07. Greedy



Última atualização: 31/08/2017



olhou seu celular mais uma vez, vendo sua mensagem com o sinal azul ao lado, confirmando que, além de entregue, tinha sido visualizada, mas a resposta ainda não tinha vindo. tinha saído do whatsapp dois minutos depois de verificar as mensagens que ele tinha enviado, e fazia quase três horas que não tornava a olhar o aplicativo, aquele poderia ser algum recorde da mulher, porque ele sabia que ela sempre dava um jeito de ver as mensagens dos vários grupos que tinha, ou conversas individuais. Mas não naquele dia.

Suspirou frustrado, jogando o aparelho ao lado da cama, cruzando os braços atrás da cabeça e encarando o teto branco do hotel em que estava hospedado, junto com o restante do time. Seu companheiro de quarto, , parecia distraído demais assistindo alguma série na Netflix, pra notar o leve desespero do amigo. só queria uma resposta, de preferência uma positiva.

Conhecia a mulher há quase doze meses, desde que tinha se mudado para o time, após um dos titulares ter uma lesão séria que o tiraria de campo por mais de três meses. Para ele, foi uma grande conquista, ser titular em um time que tinha tudo para crescer e conquistar muito naquele ano, era um time jovem, porém unido e focado em seus objetivos nos campeonatos que disputavam. Não tinha sido exatamente fácil deixar sua cidade natal para mudar-se para a capital de outro estado, mas com certeza tinha valido à pena.
Fez amizades que tinha certeza que levaria para o resto da vida, a torcida o adorava, estava ganhando cada vez mais reconhecimento, o time já tentava firmar contrato para a próxima temporada, e, de quebra, tinha conhecido .
era uma fã assídua do time, do tipo que estava em todos os jogos, fizesse sol, chuva ou nevasse. Era o tipo de fã que os jogadores gostavam, pois sempre incentivava, mesmo quando sabia que eles tinham ido mal, principalmente nesses dias. Ela trabalhava na área de Comunicação e Marketing do time, além de estar envolvida nos projetos com os sócios do clube, e volta e meia aparecia no centro de treinamento.
A conheceu em seu primeiro dia no time, pouco depois de ter assinado contrato; ela foi uma das responsáveis por uma entrevista rápida que ele tinha dado na sala de imprensa da equipe, antes da notícia de sua contratação rodar em todas as mídias sociais do clube, e para os jornalistas.
Num primeiro momento ele apenas a achou muito simpática e muito receptiva, assim como todos que conheceu no CT. Conversaram por alguns minutos e logo ela tinha saído, enquanto ele participava do primeiro treino com os novos companheiros.
Ao longo dos dias sempre que estava por lá, estava conversando com , quando os jogadores não estavam treinando, foi quando descobriu que os dois eram bons amigos, visto que a mulher era melhor amiga da esposa do zagueiro.
demorou mais algum tempo para realmente notar a mulher que tinha por ali.
Engraçada, simpática, um tanto convencida e bastante profissional, ela sabia separar bem as brincadeiras com os jogadores de seu trabalho. Às vezes almoçava no refeitório junto com todos eles, embora sentasse na mesa ao lado do pessoal do administrativo.
Tinha a mesma faixa etária deles, e às vezes os acompanhava em festas ou jantares, principalmente quando as esposas e namoradas dos jogadores acompanhavam.
Até onde sabia, ela nunca tinha se envolvido com ninguém do grupo, por prezar demais seu trabalho, e por a grande maioria dali ser comprometida, não que fosse um empecilho para boa parte deles. Mais de uma vez tinha escutado os amigos falarem sobre a mulher, e de como queria sair pelo menos uma vez com ela, apenas para saberem como era.
que a conhecia melhor, sempre dizia que eles não teriam chances; primeiro porque ela não sairia com caras comprometidos, e segundo porque nenhum deles fazia o tipo da amiga.
Com isso em mente, raramente olhava duas vezes para ela, pelo menos não com outros olhos, tinham uma boa amizade e conversavam sobre diversos assuntos, incluindo encontros que tinham dado errado, ou muito certo.
sabia que ela não era de se envolver, que gostava de sua independência e raramente saía mais do que duas ou três vezes com o mesmo cara. Sempre achava algo que a incomodava, algo que a irritava.
Eu só não acho que sou do tipo que vai casar e ter uma família feliz. Falava quando alguém abordava algum assunto sobre relacionamentos. Dizia gostar de ter encontros casuais e não dever nada a ninguém, , no fundo, sabia que parte disso era por um relacionamento desastroso que tinha tido anos antes, o qual o contou; algo sobre o cara que ela namorava ter uma noiva em outra cidade.
Além de não ter esquecido, também não tinha superado, mal gostava de lembrar-se do tempo que tinha passado com o cara, e de como tinha sido burra por não ter percebido antes, mas não era sua culpa, tinha confiado na pessoa errada.
Infelizmente para , esse foi um dos problemas que veio a atrapalhar seu relacionamento com ela.

