Última atualização: 29/06/2021

Prólogo

Jungkook olhou para a porta de novo, um minuto depois da inspeção anterior.
Mingyu revirou os olhos, pensando seriamente que o garoto havia perdido o controle da própria cabeça.
— Jungkook! — Ele gritou, enfim chamando a atenção do amigo distraído. — Tira o papel!
Jungkook olhou para os pedaços embolados na mão de Mingyu e demorou pelo menos um minuto para se lembrar do que estava acontecendo ali um momento antes.
— Já disse que podem me dar qualquer quarto.
— Você diz isso agora, mas se pegar o quarto do térreo, vai ficar reclamando até o dia de ir embora — Yugyeom murmurou do outro lado, enquanto tinha os olhos grudados no celular.
— Eu não vou… — Jungkook tentou, mas estalou a língua e suspirou. — Tá bom, tanto faz. — Ele pegou um dos papéis da mão de Mingyu e abriu. — Número 7.
— Sortudo de merda, pegou a suíte master! Meus parabéns, assim ninguém precisa aguentar seu violão tarde da noite. Agora você, Jaehyun. Um papel.
— Ei, esse lance de tarde da noite vai existir nessa viagem?
Mingyu cerrou os olhos, ainda com as mãos estendidas para Jaehyun, que parecia concentrado em algum ponto do lado de fora.
— Você sabe do que eu ‘tô falando — ele murmurou, virando para o outro amigo. — Acelera, Jaehyun. As meninas já estão chegando.
Jaehyun olhou para os papéis com cuidado, como se pudesse olhar o resultado dentro de cada um deles caso encarasse por muito tempo.
Por fim, puxou um deles, entregando para Mingyu.
— Número 3, final do corredor. É o suficiente também pra tocar aquele seu teclado o quanto quiser. — Ele sorriu, embaralhando o restante dos números em suas mãos e oferecendo aos outros.
Jungkook esperou que o rodízio de distribuição dos quartos terminasse para verificar suas mensagens de novo, não que já não estivesse fazendo isso há um intervalo de tempo cada vez mais curto. Eunwoo cutucou seu ombro, indicando as bolsas jogadas desordenadamente no hall de entrada, concedendo um típico aviso para que ele desse um jeito de se mexer e começar a se acomodar.
Jaehyun, por outro lado, já começava a empilhar as suas e, de quebra, alguma outra de Yugyeom, que havia sido o feliz sorteado a pegar o quarto do térreo. Ele não reclamou, como era de se esperar. Ao voltar para a sala, observou Jungkook juntar a mochila preguiçosamente, junto ao violão nos ombros, com olhares nada disfarçados, porém rápidos, para a janela.
— Quer ajuda? — Jaehyun perguntou, caminhando até o garoto.
— Não precisa, eu só trouxe isso — ele respondeu, puxando a única mala de mão e indo em direção à escada em semiespiral.
— Aposto que trouxe roupas contadas para os exatos três dias de feriado. — Jaehyun soltou uma risada enquanto seguia o amigo escada acima.
Jungkook riu antes de suspirar e responder:
— Não sou ambicioso só porque estamos em época de colheita, obrigado.
Jaehyun balançou a cabeça até alcançarem o topo das escadas, arrastando as malas até o final do corredor, passando por Jungkook e sua rápida entrada no quarto de número 7.
O último quarto era grande, porém isolado e com o maior déficit de luz natural do que todos os outros. As janelas eram direcionadas para um ponto central onde o sol parecia se esquecer de passar e as cortinas eram escuras e grossas, como uma versão blackout exagerada feita especialmente para vampiros. Ou, quem sabe, para…
— Nossa, aqui é irado! — Ele ouviu a voz de Jungkook em suas costas enquanto ainda despejava a bagagem em cima da cama no centro do cômodo. — Mingyu estava errado, você tirou a sorte grande por aqui.
— Você é doido? — O garoto respondeu, abrindo as cortinas e se deparando com a vegetação densa que impedia quase totalmente a luz. — Acha que eu sou fã das trevas que nem você? Vou precisar ligar as luzes durante o dia.
— Desde quando você ficou tão exagerado assim? — Jungkook revirou os olhos, ainda observando o quarto. — Vamos fazer o seguinte, vamos trocar.
— Não precisa…
— É sério, de que adianta ganhar a suíte master se meus olhos quase doem com toda a luz que entra por lá? Garanto que é bem mais a sua cara.
— Mas…
— E aqui é praticamente uma toca de coelho, vamos concordar. Mingyu não vai ter motivos para reclamar do meu violão, talvez eu até possa cantar. — Ele sorriu, dando de ombros. — Vamos, vai, tem certeza de que a ideia de claridade desnecessária e um mega banheiro próprio não te atraem?
Jaehyun mordeu o lábio inferior, examinando o quarto mais uma vez, pensando seriamente que não seria uma má ideia abandoná-lo.
— Ok, me convenceu. Vamos trocar.
— Muito bem, Jae! E pode ficar tranquilo, Mingyu e Sophie vão estar no quarto ao lado, mas eu confio na acústica dessas paredes…
— Como é que…
— ‘Tô indo buscar minhas malas! Não dá tempo de voltar atrás! — Ele riu e se virou para o corredor, mas retornou depois de três passos. — Ah, e não precisa contar aos outros sobre isso, ‘tá? Se Mingyu ficar sabendo que cedi a suíte pela livre e espontânea escuridão, ele me manda de volta pra Seoul com um belo chute no traseiro. Agora, se me permite…
O garoto voltou saltitando para o quarto mais à frente, enquanto Jaehyun revirava os olhos e ria mais uma vez da situação.
Antes de fechar a porta do agora antigo quarto, ele olhou mais uma vez para as horas. Em seguida, encarou a janela, mesmo que não tivesse qualquer visão da entrada da casa. Ainda assim, se viu tomado pela ansiedade de novo.
Ela deveria chegar a qualquer momento.


01 — Confissão

Meu estômago embrulhou pela quinta vez.
As sacudidas terríveis que o avião dava não estavam ajudando e já tinha perdido a conta de quanto tempo eu já estava naquele voo. Rezei para que pousássemos de qualquer maneira, mesmo se fosse em cima do oceano. Eu só precisava parar de flutuar no ar há mais de cem metros do chão.
Voltei ao assento depois de sair do banheiro de novo. A aeromoça já olhava preocupada para a cor verde do meu rosto. Dei um sorrisinho de canto para ela, indicando que eu estava bem — ou tentava ficar.
Depois do que pareceu uma verdadeira eternidade, o avião pousou no Jeju International Airport e tive que lutar para não atropelar as pessoas à minha frente para que saíssem mais rápido. Respirar o ar puro foi um grande alívio e não demorou muito para avistar uma enorme — exageradamente imensa — placa branca com os dizeres coloridos “Welcome to Jeju, que cobriam o rosto da pessoa que estava por trás, mas as pernas altas como uma banqueta a entregavam.
— Ok, já chega, quer esconder isso? — Afastei aquele constrangimento absurdo e olhei para Sophie. — Oh meu Deus! Você cortou o cabelo!
— Você gostou? — Ela jogou os cachos loiros de um lado a outro. — Não sei como não fiz isso antes, é maravilhoso!
