03. Worst In Me

Última atualização: 19/01/2020

Capítulo Único

abriu os olhos encontrando um dormindo profundamente após uma das inúmeras noites de sexo selvagem que eles tiveram. Isso era comum para eles. O que não era comum era ela se sentir cada vez mais apaixonada pelo homem dormindo ao seu lado, não que ele não a amasse, mas sabia que o sentimento intenso entre eles não era algo bom e a cicatriz perto da sobrancelha esquerda dele adquirida na noite anterior era um lembrete disso.
Um rock dos anos noventa tocava num volume consideravelmente alto no bar de beira de estrada que o casal costumava frequentar. A maioria das pessoas que iam lá eram caminhoneiros, motoqueiros, ou paravam apenas para usar o banheiro ou comprar cigarros.
jogava bilhar com alguns homens que tinha conhecido naquela noite, ele já havia ganhado uma boa grana que usaria para comprar algo para pois o aniversário dela seria no próximo mês. De vez em quando o loiro pousava os olhos em sua mulher na pista de dança improvisada, ela lhe lançava olhares travessos e sorrisos cheios de segundas intenções enquanto rebolava ao som da música e passeava as mãos perigosas em seu próprio corpo.
O homem teve sua atenção voltada para o jogo novamente quando um dos caminhoneiros avisou que era a vez dele.
Ganhou de novo a rodada, os homens tinham aumentado a aposta e
ia dizer que sim antes de seus olhos azuis serem atraídos novamente para a morena que agora dançava com um homem. Uma música latina tocava e o loiro sentia todo seu sangue ferver, tanto que não pensou duas vezes antes de caminhar com passos firmes até as duas pessoas que dançavam como se nada mais importasse. Mas importava, pois aquele imbecil estava com as mãos na cintura da mulher dele. E precisava ensiná-lo a nunca mais colocar as mãos em algo que era dele.
mantinha uns bons centímetros de distância do homem que pediu para dançar com ela, que aceitou por achá-lo educado. No fundo, ela sabia que era uma péssima ideia pois estava do outro lado do bar e ela explicou para o homem que seu namorado estava bem ali, mas o motoqueiro não deu muita importância para aquilo. Santa ingenuidade! Ou burrice mesmo. Ela teve a certeza que era a segunda opção quando notou caminhando até eles, onde ela fez questão de empurrar o homem que a olhou com um ponto de interrogação na testa e quando virou para observar o que tanto ela temia, um soco certeiro o derrubou no chão.
!
Depois do grito dela, todos no bar pararam o que estavam fazendo para observar a briga, alguns até chegaram a apostar quem venceria, pois não demorou muito para que os dois homens rolassem pelo chão.
— Para com isso! — voltou a gritar, abrindo os braços em frustração. — Alguém aparta essa briga.
Ninguém se moveu.
O motoqueiro derrubou no chão e caminhou até o balcão, tirando uma garrafa de cerveja de lá e quebrando-a, apontando a ponta afiada no vidro na direção do outro. Quando o loiro se levantou, ele riu. Riu ao perceber que o outro homem havia pego uma garrafa para se defender, mas aquilo não ficaria entre eles. Nem o martelo de Thor poderia impedir de quebrar a cara daquele homem. Mas em um descuido do loiro, o motoqueiro acertou em cheio o lado esquerdo do rosto dele com a garrafa causando um corte profundo em sua sobrancelha. não se abalou, pelo o contrário, aquilo o enfureceu fazendo o loiro chutar o rosto do outro, e aproveitando a queda do motoqueiro, ele subiu por cima dele, iniciando uma sequência de socos.
— Ele está desmaiado, vamos embora. — a morena começou a falar, sendo ignorada pelo namorado. — Argh, quer saber? Eu vou sozinha, qualquer coisa é melhor do que estar com você nesse estado. — pareceu não se importar com as palavras da mulher até a frase seguinte — Talvez eu até pegue carona do algum desses motoqueiros.
