Escrito e betado por: Ane Vieira



Capítulo 01

- Vem logo , eu ainda tenho que ir trabalhar! – Meu pai me berrou pela vigésima ou trigésima vez. Eu estava indo à uma faculdade fazer uma prova para entrar em um curso de jornalismo científico. Eu não sabia se era realmente isso que eu queria fazer. Até que eu gosto disso, mas o problema é que esse curso fica em San Antonio, uma cidade do Texas nos Estados Unidos. Eu teria que sair de Londres por três meses. Tudo bem que três meses não é muito tempo, mas eu ia morrer de saudade do meu pai, dos meus amigos, do e da principalmente, os meus melhores amigos. Pensar em todas as coisas que iam me fazer falta só me desanimava ainda mais de fazer essa porcaria, mas ao mesmo tempo eu não queria desapontar meu pai. Eu odeio desapontar ele, e sempre acabava fazendo as coisas contra o meu favor pra que isso não acontecesse. Afinal, desde que minha mãe morreu, ele tem sido muito mais que um pai e uma mãe juntos, ele é simplesmente perfeito pra mim e eu devia fazer algo pra recompensá-lo.
- Só falta pentear meus cabelos pai, espera! – Eu disse já descendo as escadas, procurando meus tênis.
- Eu tenho todo o tempo pra te esperar , mas tem hora pra chegar lá, então se apresse, por favor. – Ele estava inquieto. Achei que fosse meu pai quem ia fazer essa prova e não eu.
- Tá nervosa? – Ele perguntou todo sorridente dentro do carro.
– Um pouco. - Menti, eu não estava nada nervosa, ao contrário, parecia que eu ia comprar pão na padaria da esquina.
– Vai dar tudo certo, você tem capacidade pra passar – Papai disse pegando minha mão e a beijando.
– Obrigada, pai.
- Se eu não estiver muito ocupado, eu te ligo no horário de almoço pra saber como foi, tá bom? – Ele disse tirando uns trocados da carteira pra me dar.
- Tá bom. Ah, eu vou pra casa do depois daqui. - Meu pai não era muito fã do , não sei por que, talvez fosse ciúmes por eu ter um amigo homem, ele achava que eu era apaixonada por ele.
– Tudo bem. – Deu um sorriso torto e eu rolei os olhos.
- Pai, antes que você pense algo demais... é meu melhor amigo, você sabe disso. – Falei de um jeito óbvio.
- Eu sei filha – Ele riu e eu dei um soco de leve em seu ombro. Já tínhamos chegado à faculdade, não era muito longe da minha casa.
- Agora deixa eu ir, to atrasada né! – Dei um beijo em seu rosto e saí do carro logo em seguida.
- Boa sorte - Arrancou com o carro e sumiu de vista.
Entrei na faculdade e demorei um tempinho andando até a secretária. Esse lugar é muito grande, aposto que dá pra se perder aqui. Cheguei e preenchi alguns papeis com rapidez, correndo logo para uma sala que a moça me deu o número. Comecei a fazer a prova, que por sinal estava muito fácil. Eu vou passar, tenho certeza.
Saindo de lá, me lembrei de que não havia tomado café. Na verdade eu não estava com fome, mas estava cedo demais pra bater na porta de e com certeza eu iria encontrá-lo com alguma puta, o que não seria muito agradável. Parei na Starbucks e pedi um café expresso e alguns muffins de queijo. Senti meu celular vibrar no bolso da calça, logo pensei que poderia ser meu pai, mas estava cedo demais. Olhei no visor: . - Bom dia amiga – Ela disse muito animada do outro lado da linha. é minha amiga desde o 1ª grau. Ela é apaixonada pelo , um dos nossos amigos.
- Qual motivo dessa animação toda? – Perguntei franzindo a testa.
- Ai , não dá pra te contar por telefone – Ela estava rindo à toa.
- Isso envolve o ? – É, já imagino a resposta.
- Digamos que... SIIIIIIIM – Berrou, me deixando quase surda.
- Sabia – Falei rindo, me levantando pra pagar a conta. – Vai lá pra casa, to saindo da Starbucks agora.
- Hum... Que milagre, você não vai pra casa do hoje? – Ela perguntou incrédula, me fazendo rir ainda mais.
– Na verdade eu vou, mas só depois que eu souber dessa novidade. – Dei de ombros mesmo que ela não pudesse ver.
- Nossa, me tornei mais importante que o uma vez na vida, é isso? – Perguntou com uma voz irônica.
, não seja ridícula. Vai lá pra casa, vou pegar um táxi agora. - Falei rolando os olhos.
- Ok, beijos – Disse rindo e desligou.

- ME CONTA TUDO! – Gritei fazendo uma dancinha tosca e riu alto.
- Ontem quando você e o foram embora lá de casa... O me agarrou. – Ela deu um gritinho histérico e meu queixo caiu, automaticamente.
- O QUE? ELE TE AGARROU? – Perguntei arqueando as sobrancelhas sem acreditar.
- Sim , nós finalmente ficamos e foi lindo. – Ela sorria e puxava os cabelos pra baixo que nem uma demente.
- , não se anima muito, você sabe como é o . – Falei observando seu sorriso desaparecer do rosto.
- Você me deprime, . – Ela falou balançando a cabeça negativamente.
- Eu preciso te lembrar das coisas que ele faz? , ele consegue ser pior que o , por Deus. – Respirei fundo passando os dedos pelo cabelo.
- Eu amo ele. O que eu posso fazer? – Soltou o ar pesadamente e passou a mão pelo rosto.
- Rezar pra ele parar de ser um galinha. – Falei torcendo a boca quando percebi que ela iria começar a chorar e decidi mudar o assunto.
- Mas então... Pode me dá uma carona?... Casa do . – Ela balançou a cabeça e eu fui em direção ao quarto pra trocar de roupa.
- , SEU CELULAR TA VIBRANDO! – gritou lá da sala.
- Deve ser mensagem... Lê aí pra mim – Pedi caminhando de volta pra sala enquanto terminava de vestir a blusa.
- Já fez a prova? Ainda to te esperando aqui em casa. Beijos, – Ela deu um sorriso malicioso e me olhou estranhamente.
- Que foi? – Perguntei franzindo a testa.
- Nada – Deu de ombros.
- To pronta. Vamos? – Peguei minhas chaves e ela assentiu com a cabeça.
Entramos no carro em silêncio, o rádio da estava quebrado, então eu tive que cantar.
- Para, você é muito ruim. – Ela disse rindo tentando tampar minha boca.
- Ah, obrigada – Falei irônica.
- , você gosta do ? – perguntou de repente, parando de rir.
- Claro, ele é meu melhor amigo – Dei de ombros.
- Não to falando desse jeito... É que vocês são amigos há um tempão né, nunca rolou nada a mais? – Eu não entendi esse interesse súbito dela.
- , eu não sou louca o bastante pra ter algum rolo com o . – Que isso, além dele ser meu amigo desde a 2ª série, ele é um pegador inveterado. Fica com metade da população feminina da cidade.
- Entendi. Mas você ainda não respondeu a minha pergunta. – Ela disse me olhando de canto de olho. – Você gosta dele ou não? – Pra ser sincera, nem eu mesma sei o que realmente sinto pelo .
- Não, claro que não. – Desviei meu olhar pra janela, observando os lindos apartamentos e ela não disse mais nada.

Cumprimentei Jorge, o porteiro, e pedi a ele pra avisar ao que eu tinha chegado. Peguei o elevador e tentei dar um jeito no meu cabelo desordenado.
- Bom dia, . – disse me dando um beijo na testa. Ele estava de bermuda xadrez preta com metade da boxer aparecendo e os cabelos totalmente bagunçados. Por que ele tinha que ser tão sexy?
- Boa tarde, né – Falei rindo fraco e ele fez uma careta.
- Como foi na prova? – Perguntou fechando a porta atrás de mim, puxando-me pro sofá.
- Muito bem. – Respondi observando aquela sala super bagunçada e avistei uma calçinha rosa por baixo do tapete, balancei a cabeça negativamente e respirei fundo. Legal, ele tinha acabado de comer uma puta e eu o fazendo companhia, como sempre.
- Você podia ter marcado metade errado. – Ele bufou.
- Não fiz isso pelo meu pai, você sabe – Dei de ombros e levantei indo em direção à cozinha, me virei pra bancada da pia e inclinei a cabeça. Ah, eu não gosto de lembrar que talvez fosse sair de Londres, por mais que fosse por pouco tempo eu já ficava deprimida. Eu simplesmente adoro esse lugar. Senti me abraçar por trás e depositar um beijo atrás da minha orelha.
- E além do mais, eu gosto de jornalismo científico – Falei rolando os olhos.
- Mas você não pode me deixar aqui sozinho. – Ele fez uma voz chorosa.
- Ah, por favor! – Eu ri sarcasticamente. – Você sabe que nunca fica sozinho. – Ele me virou de frente pra ele, me encarando com aqueles olhos hipnotizantes, senti seu perfume adentrar minhas narinas e alcançar todo o espaço que havia nos meus pulmões.
- Promete que vai ligar todos os dias? – Ele perguntou fazendo bico, ai meu Deus! Eu o abracei pela cintura e apertei o tanto que consegui.
- Claro! Eu vou sentir sua falta, seu bobo – Disse com os olhos fechados e o rosto afundado em seu pescoço.
- O que eu vou fazer em três meses sem você? – Ele perguntou me apertando cada vez mais pra si.
- Eu posso imaginar o que você vai fazer, – Disse pensativa e ele riu balançando a cabeça.
- Ah, tem um filme aí pra gente ver... E eu comprei um pote de sorvete de flocos... Vem cá – Ele me puxou até a sala e colocou o DVD, “De volta para o futuro”. Voltei à cozinha pra pegar as pipocas, o sorvete e um litro de coca-cola. Sentei-me ao lado dele no chão e comecei a tomar sorvete, quer dizer, me lambuzar de sorvete.
- Por que você sempre se suja tanto, ? – Ele perguntou franzindo a testa inconformado, me fazendo rir alto.
- Porque é divertido – Falei passando o dedo no pote e sujando o queixo. aproximou seu rosto do meu com um sorriso maroto e mordeu meu queixo, seguido de um chupão. Ok, eu sei que as intenções dele não são assim como eu penso, mas torna isso mais difícil pra mim.
- Isso é divertido – Ele disse rindo me fazendo corar.
- , pára! Isso é nojento - Eu me arrependi de ter dito essa frase. Ele começou a lamber meu rosto inteiro. Passou a língua pelo meu nariz, minhas bochechas, minha mandíbula, minha orelha. Meu corpo inteiro pulsava conforme as batidas fortes do meu coração; senti meus cabelos da nuca se arrepiar devido a sua língua quente em contato com meu rosto gelado.
! – Juntei forças pra berrar seu nome. Ele já estava começando a morder meu lóbulo e eu tive que o empurrar pelo peito. - Seu idiota, agora tá tudo babado – Passei a mão pelo meu rosto, fazendo cara de nojo.
- Agora você tá limpa – Ele riu e mordeu minha bochecha. Porque ele não para com isso, Deus do céu?!
- Estamos perdendo o filme - O empurrei pelo ombro e ele se virou pra televisão, parando de rir. – E eu amo ficção científica.
Depois que o filme acabou, ficamos assistindo qualquer coisa, eu nem dei muita importância já que o sono começava a chegar. Eu estava sentada entre as penas de , ele abraçou minha cintura apoiando o queixo em meu ombro e o nariz em meu pescoço, senti a respiração quente dele tocar minha pele e os malditos arrepios voltaram. Segurei-me pra não virar e o agarrar de vez. Sim, eu sei que ele é meu melhor amigo, mas não é fácil resistir à ele, francamente. Ficamos assim por longos minutos, até meus olhos irem se fechando sem permissão e senti os braços dele me carregarem até a cama. Eu resmunguei alguma coisa incompreensível que o fez rir.
- Tem algumas roupas suas aqui... Quer trocar? - Ele perguntou baixinho e eu só balancei a cabeça.
Ele me entregou um short vermelho e um blusão dele. Troquei-me por baixo do edredom mesmo, eu estava com preguiça até de pensar em me levantar.
- , me faz um favor? Passa uma mensagem pro meu pai dizendo que eu vou dormir aqui. – Pedi incapaz de me mexer na cama.
- Tá bom.
Depois de alguns minutos, ele deitou ao meu lado e me abraçou, enterrando minha cabeça em seu pescoço. Fiquei me drogando com seu perfume delicioso até que por fim, o sono me venceu.
Acordei um pouco assustada e só depois lembrei que eu estava na casa de . Sim, eu sou muito lenta quando acordo, quem não é? Abri somente um olho e encontrei um par de olhos me observando.
- Há quanto tempo você ta aí me olhando? - Perguntei chegando mais pra perto dele.
- Não sei... Há algum tempo... Você é linda dormindo – Ele disse sorrindo, me fazendo corar mais que o normal. - E mais linda ainda vermelhinha, sabia? – Arqueou as sobrancelhas ainda sorrindo.
-, pára! – Dei um soco de leve em seu braço.
- Eu já disse que adoro te deixar sem graça? – Ele riu baixo.
- Não, mas já deu pra notar. – Falei puxando o travesseiro que estava por baixo da minha cabeça e tampando meu rosto. Ele o puxou, lançando em um canto qualquer do quarto e chegou ainda mais perto de mim. Ficamos nos olhando e um silêncio amedrontou o quarto. Só ouvíamos nossas respirações fracas e eu fiquei com medo dele poder ouvir meu coração acelerado. me olhava nos olhos e eu não me senti capaz de desviar daquele olhar. Ele começou a aproximar lentamente seu rosto do meu até que nossos narizes se encostaram e a respiração quente dele tocou minha boca. Comecei a suar frio, eu não consegui mover nenhum músculo, por mais que meu subconsciente gritasse pra eu me afastar, eu não conseguia. Nossos lábios se tocaram de um jeito bem cuidadoso. Ele deslizou uma mão fazendo com que nossos dedos se entrelaçassem e com a outra ele tocou meu rosto com muita delicadeza. fez o contorno dos meus lábios com a língua, como se estivesse pedindo permissão e sem pensar muito eu cedi. Quando nossas línguas se encontraram, senti meu corpo inteiro se arrepiar. Parecia que elas tinham desejo próprio, porque se movimentavam fora do nosso controle. Era uma sensação estranha e ao mesmo tempo muito prazerosa. Ele mordeu meu lábio inferior e se afastou. Eu ainda continuei de olhos fechados e sem me mover, eu não tinha coragem de abri-los e encarar os olhos dele. Não estava acreditando no que acabara de acontecer. Deus, esse é , meu melhor amigo desde a 2ª série.
- ? – Ouvi a voz calma e baixa dele me chamar, depois de alguns segundos. Abri os olhos e senti o sangue pulsar em minhas bochechas.
- Desculpe – Foi tudo que eu consegui dizer.
- Você tá arrependida? – Ele perguntou ainda em cima de mim.
- Não sei – Soltei nossas mãos e coloquei-as sobre rosto.
- Isso não vai mudar nada na nossa amizade, eu prometo. – Não era isso que eu queria ouvir, mas é o certo.
- Desculpe – Repeti ainda suando frio, eu não conseguia sentir meu próprio coração.
- Se você se desculpar de novo, vou imaginar que eu beijo muito mal. – Ele forçou um riso e saiu de cima de mim.
- Na verdade você beija bem – Meu Deus, eu não acredito que falei isso, que péssimo, !
- Você também - Ele abaixou um dos meus braços e entrelaçou nossos dedos, de novo. Ficamos ali, em silencio, encarando o teto, até o telefone dele tocar. Obrigada!
- Alô... – Disse num resmungo. – Ah, é você... – Devia ser alguma vadia que ele pegou. – Você sabe que não rola segunda rodada. – Ele riu malicioso. – Não vai dar, tenho compromisso hoje. Mas a gente se vê por aí. – E desligou.
- Então... Bem, eu... Já vou indo – Já que ele disse que tinha um compromisso, essa era a hora perfeita pra eu me livrar desse momento constrangedor.
- Como assim, ? Hoje é domingo, você se esqueceu? – Perguntou com as sobrancelhas arqueadas.
- Não, eu não me esqueci que hoje é domingo – Fiz cara de óbvio.
- A gente vai à praia com o pessoal... Você esqueceu – Ele balançou a cabeça negativamente.
- Ah, é mesmo – Coloquei a mão na testa.
- Vai se arrumar então. – Ele me apressou e jogou uma almofada na minha cabeça.
Levantei-me fazendo uma careta e ele riu. Peguei meu biquíni azul escuro que estava no armário dele e entrei no banheiro. Quando vi minha imagem no espelho tomei um susto, não sei como podia me achar linda assim; Depois de alguns longos minutos, eu estava quase pronta, só faltava decidir qual canga eu usava, sendo que só tinham duas no armário dele. Ouvi bater na porta do quarto e entrar.
- por que você é tão lerda? To pronto já tem uns vinte minutos e... – Quando eu saí do banheiro ele parou de falar e me olhou de baixo pra cima.
Nem preciso falar que nesse momento eu queria enfiar minha cabeça em algum lugar, até que o vaso sanitário me pareceu uma boa opção.
- Que foi? To esquisita? – Falei dando um passo pra trás, me olhando no espelho.
- Não... Você tá... Linda, muito linda – Ele não tirou os olhos das minhas coxas.
- Er... Ok, já pode parar de me olhar. – Falei rindo sem graça e ele balançou a cabeça. – Vamos?
Entramos no carro e eu liguei pro meu pai. Disse que eu estava bem e que ia à praia com meus amigos. Depois de uns vinte e cinco minutos, finalmente chegamos. Pude avistar o carro de , e do .
- AMIGA! – veio me abraçar e eu dei um largo sorriso. Ela é minha melhor amiga desde que eu tinha onze anos de idade. Ela sempre fora completamente louca e apaixonada pelo , e finalmente, ano passado ele a pediu em namoro. , e que estavam sentados ali também me abraçaram e estava na água. Estendi a canga para eu e sentarmos e começamos a conversar sobre bichos e eu ria das besteiras que falava. nos chamou pra entrar na água, mas eu realmente não estava afim, só de pensar no gelo que aquilo podia estar. e se levantaram e foram correndo em direção ao mar. Quando se levantou, segurei o pulso dele, que me olhou sem entender.
- O protetor, branquelo – O lembrei e ele fez uma careta.
-Ah , não preciso disso, nem tem sol – Ele falou levantando a mão livre na altura do ombro.
- Mas tem que passar mesmo assim, e não discute! – Ele se abaixou de frente pra mim enquanto e riam das caras que ele fazia.
- Chega, ! – disse, mais uma vez fazendo careta e elas continuavam rindo da cara dele que estava toda branca e gosmenta.
- Você é muito chato sabia? Vai logo pra água. - O empurrei, mas ele voltou a se abaixar.
- Nós vamos – Disse rindo e me pegando no colo.
- NÃÃÃÃÃÃÃO, ME PÕE NO CHÃO AGORA! – Que clichê. Comecei a bater as pernas e socar o braço dele numa tentativa inútil de me soltar.
Quando ele já estava na borda, o vi apertando os olhos e fazendo mais uma careta.
- O que foi? – Perguntei assustada.
- ISSO AQUI TÁ UM GELO! – Gritou ele, me deixando surda.
- AAAAAAAAAH NÃO FAZ ISSO COMIGO, ! – Eu o implorei, o que só piorou a minha situação.
- Eu não vou entrar aqui sozinho, - Ele riu. Cretino!
Foi entrando devagar, ainda fazendo careta, eu ria retardadamente e ele ainda não tinha me soltado. Talvez tinha ficado com pena de mim. Ou não né; Ele me soltou, ou melhor, me jogou naquela água que parecia mais com gelo derretido.
- IDIOTA, EU TE ODEIO! – Gritei emburrada já começando a tremer o queixo.
- Eu sei que você me ama – Ele disse fazendo aquele biquinho muito sexy. – Vem cá – Me puxou pela cintura e colou nossos corpos.
- Ta fazendo o quê, ? – Perguntei tentando entender aquele ato.
- Transferindo calor humano pra você – Ele riu baixo, beijando meu pescoço e fazendo-me arrepiar inteira. - Escuta... Quando você vai saber se passou? – Perguntou se referindo a minha prova.
- Provavelmente semana que vem – Respirou fundo e eu tentei o consolar. – São apenas três meses... Não é muito tempo – Disse fazendo um carinho em seus cabelos.
- É... Vai passar... Rápido? – Não foi uma afirmação.
- Vai sim. Eu vou estar cheia de trabalhos e você cheio de vadias. Com certeza vai passar rápido – Ele soltou uma gargalhada.
- Ciumenta – se afastou pra me olhar e eu arqueei as sobrancelhas.
- Iludido - Ele riu baixo.
Senti alguém jogar água na gente e quando me virei pra ver eram e . Ficamos os quatro ali conversando sobre algas e contava suas histórias bizarras de praia; Ouvi chamar e , ele se virou pra me dar um beijo na testa e depois foi caminhando junto com os meninos.
Depois de algumas horas, eu já estava ficando preocupada com a demora dele. Até que , e eu decidimos ir à sorveteria ali perto. preferiu ficar sentada lá vigiando nossas bolsas.
- E a sua prova, ? Você nem contou como foi... – perguntou enquanto abraçava de lado.
- Eu acho que passei – Falei sorrindo, colocando uma mexa de cabelo atrás da orelha.
- Se você estiver certa, vamos dar uma festa de despedida – falou pensativa.
- Awn, eu adoro festas. Mas não de despedidas né... Mas tudo bem, podemos contratar dançarinos e... – Minha voz travou quando eu vi praticamente engolindo uma garota ali na sorveteria.
- E...? – quis que eu continuasse, mas eu não lembrava mais o que ia dizer. Meus olhos começaram a encher de lágrimas.
- E... E acho melhor... Irmos embora. – Falei abaixando a cabeça e apertando os olhos pra que nenhuma lágrima escapasse.
- Não, olha o ali. – Ele exclamou contente e balançou a cabeça negativamente. – Que foi? – estava mais confuso que meus próprios pensamentos.
- Não sei por que eu ainda não me acostumei com esse tipo de coisa que o faz. – Não acredito que eu disse isso. Eu não podia ter dito, não na frente do , o melhor amigo de .
- Vamos voltar – puxou minha mão e caminhou calado. Droga!
- Eu vou embora. – Falei ardendo de vergonha.
- Nós também vamos, pega uma carona. – falou baixo olhando pra e eu só assenti com a cabeça. dirigiu até minha casa sem dizer uma palavra. Aquele silêncio já estava desconfortável. Eu estava com um nó na garganta e meus olhos ardiam. Por sorte, chegamos à minha casa e saltou comigo.
- Você gosta dele, eu sempre soube disso. – Ela falou observando cada aspecto do meu rosto. E enfim as lágrimas tomaram conta do meu rosto. - Não, eu amo ele e sempre fui louca por ele. Mas isso muda em alguma coisa? é o tipo de cara que não vive sem fazer sexo com pelo menos dez vadias em uma semana. É melhor o ter como amigo do que ser mais uma a abrir as pernas pra ele e o perder de vez. – Eu finalmente admiti. Não só pra , mas pra mim mesma.
- Eu realmente queria te dizer alguma coisa confortante. – Ela falou com a voz chorosa e me abraçou.
- Não quero que o conte isso pro . – Falei fungando um pouco alto.
- Ele não vai contar, fica tranquila amiga. – Ela se afastou, me deu um beijo no rosto e caminhou até o carro.
Entrei em casa e encontrei meu pai dormindo no sofá com a TV ligada, desliguei e subi pro meu quarto. Me joguei na cama, afundando o rosto no travesseiro. Mais uma vez eu chorando por , e sinceramente ele não merece nenhuma lágrima; Aquele beijo significou tanto pra mim, eu senti coisas que nunca senti com outro cara. Foi um beijo perfeito. Os arrepios, o calor e o frio ao mesmo tempo invadindo meu corpo. Mas com certeza pra , aquele fora mais um beijo qualquer, assim como os beijos que ele dava naquela ruiva da sorveteria. Eu precisava mesmo sair de Londres. Eu tinha que conhecer alguém novo, eu definitivamente precisava de um homem.
- Até que enfim você veio pra casa – Me assustei quando ouvi meu pai falar e entrar no quarto.
- Desculpa, pai – Bufei ainda de bruço com o rosto no travesseiro.
- Tá tudo bem com você? – Ele perguntou preocupado e eu senti o colchão afundar um pouco.
- Não sei – Falei me virando e coçando a cabeça com as duas mãos.
- Quer conversar? – Papai perguntou com os olhos confusos. Eu não conseguia ficar à vontade pra falar de garotos com meu pai, ainda mais se tratando de .
- Pai eu... Não consigo conversar sobre garotos com você – Fui franca.
- Eu imagino – Ele soltou um riso baixo, balançando a cabeça positivamente.
- Me desculpe... Mas não precisa se preocupar – Falei pegando em sua mão.
- Tudo bem, eu entendo isso, filha. Não demora pra dormir, tá? – Me deu um beijo na testa e saiu.
Levantei-me e fui ao banheiro. Deixei que água gelada caísse em minha cabeça e congelasse meu cérebro pra que eu não pensasse mais em . Deitei na cama e abracei um coração grande que tinha ali, mas o taquei na parede ao lembrar que foi ele quem me deu. Escutei meu celular vibrar dentro da bolsa e pulei da cama pra pegá-lo. Era mensagem de .