— Ficou realmente maravilhoso em você. — Sorri, sentindo ainda mais uma pontinha de inveja por ela ter ficado absurdamente mais bonita.
— Ótimo, então vamos antes que Mingyu comece a gastar toda a conta de telefone ligando pra mim. — Ela pegou uma de minhas malas. — Como foi seu voo? Por falar nisso, você está pálida como uma privada, nem parece que estava em Miami. — Ela torceu o nariz.
— Você sabe o que são mais de vinte horas em um avião? E nem venha se gabar da sua viagem ao Japão, não tenho estômago nem para escutar isso.
— O seu corpo é fraco, nem parece que come por três. — Ela balançou a cabeça.
— Fiz o favor a mim mesma de começar a dieta nas férias. Inclusive, trouxe o doce de banana que você pediu.
— Graças a Deus! — Ela levantou as mãos aos céus de forma teatral e caímos na risada.
Apertei minhas malas no carro de Sophie (ou de Mingyu, era difícil saber) e entrei no banco do carona. Liguei o bluetooth do som, colocando meu R&B favorito e comecei a tirar os sapatos.
Liguei o celular, que vibrou freneticamente com as novas mensagens e notificações de ligações perdidas. Todas vindo da mesma pessoa.
Encarei a tela do aparelho por um momento enquanto lia uma mensagem de cada vez. Jungkook não sabia se comunicar no Kakao sem mandar fotos suas seguidas da mensagem, e isso me fazia rir sozinha em qualquer ocasião. As últimas haviam sido uma série de fotos em sequência dele fazendo uma cena enquanto escorregava do sofá e perguntava a cada meia hora: “Já está chegando?”, “O avião quebrou?”, “Por Deus, qual é o nome desse piloto? Ele é muito devagar!” e assim por diante.
— Jungkook? — Sophie perguntou depois de um tempo, ao me ver sorrindo como uma idiota, obviamente. — Ele estava tão ansioso que acabou dormindo, nem vai ver você chegar. Pelo menos ele se distrai muito fácil quando está com os outros, se não, já teria atravessado a nado pra te buscar.
— Que exagero, Sophie. — Balancei a cabeça, tentando disfarçar o formigamento no estômago ao ouvir aquilo. — Ele só deve estar animado para me mostrar a cidade, só isso.
— E você está animada para vê-lo, não é? Ou melhor, para colocar seu plano em ação... — ela disse, enquanto dava partida no carro.
— Plano? — quase gritei. Eu não imaginava que ela se lembrasse disso. — Eu não sei do que…
— Agora vai dizer que a ligação da semana passada não existiu? Quando você me contou que já estava na hora de se declarar pra ele? — Ela arqueou as sobrancelhas, me deixando sem resposta. — Inclusive, espero que você tenha se planejado bem para essa empreitada, pois temos um passeio de barco em… — ela olhou para o relógio no painel de controle — 10 minutos! Cacete! — Ela cantou os pneus ao sair do aeroporto e tive que me segurar no banco para não bater com a cabeça na janela.
Então era isso, eu não receberia o itinerário daquela viagem e ainda nem me deixariam passar na casa para tomar um banho. Apesar de tudo, não conseguia reclamar. Jungkook havia sido tão fofo e solícito ao me convidar para passar o feriado Chuseok em Jeju com os amigos que me vi incapaz de recusar. Estávamos em um nível que mesmo se Sophie, minha melhor amiga, não estivesse aqui e, convenientemente, namorasse um dos amigos de Jungkook, ainda assim eu estaria perfeitamente confortável.
E era exatamente por conta desse nível de amizade — que só aumentava — que eu havia decidido fazer o que pretendia fazer.
Não que eu não gostasse da nossa amizade, nem nada disso. Conhecer Jungkook fez com que minha adaptação na Coreia fosse mil vezes mais fácil, antes mesmo de conhecer Sophie e desfrutar de uma decente e divertida amizade feminina com outra estrangeira. E apesar de estar estimulando uma amizade com um idol mundialmente famoso, ele não fazia com que parecesse desse jeito quando estávamos juntos. Ele era apenas Jeon Jungkook, um cliente — que ganha muito dinheiro, inclusive — interessado em consultoria financeira pessoal em um dos escritórios de contabilidade de Yongsan-gu.
E era exatamente pela sua questão de agir tão normal ao meu lado que as coisas aconteceram. Elas deveriam? Não sei. Eu realmente não sabia, mas estava sendo incômodo e desgastante acordar com uma vontade maluca de ser ele a primeira pessoa que eu queria ver. Ou sair para almoçar quando ele está na Coréia e conversar até tarde da noite na minha varanda bebendo um vinho barato. Essas e outras mínimas coisas culminaram para onde eu estava hoje: apaixonada. E planejando contar tudo para ele na primeira oportunidade que parecesse conveniente o bastante.
Eu só não contava que Sophie se lembraria dessa confissão após minha noite de bebedeira no habitual jantar de equipe do escritório. Ela normalmente mal se lembrava de suas últimas refeições.
Sophie estacionou como uma louca em uma vaga ao lado de outros tantos carros, onde reconheci o de Jungkook na mesma hora. Faltavam dois minutos para o tal passeio, mas não me segurei ao admirar a casa: a fachada branca moderna, a arquitetura retangular e as janelas de vidro do chão ao teto me tiraram o fôlego. Pude sentir a brisa da maresia vindo logo atrás dela. Onde eles haviam arrumado essa casa mesmo?
Ouvi o grito de Mingyu assim que passamos pela porta:
— Finalmente chegaram! Achei que tinham voltado para Seul.
Ele caminhou até Sophie, dando-lhe um selinho e virando-se para mim.
— Você veio pra ficar, certo? — Ele olhou para trás de mim, claramente procurando as malas.
— Sophie disse que estamos atrasados. — Dei de ombros, olhando para Sophie. — E eu não faço ideia da onde está minha roupa de banho no meio de toda aquela bagunça…
— Por isso mesmo ela vai ter dois minutos para vestir o que eu vou emprestar! — Sophie começou a me conduzir para a escada. — Pode deixar que buscamos a mala dela mais tarde. Vai chamando todo mundo.
Mingyu não teve tempo de responder, e muito menos eu. Seguimos em um corredor largo com fileiras de portas dos dois lados até entrarmos em uma perto do canto esquerdo. O quarto era impressionante, com vista para a parte da frente da casa, com todas as árvores e o verde. A maresia não penetrava tanto nesse ângulo, mas ainda assim trazia um frescor palpável.
— Eu realmente posso ir do jeito que eu estou… — tentei começar a dizer, mas ela rapidamente levantou o dedo para me calar.
— Você precisa deixar claro pro Jungkook o que ele vai estar perdendo sem nem sequer pensar nisso — ela disse, enquanto revirava o armário de portas brancas no canto. — Não que ele vá te rejeitar e nem nada disso, mas tenho certeza de que você pensou nessa possibilidade.
— Na verdade, eu não pensei. — Ela virou a cabeça com tudo para me olhar. — Quer dizer, eu literalmente não pensei muito em nada disso. Isso não é uma cobrança pra ele, não quero dizer o que eu sinto para que ele também diga, eu só… Sei lá, quero dizer. — Suspirei, percebendo como estava perdida em relação a tudo aquilo. — Eu quero que continuemos amigos acima de qualquer coisa.
