Finalizada em: 17/07/2020

Capítulo 1

Narração:

~~~ 10 anos atrás ~~~


, você precisa se casar. Eu não pretendo deixar a empresa no comando de Lexie ou de quem quer que seja o interesseiro que se casar com ela.
– Eu não preciso me casar para ser bem sucedido nos negócios, pai.
– Você será o presidente da empresa, mas uma empresa tem mais do que um presidente, . Existem os acionistas. E estes, garoto, devem ser bem cuidados, ou você pode colocar tudo a perder.
– Eu não pretendo falir a sua empresa, senhor . Pode não acreditar, mas eu faço bons negócios. E eu vou triplicar a fortuna de , pode ter certeza.
– Ótimo. Seria melhor ainda se você fizesse isso comigo em vida.
– Eu já estou fazendo a minha parte, não se preocupe.
Meu pai achava que eu precisaria casar-me para me tornar um homem.
O que ele não sabia é que eu passaria boa parte da minha vida sem uma esposa. Em minha opinião, mulheres não serviam para direcionar o foco de um homem milionário como eu. Na verdade, as mulheres mais tiravam o meu foco do trabalho do que qualquer outra coisa. Por isso, eu não tinha me casado. E nem pretendia.
Há dez, anos eu estava com trinta anos de idade e havia começado o meu próprio negócio. Era diretor da mineradora da família e, como herdeiro, meu pai dizia ser aquele o melhor trainee que eu poderia ter. O que ele também não sabia é que eu era o presidente do meu próprio império que crescia aos poucos.
Aos vinte anos de idade, eu saí da maconha para as drogas sintéticas, como um usuário. Não era difícil conseguir, ainda mais dada a minha posição social. Andy, meu amigo de adolescência, foi quem me apresentou à melhor fuga dos problemas – para nossa idade – e, por muito tempo, eu realmente fugi dentro dos entorpecentes. Mas, uma hora, é impossível fugir: quando o seu pai coloca todo o seu trabalho nas mãos do herdeiro.
O senhor jamais desconfiaria que o filho fosse um usuário contido das mais diversas drogas, pois o trabalho inconsumível nunca o deixava participar da vida doméstica. Nora – primeiramente babá e, depois da morte de minha mãe, governanta da família – foi a responsável por puxar minha orelha toda vez que eu, desatento, deixava brechas do meu vício. Mas foi graças a Lexie que até mesmo Nora afrouxou comigo. Quem diria que minha irmã caçula chamaria tanta atenção para si em sua adolescência ao ponto do jovem focar nos estudos e no trabalho com a empresa.
Mulheres nunca me faltavam e, talvez por isso, eu não tivesse me casado. Mas a maior verdade é que não combinava comigo isso de “se apaixonar”.
Aos vinte e cinco anos de idade, eu conheci o Richard. Ele era funcionário da empresa da minha família e, por isso, trabalhamos juntos e estreitamos os laços. Ele descobriu que eu usava drogas em uma noite pós-trabalho, onde fomos a uma boate que eu havia comprado. Esse era o início dos meus negócios. E lembro-me de Richard me repreender por usar drogas. Dizia que eu estava pensando pequeno demais com aquela história de ser dono de uma boate.
Pouco tempo depois, eu descobri que ele estava certo. Richard, havia três anos, investia na produção ilícita e distribuição de entorpecentes. Mas quem era Richard em Wall Street? Quem era Richard em qualquer lugar? Apenas um bem-sucedido – pseudo – empresário dentro da “ Corporation”. Richard não tinha cacife o suficiente para crescer nem mesmo no ramo ilícito. Mas eu sim. E foi ali que iniciei meu império da cocaína: a Florida Kilos. Eu investi com dinheiro em refinarias ocultas, e até mesmo na linha de produção. Com pouco mais de cinco anos, não havia narcotraficante colombiano que batesse o meu mercado e não sucumbisse a estar em minhas mãos.
Aos trinta e cinco anos de idade, eu me tornei o principal produtor de cocaína da América. Não, eu não sou narcotraficante. Não, eu não sou um bandido. Eu sou um homem de negócios, um homem de visão, assim como tantos outros. Por que um produtor de vinhos, ou outras refinadas bebidas alcóolicas, não era considerado um bandido? São drogas também. Uma única palavra nos separava: ilicitude. Então uma única palavra me separaria dos outros: produtor. Eu que determinava a minha moralidade e, num mundo onde o dinheiro tem a razão, isso não era difícil.

~~~ 03 anos atrás ~~~


– Show ao vivo? Isso aqui é uma boate, Chandler, e não um pub.
Eu disse ao meu gerente, que havia inventado de chamar uma cantora para fazer alguns shows. Ainda se fosse um DJ, eu até pensaria no caso. Mas que tipo de merda se passava na cabeça daquele idiota?
A boate, aos meus trinta e sete anos de idade, ganhou uma utilidade maior – o que me tirou a vergonha de ter aplicado o meu dinheiro de forma pequena – quando o lance das drogas ganhou força ali dentro. Era o inferninho perfeito: acima de qualquer suspeita, sem absolutamente uma ponta solta que indicasse o tráfico e que atendia ao público elitista da melhor estirpe.
Não que eu tivesse algum medo de ser pego. Desde que a primeira refinaria foi aberta, eu tinha as pessoas certas na minha mão para livrar-me de qualquer fiscalização. Fazia parte dos negócios ter uma boa parcela de subornos e investimentos de segurança para manter o negócio sem a menor sombra de riscos. Como eu costumava dizer, o dinheiro é um cartão magnético que abre qualquer porta.
Depois de discutir brevemente com Chandler sobre a negativa de uma ideia estúpida, eu fui me divertir no loft vip da boate. De lá, eu poderia ver todo o movimento abaixo, na boate, e não ser visto. Logo que me acomodei e o garçom trouxe minha bebida, eu vi uma garota subindo os últimos degraus da escada, de boca aberta observar o lugar. Ela parecia uma carta totalmente fora do baralho.
– Descubra quem é aquela mulher. – Ordenei para o garçom que, pouco tempo depois de me servir, ofereceu a ela uma bebida e trocou palavras com a garota, que agradeceu e sentou-se ao balcão do bar.
– Disse que veio a convite de Chandler para cantar, mas parece que ele cancelou.
Com a resposta do garçom, eu fiquei um bom tempo observando-a. Continuei em meu lugar, atento a ela, mas também atento ao meu divertimento. E lá pelas tantas, devido ao meu juízo deturpado pelos químicos, eu me aproximei da garota, que parecia frustrada o suficiente, dada a condição de embriaguez em que se encontrava.
. – Ela falou o seu nome logo que eu perguntei.
Que tipo de conversa nós tivemos, ou como eu consegui convencê-la a ir comigo ao escritório – embora não fosse difícil para ela ser convencida – eu não lembro. Só me lembro de ter uma das transas mais sujas que eu havia tido ali e de, no dia seguinte, ter certeza de que eu iria querer mais.
A garota não era inocente, mas era bem obediente ao que eu comandava, e eu gostava daquilo. A nossa primeira vez juntos com certeza foi marcante para ambos. Se não, eu não saberia explicar o fato de tê-la comigo nas vezes seguintes, até eu finalmente levá-la à minha casa.
– Uau. – Foi o que ela disse sorridente assim que entrou no hall da minha mansão.
Eu fiquei escorado ao batente da porta que dava acesso à área externa da piscina enquanto a observava dar passos perdidos e circulares, com a boca aberta ao observar a casa.
– Quer beber o quê? – Perguntei, indo ao barzinho.
– Leite. – Disse maliciosa e eu não evitei gargalhar.
– Vamos começar com álcool.
– Ah, então o que você for beber, .
Servi a ela uma dose de uísque e sentei em uma poltrona, observando-a em pé próxima ao quadro com fotografia da minha família.
– Essa casa é sua ou dos seus pais?
– Minha. – Respondi, sabendo que viria um interrogatório.
– Casa... Melhor dizer, mansão. – Ela me olhou e riu. – E onde estão eles?
– Meus pais faleceram e minha irmã Lexie anda pelo mundo dizendo que é influencer ou seja lá o que ela realmente faz.
– Vocês não se falam?
– Às vezes, ela faz contato. E você? Conte-me quem é a garota que eu seduzi.
– Eu poderia dizer que é mais o contrário, mas... – Ela olhou ao redor. – Eu acho que fui mesmo seduzida.
Sentou-se no sofá à minha frente e, depois de um gole da bebida, ela brincou com o copo, passando os dedos sobre ele como se lembrasse do próprio passado.
– Eu sou só uma garota comum de vinte e cinco anos que foi criada numa família bem tradicional mas com muito amor. Uma garota que fugiu de casa aos dezenove anos de idade para trabalhar e só retornou para o enterro dos pais.
– Lamento. – Falei verdadeiramente. – Foi algum tipo de briga que os afastou?
– Não. Eu só queria sair da bolha, encarar o mundo, e meus pais não achavam que eu estava pronta, então eu saí. Meu pai era bombeiro militar e minha mãe, dona de casa. Os dois faleceram num acidente de carro enquanto me procuravam.
– E você tem família?
– Tenho , claro. – Ela riu, debochada. – Mas são parentes distantes, aquele tipo de gente que não é muito família além do que a genética afirma. A única pessoa que eu realmente posso dizer que tenho é o . Ele é meu amigo e parceiro de trabalho. Nós nos conhecemos a algum tempo, desde que perdi meus pais. Trabalhamos juntos numa transportadora e cantamos nos bares à noite.
– Hm... – Murmurei, curioso com a discrepância absurda das nossas realidades.
Eu tinha certeza de que era o tipo de mulher que sabia valorizar a própria vida e, talvez por isso, ela não fosse durar tanto ao meu lado. Mas, naquele momento, eu não queria pensar em quanto tempo ela ficaria por perto. Eu só queria curtir a jovialidade transviada que ela exalava e, talvez, ajudá-la. E não sei por qual razão eu senti que precisava ajudá-la, tê-la próxima.
– E seus pais deixaram bens para você?
Ela riu alto e me encarou muito divertida um pouco depois.
– Eu não sou um bom partido para você, . – Afirmou e, em seguida, murmurou baixinho, olhando a piscina. – Se bem que... Será que existe alguma mulher que seja bom partido para um homem que tem essa mansão?
– Muitas posses mais, e também uma frota de iates. – Fiz piada, convencido.
– Iates!? Uau... Isso está ficando interessante! – Ela sorriu, se levantando para caminhar à minha volta, e eu a acompanhei.
– Podemos andar de iate qualquer dia, se é isso que me faz interessante para você.
– Podemos, mas não é pelos iates, que eu nem sabia existirem, que estou aqui... – Ela respondeu se aproximando, sedutora. – A não ser, é claro, que você chame de iate isso que você tem entre as pernas.
Roçou os lábios nos meus e eu a peguei em meu colo imediatamente, assustando-a.
– Chega de conversa, você me deixou animado.
Gargalhávamos à medida que subíamos as escadas longas da mansão até minha suíte. E foi daquele jeito que, pouco a pouco, foi sendo envolvida na minha vida. Até agora. Três anos depois e ela me diz que cansou do pouco que eu tenho a dar diante ao muito que ela descobriu que merece.


