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Última atualização: 06/06/2021

Capítulo 1


Portland, Oregon.



"Não se esqueça do jantar com os meus pais às 20h. Não se atrase, estou te enviando a localização do restaurante!”Rebecca
"Que tal passar aqui em casa para tomar uma bela taça de vinho depois da academia? Podemos continuar o treino por aqui..." Amber
"Eu preciso de sexo!!! Vem pra cá A-G-O-R-A!" Debby

Arregalei os olhos ao ver a foto que Debby enviou em seguida. Aquela mulher era totalmente louca das ideias, mas aquele seminude me fazia ponderar aceitar seu convite para um sexo casual...

, a compra não vai descer sozinha deste carro! — Cristina, minha irmã mais velha, disse ao socar o vidro ao meu lado, enquanto se desdobrava para segurar sua filha, a mochila e a lancheira do maternal em seus braços. Olhou para o meu celular sem nem me dar tempo de formular uma resposta — Para de ver mulher pelada, você não tem mais quatorze anos!
— Cristina, você se esquece que eu não tenho mais quatorze anos — disse ao abrir a porta, descendo do carro e afrouxando a gravata em volta do meu pescoço — Não sou eu quem procura as mulheres, são elas quem me procuram — dei de ombros, indo em direção ao porta malas, pegando as sacolas de compras do mercado.
— Você é patético — disse, entrando em casa e deixando a porta aberta para mim, pelo menos isso! Logo em seguida, ouvi o barulho da porta batendo, droga!

Bati o porta malas acionando o alarme do carro e seguindo em direção à porta, torcendo para que nada caísse das sacolas. Tentei abrir a porta com calma, mas fui surpreendido pela minha irmã caçula.

— Que amor de irmã, veio me ajudar com as compras — sorri de orelha à orelha e ela apenas riu, negando com a cabeça.
— Quero as chaves do carro — ordenou, estendendo a mão em minha direção. Eu já deveria imaginar que ela queria alguma coisa, estava muito arrumada para o meu gosto.
— Aonde você vai? — perguntei, arqueando a sobrancelha.
— Jantar na casa do meu namorado — respondeu a contragosto. — Anda logo, , eu tenho hora.
— Por que você tem que ir na casa dele ao invés dele vir aqui em casa? — retruquei, passando para dentro da casa e andando em direção à cozinha com as compras.
— A mamãe disse para eu esperar ela terminar as reformas — revirou os olhos — Talvez a casa esteja pronta para recebê-lo quando eu noivar.
— Noivar? Catherine, você tem dezessete anos — a lembrei, começando a tirar a comida das sacolas. — Me ajuda aqui antes de sair.
— Qual o problema em pensar no futuro? Acha mesmo que eu quero acabar como você, sem ninguém? — Catherine bufou, levando uma sacola de enlatados para o outro lado da cozinha, guardando-os nos armários.

Ela bem que queria ser igual a mim, mas era muito carente para isso.

— O mal chegou e vocês já estão brigando? — minha mãe disse ao entrar na cozinha, distraída com as correspondências.
— A Cathe está querendo o carro para ir à casa do namorado, vai deixar ela usar? Da última vez ela deixou sem combustível — denunciei para a nossa mãe.
— Não. Termine de guardar as compras e peça um Uber — a mais velha negou, fazendo a caçula bater os pés ao terminar de guardar os enlatados e seguir para fora da cozinha. — Não esquece de pagar essa conta.
— Sério? Justo a de água? — questionou ao abrir e ver o valor. — Cento e dez dólares, quem está gastando tudo isso?
— Você mesma e seus banhos de uma hora para ir ver o seu namoradinho — a mãe retrucou, me fazendo rir.
— Viu só? Solteiro eu não gasto cem dólares de conta de água — a provoquei, guardando as carnes na geladeira.
— Claro que não gasta, vive pulando de cama em cama e usando a água das pobres mulheres que caem na sua lábia — foi a vez de Cristina entrar na cozinha com a pequena Corinne nos braços, defendendo a caçula. Ambas sorriram cúmplices e a mais nova saiu ao anunciar que seu Uber havia chego.
— A conta de luz é sua — minha mãe disse à Cristina, que não reclamou, apenas colocou Corinne sobre o balcão da cozinha e puxou o celular para pagar a conta via aplicativo do banco. — E
— Eu já fiz a compra — aleguei, terminando de guardar o engradado de cerveja e levando as mãos em rendição. —Tem mais comida aqui do que no meu próprio apartamento!
— Não é conta. É uma carta de Nicholas — minha mãe fez uma careta ao falar o nome do meu pai. Estranhei, ele nunca me mandava uma carta fora de datas comemorativas. Peguei a carta de suas mãos, abrindo rapidamente e me deparando com algo bem mais formal do que as cartas que o velho Nick escrevia a próprio punho.
"Solicitamos a sua presença para a leitura do testamento de Nicholas Arnold , na próxima segunda feira, dia vinte e dois…" — senti um enorme solavanco em meu coração. Tudo bem que ele nunca foi um pai presente, mas era novo demais para ter partido; e o pior foi saber através de uma carta, ou melhor, uma intimação para estar presente no dia da leitura do seu testamento.

Peguei o celular no bolso da calça e disquei o número do velho Nick o mais rápido possível, aquilo tudo não podia passar de uma pegadinha das mais sem graça possível.

"Você ligou para Nicholas , deixe o seu recado após o sinal..." — caixa postal.
, é verdade — Cristina disse ao lado da minha mãe, olhando para a tela do celular. — O Facebook dele está lotado por mensagens — apontou o celular para que eu pudesse ver. Estreitei os olhos lendo a primeira mensagem, engoli a seco, ele realmente tinha partido dessa para uma melhor. — Eu sinto muito, .
— Eu também sinto muito meu bem — minha mãe aproximou-se de mim, me abraçando.
— Você acha que eu devo ir? — perguntei às duas ao passar a mão pela cabeça. — Sei que ele era bem de vida, mas não quero parecer interesseiro...
— Acho que se você foi chamado, deveria ir, por respeito e consideração — Cristina deu de ombros. — Dia vinte e dois não é o mesmo dia que o volta do Brasil?
— E com ele voltando eu já tenho onde passar a noite — ponderei, olhando mais um pouco do Facebook do meu pai — Pelas publicações, ele parecia estar solteiro nos últimos meses de vida — mostrei uma foto onde ele aparecia segurando um enorme copo de cerveja em um happy hour com os amigos.
— Eu acho que já sei por quem você puxou — Cristina alfinetou-me.
— Você não perde a oportunidade, não é mesmo? - retruquei, devolvendo o seu celular.

E para dar mais motivos para Cristina, o meu celular começou a vibrar sobre a mesa.

“Rebecca”.

Droga, o maldito jantar com a família dela.
Eu havia me esquecido completamente!

— Mamãe, estou fedendo? — perguntei a ela, que deu um leve cheiro em meu cangote e discordou com a cabeça. — Ótimo, irei filar um jantar, podem pedir uma pizza por minha conta — arrumei novamente a gravata, deixando o dinheiro em cima da bancada e dando um rápido beijo na bochecha da minha sobrinha. — Amo vocês, beijos.
— Ei, espera aí, você ainda não nós disse se vai ou não à leitura do testamento... — Cristina questionou.
— Eu vou — dei de ombros — Eu não tenho nada a perder.

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Olhei para Rebecca, que dormia serena com um sorriso maroto em seus lábios e com os cabelos louros bagunçados sobre sua costa nua. Dei um meio sorriso, ajeitando-me na cama e olhando para o teto.
Eu sei, de algum modo era depressivo ter um momento de reflexão após um bom sexo em plena terça feira.
Mas, na minha atual situação, era mais do que necessário refletir.
Pensar na minha vida era como pensar na carta de apresentação da faculdade que fiz a anos atrás.
Mas que acabei trancando pela metade, após ter certeza de que aquele mundo não era para mim. Eu queria ganhar dinheiro de maneira rápida e prática e estudar anos para isso enquanto a minha família precisava de ajuda não me parecia certo. Estava com a cara enfiada nos livros quando Cristina descobriu que engravidou de um namorado babaca, que fez questão de sumir do mapa assim que soube da notícia. E fazia provas difíceis enquanto Catherine tinha problemas de saúde; e quando minha mãe se divorciou, tudo me motivou a largar o campus e ganhar a vida dando o meu suor, o dinheiro entrava bem mais rápido.
Era o terceiro casamento de dona Carmen, que parecia não aprender a escolher um marido descente para envelhecer ao lado. Eu era primogênito não planejado de um amor repentino de um verão repleto de álcool e muito rock. Meu pai, Nicholas, vinha de um berço de ouro e não fugiu da paternidade quando minha mãe lhe contou que estava grávida. Ao contrário do pai de Cristina, um vendedor de uma loja de carros da cidade que chamou minha mãe de interesseira, terminando o noivado ao saber da gravidez. O pai de Catherine parecia ser a escolha certa para minha mãe, conseguia ver a felicidade transbordar pelos seus olhos, mas um amor antigo apareceu pelo Facebook, para relembrar os velhos tempos do colégio, e acabou o consumindo, levando-o a uma traição e ao divórcio, logo depois.

— Me parece pensativo — Rebecca disse em baixo tom, tocando o meu rosto. — Aconteceu alguma coisa?
— Antes do jantar. eu recebi a notícia que o meu pai acabou falecendo há alguns dias — passei a língua entre os lábios a olhando nos olhos, Rebecca parecia surpresa com a notícia.
— Oh, , eu sinto muito — aproximou-se do meu corpo, me abraçando. – Vocês eram próximos?
— Não posso dizer que ele foi a todos os meus jogos de baseball no colégio, ou que me levou a diversas festinhas de aniversario, mas sempre que eu precisei, ele estava presente — suspirei ao perceber que as lembranças começavam a tomar conta da minha mente, nunca me atreveria a dizer algo ruim do meu velho Nick. — Sempre quando ele estava pela cidade, me mandava mensagem para podermos nos encontrar e comer um lanche, tomar uma cerveja… Ele dizia que eu o distraía da vida corrida do trabalho.
— Com o que ele trabalhava? — Rebecca perguntou, fazendo-me juntar as sobrancelhas com a mesma pergunta. Sempre soube que meu pai era bem de vida, mas nunca cheguei a lhe perguntar o que realmente fazia da vida.
— Essa é uma boa pergunta — a respondi, ainda pensativo — Talvez eu fique sabendo o que ele fazia da vida quando for à leitura do seu testamento.
— Humm... Meu plebeu vai virar um príncipe dono de um castelo? Será que ele te deixou algo de herança? — era uma boa pergunta.
— Não faço ideia — neguei com a cabeça — Talvez um cartão de Natal que ele deveria me enviar esse ano? — ri sem graça. — Não vou criar tantas expectativas, afinal ele foi casado por muitos anos, pode ter outros filhos.
— Mais filhos? Isso pode dar uma briga boa pela herança.
— Pode ter certeza que vão brigar sozinhos, eu não ligo para o dinheiro — passei a mão por seus cabelos, pensativo.
— Eu sei do seu valor, meu amor — Rebecca selou nossos lábios, voltando a acariciar meu rosto. Sorri com o seu afeto. — Falando sobre pais... — aquele era um ponto no qual eu não queria chegar, fiquei em silêncio, desviando o olhar para o teto. — Os meus pais me mandaram mensagem depois do jantar e eles adoraram te conhecer.

Engoli a seco, fechando os olhos.

— Que bom, mas o que acha…
, já estamos juntos a cinco meses! – exclamou rapidamente, eu sabia o que estava por vir — Quando vou conhecer sua mãe e suas irmãs?

Abri os olhos, sentindo o nervosismo tomar conta de mim. Rebecca nunca iria conhecer a minha família justamente por que não tinha planos futuros para que ela fizesse parte dela.
Mas como eu diria isso a ela?


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Coloquei os pés de volta à areia da praia que tanto sentia falta.
Todos saúdam a querida Califórnia, pensei comigo mesmo, levantando a garrafa de cerveja e brindando com o Sol, que ia se pondo aos poucos, me presenteando com aquele céu alaranjado.
A viagem de Portland à Califórnia havia me custado doze sofridas horas dentro de um ônibus pela estrada quente, que a qualquer momento me torraria vivo. Mas o perrengue valia a pena, pois agora estava de volta ao lugar que mais amo no mundo.
E sabe quem estava de volta também?
Forbes, o melhor meu amigo de longas datas que, após uma temporada trabalhando no Brasil, estava de volta à Califórnia, me dando a chance de reviver um pouco do nosso passado nesse final de semana que passaríamos juntos. Ele sempre fez questão de preencher nossas noites com o melhor que a noite californiana podia nos oferecer. No tempo que eu passava as férias aqui, íamos de bar em bar, bebendo e fazendo amizades novas; íamos a festas privadas de gente muito rica que não fazia ideia de quem nós éramos; organizamos um luau no meio da semana em uma parte da praia que durou até o dia amanhecer e não fomos pegos; tudo ia bem aqui até o dever me chamar em Portland e eu ter que voltar para a realidade.
Joguei a garrafa de cerveja no lixo mais próximo e ajeitei a mochila em minhas costas. Pegando minha outra mala no chão, chamei um táxi ao sair da orla para tomar rumo em direção ao apartamento de . Cheguei lá em menos de quinze minutos, me sentindo um completo preguiçoso em não ter aproveitado para andar até o prédio e esticar o meu corpo cansado.

me esperava encostado em frente à entrada do prédio, fumando seu cigarro e conversando de maneira empolgada com alguém no celular. Ele usava uma bermuda rosa e uma camiseta de time do Brasil; os óculos escuros provavelmente disfarçavam as olheiras de quem não pregava os olhos durante um vôo.
Paguei o taxista, deixando-o ficar com o troco da corrida, que não tinha dado nem oito dólares. Andei em direção a , que retirou os óculos escuros para me encarar de um jeito safado e se abanar, fazendo-me rir.

