Escrita por: Mari Monte
Betada por: That






Say what you're mad at me for, me for
Yeah, why you talk that evil, yeah
That's not the way you show love, show love
No love, no love, no, no
Say what you're crying at me for, me for
Try to control your ego
That's not the way you show love, show love
No love, no love, no, no


”Qual é o problema, hein?” Perguntou , irritado, baixando os talheres e debruçando um pouco sobre a mesa. Estava jantando com a namorada no apartamento dela, mas já era a quinta ou sexta grosseria que ela fazia, respondendo às tentativas dele de conversar.
“Nada!” Ela falou em tom irônico, dando de ombros. “Quem sabe não é TPM? Você sabe como isso mexe com as mulheres.”
“Você não nesse período do mês e nem fica assim, quando .” Discordou. “Você parece brava comigo hoje e eu nem posso imaginar o porquê!”
“Ah, é? Você nem pode imaginar?” Ela levantou bastante a voz. “Coitadinho! Ele é tão inocente!”
“E agora ainda gritando? Eu realmente não gostando da sua atitude comigo, ok?” Ele irritou-se ainda mais e deixou a mesa. Não tinha mesmo apetite algum!
“Sou eu quem não está gostando da sua atitude, .” Ela disse, levantando-se também e indo atrás dele. “Você não me dá atenção, não liga pra nada que é importante pra mim. Você cada vez mais distante!”
“E você realmente liga pra isso, hum? Você liga de verdade pra isso, ou isso apenas mexe com seu ego?” Ele indagou, sincero. “Porque, sinceramente, eu não acho que ficar me dando um monte de patadas seja um bom jeito de demonstrar amor por mim ou interesse em melhorar a nossa relação! O que parece é que você só com raiva por eu não agir como se você fosse o centro do mundo.”
“Eu posso não ser o centro do mundo, mas eu sou sua namorada e deveria ser o centro do seu mundo! E eu ando duvidando bastante disso, com você mexendo no seu celular toda hora e cheio de sorrisinhos”.
“Hoje em dia, todo mundo mexe no celular toda hora.” Disse, sem paciência.
“Agora só falta você me dizer que era com o Jean ou o Sam, que você tava falando no whats, quando eu fui à varanda, te chamar pra comer.”
“Não era com nenhum dos dois, mas era com uma colega do trabalho.” Falou, sincero. A mensagem que ele tinha mandado tinha como destinatária a mais nova fisioterapeuta da clínica em que o rapaz trabalhava.
A garota, no entanto, não estava completamente desprovida de razão em desconfiar, pois ela era bem mais do que isso.

Era uma segunda-feira do mês de abril, que tinha tudo para ser como qualquer outra, não fosse pela reunião marcada para as seis e meia da manhã, antes da abertura da clínica, que acontecia às sete. O fundador e sócio majoritário do lugar, Will Baldwin, fez questão de apresentar a todos a mais nova funcionária, com toda a deferência que achava que esta merecia, ao invés de simplesmente deixar que ela começasse a trabalhar, e conhecesse os chefes e colegas aos poucos.
não conhecia nenhuma história de amor à primeira vista e nem passou a acreditar em algo assim ao vê-la. Achou a garota bonita, e ficou impressionado em saber que ela tinha sido “a aluna mais vocacionada nos mais de vinte anos de magistério” de seu sócio, mas seu interesse por ela só surgi aos poucos, a medida em que a observava interagir com os companheiros de trabalho e pincipalmente com os pacientes, sempre com um sorriso no rosto e um jeito carinhoso muito próprios.
Foi algumas semanas depois que ele percebeu que estava indo mais animado para o trabalho, ansiando menos pela chegada dos finais de semana, e que às vezes tinha que pedir a seus próprios pacientes que repetissem algo que haviam dito, enquanto se perdia olhando a garota cuidar dos dela. Notou que quando ela sorria também não conseguia ficar sério, apesar de os dois interagirem pouquíssimo, apenas trocando cumprimentos ao chegar ou sair de espaços de uso comum.
Decidiu manter-se assim, absolutamente profissional, sério, distante, e não alimentar qualquer interesse por ela. Tinha um relacionamento de anos com Belle, duas famílias cheias de expectativas sobre os dois, e, mesmo que já tivesse sentido atração por outras mulheres durante o namoro, nunca chegara a trair e o desejo fora embora tão rápido quanto surgira. Pensava que também seria assim com . Tinha que ser!



