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Última atualização: 20/02/2021

Prólogo

Era um dia nublado em Wiltshire, mas o interior da mansão Malfoy parecia não se importar com isso, pelo contrário, o ambiente se encontrava festivo e seus residentes encontravam-se ansiosos e animados – sentimentos esses que geraram certa desconfiança vinda do unigênito da família. Objetos enfeitiçados limpavam incessantemente a casa e a mesa de jantar era preenchida pelo couvert mais caro da mansão, o que o fazia entender que o que quer que fosse acontecer ali, seria de extrema importância. Não muito tempo depois, o menino Malfoy pode avistar seus pais adentrando o espaço com suas melhores vestes bruxas e expressões receptivas – o que era, no mínimo, estranho – olhou para sua mãe com a testa franzida esperando alguma explicação, porém, tudo que recebeu foi um sorriso singelo e empolgado.

- Venha, filho. Eles estão chegando! Fique ao nosso meio e seja simpático. – dissera Narcisa balançando os braços o chamando – anda, se apresse, estão quase aqui!

* * *


No quarto da nova casa dos Roux, passava a mão pela saia do vestido de cetim pela milésima vez naquele início de noite. Verificou as ondas dos cabelos alinhadas e o batom vermelho desenhando seus lábios perfeitamente.

Perfeita.

A garota riu com ironia e rolou os olhos.

Era como Camille Roux, vulgo sua mãe, queria que aquela noite fosse: perfeita! Nada podia sair do caminho que ela havia traçado. sabia que sua mãe nunca estava satisfeita com nada, então se esforçava para não dar motivos para reclamações.

- Mademoiselle? - a governanta dos Roux, Marie, apareceu na porta do quarto tirando a garota de seus devaneios. - Seus pais aguardam na sala, já está na hora de ir.

- Certo, Marie. Merci. - ela sorriu para a mais velha.

pegou o casaco que estava repousado na cadeira da penteadeira e saiu dali, em direção a sala, encontrando sua mãe arrumando a gravata do pai enquanto comentava algo com voz baixa. Bernard notou a presença da filha e logo pigarreou chamando a atenção da esposa.

- Ma chérie… Você está encantadora! - o homem sorriu de forma acolhedora para a filha.

Seus pais estavam muito nervosos para um simples jantar na mansão dos Malfoy. Não era como se fosse a primeira vez que eles fizessem aquele tipo de programa, pelo contrário, desde que se entendia por gente sabia que as famílias eram velhas aliadas e seus progenitores viviam fazendo esses jantares, algumas vezes na antiga casa dos Roux e outras na dos Malfoy. Por mera coincidência do acaso ou o que quer que fosse, nunca conseguia estar nesses jantares. Ainda que fosse o primeiro jantar depois que haviam se mudado para Londres e o primeiro com presente, toda aquela agitação e ansiedade em torno do acontecimento estavam deixando-a curiosa. Nem ela, que não os conhecia, estava tão nervosa.

- Poderia ter feito um penteado mais sofisticado, … - Camille foi em direção a filha, para arrumar o colar que ela usava. - Mas está bom assim, vamos logo. Não podemos nos atrasar hoje.

Bernard ofereceu um braço para a esposa e o outro para a mais nova que segurou a mão do pai e logo os três aparataram no jardim da casa dos Malfoy.

- Seja simpática. - disse Camille para a filha, que sorriu amigavelmente.

Ela sempre se comportava e agia como eles queriam mesmo.

- Claro, mamãe.

* * *


Ao lado de fora da mansão, a jovem bruxa desaparatava de braços dados com seus pais. Os três direcionaram olhares carregados de emoções ao lugar – cada olhar abrangendo um sentimento diferente.

Caminharam em direção da enorme e luxuosa mansão e foram recebidos pela família Malfoy, que coincidentemente carregavam em seu olhar a mesma misteriosa empolgação que seus pais.

- Bernard, Camille! Que prazer tê-los aqui. – exclamou Narcisa com seu melhor sorriso – e essa é a pequena ? Puxou os traços da mãe, eu vejo. Está linda!

A garota sorriu gentilmente como forma de agradecimento, seu vestido vermelho sangue fazia com que sua pele brilhasse e a moldava em uma das mais preciosas jóias. Estava, de fato, linda.

- Esse é nosso filho, Draco. – dissera Narcisa vendo o garoto dar um passo à frente.

- É um prazer te conhecer, . - e então, de maneira inesperada, o jovem Malfoy deu um beijo no dorso de sua mão, o que gerou leve surpresa na garota, afinal, já ouvira falar sobre a personalidade inexpressiva do garoto.

- Igualmente. - sorriu de maneira tímida.

- Vamos, sentem-se e fiquem à vontade... O jantar já será servido. - Narcisa apontou os lugares na mesa.

* * *
Estavam a mesa de jantar há algum tempo, Narcisa e Camille conversavam de forma animada, enquanto Lúcio e Bernard conversavam sérios, como se estivessem tratando de um negócio. Nada era possível se ouvir, no entanto, o que fizera com que a jovem desconfiasse que estivessem usando o feitiço Abaffiato. Por falar na jovem, essa olhava de maneira curiosa para o garoto de cabelos platinados, esse, por outro lado, parecia não se importar muito com sua presença e demonstrava uma postura de mera obrigação. Havia sido anunciado em sua chegada que aquele era um jantar de comemoração e desde então a ansiedade se instalou no peito dos mais novos. E então, quando o elfo trouxe a sobremesa, junto de uma garrafa de hidromel e seis taças de ouro, ambos tiveram a certeza de que algo estaria acontecendo ali.

- Nós iremos beber também? - Draco pronunciou em tom de surpresa ao observar o elfo servindo igualmente os dois mais novos.

- Hoje é um dia especial. - Narcisa sorriu depois de confirmar com a cabeça.

Fez-se, por fim, um silêncio ao fim das refeições – silêncio esse que fora quebrado por Lúcio ao dar leves batidas em uma das taças douradas, tomando toda a atenção do lugar para si.

- Gostaria de agradecer, primeiramente, pela presença de vocês. – dissera o loiro mais velho. – é de extrema importância que nossas famílias possam ter momentos agradáveis como esse, considerando que precisaremos estar mais unidos do que nunca e que nos veremos com frequência a partir de agora.

- O que ele quis dizer com isso, papai? - a garota perguntou dentre sussurros ao pai que apenas sorriu e fez um sinal com a mão para que ela esperasse.

- É sempre um prazer estar com vocês, Malfoy. – dissera o pai da garota com sua voz carregada de seu sotaque francês.

- Está empolgada para ir para Hogwarts, ? - perguntou Lúcio com uma expressão desafiadora.

- Sentirei falta de Beauxbatons, porém, estou otimista. Papai me contou muitas histórias do tempo de vocês lá. - ela sorriu simpática.

- Você vai adorar Hogwarts, querida. - Narcisa encorajou.

- É… Mesmo que existam vários sangues ruins, se você se manter com as pessoas certas não terá problemas. - Lúcio aconselhou com um sorriso debochado, a garota gostaria de retrucar, porém, se conteve em sorrir sem mostrar os dentes, odiava aquele termo.

– Tenho certeza de que ela se saíra bem, afinal, terá Draco ao seu lado. Ele cuidará de sua futura esposa. E logo nossos filhos estarão nos dando esse prazer de nós nos reunirmos em sua própria casa.

- O quê? – exclamaram juntos, olhando uns aos outros com confusão.

- Pelas barbas de Merlim. Enfim, o esperado motivo desse jantar! É uma honra ser escolhido para anunciar a união de nossas famílias. Nessa noite te entrego, minha filha, como noiva do jovem Draco. - Bernard anunciou animado.

Antes que o jovem Malfoy pudesse formular qualquer frase, Lúcio o olhou de maneira fria e cautelosa, e então, sentenciou de uma vez.

- Vocês estão prometidos um ao outro.

e Draco trocaram – quase que imediatamente – olhares desesperados e arfavam em descontentamento. Pensaram em contestar, porém, sabiam que seria em vão. Os Malfoy eram rigorosos, autoritários e nunca faziam nada sem ter uma perversa intenção, Draco sabia disso. Já os Roux precisavam de uma forte aliança e não ousaria envergonhar seus pais e perder seu posto de filha perfeita. As mães soltavam exclamações animadas enquanto os pais discutiam - dessa vez aberto a todos – os detalhes do casamento arranjado. Já os jovens, no entanto, nada ouviam. Seus pensamentos bagunçados já faziam barulho demais.

Capítulo Um

Em um dos luxuosos quartos da mansão Malfoy, a jovem tentava, sem sucesso, descansar. A mesma podia ouvir as batidas descompassadas de seu coração e ao tentar fechar os olhos sua mente repassava os acontecimentos da noite de novo e de novo. E então, dando-se por vencida e ciente de que não conseguiria nenhum sono naquela noite, resolveu levantar e tentar se distrair de seus pensamentos enquanto caminhava pelos corredores.

-Lumos. - sussurrou e pode observar quando a luz amarelo-limão alcançou a ponta de sua varinha.

A garota trilhou seu caminho pela casa até encontrar uma porta de vidro que dava acesso a um grande e extenso jardim, respirando profundamente ao adentrar o mesmo. Após alguns segundos com seus olhos fechados apenas sentindo a brisa da noite gélida batendo em sua face, a garota despertou e correu os olhos pelo lugar, parando imediatamente ao encontrar o garoto de cabelos platinados.

Não muito longe da jovem, estava o menino Malfoy, que por mera coincidência - ou não - também havia falhado em conseguir dormir naquela noite. O garoto olhava pro horizonte a sua frente que era preenchido pela escuridão azulada da madrugada, sendo iluminado somente pela luz da lua. Seu corpo estava ali mas, sua mente o levava para bem longe, mais especificamente ao seu futuro, o mesmo se perguntava se algum dia conheceria a verdadeira felicidade e, com sorte, o amor. No entanto, antes que pudesse concluir seus pensamentos, foi trazido de volta a realidade ao ouvir leves passos andando em sua direção. A garota nada dissera, apenas sentou-se ao seu lado e passou a observar a vista com o mesmo.

- Desculpe pela reação que tive mais cedo, fui pega de surpresa. - confessou a garota baixinho, ainda sem manter contato visual.

- Acredite, eu também. Mas sei bem que quando meu pai decreta algo, tudo que posso fazer é obedecer. - dissera o garoto tristemente.

- Casamento arranjado, por Merlin! É tão medieval, como ousam decidir a MINHA vida assim? É frustrante. - riu a garota sem humor algum.

O silêncio pairou sobre o ar, a diferença é que dessa vez, os jovens já não encaravam mais o horizonte, mas sim um ao outro de maneira profunda, como se pudessem - numa tentativa falha - encontrarem em seus olhares todo o conforto que precisavam naquele momento.

- Não temos que tornar isso mais difícil do que já é. Sabe, não conheço bem seus pais mas tenho certeza de que isso significa algo importante pra eles, assim como para os meus. - dissera Draco, quebrando o silêncio. - Podemos ser amigos.

- Você não é tão mal quanto dizem - sorriu descontraída acompanhada do garoto - Podemos tentar, afinal, estamos no mesmo barco agora. Mas e quanto a Hogwarts? Imagino que não queira que seus colegas saibam que está noivo tão cedo.

- De fato, não quero. Nenhum deles tem que saber sobre minha vida. Imagino também que seria difícil pra você se adaptar. Intercambistas são raros e já chamam atenção o suficiente por si só, quem dirá sendo a prometida de um Malfoy.

- Então concordamos que isso fica só entre nós? - perguntou .

- Será o nosso segredo. Nosso primeiro segredo.

Ambos sustentaram o olhar - que fora quebrado pela jovem Roux segundos depois - voltando a encarar o horizonte diante de si. “Vai ficar tudo bem” dissera ela baixinho e pode jurar ter escutado um longo suspiro do garoto ao seu lado. Daqui algumas semanas, uma nova história começaria.

* * *


parou de prestar atenção na Cerimônia de Seleção dos alunos primeiranistas, ela seria a última de qualquer forma, não aguentava mais estar ali em pé. Seus olhos, então, passaram a analisar os detalhes do Salão Principal, o céu estrelado no teto, a decoração acolhedora de boas vindas e os alunos empolgados por estarem de volta ao castelo.

- CORVINAL! - o Chapéu Seletor disse, mais alto do que com os outros alunos que haviam passado por ali, fazendo com que desse um pulinho assustado, chamando a atenção do garoto ruivo, que ela se lembrava muito bem de ter conhecido no ano anterior quando veio assistir o Torneio Tribruxo sentado na mesa mais próxima de onde a aglomeração de alunos novos se encontrava. O garoto, da Grifinória ria baixinho enquanto olhava para ela.

Ela fez uma careta que não se sustentou por muito tempo e logo se transformou em um sorriso que foi claramente correspondido pelo Weasley. Era bom ter conhecidos próximos ali.

Mais uns cinco nomes foram chamados e respectivamente selecionados até que a professora Minerva bradou o último nome daquela noite: o da aluna transferida.

- ROUX.

No outro extremo do salão, Draco a observava sem se esquecer dos acontecimentos em sua casa dias atrás e da conversa breve que tiveram no jardim. Ela caminhava confiante até o banco e certamente não se intimidava com os olhares indiscretos em sua direção. Draco se questionava se ela sequer tinha reparado na atenção que chamava sem fazer esforço algum. Estava começando a se sentir irritado com os comentários dos colegas da Sonserina. E algo, lá no fundo de si, dizia com veemência que nas outras mesas não era diferente.

- Mate, quanto tempo faz que não chegam garotas assim em Hogwarts… - o batedor do time da Sonserina comentou com a voz carregada de malícia para Blásio, que assentiu.

- Seria meu sonho uma gostosa dessas na Sonserina? - Zabini cochichou, não tão baixo como Draco queria que tivesse sido. Ele fechou os olhos tentando disfarçar o desconforto.

- Caralho, como vocês são insuportáveis. - Daphne Greengrass murmurou irritada, dando voz – de uma maneira bem mais sutil do que ele planejava expressar, claro – aos pensamentos de Draco.

Ele não podia negar como a Roux era bonita. tinha um rosto delicado, olhos curiosos e desafiadores e um belíssimo sorriso. Seus cabelos dançavam enquanto ela andava, parecia até mesmo um vídeo em câmera lenta. Se mesmo com a capa do uniforme escondendo seu corpo os garotos dali pareciam interessados nela, Draco mal conseguia pensar o que achariam se tivessem a visto naquela droga de vestido vermelho.

Malfoy arregalou os olhos só de lembrar, ato que não passou despercebido por Pansy Parkinson, que o olhava atentamente.

- Tudo bem, Draquinho? - ele fingiu não ouvir e voltou a atenção para a frente do salão.

sentiu o velho chapéu sendo depositado sobre seus cabelos e não demorou muito para que ouvisse a voz grave soando em sua mente.

