Fanfic finalizada

Capítulo Único

estava terminando de guardar seus sapatos em sua bolsa, e os colegas de aula conversavam animados. Outro dia extremamente maravilhoso de treino, entretanto, desgastante como os últimos vinham sendo. Ela amava o que fazia, mas, algo a deixava exaustiva ultimamente, e o humor dela obviamente não estava dos melhores. Por tal motivo, os colegas mantinham-se afastados das brincadeiras triviais com a mulher.
Ela fechou a bolsa suspirando pesadamente, e ao se virar para sair da sala o coreógrafo chamou a atenção da turma, que ainda não havia sido totalmente liberada.
— Antes que todos saiam, peço que aguarde um minuto, por favor. Estou com a lista de parceiros do próximo trabalho. Falarei os nomes das duplas, e após deixarei a listagem no mural do corredor, para aqueles que não vieram. Por favor, façam silêncio e aqueles que tiverem alguma objeção – ele olhou diretamente para , que emburrada abaixou a cabeça — Me procurem para conversar ao final.
A garota era conhecida na classe por ser extremamente criteriosa e rigorosa com os parceiros e com o próprio trabalho. E por isso era uma das melhores ali, se não a melhor. Ao receber aquele olhar cortante de Fred, imaginou que possivelmente não gostaria de sua dupla.
Ela olhava o relógio apressada. Acabaria se atrasando e tendo que ficar pós expediente. Batia o pé, de maneira compassada, ao chão demonstrando a sua clara impaciência. Os colegas ouviam os nomes de seus companheiros, cumprimentavam-se e saíam de sala, sem maiores problemas. começava a ficar apreensiva, os seus melhores amigos – que não estavam falando muito com a garota naquela semana por entender o motivo do mau humor – já haviam sido selecionados. E aqueles com quem conversava de maneira superficial também. Restando apenas os novatos. Ela nem mesmo cogitou uma pessoa. Sabia que seria absurdo fazer parceria com um inimigo.
Fred olhou-a de esguelha após checar a linha ao qual chegara e, a mulher irritada, já pensava em ser sacanagem. “Droga, eu vou me atrasar Fred. Vai mesmo, me deixar por último? ”, pensava ela com os pés numa batida impacientemente ritmada.
e…
“Droga, não vou gostar disso…” – ela transmitia tal pensamento num olhar cortante ao coreógrafo.
.
Fred mal encarou a garota após falar e deu continuidade. Ela olhou para o outro lado da sala e encontrou o mesmo olhar insatisfeito em sua direção. Os dois bufaram baixo e ajeitando suas coisas, se puseram para fora da sala. Passaram juntos pela porta, como se aquilo tivesse sido um passo treinado. E Fred, assim como os demais alunos, ao verem sair sem aguardar para reclamar surpreenderam-se.
A mulher já estava quase na saída do prédio, quando viu a alcançando.
. – ele chamou-a.
— Não tenho tempo para você agora. – disse ela, saindo apressada e deixando o extremamente irritado.
— Odeio ela. Estúpida. - murmurou baixinho.
Ele pegou suas coisas e foi em direção às vagas na frente do prédio, e entrou em seu carro dando partida.
Ela já corria até o ponto de ônibus para não perder o seu transporte. Por sorte o alcançou a tempo de não chegar mais do que cinco minutos atrasada.
A porta dos fundos bateu e os funcionários presentes ali, a viram chegar correndo para trocar seu uniforme. Cumprimentaram-se e seguiram para mais um dia de trabalho.
na antessala aguardava a secretária lhe chamar. Ele folheava as revistas de maneira calma e concentrado. Logo que sentiu a proximidade de alguém, interrompeu sua leitura e sorriu à simpática mulher que lhe indicava o local ao qual seguir. Ela desejou a ele “boa sorte” e sorriu-lhe muito mais animada do que o próprio. Ele pode sentir de longe, o olhar da mulher sobre si enquanto andava, e sorriu divertido. Se não conseguisse o emprego, ao menos elevara seu ego. Mesmo, já estando acostumado àquilo.
terminava de limpar o balcão, estava tão cansada a ponto de sentir os ossos rangerem. Ela era uma das últimas a ir embora naquele dia. Quando Breno fechou a porta dos fundos, ela lhe deu um sorriso amigável e acenou em despedida.
! – ele a chamou e a mulher olhou para ele preguiçosamente: — Tem certeza que não quer que eu a acompanhe?
O rapaz olhava-a como se ela estivesse com a vida por um fio. E aquilo a incomodou bastante.
— Obrigada. Eu ficarei bem.
— Certo… Se precisar, pode me ligar.
— Obrigada mais uma vez.
Ela deu-lhe as costas e seguiu com passos lânguidos ao ponto de ônibus. O rapaz caminhava na direção oposta olhando para trás vez ou outra, a fim de certificar-se que ela ficaria bem.
Ao chegar em casa, a garota observou a desorganização e mais uma vez decidiu deixar para outro momento a limpeza. A época do Jam Final era tão corrida, que eram precisas as vitaminas. Foi pegá-las no armário quando se lembrou que tinha tomado as últimas no dia anterior. Torceu os lábios e pegou um iogurte na geladeira. Aquele seria seu jantar. , jogou fora o potinho, em seu cesto de materiais separados, tomou banho e não demorou a recolher-se. Na verdade, a última coisa que se lembrava era do próprio corpo afundando na cama, com a toalha de banho ainda enrolada no cabelo.
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Ele abriu a porta da sala, e estranhou a solidão ali. O zelador sempre a deixava destrancada pela manhã, pois, ela era a primeira a chegar. O que teria acontecido? Curioso, mas, bastante satisfeito por não a encontrar ocupando a sala, e agradecendo por finalmente não precisar treinar na velha sala com espelhos quebrados, ligou o som e calçou seus sapatos.
acordara afoita, com aquela toalha úmida sobre sua cabeça. Tomou um banho extremamente rápido, secou os cabelos ainda úmidos da noite anterior e jogou colônia inclusive neles, a fim de disfarçar aquele cheiro de cabelo que dormiu molhado. Um odor imperceptível à maioria das pessoas, mas, não para .
Quando chegou à academia o zelador lhe sorriu, e ela apressou-se olhando o relógio. Torcia para não ter ninguém lá, e embora soubesse que era a única a chegar naquele horário para utilizar a sala, também sabia que ele esperava o dia que ela falharia para que ele treinasse ali. Parou à porta e não ouvindo som algum, ou enxergando pessoa alguma, sorriu e entrou.
Colocou sua bolsa sob uma das cadeiras e escutou alguém se levantar do chão.
— Achei que não viesse hoje. – ele pronunciou e ela fechou os olhos irritada.
— Apenas me atrasei… – respondeu pegando seus sapatos e tirando os jeans que vestia, revelando o colam e as meias por baixo da calça.
Ele murmurou afirmativo, e parou ao lado dela colocando a própria mala na cadeira vizinha. Passou um tempo observando-a. Parecia cansada, mas, embora ele soubesse que a garota saiu apressada, as suas roupas estavam intactas.
— Está olhando o quê? – ela ajeitava a faixa de sua saia sem encará-lo.
— Nada. Agora que estamos juntos na apresentação final, acho que podemos dividir o horário pela sala.
— Não todos os dias.
— Nesse caso, se não for hoje, você pode sair porque eu cheguei primeiro.
Ela ergueu os ombros e encarando , disse:
— Eu odeio você.
— É recíproco.
Os dois caminharam pela sala. Ela caminhou até o canto e se apoiou nas barras para alongar. E ele que já havia alongado, foi até o aparelho de som colocar a música:
— Escolhi esta música para nossa apresentação…
— Quem deu o direito de você escolher algo sem me consultar?
— Fred. Você não atendeu às ligações dele ontem.
Ela encarou , visivelmente sem graça e calou-se. Não poderia atender. Estava trabalhando e mal pode pegar no celular quando chegou em casa.
direcionou-se ao meio do salão, e fechou os olhos incorporando a música num momento reflexivo. o olhou com desdém, e igualmente concentrou-se na harmonia. De olhos fechados, ambos soltavam o corpo em passos espontâneos pelo salão e estavam tão concentrados, que em determinado momento, os dois puderam sentir a presença próxima do outro. rodopiava de braços abertos, numa postura digna do balé, e pegou em sua mão puxando-a para si guiando um rodopio com o corpo da mulher, de maneira que ao fim dele, seus corpos estivessem colados. Os dois abriram os olhos surpresos e se encararam um tempo em silêncio.
— Isto ficou bom. – ele disse.
— Se você não tem algum critério. – respondeu afastando-se e indo ao som, retornar à música ao início.
— Não foi tão ruim assim.
— Não foi bom, também.
— Acredito que toda expressão espontânea é muito mais enriquecedora que mera técnica.
— Eu também. – ela olhou para ele óbvia — Mas, não é a proposta deste trabalho que os movimentos não tenham o mínimo de técnica. Não estamos engajados em uma apresentação livre.
… Se você for implicar comigo, isto não vai dar certo.
— Não estou implicando, apenas quero que compreenda a complexidade disso . Fred não uniu um especialista de street dance com uma bailarina para que fizessem qualquer coisa.
