Austrália, Março, 10h00am.

Respira. Inspira. Não pira.
Eu estava repetindo esse mantra na minha cabeça há uma hora e meia, que foi o tempo que levou para que o responsável explicasse como tudo iria ocorrer e para que eu estivesse devidamente com os equipamentos. Uma hora eu estava rindo, não acreditando no que estava fazendo, e, no momento a seguir, eu estava chorando porque a minha "melhor amiga" havia me abandonado e dito que era uma luta minha e não dela. Essa foi apenas a desculpa que ela usou sendo que a ideia de fazer essa lista estúpida tinha sido dela.
- Você é a próxima, querida. - senti uma mão no meu ombro e olhei para o gorducho que me puxava para ir ao encontro do avião.
- Eu não quero mais, eu desisto! – falei, soltando minha mão da sua e começando a correr.
Bem, pelo menos foi o que eu tentei fazer porque, assim que dei dois passos, minha cabeça foi de encontro a uma parede.
- Êpa! Nada de fugir, mocinha. - uma voz grave e rouca foi ouvida.
Ok, talvez não fosse uma parede. Levantei meu olhar encontrando o do homem que havia falado comigo e, por segundos, esqueci da loucura que estava prestes a cometer, esqueci de meu ex, esqueci que minha melhor amiga era covarde, esqueci até mesmo meu nome... O cara era digno de comparação aos Deuses Gregos, totalmente... Gostoso. Seus trajes esportivos, junto com os mesmos equipamentos que eu usava, pareciam lhe cair perfeitamente, e, ao contrário de mim, ele levava uma etiqueta grudada no peito escrito "Instrutor ".
- Você está bem? Parece um pouco verde. - ele comentou.
- Ãm? O q-que? - Que ótimo, agora eu estava gaguejando na frente do meu instrutor gostoso. - Eu só estou um pouco, ou talvez muito, nervosa. – comentei, com a voz mais firme.
- Fica calma. Quando saltar, será sem dúvidas a melhor sensação da sua vida. - ele me deu um sorriso que deveria ser tranquilizador, mas só consegui pensar no quão maravilhosos seus dentes eram e isso era ridículo.
- Olha, vocês não precisam nem devolver meu dinheiro. Foi uma ideia estúpida e eu estou indo embora. – falei, dando um tapinha em seu músculo e o contornando. - Desculpa informar, mas quem está na minha lista, salta sim. - respondeu autoritário, pegando na minha mão e me arrastando para dentro do avião.
- Que? Você tá louco? – perguntei, com um sorriso de puro nervosismo, enquanto ele me colocava sentada e dizia para o piloto que poderia decolar. Eu juro que tentei protestar, gritar, correr ou o que quer que fosse necessário pra fugir da enrascada em que eu mesma me meti, mas, quando olhei, o avião já estava em movimento e eu apenas soltei um muxoxo frustrado, ao mesmo tempo em que o instrutor gostoso me olhava, divertido quanto a minha expressão.
- Preparada? - ele quebrou o silêncio.
- Sério? Você está mesmo perguntando isso, logo depois de eu tentar fugir a todo custo? - devolvi a pergunta do instrutor idiota, ridículo e não tão gostoso como minutos antes. - Você tem que encarar os seus medos de frente, e se você está aqui, mesmo com tanto medo, é porque tem um propósito, e eu não vou te deixar desistir! – respondeu, com um sorriso confiante, e pegou a minha mão fazendo um carinho.
Ai, meu Deus, ele continuava gostoso.
- Vamos acabar logo com isso. – respondi, dando-me por vencida. Os minutos seguintes passaram como um borrão. Assim que eu disse aquelas palavras, ele não perdeu tempo e me puxou para a porta aberta. Como eu já estava devidamente presa a ele, apenas acenou para o piloto e... Bem, ele pulou, simples assim. Eu abri a boca pra gritar devido a surpresa, mas o vento entrou pela mesma, me deixando alguns segundos sem ar, até que decidi que seria melhor fechar a boca. Eu estava morrendo de medo, mas, assim que fechei os olhos, me lembrei de que estava fazendo aquilo por mim e percebi que a sensação era ótima, libertadora, e com um intuito de coragem, abri os olhos e sorri. Sorri para o vento que deformava minha cara, sorri para o céu, sorri para a paisagem, sorri para o momento, sorri para a experiência, sorri para a vida.


Austrália, Março, 11h30am.

- Você conseguiu!!! - minha amiga me abraçou assim que eu consegui me livrar de todo o equipamento. - Nem acredito que você pulou mesmo. - ela disse, entusiasmada.
- Me solte, sua vaca! - falei, entre dentes, tentando me soltar de seu abraço.
- Desculpa, eu entrei em pânico, tá? Eu não devia ter te deixado sozinha. - ela disse, arrependida.
- Licença, meninas. Eu acho que você deixou isso aqui cair. - ouvi a voz do instrutor atrás de mim.
- Se bem que eu te deixei em ótimas mãos... e que mãos.- minha amiga sussurrou no meu ouvido, mas, pelo sorriso convencido do meu instrutor, eu tenho certeza de que ele ouviu.
- Será que eu posso falar a sós com você? - ele perguntou, me olhando nos olhos, e eu apenas assenti, seguindo-o.
- Então.. O que eu deixei cair? – perguntei, sorrindo, mas o meu sorriso logo se desmanchou quando eu vi que ele olhava divertido para a minha lista.
- Ai, meu Deus, eu não acredito que você leu! - disse, envergonhada.
- Calma, não era a minha intenção, mas, quando eu olhei o título, não resisti. - me entregou o papel, gargalhando, e eu apenas encarei aquela lista ridícula.

"5 coisas para fazer no meu aniversário de 21 anos:
- Pular de paraquedas.
- Ir a uma balada.
- Fazer sexo com um desconhecido por diversão.
- Ficar bêbada.
- Me vingar do meu ex e da vadia da minha prima."

- Você já pode riscar uma coisa da lista, sabe? - escutei a voz dele, me tirando do transe em que me encontrava. - Sim, eu sei. - respondi ríspida. - Olha, desculpe por ter invadido a sua privacidade, eu só... - ele coçou a nuca parecendo realmente envergonhado - Fiquei curioso! - completou.
- Primeiro me obriga a saltar de um avião, depois ainda invade minha privacidade. Bem legal da sua parte, Instrutor. - respondi, não conseguindo esconder a diversão por vê-lo com vergonha.
- Você está tirando uma com a minha cara? - ele riu - Inacreditável. - balançou a cabeça para os lados.
- Na verdade, sim, eu estou. - falei - Você com vergonha é fofo. - eu disse com a voz alterada.
- Fofo? - perguntou incrédulo - Eu não sou fofo, isso ofende minha masculinidade. - ele disse com uma raiva fingida.
- Ai, me desculpa. - brinquei novamente.
- Você está debochando de novo? Não acredito. - soltou uma gargalhada e eu o acompanhei - A propósito, quando é seu aniversário?
- Amanhã... - respondi com um sorriso amarelo.
- Sabe, você nunca vai terminar essa lista em um dia. - completou.
- Claro que vou! - torci o nariz, porque eu sabia que era verdade, eu precisava de pelo menos 3 dias. - Eu preciso ao menos tentar. - disse com certa esperança.
- Vamos fazer o seguinte. - ele sugeriu - Você só volta para casa depois de terminar a lista.
- Tá louco? E vou dormir onde? - perguntei.
- Comigo! – falou, sorrindo malicioso.
- Mas, eu mal te conheço. - retruquei.
- Uma das coisas da sua lista é: - ele levantou um dedo no ar. - "Fazer sexo por diversão com um desconhecido" e eu sou um desconhecido. - ele disse, novamente com o sorriso malicioso e prepotente.
Apenas abri a boca sem saber o que dizer, enquanto me dava conta de que ele e minha melhor amiga apoiavam-se um no outro, de tanto que gargalhavam.


Austrália, Março, 11h45am.

