Prólogo
York, Olivier’s Pub - Domingo, 00:01AM
conferiu o horário no relógio de parede do pub, percebendo que não faltava muito tempo para irem embora. Informou aos outros integrantes e se virou para a plateia que os assistiam, pronto para anunciar.
– Bem, não nos resta muito tempo essa noite. – Anunciou, ouvindo um som de decepção das pessoas. – Mas, para nos despedir, iremos finalizar esse show com duas músicas. A que vamos tocar agora, é dedicada a uma pessoa muito especial em minha vida, mesmo que não esteja tão próxima. Essa música se chama "Let’s Not Be Alone Tonight". Eu espero que você esteja escutando isso de onde quer que esteja.
puxou a música com as baquetas, fazendo todos o seguirem. , enquanto começava a música, procurou a garota de cabelos recém pintados e cortados, sabia que ela estava lá. Quando achou a garota com cabelos curtos e pretos, vestindo um vestido longo e florido, o sorriso cresceu um pouco.
Cantou a música inteira olhando para a melhor amiga, ansiando para que tudo voltasse como era antes.
– Hey, let's not be alone tonight. You don't have to be alone. – Cantou a última parte, vendo a plateia aplaudir a banda. – Que bom que gostaram! Agora vamos tocar a nossa última música da noite, ela se chama “Meet You There” , é uma música nova e espero que gostem.
Mais uma vez, foi o baterista quem puxou a música, fazendo todo o restante da banda o seguir.
– Now you're gone, I wonder why left me here. I think about it on and on, and on, and on, and on again. – Cantava olhando para a plateia, até seu olhar parar em uma pessoa que havia recém-chegado. – I know you're never coming back. I hope that you can hear me, I'm waiting to hear from you, until I do.
Congelou o seu olhar na garota que havia chegado há pouco tempo e seguiu-a com os olhos, até ela se sentar em uma das cadeiras próximas ao bar, não tão longe do pequeno palco. Ela tinha um ar de mistério, seu cabelo, que estava meio-preso para cima, poderia por si só roubar a atenção de muitas pessoas. Sua maquiagem era leve, dando realce ao vestido curto e preto que usava – que mais se parecia com uma grande blusa – e seus olhos hipnotizantes, que também encaravam .
– I wish I could have told you the things I kept inside, but now I guess it's just too late. – Continuou a cantar, ainda sem desviar o seu olhar.
escutava a música que estava tocando assim que chegou no pub. A música era boa, mas o que a deixava mais interessante, era o guitarrista e vocalista da banda encarando-a desde que ela havia chegado. Ela havia decidido participar do jogo também. Manteve contato visual com o guitarrista, até a música se aproximar do final, só então desviou o seu olhar para o bar.
– I'll meet you there. – terminou de cantar, ainda olhando para a garota que já não o olhava mais. Ouviu a plateia o aplaudir em êxtase. – Bem, a nossa sessão infelizmente terminou aqui, gostei muito de tocar para vocês, mas agora temos que ir.
Ouviu algumas pessoas reproduzirem sons tristes, o que fez ele e os outros garotos sorrirem.
– Espero ver vocês em breve, até a próxima!
foi o último ao sair do palco e, quando tentou ir atrás dos meninos, já não conseguia mais. e haviam sumido, provavelmente atrás de garotas, fingindo já serem maiores de idade. estavam encostado no bar, mandando mensagens para alguém; só restou ir ao encontro de , que não estava muito longe do palco.
Se aproximou um pouco da garota de vestido florido, chamando a sua atenção.
– Olá guitarrista desconhecido. – Sorriu ao falar com ele. –
– Olá senhorita florida, tudo bem?
– Depois daquela música incrível, como não poderia estar?
– Que bom que gostou. – Sorriu. – Como entrou aqui?
– Tenho os meus contatos, com eles eu tenho a idade que preciso. – Riu de forma travessa, fazendo rir fraco. – Mas, mudando de assunto, vi que na última música não tirou os olhos de alguém, quem era a sortuda?
– Que olhos de águia. – Continuou a rir fraco, balançando a cabeça. – Mas não era ninguém, ninguém relevante. Considerando que estamos em um pub, é alguém inalcançável para mim e esquecível.
– Que pena, vai que ela era o amor da sua vida. – Cutucou-o com o ombro, rindo da expressão indignada de . – Bem, eu amaria conversar mais, mas eu tenho que ir encontrar uma amiga, até mais, !
– Até!
Viu a garota sair e sumir dentro da multidão que estava no pub.
York, Adnet Destiny Academy - Quinta, 12:19PM
– Se eu fosse a , eu sumiria da face da terra.
escutava algumas pessoas conversando sobre o maldito vídeo que havia virado o assunto do mês no colégio. Sentia uma raiva tomar o seu peito, como fogo espalhando por uma pele encharcada de gasolina.
Saiu de lá rapidamente, tentando não se descontrolar outra vez, mesmo que tivesse mais motivos do que nunca. até poderia não ser tão próxima dele quanto era antes, mas, mesmo se ela fosse uma completa desconhecida, aquela situação o deixaria extremamente afetado e irritado. Talvez fosse algo de .
Caminhou pelo campus, até escutar um choro baixo vindo de trás de uma árvore. Reconhecia aquele choro. Deu a volta e viu com a cabeça entre os joelhos, um pouco descabelada.
– O que aconteceu? – Perguntou sútil, sentando ao lado da garota.
– Eu estou tão cansada, . Eu não aguento mais tantas pessoas falando dessa merda. – Falou entre o choro. –
apenas abraçou-a de lado, em uma tentativa de consolá-la, mas sabia que, após o vazamento de algo tão íntimo, ninguém ficaria bem apenas com um abraço. Ele não podia tirá-la de todo aquele sofrimento, apenas ajudá-la a superar toda a dor que sentia, se é que aquilo fosse possível.
– Eu convenci o meu pai a me deixar um tempo em outro lugar, irei ficar um tempo no Canadá com a minha tia. – Cessava um pouco o choro para falar. – Não sei quando volto, ou se volto, depende de como a situação vai estar.
– Eu vou tentar acabar com a bagunça enquanto não estiver aqui, vai ficar tudo bem. – Apertou mais o abraço. – Vai ficar tudo bem.
conferiu o horário no relógio de parede do pub, percebendo que não faltava muito tempo para irem embora. Informou aos outros integrantes e se virou para a plateia que os assistiam, pronto para anunciar.
– Bem, não nos resta muito tempo essa noite. – Anunciou, ouvindo um som de decepção das pessoas. – Mas, para nos despedir, iremos finalizar esse show com duas músicas. A que vamos tocar agora, é dedicada a uma pessoa muito especial em minha vida, mesmo que não esteja tão próxima. Essa música se chama "Let’s Not Be Alone Tonight". Eu espero que você esteja escutando isso de onde quer que esteja.
puxou a música com as baquetas, fazendo todos o seguirem. , enquanto começava a música, procurou a garota de cabelos recém pintados e cortados, sabia que ela estava lá. Quando achou a garota com cabelos curtos e pretos, vestindo um vestido longo e florido, o sorriso cresceu um pouco.
Cantou a música inteira olhando para a melhor amiga, ansiando para que tudo voltasse como era antes.
– Hey, let's not be alone tonight. You don't have to be alone. – Cantou a última parte, vendo a plateia aplaudir a banda. – Que bom que gostaram! Agora vamos tocar a nossa última música da noite, ela se chama “Meet You There” , é uma música nova e espero que gostem.
Mais uma vez, foi o baterista quem puxou a música, fazendo todo o restante da banda o seguir.
– Now you're gone, I wonder why left me here. I think about it on and on, and on, and on, and on again. – Cantava olhando para a plateia, até seu olhar parar em uma pessoa que havia recém-chegado. – I know you're never coming back. I hope that you can hear me, I'm waiting to hear from you, until I do.