observou a mulher que lhe falava rígida, e baixou sua cabeça num suspiro contrariado. Se aproximava dela encarando-a incrédulo. Havia uma troca de energias contrárias entre eles, e talvez aquilo os equilibrasse tão bem na dança.
— Ele nos uniu porque temos a química perfeita. – ele respondeu-a, de modo grosseiro.
Ela abaixou a cabeça silenciosa, e puxou seu mini bloco de anotações, da faixa da saia. Havia colocando ali logo que se arrumara. Ele não encarava-a. Mantinha os olhos presos no chão. tinha uma estúpida capacidade de o tirar de si.
— Já contou os contratempos? – ela perguntou diretamente o olhando, abrindo o bloco de anotações como se não ouvisse aquilo.
— Não.
— Então vamos começar por isso.
Os dois sentaram ao chão do salão, e soltando a música fizeram a contagem de tempo, e quais os contratempos harmônicos a música apresentava.
Não era a primeira vez que dançavam juntos. Já tinham um histórico considerável de apresentações, mas, toda nova parceria era como se fosse a primeira vez. De certo modo, ambos negavam a sincronia natural entre seus corpos e espíritos, mas, não conseguiam repreender aquilo. Era tão natural quanto respirar. Não havia uma ação do corpo de que o corpo de não compreendesse na dança, e vice-versa.
E embora todos desconfiassem que a “rincha” era proveniente de questões amorosas mal resolvidas, na verdade, os dois nunca tiveram qualquer contato do tipo, sempre foi no âmbito do coleguismo profissional. E por isso não deveria ser tão difícil compreender suas intolerâncias com o outro, e acreditar quando um deles dizia, que nunca tiveram ao menos se encontrado fora de uma sala de dança de maneira amorosa.
Fred era amigo mais próximo de , do que de . E perturbava-a com tais indagações. Porém, nos últimos tempos ambos haviam se afastado. Não por motivo explícito, mas, porque a rotina, foi os distanciando e a amizade entre eles não era baseada em cobranças ou satisfações indevidas. E foi neste momento, que Fred e estreitaram seus laços de amizade também. Óbvio que não sabia, pois, acreditaria que um complô fora firmado ali, contra ela.
se dispusera a compreender os motivos pelos quais Fred os escalou, antes mesmo de reclamar no dia do sorteio. Entretanto, por mais que pensasse, ele não achava a resposta. Logo, quando Fred o telefonou passando a música, ele descobrira:
“Vocês tem a química perfeita, seus corpos falam entre si embora não vejam isso. Ou finjam não ver. E tem mais: quero a mistura entre balé e street. Quero inovação, e sei que vocês farão algo. ”
passou a pensar sobre aquilo. Era verdade que conhecia ao corpo de , muito mais do que um estranho deveria conhecer, mas, também não era um estranho de fato. No âmbito da dança, eram muito íntimos até. E quando recebeu aquela música, ele não se opôs em momento algum, era da sua área. Já podia observar a coreografia surgindo sob seus olhos. Mas, e ? Onde ela se enquadraria? Ela daria conta? Não que ela não conhecesse outros estilos de dança, afinal, eles eram submetidos a uma diversidade de ritmos ali na academia. Contudo, o que ela poderia propor?
— Acho que podemos trazer elementos muito fortes nos passos. – ele disse após terminarem a contagem.
— Do street dance né… Mas, acredito que o Fred não escolheria essa música para nós se quisesse o trivial. O que ele te disse?
— Ele realmente deixou claro que queria uma mistura de nós, e inovação.
— Hm… – ela deitou ao chão e fechou os olhos para pensar.
sempre fazia aquilo quando estava diante de um momento criativo. observava-a com um sorriso de canto, pois, sabia que assim que ela levantasse seria para valer.
, por que não atendeu às ligações de Fred ontem? Não é do seu feitio ignorar trabalho.
— Justamente. – ela respondeu um pouco incomodada — Eu estava trabalhando. E cheguei exausta o suficiente para verificar meu celular.
— Trabalhando? – perguntou como se fosse absurda aquela informação.
De certa forma, era. não o respondeu, imediatamente levantou-se e ligou o aparelho de som, expondo o primeiro conjunto de “oito” dos movimentos. E conteve sua curiosidade para encarar a proposta dela.
Ao fim daquela manhã de ensaios privado e coletivo, a garota corria para guardar as suas coisas. observou a pressa dela.
— Você quer uma carona?
— Não.
— Não há mal algum em aceitar uma gentileza.
— Já ouço fofoquinhas demais em relação a você, obrigada.
— Não me parece ser seu estilo dar ouvidos às fofocas.
Ela colocou sua bolsa no ombro e despediu-se discreta dele. O rapaz a seguiu pelo corredor, e aproximou-se a fim de fazê-la aceitar a carona.
— Eu só quero ajudar. Não vai mudar nossa relação de ódio um com o outro.
Ela riu sarcástica pelo comentário dele.
— Certo, . Eu aceito. Mas, já aviso que é totalmente fora de mão para você.
— Tudo bem, eu não ofereceria se não pudesse levá-la. Onde é?
— Perto da minha casa, na Urca.
— Você não morava na Barra?
— Sim.
Eles seguiram até o trabalho de . E quando compreendeu que havia se mudado de endereço e agora começava a trabalhar, porque algo ocorrera em sua vida mudando sua realidade, ele não pode se conter em perguntá-la, no percurso:
— O que houve em sua vida, ?
— Do que está falando?
— Achei que estava chegando mais cedo para ensaiar, apenas por pirraça de não deixar a sala livre para mim… Contudo… Você saiu da Barra da Tijuca para a Urca, que não é tão ruim assim, mas deixa claro que você não poderia mais se manter como antes. E ainda por cima está trabalhando… Você faliu? – perguntou sem pudor algum.
— Não. Eu nunca tive bens para que eu falisse.
— E então?
— Você se enganou quando deu esta carona para mim, se achou que teria liberdade para ser invasivo desta maneira.
— Desculpe – sorriu irônico — Só quero compreender o que aconteceu.
— Meu pai me mantinha, não me mantém mais.
sabia que o pai de não aprovava a carreira de dançarina da filha. A mulher estrelava um típico clichê: “o pai rico e a filha que não quer assumir a empresa”. Ele se viu pensando no real motivo para a mulher de 28 anos não estar mais sendo mantida pelo progenitor. E ainda: como estaria lidando com a dura vida de uma trabalhadora? Ela nunca fizera o tipo mimada, mas, é fato que usufruiu de todas as mordomias que tinha em sua vida, e não por opção, mas, por necessidade, agora a sua realidade lhe exigia o contrário.
— Que horas você sai do trabalho? – perguntou após um longo tempo de silêncio na viagem, assim que parou em frente à lanchonete.
— Que isso? Eu tenho que bater meu ponto para você agora?
— Eu só estou tentando ser gentil.
— Sua carona já foi gentil o suficiente. Obrigada.
Ela deu às costas ao carro, e atravessou a rua correndo. passou alguns minutos observando. Uma lanchonete chinfrim comparada ao padrão que ela estava acostumada. Se viu curioso para assistir a “posuda” bailarina , por trás de um avental e servindo salgados fritos por trás de um balcão. O que não pode notar, é o sorriso de admiração que seu rosto formara só em imaginar o esforço que estaria fazendo para manter tudo aquilo. Ser esforçada em seus objetivos era uma qualidade muito natural, que a mulher sempre demonstrou ter.
Infelizmente, não teria tempo de apreciar a atuação de fora dos palcos, havia conseguido trabalho na empresa que tanto almejou por tanto tempo. E havia desviado totalmente de seu caminho com aquela ideia de passar um tempo a mais com . Não sabia definir os motivos, entretanto, a implicância da mulher, a ideologia de ódio entre os dois era o que motivava a sempre instigar a relação entre eles. Uma relação de trabalho, misto de coleguismo e rivalidade. E lógico, de “desafio a ser superado”. Era isso que significava para : um desafio.
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— Atenção todos vocês! As datas para as apresentações foram marcadas. Algumas, alteradas. E as duplas as quais vou chamar, quero que me entreguem a coreografia daqui há três dias.
O burburinho de reclamações começou entre os dançarinos, mas, dois deles não se mostravam preocupados. Fazia parte da pose de ser quem eram ali naquele espaço. estava ao canto da grande sala, movimentando seu corpo num ritmo clássico de balé, misturado à uma agressividade não peculiar de suas performances. estava sentado ao chão observando-a cauteloso e crítico. Enquanto os colegas concentravam-se em engolir Fred com reclamações e dúvidas, o líder coreógrafo corria seus olhos, curiosos, sobre a figura dos rivais que estavam dedicados demais àquele momento de ensaio.
— Por favor, façam silêncio e eu explicarei tudo!
Fred gritou impaciente com a maioria. E assim que todos calaram-se, alguns envergonhados e outros irritados, ele suspirou. Colocou o papel que estava em suas mãos sob a caixa de som, e com as mãos na cintura olhou para o casal alheio ao que acontecia:
! ! Podem se concentrar um pouco em mim, por favor? – ele falou educadamente.
Os dois parceiros assentiram silenciosos e caminharam até ele.
