Última atualização: 20/11/2021

Prólogo

Ashton entrou no bar com um único objetivo: beber algumas cervejas e curtir um tempo sozinho. Passou por todas as pessoas que estavam ali e chegou até o bar, fez seu pedido e sentou-se num banquinho ali mesmo. Não iria se infiltrar, conversar ou conhecer novas pessoas. Era o momento que ele tinha para relaxar antes da loucura da tour começar. Estava feliz por ter achado aquele bar desconhecido há alguns dias, pois poderia frequentá-lo sem ser perturbado por ninguém. Não significava que ele não gostava da atenção de seus fãs, e sim que ele gostaria de se sentir uma pessoa normal por algumas horas. Sabia também que, ali, nenhum paparazzi o acharia. Então, era um lugar com diversas vantagens.
No lado oposto ao que estava, viu um palco pequeno e uma movimentação. Perguntou ao bartender se teria alguma apresentação e recebeu um sim como resposta. Ele o explicou que bandas completamente desconhecidas tocavam ali durante os fins de semana, e aquele domingo não seria diferente. Descobriu que a banda se chamava After Twilight e que tinham um som parecido com o de sua própria banda. Imaginava que subiriam ao palco quatro caras, mas foi surpreendido ao ver quatro garotas ajustando seus instrumentos antes de começarem a tocar.
— Boa noite, nós somos After Twilight e vamos tocar para vocês essa noite — a garota que estava no baixo anunciou. Provavelmente porque a vocalista estava terminando de colocar seus in-ears.
A baixista era, provavelmente, a garota mais bonita que ele já havia visto. Tinha a pele bronzeada e cabelos rosa-choque na altura dos ombros. A guitarrista era loira e tinha várias sardas. Ashton achou incrível a confiança que ela tinha, e sabia que, se fosse qualquer outra garota em L.A., teria usado toneladas de maquiagem para esconder tudo. Viu a baterista se acomodar no banco atrás do instrumento. Ela tinha cabelos pretos, também na altura dos ombros, com cachos bem abertos. Ash sorriu pela similaridade com ele, afinal, ele estava com o cabelo tingido de preto.
Ouviu a guitarrista começar a dedilhar algum riff e logo a vocalista se virou. Ele a achou linda. Uma beleza diferente da que ele estava acostumado a ver por ali. Tinha cabelos lisos, longos e castanhos, com leves ondulações nas pontas. Era notável a escassez de procedimentos estéticos em seu rosto. Ela era naturalmente bonita. Achou-a mais bonita ainda quando começou a cantar a primeira música. Era uma voz doce, mas que, ao mesmo tempo, se encaixava perfeitamente com o som que os instrumentos emitiam.
A banda era ridiculamente boa, mas sabia que, por elas serem mulheres, os caras que estavam naquele bar não estavam se importando. Achou incrível a conexão que elas tinham no palco, e isso o lembrou do início de sua banda.
— A próxima música é de uma das minhas bandas favoritas, e eles nunca a tocaram ao vivo — a vocalista começou. — É uma das que eu mais gosto. Nós fizemos algumas pequenas alterações na letra, mas espero que gostem. Essa é English Love Affair.
Ashton estava boquiaberto. Sabia que muitas pessoas tinham a 5SOS como inspiração, mas não imaginava que seria delas.
Ash pegou seu celular e mirou-o para o palco. Ele gravaria a música e, caso fosse uma boa apresentação, enviaria aos outros três amigos. Os acordes começaram a ser tocados e ele estava ansioso para saber quais alterações haviam sido feitas. Achou incrível como a voz da vocalista encaixou com a música e em como a baixista e a guitarrista estavam harmonizando perfeitamente como suas backing vocals.

The way he looked was so ridiculous
Every single step had me waiting for the next
Before I knew it, it was serious
Dragged me out the bar
To the backseat of his car

Ele se perguntou se a garota sabia o significado daquela música. Deu um leve sorriso de lado ao lembrar de alguns momentos nostálgicos. Mas não passava de lembranças. No fundo, ele era grato por esse “caso” não ter dado certo.

Next thing we were back at his place
A hideaway in Mayfair
All the great and good there
Drinking all the way to third base
We both getting naked
Falling on their faces

Ele havia gostado das mudanças na letra, e entendia que haviam sido feitas para encaixar com uma vocalista feminina. Estava adorando ouvir uma de suas músicas ser tocada por uma banda tão talentosa.

When I got out
I knew that nobody I knew would be believing me
I look back now
And know that nobody could ever take the memory

A garota dominou o solo de Ashton, deixando-o sem palavras. Outra coisa que o deixava sem palavras era a forma como ela dominava o palco. Diversos artistas de longa data jamais fariam as coisas que ela estava fazendo. Não só ela, como todas as outras três garotas. Estava impressionado com a baterista, afinal, sabia que aquela música tinha um alto grau de complexidade para tocar, e a cacheada não havia errado uma batida sequer. Ash iria mandar o vídeo para seus amigos com toda certeza.
A banda tocou mais algumas músicas e anunciou o fim de sua performance. Agradeceu a atenção de todos e começou a desmontar seus instrumentos. O celular de Ash vibrou com mensagens de Mike, Calum e Luke dizendo que tinham gostado muito do cover.
— Robin, me traz uma água, por favor — ouviu a voz da garota que estava cantando há poucos minutos atrás. — Obrigada, você é um anjo — abriu o maior sorriso enquanto o bartender rolava os olhos, rindo.
— Amiga, você arrasou hoje — o tal Robin elogiou a performance da garota.
— Dessa vez, tivemos mais tempo pra ensaiar — ela deu de ombros. — Que bom que você gostou.
— Foi uma apresentação muito boa mesmo — Ashton decidiu abrir a boca, chamando atenção da garota, que gelou.
— Ih, o que foi, ? — Robin não entendia o que estava acontecendo.
— É o Ashton — a garota sussurrou para o amigo.
— “O” Ashton? — o bartender perguntou, devolvendo o sussurro, e viu a cabeça da garota se movimentar em sinal de afirmação. — Ih, vou fugir antes de ter que aturar teu lado fangirl outra vez.
— Hm, obrigada — ela agradeceu a Ash, que deu um gole em sua cerveja. — Desculpa pela mudança na sua letra — deu um sorriso amarelo.
— Não precisa se desculpar. Ficou ótimo — ele sorriu, mostrando suas covinhas. — Vocês são muito, muito boas.
— Que honra ouvir isso de Ashton Irwin — ela olhou para o chão.
— Não vou negar, quando me disseram que seria uma banda chamada After Twilight eu esperava caras, não garotas.
Os dois riram.
— É, a gente passa bastante por isso. Aparentemente, se você é mulher, precisa ter um grupo pop ou algo do tipo — ela rolou os olhos.
— Eu gostei da surpresa — ele tentou flertar com a garota. Afinal, não se importaria de ter a companhia de um rosto tão bonito, mas foi interrompido.
, nós precisamos ir. A van já está pronta.
A morena assentiu.
— Bom, antes de ir, posso tirar uma foto contigo? Acho que ficou bem claro que eu sou sua fã — ela perguntou, sem graça.
— Mas é claro, vem aqui — puxou-a pela mão, passando seu braço pela cintura dela enquanto a garota tirava a selfie.
— Obrigada, Ash. Que bom que gostou da performance — ela acenou para o baterista, deixando-o sozinho mais uma vez.


Capítulo 1

Os quatro integrantes da 5 Seconds Of Summer entraram no escritório de um de seus empresários para uma reunião marcada de última hora. Não faziam ideia do que se tratava, mas talvez fosse por alguma promo para a turnê que começaria em um mês.
— Meninos, nós temos um problema — Richard Griffiths começou.
— Vamos ser diretos aqui. The Band Camino não poderá abrir a turnê na parte australiana nem na americana — Harry Magee soltou de uma vez.
Os quatro se ajeitaram na cadeira.
— Ok, mas então quem vai abrir? — Michael se apoiou nas pernas. Ele odiava quando as coisas não saíam como eles haviam planejado.
— Ainda não sabemos, mas estamos começando a cogitar não ter um número de abertura — Harry rabiscou algo em seu caderno.
— Isso é ridículo — foi a vez de Calum falar. — O intuito de ter um número de abertura é divulgar artistas pouco conhecidos, como The Band Camino é.
— E outra coisa, os fãs pagaram por isso. Eles pagaram por duas performances — Luke abriu a boca. — Não acha que é injusto com eles?
— Entendemos a preocupação de vocês, mas como vamos achar uma banda que aceite entrar em turnê só com um mês de preparação e que também seja boa? — Richard perguntou.
— Ash — Luke chamou a atenção do amigo —, mostra o vídeo daquela banda que você viu ontem.
Ele desbloqueou o celular, abriu a galeria e mostrou o vídeo da banda.
— Elas são realmente muito boas, mas vocês vão querer entrar em turnê com um grupo de garotas? — Richard questionou. — Quero dizer, elas…
— Elas o quê, Richard? — Calum desafiou o empresário. Costumava ser muito calmo, mas estava irritado com a proposta de cancelarem o show de abertura. — Acredito que elas têm potencial e seriam incríveis para abrir nosso show.
— Sim — Mike e Luke disseram juntos.
— After Twilight. Entrem em contato com o empresário delas e marquem um teste — Ashton disse o nome da banda e se levantou. — Acho que nossa reunião acabou, né? — deu um sorriso e saiu da sala.
Ashton odiava ser arrogante. Não só ele, como Michael, Luke e Calum também. Ele só achava injusto considerarem não ouvir o som da After Twilight simplesmente por serem mulheres. Isso o tirava do sério. Ok, talvez ele estivesse interessado na vocalista, mas, no momento, só queria uma banda para tocar antes da dele.
Enquanto isso, do outro lado de Los Angeles, estava entrando no estúdio de tatuagem para fazer uma nova arte em seu corpo. A garota tinha algumas outras, todas pequenas, pois era o estilo que mais gostava. Achava tatuagens grandes lindas, mas só em outras pessoas. De volta ao estúdio de tatuagem… Ela iria fazer uma frase em seu braço. “You’ve got the right to show the world something never seen”. A parte mais demorada foi escolher a fonte – a tatuagem em si demorou pouquíssimos minutos. Sentiu o celular vibrar.

Charlie 👯
Vem pra casa, rápido! Nós temos uma audição.

Ela não entendeu muito bem o motivo de tanta pressa, pois sabia que a audição não seria naquele momento. Então, nem se importou em passar na loja ao lado do estúdio para comprar um vestido novo. Deu a volta por Beverly Hills para admirar a vista antes de ir para sua casa em Palms.
Estacionou na frente da casa e caminhou com calma até a entrada. Deveria estar animada para a audição, mas estava exausta de receber diversos “nãos” em todas elas. Aparentemente, as pessoas não queriam uma banda feminina de pop alternativo com um pé no pop rock, e isso a frustrava. Ela era completamente apaixonada pelo gênero que tocava, mas estava pensando seriamente em sugerir uma mudança para as amigas. Talvez, se elas fossem apenas um quarteto pop normal, fariam mais sucesso. Nada de guitarras, baixos ou baterias, só as quatro cantando e dançando de roupas curtas. Só de pensar nisso, sentiu um frio na espinha.
Essa não era ela.
Não que ela não gostasse de usar roupas curtas – sua peça favorita era uma saia curta de couro –, mas ser um grupo pop significava que tudo teria que ser colorido demais e isso não agradava a paleta de cores de seu guarda-roupa. Abriu a porta e se deparou com Charlotte, Izabella e Devan sentadas no sofá, enquanto Jeffrey, seu empresário, andava de um lado para o outro.
— Achei que você tivesse morrido, — Charlie soltou, impaciente.
— Fala esse “” mais uma vez e você vai ver onde eu vou enfiar ele — respondeu, se jogando em cima de Charlotte.
— Bom, já que estão todas aqui, deixe-me dizer mais sobre essa audição — Jeffrey puxou uma cadeira e se sentou de frente para as garotas. — Tem uma banda grande precisando de um opening act. Me pediram para não dizer qual banda para não criarem expectativas, mas, gente, pode ser a chance que vocês precisam.
— Aposto que acham que é um bando de marmanjo tocando — Izzy rolou os olhos.
— Por incrível que pareça, não… Eles sabem que vocês são mulheres — Jeff rebateu. — O único problema é que a audição precisa ser feita amanhã.
— O QUÊ? A chance das nossas vidas e a gente tem menos de vinte e quatro horas para se preparar? — Dev deu um grito. — É pra chorar, né? Por que tão pouco tempo?
— Porque a banda que estava confirmada para acompanhá-los teve alguns problemas e cancelou. E eles saem em turnê em um mês.
A possibilidade de ser aprovada nessa maldita audição cruzou a cabeça de .
— Ok, o que nós precisamos apresentar? — a vocalista perguntou. Ela era a mais calma das quatro.
— Duas músicas autorais — Jeff respondeu e as garotas se entreolharam.
— Podemos cantar Like Lovers Do... — Izzy sugeriu, deixando em aberto para que alguém sugerisse outra.
— … E Born To Be Single? — Dev completou. — Nós ensaiamos elas e tocamos ontem. Podemos dar uma repassada e torcer para que tudo dê certo.


🎶🥁🎤


As garotas e seu empresário chegaram ao endereço em Inglewood no horário marcado. Entraram no que parecia ser uma casa, deram seus nomes na recepção e foram direcionados a uma sala completamente revestida por espumas. Sabiam que era onde a tal banda famosa ensaiava, afinal, ninguém montaria aquela estrutura para apenas uma audição. Os instrumentos já estavam ali, mas haviam escondido qualquer que tenha sido a personalização da bateria – e isso só aflorava a curiosidade das quatro garotas.
Na sala estavam um engenheiro musical, um produtor musical, o gerente de turnê e um tripé com um celular, provavelmente para gravar a performance e avaliá-la mais tarde.
— Bom dia, moças. Eu sou Dustin, mas podem me chamar de Dus — o cara de dreads começou a falar. — Sou um dos produtores musicais da banda e estou aqui para avaliar vocês. Nossa banca é composta por mim, por Leonardo — apontou para o ruivo ao seu lado, este era o gerente de turnê —, e por Kennedy — apontou para o último cara que estava ali, que era o engenheiro musical. — Essa câmera transmitirá ao vivo a apresentação de vocês para a banda, então vou precisar que nos digam seus nomes e o que fazem.
— Eu sou Charlie Campbell, baterista da banda — a primeira de apresentou.
— Izzy Storr, guitarrista e vocalista — a loira respondeu, direta.
— Devan Whitmore, baixista e vocalista — a de cabelo rosa disse.
— E eu sou , vocalista da After Twilight. Também toco guitarra em algumas músicas — por último, a morena. — Vamos cantar duas músicas autorais. Elas estão disponíveis no Spotify e YouTube. Caso queiram procurar mais do nosso trabalho, é só digitar o nome da banda — ela deu um sorriso tímido.
Os produtores não botaram muita fé na banda por conta de seus comportamentos contidos, mas, assim que ouviram os acordes de guitarra que Izzy começou, ficaram vidrados. A introdução de Like Lovers Do finalizou assim que pegou o microfone do pedestal e começou a cantar.
Quando ela cantava, era como se outra pessoa estivesse em seu lugar. Qualquer traço de timidez que pudesse ter desaparecia, e era como se ela virasse uma estrela. Dev, Charlie e Izzy também passavam por isso, e, mesmo não sendo um show, estavam se apresentando como se tivesse uma plateia cantando junto a elas. Devan pulava com o baixo do dono desconhecido, Izzy virava para Charlie para admirar os solos de bateria que a garota tocava. Essa era uma música mais agitada, e andava por todo o espaço do estúdio como se estivesse em casa.
A banca gostou do que viu. Ao fim da música, elas se olharam e deram um sorriso. Havia sido uma performance impecável.
Born To Be Single era a próxima, mais calma. Izzy trocou a guitarra por um violão. A música era mais intimista. Havia sido escrita por e Charlie em um momento de fraqueza, quando estavam sofrendo por conta de seus ex-namorados. A vida romântica das duas nunca fora boa e elas haviam decidido que tinham nascido para serem sozinhas.
Izzy e Dev amaram a música assim que ouviram e, na mesma hora, se identificaram com a letra. Ela havia se tornado a música mais sentimental que a banda tinha. Colocaram muita emoção na performance para a banca avaliadora e foi notável o quão entregues à melodia elas estavam.
— Bom, sem querer ser ansiosa, mas já sendo… E agora? — Dev perguntou aos homens que estavam na sua frente. E ouviu o celular de um deles tocar.
— Sim? — houve uma pausa que pareceu durar horas. — Tem certeza? — mais uma pausa. — Ok, tchau — desligou o telefone. — Bom, agora, se estiverem dispostas a se organizar para sair em tour daqui um mês, vocês estão dentro.
Assim que Dus terminou de falar, as garotas nem se lembraram de perguntar qual era a tal banda – só correram para se abraçar. Não acreditavam que finalmente a vida havia sorrido para elas.
— Com certeza estamos dentro! — se soltou e respondeu com o maior sorriso no rosto. Mal sabia ela que a transmissão ao vivo ainda não havia sido encerrada, e aquela reação só fez com que Ashton a admirasse mais.
— Bom, vocês terão acesso a estilistas, técnicos vocais e instrumentais. Não que precisem, mas é algo habitual — Kennedy logo se adiantou. — Maquiadores, cabeleireiros, personal trainers e horários individuais e específicos para treinos. Algumas outras vantagens estarão descritas no contrato.
— Sejam muito bem-vindas. Estamos ansiosos para trabalhar com vocês — Leonardo finalizou.
As garotas estavam pura felicidade. Deixaram o estúdio com apenas um pensamento: precisavam curtir. Não sairiam para lugar nenhum, apenas teriam sua comemoração privada na casa em que dividiam. A alegria delas não tinha fim.


