Encarar os filetes de madeira no teto era quase como um novo costume para ele. Tinha os olhos focados nas pequenas aberturas, como se aquele pequeno ato fosse resolver toda a confusão que acontecia em sua mente. Mal ele sabia que a pior de todas estava em seu coração.
Buscava seus princípios e razões lógicas para não ir atrás, procurando por respostas. Um raciocino meio louco, tentava não quebrar seu coração, mesmo sabendo os caquinhos que se encontravam dentro do peito.
Era egocentrismo de sua parte acreditar que não sairia ferido depois de todo o ocorrido. E tudo era culpa de seu orgulho, que o impedia de ser feliz. Com a pessoa que o fazia feliz.
Fechou os olhos, tentando de alguma forma acalmar o turbilhão de pensamentos sobre o que, ironicamente, ele não queria pensar.
Ela, que habitava sua mente nos últimos dias. Ela, que foi o motivo das melhores sensações.
Tudo que queria então era não ter o coração acelerado apenas ao pensar nos olhos olhando em sua direção. Era tudo o que queria: parar de pensar nela. Porém...
Ele não conseguia parar
E não queria parar.
Por que, com toda sinceridade, as lembranças eram a única coisa que a traziam para perto.

- Vocês querem alguma coisa? – o moreno perguntou, levantando da cadeira em um impulso.
Os amigos estavam aproveitando o momento, logo após terem tocado uma de suas músicas no pub em que frequentavam. O que era sorte, já que pertencia ao tio de Tristan e, assim, tinham algumas vantagens quanto à apresentação.
- Você se oferecendo para ir ao bar? Uau, presenciamos um milagre por aqui, pessoal. – James levantou as mãos, com uma expressão levemente surpresa.
- É uma comemoração. Não vou fazer questão disso. – riu, rolando os olhos.
- Então, eu é que não vou recusar. – ouviram o mais novo dando sua deixa.
girou os calcanhares, andando entre as pessoas que dançavam no centro do local como se aquela fosse sua última noite. Refletiu repentinamente sobre aquilo, pois no fundo estavam certas, só queriam aproveitar o momento e fazer daquele o melhor de todos. Deixou um sorriso triste transparecer, ele devia estar fazendo aquilo.
Botou as mãos em cima do balcão, observando a pouca movimentação atrás do pequeno bar. Estranhou, pois ninguém estava ali. Não costumavam deixar o bar sem alguém para vigiar.
- O que quer? – o rapaz deu um passo para trás, devido ao susto que levara. Piscou algumas vezes, voltando à realidade observando um par de globos mirados em sua direção. A garota à frente parecia irritada, porém com um sorriso escondido nos lábios. – Eu não tenho todo o tempo do mundo, então se você for um pouco mais rápido, eu agradeceria.
- Ah... Tudo bem. Preciso de quatro doses de tequila.
O rosto da menina se transformou levemente, dando lugar a uma expressão de desdém, assim ela se virou para preparar os pedidos. estava incomodado com a situação, afinal, havia feito algo de errado? Sequer conhecia a garota.
Ela voltou, jogando alguns fios de cabelo para trás. Depositou os quatro pequenos copos cristalinos em cima do balcão e virou a garrafa, entornando um pouco do líquido ao redor. ainda estava inculcado e digamos que até curioso. Não era uma reação que esperava de uma simples garota.
- Obrigado.
- Que seja. – ela murmurou, dando as costas para o garoto. Ele continuou ali por mais alguns segundos antes de se virar, em direção aos amigos que gargalhavam, tendo certeza que aquela noite estava apenas começando.

Deixou uma risada abafada escapar da boca, resmungando em seguida. Daquela vez, as lembranças vieram como um baque em sua mente. Praguejou-se por ter deixado acontecer. Os olhos que o fitaram pela primeira vez tinham sido únicos, e ele nunca ousou esquecê-los.
Ali parado, com um dos braços acima dos olhos, lembrou-se da primeira gracinha que tentou cometer. E apesar de não estar em suas melhores condições, lembrava-se das pequenas falas que a fizeram sorrir verdadeiramente. Para ele.