— Companhia… Infelizmente a situação da nossa Academia não está financeiramente bem. Fui informado que na data do Jam Final haverá uma reunião importante, e decisiva para o futuro da nossa companhia. Com isso, a direção pediu para que eu antecipasse o evento a fim de, através dele, tentar conquistar uma imagem positiva para a continuidade deste projeto. Eu não quero, ter que perder tempo explicando as relações políticas que estão sendo uma barreira para nós. Estou realmente empenhado em cumprir os prazos, e mais do que isto: mostrar a importância do nosso trabalho. Então, por favor, as reclamações e dúvidas neste momento não serão bem-vindas. Aqueles que tiverem algum impedimento com a nova data do evento, e também com as avaliativas apresentações de vocês, por favor, me procurem depois para conversarmos. No mais… Como eu disse, os nomes citados devem cumprir sua avaliação daqui há três dias.
Ao perceber que todos fizeram silêncio, e não o contestaram apesar de algumas expressões não estarem satisfeitas, Fred prosseguiu. Pegou o papel na caixa de som e ditou cinco das catorze duplas. Entre elas, e .
Os dois se entreolharam, e embora não tivessem dito nada, entenderam a preocupação em suas expressões. mordeu o lábio inferior, concentrada ao chão.
, por favor me espere. Precisamos conversar. – Fred disse a ela, quando ao terminar de citar as duplas, os dançarinos liberavam a sala.
Ela afirmou silenciosa e caminhou até suas coisas. estava atento ao modo como ela reagia, e à fala de Fred. Ele demorou mais do que o necessário para guardar suas coisas. Enquanto Fred se organizava, foi para perto da parceira:
— Está tudo bem com o prazo, para você? – ele perguntou-a.
— Em que mundo você vive, ? Claro que não. Ainda não sabemos nem o que fazer na parte principal da música. – ela colocou a bolsa sob os ombros encarando-o incrédula.
— Eu me referia ao fato de termos que ensaiar dobrado para finalizá-la, nestes dois dias.
— Ah, isso… Relaxa eu vou dar o meu jeito. Me diga o melhor horário para você.
— Pela noite. E acredito que é o único horário disponível a você também, não é?
— Sim, mas, não significa que…
Ela ia terminar de falar, quando Fred surgiu vindo em sua direção falando seu nome e sorrindo. não sabia se aquela seria uma conversa casual, ou se haveria algo negativo por trás. Ele lembrava-se bem de ouvir Fred reclamar do extremo cansaço que aparentava nas últimas semanas. Embora seu desejo de ficar ali para ouvir a conversa fosse grande, ele despediu-se de com um beijo não autorizado no rosto, o que a fez vincar a testa em rugas de reprovação, e sorrir. Ele cumprimentou Fred, enquanto saía, num gesto de despedida próprio dos dois. E antes de sair totalmente pela porta o viu abraçar a garota, de um modo que há muito tempo ele não o via fazer.
Droga! Por quê Fred a abraçava daquele jeito? Era como, quando alguém está prestes a dar um tiro pelas costas de outro. O que aconteceria? Ele iria dispensar da companhia? Mas, ele não poderia fazer aquilo! Além de ser a melhor bailarina dali a participação de todos era voluntária, e tanto ele quanto eram os nomes favoritos para liderança dos futuros grupos da Cia.
não se conteve! Ficou escondido no corredor de saída, na tentativa de ouvir algo.
— E aí, Fred, o que aconteceu? – tinha pressa.
— Aconteceu que você não está nada bem há muito tempo. E eu fui negligente em não perguntar a você, antes, o que estava acontecendo.
— Olha, nós dois nos afastamos nestes dias, mas, eu ainda te amo, ok?
— Eu nunca me canso de desejar que alguém, algum dia, filme você confessando que me ama desse jeito.
— Idiota. Não precisa se preocupar, eu estou passando uns perrengues, mas… Tudo vai dar certo.
— Ele não voltou atrás?
— Não. E nem eu esperava por isso.
— E o trabalho?
— Tem sido… Desafiador, mas, estou me saindo bem. E é justamente por causa do trabalho que não posso me atrasar, Fred! A gente conversa em outra hora, tudo bem?
— Hoje você vai para o bar?
— Sim.
— Então conversamos lá, assim você trabalha e não me ignora.
Eles riram. Se encaminharam à saída e estava confuso. Ele ajeitou sua postura enquanto pensava o quê Fred sabia sobre que ele não. Na verdade, não era para se espantar, afinal, os dois eram amigos muito antes de Fred passar a frequentar a casa de , mesmo assim, o fato de Fred quase nunca falar sobre davam à a impressão de que não havia muito mais intimidade entre Fred e , do que havia entre a garota e ele. Descobrir o contrário, o incomodou um pouco.
— Você vai me dar uma carona? – perguntou sorrindo para Fred.
Como ela poderia pedir a ele uma carona, mas, recusar com tanta certeza as caronas de ? Aquilo realmente estava o incomodando de uma maneira incomum. Ele decidiu pegar seu telefone para fingir que falava ao perceber que os outros dois se aproximavam cada vez mais. E aí, se recordou que o telefone estava com antes de Fred os chamar.
? – Fred perguntou ao vê-lo na porta com a cabeça pensativa e as mãos no bolso.
— Ah… Eu tive que voltar, acho que perdi meu telefone.
Ele disfarçou bem.
— Oh! – exclamou envergonhada: — Me desculpe! Eu acho que guardei com o meu… – procurava em sua bolsa, com a face mais insatisfeita do mundo: — Aqui está, . Me desculpe!
— Ah, tudo bem, obrigada. Pelo menos não o perdi.
— Por que essa cara tão reprovativa, ? Guardar o telefone de é tão ruim assim? – Fred perguntou sorrindo, ao notar como a garota havia ficado sem jeito e podia dizer que ele tirou as palavras de sua boca.
— Não é isso, só não quero que pense que foi de propósito. – ela falou olhando-o.
— Por que eu pensaria isso?
— Porque nós odiamos um ao outro. – ela respondeu óbvia.
— Eu não te odeio.
e se encaravam de uma maneira forte. Fred os observava em silêncio. Quando se deu conta de que a garota se atrasaria ainda mais, e os dois continuariam parados se olhando, Fred bateu no braço de chamando-lhe a atenção:
— Ei, ! Pode nos dar uma carona? Estou sem meu carro hoje.
— Por que não me disse antes? Temos que correr! – falou alto e surpresa.
Ela pegou a mão de Fred e ia sair o puxando, quando a mão forte de pegou em seu outro braço a impedindo de prosseguir. Ele encarou a garota, com certa rudez.
— Eu levo você.
Como ela poderia ser tão ridícula? Recusar a carona de duas vezes. E agora ali, daquela maneira! Preferindo sair correndo como uma maluca com Fred, do que aceitar que ele a levasse. Ela soltou-se da mão dele de maneira tão rude quanto, e olhou para Fred de modo suspeito. O coreógrafo se divertia em presenciar aquela atmosfera cada vez mais pesada sobre seus dançarinos.
— Eu levo os dois. Não viu que Fred me pediu carona? Não precisa recusar, é por causa dele.
disse e deu as costas andando em direção a saída, e guardando seu celular no bolso. Fred sorriu provocativo para , e a mulher revirou os olhos. Antes que ela tomasse à dianteira em sentar no banco de trás do carro, Fred o fez. E quando ela ia se sentar ao seu lado, ele negou indicando-a para ir na frente.
— Achei que fingiria que eu sou seu chofer, também. – falou ao percebê-la ao seu lado afivelando o cinto.
Ela o encarou com raiva. E ele nem percebeu como o comentário foi rude, dada a situação financeira atual de . O que havia de errado com aquele idiota? Ela não entendia o motivo pelo qual ele estava sendo mais estúpido que o normal.
— No mesmo lugar de antes? – ele perguntou à .
— Sim.
— Não sabia que a lanchonete funcionava à noite.
— À noite é um bar.
— Como pretende me encontrar se trabalha à noite também?
Fred estava atento aos dois no banco da frente, e às suas conversas. Ele sorria à medida que percebia a intimidade que já existia ali, e que aqueles dois sempre faziam o possível para negar.
— Como eu vou fazer não é da sua conta. – ela respondeu malcriada.
O rapaz a olhou extremamente irritado. O que achava? Estava sendo grosseiro com ela sem o menor motivo, depois de dizer que não a odiava e queria que ela fosse legal com ele?
— Vocês dois.... Por que estão discutindo desse jeito? – Fred perguntou de maneira calma para aliviar o clima tenso.
— Eu apenas estou respondendo as grosserias dele no mesmo tom.
— Grosseria é você não aceitar as minhas caronas, como se eu fosse alguém com algo contagioso a ser evitado, mas, pedisse para o Fred levá-la!
explodiu. Silêncio no carro. Constrangedor. ruborizou-se ao dar conta do que havia dito. Fred sorria divertido. estava perplexa.
— Você estava nos espiando? – ela perguntou a ele.
— Você está com ciúmes da e eu?
— O quê? – tanto quanto perguntaram juntos, incrédulos demais e arrancaram uma gargalhada de Fred.
Novamente o silêncio. evitou o olhar e engoliu a saliva quente e amarga que formava em sua boca. Aquele café que tomou um pouco antes do ensaio, ainda estava no rastro de seu paladar, e incomodava aquele sabor. Procurou de maneira calma, uma bala em sua bolsa. Estava mais desconfortável do que nunca, na presença de .