Porque você fugiu de mim hoje? xx

Bufei voltando pra cama e coloquei o celular em frente à mesinha pequena. O que eu ia falar pra ele? Eu ia dizer “ah, é que eu te amo e fiquei com ciúmes ao ver você beijando aquela garota” e ele diria “sério? não podemos ser amigos, eu lamento”. Ele é tipo que gosta de transar com um monte e depois ficar assistindo filmes, comendo chocolates, sorvetes e indo a restaurantes e pubs pra se divertir comigo. O problema do é que ele não consegue ficar com uma pessoa só, ele quer todas pra satisfazer seus desejos sexuais e uma pra satisfazer seus desejos sentimentalistas.
Perdi a conta de quantas vezes rolei na cama. A imagem de beijando aquele traste ruivo só atormentava minha mente. Olhei no relógio e marcavam 3:25h. Eu definitivamente tinha perdido o sono. Lembrei-me de quando eu não conseguia dormir... Eu ligava pra ele, que cantava uma música pra mim. Senti tanta vontade de ligar, de ouvir a voz dele, o ouvir cantar. Quando me dei conta já estava com o celular nas mãos. Sem pensar muito disquei o número que eu já sabia de cor. Estava demorando demais pra atender, na certa ele estava dormindo, pensei em desligar, mas logo ele atendeu.
- Alô – Me arrependi por ter ligado quando ouvi a voz mal humorada dele.
- , me desculpa. Te acordei, né? – Eu sou tão idiota.
- Ah , é você. Não tinha visto no visor. – Sua voz mudou completamente. – Aconteceu alguma coisa?
- Não consigo dormir – Falei baixo, queimando de vergonha.
- Posso cantar pra você... Como sempre faço – Ele sugeriu soltando um riso abafado.
- Seria bom – Deitei na cama e me cobri com o edredom.
- Quando acabar, eu desligo, ta bom? – Disse com uma voz calma que já me relaxava.
- Ta bom – Fechei os olhos esperando o começar.
- When you're down and troubled…
(Quando você estiver deprimido e confuso)
- And you need a helping hand...
(E precisar de uma mão para ajudar)
- And nothing, Oh nothing is going right…
(E nada, nada estiver dando certo)
- Close your eyes and think of me…
(Feche seus olhos e pense em mim)
- And soon I will be there…
(E logo eu estarei lá)
- To brighten up even your darkest night…
(Para iluminar até mesmo suas noites mais sombrias)

Ele cantava “You’ve got a friend” com aquela voz doce e suave. Dei-me conta de que havia um sorriso bobo em meu rosto e agradeci mentalmente por não poder vê-lo. Muitas imagens dele me vieram à mente, principalmente do nosso beijo perfeito.
- Você dormiu? – Ele perguntou baixinho, mas eu estava incapaz de responder alguma coisa. Logo meus pensamentos perderam os sentidos e adormeci.

Capítulo 02

Acordei com algumas frestas de luz em meu rosto. Tomei um susto quando vi o celular em cima do meu peito e logo me lembrei de como consegui dormir. A voz de ainda ecoava em minha cabeça e um sorriso despercebido invadiu meu rosto. Eu estava dando muitos sorrisos quando pensava nele. Levantei-me pra ir ao banheiro fazer minha higiene matinal. Eu tinha que ir pro estágio, merda. Desci as escadas, praticamente já arrumada só faltavam meus sapatos. Olhei no relógio na parede que marcavam 6:30h. Papai já tinha ido pro serviço, mas dava tempo de pegar um ônibus. Fui até a cozinha e peguei um suco de laranja. Senti meu celular vibrar no bolso e meu coração acelerar quando eu vi o nome de no visor.
- Bom dia, – Ele falou muito alegre do outro lado da linha.
- Bom dia – Mais um sorriso.
- Dormiu bem? – Ele perguntou todo fofo.
- Com você cantando pra mim não tem como dormir mal – Falei rindo idiotamente.
- Que bom. Você é a única que acha que eu canto bem sabia? – E ele também ria, mas com certeza não idiotamente.
- Então quer dizer que você também canta pra outras dormirem? – Não resisti.
- Não, você é a única. Só que algumas meninas já me ouviram cantar e não gostaram – Ele explicou devagar.
- Hmn, eu quero continuar sendo a única – Falei com a voz ameaçadora e ele soltou uma gargalhada.
- Com certeza, eu não faria isso com nenhuma garota que eu saio. – Broxei.
- Preciso desligar se não vou me atrasar pro estágio – Dei um gole no meu copo de suco.
- Tudo bem, passa aqui em casa mais tarde? – Ele perguntou baixinho.
- Não vai dar, vou à casa da ... Mas você pode passar lá se quiser. – Falei já caminhando em direção à porta.
- Te vejo lá então – Ele respondeu enquanto eu já destrancava o portão.
- Até mais tarde, – Desliguei o celular, indo rapidamente pro ponto de ônibus.
Meu dia no estágio foi chato e rotineiro. O Sr. Phillips pegando no meu pé mais do que nunca e eu estressada por não ter tempo nem pra almoçar direito.

Cheguei à casa de e vi o carro de estacionado em frente, senti elefantes socando minha barriga. Bati na porta e apareceu, sem camisa e os cabelos molhados.
- , que saudade! – Me deu um abraço forte.
- , nós nos vimos ontem – Falei rindo, me afastando dele pra entrar.
- Eu sei, mas eu sinto saudades – Ele falou rindo e fechou a porta. – Ta tudo bem com você? – Perguntou arqueando uma sobrancelha.
- Tudo certo – Dei um jóia com a mão e fui em direção a que estava sentada no braço do sofá.
- Tudo bem mesmo? – Ela perguntou rindo e me abraçou de lado pela cintura.
- Já disse que sim, meu Deus! – Rolei os olhos e eles riram. - Cadê o ? – Perguntei passando os olhos pela casa.
- Mal fala com a gente e já vai perguntando pelo . – Ela disse franzindo a testa mais ainda rindo.
- O que vocês estão falando de mim aí? – Ele surgiu do corredor com um sorriso fascinante no rosto.
- A tá com saudades de você – falou soltando aquela risada alta e fina.
- Hum... Vem cá me dar um abraço então – Ele abriu os braços fazendo bico e os elefantes na minha barriga agora subiam pra minha garganta, deixando-me sem voz. – Ai... Eu adoro esse cheirinho de pêssego. – Ele disse rindo e cheirando meu pescoço me fazendo sentir cócegas.
- Parem de se agarrar, vamos comer – disse rindo debilmente e nós nos afastamos indo em direção a cozinha.
Comemos duas pizzas, calabresa e frango com catupiry. Cara, eu sou louca por catupiry. Bebemos duas latinhas de cerveja cada e estávamos sentados no chão da sala brincando de troca. Qualquer um fazia uma pergunta e se tal pessoa não quisesse responder era só dizer: troca.
- Quantas garotas você já levou pra cama em uma noite? – perguntou ao . Ele só fazia esses tipos de perguntas.
- Não sei, eu sempre estou bêbado quando levo garotas pra cama. – Ele riu, desajeitando o cabelo. – Bom, vou chutar quatro em uma noite. – Uau, por que não pegou AIDS?
- E você ? – Perguntei arqueando as sobrancelhas e o encarava.
- Só a – Ele deu aquela risada escandalosa e ela deu um soco nele.
- E você ? – Ele perguntou e fitou os olhos em mim.
- Troca. – Ri colocando as mãos no rosto.
- Ah não, responde! – berrou. Porque ele era tão escandaloso?
- Só se prometerem não rirem de mim. – Eles assentiram com a cabeça e os olhares curiosos fizeram meu rosto começar a ferver. – Eu ainda sou virgem. – Abaixei a cabeça e cocei a testa.
- Ta brincando né? – perguntou e eu levantei a cabeça pra olhá-lo.
- Não, é sério porra. sabe disso. – Falei franzindo a testa e ela riu.
- Nenhum cara ou namorado pediu pra você transar com ele? – perguntou com as sobrancelhas arqueadas.
- Claro que já, e... foi o primeiro quem pediu isso. – Falei olhando pra que não apresentava nenhuma expressão no rosto.
- E não transaram? – perguntou assustado me fazendo rir, mas ainda continuava sem expressão.
- Não né, se eu sou virgem. – Rolei os olhos e já chorava de rir.
- Cara, como isso aconteceu? Você não deixa passar uma. – falou olhando pra , com os olhos arregalados.
- É , renunciando uma garota... – disse colocando a mão na boca em sinal de espanto. – Ainda mais uma garota com a . – E finalmente sorriu.
- Nós tínhamos o que, treze anos? Eu realmente queria, mas não quis insistir. – Ele falava me observando.
- E por que não? – Essa pergunta saiu sem autorização.
- Ué, por que somos amigos. E eu gosto de ter você na minha vida. – Ele disse um pouco sem graça, talvez porque e estavam aqui.
- Ah é, esqueci que as garotas que você transa, depois não pode mais vê-las. – falou pensativo, mas ainda rindo.
- Isso mesmo. – Ele olhou pro e balançou a cabeça. - E eu não queria ficar sem você. – Olhou pra mim sorrindo e eu pensei que fosse desmaiar. - , você tem algum trauma de relacionamentos? – perguntou e todos nós rimos mais ainda.
- Troca. – Ele não conseguia nem falar de tanto que ria.
- Não estamos mais brincando de troca – ria mais que ele.
- Mas eu não vou responder essa. – disse balançando o dedo indicador.
- Eu tenho curiosidade pra saber – insistiu.
- Eu também – Falei fazendo bico e juntando as mãos.
- Eu mais ainda – não parava de rir um minuto.
- Problema de vocês – se levantou indo pra cozinha, mas o segurou pela perna e começamos a fazer cócegas nele. – Gente, eu não vou contar, que porra! – Ele gritava desesperado.
-Tá, você venceu – Eu disse tentando recuperar o fôlego.
- Mas um dia você vai nos contar – apontou pra ele que deu de ombros.
- Bom... Já é tarde, preciso ir – Falei me levantando e pegando minha bolsa.
- Eu te levo, se levantou, ajeitando sua roupa.
- Hoje foi melhor que semana passada – falou se levantando pra me abraçar.
- Foi mesmo – Falei rindo fraco.
- Amor, eu também preciso ir...Te ligo amanhã, tá? Te amo – levantou e deu um beijo em .
- Tchau, chata – deu um beijo no rosto dela e depois saímos.
Eu e entramos no carro, enquanto ia até a garagem pegar o seu.
Fomos em silêncio até minha casa, quando eu olhei no relógio do painel do carro, marcavam 2:15h da manhã.
- MEU DEUS! – Berrei sem acreditar.
- O QUE FOI? – também berrou assustado.
- SÃO DUAS E QUINZE DA MANHÃ! – Coloquei as mãos na boca espantada.
- É, E ACHO MELHOR PARARMOS DE GRITAR! – Ele berrou de novo e nós rimos.
Chegamos à minha casa e eu estava começando a cochilar. me ajudou a caminhar até meu quarto; colocou-me na cama e me cobriu com o edredom depositando um beijo em minha testa.
Acordei abrindo os olhos depressa e estiquei a mão até conseguir alcançar meu celular. Quando olhei no visor, 6:50h. Atrasada, não era pra eu ter dormido tão tarde ontem, merda. Pulei da cama correndo pro banheiro, lavei o rosto numa tentativa inútil de desamassar minha cara de zumbi, escovei os dentes e desci. Papai já tinha saído. Legal, eu tinha que pegar ônibus e nunca ia chegar em menos de dez minutos no estágio; O telefone tocou quando eu já ia abrir a porta, joguei as chaves no sofá e fui atender.
- Bom dia, gostaria de falar com ? – A voz desconhecida de uma mulher perguntou.
- Sou eu mesma, pode falar – Falei franzindo a testa.
- A senhora conseguiu aprovação da prova para o curso de jornalismo científico. Preciso que venha aqui hoje preencher suas fixas, pois a senhora já estará saindo de Londres em alguns dias, parabéns – Ela disse calmamente.
- Sério? Em alguns dias? E vocês me avisam assim em cima da hora? – Eu bufei. – Eu só posso passar aí mais tarde. – Disse desligando o telefone. Eu passei na prova, legal. Virei pra pegar as chaves no braço do sofá, indo em direção à porta. Ei, espera aí, EU PASSEI NA PROVA, CARA!

Daqui cincos minutos seria a hora do meu almoço, o Sr. Phillips não estava lá hoje e eu não quis esperar, corri pra faculdade. Nem acredito que eu ia para San Antonio. Tudo bem que são apenas três meses, mas isso já me ajudaria a colocar meus pensamentos em ordem, principalmente em relação ao que eu sinto por . E conhecer lugares, pessoas, e um monte de coisa nova. Excelente!
Cheguei à faculdade, preenchi a fixa da matrícula do curso e imediatamente liguei para o meu pai. Contei a ele que tinha passado, ele ficou super feliz e orgulhoso. Também passei uma mensagem pro , e pro , contando a novidade. Saí de lá e fui comprar minhas passagens aéreas; a viagem estava prevista para daqui dois dias. Depois de pegar dois ônibus super lotados, enfim cheguei em casa. Minha carteira de motorista estava demorando demais a chegar, não agüento mais andar de ônibus.
- Parabéns filha, eu sabia que você ia conseguir – Papai disse vindo em minha direção com os braços abertos.
- Valeu pai, vou daqui dois dias – Falei nos afastando, dando de costas e indo em direção ao meu quarto pegar minha mala.
- Nossa, que rapidez – Ele falou me acompanhando.
- Também acho, mas pensando bem, quanto antes melhor. – Dei de ombros e comecei a arrumar minha mala.
- É mesmo... Quer ajuda aí? – Papai perguntou sentando-se na beira da cama.
- Não pai, as roupas já estão dobradas, então é só eu jogar aqui dentro – Sorri fraco o vendo assentir com a cabeça e logo depois sair do quarto. Terminei de arrumar minha mala e corri para o banheiro. Eu necessitava de um banho gelado, o qual pudesse me relaxar. Comecei a pensar como seriam meus dias em San Antonio. Eu estava muito ansiosa pra tudo isso, mas ao mesmo tempo triste de ter que sair daqui. Eu ia sentir tanta falta do . Fico com medo de ele acabar me esquecendo, sei lá, eu não vou estar mais todos os dias o vendo ou falando com ele. Balancei a cabeça rindo do grande rumo que meus pensamentos tomaram, e claro, sempre chegavam a ele. Terminei meu banho rapidamente e entrei de baixo de um edredom quentinho e macio que me esperava.

Acordei de manhã, mas na verdade não parecia ser de manhã, o relógio da mesinha indicava 4:20h. Acho que a ansiedade era tanta que acordei duas horas e quarenta minutos antes da hora marcada pra sair de casa. Aproveitei pra tomar um banho demorado e preparei meu café, e também o do meu pai. Sentei-me no sofá e relaxei a cabeça pra trás, respirando fundo. Olhei no relógio da parede e já eram 5:10h da manhã. Pensei em caminhar pelo parque já que agora o sol ia começar a aparecer.
Eu caminhava sem pressa, observando com cuidado coisas que eu nunca tinha notado por mais que passasse por ali todos os dias. Aquela mistura de orquídeas amarelas, as tulipas vermelhas e lírios brancos. Por mais que eu odiasse flores, eu tinha que admitir, aquilo era realmente lindo. Balancei a cabeça rindo sozinha e avistei um banco vazio. Na verdade, a rua inteira estava vazia, só eu caminhava ali em plena madrugada. Sentei no banco e fechei os olhos enquanto o vento fazia o favor de bagunçar meus cabelos. Fique ali por longos minutos, até sentir meu celular vibrar, era o despertador, no caso pra eu acordar à essa hora, 6:20h.

carregava minhas malas até o carro do papai, enquanto me abraçava.
- , por Deus, eu volto daqui três meses – Falei já começando a sentir falta de ar por ela me apertar tanto.
- Você fala como se três meses fosse pouco – Ela disse com a voz chorosa.
- Amiga, eu vou ligar pra você sempre que eu puder. – Disse tentando me afastar, minha blusa já estava ficando molhada com as lágrimas dela.
- Vai mesmo? – Perguntou franzindo a testa.
- Claro, vou sentir sua falta também – A abracei mais uma vez e me afastei.
- Nem deu pra fazer uma festa – disse me abraçando.
- Tudo bem, a gente faz uma quando eu voltar – Sorri e apertei as bochechas dele.
- Vou sentir saudades... Se cuida, – Ele me deu um beijo na testa e se afastou.
, e depois me abraçaram e desejaram boa sorte. Eu ia sentir muita falta desses chatos; Meu pai, e eu entramos no carro e eu fiquei acenando pra eles até não vê-los mais.
Quando cheguei ao aeroporto, eu estava nervosa, não conhecia nada em Texas, eu ia ficar na casa de uma família que eram amigos do meu pai, mas mesmo assim, eu não me sentia bem. carregou minhas malas até o local onde eu ia pegar o avião e nos sentamos nos bancos vazios que tinham ali. Papai começou com suas recomendações enquanto tentava não rir das caras que eu fazia; Ficamos ali durante algum tempo conversando. segurava forte minha mão direita e não sei dizer se meu pai tinha percebido isso.
- Chamada para o vôo 225 com destino aos Estados Unidos, Texas – Hora de ir. Respirei fundo e me levantei.
Dei um abraço forte em meu pai e disse que o amava. veio me abraçar antes que eu pudesse ir ao seu encontro.
- Vou sentir sua falta – Ele disse com a voz presa, parecia que ia chorar.
- Eu também . Não vá me trocar por algumas vadias. – Falei forçando um riso baixo.
- Eu não trocaria você por nada – Falou baixinho no meu ouvido.
- Eu te amo muito – Falei num sussurro sentindo meus pés saírem do chão.
- Eu também , me liga assim que chegar. – Me colocou no chão e se afastou, assenti com a cabeça e mandei beijos no ar pros dois.
A cada passo que eu dava, sentia uma pontada no peito. Minhas mãos suavam e minhas pernas tremiam, eu estava com medo, mas ainda confiante de que tudo daria certo.

Capítulo 03 - (’s POV)

Fiquei a olhando até sua imagem desaparecer no meio daquele monte de gente. Eu estava com um nó na garganta; Não queria deixá-la ir, não queria nunca ficar longe dela, se às vezes três dias sem a minha melhor amiga me pareciam demais, três meses então, não quis nem imaginar. - – O Sr. me chamou, fazendo-me acordar do transe. – Eu vou pro trabalho, quer uma carona até sua casa? – Perguntou com um sorriso fraco no rosto.
- Se não for atrapalhar o senhor, eu quero sim. – Dei um sorriso torto e ele balançou a cabeça.
Nós não conversamos muito durante o trajeto até minha casa, o Sr. parecia estar desanimado. Acredito que seja por causa da . Cara, eu acho que ele devia arrumar alguém. Porra, já faz mais de cinco anos que a esposa dele faleceu, ninguém consegue ficar sozinho não é?
Cheguei ao meu apartamento e não tinha absolutamente nada de interessante pra fazer. Joguei-me no sofá e liguei a TV, mas não tinha nada que me interessasse. Desliguei-a entediado e fui pro banheiro tomar banho. Água gelada me ajudava a relaxar. Deitei na cama e pensei em dormir, mas vi um papelzinho com o celular de uma tal Dyanna. Pensei em ligar pra ela e marcar alguma coisa já que eu estava sozinho, mas eu não me lembrava de ter ficado com essa garota. Bom, foda-se, já que ela deixou o numero do celular, com certeza já transamos. Disquei o número e fiquei surpreso por ela querer vir aqui e não sair. Eu realmente não me importo, a gente podia ver um filme e depois transar, tanto faz.
- Oi – Uma garota morena de cabelos cacheados curtos disse sorrindo quando eu abri a porta.
- Oi Dyanna – Sorri fraco e dei um beijo em seu rosto. – Entra aí – Ela assentiu com a cabeça ainda sorrindo.
- Então... O que vamos fazer? – Ela perguntou arqueando uma sobrancelha.
- Pensei em vermos um filme antes disso que você tá pensando – Falei rindo e ela abriu a boca espantada. - Eu não pensei em nada – Que se foda então.
- Hum – Resmunguei indo em direção à TV. Depois de já ter colocado o filme dentro do DVD, lembrei que era aquele que eu e a assistimos, “De volta para o futuro” e bem, também lembrei de que naquele dia eu senti uma louca vontade de chupar o rosto dela sujo de sorvete. Ri inconseqüentemente lembrando como ela estava tentadora toda sujinha. Senti a garota me olhar por talvez eu estar rindo sozinho, e foi então que eu tive a idéia de pegar o sorvete de flocos, que ainda tinha na minha geladeira por causa da , e oferecer torcendo pra ela se sujar também.
- Gosta de sorvete? – Perguntei a olhando se sentar no sofá.
- Gosto, mas antes que você me ofereça... Estou de dieta. – Ela falou dando de ombros e eu rolei os olhos.
É foda isso, hein. Bom, eu ainda tenho o filme. Sentei ao lado dela e dei play. Cara, eu adoro esse filme, e gosto mais ainda quando assisto com a , ela ri das partes que não tem graça e das que tem ela não ri. A Dyanna parecia entediada, ela ficava bufando o tempo inteiro, além de criticar todas as cenas do filme. Eu realmente odeio quando fazem isso. Porra, todo mundo sabe que é mentira, mas é tão divertido fingir que é verdade e viajar no filme. Isso já estava me deixando irritado.
- A gente não pode adiantar as coisas e deixar o filme de lado? – Ela perguntou colocando as mãos sobre as minhas pernas.
- Não – Respondi entediado. – Acho melhor a gente não adiantar nada. – Falei tirando as mãos dela levemente.
- Não entendi – Ela franziu a testa e eu respirei fundo.
- Sei lá... Não to mais afim – Falei balançando a cabeça e ela ficou sem reação. – A gente se vê por aí – Me levantei e abri a porta pra ela. - , você é um idiota mesmo. – A garota se levantou e eu fechei a porta na cara dela e voltei a deitar no sofá. Que garota mais chata. Só bêbado pra eu transar com umas porras dessas.
Levantei e fui pra cama, olhei no relógio que marcavam 19:10h. Nunca fui dormir tão cedo em toda a minha vida. Acho que nem mesmo um idoso dormia a essa hora. Eu não estava com sono, mas não tinha nada pra fazer, então só me restava isso.
Rolei várias vezes pela cama, ouvindo um barulho chato de vozes no vizinho. Algumas pessoas rindo e conversando, muito alto por sinal. Levantei e peguei mais um travesseiro que tinha no armário, talvez tampando a cabeça fosse possível dormir. Senti um cheiro familiar de pêssego, me lembrou a . Ah, claro. Esse é o travesseiro que ela deixava aqui. Ótimo, agora consigo dormir.

Acordei com o barulho insuportável do meu celular. Porra, eu tinha que trocar essa merda de som. Apertei os olhos fortemente e vi a foto de no visor.
- Fala viado – Resmunguei mal humorado.
- Porra, você tava dormindo? Cara, são dez da manhã. – falou rindo do outro lado da linha.
- O que você quer? – Falei bocejando.
- você é muito mal humorado. Só liguei pra te chamar pra um futebol aqui em casa. – Ele falou melancólico e eu ri.
- Foi mal. Vou tomar um banho e daqui a pouco chego aí – Desliguei e corri pro banheiro.