Capítulo 2

~~~ Atualmente ~~~

Narração:


“Linhas brancas, querido, tatuagens, não sei o que elas significam. Elas são especiais apenas para você. Palmeiras brancas. Preparando pó no fogão. Cozinhando um sonho, transformando diamantes em neve. Eu te sinto, garoto bonito, me sinta. Está ficando quente, amar você é livre. Eu gosto baixo, gosto muito baixo, mas você já sabe disso. Você já sabe...”


A mesa lotada de carreirinhas e o sorriso largo de e seus amigos mostravam-me que eles haviam chegado ao seu ápice. Eu observei aquela cena como nunca antes havia observado. Eu estava cansada, fodidamente cansada de tentar me compreender naquela merda de vida.

~~~ Horas antes ~~~

O bar estava cheio de pessoas alegres e divertindo-se em seu final de semana e eu, com inveja de cada uma delas. Não poderia sair do palco até acabar a minha apresentação, e já estava cansado de tocar o violão. Olhei para ele no canto do palco, sorri de lado e pisquei, sussurrando um “aguente só um pouco mais”. Ele piscou de volta.
Alguém se aproximou de mim e, devido à quantidade de álcool no meu sangue, eu não enxergava direito quem era mas, chegando mais perto o papel rabiscado um pouco do meu rosto, entendi o pedido da música, e fui até , o entregando.
– Você já bebeu o suficiente, não é, ?
– Não fica me regrando, , e toca logo essa. Quero ir embora.
Voltamos ao trabalho e, após terminar aquela música, já havia dado o nosso tempo no bar. Roger, o dono do bar e amigo de , se aproximou, me entregando a última bebida da noite, e eu sorri sedutora, agradecendo enquanto juntávamos nossas coisas para ir.
– Vocês foram ótimos hoje, . – Roger bateu as mãos no ombro do amigo.
– Ela é a estrela, você sabe.
– É eu sei... – Roger respondeu, me encarando malicioso e com um tom de voz igual.
Um pouco depois, estávamos recebendo nossa grana e saindo dali sem os equipamentos, que já deixava guardado no bar. Caminhamos juntos abraçados até a saída, onde a moto de estava estacionada num canto. E antes que meu amigo perguntasse onde eu iria ficar, o meu celular tocou.
– Onde você está? – Perguntei ao com a minha voz arrastada e cansada. – Eu chego logo.
Peguei o capacete na mão de , que já estava sentado, aguardando-me.
– Me deixa no Bubbs. – Pedi, sussurrando no ouvido dele, que pôs seu capacete contrariado, e eu sabia bem o motivo.
– Quando vai largar este cara? Já te falei que ele não é homem pra você.
– E qual o homem para mim, ? Você?
– Segura firme e fica quieta. – Ele respondeu, nervoso.
No caminho até a boate onde me aguardava, eu fechei os olhos e senti o frio da noite, adormecendo lentamente sobre as costas de .
– Quer que eu entre com você? – me perguntou, pegando o capacete de minha mão e pendurando em seu braço.
– Não, eu to bem. Valeu... Nos vemos.
Antes de entrar naquele antro, ouvi os pneus da moto de cantarem.
Corpos alucinados e perdidos, cambaleantes uns entre os outros, esbarrando pelas paredes, mesas e outros corpos, inclusive o meu. Com um pouco de dificuldade, pois estava lotado o lugar, eu cheguei às escadas que davam para o loft vip. Lá em cima, mais pessoas fora de si, risonhas, bêbadas e drogadas. Varri o lugar com o meu olhar confuso e não demorei a encontrá-lo.
A mesa lotada de carreirinhas e o sorriso largo de e seus amigos mostravam-me que eles haviam chegado ao seu ápice. Eu observei aquela cena como nunca antes havia observado. Eu estava cansada, fodidamenteAndei calma até o sofá onde estavam, e logo me notou aproximando. Seu sorriso se desfez numa expressão séria mas maliciosa, seus olhos arregalados e a pupila dilatada, por provável efeito da cocaína. A impecável roupa social já estava amarrotada demais, mas nada daquilo o fazia ser menos atrativo.
estendeu a mão, pegando a minha e impulsionando meu corpo até o seu, e eu caí sentada em seu colo. Com a mão forte em minha nuca, puxou meus cabelos a fim de observar meu rosto minunciosamente.
– Vamos embora. – Eu pedi.
– Você demorou.
– Eu não estava aqui do lado e você sabe. Ou já está drogado demais para não saber até mesmo quem sou eu? – Ironizei.
E obviamente ele não gostou, mas não implicou comigo como geralmente fazia. Pelo contrário. Em resposta, sugou meus lábios, encarando-me nos olhos fervorosamente. Sua pacificidade era algo que eu conquistei aos poucos, incluindo hora ou outra um atrevimento na minha língua que não era repreendido por , como geralmente outra hora ele repreenderia.
– Esqueci? – Perguntou de volta a mim.
– Vamos embora, .
– Seu amiguinho está lá embaixo esperando? – Ele perguntou, sarcástico, com uma voz debochada ao pronunciar o apelido de meu parceiro de trabalho.
– Se você não vai, eu vou. – Mencionei levantar, mas ele não permitiu.
– Que porra! Espera!
Desviei meu olhar dele para a mesa e todos aqueles que ali estavam. Tirando , ninguém parecia ter notado que eu cheguei.
– Não quer dar um tapa? – A voz rouca sussurrada de ao meu ouvido, acompanhada pelas mãos dele em minha perna, quase me desconcentraram.
– Não. Eu não quero saber disso. – Respondi enfática, encarando seus olhos, e me levantei, indo em direção ao bar.
Não demorou muito para que surgisse atrás de mim e virasse meu corpo com sua brutalidade comum para me encarar.
– Que merda aconteceu?
– Só estou cheia dessa merda de vida que você me oferece, sendo que não precisava ser assim.
– O quê? É dinheiro que você quer?
– Vá se foder, .
Saí da frente dele na mesma hora pois estava prestes a virar o copo com uísque em seu rosto, mas veio atrás de mim, segurou meu rosto com uma das mãos e puxou minha boca para outro beijo. Era assim que ele costumava fazer quando queria me calar, ou simplesmente me usar.
– Me solta. – Pedi, segurando o punho dele, mas ele apenas sorriu após parar o beijo.
– Vamos.
Pegou minha mão, me puxando para outro lugar, e embora eu estivesse bêbada, cambaleava mais do que eu. Havia, ali no Bubbs, um escritório onde controlava os seus negócios, e onde nós dois fazíamos de motel esporadicamente. Sua intenção não era diferente naquele momento.
Assim que nós entramos, eu virei o último gole da minha bebida e tirou o copo da minha mão, jogando-o num canto qualquer, de onde só ouvimos os estilhaços. Ao mesmo tempo em que eu não queria nada daquilo, foi impossível resistir. prensou meu corpo na parede e, com uma mão, prendia as minhas atrás de meu corpo, enquanto a outra segurava meu pescoço, deixando-o livre para desfilar seus beijos por onde quisesse.
... – Chamei-o no resquício de sanidade existente a fim de parar com aquilo, mas foi inútil.
soltou meus punhos e começou a tirar minha blusa à medida que aprofundava mais e mais chupões em meu pescoço. Eu era uma tola que nunca conseguiria resistir aos chamados do corpo de .
Enquanto eu sentia o corpo dele pressionar o meu na parede, subi lentamente uma das pernas à lateral do corpo dele, e entendeu que não precisaria mais dominar nada, eu já estava domesticada como ele queria. Direcionou seus dedos à minha calcinha e invadiu-me no mesmo instante sem o menor cuidado, bem ao seu estilo. E por mais que eu gostasse daquilo, meu impulso de nos separar para desabotoar a calça dele, enquanto o puxava para a mesa do escritório, foi maior e aceito. empurrou todos os papéis e outras coisas que havia ali na mesa diretamente para o chão e me colocou sentada sobre ela, onde eu pude suficientemente ter total ação de masturbá-lo enquanto ele fazia o mesmo comigo, de modo voraz a colocar dedos e mais dedos, pressão e mais pressão, para dentro de mim.
– Quer ir embora agora? – Ele perguntou sarcástico, me encarando profundamente enquanto disputávamos quem iria mais rápido.
Não demorou para que sentisse-se pronto para finalmente cessar preliminares e invadir-me com seu pênis, forte o suficiente para eu não controlar os gemidos. Se tinha algo de bom em sob efeito de cocaína, esse algo era o sexo.


