no sofá marrom de couro, eu me sentia bem mais calmo. Meu celular vibrou em cima da mesinha de centro, bufei enquanto pegava o celular e atendia.
– O que você quer ?
– Por que você não responde nossas mensagens? – ele quase gritou do outro lado da linha.
– Porque já sei que devo sair e esquecer minha ex e bla bla bla – revirei os olhos
– Olha, nós vamos hoje naquele pub que sempre íamos.Vamos umas dez horas, aparece lá se quiser...
– Beleza!
– Até mais
desligou e eu coloquei meu celular no bolso.
É, talvez eles tivessem razão, eu devia mesmo sair pra esquecer ela, afinal foi o que ela fez comigo... Me esqueceu.

Era por volta das 21h quando sai do banho, abri meu guarda-roupa, peguei a primeira calça jeans que vi e uma camiseta branca com uma estampa qualquer. Vesti ambas as peças e coloquei um tênis preto de cano alto. Passei perfume e tentei arrumar meu cabelo, mas não deu muito certo.
Fui até a sala e peguei minha carteira, meu celular e a chave do carro que estavam em cima da mesinha de centro. Coloquei a carteira e o celular no bolso do jeans enquanto saia de casa.
Dirigi por alguns minutos até o tal pub, estacionei minha BMW na rua ao lado e fui caminhando até a entrada. Entrei naquele lugar tão familiar e nada havia mudado, continuava sendo um lugar mal iluminado que cheirava a madeira e uísque, e tocava musicas indies. Meus olhos percorreram todo aquele lugar e não vi nenhum de meus amigos, resolvi então ir até o bar. Me sentei no banco de madeira com estofado preto, pedi ao barman um uísque e fiquei ali encarando o nada.
Ouvi uma voz feminina gritar “Mais um uísque, por favor!”, olhei para o lado e vi uma garota de cabelo castanho e grandes olhos , ela me olhou de volta, mas eu desviei o olhar. O barman finalmente trouxe meu uísque e aparentemente o da garota ao meu lado, bebi um gole e senti o liquido descer queimando pela minha garganta. Olhei novamente pra garota que estava sentada ao meu lado, ela bebeu tudo em um gole só, fez uma careta e gritou “Me traz mais um”.
Eu me perguntava o porquê dela estar bebendo tanto e ainda sozinha, e ela era tão bonita que eu não conseguia tirar os olhos dela por um segundo sequer. Ela me encarou com uma careta, percebendo que eu não parava de olhá-la.
– Ta olhando o que? – ela parecia irritada
– Nada – fiz uma pausa, pensando se devia falar o que estava pensado ou não, mas decidi falar, eu não nada a perder mesmo - Só me perguntando por que uma garota tão bonita ta bebendo tudo isso sozinha – disse antes de dar um gole em meu uísque.
– Isso não é da sua conta – ela deu um sorrisinho sínico e virou-se de frente para o bar.
– Quem foi o canalha que te magoou? – insisti tentando puxar assunto com ela
– Como é?– ela virou-se de frente pra mim novamente – O que te faz pensar que estou aqui por causa de algum cara? – ela levantou a sobrancelha direita
– Bom – me inclinei pra ficar mais perto dela – Eu, por exemplo, estou aqui porque minha ex simplesmente disse que estava apaixonada por outro e me deixou. E agora ela esta toda feliz na praia com outro cara, enquanto eu estou aqui afogando as magoas em bebida.
– Bom, pelo menos ela terminou com você...
– Você foi traída? – a encarei sem acreditar. Se alguém como ela era traída, imagine eu.
– Sim – ela suspirou – Cheguei de surpresa na casa dele e peguei-o na cama com a sua “melhor amiga” – ela fez aspas com o dedo enquanto dava um sorriso irônico
– Que otário – balancei a cabeça de um lado para o outro
– É – ela respondeu com o olhar distante, encarando o chão.
Ficamos em silencio por um tempo, e eu só conseguia pensar na e no que ela devia estar fazendo naquele momento, aquilo estava me matando. Olhei para o lado e me perguntei se a garota morena também estava pensando sobre seu ex, ela parecia tão distraída enquanto brincava com seu copo.Ela era tão linda e jovem, não deveria estar aqui enchendo a cara e sofrendo por um cara otário daquele, na verdade, nem eu deveria estar aqui sofrendo pela . Era pra estamos nos divertindo, oras, aqui é um pub.
Eu conseguia ver em seus olhos e em sua expressão o quão triste ela estava, isso me deixava mal, de alguma maneira eu tinha que fazer algo pra distraí-la.
– Sabe de uma coisa... – comecei olhando pra garota ao meu lado – Eles não vão nos deixar de coração partido essa noite! – levantei do banco e fiquei em pé, de frente pra ela.
Ela me olhou confusa, sem entender muito bem o que eu queria dizer.
– Você vem comigo ou não? – estendi a mão para ela e apontei para a pista de dança
A garota assentiu enquanto mordia de leve o lábio inferior e levantava de seu banco. Ela pegou minha mão e fomos até a pista, que estava lotada de gente dançando ao som de “girls” do the 1975.
– Meu Deus, eu nem perguntei seu nome – ela gritou por conta do som alto.
