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Fanfic finalizada: 03/07/2021

Capítulo Único

12 de julho de 2018

Me deitei em minha cama e respirei fundo, encarando o teto branco. A claridade refletia todo o cômodo e eu me xinguei, pensando que deveria ter apagado a luz para me lamentar melhor.
Como eu havia me colocado naquela posição? Na verdade, quando?
Apesar do estresse dos pensamentos, meu rosto me traia e eu podia sentir meus lábios sorrindo. Não era possível que ela tivesse aquele poder sobre mim, não deveria ser possível. Na verdade, era engraçado, já que ela sempre o tivera.
era minha melhor amiga desde a infância, desde quando nos machucávamos juntos no playground da escola que estudávamos em Manchester, cidade onde morávamos antes de nos mudarmos para Londres quando mais velhos. Nós tínhamos passado por tudo que se podia imaginar naquela vida juntos. Mesmo separados, havíamos passado juntos. Mesmo quando ela se mudara para outro país, ela era a pessoa mais próxima em minha vida. Mais até mesmo que minha família, e minha relação com meus familiares era incrível, não tinha do que reclamar. Mas sabia que não tinha alguém com quem me sentisse melhor do que ao lado de .


- , é meu aniversário, você pode me dar um mínimo de atenção? – o garoto encarou a irmã, rolando os olhos.
- Você tem diversos convidados, por que eu, hein? – reclamou, rindo. – Estou falando com...
- Com a , eu sei. – Bufou, o acompanhando na risada e tomando o celular de sua mão. – , o seu aniversário é só amanhã, pode não roubar meu irmão por uma noite? Você está passeando do outro lado do oceano e ainda assim o consegue.
- Eu não tenho culpa que ele me ama. Feliz aniversário, Sadie! Estou com saudades. – Ouviu a amiga responder.
- Eu também. Não mais que meu irmão, pois é humanamente impossível, mas estou com saudades.
- Vou desligar para ver se ele aproveita a festa, fale que mandei um beijo.
- Ela desligou. – Sadie falou para o irmão, vendo-o rir. – Eu nem a obriguei. – Mostrou a língua para ele e o puxou pela mão. – Vem, eu quero te apresentar uma amiga.
- De novo não, por favor. – Choramingou, já levantando, pois sabia que a irmã não aceitaria um não e ele teria que aproveitar mais um encontro sem graça em breve.


era minha melhor amiga, e durante anos fora também a melhor amiga de Scarlett, minha esposa. As duas se aproximaram a meu pedido, e apesar de sempre deixar claro que, em caso de qualquer briga, seu lado seria o meu, a relação das duas se tornara algo sólido.



- Você não teria coragem de defendê-lo se ele estivesse errado, teria? – Scar perguntou, rindo. As duas estavam no sofá do novo apartamento do casal, que havia se mudado para ficarem mais próximos à faculdade que cursariam.
- É claro que ela teria. – se aproximou, afirmando.
- Eu com certeza teria, Scar, sinto muito. – A garota gargalhou, encarando a expressão indignada da amiga. – Sou a amiga que ajuda a esconder o cadáver, se necessário.
- Que horror. – Ela riu, negando com a cabeça. – Nunca tive uma amizade assim, ninguém se ofereceu para esconder um cadáver comigo. – Fez bico, pensativa.
- Eu posso te ajudar. – deu de ombros. – Não sendo o cadáver do ou qualquer coisa contra ele, estou ao seu lado. – Ela piscou para amiga, que sorriu em concordância. – Aí, sou a própria vela nesse trio.
- Vela mais amada desse mundo. – se jogou entre as duas e beijou a testa da namorada e a da amiga em seguida.
- Eu sei. – mostrou a língua. – Mas e aí? Já pensaram no quarto do bebê? – zombou.
- , pelo amor de Deus, está muito cedo para isso, nem sei se queremos filhos. – Scar riu.


Ela estava presente em todos os momentos importantes de minha vida. E, nesse momento, tudo parecia ruir em minha cabeça. Mas era estranho, era um ruir certo. Não sabia se certo, já que parecia tão errado, mas tudo estava extremamente confuso. Era inacreditável lembrar do que acontecera minutos atrás, não sabia como as coisas haviam chegado a isso, mas tinham, e não havia como evitar agora. Falar que tudo fora um erro seria bobagem, também não era assim que sentia.
- Pai, tá tudo bem? – Luke me perguntou, entrando no quarto. – A tia tá na porta, você não ouviu a campainha?
- Não ouvi, filho. Já estou indo lá. – Sorri para ele, me levantando, em choque.
- Achei que você tivesse acabado de voltar de lá. – Ele riu, me encarando.
- Devo ter esquecido algo. – Rolei os olhos. Realmente, tinha esquecido: a cabeça. – Daqui a pouco vou lá jogar uma com você, não dorme.
- Não vou dormir. – Ele reclamou.

- Hm... Oi. – falei, encontrando sentada no sofá, com os pés jogados para cima do móvel como se estivesse em sua própria casa.
- , você tá bem?
- , eu saí da sua casa tem uns... – olhei para o relógio. – Cinco minutos.
- Eu sei, . Mas eu queria saber se você está bem. – Ela frisou a palavra, desviando o olhar para o corredor atrás de mim. – Eu não quero que as coisas fiquem estranhas, então eu vim me desculpar enquanto já está tudo ferrado mesmo. Acho que é uma ideia melhor. Pelo amor de Deus, a gente não pode se dar ao luxo de brigar, . – A mulher suspirou, colocando a mão na testa e bufando. Sorri ao ouvi-la me chamar pelo sobrenome, o que ela sempre fazia quando estava nervosa.
- Eu estou bem, . – Me aproximei dela, usando aquele apelido que apenas eu usava, querendo acalmá-la, e sentando-me ao seu lado. – E pode ficar tranquila, nada vai ficar estranho, não se depender de mim.
- Então vamos esquecer, certo? – ela perguntou, acelerada. Eu ri, pegando um pouco de seus cabelos em meus dedos e puxando levemente, fazendo-a rosnar, irritada.
- Também não falei isso. – Respirei fundo. – Diferente de você, não acho que temos que fazer nada agora que está tudo... Hm... Ferrado não é a melhor palavra, mas vou usar, já que você usou primeiro. – Mostrei a língua e ela pareceu relaxar os ombros, rindo. – Podemos ficar em paz por enquanto? – perguntei.
- Acho que sim. – Ela pareceu ponderar, perdida em seus próprios pensamentos. – Eu não sei bem o que seria ficar em paz.
- Seria não entrar em paranoia pensando nisso, exatamente desse jeito que você está fazendo. Se você voltar a morder a bochecha por algo tão bobo, eu mesmo vou te internar. – Ameacei, me referindo ao vício que ela tinha quando estava nervosa e já havia feito até mesmo tratamento para ansiedade, pois sempre se machucava.
- Como você pode ficar tão calmo? – ela encarou meus olhos pela primeira vez, desviando-os depois de um tempo.
- Eu não estou calmo, eu estava no meu quarto, surtando. – Dei de ombros, sincero. – Mas não é como se fosse algo errado, só isso. Você está com uma expressão de quem estava transando e foi pega no flagra. – Ri, vendo-a me acompanhar enquanto negava com a cabeça.
- Isso pode estragar nossa amizade, , só isso que me preocupa. – Suspirou.
- Você realmente acredita que existe algo que pode estragar nossa amizade? – perguntei. – Outch, não esperava essa.
- Não é isso, você sabe. Ah, não vou ficar me explicando, só piora. – Riu. – Ei, bonito, me dá um abraço de boa noite. Não é porque você está velho que vai se livrar disso. – Ela falou, chamando por Luke, que passava no corredor.
- Eu sinto que nunca vou me livrar disso, tia. – Ele riu, se aproximando e se jogando em cima da .
- Mas já vi que você também não tem tamanho para isso, posso cancelar dar colo para minha criança preferida. – Reclamou, fingindo que estava sendo esmagada.
- Primeiro: não sou mais criança há muito tempo. Segundo: não é como se você tivesse muitas crianças, né? – ele riu, brincando com ela e se levantando.
- Hm, talvez você esteja certo. Sobre a segunda parte, claro. Para mim, você sempre vai ser uma criança, não se esqueça disso. – Luke sorriu e deixou um beijo entre os cabelos de , fazendo-a sorrir.
- Vou voltar a jogar. – Anunciou, acenando para nós e voltando em direção ao quarto.
- Tenho vontade de chorar cada vez que vejo esse menino desse tamanho. – bufou e vi que seus pensamentos pareciam longe.
- Eu sei, também nem acredito que ele já vai fazer 16 anos. – Suspirei.
- Ainda lembro dos nossos 16 anos, por isso acho difícil pensar que já temos ele nas nossas vidas há dezesseis. – Ela sorriu e aquela frase me fez lembrar do nascimento dele.



- Scar, calma! – entrou em desespero enquanto dirigia em direção ao hospital para que a namorada finalmente desse à luz ao filho que esperavam.
Há seis meses haviam descoberto a gravidez de Scarlett, e aquilo havia tido um baque enorme na vida de ambos. e Scarlett tinham 19 anos e estavam no primeiro ano da faculdade. Os dois já moravam juntos há alguns meses, mas aquilo apenas tornava tudo ainda mais complicado.
Com o apoio da família dos dois, depois de muita briga, finalmente conseguiram seguir em frente e administrar os estudos, casa e gravidez, assim como fariam quando o pequeno Luke nascesse. No momento do nascimento, felizmente sentiam apenas a alegria de poder finalmente segurá-lo.
- Não tenho como ter calma, . – A mulher bufou, respirando diversas vezes para conter os gritos que queria dar ao sentir as dores das primeiras contrações.
- Já estamos chegando, meu amor. – Ele colocou a mão sobre a perna da mulher e ela apenas assentiu, continuando a se controlar.

- Eu nem acredito que estamos com nosso pequeno. – falou, emocionado. Scarlett o segurava pela primeira vez, enquanto o homem observava os dois atentamente. Seu celular tocou, o tirando por alguns minutos da cena. Era claro, avisara a família de que estavam indo ao hospital, sobre o trabalho de parto de horas, mas esquecera de os atualizar sobre o nascimento, todos os exames, e que já estavam no quarto. – Já volto. – Sorriu para a mulher que parecia nem o ouvir, estava completamente mergulhada em seu pequeno.
- Oi, ! Não consigo falar muito agora, o Luke nasceu e está tudo bem, preciso avisar todo mundo. – falou no telefone, animado.
- Aí, , que incrível! A Scar está bem? – perguntou a amiga.
- Ela está, o Luke está, e eu estou nas nuvens. – Riu, ouvindo a amiga fazer o mesmo.
- E em que quarto vocês ficaram? Me diz que te deixaram escolher o número? – perguntou, receosa. tinha uma leve superstição com números que não gostava. Era engraçado, mas a amiga o entendia.
- A Scar escolheu, eu não gostei, mas estamos no 05. – falou, levemente incomodado.
- Você não existe, . – gargalhou. – Vá ligar para suas famílias, parabéns, papai.
- Obrigada, . – O garoto agradeceu e desligou o telefone, sentindo falta da amiga, como sempre.
havia se mudado para os Estados Unidos há 01 ano para cursar a faculdade. Antes ela apenas visitava a família nas férias, mas no momento de escolher os estudos, ela decidiu que queria fazer seu curso nas terras americanas. deu todo o apoio possível, mas sua saudade era diária e apertava a cada momento como aquele em que a amiga não estava presente.

