08. Everytime

Postada em: 15/01/2018

Prólogo.

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A Madrugada.

Um barulho insistente na janela do quarto me despertou.
O relógio na mesinha de cabeceira indicava que ainda eram 3 da manhã e eu teria que levantar dentro de três horas para revisar a matéria do ultimo teste do semestre. Decidido a ignorar e tentando recuperar meu sono, virei para o outro lado e fechei os olhos novamente. Mas assim que o fiz algo atingiu de novo o vidro da janela da republica onde eu morava há dois anos, desde que entrei pra faculdade em outra cidade, a algumas horas de distância da casa onde cresci. Irritado e pronto pra mandar o filho da puta que insistia em atirar coisas contra a minha janela pro inferno, me levantei num acesso de raiva, certo de que era alguma zoeira de um dos meus companheiros de republica, mas quando parei diante da janela, meu coração deu um salto assim que a vi parada do lado de fora, com os braços cruzados, próxima ao seu velho carro estacionado em frente à casa. Que porra estava acontecendo? Sem pensar duas vezes, sai do quarto pronto pra tudo o que ela precisasse de mim. Eu sempre estaria aqui pra ela.
- Tá fazendo o que aqui, maluca? – perguntei assim que sai da casa onde vivia.
- Eu te mandei mensagem, Lucas. Por que não responde? – perguntou visivelmente abalada. Apanhei o celular e vi suas mensagens.
- Eu já tava hibernando na hora que você enviou essas mensagens, tenho prova daqui a pouco, Cassandra. – ela fez uma careta ao ouvir seu nome de batismo.
- Não me chama assim, sabe que não gosto. – resmungou e eu dei de ombros, ainda morrendo de sono.
- Vamos entrar porque tá frio pra caralho hoje, aí você dorme no meu quarto e volta pro dormitório da sua universidade amanhã. - disse, bocejando logo em seguida e dando as costas pra ela, caminhando em direção à entrada da casa.
- Que droga, Lucas, será que você pode esquecer a merda do seu sono por um minuto e me ouvir? Eu preciso do meu melhor amigo de infância! – o tom de voz aflito de Cassie me deixou em alerta, fez com que eu travasse onde estava e me virasse para ela novamente.
- O que aconteceu, Cassie? – encarei seu rosto angustiado.
- Eu fiz uma merda, uma merda enorme. E preciso de você ao meu lado pra conseguir suportar isso. – obriguei minhas pernas a caminharem em direção a ela e quando me aproximei perto o suficiente, a prendi em um abraço.
- Conta comigo, sempre. – Cassie suspirou se afastando um pouco e me encarando com os olhos brilhando em lágrimas.
- Vamos dar uma volta, eu preciso respirar. – eu quis negar, quis dizer que a porcaria da prova que eu faria dali algumas horas era muito importante e que eu precisava dormir no mínimo oito horas pra ficar bem disposto, mas eu nunca consegui negar nada para Cassie e naquele momento não foi diferente.
- Eu dirijo. Você parece estar muito nervosa. – apanhei as chaves que ela prontamente me estendeu e caminhei em direção à porta do motorista. – Pra onde?
- Vamos só andar por aí, sem destino.
E foi assim que tudo começou.


A Parada.