Me inclinei e respondi em seu ouvido:
.
Ela segurou em meu ombro me impedindo de levantar.
–O Meu é – disse em meu ouvido
– Então , você ta aqui sozinha? – tentei puxar assunto
– Sim, eu moro perto daqui, então só vim pra me distrair mesmo – ela fez uns gestos com as mãos.
– Ficar sozinho em casa só piora né? – fiz uma careta ao me lembrar do quão mal eu estava em casa. Ela assentiu – Meus amigos me chamaram pra vir pra cá, mas até agora não achei nenhum deles.
– Você quer procurar eles? – ela virou o pescoço para olhar as pessoas que estavam ali e voltou a me encarar.
– Não, eu não estou muito a fim de ouvir coisas que eu já sei – revirei os olhos e ela riu.
Começou a tocar “naive” do The Kooks. Vi abrir um grande sorriso e começar a balançar levemente seu corpo curvilíneo enquanto cantava “I may say it was your fault cause i know you could have done more” . Aquela musica parecia perfeita para o que estávamos passando, e nós começamos a cantar juntos cada verso, enquanto balançávamos nossos corpos em uma tentativa falha de dançar.
Depois que acabou a musica, fez um sinal para que eu me abaixasse e eu obedeci.
– Eu não sei você, mas eu estou morrendo de fome – ela disse em meu ouvido.
– O que você quer comer?
– Sei lá, algum fast food talvez – ela deu de ombros.
– Você quer que vá com você? – perguntei receoso, não sabia se ela estava falando aquilo apenas como uma desculpa pra se livrar de mim.
– Você quer ir?
– Bom, se você quiser que eu vá...
– Eu quero! – ela respondeu depressa e eu ri.
– Tudo bem – concordei enquanto ela pegava minha mão.
Ela foi me guiando por entre as pessoas até a saída do pub. Saímos na rua e tudo parecia tão calmo e silencioso, bem diferente do lugar onde estávamos há segundos atrás.
– Eu acho que tem um Subway aqui perto – ela comentou olhando de um lado pro outro.
Andamos por algumas quadras em silencio, até que finalmente chegamos até o tal Subway. Abri a porta para , ela sorriu e sussurrou um “obrigada”.
entrou rapidamente e eu a segui, ela parou em frente ao balcão e observou com uma expressão seria todos os recheios. Parei ao seu lado e coloquei minha mão em sua cintura, ela escolhia o que iria por em seu lanche. Enquanto o atendente colocava tudo no lanche, ela me olhou pelo canto do olho e sorriu. Encarei isso como um sinal positivo para me aproximar mais dela.
Ela pegou seu lanche e sua latinha de Pepsi e saiu em direção a porta. Andei em sua frente e abri a porta para que ela saísse.
– Você é cavalheiro mesmo ou só esta tentando me impressionar? – ela apertou os olhos desconfiada.
– Assim você me ofende – coloquei uma mão no peito fingindo estar incrédulo – É claro que sou cavalheiro!
– Tudo bem, desculpa – ela deu um sorrisinho.
Andamos até o pub e sentamos na calçada em frente. prendeu seu cabelo longo e castanho em um coque no topo de sua cabeça e deu uma grande mordida em seu lanche de frango teriyaki.
– Você quer? – ela me ofereceu seu sanduiche.
– Não, obrigado – sorri
Ficamos em silencio, fiquei observando devorar aquele lanche – literalmente- e mesmo com a cara cheia de molho ela continuava linda pra mim. Em alguns momentos, ela sorria pra mim sem mostrar os dentes e eu sorria de volta maravilhado com ela.
Como alguém era capaz de trair alguém como ela? parecia tão meiga e engraçada, eu não conseguia entender o porquê disso ter acontecido com ela.
– Não é engraçado o quão próximos ficamos em menos de duas horas? – ela disse ainda de boca cheia
– É – ri baixo – As decepções amorosas nos uniram.
– Pelo menos pra alguma coisa elas serviram – ela riu.
– Acho que tudo acontece por algum motivo – eu encarava a rua enquanto falava
– Eu também acho...
Novamente ficamos em silencio e as lembranças de começaram a vir em minha mente, mas foram interrompidas quando senti a mão de acariciar meu ombro.
– Nós vamos ficar bem – ela piscou e eu sorri.
– Ta meio frio aqui né? – comentei ao sentir um arrepio.
– Sim, quer voltar pra dentro? – ela apontou para o pub com a cabeça
– Não – fiz uma careta. Lá dentro o som estaria alto e eu não conseguiria conversar com ela.
– Temos outra opção? – ela perguntou enquanto se levantava do chão e jogava os papeis e sua latinha em um lixo ali perto
– Podemos ir pro meu carro...
Ela olhou por cima dos ombros com um sorriso malicioso nos lábios.
– Ir pro seu carro? – ela me olhou desconfiada, enquanto limpava suas mãos em sua calça jeans escura.
– É, sem segundas intenções – levantei as duas mãos, enquanto ela se aproximava de mim.
Era mentira, eu tinha segundas intenções sim, mas como não ter? Ela era maravilhosa.
Levantei-me do chão e fiquei parado em sua frente esperando sua resposta. Ela pensou por um tempo com a mesma expressão no rosto, mas acabou aceitando.


