Finalizada em: 04/10/2020

Capítulo Único

― Filha de Dionísio? ― riu alto enquanto virava sua primeira dose de tequila da noite.
― Eu estou falando sério , eu posso te provar! ― Ele disse realmente sério o que fez a mulher rir ainda mais.
― Então, você está me dizendo que meu pai, que é o Deus Dionísio te mandou aqui para a Terra, há uma semana, para procurar a filha perdida dele? ― Ela não conseguia parar de rir e sua risada era tão contagiante que as pessoas ao redor estavam começando a prestar a atenção.
presta a atenção em mim, pelo amor de Zeus, por que a gente está nessa boate mesmo? ― Ele estava quase desistindo de contar para ela naquela noite. ― Eu sou , filho da grande amazona com um guerreiro muito conhecido, já ouviu falar de Teseu? E sou um guerreiro formidável lá no Olimpo…
― E veio para terra ser garçom? ― Ela perguntou irônica, enquanto tomava mais uma dose
― Eu precisava me aproximar de uma cantora, baladeira, de que outra forma você acha que eu deveria vir? ― Ele respondeu, se rendendo a uma dose da bebida que estava espalhada em pequenos copos de shot pela mesa a área que eles estavam sentados.
― Você sabe que isso não faz sentido, não sabe? ― Ela perguntou, dando um tapinha de leve no braço dele.
― Não é para fazer sentido , é a verdade. Seu pai, que é o Deus Dionísio me mandou para a terra, para encontrar a filha que ele teve com uma humana em uma das vezes que ele esteve por aqui. Ele só não me disse que você era cabeça dura assim. ― estava ficando sem paciência com a mulher. Quando aceitou a missão de levar a filha semideusa de Dioniso para o Olimpo, para que ela descobrisse quem realmente era, não pensou que iria, primeiro se apaixonar à primeira vista pela mulher e segundo que ela seria tão difícil de lidar.
― Então você quer dizer que, minha mãe, vem escondendo de mim há quase trinta anos a identidade do meu pai, por que ele é um deus mitológico? ― disse, um pouco mais séria, não era possível que aquele homem insistisse tanto naquela história sem pé e nem cabeça, aquele tempo todo, só para fazer graça com a cara dela.
― Eu não sei realmente o que aconteceu com eles, não sei se ela não sabe que ele era um Deus, se ela realmente omitiu essa informação, ou se ela achou melhor não te contar nada, já que aparentemente, você não iria acreditar. ― Ele pegou mais uma dose e engoliu tão rápido, que quase não sentiu o gosto amargo descer por sua garganta.
― Isso é a maior loucura que alguém já me disse para me levar para a cama, , eu tenho que admitir, tem sido divertido, mas já está ficando repetitivo, se a gente dormir junto, você para com isso? ― perguntou, virando mais uma dose da bebida e sentindo a batida da música a deixando inquieta, ela precisava ir até aquela pista de dança rebolar, até seus pés doerem.
― Primeiro, que eu não estou te falando isso para ir para a cama com você, é a verdade, por que você não pergunta para sua mãe? Seu pai disse que deixou um amuleto com ela quando foi embora, talvez ela ainda tenha. E segundo que, mesmo que a gente durma junto, o que eu adoraria por sinal, eu não pararia de te falar sobre isso, porque é realmente a verdade. ― Ele abriu um sorriso lindo.
não tinha como negar, era absurdamente lindo, era alto, ombros largos, uma boca e olhos de tirar o fôlego. E ela com a maior certeza do mundo se sentava naquele homem sem pensar duas vezes, mas não aguentava aquele papo. Desde que se conheceram em uma outra boate, alguns longos dias atrás, ele só falava naquele assunto, esperando que a mulher entendesse ou acreditasse. Nenhum dos dois sabia exatamente quando a aproximação começou, mas desde que se viram pela primeira vez, grudaram e passaram muito tempo juntos.
― Se eu prometer que vou até minha mãe, amanhã mesmo, você dança comigo, a próxima música? ― Ela fez um biquinho, já se levantando da cadeira e puxando ele pelo braço.
― Você sabe muito bem que eu não danço. ― Ele se rendeu a uma risada, enquanto se erguia também. ― Prometa que vamos amanhã até a cidade de sua mãe primeiro. ― disse parando firme no lugar.
― Prometo seu chato, sorte sua que é meu mês de férias, senão eu parava de falar com você.
E os dois seguiram para a pista de dança, dançava extremamente bem, tudo bem que treinar mais da metade da vida para ser uma artista de palco completa ajudava demais na hora de exercer a coreografia que acompanhava a melodia, mas o fato dela estar em absolutamente todas as festas que fosse capaz de ir, sem que o evento atrapalhasse sua carreira, é claro, ajudava muito, naquela cena, dela rebolando conforme a música e muitas vezes executando coreografias majestosamente. , só arriscava alguns passos, mas sempre que eles saiam juntos, o que aconteceu muito aquela semana, ele ficava observando toda paixão dela por aquele tipo de ambiente, não era atoa, ser filha de quem era.
No dia seguinte, depois de um café da manhã reforçado e muitas garrafas de água, estava parado com o carro que alugará para aquela ocasião, em frente ao prédio onde morava, esperando a mulher que já tinha confirmado estar pronta a pelo menos quinze minutos e nada.
― Isso mesmo . ― Ela dizia alto ao telefone, quando entrou no campo de visão de que só soube revirar os olhos. ― Eu estou indo até a Mamãe para saber se aquele maluco que eu conheci na boate está falando a verdade ou não. ― Jogou a mochila que estava pendurada em seu braço no banco de trás e se sentou no banco do carona. ― Ele é um cara legal, não se preocupa, só está com alguns problemas mentais, aposto como mamãe vai adorar conhecer ele. ― Conversando com o irmão mais novo, enquanto o amigo já dirigia para o endereço que ela tinha mandado para ele por mensagem. ― Se você quiser, pode vir com a gente e aí a gente aproveita e faz uma surpresa para ela. Não tem problema, espera aí.
