CAPÍTULOS:
[Capítulo único]







Capítulo Único


estava frustrado. Na verdade, o adjetivo frustrado já lhe parecida, àquela altura, muito simples para descrever o que sentia. Arrancando mais uma folha de seu caderno, bufou, e então a amassou, fazendo uma bolinha, que arremessou na cesta de lixo do escritório.
Em mais de dez anos de relacionamento, sempre tinha sido sua musa inspiradora, mas, agora que ele tinha, finalmente, resolvido escrever uma canção para ela, uma música especial para lhe dar de presente, falando de toda a história dos dois, em um momento mais do que especial de suas vidas, nada de bom estava saindo!
Era difícil fazer uma canção que fosse tão linda quanto ela era doce, com apenas uma pitada da dor que ele tinha sentido, durante os momentos de separação!
Então, pegando a caneta novamente, ele ocupou as primeiras cinco linhas da folha de caderno...

I wanna write you a song
One that's beautiful as you are sweet
With just a hint of pain for the feeling that I get when you are gone
I wanna write you a song


...e seu pensamento vagou. Podia lembrar grande parte daquela noite de sábado em que sua vida tinha começado a mudar de muitas maneiras.

Outubro de 2004

estava confiante, naquela noite. Algo dentro dele dizia que eles fariam um maravilhoso trabalho, ao subir no grande palco montado no meio do Central Park, para o festival de músicos independentes de Nova York. Sua confiança era tanta, que ele simplesmente saiu do camarim, quando Puck começou, mais uma vez a surtar, elencando todas as coisas que podiam dar errado, durante a apresentação, como se eles já não tivessem feito a lista, na semana anterior, e feito tudo o que poderiam para garantir que nenhuma das hipóteses tivesse grande probabilidade de se tornar uma realidade. Sam e Mike que lidassem com ele, desta vez!
No corredor onde haviam sido improvisados os camarins, não havia muita gente. Os artistas promissores convidados para o evento estavam se preparando nos locais reservados para eles, e o pessoal da produção estava, em sua maioria, sobre o palco ou na coxia. Havia dois seguranças, tomando conta da entrada, e uma garota falava alto com um deles, que parecia estar prestes a perder a paciência.
- Eu já disse! Eu tenho certeza! Jeff não mentiria pra mim desse jeito – falou a menina, e agora estava próximo o suficiente para ver que ela estava quase chorando.
- O tal Jeff claramente mentiu pra você, senhorita – retrucou o segurança. – Não existe esse tal de
meet and greet nesse evento! Ninguém nos deu orientação nenhuma pra deixar ninguém do público, com nenhum tipo de ingresso, passar deste ponto aqui.
- Não é possível. – A desconhecida deixou o rosto cair nas mãos e o esfregou por alguns segundos. Ao levantá-lo, pronta para voltar a encarar o segurança e provavelmente continuar argumentando, deu de cara com ao lado dele.
- Te disseram que haveria um meet and greet nesse show? – ele perguntou, franzindo a testa. – Que eu saiba, nem tem gente famosa aqui pra cobrar por um encontro, fotos e autógrafos – Riu.
- Acho que foi por isso mesmo que o babaca do Jeff me deu esse falso convite – disse entredentes, mostrando a ele um pedaço de papel colorido. – Pra ele, é uma grande piada eu gostar tanto da Waves, a ponto de vir pra Nova York ver o show deles. Ele deve ter rido ainda mais da minha cara, quando a ingênua aqui acreditou que eles estavam finalmente tendo o reconhecimento que merecem e ganhando um meet só deles.
- Você veio de onde? – indagou, cada vez mais curioso.
- De uma cidadezinha insignificante perto de Detroit. Não é tão longe assim, vai?
- Não é tão longe, mas, pra ver uma banda que quase ninguém conhe-
- Eles são muito bons! – retrucou, cruzando os braços na frente do corpo, irritada. – E você quem é, pra ficar aqui, me fazendo perguntas? Quando se aproximou, eu pensei até que estivesse disposto a me ajudar...
- E eu vou! – ele a interrompeu, do mesmo modo como ela havia feito com ele. – Ou pelo menos vou tentar.
- Sério? – ela deu um sorriso que o fez ter certeza de sua decisão não muito racional de interferir na situação.
- Sério. Espera aqui.
Não foi tão fácil achar uma das responsáveis pela identificação do pessoal que precisava poder entrar em sair daquela área, mas eventualmente estava com ela, pedindo o crachá que tinha sido oferecido, para que eles levassem alguém para ajuda-los no
backstage, e recusado na ocasião. Ignorando a cara feia do segurança, entregou-o à menina, que o prendeu na roupa em velocidade recorde, e passou entre as grades, se jogando nos braços dele e repetindo a palavra obrigada mais vezes do que ele foi capaz de contar.
- Tudo bem! Você me deve uma – respondeu, rindo, quando ela o largou. – A propósito, meu nome é ... . Eu sou da Hook. Mas você não deve conhecer, claro. A nossa banda é tão desco-... Eu quis dizer mais desconhecida que a Waves.
- Tudo bem, . Na verdade, eles não são mesmo conhecidos... ainda. E o meu nome é . – sorriu, e ele passou alguns segundos hipnotizado pelo rosto iluminado dela.
- Pois é. Já que é você mesma quem tá dizendo... como você acabou assim tão fã deles? Nem aqui em Nova York eles são conhecidos.
- Eles estiveram na minha cidade, no final do ano, e eu adorei o som deles! Jeff diz que foi só porque nunca assisti a um show antes, mas eu não acho que seja verdade.
- Jeff é seu namorado? - ele indagou, como quem não queria nada.
- NÃO! Ele é meu irmão. É o gêmeo mau - brincou e ele rui.
- Bem... é... Agora, é com você, então, . Fica por aqui, que eles vão aparecer, em algum momento.
- Ok. Obrigada, de novo.
- De nada! – Foi a vez dele de sorrir, antes de voltar para o camarim. Estava perto da hora de subir ao palco e os rapazes provavelmente já estavam chateados com a ausência prolongada dele.
Precisava deixá-los confiantes e empolgados também, pois agora estava com ainda mais vontade de fazer o melhor show de sua vida, sabendo que poderia ouvi-los, mesmo que a atenção dela estivesse, a princípio, completamente voltada para a Waves.