Capítulo 2

O último mês havia passado rápido demais. Precisaram ir em encontros com estilistas para tirar as medidas de seus corpos, além de terem encontros para a escolha das roupas que as fossem sugeridas. Ensaiaram todos os dias na garagem de sua casa e aperfeiçoaram em 100% sua performance. Se sentiam preparadas para cair na estrada.
O que ainda não havia superado era o fato de estar indo em turnê com 5 Seconds Of Summer. A garota surtou por uma semana quando recebeu o contrato que constava o nome da banda. Charlie chegou a segurá-la pelos ombros e sacudi-la, dizendo “se controla mulher!!!”, enquanto Izzy e Dev filmavam e postavam tudo nos stories de seus perfis pessoais no Instagram. Por sorte, isso tudo foi feito antes da garota ganhar o follow de Ashton, Calum, Michael e Luke; senão, estaria mais envergonhada do que já se encontrava.
Elas haviam chegado na Austrália no dia anterior e ainda estavam sofrendo de jet lag, já que a diferença de horários era gritante. Nem tiveram forças para explorar a cidade, só ficaram trancadas dentro do hotel tentando se situar.
Agora, as quatro estavam dentro de uma van indo em direção ao local do primeiro show que seria em Perth.
— Ok, — Izzy começou e revirou os olhos. Odiava seu nome, sempre o considerou um nome de velho e, no auge de seus 22 anos, o que ela menos queria era um nome que a lembrasse de uma senhora de 80 anos. — Nós vamos conhecer a banda hoje, então, por favor, não nos faça passar vergonha.
— Para seu devido conhecimento, Izabella — ela jogou; sabia que Izzy também preferia o apelido ao próprio nome —, eu já conheci um deles, o Ashton.
— Ah é? — Dev se apoiou no banco para observar a cara da garota. — E como foi quando você conheceu ele?
pensou muito antes de começar a falar.
— Foi muito bem, obrigada — a garota cruzou os braços.
— Não foi o que Robin disse — Dev rebateu e começou a gargalhar. Robin, o bartender e melhor amigo gay de Devan.
“Ah meu Deus!!! É o Ashton, eu vou morrer! Adeus mundo!!!” — Charlie zombou da amiga e recebeu um dedo do meio em resposta.
— Vai se foder, CC — olhou para Charlie com expressão de raiva, que não durou por muito tempo, dando lugar a uma gargalhada gostosa.
CC era o apelido que tinha dado a Charlie quando a conheceu, visto que são as iniciais de seu nome e sobrenome. Desde então, CC era uma forma carinhosa pela qual se referia à amiga.
As garotas chegaram finalmente ao HBF Stadium e entraram pelos fundos. Ouviram bastantes murmurinhos do lado de fora, porque as fãs que estavam ali tinham certeza de que, quem estava chegando naquele momento, era a 5SOS. Saíram do carro e foram direcionadas ao camarim com o nome da banda delas. Ainda não estavam acreditando no que estava acontecendo. Era surreal a ideia de que pessoas no mundo inteiro poderiam estar ouvindo suas músicas.
Ouviram batidas na porta e foram avisadas de que era hora de sua passagem de som. Era uma experiência nova, elas nunca haviam passado por aquilo. Tocaram os trinta primeiros segundos das sete músicas que compunham sua setlist e retornaram ao camarim.
As coisas lá dentro já haviam mudado. Havia uma arara no canto direito da sala com quatro figurinos, cada um com um de seus nomes, indicando o que deveriam vestir naquele dia.
Devan ligou a TV para assistir alguma coisa interessante. Deitou no sofá de cabeça pra baixo para tentar se concentrar melhor e não funcionava. Izzy estava tentando compor algo, afinal, fazia um bom tempo que não lançavam nada novo, e nada como uma reviravolta em suas vidas para melhorar sua criatividade. estava deitada no carpete olhando para o teto, tentando controlar toda a sua ansiedade. Para a 5SOS, seria um público mais “intimista”, mas aquele número de pessoas era muito maior do que elas já tinham tocado na vida. Charlie estava entediada. Ela queria sair daquela maldita sala e explorar o local onde iriam se apresentar, mas tinha medo de ser repreendida em seu primeiro dia. Então, a garota simplesmente ficou sentada na cadeira mexendo em seu celular.
Ouviram mais uma vez algumas batidas na porta.
— Que não seja o personal trainer disse baixinho ao ouvir a porta se abrir e fechou os olhos. Tudo ficou num silêncio e ela sentiu alguém se aproximar.
— Ela está viva? — ouviu a voz de Ashton e abriu os olhos imediatamente, vendo-o parado ali ao seu lado. A garota sabia que ele era alto, mas olhar para ele da altura do chão a fazia se sentir menor ainda. — Oi de novo.
— Hm, oi — ela decidiu reagir e se levantou do chão, se pondo de pé. — Eu sou — se apresentou. Sabia que não havia dito seu nome naquele dia do bar. — Essas aqui são Devan, Izzy e Charlie — apontou para as amigas.
— Eu sou o Ash — se apresentou para as meninas. — Aqueles são Luke, Michael e Calum — apontou para os amigos, como se as garotas não soubessem quem eles eram.
— Não tivemos a oportunidade de agradecer antes, então, acho que falo por todas quando digo que somos eternamente gratas por tudo o que vocês fizeram e estão fazendo por nós — Izzy disse, atraindo a atenção de Michael.
— Quê isso, vocês são boas e merecem mais atenção. Sabemos bem como é difícil ser uma banda desconhecida — ele caminhou até o sofá e sentou-se ali, fazendo com que Dev tomasse vergonha na cara e se sentasse direito.
— É um prazer imenso conhecer todas vocês — Calum disse e se juntou a Mike.
— Não sei pra quê você se levantou, meu bem, pode se sentar outra vez. Vamos bater um papo — Luke disse para , deixando-a intimidada. Claro, essa não havia sido a intenção do rapaz, mas ela estava tendo um surto interno naquele momento. Sabia que Luke era um amor, mas, por conta de seu nervosismo, se viu contida.
— Então, como vocês começaram a tocar? — Mike perguntou, fazendo um sorriso aparecer no rosto de Charlie.
— Por incrível que pareça, tudo começou num karaokê.
Os quatro garotos não entenderam muito bem.
— Calma, eu explico — se adiantou. — Nós nos conhecíamos, porque tínhamos amigos em comum. Acabamos indo comemorar o aniversário de Devan juntas e passamos a noite conversando sobre o quanto gostamos de música. Daí, cada uma disse o que tocava. Na época, a única que não tocava nada era a , mas ela tinha a voz que precisávamos.
corou e encarou o chão. Luke olhou para a garota e, notando a timidez, começou a cutucá-la com intuito de fazê-la relaxar e sorrir.
— Hoje ela toca guitarra, violão, e está aprendendo piano. Um puta avanço… — Charlie finalizou a história.
— E vocês simplesmente decidiram mergulhar de cabeça? — Cal perguntou.
— Sim! — foi a vez de Izzy. — Estávamos num período ruim em nossas vidas. não tinha conseguido entrar na universidade, Charlie não estava feliz com o curso que fazia, eu estava tendo muitos problemas em casa por conta da minha namorada, e Dev havia acabado de ser demitida da cafeteria que trabalhava…
— Tivemos por várias vezes algumas crises de identidade até finalmente achar o som que fazemos, porque são quatro garotas diferentes, com gostos diferentes… — Devan disse e os garotos concordaram. Sabiam o quão difícil era essa parte.
— Alguém disse crise de identidade? — Luke perguntou, fazendo rir um pouquinho. A garota não se aguentava todas as vezes que ouvia o mais novo dizer “eu não sei quem eu sou” em vídeos e entrevistas. — Acho que alguém entendeu a piada. Estão vendo? Ela entende o meu humor.
— Cala a boca, Luke — Ashton deu dedo pro amigo, fazendo com que todos rissem. — Ela entendeu porque é fã da gente — disse, doce, atraindo toda a atenção para a garota.
— Culpada — a morena levantou as mãos em rendição.
— Fã desde quando? — Mike se apoiou nas pernas. Estava ansioso pela resposta.
— Sendo bem honesta, há alguns meses — ela sorriu sem graça. — Estava no YouTube assistindo a coreografias que jamais vou conseguir imitar, quando vi a coreografia de uma das suas músicas… Gostei do que ouvi e acabei procurando por mais e mais. Quando percebi, já estava seguindo quinze fã-clubes no Twitter e entendendo algumas piadas internas — a garota estava com as bochechas completamente coradas.
Os quatro integrantes da 5SOS acharam adorável.
— E em algum momento você imaginou que sairia em turnê com a gente? — Luke passou seu braço por cima do ombro da garota. Recebeu um olhar repreensivo de Ash e não entendeu o motivo.
— Pra ser sincera, eu nem esperava que o Ashton tivesse ouvido o cover de English Love Affair — olhou para o dono dos olhos avelã. — Quem dirá sair em turnê. É surreal. Calum olhou para Mike. Ele havia entendido o que estava acontecendo ali. Michael logo entendeu que Ash tinha interesse na garota, e por isso havia insistido tanto que convidassem a banda para se juntar a eles. Luke, em contrapartida, estava completamente aéreo, tentando fazer amizade com a garota. Quem sabe não pudessem compor juntos, ou então, dar alguma dica de como performar no palco? Seus olhos estavam direcionados a garota de cabelos pretos cacheados.
Continuaram conversando por algum tempo, se conhecendo e aproveitando a companhia. Era diferente para eles terem mulheres ali, mas não era algo ruim.
No meio da tarde, Charlotte decidiu pintar suas unhas, e Luke pediu para que ela pintasse as dele também. No início, foi meio difícil, já que Charlie ficava brigando com ele para que ficasse quieto, senão, pintaria toda a sua mão de preto. Mas as coisas logo se acalmaram.
Calum e Dev deixaram o cômodo por alguns minutos para fumar e voltaram rindo de alguma piada idiota que ela devia ter contado. Izzy e Michael ficaram discutindo sobre os jogos que estavam jogando no momento: Fortnite e League Of Legends. A garota se sentiu feliz com a companhia de Mike, já que nenhuma de suas amigas jogava nada. Agora, ela teria com quem discutir alguns tópicos que a interessavam. Ashton estava concentrado em seu celular, e se juntou a Charlie e Luke para ajeitar suas unhas. Assim que Cal e Dev voltaram, Ash foi perturbar Calum como era o habitual.
Quando faltavam duas horas para o show começar, eles decidiram deixar as meninas sozinhas para que elas começassem a concentração. Sabiam que estavam nervosas.
— Ashton — chamou o mais velho antes que ele cruzasse a porta.
— Pode me chamar de Ash, — ele sorriu fofo, desmontando a garota.
— É meio óbvio que só estamos aqui por causa de você, então eu só queria te agradecer. Bem diretamente mesmo — ela deu um sorriso tímido.
— Vocês precisam parar de nos agradecer de quinze em quinze minutos — brincou. — Mas ok, eu aceito o seu agradecimento se você tiver a mesma presença de palco hoje, da mesma maneira que fez naquele bar — ele se aproximou da garota e a puxou para um abraço. — E não fica tensa, vocês vão arrasar.
estava mole nos braços de Ashton. Ela sabia que ele teria um efeito forte nela, pois era o seu favorito, mas não imaginava que seria daquele jeito. Ash não estava diferente – ele sentia uma conexão. Era ridículo se comparar com o tempo e o pouco contato que haviam tido.
— Bom, eu vou agora, mas prometo assistir o show de vocês do backstage — deu um beijo na testa da garota e finalmente a deixou sozinha.
— Que presentão de aniversário adiantado, hein, — Charlie mal esperou a porta fechar e soltou a frase, fazendo as outras duas garotas rirem.
O aniversário de era no dia seguinte, mas ela não se atreveria a focar nisso ou comentar algo perto dos garotos. Tudo o que estava vivendo já estava sendo o suficiente. — Meus mais sinceros “vão tomar no cu” — a morena rebateu, rindo. Por mais que ela tentasse, não conseguia ficar com raiva de suas amigas.
Alguns minutos depois, duas maquiadoras e duas cabeleireiras entraram no camarim e começaram a arrumar as meninas. Elas podiam se acostumar facilmente com aquilo. Quando arrumadas, tiraram uma foto e postaram no Instagram da banda. Era oficial, a No Shame Tour estava começando e elas estavam ali.
Faltando dez minutos para entrarem no palco, Calum abriu a porta e Luke entrou com uma bandeja com oito copinhos de shot, fazendo a maior zona. Atrás deles, tinha um cara com uma câmera, provavelmente para filmar um diário de turnê. Ash e Michael estavam ali também, fazendo barulho como os dois primeiros. Luke anunciou que era hora da tequila e as garotas soltaram um grito animado, se aproximaram e pegaram um copinho. Os garotos também pegaram seus copinhos e Luke se livrou da bandeja.
— Esse é só o primeiro — Cal ergueu seu copo de shot. — Cheers!
Os oito viraram o líquido quente e fizeram caretas engraçadíssimas.
— Ainda falta uma coisa — Hemmings anunciou. — Nickelback! — exclamou animado, mas logo se adiantou. — Claro, se as senhoritas gostarem.
As meninas riram e assentiram.
A música começou a tocar alto no cômodo e, mesmo sem querer cantar afinado, as garotas acabavam harmonizando, porque era algo habitual delas. A química que a After Twilight tinha poderia causar inveja em algumas pessoas, pois era uma amizade genuína. Isso as duas bandas tinham em comum, e talvez fosse por isso que eles haviam se dado tão bem.
Charlotte se pegou admirando Luke. Ele estava com glitter dourado nos olhos e os cabelos bagunçados. Usava uma jaqueta de couro preta, calça justa e uma blusa onde apenas dois botões estavam presos. Reparou no quanto era bonito e que parecia ter acabado de sair de uma revista de moda. Ela tinha um fraco por caras que não tinham a masculinidade frágil, e Luke definitivamente não se importava em vestir ou usar coisas consideradas femininas.
Estavam os oito dançando como se não houvesse amanhã, quando ouviram o produtor da turnê avisar que faltavam dois minutos para as garotas entrarem em cena. Devan pegou seu baixo, Izzy sua guitarra e Charlotte suas baquetas. sentiu o ar pesar e se viu tremendo por inteiro. Luke passou seu braço sobre os ombros da garota e a acompanhou até o lado do palco onde elas entrariam. Durante o caminho, foi dizendo que ele sentia a mesma sensação que ela antes de entrar, por pura timidez, mas que, assim que punha seus pés no palco e olhava a platéia, tinha a certeza que havia nascido para aquilo e que, com ela, não seria diferente.
não era a única que estava nervosa e cada um dos integrantes do 5SOS fez questão de tentar acalmá-la e lhe dar conselhos sobre sua parte tão essencial. Mike acompanhou Izzy dizendo para que ela se entregasse à música. Calum aconselhou Devan a não pensar muito no que fazer no palco, porque essas coisas viriam com a emoção do momento. Ashton foi ensinando à Charlie um novo jeito de girar as baquetas e ajudar a aumentar o hype da plateia.
Eles pararam um do lado do outro, olharam para as garotas e desejaram boa sorte. Elas fizeram um high-five entre si e entraram no palco. Ouviram gritos invadirem seus ouvidos e não acreditaram que as pessoas estavam gritando por elas.
O que acabou contando ponto para a After Twilight foi que a banda era integralmente composta por garotas, e, considerando a fã-base da 5SOS, aquilo causou uma grande empolgação nas pessoas que estavam ali para assistir ao show.
Quando a ambientação feita por Charlie e Izzy começou a ser tocada, foi como se todo aquele nervosismo tivesse desaparecido e a emoção tivesse tomado conta das garotas. Por falar em emoção, quase chorou no momento em que começou a cantar Thoughts e a plateia sabia a música completa. Aquele, com toda certeza, era o epítome da felicidade para as garotas, e elas não queriam que aquele hype acabasse nunca mais.
Contudo, tudo chega ao fim. Assim que terminaram de tocar as sete músicas de sua setlist, saíram do palco meio correndo e só conseguiram pensar em se abraçar. Foi uma cena tão bonita que o fotógrafo da 5SOS precisou registrar aquele momento. A foto havia ficado linda por conta da genuína expressão de felicidade que as garotas sustentavam.
As meninas voltaram para o camarim onde tomariam um banho, afinal, estavam suadas. Começaram a se despir, esquecendo-se que havia apenas um banheiro no cômodo, o que resultou em quatro garotas de lingerie brincando de pedra, papel ou tesoura para saber quem entraria no chuveiro primeiro. Felizmente, ganhou e aproveitou para tomar um banho rápido, vestir a roupa confortável que havia levado e seguir direto para a lateral do palco, onde acompanharia o show de uma de suas bandas favoritas.
Quando chegou onde assistiria ao show, a banda já estava no palco e já tinha começado a tocar. Ela estava dançando ao som de She's Kinda Hot quando Ash a viu. Ficou feliz com a reação da garota e acabou se empolgando na parte que cantava, levando as fãs à loucura, incluindo . Ela amava a voz dele e queria que ele cantasse mais, mas sabia que era complicado devido a todo o esforço que tinha que fazer para tocar bateria.
Antes do final do show, precisou voltar para o camarim, pois Jeff estava a chamando. Foram avisadas de que sairiam dali e iriam direto para o aeroporto – Melbourne era bastante longe de onde estavam – e teriam o dia seguinte para curtir e comemorar o aniversário de . , que nem se importou em olhar no relógio e ver que já se passava da meia noite. Ela estava feliz com os garotos não saberem de sua data de aniversário. O que não contava era que a equipe de turnê era realmente como uma família, e eles haviam preparado um bolo surpresa para ela. Estavam na porta do camarim esperando o sinal de Jeffrey para entrar e começar a cantar “Parabéns pra Você”, quando os quatro rapazes passaram por ali e, por curiosidade, perguntaram o que estava acontecendo. Foram informados que era o aniversário de , então apenas terminaram de secar o suor que escorria e se juntaram à equipe.
quase caiu para trás quando viu o bolo e, depois, quatro pessoas ridiculamente altas cantando parabéns para ela. Olhou para as amigas e para o empresário como se perguntasse o que estava acontecendo e o porquê de estarem ali; eles não souberam responder. Também estavam surpresos e não esperavam que a equipe de turnê, que havia acabado de conhecê-las, fosse fazer algo como aquilo.
— Por que não nos disse que era seu aniversário? — Mike foi em direção à morena e deu um abraço nela para parabenizá-la.
— Porque não era — ela sorriu, doce. — Nem sabia que já passava da meia-noite. Eca, você tá suado.
— Vou te apresentar para Crystal, e nós vamos adotar você — ele disse, por achar a reação da garota fofa. Soltou-a e ela logo recebeu um abraço de Calum.
— Feliz aniversário, ! — ele disse, logo dando espaço para o próximo.
— Feliz aniversário, ! O bom é que você comemorou seu aniversário em grande estilo com um show incrível — o loiro elogiou e ela ficou sem palavras. Ele a soltou.
— Sempre deixam o baterista pro final — Ashton brincou, fazendo todos ali rirem. — Feliz aniversário, , e calma que o seu dia está só começando — disse, olhando no fundo dos olhos da garota. não conseguiu desviar o olhar dos olhos de Ashton nem um centímetro. Ele a abraçou. De todos, era o mais suado. — Eu não sabia de nada, mas provavelmente vou planejar algo legal para fazer em Melbourne — sussurrou no ouvido dela, causando arrepios.
— Obrigada, Ash — não queria soltá-lo, mas sabia que o tempo que estavam se abraçando começava a passar do tempo de um abraço normal. — Obrigada a todos, eu não esperava por isso.
A 5SOS seguiu de volta para seu camarim, enquanto a After Twilight mal teve tempo de comer e estavam correndo para o aeroporto. Esses dez dias de turnê na Oceania seriam uma loucura e só um aquecimento do que viveriam na América.