O restante do percurso foi bem rápido. parou o carro bem em frente ao local, que antes, havia deixado a mulher. Fred bateu no ombro dele o agradecendo e abriu a porta do carro saindo. ajeitou sua bolsa em seu ombro e já ia abrir a porta do carro em silêncio, quando pela segunda vez ele segurou seu punho. Ela olhou para o gesto dele, de maneira confusa e reprovadora.
— Me desculpe. Extrapolei a estupidez hoje.
Ela pensou em falar qualquer coisa, mas, apenas soltou-se da mão dele e saiu do carro. E por mais que ele estivesse perplexo por ela não agradecer a carona, ainda se surpreendia com a sagacidade em ser pontual em tudo. “A carona é pelo Fred” , ele disse a ela, nada mais normal do que Fred apenas, agradecê-lo. Ela sabia pisar como nunca fora pisado.
Fred já havia entrado ao bar, e deu partida no carro observando ela entrar pela saída dos funcionários. O que ele realmente desejava era ficar ali e descobrir que tipo de conversa eles teriam.
— Está acontecendo algo além dos ensaios?
terminava de amarrar seu uniforme atrás do balcão, quando Fred perguntou-a. Os outros companheiros de trabalho a cumprimentavam, organizando lugar.
— Vai querer beber o quê?
— Vou esperar outros clientes chegarem.
— Como preferir.
Ela disse e já se direcionou aos frigoríficos do balcão, abrindo os pacotes de gelo que um colega trouxera, para que ela os virasse ali.
— Estou esperando uma resposta. Ou posso considerar o que eu quiser?
— Fred… Não é nem o tipo de pergunta válida.
— Me parece muito válida.
— São apenas ensaios.
— Eu não sei o que andam ensaiando, mas, eu posso afirmar que
— Fred! Eu tenho mesmo que trabalhar, se era do que queria falar eu realmente estou dispensando este diálogo!
— Tudo bem, desculpe. – ele riu: — Me conta, que perrengues está passando e como eu posso te ajudar?
— Pode ajudar arranjando outra data para minha avaliação.
— Vocês me pareceram muito certos das suas coreografias… Não está pronta?
— Falta alguma coisa. Mas, ando com bloqueio, por causa de todas estas mudanças loucas na minha rotina.
— Você sabe que tem direitos, por que não recorre a um advogado ao invés de se sacrificar assim?
— Não! Não quero um real dele! Seria como assumir que dependo da vida que ele me proporcionava. Está difícil, mas, eu não vou perdoar meu pai por me obrigar a escolher entre as carreiras e ele.
— Certo… Eu realmente não posso mexer muito nas suas datas. Você sabe que são alvo de fofocas pelos cargos que ocupam, se eu mudar agora será extremamente irritante…
— É eu sei… – ela concordou com Fred suspirando pesado.
— Mas, preparem-se para segunda. Se por acaso não conseguirem terminar, me apresentem o que tem, e depois apresentam de novo. É o que posso fazer.
— Droga… Já prevejo os burburinhos de “a realeza da companhia fracassou?” se nós apresentarmos a coreografia incompleta.
— Vocês não têm que ser perfeitos o tempo todo. Só no dia do Jam. E depois de hoje… Eu vou entender se segunda-feira estiverem com a coreografia incompleta por perderem tempo namorando um com o outro.
— Ah, Fred, me erra!
O amigo gargalhava enquanto sumia para dentro da cozinha. Ele chamou outro atendente para lhe servir, os clientes chegavam pouco a pouco e ele começava a distrair-se daquela semana tensa.
Naquela noite, sentia-se extremamente incomodado pelo modo como agiu com . E se não bastasse a própria culpa, o olhar que ela dera a ele ao sair do carro não saía de sua cabeça. Passou as mãos nas chaves de casa e do carro, calçou seus chinelos e puxou um casaco de moletom do cabide da porta e saiu.
Estacionou um tempo depois na porta do mesmo lugar. O relógio marcava duas horas da manhã, e ele olhava ansioso para a saída dos funcionários. Ela não devia ser liberada tão mais tarde do que aquilo, já que ele havia a deixado lá às sete da noite.
Ouviu risadas na entrada do lugar, e avistou Fred mais animado do que o habitual. Ele estava bêbado. riu por saber que alguma mulher era a causa daquela bebedeira. Ou ele havia tomado um fora, ou bebido com alguma mulher a noite toda e sairia acompanhado. E saiu, mas a mulher ao lado dele era . Ela ria de modo diferente, como nunca havia notado, ou talvez ela nunca tivesse sorrido para ele daquela forma. Realmente, entre aqueles dois, havia mais intimidade do que pensava, mas, ele sabia que a intimidade de Fred e era algo fraterno.
E era o que ele pensava até ver as mãos de Fred puxarem o rosto de , e de maneira calma, ele depositar um beijo nos lábios dela. Eles trocaram quaisquer frases e a menina abriu a porta do carro que estava parado ali para que Fred entrasse. O carro seguiu e a garota entrou novamente. estava perturbado por aquela cena.
Já estava decorando a fachada daquele lugar de tanto esperar por ir embora. Na verdade, não era tanto tempo assim, mas, ele tinha impressão de aguardar muito mais do que o real. Batucava os dedos no volante do seu carro, e olhou impaciente para o relógio. Certeza de que ir ao trabalho aquela manhã, seria penoso. De repente a porta dos fundos do bar se abriu, e ela saiu vestindo sua jaqueta. Alguns colegas falavam com ela, e com medo de perdê-la para outra carona depois de tanto a esperar, desceu do carro indo ao seu encontro. Os seus amigos se assustaram com a aproximação repentina do rapaz àquela hora da madrugada. olhava para ele espantada.
— Boa noite.
— O que está fazendo aqui? – ela perguntou assustada.
— Está tudo bem, ? Ele é seu amigo? – um dos rapazes perguntou ainda desconfiado com a presença de .
— Sim, está tudo bem, obrigada, Thiago. Podem ir, já está tarde e o Uber está quase chegando. é da minha academia de dança, ele me faz companhia até o carro chegar. Obrigada.
Ela dispensou os amigos que confiando em suas palavras, despediram-se. Acenaram para , ainda desconfiados e partiram.
— Eu não queria te assustar.
— Você não disse o que está fazendo aqui.
— Eu vim te buscar.
— Oi?
— Cancela a viagem. Fiquei a noite toda esperando você sair. – ele pegou o celular nas mãos dela e cancelou a viagem.
A mulher protestou pela petulância. E sorriu ao ver a expressão irritada dela.
— Está rindo de quê? Será possível que eu nem mesmo posso descansar?
— Vamos…
Ele sorriu sacudindo a cabeça, deu às costas para ela e seguiu em direção ao seu carro. ficou olhando-o cada vez mais abismada, quando olhou para o lado avistou um grupo estranho de homens se aproximando. Olhou novamente para que parou ao lado do carro a observando confuso. E então ela aceitou a carona.
— Não estou nem um pouco confortável com isso, quero deixar claro! – ela disse para ele impedindo-o de abrir a porta para que ela entrasse.
Dentro do carro os dois se mantinham em silêncio, mas, não suportou por muito tempo:
— Que história é essa de ficar plantado na porta do meu serviço, me esperando? Desde quando você tem esse tipo de liberdade?
— Eu só queria me redimir por ter sido estúpido mais cedo.
— Você é estúpido todos os dias.
— Por que, ? – ele perguntou olhando-a intrigado depois de algum tempo observando a rigidez da garota consigo.
— Por que o quê?
— Por que você me odeia?
— Porque sempre fomos assim.
— Não, não fomos. Eu queria te lembrar que no início, quando passávamos mais tempos juntos, quase éramos como amigos, e os melhores parceiros de dança que já se viu. Isso, ainda somos.
— Algumas coisas mudam, . Vire à esquerda… – ela deu o comando para sua casa.
Ele observou-a entre um olhar e outro da estrada para a garota. Não conseguia entender quando foi que aquilo começou. Lembrava-se do início, dos dois ensaiando juntos, saindo pós ensaio para descansar. Lembrou-se até das poucas vezes que foi à casa dela ensaiar. Onde haviam começado com todo aquele ódio? E por que ele não a odiava de verdade?
Percebeu, em seus pensamentos, que estava incomodado demais com tudo aquilo, e a imagem de Fred a beijando surgiu em sua mente. Ela deu-lhe outro comando para virar em uma rua, e assim que fez a curva, não segurou a pergunta:
— O que está rolando entre você e o Fred?
— Oi? – ela o olhou confusa da cabeça aos pés.
— Eu vi vocês se beijando.
— E onde isso é da sua conta mesmo? Aliás, que comportamento é este desde cedo, em relação ao Fred? Vocês estão tendo um caso e eu não sei?
a olhou com muita irritação e bufou.
— Deixa de ser idiota.
— Deixa você!
— Eu só estranhei! Ele nunca me falou de vocês dois.
— Que ótimo. Porque ele não tem mesmo que falar sobre mim com você.
— Então vocês estão juntos, mesmo? – perguntou mais calmo.
A necessidade daquela resposta era algo que ele não sabia se estava conseguindo disfarçar. não o olhava, mas, começou a rir no carro, e não entendeu. Ela colocou as mãos no rosto tapando o riso de ironia que estava sendo acometida. A verdade é que aquela pergunta, feita duas vezes, com tanta curiosidade – ela havia notado – a fez lembrar do ocorrido de horas antes na saída do bar.
~Flashback~