parou no sinal vermelho no semáforo, e ficou prestando a atenção no que a mulher fazia, enquanto segurava o celular pendurado na orelha e tentava desengonçadamente pegar alguma coisa dentro da pochete que usava. Ele a observou anotar alguma coisa, mas não conseguiu identificar do que se tratava pois já estava dirigindo pelas ruas da cidade, em busca de encontrar a rodovia que dava acesso a cidade do interior do estado, em que a mãe de morava.
― Bonitão, você se incomoda de irmos buscar meu irmãozinho? ― perguntou, ainda com o telefone em mãos, mas tapando a entrada de som, para que não pudesse entender o que eles diziam.
― Claro que não, ele está muito longe daqui? ― perguntou abrindo um grande sorriso, realmente não se importava, queria finalmente conhecer o irmão que sempre ligava quando estava bêbada, só para dizer o quanto amava o rapaz, que sempre ria desesperadamente em resposta e mandava ela ir para casa.
― Ele está aqui perto, na casa da namorada. ― Ela respondeu, mudando momentaneamente a rota do GPS ― Continua em frente tá?
― A senhora quem manda, comandante. ― Ele respondeu prestando a atenção na estrada.
não percebeu quando ela desligou o telefone, ele só notou que ela tinha aumentado um pouco mais o som que já estava ligado antes e eles seguiram até o endereço que tinha passado para ela, realmente não era longe de onde estavam, o que facilitou, porque seria péssimo atravessar a cidade e depois voltar o caminho até a rodoviária. A cidade em que a Mãe dos morava não era muito, longe de onde eles moravam atualmente, então, chegariam com tranquilidade antes do anoitecer.
― É aqui! ― parou em frente a uma casa com uma fachada linda e um Jardim muito bem cuidado.
― Buzina aí. ― disse escrevendo alguma coisa em seu celular.
― Você sabe que é falta de educação buzinar, não sabe? ― perguntou, relaxando um pouco o corpo no banco.
― Sei sim, mas não estou nem aí. ― Ela se inclinou e apertou a buzina, pelo que, na percepção de , foi um minuto inteiro, sem parar.
― Tá bom . ― Ele disse, retirando a mão dela, delicadamente do volante.
― Só vai estar bom, quando aquele fedelho sair. ― Ela disse rindo, e tentando alcançar novamente o dispositivo da buzina. Sendo impedida por que colocou seu corpo na frente
Eles começaram a brincar de “lutinha” onde ela tentava por tudo acertar o botão e ele defendia o objeto com seu corpo, as risadas eram altas e eles estavam realmente se divertindo, era legal passarem um tempo juntos, ao qual não estivessem, bebendo, em um lugar público e cheio ou com mais alguma pessoa, observando e julgando qualquer ato que eles fizessem, de forma mais espontânea.
― Desculpa atrapalhar o casalzinho. ― disse alto de fora do carro, batendo no vidro do motorista, para que eles notassem a presença do mais novo ali
― Demorou pra caramba hein , estava fazendo o que? ― disse, assim que destravou as portas, para que entrasse.
― Acho melhor a gente ficar sem essa resposta, . ― disse, rindo e fazendo com que todos dentro do automóvel rissem também.
― Então você é o famoso, maluco que veio do céu? ― perguntou, rindo muito alto, enquanto voltava a dirigir.
― Eu não sou maluco, e não vim, exatamente do céu. ― riu confortável com o comentário, já estava acostumado com o humor ácido de , então já imaginava que o irmão mais novo seguiria a mesma linha.
― Sai daqui , só eu posso encher o saco do meu anão aqui. ― Ela disse, rindo também e bagunçando os fios dos cabelos do homem ao volante.
― Por Zeus, que estou mesmo indo passar o dia com três me atazanando. ― disse, aumentando levemente o som do carro
― Não nos culpe. ― começou a mexer no rádio para mudar de estação. ― Culpe ao grande deus Dionísio, que te mandou para terra. ― Ela riu, arrancando uma risada do irmão mais novo e do amigo, achando enfim uma boa estação.
― Tá bom, mas fala a verdade pra mim. ― disse depois de um longo tempo que o grupo estava em silêncio. ― Você acha mesmo que a vale todo esse esforço, inventar uma história, ser zoado por estranhos, levar ela e o irmão dela para outra cidade, e talvez escutar um sermão de dois dias de uma senhora, que vai mandar você orar, ao invés de vir com esse papo de Deuses gregos? ― O tom dele era amigável, ele realmente queria entender o que o mais alto tinha visto em sua irmã para o desenrolar de todo aquele plot bizarríssimo. era chata, desinteressada, mal humorada e grossa, ela realmente, na cabeça da irmã não valia aquela humilhação toda que o homem estava passando.
― Tá vendo? É absurdo demais pra não ser verdade . ― disse rindo, mas prestando a atenção na estrada. ― Se não fosse verdade, esse seria a pior tentativa do mundo de puxar assunto. Até pra mim, que já vi de tudo nessa vida. Claro, eu já disse pra ela, que dar umas bitoquinhas, não ia matar ninguém, mas esse não é meu foco principal. ― Ele disse descontraído. E ficou pensativo com aquele tom, achou realmente que o rapaz poderia estar por um segundo falando a verdade.
Eles seguiram o caminho, até a cidade em que a mais velha morava, em meio a conversas aleatórias e algumas ligações de para seu agente, conformando alguns pontos da volta e avisando sobre sua breve viagem, porque ele ia acabar sabendo pelos jornais ou revistas de fofoca em algum momento.
O cheiro do mar era tão presente, assim que eles entraram no bairro em que a casa que os cresceram ficava, que , conseguia sentir a água salgada em seus sentidos, era um sentimento maravilhoso, junto é claro com a sensação de vitória que já subia por sua garganta, a hora da verdade estava prestes a chegar.
― Senti falta dessa brisa. ― disse, colocando a mão, centímetros para fora da janela, enchendo os pulmões de ar.
― É uma sensação maravilhosa mesmo. ― disse, em um tom mais morno. ― Você deveria vir visitar a mamãe mais vezes, ela sente tanto sua falta. ― Ele finalizou desbloqueando o celular, provavelmente para mandar mensagem para a namorada.
― Acho que chegamos! ― disse, assim que pararam na frente de uma fachada toda colorida em verde, roxo e amarelo.
― Meu Deus, você que disse pra mamãe pintar a casa desse jeito né, ? ― disse rindo e saindo do carro.
― Lógico que foi, eu tenho muito bom gosto, e olha como a casa se destaca. ― Ele respondeu convencido.