- Eu estou falando sério. - ele disse pela décima vez, enquanto me seguia em direção ao carro. - Se você não quer fazer sexo comigo, me deixe te ajudar. - ele pediu.
- Por que quer tanto me ajudar? – perguntei, abrindo a porta do carro.
- Porque você é bonita e merece ter sua lista completa. Você merece ser selvagem e se divertir na vida, nem que seja por um dia – falou, segurando a porta do carro para que eu não abrisse. - E eu posso te ajudar. - sugeriu novamente.
- Eu não vou dar pra você. – falei, batendo o pé.
- Tudo bem. – disse, rindo como se tivesse certeza de que eu fosse mudar de ideia. - Mas me deixa te levar a uma balada pelo menos? - perguntou.
Olhei séria para ele, e, quando fui me virar para perguntar para a minha amiga qual sua opinião sobre isso tudo, a encontrei com os dois polegares no ar e depois batendo palminhas.
- Espero não me arrepender disso. – falei, anotando meu número no celular do meu instrutor de paraquedismo.


Austrália, Março, 09h40pm.

E aqui estava eu, vestida para matar - pelo menos fora o que havia dito - quando o instrutor me ligou dizendo que passaria por volta das 10pm para me buscar. Ela me trouxe roupas variadas que ela tinha: vestidos curtos e apertados, saltos com os quais era impossível andar, de tão altos, blusinhas com decotes, saias curtas e tudo a que ela achava que eu tinha direito. Não é que eu estivesse arrependida do que nem tinha feito ainda. É só que eu ainda não estava confortável com o vestido azul apertado e com um enorme decote nas costas que estava usando. Meu cabelo estava solto e cacheado, graças ao efeito do babyliss, e, mesmo assim, ele chegava na metade das minhas costas. Eu estava devidamente maquiada e usando um salto preto altíssimo, sobre o qual eu lutava para me manter de pé, sem tropeçar nas minhas próprias pernas, de tão desastrada que eu era. Eu nunca tinha ido a uma balada porque comecei a namorar cedo. Quando Noah e eu começamos a namorar, ambos tínhamos 17 anos e eu era virgem. Ele foi meu primeiro namorado de verdade. Noah já tinha tido experiências anteriores e isso inclui sexo. Eu cedi 8 meses depois, o que foi consideravelmente cedo, mas acho que eu apenas não queria perder o namorado, o que foi estúpido da minha parte. Eu namorei com Noah durante 3 anos e 10 meses e, faltando 2 meses para completar 4 anos, eu o peguei no banheiro da casa da minha tia fazendo sexo com a vadia da minha prima. Foi a última vez em que eu o vi. Ele me ligou várias vezes após o ocorrido, dizendo que estava arrependido e que havia sido um deslize, mas ele sabia que eu nunca o perdoaria. Desde o começo do namoro, eu havia dito que nunca perdoaria uma traição, nunca. Três semanas depois, sem sucesso algum, eu acho que ele desistiu porque no facebook seu status de recém solteiro havia mudado para em um relacionamento sério com... a vadia da minha prima. Foi no dia em que isso aconteceu que me convenceu a fazer a lista, que era apenas uma desculpa para que eu seguisse em frente e fosse feliz.
- Você está linda. - disse, sorrindo pra mim como uma mãe orgulhosa. - O instrutor vai ficar de queixo caído. A propósito, qual é o nome dele? - perguntou confusa.
- Eu n-não sei. – respondi, me dando conta de que eu iria sair com um cara de quem eu não sabia nem o nome. - Vou mandar uma mensagem perguntando.
- Por que você não espera ele chegar e pergunta? - minha amiga perguntou, como se fosse o certo a fazer.
- Porque eu vou sair com ele e não você. - respondi entre dentes. - E porque eu quero saber como cumprimentá-lo sem chamá-lo de "instrutor". - disse, fazendo o gesto de aspas com as mãos, ao que minha amiga apenas fez o sinal do zíper na boca, mostrando que ficaria quieta.

"Qual o seu nome?"

Sentei na cama esperando por uma resposta enquanto insistia que eu deveria passar outra camada de rímel. Estávamos discutindo sobre isso quando meu celular fez um bip, avisando que uma nova mensagem havia chegado. Estiquei o braço para pegar o celular que estava na minha cômoda repleta de adesivos dos Jonas Brothers, mas foi mais rápida. Bufei frustrada e depois encarei confusa minha amiga, que estava deitada na cama rindo sem parar com a mão na barriga.
- O que foi? - perguntei. - O que ele disse? - arranquei o celular da sua mão, caindo no chão no processo, o que só aumentou a crise de riso da minha melhor amiga, e li a mensagem enquanto levantava do chão aos tropeços, sem que levantasse a bunda para me ajudar.

"Prefiro continuar desconhecido... Nunca se sabe :p"

- Ele não vai desistir até te levar pra cama. - Escutei falando ao meu lado. - Você está tão ferrada. - E caiu na cama, gargalhando outra vez.
É, eu também acho que estou ferrada, completamente ferrada. Bufei para o pôster do Ed Sheeran, que me encarava com um sorrisinho debochado na porta do meu quarto. Por um momento, eu odiei aquele ruivo.


Austrália, Março, 10h13pm.

- Uau... Você está...Uau..- disse ele, me olhando como se eu fosse um pedaço de carne. Naquele momento eu entendi como a Zebra de Madagascar se sentiu quando seu amigo leão tentou comê-la.
- O gato comeu sua língua? - perguntei satisfeita com a sua reação. Minha vontade era de voltar pra casa só pra dar mais um beijo de agradecimento em . Aquela produção toda tinha valido a pena.
- Não, até porque seria muito estranho eu comer minha própria língua. - sorriu convencido.
- Você é impossível.- gargalhei incrédula.
Assim que entramos no carro, o silêncio foi o nosso mais novo companheiro, eu estava receosa do que dizer e ele pareceu entender que naquele momento o que eu preferia era ficar quieta. Enquanto ele estava concentrado na estrada, eu o olhei e prestei atenção em como ele estava lindo com as calças jeans de lavagem escura e uma camisa salmão dobrada até os cotovelos. O cabelo estava propositalmente bagunçado, o que o deixava ainda mais delicioso, e o cheiro - ah o cheiro! - aquele perfume amadeirado que ele usava fez com que minha barriga desse voltas e minha boca ficasse seca, imaginando o quão bom seria cheirar aquele homem direto no pescoço. Soltei um suspiro e o escutei dar uma risadinha baixa. Ele com certeza sabia o que eu estava fazendo e, pela cara sapeca com que ele olhava em frente, balançando a cabeça, eu podia apostar que ele sabia até o que eu estava pensando.
- Meu nome é . - decidi quebrar o silêncio, falando a primeira coisa que me veio à cabeça, e agora eu estava me sentindo um pouco estupida.
- Eu sei.
- Você sabe? - olhei-o com os olhos arregalados em confusão.
- Eu fui seu instrutor de salto. Eu tinha uma folha com o seu nome. - ele riu.
- E por que eu não tinha o direito de saber o seu nome? - perguntei irritada, passando a mão no cabelo.
- Na verdade... - ele parou no sinal vermelho e me olhou, sorrindo. - Você tinha. Você só não perguntou... - ele levantou um dedo quando viu que eu iria argumentar. - E, eu tinha um crachá no uniforme com o meu sobrenome, não é como se fosse uma desvantagem de todo.
- Vou perguntar mais uma vez. - disse entre dentes. - Qual é o seu nome?
- Instrutor para você. – falou, andando com o carro quando o sinal mudou para o verde e ligando o rádio, que estava tocando "Sing" do Ed Sheeran. - Por enquanto. - completou, piscando pra mim, e eu apenas bufei e fiquei o resto do caminho pensando em mil formas de como torturar aquele ruivo, minha raiva estava sendo depositada nele.


Austrália, Março, 10h40pm.

