12. Get It Over With

Última atualização: Fanfic Finalizada

Capítulo Único

A chuva continuava caindo enquanto ela apenas conseguia pensar, sentada naquele balanço que era seu segundo espaço seguro – segundo, porque seu primeiro estava naquele exato momento, provavelmente se ocupando com algo mais importante. Como era que ela havia parado naquela situação?

Nunca havia reclamado, mas seus dias pareciam mais como se o sol houvesse sido engolido por pesadas e densas nuvens de chuva, não brilhando mais, ou pelo menos, não como antes.

“Supere”
“supere”
“supere”

Era o que ela repetia constantemente para si.

“Tudo não passou de uma aposta estúpida que vocês me meteram, e eu sequer éramos compatíveis"

Eram as outras palavras que se repetiam em sua mente.

A voz dele, vinda do vestiário e ela que esperava do lado de fora com um sorriso - que diminuiu assim que ouviu aquelas palavras - e um pequeno chocolate em mãos, pronto para ser entregue a ele... e agora, o coração em mãos, já que conseguiu ouvir claramente cada palavra. Eles estavam muito próximos à saída para que ela evitasse.

nunca havia se sentido tão idiota em toda sua vida, mesmo quando namorava um dos caras mais babacas da faculdade há um ano atras, não se sentiu tão idiota e enganada quanto se sentiu quando o ouviu dizer aquelas coisas e seus amigos - que pensou serem amigos dela também - darem risada.

“Você precisa parar de reclamar e nós agradecer, você conseguiu…”

Ela não ficou para terminar de escutar. Se sentia totalmente aérea e fora de órbita e não era por um bom motivo dessa vez. Andou pelos corredores e houve tentativas de seus amigos para a pararem, já que andava com lágrimas nos olhos, o que era preocupante já que os mesmos não sabiam o que havia acontecido.

, o que houve?”
"Está tudo bem, eu só preciso ir para casa mais cedo, vejo vocês depois”

Foi o que respondeu tentando não se sentir muito patética, afinal, eles haviam avisado, passaram até o último segundo duvidando de quem ele era ou de sua real personalidade.

sempre falava sobre isso com ela, sempre comentava em momentos que tinham conversas sérias e reflexivas — algo normal entre eles — que as pessoas que duvidassem sobre alguém se apaixonar por ela, não eram e nunca seriam de verdade seus amigos. Ela chegou a duvidar deles e de suas intenções, mas, aparentemente, ele não estava sendo sincero, porque se ele não foi capaz. Aquilo provava o quanto havia sido patética em duvidar e achar que poderia realmente ser verdade o interesse repentino dele por ela.

Um raio junto de um trovão atravessou o céu assim que ela pisou os pés para fora dos portões da faculdade. costumava ter medo de trovões e até mesmo da própria chuva, mas andou sem nem mesmo perceber que o céu desmoronava acima de si e quando viu já estava em meio à chuva sentada no balanço do parque próximo à faculdade.

Seu celular vibrava loucamente em seu bolso, mas ela ignorou.
Um trovão soou e ela se encolheu assustada.

Já na faculdade as coisas estavam com ânimos diferentes: o grupo de amigos dela que era mais ou menos dividido entre seis, três amizades duvidosas das quais havia citado inúmeras vezes a a respeito e três que realmente se importavam com a garota, e andavam em direção ao vestiário, para saber se sabia o que havia acontecido com .

— Vocês terminaram? Brigaram? Você a traiu? — a voz aguda e irritante invadiu os ouvidos de com inúmeras perguntas, fazendo ele revirar os olhos assim que reconheceu.

e seus amigos se viraram de frente e ele se surpreendeu ao ver todos ali parados, olhando sério. Ele procurou com um sorriso no rosto por , mas o desmontou assim que viu que ela não estava.

— Do que você está falando? — perguntou olhando a garota à sua frente.
— Vocês terminaram? — ela insistiu e Ammie, uma das únicas amigas de que gostava, a colocou de lado.
— Parece até que você quer que ele diga que sim — ela disse revirando os olhos, se virando de frente para o mais novo — Você sabe se algo aconteceu com ?