― Tá, tá, pega minha bolsa aí. ― Ela disse, sem dar muita importância e entrando na casa com a cópia da chave, que tinha consigo.
― FOLGADA! ― gritou, levando suas coisas e as dela para dentro da casa, deixando para trás, que entrou logo em seguida.
O lugar era aconchegante, ele tinha que admitir, mas era uma bagunça de informações. Muitos quadros, plantas e cores espalhados por todos os lados, ficou momentaneamente perdido no lugar enquanto observava e absorvia tudo aquilo.
― Cadê aquele garoto? ― ouviu a voz de se aproximando e agradeceu aos deuses, porque estava quase fazendo o caminho de volta para o carro. ― Aí está você! ― Ela disse como se estivesse falando com uma criança pequena e o pegou pela mão, guiando até a parte de trás da casa, onde tinha algumas cadeiras de madeira e um jardim, muito bem cuidado.
― Ele mamãe. ― disse apontando para e rindo. ― O doido que nos trouxe até aqui só para dormir com .
― Não fale essas coisas na frente da Mamãe. ― desferiu um tapa no irmão que ficou esfregando o local com cara de pastel.
― Quem é esse rapaz bonito e que milagre ele fez, para que a desnaturada da minha filha viesse me visitar? ― A mãe dos foi gentil, limpando as mãos sujas de terra no avental e chegando mais perto de e .
, muito prazer, senhora . ― O rapaz pegou a mão da mais velha e deu um beijo leve.
― Que rapaz educado, já gostei dele. ― A mais velha disse, abrindo um sorriso lindo, igual aos que sempre dava.
― Educado ele é mesmo, mas é doidinho de pedra. ― voltou a se pronunciar, arrancando uma risada de , como se fosse uma piada interna dos dois.
― Eu não sou doido. ― protestou.
― Por que estão chamando esse rapaz tão bonito de doido? ― A matriarca perguntou, claramente não estava entendendo nada, desde o momento em que recebeu a ligação da filha mais velha dizendo que estava indo para lá, até aquele momento, com aquele belíssimo homem estranho, plantado em seu jardim de inverno.
― A senhora acredita que ele chegou dizendo que eu sou filha de um Deus Grego? ― disse descontraída, entrelaçando seu braço no de sua mãe.
― Eu posso explicar... ― começou a falar, quando viu a cor sumir do rosto da mais velha.
― Co...como você? O que? ― A mais velha não conseguia pronunciar uma frase completa, depois daquela informação.
― Mãe? ― perguntou, totalmente confusa com a reação da mãe, tudo que ela poderia ter entrado na onda, porque a mais velha vivia por pregar peças nos filhos, mas aquele semblante e palidez, estava demais, até mesmo para a ex-atriz
― Eu preciso me sentar! ― A mais velha disse entrando em sua própria casa sendo seguida pelos filhos.
não imaginava que aquela reação, nem por um segundo e ficou extremamente preocupado, porque, não queria em momento nenhum que a mais velha passasse mal daquela forma. Assim que ele entrou na casa, viu um copo com água em cima da mesa, a senhora sentada e os filhos, com cara de “ué” ao seu redor.
― Desculpe, senhora . Eu sou , filho de uma amazona incrível e Teseu, vim do Olimpo a pedido do Deus Dioniso para achar, a filha que ele teve com uma humana, quando esteve aqui, pela terra, e levá-la para lá, não sei qual o plano total dele, mas acredito, que em primeiro momento, seja somente para se encontrarem. ― disse pausadamente, para que a mulher assimilasse as informações e não voltasse a passar mal.
― Como ele sabe, sobre ? ― A mulher perguntou, visivelmente surpresa.
― Eu não tenho essa resposta, senhora, sinto muito. ― se curvou em desculpas, realmente não sabia metade da história, por trás daquela missão, só sabia que tinha que concluir com sucesso.
― Não é possível, quando ele foi embora, eu nem sabia que estava grávida. Ele me deixou esse colar. ― Ela puxou o abjeto dourado com um pingente de videira que estava pendurado em seu pescoço. , automaticamente olhou para , que entendeu, sabia que era daquele objeto que ele estava falando. ― Eu não acreditei quando ele disse que era um Deus. ― A mulher olhava incrédula para o objeto.
― Vocês humanos tem mesmo essa mania de não acreditar em coisas e pessoas vindas do Olimpo. ― disse rindo, mas não sendo seguido por ninguém.
Os estavam em um misto de choque e incredulidade, que ele nunca tinha visto antes.
― Mãe, como isso aconteceu, por que a senhora nunca me disse nada? ― perguntou, depois de um tempo em silêncio, digerindo toda aquela informação.
― Eu me apaixonei por seu pai em um festival de música, e isso óbvio você já sabia. Foi amor à primeira vista, e nós ficamos os quatro dias do festival juntos, transamos, que é como se concebem os bebês. No último dia, eu sabia, na verdade eu sentia que não viveríamos um amor eterno, e ele veio com um papo de voltar para o Olimpo e ser um Deus grego, então nos separamos, nunca mais ouvi falar dele, e acabei grávida de você. ― A mulher ajeitou a postura na cadeira. ― Nada muito uau, achei que eles eram algum tipo de lunático, andarilho e aceitei minha condição de casinho e mais nada, por isso nunca fui atrás dele, e nem incentivei para que fosse, imagina como eu iria te ajudar a achá-lo? “um homem lindo, porém, doido, que dizia que era um Deus” sem condições minha filha. ― Ela finalizou afagando os cabelos de .
― Isso é a maior loucura que eu já ouvi em toda a minha vida. ― disse assim que a mais velha parou de falar. ― Eu sou filho do papai mesmo, ou sei lá, a senhora saiu com o Batman ou o Aquaman? ― Ele perguntou em um tom ríspido, o que fez com que , quisesse momentaneamente dar um soco na cara dele, mas ao mesmo tempo entendia como ele poderia estar se sentindo, com toda aquela informação.
Assim que o irmão disse aquilo, saiu da casa com lágrimas nos olhos. Não conseguia acreditar no que acabara de ouvir, seus sentimentos estavam uma bagunça total, precisava urgentemente ficar sozinha, era muita informação em tão pouco tempo. Sabia da história de ser filha de quem era, mas em nenhum momento de toda sua existência, cogitou aquilo como verdade.
... ― chamou pela irmã, assim que a viu sair pela porta.