— Fred, avisa quando chegar em casa. Eu vou acompanhar a viagem pelo aplicativo, você exagerou hoje. – ela dizia saindo do bar acompanhando-o.
O carro estava estacionando próximo, quando Fred a olhou sorrindo e puxou o rosto de e lhe beijou. A mulher o olhou surpresa e ele rindo apenas disse:
— Sempre quis fazer isso…
— Você está bêbado! E vai se arrepender amanhã!
— Se visse isso agora, com certeza ele me mataria.
— Cala a boca. Entra logo no carro, o cara está esperando!
— Você ficou vermelha?
— Tchau, Fred! – ela abriu a porta do carro o ajudando a entrar.
~Fim do Flashback~

— Do que está rindo? – perguntou mais curioso do que irritado.
— Nada… Chegamos! – ela falou subitamente apontando a entrada de casa.
— Você não vai me responder?
— Eu não tenho obrigação nenhuma disso.
— Tudo bem, eu pergunto para ele.
— O quê? – ela se irritou: — Qual é a sua, ?
— Eu acho que foi uma pergunta muito simples.
— Nós não estamos juntos! – ela respondeu brava.
Desceu do carro, dando a volta pela frente sem encarar . Ele não entendia se aquela era a resposta dela, ou se foi um fora para ele. abria o portão quando ele desceu imediatamente indo atrás dela. Ela fechou o portão na cara dele e segurou a mão dela pela grade:
— Espera! Não precisa ficar brava assim!
— Boa noite, , obrigada pela carona. E por favor, não faça mais isso, não temos a obrigação de estreitar laços só porque é a nossa vigésima apresentação juntos.
Ela soltou o braço de suas mãos e entrou em casa. mal podia acreditar, que havia passado a noite esperando uma chance de mudar o olhar dela para ele, e no fim voltara a estaca zero. Recebeu o mesmo olhar de rancor da garota. Bufou alto colocando as mãos pela nuca e observou confuso a fachada da casa simples da garota. Ouviu a janela se abrir e a imagem dela surgir, com uma expressão diferente no rosto.
— E vai logo embora, o bairro não é tão tranquilo assim! – ela disse com um olhar diferente para ele, mas ainda estava com as rugas de descontentamento em sua testa.
Ele sorriu. Não soube exatamente por quê, mas, sentiu que deveria.
— Eu te busco para o ensaio da manhã! – ele falou alto quando a viu se afastar da janela.
— Nem me apareça aqui! – ela voltou rapidamente à janela, sendo categórica.
Qual era o problema daquele garoto? Viu entrar em seu carro e sair imediatamente. Estava muito confusa. Afinal, o que ele estava fazendo?
Na manhã seguinte, despertou ainda mais cansada que o habitual, virou o café todo em seu copo térmico, puxou sua mala recém montada de cima do sofá e saiu em disparada. Não haveria tempo de comer direito, se não se atrasaria. Fechava a porta de casa apressada, e bateu o portão com tamanho barulho que, , de dentro do carro estacionado um pouco distante assustou-se bocejando. Ele buzinou para ela, e olhou para trás bebendo seu café.
— Merda… – ela sussurrou ao notar o carro dele — Será possível?!
Ela continuou andando até o ponto de ônibus. Ainda mais apressada. irritou-se ao perceber que ela estava fugindo dele, e ligou a ignição dirigindo até alcançá-la, o que não foi difícil. Baixou o vidro e gritou para ela:
— Deixa de ser infantil! Está muito cedo para isso e me deu muito trabalho acordar antes do meu horário para vir te buscar!
— Pfff! Eu não pedi para você vir!
! Para! Entra logo!
A garota continuou andando. bufou e olhou o retrovisor. Não vinha carro algum e nem ônibus. Ele deu uma leve acelerada e fechou o caminho da garota, invadindo parte da calçada. parou de olhos arregalados e boca aberta. Começou a xingar o homem, e revirou os olhos, abrindo a porta do carro. Ela entrou, emburrada.
— Bom dia, . Como dormiu?
— Cala a boca.
sorriu e seguiu para o destino dos dois. Ao chegarem na academia, os dois entraram à sala discutindo. exigia que parasse de a perseguir daquele jeito e apenas a provocava ainda mais. Logo os dois concentraram-se no ensaio. Ela havia finalizado a ideia que havia tido para incluir um padedê na coreografia. Ele observava os passos que ela executava e explicava, com calma e dedicação incomum. Os olhos de começaram a brilhar sobre a figura da mulher. Ela havia posto um instrumental de balé, para auxiliar a adentrar naquela atmosfera. E ao sentir os acordes de Feel Again tocando num ritmo animado, mas leve, se hipnotizou em .
Sua hipnose não durara muito, uma vez que seu corpo foi acometido pela música, e ele levantou-se do chão de repente, assustando-a. Tomou as mãos de nas suas, e guiou a mulher num duo totalmente íntimo. Havia mescla dos passos dela, do improviso dele, mas principalmente, uma mescla de seus corpos.
estava ofegante ao final, não pelo cansaço, mas, pelas sensações.
— O que você está fazendo? - ela perguntou olhando-o nos olhos.
Não desviaram o olhar um do outro. Ela percebeu a pupila de dilatada e um brilho, que lhe pareceu erótico demais, refletidos ali. Ele, por sua vez, observava o movimento ofegante da respiração dela, e ele sabia o que significava.
— Eu estou dançando. – respondeu ele, com voz baixa e rouca.
não admitiria, mas aquela entonação mexia com ela de uma maneira totalmente eufórica.
— Não são estes os passos.
— Você nunca foi levada por um momento? – aquela pergunta dele, pareceu-lhe sugestiva demais.
Fred havia chegado mais cedo, a ressaca não o deixara dormir e, era responsável demais para perder um ensaio por conta de bebedeiras. Ele estava escondido à porta, observando os amigos. Sorriu e baixou a cabeça. Com as mãos nos bolsos saiu dali, deixando novamente o par a sós.
, não podemos inventar muita coisa, até porque essa música foi apenas para te ajudar a entender a construção das oitavas e…
interrompeu-a:
— Eu sei, . Mas, estou apenas contribuindo. Sei que é a sua área. Contudo, temos que literalmente gerar um filho aqui. O resultado de nós dois.
já havia soltado a jovem de seus braços, e falava normalmente. E não entendia os motivos, daquela analogia ter a desconcertado tanto. “Gerar um filho… O resultado de nós dois”... Ela pôs os dedos, de modo delicado, sob os olhos. Lambeu os lábios calma e suspirou de cabeça baixa.
— Nós temos uma química invejável, e tudo o que fazemos juntos dá tão certo… O que achou da minha proposta?
Afinal, do que estava falando? Ela estava tão confusa com aquelas frases que lhe pareciam tão subliminares!
— É nós somos bons mesmo! – disse categórica com as mãos na cintura e ele sorriu satisfeito em ouvir aquilo — Eu… Gostei.
— Ótimo! Você entra com seu início e finalizamos o padedê com o meu final, depois voltamos ao street.
Ele caminhou diretamente ao som, animado em retornar à música. E ela sentiu-se extremamente envergonhada por notar que estava apenas falando da dança. Estava constrangida pelas sensações estranhas, que aparentemente, afetaram exclusivamente a ela. E queria logo sair dali.
Ensaiaram até a hora que Fred retornou. Ele os cumprimentou, assistiu o que estavam preparando, os parabenizou e quando finalizaram, Fred se aproximou de . Ela sorriu indo abraçá-lo, mas, foi pega de surpresa por outro beijo na boca. Fred estava louco, ou ela havia perdido alguma coisa? não pode evitar a cena, uma vez que estava bem à frente dela.
Ele queria realmente sair correndo dali e socar a primeira parede bem dura. E ao notar aquilo grunhiu. Fred e se separaram, e olhavam-se ignorando a presença de . Para havia algo mais importante do que dar atenção ao fato de que, , que havia a sondado sobre Fred, estava ali naquela sala observando-os. Ela tinha que esclarecer o que estava acontecendo ali, antes de se preocupar com impressões aparentes. E quanto ao Fred, divertir-se com as reações de eram mais importantes.
— Eu disse que sempre quis…
— É você disse. – ela interrompeu Fred de maneira dura.
não sabia o que estava acontecendo, mas, pegou seu pen drive no aparelho de som e colocando-o no bolso saiu dali. Os outros dois notaram a saída dele, silenciosos e sem olhá-lo. Quando estavam a sós, retornaram o diálogo.
— Não é nada demais, , só que você estava muito linda dançando e também… Eu disse que sempre quis te beijar, e ontem, aquilo não foi bem um beijo, não é?
— Frederico, deixa de ser idiota. Não combina com você, este papel. Nunca mais faça isso. Você sabe que eu odeio quando me tocam ou agem como se meu corpo pertencesse a qualquer pessoa, menos a mim.
— Desculpa, … Mas, você sabe que não foi a minha intenção.
— Eu sei muito bem qual foi a sua intenção, e é melhor você parar.
Ela disse dando as costas para Fred. Dessa vez ele não esboçou nenhuma expressão. Enfiou as mãos no bolso e observou a mulher trocar suas sapatilhas pelo sapato de jazz.
— Mas, você gostou? – ele perguntou após um tempo em silêncio.
— Não foi o meu melhor beijo. – ela respondeu e Fred riu daquele fora.
, havia retornado para a sala, bem no momento em que Fred a perguntou, e se escondeu à espreita da resposta. Sorriu com a resposta que ela deu.
