Capítulo 1



Eu estava preparando meu cabelo para a minha primeira seção de photoshot do ano, que se tratava de um conjunto de empresas que decidiram fazer uma campanha tratando dos mil problemas que os adolescentes têm com seus próprios corpos, e de aceitação. Era uma campanha realmente linda. Eu estava muito feliz em estar ali, mas estava morrendo de enxaqueca devido as várias doses de tequila da noite passada, o que eu prefiro chamar de ressaca. Quando meu cabelo ficou pronto, vesti a lingerie da campanha e fui em direção a Katherine, minha empresária, que estava conversando com um dos fotógrafos da campanha.
- , nós vamos ter que aguardar um pouco, pois o outro modelo da campanha ainda não chegou – Katherine disse e eu rolei os olhos.
- Quem é o outro modelo? – Perguntei.
- , conhece? – Ela disse, me entregando seu portfólio.
- Já ouvi falar – Disse, dando de ombros.
Sentei na cadeira que continha meu nome escrito e abri o portfólio. Esse tal de até que era muito bonito, tinha trabalhos para a Vogue, e já desfilou para Marc Jacobs, Diesel, Calvin Klein, Hugo Boss, Louis Vuitton, Guchi, Givenchy, Alexander McQueen, entre outros. Ele até que estava bem “na fita”, era um dos modelos masculinos mais bem pagos atualmente. Passei algumas páginas que se tratavam de fotos de seus editorias e achei uma página que se tratava das polemicas. Ali dizia que saía com pelo menos duas garotas em uma semana, famosas ou não, e era conhecido por sair muito junto com seus muitos amigos famosos. Provavelmente era só mais um modelo fútil do meu dia-a-dia.
- Falei com , e ele disse que só vai conseguir chegar daqui a meia hora – Um homem de barba branca e com roupas muito elegantes entrou na sala, nos informando. E, pelo visto, era irresponsável também.
- E por quê? – Katherine perguntou a ele.
- Trânsito – O homem de barba branca respondeu, dando de ombros.
- Vou fumar – Disse, saindo da sala.
- , você não pode sair por aí de lingerie – Katherine gritou. Eu a imaginei vermelha atrás de mim e gargalhei.
- Me impede, Katie – Gritei de volta para ela e fui para fora.
Percebi que só meu celular estava comigo. Merda! Desbloqueei o aparelho e vi duas chamas perdidas de , minha melhor amiga. Resolvi ligar para ela e, depois de dois toques, atendeu.
- Resolveu dar sinal de vida, foi? – atendeu.
- Oi para você também, querida amiga, e, por favor, não grita. Tô com uma enxaqueca filha da puta.
- Imaginei que você ficaria assim, .
- Tô explodindo de raiva. O filho da puta do outro modelo está atrasado, ou seja, chá de cadeira para a .
- Como sempre, julgando as pessoas antes de conhecer.
- Ele deve ser um filho da puta mesmo, e pra piorar tudo, tô sem meus cigarros.
Vi uma mão ao meu lado, acompanhada de um maço de cigarros aberto, peguei um e o isqueiro que estava entre os dedos masculinos da pessoa. Deduzi que era um dos meus assistentes, mas não olhei pra trás, acendi o cigarro, e devolvi o maço e o isqueiro para a pessoa.
- Calma, , manda alguém comprar. Fácil! Você tem essa mordomia, você sabe.
- Já arrumei um aqui. Parece que deixaram de tomar conta do atraso do moleque e me deram atenção – Disse, rindo.
Escutei uma risada masculina atrás de mim e me virei. Merda. Não era um dos meus assistentes ali, era .
- Depois falo com você – Desliguei na cara de e o olhei incrédula.
- Jura que você tem ciúme dos seus assistentes? – Ele perguntou e deu uma tragada no cigarro.
- Sim, algum problema? – Disse e traguei o meu também.
- Nossa, como você é mimada – Ele disse e eu gargalhei da cara dele.
- Mil vezes mimada do que irresponsável – Disse e ele revirou os olhos.
- Foi o trânsito – Ele deu de ombros.
- Sei – Disse rindo.
- Tá, foi a ressaca – Ele admitiu. – E pelo visto, você está com uma das grandes também –
Ele disse e assenti dando outra tragada.
- , , pra dentro agora – Katie apareceu na porta e joguei meu cigarro no chão.
- Primeiro as damas – Ele disse, me dando passagem. - Bunda legal – sussurrou assim que passei.
- Você é realmente um filho da puta – Disse, olhando-o incrédula – Mas obrigada.
- De nada – Ele piscou e entramos.
Tiraram primeiro uns shots meus e de separados apenas de roupas de baixo, vestiu uma cueca Calvin Klein e um a lingerie que já estava da Victoria’s Secret, que depois seriam editadas e eu e ficaríamos acima do peso na foto.
Depois disso coloquei uma blusa masculina GG, que ia até minha coxa e continuei descalça, e quando vestiu uma saia de couro colada e um cropped, eu gargalhei e ele me deu dedo do meio. Tiramos fotos separadas assim e depois tiramos uma foto juntos, estilo “Rei e Rainha”: atrás de mim com as mãos em minha cintura e eu na frente, ambos de lado, e depois tiramos uma do mesmo estilo, porém de frente e mais sexy. Puxei a barra da blusa para baixo, joguei meu cabelo para o lado e empinei minha bunda para trás. botou uma mão na lateral do meu corpo e outra na barra de sua saia, levantando-a um pouco, tirou o cropped e ficou sem camisa.
Depois prenderam meu cabelo dentro de um boné, e me vestiram com roupas masculinas incluindo os sapatos e me mandaram desfilar pela sala. Desfilei como se estivesse em um Fashion Show. Sorri para todos os lados, rebolava, balançava o cabelo, sorria muito, queria que as fotos saíssem realmente perfeitas. fez o mesmo que eu, mas dessa vez ele estava vestido igual a uma Drag Queen, o que gerou muitas risadas pelo estúdio.
Quando acabou, eu e ele continuamos com as roupas e posamos um do lado do outro. Cruzei meus braços na altura do meu peito e fiz cara de brava, e ele fez biquinho. Depois tiramos uma foto séria de costas um para o outro.
- As fotos ficaram ótimas, . Vocês tem química – Katie disse quando finalizamos.
- Também acho – piscou para mim e foi para o seu camarim.