- Não vão me largar messsmo, não é? – falou embaralhado, com a voz arrastada por estar daquele jeito. – Pra onde você está me levando, Connor? Não jogamos... – respirou fundo, contendo um soluço. O amigo prendeu a risada, ao seu lado. – No mesmo time. Se é que me entende.
- Não devíamos tê-lo deixado colocar a boca naquele copo. – James rolou os olhos, passando uma das mãos no rosto.
- Não dá pra impedir. É o . – Tristan disse óbvio. – Não é como se simplesmente fôssemos o proibir disso.
- Não é culpa minha. – choramingou. – É da bebida...
- Grande desculpa, .

Continuou com os olhos fechados, até certo barulho o alertar. Em um impulso, empurrou a cabeça de Connor para frente, para que pudesse ter maior visão da rua. O amigo resmungou, mas pouco pareceu ligar para isso. Tinha os olhos cravados no carro que se aproximava no fim da rua, precisamente se aproximando do pub. De lá, mesmo de longe, reconheceu a figura pequena atrapalhada com as próprias coisas. Dá mesma forma que tentava alcançar o carro, tentava também fechar sua bolsa. O que não estava dando muito certo.

- Ei, você! – apontou para a menina. Ela olhou assustada, ainda assim confusa. Os amigos estavam parados atônitos, não se lembravam de ter uma amiga, ainda mais que trabalhava naquele bar.
- O que está fazendo? – Connor interveio, tentando amenizar a vergonha alheia do amigo, mesmo sabendo que não resolveria já que havia se soltado de suas mãos, indo em direção à garota. Os passos estavam ficando difíceis, uma vez que pareciam existir obstáculos à sua frente. Nunca havia sido tão difícil chegar a uma garota.
- Oi...
Colocou as mãos no bolso, ainda com os olhos focados na menina à sua frente, apesar de ver duas dela.
- Oi. – ela disse um pouco mais baixo, - e calma.
respirou fundo, ainda sem tirar os olhos dela. Estava ficando cada vez mais difícil de enxergá-la melhor.
- Por que estava estressada? – disse assim, na lata.
- Eu não estava estressada. – se defendeu, arqueando as sobrancelhas. – Eu só...
- Você é bonitinha.
Ela semicerrou os olhos, soltando uma risadinha tímida ao tentar entender o que estava falando. Havia achado engraçado o fato de o garoto tentar falar algo descente naquelas condições. paralisou ao ver o sorriso que estampava o rosto da garota. E apesar disso, só conseguia se praguejar ainda mais por ser tão estúpido quando estava bêbado.
- O que?
Realmente, não deixava de falar besteiras quando bebia.
- Eu não queria dizer isso. Eu não... É, você sabe, eu quis dizer que...
- Eu entendi, tudo bem.
Deu de ombros, olhando em volta. Ela parecia querer fugir de qualquer coisa que envolvesse uma conversa. estava começando a ficar incomodado. Não com o fato de sua cabeça estar rodando e um clima estranho ter pairado no local, mas sim por ela não estar o olhando nos olhos. Eles estavam se falando, não era? Ela podia ao menos, olhá-lo, mesmo para dar uma patada.
- Eu sei que não te conheço... – falou um pouco embolado, sentindo a garganta fechar. Malditas bebidas, - praguejou-se mentalmente. – massss eu gostaria muito de conhecer.
Ela balançou a cabeça negativamente e se virou para encará-lo.
- Você não me parece muito bem. Pelo que vi, bebeu muito. E vai por mim, sequer vai se lembrar disso amanhã quando acordar...
- Vamos logo, ! – um dos meninos havia gritado.
- Eu já vou! – gritou impaciente tentando de uma forma falha olhar para trás sem cambalear.
– Por que não vai pra casa, huh? Olhe – apontou para sua frente, onde os amigos estavam atrás. – Eles estão te esperando. É legal da sua parte tentar uma conversa, mas não vai rolar. Você não vai lembrar nem mesmo da primeira palavra que disse.
Dito isso, caminhou rapidamente para o carro, o adentrando e deixando para trás um completamente confuso, bêbado e decepcionado.

Tentou controlar o urro que arranhava sua garganta, pedindo para sair. Não acreditava no quão estúpido tinha sido com ela. Reconhecia o fato de que perdia o controle em relação às bebidas, mas queria evitar se embebedar para pelo menos se lembrar do rosto delicado que havia adorado tocar.