'Cause I got all the things I wanna say
But nothing's coming out
And all the times I came to you
I never ever lied
Show me that phone in your pocket, girl
Show me that phone in your pocket
So, wait, you think that I don't know what this is really all about
It should be really easy
If you have nothing to hide
Show me that phone in your pocket, girl
Show me that phone in your pocket


”Ela pode até ser sua colega da clínica, mas não era sobre trabalho que você tava falando, com aquele sorrisinho bobo no rosto!” A namorada foi categórica e se jogou no sofá, cansado, passando as mãos pelo rosto.
“Eu tenho um monte de coisas que eu gostaria de dizer pra você, Belle. Eu até já ensaiei mentalmente, sabe? Mas eu não sei nem por onde começar.” Suspirou.
“Começa confessando que você saindo com essa garota!” Sugeriu, colocando as mãos na cintura.
“Você quer conversar sobre a gente ou me fazer acusações, hein?” Ele se aborreceu. “Eu nunca traí você... nunca menti, não. Já você...”
“Eu o que? Eu não tenho nada pra esconder. Essa conversa aqui é sobre você.” Continuou, acusadora.
“Você pensa que eu sou idiota, né?” Riu, irônico. “Eu fiz vista grossa, porque eu não tava interessado em ter esse tipo de conversa ainda, mas eu sei que tem alguma coisa. Se eu tava com um sorriso bobo, quando você foi me chamar pra jantar, lá na varanda, você não fica nada diferente, quando mexe no seu iPhone de madrugada, depois que eu vou dormir.”
“Você viajando. Não tem nem comparação.” Ela riu, nervosa, sentando-se ao lado dele.
“Então, é fácil. Me mostra! Me mostra esse celular que você não tira desse bolso!” Pediu, estendendo a mão.

manteve seu interesse por contido tanto quanto pode, mas não era fácil se manter fiel quando, no fundo, ele sabia que a relação estava desgastada, quando Belle parecia mais interessada no mundo virtual e nas amigas do que nele, quando ele e a namorada pareciam estar vivendo em mundos diferentes, na maior parte do tempo.
dificultou ainda mais as coisas, mesmo sem saber, quando resolveu conversar com ele, na sala onde a equipe tomava café e descansava, entre uma consulta e outra.
“Eu com um paciente novo, que veio pra mim por indicação. Ele sofreu uma lesão jogando basquete: lesão do ligamento cruzado no joelho esquerdo. Fez a cirurgia e agora precisa do tratamento.” Explicou. “Will me disse que sua especialização foi na área ortopédica, e eu trabalho mais com distúrbios neurológicos, então talvez você pudesse me dar uns conselhos.”
“Claro!”
“Ele tem sensibilidade na área afetada, tem limitação na amplitude de movimento e fraqueza muscular, e se queixa de um pouco de dor. Mas não tem irradiação, e a dor alivia com medicamento e repouso.”
“Ele mancando?”
“Um pouco.” Confirmou.
“Eu posso te falar como eu fiz no meu último caso de lesão do ligamento cruzado, mas, como você sabe, cada caso é diferente dos outros. Seria legal se eu pudesse vê-lo, junto com você, se você não se importar.”
“È claro que não!” Ela recebeu a sugestão com o mesmo entusiasmo que ele via nos atendimentos dela aos pacientes. “Ele vem quarta que vem.” Informou e eles combinaram de traçar juntos um plano de tratamento.
A partir desse dia, eles passaram a se falar bastante, ainda que as conversas fossem sempre sobre fisioterapia, e acontecessem sempre na clínica.
Ele via cada vez mais qualidades nela e sentia cada vez mais dificuldade de não admitir para si mesmo que estava se apaixonando.