― Ela precisa de um tempo. ― A mais velha disse. ― E eu de um chá. ― Se levantou e foi até a cozinha. Deixando os dois rapazes sozinhos, no mesmo lugar.
Era estranho para pensar em toda aquela situação, mas ele imaginava para a irmã, como tudo aquilo devia estar sendo pesado. Ele mesmo não ficaria, como não estava, bem com tudo aquilo, nem podia imaginar a confusão mental em que a Irmã estava.
― Acho que você deveria ir atrás dela, daqui a pouco anoitece, e é frio a noite por aqui. ― disse para , entregando um agasalho da irmã, para o mais velho, depois de um longo tempo que a irmã tinha saído.
― Por que eu? ― Ele perguntou para o mais novo, com uma cara de confuso.
― A culpa é sua, oras. ― disse como se fosse óbvio. ― Você chegou na vida dela despejando a bomba, trouxe até aqui, e em votação onde eu votei e você não tem esse direito, você ganhou, então tchau, volte aqui com a minha irmã ou nem volte. ― Ele deu meia volta e subiu as escadas para o andar de cima, provavelmente para os quartos.
― Ela deve lá na praia, perto das rochas. ― A voz da mais velha invadiu o ambiente, atraindo a atenção de . ― Ela ia para lá quando estava chateada. ― Ela completou, jogando um saquinho de papel pardo, em sua direção. ― Dê esses bolinhos para ela, ela gosta. Não esquece de levar o casaco dela, ela saiu sem ele.
Assim que viu a mulher sair de volta para a cozinha, de onde ela estava desde a hora que foi fazer seu chá, se levantou derrotado, iria mesmo atrás de , talvez o que tinha dito, fazia algum sentido, a culpa era mesmo dele por toda aquela situação, ele queria de tentar pelo menos amenizar todo o caos. Acontece que ele não conhecia a região, mas não foi difícil avistar o grande paredão rochoso que ficava ao norte de toda aquela extensão de área e água. Aquela praia tinha uma vista linda. O mar era de um azul intenso e a areia mais escura, deixava de certa forma, o cenário mais dramático, talvez o fato de estarem em pleno outono, ajudasse naquela sensação. Mas seria o cenário perfeito para uma batalha, e fugas em alto mar.
Quando enfim chegou até o lugar, viu uma espécie de ponte feita toda de pedra e uma silhueta sentada em na ponta, teve que subir algumas pedras, para conseguir chegar até onde a mulher estava.
― Acho que vai chover. ― disse, se sentando ao lado dela, que olhava fixamente para o horizonte.
― O que você quer? ― perguntou sem humor.
― Trouxe bolinhos e um casaco, está esfriando. ― Ele esticou a peça grossa de roupa e o saquinho pardo, para a mulher, que não se moveu para pegar.
― Eu não quero comer e nem to com frio. ― Ela respondeu, depois de algum tempo, só disse aquilo também, porque sabia que, pelo tempo, o braço dele, poderia estar doendo.
― Sua mãe não vai me perdoar se você pegar um resfriado. ― Ele colocou o agasalho sobre as costas da mulher, que não protestou sobre aquilo.
― Minha mãe se importa comigo agora? Depois de deixar eu viver uma vida inteira de mentiras. Ela disse que meu pai era algum hippie qualquer, um cantorzinho, que não vingou, então eu virei cantora para poder ter alguma visibilidade e talvez meu pai me visse e a gente pudesse se conhecer. ― As lágrimas corriam livres no rosto dela. ― Eu cresci ouvindo todo tipo de teoria sobre o que poderia ter acontecido com meu pai, você entende isso ? Entende, que talvez ser cantora nem era o plano inicial do destino pra mim, mas a figura de um pai músico, fez com que eu nutrisse esse sentimento. ― O embargo na voz dela, fez o coração de se apertar, deveria ser uma situação péssima mesmo, mas drama familiar acontecia com as melhores famílias.
― Não a culpe, . ― perguntou uma das mãos da mais nova e sentiu que ela estava mentindo sobre não sentir frio, os dedos estavam começando a ficar roxo pelo vento gélido que batia ali. ― Quando nos conhecemos, você acreditou que eu tinha vindo do Olimpo? ― A questão dele era válida, , realmente não tinha pensado por aquele ângulo, na verdade não tinha pensado em nada direito, só sentiu uma mágoa dentro do peito. Ela só conseguiu responder um não, balançando a cabeça de forma negativa ― Então, eu acredito, que ela não tenha acreditado em nenhuma palavra de Dionísio e é totalmente, mesmo eu achando ridículo. ― Ele riu de forma espontânea. ― entendível que ela não tenha acreditado, ou contado a ninguém, quem acreditaria, você acreditaria sem provas? E que provas ela ia conseguir te dar se não um colar antigo com um pingente estranho?
― Você tem razão. ― disse se encolhendo no agasalho, ter molhado seu rosto com todas aquelas lágrimas, só a fez sentir o verdadeiro frio que estava naquela transição do dia para a noite.
― Vem aqui! ― levantou o braço, para que a mulher chegasse com o corpo mais perto do dele e assim ele conseguisse aquecê-la. Assim que se sentou encolhida ao seu lado, colocou o braço com seu casaco aberto, cobrindo as costas dela, com os dois. ― Não fique magoada com ela, ela te criou sozinha, bom, imagino que o pai do tenha ajudado, mas ela fez seu melhor. ― As palavras dele eram sinceras, assim como ela, o pai dele não tinha sido uma presença muito forte em sua vida, mas ele conseguia lidar com aquilo, as amazonas sempre deram o que ele precisou para crescer como pessoa e ele devia tudo a elas, então sabia valorizar todo o trabalho de uma mãe.
― Eu fui muito egoísta com ela, não fui? ― se encolheu ainda mais, naquele meio abraço que recebia de .
― Não foi não. ― Ele começou a fazer carinhos no braço dela, enquanto ela deitou a cabeça em seu ombro. ― Você foi dura, a gente tem que admitir, mas não foi egoísta, não disse metade das coisas que disse e sei que pensou aqui, então não
se preocupe, sua mãe te ama, você ama a sua família, essas coisas acontecem. ― Ele riu. ― Claro que nem todo mundo é filho de um Deus, mas coisas como essas acontecem.
se permitiu rir também, realmente, de suas experiências com a vida de seus amigos e das pessoas que conhecia, um drama familiar sempre fazia parte da vida de todo mundo.

