12. Fear and Loathing


Última atualização: 14/02/2019

Capítulo Único

LOS ANGELES – 2018

já havia dado vida a vários personagens, e por conta disso, considerava-se uma pessoa cheia de experiências. é uma adepta da frase “Não preciso passar por algo para aprender a lição”. Quando interpretou a vilã vingativa, a atriz aprendeu que não vale a pena se desgastar e viver em prol de uma vingança. Ao viver a protagonista boazinha, aprendeu que não pode se permitir ser feita de trouxa, que as vezes as pessoas se aproximam com interesses pessoais, e não empatia. De todos os papéis que a atriz viveu, ela conseguiu tirar uma lição. Infelizmente, a consequência de cada lição foi se somando e ela conhecendo um mundo horrível, onde as pessoas são falsas, mesquinhas, egocêntricas e interesseiras. Infelizmente conheceu o mundo real.
Apesar de cada personagem vivido, a maior lição que ela aprendera foi consigo mesma. Ainda estava fresco em sua memória o dia em que percebeu que não se deve viver pensando a todo instante nos outros.
Era involuntário soltar um suspiro cansado ou apaixonado cada vez que pensava em . Porém era mais automático ainda se sentir tola por causa disso.
A mulher nasceu e cresceu em Merzig, uma cidade pequena da Alemanha, onde viveu tanto seu primeiro e provavelmente único amor, quanto sua primeira decepção. E se tem algo capaz de transformar a essência de uma pessoa, é o amor, principalmente quando ele traz a decepção.

MERZIG – 2006

- Você consegue imaginar também?- perguntou deitando-se com a cabeça no colo do rapaz – Eu consigo, ... Eu e você daqui a uns 10 anos ainda seremos amigos, não é?
encarou o semblante sonhador que a garota carregava e depois fitou o céu azul que os cobria.
- Por Deus, . - chamou sua atenção fazendo com que ela o olhasse e depositou um beijo em seus lábios. - Se daqui a 10 anos você falar que somos só amigos, me considerarei um fracassado na minha principal missão nessa terra.
- Ah e qual seria ela? – deu aquele típico sorriso que brotava em seus lábios sempre que queria provocar ou contrariar o menino. Ficou de pé encostada à árvore mais próxima aos dois naquele enorme jardim, o Garten der Sinne. – Pensei que sua principal missão, legado ou sei lá como você costuma chamar esse seu sonho, fosse virar o melhor jogador do mundo.
levantou e se aproximou cada vez mais de , parando a poucos centímetros da boca da moça. Lançou-lhe o mesmo olhar provocativo, junto com um sorriso ladino.
- A mocinha por acaso dúvida do meu talento? - antes que ela o interrompesse prosseguiu. – Fique você sabendo que já sou um ótimo jogador, o mundo só não descobriu isso ainda. Não é o que você diz sobre ser atriz? Então...
- Uhm okay. – ela cruzou os braços. – Até posso aceitar essa sua resposta, mas você ainda não disse o principal objetivo. Chega de mistério, .
- Claro que é te seduzir.
- Como você é ridículo, . – entre a risada dos dois, segurou os pulsos de impedindo que a mesma o estapeasse. – Mas então, , isso significa que daqui a 10 anos você ainda se imagina comigo?
- E com quem mais eu poderia estar?
- Bom, você vai ser um jogador rico com várias modelos de olho no sucesso que ficar ao seu lado pode trazer, além de que o melhor jogador tem o melhor salário, não é? Qual motivo você teria pra ficar comigo?
- Me diz você então, , você vai ser a atriz mais gostosa da televisão, cercada de atores lindos com uma tonelada de creme de cabelo em topetes que nem um furacão mexe, quais seus motivos pra ficar com um mero jogador?
- Um mero jogador eu não sei. Mas pra ficar com você, , eu tenho todos os motivos do mundo.

LOS ANGELES – 2018

tratou de afastar as incômodas lembranças de sua mente. Não era momento, nem lugar para pensar naquilo. A mulher estava cheia de falas para decorar, cenas para gravar e como bônus tinha o ensaio e entrevista para a Vogue. Definitivamente a última coisa que a atriz deveria fazer era divagar em seu passado. Ainda mais quando tratava-se de alguém que lhe deu as costas.

MERZIG – 2008

- ! – a menina bateu à porta do quarto dele sentindo a ira ferver cada vez mais seu sangue.
- Some daqui, ! – ele disse do lado de dentro ainda sem abrir a maldita porta. – Ah, espera... Nem preciso falar isso já que você vai sumir para o outro lado do mundo!
- Seu egoísta, maldito e infantil. – a garota gritava histérica. – EU PENSEI QUE VOCÊ FOSSE FICAR FELIZ POR MIM! Você sempre soube como isso é importante na minha vida.
Um silêncio pairou no ar e quase pôde sentir ele a sufocar. Passados uns cinco minutos a porta finalmente abriu.
- Eu pensei que também fosse importante pra você, .
Dito isso, saiu do quarto carregando a mala que o acompanhava em todos os treinos e já vestindo o uniforme do seu atual time. Ele atuava como reserva, mas, pelo menos, era um time grande.
assistiu em meio às lágrimas o rapaz se afastar sem ao menos se despedir. Era difícil para a menina saber que aquela seria a última lembrança deles juntos. A pessoa mais especial na vida dela não apoiou seu sonho, o sonho que ele a ajudou planejar e sonhava junto dela.
Ali aprendeu o egoísmo da mente humana. preferia que ela fizesse pouco sucesso perto dele, do que muito longe.
O grande quê da questão é que se fosse ao contrário, se fosse conseguindo um ótimo contrato, mas que o fizesse ficar longe por um tempo, a menina apoiaria e tentaria dar um jeito, arrumaria uma forma do relacionamento entre eles não se desgastar com a distância, e não deixaria o amor ser corroído pelo bichinho tinhoso que era o ciúme.
Em meio aos devaneios, se questionou se também não era egoísmo seu simplesmente jogar a bomba em de última hora pra evitar longas explicações e a dor da saudade adiantada. E só depois que o furacão passou que a menina viu que a atitude que ela deveria ter tomado era o diálogo. Da mesma forma que não foi correto mal ouvir o que ela tinha a dizer, sua atitude de não ter conversado com ele anteriormente e se preparado juntos também não foi exemplar.
percebeu o quão complicado era entender a mente e o comportamento humano, e mais difícil ainda, entender o tal do amor.
A futura atriz respirou fundo e criou forças para lidar com o que viria, mas antes de deixar Merzig, fez uma promessa a si; Jamais permitiria ser usada ou usaria alguém, não cairia nas tentações ou ilusões da cidade grande, mesmo que a consequência disso fosse ela se sentir cada vez mais sozinha, não deixaria ninguém se aproximar demais. Afinal, na cabeça confusa da jovem , viver em meio ao medo e delírio era melhor que viver enganada e machucada.

