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Finalizada em: 10/03/2020

Prólogo

— Por que você tem que ir embora, ? — A garotinha de dez anos o encarava com o cenho franzido, enquanto lágrimas eram derramadas sem cessar.
— Eu juro que não queria ir, mas eu não tenho escolha, mamãe acha que é o melhor para nós. — Ele suspirou fundo, tentando não chorar junto com ela.
— Eu vou sentir tantas, mas tantas saudades de você. Quem vai brincar comigo agora? — Ela ainda chorava.
— A gente pode se escrever, eu venho para Hackensack te visitar, você pode ir para Nova York, mamãe disse que pode ser assim. — A menina abriu um sorrisinho mais animado.
, querido, vamos, filho. — O garoto fez um sinal para que a mãe o esperasse.
— Eu prometo que um dia eu volto, . Hackensack é o meu lar.
— Promete mesmo? De dedinho mindinho? — Ela estendeu o dedo gordinho e ele entrelaçou ao dele.
— Eu prometo. — Sorriu. Ela se aproximou dele, agora dessa vez lhe dando um abraço bem apertado.
— Fica bem. — Ela o viu dar tchau para ela, pegar na mão de sua mãe e sumir de suas vistas. O que seria dela sem seu melhor amigo? Parceiro de brincadeiras? Ela não sabia, mas esperava que aquilo que sentia dentro de si pudesse um dia sumir.



Capítulo 01

ELA

Hackensack… Sempre tão monótona. Suspirei enquanto olhava para a janela que tinha um dia até então bem bonito. Tinha ficado triste de voltar depois das férias maravilhosas que eu havia tido.
Respirei fundo, enquanto me olhava no espelho, eu estava uma deusa, aliás eu era linda demais e sabia muito bem disso. Passei mais uma camada do meu batom vermelho e ajeitei meus cabelos. Verifiquei mais uma vez se havia algum amarrotamento no meu uniforme, e percebi que não. Estava finalmente pronta para o primeiro dia letivo do meu último ano escolar. Estava acabando… Estou em um misto de alegria e tristeza com isso, mas uma certeza eu tinha dentro de mim: ele seria memorável!
Peguei minha mala com todas as minhas coisas de cheerleaders, meus livros e cadernos, e desci as escadas. Suspirei fundo quando escutei berros vindos lá de baixo, entrei na sala de jantar e a cena que vi não me surpreendeu em nada: havia uma maravilhosa mesa disposta com a maior variedade de alimentos possíveis, obra de Carmen, sempre tão eficaz, havia preparado tudo a esmo. Lhe dei um sorriso quando a vi ao lado da mesa pronta para ser útil a qualquer momento. Minha mãe gritava embravecida no celular, provavelmente havia tido algum problema na agência de modelos. Meu pai tomava sua xícara de café compenetrado em algo que lia no jornal, podia apostar que estava na seção de economia.
— Bom dia. — Os cumprimentei, me sentando a mesa, mas sabia que apenas Carmen me responderia. Carmen foi minha babá, depois que eu cresci havia se tornado a governanta da casa, eu a amava tanto, sempre se fez tão presente em minha vida, era aquela pessoa que com certeza eu podia contar nos meus piores dias.
Meu pai murmurou uma resposta ao cumprimento, enquanto minha mãe acenou rapidamente. Digamos que eu era última na escala de atenção para eles, aquilo quando era pequena me machucava, mas hoje em dia não fazia mais diferença, infelizmente a gente se acostuma com coisa ruim.
— Bom dia, menina . — Carmen sorriu e me serviu de um pouco de suco de maracujá, meu preferido. — Quer comer alguma coisa? — neguei.
— Estou sem fome. — Dei uma enorme golada no líquido. Respirei fundo, a quem eu queria enganar? Eu estava morta de fome, não comia desde ontem a noite. É, ser a capitã das lideres de torcida requer um certo cuidado com meu corpo, eu precisava estar magra, eu tinha que ser o exemplo as outras meninas.
— Mas já? — Carmen me questionou, preocupada, enquanto eu me levantava da mesa.
— Pois é, hoje é o primeiro dia de aula, preciso chegar cedo. — Mordi os lábios, mentindo. — Estou indo. — E novamente minha mãe acenou, e meu pai murmurou um cumprimento. Se eu dissesse qualquer asneira, eles fariam o mesmo. Suspirei fundo, sai e logo na entrada da casa encontrei o motorista, seu Pietro, trabalhava na família desde quando eu nasci, sempre muito solícito.
— Bom dia, senhorita . Direto para a escola? — Neguei, enquanto o via abrir a porta do veículo para que eu entrasse.
— Bom dia! Passa na casa da Julie prometi a ela carona. — O motorista assentiu, dando a volta no carro e entrando e o colocando para andar. — Liga o som, por favor. — Seu Pietro rapidamente o fez, passando em uma estação de rádio qualquer que tocava Photograph de Ed Sheeran, pedi para que ele deixasse ali.
Puxei o espelhinho da bolsa, e retoquei o batom vermelho que com certeza tinha desbotado um pouquinho por eu ter tomado o suco. Quando olhei a janela, percebi que estávamos parando, e Julie aguardava do lado de fora. Suspirei fundo, contei mentalmente até três, e a vi entrar no veículo.
Sis, estava com tantas saudades! — Me cumprimentou animadamente.
— Eu também estava. — E não, eu não estava sendo sincera.
Julie e eu era algo bem complexo, eu a tolerava, ela me venerava, desconfio que me invejava, mas é aquilo, vivemos em um mundo de aparências, e eu precisava de aliados, Julie era isso para mim. Eu não tinha amigos.
— Como foi a viagem para a Austrália? — Perguntou animada, e eu sorri.
— Maravilhosa, Sydney é incrível, estou até bronzeada. — Mostrei meu braço a ela. Eu havia passado minhas férias de verão lá, havia viajado sozinha, e tinha sido muito bom.
— Está linda demais como sempre. — Ela comentou com um sorriso. Sorri agradecida. — Ansiosa? Confesso que estou explodindo, seremos veteranas, e é o nosso último ano!
— Confesso que não, é sempre mais do mesmo. — Comentei desdenhosa. Aquilo era uma mentira deslavada, mas Julie não precisava saber. — Esses trâmites de início de ano me cansam, todas querem ser uma de nós, mas poucas têm a capacidade para isso. — Me referia aos testes para cheerleaders que seriam realizados ainda naquela semana.
— Ah, sim. — Ela colocou o cabelo atrás da orelha enquanto me encarava, me pareceu sem graça. — Mas e você e o Michael? Ainda estão juntos? — Por que aquela pergunta? Franzi o cenho, lhe encarando.
— Como assim, Julie? Claro que sim. — Arqueei a sobrancelha, ela me pareceu desconfortável, e eu não havia gostado nadinha daquela reação. — Estamos maravilhosamente bem, conversamos sempre durante minhas férias, e até nos vimos ontem. — A encarei minuciosamente.
— Me desculpe, eu achei que… Esquece. — Sorriu, e eu ficaria de olho naquilo, tinha algo no ar. — Vocês são perfeitos um para o outro: ele o capitão do time de futebol, você a rainha das lideres de torcida. — Dei de ombros com um pequeno sorriso.
— Somos um clichê, mas eu o amo tanto... — Suspirei fundo com um sorrisinho de lado.
Mais uma mentira, eu gostava de Michael, ele era muito atraente, eu o exibia como um troféu na escola, e bom eu desconfiava que ele fazia o mesmo comigo. Então uma mão lavava a outra.
O veículo estacionou em frente ao colégio e Julie foi a primeira a descer desesperada, revirei os olhos para aquilo, eu desci logo atrás. Agradeci a seu Pietro e o vi entrar de volta no veículo.
Começamos a andar em direção a entrada e todos os olhares foram voltados para mim, eu amava aquilo, amava o poder que eu exercia sobre aquelas pessoas, eu era a rainha daquele lugar. Quanto mais me encaravam, mais confiante eu ficava.
Passei as mãos em meus cabelos, os ajeitando, e sei que aquele movimento foi capturado por todos ali. Senti quando meu braço foi segurado de forma delicada, me fazendo parar de andar. Joguei meus cabelos virando-me na direção da pessoa que o tinha feito, pronta para esbravejar com quem quer que fosse.
— Oi, Queen! — Me segurei para não rolar os olhos, e ao invés disso abri um sorriso largo.
— Não gosto que pegue no meu braço desse jeito, querido. — Me deixei ser abraçada pelo meu namorado. Trocamos um rápido selinho. Michael balançou a cabeça cumprimentando Julie, que até então tinha me esquecido que estava ao meu lado. Entrelacei a mão com a dele, e caminhamos pelos corredores indo em direção aos armários.