- Avisei a todos. – entrou novamente no quarto depois de algum tempo, vendo Scar ainda na mesma posição com o filho. Ela parecia a mulher mais feliz do mundo ali, o que tornava o homem mais feliz.
- Ele é tão lindo, . – A mulher suspirou, aproximando-o ainda mais de seu corpo.
- Ele realmente é. – o homem sorriu. Os dois ouviram um toque na porta e a encararam, esperando que algum enfermeiro ou médico entrasse para lhes passar alguma instrução, ou que tivessem que levar Luke para mais algum exame.
- Será que eu posso conhecer o meu afilhado e abraçar esse papai e essa mamãe? – e Scarlett encararam com grandes sorrisos nos rostos.
- ! Meu Deus, como assim você está aqui? – Scar foi a primeira a se pronunciar, enquanto a amiga soltava uma pequena mala no canto do quarto. ainda estava parado ao lado da cama, encarando a amiga atentamente.
- Vocês realmente acham que eu não ia dar um jeito de estar aqui nessa semana que sabíamos que Luke ia nascer? Ele só foi apressado demais e não me deixou nem ir para o hotel deixar minhas coisas. – Reclamou, rindo. – , você já foi melhor. Eu não ganho um abraço, ao menos? – a mulher brincou, vendo o amigo se mexer e correr em sua direção com os braços abertos.
- Eu nem acredito que você está aqui!


- Agora vai lá jogar com ele, vou para casa e vou ajeitar as coisas para trabalhar amanhã. – Eu assenti e a vi se levantar, logo fazendo o mesmo para acompanhá-la até a porta.
- Você está bem mesmo, ? – perguntei quando paramos na porta. Ela a abriu e se encostou no batente, enquanto eu esperava do lado de dentro, segurando a porta entreaberta com o corpo.
- Acho que estou, . É só o nervosismo pela situação. – Ela sorriu, abaixando a cabeça.
- Tudo bem, vou colaborar com você. – Usei minha mão para levantar sua cabeça e rapidamente grudei nossos lábios em um selinho, fazendo rir, indignada. – Colaborar com seu nervosismo. Tchau, vai embora. – brinquei e ela revirou os olhos, me mostrando o dedo do meio em seguida.
- Se eu não conseguir dormir essa noite por conta dessa gracinha, vou tocar sua campainha. – Ela mostrou a língua e se afastou, andando até a porta do apartamento em frente e a abrindo. – Boa noite, .
- Boa noite, . – Sorri, entrando em casa e fechando a porta atrás de mim.
- Finalmente, hein, pai? – Luke me encarou enquanto bebia um copo de leite na cozinha. Senti meu rosto ficar vermelho automaticamente, não era possível.
- Você não estava no seu quarto, Luke? – perguntei, tentando soar irritado.
- Eu fiquei com sede. – Ele deu de ombros e bebeu o último gole do líquido, deixando o copo na pia e se aproximando, me segurando pelo ombro. – Achei que eu ia ter que ter uma conversa séria com você, ainda bem que não preciso mais. – Fingiu estar aliviado e eu apenas neguei com a cabeça, rindo, desacreditado.
- Você é um intrometido, não estou acreditando. Eu te criei melhor que isso.
- Foi apenas uma coincidência, a culpa não é minha. Se não quisesse ser visto aos beijos, não o fizesse na porta de casa. – Ele piscou para mim e se afastou pelo corredor, mas voltou logo em seguida. – Mas deixo uma coisa clara aqui. Você cuide muito bem da tia .
- Como se eu não tivesse feito isso a minha vida toda, moleque. – Me sentei no sofá e arremessei uma almofada em sua direção antes que ele entrasse no quarto.
Sabia que a ideia era ficar em paz, mas não conseguia parar de ouvir meu coração batendo em meus ouvidos. Agora minha cabeça apenas trabalhava para entender o que tinha acontecido, mas ela martelava palavras que soavam como a coisa mais natural e certa do mundo.



- Deu tudo errado de novo. – se jogou no sofá, pegou seu travesseiro e deitou no colo do amigo após chegar do segundo encontro fracassado daquele mês.
Ela havia acabado de tomar banho e cheirava ao sabonete que tanto gostava, a amiga estava sempre cheirosa e ele sempre repetia aquilo para ela. Seus cabelos molhados demonstravam ainda mais seu estresse e tristeza: ela tinha dois shampoos; o diário, e o especial, aquele que usava apenas quando precisava se sentir melhor consigo mesma.
- Você vai ficar gripada com esse cabelo molhado desse jeito. – falou antes de entrar no assunto do encontro com .
- Está tudo bem, estou quentinha. – Apontou para a própria roupa, um moletom roxo que a garota amava.
- Vou deixar passar dessa vez. Mas tenho a impressão de que você tem 15 anos ao invés de 34, às vezes. Teimosa. – brincou.
- E eu tenho a impressão de que você tem 85 e não me escuta, pois está me dando bronca ao invés de me acolher. – A mulher fez bico, encarando os olhos do homem acima dos dela.
- Ah, . É difícil. – Ele riu, pensando no que poderia falar. – Você sabe que eu também não sou o expert em relacionamentos e encontros para poder te ajudar, não é? Senão eu não estaria solteiro. – Riu, dando de ombros. – Não acho que você vai encontrar o Príncipe Encantado em um aplicativo, marcar um jantar e ter o dia mais especial da sua vida, sabe? Ainda acho que você se daria melhor se desse uma chance, sei lá, para o Theo, do escritório.
- Argh, não consigo nem pensar. – A mulher fez careta, fazendo rir. – Eu só estou cansada, . Você sabe o quanto eu sempre quis alguém para dividir a casa, a vida, uma família. Nunca foi minha prioridade, claro, mas sempre foi algo que quis. Parece apenas que não vou poder, nunca. – Bufou, frustrada.
- Você é exagerada demais. – Riu, passando a mão nos cabelos molhados de . – Vou fazer um chocolate quente para você. – falou e viu a mulher sorrir, levantando a cabeça para que ele pudesse sair do sofá e andar em direção à sua cozinha.
- Com canela, por favor. – Fez bico, o encarando de longe.
- Você acha que está falando com quem? Não sou os carinhas que você sai não, eu te conheço. – Ele revirou os olhos, brincando.
- E aparentemente vai ser o único a conhecer, para sempre. – Resmungou, dramática.
- Você devia ter continuado as aulas de teatro quando éramos mais novos, você leva jeito para o drama.
- Eu sei. – Ela sorriu, se levantando e seguindo até a cozinha para acompanhar . Ele já havia colocado os ingredientes no fogo, então aproveitou para se sentar na bancada atrás do homem.
- Eu levo lá para você, pode ficar deitada. – negou com a cabeça, chacoalhando as pernas que não alcançavam o chão devido à altura da bancada. – Tudo bem. – Sorriu para a amiga e ficaram em silêncio enquanto ele mexia o líquido e separava suas canecas.

- Tem chantilly na geladeira. – falou depois de um longo tempo, quando viu finalmente desligar o fogo.
- Vou deixar esfriar um pouco. – A mulher assentiu. – Vamos para lá? – ele perguntou, vendo-a concordar e esticar os braços em sua direção.
- Me desce daqui. – fez bico e fez gargalhar. – Eu sei, eu fico manhosa quando estou triste.
- Você é sempre manhosa, e eu me deixo levar pelos seus caprichos há 30 anos, senhorita. – O homem se aproximou da amiga e sentiu-a envolver os braços em seu pescoço. Puxou-a para fora da bancada e seus corpos grudaram por alguns segundos, enquanto ela escorregava em direção ao chão.
segurou-a pela cintura e impediu que seus pés chegassem ao destino, encarando os olhos da amiga próximos aos seus. Viu-a sorrir e não conseguiu não encarar seus lábios. Não era como se não conhecesse cada traço de seu rosto, mas daquela forma ainda não os conhecia, o que o fez sentir que faltava algo em sua vida.
Antes que ele pudesse rir dos próprios pensamentos, sentiu o impulso feito pela garota para que pudesse envolver seu corpo com as pernas. Em poucos segundos, seus lábios estavam colados pela primeira vez em um selinho. Não era possível ter certeza absoluta de quem dera o primeiro passo, mas ele havia sido dado e era isso que importava.
não pôde evitar sorrir com os lábios da amiga grudados aos seus, era incrível, por mais estranho que fosse. também não teve uma reação diferente, acariciando a nuca do rapaz enquanto sorria. Ela se afastou por alguns segundos, parecendo confusa, mas deixando a confusão de lado ao encarar aqueles olhos que conhecia tão bem. Aqueles olhos que a conheciam mais do que qualquer um durante toda sua vida. Ignorou o sentimento de medo dentro de si e voltou seus lábios para os de rapidamente, mas dessa vez, pressionou os dedos de uma mão em seu pescoço, enquanto a outra mão se direcionava ao seu cabelo para que pudesse deixar um carinho ali. Sentiu a necessidade de tornar aquele um beijo de verdade e ficou feliz quando pareceu ler seus pensamentos, pedindo passagem para que pudessem tornar aquele contato ainda maior.


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24 de julho de 2018

- Vou ser sincera, sua irmã é a única pessoa no mundo que é capaz de inventar um casamento em tão pouco tempo. – entrou em casa assim que abri a porta. Antes que eu pudesse fechá-la, ela já estava sentada na mesa da minha cozinha.
- Oi, , tudo bem? Como foi seu dia? Posso entrar? – ironizei, batendo a porta e vendo-a rir em resposta.
- Oi, ! Sua irmã é a única pessoa no mundo capaz de inventar um casamento em tão pouco tempo. – Retrucou.
- Menos pior. – Dei de ombros e andei até a mesa, sentando-me de frente para ela.
- Cadê o Luke? – perguntou, encarando o corredor.
- Saiu com a Mads. – Ela sorriu de uma forma maliciosa e eu neguei com a cabeça.
- Diz ele que eles não têm nada. – Dei de ombros.
- Preciso conversar com ele.
- Você sabe que só vai irritá-lo, eu tentei e ele me tirou do quarto, sem brincadeira.
- Você não sou eu. – Ela piscou e eu neguei com a cabeça, rindo. – Ele me ama.
- Muito, mas isso não quer dizer que vai abrir o jogo para você.
- Ele vai. Você quer apostar? – perguntou, desafiadora.
- Faz muito tempo que não fazemos isso. – Ri. Era um péssimo hábito que tínhamos há uns anos, apostávamos quase tudo por coisas bobas, como doces, comidas no geral, presentes, o que tivesse disponível.
- Está com medo porque sabe que vai perder, não é? – perguntou com ar de superioridade, o que me fez arquear a sobrancelha.
- Um encontro.
- O que tem um encontro? – questionou, confusa.
- Essa é a aposta. Se eu ganhar, você vai em um encontro comigo.
- ... – ela gargalhou. – Você está brincando, não? – neguei com a cabeça e a vi ficar séria de repente. – ...
- Você não estava super confiante de que ganharia? Perdeu a confiança? Se eu perder, você não precisará fazer isso.
- Tudo bem. Eu sei que vou ganhar. – Ela sorriu, mas agora parecia incerta ao afirmar. – Eu acho que isso é um jogo muito arriscado a fazer, . – A vi suspirar e sorri, confirmando.
- Acho que nós dois nos arriscamos pouco a vida inteira, quem sabe não é a hora de arriscar. – Ela assentiu.
- Bom, já está apostado, né? – ela sacudiu os ombros e me encarou.
- Está, e eu estou ansioso para te ver perder. – Pisquei para ela. – Já pode marcar um dia na sua agenda. – brinquei.
- Não é como se minha agenda tivesse alguma coisa. Agora voltando ao assunto que me trouxe aqui... Sua irmã decidiu casar ontem e marcou o casamento para daqui um mês? – perguntou, encarando o convite em suas mãos.
- Você fala sua irmã como se não fosse sua amiga e você não fosse madrinha. – Analisei seu convite que era como o meu que havia chegado também. – E acho que a culpa pode ser minha. – Coloquei as mãos entre meus cabelos, coçando a cabeça, ansioso. – Ela comentou comigo no mês passado e eu esqueci de comentar com você, ela pediu.
- Como a sua irmã esqueceu de me contar que vai se casar? E que eu vou ser madrinha? – ela riu, indignada.
- Ela está toda acelerada com as coisas, porque eles querem que seja no dia que completa dois anos que eles se conhecem, então tiveram que marcar tudo em cima da hora. Você a conhece.
- Muito, e sinto saudades sempre, acho que ela devia mudar para Londres.
- Não, obrigado, deixa ela lá que prefiro sentir saudades. – brinquei e ela deu um tapa em meu braço, me repreendendo. – Desculpa por ter esquecido.
- Está tudo bem, não é como se eu estivesse reclamando, estou tão feliz.
- Eu também, muito. E é um ótimo momento para ficarmos um pouco em Manchester. Você acha que consegue uns dias? – perguntei e ela afirmou.
- Vou conversar com Luke o quanto antes, assim quem sabe ele não decida levar a Mads junto.
- Você está convencida demais. – Ri. – Mas acredito que vocês conversando ou não, ele vai querer levar a Mads, senão ele reclama que não tem companhia lá, você sabe. Ou é só gente velha, ou só criança.
- Ele não está errado. – concordou. – Você fez o jantar? – ela perguntou, olhando para cozinha e mordendo os lábios para segurar uma risada. Apenas assenti, esperando-a soltar a risada que segurava. – Bom, como a incrível amiga que sou, não posso te deixar jantar sozinho já que Luke não está, não é? – ela sorriu forçadamente e quem acabou rindo fui eu.
- Oh, que incrível amiga que tenho. Vai lavar as mãos pelo menos, . – Ela se levantou e bateu continência, andando logo em direção ao banheiro enquanto eu ia até a cozinha para pegar as coisas e colocá-las na mesa.