― Como ele é? ― perguntou, depois que eles ficaram longos minutos naquela posição, já tinham comido metade dos bolinhos que o rapaz levou, em silêncio.
― Quem? ― estava tão envolvido nos sentimentos que estava tendo em ter a mulher tão perto e de forma tão íntima como estava, que esqueceu por um momento do que estavam fazendo ali.
― O Rei Arthur. ― disse rindo.
― Você é toda engraçadinha. ― fez uma careta bagunçando os cabelos dela de leve. ― Seu pai é bem legal até. Acho que você já ouviu falar dele pela mitologia e essas coisas, ele é basicamente o que se lê por aí, claro que ele trabalha bem mais na fertilização e multiplicação das colheitas, mas ele tem a parte festeiro. ― Ele tinha um tom sério o que deixou feliz, conseguia sentir verdade naquelas palavras.
― Você acha que nos daríamos bem? ― Ela continuou o mesmo tom curioso.
― Você é a personificação dele na terra, se não se derem bem, eu não sei quem mais no mundo se daria. ― Ele sorriu e ela olhou nos olhos dele. Estavam em uma conversa confortável, em uma posição confortável, com toques e tons confortáveis. Era incrível aquele mar de emoções e sensações em um único dia.
Eles não conseguiram sentir, quando, aquela conversa se transformou em vontade de beijar, mas ali estavam, um com a boca, grudada na boca do outro. A vontade foi mútua, os lábios se encaixavam perfeitamente bem, a forma doce e genuína como tudo aconteceu só deixou o momento mais sentimental.
Quando o ar se fez ausente dos pulmões, eles separaram os lábios, e continuaram, ali calados, juntos, aproveitando o momento, enquanto o céu ficava cada vez mais escuro e o vento mais frio.
― Esse mar é realmente lindo. ― disse, enquanto fazia carinhos no braço de , que se não fosse pelo frio que sentia, poderia bem estar dormindo.
― Ele é, e mais que isso, ele é um bom ouvinte também. ― Ela disse, ajeitando a postura e depositando um breve selar nos lábios do mais velho.
― Está pronta para irmos? ― Ele perguntou, vendo sair de seu abraço de se apertar mais em seu próprio agasalho.
― Estou, se não a gente congela. ― Ela riu, se levantando e estendendo a mão para auxiliar que riu com o gesto, a se levantar.
― Então vamos! ― Ele se levantou e pegou na mão da mais nova, então seguiram o caminho reverso ao que ele tinha feito mais cedo. Abraçados um ao outro, estava realmente muito frio.
Ao chegaram na casa da senhora , eles entraram juntos, e deram de cara com um , com roupas extremamente grossas, conversando sobre quando pediria a namorada em casamento, animado, e uma senhora , com roupas de frio também, olhando apaixonada para o filho e prestando a atenção em cada palavra que ele dizia. Tanto , quanto , perceberam que os outros dois, já tinham conversado sobre a situação e principalmente já tinham se entendido. O que foi um alívio, principalmente para , seu irmão, mesmo sendo um amor, tinha puxado o gênio forte do pai, e quando se magoava ou se sentia enganado, demorava muito tempo para aceitar, entender ou seja lá o que fosse preciso para voltar a ser quem era. Ela lembrava do dia em que tinha pisado sem querer no carrinho preferido dele e ele ficou mais de um mês sem falar, nem bom dia para ela. Claro que ele tinha melhorado muito, todos aqueles anos, mas ainda ficava extremamente chateado, e sabia que aquela situação poderia ser um gatilho grande.
Assim que eles avistaram o casal, ainda de mãos dadas, o papo findou e ficaram esperando qualquer ação de , quanto ao ocorrido.
― Mamãe... ― disse, se aproximando mais da mulher, que abriu os braços, para que a filha se acomodasse ali.
― Tudo bem meu amor, eu entendo que seja confuso! ― O tom maternal da mulher, fez com que se sentasse em seu colo e se aninhasse ali.
― Desculpa a minha reação, mãe! ― A mais nova disse.
― Está tudo bem, me desculpe por, de certa forma, esconder o passado de você ― Ela acariciava os cabelos gelados da filha. ― Vai tomar um banho, e aí conversamos durante o jantar se quiser. ― Disse ainda, no mesmo tom que usou na primeira fala que teve com a filha, naquele segundo momento. ― , você pode emprestar uma roupa para o ? ― A matriarca, direcionou os dizeres para o mais novo ali.
― Não precisa, eu já vou embora. ― disse, se curvando em agradecimento.
― Não vai não! ― A senhora disse mais autoritária. ― Está escuro e frio, e você não se alimentou direito!
― De verdade, não precisam se preocupar. ― Ele insistiu.
― O que tem de bonito, tem de teimoso. ― A mais velha bufou. ― Olha meu filho, tem uma cama de casal muito confortável lá no quarto dela que cabem os dois perfeitamente, não se preocupe, já trouxe vários namorados aqui, eu não ligo. ― Ela foi sincera e direta.
― Mamãe! ― repreendeu a mais velha.
― Não se faça de santa . ― Ela e riram da cara de pastel que a outra fez, com aquela resposta.
― Tem o sofá também. ― disse, depois que conseguiu parar de rir. ― Segundo melhor lugar da casa, em frente a lareira quentinha e longe dos roncos da minha irmãzona aqui. ― Ele deu um leve tapinha no ombro de , para mostrar que estava falando dela.
― Cala a sua boca, seu pirralho! ― , levantou-se do colo de sua mãe e deu um tapão na cabeça do mais novo. ― Você fica aqui essa noite e dorme na sala. ― Ela apontou para . ― Você vai arrumar roupas quentes e limpas pra ele. ― Apontou para . ― E a senhora. ― Ela se virou para sua mãe. ― Deixa de ser saidinha, minha senhora, e eu não somos namorados, pelo menos ainda. ― Ela finalizou os dizeres, rindo e saindo do cômodo, deixando os três meios desnorteados com aquela metralhadora de coisas.
Algum tempo depois, quando todos já estavam de banho tomado e barriga cheia, a senhora tinha contado com todos os detalhes possíveis o que tinha acontecido para , que já estava bem melhor, com tudo relacionado aquele assunto, graças a , e eles estavam arrumando o sofá para que o mais velho dormisse confortavelmente.
― Quando? ― disse assim que terminaram de esticar o lençol.
― O que? ― respondeu, colocando mais alguns pedaços de lenha na lareira.
― Quando vamos até meu pai? ― se deitou no sofá, olhando a forma em que o homem separava as madeiras e as colocava delicadamente no fogo já acesso para não apagar.
― Quando você quiser. ― Ele disse, guardando as coisas que não usou e se virando para ir lavar as mãos. ― Hey, esse lugar é meu. ― Riu olhando-a se esparramar ainda mais.
― Eu quero ir o mais cedo possível, porque quando eu voltar pros palcos, não vou ter tempo pra essa loucura. ― disse, puxando os cobertores que eles tinham levado para o cômodo, cobrindo seu corpo e ignorando a segunda coisa que o homem falou.
― Podemos ir amanhã mesmo se quiser, ou depois, pra você curtir mais a sua mãe, pareceu que vocês não se viam faz tempo. ― Ele se direcionou para a saída do cômodo para lavar as mãos. ― Quando eu voltar quero a senhora longe daí, mocinha. ― Ele saiu rindo até o outro cômodo.
Quando voltou, estava no mesmo lugar, mais escolhida no meio das cobertas e meio sonolenta, tinha sido um dia puxado, ele tinha que admitir, e ela parecia incrivelmente confortável, ele sabia que devia, mas não queria tirar ela dali, pensou em talvez quando ela adormecesse, levá-la para o andar de cima, para que o sofá-cama não a deixasse dolorida, ou até ele mesmo ir dormir em sua cama, para que ela relaxasse onde se sentisse mais confortável.

