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Capítulo Único


Hospital Central de Los Angeles, 23 de dezembro de 2068, 20:36 da noite

Meu nome é , tenho oitenta e três anos, uma linda esposa, quatro filhos, um cachorro, dois gatos, uma boa casa, um bom carro e estou morrendo. Cada dia que passa, eu sinto que estou perto da morte e eu aceito isso. Foi uma boa vida, eu fui feliz, eu fiz pessoas felizes, eu ajudei pessoas. Mas o motivo pelo qual eu estou aqui, nesse quarto escrevendo essa história, é ninguém mais que , minha amada esposa. Eu quero que todos saibam o quanto eu a amei, quero que saibam que eu faria tudo por ela, que eu morreria por ela, mataria por ela. Meu filho mais novo, Josh, vai ser pai pela primeira vez em poucos meses e eu sei que não estarei aqui pra contar para o meu neto como tudo começou, como eu me apaixonei, como se tornou a pessoa mais importante da minha vida, e eu prometi a que nunca deixaria nossa história morrer…

Dallas, Texas. 17 de maio de 2014.

“That's when my baby found me I was three days on a drunken sin”

Eu a olhei e meu mundo simplesmente parou. Senti todos meus músculos adormecerem e minha cabeça rodar. Tentei levantar e ir em sua direção, mas eu tava muito chapado pra isso. A observei dançar com seus amigos enquanto eu estava miseravelmente jogado no chão a olhando. Seus cabelos negros balançavam enquanto ela pulava e balançava a cabeça no ritmo da música, seus quadris rebolavam sensualmente, fazendo o vestido preto dançar junto. Naquele momento, eu desejei estar tão bem vestido como seus amigos, desejei estar limpo e barbeado, desejei não estar fedendo à maconha e álcool barato.

Acordei com pequenos cutucões em meu braço, abri meus olhos e tive a melhor visão do mundo; a pequena garota que eu tinha observado dançar estava na minha frente sorrindo.

- Hey, eu conheço você... - ela disse, balançando a cabeça no ritmo da música que ainda tocava na festa.

- Acho que não - eu disse, tentando sentar, mas minha cabeça rodou e eu tombei pra trás.

- Seu nome é , certo?- ela perguntou abaixando na minha frente.

- É - respondi fechando os olhos pra ver se a tontura passava.

- Eu sou , a gente brincava juntos quando pequenos - eu a olhei tentando lembrar de seu rosto e minha cabeça rodou de novo - Cara, você 'tá muito chapado - ela riu e eu tentei acompanhar.

- É, acho que 'tô - eu disse e ela gargalhou.

- Vem, vou te levar pra casa - me puxou pelos braços. Minha cabeça rodou e eu apaguei.
A última coisa que escutei foi ela chamando meu nome.

Hospital Central de Los Angeles, 23 de dezembro de 2068, 21:00 da noite.

Belo reencontro, eu era uma merda de pessoa, eu sei. Na noite que reencontrei , eu estava à três dias sem ir em casa e totalmente chapado. Ela foi minha salvação.

Dallas, Texas. 18 de maio de 2014. 11:36 da manhã.

“I woke with her walls around me, nothing in her room but an empty crib…”

Abri meus olhos e a luz do quarto me vez desejar nunca ter bebido na minha vida. Sentei na cama e observei o quarto que eu estava; Era branco com umas tintas coloridas jogadas de qualquer jeito formando desenhos estranhos na parede, várias fotos estavam coladas em um mural roxo. Levantei e fui em direção à porta perto da janela, achando um banheiro.
Fiz minha higiene matinal do jeito que deu e fui procurar alguém naquela casa estranha.
Cheguei a cozinha e uma morena estava sentada de costas pra onde eu estava.
- Oi - eu disse baixo pra chamar sua atenção.
E quando ela virou em minha direção senti meus joelhos falharem, minha cabeça rodou e, eu juro a vocês, era um anjo na minha frente.
Ela era linda. Seus olhos eram em um verde esmeralda, ela tinha uma covinha funda na bochecha esquerda e o sorriso mais lindo que eu já tinha visto.

- Oi, . Fiz seu café. Você está com fome, certo? Espero que goste de panquecas com chocolate, mas tem ovo com bacon também - ela começou a falar e andar pela cozinha, servindo uma mesa com tudo que ela tinha dito.
E, puta que pariu, como ela era gostosa! Nem gorda, nem magra, tinha as coxas grossas e a bunda empinada. Perfeita pra mim.

- Eu não lembro seu nome - eu disse sentando em frente aquele banquete.

- . Meu nome é . Nós nos conhecemos quando éramos crianças - ela disse sentando de frente pra mim - coma.
Comecei a me servir.

- ? - perguntei, porque era a única que eu lembrava.

- Isso! - ela bateu palmas animada e eu fiz uma careta pela dor de cabeça - Oh meu Deus! Me perdoe, . Vou pegar uma aspirina pra você - ela levantou e foi até o armário.

- Obrigado - sussurrei olhando pra bunda dela, já disse o quanto ela era gostosa?

- De nada - ela sorriu.

