Finalizada Em: 24/05/2018

Capítulo Único

dirigia calmo, concentrado na demo de sua nova música. Ainda não havia escrito a letra, mas, a construção da melodia estava pronta. Passava por um bloqueio criativo ao se tratar daquele beat. Por isso, mantinha-se ouvindo a demo constantemente, numa mania habitual de entranhar as notas em sua alma, até encontrar o insight perfeito. Tamborilava os dedos no volante e olhou atencioso para o semáforo. Contou até cinco e o sinal verde o indicava a prosseguir.
Como se houvesse caído do céu, bem à frente de seu automóvel, a mulher foi atingida pelo carro. Ele xingou alto, e desceu imediatamente. Algumas pessoas já se aproximavam, naquela cidade sempre movimentada, ao local da cena. Não faltava mais nada: um escândalo com seu nome era tudo o que ele mais desejava. A mulher, por sorte, estava bem e levantava-se rápida e sem graça.

— Desculpa senhor! Me desculpe! – a mulher pedia desconcertada enquanto juntava as coisas que haviam caído de sua bolsa.

negou com a cabeça, confuso pelo que acontecia. Abaixou-se apressado para sair da visão das pessoas que tiravam fotos ao notar quem ele era, e auxiliar aquela mulher louca a sair logo dali. Ele olhou para seu rosto e sorriu de canto, ela era diferente. Não era de longe metade da metade das mulheres que estava acostumado a sair, mas havia algo natural e exótico na beleza dela. Ele percorreu os olhos pelo corpo agachado à sua frente, mas, não pode ver muito mais do que a fenda da saia dela permitia.
Entregou a ela alguns pertences e antes que ela saísse correndo, após pendurar um pacote, típico de guardar paletós, em seu braço, ele segurou a mão dela chamando-a atenção:

— Oh! Eu estraguei seu veículo? – ela olhava para o carro curiosa, buscando algum amassado e mordendo os lábios com cenho franzido.

— Não, não… – ele não ligava ainda que tivesse amassado o que seria aquele conserto para ele? — Eu quero saber se você está bem, moça.
— Ah, estou! Não foi nada, desculpe novamente.
— Espera! – ele a segurou de novo estranhando o fato dela não o reconhecer — Deixe-me dar uma carona a você?
— Olha eu vou aceitar sim, porque eu estou muito atrasada!

Imediatamente ela respirou fundo, aliviada e direcionou-se à porta oposta a dele.
estava surpreso, sorriu divertido encarando-a enquanto ele entrava em seu automóvel. Imaginou que tipo de notícia estamparia a internet pouco tempo depois: atropela uma mulher, a civil levantou-se e entrou no carro do rapper sem relutância. Seria uma desculpa para um novo affair?”.
Ele sorriu para ela que o sorriu de volta. Ela pegou o celular e fez um telefonema, ela falava rápido demais, e não olhava para . Quando ele olhou-a prestes a perguntar onde deveria deixá-la, a mulher apenas colocou a mão à frente da face dele indicando-lhe que virasse na avenida à esquerda. E assim ela foi o guiando pelo caminho: gesticulando e falando no celular.
Quando a mulher o pediu que estacionasse, já estava irritado. Afinal, que garota folgada! E pior do que ela ser folgada era ele gostar dela por aquilo. Ela guardou seu celular e o olhou sorrindo:

— Obrigada! Você foi muito gentil, e mais uma vez me desculpe te atrapalhar deste jeito.

Ele sorriu e sacudiu a cabeça afirmativamente. Ele pensava: “Que mulher mais contraditória! Ela certamente, deve ser o tipo que se acha o centro do mundo” Antes que ele pudesse abrir a boca para lhe falar, ela prosseguiu:

— Olha, aqui é o meu estabelecimento. – e apontou a fachada do lugar para — Estrearemos um show nesta noite, por isso estou tão afoita. Tome. Espero que venha e se divirta muito.

Ela o entregou um voucher com direito a um acompanhante e sorriu para ele.

— Obrigado. Eu certamente virei. – ele colocou o convite sobre o painel do carro e encarou rapidamente a fachada como se analisasse o lugar.
— Bem, eu já vou. Obrigada, novamente! – ela abriu a porta do carro dele e antes de fechá-la acenou e sorriu.

sabia que ela era louca. Certamente, aquela mulher era louca. E o alerta de diversão dele apitava, pois as loucas, eram as que ele mais gostava.

