When England Calls Your Name.
Fic by: Helena P. | Beta:


"Sempre fui o estereótipo da personagem principal de livros juvenis: aquela garota quieta, meio desajeitada, que tem um grupo seleto de amigos e que tem uma vida totalmente sem graça, até que chega um cara e bota tudo de pernas pro ar. Só que, nos livros, existem um final feliz, e o meu... Não foi bem assim no início. Eu fiquei totalmente apaixonada por um cara lindo (e canalha) por dois anos, dava tudo por ele, mesmo. Mas meu tudo não foi o suficiente e ele me deixou. Fiquei um tempão chorando todo o tempo, nem minhas amigas entendiam o meu estado, e sofri tanto que jurei que nunca me apaixonaria outra vez. Mas a sorte muda e aqui estou eu para contar a minha história: da garota maluca que, de tanto sonhar, conseguiu mais do que o amor de um cara (muito melhor que o primeiro!), mas a admiração de quatro."


Cap.1

- Parabéééns, minha filhaaaa! Levanta dessa cama! – Disse minha mãe puxando-me pelo pé e tentando me arrancar da cama.

- Calma, mulher! Não vou fugir! Me deixa acordar, primeiro. – Disse eu rindo e esfregando os olhos com as mãos.

Era primeiro de junho de 2010, meu aniversário de 16 anos. Minha mãe nem me deixou ir lavar o rosto e foi logo me entregando um envelope rosa. Abri, nem tão curiosa assim, pois, sei lá, né? O que podia haver de tão importante em um envelope rosa? Um cartão musical? Ok, não.

-Vamos, filha, abra logo!

-To abrindo, mãe, calma aí! - Respondi impaciente.

Primeiro, fui descolando o adesivo de coração para abri-lo e, depois, retirei um pedaço de papel branco e comprido lá de dentro, pensando: WTF?

O li em voz alta:

- Passagem de avião para Londres, embarque no portão 2 e AIMEUDEUS! – Minha voz sumiu, só consegui ficar olhando da minha mãe para o envelope com os olhos arregalados durante uns dez minutos.

-Que foi, ? Não gostou? Caramba, eu achei que fosse seu sonho... Mas, se quiser trocar por outra coisa, tem umas blusinhas suuuper fashion lá na loja da Marta! – Disse minha mãe olhando pra minha cara e rindo da minha expressão.

- Tá louca? Que Marta? Não quero trocar coisa nenhuma! Ai,meu Deus! - E comecei a chorar. Muito.

Então... Eu tenho uma razão pra amar tanto a Inglaterra, claro. Dude, os caras mais lindos e talentosos do mundo vivem lá! Estou falando de Tom Fletcher, Danny Jones, Harry Judd e Dougie Poynter, que formam a banda McFly; a mesma que passei idolatrando anos e anos da minha vida. E eu tinha acabado de ganhar uma passagem pra passar alguns dias perto deles, era meio óbvio que eu estava em estado de choque.

Enfim, quando percebi o que tinha em minhas mãos, comecei a gritar, chorar e abraçar minha mãe, tudo ao mesmo tempo. Só parei com o escândalo quando notei que precisava ligar para as minhas melhores amigas pra contar a novidade.

Então, liguei pra cada uma e convoquei uma reunião aqui no meu quarto, dizendo que era um assunto muito importante e só podia ser dito pessoalmente. Dessa forma, assim que elas chegaram, tratei de contar a novidade:

- e ! VOCÊS NÃO SABEM O QUE ACONTECEU! - Disse eu, eufórica.

-Você tá grávida? Tá namorando? Alguém... morreu? - perguntou , nervosa.

- O quê? Claro que não, cara! Eu ganhei uma passagem de avião para Londres! Imagine eu, gente... EM LONDRES! - Disse eu, sorrindo. Minhas bochechas já estavam doendo de tanto sorrir, mas não conseguia parar de jeito nenhum.

-SUA CAGOOOOOONA! - Disse a , rindo horrores. E assim, nós subimos na minha cama e ficamos gritando e pulando como alucinadas.

Ok, nós somos meio doidas mesmo quando o assunto é McFly, ou seja, quase sempre.

Cap.2

A semana seguinte passou quase normalmente, a não ser pelas meninas virem à minha casa quase todo dia para me ajudar na arrumação das malas.
- Ai, , você tem que levar uma roupa beeem sexy, cara! Imagina só se você encontrar o Danny na rua? Tem que estar mega seduzente! - exclamou , que sempre foi louca pelo Dan.

- Que nada, , eu amo o nanico, preciso achar alguma roupa pra aparecer pra ele! Ah, eu o pego, cara. - Disse eu.

E continuamos a fuxicar meu armário, até que a gritou:

- Aqui, você tem que levar essa camisola, que tudo! E se o pequeno não gostar, parte pra cima do Harry, que ele é o tigrão! - disse ela rindo e mostrando uma camisola de oncinha com laçinhos que minha tia avó me deu... Pois é, ela sempre teve um gosto estranho pra me dar roupas.

Depois de arrumar a mala, fomos lanchar e conversar sobre os detalhes da viagem. Bem, eu expliquei a elas que eu ia com uma excursão de adolescentes e, é claro, elas piraram. Disse também que só vou passar três dias em Londres, e depois nós vamos à França, Alemanha e Roma e depois retornar à Londres para pegar o avião de volta para o Rio de Janeiro.

Confesso que fiquei um pouco triste, sabe? Só três dias perto deles, mas, pensando bem, era minha chance e eu ia fazer o que fosse necessário para encontrá-los. Qualquer coisa.

Cap.3

Finalmente, chegou o grande dia, e minha mãe não parava de me dar recomendações.
Na verdade, eu até fiquei bastante surpresa de ela me deixar viajar sozinha com um bando de adolescentes, mas quando disse isso a ela, apenas falou:

- Olha, meu anjo, eu confio em você. Sei que não vai fazer nenhuma besteira e está suficientemente crescidinha pra esse tipo de coisa, mas, como sempre, tenho algumas recomendações... – ok, né? Até aí, beleza, mas então ela mostrou a folha de recomendações, que devia tem uns 27345 itens.

-Leu tudo, filha? - Perguntou ela séria com a mão na cintura.

-Uhum, claro! – disse, segurando o riso. Cara, no que minha mãe estava pensando quando escreveu: 49-NADA DE PROCURAR O MCFLY? Gosh. Infelizmente, mãe, é exatamente isso que eu vou fazer!

Depois de chegar ao aeroporto com um motorista muito gay que ficou dando em cima do meu pai, fui fazer o check-in, e vou falar pra vocês que é uma meeeerda aquela fila gigantesca. Mas eu estava indo pra Londres e nada mais importava.

Dessa forma, fiquei umas 2 horas esperando a minha vez de despachar as malas e, quando finalmente o fiz, voltei para a sala de espera onde seria chamada para embarcar e onde minha família e as minhas amigas me esperavam.

-Cadê o povo da excursão, mãe? - perguntei ansiosa.

- Você vai saber quando entrar no avião. Estão todos juntos. – Disse ela. - E provavelmente você vai sentar do lado de alguém da excursão, eu espero! Porque ninguém merece minha filhinha do lado de um adulto tarado que...

E bem nessa hora, aleluia, o embarque para o meu vôo abriu e eu tinha que ir para o avião. Minha mãe entrou em desespero, disse pra eu tomar cuidado e começou repetir as recomendações, mas logo a interrompi, impaciente:

-Mãe, se você for repetir todas as recomendações, eu perco o vôo. Eu tenho a listinha e vou ser responsável, confia em mim, te amo. - Declarei e virei para o meu pai, que estava com o olhar preocupado. - Tchau pai, também te amo.

-Também te amo, minha pequena. - Disseram os dois ao mesmo tempo.

-Nossa! Quanto drama! - Disseram minhas amigas quase ao mesmo tempo, rindo e me abraçando. – Boa viagem, e dá uns pegas nele! – Completou , me deixando já com saudade. Caramba, eu ia sentir uma falta gigantesca dessas duas malucas.

Fui pra fila de embarque. Estava quase na minha vez de entregar a passagem quando gritou lá do fundo da sala:

- E não se esquece de usar a camisola de oncinha!

Eu fiquei muito vermelha, mas comecei rir e gritei:

-Ok, pode deixar!

Daí, a mulher lá me chamou e tive que ir, só deu tempo de ouvir meu pai perguntar às meninas, todo preocupado, que camisola era essa.

Entrei no avião com muito medo, pois nunca havia voado na vida, mas morro de medo de altura. Finalmente, quando achei o meu lugar, era do lado de uma garota com uma cara engraçada. Tinha sardinhas e franja, um tipo bem diferente mesmo, mas parecia bem simpática.

