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Capítulo Único


O metal batia firme na madeira. As lascas voando sem destino certo, cruzando o horizonte com velocidade e violência, raspavam em minhas mãos e feriam minha testa. Volta e meia ficava cego por alguns instantes graças aos resquícios em pó da árvore a ser cortada.
Eu não precisava de madeira. Nem para meu uso próprio nem para vender. Encomenda alguma no calendário e nenhum amigo precisando de lenha para a lareira.
Minha real necessidade era um escape. Um bode expiratório para a minha raiva, descontar a ira que comia minhas entranhas em algo que fosse pelo menos um pouco saudável. Bebedeira nunca resolveu meus problemas. O álcool não possuía tanto controle sobre o meu corpo. Eu adorava beber, mas odiava usar como desculpa para perder a cabeça.
Se fosse para bancar o louco, que o fizesse por contra própria. Por mais fraco que fosse e caísse nessa façanha covarde, sempre que podia, fugia desta. Meu físico era a resposta. Usar da força do meu braço para alguma coisa. Volta e meia as cadeiras de casa iam parar no chão, as portas eram arrebentadas pelo meu pé e o espelho se arrebentava em trocentos estilhaços no piso do banheiro.
E aquela árvore era a personificação de cada mísero inferno que eu precisava enfrentar. A porra do caralho que estava matando a minha sanidade. Mal dava tempo do machado acertar o meio do tronco e logo estava de volta para comer um pedaço da madeira. O barulho ecoava pela floresta vazia e calada.
A mãe natureza colaborava comigo. Quando meu humor se encontrava naquele estado de raiva, ela se comportava de forma dócil como se pudesse me acalmar. E então eu podia arrebentar árvores ao meu prazer.
Queria ter nascido uma dessas pessoas tranquilas que não se emputece fácil, que passa por cima dos problemas e engole o orgulho. Que não se ultraja por pouco e que reina tendo a paciência com virtude.
Tal paz de espírito não corria pelo meu sangue e não tinha vez na minha vida. Eu não nasci para ser paciente, para saber lidar com problemas. Eu não tinha um humor fácil, fácil mesmo era me tirar do sério. Bastava uma conversa fora de hora e um estalar diferente de passos diferentes para despertar alguém não muito educado e socialmente querido.
Se meus dias já não eram fáceis mesmo com o isolamento na floresta, eu realmente aprendi que o ditado que nos diz que as coisas sempre podem piorar, era desgraçadamente verdadeiro. Você acha que sua vida anda na beirada do abismo do mal e então percebe que aquilo era bem melhor que cair no próprio abismo.
Minha mão já calejada começou a tremer. O suporte do machado já não era confiável, vacilava e não batia no local certo. A árvore não viria a cair, não comigo naquele estado. Precisava descansar, mas eu não conseguia parar. Mais do que isso, não poderia parar. Assim que eu parasse o sangue voltaria a circular normalmente, minhas pupilas voltariam ao tamanho normal, minhas pernas perderiam o equilíbrio e a exaustão física me colocariam ao chão.
Então eu prossegui. Arrebentando a coitada da planta à minha frente que culpa alguma possuía. Por mais egoísta que fosse, antes ela do que eu. Antes feri-la do que ferir a verdadeira fonte da minha infelicidade.
Afinal, quem mais poderia ser, senão ?
Nós ficamos bem por um longo período de tempo. Eu abri mão de muitas coisas, isto não era culpa dela, obviamente. Eu já possuía tamanho o suficiente para bancar a responsabilidade das minhas decisões.
Abdiquei do meu isolamento na floresta. Deixei as coisas intactas na pequena casa escondida e rumei com algumas malas para minha antiga casa. Enfrentei os pais dela e os olhos tortos da cidade. Eu e ela passamos a ser um casal convencional, daqueles que andam em público de mãos dadas e saem juntos rindo pelas ruas.
Era meio estranho, eu havia perdido a prática. sempre espontânea e espoleta, eu já preso no espírito ranzinza. Porém, as coisas corriam bem e tranquilas. Até que um dia eu percebi que namoros realmente não são coisas de paz, principalmente entre um mal humorado e uma impulsiva.
Eu não me encaixava no estereótipo do homem possessivo e ciumento que não permitia que a mulher olhasse para o lado ou saísse de decote. tinha toda a liberdade do mundo, assim como ela, apesar da idade confiava em si e em mim. Tínhamos uma boa dinâmica e discutíamos raramente e por pouco.
Mas, claro que todo casal tem suas desavenças e seus momentos ruins. E foi num destes momentos que me levaram para a floresta naquele instante segurando meu machado e desejando que a terra desabasse em cima da minha cabeça.