Era sábado à noite e todos os meus amigos do ramo da moda estavam se arrumando para a festa de 19 anos de Gigi Hadid, Gigi já tinha feito muitos editoriais comigo, por isso fui convidada para a festa, mas meu desanimo era maior que qualquer coisa. Estava deitada na minha cama vendo uma maratona de Scandal, quando escutei a campainha. Fui atender e vi vestida com um Dior vermelho curto e todo decotado, com o cabelo preso e um salto preto. Ela estava linda.
- ! O que você está fazendo assim? – Ela disse, entrando no meu apartamento.
- Nada – Disse e dei de ombros.
- Vai se arrumar. Nós temos uma festa pra ir, garota – Ela disse toda animada.
- Eu não vou, – Disse me jogando para trás no sofá.
- Vai sim, , por favor – Ela disse, pedindo muito, a minha frente.
- Não – Disse, rindo da expressão dela.
- , qual é? Ouvi dizer que a Miranda Kerr vai estar lá – Ela disse empolgada.
- Eu já conheço a Miranda, – Disse, rindo mais ainda dela.
- , por favor, faz isso por mim. Não quero ir sozinha – Ela implorava ao meu lado.
- Ai, tá bom, . Vou me arrumar – Disse e fui para o quarto.
era filha de ninguém mais, ninguém menos, que Ed Razek, presidente e diretor de marketing da Limited Brands, controladora da Victoria’s Secret, cresceu rodeada de muito dinheiro, e se integrou no mundo dos famosos rapidamente. Aliás, era muito mais amiga de Gigi do que eu.
Vesti um Givenchy preto tomara que caia que tinha a saia estilo bailarina, com um cordão de diamantes que ganhei no meu aniversário de 18 anos, e um salto alto preto. Deixei meus cabelos caírem na altura dos meus ombros e passei uma maquiagem básica.
Fomos para a festa no carro de . A porta estava rodeada de Paparazzi. deu as chaves de seu carro para o manobrista, entrelaçou o braço no meu e entramos na festa.
Estava lotado de famosos, avistamos Gigi e fomos dar os parabéns.
Outside da Ellie Goulding com o Calvin Harris tocava na maior altura. Comecei a cantar a música com e decidimos ir à pista de dança.
Dançávamos ao ritmo da música e jogávamos nossos cabelos de um lado para o outro. Um garçom passou oferecendo Champagne, e nós pegamos e continuamos dançando. Me empolguei lá pela quinta taça e, quando vi, derrubei a taça inteira na pessoa ao meu lado. Gargalhei e virei para olhá-la, e os olhos de encararam diretamente os meus.
- , você por aqui! – gritou, me cumprimentado.
- Eu por aqui – Disse rindo – Me desculpa, , não te vi ai – Falei quando reparei em sua camisa totalmente manchada.
- Tudo bem – Ele disse, fazendo um sinal com as mãos para que eu deixasse para lá.
- Não mesmo. Vem comigo, que eu vou tentar dar um jeito nisso – Disse e o puxei pela festa.
Avistei o banheiro e pedi para que se apoiasse na parede, molhei um pouco da toalha de rosto que ali estava, e passei na mancha da sua camisa. Não deu certo, e a mancha só aumentou.
- Acho que sua tentativa não foi muito boa – disse, rindo.
- Você pode ficar sem camisa também. Não é uma má opção! Aliás, esse corpo de Deus grego não foi feito para ficar escondido, né? –Disse, gargalhando.
- Estou começando a achar que o álcool está tomando conta de você - Ele disse, rindo, e corado pelo meu elogio.
- Ah, com certeza está – Virei meu rosto para cima e encarei os lábios carnudos de .
me puxou pela cintura, me virou e me prendeu na parede onde antes estava. Passou a mão pela a minha testa e pelo meu rosto tirando meu cabelo dos mesmos, e juntou nossos lábios.
O beijo de era calmo, era bom, delicado, era como estar no paraíso.