Ouvi o barulho da porta abrindo e olhei rapidamente naquela direção, fazendo um sinal de silêncio para Luke, que entrava no apartamento. Ele levantou os braços em rendição, dizendo que tinha entendido, e fez o maior silêncio possível para fechar a porta. Ele encarou deitada no sofá em um sono pesado e riu.
- Faz tempo que ela dormiu? – ele perguntou, parando na cozinha para beber um copo de água.
- Uma meia hora, acho. Ela estava falando e dormiu no meio da frase. – Ri baixo, com medo de acordá-la. – Estou com dó de acordar ela. – Confessei.
- Eu também estaria, mas não acho que seja interessante ela dormir no sofá, amanhã ela vai gritar no nosso ouvido. – falou, se aproximando.
- Acorda ela. – falei.
- Eu? – ele perguntou de forma que sua voz saiu esganiçada. – Eu não quero morrer, você quem deixou ela dormir.
- Ela te ama, ela nunca brigaria com você. – falei e ele pareceu ponderar.
- Você fala como se ela brigasse com você, pai. – Dei de ombros e ele riu.
- Não quero arriscar.
- Ah, e eu posso, né? – assenti e ele negou com a cabeça, abaixando-se ao lado dela. – ... Acorda. Você tá dormindo toda torta no sofá. – Ele falou delicadamente, vendo-a se mexer. Ele tocou seu ombro de forma carinhosa e ela abriu os olhos, nos encarando, perdida.
- Eu dormi? – ela se sentou rapidamente, colocando a mão nos olhos e os coçando. – Ei, você chegou. – Ela sorriu para Luke e eu fiz o mesmo ao vê-la o encarando, feliz. A ligação dos dois era algo inexplicável. Na verdade, tinha explicação, mas parecia não ser o suficiente para o que eles tinham. – Fiz companhia para o seu pai por você, você me deve uma.
- Eu te devo todas, sempre. – Ele beijou a bochecha da mulher, acenou para mim e saiu em direção ao quarto. – Boa noite, gente.
- Desculpa, . Não pretendia dormir. – Ela se espreguiçou e se levantou do sofá em seguida.
- Você nunca pretende. – Ri. – Não queria te acordar, mas você ia acabar se machucando aí. – Ela assentiu.
- Obrigada pela janta e pela companhia, como sempre. – Ela andou até a porta e eu a segui rapidamente.
- Eu que agradeço. – Sorri e beijei sua bochecha antes de deixá-la atravessar o hall com um sorriso no rosto.

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31 de julho de 2018

: Ei, preciso da sua ajuda, te dou um pedaço de torta de morango em troca.


Luke: Já estou indo, torta me compra facilmente, você me conhece demais.

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02 de agosto de 2018

- , são sete da manhã. – falou ao abrir a porta do seu apartamento ainda de pijamas.
- Eu sei, e eu tenho uma reunião às oito, então preciso correr.
- Então corra, o que tenho com isso? – respondeu com seu péssimo humor.
- Eu preciso saber uma coisa. Você falou com o Luke? – perguntei, ansioso por sua resposta. Sua expressão tornou-se confusa e em seguida ela suspirou, parecendo se lembrar.



- Cadê a torta? – Luke perguntou ao entrar no apartamento de .
- Primeiro a minha ajuda? – a mulher perguntou, encarando o mais novo.
- Tá, tudo bem. – Ele riu, abraçando apertado. – O que precisa?
- Me ajuda a pegar uma caixa de cima do guarda-roupa? Eu preciso arrumar uns papéis lá, mas não consigo puxar nem subindo na cadeira, foi seu pai quem guardou para mim. Me faltam poucos centímetros, mas faltam.
- E por que você não chamou meu pai? – perguntou com as sobrancelhas arqueadas, andando em direção ao quarto com a mulher em seu encalço.
- Porque... Porque eu queria te ver. – ela sorriu torto, fazendo o garoto rir.
- Você sabe que eu vi vocês, né? – o garoto comentou, brincalhão. – Não sei se ele te disse, se eu podia dizer, o que está acontecendo, qual o problema de vocês, mas ‘tô jogando limpo. Vocês são as pessoas que mais amo no mundo, se eu puder fazer algo... – o menor deu de ombros enquanto encarava uma completamente vermelha de vergonha.
- Olha, você tem sorte que eu te vi nascer, moleque, senão eu estava te colocando para fora da minha casa agora por ser tão intrometido e descarado. Você não viu nada, porque não aconteceu nada. – A mulher suspirou e apontou para a caixa que precisava. Luke subiu na cadeira e a puxou, colocando-a atrás de si, na cama.
- Eu sei o que eu vi, e eu sei o que vejo há algum tempo, mas não vou me meter, tudo bem? Vocês são adultos e se conhecem há 30 anos, vocês sabem o que fazem e sei que vão entender o que for melhor dessa situação. – O garoto se aproximou e abraçou, sentindo-a respirar fundo entre seus braços.
- Obrigada, Luke. – Ela sorriu em resposta ao apoio do afilhado. – Agora, enquanto comemos a torta, eu vou me meter na sua vida. – riu, mordendo os lábios em seguida, não sabia como ele reagiria à sua intromissão.
- Ah, eu sabia que não podia ser apenas uma caixa e apenas um pedaço de torta. O que eu fiz agora? – perguntou, sentando-se de frente para a bancada enquanto a mulher pegava a torta e os servia.
- Não fez nada, mas quero saber uma coisa... O que está rolando com a Mads? Eu te conheço, conheço esse olhar aí que você acabou de fazer, e sei bem que você está na idade da confusão. – A mulher riu e ele assentiu, concordando. – Precisa conversar com alguém? Assim... Não posso dizer que sou uma grande ajuda no amor, fui um fiasco minha vida inteira e estamos vendo o que rolou por último. – brincou.
- Eu não sou muito bom colocando as coisas para fora, nunca tentei. – O garoto riu, mastigando a torta devagar para ter tempo de pensar.
- Então tem coisas para colocar para fora, não é?
- Tem. – Afirmou, rindo. – Eu gosto dela. - Confessou.
- Eu vou tentar segurar meu ataque de madrinha ursa e meu estoque de “awn” guardados para essa ocasião. E ela? Alguma ideia?
- Nenhuma. Às vezes parece que sim, outras tenho certeza que não. Ela me enlouquece, juro. – Bufou.
- Então está tudo no caminho.
- E qual é esse caminho, pelo amor de Deus? Porque ele é bem ruim. – falou, frustrado.
- Mas a parte da dúvida é a parte de se arriscar, é ela que deixa o frio na barriga, senão seria muito fácil. Preciso analisar ela para ver melhor... – comentou, pensativa. – Você podia levá-la para o casamento da sua tia. – Sugeriu.
- Eu já tinha pensado nisso, você acha uma boa ideia?
- Acho uma ótima ideia, vocês passam um tempo juntos longe daqui, longe da escola, podem aproveitar bastante. Com juízo, claro. – Viu o garoto rolar os olhos e riu de sua reação. – Mas dou todo o apoio.
- E você vai me ajudar? – perguntou, interessado.
- Definitivamente vou. Pode contar comigo, como sempre. – se aproximou de Luke e o abraçou.
- Você está muito carente, preciso ter uma conversa com meu pai. – Zombou, recebendo um tapa na cabeça automaticamente.
- Você é pior que ele, não me conformo.


- Você realmente está pensando nisso à essa hora da manhã?
- Estou pensando nisso desde terça, já que sei que ele esteve aqui. Mas você não me chamou para contar nada. Você perdeu, não perdeu? Eu conheço meu filho. – Sorri, presunçoso.
- Eu perdi, . – Ela confessou, rolando os olhos. – Mas...
- Não tem “mas”, . Aposta é aposta. Domingo? – a vi assentir e sorri em sua direção, sendo ignorado. Me aproximei e deixei um beijo em sua bochecha. – Vou correr para não me atrasar, tenha um bom dia. – Sai correndo ao ver o elevador se aproximar de nosso andar enquanto a ouvia bater a porta para fechá-la novamente.

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05 de agosto de 2018

- , eu realmente espero que você não ache que isso é um encontro. – Ela falou quando já caminhávamos na rua em meio a uma multidão. – Você me levou para ver meu time perder, em casa, para o seu. Eu vou voltar para casa e reclamar desse encontro para você, foi pior que qualquer outro. – Resmungou, me fazendo rir.
- A culpa não é minha do seu time ser ruim, . A ideia do jogo foi ótima e benéfica para nós dois por ser um contra o outro, mas a culpa de você sair triste é do seu time. – Dei de ombros e ela rolou os olhos. – Mas comida ajuda, não? – vi seus olhos brilharem e ela colocou a mão na barriga, como se morresse de fome.
- Desde que seja o KFC ali na frente. – Ela apontou na direção que seguíamos da rua e eu assenti, mesmo imaginando que o lugar fosse ficar lotado após a partida.
- Você não quer mesmo ir para outro lugar? Mais... Vazio, não sei. – falei, repensando. Um pequeno KFC lotado não era bem um lugar para conversar decentemente.
- Hm, não, queria muito comer aqui. – Ela falou, sorrindo, como se estivesse ansiosa.
- Tudo bem. – Sorri, um pouco decepcionado. – Podemos comer no carro pelo menos? – perguntei, apontando para o quão cheio estava o local ao nos aproximarmos. Ela parecia próxima de concordar ao entrar no restaurante, mas logo voltou atrás.
- Podemos esperar um espaço aqui, acho. – falou, confiante, e eu apenas assenti. sempre odiara lugares cheios, ela trocaria aquele lugar por uma pizza em casa.
- Tudo bem, então. Se quiser esperar aí e tentar, vou fazendo o pedido. – Ela encarou a fila em nossa frente e a vi dar o sorriso mais animado dos últimos quinze minutos.
- Vou ficar por aqui, observando. – Acenou e começou a olhar em volta enquanto eu me afastava.