Aquela noite, ele apareceu no lugar rapidamente. Pagou sua entrada, e deu o voucher a dois companheiros que trabalhavam com ele. Mas, não demorou. Estava realmente curioso em saber que tipo de lugar era aquele. E assim que entrou, viu que nada mais era do que uma casa de diversões. Havia um pouco de tudo ali, ele observava pelas fotografias nas paredes do lugar: algumas subcelebridades frequentavam o lugar, pessoas aparentemente ricas, muitos jovens, haviam fotografias de shows de todos os tipos também. Rock, jazz, rap, pop, go-go boys, strippers. Aquele lugar era um clube do mais misto que já havia visto. Ele estava acostumado a lugares que ofereciam diversões parecidas, mas, a única coisa que o motivara a ir ali fora a curiosidade. Primeiro pelo estabelecimento, e segundo, pela dona. Quando notou que ela não estaria por lá, ele despediu-se de seus companheiros e partiu. Seu empresário havia sido categórico quanto ao “evite confusões até a próxima tour” e o feito, inclusive, assinar um contrato quanto àquilo. Foram exatos vinte minutos, que ele passara ali e logo foi embora.

Já faltavam três meses para a turnê. Em seu flat, escutava novamente sua melodia. Não conseguia letra alguma, por mais que tentasse rimas e mais rimas. E aquilo o preocupava, nunca passara por um bloqueio tão longo. Geralmente, fazer as coisas que mais lhe davam prazer destravavam sua imaginação. Contudo, ele já havia tentado tudo. Inclusive algo que não fazia há muito tempo: contratar mulheres para uma noite de sexo das mais absurdas. Há algum tempo que não curtia mais aquele tipo de farra. A verdade é que a sua imagem vendida não era realmente a imagem verdadeira de . Aquilo não o incomodava, até a atual crise de identidade e de criação.

Seu celular tocou, o tirando daquela frustrante concentração em tentar escrever algo. E a notícia que seu empresário lhe dera, era de que fechara uma apresentação para ele, em uma promoção pré-tour para divulgar seu novo álbum. Aquilo foi a gota d’água. sabia que precisava imediatamente de uma fonte de inspiração.
Largou o celular, papel, caneta, o notebook com o beat da música, e foi imediatamente tomar banho. Ainda que não dormisse com nenhuma mulher por livre vontade, ainda que não pagasse nenhuma mulher para dormir com ele também, e ainda que não estivesse tão a fim de voltar à sua rotina caótica. E ainda, “o ainda” mais sério de todos, que tivesse um contrato o proibindo de exposições desnecessárias… Naquela noite, faria o possível e impossível para a música sair. Aquela música, não poderia passar daquela noite!

No silêncio de seu flat, ele entrou no chuveiro, e não demorou muito a sair de lá com outro astral. Foi ao closet escolher uma roupa que demonstrasse autoconfiança o suficiente, queria a sensação de passar entre as pessoas e todos notarem o .  A famosa sensação de poder, que lá no fundo ele sabia ser uma tremenda vaguidão dispensável. Porém, vestiria seu personagem aquela noite. Lançou o perfume favorito, e saiu assim que o porteiro anunciou que seu motorista – o qual, ele mandou mensagem para buscá-lo, antes de ir para o banho – havia chegado.

, para onde? – ele não gostava que as pessoas que trabalhassem com ele o tratassem formalmente.

Pensou um pouco, pegou o iPhone e digitou na busca, um esboço de nome que permeava sua lembrança.

— Este. – mostrou o endereço do lugar com a fachada para o motorista.

E antes que desse partida, já guardava o aparelho novamente. Havia visitado o lugar dois meses antes e não voltara mais. Por uma questão muito simples: novamente a curiosidade em como estaria a mulher louca, decidiu voltar lá.

-- X --


O escritório, todo envolto por vidro deixava claro para ela o movimento satisfatório no andar inferior. Ela terminava de preparar a agenda dos próximos eventos. Estava no comando da Insanity Club há cinco anos, e só agora conseguia notar a “fama” do lugar se consolidando. Sem falar, que só agora os gastos com investimento estavam retornando. Estava satisfeita de fato.
Viu a luz de sua campainha visual acender, e destravou a porta automática. Logo, seu promoter entrava de olhos arregalados no local.

— O que houve, Pietro? – ela falou em muita preocupação por olhar para o andar de baixo e notar que tudo estava aparentemente normal.
— Acabamos de receber um convidado que vai movimentar muita visibilidade! A era das subcelebridades acabou!