Tinha acabado de sair do vestiário do time, os cabelos molhados do banho recém-tomado, usava o agasalho com o emblema e as cores do clube, quando encontrou saindo da sala de imprensa, enquanto a coletiva ainda acontecia com o técnico e outro jogador;
- Hey, parabéns! - elogiou assim que o viu, sorrindo animadamente.
abriu um sorriso grande, abraçando-a e rodando-a por breves segundos, tirando-a do chão. Escutou a risada calorosa dela próxima ao seu ouvido, enquanto abraçava-o pelo pescoço. - Quem diria que você seria uma contratação tão boa, ein? - brincou assim que se soltaram.
O jogador cruzou os braços, a sobrancelha arqueada;
- Pensei que você tinha dito que sabia desde o começo que eu era ótimo!
- Querido, eu digo isso pra todo mundo! - piscou, gargalhando ao notar a cara emburrada dele. - Mas, se serve para alguma coisa, eu sempre confiei que você teria futuro aqui!
Ele rolou os olhos, embora um sorriso de lado estivesse preso em seus lábios finos.
- Muito bem, o que acha de ir comemorar conosco? Estamos só esperando a liberação do presidente!
franziu o cenho, suspirando com pesar.
- Tenho que terminar algumas coisas para amanhã cedo, acho que não vai ser uma boa ir beber com vocês.
- Qual éeee! - falou arrastado, colocando as mãos em seu ombro, chacoalhando-a de leve - Estamos há cinco jogos sem perder e, o mais importante, em primeiro lugar! Vamos comemorar! Pelo menos uma cerveja, depois eu te deixo em casa!
- Dá última vez que você falou isso, acabamos os dois dormindo no banco de trás do carro do !
- A culpa não foi minha! - negou, quase ofendido - Eu achei que você seria a motorista da rodada!
- Como eu seria, se foi você quem disse que estava indo me buscar?
- Exatamente, eu falei que iria te buscar, nunca disse que te levaria para casa!
Se encararam por alguns segundos, rolando os olhos e rindo ao mesmo tempo, com a discussão boba.
- Vamos lá, eu pego um Uber e vamos os dois, pode ser?
pensou por alguns instantes, olhando seu relógio de pulso, antes de dar de ombros e concordar com um aceno;
- Uma cerveja!