ELE

— Vamos, meu amor, você está perdendo o horário para o colégio. — Acordei com a voz suave de minha mãe, enquanto me sacudia. Senti uma claridade imensa atingir meus olhos, ela com certeza tinha escancarado a janela do meu quarto. Me vi sem solução, e acabei me levantando.
Escola nova, cidade nova? Ou não. Depois de ter passado sete anos em Nova York, por conta do emprego de minha mãe, estávamos de volta. Hackensack era mesmo inesquecível, os anos que eu tinha vivido aqui, as pessoas que havia conhecido… Como estariam? Eu tive vontade de procurá-los, mas me faltou coragem.
Caminhei a passos arrastados em direção ao banheiro, e agradeci a Deus por Grace já ter saído de lá. Sai do banho, terminei de me vestir, coloquei meus óculos e desci as escadas em direção a cozinha.
Entrei na cozinha e vi minha mãe colocando a jarra de suco em cima da mesa. As cumprimentei e meus olhos foram direcionados para a mesa, senti meu estômago roncar. Me joguei de qualquer jeito na cadeira, pegando waffles e colocando bastante mel.
— E então, meu amor, passou a noite bem? — Minha mãe me encarava curiosa. Eu apenas acenei afirmativamente, eu estava ocupado colocando o máximo possível de waffles na boca. — Não esqueçam de passar na secretária para pegarem seus horários de aula. — Novamente eu apenas balancei a cabeça enquanto comia. Minha irmã me olhava horrorizada.
— Só de olhar para ele eu perco meu apetite. — Grace me encarava enojada
— Ah, cala boca, vai, eu estou em fase de desenvolvimento. — Falei de boca cheia, mostrando o resto de alimento que havia ali.
— Nojento, tenha modos, por Deus! — Ela fingiu que vomitaria.
— Vocês dois, por favor, logo cedo não! — Minha mãe ralhou conosco. Eu dei de ombros, a culpa não era minha, Grace sempre foi cheia de dedos, e estava sofrendo muito com a mudança, Hackensack era bem diferente de Nova York. — E se apressem, precisamos sair daqui. — Ela olhou o relógio. — Agora!
Peguei uma maça que tinha ali e dei uma bela mordida, e fui ajudando minha mãe a guardar as coisas que ainda estavam na mesa. Não tardou muito para que estivéssemos indo em direção ao colégio. Minha mãe parou em frente ao local, e saltamos dali, dizendo que voltaríamos de transporte público, afinal, ela não teria como nos buscar, pois iria trabalhar. Grace andava apressada em direção e eu tentava segui-la, qual é? Para quê tudo aquilo? Não é como se tivéssemos atrasados.
Entramos no colégio e nos informamos com o inspetor onde seria a secretaria, e graças a Deus não ficava longe dali. Pegamos o mapa do colégio com a secretária, eu o abri e arregalei os olhos, aquele colégio era imenso, parecia um labirinto.
A secretária nos deu instruções — que eu não dera a mínima, torcia para que Grace tivesse prestado atenção — sobre a política da instituição. Olhamos nossos horários e coincidentemente tínhamos a primeira aula juntos. A secretária nos explicou como fazia para que chegássemos lá. Estávamos no mesmo ano, mas não por sermos gêmeos, nossa diferença era de dez meses, é pois é, mamãe não respeitou a quarentena. Ela culpava nosso pai daquilo, eu nunca soube a versão dele, nos havia deixado precocemente em um acidente aéreo. Balancei a cabeça, evitando aqueles pensamentos e retomei a caminhada seguindo Grace. Escutamos o barulho do sinal que indicava o início das aulas e apressamos o passo, mas cada vez os corredores ficavam vazios, eu, pelo menos, queria passar despercebido, mas aquilo seria impossível.
Finalmente encontramos a maldita sala 19, batemos a porta e fomos recebidos por uma professora bem… Uau, ela era hot. Agora eu tinha ânimo para querer participar das aulas de química.
— Olá, somos alunos novos, acabamos nos perdendo, nos desculpe o atraso. — Grace sempre tão educada. Coloquei as mãos no bolso enquanto encarava sem qualquer pudor a professora.
— Ah, não há problema. — Grace entregou o papel na mão dela da transferência e eu a imitei. — Entrem! — Ela abriu espaço na porta e assim o fizemos. Olhei rapidamente a sala, e vi todos os olhares em nossa direção, detestava aquela atenção toda. — Como se chamam?
— Meu nome é Grace. — Mais uma vez minha irmãzinha caçula havia tomado as rédeas da situação. — E ele se chama . — Assenti a cumprimentado educadamente, evitando que meus olhos fossem parar em seus seios convidativos.
— Podem se sentar, por gentileza. — A sala estava em um silêncio. Grace me deixou para trás sentando-se em uma carteira vazia na segunda fileira da parede, me restando o fundo, caminhei até lá, me sentando, sem mais delongas peguei meu caderno pronto para anotar qualquer coisa importante. Eu senti que estava sendo observado, olhei para cada lado daquela sala até meus olhos pousarem na fileira da janela, especificamente na terceira carteira, quando ela viu que eu a olhava rapidamente se virou para frente, mas eu a reconheci, e não acreditava no que via, era , minha melhor amiga.