xx

Ainda era cedo, mas meu sono resolveu me abandonar. Sentei na beirada da cama com um amargo comendo o fundo da minha garganta. Uma sensação horrível de azia em minha barriga e uma dor maldita no fundo dos meus olhos que simplesmente não ia embora.
Noites de sono que terminam numa manhã assim eram mais uma noite de punição. O sono foi uma bosta, sonhei porcarias sem sentido e me sentia mais cansado do que antes de dormir. Decidi levantar. O estalo no meu quadril me preocupou. Já não era mais um garoto, a idade batia e as dores na coluna passaram a ser companheiras.
Não queria admitir que precisava de um colchão mais novo e macio e que talvez fosse a hora de enfiar o ego no cu e ir procurar um ortopedista. Suspirei cheio de frustração e me levantei. Arrastei o corpo pela casa até a cozinha. Ainda não tinha me acostumado com o saco que era descer escadas todo santo dia. Quando a preguiça era muita, dormia no sofá da sala para evitar o desgaste das escadas no dia posterior. Abri a geladeira e avistei o deserto gelado que se encontrava à minha frente. Nada de comida. Uma cebola, dois dentes de alho, meia cenoura preta e duas garrafas de água. No armário não consegui muito mais que isso. O pão estava embolorado, os pacotes de bolacha vazios. Que diabos eu faria de café da manhã usando farinha, pimenta e sal?
As portas do armário quase saltaram fora com o impacto. Bati mesmo com força pra caralho. A irritação já comia toda a pouca paz de espírito que possuía. Cocei minhas pálpebras fechadas e observei a cidade pela janela gigantesca da cozinha.
Fazia sol. Menos mal, poderia sair de casa sem ter que ir para o andar superior à procura de um casaco e um cachecol. Vesti a camisa largada por ali e a botina que sempre ficava em cima do tapete da saída.
Não gostei de tomar vento na cara. Não gostei do sol queimando minhas íris e muito menos gostei de já me deparar com vizinhos dando bom dia com simpatia. Respondi seco e agradeci aos céus por já saberem que eu era um xarope sem paciência.
De todos os lugares da cidade que eu poderia ir, decidi ir para o único em que haveria uma pessoa capaz de suportar a merda de ser humano que eu era ao acordar.
Descer para a parte mais baixa da cidade já não era tão ruim. Sentia falta das minhas velhas conhecidas árvores, mas a grama era macia de se pisar e a visão um tanto agradável. O vento era um pouco mais forte, já que não havia floresta para amenizar seu impacto. Nada de mal nisto, uma das poucas coisas que não me tirava do sério.
Ainda era muito cedo, a maioria das pessoas normais dormiam naquele sábado de verão. Tínhamos cerca de dezenove horas de sol no sul e centro suecos naquela época do ano, coisa que não atrapalhava o sono da população. Vi no relógio de uma praça que ainda eram sete e quinze daquela manhã. Esperava não me enganar com os horários do meu querido amigo.
E percebi estar certo assim que avistei as portas do açougue levantadas. Sorri pela primeira vez no dia e apressei meus passos. era a peste idiota capaz de botar um pouco de alegria na minha vidinha mal humorada.
Ao chegar perto, percebi que não havia movimento de clientes, já que era cedo. Mas, estava ali com tudo devidamente pronto para receber quem quer que fosse, inclusive eu. A garrafa de café em cima do balcão recém-comprado, pães e presunto. Eu não precisava de mais que aquilo. Enxerguei uma caneca extra que aparentemente estava vazia e então o olhar de parou em mim. Abriu a boca e mostrou os dentinhos tão bem cuidados em escárnio.
- Carniça! – puxei o banco que sempre acomodava meu traseiro para poder sentar.
- Castor de araque! – saudoso como sempre. Empurrou a caneca para o meu lado e virou a faca na minha direção – Eu já imaginava que viria, então me antecipei desta vez.
- Assim você acaba com os meus planos de te infernizar logo cedo, . – ele fez um barulho engraçado com o nariz e balançou a cabeça como uma mãe desgostosa.
- Eu sei que suas piadas sem graça pro meu lado são para curar sua frustração com a vida, então eu as perdoo. Mas, é bom não abusar da minha boa vontade de dividir café da manhã com você. – ri em silêncio e mordisquei um pedaço maior que a minha boca de pão e presunto.
- Eu não vou abusar, meu açougueiro. Pelo contrário, vou te dar amor. – rosnou para mim, odiava quando bancava o romântico.
- Você está pedindo pra levar uma facada no rabo, lenhador filho da mãe.
- Ei! – um pedaço de pão saltou da minha boca com o grito – Calma, querido. Você sabe que isso aqui não é falsidade, são sentimentos reais.
- É, deve ser sim. – me encarou desconfiado, porém, logo riu. não resistia à minha carinha de donzela apaixonada.
e eu praticamente acabamos com o estoque de presunto que ele possuía. A conversa correu solta e não paramos de engolir porco cortado em fatias em um momento sequer. Ele me contava sobre o casamento e sobre como as coisas melhoraram para ele. Eu não poderia ficar mais feliz por ele, se havia alguém no mundo que merecia ser feliz, com certeza era .
A pacificidade do dia estava casta e intocada. Meu humor conseguiu alcançar um patamar decente. A dor de cabeça praticamente desapareceu e a dor na coluna não incomodava mais. Sabia que meu açougueiro seria capaz de me animar.
Entretanto, em algum lugar alguém decidiu que aquele dia não daria certo. Em um algo momento da existência alguém programou aquele dia para ser um caos, uma confusão sem fim. E quem o fez não quis esperar até mais tarde, achou por bem abrir os portões do inferno e soltar os cães logo cedo.
Um arrasto no asfalto. Uma cadência anormal chegou aos meus ouvidos. Eu era quase uma barata daquela cidade, sabia quando a ordem saía do eventual. E rapidamente meus músculos agiram por instinto. Quando dei por mim estava virado e olhando para fora para averiguar a aparição anormal.
Fechei as pálpebras logo na sequência. Inspirei e expirei vezes e vezes consecutivas. Ouvi ao fundo a voz calma de pedindo para que eu ficasse calmo como seu timbre. Segurei a caneca de café com toda a força e delicadeza que costumava segurar minha arma quando estava prestes a atirar em um alvo distante.
Por que raios aquele filho de uma égua arrombada caminhava sorridente em direção ao açougue?
- Bom dia, cavalheiros. - o mesmo sorriso encardido e o mesmo cabelo extremamente bem penteado. A batina vermelha, os adereços de ouro. As luvas brancas e o anel chamativo. Os pés cobertos e o chapéu pomposo que eu não sabia o nome. E eu ainda remoía rancor por aquele bastardo.
- Bom dia, cardeal. - respondeu hospitaleiro. Claro, ele não maltrataria Giorgi Chiellini. O infeliz que meteu os dedos em e quase arrancou o meu padre de mim. Engoli minha saliva que queimou toda a parte interna da minha boca.
- Bom dia. - respondi seco e engoli todo o conteúdo líquido da caneca vermelha.
- Ora, . Vejo que está simpático e cordial como sempre. - ele nunca parava de sorrir, não importava as patadas, o mau humor, o mau tratamento ou até mesmo um soco enfiado naquela cara. Ele simplesmente não parava de sorrir.
- Eu me arrependo de não ter quebrado suas duas pernas e seus dois braços e todos seus dentes. É só um pouco de frustração, mas logo passa. - minhas palavras pareciam facas sem corte prontas para provocarem dor.
- É claro, não esperaria que me recebesse com abraços e um aperto de mão amigável. Entendo completamente vossa natureza humana e vosso instinto de ataque contra mim. Vim aqui em missão pacífica. - abriu os braços em rendição e eu sorri tão falsamente quanto ele.
- No que posso te ajudar? - questionou quebrando nosso encanto.
- A encomenda de bacalhau feita na semana passada. - e o sorriso permanecia lá. Vontade de arrancar o maxilar do desgraçado na base da mordida.
- Claro, só um instante. Se comportem.
O tempo que passou pegando o peixe correu lentamente. Tentei de todas as maneiras possíveis ignorar a presença de Giorgio. Foi difícil, não parava de olhar para mim. Me senti um animal em exposição no zoológico. Quando voltou, estava prestes à voar no cardeal.
- Aqui está. - entregou o pacote em uma sacola com uma mão e recebeu as notas de dinheiro com a outra.
- Obrigada, . Os vejo em outra hora, cavalheiros. - então pude respirar um pouco mais tranquilo quando a besta se retirou. Porém, seus passos pararam e percebi que ele voltava para dentro do açougue. Meu sangue ferveu.
- Esqueceu algo, cardeal? - se intrometeu antes que eu falasse mais alguma grosseria.
- Sim, . Veja só, acabei por me esquecer de uma coisa. - colocou a sacola em cima do balcão e procurou por algo em seu bolso. Este algo reluziu em sua mão. Era niquelado, uma corrente e um pingente preso a ela.
Eu me levantei possesso e Chiellini caminhou para trás. Minhas narinas se assemelhavam à de um touro feroz pronto para enfiar os cornos no cu do toureiro infeliz.
- O que isto faz com você? - eu tremia por inteiro de puro ódio. arregalou os olhos para mim pedindo por misericórdia. Cerrei os dedos e minhas unhas perfuravam as palmas das minhas mãos.
- deixou cair. - o tom dúbio de sua resposta foi o suficiente para que eu perdesse qualquer estribeira e grudasse em seu colarinho. Então aqueles dentes se mostraram e suplicou em um toque no meu ombro.
- , solte ele… - meus dentes rangiam e minha testa se arrebentaria em sangue de tanto franzir. Foi com dor e revolta que soltei o tecido que vestia o filho da puta.
- Eu entrego a ela. - tomei o heartagram para mim. Se pudesse o carbonizaria somente com o calor da minha fúria.
- Exatamente por isso o trouxe. pode ser descuidada às vezes, ainda bem que ela o perdeu comigo. Tenham um bom dia. - tantas perguntas e tanta raiva. tentou falar comigo e eu não respondi uma pergunta sequer.
Sentei naquele banco e não conseguia diminuir o aperto no colar. Eu nem ao menos sabia que Chielline estava na cidade, eu nem ao menos sabia disso. não me contou que ele estava ali e muito menos me contou que se encontrou com ele. Eu queria muito entender o significado daquilo.
Depois de todo o corrido com , da morte de Marion e do raio do tesouro dos infernos que transformou a vida de todo mundo numa desgraça, eu não consegui perdoar Giorgio por completo. Eu conseguia compreender seus atos, afinal ele tinha uma missão para cumprir e eu e meus queridos éramos apenas pessoas quaisquer no meio de seu trepidante caminho.
Porém, isto não significava que eu poderia esquecer, que o rancor não se formaria em meu peito. Eu ressentia, a mágoa ali se alojou e ficou. E obviamente, o ciúmes. Eu não era um carrasco maluco com . Entendia muito bem qual fase da vida a garota vivia, o auge de sua juventude. Cheia de curiosidade e de vida.
Nós não éramos cegos, notávamos outras pessoas e atração física não era algo que acabava quando um relacionamento começa. Não implicava quando via a garota notar algum rapaz sarado da sua idade, ou um cara mais velho que ela e mais novo que eu que a comia com o olhar.
Minha personalidade nunca fora fácil, sempre estourei e fui um ranzinza de primeira. Mas nunca um possessivo, um abusivo.
Só que o tal Chiellini era uma ferida mais funda, uma dor mais latente. Uma lembrança muito ruim. O homem era petulante, maquiavélico e extremamente sarcástico. Eu não gostava do jeito que tratava , como se tivesse poder sobre ela.
Ele ficou alguns dias na cidade depois de toda a confusão. E sempre rondando, como um lobo ao perceber a fraqueza de sua presa. Aquilo me deixava completamente tenso e sempre nervoso com o sistema de defesa ligado. Eu não proibiria de chegar perto do canalha. Porém, precisávamos conversar sobre ele e eu precisava expor meu incômodo.
Eu entendi que ela não possuía ressentimentos com ele e, sendo realista e racional, não teria por que eu ter também. Chiellini fez o que foi preciso para alcançar seus objetivos, e no final das contas não era culpado de nada que o acusamos.
Só que nenhum ser humano consegue ser racional e realista o tempo todo. E eu tinha meus problemas com Chiellini.
O colar que só faltava atravessar minha pele e fazer parte da minha corrente sanguínea abriu várias dúvidas em minha cabeça. Não bancaria o otário que xingaria sem saber do verdadeiro ocorrido. A ida do religioso até o açougue fora uma provocação escancarada. Ele queria que o arrebentasse, que eu abrisse seu nariz em três para que ficasse contra mim e minha violência. Consegui chegar fácil a essa conclusão depois de pensar por um tempo.
Engolir o ódio e o orgulho pela ducentésima vez depois de começar com a , para este caminho eu seguiria.