― Podemos ir amanhã sim, depois eu volto para cá e fico mais um tempinho com a mamãe, não sei quanto tempo esse encontro vai demorar. ― Ela disse com a voz mole de sono.
― Acho melhor a gente conversar sobre isso amanhã, daí podemos ir de tarde se quiser. ― Ele disse, colando mais uma camada de cobertor sobre o corpo dela, estava realmente uma noite muito fria.
― Concordo. ― Ela disse fechando os olhos. ― Você não vai se deitar? ― Perguntou, lutando contra o sono, quando o viu se sentar no chão perto da lareira.
― Não tenho certeza de onde vou dormir ainda. ― Ele disse rindo, seu corpo gritava com um lugar confortável para relaxar, assim como sua mente.
― Deita aqui, daqui a pouco eu vou pro meu quarto. ― O tom de voz lento de , era um sinal que ela não iria nem ter forças para ir pro quarto. ― Por favoooooooor. ― Ela pediu manhosa e , que também estava exausto, se deitou ao lado dela, com o pensamento de: Ir para o quarto dela assim que ela adormecesse, o que parecia que não iria demorar muito.

Assim que ele deitou, teve o corpo abraçado por , e sem perceber, ele também adormeceu, estavam realmente cansados, ele mesmo não tinha se recuperado da ressaca da noite anterior, e todos os eventos que aconteceram naquela noite, simplesmente drenaram o resto de energia que os corpos tinham. acordou, com o sol mesmo que gelado, brilhando em seu rosto, e a sensação, antes de abrir os olhos, de que estava sendo observado. Levou um susto, que fez seu corpo pular involuntariamente, acordando também , sem querer, quando abriu os olhos e viu, e a senhora parados, ambos com duas xícaras enormes nas mãos, encarando os dois.

