CAPÍTULOS: [Único]





14. Lost In Love






Único


A primeira vez que viu , ela estava na loja de CDs em que ele trabalhava. O barulho da porta foi a primeira coisa que ele ouviu antes do impacto do salto da mulher contra o chão. Em meio a sua posição, agachado em frente à pilha de CDS, a primeira coisa que pôde perceber foi o salto vinho tinto que ela usava. Ele foi subindo seu olhar. Viu as pernas torneadas de , seguido de seu vestido de malha preta e por fim, viu seu rosto. ficou de pé, mas não conseguiu se mover, ele estava hipnotizado por . Ela era tão bonita, seu cabelo escuro preso em um rabo de cavalo só destacava mais seu rosto perfeito, assim como o delineador em seus olhos, que só evidenciava mais seus lindos olhos castanhos e amendoados. O batom vermelho em seus lábios realçava o contorno perfeito que eles tinham. Perdido em seus pensamentos, ele mal percebeu quando a jovem se direcionou a uma das alas da loja. Ela mexia em uns CDs de bandas antigas, seu olhar atento, mas ao mesmo tempo apressado, demonstrava que ela procurava algo, mas logo em seguida, seu olhar frustrado estampou-se em sua face. Parecia que ela não encontrou o que queria. Ao perceber , ainda agachado arrumando o resto do material nas prateleiras, não hesitou em chamá-lo.
– Oi, você sabe me dizer se vocês têm o CD “A Hard Day’s Night” dos Beatles? – ela perguntou para . Ele piscou algumas vezes, como se estivesse acordando de um encanto. Ela era linda, assim como sua voz. Como poderia existir alguém tão encantadora naquela cidade movida ao caos?
– Hm... Aqui não. – fez uma careta ao ver novamente a decepção dela. – Mas se você quiser, eu posso ver nas outras lojas se têm.
– Tudo bem. – ela sorriu sem mostrar os dentes, deixando o vermelho fosco dos lábios mais intensos.
foi até o balcão onde estava o computador, procurando no sistema o tal CD que a garota desejava. Enquanto ele checava, a garota se aproximava lentamente, observando o ambiente local. O piso preto, bem encerado, refletia a imagem dos vidros da fachada. As paredes brancas, nas quais eram tomadas por enormes fileiras de CD’s, distribuídos por gêneros, nomes, dava um belo destaque, transmitindo uma tranquilidade para a loja. Shiver shiver, do Walk the Moon, tocava bem baixo, complementando assim um toque muito mais musical ao local. Os pés da garota começaram a batucar em contra o chão de acordo com a batida da música. Indiscretamente, olhou de relance os movimentos da garota e ficou admirando por segundo sua distração com a música.
– Você gosta? – ele perguntou, voltando seu olhar para a tela do computador.
– O quê? – ela perguntou, olhando para o rapaz, que tornou a encará-la.
– Da música. Você gosta?
– Ah, sim, eu gosto. As músicas são bem viciantes e as vozes deles são maravilhosas. Impossível não ouvir, né? – ele assentiu, esbanjando um sorriso lateral.
– Eles merecem mais sucesso. Pretendo ir a um show deles, quem sabe um dia. – a menina deu de ombros. – Pronto, eu achei em uma das lojas, vou pedir pra mandarem pra cá. Tudo bem? – ele perguntou, agora olhando para , que ainda estava parada do outro lado do balcão, ouvindo a música.
– Ótimo! – se afastou, pegando a bolsa em seguida. – Muito obrigada... Como você chama mesmo? – ela apontou para ele.
. – o garoto respondeu sorridente.
– Muito obrigada, . – fez questão de falar seu nome, dando um destaque a ele em sua fala. Seus dentes perfeitos apareceram em seguida, em meio ao belo sorriso que havia dado, deixando o rapaz mais deslumbrado.
– Se você quiser, pode deixar seu telefone e eu te ligo quando chegar. – ele pegou um papel e uma caneta, e colocou sobre o balcão.
– Tudo bem. – ela anotou o número e seu nome no papel, e os empurrando em direção o jovem, quando terminou.
Ela acenou para antes de sair e ele fez o mesmo, maravilhado com a beleza daquela garota.