Hospital Central de Los Angeles. 23 de dezembro de 2068. 21:36 da noite.

A partir daquele dia, passou a ser meu porto seguro, ela me incentivou a voltar pra faculdade, me fez procurar ajuda pras drogas, diminuiu a frequência na qual eu bebia, se mantendo sempre por perto. Para garantir, fez eu voltar a falar com meus irmãos e com meu pai, arrumou um emprego pra mim na loja da família dela e, quando ela descobriu que eu faria qualquer coisa que ela me pedisse, fez com que eu parasse de fumar - coisa que eu voltei a fazer quando ela engravidou dos gêmeos -.

Dallas, Texas. 21 de julho de 2014, 20:47 da noite.

“There's nothing sweeter than my baby I never want once from the cherry tree. Cause my baby’s sweet as can be, she give me toothaches just from kissin me..”

Eu estava enlouquecendo.
Fazia dois meses que tinha entrado na minha vida e ela já tinha mudado tudo, eu estava completamente apaixonado por ela e não conseguia me manter longe dela por um dia sequer. Mas eu nunca tinha beijado-a, eu não tinha tocado seu corpo como eu ansiava todos os dias, eu não sabia o sabor que aqueles lábios rosados tinham e eu precisava descobrir, ou precisaria me internar por abstinência de algo que eu sequer tinha provado.

- Amb? - chamei sua atenção da TV, que passava um dos filmes que amava.

- Oi? - ela levantou a sobrancelha direita em minha direção. Sexy.

- Eu preciso te beijar - eu disse e ela começou a gargalhar - !- eu chamei sua atenção sentindo meu rosto queimar.

- Desculpa, . Você pode me beijar a hora que você quiser - ela disse sentando de frente pra mim.

- Você 'tá falando sério, ? - perguntei olhando em seus olhos - porque se eu te beijar e você tentar voltar atrás, eu não vou conseguir parar, e depois você... - não deixou eu terminar de falar e me beijou.

Eu estava completamente fodido.

Os lábios de eram doces e ariscos, uma combinação perfeita demais pra eu conseguir parar de beijá-la. sentou no meu colo com cada perna em um lado da minha cintura e eu aprofundei o beijo.

rebolou no meu colo fazendo com que minha ereção chegasse ao ponto alto, agarrei em sua cintura fazendo ela rebolar novamente sobre meu pau já duro como pedra, e ela gemeu me fazendo gemer junto.

- Gostosa - falei seu ouvido enquanto apertava um de seus seios e ela jogou a cabeça pra trás, gemendo mais uma vez.
- Eu preciso que você me toque, - ela gemeu agarrando os tufos de cabelo da minha nuca e os puxando em seguida.

Levei minha mão livre à sua coxa e fui apertando em direção à sua virilha. rebolava e gemia em meu ouvido me fazendo quase gozar nas calças de tanto tesão. Cheguei à sua buceta e comecei a massageá-la por cima da calcinha. endoidou e começou a gemer alto, cravando as unhas nos meus ombros e rebolado em meus dedos.

- Por favor, - ela gemeu em meu ouvido.

- Por favor o quê, pequena?- perguntei apertando seu clitóris por cima da calcinha.

- Enfia esse dedo em mim - ela disse soltando todo ar de seus pulmões em meu pescoço.

Puxei a calcinha dela pro lado e enfiei um dedo nela. Com movimentos de vai e vem, gemia e me arranhava. Enfiei outro e mais outro e ela começou a quicar em meus dedos, totalmente encharcada. agarrou meu pau por cima do short e eu gemi.

- Eu quero ele em mim - ela disse, massageando toda extensão do meu pênis.

- E eu quero que você goze nos meus dedos - mordi seu pescoço, aumentando a fricção do meus dedos com sua vagina.

- Você é muito mau, - ela disse com a voz falhada e gemendo logo em seguida.

- Você gosta que eu seja - belisquei seu clitóris e ela se desfez em meus dedos, gozando.
encostou a cabeça no meu ombro tentando se acalmar.

- Foi o melhor orgasmo da minha vida - ela mordeu minha orelha, me fazendo gemer.

- Você não viu nada ainda - eu disse apertando sua bunda.

- Eu quero chupar você - ela disse sorrindo de lado e meu coração quase parou.

Hospital central de Los Angeles. 23 de dezembro. 22:13 da noite.

Sexo que era uma coisa frequente entre eu e . Nos transávamos sempre que rolava uma brecha. Ela era insaciável e eu não ficava atrás, umas das coisas que eu mais amava na vida era fazer gozar.
Terminei minha faculdade no mesmo ano em que engravidou dos gêmeos. Eu era residente no Hospital Central de Dallas e era professora de um colégio perto de nosso apartamento. Fazia 3 anos que morávamos juntos quando ela me deu a notícia.

Dallas, Texas. 10 de setembro de 2019. 19:48 da noite.

estava apreensiva com alguma coisa. Ela andava de um lado pro outro há quase dez minutos.

- Querida? - a chamei e ela sentou do meu lado.

- Eu 'tô grávida - ela disse e eu senti minha cabeça rodar.

