Welcome To The Royal Family
Por Thaís Fletcher e Isa Furtado
Betada por Bruuh
Capítulo 1
- A princesa Daiana era uma vadia, isso sim.
- Cala a boca George! Ela não era uma vadia. A Daiana foi perseguida por fotógrafos idiotas em cada segundo da sua vida. E as pessoas imaginavam coisas absurdas, quando na verdade, ela só estava se divertindo como todo mundo faz.
- O que você tem hein garota? É parte da família real por acaso?
- CHEGA! – Mr. Walters bateu a régua de madeira contra a mesa e nós paramos imediatamente de discutir. A sala ficou em silêncio por alguns segundos e não se ouvia nem a respiração de outra pessoa. – Sem mais discussões, por favor. E Mr. Cleever, mais cuidado com as palavras que usa em minha aula.
Afirmamos com a cabeça e George olhou pra mim com raiva.
Minutos depois o sinal tocou e eu respirei aliviada. A aula toda eu não parava de batucar os meus dedos sob a mesa e estava ridiculamente ansiosa. História foi a última aula do ano, a última aula da minha vida nesse Internato na África do Sul. Será que a minha mãe não tinha um lugar melhor pra me mandar? Tipo assim, um Internato na Suíça?
Eu nunca conheci minha mãe, mas ela deve ter sido uma mulher maravilhosa. Sempre nos falávamos por telefone e ela sempre me pedia desculpas, mas eu não sei bem ao certo o porque. Um dia, minha avó ligou, dizendo que mamãe tinha falecido num acidente terrível. Nunca perguntei mais nada sobre isso, visto que vovó parecia ser uma pessoa fria e só me perguntava sobre as minhas notas e se as minhas roupas novas tinham chegado.
Desde que me conheço por gente, eu moro aqui. Dei meus primeiros passos, falei as minhas primeiras palavras e agora, estou prestes a deixar tudo isso pra trás.
Enquanto ia andando pelo enorme jardim em direção aos dormitórios, via várias pessoas se abraçando e chorando. Todas as garotas perfeitamente arrumadas em suas roupas e maquiagem caras e os garotos com seus agasalhos de esporte dando risada com os amigos. Mas eu estava procurando uma pessoa em especial: Jane.
Como não a encontrei nos jardins, entrei para o prédio do dormitório feminino do último ano. Era um prédio enorme com 4 andares. Por sorte, morava no primeiro andar e dividia o quarto com Jane desde que tinha 5 anos. O prédio não possuía elevador e as escadarias eram como escadas de emergência. No térreo tinha um hall enorme e uma sala cheia de armários para colocarmos o material.
Entrei no meu dormitório e lá estava ela. Usava uma calça jeans preta, uma camiseta branca com vários agasalhos sob esta e seu inseparável All-Star. Jane não é uma garota como as que eu conheço. Ela é independente, gosta de músicas que as pessoas do Internato nunca ouviram falar e ela tem um rosto lindo sem precisar usar maquiagem.
- Então, eu vou indo nessa. Foi bom te conhecer . – Ela me deu um sorriso simpático e andou com a mala de rodinhas para fora do quarto.
Ouvi a porta bater, mas não me virei. “Sem despedidas” Era o que havíamos combinado.
Jane foi a melhor pessoa que eu pude conhecer. Graças a ela eu entendi o que é passar o Natal com a família, aprendi a dividir as minhas coisas e até participei do Dia de Ação de Graças – visto que eu nunca iria fazer parte de uma comemoração destas, já que eu sou britânica.
Cada parte do dormitório em que eu olhava via Jane ali. Nós tínhamos um dos melhores quartos, ele era bem grande comparado aos outros.
Tinha uma sala e uma cozinha no mesmo cômodo, sendo que a sala tinha uma TV enorme na qual nós passávamos a maior parte do tempo assistindo filmes de romance. Aqui no Internato, a TV não tem muitas opções. Tem alguns canais de cinema e canais locais. Rádio aqui não pega nem por milagre e internet é algo inimaginável. Até tínhamos computador – mas somente para digitar trabalhos.
Passei os olhos pela cozinha e comecei a dar risada. Teve um Dia de Ação de Graças que não foi possível para Jane voltar para os Estados Unidos, então, decidimos assar um peru no dormitório. Não queiram nem saber como nós conseguimos achar um peru, nossa sorte é que ninguém sentiu falta dele. No final, o peru tostou, a cozinha e a sala ficaram cheirando queimado por dias e nosso agradecimento foi por Harry, filho do Príncipe de Gales, ser tão lindo. Eu não me senti muito bem falando isso, mas Jane tem essa queda por ele e preferi não incomodar. Quer dizer, ele é um gato e parece ser legal, mas ele é filho do príncipe. Não sei se existe alguma regra de etiqueta que não permite que cidadãos comuns tratem assim da Família Real.
Uma lágrima teimosa rolou dos meus olhos e eu percebi que não ia deixar Jane ir embora assim. Esqueci completamente que estava com uma bota de salto alto e sai correndo pelo corredor. Várias pessoas estavam passando com suas malas grandes e eu passava correndo por cima de todas elas.
- JANE! JANE!
Ela não estava mais lá, não havia sinal dela. Desci as escadas correndo e uma garota solitária estava descendo devagar os degraus. Não ia perder tempo, derrubei a coitada no chão e voltei a correr.
- JAAAANE! – Gritava o mais alto que conseguia. Cheguei ao final da escadaria e nada de Jane. Ela deve ter ido embora correndo ou algo assim.
- ! – Ouvi alguém gritar. - Eu estou aqui, me ajuda!
Subi as escadas, bem rápido, e a vi deitada no chão.
- Mas que droga! Uma louca estúpida passou por cima de mim com tudo e me derrubou. Acho que torci o tornozelo.
Segurei a minha vontade de rir e ofereci a minha mão para ela.
- Vem eu te levo pra enfermaria.
Ela se apoiou nos meus ombros e ia pulando com um pé só em direção a sala da enfermagem, enquanto eu levava a mala dela.
- PERAÍ! – Ela gritou de repente. – Você foi a louca que me derrubou! Sua idiota!
Vindo de outra pessoa, eu acharia esse monte de insultos numa frase só um absurdo e a empurraria escadaria abaixo até eu ter certeza que a pessoa estivesse muito machucada. Mas vindo da Jane, eu sei que é brincadeira.
- Fui eu sim! Mas a culpa não foi minha, você não sabe descer as escadas e fica atrapalhando os outros.
Ela rolou os olhos e parou de andar.
- Eu não sabia se eu voltava para me despedir de uma garota idiota ou se eu ia embora. Eu estava quase voltando, quando uma imbecil chamada Elizabeth Frances Spencer, praticamente atravessou o meu corpo.
- Não fala assim! Eu me sinto culpada. – Fiz um biquinho e cara de coitada.
- , você é culpada. Você me empurrou da escada. – Nós sustentamos olhares por alguns segundos e depois começamos a dar risada.
Depois de um tempo ainda rindo, ela me abraçou.
- Jane, você é a minha melhor amiga. Vou sentir sua falta, sua idiota.
- , você é a minha melhor amiga. – Ela disse numa voz fina e irritante, querendo me imitar. – Vou sentir sua falta, sua...
- Cala a boca, eu não falo assim! – Me separei do abraço e ela voltou a rir.
- Não tem graça Jane. – Rolei os olhos. – Como ta o tornozelo? – Ela parou de rir e olhou pra mim.
- Ta tudo bem , nem deu nada. Acho que vou indo nessa então.
Ela fez menção de me abraçar de novo, mas eu recuei.
- Não! Vamos voltar lá pra cima, eu pego a minha mala e nós vamos embora juntas ta legal?
- Mas todo aquele negócio de ‘eu não vou me despedir de você’?
- Não é despedida Jane. É só como se você fosse passar o Natal com os seus pais e eu fosse ficar aqui. Então, nós vamos dizer tchau sabendo que daqui a pouco a gente vai se ver de novo. O que acha?
- Perfeito.
Ela deu um sorriso e eu o retribui. O sorriso dela é lindo. Jane daria uma ótima modelo se ela ligasse para essas coisas.
(~.~.~.~*~.~.~.~)
- , por que o seu sobrenome é tão estranho? É normal na Inglaterra ter no sobrenome o nome da mãe, da avó e da família inteira?
Jane perguntou e eu não consegui deixar de rir. Estávamos abraçadas e chorando, esperando algum carro chegar para nos levar embora. Ela sempre fazia esse tipo de pergunta banal em situações delicadas, tentando amenizar as coisas eu acho.
- Não sei Jey, não sei. – Alguns fios de seus cabelos negros, grudavam no meu rosto graças às minhas lágrimas. Minha voz saiu meio abafada, mas ela deve ter entendido.
Cortei o abraço e sentamos na grama do lado de fora dos portões. Olhando agora para todos aqueles prédios, não parecia tão assustador. Era como uma vitória para mim. Não tenho mãe, nunca falei com o meu pai, mas mesmo assim tive uma boa adolescência. Vovó nunca negou um pedido meu para viajar com Jey, mas também nunca me chamou para um Natal se quer. E agora, mesmo com Jane sentada bem do meu lado, eu me sentia sozinha.
Me sentia sozinha porque, na verdade, eu não superei todo esse drama de “Colégio-Interno-Longe-da-Família” sozinha. Jane sempre esteve lá. Ela me consolava no fim dos meus namoros, nas minhas notas baixas, até quando a minha mãe morreu eu não fiquei só. E agora, quando olhava para aquela Jane tão mulher, aquela mesma memória não parava de passar como um filme na minha cabeça.
Flashback
- O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI? MAMÃE ME DISSE QUE ESSE QUARTO ERA SÓ MEU!
Jane estava parada no batente da porta e me olhou assustada. Mas não era a Jane adolescente e inconseqüente que estava lá. Era uma Jane garotinha, de cabelos negros e compridos, com um vestido branco até os joelhos que não dava contraste nenhum contra a sua pele, visto que ela é branca como neve.
Ela segurava um ursinho lindo no seu braço e eu não parava de olhá-lo.
- Meu nome é Jane Renae. E o seu?