- Vejo uma mente imprevisível e analítica… - começou o chapéu parecendo pensar por alguns minutos, o que fez a garota se perguntar se era possível que chapéus pensassem. - Eu penso, senhorita Roux, inclusive é o que estou tentando fazer agora. - respondeu fazendo a garota sentir o rosto queimando de vergonha - Você se daria bem na Grifinória, tem coragem e ousadia, mas sua determinação, ambição e astúcia serão claramente aproveitadas melhor na… SONSERINA!

sorriu, se sentindo certamente aliviada. Os Roux não tinham deixado aquilo claro, mas sabia que agradaria os pais sendo selecionada para a Sonserina. E bem, agradaria ainda mais sua mãe por estar perto de Draco. Ela não conseguia não achar aquilo tudo patético.

Mas era aquilo que sempre fazia: seguia as orientações e os planos dos pais.

Ela caminhou para a mesa da Sonserina em meio aos aplausos dos colegas de casa em uma recepção acalorada. Em meio aos alunos desconhecidos, que ela apenas acenou ou meneou a cabeça em cumprimento, encontrou os olhos acinzentados de Draco sobre ela. E então, sentindo-se mais confortável por ver um rosto “conhecido”, ela sorriu pra ele, indo em direção ao espaço vago ao seu lado.

Draco acabou sorrindo também, de maneira mais discreta. Mas não podia negar que soltava fogos de artifício por dentro ao ver os olhares confusos e até mesmo envergonhados dos colegas que antes falavam sobre ela.

- Bem-vinda, Roux. - dissera o garoto com um sorriso de canto.

- Bem que você disse que intercambistas chamavam atenção o suficiente, sinto que todos estão me encarando. - sussurrou a garota.

- Eles não estão te olhando porque é intercambista, . Estão te olhando porque você é linda.

A garota pode jurar que suas bochechas estavam vermelhas, afinal, sentia as mesmas arderem intensamente e seu coração acelerou com as palavras do garoto, naquele momento, inerte em sua vergonha - e animação - observou o par de olhos cinzas ao seu lado e pensou que talvez não fosse tão ruim assim ser a prometida de Draco.

Capítulo Dois

Depois que o jantar havia terminado e todos os pratos e travessas haviam desaparecido da mesa, o diretor deu algumas breves orientações.

- Bem, agora que estamos todos digerindo mais um magnífico banquete, peço alguns minutos de sua atenção para os habituais avisos de início de trimestre – anunciou o diretor. – Os alunos do primeiro ano precisam saber que o acesso à floresta em nossa propriedade é proibido aos estudantes... E a esta altura alguns dos nossos antigos estudantes já devem ter aprendido isso também. - ele pareceu pensativo, mas continuou o discurso - O Sr. Filch, o zelador, me pediu, segundo ele pela quadricentésima sexagésima segunda vez, para lembrar a todos que não é permitido praticar magia nos corredores durante os intervalos das aulas, nem fazer outras tantas coisas, que podem ser lidas na extensa lista afixada à porta da sala dele.

riu baixinho, se perguntando se havia algum idiota que perdia tempo conferindo uma lista dessas. Draco, como se lesse seus pensamentos, bufou e murmurou:

- Ninguém lê essa merda, o Filch viaja.

- Houve duas mudanças em nosso corpo docente este ano. Temos o grande prazer de dar as boas-vindas à Professora Grubbly-Plank, que retomará a direção das aulas de Trato das Criaturas Mágicas. E estamos também encantados em apresentar a Professora Umbridge, nossa nova responsável pela Defesa Contra as Artes das Trevas. - os alunos aplaudiram educadamente, completamente entediados com toda aquela falação. E então o diretor prosseguiu, começaria a falar sobre os testes para os times de quadribol, mas se interrompeu ao ver a mulher anteriormente citada de pé, pigarreando logo em seguida.

Dumbledore apenas se sentou educadamente e atentou-se ao que a mulher completamente vestida de rosa diria. Os professores ao redor, entretanto, tiveram reações mais alarmadas, não conseguindo conter a surpresa e confusão. Logo entendeu que não era comum os professores discursarem.

Constrangedor, pensou ela com uma careta.

- Obrigada, diretor, pelas bondosas palavras de boas vindas. - Umbridge disse com a voz fina e infantil, - e todos os outros presentes no salão - concluíram que aquilo seria algo chato e irritante. E então ela tornou a falar - Bem, devo dizer que é um prazer voltar a Hogwarts! E ver rostinhos tão felizes voltados para mim!

Tamanha era a vontade de rir, mas Roux se conteve. Absolutamente ninguém parecia feliz em estar ali, escutando-a.

- O ministro da Magia sempre considerou a educação dos jovens bruxos de vital importância. Os dons raros com que vocês nasceram talvez não frutifiquem se não forem nutridos e aprimorados por cuidadosa instrução. As habilidades antigas, um privilégio da comunidade bruxa, devem ser transmitidas às novas gerações ou se perderão para sempre. O tesouro oculto de conhecimentos mágicos acumulados pelos nossos antepassados deve ser preservado, suplementado e polido por aqueles que foram chamados a nobre missão de ensinar. Todo diretor e diretora de Hogwarts trouxe algo novo à pesada tarefa de dirigir esta escola histórica, e assim deve ser, pois sem progresso haverá estagnação e decadência. Por outro lado, o progresso pelo progresso não deve ser estimulado, pois as nossas tradições comprovadas raramente exigem remendos. Então um equilíbrio entre o velho e o novo, entre a permanência e a mudança, entre a tradição e a inovação…

- Puta que pariu, que saco! - Draco pareceu dar voz aos pensamentos dos colegas de mesa, visto que todos riram baixinho com o murmúrio impaciente dele.

- Ela falou, falou, falou… E eu não entendi palavra alguma. - Daphne sussurrou.

- O que eu perdi? - começou Zabini - É que eu estava cochilando com os olhos abertos…

E mais uma onda de risos discretos se instaurou na mesa.

- Ela parece uma sapa cor-de-rosa coaxando, que inferno… - murmurou , fazendo o grupinho ouvindo a conversa na mesa explodir em risadas, - até mesmo Pansy, que parecia não ter ido com a cara dela - chamando a atenção de algumas pessoas para a mesa da Sonserina. A nova professora no entanto, estava tão entretida falando, que pareceu nem perceber o deslize deles, que logo voltaram a postura inicial, fingindo que nada tinha acontecido ali.

- … porque algumas mudanças serão para melhor, enquanto outras virão, na plenitude do tempo, a ser reconhecidas como erros de julgamento. Entrementes, alguns velhos hábitos serão conservados, e muito acertadamente, enquanto outros, antigos e desgastados, precisarão ser abandonados. Vamos caminhar para a frente, então, para uma nova era de abertura, eficiência e responsabilidade, visando a preservar o que deve ser preservado, aperfeiçoando o que precisa ser aperfeiçoado e cortando, sempre que encontrarmos, práticas que devem ser proibidas.

Ao término do monólogo de Umbridge e das devidas boas vindas dadas pelo diretor, a francesa se levantou para prosseguir para o salão comunal de sua casa com Draco e os demais sonserinos, porém, eles se desencontraram devido à enorme quantidade de pessoas tentando sair ao mesmo tempo e então optou por deixar que os colegas fossem à frente e os seguisse assim que o salão esvaziasse. Ao notar que restavam apenas ela e alguns alunos da Corvinal, a garota concluiu que era o momento certo e então começou a caminhar em direção a saída do salão principal.

A nova sonserina refletia e repassava mentalmente as cenas daquela noite, a seleção, tudo que o chapéu havia lhe dito e… Bem, o elogio de Malfoy. Andava distraída quando ouviu um assobio divertido e levantou seu olhar assustado para o dono do mesmo, que se encontrava escorado de lado na parede do corredor.

- Eu sabia que não conseguiria ficar tanto tempo longe de mim, . - dissera o ruivo.

Fred Weasley era, de fato, encantador. Um sorriso divertido brincava em seus lábios e seus olhos continham um brilho apaixonante. pode sentir a euforia em cada parte de seu corpo ao vê-lo ali, a esperando. Suas batidas estavam descompassadas e seu interior parecia estar em festa. Como fogos de artifício. Um sorriso tomou-lhe os lábios, era tão contagiante quanto o de Weasley.

As lembranças da noite mágica que tiveram durante o Baile do Torneio Tribruxo e de todos os outros momentos que passaram juntos meses atrás invadiram sua mente como um flash e, naquele momento, era como se não existisse mais ninguém ali ao redor dos dois. correu de encontro ao garoto, prendendo seus braços ao redor de seu pescoço. Esse, por sua vez, segurou a mais nova pela cintura e a girou enquanto lhe apertava em um abraço. Ambos tinham os olhos fechados, apreciando o momento depois de meses sem se ver. A francesa inalava o delicioso cheiro doce e amadeirado de canela que Fred exalava e, de repente, seu coração se sentia em casa.

- Sentiu minha falta? - Weasley começou, ainda com um sorriso brincalhão no rosto ao colocar a garota no chão.

- Mon Dieu! Você não tem noção do quanto! - Ela disse em tom de falsa ironia. Mas o ruivo sabia que era verdade. Os olhos brilhando e o sorriso nos lábios dela a denunciavam.

Fred sorriu e segurou delicadamente a mão dela, assegurou-se que ninguém estava por perto para vê-los e a puxou até as escadarias que levavam para o único lugar que ela se lembrava com exatidão no castelo: a Torre de Astronomia, onde tudo havia começado no ano anterior.

Ele a levou para a janela onde se beijaram pela primeira vez. Estavam parados, naquele mesmo “x” que Roux havia marcado no chão, as respirações descompassadas devido a corrida breve que os levara até ali. Tamanha era a familiaridade que sentiam na presença um do outro, tudo parecia descomplicado, fácil e certo. A luz do luar iluminava o rosto dos dois e a brisa gélida da primeira noite de setembro batia em seus corpos, os deixando arrepiados. Fred passou, delicadamente, seu polegar pela maçã do rosto da mais nova. Ambos olharam intensamente um para o outro e assim permanecerem pelo que pareceram minutos. pode observar que ele estava diferente da última vez que o vira, tinha os cabelos mais curtos, embora o sorriso malicioso e divertido fosse sempre o mesmo. O ruivo, então, desceu seu olhar para os lábios rosados da francesa e junto com ele, levou seu polegar, que lentamente contornou todo o local. De repente, e Fred já não se lembravam mais como era respirar. Seus peitos batiam em sincronia e a distância entre eles era mínima.

- . - sussurrou ele com os olhos cravados nos lábios dela, a tensão ali era palpável.

A garota sentia seu estômago revirar, não só pela excitação de estar próxima ao Weasley, mas também pelo o que aquilo significaria para o platinado. Seu noivo. NOIVO! Aquilo era tão errado!

Agora ela era noiva, estava prometida a Draco Malfoy.

, por um momento, hesitou, mas ao sentir o hálito fresco de Fred cada vez mais próximo de seus lábios, decidiu por manter seu casamento arranjado em segredo e se entregou ao momento, quebrando o que restava de distância entre eles. Ela não podia simplesmente contar tudo para Fred ali. Ao sentir os lábios do ruivo nos seus, todas as sensações do ano anterior renasceram em seu peito. Era incrível estar nos braços dele outra vez e mesmo que com toda a culpa, intensificou o beijo, em uma tentativa de esquecer-se daquilo e aproveitar o momento. Conversariam depois, a prioridade ali era matar a saudade que sentiam um do outro.

Fred empurrou a francesa, fazendo com o corpo dela ficasse pressionado contra a parede. Seus lábios deixavam um rastro quente por cada lugar que passavam, dos lábios para o lóbulo da orelha, pescoço e colo, enquanto arfava com o contato que era, até então, uma novidade para ela. O garoto afastou os cabelos compridos da francesa para trás e voltou a investir sua atenção pescoço da garota, beijando e mordendo enquanto sua mão direita invadia delicadamente o suéter dela, trilhando, com a ponta dos dedos, o caminho até seu busto, onde começou a massagear os seios da garota por cima do sutiã.

- Fred. - gemeu involuntariamente, arqueando suas costas. A voz da garota pareceu anestesiá-lo.

Ela queria mais, seu corpo, agora febril, implorava pelo corpo de Fred Weasley. Mas a voz filiforme, lá no fundo de sua consciência, fazia questão de lembrá-la o quão errado era tudo aquilo. Fred soltou os seios da garota apenas para fazer menção em brincar com o elástico do suéter, com a intenção de tirá-lo, fazendo , em um súbito, parar o beijo e respirar fundo tentando controlar seus ânimos.

- Acho melhor pararmos por aqui… - ela sussurrou, com a voz fraca devido o efeito que tudo aquilo, em tão pouco tempo, havia lhe causado.

Fred, que sentia suas calças apertadas como nunca de tanta excitação, mordeu os lábios frustrado, pendendo a cabeça para trás.

- Não aguento mais sentir vontade de você, Roux. - sua voz baixa e levemente rouca causou arrepios na mais nova.

- Não pense que eu não quero isso também. Eu só… Não me sinto preparada agora. - declarou Roux, baixinho, parecia tímida.

Fred estava eufórico, desde a última vez que se viram, antes de a francesa retornar a Beauxbatons, queria muito que acontecesse, mas pareceu entender o que sentia. Era a primeira vez dela, tinha que ser algo especial e no momento que ela se sentisse à vontade.

- Desculpe,

lhe deu um sorriso carinhoso, se aproximando novamente dele, levou os braços ao pescoço de Weasley, deixando carícias leves ali.

- Sei que é difícil pra você. Obrigada por ser tão compreensível. - e então, lhe deu um selinho.

- Digamos que por você vale a pena a espera. - ele deu de ombros descontraído, piscando para ela com um sorriso leve que a tranquilizou, aquilo significava que estava tudo bem entre eles. - Vem, vou te levar pra sua sala comunal. Nem comentei o fato de que você é muito sonserina, o chapéu fez uma boa escolha, por mais que eu quisesse você na Grifinória, sabe?

- Não tivemos muito tempo para tagarelar, Weasley. - Roux comentou sugestiva, causando-lhe risos. - Merlin tá vendo isso aí… Querendo que eu fosse da mesma casa pra ser mais fácil de me agarrar, não é?

Weasley gargalhou, por mais que estivesse brincando, ambos sabiam que estava certa.

Fred entrelaçou seus dedos no de de maneira carinhosa, levando-a em direção às escadas que davam saída a torre. Após descerem todos os degraus, Fred espiou atentamente os dois lados do corredor. Pela primeira vez em seus anos na escola, não queria esbarrar com Filch e gerar desentendimento que levaria a detenções.

- Acho melhor fazermos o feitiço de desilusão. - disse ao ver o garoto olhando preocupado para o caminho. Ele assentiu brevemente e Roux pegou a varinha, realizando o feitiço neles.

Eles caminharam pelos corredores de mãos dadas, até chegarem a entrada das masmorras.

- Bom, eu só posso vir até aqui. - disse o ruivo.

- Tudo bem. - assentiu - Obrigada por hoje, Fred. Significa muito pra mim. - sorriu.

- Você é especial, . Eu realmente gosto de você e esperarei quanto tempo for necessário para que possamos ficar juntos. - confessou retribuindo o sorriso e acariciando o rosto da mais nova.

Ao conhecê-lo, imaginou que Fred seria um grande problema, mas foi somente quando o ruivo se aproximou ainda mais, acabando com parte da distância entre eles ao puxá-la pela cintura, que se lembrou que as coisas não eram tão simples como na última vez que estiveram ali e, que nesse contexto atual de sua vida, Fred Weasley e o que quer que fosse que eles dois tivessem, era o último de seus problemas.

