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Prefácio:

Enquanto corria mal podia sentir o vento batendo em meu rosto e meus pés encostando no chão. Não conseguia ver nada. E novamente me senti como Bella, quando Edward disse que iria embora, só que eu tinha um rumo.
Quando cheguei ao lugar destinado olhei ao meu redor, minha visão estava bem embaçada por causa das lágrimas que desciam descontroladamente. Fechei meus olhos e a imagem deles se beijando veio novamente a minha mente. Deixei que mais lágrimas escorressem e abri novamente meus olhos. O céu estava praticamente negro, suas nuvens assumiam uma cor arrochada, qualquer que fosse o planejamento da natureza para aquele dia, eu não estaria viva para ver, eu tinha praticamente certeza. O cheiro do mar invadia minhas narinas e me causava náuseas, logo aquele cheiro não existiria mais, ele estaria dentro de mim. Não olhei para baixo, não queria perder a coragem.
Fechei meus olhos novamente e pensei no que ia mudar depois que tudo desse certo – ou errado, os dois termos estão corretos. Os Volturi não teriam motivos para uma guerra, ninguém morreria por me proteger. Meus pais e meus amigos no Brasil não sentiriam minha falta, e não haveria mais mentiras. Eu sabia que aquilo era a coisa certa a ser feita. A partir da minha decisão tudo voltaria a ser como era antes: perfeito.


1- Verdadeira família

-, você vai mesmo viajar? Tem certeza que não quer fazer uma festa? - Daniel perguntou, esperançoso.
-Mesmo se eu quisesse, Dani. Não dá mais tempo e minha viagem já esta praticamente comprada. - eu disse, sem tirar os olhos da Tv.
-Eu tentei dizer à ela pra fazer uma festa... Mas ela num me ouviu. - Luis Henrique falou, também não tirando os olhos da Tv.
Estávamos jogando Guitar Hero e qualquer erro poderia destruir ou eu ou o Luis. Mas mesmo assim meus dois amigos Luis e Daniel não tiravam este treco da festa de 15 anos da cabeça. Eu já havia me decidido, não iria mudar de opinião só para deixá-los felizes.
- Eu acho que fazer uma festa seria melhor, . -Mariana falou, chegando à sala com uma vasilha de pipoca.
- Ah, eu viajaria! - Ana Clara deu sua opinião, como fazia raramente.
- Olha, , é melhor ter uma noite sendo a estrela principal, do que ficar 15 dias num lugar que ninguém te conhece.
-Você não iria querer ser a estrela principal se fosse tão destrambelhada quanto eu.
-E...GANHEI! -Luis Henrique ficou em silêncio olhando pra televisão enquanto eu pulava pela sala comemorando minha vitória.
-Uma destrambelhada que ganhou de mim no Guitar Hero... - Ele falou se levantando e dando lugar ao Daniel.
-De novo... - eu completei, sorrindo e pegando meu controle.
Pude ver a careta do Luis Henrique pelo reflexo da TV e então ri. Assim que a música começou a campainha tocou.
-Droga... atende lá, Luis!
Eu falei já sabendo que o Luis conhecia todos da minha família. Ele se levantou e foi até a porta, então voltou.
-... é um casal que quer falar com seus pais.
-OIAI! - Eu reclamei e dei pause no jogo.
Levantei com muito custo da minha almofada macia e fui até a porta. Assim que cheguei lá fora abracei meu corpo com meus braços tentando tampar um pouco do frio cortante.
-Oi. - eu disse assim que percebi que não conhecia o casal.
-Olá, nós queremos falar com a Germana e com o Júnior. É um assunto muito importante. _ O homem falou baixo, mas eu consegui escutar.
-Eles só foram à padaria, já devem estar voltando... Por que não esperam aqui dentro? Está muito frio aí fora.
-Tudo bem. - o homem falou novamente.
Eu saí pulando pela sala até a cozinha, onde o interfone ficava. Eu abri para eles e voltei pulando, para a minha surpresa eles já me esperavam dentro da sala. A mulher tirou o gorro e eu pude ver seu rosto. Nossa, meu queixo caiu. Ela tinha o rosto mais bonito que eu já tinha visto. UAU! E O do cara então... nem comento. Ele parecia um artista de Hollywood. Os dois tinham a pele branca como gesso e o rosto não tinha nem um sinal de envelhecimento - digo, rugas ou coisas do tipo. O cabelo da mulher era caramelom caindo em cuidadosas ondas até um pouco antes dos seios. Já o cabelo do homem era loiro e curto, levantado casualmente.
-Ham... Como vocês disseram que se chamam?
-Nós não dissemos... - a mulher disse com uma voz doce e suave. - Me chamo Esme Cullen e este é meu marido Carlisle Cullen.
Eu senti um arrepio subindo meu corpo. Eram os nomes dos ''pais'' do Edward Cullen, de crepúsculo. Ah, mas não podiam ser eles. Tudo bem que no livro eles tinham as mesmas características do livro, mas devia ser só coincidência. Já fazia algum tempo que eu não acreditava em vampiros, tá, já fazia algum tempo que eu deixava de pensar neles com tanta freqüência, mas acreditar, bem, isso eu sempre faria.
-E você deve ser a ... Certo?
-Sou sim... - eu sussurrei. Ainda não estava acreditando. - Se não se importam, eu vou ali jogar um jogo com meus amigos. Meus pais já devem estar chegando.
-Pode ir lá, querida, nós esperamos aqui. - A mulher disse.
Ela falava como se me conhecesse há muito tempo. Eu estranhei, subi a pequena escada, mas antes de me sentar eu olhei para Mariana, pra Ana Clara, pra e pra Isabel - estas duas últimas estavam caladas o tempo todo - todas ali leram Crepúsculo.
-Meninas, vamos ali no meu quarto comigo? - eu me virei para o Daniel. - Vocês dois podem ir jogando no meu lugar.
As meninas se levantaram e foram comigo até o meu quarto. Mariana, Isabel e se sentaram na cama eu e a Ana Clara ficamos pé.
-O que foi? - Mariana perguntou percebendo meu nervosismo.
-O nome deles são Esme Cullen e do seu marido é Carlisle Cullen. Parece familiar pra vocês?
Elas se entreolharam e Mariana sorriu.
-, tá brincando, não é?- ela perguntou, ainda sorrindo.
-Acha que eu pareço estar brincando?- perguntei, erguendo minhas sobrancelhas de nervosismo.
Mariana ficou séria.
- Quer dizer ... que você acha que eles podem ser... - Ana Clara não conseguiu terminar a pergunta.
- Os pais do Ed? - Isabel completou.
-Oh my God! - exclamou.
-... os Cullen... eles não existem... - Mariana falou se levantando.
-É... eu sei. - concordei tentando dizer a mim mesma o quanto aquilo era besta. - Pode ser só coincidência... né?
olhou para baixo, parecia não concordar.
-Tudo bem! - Isabel se levantou. - Vamos dar mais uma olhada neles e ver se são ou não os nossos Cullen!
Então todas saímos do quarto e fomos para a sala, aonde poderíamos vê-los. Mas quando chegamos lá, a sala de jantar estava vazia. Eu então me virei para o Luis Henrique, que estava concentrado no jogo.
-Onde eles estão? – sussurrei.
-Seus pais chegaram e eles entraram para a sala de baixo. Por quê?
-Por nada... - eu disse me virando para as meninas.
Elas me olharam sérias. Eu respirei e me sentei no sofá.

O dia passou, meus colegas foram embora, mas meus pais e os tais amigos, estranhamente bonitos não saíram daquela sala. Eu fiquei enrolando na sala esperando que eles saíssem, mas nada aconteceu. Eu tomei banho, desci até a cozinha e verifiquei se a luz da outra sala - a que eles estavam - ainda estava acesa. Suspirei e fui para o meu quarto mexer na internet. Fazia meia hora que eu estava conversando com meus amigos na internet quando alguém disse: -Você tem um belo quarto.
Virei minha cadeira para ver quem dissera. Era a mulher, Esme, que estava parada na minha porta me olhando com seus olhos fraternais. Eu sorri sem perceber e saí do meu msn.
-Obrigada.
-Parece que gosta muito de rosa. - Ela se aproximou e eu me levantei da cadeira.
-Deu pra perceber?
Ela riu docemente. Não entendia como ela conseguia ser tão doce.
-É, deu sim.
-E então... aonde vocês moram? Quer dizer, nunca os vi em Campo Belo.
-Nós moramos nos Estados Unidos, Washington.
-Forks?
Ela arregalou os olhos de surpresa e então sorriu.
-Como sabe?
-Chute.
Bingo! Mais uma coincidência. Como seria possível eles viverem, depois do sucesso do livro? Tá, isso não faz sentido algum.
-, vamos lá pra sala. Eu e sua mãe queremos conversar com você. - Meu pai falou assim que chegou ao meu quarto.
Ele encarou Esme sério e ela abaixou a cabeça, parecia triste com alguma coisa. Eu nunca havia visto meu pai com tal aparência. Ele parecia que ia desmoronar a qualquer momento.
- Eu fiz alguma coisa? - perguntei assim que cheguei à sala.
Olhei para o rosto da minha mãe. Seus olhos estavam vermelhos e ela parecia ter chorado o dia todo. Carlisle estava sério, mas também parecia abalado. Eu me sentei ao lado de minha mãe e ela me abraçou.
-, acho que já conheceu nossos amigos, Carlisle Cullen e sua mulher, Esme. - Meu pai falou parando ao meu lado. Eu apenas assenti, e ele continuou. - Eles vivem em Forks, nos Estados Unidos, eles vieram aqui para... te buscar.
-O quê? Não combinamos que eu só faria intercâmbio depois do colegial? Nem 15 anos eu tenho ainda. - eu disse olhando para a minha mãe, que já estava chorando. - Mãe... achei que agente já tinha conversado sobre isso.
- Não é intercâmbio,. - Ela falou entre soluços.
-Ahm? Desculpe, mas, não estou entendendo nada.
-... Quando você era ainda um bebê, seus verdadeiros pais a deixaram com e .
-O que? Então eu sou... adotada? - eu senti um nó na minha garganta. - Que brincadeira é essa?
-... nos desculpe por não termos te contado... -Minha mãe continuou soluçando.
- Mas... e as minhas semelhanças... com meu pais, os hábitos, o dom de desenhar... Isso tudo veio da família de vocês.
-, hábitos são criados com a convivência, o dom... bem não era exatamente um dom, apenas algo que você se tornou boa, e as semelhanças? - Carlisle falou dando uma pausa. - Bem, você não sabe o quanto é parecida com a sua mãe.
Meu coração começou a disparar, me faltou ar. Mas respirei fundo tentando conter as lágrimas e me acalmar.
-Ok, quem sabe? - perguntei por fim.
- A maioria das pessoas. A notícia se espalhou pela cidade, e então, foi difícil detê-la. - Meu pai falou.
Ele não chorava, mas eu podia ver a profunda tristeza em seus olhos.
-Tudo bem, mas ninguém precisa saber que eu descobri. Vou para o meu quarto e vamos fingir que nada aconteceu, tudo bem? - eu tentei me levantar mas Esme me impediu colocando sua mão no meu ombro.
Mas... como assim? Ela estava do outro lado da sala, ao lado de Carlisle. Respirei fundo, muitas informações, estava começando a ver coisas.
-Não dá,. Se não tivéssemos um bom motivo não teríamos a abandonado. - Esme me falou agora ficando a minha frente.
Em menos de um segundo ela, que antes estava atrás de mim, agora já estava á minha frente. Pisquei meus olhos com força duas vezes.
-Me abandonado... vocês... VOCÊS SÃO MEUS PAIS? - eu gritei.
Carlisle Cullen e Esme Cullen meus pais. Edward Cullen meu... irmão? Renesmee Cullen minha... sobrinha? PARAOMUNDOEAPAGAALUZ! Esme não pode ser minha mãe, se não eu teria que ter sido... Fabricada há mais ou menos cem anos atrás. Mas ela num era uma vampira, era? Aiii minha cabeça.
Esme sorriu para mim docemente, nossa, que mulher doce!
- Não, querida, não somos seus pais... Somos quase isso... Seus avós.
Por esta eu não esperava.
-Tá, então quem são meus pais? Edward Cullen e Bella Swan? - eu disse sendo irônica.
Todos arregalaram os olhos de surpresa. PUTA MERDA!
-Eu... eles são meus pais?
-Como sabe que eles são seus pais? - Carlisle perguntou incrédulo.
- Eu...chutei. Espera aí... Edward e Bella só tiveram uma filha, Renesmee... Ou isso é mais invenção da Stephenie Meyer?
-Não... Edward e Bella realmente tiveram apenas uma filha. E você é ela. Você é Renesmee Cullen. - Carlisle explicou.
-Por que... Por que me abandonaram?
-Bem... As coisas são um pouco complicadas, querida. - Esme falou se sentando ao lado de Carlisle.
- Acho que você sabe o que somos... - Carlisle deduziu. Eu assenti para que ele pudesse continuar. - Bom... Acho que já leu a história... Crepúsculo, pelo que me lembro.
-Já li sim.
-Ótimo. Esqueça tudo o que leu sobre Renesmee Cullen. Você não teve o crescimento super rápido, não tem super velocidade, não tem super força e nem algum tipo de poder... Por enquanto, e Alice, ela pode ver seu futuro.
Senti meu queixo cair.
-Como assim, por enquanto?- não deixei que aquela palavra passasse despercebida.
-Assim que completar 15 anos, a transformação vai começar. Você é parte humana parte vampira, mas é muito mais humana. Isso lhe diferencia dos outros mestiços, ou diferenciava, pelo menos. Todos eram mais vampiros do que humanos e por isso foram mortos pelos... Volturi.
-Nós descobrimos que você era mais humana um mês após seu nascimento, quando você ainda era um bebê. Já os outros mestiços, eles com um mês de vida já estão andando. - Esme continuou a explicação. - Nós procuramos saber o que havia de errado, ou melhor, de diferente. Fomos à especialistas, mas nenhum sabia a explicação. Foi então que achamos nos livros o que iria acontecer com você quando completasse 15 anos, e o que você se tornaria depois disso.
-O quê eu vou me tornar? - perguntei com o pouco de voz que me restava.
-Uma das mais poderosas vampiras, talvez mais forte do que todos os Volturi juntos. Eles souberam da sua existência e pretendem fazer com que se unam a eles.
-Não vou me unir a eles. Eles são... Ou melhor, eles não são vegetarianos. São... Monstros.
-Eu sei que acha isso. Mas eles pretendem matá-la, caso não entre para sua 'família'. Por isso tivemos que escondê-la. Como a mente de Bella, eles não podem te rastrear. Mas chegaram à te achar, quando morava em Belo Horizonte...
-Por isso tivemos que te trazer para Campo Belo. - Minha mãe me explicou, ela já estava mais calma, agora eu ficava mais apavorada com cada palavra que ouvia.
-Mas por que vieram me ver agora? Não tenho 15 anos ainda.
-, temos que te preparar para uma provável batalha. Não podemos mentir para você. Para os Volturi, você é perigosa e se não for para o lado deles, eles vão tentar te matar, temos que ensiná-la á se defender antes que cheguem até você.
-Quer dizer que tenho que ir para Forks com vocês antes de completar 15 anos, sem poder algum, ainda sendo uma humana? Por que não esperam que esteja mais perto do meu aniversário?
-Por que eles já sabem aonde você esta. Alice previu isso. - Carlisle explicou para depois continuar. - Em Forks você ficará segura.
-Se você estivesse segura aqui, , nós nem cogitaríamos o fato de ter que ir conosco, você poderia viver sua vida do jeito que bem entendesse. Mas não temos escolha.
-Nós queremos você segura, . Mesmo que isso implique que você tenha que se mudar, até toda esta confusão acabar. - Minha mãe disse olhando-me dentro dos olhos.
Então eu senti que não agüentava mais segurar o choro e fui direta:
-Quando partiremos?
-Amanhã à noite. Poderá se despedir de seus amigos de dia. Então depois iremos no jatinho até Washington.- Carlisle explicou.
Eu respirei fundo e me levantei.
-Eu vou dormir... -ou pelo menos tentar, pensei comigo mesma.
Então saí da sala deixando todos ali me olhando.

Assim que me deitei na cama, senti as lágrimas vazando dos meus olhos e uma dor imensa surgiu na minha barriga. Isso fez com que eu tivesse que me esforçar para respirar e a cada inspiração, a dor aumentava. Sabia exatamente o que era aquilo, o buraco que Bella (agora minha mãe biológica) sofreu quando Edward (agora meu pai biológico) foi embora. Era estranho pensar neles como meus pais. Eu era meio que apaixonada pelo Edward Cullen, e agora, ele era meu... pai. Aí, era muita informação para um dia só. Existência de vampiros, existência de todos os vampiros de Crepúsculo, novos pais biológicos, eu não ser mais humana, ser caçada pelos Volturi, mudança para Forks; era informação de mais para uma pessoa só.

****

-Mas quando você volta? - Daniel perguntou enquanto nos despedíamos na praça.
-Em menos de um ano, eu acho. - Respondi enquanto dava uma mordida no meu picolé azul.
Eu ia sentir falta daquilo tudo. Os encontros com os meus amigos mesmo em dia da semana, o calor escaldante - que eu odiava, mas agora, percebi que sentiria falta-, os risos dos meus amigos humanos, e coisas que eu perderia assim que assumisse minha forma vampira.
- Vamos sentir muita a sua falta, . - Daniela falou sentando-se ao meu lado.
-Eu também, Dani. - Soltei um suspiro dolorido. - Sentirei muita falta de tudo isso.
- Ah, gente, animação! - Isabel disse batendo palmas. - Sempre foi seu sonho morar nos EUA, né ?
-É verdade, lá deve ser muito legal, e olha, você vai ver a neve no natal. Só falar inglês... - O Luis Henrique tentou me animar.
-Ver uns americanos loiros de olhos azuis... - Mariana disse e logo soltou uma risadinha.
-Quem sabe você num encontra o Edward lá? - Daniela disse brincando.
Ela não sabia o quanto estava certa. Eu veria o Edward lá. Mas ele seria meu pai, e não alguém que eu deveria amar como amante, mas sim como pai. -É... quem sabe. - eu disse tristemente.

A despedida dos meus pais foi mais complicada. Muito choro. Eles por saberem a verdade, sabiam que havia chances - e elas eram bem grandes - de eu nunca mais voltar.
Assim que entrei no carro, Esme até que tentou me animar:
-Você gosta de frio ou prefere o calor, ?
-Gosto de frio.
-Que bom! Vai gostar de Forks então. Lá chove... - eu a interrompi.
- 345 dias no ano. - eu completei.
Esme olhou para mim do banco da frente e voltou a olhar para frente. Eu percebi que tinha sido grossa.
-Me desculpe, Esme. É que eu estou um pouco nervosa com tudo isso.
-Tudo bem, querida, te entendemos. E não quero que se sinta pressionada á nos chamar de avós, até mesmo por que isso para o resto de Forks seria estranho. Seus pais também não vão pressioná-la á chamá-los assim, agora Alice... bem, acho que ela quer ser titia. - eu fiz uma careta e os dois riram.
-Acham que vou poder voltar à estudar? -pergunte sem saber a resposta que eu queria ouvir.
- Não sabemos, tudo depende de você e dos Volturi. Se puder se controlar e os Volturi não tiverem nos descoberto vai poder estudar sim, mas terá que estudar em La Push, lá os lobisomens te protegerão.
-Jake... - sussurrei me lembrando de Jacob.
Jacob era o melhor amigo de Bella em Lua Nova, quando Edward deixou Bella ele conseguiu fazê-la se sentir melhor. Mas então ele se tornou um lobisomem - que é o pior inimigo do vampiro - e quando Edward voltou, Bella e Jake tiveram que interromper a amizade. Tudo por causa de um pacto idiota que não deixava os Cullen irem até a reserva.
Então me lembrei que mesmo dentre estes lobisomens, eu não teria o meu Jacob, porque eu era uma meia vampira, e ele, um lobisomem.
Carlisle e Esme se entreolharam, então Carlisle quebrou o silêncio.
-O que sabe sobre Jacob, ?
Sabia exatamente o que era o imprinting. Os lobisomens tinham algo chamado de alma gêmea. - Ele vai estar lá? - meus olhos brilharam.
Esme riu e sussurrou muito baixo, mas incrivelmente eu consegui entender:
- É o imprinting.
- O quê? - perguntei me fazendo de desentendida.
Alma gêmea para os lobisomens e vampiros se chamava imprinting, e eu sabia exatamente isso. É realmente como uma alma gêmea que só os lobisomens e suas parceiras podiam ter ou sentir.
- Nada... - Carlisle disse tentando tirar minha curiosidade.
- Ah! - Eu gritei e meu coração começou a pular.
Carlisle parou o carro imediatamente e os dois olharam para trás. Eu devia estar mais branca que eles por que eles me olharam assustados.
-O que foi? - Carlisle perguntou rápido.
-O Jacob sofreu o imprinting com a Nessie, num foi?
-Você está mais informada do que a gente pensou... mas ele teve sim, por que?
-Porque eu sou a Nessie e o Jacob teve o imprinting comigo. – gritei desesperada.
Os dois começaram a rir do meu desespero. Carlisle voltou a ligar o carro e Esme virou para trás.
-Calma, , quê que tem ele ter tido o imprinting?
-Quê que tem é que... - eu parei e pensei.
Segundo o imprinting os que a tiveram não tem que ser namorados, as almas apenas se completam, então eles acabam sendo amigos, na maioria das vezes namorados - mas isso não vem ao caso.
- Ah! Não tem nada não. Tinha esquecido que eu não preciso me casar com ele... nós dois podemos ser só amigos, certo?
-É, ... é. Acha mesmo que a deixaríamos namorar um lobisomem novo que nem ele?
Espreitei meus olhos. O que eles tinham contra lobisomens novos? Tá que eles eram mais perigosos e sem controle, mas isso não vem ao caso. Jacob nunca iria me machucar.
-É, eu acho que me deixariam namorar um lobisomem novo, sim.
-Teimosa igual à mãe. - Esme comentou revirando os olhos.
-Mas tão inteligente quanto o pai. - Carlisle disse e soltou uma risadinha.
Eu sorri, mas então meu sorriso desapareceu quando eu me lembrei que não eram dos meus pais de criação que eles falavam... mas sim dos outros.

No avião eu já estava mais feliz, afinal, eu ia ser da família Cullen.Ou melhor, eu sempre fui, mas não sabia. Eu estava tão ansiosa que não conseguia dormir, e eu sabia que não atrapalharia o 'sonho' dos Cullen. Então eu fui falando de tudo, sobre a minha vida, meus amigos, e tudo o que eles perderam. -Como conseguiram esconder seu segredo depois do lançamento do livro?
-Nós não morávamos em Forks, agente vivia em uma pequena vila na Europa, no auge do livro. A notícia de Crepúsculo não chegou lá. Agora, para viver em Forks foi um pouco mais complicado... Agora temos que tomar algumas precaução, assim como os lobisomens, que também tiveram que se mudar... e por sua causa, nos mudamos para a mesma cidade.
-Por minha causa?
-É, , você é mais importante do que acha. Se os Volturi te pegarem, todos os vampiros e lobisomens estão em perigo. Os Volturi podem ser capazes de matar muitos lobisomens, mas, com você, eles pretendem matar todos, e assumir um controle muito maior sobre os vampiros. - Carlisle explicou.
-Mas eu ainda não entendi uma coisa... o que nós, os Cullen, queremos? Nós vamos lutar para ser a nova 'realeza', ou vamos nos esconder?
-Nenhum dos dois, nós queremos apenas paz. Assim que eles te acharem, tentaremos um acordo de paz, se eles não aceitarem... Infelizmente teremos que pensar em outra coisa.
-E se eu... não for tudo isso? E se com 15 anos eu virar uma vampira normal ou apenas, continuar humana?
-Isso muda tudo. Aí provaremos para os Volturi que você não é perigosa para eles e poderá fazer o que bem entender da vida.
-Mas nós achamos que você é realmente alguém especial... . - Esme cochichou. - Mas pessoas especiais também precisam dormir. Então, tente descansar.
Eu assenti e me virei para a janela. Então logo a imagem dos meus novos pais veio a minha cabeça. E se eles não gostassem de mim? E Rosalie? Como ela me trataria? Então fechei os olhos por um segundo e acordei com Esme fechando minha janelinha para que o sol não iluminasse dentro avião.
Eu abri os olhos dificilmente, eu realmente tinha dormido pouco.
- Já chegamos em Port Angeles. - Ela sussurrou.
Eu senti meu estomago. Ia conhecer os Cullen, agora, minha família.
-Quanto tempo até Forks? - Perguntei enquanto saíamos do jatinho.
-Menos de uma hora. - Carlisle respondeu, abraçando Esme.

2- Nova Casa
br> Eu sorria de ansiedade quando chegamos à Forks. Eu olhava tudo com muita curiosidade. Era meio como um sonho – um pouco mais perigoso que isso – só que era mais real do que um sonho, era como... eu não sei, era incrível. Observei os humanos caminhando felizes e calmamente pela cidade.
- Bom, pelo menos não é muito diferente da minha cidade. - Comentei olhando um grupo de idosos sentados na pequena praça conversando.
Eu abri a janela e senti o vento úmido e gelado bater no meu rosto. Sorri, deleitando-me com a sensação. Era exatamente como Bella dissera, delicioso. Percebi que em poucos minutos o carro foi para uma estrada afastada da cidade. Ri de novo me lembrando do filme Crepúsculo:
''- Mas, Bella, você disse que não estava de olho em ninguém da cidade... - Charlie lembrou-a
- Edward não mora na cidade... tecnicamente.''

Eles realmente não moravam na cidade. Carlisle então entrou em outra estrada - desta vez era de terra - mais vazia ainda. Segundo Bella, esta estrada nos levava à casa dos Cullen. Meu coração acelerava mais a cada metro que o carro avançava. Me perguntei se eles podiam ouvir meu coração batendo, mas a pergunta desapareceu da minha cabeça assim que eu vi uma casa - mansão- branca se destacando no meio de tanto verde. Eu mordi meu lábio inferior e perguntei:
- Já sabem que eu cheguei?
-Provavelmente sim - Esme respondeu rindo do meu nervosismo.
O carro parou e eu mal respirava de ansiedade, quase não piscava para não perder nada. Os dois logo pularam do carro e eu fui atrás deles. Esme parou na frente do carro olhando sua bela casa enquanto eu fiquei ao seu lado capturando cada detalhe da minha nova casa - tinha que me acostumar com toda esta nova vida e chamando a mansão assim ficava mais fácil. Carlisle pegou as duas malas, cada uma em uma mão - minha mala estava pesando mais de 10 quilos, mas ele fez parecer que ela estava vazia. Esme então me abraçou com apenas um braço e me guiou até a varanda da casa. Foi então que me lembrei, Edward lia pensamentos, sempre imaginei que ele não poderia ler os meus, mas agora esta dúvida estava me incomodado.
- Esme, você acha que Edward... Pode ler minha mente? - sussurrei enquanto atravessávamos a sala.
- Quando era um bebê ele não conseguia, mas não acho que um bebê possa pensar muita coisa. Só que agora que já esta crescida, eu não sei. Imagino que não.
Eu respirei fundo e olhei ao meu redor. Bella havia descrito a sala com tanta descrição que fiquei impressionada. A casa era clara e muito grande. Apenas não achei o piano de corda de Edward. Foi então que eu ouvi uma voz doce e suave praticamente cantada do andar de cima. - Gente, Renesmee chegou!
Então duas pessoas apareceram no alto de uma escada de madeira rústica. Assim que a moça parou no alto da escada e me olhou eu sorri: Alice. Ela então em um segundo estava à minha frente, junto de Jasper que mantinha uma certa distância. Alice andou até mim em passos humanos e me abraçou, eu retribuí.
- Alice... - disse sorrindo quando ela me soltou.
- Renesmee! É tão bom tê-la de volta.
Eu fiz uma careta, a qual Alice não entendeu. Então Esme chegou por trás de mim e falou para Alice:
- Chame-a de .
- Não, está tudo bem, Esme. Tenho mesmo que me acostumar com meu outro nome. – falei tentando concertar as coisas.
Eu então olhei para Jasper. Ele apenas sorriu para mim e eu fiz o mesmo. Eu ainda era... humana demais. Então percebi que atrás de Jasper outro casal se aproximava de mim. Rosalie e Emmett.
-Rosalie... Emmett! - eu disse sorrindo.
Rosalie parou ao lado de Jasper e ficou me encarando com um pequeno sorriso. Já Emmett me abraçou num abraço de urso que me deixou sem ar. -Emm... não consigo... respirar... - eu disse batendo de leve nos seus braços.
Ele então me soltou rindo.
- Igualzinha à mãe!
Eu olhei para Rosalie, ela me encarava com o mesmo sorrisinho tímido, eu fiz o mesmo. Ela estava sorrindo para mim, acho que isso era um bom sinal, não era? Então eu respirei fundo e olhei para Esme que estava logo atrás de mim.
- Edward e Bella... - comecei minha pergunta, mas Alice me interrompeu respondendo-a.
- Já devem estar chegando... eles foram caçar antes de te ver.
Eu assenti e então Alice foi logo pegando minha mala, que estava ao meu lado, e pegando minha mão.
-Vamos lá, pra você conhecer seu novo quarto! - ela disse enquanto me puxava escada acima.
Nós subimos a escada correndo - pelo menos eu corria - e chegamos até um enorme corredor com várias portas enormes de madeira. Enquanto passávamos pelos quartos, ela dizia de quem pertencia. Até que chegamos nos dois últimos - um na frente do outro.
- O da direita é o dos seus pais. E o seu é o da esquerda.
- Ahm...
Eu disse ainda fascinada pelo corredor e seus quadros.
- Vamos, entra logo. Eu vou cansar de ficar aqui! - ela disse e depois riu.
- Ah,vai ficar muito cansada mesmo. - eu disse enquanto abria a porta do quarto.
Vampiros não se cansavam, então, cansada de esperar a minha lerdeza abrir a porta é que ela não ia ficar; talvez entediada.
Eu abri a porta, mas não entrei. UAU! O quarto era todo branco como o resto da casa. Ele era enorme com uma cama de casal e vários travesseiros na cor rosa choque sobre a mesma. Tinha uma escrivaninha perto de uma outra porta com um notebook em cima dela. O computador era branco com detalhes em rosa choque. Um armário tipo, enorme, de madeira ocupava quase toda parte da parede.
-E então, o que achou?- Alice me perguntou soltando a mala e sentando-se na minha nova cama.
-Sem comentários.
-Isso já é um comentário. - Jasper comentou chegando à porta do meu quarto.
Nós três rimos. Até que ele deu um olhar pra Alice e ela assentiu e se levantou.
-Bom, , agora vou te deixar um pouco sozinha para você guardar suas coisas. O almoço fica pronto ao meio dia.
- Isso se a gente conseguir cozinhar alguma coisa. - Jasper disse dando um beijo na bochecha de Alice.
- Gente, não precisam cozinhar para mim. Olha, eu peço um sanduíche. Não quero que se incomodem por minha causa.
- Que isso, , não é incômodo nenhum. Você gosta de comida italiana, né?
Eu ia abrir a boca para repetir que eu não queria incomodar, mas quando percebi eles já tinham me deixado sozinha no quarto.
Eu suspirei e me levantei da cama olhando ao meu redor.
- OK... por onde eu começo? - me perguntei ainda reparando no quarto gigante.
Fui até a janela - que era gigantesca- e olhei lá fora. Carlisle conversava com todos, que o ouviam com muita atenção. Eu comecei a prestar atenção nos lábios deles pra ver se eu podia entender o que falavam. Foi então que além de entender eu comecei a ouvi-los.
- Já falei com a matilha que ela chegou. Eles falaram que agora estarão em alerta para qualquer outro vampiro que venha aparecer pela redondeza. - Carlisle falou calmo.
- Mas, e se eles matarem algum vampiro? Estarão condenando a todos nós. - Emmett perguntou.
- Mais do que já estamos condenados? Impossível. - Rosalie rebateu.
Eu saí de perto da janela. Estava condenando a todos eles. Para qualquer lugar que eu fosse corria perigo, e assim, colocava minha família em perigo também. Eu era um perigo ambulante, ou como dizia Edward: um imã para perigos; assim como minha mãe, Bella. Então voltei à janela e comecei a prestar atenção na conversa deles novamente, sabendo que já tinha perdido muita coisa.
- Quais são as chances? - Jasper perguntou falando tão baixo que eu tive que me concentrar mais ainda para entender.
- Mesmo se os lobisomens continuarem ao nosso lado, as chances são poucas, muito poucas. - Carlisle respondeu.
Andei até o meu banheiro e fechei a porta dele atrás de mim. Me sentei no chão mesmo e abracei meus joelhos apoiando meu queixo neles. Então deixei as lágrimas pesadas escorrerem pela minha face.
Todos poderíamos morrer, e tudo por minha causa. Eu poderia matar todos aqueles que mais amava pelo simples fato de existir. Fiquei imaginando como seria a batalha, quem morreria, quem ficaria vivo. A única coisa que descobri é que eu não fazia idéia de nada. Então ouvi batidas na porta e uma voz doce de mulher me chamando.
-?Você esta aí?
-Estou sim, já vou sair. Só um minuto. – Respondi com a voz meio trêmula.
Eu me levantei e lavei meu rosto. Meus olhos não estavam vermelhos e por isso não parecia que eu tinha chorado. Abri a porta e meus olhos rodaram o quarto procurando quem havia me chamado, meus olhos pararam em um casal que olhava um para o outro cochichando alguma coisa. Assim que eles me viram na porta do banheiro os dois sorriram para mim. Edward e Bella.
Meus olhos se encheram de lágrimas novamente, mas desta vez por emoção. Meus heróis, meus exemplos, meus ídolos... meus pais. Meu sorriso foi se alargando e eu corri até eles. Parei na frente dos dois, a mais ou menos uns trinta centímetros deles. E olhei no olho de cada um. Bella estaria chorando se pudesse e Edward, seus olhos estava cheio de sentimentos que eu não podia identificar. Bella então me abraçou, não com força, mas com saudade. Eu a apertava. Como era possível ter saudade de uma pessoa que você antes pensava não existir, isso eu não sabia, mas eu sabia que estava com muitas saudades dela e dele. Meus pais. Quando ela me soltou Edward me abraçou, foi aí que eu comecei a chorar baldes de lágrimas. Ele era exatamente como Stephenie descrevia. O cheiro, a textura da pele, a magia do olhar, tudinho. Assim que eu o soltei fiquei olhando-os. Era como se meu sonho tivesse realizado. Havia pensado em milhões de coisas para lhes dizer quando os encontrasse, mas nenhuma delas parecia o bastante.
-Sentimos sua falta, filha. Muito. - Edward confessou.
- Eu também. Vocês não fazem idéia o quanto. - Eu murmurei.
Bella olhou dentro dos meus olhos apertados pelo grande sorriso. Foi então que a ficha caiu.
-Cara, eu tô na frente do Edward e da Bella! – gritei enquanto pulava pelo quarto.
Eu sei que isso não fazia o menor sentido, mas foi o melhor jeito que eu encontrei de mostrar o quanto eu estava feliz. Os dois começaram a rir de mim e eu fiz o mesmo. Que coisa idiota a se fazer.
Logo depois agente desceu para eu poder almoçar. Quando coloquei a primeira garfada de rocambole na boca, percebi que tava morrendo de fome. Eles me enchiam de perguntas e eu não me importava em responder, já que eu também perguntava a eles uma infinidade de coisas. Esme não entendia como eu comia tão pouco, foi então que eu lembrei o que tinha ouvido naquela manhã.
- Carlisle, quando acha que a transformação vai começar? -perguntei dando um gole na minha Coca-Cola.
Todos que estavam sorrindo pararam de fazê-lo e eu me arrependi no mesmo momento de ter tocado no assunto.
-Você quer mais, ? - Bella perguntou desviando o assunto.
- Não, obrigada. Ahm, Carlisle? - perguntei novamente, pressionando-o.
-Por que quer saber, ?- Ele me perguntou sério.
Eu apoiei os cotovelos na mesa e olhei diretamente para ele.
- Porque eu acho que humanos não ouvem tão longe quando eu ouvi hoje de manhã.
- O quanto ouviu, quero dizer, a que distância? - Edward me perguntou.
Eu me virei para ele.
-Qual é a distância da minha janela até o chão? Edward olhou para Bella e o olhar dos dois se encontraram.
-Bom, . Se você ouviu nesta distância, então a transformação, já começou.-Carlisle me respondeu.
Eu engoli seco, mesmo sabendo que ele iria falar isso. Estava me tornando uma vampira, e a idéia de deixar de ser um ser humano me assustava bastante. Eu assenti e me levantei.
- Eu vou para meu quarto ,tenho que guardar minha mala. - eu falei e fui andando até a escada.
Quando cheguei até o pé da escada, Alice me interveio.
-Espere, . - ela me chamou e eu parei de andar. - O que você ouviu lá fora?
- As nossas chances de viver. – disse sem demonstrar sentimento algum.
-, eu sei que elas não são boas, mas...
- Mas o que, Alice? Eu condenei todos nós. Mas se depender de mim, ninguém de nós vai morrer. Pode ter certeza disso. - então eu a deixei lá boquiaberta, parada no pé da escada, e subi em direção ao meu quarto.
Assim que entrei no meu quarto fechei a porta atrás de mim e fui arrumar minha mala. Estava com tantos problemas que estava fugindo de tudo que me deixasse tempo para pensar neles. Enquanto eu guardava minhas blusas ouvi batidas na porta.
-Posso entrar? - uma voz doce e baixa perguntou.
-Entre, Bella. - eu disse olhando para a porta.
Bella abriu a porta e entrou quase sem fazer barulho nenhum. Então ela se sentou na minha cama e ficou me observando enquanto eu guardava minhas roupas naquela lerdeza da vida. Bella chegou ao meu lado e começou a pegar as minhas roupas e guardá-las também. Um pouco mais rápido que eu e menos desajeitada.
- Okay, nós duas somos as únicas que podemos ter segredinhos aqui na casa, por causa do Edward. - ela cochichou tão baixo que eu tive que me concentrar pra entender.
-Então ele realmente não pode ler meus pensamentos? - perguntei pensativa falando tão baixo quanto ela.
- Não, ele não pode.
- Já descobriu o que há de errado conosco? - perguntei e nós duas rimos.
Tipo, Edward lê mentes - exceto pela nossas - e nós é quem somos as estranhas.
-Ainda não. - ela falou ainda rindo. Nós começamos a guardar as calças- que não eram muitas - e eu perguntei voltando a cochichar.
- Qual é o segredo?
- Segredo? - ela perguntou fingindo não saber.
- É, você disse que éramos as únicas que podíamos ter segredos. Então é por que você quer compartilhar algum.
Ela fez uma careta e eu sorri.
-Você pega as coisas rápido.
-Bom, eu tinha que ter alguma coisa do meu pai, né? - eu disse, mas estranhei a normalidade com que disse isso assim que pensei no que havia dito.
Ela sorriu e foi andando em direção à porta.
-É verdade, existe um segredo, mas não é algo que eu deva te falar. É algo que você deve ver e sentir.
- Eu odeio incógnitas. - reclamei não entendendo nada que ela havia falado.
- Eu também. - ela assumiu e piscou um olho.
Logo ela saiu pela porta, eu até tentei correr atrás dela, mas qual é, eu sou uma humana - ou era - e ela, uma vampira - um pouco destrambelhada, mas uma vampira.
O dia passou rápido e a noite logo caiu, trazendo consigo uma tempestade que veio junto com toda vontade. A chuva caia aos baldes lá fora, mas ao contrário de muitas pessoas, eu odiava quando chovia e eu ia dormir. De noite era a única hora do dia que eu podia apreciar o silêncio, mas com a chuva caindo lá fora e os trovões ecoando, era meio complicado sentir o silêncio.
Eu fui dormir mais cedo, afinal, noite passada eu não tinha dormido quase nada no avião. Eram onze horas quando eu fui deitar - sim, isso é cedo- estavam todos lá em baixo jogando detetive por isso agüentei tanto tempo. Mas assim que Rosalie ganhou, eu subi. Alice e Edward não jogaram, afinal, Edward saberia a carta de todos menos as minhas e as da Bella e Alice preveria quem eram os culpados. Então eles ficavam do lado de fora do jogo.
Eu dormi uma hora, até que eu acordei do nada sem sono nenhum. Tentei dormir de novo, mas nada do sonho vir. E lá fora a chuva ainda caía com vontade. Eu perdi a paciência de ficar sem fazer nada e desci descabelada do jeito que tava – talvez nem tanto-, meu short rosa e roxo, uma blusinha de cachorrinho rosa e um meião até o joelho rosa com umas partes coloridas.
Eu abri a porta do meu quarto e encontrei com Edward e Bella na minha frente rindo entrando no seu quarto. Mas o que eles iam fazer já que não iam dormir? Oh! Entendi!Eles pararam de rir e me encararam meio assustados, e eu fiz o mesmo.
-, você não estava dormindo? -Edward me perguntou.
-Hum... eu dormi um pouquinho, mas perdi o sono, então eu ia à cozinha tomar um leite com chocolate.
-Ahm... Nós só íamos, descansar um pouco, né, Bella? - Edward disse olhando para Bella que ainda me olhava assustada.
Aham, eles iam mesmo descansar... com não pensei nisso antes? Só tem um pequeno detalhe : vampiros não descansam. Mas tudo bem, eu deixo passar.
-Ah claro. Eu entendo... - eu tinha que fazer algum comentário. - Sonhem com os anjos, ou sei lá com o que os vampiros sonham...
Eu dei um sorrisão e saí andando em direção a escada. Foi então que eu ouvi uma risada estrondosa vindo do quarto do Emmett, ele provavelmente havia ouvido. Eu ri baixinho só de ouvir a risada dele.
Desci cantarolando até a cozinha e estranhei a casa vazia. Foi então que lembrei que estavam todos ''descansando''. Bem, não tenho nada a ver com isso, né? Eu peguei meu mp4 que havia levado e coloquei no ouvido para poder ouvir McFly. Enquanto eu preparava meu achocolatado eu comecei a cantar baixinho:
-''Went out with the guys /And before my eyes/There was this girl she looked so fine/And she blew my mind/And I wish that she was mine/And I said 'hey wait up cos I'm off to speak to her''
Eu dançava um pouquinho enquanto cantava. Minha meia ajudava a deslizar e eu aproveitava. Todos naquela mansão estavam ocupados demais para me ver dançando ou me ouvir cantando, então eu estava toda feliz.
-''But 3 days later/Went round to see her/But she was with another guy/And I said 'fine'/But I never asked her why/But since then lone/liness has been a friend of mine''
A música acabou e eu dei aquela pose, pra enfeitar o final. Foi então que eu ouvi um riso abafado vindo por trás de mim. Esta não! Flagrante! Tentei me virar rápido para ver a quem eu devia explicações sobre o meu 'musical', mas algo deu errado e eu pisei na minha meia. Fui pro chão com copo e tudo. Um estrondo ecoou pela casa e foi aí que a tal pessoa começou a rir mesmo. O engraçado é que eu não havia reconhecido a voz.
- ? Você esta bem? - Carlisle gritou lá do seu quarto.
Assim que a voz de Carlisle invadiu a cozinha a tal outra pessoa que antes não parava de rir parou de repente.
-Estou bem, eu só tropecei! - gritei de volta enquanto me levantava com dificuldade.
Eu andei até a janela para ver quem estava rindo de mim, já que era de lá que a voz vinha.
-Quem esta aí? - eu chamei um pouco baixo parando na frente da janela.
Então uma mão veio e tampo minha boca. O garoto - ou homem - olhou diretamente dentro dos meus olhos e murmurou:
- Pule a janela.
Eu assenti e o fiz.
Oh Deus! Eu acho que estou sendo seqüestrada. Assim que terminei de pular a janela o homem me puxou para baixo me fazendo agachar sobre a grama molhada.
- Não fale alto, Renesmee.
Ele sabia o meu nome. Ele sabia que eu estava ali? Era um Volturi? Ah não. Mas como Alice não havia previsto?
Ele foi tirando a mão da minha boca lentamente ainda me olhando nos olhos. Então ele me abraçou com força. Agora é que eu não entendi nada. Assim que ele me soltou ele me sorriu e se levantou.
- Vamos sair daqui .Temos muito que conversar. - ele era muito alto tipo, 1.95, por aí.
A luz da cozinha iluminou seu rosto e eu pude ver suas feições. Ele era moreno e seu cabelo era negro e um pouco curto, caindo um pouco sobre os olhos. Seu sorriso era calmo e lindo. Juntei todas as características e meu coração começou a disparar imediatamente.
-Jacob! - eu falei e levantando e o abracei.
Como ele era muito alto o máximo que meus braços conseguiram chegar foi ao seu peito, que era quente e aconchegante.
-Não tinha me reconhecido? - ele perguntou incrédulo quando o soltei.
-Ah, vamos, eu não enxergo no escuro.
-Não?
-Não, você não sabe sobre a minha transformação?
-Sei, mas é que eu achei que... - ele pensou um pouco e depois pegou na minha mão - deixa pra lá! Vamos, não temos muito tempo.
- Por quê?
-Depois eu te explico... vamos! - ele me puxou em direção a floresta.
-Espere, Jacob! - eu chamei o forçando a parar de andar, ele me olhou para ouvir o que eu tinha para dizer. - Um: Olha só, eu tô de pijama!
Ele me olhou de cima em baixo e sorriu.
-É, mas continua linda.
Eu corei. Jacob Black, um dos garotos mais gatos que eu já tinha visto, estava me dando mole. Estava?
- Dois: - falei, mudando de assunto - pra onde você tá me levando? Porque tipo, se você não sabe, eu sou tão lenta quanto a Bella quando era humana. – ou mais, acrescentei mentalmente.
-É serio?
-É!
-Eu não contava com isso. - ele disse pensativo. - Bem, então acho que vou ter que voltar aqui outro dia.
-Por que não pode ficar aqui?
Ele olhou para baixo e chutou uma pedrinha que estava perto do seu pé.
- É... complicado.
- Aquele pacto idiota ainda está em vigor? – perguntei quase brava.
- Ele não é tão idiota. Foi feito para proteger.
Eu lancei meu pior olhar, proteger? Ele percebeu e colocou as mãos para o alto, meio que se rendendo.
-Tudo bem, foi mal!
-Foi mal não. Foi péssimo. - eu cruzei os braços de frio. - Ok, vamos realmente ficar aqui neste frio?
-Ahm... é mesmo. Acho que já tenho que ir. Logo vão perceber minha presença aqui.
Eu suspirei. Queria que ele ficasse ali comigo. Todos estavam ocupados dentro da casa e não havia ninguém pra conversar, já que eu realmente não tinha sono algum.
- Tudo bem. Quando volta?
- Por que não pede a Bella para te levar lá?
- Ela pode entrar na reserva?
- Bella é uma... exceção. – ele então mudou de assunto. - Então, a gente se vê por aí. – Jake falou indo em direção à floresta e desaparecendo na escuridão.
-É... a gente se vê por aí. – murmurei, olhando para a direção que ele havia ido.
Eu arrumei a bagunça que havia feito na cozinha e fui para o meu quarto dormir, ou pelo menos tentar. Passei a noite em claro, virando de um lado para o outro.
Assim que amanheceu eu saí da cama. Não via a hora do sol nascer e eu poder sair da cama e ir me encontrar com Jacob em La Push. Por causa das nuvens, eu só reparei que já era de manhã às oito horas. Eu não tinha nem me levantado da cama quando Edward abriu a porta do meu quarto.
-De jeito nenhum! É perigoso!
Alice entrou logo após Edward em meu quarto. Mas é claro, assim que decidi ir á La Push de manhã Alice viu meu futuro desaparecer, já que ela não conseguia ver o lobisomens.
-É claro que não é perigoso. Jake é minha impressão! Estarei mais segura com ele do que com qualquer um. E além do mais, Bella sempre podia ir à reserva.– rebati.
Ele ficou calado; sem resposta. Ponto para mim. Edward passou a mão nos cabelos cor de bronze e ficou andando de um lado para o outro. Alice e eu o olhávamos esperando que ele falasse qualquer coisa.
-Por que está tão nervoso, Edward? – perguntei calmamente.
Ele não respondeu, mas Alice o fez.
-O quê? – ele perguntou incrédulo – Sua segurança. É só com isso que estou preocupado.
-Muito bem. – eu disse me levantando da cama. – Alguém vai me levar em La Push ou eu vou a pé?
-O quê? – Edward perguntou incrédulo de novo.
Alice ria e começou a me dar vontade de acompanhá-la, mas eu sabia que isso só iria piorar as coisas.
-Eddie... – eu falei me aproximando dele. – você sabe muito bem que o Jake não vai fazer nada pra me machucar. E você devia saber também que não há motivo nenhum pra sentir ciúmes dele.
-Só estou preocupado, . Eu já te perdi uma vez, não quero te perder novamente. – percebi que sua voz era de profunda tristeza.
Realmente não devia ser fácil me mandar para seu pior inimigo, mesmo sabendo que ele não era perigoso. Eu queria entender isso, mas também queria muito ver Jacob. Ele era a minha impressão e sempre foi um sonho conhecê-lo. Se ao menos eles pudessem conviver, eu ficaria muito mais feliz.

3- Confissão

-Mas o pacto não havia acabado? – perguntei depois de alguns minutos em silêncio no carro com Bella.
Bella olhou para mim pelo canto do olho e depois voltou a olhar para a estrada.
-O pacto com a matilha de Sam acabou antes de você nascer. Mas agora que o grupo de Sam foi para La Push, eles descobriram que lá havia alguns lobisomens sem instrução e sem um alfa. Então eles se uniram a estes lobisomens e o pacto foi refeito para que nenhum lobisomem perdesse o controle. É claro que o pacto com a matilha de Jake nunca foi desfeito.
-Mas você pode entrar na reserva?
-Posso, isso foi um acordo entre Jacob e Sam.
Eu suspirei, percebendo que talvez Jacob ainda sentisse algo por ela. Por algum motivo eu senti ciúmes de Bella. Talvez não ciúmes, mas inveja. Ela tinha tudo o que qualquer garota queria: Edward e Jacob. Mas então me lembrei que o preço que ela teve que pagar para ter isso foi alto, muito alto. A escolha entre os dois deve ter sido cruel.
- Vocês ainda se amam, não é? – perguntei por fim.
Bella olhou para baixo por um pequeno segundo e depois voltou a olhar para a estrada. Eu fiquei com medo da resposta e quando ela me olhou, parecia ter visto isso nos meus olhos.
- Não. – ela hesitou um pouco, mas depois acabou confessando algo que ela parecia querer falar á muito tempo, só não havia com quem. - Não como antes. Agora nosso amor é realmente resumido a uma amizade.
-Eu não... Entendo. – Ela me olhou brevemente e eu tentava achar alguma explicação para o que eu estava sentindo. – Vocês se amavam tanto...
Ela deu um risinho sem nenhum humor; parecia rir para não chorar.
- Assim que ele te viu, , tudo o que sentia por mim sumiu. É assim que o imprinting é: você não tem opção, muito menos escolha. Eu só pude aceitar e ficar feliz por você e por ele.
Eu percebi a tristeza em sua voz, a qual ela tentava ao máximo esconder.
-Você sofreu. – não era uma pergunta, mas mesmo assim ela assentiu. – Jacob sofreu.
-Não é culpa sua. – ela sussurrou ainda um pouco abalada.
Eu apoiei minha cabeça no vidro e olhei sem ver as casinhas de madeira da reserva.
-Não tenho tanta certeza. – murmurei tão baixo que não achei que ela fosse ouvir, mas ela era uma vampira, então ela havia sim, ouvido.

A casa de Jacob era pequena e de madeira – como uma casinha de boneca. Um velho moreno de cadeiras de rodas estava na pequena varanda olhando para o nada. Assim que ele ouviu o nosso carro, ele sorriu e empurrou a cadeira de rodas até o inicio da escada de dois degraus. Seu sorriso se alargou mais quando ele percebeu que eu não conseguia sair do carro. Eu tentava abrir a porta do mesmo, mas a coisa simplesmente não abria.
-Bella, acho que a porta está com problemas. – eu disse um pouco alto já que ela não se encontrava mais dentro do carro.
Ela andou até mim e abriu a porta por fora com facilidade. Bella sorriu para mim assim que saí do carro – finalmente.
-Já devia estar acostumada. – bufei puxando o capuz da blusa para que a leve chuva não molhasse meu cabelo.
-A gente desacostuma com o tempo. – ela falou ainda rindo enquanto nos aproximávamos da pequena casa.
Eu bufei novamente e olhei para o velho que ainda sorria para nós duas.
-Parecem irmãs. – o velho falou ainda com o sorriso brilhando.
-Billy! – Bella exclamou também sorrindo para ele.
Perguntei-me há quanto tempo eles não se viam, pois havia saudade na voz de Bella.
-Esta deve ser Renesmee. – Billy se virou para mim. – Então Jacob não exagerou quando disse o quanto era bonita.
Eu sorri e corei. Jacob havia falado de mim? Pronto, agora posso morrer tranqüila.
–Obrigada. – sussurrei.
Bella pareceu perceber que eu precisava de socorro e então me tirou do abismo.
-Então, Billy, aonde está Jacob?
-Estão falando de mim? – Jacob apareceu do nada ao meu lado.
Eu me virei assustada. Havia esquecido que Jacob caminhava sem fazer barulho nenhum. Pude ver que ele estava sem camisa e apenas com uma bermuda jeans rasgada. Era assim que ele sempre ficava, segundo Stephenie Meyer. Era mais fácil andar assim enquanto ele estava transformado.
Bella passou por mim e abraçou Jacob. Eu podia ter feito o mesmo, mas não me sentia próxima a ele o bastante para isso. Na verdade, eu não me sentia tão confortável ali. Era como se eu fosse uma estranha no meio de vários conhecidos. O mais estranho é que eu sabia praticamente tudo sobre eles, já que havia lido Crepúsculo.
-Bem, , está em boas mãos, agora eu já vou. – Bella falou ainda próxima a Jacob.
-Mas já? – Jake perguntou triste.
-Volto para pegar .
Ela saiu da pequena casa acenando para nós e se foi.
-Estarei lá dentro se precisarem, crianças. – Billy falou e entrou na casinha.
Jacob olhou para mim e seus olhos encontraram os meus.
-Muito bem, o que quer fazer? – ele perguntou.
Eu mordi o lábio inferior. Queria ir à praia que eles sempre iam, mas aquele era o lugar deles e eu não queria ser intrometida.
-Pode ser qualquer coisa. – ele garantiu.
-Qualquer coisa? – perguntei ainda com medo.
-Qualquer coisa.
-Mesmo, mesmo?
Ele riu e eu ri junto com ele.
-Desculpe, é que eu sempre faço isso com os meus amigos, para irritá-los. Ou fazia. –me corrigi lembrando que talvez nunca mais fosse vê-los novamente.
-Tudo bem, vou facilitar as coisas para você... – ele disse rápido, deve ter percebido que eu não gostava do fato de perder meus amigos, então ele tentava me distrair. – Temos algumas categorias: calmante, perigoso... hum... Tedioso... Tudo bem, só consigo pensar nestas.
-Calmante e tedioso não são as mesmas coisas?
-Não.
- Vou querer perigoso, então.
Ele riu da minha discordância.
-Não acho que seu pai vai gostar disso. Você acabou de chegar...
-É verdade, acho que por hoje podemos escolher algo mais calmo. – concordei.
-Por que não vamos à praia?
Eu sorri e ele entendeu isso como um sim. Minutos depois estávamos na praia. Ela era linda. As pedras se enfiavam pelo mar causando um belo contraste, a areia mais acinzentada – totalmente vazia por causa do frio. Agora Jacob estava com uma camiseta – a qual ele havia vestido antes de sairmos – que escondia seu peito definido e quente. Nós dois estávamos em silêncio, eu observava cada pedrinha da praia que havia estado em meus sonhos por anos e agora estava na minha frente. Assim como Jake, os Cullen, Forks, todos os meus sonhos realizados de uma vez.
-No que está pensando? – Jacob interrompeu meus pensamentos.
-Em como todos os meus sonhos estão se realizando. Sempre que isso acontece... – eu dei um suspiro. – vem algo e atrapalha. Só estou esperando que este algo chegue, para acabar com tudo, antes que eu mergulhe profundamente no sonho.
Ele ficou em silêncio por um momento. Não sabia se ele estava tentando processar tudo o que eu disse ou estava pensando em algo para dizer.
-Nossa, você é mais confusa que sua mãe.
Nós dois rimos aliviando um pouco o clima, mas eu ainda não estava totalmente despreocupada.
-Não vou deixar que nada de ruim te aconteça. – ele prometeu me abraçando de lado.
Meu coração disparou quando ele me tocou. Eu não sabia se era por causa do imprinting ou pelo simples fato de ser Jacob Black. Ele era aconchegante e quente, assim como eu achava e de repente eu me senti protegida. O silêncio voltou, mas desta vez não era por falta de assunto, mas sim por que não havia nada a se falar.
- Quando me transformei, não foi por escolha própria – Jacob disse quebrando o silêncio -, eu estava tão feliz... Mas isso não impediu a transformação, estava no meu sangue, e o que mais doía, era que eu não podia fazer nada a respeito. Eu estava me afastando de Bella e de Quil e eles nem sabiam por quê. Foi muito doloroso, mas eu tive que agüentar cada momento de dor para poder proteger minha aldeia e depois Bella, por causa de Victória.
Ele olhava para frente enquanto falava, não parecia estar no mesmo mundo que eu, mas isso não me incomodou, pois eu também não estava em minha própria era.
- O que estou querendo dizer é que... Primeiro você tem que se aceitar e achar um ponto positivo nisso tudo, para depois poder mentir para seus amigos. – ele continuou – É o único jeito, Nessie, é o único jeito de mantê-los protegidos. Seus pais, seus outros amigos, agora eles fazem parte de outro lugar, um lugar sem monstros, para o qual você nunca vai realmente poder voltar.
Eu senti minha garganta se fechar e meus olhos se encheram de lágrimas. Eu abaixei a cabeça para que Jacob não pudesse me ver chorando. Mas ele percebeu mesmo assim. Ele ficou de frente para mim e levantou meu queixo para que eu pudesse olhar para ele.
-Desculpe... Eu não queria te fazer chorar.
-Não, você está certo. Não pertenço mais aquele mundo. – respirei fundo, mas isso só piorou as coisas, sempre piorava - Obrigada, Jake, não sei o que eu faria se não fosse você.
Ele então me abraçou para que eu pudesse chorar no seu peito. Quando eu me acalmei a gente voltou a andar, mas não dizíamos nada. Andávamos de mãos dadas e sua mão quente e grande aquecia a minha – que parecia cada vez mais gelada.
Quando chegamos perto de umas pedras Jacob soltou minha mão e subiu em uma das pedras.
-Venha aqui, tem algo que eu acho que você vai gostar de ver!
Eu corri até ele e também subi na pedra, eu olhei para a areia e depois para o mar. Repassei o olhar pela praia procurando algo que ele julgasse importante então eu olhei para um canto da areia e vi um tronco de uma árvore tombado no chão, ele era acinzentado por causa do tempo.
-Aaah! Eu.Não.Acredito! – eu gritei as palavras lentamente e fui correndo até o tronco.
Era o tronco que ele e Bella costumavam se sentar, e lá havia se conhecido. Eu parei na frente do tronco e fiquei olhando-o.
-Como isso veio parar aqui?
-No lugar aonde eu conheci a Bella de verdade não tinha tronco nenhum, era apenas uma praia. A autora criou a história aqui, aonde já tinha este tronco. Eu sabia que você gostava da história, então resolvi te mostrar o tronco.
-Ah! Jacob! É por isso que eu te amo! – eu disse pulando em cima dele.
É claro que ele não caiu no chão como todo ser humano normal, mas ele cambaleou sim. Eu fiquei pulando e só depois que parei percebi que ele me observava com cara de pamonha. Eu ri da cara dele e perguntei:
-Que foi?
Ele balançou a cabeça para tentar sair dos pensamentos.
-Nada não.