Ela ainda tinha os olhos arregalados e assustados, mas mesmo assim queria conversar.
- Não te interessa o meu nome.
- Interessa sim! Nós somos companheiras de quarto!
- Eu não divido meu quarto com ninguém!
Nessa época os dormitórios não eram tão grandes. Lógico que não. Nós éramos crianças e no nosso prédio, os dormitórios possuíam somente quartos. Se precisássemos de alguma coisa, tínhamos uma “babá”.
- Vai dividir comigo então. – Ela deu de ombros e se jogou na cama. Eu a olhei nervosa e tudo o que eu queria era puxar os cabelos dela com força.
- Eu só deixo você dividir o quarto comigo, se você me deixar brincar com o seu ursinho. – Sentei na minha cama, cruzei os braços e balancei as minhas pernas, fazendo birra.
- Ta bom. – Ela me deu um sorriso largo. Ela ainda dá o mesmo sorriso quando ganha um presente ou acontece alguma coisa boa. – Mas antes eu quero saber o seu nome. Ninguém brinca com o Teddy sem que eu saiba quem é.
- . – Disse rápido e saí em disparada em direção do ursinho. Mas antes de chegar nele, Jane colocou sua mão na minha frente, me parando.
- do que?
- Elizabeth Frances Spencer. Satisfeita? Agora me dá o ursinho!
Ela entregou o Teddy e começou a rir. Todo mundo acha o meu sobrenome estranho, mas eu sempre achei que era porque a minha família era tradicional ou algo assim.
Endflashback
- ?
- O que? – Arrancava algumas graminhas do chão, enquanto pensava no que ia falar para a Jey quando fossemos embora.
- Isso não está parecendo nada com o Natal.
Ela ainda chorava e eu não pude evitar. Demos um abraço desajeitado já que estávamos sentadas. Ela tirou um papel do bolso e me entregou.
- O meu endereço e o meu telefone. Eu queria te entregar antes de ir embora, mas se eu entregasse, nós teríamos que nos despedir, então...
- Tudo bem Jey. Obrigada. – Sorri para ela e então um jatinho começou a pousar num terreno em frente ao Internato fazendo um barulho muito alto. Não consegui ouvir se Jane tinha falado mais alguma coisa.
O jatinho pousou e um homem vestido com um terno desceu primeiro e logo em seguida, uma senhora idosa e bem vestida saiu do transporte com a ajuda do homem.
- Uau – Ouvi alguém falando. – É a Rainha da Inglaterra!
Como eu não enxergo de longe, tive que esperar ela dar alguns passos para ter certeza de que era ela.
Ela andava devagar e de um jeito elegante. George sentou do meu lado e não falou nada. Só olhava de mim para a Rainha.
George era um garoto lindo. Alto, cabelos loiros e finos, atlético e fazia todas as garotas suspirarem quando passava. Todas as garotas exceto eu e Jane.
- A rainha veio te buscar? – Ele disse irônico.
- Cala a boca George, vai procurar o que fazer! – Jey gritou e eu continuava a olhar para Elizabeth sem piscar.
Como eu deveria me portar diante dela? O que ela estaria fazendo aqui? Ela não deveria estar no Palácio de Buckingham sentada no trono ou algum lugar assim?
- Você ainda não percebeu ? – George perguntou.
- O que?
- Ela não tem nada pra perceber George.
- Não Jey, deixa ele falar.
Jane nunca gostou de George. Ou então, ela gosta demais.
- Você deve ser a neta dela. Já parou para pensar no seu nome? Elizabeth Frances Spencer. – Eu tirei os meus olhos da figura da rainha e olhei assustada para George. Tudo bem, a gente se odeia desde que nos conhecemos e é exatamente por esse motivo que eu nunca pensei que ele soubesse o meu nome completo.
- Ta, e daí?
- Não sei se você sabe, mas eu tenho uns amigos ingleses e a gente tem uma banda aqui.
- E qual é o nome da sua banda? George e os outros?
George ignorou o comentário maldoso de Jey e continuou a falar. Eu olhei feio para Jane e ela entendeu o recado. Ele poderia ser egocêntrico e tudo mais, mas eu realmente estava interessada no que ele estava falando.
- Nenhum deles tem um sobrenome como o seu. São nomes normais como “Allen”. O seu é um sobrenome de família tradicional. Então vejamos, o seu primeiro sobrenome é Elizabeth. O que nos leva a pensar que você é filha dela, mas isso seria cronologicamente impossível já que ela está bem velha.
- Idosa. – Eu o corrigi.
- Ta, ela está idosa. E logo depois vem a surpresa. Frances Spencer. Sobrenome da Lady Di. Entendeu agora? Você é filha da Princesa de Gales, mas não leva o sobrenome do marido dela. – Estava petrificada. George Cleever era tão inteligente a ponto de saber alguma coisa sobre nomes tradicionais. Pra mim ele tinha pagado para passar de ano.
- Como assim?
- Você não é filha do Príncipe Charles, só da Daiana.
- Então, porque, hipoteticamente, a rainha colocaria o sobrenome dela em mim, sendo que eu não tenho o sangue dela?
George deu de ombros.
- Isso que você está me contando é um absurdo!
- E por que seria?
- Você está querendo me dizer, que a Princesa Daiana ficou grávida durante 9 meses e ninguém percebeu? E que depois que eu nasci, a rainha da Inglaterra colocou o sobrenome dela em mim sendo que ela não é a minha avó de verdade? Acorda George, se ela colocasse esse sobrenome em mim, eu seria uma possível sucessora para o trono dela! Ela não ia querer uma bastarda ocupando o seu lugar.
Jane olhou assustada para nós e George deu de ombros de novo.
- É. Realmente isso soou mais esperto na minha cabeça.
Ficamos mais alguns minutos sentados e quietos, observando a Rainha. O colégio inteiro parou para fazer isso. Ela estava conversando com o homem que a ajudou a sair do jatinho e ele sussurrava alguma coisa no ouvido dela.
Tudo o que me separava da rainha era uma rua asfaltada. Ela estava do outro lado da rua, com alguns seguranças e o homem de terno estava no meio da rua.
- Anuncio Sua Majestade Britânica Elizabeth II, pela Graça de Deus, do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e de Seus outros Reinos e Territórios Rainha, Chefe da Comunidade Britânica das Nações, Defensora da Fé.
O tal homem disse tudo isso de olhos fechados e com facilidade. Imagino quanto tempo ele passou decorando os títulos da Rainha. Olhava a minha volta e ficava procurando algum britânico que poderia ser parte da família real.
- , a rainha não tira os olhos de você. – Jey disse. E foi então que eu percebi. George estava certo, ela veio me buscar.
A Rainha começou a se aproximar do colégio e eu me levantei. Jane fez o mesmo. Ela parou do lado do homem de terno – que até agora não tinha nome. Eles estavam muito perto de mim e a Rainha avançou um passo em minha direção. E foi avançando outro, outro e outro.
Jane me cutucava sem parar e meu corpo inteiro tremia. Então era isso? Eu era uma princesa?
Fiz uma reverencia desajeitada, talvez por esta ser a primeira na minha vida, e a Rainha parou.
- Olá Elizabeth Frances Spencer. – Ela disse pausadamente. Engoliu em seco e continuou. – de Gales e minha neta.
A parte “ de Gales” foi a parte que ela disse com mais repulsa. Olhou para mim da cabeça aos pés e se aproximou um pouco mais.
- É hora de voltar para casa. Despeça-se de sua amiga e entre no jatinho. Gerry irá cuidar das suas malas.
Sem me dar tempo para responder, ela voltou a caminhar elegantemente em direção ao jatinho e todo o colégio olhava para mim.
Abracei Jane forte e choramos mais um pouco. Guardei o endereço dela no bolso do meu agasalho e o apertei forte.
- Hey, eu tenho mais uma coisa pra você.
Ela me entregou uma foto. Estávamos fazendo careta e no nosso fundo o mar de Miami brilhava. Uma das minhas idas aos EUA com ela. Dei um sorriso e antes de ir embora George me cutucou.
- Eu te disse.
- É você disse. – Pausa. - Obrigada George.
Fiquei rosada e por incrível que pareça eu o abracei. No começo ele não sabia o que fazer, mas depois de um tempo retribuiu o abraço.
- Boa sorte, Princesa de Gales. – Ele se separou e eu dei um tapa na cabeça dele. Velhos tempos.
Virei de costas e antes de atravessar a rua, olhei para trás. George tentava colocar uma das mãos no ombro de Jane, enquanto ela se desvencilhava e começava a gritar com ele. Dei uma risada e antes que pudesse perceber, Gerry tirou as malas das minhas mãos. Algumas pessoas tiravam fotos, mas a partir desse dia eu teria que me acostumar com flashes no meu rosto.
Capítulo 2
Só quando desci do jatinho é que pude ver a grandiosidade do Palácio. “O maior jardim privado de Londres” era o que eu lembrava de uma das minhas aulas de história. Sempre que o assunto era o Reino Unido, eu perdia a noção do tempo e a minha mente vagava pela Inglaterra, tentando imaginar como seria tudo isso.
Elizabeth já havia saído do avião e eu estava descendo as escadas. A viagem foi um tédio se quer saber. Não trocamos uma palavra e eu só chorei. Deixar o Internato para trás foi muito mais difícil do que pensei. A única coisa que minha avó fez, foi me passar um lenço, mas ela nem se quer me olhou nos olhos. Parecia que cada movimento que ela fazia era friamente calculado para que ela não me olhasse.
Já Gerry foi bem simpático comigo. Ele vinha me perguntar se eu sentia fome ou sede e se gostaria de alguma coisa. A minha resposta era sempre ‘não’.
Ainda estávamos um pouco longe do gramado, mas eu podia ver algumas pessoas me esperando. Graças a minha miopia, não pude enxergá-los com exatidão.
- Respire bem fundo e preste atenção. – Vovó dirigiu o olhar para mim pela segunda vez em meus 18 anos. – Você está pisando em território real. Mais um passo e você estará no meu jardim. Quero que você se lembre bem deste momento, está bem?
Afirmei com a cabeça e não posso negar que fiquei com medo.
- Agora vamos.