— Se você quer tanto isso, não pensaria em abrir o jogo. — Ela me jogou um conjunto de biquíni azul marinho ainda na etiqueta. — As pessoas não se confessam a outras esperando que absolutamente nada aconteça. E se der certo, várias questões são envolvidas, porque infelizmente — ou felizmente —, esses caras aí embaixo não são pessoas normais, mas no final eles…
— Tudo bem, tudo bem — interrompi antes que ela começasse um monólogo sobre a realidade de se namorar um idol. — Ainda temos dois dias, prometo que vou fazer a lista dos prós e contras.
Sophie juntou as sobrancelhas confusa, como se não se lembrasse de ter me pedido pra fazer tal coisa, mas não dei chance para falar e entrei no banheiro.



💋


Sophie não tinha noção alguma de conveniência.
Tudo bem, estávamos na praia e devia estar fazendo pelo menos uns 27º. Era compreensível, quase obrigatório que eu estivesse usando um biquíni. Mas o que ela havia me dado ultrapassava o limite da palavra desinibido. Eu pretendia usar o maiô que estava na minha mala, se ela ao menos me deixasse pegá-lo. Não tive sucesso nisso também.
Tratei logo de colocar um vestido sem mangas por cima de toda aquela falta de pano. Não que eu fosse tímida e nem nada parecido, mas eu não era, bem, tão descontraída assim.
— Onde eu vou dormir? — perguntei enquanto saímos para o corredor, observando de novo as várias portas.
— Eu te coloquei na frente do quarto do JK. — Ela me lançou um sorriso malicioso. — Fica tranquila que pedi pro Mingyu arrumar tudo, ele e os meninos dividiram os quartos enquanto eu fui te buscar e…
— Você contou pro seu namorado? — Parei repentinamente, o olhar em choque.
— Contei? — Ela revirou os olhos e eu bufei, recomeçando a andar, agora mais rápido. — Ei, você acha mesmo que ele vai abrir a boca? Inclusive, ele é um dos maiores torcedores do casal, não vê a hora do JK começar a namorar…
— Ok, podemos só ter um passeio de barco normal? Sem falar sobre isso? Obrigada.
Sophie deu de ombros e entramos na sala, onde todos os garotos já estavam prontos e discutindo algo entre si. Jungkook me viu na mesma hora enquanto eu me aproximava do grupo, e sorriu daquela forma tosca e divertida que me fazia retribuir no mesmo instante.
Me aproximei do grupo enquanto cumprimentava os demais: Eunwoo e Yugyeom, que eram os que mais me faziam rir junto com Mingyu e Jungkook quando estavam juntos, de uma forma que fazia a barriga doer. E havia Jaehyun. Como sempre, ele apenas me cumprimentou timidamente e não disse mais nada. Ele era assim: quieto, até mais do que quieto, e tímido. Mesmo com os outros meninos.
Depois de discutirem sobre armazenamento de bebidas e medidas de segurança do barco, finalmente começamos a seguir para fora. Senti braços passarem pelos meus ombros enquanto prendia o cabelo em um rabo de cavalo, certa de que, se não fizesse isso, o vento faria um estrago ainda maior.
— Você se atrasou muito — disse Jungkook, enquanto passávamos pela porta de entrada. — Digo, mais do que o normal. Tem certeza de que o piloto não comeu algum peixe estragado igual naquele filme antigo Airplane?
Ri de imediato. Era disso que eu estava com saudades, principalmente disso.
— Se foi esse o caso, o boneco inflável que me trouxe soube pilotar muito bem, obrigada. E, Jesus, pode parar de usar referências de filmes ruins? É como se eu não te ensinasse nada.
— Você passou duas semanas em Miami, perdemos duas sextas para assistir os filmes que você sempre fal…
— Vocês sabem que o aluguel do barco é por hora, não sabem? — Eunwoo gritou com a cabeça do lado de fora do banco de trás do carro de Mingyu, o mesmo em que Sophie havia me buscado. — Podem deixar essa fofoca para outro lugar que estamos pagando?
Dei um sorriso tímido para Jungkook enquanto afastava seus braços de mim e caminhava para o mesmo carro de um Eunwoo irritado e ansioso para beber num convés em alto mar.
— Ei, ei, pra onde você está indo? — Jungkook me fez parar e virar de novo. — Você vai comigo.
— O quê? — Juntei as sobrancelhas e olhei para a Mercedes estacionada logo ao lado do Ford de luxo de Mingyu, onde o banco do carona já estava devidamente ocupado por um Yugyeom completamente absorto no instagram.
Jungkook desferiu um tapa no vidro, fazendo o garoto pular de susto e eu levar a mão à boca para não rir alto demais. Ele arqueou as sobrancelhas e os dois se comunicaram por um tipo de telepatia por pelo menos um minuto até Yugyeom sair e ir para o carro de Mingyu.
Fazendo uma reverência da mais ridícula, ele manteve a porta aberta para que eu entrasse e me acomodasse. Revirei os olhos para esconder o batimento maluco que tomou conta de mim.
Pelo espelho retrovisor interno, vi Jaehyun sentado no banco de trás, concentrado em algum ponto fora da janela. Mas, por alguma ilusão de ótica maluca que às vezes a gente tem por virar a cabeça muito rápido, pareceu que ele estava olhando para frente um segundo antes. Mais especificamente na direção do meu banco. Mas tenho certeza de que foi impressão.
— Agora sim! Cintos — ordenou Jungkook, enquanto virava para se certificar de que estávamos obedecendo.
Uma confusão de barulhos do couro sendo puxado e o clic do cinto sendo prendido encheu o carro, mas nenhum deles veio do meu. Jungkook olhou para frente, avaliando algo no painel e ligando o som enquanto algo havia prendido meu cinto em algum lugar daquele carro maluco e extremamente caro que me dava medo de tocar no lugar errado. O que estava acontecendo? Eu não sabia mais como colocar um cinto de segurança?
Levantei a mão para verificar o que havia de errado no sulco por onde o couro se desenrolava e encostei em outra que chegou antes de mim, por trás de mim. A mão de Jaehyun desfez o que pareceu ser um nó do outro lado de forma rápida e o cinto deslizou pela minha mão. Em um movimento rápido, ele puxou o cinto até a outra extremidade e finalmente ouvi o click ao lado do meu quadril.
Olhei rapidamente para o lado e Jungkook continuava na mesma posição, agora aumentando o volume da voz de Paul Klein em Thru These Tears. No retrovisor, Jaehyun olhava algo no celular de cabeça baixa, o boné para frente escondendo metade do rosto. Esperei que ele me olhasse para que eu pudesse agradecer, mas ele não fez.
O ronco do motor me fez balançar a cabeça e começar a olhar para frente, enquanto Jungkook cantava alto e desafinado de propósito, principalmente nas partes que eu sei que ele mais gostava. Depois ele batucava os dedos no volante nas partes mais animadas de um pop em alta qualquer e agia exageradamente como se estivesse em um MV.
Ele fazia essas e outras reações com a finalidade de me irritar, eu sabia. Ele estava ciente da minha preferência por músicas um tanto mais calmas. Mas eu não podia negar que só de estar com ele já me fazia rir, e rir de coisas que, bem, não acontecia com qualquer um.