-Oi, você é da excursão da Lúcia? - Perguntei meio sem jeito.

- Sou sim, cara graças a Deus é você que está do meu lado! Se fosse um garoto, eu ia ficar muito nervosa, acabei de terminar com o meu gostosão e não to a fim de começar outro relacionamento... Aliás, você sabe quem é Luís?

-Err... Não.

- Não to acreditando, cara! Então, ele é o cara mais lindo do meu colégio e eu o peguei mês passado, mas ele tá com minha amiga agora e eu... Ainda gosto dele. - Tagarelou ela fazendo uma careta fofa.

Cara, ela não parava de falar um segundo, mas, sabe? Eu meio que gostei disso, pois me distraiu do meu pânico de estar em um avião e o aperto em meu estômago diminui bastante. Pois é, parecia que aquela garota pirada era uma ótima companhia, afinal.

Depois do almoço que serviram lá, eu meio que caí no sono e só acordei com o aviso de aterrissagem e, ah, sim, a garota das sardas me sacudindo loucamente também ajudou a acordar, sabe como é.

- Chegaaaamos! Acorda pra cuspir!

- Cuspir... Ahn? Onde estamos, cara?

- Em Londres, sua lerda! - Respondeu ela, eufórica.

-Ah... Ok, espera... EM LONDRES? Ai, meu caral... - mas interrompi o que estava falando, pois o avião começou a descer e eu meio que entrei em pânico.

-Calma, a gente não vai morrer, e você poderia parar de apertar minha mão com tanta força? - perguntou a garota.

Eu me desculpei com ela e quando o avião finalmente parou, eu peguei minhas bagagens de mão e, impacientemente, esperei a moça tapada que estava na minha frente andar até a saída. Nunca pensei que alguém pudesse ser tão devagar quanto aquela mulher, cacete. Quando ela finalmente andou, fui logo saindo do avião, louca para ver como era Londres, e só conseguia pensar que estava perto deles, tipo, MUITO perto deles.

Quando eu peguei minhas malas daquela parada giratória, entrei no que parecia um mini-ônibus, no qual entrou todo o pessoal da excursão, que era uma puta quantidade de gente para um espaço tão pequeno, pensei eu. Mas, então, o automóvel saiu e começamos a ver Londres; eu estava super apertada no banco, mas pelo menos estava na janela, então pude ver quando passamos pela ‘Universal Music’ e quase tive um troço! Tipo assim, a gravadora do McFly! Mas nem deu tempo de pegar a câmera. Merda.

Chegamos ao hotel e, ok, não era cinco estrelas, mas era decente. A guia, a tal de Lúcia, pediu para escolhermos um colega de quarto e corri para escolher a garota maluca e simpática das sardas, aliás, o nome dela era Leila. Enfim, ela aceitou logo o convite, toda animada, e eu fiquei feliz de já ter alguém para conversar logo no início da viajem.

Cap. 4

Logo no primeiro dia, de manhã, eu notei que havia algo de estranho nessa agência de viagem, pois se eu quisesse ir sozinha a tal lugar, eu podia, e sempre tinha a opção de não ir com o grupo aos programas. Pelo menos era o que estava escrito em um bilhete passado por baixo da porta do nosso quarto. Então, logicamente escolhi ir sozinha com a Leila.

Assim que acordamos no primeiro dia, nos arrumamos correndo, e enquanto descíamos para ir tomar o café da manhã, fui explicando a ela o que eu realmente queria fazer em Londres, além de conhecer a cidade. Então, quando terminamos o café, fomos à recepção, compramos um mapa de Londres e perguntamos a um atendente muito fofo (chamado Phil) todas as nossas dúvidas sobre transporte e tudo o mais.

Quando saímos do hotel, senti uma sensação que é difícil explicar, era uma mistura de liberdade absurda com uma felicidade e expectativa muito grande. Em seguida, eu e a menina das sardas resolvemos subir naqueles ônibus turísticos vermelhos para conhecermos a cidade, e quando chegamos ao museu britânico vimos o quanto Londres era maravilhosa, TUDO era lindo! As pessoas, além de lindas, eram simpáticas demais e os caras, mais gostosos impossível; eu tava no paraíso.

Quando o dia terminou, eu já tinha conhecido o Museu Britânico, O museu de história Natural de Londres e a ‘London Eye’, a famosa roda gigante com mais de 135 metros, da qual é possível ver Londres inteira. E, de lá de cima, eu esqueci meu medo de altura quando vi o ‘Big Ben’... Cara, eu chorei e abracei forte minha nova amiga. Tinha certeza que era a coisa mais linda que eu já tinha visto na vida, e me senti tão em casa como nunca antes. E logo que a roda gigante parou, voltamos para o hotel, pois já estava ficando tarde.

-Que dia perfeito, Leila! Ah, obrigada por me acompanhar, sério. – Disse eu com lágrimas nos olhos. Caramba, cara, eu tava agindo de forma ridícula, mas, quando forem a Londres, vocês vão se sentir da mesma forma, eu tenho certeza!

-Para de ser sentimental, , e vamos dormir, porque amanhã temos que acompanhar o grupo. E, a propósito, de nada, foi um prazer. – Disse ela e apagou a luz.

Acordei mais cedo, pois queria lavar o cabelo e fazer escova.

- Que porra é essa? - disse minha colega de quarto, que estava aparentemente incomodada com o barulho do secador. Ela era um amor de pessoa, mas, definitivamente, não era quando acordava cedo.

-Acorda Leila, já ta na hora!

Ela se levantou de cara fechada, mas depois que saiu do banheiro toda arrumada e com o cabelo castanho molhado, já parecia a minha amiga outra vez; então, saímos.

Encontramos o grupo reunido e entramos no mini-ônibus outra vez. O que era estranho é que eu estava com uma sensação estranha de que alguma coisa iria acontecer, mas ao longo do dia achei que estava enganada. Enfim chegou à noite e Lúcia nos deixou em um Pub. Pra quê, cara? Logo os garotos encheram a cara e Leila foi ficar com um carinha da excursão (o único que não estava bêbado, por sinal) e logo fiquei de mega saco cheio daquele ambiente.

Saí do pub e fui andando sozinha até chegar a um lugar onde tinha vista para as torres de Londres.

-WOOOW! Caaara, que vista! - disse a mim mesma em voz alta.

As torres estavam iluminadas e parecia que formavam um castelo. De repente meus olhos começaram a lacrimejar e eu comecei a sentir um desespero, que tinha explicação: era meu penúltimo dia em Londres e eu ainda não tinha visto os meus ídolos, era minha única chance e parecia que eu ia perdê-la. Sentei em um banco e fiquei encarando as torres, chorando mais e mais, até que um vulto apareceu ali por perto, me assustando. Porém, quando o vulto saiu das sombras, eu vi que era só um gatinho cor de mel, muito fofo, que logo pulou do meu lado no banco e começou a se esfregar no meu braço. Aí, eu comecei a fazer carinho nele, ainda chorando. Não conseguia parar de forma nenhuma.

Foi então que notei a hora (já eram 3h da manhã), e entrei em desespero, pois eu não podia perder a hora para pegar o mini-ônibus, senão eu não tinha como voltar para o hotel, pois não tinha táxi nenhum que passasse na rua tão tarde.

Comecei a correr até chegar a uma ponte pequena, que nem uma louca, para voltar ao pub a tempo, com minha visão ainda embaçada por causa das lágrimas, que ainda persistiam. Portanto, não vi que o gatinho fofo me seguia e que havia uma pessoa bem na minha frente, e dei um esbarrão tão forte num sujeito que nós dois caímos no chão e minha bolsa voou pra longe.

-Ai, desculpa moço, é que eu to perdida aqui e provavelmente não vou conseguir chegar a tempo, vou perder o mini-ônibus e... e... - Perdi a voz e comecei a choramingar outra vez. Cara, eu não sou chorona, mas experimente só ficar perdida em um país diferente, sem ter ideia de como se virar sozinha, e acreditando ter perdido a chance de sua vida, pois é... Não é nada fácil!

- Não entendi uma palavra do que você disse, mas, olha, vai ficar tudo bem! Eu vou te ajudar, agora tente explicar em inglês o que você precisa. - Pediu o sujeito delicadamente com um sotaque britânico muito forte, colocando a mão em meu ombro.
E eu só chorava mais e mais.

Foi então que nós ouvimos o miado baixo do gatinho que havia me seguido até aquela ponte.

-Ah! Marvin, que bom que te encontrei! – Disse o homem, aliviado.