Capítulo 3

— Por que eu tenho a impressão que, sempre que te vejo, você parece estar morrendo? — Calum entrou na academia do hotel e viu de joelhos no chão, implorando por misericórdia ao personal trainer que ria.
— Não sei, mas agora estou morrendo de verdade — ela falou e jogou a cabeça para trás, para encarar o rapaz.
— Vem, levanta — ele ofereceu a mão a ela, que levantou ainda com dificuldade.
— Eu odeio atividade física — estava realmente tentando se manter de pé, mas suas pernas estavam doendo. — Minhas pernas estão tremendo e não é nem por algo bom. Não consigo me equilibrar direito — soltou sem querer, logo se arrependendo ao ouvir Calum gargalhar. Sabia o quão ambígua a frase tinha sido.
— Ok, preciso concordar com você nisso — ele respondeu. A garota não sabia onde enfiar a cara. — E aí, o que vai fazer hoje? — tentou mudar de assunto.
— Provavelmente, passar o dia com as meninas e, talvez, dar uma volta na cidade, quem sabe…
Cal a analisou. Não imaginava que a garota fosse querer aproveitar seu aniversário dentro de um quarto de hotel.
— Nah, chato demais. Aposto que já tem um certo alguém planejando algo — Calum mandou a indireta para a garota. Ela sabia de quem ele estava falando, mas preferiu se fazer de desentendida.
— Cal, para de enrolar e vem treinar de uma vez — Jason, o personal trainer, chamou.
— Essa é minha deixa — estava aliviada de que a sua conversa havia sido interrompida.
deixou a academia do hotel e foi em direção ao elevador. Torceu para que não se deparasse com ninguém importante. E esse alguém tinha um par de olhos avelãs e covinhas nas bochechas.
Quando abriu a porta de seu quarto, não encontrou Charlie. Pouco se importou, a amiga deveria ter ido visitar algum ponto turístico na cidade. Entrou no banheiro para tomar banho, abriu o Spotify e deixou que tocasse no aleatório. Ao sair do banheiro de toalha, viu uma caixinha em cima da cama. Estava curiosa, mas preferiu se vestir antes de abri-la. Colocou um short jeans e uma camiseta qualquer, afinal, não tinha planos para sair do quarto. Sentou-se na cama e puxou a caixa para perto de si, notando que havia um cartão ali.

“Espero que goste do presente. Sendo sincero, não tinha ideia do que comprar para você, então optei por algo que você possa carregar sempre contigo, ou então usar com frequência.”
Ash :) X

A garota estava chocada com o presente. Se ela já não esperava nada de suas amigas, imagina do rapaz. abriu a caixinha e viu uma gargantilha dourada com diversas estrelinhas espalhadas pela correntinha delicada. Sorriu ao ver que, bem na estrelinha do meio, havia a inicial da garota desenhada, não muito marcada para não chamar atenção.
Era linda.
gostaria de ter o número de Ashton para agradecer o presente, mas, como não tinha, apenas devolveu-o para a caixinha e guardou-a dentro de sua mala.
Charlie voltou para o quarto e perguntou à amiga o que ela gostaria de fazer. A garota respondeu que queria fazer uma festa do pijama. Algo intimista para comemorarem não só a chegada de seus 23 anos, mas o novo rumo que suas vidas estavam finalmente tomando. Charlotte concordou e avisou a Izzy e Dev que passassem em algum mercado e comprassem algumas besteiras e álcool. Elas pediriam sim o serviço de quarto, mas não abusariam, pois sabiam que o valor era absurdo e elas já geravam despesas demais.
A noite trouxe Devan e Izabella ao quarto de Charlie e , e, com isso, começaram as comemorações. Charlie foi a primeira a abrir a garrafa de tequila e virar um shot, seguida por Izzy e Dev. Por último, .
As garotas decidiram abrir suas malas e começarem a se vestir como se fossem modelos de lingerie. Charlotte vestiu uma camisola de cetim azul com algumas rendas. Devan vestiu um conjunto vermelho com cinta-ligas e meias ⅞, mas, como o ar-condicionado do quarto estava ligado, estava com um roupão branco por cima da roupa. Izabella estava com um body rendado verde, pois combinava bem com seus olhos e ficava lindo, mas também estava com frio, então estava enrolada em outro roupão. estava com uma calcinha box rendada preta, e, por cima, tinha uma espécie de camisola que tapava seus seios, mas tinha seu tecido transparente. Colocaram uma música num volume moderado e começaram a desfilar pelo quarto como se estivessem no desfile da Victoria's Secret.
Ouviram batidas na porta e estavam crentes de que era o serviço de quarto trazendo a comida que tinham pedido.
— Eu atendo — Izzy se adiantou, fechando o roupão. — Foi bem rápido, não tem nem dez minutos que nós ped… — a garota parou de falar ao se deparar com Calum e Ashton parados ali. — , acho que é pra você — a garota deu espaço para que eles entrassem.
A cena foi catastrófica: Charlie se jogando atrás de uma das camas, Devan fechando o roupão na maior pressa e se embolando com a faixa, tentando puxar o edredom da cama e quase caindo no chão. Além disso, as reações de Calum e Ashton foram impagáveis. Eles haviam entrado sérios no quarto, antes de saber o que estava acontecendo ali dentro. Quando perceberam, deram um sorriso de lado e viraram de costas para a parede.
— Sejam sinceras, o que vocês estavam fazendo? — Cal soltou, balançando a cabeça negativamente. As garotas tentaram responder, mas nenhuma conseguiu falar nada. Depois de um curto período de silêncio, ele voltou a falar: — Eu te disse, , que algo estava sendo planejado.
As meninas se tamparam com edredons e avisaram que podiam virar de volta.
— Viemos chamar vocês para comemorar o aniversário de no bar do hotel — Ash começou a falar. — Luke está se arrumando, Mike precisa ligar para Crystal e não vai. Quanto tempo vocês precisam para se arrumar?
— Isso é um convite ou uma... — Izzy se aproximou das amigas.
— Pra vocês três é um convite. Pra … Ela vai com a gente até enrolada nesse edredom — Calum soltou.
Ash se pegou pensando no que a garota usava. As garotas se entreolharam.
— Uma hora — disse, por fim.
Os rapazes assentiram e avisaram que voltariam em uma hora.
Izzy e Dev optaram por não ir, afinal, estavam cansadas de todo o turismo que haviam feito durante o dia. Se despediram das amigas e foram para o quarto em que estavam hospedadas.
e Charlie se apressaram em achar algo decente para usar. Charlotte vestiu uma calça cargo preta de cintura alta e uma cropped decotada vermelha; nos pés, calçou um coturno também preto. colocou sua querida saia de couro preta e um body também preto com um decote generoso; nos pés, uma sandália alta básica e, para finalizar o look, a gargantilha que Ashton havia a dado, além de alguns outros acessórios dourados.
Enquanto isso, Ash e Calum batiam na porta de Luke. Luke que já deveria estar pronto, mas não estava, e culpava seu cabelo por isso.
— Eu respeito mulheres e tudo, mas mataria para saber o que elas estavam fazendo naquele quarto — Calum abriu o minibar de Hemmings e tirou duas cervejas de lá, entregando uma a Ashton.
— Elas só estavam de lingerie, Calum, se controle — Ash soltou, segurando o riso. Ele estava na mesma situação que o amigo.
— Do que estamos falando? — Luke parou na frente dos amigos, ajeitando o cinto de sua calça.
— As meninas estavam no quarto com música alta e todas vestindo lingerie — Hood começou. — Quando Izzy abriu a porta, pensei “ok, ela está de pijama e não quer mostrar”, porque estava de roupão…
— As outras três devem ter matado ela quando saímos de lá — Ash deu um gole em sua cerveja. — São esses os momentos que você perde por estar ocupado sendo uma diva, Luke.
O loiro revirou os olhos. Os três eram, de fato, muito respeitosos com as mulheres, mas isso não os fazia inocentes.
— Aposto que Ashton ficou imaginando o que tinha debaixo daquele edredom — Hood alfinetou o amigo.
— Como coisa que você não, né — Ash tentou enganar o amigo, mas ele o conhecia bem demais.
— Até eu estou imaginando e nem vi o que vocês viram — Luke soltou, fazendo com que os amigos rissem.
Os três passaram mais algum tempo conversando e rindo de bobagens como sempre faziam e, quando olharam no relógio, viram que estava na hora de bater na porta das garotas.
Charlie abriu a porta e Luke a olhou por inteiro. Ela estava linda. Ele adorou o fato de ela não estar usando tanta maquiagem. Não sabia se era pelo tempo que havia tido para se arrumar ou pela garota não ter o hábito de usar um milhão de coisas em seu rosto. Ele estava encantado.
Calum percebeu e pegou o celular para se entreter. Sentia como se estivesse de vela ali. Ashton teve sua atenção toda direcionada à e em como a roupa da garota combinava com a sua. O pensamento de que dariam boas fotos caso fossem flagrados por paparazzi cruzou sua mente e ele segurou o riso. Viu que a garota usava o colar que ele havia dado, e isso fez a noite dele.
Os cinco desceram para o bar. Ashton tomou a frente ao chegar na porta e informou que havia reservado uma mesa. O maître os levou até uma das últimas mesas daquele bar e os deixou ali. e Charlie sabiam que estavam tão “escondidos” para evitar qualquer tipo de rumor desnecessário. Não que acreditassem que não fosse acontecer, porque iria. Afinal, as pessoas parecem não acreditar que homens e mulheres podem ser amigos.
Começaram a beber com um shot de uma bebida que as garotas não conheciam, e, depois, Charlie e os garotos pediram cervejas. não era muito fã de cerveja, por isso pediu um coquetel qualquer.
— Ainda não acredito que você ia passar seu aniversário dentro do quarto — Calum disse, bloqueando o celular.
— Por que não nos disse nada? — Luke apoiou os cotovelos na mesa para olhar .
— Não queria que vocês se preocupassem com isso, e já é costume comemorar essa data só com as meninas.
Charlie rolou os olhos.
— Já conversamos sobre isso, , vocês não nos incomodam — Ashton deu um gole em sua cerveja. — E eu estava realmente curioso para saber o que ia acontecer naquele quarto.
A garota arregalou os olhos involuntariamente. Ainda estava com vergonha.
— Acredite, você não gostaria de saber — Charlie puxou , abraçando-a como se fossem um casal, o que deixou os três rapazes em choque. Eles não esperavam essa reação.
— Ok, se vocês estão dizendo… — Calum levantou os braços, rendido.
As garotas se soltaram.
— Eram só amigas se divertindo, nada além disso — disse e deu um gole em seu coquetel. — Nós fazemos isso às vezes. Nos juntamos e nos divertimos.
Charlie sabia o quão ambíguo aquilo tinha soado, e isso foi comprovado quando Calum começou a rir e pegou o celular outra vez.
— Por que você parece que tem um lugar melhor para estar? — Ashton perguntou diretamente ao amigo.
— Porque ele está conversando com a Melissa — Luke respondeu.
— E quem caralhos é Melissa? — Ash perguntou, soando óbvio.
— É uma garota que eu tô conversando, ok? — Hood respondeu. — Nem tudo preciso contar pra vocês.
Luke deu uma risadinha e tornou a encarar as garotas.
— Então, como foi a primeira experiência de vocês?
As garotas responderam que tudo estava sendo fantástico. Havia sido a primeira vez que se apresentavam para uma plateia daquele tamanho. Foram informadas que se apresentariam para públicos maiores quando chegassem na América do Norte, mas que não precisavam se preocupar, pois tudo daria certo.
Conversaram por algumas horas sobre assuntos aleatórios e riram das piadas que Ashton fez durante a noite. Foi um momento agradável.
Calum decidiu ir para o quarto e foi alvo de zoação entre os amigos que o acusaram de estar praticando sexting, afirmando que esse era o motivo de se recolher. Charlie pediu para que Luke tirasse uma foto dela com , e ele pegou o celular da garota para bater a foto. Charlie e entrelaçaram os braços para beber seus drinks. com seu copo de líquido colorido e Charlie com sua long neck de Heineken. começou a rir, assim como Charlie, e foi nesse momento que elas viram o flash piscar. A foto havia ficado linda, bastante espontânea, e não precisou de nenhuma edição. Charlotte logo postou em seu Instagram com a legenda: “Me and ma bih.”
Luke, que já estava bêbado, começou a reparar um pouco mais em Charlie. Com álcool em seu corpo, ele se tornava menos tímido, e essa seria a saída para, quem sabe, ter algum momento a sós com a garota. Parte de sua consciência dizia que era errado, ainda mais sabendo que passariam muito tempo juntos na América. Mas a outra parte dizia algo como “você só vive uma vez”. Decidiu que precisava de outro drink, e foi aí que viu a abertura para convidar Charlie para ir até o bar.
— O que vocês acham de mais uma rodada? — Luke disse, chamando atenção de todos ali. O loiro direcionou o olhar para a dona dos cabelos pretos. — Charlie, você me ajuda? A garota, que já estava bastante alterada, assentiu, e os dois saíram em direção ao balcão do bar.
Em resumo, nenhum deles estava em seu estado mais normal. A diferença era clara entre Ash e , os únicos que restaram na mesa. Ele parecia sóbrio, e estaria num estado de sobriedade maior que o de com certeza, já que ela era um “peso leve”. A garota pegou seu celular e viu uma mensagem de sua mãe lhe desejando feliz aniversário. Aquilo a fez sorrir e Ash achou seu sorriso adorável. Bloqueou a tela e encarou o rapaz à sua frente.
— Ash, eu ia te agradecer pela gargantilha mais cedo, mas não tinha seu número e não te achei em lugar nenhum — soltou, surpreendendo-o.
— Não seja por isso — ele pegou o celular da garota e apontou para o rosto dela, desbloqueando-o. Agradeceu por ela ter a opção de desbloqueio facial ativada, caso contrário, seria só um idiota apontando o celular para o rosto de uma garota. Digitou os algarismos e salvou o contato como “The Best Drummer”.
— Você vai ter problemas com a Charlie — disse ao ver o nome do contato. Abriu as mensagens e digitou uma frase. Logo em seguida, Ash sentiu o celular vibrar em seu bolso.
“Oi, obrigada pela gargantilha. x” — ele leu em voz alta e soltou uma gargalhada.
— Nem tinha necessidade, mas era só pra você ter o meu número também — a garota brincou com o canudo de seu coquetel.
Ele não acreditava que ela estava dando em cima dele. Provavelmente era efeito do álcool, mas ele estava adorando.
— Ter seu número era uma necessidade sim — ele resolveu entrar na onda.
— Se você diz… — ela sugou um pouco mais de seu drink olhando nos olhos de Ashton, que não conseguia tirar os dele da garota. Estava vidrado em cada movimento que ela fazia.
— Gente — Luke apareceu, quebrando o clima —, a Charlie pediu para eu acompanhá-la até o quarto. Ela não está bem.
— Não é melhor que eu vá com ela? — a morena perguntou, confusa.
— Não, eu a levo, não se preocupa — Luke segurou a mão de para acalmá-la. Deu duas batidas no ombro do amigo e saiu dali.
— Acho melhor nós irmos também — sugeriu.
— Podemos ir ali na varanda antes? — Ash apontou para uma porta de vidro. concordou confusa e o seguiu. Ash só queria observar as luzes da cidade e relaxar um pouco, por isso tirou um cigarro do bolso e logo o acendeu.
Era um lugar lindo. Era um lugar aberto, mas bem mais escuro que o interior do bar. Ash olhou a parte da cidade que era visível dali e deu um suspiro longo. Ele se sentia em casa, mesmo não estando em Hornsby. A sensação de estar na Austrália e não nos Estados Unidos era maravilhosa.
percebeu o momento que Irwin estava tendo e se aproximou dele, apoiando sua cabeça em seu braço. Ela sabia o que era sentir saudades de casa. não era de Los Angeles, e sim de São Francisco. Foi parar em L.A. em seu último ano do Ensino Médio quando estava fazendo curso preparatório para entrar na UCLA, o que nunca aconteceu. Ela decidiu permanecer em Los Angeles, afinal, havia acabado de montar uma banda com suas amigas. No início, sua mãe surtou um pouco, mas logo entendeu que era a vontade da filha e a apoiou. Obviamente, sua mãe gostaria que ela tivesse seguido os passos da irmã e decidido cursar a faculdade, mas ela tinha outros planos para sua vida.
, algumas vezes, deu dor de cabeça à sua mãe pois nunca foi santa. Experimentou tudo o que a vida lhe proporcionou experimentar: drogas, álcool, sexo desregrado, e, por mais que tudo não tenha passado de um grande experimento, às vezes a garota ainda ia em festas e usava algumas coisas. Em seu aniversário de 21 anos, fez uma festa com a temática neon, e foi a primeira vez que a garota pôde beber sem ir contra a lei. adorava se juntar com as amigas e se divertir com alguns drinks.
Ash passou a mão pela cintura de , puxando-a para mais perto. Fez um carinho curto ali e a olhou, vendo-a observar as luzes da cidade. Seria o momento perfeito para beijá-la, mas decidiu esperar um pouco mais. Além de nenhum estar em seu estado de sobriedade, ele queria conhecê-la e ter certeza que, se algo não desse certo entre os dois, nada mudaria. Afinal, a turnê estava só começando, e o que menos precisava agora era lidar com problemas que envolvessem romance e sua opening act. Ele depositou um beijo carinhoso nos cabelos da garota e a chamou para subir para seus quartos.
— A noite foi incrível, Ash — ela agradeceu ao saírem do elevador.
— Foi a sua noite, . Espero que tenha aproveitado — sorriu para a garota, mostrando suas covinhas.
— Aproveitei sim.
O efeito alcoólico começava a passar, e ela estava com vergonha de como havia se comportado. Olhou para o chão e parou na frente de seu quarto.
— Bom, agora, durma bem. Amanhã vai ser um dia agitado, e, após o show, vamos partir direto para Sydney — ele se aproximou da garota um pouco mais. sentiu seu coração perder o compasso das batidas. — Boa noite — deu um abraço na garota e um beijo em sua testa.
— Boa noite, Ash — virou-se, abrindo a porta e se deparando com um quarto vazio. Onde estava Charlie?
Bom, Charlie estava apagada na cama de Luke, mas apenas por não ter conseguido achar o seu cartão-chave. Aquilo havia a feito discutir com Luke por longos e cansativos dez minutos sobre o que fariam, porque ela não queria atrapalhar o momento da amiga. Quando Luke resolveu o problema, começou outra mini-discussão sobre quem dormiria na cama. No fim, os dois chegaram à conclusão de que ambos eram adultos e conseguiriam passar uma noite juntos sem nada acontecer.


Capítulo 4

Charlotte acordou confortável. Por algum motivo, sua cama parecia mais aconchegante. Sentiu sua cabeça doer e com dificuldade abriu seus olhos devagar. Não reconheceu o quarto, ele era diferente do seu. Lembrou-se que havia dormido no quarto de Luke. Sentiu um braço em sua cintura e um calor em suas costas. Luke estava ali, e eles estavam dormindo de conchinha.
O coração de Charlie parou por alguns segundos. E se algo a mais tivesse acontecido? Ela estava bêbada, sim, mas não a ponto de esquecer o que havia acontecido, certo?
Se mexeu devagar e parou numa posição para que conseguisse observar o garoto. Ele tinha uma expressão serena e conseguia ficar ainda mais bonito do que sempre esteve. Seus cabelos loiros estavam bagunçados, com algumas mechas soltas e caídas sobre seu rosto. Era ridícula a tamanha beleza que Hemmings tinha, mesmo sem se esforçar para isso.
Com medo de parecer estranha por encará-lo enquanto dormia, Charlie tirou devagar seu braço de sua cintura e se levantou. Procurou seu celular e sua bolsa para enfim deixar o cômodo. Imaginou que devia estar preocupada com seu sumiço e teria algumas perguntas para fazer, mesmo estando com zero vontade de respondê-las. Girou a maçaneta da porta e, ao abri-la, deu de cara com Michael.
— Charlotte? — ele a encarou com uma expressão confusa, e, depois, olhou o número do quarto para ter certeza que estava no lugar certo.
— Mike, bom dia — ela deu um sorriso amarelo. Sabia o que Clifford estava pensando naquele exato momento. — O Luke ainda tá dormindo, mas você pode acordá-lo. A garota queria sumir.
Michael assentiu e entrou no quarto dizendo baixinho, mas ainda assim audível por Charlotte: “Espero que esteja vestido.”