- Tem uma garota aí na porta, querendo falar com você – Sam informou, pouco mais de meia hora depois, e praticamente correu até lá, imaginando de quem se tratava.
- Eu vim me despedir e agradecer de novo pela ajuda – ela falou, logo que o viu, fazendo com que ele franzisse o cenho.
–- Se despedir?
- Eu já vou indo – disse, sem jeito. – Não pra casa, é claro. Eu só comprei passagem pra amanhã! Mas eu to hospedada num hotel aqui perto.
- O que aconteceu, ? – indagou, saindo do camarim e fechando a porta atrás de si.
- Eles não foram muito agradáveis e eu perdi a vontade de esperar pelo show – explicou, dando de ombros.
- Eles fizeram alguma coisa com você? – perguntou, preocupado, mas relaxou quando ela sorriu.
- Não. Pode ficar tranquilo! Eles só foram antipáticos. Debocharam, sem qualquer cerimônia, da minha cidade, dizendo que nunca fizeram show em um lugar tão ruim, e com pessoas tão sem graça! – suspirou. - Parece que eles só foram pra lá porque um deles estudava com a filha do prefeito, aqui em Nova York, e queria... Bem, eles usaram palavras que eu não to nem um pouco a fim de repetir, mas o fato é que ele queria sexo com a menina e resolveu puxar o saco do pai dela pra conseguir.
- Eu sinto muito, – falou, sincero.
- A culpa não é sua, . Eu só tenho a te agradecer! A verdade é que não temos muitos shows na cidade e eu acabei me sentindo ligada a eles, de alguma forma, o que foi ridículo! Meu irmão é que tinha razão: eu acabei gastando tempo e dinheiro pra nada, já que não tenho nem mais vontade de ver esses caras cantando, depois de tudo que eles falaram pra mim.
tentava não transparecer, mas estava triste. Fitava os próprios pés, enquanto tentava avaliar a situação com uma racionalidade que só quem estivesse de fora teria. , por sua vez, não só sentia muito por uma fã ter sido decepcionada daquele modo por seus próprios ídolos, como também tinha a nítida impressão de que a apresentação de sua banda não teria a mesma graça, com aquela pessoa a menos ouvindo o que iam tocar.
- Mas você não precisa ir assim – ele tomou coragem para falar. – O show da gente é o próximo, e você podia ver, já que já veio até aqui. Você poderia nos dar uma opinião sobre a nossa música e, além disso, a gente depois vai a um bar, perto daqui. É uma tradição, após os shows! E você viria com a gente, ao invés de ficar vendo TV no hotel.
- Seus amigos não vão achar ruim você levar uma desconhecida? – questionou, mas não conseguiu esconder completamente sua empolgação com os novos rumos nos acontecimentos.
- As namoradas de dois deles vão também. Elas só não tão aqui porque preferem assistir ao show com as amigas, mas, logo que a gente acabar, todo mundo vai se encontrar. Você vai gostar delas! – Ele tentou ler alguma coisa no semblante dela e viu hesitação, por alguns segundos, mas logo ela abriu um sorriso.
- Onde eu posso ficar?