Ela saiu em disparada na minha frente. Sinceramente? Nunca pensei que ela conseguia andar tão rápido. Eu estava entre ela e Gerry e andávamos em direção ao palácio. A “casa” ia aumentando de tamanho a cada passo e eu conseguia observar cada detalhe de sua arquitetura. Era uma coisa grandiosa.
Os seguranças rumaram para a direção oposta do palácio, mas Gerry continuou conosco.
- Quem são esses? – Perguntei sussurrando para Gerry.
- Sua família. – Ele respondeu simplesmente.
Quando cheguei mais perto, pude identificá-los. Philip, o marido de Elizabeth, Charles, o ex-marido da minha mãe, Camilla, a mulher de Charles, Harry e Willian, meus meio-irmãos.
Eles estavam parados em frente ao Palácio, os homens em ternos e Camilla vestida com um terninho. Charles tinha um sorriso duro e gélido no rosto, mas os outros estavam radiantes. Se tirassem uma foto deles agora, daria um ótimo retrato de família.
Gerry pediu disfarçadamente para parar, mas a rainha foi em direção do seu marido. Eu fiquei sozinha, na frente daquele monte de gente estranha, sorrindo para mim.
- Elizabeth Frances Spencer, de Gales. – Ele me apresentou e todos fizeram reverencias educadas.
- Philip... – Gerry começou, mas Elizabeth o cortou.
- Eu mesmo os apresento, obrigada Gerry. Pode se retirar.
Gerry saiu de perto de nós, sem virar as costas para a Rainha e só então ela continuou.
Apoiou uma das mãos em minhas costas e me empurrou em direção de Philip.
- Meu marido e seu avô, Philip, duque de Edimburgo. – Fiz uma reverencia e acho que me dei melhor nessa do que na que fiz para Elizabeth pela primeira vez.
- Meu filho, Charles, Príncipe de Gales. – Outra reverência. Charles me olhou com uma cara carrancuda, mas eu não liguei muito. – Meus netos e seus irmãos, Harry e William de Gales. – Quando ia fazer uma reverência, os dois me puxaram para perto.
- Cara, eu não acredito, eu tenho uma irmã mais nova! – Harry disse e me puxou para um abraço.
- Você é a cara da mamãe. – William também me abraçou.
- Charles, dê um jeito nos seus filhos! – Elizabeth gritou.
- William, Harry, voltem agora para o lado de Camilla.
Foi só quando Charles disse “Camilla” que eu percebi que a rainha tinha pulado ela nas apresentações. Mas Camilla continuava ali, sorrindo do jeito mais radiante possível e me olhando atentamente.
- Camilla, a esposa de seu pa... – Antes de terminar a frase, ela lembrou. Charles não era meu pai. – do meu filho. – Ela corrigiu.
Fui fazer uma reverência, mas Elizabeth me segurou com força no braço.
- NÃO! Não faça reverencias para Camilla. Ela não faz parta da família real.
Dito isso, ela deu o braço para Philip e eles saíram de mãos dadas em direção ao Palácio.
Cheguei a pensar que Camilla fosse uma estátua de cera, porque apesar de toda essa grosseria, ela ainda sorria.
- Está tudo bem. – Ela disse pra mim e eu pude perceber que seus olhos se encheram de lágrimas.
Antes que eu pudesse falar com Charles, meus meio-irmãos me levaram para dentro de casa.
(~.~.~.~*~.~.~.~)
- E esse é o seu quarto. – Camilla desvendou meus olhos e meu queixo caiu. Nem em filme eu tinha visto um quarto desse. – Gostou?
Afirmei com a cabeça. Estava sem palavras.
Primeiro tinha uma sala. Uma sala de verdade, com televisão, rádio e um sofá enorme. Cabiam umas 6 pessoas naquele sofá e ainda sobra espaço.
A sala possuía duas portas. Segundo Camilla, uma das portas dava para o meu quarto e a outra para um closet.
- Mas, Camilla, o closet não deveria ser no meu quarto?
Ela olhou para mim e deu uma risadinha. Andou em direção ao closet e abriu a porta. Tinham várias prateleiras com vários sapatos de todas as marcas possíveis, várias botas, sandálias e tênis.
- Eu... Eu... – Minha boca abria e fechava. – Eu tenho um closet só de calçados?
Ela afirmou com a cabeça e me deu um sorriso alegre.
- Na verdade, esse closet tem algumas jóias também. – Ela apontou para outra estante, que estava iluminada por várias lâmpadas, fazendo as jóias brilharem ainda mais. – Essas jóias são para eventos mais simples. As jóias caras se encontram no cofre da rainha e você saberá quando deverá usá-las.
Tinha estantes nas 4 paredes do closet, e todas elas – exceto a das jóias – estava completamente lotada de sapatos. Manolo, Prada e várias outras marcas. Eu simplesmente quis desmaiar ali.
- Quer ir ver o seu quarto agora?
- Eu não vou desmaiar ou ter um ataque cardíaco quando eu entrar lá certo?
- Hum, eu acho que não! – Ela disse brincalhona. Digo, ela tem uns 60 anos, essa é a piada mais engraçada que ela pode fazer.
- Então vamos.
E quando entrei no quarto, não desmaiei por muito pouco. Era um quarto de paredes altas, com janelas de vidro também altas, que deixavam o cômodo muito bem iluminado. Minha cama era enorme e parecia estar me chamando. Não hesitei e pulei com tudo em cima da cama. Era a cama mais macia em que eu já “testei” em toda a minha vida.
Todo ano em que mudávamos de dormitório, eu e Jane pulávamos que nem loucas nas camas e a nossa desculpa era que estávamos testando os colchões. Queria muito que ela estivesse aqui.
Tinha um mini-sofá na frente da cama; Camilla se sentou ali e ficou me observando. Eu parei de pular e sentei no canto da cama.
- Me mostra o meu closet de roupas? – Pedi com os olhos brilhando.
- Não. Primeiro o banheiro depois o closet.
- Nãããão! – Fiz manha – Banheiros eu vejo todo dia e em qualquer lugar. Eu quero ver o meu closet com roupas lindas e maravilhosas para combinar com todos aqueles sapatos que eu vi agora!
- Não querida. Eu estou com as chaves e nós vamos ver o banheiro primeiro. Quero fazer suspense!
Rolei os olhos e acabei concordando. Quer dizer, Camilla não é a minha mãe e está longe disso, mas ela está se esforçando muito.
Ela abriu a porta e então eu percebi que este não era um banheiro comum. Não, estava longe disso. Ele tinha dois andares.
No primeiro andar estava o banheiro, com o vaso sanitário, um Box, uma banheira e a pia. E entre o Box e a banheira, tinha uma escada que dava para o andar de cima.
- Se você subir as escadas você vai ver uma sauna e duas macas para massagem.
- Você tá querendo dizer que eu tenho uma sauna no meu quarto? – Ela afirmou com a cabeça. – E pra que eu iria precisar disso?
- Não sei! Você é uma herdeira da família real, merece tudo isso e muito mais.
Dei um sorriso torto. Herdeira da família real? Tipo, eu vou virar rainha? Mas eu achei que o sucessor era Charles! Camilla me tirou desses pensamentos me chamando pra ir ver o closet.
Era 2 vezes maior que o closet de sapatos e tinha vários espelhos e uma penteadeira com varias gavetas. Cada gaveta tinha o nome de uma marca de maquiagem. Quando eu abri a da MAC, não acreditei. Tudo o que você pode imaginar de maquiagem estava lá dentro. E ainda tinhas outras 5 gavetas.
- Camilla, isso é... Fantástico.
- Eu sei! Quando eu tinha a sua idade, era tudo o que eu queria ter.
Parei de olhar para as maquiagens e me virei para ela. Camilla passava suas mãos por minhas roupas e analisava cada detalhe de cada metro quadrado do lugar.
- Elizabeth falou que você não pertence a família real. Mas é mentira não é? Você é Duquesa da Cornualha.
Ela deu uma risada pelo nariz e sentou num sofá que tinha entre duas prateleiras.
- Sua avó não aprova o meu casamento com o Charles. Ela acha que eu casei com ele porque queria ganhar algum título real. No final acabei com alguns títulos a mais, mas tive que abandonar o meu sobrenome.
Ela ficou olhando para o chão por um tempo e eu a deixei lá com seus devaneios.
- Você deve estar se perguntando muitas coisas não é? Como por exemplo, o porquê de eu estar sendo tão legal com você mesmo não sendo sua mãe. Ou pior ainda, por que eu estou falando com você se eu fui o motivo da separação da sua mãe com Charles.
Neguei com a cabeça.
- Eu estou me perguntando várias coisas, mas não isso Camilla. Tirando meus meio-irmãos você foi a pessoa mais legal que eu conheci aqui. E eu tenho certeza que você deve estar deixando de lado um orgulho maior do que esse closet para estar conversando comigo. Não acho que você está fazendo isso para me afetar de alguma forma.
Ela sorriu pra mim e me chamou para um abraço e eu não o recusei. Ficamos assim por um tempo até uma mulher, que aparentava uns 40 anos entrar no closet.
- Ah sim. – Ela disse se recompondo. – Essa é a sua criada Judith.
- Olá Judith. – Disse educadamente e ela fez uma referência. Um gatinho apareceu logo atrás dela.
- Essa é a sua gata . Pode escolher um nome para ela.
- Ela é linda! – A gata veio em minha direção e eu a peguei no colo. Ela era inteiramente branca e seus pelos eram lisos e fofos. – Kitty Katty? O que você acha de Kitty Katty? – Perguntei para a gata com uma voz idiota e ela ronronou.
- Acho que ela adorou. – Camilla disse com um sorriso.
Capítulo 3
Eu nunca tinha visto coisa melhor. Eu me sentia uma princesa. Espera aí... Eu era quase uma princesa! Acho que depois dessa descoberta diríamos... Incomum, nada poderia dar errado na minha vida. E eu estava pronta para ter meu conto de fadas, como as princesas que eu via nos filmes quando pequena.
- Srta , você está ciente do jantar de hoje à noite?
- Que jantar? – perguntei enquanto saía do closet e ia até a varanda de meu quarto, apreciar a vista que eu tinha dali.