Capítulo 3

Quando eu conheci , a minha vida não tinha nada de emocionante, e eu mal sabia que se tornaria uma montanha russa eterna ao lado dele. Não porque ele me entupia de aventuras, mas porque me soava como um porre de absinto.
Ele, aos seus quarenta anos de idade, me fazia sentir que eu seria sua eterna Lolita: amada, desejada, mas também bem cuidada por seu “paizinho”. Talvez fosse apenas a minha carência espiritual e familiar que me fazia achar que havia tirado a sorte grande. Ou talvez eu tivesse tirado, até porque era um milionário. Um milionário que me fodia e bancava há três anos.
Eu não sabia se ele tinha outras mulheres, mas até mesmo para mim – com tão pouca experiência de vida – era claro que não. Ao mesmo tempo em que ele era perigoso, todo errado moralmente e me fazia sentir que, num estalar de dedos, poderia acabar comigo devido aos seus negócios ilegais, ele também quebrou essa imagem de narcotraficante impiedoso depois de tanto tempo comigo.
não era um psicopata, não era um bandido a julgar por seu comportamento, mas sim, ele era um traficante, por mais que dissesse não aceitar aquele rótulo. Eu nunca me envolvi mais do que me aproveitar do conforto que seu dinheiro sujo trazia, mas só de saber que eu tinha uma parcela de participação no usufruto daquilo, eu entrava em conflito moral.
Por mais que tivesse herdado a empresa do pai, a qual também lhe rendia lucros, a menina dos olhos de era a rede de refino Florida Kilos. Então eu não conseguia lidar com um pouco menos de culpa. Eu gostava de . Ele ocupou uma porra de vazio que eu não admitia dentro de mim.
Eu me sentia absolutamente culpada por saber de tanta coisa e não ir contra nada daquilo porque, sinceramente... O que eu poderia fazer, afinal? Eu me sentia culpada por não sair da presença dele. Mas como, se eu o amava?
Droga... Eu amava aquele quarentão. Desde a primeira vez.

~~~ 03 anos atrás ~~~

Ele me guiava para dentro do cômodo, que eu julguei ser um escritório, e eu, ao passo que me sentia uma vigarista, também me sentia uma menina nas mãos de um verdadeiro homem.
, o dono do lugar em que eu estava e havia conhecido há poucas horas, sentou-se numa espécie de sofá de couro maior e mais largo do que minha própria cama, e me colocou sentada sobre suas pernas sem o menor pudor.
O cara estava drogado e bêbado e eu, tirando as drogas, estava igual. Enxergava-o com tamanha lentidão, se movendo, que julgo ter sido aquele efeito lerdo a causa de tanta excitação sexual antes mesmo de começarmos qualquer coisa.
Ele tirou a minha roupa, como um lobo pronto a estraçalhar a presa, embora minha visão me enganasse com gestos lentos e sensuais da parte dele. Ele mal havia me tocado e eu já estava molhada. Depois de retirar minha roupa – que só percebi segundos seguintes –, puxou os bicos dos meus seios, apertando-os em seus dedos e sorrindo, cheio de malícia. Eu estava tão louca que apenas ataquei a boca dele.
– Eu vou continuar a menos que você peça para parar. – Ele falou arrastado em minha orelha. – Mas você não vai pedir, não é?
Eu murmurei e senti, na mesma hora, os dedos firmes de invadirem minha intimidade enquanto ele sugava os meus seios. E a cada vez que ele movimentava os dedos em mim, a minha respiração falhava mais e mais mole eu ficava. De repente, ele retirou suas mãos de dentro de mim e ordenou que eu ficasse em pé, com uma perna sobre o sofá. Abriu minhas pernas e me sugou, mas eu não estava na menor condição de me aguentar em pé enquanto sentia a língua dele.
– Você está muito amolecida... – Ele riu e se deitou no sofá. – Vem, senta na minha cara.
Eu fiquei imóvel com a ordem porque eu não só recuperava o meu fôlego como não imaginava que ele fosse tão tranquilo quanto a proporcionar prazer oral a uma mulher. Mas não tinha muita paciência então, antes que eu me movesse, ele me puxou e literalmente caiu de boca em meu clitóris. E eu não me importaria nada, nada, se ele quisesse parar ali. Aquela sensação já havia valido o fato de eu não ter conseguido o trabalho, ter me embebedado de frustração e encontrado aquele homem.
Depois de tanto arfar, me colocou deitada ao seu lado, naquele sofá, – que não, para mim, nunca poderia ser chamado daquela forma. Ele lambia os lábios e sorria, me observando fraca. Então se posicionou acima de mim, beijando meu pescoço.
– Apoie-se em seus cotovelos. – Ele ordenou e eu o fiz.
Encarei-o curiosa e então, com um sorriso muito muito malicioso, posicionou-se à altura de meu rosto.
– Abre a boquinha linda pra eu te foder.
E eu apenas o obedecia. , sem que eu o tocasse, me fez masturbá-lo com uma penetração oral que o próprio comandava. Aquilo foi sujo, foi baixo. Foi extremamente chulo. E eu gostei. Não era agressivo, mas era pontual e instigante.
De onde aquele homem havia saído? Eu não fazia a menor ideia, mas eu sabia que seria difícil evitá-lo.
Naquela mesma noite, me fez gritar mais do que em todos os pesadelos que eu já havia tido em toda minha vida. E em outras vezes seguintes, foram cada vez melhores, numa escala crescente de super prazer que eu não sabia se teria limite. A minha primeira experiência com uma mulher me masturbando foi culpa de e seu fetiche, onde o mesmo observava a cena para depois acabar comigo da melhor forma.
Por fim, era do tipo de homem que sóbrio era voraz e extremamente libertino e drogado conseguia beirar a selvageria animal. E sempre, claro, dominador. Nenhuma vez, eu pude “ordenar” ou apenas ditar o ritmo de uma transa. Era sempre ele o cara responsável por proporcionar as melhores brincadeiras. É claro que eu não iria tirar a minha parcela de culpa, afinal, a minha obediência exímia contribuía também no nosso prazer.
Eu conheci uma droga nova. Eu conheci também a cocaína que, poucas vezes – duas ou três –, eu me aventurei a experimentar, mas a melhor droga era ele. era a minha cocaína. E se eu não havia me tornado dependente de nenhuma outra, dele eu estava cada vez mais, à beira de um caminho sem volta.

~~~ Atualmente ~~~

estava por exatas três horas conversando com Richard em seu escritório enquanto eu observava o sol reluzir na piscina da mansão. Richard, acima de qualquer suspeita, tão “boa pinta” quanto e tão engomadinho quanto. Ninguém diria que ele era sócio e responsável pela refinaria de .
Toda vez que eu observava ao meu redor a vida de , eu me sentia tola por estar ao lado de um milionário magnata e traficante. Não havia necessidade de que eu imergisse tanto àquela realidade e, na verdade, eu nem queria aquilo mas, quando notei, já estava presa a ele e sua vida conturbada e agitada.
Senti mãos passarem por minha cintura, me puxando para seu corpo, e continuei bebendo meu drinque até que Richard se pronunciou.
– Tão bonita, mas certamente você fez merda, .
Então me dei conta de que não estávamos sós. Sorri fraco, me virando para os dois, e me encarava com olhar preocupado enquanto seus braços enlaçavam o meu corpo.
– Já está de saída? – Perguntei ao Richard, ignorando o olhar de .
– Foi uma longa e necessária reunião.
– Percebi. – Respondi irônica.
– Não precisa me acompanhar, ... – Richard falou risonho de forma tão irônica quanto a minha. – Dê atenção à rainha do seu castelo.
continuou silencioso e me analisando até Richard sair da grande sala da mansão e, estando apenas nós dois, ele soltou meu corpo e sentou-se no sofá.
– Vamos para a piscina?
– Não, . Estou bem aqui.
– Qual é o problema, ? Desde ontem, você está me evitando.
– O problema são os seus hábitos e a sua vida, .
– Está insatisfeita? Pode ir embora.
Eu encarei a expressão amena dele, e talvez não acreditasse em mim porque sua expressão tranquila transformou-se em surpresa quando eu apenas deixei o copo com o que eu bebia na mesinha à sua frente, sem tirar os olhos dele, e fui ao andar superior pegar minha bolsa.
Desci a escada tempestiva, sem dar a menor atenção para ele, que ficou chamando calmo e curioso. Pelo telefone, solicitei um táxi e saí pelos enormes jardins, passando pela alameda central com enormes palmeiras até o portão da mansão. Os seguranças na guarita apenas liberaram minha passagem sem nada perguntar. E antes que eu entrasse no carro, observei uma última vez a suntuosa entrada da moradia de e não pude vê-lo nem mesmo na porta de entrada da casa. Na verdade, ele não se esforçou em nada para me impedir.
E o que eu queria? ? Correr atrás de mim?!
Paguei a corrida e desci do táxi, aliviada por ter chegado onde eu mais queria. Empurrei o grande portão de correr da garagem do senhor Sloan – que, inclusive, acenou para mim ao me ver da varanda de sua casa. continuou dedilhando e afinando o violão, sentado sobre um banco alto, perto do balcão improvisado da sua cozinha, e nem mesmo me olhou quando entrei. Sentei à sua frente, no sofá velho de couro, e observei , silencioso e concentrado.
– Vem morar comigo, eu já te falei. – Eu observava a cena daquele lugar tão simples e improvisado numa casa mas tão arrumado.
– To bem na minha garagem, .
– Vai ficar aqui até o senhor Sloan te enxotar?
respirou fundo e arqueou uma sobrancelha, me encarando irritado.
– Você não veio aqui para me pedir pra ir morar com você, então fala logo a que devo a honra.
– Você tá puto comigo ou é impressão minha? – Perguntei, estranhando a frieza dele.
– Estou. E só vou dizer esta última vez: para de beber quando estivermos trabalhando como se não fosse ter problema.
– Eu estou deixando de cantar direito ou algo do tipo? – Indaguei, nervosa.
– Não, mas o Roger está fazendo de propósito. Você não tem maldade na cabeça, ? Achei que o seu namorado traficante te ensinasse ao menos isso.
levantou do banco, deixou o violão calmamente num canto e foi até a geladeira. Pegou uma lata de soda para mim e uma bebida alcoólica para ele.
– Soda?
– Pelo menos, até você dizer o que quer comigo.
– Briguei com o .
– E?
– Qual é, ? Para de ser babaca. Se eu quisesse um cara babaca comigo agora, eu estava com o , que pelo menos me fode.
A expressão irritada de só aumentou quando eu disse aquilo, e eu me desculpei na mesma hora. Ele não tinha culpa de nada e eu não deveria ficar descontando nele.
– O que aconteceu para você finalmente perceber que ele é um babaca? – perguntou, se jogando ao meu lado no sofá.
– Ele não sabe tratar uma mulher, é isso.
– Talvez porque ele esteja acostumado a vê-las como um objeto. Que bom que você percebeu, não é? Antes tarde do que nunca.
– Eu to cansada, . Ontem, eu realmente me vi cansada de tudo o que ele me oferece. – Murmurei.
E sem pensar muito, deitei no colo de , que estalou um som de frustração com a boca e me encarou com sobrancelha arqueada, visivelmente contrariado por minha situação. Fez um cafuné na minha cabeça enquanto virava sua bebida, então eu a puxei de sua mão e ele deu um peteleco na minha testa.
– Por que eu não me envolvi com você? – Perguntei, o analisando.
– Ih... Levanta, . Nem vem me usar de estepe, porra.
se ergueu, me tirando do seu colo, e voltou a sentar no banco que estava quando eu cheguei depois de pegar outra bebida pra si. Sentei no braço do sofá para ficar realmente de frente para ele.
– Eu não usaria você assim, .
– Eu sei, infelizmente. – Sorriu sacana ao me responder. – Mas e aí? Quando você vai voltar pra mansão e fazer as pazes?
– É sério, . Eu não quero voltar. me dá o sexo mais incrível da vida, e eu gosto dele de verdade, mas nem o conforto e tudo isso são suficientes mais. Eu quero um homem que se envolva mesmo comigo. Eu quero... Ser livre de um jeito totalmente contrário à liberdade que ele me dá, sabe?
– Ele fez alguma coisa errada com você ontem? – perguntou, preocupado.
– Não, nada fora do normal. Mas ele estava muito drogado e, a cada dia que passa, ele está mais envolvido com os negócios das drogas.
– Porra, eu não entendo. O cara tem tudo que sempre quis e se mete nessa. Nunca precisou, nasceu em família rica... Enquanto isso, reles mortais como eu recebem olhares tortos por suas tatuagens e comem o pão que o diabo amassou para pagar o aluguel de uma garagem em dia.
Observei a expressão revoltada de e só então me dei conta de que ele e eu éramos exatamente do mesmo mundo. A exceção é que eu encontrei um homem mais velho que eu achava que gostava de mim e me faria ser alguém melhor, e continuava batalhando suas lutas da maneira mais correta possível. Quem o olhasse diria que ele era um delinquente, embora sua beleza indiscutível fosse digna de capas de revistas.
Minha mente deu um estalo. Que porra de vida eu achei que estava levando? Eu ainda tinha um aluguel para pagar todo fim de mês, embora estivesse pagando todas as despesas desde que estávamos juntos, e driblava-me entre uma entrega e outra do serviço, assim como , mas aquilo acabaria quando eu sumisse da vida dele. E também como , eu tentava arduamente viver da carreira artística malfadada que tínhamos, cantando nas noites de um bar.
– Vamos ensaiar? – Ele perguntou, me tirando dos pensamentos.
– Não quero.
– Vamos, , assim aproveitamos a nossa folga.
– Não quero, porra... Vem cá. – Pedi, manhosa.
E se levantou do banco, me abraçando cuidadoso, então joguei meu corpo para trás, caindo abraçada a ele no sofá.
– E o que quer fazer então? – Ele perguntou sobre mim, preocupado como o verdadeiro amigo que era.
– Nada. Só ficar aqui.
– E o que você vai fazer quando ele estalar os dedos, te ordenando estar lá?
– Mandá-lo ir se foder.
– Essa eu pago pra ver. – riu, dando um tapinha na minha testa.
Observei o sorriso impecável de e não entendi por que ele não voltava a trabalhar como modelo e largava a transportadora em que trabalhávamos.
– Por que não volta pra agência?
– Porque eu preciso de dinheiro rápido.
– Dinheiro rápido... – Murmurei, sarcástica. – Isso não acontece se não se envolver com merdas.
– O dinheiro rápido que eu preciso cabe no meu tempo e no travesseiro.
– Eu te admiro, . Você é um bom homem.
– Eu sou bom em todos os sentidos. – Ele murmurou em meu ouvido e levantou-se de cima de mim.
– Aí não posso dizer.
– Porque não quis. – Respondeu, safo.
– E se eu quiser?
– Se livra do seu coroa. Eu não gosto de dividir minhas mulheres.
– Que careta.
– Cala boca e pega. – Ele me jogou a chave de uma das motos que, com muito custo, ele comprou. – Vamos dar uma volta.


