Última atualização: 14/10/2020

Capítulo Único.

Já faziam algumas horas desde que os dois se viram, mas o olhar de não conseguia ficar longe da mulher sentada em sua frente. A música ambiente lembrava-o perfeitamente do dia em que se casaram, e ela estava do mesmo jeito que agora; deslumbrante.
Há quatro anos haviam se conhecido em uma festa de ano novo na casa de um amigo em comum. poderia facilmente dizer que foi amor a primeira vista, mesmo que ele houvesse passado alguns meses lutando para ter um encontro com aquela linda mulher. Quando finalmente ganhou o sim para leva-la ao encontro, o primeiro lugar que pensou foi um parque recém chegado em Londres; o encontro foi desastroso. O rapaz havia comido algo que não fez bem e o primeiro brinquedo foi algo giratório, fazendo-o vomitar no chapéu da mulher.
Ele pensou que ela nunca mais olharia na cara dele, mas no outro dia, lá estava ela, batendo em sua porta com um vinho na mão.
Algumas outras tragédias aconteceram durante os encontros, como, por exemplo, o suéter dele queimou e na hora do desespero acabou derramando o vinho em cima dela, ou quando a levou para passear no parque e acabou sendo preso por dirigir muito rápido numa área de pedestres, ou quando a levou para patinar no gelo e resultou no braço dele quebrado, e o tornozelo dela desmentido.
Mesmo assim, com todo o azar e o destino parecendo relutar, ela continuou dizendo sim aos encontros.
Até que o sim mais importante chegou. Ele havia pedido a mão dela em casamento, no dia do aniversário do terceiro mês de namoro.
Muito rápido, você deve pensar. E realmente foi. Chegou a ser precipitado, e quando questionado sobre, respondia que queria logo o “para todo sempre”. De qualquer jeito, ela aceitou com o sorriso mais deslumbrante do mundo.
Casaram dentro de um mês após o pedido.
De novo, muito rápido e precipitado.
Mas ignoraram os comentários.
E ela estava deslumbrante no dia do casamento, assim como em todos os outros dias. O vestido era de um branco límpido e sem muitos detalhes. A cauda era enorme a fazia com que os convidados questionassem se ela não havia saído de um conto de fadas. Foi lindo. se debulhou em lágrimas durante toda a cerimonia, enquanto ela sorria, deslumbrada com as palavras do padre e com o homem incrível que dera a sorte de encontrar.
Após um ano de casamento, o primeiro filho veio. A gravidez foi um sonho, sem nenhuma complicação, assim como o casamento dos dois, que fluía de vento em popa. O sexo era maravilhoso, os dois tinham trabalhos incríveis -ele era arquiteto e ela era designer de ambientes-, e não demorou para surgir a empresa dos dois, a Designers INC.
Eram parceiros até no emprego.
Não havia como nada dar errado, era uma família de contos de fadas, e parecia que o destino havia parado de lutar contra os dois.
?
— Sim, desculpe. Pode repetir?
— Estou dizendo que a visitação começa na segunda-feira. Sei que você está na casa e já pedi para que fossem arrumar as coisas no domingo, então por favor, não bagunce nada, sim? Não teremos tempo para arrumar de novo, já que precisamos comparecer ao fórum pela tarde. — disse calma, beberricando o vinho enquanto desviava o olhar.
— Ah, sim. Claro, havia esquecido da visitação.
Mas só parecia.
A crise veio, e diferente do que todos dizem sobre o primeiro ano parecer o mais difícil, a tempestade chegou no terceiro.
Os dois se focaram tanto no trabalho e na criança, que acabaram se esquecendo do amor que havia ali. Estavam distantes. O fogo da paixão que eles acharam que iria queimar para sempre, acabou. Os dois não sabiam mais o que era sexo, já que se contentavam em se satisfazerem sozinhos. Estavam casados mas pareciam viver no celibato.
O divorcio veio no quarto ano de casamento. Nenhum dos dois parecia conformado com a ideia, mas aceitaram na primeira menção, que havia sido feita por , logo após uma discussão boba sobre um cliente e a entrega de projeto.
Foi uma coisa de momento, e havia se arrependido no segundo seguinte, mas já estava feito. Não havia como desfazer ou retirar as palavras bem claras e explicitas.
Agora, vendo-a falar sobre a visitação para a venda da casa, sentiu que tudo estava escorrendo pelos seus dedos.
Droga, aquela era a sua mulher, aquela era a sua casa, e aquele era o seu filho! Tudo se esvaindo como se fosse feito de areia. Ainda a amava e isso era inegável, mas não sabia se ela ainda sentia o mesmo. Alguém, eventualmente, assumiria o seu lugar, ao lado da sua esposa e do seu filho, enquanto ele assistiria tudo como telespectador.
Precisava tentar.
Aquela ainda era a sua mulher e a sua vida. Não podia acabar assim, do nada.
