Última atualização: 20/05/2018

Long ago and far away…

Long ago and far away…
오래 전에 멀리 떨어져


— Bom dia, Senhora.

Aretusa adentrou ao quarto da princesa com a mesma cautela de todas as manhãs.
Posicionou a bacia de água e a toalhete* na pequenina mesa de higiene ao lado da penteadeira. Junto, colocou também o prato com ervas de sálvia**, e o pequeno cálice de rum.
Enquanto a princesa se espreguiçava, e levantava-se vagarosa, Aretusa abria as cortinas do quarto, de maneira cuidadosa. O humor de sua senhora era medido pelo seu despertar, pela forma como reagia aos primeiros raios do dia.
Acreditava que naquela manhã, ela estaria feliz e ansiosa, entretanto, ao notar a indiferença dela para com a luz solar e seus movimentos silenciosos até sua mesa higiênica, Aretusa tornou-se curiosa.
esticou delicadamente as mangas de sua camisola, e molhando as mãos em concha, higienizou o rosto. Aretusa, sua dama de companhia, já estava ao seu lado para auxiliá-la naquela tarefa mediocremente simples. Esticou-lhe a toalha e enquanto a princesa secava o próprio rosto, a dama lhe esticava o prato com sálvias. o pegou e depositou as ervas em sua boca, mastigando-as, Aretusa apressou-se a pegar a cuspideira. Logo que a princesa as cuspiu, sua dama já lhe entregava o pequeno cálice do qual virou o rum em sua boca, bochechou o líquido e o cuspiu. Ainda em silêncio, ela seguiu para seu biombo*** e iniciou a troca de roupas.
Aretusa, após entregar-lhe suas peças de roupas e auxiliar sua senhora no vestir, direcionou-se à penteadeira. sentou-se à poltrona de sua penteadeira, encarou sua face no espelho, e parecia devanear por seus pensamentos. Aretusa começou a pentear-lhe os cabelos, e ansiosa pelo silêncio atípico daquela manhã, ela pôs-se a falar:

— Está uma linda manhã, não é mesmo, Senhora?

Após um breve silêncio, , séria, olhou para as grandiosas janelas abertas de seu quarto e espiou as pradarias à frente. Volveu novamente o olhar seco e distante para o espelho, encarou-se e ao notar que Aretusa havia parado de escovar-lhe os cabelos, encarou diretamente sua dama. A mulher assustou-se e arregalou os olhos voltando a encarar as madeixas de sua senhora e o serviço que fazia.

— Aretusa… - ela a chamou aguardando que a dama lhe encarasse, para então, desviar o olhar para sua própria imagem no espelho antes de continuar. — Aretusa, preciso que ouça atentamente minhas ordens.
— Cla-Claro, Senhora.
— No dia de hoje, antes do grande evento. Nem tão tarde que já o tenha se aproximado o horário, e nem tão cedo que possa levantar suspeitas. Você deverá avisar ao Sir. Kim SeokJin que o esperarei nos labirintos do jardim para tratar de um importante assunto.
— Senhora… - Aretusa pronunciou-se de maneira duvidosa, e a princesa encarou-lhe categórica.

Ela perguntaria à sua princesa se aquilo seria seguro, mas, ao notar sua face intrépida*¹ decidiu não a contestar. Aquele seria um dia dos mais complexos para todo o reino.

— Senhora, em que momento devo avisar o Sir SeokJin?
— Logo que terminar suas tarefas em meus aposentos. Obviamente não deves esperar o crepúsculo para isso.
— Claro, Senhora.
— Como estão os preparativos?
— Tranquilos. Urgentes, mas, tranquilos.
— Que sorte lânguida*² não ter sido importunada por ninguém, até agora.
— Na verdade, a Senhora rainha Yang Mi a aguarda para o desjejum.
— Certo. Lânguida sim, sorte nem tanto.
— Ela está ansiosa por vós, princesa.
— E quando ela não está ansiosa?

Aretusa fez uma pausa silenciosa, e seu olhar compadeceu-se em pena por sua senhora. detestava aquele olhar, e não o admitiria nem mesmo de sua dama.

— Não há motivos para esta face compadecida, Aretusa. Está entre os deveres de uma princesa, subtrair-se do luto para cumprir suas responsabilidades reais. Estou preparada desde que nasci para tal momento.
— Me desculpe, Senhora, mas… É cruel até mesmo para uma princesa criada sob os deveres da coroa, submeter-se a um momento de festança quando… Há poucos dias faleceu vosso pai.
— O rei está morto, Aretusa, não é como se adiar as obrigações do reino fosse trazê-lo de volta do mundo dos aflitos.
— Entendo, Senhora… Mesmo assim…
— Penosa não é a morte, e sim as atuais circunstâncias.

Aretusa observou a face rígida de sua senhora no espelho, e não se conteve a perguntá-la:

— A senhora está referindo-se ao casamento?

Então, direcionou seu olhar para o próprio vestido de noiva, ao canto do quarto. Iluminado fracamente pela luz do sol. Passou a noite observando-o à luz da lua, reluzindo os cristais em seu longo tecido. E talvez alegrar-se-ia por vesti-lo se não estivesse tão contrariada com tudo aquilo. Tantas coisas aconteceram até aquele momento, que mal podia acreditar que de fato, perdera o controle de tudo. Entretanto, não desistiria facilmente.

— Eu seria hipócrita em negar. Contudo, o que mais me incomoda é saber que dentro de instantes, eu terei que suportar minha futura sogra à mesa do desjejum.
— A rainha Yang Mi parece-me gostar da senhora.
— Como não gostaria, Aretusa?

A dama de companhia então sorriu. E prendeu duas mechas frontais do cabelo da princesa, com seus grampos de esmeralda.

— Tem razão. A senhora é mesmo adorável.
— Não minta para mim, Aretusa.
— Não, Senhora. Eu falo a verdade. Sinto apenas, por… Não saber se posso compartilhar de vossa felicidade neste dia.
— Podes se felicitar por mim. É o suficiente.
— Senhora… Não sentes nada, pelo príncipe?
— Sinto. Um carinho gradual, talvez. Mas, não diria que desejava casar-me com ele.
— Com quem desejaria então?
— Não é algo que importe a esta altura dos fatos. Min YoonGi é um bom príncipe. Será um bom rei comigo ao seu lado, evidente. Um tanto quanto excêntrico, mas, com modo subterfúgio*³ de lidar com assuntos importantes. Não é incompreensível que a rainha insistira tanto pela minha mão. Ela sabe o quanto uma rainha forte pode decidir por um reino.
— Desculpe-me, princesa, mas, se algum dos dois a ouvissem agora… Certamente estariam a bradar¹ por tal indelicadeza.

pegou um pouco do rouge² em sua penteadeira e com leves batidas em sua face, com a ponta de seus dedos, deu-lhes um pouco de cor. Levantou-se e puxou a saia de seu vestido, a fim de não o pisar. Ajeitou-o no corpo e deu às costas para Aretusa, encarou-a antes de virar-se totalmente e respondeu:

— Indelicadeza têm eles. Se pensam que com a morte de meu pai, o reino cairá nos domínios de Gangwon, ambos estão enganados. A província deles é que me pertencerá. Este casamento está longe de ser uma aliança.


direcionou-se até a porta de seu quarto, e com leves batidas informou os guardas do lado de fora que lhe abrissem a passagem. E quando ambos o fizeram, a princesa pôs-se a sair, porém, retornou a falar com Aretusa, que já preparava o quarto para que as arrumadeiras viessem.

— Aretusa.
— Sim, minha Senhora. - disse voltando a atenção a ela, e parando o que fazia.
— Não se esqueça das minhas ordens.
— Cla-Claro.

E assim que a dissera, a princesa saiu.


Toalhete*: Toalha pequena
Sálvia**: Planta aromática, utilizada por algumas civilizações para amenizar o mau-hálito.
Biombo***: Tabique móvel que resguarda parte de uma habitação.
Intrépida*¹: Que não tem medo = audaz, corajoso, resoluto.
Lânguida*²: Desfalecido, abatido, frouxo.
Subterfúgio*³: Meio artificioso ou sutil que se emprega para sair de dificuldades. = evasiva.
Bradar¹: Dizer ou reclamar com brados.
Rouge²: Cosmético, geralmente avermelhado, destinado a dar cor às maçãs do rosto. = Blush


Dez anos atrás...

The Innkeeper
여관 주인


O jovem cavaleiro cavalgava com celeridade¹ e astúcia pela sinuosa e perigosa trilha abismal². Alguns de seus companheiros vinham mais atrás, tão astuciosos quanto, entretanto, menos ágeis. Havia a necessidade de uma chegada imediata àquele reino. Vinte dias de cavalgada bruta e exaustiva, e agora pelo cume³ daquele monte, já podiam avistar as torres do castelo.
Quando a cascalhosa estrada se desfez aos cascos dos cavalos, dando-lhes conforto pela terra macia que iniciara, Kim SeokJin pode desapressar seu galope. Logo os companheiros o alcançaram. Estavam silenciosos, até que um deles pôde observar a estalagem*¹ próximo.

— Sir SeokJin.
— Hum?
— Há uma estalagem próxima, não seria prudente que parássemos para dar água aos cavalos?
— Aos cavalos, ou à nossas gargantas secas, Sir TaeHyung?

Os três homens riam cúmplices, e logo se puseram a direcionarem-se à estalagem. O crepúsculo ainda não chegara, mas se aproximaria logo. Os três amarraram seus cavalos, e puseram água nos cochos*² externos, onde nenhum outro animal havia. Passaram pela porta do estabelecimento, e uma baixa música de lira*³ era tocada por uma bela mulher, no canto do lugar. Poucos homens se encontravam no local. O estalajadeiro*, se pusera a observá-los enquanto retornava de uma mesa servida, para o balcão.
Eles se aproximaram e apresentaram-se.

— Perdão por nossa intrusão, senhor. Paramos para dar de beber aos nossos animais. Teria uma bebida a nos servir?
— Temos rum, água e leite de cabra. O que querem?

Os três se entreolharam confusos, por não conhecerem nada além de água. TaeHyung, o mais convencido, quis mostrar dominância, e perguntou ao homem:

— O que eles bebem? - apontando para uma mesa onde dois grandalhões bebiam silenciosos os observando.
— Rum.
— É o que queremos.
— TaeHyung… - sussurrou SeokJin — Não estamos em Gangwon. Apenas recorde-se.
— Gangwon? - o estalajadeiro perguntou, já os servindo.
— Sim. Somos cavaleiros da Província de Gangwon, servidores da rainha de Yeongseo. - disse NamJoon em resposta.
— Certamente que estão aqui pela princesa .
— O que faz o senhor crer nisso?
— Cavaleiros de todos os lugares têm vindo apresentar-se ao rei Arthus, desde que o nosso rei anunciara o interesse em desposar a princesa.
— E acaso o rei já nomeou alguém?
— Não houvera nenhum comunicado real, ainda.
Bem haja**! - NamJoon exclamou aliviado, provocando olhares reprovadores de SeokJin.
— Aqui está. - SeokJin, depositou algumas moedas de prata no balcão e aguardou o homem confirmar-lhe se aquilo era suficiente, assim que o homem mordeu as pratas e assentiu, os três saíram.

Puseram-se a sair sem encarar as poucas pessoas no local. A não ser por NamJoon que demorou o olhar até sua saída, sobre a figura discreta e bela da mulher que tocava a lira. Enquanto desamarravam os cavalos, SeokJin os repreendera:

— NamJoon! Não é prudente que demonstremos o motivo de nossa viagem.
— Perdão, Sir. SeokJin, mas, meu refrigério*** foi imediato ao saber que todos os dias de cavalgada não foram em vão.
— Entendo.

SeokJin afirmou compreensivo, e montando seu cavalo pôs-se a galopar para fora dali, um pouco mais rápido do que vieram. A noite aproximava-se, e precisariam chegar logo. TaeHyung, no caminho pigarreou algumas vezes. E SeokJin, não pode deixar de notar sua garganta seca.

— E, TaeHyung! Da próxima vez, não nos obrigue a beber do que não conhecemos.
— Sim, Sir.
— Ainda tenho sede. - respondeu NamJoon olhando para TaeHyung de maneira bravia.
— De certo, não nos negarão um cálice de água quando chegarmos ao castelo.
— Ela deve ser uma bela mulher.
— Não é o que nos interessa aqui, TaeHyung.
— Não, de fato. Mas, o príncipe ficaria muito grato caso desistíssemos ao notar que lhe faltasse algum agrado.

TaeHyung e NamJoon riram entre si pela piada feita. Certamente Min YoonGi não aceitaria a vontade de sua mãe, a rainha, caso tivesse que desposar uma princesa sem atributos. Kim SeokJin preocupava-se mais em convencer o rei a aceitar a pretensão do príncipe do que se a princesa seria bela ou não. Para ele, pouco importava.
As relações da Província de Gangwon, com o reino antigo da Babilônia jamais seria possível. Dentre a história do Império Coreano, nenhum descendente da dinastia Joseon permitiria uma mescla desonrosa como aquela. Principalmente com babilônios, pior ainda, com descendentes Caldeus. Na mente de Kim SeokJin era um mistério compreender os motivos da rainha Yang Mi.