Acordei com o sol entrando pelas frestas da janela, abri meus olhos lentamente e observei onde estava. Aquele não era o meu quarto, aquela não era a minha cama e eu definitivamente não estava vestida. Merda. Respirei fundo e fui me lembrando da noite passada: festa, , pista de dança, Audi R8 preto, apartamento do . não estava no quarto, o que me poupou de uma conversa desagradável. Olhei para o despertador do ao lado de sua cama e ele marcava nove horas da manhã. Tínhamos a coletiva da campanha às dez. Sim, coletiva de impressa! Domingo às dez da manhã! Peguei meu celular que estava ao lado do despertador e havia nove chamadas perdidas de Katherine. Pronto, agora fudeu!
Levantei e vesti meu vestido, ajeitei meu cabelo no espelho, e calcei meus sapatos altos. Abri a porta do quarto e me deparei com uma mesa de café da manhã pronta e um apenas de cueca comendo.
- Bom dia – Murmurei um pouco envergonhada.
- Bom dia, – Ele disse, dando uma mordida em sua torrada.
- Onde eu deixei minha bolsa? Preciso ir – Perguntei e ele apontou para o sofá. Fui até lá, peguei minha bolsa e me vi sem fazer o que fazer.
- Come pelo menos uma fruta, sei lá – falou.
- Eu passo no Starbucks no caminho de casa, relaxa – Disse, dando de ombros.
- Tá bom, então. Quer um casaco emprestado? – Ele perguntou e eu assenti.
- Obrigada.Quer dizer que depois de dormir com as mulheres você vira um “gentleman”? – Disse, assim que ele me entregou o casaco.
- Eu sempre fui um gentleman, – Ele disse, piscando.
- Ok, isso não muda nada entre nós. Continuo te odiando – Disse e ele gargalhou.
- Também te odeio, – Ele respondeu. Mandei um beijo no ar e saí de seu apartamento.