Uma semana. Sete dias haviam se passado e se sentia na obrigação de sequer sair de casa, depois do último porre. Não havia acordado no dia seguinte com boas impressões, apesar de não ter se lembrado de nada que fizera ou falara.
O pub estava pouco distante e logo se viu frente à porta dos fundos, avistando assim que adentrou o local os três amigos próximos ao palco para ensaiar.
- O que foi que aconteceu com você? – Tristan perguntou, fazendo uma careta. – Está péssimo.
- Obrigado, cara. – rolou os olhos.
Depositou a maleta do violão que carregava ao lado do pequeno palco e se reencostou, respirando fundo. Precisava ter dormido mais.
- Vai lavar essa cara, . – James arqueou as sobrancelhas. – Vejo as marcas explícitas do ótimo sono que teve e resquícios de baba.
Os meninos riram, acompanhando o amigo e olharam para , realmente procurando alguma baba por ali.
- Vão à merda.
Não deixou de rir, mesmo que baixo antes de dar impulso com as mãos para ir em direção ao banheiro. Passou por algumas pessoas e até acenou, dando a volta no bar para seguir até o banheiro, mas antes de andar um pouco mais, paralisou ao ouvir alguém o chamando.
- Oi, . – virou o rosto rapidamente, encontrando a pequena silhueta de uma garota. Ela parecia sorrir com os olhos, apesar de traçar uma fina linha nos lábios. – Se sente melhor?
- Ahn... Oi. – disse incerto. Em mente estava tão confuso quanto. – Um pouco melhor, sim.
Ela pareceu concordar e continuou ali, parada. piscou algumas vezes, achando tudo um tanto estranho. Não a conhecia e naquele momento, parecia que os dois tinham tido alguma conversa. Antes que algo mais constrangedor acontecesse, seguiu rumo ao banheiro, tentando demorar o máximo que conseguisse lá.

Passou os olhos por todo o local, fechando-os por breves segundos. Era bom não encontrá-la por ali, até porque não saberia o que falar.
Saiu em passos rápidos e mesmo evitando ao máximo encontrar aqueles olhos , não foi capaz de desviar da mesma quando atravessou seu caminho. sorriu forçadamente, virando o rosto levemente e saindo de frente da garota.
Os amigos o esperavam com olhares estranhos. Tristan tinha o cenho franzido, assim como James, que parecia não entender nada do que acontecia. E Connor prendia a risada com bastante força.
- Eu conheço ela? – perguntou, apontando para trás. Connor que até então estava vermelho, desatou a rir sendo acompanhado pelos amigos.
- Não se preocupe, . – James pousou uma das mãos no ombro do rapaz. – Nada que você tenha que lembrar.

Errado, meu amigo
, - pensou. Havia se arrependido profundamente de não ter se lembrado das primeiras palavras que dissera. Porém, havia sido recompensado pouco tempo depois e com poucos números.