Já estávamos rodando há um bom tempo e havíamos ultrapassado o limite da cidade. Conversamos durante um tempo, sobre as nossas vidas, sobre as mudanças que ocorreram desde que viemos juntos estudar nessa cidade. Sobre o nosso recente afastamento, por conta da vida corrida de universitários. Conversamos sobre tudo, menos sobre o que realmente interessava. O motivo que estava deixando Cassie tão preocupada. E que no momento me dava dor de estômago.
- Você vai me dizer o que esta acontecendo ou eu vou ter que adivinhar?
- Eu tô tentando criar coragem. Que tal um lanche, meu estomago tá suplicando por comida. – ela comentou, apontando um drive in mais adiante. Eu assenti e logo estávamos fazendo o pedido dos nossos lanches.
- Agora fala. – me virei de lado a encarando sério, assim que estacionei o carro no estacionamento da lanchonete. Cassie suspirou, tentando criar coragem.
- Há mais ou menos um mês houve uma festa numa dessas fraternidades, você tinha viajado pra ver o seu pai, lembra? – assenti tentando entender onde isso iria dar. – As meninas me convenceram e eu acabei indo junto com elas... – seu nervosismo era bem visível, por isso tomei suas mãos entre as minhas pra que ela sentisse o meu apoio. – Eu fiquei com um cara naquela noite, um cara qualquer. – ouvir sobre os relacionamentos dela não era uma das minhas atividades favoritas, na verdade me incomodava muito. Sempre incomodou. Mas infelizmente eu sempre fui visto apenas como o melhor amigo de infância. Sempre estive na merda da friendzone.
Decidi apenas assentir, se fosse dizer algo com certeza Cassie se magoaria e eu também.
- O problema é que eu tinha bebido um pouco demais e o carinha também. Tá, na verdade eu tinha bebido muito. Bom acabou rolando e eu... – ela parou e me encarou com receio, respirou fundo e disse em um sussurro. - Eu não tenho certeza se a gente usou camisinha. – o soco que dei no painel do carro fez com que ela pulasse de susto.
- Porra, Cassie! – bradei entredentes, sentindo meu estômago se revirar.
- Eu sei, me desculpa... Eu tenho me xingado tanto desde então. – sua voz entrecortada mexeu comigo e foi minha vez de respirar fundo, tentando me acalmar. Ela me procurou porque sabia que eu sempre tinha sido e sempre seria o seu apoio, eu não poderia julgá-la naquele momento.
- Tudo bem, desculpa pela minha reação. – me aproximei, segurando suas mãos novamente. Tentando mais me acalmar com aquele toque do que acalmá-la. – Você foi irresponsável, mas nós somos jovens, fazemos merda o tempo todo tentando acertar em algum momento... Você pelo menos foi ao médico depois disso? Fez exames? O cara podia ter alguma doença, sei lá! – minha mente já me levava para o pior dos resultados.
- Eu fui, no dia seguinte, mas aparentemente estava tudo bem. – ela fez uma pausa, encarando meus olhos com uma expressão de choro que acabava comigo. – Só que eu andei passando mal durante a semana passada. Achei que fosse só mais uma daquelas viroses, mas o mal estar sumiu de repente e eu acabei não indo ao médico de novo. Só que eu tenho me sentido estranha desde então e tenho achado que...
- Merda... – murmurei entendendo onde ela queria chegar. – Merda...
Uma fumaça estranha começou a sair do capô do carro, que parou de funcionar logo em seguida.
- Merda!


O Teste.