Estava de volta em minha residência apreciando do espaço da minha nova sala de televisão. Muito maior e confortável, um sofá recém comprado e extremamente macio. Podia esticar as pernas e colocar a garrafa de cerveja na lateral projetada para armazena-la. Uma televisão maior e mais moderna e com mais canais.
Que diferença fazia no fim do dia?
Nenhuma, porra de nenhuma diferença. Era isso que fazia.
Concentrar era impossível, não conseguia engolir aquela história. Ficou presa na minha garganta, um tiro cravado bem no meio da coluna. Uma bala alojada fazendo minha carne sangrar.
Fiquei à espreita do relógio esperando pelo melhor horário para ir até a casa de . O horário em que Irina estaria fora, assim como Theodor e apenas Wilda para me receber com sua extrema simpatia.
Quando este o deu, nem fiz questão de desligar o aparelho. Levantei e rompi a porta sem olhar para trás. O colar não deixou minha mão por tempo nenhum. Eu queria me livrar da mágoa e da afronta. não teria que receber as consequências da minha frustração e seria difícil conversar sem elevar a voz. Eu daria um jeito, precisava tirar aquilo do meu peito e teria que contar com a ajuda dela.

Wilda se antecipou à minha chegada e abriu a porta antes que eu precisasse tocar a campainha. O rosto amigável até que me acalmou. Ela nunca me questionava e sempre abria os caminhos da casa para mim. Sorri de leve para ela e rumei na direção do quarto de , sabia que ela estaria lá.
Ao chegar perto da porta que ficava no fim do corredor, ouvi uma música baixa e moderna. Aquelas bandas que ela ouvia e eu nem sabia da onde que vinham. A porta aberta e a passagem livre. Ela ouviu meus passos e apareceu na porta. E daí meu mundo acabou desabando de vez.
brincava com a minha cara, eu não resistia à ela. Àquele sorriso convidativo, as pernas peladas e a malícia inocente de seu olhar.
- Gostei da surpresa. – disse estendendo a mão para mim. Minha boca me traiu e sorriu para ela sem que eu desejasse. Aceitei seu toque e entrei no quarto.
voltou a deitar em sua cama e esperou que eu a acompanhasse. Para o bem do meu plano de conversar com ela, apenas me sentei ao seu lado e permaneci em silêncio.
- O quê foi, ? Aconteceu algo? – ela me conhecia muito bem e sabia que alguma coisa funcionava fora da sintonia.
- Você me diz. – estendi a mão que ficou fechada por quase todo o dia. O heartagram se moldou em minha pele e ali marcou seu formato. Sua primeira reação foi abrir a boca e arregalar os olhos. Percebi sua surpresa.
- Meu colar, cacete! Procurei por todo canto! Onde achou? – eu não senti falsidade em suas perguntas. não fazia ideia de que havia perdido quando esteve com o cardeal.
- Chiellini me entregou. – da onde a calma tinha vindo eu não sabia, mas agradecia à alguém por ela.
- Mas, eu... Oh, espere... – ela deu uma risadinha cheia de culpa que senão fosse tão deliciosa eu teria perdido a cabeça de vez.
- Ele te entregou? Ele foi lá na tua casa te entregar? – ela olhava do colar para mim e as pernas tremelicavam.
- No açougue, eu estava lá e ele me entregou.
- Você está esperando respostas, né? – segurou em minha mão e percebeu o quão tenso eu estava.
- Sim, por favor.
- Eu fui até a Igreja para conversar com e ele não estava lá, quando eu virei as costas para ir embora Chiellini me chamou. – eu já tinha ouvido aquela história antes.
me contou, por vontade própria, como tinha sido sua experiência com Chiellini. Ocorreu no mesmo cenário. por algum motivo do diabo desgrudou de sua sagrada igreja e foi para algum lugar e deixou seu posto vazio. Giorgio o supriu com extrema eficiência e deu à mais do que ela precisava. Um orgasmo no banco da Igreja e por incrível que fosse, um orgasmo que a jogou exatamente em cima de mim.
- Já não vimos isto uma outra vez? – mordeu os lábios e pareceu se lembrar do ocorrido.
- Sim, foi exatamente assim que aconteceu quando eu e Giorgio ficamos. – a lembrança embrulhou meu estômago.
- E então...
- , eu era solteira e livre. Agora eu escolhi você entre os outros que eu poderia ter. Está desconfiando de mim? – e mais uma vez a peste acertou e eu me vi cercado de incoerência.
- Não, . Mas devo admitir que o puto do cardeal faz meu sangue ferver. Afinal, acha que ele entregou este colar para mim sem nenhuma intenção encardida por trás?
- Eu sei que ele fez pra te provocar e eu sei que você não vai com a cara dele. Mas você também sabe que eu e ele não fizemos nada. – não me traiu, eu confiava nela. E ela estava comigo por pura vontade, me amava e me desejava. Eu sabia disso.
- Você não pode esperar tanto assim de mim, . Sei sim destas coisas e ao mesmo tempo não sei controlar o quão puto eu fico ao pensar que o filho da puta quer caçoar de mim. – ela expirou chateada e encarou os próprios pés.
- Me desculpe, eu não quis te chatear. Só que eu e ele nos damos bem, é complicado cortar relações assim. – as palavras dela ecoaram em minha cabeça. E o bichinho maldito do ciúmes não perdeu tempo ao comer um pedaço do meu cérebro.
- Não posso te obrigar a parar de falar com ele, mas gosto de comunicação. Você poderia ter me dito, me contado e evitaria a cara de vitória que ele fez ao ver que eu não sabia que vocês tinham se encontrado. Entende? – era pelo fim egoísta de dar um jeito no meu ego e eu o sabia. Egocêntrico, talvez. Porém, inevitável.
- Eu entendo. Eu só não preciso que vocês dois fiquem medindo piroca como se eu fosse um prêmio ou algo assim.
- Longe disso, . Você sabe que eu não te vejo assim. – e então a culpa pela minha raiva surgiu.
- É, eu sei. Mas também é um saco saber que esse teu ego enorme sempre pensa no pior. As coisas não são só sobre você. – e aquela bala que parecia ter parado de incomodar voltou a viver na minha pele.
- Essa doeu! – evitei o contato com ela. Não queria brigar, eu realmente não queria.
- A gente consegue superar isso? – perguntou tímida. Eu não tinha uma resposta para tal. Uma dúvida bem cretina ainda me incomodava e eu não dormiria em paz com ela na cabeça. Não queria arriscar outra noite de sono ruim.
- Você sentiu vontade? – então eu soltei.
- Vontade?
- Sim, você sentiu vontade de repetir a dose com ele? – pareceu ultrajada e posteriormente viajou para dentro de si para procurar por uma resposta que demorou a vir.
- ...