Celeridade¹: Qualidade do que é célere. = Agilidade, presteza, rapidez, velocidade.
Abismal²: Relativo a abismo.
Cume³: Ponto mais elevado, cimo, tope, alto.
Estalagem*¹: Pousada, albergaria, hospedaria, cortiço.
Cochos*²: Espécie de vasilha onde se põe água para o gado.
Lira*³: Instrumento de cordas utilizado na Antiguidade.
Estalajadeiro*: Aquele que tem ou administra uma estalagem.
Bem Haja** : Expressão que manifesta gratidão. = Graças a Deus.
Refrigério***: Alívio ou conforto moral.


The Fair Maiden

The Fair Maiden
공정한 처녀


O salão do castelo exibia uma miscelânea¹ de dançarinos valseando ao som de flautas e harpas diante do rei e da princesa. Aretusa e algumas criadas encontravam-se escondidas observando as danças. Estavam todas eufóricas para saber qual daquelas composições a senhorita princesa escolheria por sua valsa. O músico oficial do rei fora designado a compor as mais belas opções líricas, para sua filha.
Aretusa, curiosa como de sua natureza, saiu sorridente e encoberta pelos cantos do salão. Como uma ratazana astuta entre as cortinas, conseguira se aproximar furtiva dos tronos. A fim de espiar a face de sua senhora. Poderia por sua expressão saber quais agradá-la-iam.
, que já estranhava a demora de sua dama em aparecer como se pudesse ser invisível - tolamente - ao olhar de soslaio à direita de seu pai, pode vê-la a observando. Aretusa arregalou os olhos, receosa se havia feito mal. E sorriu discreta por sua dama ser tão previsível.

— O que achaste, minha filha? Acaso agradou-se de alguma composição de Calebe?

O rei segurou a mão da filha, cortês, a olhando curioso. Os dançarinos haviam parado de dançar, e a orquestra silenciara. O músico do reino encontrava-se à frente das realezas.
— Gostaria primeiramente de agradecer ao senhor Calebe por tamanha dedicação.

referiu-se ao músico, que num gesto de respeito abaixando a cabeça, agradecia-a.

— E dentre todas as cançonetas², tão bonitas, eu ainda tenho dúvidas. Entretanto, como poderia uma princesa decidir a sonhada valsa de seu célebre momento, se ainda não lhe fora apresentado o noivo?
— Oras, . É só uma valsa. - suspirou cansado, o rei.
— Perdão majestade, mas, creio que a princesa tem razão. As mulheres têm tamanha devoção ao matrimônio, tudo deve ser feito com cautela e fulgor³.
— Obrigada por vossa compreensão, Calebe. Embora haja dúvida em meu peito, afirmo-te que a primeira e última sinfonias tocaram-me com mais afinco*¹. Contudo, até conhecer o meu futuro rei, não poderei apresentar tanta tenacidade*² em questões como tal.
— É claro, princesa. Estarei a postos para eventuais mudanças que desejares.

Quando o músico terminara de falar, o anunciante do rei se pôs ao salão. Seguido por um guarda.

— Vossas majestades… - reverenciou-os — Perdoem-me por tamanha interrupção ao evento tão importante da princesa…
— O que houve, Anrão?
— Há três cavaleiros nos portões do castelo, majestade. Afirmam ser da Província de Gongwon, enviados pela rainha Yang Mi e trazem uma mensagem honorífica*³ ao rei.
— Deixe que venham.

O rei afirmou, e então Anrão e o guarda se puseram para fora. Em seguida, o rei dispensou os músicos e dançarinos. As criadas, que ainda estavam escondidas foram repreendidas por Aretusa, para que voltassem aos seus afazeres. E a própria dama da princesa saíra do salão.
Ela apressou-se a preparar os aposentos da princesa, pois, certamente ela recolher-se-ia logo após o jantar, que deveria estar próximo de ser servido.

— Meu pai. Creio que não seja necessária mais a minha presença. - levantou-se e o reverenciou.
— Fique onde estás, . Se bem conheço Yang Mi, os cavaleiros trarão seu pedido por sua mão.

surpreendeu-se pela fala do pai, que logo colocou-se ao lado dela, de pé. A princesa ajeitou sua postura também. E com a mão sobre a do pai, ao lado dele, olhava fixamente para frente, no aguardo dos cavaleiros.

— Achei que o senhor já tivesse um favorito. - a princesa sussurrou cautelosa.
— E tenho. Mas, estou curioso para conhecer o príncipe de Yeongseo.
— Oras… O senhor brinca com minha mão.
— Não sejais petulante, .

Assim que ambos terminaram de se olharem, discretos, a porta fora aberta.
Novamente Anrão pôs-se à frente com dois guardas, e os três visitantes.

— Majestade Arthus, apresento-lhes os cavaleiros Sir. Kim SeokJin, Sir. Kim TaeHyung e Sir. Kim NamJoon, da província de Gangwon. Nordeste da Ásia Oriental.

Os três homens se aproximaram respeitosos, sendo seguidos pelos guardas reais.
Pararam com prudente distância das realezas e os reverenciaram.

— Majestades. - SeokJin dissera como porta-voz — Com honra agradecemo-los por nos receberem. E entregamos os corteses cumprimentos da rainha Yang Mi, e do príncipe Min YoonGi.
— O que os traz ao nosso reino? - disse o rei de maneira cortês.
— Eu ouvi Anrão afirmar que todos os três se chamam Kim? Que excêntrico!

O rei encarou a filha de maneira descontente, e os três cavaleiros se puseram a encará-la sem nenhuma expressão significativa. SeokJin observava o olhar avaliativo da mulher sobre si, NamJoon concentrava-se em averiguar, de modo discreto, o quão agradável a aparência dela poderia ser. Não levou muito tempo a descobrir a resposta.
E TaeHyung mantinha seu olhar direto ao rei. Não admitiria, mas, a postura da princesa o assustara um pouco.

— No bom sentido da palavra, é claro. Perdoem-me se lhes pareci indelicada. Apenas, achei um tanto quanto curiosa à coincidência.
— Não há o que vos desculpar princesa.

Kim SeokJin respondeu-a e ela apenas acenou afirmativa, levemente.

é um tanto quanto atenta aos detalhes. - o rei dissera, em tentativa de justificar a impetuosidade da filha.
— Majestade… Viemos em nome da rainha Yang Mi, que gostaria de apresentar-lhe a intenção do príncipe Min YoonGi em desposar a mão da princesa, vossa filha.
— Hum… O que faria uma rainha provinciana, descendente de uma dinastia tão longa e tradicional interessar-se em uma aliança com um reino Babilônico?
— De certo, a dinastia de vossas majestades também é longa e tradicional. Entretanto, os interesses da rainha em unir-se ao reino Caldeu são desconhecidos para nós. Por isso, prezo, para que em nome de nós, os cavaleiros de Yeongseo, vossa majestade aceite receber o príncipe e nossa rainha para um concílio* amistoso.

O rei silenciado, observava os olhos diretos e límpidos** de SeokJin. Aqueles olhos demonstravam uma honra, pouco encontrada nos homens. , olhava o pai de maneira furtiva***. Já estranhava a demora, de seu pai, em responder uma pergunta tão comum nos últimos tempos.

— A rainha Yang Mi deixou-me bastante curioso, para compreender a destemida decisão em apresentar seu filho a um reino tão distante do vosso.
— Obrigado, majestade. - respondeu SeokJin.
— Como visitantes longínquos**¹ de nosso reino, ofereço-lhes a hospedagem de meu castelo para pernoitarem**² até vossa partida.
— Será uma grande honra, e irrealizável negar vossas comodidades.
— Ótimo. Sejam bem-vindos ao reino de Amitísia! Anrão, chame algumas criadas e as peça para que preparem os aposentos dos nossos visitantes. E disponha-os um criado para atendê-los no que precisarem.
— Sim, majestade.

Anrão logo pôs-se a cumprir sua ordem.

.
— Sim, meu pai?
— Mostre-os o castelo, sim?
— Claro, majestade.
— Com licença, senhores, há alguns assuntos a tratar.
— Obrigado, majestade.

Os três cavaleiros reverenciaram-no enquanto o rei saía. os cumprimentou com um leve aceno, e os indicou que a seguissem. Ela caminhava à frente dos homens, e logo que encontrou uma criada, pediu-lhe que dissesse à Aretusa para encontrá-la na sala dos antepassados.
A mulher se distanciou respeitosamente, e prosseguiu seu caminhar silencioso pelos corredores do castelo. Os três cavaleiros olhavam-se curiosos entre si.

— De certo, vieram de muito longe. Fizeram uma boa viagem, cavaleiros?
— Sim, princesa, obrigada.
— E nunca antes estiveram em Amitísia?
— Não, Senhorita.

SeokJin era o único a responder às falas reais.

— Bem, então gostaria de apresentar-lhes, primeiramente, a história de meu reino.
— Como preferir, princesa.

Ela os direcionou a sala dos antepassados. Empurrou as pesadas portas, adentrando primeiro. Sorrindo como uma simpática dama, entretanto, com seu fascinante e perigoso olhar sobre eles, se colocou frente à um grandioso quadro.
Os homens olharam a pintura curiosos.

— Este é Sumulalel. O grande imperador da qual destina-se a criação de todo o Império Babilônico. Antes dele, vieram outros. Entre amoritas, sumérios e semitas que contribuíram para que o Império se formasse também. Entretanto, Sumulalel, poucos sabem… É um dos nossos antepassados semitas. O precursor de nossos reinos. Na época de seu reinado, a Babilônia era um único reino.

Andou mais alguns passos à frente, passando ao próximo quadro:

— Hamurabi, seu filho, tornou a nossa dinastia ainda maior…

Entre breves explicações de quedas, reinados gloriosos, povos em guerra, tomadas de poder e outros nomes, chegou até seus antecessores mais próximos.

— Meu avô, Belael Arthus, e minha avó, a rainha Joquebede. Meus pais, Arthus I, e minha mãe… A rainha Amitis…

Ela demorou-se um tempo a observar a pintura da mãe.

— Perdão, princesa… Mas, Amitis não fora o nome da rainha que vossa majestade dissera ser casada com Nabucodonosor II? - perguntou curioso TaeHyung.

Sem retirar os olhos da fotografia de sua mãe, explicou-lhes:

— Amitis fora considerada uma rainha muito especial. Muito bela, mas, muito melancólica. Dizia-se que Amitis fora infeliz por ter deixado sua terra… Nabucodonosor, então, criara os secretos Jardins Suspensos para ela. E como forma de fazê-la sentir-se importante ao nosso reino, mudara o nome do reino para Amitísia. Em sua homenagem. Mamãe me contava que, quando viera da Assíria sentia-se um pouco como Amitis. E, portanto, seu nome de rainha fora dado como igual…
— O que houve com a rainha Amitis? - NamJoon perguntou sem notar a falta de delicadeza, apenas dando-se conta de seu erro quando SeokJin lhe pisara o pé. — Perdão, princesa, eu não quis ser indelicado e…
— Tudo bem, Sir NamJoon. De certo, seus companheiros também estão curiosos… - ela virou-se de frente para os homens e encarando SeokJin terminara: — Apenas não tiveram coragem como o senhor.
— Com licença, princesa ?
— Oh, sim, Aretusa, entre.

Aretusa aproximou-se.

— Cavaleiros, esta é minha dama de companhia, senhorita Aretusa.

Os homens a cumprimentaram em um meneio**³ discreto de cabeça.

— Aretusa. Confirme se as servas já prepararam adequadamente os aposentos de nossos hóspedes.
— Claro, Senhora. Se me permite, princesa… O jantar está prestes a ser servido.
— Obrigada, Aretusa, pode ir.
— Com licença.

A mulher reverenciou-os e saiu.

— Sir NamJoon. - a princesa retomou a atenção dos homens — A rainha Amitis, minha mãe, falecera na última guerra de nosso reino. Bem… Creio que após a longa viagem estejam cansados e famintos. Sigam-me, por favor.

Os três acompanharam-na silenciosos. Até o momento do jantar nada mais fora pronunciado. Fartaram-se de modo educado com a boa comida servida, beberam confortáveis do delicioso vinho oferecido. E depois que o Rei Arthus I recolheu-se aos seus aposentos, os três homens levantaram-se da mesa em honraria. Ficaram novamente a sós com a princesa.

— Senhores, é a serva designada a atender vossas necessidades. O que precisarem, podem solicitá-la.