Não havia sinal de celular onde nós estávamos. Eu nem tinha certeza de onde nós estávamos, mas sabia ser bem próximo da cidade vizinha. Nós tínhamos duas opções: Ficarmos até esperar algum outro carro aparecer e corrermos o risco de sermos assaltados naquela madrugada ou colocar o pé na estrada e tentar chegar ao posto de gasolina por onde havíamos passado há um tempo e pedir ajuda.
Cassie obviamente optou pela segunda opção e deixou o carro antes que eu pudesse questionar. Caminhamos por um bom tempo em silêncio. Um silêncio desconfortável, minha cabeça trabalhava sem parar pensando na conversa que iniciamos antes do carro quebrar. Cassie não havia exposto em palavras, mas eu sabia o que ela queria dizer e aquilo me deixava completamente tenso.
Logo nos aproximamos do posto de gasolina e fomos até a loja de conveniência pedir ajuda. O atendente nos encarou com receio, pensando claro que éramos dois assaltantes da madrugada, mas assim que explicamos a situação ele nos emprestou o telefone e nos deu o contato de um mecânico próximo, eram seis da manhã e o cara do posto garantiu que seu amigo começava cedo no batente. Por sorte o cara nos atendeu. Informei a localização do carro e ele disse que iria com o guincho buscá-lo e nos pediu pra ir até sua oficina assim que amanhecesse, pra sabermos o estado da lata velha que a Cassie chamava de carro.
Sem muito que fazer, após Cassie comprar muita besteira na loja de conveniência, decidimos caminhar um pouco mais até chegarmos à cidade vizinha, que parecia mais uma cidade fantasma, não havia nada lá. O que me causou certo calafrio e me fez ter vontade de chamar os caça-fantasmas. Cassie riu quando eu disse isso em voz alta.
Ela parecia ter recuperado o humor ou pelo menos ter esquecido os problemas que a assombravam por um momento. Mas nós não podíamos adiar mais aquilo.
Nossa próxima parada foi em uma drogaria 24 horas.
- Eu não consigo, Lucas… E se eu estiver mesmo. – Cassie segurou o meu braço, os dedos esbranquiçados dando a entender a força com que ela apertava o meu pobre braço, que provavelmente eu teria que amputar caso ela não soltasse logo.
- Hey, olha pra mim! – segurei seu rosto entre as minhas mãos, fazendo com que ela encarasse as verdades no meu olhar. – Independente do que aconteça, eu vou sempre estar aqui, ao seu lado. – Um resquício de um sorriso tomou conta dos seus lábios, enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas que ela tentava conter a todo custo. – Fica calma, respira. Eu vou lá comprar e já volto.
Saí de perto dela rapidamente, antes que ela tentasse me impedir. Uma hora depois estávamos dentro de um quarto de hotel de beira de estrada aguardando o conserto do seu carro, longe o bastante dos nossos dormitórios e também das casas dos nossos pais. Longe de tudo e de todos. Apenas nós dois e aquela bomba relógio perto a explodir entre nós.
- Pronto, você já bebeu uns dez litros de refrigerante, Cass. Está na hora de enfrentarmos isso. – Eu estendi o teste pra ela e apontei o banheiro do quarto. – Eu vou estar sempre aqui. – garanti. Cassie me envolveu em um abraço apertado e longo. Um abraço que eu não queria desfazer nunca mais, mas nós tivemos que nos separar e olhando nos meus olhos pela ultima vez ela assentiu, antes de seguir até o banheiro e se trancar lá dentro.
Pareceu levar uma eternidade, até que a fechadura finalmente girou e eu pude contemplar o seu rosto mais uma vez.
E o que eu vi, ah o que eu vi...


De volta pra casa.

- Hey, pelo menos você não tem mais essa duvida. – o carro havia sido consertado e ficou pronto logo após o almoço, eu apertei sua mão, enquanto dirigia de volta para a cidade onde morávamos após a nossa pequena viagem noturna. Depois de ver o resultado do teste naquela manhã e do carro ter sido consertado, decidimos ficar um pouco mais na cidade fantasma, ainda envoltos na nossa bolha, fingindo que o mundo se resumia a apenas nós dois, antes que tudo explodisse de vez. Cassie sorriu, mas o seu sorriso ainda não alcançava seus olhos como sempre fazia. Ela estava um pouco anestesiada desde que saiu do banheiro daquele quarto. Mais adiante o sol se punha no horizonte, dando um puta significado ao momento. Era isso, mais um dia estava terminando. Vida nova se iniciaria no próximo amanhecer.
E isso merecia musica.

I, I wish you could swim.
Like the dolphins, like dolphins can swim.
Though nothing, nothing will keep us together.
We can beat them, forever and ever
Oh, we can be heroes, just for one day.