- Você disse “eu te odeio” depois de transar com ele? Sério, ? – brigava comigo no telefone.
- Ah, qual é, ! Nem é tão ruim assim – Disse, rindo da reação dela.
- Tem razão. Acho que o “eu te odeio” de vocês tá mais pra “eu te amo” – Ela disse e eu dei uma risada nervosa.
- Acho que você ainda está sob o efeito do álcool, amiga – Disse e ela riu.
- Aham, sei, mas agora me conta. Como foi? – Ela perguntou, curiosa.
- Bom – Disse. Simples assim.
- Como assim “bom”, ? Só “bom” pra ? As modelos que eu conheço falaram que ele é maravilhoso – Engoli seco só de pensar em todas as piranhas que já passaram pela cama na qual eu acordei naquela manhã.
- Tá, foi ótimo – Confessei.
- Sabia, ! Agora eu tenho que desligar. Boa sorte na coletiva! Tchau! – Ela se despediu e desligou.
Joguei o telefone na cama, vesti uma calça jeans preta, a blusa da campanha, um blazer preto, minha bolsa e meus Louboutins e fui para a coletiva. Chegando lá, sentei diante da grande mesa com muitos microfones e com muitos fotógrafos na frente. Respirei fundo e esperei Katherine dar início. A primeira pergunta foi para o , que estava sentado ao meu lado.
- Senhor , existiu algum momento durante a campanha em que você pensou em desistir por causa do que te pediam para fazer ou vestir? – Perguntou uma repórter que estava claramente jogando charme para , e revirei os olhos discretamente.
- Não, eu aceitei participar da campanha porque acredito que cada um deve ser aceito exatamente como é e não vi problema em representar pessoas que buscam esse tipo de aceitação. – Ele respondeu e ela sorriu para ele.
- Gostaria de repetir a pergunta da outra repórter para você, Senhora -
A coletiva seguiu com perguntas como essas, sendo respondidas por mim e , até que Katherine abriu espaço para duas perguntas pessoais para cada, começando com o .
- Senhor , ficamos sabendo que o senhor levou alguém para a casa ontem após a festa a qual compareceu. O senhor confirma esta afirmação? – Um repórter perguntou e eu gelei.
- Não – respondeu seco.
- Senhora , minhas fontes me informam que a senhora foi o “alguém” que levou para a casa ontem. A senhora confirma esta afirmação? – A repórter que antes dava em cima de perguntou.
- Não – Respondi seca também.
- Então não existe nada mais entre vocês sem ser a relação que vocês tem no trabalho? – A mesma repórter questionou.
- Não – respondeu.
- Nós temos fotos – A maldita repórter disse, autoritária.
Katherine a cortou e encerrou a entrevista. Eu e fomos chamados na sala de reunião da empresa.
- Eu não acredito, – Ela gritou comigo, assim que fecharam a porta.
- Calma, Katherine – Disse, tentando acalma-la. Katherine era aquele tipo que vai ficando vermelha quando fica nervosa, dando impressão de que vai explodir.
- Me acalmar? Se tiverem fotos de vocês dois juntos, vocês podem perder a campanha. Está no contrato: nenhum relacionamento fora o do trabalho – Katherine dizia, rápida e nervosa.
- Mas nós não temos nada oficial. Não estamos namorando, nem nada do tipo – se pronunciou.
- Então, você estava mesmo lá ontem, ? Estou decepcionada – Katherine disse com um olhar triste. Sempre a considerei como uma segunda mãe. Ela está comigo desde o começo da minha carreira, e sempre me ajudou a manter o foco, a nunca deixar nada atrapalhar minhas metas.
- Me desculpa – Disse simplesmente e abaixei minha cabeça. Sinceramente, no que eu estava pensando? - Katherine, entendo sua preocupação, mas isso não vai ser um problema, acho que nem eu, nem , pretendemos seguir com isso adiante – Disse e Katherine assentiu com a cabeça, nos liberando.
Ao sair da sala, me jogou na parede e colocou cada braço de um lado da minha cabeça.
- Quer dizer que eu não pretendo seguir com isso adiante? – Ele perguntou com a boca muito perto da minha.
- Você quer? – Disse gaguejando e até meio nervosa.
- Com certeza. – Ele respondeu e deu um beijo no canto da minha boca e saiu rodando as chaves do seu Audi.
ainda vai me enlouquecer.