Capítulo 02

ELA

Escutei o sinal tocar e dei um último selinho em Michael, ele tinha aula de biologia junto com Julie e eu química. O jeito como ela o olhava enquanto nos dois estavam juntos… Eu esperava de verdade que fosse algo da minha cabeça, porque… Eu não queria nem pensar sobre aquilo, me enojava.
Entrei na sala e vi que a carteira a qual eu gostava de sentar estava vazia, me direcionei até lá. Peguei meu celular para verificar o Instagram enquanto o professor daquela disciplina não chegava, ao que tudo indicava seria a mesma do ano passado, Professora Ivy, muito saliente, mas muito legal também. Fui interrompida por um toque breve em meu braço.
— Oi, , você está tão linda, as férias lhe fizeram tão bem… — Direcionei meu olhar a ela de cima a baixo e percebi que se tratava de Michaely. Sempre me bajulando para se tornar uma líder de torcida, ela não era boa para a tarefa, mas nunca desistia. O problema é que hoje eu não estava com humor para aquilo. Abri um sorriso forçado, voltando a mexer no celular. Ela se sentou atrás de mim, começou a alisar meu cabelo.
— Primeiro: não toca no meu cabelo. Segundo: os testes para líderes de torcida estarão abertos oficialmente a partir de amanhã, então se inscreva, pode ser que eu esteja de bom humor e te avalie bem. Agora me deixa em paz. — Abri mais um pequeno sorriso forçado, puxei meu cabelo para frente, não me dignando em nenhum momento a olhá-la. Ela calou-se e eu enfim pude respirar aliviada. Uma coisa que eu odiava na vida era que tocassem no meu cabelo.
A professora finalmente entrou na sala cumprimentando a todos, os garotos estavam vidrados, afinal, Ivy era uma mulher muito bonita. Escutamos alguém bater a porta e a professora conversar com essa pessoa, ou seriam duas? Eu não conseguia ver direito.
— Entrem. — A escutei falar simpática e visualizei que eram duas pessoas mesmo que estavam ali. Alunos novos no último ano? Eu tinha uma sensação estranha dentro de mim, eu os conhecia, mas não sabia de onde. — Como se chamam?
— Meu nome é Grace. — A menina falou. — E ele se chama . — Senti minha boca secar, eu não podia acreditar, até me belisquei, mas não era uma ilusão, depois de tantos anos era e Grace em minha frente.
— Podem se sentar, por gentileza — Acordei dos meus devaneios com a professora. Segui os dois com o olhar, e vi quando Grace se sentou, e foi mais para o fundo da sala.
Eu tentava não olhar para ele, mas quando eu percebia meus olhos voltavam para lá. estava diferente, usava óculos no rosto, os cabelos em um emaranhado estranho, não dava para saber se aquilo havia sido proposital ou não, as roupas não o caiam tão bem, eram bem largas, ele me pareceu um estilo nerd, mas nem tanto. Ele estava diferente de tudo o que eu era, na sua testa piscava em neon o L de loser. Se ele tentasse ser jogador, com certeza não seria aceito, não tinha porte fisico. Mas ainda sim tinha seu charme, e eu seria cega se não dissesse que ele era bonito, aliás isso ele sempre foi.
Prendi a respiração quando meus olhos se encontraram com os seus, eu virei para frente e de lá eu não me virei até o fim daquela aula. Eu não sabia como me sentir referente a aquela volta, se fosse há alguns anos eu estaria radiante, mas agora… Eu estava apática.
Grace estava muito linda, e com certeza tinha porte físico para se tornar cheerleader se assim o desejasse, tão diferente do irmão, ela, com certeza, iria longe.
Não sei por quanto tempo devaneei sobre os dois, mas minha atenção para a aula foi totalmente arruinada e escutei o sinal indicando que a aula havia sido finalizada. Me levantei o mais depressa possível dali, indo em direção aos armários para guardar os materiais daquela aula, e pegar os da próxima. Terminei o que fazia e me surpreendi por ver parado a minha frente, eu olhei para baixo, tentando me desviar dele, ele me segurou pelos ombros e me virou de frente para ele. Eu podia ver olhares ao nosso redor, e eu não estava gostando de nada daquilo.
— Oi! Quanto tempo, , eu achei que nunca mais nos encontraríamos e olha o destino brincando conosco. — Abriu um enorme sorriso. Eu estava sem qualquer reação a aquilo, então ele havia se lembrado… Ele me encarava animado. — Líder de torcida? Quem diria… — Todos que estavam no corredor tinham seus olhos fixos a situação que acontecia ali.
— Me desculpe, mas quem é você? — O encarei de cenho franzido, me fingindo de desentendida.

ELE

— Nossa, eu não posso ter mudado tanto assim, ou mudei? — Me encarava de um jeito estranho. Podia perceber que muitas pessoas nos encaravam, e eu detestava ser o centro das atenções. — Sou o , seu amigo de infância.
— Eu não conheço nenhum , sinto muito. — A vi voltar a caminhar com suas coisas, mas num impulso segurei seu braço.
— Eu não acredito, você estava me olhando de um jeito durante a aula, você se lembra sim. — Ela negou começando a rir, me pareceu um riso nervoso.
— É claro que eu olhava, afinal, você é muito estranho, já se olhou no espelho hoje, coisinha? Eu nunca conheceria alguém como você. — Pude ouvir risadinhas pelo corredor. Ela se desvencilhou de meu toque e voltou a andar.
Eu fiquei surpreso, porque eu não esperava uma recepção tão calorosa pela parte dela. E então ela se tornou tudo o que eu mais repugnava na vida, quem diria… Dei uma olhada no meu horário de aulas e percebi que teria História. Peguei meu material e voltei a andar.
! — Escutei alguém me chamar, virei para trás e abri um sorriso quando reconheci Lara, parada a minha frente. — Oi! — Me encarava sorridente.
— Nossa, que saudade! Oi! — Dei um breve abraço nela. Estudamos juntos enquanto eu morava em Hackensack, ela era muito gente boa, fazia parte do nosso círculo de amigos. — Como você está?
— Eu estou bem. Perdido? — Sorri, assentindo. — Aula de história? — Espiou no papel. — Sua sorte que eu também vou para lá. — Riu e começamos a caminhar. O intervalo era de cinco minutos, então era pegar o material e ir logo para a aula, e eu havia gastado boa parte dele com a minha pseudo conversa com . — Voltou quando?
— Voltei faz uma semana, mas não sabia bem o que procurar, então fiquei em casa. — Dei de ombros.
— E Grace?
— Está aqui também, mas nos separamos, acho que era Inglês a aula dela agora. — Abriu um sorriso animado. Ela e Grace eram mais próximas, assim como eu era de .
— Certo, nos veremos no intervalo então. — Sorriu, mas a vi ficar desconfortável. — Eu não pude deixar de ver o que acabou de acontecer. não é mais a mesma pessoa que você conheceu.
— É, eu percebi da pior forma, ela se negou a lembrar de mim e eu não entendi nada…
— Ela finge que não me conhece também, . Porque, você sabe só de olhar para mim e para você... — A encarei de cima baixo, fazendo-a ficar vermelha, não vi nada demais e inclusive a achei muito gostosa.
— Não vejo isso, mas entendo o que você está querendo dizer, que ela teria vergonha de conversar com você e comigo por sermos losers, é isso? — Assentiu. Ri desacreditado. — E desde quando ela é assim? — Comentei curioso, enquanto tentava decorar o caminho para aquela aula.
— Definitivamente foi quando entramos no Ensino Médio e ela se tornou cheerleader. Agora ela é capitã, namora Michael, o capitão dos jogadores e a escola os ovaciona. Ela se intitula a rainha de tudo isso aqui. — Revirou os olhos. — Eu não a suporto, ela se tornou tudo aquilo que eu detesto.
— É difícil de assimilar isso tudo, Lara. — Ela ajeitou os óculos, enquanto me encarava. — Mas se ela está achando que pode pisar em mim, ela está enganada. — Ela me olhou duvidosa, e finalmente chegamos na sala de história.