Foi então que, assustada, levantei minha cabeça, enxuguei as lágrimas em meu rosto e olhei para o rosto do cara. Bem, o que posso dizer? Fiquei sem palavras diante do que vi. E foi exatamente isso que você está pensando: era Tom Fletcher. No meio da noite. Em um parque perto das torres de Londres, bem ali, comigo.

- Ai-meu-Deus. – exclamei quase em um sussurro.

E foi então que começou a chover. Muito.

- Vamos pro carro! – Disse ele me levantando e me envolvendo com a jaqueta de couro preto dele. – Vamos!

Eu estava em um estado de choque gigante e onde aquele homem maravilhoso quisesse me levar, eu ia, claro. E foi o que fiz.

-Entra! – Disse Tom abrindo a porta de um mini, e eu entrei rápido, sentando em um banco de couro caramelo. Eu estava quase seca comparada a ele, que estava totalmente encharcado quando entrou no carro.

-Puxa... Obrigada pela jaqueta, mesmo. - Disse eu quase calma. Na verdade, eu não estava respondendo por meus atos, a situação era extrema demais para saber como agir.

-Disponha. A propósito, meu nome é Tom. – Falou ele provocando um descompasso no meu coração. Era como se o mundo todo estivesse parado e só existisse essa cena absurda. Eu tava no carro dele e ele se apresentando, como se eu não tivesse o idolatrado toda minha adolescência, como se nem soubesse quem ele era. Há. – Então... Explique o que aconteceu e eu tento te ajudar. – Ofereceu com um sorriso gentil no rosto.

-Ok... Então... Eu vou para o hotel... É na rua... - E parei de falar, percebendo a ausência da minha bolsa, que, na correria para o carro, eu nem me lembrei de pegá-la.
Com pressa de conhecer Londres, anotei todos os telefones e os nomes do hotel em um papel que meti na bolsa e nem me dei ao trabalho de decorar nada. Tentei com toda calma e precisão que a situação permitia explicar isso a ele, que falou simplesmente:

- Tudo bem, eu entendo o seu nervosismo. Nós temos que arrumar um lugar pra você dormir essa noite, e amanhã nós resolvemos tudo. Se quiser dormir, pode ficar à vontade, porque deve estar exausta e temos ainda uma hora no carro. - Eu mal ouvia o que ele dizia, porque, na minha cabeça, eu estava praticamente gritando: ‘’eu estou com Tom Fletcher... Eu estou com tom Fletcher, e olha a covinha aí, ai MEU DEUS, quero meter o dedo, dude! Ele vai me achar pirada se eu fizer isso, ai merda! Tom Fletcher está olhando pra mim, cara, se mata, sua sortuda!’’

Olhei para o Tom (interrompendo o meu transe) com aquele cabelo cor de mel totalmente molhado, lindo demais. O cara tinha encontrado uma garota que não conhecia, e depois de pegar uma tempestade super forte sem ter nenhum agasalho, porque tinha emprestado a ela, ainda oferecia ajuda, todo gentil. De que planeta ele veio?

- Obrigada, Tom. E, a propósito, meu nome é . – Falei sorrindo. E aquele ‘obrigada’ não era só por aquela noite, era por tudo.

E foi então que adormeci.

Cap. 5

- Acorda , já chegamos. – Disse ele, falando meio baixo e me cutucando.

Acordei com a cara do Tom a centímetros da minha e quase dei um grito. Dude, eu ia ter que me acostumar com isso.

-Ah, tudo bem. Onde estamos?- perguntei.

-Na minha casa. - Respondeu ele simplesmente.

Na casa dele? - Enquanto estava processando isso, eu vi quando nos aproximávamos de uma casa imensa e MUITO linda. O carro parou. Eu estava olhando a casa com cara de idiota e ainda não conseguia me mexer, quando ele pegou um controle de dentro do porta-luvas e apertou um botão, fazendo a porta da garagem se abrir. Eu estava na casa de Tom Fletcher. Cara, que surreal!

- Pronto, chegamos! Você vai ficar aqui em casa e, se quiser, minha namorada pode te emprestar roupas limpas. Ela está viajando, mas não vai se importar. E, ah, sim, tem um quarto de visitas pra você, espera só um minutinho que eu vou arrumá-lo! – Tom disse e desapareceu dentro da casa. - Err... , pode entrar se quiser... - Disse ele aparecendo na entrada depois de um tempo, e parecendo não entender por que eu ainda estava parada na porta da casa com cara de babaca, olhando pra ele.

-Ah, tudo bem. – Disse eu meio sem jeito, rindo nervosa. Na minha cabeça eu tava tentando ter certeza que tudo não era um sonho.

E, então, eu entrei.

-WOOOW! Tom, sua casa é incrível! – Falei surpresa. A sala era enorme! Tinha uma TV que devia ter, sei lá... Umas 69 polegadas, um sofá lindo de couro branco gigante no meio da sala, e a mesa de jantar? Essa devia ter uns 20 lugares e era de mármore. Eu estava muito impressionada, era verdade.

- Obrigado! Que isso... - Disse rindo da minha reação - Venha, vou te mostrar o banheiro, que é no meu quarto, até porque o do corredor quebrou... Err... Se não tiver problema, claro. - Perguntou meio sem jeito, com a mão na nuca.

- Por mim está perfeito! - Disse percebendo que falei um pouco entusiasmada demais, mas ele não pareceu perceber e foi subindo as escadas, até que chegamos a um quarto extraordinário e tão grande quanto à sala.

-É aqui, ... Espera só um pouquinho que eu já volto com a toalha! – Falou ele, simpático, saindo do quarto e me deixando sozinha ali.

Tive que resistir muito a pular naquela cama, abrir o armário ou começar a gritar. Então me concentrei em observar o quarto: a cama de casal tinha uma colcha florida muito bonitinha (coisa que deve ter sido escolha da namorada), e, na moral, acho que daria espaço para dois casais naquela cama, sem problemas. Do outro lado do quarto tinha uma TV um pouco menor do que a da sala, e do seu lado uma coleção de DVD’s super organizada que tinha de tudo: The Beach, Vanilla Sky, Back To The Future, Ghost Busters, Star Wars, Friends, etc...

Quase dei um pulo quando ele entrou rapidamente no quarto e falou:

- Tudo pronto! Pode entrar. – disse ele me entregando a toalha.

Agradeci e entrei no banheiro, que era tão impressionante como o resto da casa. Entrei no box com cara de boba (o que já estava virando rotina) e quando liguei, a água me deu um arrepio no corpo inteiro, tava tão quente e tão gostosa. Peguei o sabonete como se fosse uma barra de ouro, eu sei que pode parecer exagero, mas aquilo passou pelo corpo do Tom! Sou pervertida, oi.

Depois que acabou aquele banho maravilhoso, eu vesti a camisa larga que ele tinha me emprestado e sai do banheiro, voltando para o quarto. Depois de uns bons minutos, sentei na cama dele e comecei a repassar na minha cabeça os últimos acontecimentos bizarros, e eu teria ficado ali parada, autistando por um tempo maior se não tivesse ouvido aquela risada, muito alta.

-IMPOSSÍVEL! – Dito isso, saí do quarto, corri pelo corredor e desci bem rápido as escadas, parando pela metade. Fiquei paralisada com a cena que vi: eram os quatro homens mais perfeitos da galáxia, juntos, numa sala.

-WOW! Quem é a deusa na escada? - Disse o Danny percebendo a minha presença, com seus olhos azuis brilhando pra mim. Para ser mais exata, para as minhas pernas nuas.

-Ah, oi ... Err... Danny, para de olhá-la desse jeito! – Disse o Tom, rindo. – Eu a achei perdida, perto das torres, ela se perdeu da excursão e a trouxe pra cá, algum problema, caras?- perguntou ele tentando parecer sério.

- Nenhum problema, pode ficar no meu quarto. - Disse o Dougie dando aquele sorrisinho fofo/safadinho que eu conhecia tão bem por causa de fotos e vídeos, e o Tom o repreendeu com um tapa na cabeça.

Meus olhos encheram-se de lágrimas ao olhar aquela cena e, de repente, me deu uma tontura forte. Havia pequenos pontos coloridos na minha frente, meu coração começou a bater rápido demais, e então eu apaguei.

Acordei no meio da noite, não dava pra ver nada e comecei a soluçar e resmungar:

-Idiota! É claro que não podia ser verdade, por que só dessa vez as coisas não podiam melhorar, cacete? – disse enfiando o rosto molhado no travesseiro de penas. De penas? Peralaá, o hotel não tem travesseiro de penas! Será que mudaram?

-Ei, linda, você tá bem? – ouvi uma voz ao fundo do quarto. Onde eu estou, cara? Que lugar é esse? Mas que porra!