Assim que falou isso, saiu do bar indo até onde algumas motos estavam mas antes que pudesse pedir carona para algum motoqueiro porque era isso que ia fazer mesmo, puxou seu braço com força quase a derrubando no chão.
— Não encosta! — ela colocou os braços na frente do corpo, impedindo que o homem se aproximasse.
— Era eu que deveria estar zangado.
— Meu Deus, ! — ela exclamou, com o coração quase saindo pela boca ao notar o sangue molhando o lado esquerdo do rosto do namorado. Ela se aproximou, encostando os dedos no ferimento, fazendo o homem fechar os olhos com aquele toque. — Você está machucado.
— Não mais do que aquele idiota.
— Vamos logo para casa.
Entraram na picape de , com assumindo o volante enquanto escutavam algumas músicas que tocavam na rádio.
No pequeno apartamento que viviam, estava deitado no sofá enquanto trazia uma garrafa de vodca que tinha na cozinha, junto com alguns algodões.
— Esse corte está horrível.
— Relaxa, não está doendo.
— Cadê uma maleta de primeiros socorros quando se precisa dela?
Anotou mentalmente que precisava de uma maleta dessas pois se fosse por , ele entraria numa briga com cada homem que ousasse olhar para ela.
— Se não estivesse com aquele imbecil nada disso teria acontecido.
Ela ia pegar leve, mas as palavras do namorado a magoaram.
a tratava como uma propriedade, ninguém podia se aproximar dela que ele já enxergava como uma possível ameaça mas o que ele sequer imaginava era que o seu comportamento era a verdadeira ameaça àquele relacionamento. pegou a garrafa de vodca e jogou boa parte do conteúdo na ferida do namorado, que grunhiu de dor, lançando-lhe um olhar feio.
— Isso é por estar sendo um imbecil agora.
O homem sabia que por causa de seu temperamento explosivo e por não pensar antes de falar, o machucaria até cansar porque eles eram assim. Cada um conhecia a fraqueza do outro, sabia onde ser atingido e qual arma usar para isso.
A que ele mais temia no momento era não transar com ela naquela noite. Mas ele reverteria a situação.
colocou uma das mãos por baixo da blusa grande que ela usava, tocando-lhe a cintura, ele soltou um "ai" quando ela apertou o algodão sobre a sobrancelha dele. segurou a risada pois sabia que o resmungo do namorada tinha soado tão falso quanto uma nota de três reais.
A mão do homem subiu pela barriga de até encontrar um de seus seios coberto pelo sutiã de renda, apertando-o em seguida. Ela não demonstrou reação, mas sabia que ela estava gostando. Ela sempre gostava. Hoje não seria diferente.
— Você acha mesmo que vai me comer hoje? Depois de tudo o que você fez?
levantou, ficando de frente para ele, com os braços na cintura.
— Tenho certeza.
Apesar de convencido, quase nunca errava. Eles fizeram sexo naquela noite. Diversas vezes.

— Odeio quando você faz isso. — a voz sonolenta de a despertou da lembrança.
A claridade entrava no quarto pela pequena parte da janela que não estava coberta com a cortina escura.
— Isso o que?
O corte na testa de já estava melhor, não tinha sido dos mais profundos e conseguiu limpar, pelo menos ele não ganharia uma infecção com aquilo.
— Ficar me encarando.
— Mas você fica tão bonitinho dormindo.
— Eu fico mais bonitinho fazendo outra coisa. — ele ironizou.
— Você só pensa em sexo.
— Errado. — ele ficou por cima dela. Beijou os lábios da namorada delicadamente antes de repetir o que eles passaram a noite fazendo. — Eu só penso em você.
Ela gostava daquela sensação e queria que todos os dias fossem como aquele. Mas o relacionamento dos dois era como uma gangorra: uma hora estava tudo maravilhoso, e na outra, tudo desmoronava.
Infelizmente, para eles, o amor era uma catástrofe.