Já eram mais de 22h e não parava de olhar aquele papel com o nome e telefone daquela garota. O jeito, a voz, o olhar, tudo nela havia mexido com ele. Tudo nela o fez sentir como no colegial, quando encarou pela primeira vez a garota que seu coração havia acelerado ao ver. A sensação era a mesma, mas será mesmo que os sentimentos eram iguais? Não podia ser, ele mal havia conhecido a menina, nem sabia direito quem era ela, só tinha o nome e o telefone.
Seria possível?
Ele então resolveu pesquisar sobre a garota dos lábios vermelhos.
Abriu seu notebook que estava em cima da cama e pesquisou por “ Foxworth” no Google, vulgo o nome que ela havia escrito com uma letra extremamente bem feita no papel.
era uma modelo, e que por sinal, já havia feito diversas propagandas, banners e até mesmo havia saído em diversas revistas de moda. Não era tão conhecida como Gisele Bündchen, mas seu nome era um pouco conhecido na sociedade em que vivia.
A cada foto que via da garota, mais encantado ele ficava por ela. Os olhos brilhavam e o desejo de conhecê-la mais aumentava. Seria loucura se ele já estivesse apaixonado por ela, mas nada o impedia de aceitar aquilo como uma atração à primeira vista.
No dia seguinte, estava arrumando alguns CDs em seus devidos lugares, novamente, a pilha a cada dia aumentava e o prazo para deixar tudo àquilo pronto já estava acabando. Não desejava novamente receber mais um “esporro” do chefe e ter seu salário atrasado. Até que um de seus colegas lhe entregou um CD.
– Disseram que você pediu esse CD. – o garoto disse. – Resolveu aumentar a coleção? – continuou, antes de sair andando até o balcão.
Ele analisou a capa e viu que se tratava do CD que havia lhe pedido, abriu um sorriso e saiu quase correndo até o telefone.
– Que nada, uma cliente veio à procura dele ontem, mas acabou não encontrando. Não poderia deixá-la na mão, né?
Deu uma pequena risada e discou os números. – que ele já havia decorado de tanto que olhou aquele papel – e esperou atender. Quando o amigo ia insinuar a falar algo, algo lhe chamou a atenção.
– Alô? – disse a mesma voz doce do dia anterior do outro lado da linha.
? – perguntou, tentando não demonstrar tanto animo por estar novamente falando com ela.
– Sim?
– Aqui é o . – ele disse animado. Realmente, não estava conseguindo conter a animação. Só de imaginar em vê-la novamente...
– Que ? – ela perguntou, parecia confusa. O sorriso de se desfez no instante, seu amigo logo percebeu a desanimação e se aproximou, mas no mesmo momento, fez um sinal para que ele parasse no mesmo lugar e desse meia volta. Ele realmente achou que ela lembraria de seu nome. Oras, ela havia perguntando.
– Da loja de CDs, só liguei pra avisar que seu CD dos Beatles chegou.
– Ah, tudo bem. – ela fez uma pausa. – Acho que ainda hoje eu busco ele.
– Tudo bem. – respondeu.
– Obrigada.
Eles se despediram e desligaram o telefone. ainda estava animado para vê-la mais uma vez, mesmo que ela tivesse esquecido seu nome, ele estava. Afinal, ela tinha obrigação de lembrar? Não. Trabalhava com tanta gente que o nome de um mero vendedor de CD deveria ser o último nome que ela lembraria na face da terra. O CD permaneceu em sua bancada, embrulhado em um pequeno pacote.
Dez, onze... Nada de aparecer lá para buscá-lo. Provavelmente ela iria pela tarde, pensou. Porém isso não aconteceu, e para o azar de , foi buscar o CD quando ele estava em seu horário de almoço.

Era uma tarde ensolarada de sexta feira, estava repondo alguns CDs nas prateleiras, a grande maioria desses CDs eram de cantores ou bandas extremamente populares entre os adolescentes, como Justin Bieber, One Direction, etc.
Seu celular vibrou em seu bolso. Ele tirou o mesmo de lá, vendo que havia chegado uma mensagem, a qual ele abriu rapidamente, curioso.