Congelou o seu olhar na garota que havia chegado há pouco tempo e seguiu-a com os olhos, até ela se sentar em uma das cadeiras próximas ao bar, não tão longe do pequeno palco. Ela tinha um ar de mistério, seu cabelo, que estava meio-preso para cima, poderia por si só roubar a atenção de muitas pessoas. Sua maquiagem era leve, dando realce ao vestido curto e preto que usava – que mais se parecia com uma grande blusa – e seus olhos hipnotizantes, que também encaravam .
– I wish I could have told you the things I kept inside, but now I guess it's just too late. – Continuou a cantar, ainda sem desviar o seu olhar.
escutava a música que estava tocando assim que chegou no pub. A música era boa, mas o que a deixava mais interessante, era o guitarrista e vocalista da banda encarando-a desde que ela havia chegado. Ela havia decidido participar do jogo também. Manteve contato visual com o guitarrista, até a música se aproximar do final, só então desviou o seu olhar para o bar.
– I'll meet you there. – terminou de cantar, ainda olhando para a garota que já não o olhava mais. Ouviu a plateia o aplaudir em êxtase. – Bem, a nossa sessão infelizmente terminou aqui, gostei muito de tocar para vocês, mas agora temos que ir.
Ouviu algumas pessoas reproduzirem sons tristes, o que fez ele e os outros garotos sorrirem.
– Espero ver vocês em breve, até a próxima!
foi o último ao sair do palco e, quando tentou ir atrás dos meninos, já não conseguia mais. e haviam sumido, provavelmente atrás de garotas, fingindo já serem maiores de idade. estavam encostado no bar, mandando mensagens para alguém; só restou ir ao encontro de , que não estava muito longe do palco.
Se aproximou um pouco da garota de vestido florido, chamando a sua atenção.
– Olá guitarrista desconhecido. – Sorriu ao falar com ele. –
– Olá senhorita florida, tudo bem?
– Depois daquela música incrível, como não poderia estar?
– Que bom que gostou. – Sorriu. – Como entrou aqui?
– Tenho os meus contatos, com eles eu tenho a idade que preciso. – Riu de forma travessa, fazendo rir fraco. – Mas, mudando de assunto, vi que na última música não tirou os olhos de alguém, quem era a sortuda?
– Que olhos de águia. – Continuou a rir fraco, balançando a cabeça. – Mas não era ninguém, ninguém relevante. Considerando que estamos em um pub, é alguém inalcançável para mim e esquecível.
– Que pena, vai que ela era o amor da sua vida. – Cutucou-o com o ombro, rindo da expressão indignada de . – Bem, eu amaria conversar mais, mas eu tenho que ir encontrar uma amiga, até mais, !
– Até!
Viu a garota sair e sumir dentro da multidão que estava no pub.
York, Adnet Destiny Academy - Quinta, 12:19PM
– Se eu fosse a , eu sumiria da face da terra.
escutava algumas pessoas conversando sobre o maldito vídeo que havia virado o assunto do mês no colégio. Sentia uma raiva tomar o seu peito, como fogo espalhando por uma pele encharcada de gasolina.
Saiu de lá rapidamente, tentando não se descontrolar outra vez, mesmo que tivesse mais motivos do que nunca. até poderia não ser tão próxima dele quanto era antes, mas, mesmo se ela fosse uma completa desconhecida, aquela situação o deixaria extremamente afetado e irritado. Talvez fosse algo de .
Caminhou pelo campus, até escutar um choro baixo vindo de trás de uma árvore. Reconhecia aquele choro. Deu a volta e viu com a cabeça entre os joelhos, um pouco descabelada.
– O que aconteceu? – Perguntou sútil, sentando ao lado da garota.
– Eu estou tão cansada, . Eu não aguento mais tantas pessoas falando dessa merda. – Falou entre o choro. –
apenas abraçou-a de lado, em uma tentativa de consolá-la, mas sabia que, após o vazamento de algo tão íntimo, ninguém ficaria bem apenas com um abraço. Ele não podia tirá-la de todo aquele sofrimento, apenas ajudá-la a superar toda a dor que sentia, se é que aquilo fosse possível.
– Eu convenci o meu pai a me deixar um tempo em outro lugar, irei ficar um tempo no Canadá com a minha tia. – Cessava um pouco o choro para falar. – Não sei quando volto, ou se volto, depende de como a situação vai estar.
– Eu vou tentar acabar com a bagunça enquanto não estiver aqui, vai ficar tudo bem. – Apertou mais o abraço. – Vai ficar tudo bem.
Capítulo 1
Três meses depois…
York, Holgate - Segunda, 07:39AM
Faziam exatos três meses desde que havia partido para outro país, deixando uma promessa incompleta. estava sendo uma grande afetada daquela promessa vazia, sentindo falta da única pessoa daquele lado da família que não a via como uma bastarda. Se perguntava o que aconteceria se fossem mais próximas antes; talvez, se o seu pai não fosse um completo idiota de sangue ruim, elas seriam mais próximas. Talvez poderia perceber em o que os pais dela não haviam percebido. Talvez ela pudesse fazer o seu papel de irmã mais velha e ter ajudado mais . Pensamentos repletos de “talvez”, que ficariam apenas em um universo alternativo daquela história.
Parou de ler os comentários dos vídeos da irmã, que haviam sido postados em alguma página de fofoca do colégio, quando ouviu o seu pai chamá-la. Era tão estranho agora estar morando com ele, sendo sustentada por ele, mas sabia por qual motivo ele estava fazendo aquilo: estava fazendo uma tentativa de preencher a falta de , realizando os desejos da garota de fazer a irmã ter os seus direitos na familia. Pelo menos poderia dizer, com orgulho, que estudava na Adnet Destiny por mérito, por uma bolsa que ela havia conquistado, não por seu pai ter dó dela, por tê-la abandonado-a por anos e resolver pagar um estudo musical decente para ela agora.
Pegou a sua mochila, desligou seu notebook, pegou seu celular e saiu do quarto, indo ao encontro do seu pai, que havia decidido levá-la no primeiro dia de aula. Ele estava tentando e, mesmo que não fosse substituir todos os anos sem ele, talvez não fosse tão ruim quanto pensava.
York, Adnet Destiny Academy - Segunda, 08:12AM
escutava, completamente entediada, sobre as regras da companhia, que já havia sido obrigada a escutar quando se matriculou na instituição. Sabia que, provavelmente, era um processo do colégio explicar na primeira aula do primeiro dia, mas não poderia ignorar o seu tédio escutando tudo novamente, quem dirá os alunos mais antigos.
Não era a maior fã das matérias cotidianas do ensino médio, nunca foi a melhor aluna da turma nesse quesito, então sabia que seu desempenho e interesse na primeira parte do dia letivo – quando tinham as matérias comuns do ensino médio – seriam bem menores do que na segunda parte do dia, quando, finalmente, estudaria o que tanto queria, música.
– E, como eu sei que a maioria aqui já se conhece, por estarem aqui há bastante tempo, quero apresentá-los exclusivamente a aluna nova. – O professor informou assim que terminou de explicar, fazendo todos virarem a sua atenção para o único rosto novo naquela sala. – , pode se levantar, por favor?
A loira revirou os olhos de forma sútil, tentando colocar para fora o medo e raiva que tinha ao ter a atenção para ela, só então se levantou e acenou de forma contraída para as pessoas que a olhavam.
– Essa é , ela vai acompanhar todos vocês durante essa jornada, então tratem-a como tratam uns aos outros.
queria enterrar a sua cabeça no chão, se perguntando se poderia ser pior. Quando finalmente foi liberada pelo professor, ouviu alguém sussurrar sobre , falando sobre como a novata lembrava um pouco a garota; até quis rir ao ouvir aquilo. Achava engraçado quando as pessoas a achavam parecida com a sua irmã, então se lembrava que apenas seus pais e sua nova madrasta sabiam que era a sua irmã. E ela preferia manter isso em segredo, não tentaria mentir, caso perguntassem, mas também não anunciaria. Talvez algumas pessoas percebessem pelo fato – talvez um azar apenas da parte de , que teria que ver um rosto similar ao do genitor quando se olhasse no espelho – das duas filhas serem quase a cópia do pai.