Capítulo 03

ELA

Os dias haviam se passado e nunca mais havia me procurado, e eu agradeci, apesar de sempre que nos virmos durante algumas aulas, corredores ou nos intervalos, ser sempre uma tensão. O problema é que eu não era imune a , e isso me quebrava.
Parece bobagem, mas ter amizade com poderia trazer problemas em meu reinado, afinal, ele era um loser, era a raça que eu mais repudiava, mas eu não gostava de como as coisas estavam indo, poxa eu não sou um monstro, mas eu amo mais do que qualquer coisa a minha vida, e ser quem eu sou.
— Você está tão calada, Queen… O que está passando na sua cabeça? — Julie trouxe minha atenção para a conversa. Estávamos sentadas no refeitório, na mesa principal, podíamos ser observadas por todos.
— Nada. — Coloquei o cabelo atrás da orelha. Michael apareceu em minha frente e me deu um selinho, se sentando ao meu lado. Eu o puxei e iniciamos um beijo lento e longo. Eu estava compenetrada, mas tudo o que vinha a minha mente era e como seria estar nos braços dele? Aquilo estava virando uma constância. Separei o beijo com longos selinhos.
— Uau, é assim que eu gosto. — Pisquei para ele sedutoramente. Passei as mãos na boca dele, limpando o resquício de batom que havia deixado por ali. Dei uma olhada de esguelha para Julie e ela me pareceu estranha. Eu estava cada vez mais desconfiada, mas não havia presenciado nada ainda.
— Sim, tudo para o meu amorzinho. — Mordi os lábios, o segurando pela camisa e iniciando mais um beijo, mas esse foi bem mais rápido do que o anterior. Ah, as aparências…
Sis… — Julie interrompeu meu momento com Michael, revirei os olhos para ela, a encarando. — Estava comentando com Cindy e Amber que o novato nerd não tira os olhos de você, e não é de agora, é sempre. — Olhei para as demais animadoras citadas e finalmente descansei o olhar em Julie.
— Foda-se. — Voltei meu olhar agora para e ele realmente me encarava e aquele olhar me despia. Quebrei o contato rapidamente.
— As vezes eu acho que você o conhece e esconde de todos. — Fulminei Amber.
— Amber, eu já disse que eu não o conheço! Se você continuar insistindo com isso eu vou ter uma conversinha com a treinadora, para você ficar na base da pirâmide, carregando todas as garotas nas costas! — Respondia-a acidamente e pude escutar risadinhas. — Tem muita gente interessada na sua vaga, então fica dica. — Ela piscou aturdida. — E isso serve para as demais, estamos entendidas? — As vi assentir, caladas.
— Eu amo tanto essa mulher, que poder. — Lhe dei um rápido selinho. — Mas esse nerd não tira os olhos mesmo de você e isso está me irritando. Vou ter uma conversinha com ele... — Engoli em seco, temendo por . É, eu teria que dar um jeito naquilo, estava sendo claramente desafiada por todos na mesa e tinha um brutamonte querendo me defender. Levantei-me de supetão, assustando a todos da mesa e caminhei a passos decididos em direção a mesa ao qual ele estava sentado com Lara, onde Grace estava? Era bom que ela não estivesse ali, afinal, não queria que ela se envolvesse, era uma líder agora.
— Me desculpe, como você se chama mesmo? — Disse assim que me sentei a mesa de frente para eles.
— Você sabe, não se faça de sonsa. — Abri um sorrisinho sarcástico.
— Só queria te dizer, coisinha, que é muita falta de educação ficar encarando as pessoas do jeito que você está fazendo. — Arqueei uma sobrancelha.
— Você se acha a última bolacha do pacote, não é? Desculpa, princesa, o mundo não gira em torno de você. — sorriu.
— Eu não me acho, eu sou. — Pisquei um olho para ele. — E se você não estava olhando para mim, sobra Michael, então me faz claramente pensar que você é gay.
— Eu não sou gay! — A veia do seu pescoço saltou e me contive para não rir. — O que aconteceu com você para se tornar essa pessoa tão superficial? Eu olho para você e não te reconheço, isso é tão assustador.
— E lá vamos nós… — Suspirei, entediada. — O que eu vim deixar claro para você é que eu tive que segurar um namorado ciumento ali naquela mesa para ele não te atacar, só não direcione o olhar mais para nós, ok? — Me levantei, dando as costas a ele.
— Eu não obedeço às suas regras, mimadinha de merda! — Ele soltou aquilo e eu parei. Minha reação foi tão espontânea que quando eu percebi eu já tinha pegado o copo de suco da mão dele e joguei em sua cara.
— Mimadinha de merda que você nunca vai sequer tocar, pode olhar, é só mesmo o que vai conseguir. — Retomei meus passos de volta à mesa.

ELE

Eu não ia aguentar aquilo tudo calado, eu prometi a mim mesmo que não teria uma próxima vez, eu não abaixaria a cabeça a , e se aquele colégio tinha medo dela, eu a colocaria em seu lugar. Peguei o pão que Lara comia de seu prato e certeiramente acertei o cabelo da patricinha. Ela estagnou e como em um clichê, a escola inteira silenciou. Todos tinham seus olhos voltados para ela e para qual reação ela teria.
Foi tudo muito rápido, ela pegou algo da mesa anterior a nossa e jogou em minha direção, só que eu fui mais astuto e abaixei a cabeça no momento certo e ela acertou outro menino.
— GUERRA DE COMIDA! — Escutei alguém gritando e logo começou a rolar comida e bebida para tudo o que era lado. Eu me abaixei para debaixo da mesa junto com Lara.
— O que foi que você fez? — Ela me olhava chocada.
— O que eu disse que faria, se ninguém desse colégio tem coragem de colocar no lugar dela, eu coloco. E isso é só o começo...
— Por que você se importa desse jeito? — Fiquei pensativo sob o questionamento de Lara, por que eu me importava mesmo com ela? Ela havia se tornado um ser desprezível, horripilante, mas…
— Eu não consigo aceitar… Eu ainda acredito que eu possa ter a minha amiga de infância de volta. — Suspirou fundo, e me deu um afago em minhas costas, talvez me compreendendo.
— Eu juro que eu tentei, mas era patada atrás de patada, espero que você tenha sorte — Dei de ombros. — Você ficou sabendo das coisas que andam falando dela? — Mexi a cabeça negativamente, aguardando que ela falasse. — Michael está colocando chifres nela com a Julie, sua melhor amiga.
— Porra! — Foi só isso que consegui expressar depois das palavras de Lara.
— Talvez você devesse utilizar isso para trazer a velha de volta. — Aquilo era mesmo uma boa ideia.
— CHEGA! — Pude escutar no alto-falante do colégio. Lara e eu nos levantamos e tudo o que eu podia visualizar era comida para tudo que era lado, e todo mundo muito sujo, ainda bem que eu havia sido esperto e descido para baixo da mesa com Lara. — Quem começou com isso? — Muitas mãos foram apontadas em minha direção.
— Senhor ! — O inspetor me encarava extremamente irritado. — Nem bem chega ao colégio e já se acha no direito de aprontar uma dessas? — Arregalei os olhos.
— Eu só me defendi, senhor, quem começou com tudo isso foi me jogando um copo de suco na cara sem eu ao menos ter feito nada. A escola inteira está de prova. — A procurava com o olhar, mas não a encontrava. Se eu fosse me ferrar, ela iria junto comigo.
— Senhorita ? — Nem o inspetor a encontrava naquela multidão. Ela deu um passo à frente. — Os dois já para a sala do diretor!
— O senhor não pode acreditar nele, ele está mentindo! — Esbraveja em alto e bom tom, enquanto eu ria muito de como ela estava, parece que ela não foi tão esperta assim. Aquilo ia dar um trabalho para a princesa tirar. Era possível ouvir burburinhos de todos. — Minha palavra tem que ter um tipo de crédito, afinal eu sou uma das melhores alunas deste colégio e...
— Calada, senhorita ! — O inspetor aumentava os passos e eu tentava segui-lo. — Eu já disse que vocês conversarão com o diretor! — Eu ainda ria com as mãos enfiadas no bolso.
— Eu estou imunda, por favor, me deixe ir ao banheiro. — Implorava desesperadamente. — Isso não vai ficar assim, seu… Seu…
— Seu o quê, ? — A desafiei.
Coisinha! — Soltou um gritinho e me ultrapassou seguindo o diretor.