- Pelo menos tivemos sorte de conseguir um lugar próximo do tempo de o pedido sair, não? – falei, me aproximando do banco ao lado do dela, virado para fora do restaurante.
- Deu certinho, que bom, né? – ela sorriu, puxando o pedido para si. – Você pediu...
- Todos os molhos, sim, como sempre, . – A interrompi antes que ela pudesse falar.
- Obrigada. – Agradeceu, abrindo os potinhos um a um.
- Agora me conta como foi sua semana, quase não conversamos. Deu tudo certo naquele projeto da Lortts que você comentou semana passada?
- Deu sim, mas foi uma loucura, , juro! Eu fiquei completamente perdida, tive que começar tudo do zero e tentar de novo, mas, no fim, foi tudo bem. Ainda ganhei um “parabéns” do George. – falou, orgulhosa.
- Isso é um milagre, eu não acredito. – Gargalhei. – Já pode morrer feliz, achei que esse momento nunca chegaria. – falei, me referindo ao colega de trabalho de que sempre tentava sabotá-la, pois eles estavam sempre brigando pelos mesmos projetos e o homem criava uma competição em sua mente.
- O milagre maior foi eu ter pensado em dar uma chance para o Theo quando ele me chamou para sair novamente. – falou naturalmente, dando uma mordida em seu lanche em seguida. Comecei a tossir para evitar engasgar com o refrigerante que bebia, que depois de sua fala, descia rasgando por minha garganta.
- Ah, você pensou? – tentei rir, mas a vi assentir, séria. Então apenas continuei comendo meu lanche e a observá-la fazendo o mesmo.
- Ele não é tão ruim. – Terminou o assunto de uma vez, me deixando concentrado em minha comida.

- Nossa, esfriou muito, né? – ela comentou ao deixarmos o restaurante em direção ao carro que estava na rua lateral.
- Nossa, muito. – comentei de forma irônica.
- Achei que o calor ia durar mais um pouco pelo menos.
- Pois é. – respondi, destravando o alarme do carro em seguida e vendo-a entrar rapidamente no banco do passageiro.
- Nem acredito que amanhã já é segunda-feira de novo. – Ela falou, fazendo bico.
- Amanhã vou trabalhar de casa, pelo menos não é tão ruim. – comentei, vendo-a assentir em resposta. Aquela era a conversa mais estranha que já tivéramos em 30 anos. Decidi me calar novamente e deixei com que o rádio tomasse conta do som ambiente. encarava o lado de fora e não parecia nem mesmo com vontade de puxar algum assunto.

- Obrigada, . – Ela tentou sorrir, buscando por suas chaves na bolsa quando já estávamos no hall de nosso andar.
- . – falei, antes que ela entrasse e eu me arrependesse. Respirei fundo antes de continuar, vendo-a me encarar. – A aposta foi algo bobo, se você não queria sair comigo, era só dizer não. Não era como se você fosse obrigada e você sabe disso, pois não era preciso que as coisas fossem assim, sempre tivemos liberdade um com o outro. Eu nunca me senti tão desconfortável sendo apenas nós dois. – Suspirei.
- ...
- Pode ficar tranquila, vou esquecer tudo isso. Eu te conheço, , sei que é por isso que você agiu assim, só queria que você tivesse sido honesta comigo. Não estou bravo, só um pouco chateado, mas não com você. – Me aproximei dela, deixando um beijo em sua testa. – Não fuja de mim, ok? Já estou deixando isso para trás. Dorme bem. – Sorri, entrando rapidamente em casa, sem olhar para trás.
- E aí, pai? – Luke me encarava do sofá, ansioso. Não tive ao menos tempo para pensar ou reclamar sozinho.
- Pode esquecer, Luke, isso não tem qualquer chance. Não era para ser, a não quer tentar, eu apenas me iludi. – Ri de mim mesmo, me jogando ao seu lado no sofá. – Estou me sentindo um adolescente de novo. Eu nunca imaginei que queria isso até querer tanto. Achei que ia dar tudo certo, que ia rolar uma Terceira Guerra Mundial pela mudança da ordem das coisas e do que sempre fomos, e íamos dar certo ainda assim, mas a Terceira Guerra Mundial está sendo criada na própria cabeça dela, e eu entendo, está tudo bem. Só estou chateado. – Desabafei.
- Foi tão ruim assim? – ele perguntou, parecendo surpreso.
- A é uma das pessoas mais carinhosas e espontâneas que conhecemos, não? – perguntei, vendo-o concordar imediatamente. – Imagine ela forçando o completo contrário disso? – sorri, me dando conta do quão engraçado fora, na realidade.
- Droga. – Riu. – Eu também me iludi. Era meu sonho de criança se tornando real. Acha que ainda tem alguma chance? – neguei com a cabeça, vendo-o se aproximar para um abraço desajeitado que terminou em risadas.
- Se quiser ir ver se ela está bem, acho que ela vai gostar. – Sorri para ele após nos recompormos. – Não acho que posso ser a pessoa a salvá-la de um encontro ruim com chocolate quente dessa vez.

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13 de agosto de 2018

Terminei de guardar as louças que usamos no jantar e corri para meu quarto para tomar um banho e deitar. Luke havia feito o mesmo, mas notei que ele conversava com alguém no telefone, provavelmente era Mads.
Sai do banho e já me joguei na cama, aquela segunda-feira havia tirado todos os meus limites do lugar, minha cabeça precisava de descanso para que não matasse algum cliente nos sonhos.
Pensei em assistir algo em algum serviço de streaming, mas enquanto ligava a TV, ouvi o barulho da campainha soar. Luke nem ao menos se preocupou em levantar-se, afinal, só poderia ser uma pessoa naquele horário e sem qualquer anúncio de portaria. Me levantei e caminhei até a sala em passos lentos.
Eu e não havíamos deixado de nos falar depois do péssimo encontro, mas as coisas estavam um pouco mais estranhas que o normal, por mais que lutássemos para que não. Acredito que aquela era mais uma luta minha, tentando tirar da cabeça a ideia que havia me animado e me feito perceber o quanto gostava dela.
- Oi, . – Ela sorriu, passando pela porta e indo diretamente para meu sofá.
- Oi. – Sorri também, fechando a porta e seguindo-a. – Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa? – ela negou com a cabeça.
- Estou bem, só precisava conversar com você. Hoje saí para olhar vestidos para o casamento, e algumas outras coisas também, que eu precisava comprar. Fiquei ansiosa. – falou, animada.
- Eu ainda nem fui atrás disso, preciso ir. – Bufei, lembrando-me. – Acho que vou no sábado com o Luke.
- Se vocês quiserem, posso acompanhar. – Deu de ombros.
- Sempre queremos. – Sorri em resposta, vendo-a assentir.
- É... – Ela torceu a boca, parecendo pensar antes de falar. – ...
- Ih... O que aconteceu? – ri de seu nervosismo.
- É que eu queria fazer uma pergunta meio... Não sei. – Riu, parecendo relaxar. – Eu queria saber se você vai levar uma acompanhante para o casamento.
- Não. – Respondi rapidamente, negando com a cabeça. – Recebi um convite a mais, mas Luke vai levar a Mads. Se você for levar alguém, ainda temos espaço no carro. – Dei de ombros.
- Ah, não, não. Não vou levar ninguém. Que bom que a Mads vai, fico tão feliz.
- Também. – Sorri, sincero.
- Bom, vou te deixar dormir. Sábado nos encontramos para eu ir com vocês então, né? – ela se levantou, caminhando até a porta.
- Claro, precisamos de uma boa opinião. – Ri, acompanhando-a e me despedindo com um aceno.

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23 de agosto de 2018

- Vocês têm certeza de que não esqueceram de nada? Ainda dá tempo de voltar. – perguntou pela milésima vez.
- Não dá tempo de voltar não, a não ser que você queira dirigir, porque eu não estou com essa vontade.
- Eu posso dirigir, ué. Melhor isso do que vocês terem esquecido, sei lá, o presente de casamento da sua irmã. – Tirei a atenção da pista por alguns segundos, olhando-a. Vi Luke levar as mãos à cabeça no banco de trás.
- Luke! Era a única coisa que você não podia esquecer, caralho! – reclamei, negando com a cabeça.
- A gente manda depois para ela, não acho que a tia Sadie vá ficar chateada. – Luke respondeu, bufando.
- Ela é uma noiva que deve estar preocupada com tudo e surtando com os detalhes, ela vai ficar chateada, Luke. – Mads respondeu e vi concordar ao meu lado. – Mas vocês não precisam voltar, eu peguei. – Vi pelo retrovisor a garota rolar os olhos e piscar para ela, começando a rir.
- Você sabia o tempo todo e vocês estavam tramando contra nós? – perguntei para mulher ao meu lado e a vi rir ainda mais, dando de ombros. – Meia hora de viagem e já saímos perdendo. – Encarei Luke, que concordou, tentando esconder um sorriso. Eu não precisava que Luke se abrisse comigo ou com a , estava estampado em seu rosto o quanto ele gostava de estar com Mads.
- Você é a salvadora da pátria. – Luke falou, jogando um papel de bala na garota, que o retribuiu mostrando a língua e fazendo-o rir. – E você é uma traíra, tia. Só por isso, quem vai escolher as músicas agora sou eu, pode tirar seu celular daí. – Ele reclamou e , sendo a maior fã de Luke desde sempre, obedeceu, tirando o celular e deixando que ele conectasse sua playlist.
- Acho que não sei se aguento 4h da sua playlist. – Mads resmungou, nos fazendo rir.
- Se você me aguenta há tanto tempo, você pode aguentar minha playlist. – Retrucou.
- Pelo menos coloca a nossa compartilhada.
- Não sei...
- Se vocês não colocarem a compartilhada de vocês logo, eu vou colocar a nossa compartilhada. – falei, vendo concordar.
- Vocês têm uma playlist compartilhada? – Mads perguntou e assentiu.
- Somos velhos, mas sabemos mexer no Spotify, tá? – respondi.
- Mas vocês têm o mesmo gosto? – ela perguntou novamente, parecendo surpresa.
- Para tudo, basicamente. – Sorri ao responder, vendo se virar para falar com a garota.
- E o que um não gostava, teve que aprender a gostar, é assim desde sempre. – Ela deu de ombros.
- E eles nunca se mataram por isso, juro. – Luke falou.
- Ei, aquela vez não conta. – Ouvi Mads responder com uma gargalhada. Os dois entraram em uma discussão impossível de entender e eu voltei minha atenção para a estrada enquanto ouvia resmungar a música que Luke havia colocado.