— Você fica mais gostoso a cada ano que passa, disse antes de me dar um abraço bem apertado. — Senti sua falta.
— Eu sabia que você ia sentir minha falta. Não quis me colocar na sua mala e me levar para o Brasil. — baguncei os cabelos de , igual fazia quando éramos crianças, e soltou um grito se afastando de mim, ele odiava aquilo.
— O estrago que você iria fazer logo na primeira semana com as festinhas de confraternização já seria um ótimo motivo para ser até deportado, meu querido. — disse rindo ao arrumar seus cabelos.
— Você tem razão.
— Agora, vem, vamos subir antes que as mulheres desse prédio comecem a cair matando em cima de você — olhou para uma mulher que passeava com o cachorro atrás de nós e me olhava como se eu fosse um pedaço de carne.

Pisquei para a mesma e olhei para , que arregalou os olhos, abrindo a porta do hall para que eu pudesse passar com a minha mala.

— Você não toma jeito não é mesmo?
— Eu passei todo esse tempo sossegado — dei de ombros, subindo as escadas atrás de . Ele morava no quinto andar, então eram alguns belos lances de escada para subirmos. — Não te falei sobre a Rebecca?
— Mas é claro que ficou sossegado! — exclamou — Comeu toda a população feminina de Portland quando era adolescente. E quem é essa doida chamada Rebecca?
— Vou te contar — disse, ofegante.
— Mas é claro que vai.

Depois de subirmos até o quinto andar, chegamos ao apartamento de . Me surpreendi com as mudanças: antes o apartamento era todo destrambelhado e com as paredes em tons pasteis; agora, tinha as paredes da sala pintadas de branco, com uma acinzentada, cheia de quadros decorativos com fotos de seus familiares e amigos. Os móveis ornavam nas cores amarelo e branco. A cozinha, que dividia o mesmo ambiente, tinha todos os móveis vermelhos junto com os utensílios de cozinha.

— Antes de ir para o Brasil, estava de rolo com um boy formado em Designer de Interiores — comentou ao perceber que eu observava o apartamento. — Ele fez todas essas mudanças enquanto eu estava fora. Ainda estou me acostumando...
— Eu gostei. Ele também mudou o meu quarto? — perguntei ao apontar para o corredor, pedindo permissão para ir ver. concordou com a cabeça.
— Cinza e móveis em azul escuro — disse. Abri a porta do quarto, me deparando com tudo arrumado. Realmente, era muito diferente da zona que vivia aquele quarto que usava como closet e deixava as roupas todas bagunçadas sob a cama. — Não posso negar que ele fez um bom trabalho.
— Mas me parece que, mesmo com todo esse bom trabalho, você não está muito afim de ficar com ele.
— Você me conhece tão bem!

Deixei minha mochila em cima da cama, seguindo de volta à sala. Sentei-me no sofá e ele buscou duas cervejas para nós na cozinha, brindamos e começamos a jogar conversa fora pelo resto da noite. me contou sobre o seu último relacionamento, antes de ficar com esse boy que redecorou sua casa toda. O seu namorado tinha sido tóxico, o que me deixou com certa raiva, pois fez com que mudasse a sua forma de viver outras relações, como acontecia agora, que ele tinha um pé bem atrás com alguém que estava sendo maravilhoso com ele. Lhe aconselhei a fazer o que o coração mandasse e mudamos de assunto, pois queria saber mais sobre a sua passagem pelo Brasil.

— Como se sentiu quando recebeu a notícia do velho Nick? – perguntou ao voltar da cozinha com dois boxes de comida chinesa que ele havia comprado.
— Mal, bem mal. Senti que ele se foi sem a gente ter passado o tempo que deveríamos juntos — confessei, olhando para a comida. — Cara, ele era o meu pai e eu não sabia quase nada sobre ele.
— Pelo que eu me lembro, ele sempre foi bem reservado — comentou com a boca cheia — Lembro quando a gente perguntou a ele uma vez se ele trabalhava de agente secreto.
— Foi na época que estávamos viciados em CSI Miami — ri ao me lembrar. – Queríamos que ele nos treinasse de qualquer maneira.
— Naquela tarde, ele fez a gente sofrer no parque, criando um circuito para treinamento.
— Vomitamos o carro dele todo na hora de ir embora — lembrei da parte mais nojenta, que noss fez colocar a comida sobre a mesa de centro e pegar o refrigerante. — Eu não sei se ele se casou, se teve mais filhos... O Facebook dele não tem nada.
— Realmente, isso você só vai descobrir na segunda-feira. Topa jogar uma partida? - apontou para o vídeo game e eu concordei, comendo mais um pouco da minha comida.


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O boy do , chamado Dylan, o artista responsável pela radical mudança no apartamento, apareceu pela manhã com sacolas recheadas para o café e acabou vendo eu e meu melhor amigo dormindo juntos no mesmo sofá, cada um de um lado. Ele fingiu não se importar até o momento em que fui tomar o banho e, então, eles tiveram uma bela discussão matinal. Mas como foi aluno de um belo professor, que o ensinou a se livrar dessa situação, logo ambos fizeram as pazes, preparando o café juntos.
Após o café, Dylan nos deu a ideia de passarmos um domingo na praia. Fui o primeiro a concordar com a ideia, antes mesmo de , que tinha me contado que no Rio de Janeiro, onde ele morava, o apartamento dele era com vista para a praia, e que ele estava cansado de sempre estar cheio de areia.
Dois contra um.
apenas se deu por vencido.
Logo de cara, ao colocar os pés na areia, me dei bem com uma turista italiana chamada Amélia, que, apenas com uma bebida, me deu uns beijos nervosos atrás do banheiro do público.
O inglês dela era enrolado, mas pelo que eu entendi era apenas uma meta que ela precisava cumprir em sua viagem: “beijar um americano”.
E, bom, eu nem preciso dizer que ela beijou o melhor, certo?
Será que ficarei famoso na Itália?
Ela passou a tarde toda junto conosco, conversando sobre diversos assuntos. Descobri que ela era a filha mais nova de uma família humilde, estava nos Estados Unidos devido ao seu intercâmbio de au pair. Ela cuidava de um casal de gêmeos de dois anos e aos domingos, que são seus dias de folga, ela gostava de ler; além disso, Amélia sonha em fazer uma faculdade e viver a vida que vê nos filmes.
Ao fim de tarde, nos despedimos com uma série de beijos salgados após sair do mar. Enquanto estávamos a espera do Uber que ela havia pedido na calçada, Amélia pediu o meu número e eu passei, mas a alertando de que era de Oregon. Ela apenas sorriu, selando mais uma vez nossos lábios, e disse que adoraria conhecer minha cidade em uma de suas folgas. Afastou-se, entrando no carro em nossa frente.

— Por que eu sinto que você nunca vai nem atender um telefonema dela? – Dylan perguntou ao secar seus cabelos na toalha.
— Não sou muito fã de relacionamentos — dou um meio sorriso, vendo se aproximar.
nunca namorou. Toda vez que uma relação começa a ficar séria, ele pula do barco ou acaba estragando tudo — explicou a Dylan.
— Sabe que uma hora ou outra vai acabar se apaixonando e vai ficar de quatro por ela, não é mesmo? — Dylan fez a pergunta que todo mundo me fazia.
— Quem sabe, não é mesmo? — Rebati em um tom desafiador.

Se eu tinha um cupido que me acompanhava, até ele deveria estar rindo de Dylan neste momento.


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Depois de um merecido banho e alguns pedaços de pizza requentada, olhava para o teto na tentativa de dormir o mais rápido possível, mas o barulho do quarto ao lado era perturbador. Coloquei o travesseiro sobre a cabeça e tentei me concentrar em algo que não fosse o sexo do casal ao lado, até que depois de uma gritaria, tudo ficou em silêncio.
Estranhei, tirando o travesseiro do rosto e, quando olhei, ambos estavam parados ao fim da cama, me fazendo gritar assustado.

— O que vocês estão fazendo aqui? — arregalei os olhos. Dylan tinha os olhos fixos em minha cueca boxer, o que me fez me cobrir com o travesseiro.
— Cara, ele é muito gostoso — Dylan ignorou totalmente minha pergunta, dizendo a , que concordou — Sério mesmo que nunca se divertiram juntos?
— NÃO — neguei, atraindo sua atenção. —Isso nunca aconteceu e nem vai acontecer... Afinal, o que estão fazendo aqui, podem me responder?
— Umas amigas do Dylan estão nos chamando para sair – contou, animado.
— Ótimo, com vocês saindo eu posso dormir em paz e sem perigo de ser assediado.
— Você vai com a gente — alertou. — É o nosso final de semana juntos!
— Mas amanhã eu tenho que acordar cedo para ir na leitura do testamento do meu pai — dizer aquilo era estranho demais. — Esqueceu?
juntou as mãos, lá vai ele tentando me convencer. — É apenas um rolê tranquilo.

Normalmente, quando falava que era algo tranquilo, eu podia esperar algo parecido com as festas que o Freddie Mercury organizava.

— Nós vamos voltar cedo e você não vai perder a hora…

Quando dizia que voltaríamos cedo, seria cedo para tomar um banho e engatar em um outro rolê, ISSO se voltássemos para a casa sem ter que dar uma passadinha no hospital para tomar uma glicose na veia antes.

— Vamos, , vamos — meu amigo fez bico e Dylan resolveu imitá-lo.
— Se eu perder a hora do testamento, espero que o velho Nick venha de onde ele estiver e te assombre pelo resto da sua vida.
— Ele me ama muito pra me assombrar — disse, convencido, ao sair do quarto saltitante e bater o dedinho na quina da porta. — DROGA!
— Viu só, isso é um aviso — gargalhei ao me levantar para trocar de roupa.

Como já havia tomado banho, subi a primeira calça que tirei da mala, uma vermelha, toda de couro com aberturas nas pernas; peguei uma regata branca e a clássica jaqueta jeans. Olhei-me no espelho, dando uma leve ajeitada no cabelo com as mãos, o colocando para o lado, e estava pronto em menos de cinco minutos.

— Onde vamos? — perguntei, saindo do quarto e seguindo para o de .

Por incrível que pareça, já tinha sua roupa em mente e vestia-se rapidamente, enquanto Dylan permanecia indeciso, olhando para todas as roupas dobradas em sua frente.

— Em um show.
De camarote. — Dylan enfatizou o camarote ao puxar uma camiseta de botões amarela com azul e uma calça preta rasgada.

Não, realmente, não íamos voltar cedo. Todo camarote tem um after depois dos shows e, definitivamente, era a melhor parte de todas.
Enquanto os pombinhos se aprontavam, andei até a cozinha, pegando uma das últimas cervejas, e sentei-me no sofá para acompanhar o programa qualquer que passava, esperando para sair.

— Você dirige — jogou a chave do carro no meu colo e saiu do apartamento, seguido por Dylan se olhando no espelho de mão e passando corretivo.
— Lá vamos nós — ri, terminando a minha cerveja e deixando a garrafa em cima do móvel, indo em direção à porta. — Aonde é esse tal show? — perguntei ao chegar no térreo.

me entregou o celular com a localização. Eu sabia chegar naquele local sem um GPS me guiando, lhe entreguei o celular e seguimos para o carro com ambos brigando por maquiagem e reclamando do atraso que tinham feito.
Em cerca de vinte minutos chegamos ao local do show e nos deparamos com uma fila que dobrava o quarteirão.

— Para aqui! — Dylan gritou e eu parei o carro na mesma hora, agradecendo por não ter carro atrás de mim. — Estacione o carro e volte aqui na entrada.
— Mas, espera aí, o que… — bateu a porta com força antes de sair desfilando de mãos dadas com Dylan no meio da rua em direção à casa de shows. Ri, balançando a cabeça ao ver a cena, e segui a rua até parar em frente ao estacionamento. Saí do carro, entregando a chave para o manobrista, alegando que quem pagaria era o meu amigo na volta.

Acendi um cigarro ao andar em direção à fila. Sabia que daria um jeito, como nos velhos tempos, então não me preocupei em procurar alguma mulher para furar fila. Mas, ao me aproximar dos fundos da casa, um grupo de três jovens me chamou a atenção, relembrando os velhos tempos em Portland.
Eles estavam prestes a entrar, mas dois seguranças se aproximavam em minha frente. Eles me viram os olhando e ficaram em choque.
Rapidamente, chamei a atenção dos seguranças dizendo que uma briga acontecia no começo da fila entre duas mulheres e a minha namorada. No mesmo instante eles deram meia volta; quando voltei a olhar para os fundos, não havia mais ninguém.
Eles tinham entrado no show, ou saíram correndo, como um bando de covardes.
Ri sozinho, me aproximando de e recebendo olhares raivosos por estar furando fila. Dylan colocou uma pulseira dourada em meu pulso, passando para dentro.

— Da onde você tirou essas pulseiras?
— Estou na lista VIP – Dylan estufou o peito para se vangloriar.
— E também já pegou o segurança – disse, enciumado.

O local estava lotado e eu me perguntava como todo aquele pessoal do lado de fora iria conseguir entrar. Andamos até a área do camarote, que era em uma parte elevada com uma vista maravilhosa para o palco. Não fazia ideia de quem era o show, mas a banda devia ser muito boa para lotar tanto assim. Andei entre as pessoas e, assim que avistei o bar, sorri ao me aproximar, pegando uma cerveja. A melhor notícia da noite foi saber que era um camarote open bar.
Não precisava andar muito para avaliar que era o de sempre: mais seguranças que o imaginado para o camarote para não deixar acontecer nada com as subs celebridades e as pessoas importantes da cidade. Neste momento, olhei para baixo, percebendo o aglomerado começar na pista, encontrando os três jovens no bar molhando a mão do atendente para conseguir umas cervejas. Ri ao observar.
Mas o meu foco logo mudou, eu tinha achado alguém muito mais interessante, mulher e da minha idade. Os cabelos louros volumosos e a maquiagem escura, com os lábios de um belo batom escuro, a pequena camiseta branca que acabava na altura do seu umbigo, mas tinha um decote para os seus lindos seios, ganhavam minha atenção. A calça jeans toda rasgada revelando uma tatuagem escondida perto da cintura, que descia pela coxa… Aquela mulher era um espetáculo.