– Posso ligar o radio? – estava sentada no banco do carona.
– Pode
Ela ligou o radio e mudou de estação varias vezes, mas acabou deixando em uma que estava tocando uma musica chiclete qualquer.
– Posso ver a foto da sua ex? Estou curiosa pra saber como ela é – a olhei de canto de olho – Por favor, – ela implorou
Revirei os olhos enquanto tirava o celular do bolso, abri o Instagram dela – já que tinha apagado todas as fotos dela e com ela que tinha – e abri a ultima foto que ela havia postado, a com o tal cara. Dei o celular para e ela analisou a foto com uma expressão seria.
– Esse é o cara que ela ta? – ela apontou para a tela do celular
– Sim...
– Que mau gosto! – ela me devolveu o celular – Você é bem mais bonito que ele, tipo umas mil vezes mais – ela disse sem olhar pra mim. Senti meu coração disparar ao ouvir aquilo dela.
– Você acha é? – dei um sorrisinho malicioso
– Sim, mas isso não quer dizer que eu estou te dando bola – ela deu de ombros. Que pena, pensei.
– Mas é o que parece... – brinquei
– Ridículo! – ela me deu um tapa no braço e começamos a rir juntos. Já mencionei o quanto a risada dela é fofa?
– Eu realmente não consigo imaginar uma mulher mais bonita que você, pro seu ex sequer pensar em te trair...
Ela deu um sorriso sem graça e virou o rosto para encarar a janela. E eu sorri vitorioso por deixá-la sem jeito, me ajeitei no banco e fiquei encarando o teto, me lembrei do que ela tinha dito antes, sobre o quão engraçado era o quanto ficamos próximos em tão pouco tempo, e realmente era, não era tão fácil eu me sentir confortável com alguém que conheci a duas horas atrás.
Olhei pelo canto do olho, e vi que estava se aproximando de mim, eu gelei, meu coração começou a bater freneticamente, ela chegou bem perto, seu rosto estava a centímetros de distancia do meu.
– No que você esta pensando? – ela perguntou enquanto apoiava as duas mãos em meu ombro.
– O que você acha? – virei meu rosto em direção ao dela, eu podia sentir sua respiração quente contra meu rosto e isso fez com que eu me arrepiasse.
– Em me beijar? – ela deu um sorrisinho. Ela estava certa, era a única coisa que eu pensava desde que a vi sentada naquele bar.
– Não seja tão convencida – brinquei.
Ficamos em silencio, apenas olhando para a cara um do outro, eu não conseguia tirar os olhos dos lábios de .
– E se eu te beijasse agora? – sussurrei.
– Eu não me incomodaria – ela disse baixo.
Eu não pensei duas vezes, coloquei minha mão direita em sua nuca e a puxei para mais perto, fazendo com que nossos lábios se tocassem. Meu coração batia descontrolado contra minhas costelas, meus dedos estavam afagando seu cabelo, enquanto suas mãos estavam agarrando minha camiseta branca. O beijo foi ficando mais intenso, ela me puxava pela camiseta para mais perto, e eu pressionava sua cintura. partiu o beijo e começou a distribuir beijos por todo meu pescoço, fazendo com que eu me arrepiasse.
– Nós podemos ir pra minha casa... – disse de olhos fechados. Ela parou o que estava fazendo e me encarou.
– Ei, vamos com calma ai! – ela fez um gesto com as mãos
– Eu disse pra irmos pra minha casa, não disse pra que... – olhei em seus olhos e dei um sorrisinho
– Você é tão engraçadinho – ela fez uma careta – Eu não sei não...
Me aproximei dela novamente e fui fazendo uma trilha de beijos de sua boca até seu pescoço, enquanto ela dava leves puxões em meu cabelo.
– Tudo bem, eu vou – ela disse puxando com delicadeza meu cabelo, fazendo com que eu me afastasse de seu pescoço.
– Ótimo – sorri vitorioso e liguei o carro