O barco estava ancorado em um porto extremamente deserto, o que fez eu me perguntar o que exatamente estava sendo pago ali. Claro, eu estava metida com caras nada normais que precisavam usar máscara, boné e óculos escuros para zanzar por aí, mas alugar um porto inteiro em um ponto turístico? Não me admira a insistência de Eunwoo para irmos mais rápido.
Tinha que admitir: eles tinham caprichado para valer na escolha do barco. Era gigante — ao menos para mim, que nunca havia entrado em uma coisa daquelas na vida —, com dois andares. Yugyeom e Mingyu se apressaram a subir primeiro, e os demais foram um a um até chegarmos ao pequeno convés equipado com um sofá lateral de couro branco, espaço para bebidas e até um pequeno leme, decorativo, eu imagino, já que o transporte era equipado com um motor.
Depois de um tempo, o som já estava ligado nas alturas e os outros já haviam entornado uma caixa e meia de cerveja misturada com soju. Jungkook havia tentado me “ensinar” a beber nesse estilo coreano e os resultados foram desastrosos, portanto eu estava mais que satisfeita com apenas a cerveja normal.
O céu já estava laranja. Por um momento, fiquei hipnotizada pela beleza do sol indo de encontro à linha do horizonte, cada vez mais pertinho, sem pressa, me passando uma sensação de tranquilidade. Como se ele estivesse me aconselhando que sim, existe hora certa para tudo, e que o momento certo estava para chegar. O momento certo… aquele momento certo…
Um par de braços molhados me agarrou repentinamente, me fazendo quase berrar. Jungkook gargalhou com a minha cara de surpresa enquanto se sentava na beirada do sofá, balançando o cabelo pingando e me molhando ainda mais.
— Você realmente se assusta com tudo. — Ele riu de novo enquanto abria os braços pelo encosto branco. — Admirando a vista? Achei que já tivesse tido o bastante disso em Miami com seus colegas de trabalho americanos.
— Um espetáculo desses nunca é demais. E calma lá, você está com ciúmes de novo? — Levantei as sobrancelhas e ele riu mais uma vez, dessa vez um pouco mais engasgado.
— Como é, de novo? Da onde você tirou isso?
— Eu minto quando digo que você não suporta que eu tenha outros amigos?
— Você não tem outros amigos, por isso são chamados colegas de trabalho.
— Cala sua boca.
— Você foi a Miami a trabalho, então repito: você não tem outros...
— Jeon Jungkook, cala a su… — Levantei o braço para dar um tapa de leve em seu braço molhado, mas uma onda sorrateira pareceu crescer com mais gosto levada pelo vento forte naquela hora, fazendo o barco dar uma leve balançada e acionar o meu modo desastrada, fazendo com que eu me desequilibrasse para trás.
Tentei travar meus pés no chão, mas como todo mundo praticamente já tinha mergulhado e voltado tantas vezes que eu havia parado de reparar, o chão estava encharcado. Dei um gemido seco enquanto já me preparava para a queda iminente e vergonhosa que provavelmente me traria um estampado roxo bem no meio da coxa.
Mas o tombo feio não veio. Digo, o tombo aconteceu. Mas não cheguei a ir ao chão como era de se esperar. Em vez disso, bati a cabeça em algo forte, porém macio, e… forte… mas o quê?
Abri os olhos e me deparei com um peito nu. Nu e muito bem definido — com certeza pedia pra gente olhar só mais um pouquinho —, mas percebi, com choque, que eu estava bem em cima daquele tórax, com um aperto firme na cintura que não me deixou bater com a lateral do corpo no chão molhado e duro. Ergui a cabeça e dei de cara com um Jaehyun tentando disfarçar uma careta de dor. Ele encontrou os meus olhos ao mesmo tempo e só então percebi como estávamos ridiculamente perto.
Fiquei tão constrangida que mal dei ouvido às risadas que explodiram ao nosso redor. Yugyeom havia finalmente tirado a cara da tela do celular para nos observar, Mingyu e Sophie deram um tempo na pegação e Eunwoo desviou a atenção da carne assando na pequena churrasqueira. E Jungkook…
Me desvencilhei quase na mesma hora para olhar para trás, mas deveria ter me lembrado da minha péssima coordenação motora, pois meus pés vacilaram praticamente na mesma hora que tentei. Escorreguei e caí pro lado, fazendo Sophie soltar uma gargalhada alta. Jaehyun pareceu apertar ainda mais o laço em minha cintura enquanto tentava se levantar também, me protegendo de mim mesma.
— Desculpa, desculpa… — murmurei de forma desconexa, tentando me apoiar em algo que não fosse aquele peito estupidamente maravilhoso para me levantar. Céus, desde quando ele tinha tudo isso?
Uma mão se fechou um pouco acima do meu cotovelo, me puxando em um único solavanco para cima. Jungkook estava rindo, mas de forma um pouco estranha. Era leve, parecia quase forçada. Eu jurava que teria de buscar ele escada abaixo da embarcação, pois ele rolaria para lá de tanto rir.
— Você não tem jeito mesmo — ele falou, mas foi tão baixo e as risadas abafaram tanto que mal escutei. Ele ajeitava algo no meu vestido que eu não estava vendo.
Mas então eu vi. Com horror, percebi que, na queda, meu vestido tinha subido até o umbigo, pelo menos, deixando à mostra o terrível biquíni no melhor estilo brasileiro que Sophie havia me emprestado. E eu havia caído bem de costas para ele. Céus, bem de costas! Ele viu tudo!
Novamente constrangida em tempo recorde, puxei o vestido para baixo com toda força, sabendo que meu rosto estava inteiro pintado de vermelho. Eu não conseguia encará-lo, não naquela hora.
— Você está bem? Se machucou em algum lugar? — Jaehyun perguntou, já de pé. Ele também parecia um pouco vermelho, mas eu preferia acreditar que era trabalho do sol e do tempo que ele havia passado no mar junto com os outros.
— Sim, estou bem, e sinto muito, muitíssimo por isso tudo, eu não sei o que aconteceu, eu sou tão desastrada, eu não queria… — disse, enquanto me aproximava dele.
— Não tem nada demais, mesmo. — Ele deu um passo para trás, um pouco ansioso, nervoso, e olhou rapidamente para trás de mim. Para Jungkook. Mas na hora eu não tinha percebido isso. Eu estava ocupada demais sentindo as bochechas queimarem por ter caído pateticamente na frente do cara que eu gostava.
— Tudo bem, mas se você precisar…
— Jaehyun, nosso herói! — Eunwoo gritou de repente, tirando um pedaço grande de carne do fogo, colocando-o em um prato ao lado. — O jeito como você correu para salvar a garota, aish! Fico preocupado desse pedaço não ser prêmio suficiente! Vem pra cá, meu rapaz, pode vir, é toda sua!
Outro coletivo de risadas explodiu, até a minha, apesar de ter saído mais baixa e fina por não estar entendendo absolutamente nada. Jaehyun não riu. Na verdade, ele olhou para Eunwoo como se fosse matá-lo se ele não calasse a boca.
Eles estavam bêbados, é claro. Todo mundo estava. Nem todas as situações — e nem piadas internas — precisavam ser prontamente compreendidas em um ambiente alcoólico como aquele.