Eles olharam para a mulher de cabeça baixa ao lado de Aretusa. E assentiram à princesa.
, os acompanhe até seus aposentos.
— Sim, Senhora.
— Cavalheiros, com toda licença, recolher-me-ei. Tenham um bom pernoitar.
— Obrigado, princesa. - os três responderam juntos.


Miscelânea¹: Confusão
Cançoneta²: Pequena canção.
Fulgor³: Brilho, brilhantismo, expressão, energia.
Afinco*¹: Qualidade do que é tenaz, firme, perseverante.
Tenacidade*²: Apego obstinado a algo. = Afinco.
Honorífico*³: Que honra, que torna distinto.
Concílio*: Associação, assembleia, reunião, congresso.
Límpidos**: Nítido, claro, transparente, puro, sereno.
Furtivo***: Clandestino, oculto, secreto.
Longínquo**¹: Remoto, distante.
Pernoitar**²: Passar a noite onde não é costume passá-la.
Meneio**³: Mover de um lado a outro.


Troubadour

Troubadour
음유 시인


saíra do local acompanhada por Aretusa. E assim que ela se foi, os três homens seguiram que lhes indicou o caminho de seus quartos. Ao entrarem, cada um no seu próprio cômodo, puderam notar que o conforto ia além do que julgavam necessário. Kim SeokJin, retirara suas pesadas vestes ficando apenas com suas calças de baixo e uma leve camisa de linho fino. Caminhou por seus aposentos, observando uma sacada chamativa. Estava aliviado por tê-lo conseguido a permissão do Rei em aceitar a visita da rainha e do príncipe, mas, algo ainda o inquietava.

acabara de dispensar Aretusa de seus aposentos. Fizera sua troca de roupas, estando apenas com a fina camisola de linho branca. Seus cabelos soltos e os pés em confortáveis pantufas de lã de ovelha.
Caminhou calma até a suntuosa¹ sacada de seu quarto. Lembrar de sua mãe, revisitar sua pintura, a fizeram sentir-se solitária de novo. Por que ao invés dela, não deveria ser o Rei a desposar novamente outra rainha? Um breve tempo pensando nisso, e logo concordou em ser ultrajante outra rainha tomar o trono que um dia fora de sua mãe. Entretanto, algo ainda a indagava dos motivos de seu pai, em quebrar as tradições e, ao invés de casar-se novamente, impor a responsabilidade da coroa à sua única herdeira, uma mulher.

SeokJin estava abismado com o que via. Era beleza demais para que ele desviasse os olhos. Os medianos seios delicados daquela mulher, bem à sua vista. Empinados sobre o fino tecido, tão fino que se mostrava transparente. O brilho da noite a iluminar-lhe a pele, e a brisa suave a colar-lhe o restante do tecido ao corpo. Por mais desrespeitoso que pudesse ser espiá-la daquela maneira, ele não conseguia desviar o olhar. Apenas sentia-se no dever de admirá-la. Ele não poderia negar, estava hipnotizado, e desejoso daquele corpo.

A noite estava convidativa demais para que a princesa apenas deitasse, e tentasse fechar os olhos para adormecer. Há muito não reparava numa abóbada celeste² tão brilhante e bela como aquela. E a brisa suave a lhe colar o fino tecido de sua camisola à pele… Sentia-se confortável como há muito não sentia. Como se sentisse sua pele queimar, a princesa olhara para baixo e pode flagrar, seu nem tão oculto, admirador. Kim SeokJin a olhava, com um brilho voluptuoso³ em sua íris. E gostara daquilo. Daquela sensação de tê-lo a observando daquele modo. Na sacada de baixo, SeokJin encarava-a imóvel, e apenas quando lhe sorriu de modo provocante e atrevido, que o cavaleiro se dera conta de que a mulher na suntuosa sacada, lateralmente acima da sua, havia o surpreendido em atos tão repreensíveis. Sem reação, ele apenas a olhava assustado. A princesa virou-se em direção ao seu quarto e antes de sair completamente do campo de visão de SeokJin, ela novamente o sorriu com um olhar provocante e então, entrara em seu quarto.

SeokJin como última visão pode admirar as nádegas*¹ redondas e perfeitas da princesa sob o fino pano. Atordoado com o que lhe acontecera, caminhou de volta ao seu quarto. Alguns pensamentos promíscuos*² rodeavam sua mente. Ele chacoalhava a cabeça como se os pudesse afastar, entretanto, algo os mantinha firmes em sua mente. A longa viagem, e a falta total de uma companhia feminina desde que deixara Gangwon, deixaram-no vulnerável. Deitou-se em sua cama, e ao olhar para o lado, em sua mesa de cabeceira, a serva havia deixado algumas frutas, e jarros de água e vinho. Entendendo que a visão perturbadora não o deixaria dormir, Kim SeokJin completou um cálice com vinho e virou-o de uma só vez.
Pouco tempo após deitar-se olhando para o teto, já podia sentir o efeito, não apenas daquele cálice, mas dos anteriores ao jantar, lhe trazerem torpor*³. Puxou sua camisa, sentindo a pele suar. E ao fechar de seus olhos, a deleitável imagem da princesa na sacada tomara a negritude de sua cegueira. Arfava a medida que, em seus pensamentos a mulher se aproximava em passos lentos, retirando aquela peça, tão desnuda quanto poderia desejar. Desejou beijar-lhe os castos lábios, delicados, anunciando nunca terem sido antes tocados. Nem os lábios, nem mesmo o corpo. Viu-a sorrir provocante novamente, e compreendeu ser uma afirmativa ao seu toque. E então a tocou. Passou a mão por seu rosto, puxando ávido* seus lábios contra os seus. Tomou-lhe a cintura nua, e sentiu o peso fraco do corpo dela sobre o seu. Massageava os seios dela, e quando encarou novamente o olhar dela, viu-a descer com os lábios sobre o corpo dele. Depositando ósculos** pela extensão do corpo dele, até chegar em seu membro.
Aquele gesto parecia rude demais para uma princesa, mas, não havia forças para fazê-la parar. Kim SeokJin observou a mulher lamber sua glande e depositar seu membro vagarosamente por sua boca, sentindo a língua quente dela. Fechou os olhos e reprimiu um gemido. Novamente os abriu, no desespero de enxergar a luxúria que deveria estar estampada na face da princesa. Aquela face que permeava entre o angelical e o demoníaco. E ao abrir os olhos, qual não foi sua surpresa, ao notar que ela não estava em seu quarto, e sim, que sua própria mão o masturbava. E na busca de alívio para o que sentia, Kim SeokJin continuou os movimentos de subida e descida sobre seu membro ereto. Sua mão escorregava com facilidade, devido ao viscoso líquido que escorria por seu membro, e quanto mais fácil tocar-se, mais rápido o fazia. Não pode perceber o ápice*** de sua ejaculação, pois, a cada vez que imaginava a princesa o tocando, aquilo parecia ser insuficiente. Cansado, e infeliz com a noite, ele largou seu membro, e arfou**¹ até pegar no sono, sem perceber.

A manhã chegara, e levantara-se apressada. Aretusa já estava nos aposentos reais, auxiliando a princesa.

— A princesa parece-me ansiosa para o dia que vem.
— Sim, Aretusa. Não posso negar-lhe que a chegada destes visitantes deixaram-me um tanto quanto curiosa.
— Algum deles é pretende à vossa mão, Senhora?
— São apenas cavaleiros da Província de Gangwon, Aretusa. Mas, não posso fingir que não há entre eles, um que me tomou alguns desejos.

Aretusa encarou sua senhora pelo espelho, e embora assustada, sorria curiosa. A princesa mantinha o olhar travesso e um riso contido para sua dama.

— Senhora… Eu poderia… Me atrever a perguntar qual deles?
— Ora, Aretusa! Acaso não vês que não consigo me conter? Estou ansiosa para compartilhar o que houve.
— E o que houve, Senhora?
— Ontem pela noite, pouco antes de dormir, eu fui à sacada pensar sobre as razões pelas quais o futuro me parece adiantado… Quando abordei Sir Kim SeokJin, à sacada de seus aposentos, observando-me de modo… Predador.

Aretusa pôs as mãos à boca, e observou a princesa levantar-se apressada e sentar-se em sua cama. Indicou que Aretusa a fizesse companhia. A dama, cautelosa, sentou-se ao lado de sua senhora para ouvir-lhe.

— Senti algo diferente com o olhar dele sobre mim, Aretusa… Quem dera ele fosse o homem que desposar-me-ia…
— Ele é realmente bonito, Senhora. Todos eles… , e outras servas ficaram um pouco eufóricas.
— Oras, vocês… Todas pervertidas* doidivanas*.
— Não, princesa, não nos entenda mal… É só que…

sorriu, pois, Aretusa não compreendera seu tom de zombaria.

— Não te preocupe, Aretusa. Com exceção de SeokJin, vocês podem satisfazê-los como bem entenderem.
— Imagine, Senhora, nenhuma de nós…
— Aretusa!

levantou-se iluminada por uma descabida* ideia. Caminhou até sua escrivaninha, e puxando um pedaço de papel, escreveu algo sob risos.

— Aretusa!
— Senhora?
— Entregue este papel ao Sir Kim SeokJin, logo que findarmos o desjejum. Depois me encontre nos labirintos do jardim, com um balaio balneário*.

— O que pretendes, Senhora?
— Apenas faça o que eu vos ordenei. Agora vamos, estou faminta!


Suntuosa¹: Luxuosa, ostentosa, aparatoso, pomposo, esplêndido.
Abóbada Celeste²: Céu, firmamento.
Voluptuoso³: Sensual, libidinoso, deleitoso, lúbrico.
Nádegas*¹: As duas porções musculares que se referem aos glúteos.
Promíscuos*²: Que viola o que é considerado moral.
Torpor*³: Estado tórpido de alguma parte do corpo.
Ávido*: Muito desejoso.
Ósculos**: Beijos.
Ápice***: Ponto alto. Ponta ou extremidade superior de alguma coisa.
Arfar*: Estar ofegante, respirar com dificuldade.
Pervertidas*: Desmoralizadas, depravadas.
Doidivanas*: Pessoa estouvada, extravagante.
Descabida*: Inoportuna
Balneário*: Relativo a banho.


Lantern’s Lodge

Lantern’s Lodge
랜턴의 오두막집


Aretusa andava apressada em direção aos jardins, onde sua princesa a aguardava. Assim que a encontrou, as duas puseram-se a sair dali imediatamente.
Kim SeokJin, caminhava até seus aposentos ao lado de seus companheiros.

— Podemos partir, Sir SeokJin?
— Nós iremos. Mas, antes eu tenho algo a fazer…

TaeHyung sorriu malicioso, e NamJoon não compreendera.

— O que está acontecendo?
— Acaso não viste, NamJoon, quando a dama de companhia da princesa entregou à SeokJin um pequeno bilhete?
— Oras… Nós apressados para partimos, e o Sir SeokJin preocupado em aliviar-se de sua tensão masculina após longa viagem.

SeokJin sorrira mais tranquilo quando percebera que seus companheiros acreditaram que a princesa nada teria a ver com aquilo.

— Bem, nós o aguardaremos voltar, SeokJin. - NamJoon dissera cortês — Aproveite por nós, já que a mulher pela qual me interessei está pelo caminho.
— Do que estás falando? - perguntou SeokJin.
— Da donzela garbosa¹, tocando a lira na estalagem.
— A filha do estalajadeiro.
— Como podes saber que é filha do estalajadeiro, TaeHyung?
— É óbvio. Nós vimos à maneira como o estalajadeiro encarou-lhe ao notá-lo fitando a mulher… - NamJoon encarou os dois à sua frente, e SeokJin despediu-se: — Bem, eu tenho que ir. Não podemos demorar a partir.
— E eu irei conhecer um pouco mais deste curioso castelo. - TaeHyung disse saindo.

NamJoon notando-se só, partiu em direção ao seu cavalo e decidiu conferir um pouco mais da bela donzela da estalagem. Certamente eles não retornariam ao lugar, em seu caminho de volta.
Kim TaeHyung caminhava calmo pelos corredores do palácio, com seus olhos atentos a tudo. Sentiu um aroma chamativo e embora houvesse quebrado seu jejum há pouco, não poderia evitar seguir aquele aroma tão bom. Caminhou entre alguns corredores, e logo ouviu vozes femininas e risadas. Escondeu-se observando um pouco as mulheres na cozinha do palácio:

— Eu não posso mais servir a estes senhores!
— Ora, , contenha-se! Parece que nunca vira cavaleiros no castelo!
— E não vi mesmo, ! Não como estes.
— Certo, se não queres os servir mais, então deixe que Mirian o faça!
— Eu adorarei!
— De forma alguma! A princesa delegou tal obrigação a mim, e não posso ir contra uma ordem real.
— Oras, então pares de gralhar² e faça o vosso serviço.
— Tu não entendes, , pois, há muito fechara vosso coração para os homens e não percebes os quão atraentes são os cavaleiros.
— Fechastes o coração e as pernas, !