Ele arqueou as sobrancelhas, confuso.

— Nós a vimos passar pelo corredor extremamente estranha e com lágrimas nos olhos — , outro amigo de , contou — tentamos pará-la e segui-la, mas a perdemos de vista rápido, ela disse que estava tudo bem e que só precisava ir mais cedo para casa.
— Mas nós havíamos marcado de fazer algo assim que ela saísse das aulas — ele pareceu mais confuso ainda — e eu estava me arrumando no vestiário depois que saí do treino, então não a vejo desde o almoço.
— Mas ela disse que estava vindo te encontrar. As aulas dela terminaram uns minutos mais cedo, então ela pensou que seria melhor que ela viesse te buscar ao invés de você ir até ela — completou.
— Impossível, eu saí e não tinha ninguém aqui — disse, já pegando seu celular em mãos e discando o número dela.

O celular dela tocou, tocou, mas ninguém atendeu, fazendo o coração dele acelerar um pouco mais com a preocupação.

— Nós já tentamos também — Ammie disse — toca, toca e toca, mas ela não atende.
— Nada aconteceu entre vocês mesmo? — Uma terceira voz surgiu do meio das amigas que ele sequer prestava atenção.
— Eu já disse que não a vi, se tivesse visto ou algo tivesse acontecido algo, tinha ido atrás dela — ele respondeu alterando um pouco o tom de voz, fazendo com que seus amigos tentassem acalmá-lo, colocando a mão em seus ombros.

Todos pularam de susto com o trovão que havia feito um enorme estrondo do lado de fora, mostrando que a tensão era real naquele momento.

— E se perguntamos para alguém se eles viram para onde ela foi? — sugeriu.
— Sim, eu acho melhor, porque se ela foi para a casa caminhando provavelmente pegou a chuva no meio do caminho e…
— Ela odeia trovões — completou o comentário anterior de Ammie.
— Sim — ela respondeu.

, um dos amigos de , o chamou por um instante antes que ele saísse à procura de alguém que tivesse visto para onde ela havia ido.

disse e o amigo assentiu dizendo para que ele dissesse rapidamente o que fosse necessário — você não acha que ela pode ter escutado o que estávamos falando lá dentro antes e interpretado mal, acha?
— O quê? — de repente prendeu a respiração.
— Sobre a aposta — disse nervoso — e se esse foi o motivo? Ela claramente poderia interpretar errado a forma em que falamos sobre isso.
— Droga! — ele disse nervoso — eu preciso ir.

não disse mais nada a mais ninguém, apenas saiu de perto, atravessando o corredor enquanto olhava em todas as salas e lugares. Todos o olharam confuso, já que iam procurar juntos, mas, ele não podia esperar.

Ao mesmo tempo, trazia o celular discando o número da garota sem parar, preocupado a cada trovão que o lado de fora lançava.

— Atende, , que droga! — ele falou apenas ouvindo a linha cair mais uma vez.

Discou mais uma vez, enquanto já se preparava para sair pelos portões da universidade, sem se importar se chovia ou não.

“Alô”

A voz trêmula surgiu pela primeira vez do outro lado da linha e seu coração doeu.

— Lil — ele respirou fundo saindo na chuva e olhando para todos os cantos para ver se a via em algum local próximo — , onde você está?

Não obteve uma resposta.

, por favor, converse comigo — ele insistiu — me diga o que há de errado.

Ela riu triste e ele soube.

“Acho que tudo está errado desde o princípio, não é, ?”

, me escuta — ele disse preocupado.

olhava por todos os lados, enxugando o rosto com as mangas da blusa e tirando os fios de cabelo que caiam sobre seus olhos.

Silêncio do outro lado era a única coisa que existia.

— Vou levar isso como uma resposta positiva — ele disse — me diga onde você está e podemos conversar sobre isso, não é o que você está pensando que é.

“E o que eu estou pensando, ?”

Perguntou de forma sarcástica.

— Que o que nós tivemos nunca significou nada — ele respondeu e ela respirou fundo — não é verdade, significou, eu posso expli…

“Uma “aposta estupida” foi como você definiu”

Ela suspirou.