Jaehyun sumiu da minha frente em um piscar de olhos, descendo rapidamente as escadas para a cabine abaixo, ignorando o seu presente oferecido por Eunwoo, que, por sua vez, deu de ombros e começou a fatiar o pedaço grande. Olhei para a Sophie, que tinha uma expressão vitoriosa no rosto, e tenho certeza de que perguntei o porquê através de nossa linguagem peculiar por olhares, mas ela também deu de ombros e se voltou novamente para Mingyu.
— Lindo biquíni, . — Ouvi a voz de Yugyeom repentinamente por trás da minha orelha, seguido de risadinhas divertidas enquanto ele ia desfrutar da carne de Eunwoo. Ah, céus, que humilhação.
Olhei para Jungkook novamente, que estava concentrado em algum ponto entre as escadas por onde Jaehyun havia sumido e as costas de Yugyeom enquanto comia. Tinha algo muito estranho naquela expressão dele, e as sobrancelhas franzidas eram só a primeira da lista. Ele estava sério demais em uma situação que ele deveria estar morrendo de tanto rir, pelo amor de Deus!
Quando percebeu que eu estava encarando, ele endireitou a posição e fez nascer o sorriso que eu estava esperando, mesmo que não estivesse nada espontâneo como sempre era.
— Você tá legal? — ele perguntou, cruzando os braços. — Você caiu bem feio ali.
— Estou bem. Fui salva por um membro da 97 line, posso publicar isso no twitter, você sabe, não é? Meu número de seguidores vai triplicar. — Ri, meio desengonçada e arfante, mas ri. Ele não riu. Foi estranho.
— É… Acho que vou aproveitar para dar um último mergulho antes de voltarmos. — Ele balançou a cabeça e nem esperou eu dizer mais alguma coisa, simplesmente deu as costas e pulou para o mar.
Comecei a sentir um extremo desconforto e não entendia por quê. Eu com certeza tinha perdido alguma coisa, ah, como tinha, mas, mesmo olhando em volta, ninguém parecia perceber a mesma coisa que eu. Será que eu o havia envergonhado tanto que ele estava incomodado de ficar do meu lado? Isso era impossível, visto que eu já havia tido minha cota de momentos constrangedores ao lado de Jungkook para tornar aquela situação de hoje um mero episódio normal, com a única variável sendo a minha seminudez.
Bufei e voltei a me sentar, pegando outra cerveja da bolsa térmica e sentindo a maldita desesperança que eu não esperava que desse as caras tão cedo, não no dia em que eu pretendia fazer o que ia fazer.



💋


Dez e meia.
Eu sou capaz de abrir um buraco no chão a qualquer momento.
Sophie me fez usar esse vestido ridiculamente chamativo, pois “o vermelho é a cor que representa as paixões, do amor ao ódio, não me faça reler esse texto inteiro, estou dizendo, é o vestido certo!” e agiu daquela forma que não, você não tem escolha alguma.
E atribuo a culpa totalmente a ele quando saímos para a varanda de trás e fui bombardeada por alguns olhares curiosos e confusos, como se a Ariana Grande tivesse decidido aparecer de surpresa na festa particular. Não que estivesse rolando exatamente uma festa. Era apenas a continuação da bebedeira de mais cedo.
Mas tinha um certo clima de comemoração no ar quando tirei os sapatos para pisar a grama naquela noite. A mesa retangular ao lado da piscina estava recheada da mais variada culinária típica coreana; algumas reconheci logo de cara, outras eu tinha certeza de ainda não ter experimentado, muito menos visto.
Eu estava exausta e algo no álcool me fazia lutar para manter os olhos abertos. Não posso dizer que consegui tirar ao menos uma soneca longa no avião, não, isso não era possível, eu nunca conseguia. O embrulho insistente da cinetose no meu estômago não me deixava.
Mas eu tinha alternado as breves três cervejas do barco com café ao longo do dia e, claro, aquilo poderia acabar tão mal que eu não me atrevia nem a pensar. Eu só pensava em uma única coisa, e uma certeza bizarra gritava dentro de mim, dizendo que se eu não fizesse aquilo hoje, eu nunca mais iria conseguir.
Pelo menos consegui pescar boa parte da conversa que rolava quando cheguei à mesa, procurando algo um pouco mais apimentado que o habitual, ou qualquer coisa que não me deixasse chapada de nenhum dos lados; nem café, nem álcool.
Os meninos pareciam felizes com muitas coisas, felizes até demais. O álcool tornava tudo demais. Eles cantavam quando estavam muito felizes. Eunwoo e Mingyu tentavam reproduzir alguma coreografia maluca de algum grupo da segunda geração em frente ao karaokê, mas os movimentos estavam um pouco desordenados, para ser simpática. E eles riam, riam tanto. Os demais sentados na mesa batiam palmas e assobiavam, a plateia ligeiramente dividida entre pedir por mais ou jogar pequenos rolinhos primavera na performance mal-sucedida. Vi rapidamente Jungkook sentado entre eles, os demais, rindo como louco. Os demais…
Cansada era pouco, o mínimo, para o que eu estava sentindo, mas ainda conseguia enxergar bem. Havia mais pessoas na mesa grande, pessoas que não estavam aqui à tarde em nosso passeio de barco, pessoas que não fui informada de que participariam das confraternizações posteriores.
Três garotas que eu nunca vi na vida estavam espalhadas em cadeiras entre Jungkook, Jaehyun e Yugyeom, e um outro cara que eu não reconheci de imediato. Queria dizer que eu havia travado no meu lugar e olhado um tanto surpresa apenas pelo fato de ter pessoas que eu não conhecia ali, mas não foi só isso. Jungkook estava no meio de duas garotas, que conversavam animadamente com ele enquanto alternavam com as palmas e os gritos para Eunwoo e Mingyu dançando.
E não havia cadeiras vazias perto dele. Nada do que eu, ridiculamente, estava esperando, como uma delas ao seu lado, uma que ele guardaria para mim, lógico, porque éramos melhores amigos, e todo esse papo que repetimos sempre.
— E agora essa vai… — falou Mingyu em tom embriagado em seu microfone de celular. — Para minha namorada, que gosta de coisas bregas e vergonhosas! — Ele apontou o dedo com uma euforia louca para Sophie, que chegava comigo até perto deles. Todos os rostos presentes se viraram para nós, em meio às palmas e gritos.
Percebi alguns olhares pousarem em mim por mais tempo do que o necessário. O primeiro foi de Eunwoo, de pé ao lado de Mingyu, que balançou a cabeça em minha direção como se estivesse me “parabenizando” pelo visual, para depois começar a rir como um idiota e o som do karaokê começar a soar e sua atenção ser puxada para as letras da música.
Jaehyun levantou os olhos do copo e me observou com muita atenção, mas foi breve, mais breve do que todos os outros, mesmo que tenha sido intenso de uma forma quase estranha. A outra garota estava sentada ao lado dele e parecia muito disposta a conseguir sua atenção, mesmo que ele, claramente, não parecesse muito interessado no que quer que fosse.
As costas de Jungkook se viraram para mim e ele deu aquele sorriso de canto icônico, o sorriso que geralmente direcionava a mim — pelo menos era a forma como eu gostava de pensar. Apesar de, agora, ver esse mesmo sorriso sendo direcionado para todas as direções.