- O quê? - perguntei olhando em seu rosto.

- Grávida, ! - ela fez cara de espanto pra mim.

- Como assim, ? - eu já tava imaginando as noites sem dormir e os choros de madrugada.

- QUE PORRA DE PERGUNTA É ESSA, ? VOCÊ É O CARALHO DE UM MÉDICO! -ela gritou - VOCÊ SABE COMO EU 'TÔ GRÁVIDA! VOCÊ ENFIOU ESSA PORRA DESSE PAU GIGANTE EM MIM SEM CAMISINHA, ! E GOZOU, NENÉM! VOCÊ GOZOU NA MINHA BOCETA E ENFIOU UM BEBÊ LÁ DENTRO! - ela continuou a gritar e eu só conseguia pensar nas fraudas sujas e no choro. - , você 'tá me ouvindo?

- 'Tô - respondi.

- Então por que caralho você não fala nada? - ela sentou de frente pra mim.

- Eu 'tô bem com isso, pequena- eu disse segurando suas mãos - eu 'tô em um bom trabalho, nós temos uma casa boa, temos condições de criar um filho - acariciei seu rosto.

- Dois filhos - ela disse.

- O quê? - me afastei dela sentindo minha cabeça rodar.

- São gêmeos - ela disse e eu apaguei.

Hospital central de Los Angeles. 23 de dezembro. 23:00 da noite.

“I didn’t care much how long I lived, but I swear I thought I dreamed her. She never asked me once about the wrong I did..”

Eu desmaiei quando ela contou sobre Connor e Maia, e quando ela engravidou de Trenton e Joshua eu desmaiei de novo.
Meus filhos eram meu maior orgulho, Connor era um cardiologista renomado, Maia era uma fotógrafa conhecida, Trent era bombeiro e Josh tinha um estúdio de tatuagens, o quê fez eu ter uma boa parte do meu corpo rabiscado com suas obras de artes. Eu me casei com quando Connor e Maia tinham três anos, foi no campo e todos nossos amigos e familiares estavam presentes.
e eu passamos por muita coisa juntos, ela nunca se importou com nada que eu tenha feito em meus dias de escuridão.

“My baby never fret none about whats my hands and my body done…”

Quando eu fui processado por agressão a um cara que eu não fazia ideia de quem era, mas estava me processando, ela simplesmente me deu a mão e me ajudou a passar por isso.

“If the lord don’t forgive me, I’d still have my baby and my baby would have me…”

é tudo que eu amo e tudo que eu sempre vou amar.

“When my time comes around lay me gently in the cold dark earth. No grave can hold my body down I’ll crawl home to her..”

Ouvi batidas na porta e entrou no quarto caminhando em minha direção, seus olhos estavam vermelhos.

- Esses putos já te assustaram, né, bebê? - perguntei quando ela parou ao meu lado na cama segurando minha mão.

- Você não pode me deixar, ! Eu não sei o quê fazer aqui sem você - ela começou a chorar agarrada à minha mão.

- Não chore, coração. Eu sempre voltarei pra você, eu sempre estarei do seu lado, - fiz um carinho em seu braço.

- Eles disseram que você não passa desse fim de semana, ! - ela sentou na cadeira ao lado da minha cama.

- Eu 'tô partindo, bebê. Mas eu sempre vou voltar pra você, nada pode me deixar longe de você - eu disse e comecei a tossir. Em seguida meu pulmão começou a falhar me fazendo ter que repor a máscara de oxigênio.

- Vou chamar a enfermeira - levantou e eu a segurei.

- Me deixe ir, . Eu preciso que você me deixe ir - sussurrei segurando sua mão.

- Eu não consigo, - ela chorava.

- Eu te amo - segurei sua mão próximo ao meu coração.

- Eu não posso - ela chorou se debruçando em meu peito.

- Eu te amo, . Pra sempre - sussurrei acariciando seus cabelos agora grisalhos, sentindo meu peito queimar pela falta de ar em meus pulmões. Minha vontade era de gritar, mas precisava de mim, então apenas fiquei ali, morrendo.

“I was kissing on my baby and she put her love down, soft and sweet in the lowland plot I was free. Heaven and hell were words to me…”

- Eu te amo, - me beijou e eu senti meu peito encher com o amor que emanava dela, tão puro, tão verdadeiro, tão doce, tão .

- Eu sei - respondi acariciando seu rosto e meu peito explodiu, a dor era insuportável, meus olhos lacrimejaram e minha boca ficou seca.

- Pode ir meu amor, eu vou estar aqui do seu lado até o fim - sorriu pra mim.

E seu lindo sorriso foi a última coisa que vi antes de apagar.

“When my time comes around lay me gently in the cold dark earth. No grave can hold my body down I’ll crawl home to her..”

morreu naquela noite de 23 de dezembro, às 23:49 minutos, deixando quatro filhos, três netos e sua amada esposa. Esposa essa que o amou durante toda vida juntos e, depois quando partiu, ela continuou a amá-lo durante todos os dias de sua vida.

“I’ll crawl home to her…”


Fim.


Nota da autora: (02/01/2016) SEM NOTA




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