– Sua casa é enorme – disse quando passou pela porta.
Ela andava pela casa maravilhada, olhando com atenção cada detalhe. Pegou uma miniatura de torre Eiffel que estava em cima da mesa de centro e analisou.
– Você tem muito bom gosto pra decoração – disse colocando o objeto onde estava e virou-se de frente para mim
– Obrigado – agradeci enquanto a puxava pelos pulsos para mais perto.
cruzou os braços em minha nuca e cruzei meus braços em sua cintura.
– Sabe de uma coisa – ela fez uma pausa e olhou em meus olhos – Eu cheguei a conclusão de que não consigo raciocinar direito quando estou com você.
– E isso é ruim?– perguntei
– Não sei
Sorri e me curvei para beijá-la novamente, dessa vez nos beijamos calmamente, aproveitando cada momento. Ela acariciava meu cabelo com as duas mãos e eu afagava suas costas por dentro de sua camiseta listrada. Fui guiando-a até meu quarto, sem quebrar o beijo. Empurrei a porta semi aberta com o pé, me sentei na ponta da cama e a puxei para meu colo. passou suas mãos por dentro de minha camiseta branca, ela deslizou suas mãos por todo meu abdômen e em seguida, tirou minha camiseta e a jogou no chão do quarto. Passei minhas mãos por suas coxas e as apertei, logo depois, a ajudei a se livrar de sua camiseta. Ela me empurrou de leve fazendo com que eu me deitasse na cama, e ficou por cima de mim.
Quando nos demos conta nossas roupas estavam todas jogadas no chão do quarto, estávamos cobertos apenas pelos lençóis brancos de seda.
– Você tem certeza? – perguntei
– Amanhã eu provavelmente vou pensar “que merda eu fiz?” – ela disse com uma voz engraçada – Mas no momento eu não to nem ai pra o que é certo ou errado – ela levantou uma das sobrancelhas.
Sorri e a puxei pela nuca.


Acordei com os raios solares que atravessavam as cortinas cor creme, o relógio marcava 10:30 em cima do criado mudo. Virei para o outro lado da cama à procura de , mas ela não estava lá. Levantei de pressa da cama, me enrolei no lençol e sai à procura dela pela casa.
? – chamei enquanto entrava na cozinha.
Ela tinha ido embora, era obvio, por que eu achei que ela ficaria? Não tinha nenhum motivo pra ela ficar. Me senti um completo idiota por achar que o que havia rolado entre a gente era algo especial, e que ela havia sentido o mesmo que eu, mas eu fui apenas uma distração pra ela.
Me sentei no sofá e fiquei fitando o nada por um bom tempo. Escutei meu celular tocar e bufei, eu não fazia ideia de onde o tinha deixado, mas fui tentado seguir o som e acabei o achando no meu quarto, em cima da poltrona de couro. Vi no visor que era minha mãe, eu ia atender, porém notei um papel dobrado que provavelmente estava embaixo dele. Abri o papel e li a caligrafia perfeita ali.
“Hey ,
Adorei te conhecer e amei a noite que tivemos juntos, mas minha vida ta uma bagunça e eu realmente não sei o que farei dela.
Me desculpe,
Com amor, .”