🎶🥁🎤


entrou num quarto do hotel e riu pela quantidade de colchões pelas paredes. Sabia que aquilo era para isolar o som, mas não deixava de ser engraçado. Estava na hora de sua sessão de canto que poderia ser considerada uma aula, já que a garota nunca havia frequentado uma. Lizzie era a técnica vocal da 5SOS, mas a After Twilight também teria acesso a isso, pois os garotos queriam que as meninas tivessem a experiência completa de se estar em tour… E quem sabe não ganhassem um contrato ao final? Essa era a única coisa que eles não poderiam oferecer a elas.
— Bem-vinda, . Sou Lizzie e vou te acompanhar aqui e na América! — a moça de cabelos roxos disse. — Adoraria conversar e conhecer mais de você, mas vamos fazer alguns aquecimentos primeiro?
A morena concordou e logo começou a sequência de “la la las” em escalas, desde a mais grave, até a mais aguda.
— Bom, agora preciso saber qual a sua extensão vocal…
— Sendo sincera, Lizzie, fico entre Soprano e Mezzo-Soprano, nunca sei ao certo — disse, meio contraída. Ela conseguia cantar notas agudas com bastante facilidade, e estava trabalhando para melhorar seus graves.
— Então, vamos descobrir agora!
Lizzie sentou-se novamente próximo ao seu notebook para dar play no instrumental de piano, já que não era possível ter o instrumento dentro de um quarto de hotel. Lizzie partiu de fá segunda até dó quinta e conseguiu medir a extensão vocal da garota.
— Você realmente é uma Mezzo-Soprano e tem tendência lírica, então podemos trabalhar nisso para sua voz soar mais suave — a jovem disse, com um brilho nos olhos. — Até que enfim uma voz feminina para eu trabalhar! — exclamou e se jogou na cama, fazendo rir. — Nada profissional, me desculpa — se levantou, se recompondo.
— Não se preocupe com isso, é mais divertido assim — deu de ombros, e logo retomaram a aula.
Lizzie fez com que trabalhasse sua respiração, tanto quanto seus melismas e vibratos. Além disso, tentou ensinar a garota a fazer belting, mas elas acabaram mais rindo do que praticando de fato. As duas decidiram deixar para praticar belting quando estivessem em aulas mais avançadas e com mais técnica. Afinal, aquilo não passava de “cantar gritando” afinado e, se feito errado, poderia causar diversos danos à voz de quem canta.
— Lizzie, cheguei! — Luke entrou na sala e encontrou e Lizzie rindo. — Ah, não sabia que o horário de não havia terminado. Posso voltar depois…
— Não, Luke, preciso de você aqui, agora — Lizzie soltou. — São os últimos minutos de e eu quero testar a harmonia dela.
— Ótimo — o loiro se aproximou das garotas.
— Bom, vocês vão cantar Mad World do Gary Jules.
Os dois assentiram. Aquela música era um ícone, claro que conheciam.
— O Luke começa e tem o primeiro refrão sozinho. Então vem . Depois disso, vocês se juntam no último refrão. canta as notas agudas, e Luke, as graves. Ah, e sempre que tiver as palavras “Mad World”, vocês cantam juntos também — passou as instruções.
O playback começou a tocar e Luke abriu a música. ainda não acreditava que estava prestes a cantar um dueto com ele. Estava tão concentrado, e era tão incrível ver como ele levava tudo o que tratava de música a sério. A garota sabia que ele tinha algumas harmonias para fazer nas suas músicas e entendeu o motivo de ele ficar tão sério para isso.
Quando ouviu sua voz se misturar com a do garoto, tomou um susto. Não esperava que sua harmonia desse certo de primeira, mesmo tendo o hábito de treinar com suas amigas, afinal, elas também harmonizavam em alguns momentos. era a lead singer da banda e as meninas cantavam alguns trechos, mas não muitos. Elas também faziam algumas harmonias quando necessário.
Quando a música acabou, Luke encarou com o maior sorriso, como se dissesse “parabéns, você foi ótima”. A garota, num ato involuntário, deu um abraço nele, que retribuiu. Ela sentia que estava se aproximando do loiro e que poderiam ser bons amigos.


🎶🥁🎤


O show foi um completo sucesso. O que preocupava as garotas era a viagem até Sydney. Eles precisavam chegar o quanto antes na cidade e estavam a oito horas e meia de distância. Os voos da noite já haviam sido encerrados, restando apenas os da madrugada, e o próximo era por volta de três da manhã. Então, todos ficariam por algumas horas no aeroporto.
Não tinha como negar, as estadunidenses estavam exaustas. Toda a mudança de data e horário mexia com suas cabeças, afinal, um novo dia estava prestes a começar na Austrália, enquanto o dia “anterior” ainda estava só começando em Los Angeles.
As duas bandas, uma equipe responsável pela logística e alguns seguranças chegaram ao aeroporto pouco tempo após meia-noite. Enquanto suas bagagens eram despachadas, as bandas foram direcionadas para uma sala especial para evitar qualquer tipo de tumulto naquela madrugada. Enquanto os quatro rapazes da 5 Seconds Of Summer estavam entretidos numa conversa animada sobre alguns momentos específicos de seu show, Devan e Izabella estavam sentadas no sofá calculando que horas eram em L.A., afinal, precisavam falar com suas famílias, mas logo cochilaram. Enquanto isso, Charlie estava sentada no chão, e deitada em seu colo.
, por um lado, estava feliz que ninguém de sua família tivesse entrado em contato… mais especificamente seu pai. e seu pai não tinham um relacionamento bom. Mal se viam, visto que ele morava no Brasil. A pior fase da vida da garota foi quando ela passou dois anos no país. Não que odiasse sua família brasileira ou a cultura local, longe disso, mas seu pai era quem fazia o inferno acontecer na Terra. Além de conservador, ele era uma pessoa muito fechada e reservada, e isso fez com que não tivesse abertura para conversar e criar laços com ele. Se não fosse por alguns tios e primos, a garota estaria completamente sozinha em um país onde não sabia nem dar “bom dia”. Por sorte, sua família fez questão de ensinar a língua à , que aprendeu bem rápido. Além disso, os únicos momentos em que o pai conversava de fato com a garota era quando precisava de algo, ou quando simplesmente decidia brigar com ela a troco de nada. já tinha perdido as contas de quantas vezes havia ido dormir chorando por ter recebido ofensas gratuitas do homem que deveria ser seu herói. Seu pai não era o maior fã de sua carreira artística, e, por isso, não perdia tempo em dizer algo ofensivo toda vez que entrava em contato com a garota. Inclusive, ela já pensava em algumas ofensas que poderiam sair da boca dele quando soubesse que a After Twilight estava em turnê na Austrália.
fechou os olhos enquanto Charlie mexia em seus cabelos. Tentava esquecer tudo o que estava passando por sua cabeça quando sentiu seu celular vibrar, e o nome de seu pai aparecer brilhando na tela.
Era isso, não tinha jeito.
? — ouviu o tom rude do outro lado da linha.
— Oi, pai — a garota disse em português.
Suas amigas já estavam acostumadas com essas ligações, mas, ao ouvir a garota falando em outra língua, os quatro membros da 5SOS voltaram sua atenção para a morena.
Sua mãe me disse que está na Austrália, então foi difícil calcular um horário para te ligar estranhou a forma com que seu progenitor falava.
— Não tem problema…
Houve uma pausa curta e a garota se levantou para continuar a ligação. Estava nervosa e, quando estava nervosa ao falar no telefone, andava de um lado para o outro para tentar se acalmar.
Só liguei pra te dar parabéns. Atrasado, eu sei, mas as condições não foram favoráveis — ele deu um riso anasalado. Aquela ligação estava muito estranha.
— Obrigada, mesmo atrasado significa muito que o senhor tenha lembrado — foi sincera.
De todas as pessoas do mundo, ele era a única que ela jamais imaginasse que fosse lhe desejar um feliz aniversário.
Mas, afinal, o que você está fazendo aí?
Foi então que se tocou. Ele não havia feito nenhum comentário maldoso porque não sabia o que estava acontecendo.
— Ah, estou em turnê com a After Twilight… Somos a banda de abertura de outra maior — tentou esconder ao máximo que a tal banda maior era composta apenas por homens.
E qual é essa banda? Eu conheço? — insistiu.
tinha a opção de mentir, mas odiava mentiras e isso iria totalmente contra sua educação.
— Acho que não, é com a 5 Seconds Of Summer.
Charlie notou pela cara da garota que ela já esperava algo ruim.
Aquela banda de garotos? — ele gargalhou. — Agora entendi tudo…
— Como assim?
Charlie viu a amiga ficar completamente sem expressão e já estava preparada para socorrê-la caso necessário. Tratou também de acordar Dev e Izzy, afinal, a tempestade estava prestes a começar. Enquanto isso, tentou sair da maldita sala, mas foi barrada por um dos seguranças.
Vocês não teriam talento e reconhecimento para fazer uma turnê pela Austrália. Mal sei como conseguem fazer shows naquele bar em Los Angeles…
Os olhos da garota se encheram de lágrimas. Michael, Luke, Calum e Ashton estavam assustados com a situação, e, quando observaram a reação de Charlotte, ficaram mais confusos ainda.
Com quantos deles você já precisou dormir para estar onde está?
E essa foi a cereja no bolo. As lágrimas começaram a escorrer por sua bochecha e ela mexeu a boca algumas vezes, mas nenhum som saía para responder o seu progenitor.
I gotta go — foi tudo o que saiu de sua boca.
Charlotte tomou o celular de sua mão, desligando-o. Ela quase nunca falava em inglês com ele, mas aquela frase havia sido completamente involuntária.
Os quatro garotos que estavam na sala se levantaram assustados com o que haviam acabado de presenciar. Charlie abraçava a amiga, que chorava em seu ombro. Os garotos fizeram menção de se aproximar, mas não chegaram perto, pois Izzy e Dev fizeram sinal para que não o fizessem.
Charlotte puxou a amiga para o banheiro que havia na sala e, ali, contou o que seu pai havia dito. Charlotte não costumava odiar ninguém, mas, naquele momento, seu sangue ferveu. Tudo o que ela queria era que ele estivesse ali para que conseguisse dar ao menos um tapa no homem. Se ele tinha um hater, esse hater com certeza era Charlotte.
Charlie acalmou a amiga, mas sabia que ela ficaria para baixo ao menos pelas próximas vinte e quatro horas. Contaria a Izzy e Dev quando estivessem sozinhas, pois não queria fazer com que a amiga revivesse aquele momento horrível, e sabia que fariam de tudo para animá-la.
Charlie saiu do banheiro, deixando a amiga arrumar a maquiagem que ainda estava em seu rosto, e foi bombardeada por perguntas dos quatro rapazes. Primeiro, queriam saber que língua era aquela e por que não estava falando em inglês. Charlie explicou sobre as raízes brasileiras da garota e eles entenderam. Depois, queriam saber o motivo do choro, e claramente ela não diria o que de fato havia acontecido. Mas resumiu a história com um simples “ela e o pai não se dão bem, ele é um machista escroto e, hoje, passou dos limites mais uma vez”.
Quando saiu do banheiro com a pior cara possível, o clima estava pesado e ela se sentiu mal novamente. Tinha acabado com a felicidade de estar em tour e era só o terceiro dia na estrada. Claro que Ashton percebeu essa reação da garota e começou a fazer piadas sobre qualquer coisa que passasse em sua cabeça. Se ele tirasse um sorriso de , sua madrugada estaria completa.
O horário do embarque finalmente chegou e, em poucos minutos, todos já estavam em seus devidos lugares dentro do avião. Era um voo curto, de pouco mais de uma hora. Mas, ainda assim, todos aproveitariam para dormir.
não conseguiu pregar os olhos um minuto sequer. Foi todo o caminho olhando a escuridão pela janela do avião. Se as luzes não estivessem apagadas, provavelmente estaria rabiscando alguma coisa em seu caderno. Mas preferiu não acender a luz de sua poltrona e chamar a atenção de alguém.
Ao chegar em Sydney, entraram todos numa única van e seguiram para o hotel que ficariam. O check-in foi feito rapidamente e logo a garota estava tomando banho para tentar dormir.


🎶🥁🎤


O primeiro dia em Sydney passou como um borrão, tanto para as meninas quanto para os meninos. Para elas, lidar com no seu momento de tristeza havia sido desgastante, mesmo já estando acostumadas com isso e com a garota tentando disfarçar o que estava sentindo.
No palco, ela se doou de uma forma absurda, e quem não a conhecesse de verdade jamais diria que tinha passado o dia inteiro isolada de tudo e de todos. Sabia bem esconder o que sentia, e essa era a coisa que mais tinha orgulho em si mesma. Não que tivesse problemas em falar sobre seus sentimentos… Às vezes, ela simplesmente não gostava de toda a complicação que isso trazia, e se deixar afundar neste momento poderia prejudicar qualquer futuro que a After Twilight pudesse ter, ainda mais quando estava tão grata por poder ter aquela experiência maravilhosa.
Já os garotos da 5SOS passaram o dia cumprindo sua agenda. Seguiram para estações de rádio, algumas entrevistas para revistas, gravaram para alguns programas de TV e chegaram no Opera faltando uma hora para entrarem no palco.
Onde todos se encontravam agora? Aguardando uma van para os levarem de volta ao hotel.
— Preciso beber — disse para as amigas. — Não quero saber se vocês vão estar cansadas ou algo do tipo. Amanhã a gente vai sair — apontou o dedo para as três companheiras de banda.
— Amiga, a gente tem um show amanhã, você lembra? — Devan tentou lembrá-la.
— Claro que lembro, eu também vou estar nele — respondeu e Izzy segurou o riso.
— Para de ser chata, Devan, eu também quero sair… — Izzy abraçou pelos ombros.
— Você já pediu permissão à Emily? — Charlie alfinetou a amiga. Detestava a namorada de Izzy.
— Não preciso pedir permissão a ninguém.
As outras três se encararam.
Trouble in paradise? — Charlie perguntou interessada.
— Não quero falar sobre isso, principalmente aqui e agora — Izzy não estava num momento bom em seu relacionamento. Talvez, por isso, andasse tão afastada de suas amigas.
— Tudo bem, se você está falando…. — Dev disse para pôr um fim na conversa.
— Ei, bonitões, o que vocês sugerem para uma noite australiana? — Charlie chamou atenção dos quatro rapazes.
— Vocês pretendem sair? — Mike começou. — Não vai rolar…
— E por que não? — Izzy cruzou os braços.
— Sydney não é igual a Los Angeles. Aqui, os bares e baladas fecham à uma da manhã — Calum explicou, calmo. — E vamos sair daqui por volta da meia-noite, então…
As garotas estavam frustradas. Elas tinham se animado de sair, mas teriam que adiar para o day-off que se aproximava. Chegaram ao hotel, seguiram para seus quartos e capotaram.


🎶🥁🎤


As garotas acordaram tarde no dia seguinte e foram direto para o Opera fazer a passagem de som da segunda noite de shows. Passaram toda a setlist e deixaram a música que mais odiavam para o final. Não podiam descartá-la, porque não tinham muitas composições, e esse era um dos requisitos para abrir a turnê da 5 Seconds Of Summer: tocar apenas canções autorais. Não que This Is Me Breakin' Up With U fosse uma música ruim, mas elas escreveram juntas quando tinham 18 anos. Já não representava mais quem eram.
Deixaram o palco conversando sobre algumas ideias conceituais que haviam tido para compor canções novas, quando foram paradas por uma menina loira.
— Vocês que estavam tocando no palco? — perguntou.
— Sim, por quê? — Charlie respondeu, tranquila, mas já olhando ao redor para chamar um segurança, mesmo conseguindo notar a credencial enorme pendurada em seu pescoço.
— Meu Deus, vocês são muito boas! — ela se animou. — Posso tirar uma foto?
— Claro que sim — Izzy sorriu, enquanto a garota parou um técnico de som e pediu para que batesse a foto. Aquela era a primeira vez que alguém pedia foto da banda. — Aqui, fica no meio.
Deram espaço e a loira se pôs ali.
— Muito obrigada. Agora posso dizer que conheci vocês bem no início da carreira — ela sorriu ao guardar o celular. — Meu irmão tinha dito que vocês eram uma banda boa, mas não tinha acreditado muito até ouvir vocês ao vivo.
— Seu irmão? — Devan franziu o cenho em confusão.
— Sim — ela confirmou. — Desculpem, nem me apresentei. Sou Lauren, irmã do Ashton.
— Sou Charlie, e essas são Dev, Izzy e — a cacheada apresentou o grupo.
— Me diz, Lauren, o que tem pra fazer nessa cidade? — perguntou curiosa, enquanto as outras três rolaram os olhos.
— Não desistiu disso ainda, ? — Izzy soltou. — Boa sorte, Lauren. Ela vai te alugar por horas com alguma ideia maluca.
A loira riu enquanto as outras três garotas deixaram as duas ali sozinhas.
— Bom, isso depende… Vocês vão ficar aqui por quanto tempo? — Lauren perguntou à .
— Até terça. Depois, vamos para Newcastle — explicou.
— O que você acha então de irmos à praia amanhã? — Lauren entrelaçou seu braço no de e começaram a caminhar rumo ao camarim das meninas.
— Acho uma ideia bem válida, mas seu irmão…
— O que tem eu? — Ashton apareceu no corredor, assustando as garotas.
— Credo, assombração. Achei que nem estava aqui — Lauren respondeu, se recuperando do susto.
— Enfim… — voltou a falar e a olhar para Lauren. — Seu irmão não tem nada planejado?
— Não, a gente já almoçou junto ontem e, quando acabar a parte australiana da turnê, ele vai ficar aqui por alguns dias… Ele não vai morrer se eu ficar um dia longe — ela rolou os olhos.
, você está roubando minha irmã de mim? — Ash cruzou os braços e se escorou na parede.
— E se eu tiver…? — ela rebateu, semicerrando os olhos e entrando na brincadeira.
— Não posso fazer nada além de te desejar boa sorte… Lauren — respondeu, segurando o riso.
— Me sinto atacada — começou. — Você é um idiota.
Ele bagunçou os cabelos dela. Lauren observava atentamente cada olhar trocado, cada palavra que saía da boca de ambos, e não conseguiu deixar de notar a química que tinham.
— Agora mesmo que vou sair com ela. Amanhã à tarde a gente se encontra onde?
— No hotel, e aí a gente vai juntas até a Bondi Beach — Lauren sorriu. — Pode ser por volta das duas da tarde?
A vocalista assentiu.
— Ok, agora preciso ir arrumar meu cabelo, já que alguém fez questão de bagunçá-lo — deu uma olhada rápida para Ashton e se virou para dar um abraço na garota. — Até amanhã.
— O que foi isso? — Lauren perguntou ao irmão mais velho.
— Isso o quê? — ele se fez de desentendido.
— Nada, deixa pra lá… — preferiu não mencionar a química que os dois tinham para não assustá-lo e acabar fazendo com que os dois se afastassem. — O que você está fazendo?

O resto da tarde passou tranquila. O show foi bem executado, sem erros. As meninas já se sentiam mais confiantes no que estavam fazendo. Cada vez que a plateia cantava suas músicas, elas se enchiam de felicidade e se empolgavam mais. A After Twilight estava conseguindo ser reconhecida e isso era só o que faltava para que elas pudessem despertar o interesse em alguma gravadora ou gestão.