e , nenhum deles sabia exatamente como tinha acontecido, mas depois de sete ou oito cervejas, e algumas outras misturas, estavam os dois rindo, sentados no sofá escuro do camarote da casa de show, enquanto os demais amigos estavam dançando ou bebendo em algum canto, ou ainda, em alguns casos, procurando uma companhia para o resto da noite. Entre uma risada e outra do casal, em meio à várias histórias que contavam rindo, mesmo as que eram sobre alguma coisa triste do passado, o jogador então ergueu a mão, falando a primeira coisa que lhe veio à mente, depois de sorrir junto ao ver a risada contagiante da mulher;
- Tenho uma confissão!
- E qual seria? - questionou interessada.
- Fiquei um bom tempo querendo te dar uns beijos. Acho que ainda quero.
riu, balançando a cabeça, achando que era brincadeira, mas ao ver a expressão séria do homem, parou o encarando.
- É sério?
- Sim. Nunca percebeu? Na verdade, acho que quase todo mundo do time já pensou em sair com você, sempre diz que não tem qualquer chances disso acontecer. - deu de ombros, o sorriso bobo em seus lábios, antes de levar o copo à boca e virar o restante de sua cerveja.
- Ok, tenho uma confissão também. - ergueu a mão, o imitando. Ajeitou-se no sofá, fingindo uma pose séria. - Eu já pensei em sair com você, aliás, pedi para perguntar ao se ele sabia se você era solteiro, nunca consegui minha resposta. - rolou os olhos, entediada.
abriu o sorriso, inclinando-se para frente;
- Imagino que depois de dois meses, você já saiba, não?
- Tenho uma leve desconfiança.
O jogador aproximou-se da mulher, encarando-a por longos segundos;
- Parece que temos duas opções aqui: - começou, passando a língua pelos lábios - podemos aproveitar a informação que nós dois queríamos sair um com o outro, ou podemos fingir que não tivemos essa conversa, e continuar bebendo. O que vai ser?
Ela suspirou, olhando para a boca entreaberta do jogador, os braços marcados na camiseta que ele usava, o jeito despojado que vestia-se, e então olhou-o nos olhos, inclinando a cabeça para o lado;
- Isso - apontou para os dois -, não vai atrapalhar nada no time, não é?
- Ninguém precisa saber.
concordou com um aceno, antes de aproveitar a proximidade que estavam, para puxar-lhe pela camisa, grudando os lábios nos dele.

I know that I'm coming tonight
You know I'm coming tonight
Sendo sincero consigo mesmo, o jogador continuava sem saber como exatamente tinham chego no apartamento da mulher, não lembrava-se do momento que tinha pedido um táxi, nem como entraram do prédio. Lembrava-se muito bem da dor de cabeça, resultado da ressaca, no dia seguinte, quando acordou com os poucos raios de sol em sua cara, por causa da persiana aberta. Também lembrava-se vividamente de virar para o lado, ao estranhar o lugar em que estava, e encontrar , nua, dormindo pesadamente.
Não admitiria aquilo para ela, mas xingou-se muito por ter bebido à ponto de não saber como tinha sido a primeira transa dos dois. Era algo que ele gostaria de lembrar-se tão bem, quanto a cara assustada dela ao acordar e vê-lo deitado em sua cama, completamente pelado.
Passado um longo momento de constrangimento, resolveram agir como se nada tivesse acontecido, e apenas continuar com a amizade boa que tinham até então, além, é claro, de combinarem de não contar aquilo para ninguém.
Passados alguns dias, quando as coisas estava voltando ao normal entre eles, novamente focado nos jogos, e em seu trabalho, acabaram novamente sozinhos, desta vez no carro do jogador; a mulher estava sem carro e precisava ir até o CT, pegando um táxi de sua casa até o local, o que saiu extremamente caro. Para voltar, deixou saber de seu problema, na esperança que ele comentasse com algum dos jogadores e alguma alma caridosa se sensibilizasse o suficiente para lhe dar uma carona, já que seu melhor amigo estava saindo para viajar com a esposa, para aproveitarem os dois dias de folga que tinham recebido.
Por saber que os dois moravam relativamente perto, sua primeira e única opção foi , que aceitou sem problemas dar a carona, achando que seria suspeito negar, já que à vista de todos, ele e eram apenas bons amigos que nunca tinham transado.
Passaram bons quarenta minutos presos no trânsito, devido à chuva forte que caiu, molhados, pela pequena corrida em direção ao carro, e com frio. Tentando ignorar tudo isso, passaram o tempo todo conversando, ou cantando alguma música que tocava na rádio.
Foi tudo bem, até chegarem novamente no prédio da mulher e ela, por educação mais do que qualquer outra coisa, perguntar se ele queria subir e pedir algo para comerem. , morrendo de fomo como estava, não pensou duas vezes antes de aceitar. Nem mesmo pensando em como talvez as coisas ficassem estranhas entre eles.
Emprestou uma camisa do irmão de quando ela o ofereceu, para que não ficasse molhado por mais tempo que o necessário. Escolheram uma pizza, após ela prometer que não contaria ao técnico sobre aquilo, e colocaram um filme para assistir enquanto esperavam o motoboy.
aproveitou quando a luz do prédio acabou, para fazer algo que estava pensando desde o dia que tinha deixado aquele apartamento, quase quinze dias antes; ele a beijou com vontade, e foi correspondido da mesma forma.
Sóbrios, notaram que o beijo era ainda melhor do que pensavam que tinha sido, e não demorou muito para acabarem sem roupa na sala, transando no sofá.
Sem poderem culpar a bebida, embora nem mesmo tivessem considerado essa opção, o jogador acabou por dormir no apartamento dela aquela noite, e o dia de folga passaram no quarto dela, antes dele precisar ir embora.