- I, I will be king. And you, you will be queen. Though nothing will drive them away - Minha voz se misturou a de David Bowie, enquanto eu encarava Cassie de lado, com um sorriso no rosto, aquela era a sua musica favorita, não demorou muito pra que ela caísse na minha e me acompanhasse na cantoria.
- We can be heroes, just for one day. We can be us, just for one day! – cantamos a plenos pulmões, caindo em uma risada longa logo em seguida, que fez com que os músculos do meu rosto doessem um pouco. Aquilo era bom, fazer Cassie sorrir era tudo pra mim.
- Eu tô do seu lado, Cassie. Pra sempre. É uma promessa. – ela me encarou, novamente visivelmente emocionada.
- Eu sei e eu te amo por isso, Lucas Moretti. – se ela soubesse como eu queria que aquele eu te amo tivesse pra ela o mesmo significado que tinha pra mim.
Dirigi por mais algum tempo, até nos aproximarmos do campus da universidade em que ela estudava, Cassie segurou a minha mão, que estava sobre a marcha antes que eu estacionasse diante do seu dormitório.
- Que tal se a gente tomasse o café da manhã naquela nossa cafeteria favorita, na nossa mesa favorita, envoltos em delicias calóricas, antes de deixarmos esse momento de lado? – ela propôs e eu nunca diria não a ela, então assenti e seguimos pra lá. – Me desculpe por atrapalhar o seu sono, Lucas, espero que você consiga uma segunda chance pra fazer aquela prova, sei que você sabe toda a matéria, como o bom nerd que é. Mas eu não deveria ter surtado e te levado junto comigo pra essa loucura noturna. Vou te entupir de café agora, pra você aguentar durante toda a manhã na sala de aula. – ela sorriu sincera pela primeira vez desde que havíamos deixado a minha republica naquela madrugada.
- Eu devo ter jogado uma camisinha usada na cruz pra ter que te aguentar pro resto da vida. – brinquei e ela rolou os olhos ainda sorrindo. – Eu até me esqueci da maldita prova. Acho que tava precisando dessa viagem tanto quanto você.
- Você me ama muito isso sim. – Sim, eu amo. Mais do que você possa imaginar, Cassandra Mendes.
Surpreendendo-me, ela se levantou do seu lugar e sentou-se ao meu lado. Um sorriso enigmático tomando conta dos seus lábios.
- Eu sempre vou te amar, Lucas. – havia uma sinceridade crua naquelas palavras, seus olhos se fixaram aos meus e eu me perdi em toda aquela intensidade. Uma intensidade que eu nunca havia notado antes. E foi assim, comigo completamente hipnotizado, que Cassie chocou os seus lábios contra os meus, iniciando um primeiro beijo nosso que nunca deixaria a minha memória. E tudo pareceu se encaixar naquele momento. Tudo parecia certo.
Um tempo depois coloquei o carro em movimento novamente e seguimos pro nosso próximo destino. E eu esperava que apesar do que viria pela frente, nossos destinos sempre se cruzassem, até finalmente colidirem e se fixarem como um só caminho.


Quatro anos depois...