Hoje era dia de mais um photoshot para a campanha. Dessa vez eram fotos separadas, o que me pouparia da situação constrangedora que seria fotografar com o , mas não me poupou de ter que encontrar com ele no refeitório da empresa.
Estava sentada, comendo minha salada de todo santo dia, quando ninguém mais, ninguém menos, que sentou-se na minha frente com sua batata-frita, seu hambúrguer e sua coca-cola grande, me fazendo rir.
- Agora já sei como você mantém a boa forma de modelo – Disse e ele gargalhou.
- Realmente, faço muito esforço – Ele disse, em meio a sua risada. – Bom, senhorita , vamos ao meu objetivo ao vir aqui – disse, todo formal.
- Diga – Disse curiosa.
- Eu não te conheço direito e só temos mais – olhou em seu relógio – 20 minutos para você me tornar uma biografia humana de – Ele disse por fim.
- Por que tanta curiosidade? – Perguntei.
- Já disse que pretendo levar isso a frente – Ele disse, fazendo meu coração acelerar.
- E já se perguntou se eu quero? – Perguntei e o vi ficar meio constrangido.
- É claro que quer! Eu sou – Ele respondeu, mantendo a firmeza.
- Ótima resposta, mas vou contar minha história até aqui. O resto você vai ter que descobrir sozinho – Disse e ele assentiu.
- Eu nasci no Upper East Side, filha única. Minha família sempre teve muito dinheiro, mas saí de casa aos 16 anos. Sempre quis ter as minhas coisas, meu dinheiro. Fui dividir apartamento com uma amiga da escola, que corria atrás de independência e tinha uma família extremamente poderosa, assim como eu. Ela corria atrás de sua carreia como atriz e eu da minha como modelo. Ela virou minha melhor amiga e a considero como uma irmã. Consegui meu primeiro trabalho como modelo aos 17, fiz parte de um catálogo para a Tommy Hilfiger. Conheci e contratei a Katherine com minhas economias da mesada que ganhava do meu pai, quando ainda morava com ele, e depois só cresci no mundo da moda. – Contei um belo resumo da minha vida e sorriu.
- Legal, minha vez – ele disse e começou – Nasci em Venice, Los Angeles. Tenho um irmão mais velho e uma irmã mais nova, da qual sou muito protetor. Surfo desde que me entendo por gente, e entrei na carreira de modelo quando meus pais se separaram e vim morar com meu pai aqui em Nova York. Ele é fotografo e, quando viu que eu levava jeito pra coisa e gostava, me empurrou para dentro desse mundo. Eu gosto e muito! Tenho muitos amigos aqui, mas nenhum que eu possa chamar de melhor amigo e acho que é só isso.
- Hum, ok. Agora, eu faço as perguntas – Disse cada vez mais curiosa em conhecê-lo – Banda favorita?
- Sum 41.
- Livro favorito?
- Harry Potter, com certeza.
- Música favorita?
- Santeria, Sublime.
- Inspiração no trabalho?
- Franciso Lachowski.
- Mas ele tem a sua idade, , se não é mais novo que você – Questionei.
- Sim, mas você já viu o tanquinho dele? – Ele perguntou e eu gargalhei.
- Já fotografei com ele – Falei e fechou a cara.
- De lingerie? – Ele perguntou, sério.
- Sim – Respondi, afirmando com a cabeça.
- Hum...- respondeu, frio, e eu gargalhei – O que foi? – Ele perguntou.
- Você não está com ciúmes, está? – Eu perguntei, ainda rindo da reação dele.
- Nunca. Agora me diga suas metas de vida, seus sonhos. – Ele disse sorrindo
- Meus sonhos? Acho que me tornar Angel da Victoria’s Secret é com certeza um deles. Também gostaria de ser algum tipo de inspiração para as pessoas, conhecer a Riviera Francesa e me apaixonar.
- Legal, mas agora me conta o seu sonho estranho, um que ninguém saiba – Ele disse.
- Eu não tenho um.
- Ah, vamos lá, , você não tem nenhum sonho bizarro? Tudo legal assim? – perguntou, me fazendo rir.
- Ok, mas não é mais um sonho.
- Serve.
- Quando eu era pequena, eu queria ser uma das meninas super poderosas pra ter o poder de fazer o garoto de quem eu gostava se apaixonar por mim – Disse e caiu na gargalhada.
- Definitivamente bizarro, mas comigo você não precisaria de super poderes, você sabe – disse jogando todo o seu charme.
- Você não cansa de flertar comigo, ?
- Não – Ele respondeu simples.
- Tá – respondi, revirando os olhos – Agora me conta o seu sonho bizarro.
- Não é bizarro, mas é diferente. Sempre quis ser parte de uma banda.
-Tá brincando que você sonha em ser parte de uma banda?
- Sem dúvidas!
- Putz, muito legal. Sempre quis ter um namorado que participasse de uma banda!
- Então você me vê como seu futuro namorado, ?
- Ah! Não sei. Eu não disse isso, – Disse, meio nervosa, e com certeza estava corada.
- Vamos ver se consigo realizar um sonho seu, né? Não precisa ser um namorado de uma banda, né? Um namorado que quer estar em uma, pode?
- Quem sabe - E depois desse final de conversa, que me deixou cheia de incertezas, se levantou e foi embora dali, levando consigo toda a minha lucidez.
Eu não podia estar me apaixonando. Não podia. Trabalho em primeiro lugar. Sempre. As vezes? Não, , sempre!