Tinha sido quase um acordo silencioso continuarem saindo, encontros casuais, nada sério. Não deviam nada ao outro, podiam sair com outras pessoas se quisessem, mas não achavam necessário, o sexo casual era tudo o que precisavam naquele momento. E o que deveria ser temporário, acabou durante bons oito meses.
Não precisavam de muito, não era um casal, passavam algumas horas por semana juntos, conversavam, e estava tudo bem. Conversavam sobre várias coisas, mas não discutiam o relacionamento, porque como ela vez ou outra comentava, quase como se quisesse relembrá-lo, eles não tinham um relacionamento sério.
Era casual, era apenas sexo.
Podiam terminar a qualquer momento, talvez ele encontrasse outra pessoa, talvez fosse ela quem lhe diria que estava tudo acabado.
No fundo ele esperava que isso não acontecesse.
Depois de tanto tempo naquela situação, viu-se desesperado por um bom conselho, e quando viu entrar no vestiário, para trocar sua roupa de treino, puxou-o para o canto, o tom de voz desesperado, mesmo sussurrando, para não correr o risco de nenhum outro companheiro escutá-los;
- O que aconteceu? - o zagueiro perguntou assustado com a ação repentina do amigo.
- . A gente transou. Estamos saindo, eu não sei o que fazer.
esperou que o zagueiro parecesse chocado, talvez que risse, achando aquilo impossível, mas, para sua total surpresa, apenas cruzou os braços, parecendo entediado;
- Eu não acredito que você demorou tanto tempo pra me contar, eu esperava mais de você.
- Você sabia?!
- Não me diga que vocês dois acham que estão sendo discretos? - questionou rindo. - Pode ser coincidência chegarem juntos um dia, mas três na mesma semana… - negou com a cabeça, rindo baixo.
O jogador suspirou, passando a mão pelos cabelos curtos.
- Todo mundo sabe?
- Provavelmente não, porque ninguém parece reparar muito nas coisas, talvez mais um ou dois… - deu de ombros, vendo-o sentar no banco, enndo-se no armário. - Qual o problema? Você quer terminar?
- Deus, não! - negou rapidamente, parecendo assustado - Esse é exatamente o problema. Eu sei que ela não quer nada sério, ontem eu ouvi uma conversa dela, sem querer, claro, - adiantou-se, apenas rolou os olhos - acho que era com a , ela falava sobre querer terminar. Ela quer terminar comigo!
- Ela disse isso? - perguntou curioso, sentando-se ao seu lado.
- Não exatamente, mas, bem… Ela tá sempre dizendo que não temos nada certo, eu até concordo, concordava…
- Mas agora você quer o que? Apresentar a pra sua família?
- Talvez. Eu não sei, só não gosto de deixar tudo no escuro, sabe? Sem saber se amanhã eu ainda vou poder aparecer de surpresa na casa dela e ela vai estar sozinha, ou vai ter algum cara lá.
- Hm, pelo o que a disse, ela não parece estar saindo com ninguém, além de você, é claro.
- A também sabe?
- Foi ela quem me fez perceber as coisas. Disse que a estava agindo estranho e não queria dizer com quem estava saindo, depois foi ligar dois mais dois e ver vocês chegando juntos.