Ignorou os pensamentos que giravam em torno do pai e da irmã mais nova, e então começou a depositar sua atenção no professor, que já havia começado a explicar a matéria daquele bimestre.
York, Adnet Destiny Academy - Segunda, 14:38PM
– Eu quero esse trabalho para a semana que vem. Iremos ter a semana inteira para apresentá-lo, pois sei que apenas nas aulas de segunda, nem todos conseguirão apresentar. – O homem de cabelos vermelhos continuava a falar, ainda andando pela sala. – É um trabalho importante e eu quero que me entreguem as fichas dos grupos até o final do dia, então, quem ainda não estiver em um grupo, tome uma providência rapidamente.
Antes que o homem pudesse falar mais, o sinal tocou, ecoando por todo o prédio. Rapidamente os alunos daquela turma se levantaram e começaram a se deslocar até a sala onde aconteceria a aula de canto. A maioria dos alunos, durante o caminho, já planejava o que fariam no trabalho de música em conjunto, diferente de , que ainda não estava em nenhum grupo e ficava analisando em qual lugar ela se encaixava. Parecia estar perdida em todos.
Não demorou muito para que os alunos chegassem na sala e encontrassem a mulher de cabelos grisalhos, senhora Fournier, a veterana da companhia, a única que estava lá desde o momento em que a Adnet Destiny Academy havia sido fundada.
– Como é bom ver vocês novamente! – A mulher falou de forma tão feliz, que chegava a ser contagiante. – Vi que temos um rostinho novo nessa turma também! Acho que espalharam os alunos novos pelas turmas. Qual o seu nome mocinha?
– , prazer. – Sorriu de forma gentil para a mulher, que retribuiu o sorriso.
– Pode me chamar de senhora Fournier, seja muito bem-vinda!
– Obrigada.
– Bem, para aquecer a voz de vocês na aula de hoje, vamos cantar a última música que usamos para treinar no último ano letivo, se lembram? – Todos responderam positivamente. – Para a , que não estava aqui no último ano letivo, cantamos a música de Natal do John Lennon, você a conhece? – A loira concordou com a cabeça. – Ótimo, então cada um cantará um verso e as partes que se assemelham a uma multidão cantando, todos cantarão, certo?
Assim que a turma assentiu, a professora colocou o toque da música para tocar e, quando já era a hora em que deveriam cantar, a professora apontava para cada um. estava longe de ser uma das primeiras, mas sua vez pareceu chegar absurdamente rápida. Engoliu a seco quando a pessoa antes dela cantou, então, quando a senhora Fournier apontou para ela, a garota mostrou sua voz.
– And so this is Christmas. – Cantou um pouco tímida, cantarolando logo após a parte do “War is over” com o restante da turma.
Olhou para o lado e viu um garoto de pele bronzeada e cabelos escuros, que estavam um pouco bagunçados. Ele parecia bem mais confiante e não aparentava se preocupar em ser o próximo a cantar.
– For weak and for strong. – Fez um pouco de charme no final do verso, prolongando sua nota enquanto todos cantavam o eco que vinha depois.
não sabia se dava risada pela aparição do garoto ou ficava impressionada com a sua voz, que, ninguém, nem o pior inimigo do garoto, poderia dizer que era feia.
Viu mais alguns garotos ao lado dele cantarem, garotos esses que, nas aulas anteriores do segundo período, havia concluído que eram seus amigos. Não demorou muito para que a música terminasse e a professora aplaudisse a todos.
– Incríveis. – Elogiou-os, com o mesmo sorriso no rosto. – Sabem que eu sempre gosto de fazer esse tipo de exercício para saber como está o desempenho de vocês, tanto de forma solo, como em conjunto, para analisar o que devemos trabalhar em vocês. Agora vamos praticar alguns exercícios!
O sinal havia acabado de tocar para que fossem para a próxima sala, a última aula do dia. deixou que a saída em massa acabasse para sair da sala, mas quando colocou um dos pés para fora da sala, sentiu uma mão tocar o seu ombro, parando-a no lugar onde estava. A loira se virou, com um misto de receio e raiva, até que viu um garoto de cabelos pretos e cacheado, com a pele branca um pouco amarelada.
– Pois não? – Perguntou, feliz pelo garoto ter tirado sua mão do ombro dela.
– Você deve ser a Vallery, não é? – Perguntou como se não fosse óbvio, começando a andar junto com ela.
– Sou.
– Prazer, me chamo . – Sorriu para ela ao se apresentar. – Eu vi você cantando na aula da senhora Fournier e percebi que você canta muito bem. Também vi você na aula do senhor Giuseppe e sei que está sem grupo para o trabalho dele. Se quiser, pode entrar no meu grupo.
– E seu grupo tem alguém além de você? – Perguntou achando graça da situação, quase querendo rir.
– Sim, somos uma banda, na verdade. – Falava em um tom convencido, como se tivesse algo que não tinha. E ele tinha, um grupo. – Eles não queriam ter mais uma pessoa no grupo, mas eu os convenci depois da aula de canto.
– Devo agradecer? – Tirou sarro da situação.
– Se quiser. – Deu de ombros. – Mas, iai, quer fazer o trabalho com a gente?
pensou um pouco sobre a situação. Poderia ser a escolha que a salvaria de tirar uma nota ruim naquele trabalho, mas também poderia ser a sua ruína naquele trabalho. Bem, esse era o momento de arriscar e saber se poderia confiar academicamente naquelas pessoas, ou se eles acabariam com ela.
– Tudo bem, eu faço. – Sorriu fraco, apenas com os lábios.
– Me passa o seu e-mail lá dentro da sala, não quero me atrasar para a aula. – Falou e logo depois passou por ela, indo diretamente para a sala.
Deu de ombros, entrando na sala logo atrás dele, indo direto para uma carteira na frente, pegando um papel e anotando o seu e-mail para entregar para , que esperava ao seu lado.
York, Holgate - Segunda, 20:01PM
A loira estava vestida com o seu babydoll azul, após ter tomado banho, e já estava alimentanda. Ainda era um pouco estranho jantar na mesa com todos reunidos, ainda mais quando esse “todos” se referia ao seu pai e sua madrasta, mas sabia que, em breve, ela iria se acostumar. Subiu para o seu quarto assim que terminou de comer, ligando o seu notebook e indo diretamente para as notificações que haviam chegado. A primeira era de um e-mail de , onde ele informava que iria criar um grupo para eles em um aplicativo de conversa, que só precisava que instalasse o aplicativo em seu computador e registrasse seu e-mail. ignorou as outras notificações e instalou o aplicativo, registrando seu e-mail quando a instalação foi completada e então respondeu o e-mail de , informando que já havia feito o que ele havia pedido.
Continuou fazendo as suas coisas, até que duas notificações do novo aplicativo chegaram. Uma era de que um e-mail – que logo viu que era o de – havia a adicionado em um grupo nomeado como “Nota DEZ”. A próxima notificação, era de duas mensagens de no grupo.
“Gente, precisamos ver o que iremos fazer no trabalho, todo mundo consegue chegar mais cedo amanhã? Podemos nos reunir na praça em frente ao colégio, ou no jardim do campus. Afinal, , aqui temos o , o (mas chamamos ele de ), o e a nossa intrusa, , que estava sem grupo também. Por favor, se apresentem para que ela saiba o e-mail de cada um e salve o contato de vocês.”
A loira se levantou da cama e foi até a porta do seu quarto, abrindo-a e colocando apenas metade do corpo para fora.
– Pai, eu posso ir para o colégio mais cedo amanhã? – Gritou para que o homem escutasse.
– Pode sim, eu falo com o motorista! – Gritou de volta.
fechou a porta e voltou para a sua cama, pegando o seu notebook e vendo que algumas pessoas já haviam se apresentado para ela, confirmado a sua presença mais cedo no colégio no dia seguinte. Se ajeitou e começou a digitar, para que não demorasse a responder:
“Olá a todos! Eu consigo chegar mais cedo amanhã também, então, por mim, tudo bem.”