Naquela manhã de ensaio, saiu mais cedo. Precisava chegar impreterivelmente às nove da manhã na lanchonete, e por uma confusão anunciada na cidade no dia anterior, as rotas dos ônibus estariam modificando-se. Ela não quis arriscar chegar atrasada. E partiu para o ponto de ônibus, meia hora mais cedo.
Estava sentada no ponto, curvada, com os cotovelos nos joelhos, e as mãos aos cabelos. E olhava na direção que o ônibus viria. passava de carro, e outros colegas da academia chegavam também ao ponto. Ele diminuiu a velocidade e jogou o carro para o acostamento. Ficou com o pisca alerta ligado observando-a quieto, quase que escondido, do outro lado da rua. Cada trejeito dela o intrigava. O modo como sorriu para os colegas que se aproximaram, indicando a nula intimidade ali. O modo como mexia em seus cabelos demonstrando agitação e olhava incessante ao relógio. A mordida de lábios que esclareciam a sua impaciência. E sorria.
sempre o fizera sorrir, desde que se conheceram. Ele sempre soubera daquilo, só nunca soubera por qual motivo escondia aquilo todo aquele tempo. Ela levantou-se do banco no ponto de ônibus, dando o lugar a uma senhora e olhando feio para os colegas de Academia que não fizeram aquilo. sorriu com o “revirar de olhos” habitual, de , seguido por um resmungo. Tinha o espírito de uma idosa rabugenta, quando queria. Ela olhou mais uma vez para o relógio e cogitou oferecer-lhe carona.
Ela havia dispensado todas as caronas, e ele teve que praticamente forçá-la aceitar, mas, foi bastante direta aquela manhã quanto ao “pare de me perseguir”. E nem mesmo ele, tinha palavras para explicar ou justificar aquela “perseguição”. Contudo, uma última vez não iria os matar, não é?
Bem no exato momento em que pensou em seguir atrás da garota, o ônibus chegou e ele observou a mulher sumir entre os passageiros. Lamentou, e partiu dali para o seu trabalho assim como ela estava fazendo dentro do ônibus.
Ao anoitecer, estava livre do trabalho. Era seu dia de folga. Assim que soubera daquilo, ela telefonou para . Combinaram de se encontrar no centro. Mas, foi a porta da saída dos fundos abrir, e sair dali quase aliviada que o carro dele surgiu estacionando à sua frente.
— Eu acho que falei: “te encontro no centro”.
— E perder mais tempo? Só entra logo, .
sorria, não conseguiu levá-la mais cedo, entretanto o destino estava literalmente, tirando com a cara de .
Eles seguiram até a casa dela, mas a mulher só se deu conta após acordar ao chegar. Havia dormido o caminho todo.
— Eu não sabia para onde seguir. Tudo bem se nós ensaiarmos aqui? – ele perguntou e ela bocejando olhou para a garagem de sua casa.
— Tudo bem… Não repare a bagunça.
Ele estacionou na porta, pegou sua mochila no banco de trás do carro e seguiu a garota que entrava. O portão gradeado branco, rangendo fez com que observasse a nova , com admiração. Talvez fosse aquilo: andava muito admirado pela força de superação da jovem.
Ela abriu a porta da sala, e sorriu para ele sem graça. A casa não estava absolutamente bagunçada, mas, também não estava impecável. A primeira coisa que ela fez, foi recolher as cobertas e os papéis sob o sofá. Deixou cair um, e o pegou lendo: “Barreiras”, o título o chamou atenção, e as primeiras frases também. Entregou o papel a ela, intrigado. Mas, ela não mencionou nada sobre aquilo.
— Quer alguma ajuda?
Ele perguntava, para muito além da organização do local. Estava realmente oferecendo, de uma maneira velada, ajuda para o que quer que ela precisasse.
— Não, obrigada. Pode sentar. A casa está limpa, eu não tenho tanto tempo de sujar. Só mesmo, algumas coisas fora do lugar.
— Eu entendo…
Ainda que ela houvesse negado, ele seguiu a garota: reuniu os chinelos espalhados no chão, se perguntando por que alguém que mora sozinho teria tantos pares de chinelos e pantufas e entregou-os a ela. sorriu ao notar a face curiosa dele.
Depois, pegou uma jarra de suco na geladeira e serviu-o.
— É natural. Eu sei que você não bebe sucos artificiais. – ela explicou entregando-o.
E ele riu baixo, por saber que ela ainda tinha aquela memória. Ficaram se olhando por um tempo, em silêncio até ela indicar que iria tomar banho. Deixou-o confortável à sala com controle remoto do aparelho de som e da tv. E ao retornar ela abriu a porta lateral da sala. Ele notou que ali, dava-se passagem à garagem. Diferente arquitetura, mas, bem útil. Ela ligou o aparelho de som na sala, que graças àquela passagem se faria ouvir muito claramente da garagem onde ensaiariam.
— Você não quer comer nada?
— O quê? Você quer comer? Me desculpe! – ela perguntou assustada e quando ia em direção à cozinha, segurou seu braço impedindo-a de passar por ele.
— Eu já comi. Eu estou perguntando se você não vai se alimentar.
— Não, não. Se finalizarmos o padedê hoje, amanhã passamos ele e a coreografia toda e segunda estaremos prontos!
… Você comeu hoje?
— Claro que comi.
— Porque eu posso ficar a noite toda ensaiando se preciso for. Você desmaiou de hipoglicemia outro dia.
— Relaxa, eu estou bem. Então, vamos começar? Eu realmente não quero passar a noite toda ensaiando. Preciso dormir um pouco mais esta noite.
Ele concordou e ensaiaram os mesmos passos da parte da manhã, com algumas ressalvas aqui e outra ali. Um giro retirado, uma pegada acrescentada, uma ou outra marcação de posição mais difícil de gravar…
O relógio marcava as três horas da manhã, quando obrigou a mulher a parar. Para alguém que não queria dormir tarde, ela estava esquecendo-se daquilo. Ele pegou seu casaco sobre o sofá e sorriu para ela.
— Anda, vá dormir. Eu não quero ter que suportar o seu mau humor logo mais.
E ela riu. A primeira, após tanto tempo, verdadeira risada de . E em silêncio ficou admirando-a.
— O que foi? – ela perguntou apreensiva.
— Você e o Fred estão juntos?
Ele estava sério e concentrado ao olhar dela. E ela por sua vez abriu a boca, numa expressão de desconforto.
— De novo essa pergunta?
— Sim ou não, ? Você não foi muito clara da última vez, e hoje…
— Qual é, ?! – ela o interrompeu: — Por que quer tanto saber?
— Eu não sei por que, exatamente. Mas, eu não gosto da ideia de estarem juntos.
Ela não esperava que ele fosse tão direto. apenas tomou para si uma postura defensiva, encarando o olhar decidido de sobre ela.
— Não estamos… – ela respondeu quase sussurrado.
observou a reação amedrontada dela e sorriu desconversando:
— Ei! Vê se descansa! E acorde bem, tome café e chegue de bom humor, por favor! Eu ando muito à flor da pele por sua causa.
Apesar da frase novamente sugestiva, ao fim de sua fala, riu do comentário. Acompanhou-o ao portão e com um aceno discreto se despediram. Os dois seguiram seus caminhos, não menos pensativos sobre o curto momento entre si. dirigia com um sorriso largo em seu rosto, e tamborilava os dedos, num ritmo que estava apenas em sua mente. “My Girl”, ecoava em seus pensamentos, e quando notou, lá estava ele cantando baixinho e sorrindo: “I've got sunshine on a cloudy day. When it's cold outside I've got the month of May” .
caminhava para seu quarto, com a vitamina recém-batida em mãos. Ela não havia comido nada o dia todo, e realmente após aquele momento em sua sala não tinha mais fome. Ultimamente, se alimentava de dança, comprimidos de complexo alimentar e trabalho. Ela sentou-se em sua cama, e recostada à cabeceira terminou de beber sua vitamina não esquecendo os comprimidos ao lado da cama. De olhos fechados, sorria repassando cada passo do ensaio, cada momento de descontração. Ela depositou o copo em seu criado mudo, e ainda de olhos fechados, reflexiva deu-se conta do que acontecia: o sentimento antigo, mascarado sob o ódio vinha à tona. Estava novamente, após tanto tempo, deixando-se levar pelo carinho reprimido que sentia por seu ex-atual-parceiro. O que seu pai diria se soubesse daquilo? Não lhe interessava mais, afinal, já havia se libertado das ordens do pai. Restava saber, o que ela decidiria fazer. Adormeceu que nem mesmo sentiu.
O gosto amargo em sua boca denunciou-lhe que apagou sem ao menos, dar-se conta uma vez, que nem escovara os dentes. Levantou-se urgente por um banho. Não sentia fome, apesar de ter apenas uma vitamina como refeição do dia anterior. Ela comeu algumas torradas com café naquela manhã, e levou duas frutas em sua bolsa.
Ao sair pela calçada, dançava à medida que caminhava, alguns poucos vizinhos observavam o astral da garota com felicidade: desde que chegara ali, a moça mais jovem daquele bairro de idosos não sorria. E ora, estava dançando no meio da rua! Ela dirigiu-se ao ensaio com outro astral, e determinada vontade de vê-lo. Aquela manhã, não fora ao ensaio, se viu totalmente incomodada com aquilo. Mas, não se deixou perceber pelos demais. Antes de ir embora, ela parou Fred na porta:
— Hey, Fred! avisou por que não veio?
— Tinha uma reunião importante.
Ela “fez que sim” com a cabeça, e sorriu para Fred. Ajeitou a bolsa nos ombros, e o amigo coreógrafo sorriu:
— Ele não te avisou?