De:
Hey bro!
Festa no Hills, amanhã às 22h.
É aniversario de uma amiga minha, já coloquei seu nome na lista e vou te buscar em casa, então não me venha com desculpas.
xx .

riu após ler a mensagem. era seu melhor amigo e sempre o arrastava para festas e para algumas enrascadas também, mas ultimamente, não sentia muita vontade de sair de casa, pois estava cansado ou indisposto, então sempre inventava desculpas para .
– Amiga, sei. – riu, balançando a cabeça negativamente. Ele sabia muito bem que “amiga” para significava: Garota que ele estava pegando, mas não queria que passasse disso.
Ele não sabia se estava a fim de ir naquela festa, mas praticamente o obrigou a ir, então, ele não tinha opção. Teria que ir e ficar no meio daquela gente que mal conhecia. Mas provavelmente ele faria o de sempre. Ir, fingir que está se divertindo a cada momento que seu amigo perguntasse, esperaria ficar bêbado e mandaria uma mensagem dizendo que surgiu um compromisso importante e teve que ir para casa. passou o resto do dia atendendo algumas pessoas. Havia algo naquela porta que toda hora atraia a sua atenção, ele esperava que em algum momento ela entrasse por aquela porta e ele pudesse vê-la mais uma vez, porém isso não aconteceu. Ele não conseguia parar de pensar em por um segundo sequer, e fantasiava situações com ela o tempo todo, estava definitivamente louco por ela.
Apaixonado.
Se isso era possível? Nem mesmo ele sabia a resposta.
No dia seguinte, ficou em casa o dia todo fazendo o que ele mais gostava de fazer ultimamente: pesquisar sobre Foxworth. Ele leu todos – isso mesmo, todos – os tweets da garota, assim como viu milhares de vezes todas as suas fotos no Instagram. Ele já estava começando a decorar as legendas delas.
Ele sabia que havia nascido no dia 19 de janeiro de 1995, na cidade de Cincinnati, Ohio. Ela era do signo de Capricórnio, – que achou que combinava até com o seu, Escorpião – sua banda favorita era The Beatles, sua cor preferida era vermelho e ela amava comida mexicana e festas.
já sabia muitas coisas sobre , podia até se considerar o fã numero um dela.
Quando chegou perto das 20h, ele resolveu começar a se arrumar – e preparar-se psicologicamente – para a tal festa. Tomou um banho longo, já que passou 60% do tempo pensando na vida, 30% cantando e 10% realmente tomando banho.
Abriu seu guarda-roupa em busca de algo para vestir, decidiu por uma calça jeans, uma camiseta cinza e uma jaqueta de couro por cima, afinal, não tinha como errar com aquelas roupas básicas, não é?
olhou seu reflexo no grande espelho ao lado da cômoda, ficou se analisando de vários ângulos e chegou à conclusão de que estava bonito. Ouviu um barulho de algo vibrando, tirou os olhos de seu próprio reflexo no espelho e olhou para seu celular que estava em cima da cama com a tela acesa.
– Deve ser o . – sussurrou para si mesmo, enquanto pegava o celular e abria a mensagem que havia acabado de chegar.

De:
Estou a caminho. Chego ai em 5 minutos.