Enviou a mensagem e começou a salvar o contato de quem já havia se identificado, então voltou a fazer as suas coisas, para voltar a sua atenção para o grupo quando já não tivesse mais obrigações para fazer.
York, Holgate - Segunda, 07:39AM
Faziam exatos três meses desde que havia partido para outro país, deixando uma promessa incompleta. estava sendo uma grande afetada daquela promessa vazia, sentindo falta da única pessoa daquele lado da família que não a via como uma bastarda. Se perguntava o que aconteceria se fossem mais próximas antes; talvez, se o seu pai não fosse um completo idiota de sangue ruim, elas seriam mais próximas. Talvez poderia perceber em o que os pais dela não haviam percebido. Talvez ela pudesse fazer o seu papel de irmã mais velha e ter ajudado mais . Pensamentos repletos de “talvez”, que ficariam apenas em um universo alternativo daquela história.
Parou de ler os comentários dos vídeos da irmã, que haviam sido postados em alguma página de fofoca do colégio, quando ouviu o seu pai chamá-la. Era tão estranho agora estar morando com ele, sendo sustentada por ele, mas sabia por qual motivo ele estava fazendo aquilo: estava fazendo uma tentativa de preencher a falta de , realizando os desejos da garota de fazer a irmã ter os seus direitos na familia. Pelo menos poderia dizer, com orgulho, que estudava na Adnet Destiny por mérito, por uma bolsa que ela havia conquistado, não por seu pai ter dó dela, por tê-la abandonado-a por anos e resolver pagar um estudo musical decente para ela agora.
Pegou a sua mochila, desligou seu notebook, pegou seu celular e saiu do quarto, indo ao encontro do seu pai, que havia decidido levá-la no primeiro dia de aula. Ele estava tentando e, mesmo que não fosse substituir todos os anos sem ele, talvez não fosse tão ruim quanto pensava.
York, Adnet Destiny Academy - Segunda, 08:12AM
escutava, completamente entediada, sobre as regras da companhia, que já havia sido obrigada a escutar quando se matriculou na instituição. Sabia que, provavelmente, era um processo do colégio explicar na primeira aula do primeiro dia, mas não poderia ignorar o seu tédio escutando tudo novamente, quem dirá os alunos mais antigos.
Não era a maior fã das matérias cotidianas do ensino médio, nunca foi a melhor aluna da turma nesse quesito, então sabia que seu desempenho e interesse na primeira parte do dia letivo – quando tinham as matérias comuns do ensino médio – seriam bem menores do que na segunda parte do dia, quando, finalmente, estudaria o que tanto queria, música.
– E, como eu sei que a maioria aqui já se conhece, por estarem aqui há bastante tempo, quero apresentá-los exclusivamente a aluna nova. – O professor informou assim que terminou de explicar, fazendo todos virarem a sua atenção para o único rosto novo naquela sala. – , pode se levantar, por favor?
A loira revirou os olhos de forma sútil, tentando colocar para fora o medo e raiva que tinha ao ter a atenção para ela, só então se levantou e acenou de forma contraída para as pessoas que a olhavam.
– Essa é , ela vai acompanhar todos vocês durante essa jornada, então tratem-a como tratam uns aos outros.
queria enterrar a sua cabeça no chão, se perguntando se poderia ser pior. Quando finalmente foi liberada pelo professor, ouviu alguém sussurrar sobre , falando sobre como a novata lembrava um pouco a garota; até quis rir ao ouvir aquilo. Achava engraçado quando as pessoas a achavam parecida com a sua irmã, então se lembrava que apenas seus pais e sua nova madrasta sabiam que era a sua irmã. E ela preferia manter isso em segredo, não tentaria mentir, caso perguntassem, mas também não anunciaria. Talvez algumas pessoas percebessem pelo fato – talvez um azar apenas da parte de , que teria que ver um rosto similar ao do genitor quando se olhasse no espelho – das duas filhas serem quase a cópia do pai.
Ignorou os pensamentos que giravam em torno do pai e da irmã mais nova, e então começou a depositar sua atenção no professor, que já havia começado a explicar a matéria daquele bimestre.
York, Adnet Destiny Academy - Segunda, 14:38PM
– Eu quero esse trabalho para a semana que vem. Iremos ter a semana inteira para apresentá-lo, pois sei que apenas nas aulas de segunda, nem todos conseguirão apresentar. – O homem de cabelos vermelhos continuava a falar, ainda andando pela sala. – É um trabalho importante e eu quero que me entreguem as fichas dos grupos até o final do dia, então, quem ainda não estiver em um grupo, tome uma providência rapidamente.
Antes que o homem pudesse falar mais, o sinal tocou, ecoando por todo o prédio. Rapidamente os alunos daquela turma se levantaram e começaram a se deslocar até a sala onde aconteceria a aula de canto. A maioria dos alunos, durante o caminho, já planejava o que fariam no trabalho de música em conjunto, diferente de , que ainda não estava em nenhum grupo e ficava analisando em qual lugar ela se encaixava. Parecia estar perdida em todos.
Não demorou muito para que os alunos chegassem na sala e encontrassem a mulher de cabelos grisalhos, senhora Fournier, a veterana da companhia, a única que estava lá desde o momento em que a Adnet Destiny Academy havia sido fundada.
– Como é bom ver vocês novamente! – A mulher falou de forma tão feliz, que chegava a ser contagiante. – Vi que temos um rostinho novo nessa turma também! Acho que espalharam os alunos novos pelas turmas. Qual o seu nome mocinha?
– , prazer. – Sorriu de forma gentil para a mulher, que retribuiu o sorriso.
– Pode me chamar de senhora Fournier, seja muito bem-vinda!
– Obrigada.
– Bem, para aquecer a voz de vocês na aula de hoje, vamos cantar a última música que usamos para treinar no último ano letivo, se lembram? – Todos responderam positivamente. – Para a , que não estava aqui no último ano letivo, cantamos a música de Natal do John Lennon, você a conhece? – A loira concordou com a cabeça. – Ótimo, então cada um cantará um verso e as partes que se assemelham a uma multidão cantando, todos cantarão, certo?
Assim que a turma assentiu, a professora colocou o toque da música para tocar e, quando já era a hora em que deveriam cantar, a professora apontava para cada um. estava longe de ser uma das primeiras, mas sua vez pareceu chegar absurdamente rápida. Engoliu a seco quando a pessoa antes dela cantou, então, quando a senhora Fournier apontou para ela, a garota mostrou sua voz.
– And so this is Christmas. – Cantou um pouco tímida, cantarolando logo após a parte do “War is over” com o restante da turma.
Olhou para o lado e viu um garoto de pele bronzeada e cabelos escuros, que estavam um pouco bagunçados. Ele parecia bem mais confiante e não aparentava se preocupar em ser o próximo a cantar.
– For weak and for strong. – Fez um pouco de charme no final do verso, prolongando sua nota enquanto todos cantavam o eco que vinha depois.
não sabia se dava risada pela aparição do garoto ou ficava impressionada com a sua voz, que, ninguém, nem o pior inimigo do garoto, poderia dizer que era feia.
Viu mais alguns garotos ao lado dele cantarem, garotos esses que, nas aulas anteriores do segundo período, havia concluído que eram seus amigos. Não demorou muito para que a música terminasse e a professora aplaudisse a todos.
– Incríveis. – Elogiou-os, com o mesmo sorriso no rosto. – Sabem que eu sempre gosto de fazer esse tipo de exercício para saber como está o desempenho de vocês, tanto de forma solo, como em conjunto, para analisar o que devemos trabalhar em vocês. Agora vamos praticar alguns exercícios!