So what you spying on me for, me for
Tell me what you're looking for
This shit she's saying is so low, so low
No love, no love, no, no
But tell me where did you go, you go
When you saying you need time alone, yeah
You really think I don't know, don't know
I know, I know, I know


“Eu converso com as minhas amigas, . E rio do que elas falam. Nada demais! Eu não tenho culpa se você dorme fácil pra caramba e eu tenho insônia.”
“Eu podia fingir que acredito nisso, dizer que o meu sorriso também era porque eu tinha achado graça em alguma coisa, e encerrar o assunto.” afirmou, sério. “Mas, agora que a gente começou essa conversa, que tal se nós fôssemos honestos um com o outro pra variar? Que tal você admitir que tem me espionado porque procurando alguma justificativa pra brigar. Que você também não mais a fim desse relacionamento e...”
“Então você admite, assim na cara de pau, que não mais interessado?”
“Eu só sendo honesto, Belle!”
“Honesto seria você me dizer que está tendo um caso.” Falou, baixinho, seu tom contrastando em muito com o usado no começo da conversa.
“Agora, você definitivamente dizendo merda, porque eu não tendo um caso. Não fui eu quem disse que precisava ficar um tempo sozinho e fui viajar. Nem fui eu quem sumiu na quarta à noite, semana passada.”
“Eu já te disse que eu tava com a Britt e a Meryl.”
“E com esse celular em que você vive grudada surpreendentemente desligado!” Debochou. “Você me acusa de estar envolvido com alguém, mas você também . Você acha que eu não sei, mas eu sei!” Afirmou. “Acho até que sei com quem, sabia?”