Quando cheguei à casa do , , e mais alguns amigos dele que eu não conhecia já estavam lá me esperando.
- Porra, demorou hein! – disse abrindo a porta pra mim.
- Eu gosto de dormir até mais tarde no domingo, sabia? – Falei fazendo uma careta.
- Você gosta de dormir até mais tarde todos os dias. – riu e eu dei um soco nas costas dele.
- Eu trabalho, porra! – Ele rolou os olhos e balançou a cabeça.
- Entra logo - Falou já me empurrando pra varanda. tinha uma quadra enorme nos fundos de sua casa. Casa não, mansão, porque aquilo era realmente foda.
Jogamos quase a tarde toda. Eu estava completamente suado e louco pra tomar um banho bem gelado. No fim do jogo, como sempre, eu fui quem fez mais gols.
- Ta cada dia melhor cara, da próxima vez jogamos juntos – falou ofegante.
- Vou pensar no seu caso – Ri alto quando recebi um pedala do .
- Vai fazer o que mais tarde, ? – perguntou.
- Sei lá, acho que vou pra algum pub – Falei pensativo. – Por quê? Você ta afim de sair comigo? – Fiz uma voz gay.
- Não, viado. Porque eu e os caras vamos justamente a um pub, íamos te chamar – Ele falou dando de ombros.
- Ótimo – Concordei com a cabeça.
, e eu nos arrumamos ali mesmo na casa de . As roupas dele ficaram bem na gente e nem nos demos o trabalho de passar na casa de cada um.
- To vendo que hoje a noite vai ser boa – falou alto quando três garotas extremamente gostosas passaram na nossa frente. Falando nisso, onde estava a ? Não que eu notava se ela era gostosa ou não, é que ela é namorada dele, né?
- , cadê a , cara? – Perguntei rindo.
- Ta na casa da , eu falei que essa noite seria só de homens – Todos nós rimos da careta que ele fez.
Nos dirigimos até o bar, sentei em qualquer banco e pedi a bebida mais forte que tinha ali.
- Já ta sentindo falta da ? – perguntou rindo muito alto.
- Não porra, só quero beber – Falei dando de ombros e pegando o copo que continha um líquido que eu não consegui identificar a cor, estava muito gelado, mas desceu queimando. Minha garganta coçava por álcool, perdi a conta de quantas latinhas de cerveja eu bebi. Eu nem tinha percebido que e não estavam mais ali no bar. Só restou e eu e já começávamos a ficar bêbados. Mas aquilo pra mim ainda não era o suficiente, eu precisava de algo mais forte.
- Duas tequilas, por favor – pediu, lendo meus pensamentos.
- Agora sim, cara – Falei dando um soco fraco em seu ombro.
Não demorou nem dois segundos pra eu virar o copo de vez. Senti aquilo descer rasgando tudo por dentro. Não sei quantos copos nós bebemos, mas eu já estava vendo tudo embaçado. A música alta era irreconhecível e não fazia efeito nenhum aos meus ouvidos, meus tímpanos provavelmente já estavam arrebentados. chegou perto de mim pra falar alguma coisa que eu não consegui entender e depois saiu. Acho que ele tinha ido ao banheiro vomitar ou sei lá o que.
Uma mulher sentou ao meu lado e também começou a beber. Eu tentei puxar algum assunto, mas estava tão doido que já avancei pra um beijo. Ela também parecia não estar em boas condições porque me correspondeu. Eu não conseguia raciocinar no que fazer, eu a beijava com muita força e ela parecia gostar, arranhava minhas costas com a intenção de deixar marcas ali, mas eu realmente não estava ligando pra isso. Levantei ainda sem interromper o beijo e a guiei pra algum canto que eu não sabia qual, até ela parar e me dei conta de que aquilo era uma parede. Eu não aguentava mais, precisava de ar e creio que ela também. Desgrudei nossos lábios e comecei a beijar seu pescoço, fazendo-a suspirar e gemer no meu ouvido. - Vamos sair daqui – Ela falou ofegante.
A puxei pra fora do pub tentando avistar meu carro. Entramos e ela ligeiramente subiu em cima de mim, puxando a porta em seguida. Ela suspendeu a blusa e eu voltei a beijar e chupar seu pescoço, descendo lentamente para seus seios, enquanto ela apertava minha nuca e suspirava pesadamente. A garota começou a descer o zíper da minha calça e eu pude vê-la mordendo o lábio inferior ao sentir meu pênis enrijecido. Ela a puxou, junto com a boxer e depois arrancou sua calçinha. Abri as pernas dela rapidamente, enquanto a mesma mordia meus ombros.

Acordei com uma dor de cabeça tremenda. Não me lembrava de muita coisa da noite anterior, mas eu estava no meu apartamento e na minha cama, menos mal. Abri os olhos e encontrei uma mulher nua e gostosa deitada ao meu lado. Espera aí, eu transei com ela? Observei a garota estranha acordar, ela abriu os olhos e me deu um sorriso seguido de um beijo rápido. É, eu transei com ela e não lembro. Às vezes me arrependo de beber tanto.
- Você tem um belo apartamento – Ela falou se levantando e catando suas roupas intimas.
- Obrigado – Falei ainda confuso. Não conseguia mesmo me lembrar, só até a parte em que eu e bebíamos e depois que eu beijei uma mulher, que devia ser ela.
- Acho que você não se lembra de mim, não é? – Ela leu meus pensamentos.
- Bom, na verdade não muito. Eu devia estar muito bêbado ontem. – Falei rindo fraco.
- É, estávamos. – Ela sorria enquanto vestia suas roupas. - Mas se você quiser podemos fazer de novo, só que lúcidos. – A garota se aproximou devagar com um sorriso malicioso em seu rosto e passou uma perna de cada lado da minha cintura. Mordeu meu lábio inferior, o que só me fez aumentar a vontade de beijá-la. Percorri minhas mãos por todas as partes alcançáveis de sua coxa desnuda, e pressionei nossos lábios com pressa e eficácia, sentindo a excitação ficar mais evidente. Seus dedos brincavam com o elástico da minha boxer e eu procurava desesperado o fecho do seu sutiã. Por que ela tinha o vestido se sabia que eu ia tirar? Ela separou nossos lábios, ofegante, e desceu as alças. Tão simples, como eu nunca penso nisso? Num movimento brusco, virei ficando por cima dela e comei a beijar e morder sua barriga, sentindo ela a contrair. Desci a boca pro elástico de sua calçinha e arranquei lentamente com o dente, vendo a morder o lábio inferior com os olhos fechados e agarrar em meus ombros. Ouvi um barulho chato do tipo “tic ti ti tic ti ti tic” que aumentava cada vez mais. Mas que porra é essa? Ah, meu celular... Podia ser a . Tentei me afastar da garota, mas ela me puxava de volta, resmungando alguma coisa incompreensível.
- Eu preciso mesmo atender – Falei ofegante e ela cedeu.
- Oi – Atendi tentando recuperar o fôlego.
- ... Eu... Atrapalhei alguma coisa por aí? – Ela perguntou parecendo arrependida por ter ligado.
- Não, claro que não. Que bom que você ligou, to com saudades. – Um sorriso despercebido apareceu em meu rosto.
- Não é pra tanto , eu praticamente acabei de chegar aqui – Ela deu aquela gargalhada gostosa de ouvir.
- Ah, vai dizer que você não tá sentindo minha falta também? – Perguntei ainda sorrindo debilmente.
- É, estou. – Ela respirou fundo. - Queria que você estivesse aqui. Você não faz idéia de como esse lugar é lindo. – Pude imaginar seus olhos brilhando e o sorriso mais belo de todos em seu rosto.
- Eu queria estar com você em qualquer lugar... , to sentindo muito mesmo a sua falta. – Falei sincero ao sentir os olhos da garota sobre mim.
- Awn , não fala assim, eu fico ainda mais triste – Falou com uma voz chorosa e eu ri fraco.
- Não demora pra me ligar de novo - Pedi fazendo bico mesmo ela não o podendo ver.
- Não vou, pode deixar. Agora infelizmente eu tenho que desligar, to chegando à casa dos Collins. Te amo, - E antes que eu pudesse pensar em responder algo ela desligou.
Fiquei com o celular nas mãos olhando a imagem de fundo que havia ali, uma foto minha e da fazendo careta. Ri inconscientemente e depois me dei conta de que a garota não estava mais ali na cama. Ela deve ter ficado furiosa, com certeza. Ouvi o barulho do chuveiro e bem, ela estava tomando banho, né. Preparei o café da manhã e a esperei sair do banheiro.
- Quer tomar café? – Perguntei a observando de cima em baixo.
- Não, eu preciso ir. Foi legal te conhecer. Como é mesmo seu nome? – Perguntou enquanto penteava seus cabelos longos e ruivos.
- , e o seu? – Perguntei sem interesse algum.
- Augusta. – Ela sorriu simpaticamente e se virou pra porta.
Às vezes isso me parece estranho. Sei lá, conhecer todo o corpo dessa menina, mas não saber seu próprio nome. É muito estranho. Fiquei sentado na bancada da cozinha terminando de tomar meu café amargo e quente. Minha cabeça ainda estava latejando. Levantei e fui ligar a TV. E como sempre, não tinha nada de bom passando, e eu não tinha absolutamente nada pra fazer. Eu queria mesmo que a estivesse aqui agora. Joguei a cabeça pra trás e relaxei no encosto do sofá. Ouvi meu celular tocar lá no quarto e me xinguei por ter colocado um toque tão insuportável. - Fala cara, beleza? – perguntou animado.
- Mais ou menos, to com uma porra de dor de cabeça – Falei fazendo uma voz sofrida.
- Ah, isso eu também estou. Nós bebemos demais ontem. – Ele riu.
- É... Pegou alguma? – Perguntei rindo.
- Não, eu não traio a , cara. – Ele gritou rindo. – E o teve que levar e eu pra casa. Eu fui vomitando pelo caminho. – Típico do .
- Seu fraco! – Falei rindo zombeteiramente.
- E você? Eu te vi com aquela ruiva gostosona – Ele gargalhou.
- Pois é, e acordei com ela aqui – Falei rolando os olhos.
- E ai cara? – perguntou ansioso.
- E ai que íamos transar de novo, mas meu celular tocou e cortou o clima. – Falei rindo retardadamente.
- Nãããããão, e você ainda ri? – Ele berrou e eu afastei um pouco o celular do ouvido. – Mas, então cara, ta a fim de vir aqui pra casa? Estamos todos na piscina.
- Agora mesmo. – Respondi animado, logo desligando o celular. Comecei a procurar alguma camisa naquele quarto bagunçado. Eu precisava fazer uma limpeza no meu apartamento, e rápido. Achei uma azul escura atrás do móvel onde ficava o som e vesti depressa saindo de casa.

- Oi abriu a porta pra mim e me abraçou forte.
- Oi chata – Falei fazendo careta.
- Você me ama, – Convencida. – E a , já ligou? – Ela perguntou com uma carinha triste.
- Ligou – Respondi e um sorriso invadiu meu rosto. - Ela tá muito bem, disse que o lugar é lindo – E eu sorria idiotamente.
- Imagino... Já to sentindo falta dela – Ela disse fazendo bico e quando eu ia responder, fui interrompido por , que gritava dos fundos, falando que eu estava tentando pegar sua namorada ali na porta. Eu e rimos e entramos em seguida.
Quando chegamos à piscina, estava cheio de gente que eu nunca havia visto na vida, os únicos que eu conhecia eram , e , que estavam sentados numa mesinha pequena entupida de cervejas.
- Seus alcoólatras – Falei rindo tocando na mão dos caras e dei um beijo na .
- Olha só quem fala – se virou pro pequeno freezer que estava ali perto deles e jogou uma latinha pra mim.
Quando o assunto entre a gente acabou e a festa começava a ficar chata, alguém resolveu mudar a música e eu parar de beber, porque eu ainda pretendia ir pra casa dirigindo; A imagem de invadiu meus pensamentos de repente. Lembrei-me do dia da praia, de como ela estava extraordinariamente maravilhosa com aquele biquíni azul. Seu corpo perfeitamente esculpido, que fora escondido por uma droga de canga. é realmente uma garota linda. Ela tem um sorriso tímido que a deixa ainda mais encantadora e o olhar mais terno de todos, sem falar daqueles lábios avermelhados e impecavelmente delineados. A conseguia ser uma mulher sexy e ao mesmo tempo uma criança boba, ela é mesmo uma garota perfeita; Balancei a cabeça notando um sorriso tolo em meu rosto. Olhei pros lados pra me certificar de que ninguém estava me olhando, e com certeza ninguém estava; e estavam literalmente se engolindo, acho que eles queriam desafiar a lei da física, de que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço. e estavam... Bem, eu não consegui descrever o que eles realmente estavam fazendo, mas era uma coisa muito imprópria para se fazer em uma festa dessas. E tentando investir em uma garota morena perto da piscina. Desejei desesperadamente que estivesse aqui. Eu necessitava sentir aquele aroma doce de pêssego, a textura de sua pele quente e o sabor de sua boca. Sim, eu desejava a beijar de novo, eu precisava sentir todas aquelas sensações novamente. O meu coração martelava fortemente e minha respiração falhava. Mesmo ela não tocando em mim, meu corpo inteiro se arrepiava devido ao contato com sua língua. Eu estava tremendo, e tive que prender nossas mãos pra que ela não percebesse o meu nervosismo. Eu não sei por que reagi daquela forma e também não sei por que quis beijá-la. Mas o que me incomodava, era o fato de as outras garotas não conseguirem provocar esse efeito sobre mim.
- – Acordei do transe ao ouvir me chamar e vindo em minha direção com um sorriso malicioso no rosto.
- A gostosinha ali ta afim de você garanhão – Ele falou rindo me dando socos no ombro. – E aí? – Me encarou ainda com o sorriso no rosto.
- Pode ser – Dei de ombros e levantei indo em direção a garota. Cara, ela se parecia demais com a . Bom, a era mais alta e com certeza mais gostosa, mas o formato de seu rosto e a cor de seus cabelos parecia demais. E a cada passo que eu dava, eu via a bem ali na minha frente. Abaixei a cabeça e apertei os olhos por alguns segundos, depois voltei a olhar a garota.
- Então... Esse é o apontou pra mim. – E essa é a Anita. – E apontou pra ela. Ou ela parecia mesmo com a ou o efeito das cervejas começavam a aparecer.
- Oi – Falei forçando um sorriso.
- Oi... Vamos pra lá? – Ela perguntou apontando pra dentro da casa e eu assenti com a cabeça.
Sentamos no sofá e ela começou a perguntar onde eu morava, trabalhava, os filmes que eu gostava e bláblá, aquelas perguntas horríveis e sem nexo pra puxar assunto com alguém. Eu respondi sem muito ânimo, enquanto ela sorria debilmente. O interrogatório dela acabou e só ouvíamos a música alta lá fora. A garota se aproximou devagar e eu vi o rosto de a centímetros do meu, desejando me beijar. Franzi a testa e fechei os olhos depressa, e a garota encostou seu nariz no meu e eu busquei seus lábios com agonia. Ela envolveu uma mão pelo meu pescoço e a outra descia para minhas pernas, acariciando até chegar perto do meu membro. Eu não sei como e nem porque, meu corpo não respondeu a nenhum de seus toques. A voz de clamando meu nome ecoava em minha cabeça, abri os olhos e não vi mais o rosto dela ali. Empurrei a garota pelos ombros depressa e voltei a fechar os olhos, ainda com a testa franzida.
- Não consigo – Falei ofegante, não por excitação, mas por estar espantado.
- Sou tão ruim assim? – Abri os olhos e encontrei um par de olhos verdes confusos.
- Não é você... E também não sou eu. – Ela me olhava apreensiva esperando alguma explicação clara. – É uma garota, que eu estou apaixonado. – As palavras saíram da minha boca sem eu mesmo acreditar no que estava dizendo. Eu apaixonado? E por ?
- Entendi – Ela disse rindo fraco e eu respirei fundo lançando a cabeça pra trás.
- Me desculpe... Você é realmente muito linda e interessante. – O que eu podia fazer? Tinha que pelo menos confortar a menina.
- Ta tudo bem, ... Acho melhor você ir falar com essa garota – Ela ainda continuava sorrindo sem graça.
- Obrigado. – Dei um beijo no topo da cabeça dela e saí.
Fui correndo para o banheiro no andar de cima. Abri a torneira, enchi as mãos de água e joguei na cara, numa tentativa de acordar disso tudo. “O que está acontecendo comigo?” essa era a pergunta que retumbava minha mente. – Você não tá bem. – Disse olhando pra minha imagem no espelho.
Balancei a cabeça e desci, eu precisava ir pra casa, e tentar chegar a uma conclusão lógica do que está acontecendo.
- E aí garanhão? – berrou sentado na cadeira. Andei até eles pra dar tchau e não avistei a menina por ali.
- To indo embora. – Falei tentando não demonstrar minha afobação, minhas mãos estavam suando.
- , você tá bem? – perguntou franzindo a testa.
- Cara, você tá pálido. – falou me analisando.
- Eu to bem – Falei sem nenhuma expressão no rosto.
- Quer que eu te leve em casa? – perguntou preocupado e eu assenti com a cabeça. Ninguém melhor que ele pra me entender.

- Então... Quer conversar? – perguntou parando o carro em algum lugar que eu não estava interessado em saber qual. Como eu ia contar pra ele o que aconteceu, se eu mesmo não sabia o que realmente aconteceu?
- Cara, eu não sei como dizer isso... – Falei passando as duas mãos pelos cabelos e esperava em silêncio. – Foi tudo muito louco... Eu ia ficar com a menina lá e eu via o rosto da ... Eu ouvia a voz dela e... E eu não consegui sentir absolutamente nada beijando aquela menina e... – Eu falava respirando com dificuldade e me olhava com a testa franzida. - Eu amo a arregalou os olhos com a minha confissão. – Eu acho que cansei de ficar transando por ai... Quero ficar só com ela... Saber que posso ter alguém ali me esperando sempre... E que ela possa ser só minha e... Eu só dela – Abaixei a cabeça, tentando absorver minhas próprias palavras.
- Como é que é? – Ele perguntou mais confuso que eu mesmo.
- É isso mesmo cara... Quando ela chegar vou dizer tudo que eu sinto... Mas nada de casamento, só propor uma relação séria. – Soltei o ar aliviado de ter conseguido falar pro e pra mim mesmo o que realmente estou sentindo.
- Uau... – Ele soltou o ar pelo nariz ainda pasmado com tudo que eu disse. – Cara, eu quero te contar uma coisa há um tempo, mas a me pediu segredo... Só que agora que você me contou isso, acho que você tem que saber – Ele falava medindo as palavras e eu comecei a ficar preocupado.
- Fala logo, o que foi? – O apressei nervoso.
- Sabe aquele dia na praia? Aquele que você ficou com uma garota na sorveteria. - Ele me olhou e eu assenti com a cabeça. – Pois é, eu, a e a estávamos indo lá tomar um sorvete e a gente conversava sobre uma festa de despedida pra ela... Quando de repente a parou de falar e seus olhos encheram de lágrimas ao te ver pegando aquela garota. – Eu o olhei confuso. – Bom, aí ela quis ir embora e nós a levamos até em casa. Foi por isso que ela “fugiu” de você aquele dia – Ele fez aspas no ar, e falava com muita magnitude. – Depois a saltou do carro pra conversarem longe de mim, o que não adiantou, porque eu ouvi tudo. – Ele abaixou a cabeça.
- O que você ouviu? – Perguntei apreensivo.
- Ela disse que te ama e sempre foi louca por você, mas que preferia continuar sendo sua amiga do que te perder se você soubesse disso ou se ela fosse mais uma a “abrir as pernas pra você”, essas foram as palavras que ela usou - Ele falou desapontado e eu fiquei sem reação. Eu sou mesmo o cara mais burro e idiota que existi. Eu nunca notei que ela gostava de mim e de certa forma, eu a fazia sofrer transando com tantas garotas diferentes. - Eu sou um lixo – Falei balançando a cabeça negativamente.
- Sim, você é – respirou fundo. – Mas ainda tem como reverter isso. – Ele sempre tinha uma esperança.
- Tem? – Perguntei coçando a cabeça.
- Claro que tem cara... Quando ela chegar, você tem que fazê-la perceber que você mudou e que a ama da mesma forma que ela. – Um sorriso começou a brotar em seu rosto.
- Vai ser difícil, mas eu vou tentar. – Sorri fraco.
- Vamos fazer um trato? – Ele perguntou esticando a mão. – Pra você não desistir disso. – Deu um sorriso largo e eu apertei sua mão.