Olhou para ele de maneira curiosa, mas, contida. Parou o que fazia, sorriu maldosa e recostou-se em sua poltrona branca e elegantíssima. Ali ela sentia o poder que não tinha em sua vida para as demais coisas triviais.

— Quem?
!
— Quem? - perguntou novamente irônica.
— Como assim não conhece , um dos principais k-idols do rapper, no momento? O cara tem uma carreira até extensa com nomes fortes na música ocidental.
— Hum… Leve-me até ele. Quero cumprimentá-lo em nome da casa!
— É… Então… Na verdade… – Pietro aproximou-se mais da mesa dela a passos delicados e com sorriso de orelha a orelha.
— Fala logo, criatura, o que houve?
— Ele solicitou vê-la, segundo ele, gostaria de cumprimentá-la.
— Ele quer me cumprimentar? Ele sabe quem sou?
— Aparentemente sim, pois se referiu à “dona do estabelecimento”.
— Bem… Se ele quer vir até mim, então… Pode subir com ele.  
— Ma-ra-vi-lho-sa!

Pietro estava mais animado do que a própria . Antes que ele saísse ela o chamou.

— O que ele bebe?
— Vou averiguar.
— Providencie que tragam até aqui. Pode ser que consigamos uma futura conversa de negócios.
— Não acho que é de negócios que ele quer falar. – Pietro sorriu sugestivo.

arregalou os olhos e olhou para seu funcionário de modo reprovativo.
Algum tempo depois, a mulher estava em pé, mas, apoiada em sua mesa.
Havia terminado de ajeitar o conjunto branco, sinuoso, elegante e sensual em seu corpo.  A luz de aviso acendeu e apertou o controle da porta. Ao abrir, Pietro surgiu à frente de .

— Com licença, . O senhor deseja falar com você.

agradeceu Pietro que saiu imediatamente. olhou-o com certa familiaridade e andou calmamente até ele. Estendeu-lhe a mão em cumprimento.

— Boa noite, eu sou a . Seja bem-vindo. É um prazer tê-lo em nosso clube.
— O prazer é todo meu. – respondeu-lhe num tom sedutor.

Encarava a mulher de cima a baixo, da maneira discreta que ele sabia fazer. A transparência daquela roupa haviam dado o primeiro lampejo de relaxamento em seu corpo e mente.

— Então descobri seu nome. Aquele dia você estava tão apressada que mal nos apresentamos.

A mulher semicerrou os olhos o encarando, e com um esforço contido recordou-se do dia em que foi “atropelada” por ele.

— O rapaz da BMW!  
— É realmente uma surpresa, que ainda hoje não soubesse quem eu era.
— Me desculpe, é claro que eu já ouvi falar em você! Apenas não reconhecia a sua figura.
— Agora que conhece… – ele sorriu de modo intimidador — Espero que não me ignore, … Seria uma perda, para mim.
— De maneira alguma! Mas, por favor, sente-se!

Ela caminhou até o sofá que havia em seu escritório indicando-o para se sentar. E já ia oferecer-lhe bebida, quando surgiram à porta. Ela apertou novamente o controle em sua mão, e  garçom entrou trazendo bebidas. sorriu agradecendo o rapaz, e igualmente.
Em seguida ela sentou-se ao lado dele, e educadamente brindaram.

— E você retornou aqui, aquela noite? – ela o perguntou.
— Sim. Mas, fiquei apenas vinte minutos.
— Oh… – ela ficou surpresa — Algo que o desagradou?
— Não te encontrei.

Ela bebia seu drink quando o ouviu, olhou para ele sorrindo sugestiva, mas, sem graça. E ele sorriu de volta.

— Creio que não desejava me ver para cobrar algum reparo do seu carro…
— Não mesmo! – eles riram — Apenas… Estava curioso. Sinceramente achei você uma louca, e eu tenho um fraco pelas insanas.
— Então veio ao lugar certo. – ela respondeu com uma sonora gargalhada.

descobria-se mais e mais interessado em conhecê-la, era tão magnético o clima entre os dois. Ou talvez fosse o tesão acumulado de muito tempo, sobre ele.

— Me fale sobre seu estabelecimento! – ele deixou o copo na mesinha de centro e recostou-se aconchegante.

A verdade, é que sabia que aquela postura largada, evidenciava seu abdômen rígido, principalmente por utilizar a camisa do mais fino algodão que havia escolhido. Dali para frente, cada gesto referenciaria a uma caçada. Cada gesto, seria proposital.