Agora eu estou sentado aqui. Como nós costumávamos fazer. Eu penso sobre a minha vida e como não existe nada que eu não faria, só pra ter mais um dia, mais um dia com você. - observei a folha mais uma vez, finalmente satisfeito com o que havia escrito. Abandonei a caneta sobre o caderno, deixando o rascunho do meu novo livro de lado, enquanto tomava a xicara de café em mãos, ingeri um grande gole, tentando me aquecer naquela manhã fria de dezembro. Meus olhos varreram o local, que ainda era o mesmo. Eu estava sentado onde sempre ficávamos. Tudo parecia igual, mas ao mesmo tempo tudo havia mudado.
Quatro anos haviam se passado, tanta coisa havia acontecido. Uma nova vida havia sido gerada e outra vida havia se perdido. Ainda doía, mas a vida segue o seu curso e só o que fica marcado pra sempre na memória são as boas lembranças. Como as lembranças de uma madrugada insana.
O que aconteceu foi que o resultado do teste de farmácia estava mesmo certo. Cassie estava grávida, de um cara que ela nem ao menos sabia quem era, de um cara que ela não lembrava o nome ou o rosto. No inicio ela teve medo, mas logo assumiu as rédeas da situação. Ela poderia ter tomado a decisão errada, uma decisão que eu sei que a tentou por um momento, só que a minha Cassie sempre me daria orgulho e se impôs contra o que os pais queriam. Eles se afastaram e a deixaram viver por conta própria depois disso e a partir dali as coisas desandaram. Cassie teve que abandonar a faculdade, não tinha pra onde ir, então a ajuda chegou, vinda de longe. A sua madrinha, que quando soube o que estava acontecendo lhe estendeu a mão e a levou para morar com ela. O único problema era que a madrinha de Cassie vivia em outro continente. E assim a minha vida virou uma bagunça e a promessa de me manter do lado dela pra sempre não se cumpriu.
Não há meios de comunicação que obriguem que a distância não se faça presente. Eu tentei, nós tentamos não perder contato. Mas a prioridade de Cassie agora era ser mãe. E a minha era terminar o curso, o que ela também tanto me incentivou a fazer nas poucas vezes em que nos falamos. Com tempo nós nos perdemos. E tudo ficou no passado.
- Aqui, vovó Tita! – observei a menina de cabelos castanhos, com cachos nas pontas e pequenos óculos no rosto, adentrar a cafeteria puxando a mão da avó com pressa, algo naquela criança me parecia familiar. O que fez com que o meu olhar recaísse sobre ela. – Eu quero esse, moça. – a pequena parou diante da vitrine de doces da cafeteria, apontando para um enorme sonho de chocolate. Aquilo novamente me lembrou de alguém.
Chacoalhei a cabeça tentando me livrar das lembranças e decidi fechar meu caderno e dar o dia por encerrado. Eu precisava tomar um pouco de ar fresco. Havia saído de casa, pego o metrô e caminhado mais algumas quadras até a cafeteria, para não ficar enfurnado dentro do meu apartamento escrevendo no livro, mas no fim acabei enfurnado na antiga cafeteria, estava ali há mais de duas horas e os donos só não me expulsavam porque eu já era um cliente antigo e também porque eu consumia café como se consumisse água.
Acenei pra Jessie, a garçonete, que rapidamente veio em minha direção com seu bloquinho.
- Eu quero a conta, Jess. Vou encerrar por hoje. – ela assentiu sorrindo e me entregou o papel com o valor do que eu havia consumido. Retirei algumas notas da carteira e entreguei a ela, me despedindo em seguida.
Apanhei minha mochila, guardei o caderno dentro e parti em direção à saída da cafeteria, distraído tentando fechar o zíper que sempre emperrava, indicando que estava na hora de eu adquirir uma mochila nova. Com toda essa distração acabei esbarrando em alguém que entrava pela porta no mesmo momento em que eu tentava sair e a pessoa acabou caindo no chão.
- Me desculpe, eu estava distraído, você se machucou?
- Lucas. – eu nunca esqueceria aquele olhar.
- Cassie. – aquele nome, toda vez que eu ouvia aquele nome eu sentia o mesmo.
- Mamãe chegou! – a pequena garotinha de antes saiu de onde estava indo ao nosso encontro e se jogando nos braços da mãe e então tudo se encaixou.
- Você voltou? – eu senti a ansiedade na minha pergunta assim que as palavras deixaram os meus lábios.