- O jantar de apresentação. – ela respondeu calmamente. Peraí, deixa eu ver se eu entendi... Para me “apresentar” para meu novo povo. Nossa, como é estranho falar coisas desse tipo quando há alguns dias atrás eu fazia parte desse povo. Ok, não desse povo, mas do povo eu quero dizer “resto do mundo que não mora com a rainha da Inglaterra”... Entende? Tá, eu acho que não.
- Por que um jantar? Precisa ser tão social?
No mesmo momento elas pararam de fazer o que faziam e olharam para a mim com uma expressão a qual eu nunca vira antes. Chegava a dar medo o olhar fixo, como se não entendessem o que eu queria dizer.
- Como assim, madame? – perguntou Judith. “Madame”... Essa foi boa.
- Eu pensei... Numa festa sabe?
- Festa? - Camilla perguntou visivelmente confusa.
- É? Por que não?
- Eu vou conversar com a sua avó, está bem? - Seu rosto gentil e alegre, se transformou em súplica, como se falar com Elizabeth fosse a pior coisa que ela pudesse fazer.
Afirmei positivamente com a cabeça e percebi que vagarosamente, os rostos de Camilla e Judith voltavam a sorrir. Não como antes, um sorriso assustado, mas ainda sim um sorriso.
- Eu acho que vou indo embora. Preciso falar com Charles. Passe na biblioteca mais tarde, tenho certeza que Judith adoraria te mostrar o caminho. - Camilla disse enquanto ia em direção da porta do meu quarto e Judith balançou sua cabeça freneticamente, confirmando.
- de Gales, a senhorita ainda irá precisar de mim? - Ela perguntou educada. Educada ao extremo.
- Eu vou precisar de 3 coisas Judith. - Mostrei três dedos, indicando o número, e a criada prestava atenção em tudo o que eu falava. - Primeira coisa, eu quero que você me chame de .
- Mas de Gales, eu não tenho permissão para tal coisa... - Ela se assustou com o pedido e soltou a frase num jato.
- Então, eu ordeno que você me chame de . - Ela me deu um meio sorriso e aceitou por final.
- Segunda coisa, eu quero... - Parei para pensar e reformulei a frase. - Eu ordeno que você não se comporte como minha criada. Sem reverências extravagantes, sem cerimônias.
Dei um tempo para ver se ela iria rebater, dizendo que não tinha permissão para isso ou aquilo. Mas ela não disse. Só continuava sorrindo pra mim. Céus, como essas pessoas agüentam sorrir por tanto tempo?
- Terceira e última coisa: Me mostra onde é a cozinha? Eu estou FA-MIN-TA! - Coloquei a minha mão sob o meu estômago e ele roncou tão alto que Judith olhou assustada pra mim.
- de Gales - eu olhei feio para ela e Judith compreendeu. - , você precisa comer! Venha comigo, nós temos o melhor cozinheiro do mundo aqui. Ele pode te preparar qualquer especiaria!
Ela passou a mão pelos meus ombros, me empurrando em direção a um corredor enorme e largo, cheio de portas - o que me fez sentir ligeiramente tonta, confesso.
- Mas, eu não quero nenhuma comida, entende? - Ela olhou com dúvida para mim e eu resolvi explicar melhor. - Eu quero chocolate.
Judith olhou pra mim e deu um sorriso gigante, como de mãe. Não sei se estou imaginando coisas ultimamente, mas parece que em cada mulher que eu olho, eu vejo um pedaço da minha mãe ali. Mesmo que eu não tenha a conhecido, era como se ela estivesse demonstrando através de outras pessoas que sempre estaria aqui, comigo.
Descemos uma escadaria em círculos que parecia sem fim e eu imaginei se conseguiria subir tudo isso de novo quando terminasse de comer.
- , eu tenho que cuidar de algumas coisas em seu quarto, está bem? A cozinha fica nos fundos da casa, é só pegar o corredor leste e seguir reto até o final. Se na volta você quiser passar na biblioteca, vá pelo corredor oeste, é uma porta de vidro esfumaçado, você vai saber qual é quando ver. - Ela deu um tapinha nas minhas costas e subiu a escadaria.
Como assim "Corredor Leste"? Esse lugar parecia ser enorme olhando de fora, mas não pensei que seria tão grande para ter corredores com nomes de pontos cardeais.
Aliás, para onde fica o Leste mesmo?
- Perdida?
Levei um susto e me virei na direção da voz. Era um garoto - que aparentava a minha idade - simples, mas bonito. Me perdi olhando para o corpo dele e em como ele me olhava.
- Fala inglês pelo menos? - Ele deu um sorriso e eu o respondi com um sorriso completamente idiota. Daqui a pouco estaria babando por ele molharia o tapete de milhões de libras que eu estava pisando.
- Ahm, você... Você... - Parei de falar, fechei os olhos e montei a frase mentalmente. Respirei fundo e quando abri meus olhos, ele estava me olhando com um rosto completamente confuso. - Você sabe onde fica o corredor leste?
Perguntei o mais rápido que pude e ele me respondeu com outro sorriso.
- Estou indo para a cozinha, se quiser...
- Eu também! - Falei alto demais e ele me olhou assustado de novo.
- Certo. - O garoto do sorriso bonito deu de ombros e eu o segui.
- Você é algum parente da rainha? - Torcia para que ele falasse que era algum afilhado ou então um sobrinho-neto distante. Mas as minhas esperanças se afundaram quando ele deu uma gargalhada alta.
- Parente? Não, não mesmo. - Ele ainda ria alto e eu fiquei confusa. - Sou filho do Martin, o cozinheiro. , prazer.
- ... - Tentei me apresentar, mas ele me cortou.
- de Gales, neta da Rainha Elizabeth, já sei.
- Será que todo mundo nessa casa sabe quem eu sou? - Rolei os olhos, cruzei os braços e meus passos ficaram mais firmes. Incrível como eu posso parecer uma criança birrenta quando quero.
- Tá brincando? Você é tipo, a pessoa mais esperada nesse lugar faz meses. Anos na verdade. Começaram a construir o seu "quarto" - ele disse fazendo aspas no ar - ano passado. E ficou pronto essa semana, se você quer saber.
- E porque eu não me sinto a pessoa mais esperada nesse lugar então?
Ele ficou sem jeito e eu percebi que tinha feito uma pergunta errada.
- Quer saber? Esquece. Eu quero... - abriu uma porta no final do corredor e eu perdi a fala por um momento. Como se não bastasse o meu quarto, aquela era a maior cozinha que eu já tinha visto. Ela era bem arrumada e as únicas duas cores que se via era prata e branco. Tinham 3 "chefs" e eles estavam vestidos em seus uniformes. Os únicos fora de sintonia eram eu e .
Quando entrou, ninguém percebeu a presença dele ou pelo menos fingiram que não haviam percebido.
- Você quer... – Dei um passo para dentro da cozinha e antes que ele terminasse a frase, os 3 cozinheiros largaram tudo o que estavam fazendo e vieram correndo em minha direção.
- de Gales, prazer. Eu sou Terrye Londof o ajudante de cozinheiro. – Olhei para Londof da cabeça aos pés. Aparentava uns 50 anos, calvo e baixo. Um francês completo. Ele fez uma reverencia a mim e a garota ao seu lado começou a falar.
- E eu sou Samantha Green, ajudante também. – Samantha aparentava ser nova, alguns anos mais velha do que eu apenas. Olhava para mim com um sorriso largo e não fez nenhuma reverência. Achei estranho, mas gostei.
- E eu sou...
- Martin, o cozinheiro chef! Eu sei quem você é, acabei de conhecer o seu filho! – Martin olhou confuso para mim e eu pisquei para ele. Devo ter feito alguma coisa errada, já que logo depois o rubor subiu ao seu rosto. – , você já conhece a garota?
- Sim pai.
- Já se apresentou devidamente?
- Sim pai.
estava em outro mundo, chamado “geladeira”. Se Martin perguntasse qualquer coisa para ele agora, o máximo que se limitaria a dizer seria “Sim pai”.
- Ele te tratou bem de Gales? – Martin ergueu as sobrancelhas para mim e eu pensei duas vezes antes de responder com alguma piada idiota.
- Tratou sim senhor. – Abri outro sorriso e Martin se enrubesceu de novo. Logo depois se juntou aos outros dois ajudantes, que estavam escrevendo algum tipo de receita em um papel. Ou pelo menos isso foi que eu pensei.
- Ahm, eu não quero incomodar, mas será que eu posso pedir uma coisa para vocês?
- Ui, mercy. – Terrye respondeu, antes que Samantha ou Martin pudessem ao menos processar a minha pergunta em seus cérebros.
- Eu quero um M&M. Melhor, eu quero um M&M Party Cookies. – Ao mencionar o nome, pude lembrar perfeitamente da primeira e última vez onde havia comido um desses. Foi com Jane, na Disneylândia. O sabor voltou imediatamente a minha boca e o cheiro de chocolate dominou o meu cérebro.
Terrye olhou completamente confuso para mim e seus olhos se arregalaram.
- Eu acho que isso seria impossível. – Samantha começou.
- É , eles são... – continuou, mas foi interrompido pelo seu pai com um olhar de censura. – Perdão. de Gales, eles são edição limitada aqui na Inglaterra e acho que acabaram esses dias. não parava de comer esses Cookies e...
- , eu não acho que de Gales esteja interessada na sua vida pessoal. – Martin o cortou.
- Sério mesmo? Não tem como conseguir nem um pacotinho pequenininho pra mim? – Cruzei as minhas mãos e olhei para . “Por favor, por favor...” eu murmurava.
- Eu vou ligar para o ok? Talvez ele ainda tenha um escondido. – Ele rolou os olhos e fechou a geladeira, segurando uma jarra de suco em uma das mãos.
Não fazia idéia de quem era , mas pouco me importava, desde que eu conseguisse os meus cookies.
- OBRIGADA! – O abracei com força, mas ele não retribuiu. Fiquei extremamente envergonhada e o soltei.