LOS ANGELES – 2018

nunca foi antipática, e provavelmente nunca seria, mas algo dentro dela a prendia de tal forma, que parecia que qualquer coisa além da gentileza era algo impossível, afinal, as pessoas só se aproximam quando convém, certo?
Errado, mas só iria descobrir isso com um certo reencontro.
Era noite de ano novo e ela passaria naquelas festas de famosos. Mesmo rodeada de gente, ela se sentia sozinha e vazia, nada além do habitual.
Vendo aquelas pessoas rindo e bebendo, pegou-se presa em meio às lembranças.

MERZIG 2007/2008

- Ainda não deu a hora, !! - arrancou a taça de suas mãos .– O champanhe é só depois da meia-noite.
- Bom, – ele suspirou e pegou a taça de volta – você sabe que isso não é champanhe, né? Champanhe é apenas o espumante produzido na região francesa que tem uva Chardonnay. Ou seja, – bebeu um gole – isso não é champanhe e sim espumante, logo, posso beber.
- Você não tem jeito, – revirou os olhos e pegou o copo virando o resto do líquido de uma vez. – Você diz isso todo ano!
- Todo champanhe é espumante, mas nem todo espumante é champanhe. - disseram juntos.
- Parece tão certo, não acha? - disse enquanto colocava a bebida no balcão, logo depois prensou a menina no mesmo e acariciou sua bochecha.
- Beber agora? - perguntou confusa.
- Não. – riu. - Na verdade também, mas eu estava falando da gente.
- Sinceramente não acho que pareça não, .
- Como não? – vez dele de fazer aquela cara confusa e ele ficava tão fofo fazendo aquele bico desentendido.
- Não é algo que parece certo. - selou os lábios. – É certo e pronto.
Beijaram-se bem na hora que o sino tocou. Meia noite. Ano novo e ela não poderia ficar mais feliz por estar ali com ele.
- , – desfez o beijo – você sabe que eu sempre vou estar aqui, né? Quando você sentir medo vou segurar sua mão, quando as coisas derem errado vou te ajudar e quando você for famosa, não me troca por nenhum ator mauricinho, ok? – o rapaz a beijou delicadamente. - Eu não quero ser um estranho que você reconheceria em qualquer lugar.
- Vai estar comigo mesmo tendo milhares de opções? – arqueou a sobrancelha .– Mesmo sendo o cara mais cobiçado e desejado? Conta outra né, .
- Eu quero estar contigo sempre, eu prometo, , sempre estarei com você, sempre serei o seu . Amar você é como respirar, me mantém vivo, então não me deixe morrer, nunca okay? Feliz ano novo, pequena.
Ela simplesmente não pode deixar de se emocionar, e em meio a lágrimas de alegria por saber que a reciprocidade se mantinha viva, encheu o rosto do rapaz de beijos, até chegar em seus lábios.
- , você é o meu melhor amigo e sempre será, você foi meu primeiro amor e sem dúvidas será o último, não dá nem pra me imaginar amando outra pessoa depois de já ter sentido isso que eu sinto por você. Feliz ano novo, artilheiro. Te amo.

LOS ANGELES - 2018

A mulher bebericou de sua taça, e quando finalmente tentou se situar no assunto do qual o casal que trabalhava com ela falava, se arrependeu.
Brandon e o namorado estavam tentando desencalhar a colega de trabalho, por, pelo menos aquela noite, a noite da virada. Enquanto caçavam um bom partido para a atriz, apontaram em uma direção.
Uma direção com a capacidade de fazer seu coração falhar, sua perna tremer, e seu mundo interno entrar em colapso.
Ela olhava na direção de . Depois de dez anos, ela finalmente estava ali olhando pra ele.
Será que o menino que lhe apresentou a decepção, viria a ser o homem a lhe ensinar que nem todos tem uma má intensão? Seria ele capaz de lhe ensinar o perdão e o arrependimento? Talvez sim. E talvez, só talvez, com ele pudesse aprender a ser livre e leve novamente.
Sem medo e sem delírio.





FIM.



Nota da autora: Bom, assim que eu vi a música vaga decidi que deveria ser minha. Em meio às duvidas sobre o que escrever, me veio uma luz. Desde o começo do ano eu escrevo uma long com essa temática (ainda não tive coragem de publicar) e como momentos de crise pedem medidas drásticas, acabei usando ela como base pra essa short. Quem sabe com o feedback eu acabe publicando ne?
Obrigada por ter lido, e por gentileza, comente.





Outras Fanfics:
14. Facedown (The 1975) - RESTRITA
17.Undo (The 1975) - LIVRE


Nota da beta: Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.


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