Belle falava tanto do novo chefe que estava achando que o interesse dela no rapaz não era meramente profissional, mas quem era ele para condená-la, se ele mesmo estava gostando de uma funcionária de sua clínica? O problema era que ela tinha começado a sair bastante sem o namorado e feito até uma viagem, supostamente com amigas, e isso está fazendo com que imaginasse que, ao contrário dele, talvez ela não estivesse mantendo a coisa toda platônica.
Ele relutava em conversar com ela sobre como o namoro dos dois não fazia mais sentido, mas estava começando a achar que o amigo Sam tinha razão em dizer que ele não fazia isso simplesmente porque era acomodado. Afinal ele não era obrigado a ser infeliz, apenas para não frustrar aqueles que achavam que o casal teria um casamento de contos de fadas e uma família de comercial de margarina, e provar que o amor pode começar na adolescência e perdurar até a velhice. Ele não tinha que ser uma droga de exemplo!
Foi depois de mais uma das muitas demonstrações de incompatibilidade entre o casal que acabou “esbarrando” pela primeira vez com fora do trabalho. Ele resolvera experimentar um café da manhã muito elogiado por todos da clínica, servido em uma lanchonete a duas quadras, e a garota estava lá, com um livro em uma das mãos e um garfo na outra, parecendo sentir grande prazer tanto na leitura quanto no desjejum.
“Dá para ver claramente que Fitzgerald nunca se deu ao trabalho de olhar para a parte brilhante que há por trás das nuvens ao pôr do sol.” Falou, depois de se aproximar da mesa onde estava a fisioterapeuta.
“Oi, !” Ela respondeu, surpresa por encontra-lo e por ele ter citado um trecho do livro que ela estava lendo. “Você leu ‘O lado bom da vida’?”
“Uhum.” Ele assentiu. “E li também ‘Quase uma rockstar’ e ‘Perdão, Leonard Peacock’. Conhece?”
“Um fã de Matthew Quick?”
“Um fã de livros em geral.” Deu de ombros.
“É... Você quer sentar?” Perguntou, olhando em volta e vendo o lugar lotado.
“Não queria te atrapalhar, mas acho que vou aceitar. bem cheio, né?”
“É assim todos os dias.” Afirmou, fechando o livro e o colocando sobre a mesa.
“Você toma café aqui todos os dias?” Ele ergueu as sobrancelhas, enquanto ocupava a cadeira em frente à dela.
“Eu não sou muito boa em fazer nada na cozinha.” Riu. “Nem mesmo só pra mim.”
“É a minha estreia aqui. O que você sugere?”
“Ovos mexidos, torradas, bacon. Pra acompanhar, eles têm um ótimo chocolate, que pode vir fumegando ou bem geladinho.” Ela já estava com o prato quase vazio, mas ainda falava como se estivesse cheia de apetite. Ele não pode deixar de sorrir, pensando em quanto era melhor estar ali e comer como um típico americano, acompanhado de uma garota extremamente bem humorada, ao invés de no apartamento de Belle, aguentando seu monólogo enfadonho sobre como ele precisava cortar gordura, açúcar, glúten e lactose.
“Gostando do livro?” Ele questionou, depois de ter pedido uma refeição idêntica à dela ao garçom.
“Também sou uma fã de livros.” Afirmou e começou a falar sobre os últimos que tinha lido. conhecia todos e só não gostava de um deles: justamente ‘O grande Gatsby’, citado pelo personagem de “O lado bom da vida”. Assim como Pat Peoples, achava que livros deveriam ter finais felizes.
“Eu também prefiro os finais felizes, mas é bom ler algo assim, de vez em quando, pra gente se lembrar que eles não são fáceis, e lutar mais e melhor pelos nossos.” Ela mostrou que tinha sua própria teoria.
Foi o primeiro de muitos cafés da manhã dos dois, que às vezes contavam com a companhia também de outros colegas de trabalho. Contudo era quando ficavam sozinhos que eles mais conversavam e descobriam suas inúmeras afinidades. Gostavam de trocar impressões sobre os livros que liam, de compartilhar descobertas, de debater questões polêmicas, e também falavam bobagem, implicavam um com o outro, faziam piada das coisas e riam juntos até a barriga doer.
“Eu conheço pouquíssimas pessoas que leem tantos livros quanto a gente.” Ele comentou. “A Belle, por exemplo, só lê revista.”
“Sério?” Ela franziu a testa, enquanto ele balançava a cabeça, reafirmando. “Isso é uma pena, né? E bem estranho também, já que existem mais bibliotecas públicas nos Estados Unidos do que McDonald’s, por exemplo.”
“E de onde veio essa informação super útil?” Ele riu.
“Eu li num jornal muito sério, se você quer saber, tá?” Ela jogou uma bolinha de papel nele, que fez um gesto exagerado de defesa.
“Esse jornal devia ter acrescentado que os americanos, apesar disso, estão bem mais interessados nas batatas e nos hambúrgueres do que em Shakespeare ou Hemingway.”
“Infelizmente!” Concordaram.
Com o tempo, a intimidade foi surgindo, olhares e sorrisos começaram a ser trocados, por mais que ambos ficassem constrangidos, logo em seguida, e prometessem a si mesmos que não voltaria a acontecer. As conversas foram ficando mais pessoais.
“Eu fui criada pelos meus avós. Meus pais morreram quando eu era pequena.” Ela contou a ele, em uma manhã de quinta-feira. “Meu avô também já faleceu e agora eu vivo com minha e eu confesso que fico um pouco preocupada com o futuro.”
“Em perde-la também?”
“Não. Eu acho que já estou calejada pra morte. Meu medo é que ela se sinta culpada por eu não formar minha própria família.”
“E por que você não vai?” Ficou confuso.
“Eu não pretendo deixá-la sozinha numa casa, pra viver com alguém.”
“É claro que não, mas eu tenho certeza que você vai achar um cara que entenda isso!” Disse, convicto. “Eu, por exemplo, adoraria morar com toda a família, numa casa grande.”
“A Belle deve ficar feliz em saber disso.” Respondeu, tentando não usar um tom irônico, ainda que quisesse lembrá-lo de que ele tinha uma namorada e não deveria falar como se fosse um possível pretendente.
“A Belle não moraria com os avós jamais. Ou mesmo com os pais.” Retorquiu, em tom crítico.
“Por que afinal você continua com essa garota?” Soltou, sem pensar, se arrependendo no mesmo segundo e pedindo desculpas.
“Você não precisa se desculpar, porque... eu também não sei.” teve vontade de declarar seus sentimentos por ela, mas não achou que seria justo colocá-la nesta posição. Um silêncio desconfortável se instalou e fez sinal para a garçonete, pedindo a conta.
estava certo de que sua história com Belle estava morta e só precisava de um funeral. Ele perdia o sono pensando em como terminar o namoro, mas sempre adiava a conversa, esperando passar o aniversário do pai dela, que o tinha como um filho, ou o de uma tia dele, que já fazia sapatinhos para os bebês que achava que os dois teriam em breve.
Ele ainda não conseguia lidar com o fato de que, para conquistar o seu final feliz, ia ter que travar sua própria luta, e que lutas envolvem perdas.


