Your Blame
Por: Luisa Prado | Beta: Mari Morgon
revisada por Lelen

(N/a: Ponha para tocar, se quiser.)

Ela andava pelas ruas. Sem rumo algum. Ela andava apenas por um caminho onde ela já estava acostumada a andar, sempre. Nesse caminho, ela costumava passar bons momentos, o que contracenava com o que ela sentia agora. Era algo inexplicável, doía de uma forma incontrolável. Era algo que ela não poderia controlar com facilidade.
Ela parou no meio da calçada, percebendo o caminho que tomava. “Não. Onde eu estou indo?” pensou, quando parou. As pessoas passavam apressadamente por ela, sem nem ao menos notar se ela estava bem ou não. “Eu não posso ir para esse lugar. Não agora, não quero ir.” As pessoas passavam com a sua maldita pressa, com o seu maldito atraso. E a única coisa que queria era um pouco de sossego. Ela queria ir para um lugar onde ela pudesse esquecer-se do que havia acabado de acontecer, mas, ao invés disso, seus pés a levaram a um lugar onde ela queria esquecer o mais rápido possível.
Ela não queria mais sofrer por causa disso. Voltou pelo caminho que havia andado durante uns quarenta minutos, naquele frio cortante que estava Londres. Aquele era um inverno frio, mas não pela temperatura em si, e sim por tudo que estava acontecendo com ela essa semana. E o pior: o que tinha acabado de acontecer.
Por mais que ela tentasse, essa imagem continuava rodando várias e várias vezes em sua cabeça. Como num filme onde a mesma imagem se repete várias vezes... Como se não fosse o bastante ela ter descoberto sozinha, sem ninguém ter contado para ela. E da pior maneira possível. Ela viu com seus olhos, ninguém contou, filmou ou fotografou. Ela viu aquilo... Isso que mais a machucava.
Seus pés a levaram a um lugar onde era confortável para ela desde pequena: um pequeno parque com algumas árvores. passava suas tardes de verão ali, quando era criança, com a sua avó. Tinha ótimas memórias dali.
Sentou-se em um banco onde sua avó costumava vê-la brincar com as bonecas, carrinhos e amigos. Sua cabeça passou de preocupada/desapontada para rever ótimas lembranças. Era isso que ela precisava. De sua avó. Mas não tinha mais como, ela estava morta. A única coisa que ela poderia se lembrar eram de algumas frases que a senhora costumava dizer e que até então não entendia o significado de muitas delas.

Flashback


- Sabe, , espero que um dia você possa encontrar alguém como sua mãe encontrou seu pai. – Ela dizia.
- Mas, vovó, mamãe e papai não estão mais juntos. – A menina olhou confusa para a mais velha que a olhava com um olhar de ternura.
- Sim, infelizmente eles não estão mais juntos. Mas veja bem: eles se amaram por um longo período. Logo depois que você nasceu surgiram complicações.
- Então a culpa foi minha? – Ela perguntou com uma voz chorosa.
- Não, querida. A culpa não foi sua. Quando você for mais velha, você entenderá o que aconteceu com os seus pais, agora o que você tem que saber é que eles se amaram. Como nunca vi um casal de jovens antes. Era incrível vê-los daquela maneira.
- Vou me casar e ter muitos filhos, mas não serei como meus pais e continuarei casada.
- Eu acredito nisso, . – A senhora a olhou. – Vá brincar com os meninos.
- Ok. – A menina se levantou e saiu andando em direção as outras crianças. Parou por um momento, olhou para a sua avó e perguntou curiosa, andando de volta. – Vovó, ele pode ser qualquer um, certo?
- Sim, claro que pode! Mas por que a pergunta? – A senhora a olhou curiosa.
- Hm, é que acho que eu tenho alguém em mente... – Falou pensativa.
- Sério? Quem, meu anjo?
- , vovó.
- Ah, sim. Mas o que te levou a pensar que ele pode ser o ‘homem da sua vida’?
- Ele é muito meu amigo e gosta de quase as mesmas coisas que eu. Se agente se cassasse, poderíamos nos dar muito bem. – A menina saiu correndo e a senhora deu uma leve risada, vendo a neta se juntar com os meninos. Entre eles, .

End Flashback

A garota riu com a lembrança que teve da primeira vez que cogitou ter um possível amor. Em pensar que poderia ser seu marido, mas ao lembrar disso seu estômago deu um nó e parecia que mais nada fazia sentido. Como uma criança de 6 anos pode pensar que aquela pessoa é seu amor e algum tempo depois ser decepcionada pela mesma?
Ela não conseguia confiar em muitas pessoas. era um dos poucos e ele decepcionou . Ela não conseguia entender isso.