***


O diretor não havia pegado leve no nosso castigo, teríamos que fazer detenção de uma hora e meia por duas semanas após as nossas atividades extras-curriculares. faltou surtar com o castigo e eu só dei de ombros, o que eu poderia fazer? Sabia que a bronca maior seria quando minha mãe visse a convocação de comparecimento com um pouco mais de dois meses nesse novo colégio.

***


— Eu ainda não acredito que no dia que eu justamente falto na escola esse tanto de coisa acontece, ! Você é inacreditável. — Dei de ombros.
Estávamos a caminho da escola, hoje seria o meu primeiro dia de detenção com , eu sei que seria um martírio passar aquele tempo com ela.
— Eu não tenho sangue de barata, Grace, ela me provocou e eu revidei. — Naquela manhã minha mãe precisou sair mais cedo e nós íamos ao colégio de transporte público. Mas é claro que eu não fiquei ileso de uma bela bronca, e de um castigo a rigor.
— E agora está sem mesada e vai ter que fazer detenção com aquela insuportável durante todo o seu tempo livre, eu não vejo como isso é algo bom.
— E não é. — Suspirei pesadamente. — Mas você não pode falar nada de mim, quem é animadora de torcida? Você. Quem aguenta ela todos os dias? Você.
— Por isso eu falo com propriedade, cada vez que eu olho a , menos eu a reconheço, , como alguém pode mudar desse jeito? Ela me trata tão mal, depois do que ela aprontou com você no corredor, eu nem me arrisquei a tentar me fazer lembrar, não valia a pena.
— Errada você não está. — Ela suspirou fundo. — Então vocês foram inscritas para o regional?
— Sim, pois é, a treinadora acha que temos chances de entrarmos, e ainda tem mais, a Queen finalmente conseguiu fazer o arco e flecha. — suspirou. — Uma coisa é fato, é muito dedicada... Mas e você no coral?
— Estamos tentando ver se rola irmos aos estaduais, ela está avaliando ainda.
— Com certeza já é algo, ! Estou tão orgulhosa por você ser solista. — sorri, balançando a cabeça.
Havia me inscrito no coral do colégio, fiz meu teste e no mesmo momento a professora me disse que eu estava dentro e não demorou muito para que eu me tornasse solista. Eu amava cantar, fazia parte de mim e então nem cogitei entrar em outra atividade senão essa, eu respirava música, e se tudo desse certo eu viveria disso algum dia.
— O pessoal que estava lá há anos que não curtiram muito, mas isso não é problema meu, não é? — Já estava no ponto de descermos.
— Com certeza. — Riu. — , estou tão curiosa para algo, desde que reencontrou Lara no colégio vocês não se desgrudam, me sinto até deixada de lado, viu? Afinal, a amiga dela sou eu. — Cutucou minhas costelas. — Está rolando algo? — Fiz uma careta, negando. Descemos próximo ao colégio e começamos a caminhar.
— Eu e a Lara? Sério mesmo que está me perguntando isso? Mas que bela amiga você é. — Me olhava confusa, as vezes minha irmã era muito lerda. — A Lara não gosta de garotos, Grace. — Arregalou os olhos.
— Meu Deus, mas como eu não percebi isso? — Ela balançava freneticamente meu braço, desacreditada. Gargalhei. — Eu estou chocada! Então por isso que eu falava dos garotos que eu achava bonito e ela não me dava muito assunto. — Pareceu ponderar. — Mas como descobriu?
— Eu reparava o jeito que ela olhava para as meninas e comentava sobre comigo. Só foi juntar dois mais dois. — Entramos no inferno, e pudemos escutar o barulho do sinal tocando, apressamos o passo.
— Eu vou conversar sobre isso com ela, temo que ela tenha medo que eu tenha preconceito, quero deixar as coisas bem claras. — Balancei a cabeça concordando, enquanto parávamos em nossos armários. — Nos vemos depois. — Se despediu indo em direção a sala de geografia.



Capítulo 04

ELA

Resolvi chegar mais cedo ao treino, matando a última aula daquele dia, queria treinar duro, ser animadora de torcida era mais que um hobbie, era a minha vida. Comecei me aquecendo, mas os meus pensamentos não tinha outra direção, senão , já havíamos feito uma semana de detenção, e eu o ignorava com sucesso, afinal as atividades eram individuais, eu sentava de um lado da sala e ele do outro. As vezes meu olhar escapava para a sua direção, e ele correspondia e eu sentia que ia sufocar. Aquele olhar lia a minha alma e meu coração acelarava.
Comecei a dar mortais, rapidamente, eu queria tirar qualquer pensamento direcionado a ele, me sentia tão idiota pensando nele, eu não deveria sequer o olhá-lo, mas sentia dentro de mim, que a nossa história não tinha acabado. Como seria se ele tivesse continuado a morar em Hackensack? Eu seria essa pessoa que eu sou? Acabei me desequilibrando e caindo. Shit!
— Muito dispersa, ! — Fechei os olhos, enquanto massageava meu tornozelo. — Aliás, o que está fazendo aqui essa hora?
— Me desculpe, treinadora, eu só… — Mordi os lábios. — Precisava treinar, minha cabeça está a milhão, estou nervosa com as regionais. — Menti.
— Dessa vez passa, , não vai ter um segundo aviso. — Suspirei fundo, concordando. — Deixa eu ver esse tornozelo… — Se abaixou e olhou o local. — Não é nada demais. — Respirei aliviada.
— Estava preocupada em deixar meu posto vago. — Dei de ombros. Treinadora me passou uma garrafinha de água que eu prontamente aceitei, a levando rapidamente aos lábios.
— Você nem brinque em se lesionar, não sei o que faremos, você é o trunfo das Águias. — Abri um sorrisinho convencido. — Você sabe que é a melhor, ! Aproveite que estou de bom humor, você não me verá dizendo de novo.
— Deveria gravar então. — A mulher fechou a cara, e eu percebi que era hora de parar com as brincadeiras. A treinadora era uma mulher lindíssima, eu chutava que ela estava na faixa dos 30 à 35 anos, havia estudado aqui também, ganhado as regionais em sua época. Tinha treinado algumas equipes por cidades de Nova Jérsei e conseguido êxito e tinha voltado a Hackensack, algo que definitivamente eu não entendia até hoje. — Treinadora? — Subiu o olhar em minha direção. — Por que depois de passar por diversas equipes, decidiu que deveria voltar para cá?
— Hackensack tem algo mágico, , quando você sair daqui entenderá o que eu estou a dizer… — Franzi o cenho, como alguém pode dizer algo assim? Aqui era o fim do mundo, eu faria de tudo para sair daqui. — Chega de moleza, não matou aula? Então faça valer a pena. — Suspirei fundo, me levantando em um pulo. — Me mostra do que é capaz. — Dei alguns pulinhos me aquecendo e comecei a fazer alguns movimentos.