-Quem é você?- Perguntei nervosa, sentando na cama.

- O seu pior pesadelo! Muahahaha – Alguém respondeu.

- Danny...? DANNY! – À medida que as imagens iam se formando na minha cabeça, eu ia ficando mais aliviada e mais assustada também. Então, corri e o abracei muito forte, eu não ia perder aquela chance por nada nesse mundo! Que perfume delicioso, que homem!

Foi então que a porta abriu e, de início, não vi nada, pois a claridade era muita.

-Danny, larga ela! Tá fazendo o quê aqui, seu tarado? – Ouvi Dougie dizer, gargalhando. Que riso gostoso, meu Deus, não só o riso, mas enfim...

-Danny, seu safado! – Disse Harry rindo também. Ah, Harry!

- Você já está melhor? Estávamos preocupados. - Disse Tom, entrando no quarto em seguida.

-Estou muito melhor, obrigada. Muito obrigada mesmo, você é um anjo, Tom. Aliás, todos vocês são. - Falei, não largando o Danny nem por um segundo.

-Imagina, tá tranquilo... Você precisa de alguma coisa, digo, além do Danny? - Perguntou ele em tom de brincadeira e o Danny me olhou sério, com uma cara tensa, parecia que ele estava... Bem, excitado. Mas se as revistas estavam certas, ele ficava assim com tudo, e eu só estava vestindo uma blusa larga e mais nada... Então era compreensível o estado que ele se encontrava. O Danny Jones excitado comigo? WOW.

- Er... ? – perguntou o Dougie, tirando-me do meu transe particular.

- Dougie, ai meu Deus! – corri e dei um beijo em sua bochecha. E olhei bem em seus olhos pequenininhos, pensando que eu não iria esquecer esse momento nunquinha. Era a pessoa mais linda que eu já vira!

- Carinhosa essa sua amiga, Tom! - Harry afirmou sorrindo de lado. E lá fui eu agarrá-lo também.

No final das contas, adormeci com todos eles na cama, e antes de dormir conversamos bastante. Expliquei que eu era fã deles, tipo fã mesmo, que meu ataque era devido a isso, e acho que eles aceitaram tudo numa boa.

- Isso é irado. Eu gostaria de estar em um quarto com a Katie Holmes. E aposto que o Dougie ia querer dormir com o Tom Delonge também! – Disse o Tom.

- Que nada, prefiro o Super-Homem aqui! – Disse Dougie apertando os músculos do braço do Harry. E as gargalhadas explodiram no quarto.

Depois disso, Tom pegou um filme de sua coleção e nós assistimos até cairmos no sono.

Cap 6.

Acordei sentindo a respiração do Danny adormecido em meu pescoço e com seus dedos apoiados de leve na minha coxa. Fiquei momentaneamente paralisada, só olhando pra ele, pra aquele rosto maravilhoso, e ouvindo aquele gemido baixo no meu ouvido; então, olhei aqueles dedos grandes e ok, comecei a pensar no que poderia fazer com aqueles dedos. Dude, ele era inumanamente lindo. Estava tudo perfeito até uma música alta (e mega inconveniente) começar a tocar do nada. Era de Star Wars, eu acho, e se eu não estivesse tão aconchegada nos braços do Danny, teria dado um berro de susto!

-Alô? É, eu tava dormindo, mas não tem problema, não... uhumm, eu mando o Dougie ir, ok? Beijos. - Disse Tom ao telefone ainda com a voz rouca de sono, e em seguida foi sacudir o coitado do Dougie, que estava encostado no Harry.

-Ahhhhn? Que porra é essa, Tom? Me deixa dormir, dude! - respondeu Dougie num tom irritado.

Fiquei olhando para como o seu cabelo ficava bonitinho bagunçado daquele jeito, e o olho espremido de sono, e me pequei falando:

-Ai, Tom, deixe-o dormir, vai? Coitado. Seja o que for, eu ajudo vocês, afinal, to te devendo uma.

-Tá bem, mas você vai com o Dougie! É a vez dele de ir ao supermercado, não tem quase comida e a Gio me mandou comprar! - Disse ele apontando pro coitado do Dougie, que já estava acordando e que ficou vermelho quase imediatamente.

-Err... Tom, não tem problema, não, mas eu vou sozinho com ela? - perguntou a toupeirinha. Hahaha! O quê? Ele tava uma gracinha com aquela cara de sono!

-Uhuum! - respondeu Tom, jogando-se na cama e voltando a dormir.

- Legal... - Disse Dougie quase para si mesmo e meu coração disparou. – Arrume-se e vamos, só vou ao banheiro e te encontro lá embaixo, tudo bem? Ah, e o Tom separou umas roupas pra você, estão lá na sala.

-Claro! - Disse, mas na minha cabeça eu tava tipo ‘’AAAAAAAAAAAAA, PORRA, QUE SONHO! WOOHOOO’’ e tentando não pular ou fazer uma dançinha tosca.

Só esperei-o sair do quarto e corri pra sala, me deparando com uma pilha gigante de roupas e sorrindo quando vi umas lingeries MARAVILHOSAS. Ah, eu fiquei louca e comecei a experimentar ali mesmo, já que estava sozinha lá e os garotos estavam dormindo.

Estava tão distraída que não vi que tinha alguém parado na escada, até ouvir um gemido rouco vindo do outro lado da sala. Me virei, assustada, e tentei cobrir alguma parte do meu corpo, já que estava só de lingerie de renda preta. Quando vi Danny Jones me olhando, sério, meu corpo esquentou de uma forma inacreditável, parecia que meu sangue estava fervendo, ele estava praticamente me comendo com os olhos.

- Você é inacreditável. – Disse ele, parecendo com raiva, e fiquei até um pouco ressentida na hora, sem entender. Até que ele veio andando rápido até mim, agarrou meus braços e me colocou contra a parede, me fazendo ofegar. Eu estava fervendo. Respirando rapidamente, ele começou a beijar o meu pescoço e foi subindo devagar, parando na boca e me beijando com força enquanto a mão dele ia lentamente até o fecho do meu sutiã novo. Eu iria ajudá-lo se eu não estivesse sido interrompida:

- To atrapalhando alguma coisa... Daniel? - perguntou Dougie meio vermelho. Agora os dois pareciam com raiva. Fiquei parada entre os dois com a mão na boca, sentindo-a latejar.

-Não, quer dizer, não, é o que... Ah, esquece! Desculpa Dougster, mas ela tá com essa lingerie, e olha só para esses peitos, cara, eu não consegui resistir, poxa! – afirmou Danny parecendo sem graça.

- Tudo bem, cara, agora anda, rala daqui! E deixa a se vestir. - Avisou Dougie num tom mais calmo, me olhando de cima a baixo.

Danny me olhou sorrindo de lado e com a mão na nuca, como quem se desculpa, e saiu. Logo atrás dele foi Dougie. Então, de repente estava sozinha na sala, que parecia extremamente quente (entendam como quiser), ainda sentindo as mãos do Danny em meu corpo. Porém, resolvi deixar isso de lado, enquanto procurava uma roupa.

Acabei vestindo uma blusa decotada bonita e um short jeans. A parada é a seguinte: eu não sou atirada, ok? Mas eu estava saindo com o cara dos meus sonhos e tive que colocar uma roupa bem sexy! Eu dava o mundo para ganhar um beijo dele (e, se fosse possível, queria mais que isso), era tudo o que eu mais desejava.

Saí da casa correndo e parei assim que vi um carro saindo da garagem, com a janela aberta e uma mão sinalizando para eu entrar.

- Sobre aquilo lá na sala, me desculpe, mas sabe como é difícil pra mim, não é? Eu sou fã e tudo mais... – Falei, entrando no carro. Minha voz ia abaixando a cada palavra, pois eu estava com muito medo de ter perdido a chance com ele.

- Esquece isso, ... Já estou acostumado com o efeito que ele tem sobre as garotas, parece que elas ficam hipnotizadas ou pegando fogo. Credo. - Disse ele fazendo uma careta engraçada que me fez rir.

-Adoro o seu sorriso. – Disse o Dougie sorrindo de leve também.

-Isso é um flerte, Poynter? – Falei, provocando-o.

- Pode ser... Se você quiser. – Respondeu ele, fazendo-me olhá-lo incrédula. Então, riu e virou o rosto para frente, prestando a atenção ao volante.

- Posso ligar o rádio? - perguntei nervosa, querendo quebrar o silêncio.