Capítulo 5

— Lauren, não vou mentir. Eu passei a noite procurando coisas sobre a Austrália e preciso te perguntar uma coisa... — Charlie, que estava quieta demais até então, se pronunciou, chamando a atenção de todas. — Não tem perigo de morrer na praia não, né?! Porque eu vi que esse país tem umas coisas perigosíssimas…
— Charlie, calma — Lauren estava rindo. — Bondi Beach é a praia mais frequentada daqui, não tem perigo nenhum e você não vai morrer.
Charlotte suspirou aliviada.
— Poxa, já até tinha colocado anúncio no jornal de “Procura-se Nova Baterista” — Devan falou, fazendo todo mundo rir.
As garotas chegaram na praia e se encantaram com a beleza. A areia era branca, e o mar tão azul que se misturava com a cor do céu. A praia não estava lotada, mas havia bastante gente ali para uma segunda-feira. Elas tiraram suas roupas, ficando apenas de biquíni, e esticaram suas toalhas na areia para deitar e tomar sol. Estavam se divertindo para caramba. Fazia muito tempo desde a última vez que haviam ido à praia de Santa Mônica. Lauren amou as garotas e como elas a fizeram se sentir à vontade, mesmo sendo anos mais nova do que elas. Passaram algumas horas ali tomando sol, às vezes nadando no mar para se refrescar… Tiraram várias fotos, conversaram sobre tudo e deram conselhos amorosos à Lauren. Foi um dia agradável.
Enquanto Devan passava filtro solar no rosto de Izzy para posar para uma foto, sentiu o celular vibrar. Ao olhar, se deparou com uma mensagem do contato “The Best Deummer”. Riu e mudou o contato para o nome do baterista, antes de respondê-lo...

Ashton Irwin
, vocês têm planos para hoje à noite?

🌻
Não… Por que?

Ashton Irwin
O pessoal vai fazer uma noite de karaokê na casa do Mikey, e eu estou convidando vocês… Na verdade, ele mesmo ia convidar, mas eu quis fazer as honras kkkk

🌻
Uau, que honra kkkk Nós iremos, nunca perdemos a chance de desafinar num karaokê.

Ashton Irwin
Quando chegarem no hotel, façam o check-out e venham para casa de Mikey por volta das 19h. Vocês ficam lá para dormir...

🌻
Não vai ser um problema?

Ashton Irwin
Nenhum… Fica tranquila, .
🌻
Ok… Até mais tarde x

— Meninas, nós vamos sair hoje à noite! — soltou com um gritinho agudo.
— Pra onde, louca? — Izzy se controlou por um segundo para questionar a amiga.
— Vamos para casa do Michael. O pessoal vai fazer uma noite de karaokê — a morena respondeu.
— Aposto que foi seu namoradinho que chamou a gente — Devan pulou nas costas da amiga.
— Que namoradinho? — Lauren perguntou e, só então, lembraram-se da presença da garota ali. A banda se encarou e ficou em silêncio. — Ah, pelo amor de Deus, eu sei que estão falando do meu irmão — ela soltou e começou a rir.
— Ignora elas, não tem nada rolando — rolou os olhos. — E sim, foi o Ash que nos convidou. Você vem também, Rennie? — chamou a loira pelo apelido que acabara de criar.
— É melhor não. Curtam o momento de vocês — a mais nova disse, colocando os óculos escuros.
— Bom, acho que esse é o momento em que voltamos para o hotel, certo? — Charlie falou, atraindo os olhares de todas ali. Elas apenas assentiram e começaram a juntar suas coisas.
O caminho de volta para o hotel foi bastante animado. Elas foram conversando e rindo de coisas bobas; inclusive, acabaram criando algumas piadas internas. Lauren realmente havia se divertido como nunca, e sabia que aquela banda seria muito bem recebida pelas pessoas pelo simples fato de serem elas mesmas.
A loira parou o carro na frente do hotel, e Devan, Charlie, e Izzy foram em direção ao porta-malas para pegar suas coisas cheias de areia.
— Lauren chamou a morena antes que ela entrasse no hotel com as amigas. Então, também saiu do carro para ficar próximo da garota. — Eu me diverti muito hoje. Fico feliz que vocês estejam em turnê com a 5SOS. Torço para que vocês sejam uma banda muito famosa, porque vocês merecem.
sorriu para a mais nova.
— Você é um doce, Rennie — puxou Lauren para um abraço.
— E se precisar da minha permissão quanto ao meu irmão, você a tem — Lauren brincou e soltou uma gargalhada.
— Você não está levando a sério o que as meninas disseram, está? — perguntou, e a loira negou. Ela usaria a mesma tática que usou com o irmão. — Nós mal nos conhecemos, por Deus...
— De qualquer forma, estou te mandando uma mensagem para que possa salvar meu número. Espero que não fique brava, eu pedi ao meu irmão.
A morena riu do quão sem graça Lauren pareceu ficar.
— Tá tudo bem, eu pediria o seu a ele também...
— Pode me ligar quando quiser. Adorei te conhecer, cunhada — ela riu.
— Adorei te conhecer também, cunhadinha. Quando estiver em Los Angeles, me avisa! — disse, entrando na brincadeira. Deu um último abraço na garota e seguiu caminho até seu quarto.
As garotas precisavam começar a se arrumar. Enquanto uma estava tomando banho, a outra ia organizando suas coisas e separando o essencial para aquela noite. Fariam o check-out em algumas horas e deixariam suas coisas com a equipe. Cada uma delas separou um pijama e um conjunto para usar no dia seguinte, além de seus produtos de higiene e de beleza.
vestiu uma calça skinny preta com rasgos no joelho, uma cropped vermelha simples e calçou coturnos pretos. Não estava a fim de secar os cabelos, então os deixou soltos e úmidos. No rosto, passou pouquíssima maquiagem. Charlie estava com uma saia jeans de cintura alta, uma cropped preta e ankle boots da mesma cor. Seus cachos estavam definidos e ela não usava nada além de rímel e batom. Izzy estava com um macacão jeans escuro, e nos pés, Vans pretos. Já Devan estava com short jeans escuros e um blusão azul por cima; nos pés, usava um coturno preto.
A After Twilight chegou na casa de Clifford com um pequeno atraso, tocaram a campainha e foram recebidas por um Luke levemente alterado.
— Até que enfim vocês chegaram! — ele exclamou, bebendo um gole do copo vermelho que tinha em mãos.
— Não estamos tão atrasadas, Luke — Charlie soltou. Ela era a mais próxima do garoto.
— Entrem. O pessoal já está bebendo e cantando... — deu espaço e as garotas entraram na casa.
Embora fosse a casa de uma celebridade, não havia nada que gritasse luxo ali. Era apenas a casa de uma pessoa de classe média alta, e as garotas se sentiram mais à vontade por conta disso. Foram guiadas até o quarto que dormiriam e deixaram suas bolsas lá, antes de descerem para o local em que a festa realmente estava acontecendo.
Cumprimentaram todos que estavam presentes e logo estavam engajadas em alguma conversa com pessoas diferentes. Devan estava conversando com Andy Deluca sobre edição de vídeos. Ela era a responsável por editar todos os vídeos da After Twilight, então gostaria de pegar algumas dicas. Izzy estava conversando com Lizzie sobre harmonias. Charlie estava junto de alguns engenheiros musicais, rindo de alguma piada sem sentido. Já estava a caminho da cozinha para preparar algo para beber.
Ao chegar no cômodo, sentiu-se perdida. Onde estavam os copos? Alguma coqueteleira? Decidiu que pediria ajuda a Michael, afinal, era a casa dele. Mas, ao se virar para a porta, deu de cara com Ashton.
, tá tudo bem? — ele franziu a testa em confusão.
— Está sim, eu só preciso da sua ajuda — ela se apoiou no armário.
— Claro, o que é? — ele sorriu doce.
— Eu quero fazer algum drink, mas não sei onde as coisas ficam e não acho bacana ficar futucando os armários da casa de alguém.
Ashton riu. Sabia que o amigo jamais se importaria com algo desse tipo.
— O que você quer beber? — ele se aproximou da garota e parou em sua frente, um pouco próximo. Na verdade, próximo demais. Ela podia sentir seu perfume que lembrava uma tarde de verão. Ao perceber a reação da garota, deu um sorriso de lado e se esticou, abrindo a porta do armário suspenso. — Vamos começar com um copo, certo?
assentiu. Era a única coisa que conseguia fazer naquele momento.
— O que tem de bebida? — voltou a si quando ele se afastou para pôr o copo na bancada.
— Tem um pouco de tudo. Vodka, campari, tequila... — ele deu ombros. — Se não tiver tequila, não é uma festa da 5 Seconds Of Summer…
— O que você está bebendo? — a garota olhou para o líquido colorido no copo do rapaz.
— Ah, isso é um Negroni. Quer provar?
A garota assentiu e ele ofereceu o copo. quase engasgou ao sentir o álcool descer por sua garganta. Afinal, era um drink muito forte.
— Como você consegue beber isso, Ashton? — ela fez uma careta, causada pelo gosto amargo do drink. Ele apenas riu.
— Não gosta do amargo? — perguntou, e negou. — Já sei o que você pode beber — ele pegou uma coqueteleira em um dos armários próximos à pia e misturou algumas coisas. — Experimenta isso — entregou o copo com um líquido amarelado nas mãos de .
— Isso é bom — ela comentou depois de dar o primeiro gole.
— É um Daiquiri. Feito com rum e suco de limão.
— Eu gostei muito, poderia passar a noite inteira bebendo só isso — ela riu.
— Bom, se não acertar a receita, pode me chamar que faço outro para você — Ashton deu uma piscadela que fez com que o estômago de parecesse ter borboletas. — Agora, vou abastecer o meu copo.
— Obrigada, Ash — foi até o rapaz, ficando na ponta dos pés. Não sabia a origem daquela reação, apenas depositou um beijo na bochecha dele e saiu da cozinha rumo à sala, onde todos estavam.
A noite seguiu animada. As pessoas ali realmente estavam se divertindo. Álcool era o que falava mais alto. Era nítido como as pessoas bebiam sem ao menos se importar com o dia seguinte. Talvez fosse esse o padrão de festas que envolvessem celebridades, e a After Twilight se adaptaria facilmente àquilo. E todos logo ficaram bastante alterados, era notável.
O que as pessoas acabaram não notando foram os olhares de Luke em direção à Charlotte, que, por sua vez, se encontrava absorta com seu drink, se perguntando se o que Ryan Flemmings cantava era realmente espanhol enquanto ouvia a melodia de Despacito. Chegou à conclusão de que ele estava na profissão certa como fotógrafo, pois não conseguia segurar uma nota sequer. Ela riu com esse pensamento.
Com o passar do tempo e entre músicas cantadas, as pessoas começaram a ir embora. Cada uma no seu tempo. Restaram ali apenas as duas bandas: Andy e Ryan. Ashton decidiu cantar Good As Hell de Lizzo, enquanto Luke se retirava do cômodo. Logo depois, Charlie se levantou para ir ao banheiro e, ao voltar, se deparou com o loiro na varanda de um cômodo que ela nem reconhecia. Caminhou até a porta de vidro, abriu e fechou-a atrás de si.
— O que você está fazendo aqui sozinho, Luke? — ela perguntou, pegando-o de surpresa.
Vaping — mostrou o cigarro eletrônico. — Quer?
— Não — ela se aproximou do rapaz. — Se as meninas souberem que passei perto disso, elas me matam — riu de leve. — Não sabia que você fumava.
— Não é tão recorrente como Calum ou Ashton, mas sim… — bateu a mão na cadeira ao seu lado. — Senta aqui, me faz companhia — ele estava alterado, mas quem ali não estava?
— Então…
— O que você está achando da turnê até agora? — ele perguntou.
— Você realmente quer falar de trabalho agora? — ela riu e olhou para o chão.
— Você tem algo em mente para conversar? — perguntou, doce.
— Na verdade, não, mas acho que… — perdeu as palavras ao encontrar os olhos de Luke.
Sóbria, ela tinha autocontrole o suficiente para se manter afastada, mas o álcool falava mais alto em seu sangue. O cantor se encontrava no mesmo estado. Há dias estava encantado com a beleza da garota, e tê-la tão próxima e, ao mesmo tempo, tão distante, o incomodava. Ficaram se encarando sem dizer absolutamente nada por alguns curtos segundos.
— Charlie, se eu te beijar agora, você vai me xingar muito? — ele deu um sorriso de lado.
— Hoje não. Mas, amanhã, talvez — ela respondeu rindo.
O cantor se aproximou da baterista e colocou a mecha de cabelo que estava em seu rosto atrás da orelha, antes de finalmente juntar seus lábios aos dela. Ninguém entendia ao certo como chegaram àquele ponto. Mas parecia certo, e nenhum deles queria pensar na consequência de seus atos naquele momento. Foram flagrados por Michael no momento em que ele fazia o caminho para o quarto. Mas Mike estava um pouco bêbado demais para entender se aquilo era coisa de sua cabeça ou se era real. A única coisa que sabia era que teria de perguntar ao amigo quando o dia raiasse.
De volta à sala, Izzy havia lembrado que não havia cantado nenhuma música ainda naquela noite. A garota seguia dizendo que já cantava demais nos outros dias e, naquele momento, só queria aproveitar e ouvir os outros.
— Isso é a coisa mais ridícula que já ouvi — Calum gargalhou.
— Todo mundo já cantou, , até o Luke — Devan disse.
— O que tem eu? — ele falou ao entrar no cômodo de mãos dadas com Charlie.
— O que rolou aqui? — Ashton soltou um pouco mais alto do que o normal.
— Luke só tem cara de sonso — Andy comentou, fazendo Charlie ficar um pouco tímida.
— Vocês estão mudando o foco — Izzy disse ao perceber a reação da amiga.
— De qualquer forma, eu nem sei o que cantar — deu ombros.
— Ah, mas eu sei — Charlie, que estava sentada junto a Luke, se pronunciou. — Tem uma música que ela ficou obcecada há alguns meses.
— Será que devemos? — Devan brincou.
— Vocês poderiam me dizer qual, né, porque eu fico assim com várias — a vocalista disse com a esperança de que as amigas dissessem qual era a bendita música para que ela pudesse contestar.
— Você vai saber assim que o nome aparecer. E você vai cantar, — Izzy correu para onde o karaokê estava instalado. — Vocês devem conhecer a música, ela ficou em alta nos charts por um bom tempo. Mas, ainda assim, vai ser uma surpresa... — Devan empurrou a amiga até onde Izzy estava, e, de lá, as três tiveram a visão de Luke com o braço sobre o ombro de Charlie. Elas conversariam sobre aquilo com toda a certeza.
— VOCÊ TÁ LOUCA? — gritou. — Eu não vou cantar essa música.
— Amiga, se você não cantar, o foco vai ser a Charlotte. Faz isso por ela. Você sabe o quão difícil é para ela se relacionar com alguém… — Dev disse baixinho para que só a morena ouvisse.
— Ok, pela Charlie — respirou fundo. — Essa é 34+35 da Ariana Grande e, se eu estivesse sóbria, jamais cantaria na frente de vocês — ela disse, enquanto Izabella e Devan voltaram comemorando para seus lugares.
— Eu nem acredito que isso tá rolando — Izzy abriu o maior sorriso. Sabia que a faria “pagar” por aquilo, mas não estava se importando. Só queria ver a amiga passando vergonha.
A música começou com uma melodia calma e uma letra que não aparentava ter nada de diferente. A voz de soava doce, e nenhum dos garotos estavam entendendo o motivo do desespero que ela teve ao ver qual seria a canção que cantaria. Claro que já haviam ouvido a música nas rádios, mas nem se ligaram na letra que estava por vir. Isso durou apenas até o primeiro refrão…

Can you stay up all night
Fuck me til the daylight
Thirty-four, thirty-five

Assim que ouviram esses versos, abriram a boca em surpresa. De fato, não conheciam a letra, então foi realmente um choque ouvir a garota que tinha um rosto tão inocente cantar algo daquele tipo. Claro que parecia ser um anjo apenas para metade das pessoas que ali estavam, pois suas amigas conheciam seu lado promíscuo e Ashton já havia visto a garota dar em cima dele.

You'll drink it just like water
You'll say it taste like candy

Calum trocou olhares com Ashton e deu dois tapinhas em suas costas, como se dissesse “você deu sorte, irmão”. deveria se sentir embaraçada com aquela reação, mas se tocou que aquele ato significava que Ashton tinha ao menos um pingo de interesse nela, e isso a deixou um pouco mais ousada com o trecho que estava por vir.
— A melhor parte está chegando! — Charlie falou alto e todo mundo redobrou a atenção.

Baby, you might need a seatbelt when I ride it
I'ma leave it open like a door, come inside it
Even though I'm wifey, you can hit it like a side chick
Don't need no side dick, no
Got the neighbors yellin' "Earthquake!"
4.5 when I make the bed shake
Put it down heavy even though it's lightweight

Todos que estavam presentes soltaram um “AYE” quando ouviram a morena cantar o bridge da música. Era, sem dúvidas, a parte mais suja da letra, e ela sabia. Terminou a canção e tentou se recompor antes de encarar as pessoas que estavam ali. Apenas mexeu a boca num “vocês estão fodidas” para as três companheiras de banda, que riram mais ainda pelo constrangimento da garota.
— Pronto, agora vocês conhecem a verdadeira — Izzy soltou rindo e abraçou a amiga.


Capítulo 6

acordou cedo naquela manhã. Encarou o teto por alguns minutos, checou suas redes sociais… Ainda estava assustada com a quantidade de seguidores que vinha ganhando. Não só ela como as outras meninas e os perfis da banda também. Estava feliz pelas coisas estarem finalmente dando certo. Esperou para ver se alguma de suas amigas acordaria, e não obteve sucesso. Culpava o jet lag por ter acordado antes das oito, porque seria por volta de três da tarde num dia normal em L.A.
Decidiu descer para tomar uma água, com a esperança de que conseguisse voltar para o quarto e dormir novamente, mas, ao se deparar com a bagunça que estava na sala e na cozinha, ela desistiu de retornar ao quarto e começou a organizar algumas coisas. Um fato sobre : ela não conseguia fazer nenhuma tarefa de casa sem ouvir música. Então, abriu seu Spotify e deu play em sua playlist favorita para “arrumar a casa”.
A relação que a morena tinha com a música era engraçada. Ela sentia que havia nascido para fazer aquilo. E mesmo gostando de diversas outras áreas, era onde ela se sentia livre para ser quem era e se expressar, e isso a motivava cada vez mais a seguir com a After Twilight. Nunca contou às amigas, mas já teve oportunidade de voltar para São Francisco e assumir a confeitaria de sua mãe. Não era o que queria, mas era uma oportunidade excelente, já que sua família era dona de uma das maiores confeitarias da cidade. Então, optou por não contar às amigas, pois sabia que elas a fariam deixar Los Angeles.
Quando decidiu ficar, colocou como objetivo fazer a AT ser bem sucedida de qualquer forma. Começou a estudar um pouco mais sobre produção de música e sobre marketing. Felizmente, suas amigas a acompanharam e, por conta da quantidade de vezes que se reuniam por semana, decidiram morar juntas para aproveitar o tempo que perdiam para se deslocar para a casa de uma ou de outra. Esse foi o momento que a banda realmente tomou um rumo. Além do canal no YouTube que já tinham, criaram uma página de artista no Spotify e até recebiam um dinheirinho com isso. Com o dinheiro das streams no Spotify, pagavam Jeff, o irmão de Izzy, para ser o empresário delas. Pois, mesmo sendo uma banda independente, elas ainda tinham problemas na hora de achar eventos para tocarem.
Move, da Little Mix, começou a tocar. Essa era uma das músicas das britânicas que a garota mais gostava de dançar. era fã do girlgroup há quase dez anos e nunca havia assistido a um show ao vivo. Esperava que um dia elas levassem sua turnê aos Estados Unidos para que pudesse prestigiá-las.
Ashton, que também já estava acordado, decidiu descer as escadas quando ouviu uma música no andar inferior. Sorriu ao ver a garota dançando pela cozinha enquanto juntava algumas garrafas das cervejas que haviam bebido na noite anterior.
— Que música é essa? — ele perguntou, assustando .
— Move, Little Mix — ela respondeu, ainda dançando. Foi quando teve a ideia de cantar alguns versos para ele, por pura brincadeira e para fazer com que Ashton também ajudasse a limpar a bagunça.