Flashback

- Hey, . – O garoto chegou a abraçando por trás dando um leve susto nela.
- Hey, . Como foi a prova?
- Fácil, colei da Kath... – Ele falou, dando uma leve risada. – Ela acha que eu gosto dela, então eu jogo um pouco de charme e tudo o que eu preciso ela dá. – Agora a risada se intensificou e o acompanhava.
- Como você é mal, . Coitada da Kath, ela é legal. – Falou depois de recuperar o fôlego.
- Eu sei, mas é mais legal ainda quando me passa cola.
Os dois saíram dos corredores que começavam a lotar aos poucos com o término das aulas e foram se sentar no lugar de costume: embaixo de uma árvore velha que tinha longe do pátio.
- Lembra de uma promessa que a gente fez quando tinha 11 anos? – perguntou após um tempo em silencio embaixo da árvore.
- Hm, que promessa? – Ela sabia perfeitamente que promessa era essa. Mas queria ver o que ele falaria.
- Há exatamente quatro anos nós nos sentamos aqui e prometemos uma coisa a nos mesmos. Que um dia nos casaríamos, quando achássemos que fosse a hora. Lembra?
- Wow, quer casar agora? – Ela perguntou com uma voz engraçada, fazendo-o rir.
- Não, só queria saber se a proposta ainda está de pé? – Perguntou meio hesitante.
- Hm, claro que está, . Foi uma promessa, não podemos quebrá-la.
- Verdade. – Falou recuperando sua voz normal, sem o nervosismo. Foi quando o resto dos meninos chegou... Acabando com a conversa que estavam tendo.

End Flashback

Para ela esse sonho não iria acontecer. Muito menos depois que passaram dos quinze anos. Cada um arranjou um ‘amor’ e se viam na escola. Apenas isso.
Ela sempre sentiu algo a mais por do que pelos outros amigos. Mas mesmo assim sempre achou que poderia ser um pouco mais de afinidade.
Ali, sentada, sozinha, ela conseguia enxergar melhor que desde pequena sempre tivera uma queda por . E isso nada mudaria. Mas sempre pensou que pudesse superar até o momento em que viu aquela cena.

Flashback

- Vamos, ! – Uma voz do primeiro andar gritou impaciente.
- Já estou descendo. – Se olhou no espelho pela última vez, conferindo se estava tudo bem e saiu do quarto.
Todos os meninos estavam na sala e estava com Vanessa, sua atual namorada.
Desceu as escadas como naqueles filmes, com cenas bem clichês onde as mulheres desfilam seu lindo vestido e se preocupam em não cair com aquele salto. Mas estava com uma calça jeans, uma blusa preta de ombro caído com brilhos na frente e seu all star vermelho, que combinavam com o brilho da blusa e uma fita na cabeça, que a deixava com cara de boneca.

(N/a: Ponha para tocar, se quiser.)

Ela estava bonita e todos na sala pararam para vê-la descer. não conseguia parar de observá-la. Há algum tempo ele já havia reparado a diferença em , mas não comentou nada com nenhum dos meninos.
Ele olhava cada detalhe da roupa dela, como se pudesse marcar aquilo pra alguma coisa depois. A cena se passava como em um filme em câmera lenta para .
Seus olhos analisavam cada detalhe que ele não havia reparado no corpo de . Ele ficou olhando aquela cena até parar bem em sua frente.
- Oi, . Tudo bem?
- Érn, tudo sim e você?
- Foi uma pergunta retórica, mas, enfim... – não agüentou de tanto rir e teve que se sentar. Por alguns minutos achou que ele pudesse estar bêbado, mas lembrou que seu amigo era meio noiado das idéias mesmo.


x-x-x-x

Aquela festa estava sendo demais. Mesmo com poucas horas de festa já se podia ver gente bêbada pela casa, alguns casais praticamente se comendo nos cantos escuros, outros nem tão discretos nós sofás e pufs espalhados pela sala. Mais a frente havia uma pista de dança, com DJ e músicas muito animadas. Perto de uma porta, que dava para fora, havia um bar. Com todo tipo de bebida que poderia existir. É, parecia que iria ter que carregar alguém bêbado da festa.

(N/a: Ponha para tocar, se quiser.)

Depois de alguns copos de cerveja, com misturas não muito legais com outras bebidas, estava sentada em uma espreguiçadeira na parte de fora da casa. Ela estava cansada e lá estava tão bom que se sentou e não queria mais levantar dali.
- ! – Um meio bêbado gritou na hora em que a avistou. Ele estava na porta da sala com uma Haineken na mão, se virou para o garçom que cuidava do bar e pediu mais uma.
Levou para que estava o esperando sentada.
- Hey. – Foi quase um sussurro, mas ele estava do seu lado, poderia ouvi-la.
- Por que está aqui, ? – quis saber.
- Estava cansada e vim me sentar aqui. Como está muito melhor que lá dentro, resolvi ficar. – Ele fez um barulho com a boca em concordância.
- Você está muito bonita hoje, . – Ele falou de repente, assustando os dois. Ela por ele falar e ele por nem ter pensado em falar isso.
- Obrigada. - Disse corando levemente.
- , eu... – ele falou se aproximando dela. Ela queria beijá-lo. E muito, mas não quando ambos estivessem bêbados e no outro dia ninguém fosse se lembrar.
pôs a mão em sua cintura e foi chegando cada vez mais perto, ela o abraçou pelo pescoço e ficaram se encarando por algum tempo.
- Se não quiser isso, fale agora. – falou de uma maneira fofa.
Ela tomou a iniciativa e o beijou. O beijo foi se aprofundando, foi deitando na cadeira e se colocou por cima dela, sem soltar seu peso.
Ele colocou uma de suas mãos por baixo da blusa de e começou a fazer um carinho gostoso ali, mas conforme as coisas iam esquentando, sua mão foi subindo. Até perceber que a mão de estava praticamente em seu seio e cortou o beijo. Ele rapidamente entendeu o porquê daquilo e tirou a mão.
- Desculpa, desculpa . Não era a intenção.
- Eu sei, mas acho melhor nos pararmos por aqui.
- Ok, mas... érn, . Probleminhas. – Ele apontou discretamente a cabeça para baixo. – Vai ter que esperar um pouco. - Ela riu. – Não ria, isso é constrangedor.
- Ok, desculpe. – Deu um selinho nele e esperou que a excitação de passasse.