Dissera Mirian gargalhando acompanhada por . TaeHyung que estava escondido a observar, conteve uma risada.

— Oras, suas atrevidas! Apenas não sou uma depravada como vós.
— Claro que não, já tivera um homem a posse de invadi-la. Enquanto nós, aguardamos aquele que nos tomará por sua.
— Calem-se e vão cuidar de seus afazeres.

As duas mulheres saíram pela porta dos fundos, e assim que saíram Lucas surgiu à porta. Carregava um pesado tambor de leite, recém-tirado das vacas.

— Mamãe, aqui está o leite.
— Obrigada, meu filho. És mesmo um rapaz digno. Logo, terás boas mulheres interessadas, mas, há de me prometer que não encontrarás mulheres depravadas como Mirian e !
— Depravadas?
— Ah, esqueça meu filho. Apenas, lembre-se das palavras de tua mãe no futuro quando fores escolher vossa esposa.

sorriu para o filho, ainda criança e afagou seus cabelos. Pegou o tambor de leite e o colocou sobre a mesa.

— Com licença?
— Oh sim, senhor. O que desejas? - surpreendeu-se ao ver um dos cavaleiros que as moças tanto falavam.
— Na verdade, nada. Senti saboroso aroma e o segui.
— Ah sim, é apenas um guisado³ que preparo para logo mais.
— E este rapaz forte, quem é?
— Este é Lucas, meu filho. Cumprimente o cavaleiro…
— Sir Kim TaeHyung.
— Sir Kim TaeHyung, meu filho.

Lucas o reverenciou com um aceno de cabeça. Em seguida saiu para os fundos do castelo.

— Em que posso servi-lo, Sir?
— Eu gostaria de um pouco de água, por obséquio*¹.
— Claro, claro…

apressou-se em servi-lo. Estava nervosa. Não era comum que entrassem em sua cozinha, menos ainda que ela tivesse qualquer diálogo com visitas ou moradores do castelo. Salvo os momentos em que a própria princesa direcionava-se à cozinha do castelo.

— Então, é de vossa responsabilidade a apetitosa ceia que nos serviram?
— Sim… - ela dissera estendendo-o um cálice com água fresca.
— Devo parabenizá-la. Tão bela dama e tão abençoadas mãos…

sentira-se um pouco sem graça.

— Por favor, não te acanhes. Não foi de minha intenção deixá-la constrangida.
— Claro. Apenas não estou acostumada a visitas em minha cozinha, senhor.
— Estou a incomodando?
— De maneira alguma. O senhor fique à vontade… Eu apenas preciso dar continuidade às minhas tarefas.
— Por favor, prossiga… Estou apenas conhecendo o castelo.
— Certo… É curioso que queira conhecê-lo. Aposto que já estivera em tantos outros como este.
— Não são iguais. Nunca são… Há sempre, uma pessoa ou alguma curiosidade para nos surpreender.

sentiu-se estranha quando notou a presença próxima demais do homem atrás de si. Ele aproximou-se por trás dela, e tocou-lhe a mão que mexia o guisado. Puxou a colher e experimentou o sabor. pode senti-lo invasivo demais, perto demais, e seus corpos próximos demais. Um calor subiu-lhe às pernas e por um momento perdera suas ações.

— Está mesmo delicioso.

TaeHyung dissera deixando ainda mais muda e nervosa.

— O-Obrigada, Sir.
— E o pai de seu filho, o que faz? - ele perguntara se afastando naturalmente.
— E-Ele faleceu quando o menino tinha um ano. Era um guerreiro do reino.
— Lamento.

assentiu silenciosa, e afastou-se do fogareiro quando recuperou o domínio de suas pernas. Caminhou até a outra ponta da mesa a fim de pegar os legumes e encarou furtiva e envergonhada, o homem que a analisava silencioso.
TaeHyung sorriu despedindo-se e agradecendo-a pela cordialidade. Ao passar por ela, pegou-lhe a mão e beijou. Logo que ele saiu, voltou a picar os legumes com velocidade e agressividade incomuns a ela.
A estalagem não era tão distante do palácio quanto parecia na noite anterior. Ou NamJoon estava ansioso demais para chegar. Assim que avistou o tronco onde amarravam os cavalos, desceu de sua montaria e prendeu firme o animal ali. Entrou à estalagem com cautela. Estava vazia.

— Ainda não estamos funcionando.

Ouviu uma voz forte, ao mesmo tempo feminina lhe falar. E lá estava a mulher que tocava Lira.

— Perdão, é que sou um estrangeiro e…

Ela o olhou com desdém, mas, ao notar sua diferente figura, indicou-lhe uma mesa com o olhar para que ele sentasse. Ela pegara um caneco que enxugava e o serviu de rum. Sem ao menos perguntá-lo o que desejava beber. Olhava-o com curiosidade e desconfiança. Caminhou até a mesa onde ele sentara e o serviu. Em seguida retornou para trás do balcão.

— Onde está o estalajadeiro?
— Ele chegará logo mais… - ela dissera para não levantar suspeita.

NamJoon não se continha em manter distância. Pegou seu caneco e caminhou até o balcão, onde sentou-se.

— A senhorita toca lindamente.
— Obrigada.
— E não é muito de falar, não é?
— Vi a maneira como olhaste para mim ontem à noite. E se pensas que deixarei meu pai vender-me a vós, tu estás enganado!
— Vender-te a mim?

Ela percebera então, que o homem estava confuso com o que dissera.

— Esqueça!
— Qual é a vossa graça, senhorita?

Olhou-o novamente com desconfiança, mas, algo no olhar dele a fazia sentir-se bem.

.
— É uma grande estima, … - pronunciou o nome dela com um sorriso prazeroso — Eu sou Sir. Kim NamJoon.
— Um cavaleiro?
— Sim.
— Destes que salvam donzelas em apuros?
— Sim. Há alguma donzela que eu deva salvar?

Ela desviou-lhe o olhar e retomou suas tarefas.

… Vós mencionaste que o estalajadeiro é o vosso pai?
— Sim.
— Então meus companheiros tinham razão… Eles acreditaram que fosse o seu pai pela maneira como ele não gostara de me ver admirando-a ontem.
— Duvido muito que não tenha gostado, ele apenas analisava que tipos de bens vós poderíeis ter. Se seria o suficiente para mim.
— Acaso, vós estais anunciadas a ser desposada?
— Não.

Um silêncio se fizera e a mulher saiu de trás do balcão para limpar algumas mesas.
NamJoon aproximou-se dela.

— Estais a me dizer que o estalajadeiro aceita honrarias para que os homens se deitem convosco?
— O que o senhor cavaleiro faria, se essa fosse a verdade?
— Roubá-la-ia para mim, e jamais nenhum outro tocaria em vós. A não ser aquele que tu deres a permissão.

o encarou assustada por um momento.
E correu até a porta da estalagem, trancando-a com um ferrolho*².

— E eu poderia confiar em vós?
— Como não confiaria em um homem que lhe dedica a própria alma?
— Salve-me.

Disse ela ansiosa, com olhar aflito para aquele estranho que se parecia tanto com o salvador que ela tanto esperou.

— Hoje partirei. Não sei a hora, mas, passarei por este caminho. Entrarei para pedir uma bebida. E se acaso vosso pai estiver aqui, antes que eu saia, dê um jeito de ir para fora, e esconder-se atrás das pedras na estrada. Quando eu sair, encontrá-la-ei.
— Certo.
— Tenho uma pergunta.
— Sim?
— Por que não fugistes? Estás sozinha todo este tempo, desde que cheguei, e já poderia ter deixado esta estalagem.
— Acaso viveis em qual mundo, cavaleiro? Eu sou uma mulher, e por mais asco*³ que eu tenha do que me façam aqui… Sabes quantas coisas piores poderiam fazer-me se eu estivesse a vagar sozinha por aí?
— Entendo…

Eles se olharam cúmplices.

— Preciso retornar, logo mais virei. Esteja pronta.
— Sim!

Ele distanciou-se a caminho da porta, e antes que a abrisse escutou o chamar:

— Sir NamJoon! - ele encarou-a atencioso: — Obrigada. E, por favor, não se atrase.

NamJoon apenas assentiu-a e seguiu à galope de volta ao castelo. Pensava na tamanha loucura que se metera. Roubar uma donzela? Ainda que fosse para salvá-la?
Uma mulher que avistara somente uma vez? Certamente, pior do que roubá-la seria explicar aos seus companheiros o que estava prestes a fazer.

Aretusa caminhava curiosa atrás de sua princesa, e aos poucos fora reconhecendo o local para onde iriam.

— Senhora! O que faremos na Caverna da Lanterna?
— Aretusa, preste atenção. Eu entrarei e vós vigiareis a entrada, até que SeokJin surja. Então se esconderá com o balaio, e não retornarás à Caverna, até que ele saia.
— Senhora! Isto é uma loucura.
— Acaso estais contestando a ordem de vossa senhora?
— Não… Jamais, princesa.
— Ótimo. Agora, fique aí até que ele surja.

SeokJin havia chegado no lugar onde o bilhete descrevia. Não compreendia por que viera tão distante. Era correto que o assunto no bilhete se fazia necessário de segredo, mas, ainda não entendia por que tão longe do castelo.

“Precisamos falar sobre o que tu fizeras ontem, cavaleiro”.


Cada vez que relia a primeira frase do bilhete, sentia-se imensamente culpado. E apavorava-o a ideia de seu senhor, o príncipe Min YoonGi, descobrir como seu súdito desejara sua futura rainha.
Ao chegar na entrada da caverna, uma escuridão longa se fazia, até que avistara uma luz. Como se houvesse uma lanterna acesa ao fundo. Seguiu em frente, e quando atravessou a passagem entre as rochas, avistou um límpido lago azul no interior da caverna. E uma fresta no topo dela que iluminava todo aquele espaço. Era de fato como uma lanterna ao fim da escuridão.

— Olá? - ele chamou, e mesmo em tom baixo, podia-se sentir o eco.
— Sir SeokJin.
— Princesa ? Onde vós estais?

SeokJin caminhava curioso e lento, até o interior da caverna, aproximando-se do lago, mas, não havia visto-a ainda.

— Tu espionaste-me ontem, em um momento do qual eu estava vulnerável.

SeokJin parou de caminhar e falou:

— Quanto àquilo, princesa, rezo para que me perdoes. Foi um momento desrespeitoso e do qual não pude dominar meus atos.
— Sabes o que o rei fará se souber disso? Ou pior… O que o seu príncipe fará se souber que olhastes com tamanha cobiça para sua pretendente?
— Senhora… Eu gostaria de me redimir, sem que fossem necessárias intervenções graves.
— Certo… O senhor pode se redimir. Tire suas vestes, Sir SeokJin, e entre na água fria.
— Um banho gelado? É a maneira como…
— Faça o que eu mandei! - disse cortante, o impedindo de continuar.

SeokJin se sentia ridículo, mas, fizera o que aquela princesa louca o pedia. Ou melhor, ordenava. Retirou suas roupas e entrou na água.

— Nade até a rocha alta.
— Princesa… Onde a senhorita está?
— Até a rocha alta, eu disse.

Ele fez o que ela ordenou, e ao virar-se na rocha avistou a imagem da princesa à sua frente. Dentro da água, nua, com os cabelos molhados. E os mesmo olhares e sorrisos provocantes da noite anterior.
SeokJin não conseguira dizer nada, apenas observá-la se aproximando de seu corpo nu. Quando percebeu os olhos dela junto aos seus, e os lábios dela tomando os seus, sentiu a mão da princesa sobre seu membro. Estaria sonhando de novo? Não poderia deixar passar a oportunidade de senti-la mais uma vez, ainda que em sonho. Grudou-a sob seu corpo. Enquanto a princesa masturbava-o delicadamente, SeokJin chupava seus seios tão desejados na noite anterior. Sugava-os com força e os massageava, ouvindo o leve arfar da princesa. As mãos dela movimentavam-se com mais domínio em seu membro. E SeokJin, sentia vontade de cada vez mais afundar-se nela, tocou a entrada da vagina dela, com delicadeza, e ela sentiu-se ansiosa. Tomou a boca do cavaleiro na sua, à medida que os dois brincavam com seus corpos. Ela fora o empurrando aos poucos até o alto do lago, de modo que ficassem mais próximos da margem, e posicionando-se sobre ele, a princesa não esperou para tocar o membro ereto, forte e alvo* de SeokJin com seus lábios macios. O homem gemeu e aquilo fez com que ela o enfiasse cada vez mais para dentro. Lambeu toda a extensão do pênis dele e chupou-lhes os testículos apertando-os delicadamente em sua boca. Kim SeokJin sentiu dor, mas, uma dor prazerosa. O suficiente para puxá-la pelos cabelos e inverter suas posições. Ele abriu as pernas da princesa com voracidade, e colocou-se a chupar também seu clitóris, com os dedos, invadiu-a ansioso. gemia, arfava e pedia por mais, e antes que sentisse-a enfraquecer, SeokJin posicionou seu membro na entrada dela, e a estocou uma única vez. Diretamente, e foi então que a princesa gemeu alto com a dor sentida. Ela era apertada para ele. Mas, quanto mais sentia-a tencionar sob seu pênis, mais o cavaleiro estocava-a fortemente.
Ao fim do orgasmo mútuo, o cavaleiro encarou-a com luxúria nunca antes sentida e agarrou-lhe a cintura selando um beijo ardente. não se opôs ao gesto. Ela correspondeu e sorriu.