Meu instrutor, aparentemente desconhecido, estacionou o carro e abriu a porta para que eu saísse. Pegou minha mão na sua e fomos andando até a boate, o nome "Darkness" brilhava em azul e verde e uma fila enorme dobrava a esquina. Fomos até a porta, em meio a suspiros das meninas, com sorrisinhos, e "Ois" tímidos de algumas e safados de outras, - todas se dirigindo ao meu instrutor. Os caras apenas bufavam e outros davam cumprimentos animados, tentando chamar atenção. foi até o segurança, que apenas acenou com a cabeça em um silencioso cumprimento e liberou a passagem para nós dois. Assim que pisamos no local, eu pude sentir o cheiro de vários perfumes misturados, casais se pegavam nos cantos e as meninas dançavam no meio da pista, enquanto eram observadas pelos homens, que as olhavam com desejo.
- Chegamos na hora certa.- ele falou, olhando ao redor, e me levando até o bar. – Ei, Flow. – disse, cumprimentando um moreno alto e forte, cuja careca brilhava de suor enquanto ele manuseava duas garrafas atrás do balcão. Eu tinha quase certeza de que já tinha visto aquele cara em algum lugar.
- E aí, Instrutor. – falou, girando uma das garrafas na mão. Fiz uma careta quando percebi que não seria hoje que eu descobriria o nome do meu acompanhante. - Pronto para a noite?
- Tô pronto pra ficar doidão.- respondeu, gargalhando quando viu minha cara assustada.
- Você e a gata pelo visto. - Flow disse, me olhando com malicia.
- Tira o olho, Flow. - o instrutor respondeu, com uma voz de possessividade. - Pra você é , e só isso.
- Sim, sim... Desculpe. - Eu dei uma pequena risada com a cena. Como um cara do tamanho de Flow sentiu medo de alguém que tinha metade do seu tamanho? Eu juro que não entendia, mas eu não o conhecia. Ele era um desconhecido, como fazia questão de me lembrar.


Austrália, Março, 11h15pm.

- Você parece ser bem conhecido por aqui. – comentei, enquanto um casal que havia acabado de cumprimentá-lo se dirigia em direção a uma escada, que deveria levar ao camarote.
- Sim, digamos que o dono daqui é meu irmão. – falou, despreocupadamente, e ignorando minha feição de espanto.
Flow nos trouxe duas bebidas com sabor de coco, que eu descobri serem Malibu, e se retirou sem olhar para mim. Agora eu entendia por que ele respeitava tanto meu acompanhante, meu instrutor nada mais era do que irmão do dono do seu local de trabalho. Enquanto eu bebericava minha bebida, decidi dar uma olhada no local. Tudo se encontrava do mesmo jeito, a não ser pela quantidade de pessoas que havia aumentado gradativamente. Pensei por um instante ter visto meu ex, mas deve ter sido coisa da minha cabeça ou eu era definitivamente muito fraca pra bebida.
- Sabe, , eu fiquei intrigado com uma coisa da sua lista. - fui tirada do meu transe pelo instrutor, que me encarava profundamente, sua feição transbordava curiosidade e uma mão segurava sua bebida enquanto a outra ele usou para coçar a nuca, o que eu percebi ser uma mania, já que ele fazia isso toda vez que queria saber algo, e ele parecia querer saber muito sobre mim.
- Com o que exatamente? – perguntei, fazendo um gesto para que Flow me trouxesse mais uma bebida. Já que eu estava com dois números da lista riscados, eu pretendia riscar o terceiro essa noite: ficar bêbada.
- Com o fato de você querer se vingar do seu ex e da... abre aspas - ele juntou dois dedos no ar e fez o sinal de aspas - "vadia da sua prima"... fecha aspas. - riu.
- Eu obviamente não te devo satisfações. - agradeci ao Flow pela nova bebida e olhei para , que me olhava com um sorriso arrogante.- Mas, como você parece estar me ajudando e tudo, eu vou te dizer.
- Provavelmente ele é um idiota que te traiu com a "vadia da sua prima". – adivinhou, me olhando divertido, e eu apenas soltei um "oh" de surpresa. – Ah, qual é? Uma menina bonita, que nunca saiu e se divertiu de verdade, fez uma lista como um pretexto para fazer aquilo que sempre teve vontade, mas que não fez porque estava em um relacionamento confortável com um cara que parecia ser bom para casar. Você não é um mistério pra mim. Na verdade, é até um pouco óbvia. E também tem o fato de querer se vingar deles sem nem dar a mínima, apenas para provar a si mesma que todos os anos perdidos com aquele babaca podem ser esquecidos assim. - ele bebeu mais um gole da cerveja que bebia agora e apertou minha coxa, como se estivesse me confortando. - Não precisa se sentir mal nem nada disso. Eu te entendo porque eu também fiquei anos com a minha namorada do ensino médio, e o que ela fez? - ele riu sem humor, fechando a mão que não segurava a garrafa em punho e dando um pequeno soco no balcão do bar. - Ela me traiu com o meu "melhor amigo". – finalizou, fazendo aspas.
- Oh, meu Deus. Eu sinto muito. – falei, segurando a mão dele, que ainda estava fechada em punho, e ele relaxou instantaneamente com o meu toque, apertou sua mão na minha e me olhou nos olhos, levando a outra mão ao meu rosto e fazendo um carinho com o dedão na minha bochecha.
- Eu confesso que na época não agi da maneira certa, porque fodia qualquer garota que estivesse disposta e porque bati tanto em Mike que ele acabou quebrando o braço. - tomou sua cerveja de uma vez e passou as mãos nervosamente no cabelo. - O que eu estou querendo dizer, , é que cada um sofre da sua maneira, e se você for se sentir melhor tirando uma com a cara deles, então você deve fazer, porque não é justo ele trocar uma mulher como você por uma qualquer que provavelmente foi fodida contra uma parede.
Eu soltei uma gargalhada com as suas últimas palavras, ele realmente era um ótimo observador.
- Eu sei que vingança não leva nada... mas... sabe, Instrutor, - ele riu quando escutou o apelido com o qual eu o chamava. - a minha prima e o meu ex namorado realmente merecem.
- E eu vou te ajudar, . - meu coração aqueceu com o apelido que ele mesmo havia inventado, e eu apenas sorri pra ele, me voltando para Flow e pedindo outro drink pra mim, ao que meu desconhecido preferido riu e fez um gesto para que Flow fosse o mais rápido possível.
- Lembrei. – levantei, apontando para Flow, que me olhou assustado.
- Lembrou do que? - meu instrutor de paraquedismo perguntou, olhando ao redor como se assim pudesse encontrar alguma resposta.
- Lembrei com quem o Flow se parece! – falei, rindo. - Já ouviu aquela música da Sia com o Flo Rida? - perguntei, séria.
- "Wild Ones"? - perguntou, franzindo a sobrancelha.
- Isso! – falei, dando palminhas. Por um minuto, pensei que havia encarnado . - Ele é a cara do Flo Rida. – falei, fazendo um gesto com a cabeça em direção ao nosso garçom.
Meu instrutor desconhecido começou a rir descontroladamente, batendo os punhos na mesa, e apontando para Flow, que me olhava agora com uma cara feia, como se ouvisse aquele comentário todos os dias.
- É o que eu sempre falo pra ele, . - falou entre risos e eu o acompanhei. Por um momento, pude ver o sorrisinho de canto que Flow estava dando.
- Instrutor, - sorri pra ele e bebi minha bebida, que finalmente havia dado o ar da sua graça. - acho que já sei qual vai ser minha trilha sonora de hoje. – falei, tomando um gole.
- "Wild Ones"? - adivinhou ele, sorrindo.


Austrália, Março, 11h58pm.