Ficou algum tempo ali, sentado no pequeno palco encarando o bar vazio. Algo o incomodava estranhamente, era como se algo estivesse para trás ou ele estivesse esquecendo-se de alguma coisa. Ou alguém. Era no mínimo esquisito.
Deu um pequeno pulo, descendo do lugar e caminhando até uma das bancadas do bar. Sentou-se lá, enterrando a cabeça entre as mãos, ainda tentando se lembrar do que esquecia. Era tão cômico o fato de parecer estar na ponta da língua, e não sair.
Estranhou o fato de estar sentado ali há tanto tempo e não perceber a movimentação do outro lado, o fazendo levantar o olhar vagarosamente. Percebeu então, a garota virada para ele, limpando e recolocando as coisas nas prateleiras. Ela tinha seu cabelo chocolate ondulado até o meio das costas, os braços finos alcançando alturas que não conseguia. Parecia um grande trabalho.
Naquele momento sentia que devia falar algo, mesmo sendo algo inútil. Sentia a obrigação de chamar a atenção da morena, sentia que era quilo que queria.
O rapaz estava nervoso, afinal. Sentia a boca sedenta, não era normal.
- Você quer ajuda?
O timbre da voz a assustou, fazendo-a quase perder o equilíbrio dos copos que segurava. Olhou para trás, identificando a quem pertencia à voz e assim que o viu, piscou algumas vezes.
- Não precisa. Eu vou pegar uma escada.
- Deixe de ser teimosa. Você sabe que posso ajudar.
E assim rodou o balcão, sem notar o olhar surpreso da garota que o encarava. Esticou suas mãos para ela, pegando os copos e os pondo nas prateleiras.
- Qual o seu nome? – perguntou. Calmo por fora, porque por dentro não sabia o porquê de estar fazendo aquilo. Só sentia que... Precisava.
Parou de guardar os que tinham acabado e olhou para ela, esperando os outros. A garota hesitou um pouco, por poucos segundos e logo estendeu os copos restantes para ele.
- . E você, como se chama?
- . Pode me chamar de , se quiser.
- Tudo bem. – murmurou, baixo. se afastou, ainda a olhando e então resolveu voltar para seu lugar, dando espaço para ela continuar seu serviço. Assim que se sentou, decidiu que tentaria sim uma conversa normal.
- Certo, . – sorriu fraco, a olhando. – Você trabalha aqui há muito tempo?
- Você toca aqui há muito tempo?
colocou uma das mãos na cintura, deixando um mínimo sorriso transparecer.
- Justo. – levantou uma das mãos, deixando se levar pelo ritmo da conversa. – Eu e meus amigos temos uma banda faz um tempo, mas só começamos a tocar publicamente faz uns dois anos.
Ela falou algo baixo, inaudível. E abaixou o olhar, passando um pano em copos maiores.
- Não vai responder minha pergunta?
Ela riu sem humor, erguendo seu olhar para ele.
- Tudo bem, já que insiste. – jogou uma mexa do cabelo para trás e suspirou, um leve ar convencido. – Eu precisava de um emprego, apenas para ocupar meu tempo. Jack é um cara legal, logo me ofereceu a vaga. Faz o mesmo tempo, ou mais um pouco.
- Entendi. – respirou fundo. – E o que faz quando não está aqui?
- Bom, isso depende. – pareceu pensar, colocando os cotovelos no balcão. – Eu costumo estudar tablaturas. Eu ao menos tento me dar bem com aquele instrumento que você toca.
Ela apontou com as sobrancelhas pra a maleta do violão, ao lado do palco.
- Como sabe que eu o toco?
pareceu enrubescer. Desviou o olhar para todos os cantos, evitando pousá-los em .
- É um pouco difícil não notar quando se tem uma banda boa tocando nesse lugar.
Deixei uma risadinha escapar, abaixando a cabeça.
- Nesse caso... Obrigado.
- , se perdeu?! – James gritou, levantando uma das mãos para chamar . O rapaz olhou em direção a ele e balançou a cabeça, dando a entender.
- Eu tenho que ir. – o moreno ficou de pé, pondo uma das mãos no bolso da calça. – Ah, você pode me ver um copo d’água?
- Claro.
Rapidamente se virou, demorando um pouco mais que o esperado para pegar um simples copo de água. balançou a cabeça agradecendo, e se virou indo até os amigos.
- Não finja que nada aconteceu, garanhão. – Connor bateu nas costas do garoto, lançando um olhar pervertido.
- E foi exatamente o que aconteceu. Nada.
- Olha, olha... – James disse, virando o copo na direção dos meninos. estreitou os olhos, tentando ver o que era. – Acho que temos um número aqui.

. Um cara com tantas atitudes e não conseguia tomar nenhuma diante dela. , indecifrável. , a garota que o tirou dos eixos com apenas um sorriso.

- , fala com ela.
- Não.
- Você tem o número dela.
- Não.
- O que é que custa você tentar?
- Não! Você ao menos viu aquilo? Preciso repetir? – o garoto bufou, irritado. – Ela não está interessada.
Tristan o tentava convencer de falar com a garota. A situação era um pouco complicada. Depois da conversa no pub, logo na saída a viu conversando com outro cara, da mesma forma em que estava conversando com ele. Sentiu todas suas esperanças indo para o ralo com aquela cena. Realmente tinha pensado em tentar algo com ela, ao menos uma chance de ficarem.
- Você nunca vai saber se não ligar.
- Eu já disse que não. – falou se levantando do sofá no fundo quarto. – Vamos, James e Connor estão nos esperando.

Não demorou muito para que os dois chegassem ao pub. O lugar estava consideravelmente cheio. O quarteto tocaria mais uma vez, e convidados. O público realmente tinha gostado deles ali. E ainda para melhorar, era aniversário de inauguração do lugar.