-Claro! - Disse ele, abrindo o porta-luvas sem parar de olhar para frente, pegando o rádio e encaixando-o no bagulho lá. Quando o rádio ligou, estava tocando Blink -182 e, automaticamente, comecei a cantar, até que ele comentou, com os olhos arregalados:

-Olha só, você gosta de música boa! Dude, eu amo essa música... - E começou a cantar, se juntando a mim, até que estávamos aos berros, gritando:


So here I am I'm trying
So here I am are you ready
So here I am I'm trying
So here I am are you ready

Come on let me hold you,
Touch you,
Feel you,
Always
Kiss you,
Taste you,
All night,
Always



Quando a música acabou, estávamos rindo muito, e então, quando eu tentava me recuperar do ataque de riso, ele parou o carro, tirou uma lista gigante do bolso e falou:

- Yahooo! Vamos às compras! - Disse ele com uma falsa empolgação gritante que me fez gargalhar.

-Garota, você ri de tudo o que eu faço, é? - Perguntou ele sorrindo e me puxando pra fora do carro - Vamos, linda?

-Opa, você me chamou de linda? As coisas realmente estão começando a ficar interessantes. - Disse eu arrancando um sorrisinho estupidamente lindo dele.

Quando consegui tirar os meus olhos dele, olhei para frente e vi, tipo, um mercadão. O que de fato eu achei bizarro, pois parecia tanto com o...

-Caramba, isso aqui me lembra muito o Brasil! – disse rindo - É essa bagunça, mas é maravilhoso. Ah, que falta do sol, é uma delícia...

-Brasil, peitos... É, é uma delícia! - concordou ele com um ar de safado, olhando pra os meus peitos.

-Seu tarado! - Declarei, dando um tapinha leve em seu ombro e comecei a andar na frente. Ele me pegou de surpresa pela cintura e me virou pra ele, ficando com a boca (aquela boca) a centímetros da minha. Minha cintura estava perfeitamente encaixada no corpo dele. Puta merda, eu ia ter um treco mesmo antes de acontecer alguma coisa.

-Dooooougie Poynter? AAAA, MINHA SANTINHA, É VOCÊ MESMO! – Disse uma garota de óculos e aparelho com cara de alucinada, se jogando em cima dele e interrompendo nosso contato, é... Físico. A cara dele de desespero me fez rir demais, e falei pra garotinha, tentando provocá-lo:

- Ele é um gato, né, amiga?

-GATO? ELE É MARAVILHOSO! – Ela respondeu apertando as bochechas dele e saindo pouco depois de ganhar o autógrafo. E eu estava lá, rindo que nem uma louca.

-! Para, cara, aquela pestinha quase me esmaga e você fica aí, rindo! Você merece umas palmadas! - falou ele me agarrando por trás e me empurrando até as barracas. No final, compramos tudo daquela lista gigante do maluco (e divo) Tom Fletcher.

-Você volta hoje? Quero dizer... Para a sua excursão?- Perguntou ele parecendo receoso.

- Talvez, Dougie, eu não sei o nome do hotel e minha excursão provavelmente deve estar em Roma agora... Ah, cara, to ferrada, O QUE eu faço?

- Fica comigo... Quer dizer, com a gente! Se você quiser, nós fazemos uma pequena busca para tentar achar o hotel e pegamos sua bagagem! Se quiser, claro... – Declarou ele, deixando-me muito surpresa. É claro que eu adoraria conhecer mais a Europa, mas entre ficar com os meus ídolos a isso, escolho a eles, óbvio!

- Nossa, é sério? É... Nem sei o que dizer, isso é tipo um sonho, sabe? – Falei, tentando contei as lágrimas - Obrigada. Mas tem certeza que não tem problema?

-Caramba, você não vai chorar, vai? Não fica assim, é um prazer ter você lá no casarão, fica tranquila. - Assegurou, me abraçando.

Eu amo você! Era o que eu queria dizer, mas ia parecer mais maluca que já sou. Enfim, só sorri e tentei segurar as lágrimas de felicidade, sem muito sucesso.
Após eu me acalmar um pouco (como se isso fosse possível), entramos no carro dele e, no caminho, colocamos o rádio, para nos mantermos distraídos. Quando estávamos nos aproximando da garagem, vimos outro carro parado no imenso jardim, e dentro dele estava o Tom e o Danny mandando Dougie entrar, pois parecia que eles teriam que sair outra vez.

- Dude, passa pra cá! Vamos comprar bebidas pra festa de sexta! – Falou o Danny com aquele sorriso super fofo, animado e que aparentemente me causava arrepios.

- Já é, espera um minuto! – Dougie respondeu. Então, ele virou pra mim e acrescentou – Você é minha convidada especial! A namorada do Tom chega hoje de viajem e vocês podem fazer compras juntas.

- Por mim, parece ótimo, é... O Harry vai com vocês? – Perguntei percebendo a ausência dele.

-Acho que não, você vai ficar com ele aí, ele cuida de você! Tchau, linda. – Disse ele me dando um beijo na bochecha e apertando a minha mão. Achei que fosse desmaiar outra vez! Quando o Dougie parou o carro e saiu, fui entrando no casarão como ele me dissera pra fazer, e iria subir para tomar um banho... Se não tivesse ouvido um barulho na cozinha.

Cap. 7

- Ah, oi ! Tudo bem? – Perguntou Harry quando entrei lá. Ele estava cozinhando algo com um cheiro delicioso!

-Tudo ótimo! É... Não sabia que você cozinhava, que cheiro gostoso! - Elogiei surpresa.

-Eu to olhando o livro de culinária do Tom! – disse sorrindo e levantando uma sobrancelha de leve. – Ai, merda! Preciso de ajuda aqui!

O fogo da panela se elevou de uma forma tão absurda que alcançou o teto. Eu soltei um berro e fui correndo ajudá-lo a tentar colocar a panela, que agora tremia debaixo da água da torneira. Mas, infelizmente, não deu tempo, e a próxima coisa que notei foi um estrondo e fui jogada para traz. Ah, sim, e que eu estava coberta de comida!

-Merda, O Tom vai me matar! – Disse o Harry, levantando-se a poucos centímetros de mim com um pedaço de alguma gororoba no cabelo. A cena estava muito engraçada. Então, olhei em volta, não entendendo muito bem o nervosismo dele e, ok... Tava tudo realmente uma bagunça daquelas, mas dava para resolver. Foi então que ele veio até onde eu estava e me ajudou a levantar.

-Relaxa, cara, eu te ajudo depois! – Respondi tranquilamente, levantando e checando o tamanho do estrago em mim. – Ahhhh, não, meeeerda! Olha a roupa da Gio! Tá toda suja, dude... - Lamentei quando notei o meu estado e fiz um biquinho. É, eu faço isso quando estou nervosa.

-Vamos tomar um banho, e que bom que você ainda não viu seu cabelo! - Declarou ele com um sorriso esperto. Cara, se ele não fosse tão lindo (mesmo cheio de gororoba no cabelo) eu iria dar um soco nele! Ninguém fala do meu cabelo, valeu?

Deixando aquela cozinha ‘’destruída’’, subimos a escada até o quarto do Tom, até que parei na porta e perguntei:

-Ok, quem vai primeiro?

-As damas, claro. – Respondeu ele de um jeito elegante.

E então eu entrei, ou ia, pelo menos, se ele não tivesse segurado meu braço e falado:

-Eu disse as damas, cara. – Entrando e fechando a porta na minha cara.

Sério, eu fiquei sem reação, até que ele abriu a portas rindo (aparentemente de mim) e declarou:

-Ahhhh, você devia ter visto a sua cara! Eu tava brincando, pode entrar! – Fazendo uma carinha inocente e obviamente tentando prender o riso.

-Você não me engana com essa carinha de anjo! Cara, você é muito surtado! - falei no que seria um tom acusador, pena que eu estava gargalhando também. Deixei-o com muita relutância, rindo, jogado na cama e entrei no banheiro.
Depois do banho quente e delicioso (e de todo o trabalho para tirar o grude do cabelo. Eca.), saí de toalha, olhando em volta e, vendo que aparentemente não tinha ninguém no quarto, peguei as roupas limpas em cima da cama, e já estava largando a toalha para me vestir quando notei Harry sentado em uma poltrona no canto do quarto, me observando, sério.

-Aaaah! Que susto, cara! - falei virando-me pra ele, quase largando a toalha, assustada não somente pelo motivo óbvio, mas pelos olhos muito azuis dele me analisando.

-Te assustei? – Perguntou ele levantando da cadeira onde estivera sentado e caminhando lentamente até mim. De repente, aquele quarto parecia muito quente e abafado.

- É... hm, o quê? – Balbuciei confusa.