Eu não sei como isso aconteceu, a última coisa que eu me lembro é de Flow me trazendo uma bebida cor de rosa - que eu achei muito fofa na hora. Era doce e o sabor do álcool era imperceptível e bom, tão bom. Então eu bebi um copo, depois outro e depois outro e, então, eu perdi a conta. Eu estava me sentindo desinibida e tudo era muito mais engraçado, a música me dava uma vontade incontrolável de dançar e, para ajudar, meu instrutor havia ficado ainda mais gato. Ele tinha parado de beber e conversava divertido comigo, me observando e nunca tirando o olho de mim. Ele parecia estar cuidando de mim.
Quando eu decidi me levantar e dançar no meio da pista, alguém agarrou meu braço e me puxou para que eu subisse no balcão. Eu olhei para cima e vi um cara muito sexy, que usava uma regata branca colada ao corpo, que mostrava ainda mais os músculos que ele tinha, e uma calça de couro colada, com a qual parecia ter nascido - eu sinceramente não queria saber como um homem daquele tamanho tinha conseguido entrar naquelas calças. Ele estava dançando com duas meninas que usavam shorts de couro e tops brancos, e eles pareciam muito à vontade fazendo aquela dança sensual. Eu logo percebi que eles provavelmente trabalhavam ali e faziam aquilo toda noite. Assim que eu subi no balcão, "Gimmie More" da Britney Spears começou a pulsar no meu ouvido e eu, com todo o álcool que tinha no meu corpo, comecei a me sentir ainda mais sensual. Então balancei os meus quadris ao som da música, enquanto passava as mãos pelo abdômen do cara gostoso da calça de couro, e fui descendo até o chão, passando minhas mãos por suas coxas grossas, e quase caindo sentada quando perdi o equilíbrio, mas ele me puxou pra cima antes que isso acontecesse. Uma risada escapou dos meus lábios e ele me acompanhou. Girei minha cabeça e olhei para meu instrutor, que estava sentado próximo a mim, me observando, com suas pupilas dilatadas, como se ele estivesse vendo o melhor show da sua vida. Eu caminhei lentamente até ele e comecei a dançar, passando as mãos pelo corpo e fazendo um sinal com o dedo, chamando-o para mais perto de mim. Ele riu malicioso e passou a mão lentamente pelo meu pé, aproveitando que eu estava muita mais alta que ele. começou a subir o carinho até o meu tornozelo, até que um cara loiro começou a gritar "gostosa" e a tentar passar a mão pelo meu corpo. Meu instrutor congelou seu toque instantaneamente e eu aproveitei para esticar a minha perna e fazer a minha boa ação da noite com aquele loiro, mas então, eu senti alguém me agarrar e me colocar no seu ombro. Soltei um grito surpreso, mas não por muito tempo porque eu sabia quem era, eu conhecia aquele cheiro.
- Instrutor, você tá tirando toda a graça. – falei, rindo e balançando as pernas.
- Na verdade, eu estou tirando você do balcão, antes que faça algo de que se arrependa. – falou, dando um tapa na minha bunda, ao qual eu respondi com um gritinho.
Instrutor me levou para uma área privada e me colocou sentada em um sofá. Uma garçonete peituda apareceu e ele pediu uma água gelada, que ela prontamente trouxe, e entregou a ele, mas não sem antes esfregar os peitos no braço do meu instrutor.
- Vadia. - resmunguei baixinho, ao que o instrutor deu um sorriso convencido.
Ele me observou atentamente enquanto eu bebericava a água e engoliu em seco quando uma gota caiu no meu queixo e foi descendo em direção ao meu decote frontal, que não mostrava quase nada pois o decote maior era na parte de trás.
- Uma vez, quando eu tinha 16 anos, meus pais viajaram e a foi dormir lá em casa. – falei, fazendo ele pigarrear e olhar em meus olhos, enquanto prestava atenção no que eu falava. - Nós compramos uma caixa com seis ices e decidimos que ficaríamos bêbadas naquela noite, mas tudo o que aconteceu foi nós duas disputando o banheiro em uma crise incontrolável de xixi. – finalizei, rindo, e ele soltou uma gargalhada alta, balançando a cabeça para os lados.
- Realmente, vocês não iriam ficar bêbadas com ice, nunca na vida de vocês. – comentou, ainda rindo. Ele se sentou mais próximo a mim e me olhou. Ele realmente me olhou. Ele levantou a sua mão e a aproximou do meu rosto, tirou uma mexa de cabelo do meu olho e colocando-a atrás da minha orelha.
- Eu preciso ir ao banheiro. – falei, desconcertada com aquele toque e aqueles olhos me olhando, como se quisessem saber cada segredo meu. Levantei correndo e quase entrei no banheiro masculino, mas , que estava prontamente logo atrás de mim, apenas riu e me guiou ao banheiro certo, murmurando algo como "banheiro errado" e sobre o efeito que ele tem nas mulheres.
Abri a porta e fiz uma careta ao cheiro de vômito que invadiu minhas narinas. Uma garota vomitava, curvada no vaso, enquanto sua amiga de cabelo rosa segurava seu cabelo roxo. Eu pensei em oferecer ajuda, mas desisti quando notei que, no meu estado, eu acabaria por vomitar em cima delas. Então, eu apenas entrei na cabine ao lado e quase caí quando minha calcinha enrolou nas minhas pernas. Tive uma crise de riso, o que só serviu para aumentar a pressão do xixi. Me levantei, ainda rindo, e arrumando minha calcinha. Fui lavar minhas mãos e, quando olhei no espelho, sorri para minha cara feliz. Faziam três semanas que eu não sorria daquele jeito.
- Foda-se você, Noah. - falei pro espelho, mostrando o dedo do meio.


Austrália, Março, 01h04am.

- Já passou da meia noite faz mais de uma hora. - uma voz sedutora sussurrou no meu ouvido. - Sabe o que isso significa?
- Não! O que? – perguntei, rindo e rebolando contra meu instrutor.
- Que você está mais velha. Parabéns, linda! - ele deu um beijo na minha bochecha e me virou, fazendo com o que eu ficasse de frente pra ele.
- Obrigada. - dei um sorriso tímido, que logo morreu assim que eu lembrei que não tinha terminado a lista.
- O que foi, ? - perguntou, levantando meu queixo.
- A lista.. Eu não terminei.
- Faltam 3 coisas, , e eu já disse que não deixaria você voltar pra casa até essa lista estar completa. – falou, me girando e me puxando contra ele novamente.
- E você vai fazer o que? Me sequestrar?
- Talvez. - respondeu ele, sorrindo malicioso. Eu ri.
Olhei para o lado e percebi que um cara alto e moreno fazia gestos para que eu fosse até ele. Fiquei confusa, mas, assim que percebi que era Flow, prontamente atendi ao seu pedido e saí correndo ao seu encontro.
- , você, por acaso, já experimentou tequila? - Flow sorriu.
- Não... mas pretendo. - lambi os lábios, o que não passou despercebido por Flow, que engoliu seco e abaixou a cabeça.
- Se fugir mais uma vez, vai ficar feio para o seu lado, . - .
- Assim está muito melhor. – falou, rindo, e eu o acompanhei.
- FLOW! – gritei, batendo no balcão.
- Sim? - perguntou o mesmo, brotando em questão de segundos. Ele com certeza era um puxa saco do chefe.
- Essa tequila sai ou não sai?
- Tequila? - perguntou, rindo e balançando a cabeça. – , você já está bêbada. Você não precisa necessariamente entrar em coma alcoólico. - me repreendeu.
- Mas eu nunca tomei tequila. – falei, fazendo um bico que julgava ser sexy, mas, no meu estado, até a careca do Flow parecia sexy para mim.
- Ok, teimosa, mas só uma.


Austrália, Março, 01h56am.