— Meu avô foi um cafetão e este lugar pertenceu a minha família por anos. Mas, o sócio dele comprou a parte majoritária, após ele ter perdido o controle dos negócios. Cinco anos atrás consegui recomprar a “casa” e reformulei a imagem dela. Hoje ela não é mais um prostíbulo, é um clube de divertimento e apresentações.

— Uau… Mesmo com as strippers e go-go boys, não há prostituição aqui?
— Não, todas apresentações artísticas. Para quebrar esse conceito de strippers, que provavelmente você adquiriu após ver nossos murais fotográficos, são apresentações de pole dance.
— Hm… Nos lugares que frequentei, pole dance e striptease eram a mesma coisa.
— Pois aqui, para conseguir um Strip, você terá que conquistar uma mulher como todo homem comum, e se ela quiser, encaminhar-se a um motel.

Ele sorriu, em seguida, riu e ela o acompanhou.

— Você é direta. Gosto.
— Que bom, então nos entenderemos bem… Mas, e o que lhe trouxe hoje aqui? Procurava um show de Strip?
— Não. Procurava me distrair para liberar a tensão de não conseguir compor. E também… A curiosidade em vê-la.

assentiu sorrindo.

— Anda curioso a meu respeito…
— E a cada momento aqui dentro, ainda mais.
— Que tal um jogo?
— Topo.
— Eu nem falei como era.
— Certo… – ele sorriu.
— Um jogo de perguntas. Assim, perdemos todas as curiosidades.
— Todas?
— Todas aquelas que as perguntas responderem.
— Topo.
— Quer mais bebida? – ela perguntou sorrindo.
— Quer me deixar bêbado?
— Não começamos o jogo ainda…
— Eu sei.

Havia algo magnético mesmo. Cada vez mais.

— O que quiser beber. – por fim ele respondeu.

se levantou e encaminhou-se ao “barzinho” de seu escritório. observava cada passo, cada gesto, e cada detalhe do corpo dela. Porque raios ela vestia tanta transparência daquele jeito? Era como se soubesse que ele viria vê-la! Ela serviu uísque para ambos, e sentou-se novamente ao lado dele. Sempre muito elegante e provocativa, mas, numa provação natural. Ela não ensaiava, não premeditava aquilo ao contrário de . E ele sabia disso, pois, reconhecia quando uma mulher insinuava-se para ele.

— Pode começar…
— Você sempre e veste assim, aqui?

Ela riu.

— Eu costumo me vestir como a ocasião pede. Gosto de ser vista lá em baixo como a dona disso aqui. Especialmente hoje, que eu não pretendia descer, me vesti com um glamour que não vai ser apreciado o tempo todo.
— Pretende descer agora?
— Não, não pretendo.
— E bem… Não deu muito certo. Eu estou aqui estragando seus planos e apreciando seu look da noite.
— Não há como nos preparar para o improvável, não é?
— Casada?
— Solteira.
— Filhos?
— Um Golden Retriever.
— Solteira por quê?
— Por quê nunca me apaixono.

Silêncio. O sorriso de , saiu e deu espaço para um brilho intrigante aos seus olhos.

— Minha vez. Por quê não consegue compor?
— Eu não sei. Tenho passado por fases diferentes… Acho que algumas questões estão começando a me deixar preocupado.
— Quais questões?
— Futuro, família, o meu propósito de existência.
— Nossa, que profundidade… Relaxe um pouco . O que costuma fazer para superar quando surge um bloqueio criativo?
— Sexo.
— Já tentou?
— Várias vezes, mas este tem sido complicado… – ele suspirou pesadamente.

— Agora eu. O que você faz para desestressar?
— Sexo. Mas, sempre funciona então, não sei como ajudar você.

Os dois riam divertidos.

— Quer mais um drinque? – ele perguntou.
— Quer me deixar bêbada agora?
— Você faz sexo bêbada?
— Foi o que veio procurar aqui comigo?
— Não. – ele respondeu imediatamente.
— E o que você quer de mim?
— Beleza, eu quero transar com você.

Ele disse por fim, e ambos gargalhavam.