— Vou ao toillet. Licença. — pediu formal e se levantou, não esperando a resposta, andando elegantemente pelo salão amplo do restaurante.
Normalmente eles não usariam tom profissional um com o outro. Era sempre íntimo, amigável e as vezes até chulo, mas não havia restado nada.
Eram dois desconhecidos que, no fundo, ainda lutavam por algo que parecia não existir mais.
aguardou, pacientemente, relembrando as palavras soltas do filho.
“A gente jantou e tomou café com o amigo da mamãe. Que nem a gente fazia nós três.”
As palavras eram erradas e até desconexas, mas sabia o que significavam. Ela estava tentando com um outro alguém.
Ela voltou, do mesmo jeito que foi, elegante. O batom vermelho agora retocado, dando um ar de superior. Estava com um vestido preto, justo e provocante, mas nada vulgar, e seu cabelo estava preso em um coque, evidenciando a nuca que por tantas vezes havia beijado.
— Sabe, ... — chamou assim que ela se sentou, fazendo-a murmurar algo em concordância, para que ele continuasse. — Troy me contou sobre o seu amigo, o que jantou e tomou café da manhã com vocês ontem.
O olhar negro se chocou com os castanhos do marido assim que o nome do filho foi mencionado.
— Sim. — concordou em um aceno, abrindo um sorriso que não chegava aos olhos. — A nossa governanta também mencionou sobre a loira que dormiu na nossa casa ontem.
E ali, concluiu algo. Os dois estavam putos de ciúmes.
Mas se há ciúme, é porque ainda resta alguma coisa... Certo?
Não custava tentar.
— Ah, amor, não quer que eu ache que você está me traindo, não é? — perguntou sínico, fazendo-a gargalhar educadamente.
— Do mesmo jeito que você fez comigo? E na minha cama? No meu quarto? — perguntou, dando continuidade ao sarcasmo. — Claro que não, baby.
estava puto. também. queria gritar e queria enche-lo de tapas.
Estavam arfando, e sem mesmo perceber, a mulher estava com as unhas pintadas de vermelho cravadas na mesa, em garras, como se quisesse controlar a raiva.
Conheciam aquele restaurante de ponta a ponta. Era de um amigo íntimo dos dois, e sabiam que se não fossem para um lugar mais reservado, aquela briga estouraria ali mesmo, em frente aos outros.
levantou, caminhando em passos firmes até os fundos, onde sabia que estaria vazio. Havia um banheiro interditado ali, então ninguém interromperia e era longe o suficiente das mesas para que nada pudesse ser ouvido. foi atrás, sabia o que aconteceria.
Iriam brigar e acabariam saindo dali com mais raiva do que chegaram. Então amanhã fingiriam que nada tinha acontecido e assinariam os papeis o mais rápido possível, para que pudessem sair da companhia um do outro.
Mas não foi isso que aconteceu.
entrou e esperou passar pela porta, trancando-a em seguida e caminhando na direção do homem, que esperava de braços cruzados.
Achava que ela iria lhe bater, mas não...
A próxima coisa sentida foi os lábios dos dois se chocando em um beijo violento.
Um gemido de satisfação não se resguardou, sendo liberado das duas partes.
Estavam saudosos. E putos da vida, de forma que não demorou.
Aconteceu ali mesmo, debruçada na bancada do banheiro, enquanto sentia o marido se desfazer atrás dela.
Mas não parou. O próximo foi em cima da pia e o outro foi em pé, contra a parede.
Três rounds foram contados e pareciam não ser suficiente para descontar todo aquele tempo de negligencia.
— Você é meu! — sussurrou contra os lábios do moreno, que sorriu débil, sentindo seu corpo formigar pelo orgasmo recente.
O vinho que tomaram a noite toda estava começando a fazer efeito, e juntando com a satisfação do sexo de reconciliação, não poderia se sentir melhor.
— Eu amo você. — respondeu, vendo-a se afastar sorrindo e começar a vestir a roupa, já sem qualquer vestígio de batom e com algumas marcas rosadas começando a aparecer.
— Nunca duvidei disso. — respondeu, jogando a calça para que ele pudesse vestir. — Mas agora eu preciso ir. Troy está com a babá e prometi chegar antes das doze. Já é uma e trinta.
— Eu levo você. — ofereceu, catando a blusa do chão e ela assentiu. Seria um inferno pegar táxi aquela hora, e Londres não era conhecida por ser uma cidade muito segura.
— Suas costas estão uma maravilha. — disse orgulhosa, fazendo com que ele risse, abotoando a blusa.
— Sim, e sua calcinha está um trapo, melhor jogar fora. — retrucou, apontando para o chão do banheiro e mostrando a calcinha rasgada em frangalhos.
— Vai se foder, , era nova! — exclamou, segurando a calcinha e jogando no lixo da entrada.
— Você fica melhor sem. — deu de ombros, sorrindo de lado. — Mas vamos embora, mesmo que seja tentador, não podemos passar o resto da noite transando em um banheiro interditado.