- Bem, te vejo depois, boa noite! - ela disse, recebendo um aceno de cabeça e um sorriso como resposta. Fred se virou, para seguir em direção ao salão comunal da Grifinória. se lembrou da conversa de mais cedo, no jantar, e da senha que tinha que falar para entrar nas masmorras.

- Pele de serpente. - disse e observou a parede revelar uma porta.

Ela desfez o feitiço, ao concluir que não corria mais perigo no salão comunal. A noite havia sido adorável, mas mal via a hora de se jogar na cama e ao percorrer pela passagem, não pode conter um suspiro de alívio. Seus olhos correram pelo ambiente e então a garota gritou assustada.

Iluminado pelo reflexo esverdeado das águas do Lago Negro vindo das janelas, Draco estava sentado sozinho em um dos sofás ali dispostos e a encarava de maneira curiosa.

Capítulo Três

Porque diabos, de todos os alunos da Sonserina, justamente Draco estava ali, ainda mais logo depois de tudo que ela havia feito naquela noite. A garota engoliu seco.

— Que susto, Draco! — levou as mãos ao peito enquanto tentava se acalmar.

— Não foi a intenção, . Perdão. — ele começou, se levantando. — Mas fiquei preocupado quando percebi que não estava nos seguindo. Onde estava?

— E-eu me perdi. Sabe como é, teve a multidão… Acabei ficando para trás. — sorriu amarelo se aproximando de onde o loiro estava.

— Eu realmente demorei pra perceber que não nos acompanhava, peço perdão.

— Está tudo bem, Draco. Não tem problema! Acho que é bom evitar essas coisas às vezes, para, sabe, não ficar tão evidente que nós… — começou , meio incerta. Era estranho estar noiva de alguém que ela não conhecia. Não sabia o que podia ofendê-lo ou magoá-lo. Era como pisar em ovos o tempo inteiro.

Mas, diferente da reação que Roux imaginava que ele teria, ele sorriu sem mostrar os dentes, assentiu e a interrompeu.

— Eu também acho, . Mas você é nova aqui, eu… Nós, deveríamos ter te esperado. — abanou a mão, dando o assunto como encerrado com um sorriso dócil, Malfoy pigarreou desconcertado, mas logo sua expressão dava lugar a um sorriso presunçoso — Mas, bem, já que sou seu monitor, sou responsável em te levar ao seu dormitório.

— Ah, claro. Por favor, excelentíssimo monitor! — caçoou a garota, com um sorriso brincalhão nos lábios, fazendo uma reverência e logo o seguindo pelas escadas.

— Engraçadinha você, Roux…

— A vida já é séria e problemática demais, Malfoy.

Aquilo deixou o sonserino pensativo, mal se lembrava qual fora a última vez que havia realmente se divertido, se sentido jovem. estava mais certa do que imaginava. Draco não a conhecia tanto, mas já podia dizer que admirava aquilo na francesa, ela vivia em uma realidade extremamente parecida com a dele e, mesmo assim, sempre tinha um sorriso gentil nos lábios e levava a vida de maneira leve e diria até, otimista, às vezes. Os dois caminharam por mais alguns minutos pelo corredor, até pararem na porta do novo quarto de Roux.

— Bem, é aqui.

— Muito obrigada, monitor. — disse, frisando bem a última palavra e então mordeu os lábios, ato que não passou despercebido aos olhos do loiro, e então sorriu, em seguida. — Que bom que conhece bem o castelo, afinal, é o requisito mínimo para tal cargo, não é?

Roux era tão educada que trocava as palavras até para um simples “obrigada por fazer o mínimo”. A francesa o encarava desafiadora agora, com os braços cruzados, escorada na porta.

A cabeça de Malfoy parecia um caldeirão com a mistura em ponto de ebulição, não conseguia parar de se questionar. Por que é que tinha que ser tão bonita? Por que ele sentia tanta vontade de conhecê-la melhor, ir com calma e ao mesmo tempo, de sair dizendo por aí que ela era sua, mesmo depois de prometerem não levantar suspeitas sobre o noivado ou sobre qualquer envolvimento a mais que pudessem ter? E esse era o ponto, eles sequer tinham algum envolvimento.

Odiava o fato dos pais escolherem cada detalhe de sua vida por ele, odiava mais ainda não poder fazer nada para mudar aquilo. Mas ele não sabia se queria, de fato mudar aquilo, era uma garota bonita, gentil, sangue puro, de uma família nobre e ainda tinha todos os atributos que sua família achava que uma esposa deveria ter. Draco sabia que queria mais dela, mas não podia se desesperar.

Ele iria se casar com , eventualmente, não sairiam dizendo isso pelos corredores, mas podiam se divertir nesse meio tempo, certo?

— Realmente, Roux, é o mínimo. Posso ajudar nisso se quiser, há muitos outros lugares que eu posso te mostrar… — Malfoy tirou a mão do bolso e apoiou-a na porta, no espaço entre o ombro e o pescoço de , aproximando seu rosto do dela, o hálito fresco e a voz baixa. Malfoy era cheiroso demais para o próprio bem, aquele mínimo contato fora o suficiente para deixar a garota com as pernas bambas. — Como o meu quarto, por exemplo, adoraria te ver por lá algum dia desses.

O sonserino se aproximou ainda mais do rosto dela, sentindo a respiração da garota falhar levemente. Roux estava com a cabeça atribulada demais para dizer algo, só conseguia se concentrar nos olhos acinzentados tão perto e com tantos detalhes que, de longe, não se podia observar. Só despertou de seu transe quando sentiu os lábios de Draco encostando-se delicadamente no canto de sua boca, depositando um breve beijo ali.

Breve, mas suficiente para fazer com que a garota fechasse os olhos e se perdesse completamente no momento. Malfoy separou seus lábios da pele dela, mas não o necessário para se separar completamente da garota, soprando as palavras sobre seus lábios rosados.

— Tenha uma boa noite, . — E como se nada tivesse acontecido, Draco virou as costas voltando a caminhar para o lado oposto do corredor, em direção ao dormitório masculino.

A francesa demorou alguns segundos para assimilar o que havia acontecido na última hora e bem, o que havia acontecido agora. E então, finalmente entrou no quarto para que pudesse ao menos se deitar, já que dormir com certeza ela não iria.

⚡️⚡️⚡️


No dia seguinte, levantou-se bem cedo e trilhou seu caminho para o corujal do castelo, onde encontrou sua coruja, Hope, a qual fez um carinho por cima das macias penas brancas e a despachou com um bilhete ao seus pais, informando sobre sua seleção e como as coisas estavam indo bem até agora. Após Hope abrir voo, encostou-se no parapeito do local e observou a ave até que a mesma sumisse de sua vista dentre os fios laranjas que preenchiam o céu, dando início ao nascer do sol daquela manhã de verão. Seria um lindo dia, pensou.

De volta ao salão comunal da Sonserina, notou que a sua colega de quarto, Daphne Greengrass, ainda dormia profundamente, o que a levou a entender que ainda havia algum tempo antes do café da manhã. A francesa aproveitou o momento para tomar um relaxante banho quente e, logo em seguida, experimentar suas novas vestes verdes. Posicionou-se de frente ao espelho enquanto desenhava os lábios com um ousado batom vermelho, lembrando-se dos dois garotos que deixaram seus traços ali na noite passada. A garota, então, passou a ponta de seus dedos sobre o lindo brasão de cobra em seu peito, dando um sorriso satisfeito ao ver o resultado. Estava radiante.

– Parece que alguém caiu da cama hoje. – murmurou Daphne ao se levantar, bocejando logo em seguida – Não tivemos muita chance de conversar ontem. Prazer, Daphne. – estendeu a mão.

a observou através do reflexo do espelho por alguns segundos antes de respondê-la. Daphne era uma loira de olhos azuis e traços aristocráticos delicados.

– Ainda estou tentando me acostumar com o horário daqui – sorriu a francesa se virando – Prazer, Daphne. Me chamo , Roux. – disse apertando a mão da loira.

– Bom, , que tal me esperar para podermos ir juntas para o Salão Principal? Não devo demorar muito.

A francesa sorriu ao ouvir o apelido saindo tão naturalmente da loira. Não pensou que faria amizades nem tão cedo.

– Tudo bem, Daph. – arriscou, recebendo um sorriso de aprovação da loira – Te espero aqui.

As garotas desceram para o Salão Principal conversando animadamente entre si, ambas tinham mais em comum do que poderiam imaginar e sentia certo conforto em pensar que se adaptaria rápido a sua nova realidade. Os sonserinos estavam sendo mais gentis do que ela esperava. Ao adentrar o grande espaço, a francesa percorreu o mesmo com os olhos, a fim de encontrar algum dos que lhe tiraram o sono na noite passada e, imediatamente, pode ver o menino Malfoy sentado à mesa da Sonserina enquanto conversava com Crabbe e Goyle. A francesa caminhou até o garoto, sentindo seu estômago revirar ao ver que o platinado lhe olhou travesso, provavelmente lembrando da conversa que tiveram na noite anterior e sentou-se ao seu lado, ainda assim mantendo uma certa distância.

– Bom dia, Malfoy. – disse sem manter contato visual.

– Bom dia, Roux. – piscou – Não precisa ficar tão longe, eu não mordo. – disse aproximando seu corpo da menina no banco – A não ser que me peçam, é claro. – sussurrou.

balançou a cabeça a fim de se distrair do arrepio que percorreu o seu corpo ao ouvir as palavras de Draco e, então, deu uma leve cotovelada nele, enquanto um sorriso brincalhão tomava conta de seu rosto.

– Cala a boca e me passa o suco de abóbora, Draco.

O garoto apenas sorriu sarcástico, pegando a jarra e entregando a mesma a francesa e, então, passaram a comer. mastigava sua torrada quando com um forte deslocamento de ar e ruídos de batidas, centenas de corujas entraram voando pelas janelas superiores. Desceram por todo o salão, trazendo cartas e pacotes para seus donos, e deixando cair uma verdadeira chuva de pingos sobre as pessoas que tomavam café; sem a menor dúvida estava chovendo forte lá fora, o que surpreendeu a francesa, considerando que o dia havia começado limpo. Dentre as corujas estava Hope, que passou pela dona soltando um piado e lhe entregou uma carta, juntando-se as outras corujas logo em seguida. A francesa pegou o pergaminho, desenrolando o mesmo e pode notar a caligrafia de sua mãe, Camille.

“Querida .
Fico feliz que foi escolhida para a Sonserina, sabia que não iria nos decepcionar. É tudo que menos precisamos no momento.
Imagino como o castelo deve ser lindo, deve estar encantada, mesmo já o conhecendo do ano anterior.
Seu pai e eu estamos demasiadamente orgulhosos de você.
Creio que fará bons amigos em Hogwarts, soubemos que está no mesmo ano que o famoso Harry Potter, acho que ele seria um ótimo amigo para você, .
Estamos com visita aqui em casa, poderá saber quem é no feriado.
Se cuide e cuide de nós, nunca sabemos o que nossas ações podem causar nos tempos sombrios que vivemos.
Tenha um bom começo de ano letivo, até breve filha.”


Em circunstâncias diferentes teria se incomodado pelo fato da mãe sequer perguntar se ela estava bem, por mais que fosse sempre assim. Mas alguns pontos chamaram a atenção da jovem Roux. Primeiramente, a carta parecia não fazer sentido, o que levava a crer que ou algo perturbava sua mãe, ou ela havia escrito aquilo em estado de embriaguez, o que definitivamente não era uma opção.

A caligrafia de Camille – que costumava ser perfeitamente desenhada – parecia ter urgência, visto que estava mais inclinada e torta, algumas letras pareciam ter destaque devido o excesso de força que ela havia aplicado sobre a pena.

Foi então que em um estalo, os músculos de se tencionaram de forma imediata e tudo parecia fazer sentido em sua mente. A mãe sugeria que ela deveria ser amiga de Harry Potter, pedia para que ela cuidasse dela e de seu pai e as letras, quando juntas, formavam uma frase esclarecedora:

“O Lorde está aqui”


Potter estava falando a verdade, o Lorde das Trevas havia retornado. E, no momento, se escondia na casa dos Roux. não demorou a entender que aquela era sua missão, se aproximar do menino que sobreviveu a fim de descobrir se ele tramava algo e passar as possíveis informações para o Lorde durante o natal ou seus pais sofreriam as consequências.

Capítulo Quatro

passou a manhã inteira perturbada. Após receber a carta de sua mãe avisando que o Lorde das Trevas estava escondido em sua casa, tudo que a garota conseguia pensar era que a vida de seus pais dependia dela e, naquele momento, se perguntava como havia chegado ali. Em uma semana estava feliz e segura na França, prestes a voltar para Beauxbatons e, na outra, estava prometida a casamento para um estranho, frequentando uma escola completamente diferente e, responsável por ajudar o lado das trevas.

A francesa estava encolhida em sua cama — tinha o período livre — enquanto permitia se debulhar em lágrimas, vez ou outra fungando baixinho, quando ouviu leves batidas em sua porta.

?

Rapidamente, a garota levantou-se, secando as lágrimas e correndo para o espelho para checar seu estado. Deplorável. Suas vestes estavam amassadas, seus cabelos desgrenhados e seus olhos — que eram sempre cheios de vida — estavam apenas vazios e inchados. suspirou tristemente passando as mãos para secar os novos vestígios de lágrimas que escorriam por ali.

— Só um minuto. — exclamou.

A pessoa não a respondeu, então, aproveitou o momento para ajustar o máximo que podia de sua aparência desajeitada. Em seguida, pegou sua varinha, colocando-a em seu bolso e abriu a porta, encontrando um loiro com expressões entediadas encostado na parede do corredor. O garoto, por sua vez, levantou a cabeça em direção à francesa ao ouvir a porta se abrir e lhe lançou um sorriso singelo.

— Vim te buscar para a aula de Poções. Daphne me disse que estava se sentindo um pouco indisposta e que havia voltado para o quarto. Está tudo bem? — olhou-a preocupado.

— Ah, sim. Obrigada, Draco. É muito gentil de sua parte. — sorriu fraco — Estou melhor sim.

— Devo cuidar de minha noiva, certo? — sussurrou enquanto se aproximava da garota — Agora vamos. Snape não gosta de atrasos.

O jovem estendeu o braço a francesa, que o aceitou, e então, trilharam seu caminho para a sala das masmorras. Ao chegarem na porta, notaram que não havia mais ninguém ali e que provavelmente estavam adiantados, então, desvencilhando-se um do outro, entraram na sala e ajeitaram-se em seus lugares e ficaram em silêncio até que o local fosse preenchido pelo barulho da entrada de seus colegas.

– Quietos – Snape irrompeu friamente, fechando a porta da sala ao passar.

A mera presença de Snape era, em geral, suficiente para garantir que o silêncio se instalasse e então, todos observavam o professor caminhar com suas vestes esvoaçantes para sua mesa enquanto corria os olhos pelos alunos, o achou assustador.