- , eu não vou te punir por nada. Quem sabe eu te pegue e te jogue na parede e te faça gozar e berrar para mostrar que os orgasmos que eu te dou são incrivelmente mais poderosos que aquele que ele te deu? Porém, no fundo isto não é punição, então... Acalme-se que eu não vou bancar o maluco, só quero saber.
- E por qual motivo quer saber? – eu não compreendi da onde veio aquele pequeno sinal de irritação da parte dela.
- Como assim?
- Ué, por que você precisa saber? Você precisa se infiltrar na minha cabeça e saber tudo que eu penso? Eu não posso ter privacidade e um espaço só meu, você precisa invadir tudo? – rebeldia, nervosismo. Eu tive minha resposta.
- Você sabe que eu não sou disso, . Foi uma pergunta simples, nós temos intimidade e eu não vou te rechaçar se a resposta for sim.
- Não, não vai. Mas vai exercer poder sobre mim... – pelo jeito escondia alguma coisa e temia minha reação. E não foi isto que mexeu com meu humor, foi o bando de respostas grossas que saíram da boca dela.
- Ei, isso aqui não é um jogo de poder. É uma conversa, tudo bem? E pelo que eu pude perceber, tem algo que você está com receio de me contar. Devo me preocupar?
- E por que deveria, hein? Não acabou de dizer que confia em mim, agora deixou de confiar? – levantou o corpo e se sentou me encarando de cara feia. Diaxo de menina.
- Você está levando isso pro pessoal de uma forma estranha, não vai abrir o jogo?
- Você não precisa saber de tudo, . – e um travesseiro voou pro meu lado. Ah, mas aquilo me irritou e me irritou feio. Eu vim cheio de calma e com uma paciência que não era minha e partiu pro físico. Eu não partiria para esse lado, pois o final da história seria trágico e eu nunca, mas nunca encostaria um dedo naquela coisinha irritante.
- Não, eu não preciso. Eu sei daquilo que você se sente confortável para me dizer, o que dói , é que você nem cogitou me contar que esteve com ele e agora está presa dentro do seu sistema de defesa por algum motivo que eu não sei qual é. – ela percebeu que tinha se entregado e tropeçou numa resposta que nem saiu – Afinal, eu já sei que você coçou essa buceta pra gozar pra ele de novo, o que mais se passou por essa cabeça perdida que te fez entrar em desespero?
- Que merda, . – e outro travesseiro voou em mim. Que inferno! Que porra!
- O quê foi, caralho? Para de tacar essas merdas em mim.
- Você me conhece bem demais, que bosta. – ela começou a ficar vermelha e eu temi aquilo – Eu fiquei sim com vontade. O que eu tive com ele foi gostoso, eu quis de novo, não posso?
- Eu disse que não pode pensar nisso? Eu disse isso? – segurei no queixo da peste e a fiz olhar para mim e então fez que não com a cabeça – Então qual o motivo dessa raiva?
- Nenhuma! – cuspiu feito um dragão.
- ...
- Que foi, porra? – ela foi me testando. Procurei com a mão livre o cabelo da esquentadinha e o enrolei em meus dedos e a mantive presa a mim.
- Se acalma nesse caralho. – não parava de bufar.
- Eu me masturbei lembrando dele. – fechei os meus olhos e pensei em todos os bons motivos da vida pra não perder a cabeça.
- Eu posso superar isso.
- Mas, não adiantou. – continuei de olhos fechados e com a boca cerrada e os músculos tremendo – Eu quero dar pra ele, . – então minhas pálpebras caminharam para cima e apareceu bem à minha frente. Eu não sei, não me fez bem. Eu quase desmontei por inteiro, meu coração não parava de bater em extrema rapidez. Um suor seco desceu minha espinha e nada fez sentido.
- Como é?
- Eu quero dar pra ele, eu tô desejando ele, tá bom? – eu tive que fechar os olhos de novo.
Não suportei encarar , podia ser qualquer cara. Qualquer porra de homem, eu iria rir e brincar com ela sobre isso. Mas, o Chiellini... Esquecendo o ciúmes, aquele bastardo ainda tinha enfiado veneno no meu padre e brincado com a vida dele. Eu jamais esqueceria daquilo.
- Eu posso superar. – repeti tentando crer piamente nisto.
- Mas, minha vontade não vai passar.
- , mas que porra? Que diabo deu em você? – a soltei e ela se pôs de pé logo na sequência prestes a pular em cima de mim.
- Eu não sei, tá? Eu não sei e não é da tua conta.
- Garota, eu não sou tuas coleguinhas pra você me tratar assim. Eu não fui grosso com você, abaixa o tom de voz e cuida dessa língua. – saiu como uma ameaça e eu sabia, mas na dada situação, era impossível ser dócil e gentil.
- Vai embora, me deixa em paz.
- Garota...
- Porra, ! O que quer que eu faça? O homem mexeu comigo, estou em dúvida, ok? Some! - dúvida? Ela estava em dúvida, mas o quê? Ali fodeu tudo, eu perdi a noção das coisas e chutei a primeira merda de objeto que apareceu.
- Dúvida do que, sua infeliz?
- Dúvida da gente! – a raiva fez com que ela não tivesse a mínima piedade.
- Dúvida gente por causa daquele porco?
- Porco é teu nariz, tá? Some daqui! – ri em puro escárnio. Foi só a batina dele aparecer na cidade pra questionar tudo que tínhamos. Maravilha, não era?
- Você podia ter me dito a verdade quando eu te perguntei.
- Eu te disse a verdade! E a minha vida não é da tua conta! – me esgotou de vez.
- Quer terminar e ir dar pra ele de uma vez? Ou quer fazer pelas minhas costas? – ela me encarou aturdida e toda suada como se tivesse corrido uma maratona.
- Eu não quero terminar. – respondeu como se eu tivesse a ofendido.
- Que raio do inferno você quer então? O infeliz mal aparece e você quer jogar tudo no lixo? Vai se foder garota, não tenho saco pra isso. – ela abriu a boca completamente chocada. Eu já tinha cansado daquele jogo estúpido.
- Eu quero um tempo.
- Quê? – berrei e berrei alto. Eu só não meti um tapa no meio da cara dela porque era um homem decente.
- Eu quero um tempo, me dá um tempo.
- Você quer um tempo? – que diabo aquilo significava. Um tempo? abrindo mão de mim por causa do cardeal corno e maldito do capeta. Pra quê melhor que isso, não? Ser trocado por um zé buceta era ótimo.
- Quero! A última coisa que eu quero agora é você. – ah, mas como doeu. Aquela rejeição foi a coisa mais dolorida. Eu sabia que relacionamentos eram um merda, fugi deles por vinte anos e quando eu baixo minha guarda levo uma direto na cara. Eu deveria ter aprendido minha lição.
- Eu te um dou tempo. Até dois se você quiser. Tchau . – ela me encarou confusa e então eu sumi.
Ouvi sua voz me berrar, mas que fosse a merda. Eu sumi dela. Arrebentei a porta ao taca-la no batente. Que um meteoro arrebentasse meu corpo no meio. fez com que eu atingisse meu limite. Que fosse pra puta que pariu do caralho do inferno.