You know that I've been waiting for you
Don't leave me standing all by myself
Cause I ain't looking at no one else

Ela cantou, apontando para ele, e logo pegou uma vassoura para que Ash varresse o chão. Ele riu, mas não negou. Não se importava em fazer as atividades de casa, ainda mais com música e com uma companhia tão agradável.

Looking so hot
I think that I might fall
Feeling like it's my birthday
Like Christmas day came early
Just what I want
So when we move
You move

estava se divertindo e, agora com Ash, sabia que a limpeza seria bem mais rápida. O rapaz riu quando ela cantou as linhas “looking so hot, I think that I might fall”, ainda mais ao ver o reflexo de seu cabelo bagunçado no vidro de um dos armários.
Quando chegaram no fim do bridge da música, os dois já estavam dançando entre si. A arrumação do cômodo era só um detalhe. Ashton, como o péssimo bailarino que era, fazia a garota gargalhar em alguns momentos.

Hey! hey! I'm ready, hey
Boy come and get me
Don't be scared
Show me what you do
Don't you know a girl
Like a boy who moves

Ashton segurou na mão de , fazendo-a girar, terminando a música com a garota completamente em seus braços. Ele a abraçou e foi retribuído, o que causou uma sensação de “estar em casa”. Qualquer pessoa que estivesse em seus lugares ficaria com vergonha e logo se afastaria, mas não eles. Eles ficaram abraçados por alguns segundos, e Ash deu um beijo nos cabelos de . Ouviram um barulho e se afastaram rapidamente, retomando à limpeza.
— Desculpa atrapalhar, casal — Mike flagrou o segundo casal em menos de 24 horas.
— Michael, nós não… — começou a falar, mas logo foi interrompida.
— Não precisa dizer nada, — o loiro riu. — Agora que já atrapalhei vocês, deixa eu ajudar na limpeza — ele deu um sorriso amarelo e começou a limpar junto aos dois.
Os três acabaram de arrumar toda a bagunça e acordaram os outros para que pudessem se arrumar. Afinal, logo partiriam para o próximo destino. Uma van parou na frente da casa do guitarrista pouco antes do horário do almoço. Seguiram direto para o aeroporto, e logo estavam voando para Newcastle.


🎶🥁🎤


Os dias em Newcastle e Gold Coast passaram voando, e logo já estavam em Brisbane. Esse era o último dia da turnê pela Austrália. As quatro integrantes da After Twilight estavam exaustas e mal podiam esperar por essa folga antes da loucura na América começar. Embora apenas estivessem com planos para escrever novas músicas para talvez mudar sua setlist, Jeff havia pedido para que elas tentassem adaptar ao menos duas músicas de artistas britânicos para que fizessem cover. Então, passaram grande parte do tempo ocupadas debatendo entre músicas. Não entenderam muito bem o motivo e imaginavam que ele estivesse escondendo algo delas.
Sua última apresentação em solo australiano foi ótima, e, assim que deixaram o palco, decidiu que assistiria ao show da 5SOS em front row. Cada dia mais se apaixonava pela banda e pela vida de turnê, mesmo sentindo na pele o quão cansativa era. Achava a voz de Luke maravilhosa, mas os vocais que mais gostava eram os de Calum. Adoraria ouvir mais a voz de Hood, mas entendia que Luke era o lead-singer, assim como ela era quem mais cantava em sua própria banda. Michael era provavelmente o guitarrista mais talentoso que conhecia, e esperava que Izzy jamais soubesse que ela havia pensado aquilo. Não achava Izzy uma guitarrista ruim – ela tinha uma habilidade enorme com o instrumento –, mas ainda precisava se soltar mais, e sabia que a convivência com Mike a ajudaria neste ponto.
Seus olhos pararam em Ashton. Riu das caretas que ele fazia ao tocar seu instrumento. Observou sua dedicação e em como parecia estar preso num mundo onde só existia ele e a bateria. Se viu hipnotizada ao ver o rapaz tocando Easier na mesma versão do The Vault. Ele a pegou o encarando e sorriu.
O show chegou ao fim e ela finalmente se direcionou ao camarim. Andava sacudindo a saia plissada xadrez e rosa-choque que havia usado para performar, quando ouviu passos se aproximando de si.
— Que novidade você na front row — Calum passou o braço pelo ombro da garota.
Ela se perguntou como ele não estava cansado depois de um set de uma hora e meia.
— O próximo que vou assistir é só na segunda quinzena de maio. Eu precisava aproveitar — ela riu.
— Não errou nenhuma letra — ele brincou. — Parecia que tinha decorado até onde Ashton batia em sua bateria.
A garota odiava o fato de Calum ser observador e ter percebido a queda que ela tinha pelo baterista.
— Calum Hood, eu não faço ideia do que você está dizendo! — ela tentou desconversar.
, pare de mentir para mim — ele disse, rindo. — Você só parou de olhar para ele quando Mike estava fazendo algum solo na guitarra, ou quando eu estava cantando.
— Não conta pro Luke, mas eu gosto mais de quando você canta.
Eles começaram a rir.
— Me sinto ofendido — Luke apareceu, entrando na conversa.
— Não é pessoal — a garota disse, rindo.
— É por isso que Calum não tem tantos solos, porque senão todo mundo esquece de mim — Hemmings fez drama.
— Aposto que tem uma pessoa em específico que não se esquece de você — Calum soltou antes de levar uma garrafinha de água na boca.
— Mas você está todo engraçadinho hoje, hein, Hood — tentou mudar o foco, já que havia entendido que aquilo havia sido uma indireta para Charlotte. — Ela não está aqui para se defender.
— Quando vocês voam de volta aos Estados Unidos? — Michael se juntou ao grupo.
— Daqui a três horas. E eu nem tomei banho ainda — ela se lembrou. — A conversa está ótima, mas preciso me arrumar. As meninas já devem estar todas prontas à essa hora — mandou beijinhos no ar. — Daqui a pouco volto para me despedir de vocês.
Ao entrar no camarim, se deparou com suas amigas vestindo moletons, prontas para voar de volta à Sydney e, depois, passar quase catorze horas dentro de um avião. Ela tomou um banho, também vestiu algo confortável e ficou pronta para deixar Riverstage.
As quatro integrantes da After Twilight seguiram rumo ao camarim da 5SOS, bateram na porta e entraram. Se acharam as maiores bagunceiras ao notar que o camarim deles seguia todo arrumado, e o delas era sempre uma bagunça. Mas era totalmente compreensível, visto que tinham mais peças para vestir, maquiagem e outras coisas.
— Acredito que falo por todas quando digo que essa primeira experiência foi fantástica, e mal podemos esperar pela próxima. Vamos sentir falta de vocês... — Devan foi a primeira a abrir a boca.
— Nós que vamos sentir falta de vocês — Luke falou, dando um sorriso doce.
— Não mente, Lucas, você vai estar em turnê com All Time Low — o acusou, rindo.
— Eu vou sentir saudades de Izzy, Dev e Charlie, não de você — o loiro se aproximou da garota, lhe dando um abraço apertado.
— Pode deixar que eu vou cuidar da Charlotte para você — ela sussurrou baixinho, para que só ele ouvisse.
— E eu do Ashton — ele respondeu no mesmo tom.
A garota separou o abraço, o olhando com uma expressão confusa.
— Crystal deve te ligar essa semana, . Ela quer te conhecer — Michael puxou a morena. — Não só você, claro, todas as meninas.
— Estou ansiosíssima — ela disse, abrindo um sorriso de orelha a orelha.
— Espero que, da próxima vez que te ver, você não pareça estar morrendo — Calum fez um high-five com a vocalista.
— Como sempre, deixando o baterista para o final. Você não aprende mesmo, né, — Ashton disse, rindo. Sabia que a garota não gostava do nome, e se sentiu vitorioso ao ver uma careta se formar em seu rosto.
— É por isso que você está sendo o último. Qualquer pessoa que me chama de deve ser o último de qualquer fila — ela o abraçou. — Vou sentir falta do meu parceiro de dança.
— Do melhor parceiro de dança que você já teve — ele destacou, e a garota se afastou de Ash.
— Espera, preciso abrir espaço para todo o seu ego.
Irwin soltou uma gargalhada.
— Até Los Angeles, — disse por fim.
— Até Los Angeles, pior baterista — ela finalizou a conversa, ouvindo um grunhido agudo por conta da falsa ofensa.
Após todas as despedidas feitas, as garotas deixaram Riverstage e foram em direção ao aeroporto. Elas sentiam que precisavam dormir por, pelo menos, 72 horas seguidas para recuperarem a energia que gastaram nos últimos dez dias.


🎶🥁🎤


Fazia dois dias que elas estavam em Los Angeles, e nenhuma havia se atrevido a pôr o pé fora de casa. Passaram os dois dias vivendo de delivery e se recuperando da troca de fuso horário. Estavam aguardando Jeff aparecer e explicar o motivo das duas canções que ele havia pedido que ensaiassem, mas ele também estava na mesma situação das jovens. Ele, no entanto, precisava ser profissional. Então, acabou reagindo e tocando a campainha das quatro.
Sua irmã abriu a porta, e ele se assustou com a quantidade de colchões e edredons espalhados pela sala. Pediu para que elas fizessem algo para se despertarem, e, em trinta minutos, estavam todas muito bem acordadas, sentadas na mesa da sala de jantar para a tal reunião.
— Vou ser direto: o YMU Group entrou em contato comigo. Eles têm interesse em gerenciar a carreira de vocês — soltou a bomba, deixando as quatro surpresas. — Em dois dias, vocês têm uma reunião com a sede deles aqui em L.A. Eles costumam contratar artistas norte-americanos que já tenham uma carreira formada, mas, por vocês estarem associadas ao nome “5 Seconds Of Summer”, que são clientes deles, eles se interessaram. Estão com parceria com a Capitol Records, uma gravadora daqui mesmo, então vocês não terão de viajar para gravar um EP ou um LP para o lançamento da carreira de vocês. Eles são a razão pela qual pedi que escolhessem e ensaiassem as duas músicas.
— Calma, mas qual a ligação das músicas? — Charlie se pronunciou. Ainda estava confusa.
— Caso aceitem o contrato, vocês terão de voar para Londres por alguns dias para fazer uma secret session — ele explicou.
— Mas nós nem teríamos público para essa secret session — Devan lembrou.
— É aí que você se engana. Muita gente ficou triste ao saber que quem abriria a No Shame Tour no Reino Unido seria Coin, e não vocês. E como houve essa demanda de que vocês estivessem lá, para fazer um agrado para os fãs britânicos, vocês vão cobrir alguns eventos.
— Eu não acredito nisso — Charlotte falou.
— Charlie, não vai ser um show para três mil pessoas, é algo mais íntimo — Jeff começou a explicar. — Coisas como essa começam com um grupo, que espalha para outro grupo e, quando menos percebem, boom! Vocês estão no Top 50 Global do Spotify — ele realmente estava esperançoso. — Eles estão dispostos a trabalhar com vocês e a montar um time todo exclusivo.
— E onde você entra nisso? — Izzy perguntou, curiosa. Jeff era de grande importância para elas, além de ser seu irmão.
— Bom, eu fico na arquibancada — ele sorriu, sentindo os olhos se encherem de lágrimas. Jeff amava aquelas garotas. Elas eram como família, mas entendia que aquela era a hora de deixá-las. — Eu não sou profissional da área. Aceitei esse emprego porque estava desempregado, e vocês sabem disso. Vocês são importantes demais pra mim, e acredito que sou o fã número um da After Twilight. Mas vocês precisam de ajuda profissional, e eu sou apenas um biólogo.
As quatro garotas estavam segurando as lágrimas para parecerem fortes. Jeff era uma das pessoas mais importantes para elas, e elas estavam a ponto de perdê-lo.
— Você faz parte da nossa história, Jeff. Nós precisamos de você. — Charlotte disse, sentindo uma lágrima teimosa escorrendo por sua bochecha.
— Não, Charlie, vocês precisam deles. Eles têm a capacidade de explorar o talento de vocês, e fazer vocês terem o reconhecimento que precisam. Isso eu jamais seria capaz de fazer — ele olhou para cima, com o intuito de continuar segurando o choro. — Minha dica: leiam bem o contrato e peçam para alterar o que quiserem antes de assinar. Negociem bem… Essa é a carreira de vocês, e eu não vou me perdoar caso percam uma oportunidade tão grande.
As garotas assentiram. Entendiam o quão grandiosa era essa chance, e deixá-la passar seria um erro.
— Se o próximo empresário for um babaca, a gente demite ele e recontrata você — se levantou e correu para abraçar o homem, que, agora, fazia apenas parte da história daquela banda.