era o tipo de pessoa que dizia que estava saindo, mas na verdade não tinha nem começado a se arrumar, por isso, não deu muita importância à mensagem de seu amigo.
andava pela sala impaciente enquanto olhava o relógio em seu pulso, já havia se passado exatamente 30 minutos e nada de . Ele já não estava muito a fim de ir nessa festa e seu amigo ainda demorava?
Sentou-se na poltrona de couro marrom e respirou fundo irritado, não havia nada no mundo que o irritasse mais que atrasos. Ele já estava pensando em desistir de ir a tal festa, quando a campainha finalmente tocou. Levantou de pressa da poltrona e escancarou a porta de madeira. estava ali, parado com seus jeans rasgados no joelho, uma camiseta preta básica e um vans cano alto nos pés.
– E ai? – ele deu um sorrisinho de lado.
– Por que você fala que tá saindo, e demora quase uma hora para chegar? – quase gritou.
– Calma, foi mal. – o garoto fez um gesto com as mãos.
– Vamos logo. – revirou os olhos e foi empurrando o amigo pra rua.
O Audi vermelho de estava parado em frente a casa, os dois andaram até o carro e entraram no mesmo.
Seu amigo cantava alto e desafinado junto com o rádio, enquanto dirigia, e ele, apenas olhava as ruas pela janela, enquanto pensava em . O que ela estava fazendo naquele exato momento? Será que estava com algum cara? O estômago de revirou apenas em pensar na possibilidade dela estar com alguém, parecia estranho já que eles nem se conheciam direito, mas ele se sentia mal apenas em pensar nela com outro.
finalmente parou o carro na entrada, do que parecia ser uma boate.
– E ai, animado? – seu amigo perguntou, enquanto tirava o cinto de segurança.
– Nossa, muito. – ele forçou um sorriso e revirou os olhos.
– Relaxa, cara.
Os dois desceram do carro e caminharam juntos em silêncio até a entrada do local. A entrada era toda de madeira e “Hills” estava escrito em uma placa luminosa de acrílico. Havia dois seguranças grandalhões em frente a porta, um deles segurava uma prancheta e uma caneta na outra mão. disse seu nome e o de para o segurança que segurava a prancheta, e ele os liberou para entrar. O local enorme e meio escuro, havia varias luzes piscando, o que estava deixando meio tonto. A música estava tão alta que seus ouvidos doíam.
o puxou pelo braço para o centro da boate, o lugar estava extremamente lotado e eles esbarraram em pessoas o caminho todo. Ele viu seu amigo correr e abraçar uma loira extremamente bonita, tão bonita que parecia ter saído de uma revista de moda.
, essa é a minha amiga, Alison. – ele apontou para a garota. – Alison, esse é o .
– Prazer em conhecê-lo. – ela sorriu amigável.
– O prazer é todo meu. – sorriu sem graça. – Inclusive, parabéns. – disse meio sem jeito. Ele não sabia de fato se ela era a aniversariante, mas deduziu, já que foi a primeira pessoa que seu amigo abraçou.
– Obrigada! – disse a loira enquanto abraçava de lado.
passou os olhos pelas pessoas ali até que algo lhe chamou a atenção. Uma garota de cabelos negros que dançava ao som de “Work” da Rihanna. Ela virou o rosto e ele sentiu seu coração começar a disparar. Era ela, Foxworth.
usava um cropped colado de manga comprida preto, acompanhado de um short cintura alta preto de renda, que vinha até metade de suas coxas torneadas. Ela olhou para com seus olhos castanhos penetrantes, enquanto cantava e dançava com suas amigas na pista de dança. Ele sentiu um arrepio percorrer todo seu corpo ao perceber que não tirava os olhos dele. Cada vez que ela mexia seu quadril, mal conseguia respirar. Ele parecia hipnotizado por .
– Fecha a boca! – bateu de leve sua mão no queixo de seu amigo, fazendo com que ele tirasse os olhos da garota.
– Não enche. – resmungou irritado.
– Vem, vou te apresentar ela. – seu amigo fez um sinal para que ele o seguisse.
– Como é?
– Eu vou te apresentar ela, a garota por quem você estava babando.
– Eu não estava babando. – mentiu.
– Aham, claro. – fingiu concordar e ele revirou os olhos. – Vem logo. – o amigo o puxou pelo braço.
– Você a conhece? – perguntou como quem não queria nada, enquanto andava até o grupinho de amigas.
– Ela é amiga da Alison. – ele deu de ombros e soltou um “Ah”.
Eles andaram até o grupo de cinco amigas que riam juntas, conforme eles foram se aproximando delas, sentia seu coração bater mais forte e sua mão transpirar.
Elas pararam de rir e sorriram para quando ele se aproximou.
– Oi meninas. – ele disse simpático.
! – todas gritaram juntas e ficou ali parado, sem saber muito bem o que fazer. Elas pareciam adorar , mas isso não o surpreendia muito, já que todas adoravam seu amigo, afinal, ele era muito bom de lábia.
– Garotas, esse é meu amigo . – ele apontou para o garoto e todas elas sorriram simpáticas, menos , o sorriso dela estava muito mais para malicioso do que pra simpático.