-Perguntei se você está assustada. – Falou ele com o corpo quase colado no meu, com os dedos subindo pelo meu braço, tornando a minha respiração curta e irregular e dando aquele sorrisinho de lado, fazendo com que qualquer pensamento lógico que estivesse pensando subitamente desaparecesse.
Precisei de muita força de vontade para segurar a toalha, que já estava frouxa em minhas mãos a essa altura. E foi então que ele levou uma de suas mãos à minha nuca e puxou meu rosto pra ele, beijando-me levemente (e quase me fazendo largar a toalha de vez). Bastou uns poucos segundos pra eu perder a razão completamente e empurrá-lo na cama, sentar em cima dele e começar a beijá-lo com vontade. Cara, como ele era gostoso, meu Deus! E enquanto ele segurava minha cintura com força, eu ouvia os gemidos dele baixinho, me deixando mais louca ainda. Quando ia tirando a camisa dele, ouvimos um grito enfurecido no andar de baixo:

- O QUÊ aconteceu com a cozinha? Tom Fletcher, cadê você? - Perguntou uma voz feminina quase rosnando. Ouvimos passos na escada, saí de cima dele rapidamente, ajeitando a toalha, e corri para o banheiro.

- Quem é essa, Harry? Bom, seja quem for, acho que vai te matar. - Afirmei nervosa e um pouco envergonhada também por quase ser pega no flagra por uma pessoa que eu nem sabia que estava na casa. Bem que um pouco de privacidade ia ser fantástico!

-Vai nos matar, linda, porque, tecnicamente, a gente fez essa merda juntos. - Rebateu ele na defensiva, mas logo mostrou um de seus sorrisinhos safados quando percebeu o duplo sentido do que havia falado, fazendo-me rir também.

Alguém bateu na porta e eu automaticamente peguei a roupa limpa em cima da cama, fechei a porta do banheiro, me encostei do lado de dentro e fiquei ouvindo:

-Harry? Cara, por que você tá no meu quarto, e onde está o Tom? –Perguntou a voz parecendo confusa agora. – E quem está no banheiro?

- É... Pois é, né, Gio. Eu estava tentando cozinhar um jantar pra gente, mas a panela... Bem, explodiu. Mas não se preocupe, vou limpar tudo depois com a , que é quem está no banheiro. E, ah, o Tom saiu pra comprar bebidas pra sexta. - Respondeu ele se explicando com um tom tenso. Parecia que ele prendia a respiração.

-Ah... O Tom me contou sobre ela! Sorte que o Tom me falou muito bem dela, então vou livrá-la dessa. Você, senhor Judd, vai limpar a cozinha! - Falou ela em um tom fofo, eu imaginava que ela estaria sorrindo. – E quando ela sair, me avisa, para eu me apresentar e, hm... Coloca a camisa. – Ela completou, fazendo-me rir baixinho. Eu sei que ela é namorada do Tom - que é um maravilhoso também – mas, aparentemente, ela também ficava incomodada com o corpo musculoso do Harry. Eu sei, pois já vi (e já provei, há) e posso dizer que qualquer mulher corre o risco de se perder com ele. Depois que me vesti, saí hesitante, e o vi sentado na cama, Falei com ele, tentando parecer calma:

- Pode entrar, já acabei por aqui...

-Mas nós não acabamos, linda, eu sinto muito. O Dougie vai me matar, cara. – Disse ele se repreendendo, passando por mim e entrando no banheiro.

-Hã? Harry, espera! Como assim, o que o Dougie tem a ver com isso? - Perguntei ansiosa.

-Ah é, hm, deixa pra lá. – Respondeu ele fechando a porta do banheiro, me deixando ainda mais curiosa. Descendo as escadas, pensando distraída, quase não vi a namorada do Tom, que estava subindo.

- ? Ah, prazer, querida, meu nome é Giovanna, mas pode me chamar de Gio. – Falou ela sorrindo simpática, e eu sorri também.

-O prazer é meu, Gio, obrigada por ter me deixado ficar aqui, de verdade.

-Não é nada, amor. Olha só, o Dougie me ligou e falou que você vai à festa de sexta com a gente, que tal irmos ao shopping pra comprar um vestido novo? - Perguntou ela parecendo animada.

-Acho ótimo! Claro. – Falei surpresa.

-Que bom! É que eu nunca vi o Dougie assim com ninguém, e ele parece bem protetor em relação a você. O que você acha dele?

- Do Poynter? Claro que eu am... err, quer dizer, gosto muito dele, é. Ele é um amor de pessoa. – Falei, chocada, percebendo o que eu ia dizer; foi tão automático que quase não percebi!

-Uhum, é claro... - Falou ela com um sorriso esperto no rosto. – Ah, e sua mala está aqui embaixo, junto com sua bolsa. Os meninos deram uma passada aqui e deixaram para você. – Declarou ela, me deixando muito surpresa, tanto que praticamente voei até a sala e abracei minha mala, de felicidade, pois se perdesse aquelas coisas minha mãe ia me matar... Não que isso importasse agora, mas enfim. Quando olhei, o meu celular tinha 37 chamadas não atendidas, da minha família e da Leila. Decidi que iria ligar mais tarde.
Depois de ver se realmente estava tudo na mala, Gio me chamou e lá fomos nós, com meu dinheiro e o passaporte na ‘cintura’ (um dos itens da lista de recomendações da minha mãe), o que é bem incômodo, pra falar a verdade.
Quando voltamos à mansão (cheias de sacolas), já era bem tarde, tipo umas dez horas da noite. Tocamos a campainha e quem atendeu foi o Tom, que nos olhou com um ar espantado e exclamou:

-Olha só! As duas árvores de natal voltaram!

Então, todos vieram nos ajudar com as sacolas. Já estávamos entrando na sala quando o Danny falou, todo fofo:

-Olha só minha gata aí! – E todos se entreolharam, o que eu não entendi muito bem. – O quê? Ah... Foi mal.

E então a sala voltou ao normal. Harry foi me ajudar com as minhas sacolas e o Tom ia ajudando a Gio, enquanto Danny e Dougie foram para o sofá aos cochichos.

Cap. 8

Depois de arrumar a roupa nova no armário, desci as escadas, vi Danny cochilando no colo do Harry, com a TV ligada, com algo que parecia ‘Sponge Bob’, e não avistei a Gio nem o Tom. Fiquei rindo sozinha observando o Danny dormindo, babando. Tentando não fazer barulho, peguei meu celular e tirei uma foto. Depois de um tempo, fui para cozinha ainda rindo beber meu leite com chocolate, e vi Dougie mexendo na geladeira.

-Oi, Dougie! – falei baixinho para não acordar os meninos na sala.

-Oi, linda. Tá animada pra festa de sexta? As festas do Danny costumam ser muito boas. – Falou ele virando uma garrafa de iogurte na boca. Que cena fofa, cara!

-To super animada sim, e, Dougie... Obrigada por trazer minhas coisas. Como achou tudo? Quer dizer, a minha bolsa tinha caído na ponte e tudo o mais. – Perguntei me aproximando da grande bancada de mármore.

-Foi fácil, até. Depois de comprarmos as bebidas, fomos eu, o Tom e o Danny nas torres e, por acaso, um sujeito que trabalha no pub achou sua bolsa, e dentro dela havia os endereços. – Explicou ele sorrindo, parecendo satisfeitíssimo consigo mesmo, sentando em cima da bancada e dando tapinhas pra eu me sentar também.

-Legal. Me dá um pouquinho? – Perguntei, sentando na bancada ao lado dele e apontando para o iogurte, que ainda estava na mão dele.

-Claro, tá aí. – Disse ele me entregando.

Ainda estava bebendo quando senti a mão dele sobre a minha, e quase engasguei de tão surpresa. Coloquei o pote quase vazio ali em cima e olhei pra ele, sorrindo de leve. Dessa vez eu não estava tão nervosa, estava relaxada e simplesmente feliz (muito feliz) por estar ali com ele. Parecia que tinha achado a vida perfeita e não mais somente um sonho perfeito.

Então, ele foi se aproximando devagar e me beijou docemente por um bom tempo, só segurando a minha mão. Quando ele finalmente se afastou, eu ainda estava tonta com o acontecimento, porque ele era impossível. Vi-me, em seguida, levantando uma das mãos para passar em seu cabelo loirinho, lindo, lindo, e ele sorriu. Gostaria que nessa hora tivessem tirado uma foto da gente para eu poder guardar pra sempre. Ficamos abraçados pelo que pareceu pouco tempo, até que o Tom apareceu na porta e falou:

-Aleluia! - Esticando os braços pro alto, nos fazendo rir e deixando o pequeno um pouco vermelho.