― O que? ― disse desnorteada, esperando a alma voltar para o corpo.
― Me desculpe. ― disse, sentando-se no sofá.
― Não fizemos nada, podem, por favor, sair com essas caras de psicopatas daqui? ― disse para sua família, que soltava risadinhas sem falar nada.
― Já que as margaridas acordaram, vamos tomar café. ― A senhora disse, saindo da sala e indo até a cozinha, sendo seguida por que fez um sinal de “estar de olho” antes de deixá-los sozinhos novamente.
― Seja bem-vindo a casa dos . ― disse rindo, se levantando do sofá e indo até a direção do banheiro.

Depois que dobrou todos os lençóis, cobertores e colocou o sofá no lugar, ele foi até o banheiro fazer sua higiene matinal. Quando chegou até a cozinha, vou os três em uma conversa calorosa e barulhenta. Quando chegou naquela casa, no dia anterior, não conseguiria prever que eles emitiam tanta luz, como estavam fazendo naquele momento, era lindo.

― Vamos depois do almoço. ― disse para desviando da conversa, quando viu o rapaz parado na porta do cômodo. ― Já contei para eles e , vai ficar mais tempo com a mamãe também, então, não precisamos nos preocupar, vale por mil. ― Ela riu, levando um olhar de irritação do irmão. ― Veem comer logo, estamos te esperando e eu estou morrendo de fome.