— Princesa… Não deveríamos…
— Tome como uma punição, Sir SeokJin. Afinal, não devias ter me espionado daquela forma.
— Princesa.
! Entre nós, vou deixar que me chame pelo nome.
— Eu prefiro manter a formalidade.

o olhou, indignada. Ela estabelecera uma informalidade entre os dois, a fim de soar gentil, mas, SeokJin mostrava-se arrependido do que acontecera. Não era aceitável que uma princesa fosse rejeitada daquela forma, tampouco suportaria ferida tão grande em seu ego.

— Como queira.
— Como eu dizia… Acredito que meu deslize mereça, de fato, uma punição. Mas, não posso aceitar-te como tal. O que aconteceu aqui fora indecoroso* e certamente…
— Certamente, se o rei souber, o senhor será um cavaleiro morto, SeokJin. Na verdade, são muitos os riscos não é mesmo? Estão envolvidos também a rainha Yang Mi, e o príncipe YoonGi…

encarou o cavaleiro com seu olhar vingativo. Ela deixaria bem claro, que não aceitaria desculpas por algo que ela desejara ter, e ele também. SeokJin a olhava atencioso às reações da princesa. Compreendia que ela se sentia ofendida com sua represália ao que ocorrera, mas, não poderia afirmar o quão bom fora aquilo. Ele era um cavaleiro real, afinal.

— Portanto, Sir. SeokJin, ponha suas vestes, retorne ao seu palácio e não dê nenhum pio sobre o que acontecera. Pois, já aconteceu. E nada adiantará pedir desculpas por algo que lhe foi ordenado fazer. Tampouco bancar o ofendido, ou o culpado por desejar o corpo da princesa prometida a outro homem, e ainda assim, o tê-lo.
— Lamento se a ofendi, princesa.
— Me ofende em continuar falando. Apenas vista-se e saia. Se preferir, esqueça o que viveu.

SeokJin saiu da água e pôs-se a vestir-se enquanto a princesa, mergulhava tranquilamente pelas águas do lago. Quando ela retornou à superfície, SeokJin olhou-a envergonhado e pôde ler no reflexo do olhar dela, o quanto ela detestara a expressão dele. Certamente, se antes a princesa nada faria pelo erro do cavaleiro, agora, SeokJin temia pela vingança de uma mulher com o ego ferido.


Garbosa¹: Elegante, bela.
Gralhar²: Relativo à gralha, crocitar, grazinar, som emitido pela ave gralha.
Guisado³: Cozido, refogado.
Obséquio*¹: Favor.
Ferrolho*²: Ferro corrediço que se fecham portas, janelas.
Asco*³: Nojo, repulsa.
Alvo*: Muito branco.
Indecoroso*: Indecente, vergonhoso, obsceno, escandaloso.


Young Squire

Young Squire
젊은 스콰 이어


Novamente submergiu, a fim de esfriar os ânimos que não apenas sua mente mostrava, quando Aretusa surgiu afoita¹ pela caverna, com o balaio em mãos. A dama de companhia da princesa avistou-a mergulhando nua e rapidamente pôs o balaio ao chão. Pegou o lençol de banho e a princesa saía de dentro da água, com placidez² na face. Aretusa a cobriu com o tecido, ajudando-a a se enxugar. Em seguida puxou as roupas de sua princesa e ajudou-a a se vestir. A mulher estava assustada com o que teria acontecido, e ainda mais, pela princesa parecer tão feliz.

— Princesa?
— Hm?
— O que acontecera aqui… Não será por demais danoso?
— Aretusa. Nada aconteceu aqui, eu apenas vim banhar-me. Entendido?
— Claro, Senhora!
— Aretusa… Tenho-te por amiga, durante todos teus anos de servidão. E falarei agora, com a minha confidente…
— Pois sim, Senhora.
— Eu estou apaixonada.

A princesa girou o corpo para encarar sua serva, que com os olhos arregalados encarava silenciosa à mulher em sua frente. O sorriso desmedido³, e o olhar fulgurante*¹ da princesa confirmaram o que Aretusa já desconfiara. Não pode evitar o rubor em sua face.

— Oras, não me olhes assim! Foi realmente maravilhoso!
— Mas, senhora… Ele é um cavaleiro ao qual foi incumbida a missão de…
— Pedir minha mão em nome do príncipe a que serve. Eu sei disso, Aretusa. - interrompeu a princesa — E isso só faz com que a certeza de aceitar a oferta seja maior.
— Senhora!?
— Jamais poderia me desposar por um cavaleiro, por mais nobre e subserviente*² que fosse. Mas, aceitando a proposta da rainha Yang Mi, eu estaria próxima de Sir. SeokJin. Convencer o rei a aceitar é que será complicado.
— Pronto, Senhora.

Aretusa afirmou terminando de pentear os cabelos de sua senhora, que já estava sentada sobre uma pedra há algum tempo. Ambas se dispuseram a voltar ao castelo, e antes de saírem da caverna por completo, a princesa parou o passo, sendo incisiva com sua dama:

— Por mais que eu lhe confie… Ordeno que nenhum pio seja dito sobre o que houvera aqui.
— Fique tranquila, minha princesa. Eu sou totalmente leal à vossa majestade.
— Eu sei disso, e por isso lhe estimo. Agora vamos, demoramos o suficiente.

Ao retornarem ao castelo, não avistaram nenhum dos cavaleiros. Eles encontravam-se em seus aposentos. Kim SeokJin, repousava em sua cama, e já portava suas vestes de partida. Ele repensava o feito daquela manhã. No outro quarto, NamJoon contava a TaeHyung sobre o ocorrido da manhã dele, também.

— Estás a cometer um desatino*³, NamJoon!
— Dei minha palavra à que a salvaria, TaeHyung!
— Céus… E depois? O que fará com a moçoila?
— Não pensei no depois. Ao vê-la ali… Tão bela e desesperada…
— Sei! - interrompeu bravo, o companheiro — Agiste com a parte do teu corpo que não raciocina!
— De fato! … De uma maneira totalmente desconhecida a mim, perturba meus instintos.
— Oras, NamJoon! E o que diremos ao SeokJin?
— A princípio, penso em não dizer nada. Seguiremos o caminho e próximo à taberna do estalajadeiro eu me separarei de vós.
— Como quer que eu convença SeokJin a permitir que prossigamos sem tu?
— Se eu soubesse não estaria aqui a pedir-lhe apoio.
— É bom que penses bem nisto, NamJoon: se trouxeres a moça convosco, terás de a desposar. Ou ao invés de salvá-la, a condenará ao próprio infortúnio*.
— E quando eu lhe disse que desposar não é o meu desejo?

TaeHyung olhou ao amigo de maneira curiosa. Sorriu-lhe e balançando a cabeça negativamente, o disse:

— Estás louco! - ambos riram entre si.
— E tu? O que fizeste toda a manhã?
— Vaguei pelo castelo e arredores. É um reino de fato, admirável. E abundante! Entendo agora as proposições da rainha.
— E encontraste alguma dama?
— Sim. A cozinheira do rei.
— A cozinheira? Ora, ora, TaeHyung. Jamais poderia imaginar que as robustas senhoras faziam o vosso gosto.
— Robusta… Podemos dizer que sim. De um modo muito positivo, aliás. Já senhora, não. Adulta, porém não tão mais velha que nós.
— Então, eu não fora o único a aprontar…
— De maneira alguma! É uma mulher respeitável e tem um filho.
— TaeHyung…! Estás a se meter numa confusão maior que a minha.
— É viúva.

Antes que NamJoon pudesse responder qualquer coisa, se ouviu um bater à porta do quarto de TaeHyung. Eles a abriram, e SeokJin os dissera que estavam de partida.
A princesa, que descia as escadas daquele andar, surgira no fim do corredor no momento em que os três parados à porta falavam em partir.

— Os cavaleiros não aguardarão por uma refeição digna na companhia do rei? - os surpreendeu.
— Princesa.

Os três abaixaram a cabeça em reverência, e uma troca discreta de olhares fora notada por Aretusa, entre princesa e cavaleiro.

— Se for indispensável ao rei que aceitemos o convite, é com prazer que ficaremos. - disse TaeHyung.

A princesa apenas abaixou a cabeça levemente, em afirmação ao cavaleiro. E silenciosa prosseguiu. Aretusa, tão silenciosa quanto se pôs a segui-la.

— É uma mulher envolvente, a princesa . - dissera NamJoon.
— Com certeza. O príncipe não deixará que outro lhe roube esta chance. - disse TaeHyung.
— Eu não deixaria. - NamJoon falou risonho para seus companheiros, mas apenas TaeHyung sorriu. SeokJin ainda encarava o caminho que a mulher havia passado, e os outros dois perceberam: — E você, SeokJin?
— Hã?
— Deixaria passar a oportunidade de ter a princesa como tua? - perguntou TaeHyung.
— Cuidado com o que dizem. Ela é a prometida de YoonGi.

Assustado, mas contido, SeokJin encaminhou-se adiante. Os companheiros riam da reação polida do homem, que lhes indicava que SeokJin não exporia seus pensamentos sórdidos por devido respeito. Por virtuoso cavaleiro que era.
A princesa foi ao encontro do rei, e comunicou-lhe que os cavaleiros se preparavam para partir. O rei exigiu que aguardassem a refeição do meio-dia. Logo, Aretusa pusera-se a correr até os cavaleiros e lhes informar.
Chegou à cozinha, e perguntou onde estava a serva dos cavaleiros.

— Estão de partida, e pediram que ela lhes levasse algumas providências para a viagem. - disse .
— Onde estão?
— Preparando os cavalos.

Aretusa seguiu em direção ao pátio dos cavaleiros.

— Sir SeokJin! Sir SeokJin!

Ela o gritava à medida que se aproximava, apressada ao vê-lo pedindo a um servo que encaminhasse os animais às entradas do castelo. Os três olharam-na confusos e aguardaram em silêncio sua aproximação.

— Não podem partir. O rei ordena que desjejuem com ele.

Os três se olharam, e dirigindo-se ao servo, SeokJin pediu:

— Pedirei a um servo que o avise depois, obrigado.

O servo saiu e tomando as rédeas dos animais os retornou aos cochos.

— Por favor, me acompanhem.

Seguiram Aretusa até o salão de jantar real, onde rei e princesa já estavam à mesa.
Ao adentrarem o local, reverenciaram as majestades.

— Acaso partiriam com fome? Acaso nosso alimento não é saboroso o suficiente a vós? - perguntou-lhes, brando, o rei.
— De maneira alguma, majestade, apenas preparávamos os animais para a partida. A viagem é longa, mas, certamente não sairíamos sem as vossas bênçãos.
— Sentem-se! E fartem-se.

Obedeceram, comeram e em seguida despediram-se.

— Majestade, com lustroso brio nos despedimos e agradecemos vossa imensurável generosidade em nos hospedar.

O rei sorriu a SeokJin:

— Aguardo a comitiva da rainha em breve, e espero rever tão honrados cavaleiros. , peça à serva que os providencie o que lhes for necessário a um bom retorno.
— Já providenciei tudo, meu pai. - ela o respondeu e direcionou-se aos homens: — Vossas providências já foram levadas às vossas montarias. Peçam o que lhes faltar.
— Agradecemos, mais uma vez, majestades.

Reverenciaram o rei, e a princesa uma última vez. E retiraram-se das presenças reais, sem mais delongas. , friamente observou o cavaleiro partir.


Afoita¹: Arrojo, ânimo.
Placidez²: Sossego, tranquilidade, serenidade.
Desmedido³: Que excede as medidas, excessivo, enorme.
Fulgurante*¹: Que fulgura. = Brilhante.
Subserviente*²: Que se presta servilmente às vontades de alguém.
Desatino*³: Desvario, falta de tino.
Infortúnio*: Sofrimento, azar.


Legerdemain

Legerdemain
요술의 빠른 손재주


A tarde punha-se quente e bela, por entre as estradas que os distanciava do reino. NamJoon acenou para TaeHyung, num claro sinal de que o momento de raptar chegara.

— SeokJin! - gritara ao cavaleiro mais à frente, e o mesmo o olhou — Preciso parar um momento na taberna da estalagem, mas, podem prosseguir que os alcançarei logo.
— O que houve?
— Creio que NamJoon precise despedir-se de uma bela citarista¹.
— Podemos aguardar, não é seguro que tu viajes sozinho.
— Não, SeokJin, mas eu prefiro que não nos atrasemos.