- Ele não pediu o contato de vocês à toa. Vocês são muito bons! – falou, enquanto acompanhava até o carro dele. Um homem que se dizia olheiro de grandes empresários tinha pedido endereços de email e números de telefone aos meninos, quando eles tomavam cervejas em um pub perto do Central Park.
- Eu não sei nem se ele já viu a gente, . O Puck foi quem falou pra ele que temos uma banda e ele pediu um CD demo.
- Não importa! – disse ela, confiante. – Se ele ainda não escutou vocês, vai escutar as músicas do CD e vai se apaixonar à primeira vista! Foi assim comigo, não foi?
- Eu não quero ser grosseiro, sabe? Mas acho que você tem uma tendência a se apegar a bandas – riu e ela fez o mesmo, reconhecendo que ele estava certo.
- Ainda assim, acho que ele vai se apaixonar.
pegou o CD gravado pela Hook, que estava no porta-luvas do carro dele, e fechou a porta. Sentiu uma rajada de vento frio tocar seu rosto e, voltando-se para , percebeu que ela se encolhia com a mudança brusca de temperatura.
- Veste meu casaco – ofereceu.
- Não precisa, . Você vai ficar com frio – ela protestou, mas ele já estava tirando o casaco, que colocou nela, em seguida.
- Te emprestar um casaco quentinho e macio é o mínimo que eu posso fazer, como o cavalheiro que minha mãe me ensinou a ser.
- Obrigada – respondeu. – Mas, na verdade, você já fez muito por mim hoje. A sua mãe criou um cara maravilhoso! – comentou, se aproximando dele, que também se inclinou em sua direção.
Ele olhou para os expressivos olhos que o encaravam, e então para os lábios cobertos por uma camada de batom vermelho já desbotada. Sem que ele tivesse percebido, seus dedos já estavam deslizando pela pele suave das maças do rosto dela, e ele sentiu como se a vida fosse perder o sentido se não pudesse ter, mesmo que por um breve momento, aquela boca tocando a sua.
Foi um beijo doce, como nenhum outro tinha sido antes. E, para não estragar tudo, ele não voltou a beijá-la, mesmo que quisesse isso mais do que qualquer coisa, ao deixar a garota no hotel onde estava hospedada, algumas horas depois.
Ela era só uma menina, ainda cursando o ensino médio e morando com os pais, em uma cidade cujo nome ele jamais tinha ouvido, até conhecê-la. E ele era o cara que dividia uma apartamento com os amigos na megalópole de Nova York, depois de enfrentar os protestos dos pais por ter deixado a faculdade de Direito no meio, e resolvido se dedicar apenas à música.
não queria que fosse embora, mas era impossível pedir para ela ficar.


I wanna lend you my coat
One that's as soft as your cheek
So when the world is cold
you'll have a hiding place you can go
I wanna lend you my coat


...escreveu. Parecia uma bobagem, mas ela entenderia. Sempre que ela teimava em não levar um casaco para a rua, ele tirava o seu e o colocava em seus ombros. E, quando o mundo era um lugar frio, ele era o seu abrigo.