O dia passou mais rápido do que eu queria. Jacob nunca deixava que o silêncio tomasse conta e o assunto ‘vampiro’ não voltou a nenhum momento. Ele ficava me contando casos engraçados dos seus amigos e de vez em quando me fazia perguntas bestas como qual era minha cor predileta e se eu gostava de rock. Eu ri e sorri o dia todo com a maior facilidade.
-Tudo bem, eu já falei muito de mim por hoje, sua vez. – ele falou assim que acabou de me contar um caso que o Embry tinha feito para obrigá-lo a pular de um penhasco. - Sua vida no Brasil deve ser muito mais interessante que a minha.
-Na verdade não... Eu morava numa cidade um pouco maior que Forks e não fazia praticamente nada o dia todo. Não temos penhascos e nem podemos dirigir antes dos 18, então, nada acontece.
- Aaah, sei! – ele disse sendo irônico.
Eu deixei passar a ironia dele para que eu não perdesse o assunto que queria.
-E falando em pular de penhascos...
-Ah não! Ah não! Da última vez a Bella quase morreu. – eu fiz cara de cachorrinho chorando e ele riu.
-Tudo bem, já que você quer fazer algo perigoso posso te ensinar a andar de moto.
-Já sei andar de moto. – Falei rápido e ele me olhou surpreso – Poor favoor, Jaaaake!
-Você já sabe andar de moto? – ele ainda estava surpreso.
-Não mude de assunto, Jacob. Se você não for comigo eu vou sozinha.
-Chantagem emocional.
-É.
-Ok, um dia que tiver sol...
-Ah! Vou perguntar pra Alice quando vai ter sol. Aí tipo, nossa, que sonho! – eu me levantei do tronco de tão animada.
-Calma, Renesmee, que animação... – Jacob foi interrompido por um grito.
-Jacob! – uma voz masculina chamou pelo Jacob.
Eu me virei e um rapaz um pouco mais baixo que Jacob e com um pouco menos de músculos estava vindo em nossa direção. Junto com ele vinha uma garota que devia ter mais de 1,80 de altura, por que ela era bem mais alta que eu, ela não andava; ela dançava. A garota sorria para Jacob, mas assim que me viu ela fechou a cara, mau sinal. O garoto continuava sorrindo quando chegou perto da gente.
-Jake, até que fim te achamos! - Ele então olhou para mim - Bella?
-Não, Seth, esta é Renesmee. Nessie, este é o Seth e a Leah.
Seth colocou sua mão para frente como um cumprimento.
- Do you... Speak... English?– Seth gritou enquanto eu o cumprimentava.
Jacob deu um pedala no amigo e disse.
-Ela é brasileira, Seth, e não surda.
-Mas eu falo inglês, sim. – eu me virei para Leah e me arrependi na mesma hora.
Leah me encarava com os olhos apertados de ódio – imagino. Mesmo assim, eu elevei minha mão para cumprimentá-la.
-É um prazer.
Leah bufou e virou-se para Jacob.
-Sam estava chamando você. Mas vejo que está ocupado. – ela cuspiu.
Seth revirou os olhos e Jacob respondeu calmamente.
-O que houve?
-Ele queria saber se você poderia substituí-lo hoje de noite. Porque hoje é aniversário de casamento deles, então...
-Não, tudo bem.
-Então ele pediu para você encontrar com ele no mesmo lugar de sempre pra saber aonde vai ser a rota.
Jacob assentiu cruzando os braços.
-Bom, é só isso, vamos Leah. Tchau, Jake, foi um prazer Nessie.- Seth disse claramente querendo tirar a irmã de lá o mais rápido possível.
Leah passou por mim e deu um beijo na bochecha de Jacob. Não sei por que, mas tive a impressão que ela queria me provocar.
-Tchau, Jake. – ela falou sorrindo e depois fechou a cara e virou-se para mim – Tchau, Renesmee.
-Tchau. – sussurrei.
Sim, eu estava com medo. Sei lá, que ela metia medo mesmo, dude. Assim que eles desapareceram da praia eu me virei para Jacob.
-Jake, eu acho melhor eu ir agora. Você tem que ir trabalhar e Edward daqui a pouco começa a ficar preocupado.
-Ah, Nessie, não precisa.
-Sim, preciso. – eu sorri. – Foi um ótimo dia. Prometo voltar depois.
-Tudo bem, aí eu vou poder te mostrar as maravilhas que existem em La Push.
-Sei. - eu ri e ele me acompanhou.

4- Saudade

Eu cheguei em casa e Edward logo me abordou na porta. Ele me abraçou inesperadamente, me surpreendendo. Quando me soltou ele ficou me olhando sério.
-Edward. – eu murmurei. – Devia confiar mais em mim.
-Confio em você. Eu não confio é nos lobisomens.
Eu suspirei e andei para dentro da casa. Fui logo para o meu quarto tomar um banho.
Assim que saí do banheiro e me troquei ouvi alguém batendo na porta.
-Entre.
A porta se abriu e Edward apareceu. Ele parecia um pouco envergonhado de algo. Então se sentou ao meu lado na cama e finalmente olhou dentro dos meus olhos.
-Me desculpe por hoje. Eu fui muito infantil.
-Tudo bem. – era só isso que eu tinha em mente para dizer.
-Filha, eu quero que entenda que eu só fiz isso para te proteger... – ele pareceu pensar um pouco e depois continuou – e também porque... Eu fico com medo de te perder.
Seus olhos que antes estavam para baixo agora encontraram os meus. Perguntei-me o quanto era difícil para ele assumir isso.
-Não vai me perder. – garanti – Jacob é apenas meu amigo. Ele não vai me machucar.
-Não, , ele não é só seu amigo. É questão de tempo para vocês se apaixonarem e você não vai conseguir se separar dele por um minuto que seja. Logo nós teremos que seguir nossas vidas separadas.
Eu abaixei a cabeça, o que ele dissera era pura verdade. Com o imprinting, era questão de tempo para que eu e Jacob nos apaixonássemos. E se lobisomens e vampiros não podiam conviver, eu teria que me afastar da minha nova família.
-Não precisa ser assim. A gente ainda pode dar um jeito.
Ele riu sem nenhum vestígio de humor. Eu esperei ele dizer o motivo da risada.
-Foi exatamente o que Bella disse ao Jacob quando ela percebeu que teria que deixá-lo.
-É eu me lembro... – eu disse realmente me lembrando. Então eu mordi meu lábio inferior – Os papéis se inverteram, não é?
-Bom, eu não vou obrigá-la a me beijar. – ele deu seu sorriso de lado.
Eu dei um soquinho em seu ombro, mas ele pareceu nem sentir.
-Tô falando sério, Edward. – o meio sorriso dele sumiu e ele voltou a me encarar – Não se preocupe, vai dar certo no final. Sempre digo isso aos meus amigos.
Ele se levantou da cama e se espreguiçou, achei meio estranho, vampiros se espreguiçavam?
-Vou fingir que acredito em você.
-Claro, claro. – eu falei do mesmo jeito que Bella dizia que Jacob falava com seu pai.
Ele sorriu, me deu um beijo na testa e desapareceu do quarto.
Eu me deitei na cama de costas olhando para o teto. Comecei a pensar em cada palavra que Edward havia me falado. Sobre ser uma questão de tempo para eu me apaixonar por Jacob, sobre eu ter que deixar os Cullen – os quais eu sempre sonhei encontrar -, sobre eu falar aquelas mesmas palavras de Bella, desta vez para Edward e sobre eu falar exatamente igual a Jacob. Eu suspirei lembrando quando eu tentava imitar a Bella para que meu destino fosse ao menos parecido com o dela e agora, aqui estou eu, vivendo com os Cullen, sendo chamada de Renesmee, a ponto de me apaixonar por Jacob... Meu destino não era exatamente parecido com o de Bella, mas no final eu vim parar no mesmo lugar que ela: junto com as mais antigas lendas sobre lobisomens e vampiros. Eu ri; quem diria, hein, ? Você, vai se tornar uma vampira, é amiga de um lobisomem, sua família são os vampiros mais conhecidos de todo o mundo e... Tá, acho que só isso já ta bom, pensei comigo mesma. Mas então algo apertou meu coração. Algo que eu estava evitando me lembrar. Este sonho trazia um sacrifício junto, minha outra família – a de humanos – e os meus outros amigos – os humanos. Eu não queria deixá-los, não queria simplesmente sumir no mundo. Eu corri até o telefone e disquei um número que eu já conhecia de cor. Uma garota atendeu:
-Alô?– eu fechei os olhos. O português da garota me reconfortava, era como estar em casa.
-. – não era uma pergunta. A voz da minha amiga eu reconheceria em qualquer lugar.
-? Aaaaah! ! Que saudade menina! Isa! É a !
Eu senti minha garganta se fechar. A saudade apertou meu peito mais uma vez.
-Também estou com saudades. Você nem faz idéia.
-Como ta aí? Conta tudo!
Tô morando na casa dos Cullen, vou virar vampira, sou a Nessie, o Jake e eu somos amigos, os Volturi querem me matar. Como queria contar isso à ela.
-Ah, tá tudo muito legal! Todos aqui são muito receptivos. – eu continuava com os olhos fechados – Nossa, como eu sentia falta de falar este inútil português.
Ela riu e eu ouvi alguém gritar no fundo do telefone: ‘‘! Te amooo!’’ Eu ri, típico da Isabel.
-Tem algum garoto? perguntou curiosa.
Uhum, tem o Jacob Black, lembra dele? Então, ele teve o imprinting comigo, legal, né? Eu ri dos meus pensamentos, o que ela falaria se caso eu contasse a verdade?
-Ah, tem um sim. Mas nós somos só amigos, por enquanto. – disse pelo menos um pouco da verdade.
-Ooh! , você passou dois dias aí e já tá assim, hein, garota?
Nós duas rimos. Eu ainda continuava triste, triste de saudade, mas eu sabia que ia agüentar, eu tinha que agüentar.
-Nessie! – alguém me chamou do corredor, mas a voz estava muito mais longe do que se a pessoa estivesse do outro lado da porta.
- Tem alguém chamada Nessie, aí? perguntou.
Eu apertei meu lábio inferior. Mais uma mentira.
-Tem sim, mas ela não mora aqui. Coincidência, hein?
- É, primeiro a Esme e o Carlisle na sua casa. Agora uma Nessie aí. , você está praticamente em Crepúsculo. Sortuda.
Eu fingi rir.
-Nessie? – a voz me chamou novamente, desta vez ela estava atrás da minha porta.
Não sabia o que fazer. Infelizmente tinha que desligar o celular, mas eu não queria deixar esta minha vida de humana – a qual eu sentia falta – para trás.
-Er, , eu vou ter que desligar, o café da tarde ficou pronto e eu tenho que ir comer.
-Café da tarde? – ela perguntou confusa.
-O fuso horário, lembra?
- Ah é mesmo. Tenho que me acostumar que você não está mais no Brasil... Bom, tudo bem, então me passa o telefone daí.
Eu falei o número do telefone enquanto me levantava correndo da cama.
-Nessie, você tá aí? – desta vez reconheci a voz, Jacob.
-Bom, então, tchau, . Tô morrendo de saudades! Você nem imagina. – eu abri a porta do quarto e coloquei o dedo indicador na minha boca para Jake fazer silêncio. – E manda um beijo para a . Beijos, te amo.
Eu desliguei o telefone e suspirei mais calma.
-O que foi isso? – ele perguntou enquanto eu abria a porta do meu quarto para ele entrar, mas ele hesitou.
-Liguei pra minha amiga no Brasil. E ela ouviu você me chamando por Renesmee. Tive que mentir de novo. – eu disse suspirando.
-Sinto muito.
Nós ficamos duas batidas de coração em silêncio então ele sorriu.
-Senti sua falta.
-Não faz nem duas horas que nós nos vimos.
-Ah, obrigado. Vou embora então.
-Não! – senti um desespero quando ele disse que ia embora. – Então... agora você tem livre acesso à casa, é?
-Edward me ligou pouco depois que você saiu... Ele me chamou para tomar o café daqui, para lhe fazer companhia. – ele franziu a sobrancelha como se não tivesse entendido o ato de Edward.
Dei de ombros e sorri.
-É bom que vocês tenham se entendido.
-Não nos entendemos. Estou fazendo isso por você.
-Claro, claro.
-Ei, só eu falo assim.
-Falo assim desde que li Eclipse. Não é culpa minha se você me passou esta mania.
Nós dois rimos e descemos para a sala.

5- E se...

Uma, duas, três semanas se passaram e o meu aniversário de quinze anos me olhava de frente. Faltando apenas dois dias para que ele chegasse, eu estava cada vez mais nervosa. A transformação não evoluía. E se os Volturi me achassem e eu não estivesse pronta? Sentia um arrepio só de pensar nisso. Todos nas casa me tranquilizavam – ou pelo menos tentavam – sem parecer se importar muito. ‘‘Se eles decidirem alguma coisa vou saber’’ Alice repetia pela quinta vez. ‘‘Não se preocupe, logo você estará pronta.’’ Carlisle tentava me tranqüilizar, inutilmente. Até mesmo Jacob estava menos preocupado que eu : ‘‘ Se a matilha sentir algum cheiro ou qualquer outra coisa diferente entrar no nosso terreno, vai ser a primeira a saber. Não fique se preocupando à toa’’. É claro que eles não tinham que se preocupar, não eram eles que tinham que escolher entre serem monstros ou morrerem, é claro que eu nunca disse isso a eles, seria grosseria.
Eu e Jacob estávamos cada vez mais próximos. Nos víamos praticamente todo dia e Edward já não estava tão ciumento; eu e Bella tentávamos fazer com que os dois se dessem bem, mas parecia impossível.

-Nessie? Nessie? – Alice chamou, tirando-me dos meus pensamentos.
Eu pisquei duas vezes, tentando voltar à realidade.
-Que foi, Alice? – perguntei, sem me lembrar do que ela estava falando.
-Você não estava me ouvindo. – ela fez voz de ofendida.
-Desculpe, viajei aqui.
-Ela faz isso direto, Alice, com o tempo você se acostuma. – Jake falou e só então percebi que ele estava sentado ao meu lado.
Jake estava mais próximo de mim do que costumava ficar quando estávamos perto dos meus pais e eu não pude deixar de notar isso.
Eu realmente apagava assim normalmente? Antes de vir para cá eu apagava algumas vezes do mundo, mas eu não me aprofundava tanto nos meus pensamentos.
- Mas, sobre o que você estava falando? – perguntei á Alice mudando de assunto rapidamente.
-Sobre seu aniversário. Sei que seus amigos não poderão vir, mas mesmo assim... só se faz quinze anos uma vez na vida.
Revirei os olhos. Eu teria quinze anos pelo resto da minha existência, então que diferença fazia? E além do mais, eu queria viajar, mas não acho que poderia; não com um bando de vampiros atrás de mim.
-Não dá tempo de fazer uma festa, Alice. E não era exatamente isso que eu queria de presente.
Jacob me abraçou com um dos braços e me apertou gentilmente contra seu corpo quente.
-Não acho que uma viagem seja boa agora.- ele falou.
-Concordo com Jacob. Quem sabe quando a confusão acabar? – Agora a voz de Alice refletia pena.
Mas e se não houvesse depois? E se eu não tivesse muito tempo mais? Mas não falei nada, apenas assenti. Eu tinha argumentos, mas não queria usá-los. Jake pareceu perceber isso então se levantou do sofá e ergueu a mão educadamente para me ajudar a levantar. Nós dois fomos para a cozinha, onde não tinha ninguém. Eu me sentei no balcão e Jacob ficou ao meu lado; mesmo assim ele ainda era da minha altura. Eu encarava o chão sem pensar em nada, não tinha nada a dizer.
- Você ainda vai pra Disney, nem que eu tenha que trazê-la para você.
Eu sorri, mas ainda não estava feliz.
-Mesmo? – eu finalmente o olhei nos olhos.
Seus olhos estavam tristes, provavelmente os meus estavam do mesmo jeito.
- Se te fizer feliz.
Eu sorri mais ainda. Sempre sonhei em ter alguém que me dissesse isso. De repente eu senti uma vontade muito grade de beijá-lo. Mas me segurei. Ele deu um leve sorriso e ficamos nos encarando por algum tempo. Logo ele abaixou a cabeça e eu senti uma vergonha repentina. Mas por quê? Eu não estava com vergonha de nada. Ele estava corando. Eu ri daquilo.
-Jake, está corando.
Ele também riu, mas riu de vergonha. Então eu me lembrei que li uma vez, em uma história*, que um imprinting sentia o que o outro sentia. Arregalei os olhos. Então ele havia sentido que eu queria beijá-lo! Ele sempre esteve sentido o que eu estava. Oh, Deus! Por que ninguém me avisou? E por que eu só comecei a sentir os sentimentos dele agora? Jake deve ter reparado que eu entrei em estado de choque.
- Nessie? Você tá bem? Nessie? – ele passou as mãos na minha frente para ver se eu piscava, mas eu não pisquei.
Eu balancei a cabeça para tentar distanciar os pensamentos.
-Jake, você pode... sentir o que eu sinto?
Ele ficou surpreso com a pergunta, seus olhos se arregalaram e eu senti a surpresa na minha mente.
-Hm... – ele apertou os olhos sem saber o que falar. – É, algo assim.
-E ninguém teve a competência de me contar que meus sentimentos estavam expostos para todo mundo ver!
-Não todo mundo, só eu. – ele estava calmo.
-Grande bosta! – eu me levantei e comecei a andar de um lado para o outro.
-Por que está tão zangada?
-Não estou zangada... estou... constrangida! Argh!
Eu sentia o constrangimento ativar minha raiva, eu sem pensar agarrei minhas unhas na mesa de jantar - uma mesa de dez cadeiras, para ser mais específica – e a empurrei para a enorme janela de vidro que tinha na cozinha. A mesa voou e atravessou a janela, espalhando vidro para todo lado, sem falar no enorme barulho. Eu e Jacob ficamos olhando para a janela sem entender o que tinha acontecido. Eu olhei para a minha mão aonde pedaços de madeira começavam a me incomodar, de tão forte que eu os apertava.
- Mas o que... – Edward perguntou apesar de não conseguir terminar a pergunta.
Eu me virei para ver quem estava olhando o enorme estrago que eu fizera. Bella, Edward, Alice, Jasper, Emmett olhavam para a janela de vidro, pareciam estátuas e Jacob estava bem perto de se tornar uma.
-Oh My God, o que eu fiz? – murmurei voltando a encarar a janela quebrada.
- Legal! – Emmett exclamou surpreso. – Quanto pesava esta mesa?
-Mais de cem quilos, com certeza. – Edward respondeu.
Eu olhei para as mãos de Jacob, elas tremiam, e eu sabia o que isso significava. Assim que ele percebeu que eu já havia visto suas mãos ele as fechou num punho, mas elas ainda tremiam de leve.
-Bom, vou pegar uma vassoura para limpar isso. – Bella disse, mas ainda parecia estar em choque - Me ajude, Alice.
As duas logo desapareceram da cozinha. Então eu senti algo quente envolver minha mão. Era a mão de Jacob. Instantaneamente me senti melhor, protegida.
- Quer sair daqui? – ele sussurrou no meu ouvido.
Apenas assenti e ele me puxou para fora da casa. O Rabbit vermelho dele estava perto do Volvo prateado de Edward e nós entramos nele completamente absortos em nossos próprios pensamentos.
A viagem foi em silêncio. Eu olhava sem prestar atenção a estrada e as árvores. Jake parou quando chegamos na praia que sempre íamos. Não chovia, mas ventava um vento frio e forte. Eu abracei meus braços tentando me tampar do frio. Jacob me abraçou por trás, me esquentando.
- Como você faz? – ele saiu de trás de mim e ficou ao meu lado, ainda segurando minha mão - Como você faz para... se controlar?
Eu olhei para seu rosto, Jake me encarava confuso.
-Por que quer saber?
Olhei para as minhas mãos me lembrando do que elas fizeram pouco tempo atrás. Uma mesa de cem quilos atirada com a maior facilidade por uma janela de vidro. E se fosse uma pessoa, um humano? Ele provavelmente teria se machucado muito.
Jake percebeu o que eu queria dizer e ficou de frente para mim, fazendo com que nós dois parássemos de andar.
- Escute aqui, Renesmee, você não é igual a mim. – ele pegou no meu queixo para que eu pudesse olhar dentro de seus olhos. – Eu sou um cachorro desgovernado, novo e inexperiente.
-Eu sou um morcego desgovernado, novo e inexperiente. Grande mudança. E você não é um cachorro.
- E você não é um morcego.
Eu bufei e continuei a andar pela praia. Jake veio atrás de mim.
-Nessie, espere. O que eu te disse sobre você não ser igual a mim é verdade. Eu sei que você deve estar assustada com o que houve, mas não precisa se comparar a mim e nem àqueles sanguessu... vampiros.
- Como não? Logo me tornarei um deles e o pior é que... eu não estou feliz com isso! Olhe, eu sempre sonhei em ser um vampiro, fazer parte da família Cullen, ser super forte, super rápida, ser temida, ser uma lenda... - Jacob tentava assimilar minhas palavras, mas não parecia estar se saindo muito bem. - Agora eu consegui tudo, mesmo assim, não consigo ser feliz. É como se faltasse alguma coisa, ou melhor, como se eu tivesse perdendo muitas coisas. Amigos, minha outra família, minha humanidade. Como se o que eu estivesse ganhando não fosse o bastante para ocupar o espaço do que estou deixando.
Jacob olhou para baixo e eu senti sua decepção em minha mente.
-Sinto muito.
- Não sinta. Bom, pelo menos eu tenho você. – falei deixando escapar um pequeno sorriso.
O sorriso de Jacob cresceu e seus dentes brancos faiscaram.
-É, pelo menos você tem a mim.
-Metido...
-Ah vamos, quantos tem este privilégio?
-É verdade... nem todos tem o privilégio de ter o famoso Jacob Black de Crepúsculo. -Sempre soube que eu era especial...
-Eu também sempre soube que eu era diferente... -É, você e a sua mãe nunca foram muito normais não.
-Obrigada pela parte que me toca.
-De nada.
Nós dois começamos a rir sem parar. Era mais fácil ser a de sempre com ele. Talvez fosse por que eu sabia que ele não me abandonaria caso eu enlouquecesse – não que eu ache que isso vá acontecer –, mas ele sempre estaria comigo, por eu ser o imprinting dele.

Quando Jacob parou o carro na frente da minha casa ele ficou com uma cara estranha.
-Tem alguém novo aqui.
-O quê? – perguntei confusa.
-Um cheiro novo, não o reconheço.
Os Volturi. Tinha praticamente certeza, mas espera, Jacob já não conhecia o cheiro dos Volturi?
-Os Volturi. – não perguntei, mesmo estando um pouco confusa em relação a isso.
-Não. – ele fechou os olhos para se concentrar mais. – Humano.
Mas quem seria? Minha curiosidade estava atiçada.
-Então, vamos lá ver nosso visitante... – eu disse abrindo a porta.
-Não. Pode ser um vampiro. - Jacob me deteve pegando meu pulso.
-Eles nunca mandariam um humano vir a uma família de vampiros. Mesmo sendo os Cullen, seria idiotice.
-Ainda assim acho perigoso.
-Jake, pode voltar se quiser.
-Tudo bem, vamos. – ele disse já colocando a mão que não segurava a minha na chave do carro, pronto para girá-la.
-Não. Eu vou ficar. Não acho que seja alguém perigoso. Podem ter pedido alguma comida, ou... ou podem ser meus pais! – de repente me animei com a idéia.
Eu saí do carro e fui correndo, é claro que Jacob logo estava ao meu lado. Ele me deu sua mão e entramos juntos em casa.
Assim que abri a porta reconheci os rostos. Alice, Bella, Esme e Carlisle estavam sentados em um dos sofás “tomando” chá, enquanto duas outras pessoas estavam sentadas em outro sofá. As duas sorriram para mim assim que me viram. Por esta eu não esperava, pensei, encarando-os.

6-Mentiras


Eu olhei pra cara de cada um. Eles sorriram e se levantaram.
- ! Estávamos com saudades! – Daniel falou, vindo na minha direção.
- Eu também estava. – murmurei, ainda em estado de choque.
Jacob permanecia de mãos dadas comigo enquanto meus amigos me abraçavam.
Quando Daniel e terminaram de me abraçar, eu apresentei Jacob.
- Gente, este é Jacob Black, meu... amigo – eu falei em português, logo depois me virei para Jacob e voltei a falar em inglês – Jake, estes são e Daniel.
Jake relaxou assim que percebeu que eles realmente eram meus amigos.
Mas o que eles faziam ali? Minha transformação estava indo de vento em poupa e eles não podiam saber quem eu era, e nem da existência de vampiros e lobisomens.
- Bella, pode vir aqui comigo? – chamei Bella, que estava sentada no sofá apenas nos analisando em silêncio.
- Bella, mas você não nos disse que ela chamava Marie? – perguntou, virando-se para Esme. - Isabella é meu segundo nome, mas ninguém me chama assim, exceto a . – Bella logo reverteu a situação.
Mas o que estava acontecendo ali? Eu olhei para Jacob e ele devolveu meu olhar, nós dois estávamos perdidos na situação.
Nós duas fomos para a cozinha e eu trouxe Jake junto, já que ele parecia tão perdido quanto eu.
-O que está havendo? – sussurrei quando chegamos à cozinha.
-Seus amigos vieram aqui para te fazer uma surpresa. Alice só viu isso quando lembrou-se que você estava aqui e que tinha seu endereço. Os dois perderam o avião e não tinham onde ficar, então vieram para cá.
-Eles não estavam no Brasil? – Jake perguntou falando pela primeira vez.
-Vieram comemorar seus quinze anos.
-Disney. – falei, me lembrando da viagem que ganharia de quinze anos, mas que foi cancelada por causa da transformação e pelo constante perigo dos Volturi aparecerem.
Bella assentiu e Jacob apertou minha mão, percebendo que eu fiquei triste por me lembrar da viajem.
- Mas, por que mentiram os nomes? – Jake perguntou por nós dois.
- Edward estava aqui quando chegaram, ele pode ler que a garota já havia percebido quem nós éramos, a semelhança, então nós tivemos que mentir o nome para que ela não ficasse mais desconfiada.
-Quais são os nomes? -Eu sou Marie, mas agora, , você terá que me chamar de Bella; Edward é Bernard; Esme é Esme mesmo, já que eles tinham se visto na sua casa; Carlisle continua sendo Carlisle pelo mesmo motivo de Esme; Alice é Lyce; Jasper é Gaspar; Rosalie não quis mudar seu nome; Emmett é Geeppett.
-Bom, pelo menos as mudanças não são tão drásticas. – Jacob comentou dando de ombros.
-Verdade. Mas e o Jake?
-Você já o apresentou assim, agora deixe. E Jake, nada de chamar a de Renesmee.
-Vou tentar. – Ele reclamou.
Nunca havia percebido que Jake não me chamava por e sempre por Renesmee. Será que ele não gostava do meu nome?
Nós voltamos para a sala onde Esme conversava alegremente em português com meus amigos e Alice estava concentrada em seu chá; parecia estar em outro mundo. Me perguntei se Alice sabia falar português ou só estava lá para fazer sala. Antes de chegarmos perto do sofá, Jacob me puxou pela mão, fazendo que com sua força eu voasse de encontro ao seu peito duro e quente.
-Outch! – reclamei e me afastei de seu corpo com a minha mão que ele não segurava na testa por causa da dor do impacto.
-Desculpe. – ele disse indiferente – , já vou embora, não posso ficar tanto tempo longe da matilha sem dar notícias de onde estou.
-Tem mesmo que ir? – perguntei fazendo uma cara de piedade.
Ele assentiu e me deu um beijo na bochecha.
-Qualquer coisa me ligue e estarei aqui em menos de um minuto.
Ele então saiu despedindo-se de todos.

Passei o resto da tarde com meus amigos. Tive que contar várias mentiras como: como eu havia conhecido Jake, por que eu iria estudar numa escola que não era dentro da cidade; coisas assim.
-Pretendem ficar para a festa da , certo? – Alice perguntou em português assim que teve a oportunidade.
-Não sei. Se nossos pais deixarem, nós ficamos sim. – respondeu. -Nossa , nem nos contou que ia dar uma festa, né?- Daniel me perguntou, brincando.
-Isso foi invenção da Lyce. Eu não queria fazer festa nenhuma.- resmunguei.
-Ah, só se faz quinze anos uma vez, merece comemoração. – Alice discordou de mim.
-É verdade. – Esme se intrometeu – na minha época costumávamos dizer que esta idade é quando a garota se torna mulher.
E quando a garota se torna vampira também, no meu caso, mas é claro que eu apenas pensei isso.
-E quando é a sua época, Esme? Segunda guerra mundial?- Alice comentou brincando.
Eu, Bella e Esme fizemos uma careta. Sabíamos que Esme era mais velha que isso, mas acontece que os humanos que estavam na nossa presença não sabiam deste pequeno detalhe.
- Gente, tô brincando! Nem pode mais brincar. – Alice falou mostrando a língua pra Bella e Esme.

Quando mentimos para protegermos quem amamos, a mentira se torna fácil e indolor. Mentir para os meus amigos foi fácil, mas quando eu tinha que enganá-los sobre coisas que nem eu tinha certeza se viveria para vê-las acontecer foi muito doloroso, quase que como uma facada na minha consciência.

- Happy birthday to you! Happy birthday to you! Happy birthday to you, dear ! Happy birthday to you! – um coro de vozes me acordou cantando esta música.
Eu me sentei na cama, ainda dormindo.
-Hum? – perguntei confusa.
-Meia noite. – Alice tentou me explicar. Mas não adiantou nada e eu esperei por mais explicações. – Três de julho.
-Pois é, né. – Fingi que entendia.
-Falei que era melhor esperar até de manhã para dar os parabéns pra ela. – Bella falou em uma língua que devia ser inglês, mas eu estava adormecida demais para identificar. Happy birthday, o que isso significava mesmo? O meu sono não me deixava pensar e muito menos traduzir as palavras do inglês para o português. Então me lembrei o qual era o significado.
-Parabéns? Hoje é meu... aniversário? – perguntei tentando fazer as palavras fazerem sentido.
-Bom, você nasceu no dia três de julho. E hoje é três de julho, então isso significa que é seu aniversário sim. – Daniel tentou me explicar.
-Fiz quinze anos? – eu fechei meus olhos lembrando-me do que aconteceria quando completasse quinze anos, a transformação.
-, você está bem? – perguntou quando eu não disse mais nada.
-Acho que sim. Tem algo de errado comigo? – perguntei me referindo a minha aparência.
-Você tá com a cara amassada, olheiras e toda descabelada. – Rosalie falou, mas eu não sabia se ela estava brincando ou não.
-Sem falar que seu cérebro não parece estar funcionando. – Emmett completou, rindo.
-Ah! – exclamei percebendo que eu continuava com a mesma cara humana e com defeitos de antes.
Tinha completado quinze anos, mas nada em meu rosto mudara. Eu esperava que pelo menos com a transformação eu ficasse um pouquinho – nem sou tão exigente – mais bonita, mas parece que isso não aconteceu.
- Esme e Bella fizeram um bolo que parece estar ótimo, por que não vamos lá comer? – Edward falou.
Sem discutir com a idéia de comer bolo de madrugada todos descemos para a cozinha.
Quando o silêncio reinou pelas bocas estarem ocupadas comendo o bolo cheio de glacê – mas é claro que apenas as bocas humanas estavam cheias de glacê, e sim, eu me incluía nesta lista de humanos -, notei que faltava alguém, alguém que sempre completava o silêncio e que também comia bolo: Jacob.
Eu não o vira e nem falara com ele desde o dia que meus amigos brasileiros chegaram. Eu tentei ligar para a casa dele, mas Billy dissera que ele estava correndo e que pediria para ele me ligar assim que chegava. Mas ele não ligou, então eu voltei a ligar e o Billy disse que ele ainda não havia voltado. É claro que eu fiquei preocupada, mas não havia nada que eu pudesse fazer.
Olhei novamente buscando-o pela cozinha, mas sabia que não iria encontrá-lo. Eu suspirei e mirei meu prato sujo pelos restos de bolo que eu tinha comido apenas a metade.
- Este negócio de eu não poder ler sua lente assim como a da sua mãe não me deixa muito satisfeito. – olhei para Edward que de repente estava ao meu lado – Por que está tão triste?
-Não estou triste. – Forcei um sorriso, mas isso só piorou as coisas, pois o sorriso virou uma careta.
-Você mente tão mal quanto sua mãe.
-Obrigada.
-O que está tentando esconder?
-Não estou escondendo nada. Só acho que tem alguém se escondendo de mim, eu só não sei o por quê. – confessei.
-Jacob. – ele adivinhou.
Eu apenas assenti e ele me abraçou com um dos braços. Seu corpo duro e frio me fez sentir ainda mais falta do corpo quente de Jacob, mas ao mesmo tempo me senti acolhida.
-Sua mãe tentou chamá-lo, mas ele estava correndo. - revirei os olhos, queria que ele me dissesse algo que eu não soubesse. – Mas isso você já sabe. Acho que ele deve ter um ótimo motivo, , para faltar ao seu aniversário.
- Ele ainda pode aparecer, tem até meia noite de hoje.
Dito aquilo, eu me soltei de Edward e subi para meu quarto. É claro que ninguém entendeu por que estava tão triste, mas não vieram atrás de mim e eu me senti grata por isso.
Jacob estava se escondendo de mim, eu tinha certeza. Billy saberia se o filho tivesse ido para algum lugar específico. Mas o que eu faria? Ou melhor, o que eu tinha feito?

Quando me levantei percebi que estava chovendo, que milagre! Aquela chuva combinava com meu humor, isso eu tinha que admitir. Troquei de roupa e desci. A casa estava em silêncio e parecia estar vazia. Fui até a cozinha na esperança de encontrar alguém, mas estava tudo vazio também. Em cima da mesa de jantar tinha um bilhete com uma letra impecável.

, Nós saímos para caçar antes que seus amigos acordassem. e te ligaram mais cedo, enquanto dormia. Logo estaremos de volta. Beijos, Alice.

Nenhuma notícia de Jacob, era disso o que eu precisava. Sem esperar muito liguei para os meus pais e conversei com eles por um longo tempo. Eu me sentia muito mais humana quando conversava com eles. Pelo menos nas nossas conversas não haviam lobisomens, vampiros ou transformações. Eram apenas coisas humanas que aconteciam com todo mundo. Mas quando desliguei o telefone, voltei ao mundo de filme de terror, cheio de monstros, e o pior, eu era um deles. Não que isso fosse tão ruim, mas era estranho, ah, isso era.
-? Já esta acordada? – Ouvi alguém me chamando, percebi pela voz que devia ser a
-Uhum, estou aqui na cozinha. – respondi alto.
Peguei o bilhete e procurei um bolso, mas não tinha nenhum bolso no vestido que eu havia colocado. Os passos de se aproximavam e eu não tinha aonde colocar aquele bilhete. Se ela lesse aquilo ia descobrir tudo, e ia dar a maior confusão. Já podia ouvir seus passos perto da porta da cozinha e eu ainda estava com papel na mão. Quando ela chegou na porta da cozinha, eu enfiei o papel na boca e mastiguei. Podia sentir o gosto da tinta da caneta, mas continuei mastigando.
- Nossa, já ta comendo? Nem me esperou? – ela falou fingindo estar magoada.
Eu sorri e me virei para ficar de costas para ela.
-Vou ao banheiro e já volto.
Não esperei que respondesse. Corri até o banheiro mais próximo e me tranquei lá dentro. Cuspi o resto de papel na pia fazendo careta. Alguns pedaços de papel molhado ainda estavam grudados na minha boca, em locais pouco accessíveis como dentes do fundo, céu da boca e por baixo da língua. Fiz um cacarejo com a água da torneira para que todos os pedaços de papel saíssem da minha boca e isso pareceu bastar.
Quando saí do banheiro e voltei à cozinha. devorava um pão com mortadela.
-Como pode ter fome se a gente comeu de madrugada?
-Eu comi, né? Você desapareceu no meio da festa. O que houve? – me perguntou colocando mais uma fatia de mortadela na boca.
-Nada. – Sussurrei e olhei o relógio, já estava tarde o suficiente para poder ir à La Push saber notícias de Jake. – , acho que eles não estão aí.
-É. Mas que droga!
-O que faremos agora? A gente bem que podia ir na praia do Jake e da Bella.
-Claro, claro. – disse assentindo.
A praia do Jake e da Bella. Não era mais assim que eu via aquela praia. Para mim ela era onde eu e Jake podíamos ficar a sós. Mas explicar isso à não era bem o que eu pretendia naquele momento.
Quando chegamos lá, vi que o tronco estava ocupado por uma garota.
-Aquele é o tronco da Bella e do Jake. – Apontei mostrando para
-Concordo.
-E você não podia ter escolhido um melhor lugar para morar, é quase como estar dentro de Crepúsculo.
Eu ri sem humor. Eu parecia realmente estar dentro de Crepúsculo. Eu era a Renesmee, podia sim, me considerar um personagem.
- Sempre fui uma viciada. – falei e nós duas rimos.
Nós fomos nos aproximando do mar e quando passamos pelo tronco a garota virou-se para ver quem estava se aproximando dela. Instantaneamente eu também virei. Reconheci o rosto, era a Leah.
- Oi, Leah! – parei para cumprimentá-la.
- Olá, Renesmee. – ela me chamou de Renesmee, provavelmente não sabia que não sabia do meu outro nome. Eu olhei para . Ela me encarava como se não estivesse entendendo. Não dava pra explicar, não ali. Leah se levantou e veio até mim.
-Satisfeita? – ela perguntou áspera.
-Com o que? – perguntei calma, eu realmente não estava entendendo sobre o que ela estava falando.
-Com o fato de ter afastado Jake de mim, de todos nós.
-O que?
Mas do que ela estava falando? Então Jake não estava apenas se escondendo de mim? Mas por que diabos ela estava colocando a culpa em mim?
-A razão por ele ter ido embora e nem sabe quando ou se vai voltar. – eu não entendia, mas ela parecia entender. Esperei para Leah continuar. Ela andou mais dois passos se aproximando mais ainda. - Por sua culpa, Jake foi para o Canadá. Assim como ele fez quando soube que Bella iria se casar. Mas desta vez, não sabemos se quer se ele vai voltar, se ele deve voltar. E tudo por culpa sua.
Meus olhos começaram a encher de lágrimas, mas eu não poderia chorar, eu nem sabia pelo o que iria chorar.
-Do que esta falando? – murmurei com a voz falha por causa do sono.
-Ah! Vai fingir que não sabe? Não me importo, vou fingir que acredito. Ele teve que ir para o Canadá para se proteger de você. Todos nós sabemos que você é muito mais forte do que qualquer sanguessuga da sua família, do que qualquer lobisomem, do que qualquer coisa no mundo. Ou acha o que? Que qualquer um pode jogar uma mesa de cem quilos á metros de distância com apenas um empurrãozinho? Não! Não podemos.
-Do que ela esta falando, ? – me perguntou, sua voz tremia, e ela parecia assustada.
Algumas lágrimas vazaram dos meus olhos escorrendo pela minha bochecha.
-Ele... ele fugiu de mim... por medo de eu machucá-lo? – tentei juntar as palavras, mas juntas elas eram como facadas no meu coração.
-Machucá-lo? Você poderia matá-lo! – ela gritava e seus braços tremiam.
Eu fechei os olhos e os abri novamente, as lágrimas não estavam secas, mas se transformaram em ódio. Ela achava que eu podia matar a minha alma gêmea? Aquele que eu mais amava?
-Eu nunca iria matá-lo. – eu gritei. – Eu nunca iria se quer machucá-lo. Não sou um monstro!
-Ah não é? Estranho, achei que fosse. – ela falou sarcástica.
-Ah, é? Então não sou o único monstro aqui, Leah. – falei apertando meus olhos desafiando-a.
O corpo da garota começou a tremer com tão intensidade que eu achei que ela estava tendo uma convulsão, mas logo me toquei no que ela iria se transformar.
- ... o que você fez com ela? – gritou em desespero.
- , corre. – sussurrei.
E neste mesmo instante Leah, que devia ser pouco maior que explodiu em um lobo de dois e pouco de altura – suponho. Leah-lobo soltou um rosnado que apertou meus tímpanos. Não sabia se podia lutar com uma criatura daquela, mas sabia que ela não me daria a oportunidade de correr, eu nem queria correr. O ódio praticamente vazava dos meus olhos e dos dela também.
-Não é capaz nem de se manter no controle, Leah?- eu ri sem nem um pingo de humor.
Isso só fez com que ela arreganhasse mais ainda os dentes, uma fileira branca, brilhante e afiada cintilou. Eu sentia a adrenalina correr pelo meu sangue e estava atenta a cada movimento que ela fazia. Nós duas nos encarávamos e meus dentes também estava à mostra. Instinto, era só isso que me guiava. Esqueci-me totalmente que a minha amiga, frágil e mortal estava bem ali do meu lado. Quando pulei para em Leah algo me segurou no ar, mas é claro que a tal coisa que me segurou não conseguiu impedir que eu avançasse alguns metros e caísse no chão. Rosnei e vi que tinha outro lobisomem ao lado de Leah. Um preto bem maior que ela e parecia bem mais forte, Sam, imaginei. Ele encarava Leah sério. Tentei me levantar, mas alguém segurava minha pernas.
-Me solta, droga! Não fui eu que perdi o controle! – gritei.
A pessoa que me prendia me soltou lentamente e se afastou. Me levantei e fui ver quem é que tinha me derrubado no chão. Seth me olhava com os olhos arregalados, medo talvez. Olhei para que estava com os olhos esbugalhados e as mãos em punho ao lado do corpo. Andei lentamente até ela com as mãos no ar, como se estivesse me rendendo.
- ? Tudo bem? – perguntei, mas ela continuou na mesma posição de choque. – Você está bem?
Quando dei mais um passo, ela caiu no chão desmaiada. Seth me olhou desesperado e depois olhou para ela e se ajoelhou ao seu lado.
-Você acha que ela vai ficar bem? – perguntou, pegando na mão dela.
-Claro, claro. – falei, fingindo não estar muito preocupada.
Olhei para trás, mas tudo o que vi foi Sam saindo da floresta na sua forma humana. Jacob já havia nos apresentado, mas foi apenas isso, nunca havíamos conversado.
-Ela vai ficar bem, Seth. Não fique tão preocupado.
Seth sentou-se na areia e colocou a cabeça de em suas longas pernas para que não ficasse na areia. Ele então começou a acariciar seus cabelos. Estranhei, eles nunca haviam se visto, mas ele olhava de uma forma que parecia que ele iria se atirar na frente de uma bala se fosse preciso para mantê-la viva.
-É o imprinting. – Sam falou suspirando.
- Seth teve o imprinting com a... ? – perguntei confusa.
Sam assentiu e andou até mim ficando ao meu lado. Nós dois fitávamos o mar em silêncio. Sam não parecia preocupado se Leah estava bem, talvez os dois tivessem conversado isso telectualmente, mas foi tudo tão rápido. Eles chegando, eu agindo por plenos instintos, se não tivesse certeza que tinha sido eu não acreditaria que uma garota a qual descobrira não ser humana à tão pouco tempo poderia ter brigado com uma lobisomem. -Achou que eu poderia tê-la matado?
-Não. – Sam olhou para mim e depois voltou a olhar o mar. – Achei que ela poderia tê-la matado.
Eu ri sem humor. Leah havia dito que eles não podiam fazer o que eu fiz com a mesa, então queria dizer que eu era mais forte que ela. Mas, por que então Sam estava preocupado comigo? -É serio, Renesmee. Você era mais forte, mas não tinha preparo nenhum para uma luta de tal magnitude. Você também ainda é tão rápida quanto uma mísera humana.
Dei de ombros.
- Não acho que iria se importar se ela me matasse. Eu estou causando todos estes problemas com os Volturi e uma sanguessuga a mais uma a menos não faz diferença alguma.
- Nunca permitiria que Leah matasse alguém que não fez mal algum a ela, e tem o pacto. – Bufei, o pacto, os lobisomens não iriam querer começar uma guerra com vampiros logo agora que conseguiram manter a paz. – Mas não é só isso. Tem Jacob também. Não podíamos permitir que ele perdesse seu imprinting; ele nunca nos perdoaria.
Cruzei meus braços e os apertei contra minhas costelas. Jake não estava aqui. Foi embora quando eu mais precisei e tudo por que estava com medo de eu machucá-lo. Realmente não tinha certeza se eu era seu imprinting, pode ser apenas um engano, uma confusão de sentimentos.
-É serio, Renesmee.
-Se eu sou tão importante... onde ele está? Que eu saiba, ele soube que Leah estava brigando comigo assim que ela se transformou, mas isso não o fez vir. Nem o meu aniversário o fez vir. – senti as lágrimas inundando meus olhos e ameaçando vazar se eu piscasse.
Olhei para o mar, a fim de esconder minhas lágrimas. Sam suspirou e também voltou a olhar para o mar.
-O pior é que eu sei que sou a culpada de tudo isso. Sou eu quem esta se transformando num monstro, sou eu que posso causar uma guerra, por minha causa Jake teve que ir embora...
Comecei a atropelar as palavras conforme o desespero ia aumentando. Minhas lágrimas começaram a descer e rapidamente eu as limpava.
-Não foi sua culpa. Todos nós, inclusive a matilha de Jacob, pedimos que ele se afastasse de você. Pelo menos por enquanto. Ele não pode fazer nada a não ser nos escutar.
-? ? – Seth chamava minha amiga enquanto ela abria os olhos lentamente. Andei até , esperando que ela acordasse atordoada e confusa; foi exatamente assim que ela acordou.
-Oh My God! – ela se levantou sem nem perceber que estava no colo de um estranho – Por favor, , me diz que eu não sonhei.
Tá, não era exatamente isso que eu esperava que ela dissesse. Fiquei na dúvida se continuava mentindo para ela dizendo que foi tudo um sonho ou se lhe contava a verdade.
Optei pela verdade; chega de mentiras.
-Dani, precisa ficar calma e prometer que não vai contar à ninguém o que você viu aqui. – falei calmamente, o desespero de antes desaparecendo lentamente.
-Oh My God! Então foi tudo verdade? Aquela garota, a Leah, era uma lobisomem e você é... – ela me examinou de cima em baixo. – Você é Renesmee Cullen.
-Por que não voltamos para casa e eu te explico tudo lá? – sugeri.
assentiu e Seth se pôs ao lado dela.
-Renesmee, acha que eu devo ir também? – perguntou animado.
-Não! – eu e Sam falamos em coro.
Virei-me para ele. Qual era o motivo dele para impedir Seth de ir conosco? Deixei passar.
-Acho que vai ser melhor eu contar à ela quem você é estando sozinha com ela, Seth.
virou-se para Seth e também o examinou de cima em baixo.
-Quem você é? – perguntou.
Seth sorriu e olhou para mim. Depois ele saiu correndo em direção a floresta.
-Tchau, Nessie! Tchau, ! – gritou antes de desaparecer entre as árvores.
-Querem que eu as leve para casa? – Sam perguntou, sendo receptivo.
-Não, obrigada, estamos bem. Acho que vou explicar à ela no caminho, já que meu amigo está em casa.
Sam assentiu e olhou para a floresta, logo depois voltou a olhar para mim.
-Vou pedir para Jacob voltar. – ele então deu um suspiro. – Sinto muito, não sabia que era seu aniversário.
Dei de ombros.
-Não importa mais. Talvez seja mais seguro para ele ficar longe de mim. – olhei para as bicicletas. – Vamos, , ainda tenho muito que te explicar.
Ela não falou nada, apenas assentiu e começou a andar em direção a árvore aonde as bicicletas estavam presas. Eu a segui sem voltar a olhar para Sam.
-Renesmee! – ele me chamou e eu me virei para olhá-lo. – Não fique magoada com Jake, ele realmente não queria ficar longe de você.
-Não tenho tanta certeza. – falei seria e depois voltei a andar.

7- Transformação

No caminho para casa expliquei a tudo o que sabia. Ela ouviu calada apenas fazendo algumas perguntas, acabamos antes mesmo de chegar à casa. Ela achou o máximo sofrer o imprinting com Seth, ela não parecia ter medo de nada, nem se sentir angustiada por suas emoções estarem à mostra para ele, então me perguntei por que eu me sentia assim. Mas é claro que o fato de eu ser uma mestiça complicava um pouco as coisas. Quando finalmente pudemos ver a enorme casa, avisei à .
-Lembre-se de tudo o que eu vi, assim Edward vai entender o que houve e não vou ter que explicar.
-Ele realmente não pode ler sua mente?
-Não. Devo ter puxado isso da minha mãe. – eu sorri, estava chamando Bella de minha mãe, que coisa.
Nós deixamos as bicicletas na garagem e entramos pela porta dos fundos. Daniel estava batendo o pé na cozinha.
-Aonde vocês duas estavam?
-Fomos andar de bicicleta, nada de mais. – menti.
-Por que não me chamaram?
-Primeiro: agente bem que tentou te chamar, mas seu sono é tão pesado quanto o de uma pedra. – falou. – E segundo: Fomos à La Push ficar falando em como seria bom encontrar com Bella e Edward lá, não achamos que iria querer ir.
Ela deu de ombros e eu concordei. Edward chegou acompanhado de Bella na cozinha. - , nós precisamos conversar. À sós. Eu assenti e nós três fomos para a varanda da casa, deixando meus amigos na cozinha: um Daniel confuso e uma tentando mudar de assunto.
- Como deixou que a situação saísse tanto de controle? – Edward sussurrou tão baixo que eu tive que me concentrar pra entender.
-Acho que viu o que Leah me disse. – falei ríspida.
-Sim, nós sabemos o que ela disse, mas, , você podia ter se machucado. – Bella falou.
- Não é tão fácil ouvir as coisas e ficar calado. O que teria feito, Bella, se Leah tivesse jogado tudo na sua cara de quando Edward foi embora e você tivesse a força que eu tenho?
Bella olhou para baixo e Edward a apertou mais ainda em seu abraço. Sabia que aquela lembrança era uma ferida, e eu não gostava de mexer nela, mas eu não tinha opção.
-Só queremos que tenha mais cuidado. Os lobisomens não têm a nossa paciência, . Eles são instáveis. Isso os torna perigosos.
Bella abaixou a cabeça, parecia não concordar que os lobisomens eram um perigo.
-Não se preocupem, não pretendo voltar à La Push tão cedo.
Então dei as costas a eles e saí de lá.


Eu revirei a noite toda na cama e não consegui pregar os olhos. Sempre que os fechava a voz de Leah ecoava na minha mente. Afastado Jake de mim, de todos nós, ela gritava. Quando desisti olhei pela janela e um relâmpago iluminou meu quarto.
-Mas que droga, nem consigo ter uma noite de paz. – murmurei e me levantei.
Saí do quarto olhando para ver se ninguém estava no corredor, mas ele estava vazio. Emmett, Rosalie, Esme e Jasper ainda não tinham voltado da caçada. Carlisle estava trabalhando, Alice estava em seu ateliê, Bella e Edward eu não fazia idéia de onde estavam; talvez na garagem ou em seu quarto. Andei lentamente até a cozinha sem fazer nenhum barulho, para que ninguém percebesse minha presença. Percebi que estava com o mp4 na minha mão direita, devo tê-lo pegado por costume. Dei de ombros, melhor, assim eu podia fazer algo pra comer ouvindo música.
Assim que passei pela porta da cozinha olhei para o relógio, cinco para meia noite. Bom, eu tinha mais cinco minutos de aniversário.
-Parabéns! – sussurrei para mim mesma de mau humor.
Liguei o mp4 e a música do Akon começou a tocar, adorava esta música, já ia começar a cantar quando me lembrei sobre o que a música falava:

It's been so long (já faz algum tempo )
that I haven't seen your face (que eu não vejo seu rosto)
Try to be strong (tento ser forte)
But the stress I have is washing with (mas a força esta indo por água abaixo)


Balancei a cabeça tentando parar de prestar atenção na letra, mas meus dedos não se moviam para que eu mudasse de música. Então apenas tentei ignorar.

wont belong before i get you by my side(não vai demorar muito tempo para eu te ter do meu lado)
And just hold you, tease you, squeeze you till (e eu só vou te abraçar, te provocar, te apertar todo)
I was fill all my mind (até você encher minha mente)

I wanna make up right now now now (eu quero fazer as pazes agora)
I wanna make up right now now now (quero fazer as pazes agora)
Wish we never broke up right now now now (queria que nunca tivéssemos brigado)
we need to link up right now now now (precisamos nos enteder agora)

Eu apertei o pause, não agüentava mais. Cada palavra que Akon dizia era uma facada em meu coração e uma lágrima que eu derrubava. Sequei as lágrimas da minha bochecha com tanta força que quase me machucou, mas isso era uma dor externa, não era ela que me preocupava.
-Gostava mais daquela outra música, aquela que você cantou no dia em que nos vimos. – alguém sussurrou, eu conhecia bem aquela voz.
Eu me virei e Jacob me encarava sério. Estava muito chateada com ele, mas mesmo assim estava feliz por vê-lo novamente. Apesar disso, manti meus lábios em uma linha rígida, ele não podia ver o quanto eu estava melhor apenas por tê-lo perto de mim.
Eu não queria deixar meu coração vencer, não desta vez. Andei até a sala, onde ficava a escada, mas percebi que o primeiro quarto era o ateliê de Alice e não queria que ela visse que Jake estava aqui e nem que eu estava acordada. Jacob ainda me seguia, então fui para a varanda. Estava frio, mas o vento e as gotículas de vento eram acolhedoras e tão frias quanto eu me sentia.
- Desculpe. – Jacob murmurou no meu ouvido fazendo um arrepio percorrer meu corpo.
Me virei para encara-lo, arrependendo no mesmo instante, isso só havia feito com que nós ficássemos mais próximos ainda. Dei um passo para trás.
-Por o quê? Por não estar aqui quando eu mais precisei de você? Por perder meu aniversário? Por nem se quer avisar que iria me abandonar? – minha voz ficou chorosa, mas não me importei.
Eu podia sentir culpa na minha cabeça, e aquilo estava me confundindo, afinal, a culpa era dele ou minha?
- Sinto muito por perder seu aniversário. Eu achei que era a coisa certa, agora sei que foi idiotice. E eu não te abandonei, nunca vou fazer isso.
-Como posso ter tanta certeza? Jake, assim como Edward fez uma vez, você me deixou. Só que eu não tinha um Sol para me aquecer, assim como Bella tinha você.
-Não me compare ao sanguessuga.
-Claro que não. Ele é muito melhor que você, eu sempre soube disso.
Estava jogando pesado, mas ele tinha saber como eu havia me sentindo aqueles dois dias, os piores da minha vida.
Pelo menos Bella achava que Edward não a amava mais. Eu nem sequer sabia o que Jacob sentia por mim, se é que sentia algo além do que o imprinting proporcionava.
Pude ouvir os dentes de Jake estalando de tanto que ele os apertou. Suas mãos estavam fechadas em punhos e seus braços tremiam. Ele ficou assim por algum tempo, até que só suas mãos tremiam.
-Não sabe o quanto é doloroso ouvir isso. – ele sussurrou entre dentes.
-O que Leah disse para mim foi muito mais cruel. Mas ela não tem culpa, apenas jogou tudo na minha cara, toda a verdade. Estou fazendo o mesmo. A verdade dói, não é mesmo?
-Por que está fazendo isso?
- Para te mostrar o quanto foi horrível para mim ficar sem você. Quanto foi horrível saber que era perigoso para você ficar comigo. – as lágrimas voltaram a descer molhando minhas bochechas.
Sem dizer nada, Jake me puxou pelos ombros para mais perto dele.
Eu afundei meu rosto em seu peito nu.
-Nunca mais vou fazer isso. – ele sussurrou enquanto eu chorava. – Nunca mais vou te deixar. Não sabe o quanto foi difícil para mim também. Cada segundo se arrastava e eu apenas imaginava quando a veria novamente.
Nós continuamos abraçados, até que eu finalmente me acalmei.
-Desculpe pelo o que te disse. – murmurei.
Ele me empurrou um pouco para poder me olhar nos olhos, e ficou me analisando, sério.
-Não precisa se desculpar por nada. Você, assim como eu, não teve escolha. Nasceu assim, e não deve se culpar por ser assim. Nunca mais. Escutou? Nunca mais se culpe por ser o que é.
Eu coloquei novamente minha cabeça em seu peito e ele apoiou seu queixo no topo da mesma.Ficamos assim por algum tempo até que eu sussurrei ignorando meu estômago revirando na minha barriga.
-Te amo, Jacob Black.
Ele me empurrou novamente e analisou meu rosto. Eu não sorria e também analisava sua expressão, mas não consegui descobrir nada. Então Jake abriu um enorme sorriso que mostrava todos os seus branquíssimos dentes. -Eu também te amo, Renesmee Cullen.
Eu ri. Ele me amava, eu o amava. Pronto, posso morrer tranqüila. Mas que coisa idiota, . Agora que Jacob Black disse que te ama você quer se matar, hãm, idiota! Eu brigava comigo mesma em pensamento. Ele me apertou ainda mais contra seu corpo e foi aproximando lentamente seu rosto do meu. Quando senti seu hálito quente em meu rosto e seus lábios quentes e macios roçaram nos meus eu sorri e fechei meus olhos.
Jacob, ele era tudo o que eu queria, sempre foi.
Então ele me beijou, primeiro calmamente e cuidadosamente, depois o beijo se tornou mais urgente. Uma de suas mãos que antes estavam nas minhas costas passou para minha cabeça. Ele me apertava cada vez mais contra seu corpo quente. Estava ficando sem ar, mas depois percebi que isso não era ruim.
Então ele separou o beijo e me deu alguns selinhos. Ainda estava atordoada demais para saber quantos. Abri meus olhos lentamente e ele sorria para mim, um sorriso doce. Também sorri. Mas então senti minha cabeça pesar e minhas pernas ficaram moles, sem estabilidade. Tentei respirar, mas o ar entrava pesado e não parecia ser o suficiente.
- Nessie? Nessie, você esta bem? – Jake me perguntou mas sua voz era só um ruído.
-Jake... – sussurrei, mas nem eu consegui ouvir minha voz.
Então tudo ficou negro e eu não consegui ouvir mais nada, exceto ruídos.