Uma semana depois...

Estava sentada no meu sofá passando por todos os canais de televisão existentes, sem achar nada de bom para me distrair, e já ficando impaciente. Não conseguia tirar da cabeça! Tinha uma semana que eu não o via, mas tudo me lembrava dele, tudo mesmo. Eu já tinha tentado de tudo, mas nada funcionava. Bufei e taquei o controle na televisão, mas por sorte minha mira não é boa e não causei grandes danos. Levantei do sofá, calcei meus chinelos, peguei minha bolsa e minha boina, e saí de legging e moletom mesmo. Fui até meu carro e segui em direção à locadora. Chegando lá, fui direto à seção de Romance e Comédia Romântica. Vi “Um amor para recordar” na prateleira e o peguei. Pensei se me submeteria às horas de choro que o filme iria me causar, quando senti uma mão tocar meus ombros.
- “ Ás vezes me pergunto por que as pessoas boas se vão cedo demais, deve ser porque Deus as quer por mais tempo ao seu lado.” – A voz de soou baixinho ao lado do meu ouvido, me fazendo arrepiar.
- O que é isso, ? – Perguntei assustada.
- Minha mãe citou uma frase desse filme pra mim quando minha avó morreu – Ele se explicou dando de ombros.
- Não, , tô perguntando o que você ta fazendo aqui.
- O mesmo que você: alugando filmes. – Ele respondeu como se fosse óbvio, o que na verdade era.
- Você não está me seguindo, está?
- Claro que não, , eu posso estar tendo um abismo por você, mas eu não te sigo, não mesmo – Ele disse colocando os braços ao lado da cabeça em forma de rendição, o que me fez rir.
- Tá bom – Dei de ombros e fui com meu filme em direção ao caixa.
- Mas já que estamos aqui, eu poderia ir ver esse filme com você, não acha? – Ele disse galanteador.
- Não acho, principalmente porque gosto de ter meus momentos de depressão sozinha – Disse e ele riu.
- Ah, por favor – Ele pediu fazendo a famosa “carinha de cachorro abandonado” que só os homens incrivelmente bonitos, como ele, conseguem fazer.
- Ok, , mas só porque você citou “Um amor pra recordar” pra mim – Disse e ele comemorou, vindo atrás de mim.
- Sabia que ia te ganhar com isso – Ele disse rindo.
- Você ainda não me ganhou, . Tá longe disso.
Eu queria que ele estivesse longe, ah, como queria.
Entrei em casa e joguei minhas chaves na escrivaninha ao lado da porta, e dei passagem para entrar.
- Seja bem-vindo.
Ele entrou e se sentou no sofá.
- Levanta a bunda do meu sofá e vem me ajudar a fazer pipoca, – Disse e ele resmungou um pouco, mas me acompanhou.
- Você quer doce, com caramelo, com sal ou sem sal? – Perguntei, vendo os tipos de pipoca que eu tinha para fazer.
- Com sal – Ele disse e assenti com a cabeça. – Me fala pra que você precisa de ajuda, sendo que você vai fazer pipoca de microondas? – Ele perguntou, rindo.
- Pra você pegar a tigela e os copos, enquanto eu pego as cervejas na geladeira.
me obedeceu e, assim que a pipoca ficou pronta, ele a colocou na tigela e me ajudou a trazer tudo para a sala. Ele sentou no sofá e eu fui colocar o DVD. Sentei a uma distância “segura” de e começamos a assistir ao filme.
Depois de mais ou menos meia hora, eu já me encontrava involuntariamente bem mais perto de e quando fui reparar nisso, aconteceu: tudo desligou! Uma queda de luz era tudo de que eu precisava. Eu, , um sofá e a escuridão.
- Merda, merda, merda – Disse, me levantando, acabei chutando a mesinha que ficava em frente ao sofá e caí no mesmo, reclamando de dor.
- Você é maluca, ? Se acalma – disse, rindo.
- Tá doendo – Reclamei.
- Imagino. Você tem alguma coisa que eu possa passar para melhorar isso ai? – Ele perguntou, atencioso.
- Tenho, mas você não vai achar nada e já usei as velas que tinha na última queda de luz. – Disse choramingando um pouco.
- Que merda, mas sei como aproveitar a falta de luz. – Ele disse sedutor.
- Ai, nem vem, seu safado. – Disse, empurrando-o, e ele riu.
- Tô brincando. Mas sério, vamos conversar pra passar o tempo – Ele disse.
- Pode ser – Respondi, dando de ombros.
- Sua casa não é como eu imaginei.
- O que você esperava? – Perguntei, curiosa.
- Organização, tudo rosa e cheiro bom – Ele disse rindo.
- Ah, você está dizendo que meu apartamento é desorganizado e fede? – Disse, fingindo estar irritada.
- Não, estou dizendo que tem cheiro de pizza e que é desorganizado. Desculpa, mas é – Ele disse e eu ri.
- Tudo bem. Minha mãe sempre brigou comigo porque eu sou mais desorganizada que toda a parte masculina da família junta.
- Ah, então só por sermos homens temos que ser desorganizados? – Ele perguntou, irritado ou fingindo estar.
- Eu não disse isso, mas os da minha família não são organizados e você também não é – Disse, rindo da sua cara.
- Ah, então você ficou reparando no meu apartamento, senhorita ? – disse, me fazendo rir.
- Eu reparo em tudo, .
- Então você já deve ter reparado que eu estou perdidamente louco por você, não é mesmo? – disse chegando perto de mim e colocando meu cabelo para trás da orelha.
- Reparei, sim – Disse, praticamente em um sussurro – E fico feliz que quem seja bom em reparar aqui seja eu, porque sinceramente, está na cara que eu não consegui tirar você da cabeça - Após isso, me beijou, intensamente. Um beijo quente, cheio de vontade e também, quem sabe, cheio de amor.
- Eu te prometo, : assim que aquele contrato acabar, você será minha, só minha – disse, partindo o beijo e logo em seguida me beijando novamente.