— Sim, muito tentador... Quase irrecusável. — disse, beijando o maxilar do marido, que riu, a fazendo sorrir ao ver o pomo de adão tremer com a risada. — Vamos embora, Mr. .
— Vamos embora, Mrs. . — repetiu, guiando-a pela cintura até a mesa, onde deixou o pagamento do jantar, e saíram, pedindo o carro.
Enquanto o manobrista trazia o automóvel, os dois se beijavam avidamente, esquecendo que poderia haver uma plateia ali.
Estavam saudosos, e mesmo sabendo que as coisas não se resolviam apenas com sexo, escolheram ignorar por hora.
Não durou muito.
O carro chegou, e ambos entraram.
— Eu já disse que você precisa colocar o cinto. — ralhou, fazendo revirar os olhos.
— Você sabe que eu detesto. E o apartamento é logo ali, não é como se acontecesse um acidente dentro de quinze minutos. — explicou, e desligou o carro, olhando para a frente.
— Só quando você por o cinto. — respondeu, vendo o olhar de interrogação da esposa.
bufou mais algumas vezes antes de ceder, puxando o cinto de segurança com raiva.
— Minha garota. — elogiou, fazendo-a revirar os olhos, mas ainda assim sorrir.
Havia sentido saudades de como a voz dele se tornava melodiosa ao chama-la assim.
Ficaram em silêncio durante algum tempo, até que alguma música do Ed Sheeran começou a tocar, e a mulher não resistiu, começando a cantar junto.
— Você realmente transou com ela? — perguntou após alguns segundos, olhando a cidade passar em um vulto pelo vidro.
— Não. — respondeu simples.
— Não? — tornou perguntar, virando para olha-lo enquanto uma música nunca ouvida antes tocava na rádio.
— Não. Não consegui. — disse sincero, olhando para ela rapidamente, antes de voltar a olhar o transito.
— Você broxou? — perguntou estranhando, nunca dera para trás quando estava com ela.
— Não, meu corpo respondeu, mas eu não consegui. Minha cabeça não deixou.
— Por quê? — perguntou ainda confusa.
Era uma hora da manhã e o transito de Londres parecia infernal. Haviam carros por toda parte, e mesmo não tendo nenhum engarrafamento, o fluxo de carros parecia surreal.
— Eu só conseguia pensar em você. Parecia que eu realmente estava te traindo, mesmo com o divorcio já encaminhado. Não consegui. Só pensava o que você poderia estar fazendo e que a minha família estava há dez minutos longe de mim e eu não podia fazer nada. — respondeu com o cenho franzido.
— E então?
— Estava tarde, não podia manda-la embora. Pedi o quarto de hospedes para mim e fui. Quando acordei de manhã, ela já havia ido embora. — deu de ombros, dando a seta para entrar na rua do apartamento.
— Eu amo você. — disse quieta, segurando a mão dele. — Nós podemos tentar fazer dar certo, se você quiser.
— É o que eu mais quero! — concordou, desviando o olhar da estrada para encontrar o rosto de recostado no bando, de olhos fechados e um sorriso no rosto. Parecia um anjo, e o fez questionar se conseguiria tirar os olhos dela. — Eu te amo, senhora .
Mas como foi dito; o destino sempre parecia conspirar o contrário. Primeiro os encontros errados, depois o afastamento seguido do divorcio, e agora...
As buzinas altas foram ouvidas junto com o grito agudo de .
Em uma hora ela estava se sentindo no céu, como se estivesse flutuando pelo seu conto de fadas, e em outra... Parecia ter aterrissado no inferno.
Seus olhos estavam levemente abertos, e ela podia sentir lágrimas escorrendo pelo seu rosto, mesmo que estivessem sendo misturadas com sangue. A única coisa que conseguia pensar era Troy, o seu filho, e em como as coisas pareciam que iriam voltar aos trilhos.
estava ao lado dela, com os olhos arregalados e a respiração fraca. O sangue quase seco cobria a sua testa e a única coisa que poderia ser ouvida era a sirene da ambulância, que parecia estar cada vez mais perto.
A mão dos dois estavam enlaçadas e ambos seguravam com força, com medo de largarem.
O som do carro ainda tocava baixinho, e talvez, devido a pancada contra o outro carro, havia travado e repetia uma única frase sem parar;

“I might die on the weekend”
(Eu posso morrer no fim de semana)




Fim.



Nota da autora: Oi, oi! Meu primeiro ficstape e primeira fic que escrevo com alguém que não seja o Harry Styles hahaha, mas não vou mentir, até que gostei do resultado. E vocês? Gostaram? Será que eles morreram? Qual será o futuro do pequeno Troy? Só Deus sabe hahaha. Obrigada por lerem e não se esqueçam de comentar!
TPWK, L.
Xx.



Outras Fanfics:
Waves Of Summer '09 (One Direction - EM ANDAMENTO)
Teenage Dirtbag (ONE SHOT)
Behind The Album (Harry Styles - EM ANDAMENTO)
M.O.N.E.Y (Harry Styles - EM ANDAMENTO)
Out Of The Woods (One Direction - EM ANDAMENTO)


Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


comments powered by Disqus