— Não teria porquê também… Não marcamos nenhum ensaio extra de manhã.
— Hm… Se preocupou com ele?
— Só estranhei ele não ter vindo mais cedo. – ela falou convicta.
— Mas, você disse que não marcaram nada extra.
— Nosso ensaio anterior a este não é algo extra. Estamos nessa desde o início do Jam .
Ela bufou e saiu apressada. Fred sorria por cada vez mais perceber imersa num sentimento que insistia em negar.
a telefonara na hora do almoço.
— Está almoçando?
— Não, não. Pode falar.
— E por que não está almoçando?
— Me telefonou para isso?
— Não. Eu quero saber se tudo bem ensaiarmos hoje à noite em minha casa.
— Tudo bem, eu combinei de pagar um colega para trocar a folga comigo. Mas, segunda eu não vou poder e nem terça.
— Os ensaios noturnos eram apenas para a avaliação de Fred, não? – ele disse pegando-a de surpresa.
— Ah sim, claro… Eu tenho que voltar ao trabalho, … Até mais.
Desligou sem deixá-lo responder, mas, se não estava louco ela o chamara pelo apelido depois de tanto tempo. Algumas coisas estavam voltando?
Ele buscou-a, mais tarde no horário combinado e a levou para a casa dele. E notou que nada mudara muito na vida e na casa dele, desde que eram “quase amigos” e parceiros fixos de dança. Ela sentou-se no sofá aguardando terminar seu banho, e assim que ele voltou foi à cozinha.
— Enquanto você come, quer que eu vá fazendo algo? – perguntou.
Estava ansiosa, alguma coisa em “ficar perto ou a sós” de deixavam-na ansiosa nos últimos dias. Ele olhou para ela sorrindo, e deu às costas voltando às panelas.
— Só estou preparando nosso jantar, para depois do ensaio.
— Ah, não precisa se incomodar comigo, . Se quiser comer antes, fique à vontade.
— Acha que eu não sei que você anda se alimentando menos que um pássaro? Suas olheiras, e a cor da sua pele denunciam não só o cansaço extremo, como um pré-estado anêmico, .
Ela ficou muito sem graça com a fala, com as percepções e com a audácia dele.
— Não é uma crítica. – ele respondeu ainda de costas ao notar o silêncio atípico da parte dela — Eu só estou me preocupando contigo.
Ela murmurou um som positivo e voltou para a sala. Logo, surgiu com uma taça de vinho para ela.
— Achei que íamos ensaiar. – ela riu pegando a taça.
— Uma taça não vai atrapalhar nada. – ele riu de volta: — Vou deixar o cozido fervendo em fogo baixo e podemos começar. A cobertura do apartamento é um ótimo espaço.
— Ok… – bebeu um gole e olhou curiosa: — Você aprendeu a cozinhar, então?
— Você sabe como eu adoro comer… E morando sozinho a gente é forçado a se virar, não é?
— Verdade… – ela riu baixo.
? – ela o olhou — O que houve com você?
— Eu decidi o que foi melhor para mim.
— Seu pai te colocou contra a parede, não é? Mas, o que foi diferente agora? Ele sempre fez isso.
— Mas uma hora a gente tem que bater o pé, né…
— Você… Precisa de alguma coisa? – ele perguntou com muito jeito, tinha medo dela se ofender.
— Preciso. Me acostumar logo com a nova vida… – um sorriso melancólico surgiu nos lábios dela.
Ela ponderou entre uma fala e um gole. Decidiu beber ao invés de falar mais alguma coisa. E quis poder fazer algo por ela.
— Ele deserdou você?
Tocar
A pergunta sem resposta, e a sonora risada lenta da mulher indicaram o que ele já sabia. Afinal, havia escutado a conversa com Fred e , apenas não admitiria isso para ela.
Rapidamente, virou de uma só vez seu vinho, sendo obrigado a ouvir dizer-lhe que aquilo era um insulto. E foi ao fogão, deixar seu ensopado no modo “cozimento”. Em seguida puxou a garota pela mão, de modo delicado, e ela levando a taça o seguiu. Fecharam a porta do apartamento e seguiram para o elevador em silêncio.
Ensaiaram no terraço sob as estrelas e a lua grande, até que o cansaço os parasse, ou o cozido os interrompesse. Quando desceram, os dois comeram juntos, sorriam e conversavam como não faziam há muito tempo! Decidiram comer na sacada da sala, um espaço que havia feito de “recanto”. Era coberta até certa parte, onde haviam almofadões e uma mesinha de centro. Aquilo quebrava o ar sofisticado da sala, e realmente era um refúgio. Estavam ambos no chão bebendo o que restara da garrafa de vinho, e conversando animados, quando começou a chover. levantou correndo passando por cima de , e ela sem entender o observou até que enfim começou a gargalhar. Ele estava retirando algumas coisas que deixou na parte descoberta da sacada e estavam molhando. Ele retornou meio irritado por seu descuido próprio.
— Isso sempre acontece! – ele disse chateado.
— Você precisa de alguém para te ajudar. O apartamento é grande. Não tem uma diarista para organizar as coisas aqui, pelo menos uma vez na semana?
— Não, eu que arrumo tudo. E até que é divertido. Vai ser ainda mais divertido quando eu tiver uma namorada!
— Mal dou conta da minha casa.
olhou confuso para e começou a gargalhar. Ela enfim o entendeu…
— Ei! Não estou me oferecendo! Foi só um comentário, afinal, estou até constrangida. Você arruma sozinho a sua casa e eu mal dou conta da minha que é tão pequena…
— Pequena, mas muito aconchegante.
— Você gostou dela? – sorria de um modo surpreso.
— Muito.
Novamente um silêncio, e um par de olhares a se analisar.
— Também não estou me oferecendo a você. – ele disse zombando.
— Eu não disse nada, convencido. – ela respondeu rindo.
— Até porque… Você diz que não tem nada com o Fred, mas, vocês se beijam. Não quero problemas.
— Você é um problema. – ela respondeu sem notar o peso daquela frase.
olhava-a intrigado. E lentamente, aproximou seu rosto ao dela, a garota não olhava para ele, mas, sentia-o se aproximar. Ela, delicadamente levantou-se antes que ele a alcançasse. Fechou os olhos se auto reprovando e disse para que precisava ir. Ele insistiu em levá-la para casa, e embora tivesse recém escapado do beijo dele – o que o deixou com raiva, mas sem saber de quem ou o quê –, ela aceitou.
Deixou-a na entrada de sua casa, e ela acenou entrando rápida correndo da chuva. Ele sorriu. E ela também, lançando a ele um último olhar da noite.
Na segunda-feira apresentaram a coreografia, num esboço perfeito de apresentação e Fred não só aplaudiu como teceu elogios infindáveis. Elogiou a dedicação: apesar do prazo apertado, cumpriram seu dever. Elogiou a perfeição dos movimentos. Elogiou a criatividade. Elogiou a responsabilidade. Elogiou a beleza do duo. Elogiou por fim, em suas próprias palavras: “a natureza íntima e de um matrimônio corpóreo entre o casal” . Os dois não sabiam se sorriam exibindo-se, ou se resguardavam. Eles sempre foram um par discreto, muito confundido com soberbos ou esnobes. Agradeceram sorrindo e retornaram ao seu lugar para assistir as outras apresentações.
Mas, na vida, em tudo, um trabalho executado com maestria tende a atrair e repudiar. E na saída daquele ensaio, os dois foram bombardeados por cochichos maldosos e apontamentos. E estourou a paciência ao ouvir uma colega falar, em tom não tão baixo: “Aí é fácil, o Fred coloca os dois perfeitinhos juntos. Há quanto tempo eles estão juntos nisso mesmo? Até eu me sairia perfeitamente, se dançasse com o cara com quem transo há dez anos! ”.
segurou a mão de puxando-a dali antes que ela fosse até a dançarina exigir explicações. Ele a acalmou, levou-a para o trabalho e antes que saísse revoltada do carro, ela pronunciou a única coisa naquele percurso:
— Nós vamos pisar em todas as apresentações. Façamos jus aos títulos de rei e rainha daquela Academia.
Ela disse, e saiu batendo a porta do carro. Atravessou a rua pisando fundo. estava com uma sobrancelha arqueada num tom surpreso e satisfeito com a saída tempestiva de . Ele telefonou ao Fred contando o que aconteceu, e finalizou sua ligação com a frase:
— Despertaram a patricinha dona de um império, que há escondida dentro de . E é melhor você não evitar esse fantasma agora.
Os dois mantiveram os ensaios noturnos, quando era possível conciliar às folgas dela. E embora, achasse, que após a experiência pré-avaliação dos ensaios que os tornaram “íntimos” de novo fosse perpetuar, na verdade, estava mais insuportável do que antes. E o que mais espantava aos dois, era que estava mais paciente do que nunca. Ele ria da maneira como a garota tentava o repelir de novo, e implicá-lo.
Num dos ensaios ela falava sem parar, ou melhor, reclamar… E ele com as mãos à cintura sorria. Aquele sorrisinho a deixara tão enraivecida, que ela começou a gesticular forte e reclamar, mais, mais, e mais até que puxou-a pela mão colando seus corpos. Olhavam-se tão fortes, e ele de repente iniciou uma dança calma, de salão, com ela. E a mulher foi acalmando-se aos poucos, com um riso que nasceu de um sorriso de canto e logo ambos gargalhavam bailando pelo salão. sabia que após o Jam aquele ar repulsivo, e a impaciência de , desapareceria. Ele confiava naquilo. E então, ele mudaria todo o ciclo de suas relações. Estava disposto a ter mais momentos agradáveis ao lado dela. evitava pensar no que viria depois.
Dia da Apresentação: JAM FINAL