Então ele não estava bravo, ou nervoso, ou o que quer que tenha sido aquela atitude no barco mais cedo. Ele tinha voltado a ser o Jungkook que eu conheço? Eu esperava que sim.
Mas ele não pediu licença a uma das meninas e disse que o lugar, na verdade, já tinha dona — oras, ele já tinha feito isso em um restaurante qualquer que fomos com Sophie e Mingyu e mais uns outros amigos dela para comemorar algo relacionado à sua nova exposição no Centro de Artes da cidade. E tudo bem que ele confessou mais tarde que, na verdade, queria realmente se livrar de uma das garotas, que era insistente a ponto de reunir toda a sua paciência, mas contava, não contava? Ele queria afastá-la e pensou em mim imediatamente —, mas ele não fez nada disso. Também não apontou onde eu poderia sentar e nem disse algo engraçado sobre a minha roupa — ele sempre tinha algo engraçado para dizer sobre as minhas roupas. Ele apenas olhou para trás, sorriu de canto, pareceu me estudar por uma fração de segundos e foi pego pelo falsete de Mingyu, nada muito promissor para um rapper.
As risadas me trouxeram de volta ao eixo e estudei a posição das cadeiras vazias enquanto Sophie corria até o namorado e mandava para o inferno todo o papo de “nada de demonstrações de afeto em público, eles são idols”. Do outro lado da mesa, havia uma cadeira vazia do lado direito de Jaehyun, e a segunda estava ocupada com o cara que eu não conhecia, que encarava pacificamente a apresentação enquanto fumava um cigarro. Na outra extremidade, na coluna de Jungkook & cia, ambas as cadeiras ao lado das garotas estavam vazias.
Eu não gostava do cheiro, mas me acomodei entre Jaehyun e o fumante, dando um sorriso simpático para ele, enquanto automaticamente começava a beliscar alguma coisa da mesa. Senti Jaehyun olhar para mim e arrastar um copo de água em minha direção.
Franzi o cenho, agora virando para ele.
— Acho que você precisa disso. — Ele deu de ombros, seguido de um sorriso complacente que, me dei conta, era bem bonito.
— Com certeza preciso. — Ri um pouco, aceitando a água com gratidão, me perguntando de repente como deveria estar meu rosto para ele perceber daquele jeito. — Inclusive… Eu nem te agradeci direito por mais cedo. E pelo cinto de segurança também.
— Ah… isso. — Ele desviou os olhos, com as bochechas corando, ou era a distorção da realidade devido ao meu cansaço. — Não foi nada, eu só quis ajudar.
— E ajudou! Acho que você estaria assinando seu nome no meu gesso nesse momento se não fosse aquele ato heroico. Imagino que sua estatística de ajudar pessoas sem coordenação seja bem alta.
— Não, nada disso. Foi o mínimo que pude fazer para sua segurança. — Piscou de forma engraçada, me fazendo rir baixo. — Sem contar que você realmente parecia quase comprar uma briga com o cinto, não era como se fosse conseguir colocá-lo a tempo.
— Ugh. Esse é o problema de ser atrapalhada. Parece que nada está ao meu favor.
— Também não é assim, vá. Mas não posso deixar de lembrar que sua queda foi um pouco, hm... Como posso dizer? — Colocou uma das mãos no queixo, pensativo. — Memorável?
— Ah, não! Você vai mesmo ficar lembrando disso? Que vergonha. — Coloquei uma das mãos no rosto, sentindo as bochechas queimarem de constrangimento. Eu não queria mesmo me lembrar daquilo, mas só de saber que Jaeyhun comentava de forma engraçada me fazia ficar mais sem jeito ainda.
— Está tudo bem, relaxa. Essas coisas acontecem. E não foi como se você tivesse feito de propósito. — Deu um meio sorriso ainda sem tirar os olhos de mim. — Então já posso dizer que sei que é um pouco desastrada. O que mais posso saber de você?
Abri a boca em surpresa inicial, mas soltei mais uma risada, dando de ombros.
— Você acredita na lei de Murphy? — perguntei, diminuindo a voz.
— Com certeza, o Kenny morto por um bebê alienígena me fez acreditar.
Gargalhei e ele me acompanhou espontaneamente. Por um momento, me esqueci da onde estava e de todos os planos que tinha em mente. Apenas pensei em apreciar o momento raro que era bater um papo com Jaehyun.
— Digamos que minhas histórias estão presas na palavra “azar”.
— Matthew McConaughey em Interstellar diria que você está discriminando essa lei. — Ele me passou mais um copo de água, com resquício das risadas anteriores. — As coisas apenas acontecem, fim da história.
— Céus, nem acredito que estou ouvindo referências de verdade, nem parece com… — Travei, e automaticamente olhei para o outro lado da mesa.
Jungkook ainda tagarelava com as outras duas garotas lado a lado, mas virou a cabeça na mesma hora que eu, como se estivesse prestando atenção em meus movimentos esse tempo todo.
Ele travou o olhar em mim por um momento, até voltar ao que estava fazendo. Desviei os olhos, notando que Jaehyun puxava um prato com tteokbokki à minha frente.
— Devo estar parecendo faminta, não é? — Soltei uma risada constrangida, aceitando a gentileza e dispersando o pensamento de Jungkook.
— Se eu tivesse vindo atravessando o oceano, também estaria. — Deu de ombros, depositando alguns pedaços de carne e folhas variadas em outro prato, também passando pra mim. — Inclusive, fez algo de interessante por lá?
Eu não precisava perguntar como ele sabia da onde eu estava vindo, mas quando percebi já estava falando pelos cotovelos. Até mesmo de quando troquei os documentos finais do acordo entre as duas empresas e me destrambelhei ao entrar no carro do meu chefe na volta pro hotel. Depois de acontecido, essas situações tinham um cunho hilário que eu quase nunca percebia, e ver o jeito com que Jaehyun gargalhava ao me ver contando me fez ter certeza disso. Ainda mais porque eu nunca tinha visto ele sorrir tanto.
Eu não sabia mais quem estava cantando, ou até quem se levantava e voltava da mesa. Nem o cheiro do cigarro do cara ao lado me incomodava mais, apesar de que ele havia se afastado bruscamente de mim em algum momento da noite. As reações engraçadas de Jaehyun às minhas desgraças conseguiram me distrair de praticamente tudo que estava acontecendo ao redor.
— Espera, então você foi à Disney? Muito legal, nunca vai deixar de ser o melhor clichê do mundo — ele disse quando comecei a entrar no assunto do que fazia no tempo livre. — Você foi ao Expedition Everest? Me diz que sim.
— Ah, isso… — comecei a falar, pensando em como explicaria que passei longe de qualquer coisa que se elevasse do chão.
Quando abri a boca para responder, uma voz saiu na minha frente:
— Ela tem medo de altura.
Eu e Jaehyun olhamos para o lado no mesmo momento. Jungkook terminava de secar um copo enquanto nos encarava fixamente. Olhei pra ele com uma clara expressão de surpresa enquanto ele simplesmente fitava o cara ao meu lado.
— É, é exatamente isso. — Soltei uma risada um pouco engasgada, ignorando o clima esquisito que eu não fazia ideia de onde tinha surgido. Olhei para Jaehyun, que ainda tinha uma cara estranha de quem tinha visto algo desagradável enquanto olhava para frente. — Se não achar exagerado a palavra pavor, posso dizer que é exatamente o que eu sinto. Mas tirei uma foto na frente do Gringotes, isso conta? — Dei de ombros, torcendo pra que ele abrisse um sorriso.