ELE

This is real, this is me, I'm exactly where I'm supposed to be now, gonna let the light shine on me. — Cantava juntamente com Cindy o refrão de This is me de Camp Rock, era essa a música que a professora havia escolhido para que pudéssemos enviar para disputar as estaduais. O restante das pessoas fazia a base da música. — Now I've found who I am, There's no way to hold it in No more hiding who I want to be This… — Finalizamos, enquanto nos encarávamos.
— Vocês dois são tão perfeitos juntos, e esse coral? Estamos cada vez mais ornados, garotos. — Professora Lauren nos olhava emocionada. — Acho que mais um pouquinho de treino e podemos gravar o vídeo. — Assenti feliz. — Estão dispensados! — Peguei minhas coisas, e já ia em direção a saída quando Cindy segurou meu braço delicadamente.
— É, você vai fazer algo agora? Pensei de treinarmos um pouco mais para ficarmos muito mais entrosados. — A encarei com um pequeno sorriso, Cindy era uma garota linda, com seus olhos verdes, pequenininha, se eu a abraçasse, com certeza sumiria em meus braços. E além de tudo, era muito gostosa.
— Hoje eu não posso, estou de detenção depois da guerra de comida da semana passada... — Revirou os olhos, assentindo.
— Sinto muito por isso. — Assenti, derrotado.
— Vai fazer o que sexta a noite? — A vi corar, é ela estava mesmo a fim de mim.
— Nada, por quê?
— Pensei se você não quisesse sair para tomar um sorvete, não sei. — A garota abriu um enorme sorriso.
— Por mim tudo bem.
— Depois você me passa o seu endereço, mas pode ser às 19? — Cindy assentiu. Me aproximei dela, lhe dando um beijo demorado em sua bochecha. — Vamos nos falando. Agora eu tenho a maldita detenção.
— Certo, nos falamos depois. — Acenou, animada.
Peguei minhas coisas e marchei em direção ao meu armário para guardar alguns livros e pegar outros, já que eu ainda tinha dever de inglês e de física para fazer em casa. Caminhei a passos lentos para a sala de detenção, e assim que cheguei pude localizar sentada com cara de tédio enquanto olhava as suas unhas, me sentei do outro lado da sala, como costume.
— Hoje a atividade é em dupla. Sentem-se juntos, quero que façam uma redação da importância do desperdício de alimentos. — Revirei meus olhos, tão previsível aquele tema… Aliás as atividades sempre tinha algo a ver com a importância dos alimentos. Não me movi nenhum centímetro, que a princesinha viesse até a mim, não o contrário.
— Tá esperando o quê, coisinha? — Ela insistia ainda com aquilo de me chamar de coisinha, fingi que não a escutei.
— Aqui é a mesma distância dai. — Impliquei. Ela bufou e pude escutar uma cadeira sendo arrastada ao meu lado, ela queria ir embora mesmo, achei que haveria mais resistência da parte dela.
— Eu começo a redação e você finaliza. — Foram essas as palavras dela, ela já começou a pegar papel e caneta e iniciar. — Ah, como é seu nome mesmo, coisinha? Preciso colocar aqui. — A atenção dela estava toda no papel que escrevia. Como alguém podia ser dissimulada desse jeito?
— Você sabe, princesinha. — Revirou os olhos e me passou o papel junto com a caneta para que eu mesmo escrevesse. E assim o fiz, anotando rapidamente meu nome ali e devolvendo o papel a ela. — , mas você, com certeza, sabe disso. — Ela nada disse e começou a desenvolver o que havia sido ordenado.
Era só menos de uma semana para a detenção acabar, ela estava na dela, e eu na minha e se ela ficasse calada do jeito que estava o trabalho seria mais fácil, certo? Era isso que eu também pensava. Ela escrevia ferozmente naquela redação, e a olhando eu nunca havia parado para pensar, será que havia se tornado uma boa aluna? Tudo que se falava na escola era como era uma ótima capitã das líderes, e que ela era corna, esse último fato eu apostava que ela nem desconfiava.
— Terminei. — Sua fala me tirou de meus pensamentos.
— Você fez tudo? — Assentiu.
— Sim, me inspirei, se quiser leia e escreva algo melhor, eu realmente não me importo, só quero ir embora de uma vez, sua presença me incomoda.
— Ai, eu ficaria triste com esse seu discurso, mas eu também não ligo. — Peguei o papel da mão dela e comecei a ler e fiquei surpreso, tinha dissertado muito bem sobre o assunto, trouxe boas defesas aos seus argumentos e finalizou com uma excelente conclusão. — Muito bom, princesinha, eu não esperava que fosse boa também nisso.
— Você não sabe nada sobre mim, coisinha.
— Ah, sei coisas bem interessantes de você, uma ao qual eu duvido que você saiba. — me encarou atentamente.
— Do que está falando? Detesto indiretas, então fale de uma vez. Aliás, eu nem deveria te dar conversa. — Fez uma careta enquanto me mediu dos pés e cabeça.
— Você evita, mas é como ímã, você se vê atraída por mim, cada vez mais curiosa, você precisa me olhar, precisa vir falar comigo. — riu, negando com a cabeça.
— Ou você sonha tudo isso, usa drogas ou é autor de fanfic. — Ainda ria falsamente. — Enfim, diga logo o que você estava insinuando.
— Eu não estou insinuando, todo mundo está falando, você é corna! — Vi que ela fechou a face no mesmo momento.
— Como assim? — Mordeu os lábios. Não me pareceu nada surpresa, ou descrente com aquilo e eu realmente me espantei. Ela já sabia. — Com quem o Michael está?
— Bom, é o que eu ouvi pelos corredores há algumas semanas. — Suspirou fundo. — Com Julie, sua sis. sorriu, mas me pareceu um sorriso sombrio. — Você está tudo, mas menos surpresa, é como se você já… Soubesse. — Falei aquilo que havia pensado.
— Eu não sabia, eu suspeitava. — Suspirou fundo. Direcionou o olhar ao relógio e fiz o mesmo, verificando que faltava pouco para que pudéssemos ir embora.
— E como você está se sentindo? Eu me sentiria fudido, se eu soubesse que o colégio inteiro sabe que eu sou corno.
— Você realmente se importa? — Me encarou, seus olhos tinha um misto de curiosidade e tristeza? E aquele olhar me desmontou, eu não estava pronto para encontrar naquele momento resquícios da minha amiga de infância ali.
— Estão dispensados. — Antes que eu pudesse responder levantou-se e saiu da sala. Entreguei nossa redação e corri atrás dela. Sim, eu me importava com ela como o belo trouxa que eu sou. E por isso eu não consegui frear meus passos a encontrando.
— Eu me importo. — Gritei. Ela paralisou os passos dela, mas ainda estava de costas. — Eu acho que sempre me importei, afinal, a gente passou parte da nossa infância juntos e eu sei que eu não deveria, mas… — Não sei quando ela ficou tão próxima assim de mim, mas quando eu percebi seus lábios estavam pressionados aos meus de forma abrupta.
Aquilo havia me pegado de surpresa, então tudo o que eu fiz foi entreabrir meus lábios para que um beijo lento começasse, e dude, sabia bem como trabalhar com aquela língua, e eu a correspondia com volúpia. Foi inevitável que minha mão passasse por sua cintura e a trouxesse para cada vez mais perto de mim, tinha as suas mãos em meus cabelos, os bagunçando. A empurrei em direção a parede e subi sua perna direita a colocando em meu quadril, eu já estava começando a ficar excitado, ela era muito gostosa. Partimos o beijo por falta de ar, estávamos ofegantes.
— Eu me lembro... — Ela sussurrou, se eu não tivesse tão perto, eu não escutaria. Ela tirou a perna do meu quadril e recomeçou a andar e dessa vez eu não a segui.