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- E adivinhem quem chegou para melhorar esse momento? – entrei no quintal da casa de meus pais, gritando.
- Eu! – gritou também, me respondendo e fazendo todos rirem.
Todos se levantaram ao mesmo tempo para nos cumprimentar. Estavam Sadie e o futuro marido, Alex; meus pais, os pais de e algumas pessoas próximas da família, como amigas de Sadie que seriam madrinhas.
- Minha madrinha mais linda chegou! – ela falou, animada, para . – Shh, as outras não podem saber. – Ela abaixou o tom de voz, rindo.
- Madrinha mais linda que você não faz questão nem de ligar para contar as coisas, Sadie . – Ouvi estapear o braço da amiga, que sorria, culpada.
- Eu queria que o convite fosse surpresa, depois eu desisti dessa ideia e quis que te contasse.
- E ele não contou, eu descobri pelo convite.
- ! – Sadie gritou, rolando os olhos automaticamente.
- Eu pedi desculpas! E eu não imaginei que vocês se falassem tão pouco assim, vocês são amigas, não tenho nada a ver com isso. – Reclamei.
- Eu quase não estou tendo tempo de ver a mamãe, não ando ligando para ninguém. – Sadie bufou.
- Isso que dá inventar um casamento do nada, tia. – Luke se aproximou depois de cumprimentar algumas outras pessoas e Sadie correu para seus braços.
- Meu bebê, você está tão lindo, que saudades.
- Também estava com saudades, tia. – Ele sorriu, sincero, apertando-a entre seus braços.
- E essa é Mads, a namorada? – minha irmã sorriu abertamente, abraçando Mads.
- Hm, oi! Não, somos só amigos. – fingiu um acesso de tosses ao meu lado e eu a acompanhei até levarmos um olhar assustador de Luke em resposta e vermos uma Mads completamente vermelha.
- Melhor vocês escreverem isso na testa então, porque todos vão perguntar a mesma coisa. – Sadie riu. – Vamos sentar e comer, logo vocês colocam o papo em dia com todo mundo. – falou e saiu, retornando ao seu lugar e nos deixando sozinhos para nos juntarmos à mesa.
- Hm... Isso acontecia com vocês? – Mads perguntou quando Luke foi o primeiro a andar.
- Você vai ver como ainda acontece. – sorriu, envergonhada. – Meus pais nos cumprimentaram rapidamente, mas quando nos sentarmos ali, essa será a primeira pergunta, não é, ? – eu assenti, era sempre a mesma coisa quando visitávamos nossos pais. A parte difícil era que agora eu via o mesmo que eles.
- Vamos. – Suspirei, colocando uma mão sobre o ombro de para guiá-la comigo em direção à mesa.
- Estou tão feliz que estamos todos juntos. – A mãe de falou quando me sentei ao seu lado.
- Eu estava morrendo de saudades daqui, com casamento ou não, tínhamos que vir. – Respondi, vendo concordar.
Morávamos em Londres há muito tempo, desde que Luke tinha 08 anos. voltou dos Estados Unidos às pressas quando ele tinha 07 anos e Scarlett nos deixou sem qualquer aviso prévio. Ela dizia que nos amava e por isso tinha que ir.
Na mesma noite que isso aconteceu, eu não soube o que falar para uma criança de 07 anos. Eu o deixei na casa de minha mãe sem falar nada e liguei para aos prantos, pensando o que fazer a partir dali. Naquele mesmo momento, enquanto falava comigo no telefone, ela comprou uma passagem para o dia seguinte.
sabia que não era algo como uma briga ou qualquer coisa, ela sabia que não tínhamos histórico para isso, Scarlett havia realmente ido embora para não voltar. também sabia que minha família poderia me apoiar, mas não aceitou a ideia de deixar Luke e eu desamparados nesse momento. Ela ajeitou suas coisas com a empresa em que trabalhava para fazer seu serviço virtualmente e no dia seguinte eu já chorava em seu abraço na estação de trem em Manchester.
Luke era apaixonado por porque ela abraçou a ideia de cuidar dele. Nunca mentimos, Luke sempre soube que a mãe havia ido embora. Foram anos de terapia, mas o ajudamos a passar por isso, assim como eu. foi tudo para o garoto, ela me ajudou em cada passo da vida dele, já que, sete meses depois do que aconteceu e vivíamos em Manchester, ela recebeu a proposta de trabalhar para uma filial da mesma empresa que trabalhava nos EUA, em Londres.
Não tivemos que pensar duas vezes. Eu precisava de novos ares e Luke poderia aproveitar muito também, então nos mudamos sem olhar para trás. O mais difícil foi explicar para nossos pais que estávamos nos mudando para apartamentos um em frente ao outro, e que não iríamos morar juntos e literalmente ficar juntos.
- Já estava na hora, com certeza, meu bem. – Minha mãe respondeu, sorrindo. – Eu não aguentava mais de saudades do meu neto.
- Nem me fale! – meu pai reclamou. – Ele não vem me acompanhar a um jogo do City há muito tempo! Já estou achando que não gosta mais do avô dele.
- Vovô, a última vez que te acompanhei em um jogo do City, eu devia ter uns 11 anos, eu cresci e aprendi o que é um time de verdade, sinto muito. – Luke respondeu, me fazendo negar com a cabeça.
- Meu filho é um perdido na vida. – Lamentei, vendo fazer um high-five com ele.
- Seu filho só tem uma ótima madrinha, meu querido. – O pai de respondeu, dando de ombros.
- E vocês dois, meu amor, como estão? – a mãe dela perguntou.
- Mãe... Não começa. – riu, respirando fundo.
- Mas eu nem falei nada, ... Você entende o que quer, não? – ela piscou, fazendo todos da mesa gargalharem, inclusive eu, que recebi um olhar matador por isso.
- Estamos ótimos, Macy, solteiros e bem. – Respondi, tentando não soar magoado com minha própria fala. A única forma de jogar para o ar toda a minha amizade com seria contar algo do último mês para eles, sem dúvida.
- Solteiros porque são bobos, não custa lhes lembrar. – Meu pai respondeu, me fazendo encará-lo com indignação.
- Não falamos, Mads? – perguntou, vendo a menina rir do que acontecia.

24 de agosto de 2018

- Ei, a gente podia sair, né? – perguntou, entrando no quarto que eu estava dividindo com Luke.
- Podíamos. – Luke respondeu e negou para ele com a cabeça.
- O convite é para o mais velho, meu amor. Você pode levar Mads para sair. – piscou para ele e eu sorri ao vê-lo vermelho.
- Isso quer dizer que você quer me levar para sair, senhorita? – perguntei, não resistindo em zombar dela.
- Não tenho outra companhia, não é? – retrucou, dramatizando.
- Tem ao menos umas 20 pessoas nessa casa, entre elas, algumas amigas da minha irmã que são suas quase amigas também e gostariam de sair, com certeza. – Rebati.
- , se você não quiser ir, tudo bem. – Reclamou.
- Claro que ele quer ir, tia, ele só está com medo de levar um fora de novo. É compreensível, não? – Luke respondeu, fazendo encará-lo.
- Luke. – O repreendi enquanto via andar para fora do quarto. – Qual o seu problema?
- Caralho, que ódio. Desculpa, era para ser uma brincadeira. – Ele levantou para segui-la, mas eu o puxei de volta para o quarto.
- Pode deixar. – Sai do quarto e andei até o cômodo ao lado que seria o seu, batendo na porta e entrando. estava sentada na cama, encarando o teto, Mads parecia não estar ali. Encostei a porta e me sentei no chão, em seus pés. – Foi só uma brincadeira boba dele, , não me diz que ficou chateada por isso. – Coloquei minhas mãos sobre as suas e ela negou com a cabeça.
- Não estou chateada com ele, , fica tranquilo, é só que... – ela começou, mas preferiu se calar, não continuando a frase. – Está tudo bem, só fiquei nervosa, esse assunto é complicado, me desculpe.
- Eu posso saber por que esse assunto é complicado? Eu achei que já tínhamos descomplicado ele. – Dei de ombros.
- Eu te tratei mal e nem mesmo te pedi desculpas. Eu poderia não ter ido, , mas eu preferi ir e te tratar de uma forma completamente estranha.
- Foi bem esquisito mesmo. – Dei de ombros e a vi rir. – Mas está tudo bem, eu já deixei isso para trás. – Ela assentiu.
- Tia... – Luke entrou no quarto, suspirando. – Desculpa.
- Tá tudo bem, meu amor. – Ele se aproximou, abraçando-a.
- Mas quero aproveitar que já gerei o problema e a DR para abrir o jogo do que conversamos. – Ele a encarou e eu desviei meus olhos de um para o outro enquanto eles trocavam um olhar com significados e segredos que eu não entendia. – Os dois sabem que eu sei tudo que aconteceu, afinal, sou o melhor amigo dos dois. Pai, a não perdeu a aposta. – A encarei enquanto ele falava, arqueando minhas sobrancelhas. – Eu contei para ela naquele dia que eu gosto da Mads, mas eu pedi para que ela não contasse, então ela preferiu ir ao encontro do que trair o meu pedido.
- Então minha melhor amiga guarda segredos de mim, desde que sejam do meu filho? – perguntei, me jogando no chão e rindo. – Vocês dois não existem! – Luke deu de ombros e começou a rir também.
- Luke, acho que precisamos conversar. – Ouvi a voz de Mads na porta e me levantei rapidamente, me virando na direção dela.
- Mads. – Luke suspirou, levantando e colocando as mãos na cabeça.
- É, eu acho que agora é a hora da DR dos mais novos. ... – se levantou, pegou sua roupa que estava separada em cima da cama e me puxou em direção da porta para sairmos do quarto. – Vou levar seu pai para dar uma volta, se comportem e boa sorte. – Ela bateu a porta rapidamente e caminhamos em direção ao meu quarto. – Isso é algo que foge do nosso controle. Vou me arrumar aqui e saímos, tudo bem? – eu sorri, assentindo.
- Lock 91? – ela assentiu.
- Como sempre.
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Entramos no Lock 91 por volta das oito da noite. Aquele era nosso lugar favorito para desaparecer e apenas perder tempo em Manchester. Íamos para lá, bebíamos, dançávamos e estar ali era apenas o que importava.
Não podia mentir, aquele lugar também me lembrava um pouco Scarlett, pois ela passou a frequentá-lo com e eu, mas sempre seria o nosso lugar, então era apenas mais uma lembrança qualquer.
- Mesa do canto? – perguntou e eu assenti, seguindo-a por entre as pessoas em um ambiente quase vazio, mas que em uma hora provavelmente estaria cheio. – Você vai me carregar para casa depois? – questionou, tirando o casaco para sentar-se à mesa.
- Ah, não, a bêbada a ponto de cair, não. – brinquei.
- Essa não existe mais, odeio me sentir daquele jeito. – Riu, abrindo o cardápio de bebidas disposto sobre a mesa. – Hoje se você quiser, eu te carrego. – Piscou.
- Como se eu bebesse muito. Somos dois velhos, . – Dei de ombros, vendo-a concordar.
- Mas gosto do sincero após uns dois copos de whisky.
- E eu preciso de dois copos de whisky para ser sincero com você? Nesse momento, por exemplo, preciso ser sincero, seu cabelo está uma bagunça. – Me estiquei sobre a mesa, arrumando sua franja bagunçada, que estava com alguns fios enroscados em seu rabo de cavalo.
- Você podia ter avisado antes então, né? – reclamou, voltando a atenção para o cardápio enquanto o garçom vinha nos atender. – Estou ansiosa para saber o que aconteceu com Luke e Mads. – falou após a saída do garçom.
- Eu também, espero que dê certo para eles.
- Eu acredito que ela também goste dele. – ela sorriu, parecendo lembrar-se de algo. – Pelo jeito que eles se olham.
- Também senti. – Sorri, também me lembrando dos dois. – E foi fácil para ele? Se abrir com você naquele dia? – perguntei, lembrando-me da aposta.
- Não é como se fosse a coisa mais fácil do mundo, mas eu conheço vocês dois, não? Meu trabalho no psicológico sempre funciona. – Ela mostrou a língua, me fazendo rir. A vi olhar distante e acenar para alguém com uma falsa animação.
- Você não parece feliz. – Pensei em virar para trás para ver, mas ela colocou a mão sobre a minha para que eu não fizesse.
- Rory, Kylian e Peter estão vindo para cá. – falou quase sem mexer a boca.
- Não nos preparamos para isso, né? – falei, rolando os olhos e vendo-a se levantar, me fazendo perceber que já estavam próximos, então fiz o mesmo.
- , , quanto tempo! – Rory foi a primeira a se aproximar, abraçando . Cumprimentei Kylian e Peter enquanto as duas trocavam algumas palavras. – Marcamos de sair, pois não nos víamos há algum tempo, é muita coincidência também encontrar vocês aqui. – falou enquanto me abraçava fortemente
- Podemos nos juntar a vocês? – Peter perguntou, já se sentando.
- Claro. – falei, sorrindo. Peguei minha carteira que estava em cima da mesa, em frente à , e me sentei ao lado dela, deixando o espaço para que Peter e Rory se sentassem, enquanto Kylian puxava uma cadeira para colocar ali conosco.
- Encontro da turma de 1999, nada melhor! Vocês tinham que estar na reunião que tivemos da galera uns dois anos atrás. – Kylian falou.
- Estamos morando em Londres, então é um pouco difícil nos organizarmos para estar por aqui em uma sexta-feira. Tínhamos acabado de marcar de vir para Manchester na semana seguinte à festa quando recebemos o e-mail.
- E como está seu pequeno, Rory? – perguntou e me lembrei que ela tinha um pequeno de quatro anos.
- Está um amor, pensem em uma criança carinhosa. Eu e Rupert não podíamos estar mais felizes.
- E ele está bem? – perguntei. Rupert era um dos mais legais daquele grupo na época que estudávamos juntos. Não que não gostássemos dos três que estavam ali conosco, mas não éramos as pessoas mais próximas do mundo como eles queriam fazer parecer.
- Está ótimo, está viajando a trabalho, senão estaria aqui também. – respondeu, fazendo bico, como se sentisse a falta do marido.
- E o seu não tão pequeno, , como está? – Peter perguntou, me fazendo sorrir. Falar de Luke para mim seria sempre motivo de felicidade e orgulho.
- Está incrível, não posso me queixar do meu adolescente irritante. – Respondi, fazendo todos rirem.
- Você é mais irritante que ele, , não fale assim do Luke. – rebateu, trazendo ainda mais gargalhadas. Essas foram cessadas quando o garçom nos trouxe nossos copos e os demais fizeram seus pedidos.
- E o que os traz à Manchester? Visitar a família? – Kylian perguntou, encarando , que estava focada em sua bebida.
- Minha irmã vai se casar, somos padrinhos. – Respondi, vendo-os assentir e iniciar uma conversa sobre outras pessoas da época de escola que se casaram, tiveram filhos, viajaram para outros países ou qualquer outra coisa interessante para falar da vida dos demais.