3

No início do namoro, eles não eram assim. Ela não lembra o motivo de tudo ter mudado, mas eles culpavam o amor. Eles não eram como um casal como os de filmes, pelo o contrato, depois que o namoro ficou nesse nível, eles sabiam que tinham tudo para dar errado, mas do jeito deles, acabaram dando certo. A garota não possuía parentes próximos, seus pais morreram precocemente e ela não tinha irmãos, por isso enxergava como sua única família, enquanto que ele tinha pais, que pelo o que ela sabia, eles possuíam muito dinheiro mas o namorado não se dava bem com eles. Por inúmeras vezes, tentou saber mais sobre a família do homem, do porque ele não querer manter contato com a família mas tudo o que lhe respondia era que eles “não valiam a pena”.
O que isso significava? Essa uma parte da vida dele que ela era bastante curiosa em descobrir. Será que a família dele era responsável, mesmo que minimamente, pelo comportamento agressivo do homem? Porque ele era assim, nunca chegou a machucar fisicamente a namorada, mas as palavras e atitudes eram o que destruíam um ao outro.
Quando agia errado, sentia a necessidade de agir mais errado ainda e vice-versa. Um não era bom para o outro. Poderiam ser mas não eram. Poderiam consertar os erros para não errarem novamente, mas não faziam. Para eles, pegar o caminho mais difícil era a maneira deles de "resolverem" as coisas.
Era isso que colocava em prática naquela tarde enquanto engatava uma conversa animada com Bradley, um cara que ela acabou de conhecer na festa de fim de ano que organizou com alguns amigos. O emprego como tatuador não era dos melhores pois o lugar em que trabalhava não era dele, mas era o que pagava as contas, ajudava trabalhando como garçonete em buffets quando raramente era chamada, mas seu sonho era entrar em uma faculdade. Já tinha se inscrito, mas não recebeu a resposta e a cada dia que passava, sua esperança se afastava.
— Então, você não quer ser tatuadora como o ?
— Definitivamente não.
— Por que?
— Acredite, eu sou uma péssima artista.
— O que você está fazendo?
baixou os olhos vendo apoiada em sua barriga enquanto escrevia algo no corpo dele com uma caneta.
— Escrevendo "Propriedade da ".
Ele riu da mentira.
— Você vai tatuar isso sim! — ela voltou a falar em meio a risadas. — Aquela Maureen se faz de sonsa quando está perto de você, toda vez que ela te toca eu tenho vontade de arrancar a mão dela com uma faca de cozinha, aquela com serrinhas, para doer bastante.
— Ela é só uma amiga.
— De amiguinhas como ela, o inferno está cheio. Quer morrer mais cedo, ?
A ponta afiada da caneta o machucou um pouco pela pressão que a garota fazia ao contornar uma estrela em um canto de pele livre que ela achou entre as tatuagens do namorado.
— Você adora essas coisas. — o homem falou, mudando drasticamente o assunto e se tornando foco da atenção de , que o olhava curiosa. — Estrelas, lua, céu.
— O universo é lindo. Você nunca se perguntou de onde isso vem? Digo, as estrelas, a lua, o céu... o Sol. — apontou para uma das tatuagens dele, que era um sol. — Só precisamos tirar um tempo para conhecer, apreciar e principalmente amar tudo que há nele.
— Não consigo amar outra coisa além de você.
— Se você repetir isso por mais algumas cinquenta vezes eu acho que acredito.

balançava a cabeça enquanto ria de uma das lembranças que Maureen contava quando eles se conheceram. queria continuar a conversa com Bradley e até jogar uma cantada no rapaz com a intenção de chamar a atenção do namorado, mas seus instintos a levaram direto para onde estava, abraçando-o pela cintura.
— Bem, essa é a minha deixa. Te vejo na segunda. — Maureen apontou para enquanto se afastava.
— O que vocês vão fazer na segunda?
— Tatuagens. — ele deu de ombros, recebendo um olhar nada satisfeito da namorada.
Eles continuaram juntos naquela tarde até chegar a hora de voltar para o apartamento, estava pensativa enquanto observava as ruas da cinzenta Londres pela janela da picape, revezava o olhar entre a estrada e a namorada, estranhando seu comportamento pois ela costumava sempre conversar durante o trajeto e cantar algumas músicas animadas.