O sinal havia acabado de tocar para que fossem para a próxima sala, a última aula do dia. deixou que a saída em massa acabasse para sair da sala, mas quando colocou um dos pés para fora da sala, sentiu uma mão tocar o seu ombro, parando-a no lugar onde estava. A loira se virou, com um misto de receio e raiva, até que viu um garoto de cabelos pretos e cacheado, com a pele branca um pouco amarelada.
– Pois não? – Perguntou, feliz pelo garoto ter tirado sua mão do ombro dela.
– Você deve ser a Vallery, não é? – Perguntou como se não fosse óbvio, começando a andar junto com ela.
– Sou.
– Prazer, me chamo . – Sorriu para ela ao se apresentar. – Eu vi você cantando na aula da senhora Fournier e percebi que você canta muito bem. Também vi você na aula do senhor Giuseppe e sei que está sem grupo para o trabalho dele. Se quiser, pode entrar no meu grupo.
– E seu grupo tem alguém além de você? – Perguntou achando graça da situação, quase querendo rir.
– Sim, somos uma banda, na verdade. – Falava em um tom convencido, como se tivesse algo que não tinha. E ele tinha, um grupo. – Eles não queriam ter mais uma pessoa no grupo, mas eu os convenci depois da aula de canto.
– Devo agradecer? – Tirou sarro da situação.
– Se quiser. – Deu de ombros. – Mas, iai, quer fazer o trabalho com a gente?
pensou um pouco sobre a situação. Poderia ser a escolha que a salvaria de tirar uma nota ruim naquele trabalho, mas também poderia ser a sua ruína naquele trabalho. Bem, esse era o momento de arriscar e saber se poderia confiar academicamente naquelas pessoas, ou se eles acabariam com ela.
– Tudo bem, eu faço. – Sorriu fraco, apenas com os lábios.
– Me passa o seu e-mail lá dentro da sala, não quero me atrasar para a aula. – Falou e logo depois passou por ela, indo diretamente para a sala.
Deu de ombros, entrando na sala logo atrás dele, indo direto para uma carteira na frente, pegando um papel e anotando o seu e-mail para entregar para , que esperava ao seu lado.
York, Holgate - Segunda, 20:01PM
A loira estava vestida com o seu babydoll azul, após ter tomado banho, e já estava alimentanda. Ainda era um pouco estranho jantar na mesa com todos reunidos, ainda mais quando esse “todos” se referia ao seu pai e sua madrasta, mas sabia que, em breve, ela iria se acostumar. Subiu para o seu quarto assim que terminou de comer, ligando o seu notebook e indo diretamente para as notificações que haviam chegado. A primeira era de um e-mail de , onde ele informava que iria criar um grupo para eles em um aplicativo de conversa, que só precisava que instalasse o aplicativo em seu computador e registrasse seu e-mail. ignorou as outras notificações e instalou o aplicativo, registrando seu e-mail quando a instalação foi completada e então respondeu o e-mail de , informando que já havia feito o que ele havia pedido.
Continuou fazendo as suas coisas, até que duas notificações do novo aplicativo chegaram. Uma era de que um e-mail – que logo viu que era o de – havia a adicionado em um grupo nomeado como “Nota DEZ”. A próxima notificação, era de duas mensagens de no grupo.
“Gente, precisamos ver o que iremos fazer no trabalho, todo mundo consegue chegar mais cedo amanhã? Podemos nos reunir na praça em frente ao colégio, ou no jardim do campus. Afinal, , aqui temos o , o (mas chamamos ele de ), o e a nossa intrusa, , que estava sem grupo também. Por favor, se apresentem para que ela saiba o e-mail de cada um e salve o contato de vocês.”
A loira se levantou da cama e foi até a porta do seu quarto, abrindo-a e colocando apenas metade do corpo para fora.
– Pai, eu posso ir para o colégio mais cedo amanhã? – Gritou para que o homem escutasse.
– Pode sim, eu falo com o motorista! – Gritou de volta.
fechou a porta e voltou para a sua cama, pegando o seu notebook e vendo que algumas pessoas já haviam se apresentado para ela, confirmado a sua presença mais cedo no colégio no dia seguinte. Se ajeitou e começou a digitar, para que não demorasse a responder:
“Olá a todos! Eu consigo chegar mais cedo amanhã também, então, por mim, tudo bem.”
Enviou a mensagem e começou a salvar o contato de quem já havia se identificado, então voltou a fazer as suas coisas, para voltar a sua atenção para o grupo quando já não tivesse mais obrigações para fazer.
Capítulo 2
York, Adnet Destiny Academy - Terça, 07:01AM
dedilhava o violão, tentando criar algo para mostrar para os colegas, tentando ser útil no trabalho. Colocou o instrumento de lado, frustrado por só conseguir tocar músicas já criadas, quando avistou uma garota loira se aproximando de onde ele estava. Sentia que conhecia ela de algum lugar, mas só quando ela parou ao seu lado, como o conhecesse, foi que ele começou a reparar ainda mais nela.
– Você é o , certo? – A loira perguntou quando parou ao lado de .
– Sou. – Respondeu ainda um pouco confuso. – Eu te conheço?
– Eu sou a , eu estou no grupo de vocês. – Sorriu fraco.
– Ah sim, . me falou de você.
Mesmo agora, com ciência do nome da garota, ainda sentia que a conhecia de algum lugar, algum lugar que não fosse um chat da internet.
– Me desculpe, mas eu sinto que te conheço de algum lugar. – O garoto semicerrou os olhos ao falar.
– Eu estava do seu lado na aula de canto ontem, deve ser de lá. – Deu de ombros.
– Não, não sei. – Tentava se lembrar de algo, mas não sabia ao certo.
Antes que temesse ser insensível ao fazer uma pergunta, viu e chegarem, acabando com a conversa entre e .
– Só falta o e a chegarem? – perguntou assim que chegou.
– Ali eles chegando. – deu um toque no braço do garoto ao lado, apontando para os dois que chegavam.
Todos ficaram esperando os dois chegarem em completo silêncio. A menina de cabelo iluminado e olhos esverdeados se sentou ao lado de , colocando a mochila entre as suas pernas. O garoto de cabelos cacheados em um tom de castanho claro, que acompanhava , ficou em pé ao lado dela.
– Então, alguém já tem alguma ideia para o trabalho? – perguntou assim que todos se acomodaram.
– Eu tentei escrever algo enquanto vocês não chegavam, mas não consegui nada. – respondeu, segurando o seu violão. – Eu tenho algumas letras soltas em casa, caso queiram continuar elas para o trabalho.
– Eu tenho uma demo. – pegava seu celular ao falar, um pouco envergonhada. – Não está finalizada, mas pode ajudar.
– Mostra. – pediu.
A loira pegou o seu telefone, abrindo o arquivo feito há alguns dias atrás. Não demorou muito para que o arquivo carregasse e começasse a tocar.
– Cause when I look in the mirror, nothing seems to get any clearer. – A voz de entrava em sintonia com as notas que a garota tocava no teclado. – So I keep asking you: Mirror Mirror, is this still the face that you remember? I'm stuck in a stare. Is there anyone there? And I'm still asking you: Mirror Mirror, is this the face of the man that you remember? Do you remember?
Enquanto escutava o resto do piano que tocava, pegou o seu violão e começou a acompanhar o instrumento.
– Is this who I am? Is this who I've always been? Is this who I'll be when I finally reach the end? – O garoto cantou coisas que vinham em sua mente, até o toque do piano acabar e fazê-lo parar. – O que acham?
– É uma boa. – foi a primeira que falou algo.
– Eu gostei também. – e tiveram a coincidência de falar ao mesmo tempo.
– O que a dona da música acha? – perguntou, olhando diretamente para .
– Eu gostei, acho que combinou com a proposta que eu tinha para a música.
– Então anota isso e tenta continuar a letra. – falou diretamente para , que assentiu. – Isso serve para todo mundo. Caso tenham alguma ideia, anotem.
– Vamos cantar em forma de banda mesmo? – perguntou cruzando os braços.