— Antes de começarmos a aula de hoje, acho oportuno lembrar a todos que em junho prestarão um importante exame, no qual irão provar o quanto aprenderam sobre a composição e o uso das poções mágicas. Por mais debilóides que sejam alguns alunos desta turma, eu espero que obtenham no mínimo um “Aceitável” nos seus N.O.M.s, ou terão de enfrentar o meu... Desagrado. — O seu olhar recaiu desta vez sobre Neville, que engoliu em seco. — Quando terminar este ano, naturalmente, muitos de vocês deixarão de estudar comigo — continuou Snape. — Só aceito os melhores na minha turma de Poções preparatória para o N.I.E.M., o que significa que alguns de nós certamente vamos dizer adeus.

Seu olhar pousou em Harry e seu lábio se crispou. O garoto encarou-o de volta, não precisava conhecer o garoto para deduzir que se pudesse, ele soltaria fogos agora mesmo depois da recente descoberta.

— Mas ainda teremos um ano antes do feliz momento das despedidas — disse Snape suavemente — portanto, pretendam ou não tentar os exames dos N.I.E.M.s, aconselho a todos que se concentrem em obter a nota alta que sempre espero dos meus alunos de N.O.M.

fechou os olhos incomodada. Aquele ano seria intenso, além de sair por aí como uma espiã atrás de informações para o Lorde das Trevas, ainda teria que se matar de estudar para os N.O.Ms.

Brilhante. Pensou ela, bufando em seguida.

— Hoje vamos aprender a misturar uma poção que sempre é pedida no exame dos Níveis Ordinários em Magia: a Poção da Paz, serve para acalmar a ansiedade e abrandar a agitação. Mas fiquem avisados, se pesarem muito a mão nos ingredientes, vão mergulhar quem a beber em um sono pesado e por vezes irreversível, por isso prestem muita atenção no que vão fazer.

Uma poção da paz, que ironia. Era tudo que precisava no momento.

— Os ingredientes e o método estão no quadro-negro — Snape fez um gesto rápido com a varinha e então as informações apareceram ali —, encontrarão tudo de que precisam no armário do estoque — ele tornou a agitar a varinha e a porta do armário se abriu —, e vocês têm uma hora e meia... Podem começar.

esperou os colegas saírem de cima do armário para que pudesse ir calmamente pegar os ingredientes para o preparo, a sonserina viu os frascos para armazenar e acabou pegando dois, levaria um pouco consigo para tentar manter toda aquela ansiedade longe dela durante o resto do dia.

Os ingredientes tinham de ser acrescentados ao caldeirão na ordem e quantidade precisas, a mistura tinha de ser mexida o número exato de vezes, primeiro no sentido horário, depois no anti-horário. O calor e as chamas em que a poção ia cozinhar tinham de ser reduzidos a um nível exato, por um número específico de minutos antes do último ingrediente ser adicionado. A francesa não se não se considerava uma verdadeira fã da matéria de poções, mas se virava como podia e até que era boa, então ter que realizar uma poção difícil e demorada não parecia um grande problema para ela.

Nem mesmo o calor da sala por conta dos caldeirões parecia incomodá-la naquele dia, só conseguia pensar nos acontecimentos recentes e em como lidaria com todos os problemas que tinha para resolver. Observou a bruma leve e prateada subindo do caldeirão e continuou mexendo como indicado no quadro.

— Um vapor claro e prateado deve se desprender da poção dez minutos antes de ficar pronta. — avisou Snape, começando a andar pela sala, parando na bancada onde e Daphne se encontravam. — Isso não está completamente inútil Roux, dez pontos para a Sonserina. Deixe ferver pelos próximos minutos em fogo baixo e tente não estragar o bom trabalho que fez.

assentiu, sabia que aquilo seria o mais próximo de um elogio que conseguiria. Já estava no caminho certo, a garota se escorou na bancada atrás de si e se permitiu observar como os colegas estavam se saindo.

Harry suava profusamente, com um olhar desesperado preso no caldeirão que liberava uma enorme quantidade de vapor cinza escuro, o de Rony cuspia fagulhas verdes. Outros caldeirões tinham fumaças pretas e até mesmo biséis com as chamas apagadas, o que não permitia que a temperatura se mantivesse constante como o preparo exigia. A de Hermione, assim como a dela, apresentava uma névoa prateada de vapor, Snape passou por ela olhando-a com desprezo, sem fazer comentários, sabia que o diretor de sua casa não ia muito com a cara nem dos sonserinos, quem dirá dos alunos de outras casas, o que significava que ele nunca iria elogiar ou sequer reconhecer que a grifinória havia feito um excelente preparo, entretanto parecia não ter conseguido encontrar nada para criticar. Junto ao caldeirão de Harry, porém, o professor parou, e olhou-o com um sorriso de debochado no rosto.

— Potter, que é que você acha que isto é?

Os colegas da Sonserina perto de ergueram a cabeça, felizes, era claro que adoravam ouvir Snape implicar com Harry.

— A Poção da Paz – respondeu ele, tenso.

— Diga-me, Potter – perguntou Snape baixinho –, você sabe ler?

achou aquilo tremendamente ofensivo e desrespeitoso para vir de um professor, Draco, entretanto, deu uma risada, fazendo-a rolar os olhos. Humilhar os alunos na frente de toda a classe era o método de ensino adotado no colégio ou a implicância era só com Harry Potter mesmo?

— Sei, sim senhor – disse Harry, os dedos apertando a varinha suficientemente para que seus nós ficassem mais claros que o normal, mesmo assim, a calma na voz do grifinório era invejável, e claramente irritava o professor.

— Leia a terceira linha das instruções para mim, Potter.

O garoto apertou os olhos para ver o quadro-negro, mas falhou devido a dificuldade de se enxergar algo além da névoa de vapor multicolorido que enchia a masmorra.

— Acrescente a pedra da lua moída, mexa três vezes no sentido anti-horário, deixe cozinhar durante sete minutos, depois junte duas gotas de xarope de heléboro. — o garoto leu e em seguida engoliu a seco, provavelmente havia encontrado seu erro.

— Você fez tudo que estava na terceira linha, Potter?

— Não, senhor – respondeu Harry baixinho.

— Como disse?

— Não — repetiu o garoto mais alto e claramente impaciente. — Esqueci o heléboro.

— Eu sei que esqueceu, Potter, o que significa que essa porcaria não serve para nada. Evanesco!

O conteúdo do caldeirão de Harry desapareceu e ele ficou parado como um tolo ao lado do caldeirão vazio. viu os colegas de casa segurando o riso, não sabia que a implicância entre Sonserina e Grifinória era tão pesada a ponto dos alunos apoiarem aquele exemplo claríssimo de bullying. A garota se sentiu determinada a ajudá-lo, não só para dar andamento a sua missão, mas porque não achava justo que o garoto tirasse zero quando havia muitas outras poções (inclusive de seus colegas) que estavam piores do que a que antes ocupava o caldeirão de Potter e teriam chances de serem sequer avaliadas.

— Para os alunos que conseguiram ler as instruções encham um frasco com uma amostra de sua poção, colem uma etiqueta com o seu nome escrito com clareza e tragam-no à minha escrivaninha para verificação — ordenou o professor. — Dever de casa: trinta centímetros de pergaminho sobre as propriedades da pedra da lua e seus usos no preparo de poções, a ser entregue na terça-feira.

encheu seus dois frascos, etiquetou um e acrescentou mais água para diluir o heléboro no restante do conteúdo do caldeirão, para que a coloração se parecesse com a do garoto.

Harry bufou irritado, sua poção não estava pior do que a de Rony, que agora exalava um cheiro horrível de ovo podre, ou que a de Neville, que atingira a consistência de cimento recém-misturado, e agora ele tentava extrair do caldeirão, mas era apenas ele, Harry, que iria receber zero no trabalho do dia.

— Potter. — ouviu a garota chamando da bancada ao lado. — Me dá seu frasco.

— O que?

— Anda logo, não temos tempo.

— Roux, muito obrigado, mas… — começou, irritando a garota ainda mais.

— Para de ser idiota e me dá logo a porra do frasco. — murmurou entredentes, ela só estava tentando ajudar, não estava pouco se importando onde Potter enfiaria o orgulho dele.

O garoto não viu outra opção senão entregar o frasco para a aluna nova, que o encheu com um pouco do conteúdo de seu próprio caldeirão, que, agora, tinha a cor exata da que antes abrigava o dele.

— Mas… O que? — Harry franziu o cenho, ela havia feito uma poção perfeita, o que era aquilo?

A garota entregou o frasco para Potter e colocou seu frasco não etiquetado no bolso sob os olhares do garoto confuso. Ela se levantou, com o frasco etiquetado nas mãos, para entregar, mas sem antes parar ao lado da bancada de Potter, fingindo arrumar a alça da mochila nos ombros.

— Finja que não viu nada e estamos quites, Potter.

E então Roux caminhou até a mesa do professor, deixando o frasco ali e saindo das masmorras com os cabelos esvoaçantes, deixando um Potter confuso para trás.

Ainda atribulado, Harry etiquetou o frasco e deixou-o em cima da mesa do professor, não parando para olhar sua expressão confusa ou indignada e saindo dali antes que a bomba explodisse.

⚡️⚡️⚡️


O teto se transformara em um cinza ainda mais sujo durante a manhã. A chuva fustigava as janelas por todo o castelo. andava acompanhada de Daphne para o Salão Principal, onde almoçariam. A garota estava perdida em pensamentos e sentia o vidro com a poção pesando no bolso de suas vestes. Em sua mente, ponderava se deveria tomar a mesma ou se esperaria por uma ocasião ainda pior, se é que isso era possível.

E era.

Ao adentrar o grande espaço, observou ao longe o ruivo em pé em frente a mesa da Grifinória, o garoto gargalhava ao lado de seu irmão enquanto fazia gestos engraçados para uma garota negra e alta com cabelos longos e negros, ela usava tranças e seus olhos eram castanhos, ela era linda. Ao escutar de longe a risada de Fred, a francesa sentiu certo conforto com a familiaridade e segurança que a presença dele a trazia e, considerando que isso era o que ela precisava naquele momento, decidiu continuar observando o ruivo por mais alguns instantes — que não podia vê-la por estar de costas — enquanto um sorriso carinhoso tomava conta de seus lábios. Pela primeira vez desde aquela manhã, ela sentia que tudo ficaria bem. Bom, isso até ver o que aconteceria na cena seguinte.

— Mas o quê… — deixou escapar baixinho.

A garota de tranças — a qual Roux desconhecia o nome — havia, em um súbito, passado suas mãos ao redor do rosto de Fred e o beijado. Os grifinórios, então, passaram a assobiar, alguns batiam palmas, outros gritavam. George tinha uma mão na boca enquanto dava risada surpreso. Já … Bem, essa sentia seu estômago revirar em inúmeras partes.

— Ah, sim. — riu Daphne, só então fazendo se lembrar de que ela ainda estava ali — Aquela é Angelina Johnson. Ela é a Capitã do time da Grifinória.

, agora enjoada, continuou observando a cena. Parte de si esperava que Fred fosse afastar a morena e dizer que tinha alguém. Mas ele não tinha, certo? A francesa apenas havia se precipitado ao pensar que tudo seria como antes. Como poderia? Havia voltado para a França, até a semana anterior achava que iria para Beauxbatons, o tempo havia passado.

Mas ele prometeu que a esperaria.

Disse que ela valia a espera.


Seus pensamentos eram conflituosos.

— Ouvi boatos de que eles têm um rolo desde o Torneio Tribruxo. — disse Daph. — Não sabia se era verdade. Bem… Até agora.

A francesa encarou a loira. Tentava, ao máximo, manter a expressão de dor e choque fora de sua face, seus olhos intercalavam entre o casal e a amiga. Por fim, balançou a cabeça tentando sair do transe e se virou para a sonserina.

— Ei, Daph. Vai indo na frente. Tem uma coisa que eu preciso fazer.

A loira apenas assentiu e saiu do seu campo de visão. saiu apressadamente do Salão Principal, dessa vez, deixando a adrenalina tomar conta de seu corpo. A garota correu pelo extenso corredor e, só ao perceber que estava sozinha, tateou suas vestes a procura do vidro, pegando-o e desenroscando sua tampa. As mãos da garota tremiam quando ela finalmente se viu livre da tampa e, então, virou o frasco da poção mágica de uma vez em sua boca, fechando os olhos ao engoli-la.

Vai ficar tudo bem. Pensou.

De repente, por todo o corpo da garota, era possível sentir seus músculos relaxando. Sua respiração, antes descontrolada, agora era calma. E, seu coração, de batida em batida voltava ao seu ritmo normal. Sua mente, que segundos atrás estava cheia de preocupações, simplesmente ficou vazia. Tudo que a garota conseguia sentir era paz. A mais bela e pura paz.

⚡️⚡️⚡️


estava… Distante. O efeito da poção havia lhe acertado em cheio, deixando-a num estado semelhante ao de embriaguez. Tudo que ela precisava. A francesa se encontrava deitada na gelada grama verde em frente ao Lago Negro, suas mãos estavam apoiadas em seu ventre e a garota tinha seus olhos fechados enquanto a brisa gélida do dia cinza batia em seu rosto, deixando-lhe arrepiada.

— Matando aula na primeira semana em Hogwarts. — a garota abriu os olhos — Você deve gostar mesmo de problemas.

A garota virou levemente seu rosto para o lado, encontrando o sorriso divertido do ruivo, que a encarava em pé. Ela, entretanto, voltou-se para a sua posição inicial e tornou a fechar os olhos novamente.

— Eu vi você beijando a Angelina. — murmurou somente e então abriu novamente os olhos apenas para encontrar a expressão assustada de Weasley.

Capítulo Cinco

A atmosfera parecia ter parado para o ruivo. De repente, suas mãos começaram a suar, seus lábios pareciam mais secos e seu coração entrava em um ritmo descompassado.

, eu posso explicar... — Fred começou, nervoso se aproximando.

Roux observou o ruivo com um olhar divertido ao ver o mesmo vindo em sua direção, fazendo com que a expressão dele, aos poucos, mudasse de assustado para apenas confuso.

… Tá tudo bem?

A garota nada respondeu, apenas soltou uma gargalhada, deixando-o ainda mais confuso. Ele esperava que ela gritasse, o xingasse, qualquer coisa. Menos que ela caísse na gargalhada.

— Perfeitamente bem, Welaby. — ela disse e depois soluçou, voltando a gargalhar enquanto uma de suas mãos repousava sobre sua barriga.

Fred encarou Roux com o cenho franzido, quando olhou ao redor e focou em um frasco pequeno e vazio que ameaçava cair de suas vestes.

, o que você bebeu?

— Eu não bebi nada. Você que é louco! — a expressão leve e divertida de se tornou séria, seus olhos ameaçando marejar. Seja lá o que ela tinha bebido, certamente o efeito estava passando.

, eu… Estava com a Angelina antes de conhecer você, depois do baile e de tudo que vivemos juntos, nunca mais houve nada. Bem, até hoje. Ela me pegou de surpresa, mas nós já conversamos e isso nunca mais vai acontecer. — Fred tentou se aproximar, tocando-a pelo ombro.