End Flashback

Aquele dia tinha sido a primeira vez que ela passou de um selinho com . O resto tinha sido em verdade ou desafio ou jogos assim, então nem contavam.
Para melhorar ou não as coisas, se lembrou daquela noite no dia seguinte, mas não ligou para ela nem nada. Ela nunca pesou que ele fosse lembrar mesmo, então, nem se importou.
Mas nunca pensou que na segunda-feira ele poderia vir até ela e dar-lhe um selinho. Ela achou estranho no começo, mas nada que um tempo depois ela não se acostumasse.
Foram pegos algumas vezes em um armário de faxina na escola. nunca havia lembrado dessa história de querer o desde pequena. Então, nunca se lembrou de contar para a sua avó. Que com certeza daria risada.
Eles nunca chegaram a oficializar nada, mas todo mundo sabia que eles estavam juntos. Nunca trocaram um ‘te amo’, mas era uma coisa que não era necessária entre os dois. Eles se conheciam melhor que ninguém, então nem precisavam de muitas palavras para demonstrar o que sentiam.
Mas para , foi um choque tremendo ver o quase que comendo sua prima. Clarissa tinha acabado de chegar de uma viagem dos EUA e estava na casa de .
foi convidada para uma festa e Clarissa preferiu ficar em casa. Enquanto ela quase morria de preocupação em deixar sua prima sozinha, estava chegando na casa de para convidá-la para jantar. Esse dia era um dia muito especial para eles. Estavam fazendo 4 meses juntos. Não eram namorados, mas queria fazer o pedido hoje.
Mas quando foi para a casa de , encontrou Clarissa, que se atirou logo nele. Ele não sabia muito que fazer, mas acabou cedendo.
que não agüentava mais ficar naquele lugar, saiu discretamente e foi para casa. E, chegando lá, acabou encontrando sobre Clarissa no sofá da sala.
Ela não agüentou e saiu de casa. Essas imagens passavam muitas e muitas vezes na cabeça dela. Não tinha controle sobre o que estava acontecendo.
Para ela, nenhum dos dois se safaria. Não teria um ou outro culpado. Eram os dois e pronto.

(N/a: Ponha para tocar, se quiser.)

estava sentada naquele banco a mais de uma hora. Até que sentiu um perfume conhecido. Muito conhecido, por sinal, e fechou os olhos.
- Sabia que estaria aqui. – Ele disse.
- Vai embora. – Ela falou com a voz falha.
- Quero conversar e...
- Não temos o que conversar, . EU vi com meus olhos. Obrigada, mas eu não quero explicação. Então, pode sair daqui? Obrigada, de novo.
- Mas, , eu queria explicar. – Falou suplicante. Ela nem o encarava.
- Explicar? Que você estava quase comendo a minha prima no sofá da MINHA casa? Não, obrigada, essa parte eu já vi e agradeceria que você fosse embora.
- Mas hoje a gente fazia 4 meses juntos e... – depois daquilo não escutou mais nada. Ela havia esquecido isso. E além de quase comer a sua prima do sofá da sua casa, ele ainda fez num dia ‘especial’, diga-se de passagem.
- , você quer ainda se explicar? – Começou incrédula no que tinha escutado. - Você vai na MINHA casa, encontra a vadia da minha prima, quase a come no sofá da MINHA sala e ainda estragou essa data importante. E você ainda quer se explicar?! – Ele não tinha mais coragem de olhá-la, foi quando ela o olhou. – Responda!
- Eu... Desculpa. – Foi tudo que disse antes de sair. Mas antes de sair deixou uma caixinha de anel vermelha no banco onde estava.
Dentro, tinha um anel muito bonito, com um pequeno brilhante no meio. sentiu seus olhos molhados e grossas lágrimas começaram a correr por seu rosto. Ela ainda não acreditava que uma pessoa em tão pouco tempo poderia acabar com tudo tão fácil.

FIM (?)


N/a: Gente, primeira fic que eu mando pra algum site, então peguem leve. Aceito qualquer tipo de critica... Falem o que eu tenho que melhorar. Tô com MUITO medo de mandar essa fic, mas a Manu vai me matar se eu não mandar *-* haha
Eu escrevi essa história em apenas 3 horas *o* Virei a madrugada no computador e deu nisso. Bom, é isso. Espero que gostem.

Lú xx

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