— Se eu aceitasse… O que implicaria isto?
— Você estaria me ajudando a relaxar, para compor.
— Hm…
— Que hora você fica livre?
— Ao amanhecer.

se ajeitou no sofá, e aproximou-se mais de , e ainda mais de seus lábios, e de um modo sussurrado lhe disse:

— Você aceita?
— Agora?
— Você falou que eu teria que conquistar uma mulher e ir para um motel… Você pode ir para um motel?
— Não foi você quem conquistou. Eu te conquistei. O clube é meu, e eu faço sexo onde quiser, inclusive em meu escritório.

retirou o copo da mão dele, e calmamente o beijou. passou as mãos pela cintura dela apertando levemente.  Sorriu, com um comentário que veio à sua mente.

— Você é mesmo insana…

Ela levantou-se, e colocando-se entre as pernas dele, ela abaixou lentamente o véu transparente de sua saia. puxou-a para mais perto e beijou o abdômen dela, brincando com alguns chupões na região.
Subiu as mãos massageando os seios dela, e sorriu com o gesto tão delicado, numa atmosfera que percebiam ser tão selvagem.
Numa rapidez que ela não percebeu, se levantou e colou os corpos um do outro. Beijava o pescoço dela com carinho e fazia carinhos em suas costas. Ele mordeu o lóbulo da orelha de , e ela soltou um gemido baixo, que os deixou ainda mais excitados. Que sensação era aquela de tamanha necessidade? não estava há tanto tempo sem transar com alguém… E aquilo era extremamente estranho: o poder dos toques de , deixando seu corpo quente, eufórico e fraco. Ela prendeu-se aos braços dele, fortes. E observava as tatuagens do corpo dele, que a faziam querer decorar cada traço.

— Como você se sente, baby? - ele perguntou ao ver a fraqueza da mulher.
— Estou bem… Continue.

sentiu-se vitorioso, pois, nada havia feito ainda e já estava tão entregue. Em contrapartida, mal sabia ela, que o corpo dele também sofria de tremores precoces. Desejava acabar com tudo rapidamente, mas, era maravilhoso deleitar-se em cada sensação lenta de seus corpos.
Ele puxou o cropped dela, e em seguida retirou o top branco, que delineava seus seios como numa escultura perfeita.
Avistou a tatuagem abaixo da curva do seio dela, quando sentou-se no sofá indicando-a que sentasse em seu colo. Não era a única tatuagem do corpo dela, haviam outras bem mais aparentes, mas, justamente aquela pequena e delicada abaixo do seio, fez com que o corpo dele puxasse-a de modo desesperado.

— Amanhã você poderá dizer que ficou louco ao te ver.
— Não sou assim, tão pretensiosa.
— Não soaria dessa forma… – ele reprimia os gemidos à medida que os lábios dela brincavam com seu corpo, em cada parte onde passavam, deixavam um rastro de tortura boa — Na verdade, eu me sentiria honrado em ouvir as pessoas dizerem que eu perdi a linha por sua causa…

sorriu. Não era o tipo de “sacanagem” que estava acostumada a ouvir num momento daqueles. Na verdade, nem considerou uma sacanagem. Pelo contrário, e sorriu porque se sentiu mulher. Se sentiu respeitada. Sentiu que não queria apenas se satisfazer, mas também a ela.
E para , aquela estava sendo a transa mais atípica de sua vida. Quando é que ele diria algo daquele tipo para uma mulher, no meio de uma transa? Nunca havia feito aquilo, embora achasse certo e mal saberia explicar o êxtase na sensação de exaltá-la daquela maneira, e sentir as mãos dela o acariciando de modo tão grato por aquilo.

Aquela mulher, desconhecida, louca, intrigante, mas também, gostosa, bonita, esperta, e simpática estava sendo o que poderia chamar de “o mais próximo de um sexo com sentimento”. A cabeça dele girava, e à medida que os lábios dela tocaram seu membro, já excitado demais para ser evitado, ficava ainda mais eufórico com uma única frase em sua mente: “Será possível que estou me apaixonando agora, pela primeira vez, no meio de uma transa casual com uma mulher que acabei de conhecer?”.
O desespero era forte e ele tinha medo de onde aquilo ia parar. Queria focar no carnal e esquecer o sentimentalismo, mas talvez, a carência fosse a responsável por aquela instabilidade repentina.

Sacudiu a cabeça para afastar os pensamentos e acariciou a nuca dela, que o olhou diretamente em seus olhos. sentou-se novamente em seu colo, e eles beijaram-se. logo separou o beijo, e colocou-a deitada sobre o sofá. Nunca estar em cima de uma mulher foi tão prazeroso, quanto bela a imagem da luxúria nos olhos dela.