– O que você faz da vida, ? – a mais alta delas perguntou. gelou, ele não podia simplesmente falar que trabalhava em uma loja de CDs qualquer. Enquanto buscava uma mentira para contar, abriu a boca para falar:
– Ele é produtor musical. – ele disse olhando para , que arregalou os olhos para ele. Como assim produtor musical? Você está louco? apenas lhe lançou um olhar de “deixa comigo”.
– Que maneiro! – a garota alta disse animada.
– Tenho a impressão que te conheço de algum lugar. – disse , pensativa, e paralisou. E se ela se lembrava dele da loja de CDs? – Hm, não, acho que é só impressão minha, eu não me esqueceria de você. – ela deu um sorriso de lado e o coração de parou. Ela estava mesmo insinuando que não se esqueceria tão fácil dele?
Seu amigo lhe lançou um sorriso malicioso e fez um sinal para que ele respondesse .
– Acho que também não me esqueceria de você. – foi a única coisa que ele conseguiu dizer. Ele mal conseguia raciocinar depois do que ela disse.
e conversaram por um longo tempo sobre música. Ela era bem eclética e eles gostavam praticamente das mesmas bandas. Eles ficaram em silêncio por um longo tempo, até que ela mordeu o lábio inferior e suspirou.
– Vem. – ela fez um sinal com o dedo e foi andando por entre as pessoas, e ele apenas a seguiu.
– Pra onde estamos indo? – perguntou confuso.
– Banheiro. – ela falou sem olhá-lo.
– Por quê? Você precisa usar? – ele continuava confuso. soltou uma risada e virou para encará-lo.
– Aw, você é tão inocente – ela apertou as bochechas de e sorriu. Isso só o deixou mais confuso.
Ela entrou no banheiro feminino e o puxou pela gola da camiseta para dentro, enquanto ele olhava de um lado para o outro, se certificando que ninguém estava olhando.
trancou a porta e ele ficou paralisado, agora entendendo o porquê de tudo aquilo.
O banheiro estava silencioso por conta da porta que abafava o som, porém era possível ouvir que tocava “Latch” lá fora. Ela puxou pela camiseta, porém desta vez para beijá-lo. Os lábios dela eram macios e sua boca tinha gosto de hortelã.
Ele mal podia acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo, tinha quase certeza que logo iria acordar e aquilo não passaria de um sonho.
pegou no colo e a colocou sobre a pia – provavelmente molhada – do banheiro, já que estava começando a sentir dores nas costas de ficar inclinado. Ela o puxou pela nuca com urgência para mais um beijo. Ele apertava a cintura dela, enquanto ela mantinha suas mãos em seu cabelo. Podia sentir seu coração extremamente acelerado e arrepios percorriam todo seu corpo cada vez que puxava de leve seu cabelo. Eles se separaram para respirar, colocou o rosto de na curva de seu pescoço para que ele o beijasse. Ele inalou o perfume maravilhoso – provavelmente caríssimo – que ela usava e começou a fazer uma trilha de beijos no pescoço dela.
“This Love” do Maroon 5 começou a tocar, se afastou dele e procurou por seu celular no bolso do short, o atendendo em seguida.
– Oi? – ela disse sem animo algum. – Eu já encontro vocês ai, relaxa. – ela revirava os olhos e apenas ria.
– Suas amigas? – perguntou quando ela desligou o celular.
– Sim, tenho que voltar pra lá. – ela parecia entediada com o fato de ter que voltar pra festa.
– Tudo bem. – respondeu um pouco frustrado, ele não queria que aquilo terminasse tão cedo.
sorriu meiga para e lhe deu um selinho demorado. Ela acariciou o rosto dele por um tempo e em seguida desceu da pia escura de mármore.
– Te vejo por ai. – ela piscou e saiu, fechando a porta bem atrás de si.
Ele ficou ali parado tentando raciocinar sobre tudo que havia acontecido. Ainda conseguia sentir o gosto de hortelã em sua boca e o perfume dela parecia impregnado em sua roupa. se sentia incrivelmente bem, nunca havia se sentido assim antes. O que ele sentia por com toda certeza era algo bem mais forte que apenas atração física.
Foi até a pia e jogou um pouco de água em seu rosto. Olhou seu reflexo no espelho e percebeu que seu cabelo escuro estava todo bagunçado. Ele o arrumou e saiu apressado do banheiro, já que alguma mulher poderia entrar ali e dar de cara com ele.
– Cara, por onde esteve? – apareceu próximo a , quando o mesmo chegava perto do bar. Ele apoiou um dos cotovelos na bancada do bar, pedindo uma bebida ao bar man.
– Estava aqui. – falou, sorrindo.
– E desde quando você e somem na mesma hora? – ele perguntou, fazendo contrair o sorriso, mas foi impossível, já que a cena do banheiro não saia de sua mente. – Ah, vocês ficaram, não foi? Esse é meu garoto! – o amigo deu alguns tapas em suas costas. – Cara, ela está tão na sua!
– Não bote coisas na minha cabeça. Só foi um beijo...
– Não bote coisas na minha cabeça. – repetiu com uma voz afetada. – Para de bancar o inocente! Você mesmo viu a olhada que ela te deu quando te viu. – novamente não conseguiu reprimir o sorriso. Parecia um jovem apaixonado. E realmente, talvez estivesse na dele...