— Eu não acredito em você, Wenlasby. E não quero conversar agora! — se desvencilhou, parecendo mais chateada do que irritada.

— O que está acontecendo aqui? — dissera uma terceira voz, assustando-os.

Era Draco.

Malfoy encarava a cena com um olhar desconfiado e, muito embora não ousasse admitir, enciumado. tinha os cabelos bagunçados e suas bochechas mantinham um leve tom rosado, assim como seus lábios. Weasley estar agachado perto da mesma não ajudava sua imaginação um tanto quanto paranoica.

— Por que não vai procurar garotas da sua classe social para perturbar, Weasley? — debochou Malfoy.

Fred a olhava com um olhar suplicante, esperando que a mesma se livrasse de Draco e lhe desse a chance de se explicar. , no entanto, apenas deu de ombros, sorrindo mais uma vez antes de entrelaçar seu braço no do sonserino e caminhar graciosamente para fora dali.

Deixando um Weasley confuso, irritado e enciumado para trás.

🐍🐍🐍

Ao chegar no salão comunal da Sonserina, Draco achou que seria uma boa ideia acompanhar, mais uma vez, aos seus aposentos, considerando que a francesa, durante todo o caminho, apenas gargalhava e proferia palavras sem sentido, quase que como se estivesse bêbada. O menino Malfoy não a conhecia bem o suficiente mas, de alguma maneira, sabia que estar bêbada em pleno dia de aula não parecia bem de seu feitio.

— Você precisa me dizer o que aconteceu, … — Draco suplicava, agoniado por não saber de fato o que havia acontecido. A mente ainda trabalhando em uma hipótese menos traumática do porquê Weasley estava tão perto dela.

A garota riu mais uma vez. Encostou-se na porta de seu quarto, ainda no corredor, e puxou o loiro pela gravata, aproximando-o da mesma. olhou profundamente nos olhos de Draco, ainda segurando sua gravata verde e prata, seus rostos agora estavam apenas alguns centímetros de distância.

A francesa, então, alternou seu olhar para a boca de Draco fazendo que com que o coração do platinado disparasse pela fatal atração que sentia no momento.

— E você precisa calar essa boca e me beijar, Malfoy. — sussurrou sobre os lábios dele.

O sonserino arregalou os olhos, pela sinceridade espontânea da garota e apenas sentiu quando ela selou os lábios deles em um beijo lento. Roux levou as mãos até a nuca dele, acariciando o local e trazendo-o para mais perto. Seus corpos se chocaram imediatamente, pelo despreparo dele e pela euforia dela.

Ele jurou sentir os pelos de seu corpo se arrepiarem e seu sangue circular mais rápido. E então, sem brechas para pensar demais, o loiro a segurou pela cintura, fazendo com que , num impulso, entrelaçasse as pernas na cintura dele, que a segurou firme e habilidosamente sem partir o beijo.

Enquanto seu corpo era prensado pelo do noivo contra a porta trancada do dormitório, pode sentir o membro de Draco se enrijecer, arfando pelo contato, mesmo com tantas vestes os limitando. Roux cessou o beijo, para então voltar a beijar o pescoço do rapaz.

Quando Malfoy acariciou as coxas e nádegas da garota por baixo da saia, a prensando ainda mais contra a porta, um lapso de consciência lhe atingiu em cheio. E ele a colocou delicadamente no chão.

— Olha, … Acho melhor terminarmos isso quando você estiver sóbria. — ele sorriu sem jeito, colocando as mãos nos bolsos da calça para disfarçar o volume que se formava ali.

o olhou confusa, e então o efeito vacilante e quase esgotado da poção fez com que ela se limitasse a olhar para Draco de cima a baixo, fixando-se nas calças dele e soltando uma risada.

Como se nada tivesse acontecido e com uma serenidade inexplicável no olhar, Roux entrou no dormitório, deixando-o ali parado e excitado no corredor.

Ele ficou estático por alguns minutos, tentando controlar a respiração falha e bem, o problema entre suas calças. E depois disso, caminhou bagunçando os próprios cabelos pensando que precisaria, com toda certeza, de um banho gelado.

🐍🐍🐍


Draco suspirou aliviado, finalmente chegando em seu dormitório. havia feito um belo de um estrago em sua mente aquela noite, sentia seu corpo em chamas com os meros toques e beijos provocativos dela.

Mas ele a respeitava, e não precisava conhecê-la tanto assim para saber que ela se arrependeria disso no dia seguinte.

Aliás, o que ela pensaria dele se tivesse permitido que mais coisas se sucedessem?

O que o platinado não esperava, entretanto, era que Roux adentraria o cômodo andando na ponta dos pés. Apenas sentiu quando a garota o empurrou na cama fazendo com que ele caísse sentado nos lençóis de seda esmeralda, sentando-se em seu colo em seguida e desferindo beijos em seu pescoço, o que fez com que ele abrisse os olhos desesperado.

Ele não sabia se poderia se controlar.

Nem sabia se queria se controlar.

Mas ele sabia que não estava em seu juízo perfeito.

, isso não é certo… — Malfoy levou as mãos até a cintura da garota, com a intenção de pará-la, mas não esperava que ela fizesse movimentos mais intensos na região. A francesa rebolou contra seu volume com certa necessidade, enquanto o sonserino apenas fechou os olhos e soltou um suspiro sofrido. —

— Não parece que está achando isso errado, Draco… — Roux sorriu olhando para os lábios do loiro, que tentava a todo custo não olhar para ela. — Se você não quer, tente ao menos não ser traído pelo seu corpo.

levou as mãos até os botões da camisa de Draco, enquanto voltava a distribuir beijos do lóbulo da orelha dele até o pescoço. Suas unhas agora trilhavam um caminho aleatório arranhando o tórax semi descoberto do garoto.

… Para... — murmurou ele em meio a um gemido, fazendo com que Roux bufasse impaciente, saindo do colo dele. — , espera. Não é que eu não queira isso. Só não quero com você assim...

— Olha, Draco... Eu estava chateada e acabei bebendo um pouco da poção da paz que fizemos na aula do Snape. — Roux dizia enquanto ajeitava a saia do uniforme — Se eu ainda estivesse sob o efeito dela… Bem, eu não costumo chamar o que rolou aqui de paz, você chama?

Malfoy engoliu em seco enquanto assistia a garota sair do quarto batendo a porta. Claramente o efeito já havia passado. Parte dele se sentindo patético por ter perdido a oportunidade, em contraste com a outra que tentava, a todo custo, confortá-lo que teriam mais chances futuramente.

Afinal, hora ou outra eles se casariam, não é?

🐍🐍🐍


Na manhã seguinte, o Salão Principal era preenchido pela multidão de alunos. Todos conversavam, comiam, riam e se preparavam para mais um dia de aulas intensas. Dentre essa multidão, alheia ao que acontecia, haviam, no entanto, três pessoas que só conseguiam pensar no dia anterior.

Na mesa da Grifinória, estava Fred Weasley, sentado com uma expressão de tédio, com uma de suas mãos apoiando a cabeça enquanto a outra remexia a comida repetidamente. Seus amigos chamavam-lhe pelo nome e tentavam de toda a forma despertar a animação do ruivo, esse, no entanto, só conseguia pensar em uma maneira de fazer com que a francesa o ouvisse.

Ah, a francesa.

Essa estava na mesa da Sonserina e tentava, a todo custo, evitar os olhares que o ruivo eventualmente a lançava. Ainda estava chateada demais com toda a situação. Daphne Greengrass conversava com ela desde o momento em que a francesa adentrou o salão e, muito embora essa estivesse completamente alheia ao que a colega dizia, agradecia mentalmente por não ter que ficar sozinha perto de Malfoy. Ela apertava fortemente os olhos e sentia uma inundação de vergonha tomar conta de seu corpo toda vez que lembrava de suas investidas sexuais no garoto.

E, é claro, a rejeição que Draco havia lhe feito.

Draco, sim. É claro. Não podemos nos esquecer do platinado. Esse, diferente dos outros dois, comia e conversava normalmente com Crabbe e Goyle, tentando sucessivamente mostrar que nada estava lhe incomodando. O que, de fato, era uma bela mentira. O sonserino não conseguia parar de pensar se havia feito a coisa certa em interromper o momento com sua prometida.

Ah. Os jovens e suas aflições… Mal sabiam eles que isso só estava começando.

🐍🐍🐍


caminhou ao lado de Daphne até a sala de DCAT, ainda alheia ao que a loira tagarelava, apenas assentindo. A professora Umbridge já estava sentada à escrivaninha, usando o casaquinho brega e peludo cor-de-rosa, o que fez a francesa reafirmar mentalmente que ela parecia uma sapa rosa.

A turma entrou na sala em silêncio, pois até então, não conheciam a professora, até aquele momento ela era uma incógnita, e ninguém sabia se seria ou não adepta da disciplina rigorosa.

— Bom, boa tarde! — dissera ela finalmente, quando a turma inteira acabou de sentar.

Alguns alunos murmuraram em resposta.

— Tsc tsc. Assim não vai dar, concordam? Eu gostaria que os senhores, por favor, respondessem: “Boa tarde, professora Umbridge.” Mais uma vez, por favor. Boa tarde, classe!

— Boa tarde, professora Umbridge – entoaram os alunos lenta, desanimada e monotonamente.

— Agora sim — disse a professora com meiguice. segurou a vontade de fazer uma careta. Não engolia a falsa simpatia daquela mulher. — Não foi muito difícil, foi? Guardem as varinhas e apanhem as penas.

Os alunos se entreolharam confusos e sombrios, Roux apenas lançou um olhar significativo para Daphne, sem entender. Nunca à ordem “guardem as varinhas” se seguira uma aula que eles achassem interessante. A loira deu de ombros em resposta e então fez o que a mulher pedira.

A professora Umbridge abriu a bolsa e tirou a própria varinha, que era excepcionalmente curta, e com ela deu uma pancada forte no quadro-negro assustando alguns alunos desatentos. Imediatamente apareceu ali escrito: Defesa Contra as Artes das Trevas Um Retorno aos Princípios Básicos.

— Bom, o ensino que receberam desta disciplina foi um tanto interrompido e fragmentário, não é mesmo? – afirmou Umbridge, virando-se para encarar a turma, com as mãos perfeitamente cruzadas diante do corpo.

Parecia uma boneca macabra.

— A mudança constante de professores, muitos dos quais não parecem ter seguido nenhum currículo aprovado pelo Ministério, infelizmente teve como consequência os senhores estarem muito abaixo dos padrões que esperaríamos ver no ano dos N.O.M.s. Os senhores ficarão satisfeitos de saber, porém, que tais problemas agora serão corrigidos. Este ano iremos seguir um curso de magia defensiva, aprovado pelo Ministério e cuidadosamente estruturado em torno da teoria. Copiem o seguinte, por favor.

Ela tornou a bater no quadro; a primeira mensagem desapareceu e foi substituída por “Objetivos do Curso”. A francesa já se sentia entediada.

1. Compreender os princípios que fundamentam a magia defensiva;

2. Aprender a reconhecer as situações em que a magia defensiva pode legalmente ser usada;

3. Inserir o uso da magia defensiva em contexto de uso.


Por alguns minutos o som de penas arranhando pergaminhos encheu a sala. Depois que todos copiaram os três objetivos do curso, ela perguntou:

— Todos têm um exemplar de Teoria da magia defensiva de Wilbert Slinkhard? — Ouviu-se um murmúrio baixo de concordância por toda a sala.

A classe entoou em aprovação.

— Ótimo. Eu gostaria que os senhores abrissem na página cinco e lessem o Capítulo Um, “Elementos Básicos para Principiantes”. Não precisarão falar.

Vários minutos se passaram em silêncio. queria morrer de tanto ódio. Odiava matérias monótonas e professores sem didática. Começou então, a observar os colegas ao redor, prendendo sua atenção em Granger, que mantinha a mão levantada, enquanto a professora fazia cara de paisagem. Quando mais da metade da classe estava olhando para Hermione e não para os livros, a professora pareceu decidir que não podia continuar a ignorar a situação.

— Queria me perguntar alguma coisa sobre o capítulo, querida? — perguntou ela, com um sorrisinho sonso, Roux fechou os olhos em irritação.

— Não, não é sobre o capítulo — respondeu a grifinória.

— Bem, é o que estamos lendo agora – disse a professora, mostrando seus dentinhos pontiagudos. — Se a senhorita tem outras perguntas, podemos tratar delas no final da aula.

— Tenho uma pergunta sobre os objetivos do curso – disse Hermione. Umbridge ergueu as sobrancelhas.

— E como é o seu nome?

— Hermione Granger.

— Muito bem, Srta. Granger, acho que os objetivos do curso são perfeitamente claros se lidos com atenção.

— Bem, eu não acho que estejam — concluiu Hermione secamente. — Não há nada escrito no quadro sobre o uso de feitiços defensivos.

Houve um breve silêncio em que muitos alunos da turma viraram a cabeça para reler, de testa franzida, os três objetivos do curso ainda escritos no quadro-negro.

— O uso de feitiços defensivos? — Umbridge deu uma risadinha. — Ora, não consigo imaginar nenhuma situação que possa surgir nesta sala de aula que exija o uso de um feitiço defensivo, Srta. Granger. Com certeza não está esperando ser atacada durante a aula, está?

— Não vamos usar magia? — exclamou Rony, em voz alta.

— Os alunos levantam a mão quando querem falar na minha aula, Sr...?

— Weasley — respondeu Rony, erguendo a mão no ar. A professora manteve o sorriso falso, virando as costas para ele.

Harry e Hermione imediatamente ergueram as mãos também. Os olhos empapuçados da professora se detiveram por um momento em Harry, antes de se dirigir a Hermione. observava a cena incrédula e contendo-se para não sair dali.

— Sim, Srta. Granger? Quer me perguntar mais alguma coisa?

— Quero. Certamente a questão central na Defesa Contra as Artes das Trevas é a prática de feitiços defensivos.

— A senhorita é uma especialista educacional do Ministério da Magia, Srta. Granger?

— Não, mas...

— Bem, então, receio que não esteja qualificada para decidir qual é a “questão central” em nenhuma disciplina. Bruxos, mais velhos e mais inteligentes que a senhorita, prepararam o nosso novo programa de estudos. A senhorita irá aprender a respeito dos feitiços defensivos de um modo seguro e livre de riscos...

— Para que servirá isso? — perguntou Harry, em voz alta, a interrompendo. — Se formos atacados, não será em um...

— Mão, Sr. Potter! — entoou a professora Umbridge.

Harry empunhou o dedo no ar. Mais uma vez, a professora prontamente lhe deu as costas, mas agora vários outros alunos tinham erguido as mãos. Inclusive Roux, implorando que ela a escolhesse para colocá-la em seu devido lugar.

— E o seu nome é? — perguntou a professora a um garoto da grifinória.

— Dino Thomas.

— Diga, Sr. Thomas.

— Bem, é como disse o Harry, não é? Se vamos ser atacados, então não será livre de riscos.

— Repito — disse a professora, sorrindo para Dino de modo muito irritante —, o senhor espera ser atacado durante as minhas aulas?

— Não, mas...