As mãos ágeis de retiraram a última peça de roupa que faltava nela, e a partir dali, os dois derreteram-se um no outro. E depois de “acabar”, havia muito mais dúvidas do que antes, naquele jogo de perguntas. Eles se levantaram sorridentes, e surpresos e começaram a se vestir. puxou o corpo dela para perto do seu e a beijou, da maneira mai calma e profunda que poderia fazer. Sussurrou algo no ouvido dela, que concordou sorrindo.

Ela desceu as escadas do escritório para o primeiro andar, onde o movimento só fizera aumentar. Trocou palavras com Pietro, que sorriu ao ver que a aguardava para sair. Os dois saíram juntos. Seguiram para o carro dele. Em seguida o motorista os levou para a casa de .
E ali, no flat, silencioso e escuro, e exploraram seus corpos com mais vontade, mais desejo, e muito mais prazer.
Ele não conseguiu pegar no sono. Lembrava as palavras luxuriosas e as provocações que sussurrou em seu ouvido, e observava ela dormir nua ao seu lado. Aquilo tudo parecia um verdadeiro delírio. O que afinal de contas, havia acontecido àquela noite?

Como se todas as coisas voltassem ao seu devido lugar, levantou-se rápido, e sorridente, puxou o papel rabiscado sobre a mesa do quarto, e começou a escrever a letra. Ele sabia que a inspiração voltaria aquela noite. Mas, a verdade, é que não foi o sexo por si. Ou um ritual que estava habituado, ou simplesmente o relaxar. Foi ela.
Foi estar nela, com ela, e todo o conjunto da obra.

Queria sair correndo pelo sentimento de frequência cardíaca desregulada que, mesmo após, uma hora de terem transado ainda se mostrava presente no peito dele. Aquele descompasso o deixava apavorado. E quanto mais apavorado, mais escrevia. Quanto mais escrevia, mais revivia as sensações e palavras dela ecoavam em sua mente. Já sabia como seria aquela música desde o beat – que estava pronto – até os ajustes finais, já sabia que teria uma parceira para cantá-la também.

De manhã, ao acordar, caminhava pelo quarto observando tudo de maneira calma e silenciosa. Avistou as anotações no papel e o lia, quando abriu os olhos devagar. Observava calado, a mulher quieta e curiosa sobre aquela letra. E ela sorria.

— Obrigado. – ele disse.
— Consegui te ajudar, então… – sorriu satisfeita.
— Você sabe cantar?
— Não.
— Que pena… Somos bons juntos.
— Somos… Você vai achar idiota, mas, eu nunca tinha vivido um sexo como o de ontem… Foi como ir às nuvens e não querer voltar.

Ele sorriu por entender a referência que ela fazia. Havia escrito aquilo.

— Você não pode se afastar do clube não é?
— Não, mas… Porquê pergunta isso? Quer me sequestrar?
— Quero.

Ela gargalhou, mas ficou calado.  Ele levantou-se indo na direção dela. E ela ficou nervosa. Não sabia o motivo.

— Que tal um jogo? – ele perguntou.
— Topo.
— Quer ser minha stripper fixa?
— Como?
— Seja a minha inspiração insana.
— Eu ainda não entendi.
— Vem pra turnê comigo?
— Não posso.
— Como eu faço para conquistar essa mulher e levá-la comigo?
— Você não a conquista. Se deixa ser conquistado.
— E quando eu já fui?
— Volte da turnê e a procure, nem que tenha que atropelá-la. Se a música fizer sucesso, ela é sua.

sorriu e jogou-se em sua cama novamente, deitando de bruços e suspirando fundo. Ele sabia que aquela música seria sucesso. Não demorou muito, para que voltasse a deitar com ele, rindo da própria ansiedade. A ansiedade de que a turnê acabasse logo, e a música fosse o maior hit do momento, para que ela pudesse então ficar com ele por tempo indeterminado.




Fim.



Nota da autora: Heey girls! Escrita em uma noite, espero que a fic tenha agradado vocês! Espero os comentários abaixo,ansiosamente. Eu não posso deixar de agradecer à Nicki qua apesar de não ter escrito a fanfic comigo, foi muito gentil em se disponibilizar a me ajudar se fosse preciso. E à Adri pela ajuda linda em pensar numa capa, maravilhosa, junto comigo! Agradecimentos também à scripter pela dedicação e paciência! Obrigada meninas, por todo o carinho!

A música tema desta fanfic se encontra aqui.



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Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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