Eram o último casal.
… Vamos fazer o que nós nascemos fazendo de melhor. – ele segurava a mão dela na coxia aguardando serem anunciados.
— Não se preocupe, , nós somos os melhores no fim das contas.
Eles foram anunciados, as cortinas se fecharam e ela deu o primeiro passo. Estava determinada. E o som de seu apelido dito por ela, fizera reverberar por dentro. Ele entrou no mesmo ritmo, no mesmo sentimento e na mesma gana que ela. As luzes baixas, os dois em seus lugares, e começou a música:


I was ready for this, since I was crawling

Estive pronto para isso desde que eu engatinhava

Put my name on the list, you won't be gambling

Coloque meu nome na lista e você não vai jogar…



Ela entrou dançando, os passos fortes e bem marcados, do street. E ele também. Se encontraram no centro do palco, e faziam marcações harmônicas.


Confidence, compliments

Confiança, elogios…

Bet you see it's evident

Aposto que você vê que é evidente


Catch me if you can, I'm like a bandit

Pegue-me se puder, eu sou como um bandido


I can float on my feet, you can't stand it

Posso levitar, você não suporta


I don't just dance in a group, I command it

Eu não apenas danço em um grupo, eu domino


We give you more than you want, than you can handle

Nós te damos mais do que você deseja, mais do que você consegue controlar



começou a cantar, de repente. Aquilo era um bônus. Havia um “ar” competitivo entre ele, e a letra da canção.


When we're out on the floor, we'll take over the ball

Quando estivermos na pista de dança, nós vamos dominar a festa


Stealing the show, we're gonna leave you in awe

Roubar a cena, nós vamos te deixar de boca aberta


When we’re coming up

Quando chegarmos


When we're coming up, we gonna tear it down

Quando chegarmos, nós vamos destruir



E quando a voz dela entrou, também, outro bônus. Todos estavam surpresos. ganhou a frente, e que havia sumido do jogo de luzes, retornou com uma roupa totalmente diferente, e na parte mais lenta, ela iniciou o balé, enquanto fazia o rap da música.


You can't stop us now. You can't shut us down. You can't stop the sound. Better get ready now, we gonna tear it down

Você não pode nos impedir agora. Você não pode nos fazer parar. Você não pode parar o som. É melhor se preparar agora, nós vamos destruir




Ele saiu do palco surgindo numa parte mais alta, enquanto ela rebolava de modo sensual combinando o balé no chão, com o street dance. Ele pulou do alto onde estava, bem à frente dela, e puxou-a iniciando o padedê. A música tomou um tom mais lento, e clássico. E as vozes sensuais de ambos arrepiaram a plateia.

The looks, we got 'em. The moves, we got 'em. The style, we got it. We gonna tear it down! The love, we got it. The crowd, we own it. Tonight, we run it. We gonna tear it down!

Beleza, nós temos. Passos legais, nós temos. Estilo, nós temos. Nós vamos destruir! O amor, nós temos. A multidão, nós temos. Essa noite, nós comandamos. Nós vamos destruir!




jogou para o alto, como haviam combinado, pegou-a em seus braços passando-a para suas costas e a garota tocou os pés ao chão retornando do balé para o street. Eles fizeram uma sequência de passos ágeis, rápidos, difíceis e tão sincronizados quanto aos grupos de k-pop.

Coming in so hard, I'm on my A game. Don't dispute the art, I'm like a heavyweight. Yeah, I got this far, I'm a renegade. A game, heavyweight, renegade, Piece of cake.

Entrando com tudo, estou no meu jogo de primeira. Não lute contra a arte, eu sou peso-pesado. É, cheguei até aqui, sou um desertor. Jogo, peso-pesado, desertor, Moleza.



Três fileiras de dançarinos – que ninguém, nem mesmo Fred, esperava – tomaram a frente dos dois, criando um muro de dança. , neste momento surgiu com sua terceira troca de roupa, um colam com voil descendo suas pernas, numa fenda abusadamente longa e ressurgiu num fraque de dança, elegante, e tomou ela em seus braços. A música perdeu a batida rápida e forte, se colocando presente um ritmo sensual e leve, novamente, no trecho cantado melodiosamente pelos dois:

I could do this dance with my eyes closed. When I step on the scene, I leave 'em all froze. You wanna rumble with me, I write the protocol. Innovative on the stage, Set the record straigh.

Eu poderia dançar assim de olhos fechados. Quando eu entro em cena deixo todos paralisados. Você quer fazer barulho comigo, eu dito as regras. Inovação no palco, vamos tocar a música certa.



Dali daquela cena até o final das músicas e apresentações, foram faces e mais faces concentradas neles. Olhares totalmente perplexos e um Frederico totalmente sorridente por trás das cortinas. Os companheiros de Academia que os detestavam, passaram a detestar mais. Aqueles que admiravam, passaram a admirar mais. E ainda, os que não “fediam e nem cheiravam”, convenceram-se do poder que aquele casal exercia sobre um palco.
e tomaram mais uma vez o centro do palco, e a equipe de dançarinos que os acompanhava saíram, os dois finalizaram num teatro de “batalha rapper” entre eles e entre o público, enquanto um fazia rimas, o outro dançava e vice-versa.

Yes, yes. Dem no want to contest we. Recognize we the best that can be Sing, dance and rap, get hands the clap, Of course you know that. You can't hold a candle to our flames. Tear it up and takes names, It's not a game, it's a shame. You can't be like us, can't be like us… We leave you in the dust, Of course, we tear it up.


Sim, sim. Eles não vão querer contestar a gente. Reconhecem que somos o melhor que existe. Cantamos, dançamos e fazemos rap, ouvimos aplausos. Claro que você sabe disso.
Não se pode prender uma vela às nossas chamas. Destruir e pegar os nomes, não é um jogo, é uma vergonha. Você não pode ser como nós, não pode ser como nós... Nós te fazemos comer poeira, claro, nós vamos destruir.




E o mais improvável aconteceu quando , ao final da dança pegou – num passo combinado, e rodopiou a mulher em seu corpo onde ela finalizava sentada em sua cintura segurando-se à nuca dele –, mas, inesperadamente beijou-a voraz.

correspondeu e ali nada mais ouvia-se se não ovações e gritos. Fred não sabia se gargalhava, chorava de emoção ou recebia as congratulações por sua companhia.
Os dois desceram do palco, após agradecerem ao público e foram abraçados pelos companheiros. Receberam cumprimentos e tiraram fotos. Fred os exaltou ainda mais, mas, apenas entre eles três. E quando foi chamado para receber o carinho da plateia, e ficaram a sós. Eles se abraçaram extremamente felizes e eufóricos. Ao separar-se de , viu que a mesma mulher que havia feito o comentário maldoso no ensaio os encarava com ódio. olhou na direção dela e chamando a atenção de falou:

— Vingada, senhorita ?
— Bastante! – ela riu e o olhou mais séria: — E o que foi aquele final?
— Você havia dito para nós fazermos jus aos títulos…

Ele sorria brincalhão e ela sorriu junto.

— Fiz mal?
— Não, acho que foi um “grand finale”.
— Ou seria um recomeço?
A pergunta de ficou sem resposta, pois ambos foram puxados pelos colegas de Academia para o agradecimento final no palco. E em seguida foram arrastados para a saída em direção à comemoração. perdeu de vista, e ao perguntar sobre ela para Fred ele disse que ela havia ido embora. No mesmo momento, ele decidiu ir embora. Na verdade, decidiu alcançar . Pegou o carro e poucos metros de distância do local, ela caminhava cabisbaixa na calçada, com sua roupa da apresentação ainda e sua mochila pendurada nas costas. Ele alcançou com o carro, no mesmo ritmo dos passos dela. Ao olhar para o lado e ver que era , ela sorriu e parou de andar. Ele também parou o carro e abaixou o vidro:
— Por que não foi comemorar?
— Você mais do que ninguém, sabe que eu preciso dormir. Depois de comer é claro, eu não como bem há semanas!
Ela respondeu se aproximando da porta do carro.
— Dorme lá em casa. – ele falou naquele tom de voz que a deixava mexida.
Estava sério aguardando-a responder. Ela encarou-o em dúvida e sorriu fugindo ao olhar dele.
— Tenho um vinho em casa, uma massa pré-aquecida que preparei antes de sair… – deu mais uma alternativa a ela.
A mulher sorriu e negou com a cabeça, ponderando o que deveria fazer encostou a testa em seus braços cruzados sobre a porta do carro.
— Se não estou enganado, você não faz compras há alguns dias, sua geladeira está vazia e você vai comer uma salada de frutas ou vitaminas e cair morta de cansaço na cama. Minha oferta é meio irrecusável, não acha? Sem contar que, minha cama deve estar mais organizada que a sua, com certeza !
— Idiota… – ela sussurrou ainda com a cabeça entre os braços.
— Eu falei que fiz massa? – ele continuou jogando.
Ela ergueu o rosto para ele. Estava irritada pela petulância dele em provocá-la daquela maneira, e não pode não sorrir quando viu os dentes dele se revelarem sob um sorriso maldoso. Respirou fundo certa do que ia fazer, mas, interrompeu seu ato com um último pedido:
— Dorme lá em casa.
Ela não queria ceder logo depois daquele pedido, mas, já havia posto a mão na maçaneta da porta e ele sabia. Ele tinha sido sugestivo de propósito. E ao vê-la naquele impasse de como reagir após sua última proposta, ele olhou para a mão dela na maçaneta confirmando que já sabia que ela havia aceitado pelo jantar. fez uma careta entrando no carro, e não custava ser ainda mais direta naquela confirmação:
— Estou indo pela comida.
Ele riu negando com a cabeça, e ela sorriu afivelando o cinto. Ela não cedia mesmo. Mas, ele gostava daquilo.




Fim!



Nota da autora: Oii! Espero que você tenha gostado dessa fic... Embora ela tenha uma pegada meio “Ela dança, eu danço” eu juro, juradinho que a semelhança só veio depois. Na hora que peguei essa música e ouvi a letra só pensei: “Xiii... Será que eu sei o que estou fazendo?” hahaha, MAS, nessa mesma hora essa “batalha” de amor x ódio + dança se transformou na equação perfeita. Espero, de coração, que tenha atingido o objetivo da música e principalmente, agradado a você. Beijo enorme! Te vejo nos comentários, e nas minhas outras fics?






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