O clima realmente parecia agradável e sentiu que todos estavam bem com a decisão de e ir até seu pai e saber quais eram os planos dele para ela, porque, se ele mandou alguém, até a terra atrás dela, algum propósito ele tinha. O homem estava feliz também, por aquela decisão, mas queria que ela a fizesse um pouco mais para o futuro, porque, quando acabasse sua missão, teria de voltar, e ele até gostava da vida antes de conhecer a terra e seus habitantes, mas depois de conhecer os e principalmente , a quem ele tinha certeza, que independente da proposta feita por Dionísio, voltaria para sua vida na terra, ele estava confuso e triste, por voltar. Estar apaixonado pela mulher era só uma das coisas que o ajudavam a se sentir assim. Mas sua missão era aquela, e ele teria de fazê-la, afinal, ainda era um servo dos deuses como se comprometeu a ser, desde quando se conhecia por gente.
As horas passaram muito rápido e lá estavam eles nas terras dos Deuses. é claro se encantou com absolutamente tudo, para era tudo bem normal, mas ele não podia julgar o deslumbre da mulher, ele ficou encantado com coisas na terra também, então...
Claro que ele não participou do grande encontro entre pai e filha, mas ficou o tempo todo perto de onde Dionísio morava para que, quando saísse, ele ajuda-se ela a, ou se adaptar, ou voltar para terra e nesse tempo, pensou, no que perderia se resolvesse viver na terra, mesmo se não fosse ao lado de , algo dentro dele tinha mudado quanto a relação com humanos, era uma decisão difícil.

― Entendo agora por que mamãe se apaixonou por ele. ― chegou perto dele, se sentando na mureta de pedra em que ele tinha acabado de se sentar, não faziam nem dez minutos.
― Olá. ― Ele disse olhando para ela e abrindo um grande sorriso.
― Oi. ― Ela respondeu batendo o pé de leve no dele. ― Obrigada por essa experiência. ― O sorriso que dava, poderia claramente iluminar o mundo e se ele não tivesse certeza de que era filha de Dionísio, poderia jurar que era de Apollo, só pela forma que brilhava como o sol, algumas vezes.
― Você parece feliz! ― disse, abrindo um sorriso genuíno.
― Foi uma experiência interessante, agora eu sei que minha “imunidade” ― Ela fez aspas com os dedos. ― a grandes quantidades de álcool ― E grande predisposição para festas e baladas, vem dele, assim como o grande interesse e paixão por coisas que entretenham e deixem as pessoas felizes e eu faço isso com a minha música, não faço? ― Encostou a cabeça no ombro do maior.
― Você é uma artista incrível. ― disse sincero. ― E sim essa sua vocação, não veio de um falso pai, que você sequer conheceu na sua vida. ― Respirou fundo, observando, como aquele horizonte era lindo. ― Toda sua força e poder no palco e com seu público, vem de seu pai de verdade e de dentro de você, nunca mais subestime ou diminua seu dom por ninguém, combinado?
― Combinado! ― Ela estendeu o dedinho mindinho para que ele entrelaçasse com o dele.
― Então vai voltar para a terra? ― Ele perguntou assim que as mãos se soltaram.
― Meu lugar não é aqui, apesar de lindo, eu amo minha vida, como ela é. ― levantou a cabeça e se virou olhando bem nos olhos do mais velho.
― Que bom. ― disse olhando também nos olhos dela.
Como um imã, os lábios deles se uniram e eles se beijaram, um beijo parecido ao que deram, na praia, mas esse era mais melancólico e mais intenso, como se fosse a última vez, que aqueles lábios se uniriam.

― Isso foi um adeus? ― perguntou, assim que os lábios se separaram.
― Eu espero que não. ― Ele abriu um sorriso, pegando na mão dela. ― Está pronta para voltarmos? ― Perguntou, se preparando para levantar-se.
― Você vai voltar para terra, por minha causa? ― Ela perguntou chocada.
― Convencida demais essa filha de Dionísio mesmo viu. ― Ele riu, bagunçando os cabelos dela com a mão livre. ― Não só por sua causa, na verdade. ― Eles seguiram o caminho que pegaram para chegar ali. ― Quero tentar coisas novas.
― Espero que eu esteja inclusa nessas coisas novas. ― disse abrindo um grande sorriso, aquele que ele jurava poder iluminar o mundo todo.


Fim



Nota da autora: Oi, resolvi colocar mais essa na minha conta oficial, porque tinha escrito com pseudônimo para testa uma coisa e acabei flopando com isso também, então eu mudei e eu sou perdida de amor por essa história é engraçada e dramática na medida certa e eu quero fazer uma continuação dessa coisa linda, por isso assumi também hahahahaha. Eu amei esceever isso e espero que tenham gostado de ler também.
ps: Se quiser conhecer mais fanfics minhas vou deixar aqui embaixo minha página de autora no site e as minhas redes sociais, estou sempre interagindo por lá e você também consegue acesso a toda a minha lista de histórias atualizada clicando AQUI.
AH NÃO DEIXEM DE COMENTAR, ISSO É MUITO IMPORTANTE PARA SABERMOS SE ESTAMOS INDO PELO CAMINHO CERTO NESSA ESTRADA, AFINAL O PÚBLICO É NOSSO MAIOR INCENTIVO. MAIS UMA VEZ OBRIGADA POR LEREM, EU AMO VOCÊS. BEIJOS DA TIA JINIE.   



 

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