xx

Duas semanas. Há duas semanas saí pela porta da casa dos e não olhei para trás. Fui direto para minha residência, arrumei uma mala pequena e sumi para o meu esconderijo. A casa que me protegia de todas as merdas que eu não queria enfrentar.
E no auge daquelas duas semanas eu estava com o braço quase entrando em combustão de tanta dor. Caralho, a musculatura queimava. Minha mão ficaria cheia de bolhas, a pele não suportava mais o atrito com o machado provavelmente a palma encheria de bolhas. Se eu parasse com o movimento, se eu cessasse de jogar meus sentimentos ruins naquele tronco eu iria desabar na folhagem e chorar como um estúpido fraco.
De saudades daquela infeliz que me pediu um tempo.
Eu já estava certo de buscar o restante das minhas coisas e mandar o relacionamento ao fundo do inferno.
queria um tempo, dei a ela um tempo e bastava. Eu não iria ficar mais duas semanas banhado em dúvida e melancolia por alguém que não queria estar perto de mim. Fiz tudo o que podia e não podia. Joguei fora todos meus receios e assumi meus sentimentos. E ganhei um pedido de tempo em troca.
Com o ápice da frustração veio o ponto mais baixo da força. Bati o machado de forma torta e o mesmo caiu ao chão. Então eu soquei a árvore. Enchi um soco na mesma e a mesma força voltou em meus dedos e se alastrou pelo meu corpo. Dor que permitiu que eu criasse coragem para recuperar o machado. O alinhei com o meu ombro e desci mais uma machadada na madeira já tão judiada. Antes de bater a segunda uma voz aturdida me chamou.
- . – eu ignorei o chamado. Ter aquela voz zunindo em meu ouvido piorou minha coordenação motora e eu precisava me concentrar para não me machucar.