— Quer me contar porque está assim?
— Não gosto daquela Maureen.
— Agora me conta uma novidade.
— Me diz a verdade, — ela começou com o tom de voz sério. — você nunca percebeu que ela quer mais do que a sua amizade?
— Isso importa? Eu estou com você.
Ela balançou a cabeça, negando. Eles continuaram o caminho até o apartamento em silêncio, mas a verdade era aquilo importava sim. não demonstrava com frequência mas era insegura quando se tratava de , ela sabia que ele era o tipo de homem que toda mulher quer pelo menos uma vez na vida, ele transbordava luxúria e perigo por onde passava e pensar que ele poderia querer alguém além dela era assustador.
Apesar de todos os defeitos daquela relação imperfeita e tempestuosa, não estava pronta para viver sem .


3

Era um estranho jeito de amar. Doía. Queimava. Ardia. sabia que não era a melhor maneira de amar, mas era a única que eles conheciam.
Ela lembra quando falou com ele pela primeira vez. Uma vizinha dela a convidou para ver uns garotos tocarem em uma garagem de um hotel barato. Eles eram péssimos, ela deixou isso claro quando o baterista deles tentou levá-la para a cama naquela noite.
"Amor, suas baquetas não são o suficiente para me satisfazer." Foi o que ela falou, deixando o rapaz visivelmente envergonhado, saindo em seguida atrás de outra garota para passar a noite.
"Eu tenho só uma baqueta mas garanto que ela nunca decepciona." , que havia escutado o esculacho de no baterista, lançou uma cantada horrível, mas os goles de bebida junto com as risadas foram o começo de tudo. Ele realmente nunca decepcionava. Era para ser apenas um caso de uma noite, mas era insistente e terrivelmente sensual, sendo capaz de deixar qualquer ambiente com um clima erótico em questão de segundos.
Não foi difícil se apaixonar por ele. era como uma chama. foi atraída para ela com curiosidade, mas quando ela encostou no fogo, a sensação foi boa e eles nunca mais se desgrudaram.
Na segunda-feira, estava voltando para o apartamento após acertar uma contratação para servir em um buffet de casamento que teria na próxima semana, mas ela não se sentia bem. Parou em uma padaria para lanchar, mas seus pensamentos voaram longe, não havia visto que saiu cedo para preparar o estúdio para a fazer a tatuagem de Maureen, talvez o incomodo seja por ter pensado naquela mulher que não lhe trazia nada além de sentimentos ruins. Mas uma surpresa para aqueles dois não seria ruim, ou seria? Terminou seu suco e fez o caminho contrário que estava indo, agora para o estúdio que trabalhava, que não era longe.
Não demorou para ler Leeʼs Tattoo em neon vermelho com fundo preto no letreiro do estúdio, quando entrou foi recebida com surpresa por Ivanna, a ruiva de cabelos cacheados que recepcionava os clientes.
— O está aí?
— Está. — a cacheada respondeu, nervosa. — Mas ele está com uma cliente.
parou no caminho, virou o rosto para a garota, sorrindo em seguida para tranquiliza-la e respondendo que ela não seria puni-la por deixar a mulher de um dos tatuadores de lá entrar em uma das sessões.
— Amor, essa garota é muito estranha…
Parou subitamente de falar ao ver o casal se separando num pulo, Maureen estava somente de sutiã, vestindo a camiseta rapidamente ao ver . suspirou alto, passando as mãos pelos cabelos, não sabendo o que dizer.
“Não é isso o que você está pensando” era tão ridículo porque era aquilo que ela estava pensando sim! Eles estavam se beijando e ela não sabia o que eles faziam antes dela chegar.
— Estou indo. — Maureen falou, deixando o casal a sós.
— Eu…
— Sabe, — ela começou a falar, ainda parada onde estava. — nos meus pesadelos, quando eu imaginei você e ela juntos, eu pegava ela pelos cabelos e destruía aquele rosto. Mas agora que tudo aconteceu, doeu mais do que eu poderia prever. Muito mais.