Eu tentava abrir meus olhos, mas eles não obedeciam meus comandos. Tentei mexer meus braços, mas eles se recusavam a me obedecer. Então desisti e comecei a ouvir vozes que aos poucos entendi de quem eram e o que diziam.
- Faz quanto tempo que ela esta assim? – Seth perguntou calmamente.
- Desde ontem à noite. A presença dela praticamente sumiu da minha mente quando ela desmaiou, mas agora esta voltando lentamente. – Jake falou, ele parecia estar bem perto de mim.
-Carlisle disse que isso é normal? Por ela ser uma... mestiça?
- Ele está tão cego quanto nós. Os poucos mestiços que existiram e que Carlisle conhece são diferentes dela.
Eu esperei que eles falassem mais alguma coisa, mas o silêncio reinou. Aos poucos senti o peso da minha cabeça diminuir e eu finalmente consegui abrir os olhos. Lentamente as imagens foram se formando e eu pude entender o que elas eram.
- Renesmee? Pode me ouvir? – A voz de Jake era urgente. – Seth, vá chamar Carlisle.
-Jake... –consegui sussurrar, mas minha boca estava dormente e tinha um gosto horrível, como se eu tivesse dormido dias.
Ele me abraçou fortemente. Apesar de gostar, não conseguia respirar com seu abraço de urso, ou melhor, de lobo.
-Jake! Vai matá-la sem ar! – avisou.
- tem razão, Jacob. Agora deixe me dar uma olhada na , sim? – Carlisle falou rindo enquanto entrava no quarto.
Jake fez uma careta para Carlisle e eu ri, mas logo me arrependi, meu estômago doeu. E meu riso se transformou em um gemido.
-O que foi? Eu te machuquei? – Jake perguntou com a voz preocupado.
-Não, não. Você enfiou alguma faca na minha barriga? – perguntei brincando e ele franziu o cenho. – Então, não foi você.
Carlisle foi colocar um termômetro por baixo do meu braço, mas o objeto estava muito mais frio que gelo.
-Ui! Ai! – reclamei empurrando o termômetro pra longe de mim. – Mas que coisa fria! Aonde você guarda ele? Dentro de uma geleira?
Carlisle olhou para mim e depois para Jacob. Jacob abaixou a cabeça. Eu perdi alguma coisa?
Neste momento Edward e Bella entraram no quarto. Bella olhou para Carlisle e fechou os olhos, parecia triste. Edward pegou em sua mão e apertou, reconfortando-a.
Olhei para Carlisle buscando uma resposta, mas ele olhava pra Edward, estavam tendo uma conversa mental, acredito.
Cansei de esperar. Aquela tensão já estava me incomodando.
- O que foi, gente? Por que estão assim? Eu só desmaiei. – falei dando de ombros.
Edward olhou para Bella e ela assentiu. Logo ela foi até minha penteadeira e pegou um espelho que eu tinha guardado, ele não era gigante, mas era bem grandinho. Ela veio até mim em menos de um segundo e me entregou o espelho virado para baixo me olhando preocupada.
Eu levantei o espelho até o meu rosto sem olhar. Quando ele estava totalmente erguido olhei. Pisquei duas vezes para ter certeza de estar vendo tudo com clareza. E era verdade. A primeira coisa que percebi é que eu estava sem óculos ou lentes, mas enxergava tudo com muita clareza – e só tinha percebido isso agora. Logo depois percebi que meus cabelos estavam arrumados -apesar de eu estar na cama fazia algumas horas-, eles tinham um tom chocolate que brilhava na luz e realçava minha pele branca. Minha pele. Isso foi o que mais mudou. Ela não tinha nenhuma imperfeição. Minhas sardinhas se foram, aliás, todas as minhas pintas se foram – até aquela perto da boca que eu não gostava -, a pele estava mais branca que antes, mas mesmo assim minhas bochechas tinham um leve tom de rosa -como se eu tivesse usado blush. Meus lábios estavam mais rosas e mesmo estando secos meio que brilhavam. Abaixei o espelho e olhei pasma para Carlisle.
-A transformação realmente começou. – ele explicou.
Eu respirei fundo e apertei minhas mãos no lençol.
-Até quem fim, nunca achei que fosse ficar bonita. – falei brincando, mas ninguém riu.
- Ainda bem que ficou bonita, . Que adianta ter a Renesmee como amiga e ela continuar com aquela mesma cara pamonha de humana de sempre? – comentou. Falando em , aonde estava o Daniel? Oh My God, ele não podia me ver assim. Não mesmo, eu mudei de uma hora pra outra, o que ele iria pensar?
- Aonde está Daniel? – perguntei.
- Ele já tinha comprado as passagens e teve que ir. Por sorte ele não te viu assim. – Edward me explicou falando pela primeira vez.
- Mas ele nem me avisou que tinha as comprado...
-Os pais dele compraram pra ele. Ele não teve como negar...
-Ele te deixou, ? – as perguntas fugiam da minha boca antes mesmo de eu pensar nelas.
Ela sorriu.
-Meus pais vão viajar para um cruzeiro, então eu achei melhor ficar aqui. – ela olhou para Seth e seu sorriso aumentou, ele fez o mesmo.
-Ahm... que bom que já se conheceram. – eu falei e ia me levantar da cama quando Carlisle entreviu.
Percebi que abriu a boca para tentar falar algo, mas quando eu a ignorei quase pondo o pé no chão ela pareceu não ter o que falar. -Acho melhor não, . – Edward falou quando coloquei o pé no chão.
-Por quê? Estou com uma ótima disposição.
-Acho melhor ficar de cama por hoje. – Carlisle falou.
-Ah, isso não é justo. Logo no dia depois do meu aniversário. – reclamei.
- É verdade, gente. – Seth concordou. – Hoje é um dia muito importante. É o dia depois do aniversário dela e esta foi a pior desculpa que eu já ouvi.
Eu taquei um travesseiro nele e todos riram.
-Tudo bem. – concordei – Se vou ficar de cama no dia depois do meu aniversário vou querer algumas coisinhas...
-Seu pedido é uma ordem. – Edward falou sorrindo.
-Você pode se arrepender de ser tão receptivo, Edward. – Jake falou e eu olhei feio pra ele.
-Bem, pra começar, vou precisar de algo pra fazer.
-Me senti excluído. – Jacob reclamou.
-Cala boca, Jacob. – resmunguei e voltei a falar com Edward. – Pegue por favor, Crepúsculo dentro do meu armário.
Em menos de um segundo Edward abriu meu armário e encarou os livros.
-Qual deles?
-Os quatro, por favor. Hum, eu também preciso comer, tô morrendo de fome.
-Pode deixar que eu faço. – Bella falou e desapareceu do meu quarto.
Edward colocou os quatro livros em cima da cama.
-Mais alguma coisa?
- Não, por enquanto é só.
-Tudo bem, vou descer e ajudar Bella na cozinha. Qualquer coisa é só chamar.
Carlisle e Edward saíram do meu quarto deixando apenas eu, , Seth e Jake no quarto.
- , eu vou pro meu quarto me trocar, ok? - falou com carinha de bebê e só então percebi que ela estava de pijamas.
-Tá, tá! – falei sem me importar enquanto analisava meus livros prediletos.
Com o canto do olho pude ver Jacob e Seth tendo uma conversa sem voz, apenas movendo os lábios.
-Eu vou ali embaixo falar para o Sam que você está bem. – Seth falou andando lentamente até a porta e olhando para Jacob.
-Sam, está aí? – falei olhando para ele. Não esperava Sam aqui, não depois de pedir para Jake me deixar.
-Não... ele vai até La Push. – Jacob me respondeu já que Seth já tinha saído.
-Ahh, okay. – falei e baixei novamente meus olhos pros livros que estavam em cima da minha cama.
Depois de pegarEeclipse – que não era meu preferido, mas deu vontade de ler – eu pensei a respeito de uma coisa. Estava sozinha no quarto com o Jake. Meus pensamentos mais poluídos entraram em ação e eu pude me sentir corando.
-O que foi? – ele perguntou provavelmente sentindo minha vergonha.
-Nada não. – menti.
Balancei a cabeça para expulsar estes pensamentos. Afinal, Edward estava no andar de baixo, e podia ler tudo o que Jacob pensasse e qualquer sentimento meu que passasse pela sua mente. ,br> -Eu vou ali em baixo para avisar a matilha que você está bem. Sam ficou muito preocupado por seu desmaio.
-Mas Seth não tinha ido? – perguntei confusa.
-Não, ele foi conversar com a . – Jacob falou revelando o segredo de seu amigo. – Vou lá então, já volto.
-Não vou a lugar nenhum mesmo. – falei dando de ombros e abri no segundo capítulo de Eclipse, já que o primeiro era chato – Mande beijinhos à Leah.
Ele franziu as sobrancelhas, não entendendo.
-Ah, tô brincando, tô brincando. Mas... o que ela faria se eu fizesse isso?
- Ela viria até aqui te dar uns bons tabefes e eu não iria fazer nada a respeito. Você provocou.
- Posso dar conta dela. – rebati.
-Não, não pode.
-Posso sim.
-Não pode mesmo.
-Você não deixaria que ela me machucasse. – falei mudando de assunto.
-Claro que não.
Ele falou e depois arregalou os olhos. Eu sorri, sempre fazia isso. Eu só queria fazer ele dizer que se importava.
-Você é... – Jacob procurava a palavra.
-Linda? Um amor? Inteligente? – chutei ainda tentando confundi-lo.
- É! – logo depois ele percebeu que tinha concordado comigo. –Não! Quer dizer, também! Mas mesmo assim me tira do sério.
-É mais uma das minhas inúmeras qualidades, baby. – falei rindo.
Ele bufou e saiu do meu quarto batendo a porta. Ainda assim pude o ouvir conversando com Edward.
-O que foi? – Edward perguntou.
-Sua filha é... extremamente estressante! – ele falou ainda nervoso.
Edward riu e abriu a porta do meu quarto segurando uma bandeja com vários tipos de comida, de frutas a doces. Eu bati palminhas e ele colocou a bandeja na cama, à minha frente.
-Ah! Comida!
-Vai conseguir comer tudo isso? – Edward perguntou incrédulo.
-Lógico, estou com uma fome...
Peguei o sorvete e o livro. Já estava quase acabando meu sorvete quando abriu um pouco a porta e eu pude ver apenas sua cabeça para dentro do quarto.
-, meu amor. – ela falou sorrindo amarelo – Vou sair com Seth, você não se importa, certo?
Olhei incrédula para a minha amiga.
-Claro que me importo, . Afinal quem está mal, eu ou o Seth? – ela me olhou assustada e eu ri. – Tchau, , divirtam-se e não se preocupe, eu não me importo.
Ela sorriu novamente e fechou a porta.
Já tinha passado do meio do livro quando Jacob entrou no meu quarto normalmente e se sentou na poltrona do lado da minha cama. Ele estava com mato até nos cabelos e sem camisa.
-Chegou da guerra? – falei brincando.
Ele fez uma careta pra mim. Pôs as mãos na testa e ficou em silêncio.
-Aconteceu alguma coisa? – perguntei preocupada.
Ele suspirou e olhou para mim. Seus olhos estavam tristes e preocupados.
-Acabei de brigar com a Leah. – ele suspirou – Mas você deve achar isso ótimo.
-Se isso te deixou triste é claro que eu não achei ótimo. O que houve?
Eu sabia que Leah e Jake eram grandes amigos e que ela parecia gostar dele.
-Vai mesmo querer saber?
-Claro. Estou chegando a uma parte do livro que eu não gosto. Vamos, fale tudo.
Ele assentiu e se encostou à poltrona. Então fechou os olhos, para se concentrar.
- Ela estava reclamando que eu tinha a deixado de lado por sua causa e que você não merecia toda esta atenção. – ele fez uma pausa e eu esperei – Eu fui te defender e acabamos brigando feio, ia ser pior se Sam e Seth não tivessem intervindo.
-Sinto muito. – Foi a única coisa que consegui sussurrar.
E lá estava eu de novo, provocando brigas e dor nas outras pessoas. Se Bella era um imã para perigos, eu era um imã para brigas.
Jake abriu os olhos e observou minha expressão.
-Sabia que não devia ter te contado. – ele falou.
-Jake, não devia brigar com sua amiga por minha causa. Não mesmo.
-Não foi sua culpa. Minha situação com a Leah é um pouco... complicada.
Eu sabia o que ele queria dizer com complicada. Ela gostava dele e ele também não parecia se opor muito á isso. Era como Bella, Jacob e Edward antigamente. Mas os papéis estavam invertidos. Eu era Edward, Jacob era Bella e Leah era Jacob. Um novo triângulo amoroso, mas me perguntei se eu realmente iria conseguir lutar por Jake.
-Qual era a parte? – Jake perguntou de repente tirando-me dos meus pensamentos.
-Hum? – perguntei sem entender o que ele falava.
-Você disse que estava chegando á uma parte que não gostava do livro. Qual era a parte?
Peguei o livro e abri na página que havia parado. Li mentalmente:

”- Pode me beijar, Jacob?
Seus olhos se arregalaram de surpresa, depois se estreitaram, desconfiados.
-Está blefando.
-Beije-me, Jacob. Beije-me e depois volte.”


Como era possível alguém ser tão covarde a ponto de obrigar a outra pessoa a beijá-la dizendo que se ela não o fizer o outro irá se matar? Era horrível. E nesta parte não pude entender o quanto Jacob tinha sido mal, o quanto ele tinha sido covarde. Eu sentia ódio dele nesta parte e odiava me sentir assim.
-É a parte que você faz uma coisa horrível, e eu fico muito magoada com você.
Ele arregalou os olhos.
- O que eu fiz?
-Você obriga a Bella a te beijar. Eu achei tão... absurdo.
-Já tentou ver isso do meu ponto de vista? O que você faria? – ele cruzou os braços e esperou minha resposta.
Fiquei em silêncio. Se eu achava que os papeis tinham sido invertidos isso realmente podia voltar a acontecer? E se Leah obrigasse Jacob a beijá-la o que ele faria e mais importante, o que eu faria? Eu seria capaz de perdoá-lo? Não sabia a resposta.
-Jake, e se Leah te pedisse para beijá-la? O que você faria?
-Por que esta me perguntando isso?
-Olhe bem. Esta tudo se repetindo, mas os papéis se inverteram. Leah gosta de você, você gosta de mim, eu gosto de você.
-Mas eu não gosto da Leah. Não deste jeito.
Eu assenti e olhei para baixo. Não tinha tanta certeza disso. Ele deve ter percebido isso, pois ele se ajoelhou do lado da minha cama e colocou uma de suas mãos em minha bochecha.
-Ei, Nessie. Eu a amo. Entendeu? Muito, muito.
Eu tentei sorrir, mas não consegui. Ele sentou-se na minha cama e pegou meu rosto com as duas mãos. Puxou meu rosto para mais perto do dele e me deu um selinho.
-Nunca vou te trocar por ninguém.
Eu o abracei com força e ele retribuiu confuso.
- É que eu tenho tanto medo de perdê-lo. – sussurrei.
Então um cheiro muito forte e ao mesmo tempo agradável me inundou. Não era o cheiro de Jacob, disso eu tinha certeza, mas era o melhor cheiro que eu já havia sentido.
-Nossa, que cheiro bom... – falei me soltando de Jake.
Ele franziu a testa e farejou o ar para tentar sentir também o cheiro.
- Nessie... isso é... sangue.
Neste momento a porta do meu quarto se abriu e e Seth entraram no quarto. segurava a palma da mão direita pressionando.
-Ela se cortou na escada, achamos melhor subir de uma vez e não chamar nenhum dos vampiros. – Seth falou enquanto minha amiga me encarava estranhamente.

8 – Instinto

-, você está bem? – Dani me perguntou.
Minhas mãos estavam fincadas furando o colchão de mola e meus olhos estavam arregalados. Minha garganta queimava e meu estômago ardia. Parecia fome, mas eu queria beber alguma coisa para minha garganta parar de arranhar.
-Água... – sussurrei.
Jake colocou rapidamente um pouco de água em um copo e me entregou. Eu bebi tudo, mas a água tinha um gosto horrível de ferrugem. A cuspi de volta ao copo.
-Credo, que água ruim. – Falei.
Passei minha língua sobre meus dentes e eles tinham um gosto tremendamente bom, mas parecia faltar alguma coisa - era como batata frita sem sal.
- Droga, Seth, tire daqui.
Seth empurrou para o banheiro e o incrível cheiro desapareceu.
Eu sabia de quem era o cheiro, era de . Eu precisava mais daquele cheiro, não, eu precisava beber aquela essência. Me levantei da cama e andei lentamente até o banheiro. O gosto dos meus dentes agora clamavam por mais daquele cheiro. Eu rodei a maçaneta e tentei abrir a porta, mas estava trancada. Podia ouvir o choro de do lado de dentro.
- ! Abra a porta! – gritei.
Eu sabia que aquilo era errado; querer aquele cheiro e querer e o que estava provocando-o era totalmente errado. Mas eu não podia controlar meu corpo, a parte de minha mente que era sã era muito pouca, e não era o suficiente.
O corpo todo de Seth tremia ao meu lado, mas não era ele que havia me puxado para trás.
- Me solte, Jacob!- eu berrava me debatia contra seu corpo.
Neste instante a porta do meu quarto abriu e todos os Cullen entraram. Carlisle parou ao lado de Jacob que me segurava.
- , acalme-se, lembre-se de quem você é. – ele falava de um jeito tão calmo que eu realmente comecei a me acalmar.
Então como num passe de mágica, eu me acalmei. A calma repentina fez meus olhos pesarem e eu perder minha força. A última coisa que ouvi foi Carlisle sussurrando:
- Vai ficar tudo bem, não se preocupe.

Quando acordei, minhas costas estavam apoiadas em alguma coisa quente e dura. Ainda tinha um pouco de sono, mas decidi que já estava na hora de acordar. Eu esfreguei os olhos e demorei algum tempo para me acostumar com a luz.
-Achei que ia dormir a noite toda. – Jacob sussurrou no meu ouvido.
Eu me sentei na areia e olhei ao meu redor. A lua iluminava a praia e Jacob estava apoiado no tronco. Eu estava ao seu lado, praticamente colada nele e sua pele quente era bastante acolhedora.
Então em um segundo todas as minhas lembranças sobre esta tarde vieram a minha mente. Eu querendo matar minha amiga foi a pior delas.
-Meu Deus... o que eu fiz! – murmurei.
Me levantei e bati minha roupa, que estava cheia de areia.
-Jake, preciso ver a . Me desculpar. – Parei e olhei para o mar – Meu Deus, o que foi que eu fiz?
Jacob se levantou e me abraçou.
- Acho melhor agora não, Nessie. Estavam todos muito exaltados lá, acho melhor você ficar. Ligo para Edward dizendo que você vai dormir aqui. Eu durmo no sofá e tá tudo certo.
Talvez fosse realmente melhor e talvez eu não estivesse pronta para pedir desculpas à minha amiga. Afinal, como eu o faria? Oi, , eu queria que me desculpasse por te matar hoje mais cedo. Sabe como é, coisa de híbrida... Ignorei meu pensamento idiota e assenti para Jake para que fossemos pra sua casa.
- Como foi tudo? Depois que eu apaguei o que houve? – perguntei tentando evitar o silêncio.
-Bom, Jasper acalmou todos nós. Seth não saiu do controle, mas foi por pouco. Mesmo depois que se acalmou ela levou algum tempo para sair do banheiro e depois disso ela continuou chorando. Ela foi para a casa de Seth. Então eu te trouxe para cá.
Olhei para baixo. Parabéns, . Outra desordem pra sua enorme coleção. Pensei comigo mesma.

Na casa de Jake, Billy me olhava com algo parecido de pena e preocupação. Não entendi muito bem, mas também não comentei nada com Jake. Eles estavam sendo muito receptivos aceitando uma vampira perigosa e desgovernada em sua casa.
Mesmo me sentindo segura, não conseguia dormir. Ouvia o choro de e via Seth tremendo, quase perdendo o controle assim que fechava os olhos. Algumas lágrimas fugiram dos meus olhos e molharam o travesseiro – que já estava praticamente encharcado.
Um trovão caiu junto com mais uma lágrima. O que eu havia me tornado? Um animal seguido por instintos? Quando queria ser uma vampira – quando era mais nova, tinha este sonho – não imaginava que era tão difícil. Me levantei e fui até a sala, aonde Jacob dormia tranqüilamente. Eu andei até ele e me espremi do seu lado no pequeno colchão. Jake acordou e levantou a cabeça para me ver, mas como eu estava de costas para ele, não acho que tenha conseguido muita coisa. Ele então passou uma de suas mãos pela minha cintura e me puxou para mais perto dele. Finalmente consegui dormir. Com Jacob me sentia mais segura e mais tranqüila, como se tudo lá fora não existisse, como se o mundo fosse só nós dois, apenas e Jacob, sem esta coisa de vampiros e lobisomens.
Por um segundo pensei no que Billy acharia de nos ver daquele jeito na sua sala, mas a preocupação logo desapareceu quando senti a respiração quente de Jacob na minha nuca e o cansaço finalmente tomou conta de meu corpo, pude então dormir.

Eu acordei e esfreguei os olhos. Acho que nunca dormi tão bem. Olhei para o meu lado, mas Jacob não estava mais lá. Billy estava tomando café.
-Ele saiu para correr, não deve demorar muito. – ele falou sem parecer se importar.
-Tudo bem. – falei me levantando.
Fui até o banheiro lavar o rosto e quando voltei Billy estava lendo seu jornal. Assim que me sentei, ele falou:
- Seu sanguessu... – ele olhou para mim e depois trocou a palavra – seu pai ligou.
Eu suspirei.
- Estou até com vergonha de voltar pra casa. – murmurei.
- Renesmee, você não tem que ter vergonha de nada, agiu por instinto, é algo natural. Ninguém vai te julgar por isso.

Logo depois do café da manhã- aonde eu pude pensar muito, afinal, Billy não é muito do tipo que tampa silêncios, e eu fiquei agradecida por isso - liguei para Bella pedindo que ela me buscasse e pedi que fosse especialmente ela. Quando ela chegou, cumprimentou Billy, mas antes de entrarmos no carro eu pedi a ela que parássemos na praia. Quando já estávamos perto do mar, Bella finalmente perguntou:
- Por que queria conversar comigo?
- Bem, antes de chegar lá em casa eu queria saber...- procurei a frase que deveria usar - como está tudo lá?
- Até que está tudo bem.
O silêncio reinou de novo. Como eu, Bella não era bem o tipo de pessoa que puxava assunto do nada. Eu respirei fundo e fui direto ao assunto.
-E a ? Nunca vai me perdoar?
Bella deu um meio sorriso, mas não olhou para mim.
- Na verdade, eu acho que ela irá te perdoar sim. Como uma boa leitora de Crepúsculo, ela deveria saber sobre os riscos... – Bella deu de ombros. – É claro que não esperava que logo você fosse o risco.
Eu sorri meio tristemente.
-Sabe, nem eu.
Nós duas rimos.

Quando cheguei em casa Alice e Jasper estavam deitados na grama olhando para o céu e conversando tão baixo que não podia ouvi-los. Me perguntei o que estavam fazendo ali, mas não parei, apenas acenei com a mão e Alice sorriu e se levantou. Quando eu vi que ela vinha até nós, parei de andar e a esperei.
-É o seguinte, , vai chegar uma carta para você, uma festa. – podia ver seus olhos brilhando, só não entendi por quê.
-Festa? – perguntei confusa, eu não era conhecida para ser convidada para uma festa.
- É. Festa de boas vindas aos alunos. É uma festa a fantasia, e só os V.I.P.s receberão convites.
- V.I.P.s? Eu nem entrei na escola ainda. Como posso ser uma V.I.P.?
Ela riu e colocou uma de suas mãos no meu ombro.
- Querida, você é uma Cullen, só isso já lhe torna V.I.P.
- Ah. E Jake... – Alice me interrompeu antes de eu fazer a pergunta.
- Toda a matilha. Até que eles são bem populares. Principalmente aquela garota, a Leah. Bem, a questão é que é uma festa a fantasia e não acho que você tenha trazido uma.
Olhei para Bella e ela estava com uma cara de “eu tentei te ajudar”. Mas não liguei. Voltei a me virar para Alice e fiquei séria.
- Bom, antes de aceitar o tal convite, preciso de umas garantias.
- Você não puxou Bella neste aspecto, né? Diga que não. – ela falou chorosa.
- Hum, pode agradecer aos céus, não puxei. Mas... tenho algumas exigências, afinal, vou a uma festa que não conheço ninguém, infestada de lobisomens e sangue.
- Entendo... diga suas condições. – eu e Alice já usávamos termos formais, mas não me importei.
- Primeiro: não volto antes da meia noite. – um sorriso começou a surgir no rosto perfeito de Alice. – Segundo: minha roupa tem que ser extremamente fabulosa! – ela sorriu mais ainda. – E... desenhada por ninguém menos que... nós duas.
O sorriso de Alice quase não cabia em seu rosto de anjo e ela começou a pular.
- Certo. Vou comprar os tecidos, as bijuterias, tudinho! E quanto ao horário, lá pelas sete da manhã eu vou te buscar.
- Alice, você é um anjo! – falei ainda sorrindo.
- Não sou não, mas tô perto. – ela falou e depois olhou para Jasper, que parecia impaciente deitado lá sozinho. Logo depois ela se virou de novo para mim – Certo, e qual tema será sua roupa?
-Hmm... que tal vampiro?
Bella fez uma careta ao meu lado, mas Alice deu uma risadinha.
- Original. – ela falou e depois voltou para onde Jasper estava.
Logo que eu e Bella voltamos a andar eu pensei, mas é obvio que Alice saberia que eu ia aceitar o convite da festa, então por que ela ficou com tanto medo que eu dissesse não? Ignorei as perguntas em minha mente, Alice não era nada previsível.

Assim que entrei na sala, Edward, que estava conversando com , olhou para mim, e eu olhei para baixo. Respirei fundo e fui até os dois. só percebeu que eu tinha chegado quando parei ao lado dos dois.
- Bem, acho que vou deixar as duas conversando... – ele falou e saiu de perto de nós.
Assumi o lugar que ele estava antes e olhei para minha amiga. Ela também me olhava, mas eu não sabia decifrar sua face.
- Oi. – sussurrei.
- Oi. – ela também sussurrou.
Não sabia o que falar. ‘Desculpe por tentar te matar?’ Não era bem a coisa mais sensata no momento.
- Me desculpe. Eu realmente não sabia o que estava fazendo. Entendo que talvez nunca me perdoe ou volte a confiar em mim, eu vou entender... mas... você sempre foi minha amiga, não é justo que esta... – procurei a palavra certa para minha vida – existência também me tire você.
Ela respirou fundo e olhou dentro dos meus olhos.
- É claro que te perdôo. Eu devia saber do risco, li os livros, menos vezes que você, mas mesmo assim deveria saber. Também não quero perder sua amizade.
Ela então abriu seus braços e nos abraçamos. Quando nos soltamos eu franzi o nariz.
- Nossa, você realmente tem um cheiro bom. – eu falei e depois ri.
riu comigo. Não estava falando de verdade, porque eu mal conseguia sentir o cheiro dela. Acontece que Alice dissera a mesma coisa no filme Crepúsculo para Bella. Nós fomos para o meu quarto e entramos lá. Assim que sentou-se na cama, o celular dela tocou, mas era toque de mensagem. Ela olhou e sorriu.
- Quem é? – Falei pulando para me sentar na cama ao seu lado.
- Seth.
- Ah! – eu sorri e joguei uma almofada nela. – O que ele está falando?
- Hmm... perguntando se eu vou à festa a fantasia... –ela falou vagamente.
- E você vai?
Ela terminou de escrever e olhou para mim.
- Não tenho convite, ninguém me conhece e não tenho a sorte de ser uma Cullen.
- Tenho certeza que Alice arrumará um para você. – eu ajoelhei na cama e coloquei as mãos em posição de oração. – Vamos! Diz que sim, diz que sim.
Seu celular tocou novamente e ela olhou e suspirou.
- Seth tem um convite a mais.
- Arrá! Agora, como você vai? Qual fantasia?
- Hum... De que você vai?
- Vampira.
Ela começou a rir e caiu de costas na cama. Eu fiquei me perguntando por que tanta felicidade. Logo então ela sentou e me explicou:
- Como se você precisasse se vestir.
Eu mostrei a língua para ela.
- Não tenho dentes... – então meus olhos arregalaram – Não que eu saiba!
- Não, , você não tem.
- Como pode ter tanta certeza? – a desafiei.
- Não tenho. Mas você foi criativa, hein?
- Vou forçar o Jake a ir de lobisomem.
- A fantasia dele vai ser um sucesso. – ela falou dando de ombros. – Ele não vai concordar, , desista.
- É... eu sei. Mas ele pode ir de Conde Drácula. – falei pensando em Jake vestido de conde drácula, ia ser hilário.
- Isso vai ser engraçado.
- Mas e você. Vai de quê?
- Não sei... vou ver com Alice as minhas opções e depois te conto. Nada que chame muita atenção.
Revirei os olhos, já imaginava isso.
Então o celular dela tocou novamente. Ela olhou e sorriu olhando para mim. Eu achei estranho, mas peguei o celular que ela me entregava. A mensagem dizia:

Eu e Jake estamos chegando à casa dos Cullen. Peguem suas coisas de caminhar, vamos achar aquela campina que Edward levou Bella naquele livro lá.

- Isso é serio? – perguntei incrédula.
- Você tem botas de caminhada? – ela perguntou se levantando da cama.
Eu neguei e ela gritou chegando mais perto da porta:
- Alice! – ela ouviria, tinha certeza.
Logo que Alice nos entregou duas botas de caminhar - uma que pertencia a ela e outra da Bella - nós ouvimos um uivo de lobo. Eu olhei para , sorrindo e ela fez o mesmo.
- Bom, seus guias chegaram. Não façam nada que eu não faria. – Alice falou assim que o uivo cessou.
- E existe algo que você não faria, Alice? – perguntei sorrindo.
- Sim, muitas coisas... como... não comam insetos, por favor. E tentem não cair muito.
Ignorei aquele “comer insetos” e me concentrei em dar um jeito no meu cabelo.
-Claro, claro. – Eu falei enquanto saíamos do quarto.
Bella e Jake conversavam e Seth olhava para a janela, parecia estar pensando em algo. Onde estava Edward quando precisávamos dele?
-Seth! – quase gritou e ele se virou.
Então ela saiu correndo em direção ao garoto. Eu e Alice só ficamos observando enquanto descíamos a escada lentamente. deu um selinho nele e depois se abraçaram. Jake parou de conversar para Bella e olhou para mim sorrindo, retribuí o sorriso. Quando cheguei ao lado dele Seth olhou para nós ainda segurando minha amiga pela cintura.
- Vamos, então? Temos muito o que procurar...
- Mas e se a campina não existir? - questionei.
- Quem escreveu o livro baseou o livro em tudo o que tinha aqui. Então com o livro podemos achar a tal campina. – Jake explicou.
- Agora, Nessie, pegue o segundo livro... como chama mesmo?
- Lua Nova. Volto já. –Falei e saí correndo.
Quando voltei, eles já me esperavam do lado de fora. Eu e não precisamos de nem um minuto para achar a parte que Jacob fazia um mapa para ele e Bella procurarem a campina, quando achamos mostramos aos garotos e eles diziam conhecer a área. Então eles foram para a floresta e eu não entendi o por quê. Quando voltaram estavam transformados. Era a primeira vez que eu via Jake assim, como lobo e pela cara da também era a primeira vez dela. Eu já havia visto Leah e Sam transformados, mas Jacob era ainda maior e mais peludo.
- Uau! – sussurrei.
- Imagine como a Bella ficou quando viu a matilha e não sabiam que era eles? – falou sem tirar os olhos dos lobos.
Os rapazes-lobos se aproximavam lentamente. O pelo mais longo e avermelhado de Jake era lindo, bem mais liso que meu cabelo. O pelo de Seth era um ocre muito claro, parecido com areia do deserto, seu pelo era mais curto do que o do Jake, mas brilhava mais ainda.
Sentia meu coração palpitando no meu peito conforme eles chegavam mais perto. Quando estavam a menos de um metro da gente, os dois pararam. Jake fez um sinal com a cabeça apontando suas costas. Eu olhei para , mas ela também não parecer entender.
- Hmm... acho que não entendi. – falei.
Seth revirou os olhos. Jake começou a fitar a casa e então de repente Edward apareceu atrás de mim, quase me matando de susto.
- Não acho que elas vão querer fazer isso. – Edward falou.
Estavam tendo uma conversa mental, óbvio. Mas eu não conseguia entender no que Jake e Seth pensavam.
- Pode ser perigoso. Por que não vão no jipe de Emmett? – Edward ainda estava calmo. Jake que revirou os olhos como se discordasse.
- Tudo bem, mas não acho que elas vão querer. – Edward olhou para mim e para . – Eles querem te levar nas costas.
- Ah não! – gritou. – Não! Não! Não!
- Também não acho uma boa idéia. – Edward falou.
- Na verdade deve ser legal. – eu falei dando de ombros.
Jake mostrou sua imensa linha de dentes faiscantes de tão brancos; levei isso como um sorriso. Edward revirou os olhos visivelmente preocupado com a minha sanidade mental.
- Pois eu não acho que vai ser tão legal correr sobre de um cachorro. – falou cruzando os braços.
- Eles não gostaram muito no nome não, . – Edward traduziu os dois lobisomens.
- Problema deles, não vou e pronto. – ela falou empinando o nariz.
- Se fosse no colo do Emmett você ia. – Falei também cruzando os braços.
Todos olhamos para a cara da , esperando sua resposta. Logo Emmett e Rosalie apareceram do lado de Edward.
- Ouvi meu nome. – Emmett falou.
abriu a boca mas não saiu nada. Eu sabia que ela iria se fosse o Emmett e principalmente se fosse o Edward, mas ele era meu pai e eu devia respeito a ele, eu acho.
- Você também iria! – ela me acusou.
Agora todos os olhares estavam voltados para mim. Logo fiquei sem resposta. Sim, eu iria se o Emmett me carregasse, mas eu também iria se Jake me carregasse.
Jake fez um som que eu interpretei como uma bufada. Então Bella, Alice e Jasper apareceram do lado de .
- Perdemos alguma coisa? – Bella perguntou.
- Não, acabou de começar. – Rosalie respondeu.
- Legal... – Jasper falou.
- Mas eu também iria com Jake! – falei.
- Iria aonde? Me sinto perdida! – Bella exclamou.
- não quer subir nas costas do Seth e então disse que ela deixaria o Emmett carregar ela. Agora descobrimos que a também deixaria que Emmett a levasse. – Rosalie explicou.
-Ah! – Bella assentiu entendendo.
-Não sei qual é o problema, eu sou mesmo gostoso. – Emmett disse brincalhão.
Rose deu um tapa em seu braço e Emm fez uma careta. Não pude evitar uma risadinha.
pensava em alguma coisa e eu me aproximei de Jake. Coloquei uma das minhas mãos em seus ombros.
- Você vem ou não?
- Ah!

9- A campina

Era como voar, não, era melhor que isso. Afinal, eu estava ali com Jacob, e isso era o bastante. Mas o vento batendo no meu rosto e a sensação de liberdade não era algo que eu podia explicar.
Meus braços estavam presos levemente sob o pescoço grosso e quente de Jake. Eu queria soltá-los, mas não acho que seria uma boa idéia.
ao contrário de mim não parecia confortável. Ela apertava seu rosto contra o pelo de Seth e seus braços quase não apareciam, estavam enterrados no pelo espesso dele.
Seth fez um sinal com a cabeça para Jake e sumiu na floresta, não entendi.
- Aonde eles vão? – perguntei sem esperanças de conseguir uma resposta.
Jacob fez um sinal para a cabeça para o lado que eles estavam, mas não consegui vê-los.
Passávamos por uma parte mais clara da floresta; aonde as árvores tinham um verde esmeralda. Eu olhava para os lados com a esperança de achar algum tipo de semelhança com o livro, mas a floresta era incrivelmente igual à da mansão. Então algo me chamou a atenção. Um conjunto de folhas caía e atrás dela parecia ter um clarão. Como se a floresta acabasse ali. Será que...
- Jake, espere... – falei alto, com medo de ele não me escutar. – Acho que achei.
Ele diminuiu a passada até parar. Quando parou, eu desci e andei lentamente até a parte que eu havia visto. Jake andava atrás de mim ainda em sua forma de lobo. Cheguei até a parte que estava mais clara e empurrei as folhas.
- Ah, Meu Deus! – foi a única coisa que consegui sussurrar.
Era incrível. O sol estava apenas embaixo de umas pequenas nuvens, então ele praticamente brilhava. As flores de todas as cores se espalhavam pela grama que estava pouco mais alta que meus pés. Uma pequena cachoeira fazia um barulhinho gostoso, perto de nós.
- Nossa! Incrível! – Jake sussurrou perto de mim.
Olhei para trás e sorri para ele, mas ele encarava o céu, seus olhos negros brilhavam. Só então percebi que ele estava completamente nu. Senti minhas bochechas corando e me virei para frente novamente.
- Jacob Black, vista-se imediatamente.
- Oh! É mesmo! Desculpe. – ele falou assustado.
Eu dei alguns passos para frente e respirei fundo, a calma que aquele lugar trazia era impressionante. Então uma lágrima saiu dos meus olhos. Estava muito feliz por estar ali. Meu sonho estava na minha frente. O meu mundinho particular era real e eu fazia parte dele.
-Desculpe, me acalmei demais... – Jake falou chegando perto de mim. – Nessie, está chorando?
Eu fechei meus olhos e respirei fundo novamente.
- É tudo tão lindo, Jake. Eu sonhei com isso tudo por tanto tempo, agora eu estou aqui dentro – Abri os olhos e andei até ele – com você . É muito melhor do que sonhei.
Ele sorriu para mim e me puxou para mais perto pegando na minha nossos rostos se aproximavam por vontade própria. Logo nossos lábios estavam quase colados, então ele sussurrou:
-Também é muito melhor do que eu sonhei. Você sempre foi melhor do que sonhei.
Senti seu hálito quente entrar dentro da minha boca quando abri um sorriso. Então ele me apertou mais ainda contra seu corpo e me beijou. O beijo não era calmo e nem violento, apenas de tirar o fôlego. Não sei bem se foi o Sol ou Jacob, mas me senti aquecida.
- Bom, eu sei que é um lugar lindo, mas estou ficando enjoado. – A voz de Seth me fez separar o beijo.
Jake ainda me apertava contra seu corpo, mas nós dois olhamos para Seth e , que olhava para tudo examinando cada detalhe da clareira. Então os olhos da minha amiga pararam em mim e se arregalaram mais ainda.
-, você não está... – ela não conseguiu terminar a frase.
Me afastei de Jake e olhei para meus braços procurando por qualquer anormalidade. Não tinha nada. Só então percebi, não tinha nada; e isso, era a anormalidade. Como uma vampira – ou quase – eu deveria brilhar, mas nada aconteceu.
-Eu achei que você iria brilhar. – explicou-se.
Sentei-me na grama que estava um pouco úmida – novidade – e olhei para o céu.
- Também achei. – sussurrei para mim mesma.
Todos ficaram em silêncio por algum tempo. Aquele comentário de havia estragado um pouco as coisas, mas ainda parecia tudo perfeito.
- Ok, já que estamos aqui, o que vamos fazer? – perguntei tentando quebrar o silêncio.
Jake olhou para Seth em forma de pergunta.
- Bem, esta parte nós deixamos por parte de vocês. – Seth falou.
- É, depois de tantos anos sonhando com isto, imaginamos que vocês soubessem o que fazer.
Eu olhei pra , mas ela deu de ombros.

Ficamos conversando por horas, até que o sol começou a se por e o silêncio reinou.
Quando o sol se escondeu atrás das árvores Seth e se levantaram. Meu rosto estava apoiado a cabeça de Jake e ele me abraçava para me trazer para mais perto – como se fosse possível.
- Nós já vamos, vocês vem? – Seth perguntou.
Jake olhou para Seth e depois para mim.
- Não, vamos ficar mais um pouco. – Jake respondeu por nós dois.
- Tudo bem. – falou e acenou para nós.
Nós dois acenamos de volta. - Amor, será que não dava pra você ir um pouco mais devagar não? – ouvimos perguntar enquanto entrava na mata logo após Seth.
Eu e Jacob rimos por um tempo até que o silêncio reinou entre nós dois. Olhei para o céu, que começava a estrelar conforme a luz sumia. Consegui contar quantas tinham. Seis, mas eu ainda estava intrigada se a quinta e a sexta estrelas não eram planetas.
- Uma grama pelos seus pensamentos. – Jake falou passando uma gramínea pelo meu rosto.
- Hm... – eu sorri e olhei para ele. – Tá muito barato.
Agora estávamos deitados, mas minha cabeça continuava sobre seu peito nu. Eu passava minha mão levemente sobre seu peito e ele passava a dele – que me abraçava – na minha cintura que ele já tinha feito questão de levantar minha blusa que até minhas costelas.
Seu corpo subiu e abaixou muito rápido por causa de sua risada. Sorri.
- O que quer ganhar então?
- Um beijo estaria de bom tamanho. – falei sem perceber.
- Vai ter que ser um pensamento bem interessante.
Ele me tirou de seu peito e me deitou na grama que estava um pouco molhada e passou uma de suas mãos para o meu outro lado do corpo apoiando-se. Seu corpo estava sobre o meu, mas não se encostavam. Então ele foi abaixando e a cada respiração – que já estava alterada – meu corpo roçava no seu. Ele sorriu ao perceber meu desnorteamento por tê-lo tão perto.
- Vou... – comecei, mas as palavras estavam difíceis de sair – pensar em algo interessante. – prometi.
Seu sorriso aumentou e seu corpo desceu mais ainda encostando totalmente no meu. Agora eu já respirava pela boca, mas minha respiração saia pesada. Ele não me beijava, droga. Como eu queria aquele garoto. Sua boca, seu corpo, tudo.
O imprinting realmente fez sentido naquela hora. Nunca havia amado alguém tanto assim e isso não seria possível. Nosso destino já estava traçado e ficaríamos juntos.
Ele então deixou que seus lábios se encontrassem aos meus e eu pudesse sentir o gosto de sua boca na minha. Este beijo não foi tão calmo quanto os outros. Aliás, de calmo e pacato este beijo não tinha nada. A sua mão que não sustentava seu corpo passeava por minha cintura, do quadril até pouco mais baixo que meus seios. Eu arranhava sua nuca com uma das minhas mãos e a outra estava em seu cabelo puxando-o.
Logo sua mão já estava por baixo da minha blusa, mas quando ele a mexia não chegava ao meu seio. Quando percebi que já estávamos indo longe de mais, separei o beijo, empurrando-o um pouco para mais longe de mim.
Ele ergueu seu corpo mais e nossos corpos não estavam mais tão juntos. Tirou sua mão de dentro de minha blusa e me olhou nos olhos.
- Não vai desmaiar agora, vai? – ele perguntou brincando.
- Não. – falei, mas depois percebi que mal estava respirando. – Eu acho.
Ele sorriu e deitou-se ao meu lado, então passou uma de suas mãos por trás de mim e me puxou para perto dele. Eu continuei olhando o céu, que agora já estava bem mais estrelado, quase não havia nuvens e contar as estrelas parecia algo impossível. Não que eu acreditasse na palavra impossível,mas contar aqueles montes de estrelas não era algo que eu queria fazer.
- Agora vai ter que me contar no que esta pensando. – ele disse cobrando minha promessa.
- Hm, vamos ver se passa algo decente na minha cabeça... – eu falei e nós dois rimos – Estava pensando se existe algo realmente impossível. Há mais de um mês atrás, eu não tinha certeza se vampiros e lobisomens existiam, agora estou deitada junto com um lobisomem que sofreu o imprinting comigo, uma mestiça. Não, acho que não existe impossível.
-Depende do ponto de vista. Os vampiros envelhecerem não é algo que eu creia que aconteça.
- Nunca se sabe. Algum vampiro gênio pode fazer com que isso aconteça. – falei dando de ombros.
-Bela observação. Mas mesmo se este gênio dentuço conseguir fazer isso, eu não iria querer. A eternidade já parece pouco tempo para passar com você, imagine uma vida humana. – ele riu – Não conseguiria nem ao menos matar cada um dos seus ex-namorados.
Eu tive que rir. Ele era meu primeiro namorado de verdade. E nem era meu namorado, não havia pedido formalmente nem para mim nem para meus pais.
- Nunca namorei de verdade. Então, não vai ter muitas pessoas para matar...
- Ah! Então sou seu primeiro namorado? Me sinto honrado.
- Ainda não é meu namorado. – falei por fim.
Ele me empurrou para que eu me sentasse e sentou-se ao meu lado. Vi que ele estava surpreso.
- Não sou seu namorado ainda? Nessie, vamos viver a eternidade juntos e você nem me considera seu namorado? – ele perguntou incrédulo.
Cruzei meus braços e fiz biquinho.
- Não me pediu formalmente. Sendo meu primeiro namorado, deveria fazer isso.
O corpo de Jacob começou a tremer de tanto que ele ria. Fiquei esperando que o ataque de risos parasse e ele percebeu que eu estava falando sério.
- Como assim, pedido formal? – ele perguntou recuperando o fôlego. - É tipo assim: ou Renesmee Cullen, tanto faz; aceita namorar comigo?
- Nessie, não vou te pedir em casamento, ainda. – ele disse meio brincalhão deixando a palavra “ainda” bem clara.
Suspirei percebendo que ele não pediria do jeito que sonhei. Ou melhor, do jeito certo, por que nunca sonhei em como meu primeiro namorado me pediria em namoro.
- Jegue... – sussurrei.
Jake arregalou os olhos.
- Me chamou de jegue?
- Não! É por que eu sempre dizia que meu príncipe encantado viria de jegue, pois ele demorou demais. Agora que você chegou em seu jegue, tenho que subir nele e agüentar os problemas que um alazão não teria. – confessei.
Ele começou a rir de novo, mas se recuperou mais facilmente.
- Eu aceitaria se dissesse que tinha vindo de lobo, mas de jegue – ele riu mais um pouco -, é o cúmulo.
Ele se levantou e estendeu a mão.
- Vamos, já esta tarde. –ele falou.
Cruzei meus braços novamente e me levantei sem a ajuda dele. Então me virei de costas.
- Acho que vou a pé. – declarei, fazendo birra.
Escutei um choro de cachorro atrás de mim, mas não me virei. Então algo gelado e molhado me cutucou nas costas. Me virei e Jake-lobo me encarava com a cara levemente entortada para o lado, como se estivesse fazendo alguma carinha fofa. Ele chegou ao meu lado e fez um sinal com a cabeça para que eu subisse em suas costas.
-Já que você insiste... – dei de ombros e subi em suas costas. – Ah, e se importa de não pensar no que aconteceu aqui hoje perto de Edward? É constrangedor.
Ele bufou e começou a andar passando pelas árvores. Então me lembrei que muita coisa tinha acontecido ali e ele poderia não ter entendido bem o que eu havia dito.
- Ah! E eu me refiro ao beijo, certo?
Jake assentiu e começou a correr.

10- Tam-tam-tam, um Denali.

Acordei com pulando sobre mim.
- ! Acorda! – Ela sussurrou em português.
- Estou dormindo. – resmunguei, mau-humorada.
- Não está não. – parou de pular sobre mim e sentou-se ao meu lado.
Desisti de ignorá-la e olhei para ela sem se quer levantar minha cabeça.
-O que foi?
Percebi que iríamos falar português e eu realmente estava com saudades deste idioma.
- Tive minha primeira vez ontem. – ela sussurrou como se fosse a coisa mais importante do mundo.
- E daí? – perguntei meio dormindo. Eu realmente não funcionava bem de manhã, mas mesmo assim as pessoas falavam comigo. Eu não entendia muito bem o porquê.
- , acho que você não entendeu. Eu e Seth dormimos juntos. – Ela falou um pouco mais alto.
-Nossa! – Gritei me sentando. – Que babado!
-Shiii! - ela sussurrou. – Cala a boca.
-Ah, e daí? Edward já deve ter lido isso nos seus pensamentos mesmo. E Alice já deve ter nos visto conversando. – falei dando de ombros e me levantando da cama pra abrir a cortina.
Quando a abri, uma grande luz amarelada me tocou. Era o sol. Como eu sentira falta dele. Mas dois dias seguidos com sol não eram muito comuns em Forks.
-Tenho evitado pensar nisso perto dele. E Alice, bem, me viu chegando, então ela já sabe.
- Mas querida, Edward vai saber disso a qualquer momento. No pensamento de Alice, no seu, no do Seth. É complicado guardar segredos dele por muito tempo. – falei, dando de ombros e indo até o banheiro para escovar os dentes.
- Não contando para os meus pais não acho que tenha muito problema dele saber. – ela me acompanhou.
Escovei meus dentes e penteei meu cabelo.
- Mas então. Conte-me detalhes. – Voltei para o quarto e me sentei na cama, ela veio junto comigo.
- Detalhes? – minha amiga fez uma careta.
- Vou ser a criança virgem, okay? Tenho este direito.
Ela bufou.
-Não sei como falar sobre isso.
-Eu também não saberia. Mas vou te ajudar. – Eu pensei um pouco para achar a pergunta que queria. – Como isso aconteceu, tipo, foi depois da campina?
-Não exatamente. – ela falou depois de pensar um pouco. – Foi de madrugada. Ele veio aqui, meio que me raptando. Então ele me levou até a campina, aí foi lá que aconteceu.
-Nossa, esta campina deve realmente ter alguma coisa que induza os casais a fazerem isso. – falei me lembrando ao que acontecera comigo e com Jake lá noite passada.
- Como assim? – ela perguntou desconfiada.
- Bem, é que... – resolvi falar – Ai de você se pensar nisso perto de Edward. Ai de você!
-Prometo.
- É que bem... eu e Jake meio que, hum... – não sabia como falar isso.
- Vocês se agarraram. – isso não foi uma pergunta. Eu arregalei os olhos e ela sorriu. – Seth me contou. Sabe como é, lobisomens não tem como guardar muitos segredos...
-Vou matar o Jake. – declarei e me levantei da cama novamente para trocar de roupa.
- Ah, não se preocupe com isso. Leah já deve tê-lo feito.
Fiz uma careta, isso não era bem o que queria ouvir.
- E falando nisso... – ela falou vagamente mexendo em uma almofada que estava sobre a cama desarrumada. – As fantasias já estão prontas?
-Não. Nem comecei. Mas, de qualquer jeito, falta muito tempo para esta festa.
arregalou os olhos.
-, a festa é neste final de semana.
Arregalei os olhos e minha blusa escorregou por entre meus dedos. Hoje era quinta- feira. Eu tinha apenas três dias - contando com hoje e o dia da festa – para fazer este vestido.
-Oh My God! – saí correndo do meu quarto de pijamas mesmo. -Alice! Alice? – Gritei passando pelo corredor, mas ela não me respondia.
Continuei gritando por ela enquanto andava pela casa de camisola – que ficava pouco abaixo da minha bunda - e meias.
Quando terminei de descer as escadas, ouvi a voz de Alice.
- Estou aqui ! – ela gritou da cozinha.
Fui correndo até lá, mas quando chegava à porta da cozinha, minha meia começou a deslizar e não conseguia parar. Passei pela porta da cozinha, ainda deslizando e todos, quando me viram, se levantaram, olhando para mim. Ia em direção à mesa, quando dei um giro e alguém me segurou pelas costas, me impedindo de bater.
Pisquei os olhos tentando entender o que havia acontecido. A pessoa - que eu não sabia quem era – ainda me segurava. Olhei para cima tentando ver quem era, mas não adiantou nada, não reconheci o rosto. Mesmo assim, o homem – sim, era um homem desconhecido – me olhou e sorriu.
- Que bom que sabe patinar.
Todos rimos e eu ri junto. chegou pela porta da cozinha em uma entrada menos triunfal que a minha e me olhou estranho, como se não entendesse o que havia acontecido.
Percebi que ainda estava nos braços do meu salvador, então empurrei meu corpo para frente e fiquei de pé. Olhei para ele e me perguntei quem seria. Até que ele estendeu a mão, ainda sorrindo.
- Sou Phelipe. E você deve ser Renesmee Cullen. Finalmente nos conhecemos.
Phelipe... eu conheço algum Phelipe? Passei mentalmente as folhas da saga de Crepúsculo, mas não achei nenhum Phelipe. Então percebi que as únicas pessoas que sabiam de mim e eram vampiros eram os Volturi. Gelei.
Eles haviam me achado. E eu nem era rápida ainda. Nem havia sido treinada.
Por que todos estavam tão calmos?
Não ergui minha mão para cumprimentá-lo.
-Sim, é meu nome, não o gaste. – falei ríspida.
Queria mostrar para ele que eu não era nem um pouco fraca. Talvez um pouco destreinada, mas ele não precisava saber.
Bella se levantou e veio até mim.
- , ele é um Denali. – ela falou.
-Ah! Um Denali! – eu falei. – Me desculpe, achei que era outra pessoa.
-Espere, estou confuso. Você é ou Renesmee? – ele perguntou confuso.
-As duas. – Sorri. – Tem gente que me chama de Renesmee, Nessie; outros me chamam de , .
-Mas qual nome você prefere?
Ele estava sendo gentil, gentil demais.
- Não sei. – falei dando de ombros. – Agora, se me dão licença, tenho que trocar de roupa. Ainda tenho que matar um lobisomem...
Phelipe me encarou com os olhos arregalados, não me importei. Fiz um sinal para Alice vir comigo e ela veio junto com . Enquanto subíamos a escada, pude ouvir o garoto perguntando.
- Mas vocês não tinham aquele pacto com os lobos?
- Bem que eu queria que ela estivesse falando sério. – Emmett reclamou.
-Emmett! – Bella brigou com ele.
- Não gosto de ver ela andando com o lobisomem por aí. Ainda mais um que é muito mais velho que ela. – Emmett esclareceu.
- Não se preocupe, ela sabe se defender. – Desta vez foi Rose que me defendeu.
O resto eu não ouvi mais. Alice fechou a porta do quarto dela. Eu a segui e veio logo atrás de mim.
- É obvio que eu não deixei tudo para a última hora como as duas irresponsáveis. Vi como vocês estariam, o que foi bem difícil, pois os cachorros sempre atrapalhavam quando eu tentava pegar detalhes das roupas. Assim que consegui ver o bastante, desenhei e levei em um estilista. E as roupas estão em meu closet.
Ela foi até seu closet e trouxe dois sacos de roupas pretos.
-E aqui estão. Ah! ! E é o mesmo que você desenhou quando tinha treze anos, você sempre quis um assim, então...
Ela colocou os dois sacos na cama e abriu os dois. Logo reconheci meu desenho. O macacão preto minúsculo de couro parecia realmente um sonho. O short deveria ficar a dois palmos do meu joelho. O macacão era tomara que caia e as luvas com os dedos cortados chegavam apenas até meu pulso.
Olhei a roupa de . Bem, o vestido da era lindo, ele era preto e parecia ser tão apertado quanto meu macacão - me perguntei se o Seth ficaria com tanto ciúmes quanto imaginava que Jake ficaria. Feito de couro. Ainda tinha uma capa roxa preta por dentro e roxa por fora.
Nossas botas estavam na beirada da cama. As duas eram iguais, apenas o salto era diferente, o meu devia ser quinze e o da , dez. Elas tinham um cano bem longo, que deveria chegar um pouco abaixo do meu joelho e eram de um couro tão brilhante e bonito quanto o das roupas.
Eu bati palminhas, e colocou o vestido na frente do corpo.
-E como vamos entrar nisso? – fez uma pergunta óbvia.
-A roupa tem zíperes invisíveis em vários locais. Mas, mesmo assim, vocês terão que prender um pouco da respiração. – Alice explicou.
Eu ri. Odiava roupas apertadas, mas, por algum motivo, estava doida para prender minha respiração e entrar naquela coisinha linda.
Peguei meu macacão e coloquei na frente do meu corpo, o observando no espelho.
-, o que acha que os meninos vão achar?
- Primeiro vão achar que estão sem roupa e depois vão à vocês para tirar com a desculpa de que não irão com vocês vestidas assim. – Alice falou. Eu e olhamos para ela. Isso era uma previsão? – Eu acho. Não previ nada.
Dei de ombros.
- Acho que sei como resolver isso. – falei.
-Eu estava esperando você falar isso, . – Alice falou e em um segundo estava com mais dois pacotes pretos nas mãos. – Isso é por minha conta, mas por sua criatividade.
Eu peguei um dos pacotes e a pegou o outro. Dentro deles tinha um sobretudo que chegaria aos nossos joelhos, também de coro. sorriu para mim.
-Você é um gênio.