- Qual é a de vocês? – James apareceu, irritado. – Para o palco. Agora. Cinco minutos atrasados.
rolou os olhos, pouco ligando para o chilique do amigo. Posicionaram-se, ouvindo gritinhos entre as pessoas e , mesmo olhando para todas, procurava uma em especial. As luzes coloridas refletiam todo o local e mesmo assim seus olhos insistiam cair no bar, onde estava servindo algumas pessoas.
Começaram com uma música conhecida, a qual todos sabiam de cor e por final lançaram uma original, sabendo bem que todos adorariam mesmo assim. Ao terminar, tinha gotículas de suar escorrendo por sua face e os olhos, ainda ao redor.
- Ei. – apareceu, o assustando levemente. – Nada mal, vocês foram bons.
- Obrigado. – sorriu largamente, parecendo se esquecer da cena que vira. – O que vai fazer agora?
- Eu troquei o turno com um dos rapazes. Hoje vim para observar. – passou os olhos ao redor. sorriu ao vê-la ali, apenas curtindo. – Hm, você quer dançar?
Ela seguiu seu olhar para a pista de dança e ele fez o mesmo, observando as pessoas fazendo movimentos estranhos.
- Eu não danço. – disse simplesmente. – Posso ser ótimo com qualquer instrumento, mas sou péssimo em qualquer dança.
Ela riu com vontade. Parecia mais espontânea. E bonita. Estava com os cabelos pouco bagunçados, mas ainda sim, bonitos.
- É só uma música. Você a sente, não é?
- Sim. - falei, óbvio.
- Então tente senti-la... Se expressando.
Ainda estava sorrindo. E aquilo o fez sorrir também, era automático.
- Por favor, só uma música.
- Não faça isso...
- , não seja insistente. Não quer realmente tentar?
- É melhor deixar para outra hora.
- É a minha música preferida. Vem, vamos dançar.
não tinha uma expressão muito boa. Realmente queria dançar com alguém, iria ser divertido ainda mais de fosse com ele, mas não...
- Eu tenho uma ideia bem melhor.
Ela o olhou de canto, tentando adivinhar o que pensava. Ele esticou uma das mãos, alcançando as dela e assim que o fez, sentiu um choque percorrer seu corpo. Não era algo ruim, era... Bom.
A guiou por toda a multidão até encontrar seus amigos, já com os copos em mãos falando coisas aleatórias.
- Pessoal, essa é . Vocês se lembram, não é?
- É a garota do bar. – Connor falou, recebendo uma leve taluda de Tristan. – O que foi?
- Oi. – ela disse tímida, acenando com uma das mãos.
- Pode se sentar com a gente. – James a chamou, batendo a mão em uma cadeira vazia. – Hoje a noite é só uma criança.

Passou as mãos no rosto, ainda com os olhos fechados. Não podia estar tão admirado com a garota. Ele parecia abismado, fascinado. Tudo estava indo tão bem, não tinha do que reclamar. Não tinha, até ter ferrado com tudo outra vez.

- , não! – Connor gritou, com a voz embargada pela risada. Esticou as mãos, arrancando o copo de tequila da mão do amigo. – Não dessa vez.
- Tarde demais. Ele já entornou todas. – James riu, apontando para .
- Ele não vai sair puxando papo com todo mundo, vai? – a garota ao seu lado comentou, fazendo todos ao redor darem risadas.
- Ei, eu nããão gostei do seu comentário. – cruzou os braços, esbarrando em um dos copos, o fazendo virar em cima da mesa. – Opa.
- Eu acho que por hoje já está bom... – Tristan dizia um pouco lento, por conta da bebida também.
- E senhoras e senhores, temos dois bêbados aqui. – James levantou as mãos dos dois, recebendo olhares divertidos de e Connor.
- São três da manhã, vamos. – Connor se levantou, a fim de pagar o que haviam consumido. James ajudou Tristan a se levantar, deixando que fosse carregado por que ria da situação. Os dois seguiram para o lado de fora, enquanto os três amigos ainda estavam dentro do bar.
ergueu o corpo, tentando disfarçar sua embriaguez.
- Por que você tem que ser tão bonita? – fez um bico engraçado, arrancando uma risada da garota.
- Poupe suas palavras, . Você não vai se lembrar amanhã de manhã.
Disse desgostosa, olhando para o lado.
- Eu vou me lembrar, sim! – falou, como uma criança birrenta.
- É mesmo? E qual foi à primeira palavra que disse da outra vez? – arqueou a sobrancelha, parecendo desafiadora.
Entortou o maxilar, procurando lembrar daquilo em mente. O problema era que, não se recordava de nada.
Ela riu fraco com a expressão do rapaz.
- Olha, eu acordei no dia seguinte sentindo que eu não precisava me arrepender do que quer que eu tenha feito. – tinha o indicador levantando, falando como se fosse algo realmente importante. E de fato, era. - E eu tenho certeza que amanhã eu vou acordar não me arrependendo nem um pouco do que vou fazer agora.
Fez uma careta, ao rever sua frase, mas antes que ela pudesse retrucar o rapaz a puxou para perto, colando seus lábios no dela. O beijo era tudo o que ele estava precisando no momento. O leve gosto do álcool ao fundo não o incomodava nem um pouco, assim como não a incomodava. Ele ansiava por aquilo e, só assim, podia sentir o alívio invadir seu peito.
- Não. Não! – ela o empurrou, o afastando de si. – Isso não está certo.
E com isso, deu as costas para , seguindo para longe do mesmo.