Show me yours, I'll show you mine
I'll show you mine
Show me yours, I'll show you mine
I'll show you mine
Show me yours, I'll show you mine
I'll show you mine
I'll show you mine
Yeah


“Acaba logo com isso e me mostra o seu celular, Belle. Eu te mostro o meu e a gente acaba, então, com qualquer segredo e toda essa desconfiança.”
“Isso é ridículo! Eu não vou te mostrar nada.” Falou, levantando do sofá, decidida. “Ler todas as minhas mensagens seria uma invasão de privacidade. E é bem provável que você tenha apagado qualquer coisa comprometedora do seu!”
“Ok, Belle. Então esquece os celulares e vamos simplesmente abrir o jogo.” Propôs. “Eu conheci alguém. O nome dela é e ela começou lá na clínica há uns meses. A gente não tendo um caso, mas eu , sim, gostando dela.”
“E não rolou nadinha entre vocês?” Desafiou, cruzando os braços na frente do corpo.
“A gente realmente se aproximou bastante. Era pra ela que eu tava mandando mensagem...”

Uma chuva torrencial caía na cidade, quando saiu do trabalho na sexta-feira. Tudo o que ele queria era uma bebida quente e cama, mas, pelo menos por um tempo, teria que se contentar com a bebida, pois seria uma temeridade dirigir no meio daquele temporal. Ao menos podia se consolar com o fato de que o chocolate quente do café da esquina era melhor que o seu, mas feliz mesmo ele ficou quando viu que poderia ter companhia.
estava perto do ponto de ônibus, do outro lado da rua, e tentava equilibrar duas bolsas nos braços e sustentar o guarda-chuva sobre a cabeça, ao mesmo tempo em que mexia em um aplicativo no celular, a fim de pedir um táxi, o que obviamente era quase uma missão impossível.
“Por que não está mexendo nesse celular lá dentro?” Indagou , rindo, enquanto tirava o guarda-chuva e uma das bolsas das mãos dela, gentilmente. “Quer ficar doente e arrumar uns dias de folga, é?” Brincou.
“É uma boa pergunta.” Respondeu, também rindo, sem jeito. A verdade era que ela tinha saído da clínica pontualmente, justamente na esperança de não se encontrar com ele naquele dia. Havia momentos em que ter a amizade de era melhor do que não ter nada dele, mas havia outros em que os sentimentos pareciam intensos demais e ela tinha medo de si mesma, e tentava se afastar.
Mesmo que acreditasse que finais felizes dependem do que cada um faz em busca deles, ela achava que lutar por era entrar em uma batalha perdida. Ele tinha alguém e, por mais que flertasse com ela e já tivesse confessado ter alguns problemas, nunca tinha mostrado nenhuma intenção de acabar com o relacionamento.
“Um chocolate por minha conta?” Inquiriu, mas não a viu mostrar animação com o convite. “Ei! Você não vai mesmo conseguir ir a lugar nenhum agora!”
“Ok.” Ela bufou, vencida. Ele pensou em perguntar se ela estava fugindo dele, quando ocuparam uma das poucas mesas vagas, mas achou melhor não criar um clima estranho quando eles estavam praticamente presos ali.
Eles não só tomaram chocolates quentes, como comeram muffins deliciosos, que fizeram ambos se esquecerem de que estavam aborrecidos com a chuva. Conversaram até as dez da noite e, quando a tempestade parou, já estava com dor no maxilar de tanto rir. Também deveria estar cansada e com sono, pois já era tarde e tinha sido uma semana de muitas horas de trabalho, mas perto de era difícil sentir o tempo passar.
“Ele é muito, muito fanho e a mulher dele é gaga! Imagina as conversas.” Ele estava contando, com direito a imitações, a história de um primo distante.
“Para, . Que feio!” Ela disse, olhando a hora. parecia também não ter percebido que tinham ficado tanto tempo ali. Não parava de falar!
“Para de segurar o riso, que eu sei que você acha engraçado.” Implicou com ela.
“Pede a conta, chato! Agora eu devo finalmente conseguir um táxi.”