Três dias depois...

Três dias se passaram após a visita de ao meu apartamento. As coisas entre nós estavam melhores, nós tentávamos disfarçar o “relacionamento” que tínhamos da melhor maneira possível, mas sempre nos encontrávamos depois do trabalho, para um drink ou algo do tipo. Eu estava meio incerta sobre o que seríamos: namorados, amigos coloridos? Eu não tinha ideia! O que eu sabia era que estava adorando cada segundo. A personalidade de , mesmo sendo muito diferente da minha, se encaixava completamente com meu ponto de vista do mundo, com minhas prioridades, e essa era uma das coisas que eu mais priorizava no mundo.
Saí do prédio e acendi um cigarro no meu caminho até o carro. Chegando lá, recebi uma ligação de .
- Fala, apaixonada! – disse e eu ri.
- Apaixonada? Desconheço essa palavra.
- Para, , você sabe muito bem do que eu to falando: senhor .
- Eu não sei se posso me considerar apaixonada ainda, .
- Ah, pode sim, . Assim como ele pode.
- Ele não está apaixonado por mim, . Tira isso da cabeça. – Assim que acabei de falar olhei para o parabrisas do meu carro e vi um bilhete:

“Sexta, jantar, eu e você. Te pego ás 22 hs.
Me dê uma chance. É tudo o que eu preciso.
Um beijo, seu

Li alto e riu do outro lado da linha e disse um “Viu?”. Desliguei na cara dela e comecei a raciocinar sobre o bilhete que estava segurando. Primeiramente gargalhei, mas o “seu ” me deixou meio apreensiva. Nunca me apaixonei, e também nunca fui amada, nunca tive alguém para chamar de meu ou alguém me chamasse de minha. Enviei “você tem uma chance, só uma” para , por mensagem, e entrei no carro.