Procurei pelo numero dela no papel, mas não tinha nada, ela realmente não queria que eu a encontrasse. Eu a entendia, talvez nem eu estivesse preparado para entrar em outra relação.


Tentei não procurar por , mas desde aquela noite eu não conseguia parar de pensar nela por um minuto, sempre sonhava com ela, às vezes me pegava fantasiando momentos e como seria se ela tivesse ficado aquela manhã, como seria se tudo não fosse tão complicado. Sempre me perguntava se acontecia o mesmo com ela, se pensava em mim, se ela se perguntava o que poderia ter acontecido se não tivesse ido embora aquele dia, se ela se arrependia de ter ido embora, ou ate de ter ficado comigo.
Fui ao pub diversas vezes á procura dela, uma vez até pensei tê-la visto, sai correndo entre as pessoas e quando cheguei até a garota, vi que não era . Eu estava ficando meio paranoico e não podia ver uma garota que tivesse o mesmo porte físico que ela e cabelos castanhos, que já tinha que checar se não era realmente ela.
Mas chegou um dia que eu disse a mim mesmo que não iria mais procura-la – ate por que ela não queria ser encontrada, e isso era obvio – e que se o nosso destino fosse ficar juntos, nossos caminhos iam se cruzar novamente.


Eram por voltas das 20h de um sábado, eu estava jogado no sofá vendo um daqueles reality’s shows idiotas da MTV,enquanto comia uma batata frita lays’s. A campainha tocou, levantei do sofá em um pulo, não fazia ideia de quem podia ser em plena 20h de um sábado. Caminhei até a porta limpando as mãos em minha calça de moletom cinza, destranquei a porta e a abri. Fiquei surpreso ao ver para ali.
– Oi – ela deu um sorriso fraco
– Oi – respondi ainda sem expressão
– Olha, eu sei que eu errei em simplesmente ter ido embora e sumido, mas eu tinha acabado de terminar um namoro e eu estava bem confusa – ela suspirou – Eu me apavorei e... me desculpa.
– Está desculpada – respondi um pouco seco. Ela aparece depois de três meses, simplesmente do nada só pra me dar as mesmas explicações? – Era só isso?
– Não – ela tirou os olhos de suas botas marrom e voltou a me olhar – desde aquela noite eu não parei de pensar em você, eu tentei te esquecer, mas eu não consegui – ela parecia um pouco envergonhada.
Eu fiquei ali, paralisado sem saber o que fazer ou dizer e ela ficou o tempo todo analisando minha expressão.
– Olha, eu só queria que você soubesse.
– Em todos esses três meses eu fiquei pensando se você também pensava em mim, se eu também tirava seu sono, se você se arrependia de ter ido embora ou de ter ficado comigo... – suspirei – Eu fiquei paranoico, te procurei por todo lugar, mas decidi que se fosse pra te ver de novo, iria simplesmente acontecer e agora você ta aqui...
– Eu sei que demorei pra te procurar, mas eu estava tomando coragem e pensando sobre o que eu queria da vida.
– E o que você quer da vida?
– No momento? Ficar com você...
Fiquei imóvel fitando ela enquanto raciocinava sobre o que ela tinha dito.
– Você quer ficar comigo? – perguntei para me certificar que não tinha entendido errado.
– Sim, mas se você não quer, tudo bem, eu entendo – ela mencionou virar para ir embora, mas eu agarrei seus dois pulsos rapidamente e a puxei pra dentro de casa, empurrei a porta com o pé para que ela fechasse. Encostei contra a porta e soltei seus pulsos.
– Você tem certeza? – perguntei bem perto de seu rosto. Ela revirou os olhos.
– Claro! – ela quase gritou
Ficamos em silencio, apenas nos encarando, nossos narizes estavam se tocando e nossas bocas estavam a milímetros de distancia. cruzou seus braços em minha nuca e meu coração disparou. Levei minha mão até seu rosto e acariciei sua bochecha com o polegar, ela abriu um sorriso e roçou o seu nariz no meu. Ela me beijou apaixonadamente, enquanto acariciava minhas costas por dentro da minha camiseta branca e eu mantinha minhas mãos acariciando seu rosto. A peguei no colo e ela cruzou suas pernas em minha cintura. Fui levando-a até meu quarto.
Deitei na cama e ela foi se arrastando para que seu corpo ficasse em cima da mesma por completo. Fiquei por cima dela e a beijei calmamente. Beijar ela foi diferente dessa vez, eu realmente sentia algo por ela, não era só atração física.
Quebrei o beijo para respirar e me deitei ao lado dela, já com dor nas costas de ficar naquela posição. virou a cabeça para me olhar, a olhei de canto de olho e sorrimos.
– A gente podia ver alguma coisa juntos né? – ela comentou
– Tudo bem – concordei. Estiquei o braço e peguei o controle da TV que estava em cima do criado mudo. Nos sentamos na cama e eu liguei a TV.
– O que você quer assistir? – perguntei sem tirar os olhos da TV
– Não sei... O que você estava assistindo?
– Um reality idiota da MTV – respondi enquanto zapeava os canais
– Eu amo realitys idiotas da MTV! – disse animada e eu a encarei com uma careta. Que tipo de pessoa amava isso? – O que? São engraçados – ela deu de ombros.
Balancei a cabeça negativamente e continuei zapeando os canais, porém não encontrei nada e acabei deixando na MTV.
– Quer por uma camiseta minha? Essa roupa parece desconfortável – comentei observando que seu vestido florido estava completamente apertado na cintura, parecia até que estava esmagando-a.
– Pode ser – ela concordou. Tirei minha camiseta e dei em sua mão – Já volto - ela levantou da cama e se dirigiu ao banheiro.
Depois de alguns minutos ela voltou vestindo minha camiseta branca, as mangas compridas estavam extremamente compridas nela.
– E ai? Fiquei bem? – perguntou fazendo uma pose engraçada e eu ri. Ela estava linda, mesmo com aquela camiseta horrível.
Deitamos-nos na cama e nos cobrimos com o lençol. chegou mais perto e deitou sua cabeça em meu peito, sorri e afaguei seu cabelo castanho.
– A gente podia participa daquele “De férias com o ex”, ia ser legal – ela levantou a cabeça para me olhar.
– Você ta louca? Deus me livre – fiz uma careta e ela riu.