– Acho que é uma boa. Se não adicionarmos mais instrumentos, podemos deixar só as meninas na voz. Vocês se importam? – perguntou, vendo a loira e morena negarem com a cabeça. – Então podemos fazer assim mesmo.
– Mas temos que ir ensaiando e vendo como vai ficar, seria bom se a gente se encontrasse hoje. – A voz de se manifestou, sugerindo. – Todo mundo consegue se encontrar hoje?
– Pode ser na minha casa, acho que é mais fácil para todo mundo. – Só então lembrou de . – Tem algum problema você ir para Holgate?
– Não, sem problemas.
– Então todo mundo consegue ir para lá hoje? – perguntou, recebendo uma afirmação de todos. – Pronto, então depois daqui, quem já quiser ir, pode ir.
– Pronto, acho que por aqui, já acabamos. – falou se levantando. – Eu vou indo, gente.
Aos poucos, as pessoas foram saindo de lá, deixando por último, que havia tomado um pouco do seu tempo para admirar o exterior, mas não demorou muito para que ela saísse da praça e entrasse no colégio.
York, Holgate - Terça, 17:40PM
vestia uma blusa para ir a casa de quando o garoto enviou a sua localização no grupo do trabalho. A loira até soltou uma risada fraca ao ver que morava quase ao seu lado. Terminou de vestir sua blusa preta, colocou sua jaqueta de couro por cima e pegou seu telefone, guardando-o no bolso da calça jeans. Desceu as escadas e, assim que passou pela sala e avistou a mulher de cabelos loiros escuros, parou um momento para avisar.
– Eu estou indo na casa de um colega meu para fazer o trabalho com nosso grupo. É aqui na rua mesmo, mas caso meu pai pergunte, avise para ele, por favor. – Informou para a madrasta que, por algum milagre, havia chegado mais cedo em casa.
– Qual o colega? Às vezes eu conheço ele.
– Não sei o sobrenome, mas o nome dele é .
– Ah sim, o ! – Um sorriso surgiu no rosto da mulher. – Pronto, eu aviso ao seu pai. Se for jantar na casa dos , nos avise.
– Certo, até mais.
Pegou as suas chaves e saiu da casa, caminhando até a casa de , que não tinha um estilo muito diferente das outras casas do bairro. Tocou a campainha e esperou um tempo, até aparecer na porta. Ele secava os cabelos molhados com a toalha que estava em seus ombros. O fato de estar usando apenas uma calça de moletom pareceu envergonhar o garoto quando ele viu parada na porta.
– Ah, oi . – Sentia o seu rosto queimar. – Pode entrar, eu só vou colocar uma camisa. Achei que eram os meninos, já faz um tempo que eles falaram que estavam vindo, estranho ainda não terem chegado. Pode ficar ali na sala, eu já estou indo.
– Ok.
caminhou até a sala e se sentou no sofá em tom de marrom. Sentia o cheiro de dama-da-noite pela casa e escutava algumas vozes, que eram a única coisa, junto de uma música baixa que tocava na cozinha, que não deixava a casa em silêncio.
Depois de alguns segundos esperando por , duas garotas apareceram na sala. Nenhuma aparentava ter mais de oito anos e ambas eram muito parecidas com , os cabelos escuros, a pele bronzeada e os olhos amendoados com íris escuras.
– Oi moça, tudo bem? – A que aparentava ser a mais velha entre as duas parou em sua frente. – Você é muito bonita, qual o seu nome?
– Oi princesa, estou bem sim. – Não conseguiu evitar sorrir para as garotinhas. – Meu nome é e o seu?
– Meu nome é Natália, mas pode me chamar de Naty. – Assim que falou, cutucou a irmã com o cotovelo.
– Meu nome é Kátia, mas me chamam de Katy. – A menor respondeu com vergonha.
– Vocês são muito bonitas, garotas.
– Obrigada. – Falaram juntas.
– O que você é do ? – Katy perguntou.
– Sou uma colega dele, estamos esperando os outros.
– Somos irmãs dele. – Foi a vez de Natália falar algo.
Antes que continuasse a conversa com as duas crianças, chegou na sala, chamando a atenção das três garotas.
– ¡Chicas, dejen la visita en paz!
– Não se preocupe, elas são uns amores. – falou, sorrindo para as garotas, que não demoraram muito para sair. – Não sabia que falava espanhol.
– Também não sabia que você falava, ou ao menos entendia espanhol.
– Minha mãe é da Argentina, nasci aqui por um cálculo errado de datas. Eu fui criada falando em espanhol e na cultura da minha mãe, só estou morando aqui, pois minha mãe acha que eu terei um futuro melhor com meu pai. No final das contas, demorou mais do que ela esperava para ele realmente me colocar na vida dele.
– Bem, eu sou mexicano, mas vim para cá muito novo, por conta do trabalho dos meus pais. Minhas irmãs nasceram aqui, mas foram criadas do mesmo jeito, falando espanhol e na nossa cultura. – Escutaram o som da campainha, que chamou a atenção dos dois. – Eu vou atender.
continuou esperando na sala e, após alguns minutos viu o restante das pessoas chegarem. Provavelmente haviam vindo todos juntos, o que até explicava o “atraso” que havia mencionado. Cumprimentou a todos, assim como eles fizeram com ela e então começou a segui-los, após pedir para que todos fossem até a garagem da casa. Assim que chegaram no local, deu uma reparada no cômodo. Havia alguns instrumentos e equipamentos por lá, assim como várias outras coisas sem ligação guardadas. Tudo parecia ser muito improvisado e apenas uma coisa decorava o local, um poster da banda Guns ‘N Roses.
– O que aconteceu com a sala de música? – perguntou ao chegarem no cômodo.
– Kátia começou a dormir sozinha e tomou o quarto que eu usava, então agora tô tendo que improvisar aqui. – explicou, pegando o teclado e o montando. – Eu vou começar a reformar um quarto que não usamos, mas ainda não tive tempo.
– Mas está tudo aqui? – Foi a vez de perguntar.
– Sim, todos os instrumentos estão aqui. – Assim que terminou de ajustar o teclado, se afastou do instrumento. – Todo seu , se conseguir, acho que é melhor você terminar a base de antes, assim conseguimos seguir.
– Eu consegui terminar ela em casa, não faltava muito, eu só tinha cortado no áudio. – Informou, se sentando no banco que havia colocado em frente ao teclado.
– Eu criei uma parte para completar a do . – falou, entregando um papel que estava em suas mãos desde que ela havia chegado. – A segunda parte, é uma versão modificada da que eu escrevi, quem fez foi o , eu só anotei junto. A gente achou que ficaria bom cantar depois do que você criou.
– Ótimo, eu também escrevi uma parte, acho que fica boa no final. – pegava o papel da mão de , apoiando-o na parte livre do teclado.
Começou a tocar desde o início, onde pretendia tocar com a parte que havia improvisado, que ela havia feito questão de anotar e que havia decidido colocar no começo.
– Is this who I am? Is this who I've always been? Is this who I'll be when I finally reach the end? I've heard it said that people can't change. Well if all of that's true am I destined to stay, just who I am, just who I've always been? – Cantou a parte que havia improvisado e que havia feito para completar. – Cause when I look in the mirror, nothing seems to get any clearer. So I keep asking you: Mirror Mirror, is this still the face that you remember? I'm stuck in a stare. Is there anyone there? And I'm still asking you: Mirror Mirror, is this the face of the man that you remember? Do you remember?
Enquanto e apenas prestavam atenção no que cantava, já que ficaria na voz e , se fosse como sempre, ficaria no teclado e suas partes já estavam prontas, os meninos analisavam sem falha alguma, já pensando em como completariam com os seus instrumentos.
– Is this who I am? Is this who I've always been? Why can't I forget and why can't I just pretend. All of the things I wish I hadn't done. Were all just bad dreams that burned away with the sun. Is this who I am? Is this who I've always been? – Cantou a sua parte novamente e então começou a tocar a parte nova que havia escrito. – Am I still who you met? Am I changed by regret? Do I still look like me? Am I who you thought I'd be? Because I lie when I speak. Tell the truth when I sing. But lately I don't sing anything. So who am I expecting you to see?