SeokJin olhou desconfiado para NamJoon. TaeHyung prevendo a complicação, prosseguiu com seu cavalo gritando ao amigo:

— Não demore, NamJoon!

Logo, SeokJin o seguia. NamJoon aguardou os companheiros afastarem-se minimamente, e estudou à sua volta se havia companhia na estrada. Adentrou pelo caminho paralelo que levava à estalagem. Aproximou-se da rocha marcada e apeou seu cavalo. Caminhou espreito as proximidades da taberna, e observou que o estalajadeiro já estava de volta. O homem que carregava tonéis de fora para dentro da taberna, não o viu se aproximar. Amarrou seu cavalo na entrada da taberna. Quando o dono do local virou-se para pegar outro barril, deu-se de face com NamJoon.

— Cavaleiro? Em que posso ajudar? - perguntou desconfiado o homem.
— O senhor teria rum, a vender-me para viagem?

Passaram um tempo em silêncio. O homem olhava o cavaleiro com dúvida, por estranhar a não presença dos demais.

— Entre. - por fim dissera à NamJoon.

Quando adentrou a taberna, avistou escondida, espiando-os de um cômodo atrás do balcão que parecia ser uma espécie de dispensa. A garota arregalou os olhos ao notar ser NamJoon, realmente, e discretamente desaparecera dali. O estalajadeiro serviu um cantil de rum ao cavaleiro e recebeu as moedas de prata. Cordialmente, NamJoon despediu-se e saiu. O estalajadeiro observou-o sair montando em seu cavalo e calmamente se distanciar.
Retornou para seus afazeres, carregando os tonéis de volta à estalagem.
NamJoon aproximava-se da rocha marcada, e quando imaginara que algo havia impedido a moçoila de sair, avistou-a correr apressada em sua direção. Portava uma capa que lhe escondia bem o rosto, sua cítara e um cantil de água amarrado ao corpo.
Sem descer de seu cavalo, ele puxou-a pela mão e logo a mulher estava montada junto de si e ambos cavalgavam em direção aos demais cavaleiros.
SeokJin parara de trotar e TaeHyung o encarou em dúvida.

— NamJoon está demorando. - disse olhando para trás.
— Ele logo estará aqui, SeokJin. Não há com o quê preocupar-se.
— TaeHyung, és tão péssimo mentiroso quanto NamJoon galanteador. O que ele foi fazer?

TaeHyung sentia um frio lhe percorrer o corpo.

— Creio que despedir-se da moça da estalagem.
— Ficaremos aqui, até que ele nos alcance. - afirmou SeokJin descendo de seu cavalo.
— Certo… - TaeHyung concordou observando a estrada a fim de que NamJoon estivesse vindo — SeokJin?
— O que há?
— Como fora tua manhã?

TaeHyung perguntara sorrindo sugestivo e bebendo um gole de sua água. SeokJin, embolou-se em como responder àquela pergunta quando avistou NamJoon aproximar-se cavalgando. E notara a presença de mais alguém no cavalo. Assim que emparelhou aos outros dois, SeokJin pode ver a moça da estalagem atrás de NamJoon sobre o equino.

— Despedir-se? - SeokJin olhou aos amigos cúmplices de maneira reprovadora.
— Comprei rum para a viagem! - NamJoon disse-lhes mostrando o cantil e ignorando a expressão de SeokJin que montava seu cavalo acompanhado de TaeHyung no outro.
— E a citarista veio com o rum? - perguntou SeokJin.
— Sei o que estou fazendo, SeokJin.
— É bom mesmo que saiba.
— Bem! - disse TaeHyung interrompendo as provocações entre os olhares dos dois — Diante da presença inesperada de nossa convidada, é melhor que nos apressemos. Não é como se não fossem dar falta da bela jovem.

SeokJin deu rédeas ao cavalo pondo-se a cavalgar em corrida pela estrada. Os dois que ficaram para trás se entreolharam e correram também. SeokJin sabia que não lhe cabia julgar NamJoon. Afinal, ele mesmo cometera desvario muito maior, do que o de raptar uma jovem.




Citarista¹: tocadora de Cítara, ou Lira.


Glow of the fairies

Glow of the fairies
요정의 빛


Enfim era o dia de seu casamento. desceu ao desjejum com sua sogra - a rainha Yang Mi - e enquanto caminhava tranquila pelas escadarias e corredores que a levavam de seus aposentos ao salão de jantar, relembrava do dia em que fora apresentada ao seu prometido: YoonGi. Desde a chegada da comitiva, dos cavaleiros - entre eles SeokJin - até a apresentação real. Sabia que ela teve importante papel influenciador para que seu pai, o rei Arthus I aceitasse o casamento com YoonGi. Contudo, observando a correria de servos e servas na preparação do matrimônio e das festividades reais, , hoje sem a figura de seu pai ao seu lado, entendia a quão precipitada fora em aceitar YoonGi apenas para ter SeokJin consigo.
A rainha sorria e conversava com seu filho já à mesa, aguardando-a. Ele puxou a cadeira para que ela se sentasse.

— Bom dia, , como está vossa ansiedade para o grandioso dia? - a rainha perguntou animada.

Aretusa próxima aos três observava as feições nada sutis de descontentamento de sua senhora.

— Não há motivos para ansiedade. Não estamos entrando em uma guerra. Estamos?

YoonGi encarou sua noiva com sarcasmo. Ele sabia que não o amava, mas, sabia que ela reconhecia o dever de uma princesa e, portanto, estava ali. O que YoonGi não sabia, é que a princesa armou o casamento, por motivos nada políticos.

sabe que o matrimônio é o melhor para o reino, mamãe. Não é espantoso a falta de afeto dela.
— Uma princesa, por mais diplomático que possa ser o matrimônio, aguarda por tal momento em sua vida de maneira fervorosa. A sua fala é um tanto quanto ofensiva, .
— Rainha. Não me obrigue a demonstrar felicidade, ainda estou em luto. Ou esquecera-se de que há muito pouco perdi meu pai?

Ambos sem graça pela situação - príncipe e rainha - puseram-se a desculparem-se com a princesa. Aretusa, entendendo a inteligente manobra de sua princesa, sorriu satisfeita. Logo, recordou-se da ordem dada. Saiu pelo castelo atrás de SeokJin. E assim que o encontrou, junto aos demais cavaleiros nos campos de treino do castelo, entregou-lhe um bilhete.
TaeHyung observou àquilo como um sinal de que o cavaleiro, realmente, estava de caso com a dama real. E pensou se não deveria também declarar-se à mulher que não tirara do pensamento desde o primeiro dia que a vira. Fora tirado de seus pensamentos pela voz de Lucas - o filho da cozinheira real - perguntando-lhe se a empunhadura da flecha estava correta. Pôs-se a corrigir a postura do menino, e observou-o atingir em cheio o alvo.
SeokJin afastou-se junto à Aretusa. NamJoon havia ficado em Gangwon, responsável por cuidar da cavalaria do reino na falta de SeokJin. SeokJin era o responsável, mas, pela grande estima de YoonGi consigo, era obrigado a acompanhar o príncipe como seu principal cavaleiro onde quer que ele fosse. Claro que era o principal motivo para NamJoon não retornar ao reino de Amitísia, por segurança dela, como também pelo filho que ela esperava. Jimin, outro cavaleiro que viera no lugar de NamJoon, passeava pelos campos reais com seu cavalo, quando avistou , uma das servas do palácio, retornar dos campos de girassóis, abarrotada com cestos de flores recém colhidas. Ele encantou-se pela imagem da mulher caminhando entre as flores. E sem perceber, já se aproximava dela.

— Cavaleiro? - ela estranhou a aproximação dele.

No dia em que a comitiva real chegara para o casamento, avistou Jimin como se nada mais pudesse ser enxergado à sua frente. , como sempre lhe advertiu por seus assanhamentos quando, afoita, chegara à cozinha contando sobre o homem.
O cavaleiro descera do cavalo e tomando os cestos de suas mãos, os pendurou em seu cavalo.

— Por favor, senhorita.

Jimin estendeu-lhe a mão, e quando a mulher a segurou, ele puxou-a para si. Enlaçando sua cintura e erguendo a ponto de ela conseguir tocar o arreio do cavalo e montá-lo. Ela assustou-se, mas conseguiu montar o animal e não escondeu o sorriso de surpresa e satisfação ao ver o cavaleiro puxando o cavalo pela rédea em direção ao castelo.
Lucas havia acertado todos os alvos com maestria.

— Você tem talento para arco e flecha. - TaeHyung afirmou sorrindo-lhe.
— Era a arma preferida de meu pai.
— Lastimo por não ser ele a o ensinar como manusear a própria arma.
— Não tem problema. Meu pai morreu como herói.
— Exatamente, deve se orgulhar. Agora, vamos? Vossa mãe deve estar apertada com os afazeres hoje, e certamente precisa de ti.

Os dois puseram-se a caminhar em silêncio. Até que Lucas, com toda a intimidade que havia conquistado junto a TaeHyung, o perguntara:

— Não compreendo o motivo da princesa demorar tanto a se casar.
— De fato, o matrimônio deveria ter acontecido há mais tempo. Mas, concorda que um reino em guerra não tem espaço para festividades?
— Gangwon ficou muito destruída?
— Graças ao rei Arthus I, que nos ajudou bastante ao ordenar envio de tropas aliadas, saímos vitoriosos. Mas, sempre há o que reparar numa nação pós-guerra.
— TaeHyung, eu perguntei se ficou muito destruída.
— Sim, Lucas. Há muito trabalho sendo feito para restaurar o reino. Portanto, o casamento da princesa é uma estratégia real muito necessária para nós no momento.
— Sua noiva…?
— O que tem ela?
— Você já conseguiu superar?
— Da primeira vez que o vi, você era um garotinho que quase não falava e nem entendia os interesses de um homem à uma mulher. Hoje manuseia arcos, flechas, bestas e espadas com propriedade. E tornou-se um jovem garboso.
— TaeHyung, o que isso tem a ver com a pergunta que vos fiz?
— Há jovenzinhas pelo castelo que suspiram ao vê-lo passar. Já esteve com alguma delas?
— Isto não é pergunta que se faça! Se minha mãe o ouvir…
— Sei que ela não gosta de pensar que o filho cresceu.
— Certo, não precisas responder-me se não quiser. Estás a rodear a minha pergunta com outras!
— Não, Lucas. Estou tentando dizer-lhe que um homem tem certas responsabilidades que na vida lhe são dadas e nem sempre significam ser da sua vontade. She Hwa era uma bela jovem, muito afetuosa. Meiga e certamente desposá-la seria um prazer… Mas, eu não a amava. O que não significa que eu não lamente sua morte tão precoce.
— Posso ter pouca idade comparada a vós, mas, já consigo perceber em meus dezessete anos que quando um homem diz não amar uma mulher, é porque ama a outra.

TaeHyung manteve-se silencioso, mas sorriu em cumplicidade ao jovem.

— TaeHyung?
— Hm?
— O que sentes pela minha mãe?
— Qual a intenção desta pergunta?
— Há muito ela está sozinha. E eu não poderei cuidá-la para sempre… Na verdade, gostaria de vê-la feliz. E noto entre vocês a presença de um sentimento íntimo.
— Você preocupa-se demais com questões que não deveria.
— Eu só gostaria que soubesses que eu concederia a mão de minha mãe a vós com grande estima.

TaeHyung diminuiu seus passos e encarou o jovem que caminhava no ritmo mais acelerado à sua frente. Ele parou para pensar no que o rapaz disse, e observou ele sumir pelo portão dos fundos do castelo.



Royal Castle

Royal Castle
왕실의 성


preparava-se para seu casamento.
A quantidade enorme de servos à sua volta ajeitando-lhe o vestido, o penteado, e os últimos preparativos mostravam uma euforia que ela não tinha. O salão real já estava lotado com os convidados do reino. Fora dos portões do castelo, a multidão de súditos aguardava o anúncio real do enlace. Aretusa dispensara os servos e as duas estavam a sós.

— Senhora, agora é aguardar o momento em que o Bispo estará pronto.
— Então é este o momento. Aretusa, certifique-se de que ninguém me verá.
— Não seria melhor que eu o chamasse até aqui, Senhora?
— Não.

caminhava pelo castelo, e embora devesse esconder o que estava prestes a fazer, a princesa arrastava silenciosa a longa cauda de seu vestido e mantinha sua face prepotente. Ela saiu pelo castelo altiva¹ e chegou ao jardim dos labirintos do palácio. E onde sempre se encontravam ocultamente por aqueles dez anos, desde que se conheceram, SeokJin a aguardava.