Os olhos confusos de foram as últimas lembranças que teve dela. O corpo seguindo para longe, para longe de e nunca mais voltando. Ele podia jurar que, ao menos, receberia algum telefonema ou até mesmo recado, mas duas semanas haviam se passado e ela não apareceu. O caderno jogado ao lado da cama expressava bem suas frustrações. Expressava seus sentimentos por ela e o arrependimento de ter bebido naquela noite. O buraco em seu peito parecia se romper ainda mais e ele precisava fazer algo em relação aquilo. Precisava tomar uma atitude, não podia deixá-la escapar assim, tão fácil.
De imediato, sobressaltou na cama, sentando-se na mesma. Puxou o caderno jogado de qualquer forma ao seu lado e o olhou uma última vez, pegando o lápis do meio tentando reorganizar as frases espalhadas nas folhas.
Respirou fundo, focando nela, apenas nela. Ela precisava dela e ele a conseguiria.

“- Por favor, só uma música.”
“É a minha música preferida. Vem, vamos dançar.”

Dançar, dançar, dançar...
E foi com esse pensamento, que soube exatamente o que fazer.

♫♫♫

- É uma boa ideia. Eu acho que pode dar certo. – Tristan olhou para a folha em mãos, analisando palavra por palavra.
estava nervoso. Tão nervoso como costumava ficar. A respiração estava falha e as mãos suavam mais que o normal. Connor o tentava acalmar, falando coisas positivas e que afinal, não teria como não dar certo.
Mas não tinha tanta certeza.
- Temos pouco tempo. Ela ainda não está aí. – falou mais para si mesmo, encarando um ponto fixo no chão. James se aproximou, colocando uma das mãos no ombro do amigo.
- , ela vai chegar.
Respirou fundo, pela milésima vez.
- Três minutos. – Tristan falou, batendo as baquetas umas contra as outras. – Vem, cara. Confie em você mesmo. Sabe que pode dar certo.
balançou a cabeça, concordando com o amigo. Sim, podia dar certo. E teria que dar.

Entraram no palco, recebendo aplausos e olhares admiradores. Jack sorria para os quatro, os incentivando e aquilo, de certa forma, estava ajudando a se acalmar. Olhou de relance para o bar, não a vendo ali. E olhou também, para a porta da frente do bar. não estava ali. Tudo bem, ela iria vir. - pensou.

O eco das baquetas ecoaram no local, e em seguida a bateria ressoou, chamando a atenção de todos ali.

I talk a lot of shit
When I'm drinkin baby
I normally go a little too fast
Don't mind all my friends
I know they're all crazy
But they're the only friends that i have

segurava o microfone como se dependesse daquilo, porém era seu nervosismo tomando conta de si. Não sabia o que podia esperar, não enquanto não a visse por ali.

I know I don't know you but I'd like to
Skip the small talk and romance
That's all i have to say so
Baby, can we dance?

Fechou os olhos, tentando conter todos os sentimentos que se apossavam dele naquele momento. Era forte demais, intenso demais. Estava fazendo aquilo por ela, e sabia que ela merecia tudo aquilo. Respirou fundo e, mais uma vez, olhou por todo o local, sentindo seu coração parar do segundo seguinte. Ela estava ali. Ela realmente tinha vindo!