- Eu sou selvagem. - repeti pela quinta vez ao meu instrutor. - Eu disse que conseguia ser selvagem.
- Eu estou vendo. - ele respondeu, gargalhando. - Eu gosto das selvagens. - falou no meu ouvido, causando um arrepio no meu corpo, e eu o teria beijado, naquele momento, se não tivesse visto meu ex e minha prima, dançando agarrados bem na minha frente.
Eu estava tendo a melhor noite da minha vida, esquecendo todos os problemas e fazendo tudo o que não fiz na minha adolescência. Eu estava dançando com um cara lindo ao meu lado, estava bebendo e deixando minha vergonha de lado. O que eu menos queria era encontrar Noah ali.
- ... ... ... - fazia gestos com a mão na minha frente para que eu o respondesse.
- Oi?... Am? Diz.
- Você está bem? Eu perdi você por minutos. – falou, preocupado. - Aconteceu alguma coisa?
- Não... Ta tudo bem. - dei um sorriso amarelo.
- Então, por que você está fuzilando aquele casal com os olhos? – perguntou, apontando discretamente com a cabeça. Suspirei.
- São o Noah e a minha prima. - respondi entre dentes, então minha mente começou a trabalhar a todo vapor. - Você sabe o nome daquele cara com quem dancei no balcão? - perguntei ao Instrutor, que me olhou confuso devido a mudança de assunto repentina. - Sim... Rael é o nome dele. - respondeu com uma careta.
- Eu preciso da ajuda dele e da . – respondi, rindo.
- Por quê?
- Digamos que o Rael seja gay e eu precise de um favor dele, que com certeza ele vai aceitar, se for você a pedir. – falei, mexendo no cabelo dele, e fazendo uma cara fofa, digna do gato do Shrek.
- Como você sabe que ele é gay? - riu.
- Porque eu dancei agarrada com ele e você não falou nada, então, quando aquele loiro mexeu comigo e você ficou bravo, eu deduzi. - ele me olhou com os olhos arregalados e um sorriso no canto da boca. - E também porque aquelas calças de couro realmente eram apertadas. - Ele soltou uma gargalhada e balançou a cabeça como se dissesse "você não existe".
- E do que você precisa? – perguntou. Falei no ouvido dele o que queria que ele fizesse, então, enquanto ele se dirigiu ao balcão, rindo, para falar com o tal do Rael, eu disquei o número da minha melhor amiga com um sorriso sapeca no rosto.
- ?
- Por que você tá me ligando? Era para você estar rolando na cama do seu instrutor por pelo menos uma semana. – atendeu, irritada.
- O Noah está aqui... Com ela. – falei, rapidamente, o que a calou na hora.
- Do que você precisa? - perguntou, então eu ouvi o barulho dela levantando da cama e abrindo o que eu achava ser o guarda roupa.
- Lembra quando você colocou na cabeça que a melhor forma de emagrecer era evacuando? – perguntei, sussurrando no celular e olhando para os lados para que ninguém ouvisse aquela conversa não tão higiênica.
- Lembro. O que tem isso? – perguntou, confusa.
- Você ainda tem aquele laxante?
- Tenho sim! – respondeu, rindo.
- Então venha para a "Darkness" e o traga com você, porque nós vamos precisar. – falei, olhando para Noah, que agora pressionava minha prima na parede enquanto a beijava.
- Operação Panteras detonando? – perguntou, lembrando de quando éramos mais novas e brincávamos que éramos Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu.
- Operação Panteras Detonando. – confirmei, e então desliguei o celular, assim que avistei um Instrutor muito sorridente e um Rael risonho, acompanhando-o e vindo em minha direção.
- Quem é o cara? - Rael perguntou.
- Aquele ali. - apontei para Noah.
- Hum... Ele é gato. - Rael respondeu malicioso, ao que eu e gargalhamos.


Austrália, Março, 02h30am.

- Cheguei, pessoal! - falou, batendo a mão no balcão e apontando para a bebida que Rael tomava. - Quero um também. - falou para Flow.
- ! – falei, batendo palminhas.
- Você está bêbada? - perguntou, rindo.
- Talvez. - respondi.
- Eu trouxe o que você pediu. - falou, balançando uma bolsa preta com lantejoulas no ar. - E agora?
- Agora é com o Flow. – falei, apontando para o moreno careca que quase deixou uma garrafa cair no chão quando falei seu nome.
- Do que você precisa, ? - perguntou.
- Leva essa bebida. – falei, colocando o pozinho do remédio da na bebida que Flow trouxe, e ela me olhou de cara feia quando viu que a bebida não seria para ela. - Pra aquela garota ali. - apontei para minha prima, que estava dançando com Noah, enquanto comia com os olhos o mesmo loiro que havia mexido comigo.
- Sem questionamentos, Flow. - falou, assim que viu que Flow ia protestar. - Não é nenhuma droga, é apenas laxante.
- Tudo bem. - Flow pegou a bebida e levou para minha prima, que, assim como eu pensava, não fez perguntas por ter ganhado uma bebida de graça.
- Então, está na hora. - falou, me tirando do transe e olhando para mim.
- Na hora do que? – perguntei, confusa.
- Da vingança. - esfregou uma mão na outra e fez um sinal para que o DJ mudasse de música. Então "Wild Ones" começou.

(Coloque "Wild Ones - Sia ft. Flo Rida" para tocar)

Eu o olhei, confusa, por um momento, mas assim que ele piscou para , que riu e me empurrou contra ele, me olhou, sugestivamente, e me puxou em direção ao meio da pista de dança. Foi aí que eu entendi o que ele queria fazer. Provocar, era isso que ele queria. Ele passou a mão pela minha cintura fina e minhas costas ficaram totalmente pressionadas em seu peitoral. Então, ele puxou todo o meu cabelo para um lado do meu ombro, deixando o outro completamente livre, e começou a depositar beijos e mordidas naquela região. Meu corpo reagiu instantaneamente ao seu toque, minhas pernas ficaram bambas e meu corpo todo arrepiado.
- Hey I heard you're a wild one.. - ele cantou baixinho no meu ouvido e eu não pude evitar que uma risada escapasse dos meus lábios.
Continuamos naquela dança íntima, que não tinha nada a ver com a música animada que tocava ao fundo. Ele me provocava e eu rebolava contra ele, o fazendo suspirar. Aquela provocação toda não estava fazendo bem para a minha sanidade, então, eu não prestei atenção na cara de surpresa que ele fez quando eu fiquei de frente pra ele, olhando-o com um sorriso malicioso.
- Quer saber? – falei, alternando meu olhar em seus olhos e sua boca. - Eu não me importo esta noite e... Nem você. – disse, finalmente sentindo a textura de seus lábios nos meus, nosso beijo não era calmo, era desesperado. Era como se nós não tivéssemos o suficiente um do outro, como se fosse nosso primeiro e último beijo. Era um beijo, assim como nós naquela noite, selvagem.
Ele mordiscou o meu lábio enquanto eu puxava o seu cabelo, nossas testas estavam grudadas e nossa respiração descompassada. Eu finalmente estava sentindo o cheiro e virilidade daquele homem perto de mim. Nós estávamos no nosso próprio mundo. Parece meio clichê pensar nisso, mas só com o corpo dele colado ao meu já foi o suficiente pra eu esquecer que meu ex estava naquela mesma boate e que provavelmente estava presenciando nossa cena.
- Que pouca vergonha é essa? - escutei a voz irritada de Noah atrás de mim e soltei um muxoxo triste por ter que me separar daquele homem gostoso que estava pressionado contra mim.
- E por que você se importa? - minha prima disse ao seu lado, com sua voz estridente e nervosa.
- Me responda, . - Noah falou entre dentes e fuzilou meu Instrutor com o olhar.
- E desde quando eu te devo explicações, hein? Ex-namorado! - falei com escárnio.
- Você é mi... - Noah bem que tentou terminar aquela frase, mas Rael decidiu aparecer nesse exato momento e tascou um beijaço no meu ex.
- Que palhaçada é essa? - minha prima perguntou com os olhos arregalados.
- Amor, eu cansei de esperar você se assumir. - Rael gesticulava para meu ex, que limpava a boca freneticamente com as costas da mão. - Noah! Vamos assumir!
- Prima, você fez ele virar gay? – perguntei, com fingida decepção.
- EU NÃO SOU GAY! - Noah gritou e eu pude perceber que, nesse momento, a boate tinha parado e todo mundo estava concentrado no que estava acontecendo.
- Ninguém vira gay depois de ficar comi... - Então um pum, muito alto por sinal, foi escutado, já que a música tinha sido parada.
- Você peidou? - perguntou, gargalhando, pra minha prima, que estava roxa de vergonha.
- Eu acho que foi algo que eu comi... Aliás, onde é o banheiro? – perguntou, com os olhos arregalados, e saiu correndo, soltando um pum em cada passo que dava.
- E aí, Rael? Parabéns por assumir o namoro, cara! - Flow falou, divertido, e piscou o olho pra mim, que soltei uma risadinha.
- EU JÁ DISSE QUE NÃO SOU GAY! - Noah gritou, desesperado, olhando com uma cara de nojo pro lugar em que antes minha prima se encontrava.
- Noah, eu te ajudo! Pode se assumir! Eu não vou te deixar desamparado. – falei, colocando a mão em seu ombro.
- O que? Mas eu não sou gay! - Noah repetiu, me olhando como se pedisse para que parasse com aquilo e o ajudasse.
- ASSUME! - gritou, e então, como se um rei tivesse decretado uma nova lei, todos começaram a gritar. - ASSUME! ASSUME! ASSUME! ASSUME!
- Vamos sair daqui. - sussurrou no meu ouvido e pegou na minha mão, me levando em direção as portas duplas que nos levavam à saída.
- Espera um minuto. - corri em direção a Noah e sussurrei em seu ouvido. - Pense muito bem antes de trair uma mulher.
Então, caminhei em direção a , mas não sem antes ver a cara de entendimento de Noah e minha prima, muito suada e nervosa, correndo pra fora da boate com um papel higiênico na mão.