“Uma aposta idiota, . Quantos anos você também mesmo?”

Ele se desesperou com o tom em que ela falava, sabia que ela estava chateada e não brava. Ele preferia mil vezes que ela explodisse para cima dele, o chamasse de canalha e todas as outras coisas que ela conseguisse pensar, mas, ele odiava quando ela usava aquele tom de decepção.

Afinal, ele sabia que a tinha magoado profundamente, identificando daquela forma, e ela apenas havia usado aquela forma de agir e se expressar com uma pessoa, que nunca mais voltou a falar depois.

Por isso, ele se desesperou.

— Escuta, , a aposta não foi com uma intenção ruim ou nada para que te magoasse, foi…

A linha havia ficado muda de repente.

tirou o celular do ouvido e o olhou para encontrá-lo desligado, sem bateria já que havia esquecido de deixar carregando na noite passada, por dormir falando com ela.

— Droga! — ele exclamou irritado.

A chuva apenas parecia intensificar e os trovões também. Seu coração acelerado não deixou com que ele ficasse parado. Correu até o fim da rua, onde tinha um café que sabia que ela gostava, mas sem sucesso, ela não estava lá. Então procurou por todos os lugares possíveis, até que pensou em voltar ao campus para pegar seu carro e ir ver se estava em sua casa, por isso, para que não demorasse tanto, ele foi por outro caminho diferente do que veio, avistando o parque que eles costumavam passar tempo antes mesmo de serem alguma coisa um do outro.

Já, por outro lado, no parque continuava naquela chuva, que apesar de ter medo, se sentia bem por estar ali, é como se lavasse o que precisava ser lavado em questão de sentimentos.

Assim que a chamada caiu, ela respirou fundo.

Já não sabia o que pensar, sequer queria ouvi-lo ou voltar para o campus naquele momento, mas, suas coisas ainda estavam lá e precisava delas para ir para casa, então resolveu se levantar e deixar a chuva daquele parque, seguindo um caminho que já conhecia.

Mas dessa vez, sozinha.

— Por favor, me escuta…

Assim que ela se levantou do balanço e andou parque afora, do lado oposto, ele avistou os cabelos molhados assim como as roupas da figura que tremia de frio e ia na direção oposta; ainda sim, ele reconheceu bem de quem se tratava.

— Por favor, — seu tom era de súplica junto de seu abraço por trás, demonstrando o quão protetor ele era — me escuta, por um minuto que seja, apenas me deixe explicar.
— O pior é pensar que é verdade — ela murmurou.
— Não, , não é — ele insistiu — sim, existiu uma aposta, ela veio de e dos outros, mas era pura e exclusivamente com o motivo de me fazer ter coragem suficiente.

A esse ponto, ele já a havia virado sutilmente de frente para ele, olhando-a com um olhar que a própria nunca havia visto ali, era algo como se ele estivesse perdido.

Ele, nervoso, passou a mão por seus fios de cabelo mais de uma vez, respirando fundo enquanto tentava juntar as palavras corretas em sua mente, para que não estragassem tudo outra vez, porque, afinal, ela ainda estava ali, então significava que ele tinha uma chance de explicar.

— Coragem para brincar com os meus sentimentos? — ela riu magoada com a falta de continuação dele — parabéns, , você ganhou sua aposta.

Seus olhos arregalaram e ele prendeu a respiração, percebendo que na realidade precisava falar e não apenas pensar.

— Não, não, não — ele segurou seu pulso com cuidado.

A chuva intensificou.

— Não, eu juro que não — ele disse, respirando fundo — eu precisava tomar coragem de parar de te admirar apenas de longe, .

Ela permaneceu calada.

— A aposta necessariamente não passou de uma forma deles me fazerem finalmente chegar até você. — ele riu fraco, levando suas mãos para o rosto dela, enxugando ali algumas gotas inutilmente, já que permaneciam em meio a tempestade — Por três longos anos, eu tive esse grande e infinito penhasco por você, , eu simplesmente não sabia como agir só de saber que você estaria no mesmo lugar que eu. — ele sorriu — Eu via que você estava em uma das festas do time e eu não conseguia tirar meus olhos de você. Quando caímos nas mesmas aulas de laboratório, ao mesmo tempo que eu implorava ao universo para me colocar como seu parceiro, eu também queria chorar se isso realmente acontecesse.