Capítulo 4

“Venha para a Flórida, eu tenho algo para você. Podíamos ver os Kilos ou o Keys. Baby, oh yeah. Armas no verão, Coca-cola com limão. A prisão não é nada pra mim se você vai estar ao meu lado”.


não me procurou desde que eu saí de sua casa. Na verdade, ele telefonou inúmeras vezes, e eu ignorei, mas ele não veio até mim. Mandou mensagens dizendo que podíamos viajar, mas não veio até mim. Como sempre, esperava que eu fosse até ele. E eu não cedi. Estava tendo um retiro de toda a toxicidade da vida de .
e eu trabalhávamos como loucos no bar e na transportadora e, entre uma folga e outra, fazíamos programas verdadeiramente saudáveis. Ele chegou a dizer que eu estava com uma aparência mais saudável.
Depois de quase um mês e meio sem falar com , eu já achei que ele havia de fato desistido do seu brinquedo, e meu coração não se sentia menos pesaroso com aquilo. Pelo contrário.
e eu estávamos chegando de mais uma entrega quando os policiais entraram, invadindo o galpão e caminharam até nós.
– O que é isso?! – Ouvimos nosso supervisor surpreso gritar e se aproximar.
Um dos policiais empurrou para longe da moto e revistou-a.
– Que porra é essa? Com que direito vocês fazem isso? – Ele perguntou nervoso e eu fui segurar o meu amigo, que sem dúvidas não evitaria bater num policial ali.
– Cala a boca, garoto! Olha a moto dela também! – O policial ordenou ao colega.
– Trezentos caminhões neste galpão e vocês vão olhar as nossas motos? – Perguntei, desconfiada. – Quem mandou vocês aqui?
– Cala a boca, gracinha. Você está limpa. – O policial que vasculhava minha moto falou.
– Mas o bonitão aqui não.
O outro policial que empurrou falou, tirando de dentro da caixa que havia recebido há poucas horas uma quantidade suficiente de cocaína para que ele fosse preso. suspirou pesadamente e chutou a moto. Os policiais o contiveram.
– Me solta! Me solta! – Ele gritou e os policiais soltaram.
foi caminhando nervoso e, antes de me dar as costas, olhou-me como se dissesse que sabia o que aquilo significava. Eu senti meus olhos arderem de ódio e falei com o meu chefe que iria acompanhar . Peguei a moto e segui os policiais. Ao chegar à delegacia, soube que seria preso por flagrante. Dificilmente, ele sairia dali e, no mínimo, depois de alguns meses, dependendo do advogado.
– Eu vou até ele. Foi o babaca do , eu sei. – Falei com meu amigo que só me olhava, irritado. – Não me culpa, por favor, . Como eu saberia que ele ia atingir você?
– Não estou te culpando, desculpa. – Ele falou, suspirando e suavizando a expressão para mim. – Só que... Estou puto com este cretino.
– Eu vou resolver, tá? Prometo.
Talvez fosse o meu desespero ou algo mais grave dentro de mim que me impediu de perceber antes mas, assim que prometi ao que o tiraria dali, beijei-o como se minha vida fosse depender daquilo. não conseguiu nem mesmo reagir. Saí tão rápida que ele nem poderia me dizer algo.
Acelerava a moto como se fosse o próprio motoqueiro fantasma, e meu coração sentia um aperto novo, estranho e que não era capaz de conter a minha fúria. Os seguranças de nem mesmo perguntaram se eu poderia entrar. Reconheceram-me e abriram o portão imediatamente. Quando estacionei na entrada, entrei na mansão sem responder aos empregados nem nada. Segurava o meu capacete na mão porque eu precisaria jogar algo no idiota do . Encontrei-o lindo, de sunga, tomando sol à piscina.
– Ah! Voltou? – Ele perguntou risonho, olhando por cima dos óculos escuros quando me viu parada perto dele.
– Solta ele.
– O quê?
– Solta ele, ! – Gritei.
– Eu não sei qual o problema mas, já que está aqui, diminui o tom de voz, gracinha, e vamos falar sobre nós.
Ele se levantou aos poucos, me analisando cínico e, quando parou na minha frente, foi bem categórico, como eu sabia que ele seria.
– Suba.
Respirei fundo, contrariada com o fato de que eu mesma não podia ir contra ele, e subi as escadas até o seu quarto, com logo atrás. Ele fechou a porta, tranquilo, assobiando, e eu parei no meio do cômodo de braços cruzados.
– Posso saber o motivo pelo seu surto?
– Eu estou farta do pouco que você tem a me dar, .
– Pouco? Eu não te compreendo mesmo! O que você quiser, é só me pedir, .
– Não se trata de dinheiro, seu otário. Eu estou falando de cumplicidade!
– E por acaso eu não te dou nada disso? Você é muito cúmplice da minha vida, e sabe disso.
– Não é da sua quadrilha ou das suas loucuras que eu quero fazer parte, . – Falei mais calma, me aproximando paciente dele. – Será que você não entende ainda o que eu espero de você?
– Eu gosto de você, , é uma boa menina. Do contrário, já teria arrumado outra pessoa, mas... Eu realmente te dei o que eu podia oferecer.
– É isso então? É só sexo que você pode me dar?
– Eu não me apaixono, e você sabia disso.
– Mentira. – Ri, sarcástica. – Você pode mentir para você, mas não pra mim. Se não tivesse se apaixonado, não teria prendido o .
A expressão de mudou totalmente. Ele caminhou devagar, me encurralando aos poucos para sua cama, e quando caí sentada na mesma, ele abaixou-se para ficar frente a frente com meu rosto.
– Eu não fiz isso por estar apaixonado por você, . Eu fiz para ele saber que não pode tocar no que é meu, até porque você não pode negar: você já é minha.
– Eu realmente odeio você.
Terminei de falar aquilo e jogou seu corpo sobre o meu, começando um beijo aterrador.
– Não odeia não. – Ele constatou com um sorriso debochado e voltou a me beijar avassaladoramente.
E embora eu o beijasse com o máximo de fôlego e coberta da raiva que eu sentia por ser tão fraca àquele ponto, eu também sentia que seria a última vez. puxou minha blusa enquanto descia seus beijos por meu tórax, e eu facilitei o trabalho dele, tirando as minhas calças. Se era aquilo que ele queria, ele teria. Se era aquilo que ele teria a me oferecer, eu aceitaria, uma vez para nunca mais.
Empurrei-o e me coloquei acima de seu corpo, observando-o sorrir sacana e trocar de posição rapidamente. Ele não gostava de ser dominado. Às minhas costas, puxou meus cabelos enquanto, com outra mão, colou nossos corpos e esfregava lentamente meu clitóris. Levei o pescoço para trás, empinando o corpo no claro e forte desejo que eu não poderia negar sentir por aquele homem. Apoiei meus braços no colchão e olhei para ele, por cima de meu combro. Mordi os lábios. entendeu exatamente o meu consentimento e me fodeu, forte, rápido, brusco mas também gostoso. E não bastasse aquela posição de quatro, ainda tiveram outras posições, outros lugares: na janela do quarto, em pé na parede, a caminho do banheiro quando já tínhamos urrado o suficiente por duas vezes seguidas e, por fim, no banho.
O que não imaginava é que aquela era última vez.
Logo que saí do banho, me vesti de novo, e ele tentou me puxar para deitar com ele, mas eu me soltei de sua mão.
– Levanta, vamos soltar o .
– É o que? – Perguntou, confuso.
– Liga logo para a porra da polícia e libera o , .
– Espera... Você veio aqui me “pagar” – Fez aspas com a mão. – para soltar o seu amiguinho?
– E se você não soltá-lo agora, eu entrego as provas que tenho dos seus esquemas direto no Tribunal Superior. Ainda que você suma comigo e que tenha gente sua lá dentro, o escândalo vai valer o meu transtorno.
Uma ova que eu tinha provas. Eu nunca quis me aproximar de nada daquilo nem mesmo para pará-lo.
– Você está achando que eu sou o quê, ? Um bandido?!
– Exatamente, e dos mais legalizados.
Entreguei o celular dele para o próprio e, com muita raiva e surpresa, ligou para alguém que fez a liberação de . Telefonei ao meu amigo alguns minutos depois e ele disse que estava sendo liberado.
– Me espera, estou a caminho. – Respondi ao e desliguei.
– Vai realmente acabar assim? – perguntou, contrariado mas aparentemente calmo.
– Eu te amo, , mas eu amo mais a mim. E o que você tem a me oferecer é muito menos do que eu tenho para me bastar.
, antes que eu o desse as costas, se aproximou de mim tranquilo, com a toalha enrolada em sua cintura ainda, e beijou minha boca da maneira mais cálida que poderia fazer e nunca havia feito. Em seguida, beijou a minha testa, dando-me as costas.
Caminhei da mansão para fora com fortes lágrimas em meu rosto. Subi na moto e dei partida logo depois de ver a figura de seminu na janela sacada do seu quarto a me observar partir.
estava na entrada da delegacia, recostado ao muro externo, e logo que parei ali, ele subiu na traseira da moto. Pilotei calada, cedendo às lágrimas confusas e muita culpa sobre mim.
O senhor Sloan estava na varanda quando chegamos e nos observou, mas nós nem mesmo acenamos. Não houve tempo. desceu da moto tirando o capacete e sacudindo os cabelos grandes, e eu desci da moto o abraçando forte.
– Eu estou bem, .
– Eu sei, mas eu não. Eu estou me sentindo tão culpada... – Confessei, ainda abraçada a ele.
– Esquece tudo. E por enquanto, não vamos falar disso, até porque temos que ir pro Roger.
– Tem certeza? – Perguntei, aflita por ele ainda querer ir trabalhar naquela noite.
– Sim, só preciso de um banho pra ficar melhor.
– Eu vou pra casa me arrumar então.
– Eu te pego lá logo mais.