Austrália, Março, 02h42am.

Nós já estávamos rindo sem parar fazia cinco minutos. Toda vez que um de nós tentava falar alguma coisa, ele olhava para mim, eu olhava para ele, e a nossa crise de riso não cessava. Nunca me senti tão animada e confortável com um cara, nem mesmo com Noah, e isso fez com que um sorriso brotasse no meu rosto. também sorriu pra mim, como se compartilhasse do pensamento e nosso momento foi quebrado com o som do bip do meu celular, avisando que uma nova mensagem havia chegado. Eu lutei com a bolsa, tentando pegar o celular enquanto limpava as lágrimas de riso do canto dos olhos. Era uma mensagem de .

"Missão Panteras Detonando cumprida! Noah foi embora assim que você saiu, mas o Rael foi atrás. Acho que ele está apaixonado! Divirta-se com o instrutor. Te amo! XoXo"

Guardei o celular, rindo, e sentei, cruzando as minhas pernas, igual a um índio, no banco do passageiro. Coloquei minha bolsa no meio das minhas pernas, escondendo a calcinha, e fitei , que estava escarando minhas coxas.
- Quem era? - perguntou ele, balançando a cabeça como se tentasse se livrar de um pensamento, e olhando para a estrada.
- Era ! Ela falou que o Noah já foi embora, – falei, soltando uma risadinha - mas que o Rael foi atrás.
- Ele não vai conseguir se livrar do Rael tão fácil assim. – comentou, rindo, e eu o acompanhei.
Começamos a falar sobre assuntos aleatórios e eu já sentia o efeito da bebida indo embora, e junto com ele a dor de cabeça chegando.
- Então, pra onde vamos? - pigarreou quando chegamos ao cruzamento que definia nosso caminho.
Eu olhei pra ele e então me lembrei da mensagem da , da lista e, principalmente, que faltava apenas um tópico para que eu cumprisse essa lista estúpida. Mas eu sabia que eu não precisava fazer aquilo pra provar algo pra mim mesma ou pra qualquer outra pessoa. O problema, ou talvez eu não devesse chamar de problema... É que eu realmente queria ir para a cama com aquele homem lindo e maravilhoso. Eu realmente queria!
Por esse motivo, não foi nem um pouco incômodo responder o que eu respondi para ele.
- Vamos pra sua casa!


Austrália, Março, 04h15am.

Não estava sendo nada fácil me manter concentrada no jogo com o Instrutor na minha frente sem camisa. Ele estava com os pés descalços, usando apenas a calça jeans pendurada nos quadris, que deixava muito pouco para a minha pobre imaginação. Duas entradas muito sexys com formato em 'V' só faziam com que o pensamento de ter minha língua percorrendo elas até... Deus, eu preciso parar com isso! Se comporte, !
- , você está me ouvindo? - me encarava, divertido, enquanto eu fui pega olhando descaradamente seu peitoral e todo o... conteúdo.
- Am? O que? – perguntei, confusa. Droga! Eu acho que preciso de sexo.
- Eu disse que já pensei em alguém. – respondeu, concentrado, olhando o que ele tinha escrito no bloco de notas, fez alguns rabiscos a mais na folha e olhou pra mim.
- Oh, sim, vamos lá! – falei, com risinhos desconfortáveis, tentando disfarçar os pensamentos maliciosos que estava tendo.
Já fazia algumas horas que nós havíamos chegado a seu apartamento e fiquei surpresa quando entramos. parecia ser uma cara extremamente organizado, daqueles que separam até as meias por cores, pelo menos na minha cabeça. O que não era o caso. Ele tinha um apartamento enorme e cheio de equipamentos de paraquedismo espalhados pela sala. Se eu não soubesse que ele trabalhava em um local próprio para saltos, eu podia jurar que era aqui que aconteciam os treinamentos, pois ele realmente trazia o trabalho para casa. Ele se desculpou e parecia realmente envergonhado. Foi engraçado vê-lo lutando com todas as roupas e equipamentos de paraquedismo, mas não passou despercebido que ele apenas pegou tudo no braço e jogou discretamente, ou não tão discretamente assim, atrás do balcão da cozinha. Eu sorri e fingi que não vi, mas foi até bonitinho ver que ele tentou.
Eu sentei no sofá de couro preto, que se encontrava na sala, e reparei no porta retrato, que estava na mesinha de centro, onde um Instrutor , magro e com espinhas na cara, estava no meio de um casal muito parecido com ele e de um menino que parecia ser alguns anos mais velho que ele, e eu deduzi que fosse seu irmão. Quando ele viu o que eu olhava, me contou que seus pais moravam nos Estados Unidos e que ele tinha ido estudar na Austrália, que era onde seu irmão morava desde que terminara a faculdade. Ele disse que se apaixonou pelo local e acabou virando sócio do irmão na "Darkness", mas que, como um bom aventureiro, fez um curso e se tornou instrutor de paraquedismo e, por isso, como seu irmão se dedicava totalmente a boate, ele não se dava ao luxo de ser chamado de dono também. Então, ele achou que tinha falado o necessário e me perguntou sobre mim. Contei a ele que morava com a , próximo a faculdade, e que estava no penúltimo ano de Administração de Empresas. Meus pais moravam numa cidade no interior e eu os visitava todos os feriados e um fim de semana por mês.
Conversamos por muito tempo e eu me sentia muito melhor depois de ter tomado um remédio pra dor de cabeça, já que o efeito da bebida havia passado. disse que eu tive sorte de não ser do tipo de bêbada que vomita. E agora aqui estávamos nós, jogando um jogo que se chamava "Na Testa" e consistia basicamente em escrever o nome de alguém ou alguma coisa em um papel e colar na testa do adversário, que teria que adivinhar o que estava colado em sua testa. Eu sugeri o jogo, logo depois que eu e havíamos nos acabado dançando "Just Dance" no Xbox, e ele disse que só jogaria se quem perdesse tirasse uma peça de roupa. Eu sei que ele falou brincando, porque eu vi o brilho de divertimento nos olhos dele, mas eu acabei aceitando, porque eu realmente era boa nesse jogo. Afinal, eu estava sem os meus sapatos e o casaco, enquanto um muito competitivo, após perder o jogo de dança, estava prestes a perder a calça.
- , você só estava com um vestido e sapatos, como é que eu sou o único quase pelado aqui? - perguntou, enquanto grudava a folha na minha testa. Esse jogo é um pouco estranho, mas é bem divertido, acreditem em mim.
- Nós tínhamos o mesmo número de roupas, graças ao casaco que eu trouxe, e deixei no seu carro, então não reclame! – falei, tentando ficar séria, mas acabei rindo quando me olhou, frustrado.
- Dessa vez, eu vou ganhar e você vai ter que tirar esse vestido, o que é uma pena. – falou, colocando a mão no coração, como se estivesse sentido muito por mim. Eu revirei os olhos.
- Vamos lá! É um homem? – perguntei, de imediato, começando o jogo.
- Sim!
- É um cantor?
- Sim.. – falou, franzindo os lábios em uma linha fina. Ele estava ficando irritado?
- Canta pop? – perguntei, divertida.
- Sim. - respondeu entre dentes. Sim, ele estava bravo.
Meu Deus, meu instrutor era tão óbvio nesse jogo! Olhei na prateleira e vi vários CDs e DVDs do Michael Jackson espalhados pela sala, mas decidi não entregar logo o jogo.
- Ele é considerado um rei? – falei, mordendo os lábios para que não caísse em uma gargalhada.
- O que? Você? Mas, m-mas... - ele sentou na poltrona e me olhou com uma cara muito brava, ele ficava tão sexy. - Sim! – respondeu, por fim.
- Michael Jackson! – falei, com um sorriso brilhante e batendo palminhas. - Tira a roupa, tira, tira...
- Isso não é justo! Isso é abuso sexual! Isso não valeu. - ficou resmungando consigo mesmo, enquanto tirava a calça jeans e ficava com apenas uma boxer vermelha.
Naquele momento, eu entendi onde havia me metido. Eu estava com um cara extremamente lindo, usando apenas uma boxer vermelha, enquanto eu estava com um mini vestido, apertado, e descalça. me observou, enquanto eu o olhava, e eu não pude conter e acabei lambendo os lábios, enquanto olhava o seu peitoral, os gomos perfeitos e as suas entradas que desapareciam em sua boxer. Assim que olhei seu volume, eu podia jurar que vi que estava um pouco mais apertado e senti minhas bochechas esquentarem, mas eu não conseguia desviar o olhar. Eu o queria, pelo amor de Deus. E eu não estava fugindo ou fingindo o contrário. - Você gosta do que vê? - perguntou, com as pupilas dilatadas mostrando o mesmo desejo que refletia os meus olhos, senti minha respiração ficando descompassada.
- Sim. - suspirei.
- Você que tocar em mim, ? - ele perguntou, enquanto se aproximava de mim e pegava minha mão, me levantando de encontro a ele.
- Sim. - respondi.
Eu parecia um disco riscado, respondendo essa patética palavra com três letras, mas que dizia tanto, e o instrutor não parecia se importar. Ele soltou um grunhido satisfeito quando eu coloquei minha mão no seu peitoral e fui descendo por ele todo.
- Eu quero te lamber aqui. – falei, enquanto passava meus dedos em suas entradas em V. Oh, meu Deus. Eu disse isso mesmo? Sim, eu disse.
- Ei, ei, não precisa ficar com vergonha. - falou, tirando minhas mãos, que cobriam meu rosto, e me deu selinho delicado. - Eu gostaria que você me lambesse. - Ele falou rindo e eu ri com ele.
- O que você está fazendo comigo? – perguntei, enquanto passava meus dedos em seus lábios.
- Não, ! A pergunta certa é: o que você está fazendo comigo?
E então ele me beijou.