Depois de e eu tomarmos café, ela subiu e me deixou lá embaixo enquanto eu lia Crepúsculo novamente e bebia o restinho de chocolate quente que sobrara.
- , queria falar com você uma coisa. – Edward falou, chegando perto de mim.
Eu tremi de susto e o chocolate quente quase caiu no livro, mas Edward o puxou para si antes que isso acontecesse.
-Obrigada. – agradeci por ele ter salvado meu livro.
-De nada.
-Mas... o que queria falar comigo?
- É que... sabe aquele garoto, o Phelipe? – eu assenti e ele continuou. – Acho que ele está interessado em você.
-E desde quando você acha alguma coisa, Edward? – perguntei imaginando que ele havia entrado na mente de Phelipe, então ele não achava nada.
Edward deu de ombros.
-Eu só queria que você não o ignorasse, entende?
- Não vou dar bola pra ele, Edward. – falei, mexendo distraidamente a colher no chocolate quente.
-Eu sei. Não é isso. É que ele é um cara legal, e o Jacob é ciumento...
-Eu sei. – suspirei. – Não se preocupe. Sei ser simpática quando quero.
-Que bom! – ele falou e se levantou.
Logo depois que ele saiu, me perguntei se ele realmente era meu pai e por que ele era tão compreensivo assim. Devia ser a idade que ele tem, digo, dezessete.
Voltei a ler meu livro e tomar chocolate quente.
- Está ensolarado lá fora e você vai ficar lendo? – Phelipe falou assim que eu coloquei a caneca na boca.
Levei outro susto e desta vez engasguei com o chocolate que estava muito quente.
Comecei a tossir sem parar e o chocolate queimava minha língua. Obriguei-me a engolir o líquido escaldante e respirei fundo. Respirei fundo novamente tentando refrescar minha garganta e corri até a geladeira. Abri o freezer para pegar um gelo, mas a forminha estava congelada. Juntei toda a minha força e cortei com a unha do indicador um quadradinho de água congelada. Então o taquei na boca.
Voltei a me sentar na cadeira e olhei bem para Phelipe. Ele apenas me observava, parecia se segurando para não rir.
- Obrigada. – falei embaralhado por causa do gelo na minha boca.
- Desculpe. Não sabia que estava tão concentrada. – sua voz era doce e rouquinha.
- Eu normalmente me concentro quando estou lendo.
- Quantas vezes já leu este livro?
- Já perdi a conta. – falei seca e voltei a olhar para o livro, mas não conseguia me concentrar.
Respirei fundo e me virei para ele.
- Sem querer ser mal educada, mas, por que veio?
-Bom, eu tinha que conhecer a famosa Renesmee Cullen.
Fiz uma pequena careta e imaginei se eu já era tão conhecida assim por todo o mundo. A famosa Renesmee Cullen, nada contra o nome, mas eu meio que não me sentia sendo Ness dos livros.
-Hum. – resmunguei. – O Alaska é tão tedioso assim?
- Nem tanto, mas não temos lobisomens para matar, assim como você tem. – ele disse dando um pequeno sorriso.
- Realmente, entediante. – falei e nós dois rimos. – Falando sério, por que veio?
- Carlisle me pediu que viesse para te treinar. – assenti para que ele continuasse. – Eu era um soldado como Jasper, mas minha especialidade era algo como um general. Eu treinava os recém- criados para que eles pudessem lutar com alguma habilidade. Com isso ganhávamos alguma vantagem sobre os outros grupos que não tinham preparo nenhum.
-Você os ensinavam a lutar para que eles não lutassem tão obviamente como os vampiros que os Cullen enfrentaram um tempo atrás?
-Isso mesmo. Mas com o tempo fui me cansando dessa vida de batalhas sem objetivos reais. O problema é que treinar é no que sou bom, e eu não podia simplesmente parar. Sabia que os Volturi não me aceitariam, mas continuei procurando uma ‘família’ para me integrar e, quem sabe me apaixonar. – ele desviou os olhos da mesa e olhou para mim. Engoli o gelo, percebendo que aquele apaixonar poderia ter sido direcionado à mim. - Pouco tempo depois, achei os Denali e fiquei por lá mesmo. Sei que não exercito muito bem o meu poder ficando muito tempo parado. Mas não tenho muitas opções se não esperar que apareça algum recém criado, como no seu caso.
- Há quanto tempo está assim, sem beber sangue humano?
- Desde quando cheguei aos Denali. Deve fazer uns vinte anos. É claro que de vez em quando eu trapaceio, mas o máximo que chego é uma vítima por semestre.
Apenas assenti e tentei evitar pensar nos humanos que ele havia matado nestes vinte anos. Olhei para os olhos de Phelipe, e eles estavam no ocre mais claro que eu já vira, mais claro até do que o dos Cullen quando eles voltam da caçada.
Me levantei para lavar a louça do café da manhã que eu e consumimos. Liguei a torneira e comecei a lavar minha caneca do chocolate quente – o qual eu havia jogado metade fora.
Phelipe parou ao meu lado, segurando um pano de prato.
-E você? Qual a sua incrível história? – ele perguntou interessado.
Eu terminei de lavar a caneca e passei para ele, que a enxugou numa lentidão desnecessária.
- Não é nem de perto tão emocionante quanto a sua. – falei dando de ombros. Ele sorriu para me encorajar a continuar. – Certo. Eu era uma garota normal viciada em Internet e em leitura. Pronto.
Minha história não tinha nada que eu queria compartilhar, afinal, quem iria querer saber da vida de uma adolescente normal que descobre ser uma meia vampira.
-Até que... – ele tentou me encorajar novamente.
Suspirei fundo, entendendo que ele não desistiria e lhe passei alguns talheres.
- Até que Esme e Carlisle apareceram na minha casa, no Brasil, e me contaram quem eu realmente era. É claro que foi um choque saber que eu era uma das personagens do meu livro favorito, mas era muito mais estranho ser uma mestiça, aliás a única que ainda existe.
‘ Tive que me mudar para os EUA e começar a viver em outro clima, outra língua, outra família, outra espécie. Foi assustador no início, mas agora já estou bem acostumada.’
-Deve ter sido muito difícil.
-Se eu não tivesse os Cullen e Jake, iria ser muito pior. Então agradeço a eles por tudo o que fizeram por mim.
Passei o último prato para ele e o observei, secando-o.
-Este tal de Jacob é o lobisomem que você queria matar?
Eu e ele rimos.
-Por que queria me matar? – Ouvi uma voz muito conhecida que fez meu coração disparar.
Me virei e vi Jacob nos encarava encostado no batente da porta. Seus músculos do peito estavam contraídos por ele estar de braços cruzados. Seu rosto estava sério e seus olhos negros revelavam alguma emoção que eu não entendia. Até que senti em minha mente seu ciúmes. Não pude impedir um que um pequeno sorrisinho saísse dos meus lábios.
-Jake, este é Phelipe Denali. Phelipe, Jacob Black.
Nenhum dos dois se moveu, ficaram apenas se encarando.
Olhei bem para cada um. O rosto fino e branco como gesso de Phelipe estava empinado como num tom de deboche. Seus cabelos negros caídos em uma franja partida ao meio por dois redemoinhos caiam sobre seus olhos.
O rosto marrom avermelhado de Jake também estava rígido e rude. Seus cabelos arrepiados estavam molhados, provavelmente por causa da umidade da floresta.
Percebi que não iriam falar nada então resolvi me intrometer.
-Jake, podemos ir lá fora, por favor? – sugeri, o ar ali estava tão pesado que era quase sólido.
-Claro, claro.
Eu fui lentamente até a porta, mas os dois não pararam de se encarar. Quando passei perto de Jake ele veio logo atrás de mim me segurando pela cintura, como se fosse para me segurar, evitar que eu fizesse alguma bobagem. Eu não acredito que aquilo tinha sido tão ruim. Achei que o Jacob iria se divertir com aquilo também e não esperasse que eu largasse dele e fugisse com o cara para Las Vegas e me casar em um drive-tru.
Assim que chegamos à varanda Jake encostou-se a uma das pilastras e ficou encarando a mata à nossa frente.
-Aquilo foi definitivamente péssimo.
Ele olhou para mim confuso.
Eu ainda podia sentir o ciúmes em minha mente.
-Não gostei dele. – ele falou e depois voltou a olhar para a mata.
- Sério? Nem deu pra perceber. Você foi tão receptivo. – falei ironicamente.
-Sabe o quanto eu odeio quando fica irônica? – ele desencostou-se da pilastra e ficou de frente para mim.
-Não há motivos para ter ciúmes, Jacob.
- Eu não... – antes que terminasse a frase eu apontei minha cabeça e depois meu coração. Ele entendeu que eu podia saber o que ele estava sentindo. -Eu sei que não há motivos. Eu apenas não fui com a cara dele, tá bom? – ele cruzou os braços novamente para disfarçar que estavam tremendo. – E aliás, quem é ele?
- Phelipe Denali. – respondi o óbvio.
- Disso eu sei. Quero saber o que ele está fazendo aqui.
- Veio para me treinar.
- Te treinar? – ele perguntou surpreso com a resposta.
Apenas assenti esperando sua reação.
- Por que precisa de alguém pra te treinar?
-Ele é um profissional e eu preciso de treinamento. Nem sei controlar minha força ainda e a qualquer momento podem vir aqui para me buscar.
-Bella não precisou de um profissional para aprender controlar sua força nem nada disso.
- Sei que pode ficar decepcionado, mas não sou igual à Bella. -rebati.
Ele descruzou os braços e me olhou nos olhos. A culpa dele ardia em minha mente. Eu sabia que ainda restava algum sentimento quanto à Bella, e respeitava isso. E, além do mais, eu não era tão boa quanto minha mãe, e nem nunca seria, por mais que tentasse.
- Não decepcionou.
Ele me abraçou em seu abraço quente e aconchegante.
- Não tenho tanta certeza quanto a isso. – murmurei tão baixo para Jake não ouvir, e acho que deu certo.
- Desculpe. – ele sussurrou ao meu ouvido.
Eu então desencostei minha cabeça de seu peito e o beijei. Quando nos separamos ficamos nos olhando nos olhos por algum tempo.
-O que vamos fazer hoje? – perguntei curiosa.
- Eu vou ter que cumprir meu turno hoje o dia todo, devo parar apenas de madrugada e você vai ficar morrendo de saudades de mim.
Nós dois já havíamos esquecido o incidente passado, e era como se nada tivesse acontecido. Eu sabia que isso não era bom pra relação, mas é tudo culpa do imprinting.
- E vou mesmo. – eu falei triste.
Pouco tempo depois Jacob foi embora. Pronto. O que eu faria um dia todo sem meu lobisomem?
Ouvi descendo enquanto conversava algo com Bella.
- Por que não vão até lá? É um lugar bonito. –Bella falou.
-É, deve ser mesmo. Sempre tive a curiosidade de saber como era. – concordou.
Eu andei até as duas, mas elas nem pareceram notar minha presença.
-Do que estão falando? – perguntei curiosa.
As duas olharam para mim e deram um sorriso.
- Estava falando para para vocês irem ver como é a cachoeirinha que tem aqui perto. Ela é uma gracinha.
- Por mim, tudo bem, estou num tédio mortal aqui. – falei dando de ombros.
sorriu.
- Tudo bem, então vamos!
Depois de calçarmos os tênis e eu brigar com - porque não queria ir de calça, queria ir de saia, afinal eu nunca podia usar saia naquele lugar frio, só quando o sol animava em sair, e isso não acontecia com muita freqüência -, nós saímos na direção que Bella nos mostrou.
Assim que adentramos a floresta, me arrependi de ter ido de saia, a floresta estava úmida e fria, mas não deixei minha amiga saber que ela tinha razão.
- O que achou do Phelipe? – ela me perguntou depois de andarmos alguns metros em silêncio.
- Ele parece ser legal. Por quê? – falei, olhando para o chão e procurando qualquer coisa que pudesse me derrubar.
- Sei lá, senti um clima entre vocês.
Olhei para ela incrédula. também olhava para o chão procurando qualquer coisa que a fizesse cair.
- E quando você sentiu este clima?
Que eu me lembre, não me viu conversando com ele na cozinha e não rolou clima nenhum na primeira vez que nos vimos, afinal, eu achei que ele era um Volturi.
- Eu desci para a cozinha enquanto vocês lavavam a louça. Se não percebeu, ele parece bastante a fim de você.
Eu assenti e olhei para cima, aonde as folhas das árvores tinham um verde esmeralda.
-Eu percebi sim. E parece que Jake também percebeu. – suspirei me lembrando da quase discussão que tive com ele mais cedo – Mas, de qualquer modo, amo Jacob, então Phelipe para mim é apenas um amigo.
- Se você diz.
Nós paramos de conversar por algum tempo, até que olhou ao seu redor.
-Escutou isso?
Eu olhei ao meu redor também à procura de algo, mas nada achei. Então escutei um ruído muito baixo, logo atrás de mim. Dei um passo para mais perto de .
-Fique perto de mim. – sussurrei.
Se alguma coisa estivesse ali para nos machucar, eu era a única com força o suficiente para fazer alguma coisa por nós duas.
Ouvi o barulho novamente, desta vez mais perto. Comecei a olhar para o local. Até que, de trás do arbusto, saiu um esquilo. Pude perceber que atrás de mim relaxou e soltou a respiração.
- Esta foi ótima. – ela falou quase rindo. – Vamos...
Eu continuei olhando para o local. Nada se mexeu. Mas por que eu ainda continuava com a impressão de estar sendo vigiada? Dei meia volta e voltei a andar com . Devia ser só uma nóia.

Nós chegamos à cachoeirinha. Cachoeirinha não, morrinho onde a água passava. Como aquela coisinha de nada conseguia fazer tanto barulho? Foi uma decepção tanto para mim quanto para .
- Mas Bella disse que era bonito... – choramingou enquanto voltávamos por uma trilha.
-Aposto que ela tinha vindo aqui com Edward e você sabe que ela não repara muito ao redor quando está com ele.
-Não sei, ainda acho que a gente devia ter continuado seguindo o rio, talvez tivesse alguma mini-cachoeira de verdade.
- Agora é tarde, já estamos andando há algum tempo. – disse com preguiça de adentrar ainda mais na floresta.
-Será que entramos no local certo?- olhou ao seu redor procurando por alguma coisa.
-Não sei. Fiquei tão decepcionada com a “cachoeira” que nem olhei para onde estava indo. – confessei.
-Eu também. E agora, como vamos saber se estamos perdidas?
-Bom, espero que Alice veja que estamos perdidas ou algum lobisomem passe por aqui, mas não acho que a segunda opção seja muito fácil de se acontecer.
Nós andamos por mais de duas horas – eu acho - e não chegamos à casa. Me sentei no chão molhado e lamacento, mas não me importei com isso. Minhas pernas doíam e meus pés latejavam.
fez o mesmo que eu.
- Estamos perdidas. – anunciei, suspirando.
- Só agora que percebeu? – minha amiga perguntou de mau humor e depois soltou um suspiro tão pesado e cansado quanto o meu. - O que vamos fazer? - Bem, podemos continuar andando e chegar ao Canadá, ou podemos esperar aqui até que alguém nos ache.
- Eu voto por esperarmos um pouco e depois tentar chegar ao Canadá.
-Tudo bem. – disse dando de ombros. – Que mal pode fazer ficarmos aqui? Pior não pode ficar.
Assim que terminei de falar, comecei a sentir pingos gelados na minha pele. Estava chovendo. Olhei para cima e vi que os pingos estavam ficando cada vez mais fortes.
- Mas que ótimo, hein? – gritei para o céu.
- Vamos voltar a andar, talvez achemos alguma caverna, ou o Canadá, tanto faz. – falou se levantando.
Eu também levantei. Mudamos o rumo, desta vez indo para o Oeste, para ver se chegávamos a algum lugar.
A chuva começou a engrossar e passava sem dificuldade alguma pelas árvores.
-Acho melhor corrermos, ou vamos acabar nos molhando.
- Mais? – perguntou, rindo da sua própria desgraça.
- Do que está rindo? – perguntei enquanto corríamos.
- Não é legal? Nunca tomei um banho de chuva. – ela sorria.
Eu também sorri e comecei a rir. Abaixei pegando um tanto de lama com a mão e taquei em .
-Ei! – ela reclamou abaixando-se para também pegar lama.
Enquanto corríamos e tacávamos lama uma na outra, a chuva foi engrossando, até que ficava difícil até de olharmos para onde estávamos indo. Eu parei de correr e limpei meu rosto, que tinha um pouco de lama.
-Nossa, a chuva engrossou muito, mal consigo ver as coisas na minha frente.
parou na minha frente e se sentou no chão, que agora era pura lama.
-Acho melhor pararmos um pouco de correr, já estou cansada de cair.
-Duas - concordei..
Nós ficamos lá esperando por um tempo até que senti um cheiro estranhamente doce. Ergui minha cabeça tentando achar de onde vinha o cheiro, mas não conseguia ver nada. abraçava suas pernas e apoiava sua cabeça nelas.
Então vi um vulto branco e preto passando a mais de dez metros de nós. Minha visão também estava bem aprimorada, assim como meu olfato e minha audição. Me levantei e continuei olhando ao meu redor, procurando de onde vinha o cheiro.
também se levantou assim que viu que eu estava de pé.
-O que foi? – ela perguntou, sua voz estava fraca por causa do frio.
-Tem algo aqui. – sussurrei. Minha voz falhou, também estava começando a ficar com frio.
Nós duas começamos a procurar alguma coisa, qualquer coisa.
-Bú! – alguém atrás de mim gritou.
Eu me virei, mas não consegui ver nada a minha frente, eu e começamos a gritar igual a desesperadas.
Pisquei duas vezes até conseguir ver alguma coisa à minha frente. Phelipe me olhava assustado, ele estava a menos de trinta centímetros de mim. Quando parei de gritar, fiquei séria e o encarando.
-Você. Nunca. Mais. Vai. Fazer. Isso. – ordenei, ainda nervosa.
disparou a rir e Phelipe a acompanhou. Quando começaram a se recuperar, ele olhou para mim.
-Me desculpe, não pude evitar.
Eu cruzei os braços e comecei a bater o pé impaciente. Eu odiava quando passavam susto em mim, eu sempre me sentia uma idiota depois.
-Se não se importa, eu gostaria de saber em qual direção é a casa. – eu gritei por causa da chuva que estava muito forte.
-Claro! Vamos, siga-me! – ele falou isso e desapareceu da nossa frente.
Eu revirei os olhos e cruzei meus braços. olhava para cima não sei por que. Então Phelipe voltou.
-Vocês não vêm? – ele perguntou. tirando sarro.
Eu bufei e ele revirou os olhos.
- TPM. – ele falou e andou em passos humanos para uma direção totalmente contrária à que eu e a estávamos seguindo.
Bufei novamente e comecei a segui-lo.
- Como nos achou? – perguntou depois de algum tempo em silêncio.
- Alice viu que as duas estavam perdidas e esperou até que achassem o caminho de casa, mas vocês começaram a se perder mais ainda. Então eu, Edward e Jasper viemos procurá-las. Mas como demoramos mais de meia hora para encontrá-las, Alice já deve ter convocado os cachorros farejadores.
Eu e nos encaramos. Cães farejadores? Isso era jeito de falar dos nossos cãezinhos? Eu acho que não.
-Ei! Olha como fala dos meninos! – falei brava.
- É! – concordou.
-Tudo bem, desculpe, desculpe! – ele falou se virando para nós com as mãos estendidas, como se estivesse se rendendo. – Falando neles...
Eu respirei fundo e um cheiro de chuva entrou em meus pulmões, mas não era da chuva que caía bravamente sobre nós, e sim de Jake. Sorri de imediato sentindo sua preocupação na minha mente.
Um lobo castanho avermelhado apareceu na nossa frente. Seus olhos negros passavam de mim para Phelipe com uma rapidez incrível. Então sua preocupação passou para raiva e depois ciúmes.
Ele parou do meu lado e do lado de e fez um sinal para que subíssemos nas costas dele.
-Vai agüentar carregar nós duas? – perguntei.
-Claro que não vai. – Phelipe respondeu encarando Jake.
Jacob de um passo na direção de Phelipe, mas eu coloquei minha mão sobre suas costas para que ele parasse, isso não teria o impedido caso ele realmente quisesse atacar Phelipe, mas ele entendeu o que eu queria.
- A pode vir comigo... – Phelipe continuou parecendo não se importar com o fato de Jacob já estar nervoso – E você carrega a .
Jacob rosnou de leve para Phelipe, que sorriu, vendo que tinha conseguido o que queria. Ah, mas que garoto mais irritante.
- Ou então você me leva e o Jake leva a . – minha amiga supôs tentando manter a paz.
-Também acho melhor. – concordei.
Jacob relaxou no mesmo instante. Então eu subi nas suas costas e subiu nas costas de Phelipe.
Em menos de quinze minutos chegamos à casa dos Cullen, aonde Bella e Esme nos esperavam de braços cruzados e preocupadas. Assim que nos viram Bella veio até mim e Jake.
-, nunca mais faça isso. Ouviu bem? Nunca mais. – Ela falou enquanto eu descia das costas de Jacob.
-Tudo bem, Bella. – falei calmamente. – Estou bem.
-É, mas vão pegar um resfriado se ficarem nesta chuva. Vamos, vocês tem que tomar um banho. – Esme pediu com sua voz amaciada.
-Tudo bem. – respondeu por nós duas. – Já estamos indo.
Me virei para Jacob. Ele olhava para trás como se estivesse fugindo do meu olhar. Na minha mente, não conseguia identificar o que ele estava sentindo.
-Vai ficar? – perguntei pegando em seu focinho e fazendo-o olhar para mim.
Seus olhos negros pareciam tristes. Ele apenas negou com a cabeça, deu meia volta e desapareceu na floresta.

11- Sob o luar

(n/a: Coloque a música “As long as you love me” dos Backstreet Boys para carregar: http://www.youtube.com/watch?v=fdrfVrSM864 )

-Será que ele ficou chateado? – Perguntei para .
Eu andava de um lado para o outro da sala, esperando que ao menos Jacob me ligasse, ao menos isso. tentava ver Tv, mas eu estava sempre passando na sua frente.
- Não sei, , agora deixa eu ver a Tv. – ela disse de mau humor.
Eu parei de andar e me virei para minha amiga, ignorando seu pedido.
-Vou ligar para ele! – Falei, andando até o telefone.
-De novo? Você já ligou três vezes hoje. Daqui a pouco o Billy nem vai querer mais atender o telefone.
-É verdade. – eu então voltei a andar de um lado para o outro. – Já sei! Ligue para o Seth e pergunte se eles vão passar a noite lá. – quase gritei, me perguntando como eu não tinha tido esta ideia antes.
-Eu já liguei, . A Sue não sabe.
-Ligue novamente, ela é mãe, tem que saber ao menos aonde os filhos estão.
-Eles estão com o Sam, . – desistiu de ver Tv e a desligou.
-Grande bosta, hein? – reclamei, cruzando os braços.
Emmett chegou na sala e ficou me encarando enquanto andava de um lado para o outro.
-Ela tá assim até agora? – Emmett perguntou para .
-Não acho que vai acabar tão cedo. – minha amiga confessou com ar de cansada.
- Quer que eu vá buscá-lo, ? – Emm perguntou, dando um sorriso meio maldoso como se não fosse apenas buscá-lo, mas também se divertir com os lobos.
- Não pode, ele está trabalhando... não posso atrapalhar. – respondi rápido antes que eu dissesse sim e arrumasse uma enorme confusão.
Eu não era ciumenta, muito menos possessiva, mas odiava o fato de não saber se Jake estava ou não magoado comigo. E além disso, meu corpo parecia necessitar dele perto. Sem meu imprinting é como se eu não pudesse respirar direito.
Nós três ficamos em silêncio por algum tempo sem saber o que dizer.
- Preciso comer alguma coisa! – falei e andei até a cozinha. Mas logo voltei. – Não, ! Comer por impulso engorda! - briguei comigo mesma.
Emmett e se entreolharam confusos, eu estava começando a falar sozinha e isso não era muito bom.
- Chiclete! Alguém tem chiclete? – perguntei aos dois esperançosa. Chiclete tirava a fome e não engordava, eu precisava de um.
Os dois negaram com a cabeça lentamente.
- Mas que coisa, hein? Ninguém nesta casa masca chiclete não?
- Bem... – Emmett começou a me responder.
- Emm, é uma pergunta retórica. – o avisou.
O resto da noite foi assim. Eu mal podia dormir de ansiedade/saudade e Jacob não dava notícia de vida. Ele devia estar chateado e eu não tinha a menor idéia do porquê. Talvez fosse o fato de eu ter me perdido e precisado da ajuda para sair da floresta. Mas não era minha culpa. Eu não cresci numa floresta como ele e ainda estava aprendendo à usar meus sentido melhorados.
De manhã eu lanchei e depois me afundei num tédio profundo, mas desta vez estava com raiva. Jacob nem dera notícias de vida e achou que eu ficaria esperando notícias? Arrá! Achou errado.
Comecei a mexer na Internet na esperança de achar alguma coisa,mas nada me interessava, sempre que eu abria um página me lembrava de Jake e eu estava tentando fugir disso. Enquanto respondia as pessoas no MSN e os recados no ORKUT, eu tentava achar algo para ler, qualquer coisa que não fosse de amor seria ótimo. Então entrei no youtube e procurei pelas novidades.
-Nada de interessante, pra variar... – reclamei.
Então algo me chamou atenção nos vídeos mais acessados: Teaser trailer de Amanhecer. Já estava acostumada a ver os trailers feitos pelos fãs para o livro, mas nenhum vinha para o filme, então entrei. Esperei aquela eternidade para carregar e quando carregou eu percebi que... era realmente o trailer do filme Amanhecer. Quase caí da cadeira, mas não podia ver aquilo sozinha, era muita emoção para uma pessoa só. Então levantei e saí do quarto gritando e correndo.
-Ah! – eu gritava enquanto aquele interminável corredor não acabava nunca. – ! !
Desci a escada pulando os degraus e ainda gritando por minha amiga.
-! !
Olhei para a sala aonde Seth, e Jacob estavam sentados no sofá me olhando confusos.
O que Jake fazia ali? E o pior, por que ninguém me avisara que ele estava ali? Enquanto pensava nisso percebi que não olhava mais para os degraus que tinha que descer então eu tropecei e caí de cara no chão. Senti o impacto de meu corpo no chão, mas com as mãos impedi que meu rosto também fosse ao chão.
- Renesmee! – ouvi Jake chamando-me assustado.
Soltei um gemido e tentei me levantar, mas meu corpo doía. Senti as mãos grandes e quentes de Jacob em minhas cintura me levantando.
-Você está bem? – Jacob me perguntou, olhando nos olhos.
Eu começei a perder o ar apenas de olhar nos olhos negros de Jake. Droga, eu deveria estar com raiva. Assenti e bati as mãos em minha roupa, para ajeitá-la. Então tirei as mãos de Jake da minha cintura e dei um passo na direção de , que me olhava assustada.
-Dani, você não vai acreditar!
-O que foi? – Seth perguntou por ela.
- Alguém gravou umas cenas de Amanhecer e elas vazaram! – eu falei dando palminhas.
abriu um sorriso de orelha à orelha, pegou minha mão e a de Seth e nos puxou escada a cima.
-Vamos lá ver. Não acredito!
Jacob nos acompanhou calado. Entramos no quarto e eu me ajoelhei na frente do computador enquanto sentava-se na cadeira. Seth ficou em pé atrás de e Jake atrás de mim, em pé. Passei meus olhos por todos deixando o mais encantador por último; o de Jacob. Ele me olhava nos olhos, mas logo desviei o olhar. Apertei o play para que o trailer começasse. Logo as imagens do filme – e do livro – foram aparecendo. Tudo me deixava muito confusa, mas meu coração disparava sempre que eu me lembrava em que parte do livro aquilo acontecia. Mas então minha boca secou e meu coração parou por um segundo quando mostrou a parte de Jacob (Taylor) sofrendo por ver Bella (Kristen) se casar. Não era minha parte preferida do livro... não mesmo. Mas então mostrou Edward (Robert) falando uma de suas lindas frases e acabou. Foi curto, mas o bastante para eu me alegrear, aquele era meu livro favorito.
Ouvi Jacob bufar atrás de mim e deitar-se em minha cama. Olhei para e ela ainda encarava a tela do computador, aos poucos ela olhou para mim e sorriu. E eu sorri de volta e agente começou a rir. Não sei por que, devia ser a alegria. Seth ficou olhando assustado para nós duas. Quanto à Jake, nem cogitei olhar para trás e ver como ele estava. Quando nos acalmamos, pegou a mão de Seth e o puxou para fora do quarto, me dando um olhar e logo depois olhando para Jacob, como se dissesse: Fale com ele agora porque não aguento mais te ver andando de um lado pro outro.
-Vamos, acho que o clima não está nada bom por aqui. – ela falou agora me olhando.
Eu olhei os dois saírem e depois olhei para Jake, mas ele estava deitado de costas em minha cama encarando o teto.
-O que foi? – perguntei, suspirando.
Sabia que havia algo de errado com Jake, podia sentir isso em minha mente. Ele se sentou e olhou sério para mim.
-Não sei. Me diga você.
Dei de ombros e me sentei na cadeira, encarando minhas mãos.
-Talvez seja o fato de você parecer não ter se importado quando sumi e se se importou nem veio falar comigo direito. Ou então pelo fato de você não ter retornado nenhuma das minhas ligações.
- O que queria que eu fizesse? Já tinha saído da rota para lhe procurar, queria que eu também tivesse destransformado e tomado cafézinho?
Revirei os olhos e cruzei os braços. Senti a raiva aflorando em forma de lágrimas e isso me fez ficar com mais ódio ainda. Mordi meu lábio inferior para tentar fazer as lágrimas pararem de tentar fugir de dentro dos meus olhos.
Jake percebeu minha cara e arregalou os olhos assustado com a minha reação.
- Está chorando?
-Não. – respondi, mas minha voz saiu rouca pela vontade de chorar.
Ele suspirou e levantou-se. Em menos de duas passadas ele já estava na minha frente, então pegou minha mão e me puxou até a cama, me fazendo sentar em seu colo.
- Desculpe, mas eu realmente não podia ter ficado. E, quanto aos telefonemas, eu cheguei em casa de manhã e fui dormir, assim que acordei vim direto para cá te ver. - Dei um sorrisinho amarelo. Minhas lágrimas já estavam secando e isso me acalmou. -Você consegue ser mais chorona que a Bella. – ele falou zombando de mim.
Bella chorona? Não achava que ela chorava demais. Eu realmente parecia uma nuvem em dia de tempestade, nunca vi alguém derramar tanta água quanto eu. Mas mesmo assim resolvi levar na esportiva; mostrei minha língua para Jake, como uma criança mimada. Ele arregalou os olhos fingindo estar surpreso.
-Mas o que é isso, Renesmee? Que coisa mais feia! Da próxima vez que fizer isso vai ser castigada.
Eu ri e mostrei minha língua novamente.
- Tô morrendo de medo. – Falei, tentando controlar o riso.
Ele sorriu e me jogou de costas na cama.
-Ah, vou te dar uma razão para ter medo. – sua voz saiu rouca, me fazendo arrepiar.
Então suas mãos foram para minha barriga e começaram a me fazer cócegas. Comecei a rir involuntariamente e Jake me acompanhava no riso. Eu tentava tirar suas mãos de mim, mas as suas era muito mais ágeis e grandes. Aos poucos fui perdendo as forças e Jacob conseguiu prender minhas duas mãos sobre a minha cabeça, com uma de suas mãos. Com isso seu rosto ficou muito próximo de meu, nossa respiração ofegante fazia nossos corpos se encostarem.
Logo então sua boca estava na minha e seu corpo quente colado no meu. Ele me beijava ferozmente explorando cada canto da minha boca. Comecei a sentir falta de ar, mas não me importei o que valia era que eu tinha Jake ali comigo. Então sua boca fugiu da minha, mas seu corpo ainda estava colado ao meu. Senti seus lábios quentes encostando em meu pescoço. Um calor imediato e arrepios percorreram todo o meu corpo. Meus olhos não se abriram e eu não sentia necessidade de fazer isso. Então Jacob soltou meus braços e sua mão -que agora estava desocupada- passou para a minha coxa. Senti outro arrepio . Minhas mãos involuntariamente foram para a sua nuca enquanto eu puxava seus cabelos fortemente, arracando-lhe um gemido.
Então ouvi duas batidas na porta.
-? – era a voz de Phelipe.
Jacob olhou para mim e para a porta. Olhei para a porta, mas logo depois decidi fingir que não estava ali. Puxei a cabeça de Jake para mais perto da minha e ele retomou o beijo.
-, eu sei que esta aí com seu cachorro, mas seu pai está te chamando. -Phelipe repetiu, parecendo perder a paciência.
Jacob parou de me beijar novamente e saiu de cima de mim. Ele deitou de costas ao meu lado com a respiração tão ofegante quanto a minha.
- Avise à ele que já estou descendo... – respondi, tentando fazer minha voz não falhar.
Phelipe não respondeu. Jacob virou-se para mim com cara de bravo.
- Mato ele agora ou mais tarde?
- Tanto faz para mim. Só acho que Carlisle não vai gostar muito. – falei, me levantando e indo até o espelho para arrumar meu cabelo e minha blusa.
Arrumei meu cabelo e minha blusa, que estava totalmente torta. Minhas bochechas estavam mais rosadas do que de costume e meus lábios estavam inchados. Ah! Que se dane! Todos deveriam saber o que estávamos fazendo ali mesmo.
-Acho que foi Edward que o mandou.
-Eu também acho. – concordei indo até a porta – Vamos, Jacob, antes que Edward mande Emmett para cá. E isso não seria nada legal.
Jacob fez uma careta e se levantou da cama.
- O máximo que ele pode fazer é nos oferecer preservativos.
Desta vez fui eu quem fez uma careta. Jacob riu da minha cara. Mas eu tinha que concordar, Emmett não era bem o mais indicado para fazer o que Phelipe fez comigo e com Jacob ali.
Nós dois descemos as escadas de mãos dadas e, quando chegamos lá, estavam Phelipe, Edward, Bella e Alice conversando. Edward olhou para Jacob e franziu as sobrancelhas. Se Edward realmente tinha visto tudo o que eu e Jake fizemos ele devia estar bravo mesmo.
Dei meu melhor sorriso amarelo e andei até eles, abraçando Alice.
- E então, por que me chamaram?
- Por que, interrompemos alguma coisa? – Phelipe perguntou sarcástico.
Cerrei meus olhos, lançando meu pior olhar. Ele sorriu, um sorriso vencedor. Jacob revirou os olhos e olhou para Bella.
- E então, o que foi?
- O que acha de começarmos o treinamento, ? – Edward me perguntou.
Olhei para ele e pensei, ainda faltava algo para o treinamento começar.
- Mas eu ainda não sou super rápida.
- Nós temos uma teoria de que se você começar a ativar sua velocidade, ela vai se desenvolver. – Edward me respondeu.
Bella assentiu e depois olhou para Jacob. Ele encarava Phelipe e eu senti na minha mente a raiva e o ciúme crescendo.
- É verdade. – Phelipe concordou. – Todos os seus poderes foram ativados quando você precisava deles. E audição quando você queria ouvir o que sua família dizia e a super força quando você precisou dela para jogar a mesa e descontar sua raiva.
- Mas e a velocidade quando precisei dela? Quando me perdi com ?
Phelipe deu de ombros.
- Talvez você não quisesse usá-la. – ele falou de um modo que eu percebi que tinha algo escondido.
- Tudo bem, mas chega de perguntas. – Alice falou pela primeira vez. – Vamos ou não vamos treinar? Já estou sentindo falta de usar isso aqui. - ela falou mostrando seu pequeno braço como se tivesse algum tipo de muque ali.
Eu e Bella rimos.
-Claro, claro. – Falei e empurrei Alice para onde Edward puxava Bella.
O sol saiu de trás das nuvens assim que saímos de casa. As peles dos vampiros brilhavam e quase me cegaram. Lá fora Emmett e Jasper já corriam um atrás do outro como se estivessem brincando. e Seth estavam sentados na escada conversando.
Soltei a mão de Alice e fiquei na frente de Jacob, ele estava sério, então resolvi tirar a seriedade.
- Esta pronto para lutar, Lobinho?
Eu coloquei minhas mãos na frente do meu rosto como faziam os jogadores de boxe. Ele riu de mim e abaixou minhas mãos.
- Vai querer lutar contra mim? – ele perguntou achando graça daquilo.
- não vai lutar contra um lobisomem. – Phelipe chegou por trás de mim e falou com voz de nojo. – Pelo menos não agora.
Eu olhei para ele e coloquei minhas mãos em minha cintura.
-Ah, e vou lutar contra você? Derrubo-te com um sopro.
Phelipe sorriu e deu um pulo para trás, caindo agachado como se realmente fosse me atacar. Então ele mostrou todos os seus dentes soltando um rosnado. Naquele momento eu realmente fiquei com medo.
Jacob se colocou a minha frente e rosnou. Olhei para os seus braços e eles tremiam.
-Qual é, cachorro. Não vou machucá-la, só estamos treinando. – Phelipe respondeu relaxando um pouco o corpo, mas sem sair da posição.
-Jake... – sussurrei colocando uma de minhas mãos em seu braço, tentando acalmá-lo.
Jacob soltou outro rosnado e correu para a floresta. Olhei para Seth que olhava para onde ele tinha ido.
- Ele só foi se transformar. – Edward avisou-me.
Em menos de um segundo um lobo castanho avermelhado saia da floresta. Ele andou calmamente até mim e sentou-se ao meu lado, encarando Phelipe.
-Não se preocupe comigo. – sussurrei, mas ele não teve reação alguma.
Tirei meu casaco e o taquei para .
-Não vai tirar as botas de salto? – ela perguntou.
-Não. – respondi encarando Phelipe e ficando na mesma posição que ele. – É isso que dá o charme.
Ele sorriu e eu mostrei meus dentes.
Emmett e Jasper pararam de lutar e vieram nos ver. Edward, Bella e Alice se posicionaram mais longe de onde estávamos para ter uma melhor visão de tudo.
Phelipe correu em minha direção como uma bala, mas na hora =que ele iria bater em mim, eu desviei e ele foi parar a mais de meio metro de distância.
-É você mesmo que tem que dar a aula? – perguntei zombando-o.
Ele rosnou e correu novamente até mim, mas quando fui me desviar, ele também desviou e acabou me acertando nas costas. Voei uns três metros de distância e caí no chão, arrastando grande parte de grama e terra junto comigo.
Jacob se levantou e ficou esperando que eu me levantasse, mas minhas pernas doíam e minhas costas gritavam de dor. Levante-se, exigi para mim mesma. Phelipe continuou me observando enquanto levantava-me com dificuldade do chão.
-Lição número um: nunca dê as costas à um inimigo.
Agachei-me e, desta vez, fui eu quem o atacou. Ele, como eu tentou desviar, mas eu ergui minha perna para a direita e ele caiu nela. Então dei uma cotovelada em suas costas, o enterrando no chão. Ele puxou minha perna, que estava ao lado de seu braço, também me derrubando no chão. Eu caí e antes mesmo que pudesse me levantar, ele estava sobre mim com a boca perto do meu pescoço.
-Lição número dois: nunca use golpes de humanos, eles são previsíveis.
O empurrei de cima de mim com minha perna. Pulei para trás e me agachei novamente. Mostrei meus dentes e pulei novamente na direção dele. Desta vez ele desviou e, quando passei por ele, pegando meu pescoço e o puxando na direção dele. Então Phelipe me puxou para sua frente ainda segurando-me pelo pescoço e foi me erguendo até que meus pés não encostavam mais no chão e o ar não entrava mais em meus pulmões. Tentei tirar sua mão do meu pescoço, mas não consegui, ele segurava muito forte. Tentei chutá-lo, mas ele estava muito longe de mim.
-Não consigo... respirar... – sussurrei sem forças para fazer mais nada.
Ele soltou meu pescoço e eu caí de joelhos no chão. Ele abaixou-se à minha ficando da minha altura. Eu mantinha minhas mãos em meu pescoço, sentindo uma dor muito forte.
- Lição número três: seu ponto fraco é o pescoço, não deixem que se aproximem dele.
Eu assenti e senti as lágrimas cobrindo meus olhos. A dor no meu pescoço estava forte demais e eu custava a voltar a respirar. Phelipe levantou-se e saiu de perto de mim. Logo Bella apareceu à minha frente.
-, filha, você está bem?
Eu assenti rápido e tentava impedir que as lágrimas descessem.
-Aquele vampiro idiota não precisava ter feito isso. – ouvi Emmett murmurar olhando para Phelipe, que entrava em casa.
-Tudo bem. – falei, ignorando o comentário de Emm e a minha súbita vontade de proteger Phelipe. Ele só estava querendo me ajudar. – Acho que só vou precisar de um pouco de gelo para isso não ficar roxo.
-Quer que eu te carregue até lá dentro?
-Não preci... – então senti meu corpo sendo tirado do chão.
Olhei para o rosto de quem me carregava ainda meio tonta e percebi que Edward não parecia nada feliz com aquilo tudo.
-Eu disse que não precisava. – falei para ele.
Ele não demonstrou nenhuma reação, apenas continuou caminhando para a casa.
Quando chegamos lá, Edward me colocou no sofá e parou na minha frente.
-Está tudo bem? Quer que eu pegue algo? Sorvete? Chocolate? Bala? Um livro? Seu urso?
Fiz uma careta. Por que tudo isso? Eu só tinha sido enforcada...
-Não, obrigada, estou bem. É uma questão de tempo para meu pescoço voltar a ficar bom.
Ela assentiu e sentou-se no outro sofá ao lado de Seth. Jacob apareceu na sala olhando ao redor; me procurando. Quando ele me achou correu até mim e ajoelhou-se na frente do sofá.
- Você está bem? Te falei que devia ter lutado comigo primeiro. Aonde está aquele desgraçado?
- Jake, acalme-se. Eu estou bem. – eu pensei por algum tempo até me lembrar o que ele tinha falado – Ainda bem que não lutei com você primeiro, afinal, não teria aprendido nada, apenas o quanto você é protetor.
Ele bufou e sentou-se ao meu lado. Deitei-me com a cabeça no seu colo enquanto ele mexia no meu cabelo. Eu ainda podia sentir em minha mente sua frustração e preocupação.
Logo Bella apareceu com um saco de gelo e me entregou. Eu o coloquei sobre meu pescoço e o alívio foi imediato. Ficamos em silêncio por algum tempo até que levantou-se e saiu da sala, logo depois ela voltou com duas folhas de papel, apoios e duas canetas. Ela me entregou um de cada sorrindo e foi se sentar com Seth novamente. Olhei para ela confusa.
- O que é isso?
- Joguinho idiota.(n/a: quem não sabe o que é “joguinho idiota” leia a explicação no final do capítulo) – ela respondeu em português.
- O quê? – Seth perguntou em inglês.
-Joguinho idiota. – traduzi para Seth. – Mas não podemos jogar na frente dos garotos.
- Podemos se jogarmos em português.
- Ei, que jogo é este que não podem jogar na nossa frente? – Jake perguntou desconfiado.
- É um jogo idiota aí. Mas não podemos jogar na frente de vocês. – expliquei vagamente.
- Ele é meio secreto. – continuou. - Vamos, Ju! Mesmo se jogarmos em inglês eles não vão entender.
-Tudo bem. – falei apoiando a folha em minha perna. – Quantos meninos?
- Dez. E quantas meninas?
- Cinco. – respondi já colocando os números.
- Vocês poderiam nos explicar? – Seth perguntou olhando a folha de , curioso.
- Ah, tudo bem, mas não vão gostar nada de saber. – falei dando de ombros.
- Diga assim mesmo. – Jake falou olhando a minha enquanto eu colocava os nomes.
- Tudo bem. É o seguinte, neste jogo você descobre quem é seu par perfeito.
- Ah, vocês realmente não acreditam que seja a gente? – Seth perguntou incrédulo.
- É claro que acreditamos, amor. Mas é que isso é engraçado. Quer dizer, você tem que ver quem combina com quem e vai sair na sorte. - disse, ainda concentrada em sua folha.
- Não gostei. – Jacob reclamou.
- Eu avisei. Terminei. -Avisei à .
- Eu também. Pode começar. – ela falou analisando seu jogo.
- Um e Três. – Falei, seguindo minha intuição.
Ela sorriu.
- Eu combino com Seth?
- Não. – respondi brincando.
Seth olhou para mim assim como Jacob.
- Tô brincando, pode pôr sim, .
- Eu já tinha colocado. – ela disse rindo. – Três e Nove.
Eu comecei a rir e ela sorriu.
- Vamos, com quem eu saí desta vez? – ela perguntou já acostumada com sempre sair com os piores.
- Não foi você. Eu combino com o Lucas?
Ela começou a rir junto comigo. Jake e Seth ficaram em silêncio sem rir de nada. Não haviam entendido.
- Quem é Lucas ? – Seth perguntou.
- Um menino do Brasil. Ele é absolutamente... – começou a explicar mas eu interrompi.
- Lindo! – falei rápido sem lembrar que Jacob estava perto de mim. – Falando nisso, você está conversando com ele?
- Ah, nada. A gente nunca foi muito amigo. – ela falou dando de ombros.
- Mas e aí, eu combino ou não com ele?
- Ué, combina.
Jacob bufou ao meu lado e eu sorri. Imaginando eu com Lucas. Ele era bonito sim, mas, coitado, tudo que tinha de beleza tinha de burrice.
Ficamos jogando por algum tempo até que o resultado foi: par perfeito de : Seth e o meu foi o Jake.
- É o destino... – falei suspirando e me levantando do colo de Jake.
Neste momento Phelipe entrou na sala olhando ao seu redor, como se procurasse alguma coisa.
- Ainda bem que voltou, já estou pronta para a próxima regra. – Falei para Phelipe, sorrindo.
Ele me olhou supreso e pude ver um início de sorriso formar-se em seu belo rosto de marfim.
-Achei que no mínimo ia me mandar para fora da sua casa. – ele falou andando e chegando mais perto de mim.
Eu dei de ombros.
- Você não sabe muitas coisas sobre mim.
- É verdade. – ele concordou sorrindo.
-, acho que por hoje já está bom. – Edward falou, chegando ao meu lado.
Eu não tentei discutir, eu queria lutar mais, mas também estava exausta.

! , acorde! – ouvi a voz de Jake no meu sonho.
-Hm! – resmunguei e taquei um travesseiro na direção da voz.
-Outch! – ele reclamou, acho que acertei o travesseiro. – , acorde, não me faça ter que te fazer cócegas novamente.
Não me movi nem um pouco. Dane-se as cócegas, eu estava com sono e não queria me levantar.
-Vamos, , vão logo descobrir que eu estou aqui e vão estragar a surpresa.
-Oiai! Eu grudei chiclete na cruz! – reclamei em português e depois voltei á falar em inglês. – Desembuxa, treco.
Ele fez uma careta. Nossa eu devia estar muito feia.
-Vamos, fiz uma coisa pra gente lá na praia. – ele falou sorrindo e se aproximando da janela.
-Jake, são... – olhei o relógio na minha cômoda –quatro e meia da manhã. Me dê um bom motivo pra ir de pijama para a praia com você.
Ele foi até o meu armário e pegou alguma peça de roupa que eu identifiquei e me entregou. - Porque eu tenho uma surpresa para você lá. – ele sussurrou. – E não precisa ir de pijamas, coloque este vestido, gosto de você nele.
Ele então pulou minha janela. Suspirei e me troquei. Logo depois apareci na janela mas não consegui ver nada.
-Jake? – sussurrei.
Um lobo apareceu da escuridão da floresta.
-Como eu desço? – perguntei ainda sussurrando.
Pude ver seus olhos negros e brilhante se revirando. Então ele fez um sinal para eu sair de perto e pulou dentro do meu quarto. Subi em suas costas e em um outro pulo estávamos na floresta correndo. Eu não precisava mais que Jacob me carregasse, mas mesmo assim era um ótimo jeito de estar mais perto dele. Fechei os olhos e encostei minha cabeça em seu pescoço quente e confortável, depois disso o sono me puxou.
Acordei com Jake empurrando minha cabeça com seu focinho.
-Oh! Desculpe, apaguei. – Falei, descendo de suas costas.
Logo depois ele adentrou a floresta para se destransformar. Olhei ao meu redor para tentar me localizar. Estávamos na praia de La Push – identifiquei isso por causa da areia nos meus pés e o som de mar. Então olhei um pouco mais para frente, aonde algo brilhava como fogo. Aproximei-me e entendi o que era. Uma toalha de piquenique cobria uma parte da areia e sobre ela estavam uma garrafa de champagne, duas taças, uma vela - que era a única iluminação na praia toda - e um violão.
Eu sorri de emoção vendo tudo o que Jake tinha feito para mim. Ninguém nunca tinha feito algo assim. Senti seus longos braços me abraçando pela cintura e seus lábios tocando meu pescoço.
-Nossa isso é lindo, Jake. – falei me virando para ficar de frente para ele.
-Que bom que gostou, porque você não sabe o quanto foi difícil te acordar para te trazer. Por um minuto achei que tinha feito tudo à toa.
Nós dois rimos. Eu me soltei dele e sentei-me no chão, na frente da toalha. Ele sentou ao meu lado e pegou a garrafa de champagne.
- Está pretendendo me embebedar? – perguntei sorrindo.
- É sem álcool. – ele falou sério. – Alguém tem que ser o adulto da relação, certo?
Eu ri novamente e ele sorriu me entregando minha taça com champagne sem álcool.
- Vamos brindar ao quê?
- Hum... – ele parou de falar pensando – Ao nosso amor!
- Ao nosso amor! – repeti sorrindo e batendo nossas taças.
Tomei um gole do champagne, assim como Jacob.
- Mas, Jake... tem algum motivo especial para tudo isso? – perguntei desconfiada.
- Bom.... – ele falou olhando o céu e depois me olhando nos olhos. – Mais ou menos.
Eu esperei que ele falasse mais alguma coisa, mas ele apenas pegou o violão e me entregou sua taça.
-Eu preparei uma coisa para você.
Esperei novamente então ele começou a tocar o violão e as notas fluíam, quebrando o silêncio da noite e fazendo as ondas do mar ficarem mudas. Então Jacob começou a cantar baixinho.
(n/a: coloque a música para tocar) -‘‘Although loneliness has always been a friend of mine(Embora a solidão sempre tenha sido minha amiga)
I'm leaving my life in your hands (Estou deixando minha vida em suas mãos)
People say I'm crazy and that I am blind(As pessoas dizem que sou louco e cego)
Risking it all in a glance (Arriscando tudo num piscar de olhos)
And how you got me blind is still a mystery(Como você me cegou ainda é um mistério)
I can't get you out of my head(Eu não consigo tirar você da minha cabeça)
Don't care what is written in your history(Não me importa o que está escrito na sua história)
As long as you're here with me(Desde que você esteja aqui comigo)

I don't care who you are (eu não ligo para quem você é)
Where you're from (de onde você veio)
What you did (o que você fez)
As long as you love me ( desde que você me ame)
Who you are (quem você é)
Where you're from (de onde veio)
Don't care what you did (não ligo para o que você fez)
As long as you love me (desde que me ame)

Every little thing that you have said and done (Cada pequena coisa que você tenha dito e feito)
Feels like it's deep within me (Parece ter ficado dentro de mim)
Doesn't really matter if you're on the run (Realmente não importa se você está só de passagem)
It seems like we're meant to be (Parece que fomos feitos um para o outro)

I've tried to hide it so that no one knows (tentei esconder para que ninguém soubesse)
But I guess it shows (Mas acho que dá para notar)
When you look into my eyes ( Quando você olha dentro dos meus olhos)
What you did and where you're comin' from (o que você fez e de onde você veio)
I don't care, as long as you love me, baby.( eu não ligo, desde que você me ame, amor)

Who you are(quem você é)
Where you're from (de onde você veio)
What you did (o que você fez)
As long as you love me (desde que me ame)

Senti as lágrimas descendo por minhas bochechas, lágrimas de emoção. Era tudo como um sonho. Eu já tinha ouvido aquela música, era de algum cantor que eu não conseguia lembrar no momento e ela era tão linda, tão perfeita.
Jake olhou assustado para mim.
- Por que está chorando?
-Eu não sei! – sussurrei, limpando as lágrimas e rindo de mim mesma.
Jacob colocou o violão de lado e ajoelhou-se perto de mim. Ele pegou no meu rosto e aproximou-o do seu. Então me beijou cuidadosamente sem se importar com nada. Meu coração disparou mais ainda e eu senti minha respiração falhar. Passei a mão por sua nuca e acariciei seus cabelos. Com uma de suas mãos, pegou minha mão direita e com sua outra mão colocou algo gelado em meu dedo anular. Separei o beijo e olhei para a minha mão. Um anel brilhava. A argola era colorida em tons de cinza e vermelho. Não era um anel comum, era todo trançado com um tipo de material diferente e no trançado estava pregado uma pequenina pedra de cristal. No mesmo instante me lembrei que no livro Jacob – que agora era o meu namorado – dava uma pulseira assim para Renesmee – que era eu.
Aquilo era mais que um anel de compromisso, era um anel de amor eterno.
Olhei novamente para Jacob que me olhava sorrindo, esperando minha reação.
-Te amo. – sussurrei sorrindo.
-Também te amo. – ele sussurrou e me beijou novamente.
Ficamos nos beijando por um tempo indeterminado até que uma idéia nada normal veio à minha mente. Saí dos braços dele e me levantei.
-Vamos nadar! – sugeri.
- O que? Está doida? A água deve estar muito fria! – ele falou também se levantando.
-Ah! Problema! Vamos! Comemorar! – então corri em direção ao mar.
No caminho tirei minhas sandálias e soltei meu cabelo, que antes estava preso em um rabo de cavalo.
- Ness, é serio, a água deve estar muito fria!
Mas já era tarde, já tinha mergulhado. Estava realmente tão fria que eu não conseguia me mexer. Fiquei dentro da água por causa do choque térmico. Meus pulmões já começavam a reclamar, mas eu não conseguia me mexer.
-Renesmee! – Jacob gritou me puxando para cima.
-Q-q-q-que a-a-a-a-agua-gua fri-i-i-i-ia! – gaguejei, me apertando contra o peito incrivelmente quente de Jacob.
-Eu te avisei. – ele falou enquanto me tirava da água e me levava até aonde estava no nosso ‘‘piquenique’’.
Eu tremia e quase não sentia mais meus dedos de tanto frio que sentia. Jake sentou-se na areia e me assentou entre suas pernas, apoiando minhas costas em seu peito e passando seus longos braços em volta da minha cintura.
-Está vendo? Agora vou ter que te levar para casa antes que pegue um resfriado.
-N-n-n-ão pre-pre-pre-ci-i-sa. Já-já-já estou c-c-com me-nos-nos fri-i-io. – gaguejei novamente.
- Precisa aprender fingir melhor. – ele falou rindo e eu senti meu corpo tremer com sua risada.
Aos poucos, o frio foi diminuindo e eu parei de tremer. Jake realmente era quente, então não acho que pegaria um resfriado. Ficamos ali até o nascer do sol, que foi a coisa mais linda que já tinha visto. Logo depois tudo o que me lembro foi de acordar me minha cama, quente e macia.

(n/a: Explicação do “Joguinho Idiota” : É um jogo que, como eu falo na história, é para descobrir sua alma gêmea. Deeve ser jogado com apenas duas pessoas e nelas elas escrevem de um lado da folha o números para meninos (o qual uma das jogadoras deve escolher ) e do outro lado números para as garotas (o qual a outra jogadora escolhe), embaixo dos números das meninas deve-se escrever a palavra Sim e embaixo a palavra Não. Logo abaixo das palavras escreva números de 1 ao 4. O 1 significa selinho, o 2 beijo, o 3 amasso e o 4 sexo. Sem que a outra participante do jogo veja cada uma das garotas que tiver jogando coloca o menino que quiser, cada um em um número (aquele que uma das jogadoras escolheu), e coloca-se também as meninas que quiserem (também sem a outra jogadora saber o número que você escolheu para cada pessoa) em cada número (que a outra jogadora escolheu)( o número de meninas deve ser no mínimo quatro à menos que os dos meninos). Assim que as duas fileiras de números estiverem preenchidas (exceto aquela fileira de 1 ao 4) o jogo começa.
(Como serão duas jogadoras uma será representado pelo número 1 e a outra pelo número 2).
A jogadora 1 escolhe um número (primeiro o número dos meninos e depois o das meninas) e a jogadora 2 liga os nomes só no seu papel. E depois pergunta tal menino combina com tal menina? Dependendo da resposta a 2 marca um X na frente do sim ou do não. E assim vai, revezando. Quando se esgotarem todas as meninas que as jogadoras tiverem escolhido elas vão escolher 4 meninos que ainda não foram ligados à ninguém e colocá-los na fileira que tem aqueles 4 números (cada um com um significado, lembra?). Coloque cada garoto no significado que você acha ou não que sua amiga faria com ele e quando as duas tiverem acabado de colocar os garotos uma pergunta pra outra se ela faria aquilo com o tal garoto. Colocando sempre um X no sim, caso a resposta for positivia e um não, caso a resposta seja negativa.
Agora contem quantos X vocês colocaram no não e no sim e os some. O resultado será o número de um garoto na sua folha, olhe qual é e aquele é o par perfeito da sua amiga.

)
12- Sofrimento a outros olhos

Enquanto eu descia as escadas, logo depois de acordar, podia sentir minha cabeça doendo, assim como cada parte do meu corpo. Na cozinha, Phelipe lia algo no jornal. Passei por ele sem cumprimentar e abri a porta da geladeira.
-Alice separou um leite com algumas coisas dentro pra você. – Phelipe falou sem tirar os olhos do jornal.
-Hum... – resmunguei, sentando em uma cadeira qualquer e peguei a caneca com leite que estava em cima da mesa.
Comecei a tomar o leite lentamente enquanto sussurrava mentalmente um palavrão para a minha dor de cabeça.
-Como foi lá com seu namorado? – Ele perguntou parecendo não ter o mínimo interesse.
-Foi bom, muito bom. – murmurei sem ter forças para falar mais alto ou dar detalhes.
-Estão namorando sério agora?
Assenti e dei mais um gole em meu leite.
O leite tinha um sabor muito bom. Algo que eu nunca tinha provado e com aquilo eu incrivelmente já me sentia melhor.
-Alice lhe contou o que tinha aqui dentro? – perguntei, olhando Phelipe pela primeira vez no dia.
Ele pegou a caneca e a cheirou. Depois me entregou e eu dei mais um gole; era viciante.
-Um pouco de mel, chocolate e sangue de leão da montanha. – ele falou calmamente.
‘‘Mel’’ repeti comigo mesma, ‘‘chocolate’’ e... ‘‘ Sangue de leão da montanha’’ é, tudo normal. Arregalei os olhos quando o último item me chamou a atenção. Sangue?
Cuspi o líquido que estava em minha boca.
-Sa-sangue? –gaguejei.
Phelipe deu um meio sorriso e eu cheirei o “leite”. É, realmente tinha um cheiro delicioso.
-Nunca tinha bebido sangue? – ele perguntou agora claramente interessado e colocando o jornal sobre a mesa.
-Não como alimento.
Coloquei instintivamente a caneca em minha boca, mas quando percebi o que estava fazendo coloquei-a na mesa e a afastei com a ponta do dedo indicador.
-, pode beber... vai ser bom pra você. – Phelipe falou empurrando a caneca em minha direção.
-Bom... sei...- me levantei da cadeira e derramei o leite na pia. – Não enquanto minha vida não depender disso.
Pude vê-lo revirando os olhos e num piscar de olhos ele estava ao meu lado.
-Não pode negar que precisa disso. – ele disse pegando em meu braço.
Sua mão gelada fez um arrepio percorrer meu corpo. Tirei sua mão de meu braço e dei dois passos para longe dele.
-Por enquanto ainda posso.
-O sangue vai deixá-la mais forte. – ele continuou tentando me convencer.
-E também mais viciada. Como uma droga, vou sempre querer mais e mais.
-Vai ficar indestrutível, cada vez mais – ele deu dois passos em minha direção ficando próximo de mim – forte.
-E menos... – dei um pequeno passo aproximando ainda mais nossos corpos – humana.
Ele ficou em silêncio me olhando nos olhos e eu mirava os seus – que estavam marrons como chocolate. Minha respiração estava ofegante assim como a dele. Então Phelipe aproximou seu rosto do meu. Não sei exatamente se foi seu hálito doce batendo em meu rosto ou a razão, mas percebi o que estava prestes a fazer e deu um passo para trás.
-, Alice está.... – Rosalie falou chegando na cozinha, mas quando olhou para mim e para Phelipe ela se interrompeu confusa. – Estou interrompendo alguma coisa?
-Não! – respondi rápido andando até ela. – O que foi, Rose?
Seus olhos foram do meu rosto para o de Phelipe e depois voltaram aos meus.
-Er... Alice está te chamando no quarto dela.
Assenti e saí logo da cozinha deixando os dois sozinhos.
Enquanto subia a escada pensei em tudo o que ele havia me falado. Sobre o sangue e sobre eu ficar mais forte. Talvez beber sangue começasse a ser necessário, mas por que a idéia de bebê-lo me assustava tanto? Quando era mais nova, tudo o que eu queria era ser vampira, não me importava se tivesse que beber sangue humano. Então por que agora que realizei este sonho ele parecia tão... desumano?
Assim que passei pela porta do quarto dei de cara com Alice em pé mexendo no cabelo de que estava sentada na frente da penteadeira.
-Me chamou? – perguntei me aproximando das duas.
-Vejo que o leite lhe fez bem! – Alice disse sorridente sem tirar os olhos do cabelo da minha amiga.
Fiz uma careta. Na verdade aquele ‘leite’ tinha realmente me feito bem, mas o fato de ter sangue lá dentro...
Alice riu da minha cara. Andei até o lado dela para poder ver no espelho o que ela estava fazendo no cabelo de .
Em seu cabelo tinham algumas mexas brancas que se misturavam as suas reais madeixas. E estava completamente liso e brilhante.
-Está ficando lindo! - elogiei
Alice sorriu em agradecimento.
-, vai lá pegar o laquê para mim?
se levantou e foi andando cuidadosamente para não estragar o cabelo. Alice virou-se para mim; agora estava séria.
- Pretende mesmo perguntar isso a ele?
- Perguntar o quê a quem? – perguntei confusa.
Alice suspirou e me empurrou para que me assentasse na cadeira que antes era ocupada por .
-Vai mesmo perguntar a Edward se será necessário você beber sangue?
Pisquei os olhos duas vezes para tentar assimilar tudo o que ela me dissera. Eu ia perguntar isso à Edward?
-Eu... eu não sei. Por quê?
-Por que ele se sente mal quanto a tudo isso, . – seus olhos agora não estavam mais sérios, eles eram dolorosos. – Ele não queria que você se tornasse uma de nós.
-Mas eu não me tornei... eu nasci assim.
voltou do banheiro sorridente, mas quando percebeu o clima tenso, seu sorriso se foi. Eu e a Alice olhamos para ela, que nos encarava tentando entender o que estava acontecendo. Suspirei e me levantei e voltei a encarar Alice.
- É o negócio das Almas? Edward acha que eu não tenho uma?
-Não! – Alice falou rápido surpreendida com a minha pergunta. – Ele tem absoluta certeza que você tem uma alma, ou pelo menos quer tanto que acaba acreditando. O fato é que ele sabe que você está sofrendo; antes, quando você morava no Brasil ele pediu para eu ver seu futuro, e ele a via feliz... exceto por uma vez...
Alice parou de falar e seus olhos ficaram desfocados, ela estava tendo uma visão; eu só não sabia se era uma lembrança do passado ou uma parte do futuro.
-Exceto por uma vez... – pressionei.
Seus olhos miraram os meus, e ela parecia ter voltado ao presente.
-Há muito tempo, ele viu que você estava sofrendo, quer dizer, eu vi, mas ele viu junto comigo, em minha mente.
‘‘Não fazia muito tempo que você tinha se apaixonado por Crepúsculo, você tinha acabado de ler Lua Nova – para ser mais precisa -, e você, ao ler aqueles livros acabou se apaixonando por Edward Cullen. Seu pai.
Ela não parecia falar de um dia, em precisão, mas sim de uma época, aonde eu deixei que o livro entrasse em minha vida. Eu lembrava claramente daquela época, não foi uma das melhores da minha vida, mas eu agradeci ter tido ela. Seria mais complicado me adaptar se aquele livro não tivesse me ajudado.
Então, interrompendo meus pensamentos, Alice continuou.
- E sua paixão era tanta que você, ao ler quando Edward deixou Bella, acabou sentindo tudo o que Bella sentiu.
-A dor... – continuei lembrando daquela época sombria. -, o buraco,...
- A solidão. – Alice completou.
Olhei para , que também tinha o olhar longe, como se não estivesse no presente. Desviei meus olhos dos dela e voltei a encarar Alice.
- Nós achamos que era algo passageiro, mas nas minhas visões você estava cada vez mais triste, mais sem esperanças.
- Mas o ponto auge foi quando você chamou por ele. – ela fechou os olhos como para se lembrar melhor – Me lembro daquela visão com perfeição. Você estava sentada no chão do banheiro, exatamente como Bella se senta quando esta desesperada; seus braços abraçando suas pernas e sua cabeça apoiada em seus joelhos. As lágrimas fugiam de seus olhos como se doessem para sair. Então você começou : ‘Edward, aonde está? Não vê que preciso de você? Por favor... eu preciso tanto de você!’ Isto foi o basta para ele. Como podia chamar alguém que não existia além das páginas de um livro? Então ele foi atrás de você.
Sentei-me na cadeira por causa do choque; Edward tinha vindo atrás de mim quando eu o chamei? Mas como eu não me lembrava de tê-lo visto?
- Nós tentamos impedi-lo; você não podia vê-lo. Sua vida toda a partir do momento que você soubesse que existimos iria mudar. E isso não era certo. Mas ele foi. Sozinho e agindo por impulso; não poderia dar certo.
- Eu vigiava cada passo dele, mas estava ficando difícil, ele não sabia o que fazer. Então tudo sumiu; não conseguia mais ver nada. Estava cega. Dias depois Edward voltou, disse que a havia visto, mas que era para ficarmos tranqüilos, você não sabia de nada. E não disse mais nada. Não contou por que desistiu de te contar que existíamos e nem por que eu fiquei cega. Imagino que tinha um lobisomem lá, mas quem e por quê?
Um lobisomem... em minha casa? Edward... perto de mim? Como não pude ver tudo isso? Ele estava tão perto de mim, quando eu mais precisei e eu não o vi.
se levantou da cama e balançou a cabeça para tentar voltar ao presente. Alice me olhou esperando que eu tivesse alguma reação, mas não me movi. Eu estava paralisada.