Capítulo 05

ELA

O peso das palavras de martelavam em minha cabeça enquanto Seu Pietro dirigia de volta para casa. Eu realmente estava sendo traída e ainda era uma traição dupla, eu realmente desconfiava, o comportamento de Julie estava entregando eu só… Ainda tinha alguma esperança que ela não seria capaz disso. Idiota, eu era mesmo uma bela idiota. Desci do carro me despedindo de Seu Pietro e entrei em casa.
— Oi, menina . — Sorri, e a abracei apertadamente.
— Oi, Bá. — A chamei pelo apelido que utilizava durante a infância. — Minha mãe?
— Não vem jantar, querida, disse que comeria algo por lá, parece que tem alguma reunião de emergência. — Suspirei fundo.
— Meu pai?
— Ele embarcou hoje a tarde para uma pequena viagem para a Espanha. — Neguei com a cabeça, estava novamente sozinha, e aquilo não cansava de ser deprimente. — Chegou mais tarde hoje, o jantar já está pronto.
— Esqueceu que estou na detenção? Fui acusada de orquestrar uma guerra de comida, a Inês foi lá representar minha mãe na convocação, como sempre, ela nem se digna mais a ir ao colégio. — Abri um sorriso forçado. — Obrigada, Carmen, mas não estou com fome, de qualquer forma. Eu vou subir. — Agarrei a alça da minha bolsa com um pouco de força e caminhei até as escadas.
Deixei as coisas de qualquer jeito em cima da minha cama, tirei minha roupa e caminhei até o chuveiro, precisava tomar um banho, precisava relaxar. Demorei mais do que o recomendado no banheiro e quando sai dali encontrei Carmen sentada na cama, com uma bandeja com algumas coisinhas. Abri um sorriso de lado enquanto caminhava de roupão até lá.
— Você não cansa de ser maravilhosa, não é? — Me aproximei, sentando-me ao seu lado. — Obrigada.
— Não precisa agradecer, eu só me preocupo com você, meu amor, e é nítido que hoje, diferente dos demais dias, não está sendo fácil a você. — Acabei por concordar. — Quer me contar? Você sabe que além de governanta da casa, sou sua amiga, sua Bá.
— Eu só quero um abraço, pode? — Senti minha voz embargar e me vi sendo abraçada por ela, e as lágrimas que foram se juntando durante os acontecimentos daquele dia vieram com força. Naquele momento eu nunca havia me sentindo tão só. Nos braços da Carmen, foi inevitável que lembranças de uma conversa com Jackie não viessem com força em minha mente.

— Olha, temos potencial aqui, olha esses movimentos, caloura. — Jackie a capitã das lideres de torcida me olhava com um pequeno sorriso.
— Obrigada! — Estava mesmo feliz, era uma oportunidade e tanto, e eu sempre sonhei em fazer parte daquela equipe, eu queria ser popular, queria que as pessoas me olhassem como olhavam para ela, em outras palavras eu queria a vida que a Jackie tinha.

— Eu vejo em você um pouco de mim, será que eu achei minha substituta? — Havia chegado um pouco mais cedo naquele dia para treinar meus movimentos, e Jackie havia me flagrado, então éramos só nós duas ali.
Era o terceiro treino, depois de eu ter sido aceita na equipe. Jackie já estava se formando naquele ano, e como o recomendado ela deveria passar o posto para alguém ao qual ela tivesse confiança, e eu queria aquilo mais do que tudo.
— Seria uma honra me tornar capitã, ser animadora sempre foi meu sonho, Jackie. — A encarei com um imenso sorriso.

— É o sonho de todas, mas tem algo que me incomoda em você… Eu não sei se seria capaz, não sei se tem o sangue que eu procuro em uma substituta.
— Como assim? — Franzi o cenho, enquanto me hidratava.

— Primeiro, você precisa entrar em forma, você tá um pouquinho gordinha. — Apertou minha barriga e achou um pneuzinho ali. Ela tinha toda a razão, eu precisava emagrecer se eu quisesse ter o corpo que ela tinha. — Em segundo lugar, precisa subir um pouquinho isso aqui. — Veio até mim subindo minha saia para que ficasse em um cumprimento extremamente curto. — Nós lideres precisamos ser gostosas, temos que ser desejadas, mexer com a cabeça dos meninos, entende?
— Certo. Posso providenciar isso tudo, hoje mesmo começo uma dieta. — Andava em volta de mim com as mãos no queixo, ainda me avaliava.
— Existem regras no High School, caloura, e cada um de nós devemos obedecê-las. — Balancei a cabeça. — Quando você se torna uma líder de torcida, você abdica de tudo, você tem só um objetivo…
— O que está querendo dizer? — Agora ela tinha parado em minha frente, e me olhava desafiadora.
— Uma cheerleader precisa andar sempre com outras cheerleaders, nós não nos misturamos com os nerds, somente com aqueles que são populares como nós, os jogadores de futebol. — Percebi onde ela queria chegar, ela falava de Lara, minha amiga. — E para esses a gente sempre abre as pernas... Como você bem sabe, eu e o Jonas somos namorados, é assim, a capitã sempre tem que namorar com o capitão do time de futebol, afinal, é a porra de um clichê. Entende onde eu quero chegar? — Assenti. — E você está pronta? — Suspirei pesadamente.
Eu queria mais do que tudo ter aquelas pessoas me olhando daquele jeito, eu queria me sentir importante, afinal, dentro da minha casa eu me sentia tão insignificante, pelo menos no colégio eu poderia ser tudo aquilo, quem sabe mamãe e papai não ficariam felizes se eu fosse uma das melhores cheerleaders do colégio? Quem sabe eles não se mostrariam interessados em me ouvir? Em prestar atenção em mim? E sem pestanejar, as palavras pularam da minha boca.
— Sim, eu estou. Abro mão de tudo, dos meus amigos, eu quero ser como você. — Jackie abriu um enorme sorriso. Eu havia decidido e não tinha mais volta.