Austrália, Março, 08h13am.

Eu estava dolorida, mas de uma maneira boa, muito boa por sinal. Foi a primeira coisa que pensei assim que acordei com os raios de sol na minha cara. dormia ao meu lado, sua respiração era tranquila e ele estava sem coberta, já que eu estava completamente enrolada na mesma. Ele não parecia estar com frio e seu traseiro estava completamente a mostra, já que ele estava deitado de barriga pra baixo e com o braço me segurando fortemente próximo a ele. Ele parecia sexy. Eu não conseguia parar de pensar na madrugada passada. Foi perfeita.
A maneira como arrancou cada pedaço da minha roupa e jogou em todos os cantos por que nós passamos, enquanto tentávamos chegar ao quarto. Ele sussurrou coisas sujas em meu ouvido, o que só me deixou ainda mais excitada, a cada passo. Então disse que iria adorar cada pedaço do meu corpo e que só estaria dentro de mim depois que eu tivesse três orgasmos. Eu não achei que fosse possível já que com Noah era difícil de atingir apenas um, mas era diferente e ele cumpriu a promessa. Soltei uma risada lembrando de todos os rounds que fizemos. Só paramos quando percebemos que o estoque de camisinhas de ambos havia acabado. Cinco camisinhas em uma noite. Deus, eu era uma vadia, pensei, rindo, mas logo parei quando resmugou algo como "mãe, apague a luz". Eu confesso que comecei a entrar em pânico, eu tinha feito sexo, incontáveis vezes, com um cara que apesar de ter sido um fofo, incrível e extremamente gostoso, eu não conhecia. Então a única coisa que eu pensei foi em ir embora.
Uma lista cumprida, pronto! Agora eu podia ir embora, certo? Bom, é o que eu espero.
Olhei mais uma vez para o instrutor e levantei para procurar minhas roupas. Agradeci mentalmente por estar dormindo e não ter que me ver andando nua pelo quarto, procurando pela minha calcinha. Jesus! Aonde esse homem a colocou?
Como aquelas mulheres se sentem confortáveis ficando nuas na frente de todas aquelas pessoas? Eu juro que não entendia, porque estava incomodada em estar nua andando pela casa do homem com quem havia feito sexo havia poucas horas. Achei! Eu não sabia como meu vestido fora parar em cima da geladeira, mas eu o havia achado e isso era o que importava. Procurei minhas roupas íntimas, mas não consegui achar, por nada nesse mundo. Então, liguei para um taxi e fui pra casa sem calcinha e sem instrutor . Se eu fiz o certo? Bom, eu acho que não, mas e se ele não quisesse nada comigo?


Austrália, Março, 9h04am.

- Você foi atropelada por um caminhão? - perguntou, rindo, quando eu entrei em casa. Ela ainda estava com a roupa com a qual fora à "Darknesses", então a noite tinha sido boa para ambas.
- Um caminhão chamado... Na verdade, eu não sei o nome dele, mas você entendeu. – falei, bocejando.
- Instrutor , então? – sorriu, maliciosa, pra mim, e eu senti minhas bochechas corarem. Eu parecia uma colegial. - Você está corando?
- Cala a boca! – falei, rindo, enquanto gargalhava.
- Então, vocês foram para o finalmente? Você molhou o pincel? Afogou o ganso? Colocou a chave de fendas no parafuso?
- Ok, ok, chega de metáforas, dona ! E, sim, eu transei... Ai, meu Deus. Eu transei com o meu instrutor de paraquedismo. - me olhava, divertida, enquanto bebericava o seu café. - Eu sou uma vadia!
- Você não é uma vadia. Você é uma mulher bonita, solteira e que teve sexo casual com um cara gostoso. - minha amiga me repreendeu e eu suspirei, porque não tinha razão pra me sentir culpada.
- Você está certa! - sentei no sofá e passei a mão no cabelo, mas o meu dedo ficou preso. Talvez fora por esse motivo que o taxista não parara de perguntar se eu teria dinheiro mesmo para pagar a corrida.
- Mas, , ele poderia ter deixado você tomar um banho, ou ter te trazido pra casa. Eu pensei que ele fosse um cara melhor. - falou com irritação na voz.
- Bom... Na verdade, eu fugi antes de ele acordar. – falei, mordendo o lábio inferior.
- Você o que? Você é burra, ? - perguntou, indignada. - E se ele for o seu príncipe encantado?
- Príncipe? Claro que não! Eu fiz o certo. – falei, enquanto me olhava como se não acreditasse no que eu falei.
Eu fiz o certo. Não fiz?