Junho de 2007

estava agitado. Tinha sido muito difícil convencer os rapazes, e principalmente o empresário deles, de que era uma boa ideia fazer um show em uma cidade que mal se via no mapa, e, se ele não conseguisse o que realmente pretendia ao inventar aquilo, seria bastante frustrante!
Depois de a vida dos integrantes da Hook ter cruzado com a do olheiro Josh Budd, na mesma noite em que ele conhecera , tudo tinha mudado demais e em uma velocidade incrível!
Em menos de uma semana, eles tinham empresário. Em pouco mais de um mês, vários shows marcados em locais estratégicos da cidade. Seis meses depois, assinavam contrato com uma gravadora e não havia se passado um ano ainda quando começaram a tocar em outros Estados.
Agora, eles eram conhecidos em todo o país e seu mentor já falava em carreira internacional. não poderia estar mais feliz porque, além de tudo, conseguira colocar algumas de suas composições no segundo álbum deles, Neverland, e uma delas havia recebido prêmios importantes na indústria musical.
Durante todo esse tempo, ele e tinham mantido contato por Facebook, e ela vibrava com o sucesso deles, como (quase) ninguém! Era, inclusive, uma das poucas de quem ele tinha continuado amigo na rede social, depois de precisar excluir seu perfil e criar um
fake, para ter alguma privacidade.
Os dois jamais haviam conversado sobre o beijo trocado, e ele sempre tinha vontade de convidá-la para ir ao seu encontro em Nova York ou em algum show da turnê nacional, mas perdia a coragem, na hora de falar. O desejo de vê-la, no entanto, só crescia, e fazer uma apresentação na cidade dela, depois de um grande show em Detroit, pareceu-lhe a estratégia perfeita para evitar receber um não como resposta.
Isso se ele tivesse conseguido falar com ela, é claro! Naquele momento, ele não estava muito confiante, pois não conseguia fazer contato havia uma semana, até duas horas antes, ela não tinha sequer visualizado as mensagens
in box que lhe mandara e, depois de visualizar, tinha escrito apenas ok e obrigada. Nem mesmo parecia respondendo!
- Ei, ! – chamou Mike, obrigando o rapaz a parar de andar de um lado para o outro, dentro do camarim, e encará-lo. – O Paul surtou quando soube que decidimos ir embora só amanhã, no fim do dia. Quis porque quis saber por que, e eu fiquei sem resposta, cara.
- Essa cidade não tem nem um hotel legal, e muito menos coisas
maneiras pra ver – comentou Sam. – É claro que o maluco não ia entender!
- É bom que a princesinha pelo menos venha e você faça um
gol nela pra justificar – falou Puck, com o tom que ele sempre usava para se referir a , sem gostar da ligação que o amigo mantinha com ela.
- O que é bom é você calar a boca! – respondeu, sério, sem paciência. – Deixa que eu me entendo com o Paul – completou, se dirigindo a Mike. Foi neste instante que ouviu batidas na porta e, ao abri-la, ele se deparou com a causa do momento de tensão anterior, usando a credencial que ele havia deixado para ela na portaria, pendurada no pescoço.
Por alguns segundos, ficaram apenas se encarando, sem reação. Depois, se abraçaram com força, e ele sentiu as batidas apressadas do coração dela, combinando com as suas. Ele a achou ainda mais linda, quando a soltou e examinou seu rosto, apesar de parecer um pouco abatida.
- Eu não sabia se você vinha...
- Eu não perderia isso por nada!
- Tá quase na hora, então não dá pra gente conversar agora, mas depois... Nós temos aquela tradição de beber em algum lugar, como você sabe. – Ela apenas assentiu em resposta. – Você pode assistir ao show de onde quiser. Da última vez em que você ficou na lateral do palco, deu muita sorte pra gente, mas a visão da pista é melhor.
- A lateral do palco é meu lugar favorito – respondeu, dando um pequeno sorriso. Não parecia muito animada, mas ele achou que deveria ser coisa da sua cabeça. Tinha esperado tanto por aquele encontro, que certamente estava paranoico.
Logo depois do
bis, entretanto, ele teve a confirmação de que algo não estava bem.
- Eu não vou poder ir a um bar com vocês hoje, . Eu sinto muito! Eu não to no clima pra isso – disse ela, em tom carregado de pesar. – Eu vim porque queria muito, muito mesmo, te ver, mas...
- O que houve, ? – franziu a testa, preocupado.
- Eu perdi meu tio. Tem uma semana só. Foi muito de repente e...
- Meu Deus, ! Eu sinto tanto! Nem precisa dizer mais nada. É claro que você não tá a fim de ir pra um bar! Eu só... Talvez... – coçou a nuca, nervoso. – Só se você quiser, é claro... Talvez a gente pudesse ir a um lugar mais calmo, só nós dois. A gente podia comer alguma coisa, conversar um pouco. Talvez te fizesse bem, mas só se você quiser.
- Na verdade, eu gostaria muito! Mas... e a tradição?
- É uma tradição boba – deu de combros.
Os amigos entenderiam. Talvez Puck não entendesse, mas já estava farto do comportamento dele, de qualquer modo. Como amigo, ele deveria respeitar suas escolhas de não pular da cama de uma fã para a da outra, repetidamente, e não se incomodar com o fato de ele ter um carinho especial por . Onde estava escrita, afinal, a regra de que não se podia gostar de verdade de alguém, tendo estado com a pessoa apenas uma vez?
A garota escolheu um lugar tranquilo não muito longe dali, e os dois comeram e falaram sobre a carreira dele, o trabalho dela com o pai na loja de móveis da família, a perda recente que ela sofrera e sua vontade de sair da cidade, pequena demais para os seus sonhos.
- Meu tio era bem mais jovem que meus pais. Tinha só cinco anos a mais que eu! A gente conversava muito, e ele sabia da minha vontade de conhecer o mundo. Ele construía barcos, sabe? E sempre dizia que ia fazer um pra mim, como se isso fosse resolver tudo. Como se meus pais fossem aceitar que eu simplesmente fosse embora – riu.
- Você é maior de idade...
- Mas dependo deles – suspirou. – Pelo menos por enquanto...
teve vontade de dizer que lhe daria o barco que o tio não tinha conseguido construir para ela. Ou de chamá-la para conhecer o mundo com ele, pegar a estrada no ônibus da produção, embarcar nos aviões que a gravadora fretava. Mas ele ainda não podia fazer isso, naquele momento.
fazia o seu mundo ganhar uma luz diferente. Ele sabia que estava apaixonado por ela! Mas eles não tinham trocado mais que um beijo, mensagens pela Internet, e segredos, em meio a garfadas em sua comida e goles do café que pediram depois.