“Eu de carro.”
“Não precisa...”
“Eu faço questão!” Foi enfático, arrastando a conta para si, determinado também a pagar pelos chocolates e muffins consumidos.
No caminho de mais ou menos quinze minutos entre um estacionamento que ficava ao lado da clínica e o prédio dela, o papo trivial, como sempre, fluiu fácil entre eles. Baladas românticas tocando no rádio ajudaram a criar uma atmosfera propícia para que os dois acabassem perdendo a razão.
“Obrigada pela carona.” Ela disse, um pouco nervosa, quando ele parou na frente do prédio.
“Obrigado pela companhia.” Ele deu um sorriso tímido e retribuiu na mesma medida. Chegou a colocar a mão direita na maçaneta, mas sentiu segurar sua mão esquerda de repente e o encarou. Foi o seu erro, pois ficou paralisada quando seus olhos se encontraram e deixou que ele a beijasse, sem defesas.
...” Ela começou a falar, depois de se afastar com cuidado.
“Me desculpa, . Me desculpa mesmo. Eu não quero te magoar, mas é que...”
“Eu acho que você confuso... carente talvez. A sua relação não bem e a gente tem passado muito tempo juntos.” Tentou suavizar as coisas.
“Não! Não é isso. Eu apa-“
“Por favor, , não termina essa frase!” Pediu, séria. “Você pode não saber nem mais o porquê, mas você tem namorada. Boa noite, .” Desejou, saindo do carro e ele foi para a casa, para a tão ansiada cama, apesar de não ter dormido naquela noite.
Foi por isso que o rapaz mandou uma mensagem para a garota, no sábado, enquanto Belle cozinhava, querendo saber se estava tudo bem entre eles. Não pode deixar de sorrir quando ela respondeu que “nunca conseguiria ficar chateada com ele”, ainda que, logo depois de tal declaração, tenha afirmado estar certa de que eles conseguiriam esquecer o que acontecera e ser “amigos de verdade”.


I can't believe you looked me in the eye
And said to me you had nothing to hide
Yeah
Now you're dead to me, this really is goodbye
Goodbye


“A gente se beijou ontem. Foi só isso!” Falou, sincero. “E nenhum de nós dois achou que aquilo tava certo, porque eu tenho um compromisso com você. Mesmo que eu já ache há muito tempo que a gente se acomodou nessa relação, mas não se ama mais. Mesmo que eu tenha quase certeza que você mesma já saindo com alguém.”
“Você se julga muito esperto, mas eu duvido que você saiba mesmo com quem eu viajei, com quem eu estava na quarta-feira... com quem eu tenho transado bem debaixo do seu nariz!” Ela mudou a atitude, querendo sair por cima, vaidosa como sempre. “Você confia muito nos seus amigos, né, querido? Pois olha aqui as minhas conversas no whats com seu brother Jean.” Desdenhou, entregando-lhe, espontaneamente, o celular que não queria que ele vasculhasse, minutos antes.
“E eu é que sou o cara de pau aqui, né?” Ele disse, depois de passar um tempo lendo várias mensagens, que realmente o surpreenderam, pois ele achava que Belle estava saindo com o chefe. Em seguida, levantou-se, jogando o aparelho no sofá. “Não dá pra acreditar que você é atriz a ponto de olhar nos meus olhos, me dizer que não tem nada a esconder, e estar transando há meses com um dos meus melhores amigos!”
“Apenas fiquei com quem me dava atenção.” Falou, como se não estivesse nem mesmo errada.
“Olha...” Ele respirou fundo, antes de continuar. “Eu achei que a gente podia terminar numa boa. Que poderíamos ser amigos, considerando todo o tempo que passamos juntos e as coisas boas que a gente viveu, um dia. Mas, sério... eu nem reconheço você, Belle! Parece que só sobrou seu lado egoísta e fútil! Parece que a garota por quem eu me apaixonei um dia morreu! Então, isso é um adeus completo!” Terminou, caminhando até a porta e indo embora.
Sentiria só alívio naquele momento, se não tivesse perdido também a confiança em um amigo de infância.