Ao sairmos da sala, demos de cara com o Harry e com o Danny babando, fato que fez o Dougie gargalhar ainda segurando minha mão. Aquela cena me fez sentir culpa, pois não sei se ele realmente gostava de mim; mas, de qualquer forma, preferia ser franca em relação ao que aconteceu, então falei, relutante:

-Dougie, preciso te falar uma coisa.

-Olha só isso, dude! Preciso tirar uma foto deles e por na internet, com certeza o Danny vai ficar puto e...

-Dougie, me ouça. – O interrompi, engoli em seco e continuei – Eu fiquei com o Harry hoje de manhã. Foi um erro, eu sei; mas entenda, não tinha como eu saber se você queria algo comigo, então... Bem, é isso, sinto muito mesmo. – Falei olhando em seus olhos, e ele ficou sério e abaixou a cabeça. Demorou um tempo para ele falar outra vez:

-Olha... , não iria dizer que não estou decepcionado, porque eles são meus melhores amigos. E realmente não tinha como você saber o que eu queria... Fora o fato que você ama todos nós. Que coisa confusa, mas, pra mim, está tudo bem, eu sei como o Harry é gostosão, com todos aqueles músculos. – declarou ele fazendo meus olhos se encherem de lágrimas. Agora ele fitava o chão. Eu sempre via em fotos o rostinho dele feliz ou rindo, nunca chateado, somente quando era adolescente que seu rosto mostrava-se mais sério. Mas agora a expressão de mágoa era óbvia e isso me doeu por dentro. – Apesar de eu gostar muito de você, eles são minha família, tudo o que eu tenho e não posso brigar. Bem... Eu preciso ir, boa noite, linda. – Disse ele forçando um sorriso, dando-me um selinho, dando as costas e subindo as escadas, me deixando com uma vontade enorme de fugir dali, sair correndo e desaparecer. Caramba, vê-lo triste é a pior coisa do mundo. Depois de um tempo, olhei para os meninos babando no sofá pela última vez e fui dormir.

Logo que acordei vi um bilhete perto da cama; era a letra do Tom.

Bom dia! Eu e os caras vamos sair para terminar os preparativos da festa na casa do Danny. A Gio vai ficar em casa hoje, e eu fiquei com pena de te acordar. Mas tarde nos encontramos! Xx
Ps: O Dougie te mandou um beijo.
Tom.


Depois que li a carta, fiquei até agradecida por ter um tempo para tentar recuperar meu rosto de tão inchado que estava por causa da noite passada, chorando. De alguma forma eu me sentia melhor com aquele ‘’ O Dougie te mandou um beijo’’, mas eu só ia ficar bem quando o visse outra vez. De repente senti uma saudade enorme da ANA e da .

Depois de me vestir, desci as escadas e encontrei a Gio vendo TV na sala, que logo falou:

-Bom dia, ! Tudo bem, amor? – Falou ela; como sempre, um doce. Mas nem isso iria me animar hoje.

-Bom dia... Tudo sim. – Falei, tentando mostrar algum sorriso, mas não devo ter conseguido, pois ela falou preocupada:

- Caramba, o que aconteceu com os seus olhos? Vamos botar um gelo nisso! Você estava chorando. Quem fez isso com você? Por que, seja quem for, eu mato! Vem comigo.

Depois de me carregar para cozinha e me dar um copo de água com açúcar, ela insistiu para eu contar tudo, e foi o que fiz. Expliquei a ela como me sentia em relação a todos eles e tudo que aconteceu nos últimos dias. Ela ouviu tudo com atenção, e só quando ela segurou minha mão que eu notei que elas tremiam.

-Pelo que eu ouvi você ama todos eles, isso é bom, mas é meio óbvio que isso te deixa triste.

-É, o Dougie me falou quase a mesma coisa. - Admiti.

-Mas isso não importa, eu vi como você preza o carinho dele! Você tem que ficar com ele. Eu sou amiga dele há tempos e nunca o vi assim. Ele não queria que eu falasse... Mas não dá pra te ver assim, então, lá vai: da primeira vez que ele te viu, te achou maravilhosa, não só por causa do corpo, mas pelo jeito engraçado, distraído e pela atenção especial que você dá a eles. Pronto, falei, e ele vai me matar!

-Obrigada, Gio, mas não adianta mais. Ele não vai brigar com eles por nada, muito menos por mim. E não sei se consigo evitar amar todos eles, são quem eu mais admiro e é o que me faz feliz! Acho que estraguei tudo, Gio, ele está chateado comigo.

-Mas o quê... Tá doida, mulher? Ele não está chateado com você, sua tonta. – Falou ela passando a mão no meu rosto para enxugar as lágrimas persistentes. – Ele está chateado com os meninos, que deram em cima de você mesmo ele pedindo pra eles ficarem longe da propriedade dele! – Explicou ela, rindo. – Ele não queria brigar com os amigos, mas tenho certeza que vão ter uma conversinha bem interessante na casa do Danny hoje. Fica calma, amiga, e vamos consertar esses olhos, antes que o dito cujo chegue. Um pouco de gelo já resolve! – Completou, prática.
Depois de melhorarmos a aparência dos meus olhos, pegamos uns dos DVD’s do Tom e ficamos assistindo, comendo pipoca. Foi bem relaxante ter uma amiga nesse sonho maluco em que eu havia parado, pois até no paraíso a gente pode ter problemas, veja só.
Dei pause no filme que estávamos vendo (’Stars Treck’, aquela versão foda de 2009, com aquele cara super gato que fez ‘Just My Luck’) e pedi licença a Gio para ligar para minhas amigas e minha família, que já deviam estar me considerando morta a essa altura. Quando falei isso, só faltou ela cair do sofá de tanto rir, e eu iria me juntar a ela se não estivesse ficando com uma pontinha de expectativa e ansiedade. Estava com um medo gigante de ligar pra minha mãe, o que eu iria inventar pra ela? A verdade é que não podia ser, imagina só: ‘Mãe, eu to na casa de quatro homens gostosíssimos e já peguei três deles! Aliás, você os conhece do meu pôster que fica em cima da cama. ’’. Fora o problema que ia ser ligar pra ANA e para a , eu deveria falar a verdade a elas? Elas ficariam muito chateadas comigo?

Então decidi que, primeiramente, ligaria pra minha amiga doida das sardas, pois seria mais fácil e ela não me julgaria, pelo menos.

-Leila? Alô, bem... aqui é a , sua colega de quarto em Londres, lembra? – Perguntei a ela.

Ouvi gritos e outra vez me perguntei sobre a sanidade da minha amiga, mas acho que desta vez era eu a pirada da história.

-Caraaamba, amiga, onde você se meteu, cara? Achei que tivesse voltado pra casa... E você não sabe da maior: encontrei o Luís em Paris! Sério mesmo, to achando que é o destino, ! Aqui óh... Vou falar pra ele te mandar um beijo!

-O quê? Leila, espera, só liguei para dizer que estou bem, ok? Arrumei um lugar maravilhoso para me hospedar e estou muito feliz por você! Na viagem de volta nos encontramos, sua maluca. – Declarei, rindo.

-Ok, amo você! Beijooooos!

E assim minha primeira ligação estava terminada. O pior seria encarar a minha mãe agora, mas me enchi de coragem e liguei para casa:

- ? Aleluia, filha! Está tudo bem? – Perguntou ela em tom preocupado, porém, quase não conseguindo conter a empolgação.

-Tudo bem, mãe, to morrendo de saudade! Manda um beijo pra todo mundo e fala pras meninas que eu mal posso esperar pra contar tudo. –Respondi ansiosa.

-Ah, pode deixar! Amor, é melhor você desligar, para guardas os créditos! Te amo, pequena. – Declarou minha mãe, fazendo-me arquear de surpresa.

-Tchau, te amo também! - E dito isso desliguei o telefone, me joguei na cama, sorrindo incrédula e pensando em como tinha sido fácil! Eu nem sequer precisara mentir (o que foi um alívio enorme!).

Fui até a janela, olhei em volta e sorri tranquila, apreciando a paisagem. Parecia que aquela casa maravilhosa ficava bem no meio de um campo ou coisa parecida, pois eu só conseguia ver árvores para todo o lado. Quando notei que já havia feito Gio esperar bastante, me virei com o intuito de voltar para a sala para dar continuação ao filme, porém encontrei um pequeno impedimento à minha frente com uma carinha super encantadora: Dougie Lee Poynter.

Fiquei parada por um tempo, me sentindo desconfortável com a situação, pois não sabia se já estava tudo bem entre nós, ou sei lá, né?

-Vem cá, linda. – Pediu ele quando notou que eu estava hesitante, esticando os braços.
Não resisti e logo fui até ele, abraçando-o e suspirando alto. Após algum tempo ele se soltou parcialmente do abraço, o bastante para ficar cara a cara comigo e me dar um beijo profundo e lento (o suficiente para eu quase derreter e virar uma poça aos pés dele).
É, pelo visto estava mesmo tudo bem, graças a Deus!