Desci as escadas lentamente. As imagens de uma época aonde eu sofria, sofria por uma vida que sem saber eu já vivia.
Estava quase no final da escada quando um som doce me tirou dos meus pensamentos. Era uma música de piano alegre e quando ela parou ouvi risadas. Andei até uma outra sala procurando o piano. A sala era iluminada por um pouco de sol. Os móveis eram rústicos trazendo para a enorme sala um ar antigo. Nunca havia estado ali, não sei por que. Edward e Bella estavam sentados no assento do piano, tocando. Então Bella ficou séria olhando as teclas do piano enquanto Edward, também sério, tocava uma linda melodia. Me aproximei do piano, me concentrando na música. Nenhum deles pareceu perceber minha presença, estavam tão concentrados quanto eu. Os dedos de Edward voavam sobre as teclas tão rápido que eu mal podia vê-los. A música era calma, mas parecia ter tanta dor nela. Como se por trás da melodia queria se dizer alguma coisa, algo que não podia ser dito em palavras. Um amor. Tão grande que não ser destruído. Fechei meus olhos deixando aquele momento me levar.
Shakespeare estava errado quando dissera que não haveria história de amor mais bonita do que Romeu e Julieta. Mas havia. Ela era mais bonita, pois ela existiu.
A música parou deixando um silêncio profundo na sala. Abri meus olhos lentamente, Edward e Bella me olhavam esperando que eu dissesse algo, mas não havia nada a ser dito.
Sentei-me ao lado de Bella no assento do piano e ela me abraçou. Edward se levantou e sentou-se ao meu lado, também me abraçando.
- É a música de Bella? – sussurrei ainda com a voz rouca.
- A original. – Edward respondeu sorrindo.
Sorri também.
-Ah, Bella! – falei me virando para ela. – Eu tinha que te falar algo...
-Diga.
- Mas como você foi tola, hein? Como você não aceitou o pedido de Edward de primeira, garota? – falei rindo.
Bella e Edward também riram.
-É verdade, ! – Edward falou ainda rindo.
-Ah, e Edward, também tenho que te xingar. Afinal, agora todas as garotas preferem um vampiro de Volvo do que um príncipe de cavalo branco. Tem noção de como isso é perigoso?
-É verdade. Muito perigoso! – ele falou rindo.
Bella também ria, sua risada era como sinos e a minha parecia tão estranha e rouca perto da dela.
-Mais algum recado? – Edward perguntou com seu sorriso de lado.
-Own! Que fofinho o sorriso de lado dele, nunca tinha reparado. – comentei percebendo pela primeira vez seu sorriso de lado.
Ele sorriu olhando para baixo. Eu nunca imaginei que fosse conseguir deixar Edward constrangido. Bom, eu não imaginava muita coisa sobre esta nova vida mesmo.
- Mas eu tenho um recado sim. Só que só darei ele a vocês quando for a hora certa. – falei fazendo cara de séria.
- Ah, ! Vamos, me diga qual é o recado. – Bella pediu, me empurrando de lado.
-Não, não e não! Só quando for o momento certo. - Edward ia reclamar também quando resolvi mudar de assunto.- Agora vocês têm que me explicar como diabos os Volturi deixaram o livro ser publicado?
Vi Bella olhar para baixo e o sorriso de Edward desaparecer.
-Na verdade estava esperando você fazer esta pergunta desde que chegou aqui. – ele falou sério. Mordi meu lábio de ansiedade e vi Bella fazer o mesmo. – Bom, devo começar te explicando que há um dom que... bem, ele é muito conhecido por afetar alguma parte dos humanos. É como o dom da Alice, mas só acontece uma vez. – Fiz uma careta, eu não estava conseguindo entender muito bem o que isso tinha a ver. Edward pareceu entender meu sinal. – Como Meyer disse que tinha tido a ideia para escrever a história?
- Ela disse em uma entrevista que ela sonhou com uma parte da história, aquela onde você leva Bella pela primeira vez na campina. E então, parece que ela queria saber como terminava e então começou a escrever. – falei ainda não entendendo aonde aquilo nos levaria.
- Certo, então ela sonhou com o que aconteceu entre mim e Bella. Foi como se ela tivesse uma visão do futuro, como se Stephenie tivesse o dom de prever o futuro. Mas isso não se repetirá, entendeu?
-Quer dizer que ela teve uma visão, com o romance de outra pessoa? – perguntei mais confusa ainda.
O que adiantava ter uma visão destas se nem da sua própria vida aquilo se tratava?
- É, mas isso só aconteceu por que tinha que acontecer. Quero dizer, o sonho que ela teve modificará alguma coisa no mundo. Pode ter sido somente a vida dela, já que ela enriquesseu e tudo mais, mas pode ser algo muito maior, algo que afete o mundo todo.
- E com qual frequência as pessoas tem estes sonhos? – perguntei agora já entendendo mais ou menos.
- Mais do que você imagina. – Bella disse. A encarei esperando uma explicação e ela deu um pequeno sorrisinho. – Você já leu alguns livros, , ficaria surpresa em saber quantos deles são reais.
-Eles geralmente ficam bem famosos, pois modificam a vida da pessoa. – Edward falou.
-Ou são totais fracassos, mas modificam algo. – Bella continuou.
-Certo. Me deem um exemplo. Que tal... Harry Potter? – eu nunca tinha lido os livros da série, mas sempre tive algum complexo por bruxos, por algum motivo eles eram... irreais demais para mim.
- Na verdade este é um mistério. Alguns dizem que sim, outros dizem que não (n/a: esta frase é uma homenagem pra minha amiga Mariana). Nunca se soube de nenhum vampiro que realmente entrou naquele mundo mágico, alguns dizem ter conhecidos alguns bruxos, até mesmo Carlisle conta que já conheceu uma mulher que dizia ser bruxa, mas segundo ele, ela não era nada mais que uma curandeira. – Edward falou com um meio sorriso.
- Hmmm... que tal então... aquele livro... Entrevista com o vampiro? Desta vez eu realmente estava curiosa, eu tinha visto o filme e sempre sonhei em ler o livro, mas ao que parece minha mesada não colaborava.
Percebi que o clima tornou-se mais pesado não sei porque. Bella e Edward encararam-se como se não soubessem o que me responder, como se estivessem escondendo algo. - O que foi? – peeguntei olhando para os dois.
- Esta história ela é mais ou menos como a nossa. – O jeito como Bella disse nossa me causou um calafrio, mas eu sabia que tinha que começar a me acostumar com o fato que a saga Crepúsculo agora tinha uma grande ligação comigo. – A autora descreveu os vampiros diferentes do que eles realmente são em seus livros, mas só fez isso porque uma vampira muito poderosa a hipnotizou.
- Que vampira?
- Ninguém sabe ao certo quem é ela, mas segundo as lendas ela é a vampira mais antiga e mais poderosa. Seu nome é Elizabeth de Point du Lac.
-Este nome me é familiar... – comentei pensando onde eu já tinha ouvido aquilo.
- Ela é esposa de Louis de Point du Lac. – Edward respondeu sério.
- O que? – engasguei e olhei para Bella esperando que ela dissesse que era mentira.
Louis de Point du Lac era o Louis de Entrevista com o vampiro, e ele definitivamente era poderoso. Não mais do que Lestat – o vampiro mega poderoso que o transformou – e muito menos mais do que Armand – um mega ultra super poderoso vampiro que segundo os livros era o vampiro mais antigo e poderoso de todos. Acontece que ao contrário dos outros dois ele tinha mais... consciência do que era, tipo, ele no início até comeu animais, mas depois resolveu que aquilo não lhe dava força o suficiente. E além do mais, ele era... bom, não bom como os Cullen, mas não era como o malvado do Lestat.
-Isso não estava nos livros, nem no filme. – Edward continuou agora meio que analisando minhas reações. – Como você, . Stephenie também aparentemente não conseguiu ver como você ficaria depois da gravidez de Bella, então ela criou toda um novo final onde você ficaria como Nahuel.
-Perai, se ela inventou todo o final... – tentei fazer aquilo fazer sentido, mas minha cabeça parecia confusa demais.
- Ela não inventou todo o final, apenas você. Você ainda era um bebê quando os Volturi vieram, você nunca cresceu de modo descontrolado ou aprendeu a ler com semanas de vida.
-Quer dizer que ela não conseguiu... me ver?
-É, e pelo o que pude ler da mente de Aro, ele, como nós, não sabe o porque. Segundo ele, não foi Elizabeth que mexeu na mente dela.
- Peraí, Elizabeth está a comando de Aro?
- Não exatamente – Bella respondeu parecendo meio confusa -, aparentemente ela só faz este tipo de trabalho para os Volturi.
-Hm... mas sabe, eu ainda não entendi por que os Volturi deixaram o livro ser publicado. Quero dizer, eu entendi que eles estão acostumados a deixar histórias reais serem publicadas, mas a sua... a nossa – me corrigi meio confusa com este negócio de pronomes e eu fazer parte de Amanhecer -, bem, ela é real demais.
- A única coisa que foi mudada na história foi a época, mas mesmo assim mudou-se apenas alguns anos. Na história de Louis praticamente tudo foi mudado.... as características...
- Normalmente é com estas condições que as histórias reais são veiculadas, em épocas diferentes do que geralmente aconteceram, os vampiros de modo diferente, mas a nossa história, como você mesmo disse, não mudou quase nada.
-Por quê? – perguntei em um sussuro.
- Nós achamos que Aro quer... acostumar os humanos com a idéia dos vampiros. É apenas uma suposição, nada alarmante. – Bella disse mordendo o lábio assim que viu minha expressão de desespero.
Eu já havia lido vários livros de vampiros, cada um de um modo, e todos, digo, todos que eu li onde os vampiros eram conhecidos nada dava certo. Eram milhares de vampiros sendo mortos, humanos idem.
-Como assim, nada alarmante? – perguntei me levantando do banquinho e começei a andar de um lado para o outro.
-, é só uma suposição, Alice não viu nada de concreto.
-Hitler supôs que a Alemanha ficaria melhor sem os judeus, e olhe só até onde esta suposição chegou!
Bella se levantou e colocou uma das mãos em meu ombro tentando me acalmar. Olhei em seus olhos que estavam um pouco escuros, mas ainda assim pareciam doces e muito familiares. Me acalmei imediatamente como se Jasper tivesse usado seu poder em mim, mas eu sabia que ele não estava ali e que fora outra coisa que me acalmara, o fato de Bella me fazer sentir protegida.
-Não se preocupe com isso, tudo bem? Não é pra agora, talvez nem para este século. Abri minha boca para dizer alguma coisa, mas Edward se levantou e me deu um beijo na testa logo depois dando seu sorriso de lado.
- São cinco e meia da tarde, acho que já esteja na hora de se arrumar para a festa.
Eu respirei fundo e assenti dando alguns passos para trás. Já estava quase na porta quando me virei novamente para Edward e Bella e vi que eles estavam se sentando no piano de novo. Bella colocou um dedo em uma tecla que ocasionou em um som e só então percebi o que eu me recusava à ver fazia muito tempo: Eu gostava daqui, eu gostava de ter os Cullen como minha família. Eu me sentia muito bem ali, como eu nunca me senti em lugar algum.


13- Saltos altos e socos na cara

Coloque para carregar a música Undisclosed Desires do Muse

- Cadê o Blush?- Rose gritou do banheiro.
- Na minha mão! – Alice respondeu.
- Alice, minha mexa descolou novamente! – gritou de dentro do closet.
-, vai lá arrumar pra ela! – Alice ordenou de algum lugar do quarto.
-Não posso! Estou passando rímel! – gritei de volta do banheiro.
Todas as garotas estavam desesperadas correndo de um lado para o outro, somente Bella lia uma revista na cama de Alice; ela já estava pronta há uma eternidade.
Eu e íamos ao baile que começava dali a meia hora. As outras garotas iam à uma danceteria – contra o consentimento de Bella que garantiu que vai beber até ficar bêbada, nós a avisamos que isso não é possível já que ela é uma vampira, mas ela disse que vai beber mesmo assim.
- Alice, você esqueceu de me avisar como vou entrar neste vestido! – gritou novamente.
Saí do banheiro com a maquiagem já pronta e o cabelo também. Bom, pelo menos a parte mais difícil já tinha ido.
-Bella, como está minha maquiagem? – falei me aproximando da cama.
Ela soltou a revista e chegou mais perto de mim para ver meu rosto. Analisou por um segundo e sorriu.
-Está parecendo uma Volturi.
-Obrigada. – agradeci rindo e fui até o closet.
Lá Alice mostrava a como entrar em seu vestido e eu me perguntei como entraria no meu macacão. Esme se olhava no espelho.
-Acho que minha bunda está abaixando. – ela comentou.
-Isso é impossível. – Alice respondeu olhando-a pelo espelho.
começou a tirar o macacão de banho para poder colocar o vestido. Me encaminhei até o cabide que segurava meu macacão e o examinei. Ele com certeza era menor que meu corpo e eu teria que fazer um esforço enorme para entrar.
- Respire fundo. – Alice falou tentando fechar o zíper do vestido de .
Observei as duas tentando fechar o zíper do vestido e quando Alice conseguiu percebi que não respirava.
- Não... consigo... respirar. – murmurou.
- Consegue sim. – Alice respondeu dando tapinhas em suas costas e vindo em minha direção. – Sua vez.
-Nossa, fiquei até com medo agora. – falei rindo.
Alice deu uma risada sombria enquanto eu tirava meu ropão de banho para por minha roupa. Ela segurou a roupa na altura dos meus pés e os enfiei dentro dos dois mini-buracos que deveriam passar as pernas. Mas o macacão não queria passar pelas minhas coxas.
- Pronto, agora temos um problema. Aí não dá pra emagrecer. – falei.
- Eu sei. Coloquei zípers invisíveis em cada parte da perna. Só não deixa o Jake descobri-los, por que eles abrem até sua cintura. E se o Edward descobrir que ele te deixou tão descoberta quem vai morrer sou eu. – ela falou rindo e abrindo os zípers.
Comecei a rir imaginando acena e Alice me xingou não conseguindo colocar o resto do macacão por causa das minhas risadas que faziam meu corpo todo tremer. Mas quando ela fechou aqueles milagrosos zíperes eu parei de rir na hora. Nem respirar eu conseguia, imagina rir.
- Alice...
-Eu sei. Mas é só fazer uma forçinha que você respira sim. – Ela falou se levantando.
- Meninas, que demora! – Jasper falou por de trás da porta do quarto de Alice. – Ah, e , os garotos já chegaram.
Olhei para que me olhava de olhos arregalados.
-Já estamos indo. – Bella respondeu calma como sempre.
Recuperei minha respiração e peguei minha bota. Quando me sentei na cama para calçá-la, Alice, Bella, Rose e Esme já tinham descido. Comecei a me desesperar quando não consegui me agachar para puxar o zíper da bota.
-Não consigo fechar o zíper da minha bota! – Gritei para .
- Somos duas! – ela gritou de volta do closet.
Por mais que eu tentasse me abaixar o macacão não deixava que eu me movesse por mais de alguns centímetros. Alguns minutos depois eu já havia desistido e esperava alguém vir me salvar. Quando saiu calçada do closet. Só então reparei em sua roupa.
O vestido estava tão colado em seu corpo quanto meu macacão. Sua maquiagem era roxa, branca e preta. Estava tão perfeita que parecia ter sido feita por uma profissional.
-Estou pronta, e você? – ela me perguntou.
Olhei para a bota no chão.
-Quase, quase.
Ela suspirou e andou até mim. Ajoelhou-se no chão e calçou a bota em mim puxando o zíper com toda facilidade e depois fez isso com o outro pé.
- É vergonhoso uma meia vampira não conseguir calçar um par de botas. – ela disse se levantando.
-Não foi culpa minha. Foi culpa do macacão. – disse fazendo biquinho.
riu e me entregou meu sobretudo. O coloquei e saímos do quarto, felizes e de salto.
Ainda estávamos no corredor quando ouvi o que estava se passando lá na sala. Sentia a ansiedade e a felicidade de Jacob transbordar.
-Acalme-se Jacob. – Bella falou com sua voz calma e pacífica.
-Estou calmo. – ele falou.
- Claro que está. – Emmett zombou. – Até parece que nunca foi à um baile antes.
- Não com a Ness. – Jake respondeu.
- Jacob, acalme-se. – Jasper pediu. – Não sabe como é sentir toda esta ansiedade aqui.
Jake bufou. Ouvi seus passos pesados.
-Um lobisomem incomoda muita gente... – Emmett começou a cantar zombateiro. – Dois lobisomens incomodam muito mais... três lobisomens incomodam, incomodam, incomodam...
- Emmett! – o interrompi rindo quando já estava na beira da escada.
Todos os olhares da sala voltaram-se para nós duas. Senti meu rosto esquentar; estava corando. Jacob me encarava sem ao menos piscar, enquanto Seth já estava na metade da escada para ir ao encontro da . Desci a escada sem correr, cair não era algo muito bom naquele momento. Quando cheguei na frente de Jacob ele sorriu, mas logo depois ficou sério.
- ... seus olhos...
- Lente de contato vermelho. – Alice explicou chegando ao nosso lado.
Jacob respirou de alívio.
-Achou que meus olhos estavam realmente vermelhos? – perguntei sorrindo.
Ele deu de ombros e pegou minha mão.
-Está linda. – ele sussurrou sorrindo.
Corei novamente e sorri. Andamos de mãos dadas em direção a porta.
-Tentem não chegar muito tarde. – Edward falou quando passamos por ele.
-Claro, claro. – respondi.
Lá fora haviam dois carros; o Rabbit de Jake e um outro cujo não sei a marca, devia ser o de Seth.
- Por que dois carros? – perguntou abrindo a porta do carro do Seth.
-Para não termos que depender um do outro para voltar. – Seth respondeu entrando dentro do carro.
Enquanto passávamos pela estradinha de terra para irmos para a estrada eu vi algo. Jacob estava muito rápido para que eu pudesse entender o que era. Tudo o que consegui ver foram dois olhos amarelos muito brilhantes.
Então senti algo incomodando minha bunda, como se tivesse sentado algo em cima de algo pontudo. Levantei um pouco e tirei um envelope do meu bolso interno do sobretudo.
- O que é isso? – Jake perguntou curioso.
-Não sei.
Abri o envelope e lá dentro tinham duas coisas brancas parecidas com dentes de vampiros – os caninos afiados que as lendas nomeavam – e um bilhete. Li ele em voz alta.
-, um presentinho do Emmett e o Jasper. São dentes reais de leão da montanha, Jasper os preparou para caber nos seus caninos, é só passar um pouco de cola que eles grudarão. A cola está no envelope. Carlisle não gostou muito da nossa idéia de lhe dar estes dentinhos, por isso não podemos o entregar na sala. Não faça nada que não faríamos. Jasper e Emmett. – Jacob e eu rimos quando disse a última frase.
Havia algo que aqueles dois – em especial Emm – não fariam?
-Deixa eu ver os dentes. – Jake pediu estendendo a mão e pegando os dentes da minha.
Ele os observou e me entregou. -Como vou fazer para te beijar com isso?
Eu ri e passei a cola para colá-los aos meus dentes. Quando os encaixei eles ficaram perfeitos, como se realmente fossem meus.
-Depois eu os tiro e você vai poder me beijar. – Falei olhando no espelho meus novos dentinhos. –Mas olha como ficou real?
-É, agora você realmente parece aquelas vampiras de filme de terror.
Eu ri e olhei para Jacob. Não consegui identificar sua fantasia.
- E você, do que está vestido?
- Pirata. Meu chapéu está lá atrás.
Me virei para o banco de trás e peguei algo que parecia ser um chapéu. O examinei; era realmente um chapéu de pirata. Era preto com detalhes em vermelho e dourado. Coloquei o chapéu em Jake.
- Pronto, está igualzinho ao Orlando Bloom em “Piratas do Caribe”.
Ele fez uma careta e eu ri mais ainda.
Minha barriga começou a se revirar quando avistei as primeiras casinhas de La Push. Meu primeiro contato com meus novos colegas de classe. Era pior que primeiro dia de aula.
Minhas mãos começaram a tremer.
-Acalme-se, está muito ansiosa. – Jacob falou pegando em minha mão, apertando-a.
Senti-lo foi como um calmante imediato. Em poucos minutos estávamos na frente da escola de La Push. Era pequena e estava lotada de alunos vestidos das mais diversas fantasias. Jacob achou uma vaga ao lado da de Seth. Eu olhava tudo ao meu redor.
veio para o meu lado.
- Parece dia de mico no colégio. – ela comentou em português.
- Concordo. – continuei em português. – E então, vendo alguém interessante?
riu.
- , estamos namorando.
-Pois é. E então? – falei olhando ao meu redor.
riu mais ainda. Jake me abraçou pela minha cintura e me deu um beijo na bochecha.
- Do que tanto falam?
-Nada de interessante. – respondi piscando para . – Vamos entrar?
Jake passou para o meu lado e me deu sua mão, Seth fez o mesmo com . Ele estava vestido de demônio. Com aqueles chifrinhos e tudo. Eu tive que rir, ele estava muito engraçado. Pude ver os olhares de várias pessoas para nós quatro. A maioria para mim e . As garotas faziam caretas – inveja – e os garotos deixavam seus queixos caírem. Entramos na escola e tinha cada vez mais gente. Nem sabia que La Push tinha tanto adolescente assim. E eu estava começando a ficar com vergonha da quantidade de olhares que recebia. Jacob deve ter sentido minha vergonha em sua mente, pois ele apertava minha mão como se para me reconfortar – ou de ciúmes.
O salão estava lotado e eu realmente me sentia uma vampira; branca como neve perto de todos aqueles índios.
Nós andamos pelo salão até que Jake deu um tchau com uma das mãos e me guiou até uma mesa aonde estavam Sam, Emily e mais duas outras pessoas que eu não conhecia - uma garota e um garoto. A garota eu reconheci, pelo livro, ela era muito parecida com Kim, mas não podia me arriscar, imagine se não fosse ela.
-, estes são Jared e Kim. – Jake me apresentou e eu os cumprimentei com um tchau com uma das mãos.
- Você é muito parecida com o que diz no livro. – falei sentando-me ao lado de Kim.
Kim sorriu em resposta e deu um gole em seu ponche.
-E eu? Sou parecido? – Jared perguntou ansioso.
Tentei me lembrar de Jared no livro, mas não falava muitas coisas.
- Bom... na verdade eu não sei. – falei envergonhada.
-Sabia que devia ter lido aquele livro. Imagine se falam mal de mim? – Jared falou fazendo uma careta.
-Não. Não falam mal de você. Falam mal do Sam. – falei sem pensar.
Todos os olhares da mesa pararam em mim surpresos. ‘‘Oops!’’ pensei vendo o que tinha acabado de falar.
- Falam mal de Sam? – Jacob me perguntou surpreso.
Percebi que Sam me olhava esperando minha resposta. ‘‘Pronto, , se fode, menina!’’ Falei em pensamento.
-Não exatamente. E também é só da metade de Lua Nova pra trás. – disse dando de ombros.
-O que falam de mim? – Sam perguntou falando pela primeira vez.
-Ahm... No inicio Bella acha que você fez lavagem cerebral em Jacob. Sabe, naquela época que ela não sabia dos lobisomens... aí teve aquela confusão toda. E vocês não sabem o quanto Bella consegue convencer agente quando não gosta de alguém. – expliquei.
Sam assentiu e voltou a olhar para a pista de dança. Emily o olhava esperando que ele tivesse alguma reação.
- Jake, vamos lá comigo pegar alguma coisa pra beber? – perguntei me levantando.
Jacob assentiu e me seguiu. Achei uma mesa que tinha ponche e fui pegar um copo para mim.
- Vai beber ponche? – Jake me perguntou me observando colocar a bebida em meu copo.
- Não preciso beber pra fazer burradas, Jake. – falei dando de ombros.
Jacob não respondeu, acho que ele não sabia o que falar.
- E cadê a e o Seth?
Jacob mostrou com a cabeça a direção aonde eles estavam. Pelos gestos percebi que Seth tentava fazer dançar, mas ela se negava. Tive que rir e dei mais um gole em meu ponche.
-Hum, isso é bom. – falei me referindo a bebida.
-Nunca tinha tomado ponche? – Jake me perguntou incrédulo.
- No Brasil nós temos opção entre vodka, cerveja ou refrigerante... – falei vagamente dando um novo gole no ponche. – eu não tinha muitas opções, então escolhia Vodka.
Ele me encarou surpreso.
-Eu bebia pouco, okay?
-Ah! Claro, claro. – ele falou e eu percebi que não tinha acreditado em mim.
Então uma música do Muse começou a tocar. Era velha, mas eu simplesmente amava aquela música, ela era tão... quente.
-Sabe dançar? – perguntei para Jacob colocando meu copo na mesa.

(Coloque play na música)

Jacob sorriu para mim e me puxou para a pista, onde várias pessoas dançavam.
- Você sabe? Mas é filha da Bella.
- É, mas também sou filha de Edward. – falei sorrindo.
Ele passou as mãos pela minha cintura e eu coloquei as minhas em seu pescoço puxando seu rosto para perto do meu. Colei nossos lábios e senti Jacob tentar aprofundar o beijo, mas me distanciei, sorrindo logo em seguida.
-Eu falei que não ia dar pra te beijar com isso aí. – ele reclamou.
Ri e aproximei nosso rosto novamente e mordi seu lábio inferior fazêndo-o sorrir.
Suas mãos me puxaram para mais perto enquanto dançávamos no ritmo da música.
Me virei ficando de costas para Jake e rebolei. Ele soltou um suspiro alto e passou suas mãos pela minha barriga, logo depois selou seus lábios em meu pescoço. Senti minha boca abrir-se ligeiramente de desejo e fechei meus olhos me concentrando apenas em sua língua acariciando minha pele.
-O Sam está aqui hoje para ajudar na segurança. – Jacob murmurou em meu ouvido me causando arrepios. – Posso conseguir a chave de uma das salas com ele.
Assim que me virei prestes a aceitar o sedutor convite do meu namorado quando percebi que todos haviam parado de dançar e estavam amontoados do outro lado do salão.
- O que está havendo? – perguntei me referindo à multidão.
Jacob desviou seu olhar de mim e olhou para trás.
- Não sei.
Ficamos por alguns segundos tentando ver algo, mas era impossível e a música também deixava impossível para que pudessemos ouvir algo.
-Jacob! Jacob! – Ouvi alguém chamando meu namorado.
Olhei na direção. Leah vinha correndo até nós.
-O que foi, Leah? – ele perguntou preocupado.
- Uma briga... Seth está lá... ele vai perder o controle... faça algo, Jake! – Leah estava apavorada, eu podia ver isso em seus olhos.
Ela então pegou a outra mão de Jacob – a que não segurava a minha- e o puxou para o tumulto, assim como eu fui puxada junto. Depois chegamos tão perto que eu podia ver a briga perfeitamente. Seth estava apanhando, isso era óbvio. Ele era mais forte que o menino, mas ele tinha que se concentrar para não se transformar logo ali. Seu corpo todo tremia como se ele estivesse tendo uma convulsão. Emily estava ao meu lado sem ao menos piscar, sua pele que antes era avermelhada estava branca; assim como eu, ela sabia o que iria acontecer caso Seth perdesse o controle.
estava do outro lado da roda, eu podia ver grossas lágrimas saindo de seus olhos enquanto ela gritava para o garoto e para Seth pedindo que parassem.
Então tudo aconteceu muito rápido. Seth se levantou e deu um soco que fez o garoto voar no chão e eu senti o cheiro novamente; o garoto estava sangrando. Aquele cheiro definitivamente delicioso que fazia meus dentes soltarem um tipo de líquido, e eu queria aquele sangue. Não importa quem estivesse olhando, não importava mais nada. Mas eu não podia. ‘‘Não!’’ gritei para mim mesma em pensamento desejando alguma lucidez do meu cérebro, mas não adiantou nada. Fechei os olhos com força e apertei minhas mãos em punhos.
Então meus olhos, como se discordassem da minha ordem abriram-se sozinhos. O garoto estava meio bambo, seria fácil matá-lo. As outras pessoas que estavam vendo? Seriam as próximas. Eu tinha certeza que podia matá-las sem a menor dificuldade. ‘‘O sangue vai deixá-la mais forte.’’ Lembrei das palavras de Phelipe. Sim, eu ia ficar mais forte. Dei um passo na direção do garoto, o olhando fixamente. Eu podia ouvir sua respiração irregular e seu coração batendo fortemente contra seu peito. Então algo quente pegou minha mão e me puxou para trás. Rosnei, tentando me livrar da mão que segurava a minha, mas foi em vão. A tal pessoa começou a me puxar para longe do garoto. Eu rosnava enquanto a pessoa me tirava do salão. Minha cabeça só pensava no sangue, no sangue. Sentei-me obrigada em um dos bancos que tinha fora da escola. A pessoa me segurava pelos ombros para me manter sentada. Não consegui identificar quem era, estava concentrada demais naquele cheiro, que estava começando a se perder.
-Cheire! – ela me mostrou seu braço que sangrava. – Cheire isso, Renesmee!
Rosnei mais alto. Ela pegou minha cabeça e levou-a até seu braço. Involuntariamente cheirei aquele líquido vermelho que saia de sua pele. Tinha um cheiro horrível; como ferrugem.
-Horrível! – falei levantando minha cabeça.
O cheiro gostoso de antes havia desaparecido, agora só sentia o cheiro de chuva. Olhei para o rosto da pessoa que me impedira de me render aos meus instintos.
- Leah?! – falei seu nome impressionada.
Leah estava a minha frente me olhando nos olhos atenta a qualquer movimento que eu podia fazer.
- Renesmee? – ela perguntou percebendo que já estava lúcida.
Assenti e olhei para o seu braço que tinha marcas avermelhadas. Uma cicatriz rosada de dentes se destacava do resto de sua pele avermelhada.
- Leah... você...
Ela respirou fundo.
-Vejo que esta mais calma. Chamarei Jacob para te levar para casa, não acho que você tenha condições de voltar para a festa.
Ela então começou a andar em direção a escola.
-Leah, espere. – ela então parou e se virou para em encarar de frente. – O que... por que...?
Eu tentava mas as palavras não saiam da minha boca. Por que ela havia feito isso por mim? Por que o cheiro dela era tão ruim? Milhões de perguntas vagavam pela minha mente sem nenhuma resposta plausível.
- Vou chamar Jacob, ou qualquer um que aparecer. Realmente não deve voltar para a festa nestas condições.
Ela então se virou e correu de volta a escola. Eu realmente tinha conseguido estragar minha primeira festa na nova escola. O que todos estariam pensando de mim? Uma garota que rosna e que queria avançar em um dos alunos por um motivo desconhecido? Balancei minha cabeça, tentando afastar estes pensamentos. ‘‘Não foi culpa sua. Não foi culpa sua’’ eu repetia para mim mesma tentando acreditar, mas aquela palavra, tão sem sentido na frase que eu teimava em acreditar gritava em minha mente em seu lugar originário: ‘‘Foi culpa sua. Tudo culpa sua. Seu monstro’’. Olhei para a Lua que iluminava praticamente o estacionamento inteiro. Lembro quando costumava apreciar o céu, principalmente a noite. Tão calmo, tão pacifico, tão perfeito. Tempos fácies aqueles aonde eu olhava para o céu pensando em Edward. Tempos fáceis aqueles aonde eu imaginava como iria ser uma Cullen. Tempos fáceis aqueles aonde os sonhos não vinham com pesadelos.
- ‘‘A Lua é aquilo que nos faz perceber que o dia de amanhã pode ser mais bonito.’’ – Ouvi uma voz familiar sussurrar perto de mim.
Vire-me para o lado. Emily olhava a lua com um pequeno sorriso nos lábios, minha visão foi imediatamente para as aus grandes cicatrizes e enão voltei a encarar a Lua.
- Eu costumava olhar para o céu, para a Lua. Bons tempos aqueles. – disse suspirando.
Emily riu e se levantou do banco.
-Vou te levar para a casa. Os rapazes estão um pouco ocupados.
-E ? – perguntei também me levantando.
- Ela já está dentro do carro. Está um pouco abalada. – ela começou a andar em direção á rua aonde os carros estavam. – Assim que os garotos tiraram Seth do salão ele não agüentou esperar e se transformou... ela estava perto demais.
Arregalei meus olhos. ... perto demais.
Olhando para Emily pude ver o que havia acontecido quando ela estava perto demais.
-Mas ela está bem. Não se machucou. Mas não é uma sensação muito boa ver quem amamos perder o controle...
Assenti e segui Emily pelo resto do caminho. O carro não estava muito longe, a parte que ele estava era escura, por um minuto fiquei com medo, mas então pensei no que poderia ter medo e não encontrei nada. Eu era a coisa mais perigosa que existia no mundo, mais desalmada e movida por instinto, instinto assassino.
estava sentada no banco de trás, deitada. Não quis a incomodar, então não fiz pergunta alguma. O resto do caminho foi silencioso. Não havia nada a ser dito, nada a ser respondido. Mas devo confessar que sentia um pouco de curiosidade sobre o que havia feito Seth brigar com aquele garoto, mas a curiosidade sumia assim que eu pensava no garoto; sangrando.
Assim que Emily estacionou o carro, pulou para fora e saiu correndo em direção a casa. Tentei chamá-la, mas ela já havia ido.
-Obrigado, Emily, por tudo. E me desculpe por aquela hora na mesa.
-Está tudo bem. – ela sussurrou e ligou o carro.
Saí do carro e a observei ir embora. Quando tudo ficou escuro com apenas um pouco de luz vindo da casa iluminando tudo – ou melhor, nada – eu caí. Não tinha mais forças para agüentar firme e eu não tinha a quem pedir ajuda. Edward já sabia que eu sofria, não precisava ter a idéia literal de como era me ver chorar tão desesperadamente, de novo.
Ajoelhei-me na grama úmida e sentei sobre as minhas pernas. As lágrimas desciam difíceis de meus olhos e molhavam minhas pernas descobertas. Então como em um passe de mágica, começou a chover. Mas era chuva de verão; forte e rápida. Ela me molhou por inteiro, devia estar borrando minha maquiagem, mas eu não me importava. Tinha a impressão de estar lavando minha alma. Olhei para cima e observei os longos pingos de chuva machucando meu rosto. Então fechei meus olhos novamente.
Senti alguém me abraçar fortemente. Não tinha forças para abrir os olhos e ver quem era. Apenas senti seu abraço quente e macio. Eu me sentia protegida, amada e completa.
Adormeci ali. Sentindo a dor me cobrir e a respiração contínua de alguém que eu não sabia quem era.

14- Morta


(Coloque Break The Ice da Britney Spears para carregar)

Aquele cheiro de sangue humano invadia minhas narinas trazendo todas as sensações que eu não queria sentir: as sensações que um assassino sentia quando estava prestes a matar.
-Vai perder o controle. – uma voz masculina sussurrou para mim de perto.
Olhei em volta, mas tudo o que eu via era o escuro. Nada mais. Estava frio, muito frio. Tinha medo de andar e cair, então continuei no mesmo lugar, parada.
- Sente o cheiro? Você quer. Então entregue-se. – A voz extremamente sexy sussurrou novamente em meu ouvido.
- Não! – sussurrei sem forças.
Não iria me entregar. Não iria colocar uma gota de sangue em minha boca. Nunca!
- Entregue-se! – A voz falou mais alta.
-Não! Nunca! – consegui gritar.
Dei um passo a frente, mas algo prendeu meu pé e eu caí no chão. Antes que meu rosto batesse no chão frio e duro, coloquei minhas mãos na frente. Soltei um gemido, fazendo força para me levantar, mas meu corpo não parecia obedecer meus comandos.
- Está vendo? Está ficando fraca. Cada vez que disser não para seu alimento, ficará mais fraca. – A voz sussurrou ao meu ouvido.
Fechei meus olhos e sabia que ia começar a chorar. Mas me surpreendi quando não veio nenhuma lágrima. Nada. Meu olho estava seco. Coloquei a mão em meu coração.
Parado. Não batia nem levemente.
Morto.
Morta.
Eu estava morta.
-Eu morri. – sussurrei surpresa.
-Não. Você é uma vampira. E vampiras precisam de sangue. – a voz respondeu calmamente.
-Não! – gritei.
Então uma luz acendeu me deixando cega. Depois que meus olhos se acostumaram com a claridade pude ver aonde estava. Um lugar branco, totalmente branco, que não parecia ter fim. E então vi algo a poucos metros de mim. Era uma garota. Caída no chão como se estivesse morta. Seu cabelo castanho escuro lhe tampava a face. E ao seu redor havia sangue. Seu próprio sangue, imaginei. Ela devia estar morta pois a poça que ela estava por cima era muito grande e se estendia por mais ou menos um metro. O vermelho fazia um enorme contraste com todo o branco e seu cabelo quase negro realçava sua pele pálida. Então ao lado do corpo estava dois sapatos masculinos. E o homem se abaixou apoiado em seus pés.
- Não quer? Pode ter tudo se quiser. – ele falou calmamente pegando um pouco de sangue com a ponta dos dedos e levando a boca perfeitamente desenhada.
Ele sorriu ao sentir o gosto do sangue e olhou para mim. Edward. Ele tinha os olhos vermelhos sangue e seu sorriso tão branco que por causa sala parecia brilhar mais do que o comum. Sua camiseta estava suja de sangue até a metade e nela parecia estar o desenho de uma mão.
Não conseguia falar. Era Edward. Ele havia matado a mulher e parecia ter gostado de fazer isso. Mas o sangue, estava espalhado, por quê?
- Edward... O que você fez? – foi a única coisa que consegui dizer.
Ele sorriu de lado e passou a mão de leve pelos cabelos da mulher tirando-os do rosto. Pude então identificá-la.
- Seu cheiro era muito bom. O sangue então... – ele riu sombriamente satisfeito. – Por que não toma um pouco?
Juntei minhas forças e andei até a mulher engatinhando. Edward apenas me observava sem expressão. Passei de leve meus dedos sobre suas bochechas que antes eram coradas – agora sem cor, sem vida.
-Bella. –Sussurrei sentindo meu estômago embrulhar ao lembrar de seu sorriso.
Edward continuou me encarando sem expressão. Eu queria chorar. Ele havia matado Bella. Edward havia matado Bella.
-O que você fez com ela? – sussurrei.
Eu não tinha raiva, era mais que isso. Era decepção.
- Não neguei o que sou. Ao contrário de você. Agora beba! – ele molhou seus dedos no sangue que estava no chão e ergue-os para mim.
Empurrei meu corpo para trás caindo de bunda no chão. Edward tentou encostar sua mão suja de sangue em minha boca, mas acabou sujando minha bochecha. Limpei-a rápido com minha mão. Podia sentir o cheiro mais forte. Minha garganta ardia e meu estômago se embrulhava. Então, como se não fosse mais eu, engatinhei até mais perto de Bella e abaixei-me até seu pescoço.
- Pare! – gritei me sentando na cama.
Minha respiração estava desregulada e meu coração estava disparado em meu peito. Senti uma mão quente pegar meu ombro gentilmente. Empurrei meu corpo para longe da mão, assustada. Olhei para o rosto da pessoa que estava sentada em minha cama perto de onde eu estava antes.
- Jake... – murmurei sem forças.
- Está tudo bem. Só teve um pesadelo. – ele falou calmamente.
Fiquei o encarando por algum tempo sem saber o que fazer. Então a porta do meu quarto abriu e Edward entrou, parecia preocupado.
-, você está bem? – ele perguntou se aproximando de mim.
-Onde está a Bella? – perguntei quase sem voz.
-Filha! – Bella entrou no meu quarto.
Soltei minha respiração que já estava presa a algum tempo. Levantei-me da cama e corri até Bella.
-Mãe! – falei a abraçando.
Bella também me abraçou apertado. Ela estava viva. Edward não havia a matado. Eu não havia bebido seu sangue. Seu corpo era como uma pedra de gelo, mas mesmo assim me trouxe um conforto imediato.
Quando soltei de seu abraço todos nos olhavam com uma certa surpresa. Tentei me lembrar o por que e então encontrei a resposta. Havia chamado Bella de mãe; pela primeira vez.
- Com o que sonhou? – Edward perguntou cruzando os braços.
Mordi meu lábio inferior. ‘‘Ele sabe que você está sofrendo’’, lembrei-me de Alice me falando. Não seria justo deixá-lo saber com o que sonhei. Para quê iria contar? Para lhe causar mais dor?
-Não me lembro. – sussurrei.
Mentir não era muito meu forte, mas sabia fazê-lo quando era necessário. Edward deu de ombros e olhou para Jacob que calçava seus sapatos. Ele então saiu do quarto junto de Bella. Olhei para Jake que mirava algum canto da parede que estava iluminada pela Lua Cheia.
-Você se lembra do sonho. – ele disse agora me olhando nos olhos.
Seus olhos negros brilhavam com intensidade. Percebi o que ele havia me dito. Não parecia ser uma pergunta, mas sim uma afirmação. Como ele podia saber? Eu havia enganado até mesmo Edward.
- Co-como sabe? – gaguejei surpresa.
- Sou sua impressão. Eu tenho que saber quando você mente. Se não, quem saberá? – ele falou sorrindo.
Também sorri, mas meu sorriso era triste. Olhei para a porta e a fiquei encarando. O sonho voltava em minha mente aos poucos e eu queria fugir daquilo.
-Bem, agora que está melhor, acho que já vou pra casa. – Jake falou se levantando e andando até o meu lado da cama.
Ele ficou de frente para mim e apoiou seus braços na cama ao meu lado. Seu rosto muito próximo ao meu.
-Jake, fique aqui comigo. Por favor. – sussurrei passando de leve meus dedos em seu rosto quente.
Jacob abriu um sorriso perfeitamente calmo. - Não acho que seu pai vai gostar muito de eu passar a noite aqui com você.
Rocei meu nariz no dele e nós dois sorrimos.
- Ah, nem vem, ele passava a noite com minha mãe todos os dias. Deve entender como é.
O sorriso de Jacob aumentou e ele me deu um selinho demorado. Quando sua boca descolou da minha eu não abri os olhos, mas sabia que ele continuava perto, afinal podia sentir sua respiração quente batendo em meu rosto.
-Está fazendo esta proposta parecer tentadora demais. – ele sussurrou.
Dei mais um selinho nele e mordi seu lábio inferior.
- Sou que estou te ensinando tudo isso? – ele perguntou sorrindo.
Eu ri e entrelacei minhas mãos por sua nuca e trouxe seu rosto para mais perto.
- Sou seu imprinting, se não soubesse isso quem iria? – perguntei repetindo a frase que ele havia usado.
Ele sorriu e finalmente me beijou. Meu coração voltou a tentar vazar do meu peito e meu sangue correr rápido por minhas veias. Aos poucos o beijo foi se tornando mais rápido e as mãos de Jacob ficaram mais ágeis. Então do nada ele me soltou e deu dois passos para trás.
Sua respiração estava tão ofegante quanto a minha. Fiquei o encarando sem saber o por que dele ter me soltado.
- Acho melhor pararmos por aqui. – ele sussurrou e se deitou ao meu lado na cama.
Eu fiquei o fitando sem dizer nada. Jacob nunca tinha agido deste jeito. Era sempre eu ou alguma pessoa que parávamos o beijo, nunca ele.
Então ele olhou para mim e deu seu sorriso pervertido que eu adoro.
-Por hoje.
Eu sorri para ele e deitei em seu peito que estava quente e aconchegante apesar de ser duro feito pedra. Não demorou muito para eu começar a dormir. Suas mãos passavam de leve por minha barriga e seu ronronar era tranqüilizante, quase como uma cantiga de ninar. Então me lembrei da música de Bella e Edward, como ele cantava para fazê-la dormir. Eu não precisava de uma cantiga de ninar para cair em sonhos quando estava com Jacob; apenas sua pele quente e sua respiração calma e constante já faziam meus olhos se fecharem involuntariamente me trazendo paz e serenidade.

Acordei tremendo de frio. Mesmo Jacob Black estando ao meu lado eu conseguia sentir frio e eu não entendia como. Abri meus olhos com alguma dificuldade e olhei ao meu redor. Estava em meu quarto, estava um pouco escuro demais. Olhei para o meu celular que estava na cabeceira e estendi meu braço passando por Jacob para tentar alcançá-lo e ver as horas. Inútil. Meu braço não chegou até ele por uns dez centímetros. Bufei e tentei me levantar, mas o braço de Jake me prendia contra ele. Sem fazer esforço nenhum – esta super-força serve para alguma coisa - o retirei de cima de mim e consegui me sentar na cama. Meu corpo todo doía, incluindo minha cabeça, que latejava. Me levantei e andei até a cabeceira para pegar meu celular. Sete e meia da manhã. Soltei um suspirei percebendo que não tinha sono algum, mas me lembrei que vampiros não dormiam, então eu pelo menos teria com quem conversar. Fui até o meu guarda-roupa e busquei uma blusa de frio bem quente. Não achei nada. Estranho, tinha a impressão de que tinha trago meu casaco rosa. Mas ele não estava ali. Resmunguei e coloquei a blusa mais quente que achei e peguei o edredom que estava no alto do armário. Fui até o banheiro e fiz minha higiene pessoal. Me surpreendi com o tamanho das olheiras que tinha abaixo dos olhos. Devia ser pela noite mal dormida. Dei mais um suspiro e saí do meu quarto dando uma última olhada em Jacob, que dormia calmamente.
- Como um cachorrinho que acaba de voltar da caçada com o dono. – sussurrei saindo do quarto e rindo da minha própria piada.
- É bom vê-la rindo. – Phelipe disse assim que cheguei na sala.
Ele estava na varanda olhando para fora. O tempo estava realmente horrível, uma neblina cobria quase tudo e o céu estava em um cinza quase preto.
Não me aventurei chegar até a varanda, parando na porta. Um vento gelado soprou e eu me arrepiei mais ainda.
- O que faz aí fora? – perguntei tentando não gaguejar por causa do frio.
Ele virou-se para mim com um pequeno sorriso nos lábios.
- Gosto do tempo assim. – ele falou dando de ombros e andando até mim.
- Também gosto, mas é melhor quando tenho algo apropriado para vestir. – falei e apertei meus braços em meu corpo fazendo o edredom me aquecer um pouco mais.
- Aonde estão seus casacos?
- Eu só tinha um e acho que o esqueci no Brasil.
-Só tem um casaco? – ele perguntou incrédulo.
- Eu morava no Brasil. – falei algo óbvio – O país tropical.
Ele assentiu e entrou para a casa, eu o segui, não estava querendo ficar sozinha.
- Espere um pouco. – ele falou e desapareceu, subindo as escadas.
Segundos depois ele estava a minha frente com um casaco que deveria caber três de mim. Ele me entregou se aproximando e logo depois deu dois passos para trás.
- O que é isso? – perguntei sem entender.
- Um casaco.
- Isso eu sei. Quero saber por que esta me entregando seu casaco.
- Você está com frio e eu não vou usá-lo. Então como um devido cavalheiro, lhe ofereci meu casaco. – ele falou sorrindo galante.
Sorri de volta e coloquei meu edredom no sofá para poder vestir seu casaco. Assim que o vesti pude sentir o cheiro de Phelipe. Era um cheiro extremamente bom. Doce e fresco ao mesmo tempo. Pensei que se seu casaco estava assim imagina como seria o próprio dono de tal cheiro.
Balancei minha cabeça tentando afastar tais pensamentos.
O silêncio então reinou sobre nós dois. Eu olhava para todos os lugares da casa, menos para seus olhos que me miravam com um certo divertimento.
-Não vai lanchar? – ele perguntou quebrando o silêncio.
-Não estou com muita fome. – respondi dando de ombros. – A já acordou?
Seu rosto ficou sério e preocupado. Então vi descendo séria. Ela passou por nós e foi até a cozinha sem dizer nada. Olhei para Phelipe, que olhava para baixo tentando fugir do meu olhar. Andei praticamente correndo para a cozinha aonde pegava um pouco de cereal no armário. Sentei-me na cadeira na frente da que ela havia puxado para se sentar.
-Hm... Bom dia. – falei com medo da sua resposta.
Ela desviou os olhos do seu cereal e me encarou.
- A curiosidade está escrita na sua testa. – ela falou seriamente, mas eu sabia que estava brincando.
Sorri me sentindo melhor.
- O que houve ontem? Pro Seth estar batendo no garoto? – perguntei antes que ela desanimasse de me responder.
Ela soltou um suspiro e começou a rodar sua colher no leite.
- A gente estava dançando e então o Seth foi pegar algo para bebermos. Aquele garoto, que estava terrivelmente bêbado, veio falar comigo. Coisas nada legais. – ela fez uma careta. – Começou a me cantar de um jeito sujo. Eu disse que estava com Seth e foi aí que ele começou a dar mais em cima de mim ainda. Então o Seth chegou já socando ele e foi toda aquela confusão que você já sabe.
Assenti. Dois garotos, uma garota, confusão na certa.
Continuamos conversando por algum tempo, até que Phelipe veio e se juntou a conversa. Nós conversamos animadamente por mais ou menos uma hora, mas ninguém apareceu na casa. Comecei a estranhar aquilo.
- Aonde estão todos? – perguntei quando o silêncio ganhou espaço.
- Saíram. Não me avisaram aonde iriam e me disseram para ficar de olho em você. – ele falou sorrindo abobado.
Assenti e me levantei.
-Bem, pessoas, eu vou lá pro meu quarto... hum - pensei em algo - ... fazer alguma coisa.
Eles não responderam nada, então saí da cozinha e em menos de duas batidas de coração já estava na porta do meu quarto. Respirei fundo e abri a porta. Jacob ainda dormia profundamente. Sorri ao vê-lo daquele jeito; tão infantil e vulnerável. Respirei mais uma vez profundamente e fui até a ponta da cama. Pensei como iria acordá-lo e se iria fazer tal coisa. Pensei e acordá-lo brutalmente, um pouco de água no rosto, fazer muito barulho, mas uma alternativa nada pura em minha mente me chamou a atenção. Sorri maleficamente imaginando o que Jake pensaria disso.
Subi na cama engatinhando pelo final e engatinhei lentamente com suas pernas abaixo do meu corpo até que estava perto de seu rosto o suficiente para beijá-lo, mas não o fiz. Cheguei minha boca perto de seu ouvido e sussurrei:

(Dê play na música)

-‘‘ It's been a while
I know I shouldn't have kept you waiting
But I'm here now’’
(Faz algum tempo
Eu sei que não deveria ter deixado você esperando
Mas estou aqui agora)

Jacob não se mexeu. Dei um suspiro de reprovação. E voltei minha boca ao seu ouvido.
-‘‘I know it's been a while
But I'm glad you came
And I've been thinking 'bout’’
(Eu sei que faz um tempo
Mas estou feliz que tenha vindo
Tenho pensado sobre...)

Ele então gemeu como se quisesse dormir mais. Respirei fundo mais uma vez. Eu não era muito boa nisso, mas ele não parecia dar muita ajuda. Então senti sendo puxada para a cama e Jacob veio parar em cima de mim. Seu corpo estava todo apoiado pelas mãos que estavam ao lado da minha cabeça. Ele sorria para mim e eu também sorri.
-Vai ter que continuar cantando pra mim, Renesmee.
Dei uma pequena risada e tentei me lembrar da música.
-‘‘And I've been thinking 'bout
How you say my name
Got my body spinning
Like a hurricane
And it feels like
You got me going insane’’
(E estive pensando no modo
Como você chama meu nome
Deixa meu corpo girando
Como um furacão
E parece que
Você me deixa louca)

O sorriso de Jacob aumentou e sua boca foi imediatamente para o meu pescoço. Não continuei a cantar, estava concentrada – ou atordoada- com sua boca acariciando meu pescoço. Sua língua passava levemente por partes estratégicas do meu pescoço, me perguntei como ele sabia exatamente aonde me beijar. Minha respiração começou a falhar e suas mãos foram uma para a minha cintura e a outra para a minha coxa. Não conseguia mais respirar e senti todo o meu corpo relaxar instantaneamente. De repente aquele casaco – que antes era tão aconchegante -, começou a ficar insuportável de tão quente. Com ajuda de Jake o tirei rapidamente e ele o jogou para algum canto indefinido do meu quarto. Minhas mãos faziam cafuné nos cabelos incrivelmente macios de Jacob enquanto as mãos dele exploravam cada parte do meu corpo. Passei minha mão para seu peito que estava desnudo – e só neste momento percebi tal coisa. Jacob então de algum modo - que eu não percebi como – tirou minha blusa e também a tacou longe.
- Aonde estão seus pais? – ele sussurrou no meu pescoço.
- Não... – respirei algumas vezes tentando responder – não estão em casa.
Jake ergueu sua cabeça olhando para mim e sorriu maliciosamente. Engoli seco e ele pareceu ter percebido.
- O que foi? – ele perguntou sério.
- Nada não. – sussurrei, ainda estava recuperando o fôlego.
- Não está pronta?
Se eu estava pronta eu não sabia, mas sabia muito bem que se começasse não iria conseguir parar, mas era isso mesmo que eu queria?
Mordi meu lábio inferior sem saber a resposta. Jacob respirou fundo e se sentou na cama me deixando deitada.
Soltei um suspiro e me sentei também.
-Desculpe. – sussurrei, olhando o lençol da minha cama.
Jacob olhou para mim surpreso e me abraçou com um de seus braços.
- Pelo o quê?
Não respondi, fiquei ainda encarando o lençol. Ele então ficou de frente para mim e levantou meu queixo um uma das mãos delicadamente. Encarei seus olhos negros calorosos que esperavam por uma resposta.
- Por não estar...hmm... pronta. – sussurrei ainda envergonhada.
Ele sorriu docemente e me deu um selinho demorado.
- Não tem problema. Não vou te pressionar, entendeu? Eu te amo, e o fato de você estar pronta ou não, não vai fazer com que eu te ame um pouco menos.
Não tinha nada a dizer, apenas sorri. Aquele era o Jacob Black, o de crepúsculo e pela primeira vez eu pude perceber que ele era melhor do que eu imaginava no livro. Jacob apoiou sua cabeça na cabeceira da cama e me puxou para que deitasse em seu peito. Apertei meu corpo contra o dele tentando me aquecer, mas não conseguia. Já estava com frio quando estava com o casaco de Phelipe imagina agora só de sutiã? Corei ao me lembrar que estava apenas de sutiã na frente de um garoto e sorri de vergonha.
- O que foi? – Jake perguntou enquanto roçava as pontas de seus dedos no meu braço.
- Nada. – falei ainda sorrindo abobada.
Ele riu de mim e respirou fundo.
- Estou sentindo sua vergonha na minha mente. Estou te deixando constrangida por algum motivo?
- É que... eu nuca fiquei assim na frente de nenhum garoto. – falei mostrando minha semi nudez.
Jacob riu novamente e eu senti seu peito subindo e levantando rapidamente enquanto ele soltava mais uma de suas risadas estrondosas.
- Renesmee, você não fez muita coisa na sua vida, não é?
- Não tive muito tempo para isso, Jacob. Tenho apenas quinze anos. – falei passando os dedos de leve por seu peito definido e tentando decorar cada linha de seu corpo.
Jake não riu, como eu esperava. Olhei para cima e ele estava sério olhando para algum lugar da parede do meu quarto.
- Você não se importa. – foi mais como uma pergunta, mas então ele resolveu reforçá-la olhando para mim. – Importa?
- Com o quê? – perguntei confusa.
Jacob desviou os olhos para a parede novamente sem falar nada.
- Com o fato de eu ser bem mais velho que você.
Franzi minha testa. Eu não acreditava que ele estava me perguntando aquilo. Edward era quase cem anos mais velho que Bella e ele nunca perguntou isso a ela, pelo menos não no livro.
- Que pergunta estúpida, Jacob. É claro que não me importo.
Esperava que ele sorrisse, mas seu rosto continuou sem expressão nenhuma. Me perguntei o por que, mas a única resposta que obtive era que talvez ele queria me dizer algo, mas não podia.
Mas aquele assunto de ele ser bem mais velho, não era um problema... não para mim. Apesar que pensando bem, podia não ser um problema para mim.
- E você? Se importa com o fato de eu ser... – procurei um adjetivo não tão rude - tão nova?
Ele olhou para mim surpreso e analisou meus olhos por algum tempo.
- É claro que não. – ele então deu um pequeno sorriso. – Mesmo se você fosse mais velha que eu ainda seria minha pequena.
Sorri e senti minhas bochechas corarem. Adorava quando ele falava aquelas coisas para mim. Era fofinho.
- Mas eu queria te perguntar uma coisa... – ergui minha cabeça para olhar dentro dos seus olhos. – Por que me acordou daquele jeito?
Senti meu rosto corar novamente e voltei a apoiar minha cabeça sobre seu peito. - Não sei. Só deu vontade. E eu também queria ver sua cara. – falei sorrindo abobada novamente.
Ele então parou de acariciar meu braço e sua mão desceu para minha barriga.
-Você é uma garota muito má, Renesmee. – ele falou rindo baixinho.
Sua mão desceu lentamente acariciando a pele da minha barriga até o cós da minha calça. Arrepiei com seu toque quando ele chegou o mais baixo que a calça permitia. Ele percebeu e foi repetindo os movimentos empurrando minha calça cada vez mais para baixo a cada volta que ele dava. Fechei meus olhos aproveitando a sensação.
Então ele passou a mão pelo botão de minha calça e o abriu. Arregalei os olhos assustada. O sentimento foi forte que ele deve ter sentido em sua mente e tirou sua mão imediatamente de mim, apoiando-a na cama.
- Desculpe. – ele sussurrou. – Não consigo evitar.
- Está tudo bem. – murmurei respirando fundo.
Eu queria tanto aquilo quanto ele, mas meu medo era mais forte do que meu próprio coração.
- É como se seu corpo ficasse chamando o meu. – Ele continuou a explicar como se eu não tivesse falado nada – Sempre foi assim. Como um imã. Só que a diferença é que agora eu a tenho em meus braços.
Suspirei; estava decepcionada. Não com Jake, mas sim comigo mesma. Por que eu não era um pouco mais atrevida como o resto das garotas ‘normais’ da minha idade? Por que os hormônios não tiravam minha razão e meu medo por apenas algum tempo, para que eu enfim tivesse coragem para me entregar? E então eu poderia viver a melhor sensação – segundo uns – que pode ser sentida.
Me sentei na cama saindo do abraço de Jacob.
- O que foi? – ele perguntou surpreso com a minha reação.
- Onde está minha blusa? – procurei procurando-a com os olhos por todo o quarto.
- Esta com vergonha de mim? Agora? – ele perguntou incrédulo.
Pensei um minuto na pergunta dele e na resposta que daria. Não era isso, eu simplesmente estava morrendo de frio.
- Não, não! Só estou congelando.
Jacob suspirou e voltou a apoiar as costas na cama. Ele então abaixou seu braço no chão e subiu com o casaco de Phelipe. Ele fez uma careta e me entregou o mesmo.
- Por que estava com o casaco dele?
Me perguntei como ele sabia de quem era, mas logo lembrei do cheiro horrível que os vampiros tinham para ele.
- Eu estava com frio e acho que deixei meu casaco no Brasil. – falei dando de ombros. - Era um rosa com pelos pretos por dentro? – Assenti e ele continuou. – Você o deixou lá em casa, mas eu não sabia de quem era.
- E de quem mais seria? – perguntei levantando-me da cama e indo pegar outra blusa, já que a que eu usava antes havia desaparecido.
- Eu não sei. – ele falou dando de ombros e também se levantando.
Coloquei a primeira blusa ‘quente’ que vi pela frente e vesti o casaco de Phelipe. Jacob fez uma careta assim que me viu vestida.
- Não gosto que você use este casaco.
Sorri e andei lentamente até ele colocando minhas mãos em sua nuca.
- Por que não? Está com ciúmes por acaso?
Ele riu ironicamente e segurou minha cintura com suas mãos, uma de cada lado. Ele as apertou massageando e isso fez com que eu sentisse milhares de borboletas em meu estômago. Jacob então aproximou seu rosto do meu e cochichou em meu ouvido:
- Não preciso ter ciúmes de você. Preciso?
Eu sorri e lhe dei um selinho demorado.
- É, claro que não. Sou sua, toda sua.
Jacob sorriu de ponta a ponta e eu ri. Senti toda a sua alegria em minha mente, o que me fez ficar mais feliz ainda. Peguei sua mão e fui saltitando para a sala puxando-o comigo. Chegando lá, estava no maior amasso com Seth na parede.
- Se eu jogar água pra apagar o fogo deles, você acha que ficarão muito bravos? – sussurrei para Jacob.
Jake riu de mim e me deu um beijo na bochecha o que também me fez rir.
-Eu ouvi isso. – Seth reclamou se soltando de .
também ia falar algo, mas o toque estridente do telefone a interrompeu. Soltei a mão de Jacob e fui até lá para atender.
-Alô? – falei enquanto olhava os três conversarem sobre algo que eu não ouvia, por estar ocupada.
- Bom dia. Quem fala? – uma mulher perguntou com um forte sotaque brasileiro, e não era minha mãe.
- É a . Pois não? – falei me concentrando agora no telefone.
- ! Tudo bem, querida? – a mulher falou em português e eu pude finalmente reconhecer a voz.
- Valéria! Tudo bem sim e com a senhora? – perguntei também em português e percebi que agora todos os três me encaravam com silêncio.
Valéria, a mãe de . Não havia conversado muito com ela, mas ela parecia ser legal, pelo menos o que a me contava.
-Está tudo bem comigo, querida. A está aí?
- Está sim, só um minuto que vou chamá-la.
Deixei o telefone na mesinha e andei até que ainda me encarava.
-Sua mamãe, Dani. – falei em português ainda sorrindo.
assentiu e correu até o telefone. Olhei para os dois na minha frente que se encaravam com cara de confusos.
- Quem é Valéria? – Seth perguntou me encarando.
- Sua sogrinha. – sorri e Jacob começou a rir da cara de assustado que Seth fez.
Seth deu um tapa na cabeça do amigo que continuou rindo e depois olhou para mim.
- O que ela quer?
- De vez em quando nossas mães ligam, sabe, para saber se nenhum lobo mal comeu a gente. – falei dando de ombros e sorrindo.
Seth me olhou com raiva e depois voltou a olhar para que conversava em português com sua mãe. Jacob ao meu lado quase caia no chão de tanto rir.
- Sabe que isso pode ter dois sentidos não é mesmo, amor? – Jake comentou se recompondo.
-É claro que eu sei. – Falei revirando os olhos. – Agora, qual dos dois sentidos eu quis usar, bem, prefiro não comentar.
Jacob me encarou assustado e eu ri.
-Gente, tem algo errado. – Seth falou encarando .
Me virei para ver minha amiga, ela não estava com uma cara nada boa e seus olhos estavam cheios de lágrimas que não haviam transbordado - ainda.
Ficamos calados olhando-a até que ela despediu de sua mãe e andou cabisbaixa até nós.
- O que foi, Dani? – perguntei preocupada.
- Minha mãe...
- O que foi? Aconteceu algo com sua mãe? – Seth atropelou-a.
Ela negou com a cabeça e limpou as lágrimas que estavam molhando suas bochechas.
- Minha mãe acabou de me avisar que comprou a minha passagem para o Brasil. Volto terça-feira de tarde.