- Acho que é hora de dançar para aliviar a bebida do corpo. – Rory falou, chacoalhando a cabeça como se estivesse tentando se livrar de algo.
- Não poderia concordar mais. – Kylian se pronunciou, esticando a mão para , que estava ao seu lado. – Me acompanha? – perguntou. A vi morder o lábio como se estivesse pensando, e depois concordou com a cabeça, aceitando sua mão e se levantando.
- Você vai? – ela perguntou, me encarando.
- Daqui a pouco. – Sorri, vendo-a assentir e sair com Kylian e Rory para o espaço onde algumas pessoas dançavam.
- Vocês realmente não estão juntos? – Peter perguntou após eles saírem. Neguei com a cabeça.
- Apenas amigos, como sempre fomos. – falei, tentando sorrir.
- Então vamos procurar pares também, , hora de sair dessa mesa. – Ele falou, levantando-se e batendo em meu ombro para que o seguisse.
- Às vezes acho que não tenho mais idade para isso. – brinquei, o vendo rir e concordar.
- Eu achei que era só eu. Às vezes olho para trás e percebo que não tenho nada em que me segurar, e que nem talento mais para ficar com as pessoas eu tenho.
- É a crise dos 35, Peter. – brinquei e ele concordou. – Mas arrumar alguém apenas para dançar não deve ser tão difícil assim. – falei, apontando para duas mulheres que pareciam se divertir sozinhas na pista e nos encaravam. Peter deu de ombros e iniciou nosso caminho até lá para nos juntarmos a elas.

- , eu acho que vou embora, tudo bem? – falou, se aproximando de Jemma e eu, que dançávamos e ríamos de assuntos aleatórios com Peter e Jen, sua irmã.
- Ei, por quê? Está tudo bem? – perguntei, pedindo licença de nosso grupo para conversar com , puxando-a para mais perto do bar.
- Está sim, só estou cansada, amanhã todo mundo acorda cedo para curtirmos o dia em família e à noite ainda temos as despedidas de solteiro, acho melhor eu descansar um pouco. – respondeu.
- Vou só me despedir e vamos, tudo bem?
- Não quero estragar sua noite, , eu posso ir sozinha, você sabe. Você está se divertindo. – Reclamou.
- A partir do momento em que você está arrumando desculpas para mim, não estou me divertindo. – Dei um beijo em sua testa e voltei rapidamente para o grupo em que estava, me despedindo de todos. – Vamos? – falei quando retornei, vendo-a distraída, olhando em volta de todo o local. Ela assentiu e eu coloquei a mão em suas costas, direcionando-a para a saída.
- O que aconteceu? – perguntei quando entramos no carro de aplicativo que chamamos.
- Por que você não aceita minhas respostas? – questionou, olhando pela janela, interessada.
- Porque eu sei quando elas são mentiras e eu estou vendo que você está incomodada com algo.
- Não aconteceu nada, eu só fiquei desconfortável com Kylian e sai de perto deles.
- Ele fez algo? Aconteceu alguma coisa para te deixar desconfortável? – perguntei, preocupado, e ela negou com a cabeça.
- Eu só senti que ele tentava transformar a dança em um encontro, pois ele começou a divagar sobre a vida, falar de várias coisas. Não estava afim disso. – Ela sorriu, parecendo distante. – Acho que não sirvo mais para isso, me irrita ter que conhecer as pessoas e os papos de sempre. – Assenti, concordando em silêncio.
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26 de agosto de 2018

- Finalmente, já estava preocupado. – falei quando vi Luke entrar pela porta do quarto enquanto eu arrumava minha gravata em frente ao espelho.
- Levei Mads para dar uma volta e tomamos café juntos. Agora deixei ela para se arrumar com as madrinhas. – Ele deu de ombros, fechando a porta e andando até seu terno.
- E como vocês estão? Ontem nem conseguimos conversar direito, vi que estão bem, mas bem como? – perguntei, vendo-o sorrir de lado, provavelmente com vergonha.
- Acho que estamos namorando. Não sei. – Ele deu risada.
- Então descubra.
- A tia não descobriu que é sua namorada ainda, e já são anos, não me julgue, estou no segundo dia.
- Luke. – Reclamei, suspirando e me sentando na cama.
- Estou falando só para você, não foi para ela pelo menos. – Riu. – Mas acho que esse assunto está ficando um pouco delicado, desculpe.
- Não é isso, é que... Não sei. A me deixa perdido. – Soltei uma risada nasalada e me levantei, ajudando-o com a roupa social. – Quando tudo aconteceu, parecia completamente certo e ela parecia sentir isso também, mas depois ela voltou 100% atrás. Respeito a opção dela, sei que ela pode não sentir nada, mas não é o que parece, e isso me deixa frustrado. - Desabafei, vendo Luke concordar com a cabeça.
- Todo mundo vê algo em vocês, só demorou para que vocês mesmos enxergassem. Já escutei isso de muita gente, principalmente nesses dias, e isso porque eles nem mesmo sabem o que está acontecendo. Todo mundo diz que vocês estão diferentes e que é bom vocês estarem aqui, porque é onde se conheceram. No final, vocês sempre vão voltar para esse lugar, mesmo que morar em Londres seja incrível. Quando vocês visitam Manchester, a nostalgia fica presa nos olhos de vocês, mesmo que também tenham as partes ruins.
- Seus avós te envenenaram, não é? – perguntei, pensativo em suas palavras. – Os quatro, porque isso tem dedo de Macy e Tripp também. – Ele deu de ombros, concordando. – Tudo está diferente. Mas não é um diferente bom.
- Não é bom porque vocês estão lutando contra, pai, e é exatamente essa a impressão que passa. Vocês são amigos há anos e, do nada, vocês estão agindo de uma forma muito menos amigável que antes. Pense nisso.
- Eu estou realmente ouvindo conselhos do meu filho adolescente? – bufei, gargalhando em seguida. – Você é o melhor. – O abracei rapidamente, tentando não nos amassar.
- Isso quer dizer que você vai tentar de novo? – perguntou, ajeitando o botão da camisa em frente ao espelho enquanto eu colocava meu celular no bolso da calça e pegava meus documentos.
- Não sei se posso tentar de novo, você não acha que é muita coisa para jogar fora se eu insistir? E se eu tentar de novo e ela for embora? Não acho que sobreviveríamos a isso. – falei, sincero, vendo-o concordar.
- Ela nunca iria embora das nossas vidas, ela não é a minha mãe, pai. Tenho certeza que se você matasse alguém, ela te ajudaria a esconder o corpo, a tia não desiste de nós.
- Por incrível que pareça, eu já ouvi isso dela. – Ri, lembrando-me de todas as vezes que tivemos essa conversa idiota.
- Você só tentou uma vez, tentar mais uma para convencê-la de deixar de ter o mesmo medo que você não é errado. Agora é uma boa hora para você digerir tudo isso e colocar em prática quando voltarmos para casa, porque, nesse momento, temos um casamento para ir e a tia Sadie não gostaria que nos atrasássemos.
- Vou procurar a e a Mads. – falei, andando até a porta.
- Não se preocupe, elas vão com as garotas, nós as encontramos lá. O vovô e o Tripp vão com a gente. – Assenti, concordando.

🌇


- Está preparada, senhorita madrinha? – perguntei ao me aproximar de que estava junto às outras amigas de Sadie.
- Ei, oi. – Ela sorriu ao se virar, me cumprimentando com um beijo na bochecha. – , você está lindo. – Ela sorriu, me pegando de surpresa e me fazendo corar. Não estava acostumado a receber elogios, menos ainda vindos de , já que sempre zombávamos um do outro. – Um pinguim, mas um pinguim lindinho.
- Você está incrível também, . – falei, puxando a pelo braço para que desse uma volta, o que a fez a rir. – Acho que você é a madrinha mais linda que já vi, mas não posso falar isso em voz alta. – brinquei, sussurrando. Ela concordou, achando graça.
- Preparado para casar sua irmãzinha? – ela perguntou, cruzando seu braço ao meu e andando em direção à porta da igreja.
- Muito preparado. Sei que ela está em boas mãos. Estou começando a achar que meus pais o amam mais do que a mim.
- Eles me amam mais do que a você, não seria bem uma surpresa. – falou, convencida.
- Não posso nem discordar, essa é a parte mais complicada.
- Acho que não aguento mais ser madrinha de casamento com você. Já foram o quê? Uns quatro casamentos? – assenti, rindo.
- As pessoas acham que combinamos, tenho certeza. – brinquei.
- Eu também. Não que estejam erradas, somos lindos. – Ela deu de ombros.
- Você está anormalmente convencida hoje, .
- Estou feliz, apenas isso. Na verdade, acho que tem algo errado, mas depois falamos disso. – Ela apontou para todos se posicionando ao nosso redor.