Terminou de cantar com a primeira parte escrita, a que ela havia escrito, então se afastou um pouco do piano, analisando a reação das pessoas, que se mostraram felizes com o – quase – resultado.
– Acho que já devemos começar com os instrumentos, não? – perguntou, mexendo nos cabelos que ainda estavam úmidos.
Todos concordaram, pegando seus respectivos instrumentos. , e tentavam criar a melodia nos outros instrumentos, enquanto ensinava a nova música no teclado para e passava a letra da música completa a limpo para outro papel.
Haviam ficado uma quantidade considerável de tempo trabalhando na música, até chegarem em um acordo e todos concordarem de que o resultado havia ficado bom, mas que, por conta do horário, deveriam não ensaiar naquele dia.
– Sabe que eu não resisto às comidas da sua mãe! – falou batendo no ombro de , sendo um dos últimos a sair da garagem.
se levantou da poltrona onde estava, se ajeitando e recolhendo o seu celular.
– Bem, eu já vou indo. – Informou para que, descartando ela mesma, era a última pessoa na garagem.
– Já? Tem certeza? Minha mãe fez jantar para todos. Eu digo com toda certeza que as enchiladas dela são perfeitas e que ela ficaria super triste se alguém não quisesse comer. – Exagerou um pouco, fazendo sorrir fraco. – Você não vai se arrepender e ainda vai fazer a senhora Malena muito feliz.
riu fraco do convite exagerado de , não conseguindo ver negar aquilo como uma opção.
– Comer um pouco não vai me matar. – Deu de ombros, ainda sorridente.
Viu sorrir antes de pedir que ela o seguisse. Seguiu o garoto até a sala de jantar, onde todos já estavam sentados, com exceção de uma mulher que logo soube que era a mãe de . Era bizarro como todos daquela família se pareciam muito, mas quem era para falar algo? Ela e sua irmã eram a cópia do pai.
Se sentou na cadeira que ficava entre e uma das irmãs de , vendo a mãe do garoto sorrir para ela.
dedilhava o violão, tentando criar algo para mostrar para os colegas, tentando ser útil no trabalho. Colocou o instrumento de lado, frustrado por só conseguir tocar músicas já criadas, quando avistou uma garota loira se aproximando de onde ele estava. Sentia que conhecia ela de algum lugar, mas só quando ela parou ao seu lado, como o conhecesse, foi que ele começou a reparar ainda mais nela.
– Você é o , certo? – A loira perguntou quando parou ao lado de .
– Sou. – Respondeu ainda um pouco confuso. – Eu te conheço?
– Eu sou a , eu estou no grupo de vocês. – Sorriu fraco.
– Ah sim, . me falou de você.
Mesmo agora, com ciência do nome da garota, ainda sentia que a conhecia de algum lugar, algum lugar que não fosse um chat da internet.
– Me desculpe, mas eu sinto que te conheço de algum lugar. – O garoto semicerrou os olhos ao falar.
– Eu estava do seu lado na aula de canto ontem, deve ser de lá. – Deu de ombros.
– Não, não sei. – Tentava se lembrar de algo, mas não sabia ao certo.
Antes que temesse ser insensível ao fazer uma pergunta, viu e chegarem, acabando com a conversa entre e .
– Só falta o e a chegarem? – perguntou assim que chegou.
– Ali eles chegando. – deu um toque no braço do garoto ao lado, apontando para os dois que chegavam.
Todos ficaram esperando os dois chegarem em completo silêncio. A menina de cabelo iluminado e olhos esverdeados se sentou ao lado de , colocando a mochila entre as suas pernas. O garoto de cabelos cacheados em um tom de castanho claro, que acompanhava , ficou em pé ao lado dela.
– Então, alguém já tem alguma ideia para o trabalho? – perguntou assim que todos se acomodaram.
– Eu tentei escrever algo enquanto vocês não chegavam, mas não consegui nada. – respondeu, segurando o seu violão. – Eu tenho algumas letras soltas em casa, caso queiram continuar elas para o trabalho.
– Eu tenho uma demo. – pegava seu celular ao falar, um pouco envergonhada. – Não está finalizada, mas pode ajudar.
– Mostra. – pediu.
A loira pegou o seu telefone, abrindo o arquivo feito há alguns dias atrás. Não demorou muito para que o arquivo carregasse e começasse a tocar.
– Cause when I look in the mirror, nothing seems to get any clearer. – A voz de entrava em sintonia com as notas que a garota tocava no teclado. – So I keep asking you: Mirror Mirror, is this still the face that you remember? I'm stuck in a stare. Is there anyone there? And I'm still asking you: Mirror Mirror, is this the face of the man that you remember? Do you remember?
Enquanto escutava o resto do piano que tocava, pegou o seu violão e começou a acompanhar o instrumento.
– Is this who I am? Is this who I've always been? Is this who I'll be when I finally reach the end? – O garoto cantou coisas que vinham em sua mente, até o toque do piano acabar e fazê-lo parar. – O que acham?
– É uma boa. – foi a primeira que falou algo.
– Eu gostei também. – e tiveram a coincidência de falar ao mesmo tempo.
– O que a dona da música acha? – perguntou, olhando diretamente para .
– Eu gostei, acho que combinou com a proposta que eu tinha para a música.
– Então anota isso e tenta continuar a letra. – falou diretamente para , que assentiu. – Isso serve para todo mundo. Caso tenham alguma ideia, anotem.
– Vamos cantar em forma de banda mesmo? – perguntou cruzando os braços.
– Acho que é uma boa. Se não adicionarmos mais instrumentos, podemos deixar só as meninas na voz. Vocês se importam? – perguntou, vendo a loira e morena negarem com a cabeça. – Então podemos fazer assim mesmo.
– Mas temos que ir ensaiando e vendo como vai ficar, seria bom se a gente se encontrasse hoje. – A voz de se manifestou, sugerindo. – Todo mundo consegue se encontrar hoje?
– Pode ser na minha casa, acho que é mais fácil para todo mundo. – Só então lembrou de . – Tem algum problema você ir para Holgate?
– Não, sem problemas.
– Então todo mundo consegue ir para lá hoje? – perguntou, recebendo uma afirmação de todos. – Pronto, então depois daqui, quem já quiser ir, pode ir.
– Pronto, acho que por aqui, já acabamos. – falou se levantando. – Eu vou indo, gente.
Aos poucos, as pessoas foram saindo de lá, deixando por último, que havia tomado um pouco do seu tempo para admirar o exterior, mas não demorou muito para que ela saísse da praça e entrasse no colégio.
York, Holgate - Terça, 17:40PM
vestia uma blusa para ir a casa de quando o garoto enviou a sua localização no grupo do trabalho. A loira até soltou uma risada fraca ao ver que morava quase ao seu lado. Terminou de vestir sua blusa preta, colocou sua jaqueta de couro por cima e pegou seu telefone, guardando-o no bolso da calça jeans. Desceu as escadas e, assim que passou pela sala e avistou a mulher de cabelos loiros escuros, parou um momento para avisar.
– Eu estou indo na casa de um colega meu para fazer o trabalho com nosso grupo. É aqui na rua mesmo, mas caso meu pai pergunte, avise para ele, por favor. – Informou para a madrasta que, por algum milagre, havia chegado mais cedo em casa.
– Qual o colega? Às vezes eu conheço ele.
– Não sei o sobrenome, mas o nome dele é .
– Ah sim, o ! – Um sorriso surgiu no rosto da mulher. – Pronto, eu aviso ao seu pai. Se for jantar na casa dos , nos avise.
– Certo, até mais.
Pegou as suas chaves e saiu da casa, caminhando até a casa de , que não tinha um estilo muito diferente das outras casas do bairro. Tocou a campainha e esperou um tempo, até aparecer na porta. Ele secava os cabelos molhados com a toalha que estava em seus ombros. O fato de estar usando apenas uma calça de moletom pareceu envergonhar o garoto quando ele viu parada na porta.