Cap. 4
Eu já começava a ficar aflita com o tanto de pessoas que estavam lá embaixo, e ainda não podia sair daquele quarto. Podia ver pela pequena fresta da porta aberta, parte da decoração e podia ouvir claramente a música que tocava. Aquilo estava começando a me deixar nervosa. O que me deixava com certo receio, era o fato de eu ter transformado um jantar social e completamente entediante, num baile de máscaras, com todos os recursos possíveis para deixar a festa ainda mais “popular”, diríamos assim. Precisava admitir que estava com medo que a minha querida e nova “avó” não tivesse gostado da minha idéia. É tão estranho chamá-la de avó... Mais estranho ainda foi ouvir o meu nome e a porta que eu estava apoiada se abrir, fazendo com que eu quase caísse. Segurei na maçaneta e voltei a me equilibrar, fingindo que não havia acontecido absolutamente nada e forçando um sorriso. Bem falso, devo acrescentar.
As pessoas não conseguiam ver muito bem meu rosto, devido à máscara que eu usava o que era muito bom, já que meus olhos passeavam pelo salão aonde as pessoas me olhavam e aplaudiam. Deus, como eu odeio isso. Eu sempre fui um pouco tímida, não gostava de quando as pessoas me olhavam fixamente, como se tivessem a intenção de perfurar a minha pele com aquele olhar, mas... Naquele momento eu não podia fazer nada, apenas sorrir. Que foi o que eu fiz. Comecei a descer calmamente os degraus, tomando cuidado com o salto, enquanto segurava no corrimão. E eu não parava de sorrir.
Me diz uma coisa: de que adianta usar uma máscara se todos sabem quem sou eu? Naquele momento essa dúvida não transparecia em minha face nem meu sorriso forçado.
Harry e William estavam na ponta da escadaria me esperando e isso me acalmou um pouco. Quando terminei de descer os degraus, Harry me deu o braço e eu o segurei com força. William mandou uma piscadinha pra mim e um sorriso torto.
- Você está suando. - Harry comentou e eu me concentrei para não sair correndo, fugir daqueles olhares que pareciam me cortar a cada passo que eu dava.
- Sério? – Respondi ironicamente, segurando a respiração. Céus, como esse vestido era apertado!
Quando paramos, percebi que estávamos exatamente no meio do salão.
Agora eu sei como as mulheres se sentiam na Idade Média, quando usavam espartilho. É, não é legal. A música lenta e moderna, que aparentemente era do tipo que se tocava nas rádios parou de tocar, e uma valsa completamente sem noção tomou conta do salão. Harry segurou em minha cintura e em minha mão e sorriu, vendo que eu não estava entendendo absolutamente nada.
- Você nunca foi num baile de debutantes? – ele perguntou, esperando a minha reação, enquanto começava a dançar lentamente. E foi naquele momento que eu acordei e percebi que era uma simples dança de valsa que eu nunca havia dançado. Logo, não era tão simples.
- Já, mas nunca imaginei que eu teria um. E eu não sabia que eu precisaria dançar esta noite. – disse por fim, tentando seguir os passos de Harry.
Como a saia do meu vestido chegava ao chão, ninguém podia ver que eu não sabia dançar, o que foi ótimo. Tentava não olhar para os meus pés, pois sabia que mesmo se eu tentasse não conseguiria vê-los então tentei agir com naturalidade. E me saí relativamente bem, até.
Quando chegou mais ou menos na metade da dança Harry me “passou” para William, se é assim que posso dizer. Ouvia milhões de suspiros de longe, e olhava em minha volta, com as meninas mascaradas morrendo por ele. Ok, ele é bonito, preciso admitir, mas não vejo nada demais nele.
- Não fique tensa, é só uma dança. - William disse, tentando me acalmar. Será que o meu nervosismo estava tão visível?
- Não adianta, eu não consigo. - Metade da minha energia estava sendo usada para acompanhar os passos de meu irmão sem olhar para meus pés, sem tropeçar naquele salto alto. E a outra parte, eu usava tentando respirar. Não via a hora dessa valsa ridícula acabar.
- Pense em outra coisa então. - Ele me puxou para mais perto e eu o segurei com força.
Olhei à nossa volta. Todas as pessoas estavam mascaradas, até mesmo os garçons. Eu não conseguiria identificar nenhuma pessoa, nem mesmo Elizabeth.
Quando eu já estava começando a me acostumar com a sensação de todos estarem me olhando e eu estar dançando com o meu “meio-irmão” gatinho, a música finalmente acabou.
Saímos da pista de braços dados e ele foi falar com seus amigos, enquanto eu tentei sair de fininho, o que não deu muito certo. Um grupo de pessoas chatas me cercou começando a elogiar meu vestido, perguntando quem havia feito a minha maquiagem, meu cabelo. Meu Deus, enquanto existem pessoas desnutridas morrendo de fome na África, as pessoas falsas de sangue azul ficam me perguntando quem arrumou o meu cabelo. Essa é uma coisa que me irrita. Eu tentava sorrir, tentava parecer simpática, mas ninguém me deixava em paz. Estava começando a surtar, quando alguém entrou no meio de toda aquela gente que me rodeava, me segurou pelo braço e começou a sair comigo, alegando que eu estava passando mal. Foi uma boa desculpa até.
Não demorou muito para ele me tirar do salão pela imensa porta de vidro e me levar até o grande jardim, que a essa hora da tarde era lindo. O Sol estava se pondo, as luzes já estavam acesas, iluminando o mesmo. Acho que esse jardim foi a maior criação de Deus, falo sério.
Depois de fugir de pessoas chatas, incompetentes e inconvenientes eu finalmente pude olhar para o ser que havia me tirado de lá.
Ele estava com o uniforme de um garçom. E mascarado. Pude olhar apenas seus olhos. Lindos, azuis. Realmente, esse rapaz tinha lindos olhos. Fiquei alguns minutos apreciando-os, perdi a noção do tempo. Ele tentava não olhar para os meus, mas era praticamente inevitável.
Ficamos um tempo sem conversar, apenas trocando olhares de vez em quando.
O silêncio, no começo, era confortável. Mas quando ele começou a ficar chato e me deixar envergonhada, fiz um pedido.
- Seria pedir muito para o meu príncipe tirar essa máscara e deixar sua donzela ver o seu rosto? – Perguntei e coloquei minhas mãos sobre sua máscara, puxando com pouca força.
- NÃO! – Ele gritou, um pouco desesperado e colocou sua mão em cima da minha, proibindo a minha ação de se concluir. Ficamos alguns segundos com uma mão em cima da outra, mas eu tirei rapidamente.
Meu rosto se entortou em confusão e eu concordei com a cabeça. Não vou negar, isso me deixou tensa.
- Quero dizer, não é que eu não quero que você me veja. Mas, vamos adiar isso ok? - Dei de ombros e suspirei alto. Já comentei que sou uma criança birrenta, não é?
- Não fique assim. Por que não conversamos?
Tirei a máscara e me deitei no gramado, assistindo o garoto me acompanhar.
- O céu está estrelado hoje. – Lancei um comentário no vento, com esperança que ele continuasse a conversa. – Não está?
Ele murmurou alguma coisa que parecia uma confirmação. Larguei a minha máscara no gramado e comecei a observar mais o céu. Ele estava realmente bonito e estrelado. Talvez se eu tivesse uma luneta, poderia passar a noite aqui, observando estrelas.
- Por que você tirou a máscara? – Ele perguntou, sem tirar os olhos do céu.
- Você sabe quem eu sou. Não tem motivos para me esconder atrás de uma máscara estúpida.
– Respirei fundo e procurei forçar para continuar a conversa. Não sei como ou por que, mas a presença desse rapaz me deixava intimidada. – E você? Por que não tira a sua? Minha mãe me ensinou que falar com estranhos é perigoso. – Brinquei levemente.
- Até onde eu sei, você não tem mãe. – Sua resposta me surpreendeu um pouco e eu me levantei.
- Acho que eu estava enganada sobre você. Até onde a sua inconveniência pode chegar?
Peguei a minha máscara que estava largada no gramado, e saí correndo o mais rápido que aqueles saltos permitiam, em direção ao palácio. Em direção a minha festa.
- ! Espera! ME DESCULPA! – Ele gritava, mas eu não estava disposta a voltar. Não mesmo.
As portas do salão principal – onde a festa acontecia – estavam abertas, e quando eu entrei, minha avó, foi a primeira pessoa a vir falar comigo. Elizabeth segurou meu braço, e me empurrou para dentro da festa. No momento que as pessoas voltavam a sua atenção para mim, eu me arrependi de ter voltado.
- Onde você esteve? – Ela perguntou baixinho, e me deu um apertão no braço, mas não tirava um sorriso do rosto. Sorriso falso, eu devo dizer.
- Estava passando mal. – Respondi, sorrindo também.
- Mais tarde conversaremos sobre isso. Agora quero que você conheça a Princesa de York. – Ela disse a última frase em voz alta, quando nos aproximamos da garota.
- Olá! – Ela disse animada, com uma taça de champagne na mão. Fez uma reverência e eu retribuí com um sorriso.
- Vou deixá-las sozinhas. virá passar uns tempos conosco, espero que se dêem bem. – Elizabeth disse e saiu de perto, se infiltrando na multidão.
- Uau! Sua avó é um pouco forte para a idade dela não é? – Ela apontou para o meu braço, e uma mancha vermelha, contornando onde a mão de Elizabeth acabou de sair, estava bem marcada.
- Verdade. – Fiquei um pouco sem graça. – Ei, onde você conseguiu um desses? – Indiquei a taça de champagne com o dedo.
- Estão servindo para todos, caso você ainda não tenha percebido. – Ela ainda sorria gentil, apesar de seu olhar ser confuso.
Olhei em volta e vários garçons estavam servindo a taça. Será que um deles era o meu garçom? Não que eu queira encontrá-lo, eu só queria saber qual desses homens uniformizados era ele.
- Procurando alguma coisa? – Ela perguntou educada.
Ignorei a pergunta dela e fui atrás do garçom mais próximo. Peguei a taça e voltei para onde a garota estava alguns segundos atrás. Mas não a encontrei mais.