Separei-me de Carmen com um pequeno sorriso, tentando parar de chorar, mas as lágrimas desciam incessantemente.
— Bá, eu estou sendo traída, Michael está com Julie e o colégio inteiro sabe. — A mulher fez um barulho com a boca, parecia sem palavras. — Eu sei que eu mereço isso, eu sou uma vadia das grandes. E o principal: eu não me importo. — Falei aquilo com uma convicção, eu realmente não me importava. — Olha onde eu fui parar, eu não ligo para isso, e eu deveria ligar, certo?
— Se você gostasse dos dois, eu diria que sim, mas não é o caso aqui. — Assenti com a cabeça.
— Eu só sinto repulsa por ele, eu me envolvi com ele porque era assim que as coisas deveriam ser, e Julie é só mais uma bajuladora ridícula, eu nunca senti que ela gostava mesmo de mim. — Assentiu. — Foi o preço que eu paguei pelas escolhas que eu fiz. Me sinto tão vazia, me sinto tão sozinha. — Mais lágrimas desciam incessantemente por meus olhos. — E tem
— Quem é esse?
— Lembra daquele garotinho que era meu melhor amigo? Nós fazíamos tudo juntos até que ele se mudou e eu fiquei bem triste?
— Claro que me lembro, vocês eram tão grudados, não vai me dizer que ele voltou?
— Voltou sim e eu fui uma vadia com ele, e com a sua irmã Grace, eu me neguei a lembrar dele, porque ele voltou bem diferente de mim, entende? Na pirâmide do High School ele é um loser. — suspirei fundo.
— Vocês adolescentes se importam com tantas futilidades, querida, isso realmente é relevante se ele é loser ou não?
— Não deveria ser, mas no colégio é. — Encostei minha cabeça em seus ombros. — Me sinto tão idiota. Larguei tudo, deixei minha amizade com Lara de lado para ser hoje o que eu sou, e agora as pessoas riem de mim pelas costas, a cornuda, deve ser assim que eles me chamam. — Carmen levantou minha cabeça para que eu pudesse a encará-la.
— Valeu a pena todas as coisas que você abriu mão para se tornar o que você se tornou, ? — Suspirei fundo, mas só tinha uma resposta para aquela pergunta e ela pulsava dentro de mim.
— Não… — A abracei apertadamente e recomecei a chorar copiosamente, me sentia ainda mais vazia.

ELE

— Ela o quê? — Não sei porque eu contava as coisas a Grace, ela com certeza não sabia ser discreta.
— Abaixa essa voz, e sim ela me beijou, eu fiquei bem surpreso com isso. — Dei de ombros, enquanto a encarava. Estávamos somente nós dois na mesa do refeitório naquele dia no colégio, Grace se negava a sentar na mesa das cheerleaders e Lara poderia chegar a qualquer momento, estava na fila para pegar seu almoço.
— Eu nem tanto, modéstia parte, irmãozinho, você se olha com frequência no espelho? Pois deveria, você é um gato. A princesinha não resistiu e caiu nos seus braços. — Acabei por rir do jeito como ela falava.
— Eu não estou com nenhuma expectativa, tenho quase certeza que ela vai fingir que não me conhece no colégio.
— Ela é uma escrota, então infelizmente eu penso o mesmo. — Me deu dois tapinhas nas costas, alguma forma de me consolar. — Mas você já a viu hoje? — Neguei com a cabeça.
— Não tive nenhuma aula com ela e você?
— Eu tinha física com ela, mas não a vi, ela deve ter matado com certeza, ou não veio. — Tinha meu olhar preso a mesa das líderes, e sua Queen não estava ali. Pode ser que ela não tenha vindo mesmo.
Voltei a me concentrar no meu lanche, e senti um cutucão de minha irmã, a olhei sem entender, ela apontou para frente, e parecia efeito de câmera lenta, caminhava em minha direção, mexia-se graciosamente e tudo o que eu conseguia fazer era olhá-la, eu era um idiota mesmo, essa menina exercia um poder tão grande em mim, e depois de tudo, eu ainda queria me enfiar no meio de suas pernas.
— Hey, . — Se sentou em meu colo, e como se estivesse acostumada a fazer isso me deu um beijo e porra, beijar era coisa de outro mundo. Nos separamos ofegantes, ela piscou em minha direção. — Oi, Grace.
— O-oi. — Minha irmã gaguejou de uma forma engraçada, ela deveria estar tão o mais surpresa que eu.
— O que você está fazendo? — Sorriu, enquanto se ajeitava em meu colo.
— Estou quebrando a porra do clichê e dando o espetáculo que esse colégio adora, quem é a corna agora? — piscou em minha direção, me dando mais um selinho.
E eu como belo idiota que era me deixei ser usado por ela, afinal, aquela garota podia tudo, ela era mesmo The Queen daquilo tudo e eu como qualquer pessoa ali era apenas seu súdito.



Epílogo

ELE

— Eu só queria mesmo me desculpar com você, Lara, e eu vou entender se você não quiser nem olhar para a minha cara, eu fui muito vadia nesses últimos dois anos, e nada do que eu diga vai fazer você esquecer isso… — suspirou fundo enquanto encarava Lara.
— Você foi vadia mesmo, , e das grandes, mas enfim, você recebeu seu castigo, e todo mundo erra, não é? Então as desculpas estão aceitas. — Lara era um ser humano incrível mesmo.
— Posso te abraçar? — fez uma caretinha engraçada, Lara deu de ombros e ela se aproximou, e desajeitadamente abraçaram-se. Fiquei contente, afinal só faltava o perdão de Lara para que pudesse finalmente virar a página. Elas se separaram e voltaram a se sentar.
Grace sorriu enquanto me encarava, ela já havia se desculpado com minha irmã pela forma grosseira que havia se comportado. O que a minha mãe sempre nos ensinou, era que é importante saber perdoar as pessoas, e bom era o que estávamos fazendo, realmente tinha se arrependido.
— E como está sendo com as líderes? — Lara questionou, enquanto a vi se sentar ao meu lado e se aconchegar em meus braços. Estávamos ficando desde aquele dia que ela me beijou na frente de todo o refeitório, e estava sendo muito bom. Acabou que eu nem comecei nada com Cindy, e agradeci aos céus, porque ela poderia ter se magoado, e ela não merecia isso, ela era uma garota incrível. — O clima está péssimo, Julie tentou me derrubar, dizendo coisas a treinadora, mas ela não acreditou. O ruim é ter que encará-la todos os dias – Mordeu os lábios. — Michael é outro que prefiro não comentar, é um escroto, não sei como eu pude me envolver com pessoas assim… Me arrependo tanto. — Suspirou fundo. Dei um beijo em sua cabeça. — Enfim, eu não me importo. Ainda sou a capitã e ninguém me tira de lá até o final do High School, quando eu devo passar a coroa a alguém.
— Isso é bom, certo? — Perguntei.
— Sim, isso é ótimo, , eu estou bem feliz com o rumo que as coisas estão tomando em minha vida, e devo isso tudo a você. Obrigada por ser como você é. E obrigada por não ter desistido de mim.
— As ordens, The Queen. — pisquei, e ela se aproximou de mim e iniciamos um beijo lento.





Fim!



Nota da autora: Sem nota.



Nota da beta: Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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