Capitulo 04

Caminhei pelo meu apartamento sombrio com a respiração pesada, pisando forte a cada passo. Já estava nervoso de esperar alguma ligação de . Escorei-me na parede da sacada do quarto e fiquei observando a cidade. Aquela noite estava tão silenciosa, não havia nada mais que as luzes dos postes e alguns poucos carros passando nas ruas, nem minha própria respiração eu conseguia ouvir. Eu realmente adorava ficar sozinho, o silêncio é uma ótima companhia, mas só às vezes. Agora, eu queria a aqui, junto comigo. Francamente, eu estava sentindo muita falta dela, e eu não pensei que fosse sentir tanta assim. Eu estava pensando nela muito mais do que achei que fosse pensar, e estava muito afetado com toda essa distância. Já haviam se passado dois meses e três semanas desde que ela viajou, só restava uma semana pra toda essa agonia acabar. E mesmo estando ansioso com a sua volta, eu também estava com medo. Não sei, mas, eu estava disposto a me declarar pra ela e quem sabe propor alguma coisa séria entre nós. O problema é que me conhece muito bem, ela sabe exatamente o tipo de homem que eu sou e com certeza não teria a audácia de acreditar em mim. Confesso que eu beijei e fiz muitas outras coisas a mais com várias garotas nesse tempo sem ela, mas sinceramente, nenhuma foi boa o bastante pra me fazer sentir tudo o que me causou em um único beijo.
A semana passou como uma eternidade, mas enfim chegou a abençoada sexta-feira. Pensei em fazer a barba, mas a adorava a minha, ela dizia que eu ficava sexy, então preferi deixar. Escolhi uma camisa xadrez azul escuro com preto, calça jeans e um tênis branco. Coloquei as roupas sobre a cama e tomei um banho. Só estava esperando a ligação dela pra poder buscá-la no aeroporto. Minhas pernas já começavam a tremer dando sinal de nervosismo. Desci as escadas e comecei a preparar um suco de maracujá, é bom pra acalmar, certo?
Ouvi o celular tocar e me desesperei um pouco pra atender. Derramei o suco todo da jarra em cima de mim e também na tampa do fogão - sorte que eu estava só de boxer - e acabei deslizando no chão e batendo as costas na ponta do armário. Aw!
- Alô... ? – Tentei recuperar o ar, mas não funcionou muito bem.
- ? Ta tudo bem por aí? – Ela perguntou desconfiada.
- Sim, ... Quer dizer, não. – Bufei. – Derramei suco em cima de mim e bati as costas no armário. – Fiz uma voz dolorosa e ela gargalhou.
- Ow, eu posso cuidar das suas costas quando você decidir vir me buscar – Ela falou com ironia e eu senti meu coração saltar pra fora ao pensar que daqui a alguns minutos eu ia vê-la.
- Eu to indo agora mesmo... To louco pra te ver, – Ri fraco, passando a mão pelas costas, no local onde bati.
- Então vem logo, tenho novidades – Espero que sejam boas novidades.
- To indo, beijo – Desliguei o telefone e rapidamente corri pro banheiro. Tive que tomar outro banho, claro; Catei minhas roupas pela cama com pressa. Peguei minhas chaves e antes de abrir a porta, olhei no imenso espelho na parede e cheguei à conclusão de que eu estava muito bonito. Saí rapidamente e chamei o elevador.
E lá está ela, sentada em um banco com suas malas no chão. Muitas malas por sinal, ela saiu daqui com duas e voltou com cinco, porra! Fui andando pausadamente na direção dela, não conseguia andar rápido devido aquele monte de gente. Quando consegui vê-la mais de perto, percebi que ela não estava sozinha. Eu tentei virar o pescoço pro lado para tentar ver quem era essa pessoa, mas eu não estava conseguindo. Fui me aproximando mais e esbarrando grosseiramente nas pessoas que atrapalhavam meus passos. Quando finalmente consegui chegar a uma distância de mais ou menos três metros, a vi abraçada de lado com um homem. Franzi a testa e apertei os olhos pra ver se era realmente a quem estava ali, e infelizmente era. O homem se virou e segurou o seu rosto dela com as duas mãos dando-lhe muitos selinhos. Eu fiquei completamente imóvel, as pessoas deviam estar me empurrando pra passar, mas eu não sentia os esbarrões, e não sentia também o meu próprio coração, nem encontrar ar suficiente pra respirar. Toda a circulação do meu sangue congelou não me dando energia suficiente pra mover qualquer parte do meu corpo.
- ! – Acordei do transe ao ouvir a me chamar com um sorriso tão largo que eu podia ver praticamente todos os seus dentes.
-! – Tentei mover meu corpo pra frente, mas parecia que meus pés estavam fincados no chão.
- QUE SAUDADE DE VOCÊ MEU BEBÊ – Ela gritou e veio correndo em minha direção com os braços abertos e, literalmente, pulou em cima de mim, começando a distribuir beijos pelo meu rosto.
- Você me fez tanta falta – Pude sentir sua pele macia se arrepiar com o meu sussurro.
- Também senti sua falta, – Sua voz saiu abafada por estar com a cabeça enterrada em meu pescoço. Aspirei o doce perfume de pêssego que havia no pescoço dela que, mais uma vez, se arrepiou.
- Senti falta desse cheirinho também – Falei rindo pelo nariz e ela separou nossos corpos, sorriu timidamente e deu um beijo estalado entre minha mandíbula e meu pescoço.
- Vem cá, quero te mostrar uma pessoa – me puxou pela barra da calça, fazendo com que minhas pernas revivessem novamente. Eu fui sem vontade alguma, acho que já previa o que ia acontecer.
- , esse é o – Ela apontou pra ele, que se levantou do banco. – O meu namorado – Ah, merda! Como eu imaginei. Será que ela deixou de me amar assim tão rápido? Ou será que eu fui tão canalha ao ponto de fazê-la desistir de mim?
- Oi – Ele sorriu fraco - talvez por eu não ter reagido - e estendeu a mão para mim. – A me falou muito de você.
-Ah – Lutei com cada célula do meu corpo pra tentar mover meu braço e forcei ao máximo que pude um sorriso convincente, mas a esse meu cérebro não respondeu ao comando. – Como... Vocês... Conheceram-se? – Não tinha como não gaguejar nesse momento.
- Foi na redação do San Antonio Express-News – Ela sorria debilmente, enquanto o tal a abraçava pela cintura.
- Ah sim, no jornal... – Falei pensativo e ri sem humor. – Mas e o lugar? É legal? – Foi uma pergunta idiota, mas eu não consegui pensar em outra melhor pra mudar de assunto.
- É sim, tudo muito lindo, . Depois você vê nas fotos – Acho que os músculos do rosto da travaram, porque o sorriso ainda continuava desde que ela gritou o meu nome. – E a , e o pessoal? Como estão?
- Estão com saudades de você – Falei sorrindo sem esforço por notar que o boiava no assunto.
-Então... Vamos sair pra eu conhecer seus outros amigos – De repente ele falou olhando sorridente para a .
- Vamos sim, meu amor – Não vou nem comentar o “meu amor”.
- Você vai gostar deles, cara – Falei tentando parecer simpático e ele sorriu.
Saímos do aeroporto e eu deixei a e o na casa dela, parecia que ele ia dormir por lá. Eu até agora não entendi o que ele veio fazer aqui. Ele iria morar em Londres ou só passar um tempo? Ou ele é daqui e eu nunca tinha o visto e então eles se conheceram em Texas? Ah, que merda! E que grande rumo às coisas tomaram. Eu estava tão auspicioso quando o me contou que ela me amava. Mas, e agora? Pra onde foi esse sentimento? Será que acabou? Será que ela preferiu esquecer? Ou será que nunca passaremos de apenas melhores amigos?
Balancei a cabeça tentando retornar minha atenção ao transito e foi quando eu percebi que o sinal estava vermelho, freei bruscamente por causa da velocidade que eu estava e senti um impulso pra frente, eu estava sem cinto e bati a cabeça no vidro e a garganta no volante.
- Você ta maluco, cara? – Um homem muito estressado ficou batendo fortemente no vidro, ele ia quebrar se continuasse; Voltei a sentar no banco e senti minha garganta funda. Abri a porta do carro e saí.
- Desculpe, eu estava distraído – Andei pra trás do meu carro e estava completamente afundado.
- Eu não quero suas desculpas moleque, você acabou com meu carro, seu animal! – Eu pude ver suas veias saltadas do pescoço e comecei a ficar preocupado, esse pessoal é muito estressado, ia dar em merda se eu tentasse me defender.
- Tudo bem, eu pago o concerto – Falei colocando a mão na garganta que estava latejando.
- É claro que você vai pagar... Foi você quem fez essa merda! – Ele apontou nervoso para o capô de seu carro.
- Faz o seguinte... – Voltei até a frente do meu carro e peguei um papel qualquer e uma caneta que eu sempre guardava no porta-luvas, anotei o número do meu celular e entreguei-o. – Leva na oficina que você quiser e depois liga pra esse número, que eu pago tudo – Dei as costas, eu não estava a fim de ouvir os xingamentos dele.
Voltei a dirigir, mas agora prestando mais atenção na estrada, ou pelo menos tentando; Senti meu celular vibrar uma vez no bolso, devia ser mensagem.

Vem aqui pra casa mais tarde? O pessoal também vai vir. Vamos comer pizza, a sua preferida, de calabresa. Haha! E eu quero matar a saudade. Te amo. Xx

Rolei os olhos ao ler o “te amo”. ama todo mundo, ela é a rainha do eu te amo. Bem, passar algumas horas encarando a cara estragada daquele não seria nada agradável, então nem respondi à sua mensagem. Desliguei o celular e coloquei de volta no bolso.
Cheguei ao meu apartamento e não quis ter o trabalho de guardar o carro na garagem, então o deixei estacionado ali em frente mesmo. Passei pelo Jorge, o porteiro, e pedi encarecidamente que não ligasse pro meu interfone caso alguém chegasse me procurando. Peguei o elevador pensando no que eu podia fazer em casa o dia todo, sozinho, e claro, a palavra “beber” veio em minha mente. Isso certamente é ótimo para um cara azarado, como eu.
Entrei pela porta da cozinha e rapidamente abrindo o armário exclusivo de bebidas, havia uma garrafa de tekila pela metade, duas de absinto, outra de vodka e algumas daquelas cachaças podres de supermercado. Escolhi a tekila pra começar. Procurei algum limão por ali, mas não achei, então foi sem mesmo. Dei um gole longo e senti aquilo arder minha garganta por completo até o meu estomago.
- Excelente – Resmunguei indo em direção à sala e puxando minha calça pra baixo. Lancei-a em algum canto perto da porta e depois tirei a camisa. Embolei como um travesseiro muito mal feito e encaixe no encosto duro do sofá, deitando a cabeça ali. Olhei para o pequeno relógio em cima do móvel que marcavam 13h. Eu com certeza não iria almoçar hoje. Respirei pesadamente e virei de vez todo o resto que havia na garrafa. Aquilo parecia fogo que ia queimando e arrancando todas as minhas tripas. O que está fazendo comigo, meu Deus? Nenhuma mulher jamais conseguiu me deixar assim. Que efeito é esse que ela tem sobre mim?
Arranhei agressivamente meu rosto com fúria. De novo meus pensamentos chegavam até ela. Eu precisava beber mais, pelo menos para esquecê-la por um momento. Levantei e fui pegar a garrafa de absinto. Isso aqui tem 70% de álcool? Certo, então eu devo tomar as duas garrafas. Virei até beber tudo o que havia ali de uma vez. Acho que eu realmente queria ficar doido, mais do que eu já estava e mais do que eu já sou de costume.
Minha cabeça estava girando e minhas vistas embaçadas. Tirei a garrafa da boca pra poder respirar direito e eu já não estava conseguindo me equilibrar. Ziguezagueei um pouco pra voltar à sala, mas deixei a garrafa escorregar de minhas mãos, desperdiçando todo o resto do liquido que havia ali e espalhando muitos cactos pequenos de vidro pelo chão branco da cozinha.
-Porra! - Berrei afundando os dedos nos cabelos e os puxando pra baixo. – Vou ter que abrir a outra garrafa – Ri debilmente voltando em direção ao armário, mas dessa vez minhas pernas vacilaram e eu caí por cima dos pedaços de vidro. Gemi um pouco alto por sentir aquilo fincar minhas costas. Mas eu podia suportar. Afinal, aquelas mínimas feridas que iam aparecer, seriam insignificantes perto das feridas que já apareciam no interior do meu coração; Eu não consegui ter forças suficientes pra levantar dali, só rolei para o lado, pra não ter que ficar em cima dos vidros por mais tempo. O chão gelado ajudou um pouco a amenizar a forte queimação.
Acordei assustado com a cabeça pesada. Eu não conseguia me mexer muito bem. Esfreguei os olhos com as duas mãos e percebi que elas estavam sujas de sangue. Tomei um susto levantando num impulso e vi que o chão estava completamente manchado de absinto e sangue seco. Abri o freezer e peguei uma placa pequena de gelo que havia ali. Coloquei na cabeça e fui me sentar no sofá. Até o mínimo barulho de meus passos doía minha cabeça. Eu realmente bebi muito ontem. Ou hoje? Aliás, que horas são? Olhei no relógio do móvel que batiam 3:50h da manhã. Porra, dormi demais; Lembrei-me de que a única coisa que estava no meu estomago eram as bebidas, claro. Eu precisava comer alguma coisa, mesmo estando sem fome.
Fui à cozinha e comi algumas torradas e tomei um café frio que devia estar ali na garrafa desde algum tempo que eu não sei dizer quanto; Voltei para sala e deitei no sofá de lado, pra não encostar minhas costas ali, e tentei dormir novamente.
Senti um vento quente soprando em meu rosto, mas eu estava incapaz de abrir os olhos.
– Acorda, ... – Ouvi uma voz baixa e muito familiar me chamar. – Vamos, acorde! – Deu um beijo estalado em minha bochecha e finalmente eu consegui abrir os olhos. E tomei um susto ao encontrar na minha frente me observando com uma expressão preocupada no rosto.
- O que você ta fazendo aqui? C-como entrou? – Perguntei assustado franzindo o cenho.
- Você devia tomar mais cuidado sabia? A porta da cozinha estava destrancada – Ela deu um sorriso meigo e colocou uma mexa de cabelo atrás da orelha. Ela estava preocupada. E nervosa.
- Esqueci disso – Bati a mão na testa e gemi com a dor, ela riu baixinho. – Mas... Porque você está aqui? – Perguntei confuso desviando meus olhos dos dela.
- Eu fiquei preocupada, . Você não apareceu lá em casa ontem e os meninos disseram que não tinham te visto também. Então eu liguei pro seu celular, mas estava desligado, até que revolvi vir aqui – Ela falou ajeitando meus cabelos e eu não quis nem imaginar a minha cara.
- Pensei que tinha dito ao Jorge pra avisar que eu não queria receber visitas – Falei seco ainda sem olhar pra ela.
- Mas eu não sou uma visita, sou de casa – Ela simplesmente ignorou a minha grosseria. – E ... O que aconteceu aqui? Vi cacos de vidros e manchas de sangue por todo o chão da cozinha. – Ela falou num tom desesperado e me puxou pelo ombro pra olhá-la.
- Quebrei uma garrafa sem querer – Falei dando de ombros mais ainda sem olhá-la.
- Sem querer? – Ela perguntou duvidosa.
- Claro, , você acha que eu ia querer desperdiçar absinto? – Rolei os olhos.
- VOCÊ BEBEU ABSINTO? – Agora vai começar com os sermões. – , aquilo é muito forte. Você ficou louco? – Sim, fiquei louco por você.
- Não... Eu só queria beber – Levantei-me indo em direção ao banheiro.
- Ei, que isso nas suas costas? – Ela segurou meu braço observando as feridas que deviam estar ali e eu levemente me soltei.
- Machuquei – Dei de ombros e voltei a andar para o banheiro e ela me seguiu.
- Meu Deus, mas como? – Ela já estava se alterando.
- Com os cacos de vidro – Fiquei em frente a pia e comecei a lavar o rosto. Ela se escorou no arco da porta me olhando com cara feia.
- o que aconteceu com você? Por que você está assim comigo? Estranho... Por que você não quis ir lá em casa ontem me ver? Não está com saudades de mim? – Uma enxurrada de perguntas começou a sair da boca de . Eu fiquei parado olhando-a pelo espelho e tentando entender cada uma.
- Não aconteceu nada, . Eu só não estava a fim de sair de casa ontem. Enquanto a você, para de falar besteiras... É claro que eu senti sua falta, mas prefiro matar a saudade sozinho com você, afinal, não ia dar pra gente conversar direito, concorda? – Falei calmamente me aproximando dela, que me olhava com uma carinha emburrada que a deixa extremamente linda.
- Concordo. – Ela abaixou a cabeça e passou as mãos pelos cabelos, prendendo-os em um coque.
- Eu adoro esse seu bico de emburrada – Sorri e coloquei as mãos no rosto dela. Ela desfez o bico e riu, me abraçando em seguida.
- , ta doendo – Sussurrei.
- O que? – Se afastou um pouco assustada.
- Minhas costas – Falei fazendo uma careta e colocando a mão no local.
- Ah... – Ela riu e balançou a cabeça. – Vou cuidar de você bebezão.
Sentei no sofá e logo a apareceu com um balde pequeno, algumas pomadas e uma caixinha de algodão. Virei-me de costas e ela começou a tratar dos ferimentos.
Porra, , isso dói! – Choraminguei e ela respirou fundo.
- , não tem como eu limpar sem encostar nas feridas – Ela riu e eu encolhi as costas.
- Então não limpa, só passa o remédio – Fiz bico mesmo estando de costas pra ela.
- Larga de ser fresco, ! –Ela riu alto.
- Não são as suas costas que estão machucadas por cacos de vidro né? – Falei irônico.
- Quem mandou beber demais?
- Você não sabe o porquê bebi demais – Rolei os olhos.
- E porque não me conta? – Perguntou jogando alguns algodões sujos de sangue no balde.
-Porque eu não quero – Ri pelo nariz dando de ombros.
- Mas eu quero saber – Insistiu sentando-se em minha frente com um sorriso malicioso.
- E eu não... – Antes que eu pudesse terminar, avisou levando uma mão em minha cintura e fazendo cócegas.
- Pa-ra... Porra! – Eu tentei falar entre as gargalhadas. – Você vai me matar... Meus machucados... Os machucados, caralho! – Eu gargalhava cada vez mais alto e ela se afastou como num susto.
- Desculpe – Fez uma carinha de quem aprontou e eu tentava parar de rir.
- O que você vai fazer mais tarde? – Perguntei enquanto ela passava delicadamente uma pomada em minhas costas.
- Depois... Hum, vamos arrumar esse lixo de apartamento – Ela riu e eu me virei pra de frente pra ela.
- Você vai ficar aqui em casa? – Perguntei arqueando as sobrancelhas.
- Bem, eu... Pretendia. Você tem algum compromisso? – Perguntou com as bochechas coradas e eu sorri.
- Não, , é que... – Ela me interrompeu.
- Tudo bem , eu posso ir embora – Sorriu fraco e eu balancei a cabeça negativamente ainda sorrindo.
- Não, é que eu pensei que você fosse sair com o ou algo assim – Dei de ombros e ela soltou o ar parecendo aliviada.
- Ah... O foi a uma empresa levar um currículo – Deu de ombros. – Mas não é porque ele não está em casa que eu vim até aqui. Eu estava com saudades de você.
- Hum... Escuta, ele vai morar na sua casa? – Perguntei tentando não parecer tão interessado.
- Na minha casa? Claro que não! – Ela riu alto demais por sinal. – Ele só está lá porque ainda não encontrou um emprego e nem um apartamento – Explicou sorrindo radiantemente e eu não pude deixar de sorrir também.
- Entendi. – Balancei a cabeça e ela levantou-se pra guardar os remédios e tudo aquilo.
Depois da se lambuzar de sabão e de conseguir quebrar meu ventilador, finalmente terminamos de limpar o meu apartamento. Realmente estava precisando disso, eu nem lembrava a ultima vez que o limpei.
Ficamos praticamente o resto do dia comendo pizzas, chocolates, sorvetes e conversando das coisas mais idiotas que existi. Depois ela contou todos os lugares que visitou em Texas e também como conheceu o babaca do . E sinceramente, como eu senti falta disso, da companhia e das gargalhadas altas e exageradas dela que preenchiam todo o espaço de silencio do meu apartamento.
Estava passando um programa de comédia na TV, mas a acabou dormindo do meu lado. Senti-a levantar-se resmungando alguma coisa e deitando-se no meu colo. Tinha esquecido que ela fala enquanto dorme. Ri baixinho e fiquei acariciando seus cabelos longos e loiros, observando cada traço de seu rosto perfeito; Ouvi um barulho estranho que vinha de dentro da bolsa de e suspeitei ser seu celular. Não tinha como eu levantar, e ela ia acordar de qualquer forma.
- Minha nossa, já está escuro – Ela deu um pulo e eu ri alto. – É o meu celular? – Perguntou e eu assenti com a cabeça sorrindo.
Quando ela se levantou pra pega-lo já tinha parado de tocar e sua cara foi de decepção.
- Era o – Ela falou respirando fundo e eu rolei os olhos.
- Quer que eu te leve pra casa? – Perguntei fazendo uma cara triste e ela riu assentindo com a cabeça.
No caminho, fomos conversando sobre o curso de jornalismo científico que ela fez e eu contei o que eu andei fazendo por aqui com sua ausência; Chegamos à casa dela e o estava sentado na calçada parecendo entediado.
- Oi amor – saiu do carro depressa e foi abraçá-lo. Eu respirei fundo para me aproximar dos dois.
- Estou aqui a um tempão. Onde você estava? – Ele pareceu estar com ciúmes dela ter chegado comigo.
- Eu fui à casa do e quando cheguei lá ele estava machucado e eu decidi cuidar dele – Ela sorriu e apertou as bochechas dele, desmanchando o bico que havia feito.
- E ai – Cumprimentei-o me sentindo um pouco constrangido por ter passado a tarde inteira comigo. Tudo bem que ela sempre fazia isso, nós sempre ficávamos juntos e claro que eu gostava, mas agora ela tem um namorado e consequentemente suas ações comigo não podem ser as mesmas de antes.
- E ai – Ele sorriu um pouco sem graça e apertou minha mão.
- Quer entrar um pouquinho? – virou o rosto pra mim, mas vi que o apertou sua cintura. É claro que ele não queria que eu entrasse.
- Claro, e o seu pai tá ai? – Perguntei tirando a chave dos bolsos do short de . Eu realmente queria provocar ele.
- Eu acho que sim – Ela sorriu e caminhou até a porta comigo, puxando discretamente o de lado.
Abri a porta e já fui sentando no sofá e ligando a TV, disse que ia ver se seu pai estava no andar de cima e o foi atrás dela. Fiquei mudando de canal, procurando algo de interessante, mas eu nunca acho nada de interessante na TV. Desliguei e fui até a cozinha beber alguma coisa. Quando passei pelo corredor onde havia a escada, escutei o possivelmente tendo um ataque de ciúmes.
- Não tem lógica eu estar assim? Você lembra o que você me contou quando nos conhecemos? Que você amava o . – Ele perguntou um tanto alto e ela fez um barulho com a boca, provavelmente mandando-o falar mais baixo.
- Eu lembro, mas isso faz muito tempo. É você quem eu amo agora.
- , ninguém deixa de amar o outro em tão pouco tempo assim. Eu acho que você ta comigo pra esquecer ele.
- O que? Eu não to ouvindo isso... Para de falar besteiras, . Eu te amo, o que eu posso fazer pra você acreditar?
- Parar de ficar desse jeito com o .
- Eu não vou mudar com o , já disse.
- Então...
- Então nada, . Você tem que confiar em mim e parar com esse ciúme ridículo.
- Não é ridículo, . Eu tenho muito medo de perder você.
- Pois não precisa ter, amor, não precisa mesmo.

Foi só isso que eu ouvi, agora eles devem estar se beijando. Cara, eu não acredito nisso, não acredito que deixei escapar assim. Mas claro que o amor dela não acabou por mim, não pode ter acabado.
- , que bom ver você aqui – Tomei um susto ao ver o pai da bem na minha frente, acho que ele não percebeu que eu estava ouvindo a conversa dos outros ali na escada.
- Sr. – Sorri e o abracei. – Também é bom ver o senhor aqui – Rimos da idiotice que eu disse.
- Vim pra casa correndo pensando numa cerveja – Ele arqueou as sobrancelhas pra mim – Me acompanha nessa? – Quando eu ia responder que sim, e desceram as escadas abraçados.
- Ah, não... Eu... Eu tenho que fazer uma coisa, só vim aqui trazer a mesmo – Forcei um sorriso e senti que lágrimas começavam a fazer o caminho dos meus olhos. Mas eu não ia chorar. Não ali.
- Você já vai? – perguntou tentando parar de rir com alguma coisa que o idiota deve ter feito.
- Já – Acenei pra eles e dei um tapa fraco nas costas do pai da . – Tchau – Fui em direção a porta, fechando-a logo em seguida, sem dar tempo dela protestar.

Capítulo 05

Cheguei ao meu prédio, e não sei por que, me deu vontade de ir pelas escadas. Tirei minha camisa pelo caminho e quando entrei no apartamento tirei minha calça, lançando meus sapatos por algum canto da sala. Meus olhos estavam marejados. Joguei-me na cama, de boxer, eu estava tão suado que decidi tomar um banho gelado; Conforme a água fria batia em minha cabeça, automaticamente me fez fechar os olhos. Comecei a lembrar do dia em que eu conheci a . Nós éramos tão pequenos, devíamos ter uns seis ou sete anos. Recordei-me do tanto de garotas que eu já transei, só desperdiçando meu tempo de ficar com aquela que eu realmente queria, mas ainda não sabia. Lembrei-me do nosso beijo, bem aqui no meu apartamento. Aquele fora o melhor beijo da minha vida, sem dúvidas. Eu acho que me apaixonei por ela naquele momento e não percebi. Cara, eu a tinha em meus braços e a deixei escapar. Lembrei-me de alguns dias atrás, de cada palavra que ela disse antes do “esse é o , meu namorado”. Não, aquilo não podia estar acontecendo. Eu não podia perdê-la por um cara qualquer que nem a conhecia direito, não tão bem quanto eu. Mas o que eu ia fazer? Ela estava caída por ele, talvez não o amasse de verdade, mas ela parecia com essas menininhas de 8ª série apaixonada; Desejei que meus pensamentos pudessem descer pro ralo assim como todo o suor do meu corpo. Saí do banheiro e fui direto para cama dormir, quanto menos tempo eu ficasse acordado, menos eu pensaria em .

- Bom dia, – Fiquei um pouco tonto ao ver em minha frente. Ela estava inexplicavelmente linda dentro de um vestido branco, com seus longos cabelos soltos e bastante iluminados por alguma luz que eu não sabia de onde vinha. Parecia um anjo. - Bom dia, – Ela me abraçou fortemente e pude sentir algumas lágrimas molharem minha camisa. - Você está chorando? – Perguntei afastando nossos rostos para olhar em seus olhos, mas ainda com as mãos sobre a cintura dela. Ela balançou a cabeça positivamente e depois deu de ombros. – O que foi? – Franzi o cenho, preocupado. - Eu estou chorando por que amo você – Suas bochechas mudaram de rosas para vermelhas e um sorriso tímido apareceu no canto de seus lábios. - Por quê? Você não precisa chorar por isso. – Aproximei-me dela e pude sentir um vento frio percorrer meu corpo, fazendo-me arrepiar. A neve começava a cair. Encostei nossas testas e a vi fechando os olhos. – Eu amo você também, . – Toquei seu rosto macio e gelado. E quando encostei meus lábios nos dela... simplesmente desapareceu feito pó, se juntando a neve; Fiquei desesperado. Ela havia desaparecido de meus braços. Eu comecei a correr pelas ruas a procura dela, totalmente confuso. Encontrei uma menina de cabelos longos e loiros, sentada em um jardim de uma casa coberta de neve. Não era possível ver seu vestido branco na neve, somente seus sapatos vermelhos. Ela era a minha . Eu tentava correr para alcançá-la, mas não conseguia fazer meu corpo se mover rápido o suficiente pra isso. Eu tentei gritar, mas nenhum som saía da minha boca; se virou, me viu, sorriu e veio caminhando lentamente até mim. - Você fez tudo errado, . – Ela abaixou a cabeça e lágrimas de sangue começaram a sair de seus olhos. Eu fiquei amedrontado. – Eu sofro de amor por você – Ela limpou os olhos e depois levantou a cabeça para me encarar. Foi então que percebi que não tinha olhos. Eram buracos fundos de sangue. Meu coração acelerou. Lágrimas quentes embaçaram minha vista. – E foi por isso que eu me casei com o . Alguém muito melhor que você. – Eu balancei a cabeça negando fortemente. – Você já arrancou muitos pedaços de mim, . – Ela soltou uma risada sombria. – Diga alguma coisa. – Eu pisquei algumas vezes. Ela não tinha olhos. - Eu quero ficar com você – Segurei a mão dela, que se desmanchou em pó, novamente, antes de entrar em contato com a minha. - Você sempre vai ser o que fica com mil garotas a cada noite. – Ela disse tão baixo, quase que para si mesma. - Me dá uma chance pra te mostrar que mudei – Eu estava implorando, ajoelhado a sua frente. - Tarde demais... Você não me deu chances pra amar você como eu queria. - Havia ódio, dor e angústia em sua voz. – Não me procure nunca mais, . Eu vou ser feliz com o meu marido e o meu filho.