Após aquele dia, e nunca mais se falaram. Ele até tentava mandar mensagens para ela, porém, não havia nenhuma resposta. tentou. Tentou ir atrás dela, descobrir seu endereço, e-mail, tudo o que pudesse ajudá-lo a encontrar aquela mulher que tanto mexeu com ele.
Era por volta de 19h de uma sexta, assoviava uma musica qualquer enquanto trancava a entrada da loja de CDs. O dia tinha sido exaustivo e finalmente tinha acabado de repor mais uma pilha de CD’s. Ele foi caminhando pela rua quase deserta até que algo lhe chamou a atenção. Um cara alto, forte e estranho, segurava uma garota pelos pulsos e ela parecia tentar se desvencilhar. começou a andar de pressa até o “casal” para ver se estava tudo bem com a moça, porém, quando estava se aproximando, percebeu que o cara tentava beijar a garota a força.
– Me solta! – ela reclamou, virando o rosto. – Já disse que não quero! Me esquece.
– Ei, solta ela. – gritou com uma voz pesada para o cara.
– Não te ensinaram a não se meter em assunto de casais?
– Nós não somos um casal. – a garota falou irritada. – Eu conheço essa voz de algum lugar...
– Fica quietinha, docinho. – o rapaz disse, apertando mais seu braço.
Imediatamente a garota virou o pescoço para olhar se deparando com um irritado. Ele arregalou os olhos ao perceber quem era, a garota não era ninguém mais que .
– Olha, eu acho bom você soltar ela logo. – alertou, já irritado, ainda mais depois de ver quem era aquela garota.
– Senão você vai fazer o quê? – o cara riu debochado. não pensou duas vezes e lhe acertou um soco no rosto. O cara finalmente soltou a moça, cambaleando para trás. rapidamente correu para perto de , que ainda encarava furioso o cara. Ele bateu mais no cara até que ele caiu no chão imóvel.
– Vem, vamos embora antes que ele acorde. – ordenou.
– Meu deus, muito obrigada. – respirou aliviada.
– Você está bem? – perguntou preocupado, e ela apenas assentiu.
– Eu não sei nem como te agradecer...
– Não precisa, só fiz o que qualquer um faria. – disse sincero e ela sorriu de lado. – Você quer que eu te acompanhe?
– Se não for te incomodar...
– Não vai, não. – respondeu depressa.
Eles caminharam juntos por alguns quarteirões em silêncio. tinha uma memória realmente ruim, já que não se lembrava dele.
– Aquele cara apareceu do nada? – perguntou curioso
– Eu acho que ele estava me seguindo, eu me sinto observada o tempo todo. Não sei se é coisa da minha cabeça, mas... – ela respondeu antes de parar em frente á um prédio luxuoso, cada apartamento ali devia custar uns 500 mil, ou mais.
– Mas você ainda é humana e tem direito de se sentir segura aonde for. – ele disse olhando nos olhos da garota. – Você alguma vez já foi à polícia? – ela negou, acanhada. – Não acha que já está na hora de fazer algo em relação a isso?
– Eu sei… Só que é normal para uma garota mundialmente conhecida.
– Sua vida, sua privacidade! Só por causa do seu trabalho, vai deixar com que te persigam ou até mesmo te agridem? Nada disso. – ainda olhando diretamente nos olhos da garota, ele tocou levemente em eu pulso. – Vamos à delegacia, eu te ajudo.