— Ela que me beijou!
— Então, se um homem me beijar, está tudo bem para você?
— Claro que não, porra. — ele levou as mãos trêmulas até os cabelos, colocando-os para trás. — Eu não quis fazer nada com ela, você só chegou na hora que ela me beijou, não deu nem tempo de reagir.
— Espera, você está me falando que vocês não tem um caso? Que em cada sessão de tatuagem que você fez nela, nada aconteceu?
— É isso.
A garota riu, gargalhou na verdade. As lágrimas se acumularam em seus olhos, enquanto ela tentava a todo custo procurar palavras para depreciar , colocá-lo no fundo do poço, destruí-lo, fazê-lo sofrer da mesma maneira que ela estava naquele momento. Mas sabia que não se sentiria bem, fazendo-o sofrer com palavras. Não com palavras.
— A Maureen morreu para mim a partir de hoje. — se aproximou, colocando as mãos no rosto da namorada, fazendo os olhos castanhos dela irem de encontro aos dele. — Quando eu disse que só quero você, eu estava falando sério.
Ela assentiu, sendo abraçada por ele. Gostou de ouvir aquilo de mas o peso sobre seus ombros ainda não tinha ido embora.
Eles voltaram a pé para o apartamento, que era a dois quarteirões do estúdio. sabia que precisava alegrar a namorada apesar de não ter culpa do beijo, pois foi realmente Maureen que o beijou.
— Quero sair com você.
— Pro bar? Tenho certeza que o Donny vai nos expulsar.
— Donny?
— É, o dono do bar.
— Ah, não. Não! Quero te levar no WipeOut.
abriu a boca em um perfeito O ao ouvir o nome do clube noturno que foi aberto mês passado e que ela sempre quis ir.
— Estarei pronta em alguns minutos. — deu um selinho no homem, que sorriu com a animação da namorada.
não demorou meia-hora de arrumando, enquanto que estava há mais de quarenta minutos apenas de toalha fazendo alguns cachos nos cabelos. O homem já estava impaciente e quase desistindo da ideia, quando a garota apareceu deslumbrante num vestido vermelho muito sexy.
— Eu só preciso encontrar meus brincos e nós já vamos.
— Estou começando a mudar de ideia e prestes a arrancar esse vestido.
— Para! — os lábios pintados de vermelho se abriram em um sorriso e logo viu a namorada sumir novamente do seu campo de visão, entrando no quarto deles.
abria todo o guarda-roupa a procura de seus brincos mais
bonitos, que eram duas argolas de ouro branco que ela havia ganhado de seus pais antes deles morrerem num trágico acidente de carro. Ela não lembrava onde tinha guardado, então meteu a mão no fundo de cada gaveta tentando encontrar as pecinhas de grande valor, mas ao enfiar a mal na gaveta de cuecas do namorado, acabou por encontrar um envelope.
Sua curiosidade foi maior que tudo naquele momento, e tudo só piorou quando ela leu o nome da faculdade e que estava em seu nome. Por que aquela carta estaria ali? Não se conteve e abriu o papel, que não estava lacrado, lendo com um sorriso sobre a sua aprovação no curso de economia, algumas lágrimas começaram a cair, mas seu sonho se dissipou ao ver que o prazo para confirmação da matrícula já havia vencido.
!
Se assustou com a voz do namorado vindo da sala, guardando o envelope em outro lugar e arrumando a maquiagem que estava borrada. Voltou para a sala, sem dizer nada, apenas dando um beijo nos lábios do homem.
— Vamos? — se virou para ir em direção à porta, mas foi impedida pela mão do loiro em seu pulso.
— Ei, — ele a chamou, notando algo estranho na namorada que não parecia tão animada quando antes. virou o rosto, olhando para dentro dos olhos azuis do namorado, que transmitiam preocupação. — está tudo bem?
— Sim, foi só um pequeno mal-estar.
Não mentiu complemente, pois de uns dias para cá, o estresse a deixou mal, e era quase como se ela soubesse que algo muito ruim ia acontecer. Só poderia ser isso.