-NÃO! - Acordei totalmente suado e assustado com o meu próprio grito. Minha boca estava seca e meu coração acelerado encharcado em agonia. Escutei meu celular tocando insistivamente em cima da mesinha pequena e só então me lembrei de que estava em casa e que tudo aquilo havia sido apenas um sonho. Ou pesadelo. Muito estranho e sem sentido, por sinal. A questão é que quando eu penso que dormir vai me ajudar a não pensar em , ela aparece até nos meus sonhos e pesadelos. Ótimo!
- Alô, ? – Ouvi uma voz masculina familiar do outro lado da linha, mas não consegui adivinhar quem era.
-Quem está falando?
- Porra, cara, é o !
- Nem conheci sua voz... O que você manda, viadinho?
-Quero saber se você ainda sabe tocar contra-baixo?
- Bom, faz um tempão que eu não toco, cara, mas eu ainda sei... Por quê?
- Porque eu e o andamos conversando e, sei lá, estávamos pensando em montar uma banda. Eu, você, e .
- UMA BANDA? – Eu já estava em pé ao lado da cama.
- É, uma banda, babaca! Nós podíamos tentar escrever algumas músicas... O já tem algumas em mente, e depois podíamos tentar ensaiar e quem sabe fazer alguns mini shows em pubs.
- Pode dar certo cara. Eu gostei dessa idéia.
- Então você topa?
- É CLARO QUE SIM!
- Excelente. Só falta ligar para o agora. – Ele riu e depois desligamos o telefone.
Montar uma banda com os caras não é má idéia, pode mesmo dar certo. E bem, já que eu não tinha nada planejado para o meu futuro, não custava nada tentar. Iria ser algo novo, algo diferente e que mudaria completamente os meus dias. Seria algo definitivamente bom.
Olhei para o relógio que marcavam 10h da manhã. Pensei em ir à casa da , eu precisava contar essa novidade a ela; Entrei no banheiro para um banho gelado, o qual pudesse afastar minha cara amassada de olhos fundos. Lembrei-me do sonho/pesadelo que tive. Balancei a cabeça, enfiando-a em baixo do chuveiro.

- ! – abriu a porta para mim com um enorme sorriso no rosto e eu não consegui não sorrir também.
- Oi, pequena – A abracei intensamente e por cima de seu ombro vi o nos olhando, mas fingi que não tinha o visto. Intensifiquei mais aquele abraço e a tirei do chão, começando a beijar seu pescoço. Eu sempre fazia isso, mas nesse momento, em especial, eu quis fazer com mais intensidade.
- , meu brinco vai quebrar – disse rindo escandalosamente enquanto eu mordia seu lóbulo. – , é sério, esse brinco é lá de Texas, se você quebrar, vai ter que ir lá comprar outro! – Ela batia levemente em meu ombro e eu a soltei, rindo.
- Seu cabelo tá alto aqui – Apontei pra franja dela toda bagunçada.
- Que merda, ! – Exclamou fazendo um biquinho com a cara emburrada. Eu já disse que ela fica linda assim, não é? E dessa vez, eu não consegui me conter, sem pensar muito me aproximei e dei um selinho rápido nela. Nem olhei pra ver a cara do . Fiquei esperando algum soco no braço ou um xingamento, mas ela não se moveu.
- ? – Depois de alguns segundos ela balançou a cabeça mordendo o lábio inferior. Eu não esperava essa reação. Fiquei feliz.
-Vem, entra. – Ela segurou minha mão e a puxou. Mal demos três passos e a parou soltando minha mão rapidamente.
- Oi parou em nossa frente estendendo a mão para mim.
- Oi – Forcei um sorriso e apertei sua mão.
- Amor... O que você tá fazendo aqui... Na sala? – perguntou gaguejando um pouco. Então, ela ficou nervosa com aquele mínimo e rápido selinho ou por que viu o ali? De certa forma, ela ficou nervosa.
- Só vim ver quem era na porta, mas você já tinha atendido – Ele falou calmo parecendo observar cada linha do rosto dela.
- Hum... Mas então, não preciso falar pra você se sentar, não é? – Ela riu, nervosa, e me olhou. Foi então que eu percebi que as bochechas de estavam vermelhas, ou melhor, rosa com roxo... Bem, não sei definir essa cor, mas não estavam branco-rosadas como de costume.
Sentei-me na ponta do sofá e bati com a mão ao meu lado para que ela sentasse também. O namorado dela deve ter continuado ali parado, ou não. Dane-se.
- Eu quero te contar uma coisa muito boa que aconteceu... Ou melhor, que vai acontecer – Eu sorri, ela me olhou curiosa. Olhei para trás e não vi o ali. Meu sorriso alargou-se.
- O que é, ? – perguntou cruzando as pernas, feito uma criança sobre o sofá.
- Você sabe que eu sei tocar baixo, certo? – Ela assentiu com a cabeça sorrindo. – Então, o me ligou hoje mais cedo... Ele disse que tinha conversado com o e os dois tiveram uma brilhante idéia que pode mudar completamente nossas vidas.
- A minha também? – Ela perguntou confusa.
- Não sei, pequena. Talvez sim, mas com certeza a minha, a dele, a do e vão mudar. – Eu respirei fundo e ela ainda continuava me olhando com curiosidade.
- Conta logo, . Para de enrrolação. – Ela riu, eu ri também. Olhei-a por alguns segundos em silêncio e ela fez gesto com as mãos me apressando.
- Nós vamos montar uma banda. – Vi seus olhos encherem de lágrimas. Ela me abraçou fortemente e depois começou a pular no sofá.
- ISSO É ÓTIMO, ! – Pulou em cima de mim e apertou meu rosto. – Eu fico muito feliz por você, de verdade. E você sabe, vou sempre te apoiar. – Ela começou a distribuir beijos por todo o meu rosto, mas parou quando a campanhia tocou. saltou do meu colo assustada. entrou na sala, de cara fechada e abriu a porta. Era o pai dela.
- PAI! – Ela correu até ele igual uma criança querendo bala e agarrou em seu pescoço.
- Que felicidade é essa? – Ele perguntou sorrindo e olhando para o .
- Parece que a conversa com o foi boa – disse dando de ombros. Senti uma pontada de ciúmes e sorri com isso.
- Sempre o – Ele veio caminhando até mim e me deu um cascudo de leve. Nós rimos e voltou a sentar do meu lado, mas agora agarrada ao .
- Conta pra eles, – Seus olhos brilhavam tanto, ela estava muito mais animada com isso do que eu mesmo.
- Eu e os caras vamos montar uma banda. – Eu sorri ao ver o largo sorriso sincero do Sr.. Ele me abraçou dando alguns tapas nas minhas costas.
- Isso é ótimo, ! – Eu e nos olhamos e rimos. Ele disse a mesma coisa que ela.
- Desejo boa sorte a vocês – olhou pra mim sorrindo. Estranhei, mas tanto faz.
- Valeu, cara. É realmente importante pra mim.
- Eu imagino – Ele deu de ombros.
- Sabe o que EU estou imaginando? – perguntou como se estivesse pensando alto. Havia um sorriso largo em seu rosto e ela olhava algum ponto fixo na parede. – Eu, e gritando os refrões das músicas de vocês nos shows. – Ela soltou uma gargalhada gostosa. É, quando estivéssemos fazendo shows, vai estar comigo, mas como a minha namorada. Assim como e , para e . E não, eu não estou pensando alto demais.
- Só os refrões, pequena? Quero que vocês gritem as músicas do inicio ao fim – Eu ri também e parecia excluído. Sei lá o que dá nesse cara, ele sempre parece se excluir quando eu to com a .
- Pra isso temos que freqüentar aos ensaios sabe... – Ela levantou-se e foi em direção a uma pilha de DVDS na estante.
- Olha as segundas intenções. Só pra ficar famosa também – Ela tacou o controle do DVD em mim, um tanto forte e eu xinguei.
sugeriu que assistíssemos a um filme. “Uma Linda Mulher”. Dá pra acreditar que ela tinha esse filme? Pois é. Eu e o fomos obrigados e ameaçados de morte para assistir com ela. E até que não foi tão ruim como eu pensei. Digo, não o filme e sim passar tempo demais com o babaca do .
Comemos pizzas, eu e o pai de bebemos algumas cervejas e conversamos muito. Eu nem tinha me dado conta de que já começava a escurecer. Eu esqueço-me do tempo quando estou na casa dela.
- , eu tenho que ir embora – Cochichei em seu ouvido.
- Ainda ta cedo, . Não vai agora – Ela encostou a cabeça em meu ombro, mas estava com as mãos entrelaçadas com as do .
- Eu to cansado – Ri pelo nariz e ela fez uma careta.
Despedi-me do e da , o pai dela estava meio desacordado no canto do sofá.
No caminho para casa, fiquei pensando na banda. Nós tínhamos que escolher um nome e começar a escrever músicas. Viver isso seria magnífico, eu realmente estou animado com isso.
Cheguei ao meu apartamento e cumprimentei o Jorge, como de costume.
- Boa noite Sr..
- Boa noite, Jorge.
- Desculpe-me, mas o senhor não acha que deveria levar o seu carro para uma oficina? – Ele perguntou um pouco sem graça e então eu me lembrei de que meu carro ainda estava amassado.
- Oh... – Soltei uma gargalhada. – Sinceramente, eu não lembrava que meu carro estava assim. – Ele riu também. Quem esquece que o carro ta amassado? Só eu mesmo.
Entrei no meu quarto e lancei minhas roupas em algum canto. Ajoelhei ao lado da cama e tirei meu baixo de lá. Fazia tanto tempo que eu não tocava. Na verdade eu nunca fui muito bom nisso, mas agora eu precisava ser. Comecei tentando solar “I've just seen a face” de The Beatles.
No começo foi embaraçoso, eu não lembrava muito bem as notas, mais depois deu certo.

I'd have never been aware but as it is I'll dream of her tonight
(Eu não tinha percebido, mas é inevitável e sonharei com ela esta noite)
Falling, yes I'm falling
(Apaixonando, sim eu estou me apaixonando)
And she keeps calling me back again.
(E ela continua me chamando de volta)

É, eu me lembrei de nessa parte da música. Foi então que resolvi parar de tocar e tentar escrever uma. Ela seria certamente a minha melhor inspiração.
Peguei um caderno e uma caneta na gaveta. Então, eu comecei pensando em tudo que havia acontecendo entre nós. O quanto eu a amo, o quanto eu queria estar abraçado com ela agora...

Me diga que você me quer, baby Me diga que é verdade, por que eu também Diga as palavras mágicas e eu acabaria com destruiria o mundo pra você Um exército para os de coração partido Marchando pelas ruas e cada cidade está queimando no chão abaixo dos seus pés


Respirei fundo. Reli o que acabei de escrever. Não estava ficando tão ruim assim, estava?

Eu quero te abraçar Meus céus estão ficando ruins escuros negros É parece um ataque cardíaco E eu faria qualquer coisa que você pedisse Eu quero muito te abraçar


Levantei-me e fui até a cozinha, beber um pouco d’água. Acho que minha criatividade acabou. Ri sozinho e pensei em ligar pra ela, a minha inspiração.
- Oi, – Falei animado quando ela atendeu.
- Oi, .
- O que está fazendo aí?
- Assistindo uma linda mulher, de novo – Ela gargalhou.
- Não acredito – Eu ri também.
- E você, fazendo o que?
- Estou tentando escrever uma música.
- Sério? Que bom, fico feliz que você esteja realmente animado com tudo isso.
- É e...
- E ta conseguindo? – Ela me interrompeu.
- Ah, não ta ficando tão ruim.
- Eu quero ver depois.
- Aham, quando tiver pronta eu te mostro. Agora, vou deixar você ver seu filme.
- Você só ligou pra perguntar o que eu estou fazendo? – Ela perguntou de um jeito inconformado que me fez rir.
- Não, pra ouvir sua voz também – Silêncio e mais silêncio.
- Bobo – Bobo? Alguns minutos de silêncio e ela só me diz que eu sou bobo?
- Você que é uma boba. Tchau , dorme bem.
- Tchau, – Ela riu e desligamos.
Voltei para o quarto com um sorriso estampado no rosto. Acho que agora eu conseguiria escrever mais algumas coisas.

Eu faria qualquer coisa pra mostrar o quanto vale o seu amor
Então você não vai me mostrar sua devoção? Pra curar meu coração doído


É, acho que tenho problemas com a criatividade.
Joguei-me na cama e liguei a TV. E pela primeira vez estava passando algo interessante, jornal. As notícias não são boas: assaltos em bancos, seqüestros, mortes... Então desliguei e me veio uma idéia pra escrever.

Nós interrompemos esse programa com algumas notícias perturbantes
Uma evacuação mundial
E eles pulverizaram trituraram a nação
Acho que isso nos mostra o que o AMOR pode fazer


A dor de cabeça iria vir se eu continuasse tentando escrever; Tomei um banho e caí na cama, torcendo pra não ter um pesadelo com .

Capítulo 06

As duas semanas pareceram voar. O meu carro estava na oficina e eu já havia pagado os gastos do carro daquele maluco do acidente. Eu e os caras tivemos várias reuniões. O compôs duas músicas, realmente boas. Eu contei a eles que tinha começado a compor uma música para uma garota, mas que eu não ia mostrar e nem confessar pra quem era. Mas claro, eles reviraram o meu apartamento e depois quase me espancaram, além de correrem atrás de mim com uma vassoura. Me rendi e acabei confessando que me apaixonei por e que precisava de ajuda pra terminar a música. Não preciso nem contar a reação deles, não é? O já sabia, mas e ficaram imóveis e sem respirar por alguns segundos. Enfim, nós estávamos quase terminando a música e começávamos outras. De vez em quando a e a também vinham nas nossas reuniões, mas não. Por falar nela, eu soube pela que ela comprou um New Beetle preto porque sua carteira de motorista já havia chegado. Fiquei tão magoado de ela não ter contato isso para mim. Nós contávamos absolutamente tudo um para o outro. Bom, tirando a parte dos nossos sentimentos, é claro. Mas ela parecia ter se afastado de mim, não sei por quê.
E foi quando o ultimo casal, e , saíram do meu apartamento que eu decidir ir falar com . Tomei um banho, coloquei uma bermuda xadrez e uma camiseta larga branca. Quando cheguei ao térreo e percebi que estava chovendo. Estava chovendo muito, muito mesmo. Bufei e voltei a pegar o elevador para o 6º andar, o meu ninho.
Olhei no relógio que marcavam 21:30h. Será que se eu ligasse pra , depois de duas semanas, pedindo pra ela vir até aqui, ela viria? Não sei, posso tentar implorar.
- Alô... Posso falar com a ?
- Sou eu, . Não conhece mais a minha voz? – Ela riu fraco, parecia forçado.
- Pra falar a verdade, não. Duas semanas sem escutá-la, não é? – Falei ironicamente.
- É... – Ela falou tão baixo, parecia que não queria falar comigo ou sei lá.
- Sabe, está uma chuva desgraçada e eu estou sem o meu carro, ele ainda está na oficina. Você pode vir até aqui? – Perguntei com um pouco de medo, confesso. Houve silêncio por alguns segundos.
- O que você quer?
- Venha até aqui e você vai saber.
- Tudo bem, mas eu não posso demorar. – Sem que eu pudesse responder, ela desligou.

Então eu fiquei nervoso. Na verdade eu já estava, mas agora era evidente. Eu não sabia ao certo o que dizer quando ela chegasse aqui, mas eu precisava vê-la, precisava entender o que fez ela se afastar dessa forma, sem um motivo. Bem, se tem um motivo eu não sei, mas pretendo saber daqui a pouco.
Deitei no sofá e fiquei fitando o teto por longos minutos. A campainha tocou e eu pulei do sofá em menos de um segundo.
- Oi – estava em minha frente e eu paralisado igual a um idiota. Pisquei algumas vezes e fiz um gesto com as mãos para que ela entrasse. – Então, estou aqui. O que você quer? – Perguntou indiferente enquanto sentava no sofá. Seria mais difícil que eu pensei. Eu respirei fundo, olhei pra ela e sentei ao seu lado.
- Quero saber o porquê de você ter se afastado de mim. – Perguntei olhando em seus olhos, mas logo ela desviou.
- Eu não quero falar sobre isso. – Ela levantou fazendo o caminho da porta. Ela ia embora. Mas eu segurei em seu braço.
- O que está acontecendo? – Franzi o cenho e apertei forte o seu braço.
- Eu já disse que não quero falar sobre isso. – Ela torceu o braço e se soltou. – Se você continuar insistindo vai perder o seu tempo.
- Porra, ! Para com essa infantilidade. –Eu estava tentando controlar meu tom de voz.
- Infantilidade? Você não sabe o que está acontecendo. – Isso já estava me estressando. Por que ela não parava come essa idiotice e falava de uma vez?
- ENTÃO FALA, CARALHO! É ISSO QUE EU QUERO SABER! – Gritei bem perto do seu rosto. Ela abaixou a cabeça e voltou a sentar no sofá.
- Eu e o estávamos brigando tanto por sua causa, que decidi me afastar por um tempo. – Eu simplesmente não podia acreditar nisso.
- Ah, então o seu “namoradinho” ficou com ciúmes e você decidiu se afastar do seu “melhor amigo”. Interessante! – Falei ironicamente dando ênfase às palavras.
- Não fala assim, tente entender. – Ela disse com a maior calma do mundo. Isso realmente me irrita bastante.
- Entender? Ele que deveria entender e não eu. – Falei dando de ombros e ela se levantou olhando em meus olhos.
- Você nunca amou alguém, . Por isso não sabe o significado de estar ao lado de alguém que ama. – Eu não soube o que responder. Fiquei parado tentando piscar e respirar. desviou de mim e foi em direção a porta. Ela estava indo embora.
Senti um enorme vazio e me arrepiei por completo ao sentir ela se afastar daquele jeito. Eu não lembro de ter brigado com ela alguma vez na minha vida. Corri pra porta e gritei-a pelo corredor.
- , NÃO VÁ EMBORA! – Vi parada em frente ao elevador, fingindo não perceber minha presença ali. Aproximei-me um pouco e a porta do elevador abriu. – Por favor – Ela olhou pra mim e deu passo pra frente. – NÃO! – Ela deu mais um passo, virou pra me olhar, sem expressão, e entrou quando a porta abriu. Eu não queria a deixar ir, estando “brigada” comigo. Eu precisava pensar em falar alguma coisa, mas nada me veio a mente. Eu só conseguia pensar em correr até ela.
Quando cheguei ao térreo, a vi saindo pela porta principal e corri em sua direção. O tempo lá fora estava totalmente branco. Estava chovendo muito, mas ela não se importava em caminhar até seu carro se ensopado. E nem eu de correr até ela.
- Ei – Eu berrei não tão alto, tentando recuperar o fôlego. Ela me olhou assustada. – Eu disse pra você não ir – Aproximei-me dela, fiquei parado em sua frente e ela me olhou, estava com os olhos cheios de lágrimas. Seus cabelos já estavam completamente molhados e sua roupa inteiramente colada, dando-me visão perfeita de seu corpo desenhado. Ela me deu as costas voltando a caminhar, mas dessa vez eu fui mais rápido. Puxei seu braço, fazendo com que nossos corpos ficassem a uma distancia de poucos centímetros.
- Você... Não manda... Em mim, – A voz de falhou e isso me deixou contente. Olhei pra seus olhos e passei as pontas dos dedos levemente por eles que se fecharam com o meu toque. Aproximei meu rosto do dela sentindo sua fraca respiração bater em minha boca. Talvez aquele sentimento ainda não tivesse morrido, por mais que ela disse que amava o .
- Tem certeza disso? – Falei juntando nossas testas e sentindo meu coração pulsar violentamente. Eu queria a beijar, mais do que nunca, eu queria sentir seus lábios novamente. Eu precisava disso desde que ela viajou, e não importava a nossa discussão, eu não me lembrava nessa hora.
Encostei nossos lábios e a vi fechar os olhos novamente. Meu corpo inteiro se arrepiou ao sentir a textura de sua boca gelada. Suas lágrimas quentes se misturavam com as gotas gélidas da chuva, e eu percebi que também estava chorando. Surpreendi-me quando ela passou a língua pedindo passagem. Agora sim tive certeza absoluta de que ela também queria aquilo, mas talvez não tanto quanto eu. O beijo estava calmo e... apaixonado? Nossas línguas não demoraram a se encontrar, parecia que elas se pertenciam uma a outra, matando todo aquele desejo do nosso primeiro beijo. Desci uma mão pra sua cintura e a puxei mais para mim. Ela envolveu seus dois braços ao redor do meu pescoço e puxava levemente meus cabelos. Como eu senti falta disso. Dessa sensação que só mesmo me proporcionava e desses lábios que tanto me torturavam a mente. Senti uma vontade quase maior que eu de falar “eu te amo”, mas eu ia estragar tudo. Ela mordeu meu lábio pra cessar o beijo, mas eu puxei sua nuca e não a deixei se afastar. Eu não podia deixar aquilo terminar, não sabia quando a beijaria novamente e nem a reação dela quando isso terminasse. Ela começou a arranhar minha nuca suavemente me fazendo arrepiar outra vez. Meu fôlego estava prestes a acabar, mas eu não estava me importando com oxigênio nesse momento, eu não queria desgrudar dela nunca mais. Desci minha outra mão que estava em seu rosto e abracei pela cintura, levantando a do chão. Ela ficou da minha altura, mas na ponta dos pés. Logo envolveu minha cintura com uma das pernas, me surpreendendo mais uma vez. Eu segurei sua coxa, ajudando-a a ficar pendurada em mim. Eu esqueci completamente que estávamos do lado de fora do meu prédio e que qualquer pessoa que passasse por ali poderia nos ver daquele jeito. Até o . E por mais que eu o odiasse, eu não queria que isso acontecesse.
Acariciei sua coxa por cima da calça totalmente encharcada, ardendo de desejo pra tê-la. Lembrei-me de que é virgem, e lógico, eu não vou fazer nada, não assim, não aqui. Tinha que ser um momento muito especial. E eu realmente quero que a primeira vez dela seja comigo; Infelizmente eu precisava de oxigênio e ela também, e mesmo sem vontade alguma, eu mordi seu lábio inferior puxando levemente pra trás, a ouvir soltar um gemido baixo. Sorri com isso. Ela colocou os pés no chão e tirou as mãos do meu pescoço, afastando um pouco nossos rostos.
- Não devíamos ter feito isso – Ela abaixou a cabeça e eu lancei a minha pra trás, bebendo algumas gotas de chuva.
- Mas já fizemos – Falei indiferente. – E, por favor, não peça desculpas dessa vez.
- Então não prometa que isso não mudará em nossa amizade. – Eu abaixei a cabeça e ela estava me olhando.
- , eu te a... – Fui interrompido quando ela colocou o dedo indicador sobre minha boca.
- Melhor eu não ouvir isso. – Ela deu as costas pra mim e foi caminhando até seu carro. A chuva parecia ter estiado um pouco. Mas eu novamente segurei em seu braço.
- Você vai deixar as coisas assim? – Perguntei meio que desesperado, e ela notou. Porra, primeiro ela se afasta de mim por causa do . Agora nos beijamos e ela simplesmente da às costas?
- , eu não tenho condições de pensar em alguma coisa agora. – Deu de ombros levemente. Ela não olhava mais em meus olhos, parecia estar entorpecida.
- , eu não quero perder você, seja pelo ou por esse beijo. Eu não suportaria ficar sem você. – Eu disse com toda a sinceridade segurando em seu rosto.
- Isso não vai acontecer. – Ela deu um sorriso torto. – Eu preciso ir para casa agora, .
- Promete que vamos conversar sobre tudo isso depois? – Ela assentiu ainda sorrindo daquele jeito.
Dei um beijo estalado em sua testa e vi uma lágrima escorrer de seus olhos. Ela me deu as costas, novamente, e voltou a andar até seu carro. Observei-a até arrancar e sumi de vista; Fiquei parado ali, totalmente ensopado, na chuva fitando o asfalto, tentando colocar minha mente no lugar.