Capítulo 5

“Ampliando minhas milhas em argolas de ouro, você gosta do seu bebezinho, como você gosta de suas bebidas frescas.”


Depois de todo aquele susto passado pela prisão de , eu percebi algo que eu não poderia imaginar: o fato de que representava uma importante parte da minha vida, bem mais do que eu imaginaria.
Éramos amigos há muito tempo, mesmo antes de surgir em minha vida, mas nunca fomos mais do que isso. Então o beijo que eu lhe dei de repente, quando ainda estávamos na delegacia, era um assunto até então não tocado por nós depois do ocorrido.
Bati meu copo de uísque no chão do palco e suspirei pesadamente. me olhou de canto de olho e continuou bebendo, silencioso. O palco já estava com todos os equipamentos guardados e Roger havia nos deixado ali com a chave para que trancasse o bar. Olhei à frente, para o lugar onde nossa plateia nos observava – ou, na maior parte das vezes, não. A luz do palco era a única acesa sobre nós, o que dava ao lugar uma penumbra sensual.
– Como você conseguiu?
A voz de soou baixinha, e eu o encarei com curiosidade.
– Esquece isso. Já passou. – Respondi, servindo meu copo com mais uma dose do senhor Daniels.
virou seu corpo um pouco mais para meu lado e, com sua expressão mais intrigada de todas, ele me observava. Senti seus olhos percorrendo todo o meu rosto cuidadosamente.
– A culpa foi minha, eu precisava fazer algo. Desculpe. – Falei sem encará-lo.
– E vai ficar por isso mesmo?
– Como assim? – Olhei-o confusa.
– Ele vai te deixar ir simplesmente assim?
– Eu não sei... – Respondi sincera. – Mas não é como se eu me importasse mais.
O olhar preocupado de e a pouca luz do ambiente – ou talvez fosse só uma sensação causada pelo álcool – me fizeram observar cada milímetro do rosto dele. E de uma forma como eu não me lembrava de já ter feito. Demorei meu olhar sobre os lábios semiabertos dele, e se aproximou devagar. Estávamos os dois imersos em dar um passo a mais e compreender onde pisávamos, se aquilo era minimante seguro. Seguro de quê? De um abismo de arrependimentos, talvez. A respiração próxima de , quando sentida por mim, me fez automaticamente fechar os olhos, o aguardando.
– Você sabe que eu não sou de rodear... – Ele sussurrou contra meu rosto, tão perto quanto possível, e então eu abri meus olhos para encará-lo diretamente. – Mas se eu te beijar agora, eu não vou parar.
– Eu não quero que pare.
– E eu não vou ser estepe de ninguém, eu já te disse isso. Ao contrário dele, eu posso me apaixonar sem lutar contra isso.
– Eu não quero você de estepe.
Falei decidida o suficiente para que ele entendesse, mas eu imploraria por aquele toque se preciso fosse e só me dei conta daquilo quando minha mão já estava na nuca de .
Eu nunca imaginaria que as nossas bocas grudadas pareceriam tão certas e que nossos corpos emanariam um calor de temperatura igual, ou que as mãos dele sobre o meu corpo fossem soar como um toque de seda.
Aquilo tudo estava poético demais para uma garota ferrada como eu. E nunca, em todas as memórias que eu podia me lembrar, havia sido daquele jeito com ninguém. O chão do palco onde nos apresentávamos toda noite nunca me soou cama melhor. Eu não só estava confusa como positivamente surpresa.
Enquanto a língua de passeava por meu colo, minhas mãos agarravam a camisa dele num ato trêmulo desesperador de fundir seu corpo ao meu. era calmo, era sóbrio, era certeiro em cada um dos seus carinhos. E para mim, a lentidão de cada sensação experimentada era a maior das torturas.
Ao contrário de , não reprovou a ideia de me deixar controlar a situação, sendo ele mesmo a girar meu corpo para cima do seu. Retirou a camisa que vestia e apoiou-se sobre os cotovelos, comigo sentada em seu colo. Seu sorriso, acompanhado do olhar sacana que ele direcionou de seu corpo para o meu rosto, era como se ele dissesse “é com você agora”. E eu fiquei parada, alarmada com aquela permissividade. Eu não sabia o que fazer com um homem na minha mão tão entregue a mim. Eu não havia sido ensinada a ser a dona da situação, não com tanta liberdade.
riu fraco numa lufada de ar que soltou e, depois de morder o próprio lábio, havia entendido a situação. Ele me guiou, da forma mais livre que poderia. Beijou de novo o meu pescoço, de forma calma, e puxava lentamente meu cabelo, me envolvendo numa atmosfera tranquila de uma transa totalmente diferente do que eu já havia tido.
Sua mão livre dedilhava minhas costas como se eu fosse seu próprio violão em mãos, e não demorou muito para que o sentimento de fraqueza e moleza do meu corpo ganhasse o ritmo que ele propunha. Rebolei calmamente sobre o quadril de , que começou a dar notas um pouco mais robustas àquela troca de carinhos até então romântica demais para uma garota tão ferrada como eu.
Entre chupões, beijos, lambidas, apertos, carinhos e pressões, nossos gemidos e olhares se alternavam de maneira complementar. brincou com meu corpo e abalou da forma mais assustadora o meu coração. E era aquele tipo de sentimento que eu evitei por todo o tempo e relacionamentos que tive. Droga. Eu estava tão fodidamente cansada do vazio que me atirei sem pensar no abismo que era verdadeiramente ser desejada e amada por alguém. A minha sorte naquele momento era que eu amava um narcotraficante.
Ao amanhecer, e eu despertamos no chão do palco, e então vestimos nossas calças e blusas após espreguiçarmos. Fechamos o bar, que na verdade passou a noite trancado conosco lá dentro, e caminhamos até a padaria.
– Vamos pra garagem.
falou, me puxando pela mão ao notar que eu iria sentar-me a alguma mesa do lugar. Eu ainda não sabia como encarar as nossas mãos coladas por onde íamos, ou a falta de qualquer diálogo sobre o que acontecera na noite anterior, ou até mesmo o cheiro dele que eu podia sentir em mim ainda. Eu estava constrangida como uma pré-adolescente.
Ao chegarmos à garagem, ele desceu da moto logo depois de mim. O senhor Sloan não estava à varanda daquela vez, então eu não poderia despistar e fugir um pouco. E o silêncio de também estava me torturando. Ele entrou na garagem, colocando água e pó em sua cafeteira, enquanto eu fiquei em pé, com as mãos cruzadas para trás, totalmente sem lugar.
– Você conhece minha casa tão bem quanto eu, então não precisa agir como fosse a primeira vez que vem aqui. – Ele falou risonho sem me olhar.
– Não é isso, é só que... – Parei de falar e suspirei, confusa.
– Vai lá tomar banho, te espero pra tomar café.
Assenti envergonhada com quão tola a “sempre durona e libertina ” se comportava. Peguei toalhas, uma camisa e um moletom dele, e tomei banho tão rápido quanto possível, embora meu desejo fosse ficar ali para sempre. foi também tomar banho logo depois que eu saí e me encontrou esparramada no seu sofá com uma caneca de café em mãos.
– Nossa, valeu mesmo! Eu disse que ia te esperar para o café.
– Ah, foi mal, eu precisava. – Desabafei.
começou a rir lento e juntou-se a mim no sofá.
– Não ria, ! Só torna tudo pior.
– Você não tem que se sentir culpada por no fundo ser tão inocente.
– Ei, eu não sou inocente, tá? Eu... Eu sou uma vadia! Uma grande vadia! É que você...
Ele começou a gargalhar, me interrompendo, e eu fui ficando ainda mais vermelha de raiva, ou de vergonha, sei lá.
– Eu sou diferente, eu sei. – respondeu, constatando o que eu diria – Não tem nada de errado em não saber agir, , nenhum sexo é igual. E bem... Para nós dois, de certa forma, foi uma primeira vez.
– Não... Não é isso. Eu sei que é supernormal eu ter ficado perdida contigo, é só que... A forma como você me tratou... Foi diferente. Bagunçou alguma coisa dentro de mim.
– Acho que já tinha algo bagunçado em você bem antes de ontem, . Por que me beijou na delegacia?
– Eu sinceramente não sei. Eu fiquei desesperada com o que estava acontecendo e sei lá, eu... Agi por impulso.
– Sabe por que ontem eu disse que não iria beijar você se fosse para parar?
– Hm...
– Você é importante para mim. Sempre foi, e eu não estou dizendo que sou apaixonado por você nem algo do tipo, mas é um fato que eu sempre te quis por perto. E é verdade, eu me apaixono fácil também, mas não é o caso agora. O lance é que eu sabia que você nunca havia sido tratada como merece, e eu sabia também que perceber isso a deixaria confusa. Então, no fim das contas, eu só não queria que você se deixasse levar por um momento que fosse se arrepender.
– Não é o caso. Eu estou “zero” arrependida, mas é que... É tudo bem novidade para mim. Vai soar ridículo, mas... – Eu o olhei cautelosa e a segurança na expressão de me deu coragem a confessar o que eu não achei que deveria. – A noite de ontem foi como eu idealizava que fosse a minha primeira vez, sabe? E como tudo foi bem diferente na realidade, eu não achava que a “romantização” toda da minha cabeça fosse possível. Sexo, para mim, se resume a libido e só. Eu experimentei sensações muito absurdas ontem, e eu me sinto uma idiota por nunca ter vivido nada disso antes.
respirou fundo e soltou o ar devagar. Olhou-me com a mesma preocupação que sempre tivera comigo, mas com um tom de deboche que eu sabia identificar quando se tratava dele.
– Então vamos dizer que eu fui a sua primeira vez, tá legal?
– Deixa de ser idiota. – Eu ri fracamente por sua capacidade de ser icônico.
– É sério! – Insistiu. – Zera o placar. Recomeça agora. Apague todas estas memórias tóxicas, todas as experiências vazias de antes, e guarda a noite de ontem com você. Eu te disse uma vez que o fato de eu nunca ter insistido em ter alguma coisa com você não era por causa de uma atração inexistente, até porque ela existe. Mas sim porque a que eu conheci, das duas, uma: ou fugiria de mim, ou fugiria para sempre das sensações que ela nem sabia que poderia ter.
– Está dizendo que acha que agora eu vou sair correndo de você ou de mim?
– Não sei, eu te disse isso há tanto tempo que não sei como a de agora vai lidar com isso. Mas uma coisa eu sei. Eu não vou ficar esperando ou me tornar uma fuga. Então você tem que escolher algumas coisas: fugir de mim ou de si, ou ficar comigo, ou assumir que não vai se repetir entre nós, porque eu realmente não sou o e nem quero ser algo próximo daquilo.
– Entendi. Você não quis só dizer que não seria o estepe de outra relação. Você não vai ser estepe de nada.
– Eu sei o que eu mereço receber, . E espero que você também.
beijou minha testa e foi até a bancada da sua pequena cozinha preparar uma bandeja com o que compramos na padaria para comermos.