I raised myself, my legs were weak
I prayed my mind be good to me
An awful noise filled the air
I heard a scream in the woods somewhere
A woman's voice, I quickly ran
Into the trees with empty hands

- . – e mais uma vez fiz de conta que ninguém me chamava - ! – berrou e alguns pássaros abandonaram suas moradas. Eu queria virar e sair correndo abraça-la e beija-la, mas a garotinha feriu meu ego e ali estava uma batalha difícil de enfrentar – Porra , para! – deixei o machado fincar na madeira e o larguei.
Todo o peso do meu cansaço se depositou no meu quadril e ali escorei minhas mãos para não cair de joelhos. A última coisa que precisava era sentindo pena de mim.
- O quê você quer? – questionei ainda de frente para a árvore e de costas para ela.
- Falar com você. – baixei as pálpebras e soltei o ar sem calma alguma.
- Achei que queria um tempo. – meus lábios ficaram inquietos. Guerrearia com minha própria cabeça para não pôr tudo a perder por orgulho.
- Eu quis, mas agora não quero mais. Duas semanas foram o suficiente, não foram? – ah, como foram. Como eu sentia falta daquela besta quadrada de saia, aquela anta maldita que preenchia meu corpo de forma surreal.
- Foram? – me virei e encarei a pessoinha de roupa de ginástica. Um projeto de corredora com gênio de capeta.
- Eu não sei mais ficar sem você, tudo bem? Me desculpa... Eu fiquei com raiva. – ver baixar a guarda foi exatamente o que eu precisava para relaxar o corpo e me acalmar.
- Doeu, garota. – meu semblante estava tão abatido, não queria me olhar no espelho até me recuperar do baque.
- Eu sei... – e eu não suportei ver os lábios de tremerem e seus olhos marejarem. Que eu sofresse todo o purgatório do mundo, mas ela não. Ela não tinha que sofrer, nem ficar triste, eu suportaria tudo menos vê-la com aquela carinha triste e perdida.
- Venha aqui. – abri meus braços para ela que correu tal qual uma raposa esperta. E a minha ferida exposta inflamada passou a sarar imediatamente e com o abraço apertado nenhuma palavra precisou ser dita.

A fox it was, he shook afraid
I spoke no words, no sound he made


- Eu fiquei com medo de vir falar com você e você me jogar pro lado. – a criatura grudou nos meus braços e parecia que não iria soltar tão cedo.
- Desde quando precisa ter medo de mim?
- Não preciso, eu sou uma besta. – a afastei e sorri para ela.
- Você é uma besta, eu sei. – e com o tapinha que recebi no peito percebi que tudo ficaria bem – Resolveu suas dúvidas.
- Mais ou menos. – fez uma expressão petulante que não consegui compreender.
- O que isso quer dizer? – questionei cruzando os braços.
- Que eu preciso da sua ajuda. – maledicência pingando por aquela língua feminina.
- Minha ajuda? – escorei minha coluna no tronco e subi a perna direita para me equilibrar melhor – Me explique como isso funciona.
- Eu fiquei com desejo por Chiellini... Sim, eu fiquei. Até eu perceber que estava mais com desejo da sensação de perigo e aventura da lembrança do que dele mesmo. – estreitei o olhar para .
- E então?
- Eu gosto de lembrar da noite com ele na praia e na Igreja, mas eu também gosto de me lembrar das nossas trepadas. – e nossa situação passou de drama a tensão sexual.
- Me parece que você tem um plano. Estou certo? – ah, mas se a pilantra pensava que ela chegaria ali sugerindo coisas e que eu faria tudo de bom grado estava bem enganada.
- Tenho sim. – as mãos atrevidas pairaram meu colarinho e tentou usar de sua voz mansa para me comprar – Preciso que você me ajude a confirmar que você é melhor que qualquer lembrança que eu tenha dele. – eu entendi o jogo, era me provocar e desafiar para que eu cedesse. Negativo!

His bone exposed, his hind was lame
I raised a stone to end his pain


- Não. – me encarou prestes a retrucar e eu permaneci sério e impenetrável. – Não e não!
- ... – um choro manhoso. Não adiantava, a resposta ainda era não.
- Filha, você me deixou duas semanas largado. Sem carinho, sem atenção, sem cuidado e sem esporrar. Tá achando que vai chegar aqui mandando? – ela bateu os pés teimosa e eu a repreendi com o olhar.
- Eu achei que sim.
- Achou errado.