15- Scraps sem resposta

O que eu faria sem minha amiga para me ajudar quando eu me desesperasse? Apesar de saber que ela não poderia ficar aqui para sempre, pelo menos não por enquanto. Ao contrário de mim, sua família ainda vivia no “mundo real”, o qual nem eu nem ela fazíamos mais parte. E ela precisava ficar com eles, viver como se nada tivesse acontecido enquanto ela estava aqui em Forks. Apesar de saber de tudo isso, ainda não acreditava que ela estava indo embora.
olhou nos olhos de cada um de nós três. Estávamos todos muito tristes. Seus olhos pararam por último em mim, e eu sentia minhas lágrimas já descendo enquanto as dela já haviam molhado suas bochechas coradas. Estendi meus braços em sua direção e ela me abraçou fortemente. Ficamos assim por algum tempo. Isso ia ser mais difícil do que imaginei. Quando nos soltamos, ela fugiu para o abraço de Seth e eu, para o de Jacob. Podia ver que Seth se segurava para não chorar e eu sentia a tristeza de Jake em minha mente.
-Ah, gente, mas não vamos ficar assim. – falou, limpando as lágrimas. – É um dos meus últimos dias nos EUA, temos que fazer algo juntos.
-A tem razão. – Jacob falou sério, passando seu polegar em minhas bochechas para secar minhas lágrimas. – Não vamos passar o dia lamentando. Vamos, , já viu tudo o que queria aqui e em La Push?
-Não pulamos do penhasco! – me lembrei da promessa de Jacob quando cheguei aqui, ainda não havíamos a cumprido.
Nenhum dos três fez uma cara boa com minha proposta. Fiz uma careta e voltei a pensar no que ainda não tínhamos feito.
-A história! – gritou, soltando-se de Seth.
Todos a olhamos sem entender. Ela deu mais um pulo em minha direção.
-, lembra daquela fanfic que lemos que tem o ponto de vista da Alice assim como o ponto de vista da Nessie e que no aniversário de quinze anos dela, ela e o Jacob vão pra... – interrompi minha amiga antes que ela falasse coisas que não prestassem.
-! Não termine! Sim, eu me lembro. O que tem?
Ela sorriu pra mim e começou a dar pulos no mesmo lugar.
estava passando muito tempo comigo e com Alice.
-Então, lembra quando eles vão acampar? – ela perguntou e eu logo me lembrei.
-Ah! – soltei um gritinho fininho e comecei a pular no lugar também.
Os garotos ainda nos encaravam confusos.
-Mas será que o Edward deixa? – perguntei parando de pular.
-Ah, claro que deixa! – então ela se virou para Seth. – Pode ser, então?
Seth encarou Jacob que deu de ombros.
-Estamos perdidos na conversa. – Jacob anunciou fazendo eu e começarmos a rir.
- Ok, vou explicar então. – Falei e respirei um pouco para me acalmar, estava muito animada. – Nós duas lemos uma história aonde os Cullen, a Nessie e o Jacob vão acampar. Aí lá acontece muita pegação... mas isso não vem ao caso. – Falei mudando de assunto quando vi um sorriso bobo surgindo no rosto de Jacob e Seth – Então, o que acham? De irmos acampar?
Jacob encarou Seth. Não! Eu conhecia aquele olhar. Eles estavam... Oh My God! Estavam pensando bobagem.
-É claro. – Seth falou sorrindo. – Quando saímos então?
-Depois do almoço. – falou.
-Mas antes temos que pedir pros meus pais. Como vamos fazer isso se os Cullen sumiram do mapa?
-Quem foi que saiu do mapa? – Emmett falou chegando na casa.
Logo atrás dele vinham Rosalie, Jasper e Alice. Esta última correu até nós batendo palmas.
-Por que estão arrumando as malas? – ela perguntou, imagino que teve uma visão com isso.
-Alice, agente estava pensando, já que são os últimos dias da nos EUA, se a gente podia ir acampar?
Alice sorriu assim como Emmett, mas todos traziam sorrisos nada inocentes no rosto.

Duas calças; confere. Três blusas; confere. Dois casacos – para no caso de eu perder um -; confere. Botas; confere. Eu falava cada item da minha listinha mental e conferia se havia colocado tudo na mala. Não pareci ter esquecido de nada.
Suspirei e me sentei na frente do notebook olhando meu orkut. Vinte scraps não lidos. Não sabia se era certo continuar a conviver com pessoas as quais eu jamais veria, e elas nem saberiam o motivo.
Apertei o responder do primeiro scrap, era minha prima perguntando por que eu não dava notícias e qual era o telefone da casa onde eu estava. Neste momento, , Alice e Rosalie entraram em meu quarto. e Alice tagaleravam sobre o acampamento e Rose apenas ouvia as duas. Não me movi ou tentei entender sobre o que elas falavam, apenas fiquei encarando a barrinha que piscava mostrando onde eu iria escrever, ela parecia gritar para que eu apenas dissesse que estava viva, mas não conseguia; minhas mãos estavam paralisadas.
Um silêncio reinou em meu quarto. Olhei de lado para tentar entender o porque de todos terem parado de falar e me deparei com as três garotas me olhando sem ao menos piscar.
- O que foi? – perguntei e só então percebi que minha garganta estava se fechando, eu ia chorar a qualquer minuto.
Alice e voltaram a conversar animadamente como se nada houvesse acontecido, apenas Rosalie me encarava. Então ela andou até mim e puxou uma cadeira para se sentar ao meu lado.
Sem falar nada, ela começou a digitar no espaço que eu ia responder minha prima. Seus dedos moviam rapidamente no teclado e eu não lia o que ela digitava, apenas fiquei a fitando sem entender. Quando ela terminou, me encarou esperando que eu tivesse alguma reação.
-Olhe se está bom assim. – ela falou com sua voz doce e musical.
Desviei meus olhos dos seus e olhei finalmente para o meu computador.

‘‘Amina! Que saudades, meu amor. Me desculpe não ter te mandado a resposta antes, mas é que aqui nos EUA eu mal tenho tempo para escrever. Meu telefone é este aqui (número). Te amo, beijos, .’’

Encarei Rosalie atordoada. Ela ia mesmo mandar o nosso telefone para a minha prima?
- Não sei se isso é certo, Rose. Manter contato com eles... sempre terei que mentir.
- , você tem que ser humana enquanto pode. Não deve trocar sua vida de humana por qualquer coisa, mesmo que esta coisa seja um sonho que você sempre quis. Não vale a pena. – ela falou isso e saiu do meu quarto em silêncio.
Depois de ficar olhando para o nada e pensando no que Rosalie dissera, enviei o scrap para minha prima, ela merecia uma explicação do por que do meu sumiço. Sabia que Rosalie tinha a intenção de me dizer algo mais com aquilo, mas eu não conseguia entender o que.
-, você não sabe fazer uma mala! – Esme reclamou; e eu nem havia percebido que ela tinha entrado no quarto.
Girei minha cadeira giratória para ficar de frente para Esme. Mordi meu lábio inferior tentando parar coma irritação que estava começando a sentir; odiava quando diziam que eu não era capaz de fazer algo.
- Aonde está seu pijama? Sua escova de dentes e escova de cabelos? Seu repelente? – ela virou-se para mim me olhando incrédula. – Você só pegou roupas.
Dei de ombros e me levantei da cadeira.
-Ainda não tinha terminado a mala. – menti.
Ela negou com a cabeça escondendo seu sorriso e foi até meu banheiro, voltando logo depois com todos aqueles produtos que ela reclamou de eu não ter colocado em minha mala. Eu simplesmente não sabia fazer uma mala, mas faria uma perfeitamente completa, se eu quisesse.
-Larga de ser chata, Esme, a garota pegou o mais importante. – Alice me defendeu.
Esme deu de ombros e saiu do quarto, nos avisando que o almoço já seria servido. Terminei – de verdade – de arrumar minha mala e nós três descemos.
O almoço foi silencioso, apenas Emmett tirava sarro de Jasper com algo que ele havia feito enquanto caçavam. Então, quando estava quase terminando o silêncio voltou a reinar, mas não por muito tempo.
- E aí, , vai perder alguma coisa hoje? – Emmett perguntou.
Eu não entendi a piada, mas isso fez com que ele levasse um tapinha em seu braço de Rosalie. - Desculpe? – falei confusa.
Emmett riu e percebi que Jasper e Alice tentavam esconder seu sorriso. O que eu havia perdido?
- Imagino que você ainda seja virgem. – ele falou sorrindo.
Cuspi o refrigerante que estava na boca dentro do copo de tão surpresa que estava. Percebi que Rose e Esme lhe lançavam o pior olhar possível. Senti meu rosto todo esquentar subitamente, devia estar como um morango.
-Sim ela é – falou por mim. –, ainda.
Lancei meu pior olhar pra , ela queria ajudar ou não?
-E então, vai ou não? Hoje? – ele especificou.
Olhei a cara de cada um na mesa. Cada um tinha uma expressão mais diferente que a outra, mas todos estavam apreensivos esperando minha resposta. O último rosto que analisei foi o de Phelipe, ele me olhava com mais “preocupação” do que os outros.
-Hmm... por que está tão interessado na minha.... – procurei uma palavra melhor do que virgindade. – virtude?
-Curiosidade. – Ele falou dando de ombros. – E então?
Empurrei minha cadeira e me levantei levando o prato e o copo.
-Não se preocupe, ela está bem segura. – falei saindo da sala.
Pude ouvir o riso de Alice, e Jasper na sala ao lado e sorri também.
Enquanto subia para meu quarto percebi que o que Emmett havia falado tinha algum sentido. Eu ia acampar com meu namorado, sem meus pais ou responsáveis, com qualquer adolescente normal rolaria alguma coisa. Mas este era o problema, eu não era muito normal.
Voltei para o meu notebook e respondi a maioria dos scraps. Credo! Todos estavam realmente com saudades de mim. Assim que terminei fiquei sem saber o que fazer, com a minha ansiedade no limite não tinha como ficar parada. Então um site o qual eu não mexia fazia tempo veio a minha cabeça: um site de Twilight. Entrei e lá haviam varias notícias que eu não sabia. A primeira que li foi do Robert Pattison e a segunda... Taylor Lautner. Entrei em suas fotos.
-Nossa, como o Tay está mudado. – sussurrei para mim mesma analisando seu corpo mais musculoso que nunca.
Passei as fotos e em uma delas eu li a legenda em voz alta para mim mesma:
-‘‘O nosso lindo Jacob Black está mais crescido que nunca.’’
Minimizei a janela e a foto minha com Jake, Seth e apareceu. Sorri.
- Nosso Jacob está realmente mudado.
Depois de algum tempo abri novamente a janela e fui ver se tinha alguma fanfic atualizada. Não tinha lido nenhuma desde que havia vindo pros EUA. Achei uma de suspense e comecei a ler, poucos minutos depois já estava apreensiva – ou com medo, dá no mesmo.
‘‘Então ouvi a porta rangendo e corri até a mesma... podia ser ele, ou podia ser algo pior...’’ eu lia em pensamento quando senti algo quente e molhado encostar em meu pescoço, que estava desnudo com meu cabelo em uma trança. Dei um pulo para trás de tanto susto o que fez com que eu quase caísse da cadeira.
- Te assustei? – Jacob perguntou surpreso.
- Não, eu dei um pulo e meu coração ta palpitando deste jeito porque ouvi um passarinho cantar. – falei irônica.
- Você estava distraída. Não pude evitar. – ele falou sorrindo.
Seu sorriso encantador me desarmou. Não conseguia ficar com raiva de Jacob. Seus olhos negros e quente chamam os meus. Saí do transe quando ele virou-se me dando as costas e andou até minha mochila que estava no chão, ao lado da minha cama.
- Quantos anos vamos passar lá mesmo? – ele perguntou analisando minha mala.
- Está tão grande assim? – perguntei mordendo meu lábio inferior.
Ele olhou para mim com as sobrancelhas arqueadas e assentiu lentamente. Cruzei meus braços e olhei a mala, ela não parecia tão grande – pelo menos não para mim.
- Pode deixar que eu irei carregá-la.
Jacob riu e me puxou pela cintura para mais perto do seu corpo. Estremeci quando ele me tocou. Eu nunca tinha me sentido tão nervosa perto de Jake. Devia ser pelo fato de eu saber o que provavelmente aconteceria naquela noite.
- É claro que vai. – ele falou rindo.
Dei um leve tapa em seu braço.
- Aonde está seu cavalheirismo, Jacob Black?
- Ficou junto com a sua inocência, Renesmee Cullen.
- Eu sou muito inocente, está entendendo?
-Claro, claro. – estremeci ao ouvir aquelas palavras tão comuns em crepúsculo, agora as estava ouvindo ao vivo.
Eu estava claramente nervosa, mais do que o normal.
- Por que está tão nervosa? – eu mordi meu lábio inferior, não deveria contar a verdade, deveria? – E não adianta mentir pra mim.
- Não sei, acho que estou ansiosa. – confessei, mas não tudo.
Jacob pareceu aceitar aquilo como uma desculpa, pois ele não voltou a este assunto.

- Todos prontos? – Jacob perguntou enquanto eu descia da escada trazendo a minha mochila e a da com Seth atrás de mim me mandando largar que ele iria carregá-las.
- Que stress, Jake. Estamos prontos, ou quase. – respondeu olhando enquanto eu passava gloss em meus lábios na frente do espelho.
Me virei para os todos que me esperavam impacientemente.
-É de tuti-fruti. – comentei.
Todos, é verdade, todos reviraram os olhos. Seth pegou a mochila da e entregou à ela.
-Você e a carregam suas bagagens, já que não podemos carregá-las. – Seth explicou.
-E a de vocês? – perguntou enquanto Seth a ajudava a colocar a enorme mochila em suas costas.
-Nós imaginamos que iriam levar tanta coisa, então já deixamos as coisas lá... para ficar mais fácil. – Jacob respondeu me observando enquanto eu lia as instruções de uso do gloss.
Assim que Seth e saíram, Jacob veio falar comigo enquanto eu colocava minha mochila nas costas.
- Ness, você está bem? – assenti, mas ele não pareceu acreditar. – Você está estranha desde o almoço.
- Estou?
-Está sim. Aconteceu alguma coisa? – ele perguntou preocupado.
Olhei para frente fingindo olhar para a escada da varanda.
-Não aconteceu nada não, amor. – falei sorrindo.
Ele olhou para frente, sabia que não tinha acreditado, mas não podia lhe dizer a verdade.
Desde o almoço o fato de passar a noite com Jacob – sem meu pai de olho nos pensamentos do meu namorado – pareceu me atormentar e me deixar com medo. Desta vez eu não teria motivo para pará-lo, e eu não sabia se ainda estava pronta. Eu estava começando a ficar atenta a cada toque de Jacob e isso estava acabando com minha disposição, afinal, ficar sempre na defensiva estava começando a me cansar.
Quando saímos da casa, Alice, Esme, Emmett, Rosalie e Jasper estavam conversando com . Nos aproximamos do grupo, mas logo me arrependi; Esme dava várias recomendações para e assim que eu cheguei ela começou a repeti-las para mim. A escutei apenas assentindo com a cabeça, mas sem prestar atenção em nada. Tinha outras coisas mais importantes para me preocupar do que como não me queimar com o fogo da fogueira e como passar protetor.
Logo depois todos se despediram, Seth e Jacob foram para a floresta se transformar. Segui com na mesma direção, mas antes de chegar lá Phelipe me puxou para perto da casa pelo braço.
- O que foi? – perguntei nervosa soltando meu braço da sua mão gelada.
Ele me olhou por um instante e depois respirou fundo.
- Se cuida, valeu?
Arregalei os olhos. Não esperava isso dele. Assenti ainda surpresa demais para dizer algo.
-! – me chamou.
-Tchau, Phelipe. – falei me distanciando.
-Tchau, . – ele respondeu baixo.
Corri até e adentramos na floresta aonde os meninos nos esperavam já em forma de lobo.


16- Estrelas

Correr tão rápido com meus próprios pés foi mais fácil do que eu esperava – caí apenas uma vez durante o percurso todo. Eu sempre gostei da velocidade, do vento batendo em meu rosto e da adrenalina; mas correr tão rápido por mim mesma foi incrível. Era melhor do que andar de moto ou até mesmo jet-ski, muito melhor. Uma sensação que eu não podia descrever. Era como finalmente ser uma vampira e, naquele momento, eu só conseguia ver os lados positivos nisso, estes lados que me fizeram me apaixonar por vampiros desde quando era pequena.
Corri tão rápido que logo os lobisomens já estavam para trás e eu não sabia para que lado ficava a campina, então tive que os esperar, o que não foi muito complicado, já que eu fiquei correndo em círculos para aproveitar – me senti idiota com isso, mas foi ótimo.
Quando chegamos na campina que havia sido escolhida para o acampamento percebi que todas as coisas já estavam, mas nada montado, nem mesmo a fogueira estava no lugar, e já eram quase quatro da tarde, ou seja, iria escurecer logo e eu me recusava a ficar num lugar escuro com vários insetos se não estivesse protegida adequadamente.
-Achei que já tinham montado tudo. – Falei enquanto descia das costas de Seth e tacava sua mochila no chão.
-Duas. – ela concordou.
Os dois, em pouco tempo voltaram em sua forma humana.
-Ah, gente, o mais divertido é montar... – Seth se defendeu.
Dei de ombros e taquei minha mochila no chão também, percebi que ela parecia não pesar nem o terço do que realmente pesava.
-Certo... por onde começamos? – falei para mim mesma olhando toda aquela tralha espalhada. – Já sei, como vai escurecer logo, Seth e Jake arrumem a fogueira, que eu e vamos arrumar as barracas.
-Aposto que acabamos antes de vocês. – Seth nos desafiou.
- , não faça isso! – me avisou.
-Apostado. – apertei a mão de Seth. – Calma, , agente consegue, afinal, eu sou um pouco mais rápida que eles. – falei sorrindo desafiadoramente para Seth.
Jacob não falara nada, parecia estar em outro mundo.
Logo os garotos reuniram os troncos de arvores secos e gravetos para fazer a fogueira, mas eu sabia que o mais complicado era acendê-la. Eu e tínhamos alguma dificuldade com as barracas, mas até que uma delas agente tinha montado.
-E então, garotas, já acabaram? – Seth perguntou zombando de nós, a fogueira já tinha um fogo maior do que eu e não iria apagar tão fácil.
jogou um dos pés da barraca no chão e se sentou.
-Estou exausta! – ela reclamou.
Também taquei o pé da barraca que eu segurava no chão e me joguei na grama úmida.
- Duas! Por que quando eu era mais nova montar barracas eram tão mais fácil?
- É a idade, colega, a idade. Tudo é muito mais fácil e empolgante quando usamos fraldas... – Seth falou rindo e se sentando ao lado de . Ri junto com minha amiga e desviei meu olhar para Jacob, que estava sentado em um dos trocos que os garotos haviam levado para nos servirem de banco, ele olhava o fogo, pensativo.
- Seth... – sussurrei tentando chamar sua atenção, mas ele estava concentrado demais beijando a bochecha de e sussurrando algo. – Seeeth! – chamei-o de novo sem sucesso.
Peguei o pininho do pé da barraca e taquei no garoto que finalmente olhou para mim bravo.
- O que foi? – ele sussurrou irritado.
- Aconteceu algo com Jacob? – murmurei com cuidado para que Jake não escutasse.
Seth deu de ombros.
- Ele está muito preocupado com o porquê de você estar tão longe desde mais cedo e depois viu você conversando com Phelipe...
Fiz uma careta e olhei para Jacob, que continuava na mesma posição de antes.
-Vou lá conversar com ele então. – murmurei me levantando do chão e limpando minha roupa. – E vocês, podiam arrumar esta barraca aí, por favor.
- A nossa é aquela ali. – apontou para a outra barraca perfeitamente armada e amarela ao lado.
-Mas isso pode mudar se eu e Jake não tivermos lugar para dormir. – falei brava.
Os dois rapidamente se colocaram de pé e começaram a montar a barraca, eu estava ficando boa nestas coisas de ordens.
Andei até Jacob e o abracei por trás dando um beijinho em sua bochecha quente e macia.
- No que tanto pensas?
- Em você. Nos meus pensamentos só cabe você. – ele falou sorrindo de lado, mas ainda encarando o fogo.
Ficamos um tempo assim, em silêncio até que eu me sentei ao lado dele no banco de madeira.
-Desculpe por hoje mais cedo, eu estava com coisas demais na cabeça. – falei sincera.
- O que Phelipe queria com você? – ele desviou o assunto.
- Nada demais, apenas mandou eu me cuidar. Não entendi do que, mas tudo bem. – falei dando de ombros.
- Acho que ele gosta de você. – Jake falou sério.
Virei-me para analisar sua expressão, mas não consegui identificar nada.
-Hum... Mas o que importa é que eu gosto é de você.
Pude ver um sorriso brotando no rosto de Jacob e ele me puxou um braço me apertando contra seu corpo.
- É que eu tenho tanto medo de te perder. – Ele confessou com um fio de voz.
Apertei meu braço contra sua cintura e afundei meu rosto em seu peito.
-Não precisa ter medo, Jake. Nunca vai me perder. – falei com a maior sinceridade que pude.
Nunca fui muito boa em palavras, mas quando estava perto de Jake, isso piorava, era como se eu não pudesse lhe contar o quanto o amava e precisava de sua presença ali comigo.
Seth e foram para perto de nós assim que terminaram de montar a barraca – o que foi um tempo relativamente pequeno. Eu ainda estava nos braços de Jacob e nós dois estávamos perdidos em pensamentos e aproveitando nossa aproximação.
- Renesmee – Seth me chamou e eu desviei meu olhar do fogo para encontrar o dele. – Vocês duas perderam a aposta.
- É verdade. – Jake concordou e eu me virei para ver o enorme sorriso que lhe ocupava o rosto – Terão que pagar de algum modo.
Fiz uma careta.
- Me tirem desta, foi a que fez a aposta, eu era totalmente contra. – falou franzindo sua testa.
- Amor, - Seth começou. – você estava dentro querendo ou não.
ficou sem fala.
- Esperem! Não apostamos nada, então a única coisa que vão ganhar é o gostinho da vitória. – falei sorrindo vitoriosa.
Os dois ficaram em silêncio por um tempo, até que uma careta saiu do rosto de Seth. Tudo bem, agora quem tinha o gostinho de vitória era eu.
Logo a noite foi caindo e a fome foi chegando. Pegamos alguns queijos e algumas linguiças e começamos a assá-las com o fogo da fogueira.
Tudo estava perfeito, como se tudo fosse durar para sempre e eu me senti maravilhosa. Tínhamos falado sobre tudo até que o silêncio reinou.
- Sabem jogar strip poker? – Seth perguntou com um sorriso maroto nos lábios.
- Eu sei. – falei me lembrando de quando meu amigo Luis Henrique me ensinou a jogar poker. – Mas eu sei jogar poker...
- Eu também. – confessou. Eu havia ensinado à ela.
- Okay, então vamos jogar... – Jacob falou sorridente.
- Não! Nós podemos jogar poker, mas não strip poker! – falei rápido.
- Por que não? – Jacob me perguntou calmamente.
Iria ser definitivamente constrangedor eu perder minhas peças de roupas na frente deles – eu não jogava poker muito bem. Mas eu precisava de outra desculpa.
- Porque... porque tá frio, oras. E também, eu tô começando a ficar com sono.
- É verdade. – concordou comigo. – Bom, eu vou por meu pijama. – ela disse e se levantou.
Congelei. Não me lembrava de ter colocado pijama na mala. Mas talvez Esme tivesse colocado para mim. Me levantei e puxei minha mochila para dentro da barraca. Vasculhei a mala de cima a baixo, mas não tinha nenhum sinal de algum pijama. Só então no fundo da mala eu achei algo parecido com uma camisola de mangas cumpridas. A tirei da mala e meu queixo quase caiu. Era uma camisola e pregada nela havia um bilhete:

‘‘Presente da Tia Alice e da Tia Rose. ’’

Suspirei e vesti a camisola rapidamente. Ficou como eu imaginava. Ela mal cobria minha calcinha e era bastante colada ao meu corpo, o que fazia com que meus seios parecessem maior do que realmente eram. Bufei.
- , tenho um pequeno problema aqui! - gritei em português para que os garotos não entendessem.
- Que foi? – ela gritou também em português da outra barraca.
- Não dá pra você vir aqui?
- Não dá não. O meu pijama não é nada que deve ser mostrado pra humanidade.
- É por que você não viu o pijama que Alice e Rosalie colocaram na minha mochila. – falei bufando.
- Ah! Esta eu não posso perder. To indo aê! – ela gritou e eu pude ouvir o zíper da outra barraca abrindo.
Abri o zíper da minha barraca para que ela entrasse e assim que ela entrou e se virou para mim começou a rir igual a uma hiena. A olhei séria esperando que sua crise parasse.
- Dá pra parar de rir de mim assim? – perguntei cruzando os braços e me encostando na ‘parede’ da barraca.
-Não... – ela tentava falar algo rindo. – consigo... tá tão...hilário.
-Obrigada. – bufei.
-Tá. Foi mal. Mas você ta muito sexy, amiga. Por que esta tão preocupada?
- Por que eu não sei se quero que algo aconteça hoje, e eu esperava para ajudar, eu vestisse algo broxante.
ficou séria.
- Por que não?
- Hm, eu não sei se estou pronta. – falei mordendo meu lábio inferior.
- Por que não? Você ama o Jake, ele te ama e fim.
- É, eu sei... – falei olhando para baixo.
colocou uma mão em meu ombro e analisou meu rosto por um minuto.
- , eu te entendo, eu acho. Mas faça apenas o que seu coração mandar, ok? Tenho certeza que Jacob não vai te forçar a nada.
Eu abracei com força e ela retribuiu.
- Não sei o que vou fazer sem você, . – falei ainda abraçada a ela.
- Não se preocupe, voltarei antes que você e Jacob tenham se casado. – ela falou sorrindo. – E não acho que isso vai demorar muito.
Eu sorri também e ela me deu um beijo na bochecha e saiu.
-Boa noite. – ela falou fechando o zíper.
-Boa noite. – respondi ainda olhando para o nada.
O que havia ocupado minha mente o dia todo finalmente tinha chegado, eu iria dormir com o Jacob. Ao pensar nisso minha barriga deu várias voltas, sim, eu estava ansiosa. Deitei-me olhando para o teto da barraca enquanto sentia meu estômago dançar na minha barriga.
- Ness, vem cá que eu quero te mostrar algo. – Ouvi Jacob me chamando do lado de fora da barraca.
Me levantei e saí da barraca. Quando me coloquei de pé Jake me olhou de cima a baixo e sorriu maliciosamente.
- Foi um presente da Alice e da Rose – expliquei e ele riu.
Jacob pegou em minha mão e começou a me puxar para dentro da floresta.
-Aonde está me levando, Jake? – perguntei enquanto tentava desviar meus pés de pedras e troncos, pois estava descalça.
- Quero te mostrar algo. – ele falou ainda me puxando.
Ele me puxou até uma outra clareira, não muito longe dali. Lá havia apenas uma pedra e uma pequena casinha que era mais parecida com um celeiro. Aquela não era como a nossa clareira, mas mesmo assim era bonita, pois ela simplesmente acabava em um abismo que dava para o nada. Jacob pegou em minha mão e a apertou.
-Olha só isso. – ele apontou para o céu.
Olhei para cima na direção que ele indicava.
-Incrível. – sussurrei surpresa.
Era o céu mais bonito que eu já havia visto. O negro quase não existia naquela imensidão de estrelas e planetas e não havia Lua; devia ser Lua Nova.
- Sabia que ia gostar. – Jacob falou orgulhoso.
Sorri e me virei ficando de frente para ele. Coloquei minhas mãos em sua nuca e aproximei meu rosto do dele – tendo que ficar na ponta dos pés para conseguir diminuir nossa diferença de altura.
Ele colocou sua mãos levemente na minha cintura e sorriu. Seus olhos brilhavam tanto quanto as estrelas do céu e eu fiquei hipnotizada. Seu rosto se aproximou mais ainda do meu e eu podia sentir sua respiração batendo de leve no meu rosto. Fechei meus olhos tentando me lembrar que deveria respirar.
- Te amo. – ele sussurrou e seu hálito soprou em meu rosto fazendo cosquinhas.
- Também te amo, muito. – sussurrei.
Ele então me beijou carinhosamente. Suas mãos não ousavam nos movimentos; uma estava em meus cabelos e a outra ainda segurava levemente minha cintura.

Entrei na barraca tomando cuidado para não fazer barulho e não incomodar meus amigos – os quais não estavam dormindo, tinha certeza. Assim que cheguei na extremidade da barraca me virei para a entrada e encolhi minhas pernas para que Jacob pudesse entrar. Ele entrou e fechou o zíper da barraca.
-Está ouvindo isso? – perguntei me referindo a ruídos que vinham da outra barraca.
Jacob riu da minha careta e andou engatinhando até mim.
Meu coração acelerava cada vez mais quando Jacob se aproximava de mim. Apertei o edredom que estava por baixo de mim tentando passar para ele toda a minha ansiedade.
- Por que está tremendo? – Jacob perguntou quando suas mãos já estavam ao lado do meu corpo e o seu já estava praticamente sobre o meu.
-Frio. – justifiquei.
Não estava mentindo, estava realmente com um pouco de frio, mas não era por isso que estava tremendo.
O rosto de Jake encostou-se ao meu causando-me arrepios involuntários.
- Vou te esquentar então. – ele sussurrou ao meu ouvido.
Estremeci e senti seus lábios quentes encostando em meu pescoço e uma de suas mãos foi para o meu quadril o apertando. Agora eu já não sentia mais frio nenhum, meu corpo parecia pegar fogo, mas sem arder. Jacob parou de beijar meu pescoço e tirou sua própria camisa. Então ele deitou-se sobre mim novamente e voltou a me beijar. Eu passava as unhas levemente por suas costas enquanto sua mão – que antes estava em meu quadril – subia para a minha cintura levando minha camisola junto. Logo ele praticamente arrancou minha camisola ele parou de me beijar e ficou me olhando de cima a baixo. Senti minhas bochechas ficarem mais quentes ainda.
- O que foi? – reparei o quanto minha voz estava rouca.
- Ursinhos? – ele falou zombando das minhas roupas íntimas.
Senti meu rosto corar e o escondi com minhas mãos.
-Você não está ajudando muito, Jake. – confessei sem tirar minhas mãos do rosto.
Ele riu e tirou minhas mãos de meu rosto e eu pude ver seu sorriso.
-Desculpe. – ele falou me dando selinhos.
Eu assenti e me empurrei para cima dele fazendo que desta vez estivéssemos deitados e eu por cima de Jacob. Ele sorriu maliciosamente para mim e eu respondi seu sorriso.
- Tem uma garota perfeita em cima de mim, isso não pode dar certo. – ele falou rindo.
Eu ri e lhe beijei.
-Que bom que não. – respondi depois de romper o beijo.
Jacob sorria como um garoto de dez anos de idade que acaba de ganhar um caminhãozinho novo. Ficamos nos encarando por um tempo indeterminado. Suas mãos foram para o minhas bochechas e o abaixou para que nossos rostos ficassem mais próximos. Meu nariz roçou com o dele fazendo com que uma energia passasse dele para mim. Ele sorriu também sentindo aquilo.
-Isso vai ser interessante. – ele comentou ainda sorrindo.
Fechei meus olhos e deixei com que aquela sensação durasse mais. Eu quase podia ver os raios de energia que passavam por nossos corpos.
Jake roçou meus lábios nos seus e depois passou sua língua levemente pelos meus. Senti meu corpo todo formigar, mas não era algo ruim e sim bom; muito bom. Jacob roçou novamente seus lábios nos meus, mas eu queria mais que isso, então aproximei meu rosto mais do seu em busca de seus lábios. Ele sorriu e nos rodou na barraca fazendo com que desta vez ele ficasse por cima de mim.
Seus lábios vieram ao encontro dos meus calmamente, como se quisesse que aquela sensação durasse por muito mais tempo.
Eu me sentia protegida em seus braços. O mundo lá fora não existia e meu celular não estava tocando desesperadamente.
Jacob parou de me beijar desistindo de ignorar meu celular. Saí do meu transe quando seus lábios se separaram dos meus.
- Mas que merda de celular. Ness, atende ele logo aí.
Gemi e tentei me mover depois que Jacob saiu de cima de mim deitando-se ao meu lado, mas meus membros não obedeciam meus comandos, meu corpo todo estava dormente.
-Jake, não estou em condições de atender este celular. – resmunguei.
Jacob riu e se assentou na barraca para pegar minha mochila e tentar localizar meu celular naquela bagunça. Ele o procurou por algum tempo e devo admitir que quanto mais tempo eu escutava aquela musiquinha chata – a qual eu julgava ser uma das minhas prediletas, mas isso iria mudar a partir de agora – com mais raiva eu ficava. Até que finalmente Jacob achou o celular e o atendeu:
- Quem é? – ele falou seco; parecia com tanta raiva quanto eu. Ficou um tempo em silêncio e depois passou o telefone para mim. – Ela insistiu em falar contigo.
Fiz uma careta e peguei o celular que ele me erguia.
-Quem incomoda? – atendi o celular de mal humor.
- ! Se veste! – Alice gritou do outro lado; estranhei, ela nunca gritava – ou quase nunca.
Como ela sabia que eu não estava vestida? Ela não poderia ter visto, poderia?
-Estou vestida, Alice. – menti.
Pude ver um pequeno sorriso surgindo no canto da boca de Jacob e só então reparei, ela estava inchada e mais rosada do que normalmente.
- É o Edward! Ele chegou aqui e quando lhe contamos onde você estava ele ficou com raiva porque não o avisamos antes. – ela parou e respirou tentando se acalmar, me perguntei se tinha resolvido alguma coisa. – E agora ele já deve estar aí perto.
-Droga, Alice! – gritei me levantando e batendo a cabeça no topo na barraca. – Outch! – reclamei passando a mão em minha cabeça. – Por que não ligou antes?
- Porque o Edward disse que não era pra eu avisá-los; que ele queria fazer uma ‘surpresa.’ – eu quase pude ver as aspas que ela fazia. – Surpresa que nada! Ele queria era pegar vocês dois no flagra! Aí eu tive que esperar ele andar muito tempo para que fosse seguro eu ligar para vocês.
- Oh Gosh! Onde ele deve estar agora? – perguntei paralisada demais para começar a me vestir.
Olhei para Jacob, ele me encarava assustado e confuso. Também, pudera, a minha cara devia estar mais branca que de costume.
- Deve chegar aí em... três minutos no máximo.
- Droga! – xinguei desligando o celular.
- O que foi? – Jacob perguntou assustado.
- Edward... ele está vindo.

17 – Segurança

Assim coloquei minha camisola, senti o cheiro de vampiros. Era um cheiro conhecido, mas eu ainda não havia aprendido como identificá-los. Saí cambaleando de dentro da barraca e em menos de um segundo estava gritando para que acordasse – ou se vestisse.
- O que foi, Renesmee? – Seth perguntou com a voz rouca de sono.
Tá, eles estavam dormindo desde quando?
- É o Edward, ele... – fui interrompida quando percebi que havia alguém perto da fogueira quase apagada – já chegou.
Logo depois de Edward, Bella e Phelipe chegaram. Encarei o rosto de cada um deixando o de Edward para o final – era o que mais me assustava. Eu não conseguia entender o que sua expressão queria dizer, mas não era nada bom.
- , posso conversar com você? – Edward perguntou seco.
Eu assenti e dei um passo para frente, mas parei assim que senti uma mão quente pegar a minha. Olhei para Jacob, mas ele encarava Edward como se esperasse que ele pulasse em cima de mim e arrancasse minha cabeça.
- A sós. – Edward deixou claro que não queria Jake por perto.
Meu olhar ia de Jacob a Edward. Eu podia sentir a preocupação de Jacob em minha mente.
- Está tudo bem, Jake. – eu sussurrei, olhando para ele.
Jacob me encarou por um tempo e depois soltou um suspiro, dando um passo para trás e soltando minha mão.
Olhei para Bella antes de entrar na floresta junto de Edward, ela me deu um pequenino sorriso como encorajamento e eu comecei a suar frio. Respirei fundo e segui Edward. Andamos por alguns metros até que estávamos no meio do nada e eu não podia ouvir o que os outros conversavam no acampamento.
Aquele momento me trouxe uma memória meio desagradável. Podia me lembrar como se fosse ontem: meu pai descendo as escadas, me olhando como se eu estivesse matando um animal indefeso e não beijando um garoto na minha festa de treze anos.
Edward respirou fundo fechando os olhos e colocando o indicador e o dedão na ponte de seu nariz. Mal sinal; ele sempre fazia isso quando estava nervoso.
- Me dê um motivo para não brigar com você neste exato momento.
Cruzei meus braços incrédula.
- Brigar comigo? Por que, Edward? Eu não fiz nada de errado.
Ele riu sarcasticamente e abriu os olhos para me encarar.
- Sair para acampar com seus amigos sem me consultar foi totalmente irresponsável, .
- O que poderia ter acontecido comigo?
Edward olhou para mim e não falou nada. Ele não estava nervoso por eu ter ido dormir fora com meu namorado, quero dizer, por isso também, mas este não era o motivo principal. O qual, como sempre, eu não sabia qual era.
- O que estão escondendo de mim? – perguntei apertando meus braços em meu corpo; o frio estava cortante.
- Nada. – Edward respondeu, rápido demais.
Revirei meus olhos impaciente.
- Achei que já tinham parado de esconder as coisas de mim. Mas parece que estava enganada.
- Não estamos escondendo nada, . Só estamos mais... – ele parou tentando achar a palavra certa. – Atentos em relação a sua segurança.
- Ah! Então dois lobisomens não são segurança o suficiente? E não se esqueça que eu já sou mais forte e mais rápida do que qualquer vampirinho idiota. – despejei.
- Não, . Isso não é o suficiente. Nada é o suficiente, quando sua segurança está em jogo.
Sentir que Edward estava preocupado comigo, era bom, quase como um abraço de um pai depois de um momento desesperador. Eu me sentia segura com Edward, tanto quanto me sentia segura quando Jacob estava perto de mim. Mas aquilo de ficar escondendo coisas de mim, coisas que eram do meu interesse, isso estava definitivamente me deixando nervosa.
- Se não vai me contar o que lhe preocupa, então vou descobrir sozinha. – Falei e dei dois passos em direção ao acampamento.
Edward pegou meu braço e me puxou de volta. Analisei seu rosto. Ele respirou fundo e abriu os olhos lentamente.
- São os Volturi... – ele falou calmamente.
Seus olhos arregalaram e minha boca ficou seca.
- Eles... Eles me acharam? – sussurrei.
- Não. E é isso que nos preocupa. – ele parou e analisou minha face; que estava surpresa – Não que não achamos bom eles não terem vindo até agora. Acontece, , que os Volturi não costumam demorar tanto tempo para encontrar alguém que querem... Eles geralmente não demoram nada.
- Eles estão demorando demais. – comentei esclarecida.
Edward assentiu.
- Nós achamos que talvez... De algum modo... Eles já estejam aqui. – a tensão estava clara na voz de Edward.
- Mas Alice, ela viu alguma coisa?
- Não. Mas a visão dela não é totalmente certa, não podemos depender somente daquilo.
- É verdade. – concordei em um fio de voz.
Então voltei a andar lentamente para o acampamento. Edward me acompanhou sem a menor dificuldade. Caminhamos apenas alguns passos em silêncio até que Edward respirou fundo como se tomasse coragem.
- , não é só por isso que eu vim. – ele confessou. Esperei com que continuasse – Acontece que... hmm, como posso te explicar? É que, bem, eu sou seu pai e não me agrada nada a idéia de você dormir com seu namorado sem eu estar... de olho.
Olhei para Edward surpresa, mas ele encarava a floresta a nossa frente como se precisasse analisar o caminho para andar.
- Acontece que Jacob tem, tecnicamente, mais de trinta anos e você... Você tem apenas quinze.
Cruzei meus braços novamente e os apertei contra meu corpo, não era o frio desta vez, apenas aquela memória dos treze anos voltando. Droga, achei que só teria que passar por aquilo uma vez. Talvez seja isto um dos problemas em ter dois pais; eram dois para se preocupar; dois para fingir que não estava apaixonada; dois para sorrir e dizer: eu sei, pai, eu sei.
- A sua diferença de idade com a Bella sempre foi muito maior. – comentei.
- Eu sei. Mas sei que Charlie também não ia gostar nada se soubesse disso. – ele deu seu sorriso torto.
Tive que sorrir também. Era verdade o que ele dissera, Charlie não ia gostar nada se soubesse a real idade de Edward. Logo o escuro da floresta deu lugar á luz da fogueira no acampamento.
Estavam todos em volta da fogueira que agora parecia estar com mais fogo do que quando saí. e Seth estavam abraçados e dividindo um cobertor; Bella e Jacob estavam sentados lado a lado mas sem trocar uma palavra se quer, Phelipe estava sentado ao chão abraçado com seus joelhos e olhando o fogo. Todos se viraram para nós e nos encararam sérios. Jacob pulou logo do tronco, que servia de banco, e andou até mim. Seus olhos vacilavam dos meus para o de Edward muito rápido. Ele segurou minha mão com força e eu lhe sorri amarelo indicando que estava tudo bem.
- E então – suspirei de cansaço – vão ficar?
Bella se levantou do tronco e andou até Edward.
- Hmm... Se vocês não se importarem. – Bella comentou com sua voz que mais parecia uma canção de ninar.
Edward encarou Bella como se dissesse: “Eu não me importo se eles se incomodarem” e ela lhe devolveu o olhar como se tivessem tendo uma conversa mental.
Dei de ombros e olhei para Jacob. Ele não estava com uma cara muito boa. Desviei meu olhar para e Seth; dormia apoiada no ombro de Seth e ele deu de ombros quando olhei para ele.
- Pode ser divertido. – disse mais pra mim mesma e pra Jake, do que para eles.
- Acho que não vamos precisar dela. – Edward falou sorrindo. – E você, Phelipe. Vai ficar?
Olhei para Phelipe. Ele levantou-se e andou até nós lentamente.
- Se não for atrapalhar...
- Não vai. – respondi um pouco rápido demais o que fez todos olharem para mim estranhando. Mas eu não estava preocupada com eles e sim com o sentimento não muito legal vindo de Jake.

Desta vez Jacob entrou na barraca antes de mim. Ele não havia falado nada desde que voltei da floresta com Edward e aquilo estava começando a me incomodar. Jake deitou-se e ficou encarando o teto da barraca. Sentei-me ao seu lado e fiquei o analisando esperando que ele falasse alguma coisa, nem que fosse boa noite. Mas o silêncio perdurou.
- O que foi, Jake? – perguntei finalmente.
Ele desviou por um segundo os olhos do teto da barraca e olhou para mim, mas depois seu olhar voltou ao lugar de origem.
- Nada, por quê?
Revirei meus olhos. Jacob deveria saber que do mesmo jeito que eu não podia mentir para ele, ele não poderia fazer o mesmo comigo.
- Talvez seja pelo fato de você não ter dito uma palavra se quer, depois que meus pais chegaram.
- Não aconteceu nada. – ele falou dando de ombros.
Então eu percebi o porquê de tudo aquilo. Era exatamente por isso; não havia acontecido nada. Suspirei e me deitei ao seu lado, agora também encarando o teto da barraca.
- Sinto muito, Jake.
- Não é sua culpa. - ele então deu um pequeno sorriso com o canto da boca. – Acho que o destino não esta agindo a nosso favor.
Também sorri.
- Ele nunca foi muito ao meu favor.
- Então você acha que não tem sorte? – Jacob perguntou, se apoiando em um dos braços e ficando de um modo com que ele conseguia me olhar de cima.
- Não exatamente. O universo nunca foi muito ao meu favor, mas eu sempre tive meus ‘‘benefícios’’.
- Que tipo de benefícios? – Jake de repente pareceu interessado.
- Bom, eu sempre tive uma boa família; a qual agora descobrir não ser a verdadeira, mas ainda é minha família... – eu ri da cara de desgosto que ele fez. – O que foi?
- Eu achei que você ia falar de mim. – ele disse, fazendo uma careta.
- É claro que foi uma sorte imensa eu ter você. – disse sorrindo.
Jacob me beijou docemente, mas não passou disso. Logo eu estava com a cabeça em seu peito e o ouvia ronronar. Tentei inúmeras vezes deixar o sono me levar, mas minha cabeça estava cheia demais para que eu conseguisse fechar os olhos. A volta de para o Brasil, os Volturi sem decisão alguma, meu namoro com Jake estar ‘evoluindo’, Edward estar agindo como um verdadeiro pai ciumento, Phelipe e o ciúmes de Jake; tudo isso parecia confuso demais quando colocado junto. Parecia que desta vez nada daria certo. Eu sempre fui otimista e sempre acreditei que tudo ia dar certo, de algum modo, e nada acabaria errado. Mas agora, eu não sabia mais se eu conseguiria finalmente ser feliz. O abraço de Jacob não me trazia tanta segurança, nada parecia me trazer segurança. Me senti como Bella quando em Crepúsculo. Edward tem que deixá-la para caçar James e ela parecia não ver como aquilo iria acabar bem. Mas tudo acabou, não perfeito, mas pelo menos ninguém morreu – exceto James -, eu só esperava ter a mesma sorte que ela.

Acordei com o som de risadas do lado de fora da barraca. Jacob ainda estava ao meu lado e minha cabeça ainda estava apoiada em seu peito. Levantei meu rosto para ver se ele já tinha acordado.
- Bom dia, Bela Adormecida. – ele sussurrou sorridente.
Sorri também e me sentei na barraca me espreguiçando.
- Está acordado há muito tempo? – perguntei, deitando-me novamente.
- Não. Deve fazer só alguns minutos.
- Hm... Todos já acordaram?
- Acho que sim. Já são quase onze horas.
Sentei-me novamente e comecei a procurar dentro da mochila alguma roupa decente para eu colocar. O tempo estava mais quente que o de costume e eu agradeci a mim mesma de ter lembrado de colocar uma camiseta regata e um short.
- Quer que eu saia pra você se trocar? – Jacob perguntou ainda deitado.
Neguei com a cabeça e ouvi uma tosse do lado de fora: Edward.
- Não precisa sair, mas... Edward está de olho. – eu disse com um meio sorriso como se pedisse desculpas.
Ele sorriu também, mas não olhou para mim, ficou olhando pro teto da barraca. Me perguntei o que tinha de tão interessante neste teto que fazia com que Jacob o olhasse tanto. Terminei de vestir a roupa e comecei a pentear meu cabelo que devia estar pior que palha.
- Você esta tão pensativo, Jake. – comentei, enquanto guardava minha escova de cabelos na mochila e meu pijama também.
- Estou pensando em como minha vida mudou depois que você nasceu.
Sentei de frente para Jacob e esperei que ele continuasse.
- Quando você nasceu, achei que finalmente teria a outra metade da minha alma, mas aí você teve que ir para o Brasil e eu senti como se tivesse lhe perdendo novamente. Foi a pior coisa que eu já havia sentido. – ele sentou-se e seu rosto ficou muito próximo do meu.
– Eu não posso te perder outra vez, Renesmee, não posso suportar te ver longe novamente.
- Eu não vou a lugar nenhum, Jake. – sussurrei.
Uma de suas mãos foram para meu rosto e a outra para minha cintura colando nossos corpos. Minhas mãos foram para seu rosto e puxei-o para mais perto acabando com o espaço que restava. Quando rompemos o beijo Jacob continuou segurando meu rosto e encostou nossa testa. Enquanto olhava dentro dos olhos dele pude perceber que ele não parecia acreditar no que eu havia dito. Suspirei e fechei meus olhos.
- Eu demorei tanto tempo para te ter, Jacob. Por que eu lhe deixaria agora?
Ele não respondeu. Apenas se afastou de mim e eu ouvi o barulho do zíper da barraca ser aberto. Respirei fundo e saí da barraca logo atrás de Jake.
Todos estavam em volta do que antes era a fogueira e com cartas de baralho na mão, menos Edward que parecia estar em outro mundo enquanto olhava para o céu.
- Não pode mandar o coringa agora, Seth. – Edward falou calmamente.
Seth fez uma careta e entregou outra carta a Bella.
- O que estão jogando? – Jacob perguntou, sentando-se no chão perto de Bella.
Sentei-me no chão, do lado de Edward.
- Copo d’água. – falou. – É um jogo brasileiro que eu os ensinei a jogar.
Eu sorri.
- Quero jogar também.
- Na próxima vocês dois entram. – Seth respondeu, concentrado em suas cartas.

O dia passou mais rápido do que eu queria, mais rápido do que podia, do que deveria. Não houve brigas, ou separações como Lobisomens, Vampiros e Humanos. Apenas Phelipe e Jacob não conversavam, isso me incomodou no início, mas logo me acostumei. No final do dia arrumamos as coisas. voltamos para a casa dos Cullen, Jacob e Seth para a reserva. Eu sabia que amanhã era o dia que teria que voltar para o Brasil, mas tentava não pensar nisso, por mais que este pensamento parecia estar em tudo o que eu olhava.

***

- , você já esta pronta? – Edward perguntou.
- Estou sim. – ela respondeu se levantando do sofá.
A terça feira passou mais rápido do que prevíamos. Em um segundo estávamos acordando e no outro abraçava os Cullen em despedida.
Assim que ela acabou de abraçá-los andamos de mãos dadas até a porta aonde Seth e Jacob nos esperavam. A viagem de uma hora para Port Angeles foi silenciosa; ninguém arriscava dizer uma palavra. Quando chegamos ao pequeno aeroporto, o vôo de já havia sido anunciado, então não teríamos que ficar esperando. Jacob abraçou , que já deixava com que as lágrimas molhassem sua camiseta. As minhas estavam pedindo para descer, mas eu não deixei, não agora, na frente de todos.
parou na minha frente e me olhou nos olhos. A abracei fortemente.
- Vamos nos ver logo, não é, ? – ela perguntou durante o abraço.
A soltei e a olhei nos olhos. Agora minhas lágrimas já desciam descontroladamente.
- Claro, claro. – sussurrei.
Tentei acreditar naquilo, mas eu mesma não sabia quando a veria novamente.
Assim que ela foi abraçar Seth, Jacob me puxou com um dos braços para ficar mais perto dele. Tentei parar de chorar, mas minhas lágrimas simplesmente não paravam de sair.
era o único contato que me unia ao passado e agora ela estava indo embora. Eu só queria que o tempo começasse a passar mais rápido e eu poderia deitar em minha cama e chorar abraçada ao meu urso de pelúcia.
- Quer que eu fiquei com você? – Jacob perguntou enquanto eu saia do carro.
Neguei com a cabeça e ele me puxou para seu abraço protetor.
-Vocês vão se ver logo. – ele sussurrou me soltando. – Seth não vai conseguir ficar muito tempo longe da sua brasileirinha. – ele falou brincando e eu consegui sorrir um pouco.
Me despedi de Seth e dei um selinho e Jacob. Não andei em passos humanos até meu quarto, não queria segurar minhas lágrimas, nem que fosse por mais um segundo fora do necessário.
Fechei a porta sem batê-la para não fazer barulho, mas assim que me vi dentro do meu quarto – sozinha e segura – deixei com que as lágrimas molhassem meu rosto e me derrubassem no chão frio e duro.


18 - Tempestade de raios

Acordei em minha cama, aquecida e com dores por todo o corpo. Sentei-me e esfreguei meus olhos. O quarto estava escuro, devia ser de noite. Olhei no relógio na cabeceira: duas de meia da manhã. Nossa, eu dormi muito mesmo. Deixei meu corpo cair na cama novamente; ainda estava cansada demais para levantar. Fiquei olhando o teto escuro por um tempo, até que desisti de ficar deitada – nunca tive muita paciência com ficar parada mesmo. Procurei na minha cama meu urso – o qual eu nomeei de David – mas não o encontrei. Levantei-me e andei lentamente até meu armário. Assim que abri o armário percebi que ele estava uma bagunça - tinha que arrumá-lo o quanto antes – já ia fechá-lo quando uma caixa colorida chamou minha atenção, não conseguia me lembrar qual era o seu propósito. Tentei pegá-la, mas ela estava mais alta que eu alcançava. Puxei uma gaveta com o objetivo de usá-la como banco. Subi na gaveta, mas mesmo assim tive que me espichar para alcançar a caixa. Quando consegui puxá-la a gaveta voltou e eu fiquei sem apoio. Não deu tempo nem para gritar. Já estava de costas no chão quando pensei no que havia acontecido.
- , o que houve? – Bella chegou ao meu quarto e me olhou. - Se machucou?
Apenas me sentei no chão e olhei ao meu redor. Todos os itens da caixa estavam espalhados pelo chão.
- Ah então era esta caixa. – falei percebendo que caixa era.
Minha caixa das lembranças. Não era uma boa hora para lembrar que ela existia. - O que aconteceu? – Bella perguntou ainda me olhando.
- Eu fui pegar esta caixa que estava muito alta e subi na gaveta, mas a gaveta voltou me derrubando no chão. – expliquei juntando as coisas que estavam no chão.
Bella assentiu e começou a me ajudar.
- Que caixa é esta? – ela perguntou, pegando um papel de pipoca do filme High School Musical 3.
Ela me entregou o papel, como se me questionasse o porquê eu ainda tinha aquilo. Tudo bem, é High School Musical, mas fui ao cinema quando ainda tinha... Treze e aquele filme me marcou. O que havia de errado nisso? Eu assumia meu passado, assim como assumia que era fã de Sandy e Júnior.
- Minha caixa de lembranças. Aqui eu guardo bilhetes de amigos, coisas que acho legais e... – olhei para o ingresso do show do McFly, o qual eu nunca havia ido, mas minha prima tinha me dado seu ingresso. – lembranças.
Ela pareceu ter percebido porque eu me arrependia de ter pegado esta caixa. Comecei a sentir meu coração se apertar enquanto reconhecia a letra de meus amigos em cada bilhetinho. Eu fiz cada um escrever em um papelzinho, tinham notas escritas desde “Eu te amo” até “Não se esqueça de baixar aquela música que eu te passei!”. Não pude evitar rir quando vi o ingresso de Crepúsculo que tinha o meu nome – já que eu o tinha pedido pela internet -, o ingresso da estréia. Bella me encarou curiosa e entreguei a ela o ingresso, ela sorriu e me devolveu sem dizer nada.
Juntamos tudo e então Bella foi pegar uma última coisa que estava mais afastada.
- Oh! – ela soltou e tentei imaginar o que mais de absurdo tinha na caixa.
Quando vi o objeto reluzindo em suas mãos entendi o que era. Minha pulseira de Eclipse. Eu a havia comprado na internet. A pulseira que Jacob e Edward haviam dado para ela. Só então reparei que ela estava com a dela. Bella as colocou perto. É claro que a dela era muito mais bonita que a minha; o diamante era verdadeiro – bem mais brilhante que o meu falsificado -, o lobinho era de madeira e todo bem feitinho – enquanto o meu era fraquinho e sem muitos detalhes – e a corrente era de prata pura – a minha era de algum tipo de bijuteria. Bella me encarou com os olhos arregalados.
- Sua pulseira é quase igual a minha.
- É. – assenti, engatinhando até Bella e sentando ao seu lado. – Comprei na internet. – ela assentiu e continuou avaliando minha pulseira. – Eu a usava para sentir que eu estava protegida, ou para me dar sorte.
- Eu também. – Bella sussurrou.
Eu sorri.
- É estranho conhecer alguém que pensa como eu.
Ela riu um pouco e me abraçou com um dos braços.
- Digo o mesmo. – ela apertou os olhos e me encarou por um segundo. – O que acha de verde?
- Meio enjoativo, ainda mais quando tudo é desta cor. – Falei estranhando a pergunta.
- E de matemática?
- Curiosa até certo ponto, depois se torna imprestável, assim como biologia.
Ela pareceu pensar um pouco e depois assumiu.
- Concordo plenamente com matemática e apesar de gostar de biologia, acho que você está certa.
Nós duas rimos e depois nos olhamos por um tempo. Era estranho ter Isabella Marie Swan Cullen na minha frente e era mais estranho ainda ver o quanto ela era parecida comigo. Imensamente mais bonita, mas ainda assim... Era como eu... Só que... Diferente.
- Não sabe o quanto foi difícil, , te ver tão longe. – ela mudou de assunto e me perguntei por quanto tempo ela segurou isso com ela.
- Não sabe o quanto foi difícil, Bella, acreditar em algo que ninguém acreditava. – confessei. Ela não falou nada, apenas me apertou em um abraço de gelo.