(...)

entrou na clínica na segunda-feira, com um saquinho na mão, e se dirigiu à sala de convivência, onde encontrou comendo alguns biscoitos e tomando café preto. Somente os dois tinham chegado ao trabalho, pois ainda era bem cedo e quem não estava fazendo a primeira refeição do dia em casa, estava disputando um lugar na lanchonete onde eles mesmos costumavam comer.
“Biscoitos, ?” Ele repreendeu, balançando a cabeça negativamente. “Eu sabia que não ia te encontrar na lanchonete hoje, e trouxe umas coisas bem melhores que essas coisas sem gosto aí!” Afirmou, entregando-lhe o saco de papel.
“Obrigada. Não precisava, .” Respondeu, totalmente desconcertada.
“É minha culpa você não ter ido até lá, então...” Ele sorriu.
“Eu não chateada com você... eu juro. Só achei melhor a gente não manter aquela mesma rotina, de tomar café juntos sempre...” O sorriso dele ficou ainda maior, enquanto ele a encarava, sem nada dizer, e ela ficou bastante confusa com isso. “O que é engraçado?”
“Não é engraçado. Eu só feliz!” Explicou, sentando-se ao lado dela no sofá. “É que tem essa garota, sabe? Ela é linda, inteligente, engraçada! Ela é minha melhor amiga e eu tenho sorte, porque eu apaixonado pela minha melhor amiga! Eu acho que tem uma música que fala isso, não tem? Pode ser a nossa música.” Disse, mordendo o lábio inferior.
, por favor...”
“Eu e a Belle terminamos, . Eu livre! E eu te adoro. A gente pode sair, ficar juntos...”
“Calma.” Ela riu por ele estar falando sem pausas, ansioso. “Isso é sério mesmo?” Quis ter certeza antes de ficar feliz. Ele assentiu e ela sorriu amplamente.
“Sai comigo, hoje.” Ele pediu, chegando perigosamente perto e ela teve que recuar. Ele podia estar solteiro, mas os dois estavam no trabalho!
“Hoje? Já?”
“Esperar o que, ? Eu preciso daquele beijo de novo! Eu preciso sentir tudo que eu senti naquele momento.” Ele acariciou o rosto dela, que quase o beijou ali mesmo. Também tinha vivenciado sensações que adoraria repetidas, o quanto antes! Era difícil até pensar em trabalhar a manhã e a tarde inteiras, diante da promessa de um encontro com , ao fim do dia.
“Vê se escolhe um lugar especial, hein? E agora me deixa comer esses donuts.” Brincou.
À noite, eles tiveram um primeiro encontro maravilhoso e, quando chegou em casa e tirou o celular do bolso, havia alguns recados no whatsapp.
Deu uma gargalhada gostosa, se jogando na cama. Agora, sim, havia no aparelho mensagens comprometedoras como as que Belle tinha imaginado poder encontrar nele!

FIM



Nota da autora:Muito obrigada por ler!! Se tiver gostado, comente, ok? Ter retorno dos leitores significa muito pra mim!! De coração!!
Outras fics da autora:
05. All you had to do was stay
07. Night changes
A bruxa tá solta e Insane Mardi Gras (continuação)
A Chave Para O Coração
Corações em pedaços
Dos Tons Pastel Ao Vermelho
Fly me to the moon e Moonlight Serenade (continuação)
Herança De Grego
Nem tudo é relativo
Provocadora gratidão
Quando nossos corpos falam
Season of love
Segura, peão
Um (nada) santo remédio e O que não tem remédio (continuação)



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