— Mas você ainda quer ir? Nós podemos ficar também.
— Não, eu quero ir.
Tudo o que ela mais queria durante o trajeto até o clube noturno era que ficasse em silêncio, mas como se soubesse disso e estivesse disposto a perturba-la pois ele não parou de falar. contava mentalmente para não jogá-lo do carro, pois tudo o que mais queria era confronta-lo mas ela sabia que fazendo isso, corria o risco de se deixar ser enganada por ele.
Mas aquela traição não sairia barato.
Ela se certificaria daquilo.
O WipeOut era melhor do que eles pensavam, os dois olhavam admirados para cada centímetro do local que não eram acostumados a frequentar. Luzes azuis, música boa e muitas pessoas. Aquela noite poderia ser descrita como uma das mais lucrativas para dos donos da boate.
— Vamos dançar. — a garota puxou pela mão até o centro da pista de dança.
Uma música eletrônica tocava fazendo todos os os corpos ali se
mexerem de maneira frenética, menos o casal, que dançavam como se aquela fosse sua última dança.
Continuaram da mesma maneira, até a garota notar o olhar de um moreno em sua direção, o homem era lindo, não como , mas seria ótimo para o que estava pensando em fazer.
— Vou ao banheiro. — sussurrou, e ela assentiu.
Observou as costas largas do homem se afastarem cada vez mais, e quando ele sumiu por completo, virou o rosto para o homem que agora lhe encarava de volta, levantando um copo em sua direção. Não recusando o convite, ela caminhou até ele, que estava no bar. O moreno era mais bonito de perto, os olhos claros combinavam com o tom escuro de sua pele.
— Seu namorado não vai se incomodar? — ele ofereceu uma bebida para ela, que aceitou, levanto o copo até os lábios, tendo seus movimentos acompanhados pelos olhos verdes do homem.
— Nós temos um relacionamento aberto. — a mentira saiu com facilidade, levando o moreno a crer realmente naquilo. A mão dela agora tocava a coxa dele, perigosamente perto do sexo do moreno, que sorriu, inventivamente o toque. Ela aproximou o rosto do dele, até levou os braços para o pescoço do homem, que agora estava com as mãos nos quadris dela. abriu os lábios, pronta para beijar o pedaço de mau caminho a sua frente, mas foi impedida pelos olhos raivosos de , que a procurava incessantemente.
Ela ia dar o troco, mas não conseguiu. Quando se afastou do homem, ele a olhou confuso, mas ela apenas se desculpou e foi para as
escadas, sabendo que estava sendo seguida pelo namorado.
!
Escutou a voz alterada do homem atrás de si e por isso apressou os passos, entrando na primeira sala que achou no corredor da boate. Ela precisava ficar sozinha, mas não tinha chave na sala, o que impossibilitou sua vontade. Não demorou muito para que entrasse e batesse a porta da pequena sala com força, assustando a namorada, que correu para o outro lado, o mais longe possível dele. estava transtornado, tudo o que ele enxergava era vermelho, ele sabia que tinha a facilidade para lhe irritar mas ela tinha passado dos limites.
Ela ia trai-lo, mesmo o tendo perdoado por uma traição que ele não havia consentido. O olhar dele era frio, ela não reconheceu o homem naquele momento, tinha conhecimento do temperamento explosivo dele mas ali ele parecia animalesco.
Ela estava encostada na divisão de vidro, que separava a sala do banheiro, quando ele ficou na frente dela, colando seus corpos. fechou os olhos quando o nariz do homem tocou seu pescoço.
— Por que?
O tom de voz era baixo, assustador.
— Porque eu queria me vingar! — ela gritou, sentindo as palavras saírem como balas.
— Eu não fiquei com a Maureen! — ele gritou de volta.
— Não estou falando dela. — respondeu. — Eu achei a carta da faculdade.
— Eu… — começou, envergonhado por causa de sua próxima fala. — não poderia ousar te perder para uma faculdade.
abriu e fechou a boca duas vezes não acreditando no que acabara de ouvir. Era tão absurdo.