(...)


– E foi isso que aconteceu, delegado. – falava com segurança ao homem em sua frente, sentado na cadeira, anotando tudo o que ele havia dito. O rapaz acabara de contar sua versão sobre o fato com na noite.
– Por que você não conta realmente o que aconteceu? – ela disse, praticamente cuspindo aquelas palavras para . Sua raiva era nítida em seu olhar, e seu desejo de acabar com ele ali mesmo não era pouco.
– Contar o que? Que eu te salvei? Já te disse!
– Você é louco! Prendam ele! – ela estava histérica, foi preciso que dois policiais a segurassem para que a jovem não agredisse o rapaz. – Por sua culpa ele está no hospital! Você é louco! Prendam esse stalker! Ele inferniza minha vida!
– Calma, senhorita. – o delegado pedia com clareza e paciência, mas não estava disposta a se controlar depois do ocorrido.
– Eu estou fazendo uma denuncia agora dele, quero uma investigação, já! Nunca aconteceu nada entre nós, foi só uma ficada, você não sabe o significado disso? – ela falava sem parar, o delegado já estava perdendo a paciência, não com o caso, mas com , que era o nervosismo em pessoa.
Após todo momento na delegacia, os policiais se dirigiram ao apartamento de , que por sinal, era próximo ao da jovem. Ele estava algemado, enquanto os agentes vasculhavam por informações na quais havia dito. Sala, cozinha, banheiro, tudo havia sido revirado e as provas encontradas em seu quarto, pois ao entrar, posters da jovem, fotos tiradas da sua janela e até mesmo alguns papeis que eles identificaram como algum plano foi encontrado. , aparentemente, poderia ser considerado um fã número um da garota, mas seu amor e obsessão acabaram o tornando um stalker, e na noite anterior, foi ele que havia tentado beijar a garota, distorcendo toda a versão ao delegado.
– Acho que o senhor tem muita coisa para nos explicar... – o delegado disse, enquanto olhava as paredes lotadas de fotos de .
Ao voltar à delegacia, os investigadores chamaram para depor. Ela entrou na sala minúscula com apenas uma mesa branca, duas cadeiras e um grande espelho – que sabia que era como uma janela para os policiais, onde eles conseguiam ver a sala do lado de fora, mas ela não os via. Um dos investigadores a acompanhou até a cadeira que ficava de frente para o espelho, e o outro sentou na outra cadeira, ficando de frente para ela.
– Tudo bem... Hm. – ele olhou em sua ficha. – Senhora Foxworth. – disse a olhando. – Me conte sua versão.
– Tudo bem... – disse, começando a se lembrar de todo aquele momento traumático.