Austrália, Abril, 06h00pm.

Fazia duas semanas que eu tinha tido minha aventura de vinte e quatro horas com o meu instrutor de paraquedismo. Engraçado como o meu relacionamento com o Noah, que durou anos, não me fazia falta nenhuma, mas apenas um dia que eu passei com um homem desperta sentimentos em mim em questão de apenas horas junto com ele.
Sempre achei besteira essa coisa de amor à primeira vista, ou romances relâmpago que viram casamento. Eu achei que, se me afastasse, eu iria esquece-lo. Afinal, foi besteira, mas a verdade é que não foi besteira, não é que eu o ame e ele seja a minha vida, até porque é muito pouco tempo para eu amá-lo, mas eu acho que estava apaixonada. E não venha me dizer que é a mesma coisa porque não é! Mas eu tinha certeza que, se eu continuasse com esse homem, eu iria amá-lo, porque nunca ninguém me fez sentir especial como ele me fez. Mas eu fugi e ele também não me procurou, então eu fiquei com medo e esqueci. Pelo menos eu tentei esquecer.
- ! VOCÊ TEM VISITA. - gritou do andar de baixo.
Troquei meu pijama por um short jeans e uma camiseta, e desci as escadas, bloqueando, novamente, os meus pensamentos sobre o instrutor. Assim que cheguei à porta, um buquê de flores com pernas me esperava. Ok, o buquê não tinha pernas, mas quem o segurava, sim, e, como o buquê estava no rosto do indivíduo, eu não sabia quem era.
- , será que você pode guardar essas flores? Eu acho que vou espirrar. - congelei no momento em que escutei aquela voz. Não poderia ser, poderia?
- Instrutor? - perguntei com uma voz esganiçada.
- Atchim!
- Oh, me desculpe. – falei, com uma risadinha, e peguei o buquê que, milagrosamente, desapareceu das minhas mãos assim que passou, e disse que cuidaria dele.
- Olá, . - falou, me olhando, sorrindo. - Você fugiu de mim?
- Am? Q-que? - e aqui estava eu, gaguejando. - Quer dizer... bem, eu não fugi, eu só...
- Você só? - perguntou, divertido.
- Ok, eu fugi! - suspirei.
- Eu fiquei esperando você voltar, e pedir desculpas por fugir e deixar minha bunda branca descoberta, mas você nunca apareceu, então eu não aguentei esperar.
Eu ri.
- Desculpe, deveria ter coberto você primeiro. – falei, sorrindo.
- Ou poderia ter ficado. - falou, sério dessa vez, e eu, instantaneamente, perdi o sorriso do meu rosto.
- Por que você está aqui? – perguntei, suavemente, e estralei os dedos nervosamente.
- Para te levar a um encontro e me apresentar.
- Se apresentar? – perguntei, confusa.
- Sim! Chega de me chamar de instrutor, .
- Ah! Entendi. – falei, rindo.
- Olá, meu nome é . - ele falou, estendendo a mão para mim.
- Olá, , eu sou . – sorri, estendendo minha mão para ele.
- Eu sei. - ele falou, e, então, me puxou para um beijo faminto e cheio de saudades.
- VÃO PARA UM QUARTO, VOCÊS DOIS! - gritou e nós dois nos separamos, rindo.
- Eu também vim te entregar isso aqui. – e, então, ele tirou minha calcinha do bolso e soltou uma gargalhada quando viu minha cara ficando vermelha.
Convidei para entrar e acabamos no meu quarto em um amasso intenso, que foi ficando mais quente e que tornou necessário tirarmos a roupa. No fundo, Ed Sheeran cantava e deixava o cenário muito romântico, por sinal. O encontro completamente esquecido. Eu já disse o quanto amo esse ruivo?


Austrália, 5 anos depois.

Por que eu estou aqui de novo? Eu falei para o que nunca mais voltaria ali, mas ele me enganou, junto com a . Aqueles dois bastardos quando se juntavam faziam uma equipe anti-.
- Por que eu estou aqui de novo? – falei, nervosa, quando a venda foi retirada dos meus olhos.
- Porque hoje faz cinco anos que nós estamos juntos e eu queria comemorar do jeito que nós nos conhecemos. - falou, sorrindo sapeca.
- Pois é, faz cinco anos que você me obrigou a subir nessa coisa. – falei, apontando o dedo para o meu marido.
- Mas, se eu não tivesse te obrigado, você nunca teria usufruído desse corpinho sexy. – falou, passando as mãos pelo seu corpo.
- Isso seria uma tragédia. - coloquei a mão no coração.
- Então, meu amor, você está pronta? - perguntou, me dando um selinho.
- NÃO! - gritei.
- Então, vamos! - falou como se eu tivesse dito "Estou sim! Completamente pronta! Claro!". Então ele saltou.

Assim que pousamos no chão, eu pulei em cima do meu marido e comecei a dar tapas em todo o seu corpo, enquanto ele gritava em protesto. Quando eu levantei para ficar de pé, acabei tropeçando no paraquedas, que estava emaranhado nas minhas pernas. Assim que conseguimos nos soltar de todo o equipamento, seguimos andando em direção à saída. se despediu de seus colegas de trabalho e eles deram tapinhas em suas costas, comemorando que sua esposa, finalmente, houvesse concordado em saltar de paraquedas novamente.
- Eu concordei, então, né? – perguntei, divertida.
- Como a boa menina que você é! - ele concordou, rindo.
- Mamãe, você voou que nem o papai! - dois braços gordinhos se agarraram nas minhas pernas.
- Sim, meu amor, a mamãe voou como o papai. – falei, pegando meu pequeno presente em meus braços. Eu ainda não acreditava no que a vida tinha me proporcionado, no que o amor fez comigo.
- Papai, papai! - Nick balançou os bracinhos, pedindo colo para seu pai, e prontamente o atendeu, dando um beijo em sua bochecha rechonchuda.
- Esse menino pode ter apenas dois anos, mas eu juro que não dou mais conta. - falou, com as mãos na cintura, enquanto corria em minha direção, com uma expressão aliviada assim que viu Nick no colo de seu pai.
- Ele puxou o pai dele. – falei, rindo.
- Por isso que ele é lindo, não é, homenzinho? - Nick levantou o dedão no ar tentando fazer um sinal de "beleza" que nem o seu pai.
- Vocês dois são lindos! – falei, igual a uma mãe e esposa babona.
- Mamãe linda! - Nick falou, apertando minha bochecha do colo do seu pai, e depositou um beijo molhado na mesma.
Se eu fosse olhar para cinco anos atrás, eu nunca iria imaginar que o meu instrutor de paraquedismo seria o homem da minha vida e, muito menos, que, em menos de um ano juntos, nós já estaríamos noivos. Então, um ano depois de noivado, nós nos casamos e realmente me surpreendeu, chegando ao casamento mais atrasado que eu, pulando de um avião. Ele disse que era o sonho dele se casar como se fosse o Tom Cruise em "Missão Impossível", e eu não protestei. Achei fofo! Então Nicholas chegou, alegrando ainda mais nossa vida, e eu percebi o quanto era feliz.
- Eu te amo, ! - falou, me dando um selinho. - E que venham muitos e muitos anos!
- Eu também te amo, Instrutor . – falei, rindo junto com o meu marido.

FIM



Fiction betada por Leh Costa


Nota da autora: (29.04.2015) Queria agradecer a Emily, Duda e Carol por sempre darem as suas opiniões e não me deixarem desistir de escrever quando eu desanimava, ou até mesmo quando eu perdi metade das páginas por não ter salvo (sou uma anta!). Eu amo muito vocês, meninas, obrigada! Queria agradecer também a That por ter organizado esse ficstape tão especial. Espero que vocês tenham gostado, e não esqueçam de deixar um comentário no final e ler as outras fics do especial. Beijos!!!!!!

Minhas outras fics:

Love Is Not a Sin - Especial de Agosto
Can't Fight With You - Restritas/Finalizadas
Grupo do Face




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