I wanna build you a boat
One that's strong as you are free
So any time you think that your heart is gonna sink,
you know it won't
I wanna build you a boat


Mais dois anos se passaram até que eles conseguissem se ver de novo, apesar de se falarem quase todos os dias.
estava morando em Detroit, cursando faculdade de turismo lá, graças a uma bolsa de estudos. Os pais dela tinham protestado, mas seu espírito era muito livre para que ela ficasse presa a eles e a suas vontades para sempre e, no final, eles acabaram aceitando o inevitável.
e os meninos tinham diminuído o ritmo das viagens, estavam focando em compor e gravar, e, assim, não foi difícil fazer uma visita à garota.
Foi quando eles começaram a ter, de fato, um relacionamento. Mas o namoro deles não foi fácil de engatar, pois competiu, por anos, com as turnês dele e as viagens dela, que escolheu ser guia e conhecer o maior número de lugares ao redor do mundo, antes de aceitar ir morar com ele em Nova York e abrir sua própria agência de turismo.
No começo, eles brigavam bastante. Então finalmente entenderem que tinham um no outro um porto seguro, um lugar para o qual retornar, mas, ao mesmo tempo, ambos tinham aquela necessidade, ainda que por motivos diferentes, de ficar longe de tempos em tempos, e as brigas acabaram. Eles encontraram um modo de viver juntos, quando podiam, e separados, quando era necessário.
Ele sentia que, se não fosse por ela, sua vida teria sido bem menos interessante, apesar de ele ser um astro da música, conhecido a milhas e milhas do lugar onde nascera e tinha aquilo que chamamos de lar.


E se ela sempre lhe dera tanto – tudo de que precisava, na verdade -, tudo que ele queria era fazer o mesmo por ela, retribuir!
Ele desejou que ela soubesse que era desse jeito que ele se sentia, então escreveu exatamente isso, direto e objetivo...

Everything I need I get from you
And giving back is all I wanna do


Ele ainda tinha a banda e nenhum deles demonstrava qualquer desejo de parar de cantar junto com os outros, mesmo que todos tivessem pessoas para quem gostavam de voltar.
Isso significava que ele estaria longe de novo, em algum momento no futuro, e uma canção especial poderia muito bem fazer companhia a ela...

I wanna write you a song
One to make your heart remember me
So any time I'm gone,
you can listen to my voice and sing along
I wanna write you a song, I wanna write you a song


Ao ver que tinha uma letra pronta, sorriu, satisfeito. No momento seguinte, contudo, já não tinha certeza se aquele final não era tolo, pois, muito em breve, ela teria algo muito mais especial que uma canção que a faria se lembrar dele o tempo inteiro!
Pensou em apagar aquele último pedaço, mas entrou no escritório, bocejando e passando a mão pela enorme barriga, que a fazia andar curvada e desajeitadamente.
- Você não vem deitar? – indagou, sonolenta.
- Eu tava rabiscando algo... – disse, sem querer dar muita importância à própria obra.
- Posso ver? – Ele ficou hesitante, mas não escondeu o papel e ela se debruçou na escrivaninha, lendo o que estava escrito.
Ela olhou algumas vezes do caderno para ele, e dele para o caderno. Passou as costas da mão pelos olhos e fungou de um jeito não muito gracioso, mas, para ele, nunca estivera tão maravilhosa quanto naquele momento!
Ela carregava no ventre o primeiro filho dos dois e estava realmente emocionada com as palavras que o coração e as lembranças tinham soprado nos ouvidos dele. Era mais um dos muitos momentos mágicos na vida do casal, e tinha sido propiciado pela letra de sua mais nova música.
Aquela canção talvez nunca ganhasse um Grammy, mas era oficialmente sua favorita!
Fim



Nota da autora: Desculpem pela fic corrida (mais uma... estou me especializando nisso, mas saibam que isso frustra a mim também). Obrigada por lerem! Beijo grande! <3




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