— Nós nem mesmo nos conhecíamos a três anos atrás — ela disse, ficando muda em seguida.
— Você poderia não me conhecer, mas, quando nos topamos no café no dia em que nos falamos pela primeira vez, não foi na verdade a primeira vez.

Ela o olhou confusa.

— Ali, naquele mesmo ponto de ônibus — ele apontou para o local no final da rua — foi a primeira vez que eu te vi e foi um amor imediato.


Flashback

O dia era frio e seco e nas mãos de cada pessoa podia-se ver um café ou chocolate quente. Mas parecia não ser seu dia de sorte, pois o único lugar da cidade que se atreveria a tomar o chocolate quente, que era sua bebida favorita, estava fechado e sem previsão de volta.

suspirou frustrada e saiu pisando forte em direção ao ponto de ônibus, passando em frente a uma loja de conveniência, se animando assim que viu seu chocolate preferido da vitrine.

Naquele dia cansativo, ela só precisava de um chocolate e já que não tinha seu chocolate quente, aquele servia.

— São cinco e sessenta — a caixa cobrou assim que ela levou os dois chocolates.

procurou aqui e ali e a única coisa que achou foi o dinheiro da passagem.

— Vou deixar para a próxima — ela sorriu envergonhada — acho que perdi dinheiro no caminho.

A caixa deu de ombros e respirou fundo assim que empurrou a porta de saída.

Aquele definitivamente não era seu dia.

Ela se sentou em um dos bancos do ponto de ônibus, esperando que o seu chegasse, enquanto de dentro da mesma loja de conveniência, não conseguia tirar os olhos da garota desde de que ela entrou, depois dele.

— Seria tudo? — a caixa disse admirando a beleza do rapaz enquanto ele assentia e pegava a carteira — são dez e sessenta e cinco.

Ela disse e ele olhou os chocolates que ainda repousavam no balcão.

Não precisou de muito, olhou para a garota mais uma vez no ponto de ônibus e olhou para os chocolates uma segunda vez, falando com a mulher a sua frente.

— Vou levar esses também — ela não pareceu surpresa ou questionou nada, apenas passou na máquina — então, serão treze e cinquenta.

Ele entregou o dinheiro e sorriu simpático para ela, que corou no mesmo momento. Saindo pela porta assim que terminou de pagar por suas coisas, uma chuva começou a cair, então ele tratou de entrar de baixo do abrigo no ponto de ônibus, mesmo lugar que ela estava a quatro assentos de distância.

Mas ele não sabia se faria mesmo o que havia pensado fazer com os chocolates que havia comprado, afinal poderia parecer estranho e, querendo ou não, ele era um estranho. Ele viu seu ônibus se aproximar de longe e ela atender o celular que tocou sem parar ao seu lado.

“Sim, eu já estou indo, estou esperando o ônibus, o café estava fechado por tempo indeterminado e podemos dizer que hoje, definitivamente não é meu dia”

Ele a ouviu comentar junto de um suspiro alto.

Não queria ouvir a conserva dela, mas estavam tão próximos que era quase impossível.

“Não, ainda não, eu disse, hoje definitivamente não é meu dia”

O ônibus dele se aproximou pouco a pouco e quando ele viu já estava preparado para subir nele. Foi nesse exato momento que algo doido passou por sua mente, vestiu seu capuz, respirou fundo e colocou os chocolates sobre a mão livre da garota.

— Espero que o seu dia melhore — se virou rapidamente, entrando no ônibus, deixando-a confusa e surpresa no banco do ponto.

A pessoa com quem ela falava — que era precisamente a mesma Ammie que ele conheceria meses depois — a chamava sem parar, já que ela havia apenas ficado muda na linha, observando o ônibus sumir de vista.

, você está aí?”

Ela sorriu, voltando para o mundo.

— Sim! — respondeu entusiasmada — Eu retiro o que disse, acho que hoje é sim o meu dia.

“Você viu alguém bonito, né? Certeza!”