Acordei na manhã do dia seguinte e sequer me lembrava de quando havia adormecido. Procurei por , mas o outro lado da cama estava vazio, levantei da cama e fui caminhando pelo corredor.
? – chamei enquanto ia andando até a sala, mas ela não respondeu. Comecei a pensar que ela tinha ido embora outra vez e senti um aperto no peito.
Entrei na cozinha e a vi sentada de pernas cruzada no banquinho de madeira em frente ao balcão, ela tomava tranquilamente algo em uma caneca de porcelana branca e lia um jornal. Senti todos os meus músculos relaxarem e suspirei.
– Bom dia! – ela deu um sorriso
–Por que você não respondeu quando eu chamei? – quase gritei.
– Não ouvi – disse , voltando a ler o jornal.
– É claro que você ouviu – falei um pouco irritado e ela riu ainda sem tirar os olhos do Jornal.
– Eu queria te assustar, confesso – ela disse, agora me olhando. Fiz uma careta pra ela e me sentei no banco ao seu lado – Quer café? Eu fiz torradas também – ela se levantou do banco e foi até a pia.
– Quero sim, obrigada – a encarei surpreso. Ela tinha mesmo feito café da manhã pra gente?
– Espero que você não se incomode por eu ter mexido nas coisas – ela disse enquanto pegava algo no armário.
– Claro que não – respondi enquanto me dava uma caneca de porcelana igual a dela e me servia café.
– Mas então – ela colocou um prato com torradas em cima da bancada e sentou- ao meu lado – Você achou que eu tinha ido embora de novo?
– Sim – mordi uma torrada e dei um gole no café
– Você não vai se livrar tão fácil de mim – ela esticou os braços para me abraçar de lado e eu a abracei de volta, dando um beijo no topo de sua cabeça. Me livrar dela era a ultima coisa que eu queria na vida.


Fim



Nota da autora: (06/05/2016)




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