— Hummm... Eu conheço esse olhar, . — comentou ao parar do meu lado, bebericando o seu drink. — Sabe que não pode chegar tarde hoje, não é mesmo?
— Esse olhar exala sexo — Dylan se abanou, recebendo um olhar indignado de . — Estou mentindo?
— Não — nós dois negamos juntos. — Eu vim aqui para me divertir e é isso que vou fazer — de tanto observá-la, a loira mexeu nos cabelos piscando para mim.
— Tão fácil assim, huh? — Dylan comentou, a olhando de cima a baixo. — Eu já a vi em algum lugar.
— Dylan, você não me conhece... — dei um gole na cerveja, a vendo andar em direção a grade do camarote sem a amiga que lhe acompanhava.
— Acho que esta é a sua chance — me deu um leve empurrão.
— Veja e conheça em ação — entreguei a Dylan minha garrafa de cerveja vazia, andando em direção a mulher que, ao me ver pelo canto dos olhos, surpreendeu-me ao virar já levando a mão em minha nuca e puxando para um beijo.



Capítulo 2

Parecia uma cena de um filme.
A leve brisa fria da manhã atingia minha pele, fazendo que um tremor percorresse o meu corpo. Tentei abrir os olhos sendo impedido pelo forte raio de Sol que entrava pela janela do carro. Levei a mão ao rosto na tentativa de voltar a dormir, mas o meu celular começou a vibrar e constatei que ele estava em baixo das minhas costas.
Se não fosse pela minha forte dor de cabeça, que me trazia a sensação de que estava prestes a explodir, pelo Sol tentando me cegar, pelo gosto de cigarro e pelo cheiro de cerveja se misturando com o meu perfume e com outro adocicado.
Bufei ao pegar o aparelho e passar o dedo pela tela sem ao menos ver quem quer que fosse.

— SEU FILHO DA PUTA! ONDE É QUE VOCÊ SE METEU, ?

Era , sua voz estrilava do outro lado da linha ao me xingar de tudo e mais um pouco que vinha em sua mente naquele momento.
Nada como uma manhã normal.
Abri os olhos rapidamente, acostumando-me com a claridade na marra ao piscar diversas vezes olhando para os lados. Olhei para o meu corpo, percebendo que estava completamente nu e com uma loira usando minha cintura como travesseiro. Ela estava com a cabeça bem próxima ao meu pau, pois conseguia sentir sua respiração levemente bater contra o membro.

— Que horas são? – perguntei em baixo tom ao interromper a sessão de xingamentos de , que permaneceu em silencio antes de gritar. Voltei a encostar minha cabeça no carpete do porta malas do carro, passando a mão pelo rosto.
— Eu não faço ideia de onde quer que você esteja, Christtofer. – pelo tom de voz bravo de , era tarde, muito tarde. — Mas dê o fora imediatamente! Vou te esperar na frente do escritório da advogada do seu pai daqui vinte minutos com a sua roupa, e não atrase um minuto, pois eu tenho que ir trabalhar.

Puta merda! A leitura do testamento do meu pai.

— Nós vemos em vinte minutos – sussurrei ao perceber que a loira, de quem não fazia ideia do nome, começou a se mexer e levantou-se rapidamente, me encarando. — Oi... – disse sem graça, desligando a ligação com , que falava mais alguma coisa nas quais não prestei atenção.
— Que horas são? – ela perguntou e, antes mesmo que eu pudesse responder, ela estreitou os olhos para ver no painel do carro. — Oh, meu Deus! – ela cobriu a boca com as mãos, fechando os olhos.

Ora, ora, eu não era o único fodido por aqui.

Tá’ tudo bem? – perguntei ao apoiar meu corpo sobre meus cotovelos. Ela me olhou com um olhar raivoso como se eu fosse o culpado por todos os seus problemas.

É.
Talvez não seja culpado por todos os problemas, mas pelo menos por um eu assumo a culpa no cartório.

— Não! Não está nada bem, eu estou fodida, tenho que estar no trabalho daqui vinte minutos. – exclamou ao começar a vestir suas peças íntimas. — Droga, como fomos dormir tanto assim?
— Tivemos uma noite bem agitada – comentei, a ajudando a fechar o sutiã e dando um beijo em seu ombro. Ela me olhou pelo canto dos olhos, se aproximando dos meus lábios, porém eu recuei para trás. — Se te serve de consolo, eu também estou fodido, pois tenho um compromisso muito importante a exatos vinte minutos também. — ela soltou um suspiro, irritada ao vestir a pequena camisa que estava usando ontem à noite, e jogou minha cueca sobre minha barriga. — Obrigado. Poderia abrir esse porta-malas? — a loira, então, pulou para o banco detrás do carro e empinou a bunda em minha frente ao se inclinar até o painel para conseguir destravar o porta-malas.

Foco, , não podemos ter uma ereção agora!
Saí de dentro do porta-malas apenas de cueca branca e vesti minha calça, procurando pela minha regata e pela minha jaqueta, que estavam entre as outras peças de roupa jogadas pelo porta-malas.
Constatei que eu não deveria ser a única vítima que ela levava para transar no porta-malas do carro.

— Está procurando por essas peças? – a loira balança minhas peças de roupa, já sentada no banco da frente, com óculos escuros. — Esqueceu que eu tirei sua roupa aqui na frente ontem?

Sim, eu havia esquecido.

— Como poderia esquecer? Quase não aguentou chegar ao carro para começarmos. – retruquei a sua provocação após pegar o meu celular e minha carteira, batendo o porta-malas para fechá-lo. Parei em sua frente, vestindo a regata enquanto ela segurava a jaqueta e analisava o meu corpo, mordendo seus próprios lábios avermelhados.

Sorri sem graça quando devidamente vestido, nunca sabia o que dizer nessas horas.

— Eu não sou muito bom com o que…
— Então é melhor não começar... – ela me interrompeu, jogando a cabeça para trás – Foi uma excelente noite, Greg. – percebi que não falei a ela o meu verdadeiro nome.

E apostava todas as fichas no fato de que eu acabaria acertando o seu nome de primeira, garantindo a próxima transa.

— Digo o mesmo. Você é incrível, Shantal . Espero poder te reencontrar quando voltar a L.A. – sorri maliciosamente e ela me puxou pela regata para um beijo sem língua.
— É só me ligar, love – Shantal sussurrou contra meus lábios antes de me soltar e saiu acelerando o seu carro.

Não tinha tempo para chamar o Uber, então entrei na frente do primeiro táxi que passou e lhe dei o endereço do escritório, pedindo para que ele corresse o máximo que pudesse; caso fosse multado, eu deixaria um dos cartões de para que ele pagasse a multa.
Era melhor eu levar um xingão por uma multa do que ele levar por estar atrasado para o trabalho.
Pulei do táxi assim que ele desacelerou o carro e eu avistei o de . Dei ao taxista cinquenta pratas sem me importar com o troco e entrei no banco detrás do carro do meu amigo, sendo recebido com clássicos xingamentos.

— Você está fedendo a sexo e a álcool – resmungou, pegando o seu perfume de dentro do porta-luvas e jogando em meus cabelos e em meu pescoço.

Vesti a camisa social e quando passou a gravata, eu senti que ele queria me matar ali mesmo.

— Nem preciso dizer que a ideia de sair ontem em pleno domingo foi sua... – foi uma péssima hora para retrucá-lo, já que o senti apertar a gravata em minha garganta.
— Eu voltei assim que o show acabou, transei, curei minha ressaca e estou novo em folha para a semana, quem abusou foi você, .
— Eu sei. Foi mal, aquela loira acabou comigo – comentei, fazendo revirar os olhos.

Troquei de calça com dificuldades, saindo do carro para arrumar o cinto. Nessa mesma hora, uma mulher passava na rua, ela olhou para mim e para dentro do carro e saiu, andando rápido.

— Ótimo e ainda eu que levo a fama – olhou pelo retrovisor para a mulher, que entrava no escritório.
— Você trouxe os seus sapatos? – perguntei e fez uma careta. – Sério?
— Eu esqueci, tá’ legal? Eu tive que me arrumar também, pegar os presentes que comprei pro pessoal do escritório... Ninguém vai reparar que você está de Vans… E se eu fosse você, corria para dentro, pois faltam dois minutos.
— Essas coisas começam tão pontuais assim? – perguntei, arrumando meu cabelo e o olhando no espelho do carro.
— Não sei. – deu de ombros. – Nunca fui à leitura de um testamento. Mas você está indo e o mínimo é que você volte rico ou descubra o que o velho Nick fazia da vida.
— Estou bonito? – perguntei, lançando a o meu melhor sorriso.

não respondeu, apenas saiu com o carro e me deixou falando sozinho.
Atravessei a rua, passando por um lindo jardim, até chegar à porta, que, com certeza, custaria mais caro que o meu carro. Toquei o interfone. A câmera em cima do interfone virou em minha direção; dei um sorriso sem graça e uma mulher, que deduzi ser a secretária, abriu a porta.
Ela era baixa, ruiva e usava um terno na cor cinza.

— Bom dia. Fique à vontade – ela disse, me concedendo a passagem para entrar. — Você deve ser o filho do Sr. ... , certo?
— Certo... – estreitei os olhos, lendo o seu crachá – Nicolette. Sou eu. Estou muito atrasado? – perguntei ao passar a mão entre os fios de cabelos.
— Não – negou com a cabeça. – Eu lamento pela sua perda. Nicholas era realmente uma pessoa incrível. – ela dizia enquanto andávamos até a sala ao lado. Estava deslumbrado com o tamanho daquele lugar. — Você pode aguardar aqui, fique à vontade para se servir.

Ufa, eu não era o único que estava atrasado.
Apenas concordei com a cabeça, seguindo em direção à mesa ao lado da janela. Precisava de um café bem caprichado e aquela máquina tinha cara de que iria fazer o melhor café que já tomara em toda minha vida.

— Esse é o melhor café que já tomei em toda minha vida – desviei minha atenção da máquina, olhando para um garoto, que deveria ter uns dezessete anos, com uma xícara de café em mãos e com a boca cheia de bolo de chocolate.

Ri, concordando com ele e preparando o meu café, enquanto beliscava tudo que tinha em cima da mesa. Quando o café ficou pronto, peguei alguns salgados antes de me sentar na poltrona ao lado do garoto.

— Cara, isso aqui é dos deuses – comentei ao bebericar o meu café. – Era tudo que eu precisava pra curar a minha ressaca.
— Nem me fale. Ontem a noite foi bem agitada – riu ao se levantar, buscando mais um pedaço de bolo.

Arqueei a sobrancelha, o olhando. Aquele garoto me era familiar.
Um flash em minha mente trouxe a imagem dele com mais dois rapazes tentando entrar pelos fundos da casa de show.

— Espera aí. Eu conheço você! – exclamei, o fazendo virar em minha direção com a sobrancelha arqueada e sem entender nada, parando de mastigar mais uma fatia de bolo que ele havia pego. — Você estava entrando pelos fundos daquele show de ontem.
— E você foi o cara de calça de couro vermelha que me ajudou – o garoto disse ao lembrar-se de mim – Valeu, cara. – ele se aproximou e fizemos um toque com as mãos. — Graças a você, eu acabei entrando em outro lugar pelos fundos ontem. – riu, voltando a se sentar.

Aquele garoto era um pervertido. Eu tinha gostado dele.

— Foi atrás de alguma garota que valia a pena? – perguntei, roubando uma fatia de bolo do seu prato.
— Na real? Ela não valeu nem o risco que eu corri pra entrar naquele show – contou, indignado – Ela estava a fim de mim, mas acabou dando mais moral para o babaca riquinho que a levou para o camarote.
— Mas você não acabou a noite sozinho. – constatei.
— Acabei a noite com a irmã mais velha do cara que entrou comigo no show, não faço nem ideia da onde eles sejam.
— É isso que importa, não sair no zero a zero. – dei de ombros ao me levantar, pronto para fazer mais uma xícara de café, e pude ver Nicolette, a recepcionista, que veio até nós, sorrindo pelo reflexo do vidro da janela que tinha vista para o jardim.
— A advogada chegou? – perguntei, fazendo mais um café. — Chegou. – Nicolette confirmou. — E está à espera de vocês.

Olhei para o garoto sem entender e ele me lançou o mesmo olhar perdido.

— Ela deve estar tão atrasada que vai atender nós dois de uma vez – ele comentou ao levantar-se, deixando o prato sujo de bolo em cima da mesa de centro.

Fiquei em silêncio ao tomar mais um gole de café, antes de sair da sala de espera, acompanhando Nicolette e subindo as escadas até chegar à gigantesca sala, que parecia mais uma biblioteca, da advogada do meu pai.
Ela estava de frente para a janela, com uma xícara de café em mãos, massageando as têmporas, quando Nicolette limpou a garganta para chamar sua atenção.
Ao virar-se de frente para nós, o sorriso que forçou se desmanchou rapidamente assim que me viu, ficando boquiaberta, sem conseguir disfarçar a sua surpresa.
Seus cabelos loiros, muito bem presos em um belo rabo de cavalo, nem pareciam que há pouco estavam soltos e embaraçados; sua boca contornada com um batom claro combinava perfeitamente com o conjunto social branco que ela usava.
Como ela conseguiu se arrumar em tão pouco tempo e ficar tão elegante, sendo que eu continuei o mesmo trapo, parecendo que um caminhão havia me atropelado?