Cap. 9

O dia da festa do Danny chegou e eu estou nesse momento procurando o meu tubinho preto bem justinho e meu scarpin vermelho. Tenho que estar arrasando, até porque o que vai ter de mulher rica e famosa lá humilhando geral não deve ser pouco não.

Depois de tomar um banho longo com sabonete de morango e chantilly (descobri-o no banheiro do Tom!), fui fazer uma escova bem caprichada, e preciso dizer que fiquei muito feliz com o resultado. A última coisa que fiz foi a maquiagem, esfumaçando bastante a sombra preta para destacar o olhar, colocando um brilho labial, entre outras coisinhas.

-Posso entrar? – Perguntou Gio através da porta do quarto, que estava fechada.

-Claro, pode sim!- Respondi rapidamente e então ela entrou. Quando me viu, ficou boquiaberta.

-Nossa, amiga! Você está maravilhosa! Que vestido perfeito! Agora vamos logo que os meninos já foram, e não quero deixar o Tom sozinho lá.

Vendo a minha cara confusa ao escutar a última parte, ela completou:

-Ah, eu confio nele, não confio em algumas mulheres que vão à festa, sabe? Algumas amigas deles são realmente atiradas. Agora, vamos logo! To ansiosa.

O caminho até o salão alugado para a festa foi de mais ou menos cinquenta minutos. Quando estávamos nos aproximando do local da festa, já dava para ouvir a música MUITO alta.
Entrei e vi que o lugar era maior do que imaginava, quer dizer, tinha cinco pistas de dança, vários garçons e estava tendo um show em um palco do outro lado do salão, mas não avistei os caras em lugar nenhum. Então, naturalmente, fui até o local do show e vi cinco garotas rebolando em vestidos mínimos e a música que soava pelo salão era boa e tudo mais, mas, por alguma razão, eu achei meio falsa.

O show mal tinha acabado quando um cara que eu não conhecia me agarrou pela cintura e sussurrou no meu ouvido:

-Vamos para um canto, gata, quero ver o que você sabe fazer. – Cara, posso dizer que fiquei muito irritada, afinal a última coisa que eu queria era que o Dougie me visse naquela situação com outro cara. Se ele não fosse tão gato eu o empurraria, mas decidi só pelo ‘’não, tenho namorado’’, que quase sempre funciona.

Quando o cara desistiu de tentar me levar pra onde quer que fosse, o show já havia terminado e as dançarinas não estavam mais lá. Em seguida, senti um braço apoiado em meu ombro e vi que era o Danny segurando seu copo de cerveja, para o meu grande alívio.

-E aí, gata, tá curtindo?

-A festa tá maravilhosa, Danny! Sério mesmo. Mas, hm, você viu o Dougie por aí? Ele disse que estaria me esperando, não sei.

-Não vi, não... Mas acho que o Harry pode te ajudar, ele sempre sabe onde o Dougie está, sabe como é. – Declarou ele saindo de perto de mim e trazendo o Harry consigo. Bem, devo dizer que me surpreendi, pois ele estava maravilhoso, com uma camisa preta que destacava seus olhos azuis de uma forma incrível.

-Oi, . Vamos dar uma volta e ver se nós o encontramos. Prometo que não vou tentar nada. – Disse ele com um sorriso galante.

-É... Tudo bem, claro. – tentei dizer normalmente, mas minha voz falhou. Não havia jeito de agir naturalmente com aquele homem maravilhoso.

Andamos um pouco até chegarmos a um jardim lindo, cheio de flores iluminadas de azul, e ofeguei.

-Uau, Harry, que lindas! Nossa. – Disse eu com um ar de surpresa sincera. Quando olhei para o rosto dele percebi que estava reprimindo um sorriso. – O que foi?

-Nada, é só que você parece tão diferente, quero dizer, esses jardins são comuns em festas por aqui.

-Bem, nunca vi nada desse tipo! Bem... Vamos continuar, estou gostando daqui.

Então, fiz algumas perguntas a ele, daquele tipo que toda fã gostaria de fazer ao seu ídolo, e ele respondia rindo, não entendendo qual era meu interesse em saber qual era seu chocolate preferido. Até que avistamos uma casinha bem bonitinha iluminada pela luz azul e ouvimos uns ruídos vindos de trás dela.

-Harry, que barulho é esse? Vamos lá ver.

-Não, é melhor você ficar aqui... - Mal ouvi a explicação dele, pois já estava correndo em direção à casa.
Quando vi aquela cena, a casinha inofensiva parecia ter se tornado o lugar mais horrível do mundo, e um sentimento sufocante subia a minha garganta à medida que tentava formular uma frase, mas só consegui ficar olhando e sentindo meu mundo desabar a cada segundo. Por que ele havia me trocado por uma dançarina ruim de cabelo horroroso?

-Dougie... Por quê? - perguntei finalmente. Foi a única coisa que consegui dizer antes de o casal olhar pra mim com um semblante assustado, de eu sair correndo, passando pelo Harry, e ouvir gritos que não conseguia identificar de quem pertencia, atrás de mim. Quando já estava perto do salão de festa e bem longe dele, senti minhas pernas cederem e as lágrimas virem à tona.

Depois de um tempo sentada ali, chorando, senti uma pessoa sentar ao meu lado, mas não me atrevia a olhar. Não queria que ninguém no mundo me visse naquele estado. A pessoa me abraçou até que meus soluços cessassem um pouco e esperou eu levantar a cabeça e olhá-lo nos olhos.

-Danny, me desculpa... Eu não queria... – com a cena repassando a cada momento em meus olhos eu realmente não conseguia formar uma frase decente, mas finalmente perguntei:

– Por que ele fez isso...?

-Ah, , eu realmente não sei, mas fique calma que eu to com você e nada mais de ruim vai acontecer. – Falou ele e deixei que sua voz e suas palavras me acalmassem um pouco e afugentassem todo aquele nojo que estava alojado dentro de mim. – Quer ir pra casa fazer alguma coisa? Eu vou com você... – isso me fez rir, pois apesar de toda minha confusão mental, o convite do Danny era tentador. E, na verdade, notei que o que eu precisava era me sentir bem, inteira e desejada naquele momento. Então perguntei, enchendo-me de coragem:

-Você quer ir pra algum lugar mais calmo?

A expressão dele era de quem tinha levado um tapa na cara, de tão surpreso.

-Nossa, linda, claro!

Pegamos o carro dele, que se encontrava a apenas alguns metros da onde eu estava sentada, e entramos no carro. Eu ainda chorava baixinho, porém os soluços haviam parado. Então, obviamente não estava preparada para quando Danny pegou na minha mão, com um sorrisinho fofo.

-Você fica toda vermelhinha quando eu te toco assim, já percebi! –Declarou ele.

-Você é muito convencido! Até parece que é por causa de você... – Falei rindo, morrendo de vergonha.

-Ah, é por que então, pequena? – Perguntou, me olhando sério. Na moral, eu precisava controlar meus impulsos melhor, eu estava ali praticamente encarando-o com cara de idiota.

-É... Tá quente, né? Nossa. – gaguejei sentindo minhas bochechas queimarem quando os olhos azuis dele pousaram sobre mim.

-Muito. – Falou ele enquanto parava o carro, e logo se virando pra mim e começando a beijar o meu pescoço, me deixando quase explodindo de satisfação. Finalmente eu ia ter aquele cara pra mim e minha vida não pareceria mais um filme que deu horrivelmente errado. Mas era meio difícil pensar em como seria qualquer coisa com as mãos dele brincando nas minhas pernas.

-Vamos lá pra dentro antes que eu não aguente mais. – Sussurrou em meu ouvido.

Então, pode-se dizer que nossa caminhada até a porta foi complicada, porque parávamos no meio do caminho para nos beijarmos o tempo todo, e quando enfim entramos na casa, Danny me pegou pela mão e foi me levando pro quarto dele.
Nossa, eu estava muito nervosa, em parte, porque eu não queria que ele pensasse que sou uma inexperiente, o que, bem, eu era. Mas quando Danny tirou a camisa, minha vergonha desapareceu. Meu Deus, o que era aquilo? Só conseguia pensar em quantos dias da minha vida passei olhando fotos dele sem camisa no meu computador, e agora ele estava na minha frente. Eu estava em seu quarto. Ele era todo meu.
Esse pensamento me fez rir maliciosamente, e ele me olhou e só pronunciou:

- Você é maravilhosa... – E acabou com o espaço existente entre nós.

Continua...

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