Chutei a pedrinha pela décima vez e continuei andando. Chutei-a novamente e andei até ela. Aquilo era o tédio. Jacob estava correndo e os Cullen estavam mais ocupados com alguma coisa que não era encher meu tempo. Já havia feito tudo o que pensei, até mesmo desenhar eu tentei, mas nada legal saia, então desisti. Desci para o quintal da casa e fiquei chutando uma pedrinha. Ela voava por uns três metros e eu andava até ela em passos humanos apenas para chutá-la novamente.
Chutei-a novamente e desta vez ela adentrou a floresta. Soltei um suspiro e andei lentamente até lá a fim de tirar minha nova amiguinha da escuridão, que estava a floresta logo no inicio da manhã. Comecei a cantarolar enquanto caminhava até aonde a pedra se encontrava.

Beauty queen of only 18 (rainha da beleza de apenas 18 anos)
She had some trouble with herself (ela tinha alguns problemas com ela mesma)
He was always there for and her ( ele sempre estava lá para ela)
She always belong to someone else (ela sempre pertenceu à outro)

Cheguei à floresta e procurei minha amiguinha pedra, a qual eu nomeara de Tiara – o que o tédio não faz conosco. Achei e a chutei para o quintal aberto. Ia dar um passo novamente quando ouvi folhas se mexendo logo atrás de mim. Me virei. Meu coração estava batendo fortemente no meu peito. Respirei fundo tentando perceber algum cheiro, mas não consegui cheirar nada – parecia que meu olfato ainda não estava apurado o suficiente.
Continuei olhando a floresta ao meu redor por um certo tempo, até que então ouvi outro barulho, só que desta vez eram passos. Minha respiração já estava ofegante e eu tentava identificar de onde o barulho de passos vinha, mas não obtinha sucesso nenhum.
Então uma sombra saiu de trás de uma árvore centenária e larga. Leah.
- Leah! – exclamei mais calma.
Ela não sorriu, apenas continuou andando até mim. Seus olhos negros pareciam ter ódio.
Parou de andar quando estava a apenas dois metros de distância de mim. Seu corpo esguio estava enrijecido e seus braços estavam cruzados em seu peito. - O que foi? – perguntei ouvindo meu coração palpitar, por algum motivo eu sentia que deveria sair dali.
- Ele não a quer.
- Do que esta falando? – aquela garota estava me deixando confusa. E afinal, ela podia mesmo entrar na terra dos Cullen?
Leah deu mais dois longos passos na minha direção.
- Jacob. Jacob não a quer – ela parecia cuspir as palavras. – Você está tão confiante em relação a ele, Renesmee, mas ele não a ama. É tudo o imprinting, ou ele teria a matado.
Aquilo iria acontecer novamente. Leah estava jogando tudo na minha cara, mas desta vez eu não iria bancar a inocente apaixonada. Tudo bem, eu podia estar completamente apaixonada e eu ainda era virgem... Isso me fazia inocente? Eu só sabia que hoje era diferente, meu humor não estava muito bom e não tinha ninguém aqui que pudesse se machucar – exceto a Leah, é claro.
- Você está errada, Leah. – falei seriamente. – Jacob me ama, está escrito que seria assim.
- Ele apenas acha que a ama! Nem do seu verdadeiro nome ele a chama! E você sabe disso. – Seus braços tremiam, mas desviei meu olhar deles, não me importava mais se ela se transformasse; eu iria lutar.
- Você falou tudo isso a Emily também, Leah? – Perguntei sem pensar exatamente no que estava falando. Ela estava me magoando, e eu sabia muito bem como fazê-la não sair ilesa daqui, nem que eu teria que magoá-la só com palavras. – Ou você aceitou que ela era o amor eterno do cara que você amava?
Leah ficou paralisada. Meu sorriso vitorioso queria sair, mas eu o impedi. Não era certo o que eu estava fazendo; mexendo em sua ferida. Mas ela havia me provocado e eu não era tão sangue frio assim.
- Você vai se arrepender, Renesmee, vai se arrepender de ter estragado minha vida assim. – Ela rosnou.
Em uma questão de segundos, Leah dava lugar a um lobo – o qual eu já havia visto.
Respirei fundo pronta para a batalha. Mas ela não parecia querer lutar. Seus olhos miravam os meus procurando por algo, mas não consegui identificar o que era. Ela então sorriu e sua longa fileira de dentes brilhantes apareceu. Leah virou-se e correu adentrando a floresta e um segundo depois eu não a via mais.
- ? – ouvi alguém me chamando.
Virei-me e saí da floresta.
- O que aconteceu? – Phelipe perguntou preocupado.
- Nada. – menti, mas minha voz fraca me denunciou.
Leah iria fazer alguma coisa e pela cara dela não era nada legal. Nada poderia acabar com meu amor pelo Jacob, disso eu tinha certeza, mas havia realmente algo que pudesse me separar dele? Eu temia que sim.
- Preciso ligar para Jacob. – anunciei e saí correndo para dentro da mansão.
- , me conte o que aconteceu, você parece assustada. – Phelipe perguntou, enquanto me olhava discar rapidamente os números da casa de Billy.
Pensei em contar a Phelipe que Leah havia vindo aqui, mas ele iria ficar fazendo perguntas e eu não tinha tempo para perguntas.
- Não é nada. Estou... Apenas preocupada com uma coisa.
Phelipe não disse mais nada, apenas ficou ao meu lado como se me estudasse.
- Pois não? – ouvi a voz grave de Billy, depois de apenas dois toques to telefone.
- Oi Billy, é a . – falei sem pensar e depois me lembrei que ele me chamava de Renesmee – ou melhor, a Renesmee. O Jake já chegou?
Fechei meus olhos e comecei a rezar pedindo para Jacob já estar em casa.
- Não. Ele saiu com o Sam, Leah e Seth de madrugada e não voltou ainda. Quer deixar recado?
- Não obrigada. Apenas diga que eu liguei. – falei e ele desligou. – Tchau, pra você também. – reclamei colocando o telefone no gancho.
- Seu namoradinho não está em casa? – Phelipe perguntou levantando uma sobrancelha claramente querendo me tirar do sério. Ele só não sabia que eu estava fora de sério.
- Não. E eu preciso muito falar com ele. – fiz uma careta e olhei para o nada tentando ter alguma ideia. – Vou atrás dele. – anunciei já saindo da casa.
- Vai atrás de um lobisomem numa floresta deste tamanho? – Ele perguntou incrédulo.
- É o amor. – falei suspirando. – Avise a todos aonde fui. – falei enquanto adentrava a floresta.

Em poucos minutos já estava em La Push, mas nem o cheiro de Jake eu senti. Comecei a me sentir cansada e tive a brilhante idéia de parar na campina. Seria legal por meus pensamentos em ordem lá. Era calmo, tranqüilo e ninguém me encontraria. Quase não sentia o chão frio batendo em meus pés, apenas o vento frio e seco batia em minha pele quase a machucando – um mal provocado pela velocidade, mas nada comparado ao bem que aquela liberdade me trazia. Então senti que Jacob estava mais perto de mim – algo que eu nunca percebi que podia sentir – o vazio da solidão dava lugar a felicidade. Sorri e corri com mais velocidade para a campina que agora estava mais perto.
Um pouco de luz saia do lado que estava a campina. Diminui minha velocidade a passos humanos e tomei cuidado para não fazer barulho – queria surpreender Jacob. Afastei um galho que tampava minha visão para a clareira e respirei fundo sentindo o cheiro de Jacob, mas havia mais alguém com ele. Abri meus olhos e me deparei com a pior imagem que podia um dia presenciar. Minha boca secou e por um segundo meu coração parou de bater e quando voltou. estava batendo tão fortemente que me ensurdeceu. Jacob e Leah estavam se beijando. Pareciam ter um desejo tão grande. Eles eram tão perfeitos juntos. Como um complemento. Leah, com sua pele castanha avermelhada como a de Jacob e seu corpo com curvas bem desenhadas, estava claro, ela era algo, ela era alguém, que eu nunca seria. Não consegui respirar e as lágrimas começaram a descer pesadas pelas minhas bochechas. Virei-me para o lugar de onde vim e comecei a correr, mais do que meus pés permitiam, praticamente voei por entre as árvores.
Ninguém poderia tirar aquela dor do meu peito, a única pessoa que poderia de algum meio amenizar era a própria causadora. Fechei meus olhos em desespero e acabei caindo ao chão. Não consegui me levantar. Sentia milhares de facas atravessando meu corpo. Fiquei um tempo no chão sem forças para me mover, até que concentrei minha raiva nas minhas pernas e me levantei. Minhas pernas ainda tremiam. Não tinha em quem apoiar, não tinha a quem pedir ajuda, sempre busquei minhas ajudas em Crepúsculo, mas não encontrava a resposta em nenhum dos cinco livros.
Então pensei enquanto corria pela floresta sem rumo: o que Bella faria se visse Edward beijando... Alguém? Ela choraria. Não era esta a pergunta certa. O que ela faria caso visse seu grande amor beijando outra garota se, eles fossem perfeitos um para o outro e ela se sentisse uma estranha? Não faço idéia. E a pergunta não era esta. O que Bella faria ao perder seu grande amor. Mas mesmo assim precisasse dele? Eu já havia visto isso. Quando Edward a deixa, mas Bella precisa tanto dele que ela começa a ouvir vozes. E a última coisa que ela faz, em um gesto de desespero é... A resposta veio em minha mente na hora. Percebi que estava indo pro caminho errado então comecei a correr para o leste em vez de ir para o sul.
Enquanto corria mal podia sentir o vento batendo em meu rosto e meus pés encostando-se ao chão. Não conseguia ver nada. E novamente me senti como Bella, quando Edward disse que iria embora, desesperada e cega pelo poder da decepção, misturada ao poder da paixão. Só que eu tinha um rumo.
Quando cheguei ao lugar destinado olhei ao meu redor, minha visão estava bem embaçada por causa das lágrimas que desciam descontroladamente. Fechei meus olhos e a imagem deles se beijando veio novamente a minha mente. Deixei que mais lágrimas escorressem e abri novamente meus olhos. O céu estava praticamente negro, suas nuvens assumiam uma cor arrochada, qualquer que fosse o planejamento da natureza para aquele dia, eu não estaria viva para ver, eu tinha praticamente certeza. O cheiro do mar invadia minhas narinas e me causava náuseas, logo aquele cheiro não existiria mais, ele estaria dentro de mim. Não olhei para baixo, não queria perder a coragem.
Fechei meus olhos novamente e pensei no que ia mudar depois que tudo desse certo – ou errado, os dois termos estão corretos. Os Volturi não teriam motivos para uma guerra, ninguém morreria por me proteger. Meus pais e meus amigos no Brasil não sentiriam minha falta e não haveria mais mentiras. Eu sabia que aquilo era a coisa certa a ser feita. A partir da minha decisão tudo voltaria a ser como era antes: perfeito.
Dei um passo para mais perto do penhasco e analisei mais uma vez toda a paisagem. Eu me senti realmente dentro do meu sonho; Lua Nova estava ali materializada bem na minha frente. O penhasco que Bella pulou sem Jacob, e embaixo d’agua viu Edward. Então quis apenas ficar com ele, para sempre. Na época não achei certo, mas agora parecia a coisa mais sensata a ser feita, um paraíso, de sonhos, mas nele seria feliz.
Então gotas pesadas de água começaram a cair do céu me molhando rapidamente. Em cada uma eu podia ver um sonho destruído. O sonho de uma profissão; o sonho de me casar, ter filhos e envelhecer; o sonho de ter um grande amor – este posso dizer que realizei, mas ele não parecia mais ter sentido - o sonho de ver que um amor como o de Bella e Edward existia; o sonho de ver que o que eu acreditei, quando ninguém concordou comigo, era real. Fechei meus olhos e respirei fundo. Dei um pequeno pulo para frente e não havia mais chão. Senti o vento tentando me puxar para cima, mas a gravidade era mais forte. Senti o impacto da água, mas não doeu do jeito que eu imaginei, não com toda aquela dor que estava dentro de mim. Quando já tinha certeza que estava dentro d’água abri meus olhos e eles arderam um pouco por causa do sal, mas não me arrependi. O mar estava em um azul escuro impressionante, mas logo este azul deu lugar ao negro. Vi uma sombra vindo em minha direção, apertei meus olhos para ver melhor. A sombra tornou-se mais próxima e assim mais visível. Logo pude reconhecer seus personagens. Jacob, Bella e Edward estavam rindo e olhando para mim. Sorri também. Senti minha garganta queimar pedindo por oxigênio, mas ignorei.
-Nós sempre a amaremos, . – Edward falou sorrindo.
Sua face era dura, mas mesmo assim parecia feliz.
- Nunca se esqueça de nós. – Bella completou também sorrindo.
O sorriso de Bella era doce e acolhedor. Neguei com a cabeça. ‘‘Nunca.” Tentei falar, mas minha voz estava presa em algum lugar da minha garganta. Jacob sorriu.
- Eu te amo. Obrigado por acreditar em mim até o último segundo. – ele disse e sorriu docemente.
Sorri também e tudo ficou negro.


19 - Arrependimento

(Jacob Black Ponto de Vista)
[Coloque Because of You, da Kelly Clarkson, para carregar: http://www.youtube.com/watch?v=-6aiTItUdZQ]

Separei o beijo assim que senti uma dor muito forte em minha mente. Era Renesmee, eu podia sentir.
- Algo aconteceu. – Sussurrei olhando ao meu redor, a dor de Renesmee estava muito forte.
Leah sorriu.
- Não acredito que não viu. – Ela falou zombando. – Sua namoradinha, ela nos viu. Olhei para Leah incrédulo.
Não. Ela não poderia ter nos visto. Não sem eu explicar para ela o que houve. Era para eu estar com muita raiva, mas a dor de Renesmee era maior e não me deixou sentir nem meus próprios sentimentos.
- Por que não me avisou? – gritei com ela.
Leah deu um passo para trás, assustada.
- Não venha me olhando deste jeito, Jacob. Você também gostou. – ela gritou.
- Você me obrigou! – revidei, percebendo o quão idiota eu havia sido.
- Você também obrigou Bella e ela não lhe condenou assim!
Fiquei sem resposta. Sabia que Renesmee não me perdoaria como Edward perdoou Bella. Ela... Ela não entenderia. Nós dois havíamos conversado sobre isso, ela... Ela sempre soube que algo assim iria acontecer. Eu devia tê-la ouvido e deixado que Leah abandonasse tudo.
- Isso é totalmente diferente. – rosnei e senti meus braços tremendo fortemente.
Senti um cheiro horrivelmente familiar. Vampiros. Mas o que eles faziam aqui? Logo Edward, Phelipe, Bella, Alice, Jasper e Emmett estavam dentro da clareira. Os olhei confuso, todos estavam raivosos, até mesmo a pequena Alice.
- Onde está , Jacob? – Edward perguntou furioso.
Repassei em minha mente tudo o que havia acontecido e ele me olhou em choque. - Não. – ele sussurrou em choque.
- O que esta havendo? – Bella perguntou aflita. – Alguém pode me explicar?
- viu Jacob e Leah se beijando e fugiu para algum lugar. – Edward explicou.
- O que? – Emmett rosnou e deu um passo para frente. – Como fez isso com ela, cachorro?
Não respondi a Emmett e senti uma calma imediata tomando conta do meu corpo, devia ser Jasper. Como eles sabiam que estava em perigo?
- estava desesperada atrás de você. Imaginamos que você estava em perigo. – Edward respondeu meu pensamento.
- Edward... – Alice sussurrou.
Todos olhamos para ela. Seu olhar estava desfocado sua boca meio aberta, como se estivesse em estado de choque. Eu sabia o que aquilo significava: visão.
- Droga! – Edward rosnou e saiu correndo em direção a floresta.
- O que houve? – Jasper perguntou ansioso.
- ... – ela então olhou para Bella – Eu a vi pulando do mesmo penhasco que Bella pulou anos atrás. – ela então olhou para mim mais assustada ainda. – Não foi uma decisão pensada... Ela já estava perto... Estamos muito atrasados.
Senti meu corpo se enfraquecer e uma tontura começou a girar minha cabeça. Todos os Cullen saíram correndo sem dizer uma palavra. Eu sabia o que iria acontecer caso eu não tivesse tirado Bella da água a tempo, mas eu não estava atrasado como desta vez. E naquele dia eu fui movido pela raiva e não pela culpa.
Sem pensar duas vezes me transformei fazendo minha bermuda em retalhos. Comecei a correr mais rápido do que era capaz. Em pouco tempo passei os Cullen e segundos depois Edward. Eu era realmente mais rápido do que qualquer vampiro – com exceção de Renesmee – e agora estava mais rápido do que qualquer coisa. A tristeza de Ness continuava ali, quase me impossibilitando de sentir meu próprio remorso. Não via mais nada a minha frente apenas o medo e a dor.
Poucos segundos antes de chegar ao penhasco minha dor piorou, e foi apenas a minha, pois a de Renesmee sumiu. E não apenas a sua dor, como seu espírito, não a sentia mais ali comigo. A dor foi tamanha que me destransformou. Ajoelhei no chão de pedra, já no penhasco, e não consegui mais respirar, o ar não parecia entrar. Senti algumas lágrimas fugindo de meus olhos e minhas mãos começaram a tremer, de medo. Consegui unir forças e andei mais um pouco para pular do penhasco. Assim que senti o impacto de meu corpo na água fria abri os olhos e comecei a procurá-la. Mas não tinha nada, apenas o azul escuro e as ondas me puxando de um lado para o outro. Me obriguei a mergulhar mais fundo e então vi algo branco. Nadei para mais fundo brigando com as ondas que insistiam me tirar do caminho. Então a vi. Agora sim parecia um anjo. Seu vestido branco flutuava assim como seu cabelo castanho. Seus olhos estavam fechados e ela não parecia mais viva, eu não a sentia mais viva. Tentei afastar a idéia dela estar morta e nadei até ela a puxando para a superfície. Quando subi o ar entrou em meus pulmões causando alívio. Nadei com grande dificuldade, a puxando para mais perto da areia, que parecia ser tão longe.
Pouco tempo depois, alcancei meus pés no chão do mar e caminhei até a praia aonde todos me esperavam. Edward veio me ajudar a levá-la, mas eu ainda tinha forças o bastante para isso. Quando a coloquei deitada na areia fiquei esperando somente que ela acordasse, assim como Bella. Jasper me entregou seu casaco para poder me tampar e eu ajoelhei ao seu lado.
- Edward, ela não acorda. – Bella falou desesperada.
- Seus batimentos estão muito fracos e lentos. – Edward disse entre dentes.
- Alice. – Emmett implorou por alguma notícia do futuro.
Alice negou com a cabeça.
- Jacob está muito próximo, estou cega. – ela falou, brava consigo mesma.
Peguei sua mão, que estava tão gelada quanto à de um vampiro e a beijei.
- Por favor, Ness. – sussurrei deixando que minhas lágrimas escorressem livremente.
- Faça boca a boca. – Jasper pediu.
Edward não falou nada, apenas fez o que o irmão mandou. Fez por dez vezes e nenhum resultado. Na décima segunda vez senti o vazio se encher. Ela estava voltando.
- Ela está voltando. – falei, minha voz expressava a felicidade e o alívio.
Edward fez o boca a boca novamente e Renesmee tossiu, jogando a água salgada para fora.
- ! – Bella quase gritou.
Ness abriu os olhos lentamente e colocou a mão que eu não segurava em sua testa.
- Algum lugar dói? – Edward perguntou.
Ela negou lentamente com a cabeça e respirou lentamente.
- Vamos levá-la para Carlisle. – Emmett falou.
Renesmee não abriu os olhos, parecia cansada demais para isso.
- Renesmee... –comecei – me desculpe...
Ela não respondeu e Edward a pegou no colo. Ao sentir o contato com a pele fria de seu pai ela estremeceu.
- Está frio. – ela sussurrou, sua voz estava fraca demais e baixa demais, mas mesmo assim eu me acalmei ao ouvi-la falar.
- Eu a levo. – Me ofereci.
Renesmee não falou nada, apenas encostou sua mão no peito de Edward.
- Quer ir com Jacob? – ele perguntou quase em um sussurro.
Ness negou com a cabeça e respirou fundo.
Abaixei minha cabeça e continuei andando com eles.

A cada respiração de Renesmee meu coração se apertava mais, me lembrando do medo que senti de nunca mais vê-la respirar ou dormir tão tranquilamente. Ela estava dormindo assim desde a manhã. Encarei a escuridão de seu quarto, a madrugada estava mais escura que de costume. Olhei para Bella e Edward que estavam no sofá ao lado do meu – colocado propositalmente para que eles ficassem lá -, eles estavam abraçados e Edward acariciava o braço de Bella para que ela se acalmasse, mas já fazia horas que eles estavam assim, e ele nada conseguiu. Suspirei mais uma vez. Bella estava sofrendo, Renesmee estava sofrendo, tudo minha culpa.
- Se culpar não vai adiantar nada, não muda nada. – Edward falou, cansado de ouvir meus pensamentos culposos.
- Mas se eu não tivesse... – comecei, mas Edward me interrompeu.
- Mas fez. Não tem como voltar no passado e ajustar as coisas. O que foi feito, foi feito. O máximo que pode tentar fazer agora é conversar com ela. é seu imprinting , não vai deixá-lo.
Encostei minha cabeça no encosto da poltrona e deixei que meus olhos se fechassem. Mas assim que o fiz, as imagens de Renesmee vieram a minha mente. Suspirei e abri os olhos mirando a chuva que batia fortemente na janela. Por que eu tive que ceder a aquela chantagem barata de Leah? Lembrava das palavras dela com perfeição: “Eu vou embora Jacob, mas antes eu queria apenas te provar que eu posso ser como aquela garota”. E então ela me beijou. Eu não fiz nada, já havia beijado a Leah antes, mas desta vez, quando ela me beijou eu senti que ela realmente iria tentar me esquecer, então preferi não fazer nada. Mas por que Renesmee tinha que chegar logo naquela hora? Por que ela não havia me dado tempo para explicar? Por que ela tentara se matar exatamente como Bella?
Meus pensamentos foram interrompidos por Bella, que se levantava do sofá suspirando.
- Eu vou lá fora tentar fazer alguma coisa. – ela falou e se virou para Edward. – Você vem?
Edward assentiu.
- Já vou indo.
Bella saiu do quarto em menos de um segundo sem fazer barulho algum, mal pude ver quando ela abriu a porta para passar. Edward se levantou lentamente e andou até Renesmee se sentando ao seu lado. Então ele desceu o edredom até seu quadril e pegou sua mão direita e a levantou a aproximando do rosto, como se não conseguisse ver o que queria. Vi algo reluzindo no pulso de Nessie e apertei meus olhos para ver melhor, mas estava muito escuro. Edward suspirou e negou com a cabeça tristemente e olhou para mim. - Já viu isso? – ele perguntou, se referindo à pulseira que Renesmee tinha no braço.
Me levantei da poltrona, que estava sentado há várias horas e andei até a cama, peguei em seu pulso e senti sua pele quente.
- Ela está quente. - comentei olhando para Edward.
- Carlisle acha que esta será a nova temperatura dela. – Edward falou dando de ombros.
Finalmente olhei para a pulseira. Senti minha respiração falhar quando vi que pulseira era.
Uma exatamente igual a que eu e Edward havíamos dado a Bella.
- Eu... – não consegui falar, as palavras pareciam estar presas em minha garganta – Como ela conseguiu esta pulseira?
- Eu comprei.
Não fora Edward que respondera e sim Renesmee. Assim que levantei meu olhar para encontrar com o dela, Nessie puxou a mão que eu segurava, a colocando ao lado de seu corpo, para que ela pudesse sentar na cama. Fiquei a encarando por um segundo até que não agüentei e a abracei. Seu corpo estava rígido, mas tudo o que pude sentir foi seu cheiro, estava mais doce do que antes, mas mesmo assim não tão doce quanto o dos vampiros, era um doce delicioso. Ela não me abraçou de volta, como sempre fazia, ficou parada. A soltei estranhando e olhei para o lado, imaginando que ela estivesse sendo tão seca por causa de Edward, mas ele não estava mais no quarto.

[Coloque Play na música]

- O que faz aqui? – ela perguntou, olhando-me nos olhos.
Encarei seus olhos, que estavam estranhamente negros, com as pupilas dilatadas por causa do escuro, nunca havia percebido que eles ficavam tão escuros assim. Talvez fosse a sua raiva e a sua magoa que eu sentia em minha mente.
Só então me concentrei em sua pergunta.
- Eu... Eu te salvei... – expliquei a ela. – Fiquei preocupado, então fiquei aqui com você te esperando acordar.
Renesmee não teve expressão nenhuma. Ela apenas se levantou da cama e andou lentamente até a porta a abrindo e ficando ao lado da mesma.
- Quero que vá embora. – ela falou seca.
Andei lentamente até ela e parei a sua frente.
- Renesmee... – falei, colocando minha mão em seu rosto estranhamente quente e frio – eu tenho que te explicar...
Ela tirou bruscamente minha mão de seu rosto e continuou me encarando. Olhei para o chão sem coragem de olhar para seus olhos.
- Sobre o beijo... Não é nada daquilo... – tentei explicar, mas ela me interrompeu.
- Nada daquilo que eu estava pensando? Francamente, Jacob, eu realmente não achei que você fosse se incomodar de me explicar, sendo que já tomei minha decisão.
Olhei para ela surpreso, mas seus olhos estavam pedrados, como se o chocolate quente de antes agora não existisse mais. Não era aquela Renesmee que eu conhecia.
- Nessie... – comecei novamente.
- . – ela falou ríspida. – Meu nome é .
Meu olhar não poderia ficar mais surpreso. Ela nunca tinha me corrigido quando a chamava de Renesmee.
- Quem é você? – perguntei não acreditando que aquela era a minha Nessie.
Ela olhou para o corredor aparentemente sem querer me olhar.
- Sou seu imprinting, Jacob, apenas isso – ela então olhou em meus olhos. - Não sou a garota que você ama, não sou se quer a certa para você. Nunca fui. Nós nem nos conhecemos muito bem. Quero dizer, você não me conhece. Não conhece meus amigos e nem sabe se eu vou bem na escola. Nós somos só dois imprintings, mas isso não impediu que fôssemos completos estranhos. Eu apenas precisei daquele beijo para ver isso.
Neguei com a cabeça. Eu a amava, mais do que a mim mesmo. Mas ouvi-la dizendo aquilo foi a pior coisa que eu poderia sentir. O pior é que eu sabia que, para ela aquilo era a verdade, já que ela não podia mentir para mim, uma vez que eu era seu imprinting. Nós talvez fôssemos estranhos, mas eu nunca precisei de saber tudo sobre a vida dela, para ter certeza que a amava. Nós éramos perfeitos um para o outro, isso era o bastante para mim, mas talvez não para ela.
- Eu te amo. Mais do que a mim mesmo. Isso é o bastante para mim. Aquele beijo não foi nada. Acredite em mim. – implorei com minha voz rouca por causa das lágrimas que ameaçavam vir.
- Acredito que você me ame, Jacob, mas veja, nada era para ser assim. Não fomos destinados para ficar juntos. Eu devia estar morta agora. E você sabe disso.
Fiquei a encarando sem saber o que falar. Tudo aquilo era verdade, por mais que eu não quisesse, era verdade. Ficamos alguns minutos em silêncio e eu tentava ler o que estava escrito em seus olhos, mas tudo o que eu via era a escuridão.
- Vá embora, Jacob. – ela falou.
Abaixei minha cabeça e andei lentamente até o corredor que estava iluminado por um abajur. Ouvi que Renesmee – – fechava a porta e me virei para trás. Tinha algo que eu tinha que saber.
- . – a chamei e ela parou de fechar a porta e olhou para mim. – Você... Ainda me ama?
Seus olhos – antes pedrados – ficaram quentes de repente, mas isso durou apenas uns segundos, antes de voltar a aquele olhar o qual não conhecia.
- Mais do que qualquer coisa, Jacob. Mais do que a minha própria vida.
- Então... Eu não entendo. – sussurrei, mas ela já havia fechado a porta.


20-Lágrimas de chuva

( Ponto de Vista)

Não haviam palavras para descrever o quanto eu estava destruída. Quando Jacob me perguntou se eu o amava, eu lhe disse a mais pura verdade. O amava mais do que a mim mesma e então eu tinha que deixá-lo ser feliz. Com Leah ele poderia viver sua eternidade de lobisomem sem vampiros se intrometendo, sem guerra com os Volturi, sem uma garota que não podia se quer satisfazê-lo. Mas aquilo, aquela vida que eu dei para ele à partir da minha escolha, me matou. Eu estava morta, mas mesmo assim as lágrimas desciam, enquanto eu observava a chuva batendo fortemente em minha janela.
Ali estava eu, sentada na beira da janela fechada vendo a chuva descer com menos dor do que minhas lágrimas. Lágrimas de chuva, posso dizer assim, já que as minhas lágrimas eram tantas quanto os pingos gigantescos que de debatiam contra minha janela de vidro. Por dentro, eu estava tão negra e vazia quanto uma tempestade, e cada soluço era um raio que caia, mas ele não iluminava meu escuro, apenas aquele barulho ensurdecedor e amedrontador me invadiam.
Então vi uma sombra praticamente negra, por causa da escuridão, correr em direção a floresta. Jacob em forma de lobo, eu sabia que isso era melhor para ele. Vê-lo partir moeu o que ainda restava do meu coração e causou um novo soluço, o que causou um novo raio dentro de mim.
Ouvi minha porta abrir e iluminar um pouco do meu quarto, não olhei na direção, sabia quem era assim que a pessoa me abraçou. Seu abraço gelado e quente ao mesmo tempo juntou um pouco dos meus pedaços, mas não o suficiente para que eu pudesse respirar novamente.
- Só você sabe por que eu fiz isso, certo? – perguntei a um fio de voz.
Ele assentiu ainda abraçado a mim.
- Você o ama o bastante para deixá-lo ir.
- Me sinto morta. – confessei afundando meu rosto em seu peito de pedra.
- O que você fez é mais do que qualquer um pode aguentar. – ele sussurrou apertando-me ainda mais contra seu corpo.
Soltei-me dele e olhei em seus olhos, eles refletiam como os meus deviam estar: calmos, mas repletos de dor.
- Acha que agi certo? Sinceridade, por favor. – Pedi, sabendo que Edward jamais me magoaria, ainda mais agora. Mas eu precisava saber.
- Você sabe que eu já fiz o que você está fazendo. Foram os piores meses da minha existência e eu me arrependo amargamente de... ter fugido.
- Eu não estou fugindo.
- Na verdade está sim. Fugindo da sua própria felicidade para que a outra pessoa seja capaz de vivê-la.
Não falamos nada por alguns segundos. Eu pensando no que Edward estava dizendo, ele estava, provavelmente, perdido nos próprios pensamentos – ou nos de alguém.
- Bella não foi feliz sem você - concluí olhando a chuva lá fora.
- Talvez ela tivesse sido, se tivesse tido mais tempo. – Ele não falou que ela teria sido feliz com Jacob, isso estava claro para nós dois. – O tempo cura tudo. A memória é como uma peneira, tudo se perde com o passar dos anos.
- Para os humanos.
- Talvez para os lobisomens também. Afinal, eles podem escolher não viver para sempre.
- Mas não para mim.
Desta vez ele nem ousou responder. Mais algum tempo em silêncio. Eu me perguntei se Edward não se sentia mal por passar tanto tempo longe de Bella. Nos livros – e até mesmo o pouco tempo que eu passei aqui – eles nunca se desgrudavam. Mas agora Edward estava aqui comigo, sem ela e eu, internamente e secretamente, agradeci por ele não me abandonar.
- O que devo fazer, Edward? Não consigo se quer respirar. – murmurei sentindo o ar entrar e sair como se aquilo fosse apenas um nada, algo que eu fazia por estar habituada.
Ele suspirou e me abraçou novamente.
- Eu não sei, , não sei.

***

O dia parecia que não passava e os ponteiros do relógio estavam cada vez com mais preguiça de seguir. Peguei o telefone e o encarei, esperando que ele tocasse, e então ele simplesmente tocou. Arregalei os olhos surpresa e o atendi.
- Yep. – atendi em inglês.
- Oi, ! – minha amiga quase gritou e eu afastei o telefone; minha cabeça girou.
- Quem é? – perguntei quase sussurrando e assustei quando percebi que minha voz parecia morta.
Sempre fui ruim para reconhecer vozes no telefone e minha cabeça parecia que não queria pensar.
- Nossa, que falta de consideração – ela falou rindo. – É a .
Eu sorri um pouco, era o máximo que eu tinha feito nestes dois dias sem... ele - me recusava a pensar em seu nome.
- Desculpe, , mas você sabe que eu sou péssima em reconhecimento de vozes no telefone. – falei sentando na cama e percebendo que estava em cima de algo duro.
Me levantei e tirei uma prancheta com um desenho. Nem me lembrava de ter desenhado, mas eu não achei estranho, já que minha mente não parecia guardar nada do que eu fazia desde que... me interrompi, não podia pensar naquilo.
Analisei o desenho, uma garota chorando. Bem comum, mas algo nela me chamou a atenção. Seus olhos, estavam brancos. Estranhei, já que eu sempre desenhava em preto e branco – preferia os desenhos sem cor - e então os olhos sempre ficavam pretos... mas estes estavam com as íris brancas. Apertei meus olhos para analisar o desenho mais de perto.
- , ainda está aí? – gritou no telefone me tirando do transe.
- Si- sim... – gaguejei. – Desculpe, boiei.
- Tô vendo. Você esta longe... e triste. – ela falou, sua voz estava repleta de preocupação. – Achei que você pretendia me contar o que aconteceu, mas continuou calada enquanto eu te falava as novidades...
- Novidades? – perguntei tentando mudar de assunto, ela parecia saber o que tinha acontecido.
- Não mude de assunto. – ela me repreendeu. – Seth me contou o que aconteceu entre você e o Jake. – ela falou tristemente. – A Leah é minha amiga, mas não acreditava que ela poderia fazer algo assim.
Eu sabia que Leah e saíram juntas - sem a minha presença, óbvio – mas não sabia que era tão amigas assim.
- Pois é. – suspirei.
- Não quer falar sobre isso, certo? – perguntou.
- É. – sussurrei sentindo minha garganta se fechar, eu não ia começar a chorar de novo, ia?
Ficamos um tempo em silêncio, mas estava constrangedor.
- E então? – tentei me animar, mas foi em vão. – Sobre quais novidades você estava falando?
- É que ontem começaram as aulas. – ela falou se animando. – O que eu acho um absurdo, já que as aulas começaram quarta, que aulas começam quarta feira? No meio da semana? – ela perguntou indignada, mas eu não respondi. – Mas então... ontem eu fui na aula e sabia que entrou um menino super gato na sala que era a sua? Babei. Ele veio da Europa, mas fala português perfeitamente. Ele é simplesmente LIN-DO.
Não estava muito a fim de saber, mas não podia dizer isso pra ela.
- Detalhes. – a incentivei enquanto deitava na cama, meu corpo estava cansado, eu não tinha dormido mais do que uma hora nestes dias.
- Hm... Ele é loiro, olhos azuis tipo muito azuis, alto, musculoso... se ele tivesse olheiras e não saísse no sol eu diria que ele é um vampiro. Mas tipo, ele não brilha no sol e não tem olheiras então, não, ele não é um vampiro.
- Legal. Mas você esta comprometida, mocinha. – falei, sorrindo um pouco, imaginando a careta que ela tinha feito.
- É, eu sei e estou muito feliz assim. E também... aquelas meninas as quais prefiro não nomear, já caíram em cima dele.
- Talvez ele apenas seja diferente, . Já tentou conversar com ele?
- Não, não. – ela respondeu e um silêncio assumiu novamente. – Bem, , já tenho que ir, o povo me chamou pra sair e eles já estão aqui na porta.
- Ah. Diga que mandei um beijo. Te amo, .
- Também te amo. – ela falou e eu desliguei.
Neste momento Phelipe entrou em meu quarto, sem bater na porta. Fiquei o encarando até que ele foi até as cortinas e as abriu permitindo com que a claridade acinzentada do dia clareasse o quarto.
- O que está fazendo? – perguntei apertando os olhos para que eles se acostumassem com a claridade.
- Tudo bem que você é meia vampira, mas não precisa se esconder no escuro como um vampiro. – ele criticou parando no meio do quarto e olhando pra mim, logo depois deu um suspiro. – Você nunca pareceu tanto uma vampira quando agora.
- Obrigada. – falei olhando pro teto.
- Já que você é uma vampira agora, já sei uma coisa que faz todo vampiro ficar de bom humor. – Olhei pra ele sem o mínimo pingo de humor. – Vamos caçar.
Arregalei os olhos e me levantei da cama cambaleando.
- O que? Phelipe...
- Parte do treinamento, você não pode negar – ele me olhou de cima a baixo. – Vai com esta roupa?
Olhei para meu corpo, estava com uma calça jeans colada e uma blusa igualmente apertada azul do snoopy.
- Eu posso ir caçar com você, mas não vou beber sangue algum – falei andando até meu armário. Phelipe não se moveu e eu percebi que ele não tinha percebido que eu ia trocar de roupa. – Importa-se?
Ele pareceu ter saído do transe e andou até minha porta, saindo do meu quarto. Suspirei e peguei minha blusa preta e um short jeans e me vesti. Andei até o banheiro para escovar os dentes e me pentear meus cabelos. Fiz tudo o que deveria e me olhei no espelho. Nossa, eu realmente parecia uma vampira. O rosado das minhas bochechas que antes davam um arzinho de saúde ao meu rosto tinham desaparecido e minha pele estava mais branca que piso de banheiro. Meus olhos estavam praticamente negros, achei estranho, já que eles sempre foram marrons, mas não me importei. E as olheiras acinzentadas, pareciam hematomas em meus olhos. Não me incomodei de escondê-las, apenas saí do banheiro e calcei minhas botas impermeáveis – as quais Alice tinha me dado de presente quando fui acampar – e desci.
Lá embaixo Phelipe me esperava enquanto conversava com Edward. Cheguei mais perto e parei do lado deles sem falar nada.
- , não precisa fazer isso se não quiser. – Edward falou com uma cara de preocupação misturada com medo.
Suspirei e olhei a minha volta. Todos os Cullen estavam na sala apenas me observando em silêncio. Todos com preocupação nos olhos, pensando – imagino – que eu pularia na frente do primeiro carro que visse e se isso não me matasse eu daria outro jeito. Voltei meu olhar para Edward que ainda esperava minha resposta.
- Não quero ir. Mas preciso. É assim que as coisas estão acontecendo, certo? O que eu quero não importa mais, então não estou nem aí. – Falei rápido soltando tudo sem pensar. – Vamos, Phelipe – terminei quando já estava na porta da sala.
Pude sentir o olhar de todos em minhas costas e Phelipe já estava ao meu lado.
- Não precisava falar daquele jeito com ele. Edward só quer o seu bem. – ele me repreendeu.
- É, eu sei. – falei, mas não senti remorso, a dor não dava espaço para isso.
Começamos a correr, eu obviamente era bem mais rápida que Phelipe, mas não corri muito para não deixá-lo para trás. Quando já havíamos corrido por uma hora ele me chamou para que eu parasse de correr e eu o esperei.
- O que vai querer? – ele perguntou como se estivéssemos olhando um menu de restaurante.
- Nada, obrigada. – respondi sentando-me em uma pedra para descansar um pouco.
Aquela corrida não tinha me cansado, mas meu corpo estava todo dolorido e minha respiração estava ofegante - apesar de eu não conseguir senti-la.
Então Phelipe sumiu por alguns minutos. Eu nem vi o tempo passar, estava imersa em pensamentos – como sempre estava depois de... tudo. Aquela floresta, aquelas lembranças, tudo fazia com que minha mente se fechasse mais para o mundo real.
-! ! – acordei com Phelipe me chamando.
Olhei ao meu redor confusa. Nem havia percebido que tinha adormecido.
- Desculpe, dormi sem querer. – falei levantando-me, mas minhas pernas vacilaram e eu quase tropecei, mas Phelipe me segurou antes que eu caísse no chão.
Tentei manter meu corpo ereto, mas vi que não seria possível então sentei novamente na pedra.
- Há quanto tempo não dorme, ? – ele perguntou preocupado.
- Faz algum tempo. – Confessei, fazendo uma careta. – Mas não tinha percebido que estava tão cansada.
Ele suspirou e cruzou os braços.
- Se eu trazer um animal para você, você acha que consegue se alimentar? – ele perguntou, mas parecia que minha resposta não ia ajudar muito.
Pensei em minhas alternativas, e o único modo de ficar forte era tomando sangue, já que dormir eu sabia que não conseguiria. Mas então percebi que eu não queria ficar forte.
- Phelipe... – sussurrei, mas parecia mais uma suplica.
- Já volto. – ele falou e desapareceu na floresta.
Suspirei e deixei que meu corpo se apoiasse na árvore que estava atrás de mim. O tempo novamente voou, eu imersa em meus pensamentos sem fundamentos, tudo para esquecer o que meu coração e meu corpo insistiam em lembrar.
Saí do meu mundinho quando vi Phelipe segurando um veado desajeitadamente. Ele colocou o animalzinho lentamente na minha frente enquanto analisava minha reação. Não me movi.
- Agora faça o que seus instintos mandam. – ele falou calmamente me olhando nos olhos.
Assenti e sem pensar fui até o animal e alisei o pelo de seu pescoço. Ouvi sua pulsação alta no meu ouvido e sem perceber minha boca já sugava aquele líquido incrivelmente bom e quente. Quando ele acabou eu percebi o que havia feito e dei um pulo para trás batendo fortemente na árvore que estava atrás de mim.
- O que... o que eu fiz? – perguntei num sussurro.
- Nossa... – Phelipe falou olhando para o animal e depois dando um sorriso zombeteiro para mim. – Não desperdiçou uma gota.
Coloquei minha mão direita sobre minha boca ainda incrédula com o que estava vendo. Eu havia matado um animal, eu tomei seu sangue.
- Está tremendo. – ele observou, me olhando.
Não respondi, apenas abaixei minha mão e a apertei contra minha coxa desejando que elas parasse de tremer, mas isso não aconteceu.
- O que foi?
Olhei para ele e para o animal em resposta. Ele suspirou e pegou o corpo do animal desaparecendo dali. Phelipe voltou antes mesmo que eu tivesse me perguntado onde ele esteve.
Ele andou até mim e me ergueu a mão para me ajudar a levantar. Percebi que ele estava tenso ou bravo com alguma coisa.


21 - Promessa

Talvez eu tivesse agido errado com Phelipe. Ele tentou me ajudar e eu não fui nada legal com ele. Talvez eu devesse me desculpar, ou pelo menos tentar me redimir.
Meus pensamentos novamente faziam que eu me afundasse em outro mundo. Isso estava ficando cada vez mais comum, já que o mundo exterior não me importava e não havia mais praticamente nada que me ligava a ele. Apenas os Cullen e... agora Phelipe. Não conseguia esquecê-lo um minuto se quer. O modo como ele não me olhou esperando que eu me matasse, o modo como ele continuou agindo como se eu não houvesse perdido nada... e era exatamente assim que eu queria me sentir, como se não tivesse perdido nada, afinal, não se pode perder você mesmo. Mas eu estava morta, e eu sabia disso, por mais que todo o meu corpo – exceto minha pele que ficava mais branca a cada dia e olheiras profundas como hematomas – discordasse, permitindo que eu vivesse como um ser vivo.
Eu era como uma planta, comia, bebia e me perdia em meus pensamentos sem fundamento. Nem dormir eu dormia mais, sempre que fechava os olhos eu via o que tinha visto quando havia pulado do penhasco, se fossem somente Bella e Edward tudo bem, mas ele estava no meio.
Tirei meu pijama desistindo de tentar dormir um pouco – ainda era de dia, mas eu não estava mais me importando com o horário – e coloquei minha blusa vermelha do snoopy, uma calça jeans confortável, meu tênis e prendi meu cabelo em uma trança de lado totalmente bagunçada – nunca soube fazer tranças e meu cabelo cortado em camadas não ajudava muito.
Assim que abri a porta do meu quarto, saí atrás de onde Phelipe provavelmente estaria e corri – não tinha paciência para andar como humana – para o andar de baixo, mas parei na porta que estava fechada da sala de jantar, eu já ia girar a maçaneta quando ouvi o que estavam falando.
- E achávamos que estávamos protegidos em suas mãos. – Ouvi Edward falar bravo, quase rosnando.
- Não se preocupem... – Phelipe começou, mas foi interrompido.
- Não nos preocuparmos? Como não nos preocuparmos, Phelipe? – Bella falou também brava. Eu nunca havia ouvido o tom de voz dela daquele jeito. O que estava acontecendo? Eu queria entrar lá e descobrir, mas algo me manteve parada, podia ser minha intuição, ou só o medo de toda aquela gritaria ser minha culpa; de novo.
-E ? – era a voz de Esme, estava chorosa e preocupada. – Como ficará quando descobrir que mentiu para ela?
- Mentiu para ela? – Emmett rosnou – Ele não mentiu para ela, Esme, ele praticamente a condenou. A entregou aos crocodilos.
Neste momento – o qual eu não entendia nada do que eles falavam dentro da sala – a porta a minha frente de abriu. Alice apareceu na minha frente me olhando séria. A encarei surpresa e depois olhei o rosto de cada um naquela sala. Todos estavam ali, menos Carlisle. Estavam sérios e com raiva nos olhos, por último, meu olhar foi parar em Phelipe, que me encarava, mas quando nossos olhares se encontraram ele olhou para baixo, como se estivesse envergonhado. Eu não estava entendo, eu que deveria ter vergonha dele.
Então Carlisle chegou à sala pela outra porta, fechando seu celular, ele pareceu não perceber que eu estava ali.
- Acabei de falar com Tanya. Ela disse que ele foi para casa dela em 1995, logo depois que os Volturi nos visitaram e conheceram Renesmee. Ele disse que tinha desistido dos Voluri assim como Eleazar. – Depois, ainda olhando para baixo ele sussurrou alto o bastante para que ouvíssemos. – Ele é um Volturi.
Não senti mais o chão. Minhas pernas estavam bambas, mas ainda sustentavam o meu corpo com algum tipo de força que eu não sabia ter.
Aquele nome, que eu havia esquecido por algum tempo em favor de problemas, não maiores, mas sim, fortes o bastante para manter minha mente ocupada. Aquele nome o qual eu não devia ter me esquecido, o qual a minha atenção fora desviada por tempo demais. Volturi.
Phelipe é um Volturi.
Aquele que eu acreditei. Aquele que estava me ensinando como me proteger de ninguém menos que ele mesmo.
Não havia mais nada para ser ouvido. Nada mais para ser dito. Eu estava condenada. Os Volturi neste instante já deviam saber da minha força incrível e da minha absurda velocidade, eu estava forte o bastante para fazer parte da família deles. Eu estava forte o bastante para conseguir ter meus olhos vermelho sangue e usar uma capa preta; viver embaixo de Volterra, massacrar vampiros que quebram as regras – às vezes até mesmo sem saber que elas existiam -; estava forte o bastante para viver longe de minha família – a do Brasil e os Cullen - e estava forte o bastante – e era isso que mais me assustava - para ser inimiga de lobisomens e matá-los sem piedade. Era naquela coisa que eles queriam que eu me transformasse. Mas eles não deviam saber que eu, por incrível que pareça – tirando aquele último tópico sobre os lobisomens – não ligava. Não havia mais ligação nenhuma a Forks, não havia mais ligação nenhuma ao Brasil, não havia mais ligação nenhuma a vida.
Talvez fosse por isso que aquilo não me atingiu do modo como teria atingido dias atrás – nos quais eu ainda vivia. Talvez fosse por isso que eu não fiz nada, não falei nada, apenas me virei e voltei a andar para o meu quarto em passos humanos – estava anestesiada demais para correr. Phelipe entrou na minha frente e olhou em meus olhos. Seus olhos marrons refletiam apenas a dor e o remorso que ele aparentava sentir.
- ... Eu posso... Explicar.
Bufei e dei um passo para trás, sentindo minhas lágrimas molharem meus olhos. Mas eu não queria chorar de novo.
- Explique-se então, Phelipe. Explique por que você mentiu pra mim. Por que você me fez acreditar que eu podia confiar em você? – Comecei a me exaltar e minhas lágrimas começaram a vazar. – O que eu fiz para você, Phelipe?
Ele respirou fundo e fechou os olhos por alguns segundos. Eu por algum motivo fiquei esperando.
- Você sabia que eu sempre quis entrar para os Volturi. – ele falou calmamente abrindo os olhos – E quando eles descobriram meu poder...
- Seu poder? Que poder Phelipe? – perguntei apressada, não me lembrava dele me falar que tinha um poder, apenas que ele era bom em treinar recém-criados.
- Eu posso controlar meus pensamentos. Qualquer um pode ler, mas só conseguem ler o que eu permito, o que eu não mudo. Com isso, quando finjo que penso em algo, meu futuro se altera, mas não realmente.
Eu estava confusa. Por mais que eu tentasse aquilo não parecia fazer sentido.
- É como se os pensamentos dele sempre estivessem bloqueados, . – Edward me explicou. – Ele finge que pensa uma coisa e como ele ‘‘pensou’’ nisso, seu futuro vai pelo caminho do pensamento forjado.
Assenti entendendo. Agora finalmente parecia ter algum nexo.
- Mas então como descobriram? Como descobriram que ele mentia?
- Eu contei, . – Phelipe falou suspirando. – Edward quase me pegou falando com Aro no telefone e quando vi que tinha que mentir novamente, eu não quis mais.
Eu suspirei e repassei em minha cabeça o que aconteceria agora que eles já sabiam sobre mim e quais eram minhas opções.
- Quando eles vêm me buscar? – perguntei em voz baixa.
Todos me olharam surpresos. Acho que não esperavam aquela reação. Mas eu sabia que aquele momento chegaria, por mais que eu tentasse empurrá-lo.
- Eles não vêm. – ele respondeu tão baixo quanto eu.
Desta vez foi a minha vez de ficar surpresa.
- Como assim eles não vêm? – Rosalie perguntou surpresa.
Olhei pra ela por um instante. Se eu também não estivesse tão surpresa acharia que ela quisesse que eles viessem. Mas depois meus olhos desviaram para os de Phelipe que ainda me encarava.
- Eu menti para eles. Disse que não tem poder algum por enquanto e que vocês já estão achando que ela nunca vai ter – ele então deu um suspiro. – Vou guardar seu segredo, . Estará segura.
- Como podemos acreditar em você? – Emmett perguntou nervoso.
Ele andou se aproximando de mim e pegou minhas mãos, eu estremeci; suas mãos estavam mais frias do que me lembrava. Ele então me encarou com seus olhos escuros.
- Depois que te conheci, eu passei a ver tudo de um modo muito diferente. Você estava vivendo um pesadelo no meio de um sonho e mesmo assim tentava lutar contra tudo o que estava escrito. Se eu já não suportava te ver sofrer pelo lobisomem, imagina se fosse eu que causasse o sofrimento. Então eu percebi que vale mais a pena me arriscar e mentir para os Volturi, do que simplesmente te entregar e te levar para um lugar que você não quer ir.
- Então... você vai embora? – perguntei e percebi o quanto doía falar aquilo.
Não queria que ele fosse embora. Não queria perder mais um amigo.
Ele suspirou e olhou para baixo soltando minhas mãos.
- Vou. – Ele falou triste, mas depois sorriu de leve – Mas você sabe que será muito bem recebida se quiser ir comigo.

****

O meu quarto estava mais frio, mais escuro e mais solitário do que antes. Minhas lágrimas saiam de modo menos dolorido que antes; a anestesia do choque havia passado eu desesperei e comecei a chorar mais ainda. É claro que para isso eu estava sozinha, escondida no chão do meu quarto. Agora o desespero havia cedido deixando uma dor ainda maior do que antes eu me permiti chorar abraçada ao meu urso de pelúcia, David.
Duas batidas de leve na porta me assustaram e eu assentei na cama de imediato.
- Entre – sussurrei sabendo que me ouviriam.
A porta abriu de leve e Phelipe entrou com um sorriso de leve no rosto e eu tentei sorrir de volta, mas foi em vão. Limpei as lágrimas que ainda molhavam meu rosto e me ajeitei na cama para ficar de frente para ele. Phelipe sentou-se à minha frente na cama e ficou olhando para baixo em silêncio.
- E então? – perguntei quebrando o silêncio que durava algum tempo.
- Eu só vim me despedir e... eu queria te dizer que... – ele parou de falar e eu esperei, então ele me olhou nos olhos – Eu queria te dizer que eu te amo, .
Senti meu corpo gelar e esquentar ao mesmo tempo fazendo com que minha cabeça rodasse por alguns segundos. Minha boca se abriu um pouco na tentativa de falar algo, mas foi impossível.
Eu não o amava. Eu amava outro. Mas não queria magoá-lo, não agora.
Ele sorriu novamente de leve e olhou para baixo desviando seu olhar do meu.
- Acho que esperei uma reação pior. – Ele falou e depois riu um pouco, conseguindo arrancar um pequeno sorriso meu. Um sorriso envergonhado.
- Phelipe – chamei seu nome e ele olhou para mim e eu peguei sua mão – Eu gosto muito de você, muito mesmo, mas... você sabe que... – ele me interrompeu.
- Você o ama. Mesmo depois de tudo você ainda o ama. Eu sei, . – aquelas palavras me atingiram e eu senti meu coração se espremer e minha garganta se fechar, mas ele não pareceu ter percebido isso. – Mas eu te falei isso para te falar que... – ele me encarou sério – Seu segredo esta à salvo comigo. Não vou deixar que eles descubram e acabem com a sua vida.
Pensei em qual vida eu teria a partir dali, mas não consegui pensar em nada, então apenas deixei passar me lembrando que estaria sozinha; não queria chorar naquele momento, não na frente dele.
Fechei meus olhos e senti sua mão gelada roçar levemente no meu rosto. Então senti sua respiração gelada soprar no meu rosto e simplesmente não consegui me mover. Uma de suas mãos foi para a minha cintura e a outra para o meu maxilar. Ele estava mais próximo e eu não conseguia me mexer, era como se eu quisesse aquilo. Eu me sentia segura ali. Meu coração não acelerou e eu não me aqueci, nada parecido quando eu o beijava, mas ainda sim senti segura e amada novamente, era apenas isso que eu queria.
Seus lábios gelados tocaram os meus levemente e a pressão fez minha boca se abrir levemente dando passagem a sua língua. Ele aproximou seu corpo do meu o máximo que conseguiu, mas ainda sim nossos corpos não se encontraram; minhas pernas estavam em posição de índio na minha frente cobertas por um edredom.
Então ouvi o barulho de uma janela de vidro bater no parede. Me afastei de Phelipe instantaneamente, assustada pelo barulho. Olhei para o lado do quarto que a janela tinha feito aquele barulho estrondoso e senti meu corpo gelar; uma corrente fria percorreu pelo meu corpo, mas não foi isso que fez meu corpo paralisar de frio e sim o grande lobo castanho avermelhado que estava parado em meu quarto me encarando com seus brilhantes olhos negros.


22 - Gritos, dor e escuridão

[Coloque para carregar a música Untitled do Simple Plan - http://www.youtube.com/watch?v=WrGLypE_E8c&feature=related ]

Me levantei da cama o mais rápido que pude, mas Jake já havia saído do meu quarto pela janela. Eu tinha que ir atrás dele. Ele ia ficar com raiva de mim, nunca mais iria me querer... Então percebi que talvez fosse melhor assim, ele me esquecer. Mas, só de pensar naquilo, meu corpo estremeceu e minha cabeça rodou. Eu tinha que ir atrás dele.
Tentei correr, mas senti a mão de alguém apertar meu braço. Parei e olhei para Phelipe, que me encarava como se pedisse que eu ficasse.
- Sinto muito. – Sussurrei. – Adeus, Phelipe.
Me soltei dele e corri até minha janela. A chuva lá fora começou a me molhar assim que me impulsionei para fora da casa e caí no chão. Parei um tempo na chuva e respirei fundo, sentindo o cheiro de Jacob imediatamente – estava ficando boa nisso. Corri em sua direção. Com a minha velocidade, eu o alcançaria logo.
A chuva batia forte em meu rosto fazendo com que eu mal conseguisse ver um palmo a minha frente, mas por algum motivo, não bati em nada, nem caí no chão. Trovões iluminavam o céu, mas não melhoravam a minha visão. Até que o cheiro se tornou mais próximo e eu parei de correr. Com a velocidade diminuída, pude ver vagamente alguém na minha frente. Dei mais dois passos para frente e focalizei minha visão na tal pessoa. Era Jacob, eu tinha certeza.
Então a chuva diminuiu e um trovão caiu bem perto, fazendo com que eu pudesse me localizar. Nós estávamos na campina, mas não na campina de Edward e Bella, e sim naquela que Jacob me mostrara no acampamento. Quando o trovão caiu e iluminou tudo, Jacob virou-se lentamente em minha direção, e eu andei até ele para podermos nos ver melhor.