Ele finalmente virou o rosto, suavizando a expressão antes inesperadamente séria. Sorriu como eu esperava, mas desta vez parecia mais contido, até um tanto constrangido. Estava prestes a perguntar se tinha algo de errado, quando ele falou primeiro:
— Acho que vou dormir, o dia hoje foi cheio. — Ele arrastou a cadeira para trás, enchendo mais um copo de água e trazendo em minha direção. — Você comeu o suficiente? Precisa de mais alguma coisa?
Queria responder que cansada estava eu, e que nisso ele conseguia disfarçar melhor do que ninguém, pois até dois segundos atrás parecia disposto a correr uma maratona, mas apenas concordei com a cabeça e mostrei um sorriso simpático.
— Não, não, está tudo bem. Obrigada pela companhia, tenha uma boa noite — respondi com um sorriso torto. Não sabia o que dizer. Será que eu havia dito alguma coisa que o deixou entediado? Será que ele aguentou até agora por pura educação? Eu tinha certeza de que não havia derramado comida nele, ou pisado no seu pé.
Mas tinha soterrado seu peito mais cedo, então acho que as opções anteriores não seriam tão graves assim.
Ele me deu um sorriso em linha fina e se levantou, lançando um último olhar para o outro lado da mesa antes de se retirar.
Olhei ao redor novamente. Mingyu e Candice haviam tomado chá de sumiço, e do jeito que estavam se pegando hoje, eu sabia bem o que significava. As duas garotas ao lado de Jungkook se reduziram a uma só, e ela ainda tagarelava ao ouvido dele enquanto mostrava algo no celular com animação. Ele encarava o conteúdo com grandes “hum”, “ah” e “sim” sem grandes reações, e pude jurar que ainda olhava para mim.
Bebi a água oferecida por Jaehyun, sentindo de repente o peso do cansaço novamente recair sobre minha cabeça. A música estava mais baixa e todos pareciam acompanhados, exceto Eunwoo, que continuava zapeando as opções restantes do karaokê.
Olhei pra Jungkook novamente. Ele já estava olhando pra mim. De uma forma estranha, devo pontuar. Não parecia nem 1% interessado na conversa ao lado, muito diferente da impressão que tive quando cheguei. Mas agora era como se esperasse que eu dissesse alguma coisa.
Olhei pra trás, me certificando pela última vez se aquilo era mesmo pra mim e então disse:
— Estou com o nariz vermelho?
— Não, mas por que o seu vestido está? — ele perguntou de imediato, apoiando um dos braços no encosto da cadeira vizinha. A garota se calou.
Tentei rir. Era o único jeito de contornar mais uma piadinha que ele faria sobre as minhas roupas, é claro.
Mas ele não riu. De novo. E foi mais estranho do que a primeira vez.
— Empréstimo da Sophie. Acho que ela odeia minhas roupas mais do que você.
— Nunca disse que odeio suas roupas — ele respondeu, e não se mexeu um centímetro sequer. Isso estava começando a me deixar irritada. A garota ao lado olhava de um ao outro, perguntando-se o que eu estava fazendo para deixá-lo daquela forma.
Eu também estava louca pra saber.
— Tudo bem, senhor “jardineiras são pra garotinhas”. — Ergui as sobrancelhas, ainda mantendo o semblante risonho, como sempre ficava com ele. Só esperava que minha cara de cansada não estivesse atrapalhando tanto.
— Com esse vestido você está bem longe de parecer uma garotinha.
O tom de sua voz baixou várias oitavas, se transformando quase em um sussurro. Me fez diminuir o sorriso.
Então, ele simplesmente piscou os olhos várias vezes e balançou a cabeça de um lado pro outro, soltando uma risada pesada e irônica.
— Meu deus, acho que bebi demais… — murmurou, se levantando também, virando-se para entrar na casa.
De repente, ele parou, deu meia volta e seguiu para a outra extremidade da mesa, cortando um pedaço de algo parecido com um bolo vermelho e branco que não reparei antes, colocando-o num prato, andando até minha frente novamente e depositando ali.
— Você gosta de comer um doce depois do jantar — ele disse, as bochechas tão vermelhas quanto a cor do glacê. — Espero que goste desse. Eu vou voltar pro quarto… Durma bem.
E ele simplesmente foi embora.
Acompanhei suas costas por mais tempo do que o normal. Eu estava sinceramente confusa. Não pelo doce, ou pelo “durma bem”, ou pelo primórdio de zombaria das minhas roupas, não. Jeon Jungkook fazia todas essas coisas normalmente e nada seria diferente se eu analisasse apenas isso. Mas tinha, sim, alguma coisa estranha.
Porque o jeito que me olhou quando fez tudo isso não era normal. Desde o barco, nada estava na vibe esperada de “olá, pronta pra passar três dias inteiros comigo testando os limites da sua paciência?”. Será que ele estava passando por algum problema e era incapaz de me contar? Estava chateado com alguma coisa que eu fiz?
Independentemente do que fosse, encarei o bolo por muito tempo antes de comê-lo. O comportamento diferente dele havia causado coisas em mim, coisas que eu já sabia, já tinha aceitado, mas em algum momento daquela noite decidi adiar.
E de repente mais uma cerveja não parecia uma má ideia.



💋


Era agora, eu sabia que era.
Minha cabeça girava, mas eu sabia bem onde estava pisando. Sabia para onde estava indo. O texto dançou em minha cabeça o dia inteiro, às vezes abafando sua presença e se escondendo em algum canto, mas estava aqui o tempo todo. Pensando profundamente, acredito que ele estava aqui há mais tempo do que imagino.
Eu sabia o que diria. E seria rápido, sem rodeios, assim como tudo em nossa relação. Eu só precisava chegar à droga do quarto.
As vozes foram ficando cada vez mais distantes e inaudíveis à medida que eu subia degrau a degrau em direção ao andar de cima, pelo caminho já conhecido até meu quarto. Um quase tropeço em um deles fez eu me questionar se precisava realmente fazer aquilo hoje (eu não estava nas melhores condições), mas daí estaria lúcida depois. E eu não conseguia encarar aquela empreitada com lucidez.
Parei em frente à porta do meu quarto e olhei para frente, encarando a maçaneta da suíte vizinha. Comecei a imaginar a visão que ele tinha de suas janelas (aquele era o lado de frente para o mar), em como seria um ótimo lugar para se tomar um vinho e rir até de madrugada, dormir abraçada com ele e acordar com o sol nascendo em uma chama viva no horizonte… desfrutar da banheira…
Não.
Aquilo seria apressar as coisas.
Eu deveria voltar lá para baixo, mesmo não sabendo direito quem ainda permanecia acordado ou sumido de repente.
Ele se espreguiçou na cadeira e disse que estava cansado. Que voltaria para o quarto. Olhou bem nos meus olhos quando falou isso. Como se me chamasse.
Não, aquilo foi impressão minha. Ele só estava avisando.
Eu deveria voltar agora mesmo e deixar toda essa história de lado.
Toquei a maçaneta e girei de leve. Eu poderia ter batido. E, mesmo sendo eu, ele poderia negar a presença. E eu precisava acabar com aquilo hoje.