Shantal? – foi o que perguntei ao unir as sobrancelhas, curioso ao vê-la.

Não, não podia ser Shantal a advogada do meu pai!
Ela juntou as sobrancelhas ao me olhar, se fazendo de desentendida ao recompor sua postura.

Camilla Velásquez – ela corrigiu-me, com um sorriso que não mostrava os seus dentes. — Sou a advogada que o Sr. Nicholas deixou encarregada por vocês dois. – apontou para mim e para o mais novo. — Creio que você seja . – a loira andou em passos firmes até parar em minha frente, estendendo-me a mão.
— O próprio. – apertei sua mão ao levantar da poltrona com firmeza para encará-la nos olhos.
— É um imenso prazer conhecer o primogênito do Sr. Nicholas. – Camila disse, ainda de mãos dadas. — Lamento por sua perda.
— O prazer é todo meu – enfatizei o “prazer”, a fazendo soltar a minha mão, mexendo de maneira nervosa em seus óculos e voltando a sua atenção ao garoto.

O abraçando pelos ombros e o guiando até a cadeira em frente a sua mesa enquanto conversavam algo entre eles. Nisso, Nicolette sorriu para mim ao pedir licença e sair, fechando a porta da sala. E eu tomei a liberdade para me sentar na cadeira vaga ao lado deles, constando que seria somente nóss três para a tal leitura.

— Vai vir mais alguém? – deixei a minha curiosidade falar mais alto ao perguntar, enquanto Shantal, quero dizer, Camila caminhava até a sua cadeira, sentando-se em nossa frente.
— Você está esperando alguém Sr. ? – ela respondeu de maneira ríspida, engoli a seco ao entender que ela estava extremamente puta da vida comigo. — Bom, primeiramente, creio que vocês já acabaram se conhecendo enquanto esperavam para subir...
— Estávamos trocando uma ideia sobre o rolê da noite passada – o garoto comentou ao bocejar, eu arregalei os olhos para o mesmo negando com a cabeça.
— Então, vocês já se conheciam? – Camilla perguntou, olhando para ele e depois para mim.
— Não – disse rapidamente, antes que o garoto piorasse minha situação. – Nos conhecemos agora há pouco na sala de espera, eu não fazia ideia da existência dele... Mas creio que sejamos – limpei a garganta antes de falar. – Irmãos?

Eu e ele nos entreolhamos, era aparente que éramos parecidos.

— É claro que somos – o mais novo disse, me olhando como se fosse óbvio – Olha só para nós, somos idênticos ao nosso velho... Que descanse em paz – fez o sinal da cruz sobre o peito, olhando para cima.
— Posso começar? – Camilla perguntou, sentindo o clima ficar tenso. — Tenho certeza que aqui – apontou para o papel – vai estar a resposta para tudo que precisam.
— Claro.
— Com toda certeza, vamos acabar logo com isso. – suspirei, ajeitando-me na cadeira e cruzando as pernas.

Observei Camilla abrir um envelope amarelo, que estava lacrado, em nossa frente, retirando o testamento de duas páginas e mais duas cartas na cor azul lacradas.

e , antes de tudo que tenho a dizer, sei que não me conhecem o bastante, pois nunca deixei transparecer demais os meus sentimentos, então vejo esse momento como o melhor para contar minha história. Estarei mentindo a vocês, e uma hora ou outra vocês acabariam ouvindo de terceiros, se dissesse que minha vida não foi fácil, pois ela foi. Seus avós, Macie e Thomas , me proporcionaram uma boa juventude. Cresci tendo uma boa infância, frequentei os melhores colégios e me formei na melhor faculdade do estado da California. Viajei o mundo fazendo alguns intercâmbios para aperfeiçoar os outros idiomas e voltei para o lugar que eu mais amo no mundo, colocando os meus pés na areia e vendo o pôr do sol no píer de Santa Monica. Eu estava no auge dos meus vinte e cinco anos e nunca tinha me apaixonado quando conheci Carmen, na roda gigante daquele final de semana. Foi igual aos filmes que cresci assistindo acompanhado por minhas babás; amor à primeira vista. Passamos o verão inteiro juntos e quando ela foi embora, fui tolo em não pedir para que ela ficasse. Nossa história não acabaria ali. Ela voltou. Acompanhada por seus pais, dizendo que estava grávida e, naquele momento, eu era o homem mais feliz do mundo, mas acabei a deixando escapar entre meus dedos novamente devido à pressão dos meus pais. Ela foi embora, criou você, , sozinha. E quando meus pais vieram a falecer e eu tomei coragem para lutar pelo nosso amor... Já era tarde, ela já estava grávida e sendo feliz com outro homem. Me fechei para quaisquer sentimentos, focando na minha vida profissional, naquela época era responsável por todo o patrimônio dos meus pais. Isso não impediu que eu participasse da sua infância, que corresse para o hospital na primeira vez que quebrou o braço no skate, ou desse um sermão quando brigou no colégio por ameaçarem . A vida acaba passando muito rápido diante os nossos olhos, e , e quando me dei conta... Amelia Lancelot havia chego para alegrar os meus dias cinzas. Nós namoramos por longos anos, estávamos noivos quando ela me contou que estava grávida. Será que aquele bebê era meu? Foi a dúvida que pairou sobre minha mente por dias. Eu dividia o coração de Amelia com outro rapaz e, em meio as nossas desavenças e a minha insegurança, rompemos o nosso noivado, seguindo cada um a sua vida. veio ao mundo em uma quarta feira chuvosa, eu tinha acabado de voltar de Portland, Amelia tinha vindo buscar uma encomenda, que por engano havia vindo no endereço errado. Eu agradeço até hoje a pessoa que errou o endereço dando-me a oportunidade de estar presente em um dos momentos mais marcantes da minha vida. Não tinha como negar que ele era meu filho, seus olhos diziam tudo.

Nesse mesmo momento, eu olhei para o meu meio irmão e seus olhos estavam cheios de água, mas mesmo assim era perspectível que eram féis aos do nosso pai.

—...Seguimos caminhos diferentes e mais uma vez acabei não aproveitando a segunda oportunidade que a vida tinha me presenteado de viver uma vida repleta de amor e carinho. Passei os meus últimos anos sentado em uma cadeira de escritório, fechando contratos importantes, ganhando dinheiro que, hoje, onde eu estou, não levei um centavo. Fui engolido pelo sistema, vivendo em um ciclo vicioso, que me fez ficar viciado em bebidas. Bebia mais garrafas de uísque na semana do que a minha secretária conseguia contar. Comecei a fumar charutos, influenciado por meus sócios e foram eles que me apresentaram as acompanhantes de luxo... Eu não me reconhecia mais. Me tornei uma pessoa desagradável, meu reflexo no espelho refletia uma pessoa sem vida, que contava os dias para que o pior acontecesse. E quando este dia chegar, peço para que não gastem suas lágrimas as derramando por mim. Eu estou bem, mas só ficarei em paz quando me perdoarem por nunca os ter apresentado. , peço para que cuide de , sei que o sentimento pode não ser o mesmo, mas peço para que o aceite como se fosse Cristina, ou sua caçula Catherine; que o aconselhe ao melhor e conheça o coração puro e bondoso que ele tem. Para isso, deixo a minha casa para que os dois possam morar juntos. Peço a Camilla que o matricule no colégio no qual eu estudei e que escolha uma boa faculdade para cursar. Os carros ficam aos cuidados de , tenho certeza que um em especial é de . E por último, mas espero que seja o menos importante, quero que cuidem dos meus negócios, mas não deixem que o dinheiro lhes suba a cabeça, foquem em viver as suas vidas da melhor maneira possível. Façam a minha luta diária dos últimos anos valer a pena. Com amor, Nicholas Arnold .

Engoli a seco, desejando que a máquina de café da recepção estivesse dentro daquela sala, para poder afogar-me em um expresso forte e me debulhar em lágrimas comendo um bolo de chocolate.
Aquela era a atitude mais adulta possível que pairava sobre a minha mente.
O meu velho estava morto.
Isso eu já tinha dirigido e aceitado.
Mas ele era podre de rico e nunca me contou?
E havia deixado uma casa para que eu morasse com um meio irmão que acabei de conhecer?
“Os carros” ele tinha uma coleção de carros e ainda deixou um de presente para o ! What that fucking?
A cada segundo, eu lançava uma nova pergunta em minha mente enquanto balançava a perna esquerda freneticamente, batendo o meu pé no chão e roendo as unhas.
Olhei para pelo canto dos olhos, o vendo todo largado na cadeira, balançando o seu pé com uma cara pensativa e puxando os cabelos com uma das mãos.
Oh, meu Deus, eu tinha transado com a advogada do meu pai. Isso quer dizer que ele também pode ter feito isso...
O meu estômago embrulhou, fazendo com que eu parasse de roer as unhas e levasse a mão ao estômago.

e – Camila retirou os óculos de leitura, chamando a nossa atenção para ela. — Eu quero que saibam que conversei com o Sr. Nicholas por muito tempo enquanto ele montava esse testamento para vocês e quero confessar que tentei ao máximo convencê-lo para que ele juntasse vocês dois antes de partir. Ele me dizia entretanto, que era algo extremamente delicado e que não tinha forças para levar consigo a mágoa que poderia gerar entre os dois de alguma forma. Então, é um pedido pessoal meu, se é que posso – Camila respirou fundo, emocionada com suas próprias palavras. – Não o odeiem. Ele os amava mais que tudo nessa vida.

Reaja , reaja!

— Eu preciso de um tempo – digo, enxugando as lágrimas que insistiam em querer escorrer pelo meu rosto. — Para assimilar tudo o que está acontecendo... Cara, eu tenho um irmão mais novo – digo surpreso, colocando a mão sobre o ombro de . – Isso é ... Wow, sabe?

riu, concordando, ao secar suas lágrimas com a manga da camisa branca que usava.

— Bom, eu te dou esse tempo para pensar – Camila disse ao levantar-se, puxando sua bolsa e as chaves do carro e recolhendo a pasta com a carta do meu pai. — Mas peço que pense, , no caminho para Malibu.
— Malibu? – eu e dissemos uníssono.
— Sim. Vou levá-los para conhecer a casa onde irão morar.

Levantei-me e, antes que pudesse me virar para sair da sala, puxou-me para um abraço. Ele não era tão baixo, mas acabou encostando sua cabeça em meu peito para chorar. De primeiro momento, eu estava estático, assimilando todas as informações, mas logo passei meus braços por cima de seus ombros, o abraçando de volta deixando as lágrimas descerem pelo meu rosto.
Eu perdi meu pai.
Mas, em compensação, tinha acabado de ganhar um irmão para a vida toda.



Capítulo 3

Era constrangedor demais estar de volta ao carro de Camila, que antes de seguir para Malibu, pediu mil desculpas a pelo banco de trás estar uma bagunça, cheio de roupas e suas maquiagens. Eu reprimi a risada ao sentar do seu lado no banco da frente e ela me olhou com aquele famoso olhar que alegava “se fizer algum comentário, você é um homem morto”.
Então, resolvi ficar calado e assim foi o caminho todo.
Somente ouvindo a barulheira do trânsito caótico em plena segunda-feira de manhã e os pensamentos confusos que pairavam em minha mente.
E, para a minha sorte, piorando a minha situação com Camila, o celular sobre a minha perna começou a tocar e ela não conseguiu disfarçar a sua olhada para tela, vendo o nome de “Rebecca” salvo com um coração rosa que ela mesmo havia colocado.
Camila me fuzilou ligeiramente antes de apertar as mãos ao volante. Eu apenas deslizei o dedo pela tela, atendendo a ligação.

— Oi – disse sem graça para a mulher do outro lado da linha.
Bom dia, vida, você está bem? – Rebecca disse, esbanjando animação, e, pelo barulho, ela deveria estar correndo pelo parque, como normalmente fazia pelas manhas bem cedo.

Foi assim que a gente se conheceu.
Eu estava de ressaca, dormindo embaixo de uma arvore após um amigo me oferecer cinquenta pratas para transar dentro do meu carro; ela estava correndo e tropeçou e, para sua sorte, eu estava ali para ajudá-la e lhe proporcionar o melhor sexo matinal pós-corrida da sua vida.

— Eu estou bem. Um pouco ocupado no momento... – digo, na intenção de desligar o mais rápido possível.
Está no compromisso com o seu pai… — Não! – ri sem humor, a interrompendo. – Não quero estar com ele tão cedo, se é que me entende.
Oh, meu Deus, desculpe, ! Eu esqueci completamente que ele tinha morrido – ela falou, me deixando desconfortável. — Desculpe, você sabe, eu sou meio avoada às vezes…
— Não tem problema, está tudo bem, OK? – olhei para o banco de trás, na intenção de que ele me ajudasse.

riu, entendendo perfeitamente o que eu queria que ele fizesse.

— Ei, cara, você não vem? – o mais novo disse em um tom alto. — Só falta você para a gente começar.
— Vou precisar desligar, estão me chamando aqui!
, eu queria te falar… — Depois a gente se fala, tchau. – e antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, desliguei, olhando para a tela do celular e vendo mais algumas mensagens de outras mulheres. O guardei rapidamente no bolso, não tinha tempo para elas no momento.

Camila bufou ao revirar os olhos, forçando suas mãos no volante.

— Realmente, vocês dois são farinha do mesmo saco – disse em um tom grosseiro, nos fazendo rir do seu comentário.
— Dizem que filho de peixe, peixinho é. – pisquei para ela, rebatendo o seu comentário.
— Já estamos chegando? – perguntou, se colocando ao meio dos bancos.