— Desde quando pessoa bonita melhora meu dia? — ela perguntou, arqueando as sobrancelhas.

“Desde que eu te conheço por gente”

Ammie respondeu rindo.

— Tá, eu não posso negar, mas, ainda sim, eu não vi o rosto dele, então não foi o motivo — ela respondeu revirando os olhos.

A partir daquele dia, mesmo que ela não soubesse quem ele era, guardou aquele dia consigo e ele, sabendo quem ela era, guardou-a consigo.

Até reencontrá-la meses depois, no primeiro dia de faculdade.

Flashback off

— Nos encontramos outra vez, algo que eu nunca pensei que fosse acontecer depois daquele dia, — ele sorriu sincero — e ainda sim eu não tinha coragem de me aproximar de você.

Ela o encarou confusa.

— Quando eu entrei para o time, eu sei que começaram a me tratar como a pessoa mais extrovertida do mundo, mas na verdade, meu mbti começa com a letra “I” por uma razão — ele riu — Eu realmente não sabia como poderia fazer algo, então por um longo tempo eu apenas, sei lá, me contentei com te observar ser feliz sem mim.

Um trovão soou pelo céu e ele imediatamente cobriu os ouvidos de ao vê-la se encolher.

— Vamos te tirar dessa chuva primeiro ou você ficará doente — ele disse, observando a palidez de sua pele e o arroxeado de seus lábios pelo frio.

— Termina — ela disse se soltando dele — Termine de explicar e eu decido se vamos em direções opostas com o risco de adoecermos ou se saímos dela juntos.

Ele suspirou, olhando para o céu alguns instantes.

, eu não posso dizer que errei por ter aceitado essa aposta, se é isso que você quer ouvir — ele disse.

o olhou confusa, cheia de perguntas por sua mente.

— O quê? — ela disse em um tom baixo.

— Não, eu não errei em ter aceitado essa aposta estúpida, porque ela existiu com o único e exclusivo propósito de me tirar do meu estado de covardia — ele respirou fundo, se lembrando.

Flashback

— Você precisa urgente aprender a tomar iniciativa — disse colocando os braços sobre os ombros do amigo que observava a garota de longe — Já faz o que agora? Um ano que você está na mesma?
— Um ano e cinco meses — o corrigiu, afinal, realmente fazia um ano e cinco meses que ele não conseguia ter interesse em mais ninguém além da garota que ele conheceu no ponto de ônibus em um dia comum e depois acabou reencontrando na faculdade.
— Cara, você realmente é um soldado abatido — o amigo riu — Você deveria falar com ela, ao menos, sei lá, pedir uma caneta emprestada e depois arranjar uma desculpa para continuar conversando com ela.
— Eu não consigo, — ele falou — Eu já tentei várias vezes e quando eu acho que vai dar certo, alguma coisa acontece e eu desisto na mesma hora.
— Vamos fazer uma aposta? — disse sorrindo perverso, olhando para os amigos que se aproximavam de onde eles estavam — Você convida ela para sair, ou pelo menos para a festa que vamos dar no final de semana — ele franziu o cenho — Acho que nunca a vi em uma das nossas, mas, enfim, você a convida e tenta parar com essa covardia toda, mantenha uma conversa, mantenha ela perto de você.
— E o que você ganharia com isso? — arqueou a sobrancelha para o amigo, desconfiado.
— Certo — sorriu perversamente outra vez — Se você fizer, ganha a garota e me impede de fazer isso por você.

arregalou os olhos.

— Fazer isso por mim? — perguntou.
— Isso. Seu braço direito, padrinho, não sei como chamam isso, mas, eu já estava pretendendo tomar ações por você mesmo, já que você não tem coragem suficiente e apenas fica admirando ela de longe — ele soltou uma risadinha com os outros — Então, se você não fizer nada, eu faço.
— E se eu fizer? — perguntou o amigo já quase em pânico.
— Te deixamos em paz com o assunto e você ainda ganha a garota — piscou para o amigo — A escolha é sua.

a observou de longe mais uma vez, ela sorria e conversava de forma animada com os amigos enquanto comiam no meio do campo da faculdade, que estava vazio naquele momento.