Capítulo 6

Narração: Narrador.

Richard estava observando batucar à mesa discretamente com a caneta que tinha em mãos. Ele estava absolutamente desconcentrado na reunião. E foi assim até o fim, quando Richard pôde finalmente se aproximar do amigo e lhe sondar.
– Você estava pensando tanto assim nos nossos negócios para não dar atenção à reunião da empresa?
– O que? – indagou confuso enquanto abotoava sua pasta.
– Onde está com a cabeça, ?
Richard perguntou-lhe com olhos arregalados e total expressão de surpresa.
sumiu. Não me responde há algum tempo e, dias atrás, jogou a toalha.
– Tem algum perigo dela nos atrapalhar? – Richard sussurrou, observando o lugar com mais cuidado.
– Não. Não mesmo. Pelo menos, se eu não a incomodar...
– Ótimo, então arrume outra garota. Vocês dois já estavam envolvidos há tempo demais, e é bom trocar de bonequinha quando as coisas vão tomando ar de seriedade. já estava fazendo exigências, não é?
– Ela começou a dizer que o que eu oferecia não bastava mais.
– O que...? Ela estava falando de sentimentalismo? Que tipo de relação ela esperava de você?
– Acho que o tipo de relação que me faz sentir como se eu não devesse deixá-la ir.
O olhar sério e surpreso de Richard respondeu aos pensamentos internos de sem que o amigo soubesse daquilo.
– Ah... – Richard estalou a língua, descontente. – Você começou a gostar do seu bebezinho tanto quanto gosta das suas bebidas e drogas. Isso é péssimo, .
não falou nada, apenas olhava concentrado para a janela da sala de reunião enquanto Richard o encarava com pena. O amigo o aconselhou antes de deixá-lo na sala e sair.
– Livre-se disso, . Sentimentalismos não combinam com você e nem mesmo com os seus negócios. Você não precisa se dedicar a uma mulher só e, se aceita meu conselho, esquecer a será a melhor coisa que poderá fazer.

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Narração:

Eu havia recém chegado da transportadora e não teria trabalho no bar aquela noite. Meu apartamento estava absurdamente bagunçado e, por mais cansada que eu estivesse, uma faxina iria me ajudar muito. Iria ajudar a limpar não só a casa, mas a densa nuvem de pensamentos na minha mente.
e eu não havíamos ficado mais desde o dia na garagem porque, além de estarmos o tempo todo juntos – o que dificultava muito o meu autocontrole pelo menos, já que ele parecia o próprio Buda nesse aspecto –, também éramos amigos e ele havia deixado claro que, se nós continuássemos aquilo, eu não poderia ter nenhuma pendência. E com pendência, ele queria dizer . Eu continuava evitando o em todas as formas de contato dele e, com isso, adiando encarar um término oficialmente declarado. Dentro de mim, eu queria terminar, mas restava uma dúvida.
Quando a campainha soou, eu estranhei o fato de não ter recebido um interfone da portaria, então só poderia ser alguém que eu conhecia. Provavelmente , querendo fazer alguma coisa em nossa noite de folga, como pedir pizza ou sair de moto. Deixei o cesto de roupas sujas sobre a máquina da lavanderia e, enquanto ia até a porta, ouvindo o terceiro sino da campainha, eu sorri, satisfeita por ter limpado a casa.
– O aluguel já venceu, sabia?
O envelope lacrado e estendido à minha frente junto à voz dele me deixou alerta.
– Como é, ?
– Como eu paguei seus aluguéis por tanto tempo, eu sei que já venceu há três dias e, pelo fato desse envelope estar na sua caixa de correspondência, acredito que você não sabia dessa informação.
– Ah... – Olhei confusa para o envelope e o peguei, acordando do susto. – Eu realmente esqueci que pago as minhas contas de novo.
– Não vai me convidar para entrar?
Ele perguntou educado e eu dei passagem para que ele entrasse. se sentou. Eu o ofereci um suco, mas o homem era habituado a bebidas fortes.
– Eu retirei as bebidas aqui de casa, lamento. Aceita um café?
– Hm... Parou de beber? – Ele perguntou, surpreso. – Aceito.
Depois de serví-lo com uma xícara de café e de sentar ao seu lado no sofá para entender o que lhe trazia ali, ofereceu continuar pagando minhas contas.
– Se eu aceitasse isso, significaria uma dívida com você e, na verdade, eu não quero mais nenhum tipo de ligação entre nós, .
– Isso tudo é pelo o que eu fiz ao seu amiguinho?
– Até poderia ser, mas não é como se o que você fizesse habitualmente já não fosse ultrajante demais. É uma questão de escolha, . Eu não quero continuar.
– Então realmente quer terminar o que temos?
– Nós nunca tivemos nada, na realidade, apenas um jogo de comodismos. E eu não quero mais isso. Eu sempre serei grata por você ter me dado tudo aquilo que você poderia me oferecer mas, como eu te disse antes... Eu descobri que não é o que eu quero. E eu ainda tenho uma vida inteira pela frente.
– Tem alguém não tem? – Sondou, investigativo. – O ? Algum outro que eu conheça? Ou é alguém que eu não conheço?
– Tem. Sou eu, já te disse. Eu estou deixando você para viver mais por mim.
– Eu gosto de você, de verdade. Eu posso não demonstrar do jeito certo, mas... Eu estou disposto a transformar o nosso “jogo de comodismos”, como você diz, em algo mais sólido e real, se você quiser.
– Não é só questões de títulos ou de me apresentar formalmente ao seu mundo, . Trata-se do seu mundo em si. É tudo muito tóxico e eu cansei de me envenenar. Sinceramente, eu ficaria muito feliz de ver você longe de tudo isso, mas não vai acontecer.
– Por que não fazemos assim... Vamos a Miami. Você sempre quis conhecer. Vamos fazer aquela viagem que te propus antes! Como amigos, sem qualquer compromisso com seja lá o que temos, apenas pra você se distrair um pouco e nós dois tentarmos zerar o jogo.
Eu ri. Ri discreta e mordi o lábio, chocada com os sinais que o universo estava me enviando. Era a segunda pessoa me falando para “zerar” a minha história, recomeçar de outro ponto de vista. E eu não esperava que uma decisão tão certa pudesse vir da boca de , até porque, para ele, aquela decisão tinha outro significado.
O zerar dele, de certa forma, se tratava de zerar uma jogada, uma partida enquanto, na perspectiva de , e da minha – que eu havia acabado de me dar conta –, significava jogar a toalha para um campeonato inteiro.
– Eu estou zerando o jogo todo, . Eu estou saindo desse campeonato e mudando literalmente de esporte.
– Nunca te vi tão decidida assim.
– E eu nunca achei que você fosse se importar tanto.
– Nem eu.
O silêncio entre nós caiu como o maior dos barulhos.
– Eu... – Ele começou, constrangido. – Eu nunca quis te prender. Eu nunca quis fazer você achar que era só um objeto. Na verdade, eu não ligava muito no início, mas com o tempo... Você foi se tornando mais do que uma parceira sexual.
– E o que eu fui me tornando? Porque é isso que eu vejo que eu sou.
– Sei lá, eu não faço ideia de como nomear. Lexie está lá em casa e, por mais louca que ela seja, ela tem um pouco mais que a sua idade. Vê-la pela casa me lembrou de você, e eu fiquei imaginando se algum cara fizesse com ela o que eu fiz com você, nos vinte e oito anos dela. Porque de repente você vem com essa conversa de que eu não te dou o suficiente e sei lá mais o quê, mas você tem que entender que... Eu nunca dei mais do que eu dou a você a mulher nenhuma. Então, por mais pouco que eu seja pra você, eu te dei tudo.
... – Eu peguei em sua mão e fiz a pergunta que estava me matando. – Por que você nunca me deixou...
Não consegui continuar, e então ele me encorajou a falar.
– Fale.
– Por que nunca me deixou dominar você? Porque, sexualmente falando, era sempre você o Christian Gray da relação?
A gargalhada de me assustou, e o modo debochado como ele me olhou dissipou aquela atmosfera estranha e nova de “DR” que estávamos tendo.
– Por favor, , eu sou muito melhor do que aquele cara.
– Eu não sei, nunca transei com o senhor Gray para saber, mas... Responda.
– Eu sempre achei que, se eu te dominasse daquela forma, você ficaria dependente de mim. Não teria outro cara que a satisfaria mais do que eu, e era uma forma de te fazer ficar. Mas, no começo, eu confesso... Era só sadismo masculino mesmo.
– Olha... Você acertou. Eu realmente me viciei em você ao ponto de te amar demais para querer só um pouquinho. É como a cocaína que você tanto ama. Por mais que você julgue não ser totalmente um depende químico e defenda que a usa quando quer, ela faz o usuário se viciar a ponto de cada vez precisar de doses maiores. Eu acordei do deslumbre de ser a mulher de um milionário, e eu acordei do prazer de só fazer sexo. Eu preciso de um sentimento a mais, de sensações novas, , e isso... Você não pode me oferecer, não é?
Eu disse aqueles segredos internos a ele como nunca achei que teria coragem de dizer. Na verdade, eu não havia percebido nada daquilo até realmente cansar, até me mostrar na prática o que eu podia ter. ... Ele sempre foi o cara certinho, o amigo, o protetor e a consciência que eu não tinha, sempre me dizendo o quanto eu estava me subestimando em estar ao lado do .
E, na real... Eu escolhi aquilo, não é?
Eu escolhi um sugar daddy que me desse algum tipo de vantagem. E quando encarei a realidade criminosa dele, eu fugi das drogas – assim como esperava que eu fugisse dele, por conhecer a covarde que se escondia em mim. Fugi da total imoralidade de vida do dentro da própria vida que ele tinha. E quando as drogas não bastavam para me entorpecer, eu parei com elas e troquei pelas viagens, passeios, presentinhos, e sempre, é claro: pela entrega do meu corpo e alma à cama de .
– Eu acho que te entendo, mas... Antes que você decida ir até o final disso... Pense nos sinais que eu deixei, .
– Que sinais?
– Será que, se eu realmente fosse só um dominador sexual, um narcotraficante de colarinho branco, milionário e cretino, eu estaria aqui agora? Pense em todos os atos injustificados, mas que já traziam a resposta que você queria. Eu acho que posso não ter mostrado tudo às claras, mas tem algo que me fez ficar com você, e só com você, por três anos e, mesmo assim, deixar a porta sempre aberta pra você ir. Eu não escondi quem eu sou e nem o que eu sinto por você.
se levantou depois de me beijar a testa – gesto feito pela segunda vez, e que me deixou de novo surpresa –, se despediu num aceno rápido e saiu.
Bufei, confusa com o que ele havia dito, e fui terminar o que havia parado de fazer quando ele chegou. À noite, peguei o envelope do aluguel que eu nem mesmo me lembrava, mas estava em cima da mesa da sala. Abri-o finalmente para ler com calma e, junto ao boleto, havia a quantia.
não iria de fato aceitar que eu saísse tão fácil do seu domínio. Ele havia deixado o dinheiro do aluguel.