Capítulo 7 (’s POV)

Cheguei em casa molhando todo o chão da sala até o meu quarto, eu estava completamente encharcada. Não sei quanto tempo eu e ficamos nos beijando do lado de fora de seu prédio, com toda essa chuva. E meu Deus, nós nos beijamos. Tanto que eu esperei por isso, tanto que eu quis isso, mas agora me parece estranho. Não sei, talvez por hoje eu estar com o , e por ser o motivo de nossas brigas. Mas ele mudou tanto desde que eu viajei, não soube dele ter comido aquelas putas. Eu realmente quero acreditar em uma mudança e principalmente no “eu te amo” que ele tentou me falar. Mas a questão é que eu não quero me iludir. Afinal eu tenho o , ele é simplesmente um homem perfeito que me ama, faz tudo pra mim e por mim. Ele não merece eu beijar outro cara, ainda mais sendo , o meu melhor amigo de infância e de quem ele tem tanto ciúmes. Por Deus, a onde eu estava com a cabeça? Eu não posso perder o , apesar de me amar, eu não sei ao certo. Ele tivera tantas garotas, mas ele nunca disse “eu te amo” para alguém, nem mesmo para mim antes. Sempre que eu dizia “amo você” ele respondia com um “eu também”. Mas que droga está acontecendo com ele? Talvez possa ser ciúmes, por eu ter um namorado e não dar tanta atenção para ele como antes. Deve estar com medo de me perder. Eu sinceramente não sei o que fazer. Eu sei que amo o e nunca vou deixar de amá-lo por qualquer motivo que seja, mas também amo o .
Ah, eu sou uma mulher confusa, e definitivamente com problemas.
- Amor? – Me perdi de meus pensamentos ao ouvir a voz de me chamar.
- Oi – Respondi baixinho forçando um sorriso.
- Você está bem? – Perguntou se aproximando de mim e observando minhas roupas molhadas.
- Estou sim, só peguei chuva – Ele fez uma careta e balançou a cabeça.
- Então vá se trocar, eu não quero você gripada ou algo do tipo. Vou preparar algo quentinho pra você tomar – Por que ele tem que ser tão fofo?
- Obrigada – Dei-lhe um selinho e entrei no banheiro.
Desci até a cozinha totalmente agasalhada, eu estava tremendo de frio. Encontrei o sentado na bancada me esperando.
- Huuuuuum, que cheiro, hein! – Passei a língua pelos lábios e ele riu.
- Tentei fazer algo bom – Ele pegou uma xícara grande e despejou chocolate quente ali.
- Tudo que você faz é bom – Me aproximei dele e beijei seus lábios. Ele sorriu e puxou a cadeira para que eu sentasse.
- Você demorou lá na casa da . Eu já estava preocupado, ia ligar pra lá. – Ele disse enquanto eu beliscava o meu chocolate. Demorei um pouquinho com a xícara na boca pra pensar em uma desculpa rápida.
- Não precisava ter se preocupado, amor. Demorei por que a estava realmente mal... Poxa, eu nunca a vi daquele jeito pelo . – Inventar uma briguinha entre o casal perfeito não faz mal nenhum, não é? O que iria fazer mal era se ele descobrisse que eu estava na casa de .
- Hum... Mas o que aconteceu com eles? – Perguntou me olhando.
- Ah, coisa boba... Ciúmes. – Eu arqueei uma sobrancelha e ele soltou um riso.
- Ciúmes não é coisa boba, . – Rolou os olhos dando de ombros.
- Ciúmes nada mais é do que sentimento de posse que ainda não foi educado. – Eu o olhei séria e ele se levantou da cadeira.
- Não vamos começar com isso de novo. – Me deu às costas, indo em direção a escada.
Agora era sempre assim, desde a nossa discussão horrível por causa de ciúmes do comigo. Toda vez que eu tocava nesse assunto ele fugia para que nós não brigássemos, mais uma vez. Mas isso não podia continuar, eu não posso ficar afastada do a minha vida inteira. Como eu pude fazer uma coisa dessas? Eu não agüento ficar sem ele, e o vai ter que aprender a lidar com isso.
Terminei de tomar o chocolate, arrumei a cozinha e ouvi o barulho de chaves na porta. Meu pai tinha chegado. Rapidamente olhei a hora no celular, 00:20h. É, acho que em breve vou ter uma madrasta. Ri sozinha e andei até a sala.
- Aproveitou sua noite, pai? – Falei divertida e ele riu.
- Aproveitei, mas não exatamente como você está pensando, mocinha!
- Eu não estou pensando nada, você quem está tirando conclusões precipitadas. – Ele puxou meu cabelo e me deu um tapa na bunda.
- Já era pra você está na cama. O já foi. – Ele foi me empurrando até o primeiro degrau da escada.
- Qual é pai, não vai me contar com quem você saiu? - Me virei e ele estava fazendo uma careta.
- Ok, uma mulher, amiga de um amigo meu lá do serviço. Ela é morena, alta, bonita e legal. Satisfeita? – Ele falou tão rápido que eu nem consegui absorver tudo.
- Calma, respira! – Caçoei.
- Cama, agora! – Ele bateu as mãos me apressando.
- Ta, ta, chato. – Eu disse bufando e subindo as escadas.
- Do que você me chamou, ? – Papai perguntou tentando fazer uma cara séria e eu só ri.
Fui ao banheiro escovar os dentes e prender o cabelo. Quando estava voltando, passei em frente ao quarto do que estava com a porta semi-aberta. Eu me aproximei e o vi sentado na cama feito um índio, olhando para a janela.
- Posso entrar? – Sussurrei e dei um toque na porta.
- Claro. – Ele sussurrou de volta e me deu um sorriso.
- Perdeu o sono? – Perguntei me sentando ao lado dele.
- Não, só estou pensando nas coisas. – Respondeu ainda sussurrando e me olhou.
- Que coisas?
- Seu presente de aniversário. – Ele se aproximou e rapidamente beijou meus lábios.
- Mas falta muito pro meu aniversário, amor. – Eu sorri e ele balançou a cabeça afirmando.
- Só que esse presente é tão importante que pode mudar tudo... Tudo! – Ele falou pensativo, parecendo esquecer por um estante que eu estava ao seu lado.
- Tudo o que, ? – Perguntei franzindo o cenho e ele “acordou”.
- Você vai saber quando chegar o dia – Disse bocejando.
- Você sabe que eu odeio ficar curiosa! – Levantei-me emburrada e ele riu. Dei um selinho rápido nele e saí do quarto.

Acordei assustada com um barulho muito alto do lado de fora. Devia ser um trovão, eu acho. Ainda não tinha parado de chover, parecia que a cada segundo as gotas de chuva engrossavam mais e mais. Levantei-me arrastando pelo chão até a janela. O céu estava escuro, mesmo estando de manhã e os trovões não paravam um minuto.
Lembrei-me de ontem, de onde eu estava a menos de horas nessa chuva. Eu estava com . Estava nos braços dele. Oh meu Deus, eu preciso conversar com ele, preciso encontrar uma saída pra essa situação. Mas primeiramente, eu preciso me decidir. É, decidir o que eu realmente quero pra mim.
Peguei o telefone e pensei em ligar para . Até quando eu iria ficar adiando isso? Mesmo eu não sabendo ao certo o que falar, eu precisava ligar. Confesso que eu precisava mesmo era ouvir a voz dele; Antes que eu pudesse discar o número, o telefone tocou.
- Alô? – Eu disse com os olhos fechados torcendo para ser no outro lado da linha.
- , tenho uma novidade pra contar – Pois é não era ele e sim a . Ri da minha sorte e resmunguei um “conte-me”. - Você não estava dormindo né? Por favor, são onze da manhã!
- Conta logo, , antes que o me pegue conversando com você e descubra que você está feliz. – Eu tentei prender o riso, mas não consegui.
- Hã? O que você tá falando menina? Tá sonhando?
- Antes fosse um sonho... Mas depois eu te conto tudo, agora conta aí a sua novidade, merda.
- Ta bom... É o seguinte, os meninos conseguiram um pub pra tocar.
- Sério? Que bom, e qual é o pub?
- ANCHOR BANKSIDE - Gritou ela, me deixando quase surda.
- Cara, esse pub é foda. Fico feliz que eles tenham conseguido.
- Você não tem que ficar só feliz, você vai ter que ir lá com a gente.
- Não, eu não posso.
- , me escuta... Eu já cansei de ficar te ligando sempre pra contar as coisas que acontecem por lá. Se você não for à apresentação deles, vai ficar sem notícias do até voltar a falar normalmente com ele.
- ... – Eu disse manhosa.
- ! – Ela disse com uma voz que já me causava medo.
- Posso tomar café na sua casa?
- Café? Querida, eu já estou me preparando para o almoço. – Nós rimos.
- Chego aí em um minuto.
- Ei, eu não disse que você podia vir.
- Tchau, – Desliguei ao ouvir os risos dela.
Corri para o banheiro e tomei um banho gelado. Fui ao quarto do e não o encontrei lá. Desci as escadas depressa e o vi sentado na mesa da cozinha beliscando seu café enquanto lia o jornal.
- Amor, vou na casa da rapidinho, ela piorou de novo. – Eu dei um beijo na bochecha dele e saí correndo antes que ele perguntasse alguma coisa e eu teria que inventar mais uma mentirinha.

Cheguei à casa da e encontrei o carro de e estacionados. Meu coração deu pulo até a garganta. Será que também estava ali?
Bati na porta umas cinco vezes e ninguém apareceu. Gritei a algumas vezes e nada. Liguei para o celular dela e disse que eu estava ali em frente a sua porta. Logo depois, apareceu abraçado a uma garota morena de cabelos longos com mexas vermelhas. Meu coração acelerou ainda mais, eu nem me importei em pensar quem era essa tal garota. A única coisa que eu pensava era: se o carro de e estão aqui, está também mas sem seu carro, então provavelmente também está. Respirei fundo e tentei sorrir.
- Que bom ver você, . – me abraçou forte e a menina morena me encarava.
- Também é bom ver você... Faz tempo né? – Eu disse um pouco envergonhada.
- Pois é, e vocês precisam conversar sobre isso, hein. – “Vocês?” Merda, acho que a essa altura todos os meninos já deviam saber dos lances entre mim e .
- É.
- Ah , essa é a minha namorada. – Ele apontou pra ela que abriu um largo sorriso para mim.
- Prazer, . – Eu retribui o sorriso e trocamos beijinhos na bochecha. - É ótimo saber que o tomou jeito na vida. – Ela riu e ele coçou a cabeça.
- Não vai queimar meu filme! – Ele apontou o dedo indicador para mim e eu fiz careta.
Entramos na sala e pude escutar a risada escandalosa do , junto a mais alguns risos no fundo e um som de violão. A essa altura eu já não sentia meu coração, somente meu estomago formigando.
- Olha só quem apareceu, por isso que está chovendo tanto. – disse se levantando e vindo me abraçar. Passei os olhos rapidamente pela varanda e não vi o por ali. Fiquei um pouco relaxada e apertei a .
- Que ventos te trazem aqui? – perguntou praticamente pulando em cima de mim.
- Na verdade, eu não sabia que vocês estavam aqui. – Lancei um olhar mortal para a que prendeu um riso.
- Então se você soubesse, não viria? – Ele perguntou ainda em cima de mim.
- Provavelmente. – Eu disse rindo e ele, e começaram a me estapear de leve.
- Que isso gente? – Ouvi uma voz familiar. A voz que me acalmava e ao mesmo tempo me deixava completamente nervosa, com elefantes na barriga, formigas no estômago e de pernas bambas. Sim, a voz de .
Os meninos saíram de cima de mim e um silêncio desconfortável instalou-se na varanda. É, agora tive certeza de que todos sabiam, até mesmo a nova namorada do ; ficou parado em minha frente e nossos olhos se encontraram, não conseguindo desviar para nenhum lado. Uma vontade louca de abraçá-lo surgiu em mim nesse momento. Movi minhas pernas trepidantes para frente e me atirei em seus braços. Ele me apertou tanto que eu pensei que ia me sufocar. Soltei o ar pesado aliviada e minhas orelhas e bochechas começaram a ferver ao me lembrar dos meus amigos que assistiam tudo aquilo. Afastei-me dele e olhei para os lados. Todos estavam nos olhando apreensivos. Olhei pra que mencionou dizer alguma coisa, mas só abriu a boca e engoliu vento. Parecia impressionado com o meu abraço. Ele fez isso umas duas vezes, eu continuei parada e todos em silêncio. Isso já estava ficando mais do que constrangedor.
- Estavam ensaiando? – Eu finalmente quebrei o silencio maldito, mas somente balançou a cabeça.
- Na verdade não é bem um ensaio – disse.
- Mas vocês estavam tocando. – olhou pra ele e depois para mim. – Você quer assistir? – Perguntou com um olhar de “aceita, se não te mato depois”.
- Claro. – Dei um sorriso e fui me sentar ao lado dela e .
- Então, vamos tocar “I wanna hold you”? – perguntou sorrindo maliciosamente e olhando para .
- Essa não. “Obviously”. – respondeu arqueando as sobrancelhas.
- Tudo bem.

Recently I've been
Recentemente eu tenho
Hopelessly reaching
Esperançosamente procurado
Out for this girl
Por essa garota
Who's out of this world
Que é de outro mundo
Believe me
Acredite em mim

Os meninos começaram a tocar. A música no início era lenta, mas depois ia aumentando o rítimo. errou a nota. Eles riram e voltou a puxar, ele realmente tem uma voz extraordinária.

She's got a boyfriend
Ela tem namorado
He drives me round the bend
Ele me irrita Cos he's 23 he's in the marines
Porque ele tem 23 anos ele está na marinha
He'd kill me Ele me mataria

errou a nota de novo. Respirou fundo e disse pra continuar. Eu não sei, mas senti que essa música tinha muito a ver comigo e ele. Acho que agora entendi o porquê dele ter escolhido essa aí pra tocar.

And so many nights now
E por tantas noites agora
I find myself thinking about her now
Eu me pego pensando nela

E mais uma vez ele errou a nota. O nervosismo de tornava-se evidente a cada vez que seus dedos trêmulos procuravam as cordas do violão e fazendo meu coração saltar quando ele cantava olhando pra mim.
- Acho que você está deixando o nervoso. – sussurrou e eu ri baixinho balançando a cabeça.

Cos obviously she's out of my league Porque obviamente ela está fora do meu alcance
She keeps dragging me in
Ela fica me atrasando
And I know I never will be good enough for her (no,no)
E eu sei que eu nunca vou ser bom o suficiente para ela (não, não)

Eles finalmente conseguiram terminar a música, depois de ter errado muitas vezes. Nós batemos palmas e logo em seguida, berrou sugerindo que assistíssemos a um filme de terror. “O último trem”.
Fomos todos para a sala. , , e eu sentamos no tapete. , , e sentaram no sofá grande. O filme já começou mal: um homem feio cortando a cabeça do outro com um machado em um trem, onde o chão estava cheio de sangue. Jesus amado, eu acho que meu estomago começou a revirar.
Quando o filme estava quase chegando à metade, já tinham passado muitas mortes daquele jeito com o machado. Eu estava me sentindo mal, então me levantei e fui até a cozinha beber um copo d’gua. Ouvi e falarem que eu sou fraca, implicando comigo. Eu ri, abri a geladeira e quando fechei tomei um susto, quase deixando o litro de água cair, ao ver ali. Ele segurou o litro e riu de um jeito nervoso.
- Eu venho aqui pra me recuperar daquele filme e você aparece assim? – Eu disse tentando não tremer enquanto colocava o litro em cima da pia.
- Desculpe. – Ele coçou a cabeça me olhando. – Você já ficou sabendo da nossa apresentação de amanhã?
- Aham, a me contou hoje mais cedo.
- E você vai? – Ele fez um carinha triste.
- É claro. Eu já perdi muitos ensaios, e não quero perder a primeira apresentação de vocês. – Abri um sorriso largo pra ele, e vi este refletido em seu rosto.
- Fico feliz em ouvir isso. Eu tenho uma surpresa pra você amanhã.
- O que é, ?
- É surpresa, você não ouviu? – Disse dando de ombros.
- Você sabe o quanto eu odeio ficar curiosa, né? – Dei um soco de leve no braço dele.
- , , , ... – vinha em nossa direção gritando.
- Meu Deus, o que aconteceu? – Perguntei preocupada, sentindo meu coração acelerar.
- O que houve, ? – também perguntou nervoso.
- O ligou, ele tá vindo pra cá. – Ela disse rápido mordendo o lábio.
- Ah não! – Bati a mão na testa. – Eu disse pra ele que vinha aqui porque você e tinham brigado ontem e... E, bem isso não importa né. O que eu faço?
- Vai agora pra casa, . – disse segurando em meus ombros. – Mas, por favor, não se esquece de ir ao pub amanhã.
- Ta bom. – Assenti com a cabeça e dei um beijo em sua bochecha.
Nem me despedi direito do pessoal, saí correndo da casa da ; Desse jeito parece até que eu estou traindo o meu namorado. E na verdade, estou. Meu Deus, isso não pode acontecer. Ele não merece isso, e eu o amo. Mas, também amo o . Oh droga, que merda de vida. Eu podia bater em um carro agora, entrar em coma e fim da história. Encontrava e no céu. Só que isso não aconteceu. Para o meu azar, encontrei saindo de casa, arrumado, indo em direção ao carro. Eu buzinei e ele parou.
Respirei fundo e abri a porta.
- Eu estava indo lá na casa da . E sabe, ela me parecia bem no telefone. – Ele disse de um jeito irônico, que me irrita.
- É, depois de muita conversa ela melhorou. – Falei guardando as chaves no bolso, sem olhar pra ele.
- , eu odeio mentiras. – Ele levantou meu rosto com os dedos. Seus olhos estavam um pouco inchados.
- Eu sei. – Soltei o ar pesadamente.
- Então, vai me contar o que é que você foi fazer ontem e hoje, dizendo que ia para a casa da sua amiga? – Ele perguntou falhando na voz. Puxei-o pelo braço até a calçada. Sentamo-nos e então ele esperou em silêncio.
- Ontem eu fui à casa do . – Ele continuou em silêncio fitando a grama. – E hoje, eu fui mesmo à casa da , mas os meninos e o estavam lá. – Falei firme, sem medo. Isso tudo está mais que errado. É loucura eu ter que ficar planejando desculpas pra ver o meu melhor amigo.
- Nós combinamos que você não veria o por um tempo. – Ele finalmente disse.
- Você combinou. – Puxei o rosto dele para olhar em seus olhos. – , isso não faz sentido. Eu me afastar do meu melhor amigo porque você sente ciúmes. – Ele abriu a boca pra falar, mas eu coloquei o dedo indicador sobre ela para ele se calar. – Eu amo você, de verdade, você tem que confiar em mim. Isso já está ficando doentio, já passou do estágio “ciúmes bonitinho”. Isso me sufoca, eu estou perdendo o meu amigo de infância por um ciúme ridículo. E olha, se isso continuar, acho melhor você seguir seu caminho sozinho.
- Eu sei que o errado aqui sou eu. Mas eu não consigo aceitar o tão perto de você.
- Você quer tentar aceitar? – Perguntei segurando o rosto dele.
- O que eu não quero é tentar ficar sem você. – Ele beijou minha testa e depois me abraçou. – Me desculpa, ?
- Claro. Vamos entrar agora, estou com frio.

Eu estava deitada na cama, rolando de um lado para o outro há horas. Meu pai e o já haviam dormido há tempos, mas eu não conseguia dormir porque estava em meus pensamentos, me atormentando. Tirei o celular de baixo do travesseiro e olhei a hora, 2:15h. Resolvi piorar o meu estado e ligar pra ele.
- Ham? - disse com a voz assonorentada do outro lado da linha.
-
- ? É você ou eu estou em outro sonho louco? – Ele disse rindo.
- Sou eu de verdade. – Gargalhei. – Você anda sonhando comigo, ? – Perguntei divertida.
- Sim, mas isso não vem ao caso agora. Porque você está me ligando a essa hora? Não consegue dormir?
- Acertou!
- E quer que eu cante pra você, certo?
- Certo. – Nós rimos. – Mas antes, quero saber a hora da apresentação de vocês lá no pub.
- Dez da noite. Você vai mesmo, né?
- Vou sim.
- E o seu namorado, também?
- Não sei, , eu ainda não falei com ele.
- Hum... ok, vamos dormir agora. Já está deitada? - Eu resmunguei um “aham” e ele continuou. – Vou cantar uma música que eu compus pra v... – Ele parou por um estante. – Que eu compus pra cantarmos no pub.
- Legal, estou pronta pra dormir.
- Tell me that you want me baby
Me diga que você me quer, baby
Tell me that it's true
Me diga que é verdade
Say the magic words and I'd destroy the world for you

Diga as palavras mágicas e eu destruiria o mundo pra você
Ele mal havia começado a cantar e meus olhos iam se fechando sem autorização. A música parecia boa, mas eu não conseguia ouvir nitidamente. A voz de ficava ecoando em minha cabeça e eu adormeci com um sorrido idiota no rosto.

Capítulo 08

Eu já não agüentava mais ter que dar minha opinião a cada peça de roupa que a vestia. Em todas as roupas ela colocava um defeito. Os que de fato, não existiam. Todos os vestidos que ela colocava ficavam perfeitamente apropriados para essa noite e o mais chato é que ela não acreditava.
- , pelo amor de Deus, me ajuda! – Disse desesperada me fazendo rir. Ela queria estar perfeita para a apresentação dos meninos. Ao contrário de mim, coloquei a primeira roupa que encontrei quando abri o guarda-roupa. Uma blusinha básica de zebra e uma jaqueta preta, calça jeans meio rasgada e um scarpin amarelo com preto. Para mim estava ótimo, não precisava ser nada muito elegante.
- Ah, eu desisto! Todas as roupas que eu falo que gosto você não gosta. – Dei de ombros me levantando da cama pra sair do quarto.
- Nãããão amiga, não desisti! – Ela me puxou pela blusa. – Por favor? – Fez uma cara de cachorro sem dono e eu rolei os olhos.
- Ok, eu vou abrir a sua gaveta, pegar uma roupa que eu adoro e colocar em cima da sua cama. Se você não estiver pronta pra sair em dez minutos, eu vou sozinha com o . – Falei autoritária.
- Ta, ta, ta! Então escolhe logo essa roupa. – Disse ela, cruzando os braços e sentando-se na cama.
Fui até o guarda-roupa dela e escolhi uma calça jeans clara, uma corset meio marrom e uma bota chanel salmão de laçinho. Estava lindo, se ela me dissesse de novo que não gostou, eu iria bater nela. De verdade dessa vez.
- É, até que não ficou tão mal. – Falou de um jeito irônico e eu taquei uma almofada na cabeça dela.
O que eram pra ser dez, acabou sendo quase quarenta minutos de arrumação. Saímos do quarto e encontramos o entediado sentado no sofá trocando os canais da TV constantemente. Olhei no relógio e faltavam vinte minutos pra chegar no pub. Chamei-o e saímos da casa da rapidamente. Os meninos já deviam estar quase prontos pra tocar.