— Não quero criticar o modo como as coisas têm sido conduzidas nesta escola — disse ela o interrompendo, um sorriso pouco convincente distendendo sua boca rasgada —, mas os senhores foram expostos a alguns bruxos muito irresponsáveis nesta disciplina, de fato muito irresponsáveis, isto para não falar em mestiços extremamente perigosos.

— Se a senhora está se referindo ao Prof. Lupin — Dino retorquiu, zangado, esganiçado a voz —, ele foi o melhor que já...

— Mão, Sr. Thomas! Como eu ia dizendo: os senhores foram apresentados a feitiços muito complexos, impróprios para a sua faixa etária e potencialmente letais. Alguém os amedrontou, fazendo-os acreditar na probabilidade de depararem com ataques das trevas com frequência...

— Não, isto não aconteceu — protestou Hermione

— Sua mão não está erguida, Srta. Granger! — Hermione ergueu a mão. A professora Umbridge virou-lhe as costas.

— Pelo que entendi, o meu antecessor não somente realizou maldições ilegais em sua presença, como chegou a aplicá-las nos senhores.

— Ora, no fim ficou provado que ele era um maníaco, não foi? — respondeu Dino, acalorado.

— E veja bem, ainda assim aprendemos um bocado.

— Sua mão não está erguida, Sr. Thomas! — gorjeou a professora. — Agora o Ministério acredita que um estudo teórico será mais do que suficiente para prepará-los para enfrentar os exames, que, afinal, é para o que existe a escola. E o seu nome é? — acrescentou ela, fixando o olhar em uma garota da Grifinória, que acabara de erguer a mão.

— Parvati Patil, e não tem uma pequena parte prática no nosso N.O.M. de Defesa Contra as Artes das Trevas? Não temos de demonstrar que somos capazes de realizar contra feitiços e coisas assim?

— Desde que tenham estudado a teoria com muita atenção, não há razão para não serem capazes de realizar feitiços sob condições de exame cuidadosamente controladas — respondeu a professora, encerrando o assunto.

— Sem nunca ter praticado os feitiços antes? – perguntou Parvati, incrédula. — A senhora está nos dizendo que a primeira vez que poderemos realizar feitiços será durante o exame?

— Repito, desde que tenham estudado a teoria com muita atenção...

— E para que vai servir a teoria no mundo real? — perguntou Harry em voz alta, seu punho mais uma vez no ar. Umbridge ergueu a cabeça.

— Isto é uma escola, Sr. Potter, não é o mundo real — disse mansamente.

— Então não devemos nos preparar para o que estará nos aguardando lá fora?

— Não há nada aguardando lá fora, Sr. Potter.

— Ah, é? – Harry questionou com raiva.

— Quem é que o senhor imagina que queira atacar crianças de sua idade? – perguntou a professora, num tom horrivelmente meloso.

— Humm, vejamos... — disse Harry numa voz fingidamente pensativa. — Talvez... Lorde Voldemort?

Roux engoliu em seco. Rony ofegou. Lilá Brown soltou um gritinho. Neville escorregou pela lateral do banco. A professora Umbridge, porém, nem sequer piscou. Estava encarando Harry com uma expressão de sinistra satisfação no rosto.

— Dez pontos perdidos para a Grifinória, Sr. Potter.

A sala ficou parada e em silêncio. Todos olhavam para Umbridge ou para Harry. O que só fez o sangue de Roux ferver mais ainda. Como poderiam se calar diante daquela injustiça?

— Agora gostaria de deixar algumas coisas muito claras.

A sapa ficou em pé e se curvou para a turma, suas mãos de dedos grossos e curtos abertas sobre a escrivaninha.

— Os senhores foram informados de que um certo bruxo das trevas retornou do além…

— Ele não estava morto — protestou Harry irritado —, mas, sim senhora, ele retornou!

— Sr. Potter-o-senhor-já-fez-sua-casa-perder-dez-pontos-não-piore-as-coisas-para-si-mesmo — ela disse sem parar para respirar e sem olhar para ele. — Como eu ia dizendo, os senhores foram informados de que um certo bruxo das trevas está novamente solto. Isto é mentira.

— NÃO é mentira! — disse Harry. — Eu o vi, lutei com ele.

— Detenção, Sr. Potter! — Umbridge disse, triunfante. — Amanhã à tarde. Cinco horas. Na minha sala. Repito, isto é uma mentira. O Ministério da Magia garante que não estamos ameaçados por nenhum bruxo das trevas. Se os senhores continuam preocupados, não se acanhem, venham me ver quando estiverem livres. Se alguém está alarmando os senhores com lorotas sobre bruxos das trevas renascidos, eu gostaria de ser informada. Estou aqui para ajudar. Sou sua amiga. E agora, por favor, continuem sua leitura. Página cinco. “Elementos Básicos para Principiantes”

A sapa rosa sentou-se à escrivaninha. Harry, no entanto, ficou em pé. Todos o olhavam, Simas parecia meio apavorado, meio fascinado.

— Então, segundo a senhora, Cedrico Diggory caiu morto porque quis, foi? — perguntou Harry, com a voz tremendo.

A turma prendeu coletivamente a respiração, porque nenhum colega, exceto Rony e Hermione, jamais ouvira Harry falar do que acontecera na noite em que Cedrico morrera.

Todos olhavam avidamente de Harry para a professora, que erguera os olhos e encarava o garoto sem o menor vestígio de falso sorriso no rosto.

— A morte de Cedrico Diggory foi um trágico acidente — disse ela, com frieza.

— Foi um assassinato — disse Harry. Ele sentia seu corpo tremer. Pouco falara com outras pessoas sobre isso, e muito menos com trinta colegas que o escutavam ansiosos. — Voldemort o matou, e a senhora sabe disso.

O rosto da professora Umbridge estava inexpressivo. Por um momento, Harry pensou que fosse berrar com ele. Entretanto um baque irrompeu, chamando a atenção da classe.

— Eu acredito no Harry.

se levantou, batendo a mão esquerda fortemente em sua mesa e fazendo com que todos os seus colegas a olhassem de maneira curiosa.

Principalmente por ser a única aluna da Sonserina a se manifestar.

— Eu estava lá quando ele trouxe o corpo do amigo de volta. — pausou, olhando o grifinório com pena — Eu vi a dor em seu olhar, o medo. Isso não é algo se pode simplesmente inventar.

Harry retribuiu seu olhar com um misto de surpresa e gratidão. Havia uma certa harmonia entre a francesa e o escolhido naquele momento.

— Então, eu acho que ao invés de você tentar desacreditar um aluno que sobreviveu a mais coisas do que você em todos os seus anos de ministério, você deveria, na verdade, tentar aprender um pouco com ele.

Choque.

Era isso que todos os alunos demonstravam após a fala de Roux. Umbridge forçava sua expressão em uma careta, com a testa franzida e os lábios comprimindo um ao outro, enquanto seu rosto tomava um tom tão rosado quanto suas roupas.

Hermione tinha as mãos em sua boca, segurando uma risada. Harry tinha a expressão divertida, sentindo-se grato pelo apoio que a francesa lhe prestava. Draco estava horrorizado. Tudo que podia ver em sua face era completa descrença de que estaria de fato vivenciando aquilo. A francesa, no entanto, manteve-se firme, muito embora soubesse que as suas palavras lhe causariam uma punição sem volta até o final daquela tarde.

Mas então Umbridge falou, com a sua voz mais macia, mais meiga e mais infantil:

— Venha cá, Sr. Potter, e Srta. Roux, querida.

Harry chutou sua cadeira para o lado, contornou Rony e Hermione e foi à escrivaninha da professora. Podia sentir o resto da classe prendendo a respiração. Estava tão furioso que não se importava com o que fosse acontecer. saiu de trás de sua mesa delicadamente e saiu em passos largos, parando ao lado do garoto.

A professora Umbridge puxou um pequeno rolo de pergaminho cor-de-rosa da bolsa, esticou-o sobre a escrivaninha, molhou a pena no tinteiro e começou a escrever, curvada sobre o pergaminho para que Harry e não pudessem ver o que estava escrevendo. Ninguém falava.

Passado um minuto e pouco, ela enrolou o pergaminho e lhe deu um toque com a varinha; ele se selou, sem emendas, de modo que os alunos não pudessem abrir e se duplicou.

— Leve isto ao Professor Snape, querida — disse estendendo a o bilhete. — E você, Harry, querido. Leve este a Professora Minerva.

pegou seu bilhete e saiu andando impaciente, sem se preocupar em ver se o grifinório a seguia. Só queria sair o mais rápido possível de perto daquela velha prepotente.

Por coincidência, ou não, a sineta alertando o fim da aula tocou, fazendo com que Malfoy se levantasse depressa.

! — Malfoy correu, tentando alcançar a garota que saiu da sala pisando forte.

— O que? — Roux questionou impaciente. Não queria conversar. Se sentia constrangida pelo dia anterior e irritada pelos acontecimentos da aula. Malfoy estava igualmente sério, mas se aproximou do ouvido da francesa para sussurrar.

Como sou seu noivo… — o platinado se afastou, deixando estática e então, tornando ao tom de voz usual — Sei que você é nova por aqui e por isso devo te alertar para que fique longe dessa gente. Você não quer se envolver com as pessoas erradas,

— O que?

— É, o Potter e sua trupe de grifinórios idiotas. — Malfoy tinha uma expressão enojada no rosto. , no entanto apenas arqueou a sobrancelha, com uma expressão debochada.

— Como meu noivo precisa aprender algumas coisinhas sobre mim, Draco... — dessa vez era Roux quem se aproximava, a voz carregada de ironia, agora próxima do ouvido do sonserino. — Eu ando com quem eu quiser e posso perceber quem é certo ou errado sozinha, ok? Passar bem.

E então, tudo o que Malfoy pode observar incrédulo, foram os cabelos longos e esvoaçantes da sonserina graças a raiva explícita em seu caminhar.

Capítulo Seis

nunca se sentira tão irritada e tão injustiçada em toda sua vida. Detenção por falar a verdade, sério?

Seu pai, Bernard Roux, costumava dizer que um dos benefícios do poder é sempre sair com razão das mais diversas situações. Mas a vida não costumava ser justa para as pessoas com quem ela precisava se enturmar. E era ainda mais injusto que Umbridge abusasse de sua “autoridade” para dizer todas aquelas mentiras depois de tudo que ocorrera no final do torneio tribruxo no ano anterior.

Dizem que o pior cego é aquele que não quer ver. Roux discordava. O pior cego é o que não viu, mas se permite ser alienado para ver somente o que querem lhe mostrar. Questionar é uma dádiva que te dá conhecimento, o que te empodera para buscar a liberdade. No entanto, muitas das vezes, saber demais também te condena, te enfraquece, por mais contraditório que pareça, te aprisiona.

Como fazia com ela naquele momento.

Roux sabia que Harry Potter estava certo, porque seus pais abrigavam aquele que todos juravam não ter voltado. Ela sabia demais e isso a amedrontava.

Era uma pena que parte extremamente significativa dos cegos eram os colegas de casa dela, que discordavam completamente do ato de rebeldia da última aula de DCAT e, agora, a encaravam como se fosse uma sereiana, um trasgo ou qualquer outra criatura mágica que era diferente demais para estar ali. Como ela queria não estar ali e ter a consciência tranquila em relação a segurança de seus pais.

Mas, o que mais a chateava era que, Draco fora o primeiro a agir dessa forma. Mesmo odiando Potter, mesmo sabendo de toda a verdade, lá no fundo esperava que ele fosse diferente, que ele não admitisse tamanha injustiça. Entretanto, ela estava enganada.

E aquilo só servia para lembrá-la que ela não o conhecia o suficiente. Mesmo com tamanha conexão e simpatia instantânea que sentira por Malfoy, ele era apenas um estranho. Um estranho ao qual ela estava prometida.

passou o dia calada, a fim de evitar mais problemas e mais detenções. Estava sentada na mureta que separava o hall do Salão Principal e o gramado, sentindo o vento balançar parte de seus cabelos e vestes. Esperando que o cheiro de grama molhada por conta do dia chuvoso acalmasse seus pensamentos conflituosos. A escuridão dos olhos fechados da garota estranhamente não a assustava como de costume, apenas lhe davam uma espécie de tela limpa para que seus pensamentos surgissem como pinturas abstratas, esvaindo as preocupações incessantes de dentro dela.

— É inevitável não sentir paz quando você está por perto, sabia? — ela não precisou abrir os olhos para reconhecer a voz responsável pelos arrepios que percorreram todo seu corpo naquele instante.

Ela os abriu, no entanto, para expulsá-lo dali. Ver Fred Weasley depois de tudo que aconteceu ainda doía de forma inexplicável em seu peito. Mesmo que eles não tivessem nada, mesmo que houvesse explicação, não é agradável para ninguém ver a pessoa que gosta beijando outra.

— Te vi aqui, quietinha e pensei que nós podíamos… Conversar. — a voz do ruivo esbanjava incerteza, cautela e receio.

Roux sabia que eles teriam que conversar em algum momento, mas adiaria aquilo o máximo que conseguisse. E, mesmo que Fred merecesse ouvir umas verdades, ela não achava justo que fossem complementadas com seus problemas, que nada tinham a ver com o garoto.

— Não é um bom momento, Weasley. — a francesa suspirou, olhando para o gramado — Paz é tudo que eu menos sinto agora.

— Você esconde muito bem alguns sentimentos, . Não sei dizer se isso te ajuda ou se te atrapalha.

— Eu realmente não ligo pra isso agora. — sentenciou com a voz fria e trêmula. — Quero ficar sozinha, por favor.

— Não precisamos conversar sobre nós… — Fred disse, depois de ponderar por alguns segundos — Eu só preciso saber o que te deixa tão triste e preocupada e o que posso fazer pra te ajudar.

Os olhos do grifinório a encararam com tanta intensidade que quase se jogou nos braços dele, o lugar que jurava ser o mais seguro que ela poderia encontrar ali, tão longe de casa. Mas, mesmo com tudo o que acontecera, ela gostava demais de Fred Weasley para envolvê-lo em tamanho problema, então conteve-se em desviar o olhar e retrair os ombros, desconfortável. A sonserina nem sabia qual desculpa dar para parecer convincente na frente dele, que a conhecia bem o suficiente para saber quando ela mentia.

— Roux! — a voz de Harry Potter fez com que ela se virasse no mesmo instante, deixando Fred completamente irritado por, mais uma vez, ser interrompido. — Desculpa por atrapalhar vocês…

— Que bom que reconhece… — murmurou Fred impaciente fazendo com que Roux o encarasse com os olhos semicerrados.

— Não atrapalhou nada, Potter. — pelo contrário, havia a salvo de mais perguntas.

— Bem, eu só vim te avisar que faltam cinco minutos para as cinco. Temos detenção…

— Vamos, a conversa aqui já tinha acabado, não é mesmo? — ela sorriu irônica para Fred que abriu a boca para rebater. Em vão, a sonserina já havia saltado da mureta. — Passar bem, Weasley, com licença.

saiu pisando forte com Harry em seu encalço na direção da sala de Umbridge, no terceiro andar. O garoto bateu na porta, recebendo uma voz melosa como resposta.

— Entrem. — ambos se olharam receosos, e então começaram a explorar a decoração um tanto quanto rosa demais.