~*~
Já estava exausta de ficar na (minha) festa, enquanto todos dançavam, se divertiam, sorriam e tentavam fazer sua estrela brilhar, eu só via a minha se apagar cada vez mais rápido. Estava bebendo. Mais do que deveria, diga-se de passagem. Sentada numa mesa vazia, eu podia contar quantas taças de champagne eu já havia bebido. Cerca de 8... Não, 9?! Ai, que dor de cabeça. Realmente, eu estava tão bêbada que mal podia contar as taças. Senti meu corpo se contraindo e um líquido com um gosto realmente nojento e ruim subindo pela minha garganta.
Sim, eu vomitei.
Mas nem por isso eu iria parar. Eu tinha certeza que daqui há 10 minutos alguém já teria limpado aquela coisa nojenta. Sinceramente, eu devia ter comido antes de começar a beber, mas o meu gênio um pouco (ok, muito) orgulhoso se achava forte o suficiente para beber até cair. Levantei e fui cambaleando até uma mesa repleta de guloseimas maravilhosas e coloquei umas 5 na boca, de uma vez. Eu te juro que não sou compulsiva por doces (mentira). Peguei mais algumas e voltei para o meu lugar, tentando não escorregar, cair, desmaiar, morrer.
Sentei-me novamente e comecei a comer um por um, dessa vez mais calmamente. Eu nunca fui de beber muito, mas imagine que você conheceu um cara com os olhos mais lindos que você já teve a sorte de ver e... Ele vem falar da sua mãe... Ou da falta dela. Isso magoa.
Droga, por que eu estou chorando? E comendo. Estava ficando com sono. Deitei minha cabeça na mesa e senti cada membro do meu corpo pesado. Devo ter adormecido. Acordei um pouco depois com um alguém me deitando em minha cama gigantesca de milionário, e olhei para o ser desocupado que provavelmente também estava entediado com a minha festa e preferia mil vezes tomar conta da princesinha bêbada.
Era ele. Merda! Me diga Senhor, o que eu fiz para merecer isso? Um garçom bonitão que se importa comigo à ponto de vir me cobrir e beijar a minha testa antes disso?
- O que você quer? – perguntei sonolenta, desejando que ele fosse para um lugar feio e obscuro.
- Você precisa tomar banho... – ele respondeu, quase sussurrando. Sentou-se ao meu lado e abaixou calmamente o zíper do meu vestido. Legal, eu estava tão inconsciente que ia ser estuprada ali mesmo. Mas eu não ligava, eu continuava com sono e queria dormir. Ele saiu de perto de mim e a única coisa que eu pude ouvir foi a água sendo ligada e começando a cair, provavelmente vindo da banheira, enquanto ele voltava. Era engraçado como não podíamos ouvir som nenhum vindo de lá debaixo, apesar da música estar tocando.
Ele ligou o meu som, e no mesmo momento tocava a música “Thunder” do Boys Like Girls. Eu já disse o quanto eu gosto dessa música? Provavelmente não.
Ele abaixou as alças finas do meu vestido, tirou-o por completo, me pegando no colo. Me levou até a minha suíte e tentou me colocar de pé.
- Qual é o seu nome? – perguntei. Aquela música estava começando a me deixar mais curiosa afinal, tinha um clima ali no meio.
Ele sorriu, mas não me respondeu e mudou de assunto.
- Você deve ter bebido bastante... Você consegue ficar de pé? – ele perguntou, aparentando estar preocupado.
- Claro que consigo. – eu disse, tentando andar e tropeçando no meu outro pé. Realmente, acho que eu não conseguia. Ele me pegou no colo e riu. Um tipo de gargalhada reconfortante, segura, não tem como explicar. Acabei rindo também, apesar de não saber muito do que eu estava rindo. Apenas por ele estar rindo. O que está dando em mim? Pára Isabela!
- É, to vendo como você consegue. Vem cá. –me colocou na água aos poucos. Eu não estava completamente consciente e ele não teria a audácia de me despir completamente... Ou teria?
Ok, agora eu estou com medo.
- Tá gelada. – eu murmurei, me escolhendo e passando as mãos sobre meus próprios braços na intenção de me aquecer. E ele continuava sorrir. Eu fiz alguma coisa pra ele sorrir? Ah é, estava quase me esquecendo: eu estava bêbada. Isso era motivo não só para sair no jornal com a manchete “Será que ela conseguirá governar o país a là Paris Hilton?”, mas também para rir de mim pela minha cara de sono.
Era engraçado o jeito como ele passava a mão nos meus cabelos e tentava me dar banho, tomando o maior cuidado. O cabelo dele estava meio bagunçado e... Continuava lindo, perfeito. Tá, parei. Eu não estou consciente pelos meus atos, eu estou bêbada ok?!
- Vem... Deixa eu te colocar pra dormir. – ele sussurrou. Nossa, naquele momento meu coração disparou trezentas vezes mais do que o normal. Caramba, nem sei explicar, acho que eu recebi sangue pro resto da minha vida só com aquelas batidas.
Ele me guiou, com as mãos em minha cintura, até a minha cama.
- Eu não quis entrar no seu closet, mas se você não quiser dormir de sutiã e calcinha, eu pego outra roupa. - Ele me sentou na cama e afofou o meu travesseiro.
Olhei para o meu corpo e só então percebi que estava só de lingerie. Senti minhas bochechas queimarem e concordei com a cabeça.
- É, um pijama seria uma boa idéia. - As palavras saíram da minha boca - rápidas e embaralhadas - mas eu já tinha alguma consciência do que eu falava ou ouvia.
- Certo. - Ele me deu um beijo na testa e entrou no meu closet.
Só alguns segundos depois, quando percebi que ele não estava mais ao meu lado - apesar de ainda sentir seus lábios em minha testa - deitei em minha cama.
Oh meu Deus, como esse colchão é macio. Fechei meus olhos, mas não queria dormir. Não conseguiria dormir, sabendo que ele estava à um quarto de distância de mim.
Minha cabeça ficou mais leve e meu corpo já não respondia mais aos meus pensamentos. Por um breve segundo, achei que tinha caído no sono. Então a porta do closet se abriu e um barulho muito alto me fez sair do "nirvana".
- OUCH! - Gritei. Meu ouvido doía, e uma dor de cabeça muito forte tomou conta de mim.
- O que foi? - O rapaz perguntou e correu em minha direção. Ele se preocupa tanto assim comigo a ponto de vir com um simples gritinho?
- Que barulho foi esse? – perguntei aparentemente perturbada. Realmente, parecia que uma bomba atômica havia explodido bem ao lado do meu ouvido.
- Eu não ouvi barulho nenhum... Só da porta do closet. – ele respondeu, sorrindo. Sempre com aquele maldito sorriso. Ele caminhou em minha direção e sentou-se ao meu lado, colocando o pijama sobre mim. Eu sentei com certa dificuldade, já que o sono e a preguiça eram maiores do que qualquer outra coisa. Vesti o mesmo, e o mais engraçado foi que ele pegou o meu preferido! Comecei a gargalhar, e ele aparentemente não entendeu o motivo então abriu apenas um sorriso. Parecia um sorriso sincero.
- Melhor você dormir, pequena. – ele disse, sem parar de sorrir. Se levantou e deu as costas, indo embora. Não, ele estava indo embora. , não o deixe ir embora, caralho!
- NÃO! – gritei, num impulso. Ele se virou e olhou para mim, confuso. - Fica aqui comigo até eu dormir? Por favor. – estava praticamente implorando. Ele voltou e sentou do meu lado. E a música continuava tocando... Como se eu realmente estivesse prestando atenção na mesma.
- Quer que eu leia uma história, também? – ele perguntou, rindo. Ironia fina, eu odeio isso.
- Não... Só queria que você ficasse aqui comigo. – respondi, segurando uma mão dele, tentando me aconchegar debaixo das cobertas. Eu acho que estou com problemas sérios. Eu não conseguia parar de olhar para aquele rapaz que eu nem ao menos sabia quem era.
- Então está bem. – ele respondeu baixinho. Ficou olhando para mim e eu para ele, e eu já começava a ficar um pouco encabulada com a situação.
- O que? – perguntei, tentando saber o motivo para ele ficar me encarando de tal maneira que eu podia sentir meu rosto corar quando ele sorria.
- O que o que? – ele perguntou de volta.
- O que você está olhando? – eu perguntei mais uma vez, fazendo-o sorrir, pra variar.
- Nada... – começou ele, passando a mão em meu cabelo. – É que eu nunca imaginei que pudesse acontecer tanta coisa em uma festa só. – Ele disse e sorriu mais uma vez. Dessa vez eu acabei sorrindo também.
- Achei que você estivesse acostumado a conhecer princesas órfãs e rebeldes que gostam de se embebedar na própria festa de debutantes. – ele deu uma gargalhada gostosa, mas aquela máscara estava começando a me deixar neurótica. Ficamos mais um tempo nos olhando e eu fiquei mais encabulada ainda. - Essa máscara não te incomoda?
Perguntei e desviei o meu olhar antes de explodir em vergonha.
- Nem um pouco. - Ele disse negando com a cabeça. De fato, aparentemente estava me incomodando.
- Qual é o seu nome? – perguntei.
- Você não vai parar? – ele perguntou também, rindo.
- O que você espera? Que eu durma, você vá embora e a gente nunca mais se veja? Eu fui a única que sentiu que tem algo a mais aqui? – eu perguntei, revoltada. Mas eu tinha razão para tal reação... Ou não.
Ele instalou um sorriso torto em sua boca. Esses sorrisos sem motivo estavam começando a me deixar muito nervosa.
- Eu sei que eu estou sendo egoísta, mas eu realmente não espero isso. Eu espero que você se lembre de mim todos os dias, mesmo sabendo que isso não vai acontecer. – Ele passou as costas de sua mão na minha bochecha e eu fechei os olhos. – Eu quero que você pense em mim todos os dias.
- Então tira a máscara. – Disse com uma voz sonolenta e bocejei.
Percebi que se ele não falasse logo quem era, talvez o cansaço me vencesse.
- Não posso.
- Por que? – Ele tentou levantar e eu perguntei antes que ele fosse embora.
- As coisas não são sempre como você quer . Não é só porque você é uma princesa que você vai ter seu príncipe encantado.