Quando chegamos ao Anchor Bankside, não estava muito lotado como eu imaginei. Nós nos sentamos em uma mesa perto do pequeno palco, onde , e uma garota loira muito bonita já estavam.
- Oi piruas! – gritou para e .
- Achei que vocês tinham desistido de vir. – disse abraçando , depois eu e .
- Você acha mesmo que eu iria deixar o sozinho logo hoje? – disse colocando as mãos na cintura e arrancando risadas de todos da mesa. – Por falar nisso, cadê ele?
- Os meninos já subiram para o palco. Bem, se é que aquilo pode ser chamado de palco. – apontou para um “ressalto no chão” com algumas cortinas e todos nós rimos ainda mais.
- Coitados! É o primeiro showzinho deles. – A menina loira disse um pouco intimidada.
- Ah gente, eu nem apresentei. Essa é a minha irmã, Ashley. – apontou pra ela, que sorria vastamente.
- Prazer, . – Trocamos dois beijinhos na bochecha e depois e fizeram o mesmo.
- Boa noite pessoal... – Um homem alto e bem arrumado cumprimentou no microfone em cima do “palco”. – Eu convidei alguns amigos meus pra animar a noite de vocês...
- Hein, a banda tem um nome? – Cochichei para a que sorriu afirmando com a cabeça.
- Mas eles não revelaram isso pra gente.
- Eles vão ser um sucesso! Com vocês... McFLY. – O cara finalmente os apresentou. Nós começamos a assoviar, bater na mesa, gritar os nomes dos meninos e aplaudir.
Eles começaram a tocar uma música que eu não sabia o nome, pois não freqüentei aos ensaios. Olhei para o lado e o parecia estar tranqüilo, sorrindo e batucando os dedos na perna. e cantavam algumas partes da música juntas e eu me senti mal de não saber a letra. Até a cantava também. Lembrei-me do dia em que fora à minha casa e me contou que ele e os meninos iriam começar uma banda, e eu havia dito que estaria em todos os ensaios e cantando os refrões das músicas. Soltei o ar pesadamente e olhei para . Ele tocava animado, pulando com o seu baixo. Sorri estritamente pensando que eu poderia estar apoiando ele de verdade, como eu havia prometido. Eu sinceramente queria que esse momento fosse diferente.
Eles tocaram mais três músicas que eu não conhecia. Eram boas, muito boas. Todos aplaudiam bastante e algumas meninas da mesa ao lado ficavam rindo que nem umas putas, olhando, sobretudo para e .
Tocavam uma atrás da outra. Começaram uma música com “Recently I've been” e eu consegui reconhecer. Lembrei-me que fora a música que eles tocaram naquele dia na casa da . “Obviously”. Fiquei feliz de ter conhecido pelo menos uma música, mesmo sem saber a letra, eu cantarolei algumas partes. Quando eles pararam de tocar, as pessoas gritavam pedindo mais. Então, foi até o microfone todo suado falar algo.
- Valeu pessoal! Nós voltamos em menos de dez minutinhos.
- Estão gostando? – perguntou vindo em nossa direção com um sorriso maior que o próprio rosto.
- Amor, você está tão lindo. – envolveu os braços no pescoço dele e deu um selinho. – Estamos adorando, está incrível!
- Só ele quem está lindo? – disse fazendo uma carinha triste e, antes que alguém pudesse dizer alguma coisa, o abraçou (lê-se esmagou).
- Você também está lindo, ok? – falou rindo e olhando para , que depois roubou um selinho dela. Não sei o porquê deles ainda não se assumirem.
- Cadê o ? – Ashley perguntou olhando para uma pequena aglomeração perto do palco. Mas porque diabos ela perguntou isso? Será que eles estavam tendo um casinho? Eu olhei pra que logo depois desviou meu olhar. – Ah, você está aí! – Ela se levantou e o abraçou. Eu continuei sentada ao lado do , sem me mover, apenas olhando a linda cena.
- Tinha umas meninas querendo me agarrar ali – Ele disse fazendo uma cara de medo.
- Há! Você não é tão gostoso assim. – deu um tapa na cabeça dele.
- AAAAAAAH CARA, VOCÊ VEIO! – gritou ao me ver. Ele puxou a minha mão, que não estava entrelaçada ao do , para me levantar. Eu soltei a outra mão e o abracei intensamente.
- Eu disse que viria – Falei sorrindo ao nos afastarmos e ele beijou meu nariz.
- Fico feliz de você ter vindo também – Ele disse dando alguns tapinhas no ombro do que somente riu e balançou a cabeça.
- , vamos, é a última música! – sorriu de um jeito estranho para mim e puxou ele pela camisa.
- , você ainda está curiosa pra surpresa? – Ele perguntou sussurrando perto de mim.
- O que você acha, ?
- Então presta atenção na letra. - Ele sorriu pra mim e virou-se para caminhar até o “palco”.
Oi, voltamos! – disse um tanto envergonhado no microfone. As pessoas começaram a assoviar e gritar algo do tipo “AÊ” e “UHUL”. – Infelizmente não temos muito tempo pra tocar muitas músicas... Então vamos terminar isso com “I Wanna Hold You”. – Ele olhou pra mim e depois começou a solar.

Tell me that you want me baby
Me diga que você me quer, baby
Tell me that it's true
Me diga que é verdade
Say the magic words and I'd destroy the world for you
Diga as palavras mágicas e eu destruiria o mundo pra você

Na hora em que começou a cantar, meu coração deu um pulo.
Eu conheço essa música. Era aquela que não quis cantar na casa da . A música que ele cantou para mim no telefone. Quando ele disse “uma música que eu compus pra v...”, Pra v...? Pra você, sua burra.
Ele fez essa música para mim.

I wanna hold you
Eu quero te abraçar
My skies are turning black
Meus céus estão ficando negros
Feels like a heart attack
Parece um ataque cardíaco
And I'd do anything you ask
E eu faria qualquer coisa que você pedisse
I wanna hold you bad
Eu quero muito te abraçar

cantou o refrão sozinho e ainda olhando pra mim sorrindo.
Estou nas nuvens. Literalmente, nas nuvens; Fiquei olhando pra ele também, mas de um jeito abestalhado.
Ok, eu preciso respirar.

I'd melt the polar ice caps baby
Eu derreteria as geleiras polares, baby
And watch them flood the earth
E as assistiria inundar a terra
And I'd do anything to show you what your love is worth
E eu faria qualquer coisa pra mostrar o quanto vale o seu amor
So won't you show me your devotion?
Então você não vai me mostrar sua devoção?
To heal my aching heart
Pra curar meu coração doído
It's like a neutron bomb explosion tearing me apart
É como uma explosão de bomba nêutron me deixando em pedaços

- Boa música, não é? – Despertei ao ouvir a voz do .
- Muito boa.

I wanna hold you
Eu quero te abraçar
My skies are turning black
Meus céus estão ficando negros
Feels like a heart attack
Parece um ataque cardíaco
And I'd do anything you ask
E eu faria qualquer coisa que você pedisse I wanna hold you bad
Eu quero muito te abraçar

Attention please, we interrupt this program
Atenção por favor, nós interrompemos esse programa
With some disturbing news
Com algumas notícias perturbantes
A worldwide evacuation
Uma evacuação mundial
We're going to lose
Nós vamos perder
And they've pulverised the nation
E eles pulverizaram a nação
Iguess it shows us just what love can do
Acho que isso nos mostra o que o amor pode fazer

I wanna hold you
Eu quero te abraçar
My skies are turning black
Meus céus estão ficando negros
Feels like a heart attack
Parece um ataque cardíaco
And I'd do anything you ask
E eu faria qualquer coisa que você pedisse
I wanna hold you bad
Eu quero muito te abraçar

A música terminou e eu ainda estava hipnotizada olhando pra descendo do “palco” e agradecendo as pessoas que ele passava.
- Que música linda! – berrou me fazendo cair das nuvens.
- Realmente, muito linda. – falou olhando pra mim.
- É mesmo. – Eu disse baixinho.
e vieram se aproximando e eu nem sei se meu coração podia bater mais rápido do que já estava. Parecia que ia rasgar minha pele, de tão forte que batia. E meu Deus, o está bem ao meu lado!
- E aí? – perguntou parando em frente ao .
- Vocês tocam muito bem. – Ele disse ao , enquanto se aproximava.
- E aí? – fez a mesma pergunta do , parado em minha frente com uma sobrancelha arqueada.
- Perfeito! – Abracei-o e senti seus dedos apertarem a minha blusa.
- Você se lembra dessa música no telefone? – Ele sussurrou e eu assenti somente. – Você dormiu rápido demais, então tive que cantá-la aqui. – Ele riu pelo nariz, me fazendo sentir cócegas no ouvido.
- Awn, eu nem sei o que te dizer! – Falei me afastando dele.
- Não precisa dizer nada, pequena. Seu sorriso já me dá a resposta. – Ele deu um sorriso torto e quando foi segurar minhas mãos, todos começaram a gritar. Nós olhamos para o lado assustados e vimos e se beijando. Olhei rapidamente para o e ele também estava gritando e assoviando para o casal. Soltei o ar aliviada e quando percebi, apertou minha mão e depois acariciou as costas da mesma com o dedão.
- , tem como você ir até minha casa amanhã? – Perguntou ele, soltando minha mão.
- Pra que?
- Você ainda me deve uma conversa. – Senti meu estomago revirar. É, eu ainda devo aquela conversa a ele.
- Oh, pensei que tivesse esquecido. – Eu disse coçando a testa em sinal de nervosismo.
- Você quer que eu esqueça?
- Não! – Falei rápido, aumentando um pouco o tom de voz.
- Então apareça lá em casa amanhã. – Ele abriu um pequeno sorriso no canto dos lábios.
- Tá bom, vou aparecer. – Sorri pra ele e depois o puxei para perto do pessoal.

Capítulo 09

Quando e já estavam sentados de forma indolente na cadeira, quando estava dançando tropicando pelo pub e escorregando algumas vezes no chão grudento de cervejas. Quando , , Ashley e a grande maioria já tinha ido embora. Eu, , e o casal perfeito resolvemos ir para casa.
Ao chegar, tomei um banho super gelado para tentar aliviar o peso que sentia em meus ombros e pernas. estava desmaiado de cansaço no sofá, feito um bêbado, e eu preferi deixá-lo ali mesmo.
Deitei na cama e inquietas imagens de tocando aquela música para mim invadiram minha mente. Fechei os olhos e senti as listras da minha boca se esticar. De novo, eu estava sorrindo para dormir.

- Espera ela acordar. Coitada ela se cansou ontem à noite.
- Eu também me cansei, mas já estou bem. Vamos acordá-la logo.
- Não, vamos esperar mais um pouco, ainda é cedo!
Ouvi algumas vozes perto demais. Não consegui identificar. Aliás, eu não consigo identificar nada ao acordar.
Me espreguicei na cama. Abri um pouco os olhos e vi dois vultos em cima da minha cabeça.
- Acho que ela está acordando.
- Claro, você fala alto demais.
Fechei os olhos de novo e sorri.
- Não, acho que ela está sonhando!
- Ah, não aguento. , acorda!
Começaram a me sacudir e fazer cócegas na minha barriga.
- Porra! – Resmunguei mal humorada.
- Acorda logo, estamos aqui há duas horas, eu acho.
- Exagerado!
Abri os olhos e identifiquei os vultos barulhentos: e .
- O que vocês estão fazendo aqui? – Perguntei me levantando rapidamente.
- Na verdade nós íamos te ligar, mas ficamos desconfiados de você inventar alguma desculpa – disse sentando-se em minha cama.
- Vamos à casa de praia dos pais do na praia do Tamariz? – perguntou dando gritos e pulinhos histéricos.
- Hmm... Quem vai?
- Todos! – me olhou sorrindo, esperando que eu mudasse minha expressão.
- Todos quem?
- , o vai, se é isso que você quer saber – disse rindo e também.
- Então... – Parei e fiz uma cara de pensativa. Eles esperavam minha resposta com sorrisos exorbitantes no rosto. – Divirtam-se! – Eu os desejei e vi os sorrisos desaparecerem. Deitei novamente e puxei a coberta. – Obrigada pelo convite.
- Não acredito que você vai fazer com a gente. – aumentou o tom de voz. – Agora só por que o está no meio, você não vai está?
- Eu fui ao pub ontem, não fui? – Rebati.
- E por que não pode ir lá com a gente hoje? – Ele foi mais rápido do que eu.
- Por que eu não quero. – Menti. Claro que eu gostaria de ir, mas quanto mais eu pudesse fugir da tal conversa com , eu fugiria.
- O que você vai fazer em casa, ? – intrometeu-se.
- Vou ficar com o meu namorado.
- Isso não está certo. – resmungou baixo. – E você sabe disso, mas insisti em continuar com essa coisa sem sentido – Óbvio que ele estava se referindo ao .
- Você está fugindo do ? – perguntou.
- A verdade? – Eles assentiram. – Estou.
- Por quê?
-Estou devendo uma conversa a ele.
- Que tipo de conversa? – pareceu curioso.
- Digamos que... Nós... e eu... Eu e ... Nos beijamos... Há alguns dias atrás... E ele quer conversar sobre isso. Sobre o nosso relacionamento, se é que pode ser chamado disso.
- Hmmm, então converse logo com ele. Aproveita esse passeio – sugeriu animando-se.
- Ele me chamou pra ir na casa dele hoje.
- Na praia é mais tranqüilo – riu.
- Vocês venceram. – Eu disse me levantando da cama e olhando para os sorrisos vitoriosos dos dois. – Vou chamar o .
- Ótimo, quase perfeito. – brincou. Ou não.
- Vamos te esperar lá em casa, marcamos com todos lá. Tudo bem?
- Ok, mas vocês pretendem voltar hoje mesmo?
- Claro que não. Querida, é praia! – gritou. Ela estava se contaminando com a doença do de ser escandaloso. – Nós queremos passar alguns dias... Cinco ou seis.
- Tudo bem então!
Ao saírem, comecei arrumando minha bolsa. Coloquei o básico que eu precisaria. Toalha, escova de dente, pente, maquiagem, algumas peças de roupa, chinelo e, óbvio, dois biquínis.
Tomei um banho gelado e me arrumei. Desci e encontrei o sentado no sofá.
- Amor... – Ele se levantou e em menos de segundos estava em minha frente. – Bom dia – Sorriu antes de beijar levemente meus lábios.
- Bom dia! – Disse sem me desgrudar de seu pescoço, totalmente entorpecida com seu cheiro tão suave.
- Achei uma boa idéia do de irmos para a casa de praia. – Ele disse ainda me abraçando.
- Eu também. Já arrumei minha bolsa.
- Você é rápida – Ele seguiu uma linha de beijos no meu pescoço até a minha orelha. – Eu ainda nem arrumei nada.
- Então vai arrumar – Sussurrei rindo ao sentir seus dentes morderem delicadamente minha nuca.
- Eu vou – Ele quis se soltar de mim, mas eu continuei com meus braços nele.
- Vai – Nós rimos.
- Vamos? – Ele passou os braços por traz dos meus joelhos e me carregou até o andar de cima.
Ajudei-o a arrumar a sua pequena bolsa. Homens geralmente não se preocupam com roupas, são desmazelados.
Em menos de vinte minutos já estávamos prontos. Liguei para avisando e também ao meu pai que havia saído pra pescar. Acho que ele ficou viciado nisso agora, virou um hoob.
Parei o carro em frente à casa de . Os carros de , , e também estavam ali.
Não precisei chamá-la na porta, logo abriu para nós.
- Que bom que vocês vieram! – Ele abriu um sorriso largo e me abraçou. – Entrem, estão todos aí. – Disse ao me soltar. me lançou um olhar indiferente e eu prendi uma risada.
- Até que enfim! – berrou ao nos ver entrando. – Só estávamos esperando por vocês. Podemos pegar estrada agora?
- É, podemos – respondeu.
me chamou para ajudá-la a fechar as janelas, enquanto e pegavam as malas. passou por mim e puxou uma mecha do meu cabelo.
- Oi, pequena – Ele me abraçou apertado e depois se afastou.
- Cadê o meu beijo? – Perguntei brincalhona. sempre beijava meu nariz e desta vez não o fez. Ele aproximou o rosto e meu coração deu um pulo até a garganta. Parou a boca perto da minha, mas depois subiu para o meu nariz e o beijou.
- É regra, né? – Ele sorriu e eu assenti tímida.
- Amor, vamos embora! gritou por e nós saímos de casa rapidamente.

Fomos o caminho praticamente todo em silencio. Eu estava com raiva pela divisão do pessoal. e eu no meu carro. e , e , e , e Ashley. A raiva me dominou de tal forma que dei a desculpa de que precisava prestar atenção na estrada para que não ficasse conversando comigo. Eu não estava bem. Por que a Ashley teve que ir no carro do ? Ela poderia muito bem ter ido com a prima dela no carro do . O que me pareceu é: todos os casais juntos. Casais. Pensar nessa palavra para com outra garota me deixava completamente transtornada.
Eu estava atrás do carro de - só ele sabia o caminho, pois a casa é dele – e isso me impedia de ver o que estava acontecendo no carro de , porque atrás de mim estava o carro de .
Eu tentava imaginar em uma cena tranqüila quando chegasse à casa de . Fincar minhas unhas no pescoço de Ashley não seria muito legal. Esforcei-me ao máximo pra pensar em coisas boas e senti meus dedos relaxarem um pouco no volante.
fez um sinal para que parássemos. E paramos.
- Vamos tomar um café, depois continuamos a viajem. – Ele disse quando eu abaixei o vidro.
- Vamos, amor? – me chamou. Eu acho que não seria uma boa idéia eu ver a cara da Ashley sorrindo pro agora.
- Vou ficar te esperando aqui.
- Tudo bem. – Ele disse ao sair.
Pulei para o banco do carona. Com tanta raiva, eu poderia provocar um acidente ou algo assim. Eu pediria ao para dirigir.
Inclinei um pouco mais o banco para trás e relaxei a cabeça no encosto. Logo em seguia ouvi alguém batucando o vidro da janela. Abri os olhos e era .
- Não vai comer nada, pequena? – Ele perguntou franzindo o cenho.
- Não estou com fome. Estou com sono. – Fechei os olhos novamente e a porta se abriu.
- Você está bem? – Assenti ainda com os olhos fechados. Senti-o segurar em minha mão e beijá-la.
- Quero dormir pra ficar com energias quando chegar lá. – Abri os olhos e o vi olhando para mim sorrindo. – O que foi, ?
- Nada. – Ele beijou meu nariz de novo.
- Você é estranho. – Ele ainda segurava minha mão. Olhei para o lado e vi e todo o resto na cafeteria, com exceção de Ashley que estava escorada no carro ao lado do meu, olhando para nós. Soltei o ar pesadamente e apertei os olhos com força. Eu pude sentir as lágrimas traiçoeiras querendo chegar até meus olhos, pois a imagem dela e de no carro apareceram em minha mente.
- Você também é.
- Me deixa dormir, . – Arrependi-me de ter dito “”. Eu só falo assim quando estou brava ou algo do tipo. Soltei nossas mãos e me virei.
- Você está me mandando sair daqui? – Ele perguntou de um jeito divertido.
- Estou. – Eu respondi grosseiramente. – Até daqui a pouco.
Ouvi o barulho da porta se fechando e abri um pouco os olhos. Ele saiu em direção a Ashley e eu não consegui ver a expressão em seu rosto. Fechei os olhos novamente e desejei dormir rápido.
- ! – Escutei a voz de me chamar. Cocei os olhos e os abri.
- Chegamos? – Perguntei bocejando.
- Chegamos – Ele me deu um selinho e abriu a porta pra sair.
- Dorminhoca! – gritou ao ver minha cara, provavelmente amassada.
Carregamos as malas até os quartos. Havia apenas cinco quartos. Então decidiu que nos três quartos do andar de cima ficaria: ele e . Ao lado: e eu. E no outro: e . Nos dois quartos do andar de baixo ficaria: com Ashley e com . Isso me tranqüilizou bastante.
Arrumamos as coisas e logo , , , e Ashley foram tomar banho na piscina. ligou uma churrasqueira e ficou ajudando-o. Eu estava sentada na cama do quarto de , enquanto ela terminava de guardar as roupas no guarda-roupa. E devia estar em seu quarto, eu acho.
- quer fazer um luau na praia hoje – Ela disse animada.
- É uma ótima idéia – Tentei parecer animada também.
- Mas acho que você não deveria ir. Nem você e nem o . – Ela riu, estava armando alguma coisa.
- Por quê?
- Porque vocês têm que conversar – Ela começou a explicar, mas eu a interrompi.
- E você acha que vou conversar com ele sendo que o meu namorado está aqui?
- Ele não vai está aqui quando vocês forem conversar. – Ela fez uma cara de desdém e deu de ombros.
- Como assim? O que você está tramando, ?
- Na verdade isso foi invenção do . – Ela fechou a porta do guarda-roupa e sentou ao meu lado. – Ele vai deixar o bêbado, assim você e podem passar um tempo conversando sozinhos. – Disse como se isso fosse a coisa mais normal do mundo.
- Vocês ficaram doidos? E as outras pessoas que podem nos ver? E a puta da Ashley?
- Calma, colocou a mão no meu ombro e eu percebi que tinha aumentado o tom de voz.
- Isso é errado, amiga – Eu choraminguei. – Eu quero ficar com o , mas também amo o .
- Sim, é errado, mas é o que você pode fazer, né? – Ela me abraçou. – Não tem como você tomar decisões sendo que não resolveu nada com o ainda. Converse com ele, dê uma oportunidade.
- Tem razão. – Separamo-nos e ela sorriu.
- Então vamos seguir com o plano?
- Vamos!
- Então hoje à noite você e vão para o luau com a gente. Nós bebemos, menos vocês dois é claro. Depois que o estiver bêbado o suficiente, voltem para cá e conversem ou vão para outro lugar, não sei. Mas não se preocupe com o . – Ela riu e eu assenti não sabendo se era mesmo certo prosseguir com esse plano ridículo.
- Você vai combinar isso com o pra mim, não vai?
- Claro, eu vou te poupar dessa.
- Obrigada – Abracei-a novamente e logo em seguida fomos trocar de roupa.
Coloquei um biquíni azul marinho e um óculos. Olhei no espelho e reparei algumas gorduras a mais. Bufei e desci mesmo assim.
- combinou comigo. – Ouvi a voz de atrás de mim quando eu ia começar a descer a escada. Virei a cabeça para olhá-lo. Ele estava inexplicavelmente lindo com uma bermuda xadrez azul clara. Eu não consegui esconder um sorriso e ao ver o meu, ele sorriu também. – Você está com energia? – Ele perguntou se aproximando e eu me lembrei da minha desculpa lá no carro.
- Estou, dormi bastante na viajem.
- O suficiente para mais tarde? – Seu sorriso alargou-se e ele me empurrou de leve para eu descer.

Capitulo 10

- Sim, o suficiente para o luau – Me fiz de idiota.
- Legal – Ele disse perto do meu ouvido e, sem me dar conta, passou os braços por trás dos meus joelhos e saiu correndo para a piscina.
- Por que você sempre faz isso comigo, ? – Perguntei chorosa, batendo em seus ombros. – Me solta!
- Porque eu simplesmente adoro quando você fica brava – Ele riu e se aproximou da piscina, deixando-me em uma posição pronta para me soltar.
- Não faz isso, merda – Apertei os olhos e me segurei em seus braços. Eu não quis nem imaginar a cara do nesse momento.
- Ta, dessa vez eu v... – Antes que ele pudesse terminar, caímos na água extremamente gelada da piscina.
- Quem foi o infeliz? – Eu perguntei ao aparecer na superfície. apontou rindo para e ele apontou para . – Não teve graça!
- Porra, que água gelada! – berrou quando saiu do mergulho.
- Vamos jogar aqueles dois filhos de uma puta aqui? – Perguntei baixinho para . Ele assentiu rindo e saiu da piscina, me ajudando logo em seguida.
Fomos para perto da mesa, onde estavam algumas toalhas e e também.
- Sabe, , a água nem está tão gelada! – berrou e o empurrou para a borda.
- Sai, cara! – Ele disse tentando se livrar dos braços de . foi até eles para empurrá-los.
e caíram na piscina, enquanto ria descontroladamente da cena. Eu me aproximei cuidadosamente e o empurrei, fazendo todos rirem também.
- , você é um idiota. O plano era para apenas e caírem. – Eu disse rindo.
- É, eu sou idiota. – Ele estendeu a mão para mim. – Então me ajuda a sair daqui? – Eu dei a mão e... É, me puxou para a piscina. Água gelada de novo. Como pude cair nessa?
- Você também é uma idiota – Ele riu e eu comecei a espirrar água nele.
- Vocês estão jogando toda a água fora! – Ashley, pela primeira vez, gritou.
- E eu ainda quero tomar mais banho – disfarçou.
- Quer ser empurrado de novo? – perguntou se aproximando e ele correu para perto da churrasqueira.
- Asquerosa – Resmunguei baixo, mas talvez não o suficiente para não ouvir. Ele soltou um risinho e saiu da piscina.