[Coloque a música para tocar]

- Jacob, eu não... – falei, quando estávamos a menos de três metros de distância, mas não consegui terminar a frase, não sabia o que dizer.
Ele me encarou por um certo tempo, e enquanto isso, a chuva tornou-se apenas algumas gotas finas, permitindo-me ver tudo ao meu redor.
- Você não o quê, ? - ele pareceu cuspir meu nome. – Não me venha com suas desculpas, pois não vou acreditar nelas.
- Mas... eu preciso te explicar. – sussurrei, sentindo minha garganta se fechar.
- Francamente, , achei que não se incomodaria em me explicar quando já tomei minha decisão. – Ele repetiu as palavras que eu havia dito naquele dia, que já parecia tão distante.
Senti minhas lágrimas invadindo meus olhos e tentando vazar, mas não permiti.
- Não repita minhas palavras, a situação aqui é totalmente diferente. – rosnei.
- Totalmente diferente? Ah, claro. Eu não menti para você antes de beijar a Leah, menti? – Ele disse, usando o mesmo tom que eu.
- É claro que não mentiu. Você disse que me amava e eu acreditei. – Abaixei o tom, mas ainda estava muito nervosa.
- E não foi isso que você fez? – ele gritou, se aproximando de mim. Pude ver que seus braços tremiam. – Você disse para mim que me amava mais do que tudo na sua vida, e dias depois estava se agarrando com aquele sanguessuga que mentiu para você no seu quarto!
- Não estava me agarrando com ele! – Gritei de volta, também dando um passo, aproximando-me dele. – Foi só um beijo! E não fale assim do Phelipe!
- Ah, claro, ele você defende! O cara que te entregou aos Volturi! O cara que te traiu!
Pensei naquilo. O que Phelipe fizera realmente fora uma traição, mas não havia me machucado nem metade do que a traição de Jacob me machucara.
- A traição dele não foi metade da sua, Jacob – falei mais baixo.
- Eu não te traí, ! – Ele gritou, e depois abaixou o tom de voz. – Aquele beijo não pode ser chamado de traição.
- Então o que é uma traição, Jacob? – gritei, sentindo minhas lágrimas descerem por meu rosto. Elas já deviam estar descendo há muito tempo, eu é que não devia ter percebido antes. – Se você tivesse dormido com ela? Mas isso não poderia ter sido considerado uma traição já que você estava certo, indo atrás do que eu não poderia te dar.
Eu não ouvia mais o que falava, apenas deixava que as palavras saíssem da minha boca. Mas assim que eu as falava, e pensava no que havia dito, sentia meu coração se apertar mais ainda por ter dito tais coisas, mas eu simplesmente não conseguia parar.
- É, deve ter sido isso mesmo. Eu fui atrás do que você não podia me dar. Mas não era sexo, e sim amor. Leah sempre me amou, ao contrário de você, que sempre mentiu para mim.
- E então por que não ficou com ela ao invés de ficar comigo?
Era naquilo que eu tinha pensado. Ela era alguém que eu nunca seria. Bonita, inteligente e da mesma raça de Jacob. Eles poderiam viver em paz, para sempre, se eu não existisse ou se eu não estivesse aqui. Eu estava só atrapalhando tudo. Pela primeira vez, desde tudo, desejei realmente não ter sido salva.
- Por que eu te amo, merda! – Jacob gritou, e depois parou pra pensar no que havia acabado de dizer.
Ele virou-se para um outro lado, ficando de lado para mim, e começou a encarar o nada. Fiquei em silêncio, esperando que ele me dissesse algo mais, mas passamos um tempo assim. Até que ele respirou fundo e virou-se para mim novamente.
- Por que voltou, ? – Ele falou, usando o tom mais baixo que havíamos usado na briga toda. - Por que não ficou no Brasil? Seria tudo mais fácil, se você não estivesse aqui. – Ele suspirou e passou as mãos no cabelo. – Já sei! Por que não volta para o Brasil agora que já está segura? Já que o sanguessuga vai guardar seu segredo?
- O quê? – sussurrei, sem acreditar no que ele estava me dizendo.
Ele sorriu, incrédulo, parecendo gostar da minha reação. Mas não havia um pingo de felicidade real naquele sorriso.
- Não vê? Tudo o que você fez foi fazer as pessoas sofrerem. Olhe só. Antes de você voltar, todos os Cullen estavam bem, afinal, não tinham problemas para se preocuparem, nada deste negócio dos Volturi, nada disso. Eles estavam felizes. Antes de você voltar, Seth não havia conhecido , e não estava sofrendo por não poder vê-la. Você apressou as coisas entre eles, já que o certo seria que eles se conhecessem depois que
já pudesse vir para cá e viver com Seth. Seth estava feliz, estava feliz, e agora ela também sofre. Antes de você voltar, eu estava muito bem com a Leah, estava até começando a gostar dela. Ela estava feliz, eu estava feliz. Não vê? Porque você voltou, todos estão sofrendo. Você é o motivo de tantas lágrimas. Você é toda esta destruição.
Senti meu estômago se revirar e querer colocar toda a comida para fora, mas sabia que não iria vomitar. Juntei todo o meu ar, para tentar formar palavras, mas não consegui falar nada. Não tinha forças. Jacob ficou em silêncio, esperando que eu falasse alguma coisa, mas eu não disse nada.
Quando a chuva ficou forte novamente, ele apenas olhou para cima para conferir se estava realmente chovendo, e se transformou. Logo depois de ficar um tempo parado lá, como lobo, apenas me observando. Ele virou-se e adentrou na floresta, me deixando lá, sozinha.
Assim que vi que ele havia me deixado lá - na chuva, no frio e sozinha - despenquei. Minhas pernas não conseguiram segurar o peso do meu corpo e eu acabei caindo no chão que estava quase macio por causa da lama. A chuva ficou realmente muito forte, não me deixando ver nada além de dois palmos a minha frente, mas não estava preocupada com isso. Estava deitada no chão, de bruços, sentindo a lama em meu rosto. Não me importava. Tudo o que havia era o nada. A escuridão era a única coisa que era reconhecível, pois nunca havia me sentindo daquele modo. Não tinha frio, não parecia estar respirando, não tinha nojo da lama em meu rosto, não tinha desconforto por estar deitada no chão frio.
Um tempo indeterminado se passou, a chuva não cessou e eu apenas via a iluminação dos trovões. Junto com a chuva, eu podia ver também meus sonhos. Em cada gota, havia um sonho. O pior não era ver meus sonhos caindo por terra. O pior era ver que por uma fração de segundos, eles se iluminavam, com os trovões, e depois eles simplesmente ficavam escuros novamente e frios, transformando-se de um sonho em um pesadelo.
Quando caía um raio, eu sorria. Tudo estava claro, quase podia sentir o calor. Mas então o escuro tomava conta novamente, e para piorar, vinha o estrondo, que me fazia estremecer.
- ! ! – Ouvi alguém gritar meu nome. – Edward! A encontrei! , você está bem? Ele te machucou? , responda, por favor!
Esta voz que era incrivelmente conhecida - mas eu não conseguia saber de quem era - e parecia falar comigo, mas eu não conseguia entender as palavras.
- Edward! – Ela parecia gritar o nome de alguém. – ! !
- Bella, acalme-se. – Uma voz mais tranqüila falou e depois senti meu corpo ser retirado do chão, indo para um local mais duro – Vamos levá-la para casa.
Aquela última palavra eu consegui entender.
Casa.
Era o único lugar que eu queria estar. Minha casa. Meu lar. O local onde eu poderia ver meus amigos, e brigar com minha mãe porque queria ficar até mais tarde no computador. Sorri com este pensamento, mas não tinha certeza se realmente tinha sorrido – não podia sentir meu corpo.
- Filha, vai ficar tudo bem, estamos te levando para casa. – aquela voz incrivelmente calma e reconfortante me falou.
- Obrigada, pai, eu realmente estava sentindo falta de casa. – falei, mas não tinha certeza se minhas palavras haviam saído.
Depois disso, eu pareci me distanciar ainda mais do mundo e afundei-me em meus pensamentos felizes, sonhos do passado. Acho que dormi, pois sonhei. Sonhei com minha casa, meus amigos, minha família, minha escola, o sol escaldante. O sorriso de minha mãe, a felicidade de meus amigos por eu estar lá com eles, minha escola, com as mesmas pessoas de sempre, me aplaudindo por estar de volta, o sol esquentando minha pele e fazendo minhas bochechas ficarem coradas. Tudo estava lindo. Um sonho, do qual eu não queria acordar.

***

Acordei com o telefone tocando. Não abri os olhos, nem me movi, apenas saí do outro mundo que eu me encontrava.
- Não, ela já está melhor. Não se preocupem, Alice falou que ela deve acordar daqui a pouco. – a voz de Carlisle estava calma. – Ligo para vocês se houver qualquer novidade. Não se preocupem.
- Pode abrir os olhos agora, . – Ouvi Alice me dizer. Ela parecia perto, mas incrivelmente longe.
Fiz uma careta percebendo que havia sido descoberta, na verdade não queria muito abrir os olhos.
Respirei fundo e forcei meus olhos a se abrirem. Estava claro, mas não parecia ser de dia, estava escuro lá fora. Olhei em volta. Todos os Cullen estavam lá, me olhando, apreensivos. Pisquei algumas vezes e me sentei no sofá – estávamos na sala.
- O que houve? – perguntei, com a voz um pouco rouca.
- O que houve? – Rosalie perguntou, incrédula. – Acho que você poderia nos contar o que houve.
Fiz outra careta ao me lembrar quem havia usado aquele tom pouco tempo atrás comigo. Mas eu não conseguia me lembrar quanto tempo isso fazia e só então percebi que não estava muito ligada ao tempo cronológico.
- Quanto tempo faz que tudo aconteceu? – perguntei, fugindo da pergunta de Rosalie.
- Deve fazer mais ou menos duas horas. Você caiu no sono. – Carlisle respondeu.
Assenti, mas me arrependi imediatamente, minha cabeça rodou.
- Vou para meu quarto. – respondi, me levantando.
Assim que tentei me colocar de pé, minhas pernas enfraqueceram e acabei caindo no sofá. Suspirei e olhei para Carlisle, buscando alguma explicação para a fraqueza em minhas pernas e eu estar consideravelmente tonta.
-Deve ser por que você está com fome, ou algo assim. – Edward respondeu, andando até Carlisle.
Olhei para Bella pela primeira vez. Ela estava olhando para a janela, parecia olhar a chuva, ou algo assim. Ela tinha o olhar longe e vazio, mas eu podia ver daqui a tristeza.
- Não estou com fome. – respondi a Edward. – Acho que só estou cansada. – Dei de ombros e me levantei, cambaleando, mas consegui ficar de pé.
- ... você só tem dormido, não pode estar com sono. – Alice falou. Pude sentir que ela estava abalada.
Olhei para baixo e não respondi Alice. Apenas subi a escada em passos humanos, não estava com forças o suficiente para andar como vampira. Eu me sentia inexplicavelmente cansada e sem forças.

Acordei suada e sem ar. Queria gritar, mas o grito parecia estar enterrado em minha garganta. Percebi que ainda estava de noite, pela escuridão do meu quarto. Ainda chovia, mas não haviam mais trovões para iluminar meu quarto. Eu devia me acostumar com isso.
Me deitei na cama novamente e dei um longo suspiro. Como eu ainda me sentia cansada?
- Não sei se é o certo, Alice, realmente não tenho ideia se isso é o certo. – Ouvi Edward falando, do outro lado da porta.
- Edward, você sabe que é o certo. Eu já o vi fazendo isso e por incrível que pareça, isso vai mudar muita coisa. Ela não vai conseguir superar muita coisa se continuar assim. – Alice respondeu.
Ficou silêncio por algum tempo e eu me perguntei se eles estavam conversando mentalmente ou se a conversa já havia acabado.
- Bella ainda está lá. Do mesmo jeito. Se as coisas continuarem assim, logo ela estará chorando sangue.
Arregalei meus olhos. Então havia como um vampiro chorar? Mesmo sendo somente sangue, seriam lágrimas.“Poucas pessoas podem chorar sangue, somente aquelas que realmente tem um motivo, aquelas que conseguem transformar toda a sua tristeza em lágrimas.” Lembrei de meu professor de catequese explicando a turma como eram as conhecidas lágrimas de sangue que víamos na bíblia.
Bella estava quase chorando, ela estava muito triste e eu sabia por que. Ela estava tão triste por causa de mim.
Senti minha garganta se fechando e lágrimas saíam dos meus olhos, molhando minhas bochechas. Soltei um soluço que ardeu dentro de mim, mas eu sabia que aquele seria apenas o primeiro de muitos.

23 - Era uma vez...


Dobrei minhas pernas, passei meus braços por elas e apoiei minha cabeça em meus joelhos. Senti minhas lágrimas vazando dos meus olhos e um soluço saiu entrecortado da minha garganta. Eu não queria estar chorando mais, mas meu corpo parecia ver tudo como um motivo para chorar; fosse uma lembrança de Jake em meu quarto ou a saudade da minha família do Brasil.
- ? – ouvi Edward me chamando cuidadosamente.
Levantei meu rosto e olhei Edward, que estava sentado em minha cama, me analisando. Senti minha garganta se apertando mais ainda quando o vi. Ele parecia tão cansado e tão preocupado.
- Oh, Edward! É tudo culpa minha. Bella está sofrendo e é culpa minha. Jacob tinha razão. Eu sou o motivo por todas as lágrimas, eu sou toda a destruição. – falei, entre soluços.
Ele veio até o meu lado e passou um de seus braços gelados e duros por mim, ficando em silêncio.
- Perdoe-me, Edward. Por favor, só me diga que me perdoa. – implorei, o abraçando com toda a minha força, mas tomando cuidado para não machucá-lo.
Ele me soltou e limpou minhas lágrimas.
- Não há nada pelo que tenha que pedir perdão, . O que Jacob lhe disse não é verdade. Você não é o motivo por estas lágrimas e nem é toda esta destruição. Isso é um absurdo.
- Queria acreditar em você. – sussurrei, apoiando minha cabeça em seu peito de pedra.
Ficamos em silêncio. Eu me sentia confortável e segura quando Edward me abraçava, mas minhas lágrimas continuavam a cair lentamente enquanto eu pensava em Bella e no que eu estava fazendo com ela.
- , eu posso te contar uma história?
- Não acredito mais em histórias de finais felizes, Edward.
- Nem eu. – ele falou, respirando fundo. – Mas eu ainda não sei se esta tem um final feliz.
- Então conte-me. – pedi, me acomodando mais em seu peito.
Ele respirou fundo novamente, pegando fôlego para então começar.
- Era uma vez, um casal que teve uma filhinha. Ela era muito especial, tão especial que não era seguro para ela ficar com sua verdadeira família, já que eles eram vampiros e ela era apenas uma humanazinha. – fechei meus olhos para poder imaginar com mais perfeição a história que eu sabia muito bem de quem era. – Então, seus pais decidiram entregá-la à uma outra família, que não podia ter filhos, para que ela não soubesse de sua horrível origem e pudesse viver no mundo dos humanos como uma pessoa normal. Mas sua família sempre a observou de longe.
“Pouco tempo depois de a garotinha completar treze anos ela comprou um livro, um romance.Ela não sabia, mas este romance contava a história de seus pais, contando um final diferente, onde diziam que a sua filhinha havia ficado junto com eles, mas não era a verdade. Como várias garotas, ela acabou se apaixonando pelo personagem principal. Mas ela sabia que aquele era um amor diferente, já que ela não sonhava em tê-lo para si como as outras garotas. Ela queria apenas saber que ele existia. Era tudo o que bastava.
“Foi então que, em um dia de tristeza profunda, a garota chamou pelos seus pais. Ela recusava-se a acreditar que era tudo um conto, que tal amor não existiu, que ela nunca poderia viver um amor assim. A garota começou a chamar pelos pais, mas com tanta força que seu pai, assistindo aquela cena, acreditou que ela sabia da sua real descendência. Então, em um ato impensado, seu pai foi atrás dela.”
Edward fez uma pausa como se pensasse em como continuar a história. Eu já podia ver cada cena que ele descrevia, cada passo que Edward dera naquele dia, no rancho, quando chamei por ele. Ele iria me contar porque voltou, porque não me contou a verdade. Mas ele pareceu não querer continuar a história.
- E então? – o incentivei.
- O pai da garota estava muito perto de lhe contar a verdade, mas então alguém apareceu... – esperei ele me dizer o nome da pessoa, uma característica, qualquer coisa, mas Edward se calou.
- Quem apareceu, Edward? – perguntei, aflita.
Eu sabia que era um lobisomem, pois tampou a visão de Alice. Eu só queria saber quem era este lobisomem e o que ele estava fazendo tão perto de mim.
Me sentei no colchão para poder ver o rosto de Edward. Ele estava sério, apenas me analisando. - Realmente não sabe, ? – neguei com a cabeça e ele apertou os olhos. – Aquele que a ama de tal modo que preferiu vê-la longe e feliz por estar longe deste mundo do que ficar com você por perto. Quem a ama a tal ponto?
Passei em minha mente todos os nomes e foi o último a resposta mais coerente. Senti minha cabeça girar somente de pensar em seu nome.
- Jacob... – sussurrei e Edward assentiu.
- Ele correu para o Brasil assim que Bella contou para ele o que eu estava prestes a fazer. Ele me mostrou o que era o correto. Eu só queria ficar perto de você, filha, mas não era o certo, não naquele instante.
Respirei fundo algumas vezes. Aquele Jacob que havia dito tantas coisas horríveis para mim, aquele Jacob que havia me abandonado na clareira não se importando que eu não tinha condições para nada, aquele Jacob que eu vi beijando Leah.... aquele não parecia ser o mesmo Jacob que tinha pedido para Edward não me contar a verdade.
- O que esta tentando me dizer com isso, Edward? – perguntei, confusa. - Está me dizendo que devo deixá-lo para que ele seja feliz com a Leah, ou que eu devo ficar com ele, já que ele me ama tanto?
Edward suspirou e se acomodou novamente na cama – ele parecia tão desconfortável.
- O que você quer, ? – ele me perguntou, chegando mais para frente para ficar mais perto de mim. – Quer ser infeliz como Jacob foi quando lhe deixou viver no Brasil? Ou quer ser feliz como eu os via quando estavam juntos?
Desta vez, fui eu quem suspirei e encostei minha cabeça no peito gelado de Edward. Pensei, por algum tempo indeterminado, quando meu celular tocou. Me sentei na cama novamente e peguei meu celular, olhando o identificador de chamadas. Era minha prima, Amina.
- Oi, amor! – falei, em português, tentando parecer animada, mas aquela pergunta de Edward estava me deixando atordoada.
- ! , quando vai voltar? – minha prima falou, entre um soluço. Estava chorando.
- Amina, por que está chorando? – perguntei, me levantando da cama, e apertando meus lábios para não chorar por ouvi-la assim.
- , estou sentindo muito sua falta! Minha vida está uma bagunça e você está longe, não temos nem como nos falar! – ela quase gritou de desespero.
Minha garganta se fechou. E ela achava que a vida dela era uma bagunça. Amina não fazia ideia do que eu estava passando, e nunca faria, porque provavelmente nunca mais nos veríamos.
- Amina, acalme-se. Separadas por estradas, unidas pelo coração, lembra? – lembrei a ela o que eu sempre dizia.
Mesmo morando em cidades diferentes a vida toda, a distância não nos separou e nem acabou com nossa amizade, que na verdade era mais como uma irmandade. Víamo-nos pelo menos duas vezes por ano, mas daquela vez... eu não sabia se a veria novamente, então não podia simplesmente dizer: olha, eu vou pra aí assim que puder, não se preocupe.
- Vou me acalmar quando você estiver aqui do meu lado. Você tem que voltar, não pode ficar aí nos EUA! – ela gritou ao telefone. – Lembra que tínhamos combinado de irmos juntas para não nos separarmos? E você simplesmente foi, ! Sem mim!
Olhei para minha cama para ver o que Edward estava achando da minha prima estar gritando comigo ao telefone, falando aquelas coisas que não eram lá muito legais para o momento. Mas ele apenas olhava para fora da janela, sem parecer ver, mas sim imerso em pensamentos. Me perguntei se eram seus próprios pensamentos ou os de outra pessoa.
Soltei um suspiro, pensando no que falar para acalmá-la, mas nada parecia vir, não quando eu é que estava começando a me desesperar.
- Amina, eu sinto tanto. – sussurrei. – Por favor, pare de chorar. Não agüento te ver assim.
- , quero que você volte... por favor. Você nem devia ter ido, sabe disso. Mas agora, é tarde demais para voltar atrás.
Coloquei minha mão livre tampando minha boca e caí no chão de joelhos. Como ela podia saber que foi um erro vir? E pior, que não havia mais como voltar atrás?
Edward de repente estava ao meu lado no chão, com os braços em volta de mim, sem saber o que fazer.
- Amina... – sussurrei, sentindo minhas lágrimas vazando pelos meus olhos.
- ... sinto tanto sua falta. – ela confessou. – Sei que deve estar muito melhor aí, mas, bem... de qualquer modo, foi bom pelo menos ouvir sua voz.
- Amina, não sabe também o quanto sinto sua falta. – fechei meus olhos e respirei fundo. – Estou voltando para o Brasil o quanto antes.
- Hm? – ela perguntou, confusa e assustada ao mesmo tempo.
Eu me levantei e Edward me acompanhou sem tirar suas mãos dos meus braços. Eu mantive meu olhar baixo, eu sabia que retiraria tudo o que havia acabado de dizer se visse seus olhos.
- Volto para o Brasil ainda esta semana. Você estava certa, foi um erro vir para cá, mas ainda posso mudá-lo, agora posso.
- Está falando serio, ? Olha, eu sei o quanto você quis ir e... – eu a interrompi.
- Estou falando sério, Mih, minha vinda para cá fez muitas pessoas sofrerem. Está na hora de acabar com todo este sofrimento.
- Ah! Não acredito! – ela gritou e eu quase podia ver sua felicidade em seus olhos. – Tudo bem, então tenho que desligar! Mas, , desculpe por tudo.
- Está tudo bem, Mih, você me mostrou a resposta. Obrigada. Te amo.
Desliguei o celular e finalmente olhei para Edward, que me encarava, perplexo e confuso. Respirei fundo, esperando ele me falar o que achava da conversa, mas ele manteve o silêncio, ainda me encarando. Acho que ele esperava que eu começasse a me explicar, ou talvez estivesse decepcionado demais comigo.
- Eu acho que... – ele me interrompeu.
- Vai embora?
Pisquei algumas vezes e senti minha cabeça rodar. Vindo de Edward Cullen, não parecia fazer muito sentido. Eu estava ali, vivendo o melhor sonho que qualquer uma poderia querer. Mas depois, recoloquei tudo no lugar dentro de minha cabeça e respirei fundo. Seria uma longa noite.
- Não vejo mais motivos para ficar, Edward. E além do mais... – abaixei a cabeça, pensando em tudo o que ouvira de Jacob e de Amina. – Acho que é melhor eu ir mesmo.
- Por quê? , você sabe que não temos garantias de que Phelipe vai mesmo guardar seu segredo, e você mesma sabe que não é muito seguro viver perto de humanos.
- Phelipe vai guardar meu segredo, Edward. – falei. Tinha quase certeza daquilo, depois de tudo, depois daquele beijo. – E quanto a viver perto de humanos, acho que posso superar isso.
Edward começou a andar de um lado para o outro, perdendo a paciência. Neste momento, Alice entrou no quarto sem bater e andou rapidamente até mim, antes lançando um olhar para Edward.
- Vai mesmo, então? – Alice perguntou, com a sua voz fininha, desesperada.
Balancei minha cabeça freneticamente, assentindo. Ela olhou para baixo e sentou-se na minha cama, quase desabando, e ficou olhando para o nada.
- Você sabe que não precisa fazer isso, não é? – Edward me perguntou, andando até mim e pegando em meus ombros.
Fechei meus olhos e engoli em seco. A verdade era que eu tinha sim que fazer aquilo, eu tinha que encontrar um modo de voltar a viver – apesar de eu não ter total certeza se ia conseguir aquilo – e eu achava que no Brasil, longe de todas aqueles monstros e lendas, seria muito mais fácil.
- Eu tenho que ir. Eu quero ir. – falei, calmamente, cada palavra.
A porta de meu quarto abriu, e Bella entrou, com as mãos sobre a boca e os olhos arregalados. Provavelmente tinha ouvido o que eu acabara de dizer.
- ... – ela sussurrou, e correu até mim, me abraçando.
A abracei também e desisti de tentar guardar minhas lágrimas para mim mesma. Eu queria que eles soubessem que eu os amava mais que tudo e que não queria deixá-los, mas também amava minha outra família, minha outra vida. Quando ela me soltou, ficou me encarando por algum tempo, me olhando nos olhos. Ela estava confusa e parecia com medo também, eu me perguntei o porquê.
- Nós fizemos algo de errado, ? Eu juro que podemos consertar tudo. Olha, eu sei como você e o Jacob estão, mas, eu não sei, podemos nos mudar. – ela falou, tão rápido que eu tive que me concentrar para entender.
- É, olha, vamos nos mudar amanhã, está bem? Nunca mais terá que ver aquele cachorro. – Alice disse, de repente, ao meu lado. – Será tudo legal, como no livro, você vai ver. Se quiser, nós podemos... hmm... ir às ilhas Esme, no Brasil. Podemos visitar sua família ou fazer o que você quiser.
Balancei minha cabeça e limpei minhas lágrimas.
- Vocês precisam entender... por favor... entendam. Eu os amo tanto, mas eu ainda tenho a opção de escolher entre ser humana por algum tempo ou ser vampira para sempre. Eu só quero... – Parei um instante. – Olhem, eu passei quinze anos da minha vida imaginando como seria ser um de vocês, e vejo que talvez com isso, eu tenha perdido minha vida... mas eu posso voltar e viver... eu não sei... mais quinze anos imaginando como é ser uma humana.
Edward assentiu e deu um passo para trás, cruzando os braços. Aquilo parecia doer de um modo horrível nele, mas doía mais ainda em mim.
- Mas e Jacob, ? Você é o imprinting dele, não podem viver separados. Simplesmente por causa daquilo, vão se separar? – Bella perguntou.
Abaixei minha cabeça e fiquei fitando sem ver meus pés. Como eu viveria longe de Jacob? Mas qual seria o mais difícil? Viver separada dele por quilômetros, ou viver com o fato de ele não me querer?
- Ele não me quer mais, Bella. – levantei minha cabeça e a encarei. – Foi exatamente ele quem me disse para voltar para o Brasil. E quer saber? Eu não o culpo. Ele está certo. Tudo o que ele me disse era apenas a verdade. Eu magoei muita gente, só quero tentar consertar as coisas, pelo menos por um curto período de tempo.
- Jacob... ele te disse para voltar para o Brasil? – Edward rosnou. – Eu não acredito! Eu vou quebrar a cara daquele cachorro!
Bella se colocou na frente de Edward e pousou suas mãos sobre seu peito.
- Edward, está sendo irracional. Jacob estava nervoso, você viu o que aconteceu aqui. Sabe exatamente, o que Jacob viu.
Edward passou as mãos em seus cabelos cor de bronze e soltou mais um rosnado. Eu sabia que ele escutaria Bella, ele sempre a escutava.
- Mas ele ainda assim é culpado. Quem sabe se ele não tivesse brigado com a , ela não estaria querendo nos deixar.
Eu apenas observava tudo em silêncio. Eles estavam conversando sobre mim como se eu não estivesse lá, e eu realmente sentia como se não estivesse.
- Não vou deixá-los. É só por um tempo. Olhem, não vou ficar no Brasil para sempre. Acho que volto quando me formar. Eu só quero voltar a viver minha vida por um pequeno período de tempo. Por favor. – Implorei.
Todos me olharam com o pior olhar que eu já havia recebido, como se eles não tivessem mais argumentos. Desviei o olhar para o chão por um instante e quando eu voltei a olhar para cima, o meu quarto já estava vazio.
Senti meu choro, minhas lágrimas ameaçando voltar a sair, e minhas pernas bambearam. Me encostei na porta e deixei meu corpo escorregar até o chão. Abracei meus joelhos e fiquei encarando o nada enquanto minhas lágrimas saíam.
Era impressionante o quanto as coisas que eu fazia sempre tinham o mesmo final: pessoas tristes, eu chorando, magoando alguém. Pensei em todas as minhas férias. No que elas haviam se tornado. E eu percebi que não sabia se era tudo um conto de fadas ou uma história de terror. Afinal, eu nunca havia estado tão feliz e tão triste em toda a minha vida. Os momentos felizes que vivi valeram por toda a minha vida, e pensar nisso fez com que eu me acalmasse. Com cuidado para escolher as lembranças – caso eu caísse em uma que ocasionara o que estava acontecendo no momento, minha ida – eu fui relembrando tudo que havia acontecido ali. Eu dava risada quando lembrava de cada detalhe, cada sorriso e cada enrascada em que me meti. Não me surpreendi por ver Jacob em todas as lembranças, mas isso não me deixou mais triste, apenas mais confiante. Eu queria vê-lo sorrindo novamente e tinha quase certeza de que se eu estivesse ali, aquilo não seria possível.
Respirei fundo e me levantei. Coloquei a minha mão na maçaneta e a girei sem abrir a porta. Sabia o que me esperava lá embaixo, mas eu estava pronta para aquilo, eu tinha que estar. Pensei em como tudo ia melhorar se eu fosse forte em minha decisão até o final.
- Era uma vez... – sussurrei – Uma garota sem sonhos.

Capítulo betado por Sofia Queirós


24- Adeus, Jacob Black

[Coloque para baixar The Kill do 30 Seconds to Mars (sem a participação da Pitty):http://www.youtube.com/watch?v=8yvGCAvOAfM&ob=av2n]

Como eu imaginava, explicar aos outros o porque de eu ter que ir embora não foi nada fácil. O bom era que quando eu olhava para Rosalie, ela parecia me entender, o que me fez sentir melhor; ter alguém que via as coisas do mesmo modo que eu era quase... reconfortante. Mas no final da conversa, eu estava esgotada. Não chorava, mas sentia falta de ar apenas por vê-los sofrer. Logo depois passei o dia em meu quarto, não suportava ter que sair de lá e ver o olhar de todos.
Na hora do almoço, Rosalie entrou em meu quarto trazendo uma bandeja de comida e um sorriso encorajador no rosto. Ela colocou a bandeja na escrivaninha e sentou-se em minha cama. Saí do msn e virei a cadeira para ficar de frente para ela, imaginando que ela tinha algo a me dizer. Mas ela apenas andou em passos humanos até mim e me abraçou. Fiquei meio tonta e totalmente confusa por um segundo, mas depois a abracei também com todo o carinho que conseguia. Quando ela me soltou, colocou suas mãos em meus ombros e me olhou nos olhos.
-Obrigada. – ela falou simplesmente.
- Pelo o quê?
- Por não desperdiçar o resto de sua vida conosco. Você sabe, voltar a ser humana.
Assenti ainda confusa. Eu conhecia toda a história de Rosalie e sempre soube que se ela pudesse, daria tudo para voltar a ser humana. E eu a entendia, não na época em que li o livro, mas hoje em dia.
- Você parece ser a única feliz com a minha partida. – falei sem ver e logo depois me arrependi.
Ela sorriu e olhou para o chão.
- Não estou feliz com a sua ida, e sim com você ter feito a escolha que eu faria. Todos nós, , vamos sentir muita a sua falta, mas também sabemos que assim você vai ser muito mais feliz. Então, ninguém vai te impedir de ir; ninguém vai te julgar.
Assenti e apertei meus lábios em uma linha única, sentindo o choro vir novamente. Ela se levantou e andou até a porta abrindo-a até a metade, mas não saiu do quarto.
- Edward, Bella e Alice foram caçar. É a única coisa que acalma a Bella. E... Houve um problema com as linhas telefônicas, então Esme e eu vamos à Forks para tentar ligar para o aeroporto. – Ela parou então de falar analisando minha expressão e depois levantou as sobrancelhas. – Está tudo certo, não é? Ou quer esperar mais algum tempo para pensar?
- Para quando vão comprar as passagens?
- Hm... amanhã ao amanhecer. Alice disse que vai estar com o céu nublado, então poderemos sair sem qualquer problema. Foi este o combinado, não foi? – ela perguntou se referindo ao acordo que fizemos mais cedo, enquanto eu contava aos Cullen por que eu iria embora.
- É. Foi este o acordo. – sussurrei.
Ela se virou e saiu do meu quarto me deixando sozinha.
Eu quase não toquei na comida. Meu estômago parecia começar a doer pelo fato de eu ficar tanto tempo sem comer. Fiquei olhando para a comida e tocando o garfo os pequenos grãos de arroz enquanto o tempo passava. Quando percebi já eram cinco horas da tarde e eu não havia comido nem um pouco da comida que já estava fria. Soltei um suspiro e saí do meu quarto levando a bandeja comigo. Andei até a cozinha lentamente e percebi que a casa estava silenciosa. Sabia que apenas Emmett e Jasper deveriam estar aqui, mas mesmo assim, senti falta das risadas fora de hora de Emmett e a calma que Jasper proporcionava. Deixei a bandeja sobre o balcão e joguei a comida no lixo para depois por o prato e o copo dentro da pia. Peguei um copo de água e saí da cozinha seguindo até a varanda. Enquanto dava um gole em meu copo, fiquei olhando a mata verde à minha frente. O vento frio da do inicio da noite tocou meu corpo fazendo-o se arrepiar. Me abracei com um dos braços, mas mesmo assim continuei com frio. Me perguntei se era um frio psicológico ou estava realmente tão frio quanto parecia. Mas então, de repente, meu corpo se esquentou e o vazio dentro de mim diminuiu. Mas apenas para aumentar de tamanho, e foi isso que aconteceu quando o vi. Correndo em seus movimentos perfeitamente sincronizados e seu corpo esguio e definido vindo para cá.
Jacob Black.
Ele veio até mim correndo, mas não subiu as escadas da varanda. Fiquei o encarando sem reação, enquanto ele fazia o mesmo. Sua respiração estava rápida e pesada e seu corpo estava apenas coberto por uma calça jeans gasta apesar do frio que a noite prometia.
O tempo que ficamos nos encarando sem dizer uma palavra se quer era tão confortável quanto desconfortável. Eu me sentia bem perto dele, mas também queria me manter longe, como se algo na minha mente apitasse gritando: Perigo! Perigo!
Talvez fosse só meu coração partido tentando salvar o pouco que sobrara dele.
- ... – ele sussurrou, subindo um degrau da pequena escada que nos separava.
Sua voz foi como uma canção de ninar para meus ouvidos, eu queria ouvi-lo dizendo meu nome mais uma vez. Mas meu instinto de proteção me fez dar um passo para trás. Vendo minha reação Jacob parou de andar e soltou um suspiro pesado e cheio de dor.
- É verdade o que Bella me disse? Você vai realmente embora? – ele perguntou, sua voz novamente parecendo música para meus ouvidos.
Eu podia sentir sua dor e seu arrependimento em minha mente, mas não fiz nada, não havia nada a ser feito.
Assenti rapidamente, não tinha forças nem para respirar direito, quanto mais para falar alguma coisa.
Jacob fechou os olhos por alguns segundos e depois os abriu. Eu sentia falta de seus olhos, incrivelmente mais do que da sua voz.
- , me desculpe. – Ele pediu, enquanto subia em dois passos a escada e ficando a menos de um metro de distância de mim. – Olhe, tudo aquilo... Eu não queria lhe falar tudo aquilo. Eu estava nervoso, fiz tudo sem pensar. Por favor, eu lhe imploro, me perdoe.
- Eu te perdôo. – falei rapidamente antes que ele continuasse com aquilo, eu não podia suportar.
Ele, que parecia pronto para me implorar mais, parou e me analisou surpreso por algum tempo. Nós dois sabíamos que era por causa do imprinting que eu o estava perdoando, mas não era só isso. Nosso amor nunca se resumiu só ao imprinting, talvez se fosse só isso não seria tão complicado.
- O que? O que disse?
- Que eu te perdôo. – Repeti.
Jacob piscou os olhos com força duas vezes.
- Quer dizer que me perdoa por tudo o que eu lhe disse, que não me odeia mais e que não vai mais embora?
- Eu lhe perdôo por tudo o que me disse. Eu nunca te odiei, Jacob. Mas eu vou embora. – respondi com calma pergunta por pergunta.
Eu tinha a estranha impressão que não estava pensando – ainda tonta pelo choque da visita – mas eu sabia, que por isso, estava sendo sincera, que por causa disso era o imprinting falando. E o imprinting, por mais que doesse só pensava na segurança e na felicidade da outra pessoa, independente do quão machucada eu ficaria para isso.
- Por que vai embora se não me odeia? Se eu não sou o motivo pela sua partida?
- Eu não disse que você não era o motivo pela minha partida. – a dor de Jacob apertou minha mente – Não totalmente.
- E não... Entendo.
- O que não entende, Jacob? – Quase gritei, minha garganta ardendo para que eu voltasse a chorar. – Não entende que depois que você beijou a Leah tudo acabou? Não entende que nós dois devemos seguir em frente? Não entende que tudo aquilo que você me disse me machucou tanto que eu nem sei como ainda estou viva? Mas eu acho que só estou viva para que a cada vez que eu inspiro o ar eu lembre do que você me disse. É, deve ser isso. – falei com um último suspiro.
Jacob ficou me olhando. Tentei decifrar o que seus olhos queriam me dizer, mas tudo o que eu pude descobrir era que eu tinha feito o sofrimento e o arrependimento aumentar, pois eu sentia isso em minha mente.
Ele abaixou os olhos e fitou seus pés.
- Não acho justo você me julgar por tudo dar errado. Não é culpa só minha. – ele falou quase rude.
Bufei e cruzei meus braços em um aperto firme.
- O que esta fazendo aqui, Jacob? Veio me causar mais sofrimento? Parabéns! Você conseguiu.
Me virei e fui andando até a porta da frente.
- Não, ! – Jacob foi até mim e me segurou pela mão. Olhei rapidamente para nossas mãos juntas. – Por favor. Me desculpe. Não vá. – ele sussurrou.
Soltei minha mão da dele, sentindo meu coração protestar por fazer tal coisa.
- Adeus, Jacob Black. – murmurei e andei até a porta a fechando atrás de mim.
Achei que depois disso viria o silêncio. Me encostei na porta e fechei os olhos impedindo que as lágrimas saíssem. Senti a porta estremecer atrás de mim e fechei meus olhos.
- Você estava errada, . Antes, quando disse que eu não a conhecia. Você estava errada. – Ele esperou uns segundos, imaginando que eu fosse lhe dizer algo, mas permaneci em silêncio fitando o nada. – Eu sei tudo sobre você. Você acha que Edward foi o único que esteve com você várias vezes sem que você nem soubesse da nossa existência? Eu estive lá tantas vezes, em momentos que para mim poderiam ter sido minha ruína, mas eu sabia que seriam importantes para você, então eu queria estar presente.
Coloquei minha mão sobre minha boca e parei de respirar por algum tempo. Não ia chorar. Ouvi Jacob soltando um soluço e a porta estremeceu novamente com um novo soco.
- ! Responda! Você sabe que não é esta porta que vai me impedir! ! – ele começou a berrar, enquanto esmurrava a porta.
Depois ouvi Emmett e Jasper gritando para ele parar com isso. E então, finalmente, o silêncio.
Ouvi passos até a sala e levantei meu rosto. Eles olhavam assustados sem saber o que fazer. Uma calma ameaçou me tomar, mas não foi o bastante. Minhas pernas tremiam e eu sabia que não conseguiria ficar muito tempo sem desmoronar.
- ... – Emmett ameaçou falar alguma coisa, mas calou-se quando percebeu que não havia nada a ser falado.
- Desculpe por isso – falei rápido e subi correndo para meu quarto.
Fechei a porta fazendo um barulho quase ensurdecedor, mas não me importei. Precisava despejar toda aquela dor em algo que não fossem lágrimas, pois percebi que elas não ajudavam em nada. Eu chorava e a dor não passava, mas era um modo de por tudo para fora; o único problema é que depois de eu ter chorado tudo, ainda chorava mais, então não resolvia nada; sempre havia mais lágrimas, e eu estava cansada delas. Corri até meu notebook e liguei o som na primeira música com muita guitarra e bateria que vi e ela começou a encher o quarto com a voz do vocalista, imediatamente me senti mais tranqüila.

[Coloque play na música]

Fui até o meu armário e abri todas as portas, subi sobre uma cadeira e peguei minha mala gigantesca rosa no maleiro. Comecei a jogar todas as minhas roupas lá dentro sem dobrar, apenas fui tacando. Logo, com minha super velocidade, o armário estava vazio. Mas a música ainda não tinha acabado e nem minhas coisas. Subi novamente na cadeira e peguei minha outra mala e a joguei no chão. Comecei a guardar minhas coisas que estavam pelo quarto. Quando a música acabou eu percebi que estava ofegante e com sede. Fui até minha cama e me joguei lá, olhando para o teto por algum tempo percebi o que estava na minha cara há muito tempo. Eu estava fugindo; como um cão covarde eu estava fugindo do meu destino, sendo que eu sabia que um dia ia ter que enfrentá-lo. Engoli seco só de pensar nisso e fechei meus olhos. Desta vez, diferente das outras vezes não me veio nenhuma imagem à mente, apenas o negro por meus olhos não receberem luz alguma. Comecei a colocar as coisas em ordem, qual seria meu futuro quando pegasse o avião.
Chegar em São Paulo, ir para a casa dos meus primos, mentir sobre como a minha viagem foi boa para o meu aprendizado – sendo que a única coisa que eu havia aprendido era como lutar contra vampiros e lobisomens – no inglês e como eu tinha visitado diversos pontos turísticos. “Como foi morar em Forks, ? Deve ter imaginado que estava no livro, não é?” Uma das minhas amigas perguntaria quando eu fosse para a escola. Na hora do recreio eu iria ver aquele garoto maravilhoso do 2º ano que me lembrava tanto Jacob, ia mentir para mais algumas pessoas sobre o meu suposto “intercâmbio” para Forks, e depois, já na aula, eu ia ficar perdida em pensamentos desenhando na minha apostila desenhinhos que não tinham nada a ver com o momento, como corações – sendo que eu não devia mais amar ninguém, exceto Jacob – ou garotinhas na praia – sendo que lá fora estaria caindo uma forte chuva ou o frio estivesse quase congelando meus dedos. No final? Eu me formaria, veria meus amigos indo para a faculdade, e eu ainda teria aquela doce carinha de quinze anos, enquanto, com o tempo, os garotos iam tendo barba e as garotas iam fazendo planos de fazer cirurgias para corrigirem seus rostos perfeitos de jovens que envelheceriam um dia. Não que eu quisesse envelhecer, ou que no final das contas meus amigos fossem viver mais experiências que eu; afinal, eu viveria por toda a eternidade enquanto praticamente todos não completariam um século. Mas teriam aquelas experiências que eu nunca teria. Eu nunca me desesperaria pelo aparecimento de uma ruga, ou teria que rezar para que minha menopausa nunca chegasse. Mas também nunca envelheceria, vendo meus netos correndo de um lado para o outro, rindo de como eles eram mais rápidos que eu. Não, eu nunca teria um garotinho ou uma garotinha para ir dar boa noite ou ser acordada de madrugada porque ele teve um pesadelo sobre uma história que leu em um livro ou um filme. Não, eu nunca envelheceria. Não, eu nunca me casaria com meu verdadeiro amor. Não, eu nunca sofreria achando que aquele garoto que me traiu era minha alma gêmea, pois eu já havia achado meu príncipe encantado e eu o deixei, para que ele fosse feliz com outra. Não, eu nunca viveria milhares de experiências incríveis, mas meus amigos também nunca poderão dizer que acharam sua alma gêmea e ter a total certeza disso. Eu me privei de muitas coisas, mas mesmo assim, viverei muitas outras experiências que metade do mundo nunca sonhou em ter. Eu sei da existência de um mundo escondido pelos séculos, eu sou parte deste mundo, mesmo não querendo. Mas que diferença faria? Eu estava fugindo. Fugindo deste mundo para que eu pudesse viver naquele que todos conheciam e muitos deles não gostavam; como eu, no passado, quando tinha certeza que a todo momento estava no lugar errado. Eu não fazia idéia de o quanto estava certa. Aquele nunca foi meu mundo, não era para eu estar ali, junto com pessoas normais vivendo uma vida pacata e tediosa. Mas agora eu via, que aquele era o certo. Se não houvessem vampiros e lobisomens, o mundo seria totalmente daquele modo. E era aquele mundo que eu queria viver por um pouco mais de tempo. Eu queria poder viver tudo sabendo que era aquele último minuto. Só assim, eu saberia viver no meu verdadeiro mundo, com minha verdadeira espécie.
Então, era este o verdadeiro motivo de eu querer voltar para o Brasil. Não era Jacob, ou os Cullen. Era eu. Apenas eu. Suspirei mais tranqüila com aquilo. Mas então, se não era culpa de Jacob, por que eu o tratei tão mal?
Com um pulo me levantei da cama e percebi o que faltava para eu poder finalmente ir embora.

25- Só temos esta noite

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Senti os primeiros respingos de chuva molhando meu cabelo que balançava livremente como uma cortina negra no meio da floresta. Tirei minha franja da frente dos meus olhos e parei de correr olhando ao meu redor.
- Droga, acho que me perdi. – sussurrei para mim mesma.
A noite deixava a floresta mais igual do que de dia – eu não sabia como isso era possível. E agora, com a chuva vindo, nem a lua iluminava mais a noite escura. Cruzei meus braços fortemente contra meu corpo e senti meu queixo começando a bater de frio. Eu estava apenas com uma blusa branca tomara que caia, uma calça jeans skinny e minha bota cinza. Comecei a correr novamente sem direção.
Precisava achá-lo. Passei em sua casa, mas ele não estava lá.
Até que mais a diante, senti seu cheiro. Meu coração começou a disparar e eu me senti completa novamente. Quanto mais próxima chegava, mais dor em minha mente eu sentia, mas não era minha a dor. Continuei correndo em linha reta e quando saí da floresta estava na clareira. Mas não a clareira de Bella e Edward e sim a nossa clareira aquela que ele havia me mostrado, que tinha o céu mais lindo que eu já havia visto.
Ele estava lá. No alto da pedra de pé, em sua forma de lobo. Um uivo de dor e sofrimento encheu o lugar. Não havia lua no céu, mas isso não o impedia de uivar cada vez mais alto. Percebi que ele não sabia que eu estava ali. Tão perto dele e ao mesmo tempo, tão longe.
- Jake? – sussurrei, minha voz falhou uma vez.
Ele desviou o rosto do céu e olhou na minha direção. Jacob correu até mim sem destransformar e parou a dois metros de distância, seus olhos brilhando como duas esferas negras. Ele olhou para sua perna esquerda mostrando-me que não havia trazido uma roupa. Assenti entendendo e andei até ele. Ficamos nos encarando por algum tempo. Seus olhos negros estavam cheios de dor e aquilo massacrou meu coração por saber que era eu quem estava causando tanta dor. Ele mexeu com a cabeça fazendo o mesmo movimento como o de algum tempo atrás, quando Seth e ele levaram e eu para a campina, queria que eu subisse nele.
- Posso ir correndo.
Ele bufou e aproximou seu enorme corpo felpudo para mais perto de mim. Eu sem discutir subi em suas costas e logo estávamos correndo pela floresta.
As árvores passavam por nós como uma parede, não que eu não estivesse acostumada com aquilo, mas eu estava com um estranho medo de cair. Apertei mais meu corpo com o de Jacob e me senti mais segura e mais aquecida. Eu sentia falta do seu corpo quente junto ao meu, daquela sensação de estar no lugar certo com a pessoa certa. Fechei meus olhos tentando imaginar para onde ele estava me levando. Só os abri novamente quando percebi que havíamos parado de andar. Estávamos em frente à sua casa e ela estava toda apagada, Billy provavelmente havia saído.

[Dê play na música]

Quando fui descer de cima de Jacob me desequilibrei e acabei caindo de bunda no chão.
- Shit! – reclamei me levantando.
Olhei para Jacob e ele ria de seu jeito de lobo.
- Jacob! Pare de rir da minha desgraça! – tentei falar brava, mas já estava rindo também.
Quando ele se acalmou ficamos nos encarando novamente e o clima mais pesado voltou.
- Você... Hmm... Vai destransformar? – perguntei confusa.
Ele mostrou com a cabeça a casa e eu percebi que a roupa dele devia estar lá dentro e ele era muito grande para entrar na pequena casinha.
- Quer que eu pegue suas roupas? – perguntei ainda um pouco confusa.
Jacob assentiu e sentou-se como se estivesse se preparando para me esperar por um longo tempo.
Andando em passos humanos fui até o quarto de Jacob e abri seu armário. Lá dentro estavam umas poucas roupas, peguei em uma das gavetas uma camiseta e uma calça jeans velha. Seu cheiro era muito forte ali, me fez sentir em casa. Quando estava voltando vi em cima da cama minha blusa rosa, estava espremida no canto da cama. A peguei e a vesti mais sentindo-me imediatamente mais aquecida. Agradeci mentalmente por ter esquecido aquela blusa lá. Sai da pequena casa e coloquei as roupas sobre uma cadeira de balanço que ficava na pequena varanda e Jacob ficou me analisando.
- Peguei minha blusa. – falei, mas ele não se moveu. – Eu vou lá pra dentro para você se trocar.
Entrei na pequena casa e fiquei observando cada detalhe. Eu tinha passado tanto tempo sonhando com aquele lugar, eu tinha passado tanto tempo sonhando em como seria ficar lá. Olhei para o chão da sala e quase pude ver Jacob e eu deitados ali, abraçados, naquela noite que eu tentara matar ela somente por que ela tinha cortado a mão. Eu estava tão assustada e foi Jacob quem me acolheu. Fechei meus olhos e respirei fundo tentando impedir minhas lágrimas de descerem.
- Vai ser difícil viver sem você. – confessei quando ouvi a porta da pequena casinha se abrindo.
Senti dois braços quentes me abraçando por trás e me apertando contra seu corpo. A respiração de Jacob me causou arrepios quando encostou em minha orelha.
- Então não vá. – ele falou com a voz um pouco sufocada por meu cabelo.
Coloquei minhas mãos sobre as de Jacob que estavam em minhas costelas e as soltei lentamente, ele não me impediu, então me virei ficando de frente para Jake e dei um passo para trás aumentando a distância entre nós.
- Não vim aqui para que você me faça ficar.
- Veio aqui para se despedir então? – ele perguntou, sua voz falhou e eu percebi que suas mãos tremiam.
Peguei suas mãos e as apertei um pouco. Logo as mesmas pararam de tremer.
-Sim. Mas vim também para lhe pedir desculpas por hoje mais cedo. Você não é o motivo de eu voltar. Eu estou voltando apenas por que quero viver minha vida de humana por mais algum tempo.
- Então vai voltar para mim? – Jacob me perguntou esperançoso.
Mordi meu lábio inferior ao sentir a esperança de Jacob em minha mente. Eu iria decepcioná-lo, de novo.
- Vou voltar, apenas voltar. Mas não quero que me espere. Quero que seja feliz Jacob, seja feliz com a Leah, com outra garota... – ele me interrompeu.
- Só posso ser feliz com você, . – ele pegou meu rosto com suas mãos. – Só com você.
Suas mãos começaram a puxar meu rosto para mais perto do dele. Jacob então selou nossos lábios apenas os mantendo juntos, sem que nossas línguas se tocassem.
Tentei respirar, mas parecia impossível, tanto o aperto no meu coração quanto o bolo em minha garganta me impediam.
- Jacob, não acho que isso seja certo. Não com eu partindo amanhã de manhã. – murmurei com o resto de ar que me restava.
- Então só temos esta noite, não é? – ele murmurou já com seus lábios a milímetros dos meus.

***

Acordei do nada, simplesmente sem sono. Sem abrir os olhos mordi meu lábio inferior desejando que tudo aquilo não tivesse sido um sonho. Então, criando coragem, abri meus olhos lentamente e tudo o que consegui ver foi o rosto tranqüilo de Jacob. Sorri me lembrando de cada detalhe. Nós indo para o quarto; Jake me deitando na cama lentamente com cuidado para não separar o beijo; nossos corpos nus, juntos, como um só; a dor; o prazer; o cuidado. Me lembrava perfeitamente de Jacob me perguntando ao meu ouvido: “ Estou te machucando?”. Tudo aquilo, que eu jamais iria esquecer. Aquela noite que ia ficar marcada pelo resto de minha vida. Aquela noite que nunca iria se repetir. E pela primeira vez, desde que decidira voltar para o Brasil, me perguntei se aquela era a decisão certa. Mas eu sabia que era.
Aquela noite, que ia ficar para sempre em minha memória, talvez tivesse sido um erro, afinal, como seria saber que jamais ia ser abraçada daquele modo. Nunca mais sentiria aquele calor que parecia queimar e aquela calma no final de tudo. A única coisa que eu teria era uma lembrança, mas era melhor ter aquilo, do que não ter nada.
Olhei para a pequena janela do quarto de Jacob, o céu estava meio acinzentado. Já era de manhã. Meus pais provavelmente estariam se perguntando aonde eu me metera, afinal, eu apenas havia avisado para Jasper e Emmett que ia me despedir de Jacob.
Me levantei com cuidado da cama para não acordar Jake. Comecei a procurar minhas roupas que estavam espalhadas por todo o quarto. Quando terminei de vesti-las fui para a janela – não estava muito afim de encontrar Billy ali – mas antes de pulá-la, parei e olhei para Jacob. Ele ronronava e dormia tranquilamente. Ainda estava na mesma posição de quando eu estava deitada ao seu lado, só que agora seu braço estava apoiado na cama e não em minha cintura. Fui até Jacob e me ajoelhei ao lado da cama.
- And I'd give up forever to touch you… - cantei o início daquela música que tanto representava meu amor por ele.
Aproximei meu rosto do dele e fechei meus olhos. Nossos lábios se encostaram fazendo raios de energia passarem por todo o meu corpo. Separei logo meus lábios dos dele para ter garantia que não o acordara, mas ele dormia tranquilamente, como se nada tivesse acontecido. Então, quando percebi que já tinha derramado aquelas lágrimas que lutaram tanto para sair, corri do quarto, pulando a janela. Nunca mais iria voltar ali.

Epílogo: Gratidão

(Jacob Black Ponto de vista)

Acordei meio atordoado pensando que tudo aquilo não passara de um sonho. Abri meus olhos rapidamente, para poder encontrar o rosto de Julia dormindo calmamente como de noite, depois de tudo. Mas tudo o que encontrei foi o vazio. Ela não estava lá ao meu lado. Me sentei rápido na cama imaginando que ela estaria em outro lugar do quarto, mas não estava e nem suas roupas. Coloquei minha bermuda que estava no chão e saí do quarto correndo. Talvez ela estivesse tomando café, ou na sala. Parei na sala e olhei para os lados, meu pai lia um livro calmamente no sofá.
- Pai, a Renesmee estava aqui? – perguntei desesperado.
Meu pai tirou os olhos do livro e olhou para mim.
- Não a vi não. Ela dormiu aqui, não é?
- Dormiu. – respondi rápido. – Tenho que correr, ela vai voltar hoje para o Brasil. Não posso deixar.
Ouvi meu pai falar alguma coisa, mas eu já estava do lado de fora de casa e já tinha me transformado. Comecei a correr em direção à casa dos Cullen.
E então, Jacob, como foi a noite? Quil me perguntou por pensamento.
Sem conseguir evitar comecei a pensar no que tinha acontecido a noite depois que havia me destransformado.
Não dê detalhes, Jacob, vou ficar enjoado! Seth reclamou.
Eu apenas ri e continuei correndo.
Jacob, aonde esta indo? Sam perguntou para mim.
Vou para a casa dos Cullen, tenho que impedir que Julia vá embora! Respondi sentindo um calafrio só de me lembrar disso.
Então ela vai mesmo? Depois de tudo? Seth perguntou confuso.
Não se eu puder impedir. Grasnei e comecei a sentir o cheiro de vampiros.
Jacob... Sam me chamou. E se ela realmente for embora? O que vai fazer? Pensei naquela pergunta por algum tempo. Minha vida sem ela antes tinha sido mais fácil do que seria agora. Afinal, antes ela não sofria por mim e eu a via feliz. Agora ela iria sofrer e eu sabia como era ter ela por perto, ainda mais depois daquela última noite.
Não faço idéia, Sam, não faço idéia. Respondi.
Um silêncio estranho correu pelo grupo.
Cheguei à casa dos Cullen. Vou destransformar. Informei o grupo.
Qualquer coisa nos chame. Quil avisou e eu bufei, aquele perigo quanto entrar na casa dos Cullen já não fazia mais sentido.
Destransformei quando já estava na frente da casa dos Cullen. Respirei fundo e toquei a campainha. Esme abriu a porta e no mesmo momento um Porshe Amarelo virou a estrada aparecendo em frente a casa dos Cullen. Lá de dentro saiu uma pequena criatura e correu passando em menos de um segundo por mim. Eu e Esme ficamos nos encarando enquanto víamos Alice subir as escadas correndo com Jasper atrás dela. Edward passou por nós e parou em mim.
- Acho que vai querer vir conosco, Jacob. – ele falou sério.
Eu apenas assenti e depois senti algo gelado pegar minha mão. Era Bella, ela tinha a expressão triste e fomos juntos subindo as escadas.
Fiquei me perguntando onde Julia estaria e percebi que devia estar em seu quarto dormindo. Mas foi na porta deste quarto que paramos e a porta estava aberta. Somente Jasper e Alice ocupavam o aposento. Alice tinha um envelope em uma das mãos e sua outra mão tampava sua boca que estava em estado de choque.
- Julia nos deixou uma carta. – Edward falou pegando o envelope nas mãos de Alice e ficando ao lado de Bella.
Senti meu estômago embrulhar. Ela já havia ido. Depois de tudo ela foi embora. Senti uma calma passar pelo meu corpo, mas ela não ficou lá por muito tempo. Tudo o que eu podia sentir era a dor de Julia ficando cada vez mais difícil de sentir. Encarei Edward enquanto ele abria o envelope e tirava um papel lá de dentro. Então ele começou a ler.
“Provavelmente quando lerem esta carta eu já estarei longe. Mas eu não poderia ir sem dizer algumas palavras pra vocês.
Primeiro, eu queria agradecer. Obrigada por toda a hospitalidade e apoio que me deram quando eu mais precisei. Eu nunca vou esquecer isso. E me desculpem por ter que voltar para o Brasil sem uma boa razão, eu só percebi que isso era a coisa certa a fazer. Eu espero que possam me perdoar um dia.
O amor que senti por vocês não é algo que possa ser explicado em palavras, não é algo que possa ser sentido por qualquer um. Desde quando li o livro percebi que havia algo que me conectava com vocês; o fato de eu acreditar, quando todos diziam que era errado sonhar com algo tão absurdo; o fato de toda a minha vida parecer ser escrita para que no final eu me encontrasse com vocês e soubesse que existiam. E era apenas isso que eu queria saber. Não importava o modo, não importava se logo depois disso eu morresse. Nada mais importava. E era este o meu recado, Edward. Aquele que não lhe dei antes. Eu apenas queria lhe dizer que mesmo antes de lhes conhecer eu acreditei em vocês. E é tudo que peço a vocês. Que acreditem em mim. Acreditem que vou voltar e que poderemos em fim ser felizes. Por que esta história foi escrita para ter um final feliz.

Edward desviou os olhos da carta e olhou diretamente para mim. Eu sabia que ele podia ouvir tudo o que eu pensava, mas neste momento, minha mente estava silenciosa. Eu estava entorpecido. A única coisa que podia compreender é que ela se fora. Minha impressão se fora. Julia se fora. Eu estava sozinho. De novo.
- Ela deixou os livros aqui. – Bella observou soltando minha mão e andando até a cama.
Lá estavam os quatro livros de Crepúsculo. Empilhados e sobre eles, havia um pequeno bilhete escrito com a caligrafia de Julia:
Eu não preciso mais disso para saber quem eu sou e o que devo sentir.
Depois, a última coisa que me lembro era quase ter acordado de meu topor por causa do tamanho Dejavú; minhas roupas espalhadas pelo chão como migalhas e meu corpo – já transformado – correndo contra o vento. Eu não via para aonde estava indo. Mas aquela cena já havia acontecido, quando eu recebi o convite de casamento de Bella e Edward, eu deixara tudo para trás apenas para correr em forma de lobo e não sentir tanta dor por tê-la perdido. Mas daquela vez, a dor continuava profunda, parecendo raspar minhas veias e pressionar meu coração contra meu pulmão.
Jacob ouvi a voz de Leah me chamando e só então percebi que ela já devia estar em minha mente á algum tempo.
Deixe-me em paz, Leah. Respondi rude.
Sabe que não posso. Foi por isso que ela te deixou, Jacob. Para que fosse feliz comigo. Ela, mesmo sem ser minha amiga, mesmo eu tendo a machucado, ela ainda fez o que Emily não teve forças para fazer. Ela me deixou ser feliz, me deu uma oportunidade de ser feliz. Vou ser eternamente grata a ela. Leah falou de um modo, com uma gratidão que eu nunca a vira usar.
Ela me deixou Leah, não posso ser feliz com alguém que não seja ela.
Parei de correr assim que percebi que Leah estava – em sua forma de lobo – bem à minha frente. Ela me encarava com os olhos tristes.
Não vai conseguir viver sem ela, vai?
Não. Respondi e dei meia volta me distanciando de Leah.

Fim.



N/a: Ooi. Sim, vocês podem me matar, really. Eu nem tenho uma desculpa pra não ter mandado esta atualização muuuito tempo atrás. Eu ficava adiando, talvez por medo de acabar, ou por outros motivos pessoais que não me deixavam... anyway. Este post vai ser todo reservado aos agradecimentos. Primeiramente, obrigada as minhas leitoras maravilhosas que me apoiaram, que choraram, que riram e que ficaram ao meu lado sempre, mesmo quando eu não merecia.Obrigada as minhas duas betas (uma que começou tudo e outra que terminou), vocês são incríveis e eu jamais esquecerei sua ajuda. Obrigada aos meus amigos, aqueles que leram, aqueles que zoaram e aqueles que mesmo sem ler, me apoiaram. A minha família, novamente, àqueles que me apoiaram, àqueles que ignoraram e àqueles que riram. Agradeço também àqueles que nunca acreditaram em mim, vocês foram ótimos e sem vocês eu nunca chegaria a ter uma fanfic aqui no FFOBS. À turma incrível do FFOBS que fizeram toda a diferença na hora de escolher aonde postar minha história. E obviamente, uma salva de palmas à Stephenie Meyer, por criar uma história maravilhosa que me deu idéias para criar Thunderstorm.
Quanto a Thunderstorm 2. Não, infelizmente eu não a postarei aqui. Por motivos particulares e também porque eu to no terceiro ano então ta muuuito tenso e estou sem tempo. Maaaaas (não parem de ler)... vocês podem (e devem =D) vir no meu e-mail (Julia.benatti@hotmail.com) ou no meu twitter (@jubenatti) e me pedir a continuação da história. Eu mandarei pra vocês.
E eu não responderei os comentários desta vez, porque to fazendo tudo isso correndo. Me desculpem mesmo.
Bom, acho que é isso. Espero que vocês tenham gostado tanto da história quanto eu gostei de escrevê-la. E espero ainda receber um e-mail de vocês.

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