Capítulo 7

Narração: Lexie


entrou na mansão tão distante que eu realmente me senti um vaso de porcelana. Parecia que a minha presença naquela casa pouco importava.
– Eu não saí de Dubai para encontrar um irmão mais velho encalhado se lixando para mim, ok?
Ele sorriu e me estendeu uma bolsa de presente que eu não havia notado. Havia um novo par de sapatos ali.
– Arrasou! – Falei depois de colocar em meus pés, com meu irmão me observando. – Espera... Era para alguma mulherzinha?
Meu tom de voz ultrajado o fizera rir pela primeira vez naquele dia.
– A mulher para quem eu poderia dar isso não quer só sapatos.
– Hm... E aposto que é uma interesseira.
Falei, me jogando na poltrona à sua frente, então me lembrei de uma conversa que tive tempos atrás com ele.
– Espera... É da tal que você está falando?
– Sim. Você ia gostar de conhecê-la.
– E por que não posso?
– Ela... Ela está terminando comigo.
– Ela é maluca? Qualquer mulher do mundo iria querer ser namorada do solteirão milionário aí.
– É, mas... Ela diz que o que ela quer eu não posso dar. Mas acho que nem ela sabe bem o que quer, já que eu dei exatamente o que não dei a mulher nenhuma.
– Puta merda! – Gritei, chocada. – Você se apaixonou!
ficou em silêncio e se levantou, indo para o quarto.
– Espera! Você estava com ela? – Perguntei.
– Acabei de vir da casa dela.
Ele respondeu somente e me deixou só.
Eu não sabia quem era a mulher, ou o que ela havia feito com meu irmão, mas eu precisava conhecê-la. Então o primeiro a me dizer alguma coisa seria o motorista de . E por mais independente de seu motorista que fosse, me disse o funcionário que, várias vezes, sob ordem do meu irmão, ele havia levado a senhorita à sua casa e ao trabalho.
Quão chocada eu fiquei ao saber que ela era nada mais nada menos do que uma “Maria ninguém”? Totalmente abismada. estava totalmente fora de si.
Retornei à mansão pensativa. Eu precisava descobrir mais daquela relação, e os dias que se seguiram comigo espionando a garota me serviram para descobrir que ela tinha quase a minha idade, e eu jamais imaginaria que meu irmão era um sugar daddy; ela era bonita e parecia o tipo de mulher bem cheia de atitude; ela conseguia tratar como seu cachorrinho quando queria, apesar de toda aquela pose dele, mas os seguranças da mansão me fizeram jurar que jamais diria que foram eles a me contarem aquilo; ela tinha um amigo ou amante chamado ; o tal era o meu tipo perfeito de “Zé ninguém”; ao me ver com o contato do tal na mão, por ter pedido ao motorista para pegar, descobri que o problema de gostar de crianças pobres parecia ser genético.
? – Eu o chamei no seu escritório da mansão.
– Entre. Algum problema? – Perguntou, sem tirar a atenção de seu computador.
– Eu espionei a sua namorada.
– O quê? – Ele se levantou, chocado.
– Vinte e oito anos, ? Se vocês estão juntos há três, ela tinha só vinte e cinco quando você a conheceu! Cara! Ela tem praticamente a minha idade!
– Para de mentir a idade que você tem. Trinta e cinco, sua maluca.
– Isso não é o que eu paguei para colocarem no meu documento! E não muda de assunto.
– Lexie, por que foi atrás da ?
– Eu queria saber quem era a responsável por você iniciar um tratamento de reabilitação e...
– Eu não sou dependente químico.
, você se droga desde a adolescência. E eu vi o documento da clínica. É um Spa, eu conheço e já frequentei as terapias de hipnose.
– Não foi a responsável. Richard disse que vai largar a sociedade se eu não parar, ele tem medo de que eu perca o controle se eu não fizer um tratamento como se eu fosse um viciado.
– Ótimo, me lembre de agradecer ao Richard, mas sei que o seu disparo para essa decisão tem a ver mais com a .
– Richard também acha, mas... Então que ótimo, não é? Veja se não é a me fazendo aceitar uma ideia que ninguém mais conseguiu?
... Se você gosta dela, vamos lá.
– Eu não vou atrás dela, eu nunca fiz isso. Ela é livre para ir e voltar se quiser.
– Acontece, caro quarentão encalhado que eu chamo de irmão, que... As mulheres precisam de provas mais específicas de que os homens se importam. Ir atrás dela, neste caso, vai ser como demonstrar interesse. Tenho certeza de que, várias vezes, ela ficou esperando que você fosse até ela.
– Isso nunca fez sentido para mim. Não dizem que amar é deixar ir?
– Algumas mulheres não sacam isso.
– Então deixemos que ela perceba. Ou não. Eu tenho muita coisa para resolver agora, então... Vá fazer alguma coisa, Lexie.
, eu vou embora amanhã. Então, por favor, não a deixe escapar. Papai ficaria muito orgulhoso se você se casasse.
– Ela não é o tipo de mulher com quem ele sonhava e você sabe. – ironizou, tentando desmerecer o meu discurso.
– E daí? Você nunca fez as coisas do jeito dele e, nem por isso, ele deixou de ter orgulho de você.
Saí do escritório, deixando meu irmão pensativo. Arrumei minhas coisas e, no dia seguinte, à tarde, eu havia investigado e estaria na casa de . Fui até lá, decidida a fazer a garota perceber que , impressionantemente, estava aos pés dela.