- Mas e se eu tiver? – Segurei a mão dele, que antes estava na minha bochecha.
- Então, com certeza esse não sou eu.
Eu soltei nossas mãos e ele a apoiou no espaço do colchão que tinha entre nós. Um espaço muito pequeno comparado ao tamanho da cama, eu devo dizer. Ficamos nos olhando durante alguns minutos, não ser ao certo, perdi totalmente a noção do tempo. Seus olhos eram tão profundos que eu podia cair dentro deles, não sei explicar. Virei para o outro lado, mostrando que sua resposta não havia me agradado nenhum pouco.
- Não fique assim... – Ele disse, encostando a mão no meu ombro.
- Me diz como não ficar? – Eu respondi ainda virada de costas para ele. – Você aparece do nada na minha vida e agora acha que vai sair dela tão fácil? Que vai ser fácil esquecer tudo isso? Só porque eu já perdi muitas pessoas na minha vida, você acha que perder uma a mais ou uma a menos não vai fazer diferença alguma? – bufei. Percebi que meu nariz estava ficando um pouco vermelho e meus olhos ficaram marejados. Era o que me faltava. Chorar! Ele não pode ser capaz de despertar um sentimento tão grande em mim, a ponto de me fazer chorar, em tão pouco tempo. Não mesmo.
- ... – Ele começou, sussurrando ao pé do meu ouvido. – Olha pra mim.
- Eu não vou olhar pra você. - Engoli as minhas lágrimas e senti a raiva dominar a minha voz. - Eu não consigo olhar pra você. Tem uma máscara estúpida no seu rosto que não deixa eu te ver.
Senti ele se mexer na cama, e depois, ouvi passos. Ouvi ele bufar e um tempo depois, o rádio foi desligado.
- , eu...
- Vai embora. – Insisti com a voz chorosa.
Como o quarto estava escuro, não consegui ver muito além do semblante de seu corpo ir andando vagarosamente até a porta. A porta se abriu, uma fresta de luz invadiu meu quarto, mas ele não se foi. Ele voltou em passos largos e rápidos em minha direção. Quando chegou perto da cama, se abaixou. O que eu conseguia ver, devido aquela máscara maldita, eram seus olhos e sua boca. Ele foi se aproximando de mim, e me beijou.
Um beijo rápido, mas ainda sim um beijo.
Ele saiu correndo em direção a porta e dessa vez, foi embora. Como se isso não bastasse, o choro voltou para minha garganta e eu lembrei que agora, teria uma longa semana.
Teria que enfrentar Elizabeth, com certeza teria que fazer alguma aparição pública explicando o acontecido. Esses pensamentos só trouxeram a minha dor de cabeça de volta, como se as lágrimas escorrendo pelas minhas bochechas não bastassem.
Cap. 5
Acordei na manhã seguinte, desanimada. Não queria levantar, não tinha motivos para isso e estava com muita dor de cabeça. É, acho que eu bebi demais. Meus olhos ardiam como se tivessem sido perfurados enquanto eu dormia. O que houve ontem à noite, depois que eu comecei a beber? Uma vaga lembrança veio à minha memória com um flash, e eu me lembrei de um rapaz que usava uma máscara negra e me beijou. Coloquei a mão sobre os meus próprios lábios e fechei os olhos, ainda deitada na espaçosa e confortável cama.
- ? – Uma voz conhecida me chamou, mas eu não lembrava exatamente quem era. – de Gales? Está acordada?
Abri os olhos e prestei atenção na figura que me chamava. Era Judith abrindo as cortinas, fazendo com que uma claridade muito forte entrasse no meu quarto. Não tinha passado muito tempo na Inglaterra, mas já sabia que um dia ensolarado era raro.
- Estou. – Murmurei mal humorada.
- A Rainha Elizabeth está te chamando para o café. Sugiro que se troque o mais rápido possível, ela não está no seu melhor dia. – Judith disse, enquanto eu sentava em minha cama, tentando fazer a minha cabeça parar de doer e as coisas pararem de girar.
- Ok. – Disse sem realmente prestar atenção.
- Com licença. – Ela disse e se retirou.
Deitei-me de novo e fechei os olhos na esperança de conseguir mais uns cinco minutos de sono, mas a luz forte vinda do jardim não deixava.
Abri meus olhos e me concentrei para o teto do meu quarto parar de girar, e depois de algum tempo meu esforço valeu a pena.
Levantei com cuidado e andei em direção ao closet, pensando qual seria a roupa adequada para tomar café-da-manhã com a rainha da Inglaterra. Antes de alcançar a porta, tropecei e cai no chão.
Não tropecei porque eu ainda estava bêbada ou com sono. Não, na verdade eu estava com alguma ressaca e já tinha vencido meu sono. O que estava no meu caminho e me fez tropeçar, era uma das minhas malas que eu trouxe do Internato.
Abri o zíper devagar, e algumas roupas não tão interessantes quanto as do meu closet, praticamente saltaram para fora.
Sou uma péssima pessoa para fazer malas. Simplesmente não consigo dobrar roupas e soco tudo de qualquer jeito.
Mas uma peça que “voou” da mala, era a peça perfeita para ser usada. Um roupão rosa, com uma faixa nas costas escrito “THE BEAUTY QUEEN” (a rainha da beleza). Era uma peça horrenda, confesso. Mas eu adorava usá-la. Era tão confortável e me trazia boas lembranças. A maioria, lembranças de Jane.
Jane tinha um roupão idêntico a este, e usávamos nos domingos tediosos. Esse roupão geralmente era acompanhado de sorvete, chocolate ou leitura incansável de revistas de moda. O roupão de Jane era lilás e de vez em quando eu o pegava emprestado.
Voltei os meus pensamentos para a Inglaterra e resolvi vestir o roupão por cima do pijama. Saí do meu quarto, passei pela minha “sala” particular e saí no corredor. Perguntei pra mim mesma se seria capaz de chegar até a copa sem me perder.
Quando cheguei à mesa do café-da-manhã, todas as pessoas – exceto Charles - pararam o que estavam fazendo e olharam para mim. A família real britânica tem algum problema mental que ainda não foi divulgado? Por exemplo, algum tipo de “olhar-fulminante-crônico”?
Elizabeth e Philip estavam sentados cada um em uma ponta da mesa, ambos lendo jornais. Ao lado da minha avó, estava Charles – tomando um café e rejeitando totalmente a minha presença - e a frente dele, Camilla que deu um sorriso largo quando me viu. Do lado de Charles, Harold e William estavam sentados, conversando sobre caçadas e algum alce com 8 pontas no chifre. Tinha uma cadeira vaga ao lado de Camilla e do lado desta, uma garota estava sentada. Sentia que já tinha visto essa menina antes, mas não fazia idéia de quem era.
- de Gales, eu peço que suba e se troque. – Elizabeth disse, desviando o seu olhar de seu jornal, para mim.
- O que tem de errado com ela? – Harold perguntou.
- É! Ela ficou muito gostosa nesse roupão. – William reforçou Harold e deu uma piscadinha desajeitada para mim. Eu corei.
Fingi que não ouvi o comentário de Elizabeth e sentei no lugar que estava reservado a mim.
- Não vou repetir, ou troca de roupa ou vai tomar o seu café com os empregados.
Ignorei-a novamente. Camilla estava do meu lado e me chutou com suas pernas.
- O que? – Perguntei para ela em voz baixa.
- , eu temo que a sua presença esteja nos atrapalhando.
- Elizabeth... – Comecei, mas fui interrompida com outro chute, desta vez de Harold, que estava na minha frente. - Avó! – Disse e ele fez um “jóia” com a mão, de um jeito que eu só eu pude ver. – Eu não vejo nada de errado com o meu roupão. É só um café-da-manhã em família, não preciso vestir nada muito bonito.
Ela me ignorou e eu tomei isso como uma aceitação. Sorri orgulhosa, e William murmurou “parabéns”. Peguei um pedaço de pão e passei geléia de uva nele. Antes que pudesse colocar este na boca, minha avó deu um murro na mesa e me olhou por cima de seus óculos de meia-lua.
- Eu te dei duas opções, e o que você está fazendo não é nenhuma delas. Vá para cozinha.
- Mas...
- AGORA! – Decidi não protestar mais e empurrei a cadeira para trás, fazendo um ruído alto e chato. Peguei o pedaço de pão que quase comi, e andei em direção a porta. Antes disso, parei ao lado da minha avó.
- Vovó? – Perguntei com uma voz manhosa.
- O que? – Ela disse sem tirar os olhos do jornal, mas não acredito que ela estava realmente lendo, já que a manchete era “Como perder 2kg em dois dias”.
- Olha aqui. – Ela me obedeceu e me assistiu colocar o pedaço de pão com geléia em minha boca de uma vez só. – Hum, delicioso! – Passei a mão na minha barriga, como se acariciasse esta.
Harold e William se explodiram em risadas e Charles não os censurou. A garota desconhecida, que até agora estava quieta, deu uma risadinha baixa.
Antes de atravessar a porta para mais um dos muitos corredores, pude a ouvir resmungar algo como “Birrenta” e “Filha da Diana”. Saí do aposento e desci as escadas até a cozinha, a procura de um rosto conhecido, até que eu vi de longe, um rapaz sentado na arquibancada da cozinha, comendo cereal de chocolate numa tigela com leite. Seu cabelo estava desarrumado, o que eu achei certamente sexy, mas a gente finge que não ouviu nada. Ele olhou para mim e abriu um sorriso inigualável; Será que tinha alguma coisa no meu rosto?
- Oi... – eu disse, abrindo um sorriso de canto de boca.
- Oi. – começou ele. – Linda roupa.
- Haha, - Eu ri irônica. - nem vem. – Retruquei aborrecida. Meu humor ao acordar nunca foi dos melhores. – Eu fui expulsa da mesa do café da manhã pela Majestade, por estar usando uma roupa denominada imprópria. Se eu estivesse de calcinha e sutiã eu estaria inapropriada. – bufei e vi corar. Os garotos da Inglaterra são tão acanhados, sensíveis, envergonhados? Será que eles são gays? Por favor, diz que é mentira, porque seria um desperdício.