Camila não o respondeu, apenas entrou com carro em uma rua que tinha a placa indicando que era sem saída; dirigiu até o final da rua, parando o seu carro em frente ao portão todo de madeira com a inicial do sobrenome de Nick gravado ao centro.
A advogada digitou um código antes de colocar o seu polegar no local indicado, fazendo com que o portão abrisse para os lados e revelasse em seu interior um jardim incrível.
Ela andava devagar para que pudéssemos apreciar a vista. Logo à frente, havia uma pequena ponte de madeira e um lago cheio de peixes, ela contornou o chafariz e parou o carro bem em frente à casa de três andares.

— Sejam bem-vindos à propriedade de Nicholas Griffin. – Camila anunciou após dar a volta no veículo, apontando para casa em nossa frente. — Estão prontos para conhecer?
— Mas é claro – respondeu, animado, olhando boquiaberto.

Camila sorriu ao andar em nossa frente em direção à porta de entrada, que foi aberta por uma mulher de cabelos ruivos. Ela vestia uma saia preta até o joelho e uma camisa social na cor vinho. Deduzi que ela poderia ser a ex mulher do meu pai e aquilo fez um arrepio percorrer o meu corpo, ainda mais depois de ver um garoto na casa dos quatorze ou quinze anos ao seu lado.

— Oh, não! Uma madrasta e mais um irmão – sussurrou ao meu lado.
, , quero que conheçam a Sra. Mayala Castillo – Camila nos apresentou à mulher, que nos cumprimentou com um abraço e um beijo no rosto. — Mayala é a governanta que seu pai contratou para trabalhar e morar aqui desde que se mudou há alguns anos. E este é o seu filho, Jaylen. – Apontou para o garoto. – Ele é um amor de pessoa e estuda no mesmo colégio que você vai começar a frequentar na semana que vem, . – Camila deu um leve aperto na bochecha do garoto, o deixando sem graça ao nos cumprimentar.

Sem ex-mulher e mais um filho por aqui, por sorte aquele garoto não se parecia nenhum pouco comigo e com .

— É um enorme prazer para mim estar conhecendo os filhos da melhor pessoa que conheci em minha vida. – Mayala disse, demonstrando emoção ao estar com os olhos marejados. – Nicholas realmente foi uma pessoa muito boa, mesmo sendo tomado pelos vícios no fim da vida.
— Vocês são muito parecidos com ele – Jaylen comentou, alternando o seu olhar para mim e para o mais novo. — Isso é assustador.
— Vamos, entrem, faço questão de acompanhá-los. – Mayala apontou com a mão para que entrássemos.

Ao passar para o lado de dentro da casa, o hall era todo branco, com todos os detalhes e portas em madeira. Havia um tapete branco que se estendia até a ponta da escada para o próximo andar. A primeira porta à direita foi aberta por Mayala, mostrando-nos um escritório que Nicholas raramente usava e, logo na porta da frente, uma sala somente para as visitas.
Seguindo até o final do hall, a escada de madeira dava para um ambiente aconchegante com poltronas marrons e sofás de quatro lugares na cor creme com almofadas brancas; havia uma lareira com alguns quadros em sua volta e uma janela, que ia do chão até o teto com cortinas na cor dourada. Além disso, tinha uma televisão de tela plana na parede, com um aparador logo abaixo com alguns controles.
A sala de jantar, um ambiente seguindo o mesmo padrão dos outros cômodos - detalhes de madeira no teto e uma pequena lareira - possuía uma mesa de vidro com cadeiras acolchoadas em vermelho e um belíssimo tapete branco.
Minha mãe com certeza amaria aquele tapete e, dessa vez, me mataria se o estragasse igual fiz com o de casa quando era criança.
A cozinha contava com um aquário de peixes que poderia observar por horas.
Ainda no mesmo andar, a biblioteca toda rústica exalava o perfume que meu pai usava e Mayala comentou que era o cômodo em que ele mais ficava. Ele comprava livros novos com frequência e quando não estava lendo, gostava de beber na biblioteca, já que lá ninguém o via.
No segundo andar da biblioteca, tinha uma porta que nos levava ao corredor.

— São cinco suítes. – Mayala comentou ao parar no corredor, nos olhando. – Querem conhecer as acomodações agora? — eu e concordamos. — , esse é o seu quarto e, , esse é o seu. – ela apontou para as portas uma de cada lado do corredor. Eu fui em direção ao meu quarto, enquanto o mais novo seguiu correndo para o seu.

Ao abrir a porta, andei para dentro do quarto, deslumbrado com o seu tamanho. A decoração era toda branca, a cama ao centro do quarto contava com um quadro na cor cinza pendurado acima. Eram dois ambientes no mesmo cômodo, dois degraus dividiam o quarto em uma área com duas poltronas e uma mesa de vidro; a televisão na parede contava com alguns quadros em sua volta, o que me fez reparar em uma foto minha e do meu pai de quando eu ainda era criança e jogava no time de baseball do colégio.
Uma outra porta me chamou a atenção, ela estava entreaberta e minha boca foi ao chão ao perceber o tamanho do banheiro só para mim.
Duas pias, uma enorme banheira de frente para a janela, ducha do outro lado do cômodo com dois chuveiros e o armário com toalhas e tantos produtos caros, que, com certeza, não compraria tudo nem com o meu salário de um ano.
Voltei para o quarto, parando em frente à cama e observando a vista que teria para o jardim todos os dias. A piscina parecia olímpica com o seu tamanho e, ao seu redor, várias espreguiçadeiras de um lado e do outro, bangalôs com almofadas vermelhas e azuis.
Viajava em meus pensamentos quando o meu celular tocou de novamente no bolso da calça. Peguei, pensando que fosse a minha mãe, mas era Rebecca. Bufei, guardando o aparelho novamente, sendo muito bem observado por Camila, que sorria ao apontar para uma porta do outro lado do quarto.
Ela abriu para mim, mostrando o closet, que se acendeu assim que coloquei os pés para dentro do cômodo. Ao centro, uma bancada com alguns uísques e algumas vodcas, uns copos e um frigobar com outras bebidas.

— O que está achando? – Camila perguntou, ainda parada rente ao batente da porta.
— Isso é loucura. – disse, sem acreditar. – Sempre desconfiei que ele fosse rico, mas isso aqui? – neguei com a cabeça, tomando a liberdade para pegar uma garrafa de água dentro do frigobar.
— Essa propriedade vale dez milhões e meio de dólares, ele a comprou de um ex-integrante do One Direction. – Camila comentou.
— Caralho – disse. – Eu vou morar na casa que era de um One Direction? Isso sim é loucura – olhou para o filho de Mayala. – Cara, me diga que você conta isso para as pessoas. Deve fazer o maior sucesso com as garotas! – Jaylen apenas olhou para sua mãe ao sorrir de maneira nervosa. — O que mais tem essa casa?
— Ainda falta conhecer a sala de cinema, a adega, a área das piscinas, o vinhedo, as duas casas de hóspedes…
— Não podemos esquecer também, mamãe, do salão de jogos e da área de lazer perto da casa de massagem. – Jaylen completou.

Olhei para sem acreditar.
A casa era muito maior do que podíamos imaginar.

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Passamos o dia todo andando pela propriedade, a conhecendo com o auxílio de Mayala, que nos explicava tudo que precisávamos saber. Ela também nos contava histórias engraçadas sobre o nosso pai, fazendo realmente com que nos sentíssemos em casa.
Camila já falava mais sobre a parte burocrática, como os papéis que eu e teríamos que assinar para passar a propriedade para o nosso nome. Também me explicava que eu precisava me tornar o tutor legal do meu irmão, para que ele pudesse morar comigo, antes que aparecesse algum parente do além para tentar colocar a mão na nossa herança.
Mayala disse para que nos acomodássemos em um sofá na área externa, onde era possível acender uma fogueira caso fizesse frio.
Ela se afastou após pedir licença, pois iria arrumar tudo para o nosso jantar.
Camila iria nos acompanhar no jantar, isso antes de receber um telefonema que a deixou um pouco fora de área. Ela perguntou se poderíamos continuar amanhã, pois teria que se ausentar, e saiu sem ao menos aceitar o nosso convite para o jantar.

— Essa é a hora que a gente usa para saber mais um sobre o outro? – pergunto, ao passar as mãos pelos meus cabelos, um pouco sem graça.
— Uma boa oportunidade. – deu de ombros. — O que quer saber sobre mim?
— Não faço ideia por onde começar. Você tem quantos anos? Faz aniversário quando? Acredita em signos? – perguntei o que me veio à cabeça, lembrando do questionário que minha irmã, Catherine, fazia quando eu costumava levar as garotas para casa.
— Tenho dezessete anos, faço dezoito em novembro. Pelo que a irmã do meu melhor amigo me falou, eu sou do signo de escorpião e isso tem a ver comigo, então, talvez eu acredite um pouco – concordou, mexendo as mãos ao responder. — Acredita que existe vida em outro planeta? Vida após a morte?
— Da onde viemos e pra onde vamos? – entrei na onda. – Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?
— Suas teorias da conspiração? Kurt Cobain se suicidou ou foi assassinado por Courtney Love?
— Wow, essa última é pesada! – pensei por alguns segundos. — Eu acredito no suicídio, por tudo que ele passou. Já assistiu ao filme dele?
— Eu já assisti a praticamente todos os documentários possíveis sobre ele. E voto em suicídio. Courtney não teria coragem de matar o pai da sua filha, mesmo sendo louca.
— Tenho que concordar. Hum... Seus medos?
— Eu tinha muito medo quando mais novo de morrer em um massacre, como Columbine. – arregalei os olhos com o seu medo.
— Por quê? Você sofria bullying?
— Não. Mas eu sempre via os garotos fazendo bullying com pessoas que não faziam absolutamente nada para merecer aquilo. E, como me mudei algumas vezes, sempre fui novato nos colégios e as adaptações sempre são tensas.
— Por onde tanto você morou? – perguntei, sentindo-me um entrevistador com tantas perguntas para o mais novo.
Estiquei meu corpo no sofá, colocando a minha cabeça sobre uma almofada.
— Bom, eu nasci aqui mesmo, em Los Angeles, como explica a carta do Nick. – Começou a contar desde o início. – Mas minha mãe logo se mudou para Chicago por conta do trabalho. Ela foi casada por alguns anos e, quando se divorciou, resolveu voltar para Denver, no Colorado. Meus avós moravam lá, só que eles morreram quando eu tinha dez anos.
— Que merda, hein - não consigo conter o meu comentário.
— Eles eram um saco e falavam mal do Nick. — revirou os olhos – Eu os odiava.
— Então, você morava em Denver antes de vir pra cá?
— Não. Morei em Denver até meus dez anos, depois nós mudamos para São Francisco.
— Sua mãe ficou lá? Por que ela não veio te acompanhar? – franzi a testa ao perguntar e ele soltou o ar, sem me encarar por alguns segundos. — O velho Nick parecia gostar muito da sua mãe, pelo que ele disse na carta. – comentei.
— E ele gostava muito dela, eram amigos bem próximos – sorriu, provavelmente lembrava dos dois juntos. – Mas ela estava doente já há algum tempo. Ela não gostava muito de comentar isso com ele, quando ela piorou, fui eu quem contei, mas aí já era tarde demais pra salvá-la. Ela faleceu faz três meses.
— Droga, cara. Eu sinto muito. – já era cruel ter noção de nunca mais ver o meu pai, agora os dois juntos... — Você está morando sozinho?
— Passei um tempo morando na casa de um amigo. Nick estava viajando, quando ele voltou, a gente se encontrou, ele me trouxe pra cá, depois de uma semana ele partiu... — o clima estava começando a pesar e tratou de mudar de assunto. — Mas, então, me conte mais sobre você, , e por favor, que sua história de vida seja bem melhor que a minha...
— Nasci e cresci em Portland, em Oregon. Sempre morei com a minha mãe e minhas duas irmãs. Me mudei por um tempo para fazer faculdade, mas acabou não dando certo, não conseguia largar elas sozinhas e voltei. Agora elas são em quatro mulheres, minha irmã teve uma linda bebezinha e eu tenho a infelicidade de trabalhar no mesmo escritório que o ex-namorado dela.
— Você trabalha com o cara que engravidou sua irmã e nunca meteu a porrada nele? – perguntou, indignado.
— Cristina diz que eu não posso fazer isso, porque além dele pedir a guarda da bebê, eu seria demitido do escritório.
— Cara, não querendo ser aquele diabinho no seu ombro, mas você sabe que agora não precisa mais trabalhar, não é mesmo? – perguntou, ficando em pé na minha frente. – Olha o tamanho desse lugar, podemos morar aqui tranquilamente com elas. Temos duas casas de hospedes, casas, .
— Posso transar tranquilamente com as mulheres em uma dessas casas e dizer que sou filho do caseiro, para elas não crescerem os olhos em mim – ri, lhe atacando uma almofada. — Mas eu gostei da ideia. Vou me demitir, já que agora eu tenho um filho pra criar. – o zombei.
— Minha mãe disse que eu nunca dei muito trabalho, diferente dos meus avós, que me xingavam todas as vezes que eu passava a tarde na casa deles. Velhos estúpidos.
— Cuidado, eles podem vir puxar seu pé de noite – ri, sentindo o meu celular vibrar no bolso e o pegando para constatar que era mais uma das mil mensagens de Rebecca.
— Relaxa, já faz sete anos... Está mais fácil essa sua namorada aparecer aqui do que o espirito dos meus avós.
— Cara, ela não é minha namorada. – nego com a cabeça, respondendo a mensagem avisando que estava bem e que continuava ocupado. — Eu não namoro.
— Não é o que parece – riu sem graça. — E qual é o seu lance com a Velásquez?
— Está tão na cara assim? – perguntei, assustado, o olhando.
— Olha, dá pra sentir a tensão sexual no ar e ela não é boa tentando disfarçar.
— Você sabia que ela estava no show ontem? - disse e ele negou – Bom, eu estava no camarote com o meu amigo e o namorado dele e encontrei com ela.
— Quem é esse amigo que você tanto fala? — perguntou, arqueando a sobrancelha e eu percebo que não tinha contado sobre o .
é o meu melhor amigo desde que me conheço por gente, ele mora em L.A. Ele estava uma temporada no Brasil e voltou no final de semana. O namorado dele que teve a brilhante ideia de ir nesse show, e a Dra. Velásquez, ou melhor, Shantal, como ela se apresentou para mim, estava lá. Passamos a noite juntos e hoje acordamos no porta-malas do carro dela na beira da praia.
— Você é foda. Pelo menos uma coisa boa no meio de tanta desgraça; um irmão com a mesma vibe – fizemos um toque com as mãos. — Você vai topar ser o meu tutor, não é?
— Como assim? – arqueio a sobrancelha. — Tipo, não é só a gente morar juntos e boa?
— Pelo que a Velásquez me explicou, você precisa aceitar ser o meu tutor e assinar uns papeis para que a gente possa morar junto. Basicamente, você vai assinar que se “responsabiliza” por mim.
— Bom, se é isso que você quer – dei de ombros. – Eu não sou chato com absolutamente nada. Ainda moro com a minha mãe, então sigo à risca algumas regras. E, como será somente nós dois, acho que podemos entrar em comum acordo que a Mayala mande em tudo que diga respeito à casa. Claro, se ela aceitar continuar morando conosco.