. Isto é perigoso.
— Tu não aprendeste novas palavras em todos estes anos?
— O que deu em vossa cabeça em armar algo assim, logo hoje? E próximo ao momento do seu casamento?
— Pare de agir como um covarde, SeokJin! Decida-se agora!
— Eu não impedirei o que vai acontecer, .
— Então, tu me obrigas a ocultar meus sentimentos pelo resto de nossas vidas?
— Sabes que não temos alternativas. Eu já traí a lealdade do meu reino há muito tempo. Qualquer passo fora disso, é uma condenação mortal para nós dois. E eu não suportarei vê-la perder a vossa cabeça por minha causa.
— SeokJin. Estou disposta a abandonar o reino para que fujamos.
— Não chegaríamos muito longe.
— NamJoon fez aquilo que você deveria ter feito há muitos anos.
— Não é momento de lamentarmos por nossos erros.
— E por perder tal momento, permaneceremos neles.
— Eu não posso aprovar o que fazemos, mas também não posso parar.

SeokJin puxou a futura rainha em seu vestido de noiva para junto de si.

— Estamos acordados: nada mudará.
— É melhor não transformarmos o castelo real, em um castelo de ruínas.
— Então manteremos isto como um castelo de cartas.

Os dois se beijaram e despediram-se. retornara ao seu cômodo principesco. Aretusa andava de um lado ao outro ansiosa. A princesa entrou novamente em seu cômodo, encontrando sua dama de companhia aliviada por vê-la.

— Quando o espetáculo estiver para começar, avise-me. Agora, deixe-me a sós.
— Senhora… Foi tudo bem?
— Não. SeokJin é mais leal a seu posto do que ao próprio sentimento.
— Lamento, senhora.
— Saia, Aretusa!

A mulher saiu, deixando a princesa a sós. Quando chegava ao caminho da cozinha, a abordara. Dissera-lhe saber do encontro da princesa com o cavaleiro, ela havia visto os dois saindo dos labirintos do jardim.

! Estás proibida de dizerdes qualquer coisa, sobre isso!
— Então responda-me, Aretusa: o que a rainha fora fazer com Sir. SeokJin nos jardins?
— De onde surgira esta petulância? Acaso esquecestes de onde vens? Tu és apenas uma reles serva real!
— Eu poderia ser dama da princesa, acaso ela soubesse que o segredo dela não é mais tão secreto, assim… Já pensaste? Uma reles serva dama da futura rainha?

Aretusa arregalou os olhos e encarou assustada . Ela seria capaz de uma rasteira daquelas? A serva saiu sorrindo petulante para a dama da rainha.
O bispo havia acabado suas orações e avisou a um dos funcionários reais que estaria a caminho. Logo, Aretusa fora informada e correu aos aposentos reais.
Enquanto Aretusa direcionava-se rapidamente à princesa em outros aposentos, a rainha Yang Mi conversava com seu filho sobre o futuro dos reinos.

— Senhora! - Aretusa adentrou ao quarto da princesa. Ela não mais estaria naqueles aposentos após seu casamento e por isso refletia cada lembrança vivida ali, quando sua serva lhe surgiu. Notou semblante pesado de Aretusa e preocupou-se com o que teria ocorrido:
— O que aconteceu?
— Senhora… O bispo já se encaminhou ao grande salão.
— Sei disso, afinal, não terias vindo caso não houvesse chegado o momento. O que lhe pergunto Aretusa é, qual seria a razão desta face preocupada?
— Senhora… . Ela os viu juntos nos jardins.
— Acaso ela lhes fez alguma ameaça?
— Sim, majestade.
— Certo. Não te preocupes, Aretusa. Ela não fará nada até ter a certeza das vantagens que poderá obter. Portanto, não atrapalhará a cerimônia. Lamento dizer que não sei se isto me felicita ou entristece.

Aretusa manteve-se calada. pôs-se a andar para fora do quarto e Aretusa, triste pelo futuro da sua senhora, recorreu à cauda do vestido, a fim de prepará-lo para a grande entrada. A rainha Yang Mi e YoonGi se abraçaram ao terminarem a conversa e saíram pelos corredores pomposos e medievais do castelo. Algum tempo após, os encontrou à porta de entrada do salão matrimonial. A rainha Yang Mi direcionou-se à outra porta e adentrou pondo-se ao seu lugar. Assim que ela acenou afirmativa aos guardas na entrada, os mesmos começaram a puxar as pesadas e grandiosas portas. A música começou e o casal de futuros reis desfilou pelo suntuoso corredor. Os principais cavaleiros dos dois reinos estendiam suas espadas sobre a cabeça dos reis, formando um corredor de honra. , ao passar por SeokJin, nem mesmo o olhou. E uma lágrima quente pode escorrer discreta pelo olho de ambos.


encontrava-se despertando de sua noite de núpcias. Olhou ao lado, e YoonGi dormia tranquilamente. Ele era um homem muito lindo, não poderia negar. E naquele momento, recordou-se da noite anterior:

— Finalmente… - disse YoonGi aproximando-se de sua rainha desnuda — Não vais dizer nada, minha rainha?
— Não é momento de conversas. É momento de atitudes. Espero que saiba o que fazer.
— Não se preocupe, meu amor, eu serei delicado com você…

E assim ele iniciou os beijos por toda a extensão do colo, pescoço e rosto de . YoonGi realmente fora delicado, mesmo após notar que não sentira dor. Ele conversaria sobre aquilo noutro momento. agarrava o lençol de forma desesperada, à medida que YoonGi a tomava como sua. Em seu coração, ela desejava se apaixonar por ele. Apenas para diminuir a dor que sentia por trair SeokJin daquela maneira.
levantou-se, depois de relembrar a noite passada e admirar a face de seu rei. Caminhou lentamente até a sacada do quarto real. Nunca estivera ali. E fora demasiadamente estranho deitar na cama que um dia fora de seus pais. Aqueles aposentos estavam impregnados do amor e paixão dos antecessores reis. E naquilo agarrava-se na esperança - como se fosse uma mágica - de que, ela e YoonGi seriam felizes e apaixonados também. Apenas por estarem naquele cômodo. Ela abraçou-se apertando o longo hobby de seda pura em seu corpo, ao sentir a gélida brisa da manhã. As planícies de todo o reino podiam ser vistas dali, de um modo muito mais encantador do que seu antigo quarto. Aquela sacada deixava-a com a sensação do poder que tinha em suas mãos. E jurou que aquele poder nunca estaria por completo nas mãos de seu esposo. Seria fácil, na concepção dela, fazer com que YoonGi respeitasse suas decisões: ele já houver aceitado abdicar de suas crenças religiosas orientais para desposá-la segundo os dogmas cristãos apostólicos.
Ouviu um pigarrear vindo de sua cama, mas não quisera olhar para trás e encarar seu marido. Justamente, por naquele momento, avistar SeokJin saindo das propriedades do castelo, a cavalo.
As mãos firmes de YoonGi enlaçaram sua cintura e os lábios macios e frios dele beijavam seu pescoço. Recebia os carinhos desejosos de seu marido, enquanto observava seu amor distanciar-se à montaria.

— Como passastes a noite, ? - YoonGi perguntou-a, mexendo nos cabelos dela ainda abraçados.
— Repousei-me como o esperado. E tu?
— Maravilhosamente. Embora tenha sido enganado…

soltou-se dele e virando-se, o encarou. YoonGi mantinha a séria expressão de quem aguardava uma resposta. Ela entrou para o cômodo sendo seguida por ele.

— Do que falas?
— Falo do lençol que não há manchas de uma mulher desvirginada.
— O que farás sobre isso?

tinha a impetuosidade - como dizia seu pai - como uma marca de coragem. Encarou sua cama, onde antes estiveram os dois, e fitou os lençóis sem a mancha de sangue. Desafiava YoonGi com face de escárnio. Como se zombasse dele, por tê-lo tirado o prazer de ser o primeiro. E de fato, ela zombava.

— Eu poderia definir seu fim.
— Claro, e com meu fim, perderias todo um reino que vossa mãe se esforçara tanto para conquistar. Faças isso, meu amor. Dê-me o presente de compartilhar do enlace ao meu pai.
— Desde o início, , eu soubera que estavas contra nosso matrimônio. Mas, quanto mais impávida tu mostrava-se, mais apaixonado eu me sentia. E sei que logo estarás apaixonada também.

arqueou uma das suas sobrancelhas.

— Como não se apaixonaria? - respondeu convencido o rei.

Os dois puseram-se a vestir para finalmente reinarem juntos no primeiro dia de casados. Naquela tarde, SeokJin retornara ao castelo, e recebera de YoonGi ordens de, na manhã seguinte, partir à Gangwon. Enquanto cavaleiro e rei discutiam a viagem, esperava . Havia ordenado para Aretusa que trouxesse a serva à sua presença.

— Rainha . - reverenciou .
— Qual será o vosso pedido, serva?
— Perdoe-me, rainha… Não compreendo do que…
— Não hajas como uma serpente venenosa a rondar sua presa, . Se consideras como tal, saiba que muito mais víbora pode ser vossa rainha.

aproximou-se incisiva e enquanto rodeava , que se mantinha em silêncio, ordenou-a:

— Sejas mulher o suficiente para ameaçar-me como fizeste com minha dama!
— Senhora…
— Tens duas escolhas, : ou morrerás hoje, ou poderei adiar este momento. Diga-me o que queres, e eu saberei a resposta.

engoliu a saliva de maneira nervosa.
Respirou fundo e encarou sua rainha nos olhos.

— Sei que a rainha mantém um caso adúltero com o cavaleiro…
— Eu perguntei o que queres, e não o que sabes. RESPONDA-ME!

respirava nervosa e já se arrependia por ter feito o que fez.

— Ameaças a rainha de dois reinos e mal sabes o que a exigir? - falou e gargalhou ao notar a serva assustada — Te darei uma última chance de falar. Cale-se e eu agirei como achar prudente.
— Eu quero ser dama real!
— Eu já tenho uma dama real. Da qual não troco, por motivos tão impertinentes como os vossos. Acaso achastes, realmente, que podes intimidar-me com tua chantagem?
— Senhora… Há também outra coisa. Além de ser uma nobre, desejo ser desposada por um cavaleiro.
— Um cavaleiro?
— Sir. Park Jimin.
— Ora, ora. De fato, quem nasceu para ser governado, nunca saberá empunhar um chicote… É só o que tens a pedir, serva?
— Sim. E minha liberdade.
— Afaste-se o quanto antes de meu castelo, de meu reino, leve consigo apenas o que tens. Saia o quanto antes de minhas posses, com vosso cavaleiro, vosso título de nobreza. E principalmente: com sua covardia.

pôs-se a correr para fora dos aposentos.
Aretusa, que estava ao lado da porta, encarou sua rainha com a mesma admiração que sempre tivera, porém maior pelo que acabara de ouvir. ordenou à Aretusa que se encarregasse da partida da serva. despediu-se chorosa de , Mirian e de Lucas - o rapaz de quem fora uma espécie de ama por tantos anos. O cavaleiro Jimin não entendia os motivos para receber ordens tão urgentes para que deixasse o reino. Ele acreditava que deveria levar a serva consigo para bem longe de Gangwon e de Amitísia.
montara no cavalo, atrás de Sir. Jimin e acenando chorosa para todos que deixou para trás, agarrava-se mais e mais à cintura de seu amado.
Quando cavalgaram entre os campos de girassóis, fazendo com que pétalas das flores levantassem sobre seus corpos e o crepúsculo alaranjado se punha diante de seus horizontes, sentira que seria muito feliz ao lado de Jimin, por onde quer que fossem e por todo o tempo.
Aretusa voltara para informar a rainha, de que partira.

— Fizeras tudo o que lhe ordenei, Aretusa?
— Sim, majestade.
— Ótimo. SeokJin partira?
— Ainda não, senhora. Creio que partirá pela manhã…

concordou e dispensou-a. Naquela noite, YoonGi adormecera cedo, não sem antes usufruir do corpo de sua esposa, novamente.

YoonGi após o jantar, deitou em sua cama nu, e puxou para si. Ele direcionou a boca de sua rainha em seu membro e pode sentir o prazer que a mulher lhe proporcionava. Ele desejava que ela se apaixonasse por ele, como ele era por ela, e por isso, de súbito afastou-a de seu corpo. Deitou sobre ela e sugou o clitóris de sua rainha, enquanto a invadia com dois dedos. Ela arfava incendiada, não era igual ao que sentia pelo outro, mas, YoonGi conseguira despertá-la uma paixão. Entregou-se a ele, de maneira menos defensiva.
aguardou o rei dormir, e o castelo silenciar-se em total breu. Ela vestiu seu hobby, e com uma pira de fogo em mãos, caminhou pela escuridão do castelo, até os jardins.
A lua brilhava e refletia-se no lago central dos jardins. O céu estrelado como poucas vezes a fizera sorrir. Sentiu o toque aveludado e tão conhecido de seu grande amor, e antes que pudesse ajudá-lo, SeokJin já a desnudava. Eles encostaram-se nos arbustos de hera que formavam as labirínticas paredes do jardim e beijavam-se com voracidade. SeokJin ergueu em sua cintura e de uma só vez a invadiu. Quanto mais empurrava os quadris dela contra os seus, a mulher jogava a cabeça para trás sorridente. Ele beijou-lhe o pescoço, sugou e apertou seus seios e mordeu o lóbulo de sua orelha. Sentiu o líquido quente escorrendo entre suas genitálias, e intensificaram os movimentos, sempre tão selvagens. O contrário de como era com YoonGi. Ela gemeu em seu ouvido e não mais puderam conter a velocidade e ardência de seus desejos.