— Olha o que você está falando! — o tom saiu mais alto do que previu. — Eu ia estudar, trabalhar para conseguir ter um futuro com você.
— Você ia encontrar alguém melhor do que eu.
Os dois sabiam que era verdade. Achar alguém melhor do que não era difícil, era uma bela garota que atraia muitos olhares, mas ela não queria o melhor. Ela amava aquele que despertava o pior nela. O relacionamento estava numa linha bamba que foi destruída essa noite quando ela descobriu a pior coisa que ele havia feito com ela, fazendo-a despertar e ter a certeza de que não queria mais viver naquele inferno, pois era isso que o relacionamento se tornou.
— Pode me chamar de egoísta porque eu sou mesmo, mas não posso te perder.
— Eu te amo. — a garota começou a falar, incapaz de conter as lágrimas que caíam desesperadamente de seu rosto vermelho. não conseguiu esconder o sorriso pela declaração. Ele sabia que a namorada o amava mas ouvir as famosas três palavras da boca dela era infinitamente melhor. — Eu não tive a intenção de te amar, e muito
menos acreditava que alguém pudesse me amar como você faz. — agora suas mãos estavam no rosto do homem, que ouvia tudo com atenção. — Ninguém me amou como você. Céus, eu te amo tanto. Amo mais do que eu pensei que fosse capaz de amar alguém. E esse foi o meu erro, te amar mais e me amar menos.
Cada palavra era uma facada no peito do homem, que a essa altura estava com o rosto vermelho, chorando de raiva por ter sido um imbecil e não ter mudado a tempo de impedir que isso acontecesse.
— Não faz isso.
— Não é a hora certa para nós dois. A única coisa que temos em comum é esse amor louco e nada mais, estamos complemente fora de sintonia. Nós nos perdemos no caminho que poderia ser incrível. O ciúme, a desconfiança e a insegurança nos tornaram ruins. E eu não quero ser assim.
não aguentou ouvir aquelas palavras dolorosas. Seu impulso agressivo levou seu pulso de encontro a janela, quebrando-a em muitos pedaços que se espalharam pelo chão. gritou sentindo o vidro atrás de si e o limite finalmente havia chegado. Ela escorregou até o chão, abraçando os joelhos numa falha tentativa de imaginar que aquilo era apenas um pesadelo.
— Me perdoa, me perdoa — ele repetiu, se abaixando para averiguar se tudo estava bem com a namorada.
— Podia ter sido eu.
— Eu nunca te machucaria. — ele sussurrou.
Era verdade. nunca seria capaz de machucar a garota a sua frente, que para ele, era tão mais frágil que o vidro quebrado instantes atrás.
levantou os olhos, se afogando mais uma vez nos olhos dele, que a encarava desesperado, pedindo para eles voltarem para o apartamento e resolver essa crise como as outras foram resolvidas. Um lado dela queria isso também, voltar para o pequeno apartamento que eles chamavam de lar, sentir o cheiro do homem que estava em cada canto do lugar, fazer sexo mais uma vez… mas fazer isso seria permitir que nada nunca mudasse. E a sua parte mais sentimental gritava por uma mudança. Queria poder acordar e ter a certeza que nenhuma outra poderia tirar o que era dela, queria não desconfiar do homem que amava, queria não enlouquecer de ciúmes, queria não resolver as coisas apenas com sexo, queria poder amar e ser amada sem qualquer bônus negativo.
— Se você me ama como eu acho que ama, vai me deixar sair por aquela porta e não vai me impedir.
Silêncio. Nenhum dos dois ousou dizer outra coisa, e apenas as respirações e soluços podiam ser ouvidos na pequena sala, além da música eletrônica que tocava na boate. levantou sendo acompanhada pelos olhos de , que não saiu do lugar.
Por mais que seu coração doesse com a atitude, era necessário. Ela limpou as lágrimas do rosto e caminhou até a porta, lançando um último olhar para o homem sentado no chão antes de deixar a sala, saindo não somente da boate, mas também da vida de .




Fim?



Nota da autora: Sem nota.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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