Por ela, valia a pena.
Ele pensou.

Flashback off


— Sim, eu sei que a partir do momento que deixamos de ser apenas amigos, mesmo que oficialmente ainda não tivéssemos um título, eu deveria ter lhe contado e provavelmente nós teríamos dado risada, mas eu fiquei com medo de que isso acontecesse — disse apontando para a situação — Eu já tinha medo de te perder antes , mesmo sem você sequer estar na minha vida como hoje em dia, imagina como eu me sentiria se te perdesse por ser um covarde e precisar de uma “aposta” para me aproximar de você? — ele tirou os fios de cabelos molhados sobre seus olhos, revelando a sinceridade deles diretamente a ela — Eu me sentiria como um perdedor, um grande e completo perdedor, igual agora.
— Você…

Ela tentou falar algo, mas não conseguiu.

— Eu sei que é muita informação e que você provavelmente me ache um idiota, mas eu realmente acho que deveríamos sair dessa chuva. Não posso lidar com a ideia de que além de te machucar, também te fiz ficar doente — disse quase implorando.

Mais algumas palavras sairiam de sua boca, mas, ele não conseguiu dizer nada já que os lábios dela o calaram.

O beijo molhado pela chuva e que trazia a enxurrada de emoções foi o que fez com que o coração dele acelerasse mais uma vez desesperadamente, mas agora por querer mais dela para si. As mãos dela em sua nuca, trazendo-o com uma certa força para si e as mãos dele sem reação por alguns segundos fizeram com que o clima ficasse ainda mais saudoso. Ele sentiu falta dela como se não tivessem se falado por anos, e, sinceramente, minutos eram suficientes para que ele se sentisse assim, era estranho e ao mesmo tempo, um alívio.

Ele sabia que a amava desde o primeiro dia em que a viu, mas agora tinha a comprovação de que não apenas ele amava, mas ela também.

Suas mãos foram para a cintura dela, a trazendo para mais perto de si, intensificando, com todo o amor que tinha e conseguia demonstrar, aquele beijo lento e confortante.

— Eu nunca comi — ela confessou assim que se separaram.
— Huh? — ele perguntou sem entender, ainda entorpecido por ela.
— Eu nunca cheguei a comer os chocolates — ela respondeu soltando uma leve risada.

Ele a olhou de forma engraçada e ela riu.

— Qual é, mamãe me ensinou a não aceitar nada de estranhos e se o caso fosse algo que eu não poderia evitar, ela disse claramente para apenas agradecer e depois me livrar daquilo — ela respondeu rindo.
— Isso é claramente algo vindo de sua mãe — ele disse rindo.
— Eu sabia que era você — ela confessou pela segunda vez e ele a olhou confuso — Eu reconheci o chaveiro que eu vi, o mesmo que sua irmã te deu, na sua mochila quando você entrou no ônibus e, convenhamos, — ela soltou uma leve risadinha — você não era muito discreto ou sequer tentava disfarçar antes de me chamar para ir na festa.
— Me desculpa — ele disse de repente — De verdade, eu deveria ter lhe contado sobre tudo antes, eu só tive medo.
— Está tudo bem — ela respondeu — Eu realmente queria que você tivesse me contado antes, assim eu não teria me achado tão estúpida pensando que você estava apenas brincando comigo, mas já passou, está tudo bem agora.
— Vem, vamos sair dessa chuva — ele disse sorrindo para ela, dando mais um beijo nela, a puxando consigo para onde não chovia, onde sentiram o frio bater imediatamente.
— É, talvez não devêssemos ter resolvido nossos problemas no meio da chuva — ela disse rindo.
— É, talvez não tenha sido a melhor escolha — ele respondeu trazendo-a para si, a abraçando com ternura na tentativa falha de tentar esquentá-la.


Fim!



Nota da autora: Fazia tempo que eu não fazia uma fic gostosa e rapidinha de escrever como essa, fiquei feliz com o resultado e com esses dois, espero que vocês também tenham ficado. Obrigado por lerem!!

Não esqueçam de deixar um comentário dizendo o que achou!
Xoxo Caleonis <33

Nota da beta: Oi! O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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