Here we go again
Another drink I'm caving in
Stupid words keep falling from my mouth
You know that I mean well
My hands were meant for some where else
Your eyes were doing naughty butterflies

One more drink and I should go
But maybe she might like it though
I just can't think of what to say
Should I go, should I stay

Encarou fundo seus olhos confusos pelo que acontecia. Ela não sabia o que diabos estava acontecendo. E com razão. Havia apenas recebido recado de Jack que poderia chegar mais tarde ao trabalho, porém sem motivo algum aparente.
então estava mais feliz do que nunca, apenas por vê-la ali, olhando para ele.

I talk a lot of shit
When I'm drinkin baby
I normally go a little too fast
Don't mind all my friends
I know they're all crazy
But they're the only friends that i have
I know I don't know you but I'd like to
Skip the small talk and romance
That's all i have to say so
Baby, can we dance?

Sentiu agitação, emoção, excitação. E tudo isso por causa dela! Não sabia explicar o que estava acontecendo, só que precisar mostrar para ela o que estava sentindo de verdade, apesar de não ter sido bom com palavras e ao menos ter conseguido compor algo bom.
estava extasiada, sem acreditar no que estava acontecendo. , o garoto que havia deixado seus sentimentos mais confusões do que já eram. , o garoto que conseguiu quebrar aquela barreira de gelo em pouquíssimo tempo.

I was leaning in
And you become the pushy friend
Your the bottle to my perfect ten
You know I need you though
My hearts not made for someone else
Take me in cuz I can't bear this thing

One more drink and I should go
But maybe she might like it though
I just can't think of what to say
Should I go, should I stay

I talk a lot of shit
When I'm drinkin baby
I normally go a little too fast
Don't mind all my friends
I know they're all crazy
But they're the only friends that i have
I know I don't know you but I'd like to
Skip the small talk and romance
That's all i have to say so
Baby, can we dance?

Como foi tão tolo de pensar em deixar aquele sorriso para trás? Como foi tão egoísta em pensar só em si mesmo e esquecer que ela também, e provavelmente, podia estar sentindo a mesma coisa? Tinha se afastado por semanas, a vetado da sua vida. Como foi tão idiota em fazer aquilo?
Percorreu o pequeno palco, desviando o olhar para algumas pessoas e erguendo o seu para , fazendo algumas gracinhas. A garota não conseguia conter o sorriso toda vez que ele apontava para ela, dizendo com sinceridade as frases daquela música. Ele gostava dela, não podia negar. E ela, sem dúvidas, sentia o mesmo.

I've been a real bad boy
Whispering rude things in her ear
Please say she'll break
Please say she'll change
I wanna bring me back to

segurou o microfone, olhando fixamente para os olhos da garota. Os dois se encarando mutuamente, sem quebrar aquele contato incrível. O garoto desceu do pequeno palco, vagarosamente, sentindo as mãos e pernas formigarem. Estava se aproximando, ela estava tão perto...
O coração estava pulsando forte, cada vez mais rápido ao vê-la ali, a poucos metros. O momento estava chegando e ele tinha certeza que valeria para sempre.

I talk a lot of shit
When I'm drinkin baby
I normally go a little too fast
Don't mind all my friends
I know they're all crazy
But they're the only friends that i have
I know I don't know you but I'd like to
Skip the small talk and romance
That's all i have to say...

Estendeu sua mão para , vendo-a sorrir tão abertamente que não podia acreditar. Puxou o corpo da garota para si mesmo, ainda olhando em seus olhos.
Ele não queria parar.
E não iria parar.
- So baby, can we dance?




FIM.



Nota da autora:(09/11/15)
Olá! Bom, o que falar dessa shortfic? Eu dei um surto e a escrevi em umas três horas, se não me engano. E de fato, eu ADOREI o resultado. Quem me conhece sabe bem o quanto não me simpatizo com finais felizes, mas esse me ganhou. Eu achei a coisa mais fofa do mundo! E espero que vocês gostem tanto quanto eu gostei. Beijos! xx Isy.



Eu adorei! E quando eu coloquei a música pra tocar no fundo, fez toda a diferença! Mas Isabelly e suas pp’s mal humoradas, como lidar? Hahaha Esse ficstape tá muito lindo, então corram para ler as outras fics, mas não se esqueçam de deixar um comentário aqui pra Isy, ok? Xoxo-A


comments powered by Disqus