Ainda eram vinte horas, mas eu já estava quase pronta para o meu jantar com o . Meu pensamento não fugia um segundo de seu sorriso, tal como eu queria ver enquanto ele olhasse para mim essa noite.
Pus uma maquiagem escura e um vestido longo e preto Chanel. Meu cabelo estava solto e natural. Também tinha algumas pulseiras combinando com os brincos que eu usava.
O tremor na minha barriga nunca cansava. causou algo diferente em mim: algo que eu nunca tinha sentido por ninguém. Como se cada vez que ele olhasse nos meus olhos, algo penetrasse o meu interior. Ele tinha conseguido ganhar algo de mim.
Sentei na cadeira, peguei um cigarro, acendi e traguei. Senti meu corpo relaxar, meu nervosismo dar uma acalmada, e respirei fundo.
Sem me dar conta da hora, o celular vibra: Uma mensagem de e uma mensagem dele.
“Boa sorte hoje. Arrasa garota! –
"Cheguei 30 minutos mais cedo. Quando estiver pronta, vem. - "
Ri da mensagem de e tentei não agir com muito desespero. não podia saber que eu estava perdidamente louca para sair com ele. Então esperei cinco minutos e joguei o cigarro no chão da varanda e pisei nele com meu salto. Não olhei para baixo, apesar de minha curiosidade ser imensa. Me controlei para não estragar a surpresa.
Saí de casa. Apertei o botão do elevador, que agora, mais que nunca, demorava mil séculos pra chegar.
Assim que este abriu as portas, entrei e, num movimento extremamente rápido, apertei para ir ao saguão.
Fechei os olhos: Será que realmente gostava de mim ou seria eu apenas uma das outras?
Quando abri meus olhos já estava no saguão, e avistei abrindo a porta de uma Limusine preta para mim.
- Surpresa, princesa! - gritou.
Tentei conter o sorriso e a gargalhada, mas aquele momento estava bom demais pra ser durona. Então só me deixei levar.
- Estou me sentindo a Lady Di.
Quando me aproximei do transporte, abriu um sorriso e gargalhou junto comigo.
Lá dentro tinham muitas flores e algumas caixas de pizza com um frigobar e uma mesa baixa na frente do banco. Como tudo isso coube em uma limusine só?
— Restaurante móvel. Vamos andar pelos mais belos lugares da cidade, enquanto desfrutamos uma deliciosa massa com molho de tomate e queijo italiano, com pequenos detalhes de carne de porco por cima e uma pitada de orégano. — Ele informou.
— PIZZA! — Gritei, o fazendo cair na gargalhada e chegar mais perto de mim.
— E então, gostou? Quero dizer, é romântico e as pessoas lá fora não vão saber que somos exatamente nós dois, certo?
— Gostar? Eu amei, — Falei em um tom de brincadeira e ele riu um pouco. — Ah, o motivo disso, é porque eu estou louco por você, .
"Eu também estou louca por você". Por que eu não consigo dizer? Por quê?
, então, pegou uma bandeja com dois shots do que imaginei ser vodka. Brindamos levemente e senti o líquido queimante, descendo pela minha garganta.
— Agora começando o encontro, Luiza, vamos ser sérios — ele lança um olhar misterioso —. Qual seu maior medo?
— Não sei... Palhaços? — digo. Ele ri um pouco.
— Tô falando sério! Sabe, mesmo que seja medo da morte ou sei lá. Algo realmente profundo.
— Eu acho que... Eu tenho medo de virar mais uma por aí, sabe? Mais uma modelo fútil, que julga todos por aparência. Uma pessoa indiferente, sem intensidade na vida. — me encara da forma mais concentrada que consegue — E o seu, sr. ?
— Eu tenho medo de não ser amado por ninguém, mais especificamente não ser amado por quem eu amo. Mais profundamente, não ser amado por você.
- Você já é amado por mim, , e sempre será.
E então, o beijei.

FIM.



Nota da autora: Oi gente, essa é a minha primeira short então vamos com calma no julgamento, ta? Essa short foi uma delícia de escrever e espero de coração que vocês gostem!!! Se quiserem falar comigo pode me procurar no @stydiavadia, meu fc ou por email, lu_millem@hotmail.com, comentários e criticas são muito bem vindos. Beijos.




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