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Narração:

Eu havia decidido não seguir um relacionamento com . E ele, como sempre, foi um cara incrível. Eu não poderia encarar uma relação casual até ter um tempo comigo. Por mais que eu dissesse que precisava me apaixonar por mim e me resolver internamente, insistia que, na verdade, eu precisava me resolver com . Segundo ele, estava óbvio que eu era apaixonada e precisava ser mais clara com nas minhas exigências.
Estávamos na lateral da garagem, numa espécie de quintal em que treinava cestas de basquete e onde, vez ou outra, pegávamos Sol.
– Eu só acho que o seu namoradinho traficante nunca teve que lidar com uma mulher apaixonada porque nunca ficou mais de duas noites com alguém e, por isso, três anos te usando devem significar alguma coisa.
– Está me dizendo para dar uma chance para o ?
– Estou dizendo para averiguar melhor a situação, colocá-lo contra a parede, mas sem deixar que ele cale a sua boca daquele jeito de sempre...
Foi naquele momento que ouvimos uma pequena discussão do lado de fora da porta da garagem e saímos confusos.
– Você pode não se meter? Eu já vou resolver, e olha só... Eu sei muito bem lidar com a minha vida.
– Você é um fodido de um solitário, ! Eu já tinha me esquecido do motivo pelo qual eu não fiquei perto de você. É porque você é tóxico demais até mesmo para a sua irmã conseguir lidar com seu temperamento de eterno Peter Pan. Você está velho! Ou agarra essa garotinha ou parte para outra!
– Cala essa porra dessa boca, Lexie! Você nunca foi exemplo de nada, e ainda é só uma usurpadora dos bens da família. Não me aponte dedos.
– Eu realmente achei que essa garota fosse importante pra você mas, só de te ver tentando me impedir, está claro que você deve estar aliviado, não é? Aliviado de ela desistir de seja lá o que for isso que vocês têm!
Eu não podia acreditar que estava em frente à garagem de com uma mulher desconhecida discutindo daquele jeito, como se só eles existissem no mundo. E também estava surpreso. Pegou uma lata de cerveja e parou do meu lado, na porta da garagem, para assistir a cena.
– É justamente porque ela é importante que eu estou a deixando, Lexie! Você mesmo disse que eu sou tóxico e nem todo o meu dinheiro é capaz de fazê-la ficar por vontade própria.
Ouvi aquilo e minha boca abriu. estava de costas para onde nós estávamos, como se tentasse impedir a mulher de avançar até a porta da garagem, então ele não havia percebido que eu estava ali no cantinho, o escutando.
– Eu insisti nela esse tempo todo porque eu realmente gosto dela! Eu não corro atrás da . Não porque “homem não faz isso”, mas porque eu sei que ela deve ser livre pra escolher ficar. Você acha que eu não sei a vida podre que meu dinheiro camufla? Eu sei! Eu sempre soube, mas eu gosto disso. Eu gosto da podridão que eu faço, e eu não posso obrigar ninguém a ficar comigo, porque eu não sou um torturador ou gente da pior espécie como todo mundo pensa quando descobre quem sou eu.
A mulher, que parecia se chamar Lexie, começou a rir debochada e piscou em minha direção. Beijou o rosto de e o respondeu antes de sair andando.
– Só você para me fazer encenar como uma adolescente de novo. Vou indo, antes que perca meu voo. Seu motorista vai me levar. Até mais, .
– O quê? – Ele perguntou, confuso, com as mãos na cintura.
Eu encarei , que me olhava com uma expressão entediada, e então fez sinal com a cabeça para eu chamar o homem parado à frente, de costas para nós.
?
abaixou a cabeça logo que ouviu minha voz e virou-se com uma expressão de constrangimento e raiva. Eu sorria e o encarava com a mesma expressão de tédio. se aproximou com peito estufado, demonstrando sua virilidade de sempre perto de outro homem. Até daquilo eu gostava.
– Ei, cara, sabe que está me devendo uma, não é? – também se estufou, tomando a minha frente e encarando-o.
– O que eu poderia dever a um cara como você?
– Você me colocou na cadeia por uma armação, e eu posso estar livre, mas eu não vou negar que estou louquinho pra amassar essa sua carinha limpa.
– Aproveita então essa oportunidade. Você vai me dar um único soco e eu te quebro em seguida.
– Ih, ... – usou seu tom debochado sem parar de encarar . – Seu namoradinho traficante almofadinha sabe brigar?
avançou para cima de , que não parava de rir, mas não o bateu. Apenas ficou ali, fuzilando o meu amigo com o olhar. Aproximei-me, suspirando, e então o provocou mais.
– Sabia que a não gosta só dos badboys? Está só piorando a sua já péssima impressão, .
Encarei com a minha expressão de fúria.
– Cala a boca, ! Deixa a gente conversar!
o soltou e olhou para mim tão raivoso quanto estava com .
– Fica com ele. – Ele me disse e saiu antes de qualquer conversa.
! , espera!
Encarei com toda a frustração que eu poderia ter. Ele ria, divertido. Pegou a chave da sua moto e me jogou.
– Vai atrás dele. O cara está se sentindo duplamente humilhado.
– Você é tão idiota, .
– Me agradeça depois de resolver se isso aí avança ou termina. Nem eu aguento mais.
Peguei a minha bolsa dentro da garagem e logo saí atrás de . Ele já havia avançado muito mais mas, mesmo o perdendo de vista, eu acelerei até a mansão . Quando cheguei lá, não estava. E eu o aguardei até que ele chegasse. Ele entrou na suíte, desabotoando sua camisa social, aparentemente cansado, e então eu acendi o abajur.
– Porra, ! Que susto!
– Onde você estava?
– Eu... O que você está fazendo aqui a essa hora?
– Eu cheguei aqui no mesmo instante em que você saiu da casa do . Eu vim atrás de você com a moto, mas não tinha ninguém.
– Nem vi a moto estacionada.
– Você foi para a boate?
– Eu não me droguei, se sua preocupação é essa.
– O Richard me contou do tratamento. Eu fico feliz que você tenha parado.
– Por muito pouco, hoje eu não cheirei até o meu nariz cair.
– Credo, , que coisa horrível de dizer. Para com essa merda.
– Eu não fiz. No auge dos meus quarenta anos, eu decidi parar.
– Até porque... Como o Richard diz...
– É uma lei imperdoável se tornar o próprio cliente. – Ele constatou, me interrompendo.
... – Peguei a mão dele, o fazendo me olhar. – Estava sendo sincero aquela hora?
– E eu sou o tipo que faz escândalo na porta de alguém?
– Quem era ela?
– Lexie.
– Ah... Eu queria tê-la conhecido melhor.
Um silêncio se colocou entre nós e foi quebrado por , que estava mais decidido do que eu poderia esperar naquela hora.
– Eu não vou largar o narco, . Mas... Eu também não queria ter que escolher. Só que eu sei que não dá para ter tudo, mesmo eu, que estou acostumado a sempre ter.
– Você, por acaso, está querendo dizer o quê?
– Você descobriu os sinais, ?
– “Amar é deixar a pessoa livre para escolher”. Essa mensagem estava abaixo da porta da minha casa, há algumas semanas, com a assinatura “”.
– O quê?! – Ele riu, debochado. – Não fui eu que fiz essa caretice!
– Ah, não? Então quem é “”?
– Lexie , gracinha. A maluca estava espiando você, e eu disse isso para ela um dia, mas daí te deixar um bilhetinho? Espera um pouco, né!
– Eu achei que fosse esta a mensagem. Que você me ama.
– E eu amo.
Pela primeira vez em todo aquele tempo, havia dito o que eu mais queria ouvir.
– Mas eu amo mais a cocaína. E por isso, eu decidi que eu vou deixar a porta aberta, . Não vou correr atrás de você e nem te pedir para ficar, se é o que você espera. Você que decide, mas... Saiba que eu não vou mudar. Eu não vou deixar esse sentimentalismo se tornar maior. Casamento? Filhos? Uma família comigo? Esquece.
– Uau. – Respondi, boquiaberta e decepcionada. – Uau, . Você... É inacreditável. Eu realmente cheguei a romantizar tudo o que eu ouvi você dizer.
– Eu sempre te mostrei que eu não era este tipo de cara. Os sinais estavam lá o tempo todo.
– É, eu estava começando a interpretar errado então. Uma família com você realmente não é possível se você escolher a sua Florida Kilos de sempre, porque eu não sou capaz de me afundar pra fugir da sua realidade obscura e desnecessária só pra ficar do seu lado, . Você não precisa de nada disso, tem a mineradora da família, mas...
– Mas eu gosto disso. – Ele me interrompeu, falando duramente. – E eu não vou abrir mão do que eu construí.
– Pelo visto, você não construiu nada comigo mesmo.
– Construí memórias divertidas, . Eu não sou o cara certo pra você. Mas eu quero você, dentro das minhas condições. A escolha é sua.
– Que merda. Eu me apaixonei pelo único cara que não pode me dar uma vida simples.
– Desculpe, mas você foi avisada.
– Daqui a dez anos, se eu não encontrar o que eu preciso, eu aceito o pouco do seu muito.
– É como eu disse... A porta vai estar sempre aberta pra você, .
Eu não sorri. Eu não conseguia sorrir.
Eu realmente achei que iria me pedir pra ficar, dar um jeito de provar que eu valia mais do que a porra da sua cocaína. Mas eu descobri que o vazio que preencheu em mim na primeira vez em que nos vimos não era nada comparado ao vazio que havia dentro dele.
Então eu só enxuguei as minhas lágrimas, dei um abraço nele e recebi aquele beijo na testa. Aquele maldito beijo na testa, que não fazia o menor sentido, mas me encheu de esperança por de repente estar ali.
Se fosse para viver ao lado do , que fosse depois de eu tentar todas as formas possivelmente gloriosas de felicidade, porque eu não iria sucumbir a uma vida inteira de sexo, dinheiro e nem um pouco de mãos dadas, nem um pouco de sonhos e planos futuros.
Aparentar ser a mulher de um homem, eu descobri que, para mim, seria a maior forma de humilhação naquele meu momento. Eu estava destruída por liberar as falsas esperanças enquanto perseguia com a moto, horas antes.
Eu chorava como se cada lágrima fosse queimar as feridas até cicatrizá-las. Sem grandes cenas, sem desespero, sem dramas extremos. Apenas choro. Choro e cansaço, mas uma absurda sensação de liberdade. Uma hora, tudo aquilo iria passar, e aquela sensação superaria qualquer saudade carnal.
Como da última vez em que saí dali em despedida, subi na moto e arranquei da mansão, com o olhar de imponente na sacada de sua janela para mim.


Fim.



Nota da autora: "Olá amoras, obrigada por terem lido até aqui. Obrigada à organização do ficstape pela oportunidade de participar dele. E a todxs que leram, eu aguardo ansiosamente o seu comentário para eu receber o feedback, de como vocês encararam a história. Obrigada, beijos de luz! Com afeto, Ray. ♥"



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