— Estás cansada hoje, ?
— Não pude evitar YoonGi…
— Ele possuiu-te?
— Ele é meu marido.
— Diga-me, quem foste melhor para ti?

Os dois estavam encostados aos arbustos, acariciando-se e recuperando o fôlego.

— Não há dúvidas de que meu corpo só obedece aos vossos toques, meu amor.

SeokJin sorriu e beijou-lhe apaixonadamente. Afastou-se para encará-la e havia tristeza em seu olhar.

— Partirei amanhã, meu amor.
— Quando retornarás?

O silêncio entre os dois havia dado a resposta. Eles beijaram-se novamente e recomeçaram a se amar. Aquela era uma despedia. Não havia sinal de quando os jardins seriam cúmplices do amor daquele casal, de novo.


Três meses depois…

— Senhora?
— Oh sim, Aretusa. Entre. O que houve? - a dama da rainha adentrou ao salão real, onde rei estava ao seu lado.
— Encontraram o corpo do casal senhora… Foram atacados por ladrões, nas florestas de Yeongseo. O mensageiro acabara de chegar com as notícias.
— Que lástima! - dissera.
— Diga-o que entre, Aretusa! - YoonGi afirmou, levantando-se do trono.

O mensageiro trouxera as notícias.

— Majestades. Yeongseo prevê novo ataque. Não é sabido as razões pelas quais o cavaleiro encontrava-se sozinho com a dama, mas, suspeita-se de ataque de ladrões.
— Em Gangwon, como está a segurança do reino?
— Burburinhos de povos mongóis que pretendem invadir o reino. Sir SeokJin e NamJoon estão cuidando de tudo. É exigido a presença de um rei, ou encarregado para estar com eles.
— Sua mãe, YoonGi! É óbvio que num momento de possível guerra como esta, a rainha deverá estar lá para tomar decisões.

dissera irônica, e a mulher mais velha encarou-a com desprezo. Levantou-se dizendo:
— E eu irei! É o meu reino.
— A senhora está em idade de descansar, minha mãe.
— YoonGi! Sua esposa está certa. É meu dever estar lá, e você não pode deixar o reino de Amitísia nas mãos de uma rainha que se encontra num momento delicado, como o de .

As duas encararam-se desafiadoras e Yang Mi retirara-se para preparar a partida. YoonGi não conseguira rebatê-la. Ele nunca conseguia rebater a mãe.

— O cavaleiro morto… Quem era? - ele perguntara ao mensageiro.
— Sir. Park Jimin, e a antiga serva do palácio, .
— OH! - pusera a mão à boca, surpresa: — Que lástima! Eu havia concedido há pouco a liberdade de uma serva que tantos anos dedicara ao palácio…
— Tens certeza de que foram mortos? - YoonGi estava desolado e descrente.
— Sim, senhor, foram encontrados nus. E espadas, moldadas típicas de malfeitores, enfiadas nos corpos de ambos.
— Oh céus… Que assassinato horrível… - pusera a mão sobre o rosto em tristeza.
— Jimin era um dos meus mais honrados cavaleiros, deem a ele e vossa amada um digno enterro.
— Sim, majestade! Com licença.

YoonGi e permaneceram tristonhos e silenciosos no salão real.
Naquela noite, terminara de preparar o jantar e soubera da notícia. Fora informar Lucas do que ocorrera e seu filho desolado pela perda de sua amiga fugira do castelo. gritava-o na porta da cozinha, quanto TaeHyung surgira perguntando-a o que havia acontecido. Ao explicar-lhe, os dois puseram-se a buscar o adolescente. TaeHyung sabia exatamente onde encontrá-lo. Foram para os estábulos, e lá estava Lucas, abraçado a um cavalo chorando. Os dois entraram cautelosos e quando fizera menção de ir até o filho, TaeHyung segurou sua mão impedindo-a. Ele conversou com Lucas, o afagou a mágoa e logo o menino passara por sua mãe abraçando-a. Ele retornou ao castelo, deixando os mais velhos a sós. sentara-se sobre o feno que ali estava empilhado e pôs-se a chorar. TaeHyung viera consolá-la e a abraçou.

— Tens sido muito bom para meu filho e eu por todos estes anos, TaeHyung.
— Vós também o foram para mim.
— Jamais imaginei que Lucas poderia ter uma figura paterna tão presente, como tem por sua amizade.

TaeHyung sorriu e puxou para um beijo.
Um beijo que para ela fora uma grande surpresa. Em todos aqueles anos, nunca houveram trocado tantos carinhos como naquele momento. Rapidamente, a mulher deitou-se sob o cavaleiro. Entendendo aquilo como uma afirmativa, TaeHyung despiu-a e apressou-se em tomá-la como sua. Por todos aqueles anos aguardou aquele momento.


Altiva¹: De majestoso aspecto, soberba, que tem altivez.


House of Cards

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카드의 집


Seis meses depois…

— Majestade!

O mensageiro do rei adentrara ao salão apressado, chamando a atenção de Aretusa, e YoonGi.

— Majestade! - parou de correr parando à frente deles, os reverenciando — Gangwon está em guerra!

Os dois reis levantaram de seus tronos imediatamente.

— Descobrimos que Sir. Jimin trazia informações importantes ao reino, quando fora atacado! E tem mais majestade! Eles sobreviveram.
— Como? Se eu os ordenei que os enterrasse?
— Não encontramos os corpos majestade e procuramos. Catorze dias atrás a guerra fora iniciada, os mongóis invadiram Gangwon. A rainha Yang Mi não quis evitar o ataque.
— O que minha mãe está fazendo?
— Sir SeokJin avisou-a que o reino não estava preparado para um ataque, havia se reconstruído há pouco, mas a rainha decidiu medir forças. Duas semanas se fazem de batalha. E cinco dias atrás, nossos enviados encontraram Sir Jimin. Escondia-se numa província pequena de Yeongseo. também está viva e prestes a dar luz a um filho.

desmaiara, Aretusa assustada correu para socorrê-la, e pode notar suas vestes molhadas.

— Rei! A rainha está prestes a dar à luz!
— Aretusa! Cuide de , sim? Eu preciso reunir-me aos outros cavaleiros agora.

suava e gritava em seus aposentos reais, fazendo o que podia para dar à luz. As parteiras do reino auxiliavam-na junto à Aretusa.

— Vamos rainha! A senhora consegue!
— Are… Aretusa! Seok… - interrompeu sua fala por um longo grito.
— Força, majestade! Estamos quase lá! - uma das parteiras a estimulava.
— Rainha , concentre-se no herdeiro agora, sim? SeokJin ficará bem, ele é um dos melhores cavaleiros!

concordou com Aretusa e deu um longo grito.

Nas longínquas planícies de Yeongseo, Jimin auxiliava sua esposa no nascimento de seu filho. não estava bem, suava e estava fraca demais para dar a luz. Seus olhos foram escurecendo, mas, como num lampejo divino, escutou Jimin gritar-lhe que aguentasse firme. Reuniu suas poucas forças e respirou fundo. Um longo grito se fez ouvir.

— Parabéns, majestade! A senhora deu à luz a dois belos meninos!

Aretusa, emocionada, entregou um dos filhos de em seus braços. E a rainha chorava encarando seu bebê. As parteiras puseram-se a limpar tudo, e Aretusa dava banho na criança. abraçada ao filho, beijava-o. Logo Aretusa entregou-lhe o outro bebê nos braços, e fora então que viu a mancha de nascença na coxa do menino.

— Aretusa! Quem veio primeiro?

Aretusa fez sinal negativo com a cabeça, as parteiras olharam para a rainha e disseram:

— O menino com a mancha na perna, é o primeiro.
— É o herdeiro do trono, rainha.

As mulheres sorriram à rainha. E logo deixaram-na a sós.
Aretusa e trocaram um olhar cúmplice.
A rainha pôs-se a rir. Aretusa preparava os panos para limpar a rainha.

— Do que ri, minha rainha?
— Eu disse que não deixaria o reino na mão de YoonGi… - e sorria beijando seus dois filhos.

Aretusa não dissera nada, sorriu à rainha e auxiliou-a com os últimos cuidados.

— Uma menina! , tu me deste uma filha! Meu amor!

Jimin beijava a mulher, e entregara-lhe a filha. Ele não sabia exatamente como proceder após ter ajudado a dar à luz a sua filha, mas limpar o ambiente e preparar um banho para sua esposa lhe pareciam o mais certo. A cabana estava escura e iluminada pela fraca luz da lua e dos candeeiros espalhados.


Dois meses depois…


não conteve suas fortes e pesadas lágrimas. YoonGi estava muito feliz com seus filhos e com seu herdeiro Arthus, mas, naquele dia todo o reino estava em luto. A guerra trouxera muitos mortos, e ainda estava longe de cessar.
Sir Jimin recebera o pedido de YoonGi para que retornasse a Gangwon, mas ele decidira que viveria uma vida tranquila com e Ailee, sua garotinha. Sir. TaeHyung e estavam juntos desde que declararam seus sentimentos, e ela esperava um filho do cavaleiro. Lucas preparava-se para ser nomeado cavaleiro, pela Academia dos Cavaleiros de Amitísia. Sir. NamJoon enviara e seus filhos - Lee Hi, Rosalyn e Jong Shin - de volta à Amitísia para que ficassem seguros. Ele mesmo, só estava ali para a triste solenidade.
Os três cavaleiros carregavam o caixote com os pertences de seu companheiro mais amado, a bandeira da távola alçada à frente. O corpo de SeokJin não fora encontrado. A rainha negou-se a seguir o cortejo sendo carregada. Ela descera com suas vestes de luto e por mais que o choro fosse profundo sob o véu negro em seu rosto, não se escutara nenhum soluçar.
Seus dois filhos caminhavam à sua frente junto a ela. YoonGi, naquele momento entendera o que havia ocorrido entre SeokJin e , sem que ele nunca soubesse. E embora devesse sentir ódio, ele acompanhou a mulher no cortejo a pé. E admirou-se, pois se apaixonara ainda mais por ao descobrir que seu grande amor era SeokJin. Ele nunca tivera um terço das virtudes e da honra do cavaleiro. Descobrir a admiração de pelo cavaleiro, demonstrou-lhe a grande mulher que era ela. YoonGi não poderia culpar por amar um homem tão digno. YoonGi não poderia deixar de amar uma mulher que se apaixonara por SeokJin.




Fim



Nota da autora: Segundo ficstape da vida, primeiro de KPOP e estou muito ansiosa pra saber a sua opinião! Comenta aí, coisa linda da Ray! Foi um desafio escrever esta história, porque à medida que eu ia escrevendo, ela tornava-se ainda mais atraente e cheia de possibilidades. Nossa, quase virou uma long. Sofri para manter ela em 40 páginas apenas. MAS SAAAAIIIIUUUU!!!!!!! Muito obrigada por ler, e se você chegou até aqui, ME CONTA VAAAAI, ME CONTA O QUE ACHOU! Até a próxima ;)
PS: Cada capítulo é o nome de uma música que você pode escutar aqui na playlist do Spotify, viu? Beijos amorosos! <3

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Outras Fanfics
(Links na página de autora)
Até a data desta fanfic constam postadas:
Longfics
○ No Coração da Fazenda
○ Linger
○ Entre Lobos e Homens: Killiam Mark
○ Western Love
Shortfics
○ A garota da Jaqueta
○ All I Wanna Do
○ Cidade Vizinha
○ Coletâneas de Amor
○ Conversas de Varanda
○ Entre Lobos e Homens
○ Deixe-me Ir
○ F.R.I.E.N.D.S
○ Intro: Singularity
○ Mais Que Um Verão
○ Nothing Breaks Like a Heart
○ O cara do meu time
○ O modo mais insano de amar é saber esperar
○ O teu ciúme acabou com o nosso amor
○ Pretend
○ Semiapagados
○ With You
Music Video
○ MV: Drive
○ MV: Me Like Yuh
○ MV: You Know
○ MV: Take Me To Church
Ficstapes
○ Nick Jonas – Nick Jonas #086 – 07. Take Over
○ BTS – Young Forever #103 – 04. House Of Cards
○ Camp Rock 2: The Final Jam #125 – 09. Tear It Down
○ Descendants of the Sun #130 – 05. Once Again
○ Descendants of the Sun #130 – 06. Say It
○ Taemin – Move #148 – 02. Love
○ Paramore – Riot #160 – 09. We Are Broken




Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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