Depois de tanto empurra-empurra, passamos o resto da tarde comendo carne. Alguns na piscina, alguns na mesa, alguns bebendo cervejas, alguns, como , incentivando alguns, como , a beber mais. Eu e riamos da cena. Eu me sentia bem e ao mesmo tempo mal. Bem porque iria conversar com . Mal porque sabia que trairia o . E me sentia o ser mais sujo e covarde do mundo inteiro.
- Você quer a minha lingerie emprestada? – perguntou idiotamente, enquanto estávamos nos arrumando para o luau.
- Nós vamos apenas conversar – É o que eu pretendo, eu acho.
- Então ta – Ela ironizou.
- Vamos logo – Apressei-a enquanto terminava de me olhar no espelho.
Descemos para a sala e todos, com exceção de Ashley e , estavam devidamente arrumados. vestia uma bermuda florida e camisa branca. estava parecido: camisa colorida e bermuda branca. Fui dar um selinho nele e senti um cheiro forte de bebida sair de sua boca. Ele estava meio lesado. Sentei-me ao seu lado para esperar as benditas. Para mim, Ashley não precisava ir.
Depois de alguns minutos tediosos, elas apareceram. Ashley estava vestindo uma roupa super curta, ela estava praticamente nua e, claro, não conseguiu deixar “aquele” olhar pra depois. Eu bufei, peguei o braço de , que não estava conseguindo se mover muito bem, e saímos em direção à praia.
e estavam bastante animados, ele levava dois violões e ela uma bolsa com comidas.
Chegamos ao local, estava frio e ventava bastante. estendeu várias cangas na areia, acendeu uma pequena fogueira com um isqueiro e, finalmente, nós podemos nos sentar e relaxar. e tocaram, enquanto cantava. não saiu de perto do , e os dois começaram a beber. Eu olhei para ele que piscou para mim. Eu conhecia muito bem o , ele não estava bebendo absolutamente nada, só enganava com aquele copo de cerveja na mão e fazia o pobre do beber sem ter tempo para respirar.
Eu abaixei a cabeça, apertei os olhos e respirei fundo. Minhas mãos já começavam a suar ao pensar que em minutos eu estaria com . Minha barriga começou a formigar de nervosismo. Minha mente estava rodando. Eu não sabia se era certo fazer isso, em parte era, mas em outra não.
Tanta coisa aconteceu nesses últimos meses, foi tudo tão rápido que eu nem consigo acreditar que estou vivendo de tal forma. sempre foi um viciado por sexo e de repente muda quando eu fico longe e trago um namorado.
Eu sempre o amei e confesso que quando estava em Texas, o me fazia esquecer a existência de . Isso me deixou animada, eu pensei que tivesse encontrado o cara certo, o que me faria esquecer o meu melhor amigo galinha. Mas, não, estando todo esse tempo com , ele me fez sentir coisas boas, mas acho que não podem ser chamadas de boas quando se comparam com .
- ... – Despertei ao ouvir a voz de .
- O que? – Eu disse em um sussurro. , e continuavam tocando.
- O acha que já é a hora. só está falando merda com ele.
- Tudo bem, mas enquanto a Ashley?
- Ashley? O que tem a Ashley a ver com isso? – Ela perguntou franzindo cenho. Será que é só eu que vejo coisas entre a vadia e o ?
- Ah, por favor, vai negar que ela ta afim do – Fiz cara de desdém.
- Eu não sei disso, . Acho que você está ficando paranóica.
- Talvez – Dei de ombros.
- Então, vai indo na frente que eu vou falar com o . – Meu coração deu um pulo ao escutar seu nome.
- Certo – Eu disse simplesmente e me levantei.
Eu estava caminhando devagar, sentindo que todas as partes do meu corpo tremiam de nervosismo. Ouvi passos perto de mim e suspeitei ser .
- ... – Ele me chamou.
- Então... Onde você quer conversar? – Perguntei corando de imediato.
- Lá na casa do , todos vão voltar só de manhã mesmo – Ele deu de ombros. Estava nervoso também, eu podia sentir. Assenti e começamos a caminhar em silêncio, não era tão longe, por isso não estávamos com pressa. Nós dois sabíamos o que aconteceria essa noite. E eu estava decidida do que iria fazer.

(’s POV)

Meu corpo inteiro estava tremendo. Eu não preparei nada para falar com ela. Na verdade, eu nem sabia o que iria dizer, como explicar, como convencê-la de que eu a amo e que mudei. Não sei como começar, mas sei como quero terminar. E espero que o meu desejo seja o mesmo que o dela.
Chegamos à casa que estava totalmente apagada. me disse que iria guardar a chave dentro de um pote de flor perto da entrada. Tive que afundar a mão na terra, mas consegui achar a chave. Ele me pagaria por isso.
Sentei no sofá e sentou no outro. Olhei para o seu rosto e fiquei totalmente e incrivelmente perdido. Ela conseguia me deixar mais nervoso olhando pra mim.
- É... , eu... Bem, eu... Ah, é, na verdade, eu... – Começar foi mais difícil do que eu havia imaginado.
- Calma, – Ela soltou um riso discreto.
- A verdade é que eu não sei como começar – Confessei. Cravei os dedos no cabelo e o puxei. Nervosismo. Isso teria que ficar longe de mim, pelo menos essa noite.
- Comece pelo começo – Ela deu de ombros fazendo uma cara de desdém. Nós rimos, os dois estavam tensos.
- Qual é o começo? – Perguntei, sentindo minha voz querer falhar.
- O começo é há dezoito anos. Quando nos conhecemos ainda pirralhos e eu me apaixonei – Ela disse olhando fixamente nos meus olhos. Eu me levantei de onde estava e sentei ao lado dela. Era impossível desconectar-me daquele olhar.
- Eu fui burro de não perceber o que sentia por você antes. Olha, dezoito anos! – Eu segurei em suas mãos. Estavam geladas demais. – Há tanto tempo que nos conhecemos e eu sempre estive procurando coisas em outras garotas, não sabendo que o que eu sempre precisei está com você – Ela respirou fundo quando terminei de falar.
- Esse tempo que você ficou procurando coisas em outras garotas foi quase o bastante para me fazer desistir de você – Eu senti uma pontada no coração. Desistir, a palavra que eu jamais gostaria de ouvir sair da boca dela em relação a nós.
- Então... É isso? Você desis...desistiu? – Cocei a garganta e engoli em seco. Eu já conseguia sentir o grande nó de lágrimas querendo se formar.
- Eu disse quase – Ela sorriu e apertou minhas mãos. Respirei aliviado e sorri também.
- Sabe qual é a minha dúvida? – Comecei e a vi negar com a cabeça. – Por que você está com o ?
- , quando eu saí daqui pra fazer o curso, eu estava muito mal. Eu chorava por você praticamente todas as noites. – Ela hesitou ao lembrar. – Eu não estava suportando mais aquilo, te ver e nunca consegui dizer o que eu sentia, saber de todas as garotas que você ficava e tudo mais... Quando conheci o , ele me fazia tão feliz que eu não tinha tempo pra pensar mais em você – Ela falava olhando nos meus olhos, nem por um segundo desviamos o olhar. – Mas quando voltei pra casa, te encontrei... E tudo voltou a ser como antes. Ou nem tudo, porque o estava lá comigo quando eu chorava... Tinha que mentir, pois ele sente um ciúme enorme de você... Enfim, é um pouco doloroso dizer isso, mas o é o meu refugio. É aquele alguém que eu sei que jamais me abandonaria ou me trairia... E você... Ah, , a vida toda você foi um galinha e...
- Eu te entendo perfeitamente – A interrompi antes que ela começasse a me xingar e talvez a raiva subir sua cabeça e estragar os meus planos. – Mas eu mudei. Você sabe que eu mudei, só está com medo de acreditar nisso. Mas, por favor, será que você não pode me dar uma chance? – Meus olhos estavam queimando. Eu ia chorar. E implorar se fosse preciso.
- Eu amo você, . E não importa o que aconteça, eu sempre vou te dar chances – Lágrimas de seu rosto começaram a escorrer e pingar em nossas mãos entrelaçadas. Ela sorriu. O sorriso mais sincero e mais feliz que eu já a vi fazer.
- Eu não vou precisar de mais chances. Não vou te decepcionar – Abracei-a apertado, querendo desmontá-la totalmente. soltou todo o choro engasgado de sua garganta, deixando soluços altos escapar.
- Eu não quero viver sem você – Eu disse quando nos soltamos do abraço. Seu rosto estava completamente vermelho e suas lágrimas pretas por causa da maquiagem. – Eu não posso viver sem você – Encostei minha boca em sua bochecha, sugando as gotas salgadas. – Eu jamais conseguiria viver sem você, – Ela passou a mão no meu rosto, limpando minhas lágrimas que saíram despercebidas por mim.
- Eu te amo – Ela disse antes de eu unir nossos lábios.
Senti uma alegria inexplicável dentro de mim. Era como se nós estivéssemos nos beijando pela primeira vez.
Não precisei pedir passagem, ela abriu a boca devagar e logo nossas línguas já estavam se entrelaçando, matando toda a saudade de se abordarem novamente. Ela colocou as pernas em volta da minha cintura, uma de cada lado, e sentando-se em meu colo. Deslizei minhas mãos por elas, apertando-as e fazendo sussurrar meu nome entre os beijos.
Eu pensei em procurar o zíper do sutiã dela, mas não ultrapassaria seus limites. A menos que ela ultrapasse. Eu não sabia se ela e já haviam tido relação, não sabia se ainda era virgem e estava com medo de perguntar.
Ela desgrudou nossos lábios e desceu seus beijos para o meu pescoço, seguidos de chupões que, com certeza, teria marcas ali amanhã. Colocou suas mãos geladas na borda da minha camisa e a puxou, jogando-a para trás. Olhamo-nos em questão de segundos e voltamos a nos beijar. Novamente suas mãos estavam em mais uma peça de roupa minha.
- Não vamos esquecer-nos dessa noite. É o nosso verdadeiro começo – ela disse quando soltou nossos lábios, antes mesmo de eu perguntar.
Ela desabotoou minha calça e se levantou para que eu tirasse e a jogasse em algum canto. Aproximei-me e peguei seu rosto com as minhas mãos para olhar diretamente em seus olhos e mordi seus lábios. Estremeci quando senti o hálito quente de sua boca. Ela soltou um gemido baixo e fechou os olhos, eu me impulsionei contra seu corpo e seus dedos encontraram meu cabelo bagunçado, desarrumando-o ainda mais quando puxou com força os fios. Escorreguei minha mão para suas coxas, levantando o tecido fino de seu vestido indo ao encontro de uma peça intima que me incomodava.
- Eu sou louco por você – sussurrei enquanto passava minha língua pelo lóbulo de sua orelha, dando leves mordidas, e descendo para a pele quente de seu pescoço até, finalmente, chegar ao decote de seu vestido. Beijei e suguei sutilmente toda a região perto de seus seios. Surpreendi-me quando suas mãos me interromperam e rasgaram a parte da frente, onde havia quatro botões. Olhei para ela e a vi sorrir de uma forma totalmente maliciosa.
Eu não consigo me lembrar de nenhuma vez sequer que me senti tão excitado. Já havia estado com muitas mulheres em minha vida, mas só me mostrou o que é realmente estar com uma mulher. Ela me ensinou a amar.

Capítulo 11
(’s POV)

Nunca imaginei que a minha primeira vez seria com . A verdade é que eu sempre desejei, mas nunca me passou, realmente, pela cabeça que eu conseguiria isso.
E também não imaginava que era tão torturante sentir seus toques provocantes. Por que ele não acaba com essa brincadeira e faz logo de uma vez?
Há essa altura eu não corava mais, não tremia e nem me preocupava mais, eu só queria senti-lo dentro de mim. Era tudo o que eu precisava.
continuou beijando meu colo que ainda estava coberto pelo meu sutiã irritante. Encostei minha cabeça no sofá enquanto ele trilhava um caminho de beijos, lambendo o sugando minha pele.
Seus dedos puxavam e soltavam o elástico da minha calcinha, até sua boca, enfim, chegar a ela. Mas ele não a tirou, ficou mordiscando perto da minha virilha e eu sussurrei seu nome algumas vezes até consegui falar.
- ... Pare de ser mal comigo – eu mordi os lábios e ele soltou uma risada abafada.
Eu levei minhas mãos até suas costas e desci para sua box, tirando-a em uma rapidez totalmente desconhecida por mim.
Ele tateou o chão à procura de sua carteira, eu acho. Pegou alguma coisa que fazia um barulho de plástico e eu desconfiei ser uma camisinha.
Olhei para ele enquanto colocava a camisinha e fechei os olhos. encostou seus lábios nos meus e eu sorri. Todo o medo foi embora quando o senti dentro de mim.

CONTINUA...



Algo gelado roçou a pele da minha bochecha com leveza. Uma aura quente instalou-se em meus lábios. Sorri com isso e abri os olhos devagar. Encontrei o rosto de perto do meu e sorrindo para mim. Tudo estava escuro em nossa volta, eu não tinha noção de tempo, e nem queria ter. Meu cérebro registrou cada mínimo detalhe do acontecimento mais esperado por mim durantes todos esses anos. Meu corpo estava leve, senti-me flutuando quando encontrei o olhar de . Seu olhar dizia “eu te amo” a cada segundo. Era impressionante. Simplesmente indescritível.
- Acho que estou sonhando – ele sussurrou ainda com aquele sorriso perfeito estampado em seu rosto.
- Estamos no mesmo sonho então – eu beijei a ponta de seu nariz, como faço sempre. – Que horas são, hein? – tentei não parecer preocupada em relação a isso para o meu próprio bem.
- Quase três e meia da manhã – ele disse devagar enquanto começava a traçar um caminho de beijos até o meu colo nú.
- Acho que não temos mais tempo – bufei. Ele fez o mesmo e deitou ao meu lado.
- ... Quando você vai ser minha? – perguntou com a voz diferente. Olhei para ele que estava fitando o teto com as mãos na testa.
- Eu já sou sua – encostei meus lábios nos dele, apenas para senti-lo mais perto. – Eu sempre fui sua – dei-lhe um selinho não tanto demorado e voltei a minha posição.
- Eu sei – ele riu. – Mas e o ?
- Eu não sei nem o que pensar... Mas é claro que não vamos continuar juntos. Preciso terminar com ele numa boa... – suspirei. Iria ser complicado.
- Humm...

- , você terá que ser compreensivo. É impossível, pra qualquer pessoa, parar de gostar de alguém da noite para o dia. - Acho que mereço esperar você por mais algum tempinho – ele riu. – Você não acha?
- Acho... E acho também que devíamos tratar de voltar para o luau – levantei-me sem vontade e comecei a procurar nossas peças de roupas. Ele respirou fundo e concordou, ajudando-me com as roupas.
Depois de nos vestirmos, tentamos arrumar a sala do jeito que estava antes de tudo acontecer. Apesar da minha primeira vez ter sido maravilhosa, era estranho ter que vestir as roupas e voltar para encontrar com nossos amigos como se nada tivesse acontecido. Eu me senti triste de não poder ficar com Dougie por mais tempo, de ter que esconder das pessoas que estávamos juntos. Tecnicamente juntos. E, por incrível que pudesse parecer, eu me sentia mal por trair o Bernardo. Ainda o amava, apesar de tudo. Ou talvez “amar” não seria uma boa palavra para me referir a ele, mas ainda sentia algo forte dentro do meu coração. Não tão forte como sentia por , mas ainda era forte.
Estávamos andando lado a lado, mas mantendo uma distancia cautelosa um do outro. parecia estar perdido em pensamentos, e a tristeza e a felicidade estavam bagunçadas no meu cérebro.
- Você está arrependida? – ele perguntou de repente.
- Claro que não! Por que está me perguntando isso? – disse eu, chateada.
- Você não parece feliz – ele estava olhando para seus pés.
- Eu estou, mas é complicado... Você sabe, não é?
- É eu sei – sua voz estava desanimada.
- Eu te amo... E você também sabe disso – eu disse com sinceridade, esperando que seu humor mudasse, e o abracei de lado.
- Sim, só que às vezes tenho dúvidas – o tom desanimador ainda estava funcional.
- ...
- Ariane, eu não consigo acreditar que você gosta mesmo do Bernardo – ele me interrompeu.
- Por incrível que pode parecer... – suspirei. – Mas não mais que você!
- Para com isso, ! – ele disse indignado.
- “Parar”? – aumentei um pouco o tom de voz. – Você não acredita em mim? Nos meus sentimentos? – comecei a ficar desesperada, sentindo algo crescendo em meu peito. Acho que o pânico.
- Me responda você – ele me desafiou. – Coloque-se no meu lugar e me diga se devo ou não acreditar - engoli em seco.
- Você não precisa ter dúvidas – eu não queria admitir que ele estava certo, que ele tinha razões para reagir dessa maneira. Eu estava errada.
- Por quais motivos eu não preciso ter? – ele parou de andar e cruzou os braços diante de mim. Eu fiquei sem resposta, não havia nada que eu pudesse falar. – Era o que eu imaginava! – agora sua voz parecia estar carregada de ódio e eu já podia sentir as lágrimas caminhando para sair pelos meus olhos.
Ele voltou a andar, mas para o caminho oposto à praia. Para a casa do Danny.
- Espera! Não fique desse jeito comigo – as lágrimas começaram a jorrar de meus olhos, mas isso não o sensibilizou.
- Escuta... Eu tive a melhor noite da minha vida com a mulher por quem eu sou completamente louco e apaixonado. Fiz o melhor que pude, entreguei-me todo por amor para que ela também pudesse ter uma noite maravilhosa, a sua primeira vez perfeita – ele fungou, mas nenhuma lágrima caía de seus olhos, ao contrário de mim. – E depois de tudo ainda tenho de escutar ela dizer que ama o seu namorado – ele não parecia estar respirando, seus lábios se movimentavam em uma rapidez incoercível. Eu continuei em silencio, ouvindo tudo com muita atenção. – Então, , não me passa pra ficar “desse jeito com você” – terminou ele, dando as costas novamente e me deixando sem resposta.
Fiquei parada no meio da rua, vendo-o se afastar de mim. Minha cabeça estava rodando. Eu não conseguia pensar em nada coerente.
- Ei! – consegui gritar. Ele parou e virou a cabeça para me olhar, eu comecei a correr até alcançá-lo. – Aonde vai?
- Para casa – ele respondeu rudemente e voltou a andar. Dessa vez eu o acompanhei.
- O pessoal deve chegar logo. Não vamos voltar para o luau?
- Acho que você não me entendeu – ele respirou fundo e soltou devagar. – Eu vou voltar para minha casa. Você pode ir para o luau se quiser – deu de ombros levemente.
Eu não estava entendendo nada. Ele ficou dessa maneira por causa do Bernardo? Assim de uma hora para a outra. Então não adiantou nada termos tido aquela conversa e feito amor?
- Por que você vai embora? – franzi o cenho, minha mente estava mais confusa que qualquer outra coisa. – Só por causa do Bernardo?
- Além de tudo o que acabamos de conversar... Eu não suportaria ver vocês juntos... Ele tocando no seu corpo depois de eu ter tocado de uma maneira tão íntima, depois de ter tido você inteiramente pra mim... Eu simplesmente não conseguiria aguentar.
Ele soltou tudo em um sopro, tão rápido que eu não conseguia acreditar que ele estava mesmo dizendo essas coisas.
De novo eu fiquei sem saber o que dizer. De novo ele tinha razão. E de novo eu tinha que admitir para mim mesma que errei.
O silencio durou por poucos minutos, até eu ouvir sua voz novamente.
- Acho que nunca seremos mais que amigos – eu arregalei os olhos com suas palavras. Como ele podia estar dizendo aquilo para mim?
- O que? NÃO! Não, ! Você não pode dizer isso – comecei a gritar no meio da rua e a chorar feito uma criança sem seu doce favorito.
- Chega, ! Eu cansei de ouvir suas indecisões pelo Bernardo. Cansei de ser a segunda opção, aquele que está sempre compreendendo e esperando tudo. EU CANSEI – ele gritou de volta, fazendo-me gemer de angústia.
- , eu sei que eu errei, mas ainda a tempo de concertar – senti que eu estava implorando.
- Que bom que você descobriu a grande culpada dessa história!
- Você também tem culpa nisso! – gritei furiosa. – A vida inteira eu te esperei, enquanto você ficava por aí trocando de mulher a cada semana – minha cabeça já começava a pesar e as lágrimas não queriam cessar.
- Sim, eu fiquei com várias mulheres. Mas por um acaso estávamos juntos? Éramos amigos, nunca tínhamos no beijado e você nem se quer demonstrava algo a mais por mim. Não venha tentar repartir a culpa comigo, !
De novo fiquei em silencio. Pelo o que eu iria protestar?
Ele desviou os olhos tristes dos meus e, novamente, voltou a andar para o caminho da casa de Danny.
Eu não o impedi. Eu não disse nada. Não havia justificativas para eu fazer isso.
Eu estava errada. Ele não. Somente eu.
(’s POV)

Minhas pernas moviam-se sem o meu controle, sem a minha vontade. Mas eu não me permitir olhar para trás e nem se quer parar de andar. Eu não podia me render perdoando-a mais uma vez. Embora eu quisesse, teria que sentir-se mal pelo menos por algum tempo, talvez assim ela tomasse a coragem de decidir o que realmente quer. Ou eu, ou o idiota do Bernardo.
Reprimi minha preocupação de ter a deixado sozinha na rua e chorando. Por um lado eu queria ir até lá e pedir desculpas, mas quem devia fazer isso era ela e não eu. A cada vez que eu pensava nisso, parecia que a raiva dominava meu corpo e aumenta mais os meus batimentos cardíacos. Eu só precisava ir embora. Chegar ao meu apartamento e beber.
Avistei a casa escura de Danny e comecei a correr. Quando cheguei, peguei a chave dentro do balde de planta, e me lembrei de como eu estava tenso quando fiz isso há algumas horas atrás com . Abri a porta e as imagens de nós dois juntos invadiram minha mente quando eu observei a sala completamente arrumada. Suspirei e sacudi a cabeça, tentando me livrar daquelas imagens pelo menos enquanto estava ali. Enquanto eu ainda tinha a opção de voltar àquela rua e ficar com ela. Peguei a chave do meu carro que estava pendurada atrás da porta e subi para pegar minha mala. Depois de ter colocado tudo no porta-malas. Tirei o carro da garagem, tranquei a casa e coloquei a chave no mesmo pote de plantas. Arranquei com o carro para a estrada de volta para casa, tentando não pensar em chorando na rua.
Enquanto dirigia, percebi que a estrada estava sem sinalização em alguns pedaços, e liguei o farol alto para poder enxergar melhor a pista.
Minha mente estava rodando em preocupação e culpa. Mas eu não devia sentir-me culpado. Tentei convencer a mim mesmo que talvez ou tivessem encontrado e que nesse momento estavam com ela: consolando-a e, provavelmente me xingando.
Meu cérebro conseguiu imaginar a cena, mas meu coração não o deixava aceitar essa hipótese.
Senti minha garganta se fechando e não conseguir impedir que as lágrimas caíssem dos meus olhos. Deixei que todo o choro saísse.
- Por que tem que ser assim, ? – eu disse sozinho, e minha voz estava trêmula.
Por quê? Por que meu coração quis amá-la? Estávamos felizes sendo amigos. A vida estava caminhando de um jeito normal, e agora parecia estar desordenada.
- Que droga! – resmunguei, apertando os olhos com força e batendo a cabeça no volante.
Ouvi um barulho de buzina e imediatamente levantei a cabeça, sendo cegado por uma luz intensa e amarela. Tentei virar o volante para a direita, mas antes que eu pudesse conseguir, em um estouro e minhas vistas ficaram escuras.

Continua...

.:Nota:. Oi gatinhas! Desculpem-me pela demora, mas agora o tempo está curto para eu escrever. Estou tendo aulas à tarde e aos sábados, além de ter simulado aos domingos /tenso
Gente, gostaram desse mini-capitulo 11? Eu até queria enviar mais, porque já escrevi uma boa parte aqui, mas essa "boa parte" é do cap 12 e eu ainda não terminei ele, então... Por favor, esperem só mais um pouquinho, na quarta-feira que vem, é feriado - pelo menos aqui no ES - e eu não vou ter aula \o/ *viva* daí eu envio na quarta e logo atualiza, ok? *-*
Ah, e eu mudei completamente os planos da fic. Antes eu ia seguir a idéia da minha amiga Lari, mas como iria ficar super grande, eu preferi mudar o caminho da fic e encurtar, pois, como eu disse, não estou com muito tempo pra escrever, e além de OBF ainda escrevo mais duas fics, então eu pensei em uma coisa bem legal, e espero que vocês gostem. PREPAREM-SE PORQUE OBF ESTÁ CHEGANDO AO FIM!
Bem, é isso.... Obrigada pelos comentários da att passada, por todas as meninas que estão lendo OBF desde o inicio, desde o FFADD, muito obrigada mesmo, meus amores! Continuem comentando :D

Minhas outras fics:

Carpe Diem (McFly/ Em andamento)
5 Desejos à Flor da Pele (Restrita/ Em andamento)

Comunidade de OBF!

Enfim, se encontrarem algum erro avise diretamente a mim: arianeav@gmail.com ou @anepoynter. Obrigada!
xx, até breve.

comments powered by Disqus