– Ah, oi . – Sentia o seu rosto queimar. – Pode entrar, eu só vou colocar uma camisa. Achei que eram os meninos, já faz um tempo que eles falaram que estavam vindo, estranho ainda não terem chegado. Pode ficar ali na sala, eu já estou indo.
– Ok.
caminhou até a sala e se sentou no sofá em tom de marrom. Sentia o cheiro de dama-da-noite pela casa e escutava algumas vozes, que eram a única coisa, junto de uma música baixa que tocava na cozinha, que não deixava a casa em silêncio.
Depois de alguns segundos esperando por , duas garotas apareceram na sala. Nenhuma aparentava ter mais de oito anos e ambas eram muito parecidas com , os cabelos escuros, a pele bronzeada e os olhos amendoados com íris escuras.
– Oi moça, tudo bem? – A que aparentava ser a mais velha entre as duas parou em sua frente. – Você é muito bonita, qual o seu nome?
– Oi princesa, estou bem sim. – Não conseguiu evitar sorrir para as garotinhas. – Meu nome é e o seu?
– Meu nome é Natália, mas pode me chamar de Naty. – Assim que falou, cutucou a irmã com o cotovelo.
– Meu nome é Kátia, mas me chamam de Katy. – A menor respondeu com vergonha.
– Vocês são muito bonitas, garotas.
– Obrigada. – Falaram juntas.
– O que você é do ? – Katy perguntou.
– Sou uma colega dele, estamos esperando os outros.
– Somos irmãs dele. – Foi a vez de Natália falar algo.
Antes que continuasse a conversa com as duas crianças, chegou na sala, chamando a atenção das três garotas.
– ¡Chicas, dejen la visita en paz!
– Não se preocupe, elas são uns amores. – falou, sorrindo para as garotas, que não demoraram muito para sair. – Não sabia que falava espanhol.
– Também não sabia que você falava, ou ao menos entendia espanhol.
– Minha mãe é da Argentina, nasci aqui por um cálculo errado de datas. Eu fui criada falando em espanhol e na cultura da minha mãe, só estou morando aqui, pois minha mãe acha que eu terei um futuro melhor com meu pai. No final das contas, demorou mais do que ela esperava para ele realmente me colocar na vida dele.
– Bem, eu sou mexicano, mas vim para cá muito novo, por conta do trabalho dos meus pais. Minhas irmãs nasceram aqui, mas foram criadas do mesmo jeito, falando espanhol e na nossa cultura. – Escutaram o som da campainha, que chamou a atenção dos dois. – Eu vou atender.
continuou esperando na sala e, após alguns minutos viu o restante das pessoas chegarem. Provavelmente haviam vindo todos juntos, o que até explicava o “atraso” que havia mencionado. Cumprimentou a todos, assim como eles fizeram com ela e então começou a segui-los, após pedir para que todos fossem até a garagem da casa. Assim que chegaram no local, deu uma reparada no cômodo. Havia alguns instrumentos e equipamentos por lá, assim como várias outras coisas sem ligação guardadas. Tudo parecia ser muito improvisado e apenas uma coisa decorava o local, um poster da banda Guns ‘N Roses.
– O que aconteceu com a sala de música? – perguntou ao chegarem no cômodo.
– Kátia começou a dormir sozinha e tomou o quarto que eu usava, então agora tô tendo que improvisar aqui. – explicou, pegando o teclado e o montando. – Eu vou começar a reformar um quarto que não usamos, mas ainda não tive tempo.
– Mas está tudo aqui? – Foi a vez de perguntar.
– Sim, todos os instrumentos estão aqui. – Assim que terminou de ajustar o teclado, se afastou do instrumento. – Todo seu , se conseguir, acho que é melhor você terminar a base de antes, assim conseguimos seguir.
– Eu consegui terminar ela em casa, não faltava muito, eu só tinha cortado no áudio. – Informou, se sentando no banco que havia colocado em frente ao teclado.
– Eu criei uma parte para completar a do . – falou, entregando um papel que estava em suas mãos desde que ela havia chegado. – A segunda parte, é uma versão modificada da que eu escrevi, quem fez foi o , eu só anotei junto. A gente achou que ficaria bom cantar depois do que você criou.
– Ótimo, eu também escrevi uma parte, acho que fica boa no final. – pegava o papel da mão de , apoiando-o na parte livre do teclado.
Começou a tocar desde o início, onde pretendia tocar com a parte que havia improvisado, que ela havia feito questão de anotar e que havia decidido colocar no começo.
– Is this who I am? Is this who I've always been? Is this who I'll be when I finally reach the end? I've heard it said that people can't change. Well if all of that's true am I destined to stay, just who I am, just who I've always been? – Cantou a parte que havia improvisado e que havia feito para completar. – Cause when I look in the mirror, nothing seems to get any clearer. So I keep asking you: Mirror Mirror, is this still the face that you remember? I'm stuck in a stare. Is there anyone there? And I'm still asking you: Mirror Mirror, is this the face of the man that you remember? Do you remember?
Enquanto e apenas prestavam atenção no que cantava, já que ficaria na voz e , se fosse como sempre, ficaria no teclado e suas partes já estavam prontas, os meninos analisavam sem falha alguma, já pensando em como completariam com os seus instrumentos.
– Is this who I am? Is this who I've always been? Why can't I forget and why can't I just pretend. All of the things I wish I hadn't done. Were all just bad dreams that burned away with the sun. Is this who I am? Is this who I've always been? – Cantou a sua parte novamente e então começou a tocar a parte nova que havia escrito. – Am I still who you met? Am I changed by regret? Do I still look like me? Am I who you thought I'd be? Because I lie when I speak. Tell the truth when I sing. But lately I don't sing anything. So who am I expecting you to see?
Terminou de cantar com a primeira parte escrita, a que ela havia escrito, então se afastou um pouco do piano, analisando a reação das pessoas, que se mostraram felizes com o – quase – resultado.
– Acho que já devemos começar com os instrumentos, não? – perguntou, mexendo nos cabelos que ainda estavam úmidos.
Todos concordaram, pegando seus respectivos instrumentos. , e tentavam criar a melodia nos outros instrumentos, enquanto ensinava a nova música no teclado para e passava a letra da música completa a limpo para outro papel.
Haviam ficado uma quantidade considerável de tempo trabalhando na música, até chegarem em um acordo e todos concordarem de que o resultado havia ficado bom, mas que, por conta do horário, deveriam não ensaiar naquele dia.
– Sabe que eu não resisto às comidas da sua mãe! – falou batendo no ombro de , sendo um dos últimos a sair da garagem.
se levantou da poltrona onde estava, se ajeitando e recolhendo o seu celular.
– Bem, eu já vou indo. – Informou para que, descartando ela mesma, era a última pessoa na garagem.
– Já? Tem certeza? Minha mãe fez jantar para todos. Eu digo com toda certeza que as enchiladas dela são perfeitas e que ela ficaria super triste se alguém não quisesse comer. – Exagerou um pouco, fazendo sorrir fraco. – Você não vai se arrepender e ainda vai fazer a senhora Malena muito feliz.
riu fraco do convite exagerado de , não conseguindo ver negar aquilo como uma opção.
– Comer um pouco não vai me matar. – Deu de ombros, ainda sorridente.
Viu sorrir antes de pedir que ela o seguisse. Seguiu o garoto até a sala de jantar, onde todos já estavam sentados, com exceção de uma mulher que logo soube que era a mãe de . Era bizarro como todos daquela família se pareciam muito, mas quem era para falar algo? Ela e sua irmã eram a cópia do pai.
Se sentou na cadeira que ficava entre e uma das irmãs de , vendo a mãe do garoto sorrir para ela.
Continua...
Nota da autora: Sem nota.
Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber se a história tem atualização pendente, clique aqui
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