- Está com fome? – Ele perguntou, empurrando a tigela com cereal para o lado e descascando uma laranja. Aquela fruta enrugada me remeteu automaticamente ao rosto de Elizabeth.
- Não. – Fiz uma cara de nojo e ele não entendeu.
Ficamos um tempo em silêncio. Meus olhos estavam em , mas minha mente estava longe, em outra pessoa...
- Como foi a sua festa ontem? – Ele perguntou, num tom debochado.
- Você ficou sabendo? – Perguntei assustada. Ah, não! Que ótimo. A única pessoa com quem eu conversava nessa casa me acha uma princesa mimada e alcoólatra.
- Eu estava lá! Eu era um dos garçons e...
- Espera! – Eu o interrompi. – Garçons? Você era um deles?
Seu rosto se assustou com a minha pergunta. Ele colocou um pedaço da laranja na boca.
- Ew gra sgm. – começou a dizer coisas incompreensíveis.
Restou-me então esconder a risada, apesar de que se ele era um dos garçons, talvez ele conhecesse o garoto da máscara. O garoto que me colocou pra dormir. O garoto que me beijou. O garoto dos meus sonhos. Mas era engraçada a maneira como ele mastigava, concentrando-se na pequena laranja.
Nossa, que vontade de morder aquela boca... Quero dizer, laranja. Quero dizer... Ah, deixa. Foi só um surto.
- ? – Uma garota invadiu a cozinha, me fazendo esquecer da minha repentina vontade de morder laranjas. Ela veio em minha direção, com uma expressão de preocupação e alívio em seu rosto. – Sua avó disse que você deveria estar aqui. – Concluiu, comum sorriso tímido.
- Ahm... Você deve ser a minha... – comecei.
- Prima. – ela completou logo em seguida. Aparentemente ela sabia que eu não fazia a mínima idéia de quem ela era. – Sua avó nos apresentou ontem à noite na sua festa.
E foi nesse momento que engasgou e começou a tossir freneticamente. Provavelmente estava se segurando para não rir, já que como um bom garçom, ele se lembraria que eu devia ter pegado mais ou menos umas 15 taças de champagne só dele.
- Eu vou, erm... – começou a falar, mas tossiu de novo. – Vou procurar meu celular.
Eu ergui uma sobrancelha em confusão. Procurar um celular? Eu sei que eu não sou uma ótima companhia, mas, ele poderia encontrar alguma desculpa melhor para se afastar de mim. Aposto que foi tudo culpa dessa menina que veio aqui. Menina não... prima. É só... Tão estranho poder chamar alguém que eu nunca vi antes na minha vida de prima.
- Ele não parece gostar muito de você. – A minha “nova” prima disse, mas não consegui entender se ela só estava brincando ou se foi sério.
- É, tanto faz. Não é como se eu o conhecesse por muito tempo. – Como eu consigo ser tão mentirosa? Talvez eu tenha aprendido alguma coisa naquele Internato, com aquelas garotas ricas de nariz empinado.
Ficamos um tempo em silêncio. Eu procurei algo para comer na geladeira, mas só então percebi que não estava com fome. Ou, se estava, ela tinha passado; pensei assim até abrir a dispensa.
Lá dentro, tinha um embrulho dourado, com um aviso grampeado.
“É de de Gales. Favor não mexer, comer, ou fazer qualquer coisa idiota com isso.”
Não pude deixar de dar risada com aquilo. Quem, em sã consciência, escreve um recado desses?
Minha mão trêmula pegou o pacote. Não era muito grande, nem muito pequeno. Balancei perto de meu ouvido, e um barulho estranho ressonou. Não consegui descobrir o que era pelo barulho. Talvez, só descobrisse se o abrisse...
- Uau, o que é isso? – Uma voz disse, bem atrás de mim, fazendo com que eu jogasse o embrulho para cima, como sinal de susto.
Antes que caísse no chão, a garota o pegou. Ela leu o bilhete com cuidado, e riu.
- Quem é o idiota que escreve um bilhete desses?
- Eu? – Uma voz, masculina dessa vez, disse. A menina se assustou, e a mesma cena se repetiu. Exceto que, dessa vez, que pegou o embrulho foi . – É para você. Iria te dar ontem, mas, você sumiu da festa.
Senti minhas bochechas queimarem e tirei o embrulho da mão dele.
- Eu acho que vou indo. Preciso ajudar meu pai com algumas coisas. Tenham um bom dia. – Ele fez uma reverência idiota para nós, e eu o ignorei. Odeio reverências. – é, acho que esse deve ser o nome dela – retribuiu.
- Então, vai abrir? – Ela estava visivelmente curiosa.
- Mais tarde. – Guardei o embrulho no bolso. – Me diz uma coisa... Tem piscina nesse lugar?
- Três. – Ela respondeu, olhando para o bolso do meu roupão.
Eu tinha quase certeza de que era meu M&M, e não iria dividir aquilo com ninguém. Era meu, só meu.
- Quer ir? – A convidei, e ela finalmente tirou seus olhos do meu bolso, para olhar meu rosto.
- Lógico! Eu adoraria. Vou me trocar, te encontro lá em 20 minutos. – Eu a vi sumir pela porta da cozinha e fiquei para ali, sem fazer nada. Depois de algum tempo, ela voltou. – Ah! Será que você poderia chamar os seus irmãos, também? Para ir à piscina?
Eu ri baixinho. – Lógico. - Ela tinha um sorriso largo estampado no rosto.
Acho que ela entende o que eu estou passando. Digo, não a história de ser um novo membro da família real, com 18 anos; mas sim, a de não ter ninguém com quem conversar.
Ela parecia estar bem feliz por passar um tempo aqui.
Silêncio. Não se ouvia mais nada, dentro daquela cozinha. E era tudo tão claro e iluminado, que dava a impressão de que eu estava em outro lugar. Não naquele palácio gigante, cheio de gente desconhecida.
Quando sentei no balcão, tirei o embrulho do bolso. Estava quase abrindo, quando uma figura invadiu a cozinha. Ela quebrou o ambiente de “paz”, e jogou uma revista na minha frente.
- É isso que você quer pra você? – Elizabeth gritou. Eu quase caí da cadeira, de susto. Olhei a manchete.
- Não, eu não quero um carro novo por 40 mil libras. Só se você quiser comprar pra mim.
Ela voltou a revista para as mãos dela, e folheou algumas páginas. Jogou na mesa de novo, com mais força do que antes.
Agora sim fazia sentido. No título, uma coisa bem grosseira chamou a minha atenção:
“ de Gales, pior que sua mãe.”
Logo em baixo, eu li: “É de família? Genética? Todos os membros reais de Gales são festeiros e inconseqüentes?”
Tinha duas fotos minhas: uma bebendo champagne, com outras 5 taças vazias na minha frente; e outra vomitando. Droga, droga, droga.
Fechei a revista e a empurrei de volta para Elizabeth. Cruzei meus braços.
- O que você tem a me dizer sobre isso? – Ela estava quase gritando, eu podia sentir a raiva, explicita na voz dela.
- Eu nunca vi tanta grosseria em toda a minha vida. Que tipo de revista séria, insulta uma pessoa morta?
- O tipo de revista que se chama The Sun. E vá se acostumando com ela. Se quiser ser como Harold e William, vai ser manchete principal quase toda semana.
- Hmm. – Puxei a fitinha do “presente”, e o saquinho começou a fazer um barulho chato. – Sempre preferi ler o Guardian, no Internato; o The Sun é chato e grosseiro.
Ela cruzou os braços, e não saiu da minha frente. Continuei concentrada no embrulho. Tirei o tão sonhado M&M’s, e eu pude sentir minha boca salivar. Aquilo era tão bom.
Estava quase colocando o cookie na minha boca, quando Elizabeth – num acesso de raiva -, o arrancou da minha mão, e jogou em uma lixeira qualquer. Nisso, Samantha – uma das ajudantes de Martin – apareceu na cozinha. Seus olhos se arregalaram. Não sei se ela ficou mais surpresa por ver Elizabeth na cozinha, ou por ver Elizabeth atirando cookies na lixeira da cozinha, e controlando sua vontade de bater sua neta, sem razão aparente.
- Quero ter uma conversa descente com você. Te vejo no meu escritório, em meia hora.
- Não vou. – Levantei do banquinho, e tive vontade de fazê-la pegar aquele cookie de volta. Quem ela pensa que é? A Rainha da Inglaterra? Ahm, ok. Ela é.
- Não vai? Era só o que me faltava!
- Vou na piscina, com a . – Não conseguia ouvir nem a respiração de Samantha. Era como se ela não existisse.
- Eu acho que o The Sun tem razão. – Minha avó retirou a revista de cima da mesa, e saiu do aposento, do mesmo jeito que entrou: nervosa e desnecessariamente barulhenta.
- Ela é sempre assim? – Samantha perguntou, enquanto picava tomates.
- Não sei. Acho que, só quando aparece uma foto minha, vomitando, na revista de maior circulação da Inglaterra.
Samantha riu. Depois de alguns segundos, até eu ri com a minha piada.
- Não esquenta. Você saiu bonita na foto. – Ela fez uma cara estranha. – Quero dizer, o ângulo era bom.
N/A da Isa: OOOOOOOI cats! (:
Só para esclarecer, a partir dessa att, o Harry do McFLY, vai ser Harry. E o Harry príncipe, vai ser Harold. Ok? Hahaha
Obrigada por comentarem *-* esse capítulo ficou meio sem sal, mas O QUE FOI ESSA ELIZABETH?
O próximo vai ficar muito legal, eu e a Thaís surtamos no MSN quando vimos o que ia dar *-*
Beijs, não se afoguem! :*
N/A da Thaís: Quem ficou com um ódio mortal da Rainhazinha de merda levanta a mão. \o ASDIHASIODHASIODHSAIO
Sério mesmo gente, brigada por tudo o que vocês estão fazendo... Toda vez que a gente posta, eu venho ver os comentários. Essa fic ta ficando MUITO FODA, espero que vocês gostem desse cap. e esperem MUITO MAIS pro próximo, IAOSHDIOASHDIOASHDSA luv ya, Thaa x3 :*