Harry conhecera essa sala na época dos seus três ocupantes anteriores. Quando Gilderoy Lockhart a usara, tinha as paredes cobertas de fotos dele sorridente. Quando Lupin a ocupara, parecia que a pessoa ia deparar com alguma fascinante criatura das trevas em uma gaiola ou em um tanque, se aparecesse para visitá-lo. Na época do Moody impostor, a sala se enchera de instrumentos e artefatos para a detecção de malfeitos e dissimulações.

Agora, porém, estava completamente irreconhecível. As superfícies tinham sido protegidas por capas de rendas e tecidos. Havia vários vasos de flores secas, cada um sobre um paninho, e, em uma parede, havia uma coleção de pratos decorativos, estampados com enormes gatos em tecnicolor, cada um com um laço diferente ao pescoço. Eram tão hediondos que Harry ficou mirando-os, paralisado, enquanto usava todo o controle que havia dentro de si para não gargalhar debochadamente, até a professora Umbridge tornar a falar.

— Boa noite, Senhor Potter, Senhorita Roux.

Harry se assustou e olhou para os lados. A princípio não a notara, porque ela estava usando vestes de flores de tons pálidos que se fundiam perfeitamente com a toalha de mesa sobre a escrivaninha às suas costas.

— Noite, professora Umbridge — respondeu Harry formalmente.

— Noite. — murmurou , claramente desgostosa, recebendo um olhar de reprovação da professora.

Era algo quase que automático de Roux. Vivia, inclusive, sendo repreendida pela mãe, mas a francesa era transparente demais e não conseguia fingir a mínima simpatia com quem não gostava.

— Muito bem, sentem-se — disse ela, apontando para uma mesinha forrada com uma toalha de renda, junto a qual ela colocara uma cadeira de espaldar reto.

Havia sobre a mesa uma folha de pergaminho em branco, aparentemente à espera dos dois.

— Hum — começou Harry sem se mexer —, professora Umbridge. Hum... Antes de começarmos, eu... Eu gostaria de lhe pedir um... Favor.

Os olhos saltados da professora se estreitaram, assim como os de , que ficara curiosa com a atitude do colega. Não estavam em posição de pedir favores.

— Ah, é? — sorriu Umbridge, desdenhosamente.

— Bem, eu sou... Eu sou do time de quadribol da Grifinória. E eu devia participar dos testes para escolher um novo goleiro às cinco horas na sexta-feira e eu estava... Estava pensando se poderia faltar à detenção nessa noite e cumprir... Cumprir outra noite... Trocar…

percebeu muito antes de chegar ao fim do frase que não ia adiantar e parte dela sentia que aquele simples pedido os traria mais problemas do que Harry poderia imaginar.

— Ah, não — disse Umbridge, dando um sorriso tão grande que parecia ter acabado de engolir uma mosca particularmente suculenta. — Ah, não, não, não. Este é o seu castigo por espalhar histórias nocivas, maldosas, para atrair atenções, Sr. Potter, e com certeza os castigos não podem ser ajustados para atender à conveniência do culpado. Não, o senhor estará aqui às cinco horas amanhã, depois de amanhã, e na sexta-feira também, e cumprirá as suas detenções conforme programado. Acho muito bom o senhor estar sendo privado de alguma coisa que realmente queira fazer. Isto irá reforçar a lição que estou querendo lhe ensinar.

achou que Harry fosse entrar em ebulição de tão vermelho. A professora o observava com a cabeça ligeiramente inclinada para um lado, mantendo o largo sorriso no rosto, como se soubesse exatamente o que ele estava pensando, e esperasse para ver se ele recomeçaria a gritar. Com um esforço concentrado, Harry desviou os olhos dela, largou a mochila ao lado da cadeira de espaldar reto e se sentou levando o olhar até Roux.

— Alguma dúvida ou pedido especial também, Srta. Roux? — virou-se para , que segurou-se para não lhe responder algo pouco educado, contendo-se em sorrir.

— Tudo em perfeita ordem, professora. — respondeu a garota, em um tom de voz forçado.

— Perfeito. — a professora falou com meiguice. — Já estamos começando a controlar melhor o nosso gênio, não estamos?

A vontade de ofendê-la ardeu em sua garganta, mas com receio de se envolver em mais problemas, a sonserina apenas sorriu docilmente em escárnio.

— Agora a senhorita irá escrever algumas linhas para mim, Srta. Roux. Não, não com a sua pena. — acrescentou, quando se curvou de mal grado para abrir a sua mochila. — A senhorita vai usar uma especial que tenho. Tome aqui.

E lhe entregou uma pena longa e preta, com a ponta excepcionalmente aguda.

— Quero que a senhorita escreva: Não devo contar mentiras – disse a professora brandamente.

— Quantas vezes? — perguntou , com uma imitação bastante crível de boa educação.

— Ah, o tempo que for preciso para a frase penetrar — disse Umbridge com meiguice.

— Pode começar.

A professora foi para sua escrivaninha, se sentou e se debruçou sobre uma pilha de pergaminhos que pareciam ser deveres para corrigir. Harry ergueu a pena preta e afiada.

— Não. O senhor não, Sr. Potter. — sorriu enquanto pegava uma xícara, tão rosa quanto o resto do cômodo. — O senhor deve permanecer em silêncio no seu lugar.

levantou a pena em direção ao pergaminho quando percebeu que algo estava faltando.

— A senhora não me deu tinta.

— Ah, você não vai precisar de tinta — disse ela, com um leve tom de riso na voz.

encostou a ponta da pena no pergaminho e escreveu: “Não devo contar mentiras”. E pode ouvir quando Harry soltou uma exclamação de dor, virando-se em direção ao colega preocupada.

As palavras que apareceram no pergaminho em tinta brilhante e vermelha, ao mesmo tempo, se replicaram no dorso da mão direita do menino, gravadas na pele como se tivessem sido riscadas por um bisturi. Roux olhou para sua própria mão, mas não havia nada lá. Voltou sua atenção novamente ao pergaminho, fazendo nele um traço qualquer e, então, tornou a observar a mão do colega, apenas a tempo de ver o mesmo traço formando-se sob ela. Contudo, mesmo enquanto observava o corte brilhante, a pele tornou a fechar, deixando o lugar um pouco mais vermelho que antes, mas, de outra forma, inteiro.

Ambos viraram a cabeça para olhar a Umbridge. Ela os observava, a boca rasgada e bufonídea distendida em um sorriso.

— Pois não?

— Nada — disse Harry em voz baixa, balançando a cabeça em forma de repreensão para a colega quando percebeu que a mesma queria protestar. — Desculpe interromper, pode continuar, Roux.

engoliu a seco. Temia machucá-lo ainda mais ou pior, acabar com um presente igualmente doloroso na sua própria mão, mesmo que sua vontade fosse chorar, xingar aquela maldita mulher ou sair correndo atrás do diretor.

Naquele momento, ela era a autoridade ali. E não havia nada que ou Harry pudessem fazer.

A francesa tornou a voltar sua atenção para o pergaminho, tocou-o com a pena, escreveu “Não devo contar mentiras”, e sentiu a exclamação baixa do colega quando a ardência nas costas de sua mão o atingiu pela segunda vez; e de novo as palavras cortaram sua pele; e, de novo, sararam segundos depois. E assim a tarefa prosseguiu. Repetidamente escreveu as palavras no pergaminho, não com tinta, como logo veio a perceber, mas com o próprio sangue de Harry Potter. E sucessivamente as palavras eram gravadas nas costas de sua mão, fechavam e reapareciam da próxima vez que ela tocava o pergaminho com a pena.

A noite desceu à janela da Umbridge. Harry e não perguntaram quando teriam permissão de parar. Nem sequer consultaram o relógio. Ambos sabiam que ela os observava à procura de sinais de fraqueza, e eram extremamente teimosos e orgulhosos a ponto de não manifestar nenhum, nem mesmo se Harry tivesse de se sentar ali a noite inteira, observando a francesa cortando sua própria mão com aquela pena...

— Venha cá — disse ela, depois do que lhe pareceram muitas horas.

Ele se levantou. Sua mão ardia dolorosamente. largou a pena exasperadamente, lançando-a sob a mesa e respirando aliviada, como se tivesse tirado o peso do mundo de suas costas. Levantou-se e se prostrou ao lado de Harry, que mantinha as mais próximas do corpo, , então, baixou os olhos, viu que o corte fechara, mas a pele estava em carne viva. A garota se sentia péssima por ter feito aquilo.

— Mão — disse ela. Ele a estendeu. Umbridge a segurou nas dela. Harry reprimiu um estremecimento quando ela o tocou com seus dedos grossos e curtos, que exibiam vários anéis velhos e feios.

— Tsc, tsc, parece que ainda não gravou fundo o bastante — disse sorrindo.

sentiu um arrepio correr por toda sua espinha. Não sabia se seria capaz de sentar por mais um minuto sequer sendo a culpada por ferir o grifinório.

— Bom, teremos de tentar outra vez amanhã à noite, não é mesmo? Pode ir.

Harry saiu da sala sem dizer uma palavra. A escola estava bem deserta; com certeza passara da meia-noite. Caminhou lentamente pelo corredor, então, ao virar um canto, e certo de que ela não o ouviria, saiu correndo. Deixando uma confusa e culpada para trás.

Temia que, ao invés de se aproximar do garoto, tivesse arruinado completamente o seu plano e colocado seus pais à beira da morte. Embora a outra parte dela segurasse o choro, mesmo que não fosse amiga do mesmo, ela ainda podia ouvir os grunhidos de incômodo dele quando fechava os olhos e aquilo a atormentava. Nunca se imaginara fazendo mal a alguém antes e só nos últimos dias estava mais do que claro que, agora, aquilo seria algo recorrente.

E ela detestava isso.

Com a cabeça ainda mais turbulenta do que quando entrara naquela sala horas mais cedo, esgueirou-se na direção da saída do castelo. Precisava de um momento em silêncio, e sabia que não o teria na comunal ou no dormitório com Daphne querendo conversar.

Adoraria ir até a Torre de Astronomia para olhar o céu e relaxar, mas a grande chance de encontrar Fred lá a desanimava, e ela acreditava que o lugar não seria o mesmo sem ele, ainda mais quando sua mente relembrava vividamente todos os momentos que passaram juntos ali.

Então ela seguiu pelos jardins até o Lago, onde sentiu uma paz semelhante dias atrás. Por conta da poção, claro. Mas Roux nutria a esperança de que mesmo sem estar parcialmente dopada o local teria algum efeito semelhante sobre ela.

Sentou-se na grama úmida, exalando o cheiro forte vindo da mesma depois da tarde chuvosa. O vento forte anunciava que provavelmente a noite seria do mesmo jeito, fazendo-a bufar por não poder ficar o tempo que esperava ali.

Mas aproveitaria o pouco tempo, mesmo assim. fechou os olhos, apoiando as palmas das mãos no capim e tombando a cabeça para trás, lembrando-se de sua melhor amiga. Delacour dizia que respirações profundas sempre ajudavam em momentos como aquele. Roux achava bobagem, mas no contexto atual apelaria para qualquer coisa, então não custava arriscar.

A francesa se surpreendeu ao sentir-se melhor depois de alguns minutos em silêncio, a mera lembrança de Fleur dizendo um “viu que não é besteira, eu te disse que dava certo” com o carregado sotaque, a fez gargalhar.

— Além de falar com a escória agora você ri sozinha, Roux? — a voz de Draco se fez presente, fazendo-a endireitar a postura.

— São coisas assim que não permitem que eu me torne uma pessoa amargurada, Draco… — ela debochou, observando o Lago. — Você deveria tentar.

Draco a olhou indignado, em busca de uma resposta à altura. Recordando-se de que não viera atrás dela para piorar ainda mais a relação entre eles. Não sabia exatamente o porquê, mas não gostava da ideia de ter assuntos mal resolvidos com a francesa.

— Eu não vim te pedir conselhos ou discutir mais. — revelou Malfoy, ao se sentar ao lado da garota.

— Ótimo, não estou com muita paciência hoje. O dia já foi atribulado o suficiente para ter que aconselhar um adolescente com problemas na vida social.

— Eu não sou antissocial! — rebateu o loiro ofendido, o que a fez erguer as mãos em rendição com um sorriso fraco.

— Tudo bem, tudo bem! Se você diz eu acredito. — deu de ombros — Não te conheço o suficiente para ter uma conclusão como essa.

— Você me conhece mais do que muita gente. — confidenciou com uma careta.

— Eu te conheci a o que? Há cerca de um mês atrás? — Roux debochou.

— Isso não te impediu de invadir meu quarto noites atrás. — fora a vez do garoto argumentar debochado, deixando-a sem ter o que falar. — Mas não precisamos falar sobre isso se não quiser.

— Eu agradeço. Creio que apressei um pouco as coisas, foi isso que me fez perceber que não nos conhecemos tanto assim e que, bem, começamos tudo errado e precisamos ir com calma... — a francesa disparou a falar.

— Essa foi a primeira coisa que eu percebi em você. — ele a interrompeu, rindo ao abaixar a cabeça — Você começa a tagarelar quando está nervosa ou envergonhada e também gosta de se isolar quando tem algo a incomodando.

— Como assim? Claro que não! — tornou a falar rapidamente.

— Viu? Você fez de novo, tagarelou! — Draco apontou para ela, sorrindo convencido e recebendo um tapa no ombro — O que? Foi você que disse que não nos conhecemos o suficiente. Então me conte o que eu não sei sobre você, Roux. Quero conhecê-la para fazer tudo certo.

A sonserina arregalou os olhos levemente assustada. Mal se lembrava do porquê se estranharam e pararam de se falar nos últimos dias, ela e Draco conversavam como se nada tivesse acontecido. Talvez aquele fosse o jeito, meio torto e indireto, de Draco Malfoy pedir desculpas por ser um babaca intrometido.

— Eu odeio ter que falar inglês. — confessou somente, ainda desviando dos olhos acinzentados do sonserino.

— Então não fale. Pelo menos quando estiver comigo. — Malfoy deu de ombros enquanto se dirigia a garota em seu idioma de origem — Eu sempre quis aprender a tocar violino ao invés de enfeitiçá-lo.

— Isso é…

— Ridículo, eu sei. — ele disse rindo fraco, ainda em francês.

— Eu ia dizer surpreendente. — ela o interrompeu. Draco ergueu os olhos na direção dos dela e ambos ficaram por alguns segundos em silêncio, até que pensou em algo e desviou novamente — Eu sei que é completamente previsível no estereótipo de garota rica francesa, mas eu fazia aulas de balé. E amava.

— Eu tenho a impressão de que você não gostou de ter se mudado.

— Você está certo. — Roux riu, sem humor — Mas eu tenho a impressão, ou melhor... Tenho certeza de que você, mais do que qualquer um, entende o que é não ter opção de questionar ou sequer ter o direito de gostar ou não da escolha dos seus pais.

— Entendo sim. — Draco abaixou os ombros em um suspiro longo.

— Então… É a sua vez. — sorriu, desconversando. Ambos viviam na mesma realidade, não era algo que demandava atenção ou precisava ser discutido.