- Sadie, você estava maravilhosa. – Abracei minha irmã apertado, parabenizando-a. fez o mesmo entre alguns gritos que elas trocavam em animação.
- E vocês são o casal de padrinhos mais lindos do mundo, ficaram perfeitos como sempre. Obrigada por estarem aqui. – Seus olhos lacrimejaram e eu ri, sabendo que ela estaria completamente emotiva. – Espero que vocês estejam bons na dança. – brincou antes de partir para cumprimentar o próximo casal de padrinhos.
- Não é como se fosse nosso primeiro casamento. – gritou, fazendo-a gargalhar. – Lá vou eu tomar mais pisões no pé.
- Eu melhorei desde o primeiro, não seja sem graça, foi muito esforço para chegar no um para lá e um para cá.
- Tudo bem, eu reconheço seu esforço, . – brincou. – Eu adoro que ela tenha conseguido fazer a festa aqui.
Sadie havia se casado na Catedral de Manchester, um lugar incrivelmente lindo, e a pequena comemoração também estava sendo ali, no salão junto à Catedral. Tudo estava incrivelmente maravilhoso, eu e encarávamos a decoração embasbacados. Minha irmã tinha um ótimo gosto.
- Eu amo esse lugar. – Respondi e vi assentir, concordando. Logo, ouvimos o início da música escolhida por Sadie para a primeira dança com seu marido, a qual os padrinhos a acompanhariam.
Os noivos se posicionaram no centro do salão, exalando felicidade a todos ali. Era palpável a emoção que tinham olhando um para o outro e dividindo aquele momento. Eu duvido que eles tenham reparado quando os demais pares se juntaram a eles.
Puxei pela mão até um lugar próximo de Sadie. Ela sorriu para mim ao juntar nossas mãos no ar, enquanto eu posicionava uma das minhas em sua cintura e ela colocava a sua outra em meu ombro.
observava Sadie ao nosso lado, sorrindo, provavelmente orgulhosa da amiga. Um casamento sempre fora o sonho de minha irmã, e nós sabíamos que ela estava se realizando ali. Enquanto ela observava Sadie, eu não podia tirar meus olhos dela. Seu sorriso de ver outra pessoa feliz era um dos mais lindos, era uma amiga incrível para quem a tinha ao seu lado, e vê-la feliz por essas pessoas era de tirar o fôlego. Ver sua lealdade, sua dedicação às pessoas em volta dela era algo sem igual.
Quando seus olhos voltaram para os meus durante o refrão da música, não os desviamos. Vê-la me encarando daquela forma fazia meu rosto esquentar inconscientemente com os diversos pensamentos que passavam em minha mente. Aqueles eram os olhos que conheci durante toda minha vida, eu conhecia como ninguém, nós havíamos estado juntos em tantos momentos que conhecíamos até mesmo as cicatrizes um do outro, e muitas delas haviam sido feitas juntas. Eu nunca teria a ligação que tinha com ela com outra pessoa, e, naquele momento, eu apenas torcia para que ela também sentisse o mesmo quanto a mim e eu não estivesse enganado.
A música terminou e ouvimos os aplausos dos convidados. Mantive minha mão em sua cintura e me afastei um pouco, deixando um beijo em sua cabeça, vendo-a sorrir com o gesto.
- Agora podemos comer? Estou morta de fome. – Ela falou, sussurrando.
- Eu espero que sim, porque eu também estou.

- Podíamos tirar umas fotos, não acha? – perguntou, abaixando-se para falar comigo. Estava sentado em uma mesa com meus pais, vendo Sadie aproveitar cada segundo da festa que já durava 4 horas e estava por acabar.
- Já não estou o pinguim mais lindo do mundo, e já tiramos tantas fotos, . – Fiz bico.
- Você continua um pinguim lindinho, e não tiramos fotos para nós, tiramos as do casamento. Vamos. – Ela pegou minha mão e puxou-me em direção à saída do salão.
- Eu achei que você queria tirar fotos no casamento.
- Eu só precisava sair de lá um pouco, quero ir a um lugar. – falou enquanto dávamos a volta pela frente da catedral para chegarmos ao outro lado.
- Está nostálgica? – perguntei, rindo. Ela havia nos levado até a lateral da Catedral, um local em que costumávamos ficar. A Catedral era linda e um lugar calmo, algumas vezes, saíamos da escola, que era próxima, e ficávamos juntos ali, fazendo nada.
- Talvez um pouco. Eu ainda amo esse lugar. – falou, se apoiando na parede para se arrastar até o chão.
- , você vai se sujar. – Reclamei.
- Não me importo, vem cá, você é muito chato. – Ela esticou a mão, me chamando para me sentar também. Dei risada e me juntei a ela, encostando-me ao seu lado. – Pega seu celular, é melhor.
- As fotos não eram mentira então?
- Você está de implicância comigo.
- Faz alguns pouquíssimos anos que estou, acho que você demorou a perceber. – Ela mostrou a língua e rolou os olhos, momento que registrei uma foto com o celular que havia acabado de pegar.
- ! – ela reclamou, tentando puxar o celular de minha mão. Dei um tapa em sua mão para que ela se afastasse e me posicionei ao seu lado, sorrindo para câmera e vendo-a se render a fazer o mesmo.
- Parece que não mudaram nadinha desse lugar, não é? Sei que nunca vai mudar, mas até as cores parecem envelhecidas da mesma forma ainda, não mais velhas. – falei enquanto olhava as fotos em meu celular, escolhendo suas preferidas.
- Lembra quando a gente falava que ia se casar aqui? – lembrou, rindo. – Por fim, você não chegou a se casar, e eu nem mesmo cheguei perto.
- Ainda não perdi as esperanças. – Dei de ombros, encarando-a. – E me sinto feliz de não ter casado com Scarlett, pelo menos não tive que correr atrás de anulação. – Gargalhei, vendo-a negar com a cabeça.
- Errado você não está, mas que pensamento para se ter. – ela riu. – Pelo menos hoje em dia você não fala dela e chora, não é?
- Você nunca vai perder a chance de me zoar por meus anos de fraqueza.
- Eu posso, eu estava ao seu lado em todos eles.
- Isso é um fato. – Sorri. – E eu nunca vou te agradecer o suficiente por tudo.
- Você já me agradece todos os dias. – Ela devolveu meu celular, envolvendo minha mão com a sua de forma rápida. – Acho que ainda podemos curtir uns últimos minutinhos antes de terminar, não? – falou, olhando para o relógio do celular. Eu assenti e me levantei, puxando-a para se levantar também.
- Vou ganhar mais uma dança?
- Vai pisar no meu pé de novo?

- Achei que tinham ido embora sem nós. – Luke apareceu com Mads ao seu lado assim que entramos novamente no salão.
- Eu tentei, mas seu pai não quis. – falou, dando de ombros e recebendo um rolar de olhos de Luke.
- Só estávamos tirando algumas fotos. Logo teremos um álbum de padrinhos de casamento. – brinquei.
- Enquanto os dois seguem encalhados. – Mads zombou e eu e nos encaramos, logo voltando os olhares para ela.
- Essa viagem te deixou abusada, garota. – reclamou, rindo em seguida. – Eu gostei, já pode fazer parte da família.
- O bom é que você controla quem pode fazer parte da minha família. – falei.
- Eu faço parte da sua família, você querendo ou não, então posso dar pitaco em quem entra ou sai. – respondeu, fazendo todos rirem e concordarem.
- Vocês estão insuportáveis. Tia está feliz demais, estou começando até a achar estranho, cadê toda amargura? – Luke sussurrou a última parte, arrancando mais risadas de todos. – Vou até te tirar para dançar. Me concede essa honra? – meu filho perguntou, fazendo uma reverência para madrinha, que aceitou sua mão. – Posso, senhor? – me encarou, brincalhão.
- Com toda certeza, cavalheiro, mas devolva-a o quanto antes. – Entrei na brincadeira, vendo piscar para mim enquanto se afastava com Luke.
- Luke é completamente apaixonado por e conhecê-la melhor nesses dias me fez entender o motivo. – Mads falou quando juntamos nossos braços para segui-los.
- Ela é incrível, não é? Evitamos falar as coisas dessa forma, mas ela se tornou a figura materna dele sem nem mesmo tentar. Ela é uma amiga, mas também é aquela que puxa a orelha e chora por ele. – comentei, orgulhoso, e ela concordou automaticamente com um sorriso no rosto. – E agora temos você para somar, não? Gosto de você, Mads, espero que vocês estejam bem.
- Estamos bem e caminhando para estar ainda melhores. Luke é maravilhoso, pretendo estar aqui para ele sempre que precisar. – respondeu, sucinta. – Para todos vocês. – Finalizou, me tirando um sorriso, que logo se tornou uma gargalhada ao ver Luke escorregar ao entrar na pista de dança.

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27 de agosto de 2018

- Ei, amanhã levantamos cedo, está tudo bem? – perguntei a quando a encontrei na cozinha da casa, bebendo um copo de refrigerante às quatro da manhã.
- Te digo o mesmo, afinal, você também está acordado, . – Ela riu, colocando o copo dentro da pia e encostando-se na mesma.
- Touché, . – Ri, parando ao seu lado. – Perdi o sono.
- Que coincidência, eu também.
- Não temos mais idade para isso. Lembra quando perdíamos o sono quando mais novos por conta das provas da escola e passávamos a noite acordados, falando no telefone? – ela assentiu com um sorriso nos lábios.
- Melhor época da vida. Acho que nunca te agradeci o suficiente por ser minha companhia nas noites daquela época, acho que você foi o único motivo de eu não surtar.
- E você foi o motivo de eu não surtar a vida inteira, como você sabe, então estamos quites, não?
- É, faz sentido. – Deu de ombros.
- Você está bem? Mais cedo, antes do casamento, você disse que talvez tivesse algo errado, aconteceu alguma coisa?
- Às vezes eu falo as coisas e torço para você esquecer, mas raramente você esquece. – Rolou os olhos, soltando uma risada nasalada. – Eu estou bem. Não tem nada de errado. – Sorriu, tentando me convencer. – Você está com algum sono? – perguntou, desviando do assunto. A encarei com as sobrancelhas arqueadas, e neguei. – Estava pensando em ir até minha casa, quais as chances de entrarmos sem matar meus pais do coração?
- Podemos tentar. – Ri. – Mas tem certeza que quer ir até lá a essa hora? – perguntei, vendo-a assentir. – Vou me trocar.
- Eu também, cinco minutos e desço. – Concordei, subindo as escadas logo atrás dela.

- Acho que acordei Luke, mas ele voltou a dormir. – falei quando a encontrei no primeiro andar novamente.
- Mads nem mesmo se mexeu, aquela menina tem um sono de pedra. Luke tem o sono de uma pena, não entendo esse menino.
- Eu também sou assim. – dei de ombros e ela concordou. Peguei a chave do carro que estava no móvel da sala e saímos no ar gelado das quatro da manhã.
- Ar quente, ar quente. – falou, entrando no carro às pressas e ligando-o.
- Estamos em uma época de calor, era só você deixar para sair após oito da manhã que não passaria por isso. – brinquei, entrando no banco do passageiro e vendo-a começar a dirigir logo em seguida.
- Mas eu estou sem sono agora, às oito posso estar com sono. – Justificou.
- Você não vai dormir na viagem de volta e me deixar sozinho com aqueles dois e com sono, . – Reclamei, suspirando.
- Claro que não vou, . – falou, fingida.
- Você sempre dorme quando quero companhia.
- Essa frase soou errada de um jeito estranho. – Ela gargalhou e eu me juntei a ela.
- Você entendeu, sem graça.
- Eu entendi, mas da outra forma ficou mais divertida, parece uma briga de casal pós-sexo, não pude evitar.
- Liga o rádio e fica quieta que é melhor. – falei, rindo.