Como se sentisse que estávamos falando dela, Mayala apareceu, sendo seguida por uma mulher uniformizada, que trazia alguns aperitivos para comermos.

— Vejo que estão se dando bem – Mayala comentou ao sentar-se de frente para nós. — Rapazes, quero que conheçam a Adelaide, ela é a responsável pela nossa cozinha e preparou alguns aperitivos para vocês comerem enquanto esperam o jantar.
— Hummm... E qual vai ser o cardápio? – perguntou ao encher a boca com um pedaço de torrada.
— Costelinhas com barbecue caseiro e batatas fritas. – Adelaide nos informou o cardápio e pude ouvir minha barriga roncar tão alto, que até o meu pai lá no além conseguia ouvir. — Se me dão licença, vou terminar o jantar e logo volto para avisar vocês.

Adelaide saiu e engatou em uma conversa animada com Mayala sobre como era o nosso pai no dia-a-dia. Eu teria participado se o meu celular não estivesse tocando pela milésima vez, mas, ao olhar o nome do visor, um sorriso brotou em meus lábios e me afastei para poder atender, andando em direção à piscina.

— Olá – disse, animado, para o meu amigo, que do outro lado da linha estava berrando com alguém, provavelmente no trânsito, pelo barulho dos carros.
Volta para as aulas de direção, seu panaca! – ele grita com sua grave voz. — Olá, meu doce de chocolate brasileiro, você já ficou rico o suficiente para me bancar como sua putinha de luxo?
— Quer tirar suas próprias conclusões? – o questionei, animado com a sua vinda a Malibu.
Muito interessante essa sua proposta. Onde vamos nos encontrar para você me contar todos detalhes?
— Te mando o endereço por mensagem, venha o mais rápido possível, daqui a pouco nós vamos jantar. – entrei no WhatsApp, compartilhando a minha localização com .
Chego aí o mais rápido possível… WOW! Você está em Malibu! Posso começar as especulações sobre o seu pai ou ainda está muito cedo?
— Venha logo, .

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Tínhamos acabado de jantar quando engatou em um assunto empolgante com Mayala sobre uma receita que ele queria muito aprender e ela sabia fazer perfeitamente. comia algumas batatas fritas restantes em seu prato, prestando bastante atenção nas mensagens em seu celular.

— Não me diga que está conversando com a garota de ontem? – o questionei enquanto palitava os dentes.
— Não. Eu passei meu antigo número para ela – disse, rindo, e olhou-me rapidamente antes de voltar a sua atenção ao celular. – Estou conversando com Madison, ela é a irmã mais velha do meu melhor amigo, ela quer saber como eu estou e quando eu volto.
— Hummm, eu estava pensando nisso durante o jantar – comentei, colocando os cotovelos sobre a mesa. – O que acha de viajarmos amanhã?
— Para onde? – deixou o celular de lado para prestar atenção no que eu dizia.
— Preciso voltar a Portland, me demitir do meu antigo emprego e buscar minhas roupas, a mala que trouxe para a casa do é só para essa semana, se não vou ter que começar a usar suas cuecas de ursinhos.
— Eu estou ouvindo você falar das minhas cuecas, gritou, apoiado no balcão da cozinha. – E, para a sua informação, são muito confortáveis.
— Quando estivermos voltando de Portland, podemos ir para São Francisco?
— Se você quiser, é claro…
— Quero – não deixou nem ao menos eu terminar de dizer. – Vou avisar a Madison. – pegou o celular, enviando uma mensagem de texto. – Vamos passar a noite aqui?
— Acredito que sim – dei de ombros. – Mas se eu fosse você, já iria para a cama, preciso de um bom copiloto me acompanhado na estrada pela manhã.
— Eu vou mesmo, faz um bom tempo que não tenho uma boa noite de sono – confessou, mexendo os ombros. – Bom, boa noite, irmão – ele estendeu a mão e fizemos um toque. – Mayala, Adelaide, obrigado pela comida, estava maravilhosa. – ele agradeceu às mulheres. – , foi um prazer te conhecer, você é incrível.
— Que isso. Eu adorei saber que tenho um filho para criar – zombou, bagunçando os cabelos loiros do mais novo. – Boa noite, criança.

Esperei que se afastasse e, com um gesto com as mãos, chamei para fumar. O mesmo aceitou na hora, pedindo licença às mulheres e me seguindo para o espaço da primeira piscina, que era menor. Mesmo assim, estava toda iluminada. Puxei um cigarro do maço e o joguei na direção de para ele pegar um, acendi o meu, lhe passando o isqueiro em seguida.
Dei uma longa tragada, soltando a fumaça e sentando em uma poltrona de madeira toda estofada e muito confortável.
parou em minha frente, soltando a fumaça para cima e negando com a cabeça.

— Isso é loucura – comentou, olhando ao seu redor. – Você perde o seu pai, descobre que tem um irmão adolescente e se muda para uma mansão de um ex One Direction, que seu pai deixou de herança para vocês.
— Parece mais um filme de comédia, não? – ri, tragando mais uma vez.
— Será que vira uma comedia romântica? – rebateu. – Eu ouvi você falando com o sobre voltar a Portland... Já decidiu o que vai falar para Rebecca?
— Eu vou terminar, é claro. – disse o óbvio, olhando para .
... Por que não dá uma chance para o amor? – e lá começaria com a conversa que eu deveria me permitir.
— Porque eu não amo a Rebecca.
— Pelo que me contou quando chegou de viagem, ela gosta muito de você. Você até aceitou jantar com os pais dela! – e é claro que ele usaria tudo o que eu disse contra mim mesmo.
— Eu aceitei para me distrair, foi no mesmo dia em que recebi a carta falando sobre o Nick. Fiz as duas coisas que mais gosto, comer e transar. – lhe mostrei dois dedos. — Faz um certo tempo que estamos juntos, mas eu não sinto que é ela, sabe?
— Não se sente da mesma forma que daquela vez? – passou o dedo indicador pela extensão do meu braço esquerdo, onde ele sabia que por ali estava tatuado o nome da primeira mulher que ganhou o meu coração. Eu revirei os olhos com tal lembrança e neguei com a cabeça. — Então, não tem jeito, adeus, Rebecca. Eu tentei lutar pelo futuro do seu relacionamento.
— Você acha que algum dia ela pode voltar? – ignorei totalmente o comentário de sobre Rebecca, ainda voltando ao outro ponto da nossa conversa.
Ela não mandou você a esquecer e você disse que ia esquecê-la mesmo?
— Você está certo – baguncei meus próprios cabelos, tentando esquecer aquele pensamento melancólico passando por minha cabeça. Acabei, entretanto, olhando para o ponto em meu braço, onde seu nome estava coberto por uma nova tatuagem e peguei pensando em qual lugar do mundo aquela mulher deveria estar agora.


Capítulo 4

ATENÇÃO! A partir desde capítulo, irei começar a narrar em terceira pessoa, pois agora como vou contar a história de dois personagens e também dos secundários. Por isso, achei que seria melhor para todos. Qualquer problema com isso é só me avisar ao final do capítulo.

falou para ir descansar depois do jantar, pois, mesmo sem ainda conhecer o irmão caçula muito bem, ele conseguia ver nitidamente em seus olhos que o corpo e a mente do rapaz pediam socorro. Ele precisava de um tempo sozinho para assimilar tudo que vinha acontecendo durante os últimos dias.
sentiu-se aliviado ao chegar no quarto e fechar a porta atrás de si. Respirou fundo antes de andar até a beirada da cama, ainda contemplando todo o enorme quarto que agora poderia chamar de seu, e enterrar suas mãos pelos fios de cabelo, os puxando com certa força ao sentir os olhos arderem com as lágrimas que começavam a cair.
Ele conseguia compreender completamente que o estado grave de saúde da sua mãe uma hora ou outra acabaria com a sua vida de forma trágica; ele já estava se conformando e preparando o seu psicológico para isso. Mas perder Nick logo em seguida? Sem ao menos ter um momento de pai e filho, como não tinham há um bom tempo? Sem lhe dizer que já vinha conversando com a sua mãe há um bom tempo e ela concordava que ele poderia ficar aos cuidados da família de Madison e Maxwell? queria se formar ao lado dos amigos, estudar geometria com Madison e tentar engatar um romance com a garota da qual sua mãe rasgava elogios. Poderia, inclusive, auxiliar e dar seu total apoio a Maxwell em suas sessões de fisioterapia para voltar a andar, o caso do amigo era reversível e ele queria poder ajudá-lo.
Mas, agora?
, agora, tinha uma outra realidade, começando com a mudança para Malibu, onde moraria em uma casa, ou melhor, em uma mansão tão grande que nem ele mesmo conseguia acreditar; estudaria em um colégio de elite e renomado, onde só com a passagem por aquele colégio já lhe permitia boas oportunidades em seu futuro. Sem contar que, agora, ele tinha descoberto a existência de um irmão mais velho.
Quando era mais novo, sempre pensava em como seria legal ter um irmão mais velho que fosse seu companheiro, que o levasse para cima e para baixo e que tivesse amigos descolados.
Ao crescer, seu pensamento mudou. Ele comentava com a sua mãe sobre como gostaria de ser o irmão mais velho de uma garotinha, quem ele defenderia dos rapazes; para quem ele contaria histórias para dormir e também a quem ensinaria a andar de bicicleta, e até mesmo de skate, para ela ser a descolada.
Juntando as peças do quebra-cabeça, ainda com Camilla a ler o testamento, sentiu o coração disparar-se em seu peito. Não podia acreditar que em meio a tantas notícias ruins, ele tinha um irmão mais velho, que também era a pessoa mais legal que conhecera nas últimas horas. Mesmo com tudo desmoronando, ele sentia-se com uma pontada de esperança rondando o seu peito.
Secou as próprias lágrimas, respirando fundo ao olhar para cima, e pensou em sua mãe e em como ela ficaria desesperada em vê-lo chorando daquela forma. Foi se acalmando aos poucos, pensou em Nick e sua tamanha generosidade em deixar tudo devidamente alinhado com Camilla, para que nada faltasse a ambos.
Assim que se sentiu mais calmo, levantou em direção ao banheiro, tirou o carregador do bolso da calça que usava, colocando-o o celular para carregar em cima da pia, e tirou suas roupas, observando seus músculos. A falta de exercícios e a má alimentação o faziam ficar magro novamente. Virou o pescoço para o lado, vendo um pequeno chupão em sua clavícula, e revirou os olhos.
Sentiu-se arrependido de ter dormido com a garota da noite passada.
Mas não conseguia esquecer o gatilho que gerou toda aquela repercussão em sua mente.
Abriu o registro do chuveiro, molhando todo o seu corpo de uma só vez, e acostumou-se com a temperatura rapidamente. Passou os dedos entre os fios que insistiam em cair em seus olhos, lembrando-se dos acontecidos da noite anterior.
Seu melhor amigo, Maxwell, lhe contou que sua irmã mais nova havia saído para uma festa de aniversário de uma das melhores amigas de Madison, para a qual somente garotas haviam sido convidadas.
Bom, isso era o que ela o fez pensar.
E bastou apenas uma ligação para descobrir a verdade. Ele conseguiu com facilidade por ser amigo de todos da sua antiga classe, e descobriu que a garota trocava mensagens há algum tempo com um jogador do último ano e, sem nem mesmo saber o desfecho, agiu de maneira impulsiva.
Não demorou para que Madison lhe explicasse de fato o que acontecera: ela realmente havia omitido sobre a presença de outros garotos para não preocupar o irmão mais velho, que ficaria em casa aquela noite. Ela realmente estava conversando com um jogador do último ano que, de primeiro momento, a abordou para perguntar se ela daria algumas aulas extras para sua irmã mais nova. E que somente depois o rumo da conversa fora ficando mais sério. Eles haviam combinado de se encontrar na tal festa, mas Madison deixou bem claro que não estava a fim de nada que fosse além de uma boa amizade com o rapaz.
se sentiu um estupido por ter agido por impulso, mas agora já não podia mudar o passado e mal podia esperar para ver Madison novamente, mesmo que não confessasse seu desejo para ninguém, nem para ele mesmo às vezes.
Desligou o registro, balançou a cabeça para que escorresse a água antes de sair do amplo box, pegando uma das toalhas dobradas e secando o próprio corpo antes de prendê-la em sua cintura e seguir para o quarto. Mexendo no celular, observou a vista que tinha da piscina toda iluminada e pôde ver de relance e conversando lá embaixo. Ficou curioso quando viu o melhor amigo apontando para uma das tatuagens no braço do mais velho, que pareceu não gostar muito do significado ao revirar os olhos.
Seria uma boa história para se ouvir durante a viagem que fariam durante o dia.
Deitou-se na cama, aconchegando sua cabeça em um dos travesseiros, e mandou uma mensagem para que Camilla não esquecesse de trazer a mala com suas roupas quando viesse o ver pela manhã. Deixou o celular ao lado no colchão e logo adormeceu.