— Ah, claro. Gosto de caminhar pelos jardins de casa, o cheiro das flores e da grama é algo que faz com que eu me sinta verdadeiramente em casa, me sinto… — o loiro gesticulou com as mãos, enquanto tentava buscar a melhor palavra para se expressar.

— Em paz. — ela sugeriu caindo na gargalhada ao receber uma careta como resposta — Todos nós costumamos ter um lugar conforto, Draco. Tá tudo bem, valentões também precisam de paz. É como sua válvula de escape em meio ao caos. Eu meio que notei que aquele era o seu na nossa primeira conversa.

— Tá, é meio que isso sim.

— Por exemplo… Meu lugar conforto costumava ser um café trouxa simples em Paris, onde eu podia sentir o cheirinho dos pães sendo assados na esquina do quarteirão anterior. Sempre ia lá quando me sentia mal e fazia sempre a mesma coisa: pedia um chocolate quente com bastante canela e chantilly e pães quentinhos com a manteiga derretendo, sentava na mesa dos fundos do lugar e ficava observando as luzes da cidade e a Torre Eiffel bem pequeninha ao longe, tanto que eu sentia que essa poderia caber entre meus dedos assim. — a francesa ergueu o polegar e o indicador os aproximando com um sorriso lindo nos lábios enquanto apertava os olhos ao mostrar o tamanho do monumento.

Draco achou aquilo inexplicavelmente adorável. Se tornando completamente impossível não acompanhá-la na risada.

— Era como se lá meus problemas se tornassem pequenos como a Torre e com soluções palpáveis, sabe? Mas, bem, isso era em Paris. — murmurou saudosa.

— Talvez esse seja nosso lugar, então. — referiu-se ao Lago, enquanto encarava, mais uma vez os olhos dela.

, no entanto, havia perdido o ar e a fala. Sentia-se péssima por já ter lugares demais com pessoas demais naquela droga de castelo. Ainda mais quando uma dessas pessoas se aproximava cada vez mais dela e agora desviava os olhos acinzentados para seus lábios.

Ela não podia, mesmo que fosse algo tentador. Então, quando os finos pingos de chuva começaram a cair, despertando-a de seu transe, apenas sorriu sem graça e se afastou de Draco.

— Com calma, lembra?

— Claro, claro… — Draco coçou a nuca, igualmente constrangido. — Estamos nos conhecendo, afinal.

— Isso, como amigos. — Roux frisou, enquanto se levantava e erguia uma das mãos para ajudá-lo a fazer o mesmo para que pudessem fugir da chuva que logo se intensificaria.

— Exatamente, amigos. — Malfoy disse, como se fosse algo óbvio. Na tentativa de demonstrar que havia entendido e de tentar convencer a si mesmo daquilo enquanto aceitava a ajuda da garota para levantar, unindo suas mãos como sócios firmando um acordo.

E fora isso que ambos repetiam mentalmente como um mantra enquanto corriam de volta para o castelo: que iriam se conhecer com calma e seriam só amigos.

🐍🐍🐍


Algumas semanas se passaram e as detenções com Umbridge finalmente chegaram ao fim, deixando sequelas físicas e mentais nos jovens.

Harry e caminhavam em silêncio para a última de suas tão tortuosas detenções, os corações batendo tão rápido que poderiam senti-los prestes a saltar por suas bocas. Odiavam aquilo. O medo, a impotência. Era quase como se Harry estivesse preso debaixo da escada na Rua dos Alfeneiros, n° 4 novamente, mas nem Duda, Tio Válter e Tia Petúnia o faziam se sentir tão fraco quanto Dolores Umbridge.

, por outro lado, se sentia leve. O alívio tomava conta do seu corpo em saber que depois daquele dia não precisaria passar mais nenhum segundo tendo que ouvir os grunhidos de dor do colega provocados por ninguém além dela mesma. Seu alívio, no entanto, durou somente até o momento em que chegaram até a sala de Umbridge e Harry levou sua mão com dificuldade até a maçaneta para abrir a porta.

— Ah, Harry. — suspirou pesarosamente.

Seus olhos encheram de lágrimas e a garota não pôde conter o impulso de tocá-lo, fazendo com que o garoto se alarmasse tirando as mãos de sua vista e escondendo as mesmas dentro de suas vestes.

— Deixe-me ver, por favor. — suplicou.

Harry lançava um olhar desconfiado sobre a sonserina, analisando sua expressão. Não suspeitava que ela fosse má, não, pelo contrário, soube que não era como os seus colegas de casa no momento em que a mesma o defendeu no início do ano letivo. Mas, ainda assim, não esperava que isso fosse os tornar amigos de um hora para a outra, afinal, qual a garantia de que a garota não havia se arrependido de ter ficado do seu lado no momento em que sua decisão trouxe consequências ruins para ela?

— Não é nada, sério. — balançou a cabeça — Vamos só entrar e acabar com isso logo.

— Não, Harry. — puxou o garoto pelo ombro antes que ele entrasse pela porta — Eu preciso que você saiba. — suspirou — Preciso que saiba que eu não sinto prazer nenhum em te ver assim. Jamais sentiria.

O garoto assentiu, levemente surpreso. Sentia a verdade na fala da francesa lhe atingindo fortemente no peito por suspeitar da mesma.

— Está tudo bem, ‘tá legal? — sorriu com os lábios — Nada disso é culpa sua.

Roux assentiu, mais uma vez lançando um olhar triste sob as marcas avermelhadas na mão do garoto. Não deixaria que ele passasse por aquilo mais uma vez, nem que para isso tivesse que voltar a fúria de Umbridge inteiramente para si mesma.

— Vocês estão atrasados.

Dissera Dolores Umbridge ao ver o par adentrar sua sala cor de rosa. O barulho do miado das centenas de gatos enquadrados preenchendo seus ouvidos de maneira irritante.

— Sinto muito, mas sua irresponsabilidade com o horário marcado mostra que claramente não aprenderam nada com nossas últimas aulas. O que não me deixa outra opção senão estender essa detenção por mais meia hora.

A professora, então, depositou a pena e o pergaminho sob a mesa de e logo em seguida começou a preparar um chá para si mesma.

— Muito bem, vocês já sabem o que fazer. — dissera Dolores, enquanto se sentava com sua xícara de chá estupidamente rosa.

— Não. — esbravejou .

A professora parou subitamente, levantando seu olhar até a garota a medindo com frieza, logo então afrouxando sua expressão em um sorriso irritante.

— Perdão, querida. — dizia sua voz fina — Tenho a impressão de tê-la ouvido dizer “não”, mas só posso ter escutado errado.

Harry olhava assustado. Tinha medo do que poderia acontecer caso a garota insistisse em contrariar Umbridge.

— Pois não será dessa vez que terá de lavar os ouvidos. Eu disse que não.

Umbridge suspirou alto, Harry engasgou em seco, tossindo logo em seguida e , bom, exigia toda a coragem que tinha dentro de si mesma para não deixar com que sua expressão vacilasse demonstrando qualquer sinal de fraqueza.

— Tudo bem, senhorita Roux. — disse, arrancando um olhar surpreso tanto de quanto de Harry.

— Tudo bem? — questionou .

— Ora, mas é claro. Não sou o monstro que você pensa que sou. — sorriu — Inclusive, acho mesmo que o Sr. Potter merece um descanso.

Harry soltou um suspiro, mas conhecia Umbridge bem o suficiente pra saber que não diria aquilo por bondade de seu coração.

— Sr. Potter, você está dispensado. Já você, senhorita Roux, já que gosta tanto de sair em defesa dos seus colegas, deverá escrever 100 vezes “Não devo bancar a heroína” e só então estará livre das detenções.

Foi a vez de engolir em seco. Harry parecia pronto para contestar a decisão da professora, mas a sonserina imediatamente o interrompeu, antes que sobrasse para o garoto novamente.

— Está tudo bem, Harry. — sorriu com os lábios.

Harry a fitou com a expressão pesarosa, parecendo pensar no que faria a seguir.

— Por favor, Harry. — suplicou a francesa.

O herdeiro, então, levantou-se lentamente de seu lugar, recolhendo suas coisas e caminhando lentamente para fora dali, mas não antes de virar-se e sussurrar um “obrigado” triste para a sonserina, fechando seus olhos com força ao ouvir o primeiro grunhido de dor vindo da mesma ao passar pela porta.

🐍🐍🐍


ainda não voltara a falar com Fred, já com Draco as coisas se tornaram menos constrangedoras, de certo modo, o que fez com que ambos voltassem a trocar mais que somente palavras essenciais.

Com calma e como amigos, como eles haviam combinado.

As aulas, em sua grande maioria — visto que as de Dolores Umbridge eram a exceção principal nesse contexto —, eram ótimas e já se sentia completamente adaptada à nova rotina.

Estava se empenhando muito em cumprir a missão que o lorde a havia determinado, se sentia orgulhosa por conseguir avançar no plano e se aproximar do trio, mas, ao mesmo tempo, se sentia péssima por usá-los, já que, mesmo com suas ressalvas, eles realmente pareciam estar se afeiçoando a ela, além de serem boas pessoas.

Mas a francesa não podia se dar ao luxo de se sentir daquela forma. Sua família estava em risco, afinal. E ela faria qualquer coisa para tirá-los da mira do lorde das trevas.

A primeira visita a Hogsmeade do ano letivo estava se aproximando e mesmo que negasse a si mesma, esperava um convite vindo de Draco para que pudessem ir juntos. Afinal, ele era a única pessoa que ela conhecia (e que não estava atualmente brigada), mas o convite não veio, então ela decidiu seguir a multidão até o vilarejo sozinha.

O dia estava fresco, frio demais para usar um vestido, mas calor demais para usar um casaco ou cachecol, o que levou a vestir apenas um suéter fino de tricô azul, uma saia de couro de dragão preta, meia calça e botas de salto da mesma cor.

Roux se lembrava vagamente das lojas que visitara no ano anterior com Fleur, então não sabia exatamente aonde queria ir primeiro. Avistou Daph caminhando mais a frente com o garoto que ela havia comentado que encontraria e os demais sonserinos andando um pouco mais atrás.

Era engraçado como todos eles andavam em bando. E era mais engraçado ainda que ela fosse uma sonserina e estivesse sempre tão sozinha.

Ela apressou o passo, determinada a tentar se enturmar ou ao menos parecer menos deslocada, aproximando-se o suficiente para ouvir algumas conversas, mas não para ser vista, enquanto massageava a mão ainda dolorida devido a última detenção.

— Eu não gosto dela. — era Draco, conversando com Crabbe, Goyle e Zabini. — Mas gosto como ela coloca o ridículo do Potter no lugar dele.

Eles provavelmente falavam sobre Umbridge, concluira a francesa.

— Falando em Potter, qual é a da aluna nova? — questionou Zabini, fazendo com que Roux franzisse o cenho, agora falavam dela?

— O que? — Draco fez-se de desentendido, embora engolisse seco.

— A sua amiga, . — Goyle explicou. Ou Crabbe. Ela nunca sabia quem era quem.

— Ela mesmo. — Zabini tornou a dizer — Me espanta que alguém da Sonserina, tão bonita e de uma família tão boa quanto a dela ande com esse tipo de escória. Ela está fazendo algum tipo de caridade? Pagando algum castigo ou algo assim?

cerrou os punhos, enquanto ouvia os garotos rirem. Draco soltara apenas um riso, sem graça e completamente perplexo.

— Nós não somos amigos. — disse ele, dando de ombros. — Então não posso te dizer o que se passa na cabeça dela.

Roux não conseguiu controlar uma gargalhada, que despertou a atenção dos garotos que caminhavam à frente e agora a encaravam envergonhados, para dizer o mínimo. Ela não sabia por que não se sentia surpresa em relação a atitude do platinado.

— Ninguém passa tanto tempo tentando decifrar ou saber mais de quem não é amigo, Malfoy. — ela disse calmamente, embora sua voz carregasse um sarcasmo nunca visto antes. O garoto ainda engolia seco, com os olhos ligeiramente arregalados com o susto — Sugiro que ao menos peguem agulhas e lã para tricotar como velhas enquanto cuidam da vida alheia.

A garota deu as costas para os colegas de casa, caminhando decididamente até o que lhe pareceu um bar. parou antes de abrir a porta, observando o letreiro pendurado (lê-se quase despencando) que ilustrava a cabeça decepada de um javali, pingando sangue na toalha branca que o envolvia. Ela levou a mão até a maçaneta enferrujada e então, quando adentrou o local sentiu o cheiro forte que não era lá muito agradável e observou a higiene lamentável, para não dizer precária.

As pessoas eram esquisitas lá, mas decididamente ninguém a perturbaria, então aquilo a fez caminhar até o balcão e observar com cautela o cardápio escrito em um pergaminho velho e sujo.

— Três cervejas amanteigadas por favor. — era a voz de Hermione. arregalou os olhos, virando-se vagamente na direção do trio, que parecia desconfortável. O barman saiu e cerca de alguns minutos depois voltou com as bebidas fumegantes.

— Então, — começou Harry enquanto abria e dava um gole em seu copo — quem você disse que viria encontrar a gente?

— Meia dúzia de pessoas. — Hermione disse decidida enquanto dividia o olhar entre o relógio e a porta — Pedi para chegarem por volta dessa hora, e tenho certeza de que todos sabem onde fica… Ah, veja, talvez sejam eles.

A porta do pub se abriu e então apertou os olhos para enxergar entre a faixa de poeira e luz quem eram as várias pessoas que adentravam o local. O primeiro que ela conseguiu distinguir foi Neville Longbottom, com Dino Thomas e Lilá alguma coisa, seguidos pelas gêmeas Patil, Cho Chang e uma de suas amiguinhas desagradáveis. Tinham mais algumas pessoas cuja existência ela desconhecia até o atual momento, Lino Jordan e claro, como uma unidade, Jorge e Fred carregando algumas sacolas de papel com o que deveria ser artigos da loja que o ruivo adorava falar sobre, a tal Zonko’s.

— Oi — disse Fred quando chegou ao bar e contou rapidamente os companheiros — pode nos servir vinte e cinco cervejas amanteigadas, por favor?

O barman o encarou perplexo, certamente nunca vira seu bar tão lotado assim antes e sorriu, finalmente fazendo-se presente.

— Vinte seis! — corrigiu ela, com um sorriso travesso nos lábios enquanto se posicionava ao lado do garoto — Pede uma cerveja pra mim também, Weasley. E ah, pode deixar que eu pago. — a sonserina piscou enquanto Fred a encarava perplexo.



Continua...



Nota da autora: Olá, marotas. Quanto tempo, não? Sei que estivemos sumidas por aqui, mas é que a Katherine andou aprontando e vivendo tanta coisa que precisamos de um tempo para conseguir alcançar seus passos e trazê-los bem descritos aqui para vocês. Esse capítulo está recheado das mais distintas emoções e esperamos que vocês, assim como nós, se sintam inebriados em experimenta-las. Obrigada pela sua paciência e por todas aquelas que tiraram um tempinho para nos procurar nas redes sociais! Espero que gostem de mais um pedacinho dessa aventura. Para quaisquer esclarecimentos sobre atualizações, sugestões ou elogios sobre a história, nos procure em @juscairp e @aluadawriting. Boa leitura.



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