What caused the wound?
How large the teeth?
I sure knew eyes were watching me


Puxei-a pela cintura de uma vez só. Assim que seu tronco bateu na minha barriga usei o outro braço em seu pescoço e o apertei até meu cotovelo se fechar na parte de trás dele. Desgrudei a cintura e puxei uma das pernas dela para cima e a enrosquei na minha cintura. foi chiar e eu soltei o braço para que a outra perna fosse subida e a desgrama de menina enfim ficasse com ambas presas em mim e no meu colo.
- O quê vai aprontar, lenhador? – e já ficou confortável passando os braços pelos meus ombros e arrumando o quadril em seu devido lugar.
- Quem disse que pretendo de te contar?
- Você está sendo malvado. – ela reclamava, mas adorava.
- Sim. Eu vou ser bem malvado com você. Duas semanas, . – fui andando com presa em meu corpo até a chocar contra uma Contorta* gigantesca e de tronco grosso – Um caralho de duas semanas, não estou com paciência.
- Ficou carente? – e ela ainda tinha coragem de curtir com a minha cara.
- Cale a boca. – a prensei no Pino* com meu quadril. Ela resmungou excitada com a pressão do meu pau em seu ventre. Retirei seu moletom e o taquei do lado. O top vermelho de tecido grosso também deu adeus ao corpo dela. Dei graças pelo dia de muito sol e pelo calor de quinze graus que fazia.
Os mamilos de denunciaram seu gosto pela situação. Queriam saltar de seus peitos, extremamente duros e salientes, totalmente sensíveis. Aproveitei as mãos livres e apanhei os dois de uma vez só. Meus dedos não tiveram piedade da pele e forçaram seu tato para que uma marca vermelha aparecesse. gemeu e gemeu mais ainda ao sentir o tapa duplo que lasquei nos dois peitos ao mesmo tempo. Clamou meu nome antes que eu batesse novamente de baixo para cima e novamente de cima para baixo. A pele totalmente rubra e irritada que gritava por apanhar ainda mais.
- Se reclamar não ganha mais. – ter daquela forma aumentava meu apetite de uma forma insana – E eu sei que você quer bem mais que isso.
A garota vibrava em pura excitação. Por quinze dias a desgraçada me deixou a ver navios sem nenhum sinal de existência. Por quinze dias me cozinhou no pior de mim em seu maldito tempo. Agora eu iria recupera-lo de uma vez só.
- Será que o gosto desses teus peitos mudam quando estão vermelhos assim? – respirava pesado e acelerado.
- Experimenta. – sugeriu interessada.
Abaixei a cabeça e minha boca ávida tomou a maior porção de carne que pode. E meus dentes precisaram morder o seio direito para provocar ainda mais irritação. me xingou e eu sorri da forma que pude. O outro pobre seio isolado do carinho foi agarrado novamente enquanto eu me perdia entre mordidas e chupadas em seu mamilo. A cada mordida mais gemidos, a cada chupada mais marcas. O vermelho mudaria para o roxo em breve, eu queria ver isso com meus próprios olhos.
- É mais gostoso ainda. – conclui dividindo a informação com ela – Imagina como tuas coxas mudariam o gosto com um tratamento desses.
- ...
- Na-não! Eu disse que se reclamasse não teria mais, não disse? – balançou a cabeça com rapidez informando uma resposta positiva – Então não reclame, aproveite.
Meu quadril se distanciou do corpo dela e caiu ao chão. A queda foi singela e seus pés a seguraram bem. No entanto não ficou em pé por muito tempo. Tranquei minha mão em seus fios de cabelo já bagunçados pela ação anterior e a puxei para o outro lado. Virei de frente para outra árvore da mesma família da anterior, desta vez de costas para mim.
- Empina essa tua bunda, e bem empinada. – o traseiro foi se aproximando de mim, arrebitando-se com segurança. Sorri perverso, aquela bunda me renderia prazeres.
Ainda segurando os cabelos fiz o que pude com um tato apenas para descer a legging grudada. era um puta dum perigo com aquele tecido tão apertado naquelas coxas suculentas. A calça ficou presa nos tornozelos, usava tênis e não estava com saco para tira-lo. Voltei para a parte do quadril e alcei a calcinha branca para cima enfiando o tecido entre suas nádegas. E o gemido ansioso que eu adorava ouvir zuniu em meus ouvidos.
- Vamos ver como se comporta. – tapa. Um bem dado, com a força certa, na angulação correta. Outro tapa, um pouco mais fraco, porém, com mais pressão e mais demorado. E um outro tapa na outra nádega, mais forte e rápido para que se seguisse outro a judiar da pele. nem sequer pode reclamar, ela só conseguia gemer e clamar meu nome de forma a pedir mais.
Quando a paciência acabou, lhe tirei a calcinha e a parei exatamente onde a calça estava largada. A bunda pulsava no meu toque. Passei o pé entre as pernas dela para que se abrisse. As polpas da bunda ficaram mais distantes uma da outra e enfim avistei o pedaço de carne íntimo da garota. Sua buceta. E claro, seu cu.
Ponderei algumas opções e percebi que se queria algo novo para seu arsenal de lembranças nada melhor que inovar.
- Molha aqui pra mim. – encaminhei meu dedo indicador e seu vizinho para boca dela. babou em meus dedos conforme os enfiava e tirava de sua boca. Ela olhou para trás cúmplice e fez questão de se empinar mais ainda – Vamos brincar de coisas novas?
- Vamos? – ela já imaginava qual a minha ideia e não foi contra ela.
- Vamos!
Os membros molhados passearam pela espinha até descer pelo caminho das nádegas e pararem bem no buraquinho apertado e curioso. deu uma leve trancada e logo voltou a relaxar quando beijei seu ombro passando um pouco de segurança.
- Você é minha putinha, não é, ?
- É claro, seu idiota. – isso, me trate assim que as coisas ficarão pior, peste.
- Então a minha putinha vai gostar disso aqui. – fiz um movimento para frente com aqueles dois dedos que brincaram de enterrar as pontinhas ali. Ela vibrou e deu um pulinho para frente. Larguei o cabelo de para conseguir um apoio extra.
Passei a outra mão pela frente e procurei pelo seu clitóris. Assim que a masturbei por alguns segundos, as coisas passaram a ficar mais soltas na parte de trás. Continuei com o trabalho duplo até meu dedo médio penetrar a primeira falange em seu cuzinho. Ah, que formidável foi aquele suspiro.
- ...
- O que foi, garota? – intensifiquei meus movimentos em seu boceta e ela perdeu o equilíbrio do próprio corpo.
- Você vai foder meu cuzinho? – quanta curiosidade e pressa.
- Será que vou?
Eu percebia as contrações dela no meu dedo. O cu de recebia meu dedo aos poucos e logo eu consegui repousa-lo por inteiro lá. Não foi tão simples assim conseguir fazer com que ele entrasse e saísse. Nos primeiros movimentos apenas o começo dele penetrava. Com o passar das investidas e do progresso na parte da frente eu consegui fazer com que todo o dedo fosse sugado e repelido por várias vezes.
não aguentaria muito tempo e por isso parei a masturbação vaginal. Ela reclamou e já que uma mão estava desocupada a usei para descer a mão em sua bunda.