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Após passar no hotel que estava hospedando para pegar sua mala, Camilla seguiu de carro até o novo colégio do jovem rapaz, o matriculando com urgência após uma rápida conversa com a diretora, que o aceitou apenas pelo sobrenome de sua família, sem se importar com a falta de alguns documentos na matrícula.
A diretora, que também foi uma ex-professora que deu aula a Nicholas , até a ajudou com a compra dos uniformes, dizendo para que Camila buscasse tudo na loja e que ele poderia começar já no próximo dia.
Camilla agradeceu por toda a sua preocupação e se livrou das garras da diretora, que queria lhe encher de perguntas íntimas sobre a família , com facilidade ao dizer que buscaria o uniforme antes de encontrar com o herdeiro para um café da manhã. Lá ela se foi, conversando com uma amiga do escritório por telefone até a loja de uniformes.
Ela não precisou nem se apresentar para que a vendedora soubesse de quem se tratava. Ela já tinha separado tudo e deixado em cima do balcão enquanto esbanjava sua falsidade para Camilla, que apenas pagou, cortando o assunto sobre Nicholas que estava prestes a começar, e saiu às pressas.
Dirigiu até Malibu em uma reunião via chamada de vídeo com uma de suas estagiárias, pedindo para que segurasse as pontas enquanto se resolvia em deixar tudo em ordem para os filhos do Sr. . E sentiu um certo incômodo ao colocar a palavra filhos no plural, lembrando-se amargamente de .
Naquela noite, quando o seu cliente, Dylan, apresentou aquele pedaço de mal caminho com um outro nome, ela logo entendeu que a sacada era apenas de uma única noite, se apresentando como Shantal, como gostava de fazer com suas noites de sexo por diversão. Quando ele disse que era de Portland, ela imaginou que ele fosse voltar para lá e nunca mais fossem se ver.
Pelo menos, ele não mentiu ao dizer que morava em outra cidade, pois realmente morava.
Camilla ponderou em seus pensamentos, tentando não pintar como vilão da história e... Meu Deus, quem ela estava querendo enganar?
O vilão de toda aquela história estava abaixo de sete palmos de terra agora!
Se Nicolas estivesse vivo, provavelmente Camilla tomaria conta de acabar com a sua vida só pela vergonha que ele acabou fazendo a advogada passar. Afinal, custava mostrar uma foto de seus filhos?
A advogada chacoalhou a cabeça com tais pensamentos, fazendo uma cruz sobre o peito para que o seu cliente mais antigo não puxasse seu pé de noite devido a tais pensamentos.
Ela iria conseguir lidar com toda aquela situação e curtiria férias magnificas no final do ano, bem longe daquele pedaço de mau caminho...
Camilla bufou novamente com os seus pensamentos ao entrar na rua da casa dos ’s. Acelerou até a casa no final da rua, manobrando o carro em frente ao portão, onde digitou o código e ele se abriu. Ela dirigiu até a porta principal da casa, onde deixou o carro estacionado bem em frente à porta, sendo recebida por Mayala, que vinha até o carro para lhe ajudar com a mala de .

— Bom dia, Mayala, tudo sobre controle? – Camilla perguntou ao descer do carro, destravando o porta-malas e pegando as sacolas com os uniformes no banco de trás.
— Bom dia. Srta. Velásquez, tudo sobre controle. Está tudo bem com…
— Mayala, por Deus! – Camilla exclamou – Não precisa de toda essa formalidade comigo e acredito que nem com os esses dois rapazes também! Me chame apenas por Camilla que já vou ficar muito feliz.

Mayala sorriu de maneira tímida, concordando com a cabeça ao descer a mala de e colocá-la no chão, esticando a alça, que foi pega por Camilla.

— Falando neles, onde eles estão? – perguntou, empurrando a mala para dentro da casa, enquanto Mayala, ainda perdida, fechada a porta e o porta-malas do carro.
— Ainda não desceram, estão dormindo – Mayala comentou ao entrar seguindo a advogada, que parecia um carro desgovernado.
— Bom, terei que ser a estraga-prazeres e acordá-los – Camilla disse, escondendo um sorriso nos lábios ao pensar em invadir o quarto de . Ela olhou para Mayala e desceu seus olhos para uma das sacolas da loja de uniformes em suas mãos, esticando o braço para lhe entregar. – Enquanto a dona da loja tagarelava em meu ouvido, uma das vendedoras me disse que a Sra. pediu algumas novas peças de uniforme para o seu filho. Para poupá-la da ida até a loja e aguentar aquela mulher chata, eu as trouxe para você.

Mayala pegou a sacola de roupas da mão de Camilla muito agradecida, olhando para a mulher com um sorriso agradecido nos lábios.

— Normalmente... O Sr. Nick sempre buscava o uniforme de Jaylen para mim... Justamente por conta da dona da loja, ela é tão... Desnecessária! – Camilla sentiu que deveria voltar àquela loja e fazer a dona engolir os dentes por ferir uma mulher tão doce e delicada como Mayala.
— Quando me formei na faculdade e consegui um emprego no escritório de advocacia que hoje sou dona, nenhum dos sócios acreditava no meu potencial e falavam que só teria chance de ter algum cliente de uma empresa grande, caso dormisse com alguns deles. O Sr. ouviu um dos sócios me dizendo essas palavras e, no dia seguinte, ele pediu para que mandassem-o embora, pois eu cuidaria de toda papelada da sua empresa, caso contrario, ele mudaria de escritório sem pensar duas vezes. Vi o meu chefe colocar essa responsabilidade em minhas mãos quase se ajoelhando, pedindo para que eu não fizesse nada de errado e me ajudando no que fosse preciso. Ao longo dos anos, aprendi lições com ele que vou levar para toda a minha vida e uma delas é: nunca, em hipótese alguma, menosprezar alguém pela sua classe social, suas roupas, seu trabalho. Todo mundo tem a sua vida e a sua história e não somos ninguém para julgar. – Camilla contou à Mayala, sentindo um nó se formando em sua garganta. – Sei que ainda tinha tanto para aprender com ele...

Mayala deixava algumas lágrimas escaparem de seus olhos.

— ...Mas agora eu sei que tenho que aprender sozinha e com a vida, ele foi um ótimo professor enquanto pôde estar presente.
— Concordo plenamente, Camilla – e pela primeira vez, Mayala chamou a advogada pelo nome, lhe arrancando um sorriso.
— Seremos fortes por eles – Camila apontou com a cabeça para o andar de cima. – Não podemos deixar que se percam por estarem deslumbrados com a beleza e o tamanho desse lugar ou com toda a herança que vão receber.
— Precisamos mostrar para eles quem realmente foi o Sr. . – Mayala concordou novamente com as palavras da advogada. – Como vocês, jovens, dizem ultimamente... “Estamos juntas nessa”! – Mayala fez aspas com os dedos antes de distrair-se com um barulho na cozinha e ouvir o chamado da cozinheira. – Preciso ver o que aconteceu…
— Eu vou subir, creio que precise de roupas limpas – Camilla comentou, andando em direção às escadas e vendo a governanta ir em direção à cozinha para ver o que aconteceu.

Camilla subiu às pressas e parou em frente aos quartos de e . Não poderia entrar de supetão no quarto do mais velho sem ao menos ter uma desculpa plausível e nada atirada para isso. Respirou fundo, então, e abriu a porta do quarto de , que estava bem iluminado e refletindo a água de uma das piscinas no teto. Olhou para o quarto em perfeito estado e o jovem dormindo apenas enrolado em um lençol branco da cama. Ela deu uma leve analisada em seu corpo, notando algumas evidentes marcas de unhas sobre suas costas e revirou os olhos ao ver que ser cafajeste era algo de família e passado de geração à geração.
Colocou as sacolas em cima da cama, como também a mala, e, mesmo com a movimentação, aquilo não foi o bastante para acordar o jovem. Então, ela pegou a ponta do lençol, o puxando ao gritar bom dia.

— O que está acontecendo... – virou-se rapidamente, fechando os olhos ao ser atingido pela claridade que o cegava.
— VOCÊ ESTÁ PELADO! – Camilla gritou, virando-se de costas, boquiaberta, com o lençol em suas mãos. Ela olhou para o tecido e o jogou no chão aos seus pés.
— CAMILLA? – piscou várias vezes para que seus olhos parassem de arder, conseguindo ter a visão da advogada virada de costas com o lençol que o garoto se cobria aos seus pés. – O que está fazendo dentro do meu quarto?
—E-e-eu... Eu vim trazer a sua mala, como me pediu, e também trouxe o seu uniforme do novo colégio! – defendeu-se, levantando as mãos em rendição.
— Você poderia ter ao menos batido na porta – disse, indignado, levantando-se ainda tampando o seu membro com as próprias mãos, pensando em todas as piores coisas que poderiam existir no mundo para ele não se constranger por uma ereção matinal. — Nem minha falecida mãe entrava no meu quarto sem bater na porta – continuou a ralhar com a mulher, enquanto subia uma boxer azul entre suas pernas e vestia uma bermuda preta.
— D-desculpa! – Camilla pediu, sem entender onde realmente estava com a cabeça ao entrar no quarto sem bater na porta. — Eu não quis invadir a sua privacidade.

A cabeça dela estava ocupada demais pensando no irmão mais velho na porta da frente.

— Não tem problema – a acalmou – Pode virar, já estou vestido.
— Ótimo – suspirou, aliviada, virando em direção ao jovem.
— O que você disse que trouxe mesmo? – deu uma olhada nas sacolas em cima da cama.
— O uniforme que você vai usar a partir de amanhã para frequentar as aulas na Downfalls High, o colégio que seu pai pediu para que frequentasse. – Camilla se aproximou, cruzando os braços na tentativa de se mostrar autoritária. – Sinto lhe informar, mas as férias acabaram, pequeno .
— Certo – apenas concordou, abrindo a sacola que a advogada havia colocado em cima da cama e vendo que o uniforme era composto por uma camisa de botões branca com detalhes bordados em rosa, com o nome do colégio no peito, e uma calça de sarja bege-claro e, por fim, uma gravata rosa com listras brancas. — É sério mesmo que você vai fazer isso comigo? – juntou as sobrancelhas ao perguntar, olhando para ela e para o uniforme em suas mãos.
— Você vai ficar bonito, , confie em mim e vá provar – Camilla ordenou, sentando-se na cama e puxando uma pasta com papéis de dentro da sua bolsa. O mais novo revirou os olhos, pegando o uniforme e andando ate o banheiro.

Ao ouvir o barulho de água, notou que ainda iria tomar banho antes de vestir o uniforme. Seus olhos no mesmo instante voltaram-se para a porta do quarto... E se ela desse um pulinho no quarto da frente para ver como estava?
Será que ele dormia igual ao irmão mais novo?
Levantou-se da cama, deixando os papéis de lado, olhou no espelho que tinha no quarto, ajeitando os cabelos. Quando seguia para a porta, a viu se abrir e deu passos para trás, com o coração quase saindo pela boca..
. Mas era apenas Mayala, entrando no quarto e cantarolando alguma música antiga que Camilla não fazia ideia qual era. A mais velha estranhou a advogada sem graça e com as bochechas coradas.

— Desculpe... Te assustei? – Mayala perguntou sem entender.
— Não! É que eu estava... – pensou rapidamente – Estava indo lhe procurar...
— Certo, o que precisa senho... Camilla?
— Hãn... Queria saber se estava tudo ok lá na cozinha, vi que você saiu às pressas – Camilla mentiu, ajeitando os ombros.
— Oh, aquilo? Não foi nada, o cachorro do meu filho acabou se soltando da coleira e assustou a cozinheira, que derrubou uma bandeja de ovos. Já está tudo sob controle e resolvi subir para chamar os garotos para tomar café da manhã e ver se você gostaria também de se juntar a nós.
— Quer saber? Um café cairia muito bem agora, vou ter um dia super corrido. – Constatou, sorrindo de orelha a orelha para Mayala, que estranhou a atitude da advogada.
— O já acordou? – perguntou, tentando olhar por cima dos ombros de Camilla.
— Sim, está tomando o banho para provar o uniforme novo. Falando em uniforme, o do seu filho veio tudo certo?
— Como ele já estava pronto para sair, vai provar as outras peças quando voltar, mas tenho certeza de que estão todas certas. As vendedoras não costumam errar, sabe como é a dona... – as duas riram e Mayala então limpou a garganta – Vou chamar o e depois descer para ver o que falta na mesa, com licença…

Camilla sentiu um arrepio percorrer o seu corpo ao ouvir o nome do rapaz e não perdeu tempo em se voluntariar para acordá-lo.

— Oh, que isso, Mayala, eu posso acordar o para você, não se preocupe! Tenho mesmo que conversar sobre alguns documentos que ele precisa assinar para mim – Camilla voltou para perto da cama, pescando sua pasta transparente com alguns papéis.

Neste mesmo momento, terminava de vestir o uniforme no banheiro e abria a porta para chamar Camilla, para que lhe ajudasse a passar a gravata de maneira certa.