- E o que eu faço?
- Você pode tentar falar com ela, mas, sinceramente? Eu acho que se ela também quisesse algo, você já saberia.
- Ás vezes eu acho que sim, porque ela faz essas coisas pequenas, sabe? Mas sempre que eu tenho essa impressão, no instante seguinte ela parece distante e fica dias sem me responder...
- Que coisas?
- Ah, você sabe… Coisas fofas, esses dias fomos jantar, e ela saiu do carro pegando na minha mão, mas quando saímos do restaurante, ela mal falou comigo. Eu fiquei horas pensando que tinha feito algo errado, quando mandei mensagem perguntando ela falou que não era nada demais, e até me mandou um emoticon de coração. Outro dia postou uma foto no Instagram…
- Eu vi essa, mas não achei nada demais, a legenda pareceu bem normal, igual as que ela posta quando tira foto com qualquer pessoa…
- Exato! Ela posta uma foto nossa abraçados, mas a legenda é vaga. Eu tinha postado uma nossa, só com um emoticon sorrindo, e ela curtiu, porém, dez segundos depois pediu para eu apagar. Tipo? Essa mulher é louca.
- é o maior exemplo de leonina que eu conheço; ela gosta de atenção, gosta que demonstrem que se importam com ela, mas é orgulhosa demais para fazer o mesmo. Eu demorei muitos anos para entendê-la certo, às vezes eu achava que ela me odiava, mas era só o jeito dela.
- Mas hoje em dia vocês parassem quase irmãos!
- Sim, - concordou levantando-se para pegar suas coisas - foram anos de amizade, muito tempo até chegar nesse nível. Hoje em dia ela é uma das pessoas mais carinhosas que eu conheço, mas a pode ser muito distante. Nem sempre é por mal.
- Você acha que ela quer me afastar?
- Talvez, - deu de ombros - talvez não. Acho que se fosse essa a intenção ela já teria dito. Ela pode ser muito direta quando quer.
- Eu fico pensando, se ela quer terminar, mas não sabe como dizer, entende?
o encarou por vários segundos, em silêncio, o cenho franzido, como se o estudasse em silêncio;
- Você falou que é apaixonado por ela!
- Eu não disse isso! - levantou-se apressado - Não desse jeito, eu disse que gostava dela, do que a gente tinha, é diferente.
- Meu deus, ! é louca, ela quer que as pessoas gostem dela, mas ela não gosta que as pessoas digam isso. Ela vê por detalhes, não por palavras. É por isso que ela está te evitando, você a assustou!
- O que? Como eu ia saber?!
- Você a conhece há quase um ano, como você não percebeu? Ela não sabe lidar com essas coisas. Eu tenho certeza que ela deve estar surtando essa hora, pesando todos os prós e contras de estar saindo com você.
O jogador o encarou por incontáveis minutos, seu cérebro tentando pensar em uma solução. Queria sair dali, pegar um avião de volta para a cidade, encontrar com a mulher, tentar explicar-se, mas ainda tinha um jogo para disputar no dia seguinte, o último da temporada.