- Vou parar de enfiar aqui se você não se comportar. Vai ser obrigada a levar tapas e dormir frustrada. É isso que quer? – parei por um instante de foder seu ânus.
- Não, lenhador. Você sabe que não.
- Então só geme, . Só geme pra mim.
A ereção que judiava de mim não suportava mais o aperto da calça. E foi aí que me dei o direito de dar um jeito no meu cinto e meu zíper. Foi balançando quadril e dançando com ele para que minha calça vazasse fora do caminho. Larguei mais uma vez a penetração e pressionei desta vez minha ereção no buraco que já se mostrava bem mais aperto e pronto para uma fodida anal.
- Sente isso aqui. – fui para frente forcei bastante. Meu pau chegou a se entortar no tecido cinza da boxer – É isso aqui que seu cu quer, não é?
- Sim, é… Por favor, .
- Me pede com todas as letras. – me afastei dela. Tempo o suficiente para me livrar da boxer usando ambos os braços. Meu pau saltou livre e para frente. A cabeça que pulsava sem parar encostou na pele da bunda de que instintivamente arfou e fez tudo para alcança-lo ao lançar o quadril para trás – Você não tem jeito mesmo, não é?
A puxei daquela árvore e a taquei para baixo. caiu de joelhos e escorou-se na árvore para ficar quase que de quatro. A subi novamente para a posição anterior e me abaixei para tirar seus tênis e dar mais mobilidade ao seu corpo.
- Pede, .
- Pedir o quê? – resmungou com o fundo de vergonha travando seu desejo.
- Pra eu foder teu cu. – me pus atrás dela e apertei os seios judiados. Com a sensibilidade em alta não precisou de muito para ela quase chorar em gemidos longos e perdidos. – Pede pra eu arrombar teu cuzinho, pede pra mim.
- Lenhador...
- Vai putinha, pede! – conforme apertava mais as mamas marcadas, entrava com meu quadril em sua bunda. Meu caralho se esgueirando por onde podia até encontrar a abertura fechadinha do cuzinho de .
- Fode vai... – me distanciei para poder voltar com os dedos e desta vez fiz o que pude para que dois deles entrassem abrindo caminho.
- Foder o quê? – fora mais fácil, a abertura se mostrou menos resistente. Eu não queria machuca-la, porém a receptividade deixou tudo mais fácil.
- Meu cu. Por favor, fode meu cu, ! – então eu ri alto no ouvido dela e mordi seu lóbulo na sequência.
- Isso, é assim que se faz!
Puxei os dedos para cima a abrindo mais um pouco. enfiou a cara no tronco e passou a rebolar em mim. A abertura aguentaria mais, mas não sabia se meu pau inteiro.
- Eu não sei vou conseguir te foder inteira, mas hoje você goza por esse cuzinho sendo com meu pau ou meus dedos... e se você encostar nessa boceta, ... Você já sabe! – avisei antes de tirar meus dedos dali e dar um jeito de me ajoelhar.
- Eu sei, eu sei. Por favor...
Os dedos pareciam satisfaze-la, mas ambos queríamos mais. E eu também já não suportava a latência do meu pau duro que não ganhava um carinho sequer. Puxei o quadril de mais para trás e mordi o pescoço dela. Fui devagar, nunca que eu vararia o ânus dela de uma vez só.
A glande sofreu uma leve resistência da pele. A tirei e espalhei saliva por ali para ajudar na lubrificação. se antecipou à minha ação e abriu a bunda como se pedisse para eu ir de uma vez. Santa pressa tinha aquela garota!
Voltei com a cabeça e rebolei o quadril para que finalmente entrasse. soltou um grito, mas não de dor e sim de tesão. A infeliz forçou a bunda para trás e alguns centímetros do meu pau passaram para dentro. Devagar caralho, não quero te machucar.
Demorei um tempo apenas brincando com aquela parte que estava metida ali. Então, precisei estimular outras partes de .
Usufrui de seu pescoço, de suas orelhas. Apertei sua cintura, arranhei suas costas e provoquei um pouco mais de dor nos peitos. Mas, como bons filhos de Deus, não dava pra suportar aquela enrolação do caralho.
Tratei de enfiar um pouco mais de pau no cuzinho dela. não mostrou resistência até que metade estava metida. Aí eu me permiti começar a sair bem devagar para voltar a enterrar a porção de carne masculina que conseguia penetrar. Ela se agarrou naquela árvore como se fosse o pedaço mais sagrado da terra. E conforme a cadência da fodida aumentava os gritos reverberavam mais latentes floresta à fora. Em algum lugar da floresta eu fodia o cu de .
- Você sabe que pode pedir parar, certo? – tinha que confirmar, por mais que a brutalidade fosse meu modus operandi, eu precisava fazer isso.
- Cale a boca e fode essa porra. – e de novo a desgraçada forçou a porra da bunda em mim e enfiou mais um tanto do meu pau à força.
Vai tomar no rabo! Aquele aperto era bom demais. E saber que abria o cuzinho para mim e permitia que eu a fodesse daquela forma era mais que uma honra, eletrizava a mim por inteiro e provocava um prazer nunca antes sentido.
Grudei ambos os peitos novamente e fiz deles o meu apoio para criar forças em romper a pele anal. Segurava a ponto de a pele extravasar o limite dos meus dedos e penetrar ainda mais. Até que o ritmo acelerou-se. As investidas eram mais rápidas e o sôfrego mais intenso. Eu suava da testa até as coxas e só sabia gemer que nem uma cadela no cio.
Larguei um peito para enforcá-la e dar a ela o melhor do seu lenhador feroz. Naquele caralho de sexo maravilhoso, até eu perdi a cabeça e não conseguia parar de rosnar de forma animal no ouvido da menina que rebolou até não suportar mais o movimento pela dor nas pernas. Ali eu a soltei e fui para o quadril e o juntei o trazendo para trás até todo meu pau se atolar em seu ânus. A partir de então parecíamos dois bichos do mato trepando sem o mínimo de racionalidade.
gritou mais alto e berrou meu nome. A natureza toda tremeu sob nossos pés e eu não parei, não dei trégua e até que seu corpo desabou de vez e perdeu o resto das forças, conforme abria a boca para deixar o berro brutal escapar para liberar todo seu deleite no caralho de um orgasmo completamente fodido.
Ela gritava, berrava e tremia contra meu corpo. Mordia toda a minha boca e tencionei minhas coxas para foder mais, para arrebentar mais e quase cai assim como ela quando a porra explodiu no fundo de seu cu e passou a acompanhar a penetração que viu seu fim assim que todo o meu vigor se esvaiu. Caí para frente e foi comigo.
Ambos nem sabiam mais respirar.
- Se isso não te ajudou, não sei mais o quê pode te ajudar.
- Ajudou pra caralho. – a voz de era uma cacofonia toda desregulada – Vou começar a te deixar pra lá por duas semanas por mais vezes.
- Você é quem sabe. – alertei dando o tapa mais ardido que a pele dela havia recebido de mim.
- Caralho, .
- Isso é pra aprender. Eu sou teu lenhador e é meu pau que faz esse estrago todo. E não me responda mais ou você nem vai aguentar andar. – sorriu e se mostrou cansada demais para responder.

Bem melhor foi arrebentar com meu pau ao invés de uma árvore com meu machado.


Fim.



Nota da autora: (03/01/2016) SEM NOTA




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