— Bom, é que ele não me falou nada se eu poderia deixar alguém…
— Volto em um instante, Mayala! – Camila apenas ignorou o que ela tinha a dizer, puxando a mulher para o corredor e lhe indicando as escadas. Voltou correndo para porta do quarto de , mordendo os lábios.

saiu do banheiro após chamar Camilla duas vezes e não ouvir resposta. Viu que o quarto estava vazio e a porta aberta e saiu olhando para a gravata em suas mãos, imaginando como se dava um nó. Normalmente, quem o ajudava era sua mãe e, como nem seu pai estava mais aqui, ele teria que aprender a se virar sozinho.
Logo viu a advogada abrindo a porta do quarto de com força, na intenção de assustar o rapaz, que ainda deveria estar dormindo. Seguindo em direção à cama, a advogada arregalou os olhos ao ver a cena mais improvável que poderia imaginar.

— Camila, o que está fazendo… — tentou pegá-la pelo braço.

dormia tranquilamente apenas de cueca, pois não tinha nenhuma roupa para usar como pijama, na mesma cama que seu amigo, .

— O que está acontecendo aqui? – Camila perguntou, aumentando o tom de voz.

resmungou algo, tateando o colchão até achar o seu celular, constatando que faltava alguns minutos para o celular despertar. Olhou para o lado, vendo dormir e sorriu, voltando à posição inicial e tomando um susto com a advogada e o irmão mais novo do amigo.

— O que está acontecendo aqui? – refez a mesma pergunta que Camila, sentando-se na cama e esfregando os olhos. – , por que está com essa roupa de igreja e o que essa mulher está fazendo aqui? – ele cutucou , que resmungou e tentou lhe bater com o travesseiro que estava próximo. – Acorda, cara, tem um B.O. seu aqui.

abriu os olhos rapidamente, sentando-se na cama.

— Eu não sou o pai! – ele alegou, esfregando os olhos ao se sentar na cama e olhando para o irmão e para a advogada. – Ah, não me acordou do meu sonho com a Megan Fox para isso? – Camila sentiu-se ofendida com o descaso do rapaz, olhando para , que não sabia o que dizer. — O que quer, Camila?
— Camila? O nome dela não é Shantal? – questionou, olhando para a mulher, que semicerrou os olhos para o garoto na tentativa de lembrar da onde o reconhecia.

E uma luz acendeu-se na cabeça de Camila.

— Oh, cara! O não te contou? – riu de toda aquela confusão, segurando as duas pontas da gravata. — É uma longa história.

O Show, o seu cliente, Dylan!

— Ele contou para você? – Camilla perguntou, atropelando as palavras.

Foi ele quem fez a famosa ponte para que ela e se conhecessem após ela ter se feito de difícil.

— Claro – deu de ombros – Somos irmãos, esqueceu?

Camilla cobriu o rosto com uma das mãos, grunhindo de raiva antes de olhar para .

— E você não é o namorado do Dylan? – lembrou-se do seu cliente falando apaixonadamente de durante o show. – O que faz na cama com outro homem? – ela não podia esperar para sair do quarto e ligar para Dylan.
— Não, não minha querida. Nós não namoramos. – a corrigiu, levantando o indicador. Estava disposto a atacá-la com dez pedras nas mãos igual ela estava fazendo com ele e com . – E, outra, posso dormir com o quantas noites eu quiser.
— Não – Camila negou – Isso é demais para mim – alegou, prestes a sair do quarto, mas a impediu, bloqueando a sua passagem.
— Deixa de preconceito besta, Velásquez – disse com a voz rouca de quem acabou de acordar. — Qual seria o problema se eu fosse bi? – perguntou, levantando-se da cama e andando até Camila, que permaneceu estática no lugar com os braços cruzados. – Você se satisfez e estaria atrás de um segundo round como agora do mesmo jeito. – Ficou frente à frente com a advogada, que apenas desviou o olhar para cima, encarando fixamente seus olhos.
— Vim comunicar que o café está servido e preciso que você assine uns papéis. Estou te esperando lá embaixo. – Camila disse de maneira ríspida e pegou a gravata de , o puxando para o quarto a fora.

apenas riu ao ouvir o barulho da porta e olhou para , que não parecia acreditar no que estava acontecendo. Cruzou os braços, esperando a famosa explicação do amigo.

— Bom, eu acho que acabei esquecendo de contar que a loira com quem transei no domingo e me atrasei ontem é a mesma loira que é a advogada do meu pai, não é? – ele disse, passando a mão pelos cabelos, um pouco sem graça.
— Você é um péssimo amigo – riu, negando com a cabeça. – E puta que pariu, você é muito azarado! Mais uma mulher para ficar no seu pé.
— Eu gosto dela – admitiu, pegando o controle para abrir as cortinas. – Gosto de brincar de Tom e Jerry às vezes – deu de ombros, seguindo para o banheiro.
— Está na cara que ela quer um segundo round. – gritou antes que fechasse a porta e ele não perdeu tempo em responder.
— Eu posso dar isso a ela.

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agradeceu aos céus por estar com a sua mala de roupas no carro e ele poder usar roupas limpas. Pegou uma camiseta azul marinho para o seu irmão e jogou na cabeça do menino ao chegar na mesa para tomar café.

— Pelo amor, não vai viajar do meu lado com essa roupa de igreja, as pessoas voa achar que te sequestrei! – zombou do irmão, sentando-se a sua frente para comer, e Camilla deixou sua xícara de café em cima da mesa, encarando ambos os irmãos.
— Eu disse a mesma coisa quando acordei – comentou. – Mas não posso deixar de pontuar que a cor rosa combina com você. – Ele tratou de arrumar a gravata do garoto, a afrouxando um pouco. — Todo de rosinha...
— Igual à cabeça...
— Já chega! – Camilla o interrompeu antes que ele continuasse e aquela fala rondasse sua mente pelas próximas décadas. – Para onde vocês dois pensam que vão viajar?
— Preciso voltar a Portland e quer dar um pulo em São Francisco, algum problema com isso? – perguntou, arqueando a sobrancelha ao pegar uma torrada ao centro da mesa.
— O problema é que ele tem aula amanhã. – Camilla constatou o óbvio.
— Mas amanhã á quarta-feira! – comentou, servindo-se de suco.
— Foi o que eu falei para ela! Quem começa as aulas em plena quarta-feira? Pra ter apenas dois dias de aula! – explicou o que não fazia sentido para ele.
— Não – negou – Pode esquecer.
— O quê? – Camilla estava a um ponto de surtar com todos eles. Mayala percebeu que a advogada estava irritada e resolveu tentar acalmá-la. — Ele precisa estudar, está perdendo matérias, vai acabar se atrasando, sem contar que...
— Acredito eu que seja melhor a volta as aulas do apenas na próxima semana, Camilla. Ele precisa de um tempo para digerir tudo o que aconteceu nos últimos dias e também para se acostumar com o irmão mais velho, sem contar que precisa trazer a sua mudança para cá.
— Isso, Mayala – concordou. – Essa viagem vai fazer bem para os dois!
— Camila, eu sei que as suas intenções são as melhores e que está prezando pelo futuro do ; que quer fazer tudo conforme o nosso pai lhe pediu – disse, a olhando em seus olhos. – Mas vamos com calma. É tudo muito recente e creio que para o é duas vezes pior. – Camilla olhou para o garoto, que por alguns instantes ficou pensando ao parar pra refletir tudo que lhe acontecia. — Precisamos desse tempo. – A advogada concordou com a cabeça, pegando sua xícara de café.
— Vai poder mandar e desmandar em nós o quanto quiser quando voltarmos. – disse com um meio sorriso nos lábios, esperando o veredito da advogada.
— Vocês venceram – Camilla deu-se por vencida, bebericando o seu café. — Você vai voltar às aulas somente na próxima segunda, sem falta!
— Você é a melhor do mundo – deu a volta na mesa para beijar o rosto da advogada, que gritou por quase derramar café na própria roupa. — , que aproveitar agora que ela está boazinha para falar sobre as passagens?
— Eu já imaginei que fossem me pedir isso – Camila deixou novamente o café de lado, pegando o celular na bolsa. – Classe econômica ou primeira classe?
olhou para , impressionado. — Nós não tínhamos planejado ir de avião. – o garoto comentou, olhando para o irmão. — Pensando em ir de ônibus ou ia pegar o carro do emprestado.
— Coragem ir assando de calor dentro de um ônibus lotado – Camila sentiu-se agoniada só de pensar passar por isso. – Mas carro seria uma boa opção, já que vocês querem passar um bom tempo juntos. – Ela pensou alto e olhou para os três. – Mas não o do , vocês já deram uma olhada na garagem de vocês?

Novamente, os irmãos se entreolharam, surpresos com a fala da advogada, que mantinha um sorriso maroto nos lábios.

— O que estamos fazendo ainda sentados aqui esperando? – questionou com a boca cheia de ovo.
— Para garagem! – constatou, dando uma mordida na torrada antes de levantar-se da mesa.
— Agora! – completou, terminando seu copo de suco e quase derramando tudo em cima de Camila, e saiu correndo atrás dos dois rapazes.

Camila respirou fundo, limpando os respingos e olhando para Mayala, calma, lendo o seu jornal, encostada no balcão da cozinha e reprimindo o riso entre os lábios.

Quando os três rapazes chegaram à garagem, foi o primeiro a adentrar a porta, acendendo a luz, que gradativamente acendeu a garagem inteira, revelando a coleção de carros de Nicholas . O primeiro e o mais casual da lista era uma SUV toda preta; o segundo carro era um Jeep na cor roxa metálica, com o qual se encantou na mesma hora ao passar em frente, alisando o capô. O terceiro carro era uma Audi TT, conversível, dos novos modelos e na cor azul, que chamou a atenção de , fazendo seus olhos brilharem. Já por outro lado, o carro que encantou foi simplesmente uma BMW I8 na cor branca, que ficava por último na garagem.

— Difícil de escolher, ’s? – Camilla perguntou, os olhando, encostada no batente da porta.
— Nós, com certeza. vamos pegar a estrada com esse bebê aqui – disse, apontando para o carro que fazia seus olhos brilharem e o olhou.
— Por que não com essa gatinha azul aqui? – ele apontou para o carro em sua frente – Cara, vamos sentir a brisa da estrada no nosso rosto…
— E estarão que nem dois camarões no final do dia – não perdeu a chance em zombar e riu.
— Realmente, irmão! Eu te levo pro colégio na segunda com essa gatinha – prometeu, fazendo um toque com as mãos com o irmão mais novo, e Camilla riu do modo em que eles já apelidavam os carros.
, ? – Camilla os chamou, atraindo a atenção de ambos – Já contaram para o que ele é dono de um desses carros?
— Seus malditos! – empurrou – A melhor parte de todas vocês não me contam?
— Achei que a melhor parte fosse exatamente tudo o que está acontecendo – comentou, rindo ao passar a mão entre os cabelos, os ajeitando antes de estufar o peito, parado em frente ao Jeep. Olhou para Camilla para conferir se era mesmo aquele carro e ela concordou com a cabeça brevemente. Ele limpou a garganta – Forbes, aqui está o presente que Nicholas te deu em vosso testamento.
— Eu te amo, velho Nick – juntou as mãos, olhando para o céu e agradecendo ao pai do melhor amigo antes de ir saltitante ao lado do novo carro surtar com o seu presente. – Tudo que está acontecendo com você é realmente trágico e maravilhoso ao mesmo tempo. Mas esse carro foi a cerejinha em cima do bolo.
— Acredite, depois que esses dois voltarem de viagem, mal podem esperar pelo que vem por aí – Camilla disse ao se aproximar de uma das bancadas de ferramentas, abrindo uma gaveta aveludada com todas as chaves e pegou a do carro que mais gostou, olhou para o homem, que a observava, e jogou a chave em sua direção e ele a pegou no ar. — Antes de sair, assine os papéis que deixei com a Mayala – ela apontou para – E amanhã vá até o meu escritório na hora do almoço com seus documentos para passarmos essa belezinha para o seu nome. – Apontou para , lhe estendendo a chave do seu carro. – Eu gosto de comida japonesa.
— Só pago se puder escolher o restaurante – alegou ao pegar a chave de suas mãos e Camilla concordou com a cabeça. – Ótimo!

se aproximou do irmão mais velho, encostando-se ao carro que ele escolheu, e os dois sorriram um para o outro, empolgados com a viagem que fariam juntos daqui a poucas horas. Seria uma experiência única para ambos e uma melhor forma para se conectarem. Antes que pudessem dizer algo, os celulares de ambos tocaram na mesma hora, anunciando uma nova mensagem. pegou o celular no bolso da calça do uniforme vendo no visor que Madison havia lhe enviado uma foto e não perdeu tempo em abrir, constatando que era uma foto bem ousada da amiga usando apenas uma camiseta que ele havia deixado em sua casa e uma calcinha branca de renda. Ele ficou boquiaberto e olhou para o irmão com medo ele que ele tivesse visto, mas estava boquiaberto com a foto que Rebecca havia lhe enviado, que era um nude totalmente ousado na varanda, onde o rapaz gostava de transar pela manhã, e a legenda dizia que ela estava com saudades das manhãs agitadas.
Ambos suspiraram ao bloquearem os celulares em sincronia, os levando aos bolsos.

— Acho melhor colocarmos o pé na estrada.
— Vamos indo para não ficar tarde?

Disseram uníssonos e riram, olhando para e Camilla, que observavam a cena incrédulos com o fato dos dois serem tão parecidos sem nunca terem se visto antes na vida.




Continua...



Nota da autora: Se eu já morria de amores pelo meu PP Christoffer, sofro duplamente mais desde que tive a genial ideia de dar a ele um irmão mais novo! Morro de amores por eles gente, não dá não! Camilla sou claramente eu tentando resistir ao boy, penso nele todo dia e fico imaginando mil coisas, mas aí na frente dele já é outros quinhentos né? Até o próximo capitulo, beijos!



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