Capítulo 7

— Sabem o que acabei de me lembrar? — pulou no sofá da sala, assustando as amigas.
— Provavelmente algo muito interessante… — Charlie rolou os olhos.
— Você não faz ideia — a morena deu um sorriso largo.
— Anda, , fala logo — Izzy largou o violão que tinha em mãos.
— Eu quero saber o que aconteceu naquele dia do karaokê entre a senhorita Campbell e o senhor Hemmings…
Charlotte arregalou os olhos ao ouvir terminar a frase.
— Nada — ela negou, por reflexo.
— Charlotte, você está conversando com a gente, não precisa ficar na defensiva — Devan rolou os olhos.
— Ok — a cacheada respirou fundo antes de começar a falar. — Eu o encontrei fumando quando estava voltando do banheiro. Ele disse pra eu me sentar e fazê-lo companhia. Do nada, nós dois ficamos em silêncio e ele perguntou se podia me beijar...
— E você respondeu o quê? — Devan a interrompeu.
— Eu disse que sim, né — Charlie soltou, óbvia, fazendo as amigas comemorarem. — E, desde então, a gente acabou se aproximando mais, mas não acredito que seja algo que vá continuar acontecendo.
— E por que você diz isso? — Izzy perguntou.
— Porque não é como e Ashton, que a gente já sabe que têm uma conexão…
— Do que você tá falando, Charlotte? — encarou a amiga, confusa.
— Ai, , todo mundo já percebeu a tensão sexual que vocês têm… E te conhecendo, eu nem acredito que você ainda não deu ao menos um beijo nele — Izzy falou, e as outras duas meninas concordaram. — E nem adianta negar, porque a própria irmã dele percebeu.
não sabia o que dizer.
— Se não falou nada, é porque sabe que é verdade — Devan disse e se virou para Charlotte outra vez. — Não se deixe levar por títulos, Charlie. Porque eu sei que, das muitas coisas que se passam na sua cabeça, uma delas é que ele é o vocalista da 5SOS e você baterista da banda de abertura. Mas se isso realmente fosse importante, ele não teria pedido para te beijar.
— Só não crie expectativas, mas também não ponha um ponto final em algo que nem começou ainda. Deixa as coisas acontecerem naturalmente — Izzy abraçou a amiga de lado. — Quanto à dona — ela virou-se para —, abra os olhos pra enxergar o que está acontecendo à sua volta, caso contrário, você pode perder a chance de ter algo muito bom em sua vida.
deu um suspiro longo.
— Agora eu vou me arrumar, porque preciso ir à casa de Emily — Izzy finalizou.
— Eu preciso ir na casa dos meus pais, você me dá uma carona? — Devan pediu, e a amiga assentiu.
— Vou dar uma volta pra clarear as ideias… Você vem, ? — ela convidou, mas a morena negou.
— Você precisa de um tempo sozinha pra absorver a conversa que tivemos — disse, ajeitando os cabelos da amiga.
Charlotte se levantou do sofá, pegou a chave, o celular e o fone, e saiu para andar sem rumo pela cidade. Logo Izzy e Dev também saíram de casa, deixando sozinha. A garota olhou para os lados, procurando algo para fazer, e logo pensou em tentar escrever algo, ou então continuar alguma ideia que já vinha trabalhando. Subiu até seu quarto, pegou seu caderno de composições e voltou para a sala. Sentiu seu celular vibrar com um número desconhecido, mas ignorou. Folheou o caderninho, procurando alguma música que pudesse dar continuidade, mas não encontrou nenhuma. A maioria das letras ali eram melancólicas, e ela queria algo mais leve. Deitou-se no sofá e olhou para o teto, implorando ao universo por uma ideia.
“Onde minhas amigas foram?”, a pergunta ressoava em sua cabeça… “Onde todas elas foram?”... “Where did all my friends go?”
Ela teve a ideia de escrever como se estivesse sozinha, procurando pelas amigas que, na verdade, seriam frutos de sua imaginação. “Could spend the whole night talking to you, even if I was the only one talking”. Riu ao terminar a frase, porque ela era sempre a mais tagarela do grupo. Então, até que a frase fazia sentido.
Enquanto tentava criar um ritmo que encaixasse com a letra que havia sido escrita até o momento, sentiu o celular vibrar outra vez com o mesmo número desconhecido. Apenas ignorou e voltou à sua composição.
“They just keep on saying you're imaginary, not true… I can't imagine my life without you”. Sorriu, feliz com a frase. Ela realmente não conseguiria imaginar sua vida sem as outras três garotas de sua banda. Ela as amava e era muito grata por tudo que viveram, e tudo que ainda virão a viver.
Sentiu fome e foi até a cozinha procurar algo para comer no almoço. Não achou nada que fosse rápido para fazer, então acabou voltando para a sala com a ideia de ligar para algum delivery e pedir alguma coisa.
sentiu o celular vibrar pela terceira vez naquela manhã com o mesmo número maldito. Não costumava atender chamadas de estranhos, mas aquela pessoa estava sendo muito insistente.
— Alô — estava incomodada com tantas ligações e acabou atendendo de uma forma meio grosseira, já esperando que fosse algum atendente de telemarketing tentando vender seu produto.
Hm, alô — ouviu uma voz feminina, um pouco confusa. — Eu falo com nesse número?
— Sim — a garota estranhou. Desde quando o telemarketing chamava as pessoas pelo apelido? — Quem fala?
Ah, é a Crystal, noiva do Michael.
arregalou os olhos. Ele havia dito que ela ligaria, mas não que fosse ser na primeira semana de volta a Los Angeles.
— Crystal, desculpa pela hostilidade, eu achei que fosse algum vendedor... — a morena se adiantou, ouvindo uma risada do outro lado da linha.
Fica tranquila, eu também acabo fazendo isso às vezes soltou um suspiro, aliviada. — Você tem planos para o almoço? Quer dizer, não só você, mas todas da banda…
— Eu estava prestes a pedir algo para comer, na verdade… E sou a única desocupada. Inclusive, estou sozinha em casa — riu fraco.
Ótimo, vamos almoçar juntas então! — Crystal disse de forma direta. — Me mande seu endereço que passo para te pegar em meia hora.
— Tudo bem — a morena respondeu e logo Crystal se despediu, finalizando a ligação.
tratou logo de enviar o endereço de sua casa para a garota antes de correr para tomar um banho rápido. Vestiu uma calça jeans com rasgos no joelho e uma cropped lilás simples. Não sabia onde iriam, mas esperava que fosse em algum lugar que não exigisse muito da vestimenta. Calçou um tênis branco nos pés e prendeu seus cabelos num rabo de cavalo. Não usou nada além de um rímel para realçar os olhos. Para finalizar, borrifou uma colônia adocicada e suave. Ao terminar de se arrumar, ouviu o celular vibrar e viu que era Crystal avisando que havia chegado. desceu pelo elevador e foi direto à saída. Ela se assustou ao encontrar um Tesla branco parado na frente de seu prédio. Viu o vidro descer e uma loira acenando, convidando-a para entrar. Era Crystal.
A morena não sabia ao certo o que conversar com a loira, então se limitou a perguntar onde almoçariam. O destino era o The Cheesecake Factory, um restaurante muito famoso em Beverly Hills. A única coisa que se passava na cabeça de era que o interesse de Crystal em fazer amizade com ela e sua banda era ter certeza de que o risco de Michael traí-la era inexistente, e ela planejava em sua cabeça o que dizer para acalmar a loira que dirigia o carro bastante atenta ao trânsito. Logo chegaram ao destino, entraram no restaurante e se acomodaram em uma das mesas disponíveis.
— Esse é um dos meus restaurantes favoritos, mas nunca posso vir aqui com Michael… — Crystal suspirou triste enquanto folheava o cardápio.
— Não sei nem o que dizer, Crystal — foi sincera.
— Não tem muito o que dizer, na verdade — ela deu um sorriso amarelo. — Mas não vamos falar sobre ele, eu quero conhecer você — ela mudou de assunto, fazendo o clima, que começava a pesar, sumir. — Eu nem acredito que finalmente existem mulheres em turnê com aqueles quatro bobos. Talvez agora eles se tornem mais organizados.
A morena riu.
— Nós somos mais bagunceiras que eles — deu ombros. — Mas acredito que seja por termos mais acessórios, maquiagens e etc…
— Ah, sim, claro, isso é inevitável — a loira concordou. — Eu tô tão animada por vocês estarem na estrada com eles, porque agora vou ter com quem conversar. Quer dizer, Lizzie é ótima, mas às vezes tenho a sensação de estar atrapalhando o trabalho dela. — Crystal era falante, um raio de sol. Sua alegria estava começando a contagiar . — E como está sendo esse período sabático antes da parte americana começar?
— Na verdade, não está sendo tão sabático assim — riu anasalado. — Recebemos uma proposta de contrato e devemos voar para Londres em breve.
— Ai, que ótimo, ! Quem sabe não vamos juntas? — a loira soltou, animada. — Eu vou pra Inglaterra assim que a leg europeia começar… Estou com saudades do meu noivo — seus olhos brilharam ao falar de Michael.
A ideia de Crystal estar com ciúmes de Michael sumiu da cabeça de ao perceber o quão segura de seu relacionamento ela era. E deveria ser mesmo, afinal, estavam noivos. Esperava um dia encontrar alguém que pudesse confiar assim como Crystal confiava em seu parceiro. A morena sentiu seu coração aquecer ao perceber o quão puro era o amor dos dois.
Sentiu o celular vibrar no bolso e viu que quem ligava no Facetime era Ashton.
— Tem problema se eu atender? — perguntou à loira, que negou. — Hey! — exclamou ao atender.
! — ela enxergou o sorriso de Ashton na tela. — Como você está?
— Eu tô bem… Olha com quem vim almoçar — virou o celular para Crystal, que acenou, gentil. — Que horas são aí? Você não deveria, sei lá, estar dormindo? — disse ao se lembrar que ele ainda estava na Austrália.
São sete da manhã — ele riu do espanto que tomou o rosto da garota. — Eu sei que não tem necessidade de acordar tão cedo, mas eu precisava falar com você sorriu involuntariamente e desviou o olhar por alguns segundos. Crystal, que observava a conversa, pôde constatar tudo que Michael já havia contado a ela. — Fiquei sabendo que vocês receberam uma proposta de contrato… O que acharam?
— Achamos ótimo, mas precisamos de uma reunião para acertar algumas coisas antes de decidir se assinamos ou não os papéis — a morena deu ombros. — Alguma dica?
Tentem ao máximo se impor em tudo que se diz respeito a banda, principalmente quando se trata de ter voz na decisão de como tudo será feito. Fora isso, tudo é bem tranquilo — ele sorriu. — Nós nos veremos na Inglaterra em breve, caso vocês aceitem o contrato… Mas é uma surpresa, não vou te contar o que é.
— Você me odeia? — ela riu enquanto Ashton negava, sustentando um sorriso enorme. — Você sabe que eu sou curiosa, por que faz isso?
Porque assim você tem um motivo para me mandar mensagem todos os dias até lá… — Ashton flertou, e corou. Ela tentou falar algo, mas nada saía. — Vou deixar vocês almoçarem em paz. A gente se fala depois. Até logo, , beijo!
— Até logo, beijo — a garota disse antes de finalizar a conversa e tomar coragem para encarar a loira à sua frente, que tinha uma expressão engraçada.
— Então você e o Ash… — Crystal disse, deixando a frase vaga.
— Nós somos amigos.
— Amigos que se beijam, entendi — Crystal fez sinal para chamar um garçom.
— Nós não nos beijamos… — tentou refutar a loira.
— Não se beijam ainda — a loira deu ênfase na última palavra, pois tinha certeza que logo eles se beijariam. E ela esperava que desse certo, pois fazia tempo desde a última vez que vira seu amigo tão radiante como quando ele conversava com a morena que estava em sua frente.
O almoço seguiu descontraído. O clima logo tornou a ser leve e fluido. Crystal era uma mulher incrível, e estava feliz por estar se aproximando dela. Sabia que se divertiriam bastante quando juntas e mal podia esperar por esses momentos. Percebeu como ela e Michael se completavam, e esperava encontrar alguém que a completasse daquela forma no futuro.


Capítulo 8

O dia da reunião chegou e, com isso, um grande nervosismo e ansiedade de parte das quatro garotas. Perguntas como “e se não gostarem da gente?” ou “será que vai ser um contrato temporário só enquanto estivermos em turnê com a 5SOS?” surgiram em suas cabeças. Tentaram espantar essas ideias enquanto se arrumavam. Dessa vez, tudo seria entre elas e a gerência, sem seu mediador e ex-empresário Jeff.
Chegaram à sede da YMU Group pela manhã e logo seguiram para a sala de reuniões, onde alguns homens e mulheres engravatados já se encontravam. Se acomodaram todas juntas e esperaram a reunião começar. Ouviram a porta se abrir depressa e uma ruiva entrar, carregando uma pasta. Ela se aproximou das garotas e ali sentou.
— Oi, sou Lindsay, a advogada de vocês — disse baixinho. — Jeff me mandou para ajudá-las com o contrato, mas depois a gente conversa melhor sobre isso — ela deu uma piscadela.
As garotas estavam confusas, mas, ao mesmo tempo, muito gratas por Jeff não tê-las abandonado. Mais algumas pessoas entraram na sala, e, então, a reunião pôde de fato iniciar.
— Bom dia a todos — um homem de aparentemente quarenta anos começou a falar. — Eu sou Lenny, e estamos aqui hoje para apresentar a proposta de contrato à After Twilight — ele apertou o botão no controle que tinha em mãos, e uma apresentação de slides começou. Explicou toda a parte burocrática antes de entrar na parte financeira e de criatividade.
O contrato exposto era bem completo e havia partes que as quatro jamais conseguiriam entender. Nem mesmo Charlotte que havia largado sua faculdade de Direito pela metade entendia algumas coisas. Se sentiram seguras de Lindsay estar ali, já que ela poderia traduzir o texto para uma língua que elas entenderiam.
Os executivos disseram que aquela proposta levava como base o contrato que tinham com a 5 Seconds Of Summer, pois acabavam sendo bandas similares. Sendo assim, era explícito que teriam liberdade para fazer alguns projetos por fora da banda sem que isso afetasse o grupo. Isso era uma das coisas que elas já traziam em mente para solicitá-los, já que Izzy costumava pintar quadros que eram expostos em alguns eventos de Los Angeles.
Seguiram para o financeiro. Disseram que a 5SOS teria uma porcentagem dos lucros da banda, mas se apressaram em dizer que os quatro integrantes não aceitaram mais do que 10% dos lucros, pois sabiam o quão difícil era não ter muito retorno e, ainda, ter que dar metade disso para outra banda, como aconteceu com eles e a One Direction, que recebia 50% de seus lucros.
— Nós não queremos determinar um tempo para o fim do contrato, portanto determinamos que seria até o lançamento e a divulgação do terceiro álbum — o engravatado mudou de slide pela quadragésima vez. — Claro que nossa ideia é que sejam três álbuns em três anos, mas entendemos caso esse prazo se estenda. Vocês têm alguma ideia quanto a isso?
— Acredito que falo por todas quando digo que, por agora, é inviável produzirmos um álbum. Ainda mais por estarmos no meio de uma turnê — Charlotte disse, e as amigas assentiram. — Então, a ideia que tenho é que nos organizemos para lançar um EP e, depois da turnê, pensamos num álbum.
— Isso é muito viável, inclusive pela ideia do conteúdo que viria a seguir — o homem rebateu.
— Como assim? — Devan cruzou os braços.
— Sabemos como o mercado musical é machista. Sendo assim, quando divulgarmos a banda After Twilight, vão imaginar que é um grupo vocal-dançante, e não uma banda instrumental — uma moça de cabelos pretos abriu a boca. — Para mudar essa perspectiva, pensamos em lançar vocês num estilo pop punk, antes que vocês consigam migrar pro pop alternativo novamente — Devan relaxou na cadeira. — Mas claro que isso seria algo discutido com vocês.
— Acho que podemos concordar com isso — disse e viu as amigas assentirem. — Principalmente por ser um EP de apresentação da banda. Pop punk não é um gênero distante do que começamos a fazer…
— Perfeito! — Lenny exclamou. — Então fechamos em um EP e outros três LPs?
As quatro garotas assentiram.
A reunião seguiu mais cansativa do que interessante. Algumas formalidades foram acertadas, assim como outros detalhes mínimos. Ao final, decidiram assinar o contrato, pois ele era muito promissor. Foram avisadas que teriam dois dias para se organizar, pois voariam para Londres, onde teriam uma mini agenda para cumprir e tentar começar a desenvolver a ideia central do EP. As garotas foram informadas que fariam uma Secret Session acústica e que apresentariam dois covers à BBC no Live Lounge. Lembraram de Jeff novamente, já que ele havia pedido para que elas já começassem a ensaiar. Também foram informadas que seguiriam para alguma cidade inglesa que a 5SOS estivesse e cantariam uma música com eles ao final do show. Adorariam que fosse em Londres mesmo, mas não tinham ideia de qual cidade de fato seria. Um Airbnb também seria alugado para o tempo de estadia das garotas, já que o plano era compor e gravar o máximo que conseguissem. E, se elas voltassem a L.A. para isso, poderia acontecer atrasos nos prazos pré-definidos para o lançamento do tal EP.
As garotas estavam felizes e, antes de deixarem o prédio da gestão, tiraram uma foto no escritório para postarem em seu Instagram. estava louca para contar a Ashton o andamento da reunião, mas ficou com medo de parecer desesperada demais por ligá-lo ao sair da YMU. Em contrapartida, Charlotte já estava atualizando Luke de tudo o que havia acontecido. Eles estavam se aproximando cada vez mais, e as amigas estavam contentes pela garota finalmente ter aberto seu coração.
As quatro sentiram seus celulares vibrarem com um email – era a nova empresária se apresentando. Nada mais justo do que mandarem uma mulher para tomar conta das garotas. Seu nome era Madison Barnett. Informava que estava ansiosa para conhecer as garotas e pedia para que tirassem esses dois dias de descanso antes de voarem para o Reino Unido, pois haveria muito trabalho a ser feito.
Depois de muito rolar a agenda de contatos, pensando se deveria ou não ligar para Ashton, finalmente clicou no contato e levou o aparelho à orelha, ouvindo-o chamar. Nem se atentou ao horário, apenas percebeu que deveria ser cinco da manhã quando viu a voz rouca de Irwin do outro lado da linha.
?
A garota se arrependeu.
— Me desculpa, Ash, eu nem pensei no fuso horário quando te liguei.
Não, não tem problema — ele deu uma risada sonolenta. — O que aconteceu?
— Eu só queria te contar que acabamos de assinar contrato com a YMU… — ela ouviu uma comemoração baixinha. — É melhor a gente se falar mais tarde, eu–
Para com isso, eu já estou acordado o suficiente para conversar com você — ele enviou uma foto a ela no meio da ligação. Ash estava com seus cabelos todos bagunçados e enrolado nos lençóis brancos de sua cama. Sustentava uma expressão sonolenta, mas estava lindo. — Estou feliz por vocês terem assinado o contrato, sério.
— Agora já sei qual é a tal surpresa que você disse no outro dia… — ela brincou.
Você ainda não sabe a música escolhida… — ele a provocou. — Mas eu vou te falar qual é, porque vocês precisam ensaiar. Inclusive, avise a Charlie que ela vai ter que fazer backing vocal, porque eu não vou sair da minha bateria.
Os dois riram.
— Pode deixar. Ela não vai ficar muito feliz com isso, mas vai dar tudo certo — respirou fundo. — Então… Qual a música?
Girls Talk Boys — ele soltou, levando a americana à loucura. — Faz tempo que não tocamos, todo mundo gosta, e acho que vai ser legal substituir as partes que você vai cantar…
— Então eu vou poder adaptar a letra? — a morena perguntou com brilhos nos olhos.
Claro — ouviu um riso abafado. Ashton sabia que ela estava feliz, e isso bastava para fazer com que ele também ficasse. — Ah, Michael vai ser DJ num clube em Liverpool depois do nosso show, e é claro que vocês estão mais que convidadas. Ele vai estar de DJ só para comemorar o contrato.
— Michael é louco? Ser DJ depois de um show completo parece loucura — lembrou.
Ele se diverte fazendo isso, e nós aproveitamos para nos divertir também… Foi ele que começou a buscar baladas para apresentar o set — Ashton confessou. — Aliás, vocês devem ir com a gente para Liverpool, pois estaremos em Londres um dia antes…
— É bem provável que sim — um sorriso largo tomou conta do rosto de . — Vou te deixar dormir. Nos vemos em Londres em alguns dias…
Mal posso esperar.
finalizou a ligação sentindo uma ansiedade enorme por reencontrar Ashton. Não fazia nem uma semana que haviam se visto pela última vez, mas ela precisava estar cara a cara com ele para observar tudo o que suas amigas vinham dizendo a ela. Os olhares disfarçados, os olhos brilhando… Espantou esses pensamentos ao ouvir Izzy a chamar para irem almoçar.
As quatro chegaram ao shopping pouco antes de uma hora da tarde, completamente famintas. Escolheram o restaurante mais vazio para fazerem seus pedidos, já que assim eles provavelmente sairiam mais rápido. Começaram uma conversa sobre como seria em Londres. e Charlie eram completamente loucas pela cidade, mas nunca tiveram a oportunidade de visitá-la. Decidiram que, em seu tempo vago, tentariam turistar pelo máximo de lugares possível, e isso obviamente incluía a London Eye e o Camden Market. Ao lembrar de Camden, decidiram que precisavam de roupas novas para a viagem ao Reino Unido, e ficou acordado que, após o almoço, visitariam algumas lojas daquele shopping para comprar algumas peças.
O almoço seguiu calmo, assim como a tarde de compras, e, no caminho de casa, Devan percebeu que algo estava diferente com Izzy. Preferiu esperar até chegarem em casa para perguntar o que estava acontecendo, mas ela já tinha uma ideia do que poderia ser. Subiram até o andar do apartamento que dividiam e, assim que a porta foi fechada, ela não hesitou.
— Iz, o que aconteceu? — a loira encarou a baixista de cabelos rosa-choque e deu um longo suspiro.
— Acho que não vou conseguir esconder isso de vocês — deu um sorriso fraco. — Vocês podem se sentar aqui na sala?
Todas assentiram e se sentaram no sofá, esperando a revelação do que estava tirando a paz de Izabella.
— Bom, se lembram de dois dias atrás, quando fui a casa de Emily? Então, eu contei sobre o contrato…
— E…? — Charlie incentivou a amiga.
— E ela não gostou muito do resultado, o que me deixou em choque, porque ela sempre pareceu torcer pelo sucesso da banda — explicou. — E nós acabamos terminando. — deu um sorriso fraco.
— E como você está se sentindo? — perguntou. Lembrava de como havia ficado devastada quando seu último relacionamento não havia dado certo.
— Sendo bem sincera, eu tô aliviada — Izzy começou a rir, e as amigas se entreolharam. — Sério, eu tô aliviada demais — ela engatou numa gargalhada sozinha.
— Assim, explica pra gente, porque você não tá dizendo coisas que contenham uma lógica — Devan pediu.
— Eu tô bem, porque não aguentava mais os ataques de ciúmes que ela teve durante essa semana em que estivemos na Austrália. Imagina como seria no resto da turnê! — ela começou. — Foram três anos, tenho muita gratidão. Gratidão por ela estar comigo por tanto tempo, por ter me apoiado nos altos e baixos e por ter me ensinado a ter paciência, mas eu não me sinto vazia agora que terminamos. Faz dias que esse término aconteceu, e só agora que me dei conta de que está tudo bem — dla disse com um sorriso no rosto. — Nós fomos de tudo a nada. Todo mundo espera que eu esteja triste, mas não estou. Eu não sinto tristeza por mim, e não me importo se ela estiver conversando com outra pessoa. Está tudo bem se ela me esquecer — abriu os braços, como se estivesse se libertando.
— Poxa, achei que teríamos inspiração para músicas tristes… — Charlie entrou no clima. — Brincadeira, eu estou feliz que você está bem, e é isso que importa — ela abraçou a amiga.
— Não se engane, nossas brigas renderam letras excelentes pro pop punk que precisamos fazer — ela riu, retribuindo o abraço de Charlie.
— Podemos fazer alguma virar uma balada bem lentinha? — se levantou e foi abraçar a amiga também.
— Por favor! Sua voz fica incrível quando canta baladas! — abriu o maior sorriso.
— Bom, então agora seremos quatro solteiras na terra da rainha… — Dev aproximou-se do grupo, se juntando ao abraço coletivo.
— Três — Charlie disse. Elas se soltaram e encararam a cacheada. — Luke me chamou para um encontro.
As amigas gritaram em comemoração e passaram a tarde inteira se divertindo e fazendo graça da relação de Charlie e Luke. Tanto Charlie quanto suas amigas sabiam que um encontro poderia apenas ser um encontro. Não esperavam que Charlie voltasse do jantar, ou qualquer que fosse a ideia de Luke, com um anel de compromisso no dedo, mas iriam aproveitar aquele momento mágico que a amiga estava vivendo.