- Voltei, pra sempre. – ela sorriu com aquele olhar intenso sobre mim e o meu coração pareceu voltar a bater de repente. Como se ele estivesse em hiatos há quatro anos e só agora resolvesse voltar à ativa.
- Mamãe, mamãe! – a pequena chamou a nossa atenção e Cassie se inclinou para atendê-la. – É ele o seu príncipe? – a pequena tentou sussurrar para que apenas a mãe ouvisse, mas não obteve sucesso. Eu mordi os lábios, tentando conter o sorriso que teimava em brotar nos meus lábios. Cassie assentiu envergonhada, ainda encarando a pequena garotinha. – Prazer, senhor príncipe, meu nome é Melinda. Mas pode me chamar de Linda, porque é o que eu sou. – ela ajeitou os óculos que haviam ficado um pouco tortos e sorriu. Meu coração se aqueceu ainda mais naquele momento e eu soube que não poderia nunca mais me afastar daquelas duas.
- Prazer, você é mesmo tão linda quanto o seu nome, pequena. – me abaixei diante dela e estendi a mão, sorrindo. Cassie nos observava em silêncio e visivelmente emocionada. – E você tem um papai, Linda? – curioso, sussurrei para a pequena, mas falhei em guardar segredo, como ela havia falhado.
- Não, somos apenas eu e a mamãe contra o mundo. Como as meninas superpoderosas! Só que somos duas. – ela colocou as pequenas mãos na cintura, fazendo uma pose confiante, eu sorri ainda mais.
- Será que eu não posso me juntar a vocês e ser um menino superpoderoso? – a pequena me encarou confusa, parecendo ponderar.
- Não existe isso de menino superpoderoso, mas eu acho que ia ser legal. Então pode, príncipe. – ela sorriu sapeca, igualzinho a mãe fazia na idade dela. Era uma mini Cassie diante de mim, me trazendo tantas lembranças boas.
- Hey, se esqueceu de mim, pequena heroína? – a senhora que havia entrado com ela na cafeteria se aproximou.
- Essa é a Tita, uma mulher maravilhosa que me ajuda a tomar conta da Melinda, eu meio que roubei ela da minha madrinha. – Cassie nos apresentou, sorrindo com carinho para a mulher.
- Prazer, senhora. – estendi minha mão em cumprimento.
- Senhora esta no céu, querido, me chame apenas de Tita. – ela piscou me cumprimentando e eu assenti. – Agora que tal irmos nos sentar e deixar a mamãe conversar com o amigo dela, Linda?
- Ah, mas eu queria conversar com o príncipe também, vovó! – a pequena fez um beicinho fofo e cruzou os braços, contrariada.
- Tudo bem, então eu vou ter que comer aquele sonho de chocolate enorme sozinha. – Tita deu de ombros e se virou indo até a mesa onde estavam sentadas.
- Ah não, vovó, eu não vou te deixar sozinha, é pegoso! – a danadinha logo mudou de ideia e acompanhou a avó postiça até a mesa.
- Ela é bem espertinha. – comentei e Cassie balançou a cabeça concordando com um sorriso no rosto.
- Você não viu nada. – sorriu – Que tal nos sentarmos naquela nossa mesa? – eu concordei e segui novamente ao local onde havia ficado horas naquele dia.
- Você veio mesmo pra ficar? – perguntei assim que nos sentamos, ansioso por essa resposta.
- Uma vez você prometeu que ficaria do meu lado pra sempre, lembra? – assenti ansioso. – Bom, a promessa não foi cumprida por minha culpa, então eu decidi voltar pra que você tenha a oportunidade de cumprir o que prometeu. – ela se aproximou, tocando o meu rosto.
- Isso quer dizer que...
- Uma vez eu também te disse que ia te amar pra sempre, Lucas Moretti, e isso nunca foi uma mentira. – ela sorriu e como da primeira vez em que nos beijamos, ela tomou a iniciativa, me deixando meio tonto, Cassie sempre teve o poder de fazer o que queria comigo, mesmo não sabendo disso. – Eu quero uma nova chance contigo, Lucas. Te encontro às três da manhã em frente à sua casa, ok? – Cassie sorriu sapeca e naquele momento eu soube que os nossos destinos finalmente estavam colidindo.

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Fim.✓



Nota da autora: Sem nota!



Nota da beta: Everytime é uma das minhas músicas preferidas nesse álbum e eu to muito feliz que essa fic da Ju tenha feito jus a ela. Eu amei muito esse casal e essa fic toda, parabéns, Ju!!
Agora, pra quem leu essa lindeza, que tal deixar um comentário pra nossa autora aqui embaixo e ir ler as outras fics maravilhosas desse ficstape, eim? Dica de amiga! Xx-A

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.

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