Ela estava indo encontrar com seu namorado em um pub não muito longe de sua casa, andava tranquilamente pela rua deserta quando começou a ouvir passos apressados bem atrás de si, então tentou andar mais de pressa com medo de ser algum assaltante.
! – ouviu uma voz masculina desconhecida a chamar. Parou de andar e virou o pescoço para encarar a pessoa que lhe chamava. Viu um cara que media mais ou menos 1,70, pele morena e cabelos e olhos castanho escuro. Ele lhe parecia familiar, mas ela não fazia ideia de quem era.
– Desculpa, te conheço? – perguntou confusa e ele riu irônico.
– Para de fingir que não lembra de mim, já cansei disso. – o garoto moreno disse, enquanto se aproximava mais dela.
– Eu não estou fingindo nada. – falou irritada, dando passos para trás, numa tentativa de se afastar dele.
– Até parece que não lembra daquela noite no banheiro do Hills. – ele sussurrou quase em seu ouvido e ela ficou paralisada. Aquilo fazia tanto tempo que ela nem sequer se lembrava mais. – Tudo bem, se você não lembra, eu refresco sua memória. – o garoto segurou seus pulsos com força e se aproximou mais ainda, tanto que ela podia sentir sua respiração contra seu rosto. Ele tentou beijá-la, mas ela virou o rosto.
– Me deixa em paz. – tentou se soltar, sem sucesso. O garoto apenas a ignorou e tentou novamente beijá-la a força. – Me solta! – ela reclamou, virando o rosto.– Já disse que não quero! Me esquece.
– Ei, solta ela. – ouviu gritar com uma voz pesada para o cara.
– Não te ensinaram a não se meter em assunto de casais?
– Nós não somos um casal. – falou irritada.
– Fica quietinha, docinho. – o rapaz disse, apertando mais seu braço.
Imediatamente virou o pescoço para olhar, se deparando com um irritado. Ele arregalou os olhos ao perceber que aquela garota, era sua namorada.
– Olha, eu acho bom você soltar minha namorada logo. – ele alertou já irritado.
– Senão você vai fazer o quê? – riu debochado. levantou o punho para lhe dar um soco, mas o ele segurou sua mão e começou a dar vários socos em , até que o mesmo caiu no chão desacordado.
assistiu toda aquela cena em pânico. Ela correu até seu namorado e abaixou ao lado do mesmo. Ela podia sentir as lágrimas escorrerem por seu rosto. – ! – chamou, mas o moço não se mexeu. – , por favor, acorda. – implorou, dando leves tapinhas no rosto dele, mas o mesmo continuava imóvel. – Você é louco? Olha o que você fez! – ela berrou para . – Qual é o seu problema? – estava com tanta raiva, que estava pronta para voar no pescoço do mesmo.
Pegou seu celular no bolso e discou o numero da emergência, pedindo socorro para seu namorado. Enquanto isso, ligou para à polícia, e distorceu toda a historia, assim saindo como o mocinho.

(...)


– Foi isso que realmente aconteceu. – disse, encarando os dois investigadores.
Ao ser interrogado novamente, acabou confirmando a versão de . O mesmo contou que alugou aquele apartamento para que pudesse espionar a garota através de sua janela, que dava de frente para a dela e que também costumava segui-la. Após todas aquelas confissões, para o alivio de , ele seria preso. estava sentada em um daqueles bancos de delegacia, apoiada em seus cotovelos, fitando o piso emborrachado de cor clara. Ela havia acabado de receber a noticia de que estava bem. Virou a cabeça para o lado quando ouviu passos no corredor. Viu algemado sendo levado para fora pelos policiais e estremeceu. – , me desculpa. – ele implorou quando passou por ela. – Eu só fiz tudo aquilo, porque estou perdido de amor por você.
e se olharam fixamente até ele desaparecer no corredor. não queria encará-lo, mas por algum motivo, ela não conseguia tirar os olhos dos olhos intensos de .
Depois disso tudo, ela finalmente se sentia segura e com certeza pensaria mil vezes antes de ficar com algum cara estranho em uma festa.


Fim.



Nota da autora: (02.05.16)
Tamy: Hey, não nos matem por ter tornado essa história algo sobre obsessão, sério, nós só queríamos sair do clichê que é Lost In Love.
Bom, eu queria agradecer primeiramente a Mandy que não me deixou desistir dessa história, e que se dispôs a me ajudar com ela. Mandy você arrasa!
Queria também agradecer a Hell por ter me dado a ideia inicial dessa história.
Enfim, espero muito que gostem.
Beijos, Tamy.

Mandy: Hey, pessoas, tudo bem? Espero que vocês tenham gostado da história, assim como eu adorei escrevê-la, dessa vez saímos muito do clichê e passamos para algo meio... obsessivo... Agradeço a minha linda migs Tamy por ter me convidado/deixado ajudá-la nessa história, que sinceramente, foi algo novo para mim, comparado ao que eu costumo escrever HAHAHA!
Não se esqueçam de comentar e se puderem escrevam "Tamy, posta outra história, nunca te pedi nada" rs.
Beijooocas, Mandie!




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