Capítulo 9

As garotas chegaram no aeroporto de Heathrow por volta de três da manhã, em horário local. Além de famintas, estavam exaustas. Haviam passado a noite anterior num bar para comemorar o futuro da banda. Devan e Izzy estavam com a maior ressaca, Charlie estava com enjoo e andava se arrastando pelo aeroporto em busca da plaquinha com “After Twilight” escrito.
Até que viram uma garota de moletom e cabelos em coque segurando a placa. Ela era jovem e aparentava ter a mesma faixa etária das quatro garotas. Imaginaram que essa seria apenas a motorista que as levariam para o Airbnb que havia sido alugado para elas.
— Oi, somos a banda — Izzy disse ao se aproximarem da garota.
— Eu sei — ela deu um sorriso doce. — Sou Madison Barnett, mas podem me chamar de Maddie. Sou a nova empresária de vocês — se apresentou, e as garotas observaram novamente o que ela usava. Não queriam julgá-la pela aparência, mas imaginaram que encontrariam uma mulher mais velha e que estivesse ao menos com um terninho. — Podemos ir? — disse com o sotaque britânico carregado, guiando as garotas para a saída do aeroporto.
Entraram numa van que logo partiu para o endereço que Madison havia dado. O caminho foi quieto e longo. Não faziam ideia de qual lugar da cidade estavam, mas acreditavam estarem bem longe dos pontos turísticos, e isso fez com que ficasse bastante desapontada. Sonhava em conhecer Londres e, se não conseguisse ao menos visitar a London Eye, ficaria muito decepcionada.
Depois de quarenta minutos, a van finalmente parou. Pegaram suas malas e seguiram Madison para a entrada de um prédio bonito, com arquitetura típica britânica. Subiram até o sétimo andar e entraram no apartamento. Era grande, com dois quartos e três banheiros, uma cozinha, sala com sacada e uma mini lavanderia.
— Meninas, esse é o bairro Marylebone. Ele fica bem próximo a pontos turísticos — se animou, mas logo passou, pois seu cansaço era maior. — Vocês vão ficar aqui por um tempo… Eu ainda não terminei a agenda de vocês, então não consigo dizer quantos dias serão. Vou enviar as datas importantes quando elas estiverem chegando, fora isso, usem o “tempo livre” para trabalhar na música de vocês e ensaiar, por favor — ela sentiu o celular vibrar.
— Pode atender — Charlie disse. Sabia que, se alguém estivesse telefonando de madrugada, devia ser importantíssimo.
— Obrigada — ela atendeu a chamada, caminhando até a sacada da sala.
— Bom, as divisões são as mesmas de sempre? — Devan perguntou, e as outras três assentiram.
— Eu tô tão cansada que dormiria escorada naquele vaso ali — Charlotte apontou para um vaso de planta no canto da sala.
— Somos duas — apoiou a cabeça na amiga.
— Como eu ia dizendo… — Madison voltou. — A agenda de vocês não está pronta, mas hoje à tarde vocês têm o primeiro photoshoot para adicionar a foto de vocês no site da YMU, Capitol e banners para a promoção de vocês, além de artes para o Instagram da banda. Como esse ensaio é indoor, não tem problema ser à tarde, mas não se acostumem, a grande maioria é pela manhã — a morena puxou ar. Havia falado sem parar. — Seus nomes já estão na portaria do prédio. Eles já sabem quem vocês são e não vão ter problemas com o acesso. Nos vemos mais tarde — ela caminhou até a porta.
— Está tarde, Madison, você não quer ficar? — perguntou.
— Mesmo que quisesse, Horan me mataria — ela rolou os olhos. e Charlie se encararam por um segundo, tentando entender se realmente haviam ouvido “Horan” sair da boca da morena. — Estejam preparadas para ir para o estúdio por volta das quatro da tarde. Tchau, meninas — ela deixou o apartamento.
As meninas seguiram para os quartos e apenas se jogaram nas camas. Estavam exaustas e ainda não poderiam passar o dia todo dormindo.

As quatro garotas acordaram por volta de uma da tarde. Nenhuma delas tinha disposição para levantar da cama, mas era necessário. Revezaram para o banho e começaram a luta para escolha da roupa que usariam. Não haviam tido contato com a equipe exclusiva delas, então o último estilista que haviam consultado foi o da 5 Seconds Of Summer, pouco antes da turnê começar.
O celular de vibrou com a mensagem de Madison pedindo para que não usassem maquiagem e que não se preocupassem com roupas, pois tudo isso já havia sido cuidado. Avisou as amigas e se dirigiu à cozinha, sentindo o estômago roncar. Esperava dar de cara com armários vazios, mas também haviam cuidado para que houvesse comida para elas. Fez um macarrão ao molho branco em tempo recorde para poderem comer algo antes de irem ao estúdio fotográfico, caso contrário, iriam desmaiar de fome.
Ouviram o barulho de chave na porta do apartamento e viram Madison entrar. A morena era absurdamente linda e, agora, vestia uma calça mom jeans, uma blusa justa preta e, por cima, um blazer bege. Nos pés tinha uma sandália nude, e segurava uma bolsa marrom com o símbolo da Louis Vuitton estampado. Os cabelos soltos e alinhados, usando a medida exata de maquiagem. Nem parecia a mesma mulher que haviam conhecido às três da manhã.
— Boa tarde, meninas — ela abriu um sorriso. — Sei que minha primeira impressão não foi muito amigável, mas preciso de um desconto porque era madrugada.
— Tranquilo, Madison — Devan começou. — Nós também não estávamos no nosso melhor momento — deu um risinho tímido.
— Vocês estavam com ressaca, eu sei — ela respondeu. — Reconheço aquele estado de longe — colocou a bolsa no sofá. — Estou muito ansiosa para trabalhar com vocês, principalmente por terem a mesma idade que eu.
— Quantos anos você tem? — Charlie soltou involuntariamente.
— Tenho vinte e três — ela respondeu com um sorriso de lado. — Mas eu juro que sou eficiente.
As quatro garotas gargalharam.
— Jamais duvidaríamos de você, Maddie — disse e pôs a mão no ombro da empresária.
— O que falta pra gente poder ir pro estúdio? — Barnett perguntou.
— Na verdade, nada — Izzy olhou para as amigas para confirmar. — Só preciso pegar meu celular lá no quarto.
As cinco jovens seguiram em direção ao estúdio fotográfico em Mayfair. Não seria a primeira vez que fariam um ensaio, mas era definitivamente a primeira vez que tirariam fotos tão profissionais. Ao chegar, duas foram para a cadeira das maquiadoras, e as outras, para a das cabeleireiras. No fim, se juntaram todas para vestir as roupas que estavam penduradas numa arara no canto do cômodo. Charlie vestiu uma calça jeans preta e rasgada que deixava sua meia arrastão à mostra, uma blusa curta e justa vermelho persa e, nos pés, seu coturno baixo preto. Devan estava com uma calça jogger preta e cropped de mesma cor, mas calçou um All Star bordô. Izzy vestia uma saia jeans preta, um body vermelho escuro e um sobretudo preto que ia até o chão. Calçou uma bota preta de salto médio que ia até o joelho. Por fim, estava com uma saia bandagem xadrez de cor vermelha, uma cropped de manga longa preta, e, nos pés, calçou um coturno de salto da mesma cor.
Foram direcionadas para o local onde as fotos seriam tiradas e começaram, de fato, o ensaio. A After Twilight achava que ficariam super contidas e envergonhadas por terem tantas pessoas observando-as enquanto as fotos eram tiradas, mas a verdade é que foi divertido. Todo mundo ali era bem engajado e fazia brincadeiras o tempo todo, ajudando o clima a ficar leve. Após a sessão de fotos, se reuniram para ver algumas das fotos tiradas. Se apaixonaram por uma que estavam rindo espontaneamente e decidiram que seria postada no Instagram. Já para o site seria uma mais séria.
Trocaram as roupas e sentiram o cansaço, mas sabiam que era preciso começar a colocar um ritmo nas letras que estavam escritas e fazer as adaptações necessárias. Madison as convidou para jantar e elas aceitaram, visto que teriam que cozinhar quando chegassem em casa e não tinham energia para isso.
Seguiram para um restaurante nas proximidades do estúdio de fotografia e, em pouco tempo, conseguiram uma mesa grande o suficiente para acomodar as cinco garotas.
— Maddie, vamos ter algum lugar pra poder compor e ensaiar? — Charlie perguntou, preocupada. Sabia que não teria condições de tocar sua bateria no prédio em que estavam ficando.
— Sim, vocês podem ensaiar e compor lá em casa no estúdio do meu namorado — ela abriu um sorriso. — A não ser que queiram ir para um estúdio comercial para fazer isso… Se quiserem, não tem problema também.
— Não, o estúdio na sua casa está ótimo. Nós até preferimos ficar num lugar assim — Devan disse.
— Não nos leve a mal, temos responsabilidade com nossa música. Mas não sei se estou pronta para abrir nossas composições para outras pessoas alterarem, e sei que num estúdio com compositores isso aconteceria — Izzy confessou, e as amigas concordaram. — Preferimos priorizar o estúdio para gravações, principalmente por não ser barato.
— Completamente compreensível. Conheço vários artistas assim. Harry é um exemplo, ele compõe com a própria banda. Raramente você vai ver algum compositor creditado que não faça parte de sua própria banda. Harry Styles. — Madison lembrou que não havia especificado qual “Harry” e, acostumada com a proximidade com o rapaz, às vezes coisas como essa aconteciam. Charlie e trocaram um olhar.
— Você conhece o Harry? — não se segurou, e Madison riu.
— Claro que sim. Ele é um dos melhores amigos do meu namorado — ela deu ombros, como se falasse de uma pessoa qualquer.
— Desculpe se estou sendo muito invasiva, mas o seu namorado é…? — Charlie perguntou. Não aguentava mais a incerteza. Desde que tinha ouvido o nome “Horan” na madrugada, precisava confirmar se era Niall Horan de quem ela falava. Ou talvez apenas estivesse delirando de sono.
— Niall Horan — engasgou com o suco de laranja que tomava, fazendo Maddie rir. — Sim, nós namoramos, mas preferimos esconder da mídia porque, antes de ser a empresária de vocês, eu era a dele — as quatro garotas estavam surpresas. — E não precisam pisar em ovos comigo. Você não foi invasiva, Charlie. Nós estamos nos conhecendo e criando uma amizade.
A noite seguiu leve. As garotas estavam realmente usando esse tempo para conhecer Madison e acolhê-la como se já fossem amigas há tempos. Madison tinha toda a formalidade britânica que as quatro integrantes da After Twilight consideravam “chique”. O choque de culturas havia sido enorme, maior que o na Austrália; afinal, elas tiveram pouquíssimo contato com a cultura do país e já estavam acostumadas com a mistura que a 5SOS tinha. Já no Reino Unido elas ficariam por pelo menos um mês, então estavam achando a experiência incrível. Combinaram que iriam até a casa de Madison na manhã do dia seguinte, e com isso se despediram.
Chegando no prédio em que estavam ficando, o porteiro informou que deixaram uma encomenda para elas no meio da tarde. Imaginavam que seria algo da gravadora ou da gerência, mas ficaram felizes ao ver uma cesta cheia de incensos, bombas de banho efervescentes e chocolates, enviada pela banda que elas estavam acompanhando. Havia um envelope na cesta, e Charlie o abriu e começou a ler.

“Espero que aproveitem a estadia em Londres. No início de nossa carreira, nós também tivemos de passar um tempo no Reino Unido, e, embora Londres seja uma cidade incrível, foi uma experiência cansativa e estressante. Por isso estamos mandando algumas coisas para que possam aliviar o estresse. Já estamos com saudades de vocês. Nos vemos no show? Esperamos que sim.”
— C. A. L. M. x

Encontraram, dentro do envelope, quatro credenciais para o backstage e acharam adorável a forma como eles cuidavam delas, mesmo a distância. O que elas não sabiam era que a ideia daquela cesta havia partido de Luke e Ashton, por conta de dois motivos especiais: Charlotte e .


🎶🥁🎤


— Então você está me dizendo que estamos sentando nossas bundinhas lindas no mesmo lugar em que Niall fucking Horan compõe suas músicas, e você não está se sentindo nem um pouco inspirada? — Charlotte olhava séria para Devan. Não conseguia acreditar no que a amiga estava dizendo.
— Não, Charlie — Devan deu ombros. — Mas também não é como se não tivéssemos nada. Izzy escreveu algumas coisas, também. Você escreveu a balada...
— Vou te ignorar pelo resto do dia, Devan. Eu nem sou fã do cara e tô animada. Você está morta por dentro — Charlie rolou os olhos. — E as músicas não estão prontas, precisam de adaptações. Você devia estar preocupada com isso!
— Eu tô preocupada com os covers que temos que tocar no Live Lounge — ela se virou para , que estava concentrada em seu caderno escrevendo algumas frases. — Tem certeza que vai conseguir cantar aquela parte da música?
— Devan, por favor. Se eu não conseguisse, eu nem tinha sugerido — ela assegurou para amiga pela terceira vez que conseguiria cantar o rap de Parents, música do Yungblud. — Você precisa se preocupar mais em saber se Charlie vai conseguir tocar o piano para My Love Won't Let You Down do que comigo.
— Hey! — Charlotte exclamou, ofendida. — Você sabe que eu toco piano bem, só fiquei muito tempo sem tocar.
— Claro que sim, Charlotte, se você diz — Izzy abraçou a amiga como se a consolasse, afagando seus cabelos.
— Vocês três são umas idiotas — bufou, irritada, mesmo sabendo que essa irritação passaria em pouco segundos. — Izzy, o que você escreveu?
— Escrevi três músicas. Uma chamada “Different”, baseada na primeira briga, quando ainda estávamos na América — ela pegou a guitarra e começou a tocar o início que havia planejado. — Escrevi algumas partes da base line, mas preciso que vocês me ajudem com isso depois — cantou um pedaço para apresentar às amigas.

Always feeling guilty so I need somewhere to put the pain
Poison in my mouth coz it's better than the words I say
Am I just a burden, always uncertain, don't know?
This isn't working but I'm still digging this hole

Ouch — Charlie soltou. — Você deveria ter conversado com a gente. Imaginávamos que tudo estava bem com vocês.
— Não, estávamos brigando desde quando assinamos contrato. Emily não queria que eu viajasse — ela respirou fundo. — Bom, a outra é “Crash and Burn”. Escrevi a partitura da bateria e alguns acordes do baixo, mas preciso finalizar a guitarra — Izzy ajeitou o cabelo antes de voltar a falar. — Essa foi quando ela começou a fazer algumas ameaças, dizendo que, se eu continuasse na banda, nós iríamos terminar...

Toxic games you play
Too high price to pay
Nothing's permanent so
Guess I gotta learn to let go
Why can't we talk about it?
You're always walking out
You make it worse, you never learn
I don't know how to fake it
When we're disintegrating
No return
We crash and burn

— Não vou mentir, estou me sentindo mal por não ter percebido que você estava passando por isso — Devan disse enquanto levava uma garrafinha de água para .
— Não se martirizem, vocês sabem como eu sei bem esconder o que sinto — Izzy deu de ombros. — E essa foi quando eu decidi que iríamos terminar. Escrevi naquela noite que vocês perguntaram se eu tinha permissão da Em pra sair… — Charlie engoliu em seco, porque sabia que havia sido ela que tinha feito a pergunta. — Se chama “It's Not Your Fault”.

Not trying to break your heart
Sometimes good things fall apart
Yeah, you don't feel like home
Like something I've outgrown
I thinks I'm better on my own
Maybe I'm better off alone

— Hey, essa combina com uma que eu escrevi — soltou, animada. — Teremos coerência nesse EP!
Izzy riu.
— Ótimo! Podemos passar para as suas músicas agora, então, e depois para a que a Charlie escreveu.
As amigas assentiram.
— Eu escrevi “Friends Go”, que é uma música sobre vocês, basicamente — a morena riu. — Como eu me sinto em relação a vocês, porque amo vocês, mas com analogia de que vocês seriam imaginárias, já que são incríveis demais — as amigas soltaram um coro de “awn”. — E por ela ter essa impressão de que os amigos são imaginários, o eu-lírico está sozinho, o que liga na próxima música: “Loner”. Ela fala sobre meus momentos de solidão e da minha melancolia interna que vocês já conhecem.

Yeah, I'm a loner and I like it that way
I like the dark room, with nobody but pain
And I don't need permission to feel sad
And don't need no witnesses to have my back
Coz I'm a loner, and I like it that way

— Sério, a gente precisa de terapia — Devan soltou involuntariamente, fazendo todas rirem.
— Eu concordo, amiga — disse. — Das duas músicas eu já escrevi os acordes do baixo e da guitarra… Falta a bateria por um motivo óbvio: não sei como fazer — ela riu.
— Ashton logo te ensina. — Charlie soltou e logo começou a falar da música que havia escrito, sem dar tempo da amiga rebater. — A música que eu escrevi se chama “Love Songs”, e eu acho ela excelente para fechar o álbum. É calma e acústica, vai dar uma quebrada no pop punk pra fazer a transição para o debut album, e soa como a esperança de um amor leve depois de tanta dor… — ela pegou o violão e começou a tocar uma melodia suave.

You deserve everything life can bring
Coz nothing compares to you…
Smiling feels different with you
Crying feels better with you
If love is a game, then I'm willin' to play
Coz something was missin' 'til you

— CHARLOTTE ESTÁ APAIXONADA! — gritou. — E nós sabemos bem por quem.
— Não seja ridícula, — a amiga rolou os olhos. — Nós nos beijamos uma vez, bêbados… e talvez tenhamos um encontro marcado, mas...
— Agora eu entendi o motivo das credenciais… Tudo fez mais sentido, mas ia ficar feio demais se só o Luke assinasse o cartão — Izzy começou a rir.
— Ai, eu shippo esse casal demais — Devan estava se divertindo ao tirar uma com a cara da amiga.
— Por que vocês não me matam de uma vez? — Charlie largou o violão e se jogou no chão, como se estivesse desistindo de tudo.

Passaram o dia todo fazendo piadas quanto a Charlotte, e realmente montando o instrumental das músicas. Era admirável a leveza com que elas trabalhavam, e Madison, que acompanhava de longe, percebeu que elas não precisavam mesmo de um compositor para ajudá-las. Talvez, se ele estivesse ali, provavelmente estaria mais atrapalhando do que ajudando…


Continua...



Nota da autora: OI GENTE!! Primeiro de tudo não me matem, esse ano estou tendo 3 períodos da faculdade por conta da pandemia... O look de todo dia tem sido surtos leves e tênis kkkk Não é que eu não tenha capítulos prontos e a demora é para escrever, e sim por não estar com tempo nem pra só enviar pro site... Não posso nem prometer que não vou demorar umas quatro vidas pra mandar a próxima atualização, porque ta tudo bastante corrido, mas espero que vocês entendam o meu lado...
Esse foi um capitulo mais voltado para a banda mesmo, e queria saber o que vocês acham de capítulos assim, porque alguns deles vão seguir esse padrão para a construção de uma história consistente... Anywayyyys, obrigada pela leitura, até a próxima att! Beijooo <3




CAIXINHA DE COMENTÁRIOS: Se o Disqus não aparecer, deixe a autora feliz com um comentário clicando AQUI.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


comments powered by Disqus