- O que você quer aqui? – perguntei para assim que saímos do carro em frente da casa de seus pais.
- Preciso ver algo no meu quarto. – Eu assenti, sem fazer mais perguntas. – Agora vem a parte de abrir tudo e andar pela casa sem acordar meus velhinhos e matá-los do coração.
abriu a porta delicadamente, girando a chave devagar e a maçaneta aos poucos para que fosse possível ouvirmos apenas um clique baixo. Ela comemorou quando passamos para dentro da casa e eu fiz o inverso com a mesma classe, delicadamente, fechando e trancando a porta.
- Te espero aqui, pode ir lá. – falei, vendo-a já próxima da escada. Ela negou com a cabeça, me puxando pela mão para acompanhá-la.
Quando alcançamos o andar de cima, ela me pediu para que esperasse e andou sozinha até o quarto. Fiquei encarando as fotos de sua família que já havia visto milhares de vezes antes e ficavam espalhadas pelo corredor. Tinham fotos de , de seus pais, de Luke, de todos nós juntos.
- Ei, achei o que precisava. – Ela sorriu, se aproximando de mim e olhando também as fotos. – Adoro essa. – Ela apontou para uma foto minha, dela e de Luke com seus pais.
- Eu também. – Concordei.
- Já está com sono? – ela perguntou e eu neguei com a cabeça. – Então vem. – Ela tomou minha mão na sua e andou para o lado contrário de seu quarto, alcançando o final do corredor, onde havia uma porta acima de nossas cabeças, o sótão da casa. Arqueei minhas sobrancelhas, vendo-a dar de ombro e subir as escadas após puxar a porta.
- Não temos mais idade para isso, . – brinquei, vendo-a se sentar próxima da janela.
O cômodo não tinha muitas coisas, eram apenas tralhas que seus pais jogavam lá, inclusive, muitas coisas dela que haviam ficado para trás com as mudanças. Nosso canto ainda estava bem cuidado, tínhamos alguns cadernos e canetas ali, e ficávamos observando a rua. Algumas almofadas estavam empoeiradas e sem capas, mas ainda estavam ali.
- Sempre temos idade para ver o amanhecer daqui.
- Ah, é sem dúvida o melhor lugar. – Suspirei, vendo que a luz no céu já começava a clarear.
- Eu acho que temos muitos lugares que são nossos, mas esse é especial, porque acho que diversas das nossas melhores conversas foram aqui, nessa mesma situação, vendo o sol nascer.
- Temos muitos lugares que são nossos? – perguntei, curioso, vendo-a corar.
- Você sabe que temos. Aqui, a Catedral, o Lock 91, os diversos lugares que amamos em Londres e até mesmo nossas próprias casas.
- Realmente, temos muitos lugares nossos. – Dei risada e ela concordou, provando que tinha razão. – Mas eu sinto que tudo na minha vida é nosso, não só os lugares, por isso esses lugares se tornam nossos. Não sei se vai fazer sentido para você. – falei, me enrolando nas palavras, e ela assentiu, como se entendesse.
- Essa hora não tem muita coisa que faça sentido porque não sabemos nem o que estamos falando, mas eu entendi. – Riu e eu a acompanhei.
- O que você veio buscar aqui? – perguntei, curioso. Ela suspirou, puxando um pequeno caderno e caneta do bolso.
– Você lembra disso? – assenti, rindo.
– Fui eu quem te dei, Sadie disse que era muito legal, então compramos. É um diário com caneta invisível, não é?
– Era realmente muito legal, eu amava esse caderno. – Confessou, feliz. – Na época, eu transformei ele em um tipo de diário. Eu achava incrível anotar segredos aqui. Colocava minhas notas baixas, se alguém brigava comigo na escola, se eu estava triste, se eu gostava de alguém... Tudo que fosse interessante e eu não quisesse contar a ninguém. Você sabia de tudo, claro, com exceção de algumas coisas.
- Achei que não tínhamos segredos. – Fiz bico, fazendo-a rolar os olhos.
- Alguns segredos precisavam permanecer secretos. Bom, era o que eu pensava. Eu queria pegar esse caderno para te mostrar uma coisa muito boba, fico até com vergonha.
- , desde quando você precisa ter vergonha de me mostrar algo? – questionei, ofendido.
- Desde quando é algo complicado e pessoal, mesmo para uma menina de, não sei, provavelmente uns 11 anos? – ela suspirou. – Olha isso. – Ela me entregou o caderno aberto no meio e a caneta de tinta invisível. Sua ponta acendia com a única luz possível de fazer ver a tinta, o que era genial para nós quando menores.

“Hoje o me ajudou a amarrar meus tênis porque eu não estava conseguindo. Ele é tão legal, acho que seria legal casar com ele, sempre teria alguém para me ajudar com meus tênis.”


- . – Gargalhei ao ler a frase e ela abaixou a cabeça, rindo também, mas envergonhada. - Se eu soubesse que para te conquistar só era preciso amarrar seus tênis, já teria feito isso no nosso encontro fracassado e me poupado de um fora.
- . – Ela ralhou, agora rindo abertamente.
- Por que você tem vergonha disso? Éramos novos, , não tem problema.
- Não é vergonha disso, é do que isso causou. É por causa disso que meus pais insistem tanto nessa história de ficarmos juntos. Eles leram. – Ela rolou os olhos, provavelmente ainda incomodada com a lembrança dos pais invadindo sua infantil privacidade. – Foi horrível, , eles passaram dias me enchendo o saco. E você vê, até hoje eles insistem.
- Imagina, eles quase nem falam sobre isso. – Ri. – Mas, , o que aconteceu depois na sua cabeça de criança? – perguntei, curioso em tocar naquele assunto.
- Eu não faço nem ideia, sendo sincera, mas sempre guardei ele. – Confessou, fechando o caderno e apoiando-se nele.
- Você acha que acreditou que em algum momento ia querer me mostrar? – perguntei, sentando mais próximo dela. – , por que você quis me mostrar isso?
- Eu não sei. – Ela sorriu, tímida. – Eu acho que... Acho que eu precisava me apegar em algum pensamento que me fizesse ver que o que eu estou sentindo não é algo repentino.
- Acho que eu não ouvi direito. – brinquei, juntando nossas mãos de forma carinhosa sem qualquer receio dela.
- Você não acha estranho que nos conhecemos há tantos anos, são muitos, , e só viemos sentir isso agora? Eu estou fugindo disso pelo simples motivo de não ver sentido, de achar que em dois dias isso vai passar. Temos mais de trinta anos, , e a maior parte deles somos amigos, não é possível não termos sentido nada antes e agora, do nada, puff. – Ela desabafou, respirando fundo no final da frase. – Eu nunca encontrei alguém e realmente me apaixonei, sabe? – continuou. – Porque sempre senti que levaria muito tempo para me apaixonar, mas aí, com você, em um minuto fizemos a merda e no próximo eu estava imaginando como seria estar junto com você para o resto da vida. O que é absurdo, já que eu sempre soube que estaríamos juntos para o resto da vida, então tudo perdeu ainda mais o sentido, porque, o que eu estava pensando? Isso aqui, agora, com você, já me parece um para sempre, sabe? É tão simples, simples demais para ser verdade. – Ela falava rapidamente, sem parar para respirar entre uma frase e outra, e gesticulava ainda mais. Seu monólogo me tirara um sorriso gigante e eu só conseguia encarar cada detalhe seu e tentar processar suas palavras. – Acho que quando lembrei desse caderno, tentei me apegar à ideia de que talvez eu já gostasse de você pela vida toda, mas não, não é isso que sinto. – Ela diminuiu o ritmo e suspirou, parecendo preocupada. - Eu não sei em que momento foi, eu não sei o que você está sentindo, eu não sei o que fazer com o que eu estou sentindo, eu estou completamente perdida.
- Pronto? – perguntei, tentando não rir para não a deixar ainda mais nervosa. – Eu não acho nem um pouco estranho. – A puxei para um abraço de lado, usando uma das mãos para mexer em seus cabelos. – Eu pensei sobre isso também, sobre como aconteceu de repente, mas, no final, não foi de repente. Pensa no último ano. – falei e ela assentiu. – Quantos encontros fracassados você teve e, no final da noite, assistíamos juntos a qualquer programa que você gostasse, conversando sobre a vida? Foram mais vezes que durante os outros anos, não foram? E o surto do Luke com Química que você me ajudou na escola, ajudou ele a estudar, participou da bronca nele comigo... Muita coisa nos aproximou nesse último ano, , mais do que achávamos possível, e eu acredito que isso tenha mudado nossa visão das coisas, não sei. Eu não acho que tenha que fazer sentido, mas se para seguir em frente você precisar de algum, vamos fingir que seria esse o motivo para fazer sentido. – Beijei sua cabeça, ouvindo sua risada baixa. – A única coisa que eu sei, é que eu não consigo evitar pensar no quanto você faz minha vida perfeita há anos e o quão incrível ela poderia ser se apenas terminássemos de juntar tudo. Fiquei pensando como seria não ter que atravessar o hall para ouvir como foi seu dia, você não ter que fingir que está cansada só para ir jantar comigo; coisas simples, mas que teriam apenas uma pequena modificação que faria de nós o que sempre quase fomos, ao menos há uns 07 anos, quando nos mudamos para Londres.
- Isso quer dizer que não te magoei com o encontro que te maltratei? – ela me encarou, fazendo bico. Eu neguei com a cabeça, rindo. – Isso quer dizer que você gosta de mim, e eu gosto de você? E que não precisamos de um encontro esquisito para tentar ver se dá certo? – seus olhos brilharam e ela abriu um sorriso, ainda incerta.
- Você gosta de mim? – perguntei e ela assentiu. – Então isso quer dizer que, para mim, não tem nada de tentar para ver se dá certo, por mim, marcávamos nosso próprio casamento na Catedral hoje. – Ela deu risada, concordando. – Mas como não queremos matar ninguém do coração, todo o meu discurso anterior só significa que a gente vai tentar, mas vamos tentar juntos. Se você aceitar fazer uma loucura, eu praticamente te convidei para morar comigo, se você não percebeu.
- . – Ela gargalhou, virando-se de frente para mim. – Você não é real, não pode ser.
- Tenho algumas formas de você testar se sou real, estou ansioso para isso. – falei, brincando. negou com a cabeça, incrédula, e juntou nossos lábios em um selinho. – Isso quer dizer que você aceita?
- Você está falando sério?
- Por que eu não estaria? Estamos velhos, não temos tempo para ficar perdendo.
- Você não acha que precisamos tomar essa decisão com Luke?
- Droga, estava me sentindo um adolescente vendo o amanhecer aqui nesse sótão empoeirado, esqueci que tenho um filho. – Dei um tapa em minha própria testa, dramatizando. – , pelo amor de Deus, eu tive que ouvir de Luke que esse é o sonho de criança dele, ele vai surtar de felicidade.
- Eu estou surtando de felicidade. – Ela deu de ombros e eu encarei seus olhos, radiante.
- Eu também estou surtando de felicidade. Eu acho que foram raras as vezes em que falamos isso, pois sempre foi óbvio, mas eu te amo tanto. – Beijei sua bochecha carinhosamente e ela assentiu.
- Eu também amo você. Ainda não sei como isso tudo muda, um amor para outro, ou como tudo vai caminhar, mas essa é a maior certeza que tenho agora. – Eu assenti, concordando.
- Agora vem cá que eu preciso de algo além de palavras que eu ‘tô querendo há uns dias já. – Puxei para meu colo e juntei nossas bocas em um beijo que encerrava completamente aquela conversa por hora.





Fim



Nota da autora: Oi, gente! Minha primeira participação nos Perdidos, esse projeto que tanto amo hahahaha Eu sou apaixonada nessa música e já tinha começado a escrever algo para encaixar nela, então não podia perder a oportunidade! Espero que vocês tenham gostado desse casal e dos outros personagens tanto quanto eu, estou seriamente considerando uma continuação apenas para mostrar como foi todo mundo descobrindo, principalmente o Luke, mas vamos ver 😜 Muito obrigada a você que leu até aqui, beijo 💙

Atualização: Continuação que sairá no fim do mês de março/22: 04. Off My Face! 💙

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