Céus, eu precisava dormir. Eu definitivamente dormiria por uma semana depois dessa loucura.
O quarto estava um breu impenetrável quando abri a porta. Até mesmo as enormes cortinas que pendiam do teto estavam fechadas, frustrando minha curiosidade de admirar a mesma paisagem que ele tinha das janelas. Todo o ambiente era tão grande que precisei apertar os olhos para adaptar minha visão ao local.
Fechei a porta atrás de mim e o procurei. Nenhuma luz foi emitida com a minha chegada, apenas um som. Ele se moveu em cima de uma cama bem no centro do quarto, as coxas acariciando o linho. Eu conseguia ver apenas sua silhueta, movendo-se lentamente sob a escuridão. Ele estava dormindo.
— Desculpa te acordar — falei, com a voz rouca pela secura inesperada da minha garganta. — Preciso te dizer uma coisa.
Ele não disse nada. Ainda parecia estar acordando, tentando se sentar na cama, mas eu não tinha como ter certeza.
Eu precisava fazer isso agora. Se eu não estivesse encarando seus olhos, era melhor ainda.
— Bem… pareceu bem mais fácil quando pratiquei no espelho nas últimas semanas. — Ri de nervoso, sentindo a cabeça dar um giro louco de 90 graus. — Você sabe que pratico bastante no espelho antes de encontros importantes, não é? Sempre fiz isso para não correr o risco de amarelar ou dizer besteira na hora. Sempre foi uma abordagem muito eficaz no meu trabalho, mas isso é bem mais difícil do que convencer clientes bancários — suspirei, olhando para o lado, mesmo que não importasse, pois cada metro quadrado era um negrume profundo. — Talvez porque mostrar para outras pessoas que meus números estão corretos seja mais simples do que admitir os meus sentimentos. Deus, isso é tão complicado… — Senti meu rosto arder, como se estivesse falando para o meu pai quando menstruei pela primeira vez. — É complicado porque, ao mesmo tempo que eu me preocupo com o que será depois, eu simplesmente não posso, não consigo mais guardar essa maldita coisa dentro de mim, e às vezes dói, e me sinto sufocada, e fico mal por não ser corajosa, mas decidi que não posso mais engolir esse tipo de coisa porque posso explodir. Pois é, sinto que vou entrar em combustão se não dizer que te amo!
Eu sabia que estava falando, mas as palavras pareciam estar vindo de quilômetros de distância, proferidas por outra pessoa, outra garota maluca que invadiu outro quarto de outro melhor amigo para abrir seu coração.
Mas eu tinha dito. Eu havia soltado aquelas palavras. E, passado o primeiro segundo de choque, comecei a rir, uma risada estranha e baixa, totalmente desesperada.
— Eu sei que você não estava esperando isso, acredite, eu também não esperava sentir isso. Às vezes me pergunto se devo, se é prudente, mas… — Dei alguns passos à frente, em direção à cama, sem perceber. — Todos os momentos que passamos juntos, por mais breves e descontraídos, eram a melhor coisa do meu dia. O seu sorriso é de outro mundo e me passa uma calmaria absurda, mesmo que você escute muito isso. Tenho certeza de que já deve ter ouvido elogios mais bem elaborados e declarações menos fajutas do que essa, mas o fato é que eu não podia mais continuar escondendo isso, ou continuar te vendo e agindo como se tudo estivesse normal, porque nada está normal, nada aqui dentro fica normal quando você chega perto de mim, é tão… deus do céu…
Ouvi a cama ranger na mesma hora que me atrevi a dar mais um passo à frente. Os passos indicavam que ele havia levantado. Oh, meu Deus, que ele não me expulse, que ele não me atire para o corredor…
Ele estava se aproximando de mim e o resto das minhas falas tinham se perdido no mar do esquecimento. Meu coração bateu tão forte que eu era capaz de desmaiar.
Ele não disse uma palavra sequer. Baixei os olhos quando ele se prostrou à minha frente, de repente desejando que o chão cedesse por alguma força gravitacional maluca para que eu sumisse para todo o sempre. Uma náusea repentina tomou conta do meu organismo, e eu iria desmaiar, ah, eu ia…
E então ele me tomou em seus braços, lenta e intensamente. Foi tão rápido que fiquei rija em minha posição por pelo menos cinco segundos antes de fechar os olhos e ceder ao choque de realidade: Jungkook estava me beijando, e dessa vez eu não estava sonhando!
Eu tinha certeza disso, pois seus cabelos e braços parecem reais demais ao meu toque. No exato momento em que sua língua começou a dançar em minha boca, eu perdi absolutamente tudo. Eu não era mais eu mesma, não fazia mais parte do mundo, e estava sendo desejada por Jeon Jungkook, porque, sim, a forma como ele firmou suas mãos em minha cintura e segurava em minha nuca pareciam um tanto desesperados, como sentimentos há muito trancafiados em um cárcere escuro que finalmente conseguiram liberdade. Assim como eu.
Senti nossos pés, juntos, caminharem até a cama, e adivinhei o que iria acontecer. O que eu queria que acontecesse. Mas, como uma conexão mútua e telepática, eu o abracei. Ele permaneceu com os braços ao redor da minha cintura e eu afundei minha cabeça em seu peito nu, e, seja pelo cansaço extremo que eu sentia, tive a impressão de que ele estava mais alto. Mas eu não me atentei a isso naquele momento.
Ele deu uma risada rouca por cima da minha cabeça e eu o acompanhei. Assim que falei, desejei que ele dissesse alguma coisa, qualquer coisa, mas agora isso não parecia importar. Ali, naquele silêncio e naquele abraço, eu entreguei meu coração para ele.
— Estou tão cansada… — murmurei grogue, bêbada de sono. Fechei meus olhos enquanto ele me conduzia até a cama, deitando-se ao meu lado em seguida, puxando as cobertas sobre nós até que eu me deitasse novamente em seu peito.
Percebi pela primeira vez que seu cheiro havia mudado. Eu jurava ter sentido o mesmo cheiro de seu perfume hoje durante todo o dia, mas agora era um cheiro diferente, mais suave e ao mesmo tempo mais presente. Mas eu novamente não deveria estar me atentando a esse tipo de coisa agora.
Ele me deu mais um beijo antes de eu me encaixar definitivamente naquele espaço que parecia reservado para mim desde sempre. Senti o sono e a exaustão me carregarem, me levando no barquinho da inconsciência, e não importava que ele não tivesse respondido, nem se tínhamos que conversar sobre aquilo alguma hora. Aquele abraço, aquele carinho e o calor de seu corpo eram as únicas coisas as quais eu conseguia me apegar. Até a escuridão me tomar completamente e eu adormecer nos braços dele.


Continua...



Nota da autora: Oi, gente! Tudo bom? Devo dizer que cedi ao meu descontrole mandando mais uma long, mas garanto que ela vai ser tão curtinha que nem vai parecer hahahah. Assim esperamos. Logo, logo a gente tem capítulo 1 e eu espero que ele seja tão proveitoso quanto parece. Espero muito que vocês gostem. Caso você se interesse, tenho outras fanfics no site.



Outras Fanfics:
Ghost Feelings
Focus of my blur: Filme 1
Locus Quattuor

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