I don't need a phone call
Got nothing to say
I'ma tell you when it's over

levantou-se, andando até o banheiro, o colega de quarto o olhou, sorrindo sem graça, como se quisesse passar algum conforto, dar algum consolo.
Precisava de um banho para espairecer; não bastava terem perdido o jogo e a chance do título rodadas antes, e só conseguirem, com muito custo, garantir uma vaga no torneio intercontinental da próxima temporada, seu relacionamento também estava uma confusão maior do que quando começou.
Tinha tentado ligar para ela antes do jogo, mas não teve resposta, ao final da partida, após um empate em 2x2, assim que saiu do vestiário, pegou seu celular e ligou novamente para , deixando um recado enorme em sua caixa de mensagem.
Era quase uma certeza de que quando voltasse para casa, ele não a veria mais, não da forma que gostaria. Tinha sim se declarado, mesmo com dizendo que aquilo não era uma tentativa de se explicar e voltar ao que eram, e sim mais um motivo para fazê-la terminar com ele; não sabe lidar com essas coisas!
não sabia lidar com relacionamentos, também não era a melhor das pessoas nesse quesito, mas ele queria tentar. Esperava que ela também quisesse, mas sua falta de resposta era bem clara; não, ela não queria.

Boy, you give me feelings, never felt before
I'm making it obvious by knocking at your door

ouviu a campainha tocar, fechando a geladeira antes de andar até a sala.
A campainha tocou novamente, duas vezes, e ele soprou o ar, estressado.
Quando tocaram pela quarta vez, abriu a porta repentinamente, pronto para xingar quem quer que fosse, mas o palavrão ficou a meio caminho, quando focou o olhar em quem estava parada o encarando;
- Oi.
- Oi? - cumprimentou surpreso, depois de quase três semanas sem vê-la, não demorando a dar espaço para que ela entrasse. - Aconteceu alguma coisa?
respirou fundo, fechando os olhos por alguns segundos.
Tinha pensado e repensado tudo o que queria dizer, sentia que precisava, pela primeira vez em muitos anos, ser sincera, não só com , mas com ela mesma.
Virou-se para o jogador, parado ao seu lado, o cenho franzido em confusão.
Ao olhar para ele, reparar bem em seu rosto com a barba por fazer e os cabelos alguns centímetros mais compridos desde a última vez que tinha o visto, notou a falta que tinha sentido dele. Não era uma falta apenas física.
- Eu sinto muito. - sussurrou encarando-o, sentindo lágrimas preencherem seus olhos, por mais que tentasse evitá-las. Odiava chorar quando ficava nervosa, mas nunca conseguia evitar.
O jogador suspirou, passando a mão pelos cabelos.
- Não precisa se desculpar, . Não é sua culpa. - disse por fim, sentindo o nó em sua garganta, o coração apertar - Se depois de todos esses meses você ainda me vê como uma transa casual, não tem o que fazer…
- Eu não… - começou a dizer, mordendo o lábio inferior. - Você não é uma transa casual, . Nunca foi. Eu só… Eu não sei lidar com isso - apontou para si mesma, e depois para ele.
Ele concordou com um aceno, um sorriso triste em seus lábios.
- Eu entendo.
- Não! - sentiu-se desesperada ao notar o olhar chateado nos olhos do jogador - Eu não sei… Eu tentei, eu tentei muito. Praticamente todos os dias nos últimos meses, mas eu não consigo, . - respirou fundo, fechando os olhos por alguns segundos, antes de voltar a falar - Eu não consigo mais ficar longe de você!
O jogador piscou rapidamente, demorando alguns segundos para entender aquela última frase, um sorriso começando a brotar em seus lábios, embora tentasse contê-lo, a confusão expressa em seu rosto.
- O que… Você… Mas… O que?
- Eu não sei como é ter um relacionamento sério, ou uma DR. Eu não lido bem com sentimentos, eu não sei dizer que te amo o tempo todo. Eu sou muito insuportável várias vezes por dia, eu provavelmente vou querer te xingar sem motivo nenhum em alguns momentos, mas eu também quero isso, a gente. Eu quero você! Eu amo você, .
O jogador riu, mordendo o lábio inferior por um instante, as mãos no bolso da calça de agasalho, negou com a cabeça por um instante, tornando a encará-la, dando um passo em sua direção;
- Você está falando sério? Porque você tem duas opções aqui; Sair correndo e fingir que nada aconteceu, ou ficar e tentar fazer isso funcionar, e quando eu digo funcionar, é conhecer minha família, me apresentar a sua, sair por aí de mãos dadas o tempo todo, e qualquer coisa desse tipo. - respirou fundo, inclinando-se para perto dela - O que vai ser?
sorriu de lado, antes de ficar na ponta dos pés, puxando-o pela camisa, e colando seus lábios mais uma vez.


Fim



Nota da autora: 31/08
Oi! Cheguei de última hora, na correria mesmo, então se encontrar algum erro, é